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Editorial

O futuro do empreendedorismo A primeira edição da Revista Soluções, em 2013, tem como tema de capa o crescimento do empreendedorismo junto à classe média. A informação de que mais da metade dos 27 milhões de empreendedores brasileiros é da Classe C faz parte de uma pesquisa nacional encomendada pelo Sebrae ao Instituto Data Popular. O estudo mostra um cenário que parece irreversível. Além de consumidora, a Classe C revela-se empreendedora. O incentivo à formalização, por meio da figura jurídica do microempreendedor individual, para aqueles que têm faturamento bruto de até R$ 60 mil/ano, é sem dúvida o impulsionador de mais essa tendência, somado à economia aquecida. A classe média, no entanto, está diante de um desafio, assim como todos os empresários brasileiros, que é trabalhar o sucesso de seus empreendimentos, afastando-os, na medida do possível, dos riscos da mortalidade empresarial. E como fazer isso? Apostando e investindo em informação, conhecimento, planejamento, gestão e monitoramento de resultados. A nova classe média precisa consolidar posição e mostrar a que veio. Que a reportagem da Revista Soluções sirva de inspiração para (mais) uma reflexão sobre o assunto. Afinal de contas, o que está em jogo é o futuro do empreendedorismo no Brasil, assim como o seu perfil. Além do empreendedorismo na Classe C, você encontra outras análises nesta edição. Não perca as reportagens sobre sistemas eletrônicos que garantem segurança em pequenas empresas; as dicas de especialistas para enfrentar a inadimplência; os exemplos de pequenos negócios sustentáveis; e o uso correto e controlado do Facebook. A Revista Soluções traz também casos de empresários de pequeno porte que viraram fornecedores do poder público, por meio de licitações, graças à Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. E de empresas paranaenses que decidiram organizarem-se em redes para tornarem-se mais fortes. Confira o artigo de opinião de nosso colunista, o consultor de Marketing Eloi Zanetti. E um balanço de gestão feito por Jefferson Nogaroli, que deixou em fevereiro passado a presidência do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, depois de quatro anos. Para Nogaroli, o Brasil precisa do empreendedorismo e o Sebrae é o melhor parceiro.

Boa leitura! Leandro Donatti, o editor

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SEBRAE/PR – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Paraná João Paulo Koslovski Presidente do Conselho Deliberativo Allan Marcelo de Campos Costa Diretor Superintendente Julio Cezar Agostini Diretor de Operações Vitor Roberto Tioqueta Diretor de Gestão e Produção

Expediente

O DNA da empresa A Revista Soluções traz, nesta edição, reportagem especial sobre marca e sua importância para as micro e pequenas empresas. Uma oportunidade para empreendedores e empresários conhecerem um pouco mais sobre o tema. A maneira mais eficaz de se trabalhar uma marca é fazer uma análise criteriosa da imagem que se quer passar e do público-alvo que se quer atingir. Existem duas situações distintas, uma é construção da marca e a outra é a sua divulgação. Na construção da marca, o ideal é trabalhar os elementos que vão compor a imagem que se quer transmitir de determinado produto ou serviço, tendo, sempre, como pano de fundo, a confian-

Coordenação Renata Todescato Gerente de Atendimento Individual e Marketing

ça que a marca busca conquistar. Toda marca tem uma personalidade e isso precisa ser dosado no momento da sua construção! E é muito importante estar atento a isso.

Edição/Jornalista Responsável Leandro Donatti Registro Profissional– 2874/11/57-PR

do. Se o produto em questão é para jovens, a marca precisa estar inserida no seu meio. Agora se a intenção é trabalhar a marca junto a um público mais maduro, a estratégia de sua inserção e disseminação será completamente distinta.

Ammanda Macedo Especialista em Marketing

A marca agrega valor. Deve ser encarada como um ativo de valor intangível, independente do porte de quem a detém. Ou seja, a marca tem relevância tanto para uma empresa de pequeno porte como para uma grande empresa. A marca funciona como uma defesa num mercado altamente competitivo. Uma marca forte cria confiança e pode desempenhar um papel decisivo no momento da compra. É bastante comum, consumidores, num momento de escolha entre produtos e serviços com preços semelhantes, optarem por aquele cuja marca lhe passa, naquele momento, maior sensação de segurança ou de satisfação.

Adriana Schiavon Gonçalves Especialista em Marketing Reportagens: Adriana Bonn, Adriana De Cunto, Aline Esteves de Castro, Andréa Bordinhão, Katia Michelle Bezerra, Leandro Donatti, Maigue Gueths e Mirian Gasparin.

Já durante a divulgação da marca, o que mais vai pesar é a definição do público a ser atingi-

Fotos: Bernardo Rebello, Luiz Costa, Rodolfo Buhrer, Rodrigo Czekalski, Rodrigo de Oliveira.

Há ainda casos de consumidores que, independente do preço em questão, fazem prevalecer o valor da marca como fator determinante de consumo. A marca é um bem precioso. Uma coisa importante que precisa ficar clara é que não será o investimento em publicidade, puro e simplesmente, que vai determinar a permanência e sobrevivência de uma marca no mercado.

sebrae@pr.sebrae.com.br http://asn.sebraepr.com.br

A verdadeira força da marca é a sua performance, representada por um conjunto de fatores como qualidade do produto e serviço, a prestação de assistência técnica, um trabalho de

Críticas e comentários, mande um e-mail para revistasolucoes@pr.sebrae.com.br Anuncie na Revista Soluções: publicidade.revistasolucoes@ pr.sebrae.com.br Impressão Speedgraf Gráfica e Editora Ltda. Design Gráfico e Diagramação Ingrupo//chp Propaganda Periodicidade Trimestral Tiragem 25 mil exemplares

Índice

pós-venda, um atendimento satisfatório, uma bem-sucedida experiência de consumo. O que tudo isso quer dizer? Quer dizer que o empresário de micro e pequena empresa não precisa obrigatoriamente investir em propaganda para fortalecer a sua marca, para construir a sua imagem. Um bom atendimento e um produto de qualidade podem ser diferenciais suficientes para construir uma marca. Toda marca tem embutida em si mesma uma promessa de valor.

Capa - Pág. 12 A nova classe média empreendedora

ISSN 1984-7343

Entrevista

gerente de Atendimento Individual e Marketing do Sebrae/PR

O poder da marca Tempo de curtir (ou não)!

PÁG.

Fuja do calote!

24 Tendência

PÁG.

PÁG.

PÁG.

28

PÁG.

40

34

44

Pág. 8 Os desafios do mundo digital

Simples, mas sustentável Marketing Comportamento para todos

Especialista diz que transformações e oportunidades geradas com a revolução do conhecimento exigem, dos empresários, nova atitude

PÁG.

50

Foco e planejamento para crescer

PÁG.

60

Pequenos vendem mais para governo

Mercado Mercado quer boas ideias

PÁG.

54

Mercado Feiras e eventos Uma feira de oportunidades

PÁG.

64 Capacitação

Artigos

PÁG.

68

Comida na mesa

Associativismo Eloi Zanetti - Pág. 67

Jefferson Nogaroli - Pág. 85 ...referência para o Sistema Sebrae em...

Uma saída coletiva

PÁG.

74 Personalidade PÁG.

80

Competitividade é o X da questão

Giro pelo Paraná PÁG.

4

18

Comportamento

...ambiente empresarial exige firmeza...

Renata Todescato,

PÁG.

Pequenas buscam segurança

O consumidor, quando busca um produto ou serviço, não quer problema, mas, se tiver que enfrentar algum problema, quer respaldo para a sua solução. Uma boa maneira de um empresário mostrar ao cliente que a sua marca agrega valor é fornecer produto ou serviço satisfatório, que atenda e supere à demanda por meio da qual foi provocado. A marca é o DNA de um negócio, que dá identidade aos produtos e serviços. Uma empresa sem marca é uma empresa sem identidade. A construção e divulgação de uma marca nem sempre devem estar apenas associadas à publicidade, à propaganda e ao design. Mas devem estar alinhadas também àquilo que quero transmitir e quem desejo atingir.

Serviço

Mais de 55% das pessoas que tocam um negócio próprio hoje no Brasil estão na Classe C

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Linha direta com o leitor

Cartas

Revista Soluções – www.solucoessebrae.com.br

Com seções interessantes, bem divididas e muito próximas do nosso

A Revista Soluções aborda temas muito importantes para os empre-

interesse empresarial, a Revista Soluções é uma excelente fonte de

endedores de forma objetiva, clara e inovadora. Propõe soluções e

conhecimento para o microempresário. Achei ótima a entrevista com

incentiva reflexões oportunas para quem está atento ao mercado!

especialista em Estratégias de Marketing V.Kumar, direcionando nos-

Cida Stier – Instituto Cida Stier – Curitiba/PR

Radar da pequena empresa

Um ‘jogo rápido‘ sobre os pequenos negócios.

so conhecimento de como dimensionar o valor do cliente e a sua fidelidade à marca ou ao produto, e como devemos agir. Parabéns!

A Revista Soluções inova a cada edição, com temas atuais e aborda-

Robinson Carlos Franco - Frutobom na sua casa – Curitiba/PR

gens que aproximam o empresário da realidade. As histórias contadas nas reportagens servem de exemplos para quem tem o seu

Ainda não tenho uma empresa, mas sempre leio a revista para sa-

próprio negócio ou está pensando em abrir uma pequena empresa.

ber como está a ‘temperatura’ do mercado e conhecer as histórias

Serve também como material de consulta, com informações e su-

de sucesso dos pequenos empresários paranaenses. Estou me pro-

gestões para quem quer gerenciar o seu negócio cada vez melhor.

gramando para abrir um pequeno negócio, por isso as reportagens

Parabéns a todos pelo excelente material. É inspirador!

da revista são uma lição para mim, um verdadeiro aprendizado. As

Luis O. Dias - Curitiba/PR

experiências de outros empreendedores me dão a chance de errar menos. Parabéns à toda a equipe do Sebrae/PR! Valéria Reschette – Curitiba/PR

Sonho

Variáveis

Maturidade

Aproximadamente 45% dos brasileiros sonham em ter o próprio negócio. Outros 25% querem seguir carreira como empregado em uma empresa. Os dados da mais recente Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2012 (Pesquisa GEM), do Sebrae e Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), são surpreendentes e revelam mudança de comportamento.

O mercado interno aquecido, uma maior escolarização e a ascensão da Classe C são as razões apontadas na Pesquisa GEM para explicar a tendência. Alterações na legislação também favoreceram o ambiente empreendedor. A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que reduziu 40% em média a carga tributária nos pequenos negócios no País, é um exemplo concreto.

A outra boa notícia trazida pelo estudo, realizado em 69 países, é que os brasileiros empreendem mais por oportunidade que por necessidade. De cada quatro futuros negócios, três são frutos de planejamento e análise de cenário. Mas nem sempre a proporção foi essa. Até bem pouco tempo muitos enxergavam o empreendedorismo apenas como ‘bico’, para melhorar a renda.

Equilíbrio

Supremacia

Prêmio

Homens e mulheres dividem o comando dos novos negócios brasileiros – aqueles com até três anos e meio de atividade. De acordo com a Pesquisa GEM, 49,6% dos que iniciam a carreira empresarial são do sexo feminino. O percentual de mulheres é maior entre os empreendedores que abrem um estabelecimento do que entre aqueles com empresas já estabelecidas.

No recorte regional, feito pela primeira vez pela Pesquisa GEM, destaque para o empreendedorismo feminino nas regiões sul e nordeste brasileiras. As mulheres superam os homens no percentual de adultos que começam um empreendimento. Em média, 52% dos negócios com até três anos e meio de atividade estão nas mãos das mulheres nordestinas e sulistas.

A quinta edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo contou com a inscrição de 1.279 matérias veiculadas em jornais, rádios, tevê, sites e mídias sociais. Os vencedores serão conhecidos em junho, em Brasília. O Prêmio reconhece o trabalho desenvolvido por jornalistas de diversos veículos de comunicação, que publicaram reportagens sobre os pequenos negócios durante o ano de 2012.

Poder

Distribuição

Segmentação

Você sabia que as micro e pequenas empresas são fortes geradoras de emprego e renda? Os pequenos negócios respondem por nada menos que 99% do total de empresas instaladas no País, por 52% do saldo de empregos formais, por 40% do total da massa salarial, por 70% das novas vagas de emprego por mês, e por 25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Ao todo, são 6,9 milhões de pequenos negócios optantes do Simples Nacional, o sistema de tributação para micro e pequenas empresas. A projeção é que em 2022, o volume atinja a marca dos 12,9 milhões. Hoje, a maior concentração de empreendimentos de pequeno porte está na região sudeste, detentora de 49% do total, seguida do sul e nordeste, com 19%; centro-oeste, 8%; e norte, 5%.

O comércio é o setor que mais reúne micro e pequenas empresas, concentrando 49% do total. Ou seja, uma a cada duas empresas de pequeno porte é do comércio. O setor de serviços está em segundo lugar no ranking e detém, por sua vez, 31% do volume total de pequenos negócios; a indústria, 15%; e a construção civil, 5%. Os dados são da Receita Federal.

Parabéns!!! Gostaria de deixar registrado o meu reconhecimento ao Sebrae/PR pelo belíssimo trabalho e atendimento que presta com a Revista Soluções. Sou assinante e divulgador. Sugiro espalhar esse projeto para todos os demais Sebrae do Brasil. Parabéns para toda a equipe por esse projeto completo, com conteúdo e arte/design. Getúlio Apolinário Ferreira – CEBICT – Vitória/ES Com a correria do dia a dia, é comum não dedicarmos o tempo necessário para “pensar diferente” sobre nosso negócio. Com a Revista Soluções, consigo sempre estar atualizado sobre novidades do mercado, posso aprender como empresários de sucesso trabalham, e ainda ficar de olho em tendências! E aproveito tudo isso com a comodidade de poder levar a revista em meu tablet! Edson Lima - Biomist – Curitiba/PR Receber a Revista Soluções é receber novidades, atualidades e tendências do universo corporativo. Abordar temas como de empreendedorismo, investimento, risco e retorno sem deixar de lado o maior bem, o ser humano, é um trabalho enriquecedor. Parabéns à equipe!

A décima sexta edição da Revista Soluções teve como tema de capa o CRM (Customer Relationship Management ou Gestão e Relacionamento com o Cliente, em português). Em pauta, a nova filosofia do Sebrae/PR para melhor atender empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas.

Silmara Leite Ribeiro Santos - Pitacos - Marketing & Eventos – Curitiba/PR A Revista Soluções tem incentivado cada vez mais os leitores e os empresários de micro e pequenas empresas a conhecer novas ten-

Queremos sua opinião

dências de mercado. A publicação nos dá claros exemplos de empreendedorismo e criatividade nos negócios, tanto em gestão como em ideias e em inovação.

revistasolucoes@pr.sebrae.com.br

Rose Bezcery – Cativa Natureza – Curitiba/PR

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organismo e, portanto, em um momento

em comunicação e interatividade do Brasil,

de grandes mudanças, pequenas e médias

Walter Longo, a revolução do conhecimen-

empresas têm muito mais chances de ser

to, marcada pelo crescimento da inteligên-

bem-sucedidas.

cia artificial e quebra de paradigmas, criou

Revista Soluções – O senhor poderia dar

um mundo digital, cheio de oportunidades e transformações. Um universo que se abre, com reflexos nas corporações e na forma de fazer negócios. Walter Longo diz que o mundo digital exige, dos empresários, nova atitude e que os pequenos estão em vantagem. É preciso ter, segundo ele, alma digital, o que vai muito além de armas digitais, como site próprio, página no Facebook e seguidores no Twitter. “É necessário rever conceitos. Afinal, conhecimento analógico em mundo digital não dá!”, deixa o recado bem-humorado.

de qualquer tamanho pode disputar mercado global em princípio. Por exemplo, existem empresas hoje que produzem biquínis em casa, com quatro ou cinco costureiras, ou com o marido e a esposa. Pequenos negócios que exportam para mais de

e, portanto, estão imediatamente disputando o mercado, não regional ou local-

modelos de negócios.” E as empresas que

mente, mas globalmente com outras gran-

querem estar na frente precisam se renovar

des empresas, e isso há pouco tempo seria

constantemente. “Empresas de sucesso não

impensável.

têm medo de mudar e sabem o que é ‘sufi-

Revista Soluções – Então, em sua opinião e tomando por base o avanço do mundo

Mentor de estratégia e inovação do Grupo

digital, as pequenas e médias empresas

Newcomm e vice-presidente da Y&R, o exe-

são a ‘bola’ da vez?

cutivo Walter Longo ficou popularmente

Walter Longo - Se pensarmos que o mun-

da por Walter Longo à Revista Soluções, no final do ano passado em Foz do Iguaçu.

Revista Soluções - Como o mundo digital, capaz de tantas transformações e oportunidades, tem reflexo nos negócios?

Walter Longo - O mundo digital trouxe um enorme volume de oportunidades que, aparentemente, as pequenas e médias empresas ainda não estão percebendo. O mundo digital acabou com aquele paradigma de que tamanho é documento e que ser grande era símbolo de segurança e poder. Ou seja, se a empresa fosse grande conseguiria ter uma supremacia sobre as pequerealidade de negócios que vivemos hoje, acabou com isso. Ser grande deixou de ser uma vantagem e passou a ser quase um desafio. Em um momento de grandes mudanças no mundo, quanto maior for a empresa, maior será sua dificuldade em se adaptar a

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que o mundo digital proporciona, empresa

não é mais entre as empresas, mas entre

nas e médias. O mundo digital, essa nova

Por Leandro Donatti

to grande. Hoje, a partir de todas as coisas

fazem um site em inglês, enviam por sedex

Acompanhe a seguir a entrevista concedi-

Especialista diz que transformações e oportunidades geradas com a revolução do conhecimento exigem, dos empresários, nova atitude

global se fosse dono de uma empresa mui-

corrência. “No mundo digital, a concorrência

cios O Aprendiz, exibido pela Rede Record.

mundo digital

presário só teria alcance internacional ou

ções alerta ainda os empresários sobre con-

Roberto Justus no reality-show de negó-

Os desafios do

Walter Longo - Até pouco tempo um em-

70 países porque têm um link patrocinado,

conhecido por atuar como conselheiro de

Walter Longo, especialista em comunicação e interatividade

um exemplo disso, de mecanismos que estão à disposição das pequenas empresas?

O entrevistado desta edição da Revista Solu-

cientemente bom’ para seus clientes.”

Entrevista

Foto: Rodrigo Czekalski/La Imagen

Walter Longo

Para um dos mais renomados especialistas

do está mudando como nunca mudou antes, de maneira muito rápida, que grandes empresas têm mais dificuldades de se

O mundo digital trouxe um enorme volume de oportunidades que, aparentemente, as pequenas e médias empresas ainda não estão percebendo

adaptar e que pequenas empresas podem disputar o mercado global, o momento agora é das pequenas e médias empresas.

Revista Soluções – Qual o principal desafio a ser superado?

Walter Longo - O problema todo ainda continua sendo a mentalidade nessas empresas, seus empresários continuam pensando pequeno. Não entendem que o tamanho da visão ou da ambição é o que importa, e não o tamanho da organização. Muitos continuam pensando de maneira regionalizada, segmentada, sem entender que a partir de agora o mundo digital abriu um leque de oportunidades de transformar sua empresa, independente do tamanho, em uma empresa de dimensão global.

Revista Soluções - E o empresário que compreender o alcance real do universo digital vai ter, em contrapartida, vantagem competitiva?

novas realidades. Maior dificuldade terá

Walter Longo - Vai ter uma enorme vanta-

para tomar decisões, mais lento será o seu

gem competitiva e não vai nem entender

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como que até então atuou. A verdade é que, depois que alguém experimenta as facilidades que o mundo digital proporciona, o cérebro do empreendedor não volta mais para o tamanho original, ele não vai nem entender o que ele fazia antes e o porquê ele fazia antes.

Revista Soluções - Muitos empresários de pequenas empresas acham que é muito caro fazer parte desse mundo digital. Como reverter isso?

Walter Longo - É exatamente o contrário. Até pouco tempo, para vender alguma coisa para algum lugar no mundo o empreendedor precisaria ter publicidade em veículos em todo mundo, o que custaria uma infinidade de dinheiro. O dono do negócio precisaria ter registro, precisaria ter representantes, precisaria viajar mundo afora. Hoje, basta decidir que o negócio é vender para o mundo, fazer um site em inglês, um

O mundo digital está aí não apenas para nos comunicarmos melhor e mais barato, mas para mudar a forma como os empresários gerenciam negócios

link patrocinado no Google, no qual só se paga quando tiver resultado. É uma relação de custo variável e não de custo fixo. O em-

Walter Longo - Muita gente acredita que precisa ter em sua organização armas digitais. Precisa ter fãs no Facebook, seguidores no Twitter, que precisa ter um site... Isso tudo são armas digitais que são interessantes, mas não são tão fundamentais. O mais importante do que ter armas digitais é adquirir uma alma digital. É passar a pensar sua organização de uma forma inédita e nova, quebrando paradigmas. O mundo digital está aí não apenas para nos comunicarmos melhor e mais barato, e sim para mudar a forma como os empresários gerenciam seus negócios. Então, adquirir uma alma digital, pensar em sistemas colaborativos, transformar custos fixos em variáveis, ter uma visão de mundo, não apenas local, entender que agora nós podemos ter a nossa própria mídia e sermos geradores de nosso próprio conteúdo, tudo isso é ter alma digital e a empresa que conseguir ter essa alma digital vai ter uma vantagem competitiva muito grande entre as demais. (Colaborou nesta reportagem a jornalista Aline Esteves de Castro)

preendedor pode exportar por sedex, portanto não precisa de nenhum representante, de nenhum intermediário. Percebemos que houve uma desintermediação e, ao mesmo tempo, uma expansão dessa oportunidade de mídia. Isso tudo parece que foi feito sob encomenda para os empresários de pequenas e médias empresas. Mas eles, no entanto, ainda não perceberam.

Revista Soluções - O Brasil está muito atrás em termos de inovação?

Walter Longo - Eu diria que o nosso grande problema hoje não é inovação. O brasileiro é bastante inovador como povo, e isso tem a ver muito com a nossa necessidade de sobrevivência em um país sem estatística, em um país difícil de se gerenciar, então nós somos, como cultura, um povo muito criativo e inovador e aceitador de novas tendências. Isso é uma vantagem para o povo brasileiro e principalmente para os empreendedores brasileiros. O problema é que a gente continua pensando de maneira local ou regional e não de maneira internacional ou global. É interessante a gente ver que existem países como a Coreia do Sul, que não pensa em Coreia, mas pensam no mundo. E um empreendedor no Brasil não

Saiba mais

pensa no mundo, pensa no Brasil. Isso é o que precisa mudar rapidamente no mundo cada vez mais globalizado.

Acesse: www.walterlongo.com.br

Revista Soluções – Qual a dica para os empreendedores e empresários?

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Capa

Cliente

A nova classe média

empreendedora Mais de 55% das pessoas que tocam um negócio próprio hoje no Brasil estão na Classe C

Por Adriana De Cunto

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13


Pesquisa “Empreendedorismo e a Nova

Inicialmente, o rapaz alugou um ponto e inaugurou uma loja de roupas e de artigos populares (R$ 1,99). As vendas eram satis-

Maioria trabalha sozinha e fatura até R$ 60 mil por ano

Classe Média”, encomendada pelo Sebrae

fatórias, mas Steinheuser, que havia con-

(Perfil do empreendedor no Brasil)

Nacional para o Instituto Data Popular, re-

cluído o ensino médio e um curso técnico de informática, decidiu diversificar os ne-

sileiros está concentrada na classe média.

vela que 55,2% das pessoas que tocam um negócio próprio estão na Classe C, enquanto 37,5% estão nas classes A/B e apenas

Enquanto em outras nações o empreendedorismo se concentra nas classes altas, no Brasil está mais presente nas menores faixas de renda

7,3%, nas classes D/E. O estudo vem confirmar que a nova classe média não é apenas aquela que mais cresce e consome no País. Os seus integrantes são também aqueles que mais buscam realizar o sonho de ser o próprio patrão. Sonho de Edson da Maia Steinheuser, um rapaz de 24 anos, que, há pouco mais de quatro anos, virou uma realidade. O cargo de auxiliar de produção em uma empresa de água mineral foi o último registro na carteira de trabalho de Steinheuser. O morador do Jardim São João Batista, em Almirante Tamandaré, na Grande

gócios e abriu no mesmo espaço uma lan house com quatro computadores com acesso à internet e a jogos. As novidades encantaram os moradores do bairro e o jovem empreendedor decidiu ampliar a lan house com a instalação de mais quatro terminais de computador ao mesmo tempo em que diminuiu o espaço do bazar, deixando de fora vestuário e itens popula-

8,9%

1 funcionário

12,4%

2 a 5 funcionários

19,1%

de, quando adolescentes e jovens de até 25 anos passam por ali para acessar as re-

6 a 9 funcionários

3,9%

des sociais, fazer pesquisa ou se divertir com os jogos online.

10 a 19 funcionários

2,7%

Acima de 20 funcionários

3,0%

Não sei

1,4%

se, decidiu oferecer um novo produto aos

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

Até R$ 60 mil

De R$ 60.001 De R$ 360.001 a R$ 360 mil a R$ 3,6 mi

14

Acima de R$ 3,6 mi

Empreendedores

vizinhos que compraram seus próprios com-

mar vulto quando chegou às mãos dele um

putadores e estavam ávidos para navegar

panfleto sobre empreendedorismo distri-

pela internet no conforto de suas casas.

buído por uma Organização Não-Governa-

Surgia, então, a EMS Net, provedor de in-

mental (ONG).

ternet a rádio que começou atendendo o

Buscando conhecimento e informações,

bairro e hoje tem cerca de 100 clientes fi-

ele frequentou palestras e cursos em insti-

xos, entre empresas e residências. Segun-

tuições diferentes, incluindo o Sebrae. Os

do ele, o salário da vizinhança melhorou,

conhecimentos adquiridos ali, garante o

cresceu o número de pessoas fazendo um

jovem empreendedor, foram importantes

curso superior e o computador em casa

para formatar os negócios.

passou a ser necessidade para pesquisas e

Edson Steinheuser, microempreendedor individual

2,0%

res e mantendo apenas a venda dos artigos de papelaria. A maior frequência de clientes na lan house é registrada no período da tar-

pra e de lazer.

queixa constante da vizinhança: a localida-

21,4%

57,7%

de oferecia poucas oportunidades de com-

próprio bairro, depois que percebeu uma

64,7%

Número de funcionários

Nenhum funcionário

O aumento do poder aquisitivo e do nível de escolaridade dos moradores do Jardim São João Batista mostrou para Steinheuser mais uma oportunidade de negócio. Oito meses depois de inaugurar a Ed Modas e Lan Hou-

Curitiba, vislumbrou uma oportunidade no

os que Faturamento (entre declararam)

trabalhos acadêmicos. Os preços dos pla-

Motivação

nos para acesso à web, oferecidos pela

A principal motivação para empreender,

SEM, variam de R$ 50 a R$ 100 mensais.

hoje, é a oportunidade de negócios. Antes,

Hoje, Steinheuser abandonou o aluguel e

o brasileiro via a abertura de um negócio

se mudou no mesmo bairro para um imóvel

como uma necessidade, uma opção de em-

próprio que abriga a lan house, a papelaria

prego. Hoje, de cada três negócios aber-

e o provedor de internet, devidamente ho-

tos, dois são por oportunidade. Essa onda

mologado pela Agência Nacional de Tele-

positiva faz o empreendedorismo crescer,

comunicações (Anatel). No começo, o mi-

principalmente nas faixas menores de ren-

croempreendedor

da, como mostrou a pesquisa realizada

individual

trabalhou

sozinho, mas agora acaba de contratar o ir-

pelo Sebrae.

mão de 17 anos como funcionário.

“A força do mercado interno brasileiro, o

“Eu sempre tive vontade de trabalhar na-

ambiente legal que favorece a formaliza-

quilo que é meu”, conta Edson Steinheuser,

ção, as melhorias recentes no acesso ao

que além do emprego na empresa de água

crédito impulsionam o brasileiro a empre-

mineral, atuou como vendedor autônomo.

ender cada vez mais”, afirma o presidente

A coragem de empreender começou a to-

do Sebrae Nacional, Luiz Barretto.

Fonte: Sebrae/Data Popular

Foto: Rodrigo de Oliveira

Mais da metade dos empreendedores bra-

Luiz Barretto, presidente do Sebrae Nacional 15


No caso do aumento de empreendedores na Classe C, ele acredita que muitos desses

Diminuição das classes D e E

profissionais que agora reforçam a estatística deixaram de ser “invisíveis” e ganha-

(Cenário brasileiro)

investir naquilo que acreditavam.

Entre 2003/2011, 32 mihões de pessoas saíram das classes D/E para as classes C e A/B.

Tavares utiliza como exemplo a manicure

Até 2014, mais 15 milhões podem seguir o mesmo caminho.

comprou mais equipamentos e até contra-

23 mi

29 mi

desburocratização e as facilidades que vieram junto com a Lei do Microempreende-

96 mi

118 mi

105 mi 64 mi

49 mi

99%

do total de empresas no País

2011

2014

sem com um negócio próprio. Para o técnico do IBGE, a melhoria na educação permite que essas pessoas adminis-

A/B

C

D/E

Fonte: Centro de Políticas Sociais/FGV

Foto: Data Popular

ciais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), entre 2003 e 2011, aproximadamente 32 milhões de brasileiros saíram das classes D/E e passaram para as classes C e A/B. Até 2014, mais 15 milhões de pessoas devem seguir o mesmo caminho. Hoje, 105 milhões de habitantes integram a classe média brasileira e no ano de 2014 deverão ser 118 milhões de pessoas, em média.

Renato Meirelles, especialista 16

12 milhões já podem se considerar estabelecidos, pois na época em que a pesquisa foi realizada, contavam mais de três anos e meio na atividade. Do restante, 11 milhões

meses na prática.

52%

dos empregos formais

Pequenos em alta Outro dado interessante revelado pelo estudo: a maioria trabalha sozinha e fatura até R$ 60 mil por ano. Segundo o Data Popular, 57,7% dos empreendedores não têm

trem melhor as pequenas empresas, con-

funcionário. Outros 31,5% administram

tribuindo para que elas permaneçam mais

suas empresas com uma estrutura enxuta,

tempo no mercado.

com 19,1% mantendo em sua folha de pa-

A pesquisa do Data Popular revela uma diferença entre o perfil do empresário brasileiro e de outros países. Enquanto em outras nações o empreendedorismo se concentra nas

A força do mercado interno brasileiro e o ambiente legal que favorece a formalização impulsionam o brasileiro a empreender

quanto 4 milhões tinham menos de três

gamento de dois e cinco empregados e

Inclusão social Pelos cálculos do Centro de Políticas So-

Dos 27 milhões de empresários brasileiros,

do de três meses a três anos e meio, en-

mento do nível de escolaridade, gerando

2003

qualidade de vida para o empresário de pe-

abriram as portas de suas firmas no perío-

R$ 60 mil), acesso a empréstimos e o au-

que as classes menos favorecidas sonhas-

para o empreendedorismo vem acontecendo gradualmente, trazendo autonomia e

e 22,4% têm 50 anos ou mais.

dores com faturamento bruto anual de até

mais conhecimento e autoconfiança para

criação de sua empresa. Segundo Meirelles,

entre 31 e 49 anos; 28,8% têm até 30 anos;

dor Individual (para formalizar empreende-

66 mi

negócio próprio ou estão envolvidos na

partem para abrir um negócio próprio têm

tou um funcionário.

dor da Classe C, constata Tavares. Ele cita a

que um em cada quatro brasileiros têm um

queno negócio. Quase 49% daqueles que

abriu um pequeno salão no fundo de casa,

outros fatores incentivaram o empreende-

13 mi

Perfil do empreendedor no Brasil

que atendia de porta em porta e depois

Aliado a um melhor rendimento financeiro,

O presidente do Sebrae, Luiz Barretto, frisa

o movimento de despertar da classe média

ram visibilidade quando partiram para a formalização e conquistaram crédito para

Milhões de habitantes por classe social

Micro e pequenas empresas

12,4% com apenas um funcionário.

40%

da massa salarial

classes altas, no Brasil ele está mais presen-

Entre aqueles que declararam na pesquisa o faturamento, 64,7% disseram ganhar até R$ 60 mil/ano. Os microempreendedores individuais não têm do que reclamar, pois

te nas menores faixas de renda, tornando-se

após a formalização, 55% dos entrevistados disseram que a empresa aumentou o

um fenômeno de inclusão social.

faturamento, 52% afirmaram que o con-

O sócio-diretor do Data Popular, Renato

trole financeiro melhorou e 54% amplia-

Meirelles, explica que a Classe C empreen-

ram os investimentos.

de na maioria dos segmentos, principal-

Quanto ao nível de escolaridade, 51%

25%

O governo federal considera que saíram da

mente alimentação, turismo e beleza. “É a

pobreza as famílias que passaram a ganhar

história da Maria, que fazia pães caseiros

dois salários mínimos ou mais. Levando em

para vender e o negócio foi expandindo a

consideração dados do Instituto de Pesqui-

ponto de se tornar uma empresária e mon-

sa Econômica Aplicada (IPEA) e do Data Po-

tar uma pequena panificadora. Ou o José

pular, a proporção da população total na

com menos estudo, geralmente preci-

que fazia pequenos ‘bicos’, juntou uma

pobreza baixou de 42% em 1990 para 21%

sam batalhar desde cedo e já estavam

grana para investir num buggy e aproveita

habituadas com uma diversidade maior

em 2009. Até 2022, essa proporção deve

o turismo de sua região para trabalhar

de empregos. Como geralmente já ven-

cair para 16%.

para si mesmo. E são apenas alguns exem-

deram de tudo, acabam adquirindo o tra-

O técnico de informação geográfica e es-

plos”, comenta.

1,24%

quejo empreendedor necessário para

das exportações

especializar e, sendo assim, corre atrás

do PIB

dos empreendedores brasileiros concluíram o ensino médio, 25% terminaram so-

porte da empresa, menor a identidade do dono como empresário, situação detectada em 43,5% dos entrevistados. “De uma forma geral, o pequeno empreendedor brasileiro é mais escolarizado, tem pelo menos o ensino médio – que já é uma escolaridade mais alta que a média da população brasileira - e está mais interessado em questões relacionadas à gestão empresarial. Mas o fato de 43% deles não se verem como empresários indica que ainda há muito espaço para a capacitação do profissional e a melhora na administração do negócio. Nesse sentido, o Sebrae tem muito a contribuir. Nós preparamos e oferecemos produtos e soluções para que o empresário de micro e pequena empresa consiga atingir o sonho de empreender com sucesso”, afirma Luiz Barretto.

mente o ensino fundamental e apenas 24% fizeram uma graduação. “As pessoas

Saiba mais

abrir um negócio. Quando vira empresá-

tatística do Instituto Brasileiro de Geo-

O Brasil é o terceiro país em número de em-

grafia e Estatística (IBGE) em Curitiba,

preendedores. São 27 milhões de pessoas

Luis Almeida Tavares, lembra que na últi-

que abriram um negócio próprio. Os Esta-

ma década cresceu significativamente o

dos Unidos, segundo colocado, têm 41,3

do prejuízo”, constata Meirelles.

número de pessoas ganhando mais que

milhões de empreendedores, enquanto a

Apesar dos negócios em alta, a pesquisa do

um salário mínimo.

campeã, China, conta com 373,5 milhões.

Data Popular mostrou que quanto menor o

rio, é que percebe a necessidade de se

Leia o livro “A nova classe média - o lado brilhante da base da pirâmide”, de Marcelo Neri, Editora Saraiva.

17


com a inadimplência, mas existem alguns

motivo de grandes transtornos para negó-

procedimentos que devem ser adotados

cios de todos os tamanhos, mas o proble-

principalmente pelos empresários de mi-

ma é ainda mais sério nas micro e pequenas

cro e pequenas empresas. Um deles é

empresas, que nem sempre contam com

transferir o risco para terceiros. E é aí que

uma carteira de clientes pulverizada. Para

entram as operações dos cartões de crédi-

tais empreendimentos, a inadimplência

to e de débito.

pode criar ‘buracos’ no fluxo de caixa.

“Hoje, os donos de pequenas padarias,

Vítima de calotes, muitas vezes, o empreen-

mercearias, lojas de roupas e de calçados

dedor se obriga erradamente a bater à porta

de pequeno porte, taxistas e até feirantes

dos bancos para poder honrar seus próprios

estão optando por vender no cartão de cré-

compromissos. Em 2012, a inadimplência

dito ou de débito. Embora seus lucros se-

das pessoas jurídicas cresceu 10,4%, de acor-

jam reduzidos, pois eles têm que pagar um

do com o Indicador Serasa Experian.

porcentual para as operadoras, a inadim-

A alta foi consequência da maior inadim-

plência é zero.”

plência do consumidor, que afetou as con-

Já o economista da Serasa Experian é da

tas das empresas e refletiu também a me-

opinião que o empresário de micro e pe-

nor capacidade de geração de receitas em

quena empresa, que cada vez mais está se

um cenário de baixa atividade econômica e

profissionalizando e controlando melhor o

dificuldades em honrar financiamentos to-

seu fluxo de caixa, também deve agir com

mados para expansão do negócio e para

maior rigor no momento de conceder o cré-

pagar fornecedores. A inflação de mais de 6% também pesou às empresas. No caso do consumidor, o crescimento da inadimplência foi ainda maior e chegou aos 15%. A inadimplência é consequência de dois erros clássicos cometidos na gestão do crédito dos clientes. O primeiro é não fazer nenhum trabalho preventivo e o segundo é partir para o tudo ou nada, cortando relações com o cliente, em vez de tentar um novo relacionamento com ele. Nenhuma

Serviço

Prevenção

A falta de pagamento no dia esperado é

dito. Para Almeida, não basta somente ven-

Não há receita mágica para acabar com a inadimplência, mas existem alguns procedimentos que devem ser adotados

der no cartão de débito ou crédito para se livrar da inadimplência. “O mercado é muito competitivo e se todas as vendas forem fechadas por meio de cartão, o preço final dos produtos ou serviços, que terá que ser reajustado em função das altas taxas cobradas pelas operadoras, perderá para os concorrentes. Terceirizar 100% o risco da inadimplência para o car-

mar uma carteira de clientes de boa qualidade. Uma boa política de concessão de

Fuja do

crédito parte do um conceito de não olhar

calote!

Análise de crédito é essencial e o famoso “nada consta” não oferece mais total segurança à empresa que vende

os clientes como se todos fossem iguais.

Foto: Divulgação

dessas atitudes leva a estratégias para for-

Ou seja, clientes diferentes pedem regras de tratamento de crédito diferentes. Para o economista da Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida, a análise de crédito é fundamental nos dias atuais. Segundo ele, a informação “nada consta”, obtida junto aos diversos serviços de proteção ao crédito, não oferece 100% de segurança à empresa que está vendendo uma mercadoria ou serviço. “Hoje, por exemplo, o consumidor pode estar com o nome limpo nos cadastros, mas isso não significa que, no dia seguinte à compra, a situação se repetirá. O consumidor pode estar tomado de dívidas e com sua renda comprometida. Por isso, é fundamental verificar o seu endividamento”, explica Almeida. Na avaliação do sócio da consultoria Ernst&Young Terco, José Ricardo Oliveira,

Por Mirian Gasparin 18

Carlos Henrique de Almeida, economista

não existe uma receita mágica para acabar

19


Para as empresas com bom histórico, que

Para a professora do Grupo Uninter, Lour-

apresentem cadastro positivo, os prazos

des Rivaroli, os benefícios do seguro de

podem ser maiores. Para as demais, vale o

crédito são inquestionáveis, no entanto,

oposto. Entretanto, se com o tempo, o

ele deverá ser muito bem analisado quan-

cliente demonstrar ser bom pagador, o pra-

do de sua contratação, pois é necessário

as micro e pequenas empresas com custos

zo das compras pode crescer.

observar se o que está sendo contratado

acessíveis e que ajudam a fechar uma venda com segurança.

Em algumas situações, é difícil para o empre-

José Ricardo Oliveira reconhece que o

negócio. Isso ocorre principalmente em em-

O vice-presidente do Instituto Brasileiro de

custo dos cartões para o empresário é

presas muito pequenas ou muito novas. A

Executivos de Finanças do Paraná (IBEF Pa-

elevado, mas é necessário que ele nego-

alternativa é fazer uma avaliação baseada no

raná), Clécio Chiamulera, informa que o uso

cie as taxas com as operadoras. Fidelizar

perfil dos sócios. Nesses casos, é possível

do seguro de crédito é muito tímido no

algumas bandeiras também pode ajudar a

descobrir se eles têm ou já tiveram outros

Brasil e também muito caro para as empre-

diminuir o custo.

negócios, e qual foi o comportamento des-

sas. O valor do seguro varia em função do

Muitas lojas, inclusive grandes redes nacio-

sas empresas em relação aos credores. Mui-

setor em que a empresa atua, do histórico

nais, ainda preferem vender com carnê. Se-

tas vezes, as próprias associações setoriais

de inadimplência, das coberturas deseja-

gundo o sócio da Ernst&Young Terco, para

fornecem esse tipo de informação. Também

das e demais detalhes dos recebíveis e dos

uma operação sem risco por meio dessa mo-

existem bancos de dados especializados no

processos de gerenciamento de crédito. “A

dalidade de crédito é necessário que a em-

cadastro de micro e pequenas empresas.

operação é bastante complexa, sendo de-

muito cara. O empresário deve se estruturar para financiar o consumidor de outras formas”, alerta. Ele informa que a Serasa Experian oferece produtos e serviços para

Foto: Divulgação

tão de crédito ou débito é uma operação

sário analisar o histórico de crédito de um

prio Sebrae pode capacitar os empresários. A professora do Grupo Uninter, Lourdes Bernardete Beltrami Rivaroli, é da opinião que um fluxo de caixa saudável é importante para garantir o sucesso de uma empresa. Para que isso ocorra, é necessário

ma de solucionar esse problema é enviar

datas mais adequadas para pagamentos e

um SMS, agradecendo pela escolha do

recebimentos; acompanhar as contas a pagar e a receber. Segundo ela, é importante

cliente e alertando sobre a data do venci-

ainda observar quais os incentivos fiscais

vida corrida e tumultuada, muitas vezes os

que o governo oferece, para beneficiar a

consumidores deixam de pagar suas contas

empresa. “O êxito de toda empresa, seja

em dia por puro esquecimento e não por

de pequeno ou grande porte, depende de

falta de dinheiro. O celular está ao alcance

planejamento e do comprometimento de

de todos. É mais fácil contatar pelo telefo-

seus gestores.”

ne celular do que pelo fixo”, acrescenta.

Questionada sobre as formas como as micro e pequenas empresas podem se prote-

Outro ponto bem lembrado pelo sócio da

ger da inadimplência e, consequentemen-

que deve ser feita com frequência. “Muitos

te, ter êxito, a professora do Grupo Uninter

empresários têm por hábito afrouxar o cré-

afirma que é necessário primeiramente

dito para os clientes que sempre compram

que o empresário ou os sócios tenham um

em seu estabelecimento. Nunca se sabe o

focados. “É necessário seriedade e dedicação ao negócio; ter bastante atenção com o financeiro, ou seja com seu fluxo de caixa; estar sempre atento ao mercado de consumo, observando seus deveres para poste-

mento da conta de forma elegante. “Com a

Seguro de crédito

empresas”, salienta.

Uma opção para as empresas se protegerem

Chiamulera é executivo de uma empresa

do risco de não pagamento de seus devedo-

que fatura mais de R$ 20 milhões por mês e

res é o seguro de crédito. Essa modalidade

conta que as experiências que teve com o

apresenta soluções para melhorar a gestão

seguro de crédito não foram positivas. Se-

do risco e cobrança de crédito comercial e,

gundo ele, as seguradoras acabam fazendo

segundo as seguradoras, cobre também as

o seguro de crédito apenas dos clientes

perdas que possam ser causadas pela even-

bons. “Uma empresa quando quer segurar

tual insolvência de seus devedores.

seus créditos busca fazê-lo de uma forma

Ernest&Young Terco é a análise de crédito

dia de amanhã. É fundamental em cada venda verificar o comprometimento de renda do cliente. Se o comprometimento estiver acima dos 30% é muito arriscado aprovar o crédito.”

riormente exigir seus direitos, assim como

Quando se trata de venda entre duas em-

direitos e deveres da relação de consumo

presas, reduzir a inadimplência não signifi-

(cliente)”, justifica.

ca banir automaticamente da carteira de

Esquecimento

Terceirizar 100% o risco da inadimplência para o cartão de crédito ou débito é uma operação cara

Foto: Luiz Costa/La Imagen

sendo aplicado o capital de giro; definir as

planejamento e os objetivos estejam bem

20

José Ricardo Oliveira, consultor financeiro

haver um controle rigoroso do dinheiro que entra e sai do caixa; saber como está

não de forma genérica.

saconselhada para as micro e pequenas

presa tenha algumas ferramentas e o pró-

O êxito de toda empresa, seja ela de pequeno ou de grande porte, depende de planejamento e do comprometimento de seus gestores

atende os interesses de forma específica e

clientes todos que apresentem algum problema. Para diminuir os riscos com quem

Muitos atrasos nos pagamentos ocorrem

tem a ficha manchada, o conselho dos es-

atualmente por esquecimento dos devedo-

pecialistas é separar em dois grupos: os de

res, destaca José Ricardo Oliveira. Uma for-

ficha limpa e os de sinal amarelo.

Clécio Chiamulera, do IBEF Paraná

21


Consulta a cheques

Serviço

O que inclui

Consulta completa para crédito

Gestão de crédito

Mostra se a

Além das

Mostra dados

Monitora a carteira

empresa emissora

informações

financeiros,

de clientes,

tem histórico

de consulta a

cheques sustados,

verificando se as

de cheques sem

cheques, mostra

protestos na praça

empresas honram

fundos. Verifica

se a empresa tem

e participação dos

suas dívidas com

se determinado

alguma pendência

sócios em outros

fornecedores.

cheque sem

de pagamento

negócios. Recupera

Também verifica

fundos foi

no comércio ou

o histórico de

se há algum tipo

sustado, roubado

junto a bancos.

pagamentos

de alteração nos

ou extraviado.

Verifica também

atrasados e aponta

contratos sociais.

Confirma o nome

a existência de

alterações no

Ao combinar essas

da empresa

protestos contra

comportamento

informações,

correspondente ao

a empresa. É

da empresa. É

classifica os

CNPJ consultado e

indicado para

indicado para

clientes por grau

seu endereço.

negociações de

vendas de maior

de risco.

baixo valor.

valor.

geral. Uma venda feita a um cliente bom

cro e Pequenas Empresas, esse é o maior

não precisa de seguro. Entretanto, não é

valor da série histórica iniciada em 2006.

assim que agem as companhias de seguro.”

De acordo com os economistas da Serasa

O sócio da consultoria Ernst&Young Terco,

Experian, as reduções na taxa básica de

José Ricardo de Oliveira, também conside-

juro, o aprimoramento das técnicas de ges-

ra que o seguro de crédito não é uma alter-

tão envolvendo as micro e pequenas em-

nativa viável para os micro e pequenos ne-

presas e o dinamismo da economia obser-

gócios se protegerem da inadimplência.

vado nos últimos anos têm favorecido a

Ele lembra que esse tipo de operação re-

realização de pagamentos em dia das mi-

quer acesso a bancos e uma estrutura que

cro e pequenas empresas.

muitas vezes o empresário de micro e pequena empresa não possui. O vice-presidente do IBEF Paraná é da opinião que o melhor instrumento de venda para fugir da inadimplência dos clientes, depois do dinheiro em espécie, é o cartão de crédito ou de débito. “É preferível uma empresa receber 95% das suas vendas com segurança por meio de cartões a perder tudo.”

22

Consulta simples para crédito

Ainda segundo o levantamento, o setor comercial vem apresentando os maiores níveis de pontualidade de pagamentos. Em 2012, o segmento avançou em relação ao ano anterior, atingindo 96% dos pagamentos efetuados. No setor industrial a pontualidade ficou em 94,9%, enquanto que, em serviços, o índice ficou em 94,8%.

Pagamentos em dia

Durante o ano passado, o valor médio de

As micro e pequenas empresas confirma-

pagamentos efetuados pontualmente pe-

ram no ano passado que são boas paga-

las micro e pequenas empresas cresceu

doras. A pontualidade dos pagamentos

9,8%, atingindo R$ 1.807, em relação a

ao longo de 2012 atingiu 95,4%. Isso sig-

2011. O valor médio dos pagamentos pon-

nifica que de cada mil pagamentos reali-

tuais efetuados pelas micro e pequenas

zados, 954 foram quitados à vista ou com

empresas do setor de serviços continua

atraso máximo de sete dias. Segundo in-

sendo o mais elevado: R$ 2.061, contra R$

formações do Indicador Serasa Experian

1.805 do setor comercial e R$ 1.622 do se-

da Pontualidade de Pagamentos das Mi-

tor industrial.

Saiba mais Acesse www.serasaexperian.com.br www.ibefpr.com.br

23


Na lista de soluções estão alarmes, circuitos fechados de tevê, fechaduras com biometria (estudo estatístico das características físicas ou comportamentais dos seres vivos) e centrais de proteção de perímetro, por exemplo. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), que tem sede em São Paulo e reúne aproximadamente 400 empresas do setor de todas as regiões brasileiras, comprovam essa realidade e mostram que 88% dos equipamentos de segurança eletrônica comercializados no Brasil são para uso não-residencial.

Pequenas buscam

segurança

A presidente da Abese, Selma Migliori, diz que os sistemas eletrônicos de segurança estão se popularizando e, com preços cada vez mais acessíveis, chegaram a todos os tipos de segmentos e classes sociais. Bom para as mais de 18 mil empresas do setor que atuam no Brasil e que veem seus faturamentos aumentar ano a ano. “Desde 2008, o mercado de segurança eletrônica vem registrando, em média, um crescimento de 11% anualmente”, comemora Selma.

Números da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná mostram por que as empresas do ramo de alimentos e farmácias estão hoje entre os principais clientes do empresário Telles. Elas figuram no ranking dos dez ambientes de maior frequência de roubo no comércio de Curitiba. Em 2012, a polícia registrou 2.582 roubos a panificadoras, lanchonetes, supermercados, mercearias, restaurantes, pizzarias, lojas de roupas, comércio varejista e postos de combustíveis da capital paranaense, estes dois últimos recordistas no número de ocorrências, com 446 e 387, respectivamente. Luiz Fernando Gomes, sócio-proprietário com Jean Gomes da JL Soluções em Comunicação, que tem sede em Curitiba e desde 1997 atua na área de consultoria, manutenção, desenvolvimento de sistemas e suporte, acha que, além da violência, a queda dos preços e o aumento do número de profissionais no setor também têm um papel fundamental na popularização dos sistemas eletrônicos de segurança. “Hoje vivemos um grande Big Brother (reality-show, onde confinados são filmados 24 horas por dia). Somos expostos a uma quantidade imensa de câmeras em nosso dia a dia, com equipamentos em todos os lugares, desde empresas até vias públicas.”

Em 2012, o setor movimentou aproximada-

Os sistemas eletrônicos de segurança estão se popularizando com preços cada vez mais acessíveis

Foto: Divulgação

Sistemas eletrônicos

do os pequenos empresários a investir nesses sistemas.” Serviço

Com índices de criminalidade crescentes, investir em segurança passou a ser uma necessidade para empresários de micro e pequenas empresas de todo o País. Para evitar assaltos e roubos em seus estabelecimentos, muitos deles têm buscado na tecnologia projetos que possam garantir mais segurança.

mente R$ 4,2 bilhões, um crescimento de 9% em comparação com o ano anterior. Para 2013, as expectativas são ainda melhores: aumento de 11% no faturamento. Metade desta movimentação concentra-se na região sudeste. O Paraná, juntamente com Santa Catarina e Rio Grande do Sul, representa 22% do mercado de sistemas eletrônicos de segurança, seguido das regiões centro-oeste (13%), nordeste (10%) e norte (4%) do País.

Violência

Cada vez mais empresários donos de pequenos negócios investem em alarmes, circuitos fechados de tevê e fechaduras com biometria

Por Adriana Bonn 24

O empresário Paulo Roberto de Queiroz Telles, proprietário da ISF Segurança Eletrônica, empresa de Curitiba que há 25 anos oferece instalação e manutenção de sistemas de segurança, diz que o número de micro e pequenas empresas que procuram seus serviços é cada vez maior. Entre elas estão restaurantes, lojas, pizzarias, panificadoras e farmácias. “Acredito que a violência é o principal fator que tem leva-

Selma Migliori, presidente da Abese 25


Opção é o que não falta para quem pretende se proteger usando sistemas de segurança eletrônica. Gomes diz que hoje há disponível no mercado mais de 1.000 itens,

Circuitos fechados de tevê são 43% de todos os equipamentos de segurança eletrônica comercializados no País

proteção externa, para evitar a entrada de ladrões às empresas e casas. “Por isso, a preferência por sistemas de alarmes e equipamentos que filmem e que podem ser acionados e monitorados a distância.”

que envolvem circuito fechado de tevê, in-

Hoje os mais modernos equipamentos en-

clusive com câmeras ocultas, alarmes, cen-

contrados no mercado permitem que os

trais de proteção de perímetro, alarmes de

consumidores liguem e desliguem alarmes

incêndio, fechaduras de segurança com bio-

e acompanhem imagens pelo celular. Para

metria digital, entre outros. “Mas a prefe-

evitar que os ladrões cortem os fios de

rência é pelo CFTV (Circuito Fechado de TV)

energia e desliguem os alarmes, há também

que usa câmeras com infravermelho, o que

centrais que funcionam usando chip de te-

permite a completa visualização noturna,

lefones móveis.

até mesmo em ambientes completamente

Assim como existe uma grande diversidade

sem luz”, explica.

de equipamentos, os preços dos sistemas

A presidente da Abese comprova a prefe-

de aparelhos de segurança eletrônica tam-

rência. Levantamento da associação mostra

bém são capazes de atender a vários tipos

que os sistemas de circuitos fechados de

de bolsos. De acordo com Telles, o custo de

tevê representam 43% de todos os equipa-

um projeto depende da quantidade de sen-

mentos de segurança eletrônica comerciali-

sores e câmeras usados.

zados em território nacional. Os sistemas

Em uma empresa de pequeno porte, por

de alarme contra intrusos e de controle de acesso somam 24%, cada um.

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

Tecnologia

exemplo, um sistema de alarme contra in-

Equipamentos de segurança viram aliados de empresários

trusos, com cinco sensores externos de alta

Paulo Telles diz que empresários e clientes

tecnologia, pode custar de R$ 3 mil a R$ 5

residenciais têm o mesmo objetivo quando

mil. Um circuito fechado de tevê, com qua-

mento de imagens pelo celular ou pela in-

foi ainda maior porque, além dos produtos

procuram uma empresa para instalar um

tro câmeras, sendo duas internas e duas

ternet, custa em média R$ 2 mil.

confeccionados na fábrica, Rita possuía em

sistema de segurança eletrônica: fazer a

externas, com possibilidade de acompanha-

Tão importante quanto escolher o tipo de

seu showroom, que funcionava junto à fábri-

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

sistema a ser instalado, empresários de micro e pequenas empresas precisam ficar

e de fornecedores externos.

atentos no momento de escolher quem

“Perdi o chão porque além de todas as rou-

executará o projeto. O conselho é que pro-

pas e acessórios levaram os computadores

curem empresas autorizadas e idôneas que

e as informações que continham neles. Sem

possam garantir a qualidade e a manuten-

ter cópia dos dados, fiquei sem saber até

ção dos equipamentos.

mesmo quem me devia”, lembra.

Mudança de hábito

Rita conta que pensou em desistir da ativi-

Rita de Cássia Graf, proprietária da Dentro d´Água Comércio de Confecções, de Curitiba, especializada em roupas para natação, ciclismo e corrida, diz que atualmente é impossível um empresário manter seu estabelecimento sem um sistema de segurança eletrônica. “Sabemos que eles não

uma consultora do Sebrae/PR que a atendia na época, quando participava de um programa focado na melhoria do comércio varejista. Duas semanas após o roubo, a empresária arrumou um novo ponto, onde está até hoje, e resolveu investir novamente na Dentro D´Água.

salto, mas ajudam a gente a trabalhar e

Hoje além da fábrica e do showroom, que

dormir mais tranquilo.”

funcionam no mesmo endereço, Rita possui

Em 2007, Rita viveu o drama de ter sua fá-

outros dois pontos de vendas em acade-

brica roubada. Depois de desligarem o alar-

mias da cidade. A empresa também cresceu

me, os ladrões entraram e roubaram tudo

e os 300 metros quadrados já estão peque-

que havia no local, inclusive dois computa-

nos para abrigar os 18 funcionários e aten-

dores que armazenavam todos os dados da

der a demanda.

empresa que, na época, tinha dez anos de

Para garantir a segurança de sua empresa,

porque eram pesados e não seriam tão fáceis de revender”, diz a empresária.

26

dade, mas foi estimulada a continuar por

evitam totalmente o risco de roubo e as-

existência. “Só não levaram os maquinários

Paulo Roberto de Queiroz Telles, empresário

ca, muitos acessórios de marcas conhecidas

Para especialistas, empresas autorizadas e idôneas podem garantir qualidade e manutenção de equipamentos

Rita investiu em um novo sistema de alarme, mais moderno, e fez dois seguros, um contra incêndio e outro contra roubo. “Hoje

Naquela época, a Dentro D´Água trabalhava

temos que redobrar a atenção, inclusive no

com a confecção de moda praia. O prejuízo

dia a dia, afinal todo cuidado é pouco.”

27


instala. Existem ainda soluções muito mais

que nunca sonhou em usar métodos mais

simples, como a iluminação zenital para

sustentáveis em seus empreendimentos?

usar a luz natural durante o dia ou mesmo

Seja com a captação da energia dos ventos

uso das lentes de fresnel, que é uma solu-

ou do sol em substituição à energia elétrica,

ção parecida, mas com duas diferenças: não

com o uso da água da chuva, com a redução

tem o calor que a zenital provoca no local e

do desperdício, enfim, adotando métodos

tem uma luz mais concentrada. É uma série

mais limpos no processo produtivo?

de lentes que produz a mesma iluminação

A verdade é que para as grandes empresas a palavra sustentabilidade já deixou de ser

Outros exemplos simples que podem ser adotados por pequenas e médias empre-

cada vez mais item obrigatório na agenda

sas, são uso da energia no horário correto e

da competitividade empresarial.

a compra de energia no mercado livre.

dicais ou enfrentar custos de uma nova tecnologia, ainda não conseguiram transformar em realidade sonhos desenhados no papel. Mas uma coisa é certa: cresce o número de empresários de pequeno porte que adotam ações e práticas ecológicas com êxito em seus negócios. Para o arquiteto Edgar Wandscheer, especializado em gestão ambiental e supervisor de Operações e Processos da Nissan, apesar da questão ambiental ter se tornado assunto obrigatório nos últimos anos, muitas empresas ainda acham que não precisam caminhar nesse sentido. A resistência,

Simples,

mas sustentável Cresce número de empresários de pequeno porte que adotam ações e práticas ecológicas com êxito em seus negócios Por Maigue Gueths

28

durante um período que tenha luz”, explica.

por que a adoção de processos limpos é

sua vez, por medo de aderir a mudanças ra-

Cobertura especial melhora ambiente

de uma lâmpada comum durante o dia ou

um “bicho de sete cabeças” há tempo, até

Muitas pequenas e médias empresas, por

para ele, não tem explicação, uma vez que há inúmeras soluções no mercado. Segundo Wandscheer, um problema é que quando se fala em soluções para a empresa se tornar mais sustentável, em ter uma construção ambientalmente correta e gastar menos, em geral o empresário já pensa em cerificação por ‘selo verde’, que é uma ótima opção, mas muito cara, inviável para os pequenos. “As pequenas e médias que têm interesse em se aprofundar no assunto vão ver que é muito interessante ter o selo, mas há outras alternativas que são muito boas e não são tão caras, como opções de iluminação; ventilação cruzada, para reduzir o uso de ar condicionado; captação de energias de formas alternativas, como energia eólica e solar.”

“Essa é uma solução viável que qualquer um pode fazer, é só entrar em contato com a sua concessionária. Existem documentos por meio de leis federais para fazer essa compra. É mais ou menos como tarifa de telefone, você vai comprar energia em um horário em que as pessoas usam menos e, consequentemente, pagará menos.” Em geral, as pequenas e médias empresas procuram soluções práticas e rápidas e, por isso, acabam optando por essas soluções mais viáveis. Como exemplos, ele cita o caso de uma rede de varejo do Nordeste, com cerca de 60 lojas, que implementou um sistema de captação de energia eólica em toda a rede. O investimento em todo sistema foi de R$ 244 mil, mas a economia mensal estimada é de quase R$ 10 mil. “O retorno demora um pouco, a estimativa é que em 24 meses haja retorno”, diz.

A adoção de processos limpos é cada vez mais item obrigatório na agenda da competitividade empresarial

Já outra grande rede de varejo optou pelo uso de sistema de iluminação zenital e de lentes de fresnel. O sistema funciona da seguinte maneira: captação da luz solar, distribuição através de lentes fresnel e dutos de transmissão para o interior das lojas, onde são instaladas luminárias difusores, com equivalência de 400W de lâmpada de vapor metálico. “A lente reduz em cerca de 40% o custo com iluminação. É caro para instalar, sairá uns R$ 2,5 mil por luminária contra R$ 400 para uma luminária comum, mas compensa ao longo do tempo”, calcula o arquiteto. A vantagem do sistema é que, durante o dia, a iluminação pode ser desligada,

Ele cita várias soluções viáveis para os pe-

a manutenção também é mínima. No caso

quenos e médios. “Existem muitas que são

dessa rede, o investimento foi de R$ 264 mil,

manufaturadas, que podem ser compradas

e a economia mensal chega a R$ 8,3 mil, ou

prontas, e inúmeras outras que são caseiras

seja, o retorno virá a partir do 36º mês.

e igualmente simples. Tem o chamado

Tendência

Sustentabilidade

Qual é o empresário de pequena empresa

Smart Grid, um computador para controlar

Hotel sustentável

todo consumo de energia de uma empresa.

Na Grande Curitiba, um exemplo de preocu-

É exemplo de solução pronta, que se com-

pação ambiental que resultou em economia

pra de um fornecedor, que vai no local e

é o Hotel Manayara, localizado em Campo

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Gastronomia responsável

Foto: Divulgação

Uma solução simples para diminuir a conta de luz foi fazer uma construção com janelas

Um belo exemplo de pequena empresa en-

amplas que permitem entrada de luz natu-

gajada com essa ideia e que deu certo é o Quintana Café & Restaurante, que há seis anos ocupa uma casa antiga, com um quin-

ral. O hotel também usa sensores de presença no sistema elétrico em todas as áreas comuns e adotou o uso de troca consciente

tal cheio de árvores, dentro do bairro mais charmoso de Curitiba, o Batel. A preocupa-

de roupa de cama e de toalhas, diminuindo o gasto com água. O próximo passo, ainda

ção com a sustentabilidade começa nos pra-

em estudo, é um processo para reaproveitar a água da lavanderia.

tos, feitos em geral com produtos de origem orgânica, natural ou sem agrotóxicos.

Retorno

O restaurante também faz compostagem com os resíduos da alimentação e, mais recentemente, achou outra solução bem ecológica para refrescar a varanda da casa, dispensando, assim, o uso de ar condicio-

Para o especialista em gestão ambiental, a grande barreira para a adesão dos pequenos a projetos sustentáveis é a demora no retorno do investimento, pois há sempre a busca pelo retorno rápido. Ele acredita, no

nado no local.

entanto, que pequenos e médios são mais

Em função dessa preocupação, o Quintana faz parte do Movimento Gastronomia Responsável, que reúne 11 restaurantes de Curitiba, com quatro princípios básicos: uso de produtos orgânicos, não uso de produ-

acessíveis a essas ideias. “As grandes empresas têm consultorias, funcionários especializados no assunto, então elas conseguem entender o que deve ser feito, mas exponencialmente o investimento é muito maior. Já os pequenos têm pouco conhecimento, mas uma vez que o conhecimento chega neles é bem mais fácil de implementar”, avalia Wandscheer. Algumas soluções, para ele, são mais aceitas pelos empresários. É o caso do uso da luz natural ou de energias alternativas. Já processos, como uso de água da chuva ou

Edgar Wandscheer, arquiteto

de reuso de água, para ele, têm mais resis-

Quintana, Gabriela Carvalho. “Desde o início, a ideia era ter um restaurante com uma alimentação mais saudável, porque eu sentia falta em Curitiba de um lugar onde a comida fosse assim: boa, criativa e saborosa.” A proposta era ter uma alimentação saudável, que fosse mais amigável com a natureza, como define a chef, cuja experiência na cozinha passa por vários países e, dentro do Brasil, por vários estados. Com essa ideia na cabeça, passou a ocupar o terreno do restaurante, que hoje abriga grande variedade de árvores frutíferas, uma horta com todas as ervas usadas pela cozinha, além de verduras eventuais. Outras ações que fazem bem ao ambiente são a utilização do máximo possível dos alimentos, como cascas e caules, a escolha de fornecedores da região, o que reduz os impactos com CO2 (monóxido de carbono) no transporte e ainda incentiva a economia local.

tos com risco de extinção ou fora de época, utilização integral dos alimentos para dimi-

Incomodada com a grande quantidade de

nuir o desperdício, e uso de produtos com-

lixo, Gabriela também foi atrás de uma par-

prados na Grande Curitiba para diminuir a emissão de gases com transporte. O restau-

ceria com a empresa Biocomp, para fazer a

rante também integra o Movimento Slow Food, que ensina a ter uma alimentação mais consciente.

toneladas de resíduos produzidas mensal-

Quem conta a história do estabelecimento é a restaurantrice e chef responsável do

A última ação aconteceu no deck do restau-

Exemplos simples que podem ser adotados por pequenas empresas são uso da energia no horário correto e a compra de energia no mercado livre

resíduos que eram encaminhados para o

compostagem dos alimentos. Hoje, as 17 mente têm destino certo: transformam-se em adubo. rante. Gabriela conta que durante um tem-

tência, porque a água no Brasil ainda é é mais demorado. “O interessante é que os

o estabelecimento implantou um sistema

pequenos veem a possibilidade de aderir a

de aquecimento de água para uso nos chu-

esses projetos de modo mais fácil. Eles

veiros a partir de energia solar.

acreditam que estão fazendo a parte deles

O hotel é pequeno, possui 30 apartamen-

Qual é o empresário de pequena empresa que nunca sonhou em usar métodos mais sustentáveis em seus empreendimentos?

tos. Assim, foram instalados cinco conjun-

grande diferença”, acredita.

tos com cinco placas de captação e um

Por isso, ressalta o arquiteto, é importante

reservatório cada que atende seis aparta-

que as pequenas e médias empresas tenham acesso às novas tecnologias, seja com

mentos. A capacidade é de 4 mil litros de água quente, que vai se renovando durante o dia, e garante água aquecida durante todo o dia. Só de noite o sistema a gás entre em funcionamento. “Conseguimos uma economia bem grande. Se fosse tudo a gás gastaríamos uns R$ 7 mil, mas a conta fica em R$ 2 mil a R$ 3 mil”, diz o gerente Angelo Augusto Reinaldim, que calcula que na conta total de energia a

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e se todo mundo fizer, isso pode fazer uma

Foto: Luiz Costa/La Imagen

abundante e barata e o retorno, nesse caso, Largo. Desde a inauguração, há cinco anos,

incentivo dos governos, apoio das universidades com orientação sobre o que pode ser feito, entre outras ações. “O importante é que as pequenas e médias tenham acesso. Muitas poderiam fazer coisas boas e baratas, mas não têm conhecimento, não têm pessoas voltadas para isso. Elas estão focadas em ver seu faturamento, mas deixam de cuidar de coisas que poderiam ajudar na gestão de seus negócios. Todos sabem que é

economia seja de 50%. Além disso, Augusto

preciso focar em inovação e controle de custo,

Reinaldim enumera outras ações que o ho-

mas isso está focado não só na produção, mas

tel implementou com objetivo de reduzir o

no dia a dia da fábrica, e aí entra a economia

impacto ambiental e, consequentemente,

que deve ser feita com luz, com água. É uma

diminuir custos.

quebra de paradigma”, pondera Wandscheer.

Angelo Augusto Reinaldim, empresário

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Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

Gabriela Carvalho, chef de cozinha po o deck, que tem cobertura de vidro e sempre foi um local muito quente, permaneceu inutilizado. “Eu já podia ter colocado ar condicionado, mas estava em busca de uma solução que fosse mais respeitável com o ambiente.” A solução foi criar uma lâmina de água que escorre pelo telhado, resultando no esfriamento do vidro, o que vai evitar o aquecimento interno. O processo é simples: começa com a captação da água da chuva, que é armazenada em uma caixa d’água. Essa água é bombea-

medida, ser sustentável às vezes não é prático, seria mais fácil fazer de outro jeito. Mas e o seu futuro como é que vai ser? Se continuarmos no ritmo que vem sendo feito até hoje, qual a garantia que a gente

do telhado, e dali sai em pequenos furinhos, formando a cascata sobre o vidro.

“Quero conhecer novos processos para

O local ainda está em processo de finalização, com o sombreamento do vidro e plantio de plantas, mas já garante um impacto bem mais positivo para a natureza. Além de sustentável e econômico, o lugar ganhou em beleza.

Saiba mais

vai ter para o futuro?”, questiona, ao mesmo tempo em que já pensa em novos processos a adotar. Entre eles, a desidratação das cascas de laranja, lixo volumoso resultante dos dois sacos de sucos de laranja produzidos diariamente.

da até uma rede de canos finos no alto

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Gabriela Carvalho conta que seu objetivo, ao adotar medidas sustentáveis, nunca foi o marketing, mas sim em uma maneira de melhorar a qualidade de vida. “Muitas vezes é mais trabalhoso adotar esse tipo de

ir lubrificando o caminho, que hoje ainda emperra muito por falta de conhecimento. Falta saber o impacto que estamos tendo, como reduzir mais isso para que o resultado seja mais significante para o futuro”, diz.

Livro “A Economia Verde”, de Joel Makower. Livro “A Vantagem da Sustentabilidade”, de Bob Willard, ex-presidente da IBM. Site “A Vantagem da Sustentabilidade”

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absurdamente mais importante. Os preços

vestir em uma marca para seu negócio ou

se nivelaram e a marca é o principal item de

serviço é coisa para empresa grande, que

referência para o cliente. É a marca que vai

tem recursos para gastar em marketing e co-

dar a principal pista de confiabilidade, de

municação, e que os pequenos não têm

segurança daquele produto ou serviço”,

chances de fixar sua identidade diante do

afirma Joaquin Presas.

mercado. Se fosse assim, o que seria hoje de empresas como a Cacau Show, que começou na cozinha da casa da Dona Creusa, no bairro Casa Verde, em São Paulo, em 1988, e hoje é líder em vendas em chocolates artesanais com mais de 1.000 lojas em todo País?

Em um mercado cada vez mais competitivo, torna-se imprescindível também investir na construção de identidade própria

O sociólogo e professor Rogério Bonilha, diretor do Instituto Bonilha, que há 17 anos realiza a pesquisa Top of Mind, sobre as marcas mais lembradas, tem a mesma opinião. “A preferência dos consumidores, em grande parte, é direcionada pela marca. A

Sem dúvida, esse é um bom exemplo de que

marca sintetiza tudo: o que é o produto, a

investir em uma identidade não é tarefa ex-

sua aceitação, a reputação da empresa e a

clusiva dos grandes. Para conseguir se desta-

competência de seus criadores e gestores.

car em um mercado cada vez mais competiti-

Assim, no planejamento de uma iniciativa

vo, torna-se imprescindível que também as

comercial, independentemente de seu por-

micro e pequenas empresas invistam na

te, a reflexão sobre a marca deve estar pre-

construção de uma identidade própria.

sente desde o começo”, aconselha.

Para o professor Joaquin Fernandez Presas,

Ele ressalta, ainda, que a marca é que irá

mestre em Comunicação e doutorando em

possibilitar que o cliente faça comparações

Marketing, e dono da agência Pontodesign,

entre os produtos, principalmente com os

que tem como foco atividades de comunica-

da concorrência. “Quando o consumidor

ção para pequenas empresas, na hora da

pensar na marca, ele recuperará na sua me-

compra, a marca é hoje a principal referên-

mória as informações sobre o que ela signi-

cia que o consumidor tem. “Nós tivemos

fica, direcionando sua compra ou decisão.

uma revolução da tecnologia de produção e

Ao lembrar da marca, o comprador será to-

de informação, o que resultou em maior

mado por um sentimento de aprovação ou

acesso do consumidor aos produtos. Isso

repulsa, conforme a experiência que tiver

fez com que a marca assumisse um papel

com ela”, afirma.

O grande ‘pulo’ é o empresário entender que a marca é o principal elemento de relacionamento que os consumidores têm com os produtos

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

O poder da

Tendência

Identidade

Muitos empreendedores acreditam que in-

Por Maigue Gueths

Joaquin Fernandez Presas, especialista em Marketing

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Como exemplo de empresa que não sabia

belecendo padrões que vão determinar toda

que fique na cabeça dos consumidores e

fazer a sua marca, e não conseguia contar a

a identidade visual da empresa. Ou seja, para

seja lembrada por eles na hora de escolher

sua história, ele cita uma pequena indústria

que a empresa fique na memória dos clientes

um produto, é um desafio, uma vez que são

de móveis, que ao procurar a agência não

é importante que a imagem esteja presente

poucas as marcas que conseguem esse fei-

tinha sequer uma placa com o nome na

em outras peças relacionadas a ela, como a

to. Ele acredita, no entanto, que com a ex-

frente da fábrica, nem colocava a identifica-

placa em frente ao imóvel, uniforme dos em-

pansão do consumo para a Classe C, nos úl-

ção da marca nos seus produtos.

pregados, papel timbrado, embalagens, car-

timos anos, aumentou a possibilidade dos pequenos conquistarem seu espaço. “Muitas pessoas nem compravam antes, nunca tiveram marcas preferidas. Agora, como já podem selecionar o que querem, elas estão prestando atenção nas marcas, e, com isso, começam a construir novas marcas ou consolidar já existentes”, explica.

Promessa futura de resultados A marca, de acordo com os especialistas, não se resume a um logotipo ou nome. Trata-se de uma identidade, um conceito sobre o negócio, que não necessariamente será construído a partir de orçamentos milionários, mas também pode resultar de um tra-

Erlon Labatut, empresário

O importante é fazer o consumidor dizer ‘é uma marca que eu confio’, pois ao falar isso mostrará satisfação muito além do produto

tão de visitas, dentre outras.

uma marca forte, segundo Joaquin Presas,

Alguns empresários, segundo o especialis-

não é o meio – se é site, banner, adesivos,

ta, querem partir de cara para fazer propa-

placas, camisetas – que a empresa vai usar,

ganda em veículos de comunicação, o que é

mas sim como ela vai fazer. “A pessoa à

um erro. “Só publicidade não funciona para

frente da empresa tem que entender que é

construir marca. Ela auxilia na construção de

um processo de comunicação que tem que

imagem, mas não constrói nada porque não

ser construído com todas as frentes possí-

permite retorno. A publicidade tem que fun-

veis. Esse processo de comunicação tem

cionar junto com um bom produto, com ou-

que ser construído com base em uma pro-

tro sistema de informação, com atendimen-

messa real, que é a essência da empresa, e

to ao consumidor, patrocínio”, enumera.

que a faz diferente das outras e para alguns, melhor do que as outras. É isso também que faz os funcionários se manterem ali, porque acreditam naquilo”, assinala.

Quando os recursos são poucos, o tempo de construção de uma imagem em geral é maior. Mas se a empresa tem mais verba para o setor de comunicação, o empresário

balho de pequenas ações cotidianas.

Como fazer

pode partir para outros canais tradicionais

“As marcas constituem o maior capital das

O primeiro passo para criar uma marca for-

organizações, por isso devem ser tratadas

te, segundo Joaquin Presas, é o empresário

de feiras, fazer pequenos anúncios em veí-

cotidianamente por seus detentores, com

entender que precisa se comunicar com

paixão e dedicação. A construção é perma-

seus clientes, e que deve fazer isso sempre.

nente, não se resumindo ao grafismo, mas

Essa regularidade será expressa em ações

ao conteúdo que o empresário quer que o

simples, como o envio de um cartão no ani-

consumidor perceba”, ressalta Bonilha.

versário do cliente, mandar um brinde em

Já Joaquim Presas ressalta que a marca é

ocasiões especiais, enfim, ter um sistema

uma promessa futura de resultados. “Quando

de comunicação com os clientes. A isso se

a marca começa a falar de si e começa a se

chama tecnicamente de gestão orientada

mostrar, ela está contando uma história. Essa

ao marketing.

história é uma promessa futura de resulta-

Depois que o empresário tiver esse enten-

dos. E para contar uma história tem inúmeras

dimento, está na hora de ter uma marca

formas, pode ser na novela das oito onde uma

que seja a identidade da empresa, ou seja,

inserção custa R$ 200 mil, no Big Brother,

que tenha individualidade e expresse a his-

onde custa R$ 8 milhões, que é absurdamen-

tória e a essência da empresa.

te impensável para 99% dos empresários, ou em atitudes cotidianas”, observa.

de micro e pequenas empresas é querer economizar com comunicação e, em vez de re-

precisa fazer parte da vida das pessoas com

correr a quem entende do negócio, acabam

quem pretende se relacionar. A empresa, se-

chamando um sobrinho ou filho de um ami-

gundo ele, tem que começar contando a pró-

go, que pega um desenho qualquer na inter-

história da empresa nele, contá-la para os funcionários, para que eles saibam o que ela tem que a faz melhor do que as outras. O empresário tem que entender que é preciso estar prelos funcionários, depois vai para o entorno, os revendedores, fornecedores, a cadeia de distribuição, os consumidores. É preciso deixar

que ajudam a fixar a marca, como participar culos locais, enfim, começar a “fazer parte do tecido das pessoas que a cercam”. Outra ação interessante é criar um slogan para a empresa, o que é chamado de tagline pelos publicitários. Trata-se de um mote, uma frase, uma expressão que vai tentar reforçar a memória do público para que

entenda da área. Um erro dos empresários

empreendedor construir uma marca forte, ele

pria história. Isso significa ter um site, colocar a

Todo o processo de comunicação tem que ser construído com base em uma promessa real, que é a essência da empresa, e que a faz diferente das outras

O melhor é contratar um profissional que

O que Joaquin Presas quer dizer é que para o

sente nas coisas mais básicas, começando pe-

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Enfim, o “grande pulo” para se construir

Foto: Luiz Costa/La Imagen

Foto: Luiz Costa/La Imagen

Para Bonilha, conseguir fazer uma marca

net e joga o nome da empresa em cima. “Assim como a empresa precisa de um parecer técnico na área de finanças, na área de design e comunicação acontece o mesmo. Se ela quer competir com os grandes, tem que ter o mesmo repertório de ferramentas que eles têm, que é o mínimo de teoria em relação à comunicação e design”, defende.

tudo isso bem claro para “começar a ser uma

Joaquin Presas explica que a marca deve criar

promessa para o consumidor”.

um manual de identidade corporativa, esta-

Identidade visual torna produtos mais atrativos 37


lembre da marca ou produto. Essa tagline vai entrar na identidade visual do negócio, seja aplicada no carro da empresa, nos pa-

Confira agora entrevista com o diretor do Instituto Bonilha, Rogério Bonilha, que há 17 anos faz a pesquisa Top of Mind, sobre as marcas mais lembradas pelos consumidores.

péis, no cartão de visitas, nas mensagens de e-mail, entre outros meios.

Quando não dá certo Mas e o que fazer quando o empresário faz tudo certinho, mas tem que mudar a marca?

Por que algumas empresas conseguem manter marcas fortes ao longo de anos enquanto outras não conseguem estabelecer suas marcas? A pesquisa Top of Mind tem mostrado, continuamente, que as marcas mais lembradas são marcas de produtos e serviços que fazem parte do cotidiano das pessoas e que têm um elevado grau de aceitação por parte delas. No entanto, o uso constante e a qualidade seriam fatores insuficientes para manter a lembrança. A recordação é alimentada pela comunicação, especialmente pela propaganda. O papel mais elementar da propaganda é recapitular para o consumidor que o produto ou serviço, simbolizado pela marca, é indispensável para ele. Há bons produtos e serviços que não conseguem um espaço na mente do consumidor. Os resultados da pesquisa confirmam que a capacidade de investimento do empreendedor ou empresário é determinante para o recall da sua marca. Se os recursos forem escassos, a tarefa de manter viva a percepção de marca, que envolve múltiplas etapas, será árdua e as pretensões terão de ser bem realistas, obrigando o empreendedor, às vezes, a buscar apenas um nicho ou segmento de compradores.

O que o empresário deve levar em conta na hora de criar a marca para sua empresa? O primeiro desafio do empreendedor é criar diferenciais atraentes perante os produtos concorrentes e, para isso, a pesquisa pode ser um bom recurso. A alternativa de conceber um produto inovador é mais complicada, mas não é impossível. Há todo um empenho de organismos de apoio à inovação que podem ajudar o empreendedor a seguir este caminho. O segundo grande passo é desafiar a resistência do próprio consumidor, que precisa ser confrontado no seu conformismo de só aceitar marcas conhecidas.

Novamente, o empresário precisa, para isso, de estratégia para introdução no mercado. Será oportuno, também, o suporte de agência de comunicação que mostrará a importância e a utilidade e, acima de tudo, as vantagens do produto ou serviço. O consumidor se orienta pelas marcas de prestígio, que representam aquilo que eles desejam por um custo compatível com o seu ganho. Quando o que ele deseja não cabe no seu orçamento, ele procura alternativas, e isso pode ser uma oportunidade para as marcas menores ou locais substituírem as marcas líderes.

Foi o que aconteceu com os sócios Erlon Labatut e Vanessa Camlot, donos da Square Burger, nome dado à loja especializada em sanduíches pequenos e quadrados, há um ano, depois de receberem a notícia do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) de que não poderiam usar o nome Burning Burger, a primeira opção do negócio. A não aprovação do nome pelo INPI aconteceu depois de três anos e meio de funcionamento da hamburgueria, cujo foco principal é o delivery. Nesse tempo, os sócios já tinham feito nome e clientela. Todo visual da empresa estava pronto, incluindo embala-

Como os empresários de micro e pequenas empresas podem construir uma marca criativa, bonita e que tenha significado? O empreendedor que está iniciando ou que já está presente no mercado deve estar atento às características da demanda. O que as pessoas querem e como querem. O produto deve ser lançado ou reformulado para atender as exigências do consumidor. É preciso adaptar as características, tanto as intrínsecas como as externas, por exemplo, no caso, a marca gráfica e a embalagem. Se o produto agrada aos jovens pelos seus atributos ambientais, sua embalagem e marca devem ser coerentes: formato e cores orgânicas, simbologia compatível com a cultura jovem, descrição dos componentes destacando o fato de serem naturais e outros indicadores que transmitam credibilidade. O importante é fazer o consumidor dizer “é uma marca que eu confio”, pois ao falar isso ele estará mostrando satisfação não apenas com o produto, mas com a honestidade e responsabilidade da empresa que o produz. E uma marca de credibilidade estará sempre presente na cabeça do consumidor.

gens, uniformes, adesivos, cardápios e placa da loja. A dupla também tinha investido bastante em publicidade da marca, principalmente em revistas de delivery e outdoors. Labatut conta que os sócios tinham escolhido o nome Burning Burger em função de uma música de Elvis Presley, Burning Love. O nome, por sua vez, seguia a temática anos 50 pretendida na casa. “Nós fizemos tudo direitinho, na primeira pesquisa do INPI não apareceu nada, esperamos 60 dias que é o prazo para alguém reclamar pelo nome e também não deu nada. Daí abrimos a loja”, conta. Três anos e meio depois, o INPI entrou em contato, dizendo que a marca não poderia ser usada porque uma pessoa de São Paulo já havia registrado um nome parecido. “Tentamos reverter, porque a gente já tinha toda clientela cadastrada, anúncio em outdoor, a marca já era conhecida na cidade, mas não conseguimos”, diz Labatut. Apesar dos transtornos, a mudança não foi tão trabalhosa. A razão social da empresa continuou a mesma, mas o design da marca precisou ser alterado, assim como a placa na fachada da loja. E um ano depois, eles ainda têm embalagens com a marca anterior. Como a marca sofreu pouca mudança, ele diz que não foi difícil fazer a mudança. “Só foi tirado um nome no desenho e colocado outro. Não teve problemas, a nova marca já pegou e o nome agora ficou até mais aderente ao produto”, avalia.

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É a marca que vai dar a principal pista de confiabilidade, de segurança daquele produto ou serviço

Saiba mais Mudanças de marca, no entanto, não costumam acontecer com tanta tranquilidade. Segundo Joaquin Presas, as alterações vão depender do estágio de conhecimento que a antiga marca tinha perante o público e da situação em que se encontra. “Se a marca está muito ruim e ainda não era tão conhecida é um processo simples e pode ser conduzido com um pouco mais de liberdade. Caso a marca já tenha algum tempo de vida e relacionamento com um certo grupo de consumidores – mesmo que ela esteja bem ruim – provavelmente será necessário fazer um redesenho ou atualização da marca, retendo algumas das características principais para que o publico não perca contato com ela.” Em alguns casos, diz, esse processo é feito em dois momentos, principalmente quando a marca é muito focada em um segmento que não existe mais, por exemplo. Em um primeiro momento, a marca é atualizada, retendo características, mas já apontando para o rumo desejado. Um a dois anos após, ela é atualizada novamente, desta vez para o que realmente precisa ser feito, deixando para trás características que devam ser abandonadas, mas sem perder vínculo com seus consumidores. Nos dois casos, segundo Joaquin Presas, a mudança deve ser feita por um profissional que consiga perceber essa situação.

Dicas do especialista Joaquin Presas, de livros sobre o tema que podem ser baixados na internet. “Guia de Identidade Visual e Naming” desenvolvido especialmente para orientar clientes sobre o assunto. Pode ser baixado gratuitamente no site da ABA (Associação Brasileira de Anunciantes): www.aba.com.br/guiasdemelhorespraticas/ pdf/Identidade.pdf “Como contratar uma empresa de design gráfico”, manual disponível no site da ABA, para download gratuito, que segundo Presas, deveria ser lido por todos os empresários de pequenas e médias empresas, para quem “muitas vezes contratar um designer gráfico parece um processo obscuro e negro”. www.aba.com.br/guiasdemelhorespraticas/ pdf/Design-Grafico.pdf Sobre proteção de marca: http://www.aba.com.br/guiasdemelhorespraticas/pdf/Guia-Protecao-Marca.pdf Glossário útil: www.aba.com.br/guiasdemelhorespraticas/ pdf/Glossario-Branding.pdf Livro “Design thinking” - uma pulga de inquietude e motivação na cabeça de qualquer empresário. Pode até ser baixado gratuitamente na internet: www.livrodesignthinking.com.br/download/ livro_dt_MJV.pdf

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Santocchi, a maioria desiste por não poder

empresas, nem sempre é fácil desenvolver

arcar com custos de uma grande agência,

ferramentas de marketing como assessoria

ou acaba improvisando, fazendo ele mes-

de imprensa, plataformas digitais, campa-

mo, buscando profissionais frilas (de free-

nha de comunicação, marketing promocio-

lancer, profissional autônomo contratado

nal ou publicidade. Sem dinheiro para con-

para um determinado serviço), o que mui-

tratar uma consultoria especializada, é

tas vezes não traz retorno.

comum o pequeno recorrer à ajuda de um amigo, que se propõe a fazer o site de sua empresa ou elaborar um folder publicitário. Soluções caseiras e improvisadas que, muitas vezes, não surtem o efeito desejado.

Outra dificuldade, cita, é o fato de as agências não compreenderem o universo dos pequenos, trazendo soluções que na teoria são ótimas, mas que não surtem efeito quando executadas em uma escala menor.

Além da falta de recursos, a ausência de uma equipe preparada para pensar nesse tipo de serviço também leva o empreendedor a deixar as estratégias de comunicação e marketing como último item em sua lista de prioridades. Por outro lado, sobreviver num mercado onde a comunicação e a informação se tornaram uma das principais armas para o sucesso, não é uma tarefa fácil. Pensando nisso, e de olho nessa carência, empresas especializadas estão lançando no mercado produtos específicos para

Tendência

Mais em conta

Para os empresários de micro e pequenas

Nesse sentido, a franquia Ingrupo//Pocket, segundo ele, foi criada, para prestar serviços de acordo com as necessidades dos pequenos. Ele explica que o projeto prevê que a agência forneça aos franqueados seu conhecimento de dez anos atendendo grandes empresas, mas em um mo-

Soluções caseiras e improvisadas que, muitas vezes, não surtem efeito desejado devem ser evitadas sempre

delo que permite que esse conhecimento seja replicado para a realidade das pequenas, criando soluções de comunicação para esse mercado.

atender a necessidade das micro e pequeFoto: Ingrupo//chp

nas empresas. Um exemplo está em Porto União, cidade situada no estado catarinense ao lado de União da Vitória, no Paraná, onde a Girafa Comunicação Interativa, empresa especiali-

Marketing para todos

zada em serviços de comunicação e marketing digital, lançou em 2012 o Feupo CMS, uma plataforma que permite criar sites para pequenos negócios com custo baixo e benefícios altos. Outra solução vem de São Paulo, onde a agência Ingrupo//chp Propaganda lançou também neste ano o Ingrupo//Pocket, um serviço no formato de franquia, na qual os franqueados

recebem

treinamento

e

acompanhamento da agência para prestar todos os serviços de comunicação para micro e pequenas empresas. “A Ingrupo trabalha com o Sebrae/PR há mais de quatro anos. Nesse contato com a realidade das pequenas e microempresas, enxergamos todo o potencial de mercado dos micro e pequenos, um universo carente de boas soluções de comunicação e que,

Empresários encontram cada vez mais no mercado ferramentas a custos menores e com boa repercussão

na maioria das vezes, é ignorado pelas grandes e médias agências”, diz André Santocchi, dono da Ingrupo//chp. Para ele, a maior dificuldade dos pequenos é encontrar empresas que deem o suporte que precisam para destacar a sua marca e/ou serviços, pagando valores compatíveis com

Por Maigue Gueths

40

André Santocchi, empresário

o seu bolso. Nesse ponto, na avaliação de

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Encontrar empresas que deem o suporte que os pequenos precisam para destacar a sua marca ainda é desafio para muitos

O franqueado, por sua vez, vai oferecer todos os serviços de comunicação necessários, desde criação de logos, fachadas, material promocional, papelaria até campanhas publicitárias e aplicativos.

Agências de Propaganda (Sinapro), mas

tados. Uma das vantagens é a rapidez na

agosto de 2010, e desde lá já conta com

há total liberdade para que a unidade ge-

hora de montar o site. Após concluído, o

mais de 2,5 milhões de acessos.

rencie os custos.

cliente recebe todo treinamento neces-

Para as micro e pequenas empresas, a principal vantagem é o preço acessível, pois como trata-se de uma empresa po-

quanto duas franquias estão funcionan-

Marcos dos Santos ressalta, ainda, outras

do, ambas em Minas Gerais, mas estão

duas características dos sites Feupo: a

em negociação outras unidades, no Para-

plataforma oferece a tecnologia mobile,

cket, ela tem uma estrutura operacional menor, que permite ter preços mais em conta. Com o tempo, a unidade pode crescer, mas ela é pensada para começar pequena, com dois funcionários.

ná, Rio de Janeiro e São Paulo.

que permite que o site possa ser acessado por celular ou Ipad sem perder quali-

Segundo Santocchi, os custos podem va-

voltado para os pequenos, oferecermos

riar muito, uma vez que cada unidade vai trabalhar de acordo com a realidade econômica de sua região. A princípio, a Ingrupo disponibiliza para cada franqueado uma tabela padrão do Sindicato das

também o modelo de microfranquia,

O sistema é recente, foi lançado no final de setembro do ano passado. Por en-

Santocchi salienta, ainda, que o Ingrupo//Pocket foi pensado para as micro empresas em dois sentidos. “Além de oferecermos um serviço de comunicação

com baixos investimentos iniciais, como oportunidade para empreendedores.” Outro lançamento do grupo para os pequenos é o projeto Aplicriativos, uma loja de aplicativos para smart e Iphones,

Foto: José Bochnia

voltados para as micro e pequenas empresas, lançado no final do ano passado. “É a porta de entrada para um mercado

dade. Outra característica é que, depois de pronto, caso a empresa necessite de módulos adicionais, como cadastros especiais ou espaços personalizados, o

to Individual do Sebrae Nacional, Marcelo Henrique Valenzi Amorim, o Click Marketing nasceu de uma necessidade das pequenas empresas que, segundo pesquisas da entidade, muitas vezes morrem por falta de planejamento. “Parte de um planejamento é justamente um planejamento de marketing, que os empreendedores tinham necessidade de fazer, mas não sabiam como”, diz.

Feupo oferece uma plataforma inteli-

Com o Click Marketing, é possível fazer o

gente que aceita novas funcionalidades.

planejamento da empresa a curto, mé-

O empresário lembra, ainda, o fato do

dio e longo prazo, de acordo com o obje-

sistema Feupo oferecer atualizações e

tivo de cada uma. O sistema é bastante

revisões constantes na tecnologia em-

simples. Primeiro, porque é autoexplica-

pregada, e o uso de técnicas de indexa-

tivo, com dicas e exemplos de estraté-

ções que fazem com que o nome da em-

gias e de preenchimento para cada eta-

presa seja facilmente localizado em sites

pa do programa.

de buscas.

Outra facilidade para o empreendedor é

Mas para o empresário de pequena em-

a existência de um tutor, que vai respon-

oportunidade do pequeno estar dentro

presa, um grande atrativo para o negó-

der todas as dúvidas do cliente por meio

de um mercado que hoje ele não tem

cio é o custo. Montar uma página pelo

de e-mail. Finalmente, após elaborar seu

acesso”, afirma.

Feupo custa aproximadamente R$ 1 mil,

plano de marketing, o cliente pode fazer

o que pode ser parcelado em até quatro vezes, mais uma mensalidade de R$

União, consiste em viabilizar sites para

49,90 pela hospedagem. “É uma plataforma de investimento baixo, ágil, de fá-

pequenas empresas. A ideia de criar o

cil manuseio, muito interessante para

Feupo, nome dado à plataforma de mo-

quem está começando a trabalhar no

delos de criação de sites, nasceu de uma

mundo digital”, diz.

constatação feita por uma pesquisa do

Com tantas facilidades, desde o lança-

Sebrae/SP, em fevereiro de 2010.

mento do sistema, em abril do ano passa-

O levantamento mostrava que as micro e

do, a Girafa já contabiliza mais de 200

O projeto da Girafa, a empresa de Porto

pequenas empresas representavam 99% das empresas em atividade do País, e, dessas, cerca de 80% não possuíam nem site nem presença online. “Nossa empresa está em uma cidade de interior, onde há poucas empresas grandes com condições de investir alto. Apesar de atendermos empresas grandes, clientes de Curitiba, nosso foco hoje é o Feupo, uma plataforma criada para atender os pequenos empreendedores com um custo e benefício ótimos”, contam os executivos e sócios Marcos R. dos Santos e Andrews Roberson.

42

os conteúdos da página.

Segundo o analista técnico de Atendimen-

muito grande. Esses aplicativos são uma

Site para todos

Marcos R. dos Santos, empresário

sário para que ele mesmo possa atualizar

um download e enviá-lo ao tutor, para análise completa do plano. Ou seja, no final, ele terá um plano de marketing avalizado por um consultor especializado na área de marketing. Para que o empresário possa traçar o seu plano, o Click traz um passo a passo, feito por consultores especializados na área de marketing. Ao todo são nove tó-

clientes que abriram suas páginas online

picos, onde o empresário terá que res-

pelo Feupo. E a proposta avança dia após

ponder a questões sobre seu objetivo em

dia. A empresa de Marcos dos Santos e

elaborar um plano de marketing; vai indi-

Andrews Roberson prepara-se para lançar o FeupoCommerce, para os empresá-

car seus pontos fortes e fracos; analisar

rios de pequenos negócios de olho no

mercado; apontar o perfil de seus clien-

comércio eletrônico. “Um sistema enxu-

tes; e definir os objetivos estratégicos

to, mas eficiente no qual pode se ter um

com o plano.

catálogo de produtos e efetivar a venda”, explica Marcos dos Santos.

Click Marketing Não exatamente na área de comunicação, mas pensando na necessidade do empreendedor, que não tem conhecimento nem

Sobreviver num mercado onde a comunicação e a informação se tornaram uma das principais armas para o sucesso não é uma tarefa fácil

as possíveis ameaças e oportunidades de

Saiba mais

Segundo Amorim, os resultados do Click Marketing têm sido tão satisfatórios, que o programa passou a fazer parte também do Sebrae Mais, um programa voltado para

Sites

empresas avançadas, que têm mais tempo

Click Marketing www.clickmarketing.sebrae.com.br

de vida. “O Click Marketing mostrou que

O Feupo, segundo eles, oferece vários

recursos para fazer um plano de marke-

serve tanto para o pequeno fazer o marke-

modelos de criação de sites, para que o

ting, o Sebrae criou o Click Marketing, uma

ting inicial de sua empresa, como também

cliente escolha o que melhor se encaixe

ferramenta online, auto-explicativa e gra-

para que a empresa com mais tempo de

com as necessidades de sua empresa. A

tuita, para que os pequenos façam sozi-

vida possa ter um plano de marketing

partir desse layout básico, a página é per-

nhos seu plano de negócios. O sistema é

avançado”, diz. (Colaborou nesta reporta-

sonalizada com os itens que forem solici-

disponibilizado aos empresários desde

gem o jornalista Leandro Donatti)

Ingrupo//Pocket www.ingrupopocket.com.br www.aplicriativos.com.br Feupo www.feupo.com

43


sempre é medido pelo número de “curti-

Facebook e em pouco tempo tem centenas

das” ou de compartilhamentos. “Não se

de “curtidas”, uma lista de clientes que cres-

preocupe em ter um milhão de fãs, mas sim

ce a cada dia e um canal gratuito para divul-

de endossar a qualidade do que se ofere-

gar os seus produtos. Certo? Em partes.

ce”, salienta Gil Giardelli.

O Facebook pode ser visto como uma “mina

Ele reforça que o Facebook é uma grande

de ouro” na divulgação, mas muitas empre-

rede social e que se o produto é bom, o

sas que têm páginas na rede social já sen-

compartilhamento vai acontecer natural-

tem, na prática, a necessidade de administrar profissionalmente esse canal para não sucumbir às armadilhas da rede. A exposição na internet significa ter uma qualidade ímpar no produto oferecido e também no atendimento, já que a rapidez com que se divulgam os benefícios da empresa é a mesma com que um cliente pode divulgar uma reclamação.

Tendência

Facebook

Parece fácil: a empresa cria uma página no

mente. “Não é preciso ficar postando 24 horas por dia. É importante ter uma linha editorial e fazer a pergunta: o que eu estou postando pode mudar ou ajudar alguém?” E as empresas podem fazer escolhas assertivas na hora de postar e contribuir para disseminar informações importantes. Giardelli exemplifica com uma loja de tintas

“O Facebook é o símbolo da grande moeda fessor e coordenador do Centro de Criatividade e Inovação da ESPM, Gil Giardelli, um dos mais renomados especialistas em mídias sociais do Brasil. Para ele, o Facebook é a “primeira infância” de uma grande sociedade de rede que está se formando e que

Foto: Luiz Costa/La Imagen

do século 21: a reputação”, enfatiza o pro-

O Facebook é a “primeira infância” de uma sociedade de rede que se forma e que tem como principal característica o compartilhamento da informação

tem como principal característica o compartilhamento da informação. “Você é o que você compartilha”, ele costuma dizer nos cursos e palestras que ministra. Giardelli defende que as empresas que estão entrando ou já estão nas redes so-

curtir

Tempo de

(ou não)!

ciais precisam levar em conta que estão abertas 24 horas por dia e que a mesma intensidade com que são cobertas de elogios, também podem ser alvo de reclamações. “Por isso, a resposta ao público sempre precisa ser rápida”, alerta. Para o professor, é preciso levar em conta uma série de questões quando se está nas redes sociais, principalmente as empresas. “Pessoas podem ter opiniões políticas, empresas não”, exemplifica, enfatizando que é importante fugir de opiniões polêmicas. Giardelli dá algumas dicas do que fazer quando se cria uma página (veja o quadro na página 47). Ele acredita que nos próximos dois anos o Facebook ainda será o grande “shopping center” do Brasil. No entanto, defende que as empresas não devem se preocupar tan-

Pequenos empreendimentos que mantêm páginas na rede devem redobrar atenção para não cair em armadilhas

to com a ferramenta, mas sim com a essência da sociedade de rede. “As empresas devem levar em conta essa sociedade de rede, a necessidade de compartilhamento, e isso não tem volta.”

Um milhão de clientes Por Katia Michelle Bezerra

44

Bibiana Schneider, empresária

O sucesso de uma página no Facebook nem

45


Foto: Luiz Costa/La Imagen

so divulgar informações constantemente para os clientes se atualizarem, mas também não dá para bombardear de informações.” Ela contratou uma pessoa especializada para administrar a página, mas não deixa de orientar e aprovar pessoalmente o que está sendo postado. “Procuramos compartilhar assuntos ligados ao chocolate que

Os erros mais comuns nas pequenas empresas

sejam de interesse do nosso público, um mix de informações relevantes, como receitas que levem chocolate, com a divulgação dos nossos produtos, para não ficar chato nem cansativo.” Para ela, a página é de grande importância para divulgação da loja que existe há quase uma década. “Os clientes se sentem mais próximos, dão opiniões, trocam informações e fazem perguntas. A informação fica mais ágil”, revela. Ela optou por não usar a ferramenta para fazer promoções, mas sim para divulgar lançamentos e buscar a opinião dos clientes para melhorar ainda mais os seus produtos. “Nosso objetivo é exatamente esse:

Não oferecer informação suficiente É muito importante ter o seu perfil completo, com informação precisa e detalhada. Por exemplo, se a sua página é construída como uma empresa garanta que as primeiras linhas reflitam bem o seu lema (slogan), a sua descrição, ou outra informação importante. Se a sua página for construída como um negócio de bairro, o seu horário de funcionamento, o seu endereço e a informação para contato precisam ser corretos.

Não criar um plano de mídia social Ter um objetivo ou uma meta para a sua página no Facebook economizará tempo e dinheiro, como também ajudarão no acompanhamento e manutenção. Você deve ser capaz de determinar se o conhecimento da sua marca, do seu serviço ao consumidor e do seu engajamento e interação serão o foco da sua página. Uma vez que isso estiver decidido, você pode customizar a sua página e as suas postagens para refletir essa estratégia.

Ignorar as reclamações O Facebook continuará a ser um lugar aonde é fácil dar vazão às reclamações. Essas queixas precisam ser manejadas de um modo apropriado, ou você se arriscará perder o negócio de seus clientes insatisfeitos, bem como o de outros que podem ver as queixas ao visitar a sua página. A regra geral é, em primeiro lugar, tratar da queixa online e, se necessário, continuar offline.

ficar mais próximo dos clientes”, enfatiza. Desde que criou a página, a empresária reduziu o número de anúncios em revistas e jornais e acredita que o Facebook é muito mais eficaz para atingir os clientes. “Em épocas de datas comemorativas, como a Páscoa, é fundamental para avisar nosso público dos novos produtos. Eles já vêm na loja sabendo o que querem”, comemora.

Público potencial

Melissa Castellano, empresária

Entrar em contato com os clientes e buscar que tem uma página na rede. “A empresa pode postar sobre a história das cores, como escolher as cores, enfim, precisa ter uma linha editorial coerente com o seu pro-

As empresas devem levar em conta a sociedade de rede, a necessidade de compartilhamento, e isso não tem volta

duto”, diz. É por isso que as empresas não devem tratar o Facebook como um canal “fácil e barato” para divulgar a sua loja e seus produtos. Cada vez mais, é preciso tratar o canal com profissionalismo de outras mídias. Em 2011, a empresária Bibiana Schneider, uma das proprietárias da loja de chocolates Cuore de Cacau, em Curitiba, criou uma página no Facebook para a loja e com o tempo foi percebendo que precisava de alguém para administrar o espaço virtual, que já tem 5 mil fãs.

46

Gramática, pontuação e informação incorretas A sua página no Facebook reflete diretamente a sua marca. Os administradores da sua página devem usar gramática e pontuação corretas. Alguns erros comuns são excesso de letras maiúsculas, terminar cada atualização com uma pergunta e usar muito o pronome “eu”. As postagens devem parecer originárias da sua marca, em vez da pessoa que a administra.

um público potencial foi a principal motivação da empresária Marcella Mayerle para inserir-se na rede social. “Usamos a mídia também como forma de divulgação da nossa marca, afinal de contas trabalhamos com uma linha de produtos que muitas pessoas desconhecem”, conta Marcella. Proprietária da Loja do Avô, ela encontrou na ferramenta uma maneira ideal de divulgar os produtos especializados que a loja oferece, focados na melhor idade. “Oferecemos produtos separados em categorias que vão desde facilidades para o dia a dia, presentes, vestuário, ortopedia, produtos para a realização de exercícios físicos, conforto, facilidades para o banho, segurança do idoso, aparelhos de pressão, inaladores, locomoção, até categorias de

“Como estou envolvida com a loja, eu não ti-

produtos destinados a tratamento de do-

nha tempo para alimentar a página. É preci-

enças”, exemplifica.

Não tirar vantagem das características do Facebook Além de prover na sua página informação precisa e completa e de prestar atenção às percepções, é bom usar as outras ferramentas que o Facebook proporciona. Criar uma história da sua empresa usando a linha do tempo, criar ofertas e eventos entre outros recursos. Ter uma fotografia corretamente dimensionada e um bom perfil também otimizarão a sua página.

Não respeitar as regras Esse é um grande erro, que pode até resultar na perda da sua página. Quando você estiver fazendo uma promoção, seja através de um plano bem bolado com um prêmio valioso, ou simplesmente distribuindo uma camiseta, as características e funções do Facebook não podem ser usadas, tais como as “curtidas” numa página ou compartilhamento de uma postagem para ganhar o prêmio. Para ser válida, a promoção precisa usar um aplicativo terceiro. Você pode verificar a Política de Promoções do Facebook para mais detalhes.

Não estar engajado com os seus clientes Scott Stratten, presidente da empresa UnMarketing, escreveu o seguinte no seu livro de mesmo nome: “Se eu lhe oferecesse, há 10 anos, uma ferramenta que o permitisse fazer o que as redes sociais fazem hoje, você teria pagado 20.000 dólares americanos por mês para ter acesso a ela e, hoje, ela é grátis”. Em outras palavras, você tem a atenção dos seus clientes – o que você quer fazer? Engajar, interagir e manter os seus clientes interessados, além de fazê-los continuar a visitar a sua página.

Não investir e não reservar um orçamento para fazer publicidade De forma simples e direta, para ter sucesso você precisa gastar algum tempo no Facebook. A sua página não pode servir apenas para um novo anúncio, para uma postagem pessoal ou para a sua atualização pessoal. Faça contato com os clientes, siga empresas ou marcas similares e poste conteúdos relevantes. Dê aos seguidores um motivo para continuarem conectados a sua página. Ter uma presença no Facebook é grátis, mas, se você quiser tirar mais vantagens do Facebook, usar os seus anúncios e ofertas é uma grande maneira de conseguir clientes para a sua empresa ou para a sua loja online. A publicidade no Facebook funciona bem para fazer promoções e promover eventos.

Medir as perceções erradas Embora as curtidas sejam boas indicadoras de que os clientes estão vendo sua página, o seu foco deveria estar no Facebook Insights (percepções no Facebook), tais como “Alcance” e “Falando sobre isso”. Essas medidas vão mostrar melhor o engajamento dos seus clientes, e elas são melhores para conferir verdadeiro valor a sua página.

47


Confira as dicas de Gil Giardelli, especialista em mídia social e professor da ESPM, para otimizar a página da sua empresa no Facebook

Não seja chato; Não poste 24 horas por dia; Selecione as informações que têm relevância para o seu público; Não entre em discussões polêmicas. Pessoas podem ter opiniões políticas. Empresas, não; Trate todos bem; Opte por uma linha editorial coerente com sua empresa e seus produtos.

Marcella criou a página em maio do ano

promoção, o número de curtidas em nossa

passado e desde então busca formas de

página triplicou”, contabiliza Marcella.

ampliar o número de clientes. J�� são cerca

Além disso, ela utiliza a página para escla-

de 1,2 mil seguidores. Além de divulgar produtos e serviços, por meio da página, ela também faz promoções e sorteios. “Interagimos com nossos clientes de diversas maneiras, como a realização de uma

Unidade na rede de na comunicação e um design gráfico de

sorteamos um dos participantes. O ganha-

qualidade são algumas das questões bá-

dor como era de Curitiba, teve a oportuni-

sicas que a empresária Melissa Castella-

dade de retirar o prêmio em nosso ponto

no não abriu mão na hora de criar a pági-

de atendimento e assim conheceu um pou-

na do Charles Burguer, estabelecimento

co mais da Loja do Avô”, exemplifica.

especializado em hambúrgueres espe-

tema de sorteio online. “Dessa maneira a imagem promocional circulou pela rede social, conquistando cerca de 600 compar-

48

localizada a loja física.

Selecionar o que publicar, ter uma unida-

imagem promocional e cadastrar-se no sis-

nhou inspiração em todos os “Charles” conhecidos do público e da história. Charles Darwin, por exemplo, ganhou o hambúrguer chamado “Evolução do Hambúrguer” e inspirado no Príncipe Charles, o cardápio oferece o “Sanduíche Real” e até personagens mais contemporâneos, como o ator Charlie Sheen e os personagens infantis Charlie e Lola são homenageados. Para divulgar a novidade, Melissa faz promoções na rede na página que ela mesma alimenta, mas conta com o apoio de uma designer gráfica para fazer os banners e deixar a página com a mesma identidade do cardápio e da própria decoração da casa. “Ter essa unidade é muito importante, senão o resultado acaba não sendo profissional e, claro, os clientes percebem”, diz Melissa.

com o cliente além do território onde está

por meio de um sistema de sorteio online,

guidor da página deveria compartilhar a

Logo que entrou como sócia no Charles Burguer, Melissa teve a ideia de criar uma nova identidade visual para o local e inovar nos produtos oferecidos. O cardápio ga-

recer dúvidas e manter o contato direto

promoção, na qual sorteamos um relógio e,

Para participar, o usuário do Facebook e se-

cionamento e o Facebook foi fundamental para divulgar essa mudança”, conta a empresária. Ela optou pela ferramenta para mostrar para o público a nova identidade visual do local e também para otimizar custos e ter um retorno eficaz. Para tanto, utiliza a página também para fazer promoções e divulgar lançamento, como o novo cardápio por exemplo.

ciais do qual virou sócia depois de deixar a área de comunicação. Melissa fez o curso de Redes Sociais e Inovação na ESPM e levou a experiência para o empreendimento. Criou a página para o local e em menos de três meses já contabili-

tilhamentos. Assim o nome da Loja do Avô

zava 500 “curtidas”.

ficou mais conhecido e divulgado. Após a

“A Charles Burguer passou por um reposi-

Saiba mais Conhecer as regras da rede, na hora de criar e alimentar a página também é essencial para ter um bom resultado na divulgação do empreendimento. A agência de comunicação e marketing Hytrade reuniu em seu site (www.hytrade.com.br) os dez erros mais comuns que as pequenas empresas cometem no Facebook e outras para melhorar a performance digital das empresas que não querem ficar de fora da rede. O artigo foi escrito por Laura Bowers, coordenadora de mídia social para o The Briad Group. O artigo completo pode ser acessado no: http://goo.gl/4Zb3D

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Os quatro países, que têm muito a ensinar ao Brasil, seja por seus erros seja pelos seus acertos com relação ao empreendedorismo, foram o destino da terceira e última missão de benchmarking promovida pelo Sebrae/PR. Representantes da entidade, divididos em três grupos, participaram, no decorrer de 2012, de três missões técnicas e percorreram diversas nações, para descobrir as práticas que fizerem suas economias deslancharem e também para analisar como regiões semelhantes ao Brasil estão prosperando. As boas práticas vistas nos países visitados – Singapura, Coreia do Sul, Tailândia e Malásia, na primeira missão; Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, e Rússia, na segunda missão; e agora China, Índia, Taiwan e Hong Kong na terceira missão – serão disseminadas e farão parte do planejamento estratégico do Sebrae/PR para os próximos dez anos.

Hong Kong

Foco para

crescer China, Taiwan e Hong Kong traçaram caminho do crescimento e o perseguem sem desvios; Índia segue o exemplo

Por Andréa Bordinhão

50

A missão ao leste da Ásia foi no final do ano passado. E o objetivo maior do Sebrae/PR foi conhecer iniciativas relacionadas ao desenvolvimento econômico e social a partir de pequenos negócios.

Comportamento

Missão

sigualdade social do país, que tem praticamente metade da sua população de 1,2 bilhão de pessoas na pobreza e, por outro lado, tem expressivo número de trilionários do mundo. No entanto, ressalta o diretor do Sebrae/PR, o planejamento dos governantes do país é sair dessa situação em 20 anos, “já que eles possuem um expressivo mercado consumidor de 350 milhões de pessoas com poder aquisitivo, em franca e crescente expansão, assim como uma extraordinária capacidade de produção”. “É possível ver que a Índia já está fazendo o caminho inverso para o crescimento. Eles se espelharam muito no Brasil da década de 1960, que fez muitos investimentos em infraestrutura. Mas nós paramos e passamos a crescer sem investimentos. Lá está acontecendo o contrário. Mesmo com toda pobreza que o país tem, estão investindo em infraestrutura”, comenta Tioqueta. Em função disso, conclui, a Índia provavelmente vai ter uma base sólida para acelerar seu crescimento.

O que mais chamou atenção na missão ao leste asiático foi o planejamento estratégico dos países com foco definido

De olho no Brasil Como o crescimento econômico na Índia ainda é incipiente, os empresários de micro e pequenas empresas ainda não contam com apoio e organização suficiente. “Vimos muitos negócios informais por lá. Muitas

Foto: Divulgação

Taiwan, Hong Kong, China e Índia são exemplos de países que apostam em planejamento de longo prazo, como estratégia para crescer. Taiwan e Hong Kong desenvolveram rapidamente suas economias com base em investimentos em tecnologia, infraestrutura e educação, incentivos às exportações, abertura para a entrada de capital estrangeiro, forte participação na economia de mercado e incentivos tributários. China e Índia seguem a mesma direção.

Assim como representantes do Sebrae/PR já tinham constatado em outros países asiáticos, o que mais chamou atenção na missão a Taiwan, Hong Kong, China e Índia, do ponto de vista do desenvolvimento econômico e social, foi o planejamento estratégico com foco bastante definido. Mesmo cada país tendo suas peculiaridades, até na Índia, onde ainda se há muito para crescer e melhorar economicamente, o foco de longo prazo é bem claro. “Nós pudemos perceber que eles têm foco no que querem e sabem bem para onde vão. O planejamento de longo prazo explica o porquê a maioria dos países asiáticos se desenvolveu tanto em tão pouco tempo”, analisa o diretor de Gestão e Produção do Sebrae/PR, Vitor Tioqueta. Segundo Tioqueta, o que chamou muito a atenção da missão à Índia foi a enorme de-

Integrantes da terceira missão do Sebrae/PR

51


portinhas. Estamos bem à frente. Porém, percebemos grande interesse em fazer negócios com o Brasil”, afirma a gerente de Gestão de Pessoas do Sebrae/PR, Alba Soares. Segunda ela, os indianos querem vender para o Brasil, mas também estão interessados em levar conhecimento sobre nosso país.

A China passou por um processo de aprendizado copiando e agora tem a tecnologia, razão pela qual países como o Brasil precisam ficar atentos

52

Prioridades definidas Hong Kong e Taiwan, dois dos quatro ‘tigres asiáticos’ (este apelido foi dado em função do rápido crescimento econômico e social dos países), sofreram com sérios problemas políticos, hoje se consideram autônomos e independentes da China, têm territórios

logia para o Brasil. Para eles, o investimento pode até acabar quando os eventos termi-

Veja os principais aprendizados da terceira missão

narem, mas a tecnologia fica e pode evoluir e gerar nova sequência de investimento e oportunidades”, conta.

Tecnologia do futuro A tecnologia do futuro está sendo desenvol-

Segundo a equipe do Sebrae/PR, apesar de

pequenos e, no caso de Hong Kong, com

ter uma grande quantidade de micro e pe-

poucos recursos naturais – em especial

quenas empresas na Índia e na China, as

água potável e energia. Mas, apesar das

ações voltadas aos empresários de peque-

condições desfavoráveis, eles estão hoje

no porte, nesses países, estão concentra-

bem classificados no ranking Doing Busi-

das em algumas regiões ou em alguns ór-

ness, produzido anualmente pelo Banco

gãos. Na há uma instituição que dê amplo

Mundial (BIRD) sobre a facilidade de se fa-

apoio. “Os governos têm mais interesses

zer negócios em mais de 180 países. E isso

em atrair grandes corporações porque,

graças ao foco na direção correta e ao pla-

Hong Kong, nos enganamos. Taiwan é a 26ª

como a população é muito grande, há ne-

nejamento estratégico de longo prazo.

maior economia do mundo. A indústria de

cessidade de geração de emprego. E a mi-

“Hong Kong nasceu com recursos limitados.

croempresa não absorve isso”, explica o

Por ser uma ilha, não há recursos naturais.

gerente Administrativo e Financeiro do Se-

No entanto, eles definiram o que queriam e

brae/PR, Claudio Assis.

traçaram o caminho sem desvios”, analisa

Vontade de aprender

Vitor Tioqueta. “O foco dos dois países

vida em Taiwan. Essa foi a primeira impres-

1

são que os representantes do Sebrae/PR tiveram no país que não se considera território chinês apesar de ser reclamado pelo gover-

Planejamento de longo prazo;

no da China. “Apesar de ao chegarmos a Taipei termos a impressão que estávamos em uma cidade bem menos desenvolvida que

tecnologia desempenha um papel-chave na

2

deve servir de exemplo para o Brasil”, com-

economia global”, afirma Vitor Tioqueta. Segundo a equipe do Sebrae/PR, o setor in-

Foco bem definido, pois ninguém consegue ser bom em tudo;

dustrial tem sido a força motriz para o desenvolvimento econômico de Taiwan. “Nos últimos 50 anos, o governo e os setores privados de Taiwan têm trabalhado em conjunto para

Assim como a China já faz há um bom tem-

pleta. Hong Kong, que é denominada uma

po, a Índia também tem vontade de apren-

Região Administrativa Especial até 2047, se

der, buscar tecnologias para crescer. “Eles

posicionou como a principal porta de entra-

industrial e para alcançar um crescimento

querem acesso a novas tecnologias para

da de mercadorias para China continental.

econômico estável. E o setor de serviços tam-

aprender e desenvolver por lá. Eles care-

Com investimentos pesados em infraestru-

bém cresce a passos largos”, conta o diretor

cem de tudo um pouco. E isso abre oportu-

tura, o país trabalha para atrair exportado-

de Produção e Gestão do Sebrae/PR.

nidades para empresários estrangeiros”,

res e importadores para os seus portos.

comenta Claudio Assis. Além disso, os representantes do Sebrae/PR conheceram centros tecnológicos e de pesquisa avançados e muitas universidades nos dois países.

Segundo Vitor Tioqueta, um posicionamento estratégico do governo de Hong Kong é

3

procurar deixar claro ao mundo que sua legislação é diferente e independente da Chi-

melhorar continuamente a competitividade

O crescimento deste país se deu porque

Preocupação com o resultado e não com a quantidade;

desde os anos 50 foi feito um planejamento de nação, as escolhas foram acertadas e nunca se saiu do foco. “A cada dez anos eles desenvolvem um planejamento para uma

A China também tem a mesma vontade de

na e que lá a falsificação de produtos não é

aprender. A diferença é que já está traçando

tolerada e os contratos são respeitados. Lá a

de escada e hoje estão na indústria da inte-

o caminho há mais tempo. “Vimos que os chi-

legislação é clara e oferece segurança para

ligência”, observa o gerente financeiro do

neses investem muito educação e em um sen-

investimentos e propriedade intelectual.

Sebrae/PR, Claudio Assis. Isto é, em cerca

tido bastante amplo. Isso está dentro do pla-

O governo tem o papel de facilitador, ape-

nejamento estratégico deles”, diz o diretor

nas. “Em Hong Kong não se sente a interfe-

de Gestão e Produção do Sebrae/PR, Vitor

rência do Estado nos negócios, como acon-

Tioqueta. O gerente regional do Sebrae/PR

tece na China. O governo só cria condições,

no sudoeste paranaense, Joailson Agostinho,

arruma a casa sem ser percebido”, comple-

completa ressaltando que indústria chinesa

ta Marcos Aurélio Lima, gerente de Asses-

tem qualidade sim. “Eles passaram por um

soria Jurídica do Sebrae/PR. Marcos Aurélio

Taiwan devem se preocupar mais com os

processo de aprendizado copiando. Agora

diz ainda que “ao contrário de muitos paí-

empresários de micro e pequenas empre-

têm a tecnologia. E é preciso acompanhá-los,

ses, em que as regras e a legislação mudam

sas daqui para frente. E, como são países

pois eles têm qualidade e preço.”

a cada instante, desconcertando, desorien-

com competitividade internacional, devem

Portanto, segundo os representantes do Se-

tando os agentes econômicos, nos países

brae/PR, a palavra de ordem nos dois países

visitados há segurança jurídica nas relações

4 5

Ao contrário de muitos países, em que as regras e a legislação mudam a cada instante, nos países visitados há segurança jurídica e respeito aos contratos

nova frente. Com isso foram dando passos

de 50 anos a economia de Taiwan passou da indústria convencional à industrialização

Investimento em educação e pesquisa;

inovadora baseada em conhecimento.

Investir nos pequenos Para Joailson Agostinho, Hong Kong e

voltar o foco para outras economias.

Todas as entidades estão em consonância e assim nenhuma se sobrepõe à outra.

“Eles vão entrar no nosso mercado. Então,

gigantes é inovação e há muito investimento

de negócio e respeito aos contratos”.

em pesquisa e desenvolvimento, principal-

Segundo Vitor Tioqueta, os empresários de

mente na China. “Os indianos nos disserem

Hong Kong em especial têm muita curiosi-

que têm muito interesse no nosso etanol.

dade sobre o Brasil, por causa da proximi-

Eles querem vir ao Brasil aprender a tecnolo-

dade da Copa do Mundo e dos Jogos Olím-

gia, pois querem plantar e produzir por lá”,

picos. “Eles veem os eventos como boas

so, podem não ter visão empreendedora, mas

conta Agostinho.

oportunidades para transferência de tecno-

têm muita visão de negócio”, conclui.

nossas micro e pequenas empresas precisam ser competitivas em nível internacional”, salienta. “Eles têm infraestrutura, desenvolvimento de pesquisas, dinheiro, entidades de apoio às pequenas empresas e foco. Além dis-

Saiba mais O consulado do Brasil em Hong Kong mantém atualizada uma lista de interesses (bens e serviços) para importação ou exportação no site: www.brasilglobalnet.gov.br Quer saber mais sobre a missão? Acesse o blog: www.missaolesteasiatico.blogspot.com.br

53


gênicos (indicados para quem tem sensibi-

pronto para recebê-la. Somando a isso, uma

lidade a determinadas fórmulas) do Brasil e

dose generosa de empreendedorismo. Eis a

são desenvolvidos com ingredientes nutra-

mistura que pode render um negócio de su-

sêuticos, que trazem algum tipo de benefí-

cesso e fazer a diferença em uma sociedade

cio à saúde – nesse caso, ajuda a melhorar

que já tem de tudo, mas que está sempre

da pelagem do animal.

aberta para novas necessidades. O século 21 pede empresas movidas a ideias, que ganham corpo por meio de muito trabalho, criatividade e persistência.

mento da matéria-prima usada, para que eles possam identificar onde foi produzida.

ria ter lançado o produto antes, mas percebeu que o mercado ainda não estava preparado. Em alguns meses, pet shops de vários estados brasileiros poderão comercializar os petiscos orgânicos para cães Advita, marca da Vitaya Alimentos, a empresa criada por Dalmer Maffei. Ele promete inovar esse segmento comercial produzindo alimentação para animais domésticos a partir de ingredientes orgânicos. O primeiro produto será destinado para cães. Em segunda etapa, os gatos também terão seus petiscos feitos com matéria-prima livre de agrotóxicos e de

preendedora de Maffei. Há cerca de 12 anos, o administrador (com pós-graduação em Comércio Exterior) trocou o emprego em uma multinacional norte-americana e abriu a Verde Capital, que comercializa produtos orgânicos para indústrias de rações para animais. A Verde Capital trabalha principalmente com milho, soja, feijão, óleo e subprodutos da soja. Tudo orgânico. Os produtos são exportados para vários países, entre eles, Alemanha e Estados Unidos. O conhecimento desse setor, o curitibano adquiriu desenvolvendo projetos para a firma dos Estados Unidos. O interesse do povo brasileiro por produ-

As guloseimas serão fabricadas em uma

ta Maffei. “Os supermercados já entende-

propriedade industrial arrendada no município de Bocaiúva do Sul, na Grande Curitiba. Há cerca de dois anos, Dalmer Maffei e um sócio médico-veterinário vêm se dedicando com mais intensidade à nova ideia, que é inédita no Brasil. Depois de definidos os ingredientes utilizados, marca, embalagem, faltava uma coisa: saber como o mercado receberia o novo produto. Para tanto, os petiscos foram colocados em embalagens com uma marca fictícia e distribuídos para vendas em pet shops do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e alguns municípios do Nordeste. A aceitação positiva animou os sócios da recém-criada Vitaya. “Eu fiz uma marca faltestar o mercado com o produto verdadeiro. A resposta foi muito positiva. Existe demanda latente para o produto diferenciado”, comemora Maffei.

Ele conta que

lojistas que comercializaram o produto começaram a telefonar interessados em fa-

54

A Advita não é a primeira experiência em-

adubos químicos.

sa, coloquei em uma embalagem falsa e fui

Por Adriana De Cunto

ção do produtor, a Advita oferecerá aos pro-

empresas Dalmer Vinicius Maffei, 39 anos,

semestre de 2013. O curitibano até pode-

Conheça três histórias de empreendedores do Paraná que enxergaram oportunidades e as transformaram em negócios

preservação do meio ambiente e a valorizaprietários dos animais um serviço de rastrea-

que finalmente ganhará vida no segundo

boas ideias

Se o conceito dos produtos orgânicos é a

Há cerca de seis anos, o administrador de começou a definir um projeto de negócio

Mercado quer

Mercado

Demanda

Uma boa ideia na cabeça e um mercado

tos mais naturais cresce a cada dia, constaram que o orgânico não é um nicho de mercado. Ele é um mercado”, constata o

O século 21 pede empresas movidas a ideias, que ganham corpo por meio de trabalho, criatividade e persistência

empresário, comentando ainda que “hoje a oferta de orgânico é pequena para a potencialidade de consumo que existe, que é muito maior do que as pessoas imaginam”. O Brasil, segundo o administrador, é um dos países que mais ofertam matéria-prima para a indústria de orgânicos. Maffei também conta com a participação de um sócio na Verde Capital. “Em cada modelo de negócio eu tenho uma pessoa (sócio) junto comigo”, diz. Ele explica que trouxe essa “filosofia” da empresa americana onde trabalhou. Na opinião dele, os sócios acabam se envolvendo mais no negócio do que um funcionário.

Para o

desenvolvimento da Advita, o empresário está contando com a ajuda do Sebraetec, programa do Sebrae que auxilia os pequenos a terem acesso a serviços em inovação e tecnologia.

zer pedidos da guloseima.

Inovação chega ao toalete

O empresário explica que os petiscos para

Uma ideia inovadora pode aparecer de vá-

cães da Advita serão os primeiros hipoaler-

rias maneiras. No caso de Guilherme Bosso-

55


Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

pode ser encontrado no interior do Paraná,

camisa”. Os sócios fazem a venda e entre-

está na família. O advogado conta que cres-

Santa Catarina e na gigante Votorantim,

gas. “Se precisar furar uma parede, a gente

ceu atrás de balcão de loja, pois os pais são

em São Paulo. A dupla de empresários já foi

fura. Tem muito cliente meu que não sabe

empresários do ramo de confecção, fabri-

procurada por vendedores do Rio de Janei-

que eu sou dono da empresa”, diverte-se.

cando e vendendo roupas. Mas ele confessa

ro e Brasília, dispostos a representar a mar-

No começo, ele e o sócio passavam a noite

que antes da Hálito Puro, pensava em abrir

ca nesses locais. Atualmente, os proprietá-

montando as máquinas. “Nós não tínhamos

um restaurante. Hoje, o sonho é ver a empre-

rios contam com ajuda de um consultor do

dinheiro para contratar pessoas e tínha-

sa se desenvolver. “Quanto mais eu crescer,

Sebrae/PR na formatação da ampliação do

mos uma vontade muito grande de crescer.

mas saúde estou gerando para as pessoas.

negócio por meio de representantes.

E ainda temos.”

Sou apaixonado pela minha empresa. Não

Bossoni recorda que o começo foi bastante

Os reservatórios são alugados e os proprie-

troco por nada. É problema todo dia, mas eu

difícil. Os dois primeiros anos foram de tra-

tários dos estabelecimentos pagam também

amo o meu trabalho”, afirma.

balho árduo para desenvolver e aperfeiço-

pelo enxaguante e fio dental. O serviço cus-

ar o protótipo do reservatório que funcio-

ta para o dono do restaurante três centavos

Aluga-se tecnologia

na como um dispensador do enxaguante.

por cliente. “É um investimento para uma

O sonho de empreender chegou cedo na

Contrataram, de forma terceirizada, enge-

empresa. Para um bar ou para um restauran-

vida do estudante de Administração Fernan-

nheiros e designers. “Estávamos fazendo

te, é um diferencial”, comenta o advogado.

do Baggetti, 22 anos, de Curitiba. Desde as

uma coisa que não existia”, orgulha-se Bos-

O enxaguante bucal é marca própria e, em

primeiras aulas da Universidade Federal do

soni. Assim que se formaram na faculdade,

alguns meses, eles terão também o fio den-

Paraná (UFPR), ele descobriu que desejava

os sócios abraçaram também a profissão

tal Hálito Puro. Tudo é produzido por indús-

abrir um negócio próprio. O sonho tornou-se

de advogado e dentista em paralelo à ad-

trias terceirizadas na Grande Curitiba.

realidade depois que Fernando conheceu o

ministração da Hálito Puro. Foi graças a

Em breve, quando o reservatório ainda

isso que o investimento inicial total de R$

mais compacto for lançado e o enxaguante

10 mil foi suficiente para os primeiros anos.

ni, 30 anos, o insight aconteceu quando leu em uma revista reportagem sobre o aumento do número de restaurantes que cobravam por quilo, nas maiores cidades brasileiras. Crescia significativamente a quantidade de pessoas que almoçavam fora de casa. O então estudante de Direito contou sua intenção para o colega de juventude, Eduardo Sil-

Uma ideia inovadora pode aparecer de várias maneiras, a mais comum é quando há uma necessidade

va Arruda, acadêmico de Odontologia. Ele queria desenvolver um produto para ajudar essas pessoas a fazerem a higiene bucal no próprio banheiro do restaurante.

Eles foram apresentados, em abril do ano

vendidos no mercado, os sócios acreditam

passado, por um amigo em comum, que sa-

nada da empresa. Tudo o que entrava, a

que vão melhorar o pró-labore e provavel-

bia da vocação dos dois para empresário.

gente reinvestia”, explica. No início, o lucro

mente até contratar outros funcionários.

Na época, Coelho estava trabalhando como

era muito pouco, lembra o advogado, pois

Por enquanto, a dupla tem procurado fazer

engenheiro em uma obra no Pará. Largou a

eles decidiram alugar apenas seis máqui-

mais investimento que retiradas e sem re-

segurança do emprego fixo e voltou à capi-

nas e acompanhar o desempenho delas e a

correr a empréstimos. “A gente é muito pé

tal paranaense para abrir, junto com Fer-

aceitação do produto.

no chão. Se este mês não dá para tirar

nando, a Implement. Trata-se da primeira

Criar um novo produto não é fácil, mas o re-

nada, a gente não tira nada”, resume.

locadora de aparelhos mobile de Curitiba,

sultado é gratificante, diz Bossoni. “Tem

Um novo projeto já está em fase final de ela-

que ser muito persistente. Mas extrema-

boração. Bossoni e Arruda planejam colocar

A inspiração para o negócio surgiu quando

mente persistente”, afirma. Ele conta que

no mercado uma linha de produtos de higie-

Baggetti assistiu a um programa de televisão

cansou de escutar comentários de que a

ne pessoal masculina. O empreendedorismo

que mostrava esse tipo de atividade sendo

rem que vai dar errado, é muito fácil”, lembra. Mas os sócios insistiram e, muitas vezes os dois, que não são engenheiros, passavam a noite trabalhando no protótipo da máquina. Os primeiros equipamentos eram grandes, com reservatório para cinco litros

desenvolveu e patenteou um equipamento

de enxaguante. Depois, o design foi dimi-

que funciona como um reservatório com

nuindo para acomodar um litro do produto.

não carrega nécessaire com esses itens.

A estrutura da empresa é bem pequena, com apenas uma funcionária que recebe telefonemas, faz trabalhos burocráticos e

A carteira de clientes de Bossoni e Arruda

monta os equipamentos. A fabricação das

conta com 600 empresas de vários tama-

máquinas é terceirizada e ela chega des-

nhos e segmentos. De restaurante por qui-

montada ao escritório da empresa, que

lo em Curitiba, passando por churrascarias,

ocupa um local amplo, nos fundos da casa

clínicas odontológicas, bares, boates, shop-

de Bossoni. “A gente está começando. Não

pings, a grandes empresas que fornecem

deu ainda para investir em uma sede legal,

alimentação para os funcionários, como a

como eu quero”, diz.

New Holland.

principalmente tablets.

O empresário que oferece uma boa ideia ao mercado não pode ter medo de testar e fugir do convencional

ideia não daria certo. “Para as pessoas fala-

reiam o sucesso da Hálito Puro. A empresa

Ideal para quem almoça longe de casa e

56

e o fio dental Hálito Puro começarem a ser

“A gente ficou uns dois, três anos sem tirar

Oito anos se passaram e hoje os dois sabo-

enxaguante bucal, copinhos e fio dental.

tro apaixonado por empreendedorismo.

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

Dalmer Vinicius Maffei, empresário

engenheiro civil Victor Coelho, 24 anos, ou-

Manter as despesas controladas é funda-

A ideia já atravessou fronteiras municipais

mental para quem está começando, ensina

e estaduais. O equipamento Hálito Puro

Bossoni, lembrando que é preciso “suar a

Guilherme Bossoni e Eduardo Silva Arruda, empresários

57


Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

Fernando Baggetti e Victor Coelho, empresários desenvolvida na Europa. Os dois sócios pes-

menta que Curitiba já oferecia o serviço de

quisaram e descobriram algo semelhante em

aluguel de notebooks, porém a preços bem

São Paulo. Quatro meses depois de terem se

mais caros do que o praticado pela Imple-

conhecido, Baggetti e Coelho investiram R$

ment. Para a locação de um tablet há vários

100 mil e iniciaram o negócio, começando

pacotes. Os contratos longos compensam

com três tablets da Apple, o iPad.

mais. Por exemplo, a diária de um plano

Em quatro meses, a empresa já tinha aumentado em 500% o número de equipamentos, fechando o ano com 30 tablets, além de outros itens que, perceberam, havia demanda

tação da novidade. A expectativa para

lhar na segunda-feira. Pelo contrário.”

nas um dia custa R$ 12,90 e ainda é possível agregar diversos serviços, como seguro, fone de ouvido, 3G. A empresa ainda não tem funcionários,

nal, iPhones, iPod, cadeados eletrônicos, te-

mas os sócios planejam a contratação de

levisores, impressoras e computadores.

vendedores e representantes. Por enquan-

Implement foi direcionado para empresas, principalmente as de eventos. No final do ano, a freguesia se diversificou e, por conta das viagens de férias, pessoas físicas se tornaram os principais clientes. Famílias aluga-

2013 é otimista: quadriplicar ainda mais o número de equipamentos, que por enquanto têm grande giro - os tablets nem param na prateleira.

ram tanto os tablets quanto a máquina fo-

Neste ano, eles também esperam boa acei-

tográfica. As necessidades da clientela são

tação para um diferencial que começa a ser

as mais variadas. As empresas de eventos

apresentado aos clientes. São soluções e

alugam os equipamentos para apresenta-

aplicativos especializados para cada seg-

ções, enquanto tem gente que procura um

mento. Por exemplo, cardápio eletrônico

iPhone saber se vai se adaptar com a tecno-

para restaurantes, pesquisa de satisfação

logia. No caso dos smartphones, Coelho ex-

do cliente, entre outros. Segundo Coelho,

plica que a proposta é atender estrangei-

os aplicativos têm custo baixo, que pode

ros que visitam a cidade e precisam de um

ser diluído no aluguel do aparelho.

número de telefone local ou para funcionários de empresas em viagem.

58

to, os dois visitam empresas para apresen-

O engenheiro comenta que sua disposição para trabalhar mudou após abrir a empresa. “Para mim, empreender é a alegria de trabalhar”, afirma. “É mais estressante. Você trabalha muito mais. Mas eu me divirto. Sou uma pessoa muito mais feliz. Antes chegava domingo à noite e já ficava lamentando. Domingo, para mim não é mais um dia deprimente porque tenho que traba-

anual sai por R$ 4,99. A locação para ape-

para locação: máquina fotográfica profissio-

Nos primeiros meses, o foco de atenção da

cio, na área de educação e tecnologia, na cidade de Ponta Grossa. A proposta é oferecer diversos cursos para população de baixa renda, com conteúdo profissionalizante ou preparatório para concursos.

Coelho conta que fez um curso no Sebrae/PR sobre como abrir uma empresa. Mas os sócios

“O mercado de locação para aparelhos mo-

não querem ficar só com a Implement. Eles já

bile é muito grande”, diz Baggetti. Ele co-

começaram a criação de um segundo negó-

Saiba mais Os futuros empreendedores podem encontrar no site do Sebrae/PR várias dicas sobre como transformar uma ideia em negócio. Uma dica importante é conhecer os quatro fatores básicos que podem contribuir para o sucesso da futura empresa: autoconhecimento, planejamento; preparo; conhecimento e afinidade com o ramo de atividade. Veja mais no endereço eletrônico www. sebraepr.com.br.

59


centual corresponde à média que é destina-

nunca venderam tanto para o governo

da ao segmento em países desenvolvidos.

Foto: Luiz Costa/La Imagen

como nos últimos anos. Em 2012, as compras públicas de produtos e serviços de

Licitações

empresários de pequeno porte somaram

A Kassai Café, microempresa instalada em

R$ 15,4 bilhões de um volume total contra-

São José dos Pinhais, na Região Metropoli-

tado pelo governo federal que chegou a R$

tana de Curitiba, que cultiva e comercializa

72,6 bilhões. O valor é bem maior do que o

café, além de fazer assessoramento, trei-

registrado em 2002, quando a participação

namento e consultoria em projetos de ca-

das micro e pequenas empresas foi de ape-

feterias, faz parte dessa estatística. Funda-

nas R$ 2,9 bilhões.

da em 2003, a empresa que antes atuava

O crescimento real acumulado chega a

no atendimento direto para o varejo e,

400% e é resultado do aumento da quanti-

eventualmente, para o atacado, descobriu

dade de micro e pequenos fornecedores

nas compras públicas uma nova oportuni-

que descobriram nas licitações públicas um

dade de negócio.

novo nicho de mercado. Esse filão de negó-

“Começamos a participar de licitações

cios foi incentivado com a entrada em vigor, em dezembro de 2006, da Lei Complementar nº 123, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, também conhecido como Lei Geral de Micro e Pequena Empresa. “A Lei Geral trouxe dispositivos que permitem a competição de micro e pequenas empresas em licitações públicas e isso aumentou a concorrência e gerou um mercado importante”, destaca Cesar Rissete, especialista no assunto. Consultor licenciado do Sebrae/PR, Rissete assumiu no último mês de janeiro o cargo de superintendente da

Paulo Ricardo e Jorge Liniti Kassai, empresários

Cada vez mais preparadas, micro e pequenas empresas conquistam espaço como fornecedoras do poder público

60

como Sesc, Senac, Senai e até Infraero”, conta o proprietário da Kassai Café, Jorge Liniti Kassai. Atualmente, a Kassai é fornecedora das prefeituras de São José dos Pinhais e Quatro Barras, também na Grande Curitiba. Há poucos dias desistiu de uma licitação feita pela Prefeitura de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, por considerar inviável economicamente, e nesse momento está participando de outras duas, no Sesc e no Senai. Paulo Ricardo Kassai, diretor executivo da empresa, diz que as vendas para as prefei-

pais missões a aplicação da legislação na

turas são vantajosas e seguras, desde que

capital paranaense.

feitas com critérios. Segundo o diretor,

compras governamentais de produtos e serviços. Além de poderem participar de licitações exclusivas, as micro e pequenas empresas levam vantagem na disputa com empresas de maior porte. Na modalidade

esse novo nicho de mercado só foi possível Micro e Pequena Empresa. “A Lei Geral facilitou as vendas, perante as grandes empresas, em função do benefício de cobrir lances. Por causa dessa legislação estamos conseguindo ocupar um espaço que antes era impossível”, comenta.

nas empresas podem cobrir lance, caso o

Jorge Kassai conta que em 2012 as vendas

preço oferecido por elas seja até 5% maior

da Kassai para as prefeituras superaram 10

do que o de uma grande empresa que este-

toneladas de produtos para bebidas quen-

ja participando da disputa. Em outras mo-

tes, como café com leite, café expresso,

dalidades, como a concorrência pública, o

cappuccino e chocolate. Hoje, as comercia-

benefício é mantido para lances com valor

lizações para órgãos públicos representam

de até 10% acima.

14% do faturamento da empresa, que tem

Para o gerente de Políticas Públicas do Se-

o objetivo de ampliar ainda mais as partici-

brae Nacional, Bruno Quick, com a vigência

pações nas licitações públicas.

ca estabeleceu um novo patamar no que se

Em 2011, as compras públicas de produtos e serviços de empresários de pequeno porte somaram R$ 15,4 bilhões

a partir da entrada em vigor da Lei Geral da

de pregão, por exemplo, as micro e peque-

da lei complementar, a administração públi-

Por Adriana Bonn

sive de outros estados, e outros órgãos,

de Curitiba e terá como uma de suas princi-

quenas empresas tenham preferência nas

Pequenos vendem mais para governo

públicas em 2012, em prefeituras, inclu-

Secretaria de Administração da Prefeitura

A Lei Geral determina que as micro e pe-

Mercado

Lei Geral

As micro e pequenas empresas brasileiras

Microempreededor individual

refere à participação dos empresários nas

Sansão Piana, microempreendedor de Gua-

contratações públicas. “Há cinco anos ape-

raniaçu, município localizado na região oes-

nas 17% das micro e pequenas empresas

te do Paraná, viu sua vida mudar depois

conseguiam vender ao governo e atualmen-

que descobriu os benefícios da Lei Geral da

te já estamos em torno de 30%.” Esse per-

Micro e Pequena Empresa. “Durante três

61


Café produzido pela família Kassai

anos trabalhei com o transporte escolar

da e a expectativa é que os 49 restantes

particular, mas desde 2011 faço o transpor-

façam o mesmo até o fim deste ano.

te de crianças para a Prefeitura de Guaraniaçu”, conta.

A Lei Geral determina que as micro e pequenas empresas tenham preferência nas compras governamentais de produtos e serviços

Contas estão trabalhando em conjunto

Para participar das licitações da administra-

para orientar empresários e servidores pú-

ção municipal, Piana precisou se formalizar e

blico sobre a Lei Geral da Micro e Pequena

se tornou um microempreendedor individu-

Empresa, principalmente para a inclusão

al. “Quando comecei a trabalhar eu tinha

das micro e pequenas empresas nas com-

apenas uma kombi e hoje já tenho duas vans,

pras públicas.

uma ano 95 e oura ano 96. Com esses dois veículos faço o transporte de 30 estudantes, de manhã, na hora do almoço e à tarde.” Hoje, Sansão fatura R$ 5,5 mil bruto e diz que se tornar um fornecedor da administração municipal o ajudou a aumentar a atividade. “Com a licitação meu negócio ficou

O governo do Estado também está fazendo um levantamento para saber números e qual a evolução das micro e pequenas empresas a partir da vigência da lei complementar. Uma coisa é certa, a participação dos empreendedores de pequeno porte nos pro-

mais viável. É uma venda diária e fixa, o que

cessos licitatórios é vital. Ela aumenta a

não acontecia com o transporte particular”, garante.

fortalece o desenvolvimento econômico e

No fim de janeiro, o microempreendedor

competitividade das pequenas empresas, estimula a abertura de novos empregos.

participou de mais uma licitação da Prefei-

Dados do Sebrae ressaltam a importância

tura de Guaraniaçu. Piana chegou a com-

estratégica das micro e pequenas empre-

prar um novo veículo para transportar mais

sas na economia nacional: elas geram seis

estudantes. “Perdi por R$ 0,04, mas isso faz

vezes mais empregos do que as médias e

parte de qualquer concorrência”, lamenta.

grandes empresas, na relação de número

Trabalho conjunto

62

No Paraná, o Sebrae/PR e o Tribunal de

de vagas e participação no Produto Interno Bruto (PIB); respondem por mais da

Para que tenha os efeitos esperados, a Lei

metade dos empregos formais, pagam

Geral precisa ser regulamentada pelos mu-

mais de 50% da massa salarial e represen-

nicípios de todo o País. No Paraná, 350 de-

tam 99% das empresas formalmente es-

les já estão com a legislação regulamenta-

tabelecidas no Brasil.

63


“Potencialidades são latências, indicações de prováveis necessidades que, com a intervenção, interesse e qualificação do empreendedor, podem virar oportunidades efetivas de negócios”, complementa a gestora da Feira do Empreendedor paranaense, Joana D’Arc Julia de Melo.

A Feira do Empreendedor virou sucesso de público e de crítica, com edições focadas para quem já é empresário de micro e pequena empresa e para quem quer abrir um pequeno negócio. “É um evento que já faz parte do calendário do empreendedorismo paranaense”, diz Allan Marcelo de Campos Costa, diretor-superintendente do Sebrae/PR.

de Curitiba e Região Metropolitana. Existem muitas potencialidades e oportunida-

Curitiba sedia a edição deste ano, assim como mais outras dez cidades brasileiras do circuito nacional do evento. A Feira do Empreendedor 2013 – Paraná, de 21 a 24 de março, no ExpoUnimed, deixará como legados conhecimento e oportunidades de negócios para Curitiba e Região Metropolitana. Aliás, oportunidades que podem estar mais perto do que se imagina. Com esta ‘filosofia’, foram mapeadas potencialidades nos 29 municípios de abrangência da Feira do Empreendedor, cruzando dados geoeconômicos, como população, gênero e faixa etária; informações sobre segmentos estruturados, como bancos e hospitais; e o potencial de consumo das pessoas. “Eventos como a Feira do Empreendedor são fundamentais para a ‘leitura’ de cenários. Os

Uma feira de oportunidades

empresários e futuros empresários de Curitiba e Região Metropolitana não podem perder a chance de encontrar, num só lugar e gratuitamente, informações, tendências, oportunidades de negócios, palestras e consultorias”, observa Allan Costa.

Feiras e eventos

Negócios

2013 ficará marcado como o ano de consolidação da Feira do Empreendedor no Paraná. As três edições idealizadas pelo Sebrae/PR desde 2008, uma em Londrina e duas em Curitiba, com intervalos de dois anos entre cada edição, deram densidade e credibilidade ao maior evento de empreendedorismo no Estado.

“A diversidade é a principal característica

des aguardando empreendedores”, aponta Joana de Melo.

Programação intensa A Feira do Empreendedor 2013 - Paraná, explica Renata Todescato, gerente de Atendimento Individual e Marketing do Sebrae/PR, é ideal para empresários e futuros empresários de micro e pequenas empresas. É indicada ainda para microempreendedores individuais – que são aqueles recém-saídos da informalidade e que faturam até R$ 60 mil ao ano -; e também para aqueles que buscam conhecimento em empreendedorismo e negócios.

A edição de 2013 prevê uma série de ações e atividades, como um espaço para expositores presenciais e virtuais de oportunidades de negócios

A edição de 2013, lembra Renata Todescato, prevê uma série de ações e atividades, como um espaço para expositores presenciais e virtuais de oportunidades de negócios; variedade de aplicativos e games empresariais; loja-modelo; área exclusiva para consultorias e atendimentos do Sebrae/PR; e mais de 150 palestras sobre temas como gestão de negócios, tendências de mercado, inovação e comportamento empreendedor.

O empresário Mario Gazin, o apresentador Serginho Groisman, o economista Ricardo Amorim e o especialista em comunicação e interatividade, Walter Longo, farão palestras-magna sobre temas relacionados ao empreendedorismo. A Feira do Empreendedor em Curitiba terá ainda salas com pro-

gramação especial para jovens, empreendedores de startups e da economia criativa. “A programação foi segmentada para quem quer abrir uma empresa e para quem já tem um negócio próprio e tem como pano de fundo o tema sustentabilidade e sua importância nos negócios”, observa Renata Todescato. O Sebrae/PR quer a difusão do empreendedorismo como estilo de vida e estímulo à criação de um ambiente para geração, diversificação e ampliação de negócios em Curitiba e Região Metropolitana.

Feira do Empreendedor se consolida como maior evento de empreendedorismo no Paraná

Por Leandro Donatti

64

Mario Gazin, Serginho Groisman, Ricardo Amorim e Walter Longo, da esquerda para direita 65


Artigo

Mea culpa

‘Garotos-propaganda’ “Bons negócios passam por aqui!” é o slogan oficial do evento e uma das novidades na campanha desta edição é a participação de empreendedores e empresários clientes do Sebrae/PR como ‘garotos-propaganda’. Eles passaram por um processo de seleção, aberto por meio do hotsite oficial do evento, que levou em conta aspectos como fotogenia, desenvoltura, e identificação com o Sebrae/PR e com a causa do empreendedorismo e das pequenas empresas.

Aplicativos A Feira do Empreendedor terá um espaço de interatividade para quem já tem empresa e para quem quer abrir um pequeno negócio. O espaço é um exemplo da virtualização do atendimento, proposta para atender uma demanda crescente de empreendedores e empresários que buscam orientações sobre negócios pela internet. Ao todo, serão disponibilizados seis aplicativos, games corporativos que envolvem temas como sustentabilidade, crédito, empreendedorismo, perfil empreendedor, abertura de empresa, dentre outros. No espaço de interatividade, os visitantes poderão conhecer ainda uma loja-modelo, com o que há de mais moderno em varejo.

Foto: Ruy Prado

Conheça agora algumas novidades da Feira do Empreendedor em 2013

Eloi Zanetti é consultor e palestrante em Marketing, Comunicação Corporativa e Vendas. Acesse www.eloizanetti.com.br

Por Eloi Zanetti

Sustentabilidade Um cinema 5D, com tecnologia para despertar os sentidos, proporcionará uma ‘viagem’ para os empresários visitantes que queiram conhecer um pouco mais sobre o tema sustentabilidade. As sessões ajudarão, por meio de um aplicativo, os interessados a testarem se seus empreendimentos são sustentáveis ou não. Antes de assistirem ao filme, os empresários passarão por um ‘labirinto’. A ideia é abordar questões, em forma de pergunta e resposta, sobre os três pilares da sustentabilidade: Responsabilidade Social, Responsabilidade Ambiental e Responsabilidade Econômica. Além de uma autoavaliação, o espaço oferecerá dicas de soluções sobre como fazer.

Oportunidades As oportunidades de negócios são, também, um dos atrativos da edição paranaense da Feira do Empreendedor. Diferente de outros anos, as oportunidades serão oferecidas aos visitantes não apenas por expositores presenciais, que contarão com espaços próprios para a apresentação de ideias de negócio, mas também por meio de expositores virtuais que terão suas oportunidades apresentadas por meio de catálogo virtual. Os empresários e futuros empresários terão à disposição ainda ideias de negócios, fruto de uma análise de mercado nos 29 municípios que compõem a capital paranaense e os municípios do seu entorno.

Responsabilidade As ações da Feira do Empreendedor levam em conta três pilares: social, econômico e ambiental. A área social prevê a gratuidade no acesso a todas as atividades que serão oferecidas no evento e a acessibilidade aos portadores de necessidades especiais, inclusive com a linguagem em libras. Bem como ações de inclusão social junto à comunidade do entorno do evento, por meio de ações desenvolvidas com associação de moradores da localidade. O pilar econômico tem como elementos o conhecimento, a informação para a geração de negócios e a melhoria dos já existentes com base em sólidos conceitos econômicos, financeiros e de sustentabilidade. Na área ambiental, a preocupação está no uso de materiais reciclados ou recicláveis e em um plano de neutralização de emissão do gás carbônico.

Empresas são seres orgânicos, administra-

rata, e nunca do departamento financeiro

de produtos transferem a culpa para o sis-

dos por seres orgânicos humanos e por isso

que bateu pé e exigiu o menor custo de

tema que, por sua vez, culpa o marceneiro,

sujeitos a falhas. Não existe empresa per-

frete. Nesses casos, não tendo muitas vezes

que reclama do projeto mal-elaborado. O

feita e, se existisse, seria inviável porque

a quem culpar, aquele que não pode ser en-

lojista culpa a qualidade do material e deixa

custaria muito caro. Administrar um am-

contrado serve como responsável. Fretei-

a dona de casa desesperada porque com-

biente corporativo é uma luta eterna, arru-

ros e chapas de caminhão são bodes-expia-

prou a cozinha dos seus sonhos e lhe entre-

ma-se de um lado, desarruma-se do outro. E

tórios perfeitos – nunca o pessoal de design

garam um pesadelo. A porta não tranca, a

com tantos afazeres e complexidades é co-

que programou uma embalagem fraca, por

corrediça não corre, o bonito móvel que fi-

mum acontecerem erros. Responsáveis é

exigência de “compras” que sempre esco-

cou tão bem no projeto, não cabe no espaço

que não aparecem, pois nesses ambientes é

lhe o mais baratinho. Custos com devolu-

real e o montador foi embora sem dar satis-

raro que se faça o mea culpa. O culpado

ção, fretes extras e perdas de clientes ja-

fação. Haja paciência com tanto descaso e

será sempre o outro, em geral o mais fraco.

mais são computados nesta engenharia

excesso de culpados impessoais.

Vamos a alguns exemplos.

financeira às avessas. Encontra-se um cul-

Quando as vendas estão boas, quase sempre falta matéria-prima e a culpa recai no setor

nencialmente e, somados, carregam prejuízos ameaçadores. Cuidados a tempo e

mercial que não soube fazer a previsão cor-

queixa sempre recai para o lado dos vende-

corrigidos na origem servem de parâmetro

reta. Ninguém procura se informar se a tur-

dores e representantes. Ninguém procura

para não acontecerem mais.

ma da produção não alertou a tempo para a

saber se é a carência de um sistema comer-

falta de um insumo ou componente.

cial ágil e flexível que emperra os negócios. A frase militar “Quem dá a missão supre os meios” não existe em tais empresas.

rários escondem o fato. Perder tempo e di-

Sistemas caem, computadores falham, a co-

nheiro

crises

municação emperra e a culpa é sempre da

programáveis é o que mais se faz neste

nova tecnologia, nunca dos humanos que

País. Todo mundo tem medo de ser castiga-

os administram. Trabalhar com amadores,

do; com certeza, uma herança dos tempos

com gente mal recrutada e mal paga, ser

da escravidão.

complacente com o descaso e o desleixo,

na

administração

de

Pedido entregue errado ou com embalagem rasgada é responsabilidade da logística que contratou a transportadora mais ba-

66

pria sorte, pequenos erros crescem expo-

Por outro lado, quando faltam vendas, a

cedência e, com medo de reprimenda, ope-

Acesse www.feiradoempreendedorpr.com.br

como dantes.

O assunto é sério porque, deixados à pró-

de compras ou no próprio departamento co-

Máquinas avisam que quebrarão com ante-

Saiba mais

pado que não pode espernear e tudo fica

não é culpa de ninguém. Acionistas precisam de lucros: os fins justificam os meios. O montador culpa o produto e os gerentes

Fugir da responsabilidade, esquivar-se, jogar culpa em outros e em divindades faz parte dos costumes da sociedade brasileira. Se pretendemos ser globalizados, temos muito que aprender. Exorcizar bodes-expiatórios e bater no peito corajosamente em sinal de mea culpa, reconhecendo erros, é um dos aprendizados. O ambiente empresarial exige firmeza de caráter e coragem para ações, mesmo que estas possam dar errado. É assim que aprendemos: reconhecendo erros e aprendendo com eles. O sucesso tem muitos pais, o erro é órfão de pai e mãe.

67


em mercados públicos ou privados, com

além de conhecer técnicas e contar com a

maior agregação de valor aos produtos e

ajuda do clima para uma boa safra – otimi-

no momento mais adequado.

zar a venda de tudo o que se produz. Uma equação a ser decifrada também pelos produtores de pequenas propriedades rurais que precisam competir no mercado nem sempre de forma igualitária. De olho nesta realidade, o governo federal mantém dois programas que têm tornado mais fácil a comercializalização de alguns produtos e funcionado como alternativa de renda para produtores rurais que apostam em capacitação e no contínuo aprimoramento. O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) são iniciativas que pro-

Foto: La Imagen

põem a aquisição de alimentos com dispen-

Marisa Heidt, produtora rural

Comida na mesa

passar o valor dos preços praticados nos mercados locais. O PAA funciona a partir de uma demanda vinda das cooperativa/associação após conhecimento do programa, através de capacitação da própria Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ou de parceiros. As cooperativas preenchem a proposta de participação disponibilizada no site da Conab, enviam a documentação e aguardam a aprovação do projeto.

aos praticados no mercado. Os produtos

mas tem como destino a merenda escolar.

têm destino certo: as ações de alimentação

O programa foi criado em 1983, mas sua

em programas sociais.

origem é ainda mais antiga: 1954, quando o

Ganha quem produz e quem recebe os alimentos, que têm origem conhecida e quali-

governo Getúlio Vargas passou a defender a campanha de merenda escolar.

dade garantida. Para participar, os produto-

Por meio do programa, o governo facilita a

res precisam se associar a cooperativas e

compra dos alimentos de produtores de pe-

estar em dia com a documentação exigida,

quenas propriedades e quer garantir a en-

como o de agricultor familiar, emitido pelo

trega de uma merenda escolar de qualida-

Instituto Paranaense de Assistência Técnica

de. Em todo o País, são 37 milhões de

e Extensão Rural (Emater), por exemplo.

alunos atendidos.

Os dois programas são responsáveis por ampliar o mercado para os produtores rurais.

No Paraná, atualmente, 87% das escolas

Desde 2003, quando foi lançado o PAA, o nú-

da agricultura familiar, destinados para

mero de participantes cresce gradativamente.

composição da alimentação escolar. De

No primeiro ano do programa, quatro proje-

acordo com a Secretaria de Educação do Es-

tos participaram, beneficiando 1.957 produto-

tado, são 1.807 estabelecimentos estaduais

res paranaenses. No ano passado, nove anos

de educação básica em 399 municípios que

depois de lançado, o programa já beneficava

compram alimentos frescos direto da agri-

159 projetos e 12.162 agricultores (veja o qua-

cultura familiar.

dro na página 72) foram beneficiados. O governo adquire os alimentos diretamente dos agricultores familiares e também dos assentados da reforma agrária, comunidades indígenas e outros povos e comunidades tradicionais. Os alimentos são desti-

rabilidade social. Os produtos são oferecidos para entidades

são beneficiadas com alimentos oriundos

O PAA e o PNAE são iniciativas que propõem a aquisição de alimentos com dispensa de licitação e com preços compatíveis aos praticados no mercado

Este ano, o governo do Estado vai destinar R$ 32 milhões para compra de alimentos da agricultura familiar, montante que poderá chegar a R$ 45 milhões e colocar o Paraná como o primeiro estado a atingir a meta do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que determina que os governos destinem 30% dos recursos da merenda escolar à produção familiar.

da rede socioassistencial, nos restaurantes

Capacitação

populares, bancos de alimentos e cozinhas

Os programas não apenas beneficiam os

comunitárias e ainda para cestas de alimen-

produtores quanto o assunto é comércio,

tos distribuídas pelo governo federal.

68

anual da verba. Os preços não devem ultra-

O PNAE acontece de forma semelhante,

e distribuição à população em maior vulne-

Por Katia Michelle Bezerra

cada agricultor pode acessar até um limite

sa de licitação e com preços compatíveis

nados à formação de estoques estratégicos

Produtores rurais encontram em programas de governo federal alternativa para comercializar produtos e aumentar renda de famílias

A compra pode ser feita sem licitação e

Capacitação

Escoamento

Um dos grandes desafios da agricultura é –

mas também ajudam os produtores rurais a

Outra parte dos alimentos é adquirida pe-

se capacitarem melhor para atender outros

las próprias organizações da agricultura fa-

mercados. A opinião é do presidente da Coo-

miliar, para formação de estoques próprios.

perativa dos Produtores Rurais de Contenda

Assim, é possível comecializar os alimentos

(Cootenda), Marco Antônio Gonçalves.

69


Ganha quem produz e quem recebe os alimentos, que têm origem conhecida e qualidade garantida

Criada em 2010 para reunir produtores inte-

tos processados (19,4%), frutas (17,7%), lati-

ressados em participar dos dois programas ci-

cínios (8,9%), grãos e oleaginosa (8,5%) e

tados, a cooperativa já tem 168 associados.

sementes e carnes (ambos com 4,2%). Mel e

“No ano passado, 100 produtores participa-

pescados também entram no ranking, mas

ram do PAA e os outros do PNAE”, contabiliza.

com uma porcentagem pequena.

Para ele, a verba federal beneficia os produ-

Os produtos são comercializados pelas coo-

tores e dá mais poder competitivo para que

perativas, que reúnem os associados e os

os produtos sejam comercializados. Ele

ajudam na capacitação e documentação exi-

lembra que a cooperativa foi criada depois

gida para participar dos programas. Gonçal-

que a cidade de Contenda e Região passou

ves explica que para participar é preciso ser

a ter problemas com o plantio de batatas e

cadastrado como agricultor familiar, com

os pequenos produtores se depararam com

documento emitido pelo Instituto Emater.

uma crise na agricultura e, consequentemente, em sua renda familiar.

Tanto a Cootenda como as outras cooperativas que participam dos programas estão

“Com a abertura da cooperativa, os produ-

aptas justamente a esclarecer todas as dú-

tores passaram a se especializar em outras

vidas dos produtores que querem partici-

formas de plantio e em outros produtos”,

par dos programas. Os produtores pagam

salienta Gonçalves. Ele complementa que

uma mensalidade para a cooperativa e, em

muitos agricultores ainda estão se adaptan-

contrapartida, recebem orientação para

do, mas que a participação no Programa

participar dos programas federais e se

agrega mais valor aos produtos seleciona-

unem a outros produtores para aumentar a

dos. “E traz mais dinheiro para as famílias,

distribuição dos produtos.

claro”, comemora.

Vender mais

tração do PAA, os produtos que mais são

Os programas, no entanto, não podem ser

adquiridos pelo Programa no Paraná são os

vistos como única fonte de renda dos pro-

hortigranjeiros (35,3%), seguido por alimen-

dutores. “São alternativas”, explica a coor-

Panificados produzidos no oeste do Paraná

Luiz Costa/La Imagen

Segundo a Conab, responsável pela adminis-

denadora estadual do setor de Agronegó-

Dentre os temas abordados nessas capaci-

cios do Sebrae/PR, Andreia Claudino.

tações estão segurança e qualidade dos ali-

“Nós entendemos que são opções de mercado, principalmente o PNAE devido à Lei 11.947 de 2009, que prevê que no mínimo

“Até o ano passado, cerca de 400 agroindústrias participaram do Programa de capa-

toriamente na aquisição de gêneros alimentí-

citação e consultoria do Sebrae que prepa-

cios da agricultura familiar com dispensa de

ra os empreendedores rurais de micro e

licitação”, diz. “Esse agricultor familiar é o em-

pequeno porte auxiliando-os no atendi-

preendedor rural de micro e pequeno porte.”

mento aos critérios do PAA e do PNAE.”

A consultora explica que vários empreende-

Fonte de renda

e no PNAE e também em nichos de mercado com maior valor agregado. “Nosso papel é proporcionar conhecimento e oportunidades aos empreendedores para que possam tomar suas próprias decisões em rela-

Há cinco anos, a produtora Marisa Heidt, de Entre Rios do Oeste, no oeste do Paraná, participa do PAA e há três vende seus produtos no PNAE municipal. Ela tem um pequeno sítio na região e, em 2000, para complementar a renda, começou a trabalhar com panificação.

ção ao mercado que querem atuar com

Não demorou para que seus produtos ficas-

consciência dos processos, das responsabi-

sem conhecidos na vizinhança e ela come-

lidades e da lucratividade.”

çasse a vender para amigos e conhecidos.

O Sebrae/PR oferece aos participantes do Programa consultorias e treinamentos para

70

a exigências legais e aspectos financeiros.

Distrito Federal devam ser utilizados obriga-

Agronegócios do Sebrae/PR atuam no PAA

Marco Antônio Gonçalves, dirigente cooperativista

preendimento do segmento, atendimento

30% do valor enviado a estados, municípios e

dores rurais atendidos pelo Programa de

Entenda mais

mentos, pois são a base para qualquer em-

“Eu nem sabia dirigir. Tive que aprender para poder entregar os produtos”, conta.

empreendedores rurais de micro e peque-

Com o tempo, os pães, bolachas e bolos fa-

no porte e trabalha em parceria com entida-

bricados por ela ganharam fama e ela foi

des de classe como Emater e prefeituras.

convidada pela Prefeitura para fazer parte

• O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é um programa de assistência financeira suplementar que garante uma refeição diária aos alunos do ensino público. Por meio do Programa, o governo facilita a compra dos alimentos de pequenos produtores.

• O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) foi criado para colaborar com o enfrentamento da fome e da pobreza no Brasil e, ao mesmo tempo, fortalecer a agricultura familiar. Para isso, o programa utiliza mecanismos de comercialização que favorecem a aquisição direta de produtos de agricultores familiares ou de suas organizações, estimulando os processos de agregação de valor à produção.

71


Veja a evolução do PAA ao longo dos anos Execução do Paraná

ANO

UF

Nº DE AGRICULTORES FAMILIARES

Nº. DE PROJETOS

QUANTIDADE (kg)

RECURSOS GASTOS COM AQUISIÇÃO (R$)

% DO PAA

2003

PR

1.957

4

8.074.745

4.683.352

6%

2004

PR

973

35

855.218

1.932.793

2%

2005

PR

3.043

72

1.988.269

5.572.084

5%

2006

PR

13.594

43

28.260.083

27.283.274

14%

2007

PR

8.797

113

23.310.000

23.871.535

10%

2008

PR

6.989

139

15.409.575

19.628.166

7%

2009

PR

8.580

111

31.129.829

35.312.054

10%

2010

PR

8.452

146

20.285.287

28.735.182

8%

2011

PR

7.666

111

20.903.491

31.515.602

7%

2012

PR

12.162

159

29.521.871

51.872.339

9%

de uma associação e integrar o PAA. “Eu

mais conhecidos e ele acaba tendo mais

tenho uma cota para entregar, mas já aju-

abertura de mercado. A opinião é da produ-

da muito. Não dá para viver só som isso,

tora Claudete Ludovico, de Corbélia, tam-

mas é uma complementação importante

bém no oeste paranaense. Ela produz ge-

para minha renda. Um dinheiro certo”, en-

leias e conservas, além de sucos, polpas de

fatiza a produtora.

frutas e sanduíches. Começou no negócio

Para ela, o Programa é bom para quem recebe e para quem vende os produtos. “Eu chego a vender 30 quilos por mês. É muito bom por-

outros que, segundo ela, agregaram valor Claudete também se associou a uma co-

sítio”, afirma a produtora que, com a renda

operativa para participar do PAA e PNAE

obtida com a participação dos programas, já

e em 2012 vendeu doces de fruta e mo-

conseguiu reformar até a cozinha do sítio e,

lhos de tomate orgânico para os progra-

assim, aumentar gradativamente a produção.

mas. “Este ano vai ser ainda melhor por-

dos dois programas, mas obter cada vez mais experiência e capacitação para ampliar a venda também em outros mercados.

Saiba mais

aos seus produtos orgânicos.

que produzo com as coisas que tenho no meu

A intenção dela é continuar participando

72

há três anos e já fez cursos de rotulagem e

que estou me organizando para produzir mais.” Para Claudete, o fato de participar dos programas, faz com que os produtos fiquem mais conhecidos. “Além disso, a gente se obriga a se profissiona-

Quando o produtor participa dos progra-

lizar mais e se preparar mais para o mer-

mas do governo, os produtos dele ficam

cado”, conclui.

Procure a prefeitura do seu município e as cooperativas/associações que integram os programas. Acesse o site da Companhia Nacional de Abastecimento www.conab.gov.br e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação www.fnde.gov.br para ficar por dentro dos editais. E procure o Sebrae/PR para participar de cursos de capacitação e planejamento.

73


dades do poder público, por exemplo, a possi-

“uma andorinha não faz verão”, e por aí vão

bilidade de ser atendida é bem menor. Esse é

os provérbios populares. São frases de efeito

ponto-chave. Juntos os empresários se tor-

conhecidas, muitas delas inspiradoras, e que

nam mais representativos e conseguem atuar

agora estão passando do ditado à prática

em um nível que, individualmente, não conse-

para muitos empresários de micro e peque-

guiriam”, completa a consultora do Sebrae/PR.

nas empresas paranaenses. Com incentivo e

Isso significa, segundo Patrícia Albanez, que,

apoio do Sebrae/PR, empreendedores dos

além da competitividade empresarial, as re-

mais variados ramos estão se unindo por

des ajudam a conquistar a competitividade

meio de redes empresariais em busca da con-

sistêmica e setorial.

quista de objetivos comuns e da melhoria da gestão e desempenho de seus negócios.

coletiva

A competitividade empresarial diz respeito às questões individuais da empresa como

A forma mais simples de descrever uma

seu serviço, produtos, marketing, finanças,

rede empresarial é defini-la como um grupo

planejamento estratégico, política de recur-

que faz trabalhos em conjunto porque tem

sos humanos, entre outras. O Sebrae/PR dá

demandas em comum. São empreendedo-

apoio para o desenvolvimento e aprimora-

res e empresários que buscam o desenvol-

mento desses pontos rotineiramente para

vimento de forma coletiva. Isto é, todas as

qualquer empreendedor e empresário inte-

empresas têm suas particularidades funda-

ressado. No entanto, para ir além das questões

mentais para seu sucesso, mas também de-

particulares de cada negócio, o Sebrae/PR pro-

pendem de um sistema em comum para

curou empresários de micro e pequenas em-

prosperar ainda mais. “Algumas coisas são

presas de Curitiba para saber suas demandas

inerentes a todos os negócios como promo-

em comum e assim incentivá-los e apoiá-los a

ção do destino, articulação com o poder pú-

se unir em busca de soluções.

blico, com entidades de classe, dentre outras”, explica a consultora do Sebrae/PR, Patrícia Albanez.

A forma mais simples de descrever uma rede empresarial é defini-la como um grupo que faz trabalhos em conjunto porque tem demandas em comum

Segundo Patrícia Albanez, as demandas setoriais são aquelas que os empresários de um mesmo ramo têm em relação a sua área

As redes empresariais têm, portanto, o obje-

de atuação. Unidos os empresários podem

tivo de dar mais força e sustentação aos em-

fazer compras coletivas e obter vantagens

presários, na busca por suas demandas. “Se

como descontos, programas de fidelidade,

uma empresa tenta sozinha contato com enti-

consultorias que ajudem a devolver melho-

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

Uma saída

Associativismo

Redes empresariais

A “união faz a força”, “juntos venceremos”,

Sebrae/PR incentiva e apoia criação de redes formadas por empresas com objetivo de promover desenvolvimento coletivo

Por Andréa Bordinhão

Bibiana A. Schappel, empresária

74

75


Rodolfo Buhrer/La Imagen

ba, o Centro Histórico é parada obrigatória

O mesmo acontece na região do Centro His-

para quem vem de fora, afinal está em todos

tórico de Curitiba, segundo a consultora. E

os roteiros que falam sobre a capital parana-

por lá já se viu resultados positivos, como a

ense. No entanto, problemas como seguran-

reinauguração da Rua São Francisco no final

ça e falta de novas iniciativas estavam afetan-

do ano passado. “Nosso grande objetivo é

do a região e, além de prejudicar o turismo,

revitalizar o Centro Histórico para que o

estavam afastando os próprios curitibanos.

curitibano volte a frequentar e os turistas

O antigo paço municipal da cidade, hoje chamado de Paço da Liberdade Sesc Paraná, que fica no coração de Curitiba, perto de pontos importantes para o comércio e para o turismo, como a Praça Tiradentes e a Rua XV de Novembro, também sofria com os mesmos problemas. Com a revitalização do

Empresários da rede empresarial do Centro Histórico de Curitiba

Incentivo e apoio Segundo Patrícia Albanez, o Sebrae/PR sempre trabalhou com o associativismo entre empresários de micro e pequenas empresas. Já o formato de rede empresarial foi adotado por conta do Programa Sebrae 2014, que tem iniciativas dentro de elos produtivos prioritários voltadas para a Copa de 2014, que acontecerá na Brasil. Com a ajuda do Sebrae/PR, já existem cerca de 10 redes empresariais formadas na Grande Curitiba, e de olho no Mundial. “É uma estratégia de organização e fortalecimento da micro e pequena empresa. Associativismo é um conceito amplo e rede empresarial é um dos modelos dentro dele”, afirma a consultora. Os elos do Programa Sebrae 2014, que tem como objetivo preparar micro e pequenas empresas e

76

Concorrência A concorrência entre as empresas continua existindo mesmo dentro de redes empresariais. A consultora do Sebrae/PR ressalta que as redes trabalham, no entanto, movidas pelo “espírito coletivo”. “Quando as empresas da área de turismo, por exemplo, atuam dentro do mercado de Curitiba, antes de tudo precisam atrair o turista para a cidade. Primeiro é preciso convencê-lo a vir para Curitiba. E esse trabalho é mais efi-

nação da Rua São Francisco e vemos blitze mais frequentes”, conta a proprietária do Solar do Rosário Espaço de Arte e Cultura, Lúcia Casillo Malucelli.

seu entorno, uma parceria de sucesso entre

va da rede empresarial foi a criação de um

Sistema Fecomércio Sesc Senac-PR, Prefei-

plano estratégico. A partir daí ficou fixado

tura de Curitiba e Sebrae/PR, os comercian-

três eventos para a região: em outubro, no

tes da região passaram a ser procurados

Dia das Crianças; em dezembro, para o Na-

para formar redes empresarias e assim ten-

tal; e um Festival de Inverno em junho pró-

tar resolver suas demandas.

ximo. Os dois primeiros já aconteceram e,

região. Na época a Fecomércio (a Federação do Comércio) nos convidou para trabalhar com as empresas da região a fim de aprimorar a gestão, atendimento, enfim,

segundo Lúcia Casillo, trouxeram excelente retorno para a região. “Fizemos feiras gastronômicas e eventos musicais. Conseguimos a parceria do Instituto de Turismo de

As oportunidades geradas com a Copa de 2014 no Brasil despertaram o interesse de empresários em se organizarem em grupos

Curitiba, que colocou nossos eventos no calendário oficial da cidade.”

torná-las mais competitivas. E, desde o ano

Agora, afirma Lúcia Casillo, os 25 empresá-

passado, começamos a trabalhar com a cria-

rios que fazem parte da rede do Centro His-

ção de redes empresariais para buscar obje-

tórico estão começando a pensar em fazer

tivos em comum entre os empresários de

compras coletivas para obter descontos.

micro e pequenas empresas”, diz a consul-

“Essa rede foi maravilhosa. Todo mundo

tora do Sebrae/PR, Walderes Bello, respon-

sentiu que era necessária, que era preciso

sável pelas redes empresariais do comércio

união e apoio de todos. Em grupo, sempre

dentro do Programa Sebrae 2014.

temos mais força”, conclui a empresária.

Luiz Costa/La Imagen

Se uma empresa tenta contato sozinha com entidades do poder público, por exemplo, a possibilidade de ser atendida é menor

tes, durante e após a Copa, são turismo, comércio, tecnologia da informação, construção civil e agronegócios.

de eventos, conseguimos melhorar a ilumi-

Segundo a comerciante, a primeira iniciati-

“O projeto do antigo paço municipal teve

identificar oportunidades de negócios an-

disposição. Já fizemos um calendário anual

prédio histórico da antiga prefeitura e do

início em 2008, com a revitalização física da rias nos processos de todos. Já as demandas sistêmicas se dão em um nível mais alto do poder público, como Executivo e Legislativo e têm o objetivo de buscar benefícios como isenção de impostos, leis que beneficiem o setor. “Os hotéis do centro de Curitiba, por exemplo, sofrem com o problema da segurança. Juntos eles tiveram acesso ao Conseg (Conselhos Comunitários de Segurança) para levar suas demandas. De forma coletiva eles têm mais peso”, observa a consultora. “E isso acaba refletindo em melhorias até para aqueles estabelecimentos que não fazem parte da rede.”

possam ter mais estrutura e mais eventos à

ciente se feito de forma coletiva. Uma vez que o turista optou por vir daí sim escolhe o hotel, o restaurante. Aí entra a questão individual de conquista do cliente”, exemplifica. O trabalho coletivo pode ajudar a receber ou atender melhor aos clientes. Quando uma agência de turismo não pode oferecer tudo que o cliente precisa, tem parceiras para indicar ou mesmo contratar o serviço. Se um hotel não pode receber um evento, indica outro estabelecimento que atenderá com a mesma qualidade. “Na reta final um indica o outro, um tem serviço que o outro não tem e indica e assim vão se ajudando e promovendo a qualidade.”

Revitalização

Evento para comemorar o Dia das Crianças, organizado por rede empresarial

Entre os diversos pontos turísticos de Curiti-

77


Diversas redes empresariais já perceberam que o trabalho coletivo ajuda a receber e a atender melhor clientes e potenciais clientes

Além das redes empresariais do Paço da Liberdade e do Centro Histórico, o Sebrae/PR, Fecomércio e Prefeitura também já estavam atuando junto a uma rede de empresários das quadras centrais da Rua Saldanha Marinho.

marote e fizemos a venda de ingressos em conjunto – com comissão para o vendedor.” O lucro, tirando a comissão, foi repassado à associação.

De rede à associação

mada por seis empresas e três em fase experimental.

Entre as redes empresariais apoiadas pelo Sebrae/PR, umas das mais antigas e a mais desenvolvida até agora é o Núcleo de Turismo Receptivo. Em 2008, o núcleo reuniu agentes de turismo e pequenas operadoras da Grande Curitiba. De tantas ações que fizeram juntos, os empresários conseguiram formar uma associação. Portanto, com CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) próprio conseguem fazer convênios, compras coletivas, são chamados para fazer o receptivo oficial dos navios de turistas que chegam ao Porto de Paranaguá, conseguiram um ponto de informações e venda na Rua 24 Horas e impressão de mapas. “Nossa última ação deu muito certo. Tomamos a iniciativa de fazer um camarote para o público assistir ao Natal do HSBC na Rua XV de Novembro no ano passado. Lotamos todas as noites. Percebemos, juntos, que muitas pessoas queriam mais conforto”, diz a proprietária da Special Paraná Turismo e Eventos, Bibiana Antoniacomi Schappel. Para a empresária, não basta se unir e to-

Foto: La Imagen

mar iniciativas. O grupo também precisa assumir riscos. “Investimos capital no ca-

A Associação de Turismo Receptivo é for-

Explorar o turismo Além do Núcleo de Turismo Receptivo, o setor de turismo já montou diversas outras redes empresariais. Segundo a consultora do Sebrae/PR, Patrícia Albanez, responsável pelas redes empresariais do turismo dentro do Programa Sebrae 2014, além da profissionalização e melhoria nos custos, a união dos empresários faz com que os preços para os turistas se tornem mais justos. O Sebrae/PR já ajudou a formar e hoje apoia duas redes empresariais de hotéis na Ilha do Mel; uma rede da Rota do Pinhão, na Grande Curitiba, que trabalha com atividades de aventura; e três outras redes no interior do Estado que trabalham com turismo – na Colônia de Witmarsum, em Palmeira, em Castro e em Tibagi. “Na Ilha do Mel, eles estão mais bem preparados para receber os grandes eventos que acontecem lá. Antes, quando tinha algum evento o preço dos hotéis subia muito. Eles se uniram para não explorar o turista, mas sim o turismo. Para melhorar a qualidade na recepção do turista”, avalia Patrícia Albanez.

Saiba mais Quer saber mais sobre associativismo e redes empresariais? Acesse: Todos juntos – Saída coletiva - Redução de custos, métodos modernos de gestão e maior poder de competição são alguns dos benefícios, por Lázaro Evair de Souza: http://goo.gl/4NlJv Estrutura de Redes Empresariais de Pequenos Negócios: Abordagens e Alcance, por Roberto Marinho Figueiroa, Henrique Cordeiro Martins, Alessandro Flávio Barbosa Chaves: http://goo.gl/i83d5

Patrícia Albanez, consultora do Sebrae/PR

78

Redes empresariais: Uma estratégia moderna para aumentar a competitividade das empresas no mercado, por Antonio Batista Ribeiro Neto http://goo.gl/CXRXF

79


bém com 4,4 milhões de agricultores familiares.

brasileira diante do mercado globalizado é ser

Juntos, respondem por 25% do Produto Interno

cada vez mais competitiva. A avaliação é da che-

Bruto (PIB) e por 56% dos empregos gerados no

fe de Gabinete da Diretoria Técnica do Sebrae

Brasil. Portanto, são bastante representativos

Nacional e integrante do Conselho Deliberativo

em todos os setores, principalmente no comér-

do Sebrae/PR, Elizabeth Soares de Holanda.

cio e serviços, que cresceram muito nos últimos

Para que os pequenos negócios possam competir e se desenvolver, segundo ela, é preciso inovação, seja em produtos, processos, gestão,

geração de emprego, impulsionados pelo au-

vantagens competitivas inerentes ao negócio.

mento da renda, destacando-se a nova classe

se adaptar prontamente às necessidades do mercado. Essas características deixam o em-

var para atender melhor seus clientes e ampliar o conhecimento no seu segmento de mercado”, acrescenta.

possibilidade de oferecer atendimento dife-

dos, Elizabeth Holanda é da opinião que os pe-

renciado e personalizado. Processos inovado-

quenos negócios têm hoje mais chance de

res surgem atualmente com mais frequência

prosperar do que há algumas décadas. Segun-

em ambientes de pequenos negócios”, desta-

do ela, a ampliação do mercado de consumo, a

em Gestão de Projetos. Ela está no Sebrae, em Brasília, há 16 anos e durante todo esse período pode acompanhar a evolução e o crescimento do profissionalismo dos empresários de micro e pequenas empresas das mais diversas partes do País. “Atualmente, os pequenos negócios brasileiros desfrutam de uma conjuntura socioeconômica favorável, estimulados pelo crescimento da renda e do emprego, pelo aumento signifi-

80

O desafio está em ser mais competitivos, ino-

Dirigidos por empreendedores mais prepara-

Elizabeth é formada em Jornalismo, com MBA

Por Mirian Gasparin

média e consequente expansão do consumo.

preendimento mais próximo da clientela pela

ca a conselheira do Sebrae/PR.

Conselheira do Sebrae/PR defende inovação como forma de agregar valor à marca e aos produtos

grandes empresas. “Os pequenos negócios são protagonistas na

quência, são mais ágeis, flexíveis e capazes de

Competitividade é o X da questão

além de participarem de cadeias de valor de

ciar e agregar valor à marca, aproveitando as

suem estrutura menos complexa e, por conse-

Elizabeth Soares de Holanda, conselheira do Sebrae/PR

anos, são indutores do desenvolvimento local,

sempre com o objetivo de melhorar, se diferen-

“De forma geral, os pequenos negócios pos-

cativo do consumo interno, decorrentes da estabilidade econômica e de políticas públicas

estabilidade econômica, a aposta em instrumentos para facilitar o acesso a crédito e os significativos avanços no ambiente legal - como a criação do Simples Nacional – tornaram o cenário mais favorável aos pequenos negócios. A chefe de Gabinete da Diretoria Técnica do Sebrae também chama a atenção para os investimentos em infraestrutura e os megaeventos esportivos nos próximos anos que se somarão a um mercado interno mais estimulante da atividade econômica. Outro ponto positivo, dores brasileiros abrem hoje a sua empresa por identificar uma boa oportunidade de negócio, e não mais por necessidade ou desemprego. “Os empreendedores acreditam na atividade

sua importância, nos últimos anos, evoluímos

empresarial como alternativa de renda e inde-

também nos marcos legais que propiciam um

pendência e na chance de prosperar mais rapi-

ambiente favorável aos pequenos negócios,

damente. Isso é altamente positivo”, justifica.

Empresa, além do Simples Nacional, entre outras iniciativas de estímulo, fomento e assistência técnica ao segmento. Os microempreendedores individuais, por sua vez, têm direitos previdenciários a um custo bastante reduzido”, ressalta.

Processos inovadores surgem atualmente, com mais frequência, em ambientes de pequenos negócios

segundo Elizabeth, é que 70% dos empreende-

voltadas para a inclusão produtiva. Devido a

destacando-se a Lei Geral da Micro e Pequena

Personalidade

Foto: Bernardo Rebello

Elizabeth Soares de Holanda

O grande desafio da micro e pequena empresa

Ao destacar o trabalho do Sebrae junto aos micro e pequenos negócios, Elizabeth informa que, só ano passado, a instituição atendeu cerca de 1,6 milhão de empresas. “Com soluções segmentadas para cada tipo de cliente – microempreendedor individual, microempresa, pequena empresa e agricultor familiar – o Sebrae atua em

A conselheira do Sebrae/PR faz questão de des-

todo o País, prestando informações e orienta-

tacar que os números por si só mostram a im-

ções diretamente nas empresas, a distância ou

portância que as micro e pequenas empresas

por meio de seus pontos de atendimento. Pode-

exercem sobre a economia brasileira. Os peque-

mos afirmar que o Sebrae atua como empresa

nos negócios são a maioria (99%) das empresas

de consultoria e assistência técnica, e como

brasileiras, sendo que cerca de 7 milhões são

agência de fomento. Oferece também oficinas

optantes do Simples Nacional, regime tributário

e cursos presenciais e pela internet (www.se-

diferenciado para micro e pequenas empresas e

brae.com.br). São cerca de 800 postos de aten-

em torno de 2,5 milhões são microempreende-

dimento presencial ou pela central de relaciona-

dores individuais com CNPJ. O Brasil conta tam-

mento 0800 570 0800”, conclui.

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Giro pelo Paraná

Anuário

Sebrae/PR

As micro e pequenas empresas paranaenses criaram cerca de 550 mil novos empregos com carteira assinada entre 2000 e 2011, crescimento que permitiu ao segmento atingir a marca de 1,2 milhão de postos de trabalho no Estado. A informação faz parte da quinta edição do Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa, uma iniciativa do Sebrae Nacional e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em 2000, as micro e pequenas respondiam por 620,2 mil empregados no Paraná. O crescimento do emprego formal nos pequenos negócios – com faturamento bruto anual de até R$ 3,6 milhões – foi de mais de 90% no período. No Brasil, em 12 anos, os pequenos negócios foram responsáveis pela geração de 7 milhões de novos empregos com carteira assinada, totalizando 15,6 milhões de postos de trabalho, 52% da mão de obra empregada no País.

Excelência Compartilhar boas práticas para a excelência em gestão. Com esta filosofia, representantes de um grupo de organizações públicas e privadas, co-

Assistência

Sucesso Uma iniciativa bem-sucedida, que será mais uma vez rodada em 2013. O Programa Marialva Cidade Empreendedora reserva mais ações e soluções para empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas do pequeno município, no noroeste do Paraná. Em 2012, o Programa ofereceu consultorias em gestão e inovação para 50 micro e pequenas empresas, por meio do Sebraetec – Serviços em Inovação e Tecnologia. A iniciativa também promoveu três palestras, sobre vendas e atendimento, motivação, e gestão empresarial, com a

O Projeto Cafés Especiais do Norte Pioneiro ganhou novos parceiros. Estudantes do último ano dos cursos de Tecnólogo em Cafeicultura e Engenharia Agronômica do Instituto Federal de Muzambinho, de Minas Gerais, iniciaram trabalho de difusão tecnológica junto aos produtores da Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (ACENPP). Os estudantes realizaram visita técnica para conhecer a realidade local e, desde o início de março, passam uma semana por mês na região, para prestar atendimentos aos cafeicultores. Durante uma semana, cada aluno fica hospedado em uma propriedade rural em contato direto com o produtor. As visitas vão gerar relatório com resultados, a serem encaminhados para a universidade, Sebrae/PR e ACENPP, estas idealizadoras do Projeto Cafés Especiais.

Potencial A edição de 25 anos do Show Rural Coopavel contou com o espaço “Conheça Cascavel”, um estande com cerca de 100 m2, criado para mostrar o potencial da cidade para o turismo de negócios e eventos. No mesmo ambiente, representantes do Sebrae/PR, Prefeitura de Cascavel, Conselho Municipal de Turismo de Cascavel (Comtur) e Cascavel Convention & Visitors Bureau (CCVB) mostraram como o turismo de eventos já é destaque nos segmentos de agronegócio e automobilismo. No espaço foram disponibilizadas imagens de eventos realizados no município e de pontos turísticos, informativos sobre a organização do setor, além da exposição de carros das duas categorias mais populares do automobilismo brasileiro: Fórmula Truck e Stock Car.

nhecidas e reconhecidas no mercado brasileiro e internacional, consolidam, no Paraná, uma rede de relacionamento especializada no tema. É o Comitê de Benchmarking para Excelência em Gestão (CBEG), que reúne, desde 2005, empresas como Petrobras, Volvo, Itaipu, Copel, Correios, Caixa Econômica, GVT, ISAE/FGV, Sanepar, Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) e, recentemente, Sebrae/PR. Em comum, as organizações que compõem o CBEG seguem os fundamentos e critérios de excelência disseminados pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), que visa estimular e apoiar as corporações no mundo todo, no desenvolvimento e evolução de sua gestão. São fundamentos da FNQ, itens da pauta do CBEG: Pensamento Sistêmico; Aprendizado Organizacional; Cultura de Inovação; Liderança e Constância de Propósitos; Orientação por Processos e Informações; Visão de Futuro; Geração de Valor; Valorização das Pessoas; Conhecimento sobre Cliente e Mercado; Desenvolvimento de Parcerias; e Responsabilidade Social.

participação de aproximadamente 650 pessoas por evento. Além disso, realizou um workshop sobre visual de loja com a participação de 100 empresários. Em Marialva, o Cidade Empreendedora é uma realização do Sebrae/PR e da Prefeitura Municipal, com a parceria da Associação Comercial e Empresarial de Marialva (ACIMAR), Caixa Econômica e da BS Bios.

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83


Artigo

Em nome do desenvolvimento Por Jefferson Nogaroli

Capacitação O Sebrae iniciou projeto nacional para incentivar a adoção de cartão de crédito pelas micro e pequenas empresas. Mais de a metade dos pequenos negócios brasileiros não usa esta forma de pagamento. Colaboradores da instituição foram capacitados para prestar informações aos empreendedores. A ideia é preparar ainda mais o segmento para eventos como a Copa. Para disseminar a prática dos cartões entre os pequenos negócios, o Sebrae também capacitou agentes locais de inovação, que visitam empresas. O empresário não sabe diferenciar a bandeira da operadora de cartão, nem conhece os cartões que são mais fortes e acessíveis em determinados estados. Para alguns setores, segundo o Sebrae, a utilização das máquinas de cartões incrementa em até 70% as vendas. Um simulador virtual é preparado pelo Sebrae para mostrar o impacto do meio eletrônico de pagamento na lucratividade das empresas. Trata-se de uma planilha a ser baixada no próprio computador do empresário, para que ele preencha com as informações referentes ao seu negócio. O simulador permitirá, tanto ao empresário que ainda não aceita cartões, como àquele que já adota esse meio eletrônico de pagamento, a avaliação dos custos e comparação com o lucro da empresa.

O Brasil precisa do empreendedorismo e

ma Sebrae em inovação e pioneirismo e

Para reverter o quadro e democratizar o

das micro e pequenas empresas, para cres-

conseguiu bater a marca recorde de mais

acesso ao crédito, empresários e lideranças

cer e consolidar posição na economia glo-

de 100 mil empresas atendidas durante o

empresariais do Estado, sob a articulação do

bal. E o Sebrae é o parceiro ideal na cons-

ano. Temos levado soluções empresariais

Sebrae/PR, e com o apoio do Sebrae Nacio-

trução desse cenário. Com esta afirmação,

para 100% dos 399 municípios, no campo e

nal, iniciaram em 2008 uma discussão que

repetida inúmeras vezes nos últimos qua-

na cidade, e trabalhamos com setores es-

culminou com a criação de SGC. Muito co-

tro anos, tornei realidade a ‘filosofia’ que

tratégicos como construção civil, vestuário,

muns na Europa, as SGC prestam, em nome

norteou meu trabalho e meus dois manda-

tecnologia da informação, varejo, agrone-

das pequenas empresas, garantias comple-

tos como presidente do Conselho Delibera-

gócios e turismo.

mentares exigidas pelos agentes financei-

tivo do Sebrae/PR.

Copa A produção e a venda de produtos oficiais da Copa de 2014 está entre as inúmeras oportunidades de negócios geradas com a realização do Mundial, no Brasil. Porém, as micro e pequenas empresas interessadas nesse nicho de mercado devem estar atentas às exigências e regras para a conquista do licenciamento. Uma parceria firmada entre o Sebrae Nacional e a Globo Marcas – agente de licenciamento oficial da FIFA – prevê que a entidade reunirá as empresas e projetos que estão dentro do padrão para o licenciamento e apresentar as propostas de produção e venda ou de ponto de venda para a Globo Marcas que irá avaliá-las e aprová-las. Além de ampliar o acesso ao licenciamento, a instituição ajudará os empresários a fecharem parcerias com outros negócios para aumentar a capacidade produtiva, bem como as chances de se tornar uma licenciada. As empresas do Paraná interessadas nesse nicho e que desejam ter o apoio do Sebrae nesse processo precisam participar das ações desenvolvidas pelo Programa Sebrae 2014.

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Premiação Cinco estudantes que se formaram no final de 2012, quatro deles no curso de Administração e um no curso de Direito, pelas Faculdades Integradas do Vale do Iguaçu (Uniguaçu), receberam troféus, bolsas de estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e iPads. Eles foram premiados em fevereiro por representantes do Sebrae/PR e da Uniguaçu, durante cerimônia especial, pela excelente performance da equipe Run to Win, vice-campeã nacional do Desafio Sebrae 2012. A entrega dos prêmios aconteceu durante a aula inaugural da Uniguaçu, na qual os alunos tiveram a oportunidade de assistir a uma palestra sobre cenários e tendências da Administração. O Desafio Sebrae é um jogo que simula o dia a dia de uma pequena empresa. Na edição que consagrou a equipe de estudantes de União da Vitória como vice-campeã nacional, inscreveram-se mais de 154 mil alunos em todo o Brasil divididos em equipes, sendo que 58% estavam na faixa entre os 18 e os 22 anos.

As pesquisas de satisfação junto aos clientes

ros. No Paraná, a iniciativa é um sucesso e modelo também para outros estados. Em

Exerci meu ofício, para o qual fui eleito e

mostram que estamos no caminho certo. O

reeleito, respectivamente em 2008 e 2010,

índice de satisfação do cliente do Sebrae/PR

pelos representantes das 13 entidades que

hoje é superior a 90%. A rede de atendimen-

compõem o Conselho Deliberativo, com or-

to passou a atuar de forma mais estruturada

gulho, dedicação e determinação, até feve-

por meio de pontos de atendimento instala-

reiro passado, quase dois anos antes de

dos no Estado. A cultura empreendedora foi

expirar meu segundo mandato. Certo do

disseminada por meio de programas como o

Colocamos em prática propostas ousadas

dever cumprido, abro espaço para novas li-

Educação Empreendedora, em escolas da

como o Programa Cidade Cooperativa e o

deranças e agradeço aos empreendedores

rede pública paranaense.

Programa Territórios da Cidadania, ambos

e empresários de micro e pequenas empresas paranaenses.

Avançamos ainda na questão do crédito, com a criação de sociedades de garantia, as

Agradeço pela oportunidade ímpar de tra-

SGC, para dar suporte às empresas de pe-

balhar em prol do empreendedorismo e

queno porte que sempre precisam de aval

das micro e pequenas empresas, frente a

para a obtenção de linhas de financiamen-

uma organização como o Sebrae/PR que,

to. De cada dez micro e pequenas empresas

em 2012, comemorou 40 anos como agência de promoção do desenvolvimento por meio dos pequenos negócios. Nenhuma entidade conseguiu chegar tão perto dos

interessadas em obter financiamentos junto a instituições financeiras, três têm seus pedidos negados por falta de garantias. A

cinco anos, as SGC paranaenses devam atender em média 7,5 mil micro e pequenas empresas. A estimativa é que o volume de crédito a ser concedido, por meio das garantias, deva chegar a R$ 120 milhões.

com foco na melhoria de municípios com baixos índices de desenvolvimento humano por meio dos pequenos negócios. O desenvolvimento local depende de fatores como a união de esforços, não apenas das comunidades envolvidas, mas também das entidades empresariais representativas, poder público, iniciativa privada e sociedade civil organizada.

estimativa mostra uma realidade bastante

O Cidade Cooperativa tem tudo para servir

comum no Brasil e no Paraná: boa parte dos

de modelo para o Paraná e outros estados

empresários de pequenos negócios não dis-

brasileiros. Quatro municípios com baixo

põe de bens suficientes para oferecer em

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

No Paraná, durante minha gestão, o Se-

garantia, o que inibe a concessão de em-

- Bom Sucesso do Sul, Carlópolis, Imbaú e

brae/PR tornou-se referência para o Siste-

préstimos, ameaçados pela inadimplência.

Munhoz de Mello - foram convidados a pen

empreendedores e empresários e transformar em realidade o sonho, de ser o dono do próprio negócio.

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Foto: Luiz Costa/La Imagen

Feira do Empreendedor, que reúne de dois em dois anos oportunidades de negócios,

O Sebrae/PR é referência para o Sistema Sebrae em inovação e pioneirismo e conseguiu bater o recorde de mais de 100 mil empresas atendidas por ano

conhecimento, tendências e inovação num só lugar. Realizamos um encontro com mais de 350 prefeitos e prefeitas eleitos para a gestão 2013-2016 e mostramos a eles a importância de se investir em empreendedorismo e micro e pequenas empresas. E demos destaque a questões como o Estatuto Nacional de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, também conhecido como Lei Geral da Micro e Pequena Empresa que, desde 2006, tem trazido benefícios para os pequenos negócios. A Lei Geral é um exemplo de política pública que tem funcionado, sobretudo porque reduziu a burocracia para a abertura de pequenos negócios, reduziu carga tributária, abriu novos nichos de mercado como o das compras públicas, assim como criou figuras jurídicas importantes como a do microempre-

sar o desenvolvimento local por meio do empreendedorismo e das micro e pequenas empresas. Os resultados já podem ser percebidos, os municípios, compromissados com a causa dos pequenos negócios, passaram a receber apoio de entidades como o Sebrae/PR e o ambiente empresarial melhorou.

faturam até R$ 60 mil ao ano e que tirou desde 2009 cerca de 150 mil empreendedores paranaenses da informalidade. Por fim, pensamos muito no futuro dos pequenos negócios no Paraná, com o Projeto Sebrae 2022. A organização iniciou uma mobilização há pouco mais de um ano, envolvendo empresários, lideranças, funcionários,

é ex-presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR. Empresário do setor de supermercados, já comandou a Associação Comercial e Industrial de Maringá (ACIM) e a Federação das Associações Comerciais do Estado do Paraná (FACIAP). Atualmente, preside o SICOOB SUL - Cooperativa de Crédito dos Empresários da Grande Curitiba e o SICOOB Central Paraná - Central das Cooperativas de Crédito do Estado do Paraná.

Já o Programa Territórios da Cidadania tem

clientes e não-clientes do Sebrae/PR, com o

como objetivo dar dinamismo empresarial

objetivo de planejar sua atuação para os pró-

para regiões com baixos índices de desen-

ximos dez anos. O Projeto Sebrae/PR 2022,

volvimento humano e empresarial. Até o

para marcar os 50 anos da organização a se-

final de 2012, o Sebrae/PR já havia levado

rem celebrados em 2022, desencadeou um

soluções empresariais para cerca de 25%

período de reflexão, para repensar e preparar

das micro e pequenas empresas dos muni-

o Sebrae/PR para os desafios da sociedade

cípios paranaenses do Vale da Ribeira; Pa-

empreendedora do futuro. Isso, para mim, é

tradicionais. Bem como melhorar a presen-

raná Centro; Norte Pioneiro; e Cantuquiri-

motivo de orgulho, uma prova de que é possí-

guaçu, regiões que formam chamados

ça do empreendedorismo nas escolas. Só

vel olhar para o futuro com planejamento.

uma cultura empreendedora, difundida

Territórios da Cidadania.

O tempo impõe ao Sebrae novos desafios.

desde o ensino fundamental, é capaz de

O balanço, de um ano de atividades, é posi-

Um deles – talvez, o mais complexo a ser

formar empreendedores e empresários. Os

tivo. Cerca de 7,5 mil pequenos empreendi-

superado - é desmistificar a imagem que

jovens que ainda sonham com a estabilida-

mentos foram atendidos pelo Sebrae/PR

ser empresário no País é uma missão quase

de oferecida por um concurso público pre-

que, junto com mais de 15 entidades em-

impossível. Isso não é verdade. O conheci-

presariais e poder público, trabalha pela

cisam despertar. Assim como aqueles que

mento é a chave dessa equação. Quanto

dinamização do ambiente empresarial das

consideram o empreendedorismo algo difí-

mais tempo empreendedores em estágio

quatro regiões. Juntas, Vale da Ribeira, Pa-

inicial dedicarem-se a cursos, palestras e

cil de ser concretizado.

raná Centro, Norte Pioneiro e Cantuquiri-

programas mais próximos estarão do su-

Repito, o Brasil precisa do empreendedoris-

guaçu, reúnem 74 municípios, aproximada-

cesso. E como é bom contar com a parceria

mo e das micro e pequenas empresas, para

mente 1 milhão de habitantes e cerca de 30

do Sebrae! Os serviços e produtos ofereci-

crescer e consolidar. E o Sebrae é o parceiro

mil pequenos empreendimentos. Os em-

dos pela organização agregam valor à so-

ideal na construção desse cenário. Obrigado

preendedores e empresários dos Territó-

ciedade, uma vez que negócios fortes ge-

aos colegas de Conselho, à equipe Sebrae/PR

rios da Cidadania receberam orientações,

ram mais empregos e renda.

e aos empreendedores e empresários de mi-

Precisamos disseminar novos modelos de

cro e pequenas empresas do Paraná pela

negócios, como as startups que promovem

oportunidade e confiança depositada em

uma ‘revolução’ no mundo corporativo e

mim, durante quatro anos, como presidente

destacam-se por fugir de padrões rígidos e

do Conselho Deliberativo!

consultorias individuais e coletivas, cursos, palestras, e conceitos sobre a importância da inovação nas empresas. Consolidamos ainda eventos de peso como a

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endedor individual, para aqueles que

Jefferson Nogaroli

REGIONAL CENTRO-SUL Curitiba Rua Caeté, 150 - Bairro Prado Velho – CEP: 80.220-300 Fone: (41) 3330-5800 – Fax: (41) 3330-5768/ 3332-1143 Escritório – Guarapuava Rua Arlindo Ribeiro, 892 - Bairro Centro – CEP: 85.010-070 Fone: (42) 3623-6720 – Fax: (42) 3623-6720

Escritório – Paranavaí Rua Souza Naves, 935 – Jardim São Cristóvão – CEP: 87.702-220 Fone: (44) 3423-2865 – Fax: (44) 3423-2865 Escritório – Umuarama Avenida Brasil, 3.404 – Bairro Zona I – CEP: 87.501-000 Fone/fax: (44) 3622-7028 – Fax: (44) 3622-7065

Escritório – Ponta Grossa Av. João Manoel dos Santos, 500 - Bairro Nova Rússia – CEP: 84.051-410 Fone: (42) 3225-1229 – Fax: (42) 3225-1229

REGIONAL NORTE Londrina Av. Santos Dumont, 1.335 – Bairro Aeroporto – CEP: 86.039-090 Fone: (43) 3373-8000 – Fax: (43) 3373-8005

REGIONAL OESTE Cascavel Avenida Pres. Tancredo Neves, 1.262 – Bairro Alto Alegre – CEP: 85.805-000 Fone: (45) 3321-7050 – Fax: (45) 3226-1212

Escritório – Apucarana Rua Osvaldo Cruz, 510 13º andar – Bairro Centro – CEP: 86.800-720 Fone: (43) 3422-4439 – Fax: (43) 3422-4439

ESCRITÓRIO – Foz do Iguaçu Rua das Guianas, 151 – Bairro Jardim América – CEP: 85.864-470 Fone: (45) 3522-3312 – Fax: (45) 3573-6510

Escritório – Ivaiporã Rua Professora Diva Proença, 1.190 – Bairro Centro – CEP: 86.870-000 Fone: (43) 3472-1307 – Fax: (43) 3472-1307

Escritório – Toledo Avenida Parigot de Souza, 2.339 - Bairro Centro - CEP: 85.905-380 Fone: (45) 3252-0631 - Fax: (45) 3252-6175

Escritório – Jacarezinho Rua Coronel Figueiredo, 749 – Bairro Centro – CEP: 86.400-000 Fone: (43) 3527-1221 – Fax: (43) 3527-1221

REGIONAL NOROESTE Maringá Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto, 1.116 – Bairro Zona 07 – CEP: 87.030-010 Fone: (44) 3220-3474 – Fax: (44) 3220-3402

REGIONAL SUDOESTE Pato Branco Avenida Tupi, 333 - Bairro Bortot – CEP: 85.504-000 Fone: (46) 3220-1250 – Fax: (46) 3220-1251

Escritório – Campo Mourão Rua Santa Cruz, 1.085 - Bairro Centro – CEP: 87.300-440 Fone: (44) 3523-2500 – Fax: (44) 3523-2500

Escritório – Francisco Beltrão Rua São Paulo, 1.212 - sala 01 - Bairro Centro – CEP: 85.601-010 Fone: (46) 3524-6222 – Fax: (46) 3524-5779

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0800 570 0800 www.sebraepr.com.br

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A revista da pequena empresa no Paraná

Trimestral nº17 Ano 5 Mar/13

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Mais segurança

Fuja do calote!

O poder da marca

Pequenas procuram sistemas eletrônicos

Saiba como se proteger de maus pagadores

Fixar identidade é estratégia para crescer

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Revista Soluções - Edição 17