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A revista da pequena empresa no Paraná

Trimestral nº15 Ano 4 Set/12

‘Reinvenção’

40

aos

Sebrae comemora quatro décadas de existência e, no Paraná, prepara-se para os desafios da sociedade empreendedora do futuro

84

Varejo do futuro

A ‘revolução’ das startups

Empresa ambidestra?

Estratégias como marketing sensorial estão mais acessíveis às pequenas

Cresce número de empreendedores à procura de novo modelo de negócio

Saiba como ser inovador e ter excelência operacional ao mesmo tempo 85


Editorial

Mais uma Soluções para você! A Revista Soluções reserva, nesta edição especial, espaço para comemorar os 40 anos do Sebrae. A reportagem de capa, ‘Reinvenção’ aos 40, traz informações sobre uma proposta ousada da organização, que, no Paraná, prepara-se para os anseios da sociedade empreendedora do futuro. Dez cases de sucesso, selecionados por nossa equipe, também selam o aniversário do Sebrae. A reportagem “O Sebrae mudou a minha vida... e o rumo do meu negócio” contém histórias de superação, de empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas paranaenses que chegaram ao sucesso com o auxílio do Sebrae/PR. Em pauta, ainda nesta edição, o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. Na reportagem, com o título 5 de outubro: desafios e conquistas, você leitor acompanha análises feitas por especialistas sobre as facilidades e dificuldades de se empreender atualmente no Brasil. E mais. Mario Gazin, presidente do Grupo Gazin, uma das maiores redes de varejo do País, com mais de 5,5 mil funcionários, é o entrevistado desta edição. Ele manda um recado, que vale para as pequenas empresas. Segundo Gazin, bom gestor não é aquele que é bonzinho com funcionários, mas aquele que é justo e inspira os outros. Destaque ainda para a primeira de uma série de três reportagens sobre empreendedorismo no outro lado do mundo. O Sebrae/PR preparou para 2012 três missões técnicas, uma para o sudeste asiático (Malásia, Singapura, Tailândia e Coreia do Sul); outra para Rússia e Escandinávia; e uma terceira para China e Índia. Você acompanha na reportagem Sudeste asiático dá exemplo os resultados da primeira missão. O corpo técnico do Sebrae/PR embarcou com o objetivo de entender qual o caminho traçado por esses países para chegar ao patamar de crescimento atual. Foco definido e planejamento a longo prazo foram algumas das constatações do grupo. Outro tema explorado nesta edição é a mais recente Pesquisa GEM, realizada em 54 países do mundo. De acordo com o levantamento, o Brasil possui 27 milhões de pessoas envolvidas ou em processo de criação de um negócio próprio, o que mostra que um a cada quatro brasileiros adultos é empreendedor. Para finalizar, você não pode perder ainda a reportagem Pequenas, mas inovadoras, que mostra, com alguns exemplos, como as pequenas empresas do Paraná são capazes de desenvolver propostas e ideias inovadoras, muitas delas baseadas em tecnologia, prontas para serem consumidas pelo mercado.

Boa leitura! Leandro Donatti, o editor

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SEBRAE/PR – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Paraná

Índice

Jefferson Nogaroli Presidente do Conselho Deliberativo Allan Marcelo de Campos Costa Diretor Superintendente Julio Cezar Agostini Diretor de Operações Vitor Roberto Tioqueta Diretor de Gestão e Produção

Expediente Coordenação Renata Todescato Gerente de Atendimento Individual e Marketing Edição/Jornalista Responsável Leandro Donatti Registro Profissional– 2874/11/57-PR Ammanda Macedo Especialista em Marketing Reportagens: Adriana Bonn, Adriana De Cunto, Adriano Oltramari, Andréa Bordinhão, Cleide de Paula, Giselle Ritzmann Loures, Graziela Castilho, Katia Michelle Bezerra, Juliana Dotto, Leandro Donatti, Maigue Gueths e Mirian Gasparin. Fotos: Cristiane Shinde, Fábio Conterno, Luiz Costa, Marcos Labanca, Rodolfo Buhrer e Wilson Vieira. sebrae@pr.sebrae.com.br http://asn.sebraepr.com.br Críticas e comentários, mande um e-mail para revistasolucoes@pr.sebrae.com.br Anuncie na Revista Soluções: publicidade.revistasolucoes@ pr.sebrae.com.br Impressão Speedgraf Gráfica e Editora Ltda

As tendências em favor das pequenas empresas

Capa - Pág. 12 ‘Reinvenção’ aos 40

A Revista Soluções tem estampado, em suas últimas edições, tendências do mundo corporativo, bastante comuns no dia a dia das grandes empresas, e perfeitamente aplicáveis à realidade dos pequenos negócios. A ideia das pautas é estimular as pequenas empresas a pensarem grande, sempre.

Sebrae comemora quatro décadas de existência e, no Paraná, prepara-se para os desafios do empreendedorismo no futuro

Entrevista

Nesta edição, mais algumas novidades, dentre as quais o crescimento das startups, a ambidestralidade nos negócios, e a modernização do varejo que passou a utilizar ferramentas como o marketing sensorial e olfativo, para conquistar e fidelizar clientes.

Independente do tamanho, do número de funcionários, todas as empresas devem estar atentas às novidades do mercado, à inovação e ao uso de tecnologias ‘inteligentes’. Isso faz a diferença. O empresário de pequena empresa precisa estar com a mente aberta. Aproveite a oportunidade! E aplique também – na medida do possível e sem preconceitos - novidades em seu empreendimento.

5 de outubro: desafios e conquistas

PÁG.

PÁG.

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30

Sudeste asiático dá exemplo

PÁG.

PÁG.

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A ‘revolução’ das startups

PÁG.

44

Brasil é 3º no ranking do empreendedorismo

PÁG.

50

Sua empresa é ambidestra?

40

Tendência

Varejo ‘inteligente’

Pág. 8

PÁG.

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Mercado

Dedicação e alegria, receita que dá certo Empresário Mario Gazin diz que, para crescer, dedicação total do gestor e funcionários motivados são fundamentais

Capacitação

Mãos à massa

PÁG.

PÁG.

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Pequenas, mas inovadoras

PÁG.

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Ensino corporativo a distância

66

Serviço

Design Gráfico e Diagramação Ingrupo//chp Propaganda PÁG.

Periodicidade Trimestral

Artigos

ISSN 1984-7343

Eloi Zanetti - Pág. 53

Renata Todescato,

Allan Costa - Pág. 80

gerente de Atendimento Individual e Marketing do Sebrae/PR

... caminhando nesta direção que o Sebrae/PR...

70

Game simula abertura de negócio

Associativismo Tecnologia no campo

PÁG.

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... genéricas demais para dar precisão sobre os seus significados...

Personalidade PÁG.

Giro pelo Paraná PÁG.

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“O Sebrae mudou a minha vida”

Comportamento

Já abordamos em nosso espaço editoral, por exemplo, temas do momento como ‘anjos’ investidores, o chamado crowdfunding, sucesso em países como os Estados Unidos; marketing pessoal; a febre dos sites coletivos e suas implicações; novos modelos de negócios como o Business Model Generation; o perfil do consumo; e o uso cada vez mais comum de games corporativos.

Que lição podem as micro e pequenas empresas levar de tudo isso? A principal é que, sem dúvida, estar atento às tendências é fundamental para o sucesso nos negócios. Num mundo de economia global, o porte da empresa não tem mais tanta importância, mas sim a qualidade do seu atendimento, seus produtos e serviços.

Feiras e eventos

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Líder do cooperativismo no Paraná

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Linha direta com o leitor

Cartas

Redes sociais

Uma das coisas que me chama a atenção na Revista Soluções são

qcmodas@hotmail.com 29/08/2012 - 13:23

os cases de empreendedores que atingiram o sucesso, após imprimir inovação em seus negócios. São exemplos que acabam estimulando e inspirando a nós, empresários, a vencer dificuldades, persistir e crescer. Gosto também da roupagem moderna e atrativa da Revista, que reflete muito bem o profissionalismo de tudo

Comentário: Agradecemos ao Sebrae pelo apoio que recebemos desde o começo, quando nossa empresa era somente uma ideia. Agora virou realidade graças às ferramentas disponíveis por vocês. Obrigado! David Araujo de Carvalho

o que é feito pelo Sebrae/PR. Vilson Felipe Borgmann – presidente do Sindicato na Indústria de Panificação e Confeitaria do Estado do Paraná (SIPCEP) – Curitiba/PR Além de dicas de especialistas, referências e atualizações - o que é muito importante para se manter um negócio - a Revista Soluções também traz o depoimento com a experiência dos empreendedores e nos leva para diversos segmentos. Pessoalmente, gosto muito de conhecer e poder me identificar com as dificuldades e sucessos que acompanham um empreendimento e me inspirar com a experiência dos nossos colegas! Manuela Abdo – produtora-executiva da Produtora Audiovisual Arte Nove – Curitiba/PR Já li muitas revistas de empresas e negócios, de várias editoras nacionais e internacionais. Mas a Revista Soluções, do Sebrae/PR, me impressiona porque todas as matérias de cada edição me interessam! Continuem com o ótimo trabalho! Comecei minha empresa em fevereiro, adorei o atendimento do Sebrae/PR, e o negócio já está dando certo! José Mario Bonacin - Studio Marios Bros – Curitiba/PR

terezinhakutchma@gmail.com 28/07/2012 - 11:16 Comentário: Nossa empresa Maison Veridiane completou 40 anos em 29.2.12. Inovamos a cada ano, e o que sentimos é que cada vez mais precisamos aprender com as interessantes palestras que o Sebrae promove e os cursos nos acrescentam muito, como aos nossos funcionários. O brasileiro não sofre tanto com crises porque é um nato empreendedor, sempre encontra uma saída, principalmente aos que recorrem ao Sebrae. Terezinha Kutchma annamm_vendas@hotmail.com 14/07/2012 - 10:06 Comentário: O Sebrae/PR faz parte da nossa história, nos estimula, nos ajuda, tira nossas dúvidas, é um parceiro que sempre podemos contar, ele nos mantém informados. A sua contribuição é de grande valia em favor das pessoas que sonham em ser um empreendedor de sucesso. Anna Maria Patitucci Marinho magnoleanrh2011@hotmail.com 10/07/2012 - 17:50 Comentário: Olá, mesmo ainda não estabelecendo um contato como empresário com o Sebrae, sempre participo das palestras e Feiras do Empreendedor realizadas pela instituição e posso garantir que são de grande importância para o desenvolvimento e conhecimento gerais sobre o mercado de trabalho em várias áreas. Com isso, o Sebrae me ajudou a ter conhecimentos sobre os negócios para poder abrir minha própria empresa. Magno Leandro Costa

Queremos sua opinião A décima quarta edição da Revista Soluções teve como tema de capa negócios com pouco dinheiro. 6

revistasolucoes@pr.sebrae.com.br

Radar da pequena empresa

Um ‘jogo rápido‘ sobre os pequenos negócios. Empreendedorismo comunitário 1

Empreendedorismo comunitário 2

Consumo feminino

A Aliança Empreendedora vai reconhecer empreendedores que fazem a diferença para o desenvolvimento do País. É o 2.º Prêmio Aliança de Empreendedorismo Comunitário para identificar e valorizar empreendedores com faturamento de até R$ 240 mil. Serão premiadas cinco categorias: Empreendedor Individual, Jovem Empreendedor, Grupo Empreendedor, Mulher Empreendedora e Catador Empreendedor.

Os vencedores serão premiados em novembro, em cerimônia a ser definida pela Aliança Empreendedora. Cada um dos premiados ganhará R$ 5 mil para investir no próprio negócio. Bem como capacitação em gestão e empreendedorismo, divulgação da história empreendedora e a possibilidade de captação de recursos por meio do Portal Impulso – site de financiamento colaborativo para empreendedores.

Os empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas que apostam no poder feminino para faturar mais têm uma boa notícia. As mulheres brasileiras vêm se consolidando como consumidoras nos últimos anos. Uma pesquisa do Instituto Data Popular estima que a renda das mulheres do País, em 2012, será de R$ 717 bilhões, 66% maior em comparação com os dados de 2002 (R$ 403 bilhões).

Primeiro E-commerce

Etiqueta corporativa

Formalização

O Sebrae e o MercadoLivre lançaram nova ferramenta de apoio aos pequenos negócios. É o Primeiro E-commerce, plataforma tecnológica que permite a criação simples e gratuita de uma loja virtual para micro e pequenas empresas. O empresário tem a oportunidade de inserir seus produtos no maior site de compras do País e de montar uma vitrine online com transações como pedidos de compras, pagamentos e controle de vendas.

Imperdíveis os artigos de Licia Egger Moellwald, doutora em Comunicação e Semiótica, consultora de Imagem e Etiqueta Corporativa, articulista do UOL e autora do livro “Etiqueta Corporativa: o sucesso com bons modos”. Licia vai na ‘ferida’ e trata, com a devida naturalidade, temas do dia a dia empresarial. Você não pode perder. Acesse: http://empregocerto.uol.com.br/ colunistas/licia-egger-moellwald. html#rmcl.

O Paraná bateu a marca dos 150 mil empreendedores individuais. O Estado, que vem diminuindo a sua informalidade desde 2009, quando entrou em vigor a figura jurídica do Empreendedor Individual, era o sexto no ranking nacional liderado por São Paulo (690 mil), Rio de Janeiro (345 mil), Minas Gerais (295 mil), Bahia (205 mil) e Rio Grande do Sul (163 mil), no início de setembro deste ano.

Empregos

Raio-x no varejo 1

Raio-x no varejo 2

As pequenas empresas com até 100 empregados responderam por 77,3% do saldo líquido de empregos gerados em julho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo de empregos gerados pelo segmento no Paraná foi de 7.123. Já no Brasil foi de 142.496 postos de trabalho.

Estudo inédito do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), divulgado recentemente, aponta as características do empreendedor de pequeno e médio porte do varejo brasileiro. A pesquisa mostra que o perfil deste empresário é de um homem de 42 anos, que possui ensino médio, já trabalhou no varejo, tem faturamento bruto de até R$ 60 mil por mês, emprega familiares e não usou financiamento bancário na hora de abrir o próprio negócio.

Cerca de 65% dos empresários entrevistados estão no negócio atual há mais de dez anos e 67% já haviam trabalhado no varejo ou tiveram negócios herdados da família. O levantamento do SPC aponta que 77% dos empreendedores tiveram que usar capital próprio ou pediram empréstimos aos familiares (9%) na hora de abrir o negócio. Do total de entrevistados, 7% disseram ter utilizado linhas de crédito bancário.

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Foto: Sinara Freitas

Mario Gazin

Mario Gazin, empresário

Dedicação e alegria, receita que dá certo Empresário de uma das maiores redes de varejo do Brasil diz que, para crescer, dedicação total do gestor e funcionários motivados são fundamentais

Por Andréa Bordinhão

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Gazin diz que é preciso manter os empregados felizes. Porém, ressalta que não adianta ser bonzinho. “É preciso ser justo e dar o exemplo”, afirma o gestor que paga o seu cafezinho assim como todos os que trabalham e trabalharam para ele. Nas festas de final de ano, Gazin distribui calcinhas e cuecas entre os funcionários com as metas do ano seguinte bordadas. E não para por aí. Espalha cartazes com esses números por toda a empresa, inclusive nos banheiros. Mas, além da roupa íntima, os empregados que mais se destacam no ano também já ganharam prêmios como carros, motos, viagens e bonificações em dinheiro. Sua gestão pode parecer excêntrica, mas não deixa a estratégia de lado. Para crescer, Gazin apostou em mercados onde as maiores redes de varejos têm pouca presença. Sua empresa nasceu em Douradina, cidade do interior do Paraná com pouco mais de 7 mil habitantes, onde a matriz permanece até hoje. O Grupo Gazin conta com 170 lojas, 14 centros de distribuição, centro atacadista, quatro fábricas de estofados e colchões e dez unidades de negócios. As lojas estão espalhadas principalmente nas cidades do interior do Paraná e nos estados das regiões Centro-Oeste e Norte. Com a simplicidade que lhe é peculiar, Mário Gazin se declara apaixonado pelo trabalho e conta à Revista Soluções como levou sua empresa ao sucesso. Confira. Revista Soluções - O senhor começou a trabalhar cedo. Como foi o início da sua empresa? Mario Gazin - Desde pequeno eu já tinha tino para os negócios. Eu era um bom vendedor e empreendedor. Na época, era chamado de comerciante. Eu tinha feeling para os negócios, o que, diferente de hoje, era muito importante. Hoje precisa de estratégia. Eu comecei pequeno. Abri minha primeira loja em Douradina em 1966. Lá só tinha plantação de café. Não se falava em outra coisa e todo mundo

ganhava muito dinheiro com o café. Então veio a geada de 1975 que acabou com as plantações. Naquela época eu já tinha três lojas com meus irmãos, sendo uma em Mato Grosso do Sul. O pessoal se mudou para Mato Grosso, para Rondônia para plantar café em lugar que não geava. Já tínhamos caminhões e ajudávamos as pessoas a levarem a mudança. E quando chegávamos às cidades víamos que dava para abrir uma loja. Até a décima loja foi consequência do povo de Douradina que foi embora por causa da geada.

Entrevista

Ele começou a trabalhar aos 12 anos e aos 17 já era empresário. Hoje, além de exemplo de sucesso nos negócios, é conhecido pelo seu jeito peculiar de comandar a sua empresa. Para ele, a chave para o crescimento exige dedicação total do gestor e funcionários motivados. Esse é Mario Gazin, fundador e presidente do Grupo Gazin, uma das maiores redes de varejo do Brasil com mais de 5,5 mil funcionários.

Revista Soluções - O senhor acha que teve sucesso nos negócios porque é um bom empreendedor? Mario Gazin - Se eu fiz certo ou errado, fiz com espírito empreendedor, trabalhando duro e com obrigações a cumprir. Sou apaixonado pelo trabalho. Revista Soluções - O senhor fala em espírito empreendedor. Como vê o empreendedorismo no Brasil atualmente? Mario Gazin - Os empreendedores hoje estão no caminho certo. O Brasil é o país que tem o maior número de empreendedores jovens. Isso é muito importante. O Brasil já exportou muito carregador de pizza e hoje exporta pessoas que vão trabalhar como diretores. Mas se olhar no geral, aqui no Brasil ainda quebra muita empresa. Isso porque falta paixão pela empresa. A pessoa monta a empresa pensando em ajudar a família. No entanto, o foco tem que ser o negócio. Se tiver 100% de foco na empresa ela cresce. Se o foco for a família, ela vai quebrar.

Hoje temos concorrentes de metro, um do lado do outro, e só é melhor quem tem mais barulho, mais alegria

Revista Soluções - O senhor pode definir melhor o que é “100% de foco na empresa”? Mario Gazin - Tudo que o empreendedor fizer tem que ser para a empresa. Tem que focar e esquecer a família um pouco. Tem gente que diz: “esse cara é louco”. Mas é preciso lembrar que a empresa não tem coração, mas precisa de carinho como uma criança que nasce todos os dias. A família tem duas pernas e acompanha. E a empresa não acompanha a família. Essa é a grande diferença que a pessoa que vai montar um negócio tem que ter na cabeça. Se não, está fadada a falir. Eu vivo com a mesma esposa há 44 anos e estamos bem. Dá certo. Até porque se eu errar na minha empresa, ninguém vai lá me ajudar. Se eu errar lá em casa, vem um monte de “deixa disso”. Revista Soluções - Além de ter foco total na empresa, quais outras características 9


o senhor acha importante para quem está iniciando um negócio?

Revista Soluções - Em sua opinião todo bom empreendedor é bom líder?

Mario Gazin - A primeira coisa ao abrir uma empresa é ter claro o objetivo. Tem que ter metas e não pode errá-las mais de 5% nem para cima e nem para baixo. Então é preciso planejamento. E é preciso ajuda de outros. Ninguém faz nada sozinho.

Mario Gazin - Muitas pessoas são só empreendedoras e outras só líderes. Algumas pessoas são os dois. Li um livro outro dia que falava do QI (Quociente de Inteligência) e do QE (Quociente Emocional). Pelo que li sou muito QE e pouco QI. E é bom ser os dois. Líder é aquele que está sempre ensinando. Ele acha tempo para ensinar. E líder tem que ter seguidores. Ele faz o projeto e garante que seja colocado em prática. O empreendedor é aquele que faz, que coloca a mão na massa.

Revista Soluções - Há alguns anos sua empresa consta na lista das melhores empresas para se trabalhar. Pode falar um pouco sobre sua visão de gestão de pessoas? Mario Gazin - Na Gazin, as pessoas são o mais importante. O que paga minhas despesas é o trabalho dos meus funcionários. Eu gosto de chamar todos de filhos. E claro que tem um bocado de filhos ruins lá. Mas a maioria é bom e a alegria vem dos bons. O ruim não faz mal porque vai embora logo. Eu costumo dizer que minha empresa é a mais bonita do mundo porque estão todos sempre sorrindo.

É preciso estar focado e quando a empresa vai crescendo é possível diversificar sem perder o foco

Revista Soluções - O senhor acha que motivar e valorizar os funcionários são fundamentais para o desempenho do negócio? Mario Gazin - Todo mundo precisa ser motivado. As pessoas se desmotivam por qualquer coisa. Se você não conseguir se motivar sozinho tem que deixar o espaço para que alguém te motive. Se eu acho que preciso de motivação conto uma piada para mim mesmo. A gente precisa de alegria. Revista Soluções - E a valorização? Mario Gazin - É importante. Mas não adianta querer valorizar só com dinheiro. Todo mundo precisa de escola, de plano de saúde. Não pode ser muito bonzinho, pois isso não leva ninguém a lugar nenhum. Tem que ser duro na medida, sempre justo e dar o exemplo. Não mentir para os funcionários é importante. Eles têm que acreditar em você. Em 2012 minha empresa foi a quarta que mais enriqueceu os funcionários. Mas também faço os empregados economizarem. Afinal, o funcionário com dinheiro no bolso é mais feliz. Revista Soluções - O senhor faz seus funcionários economizarem? Como? Mario Gazin - Bom, na verdade eu tento. Quando eles entram na empresa ganham uma cartilha que ensina a economizarem. Eu digo que salário é o que eu não gastei no mês, o que eu coloquei na poupança. E quem fica mais de três meses sem salário está ‘danado’. Eu tento ensinar isso para eles.

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Revista Soluções - O senhor costuma dizer em suas palestras que hoje em dia as pessoas precisam ser neocompetentes. O que é isso? Mario Gazin - Todo mundo é competente, todo mundo é bom. Hoje o mundo está cheio de gente boa. Por isso, é preciso ser especial, super bom. No passado, a empresa era do José, do Antônio... hoje temos concorrentes de metro, um do lado do outro. Só é melhor quem tem mais barulho, mais alegria. Revista Soluções - Qual sua estratégia para lidar com a concorrência? Mario Gazin - A gente tem que conhecer o concorrente melhor que a si próprio. Se eu conheço bem meu concorrente eu sei o que ele vai fazer. Se eu não conheço, tenho que ter medo do que ele vai fazer. Revista Soluções - O Grupo Gazin tem uma diversidade grande de negócios. O senhor recomenda essa diversificação aos empreendedores? Mario Gazin - Não no início. Mas quando a empresa esta crescendo é melhor diversificar. Hoje é preciso estar focado e quando a empresa vai crescendo é possível diversificar sem perder o foco. Todas as minhas empresas têm funções interligadas. Eu ia abrir uma fábrica de portas, mas concluí que sairia do foco do meu negócio. Na última hora resolvi mudar para a fabricação de colchões. São negócios paralelos, mas todos alinhados ao meu foco. Revista Soluções - Como o senhor descreveria seu sucesso? Mario Gazin - Criei meu valor sempre pensando na minha empresa. Tratando ela com muito carinho, sempre economizando o máximo que eu pude, levando sempre tudo certinho. Dos 100% de lucro da empresa, 94% são reaplicados nela. 11


Capa

Sebrae

‘Reinvenção’

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aos

Organização comemora quatro décadas de existência e, no Paraná, prepara-se para os desafios da sociedade empreendedora do futuro

Por Leandro Donatti

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1972 Fundação do Cebrae (Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa) no Brasil e do Ipag (Instituto Paranaense de Assistência Gerencial à Pequena e Média Empresa), entidade que representava o Cebrae no Paraná

1973 a 1975 Ipag passa a se chamar Ceag/PR (Centro de Assistência Gerencial à Pequena e Média Empresa do Paraná) Abertura de sedes regionais em Curitiba, Ponta Grossa, Cascavel, Londrina e Maringá

1976 a 1980 Abertura de sede regional em Pato Branco Início da participação do governo nos trabalhos do Ceag/PR Lançamento do Promicro (Programa de Microempresas)

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biente empresarial mais favorável. Afinal, as micro e pequenas empresas ganharam musculatura e passaram a responder por 99% dos estabelecimentos formais e por 60% dos empregos com carteira assinada.”

“O Brasil precisa do empreendedorismo e das micro e pequenas empresas, para crescer e consolidar posição na economia global. E o Sebrae é o parceiro ideal na construção desse cenário”, diz Jefferson Nogaroli, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR. Nos últimos 40 anos, na sua avaliação, a organização foi mais que serviço de apoio às micro e pequenas empresas. “Tornou-se uma agência de promoção do desenvolvimento por meio dos pequenos negócios. Nenhuma entidade conseguiu, como o Sebrae, chegar tão perto dos empreendedores e dos empresários e transformar o sonho, de ser o dono do próprio negócio, em realidade”, afirma Nogaroli.

Para o presidente do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette, ex-presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, o empreendedorismo mudou com o Sebrae. “Capacitações, treinamentos, troca de experiências têm propiciado um empreendedorismo inovador àqueles que, sozinhos, não teriam condições de planejar seus negócios.”

Para Allan Marcelo de Campos Costa, diretor-superintendente do Sebrae/PR, “chegar aos 40 anos com a garra de quem está iniciando é uma virtude de poucos”. “No mundo corporativo, um sinal de vigor misturado ao amadurecimento e à inquietude que leva à redescoberta de valores, princípios e capacidades. O Sebrae é uma dessas organizações que, a cada dia que passa, se ‘reinventa’, transforma, surpreende e adapta-se à realidade do empreendedorismo e das micro e pequenas empresas. Os últimos 40 anos são uma prova concreta dessa trajetória.” A organização, declara Allan Costa, esteve ao lado dos empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas em momentos decisivos, como o da promulgação do Estatuto Nacional de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, também conhecido como Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, em 2006. “Talvez, o maior passo dado até hoje em favor dos pequenos negócios no Brasil. Graças à postura assumida, podemos afirmar que o Sebrae ajudou na construção de um am-

Helio Cadore, ex diretor-superintendente do Sebrae/PR de 1990 a 2007, percebeu no Sebrae “campo imenso para disseminar o bem, promover desenvolvimento do Paraná e do Brasil por meio do apoio e incentivo aos cidadãos que queriam empreender e aos que, já empreendedores, queriam crescer e se consolidar.”

Já o presidente da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), Darci Piana, conselheiro do Sebrae que também já foi presidente do Conselho Deliberativo, afirma que a entidade “é protagonista de 40 anos de uma história que modificou a estrutura do empreendedorismo e das micro e pequenas empresas no Brasil”. “Parceiro do desenvolvimento, está há quatro décadas a serviço dos pequenos negócios.” Allan Costa afirma que o Projeto Sebrae 2022, que conta com o suporte técnico da Fundação Dom Cabral, uma das mais conceituadas escolas de negócios no mundo, nasceu da sintonia com o Sebrae Nacional, e a partir dos anseios da comunidade empresarial paranaense. “Com o apoio do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, iniciamos uma importante jornada.” O resultado desse processo, adianta, é a construção de uma visão estratégica e de um plano de execução que fortalecerão ainda mais a instituição. Adriane Rickli e Rudolf Gabrich, professores da Fundação Dom Cabral que acompanham o repensar do Sebrae paranaense, ensinam que ‘reinvenção’ numa organização tem a ver com ruptura, longevidade e com a ideia de permanecer-se relevante. No caso do Sebrae/PR, como permanecer vivo, atuante e com o mesmo vigor de hoje nos próximos anos. “Existem empresas onde a ‘reinvenção’ está no seu DNA.

São negócios nos quais a mudança está presente no dia a dia e não há receio algum de transformar. Porém, isso não acontece na maioria e saber o momento certo de ‘reinventar-se’ é muito difícil. As empresas que conseguem, dão o pulo do gato”, compara Adriane.

1981 a 1985 Implantação do Estatuto da Microempresa, ampliando o atendimento do Cebrae Empresas brasileiras ganham o apoio do Cebrae para participar de eventos internacionais

1986 a 1990 No Paraná, 16 mil empresas receberam o atendimento do Ceag/PR O Sebrae e Ceag se transformam em Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa)

1991 a 1995 Sebrae atende, só em 1994, em todo o Brasil, quase 2 milhões de micro e pequenas empresas Sebrae inicia suas atividades na internet com o seu primeiro site

Rudolf afirma que a ‘reinvenção’ de uma organização é fruto da leitura de alguns sinais do ambiente empresarial, razão pela qual o líder sempre precisa estar conectado. Os sinais podem estar no comportamento do consumidor, nas transformações do mercado, nas mudanças macroeconômicas, ou, por que não, em novas oportunidades. “É papel do líder é cuidar da empresa de hoje e do futuro. Em empresas consolidadas, que acumulam o sucesso, isso é sempre mais difícil. Há um dilema e ninguém quer mexer em time que está ganhando. Mas a pergunta que deve ser feita é se o percurso até aquele momento garantirá o sucesso do futuro. A resposta pode ocasionar a mobilização”, observa o professor da Fundação Dom Cabral. E foi exatamente o que aconteceu no Sebrae/PR. “Nos próximos anos, além da forte presença no apoio aos empreendedores e empresários de pequenas empresas, que hoje já são destaque na atuação do Sebrae/PR, intensificaremos as ações que têm foco no desenvolvimento de lideranças e no incremento efetivo da competitividade dos pequenos negócios paranaenses”, projeta Allan Costa. O objetivo do movimento, de acordo com o diretor-superintendente, é possibilitar, em curto espaço de tempo, a inserção cada vez maior de pequenas empresas paranaenses no mercado global, aptas a competir com produtos e serviços de classe mundial.

Desafios O tempo, no entanto, impõe ao Sebrae alguns desafios, na avaliação de Jefferson Nogaroli. Um deles – talvez, o mais complexo a ser superado - é desmistificar a imagem que ser empresário no País é uma missão quase impossível. “Isso não é verdade. O conhecimento é a chave dessa equação. Quanto mais tempo empreendedores em estágio inicial dedicarem-se a cursos, palestras e programas mais próximos estarão do sucesso.”

Foto: La Imagen

O Sebrae comemora 40 anos de existência, em 2012. No Paraná, de olho no futuro, a organização iniciou há um ano uma mobilização, envolvendo empresários, lideranças, funcionários, clientes e não-clientes, com o objetivo de planejar sua atuação para os próximos dez anos. O Projeto Sebrae/PR 2022, para marcar os 50 anos da organização a serem celebrados em 2022, desencadeou um período de reflexão, para repensar e preparar o Sebrae/PR para os desafios da sociedade empreendedora do futuro.

Jefferson Nogaroli, presidente do Conselho Deliberativo

O Sebrae é portador da esperança e da confiança de cada empreendedor que busca transformar seu sonho de vida em um novo empreendimento

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1996 a 2000 É realizada a primeira Feira do Empreendedor no Paraná Inauguração da nova sede (até hoje) em Curitiba Lançamento da Central Fácil, com o objetivo de desburocratizar e agilizar a abertura de empresas

‘Cara’ nova O diretor de Gestão e Produção do Sebrae/PR, Vitor Roberto Tioqueta, lembra que a organização começou pequena, na década de 1970, e hoje é forte e aglutinadora. Representa, no Brasil, os interesses de mais de 6 milhões de micro e pequenas empresas, 2,5 milhões de empreendedores individuais e mais de 8 milhões de empreendimentos ainda na informalidade. ���Os 40 anos fizeram bem ao Sebrae!

Saiba

Além de transitar e funcionar como uma amálgama entre as mais diversas instituições da sociedade civil organizada, o que representa uma vantagem estratégica para os pequenos negócios, ampliou sua capacidade de atendimento.”

mais sobre o

Sebrae

No Paraná uma rede formada por 230 funcionários e mais de 800 consultores credenciados, reforça Tioqueta, chega aos 399 municípios. “O Sebrae/PR saltou de 20 mil atendimentos ao ano, registrados em 2007, para uma previsão de 100 mil ao ano, em 2012. Promovemos uma ‘revolução’ no atendimento.”

2001 a 2005 Sebrae completa 30 anos e se consolida como serviço de apoio aos pequenos negócios Programa do Sebrae “A gente sabe, a gente faz” é disseminado em 400 rádios do País

O aumento da capacidade tecnológica, melhoria das competências técnicas, pessoas motivadas e valorizadas, e o incremento na infraestrutura e sedes físicas são alguns dos motivos a serem comemorados nesses 40 anos de Sebrae, assinala Tioqueta. “Mais ágil, mais moderno, mais eficiente, mais conectado. O Sebrae/PR está mais preparado para atender as micro e pequenas empresas”, acredita.

Quanto mais tempo empreendedores em estágio inicial dedicarem-se a cursos, palestras e programas mais próximos estarão do sucesso

“No Paraná, as pesquisas de satisfação junto aos clientes mostram que estamos no caminho certo. Servem de

O Sebrae/PR saltou de 20 mil atendimentos ao ano, registrados em 2007, para uma previsão de 100 mil, em 2012

2006 a 2011 Governo federal sanciona novo Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, conhecido como Lei Geral

No Paraná, cinco regionais e 11 escritórios. A entidade chega aos 399 municípios do Estado por meio de atendimento itinerante, pontos de atendimento e de parceiros.

Surge a figura jurídica do Empreendedor Individual, para estimular a formalização de pequenos negócios Começa o Projeto Sebrae 2022, com o objetivo de preparar a organização para os próximos dez anos

Sede do Sebrae/PR em Curitiba

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O Sebrae/PR - Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná é uma instituição sem fins lucrativos criada para dar apoio aos empresários de micro e pequenas empresas e aos empreendedores interessados em abrir o próprio negócio.

No Brasil, são 27 unidades e 800 postos de atendimentos espalhados de norte a sul.

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

Início da vigência do Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte

Nogaroli diz que é preciso disseminar novos modelos de negócios, como as startups que promovem transformações no mundo corporativo e destacam-se por fugir de padrões rígidos e tradicionais. “Bem como melhorar a presença do empreendedorismo nas escolas. Só uma cultura empreendedora, difundida desde o ensino fundamental, é capaz de formar empreendedores e empresários. Os jovens que ainda sonham com a estabilidade oferecida por um concurso público precisam despertar. Assim como aqueles que consideram o empreendedorismo algo difícil de ser concretizado.”

O Sebrae/PR oferece palestras, orientações, capacitações, treinamentos, projetos, programas e soluções empresariais, com foco no desenvolvimento de empreendedores, impulso a empresas avançadas, tecnologia e inovação, acesso a crédito, acesso a mercado, parcerias internacionais e formação de líderes

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Foto: La Imagen

Grupo de funcionários envolvido no Projeto Sebrae 2022

2012 O Sebrae completa 40 anos

*Fonte: Livro Sebrae 30 Anos e Agência Sebrae de Notícias

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referência para medir a qualidade do atendimento que prestamos”, complementa Nogaroli. “O sorriso estampado nos empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas atendidos pelo Sebrae/PR não tem preço. É motivo de orgulho e sensação de dever cumprido.”

O Sebrae, diz Agostini, é o suporte tanto das pessoas que pretendem empreender como daquelas que buscam aprimorar seus próprios negócios. “De certa forma, somos portadores da esperança e da confiança de cada empreendedor que busca transformar seu sonho de vida em um novo empreendimento.”

Portador da esperança

O diretor de Operações afirma que o Sebrae está em perfeita ‘forma’ para ser o parceiro das pequenas empresas em seus desafios para a competitividade. Hoje a organização está internacionalizada e trabalha com alianças estratégicas para dar às micro e pequenas empresas paranaenses condições de competir com padrões de referencial internacionais.

Para o diretor de Operações do Sebrae/PR, Julio Cezar Agostini, o Sebrae representa, na prática, a valorização das micro e pequenas empresas. “Coloca os pequenos negócios como ‘atores’ centrais da nossa economia, capazes de contribuir decisivamente para as transformações que conduzirão a sociedade brasileira a um patamar mais elevado de desenvolvimento.” A organização, ao longo dos 40 anos de existência, busca catalisar o potencial de milhares de empreendedores paranaenses e brasileiros, na geração de empregos, renda e inovações, “o que irriga a economia de riquezas em 100% dos municípios brasileiros”.

Feiras e eventos

Heróis

“O Sebrae mudou minha vida... e o rumo do meu negócio” Para comemorar 40 anos de apoio às micro e pequenas empresas, dez histórias de empreendedores que acreditaram e hoje fazem a diferença

Por Leandro Donatti

Saiba mais Acesse www.sebraepr.com.br e www.sebrae.com.br

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Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen Foto: Wilson Vieira/Videographic

Carlos Guedes, empresário

Antonia de Fátima de Oliveira Ferreira, empreendedora

Antonia, a vencedora A vida da ex boia-fria Antonia de Fátima de Oliveira Ferreira, que mora em Jacarezinho, norte do Paraná, nunca foi fácil. De família humilde, com dez filhos, começou a trabalhar muito cedo. Dos 12 aos 43 anos, deu duro na roça. Antonia acordava, todos os dias, às quatro horas da manhã, para cortar cana de açúcar em fazendas vizinhas.

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Não tinha outra opção para ajudar no sustento da família. Assim como Antonia, hoje com 51 anos, muitos perderam a infância e a juventude nos canaviais da divisa do Paraná com São Paulo. As usinas de açúcar eram seu ganha-pão. Há oito anos, Antonia mudou de vida e virou fã de carteirinha do Sebrae. Fez um curso de artesanato, oferecido pela entidade em bairros carentes de Jacarezinho. E ajudou a construir a Comfibra, cooperativa que reúne núcleos de produção de artesanato de primeira linha. Centenas de pessoas foram treinadas como Antonia, para produzir peças com fibras de bananeira, taboa e argila – matérias-primas abundantes na região.

Carlos, o ‘super-herói’ Muitas desistiram no meio do caminho. Antonia, não. Hoje, além de artesã, é presidente da Comfibra. A marca Comfibra, diz ela orgulhosa, é conhecida e reconhecida. As peças, para a decoração de ambientes chiques, são ecologicamente corretas e são comercializadas por gigantes como a Tok&Stok. Antonia – casada e mãe de dois filhos - ganha mais hoje, trabalhando sentada, na sombra, e fazendo o seu próprio horário. A Comfibra foi ainda o primeiro emprego de seu filho. “Aprendemos muito com o Sebrae e com o artesanato e hoje ganhamos dinheiro com isso. Somos cidadãos.”

A história de Carlos Guedes com o Sebrae é intensa. Foi num momento de desespero que Carlos procurou ajuda. Uma dívida com bancos comprometia a saúde financeira da empresa. E a solução seria fechar as portas da pequena loja que comercializava tapetes. Carlos já conhecia o amargo sabor do fim do negócio próprio. Doze anos antes, por volta de 1994, sua oficina mecânica também havia falido. O empresário, hoje com 48 anos, nunca desistiu. Descobriu isso aos 13 anos, quando, para comprar uma chuteira, pediu ao pai para trabalhar como distribuidor de panfletos em São Paulo. O tino para os negócios o acompanhou. Em Curitiba, após fechar a

oficina, Carlos dedicou-se à venda de pontos comerciais. Foi nessa época que conheceu um árabe que o estimulou a entrar no ramo de tapetes. O sonho da primeira loja própria só concretizou em 2002. Carlos não interpretava os sinais e, em 2006, sucumbiu à crise. Sua mulher sugeriu que procurasse o Sebrae. Tinha ouvido falar que o Sebrae apoiava empreendedores. Foi paixão à primeira vista. O empreendedor não parou de fazer cursos do Sebrae. Por meio de gráficos, passou a medir resultados. A empresa de Carlos, a Cia. do Tapete, expandiu. A segunda loja veio em 2008, a terceira em 2009 e a quarta, mais recentemente. Hoje, ainda uma microem-

presa, o empreendimento conta com 28 funcionários, distribuídos nas lojas e também num quinto pequeno ‘braço’ – associado ao negócio - uma oficina de reparos, especializada em tapetes. Para Carlos, ser empreendedor é como ser um ‘super-herói’. “Corremos riscos o tempo todo e temos um ideal.”

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Maristela Araújo de Paula, empresária

Ilson, o gestor Como um pequeno negócio poderia concorrer com grandes empresas? Essa foi a pergunta que o empresário Ilson Rezende se fez ao se deparar com o primeiro desafio da DB1. A empresa começou há mais de uma década, em Maringá, desenvolvendo soluções na área de Tecnologia da Informação (TI).

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Foto: Marcos Labanca La Imagen

Foto: Cristiane Shinde/Studio Alfa

Ilson Rezende, empresário

Maristela, a persistente

Planejamento, foco em resultados e reconhecer, constantemente, a equipe de trabalho são ingredientes da receita de sucesso da DB1, que atende clientes em todo o Brasil. Ilson conta que tinha uma vontade latente de empreender, desde que saiu da faculdade.

de TI para se trabalhar, por três anos consecutivos, em 2010, 2011 e 2012.

No início do negócio, em 2000, três colaboradores trabalhavam na empresa. Atualmente, 120 funcionários integram os quadros da DB1. Métodos de trabalho diferenciados, capacitação e manutenção dos colaboradores, com um eficiente setor de Recursos Humanos, deram à empresa de Maringá um importante reconhecimento. A DB1 foi eleita pelo Great Place to Work como uma das melhores empresas

Hoje, a DB1 conta com uma filial na Índia. “O Sebrae é nossa retaguarda e contribuiu para que as coisas se tornem possíveis. Se hoje temos certificação, foi graças ao Sebrae/PR. Quando passamos de dez para 20 funcionários - você acaba perdendo o controle e passa a ter dificuldades para entender o que está acontecendo - foi no Sebrae/ PR que encontrei apoio para a gestão.” (Por Giselle Ritzmann Loures)

“O Sebrae/PR sempre foi um parceiro de primeira hora e, nas primeiras dificuldades de gestão que tivemos, procuramos as consultorias do Sebrae/PR.”

O empreendedorismo tem suas complexidades e sempre tem alguém que pode ajudar a enxergar novos horizontes. A opinião é de Maristela Araújo de Paula, 50 anos, que inaugurou uma lanchonete em 1981, em Foz do Iguaçu, tendo como carro-chefe o comércio de sorvetes.

trou no Sebrae/PR um forte aliado para a quebra de paradigmas. “Estou há muito tempo como empresária e sei que tenho vícios. Mas é exatamente quando levamos um ‘choque’ que conseguimos seguir em frente, mais fortes e preparados.”

Foram seis anos de sucesso no empreendimento Mel e Limão, até que Maristela quis dedicar um tempo maior ao filho pequeno. Não pensou duas vezes em continuar com um negócio próprio e alterou somente o segmento. A Mel e Limão passou a atuar como loja de roupas infantis, femininas e masculinas.

Foi graças a um programa focado em varejo, do Sebrae em parceria com o Sistema Fecomércio, que a empresária passou a profissionalizar a gestão do seu pequeno negócio, trocando as antigas fichas de clientes do papel para o computador, transformando a vitrine, investindo em atendimento e buscando soluções de gestão mais eficientes e atuais.

Essa foi a primeira grande mudança na vida empresarial de Maristela que encon-

As mudanças deram tanto resultado que a empresa foi reconhecida na categoria

Loja Revelação, do Prêmio “O Melhor do VarejoMAIS”, em 2007. “Recomendo o Sebrae/PR para todos. Foi um dia abençoado quando um consultor entrou na minha loja. Eu sabia que havia erros, mas eu não enxergava e quero agradecer ao pessoal do Sebrae, que um dia bateu na minha porta”, diz Maristela. (Por Juliana Dotto)

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Tarcizio e Lucio Paulo, empresários

Valdir, o apaixonado

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Foto: Sidinei Brandão/VSI Comunicação

Foto: Luiz Costa/La Imagen

Valdir Novaki, empreendedor

Valdir Novaki, conhecido como Valdir, o Pipoqueiro, é famoso no Brasil por suas palestras sobre empreendedorismo, atendimento e varejo popular. Em 2011, ele se formalizou como empreendedor individual, no Sebrae/PR. Com o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) em mãos, passou a emitir nota

fiscal e desfrutar de vantagens previdenciárias e empresariais.

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Valdir nasceu em São Mateus do Sul, e antes de ser pipoqueiro era boia-fria. Atuou, também, como lavador e manobrista de carros e numa banca de revistas, na Praça Rui Barbosa, em Curitiba.

Apaixonado pela profissão, mudou-se para Curitiba aos 18 anos, em 1988, com o sonho de tornar-se dono do próprio negócio. Não imaginava que seria um pipoqueiro conhecido, não apenas por seus produtos, mas pelo seu estilo arrojado de empreender. Os clientes de Valdir contam com cartão-fidelidade; kits de higiene; e atendimento 100% personalizado.

Tarcizio e Lucio, legado de pai para filho Em 1992, entrou com um pedido para trabalhar na praça, após ver a movimentação de pessoas. Foram 14 anos entre o pedido de ponto comercial até autorização concedida pela Prefeitura. Em agosto de 2006, Valdir passou a ter ponto fixo, na Praça Tiradentes, outro ‘cartão postal’ da Capital. “O Sebrae me ajudou porque antes da formalização eu não pagava o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e se um dia eu precisar, e que isso não aconteça, terei acesso ao auxílio-doença, por exemplo. Sou muito grato ao Sebrae, também, porque, após a formalização, a minha história empreendedora ficou conhecida em todo o Brasil.”

Com 35 anos de história, a Kamaro Indústria Gráfica, instalada em Pato Branco, sudoeste do Paraná, contou, na década de 1980, com o apoio do Centro de Assistência Gerencial à Pequena e Média Empresa do Paraná (Ceag-PR), então futuro Sebrae/PR, para a organização inicial da empresa. A entidade, que em 2012 completa 40 anos, ajudou nos primeiros controles, como fluxo de caixa, apuração de resultados, contas a pagar e a receber, produção, entre outros. “Em 1982, quando a gente não tinha como organizar a empresa, o Ceag, hoje Sebrae, foi fundamental nesse processo de organização”, recorda Tarcizio Marin, fundador da empresa. A empresa hoje gera 80 empregos diretos e tem clientes em 14 estados brasileiros.

Tarcizio conta que a capacitação e consultoria recebidas no início da empresa auxiliaram a organizar e planejar o negócio. “Foi muito útil para a organização da empresa e para o desenvolvimento de estratégias de gestão”, conta. O empresário, que hoje conta com o apoio do filho Lucio Paulo Marin na gestão do negócio, deixa dicas para quem está começando. “Independente da área de atuação, primeiro, precisamos ter conhecimento sobre aquilo que se quer fazer e buscar auxílio de gente especializada como o Sebrae para ajudar na organização do negócio. Depois ter muita persistência para superar os problemas e desafios diários de uma empresa.”

A empresa atua na produção de embalagens para produtos frigorificados, cosméticos, confecções, farmacêuticos e alimentícios e utiliza em torno de 200 toneladas de papel ao mês, iniciou as atividades com uma pequena gráfica. Há oito anos, direcionou sua produção para embalagens e hoje atua com exclusividade na produção e fornecimento para indústrias. (Por Adriano Oltramari)

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Foto: Wilson Vieira/Videographic Foto: Luiz Costa/La Imagen

Roberto Alcantara, empresário

Maria Lucia de Souza, empreendedora

Maria Lucia, a guerreira “Estou realizando um sonho que não imaginava que poderia vivenciar.” A afirmação, emocionada, é da produtora Maria Lucia da Silva, ao comemorar, em agosto passado, a conquista de atestado de qualidade conferido pelo Instituto de Tecno-

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logia do Paraná (TecparCert), durante evento do Sebrae/PR, em Maringá. “Minha família se dedicou para alcançarmos essa aprovação. Hoje, falamos com muito orgulho que temos um agronegócio.”

Há sete anos, Maria Lucia plantava pimenta e hortaliças e fornecia os produtos para empresas de conservas. Em 2007, após participar de capacitações do Sebrae/PR, percebeu que era possível ter a sua própria agroindústria, mas que precisava de orientação. Decidida, participou de um programa de boas práticas de fabricação. “Com o acompanhamento dos consultores, reestruturei a minha atividade e implantei melhorias em gestão, instalações físicas, higienização, processo produtivo e até na forma

Roberto, o visionário de me comunicar com os clientes. Foi uma transformação que trouxe muitos ganhos em credibilidade e competitividade.” Moradora da área rural do pequeno município de Atalaia, no noroeste do Paraná, Maria Lucia lembra que começou plantar pimentas porque precisava de renda para sustentar os três filhos. “Sou ‘filha’ do Sebrae/PR. Nunca imaginei que seria dona de uma microempresa e que teria condições de competir. O Sebrae me ensinou e me mostrou que eu tinha condições. Ninguém realiza nada por nós. Sei que tenho um espírito de luta, mas o Sebrae me mostrou que eu tinha capacidade”, diz, orgulhosa por levar a marca Sabor da Vila para feiras do Paraná. (Por Graziela Castilho)

Dentista por formação, Roberto Alcantara, 49 anos, é empresário de sucesso, dono de empresa especializada em produtos odontológicos, que exporta 30% de sua produção para 65 países e que concorre, no mercado internacional, com empresas dos Estados Unidos, Alemanha e Japão. A história empreendedora de Roberto começou ao acaso. Recém-formado, confeccionava peças odontológicas, para uso próprio, como pinos para a fixação de dentes. Um dia, uma amiga acidentou-se, entrou em dificuldades financeiras, e Roberto, para ajudá-la, começou a enviar tais produtos para que vendesse de porta em porta. Com o sucesso de mercado desses primeiros produtos, nasce o negócio. Os produtos odontológicos, antes artesa-

nais, mas que auxiliavam dentistas, agilizando seu trabalho, viraram negócio rentável. A Angelus, empresa de Roberto com a mulher, atualmente com 65 funcionários registrados, nasceu em 1994. Começou pequenininha, virou média e hoje tem faturamento anual estimado em R$ 14 milhões. Para abrir a empresa, o empreendedor vendeu seu carro. Dois meses após a abertura, procurou ajuda do Sebrae para uma análise do plano de negócio. “Como dentista, não tinha conhecimento empresarial”, diz Roberto que, por dez anos, acumulou funções. Em 2003, passou a dedicar-se apenas à empresa. O Sebrae o ajudou ainda a conhecer-se melhor, quando, em 1996, fez o Empretec, que trabalha características empreendedoras. E ainda quando

Roberto decidiu que era hora de exportar. Com as universidades, centros de pesquisa, e parcerias com empresas, como a Votoran, do Grupo Votorantim, que o auxiliou a desenvolver produto de alta complexidade tecnológica, os produtos da Angelus passaram a ter valor agregado. Hoje, a empresa tem inúmeras patentes depositadas no Brasil e exterior assim como marcas registradas.

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Geison Schmidt Soares, Ricardo de Freitas Pereira e Raphael de Oliveira Marcondes, empresários

Valmir, o empreendedor Difícil imaginar que apenas seis temporadas atrás o dono do restaurante Canoa Quebrada, da orla de Caiobá, no litoral do Paraná, disputava veranistas na areia como vendedor ambulante de coco. A palestra de um consultor do Sebrae/PR, so-

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Foto: Rodrigo Czekalski/La Imagen

Foto: Luiz Costa/La Imagen

Valmir Garvin, empresário

bre perspectivas de negócios no Litoral, fez Valmir Dias Garvin deixar de lado a areia e um quiosque de 5 metros quadrados na praia, montar uma empresa e encarar o negócio de restaurantes. O estabelecimento que começou pequeno, hoje é um restaurante de 1.500 metros quadrados na Avenida Atlântica, com capacidade para servir até 400 pessoas. Assessorado de perto pelo Sebrae/PR, o dono do Canoa Quebrada conseguiu fazer seu restaurante “bombar” no verão, quando contrata até 60 funcionários temporários, com carteira assinada. O serviço é à la carte. Entre os pratos de frutos do mar e peixes nobres, o mais famoso é o caranguejo gigante, importado

Geison, Ricardo e Raphael, os corajosos do Alasca, Estados Unidos. O crustáceo chega já preparado, mas o tempero é incrementado na casa. Desde que se iniciou no negócio, o empresário reinvestiu cerca de R$ 150 mil em reformas e melhorias nos estabelecimentos. A vida antes não era nada fácil: por seis anos, a família sobrevivia o ano inteiro com o que acumulava no verão, com a venda ambulante na praia e com bicos de pedreiro que Garvin arranjava. Natural de Foz do Iguaçu e há 12 anos morando em Matinhos, o empresário diz que o Sebrae o ajudou a mudar de horizonte. “Virei empreendedor da noite para o dia. O Sebrae/PR abriu meus olhos, me mostrou o foco.”

A Xetá – Experiências ao Ar Livre, pequena empresa em Ponta Grossa, nasceu em 2009, ano da crise econômica nos mercados internacionais. Para dar suporte à proposta da empresa - treinamentos corporativos fora do ambiente empresarial os três sócios, formados em Educação Física, buscaram treinamentos voltados ao turismo de aventura, conta o sócio-proprietário Raphael de Oliveira Marcondes. Raphael diz que muitos produtos da Xetá eram criados a partir do gosto dos sócios, por determinadas atividades ligadas ao ecoturismo. “Descobrimos, com o passar do tempo, que nem sempre o que gostávamos era o melhor. Foi assim que percebemos que

era necessário envolver nos pacotes não só o turismo de aventura, mas história, cultura e gastronomia.” Em 2010, a Xetá conheceu o Programa Agentes Locais de Inovação, iniciativa do Sebrae que leva inovação aos pequenos negócios. Os empresários receberam visitas de um agente local, profissional recém-formado capacitado em inovação. Os sócios da Xetá criaram um plano de ação para rever deficiências. Com as mudanças, sobretudo em divulgação e mercado, a empresa acumulou resultados surpreendentes. Com o Agentes Locais de Inovação, a Xetá aumentou faturamento bruto em 279% e o número de clientes em 269%.

“Inovar não é reinventar a roda. O Sebrae/PR proporcionou, além do olhar para a inovação, participação em rodadas de negócios em eventos do setor do turismo, o que proporciona uma troca de experiências com outras empresas.” (Por Giselle Ritzmann Loures)

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Raio-x

Segundo pesquisa do Sebrae Nacional e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), existem no Brasil cerca de 6 milhões de empresas formais em funcionamento, das quais 99% são de micro e pequeno porte. De acordo com a Secretaria da Receita Federal, o que se observa é a predominância dos setores de comércio e serviços, que, juntos, concentram 75,08% das micro e pequenas empresas em funcionamento. Os pequenos negócios respondem em média por 60% dos empregos com carteira assinada. Tanto no Paraná quanto no Brasil, as micro e pequenas empresas têm gerado mais empregos que as médias e grandes. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que somente em julho de 2012, as empresas com até 99 empregados geraram 110.173 empregos de um total de 142.496, dos quais 7.123 no Paraná, ou 6,5% do total. E de cada R$ 100 em salários, R$ 40 são pagos por micro e pequenos.

5 de outubro:

conquistas e desafios Micro e pequenas empresas são campeãs na geração de empregos e renda, porém podem aumentar participação nas exportações e inovar mais

Por Mirian Gasparin

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Outro fato que demonstra a importância dos micro e pequenos negócios para o desenvolvimento econômico nacional refere-se ao crescente índice de formalização de empreendedores individuais, figura jurídica que permite a formalização de pequenos negócios que apresentem faturamento bruto anual de até R$ 60 mil. Segundo o Portal do Empreendedor, o número de empreendedores formalizados ultrapassa 2,5 milhões no Brasil. No Paraná, o número de empreendedores individuais saltou para a casa de 150 mil. Em 2011, foram abertas 56.325 empresas no Paraná, segundo a Junta Comercial, 96% em média de pequeno porte. No mesmo período, o Estado registrou a extinção de 20.883 empresas e filiais. O Paraná foi o segundo estado da Região Sul em número de micro e pequenas empresas, mas o primeiro em geração de empregos no segmento. O diagnóstico de competitividade dos pequenos negócios, da Coordenação Sistêmica de Competitividade dos Pequenos Negócios do Plano Brasil Maior, atribui aos pequenos negócios um dos principais motivos pelo processo de transformação deste novo ciclo de crescimento em desenvolvimento econômico e so-

cial, em especial por sua capacidade ímpar em gerar e distribuir renda, consolidar novos postos de trabalho e prover a desconcentração espacial da atividade econômica às áreas menos desenvolvidas social e economicamente.

Feiras e eventos

5 de outubro é o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. A data, comemorada em todo o Brasil, marca o início da vigência do primeiro Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, em 5 de outubro de 1999. Nesses 13 anos, as micro e pequenas empresas nunca foram tantas e nunca tiveram tamanha importância econômica como atualmente.

Para a professora da Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Elizabeth Zanetti, uma das razões mais importantes para o crescimento das micro e pequenas empresas é que as grandes organizações transferiram muitos processos produtivos para as companhias de pequeno porte para se manterem competitivas no mercado globalizado. “No ambiente altamente competitivo da atualidade, é cada vez maior o interesse despertado pela agilidade e flexibilidade inerentes às empresas de pequeno porte. Além disso, nesse ambiente marcado por contínuas transformações na estrutura produtiva e nas relações de produção, tais empresas consistem numa interessante alternativa também no que tange à geração de empregos”, ressalta a professora da UTP. Segundo ela, essas organizações têm contribuído de forma significativa para reduzir a concentração de renda e absorver a mão de obra tornada excedente pela automatização, ocorrida tanto nas áreas rurais, como urbanas. O diretor da Estação Business School, Judas Tadeu Mendes, chama a atenção dos empresários para as grandes oportunidades que o Brasil oferece. “Embora o crescimento registrado no Brasil seja pequeno, ainda é o dobro dos países desenvolvidos.” Na sua opinião, ser empresário no Brasil, seja de pequeno, médio ou grande porte, é uma vitória e terá sucesso em qualquer lugar do mundo.

Entre os desafios a serem vencidos está o desconhecimento dos empresários de micro e pequeno porte quanto à inovação, sua importância e oportunidades

A maior falha no País, para Judas Tadeu, é o nível educacional. “Nossa qualidade do ensino é baixa, inclusive nas universidades. As empresas não recebem mão de obra 100% preparada e são obrigadas a investir em qualificação. No caso dos pequenos negócios, esses são os mais prejudicados, pois não têm dinheiro suficiente para gastar com treinamentos e qualificação.”

Inovação Outro grande problema que as empresas encontram, aponta o diretor da Estação Business School, é a falta de investimentos do País em inovação. “As empresas têm que produzir mais gastando menos. Isso só se consegue com ciência e tecnologia e mão de obra qualificada.”

De acordo com o analista do Departamento de Pequenas e Médias Empresas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fabio de Medeiros Souza, a inovação é o elemento central no processo de desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Com o ambiente de competição cada vez mais intenso,

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Foto: Luiz Costa/La Imagen

O Paraná foi o segundo estado da Região Sul em número de micro e pequenas empresas, mas o primeiro em geração de empregos no segmento, em 2011

Medidas recentes com a criação dos fundos garantidores de risco de crédito FGO, FGI, FAMPE e das Sociedades Garantidoras de Crédito e a ampliação dos fundos constitucionais e dos programas de microcrédito produtivo constituem iniciativas importantes no processo de melhoria do acesso ao crédito pelos pequenos negócios.

Judas Tadeu Mendes, professor os aspectos inerentes à capacidade de se diferenciar no mercado passam a ser um fator-chave para assegurar a competitividade do negócio. Na busca pela diferenciação, a inovação surge em duas linhas de atuação. A primeira se trata da inovação entendida no seu sentido mais amplo, abrangendo aspectos relacionados à qualidade e produtividade interna da empresa, melhorando os processos produtivos, a gestão, a logística, a distribuição e os posicionamentos mercadológicos, além de adequar seus produtos aos padrões mundiais. A segunda linha de atuação é mais perceptível aos clientes: trata-se da introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado no que concerne a suas características ou usos previstos. Incluem-se melhoramentos significativos em especificações técnicas, componentes e materiais, softwares incorporados, facilidade de uso ou outras características funcionais. Para o analista do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o segmento das micro e empresas de pequeno porte de base tecnológica merece especial atenção. São empresas que têm a inovação no centro de sua estratégia de negócios, investem de forma contínua em atividades de pesquisa e desenvolvimento, com recursos humanos de alta qualificação. Este segmento encontra-se muitas vezes concentrado em torno das 32

objetivando a redução do custo de transação, a elevação da eficiência alocativa, o incentivo ao ambiente concorrencial e a qualidade do conjunto informacional, em especial o acesso e portabilidade das informações cadastrais relativas ao crédito. Dentre essas diretrizes constam a obrigatoriedade de criação de linhas de crédito específicas para micro e pequenas empresas, o desenvolvimento de programas de treinamento, desenvolvimento gerencial e capacitação tecnológica e a constituição de um Sistema Nacional de Garantias de Crédito.

incubadoras e parques tecnológicos. Além da prioridade no aporte de recursos de crédito e subvenção econômica, estas empresas são demandantes de capitas de risco em função do seu alto potencial de crescimento rápido. Entre os principais desafios a serem vencidos está o desconhecimento dos empresários de micro e pequeno porte no que se refere à inovação, sua importância e oportunidades. Atento a isso, o governo federal vem realizando esforços no sentido de estabelecer as condições necessárias para que o setor produtivo, sobretudo as micro e pequenas empresas, não apenas incorporem a temática no seu ambiente institucional, mas também, venham a se beneficiar dos instrumentos e instituições de apoio à inovação disponíveis, destaca Fábio Souza. Neste sentido, ganham importância a articulação e a convergência de ações entre diferentes atores públicos e privados - institutos de pesquisa, universidades, centros de capacitação profissional e assistência técnica e outros – que, diretamente ou indiretamente, detêm um papel relevante na geração de conhecimento, de transferência de tecnologia e de prestação de serviços tecnológicos em benefício do setor produtivo, sobretudo nas micro e pequenas empresas efetivamente inovadoras ou com potencial para realizar inovação.

A burocracia é outro grande problema ainda encontrado pelas micro e pequenas empresas, na opinião de Judas Tadeu Mendes. Ele chama a atenção para o fato de que ainda demora muito para fechar uma empresa no Brasil. Outro entrave, na sua opinião, é o Custo Brasil, pois os empresários se debatem com uma infraestutura cara e ineficiente, além da alta carga tributária.

Financiamento Os juros altos são também um fator que impedem o crescimento do segmento, diz o diretor da Estação Business School. O diagnóstico de competitividade dos pequenos negócios do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior aponta que o financiamento à atividade produtiva, através do mercado de crédito e de capitais, constitui um dos elementos centrais no processo de desenvolvimento dos pequenos negócios de um modo geral.

Diante de tal constatação, o Estatuto Nacional de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte de 2006, também conhecido como Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, estabeleceu novas diretrizes para a atuação do governo federal e dos bancos oficiais visando simplificar e possibilitar maior acesso das micro e pequenas empresas aos mercados de crédito e de capitais,

Entretanto, fatores como a dificuldade de apresentar garantias, a falta de um histórico comportamental dos tomadores de crédito, o elevado custo de transação associado à complexidade do sistema e ao desconhecimento do empresário sobre o processo de acesso ao crédito, e o elevado custo do capital no País, dentre outros, criam condições desfavoráveis para as micro e pequenas empresas no processo de competição pelo crédito. Outro elemento importante é a ampliação do mercado de valores mobiliários para atendimento às demandas de investimento dos pequenos negócios. “Em que pese o fato de o mercado de valores mobiliários brasileiro ser um dos mais bem desenvolvidos internacionalmente, com um crescente e permanente afluxo de investidores, a participação das micro e pequenas empresas neste mercado ainda é praticamente nula”, alerta Fábio Souza.

Comércio exterior Outro fator decisivo para a ampliação da participação das micro e pequenas empresas no processo de fortalecimento da economia nacional é encontrado nas rotas de acesso a mercados, tanto internos quanto externos, afirma Fábio Souza. Para o presidente nacional do Sebrae, Luiz Barretto, a inclusão das micro e pequenas empresas nas exportações brasileiras será o desafio da entidade para os próximos anos. Hoje, das 22 mil empresas que exportam no Brasil, 10 mil são de micro e pequeno porte, mas elas respondem por apenas 1% do total das vendas brasileiras ao exterior.

O forte crescimento do mercado interno brasileiro nos últimos anos, puxado essencialmente pela consolidação macro e microeconômica do País, tem conduzido a um processo continuado

Forças

Confira

próse

os os

contras

que interferem no dia a dia das pequenas empresas

Flexibilidade técnica, gerencial e de adaptação ao ambiente externo Agilidade na tomada de decisões e respostas ao mercado Capacidade de gerar empregos Alta capacidade de empreender Proximidade com o cliente final

Oportunidades Crescimento diversificado do mercado consumidor doméstico Grandes eventos nos próximos anos (Copa 2014, Olimpíadas 2016) Programas estruturantes (PAC, Minha Casa, Minha Vida, dentre outros)

Fraquezas Elevado índice de informalidade Pequena capacidade de produção Falta de capacidade gerencial e tecnológica Baixa qualificação e produtividade no trabalho Baixo grau de informatização Ineficiência dos controles internos Baixa competitividade Ausência de conhecimento de programas e instrumentos de apoio à inovação Desconhecimento das empresas em relação aos programas de acesso ao crédito

Investimentos privados (Pré-sal, construção civil) Movimento de internacionalização das empresas brasileiras Crescimento do mercado de compras governamentais Criação e ampliação dos fundos garantidores de crédito Oferta de linhas de crédito, inclusive para financiamento de projetos de investimento, com utilização de fundos garantidores Modernização da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa Existência de um arcabouço institucional de apoio às micro e pequenas empresas Aprovação de Lei de Tratamento de Resíduos Sólidos

Ameaças

Encadeamento produtivo com empresas-âncoras

Excesso de burocracia na abertura e fechamento de empresas, questões tributárias

Fortalecimento do segmento das empresas de base tecnológica

Reduzida oferta de mão de obra qualificada

Fortalecimento dos programas de apoio às incubadoras e parques tecnológicos

Baixo incentivo ao associativismo e ao cooperativismo empresarial Competição internacional Barreiras técnicas e fitossanitárias Ausência de mercado de capitais para microempresas e empresas de pequeno porte Precariedade da infraestrutura logística e de transporte

Melhor estruturação dos sistemas estaduais de Ciência Tecnologia e Inovação para atendimento às vocações regionais Disponibilidade de estrutura e programas para qualificação de mão de obra Concentração no setor de serviços Desconcentração espacial

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As grandes organizações transferiram processos produtivos para as companhias de pequeno porte, para se manterem competitivas no mercado

de ampliação das oportunidades de negócios, com a criação de novos mercados, fortalecimento de outros e melhoria das interfaces produtivas entre setores, bem como de acirramento da competitividade.

e) Processo simplificado de alteração e baixa para o Empreendedor Individual, regulamentado pelo Comitê de Gestão da Redesim. Os aplicativos serão disponibilizados oportunamente no Portal do Empreendedor;

Nesse quadro, o consumidor final assume um papel cada vez mais destacado na definição do padrão evolutivo das características de bens e serviços. A própria fronteira tecnológica de produção evolui em dinâmica surpreendente, exigindo um comportamento cada vez mais competitivo das micro e pequenas empresas. Por isso, em termos de acesso a mercados externos, as micro e pequenas empresas são essenciais para aumentar a capacidade nacional de produção e exportação, como acontece em todos os países de economia desenvolvida.

f) O aplicativo de cálculo ganhará novo nome: PGDAS-D, passando a ter caráter declaratório, de confissão de dívida e instrumento hábil para a exigência dos tributos e contribuições que não tenham sido recolhidos, resultantes das informações nele prestadas;

Na Itália, por exemplo, cerca de 50% das exportações relacionadas a bens e serviços são produzidas por micro e pequenas empresas instaladas em distritos produtivos. Por isso, devem-se priorizar ações voltadas a ampliação da competitividade do produto nacional deste universo de empresas e a qualificação do empresário para acesso a mercados externos. Nesse cenário, as exportações de serviços figuram como um importante indutor da entrada de micro e pequenas empresas nos mercados externos.

Motivos para comemorar Para o analista do Departamento de Pequenas e Médias Empresas do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fábio Souza, a estabilidade macroeconômica, aliada a fatores como bônus demográfico, mercado interno pujante e boa visibilidade do País junto a investidores internacionais, produz um cenário bastante positivo para as pequenas empresas, especialmente no que se refere à capacidade de fazer negócios.

g) Extinção da DASN. A última entregue foi referente ao ano-calendário 2011, cujo prazo de entrega foi 31/03/2012; h) As informações socioeconômicas a serem prestadas a partir do ano-calendário 2012 passarão a constar de módulo do PGDAS-D, devendo ser preenchidas até 31 de março de cada exercício; i) A opção pelo Simples Nacional implica na aceitação de sistema de Comunicação Eletrônica, em aplicativo que será disponibilizado no Portal do Simples Nacional, simplificando o envio de comunicados diversos, como: ciência junto ao sujeito passivo de quaisquer tipos de atos administrativos, encaminhamento de notificações e intimações e expedição de avisos em geral, dispensando-se a sua publicação no Diário Oficial e o envio por via postal; j) A Microempresa (inclusive o Empreendedor Individual) ou Empresa de Pequeno Porte poderá ser obrigada à Certificação Digital para cumprimento das seguintes obrigações acessórias: Emissão da NFe instituídas por norma do Confaz ou na legislação municipal e para a Entrega de GFIP, quando o número de empregados for superior a dez.

Ele destaca ainda os avanços recentes obtidos na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, tal como a recente ampliação dos limites de faturamento. Confira a lista detalhada desses avanços, introduzidos no ordenamento jurídico pela Lei Complementar 123: a) Aumento dos limites do Simples Nacional, de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões de receita bruta anual, corrigindo-se todas as faixas de receita bruta em 50%; b) Limite extra para exportação de mercadorias, também no valor de R$ 3,6 milhões/ano; c) Aumento dos limites do Empreendedor Individual, de R$ 36 mil/ano para R$ 60 mil/ano; d) Possibilidade de parcelamento dos débitos apurados no Simples Nacional em 60 meses; 34

Saiba mais Acesse www.sebraepr.com.br

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Novos hábitos

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

Não sabe? São todas iniciativas de uma nova forma de empreendimento, chamada de startup.

Arthur Furlan e Ana Mello, empresários

A ‘revolução’ das startups Cresce número de pessoas à procura de um modelo de negócio repetível e escalável, trabalhando em condições de incerteza

Por Maigue Gueths

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O assunto é relativamente novo aqui no Brasil. Nos Estados Unidos, no entanto, a fórmula vem crescendo cada vez mais, especialmente na região do Vale do Silício, na Califórnia, onde as empresas de eletrônica e informática não param de gerar inovações científicas e tecnológicas. Alguns dos exemplos mais conhecidos de startups são as iniciativas milionárias do Google e do Facebook. No Brasil, o portal de vendas coletivas Peixe Urbano é outro exemplo de sucesso. Claro que esses são exemplos de startups que deram muito certo. A maioria, como qualquer outra empresa, tem que trabalhar duro para alcançar seus objetivos. Muitos dizem que qualquer empresa que esteja começando pode ser chamada de startup. Já o conceito moderno agrega novas características. Quem dá a definição é o empresário Ricardo Dória, um empreendedor criativo que, junto com outros profissionais, integra o Movimento Startup Curitiba. “Startups são empresas pequenas, que não estão dando lucros exorbitantes, mas que estão tentando desenvolver um modelo de negócio inovador, que não existe, mas que tem muito potencial para crescer milhões de vezes, o que se chama de extremamente escalável”, diz. Para exemplificar o que significa ser escalável, ele cita o caso de uma empresa que abre uma página no Facebook. “Ela tem o gasto de fazer o programa, de ter o servidor. Se tiver um usuário ou 50 mil, o custo não vai aumentar muito, mas a lucratividade, em compensação, vai aumentar horrores”, explica. Enfim, a definição mais difundida no Brasil, vem do pioneiro das startups no Brasil, Yuri Gitahy, dono da Acelerador, uma empresa que acelera startups. “Muitas pessoas dizem que qualquer pequena empresa em seu período inicial pode ser considerada uma startup. Outros defendem que é uma empresa com custos de manutenção muito baixos, mas que consegue crescer rapidamente e gerar lucros cada vez maiores. Mas há uma definição mais atual, que parece satisfazer a diversos especialistas e investidores: uma startup é um grupo de pes-

soas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de incerteza”, diz o especialista no assunto em uma entrevista à Revista Exame. Essa definição, segundo Gitahy, envolve vários conceitos: o primeiro é que uma startup caracteriza-se por uma ideia completamente nova e, por isso, há sempre um cenário de incerteza, ou seja, não há como afirmar se aquela ideia e projeto de empresa irão realmente dar certo.

Comportamento

O que têm em comum um portal de delivery, que reúne os principais restaurantes de uma cidade e permite pedidos online, um site que ajuda os noivos a organizarem o casamento, uma escola que oferece cursos sobre assuntos que não se aprende no colégio e uma rede online que permite aos estabelecimentos comerciais a criação de programas para fidelizar clientes?

O modelo de negócios, por sua vez, é o modo como a empresa vai gerar valor. Por exemplo, um dos modelos de negócios do Google é cobrar por cada clique nos anúncios mostrados nos resultados de busca. O mesmo modelo é usado pelo Buscapé.com. Outro exemplo de modelo de negócio são as franquias, na qual se pagam royalties por uma marca para ter acesso a uma receita de sucesso com suporte do franqueador, o que vai aumentar as chances de lucro. Já o conceito de repetível, de acordo com Gitahy, significa ser capaz de entregar o mesmo produto novamente em escala potencialmente ilimitada, sem muitas adaptações para cada cliente. Isso pode ser feito tanto ao vender a mesma unidade do produto várias vezes, ou tendo-os sempre disponíveis independente da demanda. Um exemplo seria o modelo de vendas de filmes pay-per-view, no qual o mesmo filme é distribuído a qualquer um que queira pagar por ele sem que isso impacte na disponibilidade do produto ou no aumento significativo do custo por cópia vendida. Mas, segundo o especialista, “a chave de uma startup” é ser escalável, o que significa crescer cada vez mais, sem que isso influencie no modelo de negócios. Crescer em receita, mas com custos crescendo bem mais lentamente, o que fará com que a margem de lucros seja cada vez maior.

Antes você abria uma empresa, uma fábrica, extremamente sólida, tinha uma sede, patrimônio, mas agora as coisas começaram a se tornar mais voláteis

Tecnologia e internet As startups são mais frequentes na internet, uma vez que é bem mais barato criar uma empresa de software do que uma indústria. No Brasil, inclusive, elas ganharam força a partir da chamada bolha da internet, entre 1996 e 2001, quando grande número de empresas ponto com foram fundadas. Mas elas também existem no mundo físico. É o caso, por exemplo, da EcoBike Courier, de Curitiba, que lançou seu negócio de entregas express de bicicleta. Outro exemplo é a Aldeia Coworking, também na Capital, escritório colaborativo que as pessoas podem usar mediante pagamento de aluguel. São dois projetos inovadores, na área de relacionamento, com facilidade de se reproduzirem.

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Trata-se de “A Grande Escola”, uma “escola que ensina coisas que não se aprende na escola”, como ele define. “A escola oferece cursos, como, por exemplo, como preparar drinks, como fotografar momentos legais, curso de aparência para mulheres, como decorar sua casa com R$ 500. E é altamente replicável, porque não precisa de sede, nós fazemos os cursos em locais como bares, restaurantes. Quer dizer, é uma startup de serviços, cujo modelo pode ser desenvolvido em qualquer cidade”, conta.

É preciso estar aberto para o que o mercado quer e se preparar para administrar a empresa, para que o negócio dê certo

Casamento garantido Outro exemplo de startup, desta vez dentro do universo ponto com, é o site MeCasar, uma ferramenta criada para ajudar os noivos a encontrar os melhores fornecedores e organizar o casamento. O negócio começou a partir da necessidade do CEO Arthur Furlan, que, ao planejar seu próprio casamento, percebeu a dificuldade e desorganização das informações sobre casamento tanto na web como fora dela. Formado em Ciências da Computação, ele decidiu suprir essa carência e tratou de desenvolver uma ferramenta que oferecesse este serviço, lançando em novembro de 2011, a primeira versão do MeCasar. “Como ele precisava de noivas para testar o serviço, ele fez o que a maioria das startups faz, que é recorrer a amigos e à família. Como sou amiga e estava noiva, ele me pediu para testar, ver o que tinha no site, o que eu sentia falta, o que devia melhorar”, conta Ana Mello, que, a partir dessa experiência, não apenas casou em três meses, como também acabou tornando-se sócia de Arthur, cuidando da área de gestão e administração do negócio. A partir de sua entrada na empresa, em fevereiro deste ano, a dupla se preocupou em tornar o modelo mais rentável e também mais facilmente escalável, para que pudessem expandir a iniciativa até então funcionando apenas na região de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte para todo o Brasil. O resultado é que a nova versão do MeCasar foi lançada há dois meses, atendendo agora praticamente todo o País.

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panificadora, e que tem ao seu dispor um plano de negócios previsível, com o seu próprio negócio, a Aldeia, que começou sem ter muita previsão de custos e receitas.

A ideia do site é simples. Os noivos indicam a data e o local onde vão casar e a quantia que pretendem gastar. A partir daí eles são levados a um check-list, que vai apontar tudo o que devem fazer, com dicas e indicação dos fornecedores da região de acordo com o orçamento previsto. Para os noivos, o serviço é gratuito. Quem paga pelo serviço são os fornecedores.

Por isso, ele ressalta a importância, para quem vai abrir uma startup, de saber que trata-se de uma empresa como qualquer outra, que requer conhecimentos de administração, contabilidade, entre outros. “Vejo que às vezes o sonho da startup está ligado ao dinheiro fácil, porque é um negócio altamente lucrativo. Mas isso não existe, é preciso se dedicar como em qualquer outro empreendimento”, afirma.

Ana conta que o investimento inicial veio do próprio bolso dos sócios. “Todo investimento foi próprio, meu e dele, o que chamamos de bootstrapping, ou levar tudo nas próprias costas. Nós que trabalhamos, demos o dinheiro, fizemos tudo, desde hospedar o site num servidor, fazer o layout”, conta.

Para ele, uma das principais causas da mortalidade das startups está ligada ao fato de não conseguirem conectar uma ideia muito boa com as pessoas que procuram por isso e que deveriam consumir seus produtos. “Além de entender muito da própria ideia, é preciso estar aberto para o que o mercado quer e se preparar para administrar a empresa, para que o negócio dê certo”, completa.

Hoje, segundo ela, o site tem uma base de 28 mil fornecedores cadastrados, sendo 15 mil ativos, e, desde novembro de 2011, já cadastrou 1.600 casamentos.

Negócio de risco O economista Rafael Tortato, consultor do Sebrae/PR, lembra que, como são negócios novos e muitas vezes não testados, são também empreendimentos que precisam ter seus riscos monitorados. “Uma característica desse modelo de negócio é que existe um potencial de ganho diferenciado, principalmente para os investidores. Ao mesmo tempo, existem riscos inerentes a toda ideia inovadora.” De acordo com Felipe Matos, sócio-fundador do Instituto Inovação, que atua como facilitador e investidor de novos empreendimentos, 90% das startups têm suas propostas iniciais transformadas em novas oportunidades.

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

“Antes você abria uma empresa, uma fábrica, que era extremamente sólida, tinha uma sede, patrimônio. Mas as coisas começaram a se tornar mais voláteis. É isso que nós percebemos aqui na Aldeia, que as oportunidades de negócio não são mais físicas, são mais ligadas à tecnologia, a serviços, o que fez esses negócios crescerem muito rápido”, diz Dória, que é um dos sócios da Aldeia, e que lançou recentemente uma nova startup.

Por outro lado, para assessorar as startups a encontrarem “seu lugar ao sol”, é que surgiram as aceleradoras, cujo objetivo é conduzir as startups a um estágio de crescimento escalado propício a receber investimentos consistentes. Segundo Rafael Duton, um dos sócios-fundadores da Aceleradora 21212, as aceleradoras ajudam as startups a aprimorarem o modelo de negócio e a otimizarem a captação de

clientes, entre outras coisas. “Ao contrário de uma incubadora, são voltadas especificamente para o mercado, portanto buscam empresas que já tenham seus times e projetos montados para serem acelerados.” Para Ricardo Dória, o termo startup ainda vai crescer muito no futuro, uma vez que cada vez mais surgem novos negócios na internet. Dentro desse cenário, de acordo com ele, há um indicativo de que Curitiba venha a se transformar em um polo de economia alternativa e de economia de startup. “Curitiba tem muito potencial, o mercado de startup está crescendo muito rápido na cidade e acredito que vamos conseguir emplacar a cidade como um polo de startup no Brasil”, diz ressaltando que essa tendência se explica pela quantidade de empresas de tecnologia e de serviços na região, a existência de mão de obra qualificada e, ainda, da alta qualidade de vida na cidade. “Vejo isso com ótimos olhos, porque é uma economia super limpa, que exige mão de obra qualificada”, finaliza.

Saiba mais Blog Manual das Startups www.manualdastartup.com.br/blog Site da ABStartups Associação Brasileira de Startups www.abstartups.com.br

Por isso, segundo Tortato, uma das características desse tipo de empreendimento é que muitos acabam mudando o foco de ação, reinventando seu negócio. “O empresário aproveita a curva de aprendizado e vai para outro modelo de negócio. Pode ir do fracasso ao sucesso. Teve um americano, por exemplo, que criou um jogo, que não deu certo, no modelo que idealizou, mas depois acabou sendo indicado para quem tinha limites físicos, e ele virou esporte paraolímpico”, conta. Tortato sugere aos adeptos das startups que testem sempre suas ideias com o mercado e não apenas com amigos e familiares. “A validação do mercado é importante para o destino do negócio.” Dória vai mais além. “É normal que a empresa mude muito, que vá procurando seu lugar ao sol. Isso acontece porque é preciso experimentar muito, já que são modelos de negócios inovadores”, diz. Ele compara, por exemplo, um empreendedor que vai montar uma

Segundo o consultor do Sebrae/PR, existem, hoje no Brasil muitos investidores interessados em aplicar em startups, entretanto, segundo ele, tanto a empresa como o investidor precisam conhecer as expectativas uns dos outros. “A startup é um modelo com potencial para ser bem-sucedido, não segue uma fórmula matemática com resultado garantido. Por isso, antes de procurar um investidor, a startup deve estar com uma ideia muito estruturada a ser apresentada, de preferência até com um protótipo em funcionamento, para que o investidor possa conhecer as características reais do negócio”, explica.

Site sobre eventos de startups no Brasil www.circuitostartup.com/portal/pt Notícias sobre startups www.startups.ig.com.br Site do Instituto Inovação www.institutoinovacao.com.br Site da Aceleradora 21212 http://21212.com Livro “Business Model Generation – Inovação em modelos de negócios”, escrito por Osterwalder&Yves Pigneur, cocriado por 470 pessoas, editora Alta Books. Livro “A startup enxuta”, de Eric Ries, editora Lua de Papel. Livro “The four steps to the epiphany”, de Steven Gary Blank (em inglês).

Rafael Duton, empresário

Livro “The Startup Owner’s Manual: The Step-By-Step Guide for Building a Great Company”, de Steve Blank e Bob Dorf (em inglês).

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Benchmarking

Estes países viveram, décadas passadas, situações política, econômica e social semelhantes às do Brasil. No entanto, apesar de bem menores territorialmente e sem muitas riquezas naturais, fizeram a ‘lição de casa’ e se tornaram exemplos, para o mundo, de economias em franco desenvolvimento ou já bem-sucedidas. Ao analisar os números trazidos pelo Doing Business – no qual o Brasil está na 126ª posição – é possível perceber o óbvio: a burocracia, a grande quantidade de impostos, a dificuldade de acesso ao crédito e problemas de infraestrutura atravancam o processo de crescimento de negócios no nosso País. A influência negativa desses aspectos fica ainda mais evidente quando comparados com os números desses países do sudeste asiático. Portanto, fica a pergunta: qual o caminho traçado por esses países para chegar ao patamar de crescimento atual?

Missão técnica ao sudeste asiático

Sudeste asiático

dá exemplo Missões técnicas, do Sebrae/PR, desvendam o empreendedorismo no outro lado do mundo; confira nesta edição como foi a primeira visita

Por Andréa Bordinhão

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Com o intuito de obter a resposta, disseminá-la para as micro e pequenas empresas paranaenses e colocá-la em seu planejamento estratégico para os próximos dez anos, o Sebrae/PR organizou missões técnicas de benchmarking (comparação de produtos, serviços ou práticas empresariais) e visitou instituições de apoio aos empresários de micro e pequenas empresas, institutos de pesquisa e órgãos governamentais dos quatro países. Três grupos, formados por técnicos da instituição, embarcaram com a missão de desvendar os segredos do empreendedorismo no outro lado do mundo. A missão para o sudeste asiático, em junho, foi a primeira fase de um trabalho que totaliza três viagens técnicas: esta, nos países do sudeste asiático, outra feita à Rússia e países da Escandinávia e a última em países gigantes como Índia e a China. A primeira etapa do benchmarking foi bem-sucedida e agora a equipe técnica do Sebrae/PR quer disseminar o conhecimento trazido. “Missões técnicas são fundamentais para quebrar paradigmas. Todos os países visitados foram previamente pesquisados. Com as visitas, queremos reunir referências em empreendedorismo e micro e pequenas empresas, adequando todo o conhecimento adqui-

rido à nossa realidade”, explica Jefferson Nogaroli, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR. Nesta primeira reportagem, você confere os resultados da primeira missão, aos países do sudeste asiático, com parada também em Dubai, nos Emirados Árabes, e, nas próximas duas edições da Revista Soluções, o que o Sebrae/PR descobriu sobre o empreendedorismo e as micro e pequenas empresas nas regiões da Rússia, Escandinávia, Índia e China. “Nosso objetivo foi conhecer iniciativas relacionadas ao processo de desenvolvimento econômico e social a partir de pequenos negócios”, explica o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Allan Marcelo de Campos Costa. O diretor-superintendente e os demais participantes da missão trouxeram diversas conclusões importantes. No entanto, uma delas sobressai a todas: antes de qualquer ação, as instituições destes países definem claramente seu foco. Eles têm um planejamento de nação com objetivo claro de desenvolvimento. Segundo Allan Costa, a Coreia do Sul, por exemplo, começou seu caminho com a educação. “Para que eles atingissem seu objetivo precisavam de indivíduos capacitados”, afirma, ressaltando que o sudeste asiático segue a lógica. Estes países também investem muito em pesquisa. No entanto, salienta Allan Costa, por lá só há incentivos para pesquisas que são comprovadamente relacionadas com os objetivos do país e que podem resultar inovações concretas e comercializáveis. “A verba é destinada para aqueles que respondem como a pesquisa vai ser comercializada posteriormente. No Brasil há mais investimento em pesquisa, porém sem este tipo de critério.”

Comportamento

Singapura ocupa a primeira posição no ranking Doing Business 2012, classificação produzida anualmente pelo Banco Mundial (BIRD) sobre a facilidade de se fazer negócios em mais de 180 países. A Coreia do Sul está em oitavo lugar, a Tailândia e a Malásia estão posicionadas em 17º e 18º no ranking, respectivamente.

Apesar de menores e sem muitas riquezas naturais, Singapura, Malásia, Tailândia e Coreia do Sul fizeram a ‘lição de casa’ e se tornaram exemplo

“O que Singapura conseguiu fazer em 40 anos, por exemplo, é impressionante. País paupérrimo e sem recursos quando se separou da Malásia com PIB (Produto Interno Bruto) per capita muito baixo e hoje tem uma das cinco maiores rendas per capita do mundo. Tudo é focado em negócios. Eles possuem a consciência de que o seu diferencial competitivo no mundo é facilitar a realização de negócios”, avalia. As pequenas e médias empresas respondem por 99% dos negócios em Singapura, lembra Allan Costa. “Entretanto, aqui há uma grande diferença no que tange à sua participação na adição de valor à economia, onde o segmento responde por 51% de todo o valor adicionado. Ou seja, as micro e pequenas empresas passaram há tempos da fase de subsistência e se encontram focadas na criação de valor elevado.”

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Exportar para crescer

Investir na exportação foi a forma que os países do sudeste asiático encontraram para driblar a escassez de recursos naturais

Investir na exportação como base para o desenvolvimento econômico foi a forma que os países do sudeste asiático encontraram para driblar a escassez de recursos naturais. “Eles agregam valor à matéria-prima e exportam. E agora também estão investindo fortemente em inovação, que também tem foco na internacionalização”, afirma o gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/PR, Fábio Ono. “Nestes países, as instituições têm seu papel bem definido de como auxiliar e atuar para construir o plano da nação. Seus objetivos são construídos a partir dos macro-objetivos do país”, analisa o gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/PR. Ele traz como exemplo a Malásia. Lá, há um plano traçado na década de 1990 que estabeleceu a visão de um país desenvolvido até 2020. Segundo Ono, nesses 20 anos as metas foram seguidas sem mudanças de rumos. “A Malásia tem como um dos objetivos aumentar a participação das micro e pequenas empresas nas exportações e no PIB do país e, como consequência, o nível de emprego”, conta.

Veja a posição dos países do sudeste asiático e do Brasil nos critérios do ranking Doing Business

“A experiência que vivemos durante a missão foi muito mais que conhecer o que países bem colocados no ranking Doing Business fazem para incentivar o empreendedorismo e apoio às pequenas empresas, foi conhecer pessoas e culturas que têm objetivos claros quando se fala em desenvolvimento. Desenvolvimento do seu país e mais, desenvolvimento do ser humano”, entende a gerente de Atendimento Individual e Marketing do Sebrae/PR, Renata Todescato.

Singapura

Para Renata, a proatividade dos empreendedores, nestes países, é uma lição importante a ser seguida pelos empresários de todo o mundo. “Eles têm atitude. Faz parte da característica empreendedora deles fazer as coisas por si.” No seu entendimento, está muito claro que instituições funcionam e os empreendedores fazem sua parte. “O governo também cumpre seu papel nessa equação em favor do desenvolvimento. A intolerância à corrupção ajuda o sistema funcionar bem.” Segundo o gerente da Unidade de Desenvolvimento de Soluções do Sebrae/PR, Rainer Junges, a forma de lidar com esse tipo de crime nos

Foto: Divulgação

“Chama a atenção que países como a Coreia do Sul, Singapura e mesmo a Malásia estavam numa situação muito pior que o Brasil nas décadas de 1950 e 1960. E deram um salto de desenvolvimento”, reforça Ono. E isso, conclui, está embasado

nesses arranjos institucionais com papéis e responsabilidades, que além de bem definidas, também são organizadas. “As instituições têm claro onde começa ou acaba sua atuação. Elas são especializadas e assim não há sobreposições.”

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Tailândia

Malásia

Brasil

Facilidade para fazer negócios com o país

17º

18º

126º

Facilidade para iniciar um negócio

24º

78º

50º

120º

Facilidade para obtenção de crédito

67º

98º

Proteção ao investidor

79º

13º

79º

Carga tributária

38º

100º

41º

150º

Comércio exterior

17º

29º

121º

Cumprimento de contratos

12º

24º

31º

128º

países asiáticos difere do Brasil. Segundo ele, nestes países quem pratica o crime, além de punido com rigor, fica com sérias restrições permanentes. “Em Singapura, por exemplo, só há uma agência acima do primeiro-ministro é a de controle da corrupção.” “No Brasil, temos a pré-disposição de aceitar a impunidade. Não podemos mais. O brasileiro tem que entender que a corrupção e impunidade são entraves graves ao desenvolvimento econômico”, completa. Os governos destes países também facilitam as transações comerciais, diminuindo ao mínimo a burocracia e garantindo infraestrutura. “Eles têm uma liberdade econ��mica espetacular. Nesses países, existe uma preocupação genuína com quem quer empreender. Isso tudo gera um grande processo de crescimento e as empresas tornam-se competitivas internacionalmente”, afirma o gerente regional do Sebrae/PR no norte do Paraná, Heverson Feliciano. “E esses governos e empresários não inventaram roda. Eles trabalham com indicadores internacionais.”

Missão técnica do Sebrae/PR é recebida por representantes da NUS, a Universidade Nacional de Singapura

Coreia do Sul

Feliciano destaca outro ponto fundamental para o ambiente empresarial, que são os investimentos em infraestrutura. “Rodovias, aeroportos e portos são espetaculares, existem pequenas diferenças entre os países, mas to-

dos esses ativos funcionam de forma eficiente e organizada, facilitando muito a vida da população e também das empresas.”

Compartilhando o conhecimento O Sebrae/PR tem o objetivo maior de colocar as informações de forma prática em seu planejamento estratégico para os próximos dez anos. No entanto, essas informações também serão divididas com diversas instituições que fazem parte do processo de crescimento econômico do Brasil e de apoio aos empresários de micro e pequenas empresas. “Vamos realizar palestras, seminários e workshops internos e externos em fóruns diversos como universidades, instituições de cunho deliberativo, instituições empresariais, entre outras”, informa Allan Costa. Além das apresentações, os consultores do Sebrae/PR vão produzir um livro com as informações que colheram durante as três missões técnicas. Na publicação serão detalhadas todas as práticas vistas nesses países para o desenvolvimento econômico e social. “Não há em outro lugar do mundo arranjos institucionais para apoio ao empresário de micro e pequena empresa como no Brasil. O que precisamos é fazer as escolhas estratégicas e direcionar as ações”, conclui Allan Costa.

Saiba mais Quer saber como foi a missão para Tailândia, Singapura, Coreia do Sul e Malásia, realizada pelo Sebrae/PR? Acesse os detalhes no blog da missão: pelaasia.blogspot.com

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Pesquisa GEM

Esse número coloca o Brasil em terceiro lugar no ranking do empreendedorismo entre os 54 países analisados na pesquisa. O País perde apenas para a China, que lidera o levantamento, com 370 milhões de empresários, e para os Estados Unidos, que ocupa a segunda colocação, com 40 milhões. Um dos fatos mais interessantes revelados pela Pesquisa GEM é que o brasileiro está empreendendo mais por oportunidade do que por necessidade, o que já aconteceu no passado. Em 2011, para cada empresa aberta porque o trabalhador teve a necessidade de abrir o próprio negócio para garantir a sobrevivência, outras 2,24 foram resultado da visão de mercado do empreendedor. O consultor do Sebrae/PR, André Basso, diz que há dez anos o GEM mostrou que no Brasil a relação entre as pessoas que buscavam renda para suprir suas necessidades e as que tinham os olhos voltados para negócios ainda não explorados era de um para um.

Brasil é 3º no ranking

do empreendedorismo Pesquisa, em 54 países, revela que um em cada quatro brasileiros adultos é empreendedor; País perde apenas para China e Estados Unidos

Por Adriana Bonn

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“Isso é fruto de movimentos econômicos, com a expansão do número de empregos, o que faz com a população tenha opções. Ao mesmo tempo o Brasil tem hoje um ambiente econômico favorável para se empreender, com muitas pessoas empreendendo por oportunidade”, explica Basso. Foi o que aconteceu com Deisiane Zortea Kuckla, que depois de 12 anos trabalhando como secretária executiva, decidiu abandonar a carreira para abrir a própria empresa e se tornar uma secretária remota e assistente virtual. Ela oferece suporte administrativo, sem precisar estar na empresa contratante, uma função que até então não existia no Paraná. A mudança aconteceu há um ano e meio e com planos traçados, depois que Deisiane fez várias pesquisas e procurou o apoio do Sebrae/PR, em Curitiba. “Essa ideia surgiu porque percebi que as pequenas empresas têm dificuldades para resolver problemas burocráticos e organizar a vida empresarial”, conta. Com o home-office, 80% do trabalho de Deisiane são virtuais. Ela compra passagens, cuida de e-mails, faz agenda, cotações, compras, pagamentos de contas e até negociações. Para isso,

usa a internet e telefones fixo e celular. Com clientes em Belo Horizonte, em Minas Gerais, e Florianópolis, em Santa Catarina, utiliza para fazer reuniões o skype, ferramenta que permite conectar-se e visualizar pessoas em qualquer parte do mundo através do celular.

Comportamento

O Brasil possui 27 milhões de pessoas envolvidas ou em processo de criação de um negócio próprio, o que mostra que um em cada quatro brasileiros adultos é um empreendedor. É o que revela a Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2011 (GEM), divulgada em julho e realizada anualmente pelo Sebrae Nacional em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), para medir o comportamento dos empreendedores em vários países.

Trabalhando no limite de seu tempo, Deisiane atende no máximo dez clientes a cada mês, o que, segundo ela, garante a qualidade do serviço oferecido. Em alguns momentos conta com a ajuda do marido e já pensa em contratar uma pessoa para auxiliá-la, principalmente na área de divulgação em redes sociais. Deisiane acredita que a função de secretária virtual é uma tendência de mercado e está otimista com o futuro da empresa. “A atividade já começou bem, nunca precisei correr atrás de clientes e hoje vivo um momento em que sou obrigada a postergar atendimentos.” Com a agenda de setembro lotada, a empreendedora, que recebe por hora trabalhada, só está marcando novos serviços para o mês de outubro. Para dar conta da demanda, ela diz que trabalha das 8 às 17 horas, diariamente, com a vantagem de não precisar sair de casa.

Empresas consolidadas O número de brasileiros que possuem um negócio consolidado no mercado é um dos maiores entre os 54 países pesquisados pelo GEM 2011. O Brasil ocupa a quarta colocação no ranking, com 12 milhões de pessoas que são proprietárias de empresas que estão em funcionamento a mais de três anos e meio. Logo atrás, somando 11 milhões, estão os chamados novos empreendedores que possuem negócios que têm de três a 42 meses de operação. Os empreendedores nascentes, que realizaram alguma ação visando ter um negócio próprio nos últimos 12 meses ou que têm uma empresa com até três meses de atividade, somam 4 milhões.

Para cada empresa aberta por necessidade, outras 2,24 foram por oportunidade, resultado da visão de mercado do empreendedor

De acordo com a Pesquisa GEM, a tendência é de expansão e evolução do número de empreendedores brasileiros, sejam eles em início de atividade ou estabelecidos. Esse crescimento já vem sendo registrado anualmente desde 2007, com exceção do ano passado quando houve uma diminuição da taxa. Em 2010, o empreendedorismo chegou a 32% da população adulta, índice que caiu para 27% no ano passado, em função do aquecimento do mercado de trabalho, queda do desemprego e aumento dos salários.

Escolaridade André Basso, do Sebrae/PR, explica que a Pesquisa GEM 2011 indica que quanto maior o nível de escolaridade menor é o comportamento empreendedor dos brasileiros. Isso se dá, segundo

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Foto: Luiz Costa/La Imagen

Basso acredita que vários fatores contribuem para que o brasileiro dê pouca importância para a criação de novos produtos. Um deles é cultural, seguido do nível de escolaridade e, por fim, mas não menos importante, o fato de o país ter um grande mercado consumidor. “Com um amplo mercado, o empreendedor brasileiro consegue vender seus produtos, mesmo que eles não sejam inovadores”, explica. O Brasil também não tem posição de destaque quando se leva em conta a exportação de produtos. A Pesquisa GEM mostra que entre os 24 países segmentados pela eficiência, o Brasil tem o menor nível de internacionalização, com 93,91% dos empreendedores revelando que não possuem nenhum consumidor no exterior. Entre os 54 países pesquisados, o Brasil ocupa a 50ª posição nesse ranking.

De acordo com a Pesquisa GEM, é difícil comparar os números do Brasil com os demais países quando se trata de internacionalização. Isso por-

Dos 27 milhões de empreendedores brasileiros, 14,4 milhões são jovens e têm de 25 a 44 anos de idade. Outros 3,4 milhões ficam na faixa etária de 18 a 24 anos, 6 milhões na de 45 a 54 anos e 3,3 milhões, de 55 a 64 anos de idade. O GEM mostra que o maior número de empreendimentos iniciais está concentrado entre as pessoas que possuem de 25 e 34 anos de idade, enquanto os negócios estabelecidos pertencem a empreendedores que têm de 45 a 54 anos. André Basso diz que o fator idade é um aspecto conhecido da pesquisa. “Antes dos 24 anos o comportamento empreendedor é menor porque normalmente as pessoas que se enquadram nesta faixa etária não possuem capital para empreender. Assim como depois dos 44 anos também diminui o ímpeto de empreender e correr riscos”, explica.

Deisiane Zortea Kuckla, empreendedora ele, porque com mais graduação as pessoas acabam tendo mais oportunidades de bons empregos, o que não as estimula a empreender. Com isso, o que se percebe no Brasil é que a taxa de empreendedorismo entre as pessoas que estão iniciando um negócio é maior nas faixas de escolaridade mais baixas, o que demonstra a necessidade. A taxa de empreendedorismo inicial chega a 15% da população adulta que possui apenas o ensino fundamental, de acordo com o GEM. Nesse mesmo grupo, a taxa de empreendedores já estabelecidos é de 7%. No outro extremo, a taxa de empreendedorismo inicial entre as pessoas que possuem pós-graduação é de 10% da população adulta, enquanto entre os empreendedores estabelecidos com a mesma escolaridade esta taxa chega a 16%. Para Basso, os índices comprovam que quanto maior a escolaridade do indivíduo, maior é a sua chance de ter sucesso na empreitada. “Com mais escolaridade as pessoas têm mais acesso à informação, capacidade de analisar as situações de risco, além de não terem a urgência nos resultados.”

Brasileiro inova pouco O número de empreendimentos voltados para a inovação ainda é pequeno no Brasil, se compa-

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Empreendedorismo jovem

rado com o restante do mundo, segundo o consultor do Sebrae/PR. Essa característica faz com o País seja classificado na Pesquisa GEM pela eficiência, com sua economia impulsionada pelo desenvolvimento industrial, onde as atividades de comércio e serviços predominam. Assim como o Brasil, outras 23 nações integram essa posição intermediária.

Foto: Wilson Vieira/Videographic

De cada 100 empreendimentos existentes no País, 49 são comandados por mulheres, enquanto a média mundial é de 37 para cada 100

O país de maior inserção internacional é a República Tcheca, que pertence ao grupo inovação, onde apenas 10,76% das empresas não vendem para consumidores estrangeiros. Com uma realidade completamente diferente, a Guatemala é o país com menor orientação internacional.

que além de ser um país com dimensões continentais, o Brasil tem apresentado um alto consumo interno, o que garante demanda para a produção local, possui uma posição geográfica isolada de grandes mercados e tem uma pauta de exportação concentrada em poucas empresas de commodities agrícolas, aviação ou minério.

Apenas 6,8% dos empreendedores iniciais introduzem novidades em seus produtos, o que ajudaria a gerar impacto no mercado e reduzir a concorrência

Nos dois extremos, de acordo com a segmentação do levantamento, estão sete países considerados fornecedores de matéria-prima, por terem suas economias voltadas para a agricultura e extração de recursos naturais; e outros 23 que se destacam em inovação por terem como principal característica a aplicação do conhecimento e da tecnologia. Uma prova de que o brasileiro inova pouco é que apenas 6,8% dos empreendedores iniciais introduzem alguma novidade em seus produtos, o que ajudaria a gerar algum impacto no mercado e reduzir a concorrência. Essa realidade coloca o Brasil na penúltima posição entre os 54 países pesquisados - só ganha de Bangladesh, no sul da Ásia. Quando comparado com os outros 23 países que compõem o grupo eficiência, o Brasil fica na última posição, quando o assunto é inovação.

Karen Francielli Suenson, empresária

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No Brasil, os homens empreendem mais do que as mulheres, mas já se constata uma tendência de estabilidade nesse quesito. A pesquisa confirma que 51% dos empreendedores iniciais brasileiros, ou seja, que estão envolvidos na criação de um negócio ou que já têm uma empresa com até 42 meses de funcionamento, são homens. Entre as mulheres este índice é de 49%. Mas por outro lado, o Brasil possui uma das maiores taxas de empreendedoras femininas, ocupando a quarta colocação no ranking dos 54 países pesquisados, como explica Basso. De cada 100 empreendimentos existentes no País, 49 são comandados por mulheres, enquanto a média mundial é de 37 para cada 100. Os negócios mais comuns administrados por mulheres são de estética, confecção e comércio de vestuário, fornecimento de comida preparada, venda de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos, e serviços domésticos. Já os homens preferem atividades de manutenção e reparo de veículos, minimercados, lanchonetes e similares e transporte de passageiros e de cargas. A renda de metade dos empreendedores brasileiros é de, no máximo, três salários mínimos, de acordo com o levantamento. Um terço deles chega a faturar de três a seis salários por mês, 7% recebem de seis a nove, 3% de nove a 12, e 4% acima deste valor. A Pesquisa GEM revela ainda que em relação à expectativa de crescimento, aumentou a proporção dos empreendedores que planejam gerar novos empregos. Em 2011, 49% dos empreendedores iniciais informaram que pretendem contratar de um a cinco funcionários em um prazo de cinco anos. Em 2010, este índice era de 40%. Entre os empreendedores estabelecidos, 44% pretendem fazer contratações de até cinco colaboradores, intenção que há dois anos era de apenas 36%.

Projeto de expansão A empresária Karen Francielli Suenson, proprietária da Papinha da Vovó, faz parte do grupo de empreendedores que planejam contratar mais funcionários nos próximos meses. Tudo em função do aumento do volume de vendas que vem sendo registrado pela empresa, que nasceu em maio de 2010, em Londrina, e hoje, pouco mais de dois anos depois, já conta com lojas em Joinville, Santa Catarina; Piracicaba, em São Paulo; e Curitiba. “Abrimos a primeira loja tendo em mãos um projeto de expansão que prevê a instalação de unidades em todo o País”, explica a empresária. A Papinha da Vovó atua com licenciamento, uma forma de franquia, e nos próximos meses deverá contar com novas unidades em Maringá; Goiânia, em Goiás; e Blumenau, em Santa Catarina.

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A Papinha da Vovó oferece caldos, papinhas de frutas e salgadas, e frutas frescas. No começo os pratos, que são preparados com legumes e frutas da estação, eram destinados apenas a bebês e crianças, mas hoje o cardápio foi estendido e passou a atender toda a família. Além do atendimento no balcão, que aumentou em 50% em relação ao mesmo período do ano passado, a loja de Londrina possui entre seus clientes escolas, empresas, clínicas, e hospitais. “Nesse momento estamos passando por reformas para reorganizar e ampliar o espaço da empresa”, conta a empresária, que começou a atividade com apenas dois funcionários e hoje gera cinco empregos. Formada em Administração de Empresas, Karen trabalhava na área de gestão empresarial e era professora universitária. Com a chegada do primeiro filho, ela decidiu mudar de vida para ter mais flexibilidade de horário e poder atender melhor a família. Antes da mudança de vida, como não tinha tempo de cozinhar, as sopas de seu filho eram preparadas pela avó, que morreu em novembro de 2009. Sem a ajuda da vó Catarina, Karen percebeu que, assim com ela, outras famílias tinham dificuldade de comprar comidas saudáveis e prontas para suas crianças. Foi quando surgiu a ideia de criar a Papinha da Vovó. Karen diz que não se arrependeu da mudança de rumo dada na vida profissional e que o momento ainda é de aprendizado. “Precisou nascer uma empresária dentro de mim e isso não é fácil, mas estou entusiasmada.”

2009, quando Liege passou a ser a distribuidora exclusiva da marca no Brasil.

Para disseminar o conceito dos carrinhos no País, a jornalista e empresária participa de feiras, voltadas principalmente para os segmentos de utensílios domésticos, presentes e design. Ela diz que, no começo, por não conhecerem o produto, as pessoas perguntavam se os carrinhos de compras eram malas de viagem e até aspirador de pó. Mais conhecidos dos brasileiros, os carrinhos ganharam por aqui a classificação de multiuso, por facilitarem o transporte de peso. Liege explica que o segmento virou uma realidade a partir de 2011 e que o mercado ainda tem muito a ser explorado. Seus principais clientes estão no comércio varejista, que este ano sofreu retração em função da crise econômica. Mas nas visitas às feiras, a empresária percebeu que o potencial agora está no mercado corporativo, que passou a enxergar os carrinhos como brindes para os clientes. Por meio da L&C Gestão de Negócios Ltda, Liege trabalha em contato com representantes comerciais em 70% do mercado nacional, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. No Norte e Nordeste a presença dos carrinhos Rolser ainda é incipiente, como avalia a empresária. Mesmo com a atividade de representação, Liege nunca abandonou a carreira jornalística, que exerce desde 1985 e que lhe garantiu chegar a grandes veículos de comunicação do País, como o jornal Folha de S. Paulo e a revista Veja. “Tenho potencial para desenvolver as duas atividades ao mesmo tempo.”

Oportunidade de negócio Proprietária de uma empresa de assessoria corporativa, com sede em Curitiba, a jornalista Liege Fuentes decidiu empreender por ter percebido uma oportunidade de mercado. Tudo começou durante uma viagem à Espanha, em 2002, onde ela conheceu os carrinhos de compras, objetos tão usados pelos europeus que lá são considerados utensílio doméstico. Por gostar de feiras, Liege trouxe um para o Brasil e não demorou muito para perceber que assim como aconteceu com ela, os carrinhos poderiam se tornar úteis e um objeto de desejo para os brasileiros. Em 2007, a jornalista fez várias pesquisas e decidiu apresentar o potencial do mercado brasileiro aos dirigentes da Rolser, empresa espanhola e líder do setor no mercado mundial. “Como a empresa não tinha cultura exportadora, foram necessários meses de conversar, interrompidas por um período em função da doença e morte de meu pai”, conta. A consolidação do negócio só veio a acontecer em

Saiba mais Quer saber mais sobre a Pesquisa GEM? Acesse o www.sebrae.com.br Na seção de estudos e pesquisas, é possível ter acesso ao conteúdo completo.

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Uma empresa é considerada ambidestra quando consegue conciliar inovação e excelência operacional ao mesmo tempo, orientações estratégicas aparentemente antagônicas, como explica o professor de Estratégia de Empresas do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE/FGV), de Curitiba, Luciano Salamacha. “Uma empresa ambidestra é, portanto, aquela que não apenas consegue harmonizar os diferentes interesses envolvidos, como também harmonizá-los em prol da organização como um todo. Mais que eliminar atritos é potencializar a sinergia entre essas áreas.” Parece simples, mas não é principalmente quando a teoria deve ser colocada em prática. O desafio é como ter uma organização criativa e inovadora – onde se pressupõe a existência de um certo nível de desorganização para a geração de novas ideais – e ao mesmo tempo manter produtos e serviços já consolidados, resultado de processos formalmente estruturados, indispensáveis para as empresas que buscam a eficiência?

Sua empresa é

ambidestra? Especialistas falam da importância de micro e pequenas empresas conciliarem, ao mesmo tempo, inovação e excelência operacional

Por Adriana Bonn

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Salamacha acredita que a maior dificuldade está na estrutura de raciocínio das pessoas envolvidas em áreas de características tão diferentes. “O que se espera de um executivo de processos é a melhoria contínua, manutenção do padrão, aperfeiçoamento para potencializar os recursos que dispõe. Já o profissional da inovação deve abstrair a capacidade atual e os modelos de produção para agir com liberdade e criar produtos ou serviços que atendam às novas demandas do mercado”, explica. Para que uma empresa abrigue ao mesmo tempo tanto a inovação quanto a eficiência operacional e excelência nas operações, é preciso que sua ‘arquitetura’ seja modelada, levando em consideração seus processos de gestão, mecanismos de controle e sistemas de incentivo. Há pelo menos dois modelos de ambidestralidade. O primeiro é estrutural, com a separação das unidades e projetos de gestão, um voltado para a inovação e o outro para a eficiência e excelência organizacional. O segundo, considerado o mais difícil, é a implementação de forma cíclica ao longo do tempo. Neste caso, o conselho é que primeiro se inove e depois se faça a eficiência operacional, o que faz com que o desafio esteja em alterar o projeto a cada transição.

O próximo passo é estabelecer indicadores de desempenho para ambas, tomando-se o cuidado de ponderar corretamente os tempos que cada área necessita; seguido do estabelecimento de um fórum adequado para a solução de conflitos. “Partindo-se do pressuposto que eles serão inerentes ao processo, mais importante que tentar

Um jogador que chuta com a perna esquerda e também com a direita tem muito mais chance de fazer gol e sair vitorioso de uma competição

evitá-los, é definir as regras para análise e solução”, diz o professor. A última regra é ter orçamentos independentes para cada área.

Foto: Divulgação

Polivalência

Independente do modelo adotado, na opinião do professor Salamacha, para adotar algum o modelo o empresário precisa levar em consideração alguns fatores para ter uma empresa ambidestra, independentemente do tamanho que ela tenha. O primeiro é ter uma decisão estratégica sobre o assunto, estabelecendo a força e apoio que cada uma das áreas deverá receber da alta gestão. O segundo é apresentar essa diretriz estratégica para todos os envolvidos, principalmente das áreas ligadas à operação e à inovação.

Tendência

Sua empresa é ambidestra? Não fique constrangido se a resposta for não ou se você nem ao menos sabe o que isso significa. O conceito, ainda uma novidade no ambiente das micro e pequenas empresas, é bastante inexplorado, o que justifica a falta de conhecimento da maioria dos empreendedores. Mas a verdade é que, mesmo parecendo complicado, esse modelo de gestão começa a fazer cada vez mais parte do mundo corporativo moderno.

Tendência de mercado Hoje cada vez mais empresas buscam esse novo estilo de gestão, o da ambidestralidade. Grandes organizações têm investido milhões de reais para se tornarem ambidestras. Muitas vezes, com recursos reduzidos, as micro e pequenas empresas apostam na disposição e participação de seus colaboradores, o que não é uma desvantagem. O superintendente-geral da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), que tem sede em São Paulo, Jairo Martins, diz que o ambidestrismo também pode ser aplicado em uma micro e pequena empresa. “Para isso é preciso ter uma gestão estruturada, coletando informações de mercado e

Luciano Salamacha, professor

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Martins acredita que as micro e pequenas empresas têm mais facilidade de implementar a ambidestralidade. Isso porque, segundo ele, organizações de menor porte não são tão engessadas e são menos complicadas. “As micro e pequenas empresas têm mais flexibilidade de fazer leitura de mercado e quando existe mais flexibilidade as pessoas podem opinar mais. Isso normalmente não acontece nas grandes corporações, que não são tão abertas a rupturas e aonde dificilmente a opinião dos colaboradores chega às diretorias”, comenta.

Foto: André Conti

O que temos é a tendência de se olhar apenas um setor, esquecendose de outras áreas importantes, como a da pesquisa

O professor do ISAE/FGV, Luciano Salamacha, tem outra opinião. Ele acredita que quanto maior a organização, maior a capacidade de a alta gestão implementar a ambidestralidade. “Em grandes arquiteturas organizacionais há uma maior obediência à estratégia principal da empresa e uma menor influência pessoal dos profissionais envolvidos”, diz. Além disso, Salamacha destaca que quanto maior a empresa mais fácil é segmentar a estratégia e estimular projetos independentes.

Jairo Martins, da FNQ

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Para o superintendente da FNQ, as micro e pequenas empresas também podem ser os maiores beneficiados desse novo conceito de ambidestralidade, considerado por ele uma tendência de mercado. “Para isso elas precisam ter uma visão sistêmica, compreendendo o sistema por completo e não apenas por fragmentos, o que não acontece muitas vezes. O que temos é a tendência de se olhar apenas um setor, esquecendo-se de outras áreas importantes, como a da pesquisa, por exemplo.”

Martins explica que a FNQ é um dos grandes incentivadores dessa visão sistêmica. Para isso, a entidade difunde a implementação de oito critérios de excelência, que são liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimento, pessoas, processos e resultados. Mesmo com grandes desafios, a busca pela empresa ambidestra se justifica pelo resultado obtido. São organizações que tornam-se mais criativas, dinâmicas e versáteis, com níveis de competitividade acima da média dos competidores. É como acontece no futebol: um jogador que chuta com a perna esquerda e também com a direita tem muito mais chance de fazer gol e sair vitorioso de uma competição. Empresas ambidestras também tendem a ter como característica a longevidade. Isso porque a inovação foca o futuro, os novos produtos e serviços que serão colocados no mercado. Já a excelência operacional mira o presente. Se pensar apenas no futuro, visando apenas a criação de produto e serviços, provavelmente essa organização terá dificuldades de obter resultado do seu investimento em curto prazo. Por outro lado, uma empresa que pensa somente no presente, em eficiência, apresentará problemas para sobreviver ao longo dos anos, em função de novos produtos e serviços que são lançados no mercado pelos seus concorrentes. Foi o que aconteceu com Kodak, que já foi líder mundial na fabricação de câmeras e filmes fotográficos e que acabou sucumbindo por conta do surgimento da câmera digital na década de 1980. O mais grave é que foi a própria Kodak que inventou o primeiro protótipo de câmera sem filme, em 1975, mas pela ausência do ambidestrismo, a área de inovação da empresa foi silenciada pela área operacional, que via naquele novo equipamento o “assassino” do seu negócio. O diagnóstico foi correto e a câmera digital acabou com o mercado de filmes fotográficos. Porém, o erro da empresa foi tentar esconder a inovação em vez de explorá-la, o que foi feito pelos concorrentes anos depois. Em janeiro de 2012, a Kodak apresentou um pedido de concordata para reorganizar seus negócios a um tribunal, nos Estados Unidos. Salamacha diz que a triste história da Kodak estimulou nos últimos anos a busca pela ambidestralidade.

Saiba mais O tema ainda é muito recente e há pouco material escrito. Publicações voltadas à inovação tecnológica são uma boa dica. Na área da estratégia, uma boa leitura sobre essa e outras tendências é a obra “O processo da estratégia” de Mintzberg, Lampel, Quinn e Goshal.

Artigo

Imaginação, criatividade e inovação

Foto: Ruy Prado

tendências e analisando como atender as demandas, já que o mundo está hoje cheio de novidades. Paralelamente, essa empresa deve manter a eficiência de seus produtos ou serviços.”

Eloi Zanetti é consultor e palestrante em Marketing, Comunicação Corporativa e Vendas. Acesse www.eloizanetti.com.br

Por Eloi Zanetti

De vez em quando, algumas palavras entram no vocabulário corporativo, ganham força e correm à boca solta. É o caso de expressões como paradigma, escopo e sustentabilidade. Algumas, genéricas demais para dar precisão sobre os seus significados, são muito faladas e pouco compreendidas. Nos últimos tempos, entrou em voga o termo “inovação”, assunto obrigatório em publicações de negócios, palestras e planos de governo. E como tudo que vira moda traz consigo várias paternidades, a definição correta do conceito, apesar do termo existir desde que o mundo é mundo, ainda é imprecisa. Cada autor que lida com o assunto dá um significado. Muitas vezes, a melhor maneira de entender uma palavra é ir direto ao seu contexto e procurar a correlação e os significados entre outras do mesmo universo. Unidas, uma ajuda a compreender a função da outra. Vamos lá: não existe inovação sem que primeiro se passe pelo processo da criatividade e a este precede a imaginação. Por exemplo, a inovação é um atributo da empresa, ela acontece quando se impõem processos e sistemas. Para inovar a empresa, é preciso perguntar-se: “Temos dinheiro para fazer isto? Quem serão os parceiros estratégicos? Foram feitos estudos de mercado e planos de negócio?” Já a criatividade é atributo pessoal do funcionário. Ele tanto

pode oferecer boas ideias trabalhando sozinho quanto em equipe, por meio de brainstorming. O grande erro da empresa é tentar colocar o processo criativo numa formatação, enquadrando-o em métodos e procedimentos organizados. Criatividade é assim: quanto mais desorganizada, melhor. Ela nunca marcará hora ou lugar para se apresentar. Prefere aparecer como uma erva daninha, bela e saudável, em um jardim bem cuidado. Estigmatizá-la ou arrancá-la pode não ser uma boa ideia. Por isso, se você quiser inovação, estimule a criatividade. A inovação acontece em três passos. Vimos o segundo; agora vamos ao primeiro, que é a imaginação, pois sem ela não há criatividade, nem inovação. É a fase do sonhar acordado, flanar, deixar-se levar pelos pensamentos e ficar à toa remoendo ideias. É o tempo de desligar-se de tudo, da televisão, dos computadores, das conversas e ir aonde a nossa cabeça mandar. De todas as fases, a imaginação, na minha opinião, é a mais importante e a mais prejudicada pelo nosso sistema hodierno de viver. Estamos tão conectados, ligados a coisas desnecessárias e policiados pela família, empresa e vizinhos que ficar sem fazer nada pode parecer crime. A imaginação precisa de tempo e de amplo espaço em nossa cabeça. Deve ser por isso que Einstein, um cara que sabia

das coisas, disse, mostrando a língua: “A imaginação é mais importante do que o conhecimento”. Vamos a um exemplo prático: nos últimos anos a maioria dos aviões tem saído com um novo componente aerodinâmico – uma aba vertical ou inclinada na ponta da asa, o winglet. A peça tem a função de diminuir barulhos, trepidações e aumentar a sustentação. Também melhora a eficiência do voo, aumentando a velocidade e a economia de combustível. Muitos podem pensar que essa inovação foi criada em sofisticados laboratórios de pesquisa. Na sua fase final, sim, mas antes ela passou pelo processo da imaginação. Seu inventor gostava de observar o voo dos pássaros e eles usam do artifício de curvar as pontas das asas para planar melhor. Ora, o avião existe há quase 100 anos e só agora essa inovação apareceu? É que alguém se deu ao trabalho, em completo estado de imaginação, de ficar observando urubus voarem. Platão dizia que “as palavras dizem o que são”. Mas em alguns casos precisamos de um esforço extra para entendê-las melhor. Já está na hora de colocar nos programas das escolas de negócios o assunto “compreensão das palavras do mundo corporativo”. Os jovens estão falando coisas que não sabem o que significam, ou estou enganado e quem não está entendendo nada sou eu? 53


Muitas mudanças estão acontecendo a partir do consumidor. De acordo com especialistas, hoje as pessoas vão às lojas comprar uma roupa, por exemplo, não apenas pelo produto, que pode ser encontrado em vários locais, mas pela experiência que terá naquele ponto de venda. A loja deverá oferecer alguma coisa a mais para atrair o consumidor. E a descoberta desse “algo a mais” acontece quando o empresário começa a praticar o varejo ‘inteligente’.

Regina Maria Turek, empresária

Varejo ‘inteligente’ Marketing sensorial, etiquetas e iluminação especiais, cada vez mais acessíveis às pequenas empresas, fidelizam e atraem número maior de clientes

Por Adriana De Cunto

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Segundo Osmar Dalquano Junior, consultor do Sebrae/PR e coordenador estadual de Comércio, Bens e Serviços, o conceito de varejo ‘inteligente’ tem sido bastante usado nos Estados Unidos e percebido pelos empresários que participam das missões técnicas do comércio varejista, promovidas pelo Sebrae/PR e Sistema Fecomércio/PR. São visitas aos principais centros comerciais do Brasil e do mundo, como São Paulo e Nova York, para conhecer o que as empresas-referência no setor estão fazendo de diferente e como lidam com a concorrência. “Temos visto que as empresas têm usado muito a tecnologia para serem mais assertivas no momento da venda do produto ou no momento de criar uma necessidade no cliente de comprar aquele produto.” Um dos exemplos citados pelo consultor é o uso do marketing sensorial, que consiste em despertar as sensações das pessoas enquanto elas estiverem dentro ou próximo das lojas, apelando para os cinco sentidos: olfato, audição, visão, tato e paladar. “Quando você entra na loja e sente um cheiro gostoso, é uma experiência de compra. A empresa está te pegando pelo marketing olfativo”, comenta Dalquano, que cita outra estratégia usada em lojas de confecções: com a temperatura um pouco mais gelada que o ambiente externo, há chances maior de vender, pois no frio as pessoas compram mais. Os exemplos não param por aí. “O marketing sensorial consegue analisar o perfil do cliente e, a partir desse perfil, estabelecer estratégias para aumentar as vendas. Lojas de artigos para jovens ou adolescentes geralmente têm música alta e o atendente também é jovem”, comenta. As mudanças chegaram ao provador de roupas, que está recebendo uma iluminação mais

agradável e um espelho próprio, que deixa o comprador um pouco mais magro. Tudo para que as pessoas tenham motivação para a compra. Há estabelecimentos que estão investindo ainda mais e instalando nos produtos etiquetas chamadas RFID, que transmitem ondas sonoras. Quando o cliente começa a experimentar as roupas que têm essa etiqueta, um dispositivo no provador lê as informações e começa a tocar músicas que têm a ver com o estilo das roupas, como clássico ou rock. “Aquela música te toca de uma maneira que você nem percebe”, comenta o consultor. As etiquetas RFID começaram a ser usadas de maneira forte nos Estados Unidos e entraram no Brasil recentemente. Além de ferramentas úteis para o marketing sensorial, elas dão agilidade ao empresário, pois transmitem, em tempo real, a informação da venda e a necessidade de reposição do estoque. Para Dalquano, o Sebrae realiza um papel importante ao apresentar essas tecnologias para o empresário de pequeno porte, por meio de missões ou de cursos e workshops. “O nosso papel é levar toda essa tecnologia acessível à pequena empresa. Porque existe uma preocupação nossa em desmistificar a ideia que a tecnologia custa caro”, explica. Na opinião dele, o comerciante não precisa adotar a tecnologia, mas é necessário entendê-la. Outra ferramenta importante de marketing sensorial é a iluminação, cuja principal tendência é o uso de lâmpadas LED. O custo de instalação pode ser mais caro, mas apresenta importante economia, durabilidade e possibilita efeitos interessantes para o comerciante, como mudar de intensidade e cores durante o dia e à noite. “Isso atrai o cliente pela inovação. A iluminação será um fator fundamental daqui para frente para destacar o produto, mudar o ambiente de loja, marcar o nome da empresa”, prevê.

Mudanças planejadas Partir para o varejo ‘inteligente’ não implica, necessariamente, na adoção de tecnologias dispendiosas. Dalquano diz que a inteligência também está na compreensão dos dados que o próprio estabelecimento gera, tanto os financeiros, quanto as informações sobre o comportamento do consumidor na loja. “O banco de dados tem que ser olhado como uma maneira de criar relacionamento com cliente”, ensina, dando como exemplo a Rede Macy’s, dos Estados Unidos. “A Macy’s conseguiu desenvolver malas diretas específicas para o perfil do cliente onde a unidade está localizada. E não massifica a mala direta.” No caso da empresa norte-americana, a comunicação depende das necessidades ou do cotidiano de compra dos clientes. “Isso é ser um varejo ‘inteligente’. Entender o consumo que acontece na loja e transformá-lo em uma estratégia de negócios”, frisa.

Tendência

Foto: Luiz Costa/La Imagen

‘Cara’ nova

A forte concorrência e um novo perfil de cliente, muito mais informado e crítico, têm contribuído para mudar também o varejo, que se torna cada vez mais inovador e ‘inteligente’ no Brasil. Ponto para o comerciante que descobriu que a sua loja tem mais chance de se destacar ao torná-la atraente, funcional e proporcionar ao consumidor uma experiência de compra. Afinal de contas, entender como proporcionar ao cliente uma experiência de compra é fundamental para o sucesso nos negócios.

O marketing sensorial consegue analisar o perfil do cliente e, a partir desse perfil, estabelecer estratégias para aumentar as vendas

A análise desses dados é uma ferramenta que ajudará o comerciante a descobrir maneiras para convencer o cliente a comprar mais no momento em que está transitando no estabelecimento. A lição básica é criar condições para que o consumidor permaneça mais tempo na loja e, assim, ter disposição de se encantar e comprar. Por isso, as lojas estão ficando cada vez mais confortáveis, com poltronas, cadeiras, revistas, cafés. Dalquano lembra que quanto mais tempo o cliente permanecer no local, haverá mais chance dele sentir necessidades que não tinha anteriormente. “Os empresários de micro e pequenas empresas podem usar esse tipo de estratégia. Não quer dizer que vão ter que aumentar a loja. Mas podem aprender com essas experiências.” O tíquete médio e a taxa de conversão são outras ferramentas importantes de informação, que já estão nas mãos dos comerciantes. Enquanto o primeiro traz o volume de vendas de um determinado período, a outra mostra a diferença entre os clientes que entraram na loja e aqueles que realmente compraram. “Se 100 pessoas entraram na loja e 20 compraram, minha taxa de conversão é de 20%. O que eu preciso fazer para melhorar a minha taxa de conversão? Melhorar o ambiente da loja, o atendimento, rever política de preços? Enfim, tentar entender por que os outros 80 não compraram é varejo ‘inteligente’.” 55


As inovações não param por aí. O próximo passo é investir na iluminação, música ambiente e em um novo layout que mude a disposição dos produtos e das prateleiras. “Se o cliente fizer uma caminhada mais longa para chegar ao caixa, aumentam as chances dele fazer uma compra por impulso”, ensina.

Edson de Souza Lima Júnior, especialista em marketing olfativo

Regina reconhece que não é fácil mudar uma empresa com tradição no mercado. “Existe uma fase de resistência a mudanças e para conseguir introduzir novos processos é preciso ter uma persistência muito grande.” Mas o esforço está compensando, diz a empresária. “Eu quero chegar a um modelo de loja que vi nos Estados Unidos em que o cliente tem prazer em comprar.” O marketing olfativo também foi eleito pela Los Angeles Estética e Bem-Estar para ressaltar a marca. O aroma escolhido tem notas relaxantes e suaves. O objetivo inicial com a utilização da ferramenta foi alcançado: as clientes reconhecem e associam o perfume à clínica. Na opinião da proprietária, Júlia Loyo-

la, é uma solução sutil com bons resultados: “Ele (marketing olfativo) não traz resultados imediatos como um anúncio. Mas cria uma associação direta com a nossa marca.” O Cemitério Vertical de Curitiba também busca novas estratégias de marketing no atendimento às famílias que procuram a empresa para sepultamento de parentes. A primeira mudança foi a adoção de um aroma específico que trouxesse tranquilidade. “É um cheiro agradável, que lembra relva”, comenta o diretor-presidente da empresa, Newton Cabral Fernandes. Ele explica que uma reforma está sendo feita para tornar o local mais acolhedor, fugindo do ambiente frio dos cemitérios comuns. Para isso, novas soluções em iluminação, cores e papel de parede estão sendo projetadas. Newton Fernandes reconhece que dificilmente alguém gosta de ir a um cemitério, mas ele espera que os novos detalhes, que transmitem sensações agradáveis, incentivem os familiares a voltarem para visitar o local onde familiares e amigos foram sepultados.

Foto: La Imagen

Ela conta que por meio do Varejo Mais frequentou cursos e recebeu consultorias na área de finanças, atendimento, marketing, entre outros. “É muito importante para uma pequena empresa evoluir dentro do mercado”, comenta. A Auto Vidros Curitiba nasceu em 1954 e foi adquirida pelo pai da comerciante há 30 anos. Hoje, a administração está sob a responsabilidade de Regina e mais dois irmãos.

Uma das estratégias já adotada pela Auto Vidros, há cerca de seis meses, é o marketing olfativo, com a utilização de um perfume específico para o estabelecimento. Na opinião de Regina, a ferramenta é um sucesso. “Os clientes percebem o per56

Foco – Cenários & Tendências, evento realizado no Sebrae sobre as novas tendências do varejo

Para o representante paranaense da Biomist, Edson de Souza Lima Júnior, há mercado potencial para crescer muito na Capital. “Duzentos e vinte clientes é um número pequeno, se considerarmos que Curitiba tem 13 shoppings”, analisa. Ele acredita que o boom do marketing olfativo no País acontecerá dentro de quatro ou cinco anos e aposta no fato do brasileiro ter se tornado o maior consumidor de perfumes do mundo.

A grife de roupas desenvolveu a linha de perfumaria e 15 mil frascos foram vendidos no primeiro ano. Segundo o representante da Biomist, o faturamento bruto com o perfume chegou a R$ 2 milhões.

Edson Lima Júnior diz que o marketing olfativo pode ser usado em qualquer ponto comercial. “É uma estratégia em que você utiliza uma fragrância para estimular as vendas ou criar uma sensação, uma experiência de consumo mais especial para o seu cliente”, acrescenta.

Pelo menos 220 empresários de Curitiba já descobriram o poder que o perfume desperta em seus clientes. Esse é o número de estabelecimentos atendidos pela unidade local da

A empresária Regina Maria Turek, da Auto Vidros Curitiba, ‘abraçou’ um desafio no ano passado: proporcionar uma boa experiência de compra aos clientes que vão à sua loja. O detalhe: boa parte deles procura o serviço porque teve o vidro do carro quebrado em alguma uma situação desagradável, como, por exemplo, um furto. Regina procurou o Sebrae/PR, inscreveu-se no Programa Varejo Mais, parceria com o Sistema Fecomércio/PR, e até viajou para Nova York como parte de uma missão técnica, experiência que ela resume em uma palavra: fantástica. Na opinião dela, a viagem traz muitas ideias para os negócios.

sentia o cheiro da Vila. Foi criado um vínculo tão forte com os clientes que eles começaram a pedir para comprar o perfume”, conta.

A Biomist tem sede em São Paulo e, apesar de o marketing olfativo ter começado a se desenvolver por aqui nos últimos dez anos, o conceito já é usado pela Nike desde a década de 1960, nos Estados Unidos. A gigante grife esportiva financia pesquisas nesse setor.

O perfume de uma marca

Inovar para melhorar

Biomist, especializada em marketing olfativo e aromatização de ambientes. Em todo o País, são 6 mil clientes.

Ele explica que a parte do cérebro que processa os aromas é o sistema límbico, que também é responsável pelas emoções. “Uma série de estudos demonstra que 75% do que a gente tem de emoção é necessariamente vinculado com a ideia de um cheiro. Por isso, a gente lembra de uma sensação ruim quando pensa em um cheiro de cemitério, de velório, de hospital. Porque o seu cérebro associou o cheiro a uma lembrança emocional muito ruim. Mas do mesmo modo ele pode transmitir uma lembrança boa. É comum as pessoas lembrarem da primeira namorada, praia, avó, por causa de um cheiro específico. A gente cria esse vínculo emocional muito forte através do aroma.” Os atributos do perfume viraram ferramentas de varejo. A pessoa que entrou em uma loja, teve uma boa experiência de consumo, vai relacionar o cheiro com a sensação de satisfação atendida. Quando voltar à loja e sentir novamente o perfume, há uma melhor predisposição para comprar novamente. Edson Lima Júnior lembra que a proposta é buscar uma logomarca olfativa. Entre os grandes clientes nacionais da Biomist estão a loja de chocolates Kopenhagen, a Construtora Odebrecht, o Hospital Sírio Libanês e a loja de roupas Vila Romana. Edson Lima Júnior conta que a Vila Romana se transformou em um importante caso para a Biomist devido à força que a sua identidade olfativa conquistou. Depois que aromatizou o ambiente, a Vila Romana usou o perfume para borrifar os produtos nas embalagens. “Quando a pessoa chegava em casa e abria a sacola,

Conforme o especialista em aromatização, o marketing olfativo é uma ferramenta barata e pode ser usada por lojistas de pequeno porte. Há planos mensais de R$ 45, porém, 80% dos clientes de Curitiba gastam R$ 140 por mês com o serviço. O perfume é liberado no ambiente por meio de um aparelho instalado na parede que borrifa automaticamente o aroma. Pode-se encomendar um perfume exclusivo, que custa entre R$ 3.500 e R$ 5.000, ou escolher um perfume da linha comum. Os aromas exclusivos são desenvolvidos sob enco-

Foto: La Imagen

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

fume, comentam e perguntam sobre o aroma.” A empresária conta que estuda a confecção de pequenos sachês perfumados para carros com o mesmo cheiro, para serem comercializados na loja. Na opinião dela, o perfume aumenta o desejo das pessoas em permanecer mais tempo no lugar.

A pessoa que entrou em uma loja e teve uma boa experiência de consumo vai relacionar o cheiro com a sensação de satisfação atendida

Júlia Loyola, empresária menda por casas de perfumaria internacionais. Depois eles são fabricados em São Paulo. A escolha do aroma leva em conta a proposta que a marca pretende transmitir, como sofisticação, criatividade, relaxamento, calma e paz. “A gente precisa entender o produto que a empresa vende, conhecer a decoração da loja, a música ambiente”, exemplifica. A Biomist foi convidada por uma doutoranda de São Paulo a participar de uma pesquisa em que se procurou medir o crescimento das compras em uma loja que adota o marketing olfativo. Segundo Edson Lima Júnior, o perfume foi utilizado em uma das 90 unidades de uma rede e, nos meses de junho e julho, o estabelecimento vendeu 33% a mais do que se esperava.

Saiba mais Informe-se sobre varejo lendo os livros “Vamos às compras”, de Paco Underhil (Editora Campus); “A lógica do consumo - verdades e mentiras sobre por que compramos”, de Martin Lindstrom (Editora Nova Fronteira).

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Novidades

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

Prova dessa preocupação dos pequenos em produzir novidades para o mercado são as 55 empresas paranaenses, selecionadas há dois anos e meio por um edital do PAPPE Subvenção Paraná. Trata-se de um consórcio institucional formado pelo Sebrae/PR, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Paraná (IBQP-PR), para captar recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, destinados ao desenvolvimento de projetos inovadores.

Renato Bianco, empresário

Pequenas, mas inovadoras Empreendedores do Paraná lançam inovações para a agroindústria, eletrônica, meio ambiente, metalmecânica, nanotecnologia, plástico e TIC

Por Maigue Gueths

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Ao todo, o PAPPE recebeu 332 inscrições de empresas em busca de recursos para colocar suas ideias em ação. Para selecionar os empreendimentos, uma equipe formada por mestres e doutores, voluntários de diversas universidades paranaenses avaliou e selecionou as melhores propostas. As 55 empresas receberam em média R$ 237 mil cada uma, para aplicar no processo de desenvolvimento de novos produtos, serviços e processos, um total de R$ 13 milhões investidos pelo consórcio PAPPE. “Houve muito interesse das empresas. Foram escolhidos os projetos mais inovadores e relevantes em termos mercadológicos. Mas ainda temos uma demanda reprimida de 277 empresas, com recursos na ordem de R$ 70 milhões. Se considerarmos que 20% a 30% dessa demanda seriam excelentes projetos, significa que seriam necessários mais R$ 14 milhões a R$ 21 milhões”, contabiliza o consultor do Sebrae/PR, Aloísio Cerqueira. As ideias inovadoras selecionadas oferecem melhorias nos setores da agroindústria, eletrônica, meio ambiente, metalmecânica, nanotecnologia, plástico, saúde e Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). A diversidade de ideias é grande. Há, por exemplo, um projeto que prevê a realização de exames para detectar doenças em gado leiteiro sem precisar enviar amostras para laboratório. Ainda no setor veterinário, outra inovação é a realização de exames para identificar o sexo do embrião em equi-

nos e bovinos ainda na gestação. Outras inovações referem-se à diversificação do coco e sua produção em larga escala, e o uso da biotecnologia para garantir qualidade em mudas de banana.

Mercado

Novas tecnologias para o mercado não são exclusividade de grandes corporações. Os empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas também têm agregado novos conceitos e desenvolvido projetos inovadores.

Para ele, os resultados dessa primeira chamada pública são um indício de que um próximo edital terá uma procura ainda maior. “Agora que já é de conhecimento do empreendedor que há esta possibilidade de obter recursos, imagina quantas empresas não devem participar de um outro edital? Fico imaginando qual seria o montante de recursos necessário agora para atender à demanda de um público que agora está mais consciente dessa possibilidade”, avalia. Esse grande interesse, na verdade, já era esperado, uma vez que o maior problema para os pequenos é justamente a obtenção de recursos para investir em inovação e tecnologia. “É muito difícil para os pequenos. Quando que o empresário de pequena empresa vai conseguir disponibilizar recurso desta ordem (R$ 237 mil, como foi a média do primeiro edital) para investir em novos produtos e tecnologias. Onde conseguir esses recursos?”, questiona. Por isso, ele acredita que o PAPPE foi e é o caminho certo que a FIinep encontrou, por meio de parceiros (no Paraná, o Consórcio PAPPE), para lançar editais que permitam a participação dos empresários de pequenos negócios se candidatarem a recursos de subvenção econômica.

Ao todo, o PAPPE recebeu 332 inscrições no Paraná, de empresas em busca de recursos para colocar suas ideias em ação

“O caminho é esse, obter recursos das instituições de fomento à inovação, disponibilizando por meio de editais para os empresários de pequenas empresas, vigiando, monitorando e orientando para que deem resultados efetivos”, diz. E os resultados para essas 55 empresas não podiam ser melhores, e os frutos já aparecem no faturamento delas. Até julho deste ano, após dois anos de desenvolvimento de seus projetos, as empresas já tinham faturado recursos na ordem de R$ 2,6 milhões e a expectativa é fechar 2012 com um faturamento acumulado de todas as empresas juntas de R$ 11,7 milhões. Outro indicativo dos bons resultados foi o registro de 30 pedidos de patentes, o correspondente a 60% das empresas que participaram do processo. Houve, ainda, nove registros de marcas de produtos. “É a prova de que investir na pequena em-

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Foto: Fabio Conterno/La Imagen

veículo em qualquer local ou momento e não apenas em balanças de pesagem fixas, como é feito hoje. Para ela, o PAPPE foi essencial. “Sem o edital, talvez, nem tivéssemos começado a desenvolver o produto, porque para uma empresa pequena como era a nossa é muito difícil conseguir levantar recursos no mercado. Foi a realização de um sonho.”

Oportunidade para inovar

Outro indicativo de bons resultados foi o registro de 30 pedidos de patentes, o correspondente a 60% das empresas que participaram do processo

Impulso que faz crescer

Até julho deste ano, após dois anos de desenvolvimento de seus projetos, as empresas já tinham faturado R$ 2,6 mi

Quem tem motivos de sobra para comemorar é a administradora de empresas Eliane Rezende e o engenheiro-eletrônico Claudinei Donato, sócios da Inove Tecnologia e Sistemas, uma pequena empresa de Cascavel, no ramo de prestação de serviços na área de engenharia eletrônica, controle e automação. A Inove recebeu um novo impulso após ser contemplada pelo edital do PAPPE. Quando saiu o edital, a Inove estava incubada na Fundação Tecnológica e Científica (Fundetec), a incubadora do município. Eliane conta que a empresa já fazia projetos eletrônicos para terceiros, mas seu objetivo sempre foi desenvolver um produto próprio. Assim, com um faturamento abaixo de R$ 100 mil, a primeira ação foi encubar a empresa. “Na sequência, saiu o edital do PAPPE e mesmo sem muita esperança, porque nossa empresa era muito pequena, nós resolvemos participar”, lembra.

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Graças ao edital, a Inove acabou se associando à outra empresa, a Seva Engenharia Eletrônica S/A, o que veio agregar mais aporte financeiro para desenvolver e tornar mais competitivo o projeto original da Inove: um sistema de pesagem para caminhões, ônibus e veículos de carga em geral.

Catálogo Em agosto, o Sebrae/PR e a Fiep lançaram o catálogo “PAPPE – 50 ideias de Inovação no Paraná”, que reúne 50 dos 55 projetos selecionados pelo edital. A ideia é mostrar as novas tecnologias a empresários, representantes comerciais e potenciais investidores que buscam novidades no mercado. A publicação, que está disponível para consulta e download no www.pappe.com. br, também serviu de guia para os participantes do evento Novas Ideias, Novos Negócios, organizado pelas duas entidades e realizado em agosto em Curitiba. No evento, seis empreendedores selecionados fizeram um relato de suas inovações. Também houve rodadas de negócios, onde potenciais investidores, clientes e fornecedores puderam se reunir com os empresários e prospectar e fechar negócios.

Ele explica que o Fuel Monitor é um dispositivo eletrônico que mede os estoques dos tanques e o fornecimento das bombas, captura essas informações e as disponibiliza na internet, em tempo real para o usuário.

“A incorporação da Inove pela Seva foi muito importante, porque para nós seria muito difícil colocar o produto no mercado. A Inove ganhou corpo. A Seva nos deu apoio tecnológico, apoio comercial, porque eles já tinham uma rede de distribuição”, avalia Elaine. O produto, segundo ela, ainda está em desenvolvimento, mas deve ser lançado até janeiro de 2013. Com todas essas mudanças, conta, a expectativa é fechar 2013 com um faturamento de R$ 3 milhões, ou seja, 30 vezes maior do que a empresa tinha antes. O produto criado pela Inove recebeu o nome de Ideal. “É uma inovação no processo de pesagem de cargas”, diz Eliane, explicando que trata-se de um monitor de carga. Por meio de sensores instalados diretamente nos veículos e interligados a um computador de bordo, é possível verificar o peso da carga e o total do

“Eu sabia que a inovação é o futuro para as empresas, que quem não inovar, vai sucumbir. E o movimento do Sebrae, o edital, acendeu uma luz da oportunidade de inovar”, diz o empresário Renato Bianco, bacharel em Ciências da Computação. A T.Info participou do edital com a proposta de desenvolver o Fuel Monitor, uma ferramenta online que permite controlar as vendas das bombas de combustível e, ainda, os estoques dos tanques. Ele conta que a ideia surgiu ao perceber a dificuldade das empresas em gerenciar seus estoques de forma mais moderna. “Vimos que as empresas usavam sistemas de gestão baseados em relatórios, papel, planilhas, e então criamos um produto com a conectividade do mundo atual”, resume.

Eliane Rezende, empresária presa dá muito certo. Graças ao edital, temos empresas investidas, vendendo produtos, vencendo licitação da Petrobras, como já aconteceu com uma delas. São números relevantes para micro e pequenas empresas”, comemora o consultor.

Outra empresa que soube aproveitar a oportunidade para obter recursos e desenvolver uma nova tecnologia foi a T. Info – Tecnologia da Informação, empresa curitibana que tem como foco a criação de softwares de automação para o segmento de distribuição de combustíveis.

tores do Sebrae/PR, da Fiep. Foi esse acompanhamento, aconselhamento que nos permitiu melhorar a gestão do negócio”, conclui.

A ideia inicial era oferecer o produto para postos de combustíveis, mas durante os dois anos de desenvolvimento da tecnologia, a empresa acabou percebendo um mercado corporativo muito grande para uso em indústrias, refinarias, garagens de ônibus, enfim, em empresas que possuem frotas de veículos.

Catálogo PAPPE – 50 ideias de Inovação no Paraná

Hoje o aplicativo já está no mercado, atendendo seu primeiro cliente: uma refinaria da Petrobras. “Agora que vamos começar a vender”, diz Bianco, ressaltando que o edital foi crucial para alavancar o seu projeto. “Além do investimento financeiro, foi o que nos permitiu ter acesso ao grande número de consul-

Saiba mais Site do PAPPE www.pappe.com.br Blog Inovação e Estratégias Empresariais (informações e orientações sobre Inovação e Tecnologia, Mercado, Serviços Financeiros e Políticas Públicas) http://blogs.pr.sebrae.com.br/portal/ site/BlogsProd/inovacao Livro “O Poder do Agora”, de Eckhart Tolle, editora Sextante. Livro “Estratégia do Oceano Azul”, de W. Chan Kim e Renée Mauborgne, editora Campus.

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Valéria já reuniu informações e aprendizado para montar o seu negócio e diz que essa formação seria muito mais difícil se tivesse que buscar apenas cursos presenciais. “Hoje me sinto muito mais preparada”, afirma, revelando que já está reformando o espaço para abrir o próprio negócio.

Aproveitar bem o tempo é algo que todo mundo quer e precisa. Encontrar soluções para uma melhor gestão do tempo disponível é uma questão essencial, tanto na vida pessoal quanto profissional.

Não é de hoje que os cursos a distância fazem sucesso, mas não há como negar que a internet facilitou esse processo e o acesso à informação. “Estamos percebendo há algum tempo uma mudança no comportamento dos empreendedores, onde a falta de tempo disponível para se capacitar é a principal dificuldade em participar de treinamentos presenciais”, conta o consultor do Sebrae/PR, João Luis de Moura.

Foto: Luiz Costa/La Imagen

A advogada Valéria Reschette analisava justamente essa situação quando sentiu necessidade de uma especialização em outra área, que não a de sua atuação, mas não tinha tempo disponível para fazer cursos presenciais: optou pelo ensino a distância.

Valéria Reschette, candidata à empresária

Ensino

corporativo a distância É cada vez maior o número de empresários e candidatos a empresário que optam por formas alternativas de adquirir conhecimento

Por Katia Michelle Bezerra

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E é cada vez maior o número de empreendedores e empresários que usam essa ferramenta para especializar-se tanto na sua área quanto para buscar novos caminhos profissionais. Valéria sempre atuou como advogada, mas sonha em abrir um buffet infantil. Preocupada com a formação e em como equilibrar sua atual função como advogada com novos estudos, optou por cursos a distância. “Assim eu pude administrar meu tempo”, conta. Acessou o site do Sebrae e viu que era possível fazer cursos sem sair de casa. “Eu faço os cursos no meu próprio tempo, dentro do período determinado pelo Sebrae e isso me permite estudar em casa, nos finais de semana.” O primeiro curso a ser acessado por ela foi “Aprender a empreender”. “Foi muito importante para mim porque aprendi termos e conceitos que eu desconhecia e o meu sonho foi ficando mais perto de virar realidade”, comemora. Desde que fez o primeiro curso virtual, Valéria já se matriculou em outros dois cursos, mais específicos para o negócio que deseja abrir.

Capacitação

No seu tempo

O ensino a distância é uma ferramenta cada vez mais utilizada para driblar a falta de tempo. No mundo corporativo, ganha cada vez mais espaço. O candidato a empresário ou empresário já constituído, que fará às vezes de aluno, no entanto, não pode esquecer um fator fundamental: a dedicação e a vontade de aprender.

Em tempo real

Para ele, essa falta de tempo está relacionada à dificuldade de equilibrar a vida profissional e pessoal. “Na prática, não sobra tempo para participar de uma capacitação presencial”, diz. Mas esse novo comportamento também permitiu que o Sebrae buscasse novos caminhos para atender a esse público. Um modelo de ensino a distância ainda mais especializado e focado nas necessidades dos empresários de micro e pequenas empresas. “Começamos a pesquisar alternativas que pudéssemos oferecer para levar conhecimento aos nossos clientes. Foi quando decidimos fazer vídeos de curta duração que tenham um aspecto mais ‘ferramental’, ou seja, um vídeo com dicas práticas com no máximo cinco minutos de duração”, conta João Luis.

“Fiz outros cursos presenciais também e percebi o quanto os cursos a distância me ajudaram a estar mais preparada para esse novo negócio.”

E quem não quer mais informação em um período de tempo assim tão curto? Foi para atender essa expectativa que o Sebrae/PR lançou o Programa Sebrae Pocket que aborda as principais dúvidas dos empresários em apenas cinco minutos. O conteúdo, para empresários de micro e pequenas empresas do Paraná com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), é apresentado por especialistas, funcionários do próprio Sebrae/PR, de forma simples e dinâmica.

Ela ressalta que, diferente de apenas assistir às aulas, existe uma interatividade que é muito importante para formação. “Você pode assistir quantas aulas quiser e também participar de fóruns de discussão com os professores e outros alunos. A troca de informação é muito grande”, diz. Além disso, complementa, os próprios professores indicam a biblioteca virtual do Sebrae, onde é possível acessar as obras e ampliar o conhecimento sobre o tema que está buscando.

“O objetivo é estimular aprendizagem dos empresários com dicas práticas e possíveis de serem aplicadas”, avalia o consultor. Mas e se surgirem dúvidas? O projeto dá possibilidade de ampliar o conhecimento depois da exibição dos vídeos, ou seja, um complemento da atividade virtual. “O Sebrae/PR, além do seu atendimento a distância oferece cursos e consultorias que vão ajudar o empresário a programar mudanças em sua empresa”, responde João Luis.

Encontrar soluções para uma melhor gestão do tempo disponível é uma questão essencial, tanto na vida pessoal quanto profissional

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Sebrae Pocket

Os temas são escolhidos a partir de um levantamento feito pelo Sebrae/PR, que identifica os assuntos mais recorrentes no atendimento aos empresários. A partir desse levantamento são selecionados temas com mais afinidade aos empresários de micro e pequenas empresas. O Sebrae Pocket Microempresas, por exemplo, já tem vídeos disponíveis com os temas: “Como identificar se a minha empresa está tendo lucro?”; “Como divulgar a minha empresa no Facebook?”; “Como elaborar um folder para minha empresa?”; “Como obter uma linha de crédito para a minha empresa?” e “Como encontrar funcionários?”. O Sebrae Pocket Pequenas Empresas já exibiu vídeos com os temas “Como elaborar o plano orçamentário da minha empresa?”; “Como faço para me tornar um franqueador?”; “Como faço uma pesquisa de satisfação dos clientes que atendo?”; “Como gerar inovação na minha empresa?”; e “Como implantar um modelo de excelência de gestão na minha empresa?”.

O aluno é o seu próprio gestor E como saber se o material está sendo bem aproveitado? Este não é um tema do Sebrae Pocket, mas é uma pergunta que muita gente 64

pode se fazer. Para o consultor do Sebrae/PR João Luis, o retorno sobre o Programa tem sido excelente. “O fato dos vídeos estarem à disposição no momento em que o empresário precisar, e com temas pertinentes ao dia a dia em suas empresas, tem nos proporcionado essa boa avaliação”, diz. O aproveitamento, no entanto, depende muito da dedicação do “aluno”. Adriano Augusto Krzyuy é diretor-executivo de uma empresa de tecnologia e também é professor no polo da União Latino-Americano de Tecnologia, que oferece cursos de pós-graduação a distância. Para ele, os cursos a distância podem solucionar uma dificuldade vigente no Brasil atualmente, que é a falta de mão de obra qualificada. “Isso no setor de tecnologia é uma realidade. Falta mão de obra especializada, por isso a demanda por cursos a distância tem sido crescente.” As vantagens perpassam pelo tempo ganho e pelo custo benefício. “Em qualquer área, fazer um curso a distância é mais barato, não tem o próprio custo de deslocamento e o aluno ganha tempo. Pode estudar nos seus horários livres”, analisa.

Essa “liberdade”, no entanto, só funciona se o empresário, empreendedor ou aluno que optar pelo ensino a distância tiver disciplina e educação para aprender. “Depende muito da pessoa. Ela precisa ser disciplinada. Ter uma rotina de horário e entender o que está sendo transmitido”, ensina o professor.

Saiba mais Para conferir os vídeos do Sebrae Pocket, basta o empresário acessar o site do Sebrae/PR (www.sebrae.pr.com.br), cadastrar CNPJ, fazer o download dos vídeos e assisti-los em seu computador. O programa é para empresários de micro e pequenas empresas do Paraná. Também é possível ligar para a Central de Atendimento (0800 570 0800) e solicitar os vídeos em DVD para receber em sua empresa.

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Foto: Luiz Costa/La Imagen

Essa realidade, no entanto, foi mudando à medida que a família percebeu uma alteração no comportamento do consumidor e no próprio mercado da panificação em Curitiba. Para a família, crescer, sem perder a qualidade se tornou um dos principais desafios. Desafio compartilhado pela maioria das padarias da cidade, já que há cerca de duas décadas esse mercado vem sofrendo mudanças significativas. Somente no ano passado, o setor cresceu 12%, segundo dados do Sindicato na Indústria de Panificação e Confeitaria do Estado do Paraná (SIPCEP). Em parceria com o Sebrae/PR, o Sindicato levantou dados que mostram que, assim como a família do Fábio, pensar (e realizar) a mudança é muito mais do que uma questão de crescimento. É uma questão de sobrevivência no mercado.

Fábio Nunes da Silveira, empresário

Mãos à massa Padarias se profissionalizam e buscam novos segmentos para atender consumidores cada vez mais exigentes

Por Katia Michelle Bezerra

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De acordo com o presidente do SIPCEP, Vilson Felipe Borgmann, o mercado de panificação está em ascendência, mas é preciso examinar com atenção as mudanças do mercado e do perfil do consumidor. “Em função do clima, os curitibanos consomem mais pães, mas não querem mais encontrar na padaria só um pãozinho. Querem encontrar serviços diferenciados.” Para Vilson, buscar atualizações constantes é a principal forma de atingir esse novo consumidor. “Há dez anos, o consumo do pão está estabilizado no mercado, então as padarias precisam buscar outras formas de atender o cliente. A concorrência está grande”, constata Vilson.

tendendo que precisava se profissionalizar também em outras áreas. Foi percebendo que, para gerenciar o próprio negócio, era preciso mais informação”, diz. Foi o que aconteceu com o Fábio, sócio-proprietário da Tutti Pães. Fábio, que começou nos negócios da família, percebeu a necessidade de modernizar-se e há cinco anos abriu uma nova loja que oferece, além dos já tradicionais pãezinhos e doces, serviços como buffet de café da manhã, buffet por quilo na hora do almoço e sopas. A loja tradicional, aberta pela família há 15 anos, continua no mesmo local, mas já está sendo reformada com o mesmo perfil do segundo empreendimento.

Capacitação

Qualidade

Há 15 anos, o empresário Fábio Nunes da Silveira trabalha na área da panificação. Começou como padeiro, assim como o seu pai. E por muito tempo, ele e a família atuavam no modelo tradicional da padaria: vendiam pães e doces e, na própria loja, se revezavam entre a cozinha, o atendimento e o caixa.

“Desde 2004, procuramos os cursos do Sebrae/PR para realizarmos treinamentos, que percebo que cada vez mais devem ser constantes.” “Não tem escapatória, se você quer crescer, é preciso qualificar-se.”

O mercado Desde 2010, o Sebrae/PR trabalha com um projeto específico de panificação. Intitulado Padaria Cinco Estrelas, a proposta tem o objetivo de levar excelência aos empresários do ramo, em questões relacionadas à gestão dos negócios. Somente em 2012, cerca de 50 empresas de Curitiba participaram. Segundo dados levantados pelo Sebrae/PR, existem 4 mil padarias no Paraná, 1,2 mil concentradas em Curitiba. O segmento, no entanto, tem projeção ímpar de crescimento. “Nosso estudo aponta que em 2020 já chegaremos a 2 mil padarias apenas na Capital”, reforça o consultor do Sebrae/PR, Marcelo Cantero de Castro, ressaltando que a panificação está entre os seis maiores segmentos industriais do Brasil.

Ele ressalta que existem grandes redes de supermercados se especializando em panificação. Por isso é importante, cada vez mais, evoluir e buscar novas formas de atuação.

“O crescimento é visível, mas é preciso entender o mercado e as mudanças de hábitos dos consumidores”, enfatiza. Para ele, o consumidor busca serviços mais práticos, quer passar na padaria após o expediente e não levar apenas um pãozinho francês, como era o hábito antigamente. “O consumidor quer pizza, sopas, uma comida pronta e prática.”

Segundo dados do SIPCEP, 40% das empresas de panificação que existem em Curitiba hoje nasceram de famílias tradicionais de padeiros, que foram passando de geração em geração. “O padeiro fazia tudo, do pão ao atendimento, mas foi en-

E para atender esse consumidor, é necessário que o empresário se adeque à realidade. “Oferecer serviços até para eventos, por exemplo, depende do que o empresário quer conquistar”, diz. Por isso, o Sebrae/PR oferece um programa

Cursos de acompanhamento para melhorar o controle da empresa, planilhas e indicadores ajudam a aumentar a lucratividade

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com soluções em diversas áreas de gestão. Desde o Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Empresas até programas específicos como o Padaria Cinco Estrelas.

Foto: Luiz Costa/La Imagen

“Abordamos as possíveis soluções do mercado, oferecendo palestras, treinamentos, informações e até viagens técnicas para entender esse mercado que se transforma com a mudança dos hábitos do consumidor.” Tanto que para ele o Padaria Cinco Estrelas é um conjunto de soluções para quem quer crescer.

Especialização constante Pedro Farinha Neto é o gerente administrador da Família Farinha, de Curitiba. A família trabalha no ramo há 56 anos e Pedro, desde criança, percebeu as modificações constantes que foram necessárias para a padaria continuar no ramo atendendo com qualidade. “Sempre buscamos o melhor, mas também não queremos perder a nossa tradição.” Há 14 anos administrando a padaria, ele percebe a necessidade constante de atualização. “Cursos de acompanhamento para melhorar o controle da empresa, as planilhas e os indicadores ajudam a aumentar a lucratividade.” Portanto, buscar a especialização na opinião de Pedro é uma necessidade. “Nosso forte são pães, temos fabricação própria, mas também focamos em uma alimentação mais saudável, como salgados diferentes e rosbifes, por exemplo, para aquele cliente que quer levar para casa uma refeição mais completa.”

De olho nessa concorrência o sócio-gerente da Saint Germain, Heitor Côrtes Netto, busca constante renovação para o negócio. “Meu negócio são pães e doces, mas sentimos a necessidade de oferecer bem mais para um consumidor que também quer sempre mais.” Ele ressalta que a padaria foi uma das primeiras na cidade a vender revistas, além de outros serviços diferenciados, como manobristas, cartões de créditos, vinhos e outros produtos. “Também investimos na mão de obra qualificada, que hoje é um dos principais problemas e, claro, cuidamos para que o crescimento nunca afete a qualidade do nosso negócio.” Cuidar da higienização e limpeza e investir na matéria-prima dos produtos são algumas das características que fizeram com que a Saint Germain, que hoje tem quatro lojas em Curitiba e uma em São Paulo, esteja no ranking das melhores padarias do Brasil, num levantamento feito pela revista especializada Padaria 2000. Isso significa que, para se manter num mercado cada vez mais em ascensão – e com mudanças constantes – é preciso não parar no tempo e acompanhar essas mudanças, com treinamento, qualificação e buscando especialização profissional. Afinal, para ser ainda melhor aquele cafezinho da tarde, deve agregar cada vez mais na vida do consumidor e – por que não – trazer ainda mais lucratividade para os empresários. E isso só se conquista com formação.

Para ele, esse é o futuro para quem quer concorrer com as grandes redes que entram no setor de panificação, mas é preciso oferecer um atendimento ainda personalizado – entendendo o seu público – e manter a qualidade tradicional do estabelecimento.

Mudanças Quem tem mais de 30 anos lembra bem como eram os domingos há algumas décadas. Apenas algumas padarias abertas e as ruas tranquilas. O consumidor precisava se programar e selecionar os melhores locais para garantir o café da manhã e da tarde de domingo.

Pedro Farinha Neto, empresário

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Hoje o mercado mudou. Quase todos os supermercados abrem também aos domingos, oferecendo bem mais do que produtos de panificação.

Saiba mais Quer saber mais sobre o projeto para empresários do setor de panificação, ligue agora para o 0800 570 0800, do Sebrae/PR.

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Passo a passo

Para esclarecer futuros empresários sobre o que levar em consideração, ao se abrir uma nova empresa, o Sebrae/PR desenvolveu o aplicativo Trilha do Empreendedor, disponível para acesso via internet e a partir de aparelhos móveis, tais como smartphones e tablets. A consultora do Sebrae/PR, Adriana Schiavon Gonçalves, explica que o aplicativo atende à demanda de inúmeras pessoas que procuram a entidade em busca de um roteiro para iniciar um negócio próprio. “O aplicativo permite que o usuário teste conhecimentos de uma forma bastante lúdica. O Trilha do Empreendedor foi desenvolvido a partir de uma metodologia já utilizada na área de educação do Sebrae/PR”, comenta.

Trilha do Empreendedor

Game simula abertura de negócio Trilha do Empreendedor está disponível na internet, Android e IOS; futuros empresários esclarecem e testam conhecimentos em oito passos

Após preencher um cadastro rápido, o interessado escolhe as características desejadas para seu personagem virtual: sexo, cor de cabelo, roupa, cor de pele e carro. A primeira resposta a ser fornecida é se a ideia do negócio já está definida. Há três opções de escolha que retornam diferentes orientações. A seguir, o internauta é levado a informar qual é a situação sobre a localização da futura empresa. E o terceiro passo é uma reflexão sobre o montante de dinheiro necessário para instalar e administrar o negócio.

Caso o futuro empreendedor não tenha refletido sobre esse ponto é aconselhado a baixar um modelo de plano de negócios para que possa projetar os custos e entender a necessidade de recursos financeiros. “Muitas vezes, o futuro empreendedor opta por um local para funcionamento do negócio sem avaliar o quanto isso é importante”, explica Adriana Gonçalves. O quarto passo da Trilha do Empreendedor analisa o nível de conhecimento do candidato a empresário sobre o mercado e a atividade escolhida. A quinta etapa investiga se o empreendedor já realizou uma pesquisa junto aos possíveis fornecedores, clientes, concorrentes e governo. No sexto passo, é preciso dizer se as informações do futuro empreendimento estão organizadas, analisadas e prontas para serem levadas a uma consultoria de viabilidade. Somente no sétimo passo é que o registro da empresa é abordado. Por fim, o internauta é questionado sobre como a empresa será administrada. O resultado obtido é encaminhado por e-mail para que o futuro empreendedor examine as orientações calmamente. “O aplicativo Trilha do Empreendedor democratiza informações importantes sobre abertura de negócios, possibilitando que mais pessoas tenham acesso ao conhecimento. Além disso, poupa tempo de candidatos a empresários que comparecem pessoalmente ao Sebrae/PR para obter exatamente essas informações”, afirma a consultora do Sebrae/PR.

Serviço

Quando um empreendedor iniciante decide abrir um negócio pode não ter muito claro como e por onde começar. É comum pensar logo na legalização da nova empresa e ‘queimar’ algumas etapas anteriores que são fundamentais para o sucesso da atividade.

É comum pensar logo na legalização da nova empresa e ‘queimar’ algumas etapas anteriores que são fundamentais para o sucesso da atividade

Um dos itens questionados pelo game

Saiba mais O aplicativo Trilha do Empreendedor está disponível na Loja Apple: store.apple.com/BR no Google Play: https://play.google.com/store e no site: www.trilhadoempreendedor.com.br

Por Cleide de Paula

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A partir de agora, boa parte dos associados conta com equipamentos básicos que ajudam a melhorar a qualidade do café, como uma lavadora, descascadora e secadora. Se procurassem individualmente pelo fabricante, esse conjunto de máquinas custaria entre R$ 40 mil e R$ 50 mil. Porém, comprando em grupo uma quantidade maior, a economia chega a 20%. Odemir Capello, consultor do Sebrae/PR e gestor do Programa Cafés Especiais, destaca a importância da iniciativa e diz que juntas, respaldadas pela inovação e pela tecnologia, as propriedades do norte pioneiro paranaense têm agregado ainda mais valor aos cafés especiais. “A inovação é uma aliada importante, porque torna os produtores competitivos num mercado global e de extrema concorrência”, assinala Capello.

Hugo Raul da Silva, produtor rural

Tecnologia

no campo Núcleos de produtores de cafés especiais do Norte Pioneiro unem esforços e agregam tecnologias, equipamentos e serviços às propriedades

Por Adriana De Cunto

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Proprietário de oito alqueires de terras em Abatiá, Hugo Raul da Silva está animado com os resultados da compra em conjunto e também acredita nos resultados positivos trazidos pela inovação. Este ano, o agricultor adquiriu duas lavadoras, um secador e uma fornalha. “Foi uma boa negociação. Nós estamos investindo e melhorando a qualidade do nosso café”, anima-se. Ele toca a propriedade com a mulher e só contrata mão de obra na época da colheita. Hugo Raul da Silva descobriu que, juntando as forças com os vizinhos, a economia não se resume à compra de equipamentos. Pelo segundo ano consecutivo, o grupo se reuniu para comprar em maior quantidade adubos e defensivos. “Ano passado conseguimos 17% de desconto. Este ano, vai passar de 20%, sem falar da melhoria da qualidade do nosso produto”, comemora. Outro produtor de Abatiá que já comprou um conjunto de equipamentos é Natalício Zeferino de Siqueira, meeiro no Sítio São Francisco. No ano passado, ele comprou o descascador e a lavadora. Em 2012, juntou o secador às aquisições. “Está dando certo comprar em grupo. É muito mais barato”, confirma. Para o ano que vem, o núcleo desse município plane-

ja um passo maior, a compra de uma colheitadeira que será usada em conjunto.

Até mesmo o preço das análises de solo, que custa em torno de R$ 65 cada uma, está sendo negociado em conjunto, por um núcleo de produtores de Carlópolis. O resultado é um abatimento de até 25%. Odemir Capello afirma que o associativismo impulsionou a cafeicultura do Norte Pioneiro e, agora, um novo salto será dado graças à inovação e uso de tecnologias nas propriedades. “O trabalho coletivo é muito bom para os produtores, ainda mais quando focado em melhorias que levam à modernização produtiva.” Os exemplos de ações coletivas com foco em inovação não param. Ainda em Carlópolis, oito produtores se juntaram e também estão se organizando para comprar uma colheitadeira. O coordenador regional de projetos do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Otávio Oliveira da Luz, auxilia o pessoal no projeto para a compra da máquina, que pode custar até R$ 550 mil, se a opção for por um equipamento top de linha. Assim como toda atividade ligada à agricultura, é preciso paciência para esperar a hora certa de investir na compra de uma máquina tão cara. Otávio da Luz explica que a intenção é comprar durante a Feira Internacional de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Ficafé), que acontecerá de 7 a 9 de novembro, no Centro de Eventos de Jacarezinho. Trata-se do maior evento da cafeicultura paranaense e um dos maiores do Brasil com foco em cafés especiais. Segundo Otávio da Luz, geralmente nesse tipo de evento encontra-se boas oportunidades de negociação.

Associativismo

Foto: Wilson Vieira/Videopgraphic

Inovação

Produtores paranaenses do Norte Pioneiro descobriram que a inovação faz um café de melhor qualidade. Depois de criarem a Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (ACENPP), em 2008, eles desenvolveram uma cooperativa que se tornou o ‘braço’ comercial da entidade e, por meio dela, se juntaram em núcleos com o objetivo de agregar novas tecnologias às propriedades.

Boa parte dos associados conta com equipamentos básicos que ajudam a melhorar a qualidade do café, como lavadora, descascadora e secadora

Quem se prepara para a sua primeira compra de equipamentos em conjunto é Antônio Evangelista de Castilho, proprietário do Sítio Castilho, de 3,9 hectares. Ele planeja investir em tecnologia para levar para a propriedade os equipamentos básicos para separar e descascar os grãos de café. “Será ótimo a gente se unir para comprar equipamentos”, resume. Com isso, ele espera vender melhor o produto e aumentar a renda da família. Odemir Capello explica que atualmente o Norte Pioneiro tem 15 núcleos consolidados de produtores, sendo que sete foram formados este ano. “Até 2016 pretendemos ter entre 25 a 30 núcleos na região”, comenta. Os grupos existentes hoje representam os municípios de Ribeirão Claro, Carlópolis, Joaquim Távora, Ibaiti, Pinha-

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Os núcleos mais novos recebem a visita de um consultor do Sebrae/PR a cada 15 dias e os demais têm acompanhamento mensal. “Trabalhar com associativismo não é fácil. É preciso ter uma proposta muito clara”, explica o consultor. No caso do Programa de Cafés Especiais do Norte Pioneiro, os objetivos parecem estar bem definidos na mente dos produtores.

O apoio e a união dos parceiros em conjunto com a organização dos agricultores permitem uma solução inovadora para as comunidades

“Antes havia o paradigma de que o café do Paraná era de baixa qualidade. Hoje, isso não existe mais. Somos reconhecidos nacionalmente e, com o auxílio da inovação, nos consolidaremos como referência internacional”, afirma Odemir Capello. Ele lembra que há alguns anos os grãos produzidos no Norte Pioneiro abasteciam somente o mercado regional. “Agora, os compradores estão vindo até nós”, comemora, lembrando que 32 compradores internacionais visitaram, ano passado, a Ficafé. Odemir Capello conta que o Programa Cafés Especiais começou a ser discutido com os produtores em 2006, com realização de reuniões quinzenais, até que em 2008 foi criada a ACENPP. Um planejamento estratégico foi desenvolvido e os principais focos são o fortalecimento do associativismo, melhoria da tecnologia, da profissionalização, do marketing e, obviamente, do produto cultivado na região.

Café especial A ACENPP esclarece que o café especial é o produto beneficiado, grão cru, safra do ano em curso, de coloração verde característica (da safra do ano em curso), peneira igual ou superior a 16, com no máximo 10% de vazamento da peneira 15, tipo 2 a 4 (no máximo 26 defeitos), com teor de umidade máximo de 12% para café “cereja natural” e 11% para café “cereja descascado”, com seca uniforme, classificado como bebida mole e/ou estritamente mole, que atinja no mínimo 80 pontos na classificação da SCAA ( Associação Americana de Cafés Especiais). Para conquistar o mercado nacional e internacional é preciso um árduo trabalho que garanta certificações emitidas por instituições reconhecidas pelo mercado, no caso do Norte Pioneiro, a Fair Trade e 4C. Este ano, a região conseguiu junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) a obtenção do selo de Indicação Geográfica (IG). Assim, o café produzido

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no Norte Pioneiro tem reconhecida suas qualidades e conquistou identidade própria que o diferencia dos demais. O reconhecimento da IG deve-se ao esforço dos produtores da região e das entidades parceiras. Evoluir da produção de café comum para especial envolve muitas etapas. “A conquista mostra o sucesso de um trabalho coletivo. Ao ser reconhecido oficialmente, o café da região passa a servir de referência, como o que acontece com o presunto de Parma, com os vinhos de Bordeaux e Borgonha. A certificação vai ampliar a competitividade dos cafés especiais e abrir novos mercados”, afirma Capello. Segundo Otávio da Luz, a adequação de uma propriedade demora cerca de um ano. É preciso passar por treinamento junto a técnicos do Sebrae/PR, Emater e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que fazem acompanhamentos mensais. Tudo isso envolve novas técnicas de plantio, colheita, controle de pragas e doenças, além da melhoria da infraestrutura. Conquistada a IG, os produtores querem garantir agora a certificação das propriedades, processo que já foi iniciado.

Empresa rural Embora importante, a tecnologia não é garantia de produtividade e lucro se não houver uma mudança organizacional na propriedade. Hugo Raul da Silva é um exemplo de pequeno agricultor que reaprendeu a administrar o sítio visando à produção de um café de melhor qualidade para geração de renda e o desenvolvimento da região. Referindo-se à propriedade em que vive, ele explica que “antigamente era um sítio. Hoje, é uma empresa rural”. A transformação começou em 2009, quando ele passou a participar do Cafés Especiais. Hugo Raul da Silva fez cursos de empreendedorismo e de provador de café. “Antes eu não sabia o que estava vendendo. Hoje eu provo, sei a qualidade do produto”, avisa. Ele também aprendeu a importância de cuidar da propriedade de maneira bem mais organizada. “Temos um caderno de campo, onde tudo fica anotado. A gente está tocando a lavoura certinho”, orgulha-se. O café produzido nos sítios São Francisco e Castilho, assim como dos demais associados da ACENPP, está ajudando a reposicionar o Norte Pioneiro como importante produtor de café. Segundo a entidade, a região é responsável por 50% das 158 mil toneladas do grão cultivadas no Paraná.

Foto: Wilson Vieira/Videopgraphic

lão, Congonhinhas, São Jerônimo da Serra, Abatiá, Siqueira Campos, Santo Antônio da Platina, Cornélio Procópio, Ribeirão do Pinhal, Japira, Tomazina e Siqueira Campos.

A agricultura familiar é indispensável para o desenvolvimento do Brasil porque responde por cerca de 70% dos alimentos

Hugo Raul da Silva, produtor rural

Atualmente, o Norte Pioneiro conta com 7,5 mil produtores de pequenas propriedades, distribuídos em 45 municípios. Quando começaram a se reunir para discutir a criação da ACENPP, em 2006, os agricultores também tinham como proposta agregar valor ao café para que os preços fossem igualados com os praticados em São Paulo e Minas Gerais. Otávio da Luz comenta que hoje, no mercado comum, a saca de café de baixa qualidade é vendida a R$ 300, enquanto de melhor qualidade é comercializada a R$ 350. Por meio do Fair Trade, os cafeicultores da ACENPP conseguem R$ 450 pela saca. Fair trade sigifica “comércio justo”, surgiu na década de 1960 e um dos objetivos é justamente ajudar pequenos produtores rurais, pois elimina os atravessadores e aproxima a indústria do agricultor. A certificação é concedida por uma sociedade comercial sem fins lucrativos chamada Fairtrade Labelling Organizations (FLO).

Financiamento Como a maior parte dos cafeicultores do Norte Pioneiro se encaixa nos programas dos governos federais e estaduais para o desenvolvimento da agricultura familiar, eles encontram linhas de financiamento interessantes para melhorarem a infraestrutura das propriedades. O gerente do Banco do Brasil de Ibaiti, André Aparecido de Sarro, acompanhou a negociação para compra de equipamentos de

um grupo de cafeicultores de Pinhalão. Ele diz que após analisar as necessidades de investimentos daquela comunidade, a indicação de financiamento foi pela linha Pronaf Agroindústria. “Esta modalidade de crédito tem como finalidade o financiamento de investimentos, inclusive em infraestrutura, que visem ao beneficiamento, ao processamento, à industrialização e à comercialização da produção agropecuária, de produtos florestais e do extrativismo, ou de produtos artesanais, e a exploração de turismo rural”, explica. É destinada a agricultores familiares, empreendimentos familiares rurais e cooperativas ou associações constituídas por agricultores familiares com encargos financeiros de até 2% ao ano e prazo de até dez anos para pagamento. Ele comenta que há nove anos o banco vem procurando estimular o desenvolvimento regional sustentável com o apoio a atividades produtivas que exploram o potencial econômico das regiões e combinam preservação ambiental, respeito à diversidade cultural e promoção da igualdade social. André de Sarro lembra que a agricultura familiar é indispensável para o desenvolvimento do Brasil porque responde por cerca de 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros e também cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. O gerente também acredita que a melhor forma de organização dos produtores do Norte Pioneiro é unindo-se em associações e pequenas cooperativas. “Cada vez mais, a

agricultura familiar tem contribuído com o aumento da produção diversificada de alimentos que garantem a segurança alimentar do nosso país. Para aumentar a produtividade, diminuindo custos e riscos, aproveitando e protegendo os recursos naturais, é fundamental a inovação.” As dificuldades para ter acesso às inovações são inúmeras, ressalta André de Sarro. “No entanto, o apoio e a união dos parceiros em conjunto com a organização dos agricultores permitem uma solução inovadora para as comunidades”, diz, ressaltando que a organização em grupos aumenta o poder de barganha frente aos fornecedores, diminui custos de produção, agrega valor ao produto e aumenta a capacidade de investimentos. Para o gerente, outra vantagem desse movimento que está fortalecendo os cafeicultores do Norte Pioneiro é a melhoria da qualidade de vida no campo, que virou atrativo para que as futuras gerações se interesse em fixar raízes na propriedade familiar. (Colaborou nesta reportagem o jornalista Leandro Donatti)

Saiba mais O site www.acenpp.com.br traz mais informações sobre os cafés especiais do Norte Pioneiro.

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dente da Organização das Cooperativas do

cipais características do engenheiro-agrônomo, João Paulo Koslovski, que, há quase 40 anos, é figura de expressão no coopera-

Estado do Paraná (Ocepar), João Paulo foi convidado para ser o diretor-executivo da

tivismo paranaense. João Paulo está à frente do Sindicato e da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperati-

da Acarpa e permaneci no cargo durante 20 anos, período em que a Ocepar teve cinco presidentes.”

vismo (Sescoop/PR) e da Federação das Cooperativas do Estado do Paraná (Fecoopar). Também é diretor da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e já foi integrante do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR. A vida profissional do líder das cooperativas do Paraná começou cedo. Seu primeiro trabalho, ainda menino, foi com o pai. João Paulo lembra com saudades desse tempo em que fazia o serviço de acabamento em banheiros e cozinhas das construções que tinham seu pai como mestre de obras. Ao se formar no curso de Engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1972, foi aprovado em dois concursos públicos: na antiga Acarpa (atual Instituto Emater) e na Acar/Minas (sistema de extensão rural dos mineiros). “O salário oferecido pela Acar de Minas Gerais era bem melhor, mas acabei optando por ficar no Paraná e nunca me arrependi.” Depois de passar por treinamento e por ter sido aprovado em primeiro lugar, pode escolher o local onde iria desenvolver suas ativi-

João Paulo Koslovski, presidente da Ocepar

Líder

do cooperativismo do PR Otimista com relação à economia e defensor de melhorias na infraestrutura do País, dirigente conta como a união pode fazer a diferença Por Mirian Gasparin 76

dades profissionais. João Paulo optou pela Cooperativa Bom Jesus, da Lapa, e foi ali que deu seus primeiros passos no cooperativismo, segmento que lhe trazia uma grande admiração. Na cidade da Lapa, foi designado pela então Acarpa ao cargo de chefe do escritório local e assessor da cooperativa local. “Naquela época, a Acarpa tinha um técnico em cada entreposto de cooperativa. Nós fazíamos as previsões de compra de insumos e, no meu caso, era o responsável pelo Comitê Educativo, onde sistematicamente reunia o grupo para discutir os interesses maiores da cooperativa”, conta. Nos dois anos e meio em que morou na cidade da Lapa desenvolveu o trabalho de assistência aos agricultores locais e o que realmente o deixava feliz era o assessoramento que fazia à cooperativa. Em 1975, foi promovido ao cargo de coordenador regional de cooperativas, quando então passou a atender às regiões de Curitiba, Ponta Grossa e Guarapuava. “Durante um ano meu trabalho foi dar suporte aos assessores de mais de dez cooperativas dessas regiões.” Em 1976, quando o engenheiro-agrônomo Benjamin Hammerschmidt foi eleito presi-

entidade. “Pedi licença sem remuneração

Personalidade

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

João Paulo Koslovski

Dedicação, coragem e liderança são as prin-

Em 1996 foi eleito presidente da Ocepar, cargo que ocupa até hoje e que não deve deixar tão cedo. Naquele período, a Ocepar realizou mudanças em seu estatuto e o presidente passou a ter dedicação exclusiva. No seu segundo mandato, houve mudanças na governança e o presidente poderia ser contratado ou eleito desde que fosse associado a uma cooperativa. João Paulo é associado à Cooperativa de Crédito de Livre Admissão Planalto das Araucárias – Sicredi Planalto das Araucárias. Nesses 16 anos em que preside a Ocepar muitos fatos importantes marcaram o setor das cooperativas. Em 1994 e 1995 as cooperativas passaram por uma difícil crise como consequência dos sucessivos planos econômicos adotados pelo governo federal. João Paulo destaca o trabalho feito pelo sistema cooperativo brasileiro junto ao governo federal para a criação do Programa de Revitalização das Cooperativas (Recoop). “O Paraná foi o estado que mais conseguiu recursos, que vinham do governo federal, e pode reestruturar a dívida das cooperativas. Na sequência, com uma proposta que saiu do Paraná foi criado o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop), permitindo que o segmento investisse no processo de agroindustrialização e possibilitando que as cooperativas tivessem uma linha específica para armazenagem e industrialização”, informa. No final da década de 1990 foi criado o Sescoop/PR, serviço este que o presidente da Ocepar considera o marco de conquistas do setor nos últimos 20 anos. A receita do Sescoop provém principalmente da contribuição mensal compulsória de 2,5% sobre o montante da remuneração paga pelas cooperativas aos seus empregados, que anteriormente à sua criação era recolhida pelas cooperativas a outras instituições. Com os recursos do Sescoop/PR serão realizados somente este ano 5,1 mil eventos e 135 mil pessoas receberão treinamento. O Sescoop também permitiu a execução de 44 cursos de MBA para colaboradores, diretores e associados das cooperativas do Paraná.

“Isso promoveu a melhoria da gestão e gover-

nança no setor”, destaca entusiasmado João Paulo, salientando que 11 das 240 cooperativas que operam no Estado respondem por um movimento financeiro de mais de R$ 1 bilhão/ano. As cooperativas paranaenses são responsáveis por 37% das exportações brasileiras e pela movimentação econômica de R$ 32 bilhões, em 2011. Outro fator que também permitiu o fortalecimento das cooperativas, segundo João Paulo, foram os projetos PIC, Norcoop e Sulcoop. “De 1970 a 1984 houve a estruturação básica das cooperativas. A partir de 1985, as cooperativas despertaram para a agroindustrialização, mas na década de 1990 o setor passou por dificuldades. Já a partir dos anos 2000 e com a estabilização da economia elas passaram a registrar crescimentos cada vez maiores, o que foi fundamental para o desenvolvimento do cooperativismo”, afirma. Foi também na década de 1980 que se iniciou o processo para estimular as cooperativas de crédito. Hoje são 65 que atuam no Estado, com R$ 10,3 bilhões de ativos. De acordo com o presidente da Ocepar, o setor investe hoje R$ 1,3 bilhão por ano no desenvolvimento agroindustrial. Ao fazer uma análise dos 36 anos nos quais está na Ocepar, 20 como diretor-executivo e 16 como presidente, João Paulo diz que houve uma evolução sequencial e que todos os presidentes buscaram a mesma direção que foi a profissionalização do sistema cooperativista. Em 2015 termina o seu mandato. “Ainda não sei se vou continuar, mas temos muitas pessoas preparadas para assumir o cargo”, adianta. João Paulo está otimista com a economia brasileira, mas a maior preocupação do País, no seu entendimento, é a falta de infraestrutura. “Nossos custos depois da porteira são muito elevados.”

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Giro pelo Paraná

Novo escritório

Sebrae/PR

O Sebrae/PR está em novo endereço em Jacarezinho, norte pioneiro do Paraná. Mais amplo e mais moderno, o novo escritório, para atender empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas, já está em funcionamento e foi inaugurado em julho. Localizado na Rua Coronel Figueiredo, nº 749, o espaço tem capacidade para atender mais pessoas interessados em empreender. O primeiro escritório do Sebrae/PR foi aberto em Jacarezinho em 1992. O crescimento da cidade e dos municípios vizinhos estimulou o surgimento de novas empresas e houve a necessidade de ampliar a infraestrutura para continuar prestando serviços de qualidade. O escritório de Jacarezinho atende 31 municípios da região.

Compras públicas O Sebrae/PR, a Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (AMSOP), a Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Sudoeste do Paraná (Cacispar) e a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes Paraná) lançaram uma ferramenta para auxiliar e facilitar o acesso das micro e pequenas empresas às compras públicas municipais. A cooperação entre as entidades disponibiliza o Boletim Informativo de Licitação, com avisos de licitações dos 42 municípios da AMSOP, que utilizam o Diário Oficial Eletrônico dos Municípios do Sudoeste do Paraná (DIOEMS). De forma eletrônica, por e-mail, empresas vinculadas às associações comerciais, pela Cacispar, ou empreendedores rurais, pela Unicafes, recebem gratuitamente os avisos. No Sudoeste, estima-se que existam aproximadamente 15 mil micro e pequenas empresas.

Revista ffwMag!

Guia para candidatos O Sebrae Nacional editou, para as eleições municipais 2012, um guia prático sobre a importância do empreendedorismo e das micro e pequenas empresas para o desenvolvimento. O Guia do Candidato Empreendedor, produzido especialmente para candidatos a prefeito e a vereador de todo o Brasil, mostra como os pequenos negócios promovem o desenvolvimento e transformam realidades. A publicação (http://www.sebrae. com.br/atender/customizado/lei-geral) está organizada em dez passos e reúne 100 ações testadas e implantadas em municípios brasileiros, três delas do Paraná.

Educação empreendedora Incentivar o comportamento empreendedor junto a alunos do ensino infantil e fundamental na pequena Imbaú, município paranaense com cerca de 11 mil habitantes. Com esta filosofia, 85 professores de escolas municipais aceitaram a proposta do Programa Educação Empreendedora. Realizado pelo Sebrae/PR, a iniciativa visa incentivar professores a exercerem um papel decisivo na formação empreendedora de estudantes, para o desenvolvimento de habilidades que facilitem a busca por novas oportunidades, tanto nas relações pessoais quanto na carreira profissional. Izabel Cristina Jangada de Menezes é coordenadora pedagógica na Escola Júlia Wanderley, em Imbaú. Ela participou de um seminário, em julho, que marcou o repasse da metodologia do Programa, que se baseia em quatro pilares: aprender a conhecer; aprender a ser; aprender a conviver; e aprender a fazer.

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A moda criada por quatro pequenas empresas do Paraná estampa as páginas da edição nº 31/2012 da Revista ffwMag!, uma das principais publicações do setor. Peças da Camoa Brasil, de Curitiba; Griffe Company, de Apucarana, na região norte; All Purpose, de Capanema; e Cyntia Fontanella, de Dois Vizinhos, ambas da região sudoeste do Paraná, compõem looks da revista, que traz nomes-referência da moda, como Alexandre Herchcovitch e Glória Coelho. As marcas paranaenses entraram para o hall da moda, graças à criatividade e ao design característicos em suas coleções. As quatro empresas também foram beneficiadas por um convênio entre Sebrae Nacional e Instituto Nacional de Moda e Design (In-Mod). A parceria entre as entidades visa inserir micro e pequenas empresas brasileiras no mercado de alto valor agregado da moda.

Em alta O setor de Tecnologia da Informação (TI) e Software é estratégico para os diversos segmentos econômicos e tem baixo impacto ao meio ambiente. É ainda uma atividade de alto valor agregado e intensiva mão de obra. Num cenário de mais de 17 mil empresas de TI e Software no Brasil – das quais mais de 3 mil no Paraná - o Sebrae/PR divulgou a segunda edição da “Pesquisa Panorama do Setor de Desenvolvimento de Software e Serviços de TI no Paraná”. Uma das principais conclusões do estudo é que o setor de TI e Software cresceu em média 10%, no Paraná, entre os anos de 2008 e 2010. A pesquisa analisou detalhadamente o subsetor de desenvolvimento de software por registrar um excelente desempenho – crescimento de 42% - e por concentrar um elevado número de micro e pequenas empresas. A amostra foi de 604 empresas de todo o Paraná e setores de TI, sendo 200 participantes dos Arranjos Produtivos Locais (APL) e 404 não participantes. Setenta e um porcento do total dedicam-se ao desenvolvimento de software.

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A vida começa aos 40

Temos um longo caminho a percorrer na ampliação do foco do Sebrae como instituição de apoio ao desenvolvimento dos pequenos negócios

Por Allan Marcelo de Campos Costa

Nos últimos anos, apenas no Sebrae/PR, multiplicamos por 10 a nossa capacidade de atendimento

Como não poderia deixar de ser, esta edição da Revista Soluções é quase que inteiramente dedicada ao aniversário de 40 anos do Sebrae. São 40 anos de existência de uma das instituições mais relevantes para o desenvolvimento do nosso País. Um período marcado por fatos de extrema relevância, tais como a criação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e da Lei do Empreendedor Individual, além da consolidação da micro e pequena empresa como protagonista do desenvolvimento brasileiro. Entretanto, apenas celebrar os feitos do passado não nos parece suficiente. Momentos como este são apropriados a profundos processos de reflexão, que nos permitam tirar lições a partir do caminho percorrido até aqui e, fundamentalmente, traçar uma estratégia para o futuro que permita à Instituição permanecer em um caminho saudável e cada vez mais relevante para a sociedade. Nesse sentido, o processo de reflexão iniciado no ano passado com nosso Projeto Sebrae 2022, onde

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envolvemos mais de 500 pessoas, entre clientes, parceiros conselheiros e lideranças da comunidade empresarial neste processo de “pensar o Sebrae”, tem rendido frutos interessantes. Algumas constatações saltam aos olhos. A primeira delas, e provavelmente a mais relevante, trata da necessidade de se repensar a efetividade das ações que desenvolvemos no apoio aos nossos pequenos negócios. Nos últimos anos, apenas no Sebrae/PR, multiplicamos por um fator de 10 a nossa capacidade de atendimento e, consequentemente, os nossos números de empresas atendidas, consultorias prestadas ou informações fornecidas. Este é um papel relevante e que tem sido determinante para aumentar as chances de sucesso de milhares de pequenas empresas. Entretanto, apenas pensar em grandes números não nos parece mais suficiente. A história mostra que países que trilharam caminho parecido ao que o Brasil começou a trilhar recentemente, caminhando na direção de

um país mais competitivo e de uma sociedade mais equânime, o fizeram, sempre, apostando em competitividade e inovação. E para este raciocínio, é importante tomar consciência de um aspecto aparentemente óbvio, mas nem sempre compreendido: não existem países competitivos! Muito menos estados, regiões ou municípios. O que existem são empresas competitivas que, inseridas em determinadas regiões geográficas, tipificam um arranjo competitivo, mas cuja célula essencial é, e sempre será, a empresa. Certamente que países e regiões devem lançar mão de políticas públicas que melhorem o ambiente de negócios. Mas mesmo este tipo de iniciativa, tem como único objetivo aumentar o nível de competitividade dos negócios ali existentes. É por isso que acreditamos que temos um longo caminho a percorrer na ampliação do foco do Sebrae como instituição de apoio ao desenvolvimento dos pequenos negócios. Se por um lado realizar

grandes números e atender a milhares de empresas a cada ano é importante para assegurar a sobrevivência dos pequenos negócios, buscar estratégias focadas em empresas com alto potencial inovador e de penetração em mercado globais passa a ser determinante não apenas para o futuro dos pequenos negócios que são atendidos, mas para o futuro do Estado e da Nação. E é caminhando nesta direção que o Sebrae/PR chega aos seus 40 anos com a certeza de que a vida começa aos 40. Neste momento de celebração, faz-se necessário ainda fazer um justo reconhecimento e agradecimento a todos os seres humanos que ajudaram a construir nossa instituição ao longo desse período. Nossa equipe é a nossa força. E o Sebrae/PR tem a sorte de sempre ter contado e continuar contando com um grupo de pessoas que, mais do que dedicar suas carreiras, dedica suas vidas a fazer a diferença na vida dos empreendedores e empresários de peque-

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

Artigo

Allan Marcelo de Campos Costa é diretor-superintendente do Sebrae/PR. Formado no Programa de Gestão Avançada pela Harvard Business School, nos Estados Unidos, é mestre em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e pela Universidade de Lancaster, na Inglaterra. Cursou o Programa de Desenvolvimento de Dirigentes Empresariais do INSEAD, França, é coautor do livro “Electronic Business in Developing Countries”, e possui artigos publicados no Brasil, Chile, África do Sul, Reino Unido, Holanda, Canadá, Hungria e Eslovênia. Já foi secretário de Estado do Planejamento e Coordenação Geral do Paraná.

nos negócios no Paraná. E é esta mesma equipe que encara o futuro de forma positiva e com o olhar atento às transformações necessárias para que possamos continuar cumprindo nosso papel e caminhando firmemente na direção do sonho de ajudar a transformar o estado do Paraná a partir dos pequenos negócios. 81


REGIONAL CENTRO-SUL Curitiba Rua Caeté, 150 - Bairro Prado Velho – CEP: 80.220-300 Fone: (41) 3330-5800 – Fax: (41) 3330-5768/ 3332-1143 Escritório – Guarapuava Rua Arlindo Ribeiro, 892 - Bairro Centro – CEP: 85.010-070 Fone: (42) 3623-6720 – Fax: (42) 3623-6720

Escritório – Umuarama Avenida Brasil, 3.404 – Bairro Zona I – CEP: 87.501-000 Fone/fax: (44) 3622-7028 – Fax: (44) 3622-7065

Escritório – Ponta Grossa Av. João Manoel dos Santos, 500 - Bairro Nova Rússia – CEP: 84.051-410 Fone: (42) 3225-1229 – Fax: (42) 3225-1229

REGIONAL NORTE Londrina Av. Santos Dumont, 1.335 – Bairro Aeroporto – CEP: 86.039-090 Fone: (43) 3373-8000 – Fax: (43) 3373-8005

REGIONAL OESTE Cascavel Avenida Pres. Tancredo Neves, 1.262 – Bairro Alto Alegre – CEP: 85.805-000 Fone: (45) 3321-7050 – Fax: (45) 3226-1212

Escritório – Apucarana Rua Osvaldo Cruz, 510 13º andar – Bairro Centro – CEP: 86.800-720 Fone: (43) 3422-4439 – Fax: (43) 3422-4439

ESCRITÓRIO – Foz do Iguaçu Rua das Guianas, 151 – Bairro Jardim América – CEP: 85.864-470 Fone: (45) 3522-3312 – Fax: (45) 3573-6510

Escritório – Ivaiporã Rua Professora Diva Proença, 1.190 – Bairro Centro – CEP: 86.870-000 Fone: (43) 3472-1307 – Fax: (43) 3472-1307

Escritório – Toledo Avenida Parigot de Souza, 2.339 - Bairro Centro - CEP: 85.905-380 Fone: (45) 3252-0631 - Fax: (45) 3252-6175

Escritório – Jacarezinho Rua Coronel Figueiredo, 749 – Bairro Centro – CEP: 86.400-000 Fone: (43) 3527-1221 – Fax: (43) 3527-1221

REGIONAL NOROESTE Maringá Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto, 1.116 – Bairro Zona 07 – CEP: 87.030-010 Fone: (44) 3220-3474 – Fax: (44) 3220-3402

REGIONAL SUDOESTE Pato Branco Avenida Tupi, 333 - Bairro Bortot – CEP: 85.504-000 Fone: (46) 3220-1250 – Fax: (46) 3220-1251

Escritório – Campo Mourão Rua Santa Cruz, 1.085 - Bairro Centro – CEP: 87.300-440 Fone: (44) 3523-2500 – Fax: (44) 3523-2500

Escritório – Francisco Beltrão Rua São Paulo, 1.212 - sala 01 - Bairro Centro – CEP: 85.601-010 Fone: (46) 3524-6222 – Fax: (46) 3524-5779

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Revista Soluções - Edição 15