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Para especialista em gestão do tempo, Christian Barbosa, é possível, sim, ganhar umas horinhas para administrar a vida pessoal e profissional

Revista trimestral nº10 Ano3 Dez/10

A revista da pequena empresa no Paraná

Os desafios

de 2011 Cenário econômico, apesar das previsões de PIB menor, permanece bastante favorável para as micro e pequenas empresas, no ano que começa

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Melhor saída é diversificar

Empreendedores especiais

Para driblar tempos de ‘vacas magras’ e sazonalidades, empresários de pequenos negócios investem em alternativas criativas

Projeto de lei, no Senado, busca garantir mais apoio aos deficientes que querem abrir seus próprios negócios

MERCADO

CAPACITAÇÃO

Associativismo

COMPORTAMENTO

Feiras e Eventos

TENDÊNCIA

SERVIÇO

Giro pelo Paraná

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SEBRAE/PR – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Paraná Jefferson Nogaroli Presidente do Conselho Deliberativo Gestão 2009-2010 Allan Marcelo de Campos Costa Diretor Superintendente Julio Cezar Agostini Diretor de Operações Vitor Roberto Tioqueta Diretor de Gestão e Produção Expediente Coordenação Renata Todescato Gerente de Marketing e Comunicação Edição/Jornalista Responsável Leandro Donatti Registro Profissional– 2874/11/57-PR Adriana Schiavon Gonçalves Especialista em Marketing Reportagens: Adriana Bonn, Adriano Oltramari, Andréa Bordinhão, Andrea Lombardo, Cleide de Paula, Giselle Ritzmann Loures, Graziela Castilho, Juliana Dotto, Katia Michelle Bezerra, Leandro Donatti, Maigue Gueths, Mirian Gasparin e Tânia Jeferson Fotos: Claiton Biaggi, Cristiane Shinde, Luiz Costa, Valdecir Schimidt, Rodolfo Buhrer e Wilson Vieira SEBRAE@pr.sebrae.com.br http://asn.sebraepr.com.br Críticas e comentários, mande um e-mail para revistasolucoes@pr.sebrae.com.br Anuncie na Revista Soluções: publicidade.revistasolucoes@ pr.sebrae.com.br Impressão Artes Gráficas Renascer Ltda. (Mult-graphic) Design Gráfico e Diagramação Ingrupo//chp Propaganda Tiragem 10 mil exemplares Periodicidade Trimestral ISSN 1984-7343

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Editorial A última edição da Soluções Sebrae – A Revista da Pequena Empresa no Paraná, em 2010, traz reportagens especiais sobre temas do momento. Imperdível a entrevista com Emerson Andrade, sócio-fundador do Peixe Urbano, hoje o maior site de compras coletivas no Brasil. Uma ‘febre’ que começou como um pequeno empreendimento, mas que cresceu rentável. Em pauta, também, orientações para empreendedores e empresários que desejam começar 2011 com o pé direito. Para isso, nada melhor que reunir um time de especialistas e economistas, que traçam, nesta edição, alguns cenários de como será o novo ano que começa, para os pequenos negócios. Confira os cuidados e oportunidades que não podem passar despercebidos. Na seção Tendência, o número cada vez maior de empreendedores que montam suas empresas em casa, os chamados home-office; o projeto do Sebrae para identificar oportunidades de negócios na Copa do Mundo de 2014; e o aumento no número pequenas empresas fornecedoras do poder público, graças à Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas.

A reportagem especial com as lições de associativismo na Aldeia Rio das Cobras, no interior do Paraná, é um excelente exemplo de que o empreendedorismo está arraigado na cultura brasileira. Indígenas apostam no artesanato e na produção agroecológica, como alternativas viáveis para seu sustento e de suas famílias. Nossa equipe conta essa história! A décima edição da Revista Soluções, na Seção Comportamento, traz exemplos que superação, de empreendedores que deixaram de lado deficiências para atuar no mundo dos negócios. E ainda traz informações sobre um projeto de lei que tramita no Senado e propõe linhas de crédito e estímulos para portadores de deficiência interessados em empreender. A seção Serviços contém três temas de extrema relevância para o dia a dia empresarial: opinião de especialistas para enfrentar períodos de ‘vacas magras’, comuns em negócios suscetíveis à sazonalidade; dicas para aproveitar as datas do comércio e vender mais; e serviços oferecidos por um laboratóriomóvel, para controlar a qualidade do leite em propriedades rurais.

Boa leitura! Leandro Donatti, o editor

Na onda do iPad e do recadastramento O Sebrae/PR preparou uma surpresa, neste final do ano, para você, empreendedor e empresário, leitor da Revista Soluções. Nossa publicação poderá, a partir desta edição, ser acessada pelo iPad, seguindo mais uma tendência, que abre janelas para novos formatos editoriais e interações.

Não perca a oportunidade! É só acessar o Portal do Sebrae/PR, no www.sebraepr. com.br, e clicar no banner destaque da Revista Soluções, validando seus dados ou preenchendo-os. Atenção, os atuais assinantes que não atualizarem seus dados não receberão mais a publicação em 2011.

O iPad é um dispositivo em formato tablet produzido pela poderosa Apple americana. O aparelho foi anunciado em 27 de janeiro de 2010, durante coletiva de imprensa em São Francisco, Estados Unidos. Foi apresentado como um dispositivo intermediário entre um macbook e um iPhone.

Com os cadastros atualizados, podemos conhecer você, nosso leitor, melhor. Gratuita, a Revista Soluções traz informações sob medida, para quem quer se destacar no mundo corporativo!!! Aproveite a chance de dar um novo rumo aos seus negócios. Seja um assinante da Revista Soluções. É de graça!

A novidade vai permitir aos usuários leitores da Revista Soluções um novo conceito de leitura e um moderno sistema de navegação pelos conteúdos produzidos por nossa equipe, sempre com o objetivo de levar informações de qualidade, para empresários e candidatos a empresário.

Renata Todescato, gerente de Marketing e Comunicação do Sebrae/PR

Outra novidade que marca esta edição, a décima edição da Revista Soluções, é a campanha para recadastramento de nossos leitores e mobilização para a captação de novos leitores. Para receber ou continuar recebendo a publicação, trimestral, basta preencher um cadastro simples e rápido.

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Índice Mercado de compras coletivas garante grandes descontos aos consumidores e marketing aos empresários. Conheça a experiência do site Peixe Urbano!

PÁG. 66 – FEIRAS E EVENTOS

PÁG. 28 – CAPACITAÇÃO

PÁG. 47 - ARTIGO

O Sebrae, na sua empresa

“Um copo pela metade” é o mais novo artigo do professor José Castanhar, especialmente para a Revista Soluções!

Negócio a Negócio estimula empresários a profissionalizarem gestão de empreendimentos por meio de consultorias gratuitas.

Em fevereiro, tem Paraná Business Collection

Em 2011, evento de moda e negócios, realizado pelo Sebrae/PR e Sistema Fiep, acontece durante os dias 14 a 19, no Cietep, em Curitiba.

PÁG. 70 – FEIRAS E EVENTOS

PÁG. 32 – CAPACITAÇÃO

PÁG. 48 – COMPORTAMENTO

Prêmio inédito reconhece cases na construção civil

O tempo não para!

Iniciativa reúne três quesitos de avaliação, que são qualidade, segurança no trabalho e destinação correta de resíduos sólidos.

Especialista em administração do tempo afirma que é possível, sim, ganhar umas horinhas para administrar a vida pessoal e profissional.

PÁG. 34 – CAPACITAÇÃO

Formação no campo

Com ainda mais ênfase nos módulos comportamentais, Programa encerra o ano de 2010 com mais de 80 turmas em todo o Estado.

PÁG. 72 – SERVIÇO

A hora de avançar (mais)

Diversificar é a saída

Programa oferece soluções para empresas avançadas, que querem continuar seguindo em frente, num processo de evolução. Saiba mais.

PÁG. 10 – CAPA

PÁG. 52 – COMPORTAMENTO

Concurso revela ideias de negócios Confira propostas de negócios dos cinco vencedores do concurso de empreendedorismo que movimentou o Paraná, em 2010.

Os desafios de 2011

PÁG. 76 – SERVIÇO

Para micro e pequenas empresas, cenário econômico promete ser bastante favorável, no ano que começa. Confira agora a opinião de especialistas.

Negócios em casa

Para livrarem-se de horários rígidos, reuniões e custos, empreendedores buscam novos modelos de empresas, mas é preciso ter cuidados.

PÁG. 56 – COMPORTAMENTO

PÁG. 39 - ARTIGO Foto: Divulgação

Foto: Luiz Costa/ La Imagen

PÁG. 14 - TENDÊNCIA

Pequenos são bons pagadores

Leia a terceira parte do artigo do especialista Carlos Hilsdorf, sobre os fundamentos de um bom negócio.

Pesquisa revela que micro e pequenas empresas são pontuais nos pagamentos e que em 2010 registrou-se queda no número de falências.

Políticas públicas, como crédito para agricultura familiar, leis em favor dos pequenos negócios e transferência de renda são peças-chave.

PÁG. 44 – COMPORTAMENTO Empreendedores especiais

PÁG. 22 - MERCADO

Projeto de lei, no Senado, busca dar mais apoio aos deficientes que querem abrir empresa. Conheça histórias empreendedoras no Paraná.

Quando Lei Geral entrou em vigor, em 2006, vendas para governo federal saltaram de R$ 2,1 bilhões para R$ 7,3 bilhões, de janeiro a setembro de 2010.

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Foto: Agência La Imagem

De olho na Copa de 2014

Foto:La Imagen

Projetos do Sebrae/PR e parceiros, na maior reserva indígena no interior do Paraná, organizam artesanato e estimulam hortas comunitárias.

Inclusão financeira dos pequenos negócios é tema do Foromic 2010

PÁG. 78 – SERVIÇO

Semana do Empreendedor Individual, movimento nacional para estimular a formalização de empreendedores, sensibiliza paranaenses.

Empreendedorismo na aldeia

Pequenas participammais de licitações

Além de ganharem tempo, com diagnóstico imediato, produtores de pequenas propriedades recebem consultorias e acompanhamento.

PÁG. 58 – COMPORTAMENTO

PÁG. 18 - MERCADO

PÁG. 24 - MERCADO

Laboratório móvel controla qualidade do leite 

Mais de 40 mil se formalizam no Paraná

PÁG. 40 – ASSOCIATIVISMO

Estudo da FGV apontará nichos e gaps de mercado e unidades estaduais do Sebrae, nas cidades-sede dos jogos, vão capacitar empreendedores.

Para driblar tempos de ‘vacas magras’, empresários de pequenos negócios investem, no Paraná, em alternativas marcadas pela criatividade.

Datas comemorativas multiplicam as vendas Calendário com festividades deve ser encarado pelos empresários do comércio como a hora de avaliar melhor seu público, produtos e serviços.

PÁG. 62 – ARTIGO O gerente de Programas Estaduais do Sebrae/PR, José Gava Neto, e Bruno Fernandes, da Universidade Positivo, falam sobre competências nas empresas do setor de TI.

PÁG. 82 – GIRO PELO PARANÁ Um apanhado dos principais acontecimentos e eventos envolvendo o Sebrae/PR no Estado.

PÁG. 64 – FEIRAS E EVENTOS

PÁG. 86 – ARTIGO

Paraná vai sediar em 2011 o maior evento de empreendedorismo no Brasil, de 17 a 20 de março, em Curitiba.

O artigo de Allan Marcelo de Campos Costa, diretor-superintendente do Sebrae/PR, nesta edição, é sobre ética e liderança. Não perca!

Feira do Empreendedor

Foto: Arquivo Sebrae/PR

Ganhos coletivos

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

PÁG. 6 – ENTREVISTA

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No atacado

Ganhos coletivos Mercado de compras coletivas garante grandes descontos aos consumidores e marketing aos empresários

Por Andréa Bordinhão

Foto: Divulgação

Tempo e conhecimento. Ao contrário de boa parte das micro e pequenas empresas que está começando, o empreendi mento dos sócios Julio Vasconcellos, Alex Tabor e do curitibano Emerson Andrade não exigiu grande aporte de dinheiro no início, mas sim know-how e tempo para pesquisa e para que tudo acontecesse no momento certo. Estamos falando do maior site de compra coletivas do Brasil: Peixe Urbano. Ao revolucionar o mercado online, vendendo produtos e serviços do cotidiano das pessoas com grandes descontos, a empresa multiplicou seu tamanho com menos de um ano de vida. Em maio, as ofertas, que não passavam de 200 por mês, vinham de três cidades. Hoje são 24 cidades e mais de 700 ofertas no ar por mês. Com sede no Rio de Janeiro, o Peixe Urbano conta hoje com mais de 200 empregados. Andrade, responsável pela área comercial da empresa, conta à Revista Soluções a trajetória do Peixe Urbano. A ideia surgiu nos Estados Unidos, onde ele e seus dois sócios moravam. Por lá, as compras coletivas haviam virado febre em meados de 2009. E eles queriam ser os primeiros a trazer a modalidade para o Brasil. A história do Peixe Urbano começou em janeiro de 2010 e tornou-se sucesso pouco menos de seis meses depois. “A ideia surgiu de uma observação do mercado, do que estava funcionando nos Estados Unidos. E levamos em conta a situação do Brasil, que tem 70 milhões de usuários de internet e é um país que está crescendo bastante”, assinala. Além disso, o empresário diz que uma empresa onde os sócios têm conhecimentos que se somam “é a chave do sucesso”.

Emerson Andrade, empresário

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Andrade fala também sobre as maneiras usadas para divulgar o site e afirma que o Peixe Urbano é uma boa ferramenta de marketing para os empresários, principalmente os micro e pequenos, que, normal-

mente, têm verba de publicidade reduzida. Segundo ele, milhares de pessoas estão expostas às marcas dos produtos e serviços ofertados no site e, em função dos grandes descontos e do tempo limitado para compra, os usuários divulgam as ofertas por meio do boca a boca e das mídias sociais. “E é uma forma de o empresário saber ao certo o resultado da ação de promoção”, explica.

No Paraná, por enquanto, as ofertas do Peixe Urbano trazem produtos de Curitiba e de Londrina. Mas, segundo Andrade, mais cidades do Estado devem ser contempladas em breve. Confira a entrevista à Revista Soluções. Revista Soluções - De onde surgiu a ideia de criar um site de compras coletivas? Emerson Andrade - Tudo começou quando eu e o Julio (Vasconcellos) estávamos morando nos Estados Unidos e víamos muitas coisas que estavam funcionando lá e ainda não tinha ninguém fazendo o mesmo no Brasil. Então, ao observarmos os sites de compra coletiva, que estavam crescendo muito por lá, pensamos em voltar para o Brasil e sermos os primeiros a fazer por aqui. O Julio estava há 11 anos nos Estados Unidos e eu há cinco. Quando decidimos tocar a ideia para frente, o Julio chamou o Alex (Tabor) e, em janeiro de 2010, começamos a cadastrar usuários e, em março, começamos o negócio. Em suma, a ideia surgiu de uma observação do mercado, do que estava funcionando nos Estados Unidos, e levamos em conta a situação do Brasil, que tem 70 milhões de usuários de internet e é um país que está crescendo bastante. Revista Soluções - Em quais cidades começaram a atuar? Emerson Andrade - A primeira oferta foi em março de 2010, no Rio de Janeiro. No final de abril (do mesmo ano), teve uma oferta em São Paulo e no final de maio teve uma oferta em Curitiba.

Revista Soluções - Vocês trabalhavam com que nos Estados Unidos? Emerson Andrade - Eu e o Julio nos conhecemos em um curso de mestrado na Universidade de Stanford (no estado da Califórnia), onde estudamos dois anos juntos. Quando me formei, fui trabalhar na Microsoft, em Seattle (no estado de Washington), e ele ficou na região do Vale do Silício (região situada no estado da Califórnia onde se concentram empresas que atuam na área tecnológica) trabalhando na área de internet. Revista Soluções - Como foi o início do site? Como atraíram os usuários e fizeram com

que confiassem nesse tipo de oferta?

Emerson Andrade - Usamos duas maneiras para trazer usuários para o site. A primeira delas foi o marketing online. Trabalhamos muito com o Google e com o Facebook. Principalmente com o Facebook. Comprávamos propaganda lá dentro (banners) e assim atraíamos usuários. E assim que o site começou a funcionar teve o boca a boca. Os usuários contavam sobre o site e espalhavam as ofertas do site conversando com os outros ou usando ferramentas online. O crescimento do negócio foi muito “viral”. Outros dois pontos também foram importantes. Desde o começo, aparecemos em matérias em grandes veículos de comunicação e sempre procuramos fechar parcerias com estabelecimentos que já são conhecidos do público.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Revista Soluções - Qual foi o investimento inicial? Emerson Andrade - O investimento maior, no início, foi tempo e conhecimento. Uma das razões que fez com que abrissem muitos sites depois do nosso foi justamente o fato de não demandar muito dinheiro. Por isso, os empreendedores acham que vai ser fácil. Abrir o site de fato não é complicado. O complicado é depois, é executar a parte do marketing online e a parte operacional. Por trás de cada oferta, temos redatores, designers e temos uma equipe em contato com os parceiros. É preciso uma infraestrutura muito grande. Isso é, muito dos sites não cresceram, por falta de know-how, e não por falta de capacidade financeira.

Para empresário curitibano, muitos sites brasileiros não cresceram, por falta de know-how, e não por falta de capacidade financeira

Revista Soluções - Então o fato de vocês atuarem na área tecnológica e de internet foi fundamental? Emerson Andrade - Uma das principais razões que fez com que nosso negócio desse é que cada um dos sócios tem uma expertise diferente. O Alex é engenheiro de software e cuida de toda parte técnica do site. O Julio, além de ter trabalhado no Vale do Silício na área de internet, trabalhou como gerente geral do Facebook no Brasil. Então, ele tem muito conhecimento em marketing online, em como usar essas ferramentas para atrair usuários. E eu trabalhei muitos anos na área comercial e, por isso, tinha experiência para montar um time de vendas, em fazer o pessoal ir atrás de ofertas boas. Fazer uma sociedade onde as pessoas têm conhecimentos que, somados, agregam muito é a chave para o sucesso, faz a diferença.

Revista Soluções - E como foi o crescimento do faturamento do site ao longo de 2010? Emerson Andrade - Não posso divulgar o

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faturamento, mas sim alguns outros números que dão uma ideia do crescimento. Em agosto de 2010, divulgamos que fomos o primeiro site a chegar a um milhão de usuários. De lá para cá (a entrevista foi concedida à Revista Soluções em novembro de 2010), este número já cresceu várias vezes e, em breve, será divulgado. Até maio (do ano passado) tínhamos três cidades com ofertas. Hoje são 24 e até o final do ano serão 35 cidades. Em termos de ofertas, em maio estávamos colocando no ar entre 100 e 200 ofertas por mês. Em outubro, colocamos 500 ofertas e em novembro foram 700 ofertas para o ar. E tem algumas parcerias que mostram o volume de vendas. Nos primeiros meses, quando as ofertas vendiam bem não passavam de 100, 200 cupons. E achávamos que era um número enorme. Recentemente, fizemos uma oferta de uma rede de sanduíches em São Paulo que vendeu, em 24 horas, 30 mil cupons. Em Curitiba, uma oferta da Pizza Hut vendeu 7 mil cupons em 24 horas. A Block Buster online vendeu 6 mil cupons em Curitiba. E há números muito expressivos de faturamento de ofertas. Em São Paulo, por exemplo, teve uma oferta de uma casa de fondue que era um jantar para duas pessoas de R$ 180 por R$ 80. Vendemos 7 mil cupons. Isso dá uma ideia do volume de negócios que estamos gerando. Desde que começamos as vendas coletivas, os usuários que compraram conosco economizaram R$ 70 milhões.

Revista Soluções - E qual o principal atrativo? Só desconto? Emerson Andrade - É o desconto mais o tempo limitado da oferta que fazem a pessoa comprar por impulso. E, muitas vezes, a pessoa sempre passava em frente a um restaurante e tinha curiosidade de conhecer ou queria experimentar um serviço ou produto que é mais caro ou tinha vontade de conhecer melhor o que sua cidade oferece.

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Emerson Andrade - Primeiro pela exposição. A gente tem milhões de usuários. E eles estão ali todos os dias vendo quais são as ofertas. Mesmo que a pessoa não compre, foi exposta a marca. Segundo, pelo burburinho que a oferta cria. Por causa do desconto e do tempo limitado, as pessoas divulgam muito as ofertas no boca a boca, no Facebook, no Twitter. Terceiro, e, talvez, o mais importante, é que, na maioria das mídias que um estabelecimento pode usar para fazer anúncios, o empresário nunca saberá exatamente qual foi o resultado da ação. No caso do Peixe Urbano, ele sabe exatamente quantos cupons foram vendidos, ou seja, sabe o número de pessoas que aquela campanha vai atrair para o seu estabelecimento. Sabe ainda quantos vão experimentar o produto, quem podem gastar mais naquela visita ou levar alguém sem cupom ou ainda voltar em uma próxima vez. Esse terceiro ponto é um diferencial enorme. E tudo isso aliado ao risco zero. Quando ele faz oferta com a gente não está colocando a mão no bolso. Não é como o marketing tradicional, que ele tem que pagar para fazer a campanha. Ele vai pagar na hora que estiver disponibilizando o serviço porque está dando um desconto alto, mas não tem que desembolsar um valor na frente. Lembro de um proprietário de um salão de beleza em Curitiba que nos contou que já tinha feito anúncio em jornal e rádio, mas nada tinha causado um impacto tão grande quanto a oferta do Peixe Urbano.

isso não aconteça. E damos um treinamento para eles, explicamos o que vai acontecer no dia da oferta, o que vai acontecer depois e como proceder. Esse é um trabalho preventivo. Quando acontece algum problema, a gente tem que lidar com nosso usuário. Apesar de não termos o controle do que o nosso parceiro vai entregar, o usuário sente que temos uma parcela de responsabilidade por termos apresentado para ele aquele estabelecimento. Então, se precisar devolvemos o dinheiro. Mas isso faz parte do crescimento e do sucesso. Problemas sempre vão acontecer por mais que você treine seu pessoal e seus fornecedores.

Para saber mais, acesse: www.peixeurbano.com.br; www.e-commerce.org.br; oglobo.globo.com/blogs/inovacao/ posts/2010/01/04/o-empreendedorismoem-2010-254307.asp. Ou leia “Empreendedorismo na Internet”, de Dailton Filipini, e “Empreendedorismo e Marketing”, de Leonard Lodish.

Revista Soluções - E a parcela de vocês? Emerson Andrade - O usuário paga, retemos a comissão do Peixe Urbano e repassamos a parte do estabelecimento. Ele acaba recebendo até antecipado porque os usuários não vão todos no primeiro mês. O uso do cupom é diluído. Tem pessoas que vão usar o cupom três, quatro meses depois.

Foto: Divulgação

A maioria das ofertas no Peixe Urbano, considerado o maior site de compra coletivas do Brasil, é de micro e pequenas empresas

Revista Soluções - E por que vale a pena para os empresários vender pelo site?

Revista Soluções - Boa parte das empresas que colocam os produtos à venda no site é formada por micro e pequenas? Emerson Andrade – Sim, a grande maioria. A gente cita as empresas grandes como referência porque a maioria das pessoas conhece. Mas a grande maioria das ofertas é de micro e pequenos negócios. Revista Soluções - Já aconteceu de clientes do site terem problemas com fornecedores e vocês acabarem envolvidos? Como vocês lidam com isso? Emerson Andrade - De um lado, procuramos selecionar os melhores parceiros para que

Emerson Andrade

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Perspectivas

2011, um ano de grandes

desafios

  

Para pequenas empresas, cenário econômico mostra-se favorável

Entre os economistas, há uma unanimidade, quando o assunto é desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). O Brasil continuará crescendo em 2011, mas num ritmo inferior ao verificado em 2010. De acordo com o economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e coordenador do curso de Economia da FAE Centro Universitário, Gilmar Mendes Lourenço, o incremento de quase 8% do PIB, em 2010, amparado na impulsão do consumo doméstico, Segundo Lourenço, o incremento praticamente exauriu as margens de ociosidade do setor industrial, acumuladas durante a crise global. Entretanto, ele não deve ser transferido em sua totalidade para 2011, em razão do baixo patamar de investimentos na capacidade produtiva. Nessas circunstâncias, as autoridades terão que atentar para a premência em executar um desvio de eixo na gestão econômica, mediante a combinação entre a preservação das variáveis de estabilização e a incorporação dos serviços de lubrificação dos parâmetros de crescimento.

Isso significará privilegiar, de maneira concatenada, o aprimoramento do ambiente de negócios, a promoção das reformas microeconômicas e a elevação da taxa de investimentos, principalmente em infraestrutura, com a desobstrução dos gargalos na área dos transportes. Para tanto, alerta o economista do Ipardes, é imprescindível a compressão do custo do capital no Brasil, através de uma abrangente reforma financeira que resulte em maior competição entre os bancos e recuo do preço do dinheiro. O rendimento nominal anual do capital especulativo no País é o terceiro maior do mundo. As aplicações de curto prazo pagam 14,5% ao ano, ficando atrás apenas da África do Sul (18,2%, ao ano) e da Austrália (15,8%, ao ano), alerta Lourenço. Na mesma linha, é vital a destruição dos alicerces da bolha de endividamento privado que começa a se formar com maior vigor, observa o economista. “É fundamental também a recomposição criteriosa das condições de equilíbrio das finanças públicas. Desde fins de 2008, as ações anticíclicas oficiais e o atendimento dos interesses eleitorais provocaram o relaxamento do ajuste fiscal e a diminuição do superávit primário para abaixo da meta de 3,3% do PIB, tida como piso para a manutenção da dívida líquida e do déficit público nominal, este em linha cadente.”

Outro ponto fundamental que não pode ser esquecido em 2011, segundo Lourenço, é a recuperação do dinamismo exportador do País, especialmente em produtos manufa-

Para as pequenas empresas, o cenário é favorável, no próximo ano, embora os economistas concordem que o crescimento do PIB será menor

Foto: La Imagen

Por Mirian Gasparin

O ano de 2011 promete ser um período de grandes mudanças, a começar pela presidência da República, que terá, pela primeira vez na história do Brasil, uma mulher na condução do País. Os desafios, depois de um ano de muita prosperidade e crescimento, nos mais diversos segmentos, se darão principalmente nas áreas de infraestrutura, mão de obra, ajuste fiscal, legislação trabalhista e previdenciária, carga tributária, câmbio e juros.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Gilmar Mendes Lourenço, economista

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Como ponto positivo observado pelo economista do Dieese/PR está a recuperação da renda verificada em 2010 e que deve continuar em 2011.

Mais otimismo

Sandro Silva, economista turados. “A apreciação do câmbio, ao lado da excessiva burocracia, juros altos, precariedade da infraestrutura, elevada carga tributária e ausência de ampla retaguarda em ciência e tecnologia estão tirando a competitividade sistêmica brasileira.” O economista do Ipardes defende também a contração da carga e a simplificação do sistema tributário brasileiro, essencialmente regressivo, com enorme participação de impostos indiretos. Na sua avaliação, ao penalizar a base, com renda estreita e destinada ao consumo, o sistema acaba por deprimir os orçamentos da população menos aquinhoada e minimiza a participação da renda e do patrimônio.

Mudanças no consumo Para o professor de Macroeconomia, Hugo Meza Pinto, o grande desafio, não somente em 2011, mas nos próximos anos diz respeito ao comportamento empresarial. Segundo ele, as empresas precisam entender as mudanças no mercado de consumo e enxergar os novos tipos de consumidores, que já nasceram dentro da cultura da internet e que hoje já têm a sua própria renda. “Estão surgindo novas formas de consumo e os empresários, independente do porte, devem estar atentos aos novos mercados. A renda da Classe C bem como a Geração Y continuarão crescendo, mas, ao contrário do que se imagina, essa categoria de consumidor está cada vez mais exigente com relação aos produtos que adquire. Esse tipo de consumidor quer respostas imediatas, pede

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por design diferenciado e não tem medo de comprar pela internet. Portanto, o empresário que não estiver atento às mudanças perderá a oportunidade de conquistar novos mercados”, alerta.

sas optará pela formação, nos próximos anos e, nesse sentido, a atuação do Sebrae tem sido fundamental.

Meza Pinto chama a atenção para o fato de que os juros brasileiros deverão cair no próximo ano à medida que o câmbio continuar valorizado. No seu entendimento, o governo de Dilma Rousseff não terá condições de mexer no câmbio, que deve se ajustar sozinho ou por políticas externas. “A desvalorização do dólar norte-americano é uma questão mundial”, ressalta.

Em 2010, a geração de empregos, tanto no Brasil quanto no Paraná, baterá recorde histórico, mas dificilmente os mesmos números se repetirão em 2011, embora devam ficar positivos, prevê o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Paraná (Dieese/PR), Sandro Silva. “Como as projeções apontam um PIB menor para 2011, o nível de emprego deve acompanhar”, justifica.

Na avaliação do professor de Macroeconomia, outro ponto importante que deve ser observado é a balança comercial. Para ele, o dólar comercial em 2011 deverá oscilar entre R$ 1,70 e R$ 1,85 e o maior problema que o País corre é o risco da desindustrialização. “Com o câmbio nesses patamares, as importações são incentivadas e muitas empresas poderão optar pela mercadoria estrangeira à produção local, com sérios prejuízos para a arrecadação e emprego. Por outro lado, se não houver uma compensação para as empresas exportadoras, elas perderão ainda mais a competitividade.” Para as micro e pequenas empresas, Meza Pinto prevê um quadro favorável no próximo ano, embora concorde que o crescimento da economia será menor, da ordem de 5%. “O importante é que o PIB ainda continuará positivo”, diz. Ele também acredita que um maior número de micro e pequenas empre-

Mais empregos

No Paraná, segundo cálculos do Dieese, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Emprego e Trabalho, no período de 12 meses (outubro de 2009 a setembro de 2010), foram criados 142.620 novos postos de trabalho. Esse número supera de longe o último recorde verificado em 2004 quando 122.648 novos postos de trabalho foram gerados. As taxas de desemprego estão caindo desde 2004. Em 2003, por exemplo, a taxa de desemprego, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era de 12,3%. Em 2010, até setembro, o porcentual de desempregados atingia 7,1%. Para o economista do Dieese/PR, na proporção como está crescendo, o número de empregos criados será suficiente para atender os trabalhadores desempregados e os que estão ingressando no mercado de trabalho.

A empresária Ana Silvia Ferraz Manente, diretora comercial da Classic Som & Imagens, empresa familiar com mais de 20 anos de atuação em Curitiba, está otimista com os negócios para 2011 e projeta um crescimento, no faturamento de sua empresa, na ordem de 30%. A empresária não está preocupada com a política econômica da nova presidente da República, pois não acredita em mudanças radicais. Ana Silvia admite que passou a ser uma empresária mais otimista depois que participou, no segundo semestre de 2010, do Seminário Empretec, em Curitiba, uma parceria entre o Sebrae e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que tem como objetivo aperfeiçoar características individuais e comportamen-

Os empresários de pequenos negócios devem buscar recursos para investimentos em bancos de fomento e com pagamentos a longo prazo

tos empreendedores, para estimular a inovação, propiciar competitividade e a permanência no mercado “O Empretec me deu um novo ânimo para tocar os negócios. Antes eu sonhava. Hoje eu planejo e sigo as metas”, afirma a empresária. Ela conta que a Classic Som & Imagens, empresa de soluções para eventos, que oferece locação de equipamentos, teve que se adaptar às necessidades do mercado. “Há dez anos, nosso nicho de mercado era a locação de projetores e caixas de sons. A tecnologia vem avançando e hoje um dos nossos filões são os painéis de lead, projetores de alta definição. Entramos também no segmento de sons de bandas e iluminação e fazemos grandes eventos corporativos sociais.” Com escritórios em Curitiba e Joinville, a Classic Som & Imagens, que conta com 22 funcionários, prevê novos investimentos para 2011. A expectativa é que o faturamento bruto anual, no próximo ano, ultrapasse R$ 2 milhões.

Ano de superação O vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos em Finanças Regional do Paraná (IBEF/PR), Luiz Antonio Giacomassi Cavet, cita os maiores desafios que as empresas terão que enfrentar em 2011 e aponta algumas soluções. Confira e saiba como enfrentá-los.

mais competitivas no mercado. A guerra pela redução de custos será grande. Haverá a oportunidade de consolidação de alguns setores.

Taxas de juros Os juros externos continuarão baixos e os juros brasileiros, embora devam cair, permanecerão elevadíssimos. Será uma boa oportunidade de alongamento no perfil das dívidas das empresas. As micro e pequenas empresas devem buscar recursos para investimentos no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a prazos longos.

Câmbio menor O fluxo positivo de dólar continuará, motivado pelas altas taxas de juros no Brasil. Já o alto preço das commodities agrícolas e possíveis emissões de papéis de empresas deverão pressionar o câmbio para baixo, o que provocará grande volatilidade no mercado. Isso é preocupante e o desafio é proteger a moeda.

Reforma tributária A tão sonhada reforma tributária será que sairá em 2011, depois de longos anos de adiamentos? Se isso acontecer, mudará o futuro das empresas.

PIB menor As empresas, para continuarem vendendo mais, terão que aumentar a produtividade e reduzir seus custos. Só assim se tornarão

Quer saber mais? Acesse: www.dieese.org.br e www.ipardes.gov.br.

Foto: La Imagen

Foto: La Imagen

Infraestrutura, mão de obra, ajuste fiscal, legislação trabalhista e previdenciária, carga tributária, câmbio e juros são os principais desafios de 2011

O grande desafio, para os próximos anos, é a continuidade de recuperação dos valores do salário mínimo, que, embora desde 1994, quando da implantação do Plano Real, tenha apresentado uma alta nominal de 125% está ainda muito abaixo do valor estabelecido em 1940, quando foi criado. Segundo cálculos do Dieese, se trouxermos a valores de hoje, o salário mínimo de 1940 seria de R$ 1.146,76, muito abaixo dos R$ 510 atuais. “A perda do poder aquisitivo do salário mínimo ocorreu pela alta inflação dos anos 1980, até 1994.”

Ana Silvia Ferraz Manente, empresária

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Home-office

Negócios em casa   Para livrarem-se de horários rígidos, excesso de reuniões e reduzirem custos, empreendedores buscam novos modelos de empresas

Foto: Luiz Costa/ La Imagen

Por Maigue Gueths

Alguns anos atrás, trabalhar significava, em praticamente 100% dos casos, que a pessoa não tinha dinheiro para abrir um escritório ou um negócio próprio. Com o fenômeno das tecnologias da informação, esse conceito mudou radicalmente. Hoje, trabalhar em casa, por exemplo, virou tendência nos grandes centros, e quem adota a experiência não cansa de enumerar as vantagens dos chamados home-office, como a flexibilidade de horários, ganho de tempo com a redução de reuniões, fim do estresse com o trânsito diário e, é claro, a redução de custos. Em Curitiba, dois profissionais que trabalham em casa há anos têm a resposta na ponta da língua quando questionados sobre a escolha. Ambos não abrem mão da qualidade de vida que ganharam ao decidir levar a empresa para dentro de casa. “O ponto forte é a qualidade de vida. Para você ter uma ideia, estou trabalhando de shorts, camiseta e chinelo”, diz Douglas Zela, durante entrevista, por telefone. O coordenador e professor de Marketing e Pós-Gestão da Comunicação Organizacional da FAE Centro Universitário, em Curitiba, há 20 anos, faz todo trabalho de sua empresa de consultoria, na sala de casa, onde instalou seu home-office. Outro defensor dessa modalidade de trabalho é o designer e publicitário André Brik, que, em 2003, trocou um emprego em uma agência de publicidade para abrir a Brik mkt+design, trabalhando em casa. “Quando saí do emprego, vi que poderia fazer coisas com muito mais inteligência trabalhando em casa”, destaca. Entre os exemplos, cita que hoje não perde mais tempo com reuniões e interrupções que aconteciam antes. “Como trabalho com a linha de raciocínio, isso, muitas vezes, me fazia perder o fio da meada”, relembra. Zela e André Brik concordam, também, com a economia que o sistema oferece. Segundo Zela, há estudos que mostram redução de quase 60% dos gastos para a área de prestação de serviços. Os cortes vão desde a economia com o aluguel, com a compra de equipamentos e com móveis, até a redução de gastos, com transporte e com alimentação.

Marina e André Brik, empresários

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A experiência de André Brik foi tão satisfatória, que, em 2008, ele decidiu lançar o blog Go Home (www.gohome.com.br) para difundir essa modalidade de trabalho, que, segundo ele, ainda sofre alguns preconceitos. Ali, ele aborda os desafios e vantagens do home-office, compartilha experiências e macetes, indica sites de referência e ferramentas gratuitas. Na esteira do designer, a mulher dele, a jornalista Marina Sell Brik

também aderiu ao escritório em casa, em 2006, quando montou a empresa Jornalismo Corporativo, de assessoria de imprensa. Hoje, os dois compartilham o mesmo escritório, em casa.

Desafios Parece simples, mas não é. Do outro lado da balança, os desafios para conseguir trabalhar em casa também são grandes. Cachorros, filhos, a mulher solicitando alguma ajuda doméstica, família, a geladeira cheia de comidas gostosas, a televisão a cabo, enfim, tudo o que existe em uma casa pode se tornar um pretexto para parar de trabalhar. Mas não é só. Outros grandes problemas, segundo André Brik, são o isolamento do meio de trabalho, que pode levar até a depressão, e a perda de controle do tempo de trabalho, que pode levar a pessoa a dois extremos prejudiciais, ou procrastinando os trabalhos ou trabalhando sem hora para parar.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Por isso, a primeira recomendação para os empreendedores que pretendem aderir ao home-office é ter disciplina. Muita disciplina. Quem não tiver esse perfil, dificilmente conseguirá separar o ambiente de trabalho com a vida doméstica. A disciplina começa com o estabelecimento de uma rotina, o que inclui estabelecer horários rígidos, como se a pessoa fosse trabalhar em uma empresa. “É importante ter hora para acordar, parar na hora do almoço, ter hora para o fim do expediente”, ensina Zela. Nesse ponto, o casal Marina e André Brik são ainda mais disciplinados que o consultor Zela. Marina conta que, apesar de estar em casa, ela se veste com uma roupa mais adequada ao trabalho, maquiase e só então atravessa a porta que a leva à sala de trabalho.

Estudos mostram que trabalhar em casa pode significar a redução de 60% dos gastos de um pequeno negócio, na área de prestação de serviços

“Eu tento manter um horário de expediente. Por outro lado, quando está tranquilo eu tenho liberdade para sair, dar uma caminhada, ir ao parque. O tempo que eu economizo no trânsito, de casa para o trabalho e vice-versa, eu ganho em qualidade de vida”, conta o marido, André Brik. Além da organização da rotina, é preciso também organizar o ambiente físico. A recomendação dos especialistas é para que o home-office seja instalado, de preferência, em um ambiente próprio, para que o trabalho não se misture à vida doméstica, e com mobiliário adequado. O ideal é que seja um lugar mais isolado, longe de fontes de barulho, como a cozinha e a sala de tevê, por exemplo. “Tenho um job station”, diz Zela, que utiliza a sua sala como escritório. Ali, ele tem um canto com móveis ergonômicos para o trabalho e até uma mesa para reuniões.

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Zela lembra, ainda, que há alguns limitadores para o exercício do trabalho em casa. Um empresário que precise de funcionários, por exemplo, ou que necessite receber clientes no local de trabalho, terá dificuldade de exercer a atividade em um home-office. Há, ainda, limites físicos, como condomínios que não permitem atividades comerciais ou a não concessão de alvarás pelas prefeituras em determinadas áreas da cidade.

A disciplina começa com o estabelecimento de uma rotina, o que inclui definir horários, como se fosse trabalhar em uma empresa

Vencidos os obstáculos, a tecnologia é a grande aliada de quem trabalha em casa. Zela tem quatro associados assistentes em sua empresa de consultoria, e praticamente todo o contato entre eles é virtual. O segredo, segundo ele, é lançar mão de todas as ferramentas para trabalhar e se comunicar: notebook, celular, blackberry, skype, MSN, redes sociais e outros recursos gratuitos à disposição. “Fala-se em home-office, mas, com tanta tecnologia, já estamos na era do car office ou até do bag office”, diz.

A modalidade home-office, lembra a consultora, tem tido cada vez maior número de adeptos no mundo, porém, como em qualquer empresa, independente de seu porte, só sobreviverão os negócios mais estruturados e atentos à realidade de mercado. Marcia Borro diz que os empreendedores que montam home-office têm a seu favor custos menores, o que pode ser uma vantagem competitiva, já que as microempresas quase sempre dispõem de poucos recursos financeiros, para gerir os negócios.

Empregados em casa Não são só autônomos que adotam o homeoffice. Com a facilidade das novas tecnologias da informação, muitas grandes empresas também estão percebendo que um funcionário trabalhando em casa pode ser mais produtivo e mais barato. Nesse caso, o nome adequado não é home-office, mas sim teletrabalho. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Teletrabalho (Sobratt), mais de 1 milhão de brasileiros trabalham em casa com carteira assinada. Trata-se de um número significativo entre os 11 milhões de assalariados e com tendência de crescimento de 10% ao ano.

Foto: Luiz Costa/ La Imagen

A consultora do Sebrae/PR, Marcia Giubertoni Borro, reforça alguns cuidados que os empreendedores devem ter, na hora de optarem por negócios em casa. O ambiente empresarial deve estar dissociado do ambiente doméstico. “A atitude deve ser a mais profissional, a mais empresarial possível. O empreendedor, ao relacionar-se com seus clientes, não pode agir como se estivesse na

extensão da sua convivência familiar. Não há espaço para amadorismos ou atitudes sem um foco corporativo.”

Dicas para trabalhar em casa O site Go Home e o livro “101 maneiras de ganhar dinheiro trabalhando em casa”, de Dan Ransey, trazem dicas para os empreendedores que querem trabalhar em casa. Confira 15 orientações, sobre como ser profissional.

1. Veja se você tem perfil adequado para trabalhar em casa. É preciso ter iniciativa e fugir do isolamento. Analise as opções de atividades que podem ser executadas em casa e suas possibilidades de ganho. 2. Desenvolva um plano de negócios e uma estratégia de marketing. O Sebrae tem cursos gratuitos pela internet que podem ajudar nessa fase. Acesse o site do Sebrae (www.sebrae. com.br), clique em “Aprenda com o SEBRAE” e, no submenu, clique “cursos pela internet”. 3. Lide com a burocracia: registro de marca (acesse o site do INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial), domínio na internet (acesse o site registro.br), abertura de empresa, alvará na prefeitura, leis de zoneamento, dentre outros. 4. Construa uma estrutura financeira. O ideal é obter o máximo de informação sobre como gerenciar as finanças da sua empresa. Livros e cursos contam bastante. Um gerente de banco que se disponibilize a ajudar pode ser importante. Um ótimo contador é imprescindível. 5. Monte seu escritório. Selecione um espaço próprio. Adquira o equipamento, mobiliário específico para escritório e artigos de almoxarifado que forem necessários. 6.

Procure instalar uma entrada independente para receber clientes, fornecedores ou mesmo para a entrada de funcionários. Isso dá um ar mais profissional ao negócio. Não há nada pior do que atravessar a sala, onde a criançada está na maior folia ou a família está se alimentando, para chegar ao balcão de uma empresa.

7. Planeje com cuidado o espaço da casa que você ocupará para trabalhar, até mesmo adotando tratamento acústico nas paredes, para que sons de atividades domésticas (como crianças, televisão e aparelhos de som) não interfiram em seus telefonemas. 8. Tenha uma linha telefônica exclusiva para o negócio. Atenda sempre de modo formal e, na sua ausência, prefira a secretária eletrônica à ajuda

de familiares para anotar recados. Estude o caso de contratar os serviços de escritórios virtuais. Com eles, você pode ou não ter um espaço para trabalhar, pode alugar salas apenas para reuniões e usar diversos serviços, como os de copiadora, motoboy, recebimento de correspondência, atendimento telefônico profissional, por exemplo.

9. Registre um domínio na internet para a criação do site de sua empresa. Para isso você precisa pagar uma taxa anual ao órgão responsável pelo registro de domínios (www.registro.br). Um site é um ótimo cartão de visitas e ajuda a dar credibilidade a um novo negócio. Além disso, ao registrar o domínio, você também recebe um email (voce@suaempresa.com.br), o que dá uma aparência mais profissional aos contatos feitos com clientes e fornecedores. 10. Defina horários para o início e o término do expediente. Um pouco de disciplina nos horários não faz mal a ninguém e ajuda na sua qualidade de vida e na de sua família.

11.

Organize e administre bem seu tempo. Cumpra prazos e compromissos com o cliente. Não é porque você está numa garagem que não precisa ser pontual, ter bom preço e produtos de qualidade.

12.

Estabeleça regras claras com sua família, para não misturar problemas e situações da vida doméstica com as da empresa. Separe a pessoa física da pessoa jurídica. O caixa da empresa não pode ser confundido com o cofrinho da família.

13. Cuide da aparência. Não é porque está trabalhando em casa que pode apresentar-se de chinelo ou de camiseta furada. Vista-se como se fosse ao escritório. A aparência conta pontos preciosos na conquista de respeito e confiança de clientes, fornecedores e empregados.

14.

Lance mão de terceirizar serviços, como entregas, cópias ou fabricação.

15. Desenvolva o material de marketing: cartões de visita, material de vendas e amostras. Associese a entidades dentro da sua área de atuação.

Para saber mais sobre o assunto, navegue: www.gohome.com.br; www.workingsolo.com; www.portaldoempreendedor.gov.br. A página oficial da Sobratt – Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades, www.sobratt.org.br, também traz informações interessantes.

Douglas Zela, empresário

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A bibliografia sobre o tema é extensa. Algumas indicações, para conferir: “Working from Home”, de Sarah Edwards; “101 Home-office Success Secrets”, de Lisa Kanarek ; “Home-Based Business For Dummies, de Paul Edwards, Sarah Edwards e Peter Economy; e “The Home-office Solution: How to Balance Your Professional and Personal Lives While Working at Home”, de Alice Bredin.

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Uruguai

Inclusão financeira dos pequenos negócios

é tema de Foromic 2010  

Políticas públicas, como crédito para agricultura familiar, leis em favor dos pequenos negócios e transferência de renda são peças-chave Por Leandro Donatti

O acesso das micro e pequenas empresas ao sistema de crédito melhorou nos últimos anos, mas tem muito ainda a avançar. A avaliação, do diretor técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, foi a tônica do Fórum Interamericano da Microempresa - Foromic 2010, organizado pelo Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em outubro passado, em Montevidéu, no Uruguai. Carlos Alberto dos Santos debateu o tema, durante um painel com especialistas em microfinanças, como David Roodman, do Centro para Desenvolvimento Global, em Washington; e Michael Schlein, presidente da ACCION Internacional, líder mundial em microfinanças. O diretor técnico do Sebrae defendeu a “inclusão financeira” em favor dos pequenos negócios e um envolvimento maior dos governos por meio de políticas públicas. “Estamos longe de um cenário ideal, mas estamos melhorando”, afirmou. Para o diretor técnico do Sebrae, o caso brasileiro é um bom exemplo na América Latina. “O sistema financeiro está mais sólido, dobrou em oito anos, passando de 24% para 50% do PIB (Produto Interno Bruto). A demanda por crédito cresce e há muitos empreendedores que se formalizam.” Para Carlos Alberto dos Santos, políticas de inclusão social, como crédito para agricultura familiar, legislação favorável para os pequenos negócios, transferência de renda e valorização do salário mínimo, são peçaschave no processo.

Foto: Leandro Donatti

“Inclusão financeira é um conceito mais amplo que microfinanças. Passa pelo cooperativismo de crédito, pelos bancos públicos, bancos privados e por instituições de microfinanças. Combater a pobreza não é uma função das microfinanças, mas de políticas públicas. As microfinanças devem ser encaradas como serviços financeiros, com inovação, para pequenos negócios. Não podem ser vistas como uma panaceia para a solução de problemas, cuja solução depende de outros fatores.”

Foromic 2010

O diretor técnico do Sebrae fez um alerta à plateia de especialistas e representantes de empresas de microfinanças de 43 países, que participam do Foromic 2010. “As microfinanças podem melhorar e podem piorar a situação dos negócios. Assim como as políticas públicas.” A grande pergunta, no entendimento de Carlos Alberto dos Santos, é saber como ficarão as empresas nesse processo. “Assumir a responsabilidade pela solução de problemas é um caminho perigoso, porque exime os governos de políticas públicas necessárias para o desenvolvimento dos negócios.”

Especialização e marco regulatório Mediada pela gerente geral do Fumin, Julie

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Katzman, uma das discussões do Foromic também tratou da relevância da especialização e de marcos regulatórios em microfinanças. “A ideia de comparar a indústria da microfinança a um supermercado é muito interessante, porém deve-se partir do pressuposto que haverá uma grande gama de produtos financeiros, a serem oferecidos e escolhidos pelos clientes. O supermercado reage à demanda. No caso das microfinanças, o ideal é que sejam voltadas à grande massa da população, que funcionem como um supermercado de auto-serviço”, salientou Carlos Alberto dos Santos. O diretor técnico do Sebrae citou como exemplo a figura jurídica do Empreendedor Individual, criada em julho de 2009, com o objetivo tirar da informalidade empreendedores como pintores, cabeleireiras, pedreiros, costureiras e artesãos, que, além de benefícios previdenciários passam a ter também benefícios de ordem empresarial como o poder para emitir nota fiscal. “As microfinanças precisam ser adequadas aos informais para que, quando se formalizem, cresçam fortes.” Além da especialização, o diretor do Sebrae também ressaltou a importância de se promover análises de impacto do crédito e das microfinanças. “Com isso, teremos condições de verificar se houve valor agregado e se empregos foram gerados.” Carlos Alberto dos Santos citou como exemplo bem-sucedido de marco regulatório, para inspirar os especialistas em microfinanças, o Estatuto da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, também conhecido como Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, em vigor no Brasil desde o final de 2006. O Simples Nacional, o sistema de tributação instituído pela Lei geral, já conta com a adesão de cerca de 4 milhões de pequenos negócios. O tema microfinanças ainda passa, no seu entendimento, por conceitos de escala, sustentabilidade e inovação. “Ser hi tech em microfinanças é um dos pontos da agenda do futuro.” De acordo com Carlos Alberto dos Santos, a convergência de mídias para a internet e telefonia celular promoverá mudanças substanciais e as microfinanças precisarão acompanhar o processo.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

O Foromic tem potencial para tornar-se um fórum cada vez mais estratégico, tendo em pauta assuntos relevantes e de interesse não só das micro, mas também das pequenas empresas

Desafio As micro e pequenas empresas representam 95% dos empreendimentos formais na América Latina e Caribe, geram 35% dos empregos com carteira assinada e respondem por 33% do Produto Interno Bruto (PIB). Os números, divulgados no Foromic, por Carlos Alberto dos Santos, revelam um desafio a ser superado pelos pequenos negócios. Apesar de equivalerem quase à totalidade dos empreendimentos legalmente constituí-

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dos, as micro e pequenas empresas de dez países da América Latina e Caribe analisados pelo Sebrae registram índices de participação no PIB que poderiam ser mais expressivos.

Evento, no Uruguai, foi uma oportunidade ímpar para a troca de experiências e para se conhecer as melhores práticas, metodologias e estratégias para promover e apoiar as microempresas

À exceção da Argentina, El Salvador e Peru, onde os pequenos negócios respondem por 60%, 44% e 42% do PIB, respectivamente, outros países como Venezuela, Equador, Chile, Brasil, México, Uruguai e Colômbia têm participação das micro e pequenas empresas no PIB abaixo dos 35%. No caso da Venezuela, os pequenos negócios representam 98% dos empreendimentos formais, 55% dos empregos e apenas 13% do PIB; no Equador, as micro e pequenas empresas geram 24% dos empregos formais e 14% do PIB; no Brasil e no Chile, são gerados em média 52% dos empregos e 20% do PIB; no México, 80% dos empregos e 23% do PIB; no Uruguai, 48% dos empregos e 30,27% do PIB, enquanto que na Colômbia, são 63% dos empregos e 35% do PIB. Nos países da Europa, o percentual de participação das micro e pequenas empresas no PIB é maior. Na Espanha, os pequenos negócios correspondem a 99% dos estabelecimentos formais e 50,6% do PIB. Na Grécia, eles alcançam 99,4% e 55,6%, respectivamente. Na Itália, os índices são de 99,5% e 55,6%.

Produtividade

Integração e Inovação Para o dirigente do Sebrae, investir em inovação, tecnologia, cadeias produtivas, encadeamento da produção, clusters, certificações e cooperativismo pode ser o melhor caminho para reverter o quadro. Da mesma forma, os países da região precisam se pautar por uma agenda de cooperação que deve conter temas como ferramentas de inovação para pequenas empresas, busca de novos mercados globais e complementação econômica e encadeamentos produtivos. “Precisamos fortalecer as instituições que dão apoio às micro e pequenas empresas”, assinalou Carlos Alberto dos Santos. Para o diretor técnico do Sebrae, é o mercado que define as regras e não apenas uma legislação de apoio às micro e pequenas empresas, por exemplo. “Os negócios estão melhores, mas o contexto geral mudou?” Os desafios e oportunidades para a integração regional, para Carlos Alberto dos Santos, passam por alguns aspectos, como a superação de debilidades históricas das instituições de apoio aos pequenos negócios. A integração é um fator para

Foto: Leandro Donatti

“Há uma clara correlação entre a geração de empregos e a participação no PIB. Quanto

mais empregos, maior será o PIB. Junto com o emprego, cresce a participação do PIB e, consequentemente, a produtividade. No Brasil, as micro e pequenas empresas geram muitos empregos, mas que não se refletem em produtividade. Precisamos reverter isso aumentando a participação dos pequenos negócios no PIB, para 40% em média”, disse Carlos Alberto dos Santos.

aumentar a competitividade das micro e pequenas, para o diretor. Assim como a cooperação interinstitucional é uma alternativa factível e inteligente.

Estudo Durante o Foromic, o Sebrae foi apontado como principal instituição de apoio às micro e pequenas empresas na América Latina e no Caribe. A avaliação foi do consultor da Divisão de Ciência e Tecnologia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Montevidéu, Pablo Angelelli, responsável por um estudo técnico que avalia o desempenho de diversas instituições de apoio na região. O levantamento, realizado em 2006, foi atualizado pelo consultor, que divulgou novos apontamentos, em Montevidéu, no Uruguai. “O Sebrae é uma entidade muito forte, um exemplo a ser seguido por outros países, além de possuir recursos financeiros, excelente corpo técnico e consultores com conhecimento capaz de transformar a realidade das micro e pequenas empresas atendidas. É uma instituição mais que adequada, fundamental para o desenvolvimento dos pequenos negócios”, elogiou Angelelli. Angelelli disse ainda que existem outros bons exemplos na América Latina e Caribe de instituições de apoio que possuem poucos funcionários e recursos, mas realizam um excelente trabalho. Ele citou o Serviço de Cooperação Técnica (Sercotec) chileno e a Comissão Nacional da Micro e Pequena Empresa (Conamype), de El Salvador. O estudo divulgado por Angelelli traz importantes conclusões e reflexões. Uma delas é que poucas instituições têm atualmente alta capacidade para o desenvolvimento de políticas para micro e pequenas empresas. Segundo o consultor do BID, a América Latina e o Caribe têm o grande desafio de melhorar a produtividade e as instituições de apoio são responsáveis por esse processo. “As políticas para micro e pequenas empresas podem contribuir para enfrentar o desafio da produtividade”, assinalou. Ainda de acordo com o estudo, o diálogo e a cooperação regional constituem ferramentas-chave para o fortalecimento institucional. Angelelli defendeu uma agenda para melhorar a imagem das instituições, contendo aspectos como autonomia e esforços para aprender e coordenar. Angelelli sugeriu uma avaliação mais profunda das capacidades institucionais como planejamento, segmento e avaliação, relação público-privada e de programas específicos para divulgar boas práticas.

‘Vitrine’ Carlos Alberto dos Santos (o primeiro, da dir. à esq.) falou sobre políticas públicas, durange Foromic

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A 13ª edição do Foromic 2010 serviu de ‘vitrine’ para divulgar o trabalho do Sebrae, como serviço de apoio às micro e pequenas

empresas, e consolidar parcerias com entidades e organismos internacionais que trabalham com empreendedorismo. Realizado nas instalações do Laboratório Tecnológico do Uruguai (Latu), de 6 a 8 de outubro, o Foromic incluiu em sua programação alguns temas relevantes, na avaliação do Sebrae, para o fortalecimento dos pequenos negócios, como parcerias público-privadas e desenvolvimento regional. “Isso demonstra um sinal de avanço”, diz o gerente da Unidade de Assuntos Internacionais do Sebrae, Vinícius Lages. “O Foromic é uma oportunidade ímpar para a troca de experiências e para se conhecer as melhores práticas, metodologias e estratégias para promover e apoiar as microempresas.” O gerente da Unidade de Assuntos Internacionais lembra que este foi o terceiro ano consecutivo de participação do Sebrae no Foromic. Em 2008, o evento foi realizado em Assunção, no Paraguai, e em 2009, em Arequipa, no Peru. Em 2011, a Costa Rica, na América Central, será o país-sede do evento. Desde 2008, o Sebrae tem discutido com o corpo técnico do BID a programação do Foromic, sempre buscando ampliá-la para novos temas, como gestão empresarial, inovação, capacitação, empreendedorismo e ações voltadas à competitividade e ao mercado.

Seminário Neste ano, o Sebrae marcou presença com a realização de um seminário em Montevidéu, às vésperas da abertura oficial do Foromic, sobre desafios da cooperação entre as instituições de apoio às micro e pequenas empresas na América Latina e Caribe. Além de realizar reuniões técnicas para discutir temas como a internacionalização do Prêmio Prefeito Empreendedor, o Sebrae manteve um estande com informações gerais sobre sua atuação internacional. Assim como aprofundou três iniciativas do Sebrae e de entidades parceiras latino-americanas, discutidas em mesas-redondas: Projeto Mato Grosso do Sul Sem Fronteiras; Projeto Sistema Regional de Informação e Aprendizagem para o Desenho de Políticas Públicas de Apoio à Micro, Pequena e Média Empresa; e Sebrae CDT-AL - Centro de Desenvolvimento de Tecnologias para a Integração Transfronteiriça de Micro e Pequenas Empresas do Mercosul e América Latina.

Inclusão financeira é um conceito mais amplo que microfinanças, passa pelo cooperativismo de crédito, pelos bancos públicos, bancos privados e por instituições de microfinanças de linhas de crédito e melhoria das condições de competitividade. Hoje, pequenas empresas de diversos países da América Latina e Caribe enfrentam uma mesma realidade, que é a escassez de crédito e a falta de preparo para enfrentar a economia globalizada”, diz Lages. O analista da Unidade de Assuntos Internacionais do Sebrae Paulo Volker destaca as reuniões realizadas por gestores e técnicos da instituição com representantes de entidades internacionais. “Conseguimos reunir em Montevidéu os principais parceiros estratégicos do Sebrae na América Latina e Caribe. Avançamos em muitas discussões e as reuniões que promovemos trouxeram resultados concretos”, comemora.

Estande Volker diz que uma das novidades desta 13ª edição do Foromic foi o estande do Sebrae, que, neste ano, divulgou, por meio de vídeos, produtos e serviços oferecidos pela entidade às micro e pequenas empresas brasileiras, bem como algumas soluções em associativismo e cooperação. “Tentamos fugir do convencional e promovemos uma interatividade com os participantes do evento”, assinala.

Evento estratégico

Para o analista da Unidade de Assuntos Internacionais, a participação de dirigentes da instituição e de uma comitiva de gestores e de técnicos das unidades do Sebrae no Paraná, em Mato Grosso do Sul, no Rio Grande do Sul, no Pará e em Rondônia em mais uma edição do Foromic serviu também para compreender e ter uma visão geral do trabalho do BID na América Latina.

“Para o Sebrae, o Foromic tem potencial para tornar-se um fórum cada vez mais estratégico, tendo em pauta assuntos relevantes e de interesse não só das micro, mas também das pequenas empresas, como por exemplo políticas públicas para a ampliação

“O BID é um parceiro em diversos projetos e programas executados pelo Sebrae. É sempre importante atualizarmos a nossa compreensão sobre o trabalho desenvolvido pelo banco com empreendedorismo e micro e pequenas empresas”, destaca Volker.

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Oportunidades

De olho na

Copa de 2014   Estudo vai apontar nichos e gaps de mercado; Sebrae capacitará empreendedores Por Andréa Bordinhão

Segmentação O estudo da FGV ainda está em fase preliminar. Chamado de “Mapa de Oportunidades para as Micro e Pequenas Empresas nas Cidades-Sede”, a pesquisa vai abranger nove setores econômicos que serão impactados pela vinda da Copa – construção civil, tecnologia da informação, turismo, produção associada ao turismo, vestuário, madeira e móveis, comércio varejista, serviços em geral e agronegócio.

Além dos segmentos de negócios, a FGV vai analisar como está o mercado em cada uma dessas áreas, nos 12 estados brasileiros, e as exigências competitivas. Segundo o professor da FGV, Roberto Pascarella, coordenador do mapeamento das oportunidades, a Fundação vai passar para as unidades do Sebrae nos estados quais os requisitos técnicos e legais que estão ou serão exigidos pelo mercado. A pesquisa da FGV está em fase avançada no setor da construção civil. E nesse setor, por exemplo, já foram identificadas diversas oportunidades para as micro e pequenas empresas se tornarem fornecedoras locais de grandes empresas. Mas, para isso, é preciso cumprir uma série de exigências legais e de qualidade. O resultado preliminar da pesquisa da FGV, para o setor de construção civil, aponta, segundo Pascarella, que há 101 segmentos onde as micro e pequenas empresas podem atuar. Já no setor de turismo, no qual os estudos estão em fase inicial, já foram levantados 52 segmentos. “Há serviços específicos, como transporte, alimentação e trabalho de acabamento, ou difíceis de se buscar longe, como compra de espelhos e vidros, que vão garantir boas oportunidades para os empresários que estiverem preparados”, afirma Pascarella.

Pós-Copa

Para a maioria das pessoas, a Copa do Mundo de Futebol de 2014, que será sediada pelo Brasil, ainda está distante. Mas para os que pensam em ganhar dinheiro com o evento e usufruir dos legados econômicos que o torneio deixará para o País, a hora de começar a pôr a mão na massa está chegando. O Sebrae, em 12 estados brasileiros, onde estão localizadas as cidades-sede do torneio, como por exemplo Curitiba, no Paraná, já está trabalhando para ajudar empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas a enxergarem oportunidades de negócios antes, durante e após o evento. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) iniciou um estudo para apontar quais mercados estão abertos aos empreendedores em função da

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Copa e assim criar ou adaptar projetos, para que, sobretudo, as micro e pequenas empresas possam explorar o evento, com responsabilidade e sustentabilidade.Trata-se do Projeto Sebrae Copa 2014. “Queremos identificar oportunidades de negócios para as micro e pequenas empresas e temos como base dois grandes objetivos: apontar oportunidades no pré e durante o evento e atuar para fortalecer as empresas para que possam atingir um desenvolvimento sustentável em um patamar de competitividade ascendente”, explica o consultor do Sebrae e coordenador nacional do Comitê Técnico do Projeto Sebrae Copa 2014, Dival Schmidt Filho. Segundo o gerente de Programas Estaduais do Sebrae/PR, José Gava Neto, com base

no estudo que está sendo feito pela FGV, as unidades estaduais do Sebrae terão condições de levantar e verificar quais são os gaps de competitividade e assim saber o estágio atual das empresas que irão participar do projeto e o que o mercado irá precisar em termos de requisitos empresariais nos vários setores e segmentos que a Copa influenciará. “Teremos um sistema de inteligência competitiva, que fornecerá informações para as micro e pequenas empresas importantes para a tomada de decisão em relação às oportunidades da Copa e, além disso, promoveremos ações que permitirão o contato das empresas contratantes com fornecedores e assim oportunizar a geração de negócios entre elas”, informa Gava

O estudo da FGV, que deve estar concluído até o final do primeiro trimestre de 2011, visa mapear as oportunidades nos setores econômicos que devem gerar negócios antes e durante a Copa. “As empresas que não puderem aproveitar oportunidades de negócios, mas que participarem do projeto, certamente, terão melhorias em seu desempenho empresarial”, explica o gerente de Programas Estaduais do Sebrae/PR. Segundo Gava, o Sebrae vai passar uma “orientação responsável”. “De nada adianta estimularmos um empreendedor ou um empresário que deseja iniciar ou ampliar seu empreendimento por conta da Copa sem um estudo de viabilidade. A Copa vai durar no máximo um mês, que é o tempo que os turistas permanecem no País, segundo estudo da FGV. Quem

vai investir em determinada atividade para a Copa precisa saber disso”, alerta.

Projetos de capacitação O Sebrae/PR está esperando o resultado do estudo de mercado da FGV, mas, em paralelo, já começou um planejamento interno. “Queremos potencializar as oportunidades de negócios que serão geradas em função da Copa para as micro e pequenas empresas dos setores prioritários. Nós já atuamos em cima desses setores na nossa linha de produção normal, mas agora temos uma oportunidade de acelerar o processo”, afirma o coordenador do Projeto Copa 2014 pelo Sebrae/PR, Aldo Cesar Carvalho.

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Só para o Paraná, são estimados, até 2013, investimentos de R$ 4,5 milhões no projeto. A unidade paranaense está trabalhando com os nichos da construção civil, tecnologia da informação, turismo, comércio varejista, vestuário e agronegócio. No Paraná, a intenção é que o projeto alcance um raio de até cerca de 100 quilômetros de Curitiba. Isso é, além da capital e região metropolitana, o Sebrae/PR pretende atingir os empresários do Litoral e da região dos Campos Gerais. Os trabalhos com os diversos segmentos devem seguir uma ordem cronológica, em função das necessidades do evento. Assim como segue o estudo da FGV, os primeiros trabalhos acontecerão nas áreas de construção civil e tecnologia da informação. Já os quatro últimos setores são os que vão lidar diretamente com os consumidores. Segundo Aldo Carvalho, até fevereiro de 2011, o Sebrae/PR reservou para a construção do projeto e articulações com demais entidades locais.

Projeto prevê que sistema de inteligência competitiva será canal de comunicação com empresários de micro e pequenas empresas

“A partir de março, começamos a atuação empresarial. Vamos sair em campo produzindo soluções, organizando seminários, workshops, eventos para trazer as informações da Copa para os empresários e trabalhar a questão da capacitação”, destaca. Para otimizar os trabalhos, cada área que será abrangida pelo Sebrae/PR tem um coordenador específico, que trabalhará em parceria com os gestores que já atuam normalmente no segmento nas regiões que serão impactadas pela Copa no Estado. Além disso, o Sebrae está montando um bureau técnico que contará com o apoio de dois consultores externos. “Com tudo isso, imaginamos que um dos legados para as empresas será melhorar seu processo competitivo em médio prazo. A evolução que poderia levar dez anos, com a Copa pode levar três”, afirma. “Porém, é um entusiasmo com os pés no chão. Esse processo tem que continuar depois da Copa. Precisamos fazer com que os empresários se motivem a melhorar, mas sem fazer loucuras”, completa Aldo Carvalho.

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Novo nicho

Pequenas participam

mais de licitações   Quando Lei Geral entrou em vigor, em 2006, vendas para governo federal saltaram de R$ 2,1 bi para R$ 7,3 bi, de janeiro a setembro de 2010 Por Adriana Bonn

Cada vez mais micro e pequenas empresas de todo o Brasil estão percebendo que vender para o poder público é um grande negócio. Em 2006, quando entrou em vigor a Lei Complementar 123, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, também conhecido como Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, e estabeleceu mecanismos e facilidades para a participação do segmento em processos de aquisição de bens e serviços realizados por meio dos órgãos públicos, 129.687 micro e pequenas empresas participavam de licitações, somente do governo federal. Até setembro de 2010, esse número chegou a 226.654, o que representa um crescimento real de 75%. Se for analisada a participação em valores, a variação acumulada no mesmo período foi de 251%. Quando a Lei Geral passou a valer, micro e pequenas empresas venderam quase R$ 2,1 bilhões para o governo federal, número que saltou para R$ 7,3 bilhões de janeiro a setembro de 2010. O crescimento é bem maior do que o alcançado pelas médias e grandes empresas, velhas fornecedoras do poder público, que comercializaram 97% a mais nos últimos quatro anos. A secretária de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Glória Guimarães, diz que a pasta não possui números por estados e municípios, mas sabe que existem hoje, no Paraná, por exemplo, 15.083 empresários de micro e pequenas empresas, cadastrados como fornecedores em seu sistema de compras. De janeiro a setembro de 2010, as micro e pequenas empresas do Paraná já haviam negociado cerca de R$ 201 milhões com o Governo Federal. Para o consultor e coordenador de Políticas Públicas do Sebrae/PR, César Rissete, as compras públicas são uma grande oportunidade para os empresários brasileiros, pois elas abrem mercado. “Ninguém compra mais do que o poder público”, diz. Além disso, Rissete acredita que ao vender para algum órgão público, seja ele federal, estadual ou municipal – mais exigente com prazos e especificações -, o empresário estará apto a atender ainda melhor os consumidores comuns e empresas privadas. É como se a venda pública passasse a ser um cartão de visita.

Benefícios A Lei Geral estabeleceu e regulamentou estímulos e incentivos para as micro e pequenas empresas. Entre os benefícios oferecidos, além do maior acesso às compras governamentais, está a introdução de um sistema mais simples e justo de pagamento de impostos e contribuições, o crédito facilitado, a redução da burocracia e maior acesso às exportações e às novas tecnologias.

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Ao todo, oito artigos da Lei Geral foram regulamentados pelo Decreto 6.204/07 e estabelecem mecanismos de ampliação do acesso das micro e pequenas empresas aos mercados e determinam condições especiais de participação dessas empresas em processos de aquisição de bens e serviços realizadas por meio dos órgãos públicos.

Dois deles são automáticos e devem ser cumpridos por todos os governos. O primeiro, de n.º 43, permite que a empresa que ganhar a licitação faça a comprovação de regularidade fiscal na hora em que assinar o contrato. Com isso, se houver alguma restrição, ela terá dois dias de prazo para regularizar a documentação. O segundo artigo que deve ser cumprido automaticamente é o de n.º 44. Ele dá oportunidade à micro e pequena empresa de cobrir o lance de uma média ou grande empresa, desde que seu preço não seja maior do que 5% no pregão ou leilão virtual, e de 10% no pregão presencial. Os demais artigos da lei que tratam das aquisições públicas precisam ser regulamentados pelos municípios para terem valor. Entre eles está o que determina que as micro e pequenas empresas tenham tratamento preferencial nas licitações, com exclusividade de participação nas licitações até R$ 80.000,00. Em caso de valores superiores, há a garantia da reserva de 25% da contratação de bens que sejam divisíveis. Além disso, a lei obriga que as micro e pequenas empresas sejam subcontratadas por médias e grandes empresas ganhadoras de licitações em até 30% do valor contratado. Glória Guimarães avalia que a Lei Geral foi um grande passo para a inclusão das microempresas e empresas de pequeno porte nas contratações públicas do Governo Federal. “Podemos constatar isso quando percebemos que a Lei Geral foi aprovada em dezembro de 2006, e já em 2007 a participação das micro e pequenas empresas, no valor total das contratações públicas, subiu de menos de 9% para 28%, e, em 2008, alcançou o percentual de 32%”, diz.

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As compras públicas são uma grande oportunidade para os empresários brasileiros, pois elas abrem mercado

Segundo ela, esse patamar é condizente com as metas dos principais países da União Europeia, e ainda o adotado pelo governo dos Estados Unidos, que determina que um mínimo de 30% do valor total das contratações deve ser destinado às pequenas empresas. A entrada em vigor da Lei Geral também deve ter refletido no número de empregos no País. Não há números fechados sobre o tema, mas o Ministério do Planejamento calcula que de cada R$ 1 bilhão de compras que o Governo Federal fez das micro e pequenas empresas tenham sido gerados aproximadamente 7 mil novos empregos no setor.

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Paraná Até o último dia 15 de novembro, dos 399 municípios paranaenses, 318 (79,70%) já haviam feito a regulamentação da Lei Geral, quantidade que coloca o Paraná em quinto lugar no ranking nacional. O Estado perde apenas para Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso e Espírito Santo, este, o único estado a atingir 100% de participação dos municípios. O Sebrae/PR, que oferece assessoria gratuita para as prefeituras, espera que até o fim deste ano os 399 municípios do Estado tenham regulamentado a legislação. “O trabalho que estamos fazendo não visa apenas a aprovação da lei, mas que os municípios a apliquem e que desenvolvam políticas que beneficiem às micro e pequenas empresas”, diz o consultor do Sebrae/PR, César Rissete. Para o consultor, além de ter uma legislação própria, as prefeituras precisam ter instrumentos que possibilitem saber e planejar quanto comprarão das micro e pequenas empresas e oferecer capacitação para os funcionários que irão trabalhar no processo e também para as empresas aprenderem sobre como vender para o poder público.

em Curitiba, de 22 a 24 de novembro, teve o objetivo de ensinar aos empresários sobre como se tornar fornecedores dos governos. Os empresários de micro e pequenas empresas também receberam informações sobre os principais instrumentos jurídicos e operacionais de acesso ao mercado das compras governamentais e sobre procedimentos, especificações e exigências dos grandes compradores públicos para suas aquisições de bens, serviços e obras.

O acordo de cooperação também terá a missão de fortalecer a campanha de capacitação dos empresários de micro e pequenas empresas, para que eles saibam das preferências que podem usufruir nas licitações.

César Rissete, do Sebrae/PR acredita que outro desafio a enfrentar é desmistificar as compras públicas. Segundo ele, no trabalho de campo, o Sebrae percebeu que os empresários de micro e pequenas empresas, brasileiros, têm receio de vender para órgãos públicos com medo de não receberem pelos serviços prestados.

“Muitos ainda pensam que não são capazes de competir com as grandes empresas e que vender para o governo é algo muito complicado. Acontece que o pregão eletrônico facilitou em muito o acesso às licitações públicas, já que permite que uma empresa de qualquer lugar do Brasil possa participar, sem a necessidade do comparecimento no local da licitação”, explica a secretária do Ministério do Planejamento. O Sebrae e o Ministério do Planejamento também se uniram para realizar o Fomenta - 3º Encontro de Oportunidades para as Micro e Pequenas Empresas nas Compras Governamentais. O evento, que aconteceu

Eles pensam ainda que o processo é direcionado e envolve muita burocracia. Para o consultor, essa é uma visão errada. “O direcionamento de licitações até pode ocorrer, mas é exceção. E quanto ao pagamento, a Lei de Responsabilidade Fiscal exige o cumprimento de deveres, entre eles o pagamento correto de despesas”, explica. Para Rissete, os empresários devem entender que participar de licitações não é complicado e que apenas o modo de atender o cliente é diferente. “Os empresários brasileiros estão preparados, o que basta é querer”, diz. Foto: Zanella

Com o objetivo de aperfeiçoar a legislação e fortalecer e institucionalizar a política de contratações públicas para as micro e pe-

quenas empresas no Brasil, o Sebrae Nacional e o Ministério do Planejamento firmaram uma parceria, no último mês de agosto, que prevê a criação de um comitê gestor do Programa de Uso do Poder de Compra do Estado. Esse comitê ficará responsável pela avaliação e proposição de ações de fortalecimento em relação a todas as políticas que preveem o uso das contratações públicas como instrumento de desenvolvimento econômico sustentável.

Pioneiro No Paraná, Dois Vizinhos, no sudoeste do Estado, foi um dos primeiros municípios a implementar a Lei Geral. A municipalização da legislação aconteceu em 2007 e, na época, a Prefeitura contou com o apoio de consultores do Sebrae/PR. A medida beneficia vários empresários de micro e pequenas empresas da região. É o caso da empresária Nilce da Rosa, proprietária da Eletro Vizi Materiais de Construção, a primeira a se beneficiar da Lei Geral Municipal. Ela conta que nos últimos três anos fez várias vendas por meio de licitações públicas. Só em outubro deste ano, foram duas. A venda para órgãos públicos ainda representa 10% do faturamento da loja e os outros 90% são da venda no balcão. Mas Nilce espera equilibrar esse percentual. Atualmente, seus clientes públicos estão nas regiões sudoeste e oeste do Estado.

Nilce conta que usa o computador para saber dos processos licitatórios. “Estou sempre atenta, fazendo buscas na internet. Além disso, sou cadastrada em sites especializados.” A empresária diz que adquiriu o conhecimento e a experiência em uma empresa em que trabalhou antes de abrir o próprio negócio. “Aprendi o processo, vi que não era difícil e que é rentável”, explica. Nilce diz que é preciso ter visão de negócios para participar de licitações públicas. O lucro vai depender do produto, do pregão e do concorrente. “Um dos segredos é nunca esquecer que cada mercadoria tem um custo e não se pode vender abaixo dele”, ensina.

Perspectiva Outro exemplo pioneiro também vem do sudoeste do Paraná, mais precisamente de Mangueirinha. Em 24 horas, José Marcolino Coles, empreendedor que reside no município, saiu da informalidade para vencer uma licitação pública, para fornecimento de serviço de sonorização para a prefeitura local. A história de José Coles é mais uma conquista obtida por meio da Lei Geral, que confere tratamento diferenciado, simplificado e favorecido às micro e pequenas empresas e empreendedores individuais que participam de licitações públicas.

Nilce da Rosa, empresária

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O Sebrae/PR, graças ao Programa de Desenvolvimento Local Fundamentado na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, atua diretamente na divulgação e implantação da legislação junto aos municípios do sudoeste paranaense, numa parceria com prefeituras, com a Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (AMSOP) e a Coordenadoria

das Associações Comerciais e Empresariais do Sudoeste do Paraná (Cacispar).

O consultor do Sebrae/PR em Pato Branco, Gerson Miotto, relata que a história ocorrida em Mangueirinha reflete a nova realidade para os pequenos empreendedores. “Os pequenos negócios são os maiores geradores de emprego e renda nos municípios. Uma legislação específica que favorece as micro e pequenas empresas, bem como empreendedores individuais, é sinônimo de oportunidade e de desenvolvimento”, justiça Miotto. Em Mangueirinha, o novo empreendedor individual, José Coles, conta que vinha trabalhando com sonorização de eventos e festas há quase dois anos, mas na informalidade. Ao conhecer os benefícios da nova legislação, procurou informações com o agente de desenvolvimento e foi orientado sobre a figura jurídica do empreendedor individual. “Eu já sentia a exigência de estar devidamente documentado e formalizado. Procurei apoio, encontrei e agora sou formalizado e estou prestando serviços para o município”, relata. José Coles projeta mais oportunidades a partir do contrato com a Prefeitura, pois estará também divulgando seu trabalho para empresas e outras entidades que exigem documentos na hora de contratar serviços. “Valeu a pena, pois agora posso ampliar meu negócio, basta mostrar serviço”, projeta. Sobre o fato de conseguir a formalização e vencer uma licitação no prazo de um dia, José Coles diz que a oportunidade vem para quem está prepa rado. “É claro que tudo foi muito rápido no meu caso. Mas o fato de estar formalizado e a lei beneficiar a gente, isso foi decisivo para vencer o processo”, analisa.

Os empresários brasileiros, de micro e pequenas empresas, estão preparados, o que basta é querer vender para o poder público

Orientação e apoio O que é reconhecido pelo empreendedor individual é ratificado pelo agente de desenvolvimento municipal, Paulo Elias Nunes. “Atendi o senhor José Coles e o orientei a formalizar-se, já que ele tinha ficado sabendo que haveria uma licitação no município e gostaria de participar. A documentação saiu em tempo, para participar do processo, e ele venceu”, destaca. Paulo Nunes enfatiza a participação da Prefeitura e o apoio do Sebrae/PR na implantação da Lei Geral. “A administração municipal vem dando abertura para os empresários de pequenas empresas participarem de compras públicas e facilitando o acesso a formalidade. Isso, com a orientação técnica do Sebrae/PR, certamente vai promover o desenvolvimento através da Lei Geral”, atesta. (Colaborou nesta reportagem o jornalista Adriano Oltramari).

Para saber mais, acesse agora www.sebraepr.com.br/leigeral.

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O Sebrae, na

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Foto: Claiton Biaggi

Negócio a Negócio

sua empresa

  

Negócio a Negócio estimula empresários a profissionalizarem gestão de empreendimentos por meio de consultorias gratuitas Por Andréa Lombardo

Dileto Dalmoro, empresário Administrar uma empresa sem conhecer seus resultados é como pilotar um avião sem altímetro. Voar alto demais pode significar estar em rota de colisão. Baixo demais, corre-se o risco de se deparar com algum obstáculo ou, até mesmo, sofrer uma queda repentina.

Despertar nos empresários a preocupação com a gestão adequada de seus empreendimentos é um dos objetivos do Negócio a Negócio

O coordenador estadual de Empreendedorismo e consultor do Sebrae/PR, Emerson Cechin, usa a metáfora para reforçar a importância do planejamento no mundo empresarial. E essa advertência é fundamentada em uma estatística, no mínimo, preocupante. Responsável pela gestão estadual de um dos mais recentes programas do Sebrae - o Negócio a Negócio – Cechin e a equipe de consultores do Programa no Paraná constataram que 54% das micro e pequenas empresas visitadas vinham atuando sem sequer conhecer seu desempenho financeiro. “Isso demonstra a necessidade que uma boa parte dos empresários tem de receber esse impacto: um auxílio para instigá-los a gerenciar melhor seus negócios”, assinala. Quando se trata de fazer estimativas de venda, o percentual de empresários que estão à margem desse processo básico da gestão sobe para 60%. Ou seja, a maioria dos que estão à frente das empresas não estabelece metas para garantir lucro e a sustentabilidade do negócio. “A apuração de resultados permite conhecer variáveis importantes e atingir o ponto de equilíbrio operacional, que vai mostrar o volume mínimo de vendas para não ter prejuízo”, aponta Cechin.

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“Essa é uma informação básica para estabelecer metas de forma concreta e, a partir disso, definir estratégias para atingi-las e monitorar os resultados no final do mês. Ter clareza do que precisa fazer e como fazer”, acrescenta o consultor do Sebrae/PR.

Gestão às escuras O empresário Dileto Dalmoro é um exemplo claro da falta de planejamento. Saiu de Quedas do Iguaçu, onde trabalhava com oficina de motos e bicicletas, e se instalou em Cascavel, oeste do Paraná, para atuar no ramo de móveis, com a expectativa de evoluir, de conquistar um novo status no meio empresarial, mas sem ter nenhuma noção do que estava fazendo. Quando foi visitado por um consultor do Sebrae/PR, graças ao agendamento gratuito de uma primeira consultoria por meio do Programa Negócio a Negócio, em abril deste ano, estava no mercado de móveis havia apenas dois meses. “Eu estava trabalhando às escuras e, de repente, clareou”, revela o sócio-proprietário da Dal Móveis. Da noite para o dia, Dalmoro viu seu faturamento saltar de R$ 17 mil para R$ 70 mil um aumento de mais de 300% -, adotando algumas medidas simples como estudar o mercado, selecionar produtos de melhor aceitação e controlar o fluxo de entrada e saída de mercadorias. “Hoje, sei como me planejar já no começo do mês.” Os negócios da Dal Móveis vão tão bem que Dalmoro já pensa em abrir uma filial, talvez,

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Foto: Cristiane Shinde/ Studio Alfa

um bom empresário tem que estar presente, fazer junto, motivar a equipe, conhecer bem seu negócio”, pondera Colla.

O Programa O Negócio a Negócio teve início em março deste ano. A proposta básica do Programa, uma iniciativa nacional do Sebrae, é oferecer consultoria gratuita a micro e pequenas empresas - já atendidas ou que nunca tiveram acompanhamento da instituição – e ajudá-las a melhorar a gestão dos negócios para tornálos mais competitivas. Também participam do Programa os empreendedores individuais, que são orientados quanto os benefícios da formalização do seu negócio. Cechin explica que o Programa foi estruturado de maneira bem simples com o propósito, também, de levar o conhecimento sobre os processos de gestão a um maior número possível de empresários. “E a receptividade tem sido muito boa. Acho que é a primeira vez que uma instituição bate na porta do empresário, dizendo: ‘vim aqui para lhe ajudar’.” As empresas participantes recebem três visitas de consultores do Sebrae/PR. A primeira para um diagnóstico do negócio. Na segunda, o consultor ajuda a elaborar um plano de ação e, por último, monitorar as ações que estão sendo colocadas em prática.

William Tadeu de Colla (centro), Beto (à dir.) e Wesley (à esq.), empresários na mesma região onde a empresa está instalada hoje. Ao estudar o mercado, constatou que o bairro reúne uma população de 82 mil habitantes e tem apenas três lojas de móveis, contando com a dele. “Há espaço para expandir no ramo”, conclui. O empresário pensa, inclusive, em diversificar os ramos de atuação e está analisando outras oportunidades. Mas, dessa vez, Dalmoro não quer se “aventurar”. Afirma que irá procurar o Sebrae/PR para uma nova consultoria. “Mesmo que seja um investimento pequeno, a gente tem que saber se o negócio é viável.” Esse é um dos objetivos do Programa Negócio a Negócio: despertar nos empresários a preocupação com a gestão adequada de seus empreendimentos. “O empresário precisa mudar sua cultura, buscar capacitação e informações complementares, que venham a tirar suas dúvidas no processo de gestão de seu negócio”, destaca Emerson Cechin.

Planejamento x sucesso Situação oposta a de Dileto Dalmoro foi a do jovem empresário William Tadeu de Colla, de Maringá, noroeste do Estado. Antes de abrir sua distribuidora de bebidas, buscou ajuda do Sebrae/PR, onde participou de um curso para aprender a analisar a viabilidade do empreendimento. O aprendizado o levou a fazer um diagnóstico completo das princi-

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pais variáveis que ditam o sucesso ou fracasso do negócio. A empresa já existia. Uma das primeiras medidas, conta Colla, foi realizar uma pesquisa para verificar se aquele não era um empreendimento “queimado”. “Aplicamos um questionário junto a 200 consumidores para identificar as falhas e qualidades e, a partir disso, estruturar nosso planejamento.” O empresário estudou seus concorrentes e procurou inovar em alguns serviços. Investir no visual do estabelecimento, estender o horário de funcionamento até as 3 horas da madrugada e oferecer, além de bebidas geladas, uma boa variedade de produtos para churrasco foram algumas iniciativas que, segundo ele, tornaram-se importantes diferenciais da Cervejaria Cacique. Colla fez bem a lição de casa e, por essa razão, entende a importância de continuar se aprimorando. Depois de um ano e meio em atividade, foi inserido no Negócio a Negócio e, com a ajuda do consultor do Sebrae/PR, viu a possibilidade de avançar em alguns processos de gestão.

“A intenção é que o empresário tenha uma visão concreta da situação do seu negócio e identifique suas necessidades. Isso permite que ele tome ações corretivas e potencialize o que vem fazendo de forma correta. Dessa forma, nós conseguimos aumentar a sustentabilidade do negócio, que é um dos objetivos do programa”, afirma o consultor. A consultoria do Negócio a Negócio atua em quatro áreas importantes da gestão de empresas e é baseada no Modelo de Excelência em Gestão (MEG), da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). O planejamento feito junto às empresas envolve a área de finanças, que expressa o resultado do negócio; mercado, que identifica quem são os clientes; os processos com os quais o empresário trabalha para manter ou conquistar clientes e aumentar vendas; e os resultados do empreendimento. O Sebrae buscou simplificar o diagnóstico e torná-lo bem objetivo para facilitar sua compreensão e fazer com que o empresário, de fato, possa estabelecer estratégias competitivas e consistentes. Um dos diferenciais do Negócio a Negócio no Paraná é trabalhar com profissionais experientes para garantir maior confiabilidade por parte do empresário. Em outros estados, as consultorias são feitas por acadêmicos. O Negócio a Negócio pretende chegar, até o final de 2010, a pelo menos 70 mil micro e

pequenas empresas paranaenses. A maioria das empresas visitadas até agora tem até quatro funcionários, estratégia que será revista para o próximo ano, estendendo-se a abrangência para empreendimentos com até dez funcionários. Cechin antecipou que, em 2011, 20 mil empresas que já participaram do Negócio a Negócio serão revisitadas para uma complementação do trabalho. Outras 20 mil novas empresas receberão a consultoria. Todas gratuitamente.

Negócio a Negócio em números: •Mais de 65 mil empresas atendidas; •55 mil consultorias prestadas; •110 mil informações técnicas. Resultados do Programa por mês •Inserção de 10,5 mil novas empresas; •19 mil atendimentos/informações realizados; •9 mil consultorias prestadas; •28 mil atendimentos presenciais feitos. Dados colhidos no dia 29 de novembro

Para saber mais, acesse: www.sebraepr.com.br ou ligue agora para a Central de Relacionamento Sebrae/PR, no 0800 570 0800.

Um dos diferenciais do Programa no Paraná é trabalhar com profissionais experientes, o que garante maior confiabilidade por parte do empresário

A meta, agora, é buscar formas de reduzir seu custo fixo. Começou reavaliando seus fornecedores. Em vez de comprar em outras cidades, está experimentando atacadões com sede em Maringá mesmo.

Outro aspecto importante para o jovem empreendedor é participar, efetivamente, do dia a dia de sua empresa. “Eu acho que para ser

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Qualidade

A conquista de crescimento, associada ao aumento de qualidade em gestão e produtividade, é, sem dúvida, um dos grandes desafios enfrentados pelos empresários dos mais variados segmentos, que estão inseridos em um mercado cada vez mais competitivo e de difícil sobrevivência.

Prêmio inédito reconhece

Em Maringá, no noroeste do Paraná, dirigentes de pequenas e médias empresas da construção civil decidiram mudar de atitude frente a essa realidade e, por meio da união e de uma visão estratégica, já mostram que é possível superar barreiras para alcançar tal ganho.

iniciativas de pequenas empresas da construção civil

A mobilização foi encabeçada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil da Região Noroeste do Paraná (Sinduscon-NOR/PR), em parceria com o Sebrae/PR e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Paraná (Senai/PR), que, nos últimos anos, desenvolveram projetos de capacitação e de incentivo pela busca por excelência.

Em análise, qualidade, segurança e destinação correta de resíduos

E para coroar os resultados positivos do trabalho, em busca do aperfeiçoamento, foi lançado em 2010 a primeira edição do Prêmio Sinduscon-NOR/PR 2010, inédito no Brasil, por levar em conta três critérios de avaliação: qualidade em gestão; segurança no trabalho; e manejo correto de resíduos sólidos.

Foto: Studio Alfa

Por Graziela Castilho

Ao todo, 21 construtoras foram avaliadas, apesar de nem todas terem participado de projetos das entidades. O ranking das empresas foi divulgado no final de novembro. A vencedora foi a Plaenge. “Sempre buscamos trabalhar com qualidade e respeito aos clientes, funcionários e meio ambiente. Receber o reconhecimento do nosso empenho é muito gratificante. A empresa está há dois anos em Maringá e a equipe ainda tem o que melhorar. Entretanto, apesar do pouco tempo de atuação, já temos atingido níveis de qualidade surpreendentes”, disse o diretor da Regional da Plaenge, em Maringá, Leonardo Fabian. Com sede em Londrina e há 40 anos no mercado, a construtora instalou-se em Maringá em 2008 e hoje atua em nove cidades do País e em 13 do Chile. O grupo emprega 1.100 funcionários, mais 2 mil profissionais terceirizados. Segundo o gerente da Regional Noroeste do Sebrae/PR, Luiz Carlos da Silva, a iniciativa tem como objetivo reconhecer e valorizar empreendimentos que se valeram de boas práticas, em busca de qualidade.

Marcos Mauro de Araújo Filho, presidente do Sinduscon-NOR/PR

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“O Prêmio é um instrumento para mostrar que os empresários estão no caminho certo, quando buscam melhorias e inovação. A atitude, naturalmente, os posiciona à frente no mercado”, declara o gerente. Com o Prêmio, as entidades também esperam provocar uma concorrência saudável, porque, ao agregar valor às marcas presentes no ranking, outros empresários podem se despertar para o mesmo objetivo.

O presidente do Sinduscon-NOR/PR, Marcos Mauro de Araujo Filho, informa que o Prêmio Sinduscon-NOR/PR 2010 deve ser realizado anualmente e, se as outras regionais do Paraná forem favoráveis, a ideia é estadualizar a iniciativa. “Para o próximo ano também planejamos contemplar não só as empresas construtoras, mas todos os setores da cadeira produtiva inclusive nossos fornecedores”, adianta Marcos Mauro de Moreira Filho.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Ele acrescenta ainda que a parceria com o Sebrae/PR e Senai/PR reforça a credibilidade e a transparência, tanto dos programas de qualificação quanto da premiação. “São entidades reconhecidas e com competências indiscutíveis”, reforça o presidente.

Processo de avaliação A comissão avaliadora é composta por representantes do Sinduscon-NOR/PR e do Sebrae/PR, que decide o vencedor a partir dos dados já coletados por meio de um processo de avaliação, que inclui três auditorias às empresas participantes. Em cada visita é aplicado um check-list, com oito itens para avaliar a qualidade, dez itens sobre a destinação correta de resíduos sólidos e 20 itens sobre segurança no trabalho. Luiz Carlos da Silva explica que, no quesito qualidade, é levada em consideração a gestão dos procedimentos internos da empresa. Já no item segurança no trabalho, há uma preocupação com a saúde e bemestar dos funcionários, principalmente em execução de obra. E no quesito manejo de resíduos sólidos, a atenção volta-se à proteção do meio ambiente. “Com esse critério, a empresa beneficia tanto o usuário da construtora quanto o próprio funcionário, além de exercer a preservação dos recursos naturais que, por consequência, beneficia a sociedade”, esclarece o gerente da Regional Noroeste do Sebrae/PR.

Qualificação Antes de serem exigidos no processo de avaliação, os três critérios foram trabalhados junto aos empresários por meio dos programas de capacitação promovidos pelas entidades parceiras. O Sebrae/PR, juntamente com o auxílio do Senai/PR, se encarregou em dois dos três quesitos. Para isso, promoveu treinamentos técnicos, caravanas para conhecer novidades tecnológicas, consultorias em gestão e processos, incentivo de ações cooperadas entre as empresas e apoio a eventos técnicos. Todo o trabalho esteve pautado nas exigências do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H), criado pelo Ministério das Cidades do Governo Fed-

eral, e do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), que consta em uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O Sinduscon-NOR/PR também contribuiu com as capacitações, em especial com orientações a respeito das exigências de segurança no trabalho, conforme prevê a legislação brasileira. De acordo com Marcos Mauro de Moreira Filho, o trabalho desenvolvido, assim como as conquistas e resultados, mostra que, com empenho e motivação, os empresários podem alçar novos voos altos, oferecendo serviços e produtos de qualidade aos consumidores e exercendo o papel de “empresas cidadãs”, que têm responsabilidade ambiental.

No quesito manejo de resíduos sólidos, a atenção do Prêmio volta-se à proteção do meio ambiente

Acesse agora, para saber mais, os sites www.sindusconnoroeste.org.br; www.sebraepr.com.br; www.pr.senai.br/senaimaringa; www.cidades.gov.br; www.mdic.gov.br; e www.cbic.org.br.

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Sebrae Mais

A hora de

avançar (mais)   

Programa oferece soluções para empresas avançadas, que querem continuar seguindo em frente, no processo de evolução

O Sebrae Mais é voltado para as chamadas empresas avançadas, empreendimentos que já possuem maturidade e controle de gestão, mas que precisam se aperfeiçoar e buscam novas diretrizes e modelos mais estratégicos. “São aquelas empresas com mais de dois anos de existência, que já ultrapassaram o estágio do nível de consolidação, têm produtos ou serviços aceitos e reconhecimento no mercado”, explica a consultora do Sebrae/PR e gestora estadual do Sebrae Mais, Rosângela Angonese. O desenvolvimento do Sebrae Mais começou em 2008. Pesquisas foram feitas para saber o que os proprietários das pequenas empresas pensavam e buscavam na tentativa de continuarem avançando em seus negócios. Com os dados nacionais em mãos, o Sebrae, com sede em Brasília, começou a implantação das soluções um ano depois.

No Paraná, a execução do Sebrae Mais teve início no último mês de agosto. Durante três meses, as soluções ou produtos foram apresentados a empresários das cinco regiões do Estado, onde o Sebrae/PR tem forte atuação: centro-sul, noroeste, norte, oeste e sudoeste. O objetivo foi mobilizá-los e mostrar os benefícios de participarem da iniciativa. Ao todo, o Sebrae Mais pretende chegar a cerca de 2 mil pequenas empresas paranaenses, em 2010, número que o Sebrae pretende dobrar em 2011, quando a solução será aplicada de forma mais abrangente em todo Estado. Com a expectativa de ampliação da procura, a partir de 2011, o Sebrae/PR fará seleção das empresas que participarão do Programa. “Primeiramente, os empresários deverão se inscrever e, com os dados informados, será analisado se as ações do Sebrae Mais são ferramentas adequadas para contribuir para o crescimento e evolução da empresa”, explica a consultora. Ao todo, o Sebrae Mais oferece cinco soluções que são aplicadas por meio de cursos e consultorias nas próprias empresas, importantes para a melhoria na gestão e dos resultados. São elas: Encontros Empresariais, Estratégias Empresariais, Gestão Financeira,

O empresário brasileiro, de micro e pequena empresa, quer crescer, mas sente que lhe falta ferramentas de gestão para alcançar resultados

Foto: Wilson Vieira/ Videographic

Por Adriana Bonn

Não basta crescer, tem que avançar. Esse é um dos grandes desafios a serem enfrentados por empresários, de todos os portes, setores e segmentos. Foi pensando nisso que o Sebrae desenvolveu e lançou, nacionalmente, o Sebrae Mais – Programa Sebrae para Empresas Avançadas, uma iniciativa que oferece uma série de soluções que ajudam empresas de todo o Brasil a seguirem em frente e continuarem o processo de evolução.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Anderson Saquetti, empresário

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Gestão da Inovação e Internacionalização. Como essas ações são independentes, o empresário pode optar em participar da solução que quiser e na ordem que achar conveniente para sua empresa. O Programa conta ainda com o Empretec e o PSGQ, que é um programa de gestão da qualidade, que já eram oferecidos pelo Sebrae, antes do lançamento do Sebrae Mais. Existe uma expectativa de promover a interação e a troca de experiências entre os empresários, por meio de encontros empresariais. Os empresários que participam desses encontros passarão a integrar uma espécie de um clube de empresários do Sebrae Mais, ou seja, um grupo para discutir temas de interesse comum. Será oferecido também, em 2011, somente para Curitiba, uma solução integrada que visa contribuir significativamente para a melhoria na gestão empresarial e para o crescimento e avanço das pequenas empresas. É o FGA – Ferramentas e Gestão Avançada.

O levantamento mostrou ainda que a maioria das empresas possui gestão familiar e pouco planejamento; funcionários com baixa qualificação, o que limita o crescimento; e que não desenvolve ações de inovação, embora reconheça a sua importância. Ao mesmo tempo, a pesquisa identificou que esses empresários têm orgulho do negócio, se sentem vitoriosos e entusiasmados com o futuro. Todos mostraram que querem deixar de atuar na parte operacional da empresa para pensar estrategicamente. “Essas informações nos mostram que o público do Sebrae Mais é um empresário motivado, que quer informações com profundidade, mas prefere receber informações em forma de consultoria personalizada na sua empresa, por isso todos os programas aliam encontros presenciais para apresentar conceitos e discutir casos práticos e consultoria na empresa”, diz a gestora do Programa no Paraná.

É o caso do empresário Wagner Luiz Ferrarin, proprietário da Artchic, que, há 21 anos, comercializa produtos de artesanato; presentes de época; e peças de decoração, em Umuarama, na região noroeste do Estado. A Artchic tem sete funcionários.

Empreendimentos que já possuem certa maturidade e controle de gestão, mas que precisam se aperfeiçoar, podem participar do Programa

Ferrarin optou pela solução Internacionalização. “Durante o curso, reavivei práticas esquecidas e aprendi técnicas novas que já estou aplicando. O Sebrae Mais me deu mais entusiasmo e, agora, novas ideias surgem dia a dia”, conta. Depois de participar do Programa, o empresário diz que vem adotando medidas para expansão. “Viajei até a China para prospectar novos negócios em meu ramo e, nesse momento, estou fazendo pedido de produtos importados para decoração. Meu objetivo é atender todo o Brasil. Acredito que em médio prazo eu terei um bom aumento no faturamento da loja”, explica.

Novas informações

Foto: VSi Produções

Rosângela Angonese conta que todas as ações do Programa foram desenvolvidas com base em uma pesquisa, onde foram seleciona-

Entusiasmo extra

dos cinco grupos de empresários. Em discussões de grupo, constatou-se que o empresário brasileiro, de pequena empresa, quer crescer, melhorar os resultados de sua empresa, mas sente que lhe falta a ferramenta de gestão para alcançar os resultados que almeja.

O empresário Anderson Saquetti, da Sachê Collor, fabricante de produtos capilares, participou dos encontros empresariais, onde pode discutir suas experiências e trocar informações com outros empresários como ele. “Apesar de conhecer bem o mercado, estava procurando informações mais apuradas e efetivas, com dados mais concretos e reais do ramo em que trabalho”, assinala. Com as informações que recebeu, Saquetti conta que teve uma visão mais ampla do mercado brasileiro e que já está se preparando para atender a demanda. “A expectativa é que o setor de cosméticos no Brasil registre um crescimento de 14% ao ano”, diz o empresário. Durante o Encontro Empresarial, Saquetti também conheceu outras alternativas de mercado, como o e-commerce, por exemplo, tipo de comercialização feita pela internet, o que pode se tornar uma nova opção de venda de seus produtos. Com cinco anos de existência, a Sache Collor produz xampus, condicionadores e colorações voltados para profissionais. A linha possui 40 itens e, em 2010, estava previsto ganhar mais três. “A ampliação e renovação da linha são necessidades, devido às novas tecnologias e à exigência do mercado”, analisa o empresário.

Mais organização

Vinícius Dambros e Gilberto Renato Rotilli, empresário

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Vinícius Dambros, de Pato Branco, no sudoeste do Paraná, também optou por duas soluções do Sebrae Mais: Estratégias Empresariais e Gestão Financeira. Proprietário da Salute Comércio de Medicamentos Ltda., que possui quatro farmácias na cidade, ele conta que decidiu participar do Programa incentiva-

do pelo funcionário Gilberto Renato Rotilli, que é um dos farmacêuticos da empresa. “Decidi ir porque precisava arrumar a casa. Tudo estava fora de controle”, lembra. Empresa familiar, a Salute, até pouco tempo, era administrada pela mãe de Dambros. Ao assumir os negócios, o empresário, que também é farmacêutico, percebeu que a empresa não possuía nenhum tipo de controle, de entrada e saída de mercadorias. “A empresa não tinha ponto de equilíbrio. Não dava prejuízo, mas também não sabíamos quanto dava de lucro”, comenta o funcionário, que decidiu arregaçar as mangas e participar do Sebrae Mais. Com a participação nos encontros e consultoria, Dambros pensa agora em modernizar seu negócio. “Já estamos aplicando alguns conhecimentos, como administração financeira e organização das farmácias. Entrará em funcionamento um sistema informatizado para controle de mercadorias e depois investiremos em um novo layout”, planeja. O empresário tem ainda a meta de dobrar o faturamento e de abrir mais duas farmácias em 2011. Aposta, como tantos outros empresários paranaenses, no Sebrae Mais, para atingir seus objetivos.

Atuação direcionada Identificar um nicho de mercado a partir da própria necessidade foi o que aconteceu com a empresária Luciana Bechara. Mãe de gêmeos, que nasceram antes do tempo, Luciana percebeu a dificuldade de encontrar roupas e acessórios para bebês prematuros. Assim nasceu a ideia de estruturar uma confecção que atendesse à demanda de muitas mães, criando uma linha exclusiva para todo o conforto desses bebês. Em 2001, nascia a Be Little, em Curitiba.

Durante três meses, o Sebrae Mais foi apresentado para empresários de cinco regiões do Estado, com forte atuação do Sebrae/PR

Perto de completar dez anos de mercado, produzindo peças que atendem crianças de até quatro anos, a pequena empresa emprega 48 funcionários e vende sua produção para todas as regiões do Brasil. Segundo Luciana Bechara, ela e seu sócio procuravam, desde o ano passado, apoio para desenvolver o planejamento estratégico da empresa, com consultorias de alto nível. Ao conhecerem a proposta do Sebrae Mais, eles decidiram participar da solução Estratégias Empresariais. “Com o Programa, estamos consolidando nosso planejamento estratégico, que nos dará uma diretriz para os próximos cinco anos. Gostamos da metodologia, fácil de entender e aplicar. O planejamento estratégico te dá uma linha e você não fica tão vulnerável, uma linha de procedimentos, condutas e respostas para o mercado”, salienta a empresária.

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Artigo Soluções estratégicas

Os fundamentos

Conheça as soluções apresentadas pelo Sebrae Mais.

Encontros Empresariais - promove a troca de experiências entre empresários do

Estratégias Empresariais - possibilita a análise do ambiente empresarial, identificando os pontos fortes e fracos, as oportunidades e as ameaças para a elaboração de um plano de ação estratégica e sua implementação imediata na empresa. São 36 horas de capacitação, 11 horas de consultoria individual e três meses de acompanhamento. Gestão Financeira - auxilia na compreensão de todas as informações financeiras

da empresa, transformando-as em ferramentas para decisões eficientes. Durante a capacitação, o empresário realiza projeções financeiras, planejamento orçamentário e simula informações para avaliar as alternativas de mudanças estruturais na empresa. Método permite que empresário aplique ações enquanto aprende, tudo com o acompanhamento de um consultor. A duração é de três meses, com momentos presenciais e pela internet.

de um bom negócio - Parte 3  

Nas edições anteriores dessa série de artigos, apresentamos seis fundamentos: 1

Sua maior matéria-prima é o conhecimento.

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Planeje antes de fazer.

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Você não é o cliente!

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Seus maiores capitais são o tempo e as pessoas.

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Vender tem que ser sua maior competência.

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Se você e seus colaboradores não acreditam, não espere que os clientes acreditem.

Hoje, encerramos essa série com mais quatro fundamentos. Claro que dez fundamentos não esgotam o tema. Elenquei esses porque considero que, dentro do universo de princípios fundamentais para que se tenha um bom negócio, são aqueles que não podem ser esquecidos.

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uma questão contábil básica: o fluxo de caixa. Se esse controle fundamental não for devidamente empregado, você perderá muito dinheiro, mesmo tendo muito a receber e realizando excelentes lucros. Não existe saúde financeira para uma empresa que não tenha equacionado suas entradas e saídas ao longo do tempo. Na ausência de caixa, as empresas vão a óbito! Um erro comum em empreendedores individuais, micro e pequenas empresas é misturar finanças pessoais com as da pessoa jurídica. Usar recursos da empresa para comprar um carro novo, financiar as férias com dinheiro do caixa da empresa e outras coisas dessa natureza, sob a desculpa de distribuição de lucros, é uma atitude perigosa. Aconselhe-se urgentemente com seu contador a respeito, ele é seu consultor e saberá orientá-lo.

Gestão da Inovação - possibilita ao empresário compreender o que é inovação e sua importância para a melhoria da competitividade da empresa. Mostra que a inovação não é um conceito ligado à adoção de novas tecnologias, mas sim uma nova forma de gerir o negócio, fazendo algo diferente. Para essa solução, a duração é de 15 horas de capacitação e de três horas de consultoria individual. Planejando para Internacionalização - prepara o empresário para conquistar

novos mercados e fazer os ajustes estruturais para a internacionalização da empresa. Durante a capacitação, são oferecidas informações sobre o processo de negociação e os procedimentos necessários para a elaboração de um plano inicial de internacionalização, avaliando inclusive a capacidade de atuação da empresa no mercado externo. Essa solução tem duração de 19 horas, sendo quatro delas de consultoria por empresa.

Empretec - seminário desenvolvido pela Organização das Nações Unidas (ONU) que tem o objetivo de identificar, estimular e desenvolver o comportamento empreendedor. Através de uma metodologia vivencial e interativa, o empresário é motivado a promover mudanças no seu comportamento, aperfeiçoando suas habilidades de negociação e de gestão da empresa, permitindo maior segurança nas decisões e melhor planejamento. Duração de seis dias, com 60 horas de capacitação. PSGQ - direcionado ao empresário e tem como principal objetivo disseminar a importância de um sistema de gestão voltado à qualidade, possibilitando a compreensão da necessidade de mudança pessoal e organizacional, de obter uma nova visão estratégica do negócio, da valorização das pessoas e da melhoria do ambiente de trabalho. No decorrer do programa, que tem duração de 98 horas, o empresário é orientado a implantar as práticas gerenciais voltadas para a qualidade visando à satisfação do cliente e o aumento da competitividade.

Quer participar do Sebrae Mais? Não perca mais tempo, acesse www.sebraemais.com.br ou faça sua inscrição com a ajuda da Central de Relacionamento do Sebrae/PR, no 0800 570 0800.

Nenhum negócio sobreviverá na ausência de um fluxo de caixa coerente. A obsessão do empresário por lucro faz com que se esqueça de equacionar

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Toda empresa que não cresce, desaparece.

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Você não possui tudo que precisa para vencer dentro da própria empresa.O maior capital de um empreendedor é a soma de seu conhecimento com sua

“Se Deus vive nos detalhes de sua criação, aproveitar suas bênçãos também significa cuidar dos detalhes. Cuide de sua empresa nos mínimos detalhes, eles lhe assegurarão as alegrias do amanhã.” Bons negócios e até nosso próximo encontro!

As empresas morrem por comodismo. Acomodar-se em um dado patamar de sucesso é mais perigoso que enfrentar algum fracasso. Lembre-se que em um mundo altamente competitivo, para andar para trás, basta ficar parado. Crescer não é uma opção, é uma condição! Claro que o seu modelo de negócios pode compreender pequenas instalações, enxuto número de colaboradores, mas isso não significa que você pode optar por não crescer na qualidade de seus resultados, na conquista de clientes, etc. Nesse mercado altamente competitivo, quem não cresce, desaparece!

Foto: Divulgação

mesmo ou de diferentes setores, compartilhando soluções já testadas e ampliando a rede de contatos e oportunidades. São realizados de três a seis encontros de grupos de empresários com até 2h30 de duração. Especialistas são convidados para estimular debates.

  

atitude. Não possuímos todo o conhecimento para vencer em um mundo em constante mutação. É fundamental realizar parcerias externas e buscar conhecimento com profissionais, consultores e empresários fora da nossa própria empresa. Frequentar ambientes empreendedores, conversar com outros empresários, realizar visitas técnicas e buscar consultores, abrirão os horizontes e conduzirão a novas oportunidades. As maiores oportunidades de negócios são percebidas durante ou logo após uma conversa entre dois empreendedores!

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Administre sua marca.A marca é para uma empresa o que a digital é para o ser humano, algo que a identifica de maneira única e inequívoca. Muitas empresas excelentes perdem mercado para outras com menor nível de excelência, mas com um marketing melhor e uma marca mais forte. Dedique-se a construir uma marca forte que conquiste aceitação, respeito e admiração no mercado. As pessoas devem ouvir falar da sua marca antes mesmo de fazer negócios com você. As notícias correm como o vento. Coloque o vento gerado por um bom marketing e uma comunicação adequada a seu favor. Uma marca forte e bem administrada e um excelente modelo de negócios são os melhores investimentos que você pode realizar. Não descuide da sua marca, ela é mais que um nome ou logo. Ela é essência pela qual você é percebido pelo mercado!

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Carlos Hilsdorf é economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Site: www.carloshilsdorf.com.br – Twitter: www.twitter.com/ carloshilsdorf.

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Empreendedorismo

  

na aldeia Projetos organizam artesanato e estimulam hortas comunitárias Por Maigue Gueths

  

Foto: Claiton Biaggi

Indígenas

É bastante comum enxergar, nas ruas das grandes cidades do Paraná, pequenos grupos de mulheres indígenas, rodeadas de filhos pequenos, vendendo o artesanato produzido em suas aldeias. Quem presencia a cena não imagina as dificuldades que envolvem a viagem dessas mulheres e crianças, obrigadas a percorrer longas distâncias, circular pelas ruas e dormir em praças, para venderem balaios, peneiras, arco e flecha, chapéus e colares, que constituem, afinal, a principal fonte de renda para seu povo. O Paraná tem uma população de aproximadamente 16 mil indígenas, que vivem em 42 locais no Estado. As três etnias existentes no Estado - Kaingang, Guarani e Xetá - enfrentam hoje o mesmo dilema. “A dificuldade de se orientar no processo interativo que envolve a sociedade indígena da não índia”, explica o coordenador técnico da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Curitiba, Edívio Battistelli. “De modo geral, houve um avanço importante para a educação e a saúde, mas o tripé ainda está carente em atividades de produção dos índios, que têm, na agricultura e no artesanato, suas duas frentes de renda”, afirma o representante da Funai, ressaltando que os índios perderam muito com a chegada da civilização. Hoje, além de estarem cada vez mais longe de suas culturas, não têm mais como sobreviver da caça e pesca, e vivem com dificuldades. Ciente dessas dificuldades e apostando no empreendedorismo como uma alternativa viável de superação, o Sebrae/PR começou a implantar, em 2010, dois projetos na maior reserva indígena do interior do Paraná, a Aldeia Rio das Cobras, que se estende por 18 mil hectares nos municípios de Nova Laranjeiras e Espigão Alto do Iguaçu, na região oeste. Na aldeia, vivem 2,5 mil indígenas das etnias Kaingang e Guarani.

Indígena mostra artesanato artesanato, em primeiro lugar, e a agricultura. Os trabalhos acontecem dentro do Programa Território da Cidadania, do Governo Federal e que tem como objetivo ajudar no desenvolvimento de cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Ali acontece o Programa Território da Cidadania - Cantuquiriguaçu, que abrange 20 municípios da região. Além do Sebrae/PR, as duas iniciativas contam com parcerias com a Funai, Prefeitura de Nova Laranjeiras, Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

Primeira colheita, fruto do trabalho dos índios, rendeu 5 toneladas e todo o alimento foi destinado para a merenda de duas escolas indígenas do oeste

Retorno às raízes O objetivo do projeto relacionado ao artesanato, segundo o consultor do Sebrae/PR, Cecílio Max Lira Batista, também gestor do Projeto Cantuquiriguaçu, é melhorar a qualidade dos produtos e buscar novos meios de comercialização. Essas foram as duas necessidades apontadas no diagnóstico feito em fevereiro de 2010, a partir de entrevistas com 20 mulheres indígenas artesãs. Foto: Claiton Biaggi

Os projetos trabalham justamente com as duas maiores fontes de renda da aldeia: o

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Aldeia produz hortaliças 40

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Foto: Claiton Biaggi

Foto: Claiton Biaggi

Artesanato produzido pela Aldeia Rio das Cobras tanto servir para a subsistência como fonte de renda. Para o consultor do Sebrae/PR, o projeto já mostra resultados nesse sentido. “Alguns índios já estão fazendo sua própria horta em casa. Quer dizer, já começou a disseminar uma cultura que não existia antes”, avalia.

A pesquisa mostrou que ao artesanato é feito principalmente pelas mulheres, cabendo aos homens a retirada da taquara, principal matéria-prima utilizada, além de penas e sementes. Dentro do perfil socioeonômico, a pesquisa revelou que a renda média das famílias é de um salário mínimo, oriunda em geral do artesanato, agricultura e do BolsaFamília, benefício governamental recebido por uma boa parte deles. “Percebemos algumas dificuldades encontradas pelas mulheres, como a escassez de matéria-prima; e alguns pontos a serem fomentados, como o resgate de identidade cultural das peças”, diz Max Batista. A comercialização apareceu como o grande nó de todo o processo. Hoje, o produto é vendido basicamente nas ruas das grandes cidades, de porta em porta no próprio município e em barracas na beira da BR-277. Foram realizadas, então, duas oficinas, nas quais as 15 indígenas participantes puderam resgatar o artesanato tradicional dos índios, característica considerada essencial para a revalorização dos produtos. As oficinas contaram com a participação da designer de produto Isamara Carniatto. “Fizemos um resgate cultural com base em estudo realizado em outras comunidades indígenas de mesma etnia e relembramos as simbologias dos grafismos, o significado

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original de vários tipos de desenhos do artesanato indígena, que estavam esquecidos pelas próprias artesãs”, destaca. As oficinas também discutiram o problema da escassez de matéria-prima, que hoje é extraída da natureza, sem preocupação com a sustentabilidade da produção. A orientação, agora, é para que a comunidade passe a plantar as espécies utilizadas. Para a valorização dos produtos, há a proposta de confecção de etiquetas informativas a serem colocadas nas peças, que permitirá que o comprador conheça a história do artesanato. Com relação à comercialização, a ideia é viabilizar a venda em lojas pelo Estado, como na Estação Nova Laranjeiras, um centro de comercialização que deve funcionar em breve no município, às margens da BR-277. Um primeiro passo nesse sentido foi a iniciativa de levar o artesanato na 31ª Exposição - Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Cascavel (Expovel), que aconteceu entre 5 a 14 de novembro. Os produtos dividiram espaço com produtos de agricultura familiar da região. Para a indígena Hilda Cornélio, uma das coordenadoras do programa de artesanato na Aldeia, a ideia de valorizar o artesanato é muito importante, já que a maioria vive

disso. Ela ressalta, no entanto, que a comunidade ainda não se engajou à proposta. “As pessoas querem ver o resultado primeiro, para depois participar”, diz. Max Batista, do Sebrae/PR, acha natural essa desconfiança, já que os indígenas estão acostumados a ver iniciativas que começam mas não têm um fim. Por isso, uma estratégia importante será reunir todo esse material em uma espécie de livro, que servirá de registro documental de todas as ações realizadas e, ainda, de material de consulta para os próprios indígenas.

O sistema de plantio escolhido foi a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), que exclui o uso de fertilizantes sintéticos e agroquímicos, e é destinado a produtores de pequenas propriedades rurais.

Melhor alimentação

A irrigação dos canteiros é feita por meio do sistema de gotejamento. Uma área de compostagem supre a necessidade de adubação das culturas e um quintal circular é destinado à produção de frutas, grãos e outras culturas.

Outro projeto com participação do Sebrae/PR em andamento tenta atacar de frente o problema de subnutrição entre os indígenas. Desde maio, foram instaladas duas hortas comunitárias na reserva, uma em aldeia Kaingang e a outra em aldeia dos Guaranis. Até o final de 2010, mais uma horta deverá estar pronta, dessa vez, tocada apenas por mulheres, e, para 2011, o objetivo é implantar uma horta em cada uma das oito aldeias que compõem a Reserva Rio das Cobras. A intenção é criar entre os indígenas o hábito de plantar alimentos, que podem

Diferentemente da horta comum, as hortas do PAIS são demarcadas em forma de círculo, abrigando um galinheiro ao centro e três círculos de canteiros que receberam mudas variadas de verduras.

Até agora foi feita uma primeira colheita, de 5 toneladas, e todos os produtos foram adquiridos e destinados para a merenda de duas escolas indígenas da região, onde estudam cerca de 530 adolescentes e crianças da comunidade. A intenção, segundo o engenheiro-agrônomo da Secretaria de Agricultura de Nova Laranjeiras, José Antônio Custódio de Oliveira, é chegar a 20 toneladas por ano em cada uma das oito hortas. “Temos um grande problema de desnutrição

Artesanato é feito pelas mulheres, cabendo aos homens a retirada da taquara, principal matéria-prima utilizada, além de penas e sementes

O prefeito Eugenio Milton Bittencourt conta que a proposta surgiu para mostrar que é possível produzir o próprio sustento. “Temos, em Nova Laranjeiras, a maior reserva indígena do interior do Paraná, que já passou por alguns momentos de dificuldade, com casos de desnutrição e mortalidade infantil. Tanto o PAIS quanto outros projetos desenvolvidos pela Prefeitura e parceiros, como o Sebrae/PR, pretendem capacitar os índios e fazê-los entender que, de forma organizada, podem produzir o próprio sustento sem ter de esperar por ações de assistencialismo”, diz.

Foto: Claiton Biaggi

Hilda Cornélio, indígena

O cacique da Aldeia Rio das Cobras, Angelo Kavigtanh, também está entusiasmado com os resultados. “Antes não tínhamos nenhum apoio. Com essa iniciativa, o pessoal está animado para plantar. Além de produzir o próprio sustento, nossa comunidade está tendo uma grande oportunidade de trabalho, e as crianças estão comendo melhor. E só ir na horta e pegar a salada”, comenta.

entre os indígenas, e já se nota uma melhora. Com uma alimentação à base de mandioca, eles estão começando a aprender a comer verduras também. Até na escola, houve uma melhora nas notas dos alunos, e a alimentação pode ter influenciado nisso”, avalia o secretário de Administração de Nova Laranjeiras, Altair Savoldi Wrublak.

Eugenio Milton Bittencourt, prefeito

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Igualdade

O empresário Nivaldo Menin, 46 anos, é paraplégico há 26 anos, desde que sofreu um acidente de carro. Durante muitos anos, trabalhou na informalidade, até que, em 1997, conseguiu abrir oficialmente a loja Ortomenin, especializada na venda de cadeiras de rodas em Curitiba.

Empreendedores

especiais

O começo, segundo ele, foi difícil. Sem capital financeiro, a ajuda veio a partir dos fabricantes fornecedores, que lhe entregavam os componentes e estendiam os prazos de pagamento para até 90 dias. Hoje, 14 anos depois, ele já pensa em ampliar os negócios e encampar também a linha de reformas das cadeiras, hoje terceirizada.

  

Projeto de lei, no Senado, busca dar mais apoio aos deficientes que querem abrir empresa

“Montei a loja porque sabia da dificuldade em se encontrar um local que fizesse uma cadeira sob medida, personalizada. Eu vivia a realidade de um paraplégico e sabia que não tinha quem fizesse reforma, assistência técnica”, diz.ele, que também mantém uma oficina de manutenção das cadeiras.

Por Maigue Gueths

A intenção de Nivaldo Menin, agora, é adquirir maquinário, como uma máquina de estofamento e solda, para fazer grandes reformas.

Foto: Luiz Costa/La Imagen

Infelizmente, trajetórias profissionais e empreendedoras bem-sucedidas, como a do empresário curitibano, não são muitas entre os deficientes. A Lei de Cotas, que estabeleceu em 1991 a obrigatoriedade para médias e grandes empresas de destinar até 5% de suas vagas a deficientes, ainda não conseguiu garantir carteira assinada para essa parcela da população.

Nivaldo Menin, empresário

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Segundo dados do Ministério do Trabalho, os deficientes ocupam, hoje, menos de 1% das vagas formais de trabalho no País. Percentual inexpressivo se levarmos em conta que os deficientes representam cerca de 14% da população brasileira, o equivalente a quase 25 milhões de pessoas. As informações sobre empreendedorismo entre deficientes físicos e mentais também não apontam para estatísticas animadoras. Segundo o Censo 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), apenas 9 milhões de pessoas, o correspondente a 36,5% dos deficientes, trabalham no País, sendo que pelo menos 8 milhões são trabalhadores informais ou profissionais autônomos. A maioria, no entanto, começa o negócio próprio por necessidade e não por oportunidade. São pessoas que não têm trabalho e, para aumentar a renda familiar, saem às ruas vendendo artigos, como artesanato, panos de prato e salgadinhos. No Senado Federal, um projeto de lei, de autoria do senador gaúcho Paulo Paim, busca dar mais apoio aos deficientes que querem abrir uma empresa. O PLS 105/08 aumenta um parágrafo à Lei nº 7.853/1989, que instituiu a Política Nacional para a Integração da Pes-

soa Portadora de Deficiência, no qual prevê que o poder público incentive ações para promover o empreendedorismo e estabelecer linhas de crédito orientadas especificamente para pessoas com deficiência. O PLS 105/08 foi aprovado em outubro pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal e, até o fechamento desta edição, aguardava para ser votado em plenário. “A intenção é fazer com que o Governo Federal aplique normas e procedimentos que facilitem o acesso dos deficientes a empréstimos e financiamentos para que os empreendedores possam estabelecer negócios próprios”, explica Paim.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

O senador justifica o projeto lembrando que a legislação brasileira protege o ingresso do deficiente no mercado de trabalho, mas não há nada que incentive o empreendedorismo.

Peça-chave Há 13 anos, o casal Altair e Terezinha Moraes, ambos deficientes visuais, decidi fazer um curso de massagem, oferecido pela Associação dos Portadores de Deficiência Visual de Ponta Grossa (Apadevi), onde moram. A ideia era buscar uma carreira como autônomos, já que ambos vivem de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no valor de um salário mínimo para cada um. Foram três meses de curso, ela preferiu aprender as técnicas de massagem estética e ele, a massagem curativa. Terezinha lamenta, no entanto, que a atividade não engrenou. “Não é um trabalho fixo, às vezes eu fico até duas semanas sem cliente”, conta. Sandra Trujillo Costa, consultora do Sebrae/PR para projetos de empreendedorismo na região dos Campos Gerais, que atende 20 municípios, conta que, ocasionalmente, atende deficientes em busca de apoio para a abertura de um negócio próprio. “No final de 2009 e início de 2010, nós começamos um trabalho para ajudar um grupo de cegos que fazia bijuterias. O Sebrae/PR iniciou um trabalho de profissionalização com padronização das peças, mas o grupo acabou desistindo.”

9 milhões de pessoas, o correspondente a 36,5% dos deficientes, trabalham no País, sendo que pelo menos 8 milhões são informais e autônomos

O empreendedorismo, na avaliação de Sandra Trujillo, acaba sendo uma alternativa de ocupação e de sobrevivência. “Os portadores de deficiências têm plenas condições de empreender. Para isso, precisam se preparar e apostar, como todos os empreendedores, em planejamento e em gestão. Obviamente que, para que isso ocorra naturalmente, há necessidade de políticas públicas de inclusão”, aconselha a consultora. Recentemente, o escritório do Sebrae/PR em Ponta Grossa foi procurado pelo pedagogo Celso Cerqueira Lima, especialista na área de educação especial, em busca de informações

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Artigo

Um copo

pela metade José Cezar Castanhar

Nivaldo Menin e apoio para transformar cinco deficientes auditivos “bilateral profundo”, para quem ele está dando um curso de manutenção de computadores, notebooks e redes, em empreendedores individuais. “Meu objetivo é capacitar essas pessoas para que elas estejam prontas para exercer a função em qualquer grande empresa ou que abram uma pequena empresa”, diz. Celso Lima conta que teve a ideia quando viu o currículo de um dos rapazes, que apesar do “bom currículo” pleiteava uma vaga para trabalhar em limpeza geral. Celso Lima não só o convenceu a se qualificar, como ele acabou trazendo mais quatro deficientes auditivos para as aulas. Em seguida, Celso Lima procurou o Sebrae/PR. “Imagine um pássaro, onde o aluno é o corpo, uma asa é o nosso curso e a outra é o Sebrae/PR, dando orientação com capacitação, consultorias e informações técnicas”, diz, ressaltando que o Sebrae/PR não precisará nem levar um intérprete de libras, pois a mulher de um dos alunos já executa essa tarefa. “Minha expectativa é sair dos subempregos que me oferecem, pois tenho capacidade para mais. Com esse curso e o apoio do Sebrae/PR em cursos e palestras de gestão, com certeza, terei sucesso no mercado de trabalho”, diz Roberto de Quadros Ferreira, 31 anos, um dos alunos de Celso Lima. Ele conta que já trabalhou como auxiliar de Produção e em Tapeçaria e o salário sempre ficou em um salário mínimo. “É minha chance de receber respeito da minha família e da sociedade, de ter cidadania. Gostaria que mais pessoas tivessem a mesma oportunidade que estou tendo”, diz.

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Esse projeto não é o único desenvolvido por Celso Lima, para inclusão de deficientes. Em 2004, ele criou um projeto que utiliza software livre, Linux ou programas não proprietários, para inclusão de deficientes visuais em sala de aula, e transformou sua lan house, em Ponta Grossa, no Centro de Inclusão Digital (CDI). Celso Lima equipou os 20 computadores com sintetizadores de voz, que permitem que as palavras digitadas se transformem em voz. O sistema dá autonomia tanto ao aluno quanto ao professor, sem a necessidade do uso do Braille. Com a iniciativa, Celso Lima ganhou o Prêmio Conexão Cultura, da TV Cultura 2010. Também está concorrendo aos prêmios Empreendedor Social 2010 da Folha de S. Paulo e Telecentros Brasil, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para inclusão digital. A iniciativa de Celso Lima também serviu de base para que o deputado estadual paranaense, Marcelo Rangel, apresentasse um projeto de lei na Assembleia Legislativa. O projeto dispunha sobre a obrigatoriedade de adoção de programas de computadores pelas instituições estaduais de ensino, que possibilitem a acessibilidade a alunos com deficiência visual ou deficiência física severa. O projeto não foi aprovado, mas foi transformado em uma indicação da Assembleia ao Governo do Estado. (Colaborou nesta reportagem o jornalista Leandro Donatti).

Para saber mais, acesse: www.geranegocio.com.br/html/ p11-emp.htm.

Mudanças de governo são sempre momentos de expectativa e apreensão, quando os cidadãos e empresários se indagam: o País continuará crescendo nos próximos quatro anos? Os investimentos necessários serão realizados? As contas públicas ficarão equilibradas? A inflação permanecerá sob controle? Pode-­ se esperar alivio na carga tributária e nas taxas de juros?

Os portadores de deficiências têm plenas condições de empreender e, para isso, precisam se preparar e apostar em planejamento e gestão

Embora ninguém possa responder com segurança a todas essas perguntas, pode-­se fazer algumas conjecturas sobre o cenário econômico mais provável para os próximos quatro anos. Uma primeira constatação é que o novo governo se inicia num ambiente macro-­ econômico mais seguro e estável do que há oito anos atrás. Essa estabilidade pode ser sintetizada na cotação do dólar, que se desvalorizou durante o período eleitoral, em comparação com uma valorização de quase 100% na eleição de 2002.

que a taxa de investimentos aumente de forma expressiva nos próximos anos, passando dos atuais 19% para pelo menos 25% do PIB. O aumento dos investimentos é essencial por duas razões. Primeiro, porque pode eliminar os gargalos para a continuidade do crescimento econômico, especialmente na infra-­ estrutura. Segundo, porque ao aumentar a oferta de bens e serviços reduz as pressões inflacionárias e contribui para manter as taxas de juros em trajetória e baixa.

Foto: Divulgação

Se o Brasil fosse um copo d’água, provavelmente seria um copo pela metade. Alguns diriam que é um copo meio vazio. Já os otimitas veem o copo meio cheio. Um desafio para o governo que se inicia no próximo ano é dar sua contribuição para encher um pouco mais esse copo.

Para se atingir esse patamar de investimentos é indispensável uma combinação de esforços do governo e do setor privado. Da parte do governo, se espera duas coisas que organize suas contas para realizar os investimentos públicos necessários e que reduza a carga tributária, para estimular investimentos privados. Já do setor privado se espera que ele faça o que sabe fazer melhor: que identifique as oportunidades que o serão criadas nos próximos anos e que assuma os riscos e realize os investimentos necessários para explorar essas oportunidades.

No que toca ao crescimento econômico as perspectivas brasileiras devem continuar favoráveis por duas razões. A primeira é a força do mercado interno que deverá manter o dinamismo, impulsionado pela expansão do crédito. Embora o crédito tenha crescido a taxas elevadas nos últimos cinco anos alcançando 45% do PIB em 2010, ainda tem muito espaço para crescer. Apenas para comparação, no Chile esse percentual chega a 80%, alcançando 112% nos países emergentes da Ásia e 136% na média dos países desenvolvidos.

Para cumprir sua parte do desafio uma “lição de casa” dos empresários brasileiros,especialmente dos pequenos e médios é investir em inovação, tanto gerencial quanto tecnológica. A inovação será, cada vez mais, essencial para assegurar a competitividade e aproveitar as oportunidades que surgirão, mesmo no mercado doméstico. Ainda mais que, ao se consolidar como uma das grandes e mais dinâmicas economias do mundo o Brasil atrairá cada vez mais a atenção de investidores do mundo todo interessados em disputar seu mercado. A inovação gerencial e tecnológica pode ser, talvez, a única maneira para os pequenos e médios empresários brasileiros transformarem essa ameaça em uma oportunidade.

A continuidade da expansão do crédito depende de dois atores. O primeiro é que as taxas de juros caiam para patamares civilizados de forma a evitar que a inadimplência aumente e comprometa todo o processo. O segundo é

Os próximos quatros anos parecem bastante promissores. Mas essa expectativa só se confirmará se o governo e os empresários assumirem riscos e fizerem suas “lições” de casa. Afinal, como se sabe, não existe almoço grátis.

José Cezar Castanhar é engenheiro civil e doutor em Gestão e consultor da FGV Projetos, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

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Ampulheta

O tempo não para! Especialista em administração do tempo afirma que é possível, sim, ganhar umas horinhas para administrar a vida pessoal e profissional

paulista formado em Ciência da Computação muitas conquistas profissionais, mas também abalou a vida pessoal. Como empreendedor, Christian começou a perceber que uma das maiores dificuldades dos empresários e executivos é administrar o próprio tempo, o que pode acarretar, além de sérios problemas de saúde, até a falência do negócio. “O empreendedor sofre muito com a falta de tempo porque geralmente é um apaixonado pelo trabalho, pela empresa. Vive tão intensamente o lado profissional que se esquece do pessoal”, afirma.

Para estabelecer limites, é preciso analisar a fase da vida que esse empreendedor está e onde ele quer chegar. “Se a pessoa é solteira, não tem filhos, pode até trabalhar horas seguidas, mas se tem uma família, precisa se dedicar a ela”, exemplifica. O importante é estruturar a vida profissional de forma a estabelecer prioridades. “É preciso trabalhar de forma planejada. Na empresa, reduzir o volume de coisas que estão centralizadas em você e também o sentimento de urgência das coisas”, ensina. A sensação de urgência, aliás, na opinião de Barbosa, é uma das principais amigas da falta de tempo. “Estamos viciados nas

É preciso planejar a produtividade da empresa e aprender a delegar. A empresa pode até começar com você, mas não pode terminar assim

Foto: Luiz Costa/La Imagen

Por Katia Michelle Bezerra

Se você é daqueles empreendedores ou empresários que vivem reclamando da falta de tempo, precisa dedicar alguns minutinhos para ler essa matéria. Tempo, no mundo dos negócios, é artigo cada vez mais raro, mas há quem defenda que é possível conquistar o espaço necessário para administrar bem a vida profissional e pessoal. Como? Com planejamento e pensamento estratégico. Duas questões que podem melhorar - e muito - a administração da carreira, da família ou simplesmente do tempo que uma pessoa necessita para se dedicar a si mesma. “Não existe uma equação perfeita, uma fórmula a ser seguida, mas existe sim uma maneira de encontrar o equilíbrio. Basta saber o que a pessoa quer e em que fase da vida está”, afirma Christian Barbosa, um dos maiores especialistas no Brasil em administração de tempo e produtividade. Autor de quatro livros sobre o tema (“A Tríade do Tempo”, “Você, Dona do Seu Tempo”, “Estou em Reunião” e “Mais Tempo & Mais Dinheiro”, em parceria com Gustavo Cerbasi), ele abriu sua primeira empresa aos 15 anos e foi um dos profissionais mais jovens do mundo a receber o certificado da Microsoft. Começar a trabalhar tão cedo rendeu ao

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Cristina Miara, empresária

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urgências do mundo, vivemos correndo, ocupados a todo momento”, considera. Ele reforça que é preciso “mapear” o que é urgente e citar um plano de ação para solucionar as pendências sem que tudo seja “para ontem”. “É preciso tirar o peso das costas”, considera. Para quem chega no trabalho cedo, já com dezenas de e-mails para responder e uma pilha de pendências sobre a mesa, pode parecer impossível. Mudar essa situação, no entanto, só depende da própria pessoa. Utilizar uma ferramenta de planejamento, seja agenda ou planilha de Excel, por exemplo, é fundamental para quem quer ganhar tempo. “Reduza os e-mails urgentes. Faça com que as pessoas te liguem mais. Você vai diminuir o tempo no computador e ganhar uns minutinhos para fazer outras coisas”, ensina Barbosa.

Família x carreira Descobrir as próprias necessidades e estabelecer limites entre o lado profissional e pessoal não são, exatamente, tarefas fáceis. Exige, além de planejamento, maturidade e paciência. A empresária curitibana Cristina Miara conhece bem essa realidade. Há 18 anos, ela deixou a carreira de bioquímica para assumir um negócio de família. Na época ela não tinha filhos e se dedicava ao máximo às funções da empresa. “Antes, o trabalho era minha prioridade. Eu não tinha noção de horário. Trabalhava muito, mas, ao mesmo tempo, não queria abrir mão de constituir uma família”, revela a empresária, sócia do marido na confeitaria Brioche, em Curitiba. O segredo para ela não desistir do sonho de ter filhos, ao mesmo tempo que queria continuar trabalhando, foi justamente o planejamento. “Acho que o sucesso está no equilíbrio. Você precisa saber em que lugar quer chegar no âmbito profissional e pessoal”, diz Cristina. Ao responder essa pergunta - “Onde quero chegar?” - com sinceridade, ela mes-

O tempo em suas mãos

ma encontrou possibilidades para administrar seu tempo. “Eu não queria abrir mão de ter filhos e vê-los crescer”, revela. Mas para isso, o planejamento foi fundamental.

O consultor Christian Barbosa, especialista em administração do tempo, dá algumas dicas para evitar a correria do dia a dia. Anote!

“É preciso saber delegar. A gestão do tempo está muito ligada à liderança e à estrutura da sua empresa. Se você consegue estruturar e não centralizar o trabalho em você, consequentemente, vai sobrar mais tempo”, ensina. Para ela, a dificuldade é maior quando se tem uma pequena empresa. Você acaba se dedicando a mais. A empresa te consome e é quase inevitável não deixar-se absorver e cair na rotina.”

1.

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4. Pense em algumas formas para reduzir pelo menos 1/3 das reuniões do seu time, e, com isso, dê mais tempo para trabalhar e focar nas coisas realmente importantes.

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5. Reduza seus e-mails urgentes. Faça com que as pessoas te telefonem mais. Você perderá menos tempo no computador.

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Pense em novas ferramentas de produtividade, cursos sobre o assunto para a equipe, reveja processos, questione o time sobre como ser efetivo e tenha os processos por escrito. Assim, quando você começar a ter funcionários, o treinamento será mais fácil. Bastará explicar o processo e acompanhar os primeiros passos.

A empresária aprendeu, na prática, dosar a dedicação. “Quando fazemos nossas escolhas conscientes, o arrependimento não acontece”, salienta. Com planejamento e pensamento estratégico, ela conseguiu estruturar a empresa. Agora, com os filhos adolescentes (Mariana, de 16 anos, e Gabriel, de 14), acredita que está fazendo um bom trabalho na empresa, mas salienta que ter tempo para família é fundamental.

6.

Aprenda a delegar. Empresa produtiva é aquela que consegue viver sem o empreendedor por mais de 15 dias e na qual as pessoas sabem o que deve ser feito e conseguem evoluir, em vez de simplesmente agir.

A seguir, dicas de livros e sites sobre o tema. Livros: “Estou em Reunião: Um Programa para Planejar, Organizar e Conduzir”, de Christian Barbosa; “Como Administrar O Tempo”, de Tim Hindle; “Como administrar seu tempo: 24 lições para se tornar proativo e aproveitar cada minuto do trabalho”, de Marc Mancini. Site: www.maistempo.com.br.

E os desafios não param, já que há quase duas décadas Cristina também trabalha ao lado do marido, Jefferson. “Não dá para confundir os papéis. Nós chegamos em casa e desligamos. Evitamos falar de trabalho por mais que tenhamos vontade”, salienta. Para ela, tanto a vida pessoal como a profissional precisam de dedicação. “É só olhar para frente e ter clara a meta do que você quer para seu negócio e para a sua família”, diz.

A gestão do tempo está ligada à liderança e à estrutura da sua empresa e a sensação de urgência é uma das principais amigas da falta de tempo

Foto: Divulgação

Cristina Miara, empresária

Planejamento é fundamental. Planeje os principais processos e escreva como cada coisa será feita. Analise o tempo que dedicará a cada atividade e estabeleça prioridades. Valorize e cumpra esse planejamento. Saia cedo da empresa, cumpra prazos e chegue no horário às reuniões.

Foto: Luiz Costa/La Imagen

“Se você não tiver uma estratégia, uma ordem de prioridade, você acaba fazendo a urgência mais conveniente e nem sempre a correta”, afirma. Outra questão fundamental que vai garantir o tempo do empreendedor é o planejamento “É preciso planejar a produtividade da empresa e aprender a delegar. A empresa pode até começar com você, mas não pode terminar assim”, diz. Barbosa complementa que ter uma empresa produtiva significa pensar na forma em que a equipe irá dar prioridade às atividades, entender o que é realmente urgente e o que deve ser atendido naquele momento e o que pode esperar por um tempo determinado para ser realizado.

Seguindo essas dicas, vai sobrar tempo para o empreendedor dedicar-se à vida pessoal e ter mais tempo para família, para os amigos ou mesmo para um passatempo, necessário para o desenvolvimento de qualquer pessoa. “O limite do trabalho acaba quando começa o de outra pessoa. Se você está infeliz ou fazendo sua família infeliz porque trabalha de demais é porque está na hora de mudar!”, conclui.

Christian Barbosa, especialista

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Meu sonho. Meu negócio.

Concurso revela

ideias de negócios Empreendedores paranaenses participam em peso de competição promovida pelo Sebrae/PR e RICTV

Foto: Wilson Vieira/Videographic

Por Leandro Donattihs

O que Márcia Terezinha Ponce, Danusa Regina Radaelli, Aurilene Fernandes de Almeida, Gilcemara Ferreira de Sousa e Dalton Gilmar Filipaki têm em comum, além de serem empreendedores paranaenses? São candidatos a empresários, vencedores do Concurso Meu sonho. Meu negócio., uma iniciativa do Sebrae/PR e RICTV Record Paraná. Eles concorreram com mais de 3,5 mil empreendedores de todo o Estado, que se inscreveram na competição, e que, com a ajuda financeira de R$ 7 mil da RICTV Record, para a aquisição de equipamentos, e consultorias oferecidas pelo Sebrae/PR, transformam em realidade algumas ideias de negócios que antes pareciam impossíveis. Márcia Terezinha Ponce, que mora em Londrina e que produz, na cozinha de sua casa, doces personalizados para festas, foi a vencedora do Concurso Meu sonho. Meu negócio. na região norte do Paraná. Ela tem 43 anos e foi escolhida por 52,08% dos expectadores da RICTV Record, interessados em eleger a melhor ideia de negócio da região. Por pouco, Márcia Terezinha não fica de fora da seleção. Deixou para se inscrever em cima da hora. Responsável pelo sustento de três filhos adolescentes, a empreendedora iniciou a produção de doces para vender para fora, a partir de uma receita de pão de mel, repassada por sua irmã. A ideia surgiu em janeiro de 2010, quando desfez a antiga sociedade que mantinha com um familiar e, por não ter recebido o valor que lhe era devido, precisava de uma fonte de renda que lhe desse retorno imediato. Como também atua como cantora em festas de casamento, a empreendedora de Londrina enxergou nos eventos uma oportunidade de negócio. Então, participou de muitos cursos na área de confeitaria e usou sua habilidade nata para artesanato, para iniciar a produção de doces e bolos personalizados.

Márcia Terezinha Ponce,

empreendedora

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Márcia Terezinha tem alguma experiência com pequenos negócios. Em 2006, abriu uma empresa para venda e oferecimento de cursos de artesanato, mas, apenas um ano depois, fechou as portas em razão de não obter o resultado esperado. Antes de partir para a produção dos doces finos, foi sócia de uma empresa fabricante de puxadores artesanais. No final de setembro, ingressou no Programa Sebrae Relacionamento, um dos prêmio conferidos pelo Concurso Meu sonho. Meu negócio. A consultora do Sebrae/PR em Londrina, Liciana Aparecida Pedroso, explica que a vencedora do Concurso, vem, desde então, recebendo, orientações sobre como profissionalizar seu negócio. São informações sobre atendimento e relacionamento com o cliente; controles necessários; cadastro de clientes e de fornecedores;

orçamento; portfolio; cronograma de tarefas; definição do público-alvo do negócio; necessidade de mão de obra, entre outras. No momento, a empreendedora cumpre uma ‘lição de casa’ que é fazer o levantamento dos custos do seu negócio. Ela deve analisar dados sobre sua capacidade produtiva, consumo de matéria-prima, prazo necessário para fazer as entregas, número médio de clientes, sazonalidade e tempo gasto para a produção de cada produto. Essas e outras informações vão compor um plano de negócios exigido pelo regulamento do Concurso para que a empreendedora receba o valor da premiação.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

De acordo com Liciana Aparecida Pedroso, os recursos financeiros provavelmente serão gastos na compra de utensílios para confeitaria que promovam a diferenciação do produto, como por exemplo, formas, facas especiais para corte, aquisição de equipamentos, como balança e na formação de um pequeno estoque de insumos usados na fabricação dos produtos. “Determinação e persistência são as características empreendedoras mais marcantes de Márcia Terezinha. O empresário que possui um pequeno negócio dentro de sua residência precisa ter muita organização para conciliar a vida familiar e a gestão do negócio”, assinala a consultora. O prazo para a conclusão do plano de negócios é de até seis meses contados a partir do início das orientações pelo Sebrae/PR.

Preparação Na região sudoeste do Estado, a empreendedora Danusa Regina Radaelli está na fase de elaboração do plano de negócio. A jovem do município de Dois Vizinhos foi a vencedora do Concurso com a ideia de um website para artigos esportivos e projeta que o negócio entre em operação até o metade de dezembro. Danusa, que tem 22 anos e trabalha na área de suporte de uma empresa de software, conta que a inspiração para montar o website surgiu de uma conversa informal com o namorado, quando ele comprava artigos esportivos de um site na internet e perceberam a oportunidade.

Mais de 3,5 mil empreendedores de todo o Paraná inscreveram-se no Concurso, idealizado para premiar cinco melhores ideias de negócios

“Aproveitei que estava fazendo meu trabalho de conclusão de curso de Administração para pesquisar o mercado de comércio eletrônico, que foi o tema do trabalho. Percebemos que havia mercado e até iniciamos contatos com possíveis fornecedores e com um programador de websites.” A empreendedora soube do Concurso Meu sonho. Meu negócio. por acaso, quando a sua mãe, que estava de licença médica, assistiu o comercial na RICTV Record. Como a família conhecia o desejo de Danusa, em abrir o próprio empreendimento, a mãe, Elza Radaelli, relatou à filha a oportunidade.

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A empreendedora explica que as orientações recebidas do Sebrae/PR serão decisivas para iniciar o negócio. “Nossa, foram bem atenciosos e detalharam tudo tecnicamente, facilitando a compreensão da parte de gestão, principalmente na área financeira. Isso tudo será importante na montagem do empreendimento”, testemunha. O consultor do Sebrae/PR em Pato Branco, Alaxendro Dal Piva, acredita que a ideia irá se viabilizar a partir da realização do plano de negócios. “Danusa investiu em sua ideia e acreditou em seu sucesso. Isso é uma característica empreendedora que faz a diferença. Agora, ela coloca tudo isso no papel, projeta a gestão e começa a dar formato ao negócio, analisando cada etapa, o que aumenta sua chance de sucesso”, completa Dal Piva.

Expectativa

cio, mas é preciso ter o capital de giro e estou pensando em financiar”, diz a contadora ao acrescentar que, recentemente, recebeu o convite de um colega de profissão para uma proposta de sociedade.

Antes, porém, decidiu escolher uma profissão para, então, começar a pensar no seu próprio negócio. Ao adquirir experiência em estágios, teve a ideia de abrir um escritório de contabilidade, mas com o diferencial de prestar consultorias aos clientes que iniciam um empreendimento.

“Gosto da ideia porque um sócio vem a somar e na caminhada, quando surgem as dúvidas, é importante que haja alguém para trocar experiências”, declara a maringaense.

Ao vencer o Concurso, Aurilene Fernandes de Almeida começou a transformar o sonho em realidade. “O atendimento oferecido pelo Sebrae/PR tem me deixado segura. Os consultores têm muita experiência e apontam soluções que eu, leiga em empreendedorismo, não enxergava com facilidade. Agora posso dizer que estou tendo uma visão geral do meu futuro empreendimento”, declara a contadora. Atualmente, Aurilene está na fase de orçamento e a meta é abrir a empresa até março de 2011. Uma preocupação apresentada por Aurilene, porém, é conseguir o capital de giro para garantir o sustento da empresa por, pelo menos, um ano. “Tenho o valor para abrir o negó-

O consultor do Sebrae/PR em Maringá, João Luis de Moura, afirma que a viabilidade da ideia de Aurilene foi comprovada durante o desenvolvimento do plano de negócio. Além disso, foi possível identificar dois aspectos favoráveis: o nicho de mercado e o baixo investimento inicial. “Aurilene tem nos surpreendido, porque demonstra dedicação e entusiasmo no processo de capacitação e planejamento de seu futuro negócio”, enfatiza Moura. O consultor também destaca que, desde o início do atendimento, a maringaense mostrou ter clareza de que somente recursos financeiros não bastam, é preciso conhecer o serviço e o mercado.

Realização Moradora de Foz do Iguaçu há quatro anos, Gilcemara Ferreira de Sousa, vencedora do

Foto: Luiz Costa/La Imagen

Foto: Cristiane Shinde/ Studio Alfa

Aurilene Fernandes de Almeida tem 25 anos e

foi a vencedora do Meu sonho. Meu negócio. na região noroeste do Paraná. Maringaense e recém-formada em Ciências Contábeis, ela diz que sempre sonhou em ser uma empresária de sucesso.

Concurso no oeste paranaense, trouxe da capital paulista a oportunidade de realizar o sonho de ser empresária.

frutas silvestres. Surgiu então a ideia e sugeri que as frutas fossem acrescentadas à ração que eu vendia”, relembra o vencedor.

“Participar do Concurso me fez idealizar um sonho, colocar as ideias no papel. Ter vencido, me trouxe a oportunidade de realizar”, conta Gilcemara, que pretende montar no município, a primeira loja especializada em venda de cupcakes, ou minibolos, inicialmente por meio de um site na internet.

Na época, a iniciativa de Filipaki não foi aceita pelo produtor da massa, mas ele guardou a ideia e, mais tarde, passou a fabricar seu próprio produto. Como ingredientes, ele usa farinha de peixe, farinha de trigo, açúcar, sal, farelo de soja, farelo de arroz, mandioca, erva-doce, milho verde, banana, mel, minhoca e seus segredos. O produto é ecologicamente correto, não polui rios, nem o solo.

“Os cupcakes são um sucesso em São Paulo e tenho certeza de que será um bom negócio aqui também. Já tinha as receitas e até um local em minha casa para abrigar uma cozinha industrial. Só faltava mesmo dinheiro para investir e apoio para aprimorar a ideia do negócio.” Logo depois do resultado, a vencedora já deu início as consultorias do Sebrae Relacionamento. A primeira esclareceu sobre as informações necessárias para a elaboração de um plano de negócio, que já foi desenhado logo na consultoria seguinte. “A empresa de Gilcemara tem tudo para dar certo e ela tem perfil empreendedor, que é muito importante. Diante do planejamento, observamos que o negócio é viável e tem uma boa projeção de lucratividade, além de excelente rentabilidade”, explica o consultor do Sebrae/PR em Foz do Iguaçu, Edinardo Aguiar. O próximo passo, complementa o consultor, é a compra dos equipamentos para a cozinha industrial e uma consultoria para definição da estratégia de marketing e lançamento do produto no mercado. “Não vejo a hora de colocar a mão na massa”, brinca a vencedora, que pretende lançar a marca Cupcake em seis sabores iniciais: minibolos de chocolate, chocolate com cenoura, limão siciliano, morango, coco e baunilha.

Cursando Administração, a empreendedora de 32 anos sonha com os pés no chão. “Já tinha alguma ideia da necessidade de planejamento antes de abrir um negócio, pois havia participado de algumas capacitações do Sebrae/PR, inclusive do Empretec. As consultorias têm me deixado ainda mais confiante e segura. Já sei, por exemplo, que de oito a 12 meses terei retorno do investimento. Estar consciente dos detalhes da empresa é uma garantia de encontrar o caminho certo”, diz.

Oportunidade

Aurilene Fernandes de Almeida, empreendedora, acompanhada do aprensentador da RICTV (à esq.) e do consultor do Sebrae/PR, João Luis de Moura (à dir.)

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Dalton Gilmar Filipaki, de 52 anos, venceu o Concurso na região centro-sul do Paraná, com um plano de negócio para fabricar massa (isca) para pescaria. Segundo Filipaki, a ideia de trabalhar com isca para peixes surgiu em 1998, quando ele ainda trabalhava em um pesqueiro em Araucária, na Grande Curitiba. “Num dia de chuva, no Rio Passaúna, observei que os peixes subiam à superfície para comer

Filipaki faz tudo de maneira artesanal. Tritura os ingredientes em um equipamento adaptado e embala, por meio de uma seladora comum, em pacotes de 250 e 500 gramas. A inovação em seu negócio será conduzida pelo Sebrae/PR, segundo ele. “Não farei as coisas sozinho, vou contar com a ajuda dos consultores do Sebrae/PR, para que me orientem sobre que tipo de equipamentos devo comprar e como deverei conduzir os negócios daqui para frente”, afirma. O empreendedor também vai trabalhar com o conceito de sustentabilidade e de responsabilidade social. “Além de produzir isca para peixes, quero viabilizar oportunidades de empregos para jovens e idosos”, assinala.

A persistência nunca deve morrer no empreendedorismo e quanto mais persistente for o empreendedor, mais motivado ele estará

De acordo com o consultor do Sebrae/PR responsável pela execução do Concurso na região centro-sul, Paulo Tadeu Graciano, a escolha privilegiou as ações que contemplaram a inclusão social, a responsabilidade social e a sustentabilidade, além do diferencial da ideia.

O consultor do Sebrae/PR destaca também que foi muito gratificante constatar que as pessoas podem voltar a sonhar com os negócios que sempre desejaram colocar em prática e ter caminhos para correr em busca de informações. “O empreendedorismo é estimulado, já que uma ideia empreendedora foi colocada no papel e pode, a partir daí, gerar um negócio rentável. Quem não venceu o Concurso, com certeza não vai desistir da sua ideia. A persistência nunca morre. Quanto mais persistente for o empreendedor, mais motivado ele estará. A grande mensagem do Concurso Meu sonho. Meu negócio. é justamente essa, que o sonho seja permanente e que o empreendedor busque informações para que possa viabilizar o negócio com poucos recursos”, frisa Graciano. (Colaboraram nesta reportagem os jornalistas Adriano Oltrarami, Cleide de Paula, Graziela Castilho, Juliana Dotto e Tânia Jeferson).

Para saber mais, acesse: www.sebraepr.com.br.

Foto: Divulgação

Depois de vencer o Concurso, Danusa iniciou o atendimento com o Sebrae/PR, no escritório da Regional Sudoeste do Sebrae/PR, instalada em Pato Branco. “Já tive consultorias e agora estamos montando um plano de negócios, que será fundamental para o sucesso da nossa ideia”, completa.

Danusa Regina Radaelli, empreendedora

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Recorde

t

Pequenos são

bons pagadores Pesquisa mostra pontualidade na hora de pagar e redução no número de falências Por Mirian Gasparins

A pontualidade nos pagamentos, pelas micro e pequenas empresas, vem atingindo índices históricos em 2010. Depois de iniciar janeiro com um patamar de 93,8%, em agosto, o índice foi de 95,7%, o maior nível de pontualidade de pagamento registrado em toda a série histórica, iniciada em janeiro de 2006 pela Serasa Experian, líder na América Latina em serviços de informações para apoio na tomada de decisões das empresas. Em outubro, último número fornecido pela Serasa Experian até o fechamento desta edição, a pontualidade nos pagamentos das micro e pequenas empresas ficou em 95,5% e deve se manter acima desses porcentuais até o fim de 2010. Isso significa que, de cada mil pagamentos, 955 são quitados à vista ou no máximo com sete dias de atraso pelos micro e pequenos estabelecimentos. De acordo com informações deste indicador, ao longo de 2010, o maior índice de empresas pontuais está no setor de serviços. Em seguida, aparecem os segmentos de micro e pequenas comerciais e industriais. De acordo com o presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro, entender a dinâmica das micro e pequenas empresas, como funcionam e como cumprem seus contratos, é fundamental para a compreensão do atual cenário econômico brasileiro. Sobretudo, porque as micro e pequenas empresas representam 99% das empresas brasileiras formais, geram 60% dos empregos com carteira assinada e são responsáveis por 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Os indicadores da Serasa Experian apontam também que as micro e pequenas empresas continuarão honrando suas datas de pagamento nos próximos meses, especialmente porque se aproxima uma boa época para os negócios sazonais. Os economistas da Serasa Experian observam que a retomada de um ritmo de crescimento mais acelerado da economia brasileira, após a desaceleração observada durante o segundo e o terceiro trimestres de 2010, favorece a geração de caixa das empresas. Esse cenário deverá ainda prevalecer ao longo dos próximos meses, colaborando para a continuidade de recuos graduais dos níveis de inadimplência das empresas. Em setembro último, o Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência das Empresas recuou 2,1%, atingindo o patamar de 86,9, perfazendo o 17º recuo mensal consecutivo. Por outro lado, o valor médio dos pagamentos efetuados pontualmente cresceu 3,9% em outubro na comparação com setembro, atingindo o valor de R$ 1.494,55. Em comparação a outubro de 2009, o valor médio dos pagamentos pontuais apresentou alta de 3,6%, a primeira variação anual positiva em 17 meses.

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O Indicador Serasa Experian da Pontualidade de Pagamentos das Micro e Pequenas Empresas é construído através dos pagamentos efetuados, mensalmente, por amostra de 600 mil micro e pequenas empresas no Brasil, totalizando uma quantidade de, aproximadamente, 8 milhões de pagamentos registrados mensalmente, por seus fornecedores, nas bases de informações sobre pessoas jurídicas da Serasa Experian.

Queda nas falências

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Pagando cada vez mais em dia os seus compromissos financeiros, o número de falências decretadas por micro e pequenas empresas tem registrado, consequentemente, quedas recordes. Em outubro último, em todo o País, 46 micro e pequenas empresas tiveram suas falências decretadas. Esse foi o menor número para este porte de empresa em 2010, conforme revela o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações. Na avaliação dos economistas da Serasa Experian, a queda do número de falências decretadas, envolvendo micro e pequenas empresas, é reflexo do bom momento econômico vivido pelo País em 2010, beneficiando, principalmente, as empresas que têm seu foco de atuação no mercado doméstico, que são basicamente os pequenos empreendimentos.

Negociar é opção O empresário Paulo Cesar Strey comprou, há dois anos, o Supermercado Estrela Sul, em Araucária, na Grande Curitiba, e assumiu uma dívida de cerca de R$ 120 mil, dos antigos proprietários com fornecedores.

Em setembro de 2010, a pontualidade nos pagamentos, das micro e pequenas empresas, ficou em 95,5%

Para que o negócio pudesse continuar, a opção encontrada foi a negociação com cada um dos credores. “Nessa hora, o diálogo é fundamental. Não atender o credor, mandando dizer que não está, é a pior atitude que um empresário pode tomar”, aconselha. Segundo Strey, a maioria dos credores procura entender a situação da empresa devedora antes de mandar o título para o cartório, pois além de correr o risco de não receber, ainda terá que bancar as despesas de cartório. Outro ponto fundamental na hora da negociação das dívidas é estabelecer os prazos de pagamentos, procurando conseguir com o credor períodos mais longos para honrar os compromissos. O proprietário do Supermercado Estrela Sul está satisfeito com as negociações fechadas com os credores e, dentro de três anos, terá todas as dívidas quitadas. Hoje, Strey compra à vista cerca de 80% das mercadorias colocadas à venda no supermercado. “Com o lucro estou saldando as dívidas”, conclui.

Mais detalhes sobre as pesquisas sobre pontualidade, inadimplência e falências das micro e pequenas empresas podem ser obtidos no site da Serasa Experian, no: www.serasaexperian.com.br.

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Empreendedor Individual

Mais de 40 mil

se formalizam

no Paraná Semana do Empreendedor Individual, movimento nacional pró-formalização, sensibiliza paranaenses

A legislação, que passou a formalizar empreendedores no Estado, a partir de setembro de 2009, com a entrada em operação do Portal do Empreendedor, formaliza manicures, chaveiros, pintores, artesãos, costureiras, sapateiros, cabeleireiros, entre outros, que faturam até R$ 36 mil por ano. A realização da Semana do Empreendedor Individual, uma mobilização nacional promovida pelo Sebrae, para estimular a formalização, nos 27 estados brasileiros, foi decisiva para a conquista dos resultados. No Paraná, a Semana do Empreendedor teve duas edições. A primeira, de 18 a 23 de outubro, realizada em Curitiba, Londrina e Guarapuava. A segunda, de 16 a 20 de novembro, em Cascavel e Maringá. Os escritórios e pontos de atendimento do Sebrae/PR em todo o Estado também intensificaram seus atendimentos, nas duas ocasiões, o que representou um aumento na média de atendimentos.

O Sebrae mobilizou equipes, para auxiliar empreendedores a saírem da informalidade. Com estruturas montadas em lugares com grande circulação de pessoas, o Sebrae/PR orientou informais sobre as vantagens e deveres da legalização de seus negócios. Ao todo, na primeira edição da Semana do Empreendedor Individual, foram 3.253 pessoas atendidas. Nas três tendas montadas, em Curitiba, Londrina e Guarapuava, foram atendidas 1.748 pessoas, das quais 482 se formalizaram ou tiveram a liberação da Consulta Comercial para formalizar no local. Nos escritórios e pontos de atendimento do Sebrae/PR, foram mais 450 atendimentos presenciais e, na Central de Relacionamento Sebrae/PR, 1.056 pessoas interessadas. A média de formalização, que era de 113 empreendedores individuais por dia, nos últimos dois meses, saltou para 260 formalizações diárias, mais que dobrando. A segunda edição da Semana do Empreendedor Individual formalizou 100 empreendedores em Cascavel e uma média de 50 em Maringá. Em Cascavel, foram mais de 280 atendimentos. Em Maringá, mais de 250.

Foto: La Imagen

Foto: La Imagen

Por Leandro Donatti

Mais de 40 mil empreendedores já saíram da informalidade no Paraná, graças à Lei Complementar 128, que instituiu a figura jurídica do Empreendedor Individual, em todo o Brasil, a partir de 1º de julho de 2009. A estimativa é do Sebrae/PR.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Atendimentos na Praça Rui Barbosa, em Curitiba

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Atendimentos na Praça Rui Barbosa, em Curitiba

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Todo o processo de legalização dos empreendedores informais é realizado pela internet, por meio do Portal do Empreendedor

Na capital paranaense, a tenda do Empreendedor Individual foi montada na Praça Rui Barbosa. Em Guarapuava, na Rua XV de Novembro, em frente ao Guaíra Country Club, e em Londrina, numa tenda montada em frente à Prefeitura. Em Cascavel, no Calçadão, em frente à Catedral. E em Maringá, na Praça Raposo Tavares, centro.

“No Paraná, o esforço concentrado mostrou que o informal ainda não dispõe de todas as informações para tomar a decisão de formalizar seu empreendimento. Mais que números, a Semana do Empreendedor Individual mostrou como é importante levar conhecimento para aqueles que necessitam do apoio do Sebrae. São empreendedores que, no geral, não percebem que as instituições estão ao seu alcance e podem ajudá-los a melhorar sua qualidade de vida”, diz o diretor de Operações do Sebrae/PR, Julio Cezar Agostini.

Equipes de consultores prestaram informações aos interessados e auxiliaram empreendedores em todo o processo de formalização.

Quando o Sebrae vai para as ruas, em locais de grande circulação, todo o conhecimento e apoio técnico da organização tornam-se uma realidade para os empreendedores. “A Semana do Empreendedor Individual modificou a visão dos informais a respeito da formalidade e dos serviços que o Sebrae oferece para promover o desenvolvimento da sociedade”, reforça o diretor.

Durante as semanas, foram realizadas palestras, sobre os benefícios da Previdência Social após a formalização, linhas de crédito disponíveis e exclusivas para empreendedores individuais e, ainda, quais são as responsabilidades do empreendedor individual após a formalização. As palestras funcionaram como atendimentos coletivos, onde os interessados tiveram a oportunidade de tirar dúvidas sobre a característica jurídica do Empreendedor Individual.

Sob medida Para Gervás Pedro Marinho, que presta serviços de instalação elétrica em Cascavel há dois anos, a formalização “caiu do céu”. “Procurei me formalizar porque minha intenção é cres-

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As atividades mais formalizadas por meio do Portal do Empreendedor, de acordo com levantamento do Sebrae/PR, têm sido comerciantes de artigos do vestuário e acessórios; cabeleireiros, lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares; pedreiros, proprietários de bares e congêneres; costureiras; manicures, pedicures, depiladoras e esteticistas.

Os empreendedores que se formalizam, também usufruem de vantagens previdenciárias, como aposentadoria e auxílio-doença cer cada vez mais. Quando estamos informais trabalhamos aqui e ali, mas não podemos fazer grandes serviços, pois não temos CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), nem nota fiscal.” Para o empreendedor, fica difícil de crescer e poder lucrar mais no fim do mês. “Agora que estou formalizado como empreendedor individual, poderei atender clientes maiores e até mesmo participar de licitações e os impostos que pago para ter todos esses benefícios são pequenos perto das chances que tenho de melhorar”, afirma Gervás Pedro Marinho.

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Ao visitar a tenda do Sebrae/PR, durante a Semana do Empreendedor Individual em Maringá, o empreendedor Allan Teixeira Fernandes foi um dos que já saíram do local formalizado. Durante quatro anos, ele trabalhou como empregado de uma empresa de locação de máquinas para a construção civil. Há dois meses, porém, iniciou o seu próprio empreendimento no mesmo ramo. “Agora que sou pessoa jurídica terei mais facilidade de acesso a financiamentos, fora outros benefícios. Minha expectativa é de crescer e fico mais tranquilo por estar legalizado”, afirma. Cacilda Maba fabrica e vende sonhos há oito anos, mas seu trabalho informal sempre a preocupou. Aos 52 anos, ela conta com a ajuda da filha de 20 anos para vender nos bairros Capão da Imbuia, Vila Hauer, Cajuru e Vila São Paulo, em Curitiba, as delícias que fabrica em cinco sabores: doce de leite, nata, creme, chocolate e goiaba.  Cacilda ficou sabendo da Semana do Empreendedor Individual em Curitiba pela tevê e enxergou uma oportunidade de garantir o futuro para ela e também para sua filha. “Sempre fiquei preocupada em trabalhar na clandestinidade. Há oito anos não pagava impostos referentes à minha atividade e não tinha segurança alguma. Com a  formalização, posso trabalhar sossegada, estou assegurada pelos direitos da Previdência e me sinto uma cidadã de verdade. Com certeza, tudo vai mudar. Além de todos esses benefícios

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Atendimentos na Praça Rui Barbosa, em Curitiba

para mim, poderei dar um futuro melhor também para a minha filha, já que agora posso registrá-la“, comenta.

Regras Além dos registros no CNPJ, na Junta Comercial, na Previdência Social e na Prefeitura Municipal, o empreendedor que se formalizar também vai usufruir de vantagens previdenciárias como aposentadoria, auxílio-doença e auxílio-maternidade. Todo o processo de formalização é realizado no Portal do Empreendedor Individual. Porém, consultores do Sebrae/PR ressaltam a importância do empreendedor, antes de acessar o Portal, buscar informações para ter clareza

sobre a natureza do seu empreendimento, pois serão aceitos apenas negócios que não ferem a legislação local. Os informais que queiram formalizar sua atividade com o auxílio do Sebrae/PR devem levar a Carteira de Identidade, Cadastro de Pessoa Física (CPF) e Carnê do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). (Colaboraram nesta reportagem as jornalistas Graziela Castilho, Juliana Dotto e Tânia Jeferson).

Para saber mais, acesse: www.portaldoempreendedor.gov.br.

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O comportamento

O comportamento estratégico das empresas também foi investigado e de acordo com a metodologia utilizada elas foram classificadas em:

TI/Software paranaenses

José Gava Neto e Bruno Henrique Rocha Fernandes

Numa economia globalizada e cada vez mais competitiva, manter-se no mercado exige das organizações competências que as tornem únicas, em sua proposição de valor ao cliente. Um dos setores mais dinâmicos da nova economia é o setor de Tecnologia da Informacão (TI) e Software. Foi realizada uma pesquisa no setor com as empresas atendidas pelo Sebrae/PR nos Arranjos Produtivos Locais (APL) de TI/Software no Paraná, com o objetivo de saber quais eram as competências valorizadas por essas empresas e se havia correlação com o desempenho empresarial das mesmas, além de verificar as estratégias mais utilizadas e a percepção do empresário sobre o ambiente.

Desenvolvimento de software – Aplica com domínio o processo de análise, design e construção de software. Implementação de software - Aplica com domínio o processo de implementação de software. Gestão de projetos – Planeja, elabora, executa e controla projetos com uso de metodologias.

As empresas reativas são as que têm o pior desempenho quanto ao resultado econômico e têm as competências menos desenvolvidas. Percebem o ambiente como imprevisível e assim são surpreendidas pelos acontecimentos, talvez por não prospectarem cenários de forma proativa.

Prospectoras são organizações que, quase continuamente, procuram por oportunidades de mercado e experimentam regularmente com respostas potenciais para desenvolver tendências ambientais. Essas organizações são frequentemente criadoras de mudança e incerteza para as quais os seus concorrentes têm que responder.

As empresas analíticas revelaram melhor desempenho quanto ao resultado econômico e investem mais nas competências de gestão do negócio e de marketing e vendas. O ambiente foi interpretado como sendo mais previsível e com mais condições favoráveis ao crescimento pelas analíticas.

Analíticas são organizações que operam em dois tipos de domínios de produto-mercado, um relativamente estável e o outro em mudança. Nas suas áreas estáveis, essas organizações operam rotineira e eficientemente através do uso de estruturas e processos formalizados.

As empresas prospectivas apresentaram melhor resultado quanto à gestão e clientes. Investem mais nas competências técnicas e vêem o ambiente como mais dinâmico. Enxergam o ambiente como menos complexo, talvez por testá-lo ativamente e julgar que o conhece como resultado desta experimentação.

As empresas defensivas percebem o ambiente como complexo, têm a menor competência de Marketing e Vendas e resultado superior somente às reativas.

Defensivas são organizações com domínios de produto-mercado limitados. A alta gerência dessas organizações é especializada nas áreas operacionais, mas não estão aptas a procurar por novas oportunidades fora de seus domínios.

estratégico das empresas de

A seguir a lista de competências encontradas:

Reativas são organizações em que a alta gerência percebe a mudança e incerteza no ambiente, mas são incapazes de responder efetivamente a essas mudanças. A performance ou desempenho empresarial constitui os resultados que uma organização alcança em decorrência de suas ações. Dentre os sistemas de mensuração de performance em uso, o mais popular é o Balanced Scorecard, cuja estrutura básica é formada pelo conjunto de objetivos, indicadores de desempenho, metas e iniciativas de uma organização abrangendo quatro perspectivas - financeira, dos clientes, dos processos internos e perspectiva de aprendizado e crescimento. O gráfico abaixo demonstra a relação encontrada entre os aspectos analisados no estudo: Ambiente, Competências e Performance.

Gestão financeira – Realiza gestão econômico-financeira, com controle de receitas, custos, gestão orçamentária e análise de indicadores financeiros.

3,6

2

3,4 3,2 3

3

8

Gestão mercadológica – Gera uma marca forte, identificando segmentos e produtos/serviços, comunicando-se adequadamente e estabelecendo preço consistente com a proposta de valor.

62

2,6

2,2 2

4

7

Gestão de contas – Maximiza os negócios de clientes, segmentando grupos de clientes, compondo ofertas direcionadas e realizando vendas cruzadas.

Consultoria em sistemas – Desenvolve serviços de consultoria de informática em clientes com metodologia estruturada e eficaz, customizando produtos às necessidades do cliente.

2,8

2,4

Atendimento a clientes – Executa de forma padronizada, ágil e eficaz o atendimento aos clientes.

Gestão da distribuição de produtos e serviços – Desenvolve, mantém e otimiza redes de distribuição de seu produto ou serviço de forma eficaz e competitiva.

Fica evidente, assim que as empresas que mais investem em competências de gestão do negócio e técnica tendem a ter melhores resultados.

3,8

9

Gestão da inovação – Desenvolve soluções tecnológicas inovadoras e pioneiras no seu setor.

A maioria das empresas pesquisadas adota um comportamento estratégico prospector. Seguido pelas analíticas que segmentam seu mercado de atuação, são cuidadosas quanto às mudanças e preferem incrementar as inovações aos poucos e de forma planejada.

4

1

Desenvolvimento de equipes – Investe tempo, recursos e utiliza instrumentos formais para manter funcionários treinados e motivados para o trabalho. Gestão estratégica – Realiza análise de cenário, da empresa, planejamento de ações, estabelecimento e controle formal de indicadores.

Os principais resultados levantados demonstram que:

Foto:La Imagen

Artigo Artigo

6

5

Prospectiva Analítica Defensiva Reativa

Ambiente: 1

Fator 1 - Complexidade do Ambiente

2

Fator 2 - Previsibilidade do Ambiente

3

Fator 3 - Dinamismo do Mercado

4

Fator 4 - Condições Favoráveis ao Crescimento

José Gave Neto, gerente do Sebrae/PR

Competências: 5

Fator 1 - Competência de Gestão do Negócio

6

Fator 2 - Competência Técnica

7

Fator 3 - Competência de Marketing e Vendas

Resultados: 8

Fator 1 - Resultado Econômico

9

Fator 2 - Resultado de Gestão de Clientes

José Gava Neto

é gerente da Unidade de Programas Estaduais do Sebrae/PR

Bruno Henrique Rocha Fernandes

é consultor empresarial e coordenador do Mestrado e Doutorado em Administração da Universidade Positivo

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Oportunidades

Feira do Empreendedor

Curitiba vai sediar em 2011 o maior evento de empreendedorismo no Brasil Por Leandro Donatti

Inovação, conhecimento e oportunidades de negócios sob medida, todos reunidos num só lugar e disponíveis gratuitamente para empresários e candidatos a empresários. A receita, aparentemente simples, é a razão para o sucesso de um dos eventos mais importantes de empreendedorismo realizados anualmente pelo Sebrae no Brasil, a Feira do Empreendedor, que, no circuito nacional de 2011, também passará pelo Paraná, de 17 a 20 de março, no EXPO Unimed, que fica na Universidade Positivo, em Curitiba. A Feira do Empreendedor 2011 - Paraná é uma realização do Sebrae/PR e conta

com a parceria da Prefeitura de Curitiba. Serão quatro dias exclusivamente dedicados à difusão do empreendedorismo; ao oferecimento de conhecimento em empreendedorismo e gestão; à disseminação do conceito de inovação; ao oferecimento de soluções práticas e viáveis para pequenas empresas; ao estímulo, surgimento ampliação e diversificação de novos empreendimentos; e à prestação de esclarecimentos e orientações para o público visitante. “A Feira do Empreendedor acontece, no atual formato, desde 1994, com mais de 80 edições e 1,5 milhão de visitantes. Mais de 400 mil empreendedores já foram capacitados nas várias edições por todo o Brasil. No Paraná, já foi realizada duas vezes em Curitiba (1997 e 2004), uma vez em Arapongas (1998) e recentemente em Londrina (2008). É um dos eventos de maior sucesso, promovidos pelo Sebrae, com oportunidades, informações, conhecimento, em um único lugar, capazes de estimular e gerar negócios. Todos os conteúdos e soluções são adequados à realidade local”, afirma o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Allan Marcelo de Campos Costa. O maior evento de empreendedorismo no Paraná promete grandes oportunidades. Segundo Renata Todescato, gerente de Marketing e Comunicação do Sebrae/PR, estão previstos cerca de 20 mil visitantes de todo o Estado; caravanas com empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas; participação de empreendedores e empresários de todo o Paraná e da região transfronteiriça (Argentina e Paraguai); palestras-magnas com especialistas de renome nacional; mais de 100 ações de capacitação ao dia, entre palestras empresariais e oficinas; e informações técnicas nas áreas de empreendedorismo, gestão empresarial, inovação, oportunidades e ideias de negócios, dentre outras. No EXPO Unimed, serão expostas oportunidades de negócios, oportunidades de apoio financeiro/creditício e oportunidades de apoio e desenvolvimento tecnológico e/ou social, já que uma das premissas da Feira do Empreendedor 2011 no Paraná, organizada pelo Sebrae/PR, é a busca pela dinamização da economia local. De acordo com Joana de Melo, consultora do Sebrae/PR e gestora da Feira do Empreendedor 2011 – Paraná, o processo de seleção das oportunidades de negócios a serem oferecidas durante a Feira do Empreendedor seguirá um edital público e obedecerá critérios, fixados pelo Sebrae/PR, para atender as expectativas do público. “Teremos oportunidades de negócios que demandam pequenos investimentos e também outras que exijam um aporte financeiro maior. A Feira do Empreendedor tem como objetivo principal difundir a cultura do empreendedorismo por meio de boas oportunidades de negócios para os mais diversos públicos”, assinala Joana de Melo, lembrando que hoje no Brasil o empreendedorismo

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é mais movido por oportunidade que por necessidade. “Os empreendedores brasileiros não estão mais abrindo pequenos negócios, simplesmente como complemento salarial e do orçamento doméstico. Muitos empreendedores agora estão enxergando e apostando em oportunidades, nichos de negócios que, num médio prazo, podem vir a representar empreendimentos lucrativos e bem estruturados. Por isso, o investimento em planejamento e em gestão tende a crescer. A Feira do Empreendedor é um evento que tem por excelência oferecer oportunidades de negócios, aliadas à inovação e conhecimento para quem já é empresário e também para aqueles que desejam transformar em realidade o sonho do negócio próprio”, analisa Joana de Melo, do Sebrae/PR. A Feira do Empreendedor 2008 no Paraná, realizada em Londrina, revelou tendências que estão sendo observadas pelo Sebrae/PR, na organização desta edição. Pesquisa realizada em 2008, durante o evento, revelou que 52,04% dos visitantes eram homens e 47,96%, mulheres. Dos cerca de 17 mil visitantes registrados em Londrina, 62,88% disseram ser candidatos a empresários e 37,12%, empresários. Analisando a faixa etária, 36,7% classificaramse entre 20 e 30 anos; 24,96%, de 30 a 40; 19,21%, de 40 a 50; 8,96%, de 50 a 60; 7,34%, de 10 a 20; e 2,44%, de 60 a 70 anos. Perguntados sobre o objetivo da visita, 32,73% disseram estar na Feira do Empreendedor para conhecê-la; 30,42%, para abrir um negócio futuramente; 27,76%, melhorar e diversificar sua empresa; e 9,09%, abrir um negócio.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Serão quatro dias dedicados à difusão do empreendedorismo e ao oferecimento de conhecimento em empreendedorismo e gestão, dentre outros

“A Feira do Empreendedor 2011 - Paraná tem compromisso expresso com a sustentabilidade e está baseada nos pilares social, econômico e meio ambiente”, diz Joana de Melo. A gratuidade no acesso aos eventos e área de expositores de oportunidades, acessibilidade aos portadores de necessidades especiais e a doação de alimentos arrecadados para entidades de voluntariado, organizadas legalmente, são os elementos do pilar social. O conhecimento, a informação para a geração de negócios e a melhoria dos já existentes com base em sólidos conceitos econômicos, financeiros e de sustentabilidade são elementos do pilar econômico. Enquanto que o uso máximo de materiais reciclados ou recicláveis e plano de neutralização de emissão de carbono, elementos do pilar meio ambiente. O público da Feira do Empreendedor 2011 - Paraná é formado por empresários interessados em aprimorar suas atividades; interessados em iniciar um novo negócio; profissionais liberais; público em busca de capacitação; jovens entre 16 e 23 anos; universitários, visitantes em busca de informação e conhecimento nas áreas de empreendedorismo, gestão de negócios, inovação, dentre outros.

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Moda&Negócios

Em fevereiro, tem

Paraná Business

Collection

Idealizado para mostrar a criatividade e a qualidade da produção têxtil paranaense, e aproximar a moda Paraná dos canais de comercialização em todo Brasil, o evento completará cinco anos nesse formato, como ‘vitrine’ de oportunidades para o setor de confecção do Estado.

Evento de moda e negócios acontecerá nos dias 14 a 19, no Cietep, em Curitiba

Com uma programação variada, que inclui desfiles, showroom de negócios, exposições, ciclo de atualização de moda, bate-papo com especialistas, oficinas, palestras, debates e o tradicional Prêmio João Turin, para a valorização de novos talentos, o Paraná Business Collection se consolida como o mais completo evento de moda do sul do Brasil.

Por Giselle Ritzmann Loures

As coleções para o inverno, criadas pelas empresas paranaenses, podem ser conferidas tanto no espaço reservado para negócios quanto na passarela. Uma novidade no showroom da edição de 2010, também realizada em fevereiro, foi a exposição de acessórios, que volta com tudo em 2011. Compradores de diversos estados brasileiros serão convidados para visitar o Paraná Business Collection, uma fórmula que vem gerando bons resultados. Em 2010, por exemplo, o showroom movimentou R$ 11 milhões de negócios, o dobro do valor apurado na edição de 2009. Desse total, R$ 10,6 milhões corresponderam a negócios fechados e prospectados no mercado brasileiro e US$ 270 mil em vendas para países vizinhos.

Foto: La Imagen

A realização do evento vem mostrando uma evolução gradativa em qualidade e representatividade. Seja em termos de resultados para o público que visita, quanto na qualidade das coleções e ideias apresentadas na passarela, além das parcerias para cooperação que foram fechadas com a Itália, por exemplo.

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A coordenadora estadual do setor do Vestuário do Sebrae/PR, Carla Werkhauser, explica que o número de compradores deve aumentar para 2011. “O Paraná Business Collection vem ganhando maturidade no Brasil, um evento que preza pelo design, pela sustentabilidade e pela qualidade da moda paranaense”, diz Carla Werkhauser. Ainda de acordo com a coordenadora, uma característica do showroom é a participação apenas de empresas do Estado. “Essa é uma iniciativa para aproximar os empresários de

bons canais de comercialização e divulgar a criatividade da moda paranaenses em diversos lugares do Brasil. A ideia principal é mostrar a cara do Paraná no cenário da moda brasileira”, avalia. Segundo Manoel Luiz Araújo, consultor da Fiep para o setor têxtil do Conselho Setorial da Indústria do Vestuário e coordenador da comissão executiva do Paraná Business Collection, o showroom deve reunir 50 empresas, uma estratégia que consolida a proposta de um espaço de negócios.

“A marca do Paraná Business Collection já é muito forte e está sendo comentada nos eventos de moda. Isso mostra que o mercado está reconhecendo o evento e que, com certeza, está se consolidando como o primeiro evento de moda do sul do Brasil e o quarto do País”, salienta Manoel Araújo. Ainda em 2010, os organizadores do Paraná Business Collection lançaram o selo “Eu visto Paraná - Aqui tem moda paranaense”, que foi estampado nas vitrines das lojas que abraçaram a ideia, uma iniciativa para divulgar a moda paranaense e que deve se repetir em 2011.

Uma novidade no showroom da edição de 2010, também realizada em fevereiro, foi a exposição de acessórios, que volta com tudo em 2011

Fórmula para novos negócios A quarta edição do Paraná Business Collection reuniu 48 empresas paranaenses em um showroom. A dinâmica de aproximar empresas de canais de comercialização funciona desde a primeira realização do evento e vem se mostrando efetiva para o fechamento e prospecção de novos negócios. Em um espaço exclusivo, os empresários têm a oportunidade de mostrar a qualidade e a criatividade da moda produzida no Paraná para compradores selecionados. Em 2010, a expectativa era que o valor movimentado no showroom superasse a edição anterior, já que o número de empresas participantes era praticamente o dobro. O que de fato aconteceu. Com peças nos segmentos feminino, masculino, fitness, fashion e acessórios, as empresas apresentaram no Paraná Business Collection a qualidade e a criatividade de suas coleções.

Foto: La Imagen

A quinta edição do Paraná Business Collection já tem data e local definidos. O evento de moda e de negócios, uma realização do Sebrae/PR, Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e Conselho Setorial da Indústria do Vestuário do Paraná, está marcado para acontecer de 14 a 19 de fevereiro de 2011, no Centro de Inovação, Educação, Tecnologia e Empreendedorismo do Paraná (Cietep), em Curitiba.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Cerca de 600 compradores convidados de todo o Brasil e de outros países, como Paraguai e Argentina, marcaram presença no evento. Da Itália, o executivo da CNA - Federmoda, uma confederação de apoio às pequenas empresas italianas, Antonio Franceschini, desembarcou em Curitiba para a quarta edição do Paraná Business Collection. Franceschini, que também visitou o evento em 2009, acompanhou as novidades da moda produzida no Estado e, ainda, foi convidado para integrar o júri do Prêmio João Turin. “O Paraná Business Collection foi muito inte-

Rosângela Grassi, empresária

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Foto: La Imagen

Nubia Rossival, empresária ressante. Por ser uma feira relativamente nova, participamos para sentir como seria o cliente que faz pedido. Com isso, você acaba sentindo a aceitação da sua coleção antes de lançá-la, o que ajuda a planejar a produção. Eu me surpreendi com a feira, porque achei que só conseguiríamos mostrar a ‘cara’ e divulgar a empresa. Mas conseguimos vender e prospectar clientes, com contatos importantes”, conta Nubia Rossival, da marca Nubia. “Foi uma experiência diferente. Vou participar do Paraná Business Collection em 2011”, afirma a empresária.

Formada em Psicologia, Nubia Rossival fez a opção de trabalhar no segmento de confecção. Há 20 anos, ela começou a produzir peças em malharia retilínea, de uma forma bastante artesanal, e assinava as peças como Nubia Malhas Artesanais. Com muito trabalho, e uma boa dose de intuição, Nubia Rossival transformou a ideia em um negócio rentável, que emprega 70 funcionários, em Londrina, norte do Paraná, e produz de 12 mil a 15 mil peças, por mês. A marca de roupa, direcionada para o público feminino, mantém duas lojas em shoppings atacadistas em Cianorte e Maringá, noroeste do Estado, e uma loja de fábrica em Londrina. A empresa produz peças em malharia até tecido plano, como camisas e vestidos. Uma equipe, chefiada pela filha da empresária, Rafaela Rossival Powidayko, cuida de todo o processo de criação de modelos. “A minha filha também se interessou pela empresa e se formou em Estilo. Ela trouxe o conhecimento acadêmico e

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acabamos unindo a minha experiência a dela”, conta Nubia Rossival. De uma expressão característica do sul do Brasil, para definir mulheres que cozinham e costuram bem, surgiu a marca Moça Prendada, graças ao talento de Rosângela Grassi. As peças produzidas por ela, como lenços, chales e echarpes, eram elogiadas pelas clientes e sua criadora era definida como uma “moça prendada”. A qualidade da produção chamou a atenção de um cliente no Japão. Com a oportunidade de exportar seu trabalho, Rosângela decidiu formalizar a sua atividade. Assim surgiu a empresa, com sede em Curitiba, gerenciada por ela e o marido Jeferson Grassi. Há cerca de um ano no mercado, a Moça Prendada traz o conceito de aliar arte e romantismo em acessórios com design exclusivo, produzidos com Rayon (matéria-prima feita de celulose, que mantém um bom caimento e tem alta absorção para tingimento), um material importado da Itália. Confeccionadas em teares manuais, as peças da Moça Prendada estão conquistando olhares de lojas importantes do eixo Rio-São Paulo, além de países como México, Suíça, Canadá, Estados Unidos e, mais recentemente, o Egito. O empresário Jeferson Grassi conta que a participação em feiras e eventos de moda é decisiva para a prospecção de clientes para a empresa. Só em 2010, foram 15 no total. A Moça Prendada marcou presença no Paraná Business Collection e foi uma das oito marcas do segmento de acessórios, no show-

room. “Gostamos muito da divulgação. Nesse sentido, por ser uma feira nova, foi uma das melhores”, diz Jeferson Grassi. “É preciso trazer clientes, clientes bons para o Paraná. Temos clientes importantes que dão sustentabilidade para o nosso negócio. Estamos torcendo para que o Paraná Business Collection traga clientes importantes para o próximo evento”, observa o empresário.

Em 2010, evento de negócios movimentou R$ 11 milhões de negócios, o dobro do valor apurado na edição de 2009

Para saber mais sobre o evento de moda e negócios, acesse www.paranabusinesscollection.com.br.

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Empreendedor rural

Formação no campo Programa encerra o ano de 2010 com mais de 80 turmas em todo o Estado Por Katia Michelle Bezerra

estimula a capacidade dos proprietários de pensarem na ampliação do negócio, sempre com base na troca de experiências e na análise personalizada. Ela revela que a meta do Programa para 2011 é aumentar em 20% o número de turmas e fechar o ano com pelo menos 100 turmas distribuídas pelo Estado e focadas em diferentes empreendimentos. Para o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep/PR) Ágide Meneguette, o empreendedorismo na propriedade rural é o caminho natural para promover o desenvolvimento social e tecnológico do produtor e de sua família. “E um dos objetivos é que esses produtores busquem mais produtividade e, consequentemente, mais renda”, salienta Meneguette. O presidente da Faep lembra que o Empreendedor Rural já formou 920 turmas desde que foi lançado, há sete anos. “O Programa ajuda a transformar a vida das pessoas”, considera. Para Meneguette, há uma nova geração de produtores rurais do Paraná, que, ao frequentar os cursos do Empreendedor Rural não se limita a receber orientações sobre a necessidade de modernizar e adotar tecnologias no campo. “Eles recebem lições de cidadania e liderança, mas principalmente, adquirem a consciência de que devem exercer ativamente seus papéis na economia e na política de seus municípios, por consequência no Estado e no País.”

O Programa Empreendedor Rural, uma parceria de sucesso entre Sebrae/PR, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural no Paraná (Senar-PR) e Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), encerra 2010, com mais de 80 turmas capacitadas no Estado e histórias de sucessos que transformaram a vida de dezenas de produtores rurais. Mudanças no Programa foram implantadas em 2009, depois de pesquisa, realizada para identificar pontos a serem melhorados, e os frutos do novo rumo foram colhidos em 2010.

implantado. No Paraná, que é referência na execução do Programa, mais de 17 mil produtores já foram capacitados pelo Empreendedor Rural desde que ele foi criado, em 2003.

dos próprios negócios. “Com essa ênfase comportamental, é possível fazer uma maior reflexão de cada empreendimento”, explica a coordenadora.

“Nos últimos cinco anos foi feita uma intensa pesquisa para reformular o Programa”, conta a coordenadora estadual de Agronegócio do Sebrae/PR, Andréia Claudino. Para ela, uma das principais mudanças - que pôde ser conferida na prática em 2010 - foi uma inclusão mais efetiva dos módulos comportamentais, que ganharam mais tempo dentro do Programa.

A partir desse entendimento, conforme relata Claudino, os produtores rurais passam a enxergar a propriedade rural como um negócio e não apenas como produção. Esse, aliás, é um dos objetivos do Empreendedor Rural, que quer estimular a capacidade de reflexão para que os produtores se transformem em empreendedores.

Presente em 23 estados brasileiros, o Empreendedor Rural já capacitou, nacionalmente, milhares de produtores desde que foi

Claudino explica que esses módulos têm ajudado os empreendedores rurais a terem uma visão mais estratégica e personalizada

Para Claudino, o foco nos módulos comportamentais reforça ainda mais essa premissa do Programa, já que

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Os melhores projetos de empreendedorismo que participaram do Programa em 2010 foram apresentados em dezembro, em um encontro que reuniu trabalhadores e produtores rurais, jovens agricultores aprendizes, empreendedores rurais, dirigentes sindicais rurais, mulheres empreendedoras, filhas de trabalhadores e produtores rurais. O evento é realizado pelas instituições parceiras do Programa.

para uma produção mais rentável”, conta o produtor. Ele já foi pedreiro, suinocultor e já trabalhou até em escritórios, portanto, não tinha medo de mudar e já sabia que precisava investir em um negócio que pudesse se desenvolver. Depois de pesquisar várias alternativas e suas viabilidades, decidiu investir na produção de frango caipira orgânico. O tema foi foco do projeto desenvolvido junto ao Programa e foi escolhido como um dos três melhores projetos empreendedores do Brasil. Inscrito no concurso de Melhores Projetos Empreendedores do SENAR 2009/2010, o projeto conquistou a fase estadual e a nacional do concurso.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

O projeto de Ary Amaral contempla a criação de frango no processo caipira, ou seja, em liberdade e de maneira natural, sempre em um ambiente limpo e arejado. Além da criação natural, a alimentação do frango é livre de antibióticos e produtos transgênicos. “A qualidade da carne fica muito melhor e por isso a venda é garantida”, conta o produtor. Para começar o negócio, Amaral, que na época do projeto contava com a ajuda da filha, comprou quatro chocadeiras, duas com capacidade para 200 ovos e as outras para 300 cada e escolheu a raça americana Rhode Island Red para criação. Atualmente, na propriedade de Amaral, são produzidos cerca de 400 ovos por mês, que resultam em 250 frangos prontos.

Programa já capacitou mais de 17 mil produtores rurais no Paraná, desde 2003, quando foi implantado

“A tendência é aumentar, porque tem muita saída, mas para isso preciso ampliar também a propriedade, contratar funcionários e isso já está nos meus planos”, conta o produtor que hoje trabalha sozinho, mas já pretende viabilizar a ampliação do empreendimento. “Mas eu não conquistaria nada sem planejamento e nisso o Programa me ajudou muito”, conclui o produtor.

Sucesso Transformar-se em referência no empreendedorismo rural não é tarefa fácil e exige dedicação e comprometimento. O produtor Ary Amaral, de Carlópolis, norte do Paraná, foi um dos vencedores do Concurso Nacional Melhores Projetos do Programa Empreendedor Rural, 2009-2010, cujo resultado foi divulgado em outubro. Para ele, a premiação foi uma conquista após muito trabalho. “Eu trabalhava com pecuária leiteira, mas vi que não estava sendo viável. Procurei os cursos do Empreendedor Rural, que me ajudaram a identificar o problema e partir

Mais informações, acesse: www.empreendedorrural.com.br

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Sazonalidade

Diversificar é a saída Para driblar ‘vacas magras’, empresários investem em alternativas mais criativas Por Adriana Bonn

Diversificação e criatividade. Essas são as palavras-chave para os empresários que atuam nos setores, alvos da sazonalidade, caracterizada pela instabilidade entre a oferta e a demanda de produtos em determinadas épocas do ano. É o caso, por exemplo, das empresas que trabalham com produtos influenciados por estações, datas comemorativas e eventos. Ao produzir ou revender mercadorias de diferentes setores em um mesmo espaço, o empresário consegue equilibrar o faturamento em épocas de ‘vacas magras’ e evitar o risco da falência. O consultor do Sebrae/PR, Erlon Labatut de Oliveira, diz que outro fator importante é não focar apenas na diversificação de produtos, mas também identificar a possibilidade de atender outros mercados com os seus produtos atuais.

O leque de opções foi se abrindo na medida em que os empresários buscavam informações com os clientes. Tudo começou em 1998, quando Marcos se desligou de uma grande empresa de informática onde trabalhou durante muitos anos. O casal decidiu abrir o próprio negócio, dentro do ramo em que Marcos tinha conhecimento. A loja começou oferecendo aos consumidores peças de informática e manutenção de computadores. “Entre nossos clientes estão muitas empresas que precisam de uma grande variedade de produtos. Na época, ao vendermos um cartucho de impressora, por exemplo, começamos a ouvir se não tínhamos papel, canetas, dentre outros. Assim, surgiu a ideia de ampliarmos o negócio na área de papelaria”, conta Isabel.

Foto: La Imagen

É o que faz a empresária Isabel Torres Anginski, da Tim Informática, Papelaria e Ferragens Ltda., localizada em Curitiba. Como o próprio nome da empresa mostra,

Isabel, em parceria com o marido, Marcos Anginski, vende produtos e presta serviços de informática, comercializa materiais de papelaria e uniformes escolares e ainda ferragens para pequenos acabamentos.

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Gustavo Trevizan Sochachewsky, Foto: La Imagen

empresário

Isabel Torres Anginski, empresária 72

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Ano todo A família de Gustavo Trevizan Sochachewsky também optou pela diversificação, para garantir o ano todo o movimento de clientes no Hotel Santa Paula, em Guaratuba, no litoral paranaense. Diretor de Marketing do hotel, Gustavo conta que a sazonalidade sempre fez parte do negócio, mas que as dificuldades tiveram maior impacto na década de 1990, em função de crises econômicas ocorridas no País, e, mais tarde, com a abertura de novos destinos turísticos, principalmente para o Nordeste e para a Argentina. Foi então que o pai de Gustavo, que hoje é o administrador do hotel, fundado em 1971, decidiu investir na implantação de um centro de eventos. “Era um nicho que estava surgindo no Brasil e meu pai resolveu apostar”, explica. A ideia era que, além de ser um local de hospedagem e lazer, principalmente no verão, se tornasse uma referência para a realização de eventos o ano todo. As obras do salão tiveram início em 2003 e dois anos depois abriu as portas oferecendo a estrutura necessária para a realização de palestras, seminários, convenções,

No atendimento de pedidos, os empresários também perceberam que as empresas precisavam de pequenos materiais de acabamento, surgindo assim a opção de ferragens. Isabel diz que o diferencial da Tim Informática, Papelaria e Ferragens é nunca dizer “eu não tenho”. “Eu vendo o que o cliente precisa”, explica. Para isso, ouvir os consumidores faz parte das atividades dela, do marido e dos oito funcionários que trabalham na empresa. “Temos na loja uma prancheta onde, assim que o cliente sai, anotamos suas sugestões e reclamações. Tudo isso é discutido em uma reunião que fazemos toda semana para buscarmos a melhoria dos serviços”, explica. Os empresários também possuem um cadastro de fornecedores de diversos produtos que não comercializam na loja. O objetivo é garantir que o cliente saia sempre com a mercadoria que procura e, mais importante ainda, satisfeito. “Em uma papelaria não se vende luvas cirúrgicas, mas tenho de quem

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comprar, caso algum cliente precise”, brinca. Para Isabel, a diversificação de produtos faz com que a empresa mantenha o faturamento o ano todo. Ela sabe que de novembro a março, em função da compra de material escolar, seu maior movimento será de balcão. O pico acontece em fevereiro. Nesse período o esforço é redobrado com ampliação do horário de atendimento, inclusive nos fins de semana, com hora marcada. No restante do ano, quando as vendas de produtos de papelaria caem até 70%, o foco é o atendimento às empresas. Mesmo atuando num setor que é afetado pela sazonalidade, Isabel diz que a Tim Informática vem registrando crescimento ano a ano. O último levantamento mostra que de fevereiro de 2009 a fevereiro de 2010, os negócios aumentaram 38%. Para a empresária, além da criatividade, o planejamento é fundamental para manter o equilíbrio dos negócios. Ela destaca ainda a necessidade de o empresário se especializar. Desde 1998, ela e o marido participam de cursos oferecidos pelo Sebrae/PR e por out-

encontros e festas. Gustavo conta que anteriormente o hotel já atendia pequenos eventos, mas com a falta de um espaço específico, eles eram realizados na sala de tevê ou no restaurante. “Hoje temos eventos quase todos os fins de semana, mas ainda é pouco. Sabíamos que o investimento seria a longo prazo”, comenta. Para manter o movimento de clientes e, com isso, o faturamento, Gustavo conta que o hotel está constantemente melhorando a estrutura e inovando os serviços. Além disso, a empresa mantém parceria com agências e operadoras de viagens para oferecer serviços diferenciados, como pacotes voltados para o ecoturismo, e garantir a presença de clientes mesmo fora da temporada de verão. “A área de turismo sempre terá dificuldades com a sazonalidade, mas é preciso ter criatividade para driblar esse problema. Somos meio malabaristas.”

Ao produzir ou revender mercadorias de diferentes setores em um mesmo espaço, empresário consegue equilibrar o faturamento

Para saber mais, leia a Revista Vitrine do Varejo.

ras empresas, nas mais variadas áreas.

Orientação Erlon Labatut, consultor do Sebrae/PR, diz que, antes de optar pela diversificação, o empresário precisa fazer um estudo sobre a viabilidade dessa ação. A viabilidade envolve tanto o retorno financeiro como também o impacto na estratégia do negócio. É importante não perder o foco. “Ele deve fazer um planejamento para usar a estrutura que já tem da melhor maneira possível, a diversificação deve ser uma ação planejada identificando o melhor caminho para sua empresa”, sugere. Labatut diz que, para fazer esse planejamento o empresário pode montar um plano de negócios, onde poderá analisar quais produtos ou serviços serão mais interessantes para incluir no seu mix. “O bom administrador deve usar várias ferramentas e estratégias para contornar as dificuldades ocasionadas pela sazonalidade. Planejar ações é a melhor saída quando se sabe que as dificuldades ocorrerão”, diz.

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Exames

Laboratório móvel

controla qualidade do leite Produtores de pequenas propriedades recebem consultorias e acompanhamento Por Juliana Dotto

pelo período de 24 meses. “A proposta está em vigor desde julho passado em três municípios do Território da Cantuquiriguaçu: Campo Bonito, Diamante do Sul e Guaraniaçu. Em média, serão beneficiadas cerca de 50 pequenas propriedades em cada uma das cidades envolvidas, no setor de pecuária leiteira. Com as análises do laboratório móvel é possível identificar, em cerca de meia hora, dados que o produtor levaria aproximadamente 15 dias para receber, se realizado em laboratórios convencionais”, explica Hotz. O acompanhamento com a unidade móvel é feito de dois em dois meses em cada propriedade. Com isso, o produtor pode saber se está conseguindo aplicar as melhorias na qualidade do leite produzido, depois de identificadas as necessidades com as análises, conforme complementa o gerente regional. “Quem vai até a propriedade é um agente local de inovação, profissional capacitado pelo Sebrae/PR para auxiliar nos processos de desenvolvimento da produção. Assim, além do agente local diagnosticar o produto, ele deixa imediatamente, com o produtor, algumas orientações a serem seguidas para que as próximas análises sejam cada vez mais positivas.”

Exames O zootecnista e agente local de inovação responsável pelo Projeto em Campo Bonito, Jardel José Busarello, juntamente com a professora e doutora Luciana Fariña, da Unioeste, foram fomentadores da ideia de criação do laboratório móvel junto a um projeto executado dentro do Programa de Extensão da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superio (SETI) - “Universidade Sem Fronteiras” para atender o Território da Cantuquiriguaçu. Segundo eles, o veículo possui instrumentos de aferição e todos os recursos necessários para análise de indicadores de qualidade e sanidade do leite.

A vida simples no sítio é a inspiração empreendedora de Ageu Munch, produtor rural do município de Campo Bonito, oeste paranaense. Em dezembro de 2007, o produtor largou a avicultura para investir num mercado que acreditava ser mais promissor, o de pecuária leiteira. “Quando percebi que o mercado leiteiro era mais atrativo e a criação de frangos também não estava na sua melhor fase, resolvi mudar de ramo. Comecei com um plantel de oito animais e fui atrás de conseguir um resfriador e uma ordenha, necessários para o trabalho”, conta. Hoje, Munch duplicou o número de animais e faz planos para os próximos dois anos. “Com o apoio de entidades como o Sebrae/PR, Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) e Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), posso melhorar e aumentar minha

produção. Daqui há dois anos, quero estar com um plantel de 20 animais em produtividade constante.”

“Com o analisador de leite por ultra-som, por exemplo, é possível realizar os exames físico-químicos do leite, identificando dessa maneira sua composição quanto percentual de gordura, extrato seco desengordurado, densidade, proteínas, ponto de congelamento e água adicionada, entre outros. É basicamente um raio-x da produção leiteira, abrangendo diversos tipos de leite e gerando resultados exatos e sem contestação, por serem métodos de análise aprovados pelo Ministério da Agricultura”, avalia Busarello.

Em outros testes, orienta o agente local de inovação, existe a possibilidade de identificar se há indícios de resíduos da utilização de antibiótico nos animais ou adição de conservantes ou reconstituintes utilizados na adulteração no produto, dessa forma mascarando a qualidade real da matéria-prima, o leite. “Com a ajuda das análises, percebi que poderia melhorar a produção. Agora, cuido melhor da higienização, desde o próprio animal até a pessoa que vai ordenhar as vacas. Com as orientações recebidas, mudei também o modo de criação do plantel. Antes eles eram criados em extensão e, agora, por piqueteamento de pastagem, o que permite que tenham um pasto melhor para alimentação todos os dias”, comenta o produtor Ageu Munch. A montagem da unidade móvel foi possível por meio do apoio financeiro da SETI, através do Programa “Universidade Sem Fronteiras”, e sua presença nos municípios só se tornou possível graças ao apoio das Prefeituras Municipais de Campo Bonito, Diamante do Sul e Guaraniaçu, Unioeste, Sebrae/PR e Fundação Araucária.

Laticínio Segundo Orestes Hotz, do Sebrae/PR, melhorar a qualidade do leite produzido pelas pequenas propriedades vem ao encontro de outra proposta apoiada pelas entidades,

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná uma Unidade de Laticínio a ser implantada em Campo Bonito. “O local já existe e estamos em fase de finalização. A ideia é que em 2011 a unidade já comece a produzir artigos derivados de leite e especiais. E a matéria-prima, para a produção no laticínio, será oriunda desses produtores.” Além da busca pela qualidade da matériaprima, o Sebrae/PR realizou um estudo para embasar as decisões dos produtos que serão vendidos no laticínio. “Dentro do Plano de Marketing para o laticínio em Campo Bonito foi necessário não só a adequação dessa produção quanto um estudo mercadológico, que identificou quais os tipos de produtos que teriam melhor aceitação no mercado regional”, acrescenta Hotz.

Para saber mais, leia: “Gado de Leite – 500 perguntas/500 respostas.” Vários Autores. Editora Embrapa: 2004. 239 páginas; “Manual da Ordenha mecanizada.” Autor: Vilson Antonio Klein. Editora UPF: 2006. 92 páginas; “Guia Prático para o inseminador e ordenhador.” Autor: Paulo Mário Bacariça Vasconcellos. Editora Nobel: 1990. 179 páginas. E acesse: www.cienciadoleite.com.br; www.bebaleite. com.br; www.cileite.com.br; www.milkpoint.com.br.

Labotatório-móvel

Munch é um dos 28 produtores rurais participantes do Projeto Agentes Locais de Inovação, uma iniciativa do Sebrae Nacional, executada no Paraná pelo Sebrae/PR e Fundação Araucária, que já recebeu a visita de um inovador (e completo) laboratório móvel, que avalia a qualidade do leite diretamente nas propriedades rurais.

Com laboratório móvel, é possível identificar, em cerca de meia hora, dados que o produtor levaria aproximadamente 15 dias para receber

O laboratório consiste em um veículo equipado e adaptado para realizar, in loco, cerca de 18 exames que, de acordo com o gerente da Regional Oeste do Sebrae/PR, Orestes Hotz, permite que o produtor ganhe qualidade na matéria-prima produzida, economizando tempo e, ainda, recebendo acompanhamento e consultoria do Projeto Agentes Locais de Inovação Foto: Divulgação

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Calendário

Datas comemorativas

multiplicam vendas Calendário deve ser encarado como a hora de avaliar melhor seu público, produtos e serviços

Por Andréa Lombardo

Apostar em datas comemorativas como o Dia das Mães e o Natal faz parte da rotina da maioria dos empresários que atuam no comércio. Mas aqueles que sabem se planejar para isso, e vão além das comemorações tradicionais, ganham muitos pontos no resultado de suas vendas e na fidelização de seus clientes. O consultor Edmour Saiani, expert no assunto, entende que as datas festivas são, para o comércio varejista, um “momento de experimentação”. É a hora em que o empresário pode avaliar melhor seu público, os produtos e serviços que efetivamente o atraem para seu estabelecimento. Por isso, é importante que o comerciante ou prestador de serviços esteja atento e se estruture para cumprir o papel de bem atender. O Natal, destaca Saiani, é, por exemplo, a data mais importante para o comércio, de um modo geral. É a época em que o setor pode faturar de duas a quatro vezes mais que nos outros meses. “A maioria dos consumidores se influencia pelo Natal, mas é o período quando se atende pior no varejo. O varejista não se planeja e o que seria uma oportunidade pode se transformar em um momento de rejeição”, adverte. Há aspectos cruciais a serem observados, alerta Saiani. Um deles é a apresentação visual, o clima que se coloca no estabelecimento. “Tem que parecer que o Papai Noel está dentro da loja. Eu costumo dizer que o comerciante acha que comprando algodão na farmácia da esquina e umas bolas de Natal, na Rua 25 de Março (onde se concentra o comércio popular de São Paulo), vai estar preparado para a data”, critica o consultor,

lembrando que é a credibilidade da loja que está em jogo. “Então, por que não investir em decoração, contratando um profissional especializado? A reputação que vai gerar não tem preço.” O primeiro passo, no entanto, é o varejista estabelecer o tamanho da “aposta” que está disposto a fazer, traçando algumas metas como, por exemplo, em quanto quer aumentar suas vendas e qual o lucro quer ter.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Tendo claros os seus objetivos, o comerciante deve fazer um planejamento de como vai atingi-los. O momento da compra é decisivo: o que e de quem comprar, assim como com que antecedência deve fazer seus pedidos para garantir que o produto esteja disponível para aquela data fazem toda a diferença. Saiani lembra que o empresariado tem a expectativa de que o Natal deste ano seja muito bom. Entretanto, com a economia aquecida em 2010, os consumidores se endividaram e devem usar o 13.º salário para quitar suas dívidas. O comerciante deve estar atento ao cenário econômico, mas isso não significa trabalhar totalmente na retaguarda. O varejista medroso, afirma o consultor, vai comprar pouco e corre o risco de deixar de faturar mais. Para ele, existem outras formas de driblar uma eventual sobra de produtos. É aí que entra o planejamento na hora da compra. E a conta é simples. Apenas 5% dos produtos da loja devem ter a “cara” do evento.

A maioria dos consumidores se influencia pelo Natal, mas é o período quando se atende pior no varejo

Cerca de 15% têm alguma referência com a data, mas se sobrarem poderão ser vendidos em outras ocasiões, como é caso

Edmour Saiani,

Foto: Divulgação

especialista

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das roupas brancas para o Réveillon. Os 80% restantes são os produtos que o varejista vende em qualquer época do ano e que, também, terão saída se ele conseguir atrair mais clientes nas datas festivas. Para comprar bem é preciso ter fornecedores de confiança, que estejam antenados com as tendências e novidades do mercado e que até aceitem correr o risco junto com o varejista em caso de sobra de produtos.

é o dono estar presente na loja. Se você é varejista, não pode ficar no escritório. Tem que estar na loja, se tornar o host do negócio, até para acompanhar de perto como estão indo as vendas, o giro dos produtos e poder direcionar seu planejamento de acordo com os resultados que vem observando”, recomenda o consultor.

da Secretária, a empresária investe em material gráfico, e-mail marketing, decoração personalizada, sorteios e promoções direcionadas para cada comemoração.

Criatividade para vender

Alceni Koch Liston é dona de uma loja de autopeças, e por isso, obriga-se a ter muito mais jogo de cintura para explorar as datas comemorativas. “Não consigo atingir meus clientes nas festividades tradicionais, como Natal, pelo tipo de produto que ofereço”, afirma ela, que se propõe a trabalhar mais a fidelização de clientes do que, propriamente, o aumento de vendas. “Uma coisa leva a outra”, acredita.

O lojista deve pensar na sua equipe, já que o bom atendimento é um dos principais aspectos que o consumidor leva em conta quando está decidido fazer uma compra. Normalmente, as datas comemorativas e, principalmente, o Natal, exigem um reforço na equipe de vendedores.

É consenso no meio empresarial que as datas comemorativas abrem novas possibilidades de negócio. O empresário deve ser criativo para aproveitar esses momentos em que o consumidor está mais propenso a gastar e até inventar datas que se tornem um apelo às compras.

“E eles devem estar motivados, saber que podem ter ganhos extras se as vendas forem bem. Os funcionários que já trabalham podem até participar do processo de seleção dos novos. Eles vão se sentir como padrinhos da nova equipe e isso vai diminuir o ciúme”, orienta Saiani.

A empresária curitibana Adriane Wos Santos não deixa escapar nenhuma data, mesmo aquelas que não são muito exploradas pelo comércio. Dona de uma loja de bijuterias e outros acessórios (bolsas, relógios e óculos de sol) busca conquistar os clientes com apelos visuais, promoções e outros “agradinhos”, como sorteio de brindes.

Mas não é só a equipe que deve ser reestruturada. O empresário deve se preocupar com questões operacionais básicas como dispor de máquinas de cartão de débito e crédito para oferecer opções de pagamento ao consumidor. Outra forma de conquistar o cliente é criar alternativas para mantê-lo ocupado enquanto aguarda atendimento. Ter um catálogo de produtos, vendedores bem treinados, oferecer café, biscoito e balas podem ser estratégias eficientes.

Mas Adriane aposta mesmo nas datas tradicionais. No Carnaval, Páscoa, Dia das Mães, dos Namorados, dos Pais e no Dia

“São épocas de maior fluxo, de maior circulação de pessoas na rua. O empresário deve estar preparado e aproveitar essas datas para aumentar suas vendas”, reforça Adriane.

Janeiro 1º -

Dia da Confraternização Universal

6-

Dia de Reis/Dia da Gratidão

Fevereiro

Em datas como o Dia do Cliente, Dia do Mecânico e no próprio aniversário da empresa, os clientes da Unipeças são presenteados com bolo e refrigerante, entregues em seus locais de trabalho. “As pessoas gostam de ser lembradas e, agora, até nos pedem”, conta Alceni.

8-

Dia do Publicitário

2-

Dia de Iemanjá

10 -

Dia do Sogro

Dia Internacional da Mulher

15 -

Dia dos Adultos

11 -

Dia Mundial do Enfermo

15 -

Dia Mundial do Consumidor

24 -

Dia do Aposentado

14 -

Dia da Amizade

30 -

Dia Mundial da Juventude

30 -

Dia da Saudade/ Dia da Não-Violência

19 -

Dia do Esportista

31 -

Dia da Saúde e Nutrição

7-

A Unipeças tem 20 anos, mas a ideia de promover essa aproximação surgiu em 2005, quando a empresa começou a perder clientes. Nos últimos três anos, ações voltadas aos clientes passaram a fazer parte do planejamento da empresa.

Março

1º -

Abril

Com ajuda de uma consultoria e da agenda de datas do comércio do Sebrae/PR, Alceni identificou oportunidades para aproximar a Unipeças, localizada em Curitiba, do seu público-consumidor, em sua maioria, mecânicos.

Maio

Dia Mundial da Saúde

Segundo domingo

Junho

Dia das Mães

5-

Dia Mundial do Meio Ambiente

Dia Mundial do Trabalho

9-

Dia do Porteiro

13 -

Dia dos Jovens

27 -

Dia da Empregada Doméstica

12 -

Dia Mundial do Enfermeiro

12 -

Dia dos Namorados

28 -

Dia da Sogra

24 -

Dia do Vestibulando

13 -

Dia do Turista

30 -

Dia Nacional da Mulher

25 -

Dia da Indústria

29 -

Dia da Telefonista

1-

Julho

Foto: La Imagen

“Para o cliente, o maior presente de Natal

Dia da Secretária, do Pedicuro, do Médico, do Dentista, do Doador de Sangue são algumas datas que não passam em branco na Planet Mix. Mesmo que seja só para fazer menção a essas comemorações com cartazes na vitrine da loja, o que acaba sendo uma iniciativa, no mínimo, simpática aos olhos do consumidor.

Confira agora algumas datas, ideais para potencializar vendas.

Agosto

16 -

Dia do Comerciante

19 -

Dia da Caridade

20 -

Dia do Amigo e Internacional da Amizade

25 -

Dia do Motorista

26 -

Dia da Vovó

Segundo domingo

11 15 22 27 -

Outubro 1º -

Dia Internacional da Terceira Idade/do Vendedor

11 -

Dia do Deficiente Físico

12 -

Dia da Criança

15 -

Dia do Professor

31 -

Dia das Bruxas - Halloween

Dia dos Pais Dia do Advogado/ do Estudante/ do Garçom Dia dos Solteiros Dia do Folclore Dia dos Artistas

Setembro 915 -

Dia do Cliente

21 -

Dia da Árvore

27 -

Dia Nacional do Idoso

30 -

Dia da Secretária

Dezembro

Novembro 317 -

Dia do Cabeleireiro

20 -

Dia Nacional da Consciência Negra

25 -

Dia Nacional do Doador de Sangue

28 -

Dia Mundial de Ação de Graças

Dia da Criatividade

Dia do Vovô

3-

Dia Internacional do Portador de Deficiência

8-

Dia da Família

23 -

Dia do Vizinho

25 -

Natal

31 -

Réveillon

Confira todas as datas na Agenda do Sebrae: www.sebrae.com.br/setor/comercio-varejista/o-setor/datas-comemorativas

Adriane Wos Santos, empresária

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SEBRAE/PR Riquezas do Oeste O Projeto Turismo na Região Riquezas do Oeste, iniciativa que tem como apoiadores Sebrae/PR, Secretaria de Estado do Turismo (SETU), Agência de Desenvolvimento do Turismo do Oeste (Adeturoeste), Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (AMOP), prefeituras municipais, empreendedores e entidades locais, envolve atrativos turísticos de mais de 15 municípios do oeste do Paraná. Cascavel, Toledo, Matelândia, Vera Cruz do Oeste, Corbélia, Quatro Pontes, Santa Tereza do Oeste, Maripá, Palotina, Nova Aurora, Serranópolis do Iguaçu, Nova Santa Rosa, Três Barras do Paraná, Quedas do Iguaçu, Capitão Leônidas Marques e Céu Azul já aderiram à proposta, que tem como um dos objetivos aprimorar os potenciais turísticos dos municípios, dentro do Programa de Regionalização do Turismo.

Convenção da Faciap Mais de 100 associações comerciais e empresariais do Paraná estiveram representadas, por dirigentes e empresários, na XX Convenção da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap), que aconteceu em Foz do Iguaçu, em outubro. Na programação, foram destaques os exemplos de associativismo e cooperação entre micro e pequenas empresas setoriais e instituições representativas do empresariado. Por meio do Programa Empreender, uma parceria entre o Sebrae/PR e a Faciap, as associações comerciais e empresariais são estimuladas à formação de núcleos setoriais, com o objetivo fazer com que empresários de um mesmo segmento atuem em parceria, deixando a concorrência de lado para trabalharem de forma associativa em cada município que adere ao Programa. Outra ação dentro da proposta do Empreender é tornar a gestão das associações comerciais mais eficaz, aplicando a metodologia do Capacitar, reconhecida internacionalmente.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Associativismo Comportamento Feiras e Eventos Serviço Giro pelo Paraná

Mesa principal da XX Convenção da Faciap

Apresentação do projeto

Prêmio ABT MBA do Varejo O MBA em Gestão do Varejo, uma ação pioneira do Sebrae/PR e do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getulio Vargas (ISAE/FGV), formou sua primeira turma. A solenidade de encerramento do MBA do Varejo foi em outubro, com a apresentação, pelos participantes, dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), na sede do Sebrae/PR, em Curitiba, onde as aulas aconteceram durante os últimos 18 meses. A primeira turma do MBA do Varejo, formatado para empresários e gerentes de pequenas e médias empresas varejistas do Paraná, com o objetivo de contribuir na formação e capacitação do setor, começou as aulas em março de 2009. A turma foi formada por empreendedores de empresas consolidadas e maduras.

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O Sebrae venceu três categorias do X Prêmio ABT, realizado pela Garrido Marketing em parceria com o CENPRO – Centro de Estudos da Comunicação com o Mercado da Fundação Getulio Vargas (FGV). A premiação, que reconheceu três iniciativas de relacionamento com clientes, desenvolvidas pela organização, foi em outubro, em São Paulo. Mais de mil profissionais da área, de diversos estados brasileiros, participaram da cerimônia de premiação, realizada no Memorial da América Latina. O Sebrae ganhou o Troféu ABT Ouro na Categoria Serviço de Atendimento ao Público (SAP); o Troféu ABT Ouro na Categoria Operação Internacional e o Troféu ABT Bronze, na Categoria Contribuição em Recursos Humanos. Os cases premiados foram, respectivamente, “Central de Relacionamento Sebrae – Informação e orientação gratuita ao alcance da mão empreendedora”, sob a execução do Sebrae Nacional; “Central de Relacionamento – Dekassegui Empreendedor”, do Sebrae/PR; e “Sebrae Sul – Unidos para atender melhor!”, executado pelos Sebrae/PR, Sebrae/SC e Sebrae/RS

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Visita técnica Um grupo de empresários de Uberlândia, Minas Gerais, desembarcou no Paraná em busca de iniciativas e de referências na revitalização do comércio de rua, formado, na sua grande maioria, por empresas de pequeno porte. Em Curitiba, em outubro, cerca de 20 lojistas mineiros conheceram a experiência do Batel Soho. Os empresários acompanharam também, na sede do Sebrae/PR, apresentação das ações realizadas no centro da Capital. Aos empresários foi apresentado o Projeto de Revitalização do Entorno do Paço da Liberdade Sesc Paraná, iniciativa da Prefeitura de Curitiba, Sistema Fecomércio/PR e Sebrae/PR. O prédio histórico passou por um processo de restauração e foi o ponto de partida para requalificar a região, uma das mais antigas de Curitiba, em um ponto de atração turística e cultural, beneficiando o comércio estabelecido nas ruas do entorno. Na programação da missão, o grupo ainda fez uma visita ao Paço, a Rua Riachuelo e a Praça Tiradentes.

MPE Brasil Criado para reconhecer empresas que mais se destacam em quesitos como qualidade da gestão e capacidade empreendedora, o MPE Brasil 2010 – Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas registrou um recorde de inscrições no Paraná. O Estado ficou em primeiro lugar no número de empresas inscritas em todo o País, com 24.098 inscrições. Uma das estratégias criadas pelo Sebrae/PR, para incentivar a inscrições no Prêmio, foi sensibilizar empresários que receberam as visitas de consultores do Programa Negócio a Negócio. Ao se inscrever no Prêmio e preencher o questionário de auto-avaliação, o empresário teve a oportunidade de medir como está a gestão da sua empresa, conforme padrões estabelecidos pelo Modelo de Excelência da Gestão da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), que analisa as dimensões de Gestão Empresarial, Empreendedorismo e Destaque de Boas Práticas de Responsabilidade Social. O Paraná é uma referência quando se trata de empresas premiadas na etapa nacional.

Desafio Sebrae O Paraná foi o estado brasileiro que registrou o maior número de inscrições do Desafio Sebrae 2010. Ao todo, 21.196 universitários paranaenses manifestaram interesse em participar do jogo que simula, virtualmente, o dia a dia de uma empresa. O Paraná ficou na frente, em números absolutos, de outros estados, com populações universitárias maiores, como São Paulo, por exemplo. O número expressivo de estudantes inscritos no Estado, o que demonstra o interesse do jovem em ser dono do próprio negócio, segue uma tendência apontada pela última pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, a GEM 2009. A população empreendedora brasileira, de acordo com a sondagem, está concentrada entre os jovens, de 18 e 34 anos, atingindo 52,5%. A equipe vencedora da etapa estadual do Desafio Sebrae 2010 é formada por estudantes da Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana (Fecea). Já a vice-campeã é do oeste do Estado e reuniu alunos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste); da União Dinâmica de Faculdades Cataratas (UDC) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR - Campus Medianeira).

Consultora do Sebrae/PR apresenta proposta de revitalização

Feira das Américas Representantes do Sebrae/PR participaram em novembro da Feira das Américas e da 38ª edição do Congresso Brasileiro de Agências de Viagens ABAV 2010, considerado o maior evento de turismo do continente americano, que levou, ao Rio de Janeiro, as tendências do setor para 2011 e um público de 24 mil visitantes no final do mês passado. Como exemplo de uma estratégia bem-sucedida, o Projeto Turismo no Litoral do Paraná – Emoções o Ano Inteiro, uma iniciativa do Sebrae/PR, da Secretaria de Estado do Turismo (SETU) e da Agência de Desenvolvimento do Turismo Sustentável do Litoral do Paraná (Adetur Litoral), foi apresentado como caso de sucesso durante o X Encontro dos Interlocutores de Turismo do Sebrae Nacional, evento paralelo à Feira das Américas. Durante a Feira das Américas, o litoral do Paraná esteve representado em três estandes: do Paraná, com a SETU/Paraná Turismo; da Prefeitura de Paranaguá, com a Fundação de Turismo de Paranaguá (FUMTUR); e dos Destinos Indutores, com a Associação Nacional de Destinos Indutores. A instância de governança do projeto, a Agência de Desenvolvimento do Turismo Sustentável do Litoral do Paraná (Adetur Litoral), participou em todos esses espaços promovendo o destino.

Alunos vencedores da etapa estadual

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Artigo

Ética e

Liderança 0800 570 0800 www.sebraepr.com.br

Allan Marcelo de Campos Costa

Entretanto, a história recente mostrou que outros elementos tinham importância determinante a esse processo de busca de resultados, embora estivessem sendo relegados a segundo plano. Esses aspectos, fundamentalmente, passam por questões como sustentabilidade, valores e ética. Casos notórios, como o escândalo da Enron, nos Estados Unidos, mostraram que a ausência de princípios norteados em uma ética forte e suportados por líderes que sirvam como exemplo na consolidação e preservação desses valores deteriora a saúde da empresa e pode, em última instância, levar ao seu desaparecimento. Mas como assegurar que uma empresa crie e consolide uma cultura baseada em princípios éticos sustentáveis? A resposta passa, obrigatoriamente, pelos líderes da empresa, que são o modelo e a referência para todos os colaboradores, em todos os momentos. O comportamento e as atitudes dos líderes estabelecem o padrão de comportamento aceito e, por consequência, definem o padrão ético da organização. E esse processo de construção não se dá a partir de grandes eventos, mas sim, através das pequenas e constantes ações do cotidiano.

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Como agem os líderes? Eles respeitam seus acordos, cumprem suas promessas? Honram sua palavra e seus compromissos? Privilegiam o que é certo e justo do ponto de vista ético em detrimento do lucro a qualquer preço? Tratam a todos com respeito, dignidade e igualdade? Agem em consonância com princípios de sustentabilidade? Colocam o bem comum acima dos interesses pessoais? Agem de forma coerente com seu discurso? Se a resposta a essas perguntas for afirmativa, o caminho para uma cultura forte, ética e consistente está pavimentado. Do contrário, os líderes caem em descrédito, viram motivo de chacota e a empresa entra em processo de colapso. Talvez, o grande dilema seja como assegurar um padrão ético consistente em uma seara que, por natureza, é altamente subjetiva. Um caminho possível é basear e orientar todas as decisões e ações em três princípios, que podem ser auferidos a partir de três perguntas simples: • Visibilidade - Tudo bem se minhas ações forem publicadas na primeira página do jornal de maior circulação na minha comunidade? • Generalidade - Tudo bem se todo mundo fizer o que eu estou fazendo? • Legado - Tudo bem se eu for lembrado pelo que estou fazendo? Essa é uma receita simples, mas de alta efetividade. Assegure que esse tipo de reflexão esteja sempre presente nas discussões dentro da empresa, em todos os níveis, e você terá dado um grande passo para construir uma organização que sirva de modelo e referência e que será admirada pelo mercado e motivo de orgulho para todos aqueles que dela fazem parte.

Foto: Mauro Frasson/Arquivo SEBRAE/PR

Nos últimos anos, percebemos uma evolução na pauta prioritária da maioria das empresas do mundo capitalista. Por muito tempo, as escolas de negócios ensinaram seus alunos que o principal objetivo a ser perseguido na gestão de uma empresa era maximizar o retorno para o acionista. Segundo esta corrente de pensamento, se o negócio gerasse retorno suficiente para manter o(s) dono(s) satisfeito(s) e com um bom retorno sobre o capital investido, todo o resto estaria bem, como consequência da atividade econômica.

REGIONAL SUDOESTE Pato Branco Avenida Tupi, 333 - Bairro Bortot – CEP: 85.504-000 Fone: (46) 3220-1250 – Fax: (46) 3220-1251

Umuarama Avenida Brasil, 3404 – Bairro Zona I – CEP: 87.501-000 Fone/fax: (44) 3622-7028 – Fax: (44) 3622-7065

Escritório – Francisco Beltrão Rua São Paulo, 1212 - sala 01 - Bairro Centro – CEP: 85.601-010 Fone: (46) 3524-6222 – Fax: (46) 3524-5779

REGIONAL NORTE Londrina Av. Santos Dumont, 1335 – Bairro Aeroporto – CEP: 86.039-090 Fone: (43) 3373-8000 – Fax: (43) 3373-8005

REGIONAL CENTRO-SUL Curitiba Rua Caeté, 150 - Bairro Prado Velho – CEP: 80.220-300 Fone: (41) 3330-5800 – Fax: (41) 3330-5768/ 3332-1143

Escritório – Apucarana Rua Osvaldo Cruz, 510 13º andar – Bairro Centro – CEP: 86.800-720 Fone: (43) 3422-4439 – Fax: (43) 3422-4439

Escritório – Guarapuava Rua Arlindo Ribeiro, 892 - Bairro Centro – CEP: 85.010-070 Fone: (42) 3623-6720 – Fax: (42) 3623-6720

Ivaiporã Rua Professora Diva Proença, 1190 – Bairro Centro – CEP: 86.870-000 Fone: (43) 3472-1307 – Fax: (43) 3472-1307

Ponta Grossa Rua XV de Novembro, 120 - Bairro Centro – CEP: 84.010-020 Fone: (42) 3225-1229 – Fax: (42) 3225-1229

Jacarezinho Rua Dr. Heráclio Gomes, 732 – Bairro Centro – CEP: 86.400-000 Fone: (43) 3527-1221 – Fax: (43) 3527-1221

REGIONAL NOROESTE Maringá Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto, 1116 – Bairro Zona 07 – CEP: 87.030-010 Fone: (44) 3220-3474 – Fax: (44) 3220-3402

REGIONAL OESTE Cascavel Avenida Pres. Tancredo Neves, 1262 – Bairro Alto Alegre – CEP: 85.805-000 Fone: (45) 3321-7050 – Fax: (45) 3226-1212

Allan Marcelo de Campos Costa

Escritório – Campo Mourão Avenida Manoel M. de Camargo, 1111 – Bairro Centro – CEP: 87.302-080 Fone: (44) 3523-5386 – Fax: (44) 3523-5386

ESCRITÓRIO – Foz do Iguaçu Rua das Guianas, 151 – Bairro Jardim América – CEP: 85.864-470 Fone: (45) 3522-3312 – Fax: (45) 3573-6510

é diretor-superintendente do Sebrae/PR. Mestre em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e mestre pela Universidade de Lancaster, Inglaterra, tem MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC Business School, é pós-graduado em Desenvolvimento Gerencial pela FAE/CDE e cursou o Programa de Desenvolvimento de Dirigentes Empresariais do INSEAD, França. Co-autor do livro “Electronic Business in Developing Countries”, possui artigos publicados no Brasil e no exterior, em países como Chile, África do Sul, Reino Unido, Holanda, Hungria e Eslovênia. Em 2010, participou, durante dois meses, do Advanced Management Program, da Harvard Business School, em Boston, nos Estados Unidos.

Paranavaí Rua Mato Grosso, 1874 A – Bairro Centro – CEP: 87.702-030 Fone: (44) 3423-2865 – Fax: (44) 3423-2794

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Revista Soluções - Edição 10