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REGIMENTO INTERNO DA SOCIEDADE ESPÍRITA BENEFICENTE AMOR E CARIDADE Como parte integrante dos seus Estatutos, tendo sido aprovado em 24 de Setembro 1952, pela Diretoria e Assembléia Geral da mesma. I Disposições Preliminares ART. 1 – As salas onde forem realizadas as sessões de ordem administrativa e as demais com ou sem mediunismo deverão merecer o mais absoluto respeito. ART. 2 – Todos os que forem tomar parte em qualquer sessão, assinarão antes do início dos trabalhos o livro de presença. ART. 3 – No recinto da Sociedade, seus associados estabelecerão entre si o tratamento mais fraternal possível em obediência ao preceito Evangélico de : “Amarmo-nos espiritualmente”, como o meigo Nazareno nos amou. ART. 4 – É proibido antes do início de qualquer sessão de ordem administrativa ou espiritual, toda palestra sobre assuntos estranhos aos fins e objeto de cada uma. ART. 5 - Nas sessões administrativas é exigido para boa ordem, que nenhum dos presentes faça uso da palavra sem autorização do Presidente da mesa. ART. 6 – Nas demais sessões, exige-se o mais profundo silêncio e, quando se tratar de trabalhos com mediunismo mais ainda uma perfeita concentração. ART. 7 – É proibido comentar fora da sede, com pessoas estranhas, ao quadro social, qualquer assunto tratado nas sessões de ordem administrativas em que se relacione com as comunicações recebidas nos trabalhos mediúnicos. ART. 8 – Uma vez por mês realizar-se-á uma reunião ordinária de Diretoria em data previamente anunciada e afixada no local de costuma(quadro mural). ART. 9 – A Sociedade Beneficente e Espírita sua ação de trabalhos abrangerá 4 (quatro) Departamentos, a saber: I – Departamento de assistência Espiritual. II – Departamento Material de assistência aos necessitados. III- Departamento da Farmácia IV- Departamento da Biblioteca NOTA : a) Para o associado ter direito a auxílios do departamento Material aos necessitados, deverá além do pagamento das mensalidades, contribuir com uma taxa especial, a ser em futuro estabelecida b) Para estranhos ao quadro social a distribuição de auxílios ficará a critério da diretoria, examinando-se o assunto dentro das qualidades econômicas da Sociedade, auxílios esses que serão concedidos mediante...(assembléia geral... ou...)


II Do Departamento de Assistência Espiritual ART. 10 – Ficam subordinados a este Departamento todos os trabalhos de ordem espiritual. ART. 11 - A Superintendência do Departamento será confiada ao Vice Presidente da Sociedade que deverá sempre ser escolhido entre os que possuem inatacável idoneidade moral e algum conhecimento prático e teórico do espiritualismo experimental. 1. ART. 12 – Será da competência do Diretor do Departamento: a) organizar e por em execução de acordo com o Presidente e baseado nas obras de Allan Kardec os trabalhos constantes das sessões denominadas de : Orientação Espiritual, Doutrinários ou de Propaganda, Preces e Irradiações, Estudo Teórico e Prático da Doutrina. Aperfeiçoamento ou Desenvolvimento das Faculdades Mediúnicas, Geral de Caridade, Desobsessão, Passes, Receituário, Escola Evangélica Espírita para Infância e Juventude. Considerando que as de natureza mediúnicas são de caráter privativo, e só poderão tomar parte nas mesmas as pessoas que se acharem devidamente preparadas a juízo do Diretor do departamento. b)organizar o quadro dos seus auxiliares em número suficiente ao perfeito e regular funcionamento do Departamento de acordo com o que preceitua os presentes Estatutos. c)–exercer a máxima vigilância e fiscalização em todos os trabalhos realizados nesta sede, procurando manter nos mesmos a mais perfeita harmonia e a melhor fraternidade entre os seus componentes, a fim de conseguir-se maior atração espiritual e do que possa observar em desacordo com as normas da doutrina e do presente regulamento notificará com a máxima brandura e amabilidade, em particular aos diretores para que se providencie as ampliações dos pontos visados. d) - suspender dos trabalhos espirituais os diretores de sessões, os médiuns, os sócios e assistentes que não estiverem em condições satisfatórias pelo seu estado físico, psíquico ou moral, orientandoo-os ao mesmo tempo e com afabilidade cristã, sobre os meios que deverão empregar para adquirirem os seus lugares como trabalhadores da vinha do excelso Mestre Jesus. e)- submeter à apreciação da Diretoria e Conselho de 3 em 3 meses a marcha dos diversos trabalhos a fim de que esse prossiga com segurança. ART. 13 - Dos Médiuns: Os principais auxiliares do departamento de assistência Espiritual são classificados em 2 categorias, a saber: - Médiuns Intelectuais - Passistas ou Curadores. Parágrafo 1º. – A categoria de médiuns de efeitos intelectuais fica dividida em 3 classes, assim especificadas: a) - Médiuns Receitistas b) - Passistas ou Curadores c) - Falantes ou Audientes, Videntes, Psicógrafos. PARÁGRAFO - 2º. - A dos médiuns de efeitos físicos fica até ulterior deliberação uniforme por não pretender de momento a Sociedade dedicar-se a este gênero de trabalho.


ART. 14 – Para fiel execução da nobre e grandiosa missão que a misericórdia Divina confiou aos médiuns, compete a esses terem sempre em mente o seguinte abecedário: a) Que toda beleza, grandeza e eficácia de sua tarefa decorrem da perfeita assimilação e prática dos evangelhos de Nosso Senhor Jesus Cristo, e fora da caridade não há salvação. b) Que só devem trabalhar em meios a fins e nunca para fins de ordem material com interesseiros e particulares, sejam de ordem coletiva ou individual. c) Que ainda possuindo as melhores intenções e sentimentos nem por isso são infalíveis e isentos de mistificação, dada que estas podem constituir provas necessárias para eles e para os que deles se socorrem. d) Que não devem – quando sonambúlicos expor-se a trabalhos em assembléia numerosa. e) Que a sua posição social não os isenta nem resguarda dos deveres comuns de fraternidade e humildade. f) Que as suas prerrogativas não constituem galardão, menos acoberto das vicissitudes terrenas antes lhes foram dadas para resgates de maior divindade passado. g) Que não devem jamais trabalhar isolados nem fazer evocações diretas. h) Que não é razoável consultar os desencarnados sobre assuntos e problemas que o homem pode por si só resolver. i) Que o estudo constante e sistemático da Doutrina em comum é uma necessidade absoluta não só para constituir o ritmo ou tons do conjunto, como para que provado está que em tais trabalhos a cooperação também conjugada dos guias, melhor afeiçoa a inteligência dos encarnados para as concepções doutrinárias. j) Que não há trabalho ou profissão honesta entre e perante os homens que colida com o exercício ativo da mediunidade k) Que não há dias nem horas nem fórmulas determinadamente favoráveis nem desfavoráveis a esse exercício, uma vez praticado com abstração de coisas mundanas e fúteis. l) Que a saúde física, com quanto não seja condição essencial para o exercício da mediunidade, deve ser objeto de cuidado, não só como obrigação de ordem geral como pode refletir sobre o espírito do médium a pô-lo a descoberto de influências nocivas. m) Que a instrução literária, filosófica ou científica, não é elemento essencial da boa produção mediúnica, mas deve ser cultivada em termos porque enriquece o cabedal latente do médium e facilita maiormente as comunicações. n) Que não pode e nem deve ser juiz da própria lavra, seja para exaltála ou rebaixa-la, deixando a outrem a tarefa de analisar e julgar a árvore pelos frutos, contentando-se ele com o dever honestamente cumprido. o) Que deve evitar os meios sociais deletérios e viciosos onde as paixões inferiores são facilmente combustíveis, procurando fazê-lo não com ostensividade e desdém para não escandalizar, mas discreta e criteriosamente de modo a edificar seus semelhantes.


p) Que devendo todo crente evangélico ser manso como as pombas e prudente como a serpente não pode e não deve alardear seus predicados e muito menos submetê-los a prova e a crítica de profanos incompetentes quando ou não mal intencionados q) Que na vida de relação sob qualquer dos aspectos precisa desenvolver o máximo critério para discernir o que pertence ao homem e o que incumbe ao crente a fim de poder em sã consciência dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. r) Que esse discernimento só lhe pode advir gradualmente mercê de uma disciplina moral e mental praticada sem precipitações nem desfalecimentos. s) Que a meditação, o recolhimento e a prece são os melhores agentes de vigoramento para o corpo e para a alma pelo que deverão ser praticados com moderação e regularidade. t) Que não há regimes alimentares especiais aconselháveis, que favoreçam ou facilitem a prática mediúnica, exclusão feita de substâncias nocivas como álcool, etc. e uma vez mantida como princípio à necessária sobriedade. u) Que essa sobriedade deve estender-se maiormente ao regime moral sem privação de diversões sociais compatíveis com o meio e a idade de cada um. v) Que não deve nem pode impunemente tirar partido mesmo indiretamente, das sua faculdades pois, sendo a mediunidade um dom gratuito da providência, deve ser considerado como verdadeiro sacerdócio, dentro do preceito dar de graça o que de graça receber, e mais ainda com espontaneidade de sentimento. x) Que não há médium melhores nem piores de vez que as faculdades lhes podem ser cassadas, cessadas a todo tempo com o afastamento dos desencarnados, sob as vistas e por intervenção de seus guias. y) Que o trabalho é uma prece, ao mesmo tempo em que um agente indispensável ao progresso físico planetário não sendo lícito ao homem, muito menos ao médium tornar-se ocioso e inútil à coletividade sob pretexto de melhor ou maiormente prestar a caridade. z) Que a caridade é sentimento vivo e, como tal não deve nem pode concebê-la regulamentada, condicionada, fragmentada em atos alternativos quando não caprichosas e incoerentes como a própria índole humana vacilante e imperfeita razão, estimará no seu trabalho apenas o comezinho cumprimento de um dever como benefício próprio exclusivamente de vez que a misericórdia divina não precisa do homem para afirma´-se ao mundo e firmar-se no mundo. Art. 15 – Em complemento a salutar orientação contida no artigo precedente, cumpre aos médiuns fazerem um estudo do seu próprio EU, a fim de tirarem as indispensáveis conclusões sobre quando está ou não em condições de trabalhar mediunicamente. PARÁGRAFO ÚNICO : Apurada a sensibilidade o médium poderá verificar se a indisposição sentida, é de ordem física ou psíquica, tornando-se por conseguinte a melhor sentinela de si mesmo. Art. 16 – Os médiuns componentes das sessões com ou sem mediunismo, tem o imperioso dever de fazer principalmente nos dias destinados aos trabalhos a higiene da alma e se dedicarem por uns 10 ou 15 minutos a leitura de um trecho do


livro o Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec ou de uma outra obra também Doutrinária, seguida de algumas preces em louvor a Deus, a Jesus, ao guias e protetores, para poderem compartilhar condignamente do banquete espiritual. PARÁGRAFO ÚNICO : Ao entrarem no recinto Doutrinário aos trabalhos, deverão os médiuns ocupar seus lugares habituais e elevarem imediatamente suas almas a Magestade Divina em recolhimento espiritual para atraírem a assistência benéfica dos mensageiros do Senhor do Universo. Art. 17 – Os médiuns deverão abster-se de alimentos sólidos nas proximidades do horário de trabalho em benefício da própria saúde e do êxito dos próprios de suas tarefas e ainda evitarem os constrangimentos resultantes do estômago cheio. Art. 18 – É vedado aos médiuns, imitarem preces sobre as comunicações recebidas por seu intermédio, pois essa tarefa é da exclusiva alçada dos Diretores das sessões e ao Departamento de Assistência Espiritual. Art. 19 – Para a manutenção do equilíbrio orgânico e psíquico os médiuns receitistas trabalharão no receituário uma ou duas vezes no máximo por semana e uma vez apenas neste mesmo período nas sessões de mediunismo. PARÁGRAFO ÙNICO : Os médiuns receitistas não deverão ministrar passes nesta sede ou fora dela salvo em casos excepcionais e com prévia autorização dos Diretores a fim de não prejudicarem o seu próprio ambiente fluídico adrede o preparo para nobre tarefa que lhes foi confiada. Art. 20 – Pelo mesmo princípio da manutenção do equilíbrio orgânico e psíquico, os médiuns passistas ou curadores ministrarão passes apenas uma vez por semana e em número não superior a 20 (vinte) e trabalharão nas sessões com mediunismo na mesma base determinada para os médiuns receitistas (vide art.19). Art. 21 – Os médiuns que faltarem aos trabalhos por 3 vezes consecutivas, e sem motivo justificado serão suspensos por 30 (trinta) dias e sua reinclusão dependerá da autorização da Diretoria Espiritual. PARÁGRAFO ÚNICO : Só poderá trabalhar como médium desta sociedade os médiuns de qualquer categoria que passarem pelo departamento da Casa. Art. 22 – Das sessões espíritas: Cada sessão com ou sem mediunismo terá um diretor, sendo que este substituirá aquele em seus impedimentos para não haver interrupções na marcha dos trabalhos espirituais da sociedade. ART. 23 – Cinco minutos antes do início das sessões mediúnicas fechar-se-á a porta do recinto destinado ás mesmas a qual só será aberta depois de encerrados os trabalhos salvo em casos expeccionais e de suma importância, em que o diretor resolverá. ART. 24 – Iniciados os trabalhos nenhum dos assistentes poderá levantar-se a não ser por motivo de força maior e com a prévia autorização dos dirigentes. ART. 25 - Não serão admitidos assistentes ou visitantes nas sessões mediúnicas e sim nas doutrinárias, de preces e irradiações e da escola evangélica espírita para infância e juventude. ART. 26 – Nenhuma consulta seja de que natureza for poderá ser feita aos espíritos sem prévio exame do Diretor que autorizará ou rejeitará se assim o julgar conveniente. ART. 27 – As comunicações recebidas fora desta sede só poderá ser lida nas sessões mediúnicas ou Doutrinárias depois de rigoroso exame feito pela direção e seu assentimento.


ART. 28 – Quando forem recebidas mensagens psicográficas nas sessões mediúnicas, a sua leitura somente deverá ser feita após o encerramento dos trabalhos, salvo quando se tratar de orientação para a marcha das mesmas.

Porto Alegre, 13 de Abril de 1952

Apolinário Menezes Cardoso Rui Lucílio Ferreira Angélico Gonçalves dos Santos Álvaro Moura

A Comissão Aprovado em 24 de Setembro de 1952.

Thomaz Pinheiro – 1º. Secretário

Regimento Interno - Sebac  

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