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Ed

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Tudo começa com um sonho. Do sonho, passa-se à ideia. E, com a ajuda das pessoas certas, subitamente esta ideia torna-se palpável, e o sonho ao nosso alcance. Falo, claro, deste projecto, a revista IV Street. Depois de muitos esforços reunidos, trabalho árduo e um pouco de sorte à mistura, é com um enorme orgulho que partilhamos esta publicação convosco. Dentro dela poderão encontrar os mais diversos assuntos, todos eles relacionados com esta forma de arte e expressão, o Hip-Hop. Os conteúdos são, propositadamente, direccionados para a cultura hiphopiana, particularmente a portuguesa, com o objectivo claro de reeducar as mentes a começar a apreciar o que é nosso, porque o que se faz cá também é bom, para quem ainda não sabe (?) … A continuidade deste projecto deste “sonho” dever-se-á a vários factores, mas vocês, concerteza, terão um grande peso nesta decisão. Por isso, escrevam-nos, opinem, critiquem, espalhem… esta revista é vossa! Gozem-na!

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Ângelo Rodriguez

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Biografia de Projecto Simbiose

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B. I.

Projecto Simbiose – nasceu em Junho de 2002 da união de 2 mc´s da Margem Sul (Feijó e Miratejo), Psycol Mantis, fundador, ex-mc e produtor dos MAYORALL, que começou a dar os seus primeiros passos no mundo da musica no Pinhal Novo quando ensaiava com o irmão Rui e o rapper Lavado (na altura trabalhavam com Dj Sas em 95), alguns anos depois forma o seu primeiro grupo com Da Kriminal, Funtasma e Mad, os SOR. No final de 1997 mudou-se para a zona de Almada, aonde criou e fundou Mayorall. Mais tarde junta-se com Bósnio ex-mc dos MOBSTAZ, apenas para fazer um som, mas dado o resultado, decidiram juntar-se para melhor alcançarem os seus objectivos e dai nasceu Projecto Simbiose. O grupo conta já com muitos concertos e aceitação do seu trabalho, aparição na revista Hip-Hop Nation com o tema “O que é que se passa?” a fazer parte do cd#6 oferecido pela mesma revista, e na 10ª edição com uma entrevista e ainda o tema “Fuck VIPs” a entrar no CD oferecido pela revista. O grupo ganhou o 1º lugar no concurso “Alarga a tua vida 2004”, promovido pela Alcatel, na secção de Hip-Hop, tendo assim o estatuto de grupo Revelação Hip-Hop de 2004 dando assim muitos concertos em todo o país e também no antigo canal Sol, RTP N e Canal 2. O grupo ficou em 4º lugar no Festival de Bandas ADR 2004 no Algarve sendo o 1ºgrupo de Hip-Hop a ficar entre os 4 primeiros. Em Setembro de 2005 sai finalmente o primeiro CD de originais de Projecto Simbiose intitulado, “Simbiose 2005”. Um CD com quinze faixas com a participação especial de Eliza, Xiko, Nações Diversas, Fizz, Da Guida, Númen, Almadan, Gramaço e Dj Núcleo. Com participação nas compilações: Alarga tua vida (lançada pela EMI, Alcatel), com o tema “Por nós” “Almad’Arte” (lançada pela Rimódromo Produções Lda.) com o tema “Sufocados “. Irão ainda participar na Compilação “Poetas do Outro Nível” com o tema “ É com…”. Neste momento o Grupo volta aos estúdios para gravar o último CD da breve carreira de Projecto Simbiose. Os mc’s acham que este último trabalho vai dizer tudo o que realmente lhes passa pela cabeça. Um CD duplo com muitas músicas, muitas participações, muitas surpresas, certamente um CD a não perder, com a qualidade e o carimbo já conhecida de Rimódromo.


Festa do Avante 2006 A Festa do Avante este ano realizou-se nos dias 1, 2 e 3 de Setembro, na Quinta da Atalaia, Amora/Seixal celebrando o seu 30º aniversário. Para quem tem como “tradição” todos os anos comparecer à Festa do Avante sabe que além de todo o simbolismo e cariz político que a mesma acarreta, é acima de tudo uma festa da diversidade. Uma diversidade de culturas, de géneros musicais, gastronomia e até mesmo ideais políticos porque numa festa como esta ninguém fica à porta a menos que queira… Como já vem sendo costume de há uns três ou quatro anos para cá, também nesta “edição” da Festa houve um espacinho dedicado ao Hip-Hop com as actuações de La Dupla e do Boss AC. Sábado dia 2 de Setembro, Palco Novos Valores, pouco passava das 22 horas e 30 minutos (faltava um quarto de hora para as 23 para ser mais exacta) quando sobe a palco o Dj X-Acto seguido por Espanhol que após alguns segundos de conversa para aquecer o público dá início à actuação de La Dupla com o tema “Segredo do Templo” a meio entra em palco um exemplar extraordinário de garra e talento, estou a falar claro está de Nessa (esta miúda vai ser grande, memorizem isto… ela vai ser grande!) o segundo elemento desta dupla. Seguiu-se o tema “Amor e Ódio” onde é evidente a cumplicidade que existe entre estes dois jovens artistas. Todo o concerto foi repleto de energia e muita entrega por parte deste brilhante duo que provou perante uma pequena multidão vibrante o porquê de serem duas das grandes promessas do Hip-Hop tuga. Há ainda a destacar os convidados especiais que trouxeram um pouco mais de magia a um espectáculo já de si capaz de nos arrancar um sorriso dos lábios, refiro-me aos não menos cativantes M.A.C., DGB e umas dançarinas que o público masculino tanto gosta. Os minutos passavam e o tempo era cada vez mais curto, estava na hora de terminar o concerto com “La Revolucion” o single de “Apresentação” do primeiro registo discográfico de La Dupla. Domingo dia 3 de Setembro, Palco 25 de Abril, eram 21 horas e 30 minutos e sobe a palco Boss AC acompanhado do seu fiel companheiro Gutto para aquele que seria o concerto que ia encerrar a “edição” da Festa do Avante deste ano e ao mesmo tempo o encarar a realidade de que não existe ainda na tuga um artista/grupo de Hip-Hop capaz de encerrar um evento destes… e atenção que não me refiro a um artista qualquer, dado que Boss AC já actuou em diversos eventos de considerável dimensão! Este era um concerto que de acordo com a publicidade prometia muitas surpresas e uma nova estrutura em palco e confesso que as minhas expectativas até eram altas… mas cedo se desvaneceram.

Festa do Avante 2006 Boss AC surgiu em palco um quanto apagado e apesar de todos os esforços de cativar um público tão diversificado, a verdade é que não foi o suficiente para conseguir manter parte do público até ao final da actuação. Nem a energia de Gutto aqueceu uma plateia algo morna. Em pouco mais que uma hora de espectáculo Boss AC passou em “revista” todos os mais recentes êxitos desde “Que Deus”, passando pela “Princesa” “Lena”, “Farto de”, “Boa Vibe”, “Baza Baza”, “Hip-Hop” entre muito mais temas que ia intercalando com participações especiais. Primeiro subiu a palco a nova revelação pop/rnb que é apadrinhada pelos próprios Gutto e Boss AC, refiro-me à jovem Diana que dá voz a “Fogo” onde contou com a colaboração de Bambino sempre eletrico e a correr o palco de uma ponta à outra. Já quase no fim do tema sobem a palco Zeca e Alex, dois dos elementos da crew 12 Macacos, que deliciaram todos os presentes com um pouco de puro breakdance, levando parte da plateia ao rubro. Verdade seja dita, o break e a performance de Bambino, foi o que salvou esta participação especial de Diana. O segundo convidado a subir a palco foi Chullage acompanhado de Meko que num dos pontos altos da noite apresentou uma versão de “Mulher da Minha Vida” mais suave e com uma postura mais descontraída daquela a que nos habituou. Tendo em conta que Chullage é um dos mc’s mais interventivos da nossa “praça” foi positivo ver um lado mais soft que agradou ao público em geral. O senhor que se seguiu na lista de convidados foi Melo D com o tema “Boas Vibrações”. Uma participação que dado ao espírito mais reggae da faixa em questão conseguiu atrair e agitar mais o público que pulava e cantava em uníssono “Sente as boas vibrações… GOOD VIBES! GOOD VIBES…” (abençoado anúncio da mebocaína!). E para terminar com chave de ouro a grande surpresa da noite quando todos menos esperavam Boss AC chama ao palco nada mais nada menos que a Sra. Ana Firmino, sua mãe, que nos presenteou com um covert do fabuloso tema “Sodade”. Razão para dizer que o gosto pela música está nos genes, porque esta senhora tem uma voz melodiosa. Foi sem dúvida o ponto alto de toda a noite e que contou ainda com a colaboração dos restantes convidados, Diana e Melo D num refrão e Chullage que deu um toque mais rap a esta música fantástica, com um verso da faixa “Nôs Amor Inda Ta D'pê”. No final a sensação de que o concerto nos deixou com um gostinho amargo de “estava à espera de mais” e a grande questão: “Cadê Sam the Kid???” Por: Sónia Bento.


Crónica da Festa de Lançamento do Álbum de SP & Wilson Local: SBLive – Parque das Nações Hora: 01:00 Artistas: Afu-Ra, DJ Ease, SP & Wilson, Factos Reais, Lancelot, Kaligula, Kamikaze, Kalibrados, DJ Stickup. O sucesso da dupla de Beatbox mais conhecida da Tuga é de facto inegável, se a enorme fila à porta do SBLive na noite de sexta-feira for algum indicador. O concerto de apresentação do álbum de SP & Wilson fora bem publicitado, quer na rádio, quer na Internet, e o resultado estava à vista: uma legião de fãs esperava ansiosamente a sua vez de entrar, mesmo que já sem esperança de ganhar um dos 25 álbuns para as primeiras 25 pessoas a entrar. O espaço do SBLive estava bastante cheio, mas suficientemente espaçoso para se estabelecerem os contactos com conhecidos e as conversas informais que são a alma da festa. Todos os artistas estiveram a circular entre o público, incluindo Afu-Ra e DJ Ease, num ambiente descontraído e acessível. O primeiro artista a subir ao palco foi DJ Ease, que fez o backup sonoro a Afu-RA durante toda a sua actuação. Afu-Ra tocou temas de “Body of a Life Force” e “State of the Arts”, tais como “God of the Rap” e “Pusha”; não abandonando o palco sem prestar a sua homenagem rimada a colectivo Gang Starr. Apesar do entusiasmo do mc e das frequentes tentativas de animar o público, este último acabou por fazer mais barulho para o brilhante set de scratch de DJ Ease do que propriamente para o mc. Tekilla subiu ao palco algumas vezes para espicaçar as hostes, arrancando algum barulho do público relutante. De qualquer forma, a actuação do mc soube a pouco e deixou os seus apreciadores a desejar por mais. Foi quando SP & Wilson subiram ao palco que se tirou a prova dos nove: o público presente estava para ver os autores de “Barulho” e mais ninguém. Foram recebidos com uma mistura de palmas, gritos e sons de máquinas fotográficas a trabalhar freneticamente, uma actividade que tanto SP como Wilson alimentaram com poses ensaiadas e algumas gargalhadas bem dispostas. À medida que SP e Wilson foram desfilando pelas várias faixas do álbum, os seus convidados juntaram-se-lhes para lhes emprestar a voz no microfone. Entre os temas tocados estiveram “Arrebenta”, “Tocar Tocar”, “Praga ou Dom” e “ODC Warrioz”. A faixa “Barulho”, uma das favoritas do público (a julgar pela agitação quando os Factos Reais subiram ao palco), infelizmente não se encontrava em condições e o colectivo teve de abandonar o palco sem actuar. O momento alto da noite foi a battle entre Wilson e Stickup, em que cada um tentou suplantar o outro em scratch, um no mic e o outro nos pratos. DJ Stickup ganhou tão claramente que Wilson, após a sua última tentativa, admitiu a derrota, mesmo tendo arranhado um “St-stickup s-s-sou teu pai” como last resort. Por fim, SP e Wilson apresentaram Kalibrados, a última actuação da noite. Os quatro mcs que substituíram as estrelas da noite foram bem recebidos pelo público e escolheram inteligentemente um tema de apresentação bem humorado e simples, adequado ao público e ao estilo de música que o precedeu. Devido à hora já avançada e à indisponibilidade do SBLive para se manter aberto durante mais tempo, o concerto teve de acabar sem a actuação de Blackmasta e sem a parceria entre Afu-Ra e Sp & Wilson. No entanto, pode-se afirmar que o público presente saiu bem impressionado se não conheciam a dupla e com uma boa noite de música se já tinham ouvido “Barulho”. Joana Nicolau.

Por:


Sensei D IV Street – Antes de começarmos gostaria de te pedir que fizesses uma breve apresentação sobre a tua pessoa. Sensei D. – (risos) Nem sei por onde começar. O meu nome é Sensei D., nasci cá na Tuga mas depois vivi uns anos em Macau e neste momento moro na Margem Sul, em Sesimbra...Acabei agora a faculdade mas vou continuar a estudar; e uma das energias que sempre me fez mover na vida é a música. Nomeadamente o Hip-Hop onde me iniciei ai há dois/três anos como DJ e pouco depois comecei a produzir uns beats. IV Street – Quando é que sentiste o “bichinho” da música a chamar por ti? Foi na mesma altura que descobriste o Hip-Hop ou antes já tinhas um gosto especial por música? Sensei D. – Népia, desde puto que sou apaixonado por música. Quando descobri o Hip-Hop identifiquei-me logo com ele, estás a ver? Mas sempre apreciei todos os estilos de música e os que não aprecio respeito, se nós no Hip-Hop queremos ser respeitados por outros músicos só temos de fazer o mesmo.

“Usem o Hip-Hop com uma forma de união e um meio de se desenvolverem, não usem isto só para “dar pausa” ou andar aí a apontar o dedo a tudo que está mal sem apresentar soluções. Valorizem o Hip-Hop Tuga!” Sensei D. IV Street – O que é que no Hip-Hop te despertou um maior interesse? Sensei D. – Epá, não sei se isso se descreve... É o feeling, a energia... há aquela energia no Hip-Hop que não existe em mais nenhum estilo de música. Para além disso o Hip-Hop é o único que possui quatro vertentes para se complementarem umas ás outras, formando uma cultura... e isso é fascinante! IV Street – Porquê o Djing? Houve algum Dj em particular que te tenha marcado? Do tipo, “wow é isto que eu quero”. (risos) Sensei D. – Sempre gostei de explorar música, coleccionar e mostrá-la ás pessoas e ver a reacção delas... daí a minha cena de gostar de DJing, passar música para as pessoas e reagir com isso. Sempre apreciei o DJ Premier devido ás coisas espectaculares que faz que no entanto são simples e eficazes. IV Street – Clubbin’ ou Turntablism? E porquê? Sensei D. – 70% para 30% (risos)... 70% Clubbin’ porque passar música para o people foi a cena que me deu o bichinho para ser DJ e para além disso, nessas ocasiões conheces mais gente e isso é fixe para fazer mixtapes e compilações... 30% TurnTablism porque adoro Turntablism mas ainda não me posso considerar um turntablist a sério porque estou nos primeiros passos para isso. IV Street – Para ti quais são os clássicos obrigatórios a qualquer Dj? Sensei D. – Epá tantos... KRS-One “Sound of tha police”; Rakim “When I´m on the Mic”; JayLib ft. Talib Kweli “Rawshit”; Pharoche Monch “Simon Says”; Nas “Nas is Like”; Method e Redman “Rockwilder”; Mobb Deep “Give Up The Goods”; Dead Prez “Hip-Hop”; M.O.P. “Cold as Ice”; Roots Manuva “Witness (One Hope)”; Phi Life Cypher “War of Words”; EPMD “U Gotts To Chill”; Blahzay Blahzay “Danger”; Das Efx “Real Hip-Hop”; Big L “Ebonics”… mais? James Brown “Sex Machine”. (risos) Existem tantos, não te digo mais porque não me lembro. (risos) IV Street – Sensei D. ainda é um nome que muitos desconhecem, podes dizer-nos o que tens feito? Desde participações a trabalhos que já tenhas. Sensei D. – Fiz alguns instrumentais para manos meus e para algum people, tipo, Criatura, Serial Skillers, Myka e participei nalguns sons com scratch. Faço semanalmente um programa de Hip-Hop, chamado Rapresentar na rádio da faculdade do Técnico com o meu bro João Aguiar, que depois é posto on-line para download gratuito. Recentemente lancei uma mixtape chamada “Hip Hop Estratégias de Auto-Evolução” Já passei som em vários spots, mas onde costumo passar mais vezes é em Sesimbra, Lisboa e Margem Sul.


IV Street – Em relação à tua mixtape “Hip-Hop Estratégias de Auto-Evolução”, como tem sido o feedback do público? Tem tido uma receptividade positiva? Sensei D. – Tenho tido um feedback fixe o pessoal tem curtido, não só pela diversidade que a mixtape contém mas também pela forma como ela está estruturada e montada. Já me pediram para fazer mais mixtapes (risos), inclusive já conheci mais MC´s com sede de participar em mixtapes. IV Street – Queres falar um pouco mais sobre este projecto? Quem participa, quando surgiu a ideia, quanto tempo investiste neste trabalho… Sensei D. – É uma mixtape diferente... conta com a participação não só de MC´s mas também de DJ´s e de uma banda de Funk. Foi quase toda gravada na Breakfast e demorou um pouco a sair porque são muitas faixas e muito people para combinar cenas... para além disso na altura estava a acabar os meus estudos. Todo o pessoal que entrou é people que considero family e people que conheço há algum tempo que eu sei que tem ganda talento… então esta mixtape é a colagem de várias ideias que já tinha tido. Está disponível para download gratuito em www.senseid.net, quis que o meu primeiro trabalho fosse gratuito para que toda gente pudesse aceder a ele facilmente e ficar a conhecer o que faço e algum do people que irá trabalhar comigo em projectos futuros. IV Street – Já tens mais algum projecto na manga? Algo que queiras adiantar? Sensei D. – Sim, posso já dizer-te que estou a acabar de construir um EP de produções minhas que se vai chamar “Viagem Sonora À Mente de Sensei D.”, vai contar com duas ou três participações de MC´s mas vai ser maioritariamente uma cena instrumental. IV Street – O Hip-Hop teve nos últimos anos um crescimento estrondoso. Como vês esse crescimento e o futuro do Hip-Hop Português? Sensei D. – Acho que neste momento, estamos numa fase onde tudo pode acontecer... As pessoas fora do Hip-Hop já começam a olhar para isto como um estilo de música e não como uma moda de adolescentes, por isso cabe ao people que faz Hip-Hop mostrar ás pessoas cenas boas, e não cairmos em asneiras (risos). IV Street – Queres deixar alguma mensagem aos nossos leitores? Sensei D. – Usem o Hip-Hop com uma forma de união e um meio de se desenvolverem, não usem isto só para “dar pausa” ou andar aí a apontar o dedo a tudo que está mal sem apresentar soluções. Valorizem o Hip-Hop Tuga! Underground ou Comercial desde que seja uma cena verdadeira man… Peace e Props para todos aqueles que fazem isto com sentimento! Obrigada pela colaboração, boa sorte e bom trabalho! Obrigado á revista e muito boa sorte! Força! Por: Sónia Bento.


Sniper Regressam Com Um Álbum Estonteante:

Mr. Lif - Mo’Mega: Mr.Lif está hoje na frente de “fuzilamento” critico!! Não impressiona. Sente-se um álbum vazio e suspeita-se de preguiça e mero cumprimento de calendário... Não vejo amor neste trabalho. E os instrumentais?! Está irreconhecível, nem parece o artista de I Phantom e Enters the Colossus. Liricamente nunca me impressionou, mesmo nos trabalhos que supra citei mas tenho que dar o devido crédito à tentativa e ordem de ideias que tentou incutir nas suas obras, como a adopção de novos estilos, contribuindo assim para o fenómeno “music fusion” que o leitor por certo está familiarizado. Como sempre, tenho que referir uma faixa e a eleita é a For You que, permitam-me a analogia, considero água neste deserto musical. Há outras faixas que achei boas e que me lembraram um pouco da velha guarda do Hip-Hop como a Ultra/Mega e Murs iz my Manager. Há que enaltecer a presença / colaboração de Akrobatic na faixa que denomina o álbum, o que veio proporcionar alguma maturidade e equilibrio, mas não escondeu a (por mim classificada) pouca qualidade conjunta (instrumental, técnica, lirical skillz e flow technique). Mr. Lif consegue fazer melhor, e já o fez... Mantenham a Paz! Por: The Frozone.

A tripla mais adorada em França está de volta! Após "Grave Dans La Roche” o colectivo constituído por El Tunisiano, Blacko & Aketo regressa com novas sonoridades, sempre dentro da excelente qualidade a que habituaram os seus ouvintes. Como já é habitual, o grupo entra com um som agressivo a representar o grupo "S.N.I” com "Sniper Processus” do primeiro registo discográfico “Du Rire Aux Larmes” e "Processus 2003” do seu sucessor “Grave Dans La Roche”. O sampling ainda está bem presente e definido no trabalho do grupo francês, no entanto, nota-se que estes já começaram a aderir à era, em tempos, introduzida pelo maestro dos IAM - Akhenaton, falo dos efeitos electrónicos que dão uma sonoridade futurista e originam uns Sniper confiantes de serem capazes de aplicar qualquer letra e flow nos instrumentais super trabalhados. Uma das mil e umas qualidades do grupo, é saber aproveitar a qualidade de cada membro, para prová-lo, nada melhor que ouvir "Zamalia", onde Blacko usa e abusa das suas qualidades dentro do Ragga/Reggae construindo um sucesso de Verão! Algo muito vulgar nos álbuns de hoje é perder a sua continuidade a níveis sonoros. Passar de uma faixa agressiva para uma super calma nem sempre é fácil, mas quando passamos de um "banger" como "Donne Tout" para a segunda parte da saga "La France", temos de dar bater palmas a outro clássico do mestre El Tunisiano, pois é, "La France (Itineraire D'une Polemique)" é um desabafo do MC mais adorado nos Sniper. Após toda a problemática do seu primeiro som "La France" em que a letra é de tal modo interventiva ao ponto de afectar o governo francês, chegando o próprio artista a ser processado. Tunisiano mostra toda a sua coragem e um grande à vontade em criar outro tema para explicar passo a passo o que o levou a escrever um clássico de intervenção em França, acompanhado de um piano fenomenal, capaz de captar e fazer qualquer ouvinte viver intensamente o que o MC dos Sniper canta. Um ponto positivo (mais um) neste álbum é o facto do grupo não ter chamado mil e uma "vedetas" para entrar no álbum já que Blacko e Tunisiano têm estado muito activos no que toca a featurings em álbuns da elite francesa. Optaram por chamar poucos artistas: Cici, Olivier, Faada Freddy Daara J e por último, aquele que é sem dúvida uma das maiores estrelas do Rap em França e conhecido pela sua voz e estilo hardcore - Joey Starr (NTM/B.O.S.S) que participa em "Brule", onde mais uma vez Tunisiano acaba com qualquer dúvida que reste sobre o magnífico flow dele. Sniper "Trait pour Trair" está de boa saúde e recomenda-se! Por: Dj MadKutz. Busta Rhymes - The Big Bang; Ayo Ayo Get Low Froz!! Pois é meus irmãos, Busta Rhymes volta a fazer das suas lançando mais um “bebé” ao mundo. Desta vez “The Big Bang” (como não poderia deixar de ser, um nome com conotações apocalípticas ou genésicas) promete rodar em muitos Clubs, em muitos carros, em muitos dispositivos áudio portáteis. A crítica parece ser unânime num aspecto relacionado com os imensos artistas que compõe a mais recente obra-prima de Busta, muitos deles não justificam a presença. No entanto o inquestionável talento de Q-tip está presente e Missy Elliot dá a luz que o álbum precisa…e este…precisa de muita. Mas seguindo um pouco a lógica do álbum ou procurando na mente do artista, Rhymes, não esquece bons nomes da música norte-americana como Stevie Wonder, Rick James, Latoya Jackson numa época em que está na moda recordar ou recuperar o estilo do século passado. Correndo o risco de ser apupado ou até insultado, atrevo-me a dizer que a longevidade deste álbum não passará do Verão mas justifico este pensamento por notar uma espécie de perda de “flow Identity” deste gigante levando me a pensar que estamos a presenciar a passagem duma estrela cadente ou perda de skillz a nível técnico. Seja como for, a faixa Touch It tem um refrão catchy e será certamente bem-vinda na comunidade que nos une, mas… procurem com atenção outro som que leva selo de garantia Wu Tang, para quem ama a família de Staten Island, claro… será uma agradável surpresa. Mantenham a Paz. Por: The Frozone.


SP & Wilson – Barulho: Hoje em dia, todo e qualquer rapper diz que faz música e não rap, que é músico e não mc. Contudo, a maioria dos que assim se auto-intitulam estão a enganar-se a eles próprios e aos ouvintes. É a chamada publicidade enganosa. Mas SP & Wilson vêm contrariar essa tendência cada vez mais em voga, com um "Barulho" cheio de música, de boas vibrações e que, simultaneamente, consegue soar ao mais genuíno rap que pode haver. Este não é um álbum em que os pseudo-gangstas portugueses possam pegar e dizer "eu ouço isto, sou mesmo mau e mesmo dread". Este não é um álbum indicado para quem pensa que o rap nacional é uma filial do PCP e do Bloco de Esquerda. Este álbum é para curtir! É para desfrutar da sua musicalidade, que está presente em praticamente todos os temas, sejam eles feitos para dançar ou não. Simplesmente parece que estes dois têm ritmo dentro deles. A verdade é que as letras de SP se encontram num nível algo baixo, não obtendo ele um mínimo de profundidade no que escreve, mesmo que o tema assim o exija. No entanto, isso é remetido para segundo plano mal se escutam os seus excelentes flows e produções igualmente excelentes, que se complementam criando óptimas faixas. E é exactamente no beat-making que entra Wilson, que completa as grandes melodias de SP com um magnífico beatbox, tão bom que pode até levar as pessoas a pensar que estão a ser intrujadas e que aquilo não pode ser um "bum bum feito com a boca". Embora seja difícil destacar um som, esse destaque vai quase naturalmente para "A Minha Life". Esta é uma música que foge ao ambiente festivo das restantes e onde SP, numa linha introspectiva e com uma escrita claramente superior à do resto do álbum, fala da sua vida sobre um excelente instrumental (que por acaso tem o mesmo sample do beat utilizado por Valete e Adamastor em "Mundo Resignado"). No reverso da medalha está "Streets" (com Dims), do qual pouco há a dizer a não ser que está demasiado soturno, acabando por soar estranho. Igualmente merecedoras de nota negativa são as participações que, no geral, estão todas bastante discretas (mesmo as americanas!), com as excepções de Factos Reais, Regula e, principalmente, Sam the Kid, que deu mais uma prova de que é um grande mc e punchliner. Como nota final, há que louvar a boa disposição de SP e Wilson presente ao longo de todo o cd, bem como o facto de referenciarem mulheres vezes sem conta e sem qualquer tipo de problema. Infelizmente, isso ainda pode ser motivo para se receberem críticas, e é essa a hipocrisia do rap. Esquecer que os mc's são pessoas como as outras, que se riem e apreciam um bom exemplar do sexo oposto, e tomá-los por reais exactamente quando eles se esquecem de quem são na realidade e adoptam uma personagem triste e revoltada com a vida. Por: Moisés Regalado. Crewcial Hip-Hop Do Norte Com Angola No Sangue: O mercado musical que o nosso país abrange é, sem dúvida, restrito e nem todos têm a possibilidade de exprimir no seu trabalho aquilo que sentem na realidade uma vez que mentes interesseiras e editoras capitalistas impõem o seu poder impedido o artista de ''cuspir'' o que sente! A Matarroa deu a possibilidade a este colectivo constituído por PAZ, Supremo G e Diggy K de exporem no seu trabalho um conteúdo underground relacionado com as suas raízes, este álbum de estreia titulado como ''Ombuto'' retrata a cultura e vários aspectos sociais em torno do país de origem destes três jovens estudantes. Este álbum é sem dúvida um ''hino'' angolano que dignifica a cultura deste país, os flows de cada um dos mc's adapta-se perfeitamente às produções de Paz que, por sinal, demonstra ter uma boa capacidade de produção utilizando beats melódicos e com batidas fortes que proporcionam ao ouvinte uma excelente musicalidade! Não só nos beats mas também nas letras, este colectivo demonstra uma forte capacidade rimática aliada ao conteúdo da mensagem presente em todos sons, este álbum é no meu ver um dos trabalhos mais completos de hip-hop nacional lançados no ano 2005 conta com participações como Chullage, Renegado, Dj Bezegol, entre outros que vêm enriquecer ainda mais esta referência musical. Ficamos a aguardar o lançamento do próximo álbum assim como de mais surpresas oriundas deste colectivo angolano a residir no norte do país! Props e continuem o excelente trabalho que têm vindo a desenvolver. Por: Pioneiro, MPK

Jean Grae – This Week: Hip-Hop da Big Apple de extrema qualidade…Para quem não conhece esta artista do underground ficará certamente surpreendido pela positiva a todos os níveis que o bom Hip-Hop exige. È proibido julgar ou antecipar toda e qualquer ideia de promoção a este álbum ou duvidar da minha imparcialidade como crítico, apenas sei ver o que é bom…Can I please get an Amen? Para os fans de Kaze, Talib Kweli, 9th Wonder, Big Pooh e Masta Ace este é um álbum constituído por uma quase perfeita simbiose de instrumentalização e tecnicismo. É impressionante o quão rigorosa Jean Grae é com os “tempos” musicais e como esta respeita a sua condição afincadamente encaixando as líricas com a melodia. O que é pedido é dado de bom grado por Grae que nos surpreende pela coragem de enfrentar instrumentais de crónico pesado e hóstil como o da faixa “Fyre Blaze”. Ao que parece, nada hà a apontar à “Emcee” de Nova Iorque, que tem andando com boas companhias musicais incutindo algum knowledge na arte dela…O único “pecado”, é o facto da possibilidade de alguns sons do álbum serem melhorados ter sido posta de fora, questão surpreendentemente bem disfarçada pelo “flow technique” de Grae. Concluo apelando aos “culture maintainers” nacionais e internacionais que continuem o trabalho fantástico visando a conservação do teor e significado do Hip-Hop…e que fique um recado aos “yeah yeah whut whut”: Não há verdadeiro Hip-Hop senão o Hip-Hop em si! Respeitem o que não é vosso e talento não se pede emprestado…projecta-se nas mais variadas maneiras… Mantenham a Paz! Por: The Frozone. Maskarilha – Mixtape Conspiração: Antes de mais, parabéns a Maskarilha pela iniciativa. Se já ver dj's a fazer mixtapes em formato normal é cada vez mais raro, então vê-los a fazê-las com improvisos é algo praticamente inexistente. A intenção era boa, de facto, mas a execução ficou bastante aquém daquilo que uma ideia destas poderia ter rendido. Talvez em Portugal ainda não haja bons freestylers (ou pelo menos suficientemente bons) para dar asas a uma ideia destas. Ou talvez até haja, e nesse caso o problema reside na selecção de mc's, que não foi a mais correcta. Mas o que realmente importa não é a origem do problema, mas a sua existência, e o que é certo é que ao longo de todo o trabalho se vão sucedendo freestyles que entre todos eles têm em comum o facto de serem inconsistentes, vazios e cheios de falhas no flow e, por vezes, até na métrica. Contudo, também há excepções, que servem para confirmar a regra. E essas excepções são Ansião (numa segunda linha), Enigma e, obviamente, Perigo Público, destacadíssimo do resto. Se Enigma, por sua vez, consegue manter um freestyle de muito bom nível (como já tinha mostrado noutras ocasiões), Dom Perigo continua a manter a fasquia bastante alta e a brindar-nos com o melhor do improviso português. No entanto, e apesar das suas falhas, todos os restantes mc's são produto da nova escola de rap (com a excepção de Xeg, de quem se esperava muito mais), tendo por isso uma grande margem de progressão pela sua frente. Mas, ainda que lhes caiba o papel principal, nem só de rappers é feita esta "Conspiração". A escolha dos instrumentais foi bastante boa, tendo a maioria deles uma qualidade notória, acontecendo o mesmo com as músicas americanas (à excepção do sueco Promoe) que integram a mixtape. Estes devem mesmo ser os dois melhores pontos de todo o trabalho, contribuindo para que este se torne audível e uma boa escolha para ouvir de forma descontraída com os amigos. Quanto a Maskarilha, pouco há a dizer. É um bom dj, que atingiu já um nível muito razoável nas misturas, sendo ainda melhor no scratch, podendo mesmo vir a tornar-se um dos turntablists de topo no panorama nacional. Por: Moisés Regalado.


Cut Chemist – The Audience is Listening O mundo é obviamente não só a fonte de inspiração deste reputado turntablist mas também o seu público-alvo com The Audience Is Listening. A crítica internacional proclamou este último trabalho como a sua afirmação definitiva e, incrível(!), estava certa. “Motivational Speaker” inaugura o álbum com o ex-Jurassic 5 a fazer suas as muitas palavras cuidadosamente retalhadas de variadíssimos contextos, oferecendo ao ouvinte um produto final que exalta a importância do DJ numa cóboiada de instrumental sem, no entanto, diminuir a seriedade com que explica a maravilha de ser DJ. “(My 1st) Big Break” mostra-nos, mais que a intro, a essência do álbum: uma grande e fenomental misturada. A par de um cheirinho a Pulp Fiction, temos um ritmo quase tribal e súbitos samples de melodia, som e voz, que separados parecem não fazer sentido, mas uma vez reunidos apresentam uma magnificência onírica. A mesma mistura improvável mas vitoriosa de melodias, samples e batidas acontece em “Metrorail Thru Space”, ao longo da qual a música se desfigura até que a mesma música é também outra música diferente. Com uma linha de fundo mais calma, a força de uma valsa e o compasso de um combóio muito, muito lento, “The Lift” é uma faixa grávida de seriedade e metamorfose – um deslizar perfeito para a faixa seguinte, “The Garden”. “The Garden”. A humildade e delicadeza das linha de “The Garden” põem-na muito perto da perfeição musical. A música abre com o dedilhar de viola, o scratch discreto do vinil e as cordas de guitarra sugerem um samba energético. Mas nem um minuto passado, a energia do samba-por-surgir é absorvida pelo longo sample de duas notas que desagua na esmagadora voz samplada da música “Berimbau” de Astrud Gilberto. A surpresa não tarda a surgir, desta vez na forma de percussão, saxofone e djambé, acompanhando a potente batida que nunca, nunca macula a fragilidade de voz e guitarra, apesar da sua natureza imponente. A mesma sonoridade vagamente brasileira está presente em “A Peak in Time”, principalmente nos samples vocais. No entanto, Cut Chemist só atinge a sua magnificência em “Spat”, quer do ponto de vista técnico, quer criativo. Chemist simula uma conversa telefónica num background jazzístico, desde uma acesa discussão até um pedido de desculpas – eis o talento de mãos em acção. “What’s the Altitude” tem uma composição mais linear, com um baixo simples e uma batida convidativa para o mc, neste caso, Hype. Hype é um mc de groove – nada de grandes skills, mas o flow e o feeling que transmite em cada palavra compensa essa falta. Já em “Storm”, Cut Chemist veste na perfeição a pele sonora de um Def Jukie. O ritmo e a batida repetitivos realçam o flow de Edan, ao passo que se ajustam a Mr. Lif como um instrumental de Mo’ Mega – com a diferença que, sendo o autor Cut Chemist, Mr. Lif soa a um mc que rima sobre um instrumental ao invés de uma parte do instrumental. O álbum despede-se com “The Audience Is Listening”, o adeus cheio de glamour e groove, deixando no ar um pedido em forma de sample vocal “Listen, listen to the music”, “Listen to this, listen to this”. A audiência está a ouvir.

Joana Nicolau para a IV Street


$e existe assunto mais que “batido” dentro do hip-hop é sem dúvida o tema do dinheiro, dos interesses e das estratégias de controlo. Mas mesmo assim nunca é de mais analisar esta questão um tanto ou quanto controversa, já que a mesma dá pano para mangas. Mas então o que é o Monopólio?! O Monopólio sim é um jogo, mas se o julgam tão simples e banal como o que se joga em tabuleiro, então decididamente serão os primeiros a ser devorados pelos verdadeiros predadores que comandam as operações. Se procurarem num qualquer dicionário da língua portuguesa qual o significado da palavra Monopólio encontram “privilégio de fabricar ou vender certas mercadorias sem concorrência de outrem”. No entanto o que vocês não encontram é que muitas das vezes para que as grandes empresas possam monopolizar um determinado segmento de mercado se fazem valer das estratégias mais vis e dos mais pérfidos truques, sem olhar a meios e muito menos a questões de ética… Um dos grandes objectivos de qualquer empresário feroz e ambicioso é o de ter poder total dentro do ramo do seu negócio. Este poder é sinónimo de um lucro muito maior e como já todos sabem… quanto mais se tem mais se quer! E não digam que não, porque todos nós temos um bichinho ambicioso que nos vai corroendo por dentro, mais a uns que a outros. E que tem isto a ver com o hip-hop? Quando o hip-hop surgiu na década de 70 nunca se imaginou que um dia chegasse ao patamar em que se encontra nos dias que correm. Se antes o hip-hop mais não era que uma maneira de juntar as pessoas num ambiente de paz, amor, união e divertimento. Se antes era uma forma saudável de contestação e ao mesmo tempo com uma forte intervenção social (basta lembrar-nos de Afrika Bambaataa e da Zulu Nation). Hoje é também um verdadeiro baú com um tesouro nada escondido, já que está bem aos olhos de todos o lucro de muitos. E se nos “States” já muitos têm luxuosas vidas à conta do hip-hop em breve talvez tenhamos nós mesmos o primeiro rico do “hip-hop tuga”. Sim, é verdade que foram muitos anos de trabalho para o conseguir. Sim, são muitos anos de hip-hop em cima das costas para saber bem como as coisas funcionam. Sim, foi preciso investir, arriscar e esperar que desse certo. Não é menos verdade que todo o trabalho, esforço e empenho é merecedor de muitos e suculentos frutos! Não há nada mais natural que se querer “adquirir” todos os artistas “topo de gama”, afinal de contas se eles são os que vendem mais são os que mais dão lucro e por conseguinte os que nos interessam. Também não há nada de errado em se ter uma rede de distribuição eficaz, quando se trabalhou para isso… Ainda por cima andam todos a dormir e à espera que as coisas caiam do céu e não fazem qualquer tipo de concorrência, oh maravilha!

Mas… (meus caros, não há bela sem senão) o que realmente é… como hei-de dizer? Pronto… vá lá… wack!!!!! É mesmo isso… WACK, é quando somos os únicos a ter uma rede de distribuição de um determinado produto e ainda nos damos ao luxo de prejudicar a distribuição dos outros, ou então boicota-los mesmo. Vou dar um exemplo para me explicar melhor… vamos fazer de conta que existem duas editoras exclusivas de livros policiais portugueses a “Editora Gatilho” e a “Bófia Livros” e vamos fazer de conta que a dona da “Editora Gatilho” tem também uma rede de distribuição a “Vou Apanhá-los Todos” que distribui os livros de todas as editoras policiais para as livrarias de norte a sul do país. E esta quando vai às livrarias apresentar as novidades põe os livros que lhe interessam (ou seja os da sua editora) em cima da mesa e por acaso deixa na mala os livros daqueles escritores com quem ela não simpatiza particularmente e que por acaso até são de editoras concorrentes acabando por prejudicar o trabalho deles. Mas no entanto sabe bem distribuir o trabalho concorrente, sempre é mais algum que entra no bolso e controla-se o mercado. Vamos agora imaginar que a “Vou Apanhá-los Todos” tem um website onde vende os livros que distribui e que existe uma livraria on-line que dá pelo nome “Livraria Bang Bang” e lhe faz concorrência através da Internet. Quê que resolve fazer a “Vou Apanhá-los Todos”? Resolve boicotar a concorrência. E como? Acaba por ser muito simples. Basta não fornecer convenientemente essa loja on-line e ela deixa de conseguir responder a todas as encomendas, as pessoas chateadas porque a “Livraria Bang Bang” não cumpre os prazos das encomendas e leva muito tempo a responder vão deixando de lhe encomendar seja o que for. A “Livraria Bang Bang” perde clientes e a “Vou Apanhá-los Todos” de forma sórdida consegue manipular as vendas conforme lhe dão jeito. Todo este eufemismo para vos ilustrar como funcionam as coisas no nosso mercado e de como quando se está dependente apenas de uma pessoas saímos todos prejudicados. Há então que criar alternativas, criar um mercado mais competitivo (desde que de forma saudável) e editoras e distribuidoras mais atractivas para os artistas, assim, como mais variedade de lojas para os consumidores! Vamos ser um pouco mais profissionais e um pouco menos preguiçosos e indolentes… se queremos ser um negócio, então sejamos um negócio de sucesso e bem conseguido e não apenas mais um negócio de fachada, cheio de jogos sujos e ardilosos e em que temos de baixar a cabeça e calar-nos porque o facto de dizer o que pensamos nos pode custar a distribuição do nosso álbum. Sejamos menos hipócritas e mais honestos… e “vamos lá embora” ser uma “famelga” numerosa e feliz! Paz! Por: Sónia Bento


Sir Scratch

IV Street: Como surgiu a ideia e a força impulsionadora que serviu de base essencial para a elaboração do Álbum, “Cinema: Entre o Coração e o Realismo”? Sir Scratch: Eu já andava hà algum tempo com vontade de fazer um álbum, mas incerto daquilo que deveria trazer ao público e se deveria mesmo só atingir um tipo de público. Fui juntando várias ideias e a que me deu um impulso maior foi a de elaborar um álbum que relatasse ou descrevesse o estado do Hip-Hop, uma espécie de narrativa, apesar de não ser exactamente o que aconteceu posteriormente mas foi daí que me surgiu a ideia de filme então o título. Mas também não era de forma alguma o meu objectivo criticar de forma muito negativa ou positiva, tinha que falar das coisas boas e más, e também incluindo a mim próprio. Se prestarem atenção existem vários temas em que fala de estados de espírito, momentos, e situações causadas por esse mesmo estado actual do rap. Em relação aos temas, capa e etc., foi tudo elaborado aos poucos sempre com o intuito de não ser algo muito apontado para um lado mas que se notasse a diversidade e o sentimento, não só nas ideias e temas mas também nas produções, nas músicas em si. Apesar de ter sido um projecto a meu ver perigoso pela velocidade a que foi efectuado, trabalhei com pessoas e artistas que demonstraram total vontade e inspiração para colaborar num projecto como este. Posso dizer que estou grato e agradecido pela forma como se trabalhou e pelo produto final. IV Street: Depois de várias participações em outros projectos ao longo dos anos, como caracterizas este teu trabalho de estreia, no que diz respeito aos temas e a sua sonoridade. Como tem sido o feedback do público em relação ao álbum? Sir Scratch: Este meu primeiro álbum posso dizer que foi algo mais maduro do que talvez algumas pessoas estavam à espera, até posso dizer que não foi um álbum muito ambicioso. Digo isto porque foi algo muito sincero, foi um álbum simples, completamente apagado e afastado de qualquer tipo de esperanças no que diz respeito a sucesso e/ou retribuições. Foi o género de coisa que as vezes ficamos de pé atrás na dúvida de revelar ou partilhar com outros: Tenho temas por exemplo sem refrões. Temas como o “Silêncio” que fala de medo, confronto, morte, solidão. O “Posições Primárias” que fala de frustração, mas em contraste temas como o “Como se fosse”, onde o mundo é quase perfeito e só resta a vontade de partilhar felicidade…até parece que não estou a falar de um álbum de rap. (Risos) Mas é isto mesmo, acho que pelo grande feedback que tenho recebido até agora faz-me pensar que o segredo é mesmo esse, sermos reais e sinceros. Foi uma maneira das pessoas que não me conheciam também terem uma ideia verdadeira de quem realmente sou, e depois então poder dar a conhecer outras facetas minhas. Mas por enquanto, as pessoas têm uma visão mais realista de quem é o Sir Scratch não somente como MC mas também como pessoa.


IV Street: Fala-nos sobre as participações que tens no álbum, tanto a nível da produção como de outros emcee’s e cantores que te acompanharam no mic. Sir Scratch: Como foi um álbum ao mesmo tempo experimental para mim, eu pretendi explorar novos talentos e sonoridades "escondidas" por Portugal. A ideia foi mesmo ter uma espécie de ponte onde começava por um lado artistas como por exemplo o M e o Lince, e passava por Sam the Kid, Condutor e acabava por Ancião. Foi uma experiência muito boa, e em relação aos MC's convidei simplesmente amigos os quais senti que faríamos uma boa parceria em determinados temas. IV Street: Feitas as contas e abordando o maior número de aspectos possíveis, como correu a “Curta-Metragem Tour”? Sir Scratch: Foi uma experiência muito boa, foi a minha primeira tournée. Nunca tinha dado tantos concertos seguidos e quase nem dormi (O Bob fala bué à noite [Risos]). Não, mas seriamente foi muito bom estar acompanhado do Bob, Salvaterra, a Tamin, Lince e o DJ Guilhotina durante esse tempo e poder mostrar o meu trabalho em várias partes do país. O concerto que talvez me marcou mais, foi o último (FNAC CASCAIS) porque estava lá a Teresa Guilherme [Risos] (estava mesmo). Mas não, foi o concerto em que houve uma ligação e química muito boa com o publico, os temas fluíram muito bem, e talvez sendo o último da tournée queria deixar uma boa impressão na despedida. Não quero falar sobre coisas negativas que decorreram, prefiro esquecê-las, supera-las e relembrar mil vezes as coisas boas e guarda-las comigo. IV Street: O que podemos esperar do Sir Scratch para o futuro? Em relação a planos discográficos, colaborações com outros artistas que tenhas em mente, o que nos podes adiantar? Uma mensagem final para o pessoal em Portugal, recados, agradecimentos, publicidade que queiras fazer, tens tempo de antena. Sir Scratch: Há muita coisa para dizer manos, tenho as informações de concertos que poderão surgir e que podem ser encontradas no www.myspace.com/sirscratch06. Estou também a preparar uma linha de T-shirts no Reino Unido chamada "Berry Davis" com Isuzo e Ferdinand Felipe, que se Deus quiser para o final do ano já poderão ver mais e saber mais sobre a mesma. O meu irmão (KapOne) já está aí com o seu disco de estreia “Transformação Total”, pela nossa editora Pluconexz records. Mais o quê? O Bob The Rage Sense é a nova bomba a explodir brevemente na Footmovin. O meu novo site é www.sirscratch.com e podem contar lá com muita informação, links e contactar-me para espectáculos, etc. Tenho mais tempo de antena? (Risos), props para o Money Mike, Jordan, Aplus aka Song Gao, Cassidys Shortclan, Pedro Miguel e Cris, o Pekeno e o coiso...esqueci-me, o Rodrigo Saraiva que também já é rapper! (Risos) Deus vos abençoe e que esta revista dure 3,4,5,6 vezes mais que a HHNation! One love. Apoiem o rap nacional e obrigado. Por: Ivo Alves.


A diferença está na sombra: O Hip-Hop, ao contrário do que muita gente dentro da própria cultura do Hip-Hop pensa, não é um género musical imutável, estático, ultra-codificado. Sem querer puxar galões de espécie alguma, sobretudo os da idade, quero no entanto explicar esta ideia dando um exemplo: já compro discos de Hip-Hop desde 1984 e as minhas ligações a esta cultura – como divulgador, editor, jornalista, etc – são bem conhecidas. Ora, por motivos profissionais tenho que contactar com alguma frequência com gente bem mais nova e é nessas situações que ouço (demasiadas vezes…) a frase “isso não é Hip-Hop” quando mostro alguns discos de… Hip-Hop. E por várias vezes isso aconteceu com discos de Dj Shadow. De facto, o Hip-Hop é muitas coisas. Muitas mais do que as pessoas que estão dentro do Hip-Hop por vezes estão dispostas a conceder. Afrika Bambaataa, quando esteve em Portugal da primeira vez, disse em entrevista que o House, o Techno, o Drum n’ Bass, o Electro eram outras maneiras de dizer Hip-Hop. Claro que esses géneros têm identidade definida e existem separados uns dos outros, mas o que Bambaataa, um dos pioneiros desta cultura (e talvez até o mais importante), quis dizer foi que o Hip-Hop, influenciou todos esses géneros, pode ter muitos sabores, muitas cores, muitas sonoridades diferentes. O som de Gang Starr é diferente do de Dr Dre que é diferente do de Wu-Tang Clan que é diferente do de Goodie Mob que é diferente do de De La Soul que é diferente do de Public Enemy que é diferente do de Valete. Alguém se atreve a dizer que algum destes nomes não é Hip-Hop? Pois é, o Hip-Hop existe de muitas e diferentes formas exactamente porque o Hip-Hop nasceu como uma celebração da diferença. Para começar, celebrou uma diferente forma de comunicar, bem diferente de cantar embora também com ritmo – o rap. O que o DJ fazia também era diferente de tudo o resto que existia na música, manipulando bocados de discos onde a bateria surgia isolada. O Hip-Hop fez questão de sublinhar logo à nascença essa ideia: era diferente. Por isso é grave que esse espaço para a diferença deixe de existir dentro desta cultura. É esse espaço de diferença que faz o Hip-Hop evoluir. E DJ Shadow é diferente.


DJ Shadow – The Outsider:

Josh Davis, verdadeiro nome de DJ Shadow, cresceu numa pequena cidade californiana com os ouvidos colados à rádio e sentiu a sua vida mudar da primeira vez que ouviu Hip-Hop. E a partir daí as suas energias concentraram-se em juntar dinheiro para comprar discos, conhecer as pessoas que na rádio tocavam a música que ele adorava, estabelecer ligações com outros apaixonados por Hip-Hop como ele. E Shadow percebeu muito cedo que o Hip-Hop era um campo imenso, com sons muito diferentes uns dos outros. E percebeu igualmente que o Hip-Hop se alimentava da própria música para existir e por isso começou a coleccionar discos de todos os géneros, incluindo o Funk que tinha sido tão importante para pioneiros como Bambaataa. Anos mais tarde, graças a mixtapes como “Brainfreeze” ou “Product Placement”, Shadow foi responsável por fazer com que se voltasse a falar de Funk e com que o Hip-Hop se reencontrasse com as suas origens. Antes disso, porém, revolucionou a música com um disco: “Endtroducing”. O álbum de estreia de DJ Shadow é uma obra-prima que dispensa as palavras dos rappers simplesmente porque é uma visão solitária de uma cultura. E como faz música sem palavras, Shadow tem que contar as suas histórias de outra maneira – usando samples carregados de alma, que soam como se de pedaços de bandas sonoras de filmes se tratatassem, tal o poder das imagens que evocam. Com “Endtroducing”, Shadow voltou a provar o que nunca se deveria ter esquecido – que o Hip-Hop é, antes de mais nada, música. O que não significa que paralelamente Shadow não tivesse investido noutros caminhos: primeiro com a crew Solesides e depois com a Quannum (Blackalicious, Lifesavas, etc), Shadow também desenvolveu trabalho com rapppers. E foi ainda mais longe: com o disco que produziu para o projecto Unkle chegou mesmo a gravar com cantores do universo do rock, como Thom Yorke dos aclamados Radiohead. Para Shadow esta música não tem fronteiras. E se por vezes pode deixar de soar a Hip-Hop na forma (conferir alguns momentos do mais recente álbum de Shadow, “The Outsider”, que é criticado aqui ao lado), nunca deixa de ser Hip-Hop no espírito. Porque antes de ser um som, antes de existir o primeiro disco editado, o Hip-Hop era uma atitude. Espero que isso não desapareça. Por: Rui Miguel Abreu, em colaboração especial para a IV Street.

DJ Shadow, o DJ e produtor que vem construindo uma extensa lista de trabalhos – entre os quais “Endtroducing” e “Private Press” – e uma ainda mais impressionante lista de colaborações nas mais diferentes áreas musicais, está de regresso em 2006 com “The Outsider”. O seu gosto pelos diferentes estilos de música nunca deixou dúvidas a ninguém, mas ainda assim as expectativas para este último álbum estavam minadas de dúvidas. As faixas divulgadas antes do lançamento do álbum confundiram e surpreenderam, deixando o seu fiel público baralhado e desconfiado, entregue à especulação. “The Outsider” confirma algumas das teorias avançadas – de facto, este álbum não surge no seguimento de nenhum dos seus trabalhos anteriores. É mais um stand alone com esporádicas referências a “Private Press” – “Backstage Girl” com Phonte Coleman (Little Brother), no seu registo mais Hip-Hop, assim como “Enuff”, com Q-Tip e Lateef – ou a “Endtroducing” – “Boken Levee Blues”, uma faixa que lembra uma sessão de Santana, sozinho com a sua guitarra, ou “Triplicate / Something Happened That Day”, slow, melancólico e sem percussão. De facto, “This Time”, a primeira faixa após a intro, pode ser interpretada como um aviso de Shadow à tripulação: “This time, this time I’ma do it my way” é uma espécie de recusa em ser rotulado como pertencendo a apenas um género musical, posição já defendida pelo artista noutras ocasiões. A própria base instrumental da faixa, a par com a restante heterogeneidade do álbum, parece apontar nessa mesma direcção. O mesmo se pode dizer de “You Made It” e “Erase You” que, apesar do breakbeat que dá a este último um fulgor muito interessante, soam quase copy&paste de Coldplay. DJ Shadow afasta-se tanto do Trip-Hop que até o punk rock é evocado, na bateria frenética de “Artifact”, ao passo que a faixa “The Tiger” conta com a colaboração de dois membros de Kasabian. No entanto, é no Hyphy (parente do Crunk sediado na Bay Area) que o álbum se focaliza. “3 Freaks”, a faixa que mais gerou polémica (para a qual contribuiu grandemente a actuação de Shadow no Lux no passado mês de Julho) é tudo aquilo que o Hyphy representa: é ritmo vibratório, é bounce ao qual não se resiste abanar o melão, é a energia de Keak da Sneak e Turf Talk em cima do palco comprimida numa faixa de 3:50 min. Nas palavras de Turf Talk, “If I can’t get in the club, the club in the parking lot!” (“Se não me deixam entrar no clube, eu trago o clube para o parque de estacionamento!”) . “Turf Dancing”, com a participação de The Federation e Animaniaks, a par com “Keep Em Close” e “Seein Thangs”, segue a mesma linha sonora, oscilando entre o Hyphy, o Crunk e o Hip-Hop. É de prever que o retorno de Shadow a Portugal, antes o fim do ano, seja recheado de uma selecção de sucessos ainda mais alargada do que seria esperado para Julho, a julgar pela profunda diversidade de “The Outsider”. É um álbum para todos os gostos mas também uma forte guinada no percurso musical de DJ Shadow – algo que pode não agradar a muitos e ser interpretado como incoerência. De qualquer das maneiras, é inequivocamente o caminho eleito pelo DJ que promete um mergulho de cabeça no Hyphy Movement em trabalhos futuros. Por: Joana Nicolau.


M.P.K.

IV Street: – Antes de começarmos gostaria de vos pedir que fizessem uma breve apresentação sobre os Movimento Perfeito (MPK). Aproveitem para fazer publicidade ao vosso site. (risos). Movimento Perfeito: – Nós somos um grupo formado por três mc’s (Pioneiro, Revoltado e Kombatente) iniciámo-nos em 2002 e desde então temos procurado fazer a nossa música sempre de uma forma tranquila e consciente. Já contamos com algumas participações em mixtapes e compilações e, encontramo-nos agora em estúdio a preparar o nosso primeiro álbum intitulado “Chamada de Atenção?, neste momento estamos um pouco afastados dos palcos para nos dedicarmos única e exclusivamente à criação do nosso primeiro rebento! Aguardem.... Para os mais curiosos podem acompanhar o nosso trabalho através dos sites www.mpk.pt.vu ou www.myspace.com/movimentoperfeito passem por lá e deixem os vossos comentários! IV Street: – O gosto pela música já vos acompanha desde “putos” ou foi algo que só depois de “crescidos” vos chamou mais à atenção? Movimento Perfeito: – Nós quando começámos, antes de formar-mos o grupo tínhamos entre 15 e 16 anos logo à partida éramos uns putos!! Foi algo que sempre mexeu connosco e procurámos na música uma maneira de crescermos de uma forma mais correcta! IV Street: – O que é que no Hip-Hop vos despertou um maior interesse? Movimento Perfeito: – O facto de o Hip-Hop ser um movimento revolucionário, deu-nos a possibilidade de exprimirmos na música aquilo que sentimos, cuspindo uma mensagem que será escutada de forma diferente e isso sim é interessante, fazer música com sentido! IV Street: – Quais foram os vossos primeiros contactos com o Hip-Hop? Há algum grupo/mc que vos tenha marcado particularmente e que vos influencie no vosso trabalho? Movimento Perfeito: – Nós temos como base sem dúvida o rap francês porque é um rap muito completo dos muitos artistas que escutamos vezes sem conta destaca-mos Sniper, Psy4 la Rime, Sinik, Mafia K1 Fry, entre outros… No que diz respeito ao panorama nacional respeitamos muito todo o pessoal da old school e todos aqueles que contribuíram para que o movimento crescesse não vamos referir nomes porque eles sabem quem são one love for all. IV Street: – Quando é que começaram a dar os primeiros passos como mc’s? Já se conheciam nessa altura ou MPK foi algo que surgiu muito depois? Movimento Perfeito: – Nós os três conhecemo-nos através de outra vertente do movimento, o graffiti, na altura todos pintávamos e frequentávamos a mesma escola, no entanto cada um começou com os seus freestyles de rua até que um dia reunimo-nos para gravarmos um som os três juntos e a cena colou demos um nome ao grupo e voilá assim surgiu os Movimento Perfeito!

IV Street: – “O papel do mc é de muita responsabilidade, é uma das vertentes que mais capta as atenções e é ele quem passa uma mensagem ao público”. Concordam com isto? Acham que os mc’s deveriam ter mais atenção em relação ao que escrevem e como escrevem? Movimento Perfeito: – Concordamos plenamente mas hoje em dia existe muita gente que ouve Hip-Hop e esquece as restantes vertentes que não deixam de ter mensagem com um igual grau de importância! Agora no que diz respeito à escrita do mc, cada um é livre de escrever aquilo que bem lhe apetecer embora achemos que o rap consciente/educativo seja muito mais positivo para o público, daí o facto de não procurarmos fazer rap em quantidade mas sim em qualidade! IV Street: – Movimento Perfeito é um nome que alguns ainda desconhecem mas que já vai sendo conhecido por muitos, qual tem sido o vosso trajecto até agora? Contam já com uns anitos de existência, têm tido muitas participações? Movimento Perfeito: – A internet hoje em dia é uma forte ajuda para grupos como nós e graças a Deus temos conseguido mesmo sem nenhum álbum editado uma grande divulgação dos nossos trabalhos e assim vão surgindo oportunidades como concertos, participações em mixtapes, compilações etc. Até hoje não nos podemos queixar e esperamos que após o álbum essas mesmas oportunidades aumentem, será um bom sinal pelo menos! (risos)


IV Street: – Na faixa “É Por Isto Que Lutamos” é claro o vosso desagrado em relação a esse tipo de pressas e outras quantas situações dentro do nosso Hip-Hop. Como seria para vocês um “Movimento Perfeito”? (risos) Movimento Perfeito: – Boa pergunta... é assim nós somos apologistas da ideia que a perfeição não existe, existem sim ideais e se respeitarmos e procurarmos atingir esses mesmos ideais atingiremos um “Movimento Perfeito”! Nessa faixa penso que o título diz tudo e exprime a nossa ideologia não querendo de forma alguma criticar o quer que seja mas demonstrar o que é que nós fazemos! IV Street: – O Hip-Hop teve nos últimos anos um crescimento estrondoso. Como vêem esse crescimento e o futuro do Hip-Hop Português? Movimento Perfeito: – É bom por um lado e mau por outro, bom porque finalmente o movimento começa a ter algum prestígio e mau porque os que lutaram para que houvesse esse mesmo prestígio sejam muitas vezes esquecidos e não tenham o valor que merecem na realidade! IV Street: – Querem deixar alguma mensagem aos nossos leitores? Movimento Perfeito: – Não deixem nunca morrer o movimento, respeitem para serem respeitados e Carpe Diem! One Love For All apoiem e valorizem o Hip-Hop que se faz na tuga! beijos e abraços... Obrigada pela colaboração, boa sorte e bom trabalho! Por: Sónia Bento. IV Street: – Há já algum tempo que andam aí a preparar um primeiro registo discográfico “Chamada de Atenção”. Querem falar um pouco sobre esse projecto? Quem participa, já há data para sair? Movimento Perfeito: – O álbum já está a ser trabalhado há algum tempo mas, nós pretendemos fazer um trabalho maduro e de certa forma diferente daí esse ?atraso?, esperemos que esteja pronto ainda este ano mas não temos a certeza portanto não vamos adiantar nenhuma data por enquanto! No que diz respeito a participações podemos apenas dizer que teremos algumas surpresas... De resto pedimos apenas que aguardem com calma e paciência porque a pressa é inimiga da perfeição! IV Street: – Vocês devem ser dos poucos artistas que levam as cenas com calma, nunca fizeram grande questão em por um álbum no mercado assim às pressas. Quando é que resolveram que já seria hora de editar algo? Movimento Perfeito: – Temos estado muito atentos ao que se passa no movimento e procuramos não tropeçar nos mesmos erros de muitos mc's, decidimos que quando fizéssemos um álbum teríamos já que ter uma certa maturidade para poder fazer um trabalho com cabeça tronco e membros não digo completo na sua totalidade mas quase completo, ou seja, quase perfeito pelo menos para nós. E, agora que já se passaram quase 5 anos (é verdade o tempo passa) de estarmos juntos seria a altura ideal de trabalhar a sério no nosso primeiro projecto!


PARKOUR PARKOUR EM PORTUGAL

O Parkour em Portugal é uma modalidade em clara expansão, sendo a comunidade de Traceurs portugueses cada vez maior. Ainda sem o tempo de treino médio dos praticantes estrangeiros, existe potencial em terras lusitanas. Talvez se entenda que o Parkour esteja a passar por fase de Moda, tal como acontece com o Hip-Hop. Mas tendo em conta que é uma actividade que requer esforço e dedicação, não só física como mental, é natural que quem esteja envolvido por moda, cedo desista, e tal como no movimento Hip-Hop, apenas os reais continuem. Também neste caso particular, os meios de comunicação social começam a dar ênfase ao Parkour, aparecendo inclusivamente em novelas, e servindo assim (bem ou mal) como forma de divulgação. Existe ainda um portal, o Parkour PT ( www.parkourpt.com/ ), onde os interessados podem recolher informações, tirar dúvidas, apresentar sugestões, estar a par de eventos ou encontros de Parkour, elementos que são úteis a quem é principiante na disciplina e quer evoluir. Estivemos à conversa com VRZ, um conhecido do circuito do Hip-Hop Nacional, que além do seu gosto pela cultura Hip-Hop e actividade como emcee se apresenta como um recente, embora dedicado, Traceur português.


ENTREVISTA AO NINJA Para os leigos na matéria, dá a conhecer a história do Parkour. O Parkour surgiu em 87 quando o David Belle começou a treinar com cerca de 15 anos de idade inspirado pelas proezas que o seu pai Raimond Belle tinha atingido. David, treinava com os seus amigos, Yahn Neutra, Sebastien Foucan, Tinaro, e Rodrigues. Uma geração que é desconhecida mas que criou as bases do que é hoje conhecido como Parkour. Com o tempo, alguns deixaram de praticar e outros investiram a fundo como foi o caso de Belle e Founcan. David criava os movimentos práticos e Founcan dava-lhes os nomes. Assim surgiu a ideia de Parkour. Ao início uma filosofia de vida com mentalidade apenas prática e com o intuito de salvar vidas.Com o tempo e com as hipóteses de contratos publicitários, Os responsáveis pela arte criaram um grupo: os Yamakasi (significa homem forte, espírito forte) com vários membros dos quais se incluíam os primos de David Belle, (Shau Belle Dinh, Williams Belle) Yanh Neutra, o próprio David Belle e Foucan. Graças aos patrocínios e ao dinheiro envolvido, estes começaram a ter interesses diferentes para o futuro da modalidade, surgindo outros nomes e grupos, e foi aqui que tudo mudou. Free Running era o nome atribuído para os "media" internacionais (julgava-se que um termo inglês seria mais fácil de pronunciar). L´art du deplacemente manteve-se para os Yamakasi, mas desta vez David Belle e Founcan já não faziam parte deste grupo, porque a proposta para se criar o filme “Yamakasi” não agradava aos mesmos, visto que a história do filme fazia com que eles parecessem criminosos. Assim, com a saída de Belle e Founcan criou-se o grupo Taori (com base no Tao do "jeet kune do" de Bruce lee), fazendo parte deste grupo David Belle, Founcan e alunos mais jovens e recentes na arte (alunos estes que fazem parte agora de uma organização de Parkour chamada PAWA) Pouco tempo depois os Taori acabaram porque as rodagens de anúncios estavam a criar discussões e intrigas. Founcan e outros partiram para Inglaterra para divulgar a arte e protagonizarem os documentários “Jump London” e “Jump Britain”, que não agradaram a David Belle que não se identificava com o que ele havia criado em França. Foi nesta altura que Parkour e Free Running se desassociaram. O Free Running passava a ter a componente estética, com a introdução de movimentos acrobáticos como mortais, flics, etc. Com estes documentários, o número de praticantes disparou e colectivos como os Urban Free Flow ganharam fama rapidamente (Vão cá estar no dia 15 de Setembro no Parque de Monsanto). Enquanto o Parkour continuava a ser prático e menos atraente visualmente. Hoje em dia o Parkour é o mais conhecido e aceite pelas comunidades de praticantes graças ao espírito nobre e altruísta que David Belle incutiu aos praticantes um pouco por todo o mundo. Foi então criada a PAWA (Parkour Worldwide Association) que tinha como objectivo ser uma associação sem fins lucrativos de divulgação do verdadeiro espírito e métodos de treino, com treinadores especializados e designados pessoalmente por David Belle. A PAWA viajou um pouco por todo o mundo nomeando representantes e correspondentes a nível nacional. (em Portugal estou eu como correspondente e o Hugo Rodrigues aka Fritado como representantes da PAWA Portugal).


PARKOUR – O PERCURSO DE UMA FILOSOFIA Para os cépticos, algo sem qualquer fundamento ou finalidade, e que na pior das hipóteses pode levar os seus praticantes a provarem a deliciosa comida dos hospitais. Para os leigos, são aqueles malucos que dão na “Floribella” que fazem saltos alucinados e que trepam telhados e muros. Mas para os verdadeiros praticantes, os Traceurs, o Parkour é algo de muito mais simbólico e profundo. É uma disciplina física, uma filosofia mental, uma forma de estar na vida. Na sua essência, Parkour é a reunião harmoniosa dos elementos físicos e mentais, que proporcionam aos seus praticantes executarem movimentos extremos, através da força, perícia e flexibilidade adormecida no interior de cada um, e que são despoletados pelas diversas capacidades humanas que pode desenvolver, com muito treino e dedicação. A nível mental, lida com o auto conhecimento das capacidades de cada um, com o respeito aos limites que delas advêm, e com a auto-confiança e controlo que o treino ajuda solidificar. A nível físico, o Parkour é essencialmente a utilização do corpo para se movimentar com eficiência, ultrapassando qualquer obstáculo à sua frente, de forma fluida e equilibrada. Onde uma pessoa normal vê um obstáculo, os praticantes deste desporto vêem hipóteses de superação, de chegar mais longe e mais alto, e essas oportunidades são concretizadas com saltos ou movimentos originais, que podem ser vistos como uma forma de analogia para os desafios que estes indivíduos enfrentam no seu dia-a-dia e que com esta mentalidade conseguem igualmente superar. HISTÓRIA E EVOLUÇÃO O Parkour como é hoje conhecido nasceu há 10 anos nos subúrbios de Paris, através dos seus fundadores David Belle e Sebastian Foucan que na tenra idade dos 15 anos encontraram algo em comum, a vontade de aliar a plena forma física com a necessidade de vencer desafios, e transformaram numa disciplina física e mental, o Parkour. O nome em si surge do termo "Parcours du Combatant", que se refere ao Método de percurso de obstáculos desenvolvido por Georges Hébert no início dos anos 20. Como todas as correntes filosóficas, também no Parkour existem opiniões divergentes sobre a sua doutrina, resultantes de factores externos e internos, e que se proporcionaram pela sua evolução e valorização ao longo dos anos. Se por um lado David Belle é apoiante de um Parkour mais prático e menos estético, fiel à sua essência. Por outro, Sebastian Foucan acredita numa modalidade mais livre, com mais componente artística e recreativa, e menos presa às suas raízes. Foi neste conflito de ideologias, que surgiu a distinção entre Parkour de David Belle e o Free Running de Foucan. Para nos fornecer uma visão mais completa sobre o Parkour como modalidade, bem como a sua história e evolução, e actual panorama em Portugal, fomos falar com Ninja, um dos mais respeitados Traceurs nacionais e representante da PAWA (Parkour Worldwide Association) em Portugal:


Há quem simplesmente não entenda o seu conceito ou finalidade do Parkour. Tu como praticante como é que contra argumentarias estas opiniões? Em relação ao "não entender" o conceito....o homem pega em tudo o que é simples, mistura-lhe dinheiro e torna-o complicado. Agora argumentar contra as diversas opiniões torna-se uma verdadeira missão impossível. O meu conselho é não se preocuparem com os outros. Treinem por gosto e o que vier é bagagem. Cuidem da vossa saúde e escutem o vosso próprio corpo. Mais uma vez refiro: primeiro ganhar força e depois sim, ganhar asas. O Parkour é a coisa mais egoísta que há, no sentido em que te preocupas só em melhorar o teu próprio desempenho, podendo também ser uma vantagem, pois o que conta é o indivíduo. Para quem se queira iniciar nas andanças da modalidade, quais os conselhos que lhes darias? Não se deve iniciar com saltos, deve-se iniciar com preparação física. Qualquer pessoa com mais de 15 anos pode começar a praticar. Treino há 1 ano, e há semanas que a minha rotina tem sido a de aumentar a minha condição física e flexibilidade, em vez de simplesmente andar aos saltos (é o que parece quando alguém observa). Uma rotina de treino de Parkour consiste num plano mais ou menos bem estruturado, de forma a que inclua muitas repetições para que se desenvolva o nível físico e se possa depois apurar a técnica, aumentando gradualmente as distâncias e alturas. Recapitulando: Primeiro ganhar massa e depois ir para os saltinhos, caso contrario... “dói-dói” no joelhinho.

Ao que parece, e um pouco à medida do que se passou com o Hip-Hop, o Parkour está-se a tornar uma moda. Qual é a tua visão sobre esse assunto? Quando realmente for conhecido, irão surgir academias e ginásios, e isso não é bom para o espírito de uma arte que tem menos de 20 anos, visto que este ainda não está bem incutido e divulgado. O objectivo do Parkour não é a competição. A única competição que um Traceur (praticante de Parkour) tem é consigo próprio para superar o medo. Um Traceur deve treinar para si próprio e não para impressionar os outros, isso pode dar origem a erros e consequentemente a lesões, para além de ser um mau princípio a ter perante a vida. Os ginásios até são bons para quem quer apenas experimentar. Por exemplo o Surf era uma cerimónia do Havai e reparem onde é que está hoje?! É uma indústria, se bem que o nível técnico graças às competições disparou, esse é o único aspecto positivo visto desse prisma.

“Primeiro ganhar massa e depois ir para os saltinhos, caso contrario... dói-dói no joelhinho”.


ENTREVISTA A VRZ Diz-nos como foi a tua entrada no Mundo do Parkour. Tive conhecimento do Parkour através de um artigo que li numa revista, mais tarde vi o “Jump Britian”, como nessa altura estava sem poder praticar qualquer desporto fui apenas procurando informação, mais tarde quando estava fisicamente apto comecei a treinar, isto por volta de Janeiro de 2006. Actualmente treino 4 a 5 vezes por semana, a liberdade que proporciona assim como a adrenalina, são viciantes, o que faz com que não sinta frustração em cada treino, uma vez que a evolução é constante, seja um movimento novo ou o aperfeiçoamento, há sempre a vontade de voltar a treinar e continuar o Parkour. As razões pelas quais me interessei por esta disciplina/modalidade foi o facto de não depender de ninguém para poder praticar, não necessitar de material, nem estar confinado a um espaço limitado. Seja qualquer o local há sempre a possibilidade de praticar e explorar novas abordagens para o mesmo obstáculo, as possibilidades são infinitas… È esta polivalência e o individualismo inerentes ao Parkour que fazem com que vá treinar e tente melhorar a cada treino. Qual é a tua visão pessoal do Parkour tanto a nível físico como filosófico? Penso que é bastante óbvio que é necessário uma boa condição física, eu pessoalmente costumo fazer 2 vezes por semana treinos apenas de preparação, quanto aos treinos de Parkour, a repetição é muito importante, procuro banalizar o movimento mas com a preocupação de aquando o faço estar concentrado ao máximo como se fosse a primeira vez, o excesso de confiança é um grande inimigo. A nível mental tento pensar no que vou fazer, elaborar uma imagem mental e avaliar todas possibilidades. Penso que é muito importante saber lidar com o medo, todos nós sentimos medo, no Parkour temos que perceber porque o sentimos e eliminá-lo. À medida que o tempo vai passando e se vai treinando, o medo vai desaparecendo e como é óbvio surgem outras inseguranças mas vão sendo cada vez mais “fáceis” de eliminar. È como em tudo… se tivermos alicerces fortes a casa não vai abaixo. Eu pessoalmente tento subir um degrau de cada vez e ir alargando os meus limites aos poucos. A percepção que temos do mundo torna-se diferente, passamos a conhecer-nos melhor tanto a nível físico como mental. Começas a observar mudanças no teu corpo e na tua maneira de estar no ambiente que te circunda. Talvez nem todas as pessoas se sintam bem com isso mas nem toda a gente tem que praticar Parkour. Se quiseres falar a um nível filosófico, penso que o Parkour dá-te uma consciência diferente do mundo e do que é realmente um obstáculo ou uma dificuldade tanto física como mental. O objectivo é a perfeição e tu sabes que a perfeição é algo inalcançável mas não é por isso que deixo de a tentar atingir. Para mim, é a forma que encontrei para praticar actividade física e sem duvida melhorar o meu auto-conhecimento assim como ultrapassar os meus limites.


E especificamente em relação ao Hip-Hop, que projectos podemos esperar do VRZ para o futuro? Presentemente estou a trabalhar no álbum com o Pródigo, o produtor está a ser o Synico e estamos a fazer este trabalho com calma já faz algum tempo. Ainda não temos data de lançamento, eu pessoalmente também não gosto de estabelecer esse tipo de datas… Posso adiantar que sairá pela Matarroa e o nome do álbum é “Dentes de Ouro e Flow de Platina” queremos uma sonoridade bem boom bap para os verdadeiros amantes e consumidores de Hip-Hop. Essencialmente estamos a fazer músicas para quem ouve e consome Hip-Hop, assumimos essa posição, talvez um pouco elitista… Cada música é tratada com individualidade e esperamos que no conjunto tenhamos um álbum de boas músicas e não, como em vários álbuns de música, um single e o resto enchimento e palha… Vão encontrar no álbum a sonoridade que nós gostamos e com a qual de certa forma “crescemos” dentro do Hip-Hop. “Pródigo e Viruz Dentes de Ouro Flow de Platina” aguardem! Queres deixar alguma mensagem para os leitores, em especial para o pessoal que está a começar no mundo do Hip-Hop e também para os que se estão a iniciar no Parkour? Para quem está a começar no Hip-Hop, a minha mensagem é que vão com calma e não sejam demasiado impulsivos em querer mostrar o que fazem, a primeira apresentação é muito importante, posso falar no caso de emcee’s, se eu ouvir um emcee novo e não curtir minimamente, podes ter a certeza que não vou ter curiosidade em ouvir o que ele fez anos mais tarde… A primeira impressão é importante portanto tenham calma, sejam muito autocríticos (tenham consciência das vossas falhas e corrijam isso) e acima de tudo originais. Quanto ao pessoal que esta a pensar começar Parkour, tenham consciência dos vossos limites e não exagerem porque o corpo é a única “ferramenta” que se utiliza no Parkour e se dás cabo dela podes nunca mais voltar a praticar. Auto-conhecimento, consciência e muita disciplina são as chaves para conseguir seja o que for. Por: Ivo Alves.


Herdade da Casa Branca, 3 de Agosto de 2006. 20h30 Quem estava à espera que a participação do Hip-Hop chegasse só depois da uma da manhã da primeira noite, que se desengane. A meio da animada actuação dos ‘’Gaiteiros de Lisboa’’ junta-se a eles PacMan dos Da Weasel para provar que a paz em R.A.P. pode ser cantada versatilmente por cima até dos mais inesperados instrumentais. O resultado teve sucesso duplamente: para os que estavam em cima do palco, e fora dele. 1h20 era a hora marcada para a cabeça de cartaz deste dia: Afrika Bambaataa. Devido a falhas técnicas e da coordenação da organização de ambas as partes, o disco só começou a girar cerca de uma hora depois do previsto. Mas para o público que não conseguiu estar presente em Abril de 2005 na discoteca Lux em Lisboa, a espera passou quase ao lado. Afinal de contas era SÓ o Deus-avô da cultura Hip-Hop e pai do Electro Funk, que estava ali, a tão poucos metros de distância! Bam (como é afectuosamente conhecido) manteve sempre a calma até começar os seus tão ansiosamente respeitados breakbeats. Como responsável da difusão desta cultura, Bam tornou visível o ‘’comum’’ do variado público que se aproximava do palco Planeta SW, fossem eles nascidos em 70, 80 ou 90. O porquê disso está no reconhecimento da variedade de estilos misturados plo Dj, desde o Funk, Freestyle Latino, Miami Bass, Electrónica, House, Hip House, Techno,Go-Go, Soca, Salsa Reggae, Rock, Jazz e música Africana, que vão ao reencontro não só dos aficcionados da cultura hiphop, mas de todos os que sabem sentir boa música. Foram vários os Hits que passaram por ali, mas o culminar da performance foi mesmo quando foram chamados ao palco os bboys e bgirls presentes. Sem demora, alguns dos 12Macacos subiam pelo palco acima com uma fome de usar o máximo de chão possível e no timming certo. Quanto a b-girls só mesmo a Puffy para ‘’tentar’’ representar o lado feminino. Depois deste momento de euforia entre o público e os bboys, a versatilidade do Dj passou dos hits aos remixes do tão badalado funk brasileiro, e sons mais recentes/comerciais como ‘’Control myself’’, ‘’1,2,Step’’ e ‘’Girls’’, para então voltar aos clássicos dos Jackson Five. O sumo de duas horas valeu não só para quem esperou mas também para quem espera por um regresso do avô Bam (respect!)

Herdade da Casa Branca, 5 de Agosto de 2006 20h00 É Boss AC quem abre o apetite aos aficionados para um prato de hiphop a acompanhar com R&B. Mas antes, para o couvert, um cover de ”A Barca’’ (Madredeus)! Sempre (muito bem) acompanhado pela sua banda e o convidado tão especial Gutto, o MC marca a presença de ritmo, amor e palavras, nos temas mais e menos recentes como: ‘’HipHop don’t stop’’, ‘’Diñero’’, ‘’Paz e amor – good vibes’’ e ‘’Baza baza’’. ‘’Princesa’’, foi sem dúvida o melhor tempero a adicionar, ou não fosse este o single de sucesso com vendas superiores a 20 mil unidades! Privilegiada, a Herdade da Casa Branca foi pano de fundo onde decorreu o sucesso deste fenómeno. 21h00 Visualizem uma mesa e não um palco. De seguida, quantidade e qualidade 2 em 1! É isso mesmo: Marcelo D2 e os seus músicos vieram para, como repetia o ex Planet-Hemp, ‘’Fázê bárulho, porrá’’! Começaram por aquecer os olhares e ouvidos da plateia com o beatbox de Marcelo D2 e DJ’ing aprovados. O ‘’hipihópi’’ brasileiro cantado por cima de samplers de samba e bossa nova envolvidos pela coesa batida de hiphop, transformavam cada actuação numa mina de energia, boa disposição e atitude. O recheio esteve sem dúvida no rap improvisado e claro no beatbox de Fernandinho! Ah moleque!! Para terminar não foi preciso andar ‘’Á procura da batida perfeita’’, inspirada no sucesso de Afrika Bambaataa ‘’Looking for the perfect beat’’. É nesta frase que Marcelo D2 encontra o ponto alto da sua carreira, e que confessa ainda não ter alcançado. Por: Teresa Vieira



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