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Uma Publicação da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) ANO 2, Nº 2, SALVADOR, BAHIA

Acesso ao Mercado Governo da Bahia celebra o patamar alcançado pela agricultura familiar com o acesso de produtos a diversos segmentos do mercado.


2020

O ANO QUE DESAFIOU A TODOS


C

om grande satisfação, apresentamos a Edição nº 2 da Revista Bahia Produtiva. O ano de 2020 foi de grandes desafios, sobretudo com a saúde coletiva em todo mundo. Pessoas, empresas, instituições e governos tiveram que se adaptar às mudanças e colocar em curso estratégias para garantir a continuidade da vida, do trabalho e, também, das políticas públicas.

Na Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado (SDR) não foi diferente. Nos desdobramos para assegurar a saúde de colaboradores e de nossos beneficiários e parceiros sem perder o ritmo da execução das ações e dos projetos. As organizações da agricultura familiar e as populações tradicionais do campo tiveram, também, que se reinventar para continuar produzindo alimentos saudáveis e sustentáveis que chegam à mesa dos baianos e baianas. E neste cenário desafiador, sob vários aspectos, o Projeto Bahia Produtiva, resultado do Acordo de Empréstimo entre o Governo da Bahia e o Banco Mundial, continuou firme com o objetivo de seguir transformando o rural baiano, investindo na profissionalização da gestão, na assistência técnica, na implementação de agroindústrias, e no abastecimento de água. Em 2020 chegamos à marca de 1.258 organizações sociais e produtivas apoiadas, com investimentos que somam R$ 554,4 milhões. Foram implantados 80 sistemas simplificados de abastecimento de água. Nesta nova Edição da Revista Bahia Produtiva nos dedicamos a compartilhar com vocês um breve balanço do que fizemos até agora para atender as principais cooperativas da agricultura familiar da Bahia. A Revista vai levar até vocês uma leitura prazerosa, apresentando os desafios e sucessos de algumas organizações apoiadas diretamente pelo Projeto, com objetivo de acessar mercados para seus negócios. Assim, convidamos a todos para conhecer um pouco mais sobre os produtos da agricultura familiar baiana e como eles chegam às nossas mesas. Esperamos que se conecte com as histórias contadas aqui e com o sabor de cada produto. A agricultura familiar hoje está na feira local, nos supermercados, nos restaurantes e nas escolas, está presente no nosso dia a dia. E não esquece, depois de ler, aproveita e vai logo comprar as delícias que a agricultura familiar da Bahia produz. O seu consumo ajuda a mudar o mundo.


Inovação. É ESSA A PALAVRA QUE DEFINE O BAHIA PRODUTIVA

O Projeto, que tem como principal objetivo o aumento da integração cooperativas e associações da agricultura familiar com o mercado, precisou romper com antigos paradigmas para responder a esse grande desafio. E assim fez. Depois de cinco anos, é comum ouvirmos de beneficiários, da equipe técnica e, também, da rede de parceiros do Projeto, expressões como profissionalização da gestão, planos de negócios, alianças produtivas, necessidade de capital de giro, vendas on-line, gestão de branding, certificações, e assim por diante. Essas expressões fazem parte de um conjunto de novas metodologias assumidas pelo Projeto como condição para que as organizações produtivas apoiadas possam se posicionar de forma mais competitiva no mercado que atuam. Essa busca pela profissionalização da gestão dessas organizações fica evidente quando vemos os resultados que já alcançaram. Como o aumento da oferta de produtos de base sustentável (podemos visualizar nesse mapa produtos orgânicos, produtos da sociobiodiversidade baiana, alimentos produzidos por povos e comunidades tradicionais). Ou, ainda, o aumento dos canais de comercialização, sobretudo com o mercado privado, por meio de indústrias (não só de gêneros alimentícios, mas também de cosméticos), empresas do setor varejista (grandes redes de bandeira internacional e de médias e pequenas escala, que atuam na Bahia), distribuidores que sustentam essas redes e povoam as gôndolas e vitrines de todo o Estado com produtos da agricultura familiar. Além de lojas e


iniciativas próprias para venda direta, como plataformas de e-commerce que se mostraram muito assertivas no ano de 2020, onde o comércio on-line representou uma significativa parte da receita dessas organizações. A busca pela profissionalização da gestão dessas organizações produtivas fica evidente quando vemos os resultados que já alcançaram: aumento da oferta de produtos de base sustentável e aumento dos canais de comercialização, sobretudo com o mercado privado (indústrias, pequenas e grandes redes de supermercado, plataformas de e-commerce). As prateleiras e gôndolas estão hoje recheadas de produtos da agricultura familiar. Os avanços e o desempenho das organizações da agricultura familiar, seja na produção ou comercialização dos produtos, passa, necessariamente, pelo apoio na sua infraestrutura e acompanhamento técnico especializado. E o Projeto Bahia Produtiva inovou, garantido não só a assistência técnica para a unidade de produção familiar, mas, também, elaborando o plano de negócios e apoiando a gestão, permitindo que estas organizações assumam um protagonismo maior junto ao mercado. Enfim, o que podemos observar como resultado dessa política de profissionalização da gestão de cooperativas e associações financiadas pelo Projeto é uma aproximação com o consumidor final. Não somente através de um único canal de comercialização, mas adotando uma estratégia de diálogo com várias formas de parceiros, sejam

pequenos ou grandes compradores, que apostam na qualidade, sabor e na sustentabilidade ambiental, social e econômica que os produtos da agricultura familiar possuem. Essa estratégia de valor adotada pelo Bahia Produtiva, tendo a relação com os compradores como elemento essencial, é absolutamente inovadora em se tratando de políticas públicas. Ainda há muito para ser realizado. Consolidar a estratégia requer tempo para amadurecimento dos processos junto às cooperativas e associações e na estrutura pública. O reforço à consolidação da imagem e valores que cercam os produtos da agricultura familiar é um caminho ainda em desenvolvimento, com muitos desafios pela frente. O Projeto Bahia Produtiva é parte da solução. Contribui, sobretudo, com mudanças no comportamento e nos processos de gestão de boa parte das organizações produtivas, apoiando financeiramente para que modelos de negócios mais sustentáveis possam ser adotados por essas organizações. Não só na implementação de suas agroindústrias e no financiamento de insumos agrícolas, mas na adoção de melhorias nos processos de gestão. Essa é uma das maiores inovações que o Projeto incentivou em cooperativas e associações: a busca de resultados a partir dos seus negócios, a partir da profissionalização dos seus processos. Uma verdadeira mudança de comportamento.


BAHIA PRODUTIVA Uma publicação anual do Projeto Bahia Produtiva executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado da Bahia (SDR). Março 2021 GOVERNADOR Rui Costa VICE-GOVERNADOR João Leão

FOTOS André Fofano André Frutuôso Marcílio Cerqueira Carla Ornelas EDITORA ASSISTENTE Marta Medeiros TEXTOS Karoline Meira

SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO RURAL DO ESTADO DA BAHIA Josias Gomes

COLABORADORES Ivan Fontes Guilherme Martins Ovídio Souza

CHEFE DE GABINETE Jeandro Ribeiro

PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO P55 Edição – André Portugal e Marcelo Portugal

DIRETOR-PRESIDENTE DA COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO E AÇÃO REGIONAL (CAR) Wilson Dias

IMPRESSÃO CGA Gráfica e Editora

DIRETOR-GERAL José Adroaldo de Almeida COORDENADOR DO PROJETO BAHIA PRODUTIVA Fernando Cabral EDITORA-GERAL Silvia Costa

TIRAGEM 1 mil exemplares gratuitos. Venda proibida ENDEREÇO Sede do Bahia Produtiva /CAR Av. Luiz Viana Filho, 250 - Conjunto Seplan, CAB CEP: 41745-001 / Salvador – Bahia Telefone (71) 3115 3941


Sumário COOPERACAJU / 48

COPESSBA / 90

COOPERSABOR / 08

COOPERPARAÍSO / 56

COOPERBAC / 96

ABPAGI / 16

COOPFESBA / 62

COOPERCUC / 104

REPESCAR / 24

COOPES / 70

COOPERSERTÃO / 112

COOAP / 32

COOPIATÃ / 78

COOPAITA / 118

COOPAG / 40

COPIRECÊ / 84

COOPATAN / 124


COOPERSABOR COOPERATIVA INOVA COM PRODUTOS DERIVADOS DO LICURI E AMPLIA MERCADO

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em alguém que ainda acha que licuri é coco pequeno? Cooperativas da agricultura familiar baiana provam que essa expressão já é coisa do passado. Com uma feroz concorrência entre produtos e marcas e um comércio cada vez mais globalizado, pensar em inovação é quase uma obrigação e a agricultura familiar vem surpreendendo a cada dia. Na Cooperativa Regional de Agricultores Familiares e Extrativistas da Economia Popular e Solidária (Coopersabor), o processo de beneficiamento da amêndoa do licuri resulta na fabricação do azeite de


licuri, do óleo para uso como matéria-prima para a indústria cosmética, de biscoitos, cocadas, geleias, balas e até mesmo do chopp e da cerveja de licuri. É uma variedade que mostra a versatilidade e grandiosidade desse fruto nativo da Caatinga. A bala de licuri, feita a partir da amêndoa do licuri selecionada pelos agricultores da Coopersabor, de forma solidária, justa e comunitária, é um dos principais produtos comercializados pela cooperativa. Na sua composição, o produto contém, além do licuri, banana, traços de suco de limão e açúcar demerara. É um produto sem glúten e lactose, capaz de atender às demandas dos consumidores, com ou sem restrições alimentares. A chef de cozinha Rosa Gonçalves, da Casa Dona Rosinha, é uma entusiasta dos produtos da cooperativa, que são utilizados em sua cozinha, nas suas aulas de culinária e gastronomia e, tam-

bém, comercializados na sua loja: “Falar da Coopersabor é falar de sustentabilidade, agroecologia, extrativismo, desenvolvimento da economia local e, para mim, em particular, é falar de uma cooperativa que oferece para o meu trabalho ingredientes de excelência. No cuscuz, mingau, galinha caipira, bolos, pães, farofas e cremes de frango, uso o coquinho ou o leite do licuri para

“Falar da Coopersabor é falar de sustentabilidade, agroecologia, extrativismo, desenvolvimento da economia local e, para mim, em particular, é falar de uma cooperativa que oferece para o meu trabalho ingredientes de excelência.” Rosa Gonçalves

chef de cozinha, da Casa Dona Rosinha.


COOPERATIVA REGIONAL DE AGRICULTORES FAMILIARES E EXTRATIVISTAS DA ECONOMIA POPULAR E SOLIDÁRIA

deixar esses pratos mais saudáveis e com sabor especial. Em molhos para saladas, grelhados e refogados, utilizo o azeite de licuri”. Mas, para Rosa, as balas de licuri têm um lugar cativo: “É uma opção para lanches, sobremesas e decoração de bolos. A balinha tem um sabor inesquecível, agrada adultos e crianças, mas, principalmente, simboliza como o extrativismo e o uso de alimentos que a natureza nos oferece podem resultar em produtos que geram renda para inúmeras famílias, fortalecem a agricultura familiar e empoderam famílias do campo. Cada vez que uso uma balinha de licuri e os outros produtos da Coopersabor, sinto

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alegria por saber que estamos fortalecendo os processos de produção e comercialização justos”. Cerveja de licuri – uma inovação para o segmento Outra inusitada e saborosa forma de se utilizar a amêndoa do licuri como matéria-prima ou insumo é a produção da cerveja de licuri. No estilo blond ale, as cervejas de licuri da Coopersabor são leves, pouco maltadas, lupuladas, podendo atingir sabores que variam do baixo ao médio amargor. De coloração amarelo-claro até o dourado, seu teor alcoólico pode variar entre 3,8% e 5,5%.


O educador e pesquisador Alberto Viana é consumidor da cerveja de licuri desde o seu lançamento: “A cerveja de licuri Monte Sabores faz parte do meu consumo habitual. É a que mais consumo dentre as cervejas de frutos da Caatinga, pelo seu sabor marcante de licuri, que permite uma experiência ecogastronômica peculiar, pois nos remete ao ambiente, à cultura, ao clima e à força do Sertão, ao tempo que proporciona sabor, frescor e aroma de agradável perfume. Costumo harmonizar com um filé de tilápia frito no azeite de licuri ou com uma carne de bode assada na brasa com ervas da Caatinga”.

O presidente da Coopersabor, Charles Costa, conta que antes da fabricação de produtos como a bala de licuri e a cerveja, as vendas só eram realizadas na região: “Com produtos inovadores no sistema produtivo do licuri, a gente teve maior valorização no mercado e, com isso, um melhor aproveitamento da palmeira na região. A cooperativa vem trabalhando para transformar, cada vez mais, esse fruto em alimento, mas também de olho para atender às demandas do mercado”. A cooperativa atua nos municípios da região semiárida baiana: Monte Santo, Itiúba, Cansanção,

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COOPERATIVA REGIONAL DE AGRICULTORES FAMILIARES E EXTRATIVISTAS DA ECONOMIA POPULAR E SOLIDÁRIA

Capacidade de beneficiar mais de

300 toneladas da amêndoa por ano.

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Nordestina, Andorinha, Senhor do Bonfim e Jaguarari. Atualmente, possui 90 cooperados, que fornecem a amêndoa do licuri à cooperativa, com capacidade de beneficiar mais de 300 toneladas da amêndoa por ano, gerando um faturamento anual de R$ 1 milhão. Organização promove melhoria de renda Fundada em 2014, a cooperativa surgiu como alternativa para trazer uma nova visão à produção dos frutos nativos do licurizeiro, pois só se produzia o licuri com a finalidade de produzir sabão. O baixo valor pago pela amêndoa aos extrativistas pelos atravessadores era, na ocasião, cerca de R$ 0,50/Kg. Hoje, com a mudança de estratégia quanto à utilização da amêndoa do licuri, a cooperativa compra o quilo ao preço de R$ 10, podendo variar a depender da qualidade do produto. O beneficiamento e o uso da amêndoa para outras finalidades e produtos agregaram valor e possibilitaram um novo cenário aos agricultores, ampliando as perspectivas de geração de renda para milhares de extrativistas e quebradeiras de licuri. José da Silva Reis é cooperado da Coopersabor desde sua fundação e menciona o quanto é visível a mudança na vida dos agricultores na região: “Inicialmente, os agricultores trabalhavam individualmente e não se uniam para tentar resolver um problema comum, que era o da comercialização e ficavam nas mãos de atravessadores. Com a organização desses agricultores na cooperativa, houve uma evolução grande, e a inovação, com produtos diferenciados, trouxe mais valorização para o licuri e, consequentemente, valorização da planta e organização do sistema produtivo. Entramos no mercado e hoje somos reconhecidos”. Nova perspectiva para a amêndoa do licuri A Associação Comunitária Terra Sertaneja (Acoterra), filiada à Coopersabor, recebeu do governo estadual um investimento da ordem de R$ 1,7 milhão, via projeto Bahia Produtiva, da Companhia de

Faturamento anual da Coopersabor

R$ 1 milhão 13


COOPERATIVA REGIONAL DE AGRICULTORES FAMILIARES E EXTRATIVISTAS DA ECONOMIA POPULAR E SOLIDÁRIA

Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vínculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), cofinanciado pelo Banco Mundial. Os recursos estão sendo aplicados na implantação da Unidade de Beneficiamento e na produção do óleo do licuri, com novos equipamentos, a exemplo da máquina de despelar, responsável pela separação do pelo e da casca do licuri. O pelo separado será utilizado em ração para animais e os 50% de casca que ficam como resíduo, antes descartados, serão destinados a uma fábrica de cimento de Campo Formoso, para a utilização nos fornos, em substituição à lenha de madeira. Também estão sendo investidos pelo Governo do Estado R$ 1,2 milhão para a revitalização da unidade de beneficiamento de frutas da cooperativa. Os re-

cursos serão aplicados na pavimentação do entorno da fábrica, construção de um sistema de armazenamento e tratamento de resíduos, aquisição de túnel de congelamento para polpa e desenvolvimento de rótulo e embalagens para os produtos. Charles destaca que, com a chegada do Bahia Produtiva, já é possível verificar melhorias na vida da cooperativa e dos cooperados e cooperadas: “Foi graças a essa parceria que participamos de eventos em locais de grande público, como a SuperBahia, em Salvador, e a Naturaltech, em São Paulo, que nos possibilitaram trocar experiências e fazer contatos comerciais, além do aporte financeiro para apoio logístico e divulgação dos nossos produtos em redes sociais e em matérias jornalísticas, veiculadas em todo o estado”.


R$ 2,9 milhões investidos na implantação da unidade de beneficiamento e aquisição de novos equipamentos, a exemplo da máquina de despelar.

A Coopersabor atua também no sistema produtivo da ovinocaprinocultura, tendo em vista a diversificação da produção dos agricultores familiares cooperados. Na cooperativa, estão sendo investidos R$ 1,9 milhão na construção de abrigos rústicos para o rebanho, implantação de cisternas, aquisição de máquinas e equipamentos e de reprodutores caprinos. Onde encontrar os produtos da Coopersabor Atualmente, os produtos derivados do licuri são comercializados em todo o Território do Sisal e na capital baiana, no Centro de Economia Solidária (Cesol) dos shoppings Salvador e Salvador Norte; no Shopping Iemanjá; na Cesta do Povo das Sete Portas e na plataforma digital da startup Escoaf (www. escoarbrasil.com.br). As vendas também são realizadas para Aracaju e São Paulo. A Coopersabor possui também três lojas da rede Monte Sabores, nos municípios de Monte Santo, Itiúba e Nordestina, que apresentam à comunidade a produção agrícola, justa, solidária e saudável, dos grupos apoiados pela cooperativa. A rede de lojas conta com a parceria da Associação Regional dos Grupos Solidários de Geração de Renda (Aresol).

Cooperativa Regional de Agricultores Familiares e Extrativistas da Economia Popular e Solidária – Coopersabor Município: Monte Santo Território: Sisal Telefone: 75 3275-1881 E-mail: coopersabor. comercial14@gmail.com Rede Social: @montesabores05 Cooperados: 90

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PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL DE BIOJOIAS É APOSTA DE AGRICULTORES DO BAIXO SUL

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m todo o mundo, os consumidores estão cada vez mais exigentes e seletivos, buscando produtos fabricados de forma consciente, a partir de critérios de respeito e preservação socioambiental e sustentabilidade. Isso também ocorre com o universo da moda e de acessórios. Daí a procura pelas biojoias. De acordo com o Relatório de Inteligência do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae, o mercado de biojoias tem grande potencial e está em expansão, seguindo a tendência de consumo por artigos feitos a partir de recursos naturais, com extrativismo sustentável e processo produtivo que preserve a biodiversidade. Seguindo essa tendência de mercado, a Associação Beneficente de Pesca e Agricultura de Ituberá (Abpagi), localizada no Baixo Sul baiano, com sede no município de Ituberá, vem se destacando pela produção de biojoias, com matéria-prima natural


extraída de forma ambientalmente sustentável. A associação também se destaca na produção de artesanato de piaçava. Em 2020, a Abpagi conseguiu faturar R$ 462,4 mil, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas por conta da pandemia. As biojoias da Abpagi são acessórios de moda produzidos a partir de matérias-primas naturais, do coco da piaçava e sementes de seringueira, além de outras sementes extraídas da Mata Atlântica local. São elaboradas com insumos genuinamente brasileiros, valorizando sua iconografia e os elementos culturais e ancestrais de povos e comunidades tradicionais. A partir daí, brincos, colares e pulseiras são produzidos por agricultoras familiares baianas, para, em seguida, acessarem os mercados e, assim, ganharem o mundo. A iniciativa conta com a parceria da Michelin, uma das principais fabricantes de pneus do mundo,

O programa Arte Sustentável Michelin Ouro Verde Bahia contemplou, desde a formação das artesãs, pela designer de biojoias amazonense Maria Oiticica, até o processo de comercialização das peças.

Faturamento em 2020 da Abpagi

R$ 462,4 mil 17


ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DE PESCA E AGRICULTURA DE ITUBERÁ

por meio do programa Arte Sustentável Michelin Ouro Verde Bahia, coordenado pelo Centro de Estudos da Biodiversidade Michelin, que vem contribuindo com a conservação da biodiversidade da região e desenvolve importantes pesquisas, além do trabalho de educação ambiental com comunidades rurais e escolas da região. De acordo com a responsável pelo Arte Sustentável Michelin Ouro Verde e pelo programa de Educação Ambiental Michelin, Mônica Pereira, o trabalho desenvolvido pela Abpagi é feito por um grupo que tem compromisso e seriedade na região, e que, com o apoio do Bahia Produtiva, o projeto da Michelin foi potencializado: “A experiência tem sido muito positiva. Todos se adaptaram às novas tecnologias, mesmo a distância, devido à pandemia. Estamos muito felizes com os resultados alcançados até o momento e ansiosos pela possibilidade da comercialização de peças feitas em nossa região e em diversos locais do país e do planeta”.

Alternativa de negócios para a juventude A parceria resultou também na diminuição da evasão de jovens da zona rural, que passaram a ter alternativas de geração de renda nas suas próprias comunidades. A jovem artesã da Abpagi, Danila de Jesus, por exemplo, conta empolgada sobre o trabalho que vem desenvolvendo: “Ver o nosso trabalho ser reconhecido dessa forma nos dá ainda mais vontade de trabalhar. Estamos com altas expectativas. É um projeto que vai trazer mais renda para a gente, além de valorizar nosso trabalho e nossa região. Nossas biojoias serão conhecidas nacional e internacionalmente. Estamos muito felizes”. O programa Arte Sustentável Michelin Ouro Verde Bahia contemplou, desde a formação das artesãs, pela designer de biojoias amazonense Maria Oiticica, até o processo de comercialização. As peças produzidas serão comercializadas pela grife em todo o país e em suas parcerias no exterior, neste ano de 2021.

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O artesanato como atividade geradora de renda Além das biojoias, a piaçava também é alternativa de renda na produção de artesanato. A Bahia é responsável por 90% da produção nacional da fibra e as regiões do Sul e Baixo Sul do estado da Bahia são as que mais produzem piaçava no Brasil. Em Ituberá, a fibra da piaçava se tornou uma importante alternativa de renda para mulheres da região, que transformam a matéria-prima em artesanato. Cestos, suporte para pratos e panelas, quadros e bolsas, entre outros produtos, são vendidos em Salvador, em ações de comercialização potencializadas pela Fábrica Cultural, projeto da cantora Margareth Menezes, e em varejos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

“Ver o nosso trabalho ser reconhecido dessa forma nos dá ainda mais vontade de trabalhar. Estamos com altas expectativas. É um projeto que vai trazer mais renda para a gente além de valorizar nosso trabalho e nossa região. Nossas biojoias serão conhecidas nacional e internacionalmente. Estamos muito felizes”. Danila de Jesus Artesã da Abpagi


ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DE PESCA E AGRICULTURA DE ITUBERÁ

O látex é outra opção de mercado A parceria com a Michelin não se consolidou apenas no campo das biojoias. A associação passou também a comercializar para a empresa o látex extraído das seringueiras. Mensalmente são comercializadas 30 toneladas do produto. O látex está sendo vendido ainda para a Agro Industrial Ituberá, empresa com atuação no beneficiamento de borracha natural. São produzidas, por mês, aproximadamente, 20 toneladas do produto, conhecido no Brasil como GEB 10, ou Granulado Escuro Brasileiro do tipo 1. O látex coletado em seringais de vários estados, por meio de um rigoroso processo de beneficiamento – hidratação, granulação, lavagem e secagem -, é transformado em um produto de elevada qualidade.

Investimentos viabilizam o empreendedorismo A Abpagi, criada em 1985, até o ano de 2015, só trabalhava na área beneficente com ações sociais. Com a chegada do Bahia Produtiva, o cenário mudou e a associação vislumbrou novas oportunidades e perspectivas de atuação. Tornou-se geradora de emprego e renda para a região, com aproximadamente 800 postos de trabalho gerados para agricultores e agricultoras. Hoje, apoia 120 cooperados e cooperadas de toda a região. O projeto foi responsável pela implantação de uma unidade de Fabricação de Artesanato de Piaçava, com foco em biojoias e similares. Foram investidos R$ 415,3 mil em máquinas e equipamentos para que as produções de fibra e do coco da piaçava, das próprias comunidades, pudessem ser beneficiadas. Investiu-se também em um veículo utilitário para escoar a produção das peças e em barracas padronizadas, para a exposição dos produtos em feiras e eventos. Também foram investidos R$ 192,2 mil no fortalecimento e promoção dos produtos, com oficinas para treinamento na fabricação de biojoias, além de embalagens.


“O Bahia Produtiva mudou a vida de toda a região. Foi a realização do sonho de muitos agricultores familiares, quilombolas e extrativistas”. Domingos Conceição Presidente da Abpagi

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ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DE PESCA E AGRICULTURA DE ITUBERÁ

R$ 1,5 milhão investido na aquisição de máquinas, equipamentos, veículos utilitários e capacitação dos associados.


De acordo com o presidente da Abpagi, Domingos Conceição, o Bahia Produtiva possibilitou o acesso da associação ao mercado: “Foi graças a esse apoio que estamos gerando renda, a partir de produtos que respeitam e valorizam o meio ambiente. Que conseguimos começar a desenvolver nossos produtos e que estamos equipados e preparados para ter a oportunidade de fechar parcerias com essas empresas. O Bahia Produtiva mudou a vida de toda a região. Foi a realização do sonho de muitos agricultores familiares, quilombolas e extrativistas”. A associação também foi contemplada pelo Bahia Produtiva no segmento da piscicultura. São R$ 973,7 mil destinados à aquisição de embarcações, unidades de beneficiamento, máquinas e equipamentos, instalação de câmaras frias e veículo utilitário com baú refrigerado para viabilizar a atividade na região. A associação cultiva siri, aratu, caranguejo, ostra e peixes como robalo, vermelho, tilápia, tambaqui, tambacu e pacu, vendidos na região e entregues na capital baiana sob encomenda. Onde encontrar os produtos da ABPAGI O artesanato da Abpagi é vendido pela startup Escoaf (www.escoarbrasil.com.br).

Associação Beneficente de Pesca e Agricultura de Ituberá - Abpagi Município: Ituberá Território: Baixo Sul Telefone: 71 99863-2352 E-mails: abpagi@hotmaiil.com/ abpagipesca@gmail.com Rede Social: @Abpagiitubera Cooperados: 120

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REPESCAR AGRICULTURA FAMILIAR SE REINVENTA E ADOTA NOVAS ESTRATÉGIAS DE COMERCIALIZAÇÃO PARA PRODUTOS DA PISCICULTURA EM SALVADOR

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m 2020, apostar no serviço de delivery se tornou uma necessidade, tanto para diversos estabelecimentos comerciais venderem seus produtos, quanto para o consumidor pedir e recebê-los, com segurança e sem sair do conforto de casa, por meio de aplicativos de celular. E a agricultura familiar baiana, por meio de suas associações e cooperativas, atenta a essa nova tendência, buscou se estruturar para continuar levando à mesa dos baianos alimentos saudáveis e de qualidade. Para isso, adaptaram-se a essa nova realidade dos negócios, adotando o sistema delivery como uma de suas estratégias de comercialização. Segundo dados do Statista, portal on-line de estatísticas, o uso de aplicativos – apps de delivery deu um salto e o download desses apps cresceu mais de 120%, quando comparado ao ano de 2019 no país. Em 2017, 47% dos usuários de smartphone afirmaram usar aplicativos para pedir comida.


Esse número saltou para 72% em 2020. A tendência é que esse número cresça ainda mais. A Cooperativa dos Pescadores e Marisqueiros de Vera Cruz (Repescar), localizada na Ilha de Itaparica, foi umas das organizações produtivas que adotou a estratégia de venda delivery como alternativa de comercialização. Hoje, é possível comprar via delivery os mariscos catados - caranguejo, siri, chumbinho, aratu, ostra, e polpa de peixe –, os petiscos artesanais - coxinha de bacalhau e peguari, o bolinho de siri e o camarão das paradisíacas águas da Baía de Todos-os-Santos. Os produtos possuem o Selo de Inspeção Estadual (SIE).

O serviço de delivery oferecido em 2020 trouxe um aumento de 30% nas vendas.

A produção da cooperativa hoje é de três toneladas por mês de pescados e mariscos e atende a demandas de consumidores, restaurantes da alta gastronomia de Salvador e ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O serviço de delivery oferecido no ano de 2020 trouxe um aumento de 30% nas vendas.

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COOPERATIVA DOS PESCADORES E MARISQUEIROS DE VERA CRUZ

A cooperativa, formada por 73% de cooperadas mulheres, beneficia a produção de

400 famílias de marisqueiras e pescadores, de 30 comunidades localizadas em nove municípios da Baía de Todos-os-Santos.


Da Baía de Todos-os-Santos para restaurantes paulistas Recentemente, a cooperativa fechou uma parceria com a startup Fishtag, uma plataforma digital, que funciona como uma ‘curadoria’ de peixes a partir de 2021, também vai fornecer seus produtos para restaurantes de São Paulo. A cooperativa, formada por 73% de cooperadas mulheres, beneficia a produção de 400 famílias de marisqueiras e pescadores, atualmente lotadas em 30 comunidades localizadas em nove municípios da Baía de Todos-os-Santos. A ação vem gerando benefícios econômicos para os municípios e para as famílias contempladas, com a melhoria na renda e a valorização do trabalho e da atividade pesqueira. As famílias envolvidas neste trabalho são de Candeias, Itaparica, Madre de Deus, Maragogipe, Salinas da Margarida, Salvador, São Francisco do Conde, Saubara e Vera Cruz. Os municípios pertencem a Territórios de Identidade como o Metropolitano de Salvador e Recôncavo Baiano, que correspondem à maior concentração demográfica e industrial do estado da Bahia, com mais de três milhões de habitantes (IBGE, 2019). São 63.870 pessoas da região que têm a pesca como principal atividade produtiva, representando 48,8% do total do estado. A Repescar compartilha práticas sustentáveis na captura e produção de pescados e mariscos, formando uma rede comprometida com as futuras gerações. Vem atuando na construção e controle social de políticas públicas voltadas à pesca artesanal. A organização também realiza ações que envolvem organizações e redes estratégicas da pesca artesanal, trabalhando ainda, de forma colaborativa, com grupos socioambientais. Fabrício Lemos, chef de cozinha e proprietário dos restaurantes Origem e Ori e do minibar Gem, em Salvador utiliza os produtos da Repescar nas suas cozinhas. Ele conta que tem um caso de amor

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COOPERATIVA DOS PESCADORES E MARISQUEIROS DE VERA CRUZ

com a cooperativa: “Foi paixão à primeira vista. Amo frutos do mar e sempre trabalhei com culinária mediterrânea e, embora tenhamos uma abundância de mariscos no litoral, faltava quem cuidasse dos produtos de pescadores. Hoje, você vai a outra

cooperativa de pesca e o peixe está lá exposto ao sol, por exemplo. Na Repescar, vi um cuidado especial na capacitação das pessoas e isso me motivou, pois é um trabalho que não é só comercial, envolve pessoas e o meio ambiente”.

“Foi paixão à primeira vista. Amo frutos do mar e sempre trabalhei com culinária mediterrânea e, embora tenhamos uma abundância de mariscos no litoral, faltava quem cuidasse dos produtos de pescadores. Na Repescar, vi um cuidado especial na capacitação das pessoas e isso me motivou, pois é um trabalho que não é só comercial, envolve pessoas e o meio ambiente”. Fabrício Lemos

Chef de cozinha e proprietário dos restaurantes Origem e Ori e do minibar Gem.

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COOPERATIVA DOS PESCADORES E MARISQUEIROS DE VERA CRUZ

Investimentos viabilizam negócios e produtos de qualidade Por meio do projeto do Bahia Produtiva, a Repescar recebeu investimentos de R$ 2,2 milhões, destinados à qualificação da produção e da gestão do empreendimento. Os recursos foram destinados para a reforma e ampliação da unidade de beneficiamento de pescados; aquisição de embarcações e de veículos, transporte da produção; compra de equipamentos de proteção individual para a produção das famílias beneficiárias, e também para a construção de um espaço apropriado para armazenamento, além de logística para viabilizar a comercialização e o acesso a mercados. Para o assessor de mercado da Repescar, José Carlos Bezerra Júnior, o apoio da CAR, por meio do

R$ 2,2 milhões, investidos na qualificação da produção e gestão do empreendimento.


Bahia Produtiva, e do Banco Mundial foi decisivo para acessar o mercado formal e ampliar o acesso ao mercado institucional: “Nós conseguimos equipar os pescadores e aquicultores comunitários com equipamentos individuais de proteção para captura e cultivo e estruturar pontos-chaves de entrepostos, para a produção, armazenamento e logística, principalmente a náutica”. Ainda segundo José Carlos, os investimentos também permitiram que a cooperativa fosse reformada, adequada e ampliada, oportunizando a oferta de novos produtos: “Inserimos a Bahia em um negócio quase não explorado aqui. Antes abastecido por Santa Catarina, hoje a oferta de moluscos vivos está sendo trabalhada também pela Repescar. Graças ao Bahia Produtiva também conseguimos estruturar nosso delivery em Salvador”.

Onde comprar os produtos da Repescar Basta acessar o site da cooperativa que o consumidor e as empresas terão acesso aos produtos da Repescar: www.goomer.app/cooperativa-repescar.

Cooperativa dos Pescadores e Marisqueiros de Vera Cruz Repescar Município: Vera Cruz Território: Metropolitano Salvador Telefone: 71 99611-9904 E-mail: cooperativarepescar@ hotmail.com Rede Social: @cooperativa_ repescar Cooperados: 150


COOAP A GASTRONOMIA SE RENDE À QUALIDADE E AO SABOR DA CARNE DE OVINOS E CAPRINOS PRODUZIDOS NA BAHIA

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e em algum momento da nossa história as carnes de caprinos e ovinos já foram desvalorizadas, pelo menos na Bahia, que possui o maior rebanho de caprinos do país, isso ficou no passado. Com um grande potencial econômico, essas carnes já passaram a fazer parte do cardápio de parte da população e seguem conquistando novos espaços no mercado. Com o processamento adequado da carne de ovinos e caprinos em cortes especiais, sejam eles resfriados ou congelados, o produto se destaca pela maciez, suculência e por sua qualidade nutritiva. Na Bahia, a Cooperativa Agroindustrial de Pintadas (Cooap), que tem seus produtos comercializados pela FrigBahia, organização de Cooperativas e Produtores de Caprinos e Ovinos da Bahia, coloca no mercado um mix de produtos de cortes especiais com a marca Fino Sertão, que faturou em 2020, R$ 3,1 milhões.


Com a parceria, a Cooap vem se tornando referência na produção de ovinos e caprinos, transformados em cortes especiais, dentro de um mix de produtos composto por pernil, costela, filé, carrê, picanha, entre outros. Já disponibilizados ao mercado os produtos conquistaram o paladar e a preferência de chefs de cozinha e consumidores. Encontram-se disponíveis em redes de varejo, supermercados, casas especializadas e nos cardápios de bares e restaurantes. Com boas práticas de produção, abates adequados e produtos de qualidade, em embalagens e marca disponibilizadas ao varejo, as carnes de ovinos e caprinos produzidos pela agricultura familiar deixam a informalidade para acessarem mercados privados. A Bravo Burguer & Beer, considerada uma das melhores hamburguerias do país, utiliza a carne

de caprinos e ovinos da Cooap em seus estabelecimentos, trazendo ao seu cardápio o hambúrguer de bode. O proprietário da empresa, Rafael Zacarias, afirma que a qualidade do produto e o conhecimento da sua procedência fazem toda a diferença. Ele observa que a valorização dos agricultores garante uma economia sustentável e um alimento limpo na mesa do cliente: “Precisamos valorizar o que temos aqui no estado. Por que comprar de fora se temos boas carnes e tantos outros produtos de qualidade aqui na Bahia? Saber como o bode é produzido, como é o corte e como é o cuidado dos produtores(as) rurais nos dá a garantia da procedência do alimento. Tive a oportunidade de acompanhar e conhecer todo esse processo. Isso agrega valor ao produto e resulta no feedback positivo, que recebemos dos nossos clientes”.

“Precisamos valorizar o que temos aqui no estado. Por que comprar de fora se temos boas carnes e tantos outros produtos de qualidade aqui na Bahia? Saber como o bode é produzido, como é o corte e como é o cuidado dos produtores rurais nos dá a garantia da procedência do alimento”. Rafael Zacarias

Bravo Burguer & Beer.

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COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DE PINTADAS

“São produtos que têm um diferencial desde o manejo, perceptível na qualidade dos animais, o que se traduz em uma boa aceitabilidade pelo mercado, pois sabemos que uma boa genética e o manejo adequado interferem na qualidade final do produto”. Bruna Moreira

Charcuteira, especialista na arte da conservação e no desenvolvimento de produtos embutidos.

A charcuteira Bruna Moreira, especialista na arte da conservação e no desenvolvimento de produtos embutidos, desenvolveu para a cooperativa uma linha de embutidos com carnes de caprinos e ovinos, a exemplo da linguiça, que foi inserida no mix de produtos. Ela destaca a qualidade dos produtos: “São produtos que têm um diferencial desde o manejo, perceptível na qualidade dos animais, o que se traduz em uma boa aceitabilidade pelo mercado, pois sabemos que uma boa genética e o manejo adequado interferem na qualidade final do produto”. Os produtos da marca Fino Sertão ultrapassaram as fronteiras da Bahia e já são comercializados nos estados do Amazonas, Piauí, Pernambuco, Brasília e Rio de Janeiro. Segundo Gerinelson Lima, presidente da Cooap, o impacto das ações realizadas na cooperativa e a parceria com a Frigbahia é algo visível, tanto na ampliação do número de famílias beneficiadas, que passou de 100 para 200, quanto na qualidade de vida dessas famílias, que conseguiram dobrar o faturamento com a comercialização dos animais: 34

“Com os investimentos e o acesso ao mercado, inclusive em outros estados do Brasil, foi ampliado o número de animais abatidos, chegando até a triplicar em volume, depois da requalificação da agroindústria. Então, o aumento da renda das famílias ao menos dobrou. Se antes elas criavam dez animais, com o aumento da produção da indústria passaram a criar 20 ou até 30 animais”. Gerinelson ainda informa que, apesar da retração na produção, causada pela pandemia, as expectativas são positivas para 2021, com as estratégias traçadas: “A expectativa é que a gente retome os níveis anteriores e até triplique a produção. Se são 200 agricultores que a gente atende, teremos que ampliar para 500 ou até 1.000 produtores”. Ele observa, ainda, que a agroindústria deverá firmar parceria com produtores também de outros empreendimentos apoiados pelo Governo, pois há uma demanda crescente pelas carnes de caprinos e ovinos no mercado: “Precisamos fortalecer a base produtiva e aumentar a nossa produção”.


Perseverança e muito trabalho sendo realizado A Cooap surgiu em 1999, com 43 cooperados com dificuldades em escoar sua produção. As vendas eram feitas somente em feiras livres e para atravessadores. Pouco tempo depois, a cooperativa chegou a construir um pequeno abatedouro, que não prosperou. Em 2006, foi inaugurado o frigorífico, atendendo às adequações das leis vigentes, e a cooperativa passou a fazer pequenos abates direcionados, principalmente para as compras governamentais.

A primeira venda feita para o mercado privado aconteceu somente em 2008, mas a cooperativa não tinha capital de giro nem recursos para investimentos e as dificuldades começaram a surgir, até que, em 2013, fechou as portas. Em 2015, voltou a funcionar e firmou uma parceria com a FrigBahia. Desse modo, enquanto a cooperativa focava no fomento à produção, a outra parte ocupava-se com a comercialização.

Faturamento em 2020 da FrigBahia

R$ 3,1 milhões 35


COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DE PINTADAS


Investimentos viabilizam o segmento e a cooperativa Com a organização da cooperativa, foi possível acessar políticas públicas estratégicas, como os editais do projeto Bahia Produtiva, do Governo do Estado da Bahia, cofinanciado pelo Banco Mundial, conquistando recursos de mais de R$ 2,5 milhões. Os investimentos possibilitaram a estruturação do frigorífico, a qualificação da base de produção e do rebanho, a ampliação da capacidade de abate da agroindústria para dois mil animais por mês, a inserção de novas linhas de produção, a exemplo da nova linha de defumados e embutidos, e principalmente na relação entre a cooperativa e o mercado privado, alcançando novos rumos e objetivos. Com o apoio do projeto, a cooperativa também criou uma nova marca, para melhor se relacionar com o mercado. Definiu estratégias de comunicação e posicionamento da marca além de definir um conjunto de ações para mostrar ao mercado o seu propósito e valores da organização.

R$ 2,5 milhões, investidos para a estruturação do frigorífico, qualificação da base de produção e do rebanho, ampliação da capacidade de abate da agroindústria para dois mil animais por mês e a inserção de novas linhas de produção.

Onde encontrar os cortes especiais da Fino Sertão As carnes produzidas pela Cooap, que levam a marca Fino Sertão, estão à venda em diversas redes de supermercados, a exemplo do Extra, Pão de Açúcar, Walmart, Novo Mix e Cesta do Povo. Durante a pandemia, atendendo à necessidade de viabilizar os cortes especiais ao mercado foi lançado também um site de vendas on-line: www. finosertao.com.br. Para o representante da Frigbahia, Odiley Oliveira Lima, a parceria com o Bahia Produtiva possibilitou a venda por delivery: “Com os investimentos realizados, além de termos um frigorífico requalificado para realizar melhor as operações de abate de ovinos e caprinos, agora a agroindústria apresenta condições de abater também suínos e bovinos. Também temos agora uma câmara fria,

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para estocagem em Salvador, onde os produtos ficam armazenados até serem comercializados. Foi essa estrutura que permitiu nesse momento de pandemia, a implantação de um sistema de deli-

very na capital baiana. Sem essa parceria não teríamos condições de estar no mercado, atendendo os nossos clientes nesses tempos de pandemia da covid-19”.

“Com os investimentos realizados, além de termos um frigorífico moderno, com condições de abater, não só caprinos, também suínos e bovinos, temos uma câmara fria de estocagem em Salvador, onde os produtos ficam armazenados. Sem essa parceria não teríamos condições de estar no mercado, atendendo os nossos clientes”. Odiley Oliveira Lima

Representante da FrigBahia.

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Novo modelo de criação A Bahia ocupa o 1º lugar no ranking da produção nacional de caprinos e a 2ª posição no de ovinos, sendo 90% dessa produção proveniente da agricultura familiar. A ovinocaprinocultura é um dos sistemas produtivos liderados dentro da agricultura familiar baiana e exerce um papel significativo para o desenvolvimento do rural baiano, com a diversificação da produção e a geração de emprego e renda para milhares de famílias no estado. Visando ao aumento da renda de agricultores familiares, que trabalham com a ovinocaprinocultura, técnicos especializados na criação de ovinos e caprinos prestam assistência técnica e extensão rural (Ater), por meio do projeto Bahia Produtiva, a fim de capacitar e levar o conhecimento necessário para que agricultores e agricultoras trabalhem de forma adequada seus rebanhos. Dentre as orientações téc-

nicas repassadas aos produtores, estão como ampliar renda por meio do aumento da produção. A ação faz parte do Programa de Integração Produtiva de Cordeiros e Cabritos Campo Indústria - Procampi, uma iniciativa do Governo do Estado da Bahia e do Banco Mundial, por meio do CAR/SDR, em parceria com a Cooap e Frigbahia. O programa apresenta um novo modelo de criação, em que o produtor vai abater o animal com 17 quilos, cinco meses de idade, utilizando a tecnologia do sistema de criação, e oferecendo à indústria um produto com ainda mais sabor e qualidade.

Cooperativa da Agricultura Familiar de Pintadas – Cooap Município: Pintadas Território: Bacia do Jacuípe Telefones: 75 3693-2008 / 98191-5902 E-mail: cooap1@yahoo.com.br Redes Sociais: www.cooap. com.br / @cooappintadas Cooperados: 200

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O LANÇAMENTO DE PRODUTOS DIFERENCIADOS GARANTE ESPAÇO EM MERCADO COMPETITIVO DE IOGURTES

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desenvolvimento de novos iogurtes com matérias-primas locais e regionais, tem feito grande diferença no mercado e gerado também resultados positivos à Cooperativa de Produção Agropecuária de Jiló e Região (Coopag), no exigente e competitivo mercado de lácteos. Com essa estratégia, a cooperativa, localizada no município baiano de Várzea Nova, busca se diferenciar da concorrência oferecendo ao baiano produtos com toques locais e regionais. Com isto, vem ganhando espaço no mercado e buscando alternativas para competir com as grandes marcas. A cooperativa possui uma linha de produtos de laticínios tradicionais, como queijo, manteiga e bebida láctea, mas se destaca na produção de iogurtes, com sabores oriundos dos biomas baianos. Toda a matéria-prima utilizada vem da agricultura familiar do estado da Bahia. Esse diferencial contribuiu para gerar um faturamento à Coopag de R$ 1,3 milhão por ano.


No ano de 2016, foi lançado o iogurte de umbu; em 2017, o de licuri; em 2018, o de café; e em 2019, o de abacaxi. O catálogo de sabores dos iogurtes inclui também morango, ameixa, coco e salada de frutas. Em 2020, a Coopag lançou as bebidas lácteas nos sabores morango e ameixa, em embalagem de 900 ml. Os sabores exóticos dos iogurtes fabricados pela Coopag são resultado de parcerias com outros empreendimentos da agricultura familiar. O café é produzido pela Cooperativa Mista dos Pequenos Cafeicultores de Barra do Choça e Região, localizada no Sudoeste baiano; o licuri, fruto extrativista, é colhido por associações de agricultores dos municípios de Caldeirão Grande, Campo Formoso, Itiúba e de grupo de Serrolândia; o umbu, fruta nativa da Caatinga, é de Várzea Nova; e o abacaxi, de Umburanas.

Inovação e sabor Para 2021, está em estudo a produção e o lançamento no mercado do iogurte de maracujá da Caatinga ou maracujá-do-mato – uma fruta nativa do Semiárido nordestino. Como característica, o sabor da sua polpa é mais marcante em doçura, mas também em acidez, quando comparado aos sabores e acidez do maracujá comum, além de ser extremamente aromático, conferindo ao iogurte certas particularidades. Na opinião do vice-presidente da Coopag, Fred Jordão, é preciso inovar sempre: “Nosso perfil é o de não estar satisfeito com o que a gente tem e faz. É uma insatisfação, no sentido de perceber a necessidade de fazer diferente, de surpreender a clientela. Apesar de ser uma cooperativa do interior da Bahia,

Faturamento anual da Coopag

R$ 1,3 milhão

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COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA DE JILÓ E REGIÃO

temos a capacidade de colocar nossos produtos para concorrer até com multinacionais. Nós temos peculiaridades e produtos regionais que as grandes marcas não têm. Tudo isso nos fortalece na questão da comercialização”. A dona de casa de Várzea Nova, Lucivone Santos Lima, consumidora dos iogurtes da Coopag, não esconde a satisfação de poder consumir um produto de qualidade, com origem na região: “Consumo toda semana os iogurtes integrais da Coopag. É um alimento muito gostoso, saboroso, suave e que não pode faltar na mesa lá de casa. E é daqui, da nossa terra”, disse ela. Quem também não deixa faltar os produtos da cooperativa na mesa é o policial civil de Salvador, Saulo Martins: “Consumo os iogurtes e a manteiga. Já recomendei os produtos para vários estabelecimentos do meu bairro, que ficaram muito interessados. 42

“Nosso perfil é o de não estar satisfeito com o que a gente tem e faz. É uma insatisfação, no sentido de perceber a necessidade de fazer diferente, de surpreender a clientela”. Fred Jordão

Vice-presidente da Coopag.


É um produto de muita qualidade. Gosto de todos os sabores dos iogurtes e toda semana tem na mesa da minha casa. Eu, minha mulher e meus quatro filhos somos consumidores fiéis. Faz a diferença consumir um produto da agricultura familiar. Ajuda os produtores e nós consumimos um produto mais saudável”.

Organização e foco A Coopag conta com 250 associados, todos da agricultura familiar, responsáveis pela produção e beneficiamento de 15 mil litros de leite por dia e 100 mil litros de iogurte por mês. Além de Várzea Nova, a cooperativa possui cooperados nos municípios de Tapiramutá, Miguel Calmon, Jacobina, Piritiba, Ourolândia e Morro do Chapéu.

“É um produto de muita qualidade. Gosto de todos os sabores dos iogurtes e toda semana tem na mesa da minha casa. Eu, minha mulher e meus quatro filhos somos consumidores fiéis. Faz a diferença consumir um produto da agricultura familiar. Ajuda os produtores e nós consumimos um produto mais saudável”. Saulo Martins

Consumidor de Salvador.

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COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA DE JILÓ E REGIÃO

Mas o caminho até o sucesso foi árduo. Criada em 1994, por um grupo de 20 pessoas da Associação da Comunidade do Giló, a cooperativa montou uma agroindústria com recursos próprios e iniciou a produção de iogurte com um volume em torno de 150 litros por dia, sem estarem oficialmente formalizados e comercializando dentro de Várzea Nova. Após dois anos de operação, a agroindústria não se sustentou, fechou as portas e se manteve por sete anos desativada.

Produção e beneficiamento de 15 mil litros de leite por dia e 100 mil litros de iogurte por mês.

Somente em 2010, a partir de uma nova gestão, é que o laticínio foi reativado para a produção de iogurtes, conquistou a certificação da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia – Adab – e os produtos foram introduzidos na alimentação escolar, pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Com a cooperativa organizada e a gestão qualificada, o empreendimento se restabeleceu e passou a acessar outras políticas públicas e ações que contribuíram com o processo de estruturação.

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Investimento possibilita crescimento e acesso a mercados Em 2015, com o apoio do Governo do Estado da Bahia e do Banco Mundial, por meio do projeto Bahia Produtiva, foram investidos R$ 3 milhões em assistência gerencial e técnica para os produtores e produtoras. Com os recursos, foi possível expandir e estruturar a agroindústria, implantar uma queijaria e aumentar a oferta de produtos para a alimentação escolar, como a manteiga e o queijo. O crescimento da demanda pelo mercado proporcionou a adesão de novos agricultores familiares, inclusive de outros municípios, com o consequente aumento do número de famílias atendidas e o aumento de renda. O apoio e os investimentos também viabilizaram a produção de ração animal, kit de inseminação artificial e de higiene na ordenha, reserva alimentar do rebanho com o plantio de mudas de palma para o gado e adubos para a pastagem, além de máquinas agrícolas. Com a execução do convênio, a cooperativa adotou novas estratégias para ampliar vendas, comunicar seu produto no mercado, desenvolver ações de merchandising, ações estas que proporcionaram o aumento das vendas a visibilidade do produto no mercado e a possibilidade de acessar novos mercados no estado da Bahia.

R$ 3 milhões investidos na expansão e estruturação da agroindústria, implantação de uma queijaria e no serviço de assistência gerencial e técnica para os produtores e as produtoras rurais.

Onde encontrar os produtos da Coopag Os produtos da Coopag estão disponíveis nas gôndolas de supermercados da capital baiana: Rede Mix e Hiperideal, nos bairros de Piatã, Alphaville, Imbuí, Pituba, Armação, Canela, Vila Laura, na BR-324, e também em Lauro de Freitas. Os produtos podem ser encontrados, ainda, nas lojas da Cesta do Povo, Almacen Pepe e plataforma digital da startup Escoaf (www.escoarbrasil.com.br). A cooperativa pleiteia o Selo de Inspeção Federal (SIF) para iniciar a venda de seus produtos para outros estados. De acordo com o diretor comercial da Rede Mix, João Cláudio Nunes, por ser uma empresa de supermercado baiana, a Rede priorizou fornecedores regionais, que desenvolvem a economia do estado: “Quando conhecemos a Coopag, tivemos a necessidade de levar esse produto diferenciado para as

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nossas gôndolas. Apesar de os iogurtes estarem dentro de uma categoria de produtos lácteos muito competitiva, a Coopag tem iogurtes com sabores regionais que as grandes companhias não conseguem fazer e assim conseguem se diferenciar pela qualidade e pelos sabores dos produtos, resultando em sucesso nas nossas gôndolas”. Resultados do sucesso e renda ao agricultor cooperado Com o sucesso nas vendas, a Coopag também se destaca pela divisão anual dos resultados financeiros, chamados de ‘sobras’, entre os cooperados. Em 2019, a cooperativa distribuiu R$ 18.660,00 entre 133 cooperados que forneceram leite. A cooperativa espera ampliar suas vendas e poder dividir as sobras em uma maior escala e volume.

Cooperativa de Produção Agropecuária de Jiló e Região – Coopag Município: Várzea Nova Território: Piemonte da Diamantina Telefone: 74 3659-2506 E-mail: coopag.iogurte@hotmail.com Redes Sociais: www. coopagalimentos.com.br / @coopag.alimentos Cooperados: 250

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COOPERACAJU MERCADO FITNESS É APOSTA DE NEGÓCIOS PARA A AGRICULTURA FAMILIAR

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aumento do número de pessoas preocupadas em cuidar da saúde e do bem-estar vem contribuindo para o crescimento do mercado fitness. A agricultura familiar baiana está atenta a essas tendências, aos comportamentos de consumo e ao estilo de vida do consumidor contemporâneo e detectou oportunidades de atuar neste mercado. Dados da International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA) mostram que a receita do mundo fitness cresce a uma média anual de 8,7% no mundo. No Brasil e na Bahia, esse crescimento também se faz presente. A Cooperativa dos Cajucultores Familiares do Nordeste da Bahia (Cooperacaju), localizada no município de Ribeira do Pombal, na Bahia, viu nesse mercado a oportunidade de atuação por meio da ampliação do seu mix de produtos. Em 2020, a cooperativa, que sempre trabalhou com o processamento e comercialização de castanhas-de-caju,


nas versões natural e salgada, colocou no mercado a Pasta de Amêndoa de Castanha-de-Caju, produto queridinho do momento, desejado por nutricionistas e adeptos à boa forma. O resultado foi um faturamento de R$ 596,8 mil As pastas estão disponíveis no mercado nas versões integral, com licuri e com 100% de cacau. De sabor doce e suave, os produtos se diferenciam por não apresentarem na sua composição a adição de açúcares, de sal, e não conter glúten e lactose. Por tais características, tornaram-se a preferência de nutricionistas e dos adeptos da alimentação saudável. Icaro Renê, presidente da Cooperacaju, conta que a cooperativa não estava satisfeita em produzir apenas a castanha-de-caju: “Buscamos produzir outros produtos oriundos da nossa castanha e conseguimos ter um ideal, de grande aceitação dos consumidores, para uma alimentação saudável e para todas as horas. As nossas pastas podem ser utilizadas nos pré e pós-treinos ou até mesmo no café da manhã com uma boa torrada”.

Características nutricionais atendem à demanda do consumidor Segundo o nutricionista Marcone Oliveira, a pasta de castanha-de-caju é rica em ácidos graxos, que contribuem com o controle do colesterol, em fibras e em minerais, como o magnésio, zinco, cálcio e as vitaminas do complexo B: “É importante consumir com moderação, visto que o produto tem um alto valor calórico. Mas não há nenhuma outra restrição ao consumo, pois trata-se de um alimento rico em nutrientes, que ajuda no ganho de massa muscular. Seu consumo também contribui na medida que oferece energia necessária para a prática de atividade física”. As castanhas são oleaginosas, com nutrientes que trazem benefícios à saúde, como proteínas, fibras e minerais, além de serem fonte de vitaminas 49


COOPERATIVA DOS CAJUCULTORES FAMILIARES DO NORDESTE DA BAHIA

e terem na composição, predominantemente, gorduras consideradas boas, mono e poli-insaturadas, excelentes para controlar o nível de colesterol ruim (LDL) e bom (HDL) no organismo. Com essas características, as castanhas são boas aliadas de uma alimentação saudável, segundo nutricionistas.

Cultivo agroecológico e o manejo adequado Com a utilização de tecnologia avançada associada à qualidade das amêndoas, as castanha-de-caju da Cooperacaju se destacam pelo sabor e se diferenciam das demais castanhas presentes no mercado, produzidas em outros estados, pelo fato de ser oriunda de pomares de cajueiros gigantes, cultivados de forma agroecológica – uma forma de agricultura sustentável que agrega conhecimentos tradicionais e científicos.

Faturamento em 2020 da Cooperacaju

R$ 596,8 mil

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Castanhas-de-caju diferenciam-se das demais presentes no mercado pelo fato de serem cultivadas em pomares de cajueiros gigantes, de forma agroecológica.


Manejo agroecológico e sustentável garantem no processo de beneficiamento das amêndoas as características naturais, a textura crocante, a cor marfim-claro e o sabor suave.

“O beneficiamento das castanhas ocorre na unidade de produção, feito pelas mãos de filhos e esposas de cooperados, que se dedicam em produzir as melhores amêndoas de castanha-de-caju do Brasil, prezando pela qualidade e o respeito a todo o nosso público consumidor. As nossas amêndoas são produzidas como um alimento, pelas mãos de uma mãe para os filhos”, ressalta o presidente da Cooperacaju, Icaro Renê. Com manejo agroecológico e sustentável, o processo de beneficiamento das amêndoas é feito para manter as características naturais, a textura crocante, a cor marfim-claro e o sabor suave. Quem degusta as castanhas consegue sentir as gorduras naturais e o aroma verdadeiro da amêndoa de castanha-de-caju.

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COOPERATIVA DOS CAJUCULTORES FAMILIARES DO NORDESTE DA BAHIA


Investimentos qualificam e melhoram a produção A Cooperacaju está sendo beneficiada com o investimento de R$ 2,3 milhões, do Governo do Estado da Bahia e do Banco Mundial, por meio do projeto Bahia Produtiva. Os recursos são aplicados na aquisição de equipamentos e máquinas para qualificar e aumentar a produção, e no desenvolvimento de rótulos e embalagens para os produtos. Está sendo implantado na cooperativa um sistema de geração de energia solar fotovoltaico e construída uma unidade de processamento de Líquido da Castanha-de-Caju (LCC), que visa a diminuição dos impactos ambientais causados pelo processamento da castanha.

R$ 2,3 milhões investidos na aquisição de equipamentos e máquinas, veículo utilitário, desenvolvimento de rótulos e embalagens e assessoria para a obtenção da Certificação Orgânica.

Os investimentos possibilitaram também a aquisição de veículos, para ajudar a escoar a produção e de máquinas, para aumentar a produção, além de assessoria para a obtenção da Certificação Orgânica. O apoio do Bahia Produtiva se estende, ainda, no desenvolvimento de novos rótulos e embalagens para os produtos, visando ao acesso a mercados de maior exigência e complexidade. Também estão dentro das estratégias de mercado, desenvolvimento da marca e melhor posicionamento no mercado, a definição de um modelo de negócios também voltado ao varejo, estratégias de comercialização, além de capacitação técnica e promoção dos produtos em feiras e eventos destinados à boa alimentação e a alimentação saudável, tanto no Brasil como no exterior, a exemplo do evento Terra Madre, realizado na Itália, e a Naturaltech – principal encontro do universo sustentável do Brasil, realizado em São Paulo. “Nós, agricultores familiares, sabemos produzir com qualidade, mas temos dificuldade em comercializar com essa mesma qualidade. O Bahia Produtiva veio nos proporcionar maior o foco na comercialização, com a abertura de novos mercados e fazer com que as nossas amêndoas cheguem ainda mais longe, proporcionando maiores ganhos para a cooperativa e para todas as famílias envolvidas”, destacou Ícaro Renê. 53


COOPERATIVA DOS CAJUCULTORES FAMILIARES DO NORDESTE DA BAHIA

“Buscamos produzir outros produtos oriundos da nossa castanha e conseguimos ter um ideal, de grande aceitação dos consumidores, para uma alimentação saudável e para todas as horas. As nossas pastas podem ser utilizadas nos pré e pós-treinos ou até mesmo no café da manhã com uma boa torrada”. Ícaro Renê

Presidente da Cooperacaju.

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Onde encontrar os produtos da Cooperacaju A produção da Cooperacaju é vendida em lojas da agricultura familiar espalhadas por toda a Bahia e, especialmente, em Salvador também em restaurantes como o Saúde na Panela e Raízes; loja Filhos do Mundo, do Salvador Shopping; Empório Fazenda Madalena, no Shopping da Gente; na loja New Vida Produtos sem glúten e sem lácteos, e em Lauro de Freitas, na Biscoiteria João e Maria. Além disso, são comercializados nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Distrito Federal, Paraná, Sergipe, Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás. Os produtos da Cooperacaju também podem ser adquiridos nas plataformas digitais Balcão On-line (coophub.com.br) e na startup Escoaf (www.escoarbrasil.com.br).

Cooperativa dos Cajucultores Familiares do Nordeste da Bahia – Cooperacaju Município: Ribeira do Pombal Território: Semiárido Nordeste II Telefone: 75 99806-0965 E-mail: coooperacaju@ cooperacaju.com.br Redes Sociais: www.cooperacaju. com.br / @redecooperacaju Cooperados: 750

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COOPERPARAÍSO ACEROLA ORGÂNICA DO SERTÃO BAIANO CONQUISTA MERCADO EUROPEU

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busca por alimentos mais saudáveis, produzidos de forma ambientalmente sustentável, com ausência de agrotóxicos e produtos químicos é uma tendência mundial. Segundo a Associação de Promoção da Produção Orgânica e Sustentável, o mercado de produtos orgânicos tem crescido uma média de 20% ao ano, impulsionado por essa demanda. Em consonância com esse mercado, a agricultura familiar da Bahia, que produz alimentos nutritivos e sustentáveis, trabalha para garantir a manutenção da sociobiodiversidade e a preservação ambiental, e, à medida que se expande, em ritmo acelerado, ganha cada vez mais espaço. Também existe a preocupação em ampliar a produção orgânica e a quantidade de produtos certificados como orgânicos.


Nesse cenário e contexto, a Cooperativa Agroindustrial Vale do Paraíso (Cooperparaíso), localizada na zona rural do município de Sobradinho, à margem do Rio São Francisco, no Sertão baiano, tem se destacado no mercado orgânico, com a produção da acerola. A fruta é produzida de forma orgânica, em uma área de 200 hectares, por mais de 100 famílias vinculadas à cooperativa. A produção alcança, em média, 40 toneladas por mês. É comercializada verde e madura, com destaque maior para as acerolas verdes, que possuem alta concentração de vitamina C, e que são utilizadas nas indústrias farmacêutica, de cosméticos, alimentícia e de conservantes. Toda produção é processada e a polpa da fruta é enviada para a multinacional Sono Brasil, empresa inglesa com sede no município baiano de Nova Soure, que realiza o processo de extração da vitamina C e comercializa para o mercado europeu.

Pesquisas identificam alto teor de vitamina C na acerola Um estudo publicado pela plataforma Science Direct comparou a concentração de vitamina C de três frutos cultivados organicamente no Brasil: a acerola, o morango e o caqui. O estudo concluiu que a acerola possui mais vitamina C que o morango e o caqui, (cerca de 2294,53 mg a cada 100 gramas de polpa do fruto). O gerente de matéria-prima da Sono Brasil, Sidney Rosa, conta que a parceria com a Cooperparaíso já existe há três anos: “Nesta safra de 2020/2021, a Sono Brasil iniciou o recebimento de acerolas orgânicas verdes e maduras, da cooperativa, e a qualidade da fruta que está chegando à nossa unidade de processamento é muito boa, dentro dos padrões requeridos pela companhia e

atendendo aos principais mercados consumidores deste produto, tais como Estados Unidos, Europa, China e Brasil, todos com demandas crescentes de produtos especiais”.

Produção orgânica certificada Um produto orgânico, seja in natura ou processado, é aquele obtido em um sistema orgânico de produção ou por meio de processo extrativista sustentável, sem a utilização de agrotóxicos, transgênicos ou fertilizantes sintéticos. A Cooperparaíso possui o Selo da Associação de Certificação Instituto Biodinâmico – IBD, maior certificadora de produtos orgânicos, biodinâmicos e sustentáveis da América Latina e única empresa 100% brasileira, com reconhecimento internacional, de certificação de produtos oriundos de uma agricultura

“O selo agregou valor à produção de acerola e permitiu maior alcance de comercialização no mercado brasileiro e americano, com aproximadamente 30% a mais do preço do mercado convencional.” Josivan Souza

Presidente da Cooperparaíso.

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COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL VALE DO PARAÍSO

R$ 3 milhões investidos na base de produção, aquisição de equipamentos para a agroindústria, em sistemas de irrigação e assistência técnica e extensão rural (Ater).


sustentável, com vistas ao cuidado socioambiental. A cooperativa contou com o apoio técnico e financeiro da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR), por meio do projeto Bahia Produtiva, para a obtenção da certificação. Segundo o presidente da cooperativa, Josivan Souza, o selo agregou valor à produção de acerola e permitiu maior alcance de comercialização no mercado brasileiro e americano, com aproximadamente 30% a mais do preço do mercado convencional: “Há uma grande procura pela acerola certificada. Grandes empresas disputam e compram neste mercado. O nível de exigência é grande para a obtenção do selo e nós conseguimos. A produção de orgânicos tem sido um diferencial enorme. Temos 100% da safra vendida”.

Investimentos realizados e objetivos da Cooperparaíso A cooperativa recebeu recursos da ordem de R$ 3 milhões, do projeto Bahia Produtiva, para o beneficiamento e agregação de valor à produção da acerola. O investimento também se destina para a gestão do empreendimento, na base de produção, para a aquisição de equipamentos para a agroindústria, e em sistemas de irrigação. Além disso, as famílias agricultoras contam com assistência técnica e extensão rural (Ater), para melhorar, entre outros aspectos, o manejo do solo. O objetivo é fortalecer e ampliar a produção, fixar as famílias no campo e promover a sucessão rural na agricultura familiar, com a possibilidade de continuidade dos ciclos produtivos pelos jovens. Com a aplicação dos recursos espera-se, também, a ampliação gradativa da participação de agricultores e agricultoras familiares no processo produtivo e comercial, por meio de contratos assinados com parceiros privados e institucionais. A expectativa para 2021 é do crescimento de 200% nas vendas e a geração de até dois mil empregos diretos.

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COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL VALE DO PARAÍSO

A expectativa para 2021 é de crescimento de 200% nas vendas e a geração de até dois mil empregos diretos.

A Cooperparaíso e sua trajetória A cooperativa foi fundada em janeiro de 2017, com 20 associados, lideranças das associações locais, com o intuito de promover o desenvolvimento rural sustentável na agricultura familiar, em uma perspectiva territorial. Atualmente, a cooperativa possui cerca de 104 agricultores familiares filiados, que produzem em uma área de 200 hectares. A agroindústria é o principal elo de integração entre os agricultores e o mercado, gerando novas oportunidades de negócios, favorecendo o escoamento da produção, além de melhores condições de negociação com compradores e intermediários e, consequentemente, a melhoria da renda das famílias envolvidas. O cooperado Joseilton de Andrade conta que antes dos investimentos do Bahia Produtiva, não havia atividades efetivas da cooperativa, mesmo com a implantação da agroindústria, também por meio de

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recursos do Governo do Estado, mas que só começou a funcionar após receber do projeto, em 2018: “Antes não tínhamos retorno financeiro algum. Com os investimentos, foi possível receber a assistência técnica, o que proporcionou que hoje tivéssemos frutas suficientes para trabalhar. Além da parceria com os produtores, dando a eles condições de plantar e cultivar acerola orgânica, com o Selo IBD. Graças a esse apoio, somos a única cooperativa de Sobradinho que tem essa atividade”. Onde encontraros produtos da Cooperparaíso Exclusividade com a empresa Sono Brasil de Nova Soure, Bahia.

Cooperativa Agroindustrial Vale do Paraíso – Cooperparaíso Município: Sobradinho Território: Sertão do São Francisco Telefone: 74 8826-8931 E-mail: cooperparaiso@ gmail.com Rede Social: @cooperparaiso Cooperados: 104


COOPFESBA CHOCOLATES DA AGRICULTURA FAMILIAR CONQUISTAM O MERCADO GOURMET

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mercado de chocolates gourmet, fino ou premium vem crescendo até três vezes mais que o mercado de chocolate tradicional, com consumo de 2,2 kg de chocolate por pessoa ao ano. O consumo era de 1,65 kg/pessoa há três anos, de acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). E para a preparação de um chocolate de excelência é fundamental ter uma amêndoa de cacau de qualidade. No Brasil, a produção de cacau acontece em seis estados, abrangendo 66 mil propriedades rurais, sendo 33 mil delas localizadas no Sul da Bahia, maior estado produtor. É nesta região que está localizada a Bahia Cacau, a primeira fábrica da agricultura familiar do país, localizada no município de Ibicaraí na Bahia. Atualmente, sob a gestão da Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba) produz chocolates gourmets, em barras de chocolate de 80g e 20g, com percentuais de teor de


Linha gourmet, chocolates com teor de cacau de 35%, 50%, 60% e 70%. Linha ‘Sua Receita’, para chefs de cozinha e confeiteiros, com o chocolate especial em gotas e em barras de 1 quilo, nas opções de 35%, 50%, 60% e 70% de teor de cacau.

cacau de 35%, 50%, 60% e 70%, e bombons de chocolate com frutas desidratadas e geleia de cacau. A cooperativa também comercializa nibs, amêndoas caramelizadas, licores e o tradicional mel de cacau. Apresenta, também, uma linha destinada à gastronomia – para chefs de cozinha e confeiteiros, uma linha denominada ‘Sua Receita’, com o chocolate especial em gotas e em barras de 1 quilo, nas opções de 35%, 50%, 60% e 70% de teor de cacau. Os produtos da Bahia Cacau têm como matéria-prima básica o cacau fino, produzido com cultivo agroflorestal Cabruca, que maneja a cultura do cacau à sombra das árvores nativas da Mata Atlântica. Do cacau, a cooperativa produz chocolates fabricados com açúcar demerara e lecitina de girassol. Toda a produção passa por análise de qualidade no laboratório do Centro de Inovação do Cacau CIC, localizado na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), o que garante ao produto a característica de ser 100% livre de transgênicos.

Produto 100% livre de transgênicos comprovado pelo Centro de Inovação do Cacau CIC, da Uesc.

O funcionamento da fábrica e a produção de chocolates beneficiam atualmente 300 famílias agricultoras, produtores de cacau dos municípios de Ibicaraí, Coaraci, Buerarema, Itajuípe, Uruçuca e Floresta Azul. Cerca de 30% das amêndoas são fornecidas por agricultores familiares de assentamentos de reforma agrária. 63


COOPERATIVA DA AGRICULTURA FAMILIAR E ECONOMIA SOLIDÁRIA DA BACIA DO RIO SALGADO E ADJACÊNCIAS

“Quem tem um paladar apurado percebe logo uma cremosidade e uma crocância ao mesmo tempo, que é devido ao tempo de fermentação e ao controle de temperatura da amêndoa. Pelo gosto que ele tem se nota que os nutrientes estão preservados, um diferencial da Bahia Cacau. É um produto da nossa terra, coisa boa, coisa fina, que não pode faltar na minha loja”. Wilde Robert Lima Garcia

Proprietário da loja Deguste Saúde, em Salvador.

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Wilde Robert Lima Garcia, proprietário da loja Deguste Saúde, em Salvador, fala da qualidade e dos atributos diferenciados do chocolate da Bahia Cacau: “São chocolates que têm um diferencial. Quem tem um paladar apurado percebe logo uma cremosidade e uma crocância ao mesmo tempo, que é devido ao tempo de fermentação e ao controle de temperatura da amêndoa. Pelo gosto que ele tem, se nota que os nutrientes estão preservados, um diferencial da Bahia Cacau. Estamos sempre fazendo reposição, porque quem prova volta. É um produto da nossa terra, coisa boa, coisa fina, que não pode faltar na minha loja”.

projeto Bahia Produtiva, a Coopfesba, está recebendo recursos da ordem de R$ 3 milhões. Os investimentos são voltados para melhoria da qualidade do cacau nas propriedades, aquisição de equipamentos para o processo de beneficiamento, para a ampliação da produção e em estratégias de mercado, entre outras intervenções.

Investimentos produtivos

São investimentos realizados para a implantação ou conservação de sistemas agroflorestais, exploração extrativista ecologicamente sustentável e para a realização do plano de manejo florestal nas roças de cacau dos agricultores e agricultoras, resultando em aumento da produtividade, da renda do agricultor e, simultaneamente, contribuindo com a preservação do meio ambiente.

Para chegar ao resultado dessa qualidade, que pode ser saboreada em cada produto da Bahia Cacau, o trabalho começa no campo e conta com os investimentos do Governo do Estado, por meio do

Além dessas ações, o projeto vem apoiando a definição de estratégias de mercado e análise para a inserção do modelo de franquias para a comercialização no varejo dos produtos da Bahia Cacau. O

Faturamento anual da Coopfesba

R$ 900 mil

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COOPERATIVA DA AGRICULTURA FAMILIAR E ECONOMIA SOLIDÁRIA DA BACIA DO RIO SALGADO E ADJACÊNCIAS

Processamento mensal de 2.500 quilos de amêndoas de cacau, produção de 1.000 quilos de Nibs e de 1.500 quilos de chocolate.

projeto de um varejo experimental para avaliação da implementação de um modelo de franquia no futuro foi inaugurado em dezembro de 2020, no município de Feira de Santana, com uma loja especializada em chocolates Bahia Cacau. O processamento mensal de 2.500 quilos de amêndoas de cacau, a produção de 1.000 quilos de Nibs e de 1.500 quilos de chocolate geram um faturamento anual de R$ 900 mil. O valor repassado para os cooperados está entre 30% a 70% superior no preço, sobre o valor estimado no mercado para a commodity, agregando mais renda ao cooperado.

Referência na fabricação de chocolate O presidente da Bahia Cacau, Osaná Crisóstomo Nascimento, explica como a fábrica se tornou referência na fabricação de chocolates finos na região: “Além de trabalhar da porteira para dentro, junto ao agricultor, o Bahia Produtiva tem aberto mercado por meio de especialistas e consultorias de mercado. Tem nos ajudado a agregar valor aos produtos, a estar em grandes mercados, viabilizando franquias, e inserindo a Bahia Cacau, cada vez mais, nesse mercado de chocolate de boa qualidade”. 66


R$ 3 milhões investidos na melhoria da qualidade do cacau, aquisição de equipamentos, ampliação da produção e em estratégias de mercado.


COOPERATIVA DA AGRICULTURA FAMILIAR E ECONOMIA SOLIDÁRIA DA BACIA DO RIO SALGADO E ADJACÊNCIAS

A expansão do mercado de chocolates gourmets se deve também à mudança do comportamento do consumidor. Antes os chocolates mais consumidos eram aqueles produzidos com elevada quantidade de açúcar pelas grandes indústrias. Hoje, o gosto do cacau vem sendo mais apreciado, o que motiva empresários e agricultores a investirem nos chocolates finos ou chocolates denominados gourmet. O coordenador comercial da Bahia Cacau, Josivaldo Dias, lembra que o cacau se tornou, desde 2010, a principal fonte de renda dos trabalhadores rurais na região. Quando os agricultores se organizaram e, com o apoio do Governo do Estado, construíram a agroindústria uma nova perspectiva foi lançada: “Foi quando começou a mudança da cultura do cacau na região Sul. Ao invés, de somente exportar amêndoa, passamos a processar para ter maior valor agregado. Demos grandes passos. Agora temos o desafio que

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é o de ter uma marca no mercado e ser competitivo com marcas tops de chocolate. O Bahia Produtiva vem ajudando a Bahia Cacau a avançar nessa possibilidade e a ganhar um modelo estratégico de expansão de mercado. Por isso, estamos buscando agora o modelo de franquias”.

Onde encontrar os produtos da Bahia Cacau Os produtos Bahia Cacau são comercializados em supermercados, padarias, lojas de conveniência e de produtos naturais, restaurantes e plataformas marketplaces especializadas em delivery de alimentos. Em Salvador, são encontrados nas lojas do Cesol do Salvador Shopping e Salvador Norte Shopping, Porã Orgânico, Tarantino Restaurante, Deguste Saúde, Empório Nova Itapoã e, na loja In

Nature, em Lauro de Freitas, plataforma digital da startup Escoaf (www.escoarbrasil.com.br). Os produtos também são comercializados em diversos municípios da Bahia e também nos estados de São Paulo, Paraná, Brasília, Rio Grande do Norte e Minas.

Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências - Coopfesba Município: Ibicaraí Território: Litoral Sul Telefone: 73 3242-3951 E-mail: vendasbahiacacau@ hotmail.com Redes Sociais: www.bahiacacau. com.br / @bahiacacau Cooperados: 300


COOPES A VERSATILIDADE DO LICURI E A CONQUISTA DE MERCADO DO SEGMENTO DE COSMÉTICOS

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Brasil é o quarto maior mercado da beleza e de cuidados pessoais do mundo, que inclui cosméticos para cabelo e pele, perfumes e produtos para higiene bucal. O crescimento constante desse setor tem ajudado a fortalecer diversas marcas do mercado nacional e internacional. A agricultura familiar não poderia ficar de fora desse segmento tão promissor e traz inovações, como os cosméticos à base de licuri. O licurizeiro é uma planta nativa do bioma Caatinga e tem sido responsável pelo sustento de muitas famílias do Semiárido da Bahia, estado responsável por 80% da produção nacional desse coquinho. O licuri, além de ser um alimento nutritivo, que pode ser consumido de diversas formas e utilizado em diversos pratos, é um ingrediente valioso na fabricação de óleos, insumos e matérias-primas para a produção de óleos essenciais de banho e cremes hidratantes.


Com a profissionalização da base produtiva e da melhoria da gestão nas organizações da agricultura familiar, que atuam no sistema produtivo do licuri no estado, cooperativas baianas passaram a vislumbrar oportunidades de mercado no segmento de insumos e matérias-primas para a indústria de higiene e cosméticos, a exemplo da Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes). O empreendimento iniciou um processo de comercialização do óleo de licuri como matéria-prima para a produção de cosméticos da marca L’Occitane, grupo francês, que atua no Brasil desde 1995 e é pioneira em produtos de beleza produzidos com ingredientes de origem natural. O fruto coletado na região do Semiárido baiano é transformado em óleo na agroindústria da cooperativa e comercializado anualmente, para a empresa. A L’Occitane possui uma linha de produtos à base de licuri, com a marca L’Occitane au Brésil, o Óleo Corporal Reparação Licuri, o Óleo Corporal em Gel Reparação Licuri e o Óleo Corporal em Bastão Licuri.

Segundo o diretor de operações da L’Occitane, João Del Cura, foi nesta busca por ingredientes que trouxessem benefícios para a pele e traduzissem o conceito de brasilidade, que a marca conheceu a história do licuri e da Coopes. Em 2015, a empresa de cosméticos e a cooperativa iniciaram um trabalho conjunto de respeito às práticas sustentáveis para a extração do fruto: “A história do Grupo L’Occitane carrega na sua essência a priorização na base de seus produtos dos óleos essenciais naturais. Sua preocupação em unir tecnologia e sustentabilidade contempla a busca por ingredientes naturais e o apoio a produtores e comunidades. A história da Coopes construída por meio do trabalho de mulheres extrativistas que sustentam suas famílias através da colheita e o beneficiamento do licuri foi essencial para que a empresa de cosméticos começasse a parceria comercial. Em 2018, nasce a linha Licuri da L’Occitane au Brésil, trazendo produtos para a hidratação da pele”.


COOPERATIVA DE PRODUÇÃO DA REGIÃO DO PIEMONTE DA DIAMANTINA

Diversidade de produtos Tradicionalmente, as mulheres quebram o licuri para fornecê-lo às cooperativas, aproximadamente, seis toneladas por ano. A Coopes utiliza o licuri também como matéria-prima na produção de outros itens da sua linha de produtos, a exemplo do azeite, produto de inúmeras propriedades nutricionais, com capacidade de trazer benefícios para a saúde, devido a ser rico em cálcio, ferro e magnésio. Com sabor mais concentrado comparado aos azeites tradicionais disponíveis no mercado, ele é perfeito para quem deseja alinhar aos seus alimentos um sabor particular, à consciência alimentar e saúde. Ricardo Brito, proprietário e chef do restaurante Zelo Bar & Cozinha, utiliza e aprova o sabor diferenciado do azeite de licuri da Coopes em suas receitas: “O azeite tem um sabor marcante. Gosto de usar na polenta e na finalização do arroz vermelho. É um produto de qualidade e diferenciado e que já dei de presente pra chefs de cozinha da capital e de outros estados. E fez sucesso!”.

Extrativismo sustentável A Coopes produz ainda licuri salgado, licuri caramelizado, granola de licuri, licor, biscoitos e doces, além da palha, que também é utilizada na produção de peças de artesanato. A diversidade de produtos garante à cooperativa um faturamento médio de R$ 430 mil por ano. Importante informar que o licuri é um produto da agricultura familiar, fruto do extrativismo, realizado de forma sustentável, com respeito à flora e à fauna. O licuri também foi elevado como uma das Fortalezas do Slow Food, movimento que surgiu na Itália e trabalha com uma rede de valorização do alimento bom, limpo e justo. A Coopes apresenta em seu quadro 225 cooperados, 80% mulheres de 30 comunidades rurais dos municípios de Quixabeira, Capim Grosso,

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Faturamento anual da Coopes

R$ 430 mil


Produtos disponíveis no mercado: licuri natural, salgado, licuri caramelizado, granola de licuri, licor, azeite de licuri, biscoitos e doces.

São José do Jacuípe, Correntina, Jacobina, Mairi, Morro do Chapéu, Nordestina, Piritiba, Serrolândia, Várzea da Roça e Várzea do Poço. As ações realizadas na cooperativa geram impacto na vida de cerca de mil famílias.

“Tivemos muitos avanços tecnológicos no extrativismo do licuri, com preservação cultural e ambiental do licurizeiro e ações de preservação da Caatinga, bem como o fortalecimento do cooperativismo na Bahia, com destaque para o protagonismo feminismo no Semiárido baiano”. Francelma Lima

Presidente da Coopes.

A presidente da Coopes, Francelma Lima, destaca o importante papel e a atuação da cooperativa para a melhoria na geração de renda de famílias em vulnerabilidade social: “Tivemos muitos avanços tecnológicos no extrativismo do licuri, com preservação cultural e ambiental do licurizeiro e ações de preservação da Caatinga, bem como o fortalecimento do cooperativismo na Bahia, com destaque para o protagonismo feminismo no Semiárido baiano”.

Investimentos produtivos Por meio do Bahia Produtiva, o governo estadual está investindo na Coopes R$ 3,9 milhões. Os recursos estão sendo aplicados em ações diversas de infraestrutura para o armazenamento da produção, em equipamentos e câmara fria, aquisição de veículo com capacidade de 14 toneladas, para o transporte do produto, e kit colheita de licuri para 40 famílias. Contemplam, também, a implantação 73


COOPERATIVA DE PRODUÇÃO DA REGIÃO DO PIEMONTE DA DIAMANTINA

de uma unidade de beneficiamento munida de placas solares para atender às unidades de processamento e proporcionar a quebra mecanizada do licuri. Os recursos vêm sendo empregados também em assistência técnica e extensão rural (Ater) e apoio à melhoria da gestão do empreendimento, por meio da profissionalização da equipe técnica, contratação de profissional de gestão e comercialização e especialista na área de alimentos, para a adequação dos produtos e a melhoria da qualidade da matéria-prima, na busca de novos mercados.

Bioeconomia e parcerias com instituições de pesquisa e desenvolvimento A syagrus coronata, conhecida como licuri, é uma planta endêmica, exclusiva do bioma Caatinga, ainda pouco explorada do ponto de vista científico. A

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R$ 3,9 milhões investidos em infraestrutura, aquisição de equipamentos e câmara fria, veículo utilitário e implantação de uma unidade de beneficiamento munida de placas solares, para proporcionar a quebra mecanizada do licuri.


Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) firmou parceria com a Coopes visando à consolidação do licuri na bioeconomia do Nordeste. A professora do Centro de Biociência, do Departamento de Bioquímica da UFPE, Marcia Vanuza da Silva, destaca que o fruto da palmeira, no campo da pesquisa, aponta inúmeros benefícios à saúde, podendo ser aplicado e utilizado no tratamento de inflamações, no processo de cicatrização e hidratação: “É necessário validar o uso popular desses bioprodutos, além de valorizar e agregar valor ao licuri, para, a partir do óleo extraído, desenvolver novos bioprodutos, para fins cosméticos e medicamentos, a fim de proporcionar ao país um portfólio de uma espécie nativa. O objetivo é transferir essa tecnologia para a Coopes”. No âmbito da cooperação técnica da pesquisa, ainda estão sendo realizadas análises químicas, físicas e de estabilidade do óleo do licuri, além da análise da segurança do seu uso, que será preconizado pelos testes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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COOPERATIVA DE PRODUÇÃO DA REGIÃO DO PIEMONTE DA DIAMANTINA

(Anvisa). Está sendo avaliado também o seu potencial, quanto ao seu valor medicinal, a exemplo das ações antioxidante, antimicrobiana, anti-inflamatória, antidiabética, cicatrizante, antitumoral, antiartrite, antidor e no tratamento de transtornos neurológicos, com a possibilidade de utilização no tratamento de Alzheimer, por exemplo. Outro objetivo do projeto é potencializar a realização de formulações para fitocosméticos, dentre eles, enxaguantes bucais, cremes dentais, tratamento de lesões acometidas pela bactéria que causa a acne e como fotoprotetores solares. A intenção da pesquisa com o licuri vai além da análise de seu potencial farmacêutico e cosmetológico. Espera-se também dar início a um processo de formação de profissionais na área de desenvolvimento de bioprodutos em nível de pós-graduação, a partir da bio-

diversidade brasileira: “Pretende-se, a partir dessa pesquisa, patentear essas inovações de produtos da biodiversidade nativa e exclusivamente brasileira, abrindo a possibilidade de geração de renda com a abertura de novos mercados, por meio da valorização do conhecimento popular, com a validação do conhecimento científico e colocando o Brasil nesse viés de bioeconomia, a partir da sua biodiversidade”, salienta Marcia Vanuza. A gestora do convênio Aliança Produtiva da Coopes, Renata Silva, destaca o crescimento do sistema produtivo do licuri: “Com o extrativismo do licuri, tem-se a possibilidade de desenvolvimento de uma gama de produtos, seja na área da alimentação, cosméticos ou na área de farmacêutica e a gente pode trabalhar a utilização sustentável desses bioprodutos”.


Onde comprar produtos da Coopes Os consumidores de Salvador podem adquirir os produtos da Coopes por canais de vendas, como a plataforma Balcão Online (balcao.online/coophub), pela startup baiana Escoaf (www.escoarbrasil.com. br), e nas lojas Caminho Natural, Puro Grão Alimentos e no restaurante Saúde na Panela. Os produtos derivados do licuri são fornecidos para os restaurantes Origem, Trapiche, Amado e Casa de Tereza, onde são utilizados em receitas. O licuri da Coopes ainda se encontra disponível para os consumidores dos estados de São Paulo, Brasília, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina - Coopes Município: Sobradinho Território: Sertão do São Francisco Telefone: 74 3538-2288 E-mail: coopes.sobradinho@ gmail.com Redes Sociais: www.coopes. org.br / @coopes_cooperativa Cooperados: 225

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COOPIATÃ ALTA QUALIDADE DOS GRÃOS DE CAFÉ POSSIBILITA PREÇOS ACIMA DO MERCADO

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Chapada Diamantina não é famosa só pelos seus encantos naturais, mas também pela sua produção de cafés de elevada qualidade. O município de Piatã destaca-se como principal produtor da região e de todo o Norte e Nordeste do país. Suas lavouras possuem altitudes de 1.260 até 1.400 metros e temperaturas amenas, ideais para a cultura do grão. As condições climáticas e de solo favoráveis, somadas a técnicas apuradas de produção, permitem excelentes resultados na produção de grãos de cafés especiais e gourmets. Os agricultores familiares da região atentos a essa potencialidade da região, somados a uma constante melhoria de processos de produção mais adequados ao cultivo do café, buscam oferecer ao mercado um produto de qualidade de alto valor agregado, capaz de ser reconhecido em elevados níveis de classificação em concursos.


A Cooperativa de Cafés Especiais e Agropecuária de Piatã (Coopiatã) tem conquistado destaque na produção de café 100% arábica, de alta qualidade, e garantido uma ótima colocação em concursos nacionais e internacionais. A Coopiatã já recebeu mais de 50 premiações, entre elas a da Associação Brasileira da Indústria de Torrefação e Moagem de Café (ABIC), a do Coffee of The Year, e do Cup Off Excellence, promovido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), onde se mantém entre as melhores colocações.

Mais de 50 premiações, entre elas, a da Associação Brasileira da Indústria de Torrefação e Moagem de Café (ABIC), a do Coffee of The Year, e do Cup Off Excellence, promovido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

No Cup of Excellence 2020, principal concurso nacional voltado para a qualidade do café, o produto de um agricultor da cooperativa ficou em quinto lugar e garantiu que o café da agricultura familiar mantivesse o posto de um dos melhores do Brasil. Com essa classificação obtida no concurso, o café ganhou o direito de participar de um disputado leilão internacional, via internet, onde os preços alcançados nesses pregões vão muito além dos preços praticados no mercado convencional. 79


COOPERATIVA DE CAFÉS ESPECIAIS E AGROPECUÁRIA DE PIATÃ

O cooperado da Coopiatã, Renato Rodrigues, destaca que a boa colocação do café em concursos como esse, mostra a força da produção dos agricultores familiares baianos: “Ganhar esse prêmio traz uma conquista para todos nós, produtores de café de Piatã, da Bahia. É resultado de muita dedicação, trabalho e paixão por esse fruto que nos enche de orgulho. O nosso café está entre os melhores do Brasil e é da agricultura familiar”.

da Lucineia, Café do João, Entrevales, Cafundó e Reserva da Chapada.

De acordo com o presidente da Coopiatã, Rodolfo Moreno, a saca de 60 kg do café arábica convencional sai hoje, em média, por R$ 500. O preço de um especial é comercializado, em média, a R$ 1.750 no mercado. Já a saca de um café classificado como especial, bem colocado em um concurso como este, o preço pode chegar a mais de R$ 50 mil.

Investimentos

A Cooperativa tem uma produção anual de quatro a cinco mil sacas de café, comercializadas nas marcas Coopiatã, Rigno, Rarefeito, Taperinha, Café

Faturamento anual da Coopiatã

R$ 1,4 milhão

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Os cafés são vendidos, em grãos ou moídos, classificados como tradicional, gourmet, especial e superior, e exportados para a Austrália. O faturamento anual da cooperativa é de aproximadamente R$ 1,4 milhão.

A Coopiatã recebe recursos do Bahia Produtiva da ordem de R$ 1,8 milhão, com ações que incluem a implantação de uma agroindústria de torrefação. O objetivo é a redução dos custos na produção e no beneficiamento dos cafés especiais, antes um serviço terceirizado. Também estão recebendo assistência técnica e extensão rural (Ater) para a melhoria da qualidade na produção dos grãos. Está previsto a aquisição de um


R$ 1,8 milhão investido em ações que incluem a implantação de uma agroindústria de torrefação.


COOPERATIVA DE CAFÉS ESPECIAIS E AGROPECUÁRIA DE PIATÃ

veículo utilitário, além de investimentos voltados para o desenvolvimento e o acesso ao mercado e a contratação de um assistente técnico em gestão (Ateg) para atuar na melhoria da gestão e nas estratégias e ações para viabilizar mercados para o café. Para Rodolfo Moreno, o Bahia Produtiva trouxe para a Coopiatã um olhar diferente sobre a sua atuação comercial, com suporte técnico adequado, aliado ao amadurecimento comercial da cooperativa, que possibilitou a inserção em novos mercados e a implementação de estratégias que fazem com que a cooperativa consiga se planejar e se posicionar no mercado de forma mais adequada: “A atuação dos Ateg’s traz não só um direcionamento e um suporte para o corpo de colaboradores da cooperativa, como também possibilita a troca de experiências entre as diversas cooperativas beneficiárias do Bahia Produtiva para que se tornem mais proativas e frequentes. Essa troca confere

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“O café da Coopiatã é feito por produtor rural e é daqui da nossa terra, da Bahia. Fora isso, tem um sabor único. É um caminho sem volta, quando a gente consome um café de qualidade, não aceita outro qualquer, virei fã”. Ingrid Pedrett

Coordenadora pedagógica, de Salvador.


uma atuação em rede, que beneficia a agricultura familiar como um todo, fortalecendo o movimento e trazendo mais visibilidade para nossos produtos”.

Onde encontrar os produtos da Coopiatã Os cafés da Coopiatã são comercializados em lojas especializadas e por meio de plataformas digitais como Balcão On-line (coophub.com.br) e na startup Escoaf (www.escoarbrasil.com.br), ou ainda o café verde em grãos, para cafeterias de diversas partes do Brasil. O conhecimento da procedência e da qualidade do café da Coopiatã conquistou a coordenadora pedagógica Ingrid Pedrett, de Salvador: “Eu gosto muito de consumir um produto do qual eu sei a origem e como funciona toda a cadeia produtiva, de saber quem faz, como e onde é feito. Essas são

questões importantes para o meu consumo diário. O café da Coopiatã tem esses requisitos. É feito por produtor rural e é daqui da nossa terra, da Bahia. Fora isso, tem um sabor único. É um caminho sem volta, quando a gente consome um café de qualidade, não aceita outro qualquer, virei fã”.

Cooperativa de Cafés Especiais e Agropecuária de Piatã - Coopiatã Município: Piatã Território: Chapada Diamantina Telefone: 77 98151-3232 E-mail: contato@coopiata.com Redes Sociais: www.coopiata. com.br / @coopiata Cooperados: 47

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COPIRECÊ PRODUTOS DE MILHO NÃO TRANSGÊNICO SE DIFERENCIAM NO MERCADO

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aumento da procura por alimentos saudáveis, nutritivos, funcionais, sem riscos à saúde e sustentáveis, por consumidores, trouxe uma demanda crescente, em todo o mundo, pelos alimentos não transgênicos. A agricultura familiar baiana também atenta às tendências de consumo e conectadas com a produção limpa e saudável, por meio de uma de suas cooperativas, a Cooperativa Agropecuária Mista Regional de Irecê (Copirecê), oferece ao mercado um portfólio de produtos derivados de milho que inclui orgânicos e livre de transgênicos. Responsável pela produção do Flocão de Milho, do Mingau de Milho Verde, do Mingau Multicereais, do Mungunzá e do Creme de Milho, os produtos da cooperativa são reconhecidos como os únicos não transgênicos do estado da Bahia. É com a garantia de um produto de origem reconhecida como não transgênico que o empreendimento ganhou visibilidade no mercado e detectou novas oportunidades até antes não exploradas.


O reconhecimento da qualidade do produto da cooperativa está mencionado nas palavras da enfermeira Tatiana Queiroz, de Salvador, consumidora do Flocão da Copirecê: “Como boa nordestina, gosto muito de cuscuz. Busco uma alimentação saudável e equilibrada, livre de agrotóxicos e transgênicos. Busquei um flocão de milho que atendesse às minhas necessidades. Conheci o Flocão Puro Milho não transgênico, da Copirecê, e optei por consumir um produto que não faria mal ao meu organismo, por ser um alimento saudável e sem ser geneticamente modificado. Além de fazer bem para a minha saúde, ajudo às famílias que produzem esse alimento”.

Diferencial no mercado de alimentos saudáveis O milho transgênico é aquele que recebe um ou mais genes de outro organismo para tornar o grão mais resistente a pragas, o que diminui os custos com o plantio e aumenta a lucratividade do

“Como boa nordestina, gosto muito de cuscuz. Conheci o Flocão Puro Milho não transgênico, da Copirecê, e optei por consumir um produto que não faria mal ao meu organismo, por ser um alimento saudável e sem ser geneticamente modificado. Além de fazer bem para a minha saúde, ajudo as famílias que produzem esse alimento”. Tatiana Queiroz

Enfermeira de Salvador

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COOPERATIVA AGROPECUÁRIA MISTA REGIONAL DE IRECÊ

produtor. O milho não transgênico (conhecido como GMO-Free), e também conhecido como milho convencional, não possui tais alterações genéticas. Os transgênicos ainda são cercados de incertezas em relação aos seus impactos na saúde humana. Estudos independentes mostram que os OGMs oferecem riscos à saúde e estão associados ao desenvolvimento de várias doenças, que vão das alergias ao câncer. De acordo com a engenheira agrônoma Zene Vieira, também há risco para os agricultores: “Os agricultores acabam perdendo uma semente que podiam guardar. É como se o milho transgênico deixasse o agricultor dependendo, todo ano, quando for plantar o milho, de ter que comprar. A variedade de milho crioulo não deixa depender do mercado, pois ele pode guardar para plantar na próxima safra. Além disso, os agricultores que plantam milho transgênico acabam contaminando a roça de outros agricultores, porque o milho é de polinização cruzada e temos diversos relatos de que os animais rejeitam os alimentos não transgênicos, por exemplo, a galinha para de pôr, animais de pequeno porte têm problemas intestinais, o gado não tem palato”.

Qualificação na melhoria do empreendimento A Copirecê surgiu em 1970, com 100 agricultores familiares, que produziam e beneficiavam feijão, milho e algodão. Em 1990, a cooperativa deu um salto no processo de desenvolvimento e de qualificação do beneficiamento do milho. Atualmente, são cerca de 600 cooperados e cooperadas, que produzem em média 75 toneladas de milho por mês. Segundo o presidente da cooperativa, Walter Ney Dourado, a ideia dos produtos derivados de milho surgiu para atender às demandas do comércio local e viabilizar o escoamento da produção de milho na região: “No início, eram produzidos apenas creme e milho para mungunzá. Em 2009, começamos a produzir o Flocão Puro Milho. No início, as vendas eram poucas, 86

Produção média de 75 toneladas de milho por mês.

mas, com a divulgação em eventos e a participação em feiras da agricultura familiar e outras do segmento de produtos naturais e orgânicos, apoiadas pelo Governo do Estado, as vendas aumentaram e, hoje, é o nosso carro-chefe”.


Investimentos produtivos

A partir do início do apoio do projeto Bahia Produtiva, em 2019, a Copirecê, que tinha um faturamento anual, em 2018, de R$ 365,2 mil, passou a faturar cerca de R$ 3 milhões, em 2020. Os investimentos em melhoria da gestão, tornando-a mais profissional, e a mudança nas estratégias de comercialização dos produtos da cooperativa resultaram em um aumento de 60% no número de clientes no varejo e de 40% de clientes em canais de distribuição atacadistas e distribuidores.

Por meio do Bahia Produtiva, o Governo do Estado está investindo R$ 1,4 milhão, na ampliação da área utilizada para o armazenamento de produtos (capacidade para armazenar 200 toneladas de alimentos); reforma da unidade beneficiamento, aquisição das máquinas de empacotamento; aquisição de um caminhão, para o escoamento da produção; na comunicação visual e nas novas embalagens dos produtos derivados de milho. Com os recursos investidos, os agricultores filiados à cooperativa foram beneficiados ainda com a entrega de insumos e grãos não transgênicos, e com o serviço de assistência técnica e extensão rural (Ater).

Para garantir a qualidade de sua produção e dos produtos que oferece ao mercado, a cooperativa possui um minilaboratório onde realiza um rigoroso processo de seleção dos grãos, incluindo o teste de transgenia em toda a sua produção. Todos esses cuidados garantem a qualidade e a confiabilidade dos produtos da Coopirecê no mercado.

O agricultor Hélio Rodrigues Rocha, da comunidade de Baixão dos Honoratos, no município de São Gabriel, é um dos beneficiados com a entrega de insumos: “Agora a gente só planta semente crioula (não transgênica). Até aumentei minha área de produção. É uma semente que vou manter para o resto da vida. Produzir um milho de boa 87


COOPERATIVA AGROPECUÁRIA MISTA REGIONAL DE IRECÊ

qualidade e já saber para quem vou vender me deixa muito seguro e satisfeito”. Por meio do Bahia Produtiva também foram realizadas orientações à cooperativa em temas como estratégias de comercialização e distribuição, mix de produtos, estratégias de marca e posicionamento, design de rótulos e embalagens, além de orientações sobre estratégias de promoção dos produtos e apoio na participação de eventos de comercialização. A gestora da Copirecê, Vamary de Jesus, afirma que a cooperativa, com o apoio do projeto Bahia Produtiva, conseguiu alcançar novos mercados para os produtos não transgênicos: “Ao promover encontros entre a Copirecê e o setor varejista, o projeto possibilitou o acesso a novos nichos de mercado e o retorno de clientes, para assim poder-

mos melhorar os produtos, fortalecer as parcerias existentes, prospectar e fechar novos negócios. Além disso, ressalto a importância dos treinamentos internos do projeto para melhorias de posicionamento da marca no mercado e o trabalho constante de divulgação em mídias”. Ampliando a sua atuação e antenada com as tendências de consumo a cooperativa vem trabalhando, também, com a produção de orgânicos. Na safra de 2019/2020 produziu 5.055 quilos de grãos. A expectativa é ter um aumento de 20% na produção de milho orgânico nos próximos dois anos. Hoje, já possui 10 agricultores engajados na produção certificada orgânica e espera ampliar a quantidade dentro dos próximos anos.

R$ 1,4 milhão investido em ações como a reforma da unidade de beneficiamento, aquisição de máquinas e veículo, comunicação visual, novas embalagens e assistência técnica e extensão rural (Ater).

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Onde comprar os produtos da Copirecê Os produtos podem ser encontrados nos varejos de produtos naturais em Salvador, como Mundo Verde, Viva o Grão, Nutrição Completa, Boi Vivo. Também podem ser adquiridos e entregues em casa, pelas plataformas digitais Balcão On-line (coophub.com.br) e na startup Escoaf (www.escoarbrasil.com.br).. A Copirecê está presente também em vários municípios baianos como Juazeiro, Senhor do Bonfim, Alagoinhas, Jacobina, Seabra, Feira de Santana e em outros estados brasileiros como Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Sul e Brasília.

Cooperativa Agropecuária Mista Regional de Irecê Copirecê Município: Irecê Território: Irecê Telefone: 74 3641 3722 E-mail: copirece@hotmail.com Rede Social: @flocaopuromilho Cooperados: 600

Faturamento em 2020 da Copirecê

R$ 3 milhões 89


COOPESSBA CHOCOLATE DA AGRICULTURA FAMILIAR CONQUISTA MERCADO DE PRODUTOS VEGANOS

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demanda da população por produtos veganos vem crescendo nos últimos anos e se tornando, cada dia mais, um nicho de mercado promissor para as empresas atuarem. O não consumo de alimentos de origem animal por grupos de consumidores, aliado à busca por alimentos mais saudáveis, por uma alimentação inclusiva, com opções vegetarianas, sem glúten e sem lactose, são as causas desse aumento de demanda no consumo. Atentos às novas tendências e aos novos hábitos de consumo, os empreendimentos da agricultura familiar da Bahia visualizaram novas oportunidades de atuação mercadológica e passaram a oferecer produtos para acessar esses nichos de mercado. É o caso da Cooperativa de Serviços Sustentáveis da Bahia (Coopessba), localizada no município de Ilhéus, no Sul da Bahia, que em 2020, teve um faturamento de R$ 680 mil.


A Coopessba está inserida no tradicional território produtor de cacau do estado da Bahia. Fundada em 2008, para desenvolver atividades de cooperação e incentivo aos produtores rurais da região, que cultivam o cacau ‘cabruca’ - cacau produzido em sistema ecológico de cultivo agroflorestal, caracterizado pela forma de plantio em meio à Mata Atlântica, sem prejudicar a preservação do bioma. Há cerca de dois anos, a cooperativa somente vendia a amêndoa para as indústrias, e fabricava chocolate em pó, mas sem registro. Em 2019, a partir do propósito de práticas mais sustentáveis e de preocupação com o meio ambiente aliado à ideia de oferecer um alimento mais saudável, estudou-se a criação da marca Natucoa, trazendo ao mercado uma linha de produtos veganos e funcionais, desprezando toda e qualquer necessidade da utilização de leite e derivados na elaboração dos

Cacau Cabruca Cacau produzido em sistema ecológico de cultivo agroflorestal. seus produtos. Assim, chocolates nas versões de percentual de 56%, 70% e 80% de cacau, nibs, cacau em pó, chocolate em pó e geleias de cacau com pimenta e com licuri foram lançadas pela Coopessba da marca Natucoa. Em 2020, a cooperativa ampliou seu mix de produtos, lançando no mercado a barra de chocolate com licuri.

Faturamento em 2020 da Coopessba

R$ 680 mil

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COOPERATIVA DE SERVIÇOS SUSTENTÁVEIS DA BAHIA

Em 2020, a cooperativa lançou no mercado a barra de chocolate com licuri. Os chocolates e nibs possuem o Selo de Identificação Geográfica Cacau Sul Bahia, que garante a procedência do cacau, a sua rastreabilidade e padrões de qualidade de fermentação, manejo e tratamento das amêndoas. Os produtos são processados utilizando as menores taxas de aditivos químicos, conservantes, aromatizantes, ou qualquer outro aditivo que desencadeie algum tipo de intolerância. Segundo a presidente da Coopessba, Carine Assunção, a cooperativa já iniciou a produção de chocolates de olho no mercado vegano: “O primeiro chocolate lançado pela cooperativa foi um 56% sem leite, com uma formulação não muito comum. Sempre optamos por um cacau certificado e de qualidade, então, não víamos por que usar leite, que normalmente é usado para mascarar a qualidade do cacau. Para agregar valor ao produto e também se colocar no mercado de forma diferente, optamos por ser vegano e ter uma certificação”.

Investimentos para viabilizar o acesso a mercados Com o apoio do projeto Bahia Produtiva, a cooperativa tem investido na modernização das embalagens e em ações de promoção e comunicação, principalmente nas redes sociais. O empreendimento vem trabalhando também na melhoria da qualidade da amêndoa do cacau e no aumento da produção, além de investir na qualificação do processo de comercialização. 92


R$ 2,5 milhões investidos em ações que incluem a ampliação da capacidade produtiva da cooperativa, estratégias de branding, o posicionamento de nova marca, o desenvolvimento de embalagens e na capacitação da equipe de vendas.


COOPERATIVA DE SERVIÇOS SUSTENTÁVEIS DA BAHIA

Estão sendo investidos R$ 2,5 milhões em ações que incluem a ampliação da capacidade produtiva da cooperativa, o que proporcionará a ampliação e o desenvolvimento de novos mercados. Estratégias de branding o posicionamento de nova marca, o desenvolvimento de embalagens para os produtos, a capacitação da equipe de vendas para a distribuição da marca nos mercados atacadista e varejista, alinhados às estratégias de comercialização e apoio para a participação em feiras e eventos nacionais e internacionais, contemplam um leque de soluções e ações para viabilizar mercados. Os investimentos do Bahia Produtiva também possibilitaram à cooperativa acessar o serviço de assistência técnica e extensão rural (Ater), que ajudou na qualificação e no aumento da produção, e a assistência técnica e gerencial (Ateg), que contribui com a melhoria da gestão.

Carine Assunção ressalta que, a partir dos investimentos já realizados, as vendas cresceram aproximadamente 30%, mesmo em períodos de pandemia: “A pandemia deu um impulso maior na busca de novos mercados, incluindo pontos de venda em outros mercados, entre eles, o de vendas on-line. Foi fundamental dar maior visibilidade à marca Natucoa. A cooperativa chegou a contratar uma empresa de marketing para profissionalizar o setor e lançou uma revista digital destinada aos revendedores”. Por mês, estão sendo vendidos, em média, uma tonelada de mix de pó de chocolate e 250 quilos de chocolate, para clientes da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul e Sergipe. A cooperativa conta também com 73 revendedores ativos cadastrados, em sua maioria voltados para o segmento de produtos naturais.

Comercialização mensal de uma tonelada de mix de pó de chocolate e 250 quilos de chocolate para fora da Bahia.

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Os produtos da Natucoa também fazem sucesso na gastronomia. A chef e personal cook, Mell Cady, é consumidora e aprova os produtos Natucoa: “O chocolate é de ótima qualidade. Já utilizei as gotas de chocolate nas minhas aulas do último curso que fiz e a pasta de cacau com licuri, que é deliciosa. Sem dúvida, são produtos maravilhosos, que estão fazendo parte das minhas receitas”.

Prêmio O chocolate Natucoa, com teor de 70% cacau, foi premiado em 3º lugar no Prêmio Brasil Artesanal 2019 Chocolate e no 4º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, com o tema AGIR – Ação Global: Integração de Rede.

Onde encontrar os produtos da Coopessba

“O chocolate é de ótima qualidade. Já utilizei as gotas de chocolate nas minhas aulas do último curso que fiz e a pasta de cacau com licuri, que é deliciosa. Sem dúvida, são produtos maravilhosos, que estão fazendo parte das minhas receitas”. Mell Cady

Chef e personal cook

Em Salvador, é possível encontrar os produtos Natucoa no Raízes Empório Virtual, Clube do Hortifrúti, Armazém Grão e Grão, Cesta do Povo, Natural Center, Mercearia Familiar e Comsoli. Além da startup Escoaf (www.escoarbrasil.com.br) e na plataforma digital Balcão On-line (coophub.com.br). No interior, está disponível na rede Cambuí, Itao e Cesta do Povo.

Cooperativa de Serviços Sustentáveis da Bahia Coopessba Município: Ilhéus Território: Litoral Sul Telefone: 73 3215-5860 E-mail: coopessba@ coopessba.com Redes Sociais: www.natucoa. com.br / @natucoa_chocolate Cooperados: 87

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COOPERBAC COOPERATIVA APOSTA EM SEGMENTAÇÃO DE PÚBLICO PARA SE ESTABELECER NO MERCADO

O

entendimento do funcionamento do mercado para determinada categoria de produto, o número de concorrentes e outras variáveis tornam-se de grande importância para que os produtos da agricultura familiar possam se fazer presentes em ambientes de negócios de elevada competitividade, a exemplo do mercado de cafés. A Cooperativa Mista dos Pequenos Cafeicultores de Barra do Choça e Região (Cooperbac), no Sudoeste Baiano, tem se despontado nesse mercado como um dos maiores produtores de café da Bahia e entre os melhores do Brasil. Atualmente, são produzidas e comercializadas pela cooperativa quatro marcas de café, com produtos segmentados para mercados diversificados. A marca Café Tia Rege tem um rigoroso controle de curva de torra, da temperatura, do tempo de processamento e é um café destinado a consumidores


que, apesar de exigirem qualidade de aroma e sabor, buscam preços mais acessíveis para o produto. O Café Cooperbac possui características similares ao Café Tia Rege, mas é recomendado para um consumidor que anseia qualidade e sabores mais diferenciados. O Café Gourmet Cooperbac, com grãos selecionados e processo apurado de torra apresenta notas achocolatadas, ideal para um consumidor que busca novas experiências sensoriais para o café. O Café Frutos da Terra é resultante do café do tipo arábica e do café do tipo conilon, um tipo de mistura que também atende a preferências do mercado em termos de cor, aroma e textura, aliados a preços ainda mais baixos e competitivos quando comparado ao preço praticado para o Café Tia Rege.

Um café orgânico para ampliar o mix de produtos Para ampliar o mix de produtos da cooperativa, apresenta-se em fase inicial o desenvolvimento de um novo produto e marca para o café orgânico, certificado pela Associação de Certificação Instituto Biodinâmico (IBD). Será produzido com base em princípios da agricultura orgânica focada na não utilização de agrotóxicos, insumos e aditivos químicos, com a adoção de sistemas de produção controlados e auditados. Todos os cafés produzidos pela Cooperbac são 100% puros, sem qualquer resquício de palha ou impurezas, comumente presentes em alguma marca existente no mercado. O cuidado na forma de produzir, na colheita e beneficiamento e os cuidados com a sustentabilidade estão presentes em todos os processos. Desde a seleção dos grãos, o aproveitamento das cascas para a produção de adubo e até da fumaça das torrefadoras retornadas ao processo na forma de calor, tudo é minimamente controlado.

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COOPERATIVA MISTA DOS PEQUENOS CAFEICULTORES DE BARRA DO CHOÇA E REGIÃO

Geração de emprego e renda para mais de 9 mil pessoas, direta e indiretamente. O proprietário Leonardo Tavares da Biscoitaria João e Maria, em Lauro de Freitas, na Bahia, é consumidor assíduo e vendedor do café da Cooperbac em seu estabelecimento: “É um produto de boa qualidade e de custo baixo, da agricultura familiar e solidária. Quem gosta de um bom café não abre mão de experimentar. Além de 100% arábica, os grãos são de tamanhos iguais e bem torrados, agradando aos paladares mais exigentes. Alguns clientes relatam que o café possui algumas características marcantes como o cheiro e o sabor encorpado. E os que realmente conhecem o café interiorano se encantam com o sabor do Cooperbac”. Os cafés da Cooperbac possuem Selo de Identificação de Produtos da Agricultura Familiar (SIPAF), registrado na embalagem, e geram emprego e renda para mais de 9 mil pessoas, direta e indiretamente, fortalecendo a economia local. O cultivo do café na região é a principal fonte econômica do município de Barra do Choça na Bahia. A presidente da Cooperbac, Joahra Oliveira, explica por que a cooperativa optou por estar presente no mercado com outra variedade de café: “Quando a gente vai adquirindo conhecimento acerca da comercialização, com a ajuda de profissionais da área, a gente começa a enxergar as necessidades dos clientes. Observamos clientes que gostam de um café especial, outros que apreciam o orgânico, e outros que preferem o tradicional. São diferentes tipos de clientes e voltamos o nosso olhar para cada um deles”. 98

“Quando a gente vai adquirindo conhecimento acerca da comercialização, com a ajuda de profissionais da área, a gente começa a enxergar as necessidades dos clientes. Observamos clientes que gostam de um café especial, outros que apreciam o orgânico, e outros que preferem o tradicional. São diferentes tipos de clientes e voltamos o nosso olhar para cada um deles”. Joahra Oliveira

Presidente da Cooperbac.


Investimentos de recursos na Cooperbac Por meio do Bahia Produtiva, estão sendo destinados recursos da ordem de R$ 4,4 milhões para a Cooperbac. As ações estão contribuindo para a melhoria de todo o processo produtivo e para o escoamento da produção da cooperativa. Intervenções e ações de assistência técnica e extensão rural (Ater) na produção estão sendo desenvolvidas voltadas para o melhoramento da base produtiva. Investimentos para qualificar a agroindústria de maneira a se ter uma infraestrutura mais adequada para a melhoria da produtividade e da qualidade do grão de café são iniciativas previstas pelo projeto. Também a existência de consultorias em áreas diversas da gestão, aliadas à melhoria dos processos logísticos, a readequação de embalagens e rotulagens dos produtos amparam as estratégias de comercialização e distribuição dos produtos no mercado.

R$ 4,4 milhões investidos em ações voltadas para a melhoria do processo produtivo e para o escoamento da produção, qualificação da agroindústria e Ater.

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COOPERATIVA MISTA DOS PEQUENOS CAFEICULTORES DE BARRA DO CHOÇA E REGIÃO

O Bahia Produtiva também viabilizou para a cooperativa um laboratório de degustação de café. Finalizado em 2019, o laboratório é gerenciado por três jovens, filhos de pequenos produtores cooperados, capacitados para fazer a certificação e emissão de laudos técnicos, que habilitam o produto da Cooperbac para fornecimento das grandes marcas nacionais de café.

Organização amplia faturamento A Cooperbac nasceu com o objetivo de organizar pequenos agricultores para conseguir preços mais baixos nas compras coletivas de insumos e melhores condições para escoar a produção de café. O esforço para o trabalho cooperativo gerou resultados, reduzindo os custos em até R$ 20 por saca. Em 2010, a marca foi registrada, mas a produção ainda era pequena, aproximadamente no volume de 100 mil sacas. Sem infraestrutura, os cooperados pagavam caro por serviços terceirizados de beneficiamento do grão de café e tinham dificuldade para acessar os programas governamentais. Com os investimentos, elevou-se a capacidade de produção que hoje atinge as 280 mil sacas. Os investimentos do Bahia Produtiva possibilitaram ainda a instalação de 20 estufas e cinco despolpadores em propriedades de agricultores beneficiados com as ações do projeto, viabilizando ainda mais a produção do café. O aumento da produtividade e a melhoria da qualidade dos processos de colheita, despolpagem e secagem proporcionaram ganhos em escala que levaram alguns produtores a investir na ampliação da infraestrutura de suas propriedades. Dos 335 cooperados, aproximadamente 70% possuem estrutura de secadores (estufa, terreiros) e despolpadores, que ampliam a capacidade produtiva da cooperativa. Os grãos de café despolpado e secos em estufas alcançam a classificação de bebida mole, podendo chegar a R$ 670 a saca.

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A capacidade de produção de

280 mil sacas


COOPERATIVA MISTA DOS PEQUENOS CAFEICULTORES DE BARRA DO CHOÇA E REGIÃO

Também foi possível vincular novas associações de produtores de Planalto, Poções, Encruzilhada e Ribeirão do Largo à cooperativa o que possibilitou à Cooperbac a formatação de contrato comercial de venda com uma grande empresa de exportação. A partir deste ano de 2021, a previsão da cooperativa é enviar para o mercado chinês cerca de 20 mil quilos de café, em um primeiro pedido. A Cooperbac apresenta alta produtividade. Enquanto a média baiana é de 15 sacas/hectare, em Barra do Choça, a produtividade atinge 20 sacas por hectare. Depois de todos os investimentos em infraestrutura e qualificação de todas as etapas do processo produtivo, a média de produção de saca/ hectare da Cooperbac chega a 60 sacas. O resultado foi a ampliação do faturamento da cooperativa em mais de R$ 1,3 milhão, no ano de 2019.


Onde comprar os cafés da Cooperbac Em Salvador, os cafés da Cooperbac podem ser encontrados no Mercado de Itapuã e na Rede Mix, e, em Lauro de Freitas, na Biscoitaria João e Maria, além da startup Escoaf Brasil, (www.escoarbrasil. com.br). O produto também vem sendo comercializado em diversos municípios baianos, a exemplo de Feira de Santana, Pintadas, Ilhéus, Serrinha, Porto Seguro e Itabuna e para o estado do Rio de Janeiro e o Distrito Federal. Em 2021, a Cooperbac vai partir para a venda de suas marcas em uma loja on-line própria, onde os aficionados pela bebida poderão comprar, além do café, todos os apetrechos para saborear um café de alta qualidade, com estilo.

Cooperativa Mista dos Pequenos Cafeicultores de Barra do Choça e Região - Cooperbac Município: Barra do Choça Território: Sudoeste Baiano Telefones: 77 99995-6858 / 99253-2775 E-mail: coopag.iogurte@hotmail.com Redes Sociais: www.cooperbac.com.br / @cooperbac.cafe Cooperados: 335

Faturamento em 2020 da Cooperbac

R$ 1,3 milhão 103


COOPERCUC FRUTOS NATIVOS DA CAATINGA GANHAM O MERCADO EUROPEU

O

umbu e o maracujá da Caatinga, produtos processados por agricultores e agricultoras familiares do Norte da Bahia, conquistaram o mercado internacional. As frutas cultivadas na Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, são símbolos do Sertão baiano e trazem histórias de resistência e convivência com o Semiárido. Os frutos, antes vistos como opção de sobrevivência para muitos, hoje proporcionam renda para milhares de famílias e dão lugar à fabricação de produtos como doce em massa, doce cremoso, compotas, polpas, geleias e cervejas, produzidos pela Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), comercializados com a marca Gravetero. A alta qualidade dos produtos permitiu que adquirissem o Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf), o selo Ecocert,


certificação de produção orgânica, e o Fairtrade, certificação referente ao comércio justo. O carro-chefe da cooperativa são os doces feitos de umbu, fruta suculenta, rica em sais minerais e vitaminas. Atualmente, são beneficiadas na agroindústria da cooperativa cerca de 50 toneladas de umbu por ano. A produção é extraída de umbuzeiros nativos, alguns com mais de 100 anos. Como forma de preservar o pé de umbu, ameaçado de extinção, a Coopercuc tem garantido o plantio e o desenvolvimento sustentável dessa cultura, com a multiplicação da espécie pelas comunidades rurais no território onde atua. A Coopercuc tem como um dos seus valores a convivência com a diversidade do Semiárido e vem trabalhando para aumentar a produção de umbu e de outros itens agrícolas típicos da biodiversidade brasileira. Para isso, quer aumentar as exportações e incentivar negócios sustentáveis com esses produtos.

Da Caatinga para o mercado europeu Em 2019, a Coopercuc realizou a primeira exportação de doce de maracujá com banana para a Alemanha, por meio de uma parceria com empresa do país europeu, a Toda Vida – Food for Life, que apoia projetos de agricultura sustentável no Brasil. Daí em diante, a estratégia de exportar ultrapassou as fronteiras da Alemanha. Outro país europeu que também se rendeu aos sabores da agricultura familiar baiana foi a França. Para a Alter Eco, foram comercializados diversos produtos, como barrinhas de doce em massa, doce cremoso de umbu, geleia de umbu e de maracujá-do-mato, vendidos em redes de supermercados a um preço superior ao das grandes marcas. A Coopercuc também está em negociação com clientes dos Estados Unidos, Polônia e Espanha. A presidente da Coopercuc, Denise Cardoso, observa a representatividade do mercado externo:

Beneficiamento de 50 toneladas de umbu por ano.

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COOPERATIVA AGROPECUÁRIA FAMILIAR DE CANUDOS, UAUÁ E CURAÇÁ

“Além de ser uma oportunidade de colocar os produtos do Semiárido brasileiro e baiano na casa de consumidores europeus, aumentar a carteira de clientes e a receita, os nossos produtos levam histórias de agricultores e agricultoras, que lutam a cada dia para valorizar esse bioma tão importante para o Brasil, a Caatinga”.

O mandacaru nos insumos e matérias-primas da indústria cosmética Outra matéria-prima da biodiversidade baiana que a Coopercuc está comercializando para o mercado externo é o mandacaru. O cacto deu origem à produção de uma linha de cosméticos como sabonete líquido, sabonete cremoso e hidratante corporal, 106

“Os nossos produtos levam histórias de agricultores e agricultoras, que lutam a cada dia para valorizar esse bioma tão importante para o Brasil, a Caatinga”. Denise Cardoso

Presidente da Coopercuc.


da empresa de cosméticos francesa L’Occitane. Em 2019, a cooperativa forneceu 600 quilos de mandacaru e, além da parceria comercial da matéria-prima, recebe uma porcentagem da repartição de benefícios.

economicamente viável, socialmente justa e solidária, buscando sempre garantir a sustentabilidade econômica, social, ambiental e cultural, de modo a viabilizar a melhoria das condições de vida dos seus cooperados.

Além da oportunidade de acessar o mercado internacional com as exportações e o mercado da beleza com a venda do mandacaru, a Coopercuc destina os recursos obtidos com essas parcerias em ações de recuperação, replantio e preservação do bioma Caatinga, pelo projeto Agrocaatinga.

A produção do grupo de mulheres era destinada, inicialmente, ao consumo das famílias no seu cotidiano; já o excedente passou a ser comercializado nas feiras livres da região. Com a formação da

Perspectivas para o mercado nacional A Coopercuc foi fundada em 2004 com a missão de contribuir para o fortalecimento da agropecuária familiar visando à produção ecológica,

A Bahia é responsável por cerca de 80% da produção nacional de umbu.

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COOPERATIVA AGROPECUÁRIA FAMILIAR DE CANUDOS, UAUÁ E CURAÇÁ

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Faturamento em 2020 da Coopercuc

R$ 3 milhões

cooperativa, foi possível acessar o mercado institucional e dezenas de projetos de venda já foram operacionalizados em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por meio do Programa de Aquisição de Alimento (PAA) e centenas de contratos de vendas também efetivados com instituições de ensino, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Com organização, parcerias e qualidade da produção, hoje a Cooperativa é formada por 271 cooperados, sendo 70% mulheres e 20% jovens, e tem aumentado cada vez mais suas vendas em todo o território nacional no mercado privado. O faturamento total da cooperativa ultrapassou R$ 3 milhões, em 2020.

O mercado em Salvador e em outros estados Em Salvador, são comercializados mais de 95% do portfólio dos produtos Gravatero. Atualmente, são 48 clientes em 16 bairros da capital baiana. As vendas são feitas também para restaurantes, a exemplo do Origem, Ori e Bar Gem, da capital baiana, onde a chef Lisiane Arouca usa em suas receitas: “A Bahia tem uma diversidade da produção de alimentos e é preciso valorizar o que temos e trabalhar com os sabores desses ingredientes da nossa terra. Utilizo a geleia de umbu para finalização de algumas sobremesas. Nossa prioridade sempre foi e sempre será os produtos da agricultura familiar”. Os produtos são comercializados ainda para cerca de 300 clientes em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Tocantins, Goiás, Distrito Federal, Ceará, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Alagoas, Sergipe e Pará.

Novos produtos e novos mercados Na 11ª Feira Baiana de Agricultura Familiar e Economia Solidária, a cooperativa apresentou duas 109


COOPERATIVA AGROPECUÁRIA FAMILIAR DE CANUDOS, UAUÁ E CURAÇÁ

novidades como aposta para alcançar novos segmentos de mercado e atender às demandas dos consumidores com novos produtos. A umbuzada orgânica, um preparado líquido para refresco sem adição de açúcar, consumida há anos na região foi lançada no evento. É um alimento nutritivo, que dá saciedade para a família sertaneja, feita com leite de cabra ou de vaca ou com extrato de licuri, para consumo puro ou com farinha. Com roupagem adequada foi apresentada ao mercado. Outra novidade foi a linha de cervejas artesanais em latinha, na versão de 473ml, das cervejas com umbu Belgian Pale Ale e Saison Farmehouse Ale e a cerveja Maratinga Fruit Beer, com maracujá da Caatinga. O mestre cervejeiro da Coopercuc, Emanuel Messias, afirma que a qualidade das cervejas é a mesma da embalagem de vidro lançada anteriormente pela cooperativa, com corpo, frescor, aroma e sabor agregados a uma embalagem mais compacta, de fácil transporte e que também é amplamente reciclada no país: “A Gravetero sempre buscou a sus-

tentabilidade dos seus processos de produção e o consumidor sempre demandou cervejas nesse tipo de embalagem. Após as avaliações com os consumidores, decidimos apostar na nova embalagem”.

Investimentos promovem melhoria de resultados A Coopercuc é apoiada pelo Governo do Estado, por meio do projeto Bahia Produtiva, da Companhia de Desenvolvimento Rural (CAR/SDR), cofinanciado pelo Banco Mundial. O investimento de R$ 1,8 milhão foi direcionado para intervenções na cooperativa com o objetivo de ampliar a capacidade da organização para o acesso ao mercado. Investimentos na aquisição de novos equipamentos, desenvolvimento de rótulos e embalagens dos produtos para viabilizar o acesso ao mercado europeu, como também certificações, a exemplo de certificação para a categoria de produtos veganos, previstos para serem lançados neste ano de 2021.


R$ 1,8 milhão investido para ampliar a capacidade da organização para o acesso ao mercado.

Com o apoio do Bahia Produtiva, também foi possível obter assessoria técnica referente ao acesso a mercados, estratégias de marketing, comercialização, distribuição, orientação para a prospecção de novos canais de distribuição, como também orientações sobre comunicação e promoção de produtos, e apoio na participação em feiras e eventos nacionais e internacionais. De acordo com o gestor comercial da Coopercuc, Dailson Andrade, o apoio do Governo do Estado foi essencial para a venda de produtos da cooperativa ao mercado externo: “Isso só foi possível graças à estratégia de mercado adotada, que, a partir dos investimentos que estão sendo feitos, toda a operação internacional e a estratégia de marketing da cooperativa foram redesenhadas para que alcançássemos a exportação dos nossos produtos”. Onde encontrar os produtos da Coopercuc Os produtos da Coopercuc podem ser adquiridos, em Salvador, na Rede Moinho, Quindins da Bahia, Cesol e Mercado Orgânico do Salvador Shopping, Bolo das Meninas, Ciranda Café Cultura & Artes, Casa São Paulo, Solange Biscoitos Finos e na plataforma digital da startup Escoaf (www.escoarbrasil.com.br).

Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá - Coopercuc Município: Uauá Território: Sertão do São Francisco Telefone: 74 3673-1428 E-mail: vendas@coopercuc.com.br Redes Sociais: www.coopercuc. com.br / @coopercuc_graveteiro Cooperados: 271

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COOPERSERTÃO COOPERATIVA APOSTA NA PRODUÇÃO DE MAMONA DESTINADA PARA BIODIESEL

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Bahia se destaca como maior produtor de mamona do Brasil, com cerca de 92% da produção nacional. A maior parte dessa produção está na região Semiárida e vem da agricultura familiar. A Cooperativa Mista e Produção, Aquisição e Serviço do Estado da Bahia (Coopersertão), localizada no município de Irecê, destaca-se nesse cenário com o fornecimento de matéria-prima para a produção do biodiesel. Em todo o mundo, o cultivo da mamona é destinado à extração do óleo da semente que é o mais importante constituinte da semente de mamona. O cultivo deste produto tem aumentado devido à alta demanda do setor produtivo e da expansão e transformação tecnológica para a produção de biocombustíveis. A partir das sementes, é possível extrair o óleo de mamona, usado na lubrificação de motores com alta rotação e como matéria-prima para a produção de biodiesel.


De acordo com a Agência Embrapa de Informação Tecnológica, o aperfeiçoamento da ricinoquímica permitiu ampliar a gama de produtos industriais obtidos a partir do óleo de mamona. Este fato elevou o interesse dos produtores, exportadores e industriais, dando mobilidade aos segmentos industriais e deixando a comercialização da mamona mais rentável. A Coopersertão foi criada em 2016 e, nesse cenário, atua em todo estado, com o objetivo de fortalecer a base produtiva do sistema produtivo da mamona, executar assistência técnica e adquirir grãos com preço justo, que remunera agricultores, resultando na geração de renda para 700 famílias dos Territórios de Irecê, Chapada Diamantina e Piemonte da Diamantina.

Geração de renda para 700 famílias dos Territórios de Irecê, Chapada Diamantina e Piemonte da Diamantina.

Em 2018, com o apoio do projeto Bahia Produtiva, a cooperativa organizou toda a base produtiva com a inclusão de tecnologias criando maior produtividade e aumento da área produtiva e a gestão da cooperativa foi potencializada, com a contratação do profissional de gestão.

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COOPERATIVA MISTA E PRODUÇÃO, AQUISIÇÃO E SERVIÇO DO ESTADO DA BAHIA

Investimento viabiliza o aumento da produtividade Estão sendo investidos R$ 3,2 milhões na construção de galpões para estocagem e beneficiamento da mamona, aquisição de máquinas e equipamentos para o cultivo, irrigação e logística do transporte de grãos. Os investimentos têm garantido a manutenção das tecnologias, assistência técnica e fornecimento de material genético de alta qualidade, aumentando a produtividade em até 30% dos agricultores atendidos pela cooperativa.

A cooperativa comercializa a mamona para empresas, como Petrobras Biocombustível, Bioóleo, Olma, Candinheiro, Enovel e Granelis Brasil. De acordo com o presidente da cooperativa, Ziraldo Novaes, o projeto tem beneficiado muitos agricultores e melhorado o sistema produtivo da mamona na região: “A patrulha mecânica foi usada na área dos produtores, melhorando o tempo hábil para efetuar a plantação. Com as máquinas beneficiando os grãos, houve melhora no preço, aumentando a renda dos agricultores. Além disso, essa organização da base produtiva com assistência técnica tem fixado o homem do campo e diminuído o êxodo rural”. Como resultado, houve aumento na produção de mamona de 486 para 559 toneladas por ano, gerando um faturamento de R$ 3,4 milhões em 2020. 114


R$ 3,2 milhões investidos na construção de galpões para estocagem e beneficiamento da mamona, aquisição de máquinas e equipamentos, irrigação e logística.


COOPERATIVA MISTA E PRODUÇÃO, AQUISIÇÃO E SERVIÇO DO ESTADO DA BAHIA

Hoje, a cooperativa comercializa a mamona para empresas como Petrobras Biocombustível, Bioóleo, Olma, Candinheiro, Enovel e Granelis Brasil. Para a Petrobras Biocombustível, por exemplo, foi ampliada a contratação da comercialização de grãos de 1,2 mil toneladas, em 2018 para 6 mil toneladas, em 2020. A comercialização direta com as indústrias do setor da ricinoquímica também foi ampliada, totalizando 14 mil toneladas. A Bioóleo, sediada em Feira de Santana, também teve aumento nas vendas. Em 2018, a cooperativa comercializava para a empresa mil toneladas e, em 2020, esse número aumentou para 4 mil toneladas. A mamona chega à Bioóleo por meio de caminhões contratados pela cooperativa. É feita análise de todos os grãos que chegam à indústria para a devida avaliação da qualidade, que passa por um processo de preparação, separando algumas impurezas. Vai para o processo de esmagamento em prensas e o óleo é refinado seguindo padrões das indústrias ricinoquímicas do país. O diretor operacional da Bioóleo, Gilson Moraes, conta que toda mamona comprada na Bioóleo é fornecida pela Coopersertão: “Nossa parceria com eles já faz tempo. É a mais conceituada e de muita confiança. O trabalho que a cooperativa faz com os agricultores familiares é essencial para manter o homem no campo, já que a mamona é o principal produto que consegue produzir no nosso clima. Compramos a mamona com preços competitivos, tirando o produtor das mãos de especuladores e atravessadores e estamos muito satisfeitos com essa parceria”. Com apoio do Bahia Produtiva, também foi possível levar desenvolvimento para organizações produtivas vinculadas, como as Cooperativas dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado do Aurora e Regional de Reforma Agrária da Chapada Diamantina e as Associações dos Moradores de Queimado e Sapecado e Comunidade e Desenvolvimento e Comunitária de Largo do Elói.

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São organizações que fornecem a mamona, beneficiando diretamente 270 famílias de agricultores familiares. Todas elas são parceiras diretas da Coopersertão. Parte dos recursos garante a compra dos grãos da mamona dos beneficiários. O projeto também vem capacitando técnicos e dirigentes de organizações produtivas da região, para a implantação e funcionamento de campos de produção de sementes de mamona, gerando o fortalecimento do setor. Segundo o diretor da Coopersertão, Marcelo Brito, esse resultado foi devido à estruturação da base produtiva: “Esse é só o começo das melhorias, nossas perspectivas daqui para frente é de produzir semente de mamona com alto potencial genético e, com isso, disponibilizar para nossos beneficiários. Com isso, aumentar as áreas de plantio e a produtividade da mamona dos agricultores e agricultoras, em até 30%”.

Cooperativa Mista e Produção, Aquisição e Serviço do Estado da Bahia - Coopersertão

Faturamento em 2020 da Coopersertão

Município: Irecê Território: Irecê E-mail: coopersertao.bahia@ gmail.com Rede social: coopersertao Bahia (Facebook) Cooperados: 750

R$ 3,4 milhões 117


COOPAITA

AGRICULTORES FAMILIARES APOSTAM NO MERCADO DAS FRUTAS DESIDRATADAS

A

desidratação é uma das técnicas mais antigas para a preservação de alimentos e começou a ser aplicada de forma significativa na Primeira Guerra Mundial, com a necessidade de alimentos em larga escala, destinados a suprirem as tropas em combate. Hoje, faz parte da tendência mundial o consumo de alimentos desidratados, e a agricultura familiar baiana também vem apostando nessa oportunidade de mercado. A Cooperativa dos Produtores de Abacaxi de Itaberaba (Coopaita), localizada no Território Piemonte da Diamantina, está situada em um município com grande potencial de produção de abacaxi. A Coopaita é modelo no Brasil pelo aproveitamento, por meio da desidratação, dos frutos descartados pelo mercado, e no impacto na economia local.


A Coopaita beneficia mais de 300 mil quilos de frutas, como jaca e banana, mas o carro-chefe é o abacaxi, com a produção de desidratados em embalagens de 100 e 250 gramas e também de 1 quilo (muito procurados para negócios de catering e indústrias). A matéria-prima utilizada vem das propriedades de 115 famílias de agricultores familiares associadas à cooperativa. Em 2020, a cooperativa iniciou o processo de desidratação de mais uma fruta, a manga, que passou a fazer parte do catálogo ofertado, inicialmente sendo vendida a granel. Toda essa inovação rendeu para a cooperativa um faturamento de R$2,7 milhões. O gerente comercial da Coopaita, Éder Cerqueira, explica que o abacaxi desidratado, assim como outras frutas, são alimentos consumidos por aqueles que são adeptos de uma vida saudável: “Quando a fruta é desidratada, ela garante um prazo de validade extenso e não existe adição de químicos. Dessa forma, para esse tipo de alimento cresceu muito o consumo na última década e continua crescendo. Por isso, buscamos agregar valor ao abacaxi produzido por nossos cooperados dessa forma”.

Faturamento em 2020 da Coopaita

R$ 2,7 milhões

Éder é engenheiro agronômo e foi contratado pela Coopaita em 2019, a partir de uma das ações da estratégia de mercado do Projeto Bahia Produtiva, que foca na profissionalização da gestão de cooperativas. O Projeto financia a contratação de dois profissionais que prestam serviços diretos e exclusivos. Um voltado para aplicar melhorias na base produtiva e outro para apoiar a profissionalização da gestão comercial da cooperativa. A Coopaita é uma das mais de cinquenta cooperativas que fazem parte dessa estratégia, denominda Aliança Produtiva. Processo de desidratação Obtidas por meio da desidratação das frutas frescas, as frutas desidratadas passam por um processo de perda parcial da água da fruta madura, inteira ou em pedaços. Por esse motivo, apresentam uma quantidade mais concentrada de nutrientes, fibras e compostos bioativos. Além disso, são ricas em fibras, aumentando o tempo de saciedade, a absorção de gorduras e auxiliam na saúde intestinal. Outra característica do produto é a praticidade. A representante farmacêutica Geisa Riccio, por exemplo, é consumidora dos produtos da Coopaita


e destaca que ter um alimento saudável e prático na bolsa, garante a ela uma boa alimentação a qualquer hora: “Uso continuamente no meu dia a dia. É um alimento prático, de fácil armazenagem e rico em vitaminas e proteínas. Nas idas e vindas à Chapada, conheci os produtos da Coopaita e até hoje fazem parte da minha rotina. Sempre tenho um abacaxi ou uma banana desidratada no meu carro, já que atualmente trabalho como representante farmacêutica e passo muito tempo dirigindo, sem falar que não são perecíveis como as frutas orgânicas. Consigo através das frutas desidratadas manter minha dieta e saciar a fome em dias mais corridos. Inclusive uso muito como fonte de energia e pré-treino antes das práticas de atividades físicas. Eu gosto muito e não vivo sem. Sempre me salva”. 120

Investimentos A Coopaita recebe apoio do Bahia Produtiva com recursos que somam de R$2 milhões, investidos na profissionalização da gestão e da base produtiva, ampliação e modernização da unidade de beneficiamento para desidratação do abacaxi. Os recursos também prevêm a aquisição de um sistema de energia solar. Os agricultores recebem apoio na produção, com assistência técnica e extensão rural (Ater). O acompanhamento dos agricultores vai desde a coleta da análise de solo para fins de adubação e calagem até o fim do ciclo de produção, que é quando ocorre a colheita, quando é feita uma avaliação qualitativa e quantitativa dos frutos a serem comercializados.


R$2 milhões investidos na profissionalização da gestão e da base produtiva, ampliação e modernização da unidade de beneficiamento para desidratação do abacaxi e a aquisição de um sistema de energia solar.

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COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE ABACAXI DE ITABERABA

“Nas idas e vindas à Chapada, conheci os produtos da Coopaita e até hoje fazem parte da minha rotina. Sempre tenho um abacaxi ou uma banana desidratada no meu carro, já que atualmente trabalho como representante farmacêutica e passo muito tempo dirigindo, sem falar que não são perecíveis como as frutas orgânicas. Consigo, através das frutas desidratadas, manter minha dieta e saciar a fome em dias mais corridos”. Geisa Riccio Representante farmacêutica

De acordo com a engenheira agrônoma e assistente de Ater Evanéia Carvalho, em 2019 a plantação foi de cerca 1,5 milhão de plantas e a comercialização de 60% da produção. Em 2020, foram 2,9 milhões plantas induzidas, resultando na colheita de 70% desse volume. Segundo Éder, os investimentos na Coopaita chegaram em um momento de grande importância, quando era preciso apoio de uma equipe especializada para melhorar a organização da produção e a comercialização: “Hoje, o cooperado pode focar em sua produção com equipe para orientá-lo tecnicamente, para aumentar a qualidade dos seus produtos, ao mesmo tempo que a parte comercial foca no mercado para onde o produto irá seguir. Entendemos que as duas pontas do processo foram apoiadas, de um lado a base produtiva fortalecida, e do outro, a abertura de mercado consumidor. Nunca se acreditou que poderia ser tão seguro produzir, vender e poder receber”.

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A Coopaita beneficia mais de 300 mil quilos de frutas como jaca e banana, mas o carrochefe é o abacaxi. Os recursos aplicados na agroindústria, com ampliação e montagem de uma nova linha de produção, demanda maior absorção da produção em campo, beneficiando e agregando valor ao que o agricultor produz. Para o presidente da Coopaita, Aderval Queiroz, esses benefícios vão além: “Trouxe melhoria da renda familiar, crescimento do IDH e PIB per capita. Temos muito orgulho em participar e poder beneficiar produtos da agricultura familiar do nosso estado”. Onde encontrar os produtos da Coopaita Com produtos diferenciados e reconhecidos, a Coopaita é hoje uma importante referência para a atuação de instituições de apoio à zona rural na re-

gião, situada em pleno semiárido nordestino. Os produtos podem ser encontrados em Salvador e região metropolitana, nos supermercados da rede Walmart, na região do Iguatemi e nos bairros do Jardim Armação, Pituba e Chame-Chame e nas lojas rede GBarbosa/ Cencosud. A venda também é realizada para os estados de Sergipe, Goiás, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Os produtos também podem ser em plataformas de venda on-line, com os endereços disponíveis nas redes sociais da Coopaita.

Cooperativa dos Produtores de Abacaxi de Itaberaba (Coopaita) Município: Itaberaba Município: Itaberaba Território: Piemonte do Paraguaçu E-mail: coopaita.vendas@hotmail.com Rede social: @coopaita Cooperados: 115

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COOPATAN DIVERSIFICAÇÃO DE CULTIVOS E TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO AUMENTAM RENTABILIDADE DE COOPERATIVA BAIANA

C

om uma atuação pautada no desenvolvimento da tecnologia e na organização da produção, a Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan) está elevando significativamente os índices de produtividade e contribuindo para impulsionar a economia da região do Baixo Sul da Bahia com a diversificação no cultivo. Atualmente, os 345 associados produzem diversas variedades, entre elas mandioca, milho, banana, pitaya, abacaxi, abacate, maracujá e palmito. Mas a cooperativa se destaca no mercado com a produção e o beneficiamento de banana-da-terra, que dá lugar ao nego bom e à banana chips, comercializados com a marca Itabaina. Em 2020, foram produzidas 1.756 toneladas da fruta. Uma produtividade média de 33 toneladas de banana por cooperado. O produto entregue pelo agricultor na cooperativa passa por um processo de


COOPATAN COOPATAN COOPATAN

“Consumo a goma de beiju Realeza toda semana. É bem hidratada e saborosa. O doce nego bom, por ser feito da banana-da-terra, tem um sabor especial, e a banana chips é leve, crocantes e natural. A farinha de mandioca Itabaina é do meu consumo diário, tem uma textura fina e torradinha. Todos produtos são muito saborosos”. Noemi Santana Promotora de vendas


COOPERATIVA DE PRODUTORES RURAIS DE PRESIDENTE TANCREDO NEVES

higienização e controle de qualidade e recebe um selo com QR Code, que garante a segurança e qualidade para o consumidor final, e que traz informações como a identificação do produtor e a área onde a banana foi colhida. Além da banana-da-terra, a mandioca teve uma produção igualmente expressiva: foram 2.718 toneladas. Uma média de 27 toneladas por cooperado. O produto na cooperativa vira beiju, farinha, também com a marca Itabaiana e a massa para tapioca da marca Realeza. A Coopatan está fortemente presente no mercado da Bahia, com maior penetração em Salvador, mas com grande atuação no interior, presente na maior parte das redes nacionais e regionais da capital, somando cerca de 1.600 clientes em todo o estado. Atua também nos estados do Espírito Santo, Sergipe e Distrito Federal. Entre as cooperativas baianas da agricultura familiar, a Coopatan possui o maior faturamento anual, com R$ 20,6 milhões. A promotora de vendas Noemi Santana é consumidora dos produtos da Coopatan: “Consumo a goma de beiju Realeza toda semana. É bem hidratada e saborosa. O doce nego bom, por ser feito da banana-da-terra, tem um sabor especial, e a banana chips é leve, crocante e natural. A farinha de mandioca Itabaina é do meu consumo diário, tem uma textura fina e torradinha. Todos produtos são muito saborosos”.

Investimentos melhoram a gestão A Coopatan está recebendo investimentos do Bahia Produtiva de R$3,6 milhões, aplicados, desde 2018, na melhoria da gestão, com adequação dos processos, redução de riscos, operacionalização dos negócios e elevação dos resultados econômicos. Além disso, o projeto investiu na adaptação da agroindústria para produção de novos produtos, uma antiga exigência do mercado, que possibilitou novos clientes e novas parcerias. Com os investimentos, a

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COOPATAN COOPATAN COOPATAN

Faturamento anual da Coopatan

R$ 20,6 milhões


COOPERATIVA DE PRODUTORES RURAIS DE PRESIDENTE TANCREDO NEVES

Coopatan aumentou o número de grandes compradores e, consequentemente, o volume de vendas. Com o recurso, foi implantada uma unidade de beneficiamento de mandioca, banana e milho, na localidade de Moenda. Houve adequação nas embalagens dos produtos, foram adquiridos veículos para apoiar a colheita e na logística de distribuição, além de uma empilhadeira. Também foi implantado um biodigestor e adquiridos equipamentos de grande porte como três caminhões com roll on roll off, sistema que permite, por intermédio de um chassi com rodas, que a carga entre e saia usando meios próprios. A unidade tem capacidade de processamento de 247 toneladas por mês de mandioca, 30 de aipim,

Em 2020, foram produzidas 1.756 toneladas de banana-da-terra e 2.718 toneladas de mandioca.


COOPATAN COOPATAN COOPATAN 159 de banana e 5.240 unidades de abacaxi, atendendo a 155 agricultores familiares, que entregam sua produção, e gera 22 empregos diretos e 15 indiretos. A estratégia de mercado adotada pelo Projeto incentivou a melhoria nos processos de produção da Coopatan, modernizando as atividades que sustentam a rastreabilidade dos produtos. A reformulação da estratégia de branding da cooperativa a reposicionou em mercados mais competitivos com um mix mais atraente, atento às tendências do mercado consumidor, cada vez mais exigente em produtos “glúten free” e com origem em cadeias sustentáveis. A Coopatan reconhece isso.

O presidente da Coopatan, Juscelino Macedo, destaca o papel do Bahia Produtiva no crescimento da cooperativa: “Esses investimentos fizeram com que a cooperativa acessasse e chegasse aos grandes mercados, aumentou nosso giro, foi uma grande conquista e ela vai atender mais pessoas, gerar mais renda para os cooperados e para comunidade. Foi graças a esse recurso que, mesmo em meio à pandemia, nosso faturamento aumentou 50% em 2020 e deve ser ainda melhor neste ano”. Onde encontrar os produtos Coopatan Os produtos da Coopatan podem ser adquiridos nas redes: Big/Walmart, Sam's Club, Perini, Gbarbosa, Pão de Açúcar e Extra.

Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan) Município: Presidente Tancredo Neves Território: Baixo Sul E-mail: coopatan@coopatan.com.br Rede social: @coopatan Cooperados: 345

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SERVIÇOS TERRITORIAIS DE APOIO À AGRICULTURA FAMILIAR (SETAFS)

SETAF PIEMONTE DA DIAMANTINA (JACOBINA) Av. Orlando Oliveira Pires, 800 - Centro CEP: 44700-000 Tels (74) 3621-3059 / 3621-3920

SETAF LITORAL NORTE (ALAGOINHAS) Rua Padre Godinho, 156 - Santa Terezinha CEP: 48011-320 Tels (75) 3541-7521 / 3423-4219

SETAF MÉDIO RIO DE CONTAS (JEQUIÉ) Av. José Moreira Sobrinho, 325 - Jequiezinho CEP: 45200-000 Tel (73) 3525-7752

SETAF BACIA DO RIO GRANDE (BARREIRAS) Ed. Porto Brasil - Av. Aylon Macedo, 670 - 3º Andar - Boa Vista CEP: 47806-180 Tel (77) 3611-4658

SETAF SERTÃO DO SÃO FRANCISCO (JUAZEIRO) Rua Engenheiro Geraldo Viana, 07 - Country Club CEP: 48903-020 Tels (74) 3611-3933 / 3612-0664

SETAF SEMIÁRIDO NORDESTE II (RIBEIRA DO POMPAL) Rua Dr. Oliveira Brito, 344 - Centro CEP: 48400-000 Tel (75) 3276-3772 SETAF VELHO CHICO (BOM JESUS DA LAPA) Rua Hermes de Lima, 245 – São Gotardo CEP: 47600-000 Tel (77) 3481-5111 SETAF SERTÃO PRODUTIVO (CAETITÉ) Praça Rodrigues Lima, 230 - Centro CEP: 46400-000 Tels (77) 3454-2022 SETAF METROPOLITANO DE SALVADOR (SALVADOR) Av. Luiz Viana Filho, Conjunto Seplan, - CAB CEP: 41745-001 Tel (71) 3115-3940 SETAF RECÔNCAVO (CRUZ DAS ALMAS) Praça Gerald Mayer Suedick, 01 - Centro CEP: 44380-000 Tel (75) 3621-1711 SETAF COSTA DO DESCOBRIMENTO (EUNÁPOLIS) Rua da Independência, 187 – Edgar Trancoso CEP: 45820-573 Tel (73) 3281-6735 SETAF PORTAL DO SERTÃO (FEIRA DE SANTANA) Rua Senador Quintino, 523 - Olhos D´Agua CEP: 44003-615 Tels (75) 3622-0825 / 3622-5311 SETAF IRECÊ (IRECÊ) Rua Mato Grosso, 47 – Fórum CEP: 44900-000 Tels (74) 3641-3931 / 3641-2245 SETAF PIEMONTE DO PARAGUAÇU (ITABERABA) Av. Rio Branco, 569 - Centro CEP: 46880-000 Tel (75) 3251-3039 SETAF LITORAL SUL (ITABUNA) Av. Soares Pinheiro, 705 - Centro CEP: 45601-097 Tels (73) 3616-1571 / 3212-2688 SETAF MÉDIO SUDOESTE DA BAHIA (ITAPETINGA) Av. Presidente Kennedy, s/nº - Centro CEP: 45700-000 Tel (77) 3262-2637

SETAF BACIA DO PARAMIRIM (MACAÚBAS) Rua Dr. Manuel Vitorino, 9943, 1º e 2º Andar - Centro CEP: 46500-000 Tels (77) 3473-1421 / 3473-1422 SETAF ITAPARICA (PAULO AFONSO) Rua Nelson Rodrigues do Nascimento, 49 - Panorama CEP: 48605-041 Tel (75) 3281-2962 SETAF BACIA DO JACUÍPE (RIACHÃO DO JACUÍPE) Rua Alexandre Figueiredo, 98 CEP: 44640-000 Tel (75) 3264-2468 SETAF SEMIÁRIDO NORDESTE II (RIBEIRA DO POMBAL) Rua Dr. Oliveira Brito, 344 - Centro CEP: 48400-000 Tel (75) 3276-3772 SETAF BACIA DO RIO CORRENTE (SANTA MARIA DA VITÓRIA) Rodovia Santa Maria da Vitória - Correntina KM 0 CEP: 47640-000 Tel (77) 3483-1466 SETAF CHAPADA DIAMANTINA (SEABRA) Av. Manoel Teixeira Leite, 230 - Centro CEP: 46900-000 Tel (75) 3331-1069 SETAF PIEMONTE NORTE DO ITAPICURÚ (SENHOR DO BONFIM) Av. Agricultura s/n - Cleriolândia CEP: 48970-000 Tel (74) 3541-7521 SETAF SISAL (SERRINHA) Rua Joaquim Hortelio, 117 - Centro CEP: 48700-000 Tel (75) 3261-2026 SETAF EXTREMO SUL (TEIXEIRA DE FREITAS) Av.Presidente Getúlio Vargas, 5263 A 2º andar, s/201 - Redenção CEP: 45985-200 Tel (73) 3263-0181 SETAF VALE DO JIQUIRIÇÁ (AMARGOSA) Rua Deraldo Bulhões de Souza, 404 - Centro CEP: 45300-000 Tel (75) 3634-2382


SETAF BAIXO SUL (VALENÇA) Rua Guilhermina Góes, 42 - Centro CEP: 45400-000 Tel (75) 3641-2732

ASSESSORA DE ACOMPANHAMENTO DO COMPONENTE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA Maria Auxiliadora Cavalcanti

SETAF SUDOESTE BAIANO (VITÓRIA DA CONQUISTA) Av. Deraldo Mendes, 1383 - Urbis II CEP: 45051-010 Tels (77) 3424-1166 / 3421-8026

ESPECIALISTAS TEMÁTICOS

EQUIPE PROJETO BAHIA PRODUTIVA

ESPECIALISTA EM AQUICULTURA E PESCA Alexandre José de Araujo Macedo

COORDENADOR GERAL Fernando Cezar Cabral Oliveira

ESPECIALISTA EM MANDIOCULTURA André Luis Lordelo Silva

COORDENADOR DE ANÁLISE E ACOMPANHAMENTO Gilberto de Souza Andrade

ESPECIALISTA EM CAPRINOS E OVINOS Carina Moreira Cezimbra

ASSESSORA DE AQUISIÇÕES Nara Lins Lourenço Muiños

ESPECIALISTA EM BOVINOCULTURA DE LEITE José Antônio Magalhães de Araujo

ASSESSORA FINANCEIRA Maria Juçara da Silva Brito Monteiro

ESPECIALISTA EM APICULTURA E MELIPONICULTURA Lívia Viana de Oliveira

COORDENADORA DE APOIO AOS ESCRITÓRIOS TERRITORIAIS Dora Helena dos Santos Passos

ESPECIALISTA EM FRUTICULTURA Marcos Raimundo Pitangueira

COORDENADORA DE MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO Egla Ray Passos Costa COORDENADORA DE CAPACITAÇÃO Elira Amorim de Andrade COORDENADOR DE ATER Wecslei de Angeli Ferraz ASSESSOR DE ACOMPANHAMENTO Antonio Mauricio Berenguer COORDENADOR DE INTELIGÊNCIA E MERCADO Aldir Tadeu Rolim Parisi ASSESSOR DA DIRETORIA DA CAR Ivan Fontes ASSESSOR TÉCNICO DO BAHIA PRODUTIVA Guilherme Cerqueira Martins e Souza COORDENADORA DO COMPONENTE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA Andrevan Santana

ESPECIALISTA EM OLEAGINOSAS Taís Nunes de Almeida ESPECIALISTA EM SUBPROJETOS SOCIOAMBIENTAIS Greice Póvoas de Carvalho ESPECIALISTAS EM AGROINDÚSTRIA Rafael Rebelo de Matos Meirelaine Rios de Almeida Mendes


Sede do Bahia Produtiva Av. Luiz Viana Filho, 250 - Conjunto Seplan, CAB CEP: 41745-001, Salvador-Bahia / Tel: (71) 3115-3941

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Revista Bahia Produtiva - Acesso ao Mercado  

Nesta edição, o tema principal foi o Acesso ao Mercado, um dos eixos do projeto Bahia Produtiva. Foram retratadas na revista do Bahia Produt...

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Nesta edição, o tema principal foi o Acesso ao Mercado, um dos eixos do projeto Bahia Produtiva. Foram retratadas na revista do Bahia Produt...

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