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RELATร“RIO 1ยบ TRIMESTRE/2013 PROFESSORES DO 1ยบ B


UMA HISTÓRIA PALAVRA CANTADA

EU VOU TE CONTAR UMA HISTÓRIA, AGORA, ATENÇÃO! QUE COMEÇA AQUI NO MEIO DA PALMA DA TUA MÃO BEM NO MEIO TEM UMA LINHA LIGADA AO CORAÇÃO QUEM SABIA DESSA HISTÓRIA ANTES MESMO DA CANÇÃO? DÁ TUA MÃO, DÁ TUA MÃO, DÁ TUA MÃO, DÁ TUA MÃO...


Essa não é, sem dúvida, uma história qualquer. A história que passa a ser tecida agora tem começo, meio e não terá um fim tão breve. Acompanhem conosco ...

Capítulo 1

Era de tarde.

Uma tarde

de

muito

calor,

de

sol,

ainda tempos de verão .

Início de

Fevereiro. Vinte

e

uma

crianças

estavam ávidas pelo dia

uma História

inusitado.

Para

uns,

a

nova escola, para outros, a mesma

escola,

mas

outras

professoras.

com Para

todos eles, novos desafios com

o

trabalho,

possibilidades

novas de

amizades, os estudos, nas


Crianças sozinhas dentro de

As

um casarão???

aliviaram a tensão da linha e

Não, não. Com eles estavam

passaram a criar cenas de

duas tecedoras que, no ato

brincadeiras.

do

Seria

primeiro

encontro,

tecelãs,

esse

à

princípio,

um

caminho

pegaram suas lãs, seus fios,

interessante para que todos

seus

aqueles

conhecimentos

sobre

personagens

tecer redes e passaram a

pudessem se conhecer? Afinar

escolher

suas

cores,

materiais,

relações?

Passarem

a

tensão da linha, planejar

experimentar

seu trabalho. A trama tinha

comuns?

seu início.

Entre eles muitas diferenças,

A

nossa

trama

que

narraremos a partir daqui.

repertórios

contudo o que para aquelas tecelãs mais importava era o que cada um trazia e traz de si para esse encontro.


Brincadeiras de Crianรงas, Bruegel ,1560


Encontros dentro e ...


... fora da sala


Importante considerar o que cada um trazia para esse encontro n茫o afim de formar um todo 煤nico, mas ler em cada um sua hist贸ria e pensar em como compor esse todo com as mais diversas hist贸rias.


A

medida

brincadeiras,

Capítulo 2

momentos

em

que

as

os

jogos,

os

de

faz

de

conta

passaram a ser ofertados, para

Encontros e

muitos

daqueles

possivelmente

brincantes,

surgia a questão

“Ao brincar vale tudo”? Vale? Será que vale desrespeitar regras ou até mesmo ignorá-las? Será que vale invadir o corpo do

Desencontros

outro com toda intensidade? A brincadeira deve ser boa para todos os envolvidos. Como se faz isso? O que é ambiente de brincadeira e

quando

transforma

a em

brincadeira

se

confusão

e


Essas questões têm aparecido

Fazer

com

estabelecer regras de convívio,

grande

permeando

os

frequência, momentos

acordos

e

até

mesmo

de

como por exemplo esperar a vez

jogos e faz de conta em sala,

de falar se um outro está com

brincadeiras de parque e até

a palavra.

nos

trabalho

Estabelecer ajustes no uso de

questões

brinquedos,

como

vassouras

que

momentos

tem-se

de

observado

referentes

ao

encontro

e

o

desencontro com o outro. Se

por

um

lado,

como

chegada desse grupo houve a

Respeitar

preocupação

outro

essa

das

tecelãs

em

trama

com

fios

menos firmes, com a linha um tanto menos tensionada, aos poucos,

foi-se

percebendo

a

necessidade de firmar o ponto.

serem

transformadas potentes . no

e

poderiam

facilmente

narrávamos pouco acima, na

tecer

espadas

a

em

armas

privacidade uso

de

do

espaços

coletivos, como o banheiro, o bebedouro, o espaço na roda...


Narrávamos

Capítulo 3

nos

capítulos

anteriores as brincadeiras propostas nesse

casarão,

o

exercício

das

tecelãs em olhar para essas crianças e tecer uma obra, um grupo. O

Encontros –

grupo do 1◦ B. É fato o quanto cada um pôde se aproximar do outro pelo repertório comum da brincadeira. Mas não era

Consigo e com

tudo. Somente pelo viés do faz-deconta não era possível que todos se conhecessem,

o Outro

que

aproximassem,

todos

se

que

as

características de cada um desses brincantes fossem explicitadas. Para que time você torce? Do que você

gosta

de

brincar?

Como

chamam seus pais? Com quem você mora?

Me dá o número do seu


Estava claro para essas tecelãs de

Nossos pequenos de seis anos já

histórias que as crianças pediam

começam a pensar em fatos de sua

mais

vida,

para

Precisavam, mediação

se

conhecerem.

talvez,

para

que

remetendo-se

ao

passado,

de

um

pensando no futuro. Assim, foi

tudo

isso

considerado que esse fosse um

fosse socializado.

momento

Assim, se inicia mais um dos

pudessem resgatar fatos de sua

trabalhos

primeira

desse

grupo.

Os

bacana

para

infância,

ÁLBUNS de cada um. Um álbum

nascimento,

que

de apresentação.

desconheçam

ou

Um primeiro capítulo chamado:

esquecidos com o tempo.

“Com

Nada

licença,

deixe-me

mais

saboroso

de

que seu talvez

estejam do

que

apresentar”.

conhecer mais sobre si.

E, depois de cada um conhecer

Nada mais caloroso do que se

bem mais de perto o outro, foi

sentar com os seus para escutar

possível

suas histórias.

um

segundo

investimento que talvez poucos

Tecer histórias!!!

do grupo tivessem conhecimento -

Essa tem sido mais uma trama a

sua própria história. Capítulo

partir desses álbuns.


S DO O T N E M FRAG BUM... L Á O S NOS AR UM D A R A SÓ P HO!!! GOSTIN


FRAGME NTOS D O NOSSO ÁLBUM. .. SÓ PAR A DAR U M G O STI N HO!!!


A

Capítulo 4

chegada

traz,

ao

para

primeiro alguns,

ano a

possibilidade de aprender a ler e escrever sozinho, sem a ajuda do outro.

Encontros com

Para outros, ler e escrever já são atividades mas

os textos

bem

conhecidas,

aprofundar

conhecimentos, detidamente

são

esses

refletir os

mais

maiores

desafios. O importante nesse percurso é saber identificar o percurso e as necessidades de cada um. O que é possível oferecer para que avancem em suas hipóteses, em suas reflexões sobre a leitura e escrita.


Nesse sentido, ora o trabalho ĂŠ coletivo para socializarmos os saberes de cada um em que todos

podem

dessas

se

discussĂľes.

beneficiar Ora

o

trabalho deve ser em grupos menores para contemplarmos as diferentes demandas dentro do grupo.


Pensar na escrita a partir de algo comum e conhecido – os nomes do nosso grupo


Os nomes conhecidos como apoio para futuras escritas


Escrever a partir de um prop贸sito comunicativo tem todo o sentido para os alunos


Capítulo 5

A matemática está em muitas das situações de nossa vida.

A Matemática na vida desses

Em

um

jogo,

um gráfico com informações importantes

para

pessoal,

resolução

na

nosso de

problemas ... Nesse

contexto,

atividades

e

o as

livro

de

demais

planejadas

nos

traz o desafio de identificar situações

casarão

uma

brincadeira, ao construirmos

matemática

estudantes do

em

dia a dia.

matemáticas

no


Trabalho coletivo CONSTRUÇÃO DE UM GRÁFICO A PARTIR DE INFORMAÇÕES

Trabalho em grupos ONDE ENCONTRAMOS OS NÚMEROS?


As narrativas estão presentes

Capítulo 6 Caix de hispra foto

na história desse grupo desde o primeiro dia de encontro. Ouvir um texto na voz do adulto,

As Histórias – desta vez a

pensar

sobre

ele,

conversar sobre as impressões, sobre os significado daquela história para cada um ... Ouvir

poesias,

contos

tradicionais, contemporâneos, livros

com

imagem,

sem

imagem, com texto, sem texto.

dos Livros

Ler, ouvir, contar, escutar e partilhar!


Nada melhor do que partilhar as histórias do coração Cada um pôde trazer a sua então!!!


MAIS NOTÍCIAS A SEGUIR NO JORNAL DO CASARÃO


SÃO PAULO

MAIO DE 2013

CASARÃO CADERNO DE MÚSICA Quando perguntei às crianças sobre a lembrança que tinham das aulas de música, responderam a cerca das atividades recentes. Aos poucos a memória veio se desenrolando como um brinquedo e desse ritmo veio uma enxurrada de lembranças musicais. Lembraram das brincadeiras musicais: camaleão; monjolo; bingo dos sons; do jogo da bola. Lembraram dos contos sonoros: a valsa da condessa; o conto dos sapatos; dos saltimbancos e os 4 Heróis. Dos compositores e suas obras, as quais nos fizeram rir, cantar, ser atores e atrizes, como: Pixinguinha; Chiquinha Gonzaga; Vinícius de Moraes; Chico Buarque. Do “ventinho”, um instrumento gostoso de construir e de fazer soar... Dos adorados instrumentos que tocamos, experimentando reger, tentando dosar a intensidade das batidas, percebendo com orgulho a qualidade dos sons, se aquela nota é aguda ou grave e de como um som pode ser tanta coisa! Ser ouvido de maneira mais aguçada...

Cabe ressaltar que este primeiro trimestre possibilitou às crianças uma vivência em grupo, cheia de aprendizagens. Nem sempre tão fáceis, afinal estar num a sala de aula demanda invariavelmente, atenção, concentração, escuta e mediar tantos desejos e necessidades é um grande desafio para ambos. Fico satisfeita em perceber o quanto apreciam esta disciplina, a espontânea demonstração de afeto dos meninos e meninas e a confiança que vejo depositarem a cada dia nesta relação, a qual de minha parte, será para além disso, propor a vivência daquilo que é estruturante na musicalização: percepção e identificação dos parâmetros sonoros, desenvolvimento melódico, rítmico, conhecimento da MPB, do cancioneiro infantil e suas brincadeiras tradicionais. Professora Mônica Huambo


SÃO PAULO

MAIO DE 2013

CASARÃO CADERNO DE ARTES Nas

aulas

estudamos

de sobre

Artes ‘’A

Plásticas

Negra’’

de

Oferecemos presentes desenhados aos colegas da classe, fizemos dobraduras,

Tarsila do Amaral que se inspirou na

construções

com

sua babá para fazer essa obra.

modelar e procuramos nos livros de arte

Ouvimos a história ‘’O menino que

obras com o assunto rios para observar,

ganhou um rio’’ de Manoel de Barros

desenhar e pintar.

e inventamos muitas atividades a

Queremos

partir dessa inspiração.

assuntos de artes e artistas.

agora,

sucatas,

massa

conhecer

de

outros

Professora Eloise


SÃO PAULO MAIO DE 2013

CASARÃO CADERNO DE ESPORTES A aula é sempre legal e estamos fazendo

O nosso grande desafio são as atividades de

atividades novas, mais legais e aprendendo

controlar a bola e o bambolê. Também

muitas coisas.

tomar mais cuidado com os amigos e

Este ano tem mais amigos novos e podemos

brincar sem machucar.

nos divertir muito com as brincadeiras na

Este ano temos duas aulas do Vander e é

quadra. As brincadeiras preferidas do grupo

muito legal aprender na aula... Todo ano

foram o zumbi, futebol, bambolê mágico,

aprendemos coisas novas...

rio vermelho, pique esconde, zoológico maluco, construtor, máquina do tempo, boliche gigante e bola na caixa.

Texto coletivo dos alunos com o professore Vanderlei Sanches


SÃO PAULO

MAIO DE 2013

CASARÃO CADERNO DE HISTÓRIAS E BRINCADEIRAS Perguntei às crianças: “o que vocês acharam dos nossos encontros? Do que mais lembram?” As respostas vieram rápido e mostraram que as brincadeiras aprendidas e histórias contadas ficaram bem marcadas na memória...  – Teve muitas brincadeiras de correr... Tinha o “Biscoitinho Queimado!”  – Eu lembro muito do pega-pega cego!  – Batatinha frita, um, dois, três!  – Tinha aquela que quando era pego três vezes, a gente abaixava.  – Era o pega-pega gelo!  – Eu jogava diferente. Angelo, não é que o pega-pega gelo é aquele que se você pega duas vezes aí sim você abaixa?  – Tem aquela brincadeira nova, aquela do coquinho... Aquela de cantar!  – Tem o “sardinha”, que é tipo um esconde-esconde...  – Eu gostei da história do rei e da do velho que carregava o burrinho!  – O rei gostava muito de roupas “descoladas”...  – Teve também a história da lagarta...  – Eu gostei daquela que a gente escolhia um bicho e tinha que se vendar e se encontrar pelo som!  – A amarelinha! Aquela lá, que é bem difícil! A amarelinha de cinco fases...  – E aquela amarelinha, que é redonda?


SÃO PAULO

MAIO DE 2013

CASARÃO Penso no brincar como uma linguagem. Tal como a língua materna, a matemática, a expressão plástica e musical e tantos outros domínios do conhecimento, a brincadeira possui conceitos próprios que só podem ser acessados e aprofundados através da experiência concreta. É essa experiência que procurei proporcionar nas aulas de Histórias e Brincadeiras. Experiência que acontece, em primeiro lugar, através do encontro com a escuta. Escuta de minha parte em relação às crianças – procurando conhecer seus repertórios, suas vontades e necessidades... Mas também a escuta das crianças com relação aos outros. A começar pela contação de histórias, que acontece no início dos encontros. Meu foco neste primeiro trimestre foi oferecer oportunidades para que as crianças desenvolvessem mais autonomia em suas brincadeiras, ampliando e refrescando seus repertórios, sentindo-se e sabendo-se os principais criadores daquele momento. Nem sempre era possível trazer os brinquedos de casa para a aula, por exemplo. Isso dependia de suas vontades e escolhas dentro do coletivo, mas também de como eu lia as demandas específicas do grupo. Em muitos momentos, surgiu a necessidade de conciliar desejos e escolhas diferentes, mediar conversas e procurar solucionar conflitos que acontecem no decorrer de um jogo ou brincadeira. Às vezes, a iniciativa espontânea das crianças não era brincar ou jogar coletivamente (todos dentro da mesma atividade). Ás vezes tínhamos a impressão de presenciar um certo caos, constituído por corre-corres, provocações ou choros. Esses encontros no início do ano me levaram a propor brincadeiras com uma condução maior de minha parte, como o “siga o mestre” e suas variantes; “morto e vivo”; “dança das cadeiras”; “estátua” e outras. Era, sim, um momento “livre” no dia – mas não por isso menos importante para os aprendizados. Aos poucos, fomos construindo combinados para que os nossos encontros acontecessem cada vez mais proveitosamente. Nos dias em que a brincadeira era antecedida por uma História, percebi que o primeiro momento de exploração dos materiais e do espaço era substituído por uma exploração da própria imaginação... Para mim, os fundamentos trabalhados eram os mesmos: escuta, flexibilidade do pensamento e das ações e ampliação de repertório.   Professor Angelo B. C. Mundy


Entrou por uma por saiu pela outra e quem quiser que conte outra...


Relatório 1ºB