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VIOLÊNCIA SEXUAL – A ARMA “INVISÍVEL” DOS CONFLITOS

Visa também transmitir uma mensagem aos homens: não são capazes de defender as vossas mulheres”, desmoralizando assim a população alvo, até na realização de pequenas actividades fundamentais do dia-a-dia, as quais implicam a saída das mulheres do seu lar. Nos casos mais extremos, a violência utilizada pelos grupos armados pode provocar danos irreparáveis ao aparelho reprodutivo das mulheres, sendo que nestes casos resulta no próprio afastamento da mulher do seio da sociedade, visto que estas sociedades são caracterizadas pelo facto de os homens procurarem mulheres capazes de gerar descendentes. O tribunal internacional de l’Aja definiu, no 2001, a violência sexual como arma de guerra e considerou a mesma como crime contra a humanidade, tendo em conta a condenação dos casos de violência sexual aquando da guerra na exJugoslávia. Este caso serve para referir que não é só em África que ocorrem estes crimes, visto que até na Europa se podem verificar alguns casos do uso da violência sexual como arma de guerra. Durante a guerra nos Balcãs, a qual opôs diferentes etnias (e também baseado em diferenças religiosas) num conflito armado, a violação foi instrumentalizada pelos exércitos como uma arma de sistemática humilhação e abuso sobre os corpos das mulheres pertencentes a diferentes etnias.

Rwanda, 1994, guerra entre Hutu e Tutzi “UM DIA, NA RÁDIO, É DITO QUE O MEU VIZINHO, COM O QUAL SEMPRE ME DEI BEM, POSSUI UM SANGUE DIFERENTE, PERTENCE A UMA RAÇA INFERIOR E QUE, COMO TAL, TEM DE SER ODIADO”.

Essa ideia começa a ser implementada na sociedade, através da aplicação de barreiras étnicas e linguísticas, o que, combinado com o tráfico massivo de armamento, resulta numa guerra civil entre os Hutus e os Tutsi. Essa violência é perpetrada com armas simples (facas, armas de fogos, macetes) e também com o uso da violência sexual sobre o corpo das mulheres, sendo este um método de humilhar e de desmoralizar a parte oposta do conflito, como irá ser abordado posteriormente. Este método é utilizado, também, devido à elevada probabilidade de contrair o vírus HIV/SIDA, visto que o vírus irá contagiar os parceiros sexuais da mulher e também poderá vir a influenciar a vida dos futuros filhos, o que associado ao deficiente fornecimento de fármacos e à impossibilidade de cura, resulta numa estratégia macabra para limitar a sobrevivência de diversas etnias. Segundo Véronique Nahoum-Grappe, a qual tem dedicado a sua vida à antropologia, a violência sexual “é uma forma de demonstrar poder e controlo. Impõe medo a toda a comunidade.

Sofia Poppi 4

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