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DIREITOS HUMANOS: UMA QUESTÃO DE VIDA (S)

vivem na sombra de um homem por opção. Abrir-lhes os olhos face aquilo que se passa à sua volta, pois nem todas têm a possibilidade e a oportunidade de ter uma posição social equivalente à do homem. Vou dar um exemplo simples que a mim, no papel de mulher, me chocou. Uma miúda brasileira de nove anos que estava grávida e que vivia em casa da sua tia, mas que assim que o bebe nascesse, iria novamente para casa de sua mãe que tomaria conta de ambos. Não pensem que esta criança de nove anos que iria dar a luz outra criança, estava grávida por violação.

Não pretendo cingir-me a um direito em particular. Considero que todos eles sejam importantes. E de facto são. Existem direitos que de certa forma nos tocam mais do que outros, mas isso também se deve à sociedade em que nos encontramos inseridos. A igualdade de oportunidades entre sexos é algo que foi conquistado com o tempo em Portugal e noutros países como o nosso, mas todos nós sabemos que em muitos países, muitos deles nossos “vizinhos”, muitas mulheres ainda vivem na sombra dos homens. Continuamos a sofrer a discriminação de géneros, continuam a tratar-nos como incapacitadas face ao homem. Não me imagino a viver num pais que me limitasse em termos de escolhas e opções. Não me imagino como escrava eterna de um homem que muitas delas não amam, mas desprezam. A minha mente não concebe a ideia de submissão ao sexo masculino. É verdade que os homens têm uma força física superior à das mulheres mas não é isso que serve como impedimento à conquista de sonhos e de ambições. Com isto tudo não pretendo demonstrar uma feminista frívola que considera a espécie masculina algo abominável, antes pelo contrário. Pretendo antes chamar a atenção de muitas mulheres que

NÃO ESTAVA GRÁVIDA SIM PORQUE,

TAL COMO OUTRAS MIÚDAS BRASILEIRAS, UM HOMEM QUE LHE OFEREÇA UM PEDACINHO DE CÉU É DIGNO DE POSSUIR O SEU CORPO.

Um corpo que para muitos homens não passa de um brinquedo onde podem assim, satisfazer os seus instintos carnais. Conto-vos este exemplo, não para que se revoltem contra uma sociedade que permite que casos destes aconteçam sem qualquer tipo punição para quem o faz, mas para que tomem consciência de que, infelizmente, continuamos a viver num mundo cheio de injustiças sociais e que muitos de nós continuam a optar por um mundo perfeito e cor-de-rosa sem se darem conta do que se encontra a nossa volta. Rute Santos 7

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