Livre de histoire de famille

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Ao completar 50 anos, em fevereiro de 2013, pedi aos meus tios e pais, que ao invés de presentes de aniversário, gostaria de receber deles relatos de família. Algo que seria um presente para sempre e que outros que viessem depois de mim também irão desfrutar. Fui prontamente atendido por ambos os lados da minha família. Em um ato de dedicação especial minha mãe presenteou-me com um texto das suas lembranças de infância, relato que tem como figura central o avô dela, Luiz Augusto Pereira de Mattos, conhecido na intimidade da família como “Paizinho”, e também por Vovô Luiz e por Seo Luiz. Pedro Henrique , bisneto de

Luiz Augusto Pereira de Mattos



Índice 07

Reminiscências

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O Brasil em 1889

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História da Família

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Fotografias Históricas

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Rua 7 de Setembro, 193

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Confissão

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Alguns Dados Pessoais de Paizinho

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Árvore Genealógica

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Certidões

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Carta



Reminiscências Luiz Augusto Pereira de Mattos, com apenas treze anos de idade, embarcou em um navio para o Brasil, trazido por um grande amigo de seu pai, o Comendador Cláudio de Couto e Souza. Este era avô do Dr. Alberto Lamego, notável historiador e jurista da cidade de Campos, no Estado do Rio de Janeiro. Filho de agricultor, Luiz Augusto de Mattos atendendo a um pedido do pai, veio para o Brasil tentar a vida no comércio, pois a situação de sua família encontrava-se com as finanças abaladas por conta dos estudos dos irmãos Francisco, que cursou Direito, e José, a Escola Politécnica de Lisboa. Luiz chegou ao país em 1889, sem qualquer posse, mas com o forte objetivo de tentar a vida na ex-colônia portuguesa. Ao desembarcar na cidade do Rio de Janeiro, encontrou o seu primeiro emprego em uma loja de tecidos e posteriormente foi para Campos dos Goytacazes, onde se radicou e nunca mais saiu. Luiz desembarcou no Brasil Império governado pela família real portuguesa. No ano de sua

chegada, a família imperial foi expulsa do Brasil quando proclamada a República. Mesmo encontrando o cenário brasileiro tumultuado e em mudanças políticas, Luiz Augusto nunca olhou para trás. Determinado ao trabalho, Paizinho foi um “self made man”. Sem receber qualquer apoio de família após sua chegada e com pouca escolaridade, Luiz Augusto se instalou no país. Cresceu, constituiu família e viveu para sempre no Brasil. Nunca retornou à sua terra natal. Ao falecer aos 90 anos havia deixado sete filhos e 27 netos. Nas páginas seguintes, o leitor encontrará as memórias de infância de minha mãe, Maria Martha, que giram em torno da vida na casa da Rua 7 de Setembro em Campos dos Goytacazes, no Estado do Rio de Janeiro. Em seguida há mais informações sobre a família: memoráveis fotografias, contatos mais recentes com parentes portugueses, árvore genealógica e uma bela carta de Luiz Augusto, o “Paizinho” para a sua esposa, Adélia, conhecida por Naim.. Pedro Henrique

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Luiz Augusto Pereira de Mattos Photo Bolckau & Filho, Campos.

José Cursou a Escola Politécnica em Lisboa Registro fotográfico inexistente.

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Francisco de Paula Irmão mais velho e padrinho de Luiz. Exerceu a função de Juiz de Direito na Comarca da Beira, em Angola, na África Oriental Portuguesa, e faleceu por lá. Os herdeiros encontrados atualmente são descendentes dele. Francisco teve filhos. Uma filha se chamava Palmira que casou-se com Bernardo Miguel. Tiveram um filho chamado Armando Pereira de Matos que se casou-se com Adália Corrêa de Mattos. Tiveram nove filhos e, entre eles, o cantor Henrique Mattos, com o qual o contato com a família foi restabelecido. Fotografia realizada em 02 de outubro de 1902 por Photographia Fernandes, Rua Loreto, 43

Antonio Descoberto recentemente pela família, sabe-se apenas que Antonio foi morar em Moçambique, na África e casou-se com uma mulher negra. Tiveram um filho, também negro e, que hoje, por volta de seus 90 anos, vive num asilo em Farminhão. Registro fotográfico inexistente.

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Mathilde Mathilde e Laura Judith foram casadas com dois irmãos e não tiveram filhos. Permaneceram em Farminhão por toda a vida. Ao morrerem, os bens das irmãs passaram para os seus respectivos maridos. Photographia Europa de José Gonçalves, Figueira da Foz.

Maria

Maria morreu muito jovem com pouco mais de um ano. Registro fotográfico inexistente.

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Laura Judith Morreu de pneumonia quando estava grรกvida. Photographia Perez e Filho, Vizeu

Beatriz Registro fotogrรกfico inexistente.

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Amélia Fotografia realizada em 02 de setembro de 1896 por Photographia Europa de José Gonçalves, Figueira da Foz.

Conceição Registro fotográfico inexistente.

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Maria Adelaide Irmã mais velha, madrinha de Luiz, poetisa, casada com Joaquim Carlos de Sousa. Photographia Europa de José Gonçalves, Figueira da Foz.

Maria Adelaide e o marido Joaquim Carlos de Sousa Photographia Europa de José Gonçalves, Figueira da Foz.

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Marietta Irmã de Adélia e cunhada de Luiz Augusto de Mattos. O fato interessante destas irmãs é que seu pai era padre. Seu nome era Joaquim Pacheco e foi responsável pela construção da Igreja de Santo Antônio, em Guarus (RJ), onde residia com a sua família. Fotografia realizada em 22 de março de 1909.

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Beatriz (ou Laura Judith), Adelaide, Amélia e Conceição Photographia Pinho Henriques, Coimbra.

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O Brasil em 1889 Em 1889, a população brasileira não ultrapassava 14 milhões de pessoas, dos quais mais de 1,8 milhões era de escravos. Tratava-se de uma população rural e analfabeta — menos de 15% dos brasileiros sabiam ler e escrever seu nome. Há apenas um ano o Brasil havia abolido a escravidão. Este ato imperial, Lei que foi promulgada pela Princesa Isabel, filha do Imperador Pedro II, foi, provavelmente o impulso final para o fim Império no Brasil. Ao abolir a escravatura (algo que os Estados Unidos já haviam feito em 1830 e Portugal em 1871), o Império mexeu com os interesses econômicos dos grandes fazendeiros, uma vez que aumentava os seus custos. Contrariando os fazendeiros, a então classe econômica dominante no país, o Império perdeu uma grande base de sustentação em um momento que a elite urbana já se encontrava demandando um Brasil República.

Os políticos, jornalistas e formadores de opinião há algum tempo levantavam a questão da República, sempre acusando o Imperador de lento em suas decisões, particularmente na questão da abolição da escravatura. Com a idade avançada do Imperador políticos e militares não se viam sendo liderados por uma mulher, a Princesa Isabel, que era casada com um estrangeiro, o francês Conde D’Eu. Desta forma, ao abolir a escravatura, o Império, sem querer, colocou os fazendeiros ao lados da elite urbana e dos militares. Em 15 de novembro de 1889, o Brasil tornou-se uma República. Cinco dias depois o Imperador D. Pedro II e toda sua família foram expulsos do Brasil. Esta é uma breve descrição do cenário histórico e econômico que Luiz Augusto, o Paizinho, encontrou quando de sua chegada ao Brasil.

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História

da

Família

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Paizinho vinha de uma família agrícola que plantava uvas para fabricação de vinho e aguardente. Seus pais viviam na vila de Farminhão. Analisando as certidões de nascimento de Paizinho e seus irmãos, descobri algumas fatos interessantes: seus avós não eram de Farminhão, mas de vilas dos arredores; sua avó materna era mãe solteira; há uma discrepância de ano de nascimento de Paizinho entre seu registro de batismo e sua identidade emitida pelo Consulado Português em Campos (1876 vs. 1877). Desde sua chegada ao Brasil, Paizinho comunicava-se com suas irmãs através de cartas, as quais levavam cerca de um mês para chegar ao destino. Mesmo mantendo uma comunicação frequente com as irmãs, Paizinho nunca retornou a sua terra natal. Fato este que sempre despertou a minha curiosidade. Segundo depoimento de minha mãe Martha, que é neta de Paizinho, as razões dele foram as seguintes: ele teve muita dificuldade em construir sozinho seu patrimônio, além de cuidar de esposa e sete filhos. Além disso, Paizinho era muito apegado ao dinheiro e, para viajar a Portugal naquela época, gastava-se muito para uma viagem de navio que duraria em torno de um mês. Eu e minha mãe fomos os primeiros descendentes a visitar a Vila Farminhão, em Portugal. Isto ocorreu em julho de 1991, precisamente 102 anos após a chegada de Luiz ao Brasil. Infelizmente, apesar de haver muitos “Mattos” por lá, não encontramos parentes. Encontramos, no entanto, uma senhora, já perto dos seus 90 anos que, mesmo não sendo parente, tinha algumas lembranças das pessoas da família. Em curta conversa com esta senhora ela nos deu algumas pistas.


Como não se tratava de família abastada, é possível que todos os filhos homens tenham partido para estudar e ganhar a vida longe de Farminhão. Sabemos que, com certeza, dois deles, Francisco e Antônio foram para as colônias portuguesas na África. Das seis irmãs não sabemos o destino. A senhora com quem conversamos indicou que duas delas casaram-se com senhores da própria Vila de Faminhão, porém, não tiveram filhos e morreram antes dos maridos. Segundo informações da mesma senhora as poucas terras da família passaram para os seus esposos. Em conclusão, nenhum dos antepassados do sexo masculino se fixou em Farminhão e as moças não deixaram descendentes. A família perdeu suas raízes nesta charmosa vila. Anos depois da minha ida a Farminhão, uma prima da minha mãe, Cristina, filha do tio Admar, esteve por lá em 2007 e conseguiu localizar numa igreja as certidões de batismo de Luiz e seus irmãos. Cristina também encontrou um parente em um asilo: um senhor mulato com o sobrenome Mattos, que era filho de Antônio (irmão de Paizinho) com uma senhora de Moçambique. Mais recentemente, em 2012, outra prima da minha mãe, Norma, filha de tio Alair, que esteve por mais de uma vez em Portugal, localizou um bisneto de Francisco (irmão de Paizinho), além de outros familiares. Este parente de nome Henrique Mattos é cantor e esteve no Brasil em companhia de sua esposa no começo de 2013. Assim, após 124 anos da chegada de Paizinho ao Brasil, um parente português veio conhecer parte do lado brasileiro da Família. Com a iniciativa da Norma e do Henrique, os laços da família foram reatados no novo milênio.

Pedro e Martha visitam Farminhão em 1991.

Em março de 2013, Henrique e sua esposa, vieram de Portugal ao Brasil para conhecer a Família. Nesta foto estão os primos que os receberam em Farol de São Tomé, Rio de Janeiro: Maria Helena, Alcione, Henrique, Marise, Norma e Sheila.

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Luiz,

Adélia

e filhos Em pé da esquerda para a direita: Irene, Alair, Maria Adelaide (Lalá) e Admar. Na frente: Elsa, Estela e Luiz.


De vestidos iguais: Maria Adelaide (Lalรก) e Irene. E as crianรงas: Estela, Luiz e Elsa.


Alguns filhos de Paizinho

De vestidos iguais: Maria Adelaide (Lalรก) e Irene. E as crianรงas: Estela, Luiz e Elsa.



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Armazém de Paizinho Luiz dentro de seu Armazém de Secos e Molhados na Rua dos Andradas, em Campos, Rio de Janeiro. Luiz aparece com a mão na cintura próximo a uma balança de pesagem. Observe que na parte superior, encontra-se seu filho, Alair, que trabalhava junto ao pai. Os demais não foram identificados.

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Bodas Ouro de

Comemoração das Bodas de Ouro do casal Luiz Augusto de Matos e Adelia Pacheco de Matos, em 25 de outubro de 1955.

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Em pĂŠ da esquerda para direita: Admar, Maria Adelaide, Irene, Alair, Elsa, Estela, e Luiz. Sentandos, ao centro: o casal Luiz de Mattos e AdĂŠlia. 28 |


Em pé da esquerda para direita: Dionéa, Admar, Juracy, Luiz, Ivete, Elsa, Alcídes, Maria Adelaide, Pedro, Estela e José. Sentados: Alair, o casal Luiz de Mattos e Adélia, e Irene.

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Rua 7 de Setembro, 193 Estas são algumas das lembranças do período da minha vida entre os nove anos e o começo dos meus 18 anos, quando morava na casa de meus avós maternos em Campos dos Goytacazes. Uma figura marcante da minha infância foi omeu avô Luiz Augusto de Mattos, o “Paizinho”, de quem narro algumas passagens. Nome de casada:

Maria Martha Mattos de Almeida

Maria Martha Almeida Pinto de Oliveira

Agradeço à minha prima Maria Helena pelo desenho fiel da fachada da casa da Rua 7 de Setembro, da qual não possuíamos fotografia. Para preparação do mesmo recorremos às recordações da minha memória, bem como as de Maria Helena e Marise, minha irmã. João Luiz, meu primo, corrigiu o telhado lateral. Na confecção da planta baixa, Amaro, meu irmão, lembrou-se de uma porta que comunicava os dois quartos da frente e que vivia fechada.

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A Casa

Luiz acordou. O casarão em silêncio. O dia ainda não clareara. Levantou-se, consultou o relógio, saiu do quarto e foi bater suavemente em outra porta. Cuidou para que suas pancadas não acordassem os outros habitantes e, somente as suas netas. — Marise, Martha, se vocês quiserem acordar, já são quatro horas. Em seguida, falou baixinho : — Se acharem que é muito cedo, chamarei às cinco. Dirigiu-se, então, à sala e começou a ler o seu jornal, “Correio da Manhã”, do qual era assinante e que chegava diariamente pelo correio (só que com cerca de uma semana de atraso). Se sobrasse tempo, também leria as “Seleções”. Ah! O casarão de Luiz! Seis janelas voltadas para a rua Sete, janelas altas, de duas bandas,

com quatro vidros quadrados, transparentes e grandes na parte superior. Mais acima uma parte arqueada fixa e envidraçada dividida em três partes. A parte de baixo era de madeira, em tariscas pequenas. A casa não era devassada da rua. Qualquer movimentação diferente que ocorresse na rua, seja desfile de bonecas no carnaval, passagem de boi-pintadinho, vendedores de sorvete etc. poderia ser apreciada das janelas. A parte de baixo das janelas possuía algumas frestas de onde podia ser observada a rua, sem que a pessoa fosse vista pelo lado de fora. Muitas vezes flagrava-se alguém “espiando no buraquinho” alguma cena interessante do lado de fora. Nos dias de chuva, barquinhos de papel eram jogados das janelas para saírem navegando junto à calçada onde se formava uma correnteza. A casa possuía dois portões de ferro trabalhado, um de cada lado. O portão maior vivia sempre fechado. A entrada era feita pelo portão | 33


Seis janelas voltadas para a rua Sete, janelas altas, de duas bandas, com quatro vidros quadrados, transparentes e grandes na parte superior.

menor que dava acesso a um corredor florido por trepadeiras, onde também havia um banco de madeira, pintado de branco, pés de ferro. Essa entrada chegava a uma sala; ambiente enorme, de assoalho em tábuas corridas tendo na parte de cima janelas fechadas de vidro e, na parte de baixo outras janelas enormes; o teto era alto e forrado com madeira. Embaixo do assoalho era oco e, muitas vezes, à noite, a correria de algum gambá produzia ruídos assustadores (diziam que era alma). O resto da casa era composto de sete quartos, uma copa, dois banheiros, uma cozinha, um quarto (tipo oficina) que vivia trancado, além de um depósito na parte dos fundos. Tudo muito espaçoso. O silêncio da sala é quebrado pela chegada das estudantes sonolentas, com os livros debaixo do braço e apavoradas com as provas que teriam naquele dia. Após os cumprimentos matinais o silêncio volta a reinar, com todos sentados à mesa, cada qual concentrado nos seus afazeres. 34 |

Cinco horas. Luiz levanta-se, pega enxada e ancinho e dirige-se ao quintal. Melhor seria chamá-lo de chácara. Fruteiras copadas e as mais diversas. Pés de manga, jaca, sapoti, jabuticaba, amora, maçã, lichia (ou alichia, como dizem em Campos), jambo, vampiro e até uma tal de ”manécascata” ( não sei se era Madagascar), entre outras. Agora a enxada capina sem parar. Era a hora do lazer. O mato é amontoado com o ancinho. Muito havia a fazer. Intimamente Luiz se programava para as suas tarefas intermináveis: tirar os galhos secos das fruteiras, colher frutos em cestos, cuidar do galinheiro, da colméia, cortar lenha para o fogão. Se conseguisse ser um pouco mais ligeiro, talvez sobrasse hoje um tempinho para a sua atividade favorita – cuidar das orquídeas. — Que pena! Já seis horas! Tempo de retornar à casa. Naim o espera com um gostoso café com pão (sem manteiga).


O Quintal A outra entrada da casa, com um portão de ferro bem alto dava, inicialmente, para um jardim que emendava com o quintal. O mesmo carinho que Luiz dedicava às fruteiras era também dispensado às flores. — Bom dia, D.Magnólia! Suas flores estão maravilhosas. — Ah! Jasmim do cabo, que perfume sem igual ! — Buquê de noiva, você ficaria lindo enfeitando qualquer cabeça ! Depois cumprimentava cada uma das gérberas, margaridas, violetas e magnólias. — Seu Jasmineiro, suas flores agradam muito; mas estas lagartas enormes, pretas e vermelhas, que saem a andar por aí apavorando a todos, me deixam triste.

Pensou na “Rainha da noite”, flor difícil de aparecer e, como o próprio nome diz, só surge à noite. Assim, poucos da casa a conheciam. Só sentiam o seu aroma. Junto ao portão de ferro, presas a um coqueiro, as labiatas em cacho, com seu perfume inigualável e sua beleza ímpar, faziam parar muitas pessoas que passavam pela rua para admirá-las. Aqui e ali ele se deparava com suas orquídeas - eram sua paixão! Dos mais variados tipos: umas em cachos, outras imitando pele de onça, roxas, amarelas, brancas, róseas. Dizia ele que o sonho (ou fantasia) era possuir a orquídea negra. Paizinho (como Luiz era chamado por muitos netos e depois pelos bisnetos, pois, quando nasceu a primeira neta ele se dizia muito novo para ser chamado de avô) sentia um grande ciúme das orquídeas e não admitia que alguém as tocasse. O seu prazer era trazê-las, quando floresciam, para dentro da sala, no próprio xaxim onde as cultivava. | 35


Para essa tarefa as netas Marise e Martha eram convocadas, munidas de um palito e, iam polinizando cada flor.


Às vezes, dado o seu lado galanteador ser bem desenvolvido, gostava de presentear com algumas delas as amigas de suas netas. Mais para o fundo do quintal havia um pé de baunilha que subia numa cerca. As flores eram semelhantes às orquídeas e, na época da floração, toda manhã era necessário fecundá-las, para melhor resultado na produção de favas. Para essa tarefa as netas Marise e Martha eram convocadas, munidas de um palito e, iam polinizando cada flor. Outra grande atração do quintal era o pé de lichia, árvore que já conhecemos com um tronco muito grosso, inclinado, além das poucas e

disputadas frutas que produzia; servia para muitas brincadeiras quando subíamos nele. Luiz morria de amores pela sua videira (apesar de suas uvas serem bem azedas) e, ai de quem tentasse mexer nos seus cachos antes que amadurecessem. O prazer que sentia era cortar os cachos roxos maduros, colocar numa bandeja e chamar a todos para saboreá-los. Havia ainda no quintal uma colméia, cuidada por Luiz encapuzado, que produzia um mel delicioso, muitas vezes experimentado no próprio favo. As favas de baunilha e o mel eram vendidos por Luiz, um ótimo comerciante, além de ser uma pessoa muito apegada ao dinheiro.

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As Prosas de Luiz

Outra vez, todos reunidos à noite, Luiz, com sua memória prodigiosa, a declamar Guerra Junqueiro: .... e a lágrima celeste, ingênua e luminosa, sorriu, tremeu e caiu silenciosa. Algumas vezes eram os Lusíadas: As armas e os barões assinalados Que na ocidental praia lusitana, Por mares nunca dantes navegados .... Também o lado romântico de Camões (ao chorar a morte da namorada) Alma minha gentil que te partiste Tão cedo desta vida descontente Repousa lá no céu eternamente E viva eu cá na Terra sempre triste.

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Na sala, medo e silêncio total.

Em outras ocasiões, para provocar medo geral, surgiam as estórias de assombração. Algumas eram ouvidas num programa semanal do rádio. Muitas eram contadas de suas vivências na roça, quando morava em Catuaba (perto de Conselheiro Josino) com a família. “Um homem saiu à noite, montado em seu cavalo e vagou por uma estrada deserta desacompanhado. De repente, junto a uma cancela encontra uma linda moça toda vestida de branco. Parou, desceu do cavalo e pôs-se a conversar com ela. Ficou encantado. Ao partir, não conseguiu esquecê-la. No dia seguinte resolveu procurá-la e, qual não foi a sua surpresa quando, descrevendo-a para pessoas e familiares dela que moravam naquele local, soube que a mesma havia morrido há mais de dez anos. O homem apavorado, perna para que te quero, nunca mais retornou àquele local.” Na sala, medo e silêncio total. A criançada assustada. Nessas horas, quando algum gambá corria no forro da casa ou algum rato debaixo do assoalho, o pânico aumentava. Todos vão dormir um pouco apavorados!

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Lábias de Luiz

Paizinho, já na casa dos oitenta, cabelos ralos e grisalhos, viúvo, divertia-se espiando na janela as pessoas que passavam. Começou a prestar atenção numa moça que ia, diariamente, para a missa matinal. Pôs-se a galanteá-la sem que a mesma percebesse. — Senhorinha, aceite esta orquídea! A paixão tomou conta dele e, tornou-se um hábito cortejá-la. Imaginou-se correspondido. Certo dia resolveu escrever-lhe uma carta pedindo-a em casamento. Foi impedido por um dos filhos de entregá-la a sua musa. O amor começou a morrer. Luiz casado, as filhas moças, apaixonou-se por uma mulher (nesta época moravam na Rua da Boa Morte). As filhas seguiam-no pela rua para localizar o objeto de sua paixão. Deu trabalho para terminar tal caso. Luiz casado, filhos rapazes, empregadas mulatas. A respeito existe um episódio. Certa noite Luiz resolveu ir ao quarto da empregada e cruzaramse no caminho ele e um dos filhos. Houve um certo mal estar.

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As filhas seguiam-no pela rua para localizar o objeto de sua paixão. Deu trabalho para terminar tal caso.

Luiz brincalhão, contador de estórias. Uma de suas favoritas era a da “Mariquinha da Lagoa”, conhecida de toda família: Toda tarde Mariquinha sentava-se numa pedra à beira de uma lagoa a espera do namorado. Ficava ali até ouvir a voz do namorado a cantar – Mariquinha da lagoa, já é hora, já é hora.... Então ela ia ao encontro dele e se entregavam ao amor. Tudo ia muito bem, não fosse o namoro proibido pelo pai dela que acabou descobrindo. O pai de Mariquinha resolveu contra-atacar. Colocou a pedra, onde Mariquinha costumava se sentar, no fogo até que ficasse muito quente e mandou de volta ao local habitual. À hora de sempre dirigiu-se Mariquinha a sua pedra e, ao sentar-se nela queimou-se toda e saiu correndo. O namorado chega e canta sua cantiga habitual: Mariquinha da Lagoa, já é hora, já é hora... Então, responde-lhe uma voz masculina (o pai dela): “Ela está com a bunda queimada e não pode ir aí agora...” O namorado desapareceu ...

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Hora de Lazer

O relógio de pêndulo da sala bate 7 horas. É noite. Todos da família reunidos na sala. Pedrinho, sentado em sua cadeira, Lalá fazendo algum servicinho, Amaro e Dodô aprontando pelo meio da casa. À mesa, duas duplas a jogar bisca (Luiz, Naim, Marise e Martha). Com que alegria Luiz fala: — Prepare-se menina, que vou dar-lhe um reles! Muita animação até o fim da partida. Os pontos são marcados com sementes vermelhas de uma caixinha. Termina o jogo. Oito horas. Todos juntos e atentos ao rádio. Hora do “repórter Esso” com as últimas notícias. Em seguida, a novela. — Psiu! Silêncio! – ordena Luiz e, todos obedecem. Nove horas, todos para a cama. Fim de mais um dia. Outros netos, como Amaro e Maria Helena, gostavam de ouvir no rádio com o avô as “Aventuras de Jerônimo”, o herói do sertão.

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A Vida De Trabalho

Luiz possuía um armazém de secos e molhados (nesta época não havia os supermercados) na Rua dos Andradas. Trabalhou ali por muitos anos. Começara a vida de trabalho aos 13 anos, quando chegou de Portugal. Veio para o Brasil em companhia de um amigo da família e, para lá nunca mais retornou, mas sentia muita falta de todos. Comunicava-se com as irmãs através de cartas. Inicialmente exerceu a atividade de entregador de sapatos de uma sapataria da rua Sete de Setembro. Já casado, morou por muito tempo em Catuaba, onde possuía uma venda. Espírito curioso, muito dedicado à leitura, todo o conhecimento adquirido ao longo da vida havia sido por conta própria. Além disso, era dotado de invejável memória. Gostava das obras literárias: Camões, Dante Alighieri, Victor Hugo... Em Catuaba, além de comerciante, exercia muitas vezes função de médico, executando pequenas cirurgias, tudo somente com conhecimento livresco, adquirido de forma autodidata.

Uma grande sensação que provocou nas redondezas foi a compra de um gramofone e, a primeira música que lá executou foi: — Rato, rato, rato, há muito tempo que eu não vou no teu buraco... No armazém, em Campos, não gostava de ser interrompido, nem que seus familiares fossem lá pedir alguma coisa. Quando bem queria, o que acontecia muito raramente, levava alguma coisa para casa: umas cebolas “meio sentidas” para aproveitar; algum salame meio suspeito etc. Era muito apegado a tudo que possuía. Na época de realizar o balanço das mercadorias do armazém, muitas vezes fui convocada para fazer as conferências com ele. A relação das mercadorias e as quantidades eram listadas numa folha de papel pardo. Como comerciante era muito benquisto pelos seus fregueses, muitos da roça. Com eles proseava bastante. | 43



O Espírito Brincalhão

Dia 1º. De abril. Luiz,astucioso como sempre, já tem as suas “peças” preparadas para cada um da casa. — Lalá,chegou esta caixa para você pelo correio. Lalá começa a desembrulhar o pacote. Surge uma caixa de sapatos. Abre. Dentro dela outra caixa menor. Dentro desta, outra ainda menor. Lalá, já meio desconfiada, termina de abrir a última caixa e nela encontra um bilhete: — Peguei um bobo na casca do ovo. Caiu, caiu, primeiro de abril.

Luiz divertia-se a valer! Vamos ao próximo: — Odete, deixaram um recado para você ir à casa de Dna. Nhorinha agora. Lá se ia Odete, deixando seus afazeres, para na volta receber a mesma gozação. E assim, cada um dos netos também ia caindo nas suas brincadeiras. Ele aproveitava logo que as pessoas acordavam e que ainda não se lembravam da data.

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A Família Luiz preocupou-se com a educação dos filhos. Os homens formaram-se: dois advogados (Alair e Admar) e um médico (Luiz). Na época não era costume a mulher fazer curso superior e, das filhas, Lalá e Elsa formaram-se professoras. Irene (tia Dene) dedicava-se à costura e Estela (Teté) aos afazeres domésticos. Houve também uma certa preocupação com a educação musical das filhas: Irene estudou piano e, no Rio de Janeiro onde passou a morar depois de casada, dava aulas. Lalá estudou violino e Elsa bandolim. Esta era sua filha com quem tinha mais afinidade e, já velho, sentia enorme alegria quando ela vinha da roça para visitá-lo. Quando morávamos em Catuaba, ainda criança, lembro-me uma única vez ter visto a minha mãe tocar ao violino: — Tatu subiu no pau, é mentira de vocês, lagarto ou lagartixa, isso sim que pode ser...

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Naim (Adélia), a esposa, era aquela criatura muito tranqüila, dedicada aos filhos, muito boa e extremamente obediente ao marido. Chamava-o “Seo Luiz”. Habituou-se a conviver com o pãodurismo do marido. Era coisa corriqueira este tipo de diálogo: — Seo Luiz, estou precisando comprar um tecido para fazer lençol. — Veja quantos metros irá precisar, mande uma das meninas à rua saber o preço do metro. O dinheiro para a compra era desembolsado na exata. Nota: Minha Vó Naim não era chamada de mamãe pelos filhos. Chamavam-na de Naim. Certa vez perguntei a Tio Admar o porquê deste nome e ele me disse ser uma corruptela de Sinhazinha ..... depois Nhazinha e, finalmente ... Naim.


O Baú da Riqueza

Alguns netos entram sorrateiramente no quarto de Paizinho. Atrás da cama de casal havia um velho baú trancado, sempre objeto de muita curiosidade. Um dos meninos, não sei como conseguiu, levantou a tampa do baú. Dentro dele muitas coisas acomodadas, até um velho espartilho. A um canto, um saquinho cheio de moedas de ouro da época do império. De repente, Paizinho rompe furioso quarto a dentro: — Peguei-o com a boca na botija! Correria! Gritaria e confusão! As ditas moedas foram negociadas quando Paizinho já era velho. Aconteceu assim:

Paizinho estava olhando debruçado à janela. Foi abordado por uns desconhecidos: — Meu senhor, o senhor possui alguma moeda antiga para vender ? — Possuo sim. — Gostaríamos de vê-las. Paizinho colocou os desconhecidos para dentro e, já sem noção do valor do dinheiro, vendeu todas as moedas que possuía, escondido de Lalá e do resto da família, por um preço tal que não pagaria o valor de uma delas.

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O Namoro

Numa sala grande, um relógio de pêndulo a bater as horas. Sentada numa marquesa, a senhorinha D. Adélia, embelezada em seu longo vestido, prepara-se para a visita mensal de seu pretendente — o Sr. Luiz Augusto. Em companhia da mesma, os pais: “Seo” Vigário (Padre Pacheco) e a senhora D. Amélia. Luiz chega. O casalzinho põe-se a conversar sentado na marquesa. Um num extremo o outro no outro. Prosa vai, prosa vem. Hora da partida. Luiz se despede respeitoso de cada um. Até o próximo mês. Não sei se em alguma ocasião, quando “Seo” Vigário foi beber água e D. Amélia deu algum cochilo, aconteceu algum carinho mais ousado, um beijo. O fato é que Luiz já idoso, quando se referia à marquesa, dizia sempre: — Se aquele sofá falasse diria muita coisa...

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Todo domingo Ă noite Luiz gostava de ir ao cinema. Vestia o seu terno e, em companhia das netas, iam caminhando.


Um Lazer de Domingo

Todo domingo á noite Luiz gostava de ir ao cinema. Acompanhado das netas Marise e Martha costumava freqüentar o Capitólio, Trianon e outras vezes o Cine São José. Vestia o seu terno e, em companhia delas, ia caminhando até o cinema. Guardo boas lembranças desses passeios. Era também o nosso divertimento semanal.

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Ciúme dos Livros Luiz gostava muito dos livros que possuía. Zelava muito por eles que eram guardados no quarto onde dormia. Não permitia que tivéssemos acesso a eles. Felizmente eu contava com uma cúmplice (minha querida avó Naim) que facilitava o empréstimo dos livros a mim. Procedíamos assim: quando meu avô, logo cedo, ia cuidar do quintal ela entregava o livro a mim. Antes que ele regressasse o livro já estava no devido lugar. Assim, consegui ler muitas coisas. Lembro-me de uma coleção com diversos volumes, li todos, que tratava da história dos czares russos. Se não me engano o título era “Sônia ou o calvário do povo russo”. Na ocasião me interessei bastante pelo assunto.

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Uma Aventura na Infância Luiz, ainda criança, quando estudara em Viseu, no Liceu Coelho Martins, depois chamado Grão Vasco, até o segundo ano, em Portugal, participou com alguns amigos de uma aventura. Ao lado do colégio havia uma igreja. Eles resolveram subir até a torre e começaram a badalar o sino. Ao puxar a corda o corpo deles ficava pendurado para fora da torre numa grande altura o que fez com que corressem um grande risco. Poderiam ter despencado lá de cima. Luiz gabava-se dessa proeza e a contava com muito gosto.

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“entrou por uma porta, saiu pela E, para terminar, como diria ele:

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outra, quem quiser que conte outra...�

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Confissão Narrativa de Luiz de Mattos dedicada a sua esposa Adélia. A redação foi realizda em Campos e data de 27 de julho de 1944.

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Jå agora galgado a idade da puberdade, eu pensei na mulher e como quase sempre acontece nesta fase da vida, tão comum a todos os moços da minha idade, nesta doce fase da vida, com o pensamento povoado de sonho e ilusþes, vi crusarem-se em meu caminho, inumeras borboletas multicores e, dentro do meu isolamento, completamente timido, pensei no casamento, porem o fantasma do medo, apoderou-se de mim e não abandonava.

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Alguns Dados Pessoais de Paizinho

Nome Luiz Augusto Pereira de Mattos Nascimento Farminhão, Concelho de Viseu, em Portugal Data 03 de novembro de 1876 Batizado 11 de novembro de 1876, na Paróquia de Farminhão Casamento 25 de outubro de 1905 Esposa Adélia Pacheco, nascida em 12 de novembro de 1875, foi batizada na Igreja Matriz de Santo Antônio, em Guarus. É filha de Amélia Maria da Conceição e do Padre Joaquim Pacheco. Falecimento 13 de setembro de 1968 em Campos dos Goytacazes. Pai Antônio Augusto Pereira de Mattos, natural de Vasconhã, freguesia de Gueirã (falecido em 1897, em Farminhão). Mãe Maria Adelaide Pereira de Mattos, natural da cidade de Viseu.

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Avós paternos

José Justino Pereira de Mattos e Maria Delphina Pereira de Mattos.

Avós maternos

Bernarda Cândida de Carqueijal, freguesia de Topedeita.


Irmãos Francisco de Paula Pereira de Mattos, José, Antônio, Laura Judith, Conceição, Amélia, Maria Adelaide, Beatriz, Mathilde, Maria. Filhos e Netos Irene de Mattos Vianna (casada com José Vianna) Márcia e Maria Lúcia Maria Adelaide de Mattos de Almeida (casada com Pedro Ferreira de Almeida) Marise, Maria Martha, Amaro e Salvador Luiz Alair Pacheco de Mattos (casado com Dionéa Monteiro de Mattos) Norma e José Luiz Admar Pacheco de Mattos (casado com Juracy Rezende de Mattos) Alcione e Maria Cristina Elsa Mattos de Almeida (casada com Alcides Ferreira de Almeida) Maria Helena, Bento Sérgio e João Luiz Estela de Mattos Rodrigues (casada com José Rodrigues) Carlos Otávio, Sheila e José Jorge Luiz Augusto de Mattos (casado com Ivete da Nova Mattos e, em segundo casamento, com Maria José) Vilma, Ester (adotiva), Luiz Roberto, Paulo Roberto e Carlos Roberto (do primeiro casamento) Maria Luiza, Maria Cristina e Maria Ângela (do segundo casamento) | 65


ÁRVORE

GENEALÓGICA

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José Justino a de Mattos a os Pereira

Maria Delfina Pereira Mattos de Matt

Antonio Augusto Pereira de Mattos

Maria Adelaide

Francisco - Mathilde - José - Maria Adelaide - Amélia- Beatriz- Conceição

José Viana

Irene

Márcia e Maria Lúcia Alcides Almeida

Elsa

Pedro Ferreira

Mª José

Maria Luiza, Maria Cristina, Maria Ângela

Luiz

Maria Adelaide

Marise, Maria Martha, Amaro, Salvador Luiz Alair

Maria Helena, Bento Sérgio, João Luiz

Luiz

Bernarda Cândida (mãe solteira)

Dionéia Norma, José Luiz

Ivete Vilma, Luiz Roberto, Paulo Roberto, Carlos Roberto, Ester

Maria - Laura Judith - Antonio

Adélia

Naim

José Rodrigues

Estela

Carlos Otávio, Sheila, José Jorge Admar

Juracy

Alcione, Mª Cristina


Certidões Esta seção inclui as certidões de batismo de Luiz de Mattos e seus irmãos, encontradas na Paróquia de Farminhão, Concelho de Viseu, Portugal.

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Luiz Augusto Pereira de Mattos Nascimento: 03 de novembro de 1876 Batizado: 11 de novembro de 1876 Pais: Antonio Augusto Pereira de Mattos (de Vasconha, Freguesia de Queirã) e Maria Adelaide (de Vizeu) Avós Paternos: José Justino Pereira de Mattos e Maria Delfina Avó Materna: Bernarda Cândida (mãe solteira), natural de Carqueijal, Freguesia de Torredeita Padrinhos: Francisco de Paula Pereira de Mattos e Maria Adelaide

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Antonio Nascimento: 03 de abril de 1881 Batizado: 24 de abril de 1881 Pais: Antonio Augusto Pereira de Mattos (de Vasconha, Freguesia de Queirã) e Maria Adelaide (de Vizeu) Avós Paternos: José Justino Pereira de Mattos e Maria Delfina Avó Materna: Bernarda Cândida (mãe solteira), natural de Carqueijal, Freguesia de Torredeita Padrinhos: Francisco de Paula Pereira de Mattos e Mathildes

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Mathilde Nascimento: 23 de março de 1879 Batizado: 01 de abril de 1879 Pais: Antonio Augusto Pereira de Mattos (de Vasconha, Freguesia de Queirã) e Maria Adelaide (de Vizeu) Avós Paternos: José Justino Pereira de Mattos e Maria Delfina Avó Materna: Bernarda Cândida (mãe solteira), natural de Carqueijal, Freguesia de Torredeita Padrinhos: Paulino José Azevedo Pereira de Mattos e Mathilde Carminda de Mattos Leitão

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Maria Nascimento: 21 de março de 1877 Batizado: 01 de abril de 1877. Foi a óbito com pouco mais de um ano de idade em 19 de agosto de 1888 Pais: Antonio Augusto Pereira de Mattos (de Vasconha, Freguesia de Queirã) e Maria Adelaide (de Vizeu) Avós Paternos: José Justino Pereira de Mattos e Maria Delfina Avó Materna: Bernarda Cândida (mãe solteira), natural de Carqueijal, Freguesia de Torredeita Padrinhos: Francisco de Paula Pereira de Mattos (irmão) e Mathildes Carminda de Mattos Leitão

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Laura Nascimento: 24 de agosto de 1879 Batizado: 15 de setembro de 1879 Pais: Antonio Augusto Pereira de Mattos (de Vasconha, Freguesia de Queirã) e Maria Adelaide (de Vizeu) Avós Paternos: José Justino Pereira de Mattos e Maria Delfina Avó Materna: Bernarda Cândida (mãe solteira), natural de Carqueijal, Freguesia de Torredeita Padrinhos: José e Amélia

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Amélia Nascimento: 30 de agosto de 1875 Batizado: 10 de setembro 1875 Pais: Antonio Augusto Pereira de Mattos (de Vasconha, Freguesia de Queirã) e Maria Adelaide (de Vizeu) Avós Paternos: José Justino Pereira de Mattos e Maria Delfina Avó Materna: Bernarda Cândida (mãe solteira), natural de Carqueijal, Freguesia de Torredeita

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Maria Adelaide Nascimento: 27 de março de 1871 Batizado: 30 de abril de 1871 Faleceu: 20 de agosto de 1953 Pais: Antonio Augusto Pereira de Mattos (de Vasconha, Freguesia de Queirã) e Maria Adelaide (de Vizeu) Avós Paternos: José Justino Pereira de Mattos e Maria Delfina Avó Materna: Bernarda Cândida (mãe solteira), natural de Carqueijal, Freguesia de Torredeita Padrinhos: Francisco de Paula Pereira de Mattos (irmão) e Bernarda Cândida (avó)

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Certid達o de Antonio


Certificado de

Cidadania Portuguesa

Este documento ĂŠ datado de 21 de fevereiro de 1935 e foi certificado pelo Vice-consulado de Portugal em Campos, Domingos M. Faria.


Carta Carta da esposa Adélia (Naim) para Luiz de Mattos quando viajou para a praia de Grussaí em companhia da família de sua filha Estela. Além das notícias informadas na carta, observa-se o tratamento respeitoso com o marido quando esta se refere a ele como “seu Luiz”. A caligrafia usada reflete a elegância do estilo de escrita da época. Note-se ainda a acuidade na escrita que revela ter sido realizada por uma pessoa que teve boa instrução, feito raro para uma mulher na época.

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17-04-46 Seu Luis, Há dias não tenho notícias dahi, ja escrevi a Lalá e Marise e não tive resposta, será que não se lembram da velha. Eu estou sempre sonhando com todos, sonhei que Irene estava ahi, e também Ademar, será exato? Mande dizer. Luis já escreveu? Mande notícias por seu Miranda. Eu tenho passado bem, Estela e garotos bem fortes aumentaram bastante de peso. Eu aumentei dois kilos. Como vão todos de saúde? Lalá tem gostado da escola? E as crianças vão bem na escola? Eu estou anciosa para voltar mas não sei ainda quando, pois o José ainda não tirou férias. Estela tem gosado nos banhos, eu nem os pés molho com receio de fazer mal. Diz a Maria Marta que ela não teve sorte de vir aqui, não tem mais ônibus, só prancha e caminhão, ou então automóvel. Quando você resolve vir outra vez? Arranja caminhão. Saudades e abraços, e também para todos. De Naim

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Direção de Arte e Design Coordenação Editorial Projeto Gráfico e Diagramação

Scriptorium Design Kenia de Aguiar Ribeiro Victoria Haidamus

Ilustrações

Ana Carolina de Freitas Alves Camila de Freitas Sikorski

Impressão

Gráfica Ideal

Agradecimentos

Pesquisa de Certidões em Portugal: Cristina Mattos Hungria Retomada do contato com a família em Portugal: Norma Monteiro de Mattos Ilustração da casa da Rua 7 de Setembro: Maria Helena Matos de Almeida E a todos, que de alguma forma, colaboraram acrescentado informações para enriquecer este trabalho.

Brasília, dezembro de 2013.