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Distribuição Gratuita | Publicação Trimestral | Nº 45 

Julho Agosto  Setembro  2014  b o l e t i m

RENASCER

www.scmsines.org

i n f o r m a t i v o

Santa Casa da Misericórdia de Sines 

O DESAFIO DE ENVELHECER

No âmbito  da  comemoração  do  Dia  do  Idoso,  que  se  assinala  mundialmente  a  1 de Outubro, destacamos nesta edição,  como tema de capa, a Terceira Idade.   

do fruto  de  uma  baixa  natalidade  e  de  um  claro  aumento  da  esperança  média  de  vida.  Existem  inclusivamente  estudos  que  indicam  que  o  envelhecimento  da  Nas  últimas  décadas  Portugal  tem‐se  população se vai acentuar e que, por vol‐ caracterizado por ser um país envelheci‐ ta  de  2030,  1  em  cada  4  portugueses  terão 65 ou mais anos de idade. Assim, é 

importante repensar  a  sociedade,  apos‐ tar  nos  mais  velhos  e  aproveitar  o  que  estes têm para dar.  Não é fácil definir o conceito de Terceira  Idade. Esta não se situa numa idade pre‐   (Continua na página 4) 

DESTAQUES

Estrunfes viajam até Madrid

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À Conversa com… Fernanda Dias

pág. 10

2 anos de Loja Social

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b o l e t i m i n fo r m at i v o

Em geral,  a  ambição  está  associada  à  vontade  de  se  alcançar  objectivos  e  obter  resultados,  no  domínio  das  ideias,  poder  e,  em  grande  parte  das  vezes,  materiais.  Centro‐me  no  valor  mais  nobre  e  positivo  desta  pala‐ vra,  ligado  à  ética,  à  vontade  de levar mais além as realiza‐ ções  que  ajudam,  dentro  do  possível,  a  tornar  o  a  vida  do  próximo melhor.  Num  dos  momentos  de  refle‐ xão,  dei  comigo  a  meditar  sobre até que ponto a pessoa  ao ter como missão o cumpri‐ mento  de  obrigações  sociais,  necessitando  para  isso  de  desenvolver  acções,  quer  de  edificação  de  instalações,  quer  de  melhorias  na  presta‐ ção dos colaboradores e servi‐ ços,  quer  em  proporcionar  mais  bem‐estar  às  pessoas  mais fragilizadas, o pode reali‐ zar  se  não  houver  alguma  ambição?  Creio que na evolução natural  da  minha  vida,  talvez  pela  minha  forma  de  estar,  pois  nunca  tive  como  objectivos  conquistar  lugares  ou  posi‐ ções  de  poder,  mas  simples‐

mente porque  a  vida  me  foi  proporcionando  oportunida‐ des,  fez  com  que  as  pessoas  me  fossem  encaminhando  para posições de algum desta‐ que,  nunca  conflituando  com  ambições  pessoais,  porque,  na  realidade,  sempre  defini  como primeira prioridade rea‐ lizar  as  minhas  tarefas  com  sucesso, em prol da sustenta‐ bilidade das empresas e insti‐ tuições  e  bem‐estar  das  pes‐ soas.  Atualmente,  com  a  missão  que  tenho,  os  desafios  aumentaram  substancialmen‐ te. Porquê? Porque estamos a  falar  de  pessoas  que  abran‐ gem  todas  as  faixas  etárias,  diferentes  personalidades,  muitas  fragilidades,  com  mais  ou menos afectos e capacida‐ des.  Então  aqui,  entra,  de  uma forma silenciosa e disfar‐ çada,  a  ambição  de  fazer  o  melhor  pelo  bem‐estar  das  pessoas e sustentabilidade da  instituição.  Questiono‐me:  como  é  que  poderei  atingir  esses objetivos sem ambição?  Para uma instituição tão com‐ plexa são muitos os desafios a  enfrentar e uma grande diver‐

sidade de  intervenientes  a  enquadrar  e  motivar:  funcio‐ nários,  para  que  adquiram  mais  competências  e  desen‐ volvam comportamentos mais  eficientes  e  afectivos,  de  modo  a  proporcionarem  o  bem‐estar  aos  seus  utentes;  melhoria  das  relações  de  camaradagem  com  os  cole‐ gas; serem exemplares e con‐ tribuírem  para  a  boa  reputa‐ ção da instituição.  Para  as  instalações,  e  através  de  um  árduo  trabalho,  tam‐ bém temos tido a ambição de  aproveitar  todas  as  oportuni‐ dades  de  candidaturas  e  financiamentos, de maneira a  respeitarmos  as  leis  vigentes,  e  proporcionar  mais  conforto  e segurança aos utentes, agili‐ zar e melhorar procedimentos  e  funcionalidades  na  presta‐ ção de serviços.  Não será uma ambição positi‐ va  tentarmos  aliviar  o  sofri‐ mento  dos  idosos  e  retardar,  quanto possível, a sua depen‐ dência de terceiros, quer atra‐ vés  de  atividades  físicas  e  mentais,  quer  através  de  incentivos  e  assistência  técni‐ ca,  de  modo  a  que  as  suas 

EDITORIAL

A AMBIÇÃO AO SERVIÇO DO BEM-COMUM

Luís Maria Venturinha de Vilhena Provedor da Misericórdia de Sines

vidas sejam  mais  longas  e  com qualidade?  Não será uma ambição salutar  querer um futuro melhor para  todas  crianças,  jovens  e  adul‐ tos  que  passam  pela  institui‐ ção?  Da reflexão sobre algumas das  formas  e  consequências  do  ser‐se  ambicioso,  posso  con‐ cluir que se não deformarmos  ou desvirtuarmos este concei‐ to,  então  devo  convidá‐los  a  todos a sermos mais ambicio‐ sos  e  fazermos  da  nossa  mis‐ são uma grande obra, em prol  de  todos  aqueles  que  de  nós  necessitem  e  de  uma  Miseri‐ córdia melhor.  

Ficha Técnica

RENASCER

boletim informativo

Director Luís Maria Venturinha de Vilhena 

Grafismo | Montagem | Paginação   Ricardo Batista, Rita Camacho 

Periodicidade   Trimestral 

Redacção   Rita Camacho 

Tiragem   300 exemplares 

Número   45 

Revisão de Texto   José Mouro, Rita Camacho 

Depósito legal   325965/11 

Edição Julho | Agosto | Setembro  2014   

Fotografia Rita Camacho   

Distribuição   Gratuita 

Propriedade, Edição e Impressão  SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE SINES 

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SCMS PROMOVE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA A Santa  Casa  da  Misericórdia  de  Sines  aderiu  recentemente  à  campanha  de  sensibilização  e  educação  para  a  efi‐ ciência  energética,  uma  iniciativa  que  envolverá utentes e técnicos da Institui‐ ção.   Esta iniciativa está a ser promovida pela  Iberdrola  Portugal  e  pelo  Centro  de  Reabilitação  Profissional  de  Gaia,  que  integra o Plano de Promoção de Eficiên‐ cia  no  Consumo  2013‐2014  da  ERSE  ‐  Entidade Reguladora dos Serviços Ener‐ géticos e decorre num conjunto alarga‐

do de  organizações  de  norte  a  sul  de  energia.  Portugal.   A  campanha  decorre  entre  Maio  de  Dirigida  às  pessoas  com  deficiências  e  2014  e  Julho  de  2015,  integrando  um  incapacidades e à população idosa, esta  conjunto  de  acções  de  informação,  campanha consiste na promoção de um  aprendizagem e envolvimento dos des‐ conjunto  de  actividades  de  sensibiliza‐ tinatários,  culminando  com  a  organiza‐ ção  e  de  educação,  versando  sobre  a  ção de uma acção de sensibilização que  importância  da  adopção  de  comporta‐ decorrerá nas instalações da instituição,  mentos  orientados  por  preocupações  envolvendo  utentes  e  técnicos.  Para  de  eficiência  energética.  O  principal  aferir  a  mudança  de  comportamentos,  objectivo é sensibilizar as  pessoas para  será  aplicado,  antes  e  após  a  campa‐ a  adopção  de  comportamentos  racio‐ nha, um questionário de avaliação.    nais e eficientes como consumidores de 

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O DESAFIO DE ENVELHECER cisa, mas  está  associada  ao  final da actividade laboral que  conduz a uma diminuição das  actividades  intelectuais,  men‐ tais e físicas. Por sua vez, esta  diminuição  de  actividade  tem  um  impacto  negativo  na  pes‐ soa idosa, obrigando‐a a reor‐ ganizar  a  sua  vida,  e  em mui‐ tas ocasiões a procurar auxilio  em Instituições como a SCMS.  Apesar do grande aumento de  Instituições  Particulares  de  Solidariedade  Social  que  aco‐ lhem  idosos,  em  Portugal,  de  acordo  com  os  Censos  de  2011, cerca de 400 mil idosos  vivem  sozinhos.  Ainda  que  estes  possam  ter  apoio  das  famílias, de conhecidos ou de  Instituições,  não  é  saudável  que  envelheçam  sozinhos.  E  num  lar  de  idosos,  essa  soli‐ dão  é  minimizada,  pois  além  de  receberem  cuidados  de  higiene, alimentação e saúde,  os  idosos  usufruem  de  activi‐ dades socioculturais e despor‐ tivas que favorecem um enve‐ lhecimento  activo  e  de  quali‐ dade. 

OPINIÃO Vera Alves, socióloga, trabalha  na  SCMS  há  13  anos  e  desde  então  acompanha  a  entrada  de  idosos  em  lar.  Por  isso,  recolhemos  a  sua  opinião  sobre  a  caracterização  dos  idosos  que  actualmente  pro‐ curam  os  lares,  em  compara‐ ção com os que o faziam uma  década atrás. 

Renascer –  De  um  modo  geral  caracterize  os  idosos  que  actualmente  vêm  residir  para a Santa Casa.  4 

Vera Alves – Cada vez mais os  idosos  chegam  ao  lar  muito  dependentes,  com  pouca  mobilidade  e,  grande  parte  deles,  com  diagnóstico  de  demência.  Recordo‐me  que  quando vim trabalhar para cá 

R. – Nota alguma diferença ao  nível  da  escolaridade  e  hábi‐ tos de vida dos idosos actual‐ mente  inseridos  em  lar,  com‐ parativamente  com  os  que  já  cá  residiam  quando  entrou  em funções na Santa Casa? 

Na Terceira Idade sorrir é muitas vezes o melhor remédio 

muitos utentes  vinham  pelo  próprio  pé  solicitar  o  seu  internamento.  E  tínhamos  muitos  utentes  autónomos  que  participavam  nas  activi‐ dades.  Os  bailes  estavam  sempre cheios, quando íamos  à  praia  conseguíamos  encher  o  autocarro  duas  vezes  e  era  raro  o  utente  que  se  desloca‐ va  em  cadeira  de  rodas.  Hoje  é a família que faz a inscrição  do  utente,  procurando  a  nos‐ sa ajuda numa fase em que o  grau  de  dependência  é  enor‐ me. 

Dançar é uma actividade muito apre‐ ciada pelos idosos 

liar, têm  muitos  internamen‐ tos solicitados pela Segurança  Social? 

V.A. –  Anteriormente  a  Segu‐ rança Social fazia‐nos pedidos  de internamento mensais mas  agora,  criaram‐se  as  vagas  cativas, reservadas à Seguran‐ ça  Social,  e  desde  então  os  internamentos acontecem em  função  dessas  vagas.  Actual‐ mente  temos  menos  casos  encaminhados pela Segurança  Social,  mas  ainda  surgem  alguns  sinalizados  pelo  Núcleo  Local  de  Inserção.  Temos  cerca  de  2  a  3  casos  sociais  por  ano,  que  normal‐ mente  resultam  da  ausência  de  familiares  e  de  condições  socioeconómicas. 

R. –  De  acordo  com  a  sua  V.A. – Não se verificam altera‐ experiência, o Lar recebe mais  ções  nestes  aspectos.  Conti‐ homens ou mulheres?  nuamos  a  receber  muitos  V.A.  –  Recebemos  mais  utentes  iletrados,  com  profis‐ mulheres  do  que  homens,  e  sões ligadas ao meio rural e à  desde  que  cá  estou  sempre  pesca. Esporadicamente surge  foi  assim.  As  mulheres  são  alguém  com  mais  estudos,  menos  resistentes  à  entrada  mas  isso  desde  sempre  acon‐ no  lar  e  os  homens  quando  teceu. Penso que esta diferen‐ procuram  o  lar  para  residir  já  ça  se  vai  notar  mais  daqui  a  estão  mais  debilitados.  O  fac‐ uns anos.  to  de  no  Serviço  de  Apoio  R. –  Ao nível do suporte fami‐ Domiciliário  existirem  mais  liar, acha que as famílias hoje  homens  do  que  mulheres  estão mais presentes?  também explica esta resistên‐ V.A. –  Não, penso que as coi‐ cia  dos  homens  à  entrada  no  sas  neste  campo  não  evoluí‐ lar.  As  mulheres  vêm  mais  ram.  Notamos  que  devido  à  cedo para o Lar e muitas delas  dependência  dos  utentes  as  tomam  essa  decisão  a  partir  saídas com os familiares dimi‐ do  momento  que  enviúvam.   nuíram  e  as  visitas  são  feitas    presencialmente no lar.  R. – E relativamente aos casos  sociais,  ao  nível  de  pobreza  extrema  ou  abandono  fami‐


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M EMÓRIAS A PRETO E BRANCO

António Francisco com a sua irmã   Delmira 

Maria Balbina aos 3 anos de   idade 

Constantino Pereira (ao centro), na Festa da N. Sra. Da Graça (Anos 40) 

Domingos Casa Branca aos 22  anos  Lucília Rita em  Itália (anos 60) 

Lucília Rita em criança 

Lucília Rita com cerca de 38  anos 

Constantino Pereira (em cima), aos 20 anos, na companhia da família de uma  namorada 

Isabel Valente (à esquerda) com cerca de 20 anos, na Madeira  5 


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L OJA S OCIAL EXISTE HÁ 2 ANOS A Loja Social “Sinergia Solidá‐

beneficiários da  Loja  Social 

ria”, da  responsabilidade  da 

são imigrantes,  oriundos 

Santa Casa  da  Misericórdia 

sobretudo de  países  africa‐

de Sines, completou no dia 5 

nos e  de  países  do  Leste  da 

de Julho  dois  anos  desde  a 

Europa.  

sua abertura  ao  público.  Ao 

A maioria  dos  agregados 

longo deste  tempo,  a  Loja 

familiares apoiados pela Loja 

Social tem‐se  consolidado 

Social inscreveram‐se  direc‐

enquanto projecto  de  apoio 

tamente neste  serviço,  no 

às famílias  carenciadas  do 

entanto, alguns  deles  foram 

concelho de  Sines,  existindo 

encaminhados pela  Seguran‐

uma grande procura por par‐

ça Social,  Comissão  de  Pro‐

te de quem necessita de aju‐

tecção de  Crianças  e  Jovens 

da, mas  também  por  parte 

de Sines e pela Caritas. 

de quem  doa  artigos  dos 

A Loja  Social  funciona  às 

quais já não necessita. 

segundas‐feiras, entre as 14h 

No total, nestes dois anos de 

e as  16h30  e  às  quintas‐

existência, 116  processos 

As instalações da Loja Social “Sinergia Solidária” 

feiras, entre  as  09h  e  as 

foram abertos na Loja Social,  receberam donativos de rou‐ rizam‐se  de  um  modo  geral  12H30, sendo o atendimento  sendo que 83% dizem respei‐ pas  e  calçado,  mas  é  de  por terem 1 ou mais elemen‐ efectuado por voluntários da  to  a  famílias  efectivamente  salientar o apoio dado a cer‐ tos 

desempregados,

por Instituição.  Além  do  apoio  a 

apoiadas. Algumas  há  que  ca de 20% destas famílias, ao  serem  famílias  com  mais  do  famílias  carenciadas  a  Loja  apesar  de  inscritas  ou  enca‐ nível  de  mobiliário,  electro‐ que  1  filho,  por  possuírem  Social  disponibiliza  também  minhadas  para  a  Loja  Social  domésticos  e  outros  artigos  baixos  níveis  de  escolarida‐ ajudas técnicas a quem delas  da Santa Casa, nunca solicita‐ para o lar. 

de, tendo os adultos inscritos  necessita. 

ram o  apoio  deste  serviço.  Os  agregados  familiares  ins‐ uma  média  de  idades  entre  Todas  as  famílias  apoiadas  critos  na  Loja  Social  caracte‐ os 25 e os 45 anos. 19% dos 

Raquel Cruz e Sandra Costa, as voluntárias que actualmente garantem o atendimento na Loja Social  6 


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O NOSSO EQUIPAMENTO DE RECOLHA Instalado junto  à  Loja 

de resíduos  tendo  como 

Social, este  equipamento 

objectivos a reutilização de 

destina‐se a  que  qualquer 

materiais

pessoa lá  coloque  roupas, 

extracção de  matérias  pri‐

calçado

brinquedos

mas da  natureza,  a  dimi‐

novos e usados. A abertura 

nuição da  quantidade  de 

do depósito,  recolha  do 

resíduos destinados  aos 

seu conteúdo  e  posterior 

aterros sanitários  e  o  con‐

triagem dos  artigos  é  feita 

tributo para a formação de 

pela Santa  Casa  da  Miseri‐

uma consciência  cívica  e 

córdia de  Sines.  Os  artigos 

ecológica do cidadão.  

e

evitando

em bom  estado  são  distri‐ buídos  pelas  diferentes  respostas  sociais  da  Insti‐ tuição,  incluindo  obvia‐ mente  a  Loja  Social.  O  excedente 

dos

Equipamento cedido pela H Sarah Trading, Lda. 

artigos estado,  são  encaminhados  parceira da Misericórdia de 

recebidos, bem como tudo  para  a  empresa  H  Sarah  Sines. Esta empresa dedica o  que  não  está  em  bom  Trading,  Lda.,  entidade  ‐se  à  gestão  e  reciclagem  PUB 

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E STRUNFES VIAJAM ATÉ M ADRID No final do mês de Junho os meninos da Sala dos Estrunfes  recolha de donativos, concretizou‐se a viagem até ao Parque  do  Infantário  “Capuchinho  Vermelho”,  acompanhados  de  da Warner em Madrid, um dos maiores parques de diversões  pais  e  educadores,  viajaram  até  Madrid,  naquela  que  foi  a  da  Europa,  com  áreas  temáticas,  espectáculos  e  muitas  sua Viagem de Finalistas. Inicialmente o plano era viajar até  atracções  relacionadas  com  o  mundo  imaginário  dos  bone‐ à  EuroDisney  em  Paris,  no  entanto,  e  depois  de  feita  uma  cos animados infantis.  

Foto de grupo no Parque da Warner 

«A viagem correu lindamente, estavam todos muito animados, e até o motorista do autocarro se divertiu bastante. Não conseguimos andar  sempre  juntos,  mas  desfrutámos  bastante  de  todos  os divertimentos  do  parque.  Acho  importante  que  aconteçam  este  tipo  de  iniciativas,  porque há crianças que se não for desta forma não têm possibilidade de usufruir destas experiências. As crianças só têm 5 anos, mas como  vão acompanhados pelos pais e vão em grupo é uma experiência diferente. Até para os pais é enriquecedor e é uma oportunidade única des‐ tes interagirem. Esta viagem significou o final de uma etapa para a minha filha. Eu sou suspeita porque além de mãe de uma aluna, sou fun‐ cionária da casa, mas a minha filha esteve sempre bem aqui no Capuchinho, sempre bem integrada e acho que foi muito bem preparada  para a escola primária.», Amélia Oliveira, mãe da Matilde    

«Correu tudo muito bem. Os pais colaboraram bastante e os meninos adoraram. Foram muitas horas de autocarro, mas ninguém deu pelo  tempo passar, com a paródia que foi. O parque tem divertimentos para crianças e para adultos, por isso todos se puderam divertir. Visitámos  a casa dos super heróis, andámos de carrocel, assistimos a filmes 3D e a espectáculos com personagens em tamanho real. Foi diversão o dia  inteiro, sem interrupções. Envolver os pais dos meninos foi uma tarefa fácil, acho até que eles aderiram mais prontamente do que as crian‐ ças e ajudaram‐nos em tudo. Sem o contributo deles não teria sido possível realizar esta viagem. Tivemos também o contributo da Associa‐ ção de Moradores do Casoto, do Duo M & M e de vários comerciantes e particulares de Sines. Agradecemos a todos os que tiveram envolvi‐ dos neste projecto, pois só assim foi possível levar a actividade até ao fim. E a alegria das crianças vale tudo.», Laura Soares, auxiliar de  educação      

«Eles portaram‐se lindamente, apesar da excitação e da viagem ter sido cansativa. Correu tudo muito bem no parque, os meninos estavam  super contentes e conseguiram aproveitar ao máximo. Não houve uma única birra, os meninos fizeram sempre aquilo que nós mandámos.  Não sou muito a favor das viagens de finalistas, porque acho que finalistas só mesmo a partir do 12º ano, mas foi uma iniciativa engraçada  que correu muito bem. Apesar de não terem ido todos, foi muito giro e é sempre positivo o companheirismo entre todos! Foi 5 estrelas, mes‐ mo com as educadoras, houve sempre consenso entre todos. A passagem do meu filho pelo “Capuchinho Vermelho” correu bem, apesar de  actualmente as condições físicas não serem as melhores. E eu estou à espera que mudem porque tenho cá outra filha e quero que ela cá con‐ tinue porque conheço as pessoas, gosto delas e além das condições físicas as condições humanas também são muito importantes.», Teresa  Cavalinhos, mãe do Santiago   8 


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“A ÂNCORA”: NOVO ANO ESCOLAR Setembro marca  o  arranque  outro  frequenta  o  curso  de  De  acordo  com  a  Direcção  tivo  a  alcançar.  No  último  de mais um ano escolar para  Instalações 

Eléctricas

na Técnica  do  Lar,  o  balanço  Ano Lectivo apenas 2 rapazes 

os rapazes do Lar “A Âncora”,  Escola  Secundária  Poeta  Al  positivo  do  Ano  Lectivo  pas‐ não transitaram de ano, sen‐ existindo sempre a expectati‐ Berto.  Todos  eles  frequen‐ sado, encoraja todos os rapa‐ do  este  resultado  fruto  do  va  de  que  este  possa  decor‐ tam  estabelecimentos  de  zes e dá‐lhes motivação para  esforço  deles  e  de  todos  os  rer sem contratempos. Neste  ensino no concelho de Sines.  que o sucesso seja um objec‐ colaboradores afectos ao Lar  Ano  Lectivo  2014/2015,  2 

em conjunto com as escolas. 

rapazes frequentam  o  1º 

O arranque  do  Ano  Lectivo 

Ciclo do Ensino Básico, 5 fre‐

representa igualmente  o 

quentam o  2º  Ciclo  e  6  o  3º 

final das  férias.  Este  ano,  na 

Ciclo. No que diz respeito ao 

memória dos  rapazes  do  Lar 

Ensino Secundário, 2 rapazes 

fica a ida ao Festival Sudoes‐

do Lar  frequentam  o  curso 

te na Zambujeira do Mar. Por 

de Logística  do  Instituto  de 

ter sido a primeira participa‐

Soldadura e Qualidade, 1 fre‐

ção num  Festival  de  Verão 

quenta o  curso  de  Electróni‐

ficará na  memória  de  todos 

ca, Automação  e  Instrumen‐

eles como  o  acontecimento 

tação, na  Escola  Tecnológica 

mais marcante  do  último 

do Litoral  Alentejano  e  um 

O Festival Sudoeste 2014 vai ficar na memória dos utentes do Lar 

Verão.  

Informações Úteis SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE SINES  Avenida 25 de Abril, n.º 2  Apartado 333  7520‐107 SINES  Site: www.scmsines.org  Email: scmsines@mail.telepac.pt 

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Á CONVERSA COM...

Fernanda Dias

Fernanda Maria  Marques  Dias,  nasceu  no  distrito  de  Viseu em Sanjoaninho, San‐ ta Comba Dão, no dia 26 de  Agosto de 1931, tendo sido  registada  um  dia  mais  tar‐ de  com  o  nome  escolhido  pela  sua  madrinha,  tam‐ bém  ela  Fernanda.  A  sua  família  era  constituída  por  seu  pai,  mãe  e  irmã  mais  nova,  sendo  que  por  volta  dos  5  anos  um  duro  revés  marcou  o  seu  percurso  de  vida.  O  pai  de  Fernanda,  pedreiro  de  cantaria,  fale‐ ceu  ficando  o  sustento  da  família a cargo da mãe que  10 

trabalhava como  emprega‐ da  doméstica  em  casas  muito  ricas.  «As  recorda‐ ções  do  meu  pai  são  como  um  filme  que,  por  vezes,  passa  na  minha  cabeça.  Tenho  pequenas  memórias  dele,  sei  que  era  muito  brincalhão  e  lembro‐me  igualmente  de  ter  assistido  ao seu funeral. Depois dele  falecer a minha mãe traba‐ lhou muito para nos criar e  posso  dizer  que,  nunca,  nada nos faltou.» 

nhia da  avó  e  de  uma  tia,  com  quem  foram  pratica‐ mente  criadas.  «A  minha  avó  era  costureira,  mas  não aprendi esse ofício com  ela, porque queria era brin‐ car.»  Os  brinquedos,  ape‐ sar de poucos, são recorda‐ dos  com  apreço:  «tinha  bonecas  de  trapos,  feitas  pela  minha  avó,  e  tinha  também  uma  de  papelão,  comprada  numa  feira.  Era  raro alguém ter uma bone‐ ca destas. Um dia, um vizi‐ Sempre  que  a  mãe  saía  nho  meu  arrancou  os  bra‐ para  trabalhar,  Fernanda  e  ços  da  minha  boneca  de  a  irmã  ficavam  na  compa‐ papelão  e,  ah,  o  que  eu 

chorei com  pena  daquela  boneca  de  papelão.»  Além  desta  singela  recordação  dos  seus  tempos  de  meni‐ na,  Fernanda  recorda  tam‐ bém  que,  por  volta  dos  seus  7  anos,  a  escola  era  uma obrigação, mas sobre‐ tudo  um  prazer,  afirmando  sem hesitar que foi um gos‐ to  frequentar  o  ensino.  «Antes  de  morrer  o  meu  pai pediu à minha mãe que  me  mandasse,  a  mim  e  à  minha  irmã,  à  escola,  e  assim  aconteceu.  Eu  dedi‐ cava‐me  mais  do  que  a  minha  irmã.  Ela  só  queria 


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brincar, mas eu não, levava  a  escola  a  sério.  Completei  a 4ª Classe e chorei bastan‐ te quando tive de deixar de  estudar.»  Desses  tempos  Fernanda  Dias  recorda  também  que  era  muito  mimada pela madrinha que  lhe  oferecia  vários  presen‐ tes, entre eles bonitos ves‐ tidos.  «Eu  andava  sempre  muito bem vestida e arran‐ jada, e a par disso era mui‐ to  boa  aluna.  A  professora  que  tive  também  me  dei‐ xou  boas  recordações.  Era  uma  boa  professora,  ensi‐ nava  bem  e  impunha  res‐ peito.  Ninguém  fazia  baru‐ lho,  e  até  quando  fecháva‐ mos  a  porta  fazíamo‐lo  muito  devagarinho.  E  no  recreio  não  era  como  hoje,  era raparigas para um lado  e rapazes para outro. Eram  outros tempos.»  Aos 11 anos Fernanda Dias  deixou a escola e começou  a  ajudar  a  avó  a  guardar  ovelhas.  «A  minha  avó  já  não  tinha  a  mesma  genica  e  necessitava  de  alguém  que a ajudasse. E lá fui eu,  mas  por  pouco  tempo.»  Aos  15  anos,  a  vontade  de  singrar  na  vida  falou  mais  alto.  Fernanda  Dias  deixou  a família e aceitou ir traba‐ lhar para a zona do Ribate‐ jo. «A minha mãe não gos‐ tou da ideia, mas lá fui eu.  Na  minha  terra  natal,  em  Sanjoaninho, não havia tra‐

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balho, nem  forma  de  ganharmos  dinheiro  e  então  nessa  altura  fomos  umas  20  raparigas  traba‐ lhar  para  as  grandes  pro‐ priedades  do  Ribatejo  e  do  Alentejo.  Fomos  para  tra‐ balhar  no  campo,  mas  eu  acabei  por  ter  melhor  sor‐ te.»  Fernanda  foi  trabalhar  para  casa  dos  patrões  e  esta  revelou‐se  uma  expe‐

tempos no campo, fui para  uma  grande  casa  que  ele  tinha  em  Santo  Isidro.  Eu  fazia  limpezas,  tratava  dos  jardins e aprendi também a  servir  à  mesa.  Trabalhei  lá  muitos  anos  e  foi  lá  que  conheci o meu marido.» 

minha família  todos  se  preocupavam  comigo.  Eu  era  mais  um  elemento  da  família.  A  cozinheira  era  como uma mãe para mim e  o  meu  patrão  um  pai.  Quando  o  namoro  se  tor‐ nou  sério,  falei  com  todos  Recordar  o  marido,  bem  eles para ter o seu consen‐ como todo o seu casamen‐ timento.»  to,  que  durou  mais  de  30  Quando  casou,  primeiro  anos, é das coisas que mais  pelo  civil  e  depois  pela 

Fernanda Dias na companhia do seu amigo Jaime Gonçalves 

riência muito  enriquecedo‐ ra.  «Esta  foi  uma  grande  mudança  na  minha  vida,  mas  não  senti  receio,  até  porque  fui  com  outras  raparigas  que  já  conhecia.  Trabalhava  na  zona  de  Samora  Correia.  O  meu  patrão  era  o  Dom  José  Pereira  Palha  Blanco,  dono  de  uma  ganadaria.  E  depois  de  trabalhar  uns 

emocionam Fernanda Dias.  «Assim que o vi pensei logo  que  era  um  homem  assim  que  desejava  para  meu  marido.  Ele  tinha  namora‐ da,  mas  depois  deixou‐a  e  as coisas entre nós aconte‐ ceram. Namorámos 6 anos,  sempre  com  muito  respei‐ to.  Grande  parte  das  vezes  namorávamos  ao  portão.  Apesar  de  estar  longe  da 

Igreja, Fernanda  passou  a  viver com a sogra na Casta‐ nheira  do  Ribatejo,  e  des‐ ses  tempos,  salienta,  «podia  ter  melhores  recor‐ dações. Foi um erro ter ido  viver  com  a  minha  sogra,  mas  teve  de  ser.  Também  deixei de trabalhar e passa‐ va muito tempo sem o meu  marido  que  na  altura  tra‐ balhava  em  Lisboa  como  11 


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mecânico. Foram  tempos  difíceis  para  mim,  porque  tive muita pena de deixar o  trabalho.»  Uns  anos  mais  tarde  vieram  os  filhos.  Ao  todo,  Fernanda  teve  4  filhos,  dois  dos  quais  já  faleceram,  um  deles  em  circunstâncias  que  ainda  hoje lhe causam uma enor‐ me mágoa. «Perdi um filho  quando  ele  tinha  17  anos.  Apesar  de  ter  perdido  uma  filha  antes,  com  poucos  meses  de  vida,  foi  muito  doloroso  ter  perdido  este  filho  com  17  anos.  Foi  um  desgosto  tal  que  o  meu  marido  se  foi  bastante  abaixo. Acho mesmo que o  desgosto  o  fez  deixar  de  viver.»  O  marido  de  Fer‐ nanda  faleceu  aos  53  anos  de  idade,  tinha  ela  a  mes‐ ma  idade.  Nessa  época  já  os  seus  dois  filhos,  um  casal, e as respectivas famí‐ lias  viviam  em  Sines,  longe  de  Fernanda,  e  por  isso  mesmo,  os  tempos  que  se  seguiram  foram  muito  difí‐ ceis  para  ela.  «De  repente  vi‐me  completamente  sozi‐ nha, pois morava num sítio  isolado  e  quando  numa 

tuei, não  tenho  do  que  me  queixar.  Tenho  comida  a  horas, roupa lavada e tudo  sempre  limpinho.  O  que  é  que  hei‐de  querer  mais?  Tenho  companhia,  tenho  com  quem  conversar  e  A  vinda  de  Fernanda  Dias  também dou as minhas vol‐ tinhas por aí, principalmen‐ te  para  beber  um  cafézi‐ nho.  Há  quem  diga  mal  do  lar, mas quem diz é porque  não o conhece.» 

ocasião caí e fiquei 3 dias a  necessitar de auxilio perce‐ bi  que não  dava  mais  para  estar  sozinha.  Aí  vim  para  Sines, para perto dos meus  2  filhos  e  dos  meus  10  netos e bisnetos.» 

Fernanda Dias reside na Santa  Casa há 5 anos 

para Sines  significou  igual‐ mente  a  entrada  no  Lar  Anexo II da Misericórdia de  Sines,  onde  reside  há  já  5  anos.  «Achei  que  era  melhor  vir  para  cá  em  vez  de  ir  para  casa  dos  meus  filhos.  Ao  início  custou‐me  muito,  chorei  bastante  e  tive  muitas  saudades  de  casa  e  das  minhas  amigas.  Mas  agora  reconheço  que  não podia estar sozinha em  minha  casa  e  que  aqui  estou  melhor.  Já  me  habi‐

Para quem  como  Fernanda  Dias  já  passou  a  barreira  dos  80  anos,  esta  utente  deixa  um  concelho:  «as  pessoas  mais  velhas  não  devem  andar  sacrificadas.  Por  mais  que  gostemos  da  nossa  casa,  quando  já  não  podemos,  o  lar  é  uma  boa  opção.  Aqui  temos  confor‐ to,    bem‐estar  e  uma  vida  mais  descansada.  E  além  disso,  vejo  algumas  pes‐ soas  que  já  não  estão  lúci‐ das…  Como  é  que  as  famí‐ lias  as  podem  ter  em  suas  casas? Não é fácil.»  E  é  no  Lar  que  Fernanda  encontra  mais  tempo  livre  para  reflectir  sobre  uma  vida  inteira  marcada  por 

momentos bons  e  menos  bons.  Entre  o  melhor  da  sua  vida  Fernanda  Dias  destaca,  sem  dúvidas,  os  tempos  em  que  ainda  sol‐ teira trabalhava na zona do  Ribatejo: «nessa época tra‐ balhava  muito,  mas  tam‐ bém  me  divertia  e  tinha  muitos  amigos.  Tenho  mui‐ tas  saudades  desses  dias  e  de todas essas pessoas com  quem  me  cruzei.  Era  tudo  boa gente.» Por outro lado,  o pior na vida de Fernanda  Dias  também  não  deixa  qualquer  margem  para  dúvidas:  «foram  as  mortes  dos  meus  filhos  e  do  meu  marido.  É  a  tal  dor  que  nunca  passa.»  Para  o  futu‐ ro  esta  utente  deseja  ter  «juízo até à hora da morte»  e que Deus lhe dê sabedo‐ ria  e  o  prazer  de  conviver  com  os  amigos  que  já  fez  no Lar Anexo II. Entre esses  amigos  está  Jaime  Gonçal‐ ves,  que  nas  palavras  de  Fernanda  Dias,  é  o  irmão  que nunca teve.  

Espaço Informativo da Santa Casa da Misericórdia de Sines na Rádio Sines 

TERÇAS-FEIRAS 11:15 | SEXTAS-FEIRAS 15:40 | DOMINGOS depois das 09:00 12


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UM VERÃO ANIMADO O Serviço de Animação Sociocultural garante habitualmen‐ te  um  conjunto  de  actividades  lúdicas  que  têm  como  objectivo ocupar o tempo livre dos idosos, proporcionando ‐lhes  um  envelhecimento  activo.  Estas  actividades  têm  uma  periodicidade  semanal  e  acontecem  nas  instalações  da Santa  Casa.  No  entanto,  durante  os  meses  de Verão,  o  bom tempo permite a realização de alguns passeios e visi‐ tas, entre os quais se destaca este ano uma visita ao Jardim  Zoológico em Lisboa, ao Museu do Café em Campomaior e  ao Largar de Azeite Oliveira da Serra em Ferreira do Alente‐ jo.  Além  disso,  os  idosos  participaram  no  Banho  29,  na  Praia Vasco da Gama em Sines, visitaram o ATL “A Gaivota”,  assistiram  em  directo  ao  programa  de  televisão  da  RTP1  “Verão  Total”  e  almoçaram  nas  Tasquinhas,  junto  à  Praia  Vasco da Gama.  

Visita ao Museu do Café em Campo Maior 

Visita ao Jardim Zoológico 

Visita ao ATL “A Gaivota” 

Visita ao Largar de Azeite Oliveira da Serra 

Almoço nas Tasquinhas  13 


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POESIA Constantino Pereira, utente do Lar Prats de 91 anos, tem um gosto especial por poesia que o leva a escrever sobre diferentes  situações da sua vida, assim como sobre pessoas que se cruzam no seu caminho. Nesta edição do “Renascer”,  a seu pedido  aqui fica um poema dedicado ao actual Provedor da Santa Casa, Luís Venturinha.  Senhor Luís lhe agradeço  O seu modo de agradar  Mostra que é inteligente  Quem assim sabe trabalhar  Conheço que o Senhor Luís 

Se eu fosse alguém educado 

Que é digno e merecedor 

Como sou analfabeto 

Todos lhe dão valor 

Punha o seu nome completo 

A tudo quanto nos diz 

Em letra de ouro gravado 

Uma comparação fiz 

Para quando fosse faltado 

Por minha vez lhe ofereço 

Deixar o letreiro luzente 

Deixar de lhe dar apreço 

Dizendo a quem fosse vivente 

Não posso antes que queira 

O seu valor de algum dia 

Mas a sua boa maneira 

Quem lesse o letreiro dizia 

Senhor Luís lhe agradeço 

Mostra que é inteligente 

Eu já sei da sua vida 

Devia ser eterno 

Para mim muito agradável 

Quem assim sabe viver 

Tem um jeito formidável 

Nunca devia morrer 

Tem muito que se lhe diga 

Ser sempre um homem moderno 

O que a seu moral obriga 

Ter muito dinheiro e muito género 

O seu valor aumentar 

Saúde para gozar 

Ninguém pode reprovar 

E bom fato para trajar 

A sua especialidade 

Quando fosse a qualquer lado 

E anima a sociedade 

Devia ser elogiado 

O seu modo de agradar 

Quem assim sabe falar 

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Constantino Pereira   


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BREVES

COMEMORAÇÃO DE ANIVERSÁRIOS Desde Agosto que o Serviço de Animação Sociocultural cele‐ bra  mensalmente  o  Aniversário  dos  idosos  da  Instituição  de  forma  especial.  No  Salão  Social,  durante  a  tarde  da  última  quinta‐feira de cada mês, realiza‐se um baile popular, haven‐ do no final bolo de aniversário para todos os utentes. Os ani‐ versariantes do mês são desta forma homenageados, sendo‐ lhes  proporcionado  uma  tarde  de  alegria  e  de  convívio  com  outros utentes, funcionários, voluntários e amigos da Miseri‐ córdia.  

DIA INTERNACIONAL DO IDOSO Dia 1  de  Outubro  celebrou‐se  o  Dia  Internacional  do  Idoso,  dia em que os mais velhos são mais do que nunca lembrados  por todos em diferentes circunstâncias. Este ano, além de um  baile  popular  realizado  na  tarde  do  dia  1  de  Outubro,  os  utentes dos Lares e Centro de Dia tiveram a visita de elemen‐ tos  do  Teatro  do  Mar  que,  num  gesto  de  carinho  e  partilha  mimaram  os  idosos  com  pequenas  ofertas,  entre  elas  a  maquilhagem das senhoras.  

APS OFERECE VEÍCULO A Administração do Porto de Sines, uma das empresas  que mais apoia a Misericórdia de Sines, teve para com a  nossa Instituição mais um gesto de enorme solidarieda‐ de  através  da  doacção  de  uma  carrinha  de  9  lugares  para  o  Lar  de  Rapazes  “A  Âncora”.  Tratando‐se  de  um  veículo do qual a empresa já não necessitava, esta deci‐ diu  contribuir  para  o  bem‐estar  social  da  comunidade  doando‐o à Misericórdia de Sines.  

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PSICOLOGIA — AFINAL O QUE É? POR JOANA SANTINHOS E SORAIA QUEIJO (PSICÓLOGAS ESTAGIÁRIAS) A psicologia  é  a  ciência  que  estuda  o  comportamento  humano  e  os  proces‐ sos  mentais  a  ele  associados.  É  uma  disciplina  autónoma,  mas  que  se  sub‐ divide em diversas áreas ou especiali‐ dades,  tais  como:  trabalho,  social  e  das  organizações,  educacional,  clinica 

e da saúde.   O exercício da psicologia deve ser fei‐ to  exclusivamente  por  profissionais  credenciados  e  estes  podem  ser  encontrados  em  locais  como  hospi‐ tais, escolas, clínicas privadas, institui‐ ções  de  solidariedade social  e empre‐

sas.   As abordagens ou correntes utilizadas  podem  variar  entre  os  profissionais  mas, independentemente disso, visam  sobretudo o bem‐estar do indivíduo, a  sua  evolução  positiva  e  desenvolvi‐ mento humano.   

GABINETE DE PSICOLOGIA — O NOSSO CONTRIBUTO O Gabinete de Psicologia da 

importantes para o desempenho  tos  ‐  A  avaliação  individual  dos  na  comunidade,  da  aquisição  de 

SCMS, “Diálogos”, presta os 

das suas  funções.  O  intuito  da  jovens  passa  pela  observação  conceitos  e  das  consequências 

seus serviços a várias valências, 

oficina de  capacitação  é  formar,  individual  e  grupal,  entrevistas  sobre  comportamentos  de  risco 

actuando com populações‐alvo 

informar, sensibilizar  e  gerir  aos respectivos jovens, educado‐

distintas, consoante as suas  necessidades.  

da vida  activa  fora  do  conceito 

emocionalmente as  equipas  de  res  e  responsáveis  escolares  e  de  institucionalização.  Além  de  avaliação  através  de  provas  cog‐

tudo isto  este  programa  auxilia 

Neste âmbito os estágios de psi‐

Acompanhamento às  utentes  nitivas, comportamentais e emo‐

os jovens  na  parte  prática  da 

cologia desenvolvem os seguin‐

do Porto  d’Abrigo  ‐  O  acompa‐

vida adulta  com  vista  à  efectiva 

tes projectos: 

Oficina de  capacitação  ‐  Surgiu  da  necessidade  de  acompanhar  directamente  e  numa  aborda‐ gem  de  maior  proximidade  as  equipas de auxiliares das diferen‐ tes  valências.  A  elevada  exigên‐

trabalho.   

cionais, consoante  as  necessida‐

nhamento às vítimas de violência  des  verificadas.  Além  disso,  são  autonomização,  nomeadamente,  doméstica  tem  como  objectivos  elaborados  relatórios  de  avalia‐

gestão doméstica, visitas a servi‐

incrementar a  autoestima  e  ção  psicológica  para  a  escola,  e  ços  da  comunidade,  elaboração  consciencializar para a importân‐

parecer em CIF’s, tendo por base  de  refeições,  elaboração  de  um 

cia da mesma, explorar e recons‐

uma metodologia  assente  no  currículo  e  procura  activa  de 

truir a  auto‐imagem,  descons‐

sujeito, meio  envolvente  e  esco‐

truir crenças  legitimadoras  da  lar. Ao nível dos acompanhamen‐

emprego. Plano de Resolução de Conflitos 

tos, estes podem ser pontuais ou  ‐ A maternidade na adolescência  continuados.  Podem  ser  traba‐

implica uma  série  de  alterações 

lhadas diversas  áreas,  nomeada‐

físicas e  emocionais,  que  repre‐

mente, cognitivas,  emocionais,  sentam  mudanças  radicais  na  do  desenvolvimento  humano  e  vida  das  jovens.  Estas  alterações  comportamentais.  

aliadas ao contexto institucional, 

Plano de  Vida  e  Autonomia  ‐  podem  ter  consequências  ao  Este é um programa de aquisição  nível 

comportamental

entre

de competências, que através de  colegas e também com funcioná‐ dinâmicas não formais, feitas em  rias.  Neste  âmbito  é  importante  grupo, visam a aquisição de com‐

uma intervenção  ao  nível  das 

petências, com  o  objectivo  dire‐

suas vivências, emoções e toma‐

cionado para  uma  mais  fácil  da  de  consciência  por  forma  a  Componente prática do Plano de Vida e Autonomia 

cia física  e  emocional  das  fun‐ ções,  o  consequente  desgaste  psíquico  e  físico  justificam  a  necessidade  de  se  facultar  for‐ mação  adequada,  capacitando  estas  profissionais  para  lidar  efi‐ cazmente  com  as  situações  com  que  se  deparam  diariamente  e  sensibiliza‐las  para  temáticas  16 

autonomização dos  jovens  que  delinear estratégias de aquisição  residem  no  Lar  “A  Âncora”.  Os  de  competências  para  minorar 

violência e  promover  a  auto‐

temas trabalhados relacionam‐se  situações de conflitos. Estão deli‐

ajuda e  a  motivação.  Neste  pro‐

com o  Saber  Ser,  Saber  Saber  e  neados temas gerais por forma a 

cesso, as  utentes  adquirem  Saber Fazer, ou seja, este progra‐ novas  competências,  através  de  ma actua ao nível do autoconcei‐

conduzir o  objectivo  do  progra‐ ma,  a  par  de  uma  análise  de 

orientação para  a  mudança  e  to  e  necessidades  de  relaciona‐ necessidades  das  jovens  no  que  melhoria,  aumentando  a  sua  mento  pessoais  e  interpessoais,  diz  respeito  à  perceção  do  auto‐ qualidade de vida.  

no tomar  conhecimento  sobre  a  conceito,  heteroconhecimento  e 

Avaliações e  Acompanhamen‐

importância da  continuação  dos  ferramentas  para  a  resolução  de  estudos,  dos  serviços  existentes  conflitos.  


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NOVA NOTA DE 10€ - SESSÃO DE ESCLARECIMENTO 23 de  Setembro  e  durante  esta Sessão de Esclarecimento  foram  referidas  as  diversas  possibilidades  de  burla  a  que  a  população  mais  idosa  está  exposta,  bem  como  as  carac‐ terísticas  da  nova  nota  que  a  tornam  mais  segura,  resisten‐ te  à  contrafacção  e  fácil  de  verificar  do  que  a  que  existia  anteriormente.   Decorreu  dia  9  de  Outubro,  durante  a  tarde,  no  Salão  Social  da  Santa  Casa,  uma  Sessão  de  Esclarecimento  organizada  pela  GNR  com  o 

objectivo de  informar  os  ido‐ sos  acerca  da  introdução  em  circulação  de  uma  nova  nota  de  10€.  A  nova  nota  de  10€  entrou  em  circulação  no  dia 

Cerca de 40 idosos dos Lares e  Centro  de  Dia  da  Santa  Casa  assistiram  à  apresentação  fei‐ ta  pela  Agente  Dina  Pires  do  Destacamento  Territorial  de  Santiago  do  Cacém  e  pude‐

ram esclarecer  as  suas  dúvi‐ das  acerca  da  nova  nota  de  10€,  bem  como  sobre  outros  aspectos  relacionados  com  a  segurança  dos  idosos.  Além  disso,  foi  referido  bastantes  vezes  ao  longo  da  apresenta‐ ção  que  não  haverá  necessi‐ dade  de  trocar  as  notas  anti‐ gas,  sendo  que  passam  as  duas  a  circular  em  simultâ‐ neo.  Além  desta  sessão,  outras  estão  previstas,  numa  clara  aproximação  entre  a  população e a GNR.  

CARACTERÍSTICAS DA NOVA NOTA  

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Papel firme e ligeiramente sonoro  Impressão  em  relevo  nas  margens  esquerda  e  direita  da  nota  Tinta mais espessa no motivo principal, nas inscrições e nos  algarismos de grande dimensão, representativos do valor da  nota 

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Marca de água com retrato na zona mais clara da nota  O filete de segurança apresenta‐se como uma linha escura  Número verde‐esmeralda, dependendo do ângulo de obser‐ vação, muda de cor passando a azul‐escuro  Inclinando a nota, na zona prateada, vê‐se um retrato, uma  janela e os algarismos representativos do valor da nota  

PRÉMIO BPI SÉNIORES No dia 8 de Outubro foram  anunciados  os  vencedores  do  Prémio  BPI  Seniores  2014  –  Viver  Melhor  na  3ª  Idade, tendo a Misericórdia  de Sines sido uma das enti‐ dades  vencedoras.  Através  de  um  montante  total  de  10  000€,  a  Santa  Casa  vai  complementar o Serviço de  Apoio  Domiciliário,  acres‐ centando  um  serviço  de  teleassistência 24h por dia,  e  além  disso  irá  adquirir  equipamento  Snoezelen  destinado  a  proporcionar  momentos  de  estimulação 

sensorial aos idosos da Ins‐ tituição e também à comu‐ nidade  exterior.  Este  pré‐ mio  representa  um  impor‐ tante  apoio  para  a  Miseri‐

córdia que  assim  consegue  expandir os serviços já exis‐ tentes  e  simultaneamente  combater  o  isolamento,  a  inércia e a solidão dos ido‐

sos em Sines.  O Prémio BPI Seniores inse‐ re‐se no âmbito da Respon‐ sabilidade  Social  desta  entidade  bancária,  e  este  ano  atingiu  um  montante  total  de  500  mil  euros  que  foram  distribuídos  por  27  entidades. Esta foi a 2ª edi‐ ção  deste  prémio  que  se  destina  a  apoiar  projectos  que  visem  a  integração  social  e  promovam  a  melhoria  da  qualidade  de  vida  e  o  envelhecimento  activo de pessoas com ida‐ de superior a 65 anos.   19 


RENASCER

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CEMETRA

Centro de Medicina do Trabalho da  Área de Sines  Rua Júlio Gomes da Silva, n.º 15   7520‐219 SINES  Tel.: 269633014    Fax: 269633015  E‐mail: cemetra@netvisao.pt  Site: www.cemetra.pt 

AGRADECIMENTO

O “Renascer” agradece a todos os patrocinadores e amigos que contribuíram para que este meio de comunicação da nossa Instituição se  tornasse uma realidade.  Uma vez que é nosso objectivo melhorar gradualmente a forma e os conteúdos deste boletim informativo, assim como aumentar a sua tira‐ gem e, consequentemente, divulgá‐lo junto de um público cada vez mais vasto, revela‐se de grande importância o apoio destes e de outros  patrocinadores.  Obrigada por nos ajudarem a sermos melhores!   20 

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Boletim Informativo Nº45. Edição de Julho a Setembro de 2014.

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