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Distribuição Gratuita | Publicação Trimestral | Nº 43 

Outubro Novembro  Dezembro  2013  b o l e t i m

RENASCER

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i n f o r m a t i v o

Santa Casa da Misericórdia de Sines 

O NATAL NA SANTA CASA

Todos os  anos,  ao  longo  do  mês  de  Dezembro,  a  Santa  Casa  da  Misericór‐ dia  de  Sines  comemora  o  Natal  com  todos os seus utentes. Dos lares de ido‐ sos  ao  Centro  de  Dia,  passando  pela  “Mãe  Sol”,  “Porto  D’Abrigo”,  Lar  “A 

Âncora”, Infantário  “Capuchinho  Ver‐ melho”,  Loja  Social  e  Apoio  Domiciliá‐ rio,  todos  são  envolvidos  num  conta‐ giante espírito fraterno e solidário que  compensa situações de carência social,  económica e familiar. 

Nos Lares  de  Idosos  e  no  Centro  de  Dia,  a  decoração  recorda  a  todos  os  que  por  ali  passam  que  o  Natal  está  a  chegar,  ao  mesmo  tempo  que  se  ouvem  cânticos  alusivos  a  esta  época 

À Conversa com… Feliciana Inácio

O Teatro do Mar na Santa Casa

(Continua na página 4) 

DESTAQUES

Missão Vicentina

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Sendo este  o  primeiro  “Renascer”  de  2014,  consi‐ dero  importante  fazer  um  breve  balanço  do  ano  de  2013,  no  qual  gostaria,  em  primeira  mão,  de  transmitir  os  meus  mais  reconhecidos  agradecimentos  aos  restan‐ tes  membros  da  Mesa  Administrativa,  Órgãos  Sociais,  Entidades  Civis  e  Militares,  Voluntários,  Cola‐ boradores  e  Amigos  por  todo  o  apoio  e  colaboração  prestada,  pois  sem  eles  não  teria  sido  possível  a  concre‐ tização  de  todos  os  projec‐ tos  e  acções  em  prol  da  modernização,  sustentabili‐ dade,  bem‐estar  e  conforto  dos  utentes,  assim  como  da  própria Instituição.  Embora todas as actividades  e acções realizadas na Mise‐ ricórdia sejam importantes e  relevantes,  mas  por  ser  a  maior  obra  de  destaque  em  curso, não só pela dimensão  como pela importância para  a população do concelho de  Sines,  considero  pertinente  ir  dando  conhecimento  aos  leitores sobre a evolução da  construção  do  novo  lar 

“Prats Sénior”.  Esta  obra,  infelizmente,  sofreu  o  revés  de ter sido interrompida em  Julho de 2013, não se tendo  ainda  reiniciado  por  motivo  de  alterações  para  a  trans‐ formação  do  Lar  de  59  para  82  camas,  estando  os  res‐ pectivos  concursos  e  candi‐ daturas  a  decorrer,  preven‐ do‐se  o  seu  arranque  no  próximo mês de Março.  A par de tudo isto, o ano de  2013  ficou  também  marca‐ do  por  uma  forte  dinamiza‐ ção  da  Misericórdia  que  todos  os  dias  enceta  esfor‐ ços para melhorar o seu tra‐ balho  diário  de  assistência  aos cerca de 500 utentes. Os  200  funcionários  nem  sem‐ pre  são  suficientes  para  satisfazer  todas  as  necessi‐ dades,  embora  seja  com  orgulho  que  destacamos  a  mais‐valia  que  o  voluntaria‐ do  e  estagiários  represen‐ tam  no  apoio  aos  utentes  e  à  Instituição,  pois  as  verbas  de  que  dispomos  não  che‐ gam para implantar todas as  medidas  que  gostaríamos  e  que  achamos  necessárias  para o bem‐ estar e conforto 

dos utentes.   2013  ficou  marcado  tam‐ bém  por  diversas  iniciativas  e  actividades  sociais,  de  lazer,  lúdicas  e  culturais,  internas e externas, em par‐ ceria com outras Instituições  e  organismos  vizinhos.  Apoiámos  muita  população  necessitada  dos  nossos  ser‐ viços  e,  como  somos  ambi‐ ciosos,  continuamos  a  que‐ rer ser todos os dias melho‐ res  naquilo  que  fazemos.  Quem quiser e tiver disponi‐ bilidade,  boa‐fé  e  vontade  para  nos  ajudar  nesta  mis‐ são, será bem recebido.   Não  se  avizinha  um  2014  fácil.  Temos  muito  trabalho  pela  frente  e  há  exigências  legais,  sociais  e  humanas  que  queremos  cumprir.  Relativamente  a  tentarmos  o equilíbrio orçamental, não  temos dúvidas que não tere‐ mos  um  ano  fácil,  mas  é  nosso  grande  objectivo  ser‐ mos  capazes  de  fazer  mais  com menos.   Termino  esta  minha  mensa‐ gem pedindo que tenham fé  e  que,  ao  longo  de  2014,  todos  tenhamos  presente 

EDITORIAL

BALANÇO DE 2013 E PERSPECTIVAS PARA O NOVO ANO

Luís Maria Venturinha de Vilhena Provedor da Misericórdia de Sines

que o mundo não se reduz a  números e à crise. O mundo  é  feito  sobretudo  de  seres  humanos,  alguns  deles  sem  família  e  a  necessitar  de  apoio.  E  neste  campo  tem  de  existir  quem  tome  conta  deles,  sem  excepção.  Tem  de  existir  quem  tenha  uma  porta  aberta  para  crianças,  jovens,  adultos  e  idosos.  Nós, Santa Casa, temos esta  porta  aberta  e  considera‐ mos,  por  isso,  que  somos  um  valor  acrescentado  para  Sines  a  nível  social  e  que  para  podermos  ajudar  tam‐ bém  necessitamos  de  ser  ajudados.  Um grande Bem‐Haja.  Votos  de  um  excelente  e  Misericordioso 2014  

Ficha Técnica

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boletim informativo

Propriedade, Edição e Impressão  SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE SINES 

Director Luís Maria Venturinha de Vilhena 

Periodicidade   Trimestral 

Redacção   Rita Camacho 

Número   43 

Revisão de Texto   José Mouro, Rita Camacho 

Edição Outubro | Novembro | Dezembro 2013   

Fotografia Rita Camacho, João Craveira e Silva,   Ângela Martins, Vera Alves 

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Grafismo | Montagem | Paginação   Ricardo Batista, Rita Camacho   

Tiragem   300 exemplares   

Depósito legal   325965/11   

Distribuição   Gratuita 


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FESTA DE SÃO MARTINHO «No dia  de  São Martinho  come‐se  cas‐ de  São  Martinho  com  a  realização  de  doces  e  salgados.  A  diversão  foi  uma  tanhas  e  bebe‐se  vinho».  Assim  diz  o  um Baile Popular no Salão Social da Ins‐ constante, nesta festa que contou tam‐ ditado  popular  que  mais  uma  vez  se  tituição,  animado  pelo  acordeonista  bém com a presença de utentes senio‐ cumpriu  na Santa Casa da Misericórdia  Nuno Silva. Neste dia o lanche, prepara‐ res  do  Centro  Cultural  dos  Bairros  de  de Sines, na tarde do dia 11 de Novem‐ do especialmente para a festa, foi com‐ São João e Olival Queimado, de Alcácer  bro.  Utentes,  colaboradores,  órgãos  posto  por  castanhas  e  batatas‐doces  do Sal.   sociais  e  voluntários  celebraram  o  dia  assadas, pataniscas, água‐pé e diversos 

A Festa de S. Martinho decorreu no Salão Social 

Idosos de Alcácer do Sal também marcaram presença 

Alguns dos utentes que participaram na Festa 

O lanche servido a todos os presentes 

CURIOSIDADE - A LENDA DE SÃO MARTINHO Segundo reza  a  lenda,  num  dia  frio  e  tempestuoso  de  outono,  um  soldado  romano,  de  nome  Martinho,  percorria  o  seu  caminho montado no seu cavalo, quando deparou com um mendigo cheio de fome e frio. O soldado, conhecido pela sua  generosidade, tirou a sua capa e com a espada cortou‐a ao meio, cobrindo o mendigo com uma das partes. Mais adiante,  encontrou outro pobre homem cheio de frio e ofereceu‐lhe a outra metade. Sem capa, Martinho continuou a sua viagem ao  frio e ao vento quando, de repente, como por milagre, o céu se abriu, afastando a tempestade. Os raios de sol começaram a  aquecer a terra e o bom tempo prolongou‐se por cerca de três dias. Desde essa altura, todos os anos, por volta do dia 11 de  novembro, surgem esses dias de calor, a que se passou a chamar "verão de S. Martinho".  Lenda de S. Martinho. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003‐2014. [Consult. 2014‐02‐18].  Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$lenda‐de‐s.‐martinho>. 

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O NATAL NA SANTA CASA

Festa de Natal do Infantário “Capuchinho Vermelho”  (Continuação da página 1) 

do ano. No dia 11 de Dezembro, o Gru‐ po  Coral  da  Santa  Casa  fez  pequenos  concertos  com  músicas  de  Natal  nos  Lares  levando  mais  um  momento  de  conforto  aos  utentes.  Também  os  alu‐ nos  de  Educação  Musical  do  5º  e  6º  anos  da  Escola  Básica  Vasco  da  Gama  de  Sines  estiveram  na  Instituição  em  vários momentos, entre os dias 9 e 13  de  Dezembro.  O  objectivo  destas  visi‐ tas consiste em proporcionar uma inte‐ racção entre  duas gerações distintas  e 

simultaneamente permitir que  a  esco‐ la,  os  professores  e  os  alunos  divul‐ guem o trabalho desenvolvido na disci‐ plina de Educação Musical.  O  ponto  alto  das  comemorações  foi,  mais  uma  vez,  a  Festa  de  Natal  de  todos os utentes que se realizou no dia  18  de  Dezembro,  no  Salão  Social  da  Misericórdia.  Numa  tarde  bastante  animada  os  idosos,  as  crianças  do  Infantário  e  do  Lar  “A  Âncora”,  bem  como todas as utentes da “Mãe Sol” e  “Porto D’Abrigo” puderam desfrutar de  diferentes  momentos  de  música,  tea‐

Os alunos da Escola Vasco da Gama de Sines na SCMS 

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tro, dança  e  poesia,  na  companhia  de  colaboradores,  voluntários  e  órgãos  sociais.  No dia 23 de Dezembro a Mesa Admi‐ nistrativa  da  Instituição  presenteou  os  colaboradores  e  voluntários  com  a  oferta de um bolo‐rei e, nesse mesmo  dia,  os  idosos  dos  três  lares  tiveram  a  habitual  Ceia  de  Natal  na  companhia  dos  órgãos  sociais  da  Instituição  e  de  alguns colaboradores.  No Lar “A Âncora” o Natal é igualmen‐ te vivido de forma intensa pelos meni‐ nos  que  ali  vivem.  A  equipa  técnica 

O Grupo Coral da SCMS a cantar no Lar Anexo I 


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deste lar  redobra  esforços  para  que  o  Natal  seja  comemorado  em  pleno,  tal  como na casa de qualquer outra crian‐ ça. Assim, no dia 19 de Dezembro reali‐ zou‐se  um  Jantar  de  Natal  com  distri‐ buição de presentes, no qual participa‐ ram  os  rapazes,  os  colaboradores  do  Lar e os membros da Mesa Administra‐ tiva da Santa Casa. Foram também con‐ vidadas todas as pessoas e organismos  que,  ao  longo  do  ano,  ajudam  o  Lar  proporcionando  bem‐estar,  apoio  e  integração social aos utentes. Este ano 

houve uma  novidade:  foram  convida‐ dos os antigos alunos que já passaram  por  esta  casa.  Nos  dias  24  e  25  de  Dezembro  os  utentes  e  colaboradores  que se encontravam na Instituição fes‐ tejaram, como é hábito, o Natal de for‐ ma tradicional. No último Natal o BPI, o  Voluntariado  da  Galp  Energia,  os  cola‐ boradores  da  EDP,  a  Fripex  e  a  Sines‐ peixe  ajudaram  a  tornar  mais  feliz  o  Natal de quem vive no Lar “A Âncora”.  O  Infantário  “Capuchinho  Vermelho”  também  celebrou  o  Natal  juntando 

Coreografia de Psicomotricidade 

Actuação do Grupo Coral 

Peça de Teatro apresentada pelos idosos 

crianças e familiares. A festa aconteceu  no dia 19 de Dezembro, no Salão Social  que foi pequeno para acolher todos os  que quiseram assistir às actuações pre‐ paradas  pelos  meninos  e  educadoras  do Infantário da Santa Casa. No final da  festa realizou‐se um lanche convívio.  

Demonstração de Zumba 

Jantar de Natal 

Oferta de Bolo Rei  5 


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Ceia de Natal com os órgãos sociais 

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Distribuição de Presentes no Lar Prats 

Distribuição de Presentes no Lar Anexo II 

Distribuição de presentes no Lar Anexo I 

Ceia de Natal no Lar Prats 


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L OJA S OCIAL OFERECE C ABAZES DE N ATAL Casa de  forma  a  propor‐ necessitem  de  apoio  ao  cionar um Natal mais feliz  nível de roupas, calçado e  a  estas  famílias  carencia‐ equipamentos para a casa  das. A entrega de Cabazes  poderão  fazer  a  sua  ins‐ de  Natal  foi  possível  gra‐ crição  na  Loja  Social  às  ças aos donativos de arti‐ segundas‐feiras  entre  as  gos  novos  e  usados  que  14h00  e  as  17h00  e  às  são feitos por particulares  quintas‐feiras  entre  as  e  empresas  à  Misericór‐ 09h00 e as 12h00.   dia  de  Sines,  ao  longo  de  todo o ano.   A  Loja  Social  “Sinergia  Os cabazes foram entregues por voluntárias 

Solidária” funciona  desde 

A Santa  Casa  da  Miseri‐ das  por  este  serviço  da  Julho  de  2011  com  o  córdia  de  Sines,  através  Misericórdia.  

objectivo de  apoiar  gra‐

da Loja  Social  “Sinergia  Os  cabazes,  compostos  tuitamente 

famílias

Solidária”, entregou  no  por  artigos  de  higiene,  carenciadas  do  concelho  dia  19  de  Dezembro  57  produtos de limpeza, rou‐ de  Sines  e  simultanea‐ cabazes  de  Natal  às famí‐ pas,  calçado  e  brinque‐ mente  reaproveitar  arti‐ lias 

carenciadas

que dos,  representaram  uma  gos que são doados à Ins‐

Os 57 cabazes entregues 

durante o  ano  são  apoia‐ oferta  simbólica  da  Santa  tituição.  As  famílias  que 

REPSOL PRESENTEIA IDOSOS DA SCMS Aproveitando a  época  natalícia  a  empresa  Repsol  presenteou  mais uma vez os utentes dos Lares da Santa Casa da Misericórdia  de Sines com a oferta de Bolo Rei no dia 21 de Dezembro. A Rep‐ sol  é  uma  das  muitas  empresas  sedeadas  no  concelho  de  Sines  que ao longo do ano manifesta o seu espirito solidário para com  a Misericórdia de Sines.   Distribuição de Bolo Rei no Lar Prats 

AGRADECIMENTO A Santa Casa da Misericórdia de Sines agradece às empresas  Hyport SA, J. Duarte Ferreira & Filhos, Lda, Sodi‐ sines, Lda, J. P. Ferreira Congelados, Âncora Prateada Congelados, Fripex, Artur & Guerreiro, Frutas Barata, Fru‐ tas Elvino, Talho Romão e Padaria Lino Silva, Lda o apoio dada à Santa Casa para as festividades de Natal.  

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SEMINÁRIO “DEMÊNCIAS” No dia  10  de  Outubro,  a  Misericórdia  de  Sines  reali‐ zou no Salão Social da Insti‐ tuição  um  Seminário  subor‐ dinado  ao  tema  “Demências”,  que  contou  com  cerca  de  170  partici‐ pantes,  na  grande  maioria  técnicos  de  Instituições  do  distrito  de  Setúbal  e  de  alguns  concelhos  da  região  do Alentejo.  Na  Cerimónia  de  Abertura  do Seminário estiveram pre‐ sentes: Luís Venturinha, Pro‐ vedor  da  Santa  Casa  da  Misericórdia  de  Sines,  Ana  Clara  Birrento,  Directora  do  Centro  Distrital  da  Seguran‐ ça  Social  de  Setúbal,  Cecília  Gil,  Directora  do  Centro  de  Saúde  de  Sines  e  Jorge  Nunes,  Provedor  da  Santa  Casa  da  Misericórdia  de  Santiago  do  Cacém  e  repre‐ sentante  do  Secretariado  Nacional da União das Mise‐ ricórdias Portuguesas.  Angelina  Santos,  arquitecta  do  Instituto  da  Segurança 

em exemplos  de  edifícios  destinados  a  acolher  pes‐ soas com demência, deixan‐ do  a  arquitecta  alguns  con‐ selhos  sobre  a  forma  como  os espaços físicos se podem  tornar  mais  adequados,  sobretudo  para  pessoas  de  idade  avançada.  Angelina  Santos defende que os espa‐ ços  destinados  a  acolher  idosos  e/ou  pessoas  com  demência devem proporcio‐ nar  aos  seus  residentes  um  ambiente  calmo,  acolhedor,  feliz  e  seguro,  capaz  de  gerar comportamentos mais  positivos  e  menos  agressi‐ vos.  Organização,  vigilância,  cor,  existência  de  mobiliário  familiar  e  objectos  de  uso  pessoal e a possibilidade de  um contacto próximo com o  exterior, são aspectos essen‐ ciais  para  que  o  espaço  físi‐ co  também  possa  ser  consi‐ derado  um  factor  terapêuti‐ co  para  quem  tem  demên‐ cia.  A Associação Alzheimer Por‐

Cerca de 170 pessoas participaram no Seminário 

Apoio a  Familiares  de  Pes‐ soas  com  a  Doença  de  Alzheimer,  abordou  a  ques‐ tão da ocupação de pessoas  portadoras  desta  doença.  No  essencial,  Margarida  Matos  falou  da  necessidade  de  ocupar  e  estimular  as  pessoas  com  Alzheimer  que  estejam  institucionalizadas,  salientando  a  importância  de  ir  de  encontro  às  reais  necessidades  de  cada  uten‐ te e de criar condições para  a  satisfação  adequada  des‐

Mesa de Abertura do Seminário 

Social, foi  a  primeira  orado‐ ra do Seminário apresentan‐ do  o  tema  “Ambientes  tera‐ pêuticos  para  pessoas  com  deterioração  cognitiva”.  A  sua  comunicação  baseou‐se  8 

tugal também  esteve  repre‐ sentada  no  Seminário,  atra‐ vés  da  técnica  Margarida  Matos  que,  para  além  de  explicar aos presentes como  funcionam  os  Gabinetes  de 

sas mesmas necessidades.  Durante  a  tarde  a  oradora  foi  Amélia  Martins,  do  Lar  Santa  Beatriz  da  Silva,  que  apresentou  a  terapia  de  Snoezelen  e  os  benefícios 

que esta estimulação senso‐ rial  provoca  nos  doentes  de  Alzheimer.  Amélia  Martins  falou  da  sua  experiência  profissional com idosos que,  ao  acederem  às  Salas  de  Snoezelen,  estimulam  os  cinco  sentidos  e  daí  retiram  benefícios como a recupera‐ ção de memórias positivas e  o relaxamento muscular.  No  programa  do  Seminário  estava  prevista  uma  apre‐ sentação  de  Luís  Jacob  sobre  “Animação  nos  Ido‐ sos”, no entanto, a sua parti‐ cipação  foi  cancelada  por  motivos imprevistos.  No final do seminário o Pro‐ vedor  da  Misericórdia  de  Sines  mostrou‐se  bastante  satisfeito  com  a  grande  afluência  de  participantes  no  Seminário,  sendo  este  um  evento  raro  no  Litoral  Alentejano.  Luís  Venturinha  realçou também a pertinên‐ cia  em  debater  esta  temáti‐ ca  e  em  dotar  os  funcioná‐ rios  e  cuidadores  de  conhe‐ cimentos  específicos,  já  que  a Santa Casa da Misericórdia  de  Sines  acolhe  cada  vez  mais utentes com demência,  especialmente  portadores  da Doença de Alzheimer.  


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Informações Úteis SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE SINES  Avenida 25 de Abril, n.º 2  Apartado 333  7520‐107 SINES  Site: www.scmsines.org  Email: scmsines@mail.telepac.pt   

Provedoria Tel. 269630462 | Fax. 269630469   Email: provedoria.scmsines@mail.telepac.pt  Horário de Atendimento: 09h00‐13h00 | 14h00‐16h00   

Secretaria Tel. 269630460 | Fax. 269630469   Email: secretaria.scmsines@mail.telepac.pt  Horário de Atendimento: 09h00‐13h00 | 14h00‐16h00   

Infantário “Capuchinho Vermelho”  Telem. 967825287   Email: infantario.scmsines@mail.telepac.pt   Horário de Funcionamento: 07h45‐19h45 

Acção Social (Lares, Centro de Dia, Apoio Domiciliário)  Tel. 269630460 | Fax. 269630469  Email: social.scmsines@mail.telepac.pt  Horário de Atendimento: Quartas e Sextas‐feiras   09h00‐13h00 | 14h00‐17h00   

Outros Contactos:    Animação:  animacao.scmsines@mail.telepac.pt     Gabinete de Informação:  gab‐info.scmsines@mail.telepac.pt     Gabinete de Psicologia:  gab‐psico.scmsines@mail.telepac.pt     Recursos Humanos:  rh.scmsines@mail.telepac.pt   9 


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À CONVERSA COM... Feliciana Inácio

Em 1926,  no  dia  20  de  As recordações mais anti‐ terem uma ideia uma das  moços  por  perto.  Só  Março, nasceu na fregue‐ gas  de  Feliciana  Inácio  minhas  avós  teve  15  quando  eram  bailes  de  sia  de  Cercal  do  Alentejo  conduzem‐na 

principal‐ filhos! Os  filhos  iam  nas‐ roda,  aí  era  diferente, 

Feliciana Maria  da  Encar‐ mente  ao  trabalho  e  às  cendo  e  quase  nem  se  vinha  tudo,  moços  e  nação  Inácio.  O  meio  tarefas domésticas e pou‐ dava por eles.» As poucas  moças.»  O  tempo  para  rural foi o ambiente onde  cas  são  as  lembranças  brincadeiras, recorda Feli‐ brincadeiras  não  abunda‐ se  movimentou  desde  que guarda das brincadei‐ ciana, 

eram

sempre pois  seus  pais  ras de criança. «Com ape‐ «Apanhávamos 

simples. va já que Feliciana Inácio,  flores,  além  de  trabalhar,  cuida‐

viviam e  trabalhavam  no  nas  10  anos  comecei  a  fazíamos  casinhas  e  brin‐ va  dos  irmãos  quando  a  campo.  «O  meu  pai  cui‐ trabalhar. O meu pai ensi‐ cávamos  principalmente  mãe  não  estava  em  casa.  dava  do  gado  e  a  minha  nou‐me a mondar e a cei‐ na  rua,  não  havia  bone‐ Feliciana  tratava  também  mãe  fazia  de  tudo  um  far  e  eu  já  ajudava  a  cas  nem  outros  brinque‐ da  casa  e  fazia  outras  pouco,  mondava,  ceifava,  família.  Naquele  tempo  dos.  Só  umas  cartas  para  pequenas tarefas que fos‐ carregava  milho,  e  ainda  as famílias eram numero‐ jogarmos  e  de  vez  em  sem 

necessárias.

tinha tempo  para  cuidar  sas,  qualquer  casa,  era  quando  faziam‐se  bailes,  «Lembro‐me  bem  que  ia  dos seis filhos e da casa.»  uma  casa  cheia.  Só  para  mas  não  queríamos  os  buscar  água  com  uma  10 


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enfusa à cabeça e enchia‐ naquilo  que  houvesse  bem  como  a  recordação  vida.  «Conheci  o  meu  a  o  mais  que  podia  para  para  fazer  pois  só  assim  de  seu  pai  lhe  ter  batido  marido  num  bailarico.  me  despachar.  De  cami‐ se ganhava a vida. Numa  uma única vez. «Foi mere‐ Namorámos  ‐  sempre  nho  comia,  uns  figos  –  e  ocasião  até  fui  com  a  cido!»,  começa  por  refe‐ com  respeitinho!  ‐  juntá‐ que  belos  figos!  –  numa  minha  família  apanhar  rir,  «eu  e  uma  vizinha  mo‐nos  e  fomos  viver  figueira  que  existia  perto  azeitona  a  Moura.  Fomos  estávamos  a  brincar  com  para a nossa casinha. Pri‐ do  poço.  Ia  também  à  a  pé,  ganhar  25  tostões  uma  carreta  de  bois  que  meiro vivemos na zona da  lenha  e  fazia  a  comida  por  cada  saca  de  azeito‐ estava  parada  ao  pé  de  Cabeça da Cabra e depois  para levar ao meu pai e à  na.  Tive  pena  de  não  ir  à  minha casa. Cada uma de  mudámo‐nos  para  perto  minha mãe. Tinha sempre  escola, mas sempre soube  nós  pendurava‐se  numa  da  Praia  de  São  Torpes.  muito que fazer.»       

que estudar  faz  falta.  Por  ponta da carreta, andáva‐ Recordo‐me  que  vivíamos 

Feliciana tem  também  isso,  assim  que  houve  mos  para  baixo  e  para  numa  casa  com  pouca  bem  presentes  recorda‐ ções  do  monte  onde  vivia.  «Viviam  lá  muitas  famílias.  Era  um  monte  longe  de  tudo  e  rodeado  de  mato,  num  sítio  um  pouco  escuso.  Por  isso,  quando  lá  ficava,  sozinha  com  os  meus  irmãos,  tinha  algum  medo.  Feliz‐ mente  nunca  aconteceu  nada.  Não  apareciam  pessoas  que  nos  fizessem  mal, e não era ‘à falta’ de  deixarmos  a  porta  aber‐ Feliciana Inácio na companhia do marido 

ta.»

A escola foi para Feliciana  oportunidade  fiz  questão  cima e fazíamos da carre‐ coisa, tínhamos uma vida  uma  realidade  que  não  que  os  meus  filhos  estu‐ ta um carrocel. O meu pai  simples  e  o  mais  impor‐ conheceu.  «Vivíamos  lon‐ dassem  para  assim  lhes  não gostou de ver, bateu‐ tante é que eramos muito  ge de tudo, os transportes  proporcionar  uma  vida  me  e,  serviu‐me  de  lição,  amigos  um  do  outro  e  eram  poucos,  os  cami‐ melhor.»  

porque nunca mais repeti  sempre  nos  demos  bem. 

nhos eram  quase  inexis‐ A passagem à vida adulta  a brincadeira.» 

O nosso casamento durou 

tentes e  o  trabalho  tam‐ aconteceu  sem  grandes  Já perto dos 20 anos Feli‐ quase  60  anos,  tivemos  bém  não  me  deixava  sobressaltos  e  de  uma  ciana  conheceu  aquele  dois  filhos  e  apesar  das  ‘vagar’ 

para

estudar. infância,  que  diz  ter  sido  que  viria  a  ser  seu  mari‐ voltas que a vida deu cor‐

Eram tempos  difíceis  em  feliz,  que 

Feliciana

Inácio do,  pai  dos  seus  filhos  e  reu sempre tudo bem.» 

trabalhávamos guarda  bons  momentos  companheiro  de  uma  O  percurso  de  vida  de  11 


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Feliciana Inácio  trouxe‐a 

de vida,  Feliciana  Inácio  piores  novamente.»  Em 

até Sines  algum  tempo 

não hesita  em  afirmar  relação  à  sua  própria 

antes de  entrar  no  Lar 

que conheceu  duas  reali‐ vida, e ao melhor que lhe 

Anexo I  da  Misericórdia. 

dades bem  diferentes.  aconteceu,  Feliciana  refe‐

«Como em  Sines  havia 

«Conheci um  mundo  e  re imediatamente o mari‐

mais trabalho vim para cá 

hoje estou  a  conhecer  do  e  a  relação  que  cons‐

com o  meu  marido  e  os 

outro. Os meus tempos de  truiu  com  ele.  «Não  me 

meus dois  filhos,  um 

menina eram tempos difí‐ canso  de  dizer  que  nos 

rapaz e uma rapariga.» A 

Feliciana Inácio com 70 anos 

família é  para  Feliciana  dois 

ou

não

ceis. Tive os meus primei‐ demos  sempre  bem  e 

vinha ros sapatos com 15 anos,  tivemos  uma  vida  feliz. 

um motivo  de  orgulho  e  nenhum.  E  assim  aconte‐ cheguei  a  pedir  pão  para  Não  há  uma  única  noite  alegria. «Os meus filhos e  ceu.»  Entretanto  o  mari‐ não passar fome, mas em  que  me  deite  sem  pensar  os  meus  netos  são  a  do  de  Feliciana  Inácio  simultâneo  estes  eram  nele,  e  enquanto  for  viva  minha  alegria.  Damo‐nos  faleceu  em  2007.  Após  tempos  em  que  as  pes‐ sei  que  vai  ser  sempre  todos  bem  e  eu  gosto  essa data a vida para esta  soas  eram  mais  amigas  assim.»  muito  quando  eles  me  idosa perdeu algum signi‐ umas  das  outras,  ajuda‐ O  amor,  o  trabalho  e  a  visitam,  principalmente  a  ficado,  mas  houve  que  vam‐se  mais.»  Segundo  família marcam sem dúvi‐ minha  filha,  que  é  quem  seguir  em  frente,  e  hoje  Feliciana  Inácio  o  25  de  da  o  testemunho  de  Feli‐ mais me visita. Ela é mui‐ Feliciana diz‐se completa‐ Abril  de  1974  foi  o  acon‐ ciana  Inácio,  uma  mulher  to  minha  amiga  e  nunca  mente adaptada à vida no  tecimento  que  provocou  que  aos  88  anos,  deseja  se  esquece  de  trazer  coi‐ Lar. «Quando se vem viver  uma  grande  mudança  no  acima  de  tudo  manter  a  sas que eu gosto.» 

para um  sítio  como  este  modo  de  viver  das  pes‐ lucidez  que  actualmente 

O ano  de  2005  marcou  a  estranhamos,  mas  depois  soas.  «Não  sei  ler,  mas  lhe  permite  recordar  o  vida  de  Feliciana  pois  em  habituamo‐nos. 

Posso vejo  que  antes  do  25  de  passado e pensar no futu‐

conjunto com  o  marido  dizer  que  gosto  de  residir  Abril  eramos  um  país  ro  com  um  sorriso  nos  decidiu  dar  entrada  no  aqui  e  sei  que  já  não  muito  fechado,  não  vinha  lábios.   Lar  Anexo  I  da  Misericór‐ tenho  condições  para  nada de fora, mas tudo o  dia de Sines. «Não quería‐ viver sozinha. Sei que vou  que  tínhamos  era  bom.  mos  dar  trabalho  aos  ficar  aqui  o  resto  da  Com  o  25  de  Abril  come‐ filhos  e  o  meu  marido  minha e só desejo manter çou  a  existir  mais  dinhei‐ queria vir para cá mais do  ‐me como estou.» 

ro, as  coisas  mudaram 

que eu.  Mas  pensei  sem‐ Aos  88  anos,  ao  reflectir  para  melhor,  mas  agora  pre  que  ou  vínhamos  os  sobre  um  longo  percurso  acho  que  as  coisas  estão  PUB 

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O TEATRO DO MAR NA SANTA CASA

Teatro do Mar celebra Dia do Voluntariado 

No dia  4  de  Dezembro,  como  forma  de  celebrar  o  Dia Internacional do Volun‐ tariado,  o  Teatro  do  Mar  actuou  no  Salão  Social  da  Misericórdia,  apresentan‐ do  aos  utentes  a  peça  “A  Magia das Águas”. Baseada  num  texto  do  autor  brasi‐ leiro José Facury, esta peça  vocacionada  para  crianças,  destina‐se  a  públicos  de  todas  as  idades  e  tem  como  objectivo  transmitir  uma  mensagem  sobre  a  poluição  dos  oceanos.  As  personagens  centrais  da  história  são  dois  pescado‐ res  que  se  movimentam  num  cenário  montado  num  triciclo  motorizado,  um  veículo  muito  utilizado  pelos  pescadores  da  região.  Os  pescadores  têm  de procurar oferendas para  uma  princesa  sereia,  filha 

do Rei  dos  Mares,  mas  só  conseguem  encontrar  lixo.  A humanidade vê‐se então  a braços com a ira do deus  Neptuno,  que  ordena  aos  oceanos que cubram a Ter‐ ra.  A  história  tem  um  final 

pescadores. Neptuno envia  depois  os  homens  à  Terra,  na  “importante  e  decisiva  missão”  de  alertar  para  “o  perigo  da  poluição  dos  mares  e  para  a  fundamen‐ tal  preservação  da  nature‐ za”. A peça é representada  por bonecos e actores.  No  final  desta  apresenta‐ ção do Teatro do Mar, Luís  João,  actor  e  membro  da  Direcção da Companhia de  Teatro  Sineense,  mostrou‐ se  bastante  satisfeito  com  a  receptividade  dos  uten‐ tes da Santa Casa: «A apre‐ sentação  correu  bem,  de  acordo  com  aquilo  que  eram  as  nossas  expectati‐ vas.  Foi  fantástico  e  é  de 

Os quatro actores d’ “A Magia das Águas” 

feliz, graças  à  intervenção  “de  um  golfinho  e  da  Rainha  do  Mar”,  bem  como  à  “humildade”  dos 

actores, sentimo‐nos  bem  com isso e achamos impor‐ tante  o  contacto  directo  entre  idosos  e  crianças,  para  que  haja  partilha  de  conhecimentos,  experiên‐ cias  e  histórias  de  vida.  Esta  peça,  de  um  autor  brasileiro,  foi  adaptada  para  português  pela  nossa  Directora  Artística  Julieta  Santos.  No  futuro  temos  a  perspectiva de levar a peça  ao  Brasil,  o  que  seria  fan‐ tástico  para  nós.  Além  dis‐ so  iremos  apresentar  “A  Magia  das  Águas”  nas  escolas  do  concelho  de  Sines, em datas a definir.»  O  Dia  Internacional  do  Voluntariado celebra‐se a 5  de  Dezembro  e,  mais  uma  vez,  a  Santa  Casa  não  quis  deixar  de  assinalar  a  data.  Actualmente  o  Banco  de  Voluntariado da Instituição  é  constituído  por  27  ele‐ mentos que contribuem de  forma  bastante  positiva  com vários serviços da Ins‐ tituição, sendo de destacar  a  colaboração  na  Loja  Social,  com  o  Serviço  de  Animação  Sociocultural  e  com  os  Serviços  de  Limpe‐ za.  

salientar o  facto  de  se  terem  juntado  idosos  e  crianças para assistirem ao  mesmo  espectáculo.  Nós, 

Espaço Informativo da Santa Casa da Misericórdia de Sines na Rádio Sines 

TERÇAS-FEIRAS 11:15 | SEXTAS-FEIRAS 15:40 | DOMINGOS depois das 09:00 13


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PARTICIPAÇÃO NA MISSÃO VICENTINA

Celebração de Missa no Salão Social 

No mês  de  Novembro,  entre os dias 3 e 17, reali‐ zou‐se  em  Sines  a  Missão  Popular  Vicentina  promo‐ vida pela Diocese de Beja,  com  o  objectivo  de  moti‐ var  a  comunidade  para  que  esta  centre  a  vida  no  Evangelho.  Uma  equipa  missionária, composta por  cinco  elementos,  desdo‐

brou‐se em  actividades  um pouco por toda a cida‐ de, às quais a Misericórdia  de Sines se associou.  Ao  longo  das  duas  sema‐ nas  que  durou  a  Missão,  os  Missionários  visitaram  os  utentes  dos  lares,  cen‐ tro de dia e apoio domici‐ liário da Santa Casa e par‐ ticiparam  na  Comunidade 

A Comunidade reunida na Capela da Santa Casa  14 

que se reuniu ao longo de  quatro  dias  na  Capela  da  Instituição.  Denominada  “Caminhando  com  Maria”  esta comunidade compos‐ ta  por  utentes  e  voluntá‐ rios centrou‐se na partilha  da  palavra  de  Deus.  Além  disso,  a  Santa  Casa  cedeu  as  suas  instalações  para  realização  de  uma  Cele‐ bração  dos  Doentes,  no  dia  15  de  Novembro,  e  para  um  Encontro  de  Ani‐ madores,  no  dia  16  do  mesmo mês.  A equipa Missionária reali‐ zou  também  visitas  às  escolas  e  celebrações  na  Igreja  Matriz,  tendo  sido  tratados diferentes temas, 

com destaque  para  a  soli‐ dariedade,  a  família  e  a  multiculturalidade.  De  acordo  com  a  opinião  do  Padre  Agostinho  Sousa,  um  dos  membros  da  Mis‐ são Popular Vicentina que  está  desde  há  dois  anos  integrado  na  Comunidade  Vicentina  de  Santiago  do  Cacém  e  que  se  dedica  à  animação  missionária  da  Diocese,  «esta  Missão  assentou  numa  enorme  partilha  entre  todos  e  foi  uma  experiência  maravi‐ lhosa.  A  fé  foi  uma  cons‐ tante  e  as  famílias  aceita‐ ram sem reservas o convi‐ te  para  abrirem  as  suas  casas à comunidade e par‐ tilharem  a  palavra  de  Deus.  Pudemos  contar  também  com  a  presença  do  Bispo  de  Beja,  Dom  António  Vitalino  Dantas,  que  em  mais  do  que  uma  ocasião  participou  nesta  Missão Vicentina.»  Além  do  Padre  Agostinho  Sousa,  integraram  a  equi‐ pa  missionária  em  Sines  a  Irmã  Celina  Fraga,  religio‐ sa do Bom Pastor, oriunda  de  Colos,  Luís  Marques,  seminarista  de  Beja,  José  Neves,  leigo  de  Santiago  do  Cacém  e  Arlete  Vieira  colaboradora  da  Missão,  vinda de Lisboa.  


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POESIA Poema de Josélia Silva, voluntária na Santa Casa da Misericórdia de Sines  

SANTA CASA, CASA SANTA Santa Casa, casa santa 

És a casa do amor 

Quem entra fica a gostar 

És antiga e actual 

Carinho e fraternidade 

Deste seu novo cantinho 

Seja criança ou velhinha 

Quem escolhe este cantinho 

É sempre um gosto tratar  

São tratados por igual 

Terá sempre liberdade 

Do mais novo ao mais velhinho 

A porta está sempre aberta 

Passam filmes, fazem bailes 

És a casa do amor 

Para alguém que quiser entrar 

Também podem costurar 

Carinho e fraternidade 

Sem barreiras nem fronteiras 

Jogam jogos, fazem escrita 

Quem escolhe este cantinho 

Se nela quiser ficar 

E o coro vai ensaiar 

Terá sempre liberdade 

És a casa do amor 

E para rezar o Terço 

Carinho e fraternidade 

Têm uma capelinha 

Quem escolhe este cantinho 

Quem não conseguir andar 

Terá sempre liberdade 

Leva‐se na cadeirinha 

Bata à porta e solicite 

És a casa do amor 

Uma visita guiada 

Carinho e fraternidade 

Terá muito para ver 

Quem escolhe este cantinho 

Irá ficar encantada 

Terá sempre liberdade 

Tem um salão social 

Trabalha aqui muita gente 

De muita utilidade 

Sempre de boa vontade 

Aí tem muita diversão 

É a casa de amanhã 

Se divertem à vontade 

De quem tem hoje pouca idade 

Josélia Silva e Joana, utente do Lar  Anexo I 

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HOMENAGEM AO DR. CÂNDIDO LEAL TAVARES

O Provedor Luís Venturinha com Cristina Pidwell Tavares 

No dia  20  de  Novembro,  o  Provedor  da Misericórdia de Sines, Luís Ventu‐ rinha,  entregou  a  Cristina  Pidwell  Tavares  uma  medalha  de  mérito  em  homenagem  ao  seu  avô  Dr.  Cândido  Leal  Tavares.  Este  foi  provedor  da  Santa  Casa  da  Misericórdia  de  Sines  entre 1941 e 1944, quando a Institui‐ ção geria apenas o Hospital da Mise‐ ricórdia  que  funcionava  nas  actuais  instalações do Centro Cultural Emme‐ rico Nunes.  Esta homenagem estava prevista des‐ de  a  inauguração  da  Galeria  de  Pro‐ vedores,  em  Fevereiro  de  2011,  não  se tendo realizado na altura devido à  impossibilidade  dos  familiares  deste  antigo  Provedor  estarem  presentes.  O Dr. Cândido Leal Tavares é um dos  16 provedores que têm a sua fotogra‐ fia exposta na Galeria de Provedores  da Santa Casa.  Cristina  Pidwell  Tavares  recordou  16 

assim o seu avô: «eu era muito crian‐ ça mas ouvia o meu avô contar histó‐ rias.  Lembro‐me  de  uma  em  particu‐ lar.  Estávamos  a  jantar  em  Santa  Catarina  e,  ou  eu,  ou  um  dos  meus  irmãos  criticou  alguma  coisa  que  foi  servida,  dizendo  que  não  gostava  de  comer  aquilo.  O  meu  avô  respondeu  que  aquilo  não  se  dizia  e  contou‐nos  que,  quando  era  Provedor  da  Santa  Casa,  tinha  como  função  analisar  os  alimentos que eram vendidos na Pra‐ ça e mandava deitar fora tudo o que  não  estava  em  condições,  apesar  de  saber  que  as  pessoas  pobres  pode‐ riam  comer  esses  alimentos.  Disse‐ nos  também  que  lhe  dava  dó  essa  situação, mas ele como médico e Pro‐ vedor  da  Santa  Casa  tinha  de  tomar  essa decisão. Para nós era uma rega‐ lia termos a mesa que tínhamos. Esta  foi  para  mim  uma  lição  de  vida  e  acho que a partir desse dia passámos 

a respeitar o que nos punham no pra‐ to. O meu avô fez‐nos ver que eramos  abençoados.   Além destas histórias, lembro‐me que  o meu avô era uma pessoa simpática  e querida. Tinha uma mulher com um  feitio  irrascível  e  que,  às  vezes,  lhe  provocava  ataques  de  mau  génio.  O  meu avô era também um bom médi‐ co  que  ajudou  muita  gente.  No  caso  das pessoas mais pobres, sei que ele  era  o  próprio  a  deixar  a  receita  aos  doentes  acompanhada  do  dinheiro  para  irem  à  farmácia.  Tenho  muito  boas recordações do meu avô.»  Cândido  Leal  Tavares  era  também  avô de Al Berto, um dos maiores poe‐ tas e uma das mais influentes figuras  da  literatura  da  segunda  metade  do  século XX.    


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ÚLTIMAS

DIA DE REIS No dia  6  de  Janeiro  a  Misericórdia  assinalou  mais  uma  vez  o  Dia  de  Reis. Alguns utentes dos Lares e Cen‐ tro  de  Dia  cantaram  as  janeiras  em  espaços  comerciais  da  cidade  e  em  troca  receberam  donativos  simbóli‐ cos. Esses mesmos donativos permi‐ tiram a realização de um lanche con‐ vívio,  durante  a  tarde,  no  Salão  Social.  

DONATIVO DA EMPRESA ARTLANT Casa um  donativo  de  rou‐ pas e alimentos. Este dona‐ tivo  resultou  de  uma  cam‐ panha de solidariedade fei‐ ta entre os funcionários da  empresa  que,  assim,  mani‐ festaram  a  sua  solidarieda‐ de  para  com  os  utentes  da  Santa  Casa.  Ao  todo  foram  entregues  161  kg  de  ves‐ tuário  e  37  kg  de  alimen‐ tos.  A  empresa  Artlant  produz  No  dia  10  de  Janeiro  a  em  Sines  desde  Março  de  PTA, um composto químico  empresa  Artlant,  a  laborar  2012,  ofereceu  à  Santa  destinado  ao  fabrico  de 

polímeros de  poliéster  maioritariamente utilizados  no  sector  alimentar  (embalagens  de  PET)  e  no  sector têxtil (fibras). Locali‐ zada  em  Sines,  esta  unida‐ de fabril é a mais recente e  moderna  fábrica  europeia  de PTA e um dos principais  projectos  industriais  cons‐ truídos  em  Portugal,  num  investimento  superior  a  400  milhões  de  euros.  No  total a Artlant emprega 150  trabalhadores.  

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MATERIAL MÉDICO-HOSPITALAR, LDA. Rossio da Estação, nº 11 7940-196 Cuba Telf.: 284 41 41 39 Fax: 284 41 41 67 Contribuinte nº 503 841 455 E-mail: geral@alquimed.pt 19


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CEMETRA

Centro de Medicina do Trabalho da  Área de Sines  Rua Júlio Gomes da Silva, n.º 15   7520‐219 SINES  Tel.: 269633014    Fax: 269633015  E‐mail: cemetra@netvisao.pt  Site: www.cemetra.pt 

AGRADECIMENTO

O “Renascer” agradece a todos os patrocinadores e amigos que contribuíram para que este meio de  comunicação da nossa Instituição se tornasse uma realidade.  Uma vez que é nosso objectivo melhorar gradualmente a forma e os conteúdos deste boletim informati‐ vo, assim como aumentar a sua tiragem e, consequentemente, divulgá‐lo junto de um público cada vez  mais vasto, revela‐se de grande importância o apoio destes e de outros patrocinadores.  Obrigada por nos ajudarem a sermos melhores!   20 

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Boletim Informativo Nº43. Edição de Outubro, Novembro e Dezembro de 2013.

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