Page 1

Ano X - Nº28 - Publicação Quadrimestral Distribuição Gratuita

Medalha de Honra - Grau Ouro CMPVL - 19/03/1985

Director: Dr. Humberto Carneiro Coordenação: Mesa Administrativa Impressão: GráficaAmares Tiragem: 7500 Design Editorial: www.tamanhoreal.com Propriedade: Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso, Rua da Misericórdia, 141 - Apart. 143 4830 Póvoa de Lanhoso Pessoa Colectiva de Utilidade Pública n.º 501409084 Tel.: (+351) 253 639 030 Fax: (+351) 253 639 036 Depósito Legal: 296364/09

Setembro de 2009 Jornal da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso

Medicina Dentária A Medicina Dentária no Hospital António Lopes oferece aos pacientes os melhores recursos humanos e materiais. A prevenção continua a ser a palavra de ordem. Pág. 06

Terapia da Fala Hospital António Lopes disponibiliza aos pacientes a Valência de Terapia da Fala. O Santa Causa dá a conhecer mais desta especialidade Pág. 07

Gripe A Fique a saber o que é, como se propaga e como se pode proteger da Gripe A. São conselhos da Direcção-Geral de Saúde que o Santa Causa reproduz.

Jornadas MédicoCirúrgicas do HAL O Hospital António Lopes levou a cabo no passado dia 04 de Julho, as suas 5ªs Jornadas Médico-cirúrgicas, este ano subordinadas ao tema “Envelhecimento e Dignidade”. Esta iniciativa congregou 280 participantes e um painel invejável de oradores, de que se destaca o Professor Doutor Daniel Serrão.

Pág. 08

Massagem Infantil Santa Casa vai ministrar formação na área da formação infantil para melhorar a qualidade de vida dos bebés e estreitar laços entre progenitores e filhos. Pág. 11

As Jornadas reuniram os mais prestigiados especialistas. O essencial de algumas das intervenções

Pág. 04

Av. do Forte, Nº3 Edifício Suécia I, 3º Piso, Fracção 3.35 2790-073 Carnaxide Tel: 21 424 14 25 Fax: 21 424 25 18


2

Setembro de 2009 Santa Causa

Em destaque Jornadas Médico-Cirúrgicas

5as Jornadas mantêm excelente nível de qualidade científica Iniciativa organizada pelo Hospital António Lopes reuniu cerca de 280 participantes e oradores de renome Com expectativas elevadas e responsabilidade acrescida, a quinta edição das Jornadas Médico-Cirúrgicas do Hospital António Lopes manteve o excelente nível de qualidade científica, a que já habituou profissionais de Saúde. Subordinada, este ano, ao tema “Envelhecimento e Dignidade”, esta iniciativa congregou 280 participantes e um painel invejável de oradores, portugueses e espanhóis, que deram testemunho do seu saber, reafirmando o evento como referência, como momento de reflexão, de formação e de partilha, na vanguarda da produção de conhecimento. O Professor Doutor Daniel Serrão do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa – Porto foi o convidado de honra, abrilhantando estas Jornadas com a sua intervenção sobre “Ética e Dignidade no Envelhecimento” na Conferência Inaugural. O dia de trabalho encerrou também da melhor forma, com a intervenção do Professor Doutor Carlos Pereira da Silva, Professor Catedrático do ISEG Lisboa, sobre “Novos Modelos de Gestão para a Sustentabilidade do Terceiro Sector”. Investigadores, estudiosos, profissionais de Saúde de áreas distintas e representantes de entidades públicas e privadas da área da Saúde partilharam conhecimentos, opiniões e diferentes formas de abordagem à realidade do envelhecimento dos indivíduos, com respeito e conservando a sua dignidade.

Desafios e respostas As 5as Jornadas decorreram no Hotel Rural Maria da Fonte, em Calvos, na Póvoa de Lanhoso, nos dias 3 (com um programa social) e 4 de Julho (com a sessão de trabalhos). No segundo dia, a abertura contou com as presenças do Provedor da Santa Casa, Humberto Carneiro, do Presidente do Secretariado da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, da representante da ARS Norte, Aurora Aroso, do Director Executivo do Agrupamento Gerês – Cabreira, Custódio Lima, e do Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Manuel Baptista. O Provedor da Santa Casa, Humberto Carneiro, começou por lembrar a “explosão demográfica de cabelos brancos” a que assistimos e os desafios da “inversão da pirâmide etária”. “A constatação é de que as pessoas vivem cada vez mais tempo; o desafio é que vivam mais tempo, mas vivam com mais saúde, com mais qualidade de vida”, referiu, considerando que o envelhecimento traz necessidade de respostas a vários níveis. “Importa que todos nós pensemos nesta problemática, porque estamos a preparar o futuro e nós somos o futuro. Para além disso, temos de nos

As 5as Jornadas decorreram no Hotel Rural Maria da Fonte, em Calvos, na Póvoa de Lanhoso, nos dias 3 e 4 de Julho. No segundo dia, a abertura contou com as presenças do Provedor da Santa Casa, Humberto Carneiro, que lembrou a “explosão demográfica de cabelos brancos” a que assistimos e os desafios da “inversão da pirâmide etária”.

preocupar já hoje com aqueles que já são seniores”. Com a implementação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, a Instituição liderada por Humberto Carneiro percebeu que poderia “encontrar, aqui, uma resposta para esta preocupação, tendo o Hospital António Lopes integrado, desde o início, a experiência piloto. Este foi um desafio que trouxe várias respostas a vários níveis”, sublinhou.

Sublinhando que a Misericórdia Povoense é sensível ao problema do envelhecimento com dignidade, “daí o tema destas Jornadas”, o Provedor sublinhou as especificidades de dar resposta a seres humanos. “Para nós, enquanto Santa Casa que tem como objectivo e missão principal a defesa da pessoa humana, a longevidade não pode ser dissociada da qualidade de vida. Tenho a honra de liderar uma organização onde os grandes

objectivos são dar respostas, nos vários campos, ao ser humano. O nosso produto é um ser humano não transaccionável e é para ele que trabalhamos pelo que as respostas que temos de ter são muito mais complexas do que numa empresa qualquer”. Para aquele responsável, “a Santa Casa está apta para responder às necessidades emergentes em virtude do envelhecimento da população”. No que se refere a infra-estruturas, apontou as respostas sociais e de saúde disponibilizadas, com 50 camas no Lar de São José e 28 camas na Unidade de Convalescença, e com os projectos da Unidade de Longa Duração (com 29 camas e 2400 metros quadrados), cuja construção está em curso, devendo estar concluída no fim do ano, para poder integrar, em Janeiro, a Rede; e da Clínica Social da Misericórdia para doenças neuro-degenerativas (obra que será lançada brevemente, com 7 mil metros quadrados) para concluir em 2010. Para além das instalações, referiu, os colaboradores e funcionários têm sido encorajados a fazer formação e investigação. “Há uma preocupação da nossa instituição em dotarmo-nos de capacidade instalada, mas fundamentalmente de recursos humanos, que respondam de forma eficaz, competente, às necessidades da população que servimos”. Referindo ser “um privilégio poder acompanhar esta Misericórdia em mais uma sessão”, Manuel de Lemos considerou, a respeito da mesma Instituição, que “como sempre, e dando conta da atenção e reflexão ao que se passa à nossa volta, tem tido a capacidade para encontrar os caminhos certos para avançar no sentido de preparar o futuro”. Sobre o tema escolhido, aquele responsável confessou muito dizer às Misericórdias a questão da dignidade “porque tem muita a ver com a nossa matriz cristã e com a nossa missão”. Revelando que serão cerca de 120 as Misericórdias que, em todo o país, actuam na área da Saúde, referiu ainda que reconhece “a importância e o papel das Misericórdias no sistema nacional de saúde”.

Afectos são chave para a velhice com dignidade As conclusões ficaram a cargo de Adília Rebelo, Médica e Mesária do Pelouro da Saúde do HAL. “Mais uma vez, foi possível reunir oradores de reconhecido gabarito, que nos trouxeram muitos ensinamentos, que nos vieram enriquecer em termos pessoais e intelectuais e ensinar a lidar com os doentes, com familiares, com amigos”, referiu ao Santa Causa. “O envelhecimento é um processo premente, actual, pelo qual iremos passar. O lidar com o envelhecimento com doença, como as doenças neurodegenerativas, implica algum conhecimento e chamaram-nos a atenção para alguns aspectos: que a nossa memória é o que nos permite relacionar com o mundo exterior e as pessoas, ao perderem a memória, vão-se desligando desse mundo. Mas parece que a memória afectiva é aquilo que não se perde e que nos vai prendendo ao exterior. Se nós estimularmos essa parte, conseguimos ter mais perto de nós pessoas com processos demenciais e neurodegenerativos na fase terminal da sua vida”. A respeito das famílias, Adília Rebelo recordou que “saber que eles sentem essas emoções é uma forma de os continuar a sentir presentes”. Em termos da investigação, sublinhou que “vai haver processos e formas de travar a evolução e a progressão destas doenças, medicamentos, que ainda não estão disponíveis, mas que são uma esperança. O que sabemos é que se estimularmos a parte afectiva, as pessoas estarão mais tempo perto de nós, ligadas ao mundo exterior e com qualidade, e as Unidades de Cuidados têm um papel fundamental nisto, pois existem pessoas que são diferenciadas e especializadas, que são capazes de tratar melhor, porque sabem fazê-lo e de conseguir prender por mais tempo essas pessoas ao mundo exterior”. É uma certeza que os participantes nestas Jornadas irão agora aplicar os conhecimentos adquiridos nesta iniciativa, com benefícios para os nossos idosos, o que abre novamente expectativas em relação ao tema a escolher para a próxima edição.


3

Setembro de 2009 Santa Causa

“Idoso ou doente conserva e enriquece dignidade própria como ser humano” O Professor Doutor Daniel Serrão, Professor Doutor do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa – Porto, proferiu a Conferência Inaugural, sobre “Ética e Dignidade no Envelhecimento. No final, conversou com a “Santa Causa” a respeito das Jornadas e do tema escolhido para esta edição. “Há muito a ideia de que o idoso ou o doente, quando tem limitações, perde a dignidade e foi importante explicar que não: perde uma dignidade exterior, mas conserva e até enriquece uma dignidade intrínseca como ser humano”, referiu. Qual a sua opinião sobre Jornadas e sobre a pertinência do tema escolhido? Tive muito prazer em ser convidado e em poder estar aqui e em poder falar sobre um tema que é da maior importância. Há muito a ideia de que o idoso ou o doente, quando tem limitações, perde a dignidade e foi importante explicar que não: perde uma dignidade exterior, que não interessa, mas conserva e até enriquece uma dignidade intrínseca, própria, como ser humano. O facto de se discutir agora a doença de Alzheimer é muito importante também, porque a doença de Alzheimer retira à pessoa algumas capacidades de comunicação com os outros, mas não lhe retira a dignidade. Não vamos arrumá-la como uma pessoa que já nem é uma pessoa humana, porque não fala connosco: continua a ser uma pessoa humana e mais, nós não sabemos aquilo que ela sente por dentro, na sua auto-consciência, que não pode exprimir e, às vezes, há pequenas alterações do olhar, há a lágrima que cai, que significa que aquele doente de Alzheimer vivenciou uma certa situação com uma resposta emocional muito importante, que pode ser muito rica por dentro, nós é que não podemos comunicar com ele nem ele connosco. Na comunicação é que reside a barreira… Essa é que é a barreira. Agora vou dizer uma coisa que é politicamente incorrecta: todos nós, que temos gosto e amor em ter animais em casa, percebemos que os animais reconhecem a nossa comunicação emocional, reconhecem um olhar, um gesto, um som, que são suficientes para que um cão, por exemplo, mude imediatamente a sua postura. Não quero dizer que o doente de Alzheimer seja transformado num animal, o que eu quero dizer é que a capacidade da vivenciação emocional nunca se perde. Estas pessoas poderão não ter capacidade de comunicação verbal, de falar connosco, porque perderam essa capacidade, mas a capacidade de sentir o amor, o afecto que nós lhe damos, mantêm, e quem cuida desses pessoas deve ter uma postura de ética e de respeito pela dignidade pelo outro. Tu não podes falar comigo nem agradecer o que eu te vou fazer, mas eu vou-te fazer porque em ti reconheço uma pessoa humana de pleno direito, de corpo inteiro, completa. As pessoas estão preparadas para cuidar de um familiar

As Santas Casas foram criadas para fazer cuidados paliativos e o atendimento do doente de Alzheimer, sobretudo na forma grave, é um exemplo de cuidado paliativo e deve obedecer a todas as normas do cuidado paliativo, pluriprofissional e pluridisciplinar - tudo tem de ser chamado a participar no cuidado paliativo àquela pessoa. doente de Alzheimer? Não. Têm de ser preparadas, têm de aprender. É uma lacuna. Algumas instituições também têm serviços de cuidados no domicílio, porque a alguns idosos ou a alguns doentes com Alzheimer não é fácil levá-los a mudar de sítio, porque estar num local onde reconhecem os espaços e aquilo que está dentro do espaço dá-lhes segurança. Quando nós os levamos para outro sítio, em que tudo é novo, parece que eles começam a ficar muito pior do que estavam e, às vezes, voltam outra vez para casa. Então, os cuidadores informais ou os cuidadores familiares devem ser preparados pelas próprias equipas que trabalham nas instituições para fazerem no domicílio aquilo que aquele doente teria

se estivesse institucionalizado, ou seja, estimulação psíquica, higiene até onde for possível, higiene pessoal até onde ele possa fazê-la e depois, essencialmente, a relação de afecto, que essa pode ser mais rica quando existem laços familiares do que numa instituição que tem um profissional, que sabe que tem de viver os afectos, mas que não tem a mesma espontaneidade. Eu diria que uma funcionária de uma dessas instituições terá mais dificuldade em dar um beijo num doente do que terá um filho ou marido. E esse gesto afectivo é importante, o próprio toque terapêutico, a carícia, o contacto corporal são fundamentais para que este doente de Alzheimer se sinta bem por dentro.

Há respostas suficientes? Nunca temos nada suficiente. O Serviço Nacional de Saúde não é suficiente, há mais de um milhão de pessoas sem médico de família em Portugal... Mas não compete apenas ao Estado resolver os problemas… As Santas Casas da Misericórdia foram criadas para fazer cuidados paliativos e o atendimento do doente de Alzheimer, sobretudo na forma grave, é um exemplo de cuidado paliativo e deve obedecer a todas as normas do cuidado paliativo, pluriprofissional e pluridisciplinar, não só de médicos e de enfermeiros, mas também de Centros Sociais, de voluntários, de familiares - tudo tem de ser chamado a participar no cuidado paliativo àquela pessoa.

Editorial Dr. Humberto Carneiro

Caros povoenses: Estamos prestes a completar um ciclo de 6 anos na gestão da maior Instituição do concelho. Tenho plena consciência de que temos desempenhado as funções que nos foram confiadas pelos Irmãos da Santa Casa da Misericórdia dentro dos princípios que nortearam a nossa disponibilidade para esta missão: rigôr na gestão, transparência nos actos e isenção nos procedimentos. Passados quase 6 anos e fazendo uma breve retrospectiva daquilo que foi a acção da equipa que tenho a honra de liderar, posso dizer que me sinto orgulhoso por ter contribuido para que esta Santa Casa seja hoje uma Instituição mais rica em património e mais sólida em termos económico-financeiros. E este desiderato foi atingido sem se descurar a componente social que norteia o nosso compromisso com os utentes e com a comunidade. Neste lapso de tempo construímos o edifício da Farmácia e adaptamos os pisos superiores à instalação do nosso Centro de Formação. Criamos uma Cozinha Central moderna e adaptada às exigências impostas pelos normativos de segurança e qualidade. Fizemos investimentos significativos no Lar de S.José, adaptando-o aos novos desafios das energias consideradas amigas do ambiente. Modernizamos e ampliamos a frota automóvel. Fizemos obras de grande relevo no Hospital António Lopes para aí podermos acolher a nossa Unidade de Convalescença. Procedemos à remodelação/ ampliação dos Serviços Administrativos Centrais, conferindo-lhe a necessária dignidade e funcionalidade. Avançamos com a construção da nossa Unidade de Longa Duração na Casa do Feitor. Além dos investimentos efectuados, que ascendem a cerca de 3 milhões de euros, permito-me relevar o permanente esforço na manutenção da indispensável consolidação económico-financeira da Instituição. O Hospital António Lopes, por exemplo, até 2004, acumulou prejuizos anuais na ordem dos 250 mil euros. No ano passado conseguimos um resultado de gestão positivo em 140 mil euros. Numa altura em que o Estado se divorcia, cada vez mais, das suas responsabilidades sociais, não é fácil, para uma Instituição como a nossa, atingir um ponto de equilíbrio orçamental. E a imagem que a nossa Misericórdia tem, hoje, quer na comunidade onde está inserida, quer junto das Instituições com quem se relaciona, é muito positiva. As jornadas médicocirúrgicas do Hospital António Lopes são disso um exemplo concreto. Para finalizar gostaria de referir que não passava pelos meus horizontes a recandidatura a um novo mandato. Porque entendo que as pessoas não se devem perpectuar nos cargos. No entanto não pude ficar indiferente ao apelo de cerca de duas centenas de irmãos que, em forma de abaixo assinado, primeiro e no decurso de uma das Assembleias Gerais mais participadas de sempre, depois, me deixaram sem argumentos para recusar uma recandidatura. Refiro, contudo, que será irreversivelmente a última porque, como referi, a perenidade das pessoas nos cargos institucionais pode condicionar ou até prejudicar as próprias instituições. Disponibilizo-me para fazer mais 3 anos à frente dos destinos desta Misericórdia porque entendo que ainda há muito caminho a percorrer. Temos o desafio de pôr a funcionar a Unidade de Longa Duração. Temos o desafio de avançar com a Clínica Social da Misericórdia. São projectos que, estou certo, marcarão, de forma positiva, o futuro da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso. Assim Deus nos ajude Humberto Carneiro


4

Setembro de 2009 Santa Causa

Em destaque Jornadas Médico-Cirúrgicas

Oradores convidados satisfeitos com 5as Jornadas As 5as Jornadas Médico-Cirúrgicas reuniram os mais prestigiados especialistas que abordaram o “Envelhecimento e Dignidade” sob diferentes prismas. O Santa Causa recolheu alguns dos seus comentários sobre a iniciativa, que apresenta. O essencial de algumas das intervenções dos oradores é também referido a seguir. Mesa Redonda Demências – Uma realidade clínica emergente…

A qualidade de vida na pessoa com demência

A investigação científica como a chave da vida

Professor Doutor Nuno Sousa Director da Faculdade de Medicina da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho

Doutor Vicente Cordero Coordenador da Unidad de Estancias Diurnas de Alzheimer – Sevilha

Prof. Doutor Tiago Outeiro Investigador do Instituto de Medicina Molecular - Lisboa

“Esta é uma iniciativa de grande mérito, pela iniciativa em si e pelo tema. Todas as iniciativas que congregam os profissionais que prestam cuidados de saúde à volta de temas como este e em que possam discutir, ouvir os outros e aprender para melhorarem o seu desempenho são iniciativas de mérito e, nesse sentido, esta é muitíssimo meritória. Sobre a inteligência da escolha temática, porque tudo o que acontece na actividade humana não pode ser estranho a quem presta cuidados de saúde. A verdade é que há temas cuja emergência os torna temas absolutamente prioritários e o tema da prestação de cuidados de saúde, que eu vejo muito mais na perspectiva da prevenção do que da intervenção terapêutica, é absolutamente candente quando nós olhamos para a nova malha da população portuguesa e mundial que está a envelhecer extraordinariamente. O envelhecimento da população, que decorre de as condições sanitárias e de prestação de cuidados de saúde terem melhorado extraordinariamente, arrasta novos problemas, novos desafios e se nós não nos prepararmos devidamente para os enfrentar, vamos sempre encontrar soluções medíocres, porque são soluções que são encontradas em cima do acontecimento e, portanto, não reflectidas nem meditadas. Esta escolha temática é inteligente e altamente meritória, porque permite que nós, com alguma antecedência, façamos a preparação necessária para estarmos em condições de enfrentar desafios que sabemos que vão acontecer. O tema é envelhecer com dignidade, mas rapidamente houve um desvio, que faz todo o sentido, para o envelhecer do sistema nervoso, porque é o sistema que mais desafios vai colocar nestes processos biológicos do envelhecimento e entendo que a perspectiva das neurociências já não se confina a uma ciência vulgar do conhecimento, mas é mais uma questão estratégica, porque isto vai modular a nossa condição humana no futuro”.

“Estas Jornadas são magníficas, sobretudo tendo em conta o número de congressistas presentes, cerca de 300, e tendo em conta a difusão que isso vai ter, tanto para a Misericórdia como a nível da formação dos profissionais que estão a assistir a estas Jornadas”. É importante a troca de experiências entre unidades de países diferentes? “É muito importante, não apenas dentro de cada país, em termos das equipas multidisciplinares, mas também para a partilha do conhecimento que tenham diferentes países, neste caso Espanha e Portugal. Em alguns aspectos, Espanha está mais avançada devido ao número de doentes que tem, porque ao ter mais doentes a problemática social, sobretudo no caso de Alzheimer, já se faz sentir antes, e pode dar a conhecer essa experiencia e dos erros cometidos para que outros não os façam. Mas a experiência é muito positiva”.

“O tema destas Jornadas é, como todos reconhecemos, de extrema importância, porque estamos numa altura em que a população mundial está a envelhecer, o que altera os paradigmas sociais e económicos e, portanto, importa falar sobre estes temas e pensar como é que, como sociedade, devemos agir perante estas questões. Estas Jornadas têm tido a capacidade de juntar pessoas de várias áreas, desde os investigadores, aos cuidadores de saúde, aos clínicos, aos economistas, que pensam sobre os novos modelos económicos que estão associados e, ao juntar estas pessoas e ao discutir estes temas, está certamente a dar um contributo muito importante para que, no futuro, estejamos melhor preparados para lidar e encarar estes problemas”.

Doutora Carmen Navarro Psicóloga da Unidad de Estancias Diúrnas de Alzheimer - Sevilha

A importância dos Afectos

“Gostei muito destas Jornadas. Penso que tiveram um bom nível e foram muito inovadoras. Desconhecia que, em Portugal, havia uma visão tão avançada do que é o envelhecimento e do que são os cuidados para os idosos. Vou muito contente”. O que pensa sobre a troca de experiências entre países? “Penso que é muito importante a troca de experiências entre países e ainda para mais entre Espanha e Portugal, que são dois países amigos e ultimamente as relações estão mais estreitas e há mais comunicação. Há muitos profissionais que trabalham em Portugal e há mais profissionais portugueses em Espanha também e parece-me muito interessante. Aprendi muito com estas Jornadas e gostei muito da forma como foram organizadas”.

mas sim um acto de coragem. Apesar de as Santas Casas terem uma grande força, acredito que não seja fácil conseguirem trazer algumas pessoas de renome, como acontece mais facilmente com as Universidades, pelo que isso também é de louvar, assim como o facto de esta Misericórdia ter conseguido reunir pessoas de diferentes pontos do país e de Espanha. Também faço parte de organizações de Jornadas e estas estão muito bem organizadas, proporcionando momentos diferentes que permitem que as pessoas possam desfrutar de uma outra forma de tudo e partilhar experiências. Acabam por ser uma grande oportunidade de confraternização, mesmo durante o almoço, o que é raro, porque normalmente o que acontece é que os palestrantes almoçam juntos, mas as pessoas que estão a assistir nunca participam e aqui puderam fazê-lo, o que permite uma maior abertura, permite que as pessoas possam trocar impressões e estar mais próximo dos palestrantes, o que por vezes não acontece. Foi tudo muito agradável”

Mesa Redonda Paliativos – A importância do Ser

Fisiologia do Envelhecimento Prof. Doutor Almeida Dias Presidente do Conselho de Administração do Grupo CESPU

Doutor Vítor Coutinho Director Clínico do Hospital António Lopes

Prof. Doutora Manuela Leite Psicóloga e Professora da CESPU Porto

“O tema é actual e bastante importante face ao panorama de envelhecimento que temos. É importante que as pessoas se comecem a debruçar e a criar novos pensamentos sobre esta realidade. Sobre as Jornadas, as mesas estavam muito bem organizadas, recolhendo a prestação de vários profissionais com prismas diferentes, o que torna o debate bastante enriquecedor. Outro aspecto que eu acho que é extremamente importante é a realização deste tipo de iniciativas em meios rurais, o que promove o próprio concelho e promove as instituições locais. Não foi uma ousadia desta Santa Casa organizar Jornadas com convidados do estrangeiro,

bom caminho. O Senhor Provedor, mais uma vez, está de parabéns por motivar e liderar esta equipa e penso eu que, com este passo, reforça o sentido que lhe foi dado há pouco tempo de poder continuar, por mais alguns anos, na Instituição, com a sua equipa, continuando a trabalhar e a defender os projectos definidos e lançados. Ele continua a ser um aglutinador, um líder de massas e, sobretudo, tem a inteligência e consegue perspectivar os passos no futuro o que é um garante da sustentabilidade da Instituição. Em suma, deixava estas notas: por um lado, um sucesso a nível científico que lança uma responsabilidade acrescida para as VI Jornadas; uma marca que se começa a constituir como uma referência no sentido técnico e cientifico dos profissionais com sentido formativo; e o reforçar de um líder que é importante para a Misericórdia, mas que é mais para a Póvoa de Lanhoso”.

“Mais uma vez, a Santa Casa, através do HAL e destas Jornadas, marcou uma referência do ponto de vista científico em termos das instituições de saúde portuguesas. Eu penso que o patamar já não é um patamar loco-regional. As apresentações que tivemos demonstram a vitalidade da Instituição e um olhar de uma perspectiva nacional e até internacional. A qualidade profunda científica e técnica das intervenções; o número de participantes, que, mais uma vez, voltou a estar entre os 300 profissionais de saúde; o carinho e dedicação com que as pessoas olham para estas Jornadas, dando-lhe uma participação efusiva, dando-lhes até um conceito de formação científica, são de sublinhar. As intervenções nos diferentes painéis demonstram como a Misericórdia e o Hospital, em particular, procuram uma reflexão global daquilo que é uma actividade assistencial, de investigação, eventualmente até de docência, e de gestão. Julgo que estamos no

“Queria agradecer à Santa Casa e ao seu Provedor o convite para estarmos aqui presentes. É para nós uma grande honra. Já é para nós uma honra sermos parceiros em algumas actividades. Espero que estas Jornadas continuem a ser uma referência na região para os profissionais de saúde”, começou por referir na sua intervenção, sobre a Fisiologia do Envelhecimento. Do ponto de vista dos conteúdos, apresentou uma definição de envelhecimento, com base em Miller, explicando, de entre outras questões, os aspectos que ocorrem com o envelhecimento, independentemente do seu conceito, e explicando aos presentes as Alterações Estruturais e Funcionais Associadas ao Envelhecimento. “De acordo com a teoria da fiabilidade, o envelhecimento de máquinas ou materiais é definido como o aumento do risco de colapso em função do tempo. Qualquer coisa envelhece quando tem maior probabilidade de colapsar amanhã do que hoje”, referiu, questionando, no final: “O envelhecimento será um fenómeno ou um processo biológico? Não será antes uma propriedade emergente de qualquer sistema redundante, seja ele biológico ou não?”


5

Setembro de 2009 Santa Causa

Em destaque Jornadas Médico-Cirúrgicas

A prática clínica numa Unidade de Cuidados Paliativos Doutor Ferraz Gonçalves Coordenador da Unidade de Paliativos da RNCCI do IPO do Porto

Agradeceu o convite para participar nas Jornadas e falou na prática clínica numa Unidade de Cuidados Continuados, que se funda naquilo que são os cuidados paliativos. Segundo a definição que apresentou da autoria da Organização Mundial de Saúde, “os cuidados paliativos melhoram a qualidade de vida dos doentes e das suas famílias que encaram uma doença ameaçadora da vida, proporcionando alívio da dor e de outros sintomas, suporte espiritual e psicossocial desde o diagnóstico até ao fim da vida e no luto”. Ainda a respeito de Cuidados Paliativos, referiu ainda que, de entre outros aspectos, proporcionam o alívio da dor e de outros sintomas perturbadores; afirmam a vida e vêem a morte como um processo normal; não pretendem apressar ou adiar a morte; integram os aspectos psicológicos e espirituais dos cuidados aos doentes; oferecem um sistema de suporte para ajudar os doentes a viver tão activamente quanto possível até à morte; e que oferecem um sistema de suporte para ajudar as famílias a lidar com a doença e o luto.

A humanização dos cuidados Enfermeira Emília Neves Enfermeira Responsável da Unidade de Paliativos da RNCCI do IPO do Porto

de; manter a sua condição humana também respeitada são também requisitos dos Profissionais de Saúde, sendo que a Humanização requer, em seu entender, relações profissionais saudáveis; respeito pelo diferente; formação humana dos profissionais e reconhecimento dos limites. Sobre a Unidade de Cuidados Paliativos na Rede, lembrou que “os Cuidados Paliativos são uma resposta activa aos problemas decorrentes de uma doença prolongada, incurável e progressiva, com o intuito de prevenir o sofrimento que dela decorre e de proporcionar a máxima Qualidade de Vida possível a estes doentes e suas famílias.”

Mesa Redonda Unidades de Longa Duração da RNCCI – O inevitável equilíbrio económico e social O contributo das Unidades da RNCCI para a sustentabilidade do sistema de Saúde Português Prof. Doutora Ana Fernandes Professora Associada da Faculdade de Medicina da Universidade Nova de Lisboa

“Fico surpreendida com a qualidade e com os valores transmitidos nestas Jornadas, são boas práticas que têm de ser replicadas noutros sítios, têm de ser conhecidas por outros para poderem fazer bem como é feito aqui. É um balanço muito positivo o que faço destas Jornadas, cá longe dos grandes centros, longe das Universidades, mas que trazem as Universidades aqui, o que é muito bom também para nós conhecermos no terreno o que está a ser feito”.

As boas práticas de Gestão das Unidades da RNCCI

Esta Enfermeira referiu que “a tecnologia não pode suplantar o valor do diálogo e da interacção entre as pessoas. A Humanização desenvolve-se pelo diálogo e pelas interrelações entre os seres humanos, com a intenção de proporcionar bem-estar em sentido amplo. É um valor inquestionável. Acredita-se que é sempre possível, desde que a intencionalidade esteja presente”. De acordo com aquela especialista, os Profissionais de Saúde devem, de entre outros aspectos, colocarse no lugar do outro; perceber as suas necessidades; e dar conforto e segurança para proporcionar um internamento de uma forma mais amena e tranquila. Respeitar o outro e a sua condição humana; exercer a profissão com honra e dignida-

Doutora Aurora Aroso Representante da Administração Regional de Saúde do Norte

“O tema destas Jornadas é mais do que pertinente, porque, não só em Portugal, temos uma população envelhecida, por isso tem toda a razão de ser discutirmos as melhores maneiras, os melhores métodos para darmos apoio a essa população cada vez mais envelhecida. Estas Jornadas tiveram um alto teor científico e são oportunidade de uma

troca de experiências entre pessoas que estão interessadas nesta área de cuidados”.

A importância da equipa multidisciplinar nas unidades da RNCCI Enfermeiro Nelson Ferreira Enfermeiro Responsável da Unidade de Convalescença do HAL - Póvoa de Lanhoso

“As 5as Jornadas foram o culminar de um trabalho que tem sido feito ao longo de anos. Atingimos, uma vez mais, um patamar bastante elevado. As intervenções demonstraram que esta Mesa Administrativa tem feito um esforço muito grande para transmitir este conhecimento e saber à própria população da Póvoa de Lanhoso. Esperamos que a própria população valorize o que tem sido feito a nível de esforço. Foi um sucesso e traduz que estamos todos empenhados em elevar ainda mais o nível a que esta Santa Casa já nos habituou.”

Conferência Final Novos Modelos de Gestão para a Sustentabilidade do Terceiro Sector Prof. Doutor Carlos Pereira da Silva, Professor Catedrático do ISEG - Lisboa

“Acho que é extraordinária esta organização. Fiquei admirado com a organização, o tema e a própria audiência. Nós lá de Lisboa não temos ideia do que se passa muitas vezes nestas zonas mais interiores do país. Temos ideia que as grandes conferências, jornadas, são todas feitas em Lisboa e no Porto e não tem que ser assim, pelo contrário. Temos aqui hoje o exemplo disso, acho que foi extraordinário e muito bom. Destaco também a logística, os coffee breaks, os almoços e a simpatia das pessoas”.

Moderador

Professor Doutor Rocha Armada Professor Catedrático da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho - Braga

“Reforço as palavras do meu colega, Professor Doutor Carlos Pereira da Silva, destacando esta brilhante ideia

da Póvoa de Lanhoso abordar de uma forma multidisciplinar esta problemática, porque ela é multidisciplinar, e da capacidade de iniciativa de organização e de planeamento, que a Misericórdia mostrou, em particular, neste evento”. Custódio Lima Director Executivo do Agrupamento Gerês - Cabreira

“Congratulo-me e dou os parabéns à Misericórdia por estas Jornadas e principalmente pelo tema escolhido. A população dependente é a que menos reivindicação tem, mas já deu muito a esta sociedade e a população activa actual tem deveres para com esta população, reconhecendo-lhe os direitos que tem de ser tratada com dignidade. Têm de ser profissionais muito bem preparados para conseguirem prestar os cuidados com qualidade e com dignidade e para que o envelhecimento decorra de forma harmoniosa. Penso que a discussão feita nestas Jornadas é actual e é fundamental. Espero que sejam aplicadas na prática as várias sugestões com benefícios para a população que está necessitada delas e que tem direito de ser tratada com qualidade e com acesso igual”.


6

Setembro de 2009 Santa Causa

Em destaque Hospital António Lopes

Medicina Dentária no HAL ao serviço do utente João Paulo Alves Fontes Pereira, 27 anos, concluiu a licenciatura em Medicina Dentária no ano lectivo 2006/07 na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Fernando Pessoa. Neste momento, acumula a função de responsável do serviço de Estomatologia e Medicina Dentária do Hospital António Lopes, com o cargo de Professor Assistente de Cirurgia e Periodontologia no curso de Medicina Dentária do Instituto Superior de Ciências da Saúde Norte - CESPU. Para além destas funções, e por considerar ser fundamental na área das ciências médicas, continua a aprofundar os seus conhecimentos em áreas mais específicas da Medicina Dentária: frequenta o Mestrado de Periodontologia (Especialidade que trata as doenças das gengivas e dos tecidos de suporte dos dentes) no ISCSN e a Pós-Graduação de Reabilitação Oral e Extra Oral com Implantes Osteointegrados (Especialidade que reabilita os desdentados parciais e totais com próteses fixas sobre implantes) na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Hospital de São João - Porto). A qualidade dos re-

Que cuidados devemos todos ter? Todas as pessoas devem escovar durante três minutos os dentes e a língua, três vezes ao dia. Se todos fizerem um esforço para incrementar a sua higiene oral, apenas visitarão o Médico Dentista para realizar procedimentos preventivos ou de manutenção, evitando gastos adicionais em tratamentos mais complexos e a tão mal amada “seringa de anestesia”. Todos devem visitar o Médico Dentista pelo menos duas vezes por ano para realizar uma destartarização e, se necessário, diagnosticar e tratar lesões de cárie iniciais.

cursos humanos e materiais são razões mais do que suficientes para garantir aos utentes o melhor atendimento no HAL. Que tipo de problemas apresentam os pacientes do HAL? Os pacientes que visitam a nossa consulta no HAL, apresentam principalmente problemas a nível da Higiene Oral e as consequentes cáries e perdas dentárias. Cerca de 70% dos pacientes visitam o Médico Dentista como último recurso, por já não aguentar a dor. Ainda não existe uma correcta prevenção da Saúde Oral, problema que todos os colegas de profissão devem tentar resolver, motivando e educando os pacientes para uma correcta higienização da cavidade oral, desde a primeira consulta. Os pacientes deverão encarar a saúde oral numa perspectiva de saúde global, dado que as doenças orais podem ser responsáveis ou agravar, problemas cardiovasculares, gástricos, endócrinos ou até levar ao nascimento prematuro de bebés com baixo peso.

João Paulo Alves Fontes Pereira - Médico Dentista,

No HAL, os pacientes poderão usufruir de todos os tipos tratamentos dentários desde as vulgares Restaurações, Desvitalizações, Destartarizações (limpezas), Branqueamentos, Piercings Dentários, Próteses Removíveis, até tratamentos mais complexos como: Próteses Fixas Convencionais e sobre Implantes, Ortodontia (aparelhos fixos) e Cirurgias Orais. Para casos cirúrgicos complexos temos à nossa disposição o Bloco Operatório do Hospital e uma equipa multidisciplinar composta por Especialistas nas diversas áreas. (...)

De que tipo de tratamentos podem usufruir os pacientes do HAL? No HAL, os pacientes poderão usufruir de todos os tipos tratamentos dentários desde as vulgares Restaurações, Desvitalizações, Destartarizações (limpezas), Branqueamentos, Piercings Dentários, Próteses Removíveis, até tratamentos mais complexos como: Próteses Fixas Convencionais e sobre Implantes, Ortodontia (aparelhos fixos) e Cirurgias Orais. Para casos cirúrgicos complexos

temos à nossa disposição o Bloco Operatório do Hospital e uma equipa multidisciplinar composta por Especialistas nas diversas áreas. No HAL, todos os pacientes que beneficiem do Cheque Dentista, poderão utilizá-lo para realizar os tratamentos necessários, devendo, para isso, requerer a emissão do primeiro cheque no seu Médico de Família. No próximo mês de Outubro, poderão também realizar um check-up dentário gratuito, ao abrigo do Programa Mês da Saúde Oral (Promovido pela SPEMD e COLGATE) e assim ficarem a saber quais os tratamentos orais que necessitam. A partir de Setembro, um protocolo estabelecido com a EPAVE - Escola Superior de Saúde do Alto Ave, irá permitir que os utentes do Lar de São José e da Unidade de Convalescença, comprovadamente sem recursos económicos, tenham acesso a próteses dentárias, mediante o pagamento de uma taxa moderadora. Em termos de recursos físicos, no HAL, dispomos também de um Consultório Dentário completamente remodelado, equipado com os mais recentes equipamentos dentários.


7

Setembro de 2009 Santa Causa

Em destaque Hospital António Lopes

Terapia da Fala no HAL procura aumentar qualidade de vida dos pacientes A Dra. Natacha Tiago, nascida em 1982, é Terapeuta da Fala no Hospital António Lopes. Licenciada em Terapia da Fala na Escola Superior Tecnológica de Saúde do Porto, está no HAL desde 2006. É também desde essa altura que existe a Valência de Terapia da Fala no Hospital, guiando-se por pressupostos que pretendem levar à prestação de respostas que aumentem a qualidade de vida dos pacientes.

Há quanto tempo existe este Valência no Hospital António Lopes? A Terapia da Fala é uma Valência com três anos de existência no Hospital António Lopes. Ao longo deste período, a procura tem sido uma crescente. A criação desta Valência no Hospital teve como objectivo alargar o leque de especialidades, bem como permitir o tratamento de inúmeras alterações. Quais as áreas de actuação desta especialidade médica? Podemos dividir as áreas de actuação do Terapeuta da Fala em seis, nomeadamente as perturbações da interacção e comunicação (em indivíduos com necessidade de um meio alternativo e/ou aumentativo de comunicação, intervenção precoce); as perturbações de linguagem (atraso de desenvolvimento da linguagem, perturbações específicas da linguagem, afasia); as perturbações da fala e voz (disartria, perturbação articulatória, disfonias/rouquidão e laringectomias, gaguez), as perturbações da leitura e escrita (dislexia, disortrografia); as perturbações da alimentação (disfagias – dificuldade em deglutir e distúrbios da deglutição) e as alterações da motricidade e sensibilidade oro-facial (doenças degenerativas, tratamentos pós-traumáticos e pós-cirúrgicos). Que respostas proporciona, a estes níveis, o Hospital António Lopes? Em resposta a estas alterações, a Terapia da Fala no Hospital António Lopes funciona em regime de consulta externa e, mais recentemente, como parte integrante da equipa multidisciplinar da unidade de Convalescença que integra a Rede Nacional de Cuidados Continuados. Na consulta externa, o Terapeuta da Fala recebe casos que podem ser encaminhados por especialidades existentes neste Hos-

pital, como a Medicina Dentária, a Otorrinolaringologia, a Pediatria e a Psiquiatria. Todavia, nem sempre os casos são encaminhados por outras especialidades, sendo cada vez mais frequente a procura directa do Terapeuta da Fala. Para além destes aspectos, surge muitas vezes a dúvida: como saber em que casos existe necessidade de consultar um terapeuta da fala. E como fazer essa distinção? No caso das crianças, podemos enumerar os seguintes sinais de alerta: se a criança tem dois anos e não fala; se não percebe o que lhe é dito; se não diz apenas um ou alguns sons ou letras; se troca um som ou letra por outro, ao falar, ler ou escrever; se apresenta dificuldades ao ler e escrever; se fala pelo nariz; se tem mais de quatro anos e gagueja; se na escola é “gozada” por causa da fala; se grita muito e fica rouca com frequência; se há necessidade de falar com a criança de um modo especial (adaptar o discurso). No caso do adulto, este deve recorrer ao terapeuta da fala se sente com frequência a voz rouca, se sente a garganta seca ou áspera, se usa muito a voz no dia-a-dia, se gagueja, se revela dificuldades em mastigar ou deglutir alimentos, se baba ou se engasga com alimentos sólidos ou líquidos de forma recorrente, se tem dificuldades em falar, se tem dificuldades em fazer-se compreender ou compreender o que lhe dizem. Se uma das situações descritas ocorrer com a criança ou adulto, deve procurar um Terapeuta da Fala, para uma avaliação do caso e possível seguimento. Como se processa a actuação deste especialista? A actuação do Terapeuta da Fala acontece em três níveis: prevenção, diagnóstico e intervenção. Ao nível da prevenção, o Terapeuta da

Na criança: Se tem dois anos e não fala; se não percebe o que lhe é dito; se não diz apenas um ou alguns sons ou letras; se troca um som ou letra por outro, ao falar, ler ou escrever; se apresenta dificuldades ao ler e escrever; se fala pelo nariz; se tem mais de quatro anos e gagueja; se na escola é “gozada” por causa da fala; se grita muito e fica rouca com frequência; se há necessidade de falar com a criança de um modo especial (adaptar o discurso). No adulto: Se sente com frequência a voz rouca, se sente a garganta seca ou áspera, se usa muito a voz no dia-a-dia, se gagueja, se revela dificuldades em mastigar ou deglutir alimentos, se baba ou se engasga com alimentos sólidos ou líquidos de forma recorrente, se tem dificuldades em falar, se tem dificuldades em fazer-se compreender ou compreender o que lhe dizem.

Fala actua no sentido da prevenir a ocorrência ou agravamento de perturbações. Em termos de avaliação e diagnóstico, esta etapa pressupõe um estudo completo de todos os aspectos do utente (que pode ou não consultar o Terapeuta da Fala por sua iniciativa), tendo em conta as suas necessidades e características. A avaliação é um processo contínuo, que pode envolver a colaboração de outros profissionais ou áreas. O Terapeuta da Fala estabelece o diagnóstico através da avaliação objectiva e observação clínica e perspectiva a duração da intervenção. Por fim, a intervenção terapêutica pode ser directa ou indirecta. Envolve terapia, reabilitação e reintegração no meio social e profissional assim como intervenção precoce, orientação e aconselhamento. A intervenção tem por objectivo levar o paciente, de acordo com as suas possibilidades, ao nível óptimo de funcionamento e de comunicação que corresponde ao seu meio – social, educacional e profissional, no sentido de alcançar ou manter a autonomia. A idade não é importante, pois as perturbações podem aparecer em qualquer idade e podem ser de desenvolvimento ou adquiridas. No caso de patologia médica, a intervenção do Terapeuta da Fala pode complementar a intervenção médica, neste Hospital, com as Valências referidas anteriormente. No entanto, na intervenção terapêutica não se limita às fronteiras do Hospital. Nesta instituição, o Terapeuta da Fala efectua um trabalho terapêutico com o contexto onde o utente está inserido, nomeadamente jardim-de-infância, escola ou lar, de entre outros. A Terapia da Fala surge como uma resposta a diversas alterações. E nesse sentido, o Hospital António Lopes continua a crescer e a trabalhar, pois visa sempre prestar um serviço de qualidade à comunidade.


8

Setembro de 2009 Santa Causa

Em destaque Saúde

Gripe A: saiba o que é e como se proteger A Direcção – Geral de Saúde publica, no seu site (www.dgs.pt) uma série de conselhos à população para que se previna da Gripe A. No mesmo local, dá resposta às questões mais frequentes sobre a doença, que o Santa Causa aqui reproduz. 1. O que é o novo vírus da Gripe A (H1N1)v? O novo vírus da Gripe A(H1N1)v, que apareceu recentemente, é um novo subtipo de vírus que afecta os seres humanos. Este novo subtipo contém genes das variantes humana, aviária e suína do vírus da Gripe e apresenta uma combinação nunca antes observada em todo o Mundo. Em contraste com o vírus típico da gripe suína, este novo vírus da Gripe A(H1N1)v é transmissível entre os seres humanos. 2. Quais os sintomas da doença pelo novo vírus da Gripe A(H1N1)v? Os sintomas de infecção pelo novo vírus da Gripe A(H1N1)v nos seres humanos são normalmente semelhantes aos provocados pela Gripe Sazonal: • Febre • Sintomas respiratórios (tosse, nariz entupido) • Dor de garganta • Possibilidade de ocorrência de outros sintomas: - Dores corporais ou musculares - Dor de cabeça - Arrepios - Fadiga - Vómitos ou diarreia [embora não sendo típicos na Gripe sazonal, têm sido verificados em alguns dos casos recentes de infecção pelo novo vírus da Gripe A(H1N1)v] Em alguns casos, podem surgir complicações graves em pessoas saudáveis que tenham contraído a infecção. 3. Como se infectam as pessoas com o novo vírus da Gripe A(H1N1)v? O modo de transmissão do novo vírus da Gripe A(H1N1)v é idêntico ao da Gripe Sazonal. O vírus transmite-se de pessoa para pessoa através de gotículas libertadas quando uma pessoa fala, tosse ou espirra. Os contactos mais próximos (a menos de 1 metro) com uma pessoa infectada podem representar, por isso, uma situação de risco. O contágio pode também verificar-se indirectamente quando há contacto com gotículas ou outras

secreções do nariz e da garganta de uma pessoa infectada - por exemplo, através do contacto com maçanetas das portas, superfícies de utilização pública, etc. Os estudos demonstram que o vírus da gripe pode sobreviver durante várias horas nas superfícies e, por isso, é importante mantê-las limpas, utilizando os produtos domésticos habituais de limpeza e desinfecção. 4. Qual é o período de incubação da doença? O período de incubação da Gripe A(H1N1)v, ou seja, o tempo que decorre entre o momento em que uma pessoa é infectada e o aparecimento dos primeiros sintomas, pode variar entre 1 e 7 dias. 5. Durante quanto tempo uma pessoa infectada pode transmitir o vírus a outras? Os doentes podem infectar (contagiar) outras pessoas por um período até 7 dias, a que se chama período de transmissibilidade; é, contudo, prudente considerar que um doente mantém a capacidade de infectar outras pessoas durante todo o tempo em que manifestar sintomas. 6. A doença pelo novo vírus da Gripe A(H1N1)v pode ser tratada? O novo vírus da Gripe é sensível aos medicamentos antivirais oseltamivir e zanamivir. 7. Qual a melhor forma de evitar a disseminação do vírus, no caso de estar doente? • Limite o contacto com outras pessoas, tanto quanto possível • Mantenha-se em casa durante sete dias ou até que os sintomas desapareçam, caso estes perdurem • Cubra a boca e o nariz quando espirrar ou tossir, usando um lenço de papel; nunca as mãos! • Utilize lenços de papel uma única vez e coloqueos de imediato no lixo • Lave frequentemente as mãos com água e sabão, em especial após tossir ou espirrar • Pode usar toalhetes descartáveis com soluções alcoólicas 8. Qual é a melhor técnica de lavagem das mãos? Lavar as mãos frequentemente ajuda a evitar o contágio por vírus da gripe e por outros germes. Recomenda-se que use sabão e água, pelo menos durante 20 segundos. Quando tal não for possí-

vel, podem ser usados toalhetes descartáveis, soluções e gel de base alcoólica, que se adquirem nas farmácias e nos supermercados. Se utilizar um gel, esfregue as mãos até secarem e não use água. 9. Existe alguma vacina contra o vírus da Gripe A(H1N1)v? De momento, não existe vacina que proteja as pessoas contra o novo vírus da Gripe A(H1N1)v. 10. A vacina da Gripe Sazonal é eficaz contra o novo vírus da Gripe A(H1N1)v? Não há evidência científica, até ao momento, de que a vacina contra a Gripe Sazonal confira protecção contra a Gripe A(H1N1)v. 11. O vírus da Gripe A(H1N1)v pode ser transmitido às pessoas através do consumo de carne de porco ou derivados? Não. O vírus da Gripe A(H1N1)v não é transmitido pela ingestão de carne de porco ou derivados. Esta nova estirpe não foi, até à data, observada em animais e não há indícios de que o vírus tenha entrado na cadeia de produção. Tanto a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, como o Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças desconhecem qualquer evidência científica que sugira a possibilidade de transmissão do vírus por consumo de carne de porco e derivados. 12. Qual é a situação da doença na Europa e no resto do Mundo? A situação a nível mundial está em constante evolução. Para informações mais recentes, consulte o Microsite da Gripe do sítio da Direcção-Geral da Saúde. 13. Que devo fazer para me proteger se tiver de viajar para áreas onde foram identificados casos de Gripe A(H1N1)v? Os viajantes devem seguir as precauções gerais de higiene relativamente a infecções respiratórias se viajarem para áreas onde foram detectados casos de infecção pelo novo vírus da gripe: • Lave frequentemente as mãos com água e sabão • Evite o contacto próximo com pessoas doentes • Se estiver doente: - Mantenha a distância de pelo menos 1 m em relação aos outros, para evitar a propagação do vírus - Permaneça em casa, sempre que possível

- Evite multidões ou grandes aglomerados de pessoas - Se tossir ou espirrar, proteja a boca e o nariz com um lenço de papel de utilização única ou use o antebraço e não as mãos - Para se assoar, use lenços de papel de utilização única e coloque-os, de imediato, no lixo - Lave as mãos com frequência 14. Que precauções devo tomar se estiver a regressar de uma área onde foram identificados casos de Gripe A(H1N1)v? Viajantes que regressem de uma área onde foram detectados casos de infecção pelo novo vírus da Gripe devem estar particularmente atentos ao seu estado de saúde e, se experimentarem algum dos seguintes sintomas, devem contactar de imediato a Linha Saúde 24 (808 24 24 24), durante os 7 dias seguintes ao regresso: • Febre (>38ºC) e um dos seguintes sintomas: - Sintomas respiratórios como tosse ou nariz entupido - Dor de garganta - Dores corporais ou musculares - Dor de cabeça - Fadiga - Vómitos ou diarreia 15. Estamos perante uma nova pandemia de Gripe? Uma pandemia de Gripe é uma epidemia à escala mundial, provocada por um novo vírus da gripe que infecta uma grande parte da população. No século XX, houve 3 pandemias deste tipo: em 1918, 1957 e 1968. Em Portugal e nos outros países da Europa foram desenvolvidos, nos anos mais recentes, esforços consideráveis de preparação para uma pandemia, tendo todos os Estados Membros da União Europeia Planos de Contingência Nacionais. Em 11 de Junho de 2009, a Organização Mundial de Saúde elevou para 6 o nível de alerta de pandemia. Esta alteração da Fase 5 para Fase 6 não está relacionada com o aumento da gravidade clínica da doença, mas sim com o crescimento do número de casos de doença e com a sua dispersão a nível mundial. Fonte: www.dgs.pt


9

Setembro de 2009 Santa Causa

Valências Apoio Domiciliário

Idoso e família Por: Salomé Alves, DirectoraTécnica do Serviço de Apoio Domiciliário Os seres humanos, só porque envelhecem, não perdem em simultâneo as suas aptidões, capacidades, idoneidade e saberes. Por isso, o factor idade não deveria ser um facto negativo e preocupante caso não se desenvolvesse num contexto desfavorável, com a diminuição da taxa de natalidade, despersonalização das relações sociais e exclusão dos sectores produtivos da sociedade, crescente instabilidade e indisponibilidade dos familiares. O pensamento de que a família acolhe e cuida bem dos seus familiares foi visto na maior parte dos casos e, durante algum tempo, como uma certeza. Ainda hoje enaltecemos e admiramos aqueles que se “aprisionam” nos cuidados aos familiares sem nos questionarmos sobre a ajuda prestada e os atritos latentes, limitações materiais e desigualdades existentes dentro das “quatro paredes”. Se, por um lado, a família é uma instituição fundamental no contexto social actual, por outro, contrapõem-se as alterações que afectam a estrutura familiar ao nível da distribuição de funções, relação de poder. No entanto, a ideia de que a família é uma instituição decadente nas sociedades contemporâneas e na interacção entre gerações não será uma facto real, pois, em muitos casos, a posição que o idoso ocupa na família está longe de ser de desvalorização e marginalização. “A família, mesmo nas piores condições, organiza-se para assumir o que considera a sua obrigação - retribuir o sacrifício dos pais. Fálo, muitas vezes, apenas para dar o exemplo aos filhos” (Hespanha, 1993,326). Os laços de solidariedade familiar e comunitária vão mantendo a sua presença na so-

ciedade portuguesa. As famílias e comunidade têm um papel protector muito importante na estabilidade emocional dos indivíduos com mais idade, auxiliando em situações de luto, divórcio e outras privações, sendo também frequente as deslocações entre meio urbano e meio rural quer em épocas festivas, quer nas ocasiões em que ao familiares e amigos precisam de “um ombro amigo”, porque a etapa de vida está a ser solitária e difícil. No seio da família, as pessoas com mais idade também se envolvem, não raras vezes, na prestação de cuidados aos ascendestes. A experiência e o contacto profissional e familiar mostra-nos que os idosos nem sempre têm uma imagem de dependência, sendo, por vezes, elementos activos, colaborantes quer na família quer na comunidade, como por exemplo exercendo diversas formas de voluntariado, desde o hospitalar ao espiritual. O idoso, nesta perspectiva, vai mantendo ou substituindo os seus papéis de ao longo de vida, nomeadamente nas ajudas das lides domésticas aos filhos, no levar os netos a escola ou cuidar deles em casa e, por vezes, ajudando financeiramente o agregado familiar. No entanto e apesar deste importante contributo no seio familiar, existe, por vezes, uma tendência para desvalorizar a pessoa idosa como ser social total nas suas dimensões, físicas, sociais e afectivas, criando no idoso o medo de falhar, de se expor ao ridículo e à critica familiar e social relativamente a tarefas para as quais até estava bastante motivado. Se não, vejamos o exemplo de um dito usual que pode em determinadas circunstâncias ter uma conotação limitativa e redutora nos mais velhos:” Netos pelos avós criados, são netos estragados”.

A família, mesmo nas piores condições, organiza-se para assumir o que considera a sua obrigação - retribuir o sacrifício dos pais. Fá-lo, muitas vezes, apenas para dar o exemplo aos filhos” (Hespanha, 1993,326). Os laços de solidariedade familiar e comunitária vão mantendo a sua presença na sociedade portuguesa. As famílias e comunidade têm um papel protector muito importante na estabilidade emocional dos indivíduos com mais idade, auxiliando em situações de luto, divórcio e outras privações, sendo também frequente as deslocações entre meio urbano e meio rural quer em épocas festivas, quer nas ocasiões em que ao familiares e amigos precisam de “um ombro amigo”, porque a etapa de vida está a ser solitária e difícil.

É paralelamente num contexto de revolução tecnológica e científica em que a história evolui mais do que a vida de cada um que as pessoas com mais idade não se identificam por vezes com o mundo dos seus filhos e netos, porque este é bem diferente daquele em que viveram a sua juventude. Neste sentido e se recuarmos no tempo, e temos palavras como patriarca, conselheiro, mestre para definir o cidadão de idade avançada, o experiente e detentor do saber. E hoje? No quadro da experiência e saber, o idoso parece perder o seu afinco, pois reporta-se a uma realidade ultrapassada e obsoleta que os mais novos desvalorizam. Convém ainda referir que o envolvimento da rede de parentesco e das relações da amizade e sociais na prestação de cuidados varia também em função do grau de autonomia do idoso. É por, regra geral, quando a pessoa com mais idade passa a um estado de maior dependência que surgem os conflitos. São os familiares que, em parte, optam por retirar o idoso da sua casa e dividir os afazeres pelos vários elementos da família, passando uma semana em casa de cada filho ou então, visto que a disponibilidade de recursos (tempo, trabalho e bens) nem sempre se pode conciliar da melhor forma no seio familiar, surgem como alternativas o internamento num equipamento social ou hospitalar, locais onde os familiares calculam que o idoso está mais apoiado e protegido. Mas será que é assim? E a vontade da pessoa idosa, qual é? Bibliografia: Hespanha, Pedro (1993), “Para além do Estado: a Saúde e a velhice na sociedade - providência”, in B. Sousa Santos (org.), Portugal: Um Retrato Singular, Porto, Afrontamento, p.313-335.


10

Setembro de 2009 Santa Causa

Valências Jardim-de-Infância

Criança com Necessidades Educativas Especiais no jardim-de-infância Por Cristina Oliveira, Educadora/Coordenadora da Creche/ Jardim-de-infância de São Gonçalo

Aprender a falar, a escrever e a contar é, com certeza, o desejo de todas as crianças e a aspiração de todos os pais. Mas se, por um lado, a maioria das crianças é capaz de aprender sejam quais forem as estratégias que se usem no jardim-de-infância, por outro lado, o mesmo já não se pode dizer de outras, com necessidades especiais. Nesses casos, as lutas pelas aprendizagens são diárias e contínuas. E o que é tão simples para os colegas, não o é para aquelas. As tarefas que parecem triviais no dia a dia do jardim-de-infância transformam-se em pesadelos constantes. Há crianças que, por exibirem determinadas condições específicas - físicas, sensoriais, cognitivas, emocionais, comunicativas, sociais - podem necessitar de apoio específico durante todo ou parte do seu percurso escolar, no sentido de facilitar o seu desenvolvimento académico, socioemocional e pessoal. A legislação portuguesa em vigor consagra os direitos fundamentais à educação e à igualdade de oportunidades. Também os estudos científicos e pedagógicos defen-

dem que se deve ter em conta o contexto em que a educação da criança com necessidades se deve processar e, sempre que possível, deve ser educada na classe regular. A prática da inclusão de crianças com necessidades educativas especiais no ensino regular é hoje política educacional garantida pela legislação, tanto para a rede pública como para a privada no nosso país. Mas a simples colocação física da criança com necessidades educativas especiais não é sinónimo de sucesso, pois estas crianças precisam de um tratamento adequado que respeite as suas necessidades. Neste sentido, parece evidente que a escola regular deverá ter condições para que o ensino da criança com necessidades educativas especiais se processe no mesmo ambiente escolar. A escola inclusiva vem requerer dos educadores novas competências e novas atitudes, diferentes daquelas que até aqui eram requeridas. Mas, na maior parte dos casos, os educadores não estão preparados para trabalhar com as crianças com necessidades educativas especiais que têm nas suas salas. A inclusão de criança com necessidades educativas especiais nas salas de actividades é vista, por

Não há educação de qualidade sem educação inclusiva, na qual todos os alunos com dificuldades sejam apoiados desde o ensino pré-escolar. (Amaral, 2009, in Cadernos de Educação de Infância, p. 32)

vezes, com alguma ansiedade, pois os educadores não têm a formação inicial, nem oportunidades de formação contínua necessárias para responder às necessidades educativas destas crianças; não conhecem muitas vezes a natureza dos seus problemas e as implicações que têm no processo de aprendizagem. A inclusão só terá sucesso com apoios especializados suplementares e, simultaneamente, com apoio da família, criando relações de parceria e estabelecendo uma comunicação constante, assente na confiança e no respeito mútuos. Face ao número crescente de crianças com necessidades educativas especiais, é necessária uma preparação mais cuidada, que vai desde a atitude positiva do educador até ao uso de materiais e métodos, de modo que todos sejam incluídos em actividades enriquecedoras. A inclusão de crianças com necessidades educativas especiais nas salas de actividades tem efeitos positivos sobre a criança, como ganhos sociais consideráveis e auto conceitos mais positivos e para o restante grupo, pelo que ganha em novas experiências. Mas, por vezes, não lhes podemos prestar o apoio adequado. As suas características e necessi-

dades podem fazer com que a sua permanência a tempo inteiro na nossa sala não seja o mais eficaz. Atravessam-nos sentimentos de incapacidade e/ou insegurança, relativamente ao desenvolvimento de estratégias de ensino-apredizagem. Acredito na inserção da criança com necessidades educativas especiais nas nossas salas de actividades, sempre que isso seja possível, mas acredito também na importância de salvaguardar os seus direitos, o que pode ser posto em causa, caso não se respeitem as suas características e necessidades especificas. Bibliografia: Cadernos de Educação de Infância, nº 81.Lisboa: APEI CORREIA, L. M. (1999). Alunos com Necessidades Educativas Especiais nas Classes Regulares. Porto: Porto Editora. CORREIA, L. M.; MARTINS, A. (2002). Inclusão: Um guia para educadores e professores. Braga: Quadrado Azul Editora.


11

Setembro de 2009 Santa Causa

Curso de Massagem Infantil Porque a massagem é um momento único de partilha (é uma dádiva especial), que promove o encontro entre pais e filhos e gera momentos de felicidade/bem estar no seu crescimento e desenvolvimento, inscreva-se!.

Objectivos: - Ensinar aos pais técnicas para: - Facilitar o alívio das cólicas; - Aumentar o vínculo pais/bebé; - Facilitar o sono do bebé, entre outros. Destinatários: Pais ou pessoas interessadas em adquirir formação nesta área • Preço: 50 euros • Nº de horas: 5h • Horário: 18h - 19h • Início previsto: Setembro

Para continuar a ajudar os mais desfavorecidos em áreas que vão desde o plano social até à saúde, a Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso precisa da ajuda de todos. Colabore e anuncie os seus produtos e serviços no ‘Santa Causa’


Santa Causa Edição nº 28 (Set.2009)  

Jornal Santa Causa

Advertisement