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fevereiro - julho 2014

Tons quentinhos e estampas delicadas se misturam em nossa coleção de outono e inverno

ERA UMA VEZ NO OESTE Uma viagem de motor home pelos Estados Unidos

FEITO EM CASA Receitas com chocolate para adoçar as tardes


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tigorttigre.com.br

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EDITORIAL

COLABORADORES

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CAPA Foto Nino Andrés, styling Letícia Toniazzo, cabelo e maquiagem Juliane Oliveira (Capa MGT), modelo Gabriela Nantes (agência Baby, agradecimento Casa Samambaia

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Marisol Indústria do Vestuário Ltda. Presidente Giuliano Donini Diretor Corporativo Jair Pasquali Coordenação e Consultoria de Relacionamento Rafaela Donini www.lilicaetigor.com

“EU SÓ QUERO CHOCOLATE” O

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refrão do clássico do Tim Maia, que a Marisa Monte deixou ainda mais gostoso com a sua voz de veludo, diz muito sobre esta edição de Lilica&Tigor. Em primeiro lugar porque chocolate é o tema das nossas novas coleções, que começam a chegar às lojas depois de uma apresentação triunfal de Lilica Ripilica na última edição da São Paulo Fashion Week, a semana de moda mais importante do país. E, depois, porque a gente ficou especialmente deliciado com o resultado. A doçura do estilo, com tons quentes, estampas divertidas e tecidos para todas as variações de temperatura do nosso inverno tropical, vai deixar você, tenho certeza, com o mesmo gostinho de quero mais que a gente ficou ao folhear as páginas dos editoriais de moda. A gente não se cansa de ver as crianças entrando de um jeito nas roupas e se transformando com elas, puxando uma gola aqui, enrolando uma barra ali, girando um boné para lá, jogando o cinto longe (acontece!), tudo para deixá-las do jeito que deveria ser – o delas. É para isso mesmo que a gente estuda, pesquisa e viaja tanto até que as coleções de Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre cheguem até você. Ainda sob o efeito das nossas coleções, a gente foi atrás de umas receitinhas caseiras para garantir a diversão na cozinha, daquelas para fissuras extremas (uma musse!) e outras para momentos mais equilibrados (docinhos de tâmara com cobertura de chocolate!). Outro ponto alto desta edição é o roteiro de viagem para os Estados Unidos – de motor home, pelo deserto e pelos parques naturais mais impressionantes, como o Grand Canyon. Sim, porque sempre dá para fazer as mesmas coisas de um jeito diferente. Não é essa a graça da vida?

Editor Paulo Lima Diretor Superintendente Carlos Alberto Sarli Diretor Editorial Fernando Luna Diretora de Criação Ciça Pinheiro Diretor Financeiro Agenor S. Santos Diretor de Núcleo Tato Coutinho Conselho Editorial Giuliano Donini, Jair Pasquali, Rafaela Donini, José Henrique Falbo e Graziela Della Giustina (Marisol); Paulo Lima, Fernando Luna, Carlos Sarli e Ciça Pinheiro (Trip) Diretora de Redação Maria Lucia Vergueiro Diretora de Arte Paula Carvalho Projeto Gráfico Paula Carvalho Produtora Executiva Mayra Ometto Assistente de Produção Erick Heidan Pesquisa de Imagens Coordenação Aldrin Ferraz Bibliotecário Daniel Andrade Estagiárias Gabriela Fraga Lopes e Janaina Mattos Revisão Coordenação Ecila Cianni Revisoras Janaína Mello, Jaqueline Couto e Marcos Visnadi Produção Gráfica Walmir Graciano Produtor Gráfico Júnior Cleber Trida Pré-impressão Roberto Longatto e Roberto Oliveira Assistente de Tráfego Comercial Aline Trida Inteligência & Planejamento Assistente Jessica Oseki Departamento Comercial Diretora de Publicidade e Circulação Isabel Borba iborba@trip.com.br Assistente Comercial da Diretoria Gabriela Trentin gabi.t@trip.com.br (11) 3898-8227 Supervisora de Projetos Especiais e Planejamento Comercial Ana Carolina Costa Oliveira Assistente de Marketing Publicitário e Arte Fabiana Cordeiro fabicordeiro@ trip.com.br Gerentes de Contas Flavia Marangoni flavia.maragoni@trip.com. br, Paulo Paiva paulo.paiva@trip.com.br e Roberta Rodrigues ro@trip.com.br Assistente Comercial On-line Bianca Guedes Para Anunciar publicidade@ trip.com.br (11) 3898-8227 Representantes INTERNACIONAL International Sales: Multimedia, Inc. (USA) info@multimediausa.com +1-407-903-5000 BA Romário Júnior romário@upmidia.info (71) 9105-5155 DF Alaor Machado alaormachado@A2representacao.com.br MG Rodrigo Freitas rodrigobox@me.com (31) 9421-6777 PE Wladmir Andrade wladmir.recife@omegamidia.com.br (81) 3465-4479 PR Raphael Muller raphaelmuller@consultoriaresultado.com.br (41) 7813-7395 RJ Juliana Rocha juliana.rocha@gsbmidia.com.br (21) 3022-0110 RJ ( Trip e Tpm) X² Representação alexandralibero@gmail.com (21) 3177-1510 RS/SC Ado Henrichs ado@trip.com.br (51) 3028-6511 SE Pedro Amarante pedroamarante@gabinetedemidia.com.br (79) 3246-4139 SP Interior Daniel Paladino dpaladino@ld2comunicacao.com.br (11) 8384-0008 Coordenadora de Marketing Nancy Minervini Assistente de Arte Natalia Coelho Projetos Especiais e Eventos Diretora Ana Paula Wehba Coordenação Regina Trama Assistentes Mariana Beulke Editora de Arte Ana Luiza Pereira Trade e Logística Diretora Daniela Basile Gerente de Circulação Adriano Birello Analista de Circulação Vanessa Marchetti Coordenadora de Assinaturas Andrea Fernandes Analista de Trade Renata Vilar Novos Negócios Digitais Gerente Izabella Zuanazzi izabella@trip.com.br Projetos Digitais Diretor de Arte Beto Macedo betomacedo@trip.com.br Editores de Arte Debora Andreucci e Diego Maldonado Assistente de Arte Julia Vargas Colaboraram nesta edição Texto Carla Stagni, Carlota Braga, Fabiana Correa, Greice Costa, Liana Mazer Lígia Nogueira e Thays Biasetti Arte Stella Prada Styling Letícia Toniazzo Fotografia Alex Batista, Carol Quintanilha, Cecília Duarte, Cristiano Madureira, Debby Gram, Eduardo Delfim, Flávio Kenji, Kiko Ferrite, Marta Santos, Nino Andrés, Paula Brandão, Ricardo Toscani, Verena Smit e Xico Buny Ilustração Mauricio Pierro, Pedro Inoue e Zé Vicente Cabelo e Maquiagem Juliane Oliveira e Flávio Lacerda Produção de Objetos Paola Abiko Colunistas Alessandra Blanco, Clarice Reichstul, Hélio Schwartsman, Juva Batella, Marcello Araújo, Maria Ercília Galvão Bueno, Odilon Moraes, Ricardo Calil e Taciana Barros

LILICA&TIGOR é uma publicação da Trip Editora e Propaganda S/A, sob licença da Marisol Indústria do Vestuário Ltda. Redação e Publicidade: Caixa Postal 11485-5, CEP 05422-970, São Paulo, SP. Tel.: (11) 2244-8786/8797. www.tripeditora.com.br

Um beijo, Rafaela Donini e equipe Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre Pré-impressão Arizona Impressão Ibep Gráfica LILICA&TIGOR é uma publicação da Trip Editora e Propaganda S/A, sob licença da Marisol Indústria do Vestuário Ltda. Redação e publicidade: caixa postal 11485-5, CEP 05422-970, São Paulo, SP. Tel.: (11) 2244-8786/8797. www.tripeditora.com.br

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8 1 CRIS MADUREIRA Para o fotógrafo paulista, que clicou os ruivinhos na moda “A tarde vai ser boa”, não precisava nem perguntar. “O que eu mais gosto de fazer na vida?! Fotografar, como não poderia deixar de ser.”

7 FABIANA CORREA A jornalista nasceu em São Paulo. Tem um filho, Antonio, de quase 10 anos. Do que mais gosta na vida? “Conhecer lugares novos e culturas diferentes.”

2 NINO ANDRÉS Como se vê na fotinho ali no alto, Nino era o cara certo para fotografar a moda “Lambe-lambe”. O que ele mais gosta na vida? “Ficar na água, boiando.”

8 CECILIA DUARTE Fotógrafa da moda “Cinema mudo”, Cecília gosta de “música, séries de TV, filmes, ioga e cachorros”– não necessariamente nessa ordem.

3 PAULA BRANDÃO Fotógrafa da seção Decoração desta edição, Paula gosta mesmo é de ficar com a família, o sortudo Ricardo Carelli e as filhas, Joanna e Olivia.

9 CARLOTA BRAGA Nasceu em Volta Redonda (RJ), mas mora em São Paulo há muito tempo. Acompanhou de pertinho a participação da Lilica Ripilica na SPFW, história que ela conta em “Pequenos fashionistas”. Do que mais gosta na vida? “De dormir e de cinema – mas cada coisa em seu tempo!”

4 XICO BUNY O que ele mais gosta de fazer? “Acho que é conversar…” O paulistano bom de papo assina as seções de moda logo depois do Playground. 5 DEBBY GRAM Na cabeça dela, as ideias vão longe. Não à toa, Debby adora viajar. São dela as fotos da moda “Feito em casa”.

10 CARLA STAGNI Colaboradora querida, a jornalista paulistana assinou um monte de coisa para a gente – de Conexões à Frase da Infância. O que ela ama nessa vida? Viajar.

6 MICHAELA SCHMAEDEL Menina cheia de ideias, ela fez uma viagem incrível de motorhome pelos Estados Unidos – “Era uma vez no Oeste”. O que você mais gosta de fazer, Micky? “Vale resposta combo? Ler, ouvir música e viajar com as kids!”

11 THAYS BIASETTI Cresceu em Itu (SP), brincando muito. Agora, a criança da casa da jornalista é Ruphus, o lhasa apso que encarna a resposta dela à pergunta unta da edição: “Eu adoro o meu cachorro!” 12 ALEX BATISTA Ele se divertiu na moda “Domingo go no parque” fazendo o que mais gosta na vida (por or sorte, trabalhando): “Fotografar”.

12 Traço ninja

Os desenhos que a gente espalhou pelos cantos, nesta edição, são da Isadora Ramenzoni. Ela tem 5 anos, estuda na Escola da Vila, em São Paulo, e adora fingir que está lendo, mesmo sem saber ler. Enquanto não cresce o bastante para virar ninja, sempre que tem um tempinho, pega seu estojo e faz essas coisas maneiríssimas que a g gente te publicou aqui.

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PRATELEIRA

ON-LINE Conheça os destaques e as novidades do portal www.lilicaetigor.com

MODA

PLAYGROUND Casas de boneca de arquitetos famosos, uma espaçonave de biscoito, a volta de musicais da infância dos pais e uma animação deslumbrante sobre um menino levado pelo vento: o que há de novo e divertido para ver, ouvir e fazer com as crianças.

Música

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por Taciana Barros

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Pedrinho, 4 anos, só quer fazer um som

Comida

por Alessandra Blanco

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Tendências

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Lambe-lambe

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Feito em casa

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A tarde vai ser boa

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Cinema mudo

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Domingo no parque

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Um ano: adeus, papinha, hora de experimentar

Mundo digital

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por Maria Ercília

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Para pensar: o poder de entorpecer das telinhas

Cinema

por Ricardo Calil

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Tinker Bell é uma Sininho politicamente correta

Livros

por Odilon Moraes

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Para que escrevemos livros infantis?

Estilo

por Clarice Reichstul

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O homem de 6 anos já manda no guarda-roupa

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ENQUETE O que você mais gosta de fazer na vida?

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Um festival de respostas de outro mundo

DECORAÇÃO Deixa o sol entrar

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Um casal muda de apartamento e cria espaço exclusivo para os brinquedos e as brincadeiras das duas filhas

CONEXÕES Lulus e Luluzinhas

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“Uma vez por mês eu ia ao apartamento de Lúcio Costa no Leblon, onde meu pai e ele discutiam sobre arquitetura por longas horas.” Zanini de Zanine, designer, sobre o convívio com o pai, José Zanine Caldas

Graças às filhas inseparáveis, quatro mães descobrem que compartilham valores importantes

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VIAGEM Era uma vez no Oeste Três famílias com oito crianças viajando de motorhome por parques americanos descobrem: se divertir é muito simples

“E você, onde comprou esse vestido tão bonito?”

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COMPORTAMENTO Infância HOJE TEM CHOCOLATE Pais e filhos que se lambuzam juntos preparando receitas de família com o doce

Pais & filhos

Frase da infância

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A empresária Costanza Pascolato: fashionista desde os 5 anos

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PERTINHO DA HISTÓRIA As lembranças

de quem conviveu com pais e amigos que fizeram muito pela cultura brasileira

Saúde e diversão ESPORTE NÃO, AVENTURA As emoções

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de quem treina capoeira, skate, esgrima, equitação e tae kwon do

Pequenos fashionistas

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SPFW Participação especial da Lilica

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Ripilica na semana de moda lança semente de evento infantil nacional

COLUNAS Quer que eu desenhe? Deuses e sentimentos inspiram a conversa ilustrada de pai e filha

O pai doméstico

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Crescer é duro, mas bonito. E ver os filhos crescerem não é diferente

Os meus, os seus e os nossos O que pensar quando uma criança de 7 anos fala mal da professora? Dilemas e respostas

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DIGITAL

ON-LINE Começamos 2014 com quase 100 mil fãs no Facebook Lilica&Tigor. Saber que tanta gente acompanha nossas novidades é muito legal e um estímulo para pensarmos ações cada vez mais interessantes para vocês. E não se esqueça: para conferir as novas coleções da marca e ver nossos editoriais de moda, acesse o site: www.lilicaetigor.com.

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TÍTULO PEDRO INOUE

FESTA DE PAPEL Três publicações que instigam a imaginação com ideias frescas e visual incrível

TÍTULO PEDRO INOUE

* CRIANÇA

“É um amigo, tem o cabelo curtinho, joga bola. Pode brincar e pode ir ao circo” (Luis Gabriel Mesa, 7 anos)

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Rápido, rasteiro e estiloso Nenhum adulto vai ficar chateado se uma criança largar seu Torpedo pela sala. Além de divertido para os pequenos, que podem deslizar velozmente sobre suas rodinhas de skate, o carrinho criado pelos tchecos Anna e Jerry Koza é um belo objeto de design. Feito à mão e pintado individualmente em diversas cores, pode ser customizado de acordo com o gosto do cliente, inclusive com o nome da criança sortuda. O brinquedo custa 840 euros e pode ser encomendado por meio do site www.prague-art.cz.

POR UMA BOA CA(U)SA

Fotos: casinhas, Thomas Butler (www.thomasbutlerphotographer.com); livros, Xico Buny e divulgação; divulgação

OS PONTOS CARDEAIS ACROBATAS, de Andrés Sandoval (editora Cosac Naify) Em busca de imagens que funcionassem bem em três dimensões, o autor lembrou da cama de gato, tradicional brincadeira em que um barbante é trançado de formas diferentes. Sua pesquisa rendeu este belo livro, em que mãos e linhas ganham profundidade com a ajuda de um óculos 3-D. O projeto é da editora Cosac Naify, em parceria com o artista. Sai por R$ 49,90 na Livraria da Vila. YOYO, de Liana Mazer, Carol Melo e Jana Tahira Mistura de revista e caderno de atividades, é uma publicação quadrimensal para crianças a partir de 4 anos que fala de música, cinema, arte, esportes, entre outros assuntos. Ilustradores, designers, fotógrafos e escritores criam histórias e brincadeiras que fazem pais e filhos compartilharem ótimos momentos. À venda na Japonique por R$ 29,90 e pelo site www. japonique.com.br/cultura/revista-yoyo-01 por R$ 39,90, frete incluído. CARELIBRO, de Mateo Rivano (La Silueta Ediciones)  São 20 máscaras criadas pelo talentoso artista ítalo-colombiano com colagem, acrílico, aquarela e até canetinhas. Apesar de encartadas no livrinho, elas funcionam mesmo como máscaras: dá para colocar cada uma sobre o rosto e elas têm buraquinhos para encaixar os olhos. Um lindo livro-objeto que diverte crianças e adultos. À venda por R$ 40, na banca Tijuana, tel.: (11) 3138-1525.

A convite da instituição inglesa Kids, que ajuda crianças com deficiências físicas, 20 arquitetos e designers toparam a missão de criar uma casa de boneca para o século 21. Suas versões do brinquedo clássico, todas incluindo ideias de acessibilidade, foram leiloadas e renderam 90 mil libras esterlinas para a instituição. As casinhas podem ser vistas no link interactivefundraising.co.uk/adollshouse. As casinhas são dos seguintes arquitetos, da esquerda para a direita, sentido horário: Allford Hall Monaghan Morris, Coffey Architects, Zaha Hadid, Make Architecs

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As frases espalhadas nesta sessão vêm do livro Casa das estrelas – O universo contado pelas crianças (Foz Editora, R$ 26). Javier Naranjo, professor primário em Rionegro, Colômbia, seleciona no livro definições que ouviu de crianças de 3 a 12 anos.


PLAYGROUND

Música TACIANA BARROS, AOS 3 ANOS

Timbal???

MONSTROS MUTANTES A Uncle Goose, especializada em blocos de madeira, se uniu ao premiado estúdio de design Invisible Creature para criar um jogo de montar inovador. O resultado é a coleção Stack n’ Scare (empilhe e assuste, em bom português), com quatro conjuntos de olhos, bocas, braços e outras partes que, quando empilhadas, formam monstros diferentes. Lindos, os blocos são feitos artesanalmente, com madeira de reflorestamento e tintas atóxicas. Cada kit sai por US$ 48 na loja on-line unclegoose.com.

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Com o Big Toy Balão, da Ludiks, a brincadeira começa na hora de montar. Pais e filhos podem seguir juntos as instruções detalhadas e construir, sem tesoura nem fita adesiva, o balão de papelão, que tem mais de 2 metros de altura. A peça vem em duas versões: com 15 gizes de cera coloridos (R$ 189) ou com os gizes e mais 80 adesivos temáticos, de nuvens, raios de sol etc. (R$ 275). Depois de decorar o brinquedo, é só embarcar no faz de conta e se divertir a valer. Sem fazer mal ao meio ambiente, já que o balão é inteirinho reciclável. Entrega em todo Brasil.  www.lojaludiks.com.br.

A DANÇA DAS COISAS Na cabeça do designer gráfico Javier Perez, um clipe vira trompete e uvas se transformam em balões – e tudo com a maior facilidade. Desde que começou a misturar desenhos e objetos, o equatoriano mudou sua maneira de criar. “Fico atento a tudo ao meu redor”, conta. “Coisas comuns agora aparecem para mim em formas espetaculares.” instagram.com/cintascotch.

Fotos: retrato colunista, arquivo pessoal ; Chico Buarque, Leo Aversa; show, Leco de Souza; divulgação

FORA DA CAIXA

Meu sobrinho Pedrinho tem 4 anos, e já faz tempo que ele ouve música direto. Quando vem me visitar, temos que passar umas horas no estúdio porque, mal ele chega, já começa: “Tia Taci, vamos fazer um som?” No Natal, ele entrou na fila do Papai Noel do shopping. Na vez dele, pediu um chimbau. Papai Noel não entendeu do que se tratava. Pedrinho explicou: “Aqueles dois pratos da bateria que você bate e aperta com o pé”. O homem falou: “Hum, sei, um timbal, né? Hoho-ho, pode deixar que este ano te dou o timbal”. (Nessa podemos concluir que Papai Noel saca de renas, mas não de batera.) Na última Virada Cultural de São Paulo, ele participou do show do Pequeno Cidadão. Foi o primeiro da plateia a pisar no palco e cantou literalmente todas as músicas, independentemente de quem estivesse solando. Foi o astro do dia. Levando em conta que agora ele já tem uma longa carreira, resolvi fazer sua primeira entrevista: 1. O que é música? “Tocar.” 2. Que instrumento você acha que é o mais do rock? E o menos? “Bateria, violão.” 3. Por que você gosta de tocar? “É divertido.” 4. O que você acha mais legal numa banda? “Subir num palco e eu participar.” 5. Quando uma música é boa? “Quando fala: uhu uhu uhu.” 6. Quando uma música é ruim? “Quando fica só quietinho.” Claro que incentivo ele a ouvir e tocar. Como eu faço? Fico ouvindo com ele e imitando os sons dos instrumentos: ouve o baixo, dum-dum-duuum, olha a caixa da bateria agora, pa-pa-pa... Acho que é isso: quando a criança é bem pequenininha o lance é ajudá-la a entrar na música e perceber os instrumentos. E depois é só soltar o bicho no palco! Taciana Barros é integrante da banda Pequeno Cidadão, com Edgard Scandurra e Antonio Pinto. É mãe de Daniel, 25 anos, e Luzia, 12

DE VOLTA À ARCA O clássico infantil A arca de Noé, de Vinicius de Moraes, ganhou nova versão. Músicas dos discos originais, de 1980 e 1981, foram regravadas por artistas como Ivete Sangalo (“Galinha-d’angola)” e Arnaldo Antunes (“O peru”), além de velhos parceiros, como Chico Buarque (“O pinguim”). Ideia de Susana Moraes, filha do poeta e compositor, o projeto celebra o centenário de Vinicius, completado em 2013. O disco está à venda na Livraria Cultura por R$ 24,90. A arca de Noé também está no programa do Pequenos Contemporâneos, série de shows em que artistas atuais interpretam clássicos infantis das décadas de 1980 e 1990. Concebidas pela produtora musical Beth Moura, as primeiras apresentações aconteceram em São Paulo e em Brasília ano passado, com a participação de artistas como Tulipa Ruiz, André Abujamra e BNegão. “A reação do público tem sido a melhor possível”, conta a produtora, que criou a série pensando nas filhas. “As crianças curtem porque o show é lúdico. E é muito legal ver a interação dos pais com os filhos, mostrando músicas que ouviam quando pequenos. É uma mistura de alegria e nostalgia”, diz Beth.

ADULTO

“Criança que cresceu muito” (Camilo Aramburo, 8 anos)


PLAYGROUND

Comida

FELICIDADE

“É quando o amor, a paz e as coisas boas estão juntas” (Carolina Haayen, 10 anos)

ALE BLANCO, AOS 2 ANOS

Biscoitos de montar

O ano da libertação

E O SEU FILHO? COME BEM?

Fazer biscoitos já era legal, mas promete ficar mais divertido ainda. Com os Space Cookie Cutters dá para fazer biscoitos que se encaixam para formar espaçonaves e foguetes. Lançamento da empresa londrina especializada em produtos inusitados Suck UK, eles vêm em quatro modelos e custam 7,50 libras cada no site www.suck.uk.com.

PARA COPIAR!

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LANCHE FELIZ Em 2008, o ilustrador americano David Laferrieri começou a desenhar monstros, galinhas em situações inusitadas e outras cenas nos saquinhos que os filhos, então com 9 e 10 anos, levavam para a escola com seu lanche. “Tinha acabado de ser demitido da empresa onde trabalhava e esse foi um jeito de exercer minha criatividade”, conta. Seus desenhos fazem sucesso até hoje e ganharam até página no Flickr. “Quando meus filhos deixarem o ensino médio, vou ter de inventar um novo projeto. E claro que vou desenhar para meus netos!”, prevê. www.flickr.com/people/dlaferriere.

Como decidiram fazer o livro? As mães gostam muito das dicas, receitas e estratégias do programa. Decidimos organizar tudo em um livro, conforme dificuldades específicas: a criança que não experimenta nada, a que come demais, a que come de menos. É para a família toda, com atividades para adultos e para crianças. Você tinha esses problemas em casa? Nunca. O sonho do Miguel, meu caçula, é participar do programa. Digo que não dá porque ele come bem. E ele: “Mas eu não como pepino!”. As crianças gostam do programa? Ouvimos muitos relatos de crianças que adoram. Pedem para assistir na hora do almoço, criam suas próprias metas. Isso nos deixa muito felizes.

Retrato colunista: arquivo pessoal Fotos: divulgação

A hora de comer pode virar um martírio para crianças e pais. Pensando nisso, a roteirista Ana Abreu criou, com a nutricionista Gabriela Kapim, o reality-show Socorro! Meu filho come mal (GNT). “Por ter dois filhos e ser formada em psicologia, vi o quanto esses problemas eram comuns e mobilizavam as mães”, conta. Em abril, além da terceira temporada do programa, ela lança o livro homônimo, com dicas de alimentação infantil.

Para a mãe, a criança completar 1 ano é uma libertação do ponto de vista gastronômico. A lista do que não pode se limita a carne de porco e frutos do mar, se a criança não tiver outras restrições. Mas a data abre também um novo capítulo na eterna dúvida: “Será que estou fazendo direito?”. O conforto da papinha, com suas poucas combinações de proteína, carboidrato e verduras, ficou para trás. É muito mais interessante agora o que tem no prato da mamãe e do papai, embora os dentinhos ainda sejam insuficientes para encarar tudo isso. E é claro que, com 1 aninho, eles já têm vontades. Você vai notar que tem muito a ver com as suas próprias preferências. A fruta favorita da Laura? Figo. Ela bate palminhas quando vê. E adivinha qual é a minha? Se tem um bom conselho nessa fase é: divirta-se. Testar menus e receitas diferentes para o seu pequeno é uma delícia. Vai desenvolver o paladar dele e o seu. Na minha casa, proibi frituras. Dou ovo, peixe e menu vegetariano, uma vez por semana cada um; nos outros dias, tem carne vermelha ou frango. Muita fruta, muitos legumes, muitos grãos e sucos 100% naturais. Nos fins de semana, pode bolo e até um pedacinho de chocolate (se a mamãe estiver comendo e ela ficar com vontade). Mas nada adoçado com açúcar. Isso já é hábito de todos em casa, ela só está adotando os mesmos costumes. A nova regra é: pode brincar com a comida, sim. É divertido. Ela vai escolhendo e pegando com os dedinhos o que quer provar primeiro: o pedaço maior de carne, a ervilha, a cenoura em pedaços… E assim vai achando tudo “hum mian mian mian”. Alessandra Blanco, mãe de Laura, 1 ano, é autora do blog Comidinhas e apresentadora do Cozinha caseira, no canal Fox Life

Futuros chefs Uma batedeira de madeira, que funciona a manivela ou com um simples giro no botão. Sim, é de brinquedo, assim como os saquinhos de farinha e açúcar mascavo que a acompanham. Mas é tão bonita que as mães vão querer levar para decorar a cozinha. Sai por US$ 24,95 na landofnod.com.

MÃE

“É a pele da gente” (Ana Milena Hurtado, 5 anos)

Papinha que ensina A Boa Gula, loja on-line de refeições congeladas, desenvolveu uma linha exclusiva e diferente de papinhas para bebês. Nelas, os alimentos vêm em camadas, e não misturados, para ajudar os pais na educação alimentar da criança. “Assim, ela pode sentir diferentes texturas e sabores”, explica a chef responsável, Izabela Braga. A loja também oferece pratos montados especiais para crianças, em forma de jardim, por exemplo. Os alimentos são feitos com sal marinho e não contêm gorduras trans. www.boaguladelivery.com.br.


PLAYGROUND

Mundo digital

Siga seu rumo FILHA DE P PAIS LIBERTÁRIOS E AMOROSOS, A CINEASTA VERA EGITO CREDITA A ELES O FATO DE TER-SE TORNADO ORGANIZADA E DECIDIDA, E QUER SEGUIR A MESMA RECEITA COM A FILHA GLORIA TORN POR CARLA STAGNI

“M

Vera Egito é cineasta, roteirista e diretora de TV. No alto, no colo da mãe, Giza, com o irmão Edu Egito. Acima, com o marido, o cineasta Heitor Dhalia, pai da pequena Gloria, de 1 ano e 9 meses

MARIA ERCÍLIA, AOS 7 ANOS

O poder de entorpecer

Retrato colunista: arquivo pessoal Fotos: divulgação

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eus pais, Giza e Luís, foram sempre muito amorosos. Libertários e, ao mesmo tempo, atentos e disponíveis. Claro que cometeram erros, assim como eu também cometerei. Mas, mesmo em seus erros, foram honestos e sempre muito ternos. Por incrível que pareça, foi a liberdade que tivemos, meus irmãos e eu, que me tornou disciplinada. Luís e Giza sempre permitiram que eu me organizasse, me entendesse e decidisse o que fazer, contando, obviamente, com o apoio e a orientação deles. Que nota tirar, quais amigos cultivar, que roupa vestir, que termos usar, que profissão seguir, com quem namorar... Eles nunca decidiram nada disso por mim. Mas eu sempre quis que eles se orgulhassem das minhas escolhas e creio consegui que isso acontecesse.  O mais importante de minha criação foi a certeza de que fui amada, muito amada. Quando você cresce com amor, você é uma fortaleza contra qualquer agressão que o mundo te faz. E eu não estou falando do amor sufocante e superprotetor que alguns pais devotam aos filhos. O amor de Giza e Luís era o contrário, era o amor corajoso de quem quer que você voe e seja feliz. E tudo que eu fiz, desde a primeira pedalada sem rodinha, passando pela aprovação no vestibular mais difícil do país e chegando à apresentação do meu trabalho em público, foi feito com a certeza de que, independentemente do que acontecesse, eu era amada. Profunda e sinceramente amada. É isso que desejo para a Gloria. Que ela saiba de maneira plena e absoluta o quanto é amada. E que esse amor a fortaleça e lhe dê coragem para que ela faça tudo o que acreditar ser correto. Sem medo. Espero que meu amor a liberte para vida, assim como o amor dos meus pais me libertou. E que ela siga, íntegra e feliz.”

Meu filho acabou de embarcar na perua da escola. Mais uma vez vi a cena à qual não me acostumo. O silêncio é absoluto. Cada um no seu celular – um com foninhos, outro digitando um texto, outro jogando. Eu ia de micro-ônibus para o colégio. Adorava. Eram 40 minutos de anarquia: crianças de todas as idades, juntas, sem nenhum pai, mãe ou professor para ditar regras, sem nenhuma atividade construtiva, sem muita coisa em comum além do fato de ir para a escola de condução. Briga, confusão, brincadeira, cantoria, amizades que se faziam e se desfaziam, o interior daquele veículo era uma deliciosa onda de energia infantil. Não quero ser apocalíptica. Aliás, não sou. Sempre estive mais para integrada. Há 20 anos sou observadora, operária e defensora dos meios digitais. Acredito em seu potencial para informar, liberar e aproximar as pessoas. Mas não podemos fechar os olhos para o seu poder de drogar e entorpecer. Acabei de voltar de uma viagem para uma ilha deserta. Muita gente junta, sem trânsito, sem confusão, sem a energia da cidade, sem telinhas. Algo de mágico aconteceu, e não foi só o sol e o mar. Eu acho que foi o contato humano, sem mediação, sem telinhas, sem interrupção. E agora? Não acredito em voltar as costas para o meu tempo. A ilha deserta é um momento, um experimento, não uma opção. Mas o que estamos fazendo com nossas crianças? E o que podemos fazer? Maria Ercília Galvão Bueno passou a infância com o nariz nos livros, os 20 enfiada num jornal e depois dos 30 se afundou na internet. É mãe de Theodoro, 7 anos

MOVIDO A ÁGUA Como os modelos mais modernos de automóveis não poluentes, o i-H2GO é um carrinho de controle remoto movido a hidrogênio. Vem com uma bomba de abastecimento que funciona com luz solar e extrai o combustível da água. Cada tanque de hidrogênio permite rodar durante 10 minutos a 15 km/h. Como o carrinho é transparente, fica fácil entender como a engenhoca e a tecnologia funcionam. Controlado com iPhone 4s, 5 ou iPad, o i-H2GO sai por US$ 180 no site www.horizonfuelcellstore.com.

LUA

“É o que nos dá a noite” (Leidy Johanna García, 8 anos)

TRÊS APPS QUE SÃO DEMAIS Nem sempre é fácil pescar aplicativos legais para as crianças no mar de ofertas da internet. Para não perder espaço na memória do celular ou tablet, siga as sugestões de quem entende do assunto: o diretor de criação Roberto Icizuca, sócio da 01, que desenvolveu o aplicativo Galinha Pintadinha, entre outros apps infantis. Para ele, os melhores para crianças de 5 a 10 anos são estes: TOCA BUILDERS – Criado pelos craques da Toca Boca, permite construir casas, praças e cidades com ajuda dos Toca Builders. (Disponível de graça na App Store.) Para iOS e Android. ON NOM: CANDY FLICK – Versão simplificada do jogo Cut the Rope. Você imprime uma imagem, abre o app e aponta a câmera. O bichinho On Nom aparece e você joga doces para ele comer. Parece mágica! (Disponível de graça na App Store.) Para iOS. THE HUMAN BODY BY TINYBOP – Explore o corpo humano e descubra para que servem e como funcionam o esqueleto, os órgãos e muito mais. (Por US$ 2,99 na App Store.) Para iOS.


PLAYGROUND

Cinema

ESSES CÃES GENIAIS Cachorros superinteligentes fazem parte de nossa memória cinematográfica. O mais novo a entrar para o time é Mr. Peabody, personagem da animação As aventuras de Peabody & Sherman. Conheça esse e outros cães sabidos do cinema.

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RICARDO CALIL, AOS 2 ANOS

Ex-fada fatal

Os animais de madeira criados pelo designer dinamarquês Kay Bojesen entre 1932 e 1955 agradam crianças e adultos até hoje. Isso graças a seus netos, que continuam produzindo os graciosos brinquedos do avô. Eles representam duas crenças do designer: na perfeição da madeira e em um design que arranque sorrisos. Os preços dos bonecos vão de US$ 81 (passarinho) a US$ 1.624 (macaco grande) no site www.scandinaviandesigncenter.com.

FELICIDADE

“É quando o amor, a paz e as coisas boas estão juntas” (Carolina Haayen, 10 anos)

DE SKATE, NA MANHA O ZBoard SF Special é o primeiro skate elétrico com sensor de peso do mundo. Para acelerar, basta inclinar o corpo para frente; para parar, é só se inclinar para trás. Indicado para longos passeios, inclusive para locais íngremes, ele tem faróis de LED, luzes traseiras e uma bateria que dura de 5 a 7 horas e pode ser recarregada em qualquer tomada. O preço é US$ 1.264. No site www.zboardshop.com.

Pai de Teresa, 6 anos, e Julieta, 4, Ricardo Calil é diretor de núcleo da Trip Editora e crítico de cinema da Folha de S.Paulo

AS AVENTURAS DE PEABODY & SHERMAN (2013), Fox Filmes De tão genial, Mr. Peabody é autorizado a adotar um ser humano de estimação. Os dois vão entrar numa máquina do tempo e se divertir em uma viagem pela história. Dos mesmos criadores de Shrek e Madagascar, o filme acaba de estrear nos cinemas brasileiros.

BEETHOVEN, O MAGNÍFICO (1992), Universal Pictures O grandalhão Beethoven rouba a cena quando chega à casa da família Newton. Bagunceiro, ele precisa aprender rapidinho como se safar de uma assustadora experiência envolvendo animais.

Retrato colunista: arquivo pessoal Fotos: divulgação

Só alegria

Se alguém quiser entender como os desenhos animados – sobretudo os da Disney – foram impactados pelos tempos politicamente corretos, aqui vão duas palavrinhas: Tinker Bell. Ela mesmo, a velha e boa fada Sininho, que voltou rebatizada e repaginada para as novas gerações. No clássico Peter Pan (1953), baseado na peça do escocês de J. M. Barrie, Tilintim (seu nome oficial até então) era, com o perdão do meu francês, uma periguete. Desenhada com a cinturinha de pilão das pin-ups (sua inspiração foi a atriz Margaret Kerry, e não Marilyn Monroe, como circulou em um antigo e falso boato), ela tinha cenas abertamente sensuais, com closes insistentes em seu derrière. Apaixonada por Peter, Sininho, de quebra, tentava causar a morte de sua rival Wendy. Mais de 50 anos depois, elevada a carrochefe de uma franquia de filmes, Tinker Bell retornou, em versão digitalizada, com um corpo menos curvilíneo e um rosto mais infantil. Passou de fada fatale a fada atrapalhada. Desencanou de Peter e tocou a vida com suas amigas encantadas. Mas, nos Estados Unidos, pátria da correção política, ainda há quem considere Tinker sexy demais, quem ache que seu vestido de folha continua muito curto. Já por aqui, no Brasil, tenho um amigo intrigado porque o filho só quer ver os filmes da fadinha. Talvez ele não tenha percebido que o garoto não está se reconhecendo no espelho, e sim alimentando uma primeira e precoce paixão.

LASSIE (1994), Broadway Pictures Lassie é lembrada ainda hoje como uma das cachorrinhas mais espertas e fiéis do cinema. A cena em que a collie protege o dono de um lobo furioso é emocionante.

POESIA VISUAL Quase sem diálogos e com imagens de tirar o fôlego, o longa de animação O menino e o mundo, do cineasta Alê Abreu (diretor de Garoto Cósmico, de 2008 e ex-colunista de Lilica&Tigor), vem conquistando plateias de todas as idades. Exibido desde o começo do ano nos cinemas brasileiros e previsto para sair em DVD em breve, o filme mistura técnicas diversas e levou cinco anos para ficar pronto. Nesta entrevista, Alê fala sobre o projeto:

Como nasceu O menino e o mundo? Eu estava pesquisando para um documentário de animação inspirado em músicas de protesto latinoamericanas, que se chamaria Canto latino. Um dia encontrei um menininho desenhado no canto de um caderno de anotação que eu levava comigo nas viagens pela América do Sul e América Central. Ele chamou minha atenção; parecia que acenava para mim. Comecei a pensar quem era esse menino e como ele se inseria no mundo que já estava se formando com a pesquisa. O filme foi virando um pano de fundo para a história do menino. Como foi o processo de construção do personagem? Fui criando trechos: “Ah, esse menino foi levado pelo vento”. Isso está no filme e faz um sentido danado, mas naquele momento eu não sabia. Animei o menino voando com uma mala e depois ia ver onde seria inserido. Como chegaram a um resultado visual tão rico? Várias ideias vieram do Canto latino, como as cidades em forma de pirâmide. Também misturei técnicas: colagem, giz de cera, canetinha, todos os tipos de tintas. A equipe chegou a 20, 30 desenhistas. É um filme de experimentação e isso possibilita que a criança tenha um outro olhar. Por que optou pela narrativa quase sem diálogos? É um filme de música e imagem. A trilha foi dirigida por Ruben Feffer e Gustavo Kurlat, meus parceiros já no Garoto Cósmico. Tem Naná Vasconcelos, Barbatuques, Emicida. A gente achou que seria legal resgatar as músicas de protesto, e o rap é a música de protesto de hoje. O Emicida assistiu ao filme e fez esse rap lindíssimo que encerra o filme. É quando entra a palavra, para levar o espectador de volta para o mundo real.


PLAYGROUND

Livros

Os estilosos AS COLEÇÕES DE INVERNO DE LILICA RIPILICA E TIGOR T. TIGRE PASSAM PELO TESTE DO PROVADOR E AGRADAM EM CHEIO UM PÚBLICO DE GENTE PEQUENA, PORÉM EXIGENTE FOTOS CAROL QUINTANILHA

ODILON MORAES, AOS 8 ANOS

Por que se escreve?

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Rafael del Freu, 5 anos, camiseta (R$ 79,90), calça (R$ 279,90, conjunto com blusa) e bota (R$ 219,90)

Júlia Durú, 8 anos, blusa (R$ 49,90), calça (R$ 199,90) e bota (R$ 289,90)

Enzo Barone, 6 anos, camiseta (R$ 69,90), jaqueta (R$ 199,90), calça (R$ 179,90) e bota (R$ 219,90)

Retratos colunista e André: arquivo pessoal Fotos: divulgação e Xico Buny (livro Conselho)

Isabele Ramos, 6 anos, blusa (R$ 44,90), jaqueta (R$ 249,90, conjunto com calça), calça (R$ 169,90) e bota (R$ 169,90)

Yasmim Boscolo, 6 anos, blusa (R$ 59,90), calça (R$ 169,90) e sapatilha (R$ 179,90)

Agradecimento: Loja Lilica & Tigor shopping Pátio Higienópolis (tel.: 11 3823-3737)

Lucas Guerra, 6 anos, jaqueta (R$ 299,90, conjunto com calça), camiseta (R$ 99,90), calça (R$ 159,90) e tênis (R$ 199,90)

É comum pensar que, para escrever um livro, é preciso ter o que contar. Premissa errada. Escritores escrevem por vários motivos e nem sempre a condição para escrever é ter, ou saber, o que contar. Em literatura infantil, mais do que ter o que contar, muitos acreditam que, para escrever para crianças, há que se ter o que ensinar. Errado também. Há certamente aqueles escritores que sabem o que contar. Descobriram algo e a sensação desse saber os faz escrever para compartilhar o que descobriram. Isso os estimula, como nos estimulamos ao passar um conhecimento qualquer adiante. Eles convidam os leitores a percorrer seu caminho na compreensão das coisas. Mas há também um certo número de escritores que escrevem não porque descobriram algo; mas, ao contrário, porque o desconhecem. Escrevem para perguntar. Escrevem porque, naquele momento, a compreensão da realidade lhes escapa. Sabem menos do que antes sabiam. Sua escrita assume um papel de lugar habitável, já que a segurança do mundo desapareceu à sua volta. Escrevem para não desaparecer. Enquanto alguns autores encontram na literatura infantil um campo de ensinamentos e de construção de caráter e, por isso, escrevem, outros veem nesse universo da criança um campo aberto por inquietudes e tentam dividir com ela não o que sabem, mas o que, assim como ela, desconhecem. Ambos serão chamados autores de livros de literatura infantil, embora tenham tão pouco em comum no impulso criativo que os leva a escrever. O pintor Iberê Camargo, quando indagado sobre por que pintava, respondeu: “Porque não sei que sou”. E você, por que escreve? Odilon Moraes, 44 anos, é escritor e ilustrador de títulos como A princesinha medrosa (2002). É pai de João, 7 anos, Francisco, 3, e Luísa, 1

SABEDORIA “Eu achei muito bonito o livro, a capa e os desenhos. Entendi que dentro de casa a gente pode descansar, não precisa estar bonita o tempo todo. Você pode ter o seu jeito e o seu gosto, ser como você é.” Giovanna Medina, 9 anos CONSELHO, de Odilon Moraes (lê ali do lado, ó), Escrita Fina Edições

MISTÉRIO

“É quando minha mamãe sai e não diz pra onde” (Glória María Hidalgo, 10 anos)

LEITURA A GALOPE Criado há pouco mais de um ano pelo escritor e ilustrador Fábio Sombra, o projeto Tropeiros da Leitura (tropeirosdaleitura.blogspot.com.br) leva livros a comunidades distantes das grandes cidades e de acesso difícil pelo Brasil inteiro. “Vamos nem que seja no lombo de burro. Daí o nome”, explica o carioca. A iniciativa ganhou parceiros, como o Grupo Lê/Abacatte e as editoras Ática, Scipione e Casa de Livros, que fornecem as obras que serão doadas. Entre elas, os 36 livros de Sombra, que escreve sobre temas ligados à cultura popular e à literatura de cordel, suas paixões. Lilica&Tigor conversou com ele. O que vocês fazem quando chegam às comunidades? Assim que chegamos, fazemos uma contação de histórias, sempre focada nos livros que iremos doar. As crianças ficam encantadas. Para muitas, é a primeira vez que assistem a algo assim, e, na maioria das vezes, o primeiro livro que irão levar para casa. Qual foi o momento mais marcante do projeto até agora? Foi durante nossa primeira visita a um grupo escolar, no interior de Minas Gerais. Havíamos avisado à professora que iríamos, só que caiu uma chuva forte e o acesso à escola ficou praticamente cortado. Mesmo assim, seguimos em frente com nossos cavalos carregados de livros. Quando as crianças nos avistaram, armaram uma gritaria de felicidade que nos emocionou profundamente.


PLAYGROUND

CORPO

“É no que colocamos a roupa” (Camila Mejía, 7 anos)

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO

Estilo

STR E STY ET LE

LILICA RIPILICA E TIGOR T. TIGRE ANTENADOS COM O ESTILO MAIS DESCOLADO DAS RUAS PELO MUNDO AFORA

CLARICE REICHSTUL, AOS 5 ANOS

Homenzinho de azul-marinho

LANCHEIRA HIGH-TECH Pode esquecer as mil camadas de filme plástico e papel-alumínio que até então eram necessárias para manter o lanche fresquinho. A Bento Store, loja paulistana especializada em lancheiras e marmitas bacanas, oferece várias opções de recipientes herméticos e térmicos para levar comida à escola (ou ao trabalho). A oferta inclui porta-sanduíches, garrafas dobráveis e lindas sacolas e lancheiras térmicas. Esta aí da foto, com carinha de gambá, sai por R$ 110. no site www.bentostore.com.br.

ARTE PARA VER E FAZER

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O Perambuliê é uma série de visitas guiadas a museus, parques e galerias de São Paulo para grupos de pais e filhos, sempre seguidas por oficinas de arte sobre o tema do passeio. Iniciativa do Museu do Filho, o projeto é das amigas Tetê Pacheco e Kika Almeida Mendes e tem como objetivo despertar a curiosidade das crianças para a arte. O calendário 2014 está na página do Perambuliê no Facebook (www. facebook.com/perambulie?fref=ts).

Chegou o dia. Não mando mais no guarda roupa do meu filho. Confesso que durou mais do que o esperado, mas mesmo assim recebo esse dia com pesar. Não decido mais a camiseta, a estampa ou a cor. Não tenho voz de comando, meus dias de general das roupas, czarina do tecido plano, rainha da malha de algodão se foram e agora só me resta chorar sobre o império vencido. Era tão bom vestir o meu filho do que eu bem entendesse… Roupa de lagosta, estampa de carneirinhos, pijama de pintinho, bota, chapéu, gravata. Agora é calça de moletom, bermuda, tênis e chinelo – tudo meio sem graça, sem elã. Daqui a pouco a sunga só vai ser para a aula de natação, quando ele começar com a péssima mania paulista de usar bermuda na praia ou na piscina. Nunca mais uma estampa corrida, nunca mais um bicho fofo ou uma fantasia palhaça. De agora em diante, o moçoilo de 5 anos escuta as pessoas que dizem que ele já é um homenzinho, como ele está grande e que não é mais criança. Mesmo eu sabendo que isso não é verdade, lentamente a ideia de crescer vai se instaurando nos discursos alheios e envenena nossa relação – no caso das roupas, é claro! E dá-lhe cáqui, azul-marinho e outras cores sem graça. Todo o look college estragando o meu sonho de menino-criança. Não rola um robô-dinossauro-monstrão para amenizar essa passagem?

Clarice Reichstul é colunista do jornal Folha de S.Paulo e mãe de Benjamim, 6 anos

Bota R$ 289,90

A atriz Jennifer Garner com os filhos, Seraphina e o pequeno equeno Samuel Affleck

Regata bebê R$ 39,90 Boné R$ 89,90

Fotos: Victoria Beckham, © FP, Jennifer Garner, © FFN e Xico Buny (stills)

A barraca em formato de trailer permite que as crianças montem um acampamento em qualquer lugar. Feita de lona de algodão, suas rodas, janelinhas e cortinas são todas bordadas, com detalhes em patchwork. Para o clima de acampamento ficar completo, só falta mesmo a fogueira – uma de mentirinha é vendida à parte, por US$ 69. O trailer sai por US$ 199 na landofnod.com.

Bolsa R$ 204,90

Retrato colunista: arquivo pessoal. Fotos: divulgação

Vamos acampar!

Vestido R$ 249,90

Abotinado bebê R$ 199,90

Camisa bebê R$ 149,90

Calça bebê R$ 239,90

A ex-Spice Girl Victoria Beckham e seus meninos, Cruz e Romeo


QUER QUE EU DESENHE? | POR MARCELLO ARAÚJO*

POR QUE A GENTE SENTE CADA HORA UMA COISA DIFERENTE? MARCELLO E LAURINHA, SUA FILHA, DESENHAM, COMENTAM E ARRISCAM UMA EXPLICAÇÃO

Sentimentos Foi essa a resposta que a Laura me deu quando pedi a ela uma sugestão de tema para esta edição da coluna. “Quais sentimentos?”, perguntei. “Amor, raiva... O sentimento calmo, o sentimento agitado... Sentimentos, ué!”, ela respondeu. Apresentamos a ideia de um glossário com explicações dos sentimentos ao nosso editor. Ele sugeriu li que juntássemos ao glossário fatos sobre o assunto escolhido. Para chegar aos fatos, dispensamos a neurociência e suas sinapses e fomos pedir ajuda a quem pensou sobre o assunto há mais de 2 mil anos: os gregos e a sua mitologia. Amor e ódio! Pesquisando, encontramos Afrodite, a deusa do amor, e suas irmãs por parte de Urano: as furiosas Alecto, Tisífone e Megera, mestras da raiva, do rancor e da vingança, que carrecobras na cabeça! gavam cobra Sogra mitológica! Descobrimos também que Afrodite tinha um filho. Eros, um cupido, que se apaixonou justo pela pessoa que Afrodite mais detestava: Psiquê.

Onda de fúria! Laurinha decidiu fazer sua versão do quadro de Botticelli que retrata Afrodite saindo do mar. Diante da dificuldade, ficou com muuuuita raiva. Estava na cara que aquilo era obra de Alecto e de suas irmãs!

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LAURA EXPLICA AMOR

É um sentimento bonito e bom. Você se sente amoroso(a) ou apaixonado(a). CALMA

É quando a pessoa se sente tranquila. É o oposto de agitação. RAIVA

Você sabia que Afrodite nasceu da espuma do mar, quando o titã Crono jogou parte do corpo de Urano, seu pai, dentro do oceano?

Este sentimento traz estresse. Muitas vezes, as pessoas sentem raiva quando brigam com alguém ou perdem um jogo. CIÚME

Por exemplo: uma pessoa quer ser amiga da sua amiga e você sente ciúme porque acha que sua amiga é só sua. TRISTEZA

Às vezes, você se sente tristee porque brigou com alguém, ou ficou decepcionada. FELICIDADE

Você se sente feliz, alegre e até mesmo ansioso. Bem-disposto para tudo!

*Marcello é autor de livros como o Psiu!. Laura, 9 anos, é filha do Marcello e da Andréa e irmã da Carolina, 21. Ela adora cantar e andar de bicicleta

ANÚNCIO PG 25


MODA |

RETRATOS EDUARDO DELFIM STILL XICO BUNY

MEU ESTILO É ASSIM!

“Sempre uso tênis ou bota”

NOSSOS CONVIDADOS ELEGEM AS PEÇAS FAVORITAS DA NOVA COLEÇÃO

GUSTAVO ALMEIDA FERREIRA, 6 ANOS

1

1

“Lilás e rosa são minhas cores favoritas”

Falante e simpático, Gustavo curte estar bonito. Louco por videogame, como todos os garotos de sua idade, ele é rápido no gatilho e emenda: “Minhas cores preferidas são verde e vermelho, e roupas confortáveis para poder brincar”.

1 CAMISETA “Gosto de camiseta com desenho na frente” ((R$ 59,90)

RAFAELA DOS REIS RUELA, 5 ANOS

3 TÊNIS “Sempre uso tênis ou bota. Este é do meu estilo.” (R$ 199,90)

2

3

2 JA JAQUETA “Ela é quentinha e tem a cor que mais gosto.” (R$ 219,90) 3

SHORT SH “Achei bonito, confortável.” (Conjunto com blusa, R$ 239,90)

4

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BOTA BO “Adoro usar bota. Gostei que esta tem desenhos da Lilica.” (R$ 279,90)

4

Assistente de fotografia: Fábio Moraes e Cabelo e Maquiagem: Juliane Oliveira (Capa MGT)

1 BL BLUSA “A estampa é bem legal, com passarinhos e colorida.” (Conjunto com calça e colete, R$ 259,90)

2 BE BERMUDA “Prefiro r bermuda a calça comprida. É mais confortável.” (R$ 179,90)

2

Acostumada a escolher as roupas que veste, Rafaela tem suas preferências na ponta da língua. “Às vezes minha mãe me ajuda na hora de vestir, mas ela já sabe que gosto de vestidos, saias, estampa de oncinha e bota”, conta. E dispara: “Sou fashion”.

3


MODA | INSPIRAÇÃO

STILL XICO BUNY

Gorro bebê ê R$ 69,90

Blusa (conjunto com saia) R$ 219,90

Tiara R$ 99,90

Blusa R$ 99,90

Macaquinho bebê R$ 129,90

Ah, Paris! Jeans, sapatilha, flor de tule na cabeça... Nos rendemos ao romantismo à francesa. Básico, mas com muito charme

Blusa R$ 149,90

Bolsa R$ 239,90

Alô, doçura

Sapatilha bebê/infantil R$ 159,90

Cupcake, granulado, brigadeiro: bons de comer, de ver e de vestir

Calça R$ 169,90 28

Fotos: Cupcake, Getty Images; Still, Xico Buny

Fotos: Paris, Getty Images; Still, Xico Buny

Sapa Sapatilha R$ 11 119,90 Tiara R$ 79,90

Vestido bebê R$ 219,90

Blusa R$ 69,90

Bota R$ 799,90


C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K

franquias | 47 3372.6015 /lilicaetigor

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MODA | INSPIRAÇÃO

Jaqueta R$ 179,90

Macacão bebê R$ 79,90 Camisa R$ 139,90

Jaqueta R$ 179,90

Acerte no alvo!

Tênis R$ 119,90

Não tem como errar. O estilo esportivo segue em alta, como a jaqueta e o jeans

Camiseta R$ 79,90

Camiseta R$ 39,90 Camiseta R$ 119,90

Vai, Brasil!

Tênis R$ 199,90 0

Calça R$ 219,90 30 32

Fotos: Futebol, Getty Images; Still, Xico Buny

Fotos: Basquete, Getty Images; Still, Xico Buny

Chuteira R$ 199,90

A maior festa do mundo é aqui, e começa já, já. Vista nossas cores e comece a torcer!

Bermuda da bebê R$ 99,90 Conjunto (regata com bermuda) R$ 179,90 Camiseta bebê R$ 59,90

Chinelo 90 R$ 59,90


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MODA | TRÊS EM UM

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Cardigã R$ 189,90

Calça R$ 199,90 Bolsa R$ 204,90

TRÊS EM UM:

JEANS DE ONCINHA

C

A estampa animal dá uma graça extra ao jeans, e o que era básico fica mais chique. Variando os acessórios, dá para encarar um cinema, o clube e até uma festinha

M

Sapatilha R$ 119,90

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CM

MY

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CMY

K

Polo R$ 79,90 Blusa R$ 89,90 Cinto R$ 149,90

Tênis R$ 239,90 36 3 6

Bota R$ 199,90

Fotos: Xico Buny

Cinto R$ 79,90

Jaqueta R$ 239,90

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ENTREVISTAS NA ÍNTEGRA

MODA | TRÊS EM UM

baixe grátis no iPad

Gorro 79,90

Cinto R$ 69,90

Camisa R$ 139,90

Jaqueta R$ 199,90

TRÊS EM UM:

JAQUETA AVIADOR

Calça R$ 159,90

Não tem look de menino que não fique mais chique (e quentinho) com este curinga na jogada

ENSAIOS

Tênis R$ 199,90

Camiseta R$ 39,90

Camiseta (conjunto com bermuda) R$ 239,90

Bermuda R$ 149,90

Fotos: Xico Buny

CARNAVAL

NUNCA FOI TÃO FÁCIL TER TANTO CONTEÚDO COM APENAS UM TOQUE

Calça R$ 89,90

Bota R$ 2190,90 38

Bota R$ 219,90

Revista Tpm. É outra conversa.

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ENQUETE ENQUET TE

Manuela Trafane, 6 anos

O que você

mais gosta de fazer

na vida?

“Nadar na piscina da minha casa, ainda mais neste calor.”

Luca Aliaga, 3 anos “Gosto de jogar videogame e de pintar.”

CLARO QUE A GENTE MUDA DE IDEIA, E BASTANTE. MAS OLHA SÓ O QUE VEIO À CABEÇA DELES POR CARLA STAGNI FOTOS RICARDO TOSCANI

Sarah Pini Guerreiro, 8 anos

“Gosto de brincar com as amigas de esconde-esconde e pega-pega.”

Luiz Eduardo de Carvalho, 6 anos Maïté Venturini Ferro, 9 anos “Andar a cavalo. Não tenho medo e adoro os bichos.”

Renata Minetto Peixoto, 4 anos “Bolinhas e cobrinhas

com massinha colorida.”

Calvin Carneiro, 11 anos “Tocar guitarra. Faço aula e sou fã do Guns N’Roses.” 40

“ Jogar Playstation do Star Wars. Quero muito assistir aos filmes, que ainda não consegui ver.”


DECORAÇÃO

DEIXA O SOL ENTRAR POR CARLA STAGNI FOTOS PAULA BRANDÃO

CASAL COM DUAS FILHAS REINVENTA OS ESPAÇOS DE SEU APARTAMENTO PARA CRIAR UM LUGAR DE BRINCAR NA MEDIDA DAS CRIANÇAS

E

la fotógrafa, ele diretor de arte, Paula Brandão (são dela essas fotos!) e Ricardo Carelli já pensavam em aumentar a família quando trocaram seu apartamento de dois dormitórios e 90 metros quadrados na Vila Madalena, em São Paulo, por outro com três quartos e o dobro do espaço, em Perdizes. “Escolhemos este por ser amplo e iluminado”, conta Paula, cinco anos e duas filhas depois. O espaço ganhou a cara dos donos aos poucos e foi sendo transformado conforme nasciam as meninas – Joanna, 3 anos, e Olivia, 1 ano e 9 meses. “Como ele é bem maior que o anterior, tivemos que ir mobiliando devagar. Reaproveitamos móveis antigos, compramos novos”, conta Paula. “Engravidei da Joanna e preparamos o quarto dela. Quando veio a Olivia, o Ricardo perdeu o escritório, onde tinha as coisas dele – bateria, discos –, para berço, cômoda e afins.” Quando Olivia completou 1 ano, os pais decidiram juntar as meninas no mesmo quarto. Reformaram o cômodo onde Joanna dormia sozinha para instalar a segunda filha, e transformaram o quarto que sobrou

4 42

Uma reforma converteu um dos cômodos do apartamento em brinquedoteca para Joanna, 3 anos, e Olivia, quase 2


DECORAÇÃO

em brinquedoteca. “Ali, a decoração, os móveis, tudo foi feito na medida das meninas e está à mão delas, para que tenham total autonomia”, diz a mãe. Mas isso não quer dizer que as pequenas fiquem limitadas a essas áreas. Joanna, Olivia e o cãozinho da família exploram a casa toda. Entre seus lugares preferidos da casa, está o tapetão macio, em frente à coleção de vinis e toca-discos de Ricardo, no meio da sala. É ali que a turma se junta nas manhãs de sábado e domingo para ouvir música e dançar. “Elas gostam do que a gente costuma escutar. Rock, Jorge Ben Jor, Beatles, Rolling Stones. Joanna adora dançar Michael Jackson e ama um vinil dos Saltimbancos que ganhei quando era criança”, diz Paula. Resumindo: o lar de Ricardo, Paula, Joanna e Olivia é bem democrático. Peças novas convivem com outras antigas, cheias de valor sentimental, e com brinquedos e livros infantis, em cantinhos aconchegantes e janelões que permitem sempre a entrada do sol. Do jeito que eles queriam.

1 “A BRINQUEDOTECA É O UNIVERSO DAS GAROTAS. MONTAMOS O ESPAÇO DE UM JEITO QUE GARANTISSE A ELAS TOTAL AUTONOMIA” PAULA BRANDÃO

1 O tapete da sala vira pista nos fins de se-

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mana: o pai pilota o toca-discos e as meninas dançam de Jorge Ben Jor a Michael Jackson

2 De rainha, Olivia brinca com sua própria vitrolinha, assistida pelo cãozinho Elvis 3

Família unida no sofá da sala: a luz do apartamento pesou na escolha do imóvel

4 “Olivia curte ficar nessa cadeira, perto da

estante, olhando livros e revistas”, diz Paula. Na parede, polaroides da dona da casa

5 e 6 O quarto de Joanna foi reformado para abrigar também a pequena Olivia, que ainda dorme no berço. Nas paredes, um bosque de adesivos de árvores 44

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CONEXÕES

JULIA, 6 ANOS

LULUS E LULUZINHAS AS FILHAS SE CONHECERAM NA ESCOLINHA DE UM CLUBE PAULISTANO E FICARAM INSEPARÁVEIS. E NÃO É QUE AS MÃES DESCOBRIRAM QUE TAMBÉM TÊM TUDO A VER? POR CARLA STAGNI

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“Adoro meus cachorros, o Bidu e a Violeta”

CAROLINA, 4 ANOS

“Minha mãe diz que, se deixar, eu como até pedra”

MARIA, 6 ANOS

“Gosto de praticar esportes na água”

FOTOS KIKO FERRITE

Lara é zen; Julia é ligada no 220; Maria é estudiosa; e Rafaela faz a linha séria. Temperamentos diferentes à parte, as quatro não se desgrudam. Na turma delas, só entra menina. Todas na faixa dos 6 a 7 anos, elas se conheceram no Clube Paulistano, nos Jardins, em São Paulo. Frequentavam o clube desde pequenininhas, com as famílias; mas se uniram pra valer quando começaram a estudar na escolinha do clube. “A gente se conheceu quando tinha 2 anos”, conta Julia, animada, sobre a “melhor amiga” Maria. No ano passado, elas precisaram se separar, pelo menos na hora do estudo. Saíram da escolinha e cada uma seguiu seu rumo. Julia, Maria e Lara foram para o Colégio Palmares, em Pinheiros; Rafaela, para o São Luiz, na região da Paulista. Mas todas se encontram nas aulas de natação, que praticam no Paulistano. Além das quatro, participam das brincadeiras Mariana, irmã mais velha de Julia, e Carolina, irmã mais nova de Lara. E o que elas gostam de fazer quando se juntam? “A gente brinca de escolinha, cabeleireiro e concurso de dança”, diz Lara. Ela adora princesas e queria ser a Cinderela. Pena que Julia não liga pra isso, Rafaela curte mesmo as Monster High e Maria aprendeu com os pais a ser fã de Guerra nas estrelas. “Princesa? Só ser for a Lea”, comenta.

LARA, 7 ANOS RAFAELA, 6 ANOS

“Meu pai lê todas as noites pra mim e pro meu irmão”

“Faço balé e natação”

MARIANA, 9 ANOS

“Vou ser tenista quando crescer”

AFINIDADES

RELAÇÕES Estudam na mesma escola São melhores amigas Praticam natação no Clube Paulistano Fazem balé Têm cachorros São irmãs

Têm irmãos mais novos Têm 6 anos de idade Querem ser professoras quando crescerem Não gostam de usar calça jeans Fazem aulas de inglês

Adoram comer macarrão O doce favorito é brigadeiro O doce favorito é doce de leite São estudiosas Amam usar vestido


CONEXÕES

MESMOS VALORES

DANIELA, administradora de empresas, mãe de Julia e Mariana

KAREN, administradora de empresas, mãe de Rafaela

ANDREA, pedagoga, mãe de Maria

MARINA, empresária, mãe de Lara e Carolina Cabelo e maquiagem: Vanessa Barone

AFINIDADES

RELAÇÕES

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Conforme as meninas ficavam amigas, as mães descobriam que também tinham interesses comuns. “Quando elas começaram a estudar na escolinha do clube é que a gente realmente se aproximou”, conta a empresária Marina Bedaque di Pietro, mãe de Lara e Carolina. “Frequentávamos o Paulistano, mas não éramos amigas”, lembra a administradora de empresas Daniela Bianchini Freres, mãe de Julia e Mariana. O ponto de encontro não podia ser outro: o clube. É lá que, assim como as crianças, elas praticam esportes, aproveitam os fins de semana e colocam o assunto em dia. “Nossos programas favoritos são almoçar juntas e tomar um café no meio da tarde, quando dá, né?”, diz a pedagoga Andréa Mesquita Castellini, mãe de Maria. As quatro se ajudam muito, ela conta: “Quando uma mãe vai se atrasar para pegar a filha no colégio, ou não vai poder levá-la a uma festinha, a gente combina um esquema é dá tudo certo”. Marina que o diga: “Uma noite fiquei com todas as meninas em casa para os pais irem jantar. Foi uma farra! Dançamos, meu marido fez mágica”. Para a administradora de empresas Karen Ruiz, mãe de Rafaela, foram os valores que forjaram a união do grupo. “Temos formações profissionais e histórias de vida diferentes, mas somos parecidas no jeito que lidamos com a família e com os filhos”, conta. “Temos a mesma postura em relação a valores, estudos, comportamento, atitudes. As mesmas angústias. Dividimos as mesmas dúvidas em relação ao futuro deles. Isso acabou nos unindo.”

Frequentavam o Clube Paulistano antes de se conhecerem Fazem musculação juntas Estão planejando viagem com as famílias para a Itália Se aproximaram quando os filhos entraram na escolinha do clube São administradoras de empresa

Têm duas filhas Moram nos Jardins São casadas há oito anos São fanáticas por cosméticos Curtem rock alternativo

Itália é o lugar preferido Odeiam serviços de casa Gostam de cinema alternativo Adoram o programa The X Factor São ótimas organizadoras da casa


VIAGEM

TRÊS FAMÍLIAS – COM UMA TURMA DE OITO CRIANÇAS – ATRAVESSAM DE MOTOR HOME CINCO PARQUES NATURAIS AMERICANOS E CURTEM CADA QUILÔMETRO POR MICHAELA VON SCHMAEDEL

ERA UMA VEZ NO OESTE

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odo mundo, uma vez na vida, deveria fazer uma viagem do tipo on the road. Se puder ser na companhia de muitas crianças, então, melhor ainda. Essa foi nossa conclusão depois dos 11 dias que passamos dirigindo, cozinhando e dormindo em um motor home (que nada mais é do que um trailer em que a cabine do motorista é integrada ao veículo), em outubro do ano passado. A ideia de fazer essa viagem, que parecia ser coisa saída de filme americano, surgiu de repente, logo após as férias de julho, quando soubemos que os pais de um amigo de nossa filha estavam programando um roteiro de motor home pelos Estados Unidos. Pronto: bastou isso para conversarmos com eles e nos incluirmos na história. Outra família de amigos também se encantou com a ideia. No final, éramos três casais, com oito crianças de 5 a 10 anos. Após alguns jantares estudando mapas e parques (nessa época, por causa de um impasse na votação do orçamento de 2014 no Congresso americano, estava para acontecer o shutdown, congelamento de verbas que paralisaria parques e museus e poderia atrapalhar os planos), embarcamos para Los Angeles, na Califórnia. Depois de passear um pouquinho por Hollywood, fomos buscar nossos carros-casa, os RVs (sigla para recreational vehicle, como eles

1 Vista do Grand Canyon, no Arizona, a paisagem mais impressionante da viagem. 2 Primeira parada no Death Valley: Lorena, Manuela, Catarina, Jorge, Luiz Henrique, Isabella e Marina. 3 À sombra do motor home, no Deserto de Mojave. 4 A caminho do Death Valley, na Califórnia

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VIAGEM

54 TÁ CHEGANDO? Em 11 dias de viagem, foram 2.600 quilômetros rodados, cerca de 236 quilômetros por dia. Os trechos mais longos – 450 quilômetros entre Death Valley e o parque Zion, por exemplo, a distância entre Rio e São Paulo – foram quebrados com uma parada em um dos ótimos campings pelo caminho para evitar o estresse das crianças. Niguém ali estava com pressa

Ilustração: Maurício Pierro

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são conhecidos nos Estados Unidos), com capacidade para abrigar confortavelmente até sete pessoas. Alugamos três motor homes, um por família; dois viajaram com cinco pessoas e um, com quatro. As crianças ficaram eufóricas: era um tal de abrir gavetas, armários, geladeira, ver como a mesa se transformava em cama, como era o banheiro, o que tinha no bagageiro... Enquanto isso, os adultos tentavam se concentrar nas explicações de como dirigir o motor home, como conectar a água, o esgoto, ligar a luz elétrica, o gerador. Basta um dia de viagem para perceber que tudo é muito prático. Mesmo dirigi-lo não é complicado, depois que você se acostuma com os 7 metros de comprimento do veículo. Só é preciso maneirar na velocidade, já que ele balança um pouco na estrada. Enfim, todos instalados, crianças com cinto de segurança – elas viajavam sempre na salinha de estar do motor home, jogando, lendo, desenhando ou fazendo bagunça –, partimos rumo ao norte da Califórnia (ver mapa na página ao lado), em direção à Sequoia National Forest, a 326 quilômetros de distância. A parada inicial foi no meio do caminho, em Bakersfield River Run, um lugar apropriado para estacionar esse tipo de veículo. Já na primeira noite, quando sentamos para jantar do lado de fora do mo-

tor home, nas cadeiras típicas de camping, deu para sentir o clima gostoso que teríamos durante o resto da viagem. Ali, sob o céu estrelado, com famílias e turmas de amigos como vizinhos, todos cozinhando e conversando em volta de suas fogueiras (sério!), deu para entender por que tanta gente nos Estados Unidos tem seu próprio trailer estacionado no quintal de casa. A boa estrutura desses campings também chamou a atenção: muitos deles tinham piscinas, lojinhas de conveniência, banheiros superlimpos, restaurantes e lavanderias. E o melhor era não ter que carregar malas de um lado para o outro, esperar o quarto ficar pronto, fazer check-in, nada disso. Era só chegar, estacionar, abrir as portas para as crianças brincarem e começar a pensar no jantar. CUIDADO: URSOS! Chegamos, na tarde seguinte, à floresta das sequoias, em Balch Park. No meio do mato, rodeados por sequoias gigantes e milenares (elas podem chegar a 100 metros de altura), enfrentamos o frio mais intenso da viagem. Mas nada que uma fogueira enorme e o aquecedor de nossa minicasa não resolvessem. Nesse lugar, frequentado pelos american black bears, os ursos, as crianças tiveram a sensação de realmente estar num lugar selvagem

5 Crianças na piscina no primeiro camping da viagem, em Bakersfield, Califórnia. 6 Manuela e a bandeira americana em um restaurante perto de Los Angeles.  7 Jorge e Luiz Henrique em expedição pelo Deserto de Mojave. 8 Sergio e Michaela no Death Valley. 9 Na floresta de sequoias, os garotos tentam escalar uma árvore milenar

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9 – até porque estávamos praticamente sozinhos no acampamento. Por todos os lados, avisos do que fazer (e não fazer!) em caso de dar de cara com um urso. Onde jogar o lixo para eles não sentirem o cheiro (é preciso colocar tudo em um contêiner específico, que tem um fecho antiurso), o que eles costumam comer (tudo o que nós comemos, dizia a placa!), como espantá-los (levante os braços e comece a gritar, era a dica). As crianças, claro, se divertiram muito nesse clima into the wild, tentando descobrir pegadas, brincando de expedições na floresta, construindo arcos e flechas... Detalhe: em nenhum dos motor homes havia televisão, iPad ou coisas do tipo. Apenas uma caixinha que usamos como altofalante para as músicas dos nossos iPods – a trilha passava invariavelmente por Bob Dylan, Peter, Paul & Mary e Cat Stevens. DA NEVE AO DESERTO Dali, partimos rumo ao Yosemite National Park, ao norte. A estrutura do parque estava fechada por causa do tal shutdown, mas as estradas estavam abertas para a passagem de carros. Bastou isso para ver as paisagens majestosas do lugar. As crianças saíam do motor home para fazer guerra de neve (sim, em outubro!), colocar os pés na água gelada dos rios, olhar as formações rochosas impressionantes. Do frio do Yosemite, fomos rumo ao sul, ainda na Califórnia, até Death Valley, no Deserto de Mojave. Com uma parada na cidade de Bishop, para dividir a longa distância, e pausas para almoçar em lan-


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VIAGEM

10 Nem precisa sair do motor home para admirar a vegetação impressionante do Yosemite National Park. 11 Sergio e Jorge  passeiam no Zion. 12 O Zion National Park: ótima estrutura. 13 Lorena ensaia na direção do trailer

13 COMO ALUGAR UM MOTOR HOME

*

É muito fácil alugar um RV nos Estados Unidos. Há várias empresas especializadas e dá para reservar tudo pela internet. Escolhermos a Road Bear (www.roadbearrv. com). Os motor homes são novos e vêm com louças, panelas, lençóis e cobertores. De noite, suas duas salinhas de estar se transformam em uma cama de casal e uma de solteiro. Outras duas camas de casal fixas ficam uma em um mezanino sobre os bancos da frente, outra no fundo. Completando o lar, cozinha e banheiro com chuveiro.

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As crianças jamais vão se esquecer desses dias na estrada: os piqueniques, as fogueiras, os animais e os lugares que viram

chonetes ou pequenos restaurantes (com sorte, as crianças viam cowboys de verdade nesses lugares), chegamos ao deserto. A paisagem do Death Valley era tão impressionante que até as crianças menores paravam de brincar para olhar pela janela. “Nossa, até onde vai isso?”, “Até quando tudo vai ter a mesma cor?”,“O que vamos fazer se o carro quebrar e ficarmos sem água?”, elas perguntavam. Depois de passear, tirar fotos nos salares e dormir em um camping no meio do nada (o Furnance Creek Inn and Ranch Resort, que tinha, surpreendentemente, a melhor estrutura de todos), partimos rumo ao Zion National Park, em Utah, estado dos mórmons. A viagem, nesse ponto, já estava com uma rotina bem definida. Todo dia, antes de pegar a estrada, as crianças ajudavam a limpar o motor home, desfazer as camas, guardar as roupas. Numa casinha de 21 metros quadrados, qualquer bagun-

ça atrapalha. O legal era perceber que elas gostavam de participar, colocavam a mesa do café da manhã (quase) sem reclamar, ajudavam a lavar a louça e saíam para pegar galhos para acender a fogueira à noite. ALCES = VARAL No Zion, além das caminhadas perto de cachoeiras e rios, fizemos churrasco à moda americana (hambúrgueres e salsichas, mais tortilhas de entrada) e compramos uma abóbora para transformar em luminária de Halloween, ou seja, aderimos totalmente à cultura de quem faz esse tipo de viagem. Já com o coração apertado com a iminência do fim de nossa road trip, partimos para o nosso último destino: o Grand Canyon, no Arizona. Terra dos índios Navajo, tivemos que parar em lojinhas de artesanatos porque as crianças queriam ver e conversar com os índios. Programa feito, colares comprados (nu-

*

A viagem não é das mais caras. Além de passagens aéreas, despesas com supermercado e diesel, gastamos US$ 1.500 (na baixa estação) pelo aluguel de cada motor home e cerca de US$ 40 por dia para estacionar nos campings.

ma viagem dessas, aliás, o consumo é quase zero; a maioria das paradas era em postos de gasolina e supermercados), chegamos ao camping instalado dentro do parque. Novos avisos sobre os perigos da natureza selvagem: devíamos tomar cuidado para não deixar roupas penduradas à noite, já que os alces podem enroscar as galhadas nelas. Ouvindo os pesares das crianças, que não queriam de jeito nenhum que a viagem terminasse, chegamos a Las Vegas para devolver os motor homes. A segunda conclusão sobre a aventura, talvez a mais

importante, é que Catarina, Valentina, Marina, Isabella, Luiz Henrique, Manuela, Lorena e Jorge jamais irão se esquecer desses dias na estrada, dos piqueniques e churrascos nos campings, das fogueiras e de todos os animais e paisagens. Nada contra a Disney, um parque de diversões bem montado e divertido, mas, se quiser pensar em uma viagem marcante, que faça as crianças perceberem de quão pouco precisamos para viver momentos felizes, vá de motor home para o mais perto da natureza que conseguir.

*

Em 11 dias, rodamos cerca de 2.600 quilômetros por estradas excelentes. Alugamos GPS para os três RVs. Zero risco de se perder!

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Não é preciso levar nada muito especial: lanternas, câmera, roupas de frio e calor, chapéus, protetor solar, raquetes, bolinhas, material para desenho, jogos. E é muito fácil parar num grande magazine, se faltar algo.

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Uma regra: ao estacionar o motor home em uma loja ou rua, use sempre duas vagas.


VIVENDO E APRENDENDO

EM MUITAS CASAS, A DELÍCIA DO CHOCOLATE COMEÇA JÁ NA COZINHA, QUANDO ADULTOS E CRIANÇAS SE JUNTAM PARA PREPARAR SOBREMESAS QUE VIRAM TRADIÇÃO DE FAMÍLIA POR LÍGIA NOGUEIRA RETRATOS NINO ANDRÉS

BAGUNÇA SAUDÁVEL

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A dinamarquesa Marianne Mille Bojer, 41 anos, adora cozinhar com o marido, Maikel, nascido no Suriname, e os filhos do casal, Félix, 7 anos, e Emil, 2. “Meu marido e eu trabalhamos em casa, então quase todo dia inventamos algo para fazer com os meninos”, conta ela, que atua como consultora nas áreas de sustentabilidade e inovação social. Panquecas são um clássico nos sábados da família, que mora na Granja Viana, em São Paulo. Também rolam pizzas e sushis. E a sobremesa, claro, sempre tem gostinho especial. A bolinha de tâmaras é o doce preferido dos quatro. Tanto que já virou tradição da família em datas festivas, como Páscoa e Natal. Feita com farinha de amêndoas e coberta com chocolate, a receita rende bons momentos na cozinha. Os filhos ajudam no preparo e saem invariavelmente lambuzados. “Eles adoram fazer as bolinhas com a massa e arrumar a cobertura de chocolate com palitinhos de sorvete”, conta Mille. E conclui: “Já ouvi gente dizendo que lugar de criança não é na cozinha. Discordo. Acho saudável essa bagunça em família”.

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para fissuras extremas

– doçura controlada

Bolinhas de tâmara com cobertura de chocolate INGREDIENTES 1 copo americano de farinha de amêndoas 1/2 copo americano de tâmaras sem caroço (250 g) 1 colher (chá) de extrato natural de baunilha 3 colheres (sopa) de cacau ou chocolate em pó 150 g de chocolate meio amargo

Marianne, Félix e Emil provam as bolinhas de tâmara: sobremesa virou tradição em dias de festa

PREPARO Passe as amêndoas e o cacau (ou chocolate) em pó no processador até obter uma farinha fina. Adicione as tâmaras e a baunilha e bata até virar uma massa. Enrole com as mãos, formando bolinhas mais ou menos do tamanho de brigadeiros. Derreta o chocolate em banho-maria. Usando colheres ou palitinhos, cubra as bolinhas com o chocolate derretido. Deixe secar em temperatura ambiente. Se quiser, decore cada bolinha com amêndoas fatiadas ou frutas secas.

“ DIZEM QUE COZINHA NÃO É LUGAR PRA CRIANÇA. DISCORDO. ADORO ESSA BAGUNÇA EM FAMÍLIA” MARIANNE BOJER


“GOSTO QUE ELES EXPERIMENTEM E SE MELEQUEM”, DIZ THAIS ROJI

Musse de chocolate INGREDIENTES 200 g de chocolate meio amargo de boa qualidade, picado grosseiramente 100 g de manteiga sem sal 4 ovos orgânicos

A FESTA DAS FORMINHAS

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A paulistana Giana Bichara, 34 anos, está acostumada a preparar gostosuras com o filho, Enzo, 3 anos e meio. Tanto que o garoto já tem até uma coleção de aventais para usar na cozinha. Brincar de fazer comida é um de seus programas preferidos com o filho nas tardes livres da semana. Além de bolos clássicos, os dois gostam de fazer biscoitinhos de chocolate. O resultado é saboroso, e a receita, fácil, rápida e cheia de partes que o pequeno adora. Como a hora de abrir a massa em uma superfície coberta com farinha – prato cheio para Enzo se sujar à vontade – e o momento em que usam forminhas para cortá-la, antes de os biscoitos irem ao forno. Resultado: quando Giana tira a massa da geladeira, a cozinha envidraçada vira uma extensão do parquinho de diversões. “Enzo ainda é bem pequeno e, na verdade, bagunça mais do que ajuda”, diverte-se a dona de casa, ex-estudante de hotelaria. “Mas ele já sabe abrir a massa com um rolinho e cortar os biscoitos”, orgulha-se ela.

4 colheres (sopa) de açúcar

Acima, Giana e Enzo na cozinha: brincar de fazer comida é um dos programas preferidos da dupla. À direita, Thais Roji faz musse com os pequenos Alice e Tomé

1/2 xícara (chá) de café Um pinguinho de conhaque

PREPARO PREPARO

Biscoitos de chocolate INGREDIENTES 125 g de manteiga sem sal 150 g de açúcar 2 gemas 25 g de farinha de trigo 1 colher (chá) de essência de baunilha 2 colheres (sopa) de chocolate em pó

Bata a manteiga e o açúcar até formar um creme claro e liso. Junte as gemas e continue batendo. Misture a farinha, o chocolate e a baunilha, até formarem uma massa macia. Trabalhe-a um pouco com as mãos e leve à geladeira por aproximadamente 15 minutos. Preaqueça o forno a 180 ºC. Abra a massa sobre uma superfície enfarinhada e corte os biscoitos usando forminhas. Distribua-os em uma assadeira e leve ao forno por cerca de 15 minutos.

+

FAMÍLIA LAMBUZADA Quase todo fim de semana a cozinha de Thais Roji, 39 anos, vira uma festa. É geralmente aos sábados e domingos que a atriz e cozinheira se reúne com o marido, Guilherme, e os filhos, Alice, 8 anos, e Tomé, 4, para preparar delícias como bolos, cupcakes e a preferida das crianças: musse de chocolate. “Sempre dei atenção especial à comida, já que trabalho com isso”, conta Thais, que faz desde jantares para seis pessoas até festas para 2 mil convidados. “Alice se sente à vontade na cozinha desde que estava na minha barriga”, brinca. “Ela já fazia brigadeiro sozinha, com a minha supervisão,

aos 2 anos e meio.” A proximidade com o fogão rendeu à menina um paladar especial. “Alice sabe identificar um bom chocolate”, conta. “Atualmente ela tem falado que quer ser cozinheira.” Na hora de preparar doces, a bagunça sempre foi permitida na casa da família, em São Paulo. “Acho importante estimular as crianças a comerem de tudo desde cedo. Gosto que elas experimentem e que se melequem”, diz Thais. “Tomé gosta de ajudar na preparação das sobremesas, mas se cansa logo e sai de fininho”, diverte-se. “O negócio dele é lamber o fundo da panela.”

Coloque o chocolate, a manteiga e o café numa tigela e leve ao fogo em banho-maria, mexendo até obter uma mistura homogênea. Reserve. Separe as claras das gemas. Coloque as gemas e o açúcar na batedeira e bata até ficar esbranquiçado. Junte o chocolate derretido e bata bem. Acrescente o conhaque e bata mais um pouco. Reserve a mistura. Lave o recipiente da batedeira e as pás e bata as claras em neve até ficarem bem firmes. Junte a mistura de chocolate às claras misturando delicadamente. Distribua a musse em potinhos individuais e deixe na geladeira por pelo menos 6 horas antes de servir.


MODA

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CABELO E MAQUIAGEM: JULIANE OLIVEIRA (CAPA MGT), MODELOS: CAUÊ SUCKOW (ARTE BAMBINI), DIANA CRESTANA (TOTEM), GABRIELA NANTES (AGÊNCIA BABY) E MATHIAS KUROMOTO (AGÊNCIA BABY), AGRADECIMENTO: CASA SAMAMBAIA.


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ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: FÁBIO AMARO, CABELO E MAQUIAGEM: JULIANE OLIVEIRA (CAPA MTG), PRODUTORA DE OBJETOS: PAOLA ABIKO, MÁSCARAS DE BISCOITO: CASA BASICÓ, MODELOS: GABRIEL GONÇALVES (ARTE BAMBINI), JULIANA AKEMI (DIOR KIDS), LAURA LEHEN (DIOR KIDS), LÍVIA URBANJOS (VOGUE) E PEDRO SIMAL (VOGUE) AGRADECIMENTO: OPPA (WWW.OPPA.COM.BR) PREÇOLÂNDIA (WWW. PRECOLANDIA.COM.BR)


PAIS & FILHOS

FILHOS DE GENTE QUE FEZ E FAZ DIFERENÇA NA CULTURA BRASILEIRA, UM ESCRITOR, UM DESIGNER E UMA DIRETORA DE VÍDEO LEMBRAM AS LIÇÕES QUE APRENDERAM CONVIVENDO COM OS PAIS E SEUS AMIGOS ILUSTRES POR THAYS BIASETTI E GREICE COSTA

ILUSTRAÇÃO ZÉ VICENTE

C

onhecido pelos móveis de linhas elegantes que cria com madeira de demolição, o designer Zanini de Zanine tem a quem puxar. Seu pai, José Zanine Caldas, foi um arquiteto célebre, além de designer, escultor e um dos precursores da defesa dos recursos naturais usados na construção civil no Brasil. Mais do que o gosto pelo design, porém, Zanini diz ter herdado algo precioso do pai e das figuras ilustres com quem ele convivia e trabalhava – gente como os arquitetos Lúcio Costa, Sergio Bernades e Oscar Niemeyer, o escultor Amílcar de Castro, o compositor Tom Jobim, o escritor Jorge Amado, o violonista Baden Powell. “Muitas pessoas do círculo de amizades de meu pai eram e são grandes pilares da cultura brasileira”, conta. “Desde cedo fui apresentado ao universo da criação e da valorização de nossa cultura. Não saberia fazer meu trabalho de outra forma que não fosse ligado a esses dois aspectos.” Apesar da diferença de idade – Zanini é temporão –, pai e filho foram muito próximos. “Nossa diferença de 60 anos tornou a gente muito cúmplice. Acredito que essa relação o deixou mais atencioso”, conta o filho. “Ele era muito prestativo

e de enorme paciência ao me passar conhecimento. Cresci cercado de informações estéticas, com a possibilidade de conhecer muitos lugares do nosso país e com muita liberdade”, lembra Zanini. As conversas do pai com os amigos ficaram marcadas em sua memória. “Uma vez por mês eu ia ao apartamento de Lúcio Costa no Leblon, onde meu pai e ele discutiam sobre arquitetura por longas horas. Encontrávamos também o Tom Jobim no Arataca da Cobal do Leblon. Meu pai e ele tam-

80 Fotos: Oscar Niemeyer, Jorge Bispo/Acervo TRIP; Jorge Amado, Francisco Silva/DP/D.A Press; Casa, reprodução Livro Ver Zanine e outras, arquivo pessoal

bém adoravam falar de arquitetura. E lembro de uma longa viagem de carro que fizemos a Minas Gerais. Passamos no atelier de Amilcar de Castro para uma visita, e eu pude ver, pela primeira vez, suas grandes e belas esculturas de metal.” Em 2003, dois anos depois da morte do pai, ele começou a produzir móveis artesanais de madeira maciça, a partir de peças de demolição. Atento às lições de sustentabilidade do pai, seguiu criando uma linha produzida industrialmente, mas sempre

O designer Zanini de Zanine acompanhava longas conversas sobre arquitetura do pai, José Zanine Caldas, com o arquiteto Oscar Niemeyer e o escritor Jorge Amado


PAIS & FILHOS

usando madeira de origem controlada, além de materiais diversos, como metais. Superpremiado, seu Studio Zanini produz para empresas brasileiras e para a Cappellini italiana. Em 2013, ele expôs na galeria Espasso, em Nova York, e lançou seu livro, Zanini de Zanine. O designer usa conselhos do pai no dia a dia: “De uma forma muito lúdica, ele me passava perspectivas interessantes para minha formação”, conta. “Repetia que, quando eu estivesse em viagem, devia reparar nos detalhes, no comportamento das pessoas, por exemplo.” Na convivência amorosa com o pai, o designer absorveu, ainda, seu desejo de seguir crescendo. “Ele tinha necessidade de aprender, de evoluir como ser humano”, diz Zanini, que está envolvido em projetos de design em comunidades cariocas. “Cada vez mais, me flagro tendo atitudes que lembram meu pai.” DANILINHA

A fotógrafa e diretora de vídeo Camila Miranda nasceu poucos anos antes de o pai, Danilo Santos de Miranda, ingressar na carreira que o tornaria reconhecido mundialmente. Diretor regional do Sesc São Paulo, ele administra hoje 34 centros culturais na cidade, uma equipe com mais de 6 mil pessoas e um orçamento de R$ 1,5 bilhão, além de ser conselheiro de museus como o MAM e o MASP, da Fundação Itaú Cultural e do Art for the World, da Suíça – e o ministro da Cultura dos sonhos de gente como Fernanda Montenegro. Se não teve um pai convencional – “Ele sempre trabalhou e viajou muito”, conta –, Camila se beneficiou diretamente do fruto de seu trabalho. “Quase todos os fins de semana, íamos a algum evento do Sesc, por ser divertido e interessante para mim e minha irmã, mas também porque meu pai tinha que ir”, lembra. “Era uma forma de estarmos juntos.” Não esquece do que viu nesses sábados e domingos: um show de Milton Nascimento no lago do Sesc Interlagos, Hermeto Pascoal tocando os brinquedos em forma de instrumentos musicais

“CRESCER VENDO MEU PAI SER O QUE ELE É, DENTRO E FORA DO TRABALHO, ME ENSINOU E ME ENSINA ATÉ HOJE” CAMILA MIRANDA

gigantes da Orquestra Mágica do Sesc Itaquera, e Joãosinho Trinta criando e montando a exposição Alice no Brasil das maravilhas, no Pompeia, na qual o carnavalesco refletia sobre as contradições da cultura brasileira com alegorias inspiradas no clássico de Lewis Carroll. “Vi Beth Carvalho na inauguração do Sesc Santo André e assisti, do canto do palco, a um show do Ultraje a Rigor em começo de carreira no Pompeia”, ela conta. “Todos esses shows, e muitos outros também, tive o privilégio não só de assistir do palco, mas também de poder ir até o camarim, conhecer de perto o artista, ver como funciona o backstage, a montagem. Tudo isso foi me moldando, me levando para seguir este caminho naturalmente.” Entre trabalhos com fotografia e direção de programas de TV, seu ofício preferido é documentar em vídeo shows e entrevistas de grandes músicos, como João Donato, Mulatu Astatke, Arthur Verocai, Mos Def, Macy Gray e Femi Kuti. O pai está

Camila e Danilo Santos de Miranda: a filha do diretor do Sesc São Paulo cresceu vendo shows e exposições marcantes e conhecendo personalidades como o carnavalesco Joãosinho Trinta

82 Fotos: Arquivo pessoal; Hermeto Pascoal, Marco Ankosqui / Folhapress; Joãosinho Trinta, Carlos Goldgrug / Folhapress


PAIS & FILHOS

“SER FILHO DE ESCRITOR MOSTROU QUE ESSA É UMA PROFISSÃO NORMAL. PORQUE MUITA GENTE ACHA UMA COISA DE OUTRO MUNDO” ANTONIO PRATA

presente de forma indireta nesses registros: “Somos muitos parecidos, dizem que sou ‘Danilinha’ no jeito de ser”, conta Camila. “Além disso, tudo que vivi no Sesc a vida inteira me fez ser quem sou. Cresci vendo sonhos sendo realizados, pessoas muito felizes, assistindo a shows, a peças, participando de eventos. Meu pai nunca me ensinou nada diretamente, tipo ‘filha, faça isso ou aquilo’. Ele não é desse estilo. Mas vê-lo sendo o que ele é, dentro e fora do trabalho, me ensinou e me ensina até hoje. Ele é meu porto seguro, minha referência”, diz.

Antonio Prata pequeno, com a irmã e o pai, o escritor Mario Prata; batucando na máquina de escrever do pai, cujos sons enchiam sua infância; e entre os “adolescentes adultos” da turma de Mario, o escritor Reinaldo Moraes e o jornalista Matthew Shirts

ADOLESCENTES ADULTOS Fotos: Arquivo pessoal; Reinaldo Moraes, divulgação

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Em seu décimo livro, Nu, de botas (ed. Companhia das Letras), o escritor Antonio Prata lembra o ritmo reconfortante do barulho da máquina de escrever do pai, o também escritor Mario Prata, nas noites de sua infância. “Nada me deixava mais tranquilo,

contudo, do que os sons da máquina de escrever vindos do quarto ao lado. Era meu pai, escritor, que trabalhava depois que todos haviam ido dormir”, escreve. “O batuque no teclado, o ronco grave do rolo girando com o papel e a sineta do carro tilintando ao ser devolvido à posição inicial — plim! — me garantiam a presença de um adulto, ali ao lado: se não ao alcance das mãos, ao menos dos ouvidos.” Nascido em 1977, Antonio é autor de deliciosas crônicas sobre o dia a dia, publicadas aos domingos no jornal Folha de S. Paulo. Por seus livros, foi considerado um dos maiores talentos de sua geração pela revista literária inglesa Granta. Herdou o gosto pela palavra escrita também da mãe, a jornalista Marta Góes, e não tem a menor dúvida sobre a influência do pai em suas escolhas. “Costumo dizer que ‘influenciar’ é uma palavra fraca para a maneira como um pai imprime suas características no filho. Mais do que influência literária, ele me ensinou a falar, a andar, passou metade dos cromossomos”, reflete. “E também ser filho de escritor mostrou que essa é uma profissão normal, pois muita gente acha ‘desvio de conduta’, uma coisa de outro mundo. Para mim, era uma profissão como todas as outras.” Filho de pais separados, ele lembra, dos fins de semana na casa do pai, sua dedicação com as crianças – “Ele era ótimo”. E sente sua presença em muitos aspectos seus, principalmente o humor. “É um traço de semelhança, apesar de o meu ser diferente do dele. Acho que temos uma maneira parecida de falar as coisas.” Os amigos mais próximos do pai – como o escritor Reinaldo Moraes e o jornalista Matthew Shirts – formavam com ele uma turma animada e divertida. “Eles pareciam adolescentes adultos”, lembra Antonio. Na escrita, acha que recebeu a dose certa de ajuda do pai, que, ao longo da carreira, publicou 80 títulos, escreveu para jornais, TV, teatro e cinema e coleciona mais de 18 prêmios nacionais e internacionais. “Quando comecei, ele não dava dicas, o que foi bom, porque a palavra dele teria um poder muito grande naquele momento”, conta. “Mas vejo traços dele em minha trajetória. Ele tem uma irreverência muito grande, não trata a literatura como uma senhora idosa. A literatura, para ele, é alguém que ele chama de você e não de tu. Isso me deixou mais tranquilo”, conta.


MODA

A TARDE VAI SER BOA... BRINQUEDO É O DE MENOS: BASTA UM AMIGO, UM TEMPO LIVRE, ROUPA QUENTINHA E CONFORTÁVEL E MUITA IMAGINAÇÃO

FOTOS CRISTIANO MADUREIRA STYLING LETÍCIA TONIAZZO

A partir da esquerda: Cachecol R$ 89,90 Camiseta R$ 89,90 Jaqueta R$ 279,90 Bermuda R$ 149,90 Boné R$ 89,90 Camiseta R$ 69,90 Camiseta R$ 59,90 Calça R$ 179,90


MODA

Gorro R$ 79,90 Camisa R$ 159,90 Camiseta R$ 59,90 Calça R$ 159,90 Bota R$ 219,90

Boné R$ 89,90 Camiseta R$ 79,90 Casaco R$ 159,90 Calça (conjunto com blusa) R$ 299,90 Bota R$ 219,90


MODA

A partir da esquerda: BonÊ R$ 89,90 Cachecol R$ 89,90 Casaco R$ 159,90 Camiseta R$ 59,90 Bermuda R$ 159,90 Polo R$ 119,90 Calça R$ 169,90


MODA

Moleton (conjunto com calรงa) R$ 299,90 Camisa R$ 159,90 Calรงa R$ 159,90 Bota R$ 219,90

Camisa R$ 139,90 Blusรฃo R$ 179,90 Calรงa R$ 199,90 Bota R$ 219,90


MODA

Camiseta R$ 139,90 Bermuda R$ 149,90 Bota R$ 219,90

A partir da esquerda: Boné R$ 89,90 Camiseta R$ 59,90 Camisa R$ 139,90 Calça (conjunto com blusa) R$ 299,90 Bota R$ 219,90 Camiseta R$ 99,90 Calça R$ 139,90 Bota R$ 219,90

CABELO E MAQUIAGEM: JULIANE OLIVEIRA (CAPA MGT). MODELOS: PEDRO XAVIER (VOGUE), TIAGO SCHMITT (DIOR KIDS)


MODA

Cinema mudo UMA TARDE ELEGANTE, QUENTE E DIVERTIDA, COM O GLAMOUR DA ERA DE OURO DO CINEMA E A GRAÇA SEM PALAVRAS DE CHARLES CHAPLIN FOTOS CECÍLIA DUARTE STYLING LETÍCIA TONIAZZO

Vestido R$ 349,90 Sapatilha R$ 109,90


MODA

Vestido R$ 299,90

Vestido R$ 279,90 Sapatilha R$ 109,90


MODA

A partir da esquerda: Casaco R$ 279,90 Vestido R$ 299,90 Sapatilha R$ 109,90 Presilha R$ 79,90 Vestido R$ 299,90 Sapatilha R$ 159,90


MODA

Casaco R$ 219,90

Vestido R$ 219,90

ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: PEDRO LUTTI, CABELO E MAQUIAGEM: FLÁVIO LACERDA (CAPA MGT), MODELOS: CAUÃ GONÇALVES (DIOR KIDS), MARIA EDUARDA CILTO E SOFIA MUNHOZ (VOGUE), AGRADECIMENTO: NACIONAL CLUB


VIVENDO E APRENDENDO

A LUTADORA

ATIVIDADE FÍSICA FAZ BEM PARA TUDO: DÁ FLEXIBILIDADE, AUMENTA A CONCENTRAÇÃO, DESENVOLVE AUTOCONFIANÇA. E AS CRIANÇAS SE DIVERTEM AINDA MAIS QUE OS ADULTOS, JÁ QUE, ENQUANTO TREINAM, INVENTAM QUE SÃO CAVALEIROS, LUTADORES, GRANDES CRAQUES. SE FUTEBOL E BALÉ SÃO CLÁSSICOS, MAIS MENINOS E MENINAS ESTÃO EXERCITANDO O CORPO – E A IMAGINAÇÃO – EM OUTRAS HISTÓRIAS. AQUI, CINCO ESPORTISTAS MIRINS CONTAM OS BENEFÍCIOS DA ESGRIMA, DA CAPOEIRA, DO SKATE, DO TAE KWON DO E DO HIPISMO

POR FABIANA CORREA RETRATOS KIKO FERRITE

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Quem é é: Ali Alice Pi Pinheiro h i F Fernandes, d 9 anos O que pratica: tae kwon do O que é: nasceu da junção de artes marciais das Coreias do Sul e do Norte. Baseia-se em chutes para atingir o adversário. A defesa é feita com pés, mãos e punhos. Benefícios: nas crianças, incentiva a disciplina e a concentração, além da força física e da coordenação motora. Por que escolheu esse esporte? “Faz uns três anos que eu vi as crianças treinando no clube [Alto de Pinheiros] e pedi para entrar”, conta Alice. Rotina: “Tenho duas aulas por semana”. Do que mais gosta no esporte: “Já fiquei mais forte”. Aonde quer chegar: “Vou praticar até ficar adolescente. Quero me tornar lutadora de verdade”. Para aprender: Martial Arts Club. Tel.: (11) 2157-2532.


A ESPADACHIM

O SURFISTA DE RUA

Quem é: Beatriz Pereira, 10 anos

Quem é: Antonio Corrêa Gianolla Miranda, 9 anos

O que pratica: esgrima O que é: um jogo praticado desde a Grécia antiga. Os adversários têm de tocar um ao outro com o florete ou a espada sem se deixar encostar. Benefícios: reflexos e raciocínio rápidos, coordenação motora precisa. Por que escolheu esse esporte? “Minha irmã jogou por dez anos e me inspirei nela”, diz Beatriz. Onde pratica e desde quando: no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, há dez meses. “Fazia escolinha de esportes do clube e pedi para entrar.” Rotina: duas a três aulas por semana. Do que mais gosta no esporte: a concentração e a força que ele traz. “Minha postura já mudou e fiquei com o pulso mais forte”, conta. Também se diverte nas competições. “Fiquei nervosa na primeira, mas depois ouvi os professores dizendo que eu tinha ido muito bem.” Aonde quer chegar: “Quero fazer por um bom tempo para melhorar”. Para aprender: Academia Paulista de Esgrima. Tel.: (11) 99258-5235. Esporte Clube Pinheiros. Tel.: (11) 3598-9700.

O que pratica: skate O que é: esporte surgido na Califórnia nos anos 1950, como uma variação do surf. Consiste em deslizar e fazer manobras sobre uma prancha com rodinhas. Benefícios: desenvolve flexibilidade, equilíbrio e força nas pernas e no abdômen. Por que escolheu esse esporte? Desde os 3 anos andava de skate com o pai. Onde pratica e desde quando: “Quando eu tinha 6 anos, meu pai me soltou de cima do bowl (pista redonda) e eu saí andando”, conta. Pratica em pistas públicas e na escola Toobsland, em São Paulo. Rotina: anda de skate 1 hora, duas vezes por semana e nos fins de semana. Também pratica em casa. “Deixo dois skates na sala e vou andando com eles.” O que mais gosta: “Aprender manobras novas e andar no bowl”. Aonde quer chegar: “Se eu ficar como o Bob Burnquist vai ser bom, mas por enquanto quero ser igual ao meu pai mesmo. Ele anda superbem”. Para aprender: Bowlhouse. Tel.: (11) 4328-1766. Toobsland. Tel. (11) 3022-8807.

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O CAVALEIRO Quem é: Pedro Bastos, 9 anos O que pratica: hipismo O que é: a arte de montar a cavalo, com regras de postura, comportamento e relacionamento com o animal. A criança aprende a cavalgar, saltar e lidar com obstáculos. Benefícios: desenvolve concentração, disciplina, força e postura; e a relação com o cavalo traz benefícios emocionais e psicológicos. Onde pratica e desde quando: há três meses, no WA Rancho, em Cotia, São Paulo.

A MESTRA DO CORDÃO AZUL Quem é: Julia Zucchi Natour, 11 anos O que pratica: capoeira O que é: jogo-luta que envolve música, golpes ágeis e saltos acrobáticos.

Rotina: “Faço uma vez por semana por enquanto.”

Benefícios: trabalha flexibilidade, agilidade, criatividade, força e alongamento.

Do que mais gosta no esporte: “É muito, muito legal. Mas a melhor parte é saltar. E não dá medo.”

Por que escolheu esse esporte? “Vi uma roda de capoeira em Salvador, passeando com meus pais”, conta. “Quando voltei queria aprender de qualquer jeito.”

Aonde quer chegar: “Eu faço junto com meus amigos e quero continuar fazendo por muito tempo. A gente quer ser aventureiro quando crescer”.

Onde pratica e desde quando: desde os 3 anos, na Escola Carandá Viva Vida, em São Paulo. Rotina: “Tenho aulas duas vezes por semana com o mestre Maurão. Ele me deu um cordão especial, azul. Eu estava avançada para minha idade, mas ainda não podia entrar no grupo dos adultos”. Do que mais gosta no esporte: “Capoeira trabalha o corpo todo e é algo que dá para aprender um pouco todo dia”. Aonde quer chegar: “Existem muitos golpes que eu ainda não sei. Isso me incentiva a continuar”. Para aprender: unidades do Sesc São Paulo. sescsp.org.br.

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MODA

Vestido R$ 269,90 Short (conjunto com blusa) R$ 139,90

Blusa (conjunto com short) R$ 139,90

Camiseta R$ 59,90 Calça (conjunto com blusa) R$ 299,90 Tênis R$ 199,90

Domingo no parque UM LUGAR PARA CORRER, VOAR, SALTAR E DANÇAR. MAS SEM PERDER O CHARME JAMAIS FOTOS ALEX BATISTA

STYLING LETICIA TONIAZZO


MODA

A partir da esquerda: Camisa R$ 139,90 Calça R$ 139,90 Tênis R$ 199,90 Vestido R$ 289,90

Blusa (conjunto com short) R$ 159,90 Calça R$ 59,90 Tênis R$ 179,90


MODA

Blusa R$ 99,90 Calça R$ 229,90 Tênis R$ 179,90

Blusa R$ 99,90 Saia (conjunto com blusa) R$ 159,90 Tênis R$ 179,90


MODA

Blusa (conjunto com saia) R$ 199,90 Jaqueta R$ 199,90 Calça R$ 199,90 Tênis R$ 179,90


MODA

Jaqueta R$ 299,90 Calรงa R$ 189,90

Blusa (conjunto com calรงa) R$ 189,90


MODA

ASSISTENTES DE FOTOGRAFIA: ANDERSON JESUS, MARCOS JOSÉ E VITOR JARDIM, CABELO E MAQUAGEM: JULIANE OLIVEIRA (CAPA MGT), MODELOS: CAIO CESAR BRITO (VOGUE), GABRIELA DEZIDÉRIO (DIOR KIDS) E SOPHIA PENTEADO (DIOR KIDS).

A partir da esquerda: Vestido R$ 259,90 Tênis R$ 179,90 Camiseta R$ 59,90 Jaqueta R$ 199,90 Calça R$ 179,90 Tênis R$ 199,90


SÃO PAULO FASHION WEEK

PEQUENOS FASHIONISTAS COM UMA INSTALAÇÃO CHARMOSA E UM DESFILE INFANTIL DE GENTE GRANDE, A LILICA RIPILICA CHEGA À SÃO PAULO FASHION WEEK POR CARLOTA BRAGA

U

m projeto longamente cultivado pela Marisol começou a ganhar forma no fim do ano passado. Com o desfile da coleção Chocolate, que começa a chegar às lojas agora, e uma instalação própria, que atraiu anônimos e celebridades com seu visual charmoso, a Lilica Ripilica fez em outubro passado sua estreia na edição de inverno da São Paulo Fashion Week, a semana de moda mais concorrida da América Latina. Foi um passo importante tanto para a marca, a única do segmento infantil a participar do evento, quanto para a própria SPFW: a participação da Lilica se alinha ao sonho da São Paulo Future Kids, uma semana de moda exclusivamente infantil no calendário nacional de moda. “Queremos lançar uma plataforma para o segmento com o mesmo poder de influênciar e lançar tendências adquirido com a Fashion Week em 20 anos de história”, diz Paulo Borges, idealizador e diretor do evento. Lilica Ripilica se preparou com cuidado para a sua estreia. Vestindo a cada dia um look diferente da coleção desfilada nas passarelas da SPFW, uma boneca do tamanho de uma pessoa fazia as vezes de anfitriã na 122


SÃO PAULO FASHION WEEK

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Fashionistas visitam o espaço da marca. 3 Helena Bordon, empresária. 4 Paulo Borges, idealizador da SPFW. 5 Priscila Borgonovi, relaçõespúblicas. 6 A atriz Sophia Abrahão. 7 Rafaela Donini, RP da Marisol SA. 8 Marina Sanvicenti, empresária. 9 Ronaldo Fraga, estilista

“É um dia muito especial para o posicionamento de moda que queremos construir” Rafaela Donini instalação da marca no evento, que aconteceu mais uma vez no Parque Villa Lobos. O estilista Ronaldo Fraga, a blogueira Helena Bordon, a modelo Thalytha Pugliesi, a atriz Sofia Abrahão e a apresentadora Sarah Oliveira foram alguns dos integrantes da turma que parou para conhecer o espaço e sua parede coberta por Lilicas de pelúcia. Na tarde do dia 30 de outubro, a coleção de Lilica Ripilica encantou na passarela da SPFW. O estilista da marca, J. Porangaba, usou como inspiração para a concepção cênica do desfile o chococolate. Cupcakes gigantes, rios de caldas e adereços em forma de brigadeiros e outros docinhos compunham o cenário lúdico por onde uma turma afinada de 32 crianças passou desfilando os looks de inverno da marca. Na primeira fila, a modelo Isabelli Fontana, o cantor Luciano, a apresentadora Patricia Maldonado, a blogueira Camila Coutinho e o estilista Dudu Bertholini, alguns deles acompanhados por seus pequenos fashionistas, aplaudiam a estreia da marca em um evento conhecido por lançar tendências de moda e fazer barulho no mercado. “Introduzir a moda infantil em um ambiente que não olhava para o segmento dessa maneira é um marco para

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O chocolate inspirava cenografia, maquiagem e adereços do desfile da coleção Chocolate, estreia da Lilica Ripilica na SPFW. 1 Caio Braz, apresentador do GNT fashion, na instalação da marca. 2 Sarah Oliveira, apresentadora

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Fotos: VerenaSmit, Flávio Kenji, Marta Santos, João Sal e Luciana Prezia

LILICA CONCEITO

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9 8

“Em relação à moda, a Lilica investe em pilares nos quais acredito muito” Paulo Borges


SÃO PAULO FASHION WEEK

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nós”, dizia o presidente da Lilica Ripilica, Giuliano Donini. “E é uma nova fase também na relação desse tipo de evento com um importante segmento de moda do Brasil.” O desfile foi o ponto alto de um dia cheio: horas antes, enquanto as crianças se preparavam para entrar na passarela, a Lilica lançava, em um almoço especial para a imprensa e formadores de opinião, sua parceria pioneira com a top model Isabelli Fontana. Em sua primeira experiência como estilista, a modelo criou uma coleção inspirada no lifestyle praiano e despojado, lançada pela marca no começo deste ano. Mãe de dois meninos, de 10 e 7 anos, Isabelli se dizia animadíssima com a estreia no mundo do desenho de moda: “É gratificante fazer o que você acredita e ver o que criou virar realidade”. “Este é um dia muito especial para a Lilica e para o posicionamento de moda que queremos construir”, dizia Rafaela Donini, relações-públicas da marca, após o desfile. O projeto avança: a marca infantil tem lugar garantido na próxima edição do SPFW. “A participação especial da Lilica nesta temporada abre um caminho novo para a moda brasileira”, diz Paulo Borges. “Em relação à moda, ela investe em pilares nos quais acredito muito.”

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“É gratificante fazer o que você acredita e ver o que criou virar realidade” Isabelli Fontana 12

Lilica lança parceria com Isabelli Fontana: 10 Camila Coutinho, do blog Garotas estúpidas, e a modelo. 11 Na arara, a primeira coleção da modelo. 12 O estilista Dudu Bertholini. 13 Giuliano Donini, Rafaela Donini e Isabelli. 14 Costanza Pascolato

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O PAI DOMÉSTICO | POR JUVA BATELLA*

OS MEUS, OS SEUS E OS NOSSOS | POR HÉLIO SCHWARTSMAN*

Quem sabe

Crescer dói

MAIS DO QUE DEIXAR MARCAS, A PASSAGEM DO TEMPO FAZ A GENTE – E OS FILHOS – SENTIR COISAS ESTRANHAS. E BOAS

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rescer dói. Isso eu ouvi enquanto crescia, e enquanto crescia sentia a dor de crescer. Depois que cresci, parei de sentir a dor, e dessa dor de crescer me esqueci. E lá se vão alguns anos, os anos em que somos adultos e vivemos a vida dos adultos até o momento em que talvez a dor volte, e a dor então será outra, a de ficar velhinho, se é que tal dor existe, e tudo indica que sim. A dor de crescer, no entanto, essa dor das crianças crescendo, essa eu sei que existe, e agora sei não porque a sinto, mas porque a estou vendo quando olho para a minha menina mais velha (ou a minha piolha, como se diz com carinho em Portugal); a minha menina que agora tem 11 anos e que está experimentando o que se pode chamar uma transformação hormonal, na falta de nome melhor — ou simplesmente um virar mocinha, porque, afinal, há sempre um nome melhor...

ATÉ PARA UM HOMEM QUE JÁ FOI MENINO, TENTAR IMAGINAR UMA MENINA PASSANDO PELA PRIMEIRA MENSTRUAÇÃO É, MESMO EM TEORIA, DIFÍCIL PARA CHUCHU Os hormônios não avisam quando decidem começar a circular de forma diferente no corpo de uma menina que entra (no início súbita e depois gradualmente) na adolescência. Ou pré-adolescência, chamemos assim, vamos com calma. Conversei com amigas minhas que me confessaram ter vivido o mesmo, e com as mães de amigas minhas, e quase todas, quando provocaram a memória, se lembraram de desconfortos e febres, e mesmo de sintomas específicos, como os olhos vermelhos e a pele muito sensível. Como um homem que já foi menino e que também está aqui a espremer a memória, consigo

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lembrar-me de cenas parecidas, acontecidas com o meu corpo, especialmente espinhas. Mas, também como um homem que já foi menino, tentar imaginar uma menina passando por isso a que chamam a primeira menstruação é, mesmo na teoria (e poderia ser de outra forma?), difícil pra chuchu. E, talvez por isso, eu não entendia bem quando sentia que algumas colegas minhas de escola estavam diferentes, de repente mais crescidinhas, de repente achando as nossas brincadeiras de sempre agora “coisas de criança”. E eu comigo: “Coisas de criança?! Como assim? Nós há 30 dias estávamos brincando disso, e hoje a Fulaninha e a Beltraninha e até a Joaninha dizem, rindo da minha cara e me gozando, que a brincadeira de um mês atrás hoje é coisa de criança?”. Mal sabia eu que muitas “transformações” tinham ocorrido com elas naqueles últimos 30 dias... E comigo? E conosco, meninos? Vamos lá, amigos, digam coisas! As coisas demorariam um bocadinho mais a acontecer... Ainda ficamos eu e o Fulaninho e o Beltraninho e o Mauricinho a correr uns atrás dos outros, a nos esconder uns dos outros, a mostrar a língua uns pros outros, a nos dar tabefes uns nos outros, a fazer caretas uns pros outros, a mandar tiros de mentirinha uns nos outros e a atirar água nas caras uns dos outros por uns bons meses ou um par de anos, até o momento em que finalmente começamos a demorar mais a pegar no sono e desatamos a sentir coisas diferentes no corpo e no coração; e os banhos ficam mais demorados; e os sonhos, mais apimentados; e insistimos em nos preocupar mais do que antes com a opinião dos outros (e das outras). A partir daí, crescer começa a doer, e é uma dor estranha. E boa.

*Doutor em literatura brasileira, o carioca Juva Batella voltou há pouco de Lisboa, onde viveu muitos anos. É autor de Confissões de um pai doméstico (ed. Planeta, 2003), entre outros livros. Pai de Alice, 11 anos, e Clara, 6

tem que contar? A OBRIGAÇÃO DA VERDADE, OS DILEMAS DA PROTEÇÃO E AS ARMADILHAS DO POLITICAMENTE CORRETO EM REFLEXÕES INSPIRADAS NO COTIDIANO

A LEI DO SILÊNCIO

Outro dia fomos jantar na casa de uns amigos que têm muito dinheiro. Havia outros casais e crianças. Um vaso chinês valiosíssimo foi quebrado furtivamente. Em casa, minha filha disse que viu quem foi, mas que na hora ficou com vergonha de dizer. Agora, estou num dilema: devo contar ou não para a anfitriã? Neide, relações-públicas Neide, não se meta nem à sua filha nessa encrenca, a menos, é claro, que a causadora do desastre tenha sido ela própria. A obrigação moral de dizer a verdade a amigos está limitada a situações em que sejamos diretamente questionados, o que não parece ser o caso. Nas demais situações, ela é uma opção, não um dever. Não saímos por aí contando a todos os conhecidos verdades variadas de que ficamos sabendo. Quer dizer, algumas pessoas até fazem isso, mas nós as chamamos de fofoqueiras, o que muitas vezes é descrito como falha, e não virtude. É até possível que a situação já tenha sido resolvida, com o responsável se manifestando aos donos da casa de forma mais discreta, longe dos olhares de todos.

SALA DE AULA

“Mudei meu filho de escola este ano. Ele não se queixou de nada durante as aulas, mas nas férias reclamou bastante da professora, que o chamava de mal-educado e mimado. Ele tem 7 anos e, estou segura, uma ótima educação. Devo ir conversar com a diretora ou estou sendo superprotetora?” Marina, psicóloga Marina, crianças de 7 anos não são uma fonte de informações particularmente confiável. Menos ainda quando são parte interessada. Além disso, não é impossível que seu filho seja menos educado longe do seu olhar. Meu conselho é esperar um pouco mais. A tendência é que professores e alunos encontrem um modus vivendi. Se o problema não for embora ou se agravar, aí sim é o caso de procurar a direção da escola para descobrir o que acontece.

PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO

Meu filho de 8 anos chegou da festinha de um amigo com uma medalha, mas chateado. Era um torneio de futebol. Ele contou que seu time era ruim e que perdeu todas as partidas. Quis jogar a medalha fora porque ela não valia nada. Eu não deixei, mas não soube o que dizer. Ela vale mesmo alguma coisa? Sandra, advogada Sandra, seu filho está coberto de razão. Essa medalha não vale nada. Ela é resultado dos exageros do politicamente correto, da mentalidade de que competir é tão importante quanto vencer. O problema é que até crianças de 8 anos sabem que isso não é verdade. Se ganhar não fosse melhor do que perder, nem perderíamos nosso tempo organizando campeonatos. E é óbvio que isso vale não só para esportes, mas para a vida. Tentar preservar a autoestima dos esportistas menos dotados é importante, mas jamais deveria chegar ao ponto de criar um mundo ficcional onde vencer ou perder seja indiferente.

*Bacharel em filosofia, Hélio Schwartsman é articulista da Folha de S.Paulo e pai dos gêmeos Ian e David, 11 anos

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FRASE DA INFÂNCIA

O QUE SERÁ QUE ELA QUIS DIZER COM ISSO? LILICA&TIGOR VOLTA NO TEMPO EM BUSCA DE EXPLICAÇÃO

“Troppo lungo!*” Costanza Pascolato, empresária de moda

POR CARLA STAGNI

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*Comprido demais!

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Costanza bebê no colo da mãe, Gabriella: a mania de elegância vem da infância, boa parte passada na Itália

ANÚNCIO 3ª CAPA Foto: arquivo pessoal

ostanza Pascolato é figura querida e respeitada no cenário brasileiro de moda. Dona da Santaconstância – tecelagem criada por seu pai e que fornece para os principais estilistas do país –, nasceu em Siena, na Itália, mas veio para cá criança, quando a família fugiu da Segunda Guerra Mundial. Aos 74 anos, a empresária e consultora mantém o estilo e o senso de humor. “Não lembro da minha infância. Isso foi há mais de cem anos!” De uma coisa, contudo, ela lembra muito bem. “Sempre fui ligada em moda, desde muito novinha”, conta. “Com 2 anos, já escolhia o que queria usar e brigava se não gostasse da roupa.” Por conta da mania precoce de elegância, protagonizou uma cena que virou causo de família. “Um dia, a costureira estava em casa fazendo um vestido de casinha de abelha para mim. Naquela época, dificilmente se comprava em lojas”, conta. “Uma hora minha mãe saiu da sala e a costureira resolveu fazer uma prova da roupa, para marcar a bainha. Quando ela colocou o vestido em mim, achei que estava enorme e fiquei louca. Tive um chilique mesmo. Comecei a chorar e a gritar: ‘Troppo lungo, troppo lungo’ [comprido demais, comprido demais!]. Até ela conseguir me explicar que o vestido ainda não estava pronto e que não ia ficar naquele comprimento, levou um tempo”, diverte-se Costanza.


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