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Outras obras em favor da educação A sua sensibilidade de Pastor, não passou despercebida a necessidade de se voltar para um grupo de pessoas com necessidades especiais, como são os deficientes auditivos. Considerava-os os mais pobres e infelizes dentre os seres humanos: órfãos na família, solitários no meio do povo, excluídos da sociedade humana, exilados na própria pátria. A fé e a caridade impõem não só o dever de assisti-los, mas o de readmiti-los na sociedade civil e eclesial, com uma instrução que os ajude a se comunicar com os demais homens e, através da mediação humana, com Deus. Ele mesmo fundou em sua diocese uma Instituição em favor dos deficientes auditivos. Mas também, considera “dever dos Municípios, dos

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Outro elemento fundamental que vem do seu modo de conceber a educação é que esta é inseparável da religião e que não é possível verdadeira educação sem religião. Neste sentido, lembra aos pais de que o corpo de seu filho é o santuário onde habita o Espírito que não se vê, mas que vem de Deus e a Deus deve retornar. Esta vida no Espírito é dom e graça. É um impulso interior que faz a pessoa sentir-se atraída a “algo mais”, a um “além-fronteira” que lhe dá um significado mais intenso à própria existência. A religião não consiste apenas no ensino da doutrina, mas na vivência da “Fé”, considerada por ele, o maior dom concedido por Deus a todos os seus filhos. É um dom precioso dado por Deus que permite entrar em relação com Ele, que quer também estar conosco, para nos fazer participantes da Sua própria vida. Nesta relação amorosa, a vida humana adquire um novo significado, tornando-a melhor e mais bela. A experiência autêntica de Deus que brota do interior da existência capacita a pessoa a ser corresponsável não apenas com o próprio destino, senão com toda a humanidade, sendo solidária com o próximo. Dada a importância que dava ao ensino da religião, reage à lei Coppino de 1887, que preconizava que o ensino da religião nas escolas apenas fosse ministrado aos alunos cujos pais o solicitassem, mas que fossem determinados os tempos e lugares da aula de religião nos limites fixados pelo Conselho de Educação Provincial. Scalabrini chama esta lei anti-didática porque considerava discriminação no confronto com as demais disciplinas.

Estados e de quem preside os órgãos públicos, de procurar com toda urgência, a educação do deficiente auditivo, socorrendo-o, não com uma estéril compaixão, mas com amor operoso e eficaz, que sirva, para restituir-lhe os privilégios de homem, fazendo-o entrar na sociedade civil, tornando-o útil à religião e à pátria”. O mesmo se pode dizer de sua preocupação no campo da educação com os filhos dos emigrantes, pois para alcançar a finalidade, a Congregação dos seus Missionários deve “estabelecer escolas, onde com os primeiros rudimentos da fé, sejam dados aos filhos dos colonos, os elementos da língua pátria, do cálculo e da história da pátria de origem”.

A Scalabrinianidade em nossos dias Vivemos em um tempo de crise que atinge vários setores da existência e não apenas os da economia, das finanças, da segurança alimentar, do meio ambiente, mas também os do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam e que só uma educação de qualidade pode dar. O homem do nosso tempo também necessita de uma luz segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Jesus Cristo lhe pode dar. Educar hoje é um grande desafio. Mas, descobrindo com a luz interior da fé que é uma missão nobre e necessária, que se justifica por si mesma, todo educador sente o impulso que, como força interior, move a continuar lutando com ousadia e esperança para transformar a história atual em momento de luz e a fim de que sentindo a alegria de viver, possa esta geração deixar para a posteridade um mundo melhor daquele que recebeu. Ir. Sônia Delforno, mscs Jundiaí - SP Esperança | 2º semestre de 2013 | 3

Revista Esperança nº10  
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