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Esperança Revista

Ano V – nº 10 – 2º semestre de 2013

Pastoral Escolar Scalabriniana: Fé e Ciência caminham juntas

Os desafios da tecnologia na Educação

Marchetti: Uma proposta de educação para a infância desvalida


Caros Leitores................................................................. 1 Capa: Alunos da Rede ESI © ESI - Auxiliadora

Educar para o sentido profundo da vida.......................... 2 Projeto Político Pedagógico da Educação Scalabriniana.... 4

Revista Esperança Publicação semestral das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas Província Nossa Senhora Aparecida Novembro de 2013

Educador Scalabriniano: Encontro com a beleza, o conhecimento e a virtude............................................. 6

Diretora Ir. Neusa de Fátima Mariano, mscs Superiora Provincial

Interdisciplinaridade e o processo de aprendizagem........ 8

Coordenação Geral Ir. Sandra Maria Pinheiro, mscs Conselheira e Secretária Provincial Direção de Redação Ir. Elizangela Chaves Dias, mscs Ir. Rosa Maria Martins Silva, mscs Ir. Sandra Maria Pinheiro, mscs Colaboradoras Ir. Algma Geralda Soares, mscs Daugna Maria Soares Ir. Edileuza Cruz Silva, mscs Ir. Erta Lemos, mscs Ir. Eva Lecir Brocco, mscs Jailton Gonçalves Prates Ir. Jucelaine Aparecida Soares, mscs Ir. Lenir Moreira Valério, mscs Ir. Maria do Carmo Gandra, mscs Roseli Ribeiro Peghin Ir. Sonia Delforno, mscs Vanessa Cristina Guilhermon Ir. Vicentina Roque dos Santos, mscs Jornalista Responsável AP Comunic Revisão Geral AP Comunic

Os desafios da tecnologia na Educação.......................... 10 Projeto Coletivo de Formação........................................ 12 Educação: Um ato de amor........................................... 14 Marchetti: Uma proposta de educação para a infância desvalida............................................... 16 Pastoral Escolar Scalabriniana: Fé e Ciência caminham juntas....................................... 18 Esi Borromeo: Formando para a cidadania.................... 20 ESI São José: Tradição e modernidade........................... 22 ESI Auxiliadora completa 56 anos: Marco Educacional em Cascavel................................... 24

Fotografias Arquivo da Congregação MSCS, Província NSA e da Rede ESI

ESI Belém: Excelência em Guarapuava ......................... 26

Diagramação e Arte Inês Ruivo – HI Design

ESI Santa Teresa: 74 anos educando gerações................ 29

Impressão e Acabamento Edições Loyola Rua 1822, nº 347 04216-000, São Paulo, sp Tel 55 11 3385-8500 Tiragem 1000 exemplares Contato Província Nossa Senhora Aparecida Praça Nami Jafet, 96 04205-050 – Ipiranga São Paulo – SP – Brasil Tel (11) 2066-2900 www.mscs.org.br e-mail: sandra.mscs@terra.com.br

Os homens acabam, a humanidade permanece............. 33


Caros Leitores “A Escola Católica é chamada a promover a formação integral da pessoa, que tem seu fundamento em Cristo, e desde a excelência acadêmica, formar discípulos e missionários para a sociedade!” (AP 337-338) Acompanhe, sinta de perto nossas crianças, adolescentes e jovens, compartilhe e nos ajude nessa caminhada! Aqui você poderá também conhecer o pensamento de nossos educadores e comprovar como a educação é um processo que está em constante evolução, que requer formação continuada, em todos os momentos, e como em um grande círculo, é um espaço onde você ensina e aprende todos os dias. A Revista traz a graça e a beleza do trabalho missionário de tantas religiosas e dos educadores junto à educação cristã, bem como, os desafios e o compromisso de comunidades vivas, cheias de esperança e de ternura que, com seu “Jeito Scalabriniano de Educar” vem promovendo uma educação de excelência na diversidade, formando para a cidadania universal, desde o compromisso com o futuro de cada educando que já começa hoje, aqui e agora! Que possamos juntos “reforçar os nossos passos no caminho rumo ao futuro”! A todos(as) boa leitura. Ir. Neusa de Fátima Mariano, mscs Superiora Provincial

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uma alegria poder apresentar-lhes mais um número da Revista Esperança que foi preparada com carinho e a colaboração de todas as Escolas que integram a Rede ESI (Educação Scalabriniana Integrada) da Província Nossa Senhora Aparecida. Nela há uma tentativa de traçar o perfil de nossas escolas, através das reflexões feitas sobre a educação desde o ponto de vista e ótica da missão scalabriniana, na Província Aparecida que, há mais de um século, vem trabalhando para promover uma educação de excelência em sua diversidade, que forme pessoas comprometidas com a cidadania universal, fundamentada nos valores humanos e cristãos. A prática educativa das escolas da Rede ESI busca responder às necessidades de uma sociedade em constante mudança, ajudando a formar pessoas capazes de aprender a aprender, como sujeitos livres, conscientes, críticos, solidários, comprometidos e participantes no processo de construção e transformação da história. A marca ESI é compromisso com uma educação de qualidade e a formação integral hoje, para seus filhos e filhas! Nosso compromisso como Escola Católica é o de promover a formação integral dos alunos/as, para que encontrando o verdadeiro sentido da vida em Jesus Cristo, e tendo recebido uma excelente formação acadêmica, possam assumir seu protagonismo como discípulos e missionários desde o seu compromisso profissional, possam ajudar a construir uma sociedade mais justa, solidária e comprometida com os direitos das pessoas.

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“A boa educação é o primeiro alicerce da Sociedade Humana” esta frase escrita pelo bispo Scalabrini em uma carta pastoral dirigida aos seus diocesanos por ocasião da Quaresma de 1889 é o eco que brota do seu interior, a partir da própria experiência como educador no Seminário Santo Abôndio, na Itália, onde atuou de 1863 a 1870, primeiro como professor, diretor de disciplina e mais tarde como reitor.

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Educar para o sentido profundo da vida

egundo testemunhas da época, Scalabrini renovou da tem como objeto a consciência e a razão como fim. os métodos de ensino, melhorou a educação e a Assim sendo, no seu modo de entender, a educação está instrução dos jovens clérigos, unindo um grande acima da instrução e da ciência, como o bem está acima amor à necessária disciplina, deixando marcas profun- da verdade e a virtude, acima do talento. das que não se apagaram com o tempo nos educandos e na sociedade. Em que consiste a educação? Para ele, a verdadeira educação não se identifica com Na ótica de Scalabrini, a própria etimologia da palaa aprendizagem de uma profissão, nem mesmo com o vra, que tem sua origem no termo latino “educere”, traz conhecimento intelectual que se limita a enriquecer a in- o seu significado que é fazer “emergir”, vir à tona, o que teligência com novas teorias e ideias, mas que não forma já existe no interior da pessoa, em estado embrionário, a consciência moral, a qual dá possibilidade às pessoas como gérmen. Educar é então oferecer condições para que a pessoa de pautar sua vida segundo uma escala de valores que favorece um equilíbrio saudável entre o que se conhece se deixe mover pela força interior que faz aflorar aquilo e o que se vive. que possui. Esta mesma força desperta nela o desejo de Ele ainda diferencia a educação da instrução. Consi- não permanecer onde está, mas o de abrir-se ao bem, dera a instrução voltada para a intelià verdade e à beleza que a atrai. Por gência, enquanto que a educação está “Educere”, traz o seu isso mesmo, para ele, a educação mais voltada para o aperfeiçoamento deve começar desde a tenra idade, significado que é fazer da vontade. Diz que a instrução forquando é mais fácil orientar a pessoa “emergir”, vir à tona, ma homens sábios, mas a educação para o bem, razão pela qual os pais o que já existe no forma homens virtuosos. A primeira devem ser os primeiros professores e interior da pessoa, tem como objeto a ciência e como em estado embrionário, a família, a primeira escola para os meio a razão, enquanto que a segunseus filhos. como gérmen 2 |


Outras obras em favor da educação A sua sensibilidade de Pastor, não passou despercebida a necessidade de se voltar para um grupo de pessoas com necessidades especiais, como são os deficientes auditivos. Considerava-os os mais pobres e infelizes dentre os seres humanos: órfãos na família, solitários no meio do povo, excluídos da sociedade humana, exilados na própria pátria. A fé e a caridade impõem não só o dever de assisti-los, mas o de readmiti-los na sociedade civil e eclesial, com uma instrução que os ajude a se comunicar com os demais homens e, através da mediação humana, com Deus. Ele mesmo fundou em sua diocese uma Instituição em favor dos deficientes auditivos. Mas também, considera “dever dos Municípios, dos

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Outro elemento fundamental que vem do seu modo de conceber a educação é que esta é inseparável da religião e que não é possível verdadeira educação sem religião. Neste sentido, lembra aos pais de que o corpo de seu filho é o santuário onde habita o Espírito que não se vê, mas que vem de Deus e a Deus deve retornar. Esta vida no Espírito é dom e graça. É um impulso interior que faz a pessoa sentir-se atraída a “algo mais”, a um “além-fronteira” que lhe dá um significado mais intenso à própria existência. A religião não consiste apenas no ensino da doutrina, mas na vivência da “Fé”, considerada por ele, o maior dom concedido por Deus a todos os seus filhos. É um dom precioso dado por Deus que permite entrar em relação com Ele, que quer também estar conosco, para nos fazer participantes da Sua própria vida. Nesta relação amorosa, a vida humana adquire um novo significado, tornando-a melhor e mais bela. A experiência autêntica de Deus que brota do interior da existência capacita a pessoa a ser corresponsável não apenas com o próprio destino, senão com toda a humanidade, sendo solidária com o próximo. Dada a importância que dava ao ensino da religião, reage à lei Coppino de 1887, que preconizava que o ensino da religião nas escolas apenas fosse ministrado aos alunos cujos pais o solicitassem, mas que fossem determinados os tempos e lugares da aula de religião nos limites fixados pelo Conselho de Educação Provincial. Scalabrini chama esta lei anti-didática porque considerava discriminação no confronto com as demais disciplinas.

Estados e de quem preside os órgãos públicos, de procurar com toda urgência, a educação do deficiente auditivo, socorrendo-o, não com uma estéril compaixão, mas com amor operoso e eficaz, que sirva, para restituir-lhe os privilégios de homem, fazendo-o entrar na sociedade civil, tornando-o útil à religião e à pátria”. O mesmo se pode dizer de sua preocupação no campo da educação com os filhos dos emigrantes, pois para alcançar a finalidade, a Congregação dos seus Missionários deve “estabelecer escolas, onde com os primeiros rudimentos da fé, sejam dados aos filhos dos colonos, os elementos da língua pátria, do cálculo e da história da pátria de origem”.

A Scalabrinianidade em nossos dias Vivemos em um tempo de crise que atinge vários setores da existência e não apenas os da economia, das finanças, da segurança alimentar, do meio ambiente, mas também os do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam e que só uma educação de qualidade pode dar. O homem do nosso tempo também necessita de uma luz segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Jesus Cristo lhe pode dar. Educar hoje é um grande desafio. Mas, descobrindo com a luz interior da fé que é uma missão nobre e necessária, que se justifica por si mesma, todo educador sente o impulso que, como força interior, move a continuar lutando com ousadia e esperança para transformar a história atual em momento de luz e a fim de que sentindo a alegria de viver, possa esta geração deixar para a posteridade um mundo melhor daquele que recebeu. Ir. Sônia Delforno, mscs Jundiaí - SP Esperança | 2º semestre de 2013 | 3


Projeto Político Pedagógico da Educação Scalabriniana Uma reflexão sobre o modelo de gestão adotado pela Rede ESI, caracterizado como gestão participativa. Com a descentralização, participação, autonomia, formação continuada dos recursos humanos, avaliação de desempenho e avaliação institucional, todos são corresponsáveis a participar nas tomadas de decisões e planejamento do trabalho educativo.

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s treze colégios que integram a Rede ESI (Educação Scalabriniana Integrada) localizam-se nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul e totalizam aproximadamente sete mil alunos. A partir de 2003 passaram a trabalhar de maneira integrada e alguns processos foram unificados a fim de propiciar a unidade entre eles. Uma das ações que foi discutida e elaborada em conjunto foi a projeto político pedagógico atendendo ao disposto da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira) que preconiza a elaboração e atualização da proposta a fim de atender aos objetivos consignados

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para a educação brasileira, respeitadas as características e necessidades de cada comunidade escolar. Uma das características das Escolas Scalabrinianas é a de consolidar os ideais de Scalabrini que acreditava que só a educação seria capaz de remover as misérias do mundo e para atender às demandas sociais de seu tempo, sobretudo na questão social, conclamou a Igreja e o estado italiano a darem respostas efetivas que pudessem minimizar o sofrimento de tantos compatriotas italianos em situação de migração e, portanto expostos a muita vulnerabilidade em terras estrangeiras. A missão das Escolas Scalabrinianas é a de promover a educação de excelência na sua diversidade, formando pessoas comprometidas com a cidadania universal, fundamentada nos valores cristãos. E pretende ser nas cidades onde se localizam referências em educação e na acolhida personalizada. O processo pedagógico está fundamentado na legislação vigente de nosso país e nos grandes pensadores da Educação contemporânea, como por exemplo, Henri Wallon, David Ausubel, Maria Montessori, Philippe Perrenoud,


Edgar Morin. Jean Piaget e Vygotski. Em todos estes teóricos constatamos que o indivíduo se constitui como tal a partir de suas interações sociais nos múltiplos ambientes dos quais participa. O ser humano para sobreviver e ser constrói uma realidade humana mediada pelos sentidos que atribui às suas vivências. O caráter social e cultural do desenvolvimento humano destaca fundamentalmente a complexidade da experiência com o outro na constituição do sujeito. Cognição e afeto resultam inseparáveis nas unidades funcionais que constituem a subjetividade. Isso leva a uma nova compreensão do papel do aspecto emocional no processo de aprendizagem. Constituem objetivos macros das Escolas Scalabrinianas: formar líderes que mobilizem a sociedade na solução de demandas sociais; desenvolver habilidades cognitivas e analíticas; comunicar de forma eficiente e resolver problemas; desenvolver a mística cristã na educação Scalabriniana, como luz para a dimensão pedagógica, filosófica e científica do currículo. Estes objetivos deverão ser alcançados nos vários níveis de ensino, a partir dos objetivos específicos para cada faixa etária, respeitando a sin-

gularidade de cada momento educativo na vida de uma criança, adolescente ou jovem. Trabalhando em prol dos objetivos propostos, espera-se alcançar um perfil de aluno que seja: acolhedor, consciente, participativo, atualizado, dinâmico e líder.

Organização e Gestão das Escolas da Rede ESI O modelo de gestão adotado pela Rede ESI, caracteriza-se como gestão participativa, onde todos são corresponsáveis e chamados a participar nas tomadas de decisões e planejamento do trabalho educativo. Assim, alguns aspectos são indispensáveis para o sucesso de nosso trabalho, tais como: descentralização, participação, autonomia, formação continuada dos recursos humanos, avaliação de desempenho, e avaliação institucional.

Outro elemento fundamental na proposta é a gestão de pessoas na Rede ESI, pois, para o bom desenvolvimento das habilidades dos protagonistas do processo educacional, a escola necessita obter um modelo de gestão que considere as pessoas que nela atuam como seu principal diferencial. Portanto, consiste em planejar, captar, desenvolver e avaliar, nos diferentes níveis da organização as competências necessárias à consecução dos objetivos institucionais e focar nestes objetivos o perfil dos colaboradores. Tais perfis ou competências estão compilados em documento elaborado para tal fim e colocado à disposição de cada colaborador a fim de compreender a essência de sua função e o compromisso de assumir corresponsavelmente os objetivos e desafios da instituição. O aluno que passa anos em nossas escolas leva um sinal, um “carimbo” dos valores vivenciados na escola, em sua identidade. “Assim, tanto educadores como escola, enquanto estrutura organizacional educativa, não pode perder de vista a construção da identidade da escola que passa, primeiramente pela construção da identidade de seus membros, que são sujeitos deste processo, como também pelo processo de conhecimento, que nesta escola se desenvolve”. A fim de consolidar o processo de integração, a Rede ESI tem envidado permanentes esforços com vários eventos de formação para os diretores, coordenadores, professores e pessoal técnico administrativo que são os principais atores a entrar em cena diuturnamente nas escolas e que fazem delas centros de excelência educativa. Ir. Maria do Carmo Gandra, mscs Curitiba - PR Esperança | 2º semestre de 2013 | 5


Educador Scalabriniano:

Encontro com a beleza, o conhecimento e a virtude O papel de um Estabelecimento de Ensino está intimamente atrelado à sua missão, visão e aos seus ideais. A missão e a visão perpassam os dias e os anos, impregnando o corpo docente e também o corpo discente.

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compromisso dos educadores vai além da tarefa mediana de repassar conteúdos acumulados ao longo da história, pois, esta concepção não soa bem em tempos de liquidez moderna e de esfacelamento das identidades. A missão do educador scalabriniano tampouco se reduz à simples tarefa de preparar nossos

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educandos para o mercado de trabalho, ainda que esta seja uma necessidade premente da nossa sociedade capitalista e individualista. Não! A missão do educador scalabriniano é promover uma educação de excelência que contemple o homem em sua totalidade, primando pelos valores cristãos. Sob esse prisma, o educador scalabriniano tem por missão buscar e promover uma educação de excelência na sua diversidade, formando pessoas comprometidas com a cidadania universal, que sejam difusoras dos valores cristãos: esperança, acolhida, itinerância, solidariedade e justiça. Além disso, ele deve ter um olhar perspicaz,


Sim, produção! Não basta apenas reproduzir aquilo que nos foi legado, é preciso produzir. E essa produção só é possível quando optamos por práticas educacionais firmes, amorosas e inovadoras tais como: ensinar o nosso aluno a re-aprender a perguntar, a pesquisar e a pensar, propiciando momentos ímpares de ensino-aprendizagem e interconexões. A educação significa privilegiar a liberdade e a iniciativa do educando, que imprime ao processo educacional a sua alma, a sua energia, a sua criatividade e amplia seus horizontes culturais

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que lhe permita compreender a escola como locus da aprendizagem. Indo pouco além, creio que o nosso educador, além de educar com firmeza, amor, misericórdia e com práticas didáticas inovadoras, percebe a escola como um atelier-biblioteca-oficina. Essa visão tripartite nos permite algumas reflexões práticas. A escola enquanto ateliê contempla a dimensão estética e artística do conhecimento, ou seja, o conhecimento conjuga a beleza, a arte e a criatividade do ser humano, sujeito histórico e social. Isso equivale dizer que a boa educação abarca a contemplação, o planejamento e a inspiração. O espaço escolar também contempla a dimensão da biblioteca, pois trabalha com o conhecimento produzido ao longo da história: o grande depositum sapientia da humanidade que guiou e continua guiando homens e mulheres. Essa dimensão nos permite visualizar o processo educativo no âmbito filosófico, no qual o homem é o grande amigo do conhecimento, que convive intimamente com os clássicos da nossa literatura, pintura e arquitetura, absorvendo a essência. A dimensão da oficina permite ao educador e aos seus educandos encarar o conhecimento como produção.

O compromisso dos educadores vai além da tarefa mediana de repassar conteúdos acumulados ao longo da História, pois esta concepção não soa bem em tempos de liquidez moderna e de esfacelamento das identidades e suas habilidades, tão necessárias à humanidade de hoje. E essa forma de ensinar, aliada à espiritualidade scalabriniana, faz com que o nosso aluno tenha uma educação diferenciada, que visa à formação humana em sua plenitude. Fator diferencial da prática educativa scalabriniana é a busca do diá­ logo com o mundo e o trabalho com as famílias. O processo educacional leva em conta a participação da família, célula mãe da sociedade. Não é possível pensar a educação sem a participação da família, pois esta é a responsável pela socialização primária dos educandos, cabendo à escola o papel de trabalhar a construção sistematizada do conhecimento. No entanto, sabemos que os modelos familiares mudaram e, consequentemente, o modo de educar/socializar os indivíduos. Por isso, a escola também trabalha com a formação

humana, ou seja, com os valores essenciais para que a pessoa possa ser e interagir no mundo. As palavras do Beato João Batista Scalabrini soam como beleza sempre antiga e sempre nova, pois ele preconizava, em seu tempo, que “a educação forma os homens virtuosos”. Homens que compreendam que a virtude “é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si. Com todas as suas forças sensíveis e espirituais, a pessoa virtuosa tende ao bem, procura-o e escolhe-o na prática”. Portanto, ser educador scalabriniano, é andar de mãos dadas com a solidariedade, a acolhida e a ética, trilhando o caminho constante da virtude, cultivando os sonhos, a beleza, o saber, a produção e a esperança, essa virtude social, que move homens e mulheres e que responde à aspiração primeira e fundamental do ser humano: ser feliz e generoso. E que todos nós, educadores scalabrianianos, possamos sempre “fazer florescer as sementes e os germens das virtudes em cada ser humano que é colocado em nossas mãos”. Jailton Gonçalves Prates ESI - Colégio Nossa Senhora de Belém Guarapuava - PR Esperança | 2º semestre de 2013 | 7


Interdisciplinaridade e o processo de aprendizagem

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a utilização da interdisciplinaridade se apresenta como forma de desenvolver um trabalho de integração dos conteúdos de uma disciplina com outras áreas do conhecimento a fim de contribuir para o aprendizado do aluno.

uma educação de excelência na sua diversidade, formando pessoas comprometidas com a cidadania universal. Sob o ponto de vista teórico, muitos foram os avanços a cerca deste conceito que revolucionou o processo de aprendizagem levando os educadores a repensarem suas práticas pedagógicas e a buscarem uma ação educativa que contemplem concepções significativas para o atual momento educacional. Sabemos que, em pleno século interação entre disciplinas, aparentemente distin- XXI, está cada vez mais difícil competir com tantos estítas, é uma maneira complementar que possibilita mulos e avanços tecnológicos para encantar o aluno nos a formulação de um saber crítico-reflexivo, pro- caminhos da aprendizagem, pois, a sociedade mudou e porcionando um diálogo entre si e levando a uma com- com ela veio a necessidade de transformar a prática da sala de aula, para dar conta destas novas demandas a fim preensão mais exata da realidade. A interdisciplinaridade oferece uma nova postura de contemplar os saberes sobre o aprender e o ensinar. Desafios como: construir a própria identidade, recodiante do conhecimento, uma mudança de atitude diante do contexto, e na busca de como ser uma pessoa integral, nhecer sua função social e o seu lugar cultural, fazem parte da nova demanda da escola visando garantir a construção de contemporânea, pois novos moum conhecimento globalizante, Desafios como construir dos de ver, pensar, experimentar rompendo com os limites das disa própria identidade, ciplinas. É, portanto, exatamente reconhecer sua função social e praticar são necessários para uma formação social, econômica, a proposta da Rede de Educação e o seu lugar cultural, fazem cultural e política. Nesse contexScalabriniana que pautada em parte da nova demanda da valores, trabalha para promover to, encontramos várias propostas escola contemporânea

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…tem sua sustentação teórica em educadores interacionistas como Vygotsky, Piaget, Paulo Freire e Feuerstein planejamento e gerenciamento de recursos e resolução de problemas. Por fim, encontramos na metodologia do Programa MenteInovado­ ra uma resposta única às demandas vividas pela sociedade atual que encontra-se mergulhada em transformações constantes e profundas. Assim, alinhamos os desafios educacionais propostos pela Educação Scalabriniana aos objetivos primordiais do programa, ou seja, o de promover com as futuras gerações as habilida-

des necessárias para a construção da humanidade, focando a transposição para outras esferas do cotidiano, e ajudando a maximizar seu potencial, para torná-la mais reflexiva, contribuindo assim para a formação de pessoas mais felizes e respeitosas da diversidade e na superação dos desafios para a construção de um mundo melhor. Vanessa Cristina Guilhermon ESI - Colégio São José Santo André - SP

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envolvendo o uso de jogos em sala de aula, com os mais variados objetivos, mas o programa criado pelo grupo MindLab intitulado Mente­ Inovadora, traz uma proposta única com uma metodologia inovadora que propõe ao professor e ao aluno o uso de recursos didáticos sob o olhar cuidadoso da interdisciplinaridade, o qual vem sendo largamente utilizado pelos educadores da Rede ESI. Podemos afirmar que a peculiaridade de todos os aspectos que o envolve, está em seu caráter integrador e abrangente dessas várias tendências modernas com ações pontuais por meio de um só “fazer”, que tem sua sustentação teórica em educadores interacionistas como Vygotsky, Piaget, Paulo Freire e Feuerstein que comprovam sua eficiência no desenvolvimento de habilidades tanto dos alunos como dos professores, atingindo inclusive a família e a comunidade. Fundamentado teoricamente na abordagem interacionista, o programa reúne a utilização de recursos didáticos prazerosos, os chamados jogos de raciocínio, o foco no desenvolvimento de habilidades e o lugar do professor mediador no processo de ensino aprendizagem, por meio de métodos metacognitivos. Um diferencial significativo que destacamos é o tempo dispensado para este trabalho, pois o mesmo adiciona-se ao currículo escolar através de módulos semestrais, organizados em forma espiral, ou seja, há uma constante retomada e ampliação de habilidades priorizadas nos diferentes segmentos da escolaridade, contemplando as necessidades específicas de cada faixa etária. Além disso, o programa prevê uma capacitação mensal aos professores, pois cada módulo tem um início, meio e fim, com foco em um conjunto de habilidades referentes às seguintes competências: tomada de decisões; conhecimento de si;

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O século XXI, também conhecido como a Era da informação, favorece o crescente desenvolvimento tecnológico e permite que a informação se transforme no fator essencial para a vida moderna. A tecnologia como um conjunto de instrumentos, métodos e técnicas que visam a resolução de problemas e a aplicação prática do conhecimento científico, em diversas áreas de pesquisa, embora em meio a muitos desafios, tem colaborado para o avanço da Educação.

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oje, com a rapidez com que a informação circula, um dos grandes desafios dos professores perpassa pela definição dos objetivos e das práticas pedagógicas para interagir com os alunos de forma integral e mais eficaz. Com toda esta evolução, como aplicar as novidades tecnológicas em sala de aula favorecendo melhores e maiores condições para a aprendizagem? A primeira questão a ser analisada é que muitos professores continuam analógicos em escolas com alunos

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digitais. Isso porque a formação dos docentes ainda não contempla essa nova realidade, deixando um vazio na formação dos professores que chegam às escolas sem um embasamento prático em relação ao uso das tecnologias. Outra questão a ser analisada é que essa interatividade por parte dos alunos também traz uma série de problemas para as escolas, como o cyber bullying, os plágios em trabalhos, o “copy & past”, publicação de fotos e filmagens sem autorização, ofensas digitais, entre outros. O uso do celular em sala de aula, apesar da proibição, é outro fator que corrobora para esses problemas. Hoje, faz-se necessário que pais e professores acompanhem de perto as crianças e adolescentes, pois, eles ainda não têm a maturidade suficiente e o sentido crítico formado para perceberem o que é útil, o que agrega valor, e o que é prejudicial no uso destas tecnologias. Como professor de química sempre busquei encontrar formas de mudar as aulas ministradas, pois, as aulas de química no ensino médio, são consideradas difíceis e baseadas apenas em cálculos e fórmulas por um ex-

© Fotos ESI - Auxiliadora

Os desafios da tecnologia na Educação


pressivo número de estudantes que, muitas vezes, buscam memorizar os conteúdos sem compreender o seu significado. Nesse sentido, mesmo inseguro diante do novo, ousei incorporar a tecnologia nos processos de ensino aprendizagem. Vi nos recursos das novas tecnologias possibilidades de transformar a prática pedagógica criando novas situações de aprendizagem que fossem mais significativas para os alunos. A experiência trouxe resultados altamente positivos para a aprendizagem dos alunos que se motivaram com a metodologia usada. As Escolas da Rede ESI, em sua maioria, foram pioneiras na montagem de laboratórios de informática em suas regiões, procurando levar a tecnologia para a sala de aula, ampliando assim o processo de ensino aprendizagem, ajudando os alunos no aprimoramento do conteúdo ministrado em sala de aula, com o uso das novas tecnologias. Escolas e pro-

fessores buscam estar “antenados” com a evolução tecnológica. Exemplo disso é a implantação de Smart Boards* nas salas de aula que leva aos alunos informações em tempo real. Diante destas novidades tecnológicas, cabe aos educadores assumirem o papel de mediadores, acompanhando e estimulando a busca do conhecimento na aprendizagem dos alunos. Os professores estão hoje buscando novas maneira de planejar, desenvolver e avaliar suas aulas, utilizando – sempre que possível – conteúdos e materiais didáticos já disponibilizados na rede. É preciso inovar, atualizar, reinventar o papel pedagógico e, dessa forma, apropriar-se do conhecimento dessas novas ferramentas e plataformas, entendendo a sua aplicabilidade, em busca de um maior objetivo: a aprendizagem do aluno. Cabe à escola oferecer aos seus alunos não só o acesso aos recursos tecnológicos, mas também criar

situa­ ções que venham a favorecer o processo ensino aprendizagem. Diante dos desafios atuais, a escola busca formar alunos capacitados com conhecimento e visão critica para participar deste mundo globalizado. O obstáculo não é apenas o acesso ao recurso material, e sim o seu direcionamento, seus objetivos dentro da aprendizagem. Com tantas tecnologias disponíveis e um novo perfil de estudantes, torna-se desafiador, para os educadores scalabrinianos que buscam a excelência na educação, estimular processos motivadores da formação integral. A Escola tem um papel que vai além do domínio das tecnologias pelos alunos e professores. Ela busca formar cidadãos capazes e engajados na sociedade do conhecimento e comprometidos com a cidadania universal. João Ribeiro Franco Neto ESI - Colégio Santa Teresa Ituiutaba - MG

* São lousas interativas conectadas a um computador que, além de manterem a função da escrita, possibilitam que o professor exiba, selecione e modifique informações armazenadas no computador ou na internet através do touch screen (tela de toque).

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Projeto Coletivo de Formação Educação Scalabriniana: ação contínua que privilegia a construção e o fortalecimento da identidade escolar, atendendo às necessidades sociais de uma escola pluridimensional e que nos remete, explicitamente, a um dos valores da Rede ESI, a “unidade na diversidade”.

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nspirada pela praticidade e êxito comprovado das de caso e possíveis dificuldades na aplicação dessas téctécnicas compiladas por Doug Lemov, a Rede ESI de- nicas, como um valioso auxílio na busca incessante dos senvolveu um projeto coletivo de formação para seus profissionais pela qualidade de ensino e motivação de professores, iniciado em 2012 e concluído em 2013, en- seus alunos. volvendo todas as unidades escolares que a compõem, Com encontros de formação continuada, e com apoio reforçando a crença no modelo de formação de professo- da Direção e Coordenação Pedagógica em 2012, foram res denominada “forma interativo-reflexiva”. apresentadas ao grupo de Professores o catálogo das técEm busca de referências que contemplam a missão e nicas apresentadas no livro “Aula nota 10” que nasceu o projeto político pedagógico da Rede ESI, em seu proces- da angústia do autor de fazer melhor o que se faz. Uma so de formação contínua dos professores, encontramos busca que envolve reflexões e respostas práticas, proposo estudo realizado da obra de Doug Lemov, intitulado tas por Lemov que afirma: “Eu ia a cursos de capacitação “Aula Nota 10”. Segundo Lemov “os professores conse- e saía com a cabeça cheia de palavras importantes. Eles guem mudar o mundo a partir de suas salas de aula não falavam de tudo que me havia levado a querer ser proporque nasceram com poderes especiais mais porque do- fessor. (...) Bom, e agora? Como faço isso? Que iniciativas minam os detalhes da arte”. Sendo asdevo tomar às 8h25 da manhã para desim, a primeira etapa formativa deste monstrar essas altas expectativas?”. (...) “os professores projeto, iniciou-se com a apresentação Depois de partilhada a síntese das conseguem mudar do repertório das 49 técnicas, extraítécnicas e a proposta de trabalho a ser o mundo a partir de das da prática de professores, cujas suas salas de aula não desenvolvida na Rede ESI, durante o turmas apresentaram excelente rendiporque nasceram com segundo semestre de 2012, passoumento escolar, ainda que inseridos em poderes especiais mais -se à fase da aplicação das técnicas realidades adversas. O autor apresenem sala de aula, para os diferentes porque dominam os ta os objetivos, as estratégias, estudos segmentos de educação: da Educação detalhes da arte”

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© Fotos arquivo PNSA

Infantil ao Ensino Médio, com posterior momento para a partilha de experiências, que seriam apresentadas num seminário regional, quando o grupo elegeria as experiências a serem compartilhadas com todas as unidades escolares, num segundo seminário, que contaria com a presença de representantes de todos os Colégios da Rede. Munidos do livro “Aula nota 10”, cada professor em sua unidade escolar iniciou o processo de apropriação das técnicas por meio da leitura, análise, escolha e aplicação de algumas das técnicas, em sua sala de aula. Depois de elencar as técnicas que melhor atendiam suas necessidades, com intenções de obter um melhor resultado e êxito no ensino-aprendizagem, e organizadas as maneiras de diagnosticar os resultados através da comparação entre o antes, o durante e o depois, da aplicação das técnicas. Todo esse processo foi registrado em um trabalho escrito que foi entregue à Coordenação Pedagógica, e apresentado aos demais Professores, utilizando-se de recursos tecnológicos, durante o seminário local. Os seminários, em âmbito local e provincial, foram instrumentos de importante integração entre os diversos profissionais da educação e as diversas realidades das escolas que

conformam a Rede ESI. Os critérios de escolha das técnicas agregaram novos valores às escolhas indivi­ duais, permitindo a releitura de possibilidades que a obra “Aula nota 10” de Lemov proporciona. Uma mesma técnica aplicada em níveis diferentes de atuação, enriqueceu o conhecimento de todos acerca do processo

Criatividade não é dom, mas constitui-se no exercício de práticas que organizam o tempo e o espaço das salas de aula. Precisa de dedicação, de constância e interesse de cada educador...

ensino-aprendizagem. Cada etapa da escolarização com suas especificidades e características foram se encaixando como em um grande que­bra-cabeça. A missão e os valores da Educação Scalabriniana foram alinhavando as reflexões decorrentes das discussões entre os segmentos a respeito das experiências compartilhadas, agregando e solidificando valores ao processo pedagógico diferenciado da Rede. O processo formativo nos levou a superar o mito de que a criatividade do professor é um dom, uma intuição ou inspiração. Criatividade não é dom, mas constitui-se no exercício de práticas que organizam o tempo e o espaço das salas de aula. Precisa de dedicação, de constância e interesse de cada educador, para que todos estejam devidamente preparados para enfrentar os desafios do ensino e aprendizagem. O processo feito nos ensinou a aproveitar e aplicar práticas simples para que os alunos aprendam de forma sistematizada, e nos ajuda a enfrentar o desafio de ensinar, pois, o bom ensino é uma arte, e a arte se aprende. Roseli Ribeiro Peghin ESI - Colégio São José Santo André - SP Esperança | 2º semestre de 2013 | 13


© Fotos Escola Pe. Marchetti

Educação: Um ato de amor A Escola Pe. José Marchetti conta com poucos anos de funcionamento. Foi inaugurada em 2011, no bairro Vila João Ramalho, em Santo André – SP, como projeto social da Rede ESI. Localizada na periferia da cidade, atende 360 crianças de escassos recursos, na faixa etária de 6 a 11 anos, que cursam do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental I.

desempenho escolar, pois, a base de uma boa educação começa com a família que, desde o início, lhes ensina a agirem como boas cidadãs conhecendo seus direitos e deveres na sociedade. De acordo com a proposta da Educação Scalabriniana Integrada, a Escola busca preparar os educandos para assumirem o presente e o futuro como cidadãos solidários e comprometidos com a dignidade humana, por meio de elementos que integram um convívio social sadio, obsera Vila João Ramalho uma bonita história vem vando e vivenciando o amor ao próximo, o respeito, a sendo construída. Com a missão de colaborar solidariedade e o repúdio às injustiças. Nesta via, Paulo com a formação de crianças e famílias, a Escola Freire sustenta que: “Não é no silêncio que os homens se oferece uma educação permeada de valores humanos e fazem, mas nas palavras, no trabalho, na ação-reflexão... Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade cristãos, e uma formação aberta às riquezas da cultura. tampouco sem ela a sociedade muda”. Em 2011 foi inaugurada a Escola Pe. Sabe-se da grande importância da José Marchetti, um Projeto concreto do “A exemplo do divino formação educacional e o quanto está compromisso social da Rede de EducaSalvador, sejamos relacionada com a construção e o deção Scalabriniana Integrada. A Escola uma lâmpada que senvolvimento de um País que respeita procura manter diálogo com a comuilumina e aquece seus cidadãos e lhe dá oportunidades nidade e, sobretudo, com família, para como o sol que iguais para todas as classes sociais. que as crianças sintam a presença de comunica a sua luz, Sendo assim, a formação de um cidaseus responsáveis e possam crescer no seu calor”

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dão começa desde os seus primeiros anos de vida. Daí a importância de estimular a criança em suas habilidades as quais terão efeitos decisivos no desempenho dos estudos durante todas as etapas de sua vida escolar. Uma criança autoconfiante terá facilidade no processo de aprendizagem e no relacionamento social, além de ajudá-la a interessar-se em aprender por iniciativa própria. Neste sentido, para despertar o prazer e o entusiasmo pelo estudo, não só em sala de aula, mas além dos limites físicos da escola, foi proporcionado um passeio aos alunos na “Sabina – Escola Parque do Conhecimento” com o objetivo de ampliar os conteúdos trabalhados na escola, estimulando as crianças à cultura científica e artística, pois, na “Sabina Parque” há um pinguinário, réplicas de dinossauros em tamanho natural com movimento, simuladores e experimentos de física e biologia, bem como, o “Planetário Johannes Kepler”. Neste mesmo contexto, além de intensificar o prazer e a importância do estudo, se busca fortalecer o

compromisso como cidadãos, envolvendo além dos educadores e educandos, as famílias. Também são proporcionados momentos recreativos junto com as famílias e as crianças, com o objetivo de conscientizar sobre a importância de preservar o meio

A Escola busca preparar o educando para assumir o presente e o futuro como cidadãos solidários e comprometidos com a dignidade humana

ambiente, quando são utilizadas atividades como desenho de cartazes, elaboração de maquetes e objetos que, depois de um período de estudos e pesquisa, são apresentados durante uma mostra cultural, comprovando a importância de reciclar para preservar o nosso planeta. Quando há cooperação entre a escola e os pais, a possibilidade de alcançar uma excelência na educação aumenta o trabalho em conjunto soma forças e multiplica o amor, o respeito e o diálogo entre as pessoas que fazem parte do grande projeto da Escola Pe. José Marchetti. Ir. Jucelaine Aparecida Soares, mscs Santo André – SP Esperança | 2º semestre de 2013 | 15


Marchetti:

Uma proposta de educação para a infância desvalida

de de São Paulo, iniciou a luta para minimizar esta questão social que lhe era tão cara. “A idéia do orfanato agradou a todos...” (Marchetti a Scalabrini, 31/01/1895), e por isso deu início à sua construção. “É uma beleza! Deus queria o orfanato. Eu o vejo, sinto e conheço” (idem). Pe. Marchetti já tinha em mente todas as dimensões humanas que iria desenvolver naquelas crianças: fé, fraternidade, solidariedade, letras, matemáticas, artes e profissionalização. Em resumo, criaria uma casa que oferecesse uma Educação Integral com traços de universalidade.

Padre José Marchetti (…) compreendia as necessidades dos alunos, conhecia todas as potencialidades guardadas na consciência de cada um. Sabia, em sua extraordinária criatividade, que proporcionando condições, estas potencialidades desabrochariam fazendo o mundo e as relações ficarem melhores

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criatividade é uma característica saliente do comportamento humano, particularmente evidente em alguns indivíduos capazes de reconhecer, entre pensamentos e objetos, novas conexões que levam a inovações e mudanças. Não basta à criatividade o critério da originalidade, é preciso também que seja legal, o que lhe dá possibilidade de ser reconhecida como tal pelos outros indivíduos”, ensina Humberto Galimberti (Apostolado e criatividade pessoal na vida de Padre José Marchetti, p. 18-19). Padre José Marchetti, de excelente aluno passou a ser excelente pro16 |

fessor. Compreendia as necessidades dos alunos, conhecia todas as potencialidades guardadas na consciência de cada um. Sabia, em sua extraordinária criatividade, que proporcionando condições, estas potencialidades desabrochariam fazendo o mundo e as relações ficarem melhores. Porém, a palavra e o pensamento devem sempre vir acompanhados de obras. Marchetti não se contentou em preservar a fé dos migrantes italianos, o que fazia com muito amor e dedicação. Ao perceber que muitas crianças – italianas, portuguesas, alemãs, brasileiras e espanholas – viviam em situação de risco na cida-

Em dezembro de 1894, Padre Marchetti fez sua segunda viagem ao Brasil, a bordo do navio ‘Giulio Cesare’. Esta viagem decidiu seu futuro... Um bebê tinha ficado órfão e a ele confiado pela própria mãe moribunda. Ele precisava encontrar um lar para esta criança... Naquele momento surgiu-lhe a ideia de fundar, em São Paulo, um orfanato para os filhos dos italianos imigrantes... Em janeiro de 1895, iniciou a construção do mesmo. Marchetti viu de perto os problemas sociais de sua época, de modo especial dos migrantes. Dentre estes se comoveu mais pelas crianças


ti a Scalabrini, 25/03/1896). Marchetti pensava no desenvolvimento de todas as inteligências, até aquela espiritual. Ele pensa formar o cidadão universal como entendemos hoje. Em seu caridoso desassossego, Pe. Marchetti bateu em muitas e variadas portas até encontrar as ajudas de que precisava para levar adiante seu grande projeto educacional: um orfanato que acolhe, alimenta, educa, instrui e acompanha até a maioridade, a população meta. Sua certeza edifica grandemente: “O Senhor me deu um lugar para a construção, por sinal adequado e muito valorizado. É numa colina, na extremidade da cidade de São Paulo e é apropriado para a casa, para

um bonito jardim, para tudo... Exatamente como eu tinha sonhado!” (Marchetti a Scalabrini, 31/01/1895). O projeto educacional de Marchetti iniciava com a acolhida do pequeno que era encontrado por ele na rua ou nas fazendas. Continuava com a satisfação de suas necessidades básicas: amor, alimentação, lazer, instrução acadêmica, música, canto, orações. Terminava com a plena autonomia adquirida ao longo dos anos na instituição. E podendo caminhar com as próprias pernas se fazia solidário com os que partilhavam da mesma desventura-aventura de vida. Deo gratias! Ir. Erta Lemos, mscs Ituiutaba - MG

© Fotos arquivo PNSA

e viúvas, pois pertenciam à classe dos mais vulneráveis, mais explorados, vilipendiados, marginalizados e abandonados por todos. E essa fragilidade despertou em Marchetti uma possibilidade de salvação, pensando em criar uma casa onde a inocência destas crianças pudesse ser salva e a dignidade das viúvas preservada. No início dos trabalhos escreveu: “Nunca se é ousado demais quando se trata de salvar a inocência” (Marchetti a Scalabrini, 31/01/1895). “A Congregação quer manter a moralidade, a fé, a instrução, etc... Atualmente, o perigo está em toda parte, mas de modo particular em São Paulo, nas cidades, por causa dos órfãos, dos abandonados e dos marginalizados. Desta classe pegam as jovenzinhas para encher os cafés... saem os vagabundos, os patifes... os que espalham a impiedade... Por isso, é preciso cuidar dessa classe de tal modo que saia tudo ao contrário. As meninas sairão costureiras, professoras, educadoras, religiosas, enfermeiras... Os meninos sairão artistas, professores, missionários, leigos que irão instruir os colonos” (Marchetti a Scalabrini, 10/03/1895). Além de abrigo e afeto, Pe. Marchetti providenciou uma escola onde os pequenos migrantes pudessem aprender a língua Portuguesa e os outros conteúdos conforme o currículo da época. E pensando no futuro deles providenciou oficinas. “... As meninas e os jovenzinhos trabalharão, farão vestidos, sapatos, móveis, todo tipo de objetos artísticos, etc.” (Marchetti a Scalabrini, 10/03/1895). Não satisfeito, providenciou condições para desenvolver as artes. “Dentro de poucos dias, receberei de Verona os instrumentos para a Banda Cristóvão Colombo... As oficinas começam a funcionar (marcenaria, sapataria, padaria)... Estou tratando da implantação da tipografia” (Marchet-

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Pastoral Escolar Scalabriniana

Fotos www.sxc.hu

Fé e Ciência caminham juntas

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a esperança de construirmos um mundo me- – possam sentir a beleza da existência criadora de Deus, lhor, buscamos trabalhar em nós a fé. Onde de- presente em todos os âmbitos da vida. Neste sentido, positamos nossa esperança? Qual é o Reino que também cada educador entende que, o seu compromisso construímos para nós e para os outros? Será que de fato com a educação, perpassa todos os aspectos da vida hupodemos afirmar como o apóstolo Paulo: “Sei em quem mana e de fé, e transcende os limites da escola, abrangendepositei a minha confiança!” (I Tm 1,12). São Paulo aqui do assim a comunidade e a sociedade onde está inserido. nos fala de alguém que de fato fez a Como presença evangelizadora opção por Jesus Cristo. Fala de um na Igreja e no mundo da educação, Reino construído sobre a rocha firme A Pastoral Escolar da Rede a Pastoral Escolar possibilita – por que é Jesus Cristo. A vontade maior meio de processos pedagógicos, ditem como proposta ajudar a de Jesus é que todos sejam felizes, cada aluno a encontrar o seu nâmicos e criativos – o encontro dos mas é preciso saber onde buscamos próprio tesouro e a manter a estudantes com os valores do Reino a nossa felicidade. propostos por Jesus. Acolhida, diálolâmpada da fé acesa A Pastoral Escolar da Rede tem go, paciência, respeito às diferenças, como proposta ajudar a cada aluno a comunhão na diversidade e itinerânencontrar o seu próprio tesouro e a manter a lâmpada da fé cia são valores próprios da espiritualidade Scalabriniana acesa. Em nossos Colégios essa preocupação é primordial trabalhados pela Pastoral Escolar. Trata-se, portanto, de juntamente com o Projeto Político Pedagógico. A Pastoral uma reflexão e ação em conjunto que questiona criticaEscolar está organizada em todos os níveis da educação, mente – à luz dos valores evangélicos – a própria educacomo um espaço de reflexão e ação, onde todos da co- ção, a vida e a ação dos educadores (pais, professores, munidade educativa – desde a equipe diretiva até os pais alunos e todos formadores de opinião) que influenciam

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direta ou indiretamente a formação humana, científica e religiosa de cada ser humano. A Pastoral Escolar nos colégios da Rede ESI dá prioridade às famílias, crianças, adolescentes e jovens, valorizando cada indivíduo e oferecendo uma formação integral para sua vivência na comunidade e sociedade. Nossa ação é também realizada em conjunto e em diálogo com as Paróquias onde estão inseridas nossas escolas, justamente para atender as reais necessidades da família, da criança e dos jovens. Ser cristão e construir o Reino de Deus requer um processo educativo para que cada pessoa livremente assimile, reconstrua e assuma a proposta de Deus como caminho para sua felicidade. A Pastoral Escolar caminha guiada pela Palavra do grande educador e pedagogo Jesus Cristo, respeitando as individualidades, onde cada um tem o direito de ser o que é. Sendo respeitado nas suas diferenças e no seu direito de cidadania universal, o indivíduo pode contribuir para a melhoria da sociedade. Cultivando e cuidando da vida, fazendo-a florescer através de uma educação voltada à formação do cidadão, sempre iluminada pela luz que é a Palavra de Deus, se busca deixar a lâmpada da fé sempre acesa no coração de cada estudante da Rede ESI. Buscamos desenvolver processos que ajudem nossos colaboradores e educandos a fazer uma opção consciente por Jesus Cristo e pelo seu Evangelho, levando-os a uma participação ativa e coerente na vida da comuni-

dade eclesial de fé, a partir de uma prática educativa transformadora. Bento XVI nos apresenta uma importante reflexão sobre a fé que nos ajuda a compreender melhor a importância da unidade entre fé e razão: “A fé não se opõe ao conhecimento científico, apesar da tendência da cultura contemporânea querer confinar a religião fora dos espaços da racionalidade. A fé é um dom e ato motivado e pensado, capaz de despertar nos povos ricas culturas. A perspectiva cristã considera a fé como horizonte de sentido, em direção à verdade plena, guia de um autêntico desenvolvimento. A busca por um diálogo transparente e verdadeiro é urgente. Sem esta interação necessária, as grandes perguntas da humanidade deixam os domínios da razão e da verdade, e se abandonam ao irracional. Por um lado, temos a busca pela investigação científica dos métodos e das especializações e, de outro uma visão integral deste universo no qual os seres humanos dotados de inteligência e liberdade, estão chamados a compreender, amar, viver e trabalhar”. A Rede ESI se preocupa em ajudar toda sua comunidade educativa a descobrir o caminho da fé e da maturidade em Jesus Cristo, que para todos nós cristãos é modelo de mestre e educador. Nossa ação missionária no mundo e na Igreja assume o mandato de Jesus: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,18) para que todos assumam seu protagonismo na Igreja e no mundo. Ir. Algma Geralda Soares, mscs Santo André - SP

A Pastoral Escolar busca possibilitar – por meio de processos pedagógicos, dinâmicos e criativos – o encontro dos estudantes com os valores do Reino propostos por Jesus

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Esi Borromeo:

Formando para a cidadania A Escola São Carlos Borromeo localizada na cidade de Curitiba é atualmente a mais recente das treze escolas scalabrinianas do Brasil, sendo algumas delas centenárias. Foi fundada em fevereiro de 1995, tendo atingido a sua autonomia neste ano de 2013.

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esde sua origem, em consonância com as propostas da Educação Scalabriniana, atende às crianças da Educação Infantil ao Ensino Fundamental. Conforme preconizava João Batista Scalabrini, a educação deve despertar na criança os mais nobres valores humanos, levando-as a almejar o conhecimento, a convivência humana pacífica, o comprometimento com a pátria, a construção da liberdade e uma profunda relação com Deus, nas relações estabelecidas com o outro, com a natureza e consigo próprio. A Escola conta com uma equipe comprometida com a qualidade educacional, proporcionando no cotidiano, a conquista sistêmica dos saberes acumulados pela humanidade, daqueles a serem construídos juntos e, sobretudo, desenvolvendo um trabalho que garanta a subjetividade de cada aluno que se encontra no processo educativo.

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Os espaços físicos e suporte tecnológico que favorecem diversas formas de aprender, construir conhecimentos e relacionar são cuidados e valorizados. A infraestrutura da Escola prioriza os espaços alternativos. Propicia-se aos alunos ainda nas séries iniciais, a participação nas Olimpíadas do Conhecimento (Astronomia e Astronáutica, Matemática, Física, Química, Geografia, História entre outras), como forma de verificação do aprendizado.

Crescimento da Escola Desde o ano de 2010, a Escola Borromeo tem como meta atingir um número aproximado de mil alunos. Investiu em novas salas da aula exclusivas para a Educação Infantil, e atualmente tem um espaço muito apropriado para o desenvolvimento das crianças na fase de 2 a 5 anos de idade. Considerando que a Escola trabalha com as disciplinas de Natação, Judô/Ballet, Música, Informática, Inglês, atividades ao ar livre, parques, horta, dentre outras, os espaços foram desenvolvidos pensando no bem-estar e exclusividade para essa faixa etária. Também foi investido na construção de um completo ginásio de esportes para a melhoria e aprimoramento da formação física dos alunos por meio de aulas sistematiza-


© Fotos ESI - Borromeo

das, treinamentos desportivos das diversas modalidades. Os alunos passaram a treinar mais e participar de jogos amistosos, campeonatos e competições. A mais desejada por eles são os jogos ESI que ocorrem a cada ano, sediado em uma das unidades da Rede ESI, quando têm a oportunidade de conviver com os colegas das outras Escolas, estabelecendo laços sólidos de amizade entre eles. O espaço físico da Escola Borromeo é muito agradável, pois a Escola foi construída dentro de padrões de sustentabilidade, com salas e ambientes claros, valorizando a iluminação natural, a integração com a natureza, e o cuidado com o entorno. Com pinturas, ora coloridas, ora claras, os ambientes se integram e proporcionam muita harmonia e bem-estar aos que passam suas manhãs ou tardes na instituição. A Escola conta A relação com a comunidade curitibana, sobretudo, a situada com uma equipe nas proximidades da escola é muicomprometida to amistosa e solidária. De macom a qualidade neira sistematizada os espaços da educacional, Escola são colocados à disposição, proporcionando para que ocorram reuniões e evenno cotidiano, tos de interesse da comunidade, a conquista criando assim vínculos e comprosistêmica misso de desenvolver conceitos dos saberes que agregue valor e gere processos acumulados pela de transformação social. humanidade

Ser aluno Borromeo Percebe-se que há uma forte procura das famílias para que seus filhos sejam alunos do Borromeo, forma carinhosa de chamar a Escola, pois é notável o alto nível de formação dos alunos, tanto do ponto de vista acadêmico, como na linha da formação humana, o que muito orgulha a todos que nela trabalham, estudam e convivem. Certamente o trabalho persistirá sendo incansável para garantir à sociedade brasileira, jovens talentosos e comprometidos com o bem estar e o desenvolvimento do país. Ir. Maria do Carmo Gandra, mscs ESI - Escola São Carlos Borromeo Curitiba - PR Esperança | 2º semestre de 2013 | 21


ESI São José:

Tradição e modernidade O ESI São José construiu uma história marcada pela tradição e inovação. Fundado em 1944, o Colégio tem como princípio educar para os valores cristãos e scalabrinianos como a acolhida, solidariedade, unidade na diversidade, tolerância, alteridade e respeito às diferenças, princípios que norteiam o trabalho pedagógico nas unidades de ensino da Congregação.

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om uma proposta pedagógica sócio interacionista, o Colégio concebe a aprendizagem como resultado da relação entre sujeito e objeto, ou seja, o aluno adquire seu conhecimento interagindo com o objeto de estudo que pode ser tanto de modo experimental, no concreto, como teórico, estudando e relacionando conceitos. A concretização da proposta pedagógica se dá por meio da formação continuada dos professores e pela constante inovação das disciplinas e recursos físicos. Conciliar tradição e inovação é o grande desafio assumido pela equipe diretiva do Colégio. O trabalho pedagógico consiste no estudo proposto pelo sistema de ensino adotado, estudo do meio e na realização 22 |


como objetivo primeiro, criar o hábito de estudo e postura de estudante. Na Educação Infantil a avaliação é feita por meio de relatórios e no Ensino Fundamental I, além das provas, são aplicados diferentes instrumentos de avaliação como a produção textual e jogos de raciocínio lógico. No Ensino Fundamental II e Ensino Médio os alunos realizam duas provas semanais de pequenos blocos de conteúdos por componente curricular. Ao final de cada trimestre eles fazem a Prova Geral que abrange todo o conteúdo estudado durante a unidade letiva. No Ensino Médio, além destes instrumentos de avaliação, os alunos realizam diversos simulados com foco no ENEM e vestibulares. Os alunos participam também de atividades artísticas, culturais e esportivas, como aulas de teatro, ginástica, judô, danças, coral e treinamentos de futsal, vôlei, basquete e handebol. Além de festivais, campeonatos e olimpíadas com o objetivo de despertar o desejo de realização e superação.

Estes diferenciais tornam o Colégio São José uma referência há 70 anos em educação de qualidade e na acolhida personalizada, e dá a cada aluno a possibilidade de desejar, sonhar e realizar seu futuro, que começa aqui e agora com uma educação de excelência. Daugna Maria Soares ESI - Colégio São José Santo André - SP

Com uma proposta pedagógica sócio interacionista, o Colégio concebe a aprendizagem como resultado da relação entre sujeito e objeto, ou seja, o aluno adquire seu conhecimento interagindo com o objeto de estudo que pode ser tanto de modo experimental, no concreto, como teórico, estudando e relacionando conceitos

© Fotos ESI - São José

de projetos interdisciplinares. Dentre os projetos desenvolvidos destaca-se o “Projeto MenteInovadora” que tem como objetivo desenvolver no aluno as competências cognitivas, sociais, emocionais e éticas. O ESI São José compreende o processo educativo como aquele que humaniza e personaliza o homem e a mulher, conduzindo-os a atitudes de compreensão, de participação e de comunhão; acredita que o próprio homem pode humanizar o mundo, produzir cultura, transformar a sociedade, construir história. Tem como missão “promover uma educação de excelência, formando pessoas comprometidas com a cidadania universal, fundamentada nos valores cristãos” conforme orienta as Diretrizes da Educação Scalabriniana Integrada. A proposta pedagógica compõe um sistema de avaliação contínua para aferição do trabalho desenvolvido pelos docentes e dos resultados obtidos pelos alunos. Os alunos são avaliados constantemente tendo

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Marco Educacional em Cascavel Esta história teve início em 1957, quando, no dia 16 de março, chegaram a Cascavel quatro religiosas, a pedido do Reverendo Padre Guilherme Maria Heyer, vigário da cidade, para dar início à Escola que recebeu o nome de Nossa Senhora Auxiliadora, a pedido do próprio Padre Guilherme, em agradecimento por uma graça recebida.

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o longo dos anos, a Escola cresceu e se desenvolveu amplamente, sendo a pioneira e corresponsável pela criação de novos mecanismos de viabilização do desenvolvimento do ensino no município e na região. O ESI Auxiliadora, visando à formação e capacitação dos educandos, tem como compromisso político inserir-se no processo de construção da cidadania, contribuindo especificamente para a produção e socialização do conhecimento, relacionado com uma educação voltada às necessidades da sociedade da região. Assim, o Colégio não só possibilita o avanço da Instituição no tempo, mas também a efetiva realização do seu compromisso político-pedagógico. A celebração dos 56 anos impulsiona a refletir sobre alguns aspectos importantes e as profundas mudanças sociais que nos impulsiona a renovar, a cada dia, o nosso compromisso com 24 |

© Fotos ESI - Auxiliadora

ESI Auxiliadora completa 56 anos:

uma educação capaz de dar respostas efetivas à sociedade em transformação. Hoje, o ESI Auxiliadora define-se como espaço e lugar de liberdade solidária, de excelência acadêmica, fiel ao espírito fundacional, no seguimento de Jesus e com a mesma determinação das iniciadoras desta obra, fruto do crescimento desses longos anos. As primeiras Irmãs dessa comunidade educativa não contavam com meios materiais, mas era clara a sua missão: “Educar para formar pessoas capazes de “aprender a aprender”, sujeitos livres, conscientes, críticos, solidários e comprometidos no processo de construção e transformação da sociedade”. Assim, de modo progressivo e com a generosa ajuda de tantas pessoas e instituições, sem cômodos conformismos, avançando e se adequando aos tempos, construíram um marco educacional em Cascavel, que enche a todos de orgulho, alegria e esperança. Com otimismo e sustentadas pela Graça de Deus, desejamos que esta história continue para sempre. Que as gerações passadas passem o legado da experiência e do saber às gerações atuais e assim sucessivamente, numa partilha de conhecimento e dons que fortalecem a fé e constroem cidadania. Conheça alguns dos projetos que estamos desenvolvendo na escola durante este ano:


Projeto: acolher o migrante Acolher é um dos princípios da Educação Scalabriniana. No mês de junho, dedicado aos migrantes, é desenvolvido com os alunos do maternal ao quinto ano do Ensino Fundamental I, o projeto “Acolhendo o Migrante em Minha Casa” o qual incentiva as crianças a respeitarem e acolherem todas as pessoas nas suas diferenças. No decorrer do mês, cada turma recebe um “Boneco Imigrante”, dá um nome e, posteriormente, cada aluno o leva para casa, e faz um diário como foi o acolhimento dado a este personagem. Os alunos também pesquisam sobre cultura, gastronomia, economia, política e brincadeiras típicas do país de origem do “Boneco Imigrante” Os bonecos deste ano representaram os imigrantes dos países de México, Portugal, Equador, Bolívia, Peru, Polônia, Alemanha, Moçambique, Espanha e Itália. Estes países foram escolhidos porque estão entre vinte e oito países onde as Irmãs Scalabrinianas marcam presença missionária junto a estes povos. O encerramento do projeto acontece com exposição de objetos e artesanatos usados pelos imigrantes.

Projeto: voluntariado juvenil Com o objetivo de aliar o fazer pedagógico, com ações relacionadas à fraternidade e espiritualidade, os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio desenvolvem de março a junho o projeto “O bem que podemos fazer”, como parte da Campanha da Fraternidade de 2013: “Fraternidade e Juventude: Eis-me aqui, envia-me!”. O projeto contribui para incentivar o voluntariado juvenil e a prática da pedagogia da acolhida, levan-

Educar para formar pessoas capazes de “aprender a aprender”, sujeitos livres, conscientes, críticos, solidários e comprometidos no processo de construção e transformação da sociedade

do os alunos a perceberem que são capazes de fazer o bem e sentirem que abraçar uma causa enobrece e modifica a percepção da realidade que se tem em volta. Este ano, os alunos visitaram a Casa de Apoio da UOPECCAN (União Oeste Paranaense de Estudos e Combate ao Câncer) do Hospital do Câncer, Recanto da Criança, Creche Anjo da Guarda e Escola Municipal Maria Fumiko.

Encontro “Criança Scalabriniana” Realizado semestralmente, o encontro denominado “Criança Scalabriniana” destinado aos alunos da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, colabora para que aflore nos educandos os valores cristãos e scalabrinianos da acolhida, solidariedade e respeito às diferenças. Em consonância com a o tema da Campanha da Fraternidade de 2013, foi trabalhado com os alunos o tema: “Aluno Scalabriniano: construindo uma saudável autoestima”. O encontro tem como objetivo fortalecer o bem, as qualidades e as potencialidades inatas dos educandos para que cresçam saudáveis em todas suas dimensões: emocional, social e espiritual. Ir. Vicentina Roque dos Santos, mscs Ir. Lenir Moreira Valério, mscs Cascavel - PR Esperança | 2º semestre de 2013 | 25


Excelência em Guarapuava A história do Colégio ESI Nossa Senhora de Belém faz parte da história do Município e da própria Diocese de Guarapuava. Fundado em 07 de maio de 1907, o Colégio foi criado como um pequeno espaço destinado à educação infantil. O nome da escola surgiu da ideia de homenagear a devoção do povo guarapuavano à Mãe de Deus, venerada na cidade sob o título de Nossa Senhora de Belém.

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tualmente, o Colégio atende a mais de 650 alunos oferecendo educação de qualidade e excelência desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Em 2013, iniciou a oferecer também a Educação em perío­do Integral. O ESI Belém têm sempre conquistado lugares de destaque no ENEM e outros concursos. Em 2012, obteve o 1° lugar entre os Colégios da Rede ESI, o 1° lugar na cidade de Guarapuava e o 15° lugar no Estado do Paraná. O ESI Belém, desde sua Fundação, é destaque em qualidade de ensino e educação. Inúmeros médicos, engenheiros, políticos, administradores e tantas outras pessoas, que escolheram diferentes profissões passaram pelas salas de aula deste colégio, recebendo uma sólida formação intelectual, humana e espiritual. 26 |

Contextualização Guarapuava é o município mais populoso da região centro-sul do Paraná e o nono mais populoso do estado, com 167.328 habitantes, segundo o censo do IBGE-2010. Enquanto polo regional de desenvolvimento tem forte influência sobre os municípios vizinhos. O município faz parte também de um entroncamento rodoferroviário de importância nacional, denominado corredor do Mercosul, entre os municípios de Foz do Iguaçu e Curitiba. Sua localização no alto do Terceiro Planalto Paranaense faz de Guarapuava um dos municípios mais frios do estado. Guarapuava é conhecida pela diversidade étnica, uma vez que o município acolheu diversos imigrantes ao longo de sua história (alemães, ucranianos, poloneses, italianos, portugueses entre outros). Além disso, a cidade

© Fotos ESI - Belém

ESI Belém:


possui o único quilombo paranaense e diversas reservas indígenas espalhadas pela região. Essa diversidade étnica pode ser notada na cultura, arquitetura e tradições que se espalham pela cidade e região. No que tange ao Ensino Superior, a cidade

conta, atualmente, com cinco unidades de Ensino, são elas: • Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) • Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) • Faculdades Campo Real

• Faculdade Guairacá (Guairacá) • Faculdade Guarapuava (FAG)

Ir. Edileuza Cruz Silva, mscs ESI - Colégio Nossa Senhora de Belém Guarapuava - PR

Destaques sobre a educação Scalabriniana

Júlio Kaminski Caetano: é estudante do 3° ano do Ensino Médio. Recentemente, foi aprovado em 4° lugar no vestibular para Educação Física na Universidade Estadual de Maringá (UEM).

“O

aprendizado que recebi neste tempo foi muito importante para minha aprovação, considero tudo que recebo aqui, os valores como amizade, família, essenciais para minha formação. Um dos valores que levo para minha vida é o respeito, eu não tinha muito respeito pelos outros e creio que este é um dos valores que mais aprendi aqui”.

César Augusto Carollo Silvestri Filho: eleito prefeito de Guarapuava em 2012, estudou no Colégio Belém no período de 1985 a 1995, percorrendo a Educação Infantil e o Ensino Fundamental.

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melhor fase de qualquer pessoa eu passei no Colégio ESI Belém, a infância e a adolescência. Minhas melhores memórias de amizade são deste tempo, meus melhores amigos de hoje foram as amizades cultivadas neste tempo. As Irmãs Rita e Graça que dirigiam o Colégio estão na minha memória, os professores me marcaram muito, hoje alguns deles são meus amigos. Lembro do simbolismo da “rampa”, me recordo com tanto carinho que somente os maiores podiam descer, e a gente não via a hora de ficar “grande” para descer pela rampa, e até hoje filhos de amigos me contam desta tradição que permanece, era um rito de passagem. A formação sempre esteve associada a firmar valores que, hoje, como adulto é muito clara a sua importância. Até hoje me lembro do hino do Colégio: “Aqui me sinto bem e me convém, passo por passo caminhando na busca de uma vida que seja bem melhor...” Esperança | 2º semestre de 2013 | 27


lém © Fotos ESI - Be

Maria Alice Borazo Silveira: fez sua formação desde a pré-escola até o 9° ano. Formada em Pedagogia hoje é professora na Educação Infantil no Colégio Belém.

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inha família é composta de 5 irmãos. Todos estudamos aqui, inclusive minha mãe foi interna no Colégio. Meus dois filhos Guilherme e Geovana fizeram e fazem sua formação aqui. É uma tradição de família estudar no Belém. Uma das minhas melhores recordações são das amizades, elas me construíram. Há muitos anos eu trabalho com a Educação Infantil no Colégio Belém sou apaixonada por aquilo que faço, é um desafio nos dias de hoje a educação, mas eu amo trabalhar com as crianças e amo trabalhar aqui”.

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im visitar o Colégio porque aqui vivi momentos inesquecíveis e é muito bom rever o lugar e pessoas que fizeram sua história. Muitos amigos e primos também estudaram aqui, erámos uma família. Minha mãe era professora da escolinha de Basquete, e o ginásio de esportes era meu lugar preferido. Aqui o esporte se fortaleceu na minha vida. Mas lembro das atividades como a festa junina, do Nana Belém, das gincanas que eram bem organizadas e nas minhas recordações elas estão entre as melhores”.

Mercedes Loures de Lacerda: carinhosamente chamada de Dona Mercedinha hoje com 81 anos, uma grande admiradora do Colégio Belém. Estudou no Colégio de 1941 a 1949 e nos relata sua experiência.

Júlia Virema Agner: aluna do 5° ano do Ensino Fundamental, ingressou na escola desde o maternal.

oi realmente um período maravilhoso, a convivência com aquelas santas religiosas que por longos anos nos protegeram contra as ondas tempestuosas da ignorância e do erro. Meus filhos estudaram e hoje minha neta estuda no Colégio ESI Belém, pois além do intelecto, os valores morais e espirituais são prioridade”.

u gosto muito das professoras, acho que elas ensinam muito bem. A maioria dos meus amigos estão comigo desde o maternal. Uma das atividades que eu mais gosto é o Nana Belém, quando dormimos no Colégio e fazemos uma baguncinha. É muito divertido. Nesta noite nós dialogamos sobre temas interessantes, jantamos fora, passeamos e depois vamos dormir tarde. É muito legal”.

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Thiago Gelinski: jogador profissional de voleibol do Moda/Maringá que estará na Super Liga 2013/2014. Thiago também faz parte do Programa de Alto Rendimento do Exército que disputa Jogos Militares Mundiais. Ele estudou da Educação Infantil até o 9° ano no Colégio e em visita nos falou de sua experiência.

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© Fotos ESI - Santa Teresa

ESI Santa Teresa: 74 anos educando gerações

Ituiutaba, município com pouco mais de 100 mil habitantes, está localizada no Triângulo Mineiro, num bico formado pelos Rios Paranaíba e Grande. Apresenta um relevo plano com terras boas para agricultura e pecuária. Na década de 30 Ituiutaba viveu uma situação privilegiada com acelerado desenvolvimento da agricultura, recebendo a denominação de “capital do arroz”, na qual médios e grandes proprietários de terras tiveram grande influência econômica e política na região.

É

neste contexto histórico-social que a ESI Santa Teresa está inserida desde 1938, quando chegaram as primeiras Irmãs Scalabrinianas: Ana Fachin, Rosalina Scorpiano, Filipina Rocha e Leticia Negrizollo. Em 02 de fevereiro de 1939 as Irmãs iniciaram suas atividades educativas no Colégio Santa Teresa, sendo sua primeira diretora Irmã Letícia Negrizollo, e tendo como missão atender a crescente clientela que surgia: algumas alunas internas, filhas de proprietários de terras, que além de estudar, auxiliavam as Irmãs nos serviços da casa e, também a atender os alunos e alunas que residiam na cidade.

Ao longo dos anos o trabalho educativo e religioso das Scalabrinianas foi sendo reconhecido pela comunidade da cidade. Esse reconhecimento é notável nas matérias colhidas de jornais e reportagens da época, que retratam a importância do Colégio para o desenvolvimento educacional da sociedade local. Depois de alguns anos, o prédio do colégio tornou-se a construção mais importante e moderna da época constituindo-se em símbolo sagrado do saber e dos ensinamentos religiosos católicos. Assim o Colégio Santa Teresa contribuiu para mudar a situação Educacional de Ituiutaba oferecendo um ensino de qualidade, comprometido com a formação humana e cristã. Setenta e quatro anos se passaram, gerações se formaram e o Colégio continua a desenvolver seu projeto educativo constituindo-se numa presença eclesial de destaque, prestando sempre seu serviço à comunidade local. Atualmente o Colégio oferece: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, em uma proposta motivadora que propicia aos educandos, além da excelência acadêmica, um estímulo à descoberta e ao resgate de valores essenciais para a vida, de forma que sejam agentes transformadores e façam a diferença na socieEsperança | 2º semestre de 2013 | 29


- Santa Te

resa

A Educação é vista por toda a equipe da ESI Santa Teresa como um processo constante de construção da identidade de cada pessoa

© Fotos ESI

dade. Nosso compromisso social é auxiliar o educando a estabelecer rumos e objetivos para a sua vida, enfrentando os desafios e conflitos que se apresentam em sua formação. Nos vários projetos que a equipe pedagógica desenvolve em todas as séries e disciplinas, ainda que sejam eles para aprofundamento de conteúdos estudados, sempre se busca tornar visíveis os princípios que norteiam nossas práticas educativas e os valores de acolhida, respeito às diferenças, tolerância, honestidade, esperança, solidariedade, humildade, compaixão, universalidade, justiça, diálogo e disciplina, formando os educandos para a vida. Dentre esses vários projetos desenvolvidos destacamos: “alimentação saudável”, “reciclagem e meio ambiente”, “higiene e saúde”, “contação de histórias”, “campanhas solidárias”, dentre outros. A partir de 2009, com o crescimento do fluxo migratório na região, devido à busca de trabalho nas usinas de álcool e açúcar, no período da safra de cana de açúcar, a comunidade religiosa da ESI Santa Teresa passou a desenvolver um trabalho missionário de acolhida a esses migrantes com ações sócio-educativas que propiciam espaço de convivência e interação grupal, cidadania, formação e organização na luta por

seus direitos. Esse trabalho abre espaço para a comunidade educativa desenvolver o específico do Carisma Congregacional Scalabriniano, pois, os alunos se integram e participam das ações educacionais nas moradias das famílias migrantes, sensibilizando-se assim em relação ao fenômeno migratório. A Educação é vista por toda a equipe da ESI Santa Teresa como um processo constante de construção da identidade de cada pessoa, por isso formamos uma equipe alegre, acolhedora, solidária, consciente de seu papel frente aos desafios de educar na sociedade de hoje, e abertos a ensinar e aprender sempre. Ir. Eva Lecir Brocco, mscs ESI - Colégio Santa Teresa Ituiutaba - MG

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Eles falam sobre o ESI Santa Teresa

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pessoa que hoje sou devo aos meus genitores e à educação que recebi durante os nove anos em que estudei no Colégio Santa Teresa, das Irmãs Scalabrinianas. Iniciei meus estudos na zona rural, na fazenda de meus pais. Sou Pedagoga e trabalhei na rede estadual de ensino como Especialista de Educação e fui Secretaria Municipal de Educação. A educação, o conhecimento e a instrução que recebi no Santa Teresa muito contribuíram para o perfil profissional que adquiri e pratico, tanto no trabalho como na vida particular. Sou muito feliz por ter tido a oportunidade de estudar no Colégio Santa Teresa, e dele hoje fazer parte”.

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Edmar Franco Borges Paranaiba

uando iniciei o Curso Normal, também chamado Magistério fiquei um tanto eufórica, pois era muito jovem, mas senti que era para mim o começo da realização de um grande sonho, o de ser professora. Porém, o que eu não sabia é que esse sonho se tornaria realidade tão rápida. Hoje, 28 anos depois, a ciência, o conhecimento, os valores, a fé, a acolhida, a escuta e a vida se funde para fazer da minha história na ESI – Santa Teresa uma missão intensa e rica de sentidos. “

Coordenadora Pedagógica

Ana Paula Dias Carvalho Orientadora Educacional

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oje com 35 anos, fisioterapeuta, casada e com dois filhos, percebo quanta

diferença fez na minha vida a escolha dos meus pais pelo Colégio Santa Teresa na minha infância. Uma escola de qualidade tanto na formação pedagógica quanto no acompanhamento pessoal, social e emocional. Aprendíamos de tudo um pouco. Vivi momentos inesquecíveis, que me transformaram em uma adulta segura, honesta, bem formada profissionalmente, que respeita o próximo e, principalmente, que ama a Deus sobre todas as coisas. A Educação Scalabriniana tem na sua essência uma formação “tradicional”, hierarquizada, que ensina as crianças a amar a Jesus, a respeitar os pais e as outras pessoas mais velhas, a respeitar o próximo, a solidariedade, a caridade, formando adultos felizes pessoalmente, socialmente e profissionalmente.

Foi por todos esses motivos que quando junto com meu marido (que também estudou na escola), fomos escolher a escola dos nossos filhos, não hesitamos que fosse o ESI Santa Teresa, pois queríamos uma Instituição que continuasse a formação familiar que temos. Não me preocupa tanto o conteúdo pedagógico que é também comprovado sua excelência mas, sobretudo, a formação de bons princípios, de uma educação humana e religiosa, pois, no mundo em que vivemos, com tantos males atingindo a família, precisamos de pessoas fortes, determinadas, de caráter e competência em todas as situações de suas vidas, e sabia que encontraria tudo isso na ESI Santa Teresa”. Denise Guimarães da Silva Zoccoli Mãe dos alunos: Gustavo Guimarães Zoccoli e Maria Eduarda Guimarães Zoccoli Esperança | 2º semestre de 2013 | 31


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ecordo com saudade do Colégio Santa Teresa, instituição onde fui muito feliz, aprendi as primeiras letras – que me fizeram ler e escrever o mundo de outra forma – fiz meus primeiros amigos, recebi carinho e atenção, compreendi importantes valores. Lembro-me das Irmãs nos encaminhando para a capela, orientando-nos durante nossos alegres recreios... os sorrisos de aprovação e os olhares com diferentes significados... Tenho muito a agradecer... Muitas professoras a homenagear: Ir. Leonardina, Ir. Marines, Ir. Maria, Ir. “Cida”, Tia Elvira... Nomes que surgem deliciosamente na memória e que somados a outros tantos, representam os valores que considero caros ao bom profissional e ao ser humano que sou: a seriedade, a honestidade, a integridade, a sensibilidade, o afeto, a disciplina, a fé e a esperança. O ESI, Colégio Santa Teresa, abriga, ao longo de sua história, o peso da tradição, o reconhecimento da comunidade e, mais do que isso, prima pelos valores humanos, pela educação de qualidade que proporciona felicidade. Raquel Balli Cury Mãe dos alunos: Mariana Cury Mendes e Lucas Cury Mendes

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studo na ESI Santa Teresa há 13 anos e não posso deixar de citar a sua grande influência sobre minha educação. De todas as coisas boas que até hoje aprendi, várias são frutos de uma convivência de anos com a família Scalabriniana, que colabora com meu rendimento esportivo, intelectual e moral.”

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Tereza Gouveia Vasconcelos de Souza

a minha concepção a escola é de suma importância para o desenvolvimento intelectual, emocional e social do ser humano. E foi na ESI Santa Teresa que passei os períodos mais importantes da minha vida até hoje. Posso dizer que o Colégio Santa Teresa é uma escola diferente, pois aqui adquiri não só o conhecimento necessário para fazer um vestibular, mas também para minha formação religiosa cristã.”

Aluna do 1º ano Ensino Médio

Gabriela Yumi Gervásio Tano

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omecei a estudar no Colégio Santa Teresa com três anos de idade. Desde então cada ano que passo eu cresço mais como pessoa, pois a escola é minha segunda casa onde eu passo grande parte do meu dia. Eu aprendi, e ainda estou aprendendo, valores culturais e morais para o meu presente e futuro. Nesse tempo que eu estudei e estudo, cultivei grandes amizades não só com colegas, mas também professores que se fazem presentes no meu dia a dia, e passam experiências e aprendizados que ficam para sempre”. Hygino José Ferreira Neto Filho Aluno do 2º ano Ensino Médio

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© Fotos ESI - Santa Teresa

Aluna do 3º ano Ensino Médio


Os homens acabam, a humanidade permanece Uberaba bem sabia os ganhos que a cidade teria com a fundação de um novo colégio. Nesse compasso, de vir não vir, o Natal já tinha passado e eis que, na cidade, chegaram em 29 de dezembro de 1939 as primeiras Irmãs Scalabrinianas: Madre Borroméia Ferraresi, Irmã Ana Facchin, Irmã Letícia Negrisolo, Irmã Maria Felipina da Rocha e Irmã Rosalina Scorpiapino. As quatro ficaram hospedadas na residência do casal, Rua 18 nº 1188 (hoje). Vieram, como é sabido, para ficar, e aqui a Congregação está na cidade há 74 anos. Retornando ao passado mais uma vez, é interessante assinalar que dona Olegária pedira a seu pequeno filho Lélio avisar à minha mãe Isaura que as freiras haviam chegado e estavam prontas para receberem visitas. Foi assim que tivemos o primeiro contato com as Irmãs, uma vez que, nesse mesmo dia à tarde, dia 29 de dezembro, receberam nossa visita de boas vindas. Nesse ambiente foi colocado em cena um fato importante: a coincidência de ambas as partes, a comunidade e a Congregação de terem um objetivo comum que seria a criação do Colégio Santa Teresa. Eu, o jovem Luiz Alberto Franco Junqueira, via pela primeira vez as fundadoras do colégio religioso de Ituiutaba e isso, consequentemente, possibilitou que eu fosse o primeiro a matricular-se no Colégio Santa Teresa. Queiram ou não, até o fim da vida, carregarei no meu currículo a láurea de ser o primeiro em Ituiutaba a entrar nessa oficina de formação de pessoas para os grandes embates da vida. De lá, para cá, grande labuta se empreendeu comigo porque o Colégio Santa Teresa abriu definitivamente meus olhos para o mundo, orientando meus passos ao ritmo do brasão da Congregação que cultua a humildade e a humanidade em seu cerne para exercer com galhardia a vida de cidadão. © ESI - Santa Teresa

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screver sobre a saudade é algo difícil, porque a pessoa se obriga a abrir o que está arquivado no coração. Aí vem o amargo na boca. Enfim, a vida é assim mesmo e, quando envelhecemos, sentimos saudade de alguma coisa, ou de acontecimento passado por nossas vidas. Diria que, antigamente, eu tinha saudades do futuro, isto é, pensar no futuro, tudo aquilo que teria acontecido no meu passado. E mais ainda: que o futuro seria meu passado. Minha vida foi marcada por gostar de novidades, já que a infância numa cidade pequenina, sem atrativos, era praticamente pacata, sem rotina. Naqueles tempos o ritmo era outro e, lembro-me bem que, no máximo, poderíamos andar pela Rua da Matriz (Rua 20), ir à escolinha, visitar amigos na companhia dos pais ou parentes mais chegados e, à tardinha, rezar na Igreja de São José. Ainda que não se entendesse isso como rotina era tudo, ou quase tudo, que se tinha para fazer na Ituyutaba da década de 1930. Naquele tempo, escrevíamos Ituyutaba, depois de 1940, Ituiutaba. Como frequentávamos sempre a Igreja, já sabíamos que o vigário de Ituiutaba, padre Fortunato Morelli, tinha a intenção de presentear a cidade com uma Congregação de freiras que se encontravam desejosas de instalar um colégio nas redondezas. No meio católico esse acontecimento era saudado com euforia. Havia os que desdenhavam da boa nova. Será mesmo possível? Essa era a indagação dos mais céticos. Pois bem, tudo isso se tornou realidade porque algumas pessoas ilustres de nossa cidade se uniram para por em prática tal empreendimento. A senhora Olegária Ribeiro Cha­ves e seu marido Gerôncio Chaves, por exemplo, deram todo apoio à iniciativa, pois como católicos praticantes estavam a reivindicar ao padre colocar em andamento a ideia de dotar a cidade de escola administrada por freiras. Ela tinha experiência própria como ex-aluna da primeira turma do Colégio Nossa Senhora das Dores de Uberaba, das Irmãs dominicanas. Ele, Gerôncio, como ex-aluno do Colégio Diocesano do Sagrado Coração, dos Irmãos Maristas de

Luiz Alberto Franco Junqueira* * Primeira matrícula no Colégio Santa Teresa, em 1939. Historiador-genealogista. Foi deputado estadual durante quatro mandatos, autor de leis que beneficiaram muito a cidade. Esperança | 2º semestre de 2013 | 33


Revista Esperança nº10  
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