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com quem falei foi com minha irmã Edimi. Disse para ela avisar a mamãe que estava livre e que achava que ficaria na casa das Irmãs, num convento (riso).

Aqui na casa das Irmãs você se sente em casa. Como é seu dia a dia?

dia a Deus que me tirasse daquele lugar, porque não pertencia àquele grupo, e Deus entrou em mim. Eu lá preso, naquele clima de desespero, ofertas para eu poder usar drogas. Mas, como não fumo nem compactuo com isso, Deus me fortaleceu e eu não cai nessa tentação.

Já disse para elas que quem lava a louça sou eu. Mas aqui eu cozinho. Elas me deixam fazer comidas típicas do meu país. Faço uma banana cozida, com peixe cozido bem gostoso e as irmãs adoram arroz com muita verdura... Muito bom (ar de felicidade) também trabalho fora durante o dia.

Teve medo de morrer dentro do presídio?

Qual a sua expectativa?

O que você rezava?

Chegar ao meu país, conseguir meu emprego de volta, retomar minha vida, como antes, mas, com mais cautela. Vou contar minha história para meus filhos, meus conterrâneos e a muito mais pessoas para não caírem nessas armadilhas de maus feitores.

À Nossa Senhora Aparecida. Tinha um terço com o rosto dela, que um presidiário me ofereceu. Pedia a Nossa Senhora de Fátima e a Nossa Senhora da Conceição, padroeira do meu país, e a um santo muito poderoso, São Tomé, que me fortalecessem porque eu não era traficante. Ganhei este adjetivo porque fui pego com droga. Mesmo nos horários das minhas orações muitos me perturbavam, mas eu sempre insisti até que Deus deu-me a luz... Pedia a Ele, tanto para mim, quanto para outros colegas de prisão, que estão lá presos, que mudem, que deixem os maus pensamentos, os costumes e se tornem pessoas mais dignas, cidadãos de verdade.

Como se sente, sabendo que vai voltar? Uma alegria imensa, saudade da minha mãe, dos meus filhos. Peço a Deus que me proteja, que me guie até chegar lá.

O que significou para você ficar 8 meses num presídio e como inocente?

“Peço a Deus que abençoe esta congregação e os fortaleça para que venham a proteger outras pessoas”.

Fotos: Irmã Rosa Maria Martins Silva

É uma coisa muito complicada. Tive um lugar onde não conhecia ninguém, em meio a pessoas agressivas, outras não, e eu tinha que saber estar, me comportar, saber falar, muitos provocavam, me pisavam, nunca perguntava por quê, ficava na minha, sempre tranquilo. Sempre pe-

Tive medo sim, porque são muito agressivos. Havia situações de violências. Muitos pensam em fazer mal aos outros, inclusive, surgiam casos de homicídios lá dentro e me sentia muito muito abalado e nesses momentos me agarrava em Deus, rezava muito.

Você rezava, então, também para aqueles que estavam no presídio com você? Sempre que eu rezava, rezava também para eles e aprendi uma coisa em São Tomé, através de minha mãe e de um padre chamado Miguel, que nós nunca devemos rezar só para nós. Devemos rezar para nós e para os outros, mas pedirmos sempre para nós também, para que Deus nos abençoe a todos. Quando rezo só para uma pessoa Deus atende, mas quando é para a coletividade, é melhor. Então sempre rezava para todos e também para os meus filhos, minha esposa, embora não estejamos juntos, minha mãe, meu pai, meus irmãos, minha Irmã Edimi que está em Londres, para todos que me deram muita força.

Quando os outros presidiários te viam rezando, diziam algo? Você se sentia provocado por eles? Me perguntavam porque estava a chamar Deus, e me diziam que Ele não me atenderia, que eu ficaria mais dez anos, mas nunca respondi. Pedia ao Senhor que os perdoassem, pois, eram inocentes, não sabiam o que estavam dizendo.Uns conhecem a palavra de Deus, mas ignoram. Muitos fazem por ignorância. Tinha muitas provocações, Esperança | 2º semestre de 2014 | 9

Revista Esperança nº12  
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