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REVISTA Órgão oficial da

ANO XIII • #58 • AGOSTO|SETEMBRO|OUTUBRO|2012

Congresso Gaúcho promove ciência e intercâmbio de ideias

PÁGINAS 8 E 9 Jomar de Souza, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte; Félix Drumon, presidente da Confederação Sulamericana de Medicina do Esporte; Beto Grill, ortopedista e vice-governador do RS; e Paulo Ricardo Piccoli Rocha, ex-presidente da SBOT-RS

SBOT-RS discute condições de trabalho no II Fórum de Defesa Profissional

No Ponto de Vista, especialistas falam sobre Artrodese e Laminectomia

Dr. Carlos Schwartsmann recebe título de Cidadão Emérito de Porto Alegre

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PÁGINAS 6 E 7

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NOTA DE ESCLARECIMENTO

Informamos aos ortopedistas que a SBOT-RS arcou com todas as despesas referentes à edição e distribuição deste número da revista da instituição. O contrato de patrocínio que vinha custeando a publicação até a edição anterior foi cancelado à revelia da direção da entidade. Informamos ainda que estamos trabalhando na busca de patrocínios e também providenciando um novo contrato com os Correios. Dr. Alexandre guedes Marcolla Presidente da SBOT-RS


PALAVRA DO PRESIDENTE

DIRETORIA 2012/2014 Presidente

Alexandre Guedes Marcolla Vice-Presidente

Ary da Silva Ungaretti Neto Primeiro-Secretário

Carlos Guilherme Weissheimer Berwanger Segundo-Secretário

Marcos Paulo de Souza Primeiro-Tesoureiro

Carlos Eduardo Valiente Ferreira

dr. alexandre guedes marcolla PHG Studio

Honrados e bem dispostos

Segundo-Tesoureiro

Rafael Duvelius Ott

É com muito orgulho e disposição que assumo a presidência da re-

Primeiro Diretor Científico

gional gaúcha da SBOT, junto com a nova direção. Continuaremos

Antero Camisa Junior Segundo Diretor Científico

Luciano Storch Keiserman Terceiro Diretor Científico

o trabalho que vinha sendo feito pela administração anterior, estimulando a participação dos colegas e também buscando inovações.

Sergio Roberto Canarim Danesi

O Congresso Gaúcho de Ortopedia e Traumatologia, realizado em

Diretor de Defesa Profissional

Porto Alegre, de 10 a 12 de maio 2012, contou com a participação de

Douglas Carpes

mais de 450 ortopedistas e fechou com sucesso a gestão anterior.

Diretor de Divulgação

Paulo Ricardo Piccoli Rocha

Iniciamos a organização do XVIII Congresso Sul Brasileiro de Orto-

Conselho Editorial da Revista da SBOT-RS Dr. Osvaldo André Serafini Dr. Alexandre Guedes Marcolla Dr. Francisco Consoli Karam Dr. Antero Camisa Junior Dr. Carlos Francisco Jungblut

pedia e Traumatologia, que será promovido em Gramado, nos dias 20 a 22 de junho de 2013, cujo cronograma está sendo cumprido. As regionais de Santa Catarina e do Paraná estão participando ativamente. O próximo Congresso Gaúcho de Ortopedia e Traumatologia ocorrerá na cidade de Caxias do Sul, em 2014. Os colegas da Serra já

REVISTA

têm a organização em andamento, com data e local reservados. Órgão oficial da

Publicação dirigida aos ortopedistas brasileiros. Editor

Osvaldo André Serafini Edição

Vitrine de Notícias Jornalista responsável

Agora, no dia 31 de agosto, teremos o Fórum Nacional de Defesa Profissional, evento organizado pela SBOT e que será realizado pela SBOT-RS, na AMRIGS. Inclusive, informo que, pela sua relevância, o tema defesa profissional será contemplado em todos os eventos promovidos pela SBOT-RS. Estamos iniciando uma nova fase da nossa revista da SBOT, o ór-

Paula Oliveira de Sá MTb 8575

gão oficial de divulgação da entidade, que volta a ser editada em

Imagem da capa

Porto Alegre, com novos projetos editorial, gráfico e comercial. To-

Fotos Rocha

dos os contratos referentes à revista serão com a SBOT-RS. Passa-

Editora-executiva

mos a contar com um conselho editorial e desejamos divulgar as

Jornalista Dóris Fialcoff MTb 8324 Impressão Tiragem 2

Sônia David Multicomunicação

mil exemplares

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a posição da diretoria da entidade.

SBOT-RS Av. Ipiranga, 5311/102 – CEP 90610-001 Porto Alegre/RS – 51 3339.1184 sot@sbotrs.com.br – www.sbotrs.net.br

realizações dos colegas de todo o Estado, tanto dos serviços de residência quanto dos que não fazem parte desse tipo de atividade. Realizaremos ainda ajustes que dependem de Assembleia Geral Extraordinária, que será convocada a seu tempo. Essas são as nossas metas e contamos com todos para alcançá-las. Boa leitura! 3


PALAVRA DO ex-PRESIDENTE

Dr. Paulo Ricardo Piccoli Rocha Fotos Rocha

O final de uma bela jornada A diretoria da SBOT-RS, gestão 2010-2012, encerra o

semos aperfeiçoar e crescer. Os elogios, que feliz-

seu trabalho com a certeza de missão cumprida.

mente foram muitos, ao mesmo tempo em que nos

Quando recebemos a responsabilidade de dar segui-

envaideciam também aumentavam a nossa respon-

mento ao que vinha sendo realizado brilhantemente

sabilidade de seguir melhorando.

pelas gestões anteriores, eu sabia que tínhamos capacidade, competência e lisura de caráter suficiente para executar com altivez os objetivos traçados. Para que obtivéssemos sucesso, formei uma diretoria com ortopedistas desprovidos de vaidades pessoais, apenas preocupados com o crescimento científico e as atuais aflições da nossa especialidade na luta por dignidade profissional. Lutamos por melhor remuneração e local de trabalho, e procuramos resgatar o respeito aos ortopedistas nas relações com o SUS e as operadoras dos planos de saúde.

protegendo e lutando pela dignidade da Ortopedia. Saímos do palco e passamos agora para a plateia, o que, às vezes, parece difícil, mas um movimento bastante necessário para a manutenção do respeito à pluralidade das ideias e ao ideal democrático. Os que nos sucedem, nós sabemos, podem e devem realizar melhor os sonhos que idealizamos. Desejamos aos colegas muito sucesso, e os lembramos de que sempre podem contar com os amigos da gestão da SBOT-RS 2010-2012. Aos meus parceiros de

Obviamente, cometemos enganos e, algumas vezes,

diretoria, comitês de especialidades e a todos que

não conseguimos atingir os nossos objetivos. Mas ga-

de várias maneiras colaboraram com as realizações

ranto que não faltaram luta e empenho. As críticas

destes inesquecíveis dois anos da minha presidên-

sempre foram aceitas e entendidas como uma ma-

cia, um sincero e emocionado muito obrigado, e um

neira de os colegas tentarem ajudar para que pudés-

fraterno abraço!

Programa de interiorização visita Caxias do Sul Paulo Ricardo Piccoli Rocha

Ortopedistas da Serra participaram do encontro promovido pela SBOT-RS em Caxias

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Tenho certeza absoluta que a nova diretoria seguirá

Dando continuidade ao programa de interiorização que a SBOT-RS tem rea­­ lizado há alguns anos, no dia 30 de junho a entidade promoveu um encontro em Caxias do Sul, na associação médica local. O evento foi organizado pelo Dr. Rogério Rachele Winkler e teve participação efetiva dos ortopedistas da região. Nessas oportunidades, que ocorrem a cada dois meses, são oferecidas palestras de traumatologia e ortopedia, e nesta edição foram ministradas pelos ortopedistas Carlos Jungblut, Marcos Paulo de Souza e Carlos Berwanger. Quem esteve presente teve a oportunidade de participar também de um workshop com materiais para cirurgia ortopédica Sythes. Aproveitando este encontro na Serra Gaúcha, no dia anterior, 29 de junho, também foi realizado o Fórum de Defesa Profissional, com a presença do presidente da Comissão de Defesa Profissional da SBOT nacional, Dr. Robson de Azevedo. Também prestigiaram a atividade o novo presidente da SBOT-RS, Dr. Alexandre Guedes Marcolla, o diretor de Divulgação, Dr. Paulo Ricardo Piccoli Rocha e o presidente da Comissão de Defesa Profissional da entidade, Dr. Osvaldo André Serafini.


defesa profissional

SBOT-RS realiza segunda edição do Fórum de Defesa Profissional No dia 31 de agosto, a SBOT-RS promoverá o 2º Fórum de Defesa Profissional. O evento ocorrerá na AMRIGS, às 20h, e tem como objetivo oportunizar aos ortopedistas gaúchos um espaço de discussão, sempre visando à melhoria das condições de trabalho e uma remuneração mais condizente. “A SBOT nacional realiza anualmente o Fórum de Defesa Profissional, e estimulo que isso aconteça em todos os estados do País, por intermédio das regionais”, esclarece o presidente da Comissão de Defesa Profissional da SBOT nacional, Rob­ son Azevedo. No encontro haverá um amplo debate envolvendo todos os participantes, com as presenças do Dr. Isaías Levi, representante do

CRM; Dr. Osvaldo André Serafini, da Comissão de Defesa Profissional da SBOT-RS; e Dr. Jorge Utaliz, da Comissão Nacional de Honorários Médicos, da AMRIGS. Também serão convidados representantes da Unimed, do IPE, do SUS, da AMRIGS, do Cremers e do Simers. A presença dessas instituições é fundamental para que possam ser debatidos assuntos que envolvem o reajuste dos honorários médicos pagos tanto pelos planos de saúde quanto pelo SUS, melhorias nas condições de trabalho e de atendimento, a qualidade dos materiais utilizados nos procedimentos e a crise nas emergências. Outro tema a ser abordado será a implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médi-

cos (CBHPM). Segundo Azevedo, embora a tabela exista desde 2003, ainda não está sendo praticada por todos os planos de saúde. “Estamos orientando que os colegas coloquem a CBHPM na pauta das negociações com as operadoras”, afirma o dirigente. “Reforço o convite para que os colegas do Rio Grande do Sul realmente compareçam, prestigiem o debate, pois somente com a união de todos será possível avançar nessas questões de melhoria da remuneração e das condições de trabalho.”

Confira a seguir um artigo sobre o assunto do Dr. Osvaldo André Serafini, da Comissão de Defesa Profissional da SBOT-RS.

Defesa Profissional Por Dr. Osvaldo André Serafini O Comitê de Defesa Profissional da SBOT-RS tem procurado estimular o debate a respeito das normas que regulamentam todos os planos de saúde do País. Vários colegas, por infindáveis motivos, nunca acessaram ou leram os artigos que dispõem sobre planos ou cooperativas. Então, no intuito de colaborar, vou mencionar aqui os mais importantes, pois, infelizmente, estes mesmos planos intervêm irregularmente nas relações entre médicos e pacientes. Essas informações também são esclarecedoras aos pacientes, para que possam exigir seus direitos frente aos abusos e negativas desses convênios. Em 24 de agosto de 2001, foi editada a Medida Provisó­ ­ria nº 2177-44, que alterou a lei nº 9656 de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos privados de assistência à saúde, assinado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Art. 1º Submetem-se às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde (...), as seguintes definições: I – Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós-estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos,

integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando à assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente as expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; II – Operadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; III – Carteira: o conjunto de contratos de cobertura de custos assistenciais ou de serviços de assistência à saúde em qualquer das modalidades de que tratam o inciso I e o 1º deste artigo, com todos os direitos e obrigações nele contidos. Como vocês todos sabem, desde o Fórum de 2010, a SBOT-RS tem sugerido que os colegas não se credenciem a planos de saúde e não trabalhem pelas tabelas ultrajantes destes convênios, mas sim cobrem seus honorários profissionais, dando recibos aos pacientes, para que estes possam ser reembolsados pelas suas operadoras de saúde. Os interessados em ler com mais detalhes esta Medida Provisória, podem acessá-la por este link: www.planalto. gov.br/ccivil_03/mpv/2177-44.htm. Para finalizar, em nome da diretoria, gostaria de convidar a todos para o 2º Fórum de Defesa Profissional da SBOT-RS, que acontecerá no dia 31 de agosto, na AMRIGS, tendo como pauta principal Unimed/SUS/IPE. Até lá!

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ponto de vista

Hérnia de Disco: Tratamento Cirúrgico Dr. Sergio Hennemann | CREMERS 5162 Gestor do Instituto de Ortopedia e Traumatologia e Chefe do Serviço da Coluna do Hospital Mãe de Deus

Paciente com Hérnia de Disco Extrusa em L5-S1, com história de Ciatalgia há três meses, sem alívio com tratamento medicamentoso/ fisioterápico e com dor lombar prévia de repetição há um ano. Realizada discectomia associada à artrodese circunferencial

Não há nenhuma evidência médica convincente para dar suporte ao uso rotineiro da fusão lombar por ocasião da discectomia primária por qualquer técnica na hérnia de disco lombar. Existe uma conflitante evidência médica classe III nesta circunstância. Por outro lado, o definitivo aumento de custo associado ao elevado número de complicações no procedimento da artrodese, mesmo por técnicas minimamente invasivas, torna a conduta ainda mais contra­­indicada. Ela é recomendada somente quando o paciente tem histórico de dor lombar pré-existente e quadro de ciatalgia aguda por hérnia de disco, difícil de ser resolvida com o tratamento conservador medicamentoso e fisioterápico, e demonstra, por meio de exame de imagem, alterações degenerativas e facetariais associadas. Dessa forma, se indica o tratamento cirúrgico da discectomia com artrodese. Quando há evidente instabilidade pré-operatória, seja clínica, com manifestação de dor lombar pré-­ existente, como radiológica, avaliada pelo aumento da variação angular do disco e/ou pela translação aumentada no estudo funcional, nestes casos há benefício em indicar a artrodese associada. Porém, sabe-se que a incidência dessa instabilidade é muito baixa, não ultrapassando de 5 a 10% dos casos de hérnia de disco. Nos pacientes que apresentam dor lombar pregressa ao quadro agudo e que são atletas ou trabalhadores braçais existe maior indicação de artrodese. Os casos de ruptura interna de disco com evidente dor discogênica, comprovada clinicamente, predomínio de dor lombar, pouca ou nenhuma dor radicular, e

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com ressonância magnética mostrando disco contido e discografia provocativa positiva, são onde reside atualmente a maior controvérsia no que diz respeito à conduta quando o tratamento conservador não traz alívio aos sintomas. Baseado nos estudos multicêntricos randomizados do grupo sueco de estudo da dor lombar nos anos de 2001 e 2002, a artrodese é, até hoje, considerada o “gold standard” para esta situação, preferencialmente a artrodese circunferencial, conforme conclusão do mesmo grupo de estudo, com nível de evidência A1. Dependendo das circunstâncias de cada caso e da experiência de cada cirurgião, várias técnicas de artrodese podem ser empregadas, tais como a artrodese póstero-lateral – com fixação pedicular (PLIF), a artrodese por via anterior (ALIF), a artrodese pela abordagem extremo-lateral (XLIF) e a artrodese circuferencial trans-foraminal (TLIF). Optamos hoje pela artrodese circunferencial (360 graus) minimamente invasiva, por abordagem paravertebral transmuscular por técnica “mini-open”, sem realizar a desinserção da musculatura paravertebral. Esta escolha permite a preservação da inervação desta musculatura, menos dor no pós-operatório, uma recuperação mais rápida, possibilitando alta hospitalar entre o segundo e terceiro dia de pós-operatório. A colocação dos espaçadores inter-somáticos (cages) com enxerto ósseo é realizado pelo acesso trans-­ foraminal unilateral, abordando o lado sintomático. Esta artrodese circunferencial permite melhores índices de fusão óssea, como verificamos nos últimos 15 anos, baseada na experiência de diversos autores.


ponto de vista

Quando realizar discectomia + artrodese? prof. dr. Afrane Serdeira | CREMERS 4507 Mestre em Ortopedia e Traumatologia pela UNIFESP/Escola Paulista de Medicina. Doutor em Ortopedia e Traumatologia – UNIFESP/EPM UNIFESP/Escola Paulista de Medicina

Prof. Dr. Erasmo Zardo | CREMERS 10910 Mestre em Neurociências pela PUCRS e Doutor em Traumatologia e Ortopedia pela UNIFESP/EPM

Hérnia de disco

O tratamento da lombalgia, com ou sem ciatalgia, secundária aos transtornos degenerativos é conservador e envolve todo um arsenal terapêutico de medidas. Algumas cientificamente de comprovada utilidade e outras ainda sem evidências, mas também utilizadas na prática médica. O tratamento cirúrgico deve ser considerado frente ao fracasso das medidas conservadoras instituídas num prazo razoável. A indicação desta modalidade de tratamento também está fundamentada na intensidade do quadro álgico e na incapacidade laborativa, mas o principal fator preditivo para resultados clínicos satisfatórios no pós-operatório fundamenta-se nos exames físicos ortopédico e neurológico, e nos estudos por imagens (RNM e CT). A patologia que determina maior indicação de tratamentos cruentos ou minimamente invasivos em nível da coluna vertebral é sem duvida a hérnia discal. Desde a clássica descrição de Mixter e Barr (1934), o procedimento de discectomia simples tem sido utilizado nesta patologia com índices variáveis de resultados satisfatórios conforme a metodologia empregada e autores (70% a 90% dos casos). Relativamente poucas modificações técnicas e poucos avanços foram incorporados desde então: uso de eletrocautérios para corte e hemostasia, iluminação e magnificação (lupas e microscópios) e menor remoção das lâminas (laminectomia) para acesso. Por outro lado, após a clássica descrição da técnica de artrodese de coluna em 1911 (Hibbs & Albee) ocorreram dramáticas modificações. Nos últimos 20 anos foram incorporadas modernas técnicas de instrumentação para estabilização do nível afetado, reconstituição da altura do disco com “cages” ou de substituição da sua função (próteses discais) que revolucionaram o tratamento cirúrgico, os seus resultados, custos e as complicações. Na prática, duas modalidades terapêuticas são reali­ ­zadas com frequência: discectomia simples e discecto­ ­mia associada à instrumentação dita ”360 graus” que in­­­­corpora fixação vertebral posterior com parafusos e an­­­­terior (inter-somática) com espaçadores para artrodese do nível comprometido. As duas técnicas e os seus objetivos são completamente distintos, tornando difícil uma estreita comparação pura e simples dos resultados, embora haja inúmeras e contínuas tentativas científicas para fazê-lo. As técnicas são distintas porque a primeira (discectomia simples) busca apenas a descompressão simples para alívio da ciatalgia, e a segunda, além da descom-

pressão, busca a fusão vertebral. Um dos argumentos para tamanha discrepância na magnitude e complexidade do segundo procedimento é a busca pela prevenção da degeneração discal nos níveis adjacentes ao comprometido e por evitar o significativo índice de recidivas da hérnia discal (5% a 15 %). Acredita-se que restaurando o equilíbrio da coluna no plano sagital, descomprimindo e estabilizando segmentos instáveis, o resultado seria superior. São suposições passíveis de comprovação científica, mas inúmeras questões permanecem sem resposta adequada, apesar de todo esforço da comunidade científica mundial para obtenção de evidencias confiáveis. Talvez não exista supremacia de uma técnica sobre a outra e sim indicações distintas. Se por um lado a comparação dos resultados clínicos obtidos pelas duas técnicas no pós-operatório é muito complexa, é fácil avaliar diferenças no que tange aos seguintes fatores: tamanho da incisão, volume de sangramento, riscos, índice de complicações, custos, tempo cirúrgico transoperatório, internação e incapacidade ao trabalho. Como o próprio nome define, a discectomia simples é um procedimento menos complexo sob todos os aspectos referidos e com alto índice de resultados clínicos satisfatórios (bons a excelentes). Entendemos que a busca pela indicação cirúrgica precisa estar baseada não somente em evidências, mas também na experiência pessoal do cirurgião. Há que se considerar não somente os achados do exame físico, das imagens, da sintomatologia, da situação clínica do paciente, da sua vontade e dos seus objetivos etc. O tipo de comunidade em que o médico exerce a sua atividade, a estrutura técnica da qual dispõe para o atendimento são também fundamentais para a indicação adequada a cada caso em particular. Acreditamos que a descompressão associada à artrodese é fundamental nas situações clínicas de franca degeneração facetária com estenose foraminal ou do canal raquídeo associados à hérnia discal, bem como na dor discogênica por degeneração severa, hérnia recidivante, instabilidade pós-laminectomia ou inter-segmentar por outras causas, e na espondilolistese e descompensação no plano sagital. Avaliando os inúmeros artigos prós e contras disponíveis na literatura, facilmente rebatíveis, optamos por oferecer nosso parecer fundamentado em, respectivamente, 45 e 32 anos de vivência profissional, e não em trabalhos que podem ser tanto tendenciosos como convincentes na dependência de autores, metodologia, amostragens, comunidade etc.


em pauta

Oitava edição do Congresso Gaúcho reúne cerca de 450 ortopedistas Fotos Rocha

De 10 a 12 de maio de 2012, a SBOT-RS promoveu o VIII Congresso Gaúcho de Ortopedia e Traumatologia, juntamente com o XI Congresso Sudamericano de Medicina Del Desporte e o XXIV Congresso Brasileiro de Medicina do Exercício e Esporte. Aproximadamente 1 mil médicos da América do Sul e do Brasil prestigiaram os eventos realizados na PUCRS, em Porto Alegre, sendo que destes cerca de 450 eram ortopedistas. “Essa oportunidade, unindo as duas especialidades, valorizou o evento e per-

Dr. Paulo Ricardo Piccoli Rocha, então presidente da SBOT-RS, na cerimônia de abertura do Congresso

mitiu o crescimento científico de todos os participantes, que puderam usufruir do conjunto de atividades oferecidas”, avalia o ex-presidente da SBOT-RS, Paulo Ricardo Piccoli Rocha. “Agradecemos a todos que prestigiaram o nosso tradicional encontro no Congresso Gaúcho, chefes de serviços, preceptores, re­­­sidentes e ortopedistas de todas as querências, inclusive o vice-governador do Rio Grande do Sul, o médico ortope­

Dr. Luiz Roberto Stigler Marcyk

Dr. Alexandre Guedes Marcola

Dr. Eduardo De Rose

­dista Beto Grill, que abrilhantou a abertura dos congressos.“ Durante os três dias, além de assistir palestras e participar de workshops de variados temas, os congressistas tiveram a oportunidade de visitar mais de 30 estandes, onde empresas expuseram seus produtos e serviços. “Essas ocasiões oportunizam uma aproximação entre os profissionais da saúde e fornecedores especializados, o que possibilita uma melhor compreensão dos itens oferecidos e uma atualização sobre o que há de mais recente no merca­ ­do”, avalia o atual presidente da SBOT-RS, Alexandre Guedes Marcolla. 8

Eleição de diretoria No encerramento do Congresso Gaúcho, no dia 12 de maio, foi realizada a Assembleia Geral da SBOT-RS. Na ocasião, foi eleita a nova diretoria da entidade para o exercício 2012-2014, cujo pleito teve chapa única. Logo após a votação, houve a posse oficial da nova direção, composta pelos seguintes integrantes: Presidente: Alexandre Guedes Marcolla Vice-Presidente: Ary da Silva Ungaretti Neto Primeiro-Secretário: Carlos Guilherme Weissheimer Berwanger Segundo-Secretário: Marcos Paulo de Souza Primeiro-Tesoureiro: Carlos Eduardo Valiente Ferreira Segundo-Tesoureiro: Rafael Duvelius Ott Primeiro Diretor Científico: Antero Camisa Junior Segundo Diretor Científico: Luciano Storch Keiserman Terceiro Diretor Científico: Sergio Roberto Canarim Danesi Diretor de Defesa Profissional: Douglas Carpes Diretor de Divulgação: Paulo Ricardo Piccoli Rocha


em pauta

Especialistas interagiram com grupos de todo o País

Plateia lotada de uma das palestras

Workshop do Dr. Geraldo Schuch sobre joelho

Mais de 30 empresas expuseram no Congresso

Confraternização I O CTG 35 foi o local escolhido pela SBOT-RS para dar as boas-vindas aos diretores das instituições nacionais e sul-­americanas, para mostrar, na noite de 10 de maio, um pouco das tradições gaúchas. Durante o jantar, saboreando um belo churrasco e outros pratos típicos da culinária local, os colegas assistiram a uma apresentação do grupo Arte Show Dança. Todos ficaram encantados com o talento dos artistas e a qualidade das apresentações. A SBOT-RS agradece à OSTHEON, que patrocinou o encontro festivo.

Momento de confraternização no CTG 35

Confraternização II A recepção dos congressistas foi em alto estilo. Na noite de sexta-feira, 11 de maio, todos foram convidados para uma grande festa na Sogipa. O local foi especialmente decorado pela Acontece Eventos, que montou um imenso lounge onde os convidados puderam saborear deliciosos quitutes e drinks. Embalados pela banda Sunset Riders, todos dançaram ao som de hits dos anos 70 e 80. “Eventos como esses congressos também cumprem o papel de aproximar os colegas, que têm a oportunidade de confraternizar, colocar a conversa em dia, além fazer excelentes contatos profissionais”, comenta o novo presidente da SBOT-RS, Alexandre Guedes Marcolla. 9


fique por dentro

No dia 21 de julho aconteceu, no auditório da SBOT-RS, a aula sobre Ombro do Curso Preparatório para o TEOT. Confira as datas e os temas dos próximos encontros:

25 de agosto (sábado) das 9h às 13h – Tumores

29 de setembro (sábado) das 9h às 13h – Quadril

27 de outubro (sábado) das 9h às 13h – Infantil

24 de novembro (sábado) das 9h às 13h – Simulado (Hotel Continental, em Porto Alegre)

Luiz Chaves

Curso Preparatório para o TEOT Catedral de Caxias do Sul

Congresso Gaúcho de 2014 Os preparativos para o IX Congresso Gaúcho de Ortopedia e Traumatologia, que acontecerá em Caxias do Sul, de 24 a 26 de abril de em 2014, estão em pleno desenvolvimento. Segundo o Dr. Márcio Rangel Valin, um dos responsáveis pela organização, os especialistas da Serra Gaúcha estão muito honrados por sediar o evento. Aproveitando que será o ano da Copa

do Mundo no Brasil, a programação de palestras trará novidades no diagnóstico e tratamento da traumatologia desportiva. A SBOT-RS é composta por cerca de 700 membros, e a troca de experiências, atua­­lização e apresentação de novas evidências ortopédicas é uma busca constante da entidade para a valorização da produção científica regional.

SBOT-RS inicia os preparativos para o Sulbra 2013

tegorias: temas-livres, pôsteres e pôsteres eletrônicos. Serão premiados os três melhores de temas livres e de pôsteres. A comissão julgadora será formada pelo Dr. Luciano Kaisermann, Dr. Antero Camisa Junior e Dr. Sérgio Danesi.

No próximo dia 4 de agosto, o presidente da SBOT-RS, Dr. Alexan­ ­­dre Guedes Marcolla, se reunirá, em Gramado, com os presidentes das re­­gionais de Santa Catarina e Para­ ­­ná para definir os rumos do Sulbra 2013. Na ocasião, os dirigentes dis­ ­cu­­­tirão o formato do evento e farão o planejamento para as próximas reuniões de organização. Além disso, será uma oportunidade para que os colegas catarinenses e para­ ­naenses conheçam um pouco das belezas da Serra Gaúcha. Em breve, as inscrições serão divulgadas pelo site www.sbotrs.net.br.

Ana Paim

A SBOT-RS está organizando o XVIII Congresso Sulbrasileiro de Ortopedia e Traumatologia (Sulbra), que ocorrerá de 20 a 22 de junho de 2013, no Hotel Serrano, em Gramado. Durante o evento também acontecerá a Jornada da Regional Sul da Sociedade Brasileira do Joelho. Serão abordados temas da atua­ ­lidade na área da Ortopedia e Traumatologia, com convidados internacionais, além de aspectos ligados à defesa profissional. Os ortopedistas terão a oportunidade de participar com trabalhos nas ca-

Ortopedista gaúcho integra a AACPDM O ortopedista Lauro Machado Neto recebeu convite para integrar, a partir de outubro deste ano, o Comitê da Academia Americana de Paralisia Cerebral (AACPDM). Muito feliz, ele compartilhou a novidade no seu blog http://drlauromachadoneto.blogspot.com.br/. Para mais informações sobre o trabalho desenvolvido pela AACPDM visite o site www.aacpdm.org.

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fique por dentro

Clínicas de ortopedia e convênios: uma relação complicada As clínicas de Ortopedia em Porto Alegre vivenciam um drama em relação aos valores repassados pelos convênios. De acordo com o ortopedista e traumatologista Artur Koch, os honorários pagos estão muito defasados e des­­virtuados. “A inflação que não existe nos dados oficiais é sentida na remarcação de preços, no aumento da folha de pagamento de funcionários, de tributos e outras exigências trabalhistas”, destaca um dos diretores da Clínica de Ortopedia Santo Antonio, que este ano completa 42 anos de atuação na Capital. Para o ortopedista, as negociações são fictícias e só existem nas entrelinhas. “O que se ouve é que se ’vocês não quiserem trabalhar com estes valores encontraremos outros profissionais que irão trabalhar. É aceitar ou largar’”, conta Koch. Hoje o cenário é preocupante para as Clínicas de Ortopedia. A Unimed, por exemplo, esta implantando a Validação Biométrica para SADT, exames e medicamentos. Isso significa que, após o atendi-

mento na emergência, o paciente retorna à recepção, onde deve ser feito todo o faturamento daquele atendimento. Para o ortopedista, a cooperativa está repassando para os prestadores um encargo muito pesado: a contratação de maior número de funcionários faturistas, além de causar uma maior espera do paciente/conveniado no local de atendimento. A partir da nova prática, a fatura que era realizada sem a presença do paciente, agora ocorre de forma presencial. O que interfere na agilidade do atendimento e um acúmulo de pacientes nas recepções das clínicas, sendo necessário, inclusive, readequar a área física.

Presente e futuro No cadastro do Sindicato de Hospitais e Clínicas existem 55 clínicas registradas na Capital. Conforme a lei da oferta e da procura há um visível índice de saturação de mercado. Em contrapartida, a tecnologia na setor médico está em contínua evolução e aprimoramento. “Os profissionais da área que não se adequarem irão ver o

cavalo passar encilhado”, avisa Koch. Como avanços, ele destaca a radiologia digital, outros exames de imagem, como ecografia, densitometria óssea, ressonância nuclear magnética, além de novos produtos usados para a imobilização de membros nos casos de atendimento traumatológico. Segundo o ortopedista, na clínica em que atua a maior demanda ainda são os traumas causados nas extremidades dos membros: contusões/fraturas de dedos das mãos e pés. “As dores localizadas na coluna vertebral, nos ombros e joelhos, e traumas esportivos completam a lista de acordo com a nossa maior prevalência”, completa. Para o setor nos próximos anos, Koch vislumbra presenciar um antigo sonho: o de ver as clínicas de pronto-atendimento unidas, formando uma organização centralizadora, uma holding, mantendo, porém, suas características individuais societárias. “A união daria uma maior representatividade nas negociações com os convênios”, conclui.

Relatos de viagem do Patellofemoral Fellowship Em junho de 2012, o Dr. Geraldo Schuck concluiu a parte americana do Patellofemoral Fellowship, prêmio conquistado junto à ISAKOS (International Society of Arthroscopy, Knee Surgery and Orthopaedic Sports Medicine) e patrocinado pela Patellofemoral Foundation. Segundo o ortopedista, entre o que teve a oportunidade de abordar de uma forma especial durante a especialização estão os procedimentos de alongamento e reconstrução do retináculo lateral da Patela e as técnicas de reconstrução do Ligamento Patelo-femoral Medial (LPFM), bem como os estudos relativos à isometria LFPM. “Percebi que alguns cirurgiões estão mais preocupados com a inserção femoral, enquanto

outros com a inserção patelar”, destaca. Ele também relata que ainda não há um consenso em relação às artroplastias femoro-patelares. “Temos modelos e técnicas diferentes no que se refere a estas cirurgias, o que mostra ainda incertezas a respeito da melhor escolha”, comenta Schuck. Outra contribuição que o especialista ressalta é a forma como diferenciar as queixas dos pacientes relativas às crises de artrite ou de instabilidade e as melhores opções de tratamento. “Entender a biologia e a homeostase dos tecidos, além da sua capacidade de adaptação, é um campo fértil a ser estudado quando se pensa em distúrbios da articulação femoropatelar”, conclui o ortopedista.

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entrevista

Dr. Carlos Roberto Schwartsmann, cidadão de Porto Alegre

Felipe Dalla Valle\Câmara Municipal de POA

Gaúcho, 62 anos, sendo 40 dedicados à medicina, o Dr. Carlos Schwarstmann é um profissional reconhecido e respeitado no País e exterior. No final de junho deste ano, recebeu o título de Cidadão Emérito de Porto Alegre. A homenagem, proposta pelo vereador José Ismael Heinen (DEM), foi aprovada por unanimidade e consagrada no Plenário Otávio Rocha, do Legislativo da Capital. Ao exaltar a distinção conferida, Heinen afirmou que esse é um prêmio simbólico dado pela Câmara aos grandes indivíduos que se destacam por realizarem um trabalho social importante para Porto Alegre. Chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa, Schwartsmann realizou mais de 15 mil procedimentos cirúrgicos, principalmente em pacientes do SUS, e é membro titular da SBOT, professor titular de Ortopedia e Traumatologia na Faculdade de Ciências Médicas de Porto Alegre, e integra o corpo editorial da Revista Brasileira de Ortopedia.

Dr. Schwartsmann se emociona ao receber a homenagem

Como o senhor define a distinção recebida? Essa honraria foi o reconhecimento mais importante da minha vida. Ser igualado a pessoas notáveis como Dilma Rousseff, Paulo Brossard, Iberê Camargo, além de outras grandes personalidades, é um grande privilégio. É um momento de reflexão e balanço de vida. Qual o papel transformador do médico na sociedade? Aplicar os regimes da profissão para o bem, nunca para causar o mal. Tenho orgulho de ter feito parte do SUS e ajudado na sua consolidação como um sistema de saúde eficaz, de ter operado milhares de pessoas e de ter alimentado a esperança.

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O que mais lhe marcou nesses 29 anos de atuação na Santa Casa? Poder atuar com autonomia e ter a chance de exercer a minha profissão com intensidade e dignidade ao lado de grandes profissionais e gestores. Sou um homem de sorte. Consegui evoluir com a especialidade. Uma especialidade que cresceu muito. Hoje no serviço são 120 médicos, sendo que a Ortopedia é responsável por 63% dos atendimentos no bloco. Quando me formei, em 1973, não ultrapassava 2%. A que se deve esse aumento? Ao fato de a população estar vivendo mais e de ter crescido o número de vítimas de acidentes, tendo, portanto, uma maior incidência de fraturas. Es­

t­­­ ra­­das ruins e maus motoristas criam uma demanda interminável. Para suprir essa necessidade crescente, está prevista até antes da Copa a construção de um hospital exclusivo para a Ortopedia no Complexo da Santa Casa. Atualmente, há falta de leitos em todos os hospitais. Porto Alegre é a única cidade do mundo que perdeu sete hospitais em dez anos. O número de clínicas do setor também diminuiu. Hoje só temos três hospitais na Capital que disponibilizam atendimento 24 horas. As questões trabalhistas limitaram a atuação do profissional. Não há mais interesse do Governo Federal em abrir outras vagas para especialistas a fim de suprir essa carência. Em sua opinião a saúde piorou? Nunca foi tão ruim como hoje. Conseguiram distanciar o médico do paciente. Existem pessoas esperando anos por uma cirurgia. Elas estão nas mãos dos convênios, tornaram-se códigos de barra. A concepção do SUS no princípio era fantástica. Hoje, com a perda do foco político na saúde, essa relação se esgotou. Na Santa Casa, por exemplo, a cada R$ 100,00 gastos com o paciente, o SUS devolve R$ 61,00. Ou seja, no final do ano, o Hospital fica com um déficit de 40 a 50 milhões de reais, que precisa ser suprido com os atendimentos particulares e convênios para fechar essa conta. O senhor esteve à frente da SBOT-RS na gestão 1996/1997. Qual o seu desejo em relação à próxima administração? A SBOT se desenvolveu muito no aspecto científico. Hoje, ela precisa de um caráter mais político para defender os direitos dos profissionais. É necessário buscar um posicionamento forte e de entendimento em relação aos convênios e aos direitos dos profissionais.


Porto-alegrense, o médico ortopedista Rubens Millman decidiu, aos 48 anos, ampliar a sua contribuição para a sociedade. Com larga experiência profissional, principalmente em hospitais da Capital e na Clínica Moinhos de Vento, ele lançou-­ ­­se candidato a vereador. “A ideia surgiu após anos de trabalho junto à população que necessita se socorrer do SUS e, principalmente, por observar uma insatisfação geral dos médicos em relação às condições de trabalho, à remuneração, aos planos de saúde e, fundamentalmente, à desvalorização que a categoria vem sofrendo”, justifica Millman. Segundo ele, todos os dias nos ambientes em que circula se depara com algum assunto relacionado à situação crítica do acesso à saúde. “Enfrenta-se a falta de leitos, a má remuneração dos profissionais, o número insuficiente de médicos para atender a demanda, e ainda o surgimento de novas faculdades de medicina sem a devida competência para formar com qualidade”, avalia o candidato, finalizando: “Acredito ter chegado a hora de nos mobilizarmos, e não fi­­­ car­­­­­mos de braços cruzados, reclamando da política e fechando os olhos. Temos uma classe dife­ ­­renciada, que pode brigar e ter representantes para defen­­­dê-la. Gostaria de contar com os colegas e amigos para conquistar esta meta de me tornar vereador, mas também desejo deixar claro que pretendo fazer política, e não ser um político. Continuarei sendo o colega médico, traumato-ortopedista.”

Dr. Rafael Ott praticando windsurf em Ibiraquera, Santa Catarina

A vida de esportista amador de Rafael Ott

Imagem captada por Rafaell Ott na praia de Popyo, na Nicarágua, em 2011

Desde criança, o ortopedista Rafael Duvelius Ott, de Porto Alegre, sempre esteve envolvido em várias atividades físicas. “Eu gosto de esportes, fazem com que eu me sinta bem, estão na minha alma”, revela o médico, especializado em pé e em tornozelo. “Para mim eles são tão necessários quanto escovar os dentes.” Apesar de esta paixão antiga ser bem generosa, pois está relacionada às práticas esportivas em geral, a preferência de Ott está nas modalidades aquáticas. O surf e windsurf são os carros-chefes, e como ele também adora viajar, está sempre buscando lugares exóticos e litorâneos. Encantado com as belezas naturais de Santa Catarina, tem uma casa em Ibiraquera, para onde foge sempre que pode. E, com um grupo de amigos também desportistas tem ido para praias de países como Costa Rica e Nicarágua. “Nesses lugares, além dos preços atraentes, a temperatura é de 30º o ano todo, assim como a da água do mar, e o povo é muito receptivo”, comenta, mostrando, em seu computador, o resultado do seu outro hobbie: a fotografia. Ott tem um acervo impressionante de imagens registradas em suas viagens, a maioria contemplando paisagens naturais de tirar o fôlego e, claro, esportes aquáticos.

Gremistas venceram o Grenal dos Ossos Depois de três edições do tradicional Grenal dos Ossos, o time do Grêmio deu uma virada e venceu o do inter pelo placar de 4 X 3. Essa façanha aconteceu no dia 12 de maio, à tar­­­de, no Os dois times posando juntos para a clássica foto do futebol estádio da PUCRS, após o encerramento do Congresso Gaúcho de Ortopedia e Traumatologia. “Esses jogos são esperados com muita ansiedade por todos nós, ortopedistas gaúchos, que queremos mostrar as habilidades futebolísticas”, brinca o ex-presidente da SBOT-RS, Paulo Ricardo Piccoli Rocha. “É sempre uma grande confraternização, quando podemos encontrar velhos amigos. As discussões mais acaloradas no campo, terminam em muitos abraços e risadas ao final da partida.” O Grenal dos Ossos de 2012 teve o patrocínio da IMACT.

Fotos Rocha

Rubens Millman quer trabalhar por Porto Alegre também como vereador

fotos: Arquivo Rafael Ott

ortopedista sem jaleco

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profissional destaque

Acervo Hospital Ortopédico de Passo Fundo

Dr. GASTON ENDRES Quarenta anos dedicados ao ensino médico na Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo colocam o Dr. Gaston Endres na vanguarda da história da Ortopedia no município. Natural de São Pedro do Sul, região central do Estado, fez a sua formação na Universidade Federal de Santa Maria, onde concluiu o curso em 1967. Especializou-se em Ortopedia e Traumatologia na Santa Casa de São Paulo. Em 1970 escolheu Passo Fundo para consolidar a sua trajetória e fundou, ao lado do tam­ ­­bém ortopedista Carlos Roberto Vargas Leal, o Pronto Socorro de Fraturas – clínica pioneira no tratamento de patologias osteoarticulares no norte do Rio Grande do Sul. Antes os serviços de traumatologia e ortopedia eram oferecidos nos poucos hospitais existentes. Com a instalação do Plantão 24 horas, serviço de urgência e raio-X a população passou a ser atendida de forma integral. 14

Biblioteca do Hospital Ortopédico de Passo Fundo recebe o nome do ortopedista Gaston Endres (o segundo na foto, a partir da esquerda)

Responsável pelos avanços da área e pela formação de centenas de profissionais, a atuação do médico foi decisiva para a criação da primeira residência médica em Ortopedia e Traumatologia no interior do sul do Brasil, consolidando a região como o terceiro maior polo médico do sul do País. “A Ortopedia me permitiu ousar e desbravar um mundo de possibilidades e desafios”, revela Endres. “Quando viemos para Passo Fun­ ­­do, eu e meus colegas acreditávamos poder fazer o melhor pela população. Tivemos o privilégio de acompanhar o ambiente de progresso e de receber profissionais altamente qualificados, que buscaram especialização em várias partes do mundo e regressaram para tornar o Hospital Ortopédico, que hoje reúne 23 especialistas em seus subgrupos, em uma instituição respeitada e de referência nacional.” Dr. Gaston foi jubilado ao com-

pletar 70 anos, em 2011, e continua a transmitir seus ensinamentos como preceptor da Residência Médica do Hospital Ortopédico, além de dar continuidade às atividades clínicas e cirúrgicas no Hospital São Vicente de Paulo, Hospital Ortopédico e Hospital da Cidade. Incansável, ainda reserva tempo para dedicar-se ao aprimoramento das técnicas. É titular da Academia Passo-Fundense de Medicina, sócio-fundador da Unimed\Planalto Médio e membro titular da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo. Recentemente, também recebeu uma marcante homenagem dos residentes, que deram o seu nome à biblioteca do Hospital Ortopédico. “Isso me emociona e estimula ainda mais”, comenta Endres, cuja vida é dedicada à Ortopedia, aos avanços científicos e à humanização da saúde na sua região.


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Revista SBOT-RS n.58  

Revista SBOT-RS n.58 - Publicação trimestral da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia = Regional do Rio Grande do Sul

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