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9 Revista SBOT-ES março/abril de 2011

Entrevista SBOT-ES

Você frequentou as aulas preparatórias para o TEOT, oferecidas pela SBOT-ES. Qual a sua opinião sobre o curso?

Fale sobre a sua formação na faculdade. Sempre gostei muito de estudar, por isso aproveitei bastante o tempo que passei na faculdade. Mas além de se preocupar com minha formação, fiz muitas amizades, tanto que, até hoje, temos uma turma unida e faço questão de manter contato com a maioria dos meus amigos de graduação.

Quando foi que se decidiu pela Ortopedia? Sempre gostei de Clínica Médica e Cirurgia, mas no último semestre, faltando apenas seis meses para a minha formatura, optei por fazer ortopedia, mesmo sem conhecer muito bem a especialidade. Não vejo isso como uma desvantagem. Considero como um ponto forte, uma vez que tive a oportunidade de conviver com outras especialidades que acrescentaram muito na minha formação.

O que a residência significa para você? Como foi fazê-la no Vila Velha Hospital? Hoje em dia, acredito que para exercer a Medicina e a Ortopedia com excelência é fundamental passar os três anos em uma residência médica de bom nível. No meu caso, posso dizer que fui feliz. A formação que tive no VVH vai ser importante para o resto da minha vida. Considero o Vila Velha Hospital um dos melhores do Espírito Santo. Ele está no mesmo nível de hospitais de grandes centros, como São Paulo, onde estou atualmente. Falo com muito orgulho que fiz minha residência médica no Espírito Santo.

Esse curso está sendo importantíssimo para a evolução da Ortopedia no Espírito Santo. É uma oportunidade de reunir aquele que está começando carreira e até especialistas que já têm muitos anos de experiência na área. Tivemos bons momentos durante o curso, com muita troca de experiências que foram fundamentais para a minha preparação e o meu sucesso nessa empreitada. Agradeço, sobretudo, ao professor Nelson Elias, um incansável estimulador dos meus estudos e também preceptor da minha residência.

Durante a formação, você alguma vez pensou em desistir? Sim. Aconteceu no terceiro ou quarto dia após minha entrada no curso de residência. Ainda estava me adaptando e nunca tinha presenciado uma cirurgia. E a primeira que fui acompanhar foi para adaptar uma prótese num quadril. O cirurgião era Dejair Xavier Cordeiro, um dos melhores que vi atuar nessa especialidade, e ao ver tanto sangue e martelada, confesso que quase desisti. Passei mal o tempo inteiro, mas aguentei firme e fiquei até o final. Já pensou, pedir para sair da sala de cirurgia na primeira semana da residência? Mas à medida em que fui estudando e lendo os livros, o interesse foi crescendo e a cada dia que passa tenho mais certeza da escolha que fiz. Estou muito realizado.

A medicina ortopédica se ramifica em várias especialidades. Você acha isso uma vantagem ou não? Qual a sub-especialidade que mais lhe chama a atenção? Alguns acham isso uma desvantagem que pode prejudicar a prática médica. Vejo isso com outros olhos. Acho que estudando mais profundamente uma ramificação da especialidade, temos a chance de aprimorar os conhecimentos e praticá-los da melhor forma possível. Isso não implica no esquecimento do que aprendemos, pelo contrário, ajuda

a fazer associações importantes. De certa forma, tudo isso acaba me ajudando a interagir com as áreas que vou estudando, tornando a Ortopedia mais holística e me permitindo ver o paciente como um todo e não apenas um joelho, coluna, ombro, etc. Eu ganho com isso, pois adquiro mais conhecimento e experiência; e o paciente também ganha, com o melhor tratamento possível. Quanto à escolha por cirurgia do joelho, pesquisei e notei que há muitos pacientes que necessitam desse tipo de atendimento. Por isso ficarei em São Paulo por um ano me especializando, para depois retornar ao Espírito Santo.

Aconteceu, no dia 7 de abril, uma paralisação nacional da sua categoria, reivindicando melhores remunerações e condições de trabalho. Como você encara essa manifestação? Ela foi muito importante, pois nos últimos anos tenho observado que a nossa profissão não tem sido valorizada como deveria. É claro que algumas pessoas e certos segmentos da sociedade acreditam que movimentos como esses são exclusivamente de caráter financeiro, mas elas precisam entender que ao valorizarmos nossa relação com as operadoras de saúde, ou mesmo com o poder público, estamos também lutando por melhores condições de trabalho, que resultam em melhoria no atendimento e, consequentemente, no bem-estar dos nossos pacientes.

Revista 11- SBOT-ES - abr/mai/2011  
Revista 11- SBOT-ES - abr/mai/2011  

Edição número 11 da revista da SBOT-ES

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