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Revista 10 jan/fev ano 2011

retrospectiva 2010 pĂĄg.

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Carta do Presidente

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MatĂŠria Especial

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Entrevista

Dicas SBOT-ES


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Carta do Presidente

MUITO OBRIGADO Alceuleir Cardoso de Souza Presidente da SBOT-ES

Caros membros da SBOT-ES, Nestas últimas palavras como presidente venho reforçar os agradecimentos de minha diretoria - já postado na edição anterior - a todas as pessoas, ortopedistas ou não, que muito nos ajudaram em nossa administração a frente da nossa sociedade em 2010. Dou também as boas vindas à nova diretoria 2011 e externo o nosso apoio as iniciativas de interesse coletivo que por ventura venham a ser tomadas, como sempre fizemos aos longos dos anos, desde que passamos a fazer parte da sociedade em 1995. Obedecendo as diretrizes da Nacional, permito-me deixar algumas sugestões à nova diretoria acerca da manutenção e aprimoramento das nossas iniciativas. São elas: 1 - manter a editoração eletrônica do informativo, pois é uma maneira sustentável e econômica que vai ao encontro dos métodos modernos de gestão, reservando apenas alguns números para arquivos em papeis. Tal medida tem também como intuito diminuir custos da nossa Sociedade, visando recuperação do nosso capital; 2 - dar continuidade e intensificar o curso preparatório para o exame do TEOT 2012, que em nossa gestão teve um grande impulso e culminou com a aprovação de três colegas;

3 - aprimorar a gestão da SBOT-ES, iniciada no ano de 2010, com a organização contábil-finaceira e administrativa; 4 - ampliar o debate iniciado no Fórum de Defesa Profissional realizado em setembro último, buscando com isto apoiar as iniciativas da COOTES/SBOTES em prol da união dos ortopedistas para novas conquistas coletivas, como as conseguidas no ano de 2010. Nossa diretoria, que agora de despede, se coloca à disposição da diretoria que assume para auxiliá-la na condução de processos que damos início em 2010, bem como os que por ventura vierem a ser implementados. Aos colegas ortopedistas, peço que continuem a ajudar na condução dos trabalhos da Sociedade, comparecendo a nossas reuniões, contribuindo com sugestões e críticas, mesmo por e-mail, pois a SBOT-ES é a nossa casa. Valorizá-la é o nosso deve. Pois se você não ocupar o seu espaço, lutar por suas opiniões, outros o farão. Obrigados a todos por tudo.

Rua Abiail do Amaral Carneiro, 191, Ed. Arábica, Sala 607, Enseada do Suá. Vitória-ES. CEP 29055-220 Telefone: 3325-3183 | www.sbotes.org.br | sbotes@sbotes.org.br

Gestão 2010 Diretoria

Presidente: Dr. Alceuleir Cardoso de Souza Primeiro Vice-Presidente: Dr. Adelmo Rezende F. da Costa Segundo Vice-Presidente: Dr. Marcelo Rezende da Silva Primeiro Secretário: Dr. Carlos Henrique O. Carvalho Segundo Secretário: Dr. Janeilson Roberto Mattos Primeiro Tesoureiro: Dr. Ruy Rocha Gusman Segundo Tesoureiro: Dra. Roberta Ramos Silveira

Conselho Fiscal

Dr. Alexandre André Ciriaco Dr. Massimo Caliman Gurgel Dr. Luiz Augusto N. Maciel Dr. Jovani Torres Dr. Sander Amorim Daleprani Dr. Eduardo Ferri

Delegados

Dr. Akel Nicolau Akel Júnior Dr. Geraldo Lopes da Silveira Dr. José Lorenzo Solino

Comissão Executiva

Dr. Alceuleir Cardoso de Souza

Dr. Carlos Henrique O. Carvalho Dr. Jair Simmer Filho Dr. Nelson Elias Dr. Rui Rocha Gusman

Comissão de Estatuto e Regimento

Comissão de Ensino e Treinamento

Comissão de Campanhas Públicas e Ações Sociais

Dr. Nelson Elias Dr. Jorge Luiz Kriger Dr. Rodrigo Rezende Dr. Luiz Augusto B. Campinhos

Comissão de Ética, Defesa Profissional e Honorários Médicos

Dr. Eduardo H. Pombo Dr. José Eduardo G. R. Filho Dr. Marcelo Augusto S. Pimentel Dr. Marcelo G. Martins

Comissão de Educação Continuada

Dr. Bruno Barreira Campagnoli Dr. Cid Pereira Moura Júnior Dr. Everaldo José Marchezini Dr. Flávio Vieira Simões Dr. Jair Simmer Filho Dr. Marcelo Nogueira Silva

Uma publicação Balaio Comunicação e Design www.balaiodesign.com.br

Dr. Alceuleir Cardoso de Souza Dr. Clark M. Yazaki

Dr. José Fernando Duarte Dr. Roberto Casoti Lora Dr. Francisley Gomes Barradas Dr. Antônio Carlos P. Resende Dr. Sérgio Ragi Eis

Jornalista reponsável

Comissão de Presidentes

jornalismo@balaiodesign.com.br

Dr. Pedro Nelson Pretti Dr. Roberto Casotti Lora Dr. José Fernando Duarte Dr. Eduardo Antônio B. Uvo Dr. Geraldo Lopes da Silveira Dr. Hélio Barroso dos Reis Dr. Jorge Luiz Kriger Dr. José Lorenzo Solino Dr. Akel Nicolau Akel Júnior Dr. Clark M. Yazaki Dr. Anderson De Nadai Dr. João Carlos Medeiro Teixeira

Comissão de Publicação, Divulgação e Marketing

Dr. Jorge Luiz Kriger Dr. Júlio Claider G. Moura Dr. João Carlos Medeiros Teixeira Dr. Edmar Simões da Silva Júnior

Wallace Capucho MTB 1934/ES

Redação

Editor Wallace Capucho Repórter Yollanda Gomes Diretor de Arte Felipe Gama Diagramação e Arte Willi Piske Júnior Mariana Melim Revisão Marcos Alves

Publicidade SBOT-ES (27) 3325-3183 Periodicidade Trimestral As matérias e anúncios publicitários, bem como todo o seu conteúdo de texto e imagens, são aqui publicadas sob direito de liberdade de expressão, sendo de total e exclusiva responsabilidade de seus autores/ anunciantes. É expressamente proibida a reprodução integral ou parcial desta publicação ou de qualquer um de seus componentes (texto, imagens, etc.), sem a prévia e expressa autorização da SBOT-ES.


Novo presidente A SBOT-ES já definiu a data da posse da diretoria que fará a gestão da entidade no ano de 2011. A cerimônia, que empossará Adelmo Rezende Ferreira da Costa como novo presidente, acontecerá no dia 17 de fevereiro, às 19h, no auditório da SBOT-ES, em Vitória. Na ocasião, a diretoria 2010, sob presidência do ortopedista Alceuleir Cardoso de Souza, fará um balanço de suas ações, incluindo a prestação de contas do exercício do mandato.

Campanha A Associação Brasileira dos Técnicos de Imobilização Ortopédica (ASTEGE), em parceria com o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Dr. Alzir Bernardino Alves (HIMABA), está promovendo uma campanha de doação de sangue e captação de possíveis doadores de medula óssea. Aqueles que se interessarem em participar desta nobre campanha devem comparecer ao HIMABA, em Vila Velha, no dia 25 de fevereiro, das 8h às 14h. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (27) 3139 5525.

Curso Preparatório TEOT

As datas das aulas do Curso Preparatório para o exame TEOT que acontecerão no 1º semestre já foram divulgadas. Abaixo, o calendário com os temas que serão ministrados e os seus palestrantes. As aulas começarão no dia 22 de março, serão quinzenais, sempre às 19h30. Março Dia 22 – Fraturas expostas Fraturas do acetábulo Dia 29 – Fraturas do colo do fêmur Fraturas trocanterianas Abril Dia 26 – Instabilidade do ombro Fratura da extremidade proximal do úmero Maio Dia 03 – Fraturas do membro superior na criança Fraturas do membro inferior na criança Dia 31 – Escoliose idiopática do adolescente Hérnia Discal Lombar Junho Dia 14 – Fraturas do tornozelo Fraturas do retro pé Dia 28 – Hérnia discal cervical Espondilolistese Julho Dia 05 – Epifisiólise proximal do fêmur Displasia do desenvolvimento do quadril Dia 19 - Fraturas dos ossos do carpo Fraturas da extremidade distal do rádio

Cedoes O Centro de Diagnóstico e Pesquisa da Osteoporose do Espírito Santo (CEDOES) está recrutando pacientes do sexo masculino e feminino com idades entre 18 a 75 anos para participar de duas pesquisas aprovadas pelo sistema CEP-CONEP-ANVISA. Os pacientes que cumprirem os requisitos exigidos serão avaliados e terão acompanhamentos gratuitos por um período de 30 dias com a equipe do CEDOES. Especialistas em ortopedia e traumatologia que quiserem encaminhar pacientes devem entrar em contato com o CEDOES pelo telefone (27) 2125 0220 para obterem mais informações.

Livro

A Comissão de Graduação da SBOT lançou o livro “Ortopedia e traumatologia para a graduação médica”, uma publicação que traz as perspectivas da especialidade, noções elementares de anatomia e semiologia do aparelho locomotor, informações sobre traumatologia, doenças congênitas e degenerativas, entre outros temas. O livro está disponível para download gratuito na página da Nacional www.sbot.org.br. O objetivo do projeto é possibilitar aos graduandos e acadêmicos mais informações para sua especialização em ortopedia e traumatologia.

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ADELMO RESENDE


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A sua primeira experiência numa entidade de classes aconteceu em 2008, quando foi nomeado primeiro Tesoureiro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Regional Espírito Santo (SBOT-ES), na gestão do colega Anderson De Nadai. De lá pra cá, ele foi segundo e primeiro vice-presidente da SBOT-ES, nos anos de 2009 e 2010, respectivamente. No dia 17 de fevereiro, aos 43 anos, o ortopedista e traumatologista Adelmo Rezende Ferreira da Costa assumirá o cargo máximo que se pode alcançar dentro da Sociedade: o de presidente. Nascido em Belo Horizonte, Adelmo formou-se em medicina no final de 1991, pela Faculdade de Ciências Médicas de Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais. No início de 1992, partiu para São Paulo e fez residência em ortopedia e traumatologia no Hospital dos Servidores Públicos Estadual até 1995. No mesmo ano em que terminou a residência, Adelmo casouse com uma capixaba e permaneceu no Hospital dos Servidores Públicos até o final de 1996 para fazer subespecialização em ombro e cotovelo. Ao finalizar o curso, mudou-se para o Espírito Santo e criou raízes definitivas por aqui, com o nascimento dos seus quatro filhos, com a entrada para a Cooperativa dos Ortopedistas e Traumatologistas do Estado do Espírito Santo (COOTES) e com sua filiação à SBOT-ES. Hoje, Adelmo trabalha no Hospital Estadual Central, em Vitória; no Hospital Meridional, em Vila Velha, e numa clínica particular, também em Vila Velha, cidade que mora desde que aqui chegou, há 15 anos. O que você aprendeu nos anos em que fez parte da diretoria da SBOT-ES e como esse aprendizado o ajudará a encarar este novo desafio dentro da Sociedade? Aprendi muita coisa, principalmente com os cursos, jornadas e congressos que realizamos. Aprendi que para levar informação, ou seja, fornecer meios de atualização permanente aos profissionais interessados na especialidade pode ser feito sem a necessidade de organizar grandes e dispendiosos eventos. Por isso, continuaremos a trazer grandes especialistas para nos abastecer com as mais recentes informações da área nas jornadas que iremos organizar. Os palestrantes serão do mesmo nível dos que trouxemos nos últimos congressos, mas a

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estrutura do evento será mais simples, mais enxuta.

Fale um pouco mais dos eventos que a Sociedade vai organizar. Neste ano, organizaremos três jornadas. O assunto será, basicamente, o trauma. As jornadas abordarão traumas em membros superiores, traumas em membros inferiores e politrauma, ou seja, atendimento de pacientes politraumatizados. Esses eventos acontecerão na capital. Entretanto, entrarei em contato com associados de grandes municípios do interior do Estado para saber se há interesse deles em desenvolver jornadas e workshops nas suas cidades. Se for viável e eles sinalizarem positivamente, a SBOT-ES se comprometerá em dar completo apoio, como fizemos no ano de 2008, quando foram realizados workshops em Linhares e Colatina. Outro evento que pretendemos oferecer aos nossos membros será um novo curso AO. A SBOT-ES trouxe este curso no ano passado e foi um sucesso. Consultarei a Comissão de Ensino e Treinamento para ver qual curso será mais proveitoso. Depois entraremos em contato com a AO para solicitar uma data no seu calendário.

E sobre o curso preparatório para o exame do TEOT, que teve início em 2008 e foi desenvolvido pela diretoria da qual você fez parte? Ele vai continuar? Certamente. Nestes últimos três anos, o curso foi muito bem aceito e tem cumprido


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com a função para a qual foi criado. O foco do curso preparatório para o exame do TEOT são os nossos residentes. Nós temos duas residências aqui no Estado que formarão quatro residentes por ano. Quanto melhor eles forem preparados para o exame do TEOT, melhor a ortopedia capixaba será representada. Se eles não passam na prova, para nós é ruim, pois será um reflexo de que a especialidade não está indo bem por aqui. No exame do TEOT deste ano, dois residentes do Vila Velha Hospital que participaram das aulas conosco foram aprovados. Isso demonstra que o trabalho que estamos fazendo é importante e tem dado certo. Entretanto, como sempre frisamos em nossa comunicação com os filiados, o

O nosso representante regional da Comissão de Defesa Profissional da SBOT nos manterá sempre informados acerca das diretrizes da Comissão e vai nos auxiliar a trazer palestrantes para tratar do assunto.

Há alguma novidade que pretende

“...em todas as jornadas que fizermos, vamos separar um momento para discutir temas relacionados à defesa profissional.” E quanto às campanhas educativas? curso também está aberto aos colegas que já são especialistas, como uma oportunidade de reciclagem, troca de experiências e de colaboração. Assim como nos anos anteriores, serão 13 aulas a cada quinze dias, começando em março. Elas acontecerão no auditório da Sociedade, sempre às 19h, e são totalmente gratuitas.

Com relação à defesa profissional, como a SBOT-ES irá atuar? Este é um assunto que a Nacional tem total interesse. Ela nos orientou para darmos muita atenção a esta questão. Por isso, em todas as jornadas que fizermos, vamos separar um momento para discutir temas relacionados à defesa profissional.

Abraçaremos as campanhas que a Nacional programar. Mas também iremos propor campanhas à SBOT. Uma vez aceitas, elas serão repercutidas por aqui. Para reforça-las, pretendemos criar e distribuir, para a população, cartilhas repletas de dicas, como o uso correto da cadeirinha de bebê, a importância do uso de cinto de segurança, entre outras.

implementar em sua gestão? No momento tenho duas coisas em mente. A primeira é voltar com a revista da SBOT-ES no formato impresso. Para isso, já estou correndo atrás de apoio com nossos parceiros. A outra é criar uma estrutura para fomento à pesquisa. Um centro em que o médico possa ter condições de fazer uma pesquisa e apoio para publicar o seu trabalho. Com relação a isso, espero poder contar com o apoio de colegas que já tem experiência nesta área. Tenho consciência de que isso não será fácil e que é um trabalho que não dá para ser feito em apenas uma gestão. Mas, precisamos dar início a esse projeto para que ele se torne uma realidade e possamos mostrar para o Brasil e o mundo a nossa produção científica.


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Matéria Especial

residentes do Vila Velha Hospital obtém 100% de aprovação no TEOT A

té bem pouco tempo, qualquer médico recém-formado que quisesse se especializar em ortopedia e traumatologia tinha que se deslocar para outro estado, pois no Espírito Santo não havia nenhum curso de residência. Essa realidade começou a mudar em 2008, quando o Centro Médico Hospitalar Vila Velha (CMHVV) fundou o primeiro curso de residência médica em ortopedia e traumatologia do Estado, desde que a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim acabou, em 2002, com a primeira e única residência na especialidade que havia por aqui. Agora, em 2010, o Vila Velha Hospital acaba de formar a sua primeira turma de residentes nível 3. Mas esse não é o único motivo para comemorar. Os dois primeiros R3 a se formarem, Saulo Oliveira e Gustavo Ribeiro, já colheram os louros do curso e são motivos de orgulho para a ortopedia capixaba, pois em janeiro deste ano eles foram aprovados no exame que concede o Título de Especialista em Ortopedia e Traumatologia, o cobiçado TEOT. Para o residente Saulo de Oliveira o sentimento após a conquista do TEOT é de realização e felicidade por saber que ajudou a contribuir para escrever um capítulo importante da história do curso de residência do Vila Velha Hospital e também da ortopedia capixaba. “Antes mesmo de terminar a residência eu já me sentia um especialista devido à formação sólida que adquiri durante o curso. Fomos orientados a respeitar a relação médico-paciente e a proporcionar o melhor atendimento possível, incentivados à pesquisa científica, a publicar estudos e muito mais”, disse Saulo, que também confessou já sentir saudades do clima cordial e fraternal entre os professores e companheiros.

Parceria CMHVV e SBOT-ES Mas o sucesso dos residentes do Vila Velha Hospital é devido, em parte, a um parceiro que foi de grande ajuda na fase de capacitação para o TEOT. Durante o ano de 2010, Saulo Oliveira e Gustavo Ribeiro frequentaram o curso preparatório para o exame do TEOT, oferecido pela SBOT-ES. O curso, desde 2008, é uma excelente oportunidade de preparação para o exame, já ele aborda vários tópicos do programa por meio de uma série de aulas que são ministradas por experientes especialistas que trabalham no Estado. A programação e a supervi-


Acima, da esquerda para direita: Tannous Sassine, Gilson Feu, Dejair Cordeiro Xavier, Nelson Elias, Luis Augusto Campinhos, Everaldo José Marchezini, Agostinho Bruzzi, Paulo Paladini, José Eduardo Grandi Ribeiro.

Abaixo, da esquerda para direita: Rodrigo Rezende, Saulo Gomes, Gustavo Ribeiro, Igor Cardoso.

da Santa Casa para fazermos atendimentos aos pacientes do SUS por lá mesmo”, conta Nelson. Desde que a residência foi inaugurada, todos os anos, nos meses de outubro ou novembro, é lançado um novo edital oferecendo duas novas vagas para R1. O edital é publicado junto com os de outros cursos

são são feitas, em conjunto, pela SBOT-ES, CMHVV e pelo Vitória Apart Hospital, que também possui uma residência na área.

A residência do CMHVV

O especialista Nelson Elias coordenou o projeto de implantação do curso de residência do Vila Velha Hospital e também do curso preparatório para o exame do TEOT, da SBOT-ES.

O curso de residência do CMHVV começou a ser idealizado em meados de 2006, antes do fim das obras do hospital, pelo ortopedista e atual diretor presidente do centro, Dejair Xavier Cordeiro. Ele sabia que um hospital de grande porte, como seria o Vila Velha Hospital, deveria ter um curso de residência. Então, Dejair convidou o ortopedista Nelson Elias, que atuava no Rio de Janeiro, para coordenar o projeto do curso. Segundo Nelson Elias, o processo de implantação foi bastante burocrático. O curso precisou ser aprovado pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Além disso, por o CMHVV ser uma instituição particular, o MEC exigiu que ele se tornasse parceiro de alguma instituição pública de saúde que atendesse pelo Sistema Único de Saúde (SUS) integrado. A instituição escolhida foi a Santa Casa de Misericórdia de Vitória, e, depois de várias reuniões em que participaram a provedora Maria da Penha e o chefe de ortopedia Joelmar de Almeida, a parceria foi fechada. “Este acordo foi primordial para o nosso credenciamento. Outro ponto positivo é que aproveitamos a própria estrutura

de residência da Santa Casa. Segundo José Eduardo Grandi Ribeiro, chefe do serviço de ortopedia e traumatologia do CMHVV, no último ano, o edital de ortopedia e traumatologia foi o segundo mais concorrido, com 40 candidatos participantes. “Não é simples montar um curso de residência. A responsabilidade é muito grande, pois a gente forma pessoas que vão salvar vidas. Sendo assim, temos que ter uma boa base teórica, prática, e, às vezes, até ajudar na formação do caráter do residente”, conta José Eduardo Grandi Ribeiro. José Eduardo explica que não pretende aumentar o número de vagas do curso para não afetar a qualidade. “Esse número permite que tenhamos um curso de qualidade, pois assim podemos nos dedicar mais a cada residente. Muitos cursos no Rio de Janeiro estão perdendo o credenciamento, pois aumentaram o número de vagas, mas não o de supervisores”. Outro fator que pode levar ao descredenciamento da residência é a reprovação, por dois anos consecutivos, da metade ou mais dos residentes que fazem o exame do TEOT. Daí a importância da parceria dos cursos de residência com o curso preparatório para o exame do TEOT ministrado pela SBOT-ES. José Eduardo Grandi Ribeiro não tem dúvida de que a dedicação de Nelson Elias como coordenador do exame preparatório para o TEOT foi essencial para o sucesso dos residentes do CMHVV. “Além das aulas que o Nelson ministra e coordena na SBOTES, ele ainda convida os residentes para participarem de debates na casa dele. O Nelson é fantástico. Ele respira residência”, comenta.

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retrospectiva 2010


O

ano de 2010 foi de muito trabalho e dedicação. O resultado não poderia ser outro senão muitas conquistas e a certeza de que o trabalho em grupo e para o grupo será sempre a melhor opção para a resolução dos problemas de uma associação. A matéria de capa desta edição da Revista SBOT-ES faz um balanço dos principais acontecimentos que marcaram a jornada profissional e social da Regional durante a gestão 2010. As vitórias do curso preparatório para o TEOT; as jornadas; o Curso AO Trauma e a comemoração especial no Dia do Ortopedista são alguns dos fatos que serão apresentados com mais detalhes a seguir.


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Curso preparatório para o TEOT

Ministrado desde 2008, o curso preparatório para o exame do TEOT - que confere o Título de Especialista em Ortopedia e Traumatologia - mostrou, em 2010, que a cada ano que passa se consolida mais e mais. Neste ano, residentes e médicos já graduados que ainda não possuem o TEOT puderam contar com 13 aulas preparatórias que começaram no mês de março. As aulas, como sempre acontecem, foram gratuitas e ministradas quinzenalmente no auditório da COOTES/ SBOT-ES, em Vitória. A metodologia do curso estipulou, a cada aula, a abordagem de dois temas que constam no programa do exame, sendo reservada uma hora para cada um. Alguns deles se referiam a tumores ósseos, fraturas do carpo, fraturas do punho, escoliose, osteotomias do quadril e do joelho, entre outros, bem como seus tratamentos. Todos os temas foram ministrados por experientes especialistas capixabas, como Diogo Miranda, Fernando Emerick, Eduardo Uvo, Francisley Gomes Barradas, Everaldo Marchezini, Luis Augusto Campinhos, José Fernando Duarte, Jair Simmer Filho, entre outros. Esse capacitado time de especialistas foi, sem dúvida, muito importante para o sucesso de dois residentes do Vila Velha Hospital. Saulo Gomes de Oliveira e Gustavo Ribeiro participaram do exame do TEOT, em janeiro deste ano, e conseguiram a sonhada aprovação. “O período em que passei na residência e o aprendizado que angariei no curso preparatório foram fundamentais para o meu sucesso no exame. O legal é

que sempre que tinha alguma dificuldade sabia que seria ajudado pelos professores e amigos que fiz durante o curso”, disse Saulo. Outro residente aprovado que fez o curso preparatório da SBOT-ES foi Felipe Carvalho. Depois de fazer residência no Rio de Janeiro, ele aproveitou as folgas no trabalho para participar do curso preparatório. “Não fui a todas as aulas por incompatibilidade com os horários do trabalho, mas o que pude assistir me ajudou bastante, pois me deu um direcionamento para o estudo. Além disso, todos os temas abordados no curso caíram, tanto na avaliação escrita quanto na oral. Acho que a troca de experiência e a oportunidade de poder tirar dúvidas é o que faz com que o curso seja o sucesso que é”, avaliou o mais novo especialista, que disse ter pretensão de continuar a participar das aulas para aumentar ainda mais o seu conhecimento. Para Nelson Elias, esse curso foi um grande passo dado pela Sociedade, e a expectativa é que tanto o número de aulas quanto o de frequentadores aumente significativamente no decorrer dos anos. “A participação de especialistas interessados em se reciclar e trocar experiência, como Igor Machado Cardoso e José Eduardo Grandi Ribeiro Filho, também contribuiu para o sucesso do curso, uma vez que eles acabam passando um vasto repertório de saber para os residentes e outros colegas”, disse Elias.


Curso AO

Entre os dias 8 e 10 de julho, a SBOTES trouxe para Vitória um dos mais importantes cursos de tratamento cirúrgico de fraturas do mundo. Foi o curso “AO Trauma - Princípios do Tratamento Cirúrgico das Fraturas”, que aconteceu no hotel Ilha do Boi. Ao todo, foram ministrados onze módulos com aulas teóricas e práticas sobre técnicas de tratamentos das mais variadas formas de lesões, planejamento pré-operatório, discussão de casos, apresentação e classificação de materiais, entre outros. Organizado e ministrado pelo Cursos AO Brasil, o evento contou com renomados professores de três estados brasileiros: Nelson Elias e José Eduardo Grandi Ribeiro Filho, do Espírito Santo; Vicenzo Giordano e Pedro Labronici, do Rio de Janeiro; e Pedro Tucci e William Dias Belangero, de São Paulo. Inicialmente, o Espírito Santo não estava na programação do curso e a inclusão do Estado no calendário AO foi uma vitó-

ria conquistada com muito esforço pela diretoria da Regional. “A importância desse curso é tão grande que todas as 24 vagas disponíveis foram preenchidas rapidamente por especialistas de várias partes do nosso Estado após a divulgação do novo cronograma do curso no site oficial da AO Brasil”, informou o presidente da SBOT-ES, Alceuleir Cardoso de Souza, que agradeceu ao apoio do Grupo Sinthes e PH-OrthoHead, além do grupo tutorial da Fundação “AO”, comandado pelo especialista William Belangero.

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Administração Entre as mudanças administrativas que marcaram a gestão 2010 da SBOT-ES destacam-se a regularização dos atos administrativo da diretoria e a contratação de uma auditoria administrativa relativa ao exercício de 2009, sugerida em assembleia. A auditoria foi extendida para o ano de 2010, o que muito contribuiu para a Sociedade delinear suas ações e atuar de forma mais técnica.

Parcerias O sucesso da gestão 2010 da SBOT-ES não seria o mesmo se a entidade não pudesse ter contado com o apoio de parceiros que minimizaram um ano repleto de dificuldades ocasionadas pelo novo Código de Ética Médica, bem como novas decisões da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que restringiram algumas modalidades de patrocínio e publicidade de eventos específicos. Contudo, isso não impediu que algumas instituições parceiras de anos anteriores, e outras fechadas em 2010, apoiassem os eventos da SBOT-ES com ajuda financeira ou mesmo apoio operacional, contribuindo para que a SBOTES mantivesse seu cronograma de jornadas e cursos com organização e qualidade. Sendo assim, a SBOT-ES agradece aos seguintes parceiros: Multiscan Imagem e Diagnóstico, CDI (Centro de Diagnóstico por Imagem), Grupo de Farmácias Santa Lúcia, Saúde Farma, Aché Laboratórios Farmacêuticos, MSD (Merck Sharp & Dohme), Janssen-Cilag Farmacêutica, Unimed Vitória, Alexandre Rossoni & Advogados Associados, COOTES, Balaio Comunicação e Design, Emmerich Contabilidade, PH Comércio de Produtos Hospitalares e Orthohead Instrumentais e Implantes Cirúrgicos. Mas além do apoio que recebeu, a SBOT-ES também apoiou. A Sociedade foi parceira da COOTES na formulação da

PH proposta de implantação do Serviço Público Estadual de Ortopedia Pediátrica para o Hospital Estadual Infantil Dr. Alzir Bernadino Alves (HIMABA) e para o Hospital Estadual Nossa Senhora da Glória (HINSG). Apoiou também a proposta de criação do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Drª Rita de Cássia, em Barra de São Francisco. O apoio da SBOT-ES foi fundamentalm tanto na organização de uma Audiência Pública no município quanto no levantamento dos dados que respaldaram o projeto da COOTES. As propostas foram entregues no mês de janeiro para a equipe da Secretaria do Estado de Saúde da atual gestão.

Alexandre Rossoni & Advogados Associados


Defesa Profissional

Com o objetivo de contribuir para melhor solução dos problemas médicosprofissionais e prestigiar os direitos de quem exerce a ortopedia e traumatologia, a SBOT-ES promoveu, no segundo semestre de 2010, o 1º Fórum de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). O evento, que foi uma extensão do I Fórum Nacional de Defesa Profissional, aconteceu em todas as regionais do País. No Espírito Santo, a diretoria da SBOT-ES, que contou com o total apoio da Cooperativa dos Ortopedistas do Estado do Espírito Santo (COOTES), escolheu o Dia do Ortopedista, 19 de setembro, para a sua realização. O fórum aconteceu no Cerimonial Oásis, em Vitória, e nele foram discutidos planos de cargos e salários, honorários e valores de contratos com as operadoras de planos de saúde. Estiveram presentes no evento os presidentes da SBOT-ES, da COOTES e da Ames, respectivamente Alceuleir Cardoso de Souza, Hélio Barroso dos Reis e Antônio Carlos Paula de Resende. O Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) foi representado por Jorge Luiz Kriger; e o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), pelo procurador geral de Justiça do Estado do Espírito Santo, Alexandre José Guimarães. Da parte dos contratantes, o Grupo

São Bernardo Saúde foi representado pelo seu presidente Walter Dalla Bernardina; a Unimed Vitória, por Márcio Oliveira Almeida. Todos ministraram breves palestras expondo os seus pontos de vista com relação aos valores de honorários, contratos vigentes e a possibilidade de reajustes. Segundo o presidente da SBOT-ES, o debate serviu para que os médicos entendessem que a interação e o questionamento são fundamentais para o crescimento da classe, pois só assim é possível conquistar melhorias. Vários médicos procuraram a Sociedade após o fórum para tentar resolver seus problemas com os convênios locais, os quais, por meio de reuniões e debates, estão sendo solucionados. Outro passo importantíssimo da SBOT-ES com relação à defesa profissional em 2010 foi o apoio à COOTES durante as negociações que resultaram na assinatura de um novo contrato de prestação de serviços dos especialistas

cooperados junto ao governo do Estado. Além de uma melhor remuneração e aumento no número de vínculos, a COOTES conseguiu negociar uma inédita taxa de interiorização. “Foi uma conquista e tanto, uma vez que no interior a demanda por especialistas em ortopedia e traumatologia é muito alta. Com essa taxa, o médico é estimulado a prestar serviço ou até mesmo a fixar-se definitivamente no interior”, disse Alceuleir, que deu total apoio à negociação da COOTES como presidente da Regional.

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Dia do Ortopedista

Após o Fórum de Debates, que fomentou a discussão sobre os assuntos relacionados à defesa profissional, o Dia do Ortopedista foi comemorado com um delicioso almoço com direito a churrasco e banda de música. Cerca de 200 ortopedistas de vários locais do Espírito Santo compareceram ao Cerimonial Oásis para fazer parte da confraternização e reencontrar velhos amigos na comemoração do seu dia. O CDI e a Farmácia Santa Lúcia cederam brindes para serem sorteados entre

os médicos presentes. Entraram no sorteio também os colegas que não puderam comparecer por estarem a trabalho nos plantões. Os familiares também puderam aproveitar bastante o domingo, principalmente as crianças, que participaram de muitas brincadeiras regadas a pipoca e algodão doce. No comando da boa música, o cantor Anfrísio Lima e banda tocaram grandes sucessos da Música Popular Brasileira.


Jornadas As jornadas organizadas pela SBOT-ES, em 2010, tiveram um foco muito específico e de extrema importância para 14,5 milhões de pessoas no Brasil: o idoso. Por isso, as palestras ministradas por mais de 30 especialistas, entre traumatologistas e reumatologistas, abordaram patologias comuns a essa população, como artrose do joelho e do quadril, bem como as novas tecnologias para tratamento das doenças degenerativas que acometem os idosos. Três encontros foram realizados nos meses de abril, junho e outubro, sempre no auditório da Unimed Vitória, na capital. A Jornada Capixaba de Doenças Inflamatórias e Degenerativas e a Jornada Científica de Ortopedia, por exemplo, receberam especialistas de várias partes do Estado. Para reforçar o tema, a SBOT-ES

promoveu também a Jornada de Ortopedia e Fisioterapia, aberta a profissionais e residentes em fisioterapia. Além das mais modernas técnicas de reabilitação nas áreas da ortopedia e traumatologia, os palestrantes apresentaram também as últimas alternativas em tratamento cirúrgico e fisioterápico. Jair Simmer Filho, membro da Comissão de Educação Continuada da SBOT-ES, esteve à frente da coordenação das jornadas. Segundo ele, o tema abordado faz parte da rotina de trabalho da ortopedia, pois é cada vez mais crescente a população de idosos. Por isso, o assunto é tratado com tanta importância pelos especialistas. Jair ressalta que o diferencial das jornadas neste ano foi a participação dos estudantes de medicina, que puderam obter mais conhecimento e trocar informações sobre a área.

Comunicação

A parte comunicacional da Sociedade também foi destaque. A revista da SBOT-ES, que antes era impressa e trimestral, passou a ser bimestral e em formato digital. Com isso, ela aumentou o seu alcance e, consequentemente, o número de leitores. O site também passou por uma remodelagem em seu design e, além da atualização constante com informações sobre eventos, palestras, reuniões e outros assuntos relacionados à traumato-ortopedia, ganhou um sistema de

acesso restrito para os associados, com conteúdo das jornadas e palestras importantes, além de artigos científicos. Os associados também puderam contar com news semanais, abordando os mais relevantes assuntos, como prazo de inscrição para congressos, datas de jornadas e aulas do curso preparatório para o TEOT, entre outros.

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Definitivamente, jogar frescobol nĂŁo ĂŠ sĂł bater numa bolinha com uma raquete


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F

érias, sol e, principalmente, praia são alguns dos fatores que fazem do verão

a estação mais esperada do ano. Existem aqueles que gostam de ficar relaxando sob a sombra do guarda-sol, comendo todo o tipo de guloseimas que trazem de casa ou adquirem dos ambulantes que perambulam pela praia. Há também os que adoram praticar exercícios enquanto estão na praia e, ao contrário da turma anterior, dificilmente chegarão ao final da estação com alguns quilos a mais. Mas será que essas pessoas, ao praticarem exercícios com equipamentos impróprio ou de informa incorreta também, estão sujeitos a lesões?


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Dicas SBOT-ES

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urante o verão, num rápido passeio pela praia, é possível ver gente pegando onda, nadando ou praticando uma das febres do momento que é o kite surf. Aqueles que não se arriscam no mar preferem o futebol e o frescobol. Tipicamente praiano, o frescobol é praticado por crianças, adolescentes e adultos. Mas quem pensa que o frescobol é um esporte inofensivo e não causa danos físicos ao seu praticante engana-se. É evidente que tal advertência não se aplica àqueles que brincam por um curto período de tempo, uma vez ou outra, mas sim aos “atletas de verão”, ou seja, aqueles que passam mais de horas praticando o esporte, durante vários dias. Eles estão sujeitos a lesões do mesmo modo que atletas de outros esportes. Além de ser gostoso de jogar, o frescobol traz muitos benefícios para a saúde mental, trabalho em equipe; e física, como a melhora na coordenação motora, aumento dos reflexos, agilidade e condicionamento físico, pois é um exercício aeróbico com queima significativa de até 820 calorias/hora. Mas o que muita gente não sabe é que o frescobol, como qualquer outra modalidade esportiva, exige suas técnicas. Não se trata apenas de bater e rebater a bolinha de um lado para o outro, sem qualquer compromisso. “A exigência por movimentos de rotação de tronco, agachamentos e movimentos repetitivos dos membros superiores pode causar sérias lesões ou agravar alguma já existente, caso a prática da atividade num ritmo mais intenso não tenha supervisão e orientação de um instrutor”, esclarece Marcelo Silva, professor de frescobol há oito anos.

“Frescor no final da tarde” Há rumores de que o frescobol surgiu na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, por volta de 1945. O idealizador do esporte seria Lian Pontes de Carvalho, dono de uma fábrica de móveis de piscina, pranchas e esquadrias de madeira, que desenhou e mandou fazer as primeiras raquetes de madeira. O nome nasceu de uma mistura, feita pelos gringos, de “frescor do final de tarde” com “ball”, “bola”, em inglês. Os cariocas encurtaram tudo isso e surgiu o nome frescobol. Durante muitos anos, o frescobol foi visto apenas como uma simples diversão de praia. Campeonatos foram realizados em várias praias do Brasil, porém os critérios de pontuação, sempre subjetivos e susceptíveis a interpretações variadas, deixavam os jogadores insatisfeitos. Ficou claro que o esporte precisava de regras objetivas, específicas e unificadas para todo País, pois tinha tudo para dar certo. Inicialmente, foram criadas associações locais e, como começou a se popularizar, surgiram as federações. O Primeiro Circuito Brasileiro de Frescobol, que percorreu nove estados brasileiros, aconteceu em 1994. A Federação Espírito-Santense de Frescobol (FESFRE) começou suas atividades em 2000 e, já em 2003, organizou, no Estado, o I Congresso de Frescobol, que constituiu um novo regulamento para do esporte. Atualmente, a FESFRE tem um calendário em que acontecem quatro etapas estaduais e uma nacional. No entanto, o frescobol ainda não é visto como modalidade esportiva pelo Ministério dos Esportes, Comitê Olímpico e Para-Olímpico Brasileiro. Mas as federações estão buscando esse registro, bem como a fundação de uma confederação.


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Competição As competições são como uma apresentação e as equipes competem entre si, em várias categorias, e podem ser formadas por duplas masculinas, femininas ou mistas. Existem seis quesitos de pontuação para avaliação nos torneios.

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Potência – equivale a 25% da pontuação; Ataque – equivale a 25% da pontuação; Defesa (revés) – equivale a 18% da pontuação; Habilidade – equivale a 7% da pontuação; Sequência – equivale a 15% da pontuação; Equilíbrio - equivale a 10% da pontuação;

Três juízes analisam esses quesitos: um em cada ponta (direita e esquerda), analisando cada jogador, e um no meio, analisando o centro do jogo. A partida tem a duração de cinco minutos. Se a bola cai no chão, o cronômetro é paralisado.Quando a bola volta ao jogo, o cronômetro reinicia a marcação, assim como no basquete. O número de vezes que os jogadores deixam a bola cair também é contabilizado como critério de pontuação. Ganha quem fizer as melhores sequências, observando os quesitos de avaliação. As categorias são: Profissional Masculino e Feminino, Profissional Misto, Amador Masculino e Feminino e Amador Misto.

As lesões Até mesmo aqueles que têm o esporte como hobbie, como o ortopedista Fernando Antônio Rios, acabam sendo vítimas de lesões quando se descuidam do condicionamento físico ou jogam com a técnica errada. Segundo o ortopedista, mesmo com toda sua leveza, distração e diversão, o frescobol pode, sim, provocar lesões. Fernando Rios joga desde os 17 anos nas praias de Vila Velha e Vitória e conta que já teve epicondilite, conhecida também como tennis elbow ou “cotovelo de tenista”. A epicondilite é uma inflamação nos tendões dos cotovelos, causada pelas contrações forçadas e repetitivas dos músculos que se unem ao epicôndilo e que são responsáveis pelo movimento giratório

que permite mover a mão para frente ou para cima. Essa inflamação é mais frequente entre praticantes de tênis e de frescobol Outras lesões comuns são a tendinite do manguito rotador, que são os músculos e tendões que sustentam o braço na articulação do ombro; na panturrilha, como a síndrome da pedrada; e no punho, que são as tendinites por movimentos repetitivos. Mas no frescobol a epicondilite é a mais recorrente, pois responde por cerca de 95% dos casos. Contudo, a inflamação não é limitada aos jogadores de frescobol. Ela pode acometer qualquer pessoa que faça algum tipo de trabalho repetitivo com o uso desses movimentos.

Preconceito O frescobol já sofreu com preconceito, devido ao fato dos praticantes jogarem na linha d´água e perto de agrupamento de pessoas, o que causava transtorno para os banhistas. Hoje, quem pratica o esporte tem a consciência de que não deve atrapalhar os demais e procura áreas específicas para jogá-lo. Com isso, o esporte passou a ser mais aceito, aumentando significativamente o número de praticantes, principalmente no período de 2000 a 2010, conta o presidente da FESFRE, Antônio de Pádua Saad, conhecido como Toninho TNT. Contudo, ainda não há dados oficiais sobre o número de praticantes no País, mas sabe-se que a maior concentração encontra-se nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, em quase todo o Nordeste e, obviamente, no Espírito Santo.


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Bola

Raquete Antigamente, utilizava-se madeiras como pinho, cedro, angelim e araucária na fabricação da raquete. Com o tempo, os cabos foram encurtados e passou-se a pintar ou envernizá-las para melhor protegê-las da água. Hoje elas são de fibra e custam entre R$ 60,00 e R$ 130,00. Na hora de escolher uma raquete, vale a pena seguir a dica do instrutor Marcelo Silva. Segundo ele, a raquete ideal para iniciantes é uma que tenha de 300 a 330 gramas. Para profissionais, elas podem pesar até 400 gramas. Outra dica é o tamanho da empunhadura: quanto mais fina melhor, pois é mais fácil engrossar o cabo com grips (fitas) que são facilmente encontradas em lojas de esporte.

Até 1976 jogava-se com bolas de tênis descascadas. Após essa data, bolas importadas próprias para o frescobol passaram a ser usadas. Hoje, um pote com três bolas custa, em média, R$ 45,00.

Acessórios Algumas pessoas costumam utilizar meias de neoprene, ideais para surf e mergulho, para proteger os pés da areia quente da praia. Elas custam aproximadamente R$ 38,00.

Sintomas e tratamentos Dor aguda ao escovar os dentes, abrir latas, parafusar alguma coisa ou, simplesmente, durante o ato de digitar são os sintomas clássicos da epicondilite. O ortopedista Jair Simmer Filho recomenda àqueles que sentirem esses sintomas não insistir em jogar frescobol. “O repouso é fundamental para que a lesão não evolua e não seja necessário tomar medidas mais extremas, como o tratamento cirúrgico”, explica. Segundo Jair, os tratamentos, em linha geral, são repouso, uso de suporte para o antebraço, imobilização do punho com talas, compressas de gelo no local, medicação com antiinflamatórios e fisioterapia. Dependendo do caso, é possível tratar com

infiltração de corticóide, mas as seções não podem passar de três, com intervalo de dois a três meses entre uma e outra. Após seis ou nove meses de tratamento clínico sem apresentação de melhora, o paciente pode recorrer ao tratamento cirúrgico para alívio dos sintomas. Jair ainda explica que existe uma nova técnica de tratamento chamada Plasma Rico em Plaquetas (PRP), que está apresentando resultados animadores a curto prazo para casos de epicondilite. Porém, o tratamento ainda carece de estudos mais elaborados que comprovem ou não a sua eficácia.


DICAS Valores das aulas As aulas podem ser avulsas ou mensais, individuais ou com mais uma pessoa. Custam, em média, R$ 30,00 e tem uma duração de 40 minutos. Há instrutores em Vila Velha, na Praia da Costa, e em Vitória, nas praias de Camburi e na Ilha do Boi.

Como evitar as lesões Segundo o especialista Fernando Rios, para evitar lesões no frescobol, ou em qualquer esporte, é importante manter o condicionamento físico com exercícios regulares e musculação. Para aqueles que praticam frescobol, Fernando diz que a escolha de uma raquete que se adéque à forma de jogar e à estrutura física do jogador é essencial para evitar lesões. “O tamanho, o peso e a empunhadura da raquete devem variar de acordo com físico e as características de jogo de cada praticante. Se não forem respeitados esses parâmetros, certamente ocorrerá lesões”, esclarece. Assim como o condicionamento e o equipamento são importantes para a prevenção de lesões, aprender a praticar o esporte de forma correta também é. Para isso, o mais aconselhado é contratar um instrutor. “Dicas de como segurar a raquete (empunhadura), movimentos de ataque e defesa de forehand (palma da mão virada para frente) e backhand (palma da mão virada para trás), movimentação do tronco e pernas são importantes não só para evoluir o jogo como também evitar lesões”, explica Marcelo Silva, o instrutor.

Antes de correr para a praia com a raquete e a bolinha, fique atento às dicas:

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Hidrate-se bem; Compre uma raquete adequada com relação ao peso e ao tamanho da sua mão; Procure um instrutor ou um jogador profissional para que lhe dê as instruções de como jogar de forma correta para evitar lesões; Não jogue na linha d´água ou perto de agrupamento de pessoas; Use sempre protetor solar e boné. Óculos é opcional; Faça alongamentos de aproximadamente 15 minutos antes da prática esportiva; Jogue, no máximo, duas horas por dia, com intervalos para um mergulho (caso esteja na praia) e hidratação; Tenha uma alimentação balanceada; Faça outro tipo de exercício físico para fortalecer a musculatura; Respeite sempre seus limites físicos, para não estressar a musculatura e prevenir lesões; Caso sinta algum sintoma de lesão, pare a atividade e procure um ortopedista.

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cirurgia percutânea do pé ou cirurgia MIS (Minimal Incision Surgery), como é conhecida em países de língua inglesa, é uma técnica cirúrgica que corrige deformidades através de cortes muito pequenos, cerca de 3-5 mm, e com o uso de instrumental específico, incluindo equipamento motorizado especial. A visualização é indireta por meio de aparelho de intensificador de imagens. São realizadas “fraturas cirúrgicas” nos ossos afetados, na grande maioria das vezes sem utilização de pinos, parafusos, ou mesmo pontos na pele. A estabilização dos ossos é realizada pela partes moles íntegras e através de enfaixamentos e esparadrapagens especiais. Esse tipo de cirurgia pode ser indicada em casos de deformidades, como joanetes (hálux valgo), dedos em garra, calos digitais e plantares. Pode, inclusive, ser utilizada em deformidades graves, como nos antepés reumatóides e em pés diabéticos, para reduzir risco de problemas de feridas. Também tem aplicações no retropé, para o tratamento da fascite plantar e “esporão” calcâneo, e deformidade de Haglund junto ao tendão de Aquiles. Como é uma técnica de baixíssima agressão, comumente o pós-operatório é pouco doloroso. Não há necessidade de internação. A anestesia é locorregional ao nível do tornozelo e não se utilizam muletas ou cadeira de rodas, sendo a marcha permitida imediatamente após a cirurgia, com calçado pós-operatório de solado rígido. O enfaixamento pós-operatório, realizado com atadura elástica autoadesiva, é mantido por três a seis semanas, dependendo do caso. A recuperação é geralmente mais rápida, com retorno precoce às atividades habituais. A cirurgia percutânea foi criada pelos podiatras americanos, profissionais que fazem um curso superior de podiatria, que possuem treinamento médico e cirúrgico em patologias dos pés. No início, devido à falta de instrumental e técnica adequadas, os resultados não eram bons. Após um artigo publicado pelo Dr. Kenneth Johnson em revista científica de grande prestígio, condenando as técnicas percutâneas, ela foi praticamente banida dos EUA. Até hoje a comunidade ortopédica americana não aceita esse tipo de cirurgia. Mas a partir da década de 90, através do Dr. Stephen Isham, que aperfeiçoou as técnicas, e com os novos equipamentos motorizados disponíveis, tornou-se extremamente eficaz. Outro expoente da cirurgia percutânea é o Dr. Mariano De Prado, de Múrcia, na Espanha, que, aprendendo as técnicas nos EUA, desenvolveu e popularizou-as no meio ortopédico europeu. Hoje, com mais de 15 anos de experiência, o Dr. De Prado é o

Cirurgia percultânea do pé


maior divulgador mundial da técnica, e o autor do melhor livro disponível sobre o assunto. Ele e o Dr. Isham até hoje promovem cursos na Europa e EUA. A cirurgia percutânea está em crescente desenvolvimento na Espanha, França, Portugal, Inglaterra, Itália, EUA (entre os podiatras) e Mexico. Na América do Sul, principalmente na Argentina , existem cirurgiões dedicados exclusivamente à cirurgia MIS do pé. O Dr. Juan Sanchez Pulgar, de Córdoba, é um dos mais experientes, tendo defendido tese de doutorado sobre a correção de hálux valgo pela técnica percutânea de Isham. Outro colega argentino de renome é o Dr. Julio Amaya, de Mendoza, que esteve no último Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia em Brasília, mostrando sua grande experiência. No Brasil, o pioneiro da cirurgia percutânea é o Dr. Bernard Meyer, do Rio Grande do Sul, que tem cerca de 600 casos operados. A cirurgia percutânea também tem muitas complicações. Acredita-se que a curva de aprendizado é longa e são muito comuns os desvios de osteotomias com consolidação viciosa, o encurtamento excessivo de dedos, a rigidez articular e metatarsalgias de transferência. É importante selecionar bem os pacientes, evitando casos com deformidades graves ou pacientes muito jovens e ativos, devido ao risco de mau resultado. Outra consideração importante é que trata-se de uma metodologia diferente, em que não podemos valorizar demais o resultado radiográfico. A cirurgia percutânea do pé é uma técnica nova no Brasil, com pouquíssimas pessoas com treinamento adequado, mas bastante promissora. E segue uma tendência mundial para cirurgias minimamente invasivas, como aconteceu com a evolução da artroscopia. Existe uma desconfiança natural por ser um método novo e diferente, não aceito pela escola americana, e os resultados radiográficos muitas vezes não são bons, mas não é possível subestimar o alto nível de satisfação dos pacientes, seja pelo resultado estético, ou pela rápida recuperação. Talvez no Brasil, assim como na Argentina, encontremos um meio termo com cirurgias corretivas mistas, parte aberta, convencional, e parte fechada, percutânea. Ou ainda, utilizando o que de melhor temos em meios de fixação para osteotomias percutâneas. É bastante provável que nos próximos congressos vejamos os primeiros trabalhos brasileiros com essa técnica, já estabelecida mundialmente.

Marcelo Nogueira Silva Ortopedista e traumatologista especialista em pé e tornozelo.

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