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Informativo

06 2009 jul / ago / set

2 Carta do Presidente

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Entrevista João Carlos Belloti O médico paulista fala sobre a Medicina Baseada em Evidência.

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Matéria especial Osteoporose Silenciosa, ela já afeta mais de 200 milhões de pessoas no mundo.

3 Artigo 12 Dicas SBOT-ES 13 Raio X 14 Vida Leve


Carta do Presidente

O que foi e o que vem por aí

N

este editorial não poderíamos deixar de falar daquele que é o maior evento realizado pela Sociedade durante o ano: o 2º Congresso de Ortopedia e Traumatologia do Espírito Santo. Realizado entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, o evento, como o do ano passado, representou uma grande oportunidade de atualização e troca de experiência com vistas a fomentar novos conhecimentos e, consequentemente, proporcionar melhor atendimento à saúde da população capixaba. Para isso, convidamos renomados especialistas e pesquisadores capixabas e de algumas das melhores instituições médicas e acadêmicas do País para tratarem, durante as 25 palestras realizadas, de temas extremamente importantes para a nossa realidade profissional. Capixabas e visitantes apresentaram, durante os três dias, os principais progressos médicos alcançados no cenário estadual e nacional. A SBOT-ES sabe o quanto a pesquisa é importante para o progresso da ciência e da área médica em nosso País. É graças a ela

que o Brasil tem avançado para alcançar os padrões internacionais nos tratamentos de traumas ortopédicos. Neste contexto, a Medicina Baseada em Evidência - conceito cada vez mais presente na medicina atual - ganha destaque. Por isso foi um dos temas discutidos durante o congresso. Integrar a experiência clínica com a capacidade de aplicar a informação científica de maneira a melhorar a qualidade da assistência médica é o que propõe a Medicina Baseada em Evidência (MBE). Para entendermos um pouco mais sobre o assunto - e também saber o que mais rolou no Congresso -, a 6ª edição do Informativo SBOT-ES traz uma entrevista exclusiva com o médico e pesquisador paulista João Carlos Belloti, que abordou brilhantemente o conceito durante o evento. Nesta entrevista, o médico fala, entre outras coisas, sobre a expectativa em relação ao assunto para os próximos anos. Vale a pena conferir.

João Carlos de Medeiros Teixeira Presidente da SBOT-ES

Boa leitura para todos.

Rua Abiail do Amaral Carneiro, 191, Ed. Arábica, Sala 607 Enseada do Suá. Vitória-ES. CEP 29055-220 | Telefone: 3325-3183 www.sbotes.org.br | sbotes@sbotes.org.br

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Dr. Marcelo Nogueira da Silva Segundo Secretário: Dr. Nelson Elias Dr. Adelmo Rezende Ferreira da Costa Dr. Roberta R. Silveira Primeiro Tesoureiro: Dr. Alceuleir Cardoso de Souza Dr. Antônio Tamanini Dr. Marcelo Rezende da Silva Segundo Tesoureiro: Dr. Adriano de Souza Dr. Paulo Henrique Paladini Dr. Edmar S. da Silva Junior Dr. Jair Simmer Filho Dr. Eduardo Hosken Pombo Conselho Fiscal Dr. Carlos Henrique O. de Carvalho Comissão de Ética, Dr. Mássimo Nelson C. E Gurgel Dr. Flávio Vieira Somoes Defesa Profissional e Dr. Ruy Rocha Gusman Honorários Médicos Dr. Fábio Vassimon Jorge Dr. Hélio Barroso dos Reis Dr. Bianor Guasti Júnior Dr. Emídio Perim Júnior Dr. Fernanda Silveira Silva Dr. José Eduardo Grandi Ribeiro Filho Delegados Dr. Sebastião A. M. de Macedo Dr. Geraldo Lopes da Silveira Dr. Jorge Luiz Kriger Comissão de Estatuto e Dr. Roberta R. Silveira

Regimento Comissão Executiva

2

Dr. Anderson De Nadai

Informativo SBOT-ES | 3º trimestre 2009

Dr. João Carlos de M. Teixeira Dr. Alceuleir Cardoso de Souza Dr. Adelmo Rezende F. da Costa

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Artigo

Artroscopia do quadril Edmar Simões da Silva Jr. Ortopedista membro titular da SBOT e SB

H

á pouco tempo não se imaginava que seria possível a realização de cirurgia artroscópica na articulação do quadril, justamente por sua anatomia ser formada por articulação profunda e não haver espaço para se trabalhar. Contudo, as técnicas artroscópicas foram aprimoradas juntamente com a utilização de tração em mesa ortopédica, associada ao intensificador de imagem, sendo possível criar espaço suficiente para abordagem articular sem danos iatrogênicos às estruturas articulares. É importante lembrar-se dos cuidados e proteção dos pés e do períneo - com algodão e espuma (rolo de espuma) - o que diminui as lesões ou queixas relacionadas à tração no pós-operatório imediato. Muitas reclamações de dores, que anteriormente passariam sem diagnóstico, nos últimos cinco anos começaram a ser valorizadas, investigadas e compreendidas; houve uma evolução conjunta da ortopedia e da radiologia. Diagnósticos como lesões do labrum acetabular e impacto femuroacetabular se tornaram conhecidos e cada dia mais frequentemente associados à dor em quadris com radiografias aparentemente normais. A queixa destes pacientes é geralmente dor leve a moderada, às vezes só na prática esportiva. Outros, quando assentados por longos períodos, relatam falceio ou mesmo queimação, dor em glúteo e virilha. Como rotina estes pacientes são avaliados em exames físicos; exames complementares; radiografias de quadril em posição Ap e perfil (falso perfil), e bacia em posição de rã; ressonância nuclear magnética; e em alguns casos artrorressonância, principalmente em casos de radiografias sem alterações e nos quais há grande dúvida se a dor é de causa intra-articular. Não solicitamos a artrorressonância de rotina como antes, pois trata-se de procedimento invasivo e com risco de infecção secundária. A definição se realmente a dor é de origem intra-articular poderá ser solucionada por um teste anestésico; o paciente é levado ao centro cirúrgico, em condições de assepsia. Outras causas de dor no quadril passaram a ser investigadas (dores periarticulares). Bursites e tendinite trocantérica, ressalto lateral fascia lata, ressalto anterior do íleo psoas, tendinite do psoas, tendinites e entesites da enpinha ilíaca anterior, síndrome do piriforme, etc, são causas de dores periarticulares que devem ser investigadas. Até mesmo a bursite trocantérica e a ruptura do glúteo médio já são abordadas por artroscopia, similar à cirurgia do manguito rotador no ombro. Portanto, está havendo uma mudança radical na abordagem do quadril doloroso, similar ao que aconteceu no joelho, ombro etc; sendo importante que todos profissionais (ortopedistas, reumatologistas, fisioterapeutas) que avaliam pacientes com dor no quadril acompanhem esta evolução, trazendo estes benefícios aos pacientes. Muitas destas cirurgias artroscópicas podem ser vistas em vídeos e aulas expostas livremente na internet no www.youtube.com, bastando digitar hip athroscopy na área de pesquisa.

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Entrevista

João Carlos Belloti Agilidade, eficiência e economia. Conheça a MBE. 4

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“A

Medicina Baseada em Evidên-

onde mais se concentram essas publica-

Algumas pessoas dizem que a MBE já dei-

cias (MBE) não é o futuro; é o

ções?

xou de ser apenas uma alternativa para se

presente”. As palavras são do

Temos o Centro Cochrane do Brasil que é

estabelecer de fato. Quais são as expecta-

presidente da Sociedade Brasileira de Or-

um lugar de difusão desses conceitos, com

tivas para os próximos anos em relação a

topedia e Traumatologia, Regional Espíri-

muitas publicações a respeito do assunto.

esse assunto?

to Santo (SBOT-ES) na ocasião do 2º Con-

Trata-se da seção brasileira da Colaboração

No Brasil, pelo menos no meio acadêmico

gresso de Ortopedia e Traumatologia do

Cochrane, uma organização não governa-

e científico, isso já é uma coisa estabeleci-

Espírito Santo, realizado nos dias 30 e 31

mental, sem fins lucrativos e sem fontes de

da. Talvez seja necessária uma abrangência

de julho e 1° de agosto. O evento, ocor-

financiamento internacionais, que tem por

maior. Por isso, o intuito de participar de

rido no Hotel Radisson, em Vitória, teve

objetivo contribuir para o aprimoramen-

congressos desse tipo é justamente esse: de

discussões sobre vários temas, um deles a

to da tomada de decisões em Saúde, com

vir, debater, pra que todos possam enten-

MBE. E para falar sobre o assunto, a SBOT-

base nas melhores informações disponíveis.

der que é uma coisa simples; simples, mas

ES convidou um paulista que já é

muito boa. Acredito que tenha-

uma figura conhecida pelos orto-

mos um aumento na utilização

pedistas capixabas. João Carlos

da MBE numa progressão geo-

Belloti, que também esteve no congresso do ano passado, foi uma das atrações do evento e ainda concedeu uma entrevista ao informativo SBOT-ES. Belloti atualmente é coordenador do curso de metodologia da Unifesp (instituição na qual se formou e

Embora esteja em constante melhoria, a

MBE ainda não

chegou ao nível ideal.

métrica. Em 2008, você também esteve aqui para participar do 1° Congresso Capixaba de Ortopedia e Traumatologia. Dessa vez o que você trouxe foi um aprofundamento do que foi discutido no

onde também concluiu seu mes-

ano passado?

trado e doutorado). Autor de

Sim. No ano passado, nós tivemos

vários artigos publicados sobre

uma conversa conceitual. Este

MBE e ortopedia, além de colaborador em

Quais são as áreas da ortopedia que mais

ano nós fizemos uma aplicação mais deta-

diversos livros, Belloti falou um pouco so-

possuem literatura sobre MBE?

lhada dos tipos de estudo, das meta-análises

bre sua contribuição do congresso, fez um

Acredito que sejam joelho e ombro, uma

e fizemos também uma aplicação prática

panorama da MBE e confessou que é fã do

vez que a prevalência de lesões talvez seja

dos casos clínicos pra todo mundo discutir

Espírito Santo.

um pouco maior.

a melhor forma de tratamento baseada em evidências. Daqui a pouco vocês nem vão

Qual a importância da MBE para a or-

No Brasil, o método da MBE é muito utilizado?

topedia hoje?

Pessoalmente, considero que a utilização

Atualmente, a evolução das técnicas cirúr-

ainda não chegou ao nível ideal, embora

O que você destaca de diferença do evento

gicas e das opções de tratamento é muito

esteja melhorando sempre.

deste ano para o do ano passado?

rápida, e a MBE te permite discernir o que

precisar mais de mim por aqui. (risos)

Minhas palestras tiveram um tempo de

é efetivo do que não é. Ela te dá informa-

E qual seria o país (ou os países) no qual o

duração maior. Isso deixou a gente ter

ção de qualidade muito boa, além de agili-

Brasil precisa se espelhar?

uma conversa bem detalhada das coisas e

dade. Isso permite que o ortopedista esteja

São três: Austrália, Inglaterra e Canadá. O

eu senti que teve uma participação muito

sempre atualizado de forma rápida. Todos

interessante é que são três países que têm

boa. O pessoal estava mais por dentro, e

esses fatores são importantes não apenas

um sistema público de saúde. É público,

pudemos ter uma conversa bem mais apro-

para o médico, pois ganha também o pa-

mas diferente de vários lugares, funciona

fundada.

ciente e o gestor de saúde pública, que

muito bem. Por quê? Porque todas as me-

consegue descobrir de forma rápida o que

didas lá (ou a maioria delas) são tomadas

Para finalizar, o que você tem a dizer de

é mais eficiente e mais barato também.

baseadas em evidência. Ou seja, se você

nosso Estado?

Então, você deixa de gastar dinheiro com

gastar apenas com uma coisa que funciona

Eu sou fã do Espírito Santo, principalmen-

coisas que não funcionam.

bem, você faz economia. O problema às ve-

te da moqueca capixaba. Eu até comentei

zes nem é a falta de recurso, mas sim como

com os colegas que quero vir numa outra

Existe muita literatura sobre MBE atu-

você administra esses recursos. E a MBE te

oportunidade, mas de férias; pra pescar, fi-

almente no Brasil? Quais são os centros

ajuda exatamente nesse ponto.

car na praia, só curtindo (risos).

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Capa

O difícil caminho das pedras Enquanto as condições de algumas rodovias no Estado atormentam a vida de motoristas, governos (estadual e federal) penam para achar soluções que contornem o problema.

U

m relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) publicado no mês de julho deste ano mostra que todos os anos 1,27 milhões de pessoas morrem e entre 20 e 50 milhões ficam feridas em acidentes nas estradas. Na lista dos países que registram mais mortes causadas por esses acidentes, o Brasil é um dos destaques ao lado de China, Estados Unidos, Indonésia, Egito e Federação Russa. O estudo concluiu que, sem medidas imediatas, os acidentes rodoviários serão a quinta maior causa de morte no planeta em 2030. Assim como em nível mundial e nacional, o alerta em relação ao número de vítimas em acidentes rodoviários também é válido para Espírito Santo. Prova disso são as estatísticas do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES). Elas apontam que em 2007 os acidentes de trânsito tiraram a vida de mais pessoas do que doenças infecciosas e parasitárias. Além das condutas inadequadas por parte dos motoristas, como desrespeito à sinalização, excesso de velocidade e falta de atenção, uma das causas desses acidentes são as condições das estradas. No Espírito Santo, por exemplo, a falta de sinalização, os buracos encontrados em determinados trechos ou o estado de conservação geral de algumas rodovias colocam em risco a vida de milhares de pessoas diariamente. A situação chega ao ponto de discutirem se entregar a responsabilidade de algumas rodovias à iniciativa privada é a melhor solução para reduzir os acidentes nas estradas. Acidentes no Brasil e no Espírito Santo De acordo com dados do Relatório da Secretaria de Vigilância da Saúde, do Ministério da Saúde, sobre o perfil da mortalidade do brasileiro, em 2007 foram registrados 36.465 óbitos no País causados por acidentes de trânsito. Desse total, 29.903 (82%) eram

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Informativo SBOT-ES | 3º trimestre 2009

homens e a faixa etária mais recorrente foi

te para 2025. Atualmente, o trecho é consi-

a de 15 a 59 anos. Mais de 83% das víti-

derado o mais crítico e perigoso de toda a

mas do sexo masculino e mais de 67% das

rodovia. No que foi planejado pela ANTT,

vítimas do sexo feminino se enquadravam

a duplicação dos primeiros 14 quilômetros

nessa idade.

seria feita até 2015, entre Serra e Viana, até

Em terras capixabas essa realidade não

o entroncamento com a BR-262.

é muito diferente. Segundo o último Re-

Além disso, outro fator que chamou

latório Anual de Estatística de Trânsito do

a atenção na proposta foi a cobrança de

Detran-ES, no ano de 2007 foram registra-

pedágio. De acordo com o estudo, a du-

dos 38.189 acidentes no Estado, 33% deles

plicação demoraria mais de uma década,

com vítimas e a maioria em vias municipais

mas a cobrança da taxa começaria em seis

e rodovias estaduais. Das 17.566 vítimas,

meses após a assinatura do contrato com a

mais de 3% foram fatais.

empresa que vencesse a licitação. O valor

Ao todo, foram 571 mortes (uma média de 1,61 por dia), 109 delas registradas

da tarifa proposta seria de R$ 5,00 a cada 100 quilômetros.

na Região Metropolitana (Cariacica, Fun-

Diante dos impasses apresentados,

dão, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha

a reunião teve como resultado a apro-

e Vitória). Esse total foi composto por 92

vação para se criar um grupo de estudos

motociclistas, 11 ciclistas, 87 pedestres,

que apresente alternativas à proposta da

132 passageiros e 244 condutores.

ANTT, que por sua vez prometeu recebe-

Tudo isso sem falar dos danos causa-

las e analisá-las.

dos nos acidentes sem vítimas fatais. Para

Não foi a primeira vez que se cogitou

se ter uma ideia da dimensão desse qua-

entregar o trecho em questão à iniciativa

dro, de janeiro a junho deste ano, só no

privada. Em 2007, depois de pressão do

Hospital São Lucas foram registradas 3.070

governo do Estado, essa parte da rodo-

internações por trauma provocadas por

via, que entraria na segunda rodada de

acidentes de trânsito.

licitações feita pelo governo federal, foi retirada do lote de concessões. Junto com

Duplicação da BR-101: possibilidades

empresários que atuam na área de logís-

No dia 10 de setembro deste ano, Vi-

tica e transporte, o governo do Estado

tória recebeu representantes da Agência

argumentou que não havia a garantia de

Nacional de Transportes Terrestres (ANTT),

duplicação de todo o trecho e o custo do

que apresentaram um estudo sobre a du-

pedágio era muito elevado.

plicação do trecho da BR-101 que corta o Espírito Santo. A obra viria com a concessão da rodovia à iniciativa privada. Porém,

Duplicação da “Rodovia do Contorno”: polêmica

de acordo com o estudo apresentado pela

No mês de agosto deste ano as condi-

ANTT, a duplicação só seria concluída em

ções de algumas rodovias no Espírito Santo

2030, tempo considerado longo demais

e o número de acidentes ocorridos nesses

por empresários e representantes do go-

locais foram tema de diversas reporta-

verno estadual que participaram da reu-

gens nos principais veículos de imprensa

nião.

do Estado. As matérias chegaram a listar

A proposta também foi criticada por

os pontos mais perigosos das rodovias do

planejar a duplicação do trecho Sul somen-

Estado, dando destaque principalmente


33% Números

2007

Em 2007, no Espírito Santo... 38.189 acidentes foram registrados 33% dos acidentes foram com vítimas 80% dos condutores envolvidos em acidentes com vítimas eram do sexo masculino 17.566 vítimas foram contabilizadas nos acidentes 571 vítimas fatais foram registradas 109 vítimas fatais foram de acidentes ocorridos na Região Metropolitana 60% dos acidentes com vítimas fatais foram em vias municipais e rodovias estaduais 16,65 mortos foi o Índice de Fatalidade por 100 mil habitantes 1,61 foi a média de mortos por dia Fonte: Relatório Anual de Estatística de Trânsito do Detran-ES do ano de 2007

571

17.566

80%

109

1,61

para a Rodovia do Contorno, que liga os

Privatizar é a solução?

municípios de Cariacica e Serra. Até o dia

Em época de discussão da proposta de

19 de agosto, a rodovia, que está em fase

duplicação da BR-101 no Estado, o diário A

de duplicação, havia registrado uma média

Gazeta publicou no último dia 27 de setem-

de quase 50 acidentes por mês em 2009.

bro uma entrevista com o presidente da As-

Na hora de determinar a responsabili-

sociação Brasileira de Concessionárias (ABCR)

dade por tais acidentes não houve consen-

Moacyr Duarte, que falou sobre modelo de

so, como mostraram as reportagens. De um

concessões, cobrança de pedágio, entre ou-

lado, a Polícia Rodoviária Federal do Esta-

tros assuntos. Otimista, Duarte avalia que o

do argumentou que a causa de muitos aci-

programa de concessão de rodovias é um

dentes é a má sinalização em determinados

sucesso. “Todas as pesquisas indicam que as

trechos, culpando assim o Departamento

melhores rodovias do País são as pedagiadas.

Nacional de Infra-Estrutura de Transpor-

Nas rodovias que foram transferidas para as

tes do Espírito Santo (DNIT-ES), responsá-

concessionárias, estas cumpriram seu papel,

vel pela sinalização das rodovias federais,

realizaram investimentos, estão operando

como é o caso da Rodovia do Contorno. O

adequadamente”, lembra.

DNIT-ES por sua vez jogou a culpa nos mo-

O presidente da ABCR também acredi-

toristas, explicando que os acidentes são

ta que o modelo traz mais benefícios aos

provocados por excesso de velocidade e

condutores do que custos. “Os usuários ga-

desrespeito à sinalização.

nham porque, na relação custo-benefício,

Questionado novamente pelo informa-

o que eles pagam é menos do que eles re-

tivo SBOT-ES, o DNIT-ES (em nota enviada

cebem de retorno. Além disso, as rodovias

pelo seu Núcleo de Comunicação Social)

estão em bom estado”, completa. Duarte

argumentou que os problemas na rodovia

pondera que é comum o usuário reclamar

decorrem do fato de a obra estar sendo

dos valores cobrados nos pedágios, já que

realizada ao mesmo tempo em que 35 mil

as concessões são relativamente novas, e

veículos (dos quais 68% são de carga) tran-

as pessoas ainda não se acostumaram com

sitam no local, onde a velocidade máxima

isso. “É evidente que o usuário estranha e

permitida é de 40km/h.

não gosta. Mas é uma tendência mundial.

Além disso, o DNIT-ES informou que a

Os recursos orçamentários não são mais su-

caracterização do local não permite muitas

ficientes para atender às demandas sociais,

alternativas. “Não é possível construir va-

aposentadoria, saúde, educação, seguran-

riantes que permitam a obra num patamar

ça, e ao mesmo tempo a infraestrutura”,

mais seguro. Os desvios têm que ser reali-

explica.

zados na própria rodovia, e isto é um in-

Para finalizar, Moacyr considera que

contornável ingrediente a intensificar as

o modelo de concessões brasileiro precisa

dificuldades e perigos que já não eram

melhorar: “Os estudos de viabilidade têm

poucos antes e durante a duplicação”.

de ser mais bem feitos. Quando você elabo-

ra um estudo tenta projetar razoavelmente o que vai acontecer, o que dá para fazer, o que não dá para fazer e a tarifa de pedágio. Acontece que alguns governos se preocupam muito com a tarifa baixa.” É exatamente este último ponto que, segundo Duarte, vai pesar na duplicação da BR-101 no Espírito Santo. “O problema ali é a discussão de tarifa, porque se você quer uma tarifa baixa, o que você faz? Começa a jogar o investimento pra frente. Aí você não tem renda suficiente para fazer o investimento que precisa. Esse realmente é o desafio para o estudo de viabilidade”, finaliza.

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Social

2º Congresso de Ortopedia e Traumatologia do Espírito Santo Foram três dias de palestras, discussões e muita troca de experiência. Assim transcorreu o 2º Congresso de Ortopedia e Traumatologia do Espírito Santo, que aconteceu em Vitória, entre os dias de 30 de julho e 1º de agosto, reunindo especialistas capixabas, cariocas e paulistas, além de fisioterapeutas e acadêmicos das principais escolas médicas do Estado. As palestras versaram sobre os diversos tipos de fraturas e seus métodos de tratamento, temas diretamente relacionados ao dia-a-dia profissional nas clínicas e prontos-socorros. Para João Carlos de Medeiros Teixeira, presidente da SBOT-ES, o dever foi cumprido, pois o evento também serviu para incentivar pesquisas nessa área e mostrar que o Espírito Santo está acompanhando os avanços nacionais e internacionais com relação à estrutura, qualidade do atendimento e tratamento de traumas.

1

Carlos Henrique Carvalho, Atyla Quintaes, Ronaldo Roncetti, Emídio Perim Jr., João Carlos Belloti e João Carlos de Teixeira.

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3

José Hungria Neto e esposa, Nelson Elias e João Carlos Teixeira.

O público lotou o auditório do Hotel Radisson.

1

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5

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4

Adriano Souza junto com o casal

5

Joao Carlos Belloti, João Carlos Teixei-

6

O evento também foi prestigiado por

4

Alceuleir Souza e Denise Souza.

ra e Delvira Emilia Teixeira.

residentes.

65


6

José Sérgio Franco José Sérgio Franco, professor do Departamento de Ortopedia da UFRJ, destacou o nível de discussões do congresso, dizendo que a participação das pessoas foi ótima. Segundo Franco, ficou confirmado que não existe mais aquela história das pessoas não fazerem perguntas, como acontecia em alguns eventos no passado. O médico, que é capixaba e atualmente vive no Rio de Janeiro, também elogiou os temas debatidos, considerando-os bastante atuais. Para ele, o que foi mostrado é o que existe de mais moderno no mundo hoje. E se tiveram perguntas sobre esses assuntos significa que os capixabas estão acompanhando o que está acontecendo e estão por dentro das novidades da área, concluiu.

7

José Soares Hungria Neto Profissional da Santa Casa de São Paulo, José Soares Hungria Neto citou o enfoque do congresso como ponto alto do evento, uma vez que foi voltado para o politraumatizado e para fraturas. Hungria lembrou que hoje o trauma é responsável por um número muito alto de demandas nos consultórios médicos. Por isso, iniciativas que tratem desse tema são importantíssimas, explicou. Para Hungria a própria diversidade do público mostrou que a escolha do tema foi muito feliz, já que estavam presentes desde residentes até médicos experientes. Isso sem falar no ambiente informal, que facilitou o contato e permitiu uma participação com muitas perguntas boas e pertinentes, acrescentou o médico.

8

Kodi Kojima Outro profissional da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o médico Kodi Edson Kojima, também esteve presente no evento promovido pela SBOT-ES. Kojima, que atualmente é vice-presidente da SBOT-SP, ministrou cinco palestras e ainda fez o lançamento do livro “Casos clínicos em Ortopedia e Traumatologia”. A publicação é um guia prático para a formação e atualização em ortopedia e traumatologia, em que Kojima e outros dois experientes especialistas brasileiros compartilham seus conhecimentos e experiências na análise de casos do dia-a-dia no atendimento ortopédico. “A ideia foi produzir um livro diferente dos modelos atuais, um caminho novo que proporcionasse uma leitura agradável tomando por base casos clínicos que vivenciamos no nosso cotidiano”, informou Kojima.

6

7

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9 9

10

Amphilóphio Oliveira foi um dos ortopedistas que representou o Espírito Santo no Congresso.

10

O presidente da SBOT-ES, João Carlos Teixeira, discursa na abertura do congresso.

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Amphilóphio, Rodrigo Resende, Anderson de Nadai, Nelson Elias, Kodi Kojima, Adelmo Rezende, Jose Eduardo, João Carlos Teixeira e Alceuleir Souza.

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Especial

Sorrateira e ameaçadora fragilidade Enfermidade silenciosa e sem sintomas, a osteoporose, muitas vezes, só é descoberta quando aparecem as primeiras fraturas.

V

ocê precisa fazer as coisas devagar e cuidadosamente devido ao medo de uma fratura? Já imaginou tendo dificuldade para caminhar e fazer um simples exercício por causa de uma deformidade e também de dores? Se você não se encaixa neste perfil, saiba que para muitas pessoas isso já é uma triste realidade. Ao contrário do que você imagina, saiba também que esse problema pode não estar tão distante de sua realidade. Tratase de um mal chamado osteoporose. No mundo, essa doença cresce em proporções epidêmicas. Já são 200 milhões de portadores, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Somente no Brasil cerca de 15 milhões de pessoas têm osteoporose, porém apenas um terço dos portadores possuem diagnóstico clínico; o restante nem faz ideia de que corre esse perigo. A situação é tão preocupante que a OMS elegeu de 2000 a 2010 como a década do osso e da articulação. Doença silenciosa e progressiva que só aparece na fase avançada - quando acontecem as fraturas -, a osteoporose é uma enfermidade esquelética sistêmica caracterizada pela diminuição da massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, com consequente aumento da fragilidade e susceptibilidade à fraturas,

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Informativo SBOT-ES | 3º trimestre 2009

especialmente nas regiões do quadril, punho e vértebra. Embora seja mais comum em mulheres pós-menopausa - quando o nível hormonal cai sensivelmente - e em idosos, a osteoporose pode aparecer em crianças e jovens. Os fatores de risco que colaboram para o desenvolvimento da doença podem ser divididos em modificáveis e não modificáveis. Entre os fatores modificáveis, pode-se citar o sedentarismo e o hábito alimentar; já entre os não modificáveis, destacam-se o histórico familiar, a idade e o sexo. Para o ortopedista e traumatologista Agostinho Bruzzi de Figueiredo o sedentarismo e a baixa ingestão de cálcio na alimentação são fatores de risco importantes que podem ser facilmente modificáveis. “As publicações mais recentes mostram que as atividades físicas são altamente benéficas, pois melhoram notadamente o pico de massa óssea diminuindo a sua perda e até mesmo mantendo um bom nível dessa massa na senilidade. Mas Agostinho Figueiredo faz um alerta. “A prática de exercícios físicos não reverte a perda óssea e nem modifica os efeitos de alteração hormonal. A prevenção contra a osteoporose deve começar desde a infância com a prática de atividades físicas e um dieta saudável, rica de

alimentos nutritivos”. Conscientização – Preocupada com o desconhecimento por parte da população sobre os riscos da osteoporose, a SBOT lançou na segunda quinzena de julho, no Rio de Janeiro, uma espécie de projeto piloto que futuramente será implementado em outras regiões do País. Trata-se da campanha “Sambar sem Quebrar”, uma promoção realizada em conjunto com escolas de samba carioca que orienta as passistas - por meio de palestras - sobre a importância de realizar exames de densiometria óssea, de uma alimentação que reponha os nutrientes necessários aos ossos e também do controle do nível hormonal. Para Romeu Krause, presidente da SBOT, é muito mais fácil e barato prevenir a osteoporose do que tratá-la. “Infelizmente muitas mulheres brasileiras só tomam conhecimento da doença depois que sofrem uma fratura”, lamentou durante a apresentação da campanha. Contudo, um dado ainda preocupa. Segundo a Sociedade Brasileira de Pacientes com Osteoporose (Sobrapco), apenas 2% dos brasileiros têm acesso ao tratamento da osteoporose, que além do uso de medicamentos necessita de uma dieta alimentar rica em cálcio e atividade física. Outro fator limitante é o preço das drogas, já que a terapia e longa.


OSTEOPOROSE O que é ? Enfermidade que caracteriza-se pela diminuição de massa óssea, tornando os ossos frágeis e suscetíveis a fraturas, especialmente nas regiões do quadril, punho e vértebra. É mais comum em mulheres pós-menopausa e em idosos, mas também pode aparecer em crianças e jovens.

Diagnóstico A forma mais antiga é o raio-X. Hoje, o exame de referência é a densiometria óssea, que quantifica a perda de massa óssea, determina os riscos de fratura nos ossos comprometidos e verifica se o tratamento está sendo adequado.

Prevenção/Tratamento Hábitos saudáveis: exercícios físicos regulares; correta exposição ao sol; alimentação rica em vitamina D e cálcio (folhosos escuros, peixes, leite e outros laticínios); reposição hormonal. Evitar: fumo e bebidas alcoólicas.

Fatores de risco Idade/Menopausa: baixo nível hormonal; Hábitos alimentares: insuficiência de vitamina D e cálcio; Comportamento: sedentarismo, alcoolismo e fumo; Outros: uso de medicamentos (corticóides) e doenças crônicas.

Dados gerais da osteoporose (OMS, Sociedade Brasileira de Reumatologia e Ministério da Saúde) Mundo: 200 milhões de portadores atualmente; Brasil: 15 milhões de portadores atualmente; Brasil: 1 milhão de fraturas anuais decorrentes da osteoporose; Brasil: 250 mil fraturas de quadril anuais. Trata-se do tipo mais grave de fratura pelo alto risco de incapacidade e de morte por complicações; Brasil: 40 mil óbitos anuais decorrentes de complicações da doença; Brasil: R$ 80 milhões foram os gastos do SUS entre 2004 e 2005 com internação decorrente da doença.

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Dicas SBOT-ES

Atenção com os pés Destinados a sustentar e a locomover nosso corpo, estes membros podem sofrer com diversos traumas e doenças. Confira como manter a boa saúde dos pés.

D

esde pequenos, quando aprendemos a caminhar, entendemos a importância que os pés terão para o resto de nossas vidas. Seja para andar, correr, brincar e praticar esportes, eles são uma das partes do corpo mais exigidas. Contudo, eles nem sempre recebem a merecida atenção. A falta de informação e, principalmente, de orientação médica é um fator de risco para pés saudáveis. Parece impossível, mas é verdade: quando corremos, os pés sustentam cinco ou seis vezes o peso do corpo, podendo chegar ao total de uma tonelada dependendo de outros tipos de esforços, segundo dados da Associação Americana de Pedicuros. Uma pessoa que ao longo da vida tenha atividade física normal, aos 50 anos terá andado cerca de 120 mil quilômetros, o que equivale a impressionantes dez voltas em torno da Terra.

Tamanho esforço não poderia deixar de causar desgastes, dores e até doenças, pois esses membros, com o passar do tempo, perdem gradualmente sua proteção natural que ocorre pela degeneração do tecido gorduroso aquele que dá o formato almofadado dos pés - , perdendo a função de amortecer impactos. Além do desgaste, atenuantes como os calçados utilizados, hereditariedade e higiene pessoal demandam mais cuidados e atenção. Os calçados, ao mesmo tempo, são aliados e vilões da saúde dos pés. O ortopedista Marcelo Nogueira explica que em atividades físicas, os cuidados devem ser ainda maiores. “É normal a pessoa sentir dor e achar que em breve irá passar ou, por pretender adquirir um determinado calçado, relevar um evidente desconforto. Essas são situações que ocorrem com frequência e que podem gerar danos muito comuns”.

Segundo o ortopedista, as torções de tornozelo, calos, joanetes e esporões são os problemas que mais acometem os pés e as principais causas de procura por ajuda em seu consultório. “O uso de calçados inadequados é um dos erros mais frequentes e que causam tantos estragos”, informa Nogueira. Apesar de soluções simples e práticas que podem ser adotadas no dia-a-dia, alguns problemas podem demandar cuidados maiores. Um exemplo é o Hálux Valgo. Popularmente conhecido como Joanete, é uma protuberância oriunda do crescimento ósseo do grande dedo do pé - o dedão - e do espessamento dos tecidos moles que recobrem a região. Na maioria das vezes, o Joanete é resultado do uso excessivo de saltos altos e, em casos mais extremos, é necessária cirurgia corretora.

Dicas

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Ao escolher e utilizar um calçado:

Ao praticar esportes e caminhada:

Em caso de traumas:

Evite sapatos apertados ou folgados demais; Priorize o conforto; Observe a anatomia dos pés; Observe o peso do corpo para identificar a necessidade de um calçado reforçado; Para mulheres, no dia-a-dia é preferível usar sandálias rasteiras.

Comece com um ritmo mais leve e aumente a carga aos poucos; Não economize e adquira equipamentos adequados; Caso tenha problemas, procure acompanhamento médico especializado.

Interrompa as atividades imediatamente; Use uma compressa de gelo no local lesionado; Se possível, imobilize o local; Erga o membro para aliviar a pressão; Procure imediatamente um médico especialista.

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Raio X

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Vida Leve

Meu melhor amigo é um

campeão

Foto: Artur Franco

Dos dobermans aos american staffordshire terriers, saiba quem são os prodígios que enchem de orgulho o ortopedista José Eduardo Ribeiro Filho.

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P

recisar ao certo quanto à origem dos primeiros cães domésticos é entrar numa disputa aquecida e há muito travada nos principais meios acadêmicos. Enquanto registros arqueológicos apontam restos de cães domésticos com idade máxima de 14 mil anos, análises genéticas em lobos, coiotes, cães e outros canídeos empurram essa data para 135 mil anos, ou seja, um passado bem mais distante. As teorias postulam que os cães atuais surgiram da domesticação do lobo cinzento asiático. Ao longo dos séculos, o homem realizou uma seleção natural das espécies por suas aptidões, características físicas e, principalmente, comportamento, que culminou em mais de 800 espécies atualmente. Mas mesmo sem poder precisar uma data específica, uma coisa é fato: o cão é o mais antigo animal domesticado pelo ser humano. Há mais de dois mil anos eles ajudam o homem a caçar predadores de aves e ovos, a proteger plantações e a propriedade, controlar rebanhos, entre outros serviços. Quando se fala que o cão é o melhor amigo do homem, não é por acaso. Não há conhecimento de uma amizade tão forte e duradoura entre espécies distintas quanto o ser humano e o cão. Foi essa empatia pela espécie que levou o ortopedista José Eduardo Ribeiro Filho - na época apenas um adolescente de 15 anos - a ser tornar não só um apaixonado por cães, mas também num exímio conhecedor. E tudo começou com o apoio de um primo de seu pai, um juiz de exposições de cães, que o orientou a adquirir um cachorro de pedigree e também ensinou a Eduardo algumas técnicas de adestramento e de apresentação.


A raça escolhida foi a de dobermans e José Eduardo, até aos 23 anos, teve tempo de sobra para treinar e participar de competições, tanto é que fez de uma cadela e filhote premiados campeões. Mas o curso de medicina, a residência médica, um estágio no Canadá e um mestrado no Rio de Janeiro exigiram mais tempo do que José Eduardo dispunha, e o hobbie ficou de lado, mas não esquecido. A vez dos American Staffordshire Terriers - Há três anos José Eduardo retomou a sua antiga paixão. Agora, morando em uma ampla casa e não mais em apartamento, ele cria um macho (Golden Bullet, de dois anos e meio) e uma fêmea (Kaylua

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ou simplesmente Lua, de três anos e meio) da raça American Staffordshire Terrier que acabaram de ter filhotes (entre eles, a pequena Mariah Carey, de apenas qua-

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José Eduardo com o casal Golden

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A cadela Lua em uma de suas pre-

tro meses). Da mesma família dos temíveis

Bullet e Lua.

Pitbulls, os animais dessa raça ainda são transformados em máquinas de briga pela grande valentia. Mas se criados de forma correta são dóceis, inteligentes e extremamente devotados aos seus donos. “Desde filhote já da pra saber como vai ser o com-

miações no ano de 2007.

portamento do cão quando adulto. Portanto, torna-se essencial saber controlar o potencial do animal”, ensina José Eduardo. “Outra característica do American Staffordshire Terrier é a de ser um excelente guardião. Sempre comento com minha esposa

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que confio mais nos meus cães do que no alarme da casa”, completa brincando. Segundo o ortopedista, a escolha da

Mas quando os cães estão com Eduar-

raça foi, principalmente, devido à índole do

do, não é raro vê-lo exercitando-os por aí.

animal. “Após várias pesquisas na internet

Um episódio que o deixou bastante chatea-

Mas os custos tornam-se irrelevantes se

descobri que o American Staffordshire Ter-

do aconteceu durante uma sessão de exer-

comparados ao prazer de uma conquista,

rier possui um temperamento muito bom

cícios. “Estava correndo com um dos meus ainda mais quando ela é inesperada. “No cães, de apenas um ano e meio, quando ano passado aconteceu uma coisa que eu inesperadamente ele infartou e morreu”. não esperava e que me deixou muito feliz.

com pessoas. Como tenho duas crianças pequenas, não pensei duas vezes”, explica.

alimentação a base de rações especiais e também em viagens para as competições.

ser por completo. A vida atribulada entre

Eduardo conta que ficou muito triste, mas Houve uma competição aqui em Vitória e ao comunicar à pessoa que havia vendido o meu cachorro Golden Bullet faturou o título

consultas e cirurgias não reserva tanto tem-

animal para ele, acabou ganhando outro.

O retorno ao hobbie, contudo, não pôde

como no passado. Mas quem pensa que o prazer por criar um cachorro esteticamente perfeito para participar de competições

concorrendo com um Fox Terrier que estava em primeiro lugar no ranking da Confede-

po para os treinamentos e as competições

Qual é o segredo um animal campeão?

ração Brasileira de Cinofilia”, relembra. Na edição de agosto da revista de circulação nacional Cães e Cia a estrela da

ordenar um programa de condicionamen-

José Eduardo explica que um bom vez foi a cadela Lua. Ela participou de planejamento de cruzamento é a base de uma reportagem especial, ao lado de outudo. O objetivo é sempre obter um filhote tros três cães, sobre temperamento. José

to muscular completo. Assim, envio meus

o mais próximo possível do padrão da raça

animais para um treinador e apresentador profissional que mora no Rio de Janeiro e

como focinho de cor preta, olhos escuros nha um bom temperamento, ele sempre e redondos, pálpebra pigmentada, tama- necessitará de supervisão. “Jamais deixo

que se encarrega disso para mim”. Segundo

nho e angulações de membros exatamente

as crianças sozinhas com meus cães, por-

Eduardo, tem época que os cães ficam por

como manda a Federação Internacional de

que eles nunca deixarão de ser animais,

lá por um período de até quatro meses para

Cães. Porém, para ter um animal campeão uma característica que devemos sempre

participar das exposições.

é necessário investir, principalmente, em

acabou se engana. “Hoje não tenho tempo suficiente para treinar, exercitar, enfim, co-

Eduardo explica que embora o animal te-

lembrar e respeitar”. Informativo SBOT-ES | 3º trimestre 2009

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Revista 06 - SBOT-ES - jul/ago/set 2009  

Edição número 06 da revista da SBOT-ES

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