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Informativo

05 SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA REGIONAL ESPÍRITO SANTO

2009 abr / mai / jun

2 Carta do Presidente

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Entrevista Carlos Alberto Fagundes A importância da padronização na abordagem inicial do politraumatizado.

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Matéria especial Lesões Ameaças no futebol, no surf, no tênis e em tantos outros esportes.

3 Artigo 8 Raio X 12 Vida Leve 14 Dicas SBOT-ES


Carta do Presidente

A importância de orientar

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o último dia 20 completamos um ano de vigência da chamada Lei da Alcoolemia Zero. Momento mais do que oportuno para avaliar os efeitos da medida em todo o território nacional. Uma Audiência Pública convocada há poucos dias pelos deputados Hugo Leal (PSC-RJ), relator e autor do projeto, e Jofran Frejat (PR-DF), deu início ao processo de avaliação. Apesar de Leal já ter mencionado que “os números não são muito expressivos”, vale fazer uma ressalva. Assim como o deputado, nós da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Regional Espírito Santo (SBOT-ES) acreditamos que a “Lei Seca” se mostrou positiva neste primeiro ano. As estatísticas da Polícia Rodoviária Federal confirmaram redução no número de mortes nas estradas federais. Militar contra a combinação direção/ álcool e alertar sobre seus riscos sempre foi uma de nossas bandeiras. Por isso mesmo, no dia 10 de junho, a SBOT-ES, em parceria com a Nacional, promoveu mais uma campanha de conscientização alertando

motoristas e passageiros sobre o perigo de dirigir alcoolizado ou pegar carona com quem ingeriu álcool. Na orla da Praia de Camburi, em Vitória, distribuímos cartilhas informativas e brindes. Também contribuímos, junto com a Nacional, para a realização do I Fórum Estadual do Trânsito e a II Jornada de Medicina de Tráfego do Espírito Santo, promovido pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) em parceria com a Associação Médica do Espírito Santo (Ames). O evento – que teve o apoio da SBOT-ES – aconteceu entre os dias 2 e 4 de julho, em Vitória e debateu temas como acidentes de trânsito nas capitais brasileiras, campanhas educativas, o impacto econômico e social dos acidentes na saúde pública, entre outros. E nesse mesmo sentido pretendemos continuar. Seja com campanhas, fóruns, jornadas ou outros meios, o que pudermos fazer para informar e orientar a sociedade certamente o faremos. Afinal, trabalhamos sempre em defesa daquilo que é nos-

João Carlos de Medeiros Teixeira Presidente da SBOT-ES

so bem mais valioso: a vida.

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Gestão 2009 Diretoria Presidente: Dr. João Carlos de Medeiros Teixeira Primeiro Vice-Presidente: Dr. Alceuleir Cardoso de Souza Segundo Vice-Presidente: Dr. Adelmo Rezende F. da Costa Primeiro Secretário: Dr. Thanguy Gomes Friço Segundo Secretário: Dr. Adelmo Rezende Ferreira da Costa Primeiro Tesoureiro: Dr. Antônio Tamanini Segundo Tesoureiro: Dr. Paulo Henrique Paladini

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Informativo SBOT-ES | 2º trimestre 2009

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Impressão e acabamento Grafitusa. Esta revista foi impressa em papel couchê fosco 150g/m² Tiragem 4000 exemplares Periodicidade Trimestral Distribuição CP Distribuição e Logística

Colaboradores Texto Thiago Moreira Mattos

As matérias e anúncios publicitários, bem como todo o seu conteúdo de texto e imagens, são aqui publicadas sob direito de liberdade de expressão, sendo total e exclusiva responsabilidade de seus autores/anunciantes. É expressamente proibida a reprodução integral ou parcial desta publicação ou de qualquer um de seus componentes (texto, imagens, etc.), sem a prévia e expressa autorização da SBOT-ES.


Artigo

Dor patelofemoral em pacientes jovens Thiago Moreira Mattos | Ortopedista e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho

U

Uma das queixas mais comuns no consultório do ortopedista é a dor anterior em joelho de jovens. Muitas vezes o paciente relata o uso prévio de analgésicos e antiinflamatórios não esteróides, com alívio apenas temporário da sintomatologia. Em geral, há um histórico de desconforto especialmente nas atividades que envolvem a flexão mantida do joelho - o famoso “sinal do cinema” - ou a extensão ativa da articulação contra resistência, que ocorre, por exemplo, no ato de subir escadas. Ao se realizar uma anamnese cuidadosa sempre conseguimos detectar uma carga de trabalho que Scott Dye conceituou como supra-fisiológica em seu clássico artigo sobre o “envelope de função”, que nada mais é do que a zona segura de atividades que uma articulação pode suportar sem que haja perturbação em sua homeostase tissular. Tal carga será tanto menor quanto menos favoráveis forem as condições intrínsecas do paciente, seja sobrepeso, hipotrofia muscular, desalinhamentos do aparelho extensor, entre outros fatores. Ao passarmos para o exame físico, ênfase deve ser dada à inspeção estática e dinâmica , onde poderemos surpreender desvios rotacionais do fêmur e da tíbia, alterações na anatomia dos pés, além de dor ao se estender os joelhos a partir da posição sentada ou agachada. Um paciente cooperativo pode ser de grande valia especialmente se for capaz de localizar em que grau de flexão do joelho ocorre o dolorimento. Isso nos dá uma dica da localização da possível lesão, seja na tróclea, na faceta medial ou lateral da patela. Com o paciente em decúbito avalia-se a flexibilidade dos isquiotibiais, rotadores laterais do quadril, tensor da fáscia lata, quadríceps e gêmeos. Com a palpação descobrimos se há báscula patelar, detalhamos o local da dor e avaliamos se há plicas sinoviais sintomáticas. Um exame físico bemfeito associado a radiografias de boa qualidade nas três incidências básicas são suficientes para que o ortopedista possa instituir um tratamento. Na grande maioria dos casos, o tratamento conservador é preconizado. Sempre devem ser tratadas as alterações observadas no exame físico. Exercícios de flexibilidade e atividades aeróbicas sem impacto como natação e a bicicleta com banco alto são os mais indicados. Contudo, especial atenção deve ser dada à redução da carga de trabalho dentro da zona de homeostase tissular, o que em hipótese alguma significa uma atitude sedentária. Daí vem a importância da educação do paciente sobre do que se trata o envelope de função. Informativo SBOT-ES | 2º trimestre 2009

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Entrevista

Carlos Alberto Fagundes ATLS: um curso para salvar vidas

N

a década de 70 o ortopedista norte-americano James Stimmer sobrevoava, juntamente com sua família, o estado de Nebraska em seu pequeno avião, quando uma pane o obrigou a fazer um pouso forçado em um milharal da região. Na operação de resgate, ele notou que o primeiro atendimento foi executado de forma mais correta no local do acidente do que no hospital. A partir desse drama pessoal, ficou claro pra ele que era necessário haver uma rotina de atendimento inicial que ajudaria a salvar muitas vidas. Foi então que surgiu o curso de Advanced Trauma Life Suport (ATLS), em português, Suporte Avançado de Vida no Trauma, cujo objetivo principal é a padronização da abordagem inicial do politraumatizado. Em 1978 foi realizado o curso piloto nos Estados Unidos. Em 1980 nasceu o primeiro manual; e no ano de 1989 ele chegou ao Brasil através da Universidade de São Paulo (USP). Por aqui, o curso é ministrado há 11 anos pelo Núcleo ATLS do Espírito Santo. Para saber mais sobre o ATLS e a sua importância para a medicina contemporânea, o Informativo SBOT-ES foi ouvir o coordenador do Núcleo ATLS no Estado, o cirurgião geral e coloproctologista Carlos Alberto Fagundes.

Quem criou o ATLS e como ele funciona? O ATLS foi criado nos Estados Unidos pelo Colégio Americano de Cirurgiões, no final da década de 70, a partir de uma experiência vivida por um ortopedista americano. Este protocolo de abordagem inicial do paciente de trauma propõe uma sequência de atendimento em que é preciso identificar e solucionar os problemas do politraumatizado que matam mais depressa. Assim, estabeleceu-se que a obstrução das vias aéreas mata mais depressa do que problemas de ventilação do pulmão, que

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por sua vez é mais grave do que a perda de sangue, que por sua vez tem prioridade sobre os problemas sensórios, para, por fim, serem tratadas as lesões de extremidades. Baseado nesse estudo, foi criado um método mnemônico: o ABCDE do exame primário. A de Airway (vias aéreas), B de Breathing (ventilação), C de Circulation (circulação), D de Disability (estado de orientação) e E de Environment (fatores ambientais).

Como este método foi testado para se tornar referência entre programas de ensino médico pós-graduado? Depois de criado o método mnemônico, ele foi implantado na ilha de Trinidad e Tobago, um país caribenho pequeno, mas que apresentava um alto índice de morte por trauma, principalmente derivadas de acidentes automobilísticos. As equipes médicas do local foram treinadas e após um ano da implementação do método o índice óbitos caiu de 84% para menos de 17%. Este foi o grande impacto que o programa ATLS causou. Os pacientes pararam de morrer durante os primeiros momentos de atendimento. Não importava se o acidentado tinha uma fratura exposta, primeiro era observado se não havia nada impedindo-o de respirar. A partir desse piloto, o Colégio Americano registrou a marca e passou a ministrar cursos inicialmente na América do Norte. Em função dos benefícios demonstrados pelas estatísticas americanas, o programa ganhou o mundo.

Qual é a importância para um médico pesquisas e ações, como a que o professor e ter um curso como este em seu cur- membro do Colégio Americano Dário Birolini promoveu há alguns anos. Ele plantou mais rículo? Primeiro é para a sua formação. Temos um exemplo bem claro aqui em nosso Estado, pois as duas clássicas escolas de medicina, Ufes e Emescam, possuem prontos-socorros que não atendem trauma. Ou seja, aqueles médicos que não conseguem entrar em uma residência, vão para o mercado sem ter acesso à especialidade. Vivemos essa realidade aqui no Hospital Dório Silva, pois os recém-formados precisam trabalhar e passam a dar plantões em dias e horários que o profissional já estabilizado no mercado não trabalha mais, como finais de semana e feriados. O pior é que são nesses dias e horários que o número de acidentes é

de 100 mil cruzes em frente ao Congresso Nacional, alertando autoridades e a opinião pública para este grande problema, mas o que ainda impera é o descaso. Felizmente, nossos médicos não pensam assim. Eles entendem a importância desse curso e o procuram cada vez mais por iniciativa própria, mas jamais por exigência do Estado.

O ATLS é um curso caro? Ele não poderia ser ministrado durante a graduação? O curso custa R$ 1.080,00. Não chega a ser tão caro em função do retorno que ele traz. Para alguns colegas que são remunerados pelo governo ou municípios, o curso pesa no orçamento. Mas para o poder público investir, face aos benefícios que o programa proporcionaria na qualidade do atendimento emergencial, o valor é irrisório. Quanto à segunda pergunta, o curso poderia ser ministrado em nossos colégios médicos sim, mas não com esse nome, pois trata-se de uma marca registrada. Algumas universidades como a USP, de São Paulo, e a PUC, de Porto Alegre, já possuem a disciplina Trauma.

Nossos médicos entendem a importância

desse curso e o procuram cada vez mais

O ATLS é um curso específico para cirurgiões? Absolutamente. Ele é aberto para qualquer profissional médico, principalmente para aqueles que trabalham na linha de frente de atendimento a vítimas de trauma. O Comitê de Trauma do Colégio Americano estuda a possibilidade de abrir o curso para graduandos do 6º ano de medicina, mas por enquanto apenas médicos formados podem fazê-lo. No entanto, o Colégio Americano instituiu o Pre Hospital Trauma Life Suport (PHTLS), que universaliza a linguagem do ATLS e permite o treinamento em conjunto do médico com o motorista-socorrista, dos auxiliares e técnicos de enfermagem, porque cada um deles tem um papel importante a cumprir dentro de uma equipe multidisciplinar de abordagem a vítimas de trauma.

maior. Qualquer clínico de plantão aqui no Dório Silva que for atender a um politraumatizado vai ficar perdido durante o atendimento. Não é, obviamente, porque ele não tem o curso de ATLS, mas porque não recebeu esse treinamento nas escolas médicas. Outra vantagem é com relação ao mercado. Em grandes centros, como São Paulo, ter o curso já se tornou pré-requisito para ser admitido em grandes hospitais.

E aqui no Espírito Santo, o curso é valorizado? A não ser pela Unimed Vitória, que passou a exigir de seus plantonistas o curso, nem o governo estadual e nem os governos municipais se preocupam em dar este tipo de treinamento aos seus servidores que trabalham na linha de frente de atendimento ao paciente de trauma. Isso é gravíssimo, pois estamos falando de vidas humanas e a maioria de nossos governantes trata esse problema com absoluto descaso. Eles sabem o impacto econômico que a doença trauma causa em nossa economia, pois isso já foi divulgado em várias

Fale um pouco sobre a dinâmica do curso e qual é a sua periodicidade. É um curso intensivo, de imersão. São 20h de carga horária. Ele começa na sextafeira à tarde, contunua no sábado o dia todo e termina no domingo. São ministradas aulas teóricas e práticas com manequins artificiais e humanos. O participante aprende a ordem sequencial dos atendimentos; passa a ter mais noção de quando é necessário solicitar exames complementares; entre outros. Tudo acompanhado por instrutores que avaliam cada resposta que o aluno dá durante o desenrolar do curso. Quanto às atualizações, elas são feitas a cada quatro anos. Toda informação nova que melhore o nível de atendimento é incorporado através dos cursos chamados de Refresh. Assim que termina o curso, o médico recebe uma carteirinha. Caso ele não a renove de quatro em quatro anos, ela perde a validade e ele precisa fazer um novo curso. A tolerância do Colégio Americano é de seis meses. Atualmente nós ministramos um curso de ATLS a cada dois meses. Já os cursos de Refresh têm uma frequência maior.

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Capa

Tudo pronto para um da ortopedia e trau

Com a participação confirmada de convidados do Rio promete reunir a comunidade médica capixaba

A

o reunir profissionais capixabas e de outros estados, além de uma personalidade internacional para três dias de palestras, conferências e muita troca de experiência, o 1o Congresso Capixaba de Ortopedia e Traumatologia, realizado em julho do ano passado, foi um sucesso. O público participante aprovou a ideia e, no final do evento, teve muita gente pedindo bis. A Sociedade Capixaba de Ortopedia e Traumatologia, Regional Espírito Santo (SBOT-ES) atendeu ao pedido e, um ano depois, vem aí o 2° Congresso de Ortopedia e Traumatologia do Espírito Santo, que será realizado de 30 de julho a 1o de agosto, no Hotel Radisson, em Vitória. Dessa vez, participarão do evento convidados do Rio de Janeiro e de São Paulo, e serão discutidos temas como Medicina Baseada em Evidências; atendimento inicial pelo cirurgião do trauma; tratamento cirúrgico de fraturas; e infecções em cirurgias ortopédicas. É mais um evento utilizado pela SBOT-ES para

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levar à ortopedia capixaba eventos científicos de qualidade e que contribuam para a formação dos profissionais do Estado. Essa, aliás, é uma grande preocupação da Sociedade. Do início do ano passado até agora foram cinco jornadas, dois workshops, dois cursos e agora mas este congresso. Para este novo evento falta muito pouco ou praticamente nada. “Todos os convidados estão confirmados e a programação já foi definida”, revela com entusiasmo o presidente da SBOT-ES, João Carlos Teixeira. Ele explica que a Sociedade foi criteriosa na escolha dos convidados: “Buscamos profissionais atuantes no mercado e especialistas em Ortopedia e Traumatologia. Isso sem falar no fato de todos serem formadores de opinião.” Na lista estão José Sérgio Franco, profes-

sor do Departamento de Ortopedia da UFRJ, Rio de Janeiro; João Carlos Belloti, coordenador do curso de metodologia da Unifesp; Kodi Kojima, chefe do Grupo do Trauma e Ortopedia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; Vicenzo Giordano, do Hospital Municipal Miguel Couto, do Rio de Janeiro; Tito Rocha, do Instituto Nacional de Traumato-ortopedia - HTO, do Rio de Janeiro; José Soares Hungria Neto, da Santa Casa de São Paulo; e os capixabas Amphilóphio de Oliveira Júnior, da Unimed Diagnóstico, e Robert Stephen Alexander, do Hospital São Lucas.


m dos maiores eventos umatologia estadual

o de Janeiro e de São Paulo, vem aí o congresso que para três dias de muita troca de experiências.

Inscrições

Expectativas Prata da casa, o médico Amphilóphio de Oliveira Júnior destaca a importância de um evento deste porte para a formação dos ortopedistas capixabas: “O congresso vai contar com a participação de ortopedistas experientes e de renome nacional, com temas relevantes, como a Medicina Baseada em Evidências e o atendimento inicial  no trauma. São assuntos que fazem significativa diferença no prognóstico do paciente e no resultado da prática médica.”

Os interessados em participar do 2° Congresso Capixaba de Ortopedia e Traumatologia podem entrar em contato com a SBOT-ES pelo telefone (27) 3229-7641 Congresso Capixaba de Ortopedia e Trau- ou pelo e-mail sbotes.bm@terra.com.br. matologia já está mais do que definida. Os valores das inscrições são os seguintes: “Apresentarei um algoritmo na abor- médicos não cooperados Unimed/COOTES/ dagem radiológica das fraturas  típicas  e  SBOT-ES pagam R$ 200,00; de médicos coocultas, usando como base  as normativas operados Unimed/COOTES/SBOT-ES será do Colégio Brasileiro de Radiologia”, ex- cobrado o valor de R$ 100,00; fisioteraplica.   peutas pagarão   R$ 70,00; acadêmicos e Para convocar a comunidade médica, residentes, R$ 50,00. o presidente da SBOT-ES diz que a Sociedade vai investir em divulgação. “Vamos usar e-mails, informativos, outdoor, folder, comunicação boca-a-boca e muito mais”. Tudo isso para alcançar uma meta ousada. “Acreditamos que haverá um aumento de no mínimo 40% em relação ao número de pessoas presentes no congresso do ano passado”, arrisca Teixeira.

E a contribuição de Oliveira para o 2° Informativo SBOT-ES | 2º trimestre 2009

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Raio X

Workshop AO - Mão e Membro Superior O professor - e responsável pelo Serviço de Cirurgia do Membro Superior, Mão e Microcirurgia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto -, Nilton Mazzer ministrou no último 22 de maio, em Vitória, o Workshop AO - Mão e Membro Superior. Esta foi a segunda vez – a primeira no ano passado - que Mazzer veio ao Estado a convite da SBOT-ES para ministrar um curso desse tipo. As novidades deste ano ficaram por conta da apresentação da mini placa condilar HCS 3.0 (fratura do escafóide); e da mini placa T 2.0 (fratura intraarticular do rádio distal). Mazzer enfatizou a importância desses cursos no processo de desenvolvimento da especialidade aqui no Espírito Santo, que já conta com sete membros titulares na Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão (SBCMão).

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Aula teório ministrada pelo professor

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Leandro Figueiredo, Everaldo Marche-

Nilton Mazzer

zini, Nilton Mazzer, Paulo Paladini e Rafael Ribeiro

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3

Ricardo Matedi, Nilton Mazzer, Saulo

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Luciano Catabriga, Nilton Mazzer e

5

David Hoffmann, Cilas Reis,

Gomes e Paulo Paladini

Anderson De Nadai

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Nilton Mazzer, Ricardo Matedi e Saulo Gomes

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Especial

Ossos do ofício E

les são figuras notáveis do esporte nacional. Um é jogador de futebol famoso e foi eleito três vezes o melhor do mundo pela Federação Internacional de Futebol (FIFA). O outro, tenista consagrado, foi tricampeão de Roland Garros, um dos mais célebres torneios de tênis mundial, e sustentou por 43 semanas o ranking de melhor jogador do planeta. Além da carreira vitoriosa, esses dois atletas têm algo mais em comum: a vida marcada por lesões. Ronaldo Luis Nazário de Lima, mais conhecido como “fenômeno”, ao longo de seus quase 20 anos de carreira no futebol

tem anotado no currículo gols que o consagraram pelos diversos clubes por onde passou. Além dos tentos, uma série de contusões que já o tiraram dos gramados por longos períodos. Os acidentes, porém, foram todos superados, e o maior goleador de copas do mundo, felizmente, ainda brilha dentro das quatro linhas mostrando o que sabe fazer de melhor. A mesma sorte, no entanto, não teve Gustavo Kuerten, o “Guga”. O franzino tenista brasileiro despontou no esporte no final da década de 1990 como uma promessa certa de muitos títulos. Teve 20 conquistas individuais e 8 em duplas. Porém,

no auge da carreira, vieram as contusões. Uma após outra, ano após ano, até que, aos 31 anos de idade, veio a aposentadoria precoce. Devido à fama desses dois atletas, as

lesões citadas anteriormente são conhecidas por boa parte dos brasileiros. Porém, as ocorrências desse tipo de comprometimento da saúde são muito mais comuns do que se imagina. Todos os dias, atletas profissionais ou amadores de todo o mundo se machucam em caminhadas, corridas ou na prática de alguma modalidade de esporte.

Para falar de lesões, especialistas em cada modalidade Tênis Anderson De Nadai começou a praticar tênis há 10 anos e desde então participa de competições de nível estadual. Especialista em cirurgias do ombro e do cotovelo, De Nadai foi campeão de simples e duplas do 1º Torneio de Tênis da SBOT-ES realizado em 2007. Lesões mais frequentes - Tendinites, principalmente no punho e no joelho, e torções do tornozelo. Como ocorrem - As tendinites são causadas por movimentos incorretos realizados pelos atletas, pelo excesso de tempo diário de prática e também pelo impacto que os membros inferiores são submetidos, principalmente em quadras duras. Já as entorses são devidas ao grande número de deslocamentos realizados pelos atletas durante uma partida. Tipos de tratamento - Na maioria dos casos, o tratamento é feito por meio do uso de medicamentos para aliviar o quadro de dor e inflamação. A isso, soma-se o afastamento do esporte por um período adequado, que, dependendo da lesão, pode durar meses. Em seguida, é feita a reabilitação para que o praticante retorne às atividades físicas em segurança.

Artes Marciais Praticante de Jiu-Jitsu há 15 anos e faixa preta nesta modalidade, Bruno Barreira Campagnoli, ortopedista e traumatologista especializado em cirurgia do quadril, nunca teve uma lesão grave até então. Lesões mais frequentes - As musculoesqueléticas. Os tipos variam de acordo com a modalidade praticada. Como ocorrem - Dependendo da prática esportiva, tem-se mais

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Profissional ou não, um esportista sempre está sujeito a lesões. Imprevisíveis, algumas delas não incomodam tanto. Em outros casos, no entanto, elas podem representar uma aposentadoria certa. A qualquer custo De acordo com dados do Ministério da Saúde, a inatividade física é responsável por 54% dos riscos de morte por distúrbios cardiovasculares, 50% dos derrames fatais e 37% dos riscos de casos de câncer. Quem pratica regularmente exercícios físicos, portanto, tem uma série de benefícios jogando a seu favor. Redução da pressão arterial e dos níveis de colesterol, queima de calorias, controle da diabetes, fortalecimento muscular e ósseo, melhora na capacidade pulmonar e na flexibilidade das articulações são apenas alguns exemplos. Isso sem falar no aumento da

auto-estima e do bem-estar, na redução do

esportivas podem surgir também por outro

estresse e na melhoria no convívio social.

motivo. Hoje, devido ao aumento da preocu-

Ou seja, praticar exercícios é um santo

pação com a boa forma, uma infinidade de

remédio indicado para evitar diversos males.

pessoas faz de tudo para se incluir no time

Mas é preciso muito cuidado na hora de suar a camisa. Quando mal orientadas, as atividades físicas podem ter efeitos contrários, como distensões musculares, desmaios, dores na coluna, nos ombros e no pescoço, além, é claro, das lesões nas articulações dos joelhos ou nos tendões. De acordo com o ortopedista

dos sarados. E nessa leva estão aqueles que não encontram tempo para a prática do esporte durante a semana, deixando para se exercitar apenas nos dias de descanso do trabalho. São os chamados “esportistas de fim de semana”. A falta de orientação e a pouca

Carlos Henrique Cândido, isso pode ser sinal

prática podem trazer consequências graves

de exagero na dose de exercícios ou falta de

para esses praticantes. “Se for pra fazer só no

acompanhamento profissional adequado.

fim de semana, é melhor que nem se faça”,

Os resultados ruins advindos de práticas

sentencia Carlos Henrique Cândido.

contusões e lesões musculares, como é o caso das modalidades com chutes e socos (Taekwondo e Karate). Já nos esportes que envolvem movimentos de alavanca (Judô, Jiu-Jitsu e Aikidô) as lesões são mais frequentes nas articulações de membros superiores e inferiores. O número de lesões aumenta de maneira diretamente proporcional ao tempo de prática esportiva, ao nível do atleta e ao período de treinamento. Tipo de tratamento - Dependerá do tipo da lesão, da idade do praticante e do nível do atleta. Vai desde a medidas simples, como aplicação de gelo local para as contusões, até ao tratamento cirúrgico de lesões mais graves.

Futebol Médico do Serra Futebol Clube, Carlos Henrique Cândido está acostumado a ver e cuidar de lesões que tiram muitos craques dos gramados. Lesões mais frequentes - Musculares, de joelho e de tornozelo. Como ocorrem - As musculares ocorrem geralmente devido a esforços, como as “arrancadas”. No caso do joelho e do tornozelo, as causas são as entorses. As lesões musculares são bem mais comuns, mas atualmente tem-se notado um aumento no número de casos de problemas no tornozelo e no joelho. Tipo de tratamento - Em relação ao tornozelo, depois do diagnóstico por imagem, observa-se a existência ou não de fraturas. Caso exista, o tratamento é cirúrgico. Se não, o remédio é fisioterapia somada a analgésicos e anti-inflamatórios. No joelho, é necessária uma ressonância para definir o grau da lesão. Casos menos graves são resolvidos apenas com fisioterapia, de uma semana a três meses. Já as lesões mais sérias, como as de menisco (Rogério Ceni, do São Paulo, e Cafu, ex-lateral direito da seleção brasileira) ou de ligamento cruzado (Rafael Sóbis, ex-Internacional de Porto Alegre) necessitam de intervenção cirúrgica e podem deixar o jogador fora de atividade por até oito meses. Informativo SBOT-ES | 2º trimestre 2009

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O apreço por conhecer coisas novas Atyla o prazer em experimentar vinhos só pode

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voz grave e imponente intimida. Os cabelos e a barba um pouco grisalhos junto com a camisa social listrada dão um tom sério. O olhar levemente aquilino é atencioso, e a conversa, cadenciada. “Eu não sou um enólogo, um sommelier ou um entendido no assunto. Sou apenas um cara que gosta de tomar vinho”, despista. Mera modéstia. O cara é Atyla Quintaes, cujo carimbo institucional é o de médico ortopedista. Aqui, porém, ele é um pouco mais. No lugar do ortodoxo doutor Atyla, o garoto aventureiro que um dia largou tudo e foi conhecer o mundo; o filho respeitoso ao pai; o marido cortês; o pai dedicado; e, sobretudo, o exímio apreciador de vinhos. Aos 62 anos, Atyla é daquelas pessoas com quem você pode ficar batendo um papo por horas a fio sem se cansar. Filho de uma família patriarcal, é um legítimo “canela-verde”: nasceu e cresceu em Vila Velha. Em 1968, aos 17 anos de idade, ingressou no curso de medicina da Universi-

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dade Federal do Espírito Santo. Tudo indicava uma vida sem muitas surpresas. Porém, a inquietude de Atyla (talvez reflexo de alguns conselhos paternos) o fez tomar um rumo diferente. Ele lembra que quando fez 17 anos o pai o emancipou com uma escritura pública e lhe deu um papel com um texto batido à máquina que dizia: “Jamais devemos nos contentar com as coisas que estão descobertas”. Era um presságio. Ainda em 1968, Atyla largou tudo e foi para Lisboa. O convite veio de um amigo, o artista Kleber Galvêas. “Eu era um cara muito inquieto e queria conhecer o mundo”, relembra com um brilho no olhar. A ida para Portugal fez Atyla atrasar o curso de medicina, mas em troca lhe permitiu enxergar a vida com outros olhos. “Eu não ficava só lá (Portugal). Viajava para outros lugares e, com isso, comecei a descobrir novos valores morais, éticos e filosóficos”. No final das contas, além da Europa, Atyla também passou pela Ásia e África. Ele pisou em países como Marrocos, Angola, Ilha Madeira, Espanha, Itália, Grécia, Israel, Áustria, Alemanha, França, Bélgica, Holanda e Inglaterra. “Só não conheci mais lugares porque não tinha dinheiro” (risos). De todos os lugares por onde passou, porém, certamente o que mais marcou a vida de Atyla foi Portugal. Foi lá, inclusive, que ele teve o primeiro contato com vinhos. Para não desagradar o pai, que

achava feio ver jovens bebendo, Atyla só foi colocar uma bebida alcoólica na boca aos 18 anos de idade. Naquela época, em Lisboa, era comum (e continua sendo até hoje) servir uma garrafa de vinho na hora do almoço e na hora do jantar. A prática seduziu o jovem estudante que decidiu experimentar da bebida. O encanto foi imediato e intenso. “Nos três anos em que fiquei por lá, tomava todos os dias, religiosamente, uma garrafa pelo menos”, lembra.

De volta ao Brasil Aos 22 anos, Atyla deixou Portugal e retornou ao Espírito Santo para dar prosseguimento aos estudos do curso de medicina. Na ocasião, ele viu-se numa situação delicada: por aqui ainda não havia o hábito de beber vinho e mesmo aqueles que se encontravam à venda não agradavam muito, já que eram “doces demais”. Para a sorte do médico, os tempos mudaram, e os vinhos importados, inclusive os portugueses - paixão declarada de Atyla -, hoje são facilmente encontrados na ex-colônia de Portugal. São eles que ajudam a lotar as duas adegas que Atyla tem em casa. Uma tem capacidade para 18 garrafas e na outra, que ele mesmo mandou construir, de madeira e com grades de aço inoxidável por dentro, cabem exatamente 48 garrafas. Quase um ano depois de retornar ao País, uma jovem de 17 anos, natural de Domingos Martins, conquistaria definitivamente o coração do aspirante a médico. O namoro com Regina Vera durou cinco anos. O casamento já soma 32 primaveras. Nesse tempo, a esposa, que nunca havia tomado nenhum tipo de vinho (ou de qualquer outra bebida afim), foi influenciada pelo marido e agora, segundo Atyla,


cultiva desde a infância, mas acontecer depois dos 18 anos. esbanja um gosto apuradíssimo no assunto. “Acredito que as mulheres têm uma sensibilidade maior pra certas coisas”, arrisca. Hoje, o vinho é um companheiro fiel do casal, que adora sentar na varanda e botar a conversa em dia entre um gole e outro. “Isso é muito melhor do que ver televisão”, garante Atyla. O apreço pelo vinho, porém, não se perpetuou nos três filhos, frutos do matrimônio com Regina Vera. “Isso é um problema sério lá em casa. Eles só tomam cerveja”, lamenta o pai do Guilherme, do Atyla Neto e do Bru-

tão apurado de vinhos. Talvez, um conselho transformador para a posteridade, como aquele que Atyla recebeu do pai quando tinha 17 anos. Afinal, como costuma repetir o pai do Bruno, do Atyla Neto e do Guilherme, “o mundo evolui por conta de pessoas que discordam. Quem concorda com tudo não constrói nada”.

no. Nada que estrague o prazer de se reunir com os filhos no final de semana para pelo menos uma refeição. Durante os 32 anos de casado, Atyla garante que nunca aceitou um emprego que o impedisse de fazer uma refeição com os filhos, segundo ele, oportunidade para colocar a conversa em dia e passar alguns ensinamentos. “É uma coisa importante pra mim: o diálogo e os valores morais que você passa com ele”. Claro que nessas ocasiões não poderia faltar uma de suas grandes paixões. De segunda a sexta, Atyla não coloca uma gota sequer de álcool na boca. Mas sábado e domingo é lei: sempre tem uma comida especial para ser apreciada junto com uma garrafa de vinho. Os encontros, aliás, servem muito mais do que para o diálogo em família. É a oportunidade de Atyla praticar outro hobbie seu. Além de viajar e de fotografar, ele é apaixonado pela culinária. “Adoro cozinhar. E nunca repito um prato. Gosto de viver ex-

O melhor vinho “Estávamos eu, minha esposa e um casal de amigos portugueses em Régua (Portugal). No local, não havia nenhuma casa de pasto (restaurante) aberta. Eram mais ou menos duas horas da tarde de um sábado, eu estava com pão, presunto, queijo e muita fome. Encontrei uma camponesa toda vestida de preto e perguntei se não havia um lugar pra eu comprar uma garrafa de vinho e apreciar junto com a comida. Com cortesia, ela falou que naquela hora não encontraria nenhum ponto comercial, mas que, se quiséssemos, poderíamos ir até a casa dela. Decidimos ir. Lá, ela abriu a adega e, direto da barrica, nos serviu. Não sei se é porque eu estava com muita fome ou porque a temperatura estava fantástica (faziam uns 6° no alto da montanha), mas o fato é que o vinho desceu aveludado. Foi fantástico. Não sei se foi inspiração do momento, mas foi mágico”.

perimentando”, confessa. Experimentar, conhecer, buscar coisas novas. Talvez seja essa inquietude que melhor defina o marido da Regina Vera. Talvez, a explicação para o homem que nunca fez nenhum curso na área ter um conhecimento

Em pequenas doses Revista SBOT-ES - Como se tornar um bom apreciador de vinhos? Atyla Quintaes - Não tem segredo; você

precisa começar a tomar. Se não gostou de um, passe para outro. Vá experimentando até apurar seu paladar. RA - Existem cuidados para guardar as garrafas em casa? AQ - O vinho não pode ser exposto a qualquer tipo de luz; a garrafa não pode ficar balançando muito e deve permanecer inclinada, nunca em pé. RA - Qual é a comida ideal para acompanhar um bom vinho? AQ - A regra é simples: o vinho não pode matar o paladar da comida e nem o contrário. Eles têm que se harmonizar. RA - E a melhor ocasião? AQ - Sentar com uma boa companhia e ficar jogando conversa fora, colocando o vinho na boca e deixando ele rolar lentamente alterando as papilas gustativas. RA - Aparência, cheiro ou gosto? AQ - A aparência é tudo, mas o buquê (cheiro) e o gosto também são importantes. RA - Vinhos preferidos. AQ - Nunca me prendo ao rótulo. Eu tenho preferência por certos tipos de uvas: as tintas Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Touriga e Baga, além da branca Arinto. RA - A garrafa dos sonhos. AQ - Se chama Pêra-Manca. É um vinho português que não é produzido todo ano e cuja garrafa custa aproximadamente R$ 500,00. Um dia eu faço essa loucura. (risos)

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Dicas SBOT-ES

Idosos em segurança Nem mesmo no conforto do lar os mais velhos estão longe de perigos. Saiba que medidas tomar para evitar acidentes dentro da própria casa.

O

s quase 20 milhões de idosos que hoje integram a população brasileira convivem todos os dias com uma grave ameaça. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, 75% dos acidentes envolvendo pessoas com mais de 60 anos no Brasil acontece dentro da própria casa. Nas escadas, no jardim, no quarto, na cozinha, na sala, onde menos se imagina, basta um descuido e pronto: mais um caso para engrossar as estatísticas. Parte desse quadro tem uma explicação fisiológica simples: com o avanço da idade, uma série de fatores provoca perdas súbitas e momentâneas da consciência, que é o primeiro passo para a ocorrência de um acidente. O médico ortopedista Jorge Luiz Kriger, que frequentemente atende pacientes idosos com fraturas, explica que o envelhecimento compromete a habilidade do sistema nervoso central de realizar o processamento dos sinais vestibulares, visuais e proprioceptivos respon-

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sáveis pela manutenção do equilíbrio corporal. Além disso, o ortopedista acrescenta que nessa idade há uma diminuição da capacidade de modificações dos reflexos adaptativos. “Todos esses processos degenerativos são responsáveis pela ocorrência de vertigem e/ou tontura; e de desequilíbrio na população geriátrica”, completa. Mas os retardos biológicos não são os únicos responsáveis pelos acidentes. Como lembra Kriger, “um importante fator para potencializar os acidentes é a falta de adaptação na casa do idoso e a presença de diversas ‘armadilhas’”. Mobília mal posicionada; gavetas abertas; objetos deixados pelo chão (principalmente entre o quarto e o banheiro); má iluminação; escadas com degraus de tamanhos diferentes; fios elétricos ou de telefone deixados no chão; soleiras das portas não niveladas com o piso; banheira ou chuveiro sem barras de apoio e tapetes que não sejam antiderrapante são apenas alguns exemplos.

As consequências desses acidentes, na maioria das vezes, são fraturas, principalmente no punho, no ombro, na coluna e no fêmur. Dependendo da gravidade, o indivíduo pode sofrer com sérias incapacidades funcionais e, num quadro extremo, vir a falecer. No Brasil, só as quedas (tipo mais comum de acidente) são responsáveis por 24% das mortes nos mais velhos. Cerca de 30% dos idosos sofrem quedas a cada ano. E essa taxa aumenta para 40% entre pessoas com mais de 80 anos. Diante disso, uma preocupação da classe de ortopedistas é de agir preventivamente, informa o ortopedista Jorge Kriger. “Existe a necessidade de um constante esclarecimento por parte dos médicos acerca dos cuidados necessários no lar, como a adaptação de pisos e armários, o estabelecimento de uma luminosidade adequada, a instalação de barras de segurança e a realização de cursos para acompanhantes”, comenta.


30, 31 DE JULHO E 1º DE AGOSTO DE 2009 HOTEL RADISSON • PRAIA DO CANTO • VITÓRIA PROGRAMAÇÃO 30 de julho (quinta-feira) 14h às 16h Medicina Baseada em Evidências Dr. João Carlos Belloti (SP) 16h às 16h20 Coffee Break 16h20 às 18h Medicina Baseada em Evidências Dr. João Carlos Belloti (SP) 19h Abertura oficial - Dr. João Carlos Teixeira 19h30 Coquetel

8h às 8h15 8h15 às 8h30 8h30 às 8h45 8h45 às 9h 9h às 9h15 9h15 às 9h45 9h45 às 10h15

10h30 às 10h45 10h45 às 11h 11h às 11h30 11h30 às 13h

13h15 às 13h30 13h30 às 13h45

15h às 15h15

Módulo I

15h30 às 15h45

Abertura - Dr. João Carlos Teixeira Atendimento inicial pelo cirurgião de trauma Dr. Robert Stephen Alexander (ES) Atendimento inicial pelo ortopedista Dr. Tito Henrique Rocha (RJ) Trauma Raquimedular Dr. Rodrigo Rezende (ES) Fixação primária definitiva?Quando? Dr. Vincenzo Giordano (RJ) Discussão Coffee Break Trat. cirúrgico das fraturas do colo femoral Dr. José Hungria Neto (SP) Trat. cirúrgico das fraturas subtrocanterianas Dr. José Sérgio Franco (RJ) Trat. cirúrgico das fraturas da extremidade distal do fêmur -Dr. Tito Henrique Rocha (RJ) Discussão Almoço Trat. cirúrgico da fratura do platô tibial Dr. Kodi Kojima (SP) Trat. cirúrgico das fraturas da diáfise da tíbia Dr. Vincenzo Giordano (RJ) Trat. cirúrgico das fraturas do pilã o Dr. José Sérgio Franco (RJ)

Algoritimo radiológico nas fraturas típicas Dr. Amphilóphio de Oliveira Jr. (ES) Discussão Coffee Break

Módulo IV 14h45 às 15h

15h15 às 15h30

Módulo III 13h às 13h15

14h às 14h15 14h15 às 14h45

31 de julho (sexta-feira)

Módulo II 10h15 às 10h30

13h45 às 14h

15h45 às 16h 16h às 16h30

Trat. cirúrgico das fraturas da extremidade proximal do úmero - Dr. Tito Henrique Rocha (RJ) Trat cirúrgico das fraturas da diáfise do úmero Dr. Vincenzo Giordano (RJ) Trat. cirúrgico das fraturas da extremidade distal do úmero - Dr. Kodi Kojima (SP) Trat. cirúrgico das fraturas do antebraço Dr. José Hungria Neto (SP) Trat. cirúrgico das fraturas da diáfise do fêmur Dr. Kodi Kojima (SP) Discussão

1º de agosto (sábado) Módulo V 8h às 8h15 8h15 às 8h30 8h30 às 8h45 8h45 às 9h 9h às 9h30

Fraturas ocultas e osteoporóticas Dr. Amphilóphio de Oliveira Jr. (ES) Trat. cirúrgico das fraturas osteoporóticas Dr. José Hungria Neto (SP) Evolução dos implantes ortopédicos para osteoporose Dr. Kodi Kojima (SP) Discussão Coffee Break

Módulo VI 9h30 às 9h45 9h45 às 10h 10h às 10h15 10h15 às 10h30 10h30 às 10h45 10h45 às 11h 11h às 11h15

Trat. cirúrgico das fraturas do olecran o Dr. Sérgio Franco (RJ) Trat. cirúrgico das fraturas expostas Dr. Vincenzo Giordano (RJ) Infecções em cirurgias ortopédicas Dr. Tito Henrique Rocha (RJ) Quando e por que retirar os implantes? Dr. José Hungria Neto (SP) Lesão da pélvis -Dr.Kodi Kojima (SP) Discussão Encerramento Informativo SBOT-ES | 2º trimestre 2009

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Revista 05 - SBOT-ES - abr/mai/jun 2009  

Edição número 05 da revista da SBOT-ES