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Informativo

04 SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA REGIONAL ESPÍRITO SANTO

2009 jan / fev / mar

2 Carta do Presidente 3 Artigo

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Entrevista

Hélio Barroso De médico para médico: perito judicial fala sobre a importância de conhecer a legislação.

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Matéria especial Acidentes em Mergulhos O que põe em risco os momentos de lazer na água?

8 Social 12 Dicas SBOT-ES 13 Raio X 14 Vida Leve


Carta do Presidente

A

ssumir a presidência de uma instituição como a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Regional Espírito Santo (SBOTES) mais do que uma honra, é um desafio. É a oportunidade de atuar em prol de uma classe de profissionais, de promover ações, de estabelecer metas e de cuidar para que elas sejam cumpridas. É com esta certeza que iniciamos 2009. Neste ano, além de manter os incentivos às produções científicas, foco da gestão anterior, uma das prioridades da Sociedade será a de promover a defesa da classe profissional, buscando principalmente uma remuneração mais justa. Um projeto ousado será a tentativa de trazer um curso de perícia médica para formar ortopedistas peritos, estimulando assim a atuação de profissionais nessa área. Além disso, o apoio às residências médicas do Espírito Santo e às Ligas de Trauma, da Ufes e da Emescam, também está em nossos planos. Do mesmo modo,

pretendemos trabalhar em conjunto com a nacional, sobretudo em campanhas, como a que apoiamos recentemente sobre prevenção de acidentes. Para estimular as produções científicas de nossos profissionais, redobraremos os esforços para viabilizar uma sala dentro de nossa própria sede e criar um espaço exclusivo para pesquisas, com o devido suporte necessário. A preocupação com a realização de estudos na área ortopédica também justifica as jornadas, os congressos e os workshops previstos para 2009. Em todos eles, continuaremos a convidar profissionais capixabas para participar dos eventos a fim de incentivá-los a produzir. São horizontes que pretendemos alcançar com muito empenho e dedicação. E os beneficiários de todo esse processo não são apenas aqueles que compõem esta sociedade. Trata-se de uma conquista da ortopedia estadual como um todo, que se desenvolve e ganha ainda mais representatividade em nível nacional.

Divulgação

Nova gestão, novos desafios

João Carlos de Medeiros Teixeira Presidente da SBOT-ES

Rua Abiail do Amaral Carneiro, 191, Ed. Arábica, Sala 607 Enseada do Suá. Vitória-ES. CEP 29055-220 | Telefone: 3325-3183 www.sbotes.org.br | sbotes@sbotes.org.br

Uma publicação Balaio Comunicação e Design www.balaiodesign.com.br

Gestão 2009 Diretoria Presidente: Dr. João Carlos de Medeiros Teixeira Primeiro Vice-Presidente: Dr. Alceuleir Cardoso de Souza Segundo Vice-Presidente: Dr. Adelmo Rezende F. da Costa Primeiro Secretário: Dr. Thanguy Gomes Friço Segundo Secretário: Dr. Adelmo Rezende Ferreira da Costa Primeiro Tesoureiro: Dr. Antônio Tamanini Segundo Tesoureiro: Dr. Paulo Henrique Paladini

Dr. Anderson De Nadai Dr. Alceuleir Cardoso de Souza Dr. Adelmo Rezende F. da Costa Dr. Marcelo Nogueira da Silva

Dr. Adelmo Rezende F. da Costa

Comissão de Campanhas Públicas e Ações Sociais Dr. José Fernando Duarte

Comissão de Ensino e Treinamento

Dr. José Carlos Xavier do Vale

Dr. Marcelo Nogueira da Silva Dr. Nelson Elias Dr. Roberta R. Silveira Dr. Alceuleir Cardoso de Souza Dr. Marcelo Rezende da Silva Dr. Adriano de Souza Dr. Edmar S. da Silva Junior Dr. Jair Simmer Filho Dr. Eduardo Hosken Pombo

Dr. Rounilo Furlani Costa

Comissão de Ética, Defesa Profissional e Honorários Médicos

Dr. Hélio Barroso dos Reis

Dr. Akel Nicolau Akel Júnior

Delegados

Dr. Hélio Barroso dos Reis Dr. Emídio Perim Júnior Dr. Fernanda Silveira Silva Dr. José Eduardo Grandi Ribeiro Filho Dr. Sebastião A. M. de Macedo

Dr. Geraldo Lopes da Silveira Dr. Jorge Luiz Kriger Dr. Roberta R. Silveira

Comissão de Estatuto e Regimento

Conselho Fiscal Dr. Carlos Henrique O. de Carvalho Dr. Mássimo Nelson C. E Gurgel Dr. Flávio Vieira Somoes Dr. Ruy Rocha Gusman Dr. Fábio Vassimon Jorge Dr. Bianor Guasti Júnior

Comissão Executiva Dr. João Carlos de Medeiros Teixeira

Dr. Anderson De Nadai Dr. João Carlos de M. Teixeira Dr. Alceuleir Cardoso de Souza

Dr. José Lorenzo Solino Dr. Francisley Gomes Barradas

Comissão de Presidentes Dr. Pedro Nelson Pretti Dr. Roberto Casotti Lora Dr. José Fernando Duarte Dr. Eduardo Antônio B. Uvo Dr. Geraldo Lopes da Silveira Dr. Jorge Luiz Kriger Dr. José Lorenzo Solino Dr. Clark M. Yazaki Dr. Anderson De Nadai

Comissão de Publicação, Divulgação e Marketing Dr. Anderson De Nadai Dr. Adelmo Rezende F. da Costa Dr. José Lorenzo Solino Dr. Edmar Simões da Silva Júnior

Jornalista reponsável

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Wallace Capucho

SBOT-ES

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Redação

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Editor Wallace Capucho Repórteres Luiz Alberto Rasseli Marcos Alves Diretor de Arte Felipe Gama Diagramação Victor Mignone Arte Higor Ferraço Victor Mignone Allana Revisão Marcos Alves Produção Gráfica Chico Ribeiro jornalismo@balaiodesign.com.br

Colaboradores Texto Dr. Anderson De Nadai

Gráfica e Editora GSA. Esta revista foi impressa em papel couchê fosco 115g/m² Tiragem 7000 exemplares Periodicidade Trimestral Distribuição CP Distribuição e Logística

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Artigo

Lesões do Manguito Rotador Anderson De Nadai | Ortopedista, especialista em cirurgia do ombro e cotovelo

O que é? O manguito rotador é um grupo de músculos (subescapular, supra-espinhoso, infraespinhoso e redondo menor) que cobre a cabeça do úmero e tem especial importância na estabilização, na força e na mobilidade do ombro. Ele pode sofrer lesões em grandes traumas, porém o mais frequente é a lesão crônica com graus variáveis, que vai desde um pequeno edema até a uma ruptura total de um ou mais músculos do manguito. É sabido que existe relação entre a síndrome do impacto e a degeneração do manguito. O impacto ocorre entre o manguito (geralmente no músculo supra-espinhoso), entre a porção antero-inferior do acrômio, entre o ligamento córaco-acromial e entre a articulação acromioclavicular.

O que se sente? A síndrome do impacto e a consequente lesão do manguito rotador ocorrem em fases evolutivas: Fase 1: edema e hemorragia Fase 2: fibrose e tendinite Fase 3: ruptura do tendão Na fase 1, que é mais comum em jovens - mas passível de suceder em qualquer idade -, surgem dores no ombro e na face lateral do braço relacionadas a movimentos repetidos de elevação. A limitação de mobilidade e crepitação são possíveis consequências. Os sintomas na fase 2 se assemelham. Contudo, esses estágios são reversíveis. Com a progressão da lesão, pode ocorrer a ruptura do tendão, geralmente em pacientes acima de 45 anos e com longo período de sintomas prévios. Na fase 3, além da dor - que frequentemente é noturna - graus variáveis de perda de força, de elevação, de abdução e de rotações, podem acontecer, é claro, dependendo do local e tamanho da ruptura.

Como se faz o diagnóstico? Como em qualquer patologia, a anamnese e o detalhamento dos sintomas são fundamentais (localização da dor, frequência, intensidade, fatores desencadeantes). O raio X simples, a ecografia e a ressonância magnética são úteis na confirmação do diagnóstico, pois determinam a extensão da lesão.

Como tratar? Nas fases iniciais o tratamento é clínico. Analgésicos e anti-inflamatórios; evitar movimentos e atividades que provoquem dor; fisioterapia; reforço muscular e eventual infiltração são as indicações. Quando a terapia clínica não for eficaz e nos casos em que o tratamento cirúrgico é mandatório (lesões traumáticas e pacientes jovens com lesão completa) a intervenção cirúrgica se faz necessária. Neste caso, vários aspectos podem ser abordados. São eles: acromioplastia, retirada de osteófitos acromioclaviculares, sutura do manguito, desbridamento da lesão e bursectomia, capsulotomia posterior, entre outros. A cirurgia pode ser aberta ou artroscópica. Com o desenvolvimento das técnicas de artroscopia nos últimos anos, cada vez mais a patologia do manguito rotador tem sido tratada dessa forma.

Como prevenir? A melhor forma de prevenção é detectar e tratar a patologia no seu início, quando ele ainda é reversível. Sabe-se hoje que a boa força muscular é fundamental para a função normal do ombro. Também é indispensável tratar outras doenças, tais como instabilidades, retrações e desequilíbrios musculares que possam levar à lesão secundária do manguito. Informativo SBOT-ES | 1º trimestre 2009

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Entrevista

Hélio Barroso

N

o dia 16 de maio de 2009, na cidade de Vitória, a Comissão de Ensino da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Regional Espírito Santo (SBOT-ES) propiciará aos seus associados a oportunidade de participar de um curso de Perícia Médica Judicial, ministrado pela A. Couto Advogados Associados. Segundo o ortopedista capixaba Hélio Barroso, o curso é um dos mais importantes do País, pois traz informações que devem ser não só do conhecimento daqueles que buscam se especializar em perícia médica, mas para médicos de qualquer outra especialização. A explicação? Não se faz mais medicina como se fazia num passado recente. Naquela época, o exercício da profissão era cercado de uma aura de divindade e os desígnios dos doutores não eram discutidos, pois estes eram tidos somente como intermediários da vontade divina. Nos últimos anos, isso mudou e os médicos têm sido, cada vez com mais frequência, alvo de processos indenizatórios, criminais e éticos. Nesta entrevista, Hélio Barroso, perito médico judicial nas áreas cível e trabalhista desde 1977 - que já foi presidente da própria SBOT-ES e da Associação Médica do Espírito Santo (Ames) - e que também desempenha as funções de diretor da Associação Médica Brasileira (AMB) e membro do Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES), entre outras atribuições, fala um pouco sobre a atividade de perito médico e faz um importante alerta: médicos que não têm a mínima noção jurídica deveriam começar a olhar esta questão com mais interesse caso queiram evitar possíveis transtornos no futuro.

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Informativo SBOT-ES | 1º trimestre 2009

Processos indenizatórios, criminais e éticos contra médicos aumentaram muito nos últimos tempos. Assim, é necessário que eles tenham uma visão ampla de questões como responsabilidade civil, penal e ética? É indispensável conhecer, mesmo que superficialmente, um pouco sobre perícia médica? Sem dúvida. Eu sempre digo que o médico deve reservar pelo menos duas horas a cada semana para se atualizar sobre esses assuntos. O médico não é Deus, portanto, está sujeito a erros. Hoje, muitos de nós somos submetidos a trabalhos em ambientes minimamente apropriados. Falta estrutura adequada na maioria dos hospitais públicos. Com o aumento indiscriminado das faculdades de medicina, a qualificação de novos profissionais ficou a desejar e estes são lançados num mundo completamente diferente do que era há 40 anos. Hoje, somos


questionados até pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). Por isso temos que conhecer um pouco sobre perícia médica, até mesmo para nos defender, pois a qualquer hora poderemos virar os réus. Também é importante angariar experiências nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) para aprender, por exemplo, como funciona uma sindicância. Precisamos saber lidar com todo o tipo de conflitos.

De certa forma, este aumento de questionamentos nos CRMs, e na justiça, potencializa a profissão de perito. As cobranças via judicial acerca de procedimentos médicos aumentaram 80% nos últimos cinco anos. Portanto, a tendência de valorização deste profissional é crescente, assim como a exigência por profissionais mais qualificados é cada vez maior.

O que é necessário para ser perito e área ortopédica. Seis ortopedistas capixabas participaram da elaboração dessas concomo se capacitar? Todo médico é um perito por formação. Quando ele se forma, já é um técnico em medicina. No Brasil, o médico pode ser perito previdenciário ou judicial. Para ambos, é necessária a filiação em suas respectivas entidades médicas e a entrega de um currículo nas varas em que pretende atuar, que podem ser cível, trabalhista, criminal e até da família. Para o perito previdenciário é necessário, além dos itens já citados, conhecimentos de legislação previdenciária. De posse deste currículo, os Juízes nomeiam aqueles que podem melhor auxiliálos dependendo da especialização que o processo exigir. É aí que entra a capacitação do médico, suas especializações através de cursos. Um bom perito, e isso vale também para todos os médicos, precisa ter conhecimentos de medicina de trabalho e economia da saúde; precisa entender como funciona o sistema de saúde do país em que ele vive para poder elaborar um bom laudo e também se defender, quando for preciso. Em alguns países, como a França, não basta ser formado em medicina. Lá, embora o conhecimento geral dê ao médico o aval técnico, ele não pode exercer esta especialidade. Antes disso, é necessário fazer dois anos de especialização, com aulas de legislação previdenciária, de processo civil e uma série de outras normas que contribuem para a elaboração de um laudo com todas as especificações técnicas exigidas.

dutas. Eu fui um deles e respondi por três delas. O 9º volume, também voltado para a ortopedia, já está em andamento e conterá mais 40 diretrizes. O mais importante é que elas deverão ser constantemente revisadas, pois as condutas médicas também passam por modificações, uma vez que medicina praticada no interior tem particularidades diferentes da exercida nos grandes centros.

Além dessas diretrizes e dos conhecimentos que você já citou, o que mais o médico precisa saber para elaborar uma boa perícia? Precisa entender de Direito Médico e conhecer bem o Código de Ética Médica, pois nenhuma das condutas/diretrizes que ele for executar estará isenta de respeito ao Código. O capítulo 12 do Código fala sobre as responsabilidades do médico perito, do médico auditor. Mas, volto a repetir, isso serve para todos os médicos.

Qual a diferença entre perito e assistente técnico? O assistente técnico é um perito médico. Só que o assistente, mesmo respeitando todas as normas, cumprindo o que reza o Código de Ética Médica, trabalha para o réu ou para o impetrante da ação. Funciona como se fosse um “promotor” ou um “advogado de defesa”. Já o perito é de confiança do juízo. É através do laudo dele

Assim como a França, não seria hora que o juiz irá balizar a sua decisão. Ou seja, do Brasil caminhar nesta mesma quem julga e decide é o juiz. direção? Já estamos caminhando. O Projeto Diretrizes AMB/CFM, lançado em outubro de 2000 e ainda em desenvolvimento, será o primeiro balizador das condutas médicas. Ele veio para preencher este vazio que estava sendo muito questionado pela justiça brasileira. Agora, não bastará somente a experiência do médico. A Medicina Baseada em Evidência (MBE) direcionará essas condutas, que serão publicadas nacional e internacionalmente. No último Congresso Nacional da SBOT, em Porto Alegre, foi lançado 7º volume do projeto. São 40 diretrizes exclusivas da

E qual é a perícia mais difícil? Trabalhei em mais de 300 perícias. Quem conhece do assunto sabe que é um número considerável. Em algumas atuei como perito e em outras como assistente técnico. As perícias mais difíceis são as que envolvem crianças e incapazes. Emocionalmente o médico precisa estar preparado para o que vai enfrentar; para apresentar de forma imparcial um laudo técnico de muita responsabilidade que será um ponto chave na decisão que o juiz irá tomar. Elas, invariavelmente, correm sob segredo de justiça.

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Capa

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Panorama mostra como anda o exercício de auditoria médica atualmente e o que é esperado para o setor nos próximos anos.

R

elativamente nova no mercado e ainda desconhecida de alguns profissionais da medicina, a auditoria médica é um setor que tem surpreendido pela expansão nos últimos anos. A demanda cresce em ritmo acelerado por conta do desenvolvimento da medicina e das novas tecnologias. Para os profissionais que atuam nessa área, um eldorado de garantias de emprego e de boa remuneração à frente. Revisão, perícia, intervenção ou exame de procedimentos realizados por organizações prestadoras de serviços de saúde (hospitais, clínicas, centros de saúde) ou de contas provenientes desses procedimentos. Assim é resumida a auditoria médica, que pode ser realizada por auditores ligados a uma organização ou fonte pagadora de tais serviços, como: o sistema público de saúde, as operadoras de planos de saúde (seguradoras, cooperativas médicas, autogestões) ou o próprio paciente. De um modo geral, os objetivos da auditoria médica são promover a melhoria da qualidade do atendimento, divulgar e incentivar a ética médica e garantir a qualidade da assistência prestada e o respeito às normas técnicas e administrativas, previamente estabelecidas. Demandas intensas, salários atraentes - Quem trabalha hoje com auditoria reconhece que há certo desconhecimento por parte da comunidade médica em relação ao assunto, mas alerta que existem mudanças em trânsito e uma diversidade de potencialidades no segmento. É o caso de Ricardo Tadeu Magnago, médico-auditor há mais de cinco anos, que destaca a possibilidade da auditoria deixar de ser apenas uma área de atuação médica. “Até agora isso não aconteceu, mas é bem provável que, num futuro próximo, ela venha a ser reconhecida como especialidade médica”, explica. Tadeu lembra que, pelo fato de ser exigido apenas o diploma de médico para exercer a auditoria, é difícil encontrar quem tenha uma formação específica em auditoria e perícia médica. Porém, o médico-auditor acredita que, com o tempo, essa situação vai mudar, assim como o efetivo de profissionais dessa área. Segundo Tadeu, “tem ocorrido uma procura muito grande por esses profissionais no mercado e a remune-

ração é muito boa”. Assim, o quadro mais provável é o aumento do número de auditores atuando. Atualmente, o CRM-ES não tem um registro de profissionais que exercem a auditoria médica no Estado, já que ela ainda não é uma especialidade. No entanto, o conselheiro do CRM-ES Carlos José Cardoso estima que exista uma parcela significativa desses profissionais em atividade no Estado e também crê no aumento do número de médicos-auditores para os próximos anos. “Pelo contexto da crescente busca por fiscalização, acredito que vai haver cada vez mais demanda por esses profissionais e, com isso, um despertar da comunidade médica para o assunto”, prevê. Ainda segundo o conselheiro, quanto mais rápido for o avanço da medicina, mais cedo se dará a efetivação dessas previsões. Um pouco de história - De acordo com os poucos estudos a respeito do tema, a avaliação da assistência médica surgiu no início do século XX, por conta da crise na qualidade tanto do ensino de medicina como das instituições de saúde nos Estados Unidos. Iniciou-se então o controle exercido no treinamento médico e no aparelhamento de hospitais. Os procedimentos evoluíram e veio a criação de programas visando à correta utilização dos leitos hospitalares e aos critérios mínimos de cuidados. Isso resultou na associação da auditoria médica com a hospitalar. No Brasil, a auditoria médica como é conhecida hoje é relativamente nova. Conforme o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS) - órgão que exerce atividades de auditoria e fiscalização especializada no âmbito do Sistema Único de Saúde -, antes de 1976 não havia auditorias diretas em hospitais. As atividades eram realizadas pelos supervisores por meio de apurações em prontuários de pacientes e em contas hospitalares. Ainda de acordo com o DENASUS, somente em 1983 foi reconhecido o cargo de médicoauditor e a auditoria passou a ser feita nos próprios hospitais. Nos dias atuais, as atividades de auditoria encontram respaldo até mesmo na Constituição Federal de 1988, que, em seu artigo 197, traz o seguinte texto: “São de relevância pública as ações e serviços de

saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado.” Oficialmente regulamentada, a auditoria médica tem sido estimulada pelas necessidades crescentes de controle das contas dos serviços hospitalares, médicos e complementares de diagnóstico e terapia do SUS e dos diversos planos de saúde privados. Atualmente, os custos da medicina tornaram-se muito altos, sendo compreensível, o aumento do número de pessoas atuando nessa área devido às necessidades de controle desses custos. É o que sintetiza Carlos José Cardoso, conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES), ao dizer que “a privatização da medicina trouxe a necessidade de uma maior fiscalização.” Outro ponto importante, segundo Cardoso, é a modernização da medicina e o aumento dos seus custos, principalmente em relação às novas tecnologias utilizadas. “Num plano de saúde hoje, os gastos com exames e procedimentos são bem maiores do que aqueles referentes à remuneração do médico. E são justamente os gastos com exames e procedimentos que a auditoria vai fiscalizar”, revela.

Atual legislação • A auditoria médica caracteriza-se como ato médico, por exigir conhecimento técnico, pleno e integrado da profissão; • O médico, desde que esteja regularizado no Conselho Regional de Medicina da jurisdição onde ocorreu a prestação do serviço auditado, está habilitado a exercer qualquer atividade de auditoria médica, dependendo de sua capacitação, não necessitando, obrigatoriamente, ter título de especialista, respondendo por seus atos, ética, civil e criminalmente. • Residência Médica em Auditoria Médica e prova de título para Auditoria Médica não estão previstas na Resolução nº 1.634/2002, vigente, que dispõe sobre convênio de reconhecimento de especialidades médicas firmado entre o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM).

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Social

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1 Adelmo Rezende Ferreira da Costa, Jo達o Carlos de Medeiros Teixeira, Alceuleir Cardoso de Souza. 2 Jo達o Carlos de Medeiros Teixeira.

3 Anderson De Nadai, H辿lio Barroso dos Reis, Adelmo Rezende Ferreira da Costa, Jo達o Carlos de Medeiros Teixeira, Alceuleir Cardoso de Souza, Jorge Luiz Kriger.

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POSSE DA NOVA


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4 Del Lopes Teixeira e João Carlos de Medeiros Teixeira. 5 Adelmo Rezende Ferreira da Costa, Anderson De Nadai, João Carlos de Medeiros Teixeira, Hélio Barroso dos Reis. 6 Anderson De Nadai apresentando o balanço da gestão 2008. 6

No dia 30 de janeiro, tomou posse a nova diretoria que ficará à frente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Regional Espírito Santo (SBOT-ES) durante o ano de 2009. No evento realizado no auditório da Cooperativa dos Ortopedistas e Traumatologistas do Espírito Santo (COOTES), Anderson De Nadai, então presidente da SBOT-ES, apresentou um balanço das atividades realizadas durante sua gestão e, em seguida, fez a transferência do cargo para o ortopedista João Carlos de Medeiros Teixeira. A cerimônia contou com a presença de associados, familiares e amigos.

A PRESIDÊNCIA


Especial

Fraturas na vértebra cervical, traumas na medula espinhal e traumatismo craniano são apenas algumas das consequências de um mergulho mal-sucedido.

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A

s belas praias, cachoeiras, lagoas e rios do Espírito Santo são para capixabas e turistas que visitam o Estado - principalmente no verão - um tentador convite à prática do mergulho. Os momentos de descontração e lazer, no entanto, podem não ter um final feliz para alguns. Saltos mal calculados ou mergulhos mal-sucedidos podem render acidentes que, quando não fatais, deixam graves sequelas, como o traumatismo craniano e os traumas na coluna cervical e na medula espinhal. Infelizmente, nem o Corpo de Bombeiros ou o Departamento Médico Legal (DML) possuem estatísticas que tratem especificamente de lesões traumáticas provocadas por acidentes de mergulho no Espírito Santo. O DML só compila acidentes com traumas que tiveram óbitos e os engloba em duas categorias: “acidentes de carros” e “outros”. Já o Corpo de Bombeiros registra apenas afogamentos, não especificando se eles foram ocasionados por traumas. A situação de registro dessas ocorrências no resto do País não é diferente. Uma das últimas apurações sobre o assunto é um estudo da Faculdade de Saúde

Pública da Universidade de São Paulo (USP), que fez o levantamento nacional de internações hospitalares por tramas de coluna, através de informações coletadas do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados referentes ao período de 2000 a 2005 mostraram que, das lesões que provocaram as internações, 20% foram causadas por acidentes de mergulho em águas rasas. As estatísticas no mundo também são expressivas. Pesquisa realizada na PUCRS, em 2005, revelou que o acidente por mergulho é uma das principais causas de lesão medular em vários países, representando 19,8% de todas as lesões medulares cervicais na Polônia, 23,5% na Rússia; 4% na Alemanha; 8,5% nos EUA; 7% na Romênia; 11,9% no Canadá e 14% na Austrália. Especialistas recomendam atenção redobrada, principalmente em locais desconhecidos, ou seja, frequentados pela primeira vez. Dependendo do modo como a pessoa entra na água, corre o risco de bater com a cabeça no fundo do local e sofrer consequências graves. Nos mergulhos de cabeça - o chamado pulo de ponta - em superfícies rasas, caso seja atingido o leito do rio, praia

ou lagoa, o pescoço recebe todo o peso do corpo, absorvendo o impacto e produzindo uma brusca flexão. É aí que mora o perigo, alerta o cirurgião de coluna, José Alexandre Batista. “Esses acidentes podem ocasionar fraturas ou deslocamento da vértebra cervical, trauma da medula espinhal ou até traumatismo craniano”, explica. Quando isso acontece, o afogamento é certo, caso a pessoa não seja socorrida a tempo. Mais consequências - o neurocirurgião Paulo Mello acrescenta outras consequências mais sérias: “Em algumas situações, o quadro gerado pode ser o de tetraplegia (perda dos movimentos de braços e pernas) e, dependendo da gravidade do acidente, pode haver morte súbita por lesão completa da medula.” Mello confirma que no verão os casos são mais recorrentes e revela o perfil mais comum dessas vítimas. “Geralmente são jovens, do sexo masculino e, muitas vezes, turistas que não têm convivência com o mar e desconhecem o local do mergulho”, conta. Outra incidência comum, segundo o médico, são os casos de pessoas alcoolizadas.

for a altura do salto, maior é a força com

Em relação ao assunto, o conselho de médicos, especialistas e do Corpo de

Profundidade: a regra é nunca confiar

Bombeiros é unânime: antes de mer-

no local, mesmo que a pessoa já o tenha

gulhar, é preciso conhecer bem o local,

frequentado várias vezes. O nível da água

certificar-se da exata profundidade da

pode mudar, alterando assim a profundi-

piscina, lagoa, cachoeira, represa, entre

dade;

que o corpo do mergulhador vai se chocar contra algum obstáculo embaixo d’água; Socorro de vítimas: o primeiro passo a ser tomado é ajudar a pessoa a respirar, tomando-se o cuidado de imobilizar o

outros, e ter bom senso. Os cuidados nunca são demais, afinal de contas, é

Água: mergulhar numa piscina é difer-

pescoço da vítima. A imobilização é acon-

melhor se prevenir e garantir a diversão

ente de mergulhar num rio ou numa ca-

selhável para que se evite a rotação da

dos próximos verões do que perder a

choeira, lugares que contam geralmente

cabeça, o que pode agravar a lesão. Feito

vida ou ter a sua saúde comprometida

com águas turvas;

isso, deve-se chamar socorro o quanto antes para ajudar o acidentado;

seriamente. Mergulhos de ponta: nesses casos, o Antes de mergulhar, tome nota: Avaliação da área: os cuidados na hora de entrar em rios, lagos e cachoei-

corpo afunda rapidamente. Os braços esti-

Manifestação do trauma: às vezes, po-

cados não impedem que a pessoa bata com

dem ocorrer hematomas devido ao trauma

a cabeça. Além de traumas na coluna, po-

craniano ou alguma lesão na coluna cervi-

dem ocorrer fraturas nos braços também;

cal, mesmo sem lesão na medula. Isso pode não ser percebido pela vítima no momento

ras devem ser redobrados. O ideal é verificar se existem bancos de areia ou

Saltos de pontes, árvores e barrancos: o

do acidente, mas é fundamental que se

pedras que possam causar algum tipo de

risco de acidente é ainda maior. Trata-se de

faça alguns exames para comprovar se

trauma;

um princípio de Física básico: quanto maior

houve ou não algum dano. Informativo SBOT-ES | 1º trimestre 2009

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Dicas SBOTES

Cinto de segurança: como e quando ele faz a diferença

N

o dia 19 de abril de 1994, um acidente automobilístico encerrou a carreira de um dos mais talentosos jogadores que o Brasil já produziu. Meia-atacante habilidoso, dono de arrancadas rápidas e objetivas, Dener Augusto de Souza, ou simplesmente Dener, morreu estrangulado pelo cinto de segurança de seu Mitsubishi Eclipse quando este se chocou contra uma árvore na Logoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Investigações posteriores revelaram que Dener viajava dormindo no banco de carona e que,ao inclinar demais a poltrona, anulou a eficiência do cinto de segurança. Mesmo assim, muitos jovens passaram a recusar o uso do dispositivo de segurança que só se tornou obrigatório para trafegar em qualquer via quatro anos depois. Um ano após a morte de Dener, outro jogador de futebol, Edmundo, envolveuse em um acidente automobilístico que deixou um saldo de três óbitos. Edmundo sofreu apenas escoriações, pois usava corretamente o cinto de segurança e seu carro tinha airbag. Estes dois pequenos relatos demonstram como o uso correto de equipamentos de segurança pode salvar vidas. Estudos já demonstraram que o cinto de segurança confere proteção superior ao airbag - 65% contra apenas 8% - quando usado isoladamente. Combinado, a margem de segurança sobe para 68%. Passada uma década desde que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabeleceu novas regras para a condução de passageiro, inclusive com aplicação de pesadas multas e perdas de pontos na cartei-

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Informativo SBOT-ES | 1º trimestre 2009

ra, muitos motoristas e passageiros ainda

resolução que passará a valer a partir de

trafegam pelas ruas e estradas do País in-

2010. A resolução torna obrigatório o uso

fringindo a determinação. Dados da Rede

de cadeirinha para o transporte de crian-

Sarah, uma rede de hospitais de reabilitação

ças de até sete anos e meio em carros de

presente em sete estados brasileiros mais o

passeio. Essa resolução atualiza uma regra

Distrito Federal, apontam que 67,3% dos

antiga que obrigava o uso de cinto de se-

pacientes vítimas de acidentes de trânsito

gurança para crianças com até dez anos.

admitidos pela rede não usavam o disposi-

Segundo o órgão, a redução de idade

tivo na hora do acidente. Não é à toa que as

segue normas internacionais que medem

lesões causadas pelos acidentes de tráfego

peso e altura das crianças para que elas

continuam sendo as principais causas de

possam utilizar o cinto.

morte por traumatismo; a décima causa de

Mas para alguns técnicos, os motoris-

todas as mortes e a nona causa de morbi-

tas devem seguir mais as recomendações

dade em todo o mundo.

de peso e de altura do que de idade. O

Recentemente, a Câmara dos Deputa-

cinto de segurança normal no banco tra-

dos aprovou um projeto que torna o air-

seiro é considerado adequado para pes-

bag obrigatório em todos os automóveis.

soas acima de 36 Kg e mais de 1,45 m de

A decisão dos deputados foi apoiada

altura.

pela SBOT. A Federação Nacional da Dis-

Outro tipo de passageiro que não faz o

tribuição de Veículos Automotores (Fen-

uso adequado do equipamento por achar

abrave) alega que a inclusão do equipa-

que pode ser prejudicial são as gestantes.

mento encarecerá o custo dos veículos,

Muitas delas ignoram a forma correta de

mas para o secretário-geral da SBOT,

usá-lo colocando a si e a vida do feto em

Flávio Faloppa, todo investimento em se-

risco. Desconforto, medo de prejudicar o

gurança resulta em “economia de vidas a

neném, são algumas das razões alegadas

longo prazo”. “Os ortopedistas, que estão

para o não uso do cinto durante a gravi-

na linha de frente dos pronto-socorros e

dez. Uma série experimental de colisões

hospitais, conhecem bem o custo pessoal

com veículos avaliou

e familiar dos acidentes com veículos”,

transmitida ao útero e concluiu que o

disse o médico.

cinto de segurança de três pontos confere

o efeito da força

proteção, tanto para a mãe quanto para o

Prevenção: crianças e gestantes

feto, na ordem de 92% contra 50% quando comparado ao sub abdominal. Os testes apontaram que o cinto de três pontas

Preocupado também com um alto

pode eliminar um acréscimo de pressão no

índice de traumatismos causados pelo

útero gravídico na ordem de 550 mmhg

transporte inadequado de crianças, o Con-

pela ação da cinta diagonal, que evita a

tran, no final de 2008, editou uma nova

flexão do corpo materno sobre a pélvis.


Raio X

Informativo SBOT-ES | 1ยบ trimestre 2009

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Vida Leve

A

Seja no corre-corre da rotina médica ou nos cronometrados percursos do atletismo, Luiz Augusto Campinhos dá mostras de que é um especialista em superar limites. 14

Informativo SBOT-ES | 1º trimestre 2009

vida corrida de um profissional de medicina que atende em três hospitais e ainda em uma clínica particular, como é o caso de Luiz Augusto Campinhos, já seria motivo suficiente para estimular apenas o descanso nas horas vagas. Mas para Guto, como é chamado pelos amigos, não. Mesmo após um dia estafante de trabalho, o ortopedista encontra força e prazer para correr. Trata-se de uma rotina séria de treinamento iniciada em 1995, mas que na verdade é reflexo de um estilo disciplinado de vida que começou aos quatro anos de idade, primeiramente, com a natação. Augusto é carioca de nascença, mas por pura casualidade. No início da década de 70, seu pai, Luiz Carlos Oliveira Campinhos, fazia o curso de residência médica no Rio de Janeiro quando Augusto nasceu. O garoto nem teve tempo de incorporar o estilo carioca de ser e aos dois anos de idade mudou-se para o Espírito Santo. A partir de então, passaria a ser um capixaba de coração. Desde pequeno o pai o incentivou a praticar esportes. “Talvez por não poder ser um esportista, devido às sequelas de uma poliomelite”, conta Augusto. Mas certamente por entender que o aprendizado esportivo serve como parte do desenvolvimento psicomotor da criança e também pela extrema importância em


sua formação educacional. “Disciplina: esta

quatro treinos quer variam entre 3, 10,

como São Silvestre, Meia Maratona do Rio

é a principal lição do esporte. Disciplina de

14 e até 20 km dependendo da planilha

e de São Paulo, a Volta da Pampulha, em

treinamento, de alimentação, de respeito

de treinamento. Eles acontecem sempre

Belo Horizonte e tantas outras. “São pro-

- pois ela nos mostra que existem pessoas

à noite, mas já saí pra correr as 4 e 5h da

tão boas ou melhor que a gente no mundo

vas com caráter apenas de participação. As-

manhã”, conta.

sim como eu, existem muitos competidores

esportivo. O esporte propicia ensinamen-

Tamanha dedicação já rendeu a Au-

tos que levamos conosco para o resto da

gusto o título de campeão estadual de

vida”, sentencia.

duatlon, modalidade em que o competi-

amadores. Nós sabemos os nossos limites. A intenção de competir em lugares distantes é motivada apenas pelo prazer de superar

A disciplina que Augusto possui hoje

dor nada e corre. Mas um título ele vem

seguramente nasceu do esporte. E não foi

perseguindo e já “bateu duas vezes na

só com a natação. Depois das piscinas vi-

trave”: os 10 km Unimed, tradicional cor-

eram os campos de futebol, as quadras de

rida de rua com várias categorias, inclusive

vôlei e de basquete, as pistas de atletismo

a de cooperados. Ele lembra um fato cu-

Para quem quer começar a correr, Au-

e também o caratê. Em nenhum momento

rioso que aconteceu na última prova. “Eu,

gusto dá algumas dicas. Antes de tudo é

ele pensou em seguir a carreira esportiva;

o Mário Lúcio Gorza e o Luiz André Mello

preciso procurar um cardiologista e fazer

sempre optou pelos estudos. Formou-se em

- dois amigos ginecologistas -, corríamos

uma boa avaliação física para conhecer

medicina e, por conta da vivência intensa

pela equipe da Cobra D’Água na catego-

os seus limites. Se já possuir um histórico,

no esporte durante a infância e a juven-

ria cooperados. Era fato que o título ficaria

estiver sentindo alguma dor nos membros

tude, poderia tranquilamente ter se torna-

com um de nós três. Começamos a prova

inferiores ou sobrepeso, procure um orto-

do um especialista ligado à área esportiva,

e seguimos um marcando o outro. Faltan-

mas não o foi. Luiz Augusto Campinho es-

pedista. Ele chama atenção também para

do 1,5 km para o final, o André acelerou,

colheu a ortopedia.

enquanto o Mário Lúcio começou a cam-

os equipamentos, principalmente em rela-

um limite, de atingir seus objetivos em relação à preparação que você fez”, diz o ortopedista.

ção ao tênis e às novas roupas de tecidos

Atualmente, aos 38 anos, casado e pai

balear e caiu. Parei para ajudar o Mário até

de uma filha, Augusto - embora frise que

a chegada do atendimento e com isso perdi

não é um corredor profissional - mantém

um bom tempo. Cheguei em sétimo”, lem-

uma rotina de treinamento orientada por

bra. O vencedor da prova foi outro médico:

uma estrutura semiprofissional. Ele é inte-

o pediatra Adwalter De Angeli. Segundo

grante da equipe “Aprendendo a correr”,

Augusto, De Angeli não estava inscrito

um projeto particular de uma amiga que

como cooperado, mas na hora reivindicou

rículo, queremos galgar novos desafios,

utiliza os mesmos métodos científicos do

o título e acabou levando.

queremos ir mais além, finaliza Augusto.

inteligentes. “Com a popularização de provas de 10 km nos últimos cinco anos, o objetivo de todo mundo é terminar uma prova desta. Depois que temos 40 ou 50 provas no cur-

esporte de alto rendimento, mas que res-

A maioria das competições que Au-

Sobre os desafios que ainda buscará,

peita o limite e as pretensões de cada um.

gusto participa são aqui no Estado. Mas ele

ele só tem uma certeza: a de que continu-

“Corro em média 45 km por semana. São

já competiu em grandes provas nacionais,

ará a correr por muito tempo. Informativo SBOT-ES | 1º trimestre 2009

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Revista 04 - SBOT-ES - jan/fev/mar 2009  

Edição número 04 da revista da SBOT-ES

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