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Revista 12 mai/jul ano 2011

A medicina em boa forma Como os profissionais da saúde organizam a agitada rotina de trabalho para correr atrás da qualidade de vida pág.

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Carta do Presidente

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Dicas SBOT-ES

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Raio X Artigo

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Entrevista

Matéria Especial


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Carta do Presidente

Hora marcada com a saúde Adelmo Rezende Ferreira da Costa Presidente da SBOT-ES

A

preocupação com o bem-estar dos pacientes deve ser um posicionamento constante para os profissionais da medicina. Nunca é demais relembrar que um dos princípios fundamentais do Código de Ética Médica afirma que “o alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional”. A questão é que, muitas vezes, em consequência de uma agenda exaustiva – acumulada por consultas, plantões e cirurgias –, o médico deixa de lado o cuidado com a sua própria saúde, levando uma vida sedentária e com má alimentação. Isto desequilibra não apenas a sua qualidade de vida, mas também o seu desempenho no trabalho. Atentos a esta realidade, na matéria de capa desta edição, corremos atrás de bons exemplos de profissionais da área que, com organização e planejamento, suam a camisa para conciliar uma rotina de exercícios físicos, sem perder o compromisso com a carreira. Acredite, é possível! Eu mesmo não dispenso uma partida de tênis para aliviar o estresse. Tudo é uma questão de disciplina. E é com essa mesma disciplina que os clínicos devem estar prontos para encarar um volume diário de documentos: prontuários, laudos, receitas, termos de consentimento etc. Na reportagem especial, ouvimos especialistas no assun-

to que orientaram a forma correta de preenchimento de alguns desses processos – tão importantes para o resguardo dos médicos, em casos de complicações judiciais. Confira também a entrevista com Aulair Dias das Chagas, médico anestesiologista com uma carreira respeitada e uma história de vida admirável; as dicas SBOT-ES, desta vez, informando as melhores formas de acomodar as crianças com segurança dentro do veículo; e o artigo do ortopedista Giovanni César Xavier desfazendo as controvérsias sobre a condromalácia e detectando os principais sintomas dessa patologia. Conteúdo é o que não falta. Boa leitura.

Rua Abiail do Amaral Carneiro, 191, Ed. Arábica, Sala 607, Enseada do Suá. Vitória-ES. CEP 29055-220 Telefone: 3325-3183 | www.sbotes.org.br | sbotes@sbotes.org.br

Gestão 2011 Diretoria

Presidente: Dr. Adelmo Rezende F. da Costa Primeiro Vice-Presidente: Dr. Marcelo Rezende da Silva Primeiro Secretário: Dr. Marcelo dos Santos Costa Segundo Secretário: Dr. Danilo Lobo Primeiro Tesoureiro: Dr. Miguel Saad Meirelles Segundo Tesoureiro: Dr. Gláucio Beninca Coelho

Conselho Fiscal Dra. Roberta Ramos Silveira Dr. Alexandre André Ciríaco Dr. Luciano Martins Afonso Dr. Carlos Henrique Olímpio de Carvalho - Suplente Dr. Alceuleir Cardoso de SouzaSuplente Delegados

Dr. Geraldo Lopes da Silveira Dr. Luciano Martins Afonso Dr. Jovani Torres da Matta

Comissão Executiva

Dr. João Carlos de M. Teixeira

Dr. Marcelo dos Santos Costa Dr. Marcelo Nogueira Silva Dr. Miguel Saad Meirelles Dr. Vladimir de Almeida

Dr. Luciano Martins Afonso Dr. Marcelo dos Santos Costa

Comissão de Ensino e Treinamento

Dr. Alarico Duarte Lima Dr. Edmar Simões da Silva Júnior Dr. Francisley Gomes Barradas Dr. Geraldo Lopes da Silveira

Dr. Adriano de Souza Dr. Anderson De Nadai Dr. João Carlos de M. Teixeira Dr. José Eduardo Grandi Ribeiro Dr. Nelson Elias Dr. Rodrigo Resende Dr. Vladimir de Almeida

Comissão de Ética, Defesa Profissional e Honorários Médicos

Dr. Alceuleir Cardoso de Souza Dr. Cid Pereira de Moura Jr. Dr. José Carlos Xavier do Valle Dr. Paulo Henrique Paladini Dr. Sebastião A. M. de Macedo Dr. Valbert de Moraes Pereira

Comissão de Estatuto e Regimento

Dr. Anderson De Nadai Dr. João Carlos de M. Teixeira

Comissão de Campanhas Públicas e Ações Sociais

Comissão de Publicação, Divulgação e Marketing Dr. Jorge Luiz Kriger Dr. Júlio Claider G. Moura Dr. João Carlos Medeiros Teixeira Dr. Edmar Simões da Silva Júnior

Comissão de Presidentes

Dr. Pedro Nelson Pretti Dr. Roberto Casotti Lora Dr. José Fernando Duarte Dr. Eduardo Antônio B. Uvo Dr. Geraldo Lopes da Silveira Dr. Hélio Barroso dos Reis Dr. Jorge Luiz Kriger Dr. José Lorenzo Solino Dr. Akel Nicolau Akel Júnior Dr. Clark M. Yazaki Dr. Anderson De Nadai Dr. João Carlos Medeiro Teixeira Dr. Alceuleir Cardoso de Souza

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Redação

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Wallace Capucho MTB 1934/ES

jornalismo@balaiodesign.com.br Editor Wallace Capucho MTB 1934/ES Repórter Tiago Moreno Ítalo Galiza - MTB 2769/ES Diretor de Arte Felipe Gama Diagramação e Arte Bianka de Oliveira Mariana Melim Willi Piske Jr. Fotos Wallace Capucho Tiago Moreno Revisão Ítalo Galiza - MTB 2769/ES

SBOT-ES (27) 3325-3183

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Raio x

Congresso Brasileiro das Ligas do Trauma

Calendário curso TEOT

O Espírito Santo irá sediar o 13º Congresso Brasileiro das Ligas do Trauma, entre os dias 17 e 20 de agosto, no Centro de Convenções de Vitória. O evento, que tem como tema “Vitória sem trauma... Por um Espírito Santo!”, vai contar com especialistas de renome internacional como o Dr. Kenneth Mattox, do Texas, além dos médicos brasileiros que atuam nos Estados Unidos, Dr. Raul Coimbra (Califórnia) e Dr. Antonio Marttos (Flórida). Os interessados podem fazer a inscrição, até o dia 17 de agosto, pelo site: www.colt2011.com.br. Mais informações pelo telefone: (27) 3229-7641.

Estão marcadas as datas deste semestre para a realização das aulas do curso preparatório para o exame do Título de Especialista em Ortopedia e Traumatologia (TEOT). Confira a seguir os dias e os temas que serão abordados: 13/09 - Fraturas da coluna cervical e fraturas da transição tóraco lombar; 27/09 - Fraturas diafisárias do antebraço e fraturas diafisárias do fêmur; 04/10 - Fraturas diafisárias da tíbia e pé torto congênito; 18/10 - Displasia do desenvolvimento do quadril e osteomielite aguda hematogênica;

Segunda Jornada SBOT-ES

08/11 - Fraturas da extremidade proximal do úmero e fraturas da extremidade distal do rádio.

A Segunda Jornada de Traumatologia, promovida pela SBOTES, será nos dias quatro e cinco de novembro. O convidado especial desta edição – que terá como tema “Membros Superiores” – será o Prof. Dr. William Belangero, associado do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. William tem experiência na área de medicina, com ênfase em Cirurgia Ortopédica Pediátrica e Traumatológica. Até o momento, a organização da jornada está analisando o melhor local para realizar o evento.

Festa dos ortopedistas Dia 19 de setembro é o Dia do Ortopedista. Para comemorar esta data especial, a COOTES e a SBOTES realizarão, no dia 16 de setembro, a tradicional Festa do Dia do Ortopedista, no Cerimonial Itamaraty, na Praia do Canto, a partir das 21h. A confraternização – que terá em sua programação um jantar seguido de um baile – irá reunir ortopedistas de todo o Estado.

Todas as aulas serão ministradas no Auditório COOTES/SBOT-ES, em Vitória, a partir das 19h30. O próximo exame TEOT será realizado em janeiro de 2012. Informações: sbotes@sbotes.org.br / (27) 3325 3183.

Segundo Torneio de Tênis SBOT-ES Após o sucesso do Primeiro Torneio de Tênis, realizado em 2007, a SBOT-ES está planejando para o mês de setembro a sua segunda edição. Neste ano, novamente com o objetivo de estimular a convivência e interação entre os membros da sociedade e seus familiares, o torneio continuará contando com duas categorias – individual e duplas –, sendo que na categoria duplas os participantes têm a possibilidade de jogar com seus filhos. Assim como na primeira edição, a mobilização dos membros e associados para arrecadar cestas básicas também será mantida. As datas e o local do evento serão divulgados em breve no site: www.sbotes.org.br


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Entrevista SBOT-ES

Aulair Dias das Chagas A vida e a carreira do médico que começou como office-boy e hoje é um dos anestesiologistas mais respeitados do Estado

A

os 77 anos de idade, e mais de 40 dedicados exclusivamente à medicina, Aulair Dias das

Chagas nem pensa em se aposentar. “Enquanto tiver forças, e Deus permitir, vou continuar a exercer a minha profissão”, diz o anestesiologista formado na Universidade Federal do Espírito Santo, em 1969. O entusiasmo com que fala de trabalho não esconde nenhuma mágoa que normalmente qualquer pessoa poderia guardar por ter sido obrigada, aos 11 anos, a interromper os estudos para ajudar no sustento da família. Casado e pai de três filhas, Aulair já trabalhou em praticamente todos os hospitais da Grande Vitória. Mas um lugar é especial para ele: a Clínica de Acidentados de Vitória. Essa história de amor e dedicação teve início em 1968, ainda como estudante, e permanece até hoje, mais de quatro décadas depois. Na Clínica de Acidentados de Vitória ele conheceu, trabalhou e fez amizade com grandes ortopedistas do Estado. Muitos deles já se foram, e os que permanecem vivos, reconhecem em Aulair um parceiro competente com quem já dividiram os centros cirúrgicos por incontáveis vezes, na batalha permanente por restabelecer a saúde de seus pacientes.


Todo paciente fica nervoso antes de uma cirurgia. Como sou bastante comunicativo e brincalhão, fica bem mais fácil acalmá-lo, embora, é cada vez mais usual o paciente dar entrada ao hospital somente no dia da cirurgia, sem as importantes visitas prévias, ocasião em que eu explico como acontecerá o procedimento.

Você já se submeteu a alguma cirurgia? Teve medo? Fui operado em cinco ocasiões. Sinceramente, nunca tive medo e nem fiquei nervoso. Talvez porque as primeiras intervenções foram pequenas e relativamente tranquilas. Mas uma vez tive uma fratura exposta na tíbia e precisei de uma anestemais valorizada do que é atualmente.

sia geral. Numa situação assim, você nem

O engraçado é que contrariei muita

se lembra de sentir medo, a única coisa

gente com a escolha, principalmente meus

que deseja é que a dor termine logo e a

patrões que queriam que eu fizesse conta-

anestesia é o primeiro passo para que o seu

bilidade para poder continuar trabalhando

problema seja resolvido. Mas é claro que

no comércio. Mas eu estava determinado

no meu caso é diferente, pois estou acostu-

a ser médico. Para mim era tudo ou nada.

mado e sei como tudo funciona.

Ainda hoje a medicina é tudo para mim. Foi por meio dela que construí o meu patrimônio, dei estudos às minhas três filhas, me tornei respeitado, ajudei muita gente e fiz grandes amigos.

Conte um pouco sobre a sua vida antes de começar a estudar medicina. Sou capixaba, nasci em Baixo Guandu, mas me mudei para Minas Gerais ainda muito pequeno, pois meu pai era funcionário da Vale e havia sido transferido para lá. Foi em Aimorés que iniciei os meus estudos, que infelizmente tive que interrompê-los aos 11 anos de idade, para poder trabalhar e ajudar com as despesas de nossa casa. Trabalhei como office-boy, em serraria, no co-

E a escolha pela especialidade? Quando comecei o curso, nem passava pela minha cabeça me tornar um anestesista. Fui influenciado por dois médicos que tinham acabado de chegar ao Espírito Santo e estavam realizando, experimentalmente, cirurgias de coração em cães. Aceitei o desafio de ajudá-los nos procedimentos e passei a ter mais proximidade com a anestesiologia. Então, não parei mais.

Dentre os muitos casos ao longo de sua carreira, qual foi o que mais te emocionou e que te marcou de alguma forma? Eu ainda era residente e estava de plantão em um hospital em Brasília quando duas garotinhas gêmeas deram entrada com sintomas de envenenamento. Entubei a primeira, fiz a medicação e a estabilizei. Quando fui atender a outra, infelizmente já era tarde. Este caso me tocou de duas formas: positivamente, pois consegui salvar uma vida, e negativamente, porque não tive tempo suficiente para salvar a outra. É um misto de frustração e satisfação que mexe comigo até hoje.

mércio e até com exportação de café.

Quando e por que voltou a estudar?

Como é a sua relação com a ortopedia Você já trabalhou com grandes ore a traumatologia? topedistas aqui no Estado. É possível

Voltei a estudar aos 17 anos de idade

Trabalhar com a equipe de ortopedis-

por pressão dos meus patrões. Bom, daí

tas e traumatologistas é muito prazeroso.

para frente não parei mais. Concluí o ensi-

Tanto pelos profissionais que temos, como

no médio, fiz dois anos de cursinho prepa-

pela própria especialidade. Em muitos ca-

ratório para o vestibular e consegui a difícil

sos, posso submeter o paciente a uma anes-

aprovação no curso de medicina na Univer-

tesia local, fato este que permite deixá-lo

sidade Federal do Espírito Santo.

consciente, ao mesmo tempo que fico ali ao seu lado transmitindo-lhe confiança e

Por qual motivo escolheu a medicina? Quando retomei aos estudos, tinha uma ideia fixa de fazer medicina para aju-

tranquilidade durante o procedimento.

Por falar em confiança, você encontra

dizer quais deles mais te impressionaram pela técnica ou pelas atitudes como pessoa? Trabalhei com grandes profissionais em todos esses anos. Mas um colega que nunca esquecerei é o Paulo Diniz de Oliveira Santos, um dos primeiros ortopedistas do Estado. Já falecido, foi uma pessoa excepcional, tanto como médico quanto ser humano. Ele se tornou bastante conhecido, uma vez que foi chefe de cadeira do curso

muita dificuldade para tranquilizar os de medicina da Ufes e foi um dos fundadofamília, pois, na época, era uma profissão seus pacientes? res da Clínica dos Acidentados de Vitória. dar os outros e, principalmente, a minha

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Entrevista SBOT-ES


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Dicas SBOT-ES

Segurança no trânsito não é brincadeira Quase um ano após a implantação da lei das cadeirinhas, ainda há quem desrespeite a regulamentação

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o ano em que a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu como a Década de Ações pela Segurança no Trânsito - 2011 a 2020 -, a lei que obriga o uso das cadeirinhas em veículos para o transporte dos menores completa um ano de existência. De acordo com a resolução, a condução de crianças abaixo de sete anos e meio de idade só pode ser feita com o uso de dispositivos de retenção infantil adequados à faixa etária. Desde que a lei entrou em vigor, em 1º de setembro de 2010, foram aplicadas, até junho deste ano, 114 multas a motoristas que transportavam crianças de forma irregular em rodovias e áreas urbanas do Espírito Santo. Segundo dados do Batalhão de Polícia de Trânsito Rodoviário e Urbano do Estado, do total de multas aplicadas, 48 autuações foram registradas em áreas urbanas. O número de infrações em vias urbanas chegou a mais de 40% e chamou atenção da SBOT-ES. “Uma das explicações pode estar na falsa sensação de segurança que os pais possuem ao percorrer pequenos trajetos dentro das vias urbanas”, deduz o presidente da SBOT-ES, Adelmo Rezende. Essa teoria ganha reforço em uma matéria exibida na rede Globo de Televisão, em maio deste ano, em que muitos pais foram flagrados transportando filhos menores sem o uso das cadeirinhas. A desculpa, de todos, foi a curta distância entre a casa e a creche.

Pietro, 4 anos, em sua cadeirinha

Para mim, mais importante do que a multa ou os pontos em minha carteira, está a segurança do meu filho” Elizângela Antunes, mãe do pequeno Pietro “Carnaval Sem Trauma”. O evento procurou conscientizar os motoristas a não dirigirem embriagados, não ultrapassarem os limites de velocidade e a sempre usarem os equipamentos de segurança, como o cinto, capacetes e também as cadeirinhas de bebês. Preocupada com o aumento cada vez maior de acidentes no trânsito, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) realiza, todo ano, uma série de campanhas chamando a atenção dos condutores para as medidas de segurança ao dirigir e transportar passageiros. Neste ano, a sua regional do Espírito Santo, reforçando também a ação da ONU, promoveu a campanha

De acordo com a lei Transportar crianças e bebês sem o uso de assentos de proteção adequados é considerada uma infração gravíssima, com soma de sete pontos na carteira nacional de habilitação (CNH), multa no valor de R$191,54, além de retenção do veículo, até que o equipamento de segurança seja


instalado. A regulamentação, porém, não se aplica a veículos de transporte remunerados, que inclui os coletivos, vans escolares e táxis. Segundo o ortopedista pediátrico Jorge Luiz Kriger, essa pode até ser considerada uma falha da lei, pois estes meios de transporte, táxis e vans principalmente, estão sujeitos aos mesmos riscos do trânsito, como outro veículo qualquer. “O uso das cadeirinhas é fundamental para a segurança das crianças. Está realmente comprovado que ela salva vidas, pois existem dezenas de casos em que os pais acabaram falecendo em acidentes de automóvel e a criança sobreviveu, devido ao uso do dis-

positivo”, reforça Kriger. Cabe lembrar que em veículos que possuam apenas os bancos dianteiros, a criança deverá estar protegida pelo cinto mais o assento apropriado para a idade. Mas assim como aqueles que não respeitam a lei e a segurança dos filhos, existem os que estão preocupados com ela. Elizângela Antunes, mãe do pequeno Pietro de quatro anos, conta que mesmo antes do uso da cadeirinha ser exigido por lei, o seu filho não era transportado sem o dispositivo. “Para mim, mais importante do que a multa ou os pontos em minha carteira, está a segurança do meu filho. Tudo que possa trazer uma maior segurança dentro

do carro, não só para ele, mas para mim também, será bem-vindo”, conclui Elizângela. Segundo ela, todos os pais deveriam ter a consciência de que responsabilidade ao volante não é apenas uma questão de cidadania ou de cifras em reais, mas sim de valorização à vida. Em agosto, a SBOT-ES promoverá nova campanha em prol da segurança no trânsito. Desta vez o foco será os pais. A campanha vai chamar atenção para o uso correto dos equipamentos e alertar os pais de que não é apenas em casos de colisão que os pequenos passageiros podem se machucar, mas que também uma freada mais forte pode ser suficiente para provocar sérias lesões.

Saiba qual é o melhor assento para o seu filho ATÉ

Bebê conforto ou assento conversível Em forma de concha, esta cadeirinha deve ser utilizada para transportar bebês de até um ano, ou até 13 kg, com altura entre 50 e 70 cm.

DE

1 ANO

Deve ser usada, no banco traseiro, sempre de costas para o motorista do veículo.

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Cadeirinha

ANOS

Este tipo de assento deve ser usado, no banco traseiro, de frente para o motorista do veículo.

Com encosto e assento, esta cadeirinha pode ou não ter apoio para os braços. É usada para o transporte de crianças de um a quatro anos, com peso entre 9 e 18 kg, e altura entre 70 cm e 1 metro.

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Assento elevatório (booster)

DE

Este é o modelo para crianças maiores - de quatro a sete anos e meio, com peso entre 18 e 36 kg. O aparelho eleva a estatura da criança para que ela use, seguramente no banco traseiro, o mesmo cinto que os adultos.

Este aparelho permite o posicionamento correto do cinto de três pontos sobre o peito e os quadris da criança.

ANOS E MEIO

*São vários os modelos de assentos para crianças disponíveis no mercado, com preços que variam de R$40,00 a R$1.300,00.

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Matéria de Capa

ESPORTISTAS DE PLANTÃO Com uma rotina sobrecarregada, nem os médicos estão imunes ao sedentarismo. A solução para eles também é a prática regular de atividades físicas

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les orientam os seus pacientes a terem uma vida mais saudável, incentivam a prática de exercícios físicos e recomendam uma alimentação balanceada. Os médicos – profissionais que lidam diariamente com a saúde das pessoas e, por conta de sua imagem, são vistos como referência de bem-estar –, muitas vezes, deixam, eles mesmos, de dar a atenção devida aos bons hábitos que tanto aconselham. Conciliar a rotina hospitalar com a qualidade de vida, porém, nem sempre é uma tarefa fácil. O desgaste físico e mental de grande parte dos clínicos relaciona-se à sobrecarga excessiva de trabalho que enfrentam na profissão. Muitos deles precisam realizar plantões, atender urgências, trabalhar em mais de um emprego – inclusive em cidades diferentes – e acabam deixando o cuidado com a saúde na sala de espera. Acontece que, para o corpo humano, o tempo tem hora marcada e a medicina não deixa mentir: a partir dos 30 anos de idade, o homem, caso não pratique nenhuma atividade física, começa a desacelerar, em média, 25% de sua taxa de metabolismo. Isso se agrava, geralmente, se a pessoa levar uma rotina sedentária, acarretando também, a perda gradual de massa muscular – que, após os 50 anos, pode chegar a 1% por ano. Independentemente da idade, os médicos, assim como todos, não estão imunes aos problemas de saúde. Mas apesar dos obstáculos da carreira, alguns deles ganham fôlego, se planejam e driblam a agenda atribulada para correr atrás de uma vida mais leve e equilibrada, por meio da prática de exercícios, seja uma caminhada no calçadão ou – para os mais empenhados – a corrida numa maratona. A receita é não ficar parado.

Luiz Campinhos é corredor há 5 anos


Ele caminha pela qualidade de vida Para os médicos que estão tentando conciliar carreira e qualidade de vida, um exemplo de saúde, disciplina e disposição é o do ortopedista Geraldo Lopes. Aos 60 anos, ele mantém uma rotina diária de caminhadas na orla da praia de Camburi, em Vitória, há mais de 20 anos. “Eu adoro caminhar, porque sinto que melhora muito a minha atividade vascular e o meu ânimo para enfrentar o acelerado dia a dia de trabalho. Quan-

do eu não faço exercício físico, sinto-me muito mal e, consequentemente, o meu desempenho profissional é afetado”, conta. Mas antes de dar os primeiros passos no calçadão, o ortopedista, até os 35 anos, não dispensava uma partida de futebol com os amigos. “Mantinha a boa forma, porém, por medo de sofrer alguma contusão, abandonei as chuteiras. Se eu me machucasse, correria o risco de parar de clinicar por um tempo, o que seria ruim para minha profissão”, explica. Ao abandonar o futebol, ganhou peso e passou a sentir as consequências de quem não se exercitava. Então chegou a hora de Lopes repensar os seus hábitos. “Olhei para mim e disse: ou me cuido, ou vou morrer mais cedo. Foi quando comecei a caminhar”, relata o ortopedista que, hoje, anda, por dia, seis quilômetros, em uma hora. Lopes considera importante não só o

exercício, mas também os alongamentos antes e depois de praticar alguma atividade. A inspiração, para ele, vem do comportamento dos felinos. “Imagina um gato. Você já reparou como ele sempre se alonga quando acorda? Nós devemos fazer o mesmo. Alongamentos seguidos de exercícios são sinônimos de vida”, garante. Todos os outros companheiros de profissão, segundo o ortopedista, precisam ter em mente o seguinte: quem atende a um paciente deve estar, ou pelo menos aparentar, um bom estado de saúde. “Se pessoa não mantiver uma atividade física regular, a tendência é surgir complicações osteoarticulares, depressão, além de desequilíbrio nas taxas de colesterol e de glicose. E os médicos não estão isentos disso”, explica. Para evitar esta ocorrência, o ortopedista não indica apenas a prática de caminhadas, mas os exercícios aeróbicos de uma forma geral, como correr, andar de bicicleta – inclusive a ergométrica – e, dependendo da idade, a hidroginástica e a natação também podem ser uma opção saudável.

Geraldo Lopes caminha 6 km por dia

Ele corre para desacelerar o estresse O ortopedista Luiz Augusto Bittencourt Campinhos, 40 anos, disse que se considera “um médico que gosta de esporte”. Corredor há cinco anos, acredita que a prática de exercícios físicos é capaz de gerar inúmeros benefícios para o seu corpo e para a sua mente. “Além de melhorar os processos cardiovasculares e dar mais resistência aos músculos, fazer exercícios eleva o meu bom humor, acaba com qualquer estresse e me proporciona estímulos físicos e mentais”, salienta. O médico revela que o início da sua relação com a atividade física vem há exatos 25 anos. “Desde adolescente, sempre

me interessei por esportes. Logo me identifiquei pelo atletismo, por conta da influência de uma tia que, na época, era atleta profissional”, conta Campinhos, que já participou de mais de 80 provas gerais de atletismo, correu em duas maratonas e cinco meias-maratonas. Dedicado a manter o ritmo de treinamento – três vezes na semana –, o ortopedista conta com o apoio de outros profissionais. “O horário do meu treino varia de acordo com a minha agenda de trabalho, mas evito deixar de cumpri-lo. No meu caso, como me exercito para competições, tenho uma alimentação balanceada, com orientação nutricional, além de um treinador e um instrutor de academia que me ajudam a melhorar o meu condicionamento físico”, explica. Com mais de dez anos na área clíni-

ca, Campinhos acredita na importância de envolvimento com a carreira; mas em benefício da saúde e da relação médicopaciente, aconselha que o profissional deva favorecer um equilíbrio, sempre que possível, entre trabalho e lazer. Para quem ainda está no início da carreira médica, em busca de reconhecimento, Campinhos entende ser mais complicado conciliar os dois, mas para isso, assegura que é essencial, primeiramente, ter organização e planejamento. “Da mesma forma que nós, médicos, temos tempo para o trabalho, plantões e cirurgias, podemos nos preparar para ter tempo para a família e para realizar alguma atividade física. Planejar as tarefas do dia a dia é o principal passo”, aconselha o ortopedista, que na sua rotina procura se hidratar bebendo muito líquido e se alimentar em horários programados.

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Matéria de Capa


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Matéria de Capa Ele joga tênis para rebater o mal-estar Encontrar o esporte adequado para o seu condicionamento físico – seguindo a orientação médica e as limitações de cada corpo – também é um diferencial para tornar o exercício uma prática prazerosa e não uma obrigação. O médico ortopedista Anderson De Nadai, de 40 anos, por exemplo, descobriu no tênis a atividade que traria benefícios significativos para a sua saúde e, além disso, seria a forma de aliviar o estresse e proporcionar, segundo ele, uma “higiene mental” contra a exaustiva carga horária de trabalho. “Eu pratico o esporte desde que terminei minha residência, em 2001. Gosto dele pela sua dinamicidade, além de ser uma atividade que não exige mobilização de um grande número de pessoas. E sei que,

quando ficar mais velho, poderei continuar praticando, pois o tênis, comparado a outros esportes, possibilita menos riscos de lesões”, explica. De Nadai revela também que era difícil conciliar profissão e esporte no período de faculdade e residência. Ele só conseguiu organizar-se depois de formado. O que o motivou, primeiramente, foi pensar que caso não arrumasse tempo para praticar exercícios, teria de arrumar

horário para tratar de alguma doença. “Optei, então, pela qualidade de vida”, afirma o ortopedista, que, pelo menos três vezes por semana, separa um tempo à noite para jogar o seu esporte predileto. De acordo com ele, separar uma hora do dia para praticar qualquer tipo de exercício ou esporte vale a pena. “O mais importante é saber organizar o tempo”, conta. Na sua rotina, por exemplo, não realiza plantões, mantendo apenas os atendimentos no consultório e cirurgias. Aliada à prática do exercício físico, a alimentação controlada também é uma preocupação para Anderson De Nadai. “Sempre tento inserir no meu cardápio muita salada, frutas e evito, sempre que posso, exceder na quantidade de carne”, conclui.

Anderson De Nadai joga tênis 3 vezes por semana

Bônus para versão online Alimentação na balança Convidamos o nutricionista Ricardo de Oliveira Freire para listar alguns conselhos que vão deixar o seu cardápio mais balanceado. Acesse o nosso site – www.sbotes. org.br – e confira o complemento exclusivo desta matéria no link Publicações.


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Matéria Especial

PAPÉIS QUE PROTEGEM VIDAS Prontuários, laudos, receitas e termos de consentimento: preenchê-los corretamente pode oferecer segurança judicial ao médico e ao paciente

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O ortopedista Hélio Barroso defende a importância do preenchimento correto dos documentos clínicos

lém de operar, medicar e atender a dezenas de pacientes nos consultórios, a rotina dos médicos inclui também o envolvimento diário com diversos documentos: prontuários, laudos, receitas e termos de consentimento são apenas alguns exemplos. Preenchê-los corretamente não é apenas um sinal de organização, mas também uma forma de se resguardar de possíveis problemas jurídicos. “Estes papéis são o acervo clínico dos pacientes. Organizados e concisos, são os registros dos cuidados que o médico prestou, incluindo todas as informações, exames, medicação etc.”, afirma o médico pericial e ortopedista Hélio Barroso dos Reis. Sob o ponto de vista legal, os prontuários, por exemplo, constituem uma importante prova jurídica. Isto porque, de acordo com Hélio, a partir da análise feita por um perito, pode-se concluir se os tratamentos aplicados foram adequados ou não. “O médico precisa ter o hábito de descrever todo o atendimento, de forma clara, legível, sem rasuras e siglas”, alerta. Conta ainda que, com a prática diária da medicina, se o profissional cometer essas falhas e não as corrigir, isso vira um péssimo hábito, fazendo com que ele perca a noção da importância do preenchimento correto desses formulários. Além de que, se ele omitir os registros, ou os fizer de forma irregular, perderá a possibilidade de comprovar os seus atos. Tal prática não representa apenas uma qualidade do trabalho do profissional de saúde, mas também consta como norma do Conselho Federal de Medicina (CFM). Para o ginecologista e advogado Fernando Sérgio Martins, o profissional que não cumpre esta regra correrá o risco de ser punido pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). “Ele poderá ser advertido, suspenso ou ter o registro cassado - dependendo do dano causado ao paciente - por não realizar o que prega o Código de Ética”, alerta.


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Matéria Especial

Atenção ao termo de consentimento

Ginecologista e advogado Fernando Sérgio Martins: “O médico não deve privar o paciente da informação”

Dentre os documentos que fazem parte do dia a dia do médico, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) merece atenção especial. Esse formulário é uma proteção da autonomia dos pacientes, que ao assinarem, atestam estar cientes de todos os processos aos quais serão submetidos, bem como as consequências e os riscos. O termo gera, comumente, falsas interpretações quanto à sua função. Os médicos acreditam que este documento os resguarda completamente de acusações relacionadas às complicações clínicas. Já os pacientes, desconfiam sobre a segurança dos atos do profissional, uma vez que o TCLE expõe os riscos de insucesso do tratamento, aparentando que o profissional pretende se isentar de suas responsabili-

dades. Segundo o ortopedista e traumatologista Saulo Gomes, alguns deixam de fazer o TCLE por receio do paciente não realizar as intervenções necessárias. “Como nesses documentos estão listadas as possíveis consequências de uma cirurgia, por exemplo, muitas pessoas acabam desistindo por medo”, conta. Contudo, o termo de consentimento não deve ser avaliado como uma isenção de erros, mas sim uma divisão de responsabilidades da escolha do tratamento feita pelo médico e pelo paciente, deixando claro a todos os possíveis resultados, agradáveis ou não. Cabe ressaltar que, em casos extremos, onde se necessite uma intervenção médica urgente, o TCLE é dispensável e, portanto, não se configura um crime, segundo o Código Penal.

Processos aumentam no setor de saúde Atualmente tramitam no Judici-

São Paulo, com 44.690, e Rio de Janei-

ário brasileiro mais de 240 mil pro-

ro, 25.234. Já em menor escala estão

cessos na área de saúde. Segundo

os tribunais de Justiça do Ceará, com

dados do Conselho Nacional de Jus-

8.344, Minas Gerais, 7.915 e do Tribu-

tiça (CNJ), coletados no ano passado,

nal Regional Federal da 4ª região, que

a maior parte destes processos é refe-

compreende os estados de Rio Grande

rente a reivindicações de pessoas ao

do Sul, Paraná, e Santa Catarina, so-

acesso a medicamentos e a procedi-

mando 8.152 ações.

mentos médicos pelo Sistema Único

As informações fazem parte de um

de Saúde (SUS), além de vagas em

estudo realizado pelo Fórum Nacional

hospitais públicos e ações diversas

do Judiciário para a Saúde, que tem a

movidas por usuários de seguros e

proposta de contribuir para a formu-

planos privados junto ao setor.

lação de novas políticas públicas para

O Rio Grande do Sul é o esta-

o setor, de forma a permitir a resolu-

do que mais concentra números de

ção destes conflitos judiciais da melhor

processos, com 113.953, seguido de

forma possível.


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Artigo SBOT-ES

A Condromalácia A

Condromalácia é um dos termos da literatura médica que apresenta maior confusão e distorção de seu significado, mesmo entre profissionais que cuidam de doenças específi-

cas da cartilagem. A patologia refere-se especificamente ao processo degenerativo que determina o amolecimento da cartilagem hialina de revestimento. Portanto, em última análise, trata-se da manifestação histopatológica das alterações cartilaginosas que podem ocorrer por diversas causas, em qualquer articulação. Durante muito tempo e mesmo nos dias atuais, o termo condromalácia é utilizado inapropriadamente como sinônimo de dor ou desconforto na região anterior dos joelhos; e confunde-se com a própria síndrome dolorosa patelo femoral, entidade complexa que se manifesta por dor na região anterior do joelho, sendo a alteração cartilaginosa um dos componentes envolvidos em sua manifestação. A cartilagem articular é composta por quatro camadas celulares de graus sucessivos de maturação, a partir do tecido ósseo subjacente, imersas em grande quantidade de matriz extracelular abundantemente hidratada. Tem a particularidade de ser avascular e aneural, sendo suas células nutridas pela pressão e osmolaridade do líquido sinovial. Por suas características histológicas, desempenha importante função de transmissão e absorção de cargas, bem como a de propiciar o movimento articular com o mínimo atrito entre as superfícies. Alterações fisicas e químicas que alterem as características da cartilagem – causando amolecimento, fibrilação ou erosão em profundidades variadas – configuram o que se cunha como condromalácia. Na sequência deste artigo, o enfoque será centrado na dor anterior do joelho – comumente associada à degeneração cartilaginosa anteriormente descrita –, seja ela troclear ou patelar. A cartilagem patelar é a mais espessa do corpo humano. Essa espessura é variável e pode chegar a sete milímetros em adultos jovens, sendo que sua conformação e espessura não acompanha os limites ósseos da patela. Daí, presume-se que a avaliação radiográfica da articulação patelo femoral pode causar impressões inverídicas ao observador em termos de posicionamento da patela na tróclea. Por ser um osso sesamóide sujeito a forças de direções e magnitudes diversas pelos componentes do quadríceps proximalmente e estar fixa à tuberosidade da tíbia distalmente, a cinemática patelar é dependente da resultante das forças e do equilíbrio muscular. Também a musculatura posterior dos membros inferiores (cadeias posteriores) tem papel importante na biomecânica patelar ao provocarem uma força de compressão da patela contra a tróclea, de acordo com o seu grau de elasticidade (alongamento), e conforme o angulo de flexão do joelho. Diante do exposto, é compreensível que o desequilíbrio muscular provoque um movimento anormal da patela em seu leito troclear; e que esse deslocamento, repetidamente fora do curso habitual, cause alterações no tecido cartilaginoso. Há vários fatores que contribuem para a alteração biomecânica e consequente prejuízo nutricional da patela: no sexo feminino o padrão de ativação neuromuscular do quadríceps é sobremaneira mais lento do que no sexo masculino; alterações do alinhamento dos membros, representada pela elevação do angulo “Q”, associa-se ao encurtamento dos músculos e fáscias laterais e a um predomínio de atuação do vasto lateral sobre


o medial; alterações que levem a instabilidade patelar, potencial ou objetiva – como a patela alta e as displasias trocleares –, desvios rotacionais (aumento da anteversão femoral e torção tibial externa) e traumatismos. A condromalácia se classifica, segundo Outerbridge (com modificação por Goodfellow), de grau I a IV, conforme a profundidade do acometimento. No grau I, há apenas um amolecimento da cartilagem, sem descontinuidade. O grau II caracteriza-se por fibrilações superficiais que, aprofundando-se e extendendo-se na forma de fissuras profundas – que não acometem ao osso subcondral –, configuram o grau III. Já a condromalácia grau IV é a lesão mais profunda com exposição óssea. Sendo a cartilagem desprovida de inervação, a dor que pode estar associada aos achados de condromalácia se justifica pela sobrecarga ao osso subcondral e pela sinovite reacional aos fragmentos condrais, irritativos à membrana sinovial. Condromalácia dos graus I e II raramente se associam com nexo de causa à dor anterior nos joelhos. Lesões dos graus III e IV mais frequentemente podem justificar dor. A clínica se caracteriza por dor na região anterior do joelho – exacerbada ao permanecer prolongadamente com o mesmo flexionado (sinal do cinema) e para subir e descer escadas. A dor pode ser aliviada com a mudança de posição ou interrupção da atividade. Em fases iniciais a presença de derrame articular é incomum. No exame físico, deve-se pesquisar as alterações do alinhamento mecânico, hipotrofia muscular, sinais clínicos de instabilidade e o movimento (tracking) patelar. É frequente a percepção de crepitação retropatelar podendo-se reproduzir a dor pela palpação dos rebordos patelares. O diagnóstico se firma pela exclusão de outras causas de dor anterior (Osgood Schlatter, Sinding Larsen Johansen, tendinites, patela bipartida, tumores, plica medial hipertrófica, fratura por estresse, bursite pré-patelar, distrofia simpática reflexa, iatrogenia por cirurgias prévias, sind. de Hoffa, entre outras) e mediante a complementação propedêutica por meio de exames complementares, principalmente as radiografias. Tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética podem estar indicadas caso a evolução clínica não seja satisfatória. O pilar do tratamento da síndrome dolorosa patelo femoral (condromalácia) é a readequação e o reequilíbrio muscular fundamentados em treino de coordenação da ativação muscular; alongamentos de cadeias encurtadas; exercícios de cadeia cinética fechada progredindo para cadeia cinética aberta – com ênfase no trabalho excêntrico de quadríceps; mobilização patelar e propriocepção. O tratamento não cirúrgico deve ser perseguido insistentemente. Associam-se medicações sintomáticas e modificação das atividades. A cirurgia é excepcional e somente se justifica quando houver alteração anatômica ou biomecânica que justifique a refratrariedade ao tratamento conservador. Uma vez elegido, o tratamento cirúrgico deve ser direcionado ao tratamento da causa da lesão cartilaginosa e não apenas à abordagem direta da lesão. Entre eles estão os procedimentos de realinhamento do aparelho extensor em sua diversidade e osteotomias. Para a abordagem da lesão condral, propriamente dita, várias técnicas são estudadas, mas nenhuma ainda se configura como padrão ouro de tratamento: abrasão artroscópico; drilling; microfraturas; mosaicoplastia (enxerto osteocondral autólogo); transplante autólogo de condrócitos; e, mais recentemente, considerações sobre a utilização de plasma rico em plaquetas e fatores de crescimento, ainda em fase de estudos.

Dr. Giovanni César Xavier Grossi Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho g.grossi@ibest.com.br

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Artigo SBOT-ES


A evolução dos oxicams LA

O

T EN

M

A NÇ

1,4

A DOR NÃO PODE ESPERAR Potente analgésico e anti-inflamatório com inibição balanceada entre Cox-1 e Cox-2 1-3

Xefo® possui meia vida curta 3 a 4 horas Alta afinidade com o tecido inflamado

1-6

6,7

Posologia cômoda: 1 comprimido a cada 12 horas

2,5

Indicações: lombalgia, osteoartrite, artrite reumatoide, pós-operatório, dores aguda e crônica

2,5

Xefo®- lornoxicam – Apresentações - Comprimidos revestidos de 8 mg. Via Oral. Uso Adulto Acima De 18 Anos. Composição: Xefo® 8 mg Cada comprimido revestido contém lornoxicam 8 mg. Excipientes: estearato de magnésio, povidona, croscarmelose sódica, álcool isopropílico, celulose microcristalina, lactose monoidratada, macrogol, dióxido de titânio, talco, hipromelose e água. Indicações: Xefo® é destinado para: tratamento da dor associada com lombo ciatalgia aguda, tratamento da dor pós cirurgia dental, tratamento sintomático da dor e inflamação na osteoartrite, tratamento sintomático da dor e inflamação na artrite reumatóide. Contra-Indicações Hipersensibilidade ao lornoxicam ou a qualquer um de seus componentes; Trombocitopenia; Hipersensibilidade (sintomas como asma, rinite, angioedema ou urticária) a outros medicamentos antiinflamatórios não esteróides, incluindo o ácido acetilsalicílico; Insuficiência cardíaca severa; Hemorragia gastrintestinal, hemorragia cerebrovascular e outras doenças hemorrágicas; História de hemorragia gastrintestinal ou perfuração, referente à terapia anterior com medicamentos antiinflamatórios não esteróides; Úlcera peptídica/ hemorragia ativa ou com história de úlcera peptídica/ hemorragia recorrente (dois ou mais episódios distintos de ulceração ou sangramentos comprovados); Insuficiência hepática grave; Insuficiência renal grave (creatinina sérica > 700 mol/L); o terceiro trimestre de gravidez. Advertências E Precauções: Para as seguintes doenças, Xefo® somente deverá ser administrado após cuidadosa avaliação do risco-benefício. Insuficiência renal. A função renal deve ser monitorada em pacientes submetidos a grandes cirurgias, com insuficiência cardíaca, recebendo tratamento com diuréticos, recebendo tratamento concomitante com medicamentos que são suspeitos ou conhecidamente capazes de causar danos ao rim. Pacientes com doença de coagulação do sangue. Insuficiência hepática Pacientes idosos com mais de 65 anos: é recomendado o monitoramento das funções renais e hepáticas. É aconselhado precaução em pacientes idosos após cirurgia. O uso de lornoxicam concomitante com medicamentos antiinflamatórios não esteróides, incluindo inibidores seletivos da 2-cicloxigenase, deve ser evitado. Hemorragia gastrintestinal, ulceração e perfuração. Pacientes com história de toxicidade gastrintestinal, particularmente quando idosos, devem reportar qualquer sintoma abdominal não usual (especialmente sangramento gastrintestinal) particularmente no estágio inicial do tratamento. AINEs devem ser dados com cuidado em pacientes com história de doenças gastrintestinais (colite ulcerativa, doença de Crohn) porque suas condições podem ser exacerbadas (ver efeitos adversos). É necessária precaução em pacientes com história de hipertensão e / ou insuficiência cardíaca, porque retenção de líquidos e edema foram relatados em associação com a terapia de AINE. Gravidez Categoria de risco na gravidez: C. Lactação: AINEs devem, se possível, ser evitado durante a amamentação. Posologia E Modo De Usar: Para todos os pacientes um sistema de dosagem apropriada deve ser baseada na resposta individual ao tratamento. O Xefo 8 mg comprimido revestido oral deve ser ingerido com um copo de água, e tomado preferencialmente durante ou após as refeições. Tratamento da dor associada com lombo ciatalgia aguda e dor pós cirurgia dental: 8 mg a 16 mg por dia dividido em 2 ou 3 doses. A dose diária máxima recomendada é 16 mg. Artrite reumatóide e osteoartrite: A dose inicial recomendada é de 12 mg de lornoxicam por dia, dividido em 3 doses. A dose de manutenção não deve exceder 16 mg ao dia. Informação adicional para grupos especiais: Crianças e adolescentes Não é recomendado o uso de lornoxicam em crianças e adolescentes abaixo de 18 anos devido à falta de dados de segurança e eficácia. Idosos: Não é necessária uma dose especial para pacientes idosos acima de 65 anos. Insuficiência renal: Para pacientes com leve a moderada insuficiência renal a máxima dose diária recomendada é 12 mg, dividido em 3 vezes. Insuficiência hepática: Para pacientes com moderada insuficiência hepática a máxima dose diária recomendada é 12 mg, dividido em 3 doses. Reações Adversas: Os eventos adversos mais frequentemente observados de AINEs são de natureza gastrintestinal. Úlceras pépticas, perfuração ou hemorragia gastrointestinal, por vezes fatais, particularmente nos idosos, podem ocorrer. Náuseas, vômitos, diarréia, flatulência, obstipação, dispepsia, dor abdominal, melena, hematêmese, estomatite ulcerativa, exacerbação da colite e doença de Crohn foram relatados após a administração de AINEs. Menos freqüentemente, a gastrite tem sido observada. Pancreatite foi relatada muito raramente. Aproximadamente 21% dos pacientes tratados com lornoxicam reportaram eventos adversos avaliados como, pelo menos, possivelmente relacionados com o tratamento com lornoxicam em estudos clínicos controlados. Os efeitos adversos mais frequentes do lornoxicam incluem náuseas, dispepsia, indigestão, dor abdominal, vômito e diarréia. Estes sintomas ocorreram geralmente em menos de 10% dos pacientes em estudos disponíveis. Reações de hipersensibilidade foram relatadas após o tratamento com AINEs. Estes podem consistir em (a) reações alérgicas não-específicas e anafilaxia (b) reatividade das vias respiratórias incluindo asma, agravamento da asma, broncoespasmo e dispnéia, ou (c), variadas doenças de pele, incluindo erupções cutâneas de vários tipos, prurido, urticária, púrpura, angiodema e, mais raramente, dermatoses e bolhas (incluindo necrólise epidérmica e eritema multiforme). Edema, hipertensão e insuficiência cardíaca, têm sido relatados em associação ao tratamento com AINE. Registro MS – 1.0974.0216.MAIO 2010

Contraindicação: Hipersensibilidade ao lornoxicam ou a qualquer um de seus componentes; Interações Medicamentosas: Administração concomitante de Xefo e outros analgésicos incluindo os inibidores seletivos 2 cicloxigenase: evitar o uso concomitante de 2 ou mais anti-inflamatórios não esteroidais (incluindo a aspirina) porque isto pode aumentar o risco de efeitos adversos.

Referências Bibliográficas: 1 – Radhofer-Welte S, Lornoxicam, a new potent NSAID with and improved tolerability profile. Drugs of today 2000, 36(1):55-76. 2 – Balfour JÁ, et al. Lornoxicam: a review of its phamacology and therapeutic potential in the management of painful and inflammatory conditions. Drugs 1996; 51(4):639-57. 3 – Berg J, et al. The analgesic NSAID lornoxicam inhibits cyclooxygenase (COX)-1/2, inducible nitric oxide synthase (iNOS), and the formation of interleukin (IL)-6 in vitro. Inflamm res. 1999;48:369-79. 4 – Cooper SA, et al. Lornoxicam: Analgesic Efficacy and Safety of a New Oxicam Derivative. Advances in Therapy. 1996;13(1): 67-77. 5 – Bula do produto. 6 – Monografia do produto. 7 – Bröll,Hans, et al. Lornoxicam: expert statement. CliniCum, November 2004 (Special edition).

Informações adicionais disponíveis à classe médica mediante solicitação.

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Revista 12 - SBOT-ES - mai-jul  

Edição número 12 da revista da SBOT-ES

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