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Prevenção com vacinas Imunização para gestantes e contra as doenças meningocócica, pneumocócica e varicela ganham novas orientações de especialistas

Adriano Justino ::: No mês de agosto, diversos especialistas se reuniram em Curitiba para o evento Controvérsias em Imunizações, promovido pela Associação Brasileira de Imunizações (SBIm), em que discutiram os tabus em relação à imunização de gestantes, o número de doses necessárias para garantir a prevenção contra a catapora e os esquemas ideais de vacinação para prevenir a doença meningocócica em crianças e adolescentes e a doença pneumocócica em adultos. Confira algumas das conclusões a que chegaram:

Gestantes devem se vacinar além da gripe Muitos dos tabus sobre a vacinação de gestantes caíram após a pandemia de gripe anos atrás, segundo Heloísa Ihle Garcia Giamberardino, representante da SBIm regional Paraná. Naquela época, os médicos passaram a recomendar com mais segurança a vacina da influenza e outras além da antitetânica. “Muitas vacinas são seguras e devem ser recomendadas de rotina”, diz. Ela assinala que no período gestacional a mulher fica mais receptiva para cuidar da sua saúde, não se automedica, deixa de fumar, por isso o momento é apropriado para derrubar alguns mitos sobre vacinas e imunizá-las contra diversas doenças importantes. Há várias vacinas de rotina como a de tétano, da gripe influenza, da hepatite B, que podem ser tomadas a qualquer momento. A tríplice bacteriana para adultos (dTpa – difteria, tétano e coqueluche) é indicada caso ela não tenha tomado ainda,a partir da 20ª semana de gestação. “Mesmo vacinadas, os anticorpos no organismo caem com o passar do tempo, por este motivo os reforços podem ser necessários periodica­mente”, diz ela, que alerta para a vacina­ção contra a coqueluche, que teve a recomendação de reforço formalizada. É importante que a mulher receba na gestação, assim a mãe transfere os anticorpos de forma transplacentária. “No caso da coqueluche, como o recémnascido irá receber a vacina contra a doença somente aos dois meses de vida, ele fica desprotegido durante este perío­do”, diz ela, afirmando que a coqueluche preocupa desde 2010 pelo aumento nos casos em todo o país. A vacina da influenza para proteção da gestante também transfere anticorpos para o recém-nascido, que só poderá ser vacinado aos seis meses de vida. A de hepatite B está no calendário vacinal, na rede pública e privada, o ideal é que ela tenha recebido, mas se não tiver, pode recebê-la durante a gestação. Na pós-gestação, a mãe deve tomar as outras vacinas, como a contra HPV e meningite, a da pneumonia e imunizar-se contra varicela e sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral), caso não as tenha tomado.

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Viver Bem saúde & bem-estar outubro de 2013

Contra a varicela, o melhor é a dose dupla A controvérsia sobre a imunização contra a varicela (ou catapora) paira sobre a necessidade de uma ou duas doses. “Uma dose apenas previne eficazmente mortes e hospitalizações pela doença, mas os surtos acontecem e as crianças continuam adoecendo em escolas, mesmo que da forma mais leve da varicela”, afirma Isabella Ballalai, presidente da SBIm regional Rio de Janeiro. A conclusão é que a imunização completa só pode ser feita com duas doses, o que está longe de acontecer na rede pública brasileira. “Desde setembro o goveno oferece uma dose contra a varicela aos 15 meses, inclusa na quádrupla viral SCRV – que engloba sarampo, caxumba, rubéola e varicela. Quem não quiser que seu filho corra o risco de adoecer com a forma mais leve da doença, deve ministrar mais uma dose, mas aí na rede particular, aos 12 meses”, diz ela.

Idosos ganham reforço contra a doença pneumocócica com imunização pediátrica A discussão sobre a melhor forma de imunizar os idosos contra a doença pneumocócica levou a um consenso de que o melhor seria a combinação da vacina utilizada no público pediátrico (conjugada 13 valente) e depois seguir o esquema com a vacina disponibilizada no mercado (pneumocócica 23 valente) – porém gratuitamente apenas para idosos em risco, como os institucionalizados e portadores de doenças crônicas. “Não tínhamos uma vacina boa para o público idoso em relação à duração de proteção e eficácia das imunizações, expectativa trazida pelo licenciamento a adultos acima de 50 anos desta vacina direcionada até então para crianças até seis anos de idade”, diz Renato Kfouri, presidente da SBIm Nacional.

Maior espectro contra a doença meningocócica em crianças e adolescentes Lançada este ano a nova vacina contra a meningite meningocócica, que abrange quatro dos seis tipos existentes (A, C, W e Y), é a mais ampla forma de imunização contra a doença. “Apesar de predominar a vacina contra a meningite tipo C, que resolve 60% dos casos de doença encontrados, existe a imunização que une quatro tipos e que deveria ser inserida no calendário de vacinação, principalmente porque virou rotina as pessoas viajarem para diversos países, aumentando o risco de contaminação”, diz Renato Kfouri. Na rede pública, apenas a vacina contra a tipo C está disponível gratuitamente.

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