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Revista do Hospital

São Vicente de Paulo Ano 1 • Número 1 • Dez/2010

Atendimento humanizado: Secretário Municipal de Saúde diz que o HSVP é modelo pag. 05

RESPONSABILIDADE AMBIENTAL:

Crescimento à vista: Irmã Marinete Tibério é a liderança da nova fase do HSVP.

Hospital implanta Telhado Verde. Projeto é pioneiro no RJ pag. 08

Murilo Rosa: Atividade física para encarar a rotina de gravações pag. 06

Informativo bimestral do Hospital São Vicente de Paulo


Tempo de Mudança A primeira edição de uma revista é sempre importante. Mas esta, em particular, é especial. Afinal, está sendo lançada junto com as comemorações do aniversário do Hospital São Vicente de Paulo. Hoje, 30 anos depois da fundação, o HSVP continua construindo sua história, melhorando processos internos, buscando sempre excelência e qualidade. Nos dois últimos anos, passamos por grandes transformações, como: cultura de medir resultados, implantação da governança corporativa, aumento da eficiência operacional, transparência e prestação de contas, além da disseminação do senso de urgência e compartilhamento das decisões. Todo esse processo tem sido enriquecedor e está recebendo o apoio de nossos médicos, conhecedores da tecnologia avançada e dos melhores procedimentos; de todos os colaboradores do HSVP e, principalmente, do trabalho incansável das irmãs, que ocupam com competência os cargos de diretoras setoriais do hospital. Em equipe, todos nos comprometemos com os valores, as diretrizes, as estratégias da organização e também com os resultados a serem alcançados. O Hospital São Vicente de Paulo é um hospital geral, de alta complexidade, com mais de 60 especialidades. Possuímos uma estrutura moderna, parque tecnológico de última geração e colaboradores capacitados. Entretanto, equipamentos e espaços físicos adequados não constroem sozinhos a qualidade de uma organização, mas, sim, as pessoas que nela atuam, aplicando a ciência e a tecnologia no atendimento humanizado ao doente, que deve ser respeitado em seu momento de dor. O tratamento qualificado exige combinar técnicas profissionais e atenção ao ser humano. Quando procuramos entender a trajetória do atual HSVP, fundado no dia 6 de novembro de 1980 pela Irmã Mathilde - e que, após tantos desafios, chega à terceira década em franco crescimento -, encontramos uma explicação única: respeito ao ser humano e à qualidade das relações entre a instituição e a sociedade. Este é o século da sustentabilidade e, nesta edição da Revista do Hospital São Vicente de Paulo, você vai conhecer o nosso mais recente trabalho de implementação dos telhados verdes. Além das matérias com dicas de saúde e qualidade de vida, você poderá conferir artigos médicos, entrevistas com especialistas e com autoridades em Saúde Pública e muitas outras notícias que apresentam uma pequena parte do trabalho realizado por nossa instituição. Um brinde a todos e boa leitura! Irmã Marinete Tibério - Diretora Executiva


EDITORIAL EXPEDIENTE

SUMÁRIO Notas

Hans Dohmann - Saúde pública e privada cada vez mais próximas

Mexa-se e viva melhor!

Telhado Verde Saúde sustentável

Pastoral da Saúde O remédio da fé

HSVP, 30 anos Maturidade promissora

Segurança do paciente em alta

Dr. Henrique Murad Haja coração!

Controle e prevenção de infecção no Centro de Tratamento Intensivo

Chega ao Rio nova tecnologia para tratamento de arritmias cardíacas

Aconteceu

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Hospital São Vicente de Paulo Rua Dr. Satamini, 333 – Tijuca – RJ Tel.: 2563-2121

FUNDADO, EM

1930, pelas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo

Diretoria Médica

Eliane Castelo Branco (CRM: 52 28752-5)

Conselho Administrativo

Irmãs Ercília Bendine (Qualidade), Custódia Gomes de Queiroz (Enfermagem), Maria das Dores da Silva (Serviços e Estrutura) e a médica Eliane Castelo Branco.

Conselho Editorial

Irmã Custódia Gomes de Queiroz - Diretora de Enfermagem Irmã Ercília de Jesus Bendine - Diretora da Qualidade Irmã Josefa Lima - Coordenadora da Pastoral da Saúde Irmã Marinete Tibério - CEO do HSVP Alexandre Essinger - Gerente Executivo, Administrativo e Financeiro Martha Lima - Gerente da Qualidade Olga Oliveira - Gerente de Suprimentos Sandro Eloi - Gerente do Capital Humano

PROJETO EDITORIAL e REDAÇÃO

SB Comunicação – tel.: 3798-4357 Edição: Simone Beja TEXTOS: Flávio Dilascio DIAGRAMAÇÃO: Sumaya Cavalcanti APOIO: Cláudia Bluvol


Tecnologia de ponta no diagnóstico por imagem Implantado há quase dois anos no HSVP, o sistema PACS Philips é até hoje a tecnologia mais moderna para a leitura de exames de imagem e um diferencial disponível em poucos hospitais cariocas. Médicos e outros profissionais têm, por meio do computador, acesso rápido ao resultado dos mais variados tipos de exame feitos no hospital, representando grande economia de tempo, racionalização de custos e maior interação. A tecnologia também proporciona mais segurança para o paciente, já que a imagem armazenada em computador é mais precisa e controlada do que a impressa.

Campanha publicitária Desde o início de novembro, outdoors, empenas, taxidoors e busdoors do HSVP ganharam as ruas do Rio de Janeiro. Foi a primeira campanha publicitária feita nos 30 anos de história do hospital. Com o objetivo de ampliar a divulgação da marca e dos serviços prestados pela instituição, as peças, criadas pela SB Comunicação, ressaltam os valores humanistas do HSVP, por meio do slogan “Vocação para Cuidar”. Além das peças de mídia exterior, o hospital está patrocinando os programas Bem-Estar (Rádio SulAmérica Paradiso) e Saúde em Foco (Rádio CBN), ambos com conteúdo voltado para o bem-estar e a promoção da saúde. A primeira fase da campanha vai até abril de 2011.

Mantendo a excelência Em 2008, o HSVP foi acreditado pela Joint Commission International, o mais importante órgão certificador de padrões de qualidade das organizações de saúde no mundo. A assessoria desse processo de acreditação é feita pelo CBA - Consórcio Brasileiro de Acreditação. Entre os dias 25 e 29 de outubro, aconteceu a segunda visita de manutenção da qualidade, realizada pelos avaliadores CBA. Os processos que alcançaram melhor performance foram: a estrutura do hospital, a acolhida dos profissionais da casa, a liderança da organização e a transparência nas relações entre setores, até mesmo em situações de problema. “A conclusão da visita foi que o hospital está com um sistema de gestão de qualidade e segurança do paciente com alto nível de maturidade, demandando um alto nível de cobrança e exigência pelos órgãos certificadores, tendo que se superar e buscar cada vez mais a melhoria contínua”, afirmou a gerente de qualidade do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), Martha Lima.

Cantata de Natal Desde o ano passado, sempre no mês de dezembro, a Pastoral da Saúde e o Coral do HSVP realizam a Cantata de Natal. Os participantes dessas duas importantes frentes de colaboração social percorrem todos os setores do hospital cantando músicas natalinas, com o intuito de passar uma mensagem de fé e motivação aos pacientes. “Eles costumam ficar emocionados com o evento. Alguns pacientes, que têm autorização, participam, acompanhando toda a celebração”, diz a secretária da Pastoral da Saúde, Celeste Barcelos.

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Saúdes pública e privada cada vez mais próximas

Por Flávio Dilascio

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x-diretor geral do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), Hans Fernando Rocha Dohmann, 45 anos, assumiu a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio em janeiro de 2009. Cardiologista de carreira, destaca ter promovido a expansão do programa Saúde da Família, aumentado a cobertura de 3,5% para 16%. Convidado de honra da cerimônia dos 30 anos do HSVP, concedeu entrevista para a Revista do HSVP, quando frisou que os hospitais privados desempenham papel fundamental na prestação de serviços à população, ocupando cada vez mais espaço com o avanço da gestão compartilhada. Atualmente, o HSVP recebe pacientes encaminhados pelo SUS para a realização de hemodiálise e, em breve, concluirá importante parceria para transplantes de rim, fígado, córnea e medula óssea. Revista do HSVP: Quais os principais desafios nesses dois primeiros anos à frente da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil? Hans Dohmann: Certamente a reestruturação da administração da Secretaria. Era um órgão com processos críticos fragmentados, pouco estruturados. Tivemos que mexer nisso tudo para otimizar a gestão. Através disso, chegamos ao segundo grande desafio, que foi resgatar o valor dos profissionais de saúde dentro da Prefeitura.

acesso ao programa de saúde da família. Hoje, ultrapassamos os 15% e pretendemos deixar mais de 35% da população coberta. Paralelo a isso, conseguimos compor um sistema de pronto atendimento na cidade, onde, em que, até o fim do mandato, todo cidadão terá uma unidade de pronto atendimento perto de sua casa. A partir daí, estaremos integrando todo o sistema hospitalar. Revista do HSVP: Qual é a importância do setor privado para a saúde pública? HD: O setor privado desempenha, há muitos anos, um papel fundamental na prestação de serviços de saúde à população. Com o avanço da gestão compartilhada, a iniciativa privada vem ocupando cada vez mais espaço dentro do sistema público de saúde. É assim em todo o Brasil e não é diferente no Rio de Janeiro. Revista do HSVP: Como o Hospital São Vicente de Paulo se encaixa nesse contexto de aproximação? HD: Classifico o HSVP como uma referência em qualidade hospitalar na cidade do Rio de Janeiro, em todas as dimensões. No processo de gestão, nos seus resultados clínicos, na tecnologia embarcada e no tratamento humano aos pacientes. Por isso, pretendemos estreitar cada vez mais esse relacionamento, incentivando o hospital a atuar mais diretamente na saúde pública da cidade.

Revista do HSVP: E quais as conquistas?

Revista do HSVP: O modelo de tratamento humanizado do HSVP poderia aplicar-se também na saúde pública?

HD: A principal conquista, sem dúvida, foi a estruturação de uma atenção primária para a cidade do Rio de Janeiro. Quando assumimos, só 3,5% da população tinham

HD: A humanização em saúde é fundamental. Dentro desse contexto, o HSVP é um modelo. As pastorais da saúde, por exemplo, seriam muito positivas nas unidades públicas e contribuiriam na recuperação dos pacientes. Sem dúvida, essa forma de cuidar de pessoas com amor, carinho e dedicação deve estar na essência de todos os prestadores de serviço, seja na esfera pública ou privada.

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Mexa-se e viva melhor! P

rotagonista da novela Araguaia, da Rede Globo, o ator Murilo Rosa tem uma vida atribulada. Casado com a modelo Fernanda Tavares, ele - que também atua no filme Como Esquecer, em cartaz nos cinemas - grava oito horas por dia de segunda a sexta, e eventualmente aos sábados, levando uma rotina que, para muitos, seria uma boa justificativa para descuidar da saúde. Ledo engano. Mostrando preocupação com o bem estar e a boa forma, o ator tem sempre um espaço na agenda para a prática de atividades físicas, mesmo que seja durante alguns minutos do dia. “Tento me exercitar, pelo menos, três vezes por semana, independentemente do tipo de atividade física”, diz. “Mesmo com a correria do dia a dia, me cuido bem. Além de fazer exercícios físicos, controlo a alimentação e procuro dormir o máximo que posso”, completa. Com 74 kg e 1,80 m, o ator de 40 anos alterna musculação na academia, corridas na praia e natação. Murilo também está atento à saúde preventiva. Para isso, costuma fazer check-ups regulares e não dispensa a consulta médica quando necessário. “Até em função do meu trabalho, preciso estar com a saúde em dia. Por isso, evito sempre a automedicação, vou ao médico quando tenho qualquer sintoma e faço todos os exames recomendados”, afirma. A rotina de Murilo deveria ser exemplo para muitos brasileiros. Segundo dados do Ministério da Saúde, 16,4% da população não pratica nenhum tipo de atividade física. Os sedentários – como são chamadas essas pessoas – estão mais suscetíveis a doenças como obesidade, diabetes, aumento do colesterol ruim (LDL), depósito de gordura nas artérias, hipertensão arterial e infarto do miocárdio. Por ser uma tendência crescente no mundo, o sedentarismo é chamado de ‘doença do século’.

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Saindo do sedentarismo Pesquisa realizada por alunos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que o gasto calórico semanal define se o indivíduo é sedentário ou ativo. Para deixar o sedentarismo, o indivíduo precisa gastar, no mínimo, 2.200 calorias por semana em atividades físicas, que não precisam ser necessariamente atividades esportivas. Subir escadas, dançar e até mesmo fazer uma faxina em casa já trazem benefícios para o corpo, por “queimar” calorias. A cardiologista Lúcia Lion, responsável pelas avaliações cardiológicas e testes ergométricos do Hospital São Vicente de Paulo, garante que mesmo 10 minutos por dia de exercício já produzem efeitos benéficos. Para ela, caminhadas ou corridas leves são as atividades mais indicadas para quem está começando, pois o exercício aeróbico é o que traz mais benefícios para a saúde. “A duração da atividade e o melhor horário para sua realização dependem do biorritmo e da disponibilidade de cada pessoa. O que não pode acontecer é o sedentarismo”, reforça. Sobre os cuidados com as atividades físicas, a médica adverte que pessoas acima dos 40 anos devem realizar os exames indicados antes de começar a praticar exercícios ou esportes. “O mesmo vale para hipertensos e obesos, que exigem cuidados especiais”, diz Lúcia. Fisioterapeuta do HSVP, Gildenê Pereira Junior acrescenta ainda que, antes de começar a praticar a atividade, o ideal é também ser avaliado por um profissional especializado em exercício físico, como um educador físico ou um fisioterapeuta. “Ele vai orientar sobre todos os detalhes de cada exercício, de forma individualizada”, diz ele, que cita caminhadas e pedaladas leves como

as atividades ideais para quem dispõe de pouco tempo livre. Para quem procura um resultado mais estético e não dispõe de muito tempo, o fisioterapeuta recomenda o Pilates. Criado nos anos 20 na Alemanha, o método utiliza o peso do próprio corpo para a execução dos exercícios, que são criados em razão da anatomia humana. “O Pilates, além de proporcionar resultados estéticos, é capaz de melhorar a força muscular, a postura, a respiração e previne lesões”, afirma Gildenê. Profissionais com longas jornadas de trabalho e dia a dia estressado podem encontrar na hidroginástica um santo remédio. “Exercícios na água são muito relaxantes, reduzem o cansaço crônico e revigoram o pique. Por isso, o mais indicado é que sejam praticados logo no início do dia”, ensina a cardiologista Lúcia Lion.

Os perigos do excesso Embora as atividades físicas sejam importantes para a saúde, a cardiologista alerta que esportes de alto impacto podem ser perigosos tanto para os músculos quanto para a condição cardiorrespiratória, quando praticados sem regularidade. “Somente o ritmo regular dá condicionamento físico e reduz riscos de lesões. Jogar futebol uma vez por semana e não praticar nenhum outro exercício, por exemplo, é um ato bastante arriscado”, afirma ela, que também condena o excesso nos treinos, mesmo quando praticados diariamente.

10 razões para praticar atividades físicas: Ajuda a prevenir vários tipos de doença orgânica (hipertensão, diabetes e outras); Dá mais disposição física para as atividades do dia a dia; Melhora a força muscular e o condicionamento físico; Ajuda a controlar o peso corporal; Ajuda a regular o sono; Acelera a recuperação dos esforços rotineiros; Diminui em 54% a probabilidade de morrer de problemas cardíacos; Aumenta a imunidade; Ajuda a manter ossos, músculos e articulações saudáveis; Ajuda a diminuir a depressão, pois produz hormônios como a endorfina; Promove o bem-estar psicológico.

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Telhado Verde Saúde sustentável

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m plena era do aquecimento global, na qual se fala cada vez mais em sustentabilidade, os telhados verdes vêm ganhando notoriedade no mundo. Surgidos na Alemanha e desenvolvidos no restante da Europa a partir dos anos 60, as estruturas vegetais plantadas no topo de prédios e casas proporcionam um resfriamento do ambiente abaixo e uma consequente economia de energia, ainda mais em se tratando de verão, época em que os gastos com resfriamento de ambientes se elevam. No Brasil, entretanto, o uso dos telhados verdes ainda é embrionário. No Rio, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) foi o pioneiro, quando construiu, há dois anos, um jardim no teto do prédio do abrigo de resíduos do hospital. Os bons resultados fizeram com que a administração do HSVP decidisse expandilo para três outros telhados. Os espaços já estão devidamente preparados, aguardando a chegada das mudas de plantas, o que contribuirá para que a empresa busque sua certificação ambiental no ano que vem. “Além da estética, há a questão da economia, pois avaliamos uma diminuição média de aproximadamente seis graus em relação à temperatura externa”, diz o coordenador de risco do HSVP, Robson Luiz Maciel. As ações sustentáveis do HSVP não param por aí. Há três anos, a instituição vem desenvolvendo um programa de captação, armazenagem e

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aproveitamento da água da chuva. A técnica permite que o recurso natural seja utilizado em toda a área de jardinagem e na lavagem diária da área externa, representando uma economia de cerca de mil litros por dia. “Para pôr a ideia em prática, um reservatório com capacidade de 20 mil litros de água foi construído na área do estacionamento, proporcionando uma autonomia de até 20 dias sem utilizar a rede da Cedae nos períodos de estiagem”, explica Robson. Segundo a administração do hospital, a captação representa uma economia média de 25% de água por mês. Além de economia e reaproveitamento de recursos, a preservação foi outra preocupação durante a ampliação das instalações do hospital. Na construção do novo prédio e na instalação da lanchonete, duas paineiras, espécies típicas da Mata Atlântica, e uma amendoeira foram poupadas de ser derrubadas. O projeto de expansão levou em conta a integração das árvores aos prédios com a construção de redomas, proporcionando beleza e temperatura ambiente mais agradável. As novas estruturas do hospital também contam com o máximo de aproveitamento da luz solar, através da utilização de vidros em grande parte das paredes. A ação representa uma economia mensal de energia elétrica de 30%, podendo ser aumentada com a chegada do horário de verão.


O remédio da fé A importância da religiosidade na cura física

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À frente desse trabalho desde 1999, a Irmã Jopossível curar-se pela fé ou ter uma melhora de seu quadro clínico com o poder da ora- sefa Dias Lima, pertencente à Instituição das Filhas ção? A pergunta ainda está longe de ser res- da Caridade de São Vicente de Paulo, diz-se feliz pondida com precisão, mas estudo realizado pelo em evangelizar e trazer conforto às pessoas diariaautor do livro Deus, Fé e Saúde, o epidemiologista mente. “Todos os pacientes são visitados. Uns nos e pesquisador americano Jeff Levin, do Natural Ins- acolhem, outros não. É aí que entra a experiêntitute for Healthcare Research, sugere que sim. Em cia do nosso voluntário. Ao receber uma recusa, 20 anos de pesquisa, ele chegou à conclusão de por motivos religiosos, ele deve se oferecer para que a religião é um instrumento efetivo para ajudar apenas conversar, prestando apoio emocional ao paciente”, completa. a curar pessoas e que os efeitos Capelão da pastoral das orações podem ser identifi“A Pastoral ajuda a da saúde do Hospital São cados e medidos, mesmo sem recuperação, pois, Vicente de Paulo, o padre terem uma ação direta sobre os cuidados médicos do paciente. quando uma pessoa está Francisco Valdemiro Alves A tradição humanista do internada, ela entra em já viveu numerosas histórias Hospital São Vicente de Paulo momento de reflexão”, marcadas pelo poder da fé Vanderlei Timbó - psicólogo na recuperação de doentes. (HSVP) parece reforçar a pesqui“Um caso marcante, para sa do médico norte-americano, já que a pastoral da saúde da instituição busca mim, foi o de uma paciente que estava em estado promover um estado de motivação que favorece a grave no CTI e que a família me pediu pra levar recuperação do paciente. Diariamente, os agentes a Santa Unção a ela. Poucos dias depois, ela se e ministros da Eucaristia, que vêm voluntariamente recuperou e teve alta. Os médicos ficaram imao hospital, visitam quartos e leitos dos três anda- pressionados. Ela ficou tão grata que me pediu, res da internação, levando acolhimento e palavras tempos depois, para celebrar o seu casamento no de motivação aos pacientes, através de orações, santuário de São Camilo.” A pastoral da saúde do HSVP conta com 28 realizações de sacramentos ou simples conversas. O grupo também faz procissões com cânticos e voluntários, uma secretária e um assistente admiencenações teatrais motivacionais, realizados nistrativo, além do padre-capelão. A adesão ao eventualmente. Psicólogo do HSVP, Vanderlei Tim- voluntariado é aberta a qualquer pessoa interessabó acredita que esse tipo de trabalho pode ajudar da em participar. A única exigência é que o interesa recuperação do paciente. “Quando uma pessoa sado seja católico. está internada, ela aproveita para refletir sobre sua vida. A pastoral ajuda muito nesse processo, dando uma injeção de ânimo. O paciente não tem apenas dor física, mas também espiritual”, define.

O paciente Antônio C. Ramos recebe a visita da voluntária Margarida Maria González. “Sinto necessidade desta visita. A Pastoral me traz um conforto enorme”, diz ele.

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Maturidade promissora HSVP chega aos 30 anos mesclando experiência e modernidade Por Simone Beja

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omportamento sereno e atitudes firmes. Quem olha a simplicidade desta capixaba de 52 anos não imagina o grande desafio que está em suas mãos. Advogada, egressa da Associação São Vicente de Paulo – entidade mantenedora do hospital –, Irmã Marinete Tibério é a CEO que tem a missão de conduzir o Hospital São Vicente de Paulo a um lugar de destaque no turbulento mercado de saúde carioca. “Trinta anos depois da fundação, o HSVP vive um momento de reconstrução. Sem abrir mão de nosso foco religioso e filantrópico, adotamos uma nova postura, mais profissional e voltada para atender às demandas de saúde privada da população do Rio de Janeiro”, explica. Para levar adiante essa meta empresarial, a CEO não está sozinha. Desde que assumiu o cargo, em abril de 2009, conta com o apoio do Conselho Administrativo e da consultoria Deloitte. “Iniciamos há dois anos um intenso trabalho que foi dividido em três pilares: renovação da governança, reestruturação financeira e redesenho da nossa vocação médica. Os dois primeiros focos já foram

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alcançados com sucesso e, em 2011, colocaremos em prática o Plano Diretor de Marketing, com projetos que incluem importantes ações, como o lançamento de institutos e centros de atendimento médico ultraespecializados”, prevê.

Reconhecimento Em menos de dois anos, o trabalho dessa equipe de gestão já se fez conhecer. Pelo segundo ano consecutivo, o HSVP está entre os 20 melhores hospitais da América Latina, de acordo com ranking publicado pela revista AmericaEconomia, do mês de setembro. O hospital foi também a única instituição carioca a figurar no ranking da revista Exame - Pequenas e Médias Empresas, entre as que mais cresceram nos últimos dois anos e que estão aptas a aproveitar as oportunidades do novo ciclo de expansão do país. À frente da direção médica do HSVP desde 1994, Eliane Castelo Branco - que comanda um corpo clínico de 360 médicos, atuantes em 64 especialidades – considera positivo o atual momento


O incansável trabalho de todas as irmãs que dirigem o hospital tem sido um dos grandes diferenciais da transformação do HSVP

vivido pelo hospital, com o surgimento de novas especialidades, como cirurgia bariátrica, eletroneuromiografia e cirurgia de fígado. A diretora médica também destaca a padronização da qualidade no HSVP, obtida graças ao processo de acreditação hospitalar, que rendeu ao hospital, em 2008, o selo de excelência da Joint Commission International (JCI). “As ações exigidas nesse sistema acabam por garantir mais segurança ao paciente e maior organização à instituição”, afirma. Chefe da Cirurgia Geral do HSVP, Alemar Salomão aponta que o hospital evoluiu muito também em segmentos de alta complexidade, como endoscopia, radiologia, cuidados intensivos e, principalmente, a partir da chegada da videolaparoscopia. “Isso tudo nos colocou em um patamar de qualificação comparável aos melhores hospitais internacionais”, diz ele.

Sem perder a ternura À primeira vista, o HSVP exibe a mesma rotina dos grandes hospitais gerais do país: equipe médica de alto gabarito, instalações confortáveis e equipamentos de última geração – 90% do parque tecnológico é da Philips. Entretanto, basta passar algumas horas dentro de um de seus prédios para ver sua vocação humanística e religiosa brotar em pequenos e grandes gestos. Os funcionários cumprimentam e distribuem sorrisos para todos, conhecidos ou desconhecidos; em várias horas do dia, é possível recolher-se à aconchegante capela e acompanhar

as missas; a Pastoral da Saúde percorre, incansável, as recepções, os corredores e os quartos, levando palavras de conforto a quem precisa. Esse parece ser um dos maiores legados deixados pela Irmã Analia Jabur Salomão. Conhecida e admirada por todos como Irmã Mathilde, foi fundadora e gestora do hospital por 28 anos. Afastou-se do cargo pelo envelhecimento físico, mas seu exemplo de solidariedade e força permaneceu como marca da instituição. “Irmã Mathilde foi incansável. O hospital só chegou até aqui por sua coragem, fé, persistência e criatividade”, diz a presidente da Associação São Vicente de Paulo, Irmã Jeny Borges da Silva, que aproveita para reforçar seu otimismo em relação à atual gestora. “Irmã Marinete vem compreendendo cada vez mais profundamente o HSVP e tem todas as condições de projetá-lo no mercado pelo viés da qualidade e da excelência”, afirma. Chefe da clínica médica do HSVP, o médico Leopoldino Guerra faz coro e destaca como grande diferencial do hospital o atendimento humanizado. Colaborador do hospital desde 1971, ele elege um episódio que sintetiza a essência da instituição. “Em 1975, meu filho Bernardo teve uma taquicardia em um sábado à noite e foi trazido às pressas para cá. O hospital ainda não tinha emergência. Quando cheguei aqui, estava me esperando uma verdadeira comitiva dos melhores médicos da casa, incluindo a Irmã Mathilde. Desde aquele momento, percebi o grande valor que o hospital dá ao cuidado com o ser humano”, relata.

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Apoio das equipes Para Irmã Marinete Tibério, um importante diferencial do hospital é seu corpo clínico. São profissionais que aderiram a esse novo modelo empresarial, tornando-se mais do que colaboradores: parceiros da instituição. “Se hoje o HSVP é reconhecido no mercado pela competência técnica e também transparência - principalmente na prestação de contas –, isso se deve à atuação do nosso staff médico”, elogia.

Um case de administração hospitalar Sócio da Indústria de Life Sciences & Health Care, Enrico De Vettori está mais do que acostumado a acompanhar os movimentos do segmento de saúde e seus impactos sobre a gestão das instituições privadas. Desde 2009 assessorando o novo modelo de negócio do HSVP, o executivo vê com entusiasmo o resultado do trabalho realizado pela Deloitte até agora. “O progresso do HSVP neste curto período é um verdadeiro case de negócio e deveria inspirar outras instituições que atualmente buscam caminhos mais rápidos e teoricamente mais fáceis, entregando suas instituições para grupos com fortes planos de aquisição”, diz. De fato, o hospital viveu momentos difíceis, com margens negativas de contribuição, perdas operacionais e falta de estrutura gerencial. O primeiro passo foi a instauração da governabilidade, a partir da saída de Irmã Mathilde. “Ela fez uma excelente obra, que tem sido a base do hospital. Entretanto, a gestão do negócio de saúde hoje é muito diferente do que era há 2, 5, 10 anos. Para implantar qualquer trabalho de recuperação financeira, precisávamos, então, criar um ambiente de governabilidade. Irmã Marinete, que também é uma gestora nata, uma executiva de primeira grandeza, tinha que instituir e efetivar o próprio modelo de liderança”, conta Enrico. Vencida essa etapa da governabilidade e do desenvolvimento do perfil gerencial do HSVP, o segundo passo foi implantar uma operação de recuperação financeira, combatendo prejuízos projetados que chegavam à casa dos R$ 23 milhões, em 2009. Para tanto, a Deloitte, em conjunto com a nova CEO, traçou planos de orientação da aplicação dos recursos financeiros, bem como a avaliação de novos investimentos através de estu-

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dos de viabilidade. “O resultado desse trabalho é que, no final do primeiro semestre de 2010, o HSVP já apresentava tendências de inversão da sua curva financeira e, hoje, encontra-se com equilíbrio nas suas contas”, comemora Enrico. A atual fase do trabalho da Deloitte – e seu time de 15 funcionários instalados no HSVP – contempla, além de outras iniciativas, um profundo estudo da Vocação Médica do HSVP, com vistas a direcionar os investimentos e recursos para as especialidades, modalidades e serviços de maior impacto para o hospital e para o mercado de saúde do Rio de Janeiro. “No HSVP, há governança, decisão, disciplina e recursos. Por isso, esse grande projeto vem ocorrendo sem traumas e também com o comprometimento de clientes, médicos, profissionais, fornecedores, sociedade, governo e órgãos reguladores”, conclui.

O Hospital São Vicente de Paulo em números Com cerca de 45 mil m2, sendo 21.549,32 m2 de área construída, o Hospital São Vicente de Paulo é um hospital geral terciário. Conta com 104 leitos para internação Unidade de Tratamento Intensivo com 10 leitos Unidade Pós-Operatória com 8 leitos Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal e Pediátrico com 10 leitos Centro Cirúrgico com 8 salas de cirurgia, equipadas com tecnologia de ponta Corpo clínico exclusivo, com cerca de 360 médicos, com equipes de todas as especialidades médicas e cirúrgicas Conta com mais de 1.000 colaboradores de todos os níveis e categorias profissionais.


Segurança do Paciente

em alta

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consultoria AmericaEconomia Intelligence divulgou em setembro pesquisa com os 180 maiores hospitais públicos e privados da América Latina, avaliando qualidade e gestão dos serviços médicos prestados, segundo critérios internacionais. Nos itens segurança do paciente e gerenciamento de risco, o HSVP recebeu a segunda melhor nota, figurando entre os 20 melhores hospitais. Para a gerente de qualidade do HSVP, Martha Lima, o bom resultado alcançado se deve à forma como o hospital encara a questão da segurança do paciente: como parte de sua missão institucional. “Hoje posso dizer que temos gerências para qualquer tipo de incidente que venha a acontecer”, afirma. Estudos realizados na Universidade de Harvard (EUA) e publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) evidenciaram que 4% dos pacientes no mundo sofrem algum tipo de dano nos hospitais. Em 2005, foi criada a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, na qual seis metas internacionais foram lançadas para reduzir os riscos nas instituições de saúde. Tombos e quedas de pacientes estão entre as metas relacionadas pela Aliança Mundial. No HSVP, o tema é tratado como prioridade. “Sinalização especial na porta do quarto e no monitor, posicionamento dos pacientes de maior risco próximos ao posto de enfermagem são apenas algumas das medidas adotadas”, explica Martha, que cita o processo de acreditação hospitalar como o principal orientador de todas essas ações.

Superintendente do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), empresa que coordena, há quatro anos, o processo de acreditação no HSVP, Maria Manuela dos Santos diz que o programa de gerenciamento de risco do hospital é comparável ao das melhores instituições do mundo. “Esse é o grande diferencial do Hospital São Vicente de Paulo.” Atendendo a mais uma das metas da Aliança, o HSVP também passou a adotar o programa Cirurgia Segura Salva Vidas, uma série de procedimentos aplicados a partir de um checklist simples. “O objetivo é fazer uma tripla checagem, observando pontos padronizados que devem ser conferidos antes e depois de cada cirurgia”, afirma Monica Resano, gerente de assistência hospitalar e serviços cirúrgicos. Outras ações para segurança do paciente tiveram destaque nos últimos anos no HSVP. “Controle de infecção hospitalar; comunicação efetiva entre os setores; correta identificação dos pacientes; marcação pré-operatória da parte do corpo a ser operada; reformulação do ambiente predial do hospital e plano de evacuação em caso de acidente foram intensamente trabalhados por nossas equipes”, conclui Martha.

Conheça as metas da Aliança Mundial para a Segurança do Paciente: Meta 1 - Identificar os pacientes corretamente; Meta 2 - Melhorar a efetividade da comunicação entre profissionais da assistência; Meta 3 - Melhorar a segurança de medicação de alta vigilância (highalert medications ); Meta 4 - Assegurar cirurgias com local de intervenção correto, procedimento correto e paciente correto; Meta 5 - Reduzir o risco de infecções associadas aos cuidados de saúde; Meta 6 - Reduzir o risco de lesões aos pacientes, decorrentes de quedas.

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Haja coração! A evolução da especialidade e os desafios diários de lidar com situações extremas

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ortadora de problemas cardíacos crônicos, a babá Márcia Caetano Moura teve uma dissecção de aorta. Com muito sangue em volta do coração, suas chances de recuperação giravam em torno de 10%. Aos 36 anos, via-se em um corredor aparentemente sem saída. Ao dar entrada no Hospital São Vicente de Paulo, em abril deste ano, sua esperança de sobreviver estava nas habilidosas mãos da equipe de Cirurgia Cardiovascular, comandada pelo médico Henrique Murad. Em 30 anos de atuação no hospital, esse era um dos seus casos mais complicados. A cirurgia, que durou 12 horas, foi um sucesso. E a recuperação mais surpreendente ainda. Hoje, Márcia está de volta ao trabalho e leva vida praticamente normal. O fato parece heroico, mas não é isolado na vida de Henrique Murad, que alcançou o título

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de membro da Academia Nacional de Medicina. Com 43 anos de carreira, casos graves em cardiologia são mais que comuns para o especialista. Optou pela Cirurgia Cardiovascular exatamente por ser uma área desafiante. Reconhecido como um dos principais nomes da especialidade no Rio de Janeiro, fundou o serviço de cirurgia cardiovascular no HSVP em 1982. De lá para cá, promoveu muitas evoluções no setor, principalmente em relação à infraestrutura tecnológica, ampliando a possibilidade de atendimento aos pacientes. Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele lembra que o HSVP foi pioneiro no Rio em cirurgia de aneurisma, dissecção de aorta, plastia de válvula mitral e no uso de artéria mamária para ponte de safena. Sobre a evolução de sua especialidade em geral, diz que o próximo


“Ainda não entramos na fase de operar pessoas na casa dos anos 90. Mas acho que é a próxima etapa”

passo a ser conquistado será operar pacientes acima de 90 anos e portadores de cardiopatias mais complexas, utilizando incisões menores e procedimentos híbridos. Revista do HSVP: Que avanços a cirurgia cardiovascular teve nos últimos anos? Henrique Murad: Posso dizer que a cirurgia cardiovascular melhorou muito nesses últimos 30 anos. Hoje, temos operações por vídeo, intervenções feitas com robôs e a circulação assistida, que nos dá a possibilidade de colocar um coração externo. Outro avanço foi aprendermos a proteger o miocárdio durante a cirurgia, o que nos dá o poder de trabalhar em casos mais complicados. Aprendemos também a operar idoso. Quando eu era recém-formado, não tínhamos condição de operar ninguém com mais de 70 anos, porque não tínhamos tanta segurança. Hoje, os pacientes dessa idade representam 20% dos que eu opero. Acima de 80, talvez 10%. Ainda não entramos na fase de operar pessoas na casa dos 90 anos. Mas acho que é a próxima etapa. Revista do HSVP: Que importância o senhor acha que o HSVP teve no desenvolvimento da cirurgia cardiovascular no Rio de Janeiro? HM: Aqui houve alguns tipos de cirurgia em que fomos pioneiros no Rio de Janeiro. Cirurgia de aneurisma, dissecção de aorta, conserto de válvula mitral e o uso de artéria mamária para ponte de safena foram algumas das intervenções feitas em primeira mão no HSVP. Agora temos

novas metas a atingir. Planejamos criar uma unidade coronária. Queremos aumentar o volume de cirurgias e crescer ainda mais. Revista do HSVP: O que mudou na cirurgia cardiovascular do HSVP nestes 28 anos? HM: Mudou muita coisa. Em 1982, quando começamos aqui, tínhamos um hospital menor, e hoje a estrutura é muito mais complexa. Atualmente, podemos atender pacientes em estados graves, além de pessoas mais idosas, o que antes era mais arriscado. Graças ao investimento em pessoal, tecnologia e à compra de equipamentos para aparelhar o setor, podemos operar com excelência e segurança. Revista do HSVP: De onde surgiu sua vocação para a medicina? HM: Eu tinha parentes médicos e os admirava muito, em especial um tio de quem muito gostava. Então, sempre fui ligado à medicina desde pequeno, o que me motivou a fazer vestibular para a área. Revista do HSVP: Por que optou pela cirurgia cardiovascular? HM: Durante o curso médico, iniciei como cirurgião geral. Fiz o curso específico e, cinco anos depois, iniciei na cirurgia cardíaca. Vendo os doentes se recuperarem e sabendo do quanto o médico é exigido nessa especialidade, tomei gosto pela cirurgia cardiovascular. Gosto de desafios.

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Controle e prevenção

de infecção no Centro de tratamento Intensivo

A

pós três décadas dedicadas a avanços e a novidades tecnológicas na terapia intensiva, hoje a ênfase é no controle dos processos e na redução das infecções e efeitos colaterais dos tratamentos e medicamentos. Os maiores progressos nessa área estão, em grande parte, relacionados à redução de complicações e de tratamentos agressivos. Sabemos que devemos usar o menos possível a ventilação invasiva, tentando manter o paciente respirando espontaneamente e, quando necessário, ventilando no respirador mecânico o mais suavemente possível, nutrindo-o apenas o necessário, com parcimônia, usando menos sedativos. É recomendável também monitorá-lo e controlá-lo com monitores menos invasivos, usando menos transfusões e restringindo, ao máximo possível, o uso de antibióticos. Quanto mais e por mais tempo usamos os antibióticos, mais resistentes ficam as bactérias. Certamente, a redução das infecções é extremamente importante e deve ser feita com medidas preventivas e com barreiras a sua disseminação entre os pacientes gravemente doentes e debilitados, que estão, logicamente, mais suscetíveis a essas complicações. Um dos temas mais comentados atualmente é o surgimento de bactérias superresistentes aos antibióticos disponíveis, como a Pseudomonas, o Staphylococcus (conhecido por MRSA) e, mais recentemente, a Klebsiella do tipo KPC. São “micromonstros” criados dentro dos hospitais, consequências do largo uso dessas drogas. Como nos

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precavemos dessas infecções? Como evitamos a disseminação das superbactérias? Primeiro, e mais importante, através da lavagem das mãos (com água e sabão) ou da sua higienização (pela fricção com álcool a 70%), de todos os que entram em contato com o paciente e com o meio ambiente que o cerca. Se o antibiótico torna a bactéria superresistente, são as mãos e os equipamentos que a disseminam. Portanto, temos que tentar usar menos antibióticos e por menos tempo, além de reduzir essa disseminação, mantendo as mãos e os equipamentos sempre bem higienizados. No HSVP, adotamos várias outras medidas preventivas e fazemos um acompanhamento diário dos casos de infecção e dos antibióticos em uso em todos setores do hospital. Faz parte destsa prevenção a prescrição de medidas de barreira (conhecidas por medidas de precaução), que são determinadas conforme o tipo de infecção apresentado pelo paciente, em determinado momento de sua internação. Para sinalizar cada situação de risco, utilizamos um sistema de cores: roxa para micro-organismos transmitidos pelo contato direto (ex.: pacientes oriundos de outros hospitais ou com história de internação recente, considerados de risco para colonização por bactérias resisten-


Por: Guilherme Aguiar - Médico intensivista e chefe do Centro de Terapia Intensiva do HSVP. Isabella Albuquerque - Médica infectologista e coordenadora do Serviço de Higiene e Controle de Infecção Hospitalar do HSVP.

tes); vermelha para micro-organismos transmitidos por aerossóis (ex.: bactéria da tuberculose) e verde para os transmitidos através de gotículas (ex.: bactéria da meningite meningocócica). Cada vez que detectamos um caso desses, o quarto ou o leito recebe a sinalização com a cor adequada, que indica a necessidade de uso de equipamentos de proteção individual específicos (como máscaras, luvas e aventais), pela equipe assistencial e, por vezes, pelos acompanhantes. O cuidado no manejo do paciente também é vital para reduzir as infecções. O paciente deve ficar mais acordado e menos sedado, pois assim se defende melhor e temos que tentar que fique o menor tempo possível no respirador. Enquanto em ventilação mecânica, deve ficar mais sentado no leito, evitando aspirar secreções e expandindo bem os pulmões. Quando há necessidade de uma via sanguínea para a administração de medicamentos ou mesmo de uma sonda para a eliminação de urina, estas devem ser acessadas sob as mais rigorosas técnicas de assepsia e devem ser retiradas tão logo o paciente não mais necessite. Quanto mais invasões, maior é o risco de infecções. E para que nos lembremos de todos os detalhes, cruciais nesse cuidado, lançamos mão de checklists, ferramentas valiosas para a segurança de nossos processos. Dessa forma, conseguimos assegurar que nossos clientes tenham a melhor assistência possí-

vel, com a plena recuperação da saúde, enquanto completo bem-estar físico, mental e social, e, diante de doenças incuráveis, encontrem, em nosso hospital, todo o conforto e a atenção necessários. Isso tudo sempre visando manter nossos índices de infecção dentro dos padrões aceitáveis pela literatura científica mundial.

Bibliografia 1) Give Your Patient a Fast Hug (at least) Once a Day; Crit Care Med 2005 Vol 33 No6 1225-29 2) Thirty Years of Critical Care Medicine Critical Care 2010; 14.311

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nova tecnologia para tratamento de

arritmias cardíacas

P

erturbações que alteram a frequência ou o radiação utilizada no exame e mantendo um alto ritmo dos batimentos do coração, as arrit- grau de precisão”, completa Munhoz. Presidente do departamento de arritmias da mias cardíacas são as principais causadoras de mortes súbitas, que chegam a 300 mil por ano Sociedade de Cardiologia do estado do Rio de no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Janeiro (Socerj) e membro do serviço de arritmias O mais recente avanço tecnológico nessa área é do HSVP, Nilson Araújo acredita que o pioneirismo o CARTO-3. O novo equipamento que permite do HSVP no tratamento de arritmias cardíacas fará um melhor tratamento da fibrilação atrial e outras com que a medicina do estado evolua de forma arritmias complexas está sendo usado pelo HSVP, geral. “Quando um hospital lança um equipamento novo, gera uma tendência desde agosto, pela primeira vez na América Latina. “O CARTO-3 possibilita no mercado. Depois do lançamento do CARTO-3 no HSVP, O Carto-3 permite a via visualização já houve outro hospital cariosualização dos vários cateteres tridimensional do ca importando a tecnologia. utilizados no exame sem o uso de raios X, o que diminui pela coração, enquanto as Posso dizer que a importação metade a exposição do pacien- tecnologias anteriores dessa tecnologia é um orgulho para a cardiologia do Rio de te à radiação. Esse novo sistesó alcançavam uma Janeiro”, diz ele. ma traz como novidade uma visão bidimensional” Pacientes que fazem uso precisão duas vezes superior de desfibriladores implantáveis aos equipamentos similares usados hoje em dia para fazer o mesmo exame. “O (CDI) para tratamento de arritmias ventriculares CARTO-3 possibilita a visualização tridimensional malignas também poderão ser beneficiados com do coração, enquanto as tecnologias anteriores só a chegada do CARTO-3. Segundo Hecio Carvaalcançavam uma visão bidimensional”, explica o lho, cardiologista do HSVP e especialista em escoordenador do serviço de arritmia do HSVP, Clau- timulação cardíaca artificial, a tecnologia amplia dio Munhoz. “Geralmente, quando o paciente tem consideravelmente a qualidade de vida do pacienuma arritmia complexa, vários cateteres têm de ser te. “Esse equipamento nos permite, por exemplo, introduzidos e manipulados no coração com uso realizar um procedimento de ablação adjuvante de raios X. Com esse novo equipamento, será pos- sem a necessidade de choques e de forma menos sível visualizar todos, diminuindo a necessidade de agressiva”, diz Hecio.

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aconteceu Prevenção é saúde Hábito alimentar saudável é um dos caminhos para chegar à terceira idade com melhor qualidade de vida. Pensando nisso, o HSVP promoveu, no fim de setembro, a palestra gratuita Nutrição e Envelhecimento. Coordenado pela gerontóloga do hospital, Maria Angélica Sanchez, o evento contou com a presença da nutricionista convidada, Izaura Cristina Barreto, da Policlínica Piquet Carneiro (Uerj), que reforçou a necessidade de uma boa alimentação desde os primeiros anos de vida e deu dicas para uma dieta balanceada. “Procure variar ao máximo a ingestão alimentar diária, consumindo frutas, legumes e verduras. Evite trocar as refeições diárias por lanches rápidos e beba, pelo menos, em torno de dois litros de água por dia”, indicou a nutricionista. A atividade fez parte do projeto Prevenção é Saúde, desenvolvido pelo HSVP para promover a saúde da população.

Saúde na praça Como parte das comemorações dos 30 anos do HSVP, profissionais do hospital estiveram, no dia 11 de novembro, na Praça Saenz Peña (Tijuca), prestando serviços médicos gratuitos à população. Quem foi ao local pôde aferir a pressão arterial e verificar a taxa de glicose, além de participar de palestras educativas de promoção da saúde. Houve também a distribuição de cartilha com dicas para controlar o diabetes e a hipertensão.

Doenças ao longo da vida – cartaz da jornada Nos dias 9 e 10 deste mês, o HSVP promoveu sua Jornada Multidisciplinar, desta vez em comemoração dos seus 30 anos. Com o tema central Patologias ao longo da vida, os mais de 40 profissionais palestrantes debateram endocrinopediatria, distúrbios respiratórios na infância, emergências clínicas e cirúrgicas, desafios no tratamento da doença coronária, prevenção de morte súbita e tratamento de infecções na era da multirresistência, entre outros temas. O evento, coordenado pelo cardiologista Cyro Varguez, registrou um público de 160 pessoas por dia, entre estudantes e profissionais de saúde de outras instituições.

Celebração em grande estilo No dia 18 de outubro, o HSVP abriu seu auditório do Centro de Convenções Irmã Matilde para as comemorações de uma data muito importante para a sociedade: o Dia do Médico. Responsáveis pela promoção da saúde e pelos cuidados com a população, os médicos foram homenageados com uma apresentação do Coral do HSVP, em evento que teve abertura com a CEO, Irmã Marinete Tibério, e com a diretora-médica Eliane Castelo Branco. Depois de uma palestra sobre ética e tecnologia médica, comandada pelo médico e bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio, Dom Antonio Augusto Dias Duarte, os presentes divertiram-se com um sorteio de brindes, seguido por coquetel com apresentação-surpresa de garçons-cantores.


Revista do Hospital São Vicente de Paulo -1  

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