Trauma BoleTEAM SBAIT - edição 19

Page 1

3ยบ Trimestre/2017

1


2

3º Trimestre/2017

Editorial

Cirurgia do Trauma: a mudança de alguns paradigmas

Expediente

ços no manejo da coagulopatia do trauma. Lamentavelmente, o uso da tromboelastografia tem custos altos para as instituições públicas que atendem pacientes traumatizados, custos estes que seriam seguramente reduzidos a partir do momento que os fatores de coagulação, como plasma, criopreciptado e plaquetas, fossem utilizados a demanda, tomando como base os dados em tempo real que os Prof. Dr. Marcelo A. F. Ribeiro Jr - Secretário Geral da testes podem oferecer. SBAIT, Professor Livre Docente e Titular da Disciplina de Entramos, felizmen- Cirurgia Geral da Universidade Santo Amaro (UNISA) e do Serviço de Cirurgia geral e trauma do Hospital te, nas duas últimas Chefe Geral do Grajaú dé­cadas no campo da ciência e tecnologia. Utilizamos, mesmo em locais com recursos limitados, ferramentas como o ultrassom, tomografia e tantos outros recursos hoje disponíveis a fim de podermos otimizar resultados e oferecer tratamentos mais precisos e resolutivos a nossos pacientes. No Brasil, nos últimos anos, a SBAIT vem realizando um esforço imenso a fim de divulgar de forma ampla e irrestrita o conhecimento a todos os cirurgiões que atuam frente ao trauma, oferecendo cursos de capacitação para o uso de ultrassom (USET), com parceria com a Sociedade Pan-americana de Trauma, assim como de manobras cirúrgicas em cirurgia do trauma (DSTC), em parceria com a International Association for Trauma Surgery and Intensive Care. Não devemos, entretanto, nos esquecer de que, acima de tudo, somos cirurgiões, cirurgiões da fase aguda, do trauma, do momento onde o paciente não tem a opção de nos escolher, mas que nós, sim, fizemos uma opção em estar atendendo e trabalhando neste campo tão árduo da medicina e, portanto, devemos exercer nossas funções com paixão e arte, a fim de oferecer, sempre que possível, as melhores chances a quem tanto precisa. Arquivo Pessoal

Nas duas últimas décadas, todos nós, cirurgiões envolvidos com o atendimento de pacientes vítimas de trauma, temos tido a oportunidade de vivenciar de forma bastante ostensiva mudanças de paradigmas clássicos, onde o cirurgião do trauma foi cada vez mais se tornando um expert em procedimentos que visam de forma prioritária, de acordo com a gravidade do caso, restabelecer a fisiologia do paciente. Reposições volêmicas com grandes quantidades de cristalóides, cirurgias longas e cujo objetivo era promover o reparo definitivo das lesões vêm sendo substituídas por hipotensões permissivas e cirurgias abreviadas. Com os conceitos da cirurgia de controle de danos, onde o controle do foco de sangramento e a interrupção da contaminação representam os alicerces do manejo terapêutico inicial, o cirurgião do trauma passou a ser um fisiologista da fase aguda. Passamos a ter como escopo o combate à perda de sangue, o controle da hemorragia, além disto, seguimos com a luta contra a acidose e a hipotermia, que contribuem de sobremaneira para a instalação da coagulopatia, que, em última análise, representam, nas primeiras horas após o trauma, as principais causas de mortalidade destes pacientes. Longos e heroicos procedimentos passaram a fazer parte da história. O tempo em sala passou a ser crucial para o paciente. Controle rápido, estabilização eficaz e reabordagem precoce passaram a ser as diretrizes contemporâneas. O abdome aberto passou a ser parte do contexto terapêutico, a síndrome compartimental e a hipertensão intra-abdominal se tornaram pontos de crucial importância nos resultados do tratamento. Subsequente aos conceitos da cirurgia de controle de danos que transpuseram os limites da cavidade abdominal e pelve para o tórax , vasos e extremidades, temos agora os protocolos de reposição volêmica, utilizando hemoderivados de forma precoce. Com isto, o uso de cristaloides vem sendo realizado cada vez com mais parcimônia , uma vez que, por questões fisiológicas, é evidente que um paciente que perde sangue irá necessitar que hemácias, plaquetas e fatores de coagulação sejam a ele ofertados o mais rápido possível. Por óbvio, aqui temos que ter protocolos transfusionais e gatilhos de acionamento muito bem estabelecidos a fim de se fazer o uso racional e preciso para minimizar não só os riscos oriundos do uso dos hemocomponentes, como também otimizar custos. O uso do ácido tranexâmico de maneira precoce, assim como os estudos da coagulação em tempo real com a tromboelastografia, permitindo uma terapia direcionada, representam grandes avan-

PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ATENDIMENTO INTEGRADO AO TRAUMATIZADO Presidente: José Mauro da Silva Rodrigues (SP) 1º Vice-Presidente: Ricardo Breigeiron (RS) 2º Vice-Presidente: Tercio de Campos (SP) Secretário Geral: Marcelo Augusto Fontenelle Ribeiro (SP) 1º Secretário: Amauri Clemente da Rocha (AL) 2º Secretário: Bruno Vaz de Melo (RJ) 1º Tesoureiro: Daniel Souza Lima (CE) 2º Tesoureiro: Fabio Henrique de Carvalho (PR)

Secretária: Nancy Job (secretaria@sbait.org.br) Comunicação Digital: CRM Media (cristiane@crmmedia.com.br) Assessoria de Imprensa: Capovilla Comunicação (imprensa@sbait.org.br) Web Design: Infosafe (michel@insl.com.br) Contabilidade: Consuport

Comitê Pré-Hospitalar: Rodrigo Caselli Belém (DF) Comitê Ligas do Trauma: Daniel Zaidan dos Santos (SP) Comitê de Educação: Diogo Valério Garcia (SP) Comitê de Desastres: Josiene Germano (SP) Comitê de Qualidade e Registro de Trauma: Paulo Roberto Carreiro (MG) Comitê de Prevenção: Gustavo Pereira Fraga (SP) Conselho Consultivo e Fiscal: André Gusmão (BA), Carlos Alberto Fagundes (ES), Sizenando Starling (MG), Sandro Scarpelini (SP) e Carlos Otávio Corso (RS).

Redação TRAUMA BoleTEAM: Cristiane Regina da Silva Manzotti e Patrícia Capovilla Jornalista Responsável: Patrícia Capovilla (MTb 31.445) Edição de Arte: Karina Brito – Proteção Publicações Ltda Capa: Comunicação/ Expo Dom Pedro

Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado - www.sbait.org.br - Av. Brigadeiro Luís Antônio, 278, 6º andar - Bela Vista - São Paulo - SP CEP 01318-901 - Fone/Fax (11) 3188 4558 - Horário de funcionamento: de segunda a sexta feira, das 12h00 às 18h00. Tiragem: 800 exemplares


3

3º Trimestre/2017

Inscrições Abertas

SBAIT divulga edital de convocação para certificado de área de atuação em Cirurgia do Trauma residência médica reconhecida pelo MEC (Ministério da Educação) em Cirurgia Geral. Para a concessão do certificado, será feita uma avaliação de desempenho com base na análise curricular. Há dois critérios especiais previstos no editorial. Um deles é possuir certificado omitido pelo CBC de Habilitação em Cirurgia do Trauma e Emergência. O outro é ter residência médica em Cirurgia do Trauma em Serviço credenciado pelo MEC (Ministério da Educação), com duração de 1 ou dois anos. O resultado será divulgado até o dia 30 de novembro, nos sites das três instituições. As inscrições custam R$ 700,00, mas membros quites com a AMB, SBAIT e CBC pagam R$ 350,00.

Arquivo SBAIT

25 anos da Residência em Cirurgia do Trauma do HPS-POA

Ex-residentes estiveram presentes no evento

Os 25 anos de residência em Cirurgia do Trauma do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre (HPS) foram comemorados com um Simpósio no dia 2 de setembro no Auditório José Baldi, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, reunindo157 participantes. O evento contou com a presença de diversos membros da SBAIT, entre eles, Dr. Ricardo Breigeiron (ex-residente do HPS-POA) o presidente do capítulo SBAIT-RS, Dr. Rogério Schneider (ex-residente do HPS- -POA), Dr. Sizenando Vieira Starling, Prof. Dr. Hamilton Petry, também ex-presidente da SBAIT e o idealizador desta residência, que falou sobre os “25 anos: passado, presente e futuro” e o

Prof Dr José Mauro da Silva Rodrigues, presidente SBAIT, que abordou o tema “O Futuro da Cirurgia do Trauma”, durante a conferência de encerramento do evento. O ano de 1992 o HPS-POA deu inicio a uma das primeiras residências em Cirurgia do Trauma no Brasil. A partir daquele momento, surgiram profissionais que, além da qualificação técnica, iniciaram um engajamento nas áreas administrativas, científicas e acadêmicas ligadas ao trauma. Formou-se, assim, uma nova geração de especialistas em trauma. Até o ano de 2002, a formação se fazia em 2 anos, com pré-requisito em Cirurgia Geral. A partir desta data, após a resolução de que Cirurgia do Trauma deveria ser área de atuação, o período de formação passou a ser de 1 ano. Mesmo assim, até agora, a residência continua preparando profissionais capacitados para atender o paciente traumatizado e para lutar pela qualificação e reconhecimento desta especialidade de fato. Atualmente, são 3 vagas a cada ano e, com a turma de 2017, serão 71 Cirurgiões do Trauma formados pelo HPS-POA.

Prof. Dr. Gustavo Parreira (4º a dir)., com integrantes da banca

No dia 31 de agosto, foi realizado o Concurso para Professor Adjunto na Santa Casa de São Paulo, cujo candidato Prof. Dr. Gustavo Parreira, membro SBAIT, foi aprovado. O concurso teve como banca os integrantes Prof. Dr. Samir Rasslam, Prof. Dr. Rodrigo Altenfelder Silva e Prof. Dr. José Mauro da Silva Rodrigues.

Raul Coimbra, sócio honorário da SBAIT, é o novo presidente da AAST O sócio honorário da SBAIT, Dr Raul Coimbra, formado na Santa Casa (SP), é o primeiro presidente da “American Association for the Surgery of Trauma” – AAST, que não tenha nascido nos EUA. No dia 13 de setembro, durante o 76th Annual Meeting of AAST and Clinical Congress of Acute Care Surgery, em Baltimore (EUA), Dr Raul Coimbra proferiu a Presidential Address, a palestra mais importante do congresso. Coimbra foi precedido pelo Dr Michael Rotondo, que fez uma apreciação de sua vida. Segundo os participantes, sua palestra foi impressionante e inspiradora, como a trajetória de sua vida. A SBAIT pa­ rabeniza o Dr Raul Coimbra e deseja sucesso nessa Raul Coimbra durante a nova jornada. “Presidential Address” Arquivo Pessoal

A Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Trauma (SBAIT), a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) estão com inscrições abertas para o Concurso de Proficiência para obtenção do Certificado de Área de Atuação em Cirurgia do Trauma. Os interessados devem se inscrever até o dia 13 de novembro e podem ter acesso ao edital no site www. sbait.org.br. Para se inscrever, é necessário atender a alguns critérios, como apresentar CRM definitivo; ser formado em medicina por, no mínimo, 10 anos; ter título de especialista em Cirurgia Geral pelo CBC/AMB ou título de especialista em Cirurgia Geral pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) ou, ainda,

Arquivo SBAIT

Inscrições já estão abertas e devem ser feitas até 13 de novembro

Membro SBAIT é aprovado em Concurso para Prof. Adjunto da Sta Casa de São Paulo


4

3º Trimestre/2017

Guerra

Trauma deixa 93,9 mil pessoas feridas por mês no 1º semestre de 2017

Ocorrências com meios de transporte foram responsáveis por 101 mil internações

“Se considerarmos que, na maioria das vezes, uma ocorrência de trânsito está relacionada a falhas nos veículos, que poderiam ser evitadas com manu-

Freepik

O Trauma foi responsável por 563.774 feridos internados de janeiro a junho deste ano. Para atender a todos esses pacientes, o SUS (Sistema Único de Saúde) desembolsou R$ 703 milhões. O levantamento, feito pela SBAIT (Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado) e baseado em informações do DataSUS, demonstram a vulnerabilidade de um País que abriga 13 das 50 cidades mais violentas do mundo e que possui poucos estudos para definir políticas públicas eficientes. No mesmo período do ano passado, foram 559.697 internações. O aumento foi de 0,75%. “São números realmente alarmantes. O registram mostram o quanto caminhamos devagar nesse setor”, afirma o presidente da SBAIT, José Mauro da Silva Rodrigues. “Vivemos uma situação de guerra não declarada. É uma epidemia desta doença no País. O mais triste é que praticamente todas as ocorrências de Trauma poderiam ser evitadas”, completa. Do total de internações de Trauma, 101.785 foram causadas por alguma ocorrência envolvendo meios de transporte, o que resultou em um gasto de R$ 141,5 milhões no SUS .

Freepik

Mais de 90% dos casos poderiam ser evitados com prevenção

Em seis meses, mais de 560 mil internações foram causadas por Trauma

tenção, falhas nas vias públicas, que poderiam ser evitadas com sinalização adequada e vias seguras, ou imprudência, como desrespeito às regras de trânsito, uso de celular ao volante, etc., esta situação poderia ser bem diferente apenas com prevenção.”, explica Rodrigues. Para ele, muitos fatores pioram essas estatísticas. “A deficiência do transporte público faz do automóvel uma necessidade, incentiva-se o uso de motocicleta para o trabalho, as propagandas de bebidas alcoólicas são livres e voltadas para jovens. Tudo isso agrava a situação”, reforça. “Para piorar, não temos registros de trauma nos hospitais brasileiros, o que inviabiliza estudos de prevalência. Em países desenvolvidos, o registro de trauma é fundamental para gerar políticas públicas”, compara.


5

3º Trimestre/2017

Artigo

Sobre balaços, atropelamentos e esfaqueados *Geraldo Roger Normando Junior Depois “Profissão repórter”, faz abordagem epidérmica sobre as salas de emergências do Rio de Janeiro. Parece muito claro que a emissora direciona seu portfólio para uma página bruta da nossa sociedade, não só eviscerando as deficiências do atendimento e a alta taxa de homicídios, mas, acima de tudo, o cotidiano do cirurgião-mago que, noite adentro, além de tirar coelhos da cartola, reza por milagres de salvar vidas - ou pelo menos postergar a morte. O fagocitado “War Surgery” deixa escorrer a ideia que a dor das guerras é maior que as estatísticas: Em certos conflitos, o fardo dos feridos de guerra é maior que as consequências de saúde pública. É aí que a série de TV se engancha, mas os números de nossa incivilidade sangram as finanças do Estado, cortam a carne e deixam poças de coágulos a escorrer pelas valas abertas desta cidade, entre as dez capitais mais violentas do país (mapa da violência, 2016).

Arquivo pessoal

Tenho uns poucos livros emprestados que jamais devolvi - uns quatro. Um me fascina: “War surgery”, do comitê internacional da Cruz Vermelha. Antonio Venturieri, cirurgião paraense que esteve no Afeganistão, emprestou-me, por saber do meu fascínio pelo tema. Nunca mais devolvi. Dia desses folheava o calhamaço de 350 páginas para entender as armas de guerras e as lacerações que provocam nos órgãos internos de um guerrilheiro abatido. Porque os fuzis já não ecoam só na Síria. O estampido está nos morros cariocas e daqui a pouco zunirá pelo Jurunas, Guamá, Terra firme e aqui debaixo do prédio onde moro. Outro dia, no maior hospital de trauma de nosso estado, um homem adentrou pela emergência, já gaspeando. Fora baleado por determinada facção do Jurunas. Ao exame físico havia uma brecha no rebordo torácico. Era arma de guerra. Aí já não é só zunido, é trovoada, fuzilamento. No caminho de ida a Salinas, à frente da Polícia Rodoviária Federal, na Belém-Brasília, havia um carro totalmente danificado, guinchado a três metros do chão, encaixado no outdoor, numa arte plástica bem elaborada, com dizeres de alerta sobre o risco da imprudência nas rodovias - afinal de contas, é verão por aqui, tempo de aproveitar as férias e meter o pé na estrada. Pouco adiantou. A sinistralidade continua elevada e, se somarmos às motocicletas urbanas, a lista embaça o caos no trânsito. Na volta da viagem, a arte já não existia. O carro já não estava. Talvez uma motocicleta fosse mais representativa. E sobre esfaqueamentos? Arma em extinção! Nos anos noventa, um artigo original mostrou, no PSM da catorze, que a principal causa de ferimentos no tronco era arma branca. Certa vez, numa micareta na atual João Paulo II, a ambulância socorrera três esfaqueados no mesmo carreto. Dois deles tinham ferimentos graves no coração, e outro, várias estocadas no abdome. Todos sobreviveram. Se as lesões cardíacas fossem por arma de fogo, certamente a chance de sobrevivência seria bem menor. Hoje, os tiros e as motocicletas ultrapassaram as armas brancas, inclusive no sertão da Paraíba, terra das peixeiras. Surge, agora, uma série televisiva sobre violência, ao olhar esbugalhado da sala de emergência. Com narrativa romanceada

ao modo de Tess Geratssen, Edyr Proença ou Rubem Fonseca, “Sob pressão” nada tem a ver com as séries glamourosas americanas totalmente hi-tech, hi-fi ou wifi.

*Geraldo Roger Normando Junior é Professor de cirurgia da UFPA e Cirurgião torácico do hospital metropolitano de urgência e emergência.

Crônica

Politraumatizados Em 4 anos, muitos traumas processados. Desde a saída de casa até a total ausência de perspectivas em greve de meses e meses sem aula. E vivemos muito! Vivemos um mundo! Fomos nos conhecendo, fazendo amizades, brigando, discutindo, fazendo as pazes. Numa história tantas vezes de amor e ódio, descobrimos que a cena segura é obtida no trabalho em equipe. Que as vias aéreas são desobstruídas pelo abraço forte e olhar sincero. Que o apoio mútuo ressuscita o coração parado. Que a hemorragia da estafa da faculdade é contida pela convivência amiga e que as fraturas da ausência da família são imobilizadas pelo reconhecimento e acolhimento em uma nova família a qual se escolhe pertencer.

*Andréa Rios

Então entendemos que este lugar é de trauma na mesma medida que é de cura, de aprendizado e de crescimento para quem não permite morrer nas próprias dores e partilhar a vida! Ainda há 2 anos a percorrer... Se por acaso o sentimento de família ainda não existe, há tempo hábil para se inserir numa equipe aberta. Se há muito, você já se sente em casa, não ouse em não pedir ajuda sempre que não for possível dar conta da cena sozinho. E vivamos! Com força, unidade, foco e fé, já vencemos! Gratidão pelo que vivemos e mais ainda pelo que virá!

*Andréa Rios é estudante de Medicina. Ela cursa o 8º semestre na Universidade Estadual da Bahia


6

3º Trimestre/2017

Trauma

CONGRESSO PAULISTA TERÁ SIMPÓSIO E CINCO PALESTRANTES INTERNACIONAIS Evento, que acontece nos dias 6 e 7 de outubro, também tem dois dias de programação pré-congresso

Marketing / WTC

O 1º Congresso Paulista de Cirurgia do Trauma da SBAIT, organizado pelo Capítulo São Paulo, acontece nos dias 6 e 7 de outubro, na Capital paulista. São esperados cerca de 300 congressistas que vão discutir os temais mais atuais sobre o assunto. Nos dias 4 e 5, haverá uma ampla programação pré-congresso, com cursos DSTC (Definitive Surgical Trauma Ca-

re), USET (Ultrassom em Emergência e Trauma) e Hands On de Fixação de Arcos Costais e Tratamento do Trauma de Parede Torácica. As inscrições para o congresso podem ser feitas pelo site www.congressodetrauma.com.br, com desconto, até o dia 28 de setembro. No mesmo local, também é possível se inscrever para os cursos précongresso.

Além de vários profissionais brasileiros renomados, o congresso conta também com a participação de cinco convidados internacionais: Sandro Rizoli, do Canadá; Carlos Ordonez, da Colômbia; Juan Carlos Puyana e Thomas White, ambos dos Estados Unidos; e Dietmar Fries, da Áustria. “Selecionamos grandes nomes do Trauma mundial para participar deste


7

evento, com o objetivo de trazer temas relevantes ao nosso público”, explica o presidente do congresso e diretor do Capítulo São Paulo da SBAIT, José Cruvinel Neto. Além de mesas redondas, conferências e sessões de vídeo, o evento também vai sediar o Simpósio Internacional WSACS do Paciente Crítico, que acontece no dia 7, às 15h, com o palestrante Bruno Pereira, que vai abordar o tema Update on Intraabdominal Hypertension and Abdominal Compartment Syndrome. Outro ponto alto da programação é a realização de uma cirurgia ao vivo de Fixação de Arcos Costais, comandada pelo americano Thomas White e pelo brasileiro Diogo Garcia. Durante o congresso, também serão discutidos outros temas, como Manejo da Via Aérea Difícil, Hemotransfusão Maciça, Indicação de Toracoscopia, Manejo de Trauma Pélvico Complexo, Reanimação com Hemoderivados e Novas Tecnologias em Trauma, entre outros. O presidente do evento explica que a realização de um congresso paulista é um projeto antigo da SBAIT. “A nossa região concentra muitos profissionais que atuam na área de Cirurgia do Trauma. A ideia é facilitar o acesso a essas discussões, sem que esses profissionais precisem fazer grandes deslocamentos”, explica Cruvinel.

Arquivo Pessoal

3º Trimestre/2017

José Cruvinel Neto

TRABALHOS SELECIONADOS No último dia 14 de setembro, foram divulgados os trabalhos aprovados para apresentação no congresso em formatos oral e pôster. No total, eles terão sete minutos de apresentação e oito minutos de discussão. Os selecionados para a categoria Oral deverão entregar o pen drive ao Midia Desk do congresso, pelo menos, quatro horas antes do início da sessão. Já para a categoria Pôster, é necessário confeccionar a apresentação em lona e com barbante para ser pendurado no local. As demais regras estão disponíveis no site do congresso.

Concurso vai premiar pesquisa sobre trauma, cuidados intensivos e prevenções de lesões O Congresso Paulista de Cirurgia do Trauma também vai realizar uma competição direcionada a residentes de cirurgia geral ou de especialidades cirúrgicas e profissionais da área de Trauma. Serão selecionados seis trabalhos, enviados até dia 20 de setembro, para apresentação no evento em inglês. Os trabalhos devem ser pes-

quisas originais em trauma, cuidados intensivos ou prevenções de lesões. O vencedor vai representar o Brasil na Reunião Anual da XIV Região do Comitê do Trauma, em 2018, com todas as despesas pagas. Além de passagem de ônibus, ele também terá direito a três diárias em hotel e R$ 1.500,00 para outros tipos de despesas.

Cursos Pré-Congresso acontecem nos dias 4 e 5 Nos dois dias que antecedem a programação principal do Congresso Paulista de Cirurgia do Trauma, haverá uma programação pré-congresso, com a realização dos cursos DSTC (Definitive Surgical Trauma Care), USET (Ultrassom em Emergência e Trauma) e Hands On de Fixação de Arcos Costais e Tratamento do Trauma de Parede Torácica. O Hands On será no dia 4, no Instituto Jonhson, das 8h às 13h40, com a participação dos instrutores Diogo Garcia, Thomas White, João Paulo Ripardo e Vinícius Fonseca. O USET acontece no dia 5, das 8h às 18h, no Sheraton WTC São Paulo, com a participação do presidente do congresso, José Cruvinel Neto, Juan Carlos Puyana e Stephanie Santin. Já o curso DSTC será nos dias 4 e 5. A programação do primeiro dia acontece no Anfiteatro da Unisa (campus 1). No segundo dia, ela é dividida: uma parte no anfiteatro e outra, no Setor de Cirurgia Experimental da universidade. O curso terá a participação dos seguintes palestrantes: Sandro Rizoli, Marcelo Ribeiro, Bruno Pereira, José Mauro da Silva Rodrigues, Maurício Godinho, Valdir Zamboni e Sizenando Vieira Starling. As inscrições para todos os cursos podem ser feitas no site do congresso. SERVIÇO: I Congresso Paulista da Cirurgia do Trauma 6 e 7 de outubro de 2017 Local: Sheraton São Paulo WTC Hotel Av. das Nações Unidas, 12551 – Brooklin – São Paulo Inscrições e submissão de trabalhos: www.congressodetrauma. com.br


8

3º Trimestre/2017

Entrevista - Rogério Fett Schneider

Presidente do Capítulo-RS da SBAIT fala sobre o Trauma em seu Estado e sobre os trabalhos que desenvolve

Arquivo Pessoal

Em destaque

Ele também aborda aumento da violência no País

O

cirurgião geral e do trauma Rogério Fett Schneider é presidente do Capítulo-RS da SBAIT, mestre e doutor pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), onde também é professor titular do Curso de Medicina, preceptor da Residência de Cirurgia e coordenador da Liga do Trauma. Schneider é, ainda, cirurgião no Hospital de Pronto Socorro de Canoas e instrutor dos cursos ATLS (Advanced Trauma Life Support) e PHTLS (PreHospital Trauma Life Support). Nesta edição do BoleTEAM, ele é nosso convidado para a seção Destaque, onde conversamos sobre a realidade do Trauma em seu Estado e sobre o trabalho desenvolvido pelo Capítulo SBAIT do Rio Grande do Sul.

Como presidente do Capítulo RS, qual a avaliação que o senhor faz do Trauma em seu Estado, comparado ao restante do Brasil? A realidade no Rio Grande do Sul referente ao Trauma como doença não difere em nada com a realidade dos outros estados de nosso País. No entanto, o que estamos notando nas portas de nossas emergências nos últimos 10 anos é um aumento significativo da violência interpessoal, com armas de maiores calibres, e a ocorrência em municípios que não tínhamos esses eventos anteriormente. Somado a esses, a triste realidade da violência no trânsito, em especial, envolvendo os motoqueiros. Referente à assistência, os hospitais de referência ao trauma estão, de certa forma, estruturados para o recebimento dos pacientes vítimas de trauma, entretanto, os hospitais de pequeno porte, que, muitas vezes, prestam o primeiro atendimento, necessitam de uma melhora significativa no que se refere à assistência, pois, muitas vezes, possuem estrutura e equipamentos para a prestação do atendimento, mas o profissional que está prestando o atendimento não está capacitado. Que tipo de ações o Capítulo vem desenvolvendo? O Capitulo da SBAIT no Rio Grande do Sul está desenvolvendo algumas atividades voltadas a difundir a sociedade fora da Capital do Estado, solicitando a parceria de colegas cirurgiões do Trauma ligados a centros universitários para desenvolver atividades científicas em suas regiões e também agregando as Ligas do Trauma já existentes nas universidades. Realizamos ações especificas referentes ao Trauma, como o fórum permanente de discussão em trauma, cujo objetivo é o de possibilitar a atualização em temas polêmicos. Para novembro, realizaremos o fórum com o foco em lesões vasculares, no Hospital de Pronto Socorro de Canoas. Quanto às ações de prevenção ao Trauma, vamos realizar o Primeiro Curso P.A.R.T.Y., em parceria com a prefeitura da cidade de Canoas, Hospital de Pronto Socorro de Canoas, Liga do Trauma da ULBRA e várias outras entidades envolvidas. Ele deverá ocorrer antes do final deste ano, sendo que já estamos com o cronograma para 2018. Quais os planos da SBAIT RS? Estamos trabalhando em várias ações, como a melhora da captação de dados das vítimas de

trauma, junto aos hospitais, com a elaboração de um banco de dados. Também queremos nos tornar um agente catalisador dos serviços de Trauma, não somente da capital ou região metropolitana, mas sim de todo o estado. Estamos encaminhando a abertura de capítulos nas regiões onde há centros universitários e Cirurgiões do Trauma no Rio Grande do Sul. As regiões envolvidas são Passo Fundo, Pelotas, Caxias, Rio Grande e Cruz Alta. O importante é que todos os representantes sejam efetivamente cirurgiões do Trauma que atuam na área e trabalham em centros universitários. Também estamos trabalhando na captação de sócios para agregar mais ideias e a execução das mesmas. Queremos ser parceiros de todas as ligas atuantes dos cursos de medicina do Estado. Já estamos com todas as ligas listadas e sendo chamadas para a sociedade. Outro objetivo é estarmos presentes nos serviços de residência em Cirurgia do Trauma e ter voz ativa nas ações políticas no que se refere à assistência às vítimas de Trauma. Por fim, queremos ser uma sociedade capaz de disseminar e facilitar o acesso à atualização nesta área e divulgar a importância da qualidade da prestação do atendimento ao Traumatizado. Isso passa, necessariamente, pela formação do Cirurgião do Trauma

Existem políticas de prevenção ao trauma bem definidas em seu Estado? Infelizmente, não há uma política bem definida de prevenção ao Trauma em nosso Estado. A falta desta política é um erro capital, pois não temos uma política educacional de prevenção, temos, sim, somente de repressão, mantendo assim o número de vítimas muito além do que gostaríamos, bem como uma mortalidade e custos altíssimos, pois também temos carência na qualificação dos profissionais que atuam nas emergências . Como é a procura dos acadêmicos de medicina pela Cirurgia de Trauma? Na sua opinião, a que se deve essa realidade? Há uma grande procura por todos os acadêmicos dos cursos de medicina e enfermagem pelas atividades referente ao Trauma. Todos os eventos são um sucesso de público e com alto nível de qualidade, realizados sistematicamente. Quanto à procura pela residência em Cirurgia do Trauma, estamos vivendo uma realidade lastimável, desde o momento que deixou de ser especialidade e se tornou área de atuação. Não há dúvida do gran-

Rogério Fett Schneider

de equívoco em acharmos que é possível formar um Cirurgião do Trauma em um ano. O programa de residência de Cirurgia do Trauma deverá ser reavaliado profundamente para que possamos recuperar a qualificação e a credibilidade.

Recentemente, os senhores organizaram o Simpósio de 25 anos da residência do Hospital de Porto Alegre. Como foi este evento? Quanto ao evento comemorativo aos 25 anos de Cirurgia do Trauma do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, do qual me orgulho muito de ter sido a terceira turma de residentes formados, tivemos a preocupação não só com a elaboração de um programa científico, com temas bastante instigantes, mas também nos preocupamos em estar em um ambiente de confraternização, com mais de 50 residentes formados. O evento foi realizado no Hospital de Clínicas e contamos com a participação de autoridades, como o secretário da Saúde do município de Porto Alegre, a diretora do Hospital de Clínicas e o diretor do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Houve também a participação ativa das Ligas do Trauma de ULBRA e PUC, dos cirurgiões do Trauma do Hospital Cristo Redentor e Hospital de Pronto Socorro de Canoas e de muitos preceptores do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Muito nos honrou a presença e participação nas atividades científicas do presidente da SBAIT, Dr José Mauro da Silva Rodrigues, e do Dr Sizenando Vieira Starling, como convidado especial. Foram realizadas discussões de casos e apresentação de conferências. Faço o destaque à conferência do Prof. Dr Hamilton Petry de Souza, pois, como criador da residência de Trauma no serviço de cirurgia do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, apresentou a história da Cirurgia do Trauma não só em nosso estado, mas também em nosso País. Fechamos nosso encontro com um jantar de confraternização com a presença maciça de todos os colegas cirurgiões do Trauma, fato que demonstrou a união deste grupo e também empatia entre várias gerações que entendem a importância desta especialidade cirúrgica.


9

3º Trimestre/2017

Conversa Técnica

Tratamento não operatório das lesões contusas das vísceras maciças abdominais *Sizenando Starling hospitalar quanto ao preparo e treinamento da equipe médica. São condições imprescindíveis ao TNO, um local adequado para observação e monitoramento do paciente, um centro cirúrgico e um cirurgião do trauma, permanentemente disponíveis para atender qualquer evento adverso que possa ocorrer, e a disponibilidade de exames laboratoriais e de imagem (principalmente ultrassom e TC). É desejável dispor de serviços de hemodinâmica e de endoscopia digestiva. Equipe médica bem preparada e um protocolo bem elaborado complementam os pré-requisitos. Os critérios de inclusão do protocolo já estão bem definidos e são por ordem de importância: estabilidade hemodinâmica, ausência de sinais de lesões de vísceras ocas (irritação peritoneal difusa) e realização de TC com contraste venoso. A não observação de qualquer um desses critérios aumenta muito a possibilidade de falha do TNO. Apesar do alto índice de sucesso do TNO, ainda não existe um protocolo consensual. Nos guidelines publicados pela AAST, os tópicos não consensuais são, entre outros: frequência em que deve ser realizado o hemograma e o exame físico, o tempo de monitorização, tempo de repouso no leito, de internação e de quando voltar às atividades físicas e quando utilizar profilaxia medicamentosa para TVP. No entanto, mesmo apresentando variação quanto aos recursos tecnológicos disponíveis em cada instituição, esses tópicos não influenciam, de maneira Arquivo pessoal

Desde longa data, é conhecida a insatisfação do cirurgião ao abordar um paciente com hemoperitônio por traumatismo contuso e encontrar, durante o ato cirúrgico, uma lesão de víscera maciça tamponada por coágulos e sem sangramento ativo. Nessa circunstância, há uma difícil decisão a ser tomada em relação à necessidade de se inspecionar a lesão, pois, neste caso, é comum ocorrer destamponamento, o que pode ocasionar sangramento, muitas vezes, importante e de difícil controle, em particular nas lesões hepáticas. No caso de se optar pela não inspeção, persiste a incerteza associada ao risco de uma segunda laparotomia em consequência de novo sangramento. Até o final do século passado, o diagnóstico do hemoperitônio, na maioria das vezes, era realizado por lavado peritoneal diagnóstico e o tratamento era sempre cirúrgico. Nesta época, perguntas importantes ainda não tinham respostas satisfatórias: todo hemoperitônio, mesmo em paciente hemodinamicamente estável, deveria ser abordado? Existiria uma maneira de se diagnosticar a víscera maciça lesada que não fosse por laparotomia? Seria possível saber se o sangramento estava ativo ou não? A utilização do tratamento não operatório (TNO) no trauma contuso (em casos raros e excepcionais) é relatada na literatura médica há muito tempo, mas as lesões, caracteristicamente, eram diagnosticadas tardiamente. Na década de 80 do século passado, a utilização crescente da tomografia computadorizada (TC) nos pacientes propiciou o diagnóstico preciso e precoce das lesões das vísceras maciças no trauma. Com a melhoria na qualidade dos tomógrafos, foi possível obter mais detalhes das lesões, classificá-las quanto à extensão e gravidade, estimar o volume de sangue perdido e, de forma importante, verificar a presença ou não de sangramento ativo. Esse avanço tecnológico forneceu subsídios para responder não só as perguntas acima relatadas, mas possibilitou algo ainda maior: propor uma nova opção de tratamento. O TNO é, na atualidade, a primeira opção de abordagem das lesões contusas das vísceras maciças abdominais, com um alto índice de sucesso e com baixa morbimortalidade, até mesmo nas lesões consideradas complexas. Entretanto, para realizá-lo com segurança, são indispensáveis alguns pré-requisitos, tanto em relação à infraestrutura

significativa, a evolução do paciente, desde que os critérios de inclusão sejam aqueles já relatados e rigorosamente seguidos. Acompanhamento clínico bem feito é, sem dúvida, essencial. Mesmo que a experiência tenha mostrado que as lesões esplênica, hepática e renal tenham comportamentos diferentes, deve-se salientar que nas seguintes situações a opção para realizar TNO independe da víscera lesada: a) não são contra-indicações ao TNO: a gravidade da lesão (grau e volume de hemoperitônio na TC), a idade maior que 55 anos e a presença de lesões associadas em outros segmentos corpóreos, inclusive TCE; b) presença de sangramento ativo arterial na TC (blush) necessita de arteriografia com possível embolização e quando esta não está disponível, a cirurgia é a melhor opção de tratamento; e c) na presença de sinais de irritação peritoneal, em qualquer momento da evolução do paciente, o TNO deve ser interrompido. Atualmente, muitos estudos procuram identificar os fatores preditivos de falha do TNO. Os mais importantes e que têm alguma relevância, embora sem significância estatística expressiva são: a instabilidade hemodinâmica à admissão, o grau da lesão, o volume do hemoperitônio, o ISS>25, a necessidade de uso de hemocomponentes, o blush de contraste na TC e a idade do paciente. De concreto, é possível dizer que o TNO das lesões contusas das vísceras maciças abdominais é uma realidade e veio para ficar, mas ainda está buscando seu lugar no arsenal terapêutico do politraumatizado. Ademais, não é toda instituição que tem condições de realizá-lo com a segurança necessária. Principalmente no Brasil, onde as diferenças de recursos entre as diversas regiões são tão acentuadas. Na maioria das cidades localizadas no interior do país, ainda existem situações em que as melhores opções são operar o paciente ou transferi-lo para um local onde as condições para executar o TNO com segurança estejam presentes. *Sizenando Starling Cirurgião Titular do Hospital João XXIII (FHEMIG), Cirurgião Titular do HGIP (IPSEMP) e do Hospital Evangélico, em Belo Horizonte (MG). Ex-presidente da SBAIT (20112012) e atual membro honorário. Ex-mestre do Capítulo de MG do CBC (2008-2009 e 2010-2011) e atual membro titular. Membro Titular da SPT e da IATSIC. Instrutor do ATLS e do DSTC. Professor Convidado do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG.


10

3º Trimestre/2017

Conhecimento

Simpósio de Trauma e APH é realizado em São José dos Campos (SP) O Simpósio de Cirurgia do Trauma e Atendimento Pré-Hospitalar (APH) foi realizado no dia 26 de agosto, em São José dos Campos (SP), nas dependências do Hospital Municipal “Dr. José de Carvalho Florence” e no Centro de Reabilitação Lucy Montoro, localizado ao lado da unidade hospitalar. O evento teve como objetivo compartilhar conhecimento com profissionais altamente qualificados no atendimento ao trauma e melhorar, dessa forma, a assistência na região. Membros da SBAIT estiveram presentes no evento compartilhando sua experiência durante a programação de Cirurgia de Trauma e APH, abordando diversos temas de grande relevância para os profissionais da área. Segundo os organizadores, foi um dia muito rico de aprendizado e troca de experiências, com a participação de 136 pessoas e 14 palestrantes. O evento contou com a presença de vários membros da SBAIT, entre eles o Prof. Dr. José Mauro da Silva Rodrigues, presidente da

Beto Faria

Membros da SBAIT participaram do evento que reuniu cerca de 150 pessoas

SBAIT esteve representada no Simpósio por diversos membros e pelo presidente Dr José Mauro da Silva Rodrigues

entidade, e palestrantes de renome internacional, que ministram aulas de alto nível nas áreas de tecnologia, regulação, inovação, controle de dano, tratamento não operatório, novas diretrizes em cirurgia do trauma e transfusão maciça, entre outros. O coordenador do Comitê de Prevenção

da SBAIT, Prof. Dr. Gustavo P. Fraga, encerrou o evento abordando o tema da prevenção como uma saída para a situação que nossos serviços de saúde estão passando. Ele enfatizou, principalmente, o programa P.A.R.T.Y. e o Maio Amarelo.


11

3º Trimestre/2017

P.A.R.T.Y. Brasil

São José dos Campos realiza mais uma edição do Programa palestras aos adolescentes com foco em questões como álcool e direção, falta do cinto de segurança , uso do celular, entre outros fatores de risco presentes nas ocorrências de trânsito. Também são realizadas visitas à área de atendimento do HM e ao Centro de Reabilitação Lucy Montoro, visando a compreensão pelos alunos do processo de recuperação de uma vítima de trânsito. São José é a primeira cidade do Vale do Paraíba a participar do Programa P.A.R.T.Y. Brasil. Em 2016, quase 50% das vítimas graves encaminhadas ao Hospital Municipal eram da faixa etária entre 14 e 29 anos. Além de São José dos Campos, no Brasil, o Programa P.A.R.T.Y., fundado no Canadá, também possui atuação nas cidades de Ribeirão Preto (SP), Campinas (SP), Vitória (ES) e Participantes do P.A.R.T.Y. São José durante palestra Corpo de Bombeiros Sorocaba (SP).

?????????????

V Jornada de Trauma e Emergências Médicas da LAITE é realizada em Vitória (ES) A V Jornada de Trauma e Emergências Médicas da LAITE (Liga de Atendimento Integrado ao Trauma e à Emergência) foi realizada no último dia 2 de setembro, em comemoração aos 10 anos da Liga da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com ênfase na “sala de choque”, e contou com cerca de 400 participantes, entre médicos e acadêmicos. Os cirurgiões Dr Domingos André F Drummond (MG) e Dra Ana Célia Romeo (BA) es­t iveram presentes Evento recebeu 400 participantes como convidados. O evento foi realizado no Centro de Convenções de Vitória (ES), com apoio da SBAIT-ES, núcleo ATLS-ES e capitulo ES do CBC.

Representantes das Ligas de Trauma do Estado de São Paulo reunidos com o presidente da SBAIT, Dr José Mauro da Silva Rodrigues

O presidente da SBAIT, Prof Dr José Mauro da Silva Rodrigues, esteve reunido com representantes das Ligas do Trauma do Estado de São Paulo, na sede da entidade, no último dia 29 de julho, para discutir a criação do CoPaLT (Comitê Paulista das Ligas de Trauma). A reunião também contou com a presença do Dr José Cruvinel Neto, membro da diretoria do capítulo SBAIT-SP e presidente do Congresso Paulista de Trauma.

Ligas de Trauma Simulado de atendimento de múltiplas vítimas intra-hospitalar é realizado em Curitiba (PR) O Hospital do Trabalhador, em Curitiba (PR), realizou um simulado de atendimento de múltiplas vítimas intra-hospitalar para treinamento das equipes do pronto-socorro na manhã do dia 2 de agosto. Foram atendidas 25 vítimas simuladas de uma situação que envolveu uma colisão em um poste, atropelamentos e ferimentos por arma de fogo. Simulação com múltiplas vítimas no Hospital do Trabalhador A maioria das vítimas foi simulada por O principal foco do treinamento foi na estudantes de medicina de ligas do triagem hospitalar, definição de locais e trauma. Houve também a participação equipes de atendimento e fluxos internos do Serviço Integrado de Atendimento ao em uma situação com múltiplas vítimas Trauma em Emergência (SIATE) e SAMU, simultâneas de gravidade variada. com ambulâncias, e do helicóptero do Participaram médicos, residentes, Batalhão de Polícia Militar de Operações estudantes, enfermeiros, socorristas e Aéreas (BPMOA) para o transporte destas vários outros profissionais, com resultado vítimas ao hospital. bastante positivo. Venilton Küchler

Fotografia PMSJC

No dia 25 de agosto, foi realizada mais uma edição do Programa P.A.R.T.Y. Brasil em São José dos Campos (SP), com alunos do 2º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Profº Dorival Monteiro. O programa P.A.R.T.Y. de São José é realizado no Hospital Municipal e conta com profissionais da Prefeitura, SAMU, GRAU, Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal e Estadual. Durante os encontros, são ministradas

Arquivo SBAIT

Programa tem parceria com diversos serviços e corporações

Ligas de Trauma do Estado de SP reúnem-se para criação do COPALT


12

3º Trimestre/2017

Agenda

crmpr.org.br ou pelo email: eventos@ crmpr.org.br | (41) 3240-4045 ou 84167171. Participação online e presencial.

Event

os

 Curso de Atendimento Pré-Hospitalar - módulos mensais - das 19h às 22h30. Local: Sede do CRM-PR. Informações pelo site: http://www.crmpr.org. br ou pelo email: eventos@crmpr.org.br | (41) 3240-4045 ou 8416-7171.  I Congresso Paulista de Cirurgia do Trauma - De 05 a 07 de outubro de 2017, no Hotel Sheraton WTC, em São Paulo (SP). Informações pelo email secretaria@ sbait.org.br ou telefone (11) 3188 4558.

 TRAUMA Teleconferência SBAIT Última quarta-feira de cada mês, das 17 às 18h (horário de Brasília). Mais informações: secretaria@sbait.org.br.  Pan American Trauma Tele-Grand Rounds - Todas as sextas-feiras, casos apresentados por diferentes instituições via Telemedicina, com início programado em horários intercalados. Mais informações: fkuchkarian@med.miami.edu.  Curso de Emergências Cirúrgicas e Trauma - módulos mensais , das 19h30 às 22h, na Sede do CRM-PR, em Curitiba (PR). Informações pelo site: http://www.

 I Jornada Acadêmica de Trauma e Cirurgia e de Terapia Intensiva - De 08 a 11 de novembro de 2017 em Paracatu/ MG. Informações: http://medicinaintensiva.wixsite.com/lamia  XXX Congresso Sociedade Pan-Americana do Trauma - De 26 a 30 de novembro de 2017, na Cidade do México, México. Em breve, Informações.  XIII Congresso SBAIT / XX Congresso CoLT - De 23 a 25 de agosto de 2018, Local: Curitiba/PR. Em breve, Informações.