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Edição Quadrimestral

nº 7

2018/1

CASOS CLÍNICOS Dor Abdominal, Febre e Perda de Peso.

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Aneurisma de Artéria Ilíaca Interna Roto.

Tratamento Endovascular Associado a Retalho de Músculo Intercostal no Manejo da Fistula Aorto-esofágica. Disfagia Secundária à Pseudoaneurisma Traumático da Aorta Torácica.

ARTIGO EM DESTAQUE O Futuro do Tratamento do Aneurisma de Aorta Abdominal.

ACONTECEU Veja os principais eventos promovidos pela Sociedade no primeiro semestre de 2018.


Editorial Caros associados, É com grande felicidade que damos continuidade ao nosso informativo, que passa a se chamar SBACV RS INFORMA. Iniciamos a gestão 2018/2019 com muitos projetos, muitos já aconteceram e outros estão em andamento. A SBACV RS tem a sua sede. Em negociação com a Sociedade de Cirurgia Geral, conseguimos locar uma de suas salas e agora temos um espaço exclusivo. O espaço é utilizado para as reuniões da diretoria, pela nossa secretária para suas atividades do dia a dia e para receber novos associados e os nossos parceiros da indústria. Coloco o espaço a disposição dos associados para a realização de reuniões ou atividades científicas com prévio agendamento. As reuniões científicas iniciaram no mês de março e são um sucesso. Temos mantido nosso compromisso em realizar as reuniões mensalmente e buscar sempre profissionais que sejam referência nos temas a serem abordados. Apesar do momento econômico pelo qual passa nosso país, com muito esforço e com o apoio da indústria e fornecedores temos organizado even-

tos de alta qualidade científica. Outra novidade que implementamos é a da contratação de uma equipe de filmagem para todos os eventos, possibilitando a disponibilidade dos conteúdos a todos os associados em qualquer momento, através do nosso site. As três primeiras reuniões do ano já tiveram cerca de 150 acessos. Outro projeto que está em andamento é o de semanalmente, levar conteúdo científico aos sócios. Todas as sextas-feiras temos encaminhado um e-mail ao associado com um breve resumo do artigo científico que será publicado em nosso site. Já estão disponíveis em nosso site diversos artigos e guidelines com os temas mais relevante em nossa área. Nosso próximo grande evento será o FLEBO 2018, que será realizado no Hotel Sheraton em Porto Alegre entre os dias 16 e 18 de agosto de 2018. Receberemos os mais importantes nomes da flebologia nacional e internacional, sendo uma grande oportunidade de aprendizado e troca de experiências. Contamos com a participação de todos. Saudações associativas, Claudio Nhuch

Expediente Presidente: Claudio Nhuch Vice Presidente: Clandio De Freitas Dutra Secretário Geral: Alexandre Mariante Horn Vice Secretário: Sharbel Mahfuz Boustany Diretor Científico: Guilherme Napp Vice Diretor Científico: Joel Alex Longhi Diretor De Divulgação: Rafael De Nogueira Ribeiro Vice Diretor De Divulgação: Luiz Guilherme Torres Junior Tesoureiro Geral: Luciano Amaral Domingues Vice Tesoureiro Geral: Silvio Cesar Perini Diretor De Defesa Profissional: Regis Angnes Vice Diretor De Defesa Profissional: Hugo Moreira Da Cunha Silva

Presidente Gestão Anterior: Renan Roque Onzi Conselho Fiscal: Clovis Altair Diehl Pedro Pablo Komlós Luciane Barreneche Navarez

Contato com a Sociedade: E-mail: vascular@sociedadesonline.com.br

Fone: (51) 98022- 5566 Atendimento das 14h às 20h Informativo da Sociedade Brasileira de Angiologiae de Cirurgia Vascular - Regional Rio Grande do Sul

Jornalista Responsável Claudia Stivelman Registro: 61.00.025946-3 Editoração Amanda Caselli Projeto Gráfico Laura Palmini Periodicidade Quadrimestral 2018


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AGENDE-SE

CONESUL VASCULAR 2018 Data: 26 a 28 de julho de 2018 Local: Hotel Bourbon Cataratas Convention & Spa Resort Endereço: Rodovia das Cataratas, Km 2,5, nº 2345, Vila Yolanda, Foz do Iguaçu (PR) Telefone de contato: (41) 3092-2176, (41) 99901-0032 Informações: www.conesulvascular.com.br; secretaria@conesulvascular.com.br

23º CONGRESSO BRASILEIRO MULTIDISCIPLINAR EM DIABETES Data: 26 a 29 de julho de 2018 Local: ANAD Endereço: Rua Vergueiro, 1211, Paraiso, São Paulo (SP) Telefone de contato: (11) 5908-6777 Informações: diretoria@anad.org.br I CONGRESSO INTERNACIONAL MASTER EM FLEBOLOGIA ESTÉTICA Data: 23 a 25 de agosto de 2018 Local: Sheraton São Paulo WTC Hotel Endereço: Av. das Nações Unidas, 12559, Brooklin Novo, São Paulo (SP) Telefone de contato: (62) 99814-9011 Informações: www.congressocife.com.br

VIII CONGRESSO BRASILEIRO DE ECOGRAFIA VASCULAR Data: 05 a 08 de setembro de 2018 Local: Sheraton Reserva do Paiva Endereço: Avenida A, 4, Paiva, Cabo de Santo Agostinho (PE) Telefone de contato: (81) 99653-3044 Informações: www.ecografia2018.com.br

XV PANAMERICAN CONGRESS ON VASCULAR AND ENDOVASCULAR SURGERY Data: 03 a 06 de outubro de 2018 Local: Windsor Oceânico Hotel Endereço: Rua Martinho de Mesquita, 129, Barra da Tijuca (RJ) Telefone de contato: (21) 2548-5141 Informações: www.panamericancongress.com.br 43º CONGRESSO BRASILEIRO DE ANGIOLOGIA E DE CIRURGIA VASCULAR Data: Outubro de 2019 Local: Centro de Convenções de Pernambuco Endereço: Recife (PE) Telefone de contato: (81) 99289-9875 Informações: www.sbacv-pe.com.br

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ACONTECEU Ação Global em Porto Alegre 2017 A SBACV RS realizou cerca de 305 atendimentos a pacientes e, ao menos, 150 exames de Ecodoppler de Carótidas e Vertebrais durante o evento Ação Global - SESI. Realizado no dia 15 de dezembro, final do ano de 2017, o Ação Global teve o objetivo de atender gratuitamente aqueles pacientes que, não possuem tantos recursos para a realização dos exames específicos.

Reunião Científica - ABRIL No mês de abril, a reunião científica ocorreu no dia 18. Foram abordados assuntos como Balões Farmacológicos no Salvamento de Acessos de Hemodiálise e na Doença Aterosclerótica Obstrutiva Periférica, com a presença de um convidado internacional, o italiano Dr. Nicola Troisi.

Nova sala da SBACV RS A gestão 2018/2019 da SBACV RS inaugurou no 1º semenstre de 2018, a nova sede da Regional, localizada no 1º andar da AMRIGS. Agora mais moderna e com a individualidade necessária para as atividades periódicas da nova diretoria.

Reunião Científica - MARÇO -

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No dia 16 de março ocorreu a reunião científica que abordou Stents Farmacológicos na Doença Fêmoro-Poptílea, com o palestrante Luiz Antônio Furuya, cirurgião vascular e endovascular.


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ACONTECEU Cadastramento na área restrita do site

Reunião Científica - MAIO No dia 12 de maio, a reunião discutiu Terapia de pressão negativa no pé diabético, com Dr. Rafael Ortiz. No mesmo dia, foi realizada a reunião de Terapia Compressiva e coberturas avançadas no tratamento de feridas complexas, com a Enfermeira Clarissa Proença.

Mesa redonda ULBRA Liga de Ginecologia e Obstetrícia e pela IFMSA Brasil No dia 14 de junho aconteceu o evento que tratou do tema Anticoncepção e TVP: mitos e verdades. Dr.Claudio Nhuch conversou com o ginecologista Dr.Marcelo Matias.

Prestação de contas gestão 2016/2017 A Assembleia Geral Ordinária ocorreu no dia 14 de junho. O evento, que ocorreu na nova sede da SBACV RS, teve como fim apresentar a prestação de contas da diretoria da SBACV RS 2016/2017. Todas as contas foram aprovadas pelo Conselho Fiscal.

A SBACV RS, na busca constante de qualificação das áreas digitais da sociedade, está disponibilizando um espaço para que o associado possa atualizar seus dados no banco de dados da regional. Estas informações são oferecidas à comunidade leiga, na pesquisa “Encontre seu médico vascular”, já disponível no site. Outra importante funcionalidade da área restrita do site, são os artigos científicos e Guidelines, que estão sendo publicados semanalmente para acesso do associado ativo. Esta é uma das ações prioritárias desta gestão da SBACV RS, um forte trabalho na atualização científica dos membros ativos da sociedade... Participe, acesse.

Defesa profissional com formulário online para associados Agora, o site da SBACV RS tem um meio eletrônico especial para denúncias referentes a defesa profissional e exercício ilegal da especialidade. Ao enviar o formulário, a Regional RS encaminhará a denúncia ao Departamento Jurídico da SBACV Nacional, para que as devidas providências sejam tomadas. Basta o associado preencher a área no espaço específico do site e enviar a denúncia.

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CASOS CLÍNICOS SANTA CASA

HOSPITAL DE CLÍNICAS PORTO ALEGRE

Dor abdominal, febre e perda de peso Rebeca Regert, Gabriel Azevedo Leal, Marcio Luis Lucas, Nilon Erling Junior, Eduardo Lichtenfels Descrição do caso

Gustavo Dreher, Pedro Kronfeld, Ricardo Bocchese Paganella, Marco Aurélio Grudtner e Adamastor Humberto Pereira Descrição do caso

Paciente masculino, 55 anos, previamente hígido, relata início de dor epigástrica e periumbilical no último ano, sem identificar fatores de alívio ou piora. Refere piora progressiva nos últimos 3 meses, tornando-se contínua e associada a perda ponderal de 7kg neste período. Três dias antes da admissão hospitalar, apresentou febre que se repetiu diariamente durante a internação, em média 38,5°C, até o seu tratamento definitivo. Demais sistemas sem alterações. Ao exame físico apresentava massa pulsátil periumbilical e no flanco esquerdo. Angiotomografia abdominal demonstrava aneurisma gigante (15,1 x 14,0 cm) de artéria esplênica (figura 1). Dentre as coletas de hemocultura houve um resultado positivo para Listeria monocytogenes. Realizou antibioticoterapia dirigida (ampicilina) e amplo rastreio para outras comorbidades associadas, incluindo sorologias virais, pesquisa de doenças autoimunes e endocardite (ecocardiograma transtorácico), sendo todas investigações negativas, exceto diabetes mellitus tipo 2. Optado por tratamento cirúrgico aberto com acesso subcostal bilateral. O aspecto intraoperatório era de aneurisma infeccioso (secreção turva na parede do aneurisma associado a intensa aderência perilesional), sendo possível a endorrafia dos vasos aferentes e eferente a dilatação. No período de pós-operatório apresentou pronta resolução de quadros febris, porém no sétimo dia teve aumento de provas inflamatórias (proteína C reativa e contagem de leucócitos). A tomografia de controle demostrou coleção abdominal que teve drenagem espontânea por ferida operatória. A análise deste material confirmou tratar-se de fistula pancreática, que apresentou resolução completa em cinco semanas. O exame de cultura da peça cirúrgica evidenciou Listeria monocytogenes, mesmo germe de hemocultura previa. Discussão Setenta por cento dos aneurismas viscerais acometem a arteria esplênica, geralmente saculares, únicos e localizados em seu terço distal tendo sua incidência estimada em 0,8% da população. Aneurisma micóticos representam 2,6% de todos aneurismas. Dentre os vasos viscerais, a artéria mesentérica superior é a mais afetada; aqueles relacionados a Listeria monocytogenes são considerados raros, com poucos casos descritos. Masuda et al., revisaram 13 relatos de casos de aneurisma por L. monocytogenes entre 1965 e 2012, sendo todos de aorta, nenhum com acometimento de artérias viscerais. Há poucos relatos de aneurismas micóticos de artéria esplênica, porém todos relacionados a endocardite. A L. monocytogenes é um bacilo gram-positivo ubíquo presente na natureza e comum no trato gastrintestinal de animais que causa principalmente contaminação alimentar levando a quadros de intoxicação gastrointestinal. Apresentações mais graves estão geralmente associados a paciente com imunossupressos, idosos e gestantes. A relevância desse artigo ocorre pela singularidade do caso, um aneurisma micótico gigante de artéria esplênica com germe incomum para este tecido. Deve-se salientar a importância deste diagnóstico diferencial em pacientes com dor abdominal crônica e sintomas constitucionais inespecíficos. Embora o tratamento endovascular seja lembrado como primeira opção para correção de aneurismas viscerais, a cirurgia aberta permitiu nesse caso a ressecção da massa e seu conteúdo infectado de forma adequada.

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Tratamento Endovascular Associado a Retalho de Músculo Intercostal no Manejo de Fístula Aorto-esofágica

Mulher de 47 anos, em tratamento para SIDA, procura emergência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre por quadro de hematêmese (4 episódios). Tomografia de tórax e endoscopia digestiva alta diagnosticaram aneurisma sacular de aorta torácica descendente, com fístula aorto-esofágica (imagem 1). No dia 2, foi realizada correção endovascular com liberação de endoprótese vascular torácica Zenith Cook. Paciente apresentou boa evolução após o procedimento, sem novos episódios de sangramento, mantendo dieta por sonda nasoentérica e uso de antibiótico endovenoso, porém angiotomografia no dia 15 demonstrou gás no interior do saco aneurismático. Optado por realização de interposição de retalho de músculo intercostal entre esôfago e aorta, por toracotomia direita no dia 21 (imagem 2). Na alta hospitalar, manteve antibioticoterapia via oral. Após 5 meses, procurou a emergência por dor torácica refratária a analgesia. Angiotomografia demonstrou saculações na aorta torácica, junto a extremidade proximal da endoprótese, sem alteração em exames laboratoriais e ausência de febre. Paciente foi submetida a tratamento endovascular, com implante de extensão de endoprótese em aorta torácica descendente proximal (cook alpha), logo após emergência de artéria subclávia esquerda. Paciente apresentou boa evolução no pós-operatório, com alívio da dor, endoscopia sem novas alterações e angiotomografia com ausência de gás no saco aneurismático, que apresentou redução considerável de diâmetro (6,8cm—> 4,2cm). Fístula aorto-esofágica é uma patologia infrequente, porém invariavelmente fatal quando adotado tratamento conservador. A Cirurgia aberta apresenta taxas de morbimortalidade praticamente proibitivas. O reparo endovascular do aneurisma da aorta torácica (TEVAR) tem se mostrado uma válida alternativa para controle de sangramento, reduzindo taxas de mortalidade. Entretanto, este reparo está associado a risco significativo de infecção de endoprótese e sepse, relacionados a persistência do defeito esofágico. TEVAR imediato, seguido de tratamento estagiado com cobertura do defeito esofágico com retalho de músculo intercostal apresenta-se como alternativa interessante para o tratamento de fístula aorta-esofágica.


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HOSPITAL SÃO LUCAS DA PUCRS Aneurisma de Artéria Ilíaca Interna Roto – Tratamento Endovascular O aneurisma isolado de artéria ilíaca interna é raro. Apresenta uma incidência de 0,4% representando 1% dos aneurismas aorto ilíacos. Seu diagnóstico precoce é de difícil realização, por ser assintomático em sua grande maioria e pela sua localização pélvica. Ocorre mais frequentemente em homens idosos e em metade dos casos é bilateral. Sua incidência de ruptura é de aproximadamente 33%, levando a um quadro de mortalidade de cerca de 30 a 60%. O reparo cirúrgico apresenta uma mortalidade elevada em comparação com o tratamento endovascular, principalmente quando realizado o reparo de urgência. É relatado caso de aneurisma de artéria ilíaca interna roto, sendo realizado reparo endovascular com embolização da artéria ilíaca interna e complementado com implantação de endoprótese na artéria ilíaca comum e externa. Descrição do caso Paciente do sexo masculino, 77 anos, iniciou com quadro de dor abdominal há 10 dias com piora da dor há 4 dias. Referiu dor abdominal em fossa ilíaca esquerda do tipo fisgada, irradiada para região lombar e associado à constipação. Negou queixas genito-urinárias. Paciente com história prévia de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus insulino dependente, doença renal crônica não dialítica, cardiopatia isquêmica com revascularização miocárdica há 7 anos e ex tabagista (fumou 30 anos/maço). Ao exame físico com estado geral preservado e estável hemodinamicamente. IMC de 37,4kg/m². Abdomen globoso, dor a palpação profunda em fossa ilíaca esquerda sem apresentar peritonismo ou massas palpáveis. Exames laboratoriais revelaram Hb: 11.2, Leucócitos de 16820 sem desvio à esquerda, Plaquetas 312.000; RNI de 1,3; Creatinina 3,31; Uréia de 191 e Proteína C Reativa de 39,3. Realizado TC de abdômen + pelve com contraste evidenciando aneurisma de artéria ilíaca interna esquerda roto contido com hematoma de cerca de 7,6cm no maior diâmetro, com compressão do ureter terminal esquerdo levando a leve dilatação do sistema coletor do rim. Artéria ilíaca comum esquerda medindo 17mm e externa medindo 12mm. Paciente foi encaminhado para o setor da hemodinâmica estável hemodinamicamente. Os acessos realizados foram dissecção da artéria ilíaca externa direita por incisãotransversa acima do ligamento inguinal e punção com introdutor 7F.Punção de artéria femoral comum esquerda com bainha 6F. Realizado aortografia+ arteriografia com cateter pigtailconfirmando aneurisma de artéria ilíaca interna esquerda roto. Cateterização de artéria ilíaca interna esquerda com cateter vertebral 5F. Realizado embolização de ramos da artéria ilíaca interna com molas de liberação controlada 14x60mm e 14x40mm(Abbot®). Passagem de guia hidrofílica via bainha 7F direita realizando captura com laço via bainha femoral esquerda, passagem de cateter vertebral e troca pela guia extrasuporteLunderquist para manobra do ‘’varal’’. Realizado medida com cateter pigcentimetrado da artéria ilíaca esquerda. Realizado implante de endoprótese 18mm x80mm x 14mm (Ovation – 14F) – artéria ilíaca comum 18mm e ilíaca externa 14mm recobrindo a origem da artéria ilíaca interna esquerda.Realizado angiografia final sem evidência de vazamentos. Retirada do sistema introdutor e realizado arterioplastia da artéria ilíaca externa esquerda com prolene 5-0. Fechamento da ferida operatória por planos. Paciente encaminhado para unidade de terapia intensiva permanecendo por 48h. Exames do pós operatório imediato demonstraram Hb de 9,9 e Cr de 3,32. Paciente recebeu alta hospitalar no 6º pós operatório. Uma semana após a alta paciente retornou na emergência com quadro de infecção superficial da ferida operatória, sendo tratado com antibioticoterapia e curativos obtendo cicatrização adequada. Atualmente mantém acompanhamento ambulatorial. Discussão Os aneurismas isolados da artéria ilíaca interna são de baixa prevalência, geralmente assintomáticos, gerando desafio no seu diagnóstico. O principal

Pereira, OR; Suksteris, ML; Hausen, GGS; Giacobbo, R; Perini, SC; Schulte, AA

fator etiológico é o processo degenerativo causado principalmente pela aterosclerose(80%). 2,4 Ocorre mais comumente nos homens (relação de 6:1) e em pacientes idosos (média de idade – 67,2 anos) e em cerca de 50% dos casos é bilateral4. Na maioria dos casos os pacientes se encontram assintomáticos até a ruptura. Quando sintomáticos podem se apresentar como quadro de dor abdominal ou lombar, massa pulsátil, sintomas genito-urinários (hematúria; hidronefrose, cólica renal ,ruptura para bexiga) gastrointestinais(constipação, tenesmo, hemorragia digestiva baixa) ou neurológicos (dor lombo sacral; paresia, irritação do psoas) devido a sua localização. A compressão venosa pode levar a quadro de trombose venosa profunda. 6,9Os sintomas compressivos são mais evidentes quando o aneurisma apresenta diâmetro superior a 5cm.4A dor pode ocorrer de forma aguda pela expansão/ruptura ou de forma crônica pela compressão nervosa. Dor e hipotensão são os sintomas mais comuns na ruptura2,3. Pela sua localização pélvica dificilmente se realiza diagnóstico precoce. Ao exame físico cerca de 55% dos pacientes podem apresentar massa pulsátil palpável em fossa ilíaca. Usualmente o diagnóstico é incidental na investigação de outras patologias e atualmente com a maior realização de exames tem ocorrido um aumento no diagnóstico. A ecografia abdominal e pélvica é útil para o diagnóstico e acompanhamento dos pacientes assintomáticos. A angiotomografia configura o padrão ouro para o diagnóstico e planejamento terapêutico. 2,15 A ruptura pode ser a forma de apresentação em 35% dos casos com uma mortalidade de cerca de 58%.4Sua incidência de ruptura gira em torno de 33%, levando a um quadro de mortalidade de cerca de 30 a 60%.3Geralmente a ruptura ocorre para o retroperitôneo.13 O tratamento eletivo leva uma mortalidade peri operatória de 7-11%, enquanto no tratamento de emergência mortalidade de 33-50% .17 As indicações para o tratamento incluem a ruptura, aneurismas com diâmetro superior a 3cm (limiar de ruptura de 14 -31%)17, pacientes com aneurisma menor que 3cm porém sintomáticos ou em expansão (>4mm/ano).1,2,12Apesar da indicação clássica de 3cm um estudo multicêntrico demonstrou que aneurismas <4cm apresentam baixa incidência de ruptura podendo ser observado até essa dimensão.7,8 Seu tratamento pode ser realizado cirurgicamente pela ligadura cirúrgica isolada (associado com aumento do saco aneurismático em até 33% dos casos) 15, a endoaneurismorrafia ou ligadura associada a by-pass. Porém a proximidade com estruturas vizinhas ao aneurisma podem gerar diversas complicações com alta morbidade ao paciente, devido à profundidade na pelve para obter campo cirúrgico adequado. 11-13 O tratamento endovascular apresenta diversas vantagens como o acesso cirúrgico, menor hemorragia, menor transfusão de hemoderivados e diminuição da permanência hospitalar.2,10,12 É a técnica de eleição para pacientes com alto risco cirúrgico. Não existe na literatura seguimento a longo prazo que a indique como primeira escolha.1 As técnicas endovasculares são alternativa pela menor morbidade (28% x 43%), mortalidade (0 x 3%) e duração de internação ( 1 x 9 dias) comparado ao tratamento cirúrgico. Esta forma de tratamento não deve ser utilizada em pacientes com sintomas compressivos, pois não reduz o efeito de massa. 4,7,10 As opções endovasculares são de oclusão do fluxo distal com mola ou plugs associado àendoprótese com extensão da ilíaca comum para a externa, a embolização como equivalente da ligadura distal e a extensão da endoprótese como ligadura proximal. 14,17 Quando há necessidade de preservação do fluxo na hipogástrica e há zona de ancoragem proximal e distal pode ser realizado com endoprótese ramificada ou com a técnica da chaminé. 10 Quanto à embolização da artéria hipogástrica, apresentam alguns riscos, sendo os mais conhecidos: claudicação glútea (28% unilateral e 42% quando embolização bilateral), disfunção erétil e entre as mais temidas a isquemia colônica, isquemia medular e necrose da pele da região glútea. 5,7 Sempre que possível deve se preservar o fluxo da artéria ilíaca interna, principalmente se houver lesões na artéria contra lateral, assim evitando as possíveis complicações. 16 O caso relatado apresenta o tratamento endovascular (embolização da ilíaca interna esquerda complementada pelo implante de endoprótese em artéria ilíaca comum e externa) como uma alternativa para o tratamento do aneurisma de ilíaca interna roto, principalmente para doentes com um alto risco cirúrgico, obtendo uma menor morbimortalidade.

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HOSPITAL CONCEIÇÃO Disfagia Secundária à Pseudoaneurisma Traumático da Aorta Torácica Gabriela Moreira Kraft, Mariane Amado de Paula, Joel Alex Longhi, Rodrigo Argenta Descrição do caso Paciente masculino, 43 anos, iniciou com sintomas de disfagia e odinofagia com piora progressiva associados a dor torácica atípica intermitente. A investigação levou a realização de Endoscopia Digestiva Alta (EDA) a qual evidenciou compressão esofágica extrínseca (Imagem 1). Seguiu-se com Tomografia Computadorizada (TC) com contraste que demonstrou formação aneurismática no segmento proximal da aorta descendente (Imagem 2), distando cerda de 24 mm da emergência da artéria subclávia esquerda, com 60 mm de extensão e diâmetro máximo de 45 mm, colo proximal de 23 mm e o colo distal de 23 mm. Revisão da História Clínica: história familiar negativa para aneurisma, tabagismo há 20 anos totalizando 4 anos/maço. Trauma contuso em 2001 no qual foi vítima de colisão frontal entre dois automóveis com desaceleração, porém sem sequelas após atendimento médico. Realizou exames para estadiamento de risco pré-operatório e para investigação de doenças do colágeno, sendo estes últimos negativos. O tratamento definitivo foi realizado sob anestesia geral, via de controle por acesso braquial esquerdo e via principal em inguinal direita. Utilizamos a endoprótese de aorta torácica modelo Zenith Alpha Tapered, tamanho 34-30/161 mm. Durante o procedimento foi realizada angiografia que evidenciou imagem correspondente a suspeita de pseudoaneurisma (Imagem 3). Controle angiográfico demonstrou posicionamento correto da endoprótese e ausência de endoleak (Imagem 3). Paciente está seguimento ambulatorial, os sintomas foram controlados completamente e em tomografia de controle no primeiro mês com ausência de complicações e endoleak. O pseudoaneurisma da aorta é definido como uma dilatação da aorta devido à ruptura de todas as camadas da parede, ficando contida pelo tecido conjuntivo periaórtico. Suas principais complicações incluem a formação de fístula, compressão ou erosão de estruturas vizinhas. Os pseudoaneurismas torácicos são comumente secundárias ao trauma torácico contuso, como consequência da desaceleração rápida, podendo ser decorrente, também, de etiologia iatrogênicas (cirurgia aberta e/ou endovascular). O tratamento de intervenção deve se proposto, independente do diâmetro. Atualmente, não há estudos randomizados disponíveis que comparam os desfechos após tratamento cirúrgico e endovascular. Estudos não randomizados e meta-análises, a mortalidade precoce e a paraplegia são menores após Tratamento Endovascular da Aorta Torácica (TEVAR) do que Cirurgia Aberta , dependendo da extensão do reparo e características do paciente, em particular idade e comorbidades. Bibliografia - Management of Descending Thoracic Aorta Diseases. Clinical Practice Guidelines of the European Society for Vascular Surgery (ESVS). Eur J Vasc Endovasc Surg (2017) 53, 4e52. - Endovascular repair of traumatic thoracic aortic injury: Clinical practice guidelines of the Society for Vascular Surgery. J Vasc Surg 2011;53:187-92.

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ARTIGO EM DESTAQUE O futuro do tratamento do aneurisma de aorta abdominal Sharbel Mahfouz Boustany A etimologia da palavra aneurisma vem da palavra grega para “dilatação”. O aneurisma da aorta abdominal (AAA),como uma condição médica, tem sido reconhecido desde a antiguidade, mas não foi tratado com sucesso até o início do século XX. Em 1923, Rudolph Matas (que também propôs o conceito de endoaneurismorrafia) realizou a primeira ligadura aórtica bem-sucedida em um humano. Em 1949, Albert Einstein foi operado por Rudolf Nissen, que envolveu a aorta com celofane de polietileno, que induziu a fibrose e restringiu a velocidade de crescimento, mas não impediu a ruptura do aneurisma. Em 1951, Charles Dubost realizou o primeiro reparo de AAA usando um homoenxerto. Em 1953, Blakemore e Voorhees repararam um AAA rompido usando um enxerto Vinyon-N (nylon). Em 1962, Javid e Creech relataram a técnica da endoaneurismorrafia. Esta técnica tem sido empregada até hoje no reparo dos AAA. Em 1980, Parodi descreveu o reparo endovascular. Desde então, ocorreu um grande avanço nos dispositivos que proporcionaram a utilização cada vez mais frequente desta técnica em detrimento do reparo aberto. Esta evolução permanente das técnicas e dispositivos tem transformado o reparo do aneurisma de aorta em um tratamento cada vez menos invasivo, diminuindo radicalmente a morbidade do procedimento e o tempo de permanência hospitalar. O tratamento endovascular, que inicialmente era restrito à aorta infrarrenal, hoje se estende a todos os segmentos da aorta torácica e abdominal, bem como às artérias ilíacas.. A preocupação com a exposição ao raio X, tanto do paciente quanto da equipe assistencial, será cada vez maior. A utilização de angiógrafos com menor emissão e dispersão de radiação, bem como a fusão de cortes tomográficosjá são realidade nos maiores serviços. Num futuro breve, deverão estar disponíveis em centros menores, tornando-se ferramenta fundamental de proteção radiológica. A evolução dos dispositivos de fechamento arterial e a diminuição do perfil das endopróteses permitem hoje o tratamento totalmente percutâneo do AAA utilizando anestesias de menor porte.Inclusive vasos calcificados eventualmen-

te poderão ser tratados com novos dispositivos que utilizarão mecanismos de fechamento com géis bioabsorviveis ou polímeros não absorvíveis. A taxa de reintervenção, calcanhar de Aquiles da técnicaendovascular, deverá diminuir significativamente. Existe hoje um grande investimento no estudo da fisiologia e tratamento dos vazamentos. A utilização de polímeros tanto para selamento do saco quanto do colo, tem gerado grandes debates. As endoâncoras para selamento dos colos também deverão ter seu uso ampliado. Ainda não sabemos o papel exato destas tecnologias. Provavelmente, encontrarão seu espaço à medida que houver uma melhor compreensão dos mecanismos de degeneração e calcificação do colo e da trombose do saco aneurismático. Devido à alta complexidade e grande variedade dos materiais endovasculares, a formação do cirurgião endovascular deverá ser complementada pelo uso de simuladores. Um dado que já é realidade e tende a se magnificar é a diminuição da indicação da cirurgia aberta, bem como a observação de piores resultados desta técnica quando comparados com os obtidos no passado. Cada vez mais os dispositivos vão vencer as dificuldades anatômicas que limitam o emprego da técnica endovascular. Por outro lado, haverá grande dificuldade no treinamento de cirurgiões vasculares para realização do reparo aberto. Desta forma, deverão se formar centros de referência para esta modalidade terapêutica. Estudos utilizando modelos animais de progressão de AAA e culturas de explantes de AAA humano identificaram vários alvos potenciais para prevenir o crescimento de AAA. No entanto, nenhum estudo clínico confirmou de forma convincente a eficácia de qualquer tratamento farmacológico contra o crescimento do AAA. É provável que uma melhor compreensão dos mecanismos de degeneração nos leve ao desenvolvimento de drogas capazes de inibir o crescimento aneurismático. A identificação de populações genéticas específicas com risco de desenvolver AAA já é uma realidade. Os avanços fantásticos das terapias genéticas poderão, quem sabe, se estender para estes pacientes. Enquanto as medidas preventivas forem ineficazes, o aumento da sobrevida média da população acarretará em aumento da incidência do AAA, exigindo que o cirurgião vascular esteja cada vez mais apto a lidar com a patologia em uma população cada vez mais idosa e com maiores comorbidades.

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SBACV RS Online Artigos publicados

Management of the Diseases of Mesenteric Arteries and Veins Guideline atualizado elaborado pela Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular, detalhando aspectos importantes do diagnóstico e tratamento da doença vascular arterial e venosa mesentérica.

A Structured Review of Antithrombotic Therapy in Peripheral Artery Disease With a Focus on Revascularization Consenso elaborado pela InterSociety Consensus for the Management of Peripheral Artery Disease (TASC), que realiza uma revisão estruturada do uso de antiagregantes plaquetários e anticoagulantes na doença arterial periférica.

Low-Density Lipoprotein Cholesterol Lowering With Evolocumab and Outcomes in Patients With Peripheral Artery Disease. Circulation

The management of diabetic foot: A clinical practice guideline by the Society for Vascular Surgery in collaboration with the American Podiatric Medical Association and the Society for Vascular Medicine Guideline colaborativo liderado pela Sociedade Americana de Cirurgia Vascular, que aborda aspectos detalhados da prevenção, diagnóstico e tratamento desta importante condição de saúde pública: Pé Diabético.

Ensaio Clínico Randomizado (Fase 3) com o novo medicamento Evolocumab (Anticorpo Monoclonal direcionado aos receptores do LDL). Este estudo é uma sub-análise do Estudo Fourier que avaliou pacientes com Doença Arterial Obstrutiva Periférica e demonstrou redução de Eventos Maiores Cardiovasculares e Eventos Maiores Relacionados ao Membro Inferior.

Management of Atherosclerotic Carotid and Vertebral Artery Disease: 2017. Clinical Practice Guidelines of the European Society for Vascular Surgery (ESVS)

ESC Guidelines on the Diagnosis and Treatment of Peripheral Arterial Diseases, in collaboration with the European Society for Vascular Surgery (ESVS)

Guideline atualizado elaborado pela Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular, detalhando aspectos importantes do tratamento farmacológico, diagnóstico de imagem e tratamento de intervenção da doença carotídeo-vertebral extracraniana.

Detalhado Consenso Europeu que abrange todos os territórios da doença aterosclerótica periférica: Carótida Extracraniana, Mesentérica, Renal, Membros Inferiores e Superiores. Estão sumarizadas recomendações sobre manejo farmacológico, métodos diagnósticos e de intervenção.

ATTRACT Trial - Pharmacomechanical Catheter-Directed Thrombolysis for Deep-Vein Thrombosis

Indications for medical compression stockings in venous and lymphatic disorders: An evidence-based consensus statement

Estudo randomizado que comparou anticoagulação versus trombólise farmacomecânica na trombose venosa proximal, tendo como desfecho principal a síndrome pós-trombótica.

Este consenso sumariza as recomendações da terapia elástica nos pacientes com doença venosa e linfática com um análise baseada em evidências e sumarizada conforme sistema GRADE.

The Society for Vascular Surgery practice guidelines on the care of patients with an abdominal aortic aneurysm

Management of Descending Thoracic Aorta Diseases. Clinical Practice Guidelines of the European Society for Vascular Surgery (ESVS)

Consenso detalhado elaborado pela SVS (Society for Vascular Surgery) sobre o manejo do aneurisma de aorta abdominal. Avalia, baseado no sistema GRADE, o diagnóstico, o acompanhamento pré-intervenção, a avaliação pré-operatória, as formas de tratamento, o manejo trans-operatório e pós-operatório e o acompanhamento pós-intervenção.

Guideline atualizado elaborado pela Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular, detalhando aspectos importantes do diagnóstico e tratamento de intervenção das doenças da aorta torácica descendente.

Reunião científica de abril SBACV RS

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STENT Farmacológico na doença Femoro-Poplítea


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Informativo quadrimestral - 2018  

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