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Fim do Derba provoca reação em todo Estado Aprovada bojo da reforma administrativa do governador Rui Costa, em dezembro do ano passado, a extinção do antigo Departamento de Estradas e Rodagens da Bahia (Derba), depois de quase 100 anos – exatos 97 anos e seis meses – de relevantes serviços prestados a infraestrutura rodoviária baiana, acarretará enormes prejuízos a economia do Estado, a começar pela queda do padrão de qualidade na construção, conservação e manutenção dos quais 20 mil km da malha rodoviária estadual. Além disso, resultará na precária (ou mesmo na falta) de fiscalização das obras que serão entregues a empreiteiras e empresas de terceirização de serviços e na elevação dos custos dos projetos, que podem chegar a 300% por km exectudo, já que a autarquia primava pela eficiência aliada à economia

Extinção será discutida em audiência pública Iniciativa é do deputado estadual Luciano Simões Filho O deputado estadual Luciano Simões Filho (PMDB) vai convocar, para o inicio de junho, uma audiência pública, na Assembleia Legislativa, para discutir a extinção do Derba e de outros órgãos como a Empresa baiana de Alimentos (Ebal), a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA e o Instituto Mauá, atingindos pela Lei 21.007/14, que instituiu a reforma administrativa do governador Rui Costa, aprovada em dezembro do ano passado pela Alba. Por enquanto, o parlamentar vem ouvindo ex-dirigentes e funcionários dos órgãos extintos, para avaliar as dimensões dos prejuízos e reunir material para a audiência pública. Ele informou que falta receber informações da Ebal e do Instituto Mauá, a fim de reunir os subsídios para embasar a audiência pública. Por ora,

Luciano Simões Filho considerou a extinção de órgãos importantes como o Derba “uma falta de respeito com a dignidade de seus funcionários, que em momento algum foram consultados sobre as mudanças promovidas pelo Governo do Estado”. Outro parlamentar que se manifestou contra o fim do Derba foi o deputado federal José Carlos Araújo (PSD), presidente do Conselho de Ética da Câmara Federal. O parlamentar, que se diz “derbiano, por ter trabalhado no órgão, considerou extinção da autarquia “um erro crasso, num momento em que o Governo do Estado ainda não tem soluções para as estradas que precisam de reparos e manutenção”. Araújo afirmou que “sem dinheiro, os prefeitos não têm condições de cuidar as estradas baianas”.

de dinheiro público, fazendo mais com os recursos de que dispunha. Como se esse grave vaticínio não bastasse, há quem aponte ainda a multiplicação dos pedágios que serão cobrados nas rodovias mais movimentadas do Estado. Acompanhem nesta edição o que pensam sobre a extinção do órgão engenheiros, ex-dirigentes, exgovernadores, políticos e até funcionários e aposentados das Residências de Manutenção, entristecidos com uma decisão que consideram “precipitada, açodada e lesiva ao patrimônio público estadual”. Saibam também a quem interessa o fim do Derba (editorial - página 3), autarquia que escreveu, com tinta de asfalto, muito trabalho e dedicação, a saga rodoviária da Bahia.

Ex-governadores pesarosos com o fim da autarquia Página 3

Tristeza e indignação tomam conta das residências Página 5


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Ex-governadores lamentam o fim do Derba Lomanto, Roberto Santos e Waldir Pires destacam a importância da autarquia Apontado como um dos governadores que mais investiram no Derba e valorizaram seus funcionários, Lomanto Júnior considerava o Derba uma grande escola de engenharia, como assinala o filho dele, o administrador de empresas, Lomanto Neto. A reportagem deste jornal não pode conversar com o ex-governador que, aos 90 anos de idade, convive com lapsos de memórias e de lucidez, porém Lomanto Neto, o Lomantinho, falou pelo pai. “Se estivesse lúcido, meu pai diria que a extinção do Derba foi um grande crime”, afirma Lomantinho. Ele disse ter ouvido muitas vezes do ex-governador, que mora em Jequié, que pelo Derbapassaram os grandes empresários da engenharia civil na Bahia. Lomantinho lembra que as residências do Derba em Jequié e Feira de Santana, a maior de todas, foram construídas na gestão de Lomanto Júnior, bem como asestações rodoviárias de Feira de Santana e de Itabuna. “Meu pai construiu mais de 2 mil kms

de estradas asfaltadas na Bahia. A principal delas foi a que liga Feira de Santana a Juazeiro, o maior estirão já feito no Estado, tão importante que mudou o Plano Rodoviário Nacional”. O ex-governador Roberto Santos disse ter ficado “realmente surpreso” com a extinção do Derba, “um dos primeiros órgãos a ser bem estruturados na Bahia e que prestou relevantes serviços ao Estado”. Ele destacou a excelente qualificação de seu pessoal na construção e manutenção de rodovias, e manifestou preocupação com o futuro da malha rodoviário baiana. Durante sua administração foram feitos 1054 km de pavimentação, 1.290 de revestimentos primários e construídos 3.326 metros de pontes.

Negligência administrativa Já o ex-governador Waldir Pires considerou o fim do Derba “uma negligência para com a estrutura administrativa do Estado, pois a Bahia tem uma extensão rodoviária importante

pata todo o país”. Waldir destacou que “o Derba era um órgão empreendedor, com uma estrutura administrativa organizada, profissionais competentes, dedicados e com uma vinculação importante e estreita com o serviço público”. Ele lembrou que contratou, em caráter de emergência, 600 servidores, 30 para cada residência, para atender as demandas das estradas, carentes de conservação e manutenção. O ex-governador ressaltou ainda que o órgão sempre contou com uma equipe de engenheiros “absolutamente especializada que ajudou a fazer do Derba um patrimônio de toda Bahia”. Um desses engenheiros é Carlos Alberto Dantas Mendes, que foi secretário de Transportes e Comunicações no governo do próprio Waldir. É o ex-secretário quem afiança: “O Derba teve a melhor equipe de projetos do Brasil”. Dantas Mendes prevê que “a Bahia vai pagar um alto custo por esta leviandade, já que a atuação do Derba resultava em economia para os cofres públicos”.

“O Derba trabalhava como se construísse catedrais”, elogiou Juracy Magalhães. Autêntico reconhecimento da importância histórica do órgão e do valor dos seus funcionários, um dos maiores elogios ao Derba foi feito pelo governador Juracy Magalhães. Num discurso de agradecimento a homenagem que os servidores da autarquia lhe prestaram, pouco antes de transferir o cargo para seu sucessor, Lomanto Júnior, Juracy Magalhães reconheceu: “O pessoal do Derba trabalha com a convicção de quem constrói catedrais”. No discurso, proferido na Estação Rodoviária de Salvador, em 29 de março de 1963, Juracy Magalhães prosseguiu: “É por isso que o trabalho do Derba rende – há o espírito de equipe. O Derba não tem tiranos. É uma organização democrática. O companheiro é escolhido para

dirigir os seus destinos e recebe o apoio consciente de todos os seus companheiros, sem nenhuma preocupação de influência partidária”. Por essa razão, diz o governador em final de mandato - como se falasse da atual Petrobras, dilapidada pela corrupção - “é preciso deixar o Derba incontaminado de influências políticas, pois, quando a política partidária ingressa em uma organização como o Derba, ela vai à falência” Juracy Magalhães ressaltou que “o Derba trabalhava e trabalhava bem, apesar dos governos”. “Eu palmilhei as estradas da Bahia com a equipe do Derba, visitei as residências e senti o conceito público do qual se firmava que, hoje, o viajante largava as estradas federais e procurava as estradas estaduais,

porque estas eram mais bem conservadas”, afirmou o governador. Juracy reconheceu ainda que se houve um setor em que a sua administração, triunfou de forma indiscutível, “foi o Derba, e é preciso que se proclame este êxito para estímulo daqueles que procedem bem no serviço público”.

Lomanto Júnior

Roberto Santos

Waldir Pires

EXPEDIENTE INFORMATIVO DA ASSOCIAÇÃO SINDICAL DOS SERVIDORES DO DERBA - ASDERBA/SINDICATO DIRETORIA EXECUTIVA: PRESIDENTE: NILTON BORGES RAMOS/ VICE-PRESIDENTE: OSMAR FREIRE GUIMARÃES/ SECRETÁRIO GERAL: BALBINO ALELEUIA LIMA DO NASCIMENTO/ SECRETÁRIO ADJUNTO: LYDIO FRANCISCO BRITTO/ TESOUREIRO GERAL: RAIMUNDO DA SILVA OLIVEIRA/ TESOUREIRO ADJUNTO: JOSÉ BONFIM TENÓRIO SANTOS/ DIRETOR DE FORMAÇÃO SINDICAL: MANOEL RIBEIRO DE CARVALHO CONSELHO FISCAL: ANTERO NUNES DE AZEVEDO / MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA GUIMARÃES / ADLSON HENRIQUE DA SILVA / SUPLENTES DO CONSELHO FISCAL: JORGE ALVAREZ / ANTONIO FERREIRA SILVA / NEY PACHECO DE OLIVEIRA DELEGACIAS SINDICAIS REGIÃO METROPOLITANA E RECONCAVO: TITULAR: ADEMAR FRANCO REGIS / SUPLENTE: JOSÉ CAETANO DE JESUS REGIÃO SUL/ SUDOESTE: TITULAR: JOSÉ ALCÂNTARA ARGOLO / SUPLENTE: RAMIRO MANOEL DOS SANTOS REGIÃO DA CHAPADA DIAMANTINA E ALÉM SÃO FRANCISCO: TITULAR: JOSÉ ALCÂNTARA ARGOLO / SUPLENTE: RAMIRO MANOEL DOS SANTOS REGIÃO NORTE: TITULAR: NELSON DE JESUS / SUPLENTE: PEDRO QUEROZ DE SOUZA DIRETORES DOS DEPARTAMENTOS DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO, PATRIMONIO E INFORMATICA: OTAVIANO SILVA DE OLIVEIRA/ DEPARTAMENTO DE ASSUNTOS JURIDICO: GERSON PEREIRA LIMA/ DEPARTAMENTO DE ASSUNTOS APOSENTADOS: ANTONIO BATISTA MACHADO/ DEPARTAMENTO DE ASSUNTO DE SAÚDE DO SERVIDOR: MARIA SOLANGE SANTOS/ DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO E IMPRENSA: FLORISVALDO DA SILVA SANTOS/ DEPARTAMENTO DE ASSUNTO INTER - SINDICAIS: ANTONIO GOMES CASTRO/ DEPARTAMENTO DE CULTURA, ESPORTE E LAZER: JULIO JOSÉ BARBOSA GARCEZ Rua Artur de Sá, nº 208 - Pituba / Tel.: (71) 3353-4833 e 3353-4837 E-mail: sasderba@hotmail.com

Ex-governador Juracy Magalhães

Editor: Francisco Vasconcellos/ Reportagens: Elieser Cesar/ Fotos: Saturnino Bezerra/ Projeto gráfico e editoração eletrônica: Marco Ribeiro/ Produção: Alan Portugal/ Impressão: Gráfica A Tarde/ Tiregem: 10 mil exemplares


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EDITORIAL

A quem interessa o fim do Derba? Depois de 97 anos e seis meses de existência e de relevantes serviços prestados aos municípios baianos, na abertura de estradas, expansão da malha rodoviária estadual e integração econômica das diversas regiões do Estado, o Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia, antigo Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia (Derba), foi extinto, em 28 de fevereiro passado, no bojo da reforma administrativa do governador Rui Costa. Foi, na verdade, uma morte anunciada, já que, a partir do ano de 1991, o órgão - referência na manutenção e na conservação dos quase 20 mil km da malha rodoviária da Bahia - veio sendo progressivamente esvaziado, com a redução de suas atividades, a falta de investimentos em equipamentos e máquinas e de contratação de pessoal e a quase completa indiferença das administrações estaduais que nada fizeram para conter seu processo de esfacelamento. Nos tempos áureos, até meados dos anos 70 do século passado, o Derba chegou a ter 7.500 funcionários. Depois foi sendo esvaziado aos poucos. Os velhos servidores, pioneiros na construção de estradas, foram se aposentando, sem a devida reposição de pessoal. Ao ser extinto, em dezembro de 2014, o órgão contava apenas com 746 servidores, muitos dos quais decidiram se aposentar. Constituido por um corpo de servidores de alto gabarito e responsabilidade técnica, atuando com ética e competência, o DERBA se consolidou na máquina administrativa do Estado da Bahia, como um exemplo de órgão empreendedor e eficiente. Seus servidores pensavam, planejavam, projetavam, construíam ou recuperavam pequenos trechos de estradas, e sobretudo conservavam a malha rodoviária bahiana, realizando uma conservação preventiva e rotineira. A construção das estradas e pontes, após licitação, eram empreitadas às construtoras, que eram eficazmente fiscalizadas por técnicos do Departamento durante a execução dos serviços.

Para o lugar do Derba, que era uma autarquia e, portanto, tinha autonomia própria, foi criada a Superintendência de Infraestrutura de Transportes da Bahia (SIT), vinculada à Secretaria de Infraestrutura (Seinfra). O objetivo oficial da medida é “centralizar as atividades do órgão na Administração Direta com a finalidade de executar os programas relativos à subfunção transporte, de competência do Estado, bem como a construção e administração de terminais rodoviários, hidroviários e aeroviários”. Foi uma decisão deplorável, temerária e açodada, como se pode depreender do péssimo estado em que se encontra boa parte da malha rodoviária sob a responsabilidade do Governo da Bahia. Quadro que deverá se agravar com o atual período de chuvas. Com a extinção, cabe a pergunta: a quem interessa o fim do Derba? Talvez, sobretudo, à algumas empreiteiras, generosas minas de ouro nas doações das campanhas eleitorais. Com a terceirização da conservação, o preço da execução do Km deverá ser majorado em torno de 300%, comprovado por estudos já realizados. Aliado a isso, a qualidade dos serviços não será a mesma daqueles realizados diretamente pelo Estado, devido principalmente a alta rotatividade da mão de obra nas empresas e a ganância de alguns empreiteiros para obtenção do lucro inescrupuloso. Além do mais, sem a presença das 20 Residências de Manutenção e Conservação espalhadas por todas as regiões do Estado, e a SIT com o reduzido quadro de servidores não

terá como fiscalizar o andamento das obras para garantir o cumprimento do padrão Derba de qualidade, o mesmo do antigo DNER. A extinção do Derba segue na contramão do bom-senso dos demais Estados da Federação que mantiverem seus órgãos congêneres. Em Goiás, por exemplo, o governador Marcondes Perillo acabou o Departamento Estadual, mas manteve toda sua estrutura. São Paulo tentou extinguir, mas voltou atrás. Existe também o risco da implantação da cobrança de pedágios nas rodovias estaduais de maior trafego de veículos. E com isso o aumento do “Custo Brasil”, já que 85% das mercadorias do pais são transportadas através das rodovias. E toda essa conta deverá ser paga pela população. Por que a Bahia não pode fazer o mesmo? Ao invés de extinto, o Derba deveria ter sido fortalecido e reestruturado ao longo das últimas três décadas, porque detém a expertise no planejamento, projeto, construção, fiscalização, manutenção e conservação de estradas. Pois tinha seus próprios equipamentos, usinas de asfalto e funcionários capacitados que, no curso de sua história, suaram a camisa pela integração regional da Bahia. Pauta de REINVIDINDICAÇÕES

2. Cumprimento das decisões judiciais já transitadas e julgadas, com implantação em folha de pagamento, e pagamento das diferenças salariais e precatórios (horas extras, insalubridade e periculosidade, URP e equiparação salarial dos NUS aos Procuradores). 3. Manutenção das gratificações existentes (GET, CET, GPC etc.). 4. Complementação do pagamento da parcela do CET, no percentual de 10% negociado. 5. Implantação de um programa de incentivo à aposentadoria premiada. 6. Participação do Sindicato no processo de regulamentação da SIT. 7. Disponibilidade de uma pequena área no local onde, hoje, funcionam as Residências de Manutenção e a sede do Derba, para que a Sasderba continue desenvolvendo atendimento ambulatorial aos seus associados. 8. Reajuste salarial para todos os servidores ativos e inativos, obedecendo a data base. Companheiros, vamos à luta. O DERBA VIVE!

Cabe, agora, a todos os derbianos - essa grande família que cresceu com cheiro de terra e asfalto - lutar pelo atendimento de nossa pauta de reivindicações. São elas: 1. Permanência de todos os servidores do Derba na SIT.

Nilton Borges Ramos, presidente da

Associação Sindical dos Servidores do Derba - Asderba/Sindicato


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História do Derba

Saga começou com tropeiros e caixeiros-viajantes Repórter fotográfico conta a história do Derba em livro que aguarda patrocínio. Tudo começou com os tropeiros que, na década de 20 do século passado, levavam as boiadas que vinham das Minas Gerais para o sul da Bahia, depois para Jequié e de lá para o Piauí. Em seguida vieram os caixeiros-viajantes que montavam no lombo de burros e viajavam em embarcações precárias desbravando o sertão para vender suas mercadorias. Com o tempo essas duas categorias de pioneiros dos caminhos da Bahia passaram a exigir a abertura e conservação de estradas. A reivindicação ecoou junto às autoridades que acabaram criando o antigo Departamento de Estradas e Rodagens da Bahia (Derba). Quem conta a história é repórter fotográfico (aposentado) Valter Lessa, uma espécie de “enciclopédia em Derba”. Fotógrafo do jornal A Tarde, durante muitos anos, Lessa foi também chefe da Assessoria de Relações Públicas do Derba, por um período de 25

Castelo Branco e Lomanto Júnior, inaugurando rodovia

anos, até 1991. Tanto conhecimento de causa não poderia resultar em outro empreendimento: Valter Lessa escreveu um livro, de mais de duzentas páginas, que conta a história da autarquia até os seus 95 anos e só ainda não o publicou por

falta de patrocínio. Sobre o Derba e as estradas da Bahia, ele tem um precioso acervo de 108 mil fotografias catalogadas. “Os caixeiros-viajantes eram os irmãos siameses dos topógrafos e engenheiros”, compara. Segundo

Lessa, oficialmente o Derba começou a existir em 31 de agosto de 1917. “Tanto que esta data passou a ser considerada o Dia do Rodoviário Baiano”, informou o fotógrafo e pesquisador. Antes da autarquia, as primeiras estradas vicinais foram construídas pela Companhia Viação Sul Baiana (Sulba). Como chefe da Assessoria de RP, embrião da atual Assessoria de Comunicação Social, Valter Lessa acompanhou a construção das três principais rodovias construídas pelo Derba; a BA -04/BR-407, que liga Feira de Santana a Juazeiro, com 385 kms e inaugurada em 4 de março de 1967, pelo Presidente Castelo Branco; a BA-052, a Estrada do Feijão (Feira de Santana-XiqueXique), entregue pelo governador Antônio Carlos Magalhães, em duas etapas, a primeira em outubro de 1971 e a segunda em março de 1972; e o trecho da BR-242, ligando Argoim a Ibotirama, concluído pelo governador Luiz Viana.

Uma ponte longe demais “Outra obra importante foi o desbravamento do extremo-sul da Bahia, com a construção do trecho Eunápolis-Itamaraju, de 86 km. Até aquela época, o extremo-sul era isolado da Bahia. O acesso se dava por Nanuque, em Minas Gerais. O governador Lomanto Júnior convocou o Derba para o desafio de romper esse isolamento”, conta Lessa. Ele revela ainda outra curiosidade da autarquia. A construção da ponte Ilhéus-Pontal fora prometida pelo Imperador Dom Pedro II, durante a visita de Sua Magestade ao sul da Bahia, em 1858, mas a promessa não foi cumprida. Na campanha presidencial, de 1950, num comício em Ilhéus, Getúlio Vargas lançou o desafio: “Me façam uma ponte para

o Catete e eu farei a ponte do Pontal”. Obteve uma grande votação local , mas também não cumpriu a promessa. Nos anos 60, também em comício na Praça São Sebastião, em Ilhéus, o candidato Lomanto Júnior, disputando com Waldir Pires o governo da Bahia, emulou Getúlio e repetiu: “Construam-me a ponte para o palácio Rio Grande e eu construirei a ponte Ilhéus-Pontal”. Ganhou a eleição e, desta vez, a promessa foi cumprida.. “Com 330 metros, a ponte foi construída em tempo recorde, em nove meses e inaugurada por Castelo Branco. Somente uma pessoa discursou na solenidade, o engenheiro Franz Gedeon, encarregado da obra”, relembra Lessa. O repórter fotográfico diz que o

Repórter fotográfico Valter Lessa

apogeu do Derba se deu na década de 50, quando o órgão passou a ter uma atuação bem maior, enquanto o declínio começou com a extinção do Fundo Rodoviário Nacional (criado em 1945 por iniciativa do deputado federal Maurício Joppert, que também era engenheiro) e se intensificou a partir do governos de Antônio Carlos Magalhães. “O

Serviço de Pesquisa Tecnológica do Derba era considerado o melhor do país e respeitado pelo SPT de Portugal, um dos mais renomados do mundo. O Derba sempre se destacou na realização de grandes obras. Seu esvaziamento progressivo representou também o desperdício de um grande material humano”, avalia Valter Lessa.


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Derbianos manifestam tristeza e indignação Equipe de jornalistas visita Residências de Manutenção Nada melhor do que colocar o pé na estrada para falar daqueles que dedicaram toda a vida a derrubar matas

e cavar o chão para construir rodovias, abrir estradas vicinais, manter e conservar a malha rodoviária da Bahia. Foi o que fizeram o gerente geral da Sasderba, Nilton Borges Ramos e uma equipe de reportagem (dois repórteres, um repórter fotográfico, um cinegrafista e um produtor). De 11 a 19 de março passado,

pouco depois de ter sido concretizada a extinção do Derba, eles visitaram oito das vinte Residências de Manutenção e Conservação do órgão. Em todas elas encontraram um sentimento de tristeza, revolta, indignação e até de incerteza em relação ao destino dos funcionários remanescentes. A consideração de

todos, independentemente da grande distância de uma residência para outra, é de pertencerem à uma mesma família, o tronco intermunicipal dos derbianos. Confiram, nas páginas seguintes, o que pensam os derbianos, na ativa e aposentados, dessas residências, por ordem cronológica das visitas.

5ª Residência, Itaberaba (11 de março)

“Éramos respeitados em todas as cidades” José Dantas de Santana, de 71 anos, ingressou no Derba em 1º de janeiro de 1962, como auxiliar de escritório. Nos tempos áureos do órgão, ele viajava num pequeno avião para fazer o pagamento dos operários em pleno campo. “Levava uma grande pasta de dinheiro e chegava a pagar até 300 homens. Nunca fomos assaltados”, recorda Dantas. Natural de Cipó, ele foi trabalhar em Itaberaba, o que acabou influindo no destino do celibatário servidor que pretendia ser padre

e chegou a cursar o Seminário da Piedade, dos padres capuchinhos, em Salvador. O religioso derbiano acabou seduzido pelo charme de uma itaberabense com quem se casou e constituiu família. Por isso, faz questão de reconhecer: “O Derba me deu tudo. Eu tinha o Derba como uma família, um órgão operante e muito útil. Nós, funcionários erámos respeitados em todas as cidades”. Na mesma residência,o mecânico Aderbal Rodrigues Cerqueira, de 64

anos, se mostrava indignado com o sucateamento das máquinas. “Como é que pode essas máquinas ficarem aqui sem uso, enferrujando, com tantas estradas esburacadas?”, pergunta, apontando para duas patrois, duas caçambas e um caminhão-pipa”. E acrescenta: “Só pode ser por incompetência desse governo que se diz do trabalhador”.

“Se a gente sair daqui, vai para onde? Aqui tem um bocado de gente velha esperando a melhor hora para se aposentar” (Carlos Antônio Pedreira Sampaio, jardineiro de 70 anos). “O Derba nunca foi um órgão distante, mas sempre interligado com o desenvolvimento de toda região” (Mário Silva Santos, encarregado de escritório, 40 anos). “Nem com ACM, aconteceu um desastre desses, acabar com o Derba” (José Ferreira, agente administrativo, derbiano há 36 anos). “A extinção do Derba é uma traição a Bahia” (Zezito Santiago da Silva, motorista, de 52 anos).

12ª Residência, Morro do Chapéu (12 de março)

“A Bahia sofrerá um grande prejuízo” Ex-prefeito de Morro do Chapéu e de Bonito, no Piemonte da Chapada Diamantina, o empresário Odilésio Gomes, também presidente da Associação dos Criadores e produtores da Região de Morro do Chapéu, prevê que a Bahia terá um grande prejuízo com a extinção do Derba. “O Derba realizava ações preventivas de manutenção e conservação das estradas. Parecia uma coisa simples, mas esse tipo de trabalho evitava os custos elevados para se fazer novas obras”, afirmou Gomes. Para ele, em lugar de ter sido extinto, o

órgão deveria ter passado por um processo de modernização, com investimentos para voltar a ser tão útil como era. “O Derba era uma instituição tradicional e contava com o amor de seus funcionários, que vestiam a camisa do órgão e defendiam os interesses da Bahia”, salientou o político e empresário. Ele frisou que falava em nome dos 330 associados da entidade que dirige, responsável pela implantação do Polo Cafeeiro da Chapada Diamantina, que gerou a criação de dois novos municípios, Bonito e Mulungu do Morro.

Em Morro do Chapéu uma imagem inusitada demonstrou a inércia a que o Derba foi relegado nos últimos anos. O motorista Edvaldo Oliveira dos Santos, de 66 anos, 41 de Derba, utilizou uma carregadeira para buscar um botijão de gás. “Era para estar trabalhando nas estradas, mas o que posso fazer se estamos, aqui, parados e sem ter o que fazer? justifica. Já o operador de carregadeira,

Antônio Gomes Bezerra diz que a maior preocupação de todos é saber para onde vão. O operador de retroescavadeira Gelson Cardoso da Silva, de 51 anos, faz coro: “A gente vai fazer o quê? Quem só sabe trabalhar com máquinas vai fazer o quê? ”.

“Um patrimônio desses não pode se acabar. Não só o pessoal de Morro do Chapéu, mas toda a microrregião depende do Derba” (Evaldo Oliveira dos Santos, operador de equipamentos pesados, de 66 anos, 41 de Derba).

“Dormi até 15 dias no mato, caçando preá para comer” (Samuel Barreto, operário aposentado, de 75 anos). “O governo precisa pagar os precatórios desse pessoal. Tem muita gente esperando. Alguns morreram esperando” (Erizânela Secunde, fotógrafa). “Seria mais barato recuperar e fortalecer o Derba, do que começar tudo de novo” (Gilson do Espírito Santo, aposentado de 79 anos).


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4ª Residência, Jacobina (12 de março)

“Somos uma família unida” “Aqui aprendi tudo. Até a ler na escola do Derba”, diz o aposentado Antônio Nunes de Oliveira, que entrou no órgão aos 13 anos de idade. Ele é um autêntico exemplo do que se convencionou a chamar de “família derbiana”, pois seu pai, Marciano Nunes também foi funcionário da autarquia. Nas vinte residências, com orgulho de quem ajudou a construir e conservar estradas, todos gostam de ser chamados de derbianos. Em Jacobina não é diferente. Que o digam a técnica de enfermagem Andreia Maria de Cravalho Oliveira, que atende na residência local, e o pai dela, seu Antônio que aprendeu a

ler na escola do Derba. “Somos uma família muito unida e ninguém pode desfazê-la assim, de uma hora para outra”, afirma Andreia. Ela revela que, por conta da incerteza, muitos funcionários antigos têm procurado o posto médico. “É que a pressão arterial tem aumentando por esses dias, por conta de informações desencontradas”, explica. Motorista polivalente, pois opera diversos tipos de máquinas, Roberval Silva Cerqueira informa que o Derba tem uma antiga dívida trabalhista com funcionários da ativa e também com os inativos, decorrentes de ações judiciais por desvios de

função, pagamento de periculosidade e insalubridade, adicional noturno e até horas extras que a justiça trabalhista deu ganho de causa. Muitos funcionários esperam, há anos, o pagamento dos precatórios (dívida dos Estados e dos Municípios geradas a partir de decisão judicial). Alguns servidores conseguiram receber os precatórios. Outros ainda aguardam o pagamento há mais de 20 anos.

“Estamos todos na mesma incógnita” (Renato Procópio, tratorista). “Mandarem que eu me apresente no Departamento de Polícia Técnica. Para fazer o quê?” (Vivaldo Miranda da Rocha). “Me disseram para procurar a UNEB, para trabalhar de vigilante ou nos serviços gerais” (Aderbal Barbosa de Souza, vigilante, há 26 anos no Derba). “Sem saber para onde ir, dei entrada no pedido de aposentadoria em janeiro” (Lourisvaldo Alves dos Santos, operário de 68 anos).

13ª Residência, Senhor do Bonfim (13 de março)

“Não gostaria de ter dado esta notícia” Em Senhor do Bonfim, Almir Bamberg, de 82 anos, um descendente de holandeses, como faz questão de frisar, resume o legado do extinto Derba: “Ele deixou muitas benfeitorias para toda Bahia. Seu fim foi uma tristeza para toda a família derbiana”. Na 13ª residência funciona também, nos três turnos, uma escola de 2º grau do Estado. “Procuramos ser útil de todas as maneiras”, emenda Bamberg. Nilson Brito Nascimento, de 72 anos, é radiotelegrafista. Antigamente, quando os governadores visitavam a região, ele atuava como

repórter transmitindo as notícias dos eventos oficiais. Também informava as condições meteorológicas. “Taí uma notícia que eu nunca gostaria de transmitir, o fim do Derba”, diz. O operário Claudionor José da Silva, de 66 anos, que começou trabalhando com picareta no campo, diz que “o Derba foi uma escola de vida”. O técnico em obras públicas, Luiz Alberto Rodrigues Damasceno, revela que na residência de Senhor do Bonfim 19 funcionários aguardam a transferência para outro órgão da administração pública

estadual, enquanto outros sete foram relocados para a SIT, a substituta do Derba. Ele informou que

o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar já estão de olho no imóvel que abriga a residência.

“Quando entrei aqui, as estradas eram tão precárias que se gastava até oito dias para chegar a Juazeiro. Fizemos a roçagem daqui até lá. Depois fomos fazer a estrada, jogando cascalho. Não tinha trator. Quando aparecia um, ficava até cinco dias atolado. Era tudo no trabalho braçal. Trabalhávamos que só burro. Tínhamos que chegar até as 7 da manhã. Quem chegava um minuto atrasado, o engenheiro cortava o dia de trabalho” (Florentino Pereira da Silva, operário).


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14ª Residência, Teixeira de Freitas (16 de março)

“E agora, quem vai cuidar das estradas” Em Teixeira de Freitas, o Estádio Municipal Roberto Pereira de Almeida, o popular Tomatão, foi construído por inciativa do engenheiro residente que emprestou seu nome ao empreendimento e gostava muito de futebol. Depois, o nome do campo foi trocado para Antônio Rodrigues Santana – um homem que incentivou a prática de esportes na região. O chefe substituto da residência local, Albino Dias Ferreira, com 42 anos de trabalho, informa que desde julho do ano passado as residências Derba não vem mais emitindo o Relatório de Trafegabilidade, uma diagnóstico das condições das estradas que deveria ser divulgado a cada três meses. Com isso, o

Governo do Estado abre mão de um importante instrumento para o conhecimento da real situação das estradas. “Éramos responsáveis pela manutenção e conservação de 1.600kms de rodovias. Muitos trechos, como de Teixeira de Freitas para Madeiros Neto e de Itagimirim para Sal da Divisa, em Minas Gerais, estão em péssimo estado. Quem for para o Arraial D’Ajuda, um dos pontos turísticos mais procurados da Costa do Descobrimento, terá que passar por uma estrada vergonhosa. Quem vai cuidar de tudo isso? ”, preocupa-se Ferreira. O operador de motoniveladora Rosival Pereira da Cruz, de 31 anos de serviços,

faz coro à tristeza geral: “Minha família foi construída no Derba. Entrei aqui com 18 anos de idade e não saí mais. Aqui é minha segunda casa. Não queria que acabasse desse jeito”. Como a maioria dos colegas, Rosival começou como trabalhador braçal, manuseando a pá, o facão e a picareta, capinando o terreno, abrindo buracos e construindo valetas para a água da chuva escoar em municípios da região como

Itanhém, Caravelas, Nova Viçosa, Mucuri, Alcobaça, Prado e Itamaraju.

“Como podem acabar com um órgão desses, que beneficia todo mundo, tanto seus funcionários quanto as Prefeituras e nunca deu prejuízo a nenhum governo?” (Antônio Pereira do Nascimento Neto, soldador e mecânico, de 32 anos). “Quando cheguei aqui, era tudo mata. A gente matava macaco nos pés de pequi para comer assado. Era um tempo muito difícil” (Manoel Moreno da Silva, carpinteiro, ferreiro e eletricista, aposentado, de 78 anos).

“Quando chovia, a gente passa até três meses sem poder sair do lugar” (Alcebíades Aras Alves, motorista, há 26 anos no Derba). “Eu agora estou aqui voando, sem saber o que fazer, nas mãos de Deus” (Manoel Serafim dos Anjos, zelador, 26 anos de Derba).

8ª Residência, Itabuna (17 de março)

“Eramos o selo de qualidade” “O coleguismo sempre foi uma marca muito forte no Derba. A gente saiu para o campo na segunda-feira e só voltava na sexta. Claro que havia brigas, pois onde tem muitos homens, sempre tem briga, mas a camaradagem corria solta”, rememora, na residência de Itabuna, o ex-fiscal de pista José Alves Serafim Filho, e agora uma espécie de multissindicalista por integrar seis entidades de classe, dentre elas o Sindicato dos Aposentados e Pensionistas da Bahia, o Conselho Gestor de Saúde do Trabalhador e a Asderba, onde exerce o seu sexto mandato. No Derba, Serafim também já fez

um pouco de tudo. Foi chefe de patrulha, mecânico, operador de trator e pá carregadeira, além de fiscal de pista. “O governo tem que tomar precaução, pois as firmas terceirizadas só querem dinheiro, ao contrário do Derba que fazia o trabalho com amor e dedicação”, alerta Serafim.O técnico administrativo José Eduardo Santos, de 44 anos, ingressou como pedreiro, depois foi vigilante, bombeiro e acabou como radiotelegrafista. Ele também recorda que houve um tempo em que o Derba tinha até avião e era ele quem, através do rádio, informava as condições do tempo para o piloto.

Em Itabuna, a técnica em contabilidade Maria Solange Santos, após 31 anos de serviços prestados define o sentimento que tomou conta dela com a notícia de extinção da autarquia: “Foi um choque; uma decepção. Nem quis acreditar, porque não há nada que possa substituir o Derba”. E, inspirada arremata; “O Derba era o selo de qualidade das estradas da Bahia”.

“Foi uma judiação terminar com o Derba” (João Bispo de Araújo, jardineiro aposentado) “Muitos, como eu, vão ser hostilizados e chamados de incompetentes em outros órgãos, porque só sabemos construir e manter estradas” (Antônio Moreira, sindicalista).

“No meu tempo era tudo estrada de chão. Até, hoje, tenho as mãos calejadas de pegar a pá e a picareta, mas era bom. Havia muita gente trabalhando nas estradas” (Arivaldino Rodrigues dos Santos, aposentado). “Passei a vida nas estradas, inalando fumaça de óleo diesel, sentindo o gosto de gasolina e ainda não recebi os adicionais de insalubridade e periculosidade que cobramos na justiça” (Domires José dos Santos, aposentado).


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7ª Residência, Itapetinga (18 de março)

“Se preparem para pagar mais pedágios” Os funcionários e aposentados da 7ª Residência, em Itapetinga, divulgaram um manifesto de apoio ao Derba e a preservação de seu espólio. No documento, eles alertam que os usuários das rodovias estaduais da Bahia “devem se preparar para a multiplicação da cobrança de pedágios, para a demora (e até a falta) da manutenção e conservação da malha rodoviária do Estado e também para a elevação dos custos das obras, já que as empreiteiras e empresas terceirizadas cobrarão mais caro por metro quadro de pista construída ou recuperada”.

Também deploram que a extinção do órgão “tenha ocorrido de forma autoritária e sem o prévio debate com seus funcionários e com a sociedade civil que, ao longo das décadas, sempre colheu os benefícios dos relevantes serviços que o Derba prestou a Bahia e ao povo baiano”. Três vezes prefeito de Itapetinga, Michel Hagge também se juntou ao coro de descontentes com a extinção do Derba. “Quando o Derba atuava, a gente não tinha do que se queixar. Lamento e estou preocupado com a sua extinção”, disse Hage.Segundo ele, “o

Derba sempre foi muito bom, prestativo e eficiente para toda a região. “Não ficava buraco nessas estradas que os seus funcionários não tapassem, assim que o problema fosse detectado. Agora, por exemplo, a estrada daqui a Itambé está cheia de

buracos. Quem cuidará dos reparos? Não podemos esperar que a estrada se acabe para fazer os reparos necessários”, afirmou o ex-prefeito. Para ele, se não houver uma intervenção rápida muitas estradas da região não resistirão ao inverno.

“O Derba desempenhou um importante papel para a economia da região. Com ele, nós produtores, tínhamos a quem recorrer em caso de necessidade; uma ponte que caiu; uma vala entupida, uma estrada esburacada. Agora, não temos mais essa referência perto da gente. A partir de agora, para uma simples obra de manutenção, o Governo do Estado terá que abrir licitação, num processo demorado, sem contar que as empreiteiras não terão interesse em trechos pequenos” (Eduardo Hage, pecuarista) aponta Hage. “Num primeiro momento será o caos, sobretudo, nas estradas vicinais, de extrema importância para o escoamento da produção regional, já que as empreiteiras não terão interesse em operar nesses pequenos trechos” (Nilton Andrade, produtor rural) “Eu me senti como se abrissem as portas e me colocassem para fora de minha própria casa. Foi como se acabasse a convivência de uma família, pois, muitos de nós, passávamos mais tempo em campo, cavando e tapando buracos, abrindo e consertando estradas, do que com a própria família” (Waldemar Rocha Alves, presidente da Asderba, de 66 anos, 48 dos quais dedicados a autarquia).

11ª Residência, Jequié (19 de março)

“O Derba foi largado na buraqueira” “No tempo em que o Derba era Derba, as estradas andavam boas. Hoje que o Derba acabou, as estradas também acabaram”, constata, em Jequié, o mecânico (aposentado) Alexandrino de Jesus, que ingressou na autarquia em 1965. Ele lembra que o Derba mantinha uma boa escola de treinamento e capacitação, o Centro de Manutenção e Treinamento, no bairro de Valéria, na periferia de Salvador. “Ali só não aprendia quem não quisesse”, garante. Para ele, “o Derba foi largado na buraqueira pe-

los últimos governos, como um carro velho”. Alexandrino lembra que, no distrito de Baixa Alegre, a usina de asfalto funcionava 24 horas por dia. “Isso aqui era um movimento enorme; era muita gente trabalhando, uma família”, diz o motorista Manoel José Francisco, que começou fazendo trabalho braçal e se aposentou como motorista. Agora, Francisco diz que olha para o lado e só ver tristeza e incerteza. O operador de máquinas Moisés Lopes da Costa foi a reunião na residência

em busca de informações sobre o pagamento das ações trabalhistas. “Ainda não sabemos quando vamos

receber. E agora, que o Derba acabou, fica ainda mais difícil por a mão no dinheiro”, receia.

“Como não ficar triste e aborrecido com o fim de uma empresa como o Derba?” (Antônio Santos Coutinho, mecânico de 32 anos) “O Derba era um investimento de sucesso, uma família muito grande” (Osvaldo Mendes dos Santos, auxiliar de mecânico, aposentado depois de 36 anos de serviços). “Já ganhamos sete salários mínimos. Depois, ACM entrou no governo e foi diminuindo o ordenado” (Agenor Lino Sampaio, operário, 33 anos de trabalhos prestados).

“Já passei por 12 engenheiros residentes. Isso aqui era muito movimentado, chegava a sair 50 veículos para o campo” (José Pereira do Nascimento, vigilante aposentado).


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UGT defende reavaliação da medida e repudia desvio de função A extinção do Derba repercutiu negativamente fora da Bahia. Em 23 de março passado, durante a sua 22ª Reunião Plenária, em São Paulo, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), aprovou Moção de Solidariedade aos servidores do órgão em que conclama o Governo da Bahia “a fazer uma análise mais profunda e uma possível reavaliação de acabar com Derba”. No documento a central sindical se solidariza com os trabalhadores que foram surpreendidos pela extinção do órgão, que relevantes serviços prestou ao Estado da Bahia e condena “qualquer ato pernicioso que venha a ferir os direitos trabalhistas da categoria, como transferências arbitrárias e desvios de funções”. Já no seu 3º Congresso Estadual da Bahia, realizado em 27 de março em Salvador, a UGT aprovou outra moção, desta dez de repúdio, contra “as medidas discriminatórias para com os servidores do Derba, que vêm

servidor.

sendo relocados para outros órgãos do Estado, em desvio de função que os obriga realizar tarefas incompatíveis com as suas qualificações profissionais, em flagrante assédio moral”. Segundo o vice-presidente nacional e secretário-geral da UGB na Bahia, Nilton Borges Ramos, também gerente geral da Sasderba, o desvio de função já está plenamente caracterizado, pois, nas 20 Residências de Manutenção do antigo Derba, os funcionários ainda na ativa vêm sendo remanejados para outros órgãos da administração

estadual, como as Secretarias de Saúde e de Educação, e até o Detran, sem terem qualquer tipo de capacitação para esses setores. “Há casos de operadores de máquinas, como tratores e retroescadeiras que só sabem fazer esse tipo de serviço, e foram encaminhados pela SIT ao Instituto Médico Legal”, informa o sindicalista. É o caso, por exemplo, de Vivaldo Miranda da Rocha, da 4ª Residência, em Jacobina, que foi encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica local. “O que vou fazer lá, se, há 26 anos, o que sei fazer é operar pá carregadeira?”., aflige-se o

Entidades de classe também se manifestam

Adolfo Garridio, presidente da Fasderbra

Até dirigentes de entidades de classe de abrangência nacional, se manifestaram contra a extinção do Derba. O presidente da Federeção Sindical dos Servidores dos Departamentos de Estradas de Rodagem do Brasil (Fasderbra), Adolfo Garrido atribuiu o fim da autarquia “à concorrência que os Departamentos

Estaduais de Rodagens vêm sofrendo por conta da terceirização desenfreada”. “As obras rodoviárias são mais caras e despertam a cobiça de empreiteiras e empresas terceirizadas. Isso sem falar na corrupção. Em consequência essas obras ficarão mais caras e a qualidade dos serviços vai cair por falta de fiscalização adequada”, prevê Garrido. Já o secretário-geral da Confederação dos Servidores

Sobre os remanejamentos, a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Administração (Saeb) informou, no final de março passado, que antes de ter as suas atividades encerradas, o Derba contava com 721 servidores e que todo esse efetivo será reincorporado ao Estado, sendo observados critérios como perfil profissional, carreira e localidade onde estavam lotados, assegurando a correlação entre as carreiras e os novos locais de trabalho, bem como o padrão remuneratório, não havendo perda financeira em seus vencimentos. Revelou ainda que,desse total, 280 servidores foram incorporados à SIT. Outros 101 ficarão à disposição do Detran, sendo 20 na capital e o restante no interior; 48 serão remanejados para distintos órgãos do executivo; e 292, atualmente lotados no interior, serão absorvidos como reforço operacional nos consórcios municipais.

Públicos do Brasil (CSPB), Lineu Mazano, interpreta que a extinção do Derba representa uma desestruturação de uma parte da máquina pública muito importante para o desenvolvimento e para o Governo da Bahia. Ele lamentou que as obras de construção e conservação das estradas sejam entregues as empreiteiras e empresas de terceirização de serviços, “boa parte das quais, para bom entendedor, fazem as campanhas eleitorais”. Mazano observou ainda que a extinção atingiu a dignidade dos funcionários do Derba que, num claro desvio de função, foram transferidos para órgãos para os quais não têm a menor qualificação profissional”.


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“Extinção trará prejuízos”, dizem engenheiros e ex-dirigentes. A extinção do Derba trará grandes prejuízos a Bahia, com o encarecimento nas obras de construção, reconstrução e manutenção das estradas e a queda da qualidade dos serviços pela falta de fiscalização. A opinião foi manifestada por engenheiros, ex-dirigentes do órgão e exsecretários estaduais de Transportes. Todos manifestaram surpresa com fim da autarquia, lamentaram que ela tenha acabado de maneira melancólica – esvaziada e sucateada nas últimas décadas - e se mostraram preocupados com o futuro da malha rodoviária baiana. Até o presidente da Federeção Sindical dos Servidores dos Departamentos de Estradas de Rodagem do Brasil (Fasderba), Adolfo Garrido, se manifestou para atribuir o fim da autarquia “à concorrência que os Departamentos Estaduais de Rodagens vêm sofrendo por conta da terceirização desenfreada “. “As obras rodoviárias são mais caras e despertam a cobiça de empreiteiras e empresas terceirizadas. Isso sem falar na corrupção. Em consequência essas obras ficarão mais caras e a qualidade dos serviços vai cair por falta de fiscalização adequada”, prevê Garrido. Diretor do Derba e, depois, secretário de Transportes no governo Nilo Coelho, o engenheiro Roberto Jacobina disse que o órgão deveria ser mantido, “para ser o que sempre foi; um posto avançado do governo no interior do Estado”. Para ele, “extinguir o Derba é perigoso, “porque não se sabe o que vai acontecer nas grandes enchentes, além dos problemas normais de conservação das estradas”. Ele citou o exemplo da cheia de 1964, em Jacobina, onde era engenheiro residente, quando seis aterros romperam e precisaram ser consertados pelo Derba. Diretor da Associação Comercial de Jacobina, o engenheiro contou que a população local já começa a reclamar da péssima qualidade das estradas, como o trecho (cheio de buracos) de 32 km que liga aquele

município a Miguel Calmon. Roberto Jacobina alertou ainda que “no futuro, muitos distritos vão se emancipar e precisar de novas estradas; aí, o Derba vai fazer falta”. PODER DE MOBILIZAÇÃO Ex-engenheiro do órgão, Antero Azevedo afirmou que “a extinção expõe a incompetência em manter a estrutura do Derba” e adverte que não somente a economia baiana, mas de todos os Estados interligados a Bahia pela malha rodoviária sofrerão com a medida, pois oDerba detinha um poder de mobilização grande e imediato para atender a quaisquer emergências”. Professor da Universidade Católica do Salvador (UCSal) e ex-diretor da autarquia, Paulo Góes admite que podiam acabar com o Derba, mas não com a forma dele atuar. “O Derba foi um órgão que sempre ajudou a Bahia em tudo, até nas grandes secas. Eu mesmo cheguei a atuar nas frentes de trabalho para minimizar os efeitos da longa estiagem”, recorda. Para ele, “só daqui a um ano se poderá ver melhor a situação das estradas”. “O Derba tinha usinas de asfalto. Quem empresário do interior vai comprar uma usina? Quem vai fornecer a massa asfáltica? Quem vai informar que rompeu uma ponte, o prefeito?”, pergunta Góes. Ao analisar “a surpreendente decisão de extinguir o Derba”, o engenheiro (aposentado) Ayrton Faria destaca que o órgão tinha as funções de planejamento do sistema rodoviário do estado; de realizar os estudos preliminares da faixa de localização (geológicos, hidrológicos, topográficos e geográficos), conduzindo às melhores condições de traçado; de projeto, construção e conservação. Depois concluí, em tom de advertência: “A tecnologia operacional de um órgão deste porte não se forma num lapso de tempo. Necessário se torna uma formação profissional em larga escala, prática de obras frequente,

experiência consolidada em todas as áreas da engenharia civil e rodoviária, além de muito trabalho e dedicação”. Secretário de Transportes do governo Waldir Pires, o engenheiro Carlos Alberto Dantas Mendes também deplorou o fim do órgão e afirmou que o Derba que ele conheceu “sempre se preocupou em zelar e bem aplicar o dinheiro público e em busca a solução técnica mais econômica, a maximização dos benefícios e minimização dos custos”. Em artigo publicado no jornal A Tarde, em que analisa a reforma administrativa de Rui Costa, “que atingiu especialmente a área técnica”, o engenheiro Paulo Ormindo de Azevedo considera “ preocupante a liquidação do que restou do Derba, uma referência da engenharia nacional, com os melhores geólogos, engenheiros e urbanistas da Bahia”. Ele lembra que o Derba não só foi responsável pela criação e manutenção da rede de estradas baianas, em seus 97 anos de vida, como o socorro emergencial de catástrofes naturais, por meio de suas vinte residências. O engenheiro Moacyr Schwab, de 82 anos de idade, 60 dos quais dedicado à Engenharia Geotécnica, com mestrado na Universidade de Purdue, Indiana (Estados Unidos) e responsável pela implantação do curso de Mecânica dos Solos e Fundações na Escola Politécnica da UFBA, disse que o Derba, onde atuou durante 13 anos, “já foi o melhor órgão rodoviário do Brasil”. “Eu devo muito ao Derba. Qu era um exemplo do que um órgão público podia fazer pelos engenheiros da Bahia”, reconhece. Presidente da Associação Brasileira dos Engenheiros Civis, na Bahia, e ex-diretor Administrativo do órgão, Valter Sarmento classifica a extinção do Derba “um passo para trás e um tiro no pé”. Ele observa que muitas empresas confundem gastar pouco com gastar bem, o terminan-

do levando-as a gastar mal. Isso não acontecia com o Derba, conforme o engenheiro. “O Derba tinha pleno domínio da situação sobre os gastos, produzia projetos e uma equipe para analisar se esses projetos eram exequíveis e, em caso positivo, executá-los. Sabíamos distinguir se um aditivo necessário daquele que iria gerar desperdício de dinheiro público”, aponta. Para ele, hoje, mal se tem uma equipe para produzir projetos. “A situação rende a deteriorar, pois, o estado não pode ser um simples contratante de obras, mas um contratante consciente e, se não tiver um pessoal preparado, não saberá o que está contratando”, afirma Sarmento. Ex-diretor da Divisão de Construção e depois da Divisão de Manutenção da autarquia, Fernando Nascimento, considera o fim do Derba, “um absurdo e uma falta de conhecimento do que ele representou para o estado da a Bahia”. Nascimento gosta de lembrar duas frases sobre o Derba, ambas de ex-governadores. A primeira de Luiz Viana, que descarta ingerências políticas e sublinha a autonomia do órgão: “O Derba tem governo próprio”. A segunda de Lomanto Júnior, a apontar o prestígio e o grau de autonomia autarquia, solapados nas últimas décadas: “O Derba é um governo dentro do governo”. Ele recorda ainda que “a alegria de um município isolado da era ver o Derba construindo sua estrada”.


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Operação Manda Brasa acabou com o isolamento na Bahia Engenheiro Franz Gedeon lembra que Derba construiu até carteiras escolares. Quando comandava a “Operação manda brasa”, que acabou com o isolamento do extremo-sul da Bahia, com a implantação do trecho rodoviário Eunápolis-Itamaraju, o engenheiro Franz Gedeon teve uma ideia que demonstra o comprometimento do Derba com a economia e o desenvolvimento integrado do Estado. Ele resolveu aproveitar a madeira de lei (jequitibá, principalmente) derrubada no canteiro de obras para fazer carteiras escolares. “Instalamos uma pequena fábrica de móveis no Parque Rodoviário de Valéria, na periferia de Salvador, para onde mandávamos a madeira, nos caminhões que retornavam vazios. Com isso distribuímos milhares de carteiras escolares para diversas escolas estaduais, na capital e no interior”, relembra o

engenheiro. Durante os quatro anos (1963-1967) do governo de Lomanto Júnior, Franz Gedeon foi o diretor geral do Derba e encarregado de elaborar o Plano Rodoviário para ser executado naquele quatriênio. “Antes, a Bahia era um arquipélago com várias ilhas isoladas. O extremo-sul eram uma delas, tanto que o ponto de tração era Nanuque, em Minas Gerais”, observa o engenheiro, formado em 1956 e, hoje, com 86 anos de idade. Foram tantas rodovias construídas que Gedeon perde as contas, mas se lembra das obras mais importantes: Feira de Santana-Juazeiro, dezenas de estradas na região cacaueira; um estirão ligando Jequié a Ipiaú e outro a Ubatã a Ubaitaba, ligando a BR-101; já no Oeste os trechos Coco-Coribe-Santa Maria da Vitória; as residências de Itapetinga, Jequié,

Senhor do Bonfim, Jacobina, Feira de Santana e Teixeira de Freitas, o Laboratório do Derba em Valéria, as estações rodoviárias de Jequié, Feira de Santana e Itabuna, a ponte IlhéusPontal e muitas outras obras. ATÉ NO PIAUÍ O empenho pelo trabalho era tamanho que, depois de chegar a Casa Nova, para onde foi estendida a estrada de Juazeiro, os trabalhos beneficiaram também o município piauiense de São Raimundo Nonato. “O prefeito de lá não gostou muito, mas, como estávamos na divisa, decidimos dar uma mãozinha; afinal é tudo Brasil”, justifica, cindo décadas depois, Franz Gedeon. Muito trabalho também implicava em riscos de acidentes. Certa vez, o avião do órgão que transportava

Mariano, o guardião da serra Comerciante do povoado de Capinal - logo após a descida da Serra do Marçal, em Vitória da Conquista - Mariano Laurêncio Meira foi um dos funcionários mais dedicados do Derba. Tanto que ainda hoje, sempre que há um problema na rodovia local, ele convoca uma turma de aposentados que, voluntariamente, resolve pequenos problemas como de sinalização, capinagem e desobstrução de valas. Por todo seu empenho, Mariano recebeu do Derba uma placa “pelos relevantes serviços prestados à causa rodoviária da Bahia”. Antes, já havia recebido uma homenagem semelhante “pela inquestionável contribuição à luta sindical dos servidores do Derba”. “Fiz apenas o meu dever”, diz esse bom samaritano das estradas, ligado às Comunidades Eclesiais de Base, o braço popular da igreja católica progressista.

o engenheiro foi obrigado a fazer um pouso forçado num campo de futebol de Itaberaba e dar um espetacular “cavalo de pau”. Em reconhecimento a todos os serviços prestados às estradas da Bahia, o prefeito de Ipiaú naquela época, Euclides Neto, quis batizar de Engº Franz Gedeon uma praça da cidade. Modesto, Gedeon recusou a homenagem, mas não conseguiu impedir de dar seu nome a uma praça de Jequié. Sobre a extinção do Derba, apesar de reconhecer que “havia coisas que, com tempo, precisavam ser mudadas”, o velho engenheiro é enfático: “Extinguir por extinguir é uma atitude retrógrada, principalmente um órgão que foi a alavanca para o progresso e desenvolvimento da Bahia em vários governos”.

A Estrada de Rachel de Queiroz

Mariano Laurêncio Meira

A escritora cearense Rachel de Queiroz escreveu sobre a importância das estradas para o desenvolvimento de uma determinada região. Vejam o que disse a autora de O quinze, em crônica publicada pela revista Rodovia, em seu nº 290, de 15 de abril de 1971, editada pelo DNER: “Quando chega a estrada, foge o bandido, cresce o comércio, abre-se a porta da indústria, cria-se o desaguadouro para a agricultura. Atrás da estrada vem a escola, vem o médico, o capital. Onde não tem estrada, o governo não pode chegar; pé de governo, roda de governo exige asfalto. Os pioneiros que abrem o caminho são, na verdade, os batedores do governo; enquanto eles avançam, o governo avança. Sim, governar é fazer estradas”.


12 Deu em A TARDE O fim do Derba mereceu ampla repercussão do jornal A Tarde que, em seu caderno Municípios, de 30 de março passado, publicou a reportagem “Extinção do Derba pavimenta estrada da saudade”. Assinada pelo jornalista Elieser Cesar, a matéria mostra a tristeza, a decepção e a incerteza que tomaram contra dos funcionários, ativos e inativos, de oito das 20 Residências de Manutenção e Conservação, as de Itaberaba, Morro do Chapéu, Jacobina, Senhor do Bonfim, Teixiera de Freitas, Itabuna, Itapetinga e Jequié. Aponta ainda as consequencias que advirão da extinção da autarquia e o passvivo de dívidas trabalhistas para com servidores e ex-servidores, principalmente na forma de precatórios (dívida do Estado reconhecida por decisão judicial) que ainda não foram pagos.

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Jornal derba vive final paginas individuais  
Jornal derba vive final paginas individuais  
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