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I COLETÂNEA POÉTICA DA SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO BRASIL- construindo pontes Em comemoração aos 30 anos de fundação da SCLB


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Dilercy (Aragão) Adler Presidente da SCLB (Organizadora)

I COLETÂNEA POÉTICA DA SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO BRASIL- onstruindo pontes Em comemoração aos 30 anos de fundação da SCLB

2018


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Aos que já se foram deixando saudades e imensurável legado: (in memoriam) Joaquim Duarte Baptista Idealizador da SCLB Sebastião da Silva Barreto Presidente de Honra do Congresso da SCL Antonina de Almeida-Nina Almeida 3ª Presidente da SCLB Abel Pereira Presidente da SCLSC César Maranhão 2º Secretário da 1ª Diretoria da SCLM José Chagas Conselheiro da 1ª Diretoria da SCLM José de Ribamar Caldeira Conselheiro da 1ª Diretoria da SCLM Maria Tribuzzi Conselheira da 1ª Diretoria da SCLM Virginia Raiol Poeta maranhense Jean Paul Mestas Poeta, Ativista Cultural francês. 5


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CONSTRUINDO PONTES Um dos títulos do Bispo de Roma é Pontífice, isto é, aquele que constrói pontes, com Deus e entre os homens. Nessa perspectiva, o diálogo ajuda a construir pontes... elos, entre todos os povos, de tal modo que cada um possa ver o outro não como a sua antítese ou negação, mas como um ser particularmente singular que vai complementar/ construir solidariamente a vida coletiva. Nesse contexto, cabe-nos acolher e abraçar... e, acima de tudo, entender que, se ficarmos juntos, nunca ficaremos sós!! Assim, num mundo contemporâneo intolerante, individualista e consumista exorto:

UNIÃO Eu, tu, ele, ela... nós desatando todos os nós... realizaremos grandes feitos... e seremos para sempre estrelas e sóis planetas galáxias universos... dentro e fora de nós... e sempre estaremos juntos e nunca estaremos sós! (ADLER, Dilercy. In: POESIA III Antologia Poética Pau Brasil, 2018) Com efeito, não se podem construir pontes entre os homens, esquecendo-se de Deus; e vice-versa: não se podem viver verdadeiras ligações com Deus, ignorando-se os outros. Por isso, é importante intensificar o diálogo entre as diversas religiões, para que jamais prevaleçam as diferenças que separam e ferem, mas, embora na diversidade, triunfe o desejo de construir verdadeiros laços de amizade entre todos os povos (Papa Francisco). Do mesmo modo, as artes materializam um importante papel e, nessa perspectiva, especialmente no mundo latino, como: 7


[...] espetacular manifestação de amor e louvor à poética arte latina com suas raízes indígenas, africanas, europeias e orientais, transformadas em genuína raça miscigenadamente pura de humanidade ímpar! (ADLER, 2000). Esse é o nosso cântico de parabéns à Sociedade de Cultura Latina do Brasil-SCLB, que neste ano do calendário cristão, 2018, completa 30 anos de fundação, e que, assim como o maracujá da caatinga, a guabiroba, o umbuzeiro (intitulada por Euclides da Cunha de a árvore sagrada do sertão), o pequizeiro e o maroleiro (araticum), cinco fortes árvores, que resistem à seca imponentemente, a SCLB vem se firmando e consolidando nesses 30 anos, com galhardia, apesar da “seca” que permeia o mundo da cultura, no seu fazer, sentir e expressar! Agradecemos a todos que atenderam à nossa convocatória para a realização deste trabalho, o qual apresenta muitas faces e anseios, conseguindo assim projetar o valor da poesia latina para o mundo! E ainda, muito nos honra esta obra ter sido gestada em São Luís do Maranhão - a Athenas Brasileira, e daqui para o mundo!! Outro agradecimento se faz pertinente: Os deuses assim quiseram e permitiram que, mais uma vez, o milagre das palavras e dos anseios humanos transbordassem dos corações enfastiados e fustigados pela premência de tantos desejos! (ADLER, 2000). Que a nossa Sociedade de Cultura Latina do Brasil e no Brasil, trazida para nós pelas mãos de valorosos pioneiros, dentre os quais, Joaquim Duarte Baptista, resista a toda e qualquer intempérie e se perpetue!... Assim como esta Coletânea Poética, o IV ENCONTRO NACIONAL DA SOCIEDADE DE CULTURA LATINA, realizado em São Luís/Maranhão/Brasil, de 19 a 21 de julho, se constitui uma ponte entre os povos das Nações Latinas. Evoé! São Luís, 25 de junho de 2018. Dilercy Aragão Adler Presidente

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CEARÁ PRESENTE Chegando dos “Verdes Mares Bravios” do Ceará, cantados por José de Alencar, em seus belos escritos, representando a Terra de Iracema, a Sociedade de Cultura Latina do Ceará, dileta filha da Sociedade de Cultura Latina do Brasil, chega a São Luís, para tomar parte neste IV Encontro Nacional, com muitos sonhos, mas, com os pés fincados na realidade. Todos nós, que aqui estamos, representando vários Estados do Brasil, a exemplo do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Maranhão, que, na última jornada, em 2017, estiveram no Espírito Santo, nos fazemos representar com a dignidade que o momento permite, ressaltando suas potencialidades. Este Encontro, por certo, deve confirmar todas as nossas ideias de democratizar a Cultura, levando de cada rincão, de cada um dos nossos Estados, a alegria de nos encontrarmos que somos, o que temos e o que valemos. Somente assim, o crescimento de cada um dos nossos Estados estará assegurado. Nesta Athenas Brasileira, Capital do saber e do falar bem, onde pontificaram Maria Firmina, Henrique Maximiliano Coêlho Neto, Dona Jansen e o maior de todos, Gonçalves Dias, ficamos bem à vontade para apresentar propostas, e ouvir muitas outras. Meus amigos, com tudo de bom que o Encontro nos oferece, temos ainda o lançamento desta I Coletânea Poética da Sociedade de Cultura Latina do Brasil: construindo pontes dentro das comemorações dos 30 anos da nossa SCLB. Esta publicação mostra a pujança de uma equipe que trabalha coesa, com a alegria de viver. Através dos nossos escritos, nos conheceremos melhor e faremos assim uma excelente Festa literária, com todos os pormenores necessários de um grande empreendimento. Para isso, contamos com a nossa presidente Nacional, a Psicóloga e Doutora em Ciências Pedagógicas, Dilercy Adler, que, mesmo com atividades outras, no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e na Academia Ludovicense de Letras, apresenta o melhor de sí, como escritora e como Poetisa, nesta Ilha do Amor, São Luís, de muito amor à Literatura, à Arte, derramando-se pelas extraordinárias apresentações do seu Bumba Meu Boi. O Ceará está aqui, para lutarmos juntos, pela melhor difusão da Cultura Brasileira. Estamos trazendo uma Mensagem positiva. Acreditamos no potencial existente em nosso País, Região por Região, costume por costume, tradição completa e absoluta. A Sociedade de Cultura Latina do Maranhão tendo à frente esta locomotiva literária que é Dilercy Adler, nos apresenta assim, o que há de melhor no momento, dentro de um Evento que pode ser chamado de gigantesco. Acreditando na potencialidade e na força de todos nós, cumprimentando maranhenses vigorosos o Estado do Ceará de José de Alencar, Raquel de Queiroz e Clóvis Beviláqua está aqui. Fortaleza, 30 de junho de 2018. Vicente Alencar Vice-Presidente 9


SUMÁRIO ADONIAS BALDAN - Vitória /ES/Brasil ALICIA ROMELLI - Montevideo/Uruguai ANDRÉ FLORES (André Flores da Silva) - Novo Hambugo/RS/Brasil ANGELA GUERRA - Rio de Janeiro/RJ/Brasil ANNABEL VILLAR - Villajoyosa/Alicante/Espanha ANTONIO AÍLTON - São Luís/MA/Brasil ANTONIO CABRAL FILHO - Rio de Janeiro/RJ/Brasil ARLINDO NÓBREGA (Arlindo Almeida da Nóbrega) - SP/SP/Brasil BENEDITA AZEVEDO (Benedita Silva de Azevedo) - Itapecuru Mirim/MA/ Brasil CAMILA MARIA SILVA NASCIMENTO - São Luís/MA/Brasil CARLOS BRUNNO SILVA BARBOSA - Barra do Piraí/RJ/Brasil CECY BARBOSA CAMPOS - Juiz de Fora/ MG/Brasil CÉSAR BRITO (Carlos César Silva Brito) - Viana/MA/Brasil CIDA ROCHA (Maria Aparecida Rocha da Costa) - Porto Franco/MA/Brasil CLÁUDIA GONÇALVES - Porto Alegre/RS/Brasil CRISTIANE LAGO (Cristiane Gomes Coelho Maia Lago) - São Luís/MA/Brasil DANIEL HORACIO BRONDO - Buenos Aires/Argentina DANIEL BLUME - São Luís/MA/Brasil DIANA MENASCHÉ - Rio de Janeiro/RJ/Brasil DILERCY ADLER (Dilercy Aragão Adler) - São Luís/MA/Brasil DINACY MENDONÇA CORRÊA - São Luís/MA/Brasil ENEIDA CRISTINNA - Colinas/MA/Brasil ERLINDA MIRANDA (Maria Erlinda Miranda Costa) - São Luís/MA/Brasil EVILÁSIO ALVES DE MORAIS JÚNIOR - Santa Inês/MA/Brasil FÁTIMA TRAVASSOS (Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro) São Luís/MA/Brasil FELICIANO MEJÍA - Peru e França FRANCISCO BRITO (Francisco Brito de Carvalho) - Barra do Corda/MA/Brasil GABRIELA SANTANA - São Luís/MA/Brasil ISABEL MEYRELLES - (In Memoriam) - Matosinhos/Portugal JEAN-PAUL MESTAS - (In Memoriam) - Paris/França JOAQUIM MONCKS (Joaquim Luiz dos Santos Moncks) - Pelotas/RS/Brasil JOSÉ CHAGAS (José Francisco das Chagas) - São Luís/MA/Brasil JUJU AMORIM (Maria de Jesus Silva Amorim) - Viana/MA/Brasil JULIO PAVANETTI - Villajoyosa/Alicante/Espanha JÚNIOR LOPEZ (Raimundo Nonato Lopes Júnior) - São Luís/MA/Brasil KALIL GUIMARÃES (Anely Guimarães) - Brasília/DF/Brasil A CIDADE ARQUEOLÓGICA TEOTIHUACAN (MÉXICO) - Praia Grande Informativo SCLM LETICIA HERRERA ÁLVAREZ - Ciudad de México/México LUCINEIA FERREIRA PAZ RIBEIRO WALTER DE NEGREIROS - Serra/ES/ Brasil LUIZ CARLOS RODRIGUES DA SILVA - Caxias/MA/Brasil LUIZA CANTANHÊDE - Santa Inês/MA/Brasil MÁRCIA LUZ (Márcia Regina dos Reis Luz) - São Luís/MA/Brasil

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MARIA APARECIDA DE MELLO CALANDRA - Mogi das Cruzes/SP/Brasil MARIA GORETH CANTANHEDE PEREIRA - São Luís/MA/Brasil MARIA STELA DE OLIVIRA GOMES - Governador Valadares/MG/Brasil MARIANO GOMES SILVA - Altamira/PA/Brasil MÁRIO LUNA (Mário da Silva Luna dos Santos Filho) - São Luís/MA/Brasil MFRANCY (Mires France Almeida Pereira) - Barreirinhas/MA/Brasil MILNE FREITAS SOUZA - Barra do Corda/MA/Brasil NAZARETH TUNHOLI (Nazareth Aguiar Pessanha Tunholi) - Brasília/DF/Brasil NICO BEZERRA (Nicodemos Bezerra) - Itapecuru-Mirim/MA/Brasil NORA ALARCÓN - Ayacucho/Perú PAULO CEZAR TIMM - Rio de Janeiro/RJ/Brasil PAULO LIMA (Paulo Ivan Silva Lima) - Missão Velha/CE/Brasil PAULO MELO SOUSA - São Luís/MA/Brasil PAULO ROBERTO RIBEIRO WALTER DE NEGREIROS - Serra/ES/Brasil. PAULO RODRIGUES - Caxias/MA/Brasil RAFAEL DE OLIVEIRA (José Rafael de Oliveira) - São Luís/MA/Brasil RENATA BARCELLOS (Renata da Silva de Barcellos) - Rio de Janeiro/RJ/Brasil RICARDO CARNEIRO AGUIAR - Juazeiro/BA/Brasil ROBERTO BIANCHI - Montevideu/Uruguai ROBERTO FRANKLIN - São Luís/MA/Brasil SAULO BARRETO LIMA FERNANDES - São Luís/MA/Brasil SILVIO DANIEL GÓMEZ SANCHIS - Montevideo/Uruguay SIMÃO PEDRO AMARAL - Matinha/MA/Brasil SÔNIA PORTUGAL (Sônia Aparecida Feiteiro Portugal) - Barrinha/SP/Brasil TERESINKA PEREIRA - Estados Unidos TONY ALVES (Antonio Luis Alves) - Carrazedo de Monte Negro/Vila Real/Portugal VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES - Italva/RJ/Brasil VERA LUCIA DE ARAUJO COSTA FERREIRA - Teresina/PI/Brasil VICENTE ALENCAR (Antonio Vicente de Alencar) - Fortaleza/CE/Brasil WANDA CUNHA - São Luís/MA/Brasil WILSON DE OLIVEIRA JASA - São Paulo/SP/Brasil ZAMIRA LOZANO BECHARA - Bogotá/Colombia ZARA MARIA PAIM DE ASSIS - Bahia/Brasil ZÉLIA FERNANDES - Rio de Janeiro/RJ/Brasil

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A AMÉRICA LATINA UMA REALIDADE UTÓPICA

Ao longo da História, todas as civilizações fizeram com que as suas vitórias materiais fossem acompanhadas de um discurso pleno de paz e justiça, de modo a escamotear as suas desigualdades e contradições. Aqueles que sempre dominaram materialmente os demais necessitaram, também, subjugar as suas mentes e os seus corações. Só assim é possível perpetuar o próprio domínio. A América Latina, segundo várias estatísticas, apresenta um grande contingente de miséria material e cultural ... fome, muita fome e desolação, pouca esperança e pouca paz. Um outro dado apresentado pelas pesquisas é que 100% dos latino – americanos mais ricostiveram nos últimos anos uma renda 84 vezes maior dos que os 40% mais pobres. Apesar de tudo isso, a America Latina pulsa ao longo e ao largo de um imenso Continente,não como realidade em si constituída, mas como imaginário coletivo que deseja e alimenta a esperança de sua identidade, de seu sentido, da sua justiça e da sua paz...paz verdadeira! (In PRAIA GRANDE - Informativo Cultural da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão. Ano II – Nº 9- Dezembro-1999/Janeiro – 2000). 13


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ADONIAS BALDAN

PÁTRIA LIVRE Somente desejo A pátria livre, que habita dentro de mim. Chego nela sem exigências e sem burocracias. Como que em meu humilde casebre Ela contempla a minha melancolia E toda minha solidão. Me consola, me envolve com ternura e aromas de rosas No seu interior renasce um paraíso E minha paz é resgatada Num sossego que ameniza e cativa a alma. Nela não há ressentimentos, mas há a mais pura tranquilidade! Já que tais primícias supriram as minhas carências. Seus patriotas marcham triunfantementes felizes Na ansiedade de encontrá-la como referência e repouso. Oh! Quão profundo prazer isso me dá! Mesmo quando ruins vão meus horizontes, Soluço baixinho, semelhante Ao gemido triste que sai das montanhas. Em outros tempos, ela tinha dois caminhos. Houve tempos em que estes dois caminhos Se estendiam como atalhos no deserto, Conduzindo ora com dor, ora com amor.

Adonias Baldan. Nasceu em Vitória Espírito Santo em 28 de maio de 1959. Poeta autor de “Refugiados” (Versos e Prosas) na 3ª edição “Se as Flores Pudessem Falar” na 1ª edição. Membro correspondente da Academia de Letras e Artes da Serra (ALEAS). Membro titular fundador da Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores ocupando a cadeira de nº 44. Formação Acadêmica, Pedagogo.

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Hoje parece que estou vendo Que quanto mais me aprofundo, Mas me vejo exposto à frente de um combate, Atrás do qual se estendem lições de vidas, Onde adormecem e descansam heróis da história, Heróis companheiros comprometidos com a verdade. Somente desejo A Pátria livre que habita dentro de mim!

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ALICIA ROMELLI PARTIÓ El día final llegó nadie lo pudo evitar, sólo pudimos llorar de tristeza y desencanto. En vano fue nuestro llanto, nada de eso sirvió. Ella tuvo que partir cual ángel blanco y radiante, a vivir en otro lares, desde allí ha de alumbrarnos. Nunca habremos de olvidarla pues muy mucho nos dejó, aunque muy pronto partió a cumplir otras misiones alegrando corazones como aquí los alegró.

Nunca se habrá de apagar la llama luz de tu vida. Tu siempre habrás de brillar desde el cielo, desde el mar, desde cualquier lugar.

Alicia Romelli. Nació en Montevideo, Uruguay. Es Profesora de Inglés y Geografía egresada del IPA. Ha realizado cursos de perfeccionamiento docente en la Universidad de Auckland, Nueva Zelanda. Participó en antologías como:” Universos diversos”, “Ayer y hoy en la poesía uruguaya”, “Urdimbres de vigilias”, “Reconstrucciones”, etcétera. Fue invitada a participar en Encuentros Literarios de aBrace Cultura, de Chadayl, en Voces del Mundo VI, “ en la “Casa de los escritores “ en la”Antología Colombo Uruguaya”, en el MAR. etcétera. Es Artista Plástica y participa habitualmente en Exposiciones de Arte Colectivas.

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ESPÍRITU Espíritu aventurero espíritu soñador con vaivenes tu me llevas a conocerme mejor. A conocerte y a todos aquellos que amo yo. Cual marea alta o baja como las ondas del mar, así voy yo por la vida a ese flujo acompañar. Dejarme llevar día a día olas que vienen y van, en la cresta o en el llano de esas olas voy a estar. Para disfrutar la vida con azúcar, miel, o sal. Las tristezas, alegrías, desencuentros o amistad, todo, todo es bienvenido, todo por algo será.

FUEGO Un fuego tímido que apenas arde no da calor ni luz ni alarde. De pronto vibra, las llamas crecen, se vuelven rojas y se enloquecen. 18


Parecen damas que están danzando, cual odaliscas que van brillando. Pobres las páginas que se consumen mientras palabras arden cantando. Llenan la sala gritando prosas diciendo versos contando cosas. Quedan flotando en el ambiente lo inundan todo cual nube ardiente. No desvanecen, llenan mi mente. VIBRAR Hazme vibrar, Con mis caricias te haré vibrar yo. Hazme sentir, Con mis besos te haré sentir yo. Hazme el amor, con mi ternura te amaré yo. Hazme feliz, con mis palabras te haré feliz yo. 19


QUÉ SERÁ Qué será de esta historia sin comienzo, sin final. Qué será de nuestras almas en pena por no poder amar. Qué será de tus versos sin mi qué será de mi sin tus versos Qué será si me muero sin verte qué será si antes mueres tú.

CONFUCIÓN Mis sentidos se confunden se diluyen en y se expanden. Cuando quiero escuchar sólo veo, cuando quiero tocar sólo oigo, cuando quiero saborear sólo huelo. Mis sentidos me hacen trampa Me confunden más me encantan. Mas me vejo exposto à frente de um combate, Atrás do qual se estendem lições de vidas,

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ANGELA GUERRA SONHOS À BEIRA-MAR Banco cinzento da orla, plataforma de lançamento ao planeta dos sonhos... A brisa, o cheirinho de maresia, aquele marzão, e a lua cheia, enorme, cada vez se mostrando mais, retorna de seu mergulho no oceano... A menina moça sonha sem nem saber direito com o quê... O coração anseia por um príncipe, que, cavalgando por aquele areal, virá resgatá-la... Em outra época, já mulher, abraçada a seu príncipe, agora materializado, sente o coração pulsar forte, no calor das emoções... Os sonhos, mais direcionados para uma vida em comum, e, quem sabe, uns dois rebentos – parecidos comigo ou com você? A menina, com você! O menino, comigo... Ah, os sonhos!... Asas que nos transportam ao infinito... Ah, os sonhos!... Motor que dá sabor à vida... *Angela Guerra. Nasceu em12/05/44, no Rio de Janeiro/Brasil. Prof-Mestra (Ing.). Poeta, Trovadora, Cronista, Contista, Colunista JSF. Art. Plástica (Desenho), Cantora, Compositora. Comenda, Gde Oficial e Dra. Honoris Causa ABD; Medalha Montese, Artilh. da Cultura. Membro de Academias (RJ:10, BR: 6 e Exterior: 7). Dir. Cult. FALARJ e AMPLA. 1ª Secret. UBE RJ, InBrasCi e AJEB RJ; 2ª Secr. ANLA. Meu jardim de trovas; Vinho e Rosase Confusão na floresta. 50 Antologias. Prêmios (LIT e DES).

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150 KM/H Vento que assovia na esquadria Qual amante impetuoso se anuncia, se insinua , insistente, tentando me ensurdecer, me arrancar do abraço carinhoso de Morfeu, onde me aninho em meus devaneios... Teu abraço forte me enlouqueceria de prazer... Desejo fugaz, até que voltasses, numa próxima ventania... Quanta destruição na tua trilha!... Escolho Morfeu, meu mundo de sonhos... Presente, plácido, confiável... Toda noite me acolhe, protetor... E a ele me entrego, apaixonadamente...

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SEU OLHAR... Com que olhos você me vê? Se da paixão, surjo linda e sexy em seu imaginário... Se do amor, do carinho, angelical e doce... Se da amizade, prestativa e solidária... Se da inveja, exibida e metida... Se do rancor, nojenta, insuportável... E essa lista, que parece interminável, me faz pensar em você... Como será que me vê?!...

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ANNABEL VILLAR PARA ELLAS NO SON LOS TERCIOPELOS Para ellas no son los terciopelos ni los encajes ni las muselinas sólo telas rústicas sólo voces ásperas sólo gestos duros para ellas no son los libros ni los pupitres ni las academias sólo fregar / lavar / picar / cavar sembrar y recolectar soñar no está permitido pero siempre hay algo peor marginadas tras los velos predicando en desiertos pedregosos en su tercer mundo de campamentos sin oasis / ni futuro / ni presente viendo pasar la vida ante sus ojos entrecerrados por el sol y la tristeza pero siempre hay algo peor marginadas bajo las túnicas criando niños sin agua y con abrojos en su patriarcal tercer mundo de seca ignorancia selvática viendo pasar la vida ante sus ojos nublados por el sida y por la pena Annabel Villar. Nasceu em 16/09/1955, em Montevideo/Uruguai e reside atualmente em Villajoyosa/Alicante/Espanha. É Tesoureira do Liceo Poético de Benidorm/Espanha. Publicações: Viaje al Sur del Sur” (2015), “Cantar la vida” (2016) e “Meditación/ Meditation” (bilíngüe espanhol-inglês 2017).

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pero siempre hay algo peor marginadas tras los cristales de los guetos de barrios rojos en su cuarto mundo desigual e injusto de nariz pegada a la ventana viendo pasar la vida ante sus ojos sin vivirla de soslayo de prestado pero siempre hay algo peor entre el nacer y el morir‌ sólo ilusorios puntos suspensivos.

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ALICIA DETRÁS DEL ESPEJO “¿Cuánto tiempo es para siempre? Conejo Blanco: A veces sólo un segundo” Lewis Carrol

Alicia no sabía que detrás del espejo no existía un país de maravillas. Ni tampoco sabía -mientras se deslizabaque no había luz al final del túnel. Sólo estaba la vida cotidiana, secuestrando las horas privada de la sangre que corre por las venas y la acerca a la muerte, metástasis de vida. Sin embargo, allí estaba tentador el olvido en envase grande, la muerte como pausa, la vida como tránsito, sin golpes, sin ofensas, sólo con la reina de corazones que detenía el tiempo y el reloj del conejo con chaleco. Las pastillas de colores rodaron desde el bolsillo de su delantal, ya nunca habría instantes rehenes de la vida cotidiana, y la barca de Alicia emprendió su viaje definitivo con destino al país de la infancia y la libertad. 26


DESCUBRIMIENTO “...está prohibido llorar sobre los libros porque no queda bien que la tinta se corra...” Mario Benedetti En un abrir y cerrar de ojos el tiempo implacable se ha evaporado y como por arte de magia, una buena / mala mañana te despiertas mujer madura. Como en el caldero de un aquelarre has quemado tus pócimas mientras desnudabas frente al espejo tus arrugas y tus congojas. En un cerrar y abrir de puertas, la historia se escurrió entre tus dedos en tanto un impertinente vendaval se llevaba casi todos los gajos y algunas de las ramas de tu copa. Has debido ser / sucesivamente tu propia madre y tu propia hija, has tenido que ser / alternativamente tu ama de llaves y tu enfermera y hoy en día eres / finalmente una pobre amanuense a la que dictas la tinta añil que lloran tus poemas.

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NORTE Y SUR El cielo sin Vía Láctea está vacío Mario Benedetti Llueve... y los días se hacen más y más cortos en este invierno en el que todo está patas arriba y que parece en realidad un túnel directo hacia el otoño. El viento de levante se ha llevado la humedad de las paredes descascaradas, pero ha dejado sobre la mesa el desasosiego de no ser parte de este tiempo y este espacio que habitan entre la nada y la mitad del camino. Llueve... justo en el centro de esta media estación en la que escampará cuando el verano siga al otoño y las agujas del reloj mediten su tic-tac entre los dos hemisferios, hacia atrás, cinco, tres y cuatro, y su tac-tic de nuevo hacia adelante, cuatro, tres, cinco. Cuando por fin la lluvia amaine velas y mi alma pretensiones, pondré en mis manos un puñado de aire y los seis sentidos en desdormirme. 28


Y justo en el momento en el que el Padre Tiempo inexorable funda nuevamente el norte y el sur, encontraré fácilmente el camino de regreso al mar del verano y al baldío anegado del invierno que aguardan en el país de la infancia. VIAJE AL SUR DEL SUR Al sur, a las raíces, a las entrañas, a desolvidar dolores olvidados para siempre. Al sur, a las raíces, a las entrañas, Ellas me llaman y me atrapan y sucumben a mis dudas. Mis entrañas tan sabihondas se han quedado sin oráculos. Ya nada presienten, ya no envían mensajes. Oigo la voz del comandante hablando de no sé cuántos miles de pies de altura mas yo sólo veo nubes que me escoltan y sólo siento angustias que me anudan. Me atenaza este retorno y los otros; los presentes, los futuros, la pasada tristeza; mientras busco respuestas y la instigación creadora. Quiero volver y no, girar sobre mis pasos y huir hacia adelante. 29


ANTONIO AÍLTON A RECLUSA todos os dias a reclusa olhava pela fresta da janela e, tecendo o seu tricô, não se importava se os poetas cantam para dentro ou para fora

HOMENAGEM À MULHER QUE DISSE “BOM DIA” quase que o Bom Dia ecoou pelas ruas e destravava a garganta de todos mas a van, porra, dava sacudidelas e os olhos alternativos dos passageiros encaixotavam um som abafado a ciclista passou com o sol nas costas enquanto pets e lixo fumegavam sidra, maçãs “Bom dia!” a eternidade sopra farpas crianças sãos pombos e porcos na manhã sem papilas ouvi berros e girassóis

Antonio Aílton é poeta, professor e pesquisador da poesia. Nasceu em Bacabal-MA, em 1968, e reside em São Luís desde os anos 1980. Doutor em Teoria da Literatura (UFPE). Publicou Compulsão Agridoce (2015), Os dias perambulados & outros tOrtos girassóis (2008; Prêmio Cidade do Recife de Poesia 2006), livro do qual selecionou os poemas para esta coletânea; As Habitações do Minotauro (2001) e Humanologia do eterno empenho (2003), ambos Prêmio Cidade de São Luís. É membro da Academia Ludovicense de Letras.

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SUCO DE NÔ E KABUKI minhas seguram o suco de laranja nos lapsos da tarde garotos jogam bola entre a avenida e o mar faces contraditórias de uma mesma complexidade entorno meu copo meu suco de laranja poeira e vitamina co carbono 14 guarda a idade que eu tenho do universo transmudo meus olhos ao sol nada impede que também fluamos para o desejo e para o reflexo vejo navios imóveis embriagados de morte na distância os mundos exalam sempre grandeza e desamparo (seria inverossímil pensar no universo nesta hora de rush mas lembre-se: estou apenas tomando meu suco de laranja) o sol desta cena exige o sangue melodramático de um teatro japonês contudo estou doce e efêmero tomo calmamente meu suco de laranja opto por ser derramado como resquício – sem agonia como quem não deve nada nem nada teme destas esplêndidas cortinas vermelhas (azuis?) porque ainda é preciso voltar para casa deixo duas moedas no balcão do crepúsculo

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FRATERNIDADE Oferecimento A José Alcides Pinto o dia amanheceu lindo as crianças pediram para mijar os homens também levantaram e mijaram e mesmo as mulheres mais recatadas tiveram de abrir-se para o tempo era um dia lindo no campo, as vacas arreganharam suas brechas e mijaram torrencialmente (mija-se mais torrencialmente no campo) Deus havia respingado durante a noite e nas flores houve pétalas orvalhadas para quem as conseguisse ver cururus encheram os lagos e amanheceram mais murchos, aliviados porém de todo o seu inchaço metafísico os pássaros olhavam de longe eles não fazem diferença entre feze e urina mas têm o privilégio de fazer onde quiserem os netos de Freud riram onde cabia rir um riso psicossomático os becos ficaram mais fétidos e limosos mas nem por isso menos felizes por receberem séculos de penico e descarrego todos foram justificados para suas oficinas em algum lugar, Marte sumia, mineral com insondáveis motivos

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SEM LENDAS tua calcinha força as escadas de serviço exala o mesmo cheiro de mijo e fartum da madeira velha das escadas tua uréia estruma este mundo de cirrose e miséria no faro calejado do porteiro planta uma surrada metáfora de iluminação, quem sabe flor qualquer coisa é pizza para minha fome 32 caninos e um nariz enorme para enfiar na tua gentileza no teu feromônio

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ANTONIO CABRAL FILHO Haicais Diversos CIGARRA No tronco do Fícus, Uma fruta muito estranha: Só cigarra morta. * DÁLIA Dália em botão, Ou aberta à lua do sol: Menina sorrindo. * FLAMBOIÃ Veja o que acontece, À sombra do flamboiã: Afair de rolinhas. * HORTÊNCIA Não importa cor, Hortência o paraíso: Jardim mais feliz. * JASMIM Sem rival, jasmim. Impõe-se como as rainhas: Fulgor de princesas. * NATAL Manjedoura simples, Tem um nobre especial: Natal é Jesus. * Antonio Cabral Filho – Nasceu em Jampruca, ex distrito do município de Frei Inocêncio - MG, reside atualmente no Rio de Janeiro/RJ/Brasil. aos 13 de agosto de 1953, é técnico em contabilidade, promotor cultural, radialista, escritor e poeta com 15 obras publicadas solo e 70 coletivas. Promove o Concurso Antologias 100, já na 4ª edição com o tema rapariga.

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LIXÃO DE GRAMACHO - Soneto Bate em meu peito um “lixão de Gramacho”, Exposto à visitação tão bem pública Que vem admirar o próprio esculacho Para aprender a viver em república. Mas adentra como quem faz devassa E vai pisando assim à revelia Tudo que reina feliz onde passa Sufocando a pouca vida que havia. Tânatos expirando sob escombros, Eros pintando céus todos de chamas, Lábios perambulando por um beijo, Mas encontram aí peitos sem ombros Nesse tumulto de emoções sem camas Em que rolam gemidos e arquejos.

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FLORÃO DA AMÉRICA O menino era pivete e se chamava Joãozinho, vivia como engraxate ganhando a vida por aí, sem Deus e sem diabo pra atentar, até que um dia foi estuprado por um maníaco e encontrado morto na Lapa, dentro de um latão de lixo. Não foi homenageado com honrarias militares nem imortalizado num samba de carnaval. Morreu e está morto, morto, bem morto mesmo, morto até na memória o menino que era pivete e se chamava Joãozinho, que vivia como engraxate ganhando a vida por aí sem voz, sem vez e sem lugar na história.

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AMIZADE EM TROVAS Bendito o que vem comigo, sem mensalão nem gorjetas, provando ser meu amigo pelo caminho das letras. Para o mal ou para o bem, inimigos não se esquecem, nem os amigos também, pois um ao outro enriquecem. Por ser muito teu amigo, é que vou bater pra tu: guardar segredos comigo nem vem que não sou bau. Quem faz do cão seu amigo não esnoba nos caprichos. Recebe amor e abrigo quem é amigo dos bichos. Ninguém despertou comigo à luz do mesmo clarão, mas somos todos amigos por sermos todos irmãos.

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ARLINDO NÓBREGA (Arlindo Almeida da Nóbrega) Para mim, escrever é como o pão que me alimenta. Se um dia, eu deixar de externar o que me vem do íntimo, explosiva e estupidamente, como as larvas do vulcão, certamente eu morrerei, mas a vida é uma mesa farta e nada me faltará, nem mesmo a sobremesa, regada a sonho, ternura e ilusão. OBS: Este poema foi requisitado pela nossa SCLB, no limiar de sua introdução por aqui, pelo Joaquim Duarte Baptista que o colocou num lindo poster.

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Arlindo Nóbrega (Arlindo Almeida da Nóbrega). Nasceu em Campina Grande-PB, em 20 de julho e 1944. Atua no rádio/jornalismo desde jovem, licenciado em Letras e poeta/escritor com vários títulos lançados e premiado em todas as áreas. Pertence a várias entidades culturais no Brasil e no exterior. UBE-SP, UBT-SP, Movimento Poético Nacional, Conselheiro da Associação Paulista dos Jornalistas Veteranos e IWA-International Whiters Association, além de mantenedor de entidades voltadas para a proteção animal, (public relations),dentre elas UIPA e APASFA-Associação Protetora dos Animais “São Francisco de Assis” e CEL-Casa Esperança e Liberdade.


POEMETO De tão apaixonado por ela, um dia, quase enlouqueci. Sofri qual um condenado, ao ver um carro embalado, esmagar a sombra dela.

PALAVRAS CRUZADAS Tu és minhas palavras cruzadas, para as quais não existem soluções, não cruzam nossas vidas penadas, pois não cruzamos os corações. És uma das rimas quebradas, dos versos livres de uma canção, sem métrica e embaraçadas, sem nada de alma e sem vibrações. Olha, eu te amei por um caso e até hoje lamento a loucura. Eu fui um triste, fui um traste, fui um vaso e foste uma flor, flor sem ternura, hoje és mais, és o sol no ocaso, és a brisa do mar sem frescura.

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CORDEL DA ELEIÇÃO Nos meus tempos de criança, era uma festa a eleição, todo mundo bem vestido, do operário ao patrão, era fácil perceber, a vontade de exercer, o direito de cidadão. O homem naquela estica, considerando-se o tal, de terno de gravatinha e sapato social, e tudo isso no capricho, pode acreditar, ô bicho, era um dia especial. A mulher na mesma trilha, elegância sem par, de sapato Luis XV, andava pra se mostrar, era um desfile de moda, botando o homem na roda, que rodava sem parar. Tinha o voto de cabresto, como dizem no Nordeste, tempo do coronelismo, mas de todo sertão ao agreste, não havia bandalheira, pra não dizer roubalheira, afirma o cabra da peste. Isso era uma ofensa, pro matuto e pro doutor, com o seu voto no bolso, 40


pra prefeito ou senador, também veja minha gente, ou mesmo vereador. Mas muita coisa mudou e por que? Vou lhe dizer, que fique ciente disso, nesse infindável sofrer, ninguém mais tem o respeito, é todo mundo suspeito, ninguém vota por prazer. Deputado tem aos montes, senador tem pra dedéu, tudo só pensando em si, cada qual no seu papel. Vereador nem se fala, é bala comendo bala, só mesmo papai do céu. Salários nas alturas, foro privilegiado, humilhante mordomia, nesse seu mundo encantado. Político no Brasil, vive bem a mais de mil, dane-se o assalariado. Precisa mudar bem mais, há muito eu percebi. Sumiço nas velhas leis, é coisa que nunca vi, acabar com o arbitrário, desmontar esse cenário, ou mudar quem está aí. 41


NATUREZA VIVA O canto festivo do coral juvenil, o lindo amanhecer e o sol inclemente. A graça do humor, a careca que brilha, o poder de sentir e o tombo do bêbado. A pressa da gorducha e tudo que nos faz sorrir. A alegria do gol, o sucesso do irmão, o obstáculo transposto e a vibração. O embrião inquieto no ventre, a frescura da brisa e a lua a enamorar. Enfim, a ânsia que sinto, de um dia te amar, pobre oniromante, que só sente o sentido da vida, sonhando contigo da cor do luar.

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BENEDITA SILVA DE AZEVEDO (BENEDITA AZEVEDO) LOUCO PORTEIRO Crianças inocentes e um louco porteiro, Elas e as tias cantam as canções de crianças. Dia 12 de outubro era o destino primeiro daquele ensaio ali tão cheio de esperanças. Mas, a loucura do homem e suas frustrações... Um cérebro demente e a fixação doentia não pensa em pais e mães e nos seus corações, na dor da vida e morte que não conhecia. Sua agressividade acende e lança a dor, labaredas e grito, o desespero espalha, a professora enfrenta em lutas o agressor. O amor à profissão mesmo no fogaréu oferece sua vida em heróica batalha... e tudo que consegue é segui-las ao céu.

Benedita Silva de Azevedo (Benedita Azevedo). Nasceu em Itapecuru Mirim/MA/ Brasil. Licenciada em Letras: Português /Literatura, Especialista em Educação e Pós-graduada em linguística. Educadora, poeta, escritora, haicaísta, antologista e agitadora cultural. Presidente da APALA, triênio 2010 - 2012, presidente fundadora da ACLAM, 2011-2016. Autora do Projeto Haicai na Escola, criado em 2004, idealizadora dos Grêmios de Haicai Sabiá e Águas de Março, no Rio de Janeiro. Pertence a várias instituições Literárias, no Brasil, França e Portugal. Escreveu 26 livros individuais, organizou 23 antologias, tem trabalhos publicados em jornais, sites e em 133 antologias.

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AQUECIDA COM TEU AMOR Não me toques assim feito um pagode nem me leves tão longe sem querer. Não me roces assim o teu bigode abraça-me forte ao anoitecer. A teu lado, aquecida, quero estar e sentir o teu hálito ao dormir. A cabeça em teu ombro recostar e puxar o lençol pra te cobrir. Após trocar um beijo de boa noite rolo na cama e até, lembro de outrora, e ao velar o teu sono eu adormeço. Mas, quando abro meus olhos ao acordar e vejo o amanhecer, o sol da aurora, só quero das belezas me lembrar.

FALTA INTERESSE Não me deixem aqui sem ter notícia daquilo que criei com tanto amor. Não foram poucos anos de primícia que sozinha banquei todo labor. Já não há interesse em reunir, ninguém sabe o valor da academia. Cada um resolveu se dirigir sozinho com total autonomia.

Percebo que o interesse já não há nenhum projeto tem para agregar valores em comum para se unir. 44


A falta de interesse no assunto Agora já deu tempo pra pensar que não mais vale a pena estarmos juntos.

OUVIDOS MOUCOS Na minha casa existe um quarto no fundo para onde fujo ao começar o barulho. Fecho as janelas num desejo profundo que a música do vizinho seja arrulho. O ventilador barulhento a ranger ajuda a disfarçar o fank da rua. Até a minha concentração tanger tudo - e aflorar poesia linda e nua. No entanto, após fechar este último verso e desligar minha inspiração, percebo... nada me impede, escrevo até no adverso clima de barulhos infernais e loucos, que ao iniciar a obra que recebo desligam-se - estes meus ouvidos moucos.

MINHAS TARDES Nas tardes a brincar lá no meu rio fugindo de trabalhos e castigos... Vejo a surgir um sol em desafio que me conduz atrás de outros abrigos. Meus setembros chegavam sempre assim, enchendo minha vida de sabores, a energia da idade me diz sim dando a mim, esperança, outros valores. 45


Portanto aquele sol das minhas tardes que troquei naquele ano por estudo passado pouco tempo já não arde. Foi aos poucos perdendo o esplendor só restou a lembrança, e além de tudo, lá, encontrei por mim, um novo amor!

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CAMILA MARIA SILVA NASCIMENTO RIMAS DA VIDA Será virtude ou destino cantar a vida? O cantador e o narrador, ambos gostam de cantar. O primeiro faz a rima, o segundo o prosear. A rima soma com a prosa e histórias se encontrarão Enredos de vidas, de nós e das coisas viram canções. Meu pai era um tocador, nas tardes de solidão! Tocava naquelas cordas os queixumes do sertão. Era também escultor que talhava na madeira As imagens da cultura, do povo e do artesão. Destino não quis sua arte, mas vontade não lhe faltou! E o violão cantou alto, suas cordas ele tocou. Tocava em lamentos tristes, também o preço do pão! Que não o deixou viver da arte, nem de sua canção. E um dia... calaram-se: ele e o violão!

Camila Maria Silva Nascimento. Nasceu em Milagres/Ceará/Brasil, no dia 26 de janeiro de 1952. Atualmente reside em São Luís/MA. É graduada em Letras, Mestra em Teoria Literária e Doutora em Ciência da Literatura, ambos pela UFRJ. Professora de Teoria Literária, Literatura Brasileira e Literatura Infantojuvenil na Universidade Estadual do Maranhão. Publicações na Revista Garrafa: Dilercy Adler: a tecelã de Eros nos trópicos maranhenses/ 2011; De Pessoa a Tribuzi: uma leitura contemporânea do mito sebastianista/2011; A narrativa picaresca em terras do Romantismo/2012.

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POIÉSIS Vamos poetar? Eu, tu e ele poetemos... E cantemos nossos sonhos! Quem disse que a poesia Não é pão dos homens Se ela nos humaniza? Dizer que a poesia é inútil É negar a utilidade da emoção Que na poesia se transfigura. Pois, o que é o poema Senão, o sentimento tornado palavra? E o que é a poesia Senão, a manifestação da angústia existencial? Por isso, eu quero a poiésis, Como essência da minha existência!

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CAMISA DE FORÇA? Esta eu não aceito, pois não pretendo Entrar numa caixa que não me cabe Nem me definir como algo que não sou Não aceito que arrebatem de mim Os sentimentos dos quis há muito me fiz E do ser que me fui tornando ao longo da vida Sou a soma da vida e dos anos que sempre quis E não posso me perder dessa busca essencial Ser tão somente esposa, mãe e dona-de-casa? Quero ser bem mais que esses títulos ou pechas E não me vejo acorrentada a ninguém que não me aceite Verdadeira face de mim, nem você, oh meu amor! Porque sou essência de mim mesma E não aceito a camisa de força na qual me queres Pois distante de mim eu não irei, pois a vida que quero Está, essencialmente, em mim e no que quero ser Ela não está em você, nem na vida absurda e amordaçada Que, equivocadamente, escolheste e queres para mim!

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A FALTA QUE FAZ O que sobra de mim... Quando não estou trabalhando Quando não estou viajando Quando não estou sozinha Quando não sou a mãe Quando não sou a esposa Quando não sou a patroa Quando não sou o exemplo Quando não estou vestida Segundo os padrões sociais? Sobram carências e faltas Que faz um ouvido para ouvi-las Que faz um olhar compassivo Que faz um ombro de apoio Que faz um colo que abrigue Que faz um sorriso largo Que fazem braços abertos Que fazem mãos prontas ao afago O que falta em mim? Não apontar o dedo para julgar Pois somos filhos da mesma Cepa.

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Primeiro, o colonialismo espanhol, mais tarde o imperialismo americano impuseram limites e padrões alheios à Cuba. Mas, a luta por uma cultura nacional é a marca decisiva e forte, dessa ilha do Caribe. Que nos sirva de exemplo!

(In PRAIA GRANDE - Informativo Cultural da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão. Ano I - Nº 4 – Fev/ Mar-1999). 51


CARLOS BRUNNO S. BARBOSA LATINO Lá Levaram meu ouro, minhas jazidas de sonhos e mataram parte de minha rebeldia. Ainda assim, carrego comigo toda riqueza perdida nos olhos sem brilho cheios de fantasias. Trago em meus sorrisos mais naturais todas as inconfidências tolhidas e dores incidentais. Imagino sempre vinganças vãs e nunca cumpridas contra meus exploradores ancestrais. O passado é um legado de sangue, dor e ingloriosa conquista que nunca deixo pra trás. Tino Latino é um ser assassino em potencial incapaz de assassinar qualquer forma de vida. Ainda que a fúria incontida incendeie os olhos e a rotina, infinita é apenas a fumaça dos dias. Tenho a faca da revolução nas mãos, mas apenas acaricio suas lâminas com amor e hesitação. Impossível negar o clamor guerrilheiro, mas a guerrilha aberta só se manifesta Nas trincheiras internas, nos confins do coração descompassado pelos fracassos diários. O inglorioso legado de ser nativo explorado implode meu corpo que desfila Sem brilho e pacífico no meio da violenta multidão. Carlos Brunno Silva Barbosa nasceu em Barra do Piraí/RJ, tornou-se poeta quando residiu em Valença/RJ, é professor de Português na E. M. Alcino Francisco da Silva, na região rural de Teresópolis/RJ, de redação e Literatura no Centro de Ensino Serrano, também em Teresópolis/RJ e promove e participa de eventos em diversos lugares do Brasil. É autor de 9 livros, possui diversos prêmios literários estaduais, nacionais, internacionais com poemas, contos, microcontos e crônicas. e é autor do blog “Diários de Solidões Coletivas”.

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A CIDADE LATINA DOS NÁUFRAGOS Ainda ontem mataram mais uma pomba da paz Que passeava inocentemente pelas estradas da vida Cantando músicas de conciliação Para a população faminta e oprimida De nossa cidade latina, ainda gripada com o vírus da farda Trajada e disseminada por golpistas ancestrais. Hoje os culpados são pegos aclamados por seus discursos de preconceito Nas vias públicas e redes sociais virtuais. Hoje os culpados são pegos, mas quem vive preso é o bom senso, Encarcerado nas celas do retrocesso de uma nova e poderosa Alcatraz. Ainda ontem espancaram mais um defensor dos humanos direitos Que pensava inocentemente que haveria respeito À vida de todo ser vivo que caminha pela cidade latina em busca de paz. Enquanto o mundo se mata pela estável economia, Aqui explodem granadas sobre os defensores do direito à vida pacífica; A discussão estúpida mais popular é se devemos ou não nos matar. Hoje a febre é verde e amarela e mata-nos um pouco a cada dia; A doença se alastra por ruas e avenidas. A falta de razão e de cortesia é agraciada Pela nação violenta e enlouquecida. Ainda ontem chorei de saudades pelos tempos cerebrais Que os anos e a internet não trazem mais. Hoje a vida acuada me visita, Aflita com as novas notícias falsas e as vozes assassinas, Com medo que novamente nos arrombem as portas E marchem contra sua existência divina. Declamo-lhe então essa vã poesia E, mesmo refém do mesmo receio que a exila, 53


Abro a porta de casa pra vida. A morte, popularizada, compartilhada e querida, Ronda armada a vila e ameaça minha acolhida. - Nesse continente insensato de nossa sociedade latina, A vida e eu agora somos uma náufraga ilha...   SAN VICENTE DOS CONVALESCENTES Era um imenso coração sangrando Que avistei em teus olhos castanhos Indispostos pra vida ou pra morte Com uma dor de nada que tudo invade. Era o monstro e a verdade Um horror de sina sem sorte Eu vi nossa doce ilusão mancando Depois do tiro e do golpe. A América latina, com consciência, É outra vez um gigante que adormeceu Nas camas sitiadas de San Vicente, Governada pelos demônios e suas cruzes. Nas praças plácidas de San Vicente, As velhas estátuas armadas de sobrenomes Assistem a seus novos varões clamando Por mais rancor entre os ricos e os pobres. Os livros de História eles já rasgaram E o que era sonho vivo desfaleceu. Enquanto tu suspiravas Por uma estrada nova pra San Vicente, Os porcos cercavam tua avenida, Mantendo a América convalescente. Agora vejo velhos barões gritando Por um novo circo cada vez mais torpe.

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CECY BARBOSA CAMPOS SONHOS DESFEITOS Embarcações frágeis deslizam apinhadas: homens, mulhere, crianças fogem da guerra tentando escapar à moete e buscam um novo lar. Os barcos oscilam perigosamente, com o peso exagerado que transportam ao impulso violento de ondas gigantescas. Ao som de gritos aflitos e de desesperado choro infantil o Mediterrâneo engole o sonho de paz dos imigrantes oferecendo-lhes a última morada.

ÁLBUM Desfolhando o velho álbum de retratos que jazia abandonado em alguma prateleita, relembrei pessoas que estavam esquecidas e não reconheci imagens que eram minhas. O tom amarelado esmaecia sorrisos jovens que ficaram tristes; tirava o viço de vidas tão distantes e que um dia foram parte da minha vida. Entre as velhas amizades retratadas revi amigos dos quais eu lembro os nomes e outros, dos quais mais nada resta Cecy Barbosa Campos é natural de Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. Nasceu em 26/06/1938. Bacharel em Direito e graduada em Letras, com mestrado em Teoria da literatura pela Universidade Federal de Juiz de Fora, de onde é professora aposentada. É membro de academias de letras e instituições culturais no Brasil e no exterior. Autora de dez livros solo.

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porque ficaram perdidos pelo tempo. Ao contemplar aquelas fotos desbotadas vou rejuntando, aos poucos, os pedaços de uma história que nem sei se já vivi.

PRECAUÇÃO Prendi meu coração numa gaiola temendo que ele, alçando voo, caísse no teu alçapão. Cobri meus olhos com uma viseira para impedir que eles mergulhassem no oceano dos teus. Coloquei uma mordaça sobre os meus lábios para que fosse impossível afogar-te em beijos. Imobilizei meus pulsos com algemas para evitar que meus braços se abrissem e te enlaçassem. Segurei os meus pés com correntes para que, imobilizados, não pudessem correr ao teu encalço.

FIAT LUX O dia abriu os olhos e enxergou, com tristeza, as misérias do mundo. Vendo homens e mulheres maltrapilhos, aconchegados em vãos de portas que para eles nunca se abririam, chorou. Não conseguiu acender as luzes do sol nem conseguiu fazer a luminosidade da alegria baixar sobre aquelas cabeças 56


sem teto. A escuridão permanece. Falta luz às cavernas da desumanidade e da ignorância. OLHAR CEGO Quando te olho o meu olhar é cego, não quero ver aquilo que não quero. Só enxergo alguém que não existe, um ser imaginário que me engana. Iludida vou seguindo pela vida vivendo fantasias perpetradas pela vontade de amar uma quimera. Quando eu puder arrancar a capa que te cobre e então discernir a tua realidade, serei mais feliz?!...Não sei, talvez prefira conservar a venda que o meu olhar encobre e continuar a ver apenas o que quero.

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CÉSAR BRITO (Carlos César Silva Brito) BRAVOS NAVEGANTES Imaginar a vida de um peixe é como uma alma viajante, Viajante sem destino, indefeso, inocente, Em águas agitadas, rasas ou profundas o risco é eminente, Obscuro inconsciente é preciso nadar contra a corrente, Durante o dia, sol radiante, água clara, límpida e brilhante, Realça cores cintilantes, alegria no semblante, um nadar mais elegante, Ao predador, um banquete ofuscante. Chegada a noite, sonâmbulo, perdido na imensidão, Viaja pela escuridão, tranquila e fria em busca de direção, Vagando em círculo, atento, da vida vai cumprindo o ciclo, Apreciado alimento, sua vida é um tormento, Hipnótico anzol, malhadeira por lençol, arpão, caçoeira, arrastão, curral, Verdadeiro arsenal, armadilhas de predador, bicho homem, pescador. Em rio, lago, igarapé ou no mar, sua beleza é singular, Determinado, sua trajetória é seu destino, sina, Instinto natural, Brumas ou temporal, a todo instante é posto a prova, E ao completar sua desova, dever cumprido, então a vida se renova, É finalmente poder a outros, conceber o desafio de viver, Nas mesmas profundezas, mesmas correntezas e mesmas incertezas. Viver na água tem seus riscos, mas também traz benefícios, O problema é se a água pura acabar, da vida o que será, Os peixes vão sucumbir, não terão onde nadar, nem mesmo respirar, César Brito (Carlos César Silva Brito). Nascido em 04/12/1968, na cidade de Viana/ MA/Brasil. Membro Acadêmico fundador e Primeiro Presidente da Academia Matinhense de Ciências Artes e Letras – AMCAL Autor dos livros: Minha Terra, Minha Origem e Lago Aquiri, Natureza Matinhense. Autor de diversos poemas, Textos e Crônicas ressaltando a grandeza e a beleza natural e cultural da região dos Campos Floridos. Pós-graduação: MBA em Gestão Empresarial e MBA em Gestão Ambienta. Consultor de Empresas, Auditor de Sistemas de Qualidade Total e Planejamento Estratégico. Escritor, Poeta e Palestrante.

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Mas, o homem desidrata, evapora e pela água ele implora. Não consigo limitar a vida apenas em terra, num planeta água, É por isso que gosto de navegar, sinto-me como um peixe, livre ao destino, Escafandro natural, sobrevivente, é como me sinto, é como gosto de mim, É transportar-me da realidade botelha, das pessoas e de mim mesmo, É poder isolar-me em busca de paz e calmaria em meio à tempestade, E buscar reflexão e sabedoria, resposta aos problemas, conflitos e dilemas, Entender as relações na sociedade, respirar ar puro, bem longe da cidade. Navegar é desfrutar da natureza, é estar com os pés na água da fonte, A mente no infinito céu e o coração distante no horizonte, É sentir o vento no peito, a brisa no ar, o sol na pele e o cheiro do mar, Maré mansa ou bravia é enfrentar temporal e desfrutar da calmaria, Navegar é conhecer a própria estrutura é cantar em dias de aventura.

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MATINHA, TERRA ENCANTADA Guardiana... Nas águas do Piraí... Luar de prata, índios se abrigam lá na mata, Desbravadores viajantes se encantam com a beleza, Dessa terra verdejante, lindos campos, Cacoal e exuberante mangal; Mata frondosa, paparaúba, ingá, cajá, bacuri, bacurizinho, goiaba araçá, Terra gloriosa, caneleira, Axixá, sumaúma, Ervacidreira, jatobá, Mata nativa, mata formosa, Enseada da Mata, mata, Matinha, Subia o Genipaí a tribo dos Criviris, sob as águas do Caiada descansa Jaibara, sombra, água fresca, cachaça tiquira e juçara; Caboclo meche a farinha com suor e alegria, parcela que teve o negro, com trabalho e devoção, importante integrante dessa miscigenação, Levanta Santa Maria, o melaço belo dia, Vida doce, que alegria, Esperança e Boa Fé abençoa Frei Antônio o Engenho Nazaré, Enseada Grande no Lago Aquiri, tudo é lindo por aqui, capim boiador, agapéua, língua de vaca, pajé, orelha de veado, brilha arroz do campo, Balcedo, espelho d’água que encanto, espia o rosto mãe Iara, Reforma, Jacarequara, Sembal, Os Paulos, Charalamba, Cotias, Curral de Vara, São José dos Araras e também Ponta da Capivara; Em São José de Bruno tem Felicidade, Antônio Augusto que saudade, meu padrinho sua benção, que Deus te guarde nessa nova dimensão. Poucos lembram de Osmundo e Marco Camaleão, da passagem de um rio, muitas águas no grotão, resta ainda uma ponte que um dia foi passagem, no tempo uma viagem, para aqueles que ainda lembram, apenas recordação, pois a mata recobriu onde foi habitação; Meia Légua, Malhada Grande, Caminho do fio, em Cafusa é beira campo e Roque ainda tem peixe e bastante algodão do campo, por lá canta bem-te-vi, bico de brasa, Curica e Bico de Ferro, menino, pé no chão, pé de moleque, pé de chinelo, saliva doce caramelo, sobe a Rampa 60


dos Meireles até o alto da pedra, Monte Cristo, suplica meu Bom Jesus, Graças, Aleluia, Azevedo, Salva Terra agricultor, boa safra está por vir, te apega a Santa Rita, Santa Tereza, São Francisco, Contenda, esperança e Bom Fim, Valei-me meu Santo Antônio, São Raimundo, São Caetano, abençoa quem aqui está, quem já esteve e quem está por vir; Ponta Grossa de Baiardo, Campinas, Coroatá, Nova Brasília, Cabaceira, Preguiças, Roma e Mendonça e até Ponta do Chá, Olho D’água, Palestina, Enseada do Cajá, Belas Águas, Santaninha que lugar, Ilha Bela, Ilha Verde, São Rufo, Tronco, Primavera, Rodrigues, Ilha do meio, tem também, São José dos Gaspar, Galego, Simeão, Jacuíca, Itapera e João Luís, “êta” povo feliz; Do Chulanga, Tanque, Caranguejo, Vilinha ao Itãns, são famílias coirmãs, tios, tias, irmãos, irmãs, boiadeiros, doutor, agricultor, pescadores e tecelãs, formam o misto de um povo, alegre e hospitaleiro, deste lindo pedaço de chão do nordeste brasileiro, olhos presos no futuro, consciente do esplendor, denota satisfação a sua consecução, olhos voltados pra beleza, ouvidos musicais, criativo com a arte, alegria nos carnavais, felicidade pelo ar, sob a sombra dos mangais, por amar e ser amado, alegria de viver, nos realça o prazer desta terra conhecer como surgiu como vai ser, assentadas por escrito e nas mentes dos antigos, testemunhas dessa história, registrada nos anais. Só peço a São Felipe, Santa Isabel, Santa Vitória, que proteja esse povo, suas águas, nascentes e mananciais, suas matas, sítios e mangais, mãe natureza agradece esses filtros naturais, consciência e atitude, é o que falta pra essa gente, olhos firmes para frente, coração cheio de amor e um rosto sorridente, respeitar a natureza é premissa de quem sabe o que é bom pra se viver em paz e harmonia como um simples passa tempo, nesta terra encantada, neste solo matinhense da baixada maranhense.

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VIRA E MEXE, MEXE E VIRA Como um menestrel, na arte de viver, rotineiramente nos deparamos com o dilema ilusório de ser ou não ser, o que fazer ou não fazer. Viver a busca da cultura e da riqueza ou emancipar-se na vida simples e um dialeto mais livre, porém, não menos rico culturalmente. O que fazer? Contar, cantar ou recitar uma história? Tesouro cultural, a narrativa é bem mais forte quando traduzimos as dificuldades, sertão, seca, inundação, pagar pedágio, lamaçal, ventania, temporal. Setessílabo, Sete linguagens, tudo transita em um verso só. Sete tempos da vida, sete caminhos, sete dores, esquecimento da estrada e do vento, da poesia, da alegria, sete refrãos, quimera, solidão, mera ilusão. Ribeirão secando, peregrino se “arretirando”, cacimba seca vira cova do azarão, então, suplica o cristão. - Mãe lua, será que Deus, dessa terra se esqueceu? A vida é assim, vira e mexe, manifestação ou fuga, nos vemos a contrapontear o envolvimento, ainda que transitório, três dias, quatro noites, será que o trem da vida passou da estação! Ao ouvir o concerto de passarinhos harmonizado pela mata, nos sugere paciência, sapiência, meditação, fazer uma análise da vida campeira. O que fazer? Não ser mais empregado ou desistir de ser patrão? A canga no pescoço nos realça tal situação. Ver o que quer ver e viver como quer viver. Lunático, enigmático, é congestionar no íntimo, sensações de dor, amor, sofrimento, alegria, renascimento, mágoas. Atravessar o contraditório, mergulhar em malga, viver do jeito do povo e conhecer seu vocabulário, dialeto: Último “derradeiro”, olhar “ulhar”, olhando “ulhando”, gostoso “gustoso”. Ilustrando hipnótico cenário, ilusório, sem sentido, hora natural, hora informal. Vira e mexe, mexe e vira, se renova nossa história é o que fica na memória. A todo instante questionado, ficção, realidade, florada todo ano na 62


baixada, seja antes ou talvez depois. Por que fugir do ambiente urbano, um tanto quanto conturbado, dando espaço ao sossego no aconchego desse chão, hora inundação, hora sertão, dado instante civilizado, noutro, encantado cafundó, lugar mágico que um dia conheci, vivi, na companhia da minha avó.

PENSATIVO A OBSERVAR Certo dia estava na margem do lago, pensativo a observar, Olhando em volta, ao longe, recordando a paisagem do lugar. Não vejo mais as tapagens, barcaças a vela, ao vento, no lago singrar, Revoadas de meuá, ranchos de beira campo, Baiardo a nos saudar. Chamei o caboclo “Sinhô”, Caboclo de lá gritou “ethô”. Hoje tem alegria, muita gente, correria, Vai e vem desordenado, pouco tempo pro cenário, Volume que rompe mato, arrocha, despertando o tal barato. Hoje tem alegria, muita gente, correria, Não se vê descontração e harmonia, mas, turvamento da razão, Vai e vem desordenado, descartáveis pelo chão. Tempo diz, tempo dirá, tempo passou e passará, Mata virgem, raiz do tamarineiro, lá no alto a axixá, Na copa o tuturubá, despenca jenipapeiro, Jutaí e jatobá, Preguiça e bico de brasa, tatú, porco espinho, jiboia e jandiá, Macacos de galho em galho, pica-pau a trabalhar, O tempo já vai passar, relento, vento da pororoca, mariposa, muriçoca, Já que não para esse tempo, da mata o que será? Embala a rede Baiardo, boas vindas a quem vem de lá, Pesca o suficiente, pra família, pro parente, o menor deixa vingar Apeia o cavalo, tira o chapéu, tira o boné, toma um gole de café, Uma prosa com os amigos e fazer mandados de Nazaré. Embala a rede Baiardo, por Deus, Nosso Senhor, saudades do meu avô. Escassez, agressões, tempos de dor, tudo isso, alertou, profetizou, “Pega hoje apenas o que é preciso pra amanhã não te faltar”, Consciência, clemência, trate o lago com excelência, 63


“Fulorô” hoje, “fulorará” amanha, é o despertar de uma nova aurora. Te lambuza com a manga, tem goiaba araçá, apanha o maracujá, Apanha bacurizinho, cajarana, cajazinho e a polpa do ingá, Apanha folha por folha, lá no alto tem Japí, tranquilo a cantarolar, O sereno tá no ar, menino faz fogueira, a noite tá pra chegar, Bosta de boi seca e gravetos na fogueira, pra praga não perturbar. Currupira tá na mata, grota funda tem por lá, Fite pra mais de cem, Mata escura tem visagem e outras coisas do além, Ilumina candeeiro, enquanto a Lua não vem, clareando o terreiro, Orvalho da madrugada, agasalho na morada, cantigas cantarolar, Nazaré “Mãezaré”, contando histórias, pensativo a imaginar, Adormecer depois de orar, Já vem nova alvorada, novo dia há de chegar. Canta o galo no terreiro, periquito a charlear, bate as asas carijós, Cafezinho da vovó, o apuro do pesqueiro, alegria pelo ar, Caçarola, manzuá, a farinha no paneiro, na cabeça o “borná”, Caçador contando história ouvindo a rádio “nacioná”. Vai e vem de tanta gente, alegre, contente, reencontro de parente, Vadeia, menino, vadeia, Olha arraia te furar, tem piranha “mordedeira”, Vadeia, menino, vadeia, Não te suja na areia, se teimar entra na “peia”. Eis um grande diadema, viver livre e feliz, escorrendo o nariz, Dessa terra descendente, traquino, valente, dos perigos, consciente, Pisa leve a folha seca, cambalhotas na areia, olhos firmes na espreita, Sondando quem vem de lá, como caminha, como caminhou, De onde vem, de onde chegou. Lembranças da mesma margem, Nesta linda manha tranquila e serena, nesta mesma paisagem, Olho até lacrimejou, memórias de outrora, que o tempo não apagou.

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VOAR COM OS PENSAMENTOS Na busca por nos tornar felizes, no jogo da vida, acabamos nos tornando loucos, de toda sorte, capazes até de voar, isso mesmo, em desafio às leis da gravidade, aerodinâmica, somos todos capazes de voar como os pássaros. Se conseguirmos dar asas ao nosso coração. E todo aquele que consegue tal proeza, jamais seguirá sem olhar para o céu, pois, os seus sonhos o impulsionam a voltar. E ao olhar fixo para a expansão do firmamento o coração dispara, respiramos com mais energia, e junto, vem uma forte sensação de liberdade para voar num horizonte sem fronteiras. Surgem rajadas de vento e nuvens opacas dificultam a visibilidade, de repente estamos no meio do nada. Por instantes, eternos instantes, o sol, como um farol, clareia a longa estrada da vida, então, caminhamos pelo ar em meio a uma forte sensação de paz, por nós já esquecida, que nos acalma nos faz sonhar, nada mais que sonhar, é quando sentimos um impulso para voar, as lembranças da vida criam asas. Pensamentos tolos, homem, pássaro, filho, pai, irmão, lua, vento, fogo, água, ilusão, medo, frustração, dor, amargura, sofrimento, paixão, enfim, nossas ansiedades e os perigos que nos rodeiam de repente se transformam em esperanças, como uma semente que brota e renasce, tudo tão real como o nascer do sol, trazendo consigo um brilho forte e silencioso na lembrança e nos sentimos dispostos, motivados a viver plenamente, aventura, amizade, amor, compaixão, compreensão, perdão, saúde, solidariedade, sorte, sorriso. Mistérios da vida. Nadamos como os peixes, voamos como os pássaros, mas, ainda não aprendemos simplesmente a viver a vida em harmonia, como homens e mulheres livres, pois aqui estamos apenas de passagem e daqui nada iremos levar. Desigualdades, sofrimentos, maldades, já temos demais. Devemos sim, para nosso bem, seguir o exemplo das nossas iluminadas crianças, que livres de pecados, exercem com simplicidade sua liberdade de viver felizes como pássaros. 65


A ilusão da sobrevivência nos obriga a lutar cegamente por tudo e como que por impulso estamos sempre querendo mais do que precisamos e para tanto, passamos por cima de tudo e de todos, inclusive de nós mesmos e dos nossos sonhos, nosso tempo, nossa liberdade, nossa alegria de viver e nos tornamos ambiciosos, avarentos, desumanos, desonestos, insensatos, infiéis, e o pior de tudo, infelizes. Tento fugir de tudo isso, procuro fazer diferente, pois, quanto mais alto estamos, menor parecemos. Devemos ser desprovidos de poder, vaidade, e reconhecer nossa condição de meros pecadores mortais. Na realidade, não dá pra voar com os pés no chão. Assim, como um flash em minha mente, em repetidos e súbitos sonhos, sou atraído ao encontro da luz do meu destino, despedida da alma. Voando em velocidade, ao descansar mesmo sem adormecer, inesperada e repentina turbulência me agita os sentidos de maneira incontrolável e me leva a sucumbir sem nada sentir, passagem indolor. Retornando ao consciente, olho em minha volta, respiro fundo e aos poucos, relembro todos os meus passos, sinto uma elevada e inexplicável sensação transitória Que não consigo alcançar de tão alto. Em minha mente sinto revelados todos os meus pensamentos e anseios, assim como a mim mesmo e o possível momento do meu chamamento, então, tenho a certeza de que tenho um encontro previamente marcado ao qual não posso fugir nem mesmo adiar.

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CIDA ROCHA (Maria Aparecida Rocha da Costa) FILHO De um beijo ardente Surgiu a semente Que foi plantada Com a explosão do amor Já plantada no ventre O corpo estremece e sente Germinando por dentro A essência do verdadeiro amor Tudo transcende A criação de uma vida Que dentro da gente Um ser se formou. A arte da vida Em um belo dia se materializou Colocando em meu colo Alimentando em meus seios O que meu ventre gerou Com o olhar em silêncio Vejo e contemplo A criação perfeita Que Deus me enviou Pra que eu pudesse cuidar Como um vaso de vidro Que não se quebrou Lhe dedicando carinho Sem medida de amor Esse ser já cresceu E em homem formou Com seus braços fortes Cida Rocha (Maria Aparecida Rocha da Costa). Nasceu em 24/04/61 em Porto Franco Maranhão/Brasil. Palestrante Motivacional, Escritora Poetisa, 56 anos. Participou de 3 antologias: Cantos das cidades, Des’visitando poesias; Antologia da Academia Mundial de Cultura e Literatura, AM. Livros publicados: Cicatrizes de min’nhalma”. A leitura desaprisiona e O nosso conhecimento, e liberta nossa alma.

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E coração valente Que o universos criou Me coloca no colo Cuida de mim com amor Me enxuga as lágrimas Na hora da dor É o ser mais singelo e perfeito Que Jesus criou.

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VIDAS Quero preservar vidas Qualquer vida que seja vivida Não importa quem seja quem for Pode ser do menino do avó Do elefante, das matas feridas Das formigas,do beija-flor Gosto de ver vida vivida Amparada com o abraço do amor Que não sangra as feridas Em meio ao descaso do horror Vou da guarida a qualquer vida que for O manancial dos rios A fauna sofrida,um pé de fuló Plantar varias sementes Nas terras áridas E regar com amor Preservar vida é preciso Seja lá de quem for Meu pedaço de terra eu te dou Pra servir de abrigo,do frio do calor Levar mudas de plantas E plantar no deserto do horror Das queimadas que assolam Com os gritos de dor Gosto de ver a vida Vivida do jeito que for.


CHUVA Me aconchego em minha cama, quando a chuva vai caindo Começo mesmo de longe, a sentir os teus carinhos Tuas mãos desliza em meu corpo, minhas lagrimas vão caindo Sinto o gosto dos teus beijos, logo entro em desalinho Queria te ter comigo mas vejo que estou sozinha Visto meu roby de seda, começo ficar com medo Pois a chuva fica forte e a porta vai se abrindo As gotas molham meu rosto, como um gesto de carinho Jogo meu roby no chão e pra chuva vou saindo Quero lavar minha alma dos pecados que me atinam Muitas são as lembranças, dos momentos de carinhos Quando banhávamos na chuva,nas veredas da campina A chuva vai me molhando, aumentando o meu desejo Quando acordo estou molhada, mergulhada nos teus beijos.

FLORESTA AMAZÔNICA Sou a floresta amazônica Rica por natureza Trago dentro do meu seio A mais esplêndida beleza Vivo em terras Brasileiras Mais também faço divisa Com países estrangeiros Sou o pulmão desse mundo Carrego minha bandeira. Os pássaros que aqui vivem Entoam grandes orquestra Faz a pessoa mais dura Ter coração de poeta Quando chega a primavera Tudo fica bem mais belo Fico toda colorida Parecendo uma aquarela Sou dona da fauna e da flora 69


Mando riquezas pra fora Preciso da ajuda do homem Pra me Cuidar sem demora Pois os rios que daqui saem Estão morrendo lá fora Minhas plantas se acabando E a fauna indo embora As vidas precisam de mim Pra poderem respirar Os cientistas precisam Minhas espécies estudar Se o mundo olhar pra mim E começar a me cuidar Talvez ainda dê tempo Da minha vida salvar.

BANHO O banho envolve meu corpo Como as gotas do luar Em cada parte de mim Seus pingos me fazem lembrar Das tuas mãos que me banham Como num gesto de amar Depois me envolve em teus braços Pra minha cama levar Me envolve em roupão de seda Para depois me perfumar Coloca a colcha de retalhos Para a cama enfeitar O travesseiro de renda Encanta o meu olhar Que aos poucos vão fechando E meu corpo a declinar Deslizando entre os lençóis Esperando bem serena 70


A hora de te amar Tirando da boca o mel Dos beijos que vai me dar Sinto tuas mãos seguras Meu corpo acariciar Teus carinhos me despertam Para teu corpo afagar Como dois anjos inocentes Começamos nos amar.

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CLÁUDIA GONÇALVES GUAÍBA meu rio aqui me liberto transbordo em magia rejunto partículas _____colhendo estrelas dispo-me de mim densa sinto-me lua e me vejo crescente liberta inteira em ondas sonoras tuas águas me embalam [entrego-me e calo]

Cláudia Gonçalves. Nasceu em junho de 1958, em Porto Alegre/RS/Brasil. É poeta, produtora e ativista cultural. Coordenadora de Publicações do Proyecto Cultural Sur/ Brasil, Coordenadora do Projeto “Poeta, mostra tua cara na escola. Livros publicados: “Entrelinhas” Fábrica de Cataventos – MG/2011 e “Interlúdio” Integra a coleção “ El Umbigo Del Origem”. Editorial Andesgraund - Chile/ 2016.

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CRISTIANE LAGO EXPLICAR-SE Ferreira se traduziu, Sem conseguir se explicar. Delirante ou sonhador? Um poeta. Explicar-se por inteiro. Tão difícil, tão poético. Somos, às vezes, tempestade. Outras vezes, calmaria. Ganhar o mundo Ou perder a vida? Ganhar a vida, E viver no mundo. Buscar a essência, Enlouquecendo a cada dia. Buscar o que é sonho, Esquecendo o que é ganho.

AMOR O amor é surpreendente: Se agiganta quando deveria morrer, Se torna mais importante, Quando prescinde de afirmações.

Cristiane Gomes Coelho Maia Lago, nascida em Carolina/MA/Brasil, em 05 de dezembro de 1971, filha de Neuton Coelho do Santos e Maria Carlota Gomes Coelho, casada, Promotora de Justiça do Ministério Público do Maranhão, especializada em Direito e Sociedade pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, mestranda em Direito Público pela Universidade Portucalense em Portugal, poetisa, autora do livro Vida em Poesia.

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O amor é inexplicável: Não se explica quando é indispensável. Quando se explica o amor, Ele tornou-se dispensável. O amor tudo justifica: Justifica-se quando não é dado, Quando não é recebido, também. Sempre aguardando o justo amor. O amor surpreende, Não se explica, Sempre se justifica. O amor, o justo amor.

SAUDADE Sinto saudade... Já sei que é amor! Amor sem saudade, Não passa verdade. O amor e a saudade Se abraçam aonde for. Amor dá saudade, Da alegria e da dor. Saudade dói, O amor também provoca dor. Sem dor, sem saudade, O amor é sem sal. Sal de lágrimas, Que regam a dor. A saudade é salgada, Como lágrimas de amor. 74


BEIJO O beijo de hoje, Nunca será o de ontem, O de amanhã, É o de agora! É aquele que me queima, Que me invade. Que me acalma, Que toca minh’alma! O beijo de ontem, Tinha suas razões, seus motivos. O do futuro, não sei. Qual será sua emoção? O beijo de agora, Entendo, abraço, desejo. Sei seus motivos, Suas verdades. O beijo de hoje É só teu e meu. São somente nossos, Eternamente...

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TEMPO Ontem, eu vi a chuva. Percebi o vento, O tempo, O canto dos pássaros. Ontem, eu parei. Entendi que o tempo Passa sem chuva, Passa sem vento. Ontem, compreendi Que hoje já é dia De parar, De olhar, Ver a chuva, Sentir o vento, Perceber o tempo, Que está passando, mesmo com a chuva.

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DANIEL HORACIO BRONDO VOS EN LA CALLE Desorden en tus labios procaces que buscan crepúsculos tardíos, donde los insólitos faroles iluminan eternos encuentros intrascendentes. Terror que llega de tus palabras que complican, enlazan, subyugan… Tu insoportable destino de neblina, diaria e irremediable en tu interior. Cómplice de los deseos en tiempos breves con el millonésimo ser que te contiene derrochando su savia indiferente hasta llegar tranquilo a su pequeño paraíso. Tristeza, que viene en alas de tormenta cuando veneras a tu reina, la soledad que te domina en una pequeña habitación y te condena al final del día. Mides el pasado para recordar cada amanecer. El amor anhelado te hace reconocer todo lo que llegaste a vencer.

Daniel Horacio Brondo. Naceo en 1º de mayo de 1954, em Buenos Aires/Argentina. Desde chico me gustaba hacer composiciones en el colegio. Luego vino la época de las canciones en mi adolescencia. Quedó dormida mi literatura hasta el año 1985 cuando empecé a escribir cuentos, pero eran sólo para mí. Un día comencé a escribir poemas y decidí exponer mis obras en talleres y concursos para saber qué pensaban sobre mis escritos. Desde 1998 hasta hoy estoy participando en concursos literarios obteniendo premios, menciones y publicaciones en Cuento y Poesía en Argentina, Brasil, Chile, Venezuela, España, Italia y Estados Unidos.

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Sobrevive el candor en el duro camino de pasiones. y llega hasta el dolor sublime. en un cántaro de emociones Pequeño faro luminoso resuelves, con descaro, a la luna dormida, dejarla sin luz de bienvenida. Es luminoso viento que llega a tu playa de fantasía. El sol quiere la poesía para gritar aquello que ansía. Todos mis versos audaces se congregan en mi cabeza. Para que la naturaleza no sea un cúmulo de simpleza Cansancio de caminar, atropellando tu mágica historia. Ya podemos adivinar qué dice tu memoria.

DEDICATORIAS Para los que nunca piensan en el amor cuando viajan. A los desdichados que perdieron el amor en el viaje. A los que viajan en busca del amor. Para aquellos que la angustia los hizo viajar por última vez. Y ellos que, por su esperanza, empezaron a viajar. A los choferes que venden un pasaje y regalan un requiebro. Para los que siempre viajaron parados y sin embargo reían. A los afortunados que hicieron un viaje infinito en el subte “A”. Y a los que volvieron a ver la historia en ese vagón Para aquellos encerrados en un sueño que nunca abren la ventanilla. 78


A los que buscan una ilusión en los pliegues de la ropa, Los mismos que viven el éxtasis en su propio asiento. Para aquellos conductores que hacen del colectivo un templo de oración. Para los conductores que sienten el filo de la guillotina en cada vuelta. A los que el viaje les resulta ansiosamente largo. Para los que el viaje es tristemente corto. A los boletos que son pases gratuitos a la aventura. Para los que se olvidan de la sociedad, con auriculares. Los mismos que se aíslan en su paranoia de oídos tapados con sonido. Para todos los que hacen de un trayecto un poema.

DESCORAZONADOS LATIDOS Descorazonados latidos cubren los paisajes mientras vos giras con los vientos cardinales. Sospechoso amanecer que baña mi energía cuando el amanecer se transforma en piedra. Una jauría de átomos descabellados irrumpe en las vísceras del destino. Y me lanzo a la sombra irreprochable de los infinitos ensueños de tus formas. Solitarios designios que son eternizados por un desusado criterio de construir bandera para que pueda flamear en su destino. … y yo hundiéndome, leve, en su sabia textura, El rugido de la libélula y la abeja se desgranan en el sacrosanto ladrido nocturno de las tucas, que se percibe en la piel de los matorrales cuando arrastro la noche en mis zapatos. Desfiguradas noches de luna caliente en el errático sendero del espanto, 79


para transitar la perenne irracionalidad, buscando en los extraños jardines la respuesta.

SENTADO Y CERCANO A LA EXTINCION Sentado y cercano a la extinción. Esguince de gastadas moléculas, con la dulce sonorización de mis penas atacando los torpes despojos de vida. Duras serenatas de piel y sangre capturan oquedades en el universo. Condenan un arco iris, sentencian un cielo. Dramáticas mareas llegan hasta mi orgullo. Deleznables coherencias nos persiguen en las subsistencias ególatras de ayer. Las desavenencias entre las estrellas nos arrastran a lo negro imponderable… Inéditas, inocultables férulas del desasosiego. Desmadre de mis solitarias células, en la resonancia núbil de mi cuerpo enmarañado en circunstancias perdidas. Solo el atardecer enfrenta los miedos. Insoslayable túnel de fríos recuerdos, acuciado por una gris desesperanza y deshonrado por la búsqueda inútil. Onomatopeya de un pensamiento en las estériles cuencas del placer . Alusivas palabras de remordimiento en la cúspide fatal de la necedad… Recorridos subterráneos de la palabra reptando violenta entre monosílabos. 80


Enternece saber que somos débiles ante la cruel parodia del desprestigio Absoluta raigambre de conocimientos, desparramados en el ocaso de la mentira El saber se enmohece con suspiros entre los residuos mínimos del firmamento . Desconsideradas exequias al dulce tirano en los albores de una divertida revolución. El espíritu balancea las madrugadas en una acuciante caravana de sordos reflejos El ángel guardián de lo insólito no está presente. La gran llanura se conquista con la duda precoz. Los planetas siguen siendo distraídos ante la lujuria de un enorme espacio vacío y estrecho Reverberaciones constantes de mi interior que reclama la aventura del silencio. Debo hundir mi lanza definitiva para detener este lápiz desesperado.

SESION DE MERMELADA Cópula infernal con el saxo. Se arrastran notas-serpientes sobre un mítico lecho de sonidos, en el mágico ritual de sus dientes. Persiste en lucha de armonías desechando sutiles dádivas, toca sobre un piso mojado de oscuras y crueles lágrimas. 81


Sale de sus extraños espacios buscando nuevos colores. Taxi milagroso y rápido atrapando mediodías y soles. Ecos graves y profundos lo acompañan en el túnel donde viejas leyendas penetran, lastiman y huyen. Vida en sus dedos alados y febriles Muerte en sus ojos desorientados. Vida en sus sienes inflamadas. Muerte en su núbil ser humano. Quizás su insoslayable música de la vida y la muerte se escuche en un repentino cielo para poder retener su presente.

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DANIEL BLUME (Daniel Blume Pereira de Almeida) NO ESCURO Segue-me, que não te cego, pois a noite encobre as dúvidas do dia, em um mundo que não se vê. *** CÓPIA A vida é uma cópia de um poema sem título, onde tudo nada. FLOR AMAZÔNICA Flor selvagem movida não apenas pela brisa amazônica morde para aproximar ou repelir afaga ou fere ao sabor do tempo da sua contradição sistêmica que amo.

Daniel Blume (Daniel Blume Pereira de Almeida). Nasceu em 27.10.1977, em São Luís/ MA/Brasil. Advogado. Procurador do Estado do Maranhão. Membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB Nacional). Titular da Cadeira nº. 15 da Academia Ludovicense de Letras, patroneada pelo poeta Raimundo Correia. Autor dos livros Natureza Jurídica das Decisões dos Tribunais de Contas (2003), e livros de poemas Inicial (2009), “Penal” (2015) e “Resposta ao Terno” (2018).

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DIANA MENASCHÉ

FINO FIO sentimos que estamos caminhando nos muros nas beiradas nas margens nas lâminas no quase oceano um quase circo de ilusões entre esperanças ou pensamentos obscuros sentimos os pés no fio que separa mares inseparáveis águas calmas águas em transe fronteira entre materialismo e unções imateriais sob imaginários altares (estes nunca estão nunca serão construídos) a corda bamba também elástica fixou caminho bambo tremendo em glória e tombo torcendo tomara não caia novo arroubo dos sentimentos retorcendo-se velho show de rock onde cantores ficaram deprimidos

BOLAS DE FUTEBOL então essas memórias com a maré retornam e tentamos empurrar a maré com o pé mas águas não são como bolas de futebol boiando em algum mar longe semi acordado quem dera em vez de correr tivesse abraçado tua ideia chegando no último anzol em vez de solipsismo (caracol) o José quem dera tivesse visto que momentos adornam

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Diana Menasché nasceu no Rio de Janeiro/RJ/Brasil, em 16 de abril de 1983. É formada em Comunicação Social pela PUC-Rio e Mestre em Letras Hispânicas pela UMass Amherst. Trabalha como tradutora e professora.


o amanhã (e agora) nasce José é rei de si enrolado no lençol em preguiça ou medo ou desespero encaracolado por gerações em dúvida entre marcha ré (ou agora) ou o futuro se não enguiça nos nós d’outras perguntas e termina parado

POR FAVOR NÃO CHORES pedi encarecidamente por favor não chores em público mas ignoraste pedido tão simples e hoje te vejo entre uns mares de lágrimas impossíveis de se navegar não importa! te amo preciso viajar aonde tu estejas ainda que pilares de fogo sal cimento lágrima tenham sido reerguidos onde passaste em solidão ocorra o que ocorra estarei por perto para abraçar-te quando parecer incerto novo amanhã sem esses rios caudalosos pedi tanto para que controlasses o choro mas comportas se abriram então me demoro em explicar que amo teus olhos preciosos

URCA este pôr-do-sol rosa nos trouxe as lembranças dos melhores momentos de abraços na Urca esperamos que este segundo não se perca nos depósitos da memória quando a neve der a lentamente se precipitar de leve na calada da noite conversarmos acerca 85


do café forte numa cafeteria turca como alguém se atreve a deixar crianças correndo no meio da rua quando cansados exaustos falarmos do que não tem sentido entre breves pausas marcadas por uns suspiros sóis cor-de-rosa lírios montanhas e retiros brilho nos olhos o que foi ou teria sido na Urca sim ah bom é sermos apaixonados

ESPARRAMADOS olhamos as águas esparramadas no mar revolto aturdido lembramos o momento em que trocamos alianças como se não houvesse amanhã mesmo tudo foi então continuidade em esparramado amar garrafa de leite quebra copo leva vento e logo líquido varre a casa de manhã hoje vemos que a constância do amor é irmã almofadas esparramadas neste sofá desconcertado triste deságua pensamento nas memórias de um concerto de Villa Lobos toca aquele disco favorito a pá e a vassoura esperam sem ressentimento passados esparramados em futuros novos

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DILERCY ADLER (Dilercy Aragão Adler)

CULTIV(ANDO) Eu cultivo azaleias azuis cor de rosa amarelas... eu cultivo tardes nubladas manhãs de sol e luas tristes que vêm e vão em noite de solidão... Eu cultivo dores licores e amores perdidos em caixas pequenas de “almas de flores” sabonete muito vendido - hoje esquecido vivendo apenas em algumas memórias que aos poucos se apagam como as poucas glórias por mim vividas! eu cultivo... Dilercy (Aragão) Adler. Nasceu em São Vicente Férrer/MA/Brasil, em 07/07/50. É Psicóloga, Doutora em Ciências Pedagógicas, Mestre em Educação, Especialista em Pesquisa em Psicologia e Especialista em Sociologia. É Membro fundador da Academia Ludovicense de Letras - ALL, Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM, Presidente fundador da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão_SCL-MA, Presidente da Sociedade de Cultura Latina do Brasil e Senadora da Cultura do Congresso da SCL do Brasil, Presidente do Capítulo Brasil da Academia Norteamericana de Literatura Moderna. Publicou 12 livros de Poesia. Três livros acadêmicos, dois biográficos e um de história infantil. Organizou doze Antologias poéticas e tem participação em mais de cem antologias nacionais e internacionais. Já recebeu vários prêmios, troféus e menções honrosas por trabalhos poéticos e culturais.

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em cultos ocultos tarefa solitária... sanidade ou loucura?

EU ESTOU AQUI! Eu estou aqui! ocupando o meu espaço designado neste mundo... com amor imenso e profundo eu estou aqui neste espaço limitado que sinto meu - embora nem sempre seja!eu estou aqui! dividindo e somando multiplicando e diminuindo usufruindo e aplicando todas as operações possíveis superando o improvável buscando o bendito e abençoado amor de cada um por esta terra... eu estou aqui! ocupando o meu espaço designado limitado às vezes invadido às vezes ampliado me fazendo sentir inútil e bem-aventurado! é certo - bem certoque eu estou aqui! 88


SALIMA pontes milagrosas pontes necessárias que unem rincões distantes que expressam irmandade muito além de cor credo ou sexualidade... pontes necessárias pontes milagrosas para seres humanos habitantes sem pátrias sem terras - unidos todos -neste planeta ... basta uma pátria de todos com amor paz e solidariedade... mas o destino separa toda gente com preconceitos com desigualdade e outras desumanidades temos urgentemente que resgatar este planeta pelo elo de união paz tranquilidade... assim sem opressor sem sangue 89


grilhões ou dor vamos livres e alegres a caminhar sentindo o sol a chuva ou o farfalhar das folhas em nossos corpos livres e leves por entre oliveiras videiras laranjeiras ... ouvindo os pássaros de galho em galho de flor em flor E a paz- Salimanos reaproximará e felizes com os nossos filhos vamos festejar a paz a irmandade e o amor entre as nações e uma única pátria vai reinar com todos os filhos sem dor sem opressor e mais nada nos ferirá! -Salimaminha irmã palestina, venha... vamos construir uma ponte milagrosa... vamos construir!

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MORTA-VIVA Eu não devia esperar nada de ninguém mas me flagro esperando a expectativa me frustra quase sempre mas continuo acreditando... isso tudo me machuca... abre vivas e profundas feridas que não saram! persistem em sangrar em não cicatrizar e abre a minha carne... ficando a insuportável dor - a minha dor neste meu frágil corpo em “carne viva”... e sofro! a teimosia mantém o sonho vivo - assim como a decepção à ferida ambas convivem em mim alternadamente e me alegro e agonizo dia - a - dia E continuo viva inteiramente... ou morta - viva?... mesmo assim ainda dou mil vivas à vida! não desisto nunca... tento e tento sempre antes de morrer -Vivo !!91


DESIGUALDADE Desigualdade gritante! nas ruas becos avenidas agonizantes que desaguam sem dó nas favelas ruelas de terra e pó ceifando infinda dor mas que teimosamente celebra a vida em luta renhida com gemidos de luto de muito pesar com corpos cambaleantes valentemente mas com os olhos voltados pro céu... de pé... cabeça erguida joelhos dobrados grudados no chão o mesmo chão que a todos um dia receberá desigualdade desumanidade envoltas em discursos de fé caridade irmandade ... acendem a fogueira queimam vidas alimentam fomes e flores fétidas! 92


“É sabido que, não raro, as ilhas-cidades são satélites, concentradores de saberes, daí tornarem-se os locais propícios, para o nascimento dos grandes mitos da Literatura e do Jornalismo. Assim, foi Ítaca e Colofon, ilhas que deram a atmosfera propícia para um Melesígenes ou Homero, a primeira grande expressão da escrita universal”. Albertico Carneiro (In PRAIA GRANDE - Informativo Cultural da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão. Ano II - Nº 12 - Junho/Julho-2000). 93


DINACY MENDONÇA CORRÊA 1.

SÃO LUÍS: NATURÍSSIMA TRINDADE – trioleto poético

IN VIDEO – Entre Palafitas e Azulejos – Aqui da telejanela ondula em tom flutuante minha voz palafitada. Canto abraços de horizontes nesta manhã fulgurante... No vídeo, vede a novela: Enfeitado de lacinhos cabelos do Mar – sorrindo ao Sol/namorado: LINDO!! ... Idílios de Mar e Sol, cantigas de Sol e Mar... No coral da Natureza minha Ilha tem Belezas vozes d’Água a marulhar em conluios sobre a areia onde as ondas vão quebrar (Ah! Minha doce Ilha canto e Poesia Céu e Mar e Sol Sol Mar e Luar Ilha à Beira-Mar) Dinacy Mendonça Corrêa (arariense-vitoriense. Vitória do Mearim-MA.14/11/1947). Graduada em Letras (UFMA). Professora Estadual (ainda em plena militância: SEEDUC/UEMA) Profa Ajunta(UEMA). Mestrado e Doutorado em Letras-UFRJ. Ensaísta, pesquisadora da Literatura e Cultura Maranhense.

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*** Aqui da telejanela flutua deste mirante minha voz azulejada. Canto abraços constelados nesta noite de brilhantes... No vídeo, vede a novela: Da noite luar e estrelas o colo em colar enfeitam e o mar em noturno seio fulge em imagens liquefeitas! Idílios de Noite/Mar sonata em coro estelar no coral da Natureza um violão que plangeia vozes d’amor ao luar A glorious nigth and days Mar e Céu a orquestrar (Ah! minha doce Ilha Onda e maresia Noite Mar e Céu Céu Mar e Luar Ilha à Beira-Mar)

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2. IN AUDIO – Vozes da Cidade – Maranheia! Maranheia! Maranheia!! Maranheia!! O mundo vibra lá fora e a noite já abriu suas flores o tempo rebenta em luzes a Cidade ergue suas vozes... No Ribeirão a Fonte é jorro de música em sinfonia enquanto Zezé flauteia nas pedras de cantaria... E o coração sertanejo transplanta-se no azulejo no vozear de Josias... Ubiratã divineia e Alcântara se alteia no “Beco da Escadaria”... Chico Maranhão pastoreia e o toc/toc incendeia o Coração desta Ilha... Mãe de ostras e siris camarões e sururus e caranguejos do mangue palmeiras e juçareiras praia, mar, Ponta d’areia... Mara, Maranhei... eia! 96


Maranheia! Maranheia! Maranheia! Maranheia! E a Naturíssima Trindade destilada em Poesia canta em voz de palafitas e azulejos faz apelo: ÔÔÔôôô... “Rabo de Vaca!” Eia!! “Levanta a Poeira”!! Vamos, “Pega pra Capar”!! QUE É HORA DE GRITAR: ESTA ILHA É NOSSA ESTE CÉU É NOSSO E É NOSSO ESTE MAR. EIA! MARANHEI... AH! MARANHEIA! MARANHEIA! MARANHEIA! MARANHEI... EI... AH!

3 IN SENTIO – Carnaválvula do povo – É Carnaval... – Carna(vál)vula de escape do sufoco, opressão e desespero... Sai, meu povo! o frenesi te chama à explosão dos anseios e desejos reprimidos em trezentos e sessenta e cinco dias/noites mal vivi/dormi(dos)... 97


Sai! Rasga o manto da agonia traveste a melancolia em máscaras e fantasias. MA-RA-VI-LHA! Vai cantando, vai gritando vai sambando e transmutando tua dor em ALEGRIA na alquimia da folia entre aljôfares de euforia da cachaça em maresia... Abre o peito e ergue tua voz deixa escorrer o teu rio suor/sangue dos teus sonhos consumidos entre bolhas de ilusões perdidas... Cai no ritmo, no delírio no gingado dos teus passos ritmados, tresloucados... Vai cantando, vai dançando, te alegrando que a Escola vai passando e agitando... Eletrizando os átomos desta Cidade... Fecundada com o sêmen da Liberdade injetado no veio da Poesia disseminado no Coração desta Ilha...

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Irradiado na Avenida no batuque que anuncia Nova Luz... Muita Alegria à Terra de Gonçalves Dias!! CAR-NA-VAL... VIVA A FOLIA!!

MARÁ MARANHÃO (DMCorrêa letra e música - quatrocentos anos de São Luís, 2016) Maranhão Athenas brasileira Abraço, hospitaleiro Ó terra das palmeiras Onde canta o sabiá Maranhão, Do folclore bonito Do Tambor de Crioula, Do meu São Benedito Terra do Boi Bumbá Meu Mará! Maranhão Da bela São Luís A Ilha-Poesia Azulejo, Cantaria De Sol e Beira-Mar Meu Mará! Maranhão, De Praias e Lençóis Buriti e Jussara, Divina Culinária 99


Do Arroz de Cuxá Meu Mará... Sol e Beira-Mar

ENCANTO GONÇALVINO (DMCorrêa – mil poemas para G. Dias) Meu poeta das palmeiras Mavioso sabiá Quisera em teus gorjeios Meu estro cadenciar... Na unção do teu carisma Na tua verve e magia Em quatrocentos acordes A minha lira vibrar... Pra São Luís exaltar! Oh! minha musa cidade Nem consigo imaginar Consumindo-me em saudades Coração dilacerado Quando distante de ti... Como o nosso Gonçalves Dias Na sua Canção do Exílio Quero voltar para ti! Como esquecer doce Ilha Teu contorno litorâneo Teu perfil beiramarinho Ipês multicoloridos Toucando a clara manhã... E a proscrita chanana 100


Alegre, viva, rasteira A florir, mesmo entre pedras, Sorrindo em verde-amarelo Num constante renascer... A nutritiva Juçara... O concerto dos teus pássaros Na alvorada do teu dia Que se ergue de mansinho Desenhando em teu céu límpido Cores mil... Teu mar azul... Como anoitecer, doce Ilha, Sem teu bordado de estrelas Teu luar emoldurado Na sacada, na janela... Refletido em azulejos Nos soberbos casarões Teus coloniais telhados Com seus beirais em jardim... Quero poder sempre estar Pisando em tuas calçadas Ladeiras e escadarias Tuas pedras de cantaria Ruas estreitas e becos... E sempre a te contemplar Em tuas tardes macias Noites de idílio e magia Céu junino constelado Em “hora de guarnicê” ... E sempre a me alegrar 101


Por teu folclore bonito Tua Capoeira de Angola Tambor de São Benedito Tuas caixas do Divino... No balé de tuas danças Portuguesas e francesas Indígenas e Africanas... Caroço, Coco, Mangaba Bambaê, Cacuriá Tambor de São Benedito Le-le-lê e São Gonçalo Bumba-boi, Samba-lelê E outras e tantas mais... Te amo, cidade-vida Por meu pão, por minha estrada Meus afetos, nossa história Nossas glórias do passado Esperanças do porvir... NOSSA RAZÃO DE EXISTIR!

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ENEIDA CRISTINNA “ SENZA DI TE, AMORE MIO, NON CI SONO FIORI O RISATE “

Sem ti, amor, morrem as flores emurchecidas e descoradas, empalidecem as estrelas do céu e a luz dos meus olhos, é fátua. Triste é o murmúrio do vento, os acordes dum violino que toca como a clamar teu nome... num eco eterno, soa! soa! teu nome! teu verso, teu riso! Pois quero de volta o teu riso! (Deus, ele é feito um sol na noite turva!) Foi de tanto ver o teu olhar a sorrir, que aprendi a cantar e a desenhar estrelas...

A ALMA CANTA E VOA... QUANDO AMA Ouve, amor, há uma melodia suave e um bater de asas à tua volta. Abre as janelas, amor! É minha alma, que seguindo o rastro deixado por teu perfume, criou asas de sonhos para unir-se à tua. E venho de longe, de muito longe, Eneida Cristinna. Escritora e poetisa. De Colinas-MA/Brasil. Nascida a 07 de março de 1967. Obras: O Melhor Cálice – Poesias, 2017 Editora Leia Livros. Participação nas antologias: Prêmio Sarau Brasil 2016, Vivara editoras; Mar de Palavras (2016) e Poesia a Cores (2017), Orquídeas edições.

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venho atravessando céus, rompendo grilhões. Estive presa no laço do passarinheiro, com as asas cortadas e o canto emudecido, e a noite me habitava sem amanhecer. Eis então que vislumbrei-te, amor, num rastro de luz e perfume! (Suave e intenso perfume) E encheu-se de sonhos o meu viver. As asas cresceram, aprendi que a alma canta e voa, quando ama. Todas as luzes do céu moram em mim! Agora, quero apenas que abras as tuas asas e acolha-me, e cante, e voe comigo

O NOSSO TEMPO Preciso de tempo, ó, amor, mesmo que tenha que buscá-lo além da vida. Tempo de morar nos teus olhos, e beber a seiva da tua boca, como a flor agreste bebe a chuva. Ouvir tocar o sino dos ventos, e andar com a tua mão entrelaçada à minha. Tempo para juntos vermos o pôr do sol, e a lua cheia saindo acima das colinas. O céu e o mar fundidos em azul, e as nossas almas unas, em magia. Preciso de tempo para enfeitar o teu riso, e amar entre os lençóis e os sonhos do nosso leito. Para banharmos na fonte do amor, seguindo até a desembocadura no mar da eternidade. 104


MINHA FASCINAÇÃO De olhos postos em ti, não tens, amor, outro nome a não ser “ Fascinação “. E feito uma Florbela, cega, vagueio, e morro e renasço, em ti, meu astro, mil vezes, no fulgor que me permeia as veias e esse intrépido coração, a te seguir, amor, pelos espaços em que fulguram os teus olhos, ( meu mais puro, doce, e in-sano fascínio! )

O NOSSO SONHO Sonhei que vinhas comigo andávamos juntos, e teus passos se confundiam aos meus... Corríamos juntos pelos campos da vida as flores se abriam em nossos corações fazendo borbulhas de felicidade e éramos bobos-alegres, e éramos feito crianças nos olhos, quatro sois, quatro diamantes! À noite, quando a lua saía, majestosa nos vestíamos de amantes e éramos um, nos fundíamos sol e lua eclipsados, em êxtase! Tão juntos que o teu sorriso era o meu e a tua lágrima corria pelos meus olhos.

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E séculos além lá no fim do horizonte onde as almas são plenas e felizes na eternidade, avistei: _ Era eu, a alma a te esperar e tu vinhas sorrindo a me abraçar! ..................................................... Um sol radiante me acordou _ Sim, amor, tu vinhas comigo sonhamos juntos estás ao meu lado!

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ERLINDA MIRANDA (Maria Erlinda Miranda Costa)

AFINAL O QUE É PEDAGOGIA? Arte que se reinventa a cada dia Ciência com objeto de estudo próprio Conhecimento holístico que transcende a escola Ato dialógico, pois cria, recria e transforma: Mentes... Vidas... Grupos... Sociedade... Mas, já banalizaram- a e afirmaram ser: Simples, fácil, prático e dependente, Sem respaldo e sem grandes aportes teóricos. Nós pedagogos afirmamos e vivenciamos: Teorias diversificadas e diretrizes específicas presente em diversos contextos humanísticos: Educacional... Hospitalar... Político... Social... É conjunto de doutrinas, normas e princípios, mas é sobretudo, campo de conhecimento profuso e práxis reflexiva.

Erlinda Miranda (Maria Erlinda Miranda Costa). Nasceu em 22/12/62, em Barra do Corda/Maranhão/Brasil. Graduada em Pedagogia e pós-graduada em supervisão e gestão escolar. Professora universitária - FACAM-Faculdade do Maranhão e bolsista da CAPES, através do programa de Formação de professores da Educação Básica PROFEBPAR- UFMA- Universidade Federal do Maranhão. Tem apenas duas incursões no universo gráfico/literário: Antologia Cento e Noventa Poemas para Maria Firmina dos Reis e 1º Festival Barra-Cordense de poesias UAB.

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PERSPECTIVAS PARA O NOVO CICLO Ao ano novo, esperança As metas traçadas, foco e determinação Ao trabalho, realização e prazer A poesia, redescoberta da sensibilidade A família, patrimônio de pessoas sãs e porto seguro Aos irmãos, renovação dos vínculos afetivos Ás minhas filhas, inspiração e sentido da minha existência A minha mãe, mor e gratidão A memória do meu pai, saudades, admiração e exemplo A Deus, fonte inesgotável de misericórdia Aos leitores, um feliz ano novo.

ENCANTOS DO MAR O vai e vem das ondas: Me inspira e acalma Me embala e instiga Me cala e encanta Me surpreende e emociona A peculiaridade do cheiro: Mergulha no interior Transmite satisfação Clareia a razão Sensibiliza a essência Na primazia da brisa: O espetáculo da natureza se intensifica O encanto da magia dos amantes A esperança dos sonhos A plenitude do bem-estar Ondas, cheiros e brisas. Encantos, lembranças e sentimentos.

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EVILÁSIO ALVES DE MORAIS JÚNIOR

TERRA DAS PALMEIRAS Os lençóis maranhenses Cobrem Os meus olhos Brinco Ao som Dos tambores De São Luís Sou embalado Por Coxinho E Papete Fui benzido Por Bita de Barão Bebo o caldo Da tapiaca Em Pindaré As margens do rio Sou a serpente Do Engenho Central Lutei com os balaios Na Balaiada Meu corpo Serpenteia Ao ritmo Do cacuriá De Dona Teté Evilásio Alves de Morais Júnior. Nasceu em Santa Inês/Maranhão/Brasil, em 10/09/1984, acadêmico do curso de Letras da Universidade Estadual do Maranhão-Campus Santa Inês. Participou das Antologias: Prosadores e Poetas Brasileiros Contemporâneos, Conto Natalino: o último conto do ano, Vai um expresso aí? e na Antologia Criticartes.

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Sou o babaçu Das quebradeiras Sou fruto da terra Das Palmeiras. NOITES DE SÃO JOÃO Nas noites de São João As fogueiras Queimam Toda a tristeza, Sofrimento, Lamento... O coração Brinca Encantadamente Ao som Das matracas e das cantigas Que resistem ao tempo Na boca de nossa gente. O boi se alevanta, A brincadeira Começa, O passado E o presente Dançam O canto da tradição, Da resistência... O Maranhão todo treme Nas noites de São João.

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BOÊMIO Meus pés deslizam malandramente Como a arte do mestre-sala Conduzindo a porta-bandeira. Flerto com o luar, Com o céu estrelado, Com as noites da cidade... Tenho uma relação de amor Intenso com a vida. Não tenho residência, Endereço fixo, Família... O meu ser está nas ladeiras Íngremes pavimentadas de Paralelepípedos, Nas vielas, Nos bares... O dia não conhece o meu caminhar, Sou amante da noturnidade. EPOPEIA NEGRA Iansã bailava no ar com os ventos Olokun repousava nas profundezas do mar Humanos presos nos libambos Navios tumbeiros a esperar Na costa d’África Lágrimas caiam dos olhos de Olorum Era ele testemunha ocular Daquele estranho espetáculo em pleno mar. A carga gritava de sofrimento Chorava ao deixar a sua morada, lar Gemia do fundo da triste alma No útero madrasto da maldita nau Quantidade incalculável de corpos mutilados E cansados No interior da embarcação 111


Mãos e pés nos grilhões a sangrar. Algo foi lançado ao mar As águas engoliram vorazmente Era Olokun levando para com ele morar Aos olhos dos ali presentes Mais um que não resistiu à travessia Nas entranhas da nau em agonia Foi entregue nas mãos do orixá A alma que com ele habitaria. Foram meses na insólita viagem Uma estranha terra à vista Terra distante do seio da mãe África Almas que desciam a nau aflitas A visão não era das doces savanas Minas, fazendas, plantações de cana Corpos triturados Na antropofagia da moenda insana. Foram séculos aprisionados longe da amada terra O corpo aqui estava Alma lá Baquaqua narrou suas desventuras Uma alma negra a contar A história de todo o sofrimento Açoites, senzala, pelourinho... A vileza do aprisionamento. Zumbi símbolo da negra luta Palmares o lugar da resistência Mesmo depois de um dia de labuta Ainda havia na casa grande a penitência O povo precisava de um lugar Para pelo menos da África lembrar E não deixar a história dos heróis ancestrais Da memória do negro apagar. Não se alforria um verdadeiro guerreiro A liberdade está dentro de cada homem 112


A história do negro foi construída em luta Nem mesmo o passado algoz consome Cor da pele, costumes, cabelos, vestimenta Representam A resistência e a força De um povo que foi sempre livre em sua essência.

CAIXEIRAS DO DIVINO As caixeiras entoam cânticos divinos, Mulheres que têm escritas na pele, Nas vestimentas, Nas falas... As vozes da ancestralidade. As batidas vibrantes e as vozes harmoniosas Passeiam pelo espaço sagrado, Cantam tempos, costumes Que resistem à modernidade. O olhar sociológico de Marcelo Brinca com as caixeiras do divino Numa dança cósmica.

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FÁTIMA TRAVASSOS (Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro)

SOL DA VIDA Era tarde de verão Quando o sol iluminou o meu ser Devolvendo-me vida de viver. O sol já se punha no horizonte E eu pude sentir o brilho de sua luz Alegrando a alma tristonha. O sol, belo e singelo Refletia, no trajeto, a beleza do tempo Aproximando-me do anjo do encanto. O cheiro da brisa afagava o refúgio da paz Ruído sonoro harmonizava-se com o sopro do vento Calmo e calorosamente energizava o corpo no leito. O colorido da paisagem enfeitava a noite dos enamorados Ritmava a alma dos filósofos Selando de emoções os amantes exóticos. Êxtase do sol da vida Sonho não imaginado Delírio do amor desejado.

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Fátima Travassos (Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro). Naceu em 1958, emViana/Maranhao/Brasil é presidente e membro fundador da Academia Vianense de Letras – AVL, ocupante da Cadeira n° 12, patroneada por Celso Magalhães; é membro da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão e da Academia Norte Americana de Literatura Moderna; é Procuradora de Justiça e exerceu o cargo de Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Maranhão; publicou a obra jurídica Audiência Preliminar no Procedimento Comum Ordinário (Editora Síntese, Porto Alegre, 1999), e poesias e artigos em revistas e jornais; prefaciou publicações e é conferencista e palestrante.


A CARTA A carta não escrita Prometida para o dia da partida. Viajo para o Planeta platônico Binômio de ideal e amor sem fim. Deves a mim a tal carta Para o alento de minh’alma. Nessa neo vida Solitária nessa estrada Comigo quero levar Razões do desvelado sentimento. Certamente, a carta transportará A motivação da conduta memorável Que lembra grande paixão Representando a carta A última recordação.

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A CRIAÇÃO Deus é bondade Deus é compassivo Deus é amor. A criação Fez o universo O pôr do sol ao entardecer Para enamorar os namorados. Fez a noite para o amor Dos amantes apaixonados E a lua prateada a emocionar Os corações no leito encantado. Felicidade na imensidão Turbilhão de emoções Corações irmanados Almas gêmeas Amor de reciprocidade. Assim, Deus abraça Da sua misericórdia Eternizando o amor Para além da sua criação.

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FELICIANO MEJÍA Perú ÓNDORES Esa era la tierra de nubes repletas de soledad ahogando las raíces de chozas adormecidas. A prisa encanecían las piedras y temblaba el aire entristecido acariciando el hielo morado en los poyos mientras el sol ardía en la médula del frío. El viento se arrugaba por la cólera. Maldito tiempo entre rocas masticando 300 años de engaños. Balidos de carneros preguntaban la hora en que la noche sería enterrada para siempre. Ahí aborrosábase el cielo en ojo coagulado de pez. Vagaba el hambre enronqueciendo los sueños, aullando en las calaminas, escarbando heridas en las patas de las mesas y de los catres. Lento amargor en la saliva de los terneros. Sus mugidos endurecíanse, bolas de sal atragantadas en las calientes lenguas. Y los hombres, cercados, puteaban a la helada impedidos de mirar cara a cara al gringo de la Cerro de Pasco Corporation al cambiar ahora de nombre para mejor retacear las parcelas y pisotear los cerros, burlándose desde las oficinas del Estado, nuevo y marcial patrón agusanado. Pero llegó el día. Seis de setiembre en el pómulo del tiempo. Atocsaico tembló tambor bajo los pies del hombre, mujer y el niño al liberar los pastizales. Y sobre Óndores flamearon banderas encendidas y la justicia se arrodilló. De estancia en estancia los fogones gritaron. ¡Ya es!. Hermosa en lo oscuro, nervuda Guardia Campesina, tensa, oteando los bordes de la noche, sobre yeguas y caballos pensativos, con fuetes atados a los callos, vigilaba. El mulo olió la querencia y lágrimas besaron el suelo en gotas alegres y risueñas. Feliciano Mejía. Escritor peruano – francés (Abancay-Apurímac, 1948 – Perú), ha publicado 13 libros de poemas y prosa para niños. Tiene 26 obras inéditas. De marzo 2017 a marzo 2018 viene festejando sus “50 años de escritor”. Sus poemas han sido traducidas a diversas lenguas, en especial al holandés y francés. Aparece en múltiples antologías del Perú y el extranjero.

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Y en madrugada, las voces blanqueadas saborearon el por fin la madre tierra recuperada. Pasco vibró y el enemigo ardió en fiebre. Cuéntales a todo el mundo. Desde entonces los carneros ríen lamiendo de puro contento las piedras y el sol no más ya da su espalda a los nevados. La tierra es libre por manos de sus hijos, las quebradas vuelven a tener sus verdaderos nombres, y las vacas remastican con gusto el pasto apetecido. Y ahora el enemigo, el maldecido, quiere otra vez encarcelar la tierra y a los hijos del surco hundir entre las sombras. ¡No lo permitas, hombre! Desde los cuatro puntos cardinales, evita que los vidrios de los lagos enmudezcan y los ríos apesten nuevamente. No los dejes. Evita que los Sinchis escupan su venganza como en Zurite o Chota. Desde el monte al desierto, desde el mar al nevado, di que los asesinos no tornen hasta Óndores. ¡Jamás!. Nos contempla la sangre derramada en los siglos.

PALABRAS PARA MILLONES DE TUPACS AMARUS VIVOS EN MEDIO DE CABALLOS Hoy, Octubre, se queda mudo el tiempo un instante para escuchar los ecos de los Amarus. Son doscientos años rechiflando los cascos de los caballos pisoteando los gritos en medio de plazas y montañas. Tras nuestras venas, en doscientas burbujas, estalla resplandeciendo, la voz del hijo más dulce y nuevo y vivo. Del hombre cobrizo Túpac de ojos duramente-negros-cariñosos, reuniendo las miradas de 18 millones de hombres aniquilados y renacidos hoy día otra vez, con los nervios tensados, en este país repleto de árboles, sierras y pocas autopistas. Acá por fin, el mar de piedras levantando las manos en las calles de 118


cemento, en medio de pancartas y banderolas coloreadas. Ni los herrados cascos de aviones con dientes ametralladores, ni los vientres hinchados de miles de caballos inflados como neumáticos en las orugas de las tanquetas, pueden acallar la palabra de los rebeldes de Tungasuca. Óyelo, hermano. El tiempo, en Octubre Perú, se ha congelado un instante, para ver cómo se desbarrancaran 1os caballos y cómo emergen de la tierra muy pobre, de la mina ahuecada, de la polea cansada, del escritorio o mesa más descascarados, óyelos, cómo, cogollos, lentamente se paran de nuevo, ahora ya, los hombres chispas en fogata Llegó la hora de reiniciar el camino cortado y empezado en Tinta. Afila tu dedo índice para disparar la luz, échale saliva a la palma de la mano para calentar la culata de metal o madera. Afuera y dentro de esta nación rediviva, en oficinas oscuras de Areche uniformado o vestido de terno gabardino, le castañueletean los dientes a los caballos estupidizados por la monedas, empezando su terror y desbandada. Ya Cuzco y Amaru y Túpac y Tumbes y Tacna y Belén, Iberia y Moho, gorgorean para hervir con El Salvador o Nicaragua. Óyelo, hermano, están resonando los pututos como descarga de granizos de plata. ¡Ya!

SEÑOR Un poco más de vino pide el señor, sentado, resoplando, mientras se pica el diente. Yo aquí, con saco blanco, tengo que servirle. Y ya tengo hambre. Pero el señor quiere más vino, i lo huele, y dice ¡ah! i chasquea la lengua. i se soba el pecho i la barriga i pide otro poco, i yo ya tengo hambre. 119


Pero el señor no ha terminado todavía. Es la regla de la casa que yo como siempre en la cocina, después de todos; comida diferente, naturalmente. Se repantiga, el señor, sin pensar nada, con un palito entre los dientes. Yo no existo para él, (algo como una silla o una tetera quizá soy), señor, ¿algo mas? i lo despierto sorprendido. Me mira, que me vaya me hace un gesto con la mano, i vuelve al diente i al palito. I YA SE ME PASÓ EL HAMBRE

EL PAN NUESTRO DE CADA VIDA A Lima, la Ciudad Jardín. Las mujeres desgreñadas que verduras olorosas nos traen hacia el mercado, los parches de colores del pantalón retaceado en el andamio albañil, el lápiz del empleado ahogado en su corbata, el negro avergonzado de su negro color, el rencor de ladronzuelo golpeado por robar, los colores coloridos en la penumbra azul de las mujercillas en (clandestinos prostíbulos, el parto de la mujer andina que no sabe el nombre de los ginecólogos, las grietas en la cara del campesino, la chacra prestada a algún campesino, la mujer casada buscando a hurtadillas el amor fugaz de un amante, el chofer viejo del colectivo ford del año veinte, los geniecillos que con cariño hosco a cada mañana recogen los tachos de basura, 120


los perros desnutridos, mostrencos i sin dueños, el bostezo del gordo panadero i del lechero que a su leche le agrega agua, el tocado, rechoncho en trapos, suciedad i moscas que nos mira (idiotamente por las mañanas por entre su pelo i su barba nazarenas, el canillita i sus pies desnudos de ocho años de edad en el asfalto de la ciudad, la joven madre soltera, la naricera i el achiote del selvático salvaje babeando por la droga, el que vende emoliente en el corazón de una barriada, la pelea del lustrabotas con el gesto de los zapatos, la bailarina trasnochando su ombligo en los cabarets, el borrachín de la calle i el borrachín hijo de familia, las sirvientas de mandil de las casonas ricas, el vendedor de cosas robadas, el joven homosexual que cocina en un restaurante japonés, el anciano homosexual que recoge dulcemente todas las noche en su auto (adolescentes de la plaza principal, el soldado de ínfimo rango que sólo tiene por patrimonio si indígena rostro, el estibador que gasta por las noches en alcohol todo su jornal, el minero que perforando el corazón de la s montañas enferma de los (pulmones y es muy tarde para curarle, las toscas manso de la mujer que vive lavando ropas ajenas, el chiquillo sin padres, sin casa i sin escuela, el oriental opiómano a quien le duele el sol cuando le da en la cara, el viejo buhonero i el sucio pastelero ambulantes, el hombre cuotidiano que vende preservativos, el mendigo inválido rodeado de perros i la mendiga con dos niños en los (flácidos senos mientras les cae la garúa, la inocente niña que no sabe que ha sido violada, el seminarista masturbador, 121


la mujer demente que ríe i conversa sola por las calles y tiene la cara (sucia de polvos y colores, el obrero sin trabajo, el decrépito hombre i el nacimiento del décimo hijo en los hogares pobres...

WAYNO Yo no quiero ser en ti un rayo perdido en la oscuridad. Ni el quejido de mi pueblo. Sólo el viento en tu pelo, quizá. O el sonido de una hoja al posarse en tus labios o, en fin, el entusiasta sembrador de futuro en tu vientre roturando la sombra y rompiendo la alegría del Malvado. Ay, amor: en ti, como el estallido de la vida y de la dinamita. Ay, vidita: como el estallido de la dinamita. 122


FRANCISCO BRITO (Francisco Brito de Carvalho) TÊNUE sonhos perdidos inexatos consumidos em indivisível linha dos pensamentos a palavra sangra qualquer objeto na textura da carne que pulsa e infla um coração em flor abduzido de toda e qualquer forma humana de amor!

DESLIMITES um dia quando acordar sem a opressão das palavras do meu ego e dos outros e não estiverem acompanhadas do jugo da ingratidão peçonhenta e do dedo em riste na cara que nos dilacera o estado do ser pelo não ser eu possa viver na dimensão de todos nós (i)limitados.

Francisco Brito - (Francisco Brito de Carvalho). Nasceu em Barra do Corda/MA/Brasil, a 07/12/1958. Jornalista, poeta, cronista e ensaísta. Possui textos publicados em jornais de São Luís, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, etc. Participações poéticas em Antologias no MA e em nível nacional. É membro da Academia Barra-Cordense de Letras (ABCL); Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias (ABEPL); Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA). Servidor da Secretaria de Estado da Saúde – MA.

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ARMADURA já não me fere a palavra que lanças contra a minha pele uma flor se fecha sempre na ferida aberta de onde meus poros transbordam lágrimas de veias! PENA CAPITAL ...átomo que te tomo da quântica em mim submersível das entranhas que se estranham na vituperação de minha ânsia assim uma flor que se deitou no túmulo da inocência despetalava a cor da sua essência no acaso do ocaso enfim!...

AUSÊNCIA Eu não me importo... Deixa-me ficar com marcas do teu batom que refrescam meu paladar insosso e imprimem nos meus lábios as digitais do teu frescor. Eu só me importo com a falta que tu me faz! 124


[...] quatro lugares escolhidos dos quais o coração pulsa em uníssono com o nosso, em nós. Como sempre e mais do que nunca... “Os poetas franceses, por sua parte são descendentes de uma época dubitativa... continuam uma longa tradição linguajeira com a que lá convém de originalidade e encanto...” “Trinta anos decorreram, depois do voto formulado por Isabel Meyreles, para que se produzisse – ‘erupção da grande riqueza lírica deste país de poeta’” – Portugal! “As vozes que vêm do Brasil dão a imaginar o poder da corrente em movimento...” “É possível recorrer a uma estimativa quase da mesma veia, a respeitodos valores italianos...” Dos Espelhos desta singular Evasão, de reflexos cheios de sinais e de relances, recebe-se uma maneira de deter o relógio antes de reconhecer a bela geografia poética...” Jean-Paul Mestas (In PRAIA GRANDE - Informativo Cultural da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão. Ano II - Nº 11 - Abril/Maio -2000). 125


GABRIELA SANTANA (Gabriela de Santana Oliveira)

LA CONVICTION Para Iêda Maria Durante minha jornada louca Roçam-se em mim inúmeras vidas Algumas passam de raspão e seguem seu caminho Algumas andejam comigo por um tempo e depois as perco de vista Algumas só esbarram Algumas me atropelam Algumas, somente umas poucas, permanecem São os amigos Amigos não precisam ser todo dia, mas são sempre. Amigos não são somente Risos, mas também prantos e abraços. Amigos não precisam ser perfeitos, mas conseguem Tirar o melhor de mim. Aos amigos meu desejo é que Haja sempre espaço para um carinho E que nunca falte um cafezinho. Meu desejo é que Vivam cercados de amores E que o experimentem em vários sabores. Meu desejo é que 126


Quando as lágrimas, irremediavelmente, caírem O calor e a luz do sol as faça sumirem. Meu desejo é que À noite a paz vos faça dormir e sonhar E de manhã a saúde vos permita levantar para realizar. “A suprema felicidade é a certeza de ser amado” E vocês, meus amigos, conhecem a real beleza da amizade? Está no fato de que a certeza vale Tanto pra mim Quanto pra vocês.

MULHER DE QUARENTA EM QUARENTA Quando eu fiz 40 anos Fiz 40 anos Quatro décadas pisando esse mesmo chão Ânsia contida de Beber água de todo rio Depois completei 41 Aí cheguei aos 42 E 43 O mundo girou Menos eu Então celebrei 44 E com a graça divina Continuo Contanto.

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ISABEL MEYRELLES (In Memoriam) Libertei os demónios, é inútil que se escondam atrás da fonte cor-de-rosa do Jardim das Delícias, sei que estão lá, de nada serve atravessar este mar encristado de cavalos selvagens, a praia terá dentes e dedos de enxofre e de sal, as armadilhas-para-sonhos já levantam as cabeças de arestas petrificadas e o tempo, o tempo, esse, penteia os seus cabelos de areia negra e alimenta-se do meu desejo de ti. IN MEMORIAM A Inês Guerreiro Como é possível descrever com palavras os mil murmúrios da alma quando os mortos nos visitam, a sua essência sutil constelada de tantas recordações que o nosso coração se torna um vasto mar enfeitiçado? Hoje foste tu, Inês, que vieste, com a tua voz de espuma e de andorinha falar-me de décors de teatro impossíveis, de máscaras e de plumas, como se toda a gente pudesse compreender a sabedoria do teu universo de velho carvalho sonhador. Ah! que saudade, Inês!

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Isabel Meyrelles. Nasceu em Matosinhos/Portugal, em 1929 realizou os estudos no Porto. Em 1949, viu surgir o Grupo Surrealista Português e Os Surrealistas em Lisboa, após conhecer Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas. Fixou residência em Paris em 1950, onde prosseguiu os estudos superiores (Université René Descartes – Paris V – Sorbonne e Ecole Nationale Supérieure des Beaux-Arts).


JEAN-PAUL MESTAS (In Memoriam) STATUES N’interroge pas les statues. Elles se sentent libérées du mensonge des hommes autant que des prodigies à la merci de leur scandales. Souviens-toi qu’elles ont été le corps d’un chant profond traversant d’rumeur des siècles. La pierre garde en soi le soupir du hasard. ESTÁTUAS Não interrogues as estátuas. Elas sentem-se libertadas da mentira dos homens tanto como dos prodígios à mercê dos seus escândalos. Lembra-te que foram o corpode um canto profundo atravessando o reumor dos séculos. A pedra guarda consigo o suspiro do acaso. Tradução: J.P. Mestas

Jean-Paul Mestas - (1925-2013). Nasceu em Paris onde frequentou estudos superiores. Paralelamente engenheiro e escritor. Conferencista, crítico, ensaísta, poeta, professor de literarura romena na Sorbona e tradutor. Cerca de sessenta livros publicados e, ainda, artigos e apresentações em antologias, jornais e revistas de trinta e seis países. Fundador dos Cadernos de Poesia Jalons (1977), juntamente com a sua esposa Christiane. Traduzido em 15 línguas, entre os quais o português.

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RETOUR BRESILIEN Pour vous avec amitié. A Dilercy Adler Loin, elle était bien loin la belle brésilienne et l’odeur du café ne venait plus ici, trop chargée en sourires et autres joies de plaire; or voilà que soudain la belle Dilercy Adler ouvre son répertoire où les mots sont redevenus la source de la vie comme le plus heureux des sentiments du monde. Jean-Paul Mestas

RETORNO BRASILEIRO Para você com amizade. Para Dilercy Adler Longe, estava bem longe a bela brasileira e o cheiro de café não vinha mais aqui, toda carregada de sorrisos e outras agradáveis alegrias; 130


mas agora, de repente a bela Dilercy Adler abre o seu repertório onde as palavras se tornaram a fonte da vida como o mais feliz dos sentimentos do mundo. Tradução: J.P. Mestas

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JOAQUIM MONKS (Joaquim Luiz dos Santos Moncks) A CONTAGEM ampulheta absoluta urdido tempo o filme degradê acolhida esperança o rio de existir

A DROGA NUA imagens em movimento pouco fala muito sugere faz do (ir)real falso verdade(s) não desnudada(s)

A PASSAGEM Faminto de confidências e afagos esta é certeza única Tristeza arranha o rosto Uiva a despedida

ACEITAÇÃO Os mortos subjazem à palavra e aos gestos. Mergulham nos neurônios irrigam nossas artérias

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Joaquim Monks nasceu em Pelotas, RS, Brasil, em 29/09/1946. Professor, advogado, escritor, ativista cultural. Deputado estadual constituinte, RS, 1987 a 1990. Possui 10 livros publicados, em prosa e verso. Membro titular, cad. nº 19, na Academia Rio-Grandense de Letras, em Porto Alegre/RS; na Academia Sul-Brasileira de Letras, cad. nº 04, em Pelotas; na Academia de Artes, Letras e Ciências “A Palavra do Século XII” – ALPAS XXI, em Cruz Alta/RS, titular da cad. nº 05. Coordena, desde 2003, a Casa do Poeta Brasileiro – POEBRAS Nacional, que possui 77 sedes municipais em 22 Estados-Membros da Federação Brasileira. Senador da Cultura pelo Estado do RS ao Congresso da Sociedade de Cultura Latina do Brasil – SCLB, empossado em julho de 2018.


AMPULHETA tempo casto gasto coisas bichos homens palavras pedra sobre pedra a mó rolando, girando desde a origem tudo pó

ARDENTE Olhos olfato tato Olor do corpo Céu dos amantes Singela fruição maior Chaves para sorrisos e lágrimas

DESÍGNIOS perspectiva insânia, dúvida somente seremos imortais conquanto palavra vívida

DNA DO OUTRO para ganhos e perdas nascemos o que nos faz humanos é o amar real morada com falso endereço

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FURTIVO Voa a Poesia dando asas à palavra Poema em casa, sozinho não consegue respirar A gaveta é um sarcófago HUMILDE Dia desses chegarei ao portal do conhecimento Por ora lego a antítese que me povoa o ter e o ser O MAL SOCIALIZADO ditaduras o espiritual de satanás mesmo no interior dos templos conivência dos anjos da morte

POÉTICA Mistério travestido pela palavra Cometa traduzindo o verbo em pleno voo Lampejo de luz sobre o leitor

POÉTICA DO NOVO o revisitado sentir singular fruição do visto lido ouvido vivido tudo muito vivaz sem rosto um espelho vívido 134


PUNGÊNCIA Palavras surrupiam lágrimas Voeja resoluta a dor O pulsante coração tornou definitiva a rosa de sangue REQUINTE O céu palatino sobremesa. Que cada um aprecie o petisco É na língua que a poética proclama o paladar

RITOS inquietude orvalho na flor quebra-se o gelo acoberto futuros o sol lambe o amanhã

SANGUE DAS UVAS o olhar de retrós múltiplas surpresas tatuagens no olor do verso nada de anversos vida que segue SEMEADURA pão sementes de trigo chovem no rol da palavra os insensatos morrerão de fome 135


SOBREVIVÊNCIA verbo é nascimento a visão do essencial me escolhe sobrevivo ao sal da obscuridade

TEMOR habitantes do gueto em regime de guerra diária conspira-se o governo do Demo cobaias no lamaçal social

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JOSÉ CHAGAS (José Francisco das Chagas) (In Memoriam) . SONETO DA MANHÃ PRIMEIRA Quero a manhã exata, a manhã viva, pois estas luzes e estes voos na aurora, são só ensaios de manhãs. E agora o que eu quero é a manhã definitiva, a autêntica manhã pura, exclusiva, manhã nascida de si mesma e fora desta jubilação falsa e sonora que só por um momento nos cativa. Ah, a manhã da última promessa, manhã de um novo mundo que começa, mais acessível, mais humano e bom. Meu Deus, seria como chegasse a manhã do primeiro sol que nasce, da cor primeira e do primeiro som. (Canção da Expectativa/1955)

José Francisco das Chagas nasceu em Piancó, Paraíba, em 29 de outubro de 1924. Poeta, jornalista, membro da Academia Maranhense de Letras-AML. Produziu mais de vinte publicações para a literatura brasileira, destacando-se Maré/Memória, Azulejos do Tempo, Canção da Expectativa, Os Telhados, Apanhados do Chão, Lavoura azul, De lavra e de palavra, e Os canhões do silêncio (2002). Amante de São Luís, o escritor engrandeceu a cultura local com sua poesia.

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AQUI OS TELHADOS Aqui os telhados brotam como roças. São vales plantados de saudades nossas, suspensos jardins de uma babilônia de sonhos afins e de lenda errônea. Aqui as lembranças pastam, nas ruínas, verdes folhas mansas de saudades finas. A memória come desse verde estranho e os dias em fome trazem seu rebanho para alimentar-se durante o inverso no verde disfarce desse sonho eterno. De Os Canhões do Silêncio (1979)

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JUJU AMORIM (Maria de Jesus Silva Amorim) VIANA, RICA PÉROLA Ao levantar da aurora Ao longe o crepúsculo Surge assaz e altaneira A minha terra querida. Viana da inspiração Sonhos e meditação De lendas e cantos De mitos e encantos. O tempo passou Muito, muito tempo Sofrida e dilapidada Corroída pelo abandono. Logo, resta a saudade. Vale a eternidade O que resta de natural Da beleza material. O lago assoreado, Os verdes campos Tomados por cercas Não são os mesmos.

Juju Amorim - (Maria de Jesus Silva Amorim. Nasceu em Viana-Maranhão-Brasil em 12 de junho de 1958. Licenciada em Ciências Naturais, habilitação em Matemática, Pós-Graduada em Supervisão Escolar e Orientação Educacional, membro da Academia Vianense de Letras-AVL. Livros lançados: Poesias, PALAVRAS QUE NÃO FALEI e MINHA POESIA, MINHA ALMA e o Paradidático BATE PAPO DOS NÚMEROS, participação em várias Antologias pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores-CBJE e Mil poemas pra Gonçalves Dias, Cento e Noventa Poemas para Maria Firmina dos Reis, Púcaro Literário- I coletânea de autores itepecuruenses e convidados.

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O peixe escasseia As aves nativas partem Em revoadas A caça de alimento. A rica e imponente cultura Berço de belos folguedos Folclore, festa e ritmos Cede espaço ao ócio. Os ilustres escritores Só resta a memória Dos poucos registros Que resistem ao acaso.

VIANA, 260 ANOS Com prazer e alegria Que venho homenagear A minha terra querida Minha querida Viana. Nestes 260 anos De história e lendas. Render nesta data Homenagens tantas, O tempo embebido De muitas festividades. A padroeira desta terra Pedimos a sua licença Para desejar paz e graça A esta terra querida De muitas belezas De grandes riquezas Teu lago sereno E os campos verdejantes. 140


Aos ilustres poetas, Pedimos desculpas Pelos pobres versos, Versos sem rimas.

O BALANÇO DAS ÁGUAS Ao longe surge um manto De águas cristalinas Longo como um véu, Alvo como penas de garça Em movimento e ondas São as águas do lago Embaladas pela brisa Do vento que sopra Das bandas do horizonte. Na leniência das ondas Pescadores navegam Sem pressas de chegar Empurram canoas lenta Como se navegassem Sem destino traçado E sem pressa de chegar. E os campos verdejantes. Aos ilustres poetas, Pedimos desculpas Pelos pobres versos, Versos sem rimas.

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JULIO PAVANETTI BÚSCAME II Pasada la hecatombe del verbo, después de la sordera infinita, tras la voz de la lluvia agrietada, búscame entre los restos de plata que dejó, en silencio, la caricia de la luna en el iris del agua. Búscame en los despojos del viento cuando taña la hora de la vida, y vibren y se agiten las alas; búscame en lo infinito del tiempo cuando el sonido tiemble en el día, y renazca otra vez la palavra (del libro “¡Atención! Puede contaminar”)

LA VIDA Como todo exceso abrupto tan sorpresivo como inesperado la vida no se posa en los espejos. Hace falta guardar algún verano escondido en las mejillas y un canto oculto en un rincón del pulso antes que se despinten los graffitis Julio Pavanetti Poeta nacido en Montevideo [Uruguay] el 27 de julio de 1954. Fundador y actual Presidente de la asociación internacional de poetas ‘Liceo Poético de Benidorm’. Ha participado, representando a España y/o a Uruguay, en diversos festivales internacionales y eventos mundiales de poesía. Ha publicado varios libros propios y ha sido incluido en más de cincuenta antologías nacionales e internacionales tanto de papel como digitales. Ha recibido diversos premios y distinciones nacionales e internacionales tanto por su obra poética como por su labor cultural. Algunos de sus poemas han sido traducidos a 14 idiomas diferentes.

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que los años pintaron en el alma y el viento se despegue de los párpados. La vida no es más que un soplo una casa de citas que se alquila por horas. GAZA Vesania de caballos desbocados que bajan –como asesinos- del cielo, en impúdico reto, tropezando contra el cuarto estado de la materia. Un viento de mercurio en diagonal disuelve los árboles de ceniza, y escupe corazones congelados en la marchita soledad de arena. Todo el amor se esconde -tras las piedraspara llorar por los amaneceres, para cambiar su atavío de sangre y estamparse en una aurora metálica. El amor gime, no es más que invisible carne, desgarrada por la metralla, por las sierpes de la sed y del hambre, por el silencio cómplice del miedo.

QUISIERA ROBARLE AL VIENTO… Quisiera robarle al viento que sopla al amanecer algunas de tus noches más aciagas a fin de que desvistas el silencio que entre tu soledad retoza libre 143


y luego puedas vestirlo en mi espacio de íntima ternura. (del libro “Al roce de la piel callada”)

VINE DE UN ÁRBOL SOMBRÍO Vine de un árbol sombrío donde ideas y palabras maltrataban el adagio de Stéphane Mallarmé y se quedaban calladas vine de un árbol sombrío donde semilla y semántica no aseguraban los sueños sus raíces no bastaban para disipar las nieblas la savia estaba en las hojas preparadas para el vuelo vine de un árbol sombrío que quedó solo en las sombras un veintisiete de junio cuando empezaba el invierno y se quebraban las rosas vine de un árbol sombrío ignorando la distancia que desdibuja el latido deshojando mi existencia entre miradas anónimas hundiendo el rostro en mis manos cuando amanecía el frío.

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JÚNIOR LOPEZ (Raimundo Nonato Lopes Júnior) CORAÇÃO Chegando aos 45, Perco minha 4 vezes 5. Em 45, o sangue é bombeado em todo o corpo. Em 45, vejo toda minha vida passar em um escopo. Pressão e não para de bater. Repetição e mais nada haver. Mais uma vez você me faz chorar. Dor da desgraça marcada no átrio esquerdo. Mais uma vez o senhor do destino muda meu ritmo, Ventrículo aberto... Torna-me teu escravo ventríloquo: Intérprete, Boneco, Maria vai com as outras e mais Um na multidão. Recomeçarei, mas não sei se vou aguentar de novo. Meu coração já sofreu demais! Sofre calado... E sofre mais um pouco depois do parto. VÍBORA MELINDROSA Ardil corpo febril Tatuado com arte da Gira. Toca em suas vítimas, Mostra as presas de outrora. Júnior Lopez (Raimundo Nonato Lopes Júnior). Nascido em 09 de agosto de 1974, na ilha de São Luís, capital do Maranhão, Brasil, portanto já quarentão ludovicense, porém tendo no coração a cidade de Itapecuru-Mirim onde foi criado. Além de poeta, exerce a profissão de Engenheiro Civil. Pai de 03 maravilhosos filhos. É divorciado e escreve desde a infância. Autor do livro poético: OUTRAS VOZES e membro fundador da AICLA: academia itapecuruense de ciências letras e artes.

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Víbora melindrosa De busto empinado, Namora homem casado E desgraça a missão do frade. Você finge não vê-la E tenta fugir, Mas ela te enxerga E te agarra no fim. Destrói o dinheiro dos reis. Felicidade é o escândalo nas ruas. Fingimento do gozo das luas. Brincadeira dos sentimentos que amei. Livrai-me, Senhor, dessa paixão! Livrai-me do laço das casadas! Livrai-me das orgias nos lares! Livrai-me! Livrai-me...

NÃO TENHO MAIS NADA Levanta a cabeça! Oh, Bela! Meu preço... Por que te envergonhas Nesse alvoroço chamego? Quando eu me for Sentirás orgulho da festa, Pois todos falarão: Olha! Não é a viúva do poeta? Aí entenderás porque agia assim, Aí terás certeza que a missão se completou. Difícil entenderem, Porque o anjo chorou! 146


Seus cabelos loiros Virou a minha mente. E seus olhos negros, Enlouqueceram minha gente. Tirou minha razão, Acabou meu dinheiro, Faliu minha procissão, Exterminou meus joelhos. Não restou mais nada E olho ao redor e dentro de mim. E percebo que a única coisa que ainda tenho É o louco e descontrolado amor que sinto por ti!

EU MESMO Eu quero ser eu mesmo. Estou cansado dessa prisão, Vergonha dos pais e dos irmãos. Textura na frente disfarça a tristeza, Engana a todos E trai a mim mesmo. Obcecado na ilusão de ser o que não sou, Não me conheço, Não me perdoo. Vivo mentiras, Atropelo sentimentos, Sofro todos os dias E a cachaça rouba a última gota Da coragem e do alento. Só me resta gritar: Socorro! Socorro! 147


Alguém dessa plateia pode me ajudar? Levanta e me abraça E guia Essa pobre alma presa neste corpo. Levanta a cabeça! Oh, Bela! Meu preço... Por que te envergonhas Nesse alvoroço chamego? Quando eu me for Sentirás orgulho da festa, Pois todos falarão: Olha! Não é a viúva do poeta? Aí entenderás porque agia assim, Aí terás certeza que a missão se completou. Difícil entenderem, Porque o anjo chorou! Seus cabelos loiros Virou a minha mente. E seus olhos negros, Enlouqueceram minha gente. Tirou minha razão, Acabou meu dinheiro, Faliu minha procissão, Exterminou meus joelhos. Não restou mais nada E olho ao redor e dentro de mim. E percebo que a única coisa que ainda tenho É o louco e descontrolado amor que sinto por ti!

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ESCRITAS DE CONCRETO Desde o romper da aurora, Através do tempo, Veio o i-ching. Mutação, mistério, místico, próton e elétron. Começa, assim, o dialeto. Do papiro ao computador, O Cuneiforme mesopotâmico Atravessa o Egito e a nossa dor, Entre o Tigre e o Eufrates, Itapecuru e o Iraque, Uma cruz, duas ovelhas registram o sotaque. A decodificação na argila Intelectualizou a história, Criou a biblioteca E nasceu o escriba e a escola. A inspiração do escritor é como a água da betoneira. Todos pensam que ela evapora, Mas ela se eterniza no concreto e se funde nas inigualáveis construções. Rompendo a barreira das eras E se entrelaçando nas dimensões. Sem a Escrita, não haveria a beleza da vida. A poesia, quiçá, existiria. Novela não se via. O mundo seria pequeno e vazio. E o amor duro e hostil. No entanto, a Palavra se levantou do ouro derretido. E criou marcas do ferrete amigo. Bíblia, Vedas, Alcorão, Analectos e Kardecismo Vêm de uma mesma raiz E de um verdadeiro, infindável, magnífico e único Livro. 149


KALIL GUIMARÃES (Anely Guimarães) AMOR À HUMANIDADE Sofro... meu coração se agita com os desenganos da humanidade na minha alma todos os sentidos são atingidos o pensamento dói o desconforto invade meu corpo fico só com os desenganos a desgraça da humanidade atinge a minha consciência caminho... conto pedras na estrada me questiono meu peito brada a angústia me toma parece um verme letal invadindo-me a morte ameaça o mundo faminto dos miseráveis meus sentimentos declinam vejo-me um pó podre e vil

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Kalil Guimarães (Anely Guimarães). Nasceu em Pedreiras-Maranhão, em 28.01.1937. Economista, Mestra em Desenvolvimento Urbano e Comercio Exterior, Especialista em Planificação Econômica Espacial. Publicou: Bailando nos Sonhos, Tecendo Poesias e Espelho de uma Alma. Antologias: Platinum VII, IX, X. OURO. Douce Poèsie II. Antologia I da Academia Poética Brasileira. Logos-Fénix (Portugal-2017) de Maio, Julho, Setembro, Novembro e Janeiro-2018. Souespoeta (Grupo Lusófono) Raiz da Poesia-2017 e Terra Brasil-2018. Conexão III (Feira do Poeta). Revista EisFluências (Portugal-2017) de Fevereiro, Abril, Junho, Agosto, Outubro e Dezembro


apelo à natureza que me extasia os olhos para extirpar os monstros do meu coração que me açoitam a alma sinto-me uma besta agredida pelo horror da crueldade Senhor abra os braços a esses esqueletos humanos que perambulam num bater de ossos antes que os cânticos fúnebres da morte toquem suas matracas e arrebatem todos para as valas comuns dos que não resistiram eu tentarei enunciar a poesia dos desenganados e em lágrimas escrever a minha dor e o amor à humanidade.

CORAÇÃO DE POETA Meu coração acumula sentimentos nem eu nem ninguém pode domá-lo é coração de poeta 151


fico sozinha a passear pela amplidão caminhos surgem e Deus que reproduz na terra as águas o sol as estrelas o trovão... não consegue acalmar as saudades do meu peito as alucinações negras destroem a minha mente atravessam meu espaço eu me encolho pequenina na fragilidade do meu ser assombro-me com o debochar do vento forte que desmorona meu pensamento e me lança a um catastrófico fracasso de repente como em sonho a luz brilha tudo se extingue meu coração desperta de um sonho que se finda 152


e eu acordo para os meus amores.

GRITOS MUDOS Às vezes estás comigo mas quase sempre escrevo no vazio te falo ficas mudo procuro te seguir mas foges espírito não deixa rastro sentir-te é um prazer não te ouço teus gritos são mudos espalham-se no silêncio do tempo dias e noites passam marcando a minha tristeza tenho lembranças pingadas no espaço minhas... não sei tuas... talvez inconsciente a dor não dói a solidão é fria as sombras não se desenham o resplendor do sol não ilumina meu pensamento distancia-se do pensar 153


as palavras morrem na garganta os desejos sepultam-se no coração o amor esconde-se nas entranhas amo um amor que não existe estou farta de desolação mesmo com os lábios sorrindo meus sentimentos conspiram tristes meu pranto é uma saudade eterna minhas mágoas brotam sem expressão caminho sozinha minha alma voa à procura do seu céu para dormir no sono da saudade.

HORA DO ÂNGELUS Seis horas... Hora do Ângelus... Da varanda vejo o Lago que na correnteza malemolente parece chorar suas emoções

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No horizonte aos poucos as luzes da Esplanada em um piscar constante emitem raios luzentes que parecem reflexos de diamantes O som da “Ave Maria” de Schubert enternece os corações lágrimas singelas como gotas de sereno banham minha face O amor que aproxima a distância traz recordações do passado e me transporta para momentos alegres e felizes Obrigada às minhas saudosas lembranças por me reportar a momentos inesquecíveis.

MITOS E VERDADES A calma na alma me faz amar penso e grito no silêncio do escuro que me protege da solidão deixo para trás o imperdoável para não explodir de tristeza. O amor que vai e vem me deixa em dúvidas se amo com amor ou com angústia a chuva e o vento 155


são lágrimas do meu sofrimento. A luz do sol é fogo ardente de uma história vã é triste meus sentimentos são rios de forte correnteza não se fixa na alma a água se renova meus desejos se perdem em rotas desconhecidas. Pago a luxúria dos meus pecados que vagam no tempo sem pouso como folhas mortas bailam na relva musicando o ar e deixando cheiro da saudade na memória viva cheia de mitos e verdades.

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A CIDADE ARQUEOLÓGICA TEOTIHUACAN (MÉXICO) Está situada a 40 km do Distrito Federalem um vale de clima temperado e semi-seco nas planícies e semi-úmidos nas elevações. Foi habitada de 100 a 700 anos d.c. seu nome significa “Lugar dos deuses”. São muitos os monumentos entre os principais: Templo de Quetzalcóatl, Calzada de los Muertos, Pirámide del Sol, Pirámide de la Luna, Palácio de los Jaguares, Templo de los Caracoles Emplumados, Tepantlita, Tetitla, Atetelco, Zacuala y Yayahuala, El Museo. (In PRAIA GRANDE - Informativo Cultural da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão. Ano III - Nº 14 - Out/Nov -2000). 157


LETICIA HERRERA ÁLVAREZ

VÍA LÁCTEA Algunas experiencias rebasan nuestra percepción del espacio nuestra ubicación en él al dar un paso largo se tiene miedo de caer al vacío terror cósmico que tan sólo detendría el abrazo perdido

VOZ DE SIRENA Sutil lazo azul reposa sobre sus senos la voz del viento en su pecho respira Puede leerse el flujo en su ondulada gravitación Los músicos cuidan no violentar la abisal voz de la tierra donde naufragara el vigoroso cuerpo de la Atlántida Voz de niña milenaria donde las aguas encrespan lejanía

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Leticia Herrera Álvarez, originaria de Michoacán, radica en la Ciudad de México desde su infancia. A la fecha cuenta con 27 títulos publicados en los géneros: poesía, cuento, novela, guión cinematográfico, ensayo y obra para niños y adolescentes. Su obra experimental ha derivado en los “géneros” de autora: “Chiribitas”, Teatro Multimedia en Salón de Espejos, No-novela en Duermevela y Resonancias literarias. Diversos reconocimientos nacionales e internacionales; el más reciente: “Primo Premio Assoluto”, “Lenguaje sin precedentes en lengua española”, (Academia Internacionale Il Convivio y municipio de Giardidi Naxos, en Taormina, Sicilia, Italia). Traducida al árabe, alemán, francés, inglés, polaco, portugués, rumano, y ruso.


Ávidas le sostienen el milagro del canto como su propio aliento de vida resucitado del naufragio

AVÍOS DE PASMO Agua azafranada para ofrendar a los Budas Cajoneras de cedro con aplicaciones de carey Cajitas de caoba y carey claveteado en plata Puntas de oro para ordenar los hilos del telar Alabastro en jarrones para ungüento y perfume Mármol piel translúcida en “La Aurora” Buonaroti Bernini Hueso oracular Caparazón de tortuga tallado en escritura arcaica china Plumas multicolores para diademas rituales Oro culto barroco en retablos belleza igual a verdad verdad igual a Dios Brea para despertar las voces somnolientas de instrumentos musicales 159


Copal para montar en sus alas cantos rituales Marfil esgrafiado y bronce en brazaletes de arquero Jade piedra de aliento inmortalidad fertilidad y poder Ornamentos protectores en collares brazaletes tobilleras orejeras Concha nácar en los ojos de la máscara mortuoria retrato de Pakal Esquisto para esculturas eterna mansión del Ka Ámbar oro vegetal trampa de sangre rubia para defensa del árbol atrapa insectos Sicomoro incorruptible madera en los féretros egipcios donde preservar la muerte disimulada de las momias Cinabrio pintura roja esparcida sobre los cuerpos de los tlatoanis indígenas remedo de la sangre para el segundo nacimiento 160


en otra vida Terracota para ejércitos y la piel de los esposos abrazados por siempre en escultura de exequias Aceite negro para pintar el asombro de Rembrandt ante su propio rostro

INFIDENCIA Cuando pienso que otros leen lo que escribí para contarme mis secretos siento que ya no me pertenezco a mí misma y debo volver a buscarme en las letras CAIDA LIBRE Alcanzado el cauce de la poesía ya no es necesario batir las alas Sólo dejarse llevar La palabra es manantial Arcano de donde brota la vida

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LUCINEIA FERREIRA PAZ RIBEIRO WALTER DE NEGREIROS O ENCONTRO FINAL Aqui nesta terra serena meu corpo hei de deixar, e aos céus me elevarei para uma vida recomeçar. Deixe de lado amigo as coisas fúteis da vida, e busque reencontrar sua felicidade perdida. Nos caminhos desta vida espinhos hei de encontrar, mas a vitória virá quando com Deus me encontrar. Amigos que aqui fiz com prazer hei de lembrar, quando ao lado de Deus novos caminhos trilhar.

Lucineia Ferreira Paz Ribeiro Walter de Negreiros. Nasceu no Espírito Santo em 08 de março de 1972, Comenda Personalidade Cultural 201; Comenda Trovador Elmo Elton. Academia de Letras e Artes da Serra, Autora de diversos artigos e poesias, Acadêmicas: Letras Jurídicas; Academia de Artes dos Poetas Trovadores (CTC).

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RECORDANDO Quero lembrar-lhe amigo um ditado velho da vida, a vida passa ligeiro ...mas as marcas sempre ficam. Tenho certeza amigo que Deus no céu estás, a tecer a estrada florida por onde hei de passar. E, felizes nós juntinhos com sorrisos a cantar, vamos viver a eternidade com muito amor a doar. Pois ao lado de Deus pai amigo a nos guiar, não teremos sofrimento mas só amor pra dar.

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LUIZ CARLOS RODRIGUES DA SILVA PARTIDA DEFINITIVA Vem constantemente à minha mente, como agora, aquela realidade assustadora da nossa despedida; A cama ainda estava levemente arrefecida Pelos nossos corpos desfraldados pela luz da vela. Vem ao meu coração em forma de aquarela, Acrescentado à cena imagem de uma vila adormecida, Como a luz da abóboda celeste refletida Nas águas frias e límpidas do Rio Corda em forma de estrela. Momentos vivos e intensos que a escrita me descreve, Que as nossas mãos começam a se despedir no cais E vozes balbuciantes pronunciadas de leve; Resta apenas algumas serenas lembranças finais... E os lábios entreabertos insistem em dizer um frio: até breve! No entanto, os nossos corações fazem ecoar um veredicto: nunca mais!

FASES Apresento fases, como a Lua Fase de aparecer transparente, Fase de esconder quem sou, Fase do mistério! Fase de pertencer a alguém sem forma e rosto! Fase de ficar apenas sozinho. Estas fases estão presentes no meu cotidiano E em um calendário amarelado pelo tempo Luiz Carlos Rodrigues da Silva. Nasceu em Caxias-MA/Brasil, em 18 de maio de 1962. Graduado em História (UEMA) e em Filosofia (FAEME). Doutorando em Ciências da Educação (UAA) e professor das redes estadual e de Barra do Corda-MA. Membro da Academia Barra-Cordense de Letras, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Associação Nacional de Escritores (ANE) e da Associação Maranhense de Escritores (AMEI). Autor do livro Reminiscências Filopoéticas.

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Que tenho o cuidado de manter em segredo Pelo fato de ser pessoal e guardar anotações íntimas. Quando fico bucólico Adoto fuso horário extremo e antípoda sentimental. Fica impossível encontrar alguém Devido à fase que desapareço Ou a outra desaparece!

QUEM SABE Quem sabe em um momento irei deambular Quem sabe em um lapso de segundo serei invulgar Quem sabe em um ano escreverei um texto cifrado e imagético Quem sabe em um poema serei denso, icônico e mágico! Quem é poeta sabe o que é ser poeta Quem é metalinguístico vai além das palavras Quem é medido pelo Chronos se perde no tempo Quem é imanente e tem a condição humana, apenas quem é humano: Sabe escorregar pelas sombras sombrias do tempo Sabe dialogar com o tempo nu e o tempo das energias Sabe um pouco dos mistérios e segredos do meu âmago Sabe ser condescendente com a minha condição de ser! Um dia medido em segundos Um mês empoderado em anos Um ano diluído em décadas Uma vida surrealista em nuances atemporais!

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MOTIVO Eu escrevo porque a poesia existe E a minha condição de poeta plenifica a minha vida. Não sou excessivamente bucólico ou saudosista: Sou um homem que tem a marca de poeta. Amigo das realidades fugidias, Às vezes tenho gozo, outras vezes tenho tormento. Vou tergiversando entre noites e dias No desenrolar dos acontecimentos. Se sobreviverei por muito tempo assim, Se permanecerei incólume, - não sei, não sei. Talvez irei simplesmente passar. Sei que vivo lendo e escrevendo a vida e suas nuances. Com asas encharcadas de vento eterno E rumando por caminhos incógnitos E tendo motivos para continuar vivendo.

O TEMPO VISTO PELO POETA O tempo encapsulado no calendário Domesticado por vãs tentativas de fuga do tempo contínuo! O tempo presente que não deixa em paz o tempo passado Entrelaçando ambos em um tempo futuro engenhoso. O tempo futuro flertando continuamente no tempo passado Como se fosse possível colocar cada um em seu lugar Ardilosamente descrito em um medidor do tempo Ou tentando remediar o tempo no relógio de pêndulo! O tempo é incrivelmente um tempo presente Mesmo estando na ampulheta 166


No relógio de bolso Na folhinha da parede Ou na batida dos sinos da igreja às 18h Ou na taça de vinho de Feliz Ano novo! O tempo é implacável Quando mede a passagem do tempo E nos projeta para a morte Medindo o tempo dos mortos nas civilizações E nos alertando que ele vence no final do tempo vivido! O tempo não é uma simples abstração poética Ou uma reflexão filosófica! É uma engenhosa arte humana para Se tentar fugir do impossível: Domar o tempo que se esvai com velocidade alucinante! O tempo foi o que foi O tempo foi o que fiz O tempo é o agora Convergindo silenciosamente para um só tempo: Que misteriosamente é o tempo sempre presente!

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LUIZA CANTANHÊDE

RETORNO’S Voltar para casa e para o whisky Enquanto nos chegam notícias das catástrofes Pela internet Pela boca Dos que fingem nos amar Andar no lado errado da rua Pegar o táxi para lugar nenhum Pela janela do bar o cafetão acena Para as putas tristes As mãos esparsas sobre o Copo Tem sempre alguém que não se mata às 23h de uma noite Chuvosa contrariando as Previsões de fim de ano Há quem suporte o precipício O bolso rasgado E a solidão diz que não Adianta tomar pílulas pra dormir Eu sei

Luiza Cantanhêde. Nasceu em Santa Inês/Maranhão/Brasil, 1964. Formou- se em Contabilidade em Teresina-PI, onde reside atualmente. Estreou nas letras com “Palafitas” (Poesia).

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Eu sei que existe algo além do Último trago Por isso escrevo e bebo

PECADOS CAPITAIS Traí os ritos Despi-me à porta da igreja Chamei os anjos insanos Estamos prontos para a crucificação OUÇA Nada mais precisa ser dito Apenas o barulho da lâmina tricotando O que ainda resta Nesta casa desabitada (Só o silêncio reverbera) Nada bate à porta Nem os Santos Nem os bêbados Nem o pio da coruja O grito enclausurado Feito o barco de Rimbaud Embriagado Ser sozinho É pra quem tem coragem 169


DAS DÚVIDAS Quem não possui uma dor Um fantasma Um anjo louco Um fogo breve Uma morte em Vida? Quem não deseja desnascer E ser conduzido novamente Ao ventre acolhedor? Quem não se entrega Às promessas de retorno? Quem não deseja afastar -se Do desconsolo e empreender Fuga na garupa do recomeço?

E TUDO PASSA Não parece Mas a vida continua ali Naquele banco de praça Acenando para o tempo Que passa E tudo passa... Tente Abra o olho no escuro (Tire um sol do seu silêncio) 170


Não desista As pessoas se cumprimentam Friamente Mas, há algo indivisível Bordando o amor Entre as coisas Miúdas Luiza Cantanhêde.

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MÁRCIA LUZ (Márcia Regina dos Reis Luz)

LASCÍVIA O sol aquece por inteiro O meu corpo quase nu Estendido sobre a areia branca da praia ao lado da lagoa de água límpida Nesse momento sinto a tua presença onírica quase perfeita e sagaz que busca avidamente se entregar a mim pelo prazer da entrega total E eu já pronta para ser beijada, acarinhada, sugada e o que mais a imaginação permitisse E desfrutar da sensação de abraços ardentes, beijos eróticos e mordidas gostosas A respiração ofegante sentindo tuas mãos macias A língua umedecida de saliva quente deslizando por todo o meu corpo pronto para explodir de um prazer tão intenso que não queria mais parar Gemi alto e delirei abri os olhos em busca dos teus E percebi que foi uma imaginação lasciva

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Márcia Luz (Márcia Regina dos Reis Luz). Nasceu em Caxias, do Maranhão, formada na cidade de São Luis/MA, em Letras, pela UEMA - Universidade Estadual do Maranhão e Direito, pelo UNICEUMA – Universidade CEUMA. Tem obras premiadas, inclusive com participação em Coletânea, com a poesia UTOPIA; SERÁ AMOR fez parte do concurso literário; TRAÍ-ME, teve a 2ª colocação no Concurso Literário de Contos e Poesias; SAUDADES, fez parte do Festival de Poesias promovido pelo Departamento de LETRAS do UNICEUMA; LASCÍVIA fez parte do 18º Festival de Poesias promovido pelo Departamento de Assuntos Culturais da UFMA – Universidade Federal do Maranhão; PARADOXO fez parte do 19º Festival de Poesias promovido pelo Departamento de Assuntos Culturais da UFMA.


PERCURSO DO AMOR Viagem Decisão Chegada Telefonema Jantar Carinho Passeio Fotos Festa Dança Praia Lanches Aconchego Direção Presentes Calmaria Mar Abraços Beijo e..........

SÃO LUÍS, CIDADE CÚMPLICE Viste-me aqui chegar com sonhos e sonhos Aos poucos fui te descobrindo percorrendo tuas ladeiras, escadarias, avenidas até chegar em algum lugar Teu céu, tuas estrelas, teu mar, tua brisa, teu sol teu crepúsculo são testemunhas do bem que me proporcionaste Tua poesia suave também Contribuiu para que os amores acontecessem 173


São Luis, cidade cúmplice Aos poucos vou realizando Meus projetos e minhas traquinices que Não vivi na adolescência Agora com uma cabeça mais Pensante, vou aos poucos Concretizando o meu sonho de menina

SAUDADES Vi de repente tua vida vigorosa e preciosa desabar misteriosamente na inviolável obscuridade do coma Cuido ainda sentir no meu espírito o ruído dessa dolorosa catástrofe Tal foi minha dor Tal era a intensidade da minha afeição por ti E ser eu forçada a contemplar resignadamente a dispersão de tanta vida de tão poderosa vitalidade Te consagrei na vida a mais bela e desinteressada porção do meu amor Não votarei na morte ao mundo e ingrato esquecimento Eu que convivi intimamente contigo que fui tua amiga leal, companheira e participativa de todas as horas tristes e alegres A que transformaste e fizeste MULHER que ensinaste a ser independente A testemunha dos teus derradeiros sacrifícios e lutas finais A que muitas vezes foi a confidente dos teus segredos mais íntimos, das tuas dores mais profundas das esperanças mais radiantes Não deixarei perder-se na confusão igualitária das datas comuns esta amargamente memorável 174


Tu não foste simplesmente um belo Espírito, foste igualmente homem Pois tenho vivamente gravada na memória as linhas do teu perfil como se o estivesse a ver neste momento Esta dualidade magnífica faz-te um grande E se as celebridades não fossem tantas nesta terra Tu serias mais uma Porque tinha um espírito superior Uma individualidade própria Mas para mim a tua celebridade é imensurável O teu humorismo singelo Tuas palavras admiráveis O colorido gracioso do teu estilo O teu sorriso doce Os teus grandes olhos luminosos e profundos Um não sei quê de superior e nobre Tudo isto dava ao teu ser Todo desafetado e simples o ar E a dignidade nativos de um rei excêntrico e apaixonado Mas ao mesmo tempo eras bondoso e arrogante infantil e olímpico delicado e rude Tinhas ódio e amor Perdoavas e castigavas Ofendido, tinhas os ímpetos Irrefletidos da paixão No teu estado habitual de espírito eras um doce, uma alma profundamente bondosa Às vezes paradoxal, fantasioso e inesperado Tiveste a mais invejável das mortes foste pleno, bem amado, bem querido Foste o coração mais sincero, mais puro mais honrado e mais terno Hoje és um ponto de luz no céu A luminosidade de tua alma irradia todo ele 175


Os anjos entoam cânticos de louvores em homenagem a tua presença como se fossem melodiosas serenatas terrestre a que estavas acostumado a ouvir na minha companhia É por isso que venho hoje descobrir-me reverente, mesmo distante do teu túmulo e render-te a homenagem consoladora das minhas lágrimas. NÃO ESQUEÇA: Amor. Tu estás aonde? Beijos. E aí?

SERÁ AMOR? Podemos dizer que é amor A disputa de poderes, a intriga, A submissão a que o homem submete a mulher Que diz ser sua companheira e com quem compartilha A mesma cama, a mesma mesa e, Ás vezes, até mesmo sem muito sabor uma carícia? Podemos dizer que é amor Quando se percebe a revolta interior desse ente Tão machista toda vez que sua “musa” se faz destaque em Alguma situação na vida? Que amor é esse que não consegue perceber que as mulheres Querem, mesmo é, ser amadas por inteiro Chama vida no seu interior E que clamam por um sentimento ver

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MARIA APARECIDA DE MELLO CALANDRA RECOMEÇO Nazismo, Morte, Chacina Entre países. A bomba nuclear explode! Dizima milhões de pessoas... Mata, fere Suas garras Se perpetuam. O homem-bicho Ignorante, Forma exércitos De fanáticos Na sua ignorância Aos poucos vai pintando O solo De sangue Enquanto o Temor É visto Nos olhos De inocentes Que fogem Do Terror. Todos os países Se calam, Homens, crianças e mulheres Choram Maria Aparecida de Mello Calandra, Natural de São Paulo. Graduada em História e Direito. 2ª Presidente do Congresso da Sociedade de Cultura Latina do Brasil; Presidente do Congresso da Sociedade de Cultura Latina. Tem várias obras de poesias e de contos dirigidos à defesa do meio ambiente publicados, entre eles “A voz da Floresta”. É membro de várias Entidades Culturais brasileiras e estrangeiras, entre ela a IWA.

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A perda de um lar. Enquanto isso Acontece. Tiranos, disfarçados de Nacionalistas Apregoam o isolamento Retrativo. O Céu enegrece, Os mares bordados, Pelo branco da poluição, Acolhem peixes, A vida marinha morta. A guerra já começou. Só os tiranos e corruptos, Aplaudem Tanta insanidade humana.

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MARIA GORETH CANTANHEDE PEREIRA

RAÍZES DA MINHA TERRA Vou mostrar a minha poesia Vou declamar a minha poesia Vou falar da minha terra São Luís do maranhão É a ilha de encantos Que encanta a multidão Minha terra das palmeiras Falo com muita emoção Bumba meu boi que alegria O ritual tem emoção, Tem sotaques de orquestras Matracas e pandeirões Tem zabumba que é da ilha E também costa de mãos Eu também sou dessa ilha São Luís do maranhão Cidade dos azulejos Que encanta o povão Tem tambor de crioula A punga tem sedução Vem também pra minha ilha São Luís do maranhão.

Maria Goreth Cantanhede Pereira, nasceu em São Luís do Maranhão. Estudante do curso de Licenciatura em Letras pela Universidade Cruzeiro do Sul. Nasceu no dia 04/09/1974 em São Luís do Maranhão. Poetisa e escritora, artista plástica e artesã, Membro da Academia Norte Americana de Literatura Moderna Capítulo do Brasil e da Sociedade de Cultura Latina. 04 livros publicados e 01 cordel.

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PALAVRAS DO SILÊNCIO Foi no silêncio que eu aprendi A dar valor aos meus sentimentos A refletir verdadeiramente Um amor que a gente sente Foi com tua ausência Que aprendi a dizer não Aos enganos de teus sentimentos Que não deixei me levar Por tuas ilusórias palavras De um desatino sentimento Mas foi no silêncio Que revivi o momento Que não valia a pena Te amar e sim Um novo amor encontrar Hoje não me arrependo Do meu silêncio Que me fez ser amada E desejada por outro amor.

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QUERER-TE Foi no terno sentimento Que fez eu te amar de verdade Um olhar sedutor E não conseguir desfazer Foi paixão e apenas um olhar Que me fez renascer Voltar a ter um novo amor Um desejo de te querer Não pude me conter Foi como um pulsar Ao ver que de mim Te aproximaste Com um doce beijo A minha voz calaste.

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MARIA STELA DE OLIVEIRA GOMES

LUAR SEDUTOR O sol se põe A noite cai Imóvel e em silêncio Fito a lua no céu a despontar. Meus pensamentos vagueiam alucinados Na imensidão do horizonte Trazendo-me recordações De um grande amor. Desejoso e devaneando Sinto uma vontade louca De correr para os braços Da pessoa amada. Subitamente percebo o exalar Do seu perfume E o seu calor em meu corpo Enlouquecido ponho-me a procurá-la. Sinto ondas de calor Invadindo o meu peito Transpirando de desejo Abraço e beijo as árvores. Suspirando de alegria Maria Stela de Oliveira Gomes. Nasceu em 12 de fevereiro de 1953, em Abre Campo – MG, mas reside em Governador Valadares – MG. É pós-graduada em Psicopedagogia, escritora, poeta, membro da Academia Valadarense de Letras. Tem obras publicadas em jornais, revistas e antologias. Publicou também o seu primeiro romance “Marcas de Sofrimento e Esperança”. Em breve o seu 2º livro, o romance “Sob o mesmo olhar”. É membro-correspondente da UBE – RJ e da ALACIB, em Mariana - MG.

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Por este bem-estar Faço uma pausa em meus pensamentos Elevo o meu olhar ao céu. Abraço-me forte e tento sorrir Para evitar uma lágrima Em meu rosto a rolar Numa linda noite de luar.

LÁGRIMAS Lágrimas rolam Em meu rosto Em meu nariz Em meus olhos. Lágrimas rolam Em meu cabelo Na minha nuca Nas minhas orelhas. Lágrimas rolam Em meu pescoço Nas minhas axilas Debaixo dos meus seios. Lágrimas rolam No meu tórax No meu umbigo Nos meus braços. Lágrimas rolam Nos meus dedos das mãos Entre as minhas pernas Nos meus dedos dos pés. 183


Lágrimas apossaram Da minha alma do meu Eu Em lágrimas estou Reflexo da minha dor.

CASA CHEIA...CASA VAZIA... Final de semana juntos Ecos de crianças brincando Rolando pela terra vermelha O dia inteiro e sem parar. Os adultos bebericando Música ecoando pelo ar Conversa vai e vem Petiscos saboreando. Corações cheios de emoções Afagos e carinhos Sorrisos delirantes Dos causos engraçados. O final de semana se vai Todos se vão Fica alguém sozinho Com a casa vazia. Isto não é proposital São circunstâncias da vida Que se repete aqui Lá e acolá. A casa fica cheia Depois se esvazia Alguns voltam sozinhos Para a casa vazia. 184


BILÁ Seus olhos se estendem Na vastidão do infinito Bela, charmosa e profunda Ela crê em sabedorias divinas. Dá sentido à vida O amor cristalino A liberdade da alma A saudade no coração. A nobreza de seus gestos Traduz à humanidade Renúncia e doação São palavras de afeto e amor Essências do seu cotidiano. Não é orgulhosa e sim vaidosa Ostenta em seu olhar O brilho pelas flores Corteja e encanta Com os mistérios da natureza.

SENTIMENTO ENVOLVENTE O amor é saliente Sem licença aparente Sequestra a alma da gente Entra devagarzinho Em nosso peito vazio. Aos poucos domina o nosso ar A nossa pele, as nossas emoções E o nosso coração Torna-nos anexos Desta vibração acalorada. 185


MARIANO GOMES SILVA

DIVINA LUZ! Admirável astro celeste Rainha que no espaço flutua De ouro, prata e carmim Lua Cheia, Lua Nova, Super Lua! Esplêndida esfera reluzente! Fulguras na grandeza do céu Prateando a imensidão do infinito, Com suntuoso e noturno véu Nos mares florestas e ríos Reinas soberana com tua luz Conduzindo o destino dos viventes Em cada crepúsculo os seduz Do alto iluminando os caminos Governas imperante oh Lua! Protagonista de imagens irreais Nas fúlgidas pedras da rua

Mariano Gomes Silva. Nasceu em. 20/11/60, em Missão Velha/Ceará/Brasil. participa das Antologias: Contemporâneos – 2016, 2017 e 2018, da Editora TABA CULTURAL (RJ.) - 1ª Antologia dos Cordelistas da Transxingu, com: Naufrágio em Vila do Conde. - Pelos Caminhos da FEB na 2ª Guerra Mundial, Com: Expedicionários do Brasil. Ocupa a cadeira de Nº 30 da AAL - Academia Altamirense de Letras - Altamira, PA.

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SALVE O NOSSO PLANETA! Terra verde Terra viva Terra preta Terra rica Terra roxa Terra fértil Terra seca Terra estéril Terra sólida Terra firme Terra molhada Terra no cio Terra Santa Terra sagrada Terra natal Terra querida Terra vermelha, azul, amarela De muitas formas e cores De todas as raças e credos Terra adorada! Terra à vista! Planeta terra!

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I N C O N S E Q U Ê N C I A

... A G U E R R A É O CÚMULO DA I N

T R Â N S I G Ê N C

I A

ENTRE PESSOAS QUE SUPOSTAMENTE DEFENDEM UMA NAÇÃO, (DIZEM-SE LÍDERES) DE UM POVO, QUE CERTAMENTE (CRUELMENTE) VAI SOFRER CONSEQUÊNCIAS E DANOS I R R E P A R Á V E I S

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MULHERES EM AÇÃO! Enfrentando as adversidades do dia a dia, numa árdua luta, com obstinação, resistem as mulheres Muitas foram as batalhas vencidas, e outras tantas ainda estão por vir, Por estas, que durante muito tempo foram consideradas como “sexos frágeis”. Obstante ainda, a sociedade hipócrita, tenta lhes impor algumas limitações, Desde a formação em seu lar, nos estudos e até na escolha de seu trabalho. Em novos tempos, perseverantes, elas aspiram serem vistas numa sociedade igualitária, Razão de longas e incansáveis lutas, na demonstração de seus valores, Assim caminham, a cada dia, de pés no chão e de cabeças erguidas! Mulheres de fibra e coragem, motivadas pela necessidade da superação Em meio às circunstâncias. Pela dignidade, lá estão combativas, sempre à frente! Nada as impedirá de reivindicarem seus direitos na defesa de seus interesses, Todas focadas em um só objetivo, a afirmação como seres independentes, Onde haja o reconhecimento, por suas qualificações e, o merecido respeito pelas suas decisões.

Fazem-se capazes de quebrar barreiras, na escolha de profissões e funções a exercer Empreendendo ações em áreas tipicamente masculinas, aptas ao exercício de qualquer trabalho Melhorando individual e coletivamente o poder de participação e 189


decisão na sociedade. Incorporando sua liderança a outras classes de pessoas, pela valorização da vida, Não retrocedendo diante dos obstáculos impostos pelo tradicionalismo conservador. Insistindo que a mulher tem o direito de ser o que quiser, e fazer valer suas idéias, No que tange a sua capacidade, está lado a lado com o homem, dividindo o mesmo espaço, Onde não exista segregação, e sucessivamente mais, a almejada harmonia na equidade de gêneros.

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MÁRIO LUNA (Mário da Silva Luna dos Santos Filho)

FANTASIA Rosas orquídeas, gerânios, girassóis, flores, flores, e flores. E o velho jardineiro a tudo assiste. Triste. jardim, na alma do homem, inexiste.

A ROSA Perdulária, luminosa, veste-se. para o seu único baile. A sinfonia da brisa, nos braços, carrega o seu dia. Mário Luna (Mario da Silva Luna dos Santos Filho). Nasceu em São Luís/Maranhão Brasil, em 27/07/1950. Médico, Cirurgião Pediatra. Poeta, Contista e Ensaísta. Dois livros publicados: “Do Sapato ao Pé escalço” e “Do Granito e do Infinito”. Participou de várias antologias poéticas. É Membro Titular da SOBRAMES/MA e da Academia Ludovicense de Letras-ALL.

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Depois sangra o tempo. Desfaz-se a sua auréola de luz. A seiva em desvario se esvai. Apenas pétalas uma a uma caem. Nua, a haste sente o frio da noite. Curva-se para sua última e definitiva queda.

PÁSSARO VADIO Há um pássaro vadio flertando a manhã desta primavera. Há um pássaro livre na janela de minha alma. Livre no meio da praça, minha alma beija um pássaro que canta a liberdade. 192


MEUS POEMAS Sigo com meus poemas cheio de becos, mirantes e azulejos mortos por entre ruas tortas, pelos degraus de minhas escadarias. Levo-os apenas iluminados pela penumbra de velhas luzes claudicantes levo-os assim mesmo, sem matizes, sem sacadas e cantarias, sendo mais silĂŞncio que palavras, quase nĂŁo sendo. sigo com meus poemas incrustrados em minha alma e os escondo nos escombros da noite de minha cidade.

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MFRANCY (Mires France Almeida Pereira)

AMOR E DOR É amor. Um estranho amor envolvido na sorte sem sorte. É dor. Uma dor que maltrata o coração e a alma leva á Morte. É amor. Um estranho sentimento se esticando no Pensamento, espalhando-se em relvas e argumento. É amor. Amor cor de rosa ou tão somente cinzento. É amor. Amor afrontando o momento ou se perdendo no Tempo. É amor. Amor espalhado nos quatros cantos do vento, amor Sem momento, sem palavras, sem tempo. É amor. Amor escondido na sombra de um sentimento que a Dor embala sem ressentimento.

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Mires France (Mirllene Almeida Pereira). Nasceu em Barreirinhas/MA/Brasil, em 12 de maio de 1964, vindo morar em São Luís ainda criança. Aos 18 anos escreveu seu primeiro poema: sonho sentido. Daí a motivação para escrever a fez criar várias poesias. Autora do livro desconhecido coração. Hoje, encontra-se em seu cotidiano simples o apoio e a razão para ser escritora.


FRASES LOUCAS No começo eram simplesmente frases loucas, bocas que se tocavam, vozes que roucas ficavam... roucas, loucas, bocas. frases contidas, murmúrio escondido no calor daquela boca. No começo era assim, hoje um vazio sem fim. frases perdidas se juntam em palavras que na boca se calam.

LOUCO AMOR Esse amor é a calma Que faz gritar, O Querer que faz Amar. Esse amor é um louco Devaneio ao delirar, Longe desse olhar. É alma e cama se debatendo Num corpo que clama, É o coração que não se Engana. É o tempo que passa e a Saudade que chama, É um devaneio ao delírio De quem ama.

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PAIXÃO Paixão fulminante Amor por um instante Amante constante Eterno querer errante. Como não suspirar? Na essência desse querer Paixão é amar. O vento traz uma Lembrança e o pensamento Um sonhar. Doce essência Envolvida num suspirar.

SIMPLÓRIO QUERER É simplório querer buscar emoção num caminho vazio. É deprimente andar solitário sem estar só. É um amplo limite limitando o amor e eu. É a vala do silêncio escondendo a razão. É o amor sem mim, eu sem emoção. É viver, amar, morrer. É procurar um caminho e achar que nele te acho. É afogar os sentidos num fundo riacho. É acreditar no amor, quando o querer não é poder. É nascer de uma flor e no vento se perder. É caminhar vazio sem nada saber. É um simplório querer arrastando-se ao meu ser.

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MILNE FREITAS SOUZA SÓLO UN CORAZÓN Lo que usted siente Ya sentí también Pero no les conviene Buscar en alguien Lo que otra ya tiene

8 DE MARÇO Pedi ao pai eterno Raios de iluminação Pra dois minutos de prosa E uma vida de satisfação Tristeza e dissabor Foge a forte mulher Carinho, respeito, Liberdade É isto que ela quer Essa história é “cantada” Tem emblema muito forte, Na luta por igualdade No estado de nova iorque, 130 foram a morte

Milne Freitas Souza. Nasceu em 06 de maio de 1962, no Povoado de Bela Vista, Distrito de Ipiranga, Município de Barra do Corda/Maranhão/Brasil. Graduado em Gestão de Negócios Imobiliários, pela UNICESUMR de Londrina-PR. Servidor Público Estadual, lotado na Secretaria de Planejamento do Estado do Tocantins, está Superintendente de Desenvolvimento Regional do Estado. Publicado até hoje, apenas a Crônica “Pastilha de Bosta” no Blog “Turma da Barra” e classificado com a Poesia “DESERTO” entre os 17 finalistas do 2° Festival Barra-Cordense de Poesia da Universidade Aberta do Brasil - UAB

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O mundo evoluiu A violência não sumiu E “marias da penha”, Ainda surgem Neste imenso brasil Feministas, socialistas Todas sabem seu valor Com seu jeito singelo Um olhar sempre belo De nosso jardim é a flor Homenageio hoje a mulher Com imensa satisfação, Ontem debaixo do pé Hoje chicote na mão, Batem forte no parceiro Ainda exigem um garanhão Nesta simples homenagem Faço uma breve explanagem Da história que as criou Fez-me um homem de barro De mim, a costela tirou Grato a deus mil vezes Pela competência demonstrada De um corpo gordo e feio Fez a flor mais perfumada.

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JARDIM As mãos que te regaram Em meu corpo navegaram Com intenso calor, Mesmo incrédulo, Materialista e sem valor, Fostes para mim O mais puro amor. Lírio, meu martírio É lembrar tua flor, E mesmo como colírio, Em meu peito delira, Paixão, saudades, grande dor Milne Freitas S

QUERENDO SER Hoje amanheci assim Bobo, sem culpa, sem dolo, Acordado sonhei, Mente leve, meio tolo. Querendo ser horizonte Beber da sua fonte Adivinhar teu pensar Querendo ser terra Querendo ser folha Sentir teu pisar, Querendo ser água Querendo ser bolha Querendo ser vento Querendo ter tempo Pra ver você passar E neste corpo de menina Ser rio de águas cristalinas Para em tuas curvas navegar. 199


SE PUDESSE, FALAVA As mentiras mentidas, mantidas, destroem construções De histórias, de vidas, vividas, quase morridas Momentos passados, hoje lembrados Não podem voltar, jamais voltarão Do passado, nada mais, só saudades Vivemos outra vida, modorrenta, tristonha, nada eletriza A não ser as lembranças De tempos que não voltam mais Há! Aqueles beijos, aqueles abraços, aquele cheiro Que falta me fazem Vivo de sonhos, pesadelos Nada, ninguém, Nunca sentirei Abraço tão quente, potente Há! Se eu pudesse, a cara aguentasse Deixava tudo de lado, abraçava o passado Buscava o presente e, meio indecente Assim de repente, gozava comprido Fodam – se, para minha atitude Eu mesmo, que lástima, não tenho coragem de avançar E ainda me culpo, pelo que eu possa pensar Fuja de mim, pensamento maldito Puta merda, tantas me olham Tantas me querem, comer... Lamber... Só ela, posso ver.

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NAZARETH TUNHOLI (Nazareth Aguiar Pessanha Tunholi)

PROMESSAS Haja sol a animar os tristes E esperança a cada manhã, Tudo vai dar certo! Há muita coisa boa ainda Para alegrar nossas vidas. Busquemo-nas! Serenidade para seguir em frente, Acreditando no bem que cada um Tem dentro de si E em sua força de superação. Há carinhosas promessas no canto de pássaros, no entardecer, e no silêncio das noites: o amanhã será melhor!

Nazareth Tunholi (Nazareth Aguiar Pessanha Tunholi) – Nasceu em São Mateus-ES/ Brasil e reside em Brasília desde 1984. Graduada em Língua Portuguesa e em Jornalismo, é autora do ensaio filosófico “Considerações Básicas para a Ética na Literatura”, premiado na França, pela Academie Internationale de Lutèce. Possui sete livros publicados e edita a Revista Capital. Presidente fundadora da Academia Internacional de Cultura – AIC (estatuto e logomarca), em 1997. Membro da Associação Nacional de Escritores – ANE, entre outras entidades. Entre as homenagens recebidas, destacam-se: o Mérito Cívico, outorgado pela Liga da Defesa Nacional e o Mérito Amigo da Marinha, pela Marinha do Brasil. Presidiu o XI Encuentro Internacional de Escritoras e participa, desde 2012, das realizações desse evento, pelo mundo.

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ENCAIXE Tudo fica mais fácil quando há força da vontade de fazer acontecer. Possível é tudo que encaixa numa vontade forte e na coragem de fazer. Se forte é o seu sonho, Acredite, pode realizá-lo, e mergulhe nessa aventura! Até o impossível é alcançável se perseguido com afinco, com uma fé inabalável. Isso é bom, é a intensidade da busca que dá sentido à vida!

DIVERTIDO Quem dança sabe que enquanto sacode o corpo a alma se diverte! Bailar é preciso nesta vida de equilibrista. Para além do lazer, o bom de fazer dança é manter o pique no correr do tempo! Haja esperança 202


nos corações que dançam nas pistas oscilantes do mundo!

DOMAR Lembremo-nos de que somos irmãos das estrelas, temos garras de fogo e podemos domar paixões! Somos seres fantásticos a aventurar-nos na mágica de viver. Temos a força, só precisamos acreditar nisto! Mas o gigante que nos espreita E que precisamos domar Está escondido Dentro de nós! Não é fácil, Mas é possível!

VIVA A VIDA Vai ter festa, alguém aniversaria! Celebrar, com brindes e sorrisos, comemorar com as amizades e dançar e cantar... Deliciar-se comendo e bebendo; falando e sorrindo; 203


com beijos e abraços. Gente exercitando Felicidade! Conviver; consolidar afinidades; trocar verdades; saborear as experiências do encontro, dos passos em direção a alguém, na dança do prazer de juntar gente e comemorar estar vivo! Viva!

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NICO BEZERRA (Nicodemos Bezerra) O SEMEAR DAS CARAVELAS Conhecerás um novo mundo Ao desbravar o português! Descobrirás belos tesouros: Vários países de uma vez! Do Timor-Leste para a América, Entenderás bem o Brasil! Língua linda, tão amada, Lá do Lácio ela partiu! Na África está presente, Dominá-la já é hora! Cabo Verde e Moçambique, Guiné-Bissau e Angola. São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Irmãos que cantam e falam A mesma língua de Portugal! Somos todos um só povo, Nossa língua é uma aventura! Seja verso ou seja prosa A arte é vida, alma da Literatura!

Nico Bezerra. Nasceu em Miranda/Itapecuru-Mirim/MA/Brasil, em 1965. é autor dos livros Uh! Igarapé Encantado, Aderito - o Passarinho Lusófono, e Dom Cosme - o Tutor da Liberdade; cronista e poeta participante das antologias Chuva Literária, Mais do que Palavras, entre outras; coautor do livro Inglês+Divertido; ocupante da cadeira nº03 como membro efetivo da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes (AICLA); Bolsista da Fulbright/American Embassy-Brasília/Capes, no The Language Connection of St. John’s University - New York/USA;

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NATAL: DO ÉDEM À CRUZ Vivíamos em pleno gozo A desfrutar o verde Édem! Mas o Mal rompeu, Do Criador e a Criatura, o frágil elo. Todo o barro se desmancha, Foi-se o tempo de festa! O espírito se abate, Voltar ao pó é o que nos resta! Lágrimas e lamentos, Criador e criatura. Diferentes, mas afins, Moldes da mesma figura! Fracos, incapazes, A aguardar a sentença final. A nós, frágeis criaturas, Prometido nos foi, um sinal: A restauração nos traria Da mulher, uma Semente! Desfazendo toda a dor Obra má, da vil Serpente! Uma estrela então brilhou E assim veio o Natal! A Semente floresceu Combatendo todo o Mal! O elo se refez Trazendo o Homem à Luz! Da verde palha do cocho Ao vivo sangue na Cruz 206


NORA ALARCÓN ASAS DO VENTO “para ti voará sempre meu sonho de esperança” DONIZETTI o vento na tormenta traz um nome pronunciado como sussurro a cada momento a chuva acrescenta esta melodia através de suas transparentes gotas semelhantes à nobreza dos cavalos. o vento atravessa as fronteiras trazendo tua presença em instantes de fogo (... o amor é um sonho que às vezes nos arrasta ao vazio) estes vasos e o silêncio vêem um coração agitado no incêndio sem distância nem horas em suas brasas esfumado pelo tempo cavalgamos estações ébrio de ilusões

Nora Alarcón: Nació en Ayacucho/Perú, en 1967. Agricultora orgánica, periodista y compositora. Uno de sus mayores objetivos es la defensa del patrimonio cultural inmaterial andino. Ha publicado los libros de poesía Alas de viento (Lima, 2000) Bellas y suicidas (Lima, 2010), Malvas (Lima, 2013) y Ninata Rawrarichisun (Revivamos el fuego, Lima, 2015). Ganadora en el VIII Festival de Compositores José María Arguedas, Ayacucho-Perú 2011.Obtuvo el segundo puesto en Composición La guitarra de oro 2012. En el 2014 quedó finalista del Premio Nacional Quechua Federico Villarreal y el 2015 fue Premio a la Excelencia Literaria en Puerto Rico, Mayagüez.

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POESIA Pelo mistério do brinde Uma coreografia acende Com a filosofia da noite na centelha de luzes que dançam no tempo sem horas Se agitam e bebem as palavras Que afloram em vozes murmúrios Os vasos se unem em fogo: É a poesia que nos invade.

POETA X POETA Montado em um cavalo branco Ia um anjo pela margem do rio, Com a chama do amor quase apagada Um lampejo chorava, veio o vento o apagou; Impossível foi acendê-lo com mil beijos Seu coração se desfez entre os espinhos, Raios fulminaram seus sonhos Foi-se com a guitarra por outras sendas ao perder as cores ente as sombras Além do tempo tudo fez-se olvido. Talvez o amor como o dom Quando se apaga não mais acende Nesta praça silente a igreja sem vento Sem coro nesta distância de frio eterno Soledade na multidão, fogueira extinguindo-se Retamas secas, castelos, fogos de artifício: Ao amanhecer da glória tão perto e tão distante De caminhos sem asas sem maquiagem nem frutos Pele de veado navegas na penumbra 208


Chegarão novas águias para acender luzes e ao amanhecer talvez voltem as cores. Com teu canto de poeta.

ALFA E ÔMEGA Um beijo Encadeou rios Em um só leito Amante de um curso perdido entre as águas Quem estava agora na corrente enquanto um pardal flui em ouros cenários. Deixa, se foi nada se pode deter Não tem jeito. Tradução de Antonio Miranda deI Libro ALAS DEL VIENTO

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INMORTAL Soy aquel que no muere A veces en mis sueños cual tu panteonero Cavo tu tumba para ponerte a dormir en ella. Cuando aún no has partido para la eternidad Vuelvo a acariciar tu rostro con mi mirada, Tiene el mismo aspecto De la naciente flor de cantuta. Entonces despierto al borde de un río Mientras en la distancia llora la noche, Y esta chocita en la que duermo Es como el estómago del cerril felino.

MANA WAÑUQ Manawañukuqmi kani Yaninmi musquyniypi weqochuyki hina Pampapi uchkupuyki chayllapi puñuykachinaypaq. Manaraq wiñaypaq ripuchkaptikim Uyaykita kaq qawapayani, Hina kaqllam rikchakun Paqarimuchkaq qantu wayta niraq. Chaypim mayupa patanpi rikcharini Tutayay karupi waqachkaptin, Kaypuñusqay qatuchataqmi Purun pumapa wiksanhina Del Libro quechua NINATARA RAWRARICHISUN (Revivamos el fuego)

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PAULO CEZAR TIMM

PÍLULAS CAMONIANAS 03 De tudo se descuida o meu cuidado E busco em luzente Olimpo oscuridade Trago sempre no mais danoso, mais cuidado Um sempre ter com quem nos mata lealdade... Vivo em lembranças, morro de esquecido Te vejo e vi, me vês agora e viste, Nestes (...) olhos claros, escondido Turvo te vejo a ti, tu a mim triste. Estranho mal! Estranha desventura! Se de todo, contudo, está o fado N´os dias ajudados da ventura Paga o zelo maior de seu cuidado Em toda condição em todo estado Ou gostos que eu tiver, enquanto dura

Nascido no Rio de Janeiro/RJ, em 11/09/1944. Economista, formado pela UFRGS. Pós-graduado na ESCOLATINA, Univ. do Chile e CEPAL/BNDES. Professor, Univ. Brasília – UnB. Técnico do IPEA, órgão do Min. do Planejamento, Brasília. Livros publicados: BRASILIA, O DIREITO À ESPERANÇA, Brasília/DF: Brasília, 1990, e BRASILIANAS, Brasília: Paralelo 15, 1998. ETERNIDADE, Poesia de Bolso, vol. 03. Torres: Mottironi, 2014. AS CURVAS D 2018. O MAMPITUBA, crônicas e história. Torres: Mottironi, 2015. CANTO DOS OLHOS, poesia, inédito. Suplente de Senador da Cultura pelo Estado do RS ao Congresso da Sociedade de Cultura Latina do Brasil – SCLB.

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MORRE-SE Morre-se de tudo. Ou de qualquer coisa. Morre-se de repente, de bala perdida, ou num acesso de riso incontido, Morre-se até do nada: “Ia o transeunte lépido e concentrado em si mesmo quando caiu duro.” Até hoje procuram a causa. Morre-se da maldade alheia, se nos colhem suas malhas. E se morre por excesso de compaixão: “Então, por gentileza, eu morri sem que meu corpo pudesse vingar-se dos ferimentos recebidos...” Morre-se assim, morre-se assado. Morre-se até envenenado pela própria língua. Manda ver! Exsurge a morte quando se menos espera e a palavra corta. Ou se extingue a vida lentamente quando pré-datada... Pior do que a morte, porém, é o corredor da morte No de Sing Sing, principalmente todos se consideram inocentes e denunciam juízes corruptos e advogados preguiçosos. O que sei eu, pois, da minha própria morte? Mas se tiver que vir por Deus, venha docemente, como os lábios das mulheres que amei, a vida que contemplei. goles de bons vinhos que bebi, folhas dos livros que li, baforadas dos charutos que curti com o meu filho dileto. O tempo não é, dá-se... Assim como em Sing Sing o principal / mente: a clausura para a morte, a própria Língua.

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QUERER-TE Como me custa querer-te! Como me custa! Penso num cento, Penso num cesto, E já nem penso, me dispenso. Como me custa querer-te! Como me custa! Sento para pensar, Sento para passar, E já não posso, me destroço. Como me custa querer-te! Como me custa! Há muito não penso, Há muito não posso, E já nada faço, me desfaço. Como me custa querer-te! Como me custa! Nem sei se te quero Nem sei se te espero O único que sei é que me desespero...

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O TOQUE DO POETA O poeta Não é Nem nunca foi Nem será Senão seus versos. Nele se oculta E eles o consomem Reduzindo-o À mais absoluta nulidade Afim de que Tudo o que é mais desgraçado Ao seu mero toque Ganhe inconsútil graça E tudo o que é finito Se imortalize.

SABORES, SABERES... Todo mundo sabe: Ninguém nasce sabendo, A vida se aprende vivendo. Sabe-se aprendendo a viver. E quem vive sabe também que melhor sabe a vida quando se sabe ler, E muito mais ainda quando se sabe escrever.

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PAULO LIMA

CORAÇÃO MATERNO... Este coração é assim cheio de amor cheio de manha... Ah! Coração eterno... Mereces o céu, mas às vezes nada ganha... Chora, ri... O mal logo esquece, de tanto amar, sofre, e muito padece... Que pode haver maior? Quem pode entender os mistérios que há em você? Ah! Coração... Ser feliz não é ter tudo. É feliz, Quem tem você.

Paulo Lima (Paulo Ivan Silva Lima). Nasceu em Missão Velha/CE/Brasil, em 20/11/1960. Tomou gosto pela escrita ao trabalhar com artes gráficas em São Luís, nos anos setenta. Participou de grupos de literatura e de várias edições do extinto Festival de Poesias Crônicas e Contos de Imperatriz, festival aberto, a nível nacional, tendo recebido várias premiações, com destaque para os gêneros crônicas e contos. Participou da Antologia CONTEMPORÂNEOS 2017, pela editora Taba Cultural-RJ, mantém uma página no site Recanto das Letras

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CRIATURA Quem és? Com tanta luz, que me deixas entorpecido? Teu corpo é puro calor e derreter meu ser, No entanto, és brisa refrescante a deleitar-me a alma... Quem és tu? Já não importa, Sei não mereço sequer o desejo de querer te amar... És a espécime sublime das obras da natureza, és m o n u m e n t o ... expressas rara beleza , exposta em teu corpo nu És escultura inacabada, Quem és? Não sei... Mas quero dizer-te: És minha... por adorar tua imagem Me confesso pecador És a obra mais perfeita das criaturas....

EFÊMERA Que dizer de ti? Poderoso ser geradora, mãe na natureza... Sempre e sempre propensa ao sim... Túnel/luz, portal da vida... Ser, forte/frágil. Contudo, sempre assim: 216


f e m i n i n a! Serás sempre, motivo de prazer... És deusa/inspiração/raça, Eterna fêmea! envolta em plena graça... Trazes no olhar a magia que ensina, a ver-te assim: Pura, alegre e doce minha eterna menina.

ZÁS Minha poesia desfez-se explodindo-se no espaço, em folhas leves, tragadas na atração estonteante no fragmento de tempo em queda letal... é pau, é pedra, é o fim do grafite!

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PAULO MELO (Paulo Melo Sousa)

MARÉ DE LUA caminho todas as tribos mas não sou de nenhuma cada animal é dono de uma astúcia antes de conhecer o miolo das coisas vivente precisa pelejar para ter entendimento das saídas labirinto é bicho esquivado entrar é fácil

TÁRTARO beber do suco das pedras que profetizam tocaiando o lobo que fuleja uivando no endiabrado vórtice do meu delírio um sangue subversivo atiça o olho vertiginoso do Cão Maior caminho despenhadeiros que moram além da captura das palavras até o inferno foge de mim

Paulo Melo (Paulo Melo Sousa). Nasceu em São Luís/Maranhão/Brasil, em 06 de maio de 1960. Poeta, jornalista, escritor, designer, pesquisador de cultura popular, ambientalista, presidente da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, membro fundador da Sociedade de Astronomia do Maranhão e da Academia Ludovicense de Letras. Mestre em Ciências Sociais, detentor da Medalha do Mérito Timbira, grau de Comendador do 4º Centenário de São Luís, pelos relevantes serviços prestados à cultura maranhense. Autor de sete livros, quatro deles de poesia, todos premiados, dentre os quais Vi (s) agem”, “Banzeiro” e “Vespeiro”. Integra a “Antologia da Poesia Maranhense do Século XX”, organizada por Assis Brasil.

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RADIAÇÃO DE HAWKING no ninho de pedra que se labora do próprio sonho de ser o que nunca foi sonhado uma catástrofe se alimenta da procura de si mesma as metáforas retornam ao berço em busca das palavras que ainda serão paridas no relâmpago do pós-princípio da incerteza nesse cosmos o sedento ente fuça labirinto horizonte aprumo e o derradeiro helesponto de transmutação DEBAIXO DO PÉ DE URUCURANA esporão raivoso babando na brecha uma cunhatã esquipa no assombro do primeiro golpe lambe a espuma do suor despudorado debulhando o próprio alarido do instinto o bulício da carne falou mais alto FIAPO DE SOL QUEIMANDO O ICEBERG uma lua se alevanta obscena e azul do brabo útero do mar estrelas são velas alumiando a muda procissão das almas contrárias dos umbigos do nada o epiléptico peixe da angústia mergulha na escuridão incógnito e furtivo e doido começa a crescer 219


PAULO ROBERTO RIBEIRO WALTER DE NEGREIROS O SER HUMANO E A SOCIEDADE ATUAL Deus nos primórdios da civilização criou o mundo. desta criação nasceram os pássaros, os animais, os homens e a cultura. Na evolução dos tempos o homem aprendeu a desenvolver o raciocínio e através do mesmo inventou as maquinas e objetos para desenvolvimento de suas atividades. Criou as ferramentas, tratores, aviões, trens, fabricas, maquinas pesadas etc... Com isso se substituiu pelas maquinas. O poder das máquinas passou a ser maior que o poder dos homens. Apareceu o dinheiro como fonte geradora da subsistência. O dinheiro teve um poder de influência tão grande que levantava ou derrubava o homem. Através da força do dinheiro o homem destruiu matas, florestas, poluiu rios, o ar, o mar, em nome do desenvolvimento social e cultural de uma nação. Povos se destruíam, nações se ergueram a custa do dinheiro. Mas... Pobre do homem que habita nosso planeta. Cresceu tanto e ao mesmo tempo ficou cego. Cego ao ponto de não enxergar que no decorrer do tempo, após a destruição de tudo, o vil metal, o pedaço de papel... Não alimentará o homem.

AMIGO... VOCÊ É CAPAZ Sabe amigo, O que fazes com seu tempo? Você sabia que o seu tempo é precioso, e que você o está deixando passar com as futilidades da vida. Saiba que em apenas um minuto algo importante pode acontecer em sua vida, a partir do momento que tomares a iniciativa. Toda obra útil requer esforço, dedicação, compreensão. Nada de bom é de graça.

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Paulo Roberto Ribeiro Walter de Negreiros. Nasceu em 26 de janeiro de 1952 em Serra/ ES/Brasil. Curso Superior; Membro de diversas Academias, Senador Adjunto de Cultura, Autor de Livros, Peças Teatrais, e artigos dentre outros; Comendador e Mestre de Cerimônias Oficial de várias Academias.


Estude e trabalhe com persistência. Você é capaz. Confie em si, mas principalmente confie sempre em Deus. Abra seus olhos para o futuro, pois o mundo aguarda ansiosamente a sua colaboração. As pessoas têm fome de conhecimento e de compreensão que damos através de nosso exemplo e nossa fé. Aproveite bem seu tempo. Pois poderá breve ficar sem tempo. Saiba que o céu existe dentro de você, e que ele não tem limites. Não julgue a vida pelas aparências. As provas e dificuldades são meios de crescimento espiritual. Deus existe, basta abrir seus olhos, seu coração que você irá encontra-lo.

LUTA INTERIOR Certa feita, em momentos de angustia e depressão, Isolei-me do mundo, perdido em contemplação. Vi a vida perdida, sem rumo, sem direção. E passei-me a maldizer a todos os momentos de minha criação. Senti-me injustiçado, por não ter as coisas que quis, lutei com todas as armas, contra o que me fazia mau, e o tempo foi passando, a idade foi chegando, o mau se acumulando, nesta vida infernal. Um dia em depressão, em estado de meditação, Coloquei de lado minhas angustias, Abri meu coração, E lagrimas rolaram no peito, Postado sobre meu leito, Buscando a redenção. 221


E. Em plena consciência, Ouvi uma voz baixinho me dizer, Meu filho, não se aborreça. Pois amor igual não há Deste que te deu a vida Construindo em seu coração... Seu altar. E Jesus apareceu-me sorrindo em sonhos, Dizendo baixinho em meus ouvidos: Ao iniciares a vida, Escolhestes seu caminho, Deixei-te seguir adiante, mesmo vendo muito espinho. Mas, ao chegares num ponto, resolvi te resgatar, e forjado no sofrimento, nova vida irei lhe dar. E será de gloria e beleza, Que somente os justos irão aceitar, Jesus conduzindo sua nova vida, a um novo reino sem par. Nasça de novo filhinho, para ávida que hoje lhe dou, transmita a minha mensagem, irradie felicidade, e viva a vida em paz.

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VIDA A vida é para nós uma fonte inesgotável de surpresas. Quando achamos que estamos preparados para enfrentar a vida, (muitas vezes negligenciando Deus), é que percebemos o quanto estamos afastados de sua trajetória. Tem momentos na vida que não sabemos o que fazer, e qual o caminho trilhar. Sentimo-nos confusos e sozinhos, perdidos dentro de nós mesmos. Um tremor, um calafrio percorre nossos corpos. Lagrimas rolam pelas faces, descrevê-las...não sei. Só sei que corroí, corrompe, dói, destrói. Sentimo-nos só em busca de algo que não sabemos dizer o que é. É duro nos vermos rodeados de pessoas no dia a dia, que nos dão tapas nas costas, bom dia, boa tarde, boa noite, como vai etc... e mesmo assim nos sentimos sós. É verdadeiramente triste nos sentirmos sós, com tanta gente nos rodeando. É doloroso lutarmos contra os fantasmas que nos atormentam, em saber sequer com que armas lutar. Trava-se uma imensa batalha, eles quase te dominam, chegando ao ponto extremo de querer-se colocar um fim para aplacar as angustias. É tão difícil sobreviver nesses turbilhões de aflições que você mal consegue respirar. Um nó vem a garganta, sentimos uma imensa vontade de chorar. Mas... Passamos uma imagem de frios, fortes que não nos deixa extravasar nossos sentimentos, nos afundando cada vez mais, e consequentemente, não conseguimos identificar o motivo de tanta amargura que nos dilacera. Neste momento, ao nos sentirmos só, abandonado, caído e prestes a sucumbir pelas mãos dilaceradas do maligno, é que um raio apaziguador recai sobre nossas cabeças e nos anestesia de todo o mau que nos avassala. Este raio nos mostra que acima de todas as coisas existe um pai que nunca nos desampara. Este pai nos corrige, castiga, mas nunca nos abandona. E... Como uma brisa leve, ele nos fala baixinho aos nossos ouvidos “Meus filhos, estou aqui, eu vos amo”. Basta ter fé e acreditar em mim. 223


E, aí acontece todo o mistério do poder infinito de Deus. Nossos corações se abrem e nossos olhos se enchem de lagrimas. Estas lágrimas são o balsamo de nossas feridas, que ao escorrer pelas nossas faces, limpam-nos de todas as aflições que nos perturbam. Desta forma passamos a enxergar e viver com novas forças fluidificadoras que nos são dadas por aqueles que nos criou. E, nesse momento de imensa transformação e fé, momento este que através da oração, Deus opera, paramos de chorar para que as nossas lagrimas não nos impeçam de ver as estrelas que são seus olhos a nos iluminar.

MENSAGEM PARA MUITOS... OU NINGUÉM Depois de muito meditar, e hoje tendo uma folga, resolvi escrever uma pequena e humilde mensagem para todos aqueles que vivem sobre a face da terra. Estou no meu escritório, escuto o barulho das máquinas, olho a janela e vejo o belo dia que faz. De repente ouço o barulho de um avião, que vem quebrar o meu encantamento. Preciso escrever uma mensagem para os amigos que adquiri nesta vida passageira, bem como àqueles que virei a adquirir. Quero lembrar que esta mensagem também pertence aos meus inimigos. Como é difícil desejar felicidades, e como geralmente a desejamos de maneira fria, formal e distante. Sinto, neste momento, aquele calor humano de quem deseja a felicidade para todos. A emoção me comove. Domino-a, pois não entenderiam o que se passa. Dou-me conta, então, de que passamos a vida escondendo sentimentos, endurecendo nossas almas, acorrentando a nossa criança, criando uma imagem de fortes, duros, frios e racionais. Mas..., como somos frágeis e sensíveis, como somos pequenos perante este universo tão grande, como somos pequenos perante a grandeza deste mundo que deus criou. Novamente a emoção me comove e me envolve, e, desta vez, não a controlo. Lágrimas rolam pelo meu rosto, lágrimas estas que estavam guardadas já há algum tempo. 224


Sim, eu quero transmitir uma mensagem de felicidade. Muitos esperariam que elas fossem sóbrias, empresariais, bem pensadas, cheias de conteúdos, inteligentes e tradicionais. Não, não será assim. Será tão sutil, frágil e sensível que só aqueles que tirarem suas carapuças protetoras as estarão recebendo. Talvez seja uma mensagem para ninguém. Pode ser, entretanto, que ela represente um momento de emoção e de encantamento na rotina de um dia qualquer. Se ela chegou até você, se lhe proporcionou um momento de paz, de emoção, de sensibilidade, meu voto de felicidade terá sido recíproco, pois felicidade nada mais é do que dar e receber amor, quebrando a rigidez de nossos corações e vivendo o momento sublime de ser gente, e, sendo gente... Podemos ser felizes.

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PAULO RODRIGUES

A TRANSITORIEDADE DA VIDA dança sobre a cidade uma esfinge apagando a procura as cinzas das horas: o caos nas pétalas da minha última tarde.

NOS ESCOMBROS subversivo como os grãos de enganos são os cultos deste segredo: a carne vendida em Hiroshima e um chacal que não conhece a memória.

TUA FOME tua fome é um túnel nos pecados

Paulo Rodrigues. Nasceu em Caxias-Maranhão/Brasil em 16 de fevereiro de 1978. É Professor de Língua Portuguesa e de Latim. Foi Secretário de Educação de Santa Inês. Escritor, poeta, jornalista. Obras: Dissonâncias Poéticas em Poemas Acidentais (Poesia/ Editora 360º), em 2013; Crônicas da Cidade e Outras Narrativas (Crônicas/ Editora 360º), em 2014; Apenas um sujeito lírico (Poesia/ Editora 360º), em 2015; O Abrigo de Orfeu (Poesia/Penalux), em 2017.

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do dólar. não registram nas revistas dos agressores a tua fome. a Coca-Cola nunca ofereceu o açúcar para a tua fome. o mercado não chora os teus irmãos na Savana da tua fome. o neoliberalismo bebe em taças de cristais os medos da tua fome. e para ser honesto eu também não perco o sono com a tua fome. mas, eu não como a serenidade do burguês.

POEMANGÚSTIA Joana chegou cedo de maneira que não causou espantos, nem tormentas no Beco do Caju. pediu um café para a surdez de dona Nega 227


bebeu, chorou e vomitou sinônimos da angústia. disse rápido ao coração relâmpago que não há equilíbrio na emoção rasteira da vida atual. o bom mesmo é que uma palavra bipolar arranca o cotovelo da dor e devolve a graça da melancolia.

SANDÁLIA FRANCISCANA antes de chegar meu fim só tenho um último desejo que é pintar teu nome nas rachaduras dos meus pés ainda descalços.

O SENTIDO a poesia sangra o vácuo rasga o banquete as dúvidas. morre na estupidez das flores. há convulsão de borboletas no descaso de Deus.

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O Uruguai é o menor país da América do Sul, mas admirado pelas suas riquezas naturais e estabilidade econômica e estrutura social. Localizado na Bacia do Prata, divisa com o Brasil e a Argentina. Um dos primeiros navegantes “viajeros” a chegar ao Uruguai foi o navegante português Pero Lopes de Souza, em 1531. No seu diário de viagem registrou: “Es la tierra más hermosa y apacible que yo jamás pensé ver, no habia hombre que no se hartase de mirar los camposy la hermosura dellos,”

(In PRAIA GRANDE - Informativo Cultural da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão. Ano III - Nº 17 - Abril/Maio -2001). 229


RAFAEL DE OLIVEIRA (José Rafael de Oliveira) INFÂNCIA os dedos contavam as horas do dia a vida cabia no mundo do nada o sol fazia curva no azul do céu o vento ensaiava a dança nas árvores a gata enfeitava a foto da janela as nuvens brincavam de dragão na tarde o mar ensinava a lição do por do sol a lua remava o barco da noite

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Rafael de Oliveira (José Rafael de Oliveira). Nasceu em Pirenópolis/GO/Brasil, 1958. Reside em São Luís desde 1980, formado em Medicina e Letras. Especialista em Anestesiologia, Acupuntura e Literatura Brasileira. Membro da SOBRAMES e da SCL. Publicou poemas em várias antologias.


LUA não quero nada entre vírgulas parênteses ou aspas nem riscos definitivos na página do tempo apenas a lua sem pressa remando a noite

POESIA por que não te conheci há uns vinte anos cruzando uma esquina de são luís subindo a escada de uma igreja brincando na fonte das pedras descendo o beco do couto atravessando lembranças nas janelas bebendo nuvens do mercado central andando na praça gonçalves dias esperando a lua no mirante da praia grande subindo no parapeito da ponte bandeira tribuzzi abrindo os trincos das portas dos sobrados escorando os azulejos nas paredes tortas dos casarões correndo os dedos sobre o tempo nos telhados contando os paralelepípedos das ladeiras carregando o por do sol à beira mar por que não te conheci há vinte anos 231


RENATA BARCELLOS (Renata da Silva de Barcellos)

LÍNGUA PORTUGUESA A Língua Portuguesa Possui muita riqueza Do sistema lexical ao gramatical É colossal Dado a questão da pluralidade cultural. A língua dos sonetos de Camões Dos heterônimos de Pessoa Dos períodos extensos de Saramago Do romance mistério do bruxo do Cosme Velho Dos olhos de ressaca de Capitu Dos versos de Cecília Meirelles Das reflexões de Mia Couto A sua morfologia Apresenta minúcias A sua sintaxe Está cheia de especificidades Desde que o português chegou ao Brasil Impôs seu sistema linguístico Ao povo nativo Que mesmo insatisfeito Não conseguiu vencer o poder de tal feito. Hoje, nesta pátria, expressar-se em Português

Renata Barcellos (Renata da Silva de Barcellos). Nasceu no Rio de Janeiro/Brasil em 21/ 11/ 1974. É Pós-doutora em Língua Portuguesa pela UFRJ. É membro do CIFEFIL, da UBE, da AJEB, da APALA... É coautora da Gramática contextualizada (2016) e de antologias e autora do Itens de análise linguística no novo ENEM e no Saerjinho, de Alma Dilacerada e de Barcellos: prosa e verso com participação de Lucien Gilbert. É colunista do Jornal Sem Fronteiras: Literando no teatro e do Encontro marcado com a cultura BAND AM 1360.

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Não o de Portugal Mas o do Brasil O do jeito doce do brasileiro Com desvios de algumas orientações pronominais: “Declamá-lo-ei um poema” Não é marca nossa O bom brasileiro diz “Declamarei um poema” Ou mais recorrente forma de expressão: “Lerei um poema pra você” O que fazer? O que esta multiplicidade de expressão significa? Urgem mudanças Que sejam adequadas E representem a língua da gente Dos trovadores a Ariano Suassuna Descobre-se muitas variantes Não se oprima! Elabore uma gramática genuinamente Do povo brasileiro Aquela contida nos textos do João do Rio E de conhecimento do mundo inteiro.

AUGUSTO DOS ANJOS Seu nome é Augusto dos Anjos Filho de pais proletários Viveu em um engenho Chamado de Pau d’ Arco Foi criado na biblioteca do pai Enquanto isso o mundo seguia Com a chegada do fim da Monarquia E da Abolição e a chegada da República, 233


Seus pais perderam toda a fortuna. Que infortúnio! Mergulhou no universo das palavras cedo Seus poemas foram publicados no jornal O Comércio Era conhecido como o Doutor tristeza Pela profundeza da temática Da época de transição Do Parnasianismo ao Simbolismo Seus poemas foram classificados Como Pré-modernista Por causa de características marcantes Desânimo e pessimismo Angústia e incerteza Negação da vida material Decomposição do corpo E o papel do verme Levando-o a ser conhecido Como o “poeta da morte”. RIO, JET’AIME!!! Oh, Rio, como jê t’aime!!! De Janeiro a Dezembro Do verão ao inverno Da Zona Sul a Oeste O Rio 40 graus de Fernanda Abreu A garota de Ipanema de Vinicius de Moraes Ela é carioca de Tom Jobim e Vinicius de Moraes Samba do avião de Tom Jobim Aquele abraço de Gilberto Gil Do Leme ao Pontal de Tim Maia Solteiro no Rio de Janeiro de Toni Garrido Carioca de Adriana Calcanhoto 234


Oh, Rio, como eu rio Ao contemplar tua beleza Do Aterro do Flamengo Das praias: Copa, Barra, Grumari Das montanhas: Petrópolis e Teresópolis Da região dos lagos: Búzios e Cabo Frio Do Centro da cidade: da rua da Alfândega e da Uruguai O Rio do samba da Apoteose O Rio da praia da Urca O Rio da corrida de Fórmula I do Autódromo de Jacarepaguá O Rio do futebol do Maracanã O Rio da nigth da Lapa O Rio do pagode de Diogo Nogueira e Zeca Pagodinho O Rio cultural do Centro cultural Banco do Brasil e do Museu do Amanhã O Rio da linda vista do Pão de açúcar, do Cristo Redentor e da Avenida Niemeyer. Ah, Rio como jê t’aime!!!!

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RICARDO CARNEIRO AGUIAR DIANTE DO ESPELHO Olá, amigo espelho Sei que julgas A tirar pelas minhas rugas Que estou velho e em desespero. Eis que tu não me vês criança E achas até que viver me cansa Mas nem imaginas tu Que detrás desta pança Exibida pelo meu corpo nu Respira um sujeito com vigor Malino, esperto e buliçoso Que corre, brinca e faz buchicho E que pela vida só tem amor A enfeitar meu rosto com sorriso. Amigo espelho, confesso Mesmo semimorto, moribundo Com o meu olhar bem fundo Que meterei neste céu profundo A cor azul mais anil E deixarei meu riso impresso Como nunca antes se viu. Carrego dentro de mim Minha melhor criança Não sei quando terei meu fim Será ela minha maior herança.

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Ricardo Carneiro Aguiar. Nasceu em 17 de julho de 1987 na cidade de Juazeiro/BA/ Brasil, reside em São Luís/MA desde os dois anos de idade, tendo raízes em Primeira Cruz/MA. Formado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão, é analista judiciário do Tribunal de Justiça deste Estado. Expôs os poemas “Último ato” e “Vadio” na 9ª Edição do Projeto Esmam Cultural, organizada pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, no dia 18/11/2016


INSÔNIA É quando chega a madrugada Que a mente se abre ao pensamento Como criança amamentada Se farta do grande alimento. É na calada da rua fria Sorvido pela ocasião Que o gatuno age com maestria E a dama vende uma ilusão. É no pesar da noite rainha Que revoam os piores lamentos A penitência ri sozinha E açoita os arrependimentos. É no ar do céu escurecido Que acontece dura a perfídia Pela sombra corre fugido Quem agiu com tamanha insídia. É no ventilar de uma brisa Retinta, a encobrir malfazejos Que se homizia quem mais precisa Esquivar-se de maus desejos. E é quando não há mais ninguém Que se revela insano o ser Cuja alma vende a um vintém E o corpo entrega a se perder.

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INSÔNIA 2 Vem a noite, essa prostituta Com sua insônia seduzente Derriba-me por sobre a cama E a ela me rendo impotente. Mas me acomete uma tontura E o teto começa a girar Ou eu que giro de gastura? E estou mesmo neste lugar? Agora estou num redemoinho Que me arremessa contra o centro Subo, desço, sou folha caindo Despejado num vazio cesto. Onde pousei não sou sozinho Há folhas verdes, como eu Sim, e tão fracas quanto eu Mas tão ingênuas como eu Que o tempo foi e nos esqueceu E ficamos pelo caminho Esmolando cada minuto Para viver o que é futuro. Sim, folhas à beira da estrada A implorar por uma carona A agir como criança chorona A fazer proposta cafona Tudo por mais tempo nessa onda Que vai rebentar alguma hora E varrer tudo que existiu Até mesmo a folha que caiu. Ejetado do redemoinho Agora o teto se aquietou 238


Não há ninguém, estou sozinho A insônia quase me arruinou Não sendo ela, o tempo o fará Pois não sou eu quem o domina Tempo! Tempo! Bicho vulgar! Me escorando por cada esquina. Doido para me arrebatar.

URBANO Enquanto aguardo a fila caminhar Passam carros, motos e construções Obreiros ruminam sob plúmbeo ar Tomo tento e vejo o céu de aviões. No amargo da rua escura e cinzenta Respira um asfalto que é muito só Em meio ao urbano que o homem inventa Não tem espaço o amor, curtido a pó. Que essa atmosfera fria e tão pesada Não faça um pintor chamá-la de amada Para ousar deitar na tela um pincel. Que esse concreto tão vil e ingrato Não seduza nenhum poeta ao distrato De rimá-lo em pedaço de papel.

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ROBERTO BIANCHI

LÍNEA FRONTERIZA uno que no quiere morir lo sabe inevitable incendia una pradera de relojes invade cautivo los espejos da una ridícula batalla contra las arrugas uno se despide diariamente se renueva en melancólicos saludos duerme con temor al no retorno sobrevive a sus adversidades y respira desmayos en la incierta línea fronteriza

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Roberto Bianchi, poeta e narrador, Director do Movimento Cultural aBrace, Montevideu, Uruguai. Premio Conto “20 aniv. AUDA”, 2004, / Casa Escritores Uruguay. Novela Vaivén, 2009, (aBrace-El Monje Editor, Arg.) Publicações: Los amores son arcos formidables (1998), ...y sin embargo abren los jazmines, (2003), En las líneas de la mano, (2004), Quito, Ecuador. Trilogía Poética, Ediciones Atenas, Barcelona,(2005). HUELLAS/ MARCAS, poesía esp=port., Ecuador; Gestual de Dominio, (ilustrado Fernando Barreto, aBrace, 2009). FRONTERAS, (poemario ilustrado por Fernando Barreto, Brasil, 2011), ríos de cabezas, Antologia de poesia selecionada por Miladis Hernández Acosta, Guantánamo, e ilustrada por Ileana Mulet, La Habana, (SUReditores, UNEAC, Cuba, 2013). extravagancias(2017).


EN ESTE PLANO en planos de libertad apuesto a la liberación de las olas al aire en las ventanas a la estremecida nota que suena galopante entre los silbos de una nueva canción en plano de libertad tus ágiles caderas el vientre que se acerca y se distancia como una lluvia que levita en lugar de caer en ese plano de libertad que necesito voy por la piedra que se siente aislada voy por la nube que se exprime y llora me siento en la llanura de tus ojos

LLAMARSE COMO SIEMPRE Y me han dolido los cuchillos de esta mesa en todo el paladar César Vallejo convivo con patines mágicos dedos fugaces forcejeo con mi planta de pie mi enredadera las columnas amorfas del silencio salario de granizo en las espaldas en la nube vertical de asombros deseo despertarme siempre entre tus piernas si me descarta la piedad en el final del juego apostaré a las cartas de viento de las constelaciones 241


y cuando acabe la salud abiertos medallones de ternura como un único universo en que se esconde el amor en una cápsula

...Y SIN EMBARGO ABREN LOS JAZMINES con sus ojos blancos sus lágrimas rojas sus brazos sin dormir apoderados de la pared que nos encierra muros absurdos rígidos bajo la piel crecen las máscaras del miedo tienen la cabeza turbia acobardada de aconteceres escalofríos marginales todo ocurre bajo la piel en un rincón aislado gatos de ira arañan las paredes abruman brusquedades crecimientos de hielo y sin embargo abren los jazmines con sus ojos blancos sus lágrimas rojas porque vamos a seguir tan abrazados intercambiándonos terrores y la luz todavía nos pronuncia

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ROBERTO FRANKLIN

DESPREZO Se for entrar, que entre sorrindo, Entrelace teus braços nos meus, Tuas pernas, nas minhas. Sinta o calor de meus carinhos, Alimente-se dos meus beijos, Grite, enlouqueça, mate teus desejos. Se for sair, saía, esqueça o dia, Não olhe para trás, Aqui não chegaste, Não deixaste nada, Não recebeste nada Não és nada.

Roberto Franklin Falcão da Costa, ou RobertoFranklin, como gosta de ser chamado, nasceu em 16 de Janeiro de 1955, em São Luís do Maranhão. É odontólogo de profissão, formado pela Universidade Federal do Maranhão. Além de “Todos os Sonhos”, de sua paixão pela poesia surgiram as seguintes publicações: Além da Esperança – poesias, 2016; Tuas Mãos – poesias, 2016; Tempo de Amar – poesias, 2016; Amor Sempre poesias e textos, 2016 da Editora Bookess. Como experiência internacional, participa também do Grupo Souespoeta em Portugal. Atualmente é membro da Academia Mundial de Literatura e Cultura ocupando a cadeira de número 91, tendo como patrono o conterrâneo Odylo Costa Filho e membro correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni.

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O SOBRADO Portas entreabertas, Ainda encontro a atmosfera De quem um dia frequentou. Decadência a olhos vistos. Minhas lembranças fazem Sentir ainda o perfume no ar, Ouço muitas vozes, Ao fundo Waldick Soriano! O meu encontro com as damas da noite. Quantas lembranças de um adolescente, Quantos carinhos trocados, amor sem medo, Sem proteção, amor sem promessas, O tenho passa e hoje naquela rua, Impera o silêncio, o caos, decadência. Não ouço mais nada, Me calo ao silêncio De um sobrado decadente!

UM CORPO Um corpo desejoso Repousa sobre a cama A espera do seu verdadeiro amor. Um corpo de mulher escultural, Com suas curvas bem definidas Com contornos belos e delicados, A espera de quem a merecesse, E assim pudesse supri Suas necessidades de mulher. Um corpo sobre a cama, Um desejo, uma carência A espera de alguém que pudesse Ama-la e tê-la para sempre.

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MEU CAMINHO Pelo caminho notei, Que por onde pisava As pedras estavam umedecidas, Não pelo orvalho da madrugada Mas sim pelas tuas lágrimas derramadas. Pelo caminho notei, Que o ar da manhã, Que exalava sempre o perfume das rosas, Não mais existia, Sentia-se apenas a brisa. Sigo minha caminhada a procura De quem um dia desprezei Quero enxugar esse pranto Quero transformar esse tédio em alegria. Quero pedir perdão Pelo desprezo que te fiz passar. Quero devolver este amor Compartilhar contigo Para que, juntos, possamos novamente Voltar a ser uma só carne, Como sempre fomos.

SOLIDÃO Vivo na solidão da sua companhia, Amenizo esse vazio, em pensamentos, Que somente poderia ter. Vivo na solidão de sua companhia, Num mundo imaginário que criei, Para supri essa solidão.

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SAULO BARRETO LIMA FERNANDES

MURMURAÇÃO Vivo sozinho, com nada e com ninguém, pois se não tendo nada, não tenho alguém... Eis - me aqui na mais perfeita e plena solidão, sem ninguém para me oprimir sem alguém para me dizer NÃO!... Mas porque diabos eu ainda reclamo? Ora, isso é natural do ser humano!

Saulo Barreto Lima Fernandes (n. 17/05/1983, São Luís/Maranhão/Brasil. Bacharel em Direito, tendo sido aprovado no XXI Exame da Ordem dos Advogados. É 2º Secretário da Sociedade de Cultura Latina do Maranhão. É autor, dentre outras, das seguintes obras: Artigo XVII: Um livro de quase crônicas (2014); Artiguelhos (2014), O Poeta do Becco: Uma Viagem no Tempo (2014), Pecados consolados (2015), O Circo (2016) e Padre Palhano de Sabóia: Santo, Semideus ou Cavaleiro do Apocalipse (2017).

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SILVIO DANIEL GÓMEZ SANCHIS EL DÍA DESPUÉS La humanidad se expande, busca nuevos horizontes, mejores mañanas... Es hora de la calma. Ya pasó cruenta la tormenta y las armas callan, los hombres razonan, las mujeres oran, los niños juegan a que terminó la guerra... Las nubes de humo se disipan y los mares, solos, se depuran, ya el aire puro se respira sin necesidad de las mascarás de locura... Ya saldrá el sol en la mañana y otra vez se amarán el mar y la luna... Es otro tiempo, una nueva era un mundo idílico de amor y confianza, de promesas mutuas con palabras sinceras... No es un sueño que solo se sueña, es un sueño que cristaliza en realidad y esperanza. .

............................................................................................... Silvio Daniel Gómez Sanchis. Nac. 15 de Enero de 1956. Vive en Montevideo-Uruguay. Es Presidente de la Institución Cultural Erato que centra su actividad en el Ateneo de Montevideo. Delegado Cultural del Liceo Poético de Benidorm, España. Embajador del Idioma Español por el Museo de la Palabra de Madrid, España. Recibió premiaciones de los “Premios Destaque Victopria” en los años 2015 y 2016. Publicó poesías en varias Antologías en distintos países del mundo. Editó sus libros de poesías “Destellos” (2013) y “Desde el alma” (2015) y su libro de narrativas, (cuentos cortos) “Despertar” (2016).

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“No existe otra realidad que la gran fuerza que deambula y vaga por la espiral del tiempo” (Julio Pavanetti, de su libro: “La última curva del dragón)

EL TIEMPO Esa gran fuerza, como viento, como esencia misma del cosmos, como realidad única del universo es como una mano que nos trae primero para llevarnos después, y así, entre manotazos invisibles, implacables, inexorables, vamos invadiendo los espacios, los cielos y casi sin darnos cuenta, EL TIEMPO, impertérrito y eterno, solitario amo de lo que se mueve y de lo que parece quieto muestra con su poder omnipresente quien es nuestro verdadero dueño... Sí, esa gran fuerza es EL TIEMPO que nos lleva al centro de si mismo aunque jamás lo alcancemos porque solo es idea, fantasía, cruel abismo...

LA HOJA EN BLANCO La hoja en blanco se ríe de mis intentos, me apabulla con su sarcástico silencio, me encandila, vacía de letras, desde su seno de nieve... Pero yo me vengo, la arrugo, la estrujo y la arrojo con furia al atestado cesto... Ella me mira, la veo sufrir sobre sus dobleces, parece sangrar gotas blancas desde cada pliegue... 248


La tomo, la aliso y miro los mil dibujos que como cicatrices marcaron su blancura... Empiezo a escribir en la hoja llorosa y veo que ahora las letras cobran vida, nacen solas, algunas mayúsculas, otras minúsculas, piezas desordenadas de un puzle de genial locura... La hoja ya no es blanca, balan en ella signos azules como notas, suben, bajan, se mecen cual furibundas olas que estallan en metáforas sobre su superficie herida, y otra vez, como antes, nacen mis poesías como rosas que se tatúan en los renglones invisibles de mi hoja amiga...

LA MUERTE DARÁ VIDA ETERNA AL ALMA Ya comienza la desigual batalla torpe de cada día, la voz triste que habla del cansancio en la mañana. Hasta los pasos se persiguen por la vereda de la nada... (y se ausenta temerosa la poesía). Una nueva guerra comienza esta madrugada, el ayer queda lejano y la oscuridad avanza. Ya no piso tierra pero tampoco agua, (siento vacío de océano en la vereda misma de la nada). Si, mi apocalipsis personal nace en mi, se agiganta y destruye hasta diluirlas a mis esperanzas... Que lástima que estoy sin armas, sin coraza y sin tiempo. Lastima el tedio y la ignorancia pero mas lastima el misterio. ¿Existe otra vereda para transitarla, o solo mueren los pasos perdidos en el triste y finito laberinto del ansia? Miro hacia atrás y no veo nada, solo sabe mi boca a sal, a un recuerdo parido en la primer ola de ese mar sin delfines, sin leyendas y sin agua, vanos jardines sin rosas y sin jazmines que regalen fragancias... Empieza mi última guerra esta mañana donde la muerte vencerá a la vida...pero dará vida eterna al alma... 249


MI CÁRCEL; EL UNIVERSO El dintel de la puerta me aprisiona. El marco de la ventana me encarcela. Los muros de mi casa me cercan. Los límites del barrio me ahogan. Los océanos, rodeándome, me amenazan. El mismo suelo me retiene sobre sí. El cielo, encima, me limita el vuelo. El mundo, cual celda, me contiene a pesar de mi. Solo la imaginación se eleva y desaparece en el infinito hasta perderse en el misterio mismo. Solo el pensamiento horada las tinieblas y de lo desconocido se hace amigo... y así, en fantásticos viajes me pierdo para reencontrarme en mi asumida esclavitud luego...

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SIMÃO PEDRO AMARAL BARCO PRÓDIGO O barco se foi Singrando as ondas do mar, O barco se foi Deixando saudades no ar. O barco se foi E eu fiquei no cais da esperança, O barco se foi Com liberdade desvairante. Eu o olhava, O vento soprava, As ondas cresciam E ele sumia. O horizonte era seu limite A meus olhos, O horizonte era seu fim À MINHA distância. O barco se foi Sem leme, Sem vela, Sem direção. Foi-se para o porto do talvez E voltou pródigo à praia da razão.

Simão Pedro Amaral. Natural de Matinha-Maranhão/Brasil. Nasceu em 11 de maio de 1954. É escritor, poeta, artista plástica, arte educador e professor de canto. Formado em canto pela EMEM e licenciado em Educação artística pela UFMA. Participou de “Cidades Brasileiras” no Rio de Janeiro. Ganhou Menção Honrosa de poesia pelo Centro cultural “Bandeira Tribuzzi” e 1º lugar no concurso de Folclore da Fundação Cultural do Maranhão.

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DESEJEI VER TUDO Senti vontade de fugir de mim Senti vontade de fugir do eco Senti vontade de não dizer sim A este mundo caótico. Senti vontade de pisar o tato Das coisas vãs que faço; Senti minha presença longe do meu eu. Senti vontade de ver meu corpo Despido de olhares Despido de mentiras Despido de maldades E sarado das feridas Deste mundo conturbado. Desejei ver tudo do meu quase nada Andei, Corri, Tropecei Caí... Vi no chão, meu direito áspero Vi no chão, meu avesso espinhoso Vi no chão a estrada virgem Crispar, verter calos dolorosos Nos primeiros passos da dura aprendizagem Que marca os passos-compassados da viagem Vi no chão, minha origem, Mas não foi em vão Que Deus deu-me vida.

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EU QUERO VIVER Apanhei um ônibus, Corri. Sufoquei meus passos, Aliviei meu cansaço, Vivi, Momentos apressados... Olhei para o lado, Vi: Criança suja, Coberta de trapos, Suja dos pecados rebocos, Coberta de consequências. Observei coisas mais: Olhos inocentes, Pés descalços, Mártir dos revezes Preso no cárcere da carência, Lapso de vida. Talvez traumas... Dentro de si, talvez um grito, Um grito emudecido, Eu li nos seus olhos. - Eu quero viver!

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ORFÃ De onde venho, Não sei. Do meu começo, Sou o resto. Do que tanto desejei, Sou a promessa. Onde estou, não sei. O meu limite está na vontade dos outros, Sou refém da pobreza, Meu corpo vestido de compaixão, Meu interior pleno de tristeza, Minha vida à espera da razão. Para onde vou, não sei. Meus digitais se perdem No hetero-mundo transitivo. Piso espinhos, um misto de sangue e dor; Piso pedras, um pouco de solidez, Um pouco de solidão. Piso a superfície líquida, Sinto-me como as tamareiras A esmolar águas do deserto. E me encontro singular, minúscula Diante de tantas dunas, Submersa pela carência...

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SÃO LUÍS, 389 ANOS Dilercy Adler São Luís em total esplendor dos seus trezentos e oitenta anos... não precisam palavras para dizê-la apenas olhos embevecidos e possuídos de amor de paixão capazes de usufruí-la... usufruí-la inteira... em sua total possibilidade oh! minha cidade! (In PRAIA GRANDE - Informativo Cultural da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão. Ano IV - Nº 19 - Agosto/Setembro -2001). 255


SÔNIA PORTUGAL - (Sônia Aparecida Feiteiro Portugal)

PASSADIO POÉTICO Todo poeta carece Da lua Da rua Do bar Da alma nua Da vida que flua De sonhos para se embriagar

RENOVOS POÉTICOS Se um poeta te olhar vadio Talvez não esteja lhe enxergando Ás vezes, o poeta não vê ninguém Diante de uma multidão passando Mas, o poeta também vê um mar Numa fonte ainda brotando Porque os olhos de poeta São bolas de cristais evidenciando O que deve ficar escrito Da vivência humana calhando

Sônia Aparecida Feiteiro Portugal nasceu em 23 de outubro de 1967, em Barrinha/São Paulo/Brasil. Membro fundador, perpétuo e imortal da Academia Altamirense de Letras. Principais obras: “Anamã - fogo nas águas do Amazonas” e “Enquanto houver fatos haverá poesia” Reside atualmente em Altamira – Pará.

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MIRA POÉTICA Guarnecer a manhã Enredar a vida Enternecer o mundo Ser palavra servida Minutar os fatos Abduzir a morte Gritar a iniquidade Assoalhar a sorte Serenar a rudeza Abrolhar a emoção Biografar os homens Florejar a imaginação Assim é a poesia Dia e noite Noite e dia Incansável maestria

O AMOR AH! O AMOR Eu já vi o amor descer a ladeira, virar cachoeira, escorrer nos dedos da mão. Eu já vi o amor amando o inimigo até que ele o matasse, trucidasse. Já vi o amor soluçar de saudades, rondar a cidade, dormir na sarjeta passando frio, sem brio. Já vi o amor cortar a noite sem dormir, esperando o sol chegar para amar. Vi o amor galgar o céu, abraçar o sol e cair no mar. Sem amar. Eu já vi o amor morrer e ser velado por ele mesmo. Ser enterrado, esquecido, apodrecido e nunca lembrado. 257


Eu já vi o amor brigando, se engalfinhando, guerreando de foice e espada, desfalecendo o coração do outro. Vi o amor cruzando mares, em navios soberbos descer para o porão e amar em vão, outro ser, de pouco poder, que nada tem. Vi o amor nas cinzas da guerra, sem bússola, nulo, deixado para trás sem história, só na memória de um jovem rapaz. Vi o amor sorrindo na rua de casa, voltando da escola, brincando de bola virar paixão, virar loucura, ódio, virar caixão. Vi o amor indo para o funeral, derramando lágrimas execráveis de solidão. Vi o amor encontrando sua alma gêmea, subindo ao altar, vivendo só para amar, casando com a sorte, do início à morte querendo amar, desabar... O amor... Ah! O amor...

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TERESINKA PEREIRA COM AMOR Basta ter um coração que pense melhor que a mente, basta ter uns olhos que nos vejam como espelho, para condensar o orgulho da recordação, as mãos buscando com amor uma face para acariciar: aí está o momento que nos entrega o céu. VALENTINE - WITH LOVE It is enough to have a heart that can think better than the mind; to have eyes Teresinka Pereira nasceu em Belo Horizonte/Brasil e reside nos Estados Unidos. Presidente da Associacao Internacional de Escritores e Artistas- IWA; Embaixadora at Large do Parlamento Mundial dos Estados para a Seguranca e Paz. Título Hereditário de “Dama de Graça”, da Ordem Soberana da Cavalaria de Malta São João de Jerusalém, Ministro dos Direitos Humanos na Comissão dos Povos Indígenas do Parlamento Internacional. Prêmio Nacional de Teatro do Brasil (1993), e obteve o título de Poet of the Year (Poeta do Ano) pela Canadian Society of Poets. Eleita. membro da Academia Norte-Americana da Língua Espanhola, correspondente da Real Academia Espanhola (1989). Prêmio Nacional. “Valores Universais da Humanidade” na Itália (2002), Nomeada Delegada daUniversidade de Cambridge Internacional nos Estados Unidos (2003). Indicada candidata ao Prêmio Nobel (2005), pelo International Poetry Translation and Research Center. Medalha de Mérito da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (2005); Medalha Parlamentar “Sérgio Vieira de Melo” (2005) Prêmio Mundial de Poesia na China (2006,). Título de Condessa da parte do Principe Benevenutto Radin 2010. Presidente Honorio da Associacao Hispanica de Escritores Embaixadora Honoraria da International Forum for Literature, Arts and Culture (IFLAC) nos Estados Unidos 2011.

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that can see as a mirror, in order to condense the pride of memory, hands to search for a face to caress with love: there is the time which give us heaven!

TRISTEZA Sem lágrimas soluço a vida perdida em ilusões. Visto a insônia presa no verso, alimento florido sem ter semeado o amor.

SADNESS Without tears I cry for my life lost in illusions. I cover my insomnia with a verse, flowery grain not seeded by love. 260


TONY ALVES (Antonio Luis Alves) AO ASSOMBRO DE INDESEJADAS SOMBRAS Tornando realidade o sonho, de barco foi para paragens distantes, conhecidas só pelo que a leitura lhe trazia. Chegou. Acordou do sonho para uma realidade diferente. Outras terras outras gentes, outro sentir, outro pensar. Cada dia uma realidade nova. Foram passando os dias, os anos. Trabalhou, sofreu. De dia trabalhava, de noite, enquanto o sono não chegava, pensava, lia, sonhava. Foram se passando os anos. Um dia perdeu aquela a quem mais amava, e jamais tornaria a ver desde o dia triste da despedida. Nas noites de tristeza e desânimo, sentia-a junto de si, como anjo que guarda seu filho. Quantas vezes, quantas, as lágrimas correram livremente por sua face; o homem continuava a ser menino nesses momentos íntimos. Dona Aventura o chamava, e partiu para terras ainda mais distantes. Dentro daquela imensidão conheceu outras gentes. Fez amigos. Viveu no interior profundo, de dia o sol por companhia, à noite o céu estrelado consolava-lhe a alma. Fez amigos, homens com quem trabalhou. Por vezes acompanhado, porém muito só. A pouco e pouco, os sonhos de menino, aqueles com que se deparava nos livros do tempo passado se tornavam realidade. Por graça de Deus, favores do destino, aquilo que em criança lhe parecia sonho e fantasia, anteviu que era realidade possível. Passou em TONY ALVES (António Luís Alves) nasceu em Carrazedo de Montenegro, Vila Real, Portugal, em17 de maio de 1935, e lá vive até hoje. Dedica-se à atividade rural, e, assessorado por seu filho, administra algumas glebas onde são produzidos vinhos muito apreciados na região. Filho de família humilde, cursou somente até a 4ª classe. No entanto, é apaixonado por leitura e dedica grande parte de seu tempo a escrever memórias, minicontos e crônicas. É membro honorário diplomado pela Associação de Veteranos Savanah, por sua contribuição no front sul-africano, durante os anos de 1975/76. Desde jovem adquiriu a alcunha de Tony Banana, apelido afetivo que se solidificou nos anos de África, por afetividade de seus colegas. Atua no site para escritores Recanto das Letras desde 15/11/09, sob o pseudônimo de Quo Vadis. Devido à sua dedicação ao ativismo cultural e literário, acaba de ser nomeado Cônsul da Sociedade de Cultura Latina do Brasil na Região Norte de Portugal. O ato de posse ocorrerá durante o IV Encontro, de 19 a 21 de julho de 2018, em São Luís do Maranhão, onde está sediada a presidência nacional da SCLB. Mantém e administra, no Facebook, a página “Carrazedo de Montenegro – Terra de Encanto e Beleza”, através da qual divulga a sua cidade e região.

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lugares que apenas conhecia de ouvir falar. Pisou o mesmo chão onde, cem anos antes, lutas ferozes se tinham travado. Conhecia os fatos. Agora via a realidade. Conheceu seres que nunca pensou ter conhecido. Acocado sobe os calcanhares, nessa interminável floresta, noite em escura, ouviu histórias contadas pelo próprio sujeito que as tinha vivido. Guardara como sagrada relíquia um livro já bem usado, cheinho de orelhas e páginas amarelecidas, oferecido por uma santa senhora, já velhinha. E esta contou-lhe histórias verdadeiras, o mundo real atrelado. Mistérios do viver, segredos do destino. Esta senhora, de nome Laura, dizia: anda cá meu rico filho. E o menino já contava por volta dos 28 anos. Quem poderá esquecer momentos desses? Ficam eternizados para todo o sempre, gravados a ferro e fogo dentro da alma. Foram passando os anos. Durante muito tempo foi o ferro que o martelo batia em cima da bigorna. Vencendo pouco a pouco, criando amizades, umas sinceras e verdadeiras, outras nem tanto. Fortaleceu aquelas, as outras foi deixando os dias passarem. O tempo esvaiu-se, mas não esqueceu. Sofreu a inveja, a maledicência. Sempre e sempre, como alguém que se guarda das armadilhas do destino, sentiu força para ir mais além. E deu graças à mãe por ter protegido o filho. As lágrimas no momento da despedida, por todo momento tinham sido luz a iluminar o caminho. Conversavam ao assombro de indesejadas sombras. E segredava aos seus botões, entredentes: ó mãe, ó minha fonte de inspiração, dia menos, dia mais, quando sequer esperares, voltarás a receber o teu menino. Deixa o dorso curvado, os seios docemente arqueados e o peito como sempre o fizeste, pronto para a amamentação, livre à boca faminta, os bracinhos em torno do pescoço. E ela sempre de braços abertos, convidativos: a doce jovem deusa que abraçava terna e pacientemente o mundo que se abrira ao nascedouro. Ele, ávido do que pouco conhecia, se aconchegava ao peito e torso nu para fruir o calor e calar a fome. Inesperadamente, dormiu, mordendo o seio túmido, como fora um terneiro desmamado. E nunca mais acordou... 262


TRISTEZA: A PALAVRA CONSENTE? O menino triste: a melancolia que perpassava artérias e veias de todo o corpo. Passaram muitos anos tantos que já nem lembra. Contavam os mais velhos que nasceu pobre. Fruto do amor de dois adolescentes, quando nasceu, o pai tinha dezoito anos feitos um mês antes; a mãe iria fazê-los um mês depois. Contavam os mais velhos que, no dia do casamento, foram buscar dois molhos de lenha para acender o fogo. E assim começou. Lembranças muito vagas, tempos difíceis, o interior profundo sem nada, apenas amor e carinho, sendo que o pão que nunca faltou. Da pequena infância apenas vaguíssimas recordações. Lembra-se da sacola ao ombro, a caminho da escola. Da ardósia, do bloco de anotações, caderno de páginas cheias de orelhas, do professor. Recorda-se do frio: o do corpo e o da alma. Dizem que tinha um jeito particular de aprender. Aos seis anos conseguia ler notícias nos jornais, lia tudo o que pegava, em voz alta para os mais velhos e que não sabiam ler. Lia, mas não sabia precisamente o que aquelas palavras queriam dizer. Assim foram se passando os anos. Duros anos. Quatro na escola e por aí ficou. Devorava a história que os livros contavam, ficava fascinado com os feitos dos portugueses pelo mundo. Cedo, muito cedinho, sentiu os rigores da luta pela vida. Nunca desistiu de ler e de tentar entender. Lia e relia tudo que lhe caía na mão. Jornais, livros velhos, panfletos. No entanto apenas ria, ou antes, sorria; porque a tristeza sempre o acompanhava bem escondida na alma torturada. Nunca foi feliz. Existia apenas. Passavam-se os anos, o menino foi crescendo, trabalhou, sofreu. Ao frio, ao vento, calcorreou caminhos vezes sem conta, e quantas exposto à chuva, ao vento, pela noite escura. Continuava a ler, devorava livros à luz das velas, mais tarde à luz do petróleo. A luz elétrica só a viu muitos, muitos anos mais tarde. Sonhou com as aventuras da história, na instrução primária. Nunca desistiu. Passavam os anos muito lentamente. Com um letárgico vagar, bem devagarinho, começou a germinar dentro de sua alma sombria a aventura de outros mundos, outras terras, outras gentes. Como que por um destino há muito traçado, foi fortalecendo 263


a vontade de sair às ruas e de se expor aos tropeços nas ruas, urzes e sarjetas, de sol a sol. Miúdo, jogou-se ao mundo, com alguma lucidez quase juvenil, mas inexperiente para as aventuras da vida. Predestinado, muitas das aventuras lidas e relidas se iriam tornar incríveis, inesperadas realidades cotidianas. De seus pais se despediu esse menino, que foi crescendo, mas continuando sempre triste. A mãe ele nunca mais a viu. Mais se acentuava sua tristeza. A razão da sua profunda melancolia, soube-a no momento em que viu no registro de seu nascimento: por ser pobre, ficara isento de emolumentos. Este menino pobre trabalhou, sofreu esforços e cansaços, não somente passou pela vida; viveu o que o momento lhe oferecia. E tudo graças à sua condição de haver nascido pobre, um excluído social, sem eira nem beira. E eu diria: é crime ser pobre? Por não haver nascido em berço de ouro teve o que mais necessitava: o amor da família em rarefeitas situações, todavia o sentia fundo nas lágrimas da mãe, no devotado carinho do pai. Deve ao bom Deus o destino que este concedeu sem hesitação e com fortaleza. O Pastor de Tudo deu-Lhe a felicidade de ser pobre, a par de ser rico de quinhões de amorosas bênçãos. Aquelas mesmas de todos os dias, desde que aprendera a falar... Afinal, o que é a riqueza, tal como a palavra assim a consente?

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VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES VIDA No broto ensejo desejo esta secreta utopia.

DERRISÃO Sem liberdade, a travessia enlouquece a via, e as pernas não aguentam a monotonia das correntes A paz nem sempre é silêncio!

IMAGINAÇÃO Memórias desterritorializadas inundam-na o dia, cria (Liberdade dê o tom), ser capaz buscar nos fragmentos de Hypatia, no dourado mágico de Rapte Etenel, de Julieta de França- as querelas silenciadas, enquanto alimentava a cria... Vanda Lúcia da Costa Salles.Nasceu em Italva/RJ/Brasil, em 25/04/1956. Poeta, ensaísta, conferencista, artista plástica e ativista cultural. Filha de Josias de Salles Ferreira e Maria Amaral Ferreira. Graduada em Letras/Literaturas Língua Portuguesa (UERJ-FFP-SG, 1991), Pós-Graduada em Literatura Infantojuvenil (UFF-Niterói,1992) e em Arteterapia na Saúde e na Educação (UCAM-RJ,2002). Graduação em Direito (in curso). Fundadora-Diretora do ENLACE-MPME: Museu Pós-Moderno de Educação (2010) e criadora do Logomarca; Idealizadora da A.E.A.C- Academia Estudantil de Artes Contemporâneas (2016) e criadora da Logomarca; Delegada Cultural do LICEO POÉTICO DE BENIDORM-ESPANHA no RIO DE JANEIRO. Organizadora da I ANTOLOGIA INFANTOJUVENIL em DA A.E.A.C. -2017.

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Lia, nos versos imortais, desfibrilados, pela ótica ancestrais que os viam imorais o porquê Bendita Woolf, seja guia! O que se via? Seria possível, na túnica impecável do tempo documental do poema lentamente escorrer a rima viva da mágica impura de ser mulher, conforme Safo bem queria ?

CANTIGA DE AMOR PARA UM ACONCHEGO INESQUECÍVEL DE VERÃO Ó Flor, intensa poesia és A enternecer-me coração e alma, canção no dia! Amor, bem eu quisera, debaixo da amendoeira vê-la, Ó inesquecível: Flor Bela! Teus lábios sorrindo no calor dos beijos meus, Deixa-me assim: enternecida. Audaz! Enlouquecida! E se poesia és, também és luz. Farol no cais... Cai, em mim, orelha a dentro uns versos seus... Fulgás! Vida minha, bem sei, no palco Meu corpo em arrepios, enamorado A cantar, ávido, entre estrelas!... Como se Leitura e Escrita surgissem Do Acaso no ocaso Por encanto de fada engraçada Dessas que pula e grita, No deslumbre do dia, atônita 266


Bem assim feito Rita Jurema, a afro-indígena amazônica remando sua canoa num repente dizia a Lua Ó Flor, intensa poesia és! E se a canção é tudo, é recomeço, Da primavera que nos têm enlaçados, Apenas fica, ao chão... ao lado, as indeléveis folhas das inesquecíveis amendoeiras! E se crês, és do amor acordes, aqui Acorde coração, para a sutil canção, àquela Desse bem-te-vi, a bailar, sobre tua janela! Ah! voa... voa... ó, Juriti! Vá ... Acorde, o meu amor que me enlouquece No afã de vê-lo na sutileza desse instante lindo, mesmo Sorrindo do que causa sua pele em minha pele, leve Esperança de poder ser dele a mesma chama, inflama Amor nesse peito louco de prazer e acalma Minha’alma nua, gualzinho a tua...

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VERA LUCIA DE ARAUJO COSTA FERREIRA Onde está o meu sorriso Quando nasci, ganhei um sorriso. Que coisa maravilhosa, Me deixava formosa, Tinha ar de carinhosa, Me sentia uma rosa, Parecia até cheirosa. Onde está o meu sorriso, Que sempre enfeitou meu rosto, Que eu tinha com muito gosto, Denunciava a minha felicidade. Onde está o meu sorriso, Que depois de uma atitude, Uma mudança na minha vida, Uma vida de paz, Se escondeu no horizonte. Onde está o meu sorriso, Que via a água passar, O sol se por, O vento tocar o meu rosto, O corpo a mergulhar. Onde está o meu sorriso, Que viu a sombra da felicidade, O fim de uma ansiedade, O início do caminho, A marca da saudade. Vera Lucia Ferreira ****************************

Vera Lucia de Araujo Costa Ferreira. Nasceu em Teresina/Piaui/Brasil, em 22 de julho de 1955. Amante da poesia, educadora, professora, poetisa, publicitaria. Trabalha com comunidades carentes. Faz trabalhos envolvendo política. Escreve para Blogs, sites, portais.

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Eu te amo Falando sério, eu te amo, Amo como nunca pensei amar, Não sei o que aconteceu, mas eu te amo, Com defeitos e qualidades, te amo, Fico séria e pensativa, como? Porque? Mas,eu te amo, Com todo o meu coracão, eu te amo, Com corpo, alma, espírito, eu te amo, Com minha natureza serena, calma, tranquila, eu te amo, Nos bons e maus momentos, eu te amo, Em qualquer situação, eu te amo, Recebo o pacote inteiro.... porque te amo, Meu sorriso é feliz contigo, porque te amo, Aconteça o que acontecer, eu te amo, No meu silêncio, eu te amo, Se meus lábios precisarem ser selados....eu te amo, Se precisar amar só no pensamento, eu te amo, Se o papel tiver que ficar em branco, eu te amo, Se precisar ser um cofre, eu te amo! Vera Lucia Ferreira *********************** Mulher Símbolo de delicadeza Exemplo de puro amor Companheira fiel Incentivadora firme Exala perfumes de flor Simplicidade no agir Esperança no amanhã Espírito forte e sonhador Corta e recorta na cozinha Brilha nas passarelas Pulso forte nas horas difíceis Exemplo para os filhos 269


Orgulho para o companheiro. Responsável na formação dos filhos Senso crítico aguçado Apoio nas decisões da família Deixa marcas em sua existência Porto seguro dos filhos Aconchego do companheiro Estrela brilhante no lar **************************** Quando o amor está em um néctar de uma flor Como é difícil vê-lo, Como é complicado senti-lo, Como se pode arrancar o essencial de uma morada, Como podemos destruir esse lar da natureza, Amor verdadeiro, abre mão do apoderar-se para destruir, Prefere contemplar, Prefere admirar, Prefere amar como está. Prefere assimilar de longe e amar....

O ABRAÇO Sempre em busca de um abraço, Levo a vida a procurar, Um braço para descansar, Um oásis para beber, Uma tábua no meio do rio, Uma corda no meio do mar, Um local para chorar, Um baú para guardar as máguas, Um lenço para enxugar as lágrimas, Um bálsamo para aliviar dores, Um pouco de alegria para meu coraçăo sofrido, Um teto para descansar, Um alívio para a alma magoada, 270


Um curativo para meu coração. Assim é o abraço que preciso. O seu abraço! Vera Lucia Ferreira **************************** Me ame enquanto eu possa sentir. Me ame agora, Me ame para que eu possa ver, Me ame enquanto posso sentir, Me ame enquanto posso desfrutar desse amor, Me ame enquanto posso sentir o prazer de ser amada, Me ame enquanto trilho esse caminho, Me ame enquanto eu ainda vejo, ouço, sinto, Me ame enquanto distingo quem é você, Me ame enquanto estou viva, Não deixe para falar comigo quando eu não estiver mais aqui.

HOJE SENTI FALTA DE MIM Senti falta daquela alegria. Daquela inspiração. Daquela disposição. Daquelas atividades. Senti falta de carinho. Senti falta de amor. Vi que as coisas boas são passageiras. Que as vezes, só nós sabemos que existem. Vi que as coisas ruins,muitas vezes percebemos atrasados. Vi que muitas coisas deixei inacabadas. Tentando resgatar o que perdi. Correr atrás de páginas perdidas. De um livro que está sendo escrito. Mas nada é em vão. 271


Amadureci e cresci. Conheci um lado estranho do mundo. Que servirĂĄ para moldar minha vida. Tudo na vida ĂŠ aprendizagem. Tudo na vida edifica ConstrĂłi um mundo novo. Um mundo que jamais conheci.

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VICENTE ALENCAR (Antonio Vicente de Alencar)

POESIAS .... DE AMOR Não tirei uma vírgula sequer do grande texto escrito para louvar o meu amor por ti. Não foi poema, nem crônica, nem conto, nem trova ou sextilha. Apenas um hino de amor levando a minha alma, e os meus sentimentos para quem gosto tanto. Os dias se passam (o ano vai sendo vencido) e em cada um deles minha expectativa aumenta, mas não há resposta nem volta. o meu texto amarela-se, há uma emoção provocada pela esperança e tudo vai em frente.

Antonio Vicente de Alencar. Nasceu em 25 de fevereiro de 1947, em Fortaleza/CE/ Brasil. Jornalista, Radialista, Poeta. Presidente da Sociedade Cearense de Geografia e História-SCGH e Academia Cearense de Cultura e Arte. Vice-Presidente da SCLB e criador dos jornais Café Literário e Correio Cearense.

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AMOR MAIOR São vinte séculos de amor. te conheci no início do mundo. amamos, vivemos, passamos, nos desencontramos. Dia após dia, ano após ano, nos reencontramos. E o amor se fez criança, cresceu, adultou-se, venceu. É o momento. TUAS MÃOS Tuas mãos que se elevam para o alto contritas, em oração, também afagam, acariciam, amam, como todo teu corpo. Tuas mãos que apertam as minhas no momento sublime do amor, são belas, são ternas, são suaves, e me envolvem em ardente alegria.

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Tuas mãos que acariciam, traduzem em gestos, movidos pelo amor, a linguagem nascida no coração. O TEMPO Pergunto-me pelo tempo. O tempo? sim, o tempo. Este amigo invisível de todas as horas. muito rápido quando estou feliz, me impacienta quando estou sozinho. O tempo, é um amigo. Com sua companhia tenho respostas para tudo. até para os momentos ruins. Chegam, mas também vão embora. O tempo, vivemos juntos, sofremos juntos, dormimos juntos. O melhor do tempo? amarmos juntos.

MÃE Redescobrindo o amor, todos os dias, as mães constroem o mundo. Em todas as emoções que nos cercam, nenhuma é mais profunda, 275


nenhuma é mais marcante, que o beijo de uma Mãe. Uma palavra, um afago, um sorriso, um gesto carinhoso. O mundo se completa quando estamos juntos, minha Mãe e eu. Nenhum momento é mais terno, mais amigo, mais doce, que o primeiro momento entre a Mãe e seu bebê. No dia das Mães, quando as Mães do mndo ganham as homenagens de todos nós, uma mensagem de amor maior, a todas elas. O mundo das Mães e, sempre, o mais completo de todos. No céu e na terra, nossas Mães estão sempre conosco. Perto ou longe, sempre nos amando.

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WANDA CUNHA MUDANDO O MUNDANO O mundo muda suas penas De pernas para o ar. Não há abrigo; há perigo, talvez. Pois a vez é tal tecnológica Que a lógica busca logística Na orgia de absurdos, E os surdos não veem O que os cegos ouviram do Ipiranga, Depois de posto e deposto O Rei morto com rosto de cruz. Na calma da alma, A palma da mão se une a outra; A cal do semblante gera a cera Sem antes saber que era a era De caber no caixão pra cair no chão Depois de implantes infrutíferos Ante o desplante de vidas e idas dos mortais. Ungiam-se cirurgias. Urgia a dor. Na roda-viva de quem vive aqui, tudo acaba. A Ciência, entretanto, calça as sandálias para entrar No templo de um tempo temerário, Na busca da eternidade, idade eterna de deuses. O fato é que o feto tetraneto sobreviverá A todas as doenças, porque a nova crença é que a morte morrerá. WANDA CUNHA. Nasceu em São Luís/MA/Brasil, em 05.06.1959. Formada em Jornalismo e Letras. Já publicou sete livros, nas áreas de poesias, crônicas, teatro e conto infantil. Professora, compositora, cronista. Em 2017, conquistou lº lugar no Festival de Música no Maranhão e em Concurso Nacional de Poesia, bem como classificou-se em Concurso Nacional de “Mulheres Contistas”.

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A LÍNGUA A língua é um bom prato; O prato, um bom texto; O texto, um bom gosto. Mas que língua degusto Sobre o prato Na hora do texto? Já saboreei a língua do boi Que assanhou a gravidez de Catirina E deixou Pai Francisco em maus lençóis. Temperei a língua da poesia ao molho pardo das minhas metáforas E cozi a língua que virou a “Última flor do Lácio inculta e bela”, de Bilac e de meus avós. Já suguei a língua que esteve enroscada à minha, Atrás da Via-Láctea de cuspe No céu da minha boca. Experimentei a língua de sogra Sem a ternura das festas de aniversário. E quis sentir o sabor da ociosidade ingênua E apenada da língua dos surdos-mudos. Que não me queira mal minha vizinha, Mas sua língua ferina não comerei no jantar. Ela, com sua língua de trapo, Dá com a língua nos dentes sem ser poliglota. Tem a língua afiada, a língua comprida, a língua de palmo. Nem um banho de língua lava a língua suja dos maldosos Porque essa é a língua maior que o corpo 278


E que faz qualquer um cair na língua do povo Por isso é que, no amontoado de línguas, Criou-se a torre de babel. Por isso, é preciso dobrar a língua Pra falar da língua Pois a língua é um bom prato O prato, um bom texto; O texto, um bom gosto. E é por causa da língua que Boto a boca no mundo.

BALANÇO Eis meu capital: Um restinho de sonho Uma sobra de sombra no quintal. Eis o meu salário: Um sorriso estanque Um choro hilário. Eis o meu dinheiro Um silêncio com que palito os dentes Pra jogar no lixeiro Eis o meu provento: Uma decepção, Um resto de sentimento Eis a minha aposentadoria Uma esperança caduca, Uma falsa alegria. Eis minha poupança Uma saudade antiga Uma vaga lembrança E eis a minha inflação 279


Tamanha tristeza Num pequeno coração E eis meu cheque sem fundo Dei a minha pureza Em troca do mundo. Eis a correção monetária É tanto passado Que ultrapassa a faixa etária Eis meu juro de mora Fui menina e fui jovem, Hoje, sou senhora. E eis meu saldo devedor deixei passar a vida à espera de um grande amor.

FECUNDAÇÃO Meu óvulo marcou um encontro Com um espermatozoide, às quatro horas da tarde, na esquina das minhas trompas. Meu óvulo esperou um bom tempo por quem não veio... Cai em depressão e saiu perambulando em mim, chocando-se com a solidão, na minha parede uterina. E o assoalho inundou-se em sangue, como um absorvente comprado às pressas numa farmácia... ...Pareceu-me um suicídio!!!... Meu novo óvulo marcou novo encontro com um novo espermatozoide, às sete horas da noite, 280


na esquina das minhas trompas. Identificaram-se... Foram morar no meu útero, tipo casinha feita a ovo, que virou sobradinho feito a feto. E eu sustentava aquela família através de um cordão umbilical, que não levava a ela o preço da carne, nem da luz nem e nem... Nove meses de espera dentro de um regime maternático. Agora, numa dilatação de angústia, estou morrendo de dor: meu filho vai conhecer o regime do país.

QUESTIONAMENTOS Por que nasci Eva E cresci Dalila? Por que sou Salomé E estou Madalena? Tudo que me ensinaram Foi ser a costela De alguém semelhante a mim, Mas com uma semelhança Sem a nuança Da Maria que assumi. Por que retrato mais culpa que Adão? Por que semeei mais perigo que Sansão? Por que inspiro mais astúcia que João? Por que só Cristo não me atirou a pedra Que trazia na mão? Ora, Eu não sei por que nasci costela E, ao mesmo tempo, a escolhida a ser Maria. 281


Tudo isso, entretanto, não me vangloria Que, sem Deus, certamente eu não seria Todo este ser de glórias e inglórias Que, diversas vezes, mudou com ironia O percurso de todas as histórias.

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WILSON DE OLIVEIRA JASA ALEXANDRE JASA (Para meu Pai ALEXANDRE JASA) De Alexandre Jasa trago, a boa recordação; grande Sábio, grande Mago, homem de bom Coração. Muito pescamos no lago, nos rios, no mar, que emoção; e com palavras de afago, mostrava-me a direção. Foi meu Herói verdadeiro, exemplo de brasileiro, trabalhador, justo e honrado. Do meu Pai sinto Saudade, foi meu Mestre de verdade, que sempre esteve ao meu lado.

AMAR Sempre há tempo para Amar, pois o Amor é infinito; não fique triste a chorar, viva esse Amor tão bonito; deixar o Amor aflorar, é muito bom, eu repito; Wilson de Oliveira Jasa, Nasceu em São Paulo/SP/Brasil, no dia 12 de setembro de 1954. Poeta, Sonetista, Trovador, Historiador, Escritor, Cordelista, Artista Plástico, Jornalista. Príncipe dos Poetas Paulistanos; Príncipe dos Poetas Maçons do Brasil. Presidente das entidades: Casa do Poeta “Lampião de Gás” de São Paulo; Movimento Poético em São Paulo.Autor de 10 livros e mais de 100 livretos. Organizador de mais de 50 Coletâneas. Participação em mais de 300 Coletâneas. Membro da SCL- de São Paulo

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o viver é um piscar, ame, não entre em conflito. Amar é muito gostoso, torna o viver mais formoso; serenidade nos traz. Quem ama rejuvenesce, pois espírito e alma cresce, e nos dá profunda Paz.

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ZAMIRA LOZANO BECHARA Del poemario ECHADO GLOBITOS CEGUERA Qué pueden tener de poético los ojos de un ciego, opacos, blanquecinos, huidizos, autómatas? Más, cuando su boca expresa cosas hermosas y tu admiración no puedes comunicarla mirándolo a los ojos, debes entonces apretar con calidez sus manos, cerrar tus ojos y dejarte llevar dulcemente hasta donde esté, sentarte cómodamente a su lado, para ver juntos el mundo de maravilla que describe su imaginación.

FEMINISMO SIN TIEMPO (Dedicado a José Asunción Silva) Será que poder escribir bellamente sobre el amor quedó reservado a los poetas hombres?

Zamira Lozano Bechara nació en Bogotá, Colombia, el 18 de septiembre de 1957. Es Abogado especializada en Derecho Ambiental. En 2016, participó en el “X Encuentro Universal de Escritores Vuelven los Comuneros”, del departamento de Santander, Colombia y en el “II Seminario Internacional Encuentro de las Américas” en Natal y Mossoró, Estado de Rio Grande do Norte, Brasil. La Academia Ludovicense de Letras de Sao Luis, Estado de Maranhao, Brasil, incluyó uno de sus escritos en la antología “Pelos Caminhos da Força Expedicionária Brasileira - Na Segunda Guerra Mundial. Condições e contradições de uma época”. En agosto de 2017, publicó su libro “Confidente Nocturna” en Bogotá, Colombia.

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Literatos y poetas describen sus penas de amor y una amada ideal. Sus amadas son pálidas torturadas, esquivas, sutiles, muertas, llorosas, fantasmas, insensibles, falsas, ignorantes, enfermizas, putas o asexuadas. Vanas! Son heroínas del dolor y de un mundo oscuro adonde no germina el amor y todo es triste. El dolor del amor llora a través de la pluma masculina. Escasamente el amor desolado, lleno de congoja y abandonado, difícil o triste se expresa en la poética femenina. Es acaso que las mujeres no sabemos amar o escribir o nuestra pluma ha sido castrada? No, la mujer se reinventa después de cada fracaso. Es capaz de recrear el amor lleno de esperanza, de luz, de dulzura. 286


El amor debe tener color, calor y alegría. El poema como el amor deben brillar cual arco iris después de la lluvia.

CAOS Hay días en que amaneces con ganas de no obedecer reglas ni normas. Quieres mandar al carajo lo humano y lo sacro. Porqué obedecer límites, porqué ser recto, porqué ser cauto, fiel a lo bueno y sensato? Quieres rasgar tu piel, salir huyendo. Matar¡ robar¡ violar toda regla que se haya inventado. Qué en tu cerebro indica qué es correcto, legal conveniente o adecuado? Romperte en mil átomos sin regla que pueda impedirlo o arreglarlo. 287


Dispersa en el viento y en el campo, como ceniza, como ira atómica que todo ha devastado. Hay días que me siento así.

SIRIA Damasco, Siria soy de tu simiente. Añoro tus desiertos y tus valles. Supe de ti a través de nostalgias y recuentos de mi abuelo mientras danzaban en el aire tus lejanos y ancianos cantos. Se acerca la fecha de mi viaje, de nuevo por la guerra te recorreré con la imaginación desde tus fronteras. No sé si aún sobrevive alguna de mis ascendientes, guerreras parientes de mi abuelo, que se sacrificaron quedándose solas cuando era imperativo salvar la vida de sus jóvenes.

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Dulce, vieja, desangrada, amada, desconocida Siria, vives en mi mente.

MANOS Las extiende al frente, hacia arriba, las observa a contraluz. No comprende porque ya no las siente suyas, como esa otra piel que las reclama propias después del contacto sinuoso y largo, seguido por unos ojos primero abiertos luego cerrados por el éxtasis. Quién domina? Quién se esclaviza? Ellas, sabias ciegas, dependen de su temblor, la otra de la caricia.

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ZARA MARIA PAIM DE ASSIS O LÍRIO E O AMOR É um lindo milagre Aquela plantinha frágil, Dita “dama da noite”. Viajou no colo, no ar De Recife ao Rio de Janeiro Não era a perfumada “dama”, Mas revelou-se um encantador lírio, Ao brotar meses depois É um enlevo, um encanto Há mais de vinte anos floresce, Em um vasinho perto da janela Veio para lembrar um amor Antigo e nunca esquecido Persiste na névoa do tempo, Impossível e triste. Com o lírio veio a terra Do amor e do desencanto Flores alvas e puras Florescem e florescem... Parecem dizer: há esperança! Será?

Zara Maria Paim de Assis. Nasceu na Bahia/Brasil, em 26/02/1953. Professora de patologia, estomatologia e cancerologia. Presidente da Academia Mundial pela Paz, Letras e Artes e do InBrasCi. Primeiro lugar no concurso interno da União Brasileira de Escritores (UBE-RJ) em 2016, com o Prêmio Antonio Olinto. Prêmios: de educação (2010-2012) pela Associação Internacional de Lions Club; da Academia de Letras do estado do RJ em 2009 (bronze), em 2010 (prata), e em 2011 (ouro) em prosa. Ensaios premiados na Academia Luso Brasileira com 1º lugar em 2012, 2014 e 2015. Em 3º lugar em 2012 por ensaio na UBE-RJ. Ensaio, “O Alvorecer da Carreira de Eça de Queiroz, um Gênio da Literatura universal” na Revista da UBE-RJ em 2017. Membro de várias Academias.

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ZÉLIA FERNANDES (Zélia Maria Fernandes da Silva) SONHANDO-TE Tentei, caminhando na vida, Por uma estrada sem paradeiro, Tudo agitava-se em minha vida O que seria? Seria o cruel feiticeiro? Na emboscada talvez da alma Aquele fator que a tudo resiste, Sobre tudo, a sombra que des’alma E agita o corpo, que fragilmente... Foi isso o que então nos aconteceu? Nosso corpo agitou-se? Dentro do ser humano nasceu Fantasia negra que dizem amor? Será mesmo o amor; luz; Contraste da vida; Desejo; fúria do coração?

Zélia Maria Fernandes - (Zélia Maria Fernandes da Silva). Nasceu no Rio de Janeiro/RJ/ Brasil em 02 de junho de 1948. É graduada em pedagogia, Aministração e Supervisão-UFRJ/RJ.Preidente da sociedade de cultura Latina doi Rio e Janeiro e da ZMF Editora. Secretária Geral da Associação dos Diplomados da ABL e da Academia Infanto-Juvenil de letras e Artes do Rio de Janeiro. Vários livros publicados entre eles várias Coletâneas organizadas.

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MIRAGEM DE UMA FLOR Segui tua imagem... Qual foi meu espanto... Julguei ser paisagem Que sonhara entretanto... Deparei-me só e solitária No silêncio desta vida, Perdida no triste itinerário Noites tenebrosas e perdidas... Oh” miragem eloquente! Transformou-me assim Longe de ti Longe do teu perfume... Mas como tu eras uma flor Senti tua nobre sutileza E no desfecho louco do amor... Pelo teu porte, tua beleza... Eras toda vegetal e fria Nessa forma, na inspiração... Só a natureza a acolheria, Causa deste soneto, deste coração...

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SENTIR VOCÊ Sentir você É sentir luz Calor do sol a penetrar No corpo de mansinho... Sentir você É escutar o canto do pássaro Em liberdade... É banhar-se na água Pura e cristalina de um rio, É sentir perfume doce de uma flor... Sentir você É contemplar o pôr-do-sol... É sentir a própria vida Pulsar dentro de mim... Sentir você É experimentar emoção Dentro de outra Emoção ainda maior... Sentir você Colocar prazer Em teu corpo e desejo Em minhas mãos... Sentir você É amar a vida É Amar o amor um AMOR SEM FIM...

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O SONHO TRISTE QUE ENVOLVEU A POETISA Sonhou em ser uma Sacerdotisa.... De possuir o dom da palavra... Catequizar pessoas... Finalmente ser triunfante Na vida espiritual. Desperta sorridente... Mas trêmula e angustiada... Por não ser aquilo Que verdadeiramente sonhava... É essa mais uma de suas desilusões Pobre poetisa... Mas confortou-se pois Possuía um coração... Que latejava sempre, Pela felicidade humana... Acrescentando todos os requisitos Que possuía... Voltou a pensar energicamente Na vida... E foi assim que nossa poetisa Tornou-se só ela Que hoje lhes escreve ironicamente, Sem vaidade e orgulho Fazendo de suas rimas O motivo concreto de sua vida... E a certeza absoluta de sua vitória... Vitória? Porque encontrou A rima seu santuário sagrado. Tendo como símbolo As palavras místicas, a perfeição, O conforto dos que amam O que não vê... E também nunca possuir Tanta sutileza Capaz de obstruir 294


Todas as ingratidões da vida... Dessa vida em que o materialismo Comanda o caminho da lua, Fazendo parar o sol, Com todo o seu poderio, Agora digamos... Será isso mesmo? É verdade a luta nas estrelas? O ser humano alcançou tal perfeição? E o sol? Por que voltou a brilhar depois do dilúvio? É esse contraste Da poetisa que medita, Não considera suas rimas A causa de todas essas ilusões, Para uns e para outros... Na consumação do seu sonho, Uma poetisa transpôs a vida Sem molestar a sua alma, E sonhou todo esse deslumbramento Que se chama vida.

A PAZ DO NOSSO AMOR Você entrou na minha vida, e me fez sonhar Um grande amor nasceu entre nós dois, Me fazendo oscilar... tremer e excitar... É um lindo sonho, e cada dia sinto mais e mais Você e teu amor, em meu coração... Já sinto a falta do orvalhar do teu corpo... Que se condensaria toda noite, sobre o meu... No teu corpo, me perco e me encontro uma vez mais... Me entrego pra você, sem medo, sem receios, sem barreiras... Sinto o suor do teu corpo deslizando em meu peito No teu corpo, minhas mãos deslizam... 295


Minha vida tem sido um amar sem fim... Com o sol, alua e as estrelas o gosto do amor é mais perfeito É um lindo sonho e só eu sei a paz que teus carinhos me traz.. O amor chega, se aconchega e não escolhe a hora de chegar... No teu corpo, meu amor é mais perfeito... Somos amantes... Nossos gestos valem mais que todas as palavras... Quero sempre nossas noites Cortada de gemidos e sussurros... Quero tudo... Tudo a dois... O resto a gente deixa pra depois.

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DARCY RIBEIRO (1922-1997):

“Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.”

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I COLETÂNEA POÉTICA DA SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO BRASIL- construindo pontes Em comemoração aos  

Esse é o nosso cântico de parabéns à Sociedade de Cultura Latina do Brasil-SCLB, que neste ano do calendário cristão, 2018, completa 30 anos...

I COLETÂNEA POÉTICA DA SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO BRASIL- construindo pontes Em comemoração aos  

Esse é o nosso cântico de parabéns à Sociedade de Cultura Latina do Brasil-SCLB, que neste ano do calendário cristão, 2018, completa 30 anos...

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