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EXPEDIENTE

CONSELHO EDITORIAL

EDITORA CHEFE Ana Maria Neumann REDAÇÃO Leandro Espínola Araújo Abecassis Karin Louise Kaudy Ana Maria Neumann DIREÇÃO DE ARTE Renan Dequêch Ferreira ASSESSORIA DE IMPRENSA Karin Louise Kaudy CONSELHO EDITORIAL Dr. Benno Kreisel Dr. Henrique Moraes Salvador Silva Dr. Eudes de Freitas Aquino Drª. Denise Rodrigues Eloi de Brito Dr. José Reinaldo N. de Oliveira Jr. Dr. Luiz Fernando Buainain Dr. Arlindo de Almeida Dr. José Luiz Gomes do Amaral Dr. José Cechin Sr. Rui Salvari Baumer Deputado Federal Darcísio Perondi CONSELHO TÉCNICO- CIENTÍFICO Dr. Edison Tizzot Drª. Telma Gobbi Dr. Abel Magalhães Srª. Gabriela Tannus Sr. Franco Pallamolla COLUNISTAS Marcelo Maulepes Liliane Barreiros Eduardo Correia de Almeida Sandra Zadoni GERENTE COMERCIAL Paulo Grein ger.comercial@ntpartners.com.br

Dr. José Luiz Gomes do Amaral

Dr. Eudes de Freitas Aquino

Ruy Salvari Baumer

Dr. Luiz Fernando Buainain

Drª Denise Rodrigues Eloi de Brito

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Presidente da AMB

Presidente do SINAEMO

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Dr. José Cechin

Diretor Executivo da FENASAÚDE

Dep. Fed. Darcísio Perondi

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Dr. Arlindo de Almeida

Presidente da ABRAMGE

Dr. José Reinaldo Nogueira de Oliveira jr. Dr. Benno Kreisel

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CONSELHO TÉCNICO-CIENTÍFICO

Franco Pallamolla

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Secretário-Geral da SBIS

Dr. Edison Tizzot

Doutor em cirurgia clínica

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Presidente da UNIMED do Brasil

Vice-Presidente da ISPOR

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EDITORIAL | Saúde S/A 03

EDITORIAL CESTEIRO QUE FAZ UM CESTO, FAZ UM CENTO... Chegamos à revista número três, naturalmente com muitas novidades e com um novo e aprimorado layout, fruto do compromisso assumido de melhoria contínua que estabelecemos. Estamos muito orgulhosos dos resultados obtidos entre nosso público-alvo e pelo fato de, durante a Feira Hospitalar (uma das maiores do setor), termos ouvido de muitos expoentes do mercado diversos comentários que definiram a Revista Saúde S/A como a melhor do mercado. Muito disso é conseqüência de nosso posicionamento inovador, mas também do apoio de nosso conselho editorial único, que congrega as maiores organizações de saúde brasileira e que orienta nossas pautas e discussões. Nossa entrada no mercado foi de tal forma impactante, que alguns de nossos principais concorrentes se viram na condição de remodelar seus produtos editoriais, além, é claro, de realizar um benchmarking (nome elegante utilizado quando se passa por um processo de aprendizado com outros) de partes de nossa revista e, principalmente, de nosso foco em gestão de pessoas e negócios. Tudo o que podemos dizer sobre isso é: que ótimo! Esta é uma prova que estamos acertando o alvo, além de um grande elogio para com o nosso trabalho. Além disso, o importante para a NT Partners é que não viemos a este mercado apenas para trazer produtos inovadores, mas para ajudar a profissionalizar a cultura de comunicação da área. Assim, ao influenciar outros players, estamos cumprindo essa missão. Espero que você, caro leitor e foco de todo o nosso trabalho, continue a se apaixonar por essa revista única e a contribuir com suas sugestões e comentários. Junto a essa edição, temos o prazer de lançar também nosso novo portal de informações e negócios, no endereço www.saudesa.com.br. Você é nosso convidado para conhecer mais este importante projeto editorial, pois certamente este portal também impactará o mercado, gerando novas mudanças. No entanto, para nós, liderança significa andar na frente e ditar tendências. Assim, independentemente dos outros, sempre estaremos propondo revoluções dentro da área, pois, reinterpretando o ditado popular que abre este editorial “se a NT Partners foi capaz de produzir um belo projeto, será sempre capaz de criar centenas de novos produtos”. Este é o nosso desafio e compromisso. Boa leitura,

Eduardo Almeida - Diretor de Marketing da NT Partners

Edição nº 3. ano 1 Publicação trimestral Circulação dirigida Tiragem: 6000 unidades Envie suas sugestões, comentários e assuntos de seu interesse para: expediente@saudesa.com.br As opiniões manifestadas nas entrevistas e nas colunas publicadas na Revista Saúde S/A são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores.

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ÍNDICE 1

NEGÓCIO SAÚDE

GESTÃO

Médicos X Operadoras .................. 08

O que é mais precioso para você? Por Marcelo Maulepes ........ 38

Estudo promete revolucionar gestão da saúde ............................ 12

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Alô! Alô! Saúde do Brasil! ............. 16

Personalidade em destaque: Drª. Denise Rodrigues Eloi de Brito .......................................... 40

Envelhecimento da população....... 20

Geração Y....................................... 44

CAPA - Fim dos pequenos?......... 24

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Produtos ........................................ 30 Mercado ........................................ 32 Cobertura 18ª Feira Hospitalar ....... 34

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CULTURA E LAZER Tênis.............................................. 58 Design de Interiores: A luz como terapia - Por Liliane Barreiros ......... 62 5

Negócios e Prazer: Buenos Aires .. 66

A saúde da Saúde.......................... 48

Branquinho Básico ........................ 70

A estratégia do oceano azul .......... 52

Livros ............................................ 74

Inteligência Emocional................... 54 O terrível líder Branca de Neve...... 56

Fatos & Fotos ................................ 36

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MÉDICOS Crise que culminou com a mobilização

A manifestação dos médicos realizada no dia 7 de abril demonstrou como a falta de diálogo pode interferir de forma negativa no setor de saúde complementar brasileira. Após a manifestação que escancarou para o Brasil o descontentamento dos médicos com muitas operadoras de planos de saúde, outros problemas do setor também foram expostos à sociedade. Além da falta de entendimento entre os dois lados envolvidos, a ação demonstrou as dificuldades encontradas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar* em regular a saúde suplementar brasileira. Liderado pelas máximas entidades representativas da classe médica, o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Federação Nacional dos Médicos (FENAM), o movimento paralisou durante 24 horas o atendimento a pacientes beneficiários de planos de saúde privados, mas mantiveram os atendimentos de urgências nos hospitais. Este ato demonstrou a união e o potencial de mobilização da classe médica como nunca visto antes no país. Além de reivindicarem pagamento de honorários médicos mais dignos, condizentes com a importância do profissional médico para o bem estar da população, os médicos reivindicaram mais diálogo e atenção das operadoras. De acordo com o movimento, muitas operadoras prejudicam o bom atendimento, interferindo na autonomia do médico, que é essencial para um diagnóstico mais preciso e um tratamento

mais eficaz. Em pesquisa realizada em 2010 pela DataFolha a pedido da Associação Paulista de Medicina, 93% dos médicos se queixaram da interferência dos planos de saúde em sua autonomia. A nota média atribuída pelos médicos aos planos de saúde, de zero a 10, foi de 4,7. Em resposta à paralisação, a FenaSaúde, entidade que representa as 15 maiores operadoras de saúde suplementar do país, divulgou uma nota se solidarizando com o movimento dos médicos, argumentando que as suas filiadas estão entre as que repassam os maiores valores de honorários no mercado e que elas praticaram reajustes bem mais constantes e com valores maiores do que a variação do Índice de Preços ao Consumidor Aplicado (IPCA) no período entre 2002 e 2010, que foi de 56,68%. Os reajustes das operadoras afiliadas variaram, no mesmo período, entre 83,33% e 116,30%, segundo a entidade. Segundo o presidente da FenaSaúde, José Cechin, uma recente pesquisa do DataFolha/IESS aponta a satisfação dos usuários com os planos de saúde. “Pesquisa recente realizada pelo DataFolha/IESS revelou que 80% dos beneficiários avaliam positivamente os serviços prestados pelas operadoras”, argumenta Cechin. MEDIDA DA ANS GERA POLÊMICA Diante da repercussão do movimento, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) proibiu uma prática utilizada por muitas operadoras: o pagamento por performance, ação utilizada pelas operadoras para gerenciar seus custos, acompanhando o trabalho do profissional médico, evitando as solicitações de consultas ou exames que pudessem ser desnecessárias. Tratava-se, na realidade, de uma bonificação sobre o valor das consultas ou procedimentos, destinada àqueles médicos que apresentavam um menor número de


OPERADORAS dos médicos está longe de uma resolução.

Ainda de acordo com o presidente da FenaSaúde, a entidade participa ativamente dos fóruns de discussão sobre os honorários médicos. “Encontra-se sob negociação um modelo de remuneração apresentado recentemente em um fórum promovido pela ANS”, finaliza. Do lado das operadoras, a reclamação é a falta de parâmetros mais claros em relação aos valores que devem ser pagos pelos honorários médicos e principalmente a carência de políticas tributárias e econômicas que contribuam com a sustentabilidade e competitividade das pequenas e médias operadoras, que representam cerca de 70% do mercado e atendem milhões de beneficiários. Mesmo com uma infraestrutura drasticamente menor que as grandes operadoras, estão sujeitas às mesmas taxas e impostos, o que vêm colocando em risco a sua sustentabilidade num mercado cada vez mais competitivo. Esse conflito até então silencioso, que veio à tona no dia 7 de

solicitações de exames. Para a ANS, essa prática era vista como uma interferência das operadoras no trabalho do médico e, segundo o presidente do Conselho Federal de Medicina, esta foi uma conquista. Apesar dessa medida ter surtido efeito positivo, principalmente entre os médicos, essa decisão pode prejudicar a gestão das operadoras, principalmente as pequenas, que necessitam da utilização destes parâmetros para a realização de um planejamento financeiro, evitando crises financeiras e de gestão.

abril, ainda promete muitos capítulos pela frente, principalmente diante das alterações previstas pela ANS que podem aumentar ainda mais os custos para as operadoras, ameaçando a sobrevivência de muitas empresas de pequeno e médio porte. EM BUSCA DE CONSENSO A ANS tenta, através de regulamentações e grupos de trabalho, mediar essa relação e buscar formas de melhorar a remuneração dos profissionais de saúde sem comprometer a sustentabilidade do setor. Desde fevereiro do ano passado, a agência desenvolve atividades com o Grupo de Trabalho de Honorários Médicos, que envolve a participação das entidades representantes dos médicos (CFM, AMB e FENAM) e das operadoras (FENASAÚDE, UNIDAS, ABRAMGE e UNIMED do Brasil), em busca de um entendimento entre as partes, onde inclusive já existe a apresentação e discussão de propostas concretas, sempre respeitando as características de cada operadora, como porte e tipo.


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No início de maio, uma decisão da Secretaria de Direito Econômico piorou ainda mais o clima. A medida administrativa do órgão vinculado ao Ministério da Justiça proibiu as entidades representativas da classe médica (CFM, AMB e FENAM), de pleitearem reajustes de honorários junto às operadoras. Na semana seguinte, uma decisão da 9ª Vara Federal de Brasília cancelou a medida da SDE. PREJUÍZO PARA A SAÚDE O desentendimento entre as partes tem prejudicado o sistema de saúde suplementar ao invés de melhorá-lo. Esse clima de conflito constante não contribui em nada para o aperfeiçoamento do atendimento oferecido aos beneficiários, que hoje somam cerca de 45 milhões de brasileiros. Diante deste quadro, a ANS vem sendo cobrada por ambos os lados, pela sua falta de posicionamento e pela demora na tomada de medidas que regulem melhor o sistema e evitem conflitos. Faz-se necessário a percepção de que a saúde brasileira precisa ser vista como um só sistema, que possui as suas divisões (público e suplementar) e inúmeros agentes, mas onde todos fazem parte do mesmo contexto e qualquer decisão tomada sem uma análise profunda, impacta em todo o sistema, ou seja, na saúde de todos. A falta de um diálogo aberto entre os médicos e as operadoras tem sido o

grande obstáculo para a busca de uma solução que evite mais prejuízos para os pacientes, já que muitos profissionais em todo o país têm se recusado a atender pacientes das carteiras de planos de saúde, ou até mesmo se descredenciando dos sistemas de saúde suplementar. O tabelamento dos valores das consultas solicitado pelos médicos é

A falta de um diálogo aberto entre os médicos e as operadoras tem sido o grande obstáculo para a busca de uma solução. considerado por especialistas como um risco para o sistema. Com a criação de uma tabela, prevista no projeto de Lei n° 1220/07, que tramita na Câmara Federal, os reajustes elaborados pelas entidades nacionais representativas deverão ser seguidos pelas operadoras. Este fato poderia, segundo os especialistas, interferir na livre concorrência entre os planos, assim como onerar o preço final do produto ao consumidor. Outro ponto alegado é uma possível “expulsão” de

algumas operadoras, caso elas não consigam absorver o aumento dos honorários. A solução deste dilema não está perto de uma solução e ainda poderemos observar a continuidade desta queda de braço. No entanto, o importante é perceber que, se existe solução para esta situação, ela passa inexoravelmente pela capacidade de dialogar, de forma justa e plurilateral, dos líderes e representantes do setor. Segundo, Afonso José de Matos, diretor-presidente da Planisa - entidade que presta consultoria em gestão de saúde para hospitais e operadoras de saúde e age como mediadora na discussão entre operadoras e hospitais sobre a padronização de procedimentos clínicos e cirúrgicos - não houve, nos últimos anos, uma grande preocupação com reajustes de honorários, o que impactou diretamente na situação atual. Outro ponto destacado pelo diretor é que a falta de padronização dos valores dos procedimentos impacta diretamente na previsão dos custos das operadoras. “A padronização dos procedimentos gera uma falta de previsibilidade nas contas das operadoras, especialmente diante da aquisição de novas tecnologias e equipamentos. Este custo com certeza influencia na dificuldade das operadoras em aplicar reajustes mais efetivos dos honorários médicos”, conclui Matos.

*A ANS não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento desta edição.

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ESTUDO PROMETE

REVOLUCIONAR GESTÃO DA SAÚDE

Maior estudo de análise de risco já realizado exigiu uso de tecnologias avançadas e mais de 10.000 horas de processamento e análise de dados. Imagine que um novo modelo de gestão na área de saúde pudesse surgir, baseado em conhecimentos inovadores, onde os gestores soubessem com precisão qual a incidência e curva de custo/utilização das doenças na sua população. Que pudessem prever quando uma pessoa entrará na curva que indica o possível desfecho de uma doença específica. Ou ainda, por conta disso, prever o que ocorrerá com o fluxo de caixa que administrará esses custos assistenciais. Essas possibilidades ajudam a mudar a maneira como se faz a gestão de saúde na área pública e privada. Estudo inédito, desenvolvido pelo Instituto Ébera, ONG que atua na aplicação de melhores práticas de gestão na sáude, utilizando tecnologias inovadoras, como Cloud Computing (Computação em Nuvem) e Banco de Dados Distribuído, juntamente com o uso de datacenter e computadores potentes, conseguiu desenvolver um sofisticado algoritmo capaz de prever com grande precisão o que ocorrerá com a saúde de uma população, ou grupo de pessoas em determinado tempo. O estudo que tornou possível a geração desse algoritmo foi obtido através de números impressionantes, como por exemplo, mais de 10.000 horas de processamento e análises de dados, 4 anos de pesquisa e análise de uma população de aproximadamente 7 milhões de pessoas, de todas as regiões do Brasil.

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Equipes de saúde passam a ter como realizar busca ativa de sequelados por doenças crônicas importantes e, mais do que isso, identificar casos iminentes que, se tratados a tempo, podem evitar ou minimizar o impacto dos desfechos de doenças. Esse estudo será publicado de forma inédita na 4ª edição da revista Saúde S/A, que deverá ser lançada no final de setembro deste ano e que também estará disponível no portal www.saudesa.com.br. Nesta edição, comentamos um pouco sobre os resultados das primeiras aplicações deste algoritmo e falaremos sobre as tecnologias envolvidas e o banco de dados utilizado na obtenção deste estudo. RESULTADOS OBTIDOS A possibilidade de identificar com grande precisão quando o desfecho de uma patologia vai acontecer é algo muito importante, tanto para a saúde dos pacientes quanto para os gestores. No 1º gráfico, é apresentado qual o índice de incidência previsto de AVC (Acidente Vascular Cerebral), agravo frequente da Hipertensão, para uma determinada operadora de saúde. Já que no estudo sabia-se quantas pessoas teriam determinada idade nos próximos tempos, foi possível inferir com base no índice histórico de cinquenta meses da operadora, qual será o impacto futuro em termos de morbidade.

No 2º gráfico é apresentado o comportamento histórico de custo assistencial, ou seja, tudo que se gasta de consultas, exames diagnósticos e procedimentos terapêuticos, de um pessoa que passa pelo agravo de AVC nessa mesma operadora. Foi possível fazer um comparativo, de forma desidentificada, com o custo de outras operadoras do mesmo porte e características. Este tipo de comparação, fundamental para saber como está o comportamento de custo assistencial com o mercado, somente foi possível graças ao uso de um recurso tecnológico de Banco de Dados Distribuído, nesse caso, chamado de Banco de Dados nacional de Sinistralidade (BDS). Com a aplicação das tecnologias de Cloud Computing e uso do BDS, é possível trabalhar dados desidentificados de milhões de pessoas simultaneamente, uma vez que os dados pessoais que identificam uma determinada pessoa, ou mesmo o local de onde se originou os dados, ficam restritos às fontes de dados; porém, todas as demais informações, que são chamadas de meta-dados, caminham pela “nuvem” durante o seu processamento e análise. “A Internet e essas novas tecnologias desenvolvidas a partir dela, abrem um horizonte de possibilidades para ajudar a sociedade”, afirma Vinicius Martins, diretor de operações da NAGIS Health – Núcleo Avançado de Gerenciamento e Informação em Saúde, uma das empresas que patrocinou o estudo.


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Gráfico 1 - Casos previstos de AVC, por faixa etária e sexo, para os próximos 12 meses em uma operadora de saúde

Gráfico 2 - Custo assistencial por AVC (T0 representa o mês em que o agravo ocorre)

deste o resultante “O algoritmmuitas aplicações estudo terá mo permitir que se práticas, co com mais facilidade possa atuargravos de saúde ocorantes que a erminados grupos de ram com deto início de um modelo pessoas. É ermite agir mais que nos p vamente”. proati

Ampliação do Gráfico 2 para melhor visualização.

Dr. Edison Tizzot

Coordenador médico do projeto e coordenador do curso de medicina da Universidade Federal do Paraná.

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“Possuimos a maior rede pública de fibra óptica do país, além de Datacenter e rede com alta confiabilidade para dar suporte a projetos como este na área da saúde”.

Marcos de Lacerda Pessoa

Superintendente de Telecomunicações da Copel

GESTORES TEM PODER DE AÇÃO COM NOVO MODELO MATEMÁTICO Com este novo modelo de cálculo, os gestores da área de saúde passam a ter ferramentas para tomadas de decisões e aplicação de ações de custo/efetividade. O termo Custo/Efetividade, ou seja, a gestão da sinistralidade, é a preocupação atual dos gestores públicos e privados da saúde. Com o frequente aumento de custos assistenciais que ocorrem por conta das novas tecnologias e envelhecimento da população, aplicar ações cujos custos gerem resultados efetivos e mensuráveis passou a ser o assunto do momento. Ações importantes, como programas personalizados de atenção à saúde com resultados mensuráveis, maior previsibilidade do fluxo de caixa e da sinistralidade, negociação de contratos e auditoria analítica, passam a ter uma fonte de informação como embasamento para serem realizadas. CLOUD COMPUTING E BANCO DE DADOS DISTRIBUÍDO Para desenvolver esse estudo de análise de risco, o Instituto Ébera, com o apoio tecnológico das empresas

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NAGIS Health e COPEL, utilizou recursos modernos e avançados de computação, conhecidos como Cloud Computing e Banco de Dados Distribuído. O conceito de computação em nuvem refere-se à utilização da memória e das capacidades de armazenamento e cálculo de computadores e servidores compartilhados e interligados por meio da Internet, seguindo o princípio da computação em grade, que é um modelo computacional capaz de alcançar uma alta taxa de processamento dividindo as tarefas entre diversas máquinas, podendo ser em rede local ou rede de longa distância, que formam uma máquina virtual. Já o conceito de Banco de Dados Distribuído (BDD), usado para construir o Banco de Dados nacional de Sinistralidade (BDS) utilizado no projeto, se traduz por uma coleção de várias bases de dados, logicamente inter-relacionadas, distribuídas por uma rede de computadores. O BDS permite que cada operadora de saúde, empresa, ou secretaria de saúde, mantenha seus dados em seu próprio datacenter e com o uso do algoritmo batizado de Matriz Gerencial, seja possível o uso de computação em nuvem para cálculos compartilhados de análise de risco.

Os dados analisados são desidentificados, ou seja, os dados que identificam uma determinada pessoa, ou mesmo o local de onde se originaram, ficam restritos às fontes dos dados. Todas as demais informações importantes ao estudo, que são chamadas de metadados, caminham pela “nuvem” durante o processamento e análise dos dados. Para implementar o recurso de Cloud Computing e o BDS, foi necessário investimento de R$1 milhão em infraestrutura de desenvolvimento, datacenter e uso de encriptação de links. Estima-se que já tenha sido investido R$5,5 milhões no desenvolvimento do software Matriz Gerencial, que viabilizou este estudo. Para que o projeto pudesse ser concluído, foi necessária a parceria com a COPEL, Companhia de Energia Elétrica do Estado do Paraná, que possui um dos maiores e mais seguros datacenters de alta disponibilidade do país. “Possuimos a maior rede pública de fibra óptica do país, além de Datacenter e rede com alta confiabilidade para dar suporte a projetos como este na área da saúde”, conclui Marcos de Lacerda Pessoa, superintendente de telecomunicações da Copel.

IMAGENS: Dr. Edison Tizzot / Marcos de Lacerda Pessoa / Shutterstock


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O D E D SAÚ

! L I S A BR Como a dificuldade de comunicação entre os diversos setores pode prejudicar o desenvolvimento da saúde brasileira.


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Discutindo sustentabilidade

O II Fórum de Entidades Médicas e Judiciário reuniu vários atores do setor.

Atualmente, o judiciário brasileiro analisa cerca de 240 mil processos relacionados à área de saúde. Uma imensidão de pilhas de processos aguardando decisões que se arrastam por longos períodos em todo o país e questionam decisões e medidas que poderiam ter sido resolvidas de forma tranquila através do diálogo. Apesar do crescimento do setor de saúde brasileiro, o mercado vem sofrendo com as constantes regulamentações das agências reguladoras do setor, tanto da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)* como da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)*, que impactam diretamente nos custos de operações das empresas. Ao mesmo tempo em que a regulamentação é fundamental para o desenvolvimento do setor, a falta de comunicação entre alguns agentes impacta em medidas unilaterais, que precisam ser revistas constantemente. Recentemente, diversas entidades

como a ABRAMGE-RS, Unimed - Porto Alegre, ANAHP, Federação Unimed-RS, SINAMGE e SINDIHOSPA se reuniram na capital gaúcha para realizar o II Fórum de Entidades Médicas e Judiciário. O encontro abordou a sustentabilidade do sistema de saúde suplementar diante das decisões do judiciário e da ANS e medidas que impactam diretamente na gestão da saúde suplementar. Para Márcio Pizzato, presidente da Unimed Porto Alegre, o encontro foi o início de um movimento importante envolvendo operadoras, hospitais e o Judiciário. “Tramitam hoje no Judiciário brasileiro 240.980 processos judiciais na área de saúde. Defendemos a criação de uma câmara especializada em saúde, que contribuirá para a formação de consensos sobre as questões relacionadas à regulamentação, normas da ANS, limitações de exclusões de cobertura e aos impactos destas questões na sustentabilidade do sistema”, disse Pizzato.

SETOR ENGESSADO Segundo o Diretor-Executivo da FenaSaúde, José Cechin, a regulamentação do setor é benéfica em vários aspectos, pois identifica e sana algumas imperfeições do mercado. Porém, segundo ele, algumas medidas acabam inibindo a criação de novos produtos no mercado da saúde suplementar. “Uma maior flexibilidade da legislação traria avanços para o setor, pois permitiria acesso a planos de saúde a milhões de pessoas que emergiram das classes E e D para a classe média. As pesquisas de opinião revelam o forte desejo das pessoas de terem plano de saúde - o segundo objeto de desejo, atrás apenas da casa própria”, comenta Cechin. Para Cechin, há diálogo entre o mercado e a ANS. O maior problema da saúde suplementar brasileira é o crescimento contínuo dos custos. “Os problemas hoje estão concentrados muito mais nos crescentes custos do setor,

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“Maior flexibilidade da legislação traria avanços para o setor”, afirma Dr. José Cechin, da FenaSaúde. impulsionados pela introdução de novas tecnologias e pelo maior envelhecimento da população, do que por falta de canais de discussão das questões existentes”, finalizou o representante da FenaSaúde. AUTOGESTÕES TAMBÉM SOFREM Outro segmento da saúde suplementar, talvez o que mais sofre com o grande número de regulamentações da ANS, é o setor de autogestões. “A avalanche de

resoluções e instruções normativas que são editadas e aplicadas constantemente pela ANS pode, de fato, inviabilizar a continuidade de algumas autogestões. As exigências são feitas, na maioria das vezes, sem levar em conta as peculiaridades do segmento”, comenta Denise Rodrigues Eloi de Brito, presidente da UNIDAS. De acordo com a presidente, o segmento não quer privilégios, mas acredita que as autogestões não podem estar sujeitas às mesmas regras de mercado das

operadoras que possuem fins lucrativos e objetivos diferentes das autogestões. Mesmo sem deixar de lado a luta pelos legítimos interesses do segmento, a entidade participa constantemente de discussões, grupos de trabalho, comissões e câmaras técnicas junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), visando o aperfeiçoamento do sistema de saúde suplementar brasileiro como um todo.

ANVISA TAMBÉM É ALVO DE DESCONTENTAMENTO DO MERCADO Diversas decisões unilaterais expuseram a difícil relação entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e a indústria de medicamentos. A obrigatoriedade dos selos de rastreabilidade nos medicamentos, que deveria ter sido implantada já neste ano, mostrou que a falta de diálogo prejudica não somente o mercado, mas todos os envolvidos na cadeia produtiva e, finalmente, o consumidor. Uma decisão como esta, que trará benefícios para todos - principalmente para os consumidores, que terão uma garantia a mais da veracidade e origem do produto precisou ser adiada pela falta de comunicação entre a ANVISA e o mercado. Outra decisão considerada arbitrária foi a proibição dos medicamentos emagrecedores (sibutramina e anfetamina), que foram banidos do mercado causando uma reação não somente dos laboratórios fabricantes, mas também da classe médica, alegando que o tratamento de pacientes que utilizam essas substâncias não poderia ser interrompido e elas acabariam recorrendo à realização de cirurgias de estômago.

De acordo com o órgão, a decisão baseia-se em pesquisas que demonstram que esses tipos de medicamentos provocam riscos consideráveis à saúde dos pacientes, o que foi contestado pelos médicos. Para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, os benefícios dos medicamentos superam os riscos e o que deve acontecer é um controle maior na comercialização destes medicamentos. Mais uma vez, a falta de diálogo e de maior participação de todos os agentes atrasa o processo de decisões importantes para a saúde da população e colocam as agências reguladoras em cheque perante a sociedade. O fato é que, quando medidas são tomadas de forma vertical, mesmo sendo a função das agências reguladoras, o impacto é negativo tanto na indústria, como para a população. A adoção de novas resoluções, sem que sejam debatidos os possíveis impactos, pode colocar em cheque o desenvolvimento do mercado da saúde e do atual sistema de saúde suplementar brasileiro.

Impacto negativo

Decisões unilaterais prejudicam o mercado de saúde e a população.

* A ANVISA e a ANS não se pronunciaram sobre o assunto até o fechamento desta edição.

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IMAGENS: Assessoria de imprensa ABRAMGE / Shutterstock


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ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO

Veja como as organizações de saúde estão descobrindo um importante mercado na terceira idade. À medida em que os avanços da medicina proporcionam o aumento da qualidade e da expectativa de vida, através do tratamento, prevenção e cura de diversas doenças, outra questão começa a vir à tona. O envelhecimento da população tem gerado preocupação para o setor de saúde, já que essa população é usuária constante dos serviços de assistência médica. De acordo com dados do último Censo (2010), 7,4% da população brasileira possui mais de 65 anos de idade, um percentual bem maior que em 2000, quando os integrantes da terceira idade representavam 5,9% da população. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil deverá ter, em 2020, uma população

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com cerca de 12% de pessoas com mais de 60 anos. Essa previsão poderá pesar na conta do governo e de muitas operadoras de saúde suplementar, principalmente nas de autogestão que, por serem grupos fechados, não têm renovação de suas carteiras. Essa modalidade deverá ser a que sentirá mais fortemente os impactos do envelhecimento populacional, bem como o inevitável aumento nos custos da sinistralidade. O Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS), entidade vinculada à FenaSaúde, divulgou recentemente um estudo intitulado “Envelhecimento populacional e a composição etária de beneficiários de planos de saúde”, que analisa e projeta o crescimento da popu-

lação até o ano de 2050. Segundo o estudo, o sistema de saúde suplementar corre o risco de sofrer um colapso em pouco tempo, já que, entre 2010 e 2020, está previsto um crescimento de 47% na proporção de idosos no país. Outro ponto abordado no estudo é que, além do aumento do percentual de idosos, estes também deverão ganhar mais longevidade, ou seja, aumentará o percentual de pessoas com idades superiores a 75 anos, que necessitam de mais cuidados com a saúde e, como consequência, elevam os custos para a saúde pública e suplementar. Apesar de ser um fator preocupante para o setor, algumas operadoras enxergam esse cenário futuro como um desafio já para o presente. Não são


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A promoção da saúde durante toda a vida deve ser o pilar a ser seguido pelas operadoras e pela sociedade, diz a ANS. Vida ativa poucas as operadoras que já investem em programas de prevenção e promoção à saúde da terceira idade. O que para muitos pode parecer um buraco negro em relação aos custos assistenciais, pode se tornar uma importante arma para a promoção da saúde destes beneficiários, reduzindo os casos de sinistralidade e os investimentos a médio e longo prazo. Como forma de tentar reverter esse quadro, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), criou o grupo de trabalho “Envelhecimento Ativo”, que estuda estratégias para a formulação de programas de promoção do envelhecimento ativo, tanto no âmbito da saúde privada, como da saúde pública. A ANS realizou uma consulta pública para avaliar os critérios de incentivos aos beneficiários de planos de saúde que participam de programas que visam um envelhecimento saudável. A agência estuda a adoção de descontos e premiações aos participantes dos programas, que podem chegar até 30% do valor da mensalidade. Esta seria uma das maneiras de incentivar o idoso, faixa etária que paga as mensalidades mais caras devido ao alto índice de sinistralidade, a participar dos programas de envelhecimento saudável. Além de garantir melhoria na qualidade de vida do beneficiário, prevenindo doenças e males da terceira idade, essas políticas de incentivo reduzem o índice de sinistros, influenciando diretamente na redução dos custos para as operadoras. Afinal, é mais barato incentivar a prática de hábitos saudáveis e realizar um acompanhamento médico preventivo que arcar com custos assistenciais imensos decorridos dos sinistros. De acordo com a ANS, a promoção da saúde durante toda a vida deve ser o pilar a ser seguido, não somente pelas operadoras, mas por toda a sociedade, englobando ações de estímulo à adoção

de hábitos saudáveis que interfiram positivamente na qualidade de vida dos beneficiários e da população. A promoção do envelhecimento saudável é uma das diretrizes da Política Nacional de Saúde do Idoso, de 1999. Diante deste quadro que afetará a saúde como um todo e em muito pouco tempo, o setor de saúde pública vem se preparando e buscando novas estratégias para enfrentar esse desafio iminente. Seguindo diretrizes do Ministério da Saúde (MS), todas voltadas à saúde da pessoa idosa, os órgãos municipais e estaduais de saúde estão sendo orientados a desenvolver programas e políticas públicas

Um competidor de 82 anos correndo a maratona de Belgrado, na Sérvia.

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regionais de prevenção de doenças e promoção à saúde dos idosos. O envelhecimento ativo e saudável é uma das metas destacadas pelo Ministério da Saúde, que prevê a qualificação dos serviços públicos de saúde para atender de forma específica as necessidades da saúde do idoso. No âmbito municipal, o MS estimula as secretarias municipais a desenvolverem ações que visem a construção de um atendimento integral à saúde do idoso, utilizando ferramentas como as equipes do programa Saúde da Família, que visitam os domicílios em torno da Unidade de Saúde. CARTILHA DA SAÚDE A Central Nacional Unimed criou uma Cartilha sobre “Bem-estar na Terceira Idade”, orientando os beneficiários que se encaixam no perfil a manterem hábitos e rotinas saudáveis, incentivando a prática de atividades físicas, alimentação balanceada, proporcionando um novo estilo de vida dos idosos. A cartilha serve de orientação, não somente para os beneficiários idosos, mas também para as federações e demais cooperativas Unimed que queiram implantar programas de promoção à saúde voltados a este público. Dezenas de cooperativas já implementaram atividades e programas de promoção à saúde para idosos, como a realização de caminhadas, acompanhamento da pressão arterial,

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atividades dinâmicas para exercitar a memória. Em Porto Alegre, a Unimed criou o “Grupo Saúde na Terceira Idade”, que promove a saúde integral de seus beneficiários, buscando, através da prevenção de doenças e da realização de atividades educacionais e informativas, melhor qualidade de vida para a terceira idade. Segundo a Dra. Lúcia Pellanda, da Unimed Porto Alegre, a operadora possui cerca de 59 mil beneficiários com idade superior aos 60 anos. “Os participantes são altamente motivados e retornam regularmente para os encontros mensais, que foram sugeridos pelo próprio grupo. A meta é estimular o idoso a estabelecer um nível adequado de cuidados adotando hábitos saudáveis de alimentação, atividade física, atenção à saúde bucal, além de aspectos afetivos e sociais”, afirma Dra. Lúcia. Para ela, uma das saídas para evitar que o envelhecimento populacional se torne um grande problema é a mudança na mentalidade das operadoras, passando a focar na saúde e não na doença, incentivando a participação dos beneficiários, mesmo os mais jovens, em programas de promoção e prevenção, estimulando-os a adotarem hábitos mais saudáveis. “Hoje em dia, sabemos que a prevenção deve começar cada vez mais precocemente para garantir um envelhecimento saudável e ativo”, diz a coordenadora.

Grupo Saúde na 3ª idade

Unimed Porto Alegre incentiva a qualidade de vida entre os idosos.

CLUBE DA MELHOR IDADE A relação dos idosos com medicamentos parece ser uma condição inerente, principalmente diante do surgimento de novas fórmulas que tratam de muitas doenças comuns na terceira idade, como hipertensão, cardiopatias e diabetes. Com o intuito de expandir essa relação empresa-consumidor, a rede de farmácias e drogarias Nissei, de Curitiba, criou o Clube da Melhor Idade, uma forma de oferecer aos seus clientes com mais de 55 anos uma série de opções de lazer. Os participantes do clube realizam atividades como coral, passeios, atividades especiais, além de receberem descontos na compra de medicamentos e produtos na rede. Essa iniciativa, além de estimular a prática de exercícios e uma alimentação balanceada, fatores que influenciam na melhoria da qualidade de vida dos participantes do programa, também geram o crescimento da fidelização destes clientes. A relação de proximidade impacta diretamente no retorno financeiro e na construção de uma imagem de responsabilidade social da empresa, fortalecendo a marca e amplificando a sua credibilidade.

IMAGENS: UrosK / Assessoria de imprensa UNIMED Porto Alegre / Shutterstock


“Quando eu percebi, ela já estava lá. Meus movimentos ficaram mais lentos, comecei a tremer. Procurei um médico, e ele diagnosticou.” Paulo Borges, 55 anos, professor.

O PARKINSON É UMA DOENÇA NEUROLÓGICA QUE AFETA OS MOVIMENTOS. PODE CAUSAR TREMORES, LENTIDÃO E RIGIDEZ MUSCULAR. É muito importante receber o diagnóstico precoce. Existe tratamento e você pode continuar a fazer as coisas de que mais gosta. Procure um médico.

IDEALIZAÇÃO

APOIO

A c e s s e o s i t e v i v a b e m c o m p a r k i n s o n . c o m . b r

JUN/2011


O

FIM? DOS PEQUENOS

Tubarão

Metáfora usada no mercado para representar os grandes players que, com sua ação agressiva, ameaçam engolir as pequenas empresas.


MATÉRIA DE CAPA | Saúde S/A 03

Os desafios das pequenas empresas da saúde brasileira para sobreviver no mercado Pouco abaixo da superfície plácida dos oceanos, longe dos olhos da maioria dos seres humanos, a luta pela sobrevivência acontece diariamente. No mar de riscos e oportunidades que é o mundo dos negócios, os novos modelos de competitividade empresarial chegaram ao setor de saúde como um tsunami, alterando drasticamente o mercado e dizimando pequenas empresas, como farmácias e clínicas médicas. Num mercado que movimenta bilhões de reais todos os anos, a sustentação de pequenas e médias empresas de saúde, sejam elas farmácias, laboratórios farmacêuticos, operadoras de planos de saúde e centros médicos, pode estar com os dias contados. As mudanças constantes na regulamentação do setor da saúde podem ser apontadas como uma grande barreira para as pequenas empresas. Muitas vezes, essas mudanças são impostas ignorando a pluralidade do mercado, onde as pequenas empresas precisam ter o mesmo tempo e poder de resposta das grandes, que suportam melhor as mudanças de mercado. A DIFÍCIL SOBREVIVÊNCIA DAS PEQUENAS OPERADORAS DE SAÚDE SUPLEMENTAR É neste cenário desfavorável e ameaçador que se encontra a grande maioria das empresas de saúde suplementar, já

que cerca de 70% das operadoras são classificadas como pequenas. Responsáveis por carteiras menores e, conseqüentemente, geradoras de receitas menos expressivas, esses “peixes pequenos” arcam com os mesmos custos de gestão e tributação dos grandes, o que vêm se tornando um gargalo sem fim para inúmeras operadoras de pequeno porte. Muitas vezes, diante de situações financeiras adversas, acabam fechando as portas e tendo suas carteiras engolidas pelas operadoras com um porte financeiro e estrutural mais avantajado. Recentemente, diversas empresas de pequeno porte vêm sofrendo intervenções da Agência Nacional de Saúde Suplementar por enfrentarem dificuldades financeiras e de gestão, que acabam prejudicando a saúde administrativa da empresa e colocando em risco a saúde dos beneficiários, já que muitas vezes essas dificuldades acabam prejudicando a estrutura de atendimento aos usuários, causando a redução de locais de atendimento credenciados e até mesmo de procedimentos cobertos pelos planos. Num sistema de economia capitalista, esta seria apenas uma tendência natural de mercado, onde o mais forte absorve o mais fraco. Mas essa não é apenas uma questão de mercado, mas sim de saúde pública, pois as pequenas operadoras são responsáveis, em muitos

municípios pequenos, pela manutenção de clínicas e pequenos hospitais que são a única opção de atendimento. Sem políticas públicas de incentivo e de auxílio na gestão, muitas operadoras de pequeno porte acabarão sendo engolidas pelas maiores, prejudicando a livre concorrência e até mesmo a qualidade no atendimento dos beneficiários das empresas maiores, pois quanto maior a carteira de beneficiários de uma operadora, maior é a necessidade de estrutura e logística para atender a totalidade da carteira. A Associação Brasileira das Empresas de Medicina de Grupo (ABRAMGE), através da sua Comissão de Pequenas e Médias Operadoras de Planos de Saúde (PMOPS), instituída em 2008, vêm discutindo diretamente com a ANS, que criou no último 1º de março o Grupo de Trabalho Intersetorial para discutir especificamente esta questão e buscar alternativas. Para o Dr. Cyro Alves de Brito Filho, coordenador da comissão, a existência dos pequenos planos de saúde, principalmente os regionais, acaba cobrindo a falta de assistência do SUS, desonerando o sistema público e permitindo maior presença de assistência à saúde por várias regiões do país. “O fim das pequenas operadoras do interior e a conseqüente perda de capilaridade no atendimento poderá levar a um apagão na saúde suplementar”, alerta Brito.

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Número de Beneficiários das Operadoras

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A concentração do mercado de saúde brasileiro é uma tendência em todas as áreas, seja nas operadoras de saúde, na indústria farmacêutica e de equipamentos médicos, no setor hospitalar e na distribuição e venda de medicamentos. Diante deste quadro, as pequenas e médias empresas de saúde criam as mais diversificadas estratégias para permanecerem competitivas num mercado onde o maior desafio é a sobrevivência. A redução do número de operadoras, o aumento do número de beneficiários na saúde suplementar, a ampliação do acesso da população aos medicamentos retratam os novos desafios e oportunidades que o setor terá pela frente.

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O PANORAMA DA SAÚDE NO BRASIL

2008

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2010

2011

Fonte: Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) 2010

O incentivo tributário às micro e pequenas empresas da saúde suplementar é visto pelo coordenador como uma das soluções. “A própria Presidente da República cita como uma das maiores prioridades de seu governo o apoio a pequenas empresas. Deste modo, gostaríamos de tratamento diferenciado para as PMOPS, semelhante a todos os outros segmentos econômicos”, conclui o coordenador. AUTOGESTÃO À DERIVA As operadoras de autogestão são as que mais sofrem com a ferocidade do mercado. Diante de um quadro onde

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80,2% das autogestões são de pequeno porte, este setor específico é um dos mais sensíveis às mudanças propostas pela ANS. Para a presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde – UNIDAS, Denise Rodrigues Eloi de Brito, a gestão é uma das armas para as pequenas operadoras. “Um dos pontos importantes da nossa agenda de trabalho é tentar fazer com que a ANS regule de forma simplificada o segmento de autogestão, desonerando as obrigações, especialmente para as instituições de pequeno e médio porte. A UNIDAS também oferece a essas filiadas informações e estudos estraté-

gicos sobre o setor, programas de capacitação profissional, orientação jurídica, portal de compras de OPME, além de desenvolver ações estratégicas e políticas para a defesa e sustentabilidade de suas filiadas”, afirma Denise. Uma das saídas defendidas pela UNIDAS é a verticalização, que ocorre quando uma operadora adquire infraestrutura própria, como hospitais e laboratórios, o que pode contribuir - no caso de uma boa gestão - para a redução dos custos assistenciais, já que ela pode administrar diretamente todo o processo. “Desenvolvemos um estudo de viabilidade de verticalização de serviços que resultou em uma experiên-


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O fim das pequenas operadoras pode levar a um apagão na saúde suplementar. cia de implantação de projeto piloto, já iniciado no Rio de Janeiro, com estudos para futura aplicação em outros estados”, comenta a presidente da UNIDAS. Um excelente exemplo de sucesso de verticalização é a Amil Saúde, que presta serviços de operação dos planos, atendimento hospitalar e até de diagnóstico. O case da Amil demonstra que, quando há um alto nível de organização de toda a rede verticalizada, a operadora passa a ter quantificadores de qualidade dos seus serviços, o que não ocorre quando não há um nível aceitável de organização. Este conceito precisa ser muito bem planejado, pois, para que se possa chegar a um controle efetivo de custo e qualidade, a presença de uma capilaridade na operadora faz-se necessária, pois a gestão de um hospital subutilizado pode se transformar em algo insustentável e levar a operadora a uma crise sem volta. Os pequenos hospitais e clínicas médicas também vêm sofrendo baixas diante do surgimento de grandes centros médicos pelo país e da ampliação da rede de unidades básicas de saúde em muitas cidades do Brasil. Muitos desses pequenos hospitais e clínicas, principalmente nas cidades do interior, dependem dos beneficiários das empresas de saúde suplementar regionais, que na sua maioria são de pequeno porte. Com o fim dessas operadoras, os hospitais e clínicas também sofrem com a falta de pacientes, tornando-se subutilizados. Em muitos casos, a única saída é a venda da estrutura ou a falência. A COMPETITIVIDADE NA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA A tendência de aumento na concentração do mercado se expande por toda a cadeia produtiva do setor de saúde no país, inclusive na indústria farmacêutica e na distribuição de medicamentos. As pequenas indústrias brasileiras também

vêm sendo “engolidas” ao longo dos últimos anos pelas grandes indústrias nacionais e estrangeiras. O crescimento do setor farmacêutico brasileiro, que fatura em média US$ 20 bilhões por ano, coloca o país no 9º lugar do ranking mundial do segmento. De acordo com o vice-presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, a aquisição de pequenos laboratórios pelos maiores é uma dinâmica natural do mercado. “As demandas crescentes da população por saúde e a conseqüente expansão deste mercado favorecem o processo de fusões e aquisições no setor”, diz Mussolini. De acordo com o vice-presidente, os maiores desafios para as indústrias farmacêuticas são a elevada carga tributária (cerca de 33,9% do preço final do produto) e o crescimento dos custos de produção dos medicamentos. Mesmo diante dessas barreiras, Mussolini acredita no crescimento contínuo do setor no país. “O setor gera 74 mil empregos diretos e 300 mil indiretos. Somente em 2010, o Brasil exportou US$ 1,2 bilhão em medicamentos”, completa. O ambiente competitivo é um dos principais fatores que levam ao fechamento dos pequenos laboratórios. Mas, segundo Mussolini, certamente darão lugar a novos pequenos laboratórios, que podem aproveitar novos nichos de mercado, procurando atender necessidades específicas do setor. Nos últimos anos, laboratórios pequenos têm procurado esses novos nichos, como no caso dos medicamentos fitoterápicos, mercado que cresce em torno de 10% ao ano e já movimenta em torno de R$ 400 milhões. Este tipo de medicamento, dependendo da tecnologia empregada, pode gerar uma economia de até 70% em relação aos medicamentos convencionais. Nesse cenário, a tradicional farmácia de esquina está sumindo, perdendo lugar

Dr. Cyro Alves de Brito Filho

Diretor da comissão PMOPS da ABRAMGE

para as grandes redes de drogarias que se espalham pelas cidades. Em contrapartida, as pequenas farmácias de manipulação que produzem medicamentos fitoterápicos e homeopáticos estão em expansão, surgindo como uma das saídas para o setor. A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), entidade que reúne as 28 maiores redes de farmácias do Brasil, comemora o crescimento constante das redes de farmácia no setor varejista desde 2007. De acordo com dados da própria entidade, neste ano as redes de farmácia obtiveram um faturamento de R$ 18 bilhões, passando para R$ 21 bilhões no ano seguinte e a expectativa para este ano é de um faturamento ainda maior, na faixa dos R$ 40 bilhões. “As grandes redes representadas pela Abrafarma dobraram suas vendas nos últimos cinco anos, chegando ao patamar projetado de R$ 20 bilhões para 2011.

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O crescimento do primeiro quadrimestre foi de 18,81%, totalizando R$ 6,16 bilhões. Esse crescimento deve-se a vários fatores: na área macro, estabilidade da economia pós-plano real e ampliação da renda. Na área micro, que reflete a eficiência do negócio, podemos apontar um salto de patamar no modelo de gestão, e na própria estrutura de lojas”, afirma o presidente da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto. Ainda de acordo com Barreto dentre as 65 mil farmácias que existem no Brasil, apenas 12 mil delas são responsáveis por 75% do faturamento do setor, o que confirma a concentração desse mercado. Outras 13 mil pequenas e médias possuem uma estrutura adequada e estão presentes em muitos municípios, mas as outras 40 mil possuem uma chance bem reduzida de se manterem competitivas neste mercado que fica mais restritivo. Para a associação que representa em

torno de 36% das redes de farmácia do Brasil, ainda há muito espaço para crescimento deste segmento, principalmente nas cidades menores onde existe uma boa perspectiva de crescimento de renda, mas que atualmente há uma presença muito discreta tanto de suas associadas, como das redes de drogarias de supermercados e demais redes de farmácia. Neste setor específico há uma expansão das grandes redes como a São Paulo, Droga Raia, Drogasil e Pague Menos que tiveram um crescimento médio de 20% em 2009, faturando juntas quase R$ 8 bilhões em 2010. Isso consolida a tendência de polarização destas grandes redes, já que elas acabaram adquirindo boa parte das pequenas farmácias. Maior rede de farmácias do Brasil atualmente, a Pague Menos, que obteve um lucro de R$ 2,2 bilhões em 2010, deve manter uma média superior

a 20% de crescimento no faturamento até o final deste ano. Com mais de 440 lojas espalhadas por todo o país e cerca de 12 mil funcionários, a rede se prepara para abrir seu capital na bolsa de valores até 2012. De acordo com Sérgio Mena Barreto, a partir de 2014 deverá ocorrer uma grande mudança, quando entrarão em vigor novas regras para medicamentos similares, que deverão realizar testes de bioequivalência. “Cremos que uma parte deles deixará de existir por impossibilidade de atender à nova legislação. Uma vez que esta categoria de produtos tem grande penetração nos estabelecimentos menores, isso será impactante e determinante para a sobrevivência econômica de muitas destas empresas”, finaliza. PELA SOBREVIVÊNCIA DOS FILANTRÓPICOS Criadas e mantidas pelas igrejas católicas, as entidades filantrópicas de saúde podem se tornar as maiores vítimas de um sistema de saúde que cada vez mais vem adotando conceitos mercantilistas. Como a grande maioria dos atendimentos realizados nestes locais são através do Sistema Único de Saúde (SUS), muitos não possuem uma movimentação de recursos significativa a ponto de conseguirem investir em melhorias de infra-estrutura e no atendimento. Isso impacta, em alguns casos, na redução da procura por leitos, subutilizando boa parte destes hospitais, já que grande parte deles localiza-se em municípios com baixo número de habitantes. Diante deste cenário, a Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB), criou um projeto piloto na cidade de Franca, interior paulista, intitulado “Cuidados Continuados”, que tem como objetivo transformar a filosofia de trabalho destas entidades de saúde focando no atendimento mais específico de idosos, dependentes químicos, mulheres e pacientes psiquiátricos.

Ambiente competitivo

Pequenos laboratórios são “engolidos” pelas grandes indústrias.

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IMAGENS: Assessorias de imprensa / Shutterstock


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Os pequenos complementam os médios e os grandes neste sistema plural. “A idéia é que esse modelo seja incorporado no Brasil. Em Portugal, quase todas as Santas Casas de Misericórdia aderiram a esse tipo de programa, que se transformou numa política do governo português chamada “Cuidados Continuados”. Ficamos impressionados com o trabalho deles, é muito efetivo. Eles recuperam as pessoas e têm um reconhecimento importante da população e acreditamos que este modelo pode se encaixar muito bem aqui no Brasil”, defende Dr. Paulo Carrara, coordenador do projeto. A diretora do Departamento Regional de Saúde de Franca, Dr.ª Adriana Ruzeme, explica a participação do estado no projeto. “O Cuidados Continuados é uma parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde e o Centro de Estudos Augusto Leopoldo Ayrosa Galvão da Santa Casa de SP que tem por objetivo revitalizar os hospitais filantrópicos de pequeno porte através da criação de enfermarias especializadas”. Para a diretora, a expectativa é transformar os leitos desses hospitais para ampliar a demanda e a qualidade do atendimento oferecido à população. “A Secretaria de Estado da Saúde financia os equipamentos e a reforma da estrutura já existente e também custeia as internações”, conclui a diretora. O projeto-piloto está sendo implantado na área do Departamento Regional de Saúde de Franca e engloba uma população de mais de 657 mil habitantes nos 22 municípios atendidos pelo órgão e pode ser uma grande arma na busca da sustentabilidade destas entidades. Com uma nova filosofia de atendimento, os hospitais filantrópicos podem, através da regionalização do atendimento e da especialização dos seus serviços, buscar o aumento da sua demanda. A SUSTENTABILIDADE EM RISCO A existência dos “pequenos” parece ser essencial para o bom funcionamento do sistema de saúde vigente no

Brasil, onde o suplementar complementa o público, assim como os pequenos complementam os médios e grandes neste sistema que necessita de uma pluralidade de opções, respeitando e se adaptando às diferentes características regionais, econômicas e sociais. Afinal, prestar atendimento à saúde de uma população de 190 milhões num país de dimensões continentais é um desafio diário para todos os gestores da saúde. Analisando o cenário atual, percebe-se o crescimento da concentração nos diversos segmentos do setor que, seja no sistema de saúde suplementar, na indústria farmacêutica e de equipamentos, pode colocar em risco a sua sustentabilidade. Mesmo o crescimento contínuo do mercado da saúde suplementar brasileira não é garantia de melhora no atendimento e nos serviços oferecidos aos beneficiários, assim como o crescimento da indústria farmacêutica não impacta diretamente na redução dos preços de medicamentos nem mesmo na universalização do acesso aos mesmos. Com um cenário muito promissor a curto e médio prazo, o sistema de saúde brasileiro enfrentará novos desafios, que vão muito além da oferta de novos serviços e um maior acesso de produtos à população, afinal é a sobrevivência - não apenas dos “pequenos”, mas de todo o sistema - que pode estar em jogo. Passados mais de quatro décadas do surgimento da primeira entidade de medicina de grupo, a ABRAMGE, o sistema de saúde brasileiro vive um momento ímpar na sua história. Com o crescimento econômico estável nos últimos anos, o sistema de saúde suplementar chegou à casa de mais de 46 milhões de beneficiários, criando um grande desafio para muitas dessas operadoras, que não tiveram um desenvolvimento de infra-estrutura à altura deste crescimento de usuários. Diante dos novos desafios, o sistema de saúde precisa se reinventar, desde as pequenas farmá-

Drª. Adriana Ruzeme

Diretora do Departamento Regional de Saúde de Franca

cias e drogarias, as pequenas clínicas médicas, os hospitais de pequeno porte e pequenas operadoras de saúde precisarão usar da criatividade para criarem novos produtos, reverem paradigmas e não somente sobreviverem, mas também se desenvolverem no cenário atual da saúde brasileira. Cenário este, onde a doença não pode ser mais o foco do sistema, e sim a saúde. O usuário deve ser a prioridade de um sistema que pretende continuar a crescer economicamente e se desenvolver como um todo produzindo benefícios para todos os personagens envolvidos. Com toda a certeza este será o grande desafio deste início de década. Senhoras e senhores gestores da saúde: o desafio está lançado.

* A ANS não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento desta edição.

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s o t u prod CONFORTO E SEGURANÇA AO AMAMENTAR ”À DISTÂNCIA” A Philips Avent está trazendo ao Brasil a Bomba Extratora Philips Avent. Fabricada na Inglaterra, é considerada a marca mais recomendada pelas mães em pesquisa realizada com mais de 2.500 pessoas nos Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, França, Alemanha, Rússia e China. Com ela é possível extrair o leite materno em menos tempo se comparado com outros extratores, graças ao sistema de almofadas exclusivas. A tecnologia possibilita estender a amamentação para as horas em que a mãe não estiver presente.

NOVO RÓTULO DAS BOLSAS DE SORO BAXTER A Baxter Hospitalar anuncia uma alteração no rótulo de suas bolsas de soluções parenterais que propicia um maior destaque na visualização do medicamento, contribuindo para a prevenção de erros de medicação. A parte superior do rótulo contém informações do medicamento e dados para facilitar a rastreabilidade. O centro do rótulo traz informações técnicas do produto, dados físico-químicos e de armazenamento, além de cuidados e informações adicionais aos profissionais de saúde. Na parte inferior, constam as informações da Baxter, como endereço, contatos, SAC e o responsável técnico.

NOVO OXÍMETRO DE PULSO DA HI TECHNOLOGIES O oxímetro de pulso Milli é uma nova proposta da Hi Technologies. Criado com foco na Humanização em saúde, o produto monitora quatro sinais vitais: saturação do oxigênio (SPO2), pulso, índice de perfusão e índice de variabilidade de perfusão. Ainda traz recursos únicos como tela touchscreen, internet sem fio, webcam e integração com outrosequipamentos. É um produto versátil que dispõe de uma loja virtual de aplicativos, com customizações especiais para UTI, anestesiologia, ambulâncias e home care. Mais informações no site www.hitechnologies.com.br ou pelo twitter (twitter.com/hi_technologies).

MONITORAMENTO CARDÍACO AVANÇADO A Cinterion, líder global em módulos de comunicação celular de máquina-paramáquina (M2M), em parceria com a TZ Medical, fabricante de produtos médicos de terapia intensiva, anunciam o lançamento do Aera-CT™, aparelho de "mHealth" (Saúde Móvel) para o monitoramento de arritmia cardíaca. O Aera-CT aprimora a capacidade de detectar arritmias cardíacas rapidamente, durante atividades cotidianas e períodos de tempo prolongados. Projetado para ser fácil de usar e proporcionar comodidade, esse aparelho discreto é aplicado no paciente com apenas três eletrodos.

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IMAGENS: Assessorias de imprensa / Shutterstock


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NOVIDADES DA AGFA HEALTHCARE A Agfa HealthCare está lançando o novo sistema CR de última geração na área de Imaging, o DX-M e três novos produtos da área de IT, o IPlan, o RIS 5.7 e o Volume Viewing 2.0. O DX-M oferece qualidade superior de imagem, alta produtividade e potencial redução de dose para o paciente. São ideais para diferentes aplicações: Radiografia Geral, Mamografia Digital, Ortopedia e Extremidades - Perna e Coluna Completa, Neonatal, Pediatria e Odontologia. Na área de IT, o IPlan é um módulo de agendamento corporativo que permite a qualquer instituição de saúde realizar o agendamento de exames, consultas e outros tipos de procedimentos em um único sistema.

LUVAS CIRÚRGICAS LIVRE DE LÁTEX A Bace, importadora e distribuidora exclusiva da Ansell Healthcare, líder mundial em luvas, traz para o Brasil a Derma Prene Ultra. A luva, de padrão internacional e feita de borracha sintética, previne contra a alergia cumulativa ao látex, além de garantir proteção e segurança a pacientes e profissionais sensíveis a químicos ou já alérgicos ao próprio látex. Disponível até o tamanho 9, o produto possui sistema de calçamento por polímeros, o que garante maior conforto e integridade da pele.

SOLUÇÃO COMPLETA PARA TRATAMENTO DE RESÍDUOS O Sistema de Tratamento de Resíduo Hospitalar foi a novidade apresentada pela Cisa aos visitantes da Hospitalar 2011. Uma solução exclusiva e completa composta por autoclave, triturador e compactador, que pode estar em um único módulo pronto para instalação e uso. Com o sistema, o resíduo hospitalar é transformado em resíduo comum, garantindo aos hospitais um resultado ideal e a eliminação dos custos com terceiros. A Cisa fabrica e comercializa sistemas de esterilização para hospitais e indústrias há 65 anos, a partir de sua sede produtiva localizada em Roma, na ltália. Está presente no Brasil desde 2002, com a sua segunda unidade produtiva (CisaBrasile), que fica na cidade de Joinville, estado de Santa Catarina.

BSTEC APRESENTA NOVIDADES NA FEIRA HOSPITALAR 2011 A BSTec apresentou durante a Feira, equipamentos para proteção biológica inéditos no Brasil, como a Cabine para PRP. O equipamento fornece condições necessárias para uma manipulação estéril de fluidos, reduzindo os riscos para o paciente submetido a procedimentos de manipulação celular. As cabines S27 e S29 consistem num sistema de controle microprocessado que permite a monitoração de uso da cabine, saturação do filtro e do ciclo de esterilização da lâmpada UV. Já o lavatório L1 possui rodas de silicone facilitando a locomoção, dispensa qualquer instalação hidráulica, gerando economia de água.

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o d a c mer NOVA LEI DO CUSTO-EFETIVIDADE DAS TECNOLOGIAS EM SAÚDE Aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidente da República, Dilma Roussef, a Lei Federal nº 12.401 de 28 de abril de 2011 promete gerar novos debates no setor da saúde. O texto da lei cria novos critérios para a inclusão de novas tecnologias para utilização e reembolso no sistema público de saúde. O objetivo da lei é garantir que somente tecnologias que tenham o seu custo-efetividade comprovado entrem na lista de procedimentos do sistema público de saúde. No texto da lei, porém, não há um valor que possa servir de referência para avaliações. Para Gabriela Tannus, da Axia.Bio Consultoria, mesmo com esses pequenos vácuos dentro da lei, a sua aprovação pode ser considerada um avanço para o setor. “Essas avaliações já fazem parte da realidade de países como Inglaterra, Austrália e Canadá. Certamente temos questões polêmicas, mas somente o diálogo entre os participantes do mercado fará com que tudo funcione e alcance seu objetivo final: garantir que a população tenha acesso a tecnologias que realmente melhoram a saúde e com um preço acessível”, diz Gabriela.

COLSON DO BRASIL QUER MAIOR PARTICIPAÇÃO NO MERCADO DE SAÚDE O grupo Colson, maior fabricante e distribuidor de rodízios e produtos relacionados em todo o mundo e presente em 16 países, pretende incrementar a participação no mercado nacional de saúde a partir do segundo semestre. A unidade brasileira do grupo, com sede em Araucária (PR), oferece duas linhas de produtos destinadas à área hospitalar. A linha TwinTech, direcionada para camas hospitalares, possui alta estabilidade e fornece excelente capacidade de manobra, devido à sua principal característica: rodízio de rodas duplas, com movimento de rotação independente. A linha SingleTech tem características similares, oferecendo maior facilidade de giro em relação à linha Twin Tech. As duas linhas estão disponíveis nos tamanhos de 125 e 150 mm, com capacidade de carga até 150 Kg.

TECNOLOGIA DE PONTA DA GNATUS TAMBÉM NA ÁREA MÉDICA A Gnatus, maior exportadora brasileira de produtos para a área odontológica, aumenta seu campo de atuação com a linha de equipamentos médicos da nova marca Gnatus Medical. A empresa passa a investir nessa nova área levando seu conheci conhecimento em desenvolvimento de produtos tecnológicos. aciona A nova linha de produtos é composta por mesas para exames e massagens com acionamento automático, semiautomático e elétrico e consultórios podológicos automatizados. Além dos produtos apresentados, a Gnatus está desenvolvendo, em parceria com o Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo, um novo foco cirúrgico a LED. Para Carlos Banhos, gerente de engenharia, “o principal foco é investir em tecnologia de ponta e estar sempre à frente do mercado, por isso o investimento na Gnatus Medical, trazendo a qualidade e a inovação de nossos produtos para a área médica”. reco A Gnatus Medical terá por trás da marca uma rede de assistência já estabelecida e reconhecida, além dos 35 anos de experiência de mercado da empresa.

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IMAGENS: Assessorias de imprensa / Shutterstock


NEGÓCIO SAÚDE | Saúde S/A 03

DOCOL DE OLHO NA SAÚDE A Docol pretende incrementar a participação no segmento de saúde a partir do próximo ano com a linha DocolMatic. A linha é composta por três grupos de produtos, todos voltados a locais com grande fluxo de pessoas e que buscam racionalizar o uso da água: os produtos Pressmatic são práticos, resistentes a depredações, além de higiênicos, já que os usuários só precisam pressionar uma vez os dispositivos. Os produtos DocolSensor são acionados automaticamente por sensor e desligam após o uso, sem contato manual. Já os produtos Docol Benefit são destinados a pessoas com dificuldades motoras, idosos e crianças. As alavancas especiais aumentam as áreas de contato e reduzem a força necessária para o acionamento dos produtos. Há 55 anos no mercado, a Docol é a maior exportadora de metais da América Latina, com produtos presentes em mais de 35 países em todos os continentes.

BACE TRAZ A BERCHTOLD PARA O BRASIL A Bace Health Care, fornecedora de produtos inovadores de consumo médicohospitalar, foi escolhida para representar com exclusividade a Berchtold em São Paulo. A holding alemã, líder mundial na concepção e implementação de ambientes cirúrgicos, pretende desenvolver-se no mercado nacional. A expectativa é que no próximo ano a empresa tenha um faturamento de 5 milhões de euros negociados no Brasil.

A MOBILIDADE EXPANDE O MERCADO DE BUSINESS INTELLIGENCE O crescimento acelerado do uso de tablets e smartphones nos negócios está mudando completamente o modo como a informação é utilizada pelo mundo corporativo. Um recente estudo, com 4.000 usuários de mais de 2 mil empresas clientes da MicroStrategy, constatou que 78% das pessoas deste universo já estão desenvolvendo ou considerando desenvolver aplicações móveis. Pensando nisso, a MicroStrategy está dando um passo definitivo em direção ao mundo mobile e investindo fortemente em uma estratégia neste novo cenário. O MicroStrategy Mobile estará disponível em breve nas AppStores e uma versão gratuita para 25 usuários estará disponível para download no web site da companhia.

PREGÃO ELETRÔNICO PARA COMPRAS HOSPITALARES O Publinexo, um sistema de pregão eletrônico em tempo real usado pelo setor público para gerenciar todas as informações do processo de compras, começa a ser utilizado também em hospitais privados. A negociação ao vivo compartilhada simultaneamente com todos os participantes, compradores e fornecedores, amplia a transparência, além de dar legitimidade ao processo de aquisição que se torna totalmente auditável. Um dos exemplos de utilização do sistema é o Grupo Saúde Bandeirantes, que atua no segmento de saúde desde 1975 e hoje é referência em administração hospitalar em São Paulo. “Não acredito em negociações. Só conseguimos melhores resultados usando essa ferramenta democrática que confronta os fornecedores e nos oferece resultados financeiros, transparência e sustentabilidade. O sistema possibilita a qualquer fornecedor homologado vencer o pregão, com equidade na participação”, explica Ronie Oliveira Reyes, gerente corporativo de Suprimentos do Grupo. A plataforma foi apresentada pela Bionexo durante a Hospitalar 2011.

Para saber mais acesse: www.saudesa.com.br


18ª NEGÓCIO SAÚDE | Saúde S/A 03

FEIRA HOSPITALAR Sucesso da Hospitalar alavanca lançamento de feiras técnicas sobre enfermagem e reabilitação. Além de deixar clara a tradição da feira como o principal evento da área de saúde das Américas e o segundo maior evento mundial do setor, a 18ª edição da Hospitalar – Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, Serviços e Tecnologia para Hospitais, Laboratórios, Farmácias, Clínicas e Consultórios serviu como plataforma de lançamento de novos eventos para o setor. Dentre as várias parcerias celebradas durante o evento, a Hospitalar Feira e Fórum, juntamente com o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN-SP) e a Associação Médica Brasileira (AMB) vão realizar no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo, a partir de outubro próximo, três eventos simultâneos e complementares: a Expo Enfermagem – 1ª Feira Internacional de Produtos e Serviços para Enfermagem; o 2º Fórum de Enfermagem do COREN-SP e 1º Fórum Brasileiro de Medicina da AMB. Além da atualização profissional, enfermeiros e médicos terão uma nova oportunidade de contato direto com as novas tecnologias em produtos, equipamentos e serviços utilizados no dia-a-dia

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dos hospitais. A Feira + Fórum reunirá conteúdo científico, debates e troca de experiências em torno de uma feira de negócios, com produtos, serviços e equipamentos especialmente dedicados às atividades desses profissionais da área de saúde. Segundo Cláudio Porto, presidente do COREN-SP, a união entre as duas mais representativas categorias de profissionais de saúde somam mais de 2,5 milhões de trabalhadores. "Juntos, seremos mais fortes para discutir e propor melhores políticas de atendimento em saúde", disse. Outro destaque foi o lançamento da Reabilitação Feira e Fórum, que será realizada entre 15 e 17 de agosto de 2012, também no Palácio das Convenções do Anhembi. O evento será totalmente dedicado a criar oportunidades de negócios, intercâmbio de experiências e conhecimentos para empresas e profissionais ligados à prevenção, atendimento, reabilitação e inclusão de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. A secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo e

presidente de honra da Reabilitação Feira e Fórum, Dra. Linamara Battistella, destacou que o novo evento e as parcerias construídas serão fundamentais para trabalhar por um grupo que não é mais minoria no país. "Nesse lançamento, estamos falando em articular direitos humanos e dar oportunidades para todos os cidadãos", declarou. Para Franco Pallamolla, presidente da Associação Brasileira da Indústria Médico-Odontológica (ABIMO), além de ajudar a indústria do setor, a convenção auxiliará na gestão desse público. “Eu acredito que esta feira marca, de fato, um processo de mudança cultural, de resgate de uma dívida. Nós temos que entender que as pessoas portadoras de necessidades especiais são normais e, como sociedade, precisamos aprender a conviver com as diferenças, temos que incluí-las e inseri-las no mercado de trabalho, pois elas têm potencialidades e geram riquezas”, complementa. A Reabilitação surgiu há nove anos como um setor da feira de saúde, mas logo se desenvolveu a ponto de tornarse uma "feira dentro da feira".

IMAGENS: Assessoria de imprensa Feira Hospitalar


REPORTAGEM | Saúde S/A

Homenagem

Líderes do setor homenageiam Dr. Jorge Kalil, durante jantar da Hospitalar

A convenção reuniu expositores, decisores e expoentes do setor em mais uma edição do maior evento de saúde das Américas O sucesso da Hospitalar, ano após ano, tem colocado o Brasil como um grande mercado para expositores e compradores brasileiros e estrangeiros, sendo que nessa edição a Feira contou com 1250 expositores de 34 países e recebeu 91 mil visitantes, que vêem o Brasil como um cenário favorável para fomento de negócios, alinhamento de interesses de gestores e uma grande oportunidade de crescimento da indústria da saúde. Entre as diversas personalidades políticas e setoriais que participaram da abertura do evento, o ministro da saúde, Alexandre Padilha, destacou em seu discurso que a Hospitalar chama a atenção para o papel estratégico. “Esta feira é uma oportunidade para debater e reafirmar a importância do setor para o Brasil que estamos construindo, pois não seremos a quinta maior economia do mundo como desejamos se não tivermos um setor de saúde bem estruturado e eficiente”, disse. O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, lembrou que a feira atinge sua “maioridade” com sucesso absoluto. “Trata-se da segunda maior feira do mundo. Temos que rever metas e desafios, como a questão tributária no setor, para que a indústria médicohospitalar não perca competitividade e eficiência”, declarou Alckmin.

Novas tecnologias

O ministro Alexandre Padilha passeando pelos stands da Feira Hospitalar.

Além do lançamento das mais importantes novidades tecnológicas da área, nesta edição aconteceram mais de 60 eventos simultâneos, entre congressos, jornadas e reuniões setoriais onde dirigentes hospitalares, profissionais da área e pensadores de saúde puderam discutir rumos e tendências na área de gestão de negócios. Para o presidente da AMB, Dr. José Luiz Gomes do Amaral, os fóruns foram o grande destaque. “Nós sabemos que a tecnologia vem se desenvolvendo num ritmo vertiginoso, portanto, no campo da tecnologia nada mais nos surpreende, e mesmo que maravilhados com as novidades, sabemos que ano que vem terão outras. O que é mais entusiasmante é aquilo que se discute nos fóruns e de que maneira nós vamos fazer tudo aquilo ser colocado na

prática”, disse Amaral. Reafirmando essa declaração, Dra. Waleska Santos, fundadora e presidente da Hospitalar, adiantou novidades sobre a próxima edição da Feira. “Para a próxima edição da Hospitalar, o intuito é trazer todo esse conteúdo dos fóruns, ampliando a oferta de conhecimento, customizando as informações para as pessoas que têm o poder de decidir sobre a saúde, que são os prefeitos, secretários de saúde e governadores. Trazendo esse conteúdo para uma discussão, vamos abrir e oxigenar a mente desses gestores para que eles possam interferir diretamente, priorizando o assunto saúde”, complementou.


Fatos & Fotos LAR ESPECIAL - 18ª FEIRA HOSPITA 1

Liana Kalil e Dr. Jorge Kalil homenageado com o Prêmio Hospitalar 2011 – Personalidade do Ano na Área da Saúde.

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Dr. Gonzalo Vecina (superintendente do Hospital Sírio Libanês) recebendo o Prêmio Destaque de Administração Hospitalar das mãos do Prof. Dr. Christian de Paul de Barchifontaine (Reitor do Centro Universitário São Camilo e Superintendente da União Social Camiliana) .

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Dr. Arlindo de Almeida (Presidente da ABRAMGE) Dra. Waleska Santos (Presidente da Hospitalar), Silvia Czapski e Paulo Barbante (Diretorpresidente da Intermedica) durante lançamento do livro “Dr. Juljan Czapski - O Cavaleiro da Saúde", da editora Novo Século.

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Caio Luiz de Carvalho (presidente da São Paulo Turismo), Dra. Waleska Santos (Hospitalar), Franco Pallamolla (presidente da ABIMO), Stefan Zimmer (diretor de relações internacionais do Seguro Social alemão), Paulo Dias de Campos (diretor do Centro Brasileiro de Segurança e Saúde Industrial), Dra. Linamara Rizzo Battistella (secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo), Milton Longobardi (diretor de marketing do Anhembi), Baldur Schubert (OISS-Organização Ibero-americana de Seguridade Social) e Eva-Marie Höffer durante o lançamento da I Edição da Reabilitação – Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, Serviços e Tecnologia para Reabilitação, Prevenção e Inclusão 2012.

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6 IMAGENS: Jeferson Vernardes / André Medici / J. B. / Estúdio F. Imagem / Shutterstock


NEGÓCIO SAÚDE | Saúde S/A 03

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Deputado Ronaldo Zulke, Deputado Darcísio Perondi (Presidente da Frente Parlamentar de Saúde) e Franco Pallamolla (ABIMO).

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Deputado Darcísio Perondi (Frente Parlamentar) Dra. Waleska Santos (Hospitalar)

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Cantora Fafá de Belém em performance no Jantar da Hospitalar.

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Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, na abertura da 18ª Feira Hospitalar.

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Francisco Santos (Presidente do Grupo COUROMODA) Alexandre Padilha (Ministro da Saúde) Dra. Waleska Santos (Hospitalar).

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Dr. Marcello Bronstein (Endo Clínica) e Silvia Poppovic.

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Prof. Ivan Cecconello (USP); Jorge Alves Souza (Hospitalar); e Salim Taufic Schahin (Grupo Schahin).

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Marlene Schmidt (Fanem), Djalma Rodrigues (Fanem) e o Prof. Dr. Uenis Tannuri premiado com o Troféu Walter Schmidt.

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Dra. Waleska Santos (Hospitalar) e Dra. Linamara Rizzo Battistella (secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo)

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Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em discurso na abertura da 18ª Feira Hospitalar.

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GESTÃO | Saúde S/A 03

O QUE É MAIS

PRECIOSO

PARA VOCÊ? Tempo é algo precioso em nossos dias. Porém, à medida que aprendemos a gerenciar a vida profissional, menos nos dedicamos ao que realmente importa. Sempre que posso, pergunto para as pessoas que nos procuram para projetos de desenvolvimento pessoal e profissional o que é mais precioso para elas. Na maioria das vezes ouço que é a família, a pessoa amada ou os filhos. Em seguida, pergunto onde a pessoa tem investido a maior parte do seu tempo, e a resposta raramente coincide com a da primeira pergunta. E então, quando questiono onde a pessoa investe a melhor parte do seu tempo, é possível encontrar alguma concordância com a primeira resposta. É muito possível que você, assim como eu, invista boa parte do seu tempo em atividades profissionais. Mas porque não investir a melhor parte do seu tempo com o que lhe é mais precioso? Tenho percebido que as pessoas não fazem isso, essencialmente, porque não aprenderam a fazê-lo, pois ocupam seu tempo livre com atividades prazerosas, porém egocêntricas, como assistir a filmes e programas de TV, acessar redes sociais, e outras atividades em que se é o único beneficiado. Isso nos leva a ter cada vez menos tempo para nos dedicarmos ao que realmente importa, além de administrar diversos focos simultaneamente. Focos de atenção variados, muitas vezes divergentes, nos impedem de obter a máxima satisfação na experiência em cada atividade que nos propomos a fazer.

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Neste ponto é importante distinguir prazer de satisfação. Especialistas distinguem prazer de satisfação da seguinte maneira: Prazer está associado a recompensas de curto prazo, ao realizar desejos ou ter a sensação de bem-estar que pode ser causada por elementos externos. O prazer, como resposta do organismo ao fato de estarmos fazendo algo que nos agrada, é fundamental para manter a homeostase física, mas não acrescenta complexidade ao Ser. Satisfação está associada à expansão do Ser para conseguir algo maior do que acreditávamos ser possível, ao alcançar um desafio maior, fruto de uma dedicação extra, mesmo quando o processo de busca deste algo não tenha sido muito agradável. Algo como concluir uma corrida de maratona, passar no vestibular, ou dar aquele passo além e chegar onde não havia chegado antes. Naturalmente, atividades prazerosas são importantes e relevantes. Entretanto, é nas atividades que exigem de nós um passo além que encontraremos a verdadeira essência da vida, traduzida em crescimento e expansão. Definir foco e destinar tempo e atenção

ao que realmente importa, tem sido uma receita infalível de sucesso pessoal e profissional para a maioria das pessoas que conheço. Como fazer isso? Primeiro, em uma folha de papel, comece hoje mesmo listando tudo o que você julga importante na sua vida. Depois disso classifique cada elemento da sua lista com o seguinte critério: extremamente importante, muito importante e importante. Agora olhe a sua agenda e destine tempo ao longo da sua semana ou do seu dia para dedicar-se completamente a uma ou duas destas atividades. É muito relevante saber que a diferença não está na quantidade de tempo dedicado ao que nos é mais precioso, mas a qualidade desse tempo. Por exemplo: se o mais importante para você é o convívio com seus filhos, mas você dispõe de apenas uma hora por dia para isso, reserve este tempo inteiramente para eles, deixando outras atividades para depois. Ao distinguir e aplicar essas três situações, você conseguirá dedicar seu precioso tempo ao que realmente é importante em sua vida. Mas, afinal, o que é precioso para você?

Marcelo Maulepes é mestre em Administração e Gestão de RH pela UniversiUniversi dad de Extremadura (Espanha), Mestre em Coach Executivo e membro do International Coach Federation (EUA). Com 25 anos de experiência profissional, é Sócio-Diretor da RELATOM - Inteligência em Gestão.

IMAGENS: Marcelo Maulepes / Shutterstock


GESTÃO | Saúde S/A 03

PERSONALIDADE EM DESTAQUE

DRª DENISE RODRIGUES ELOI DE BRITO A atual presidente da UNIDAS fala sobre a necessidade de aprimorar as regulamentações para garantir a equidade das autogestões. Nesta edição, a Saúde S/A entrevista mais um membro de nosso Conselho Editorial, a Sra. Denise Rodrigues Eloi de Brito, que além de gerente-executiva da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) é a atual presidente da UNIDAS- União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde. Ela discorreu sobre o futuro das autogestões e, a exemplo de tantas mulheres que vem galgando cargos de liderança, como é estar à frente dessa entidade. Quais são as perspectivas para o setor das autogestões? O segmento de autogestão, formado por caixas de assistência, fundações, administradoras de RH e associações de trabalhadores, presta assistência à saúde dos seus beneficiários há 67 anos. Sem fins lucrativos e mantendo a solidariedade como um dos seus diferencias, tem como foco a assistência integral à saúde e a qualidade de vida dos seus beneficiários. O cenário atual aponta para a continuidade de custos ascendentes, medidas regulatórias mais severas e mudança do perfil etário e epidemiológico da população. Esse cenário exige a definição de novas estratégias, inclusive repensar o modelo assistencial de atenção à saúde, buscar novas alternativas de

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custeio, implantar modelos diferenciados de pagamentos e atuar na verticalização de serviços de saúde. O aprimoramento da participação dos beneficiários na gestão das instituições, por meio de seus Conselhos, também é um objetivo a ser buscado. Como se trata de um segmento fechado, quais são as limitações enfrentadas pelo segmento comparado às demais operadoras? Além de assistir os trabalhadores e seus familiares diretos, a lei 9.656/98 permite a inclusão de parentes do titular, até o terceiro grau, consanguíneos ou afins, nos planos de saúde de autogestão. Se, por um lado, temos essa limitação de crescimento no número de beneficiários, por outro, com uma população mais delimitada, podemos conhecer melhor o seu perfil epidemiológico e desenvolver políticas e estratégias de saúde, com ações de promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças. Isso proporciona um diferencial importante na fidelização e qualidade de vida dos beneficiários. Com cinco meses de um novo governo, como a Srª analisa a atuação do governo através da ANS? Vivemos um momento de reflexão mundial a respeito das mudanças

necessárias para a melhoria da saúde. Os países ricos repensam seus sistemas de saúde e modelos de atenção oferecidos às suas populações. No Brasil, temos um dos modelos mais inclusivos que existem, com valores como universalidade, descentralização, equidade e acessibilidade. Há de se melhorar a gestão e aprimorar a forma de custeio, temas que ganharam prioridade na agenda do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. As autogestões, através da UNIDAS, podem e devem dar sua contribuição na construção de um sistema de saúde público que trabalhe de forma igualitária e justa. Em relação ao sistema de saúde suplementar, a lei 9.656/1998 trouxe grande contribuição para o setor. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) regula o sistema a partir de regras que orientam seu funcionamento. No entanto, a Agência precisa atuar também considerando as particularidades de cada segmento, garantindo a equidade na aplicação das normas em prol do equilíbrio do sistema. Hoje, as regras definidas para uma autogestão de pequeno porte são as mesmas aplicadas às operadoras com finalidade lucrativa, de grande porte, o que implica, muitas vezes, em amarras normativas que prejudicam o segmento de autogestão.


Atenção à Saúde

A UNIDAS tem como diferencial a solidariedade e o foco na assistência integral à saúde.


GESTÃO | Saúde S/A 03

Família

Da esquerda para a direita a filha Danielle, Larissa, Drº Denise ao centro, a filha Janaína e o filho Túlio.

berativo e do Conselho Fiscal. As diretrizes definidas no âmbito nacional são implementadas pelas nossas 27 Superintendências Estaduais, presentes em todo o território nacional. Como pode perceber, a liderança de uma entidade do porte da UNIDAS resulta da força e organização de todos que fazem a sua história.

Quais seriam as diretrizes a serem seguidas para se obter a sustentabilidade das operadoras de autogestão? Várias, mas podemos destacar maior investimento na profissionalização da gestão e revisão no modelo de custeio do segmento. Outra questão importante é aprimorar o relacionamento com os prestadores de serviços de saúde, especialmente com a classe médica. O modelo de pagamento de serviços médico-hospitalares, o fee-for-service (pagamento por procedimento), também está ultrapassado e compromete a sustentabilidade de todo o sistema de saúde. A UNIDAS participa de grupos de discussão sobre o tema e realiza capacitação para os gestores de suas filiadas, buscando criar alternativas que privilegiem as boas práticas na assistência à saúde. Quais são os maiores desafios deste setor a curto e médio prazo? O desafio maior é sempre o aprimoramento da qualidade na assistência à saúde do beneficiário, razão maior da nossa existência. Para tanto, temos que

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investir na mudança do modelo de atenção à saúde, inverter a lógica de privilegiar a doença e desenvolver ações com o foco na saúde da população. Destaca-se, também, o fortalecimento da autogestão no sistema de saúde suplementar, através da participação das discussões de políticas de saúde no Congresso Nacional, pois entendemos que só teremos resultados positivos com a mobilização política e social do segmento. Na edição de março, a revista Saúde S/A abordou matéria sobre a liderança feminina. Como é para uma mulher liderar uma entidade que possui 140 instituições filiadas, a maioria delas administradas por homens? É uma honra estar à frente de uma Instituição como a UNIDAS. Uma oportunidade de crescimento profissional e pessoal para todos que participam da sua direção. A gestão da UNIDAS dá-se através de uma Diretoria colegiada que conta com a orientação e apoio do Conselho Deli-

A Sra. já foi funcionária do Banco do Brasil e gerente da Cassi. Fale um pouco sobre o caminho trilhado até assumir o cargo de presidente da UNIDAS? Ainda sou funcionária do Banco do Brasil. Tomei posse em 1981 e atualmente ocupo uma Gerência Executiva vinculada diretamente à Presidência da Cassi. Estou atuando, com dedicação exclusiva, na Presidência da UNIDAS Nacional, graças a uma decisão da Diretoria Executiva e do Conselho Deliberativo da Cassi de participar e contribuir diretamente para o fortalecimento da autogestão no país. No decorrer da minha carreira no BB, tive a oportunidade de conhecer várias instâncias da empresa, uma verdadeira escola em minha vida. Em 1996, quando fui destacada para atuar na Unidade Cassi Paraíba, tive a oportunidade de ingressar no ambiente da saúde. Participava de discussões sobre mercado de saúde realizadas no antigo Ciefas, instituição que representava as autogestões à época, e em 1997, paralelamente às minhas atividades na Cassi, assumi a Superintendência Estadual do Ciefas naquele Estado. Depois assumi outras gerências da Cassi nos Estados do Pará (1999-2000) e Bahia (20002008) e no Distrito Federal (2008-2009), sempre participando das diretorias estaduais da UNIDAS. Em 2009, assumi uma assessoria especial da Presidência da Cassi, e, posteriormente, a Gerência Executiva de Negociação Nacional daquela instituição. Para o biênio 20092010, fui eleita diretora de Integração Nacional da UNIDAS e, em abril de 2011, a honra de ser eleita presidente desta entidade.

IMAGENS: Drª. Denise Rodrigues Eloi de Brito


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GERAÇÃO

O QUE ELES ESPERAM DE SUA EMPRESA? 44


GESTÃO | Saúde S/A 03

Os gestores de hoje se deparam com um novo panorama: como lidar com uma geração que questiona seus próprios líderes e explorar o melhor desses novos profissionais. Conhecidos como Millenials, a Geração Y (nascidos entre os anos 80 e 90) vem tomando conta do mercado de trabalho. Esses jovens têm uma nova maneira de enxergar o mundo e não aceitam tão bem a hierarquia quanto as gerações anteriores. Eles nasceram com a tecnologia e conquistaram o mundo através da internet. Enquanto seus pais e avós conquistaram o direito de serem jovens, a Geração Y se preocupa em aproveitar a juventude ao máximo. Para isso, a escolha dos filtros certos para gerenciar suas experiências e expressar sua individualidade faz parte do seu dia-adia. Além disso, a forma não linear de pensamento advinda do grande fluxo de informações e pessoas que fazem parte da vida dessa geração trouxe uma ansiedade crônica, mas também os impulsiona criativamente. No ambiente de trabalho, os planos de carreira tradicionais e sistemas hierárquicos perdem a força para ambientes mais descontraídos e que unam trabalho e prazer. Eles são profissionais ágeis, dinâmicos e com capacidade de diálogo. Além disso, eles têm a necessidade do desafio. Característica adquirida nos jogos de videogame, essa geração precisa ser estimulada o tempo todo para se manter motivada. Não são tão leais às empresas, pois estão sempre à procura das melhores ofertas que os satisfaçam, não só financeira-

mente, mas também em qualidade de ambiente de trabalho. Segundo pesquisa realizada pela Cia de Talentos, os jovens da Geração Y valorizam mais um bom ambiente de trabalho do que um bom salário. A pesquisa é de 2010 e ouviu mais de 35 mil jovens de 17 a 28 anos para descobrir qual é a “Empresa dos Sonhos dos Jovens”. O levantamento demonstrou que os cinco primeiros atributos em uma boa empresa são: “ambiente de trabalho agradável“, “desenvolvimento profissional“, “qualidade de vida“, “crescimento profissional” e “boa imagem no mercado“. Não que eles não se importem com o quanto vão ganhar, mas a relação com o trabalho mudou. Eles querem que o salário seja uma conseqüência do desenvolvimento e da ascensão profissional, apostando em si mesmos para que isso ocorra. COMO AS EMPRESAS PODEM GERENCIAR ESSES NOVOS PROFISSIONAIS E O CONFLITO ENTRE AS GERAÇÕES? Há pouco tempo, o quadro de empregados de uma empresa era formado pelas gerações dos Baby Boomers (nascidos entre 1940 e 1960) e a X (nascidos entre 1960 e 1980) que, apesar de diferentes, conviviam em harmonia. Agora, ganham a companhia dos Y e, em alguns casos,

são chefiados por esses jovens. Em poucos anos, trabalharão com os Z (a partir de 1993). Pela primeira vez, quatro gerações estarão trabalhando juntas e a função de gerenciar o interesse de cada uma delas vai se tornar muito mais complicada. Para esses novos trabalhadores, o “pertencimento” a uma empresa é mais importante do que a estabilidade. Eles querem sentir que têm liberdade para compartilhar suas idéias e que fazem parte daquela empresa. Outro fator é volatilidade dessa geração, que vive na era da informação e dos jogos. Desenvolveram formas de filtrar tudo o que vêem e por isso, às vezes, se cansam facilmente. Mostrando que uma empresa tem que estar atenta e sempre estimular esses profissionais com desafios onde eles possam mostrar seu potencial. A boa convivência entre gerações tão diferentes requer o entendimento de que elas devem se complementar. Os mais velhos agregam valores e experiência aos mais novos, e estes, por sua vez, agregam criatividade e dinamismo. Além disso, as gerações dos Baby Boomers e dos X estão mais acostumadas a aceitar decisões de superiores, enquanto a Y quer saber por que está realizando aquela tarefa. As contestações acabam indicando rumos diferentes e muitas vezes mais interessantes para empresas.

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Renovação

A troca de conhecimento entre as gerações é um ponto positivo para as empresas.

CASE UNIMED PORTO ALEGRE Na Unimed Porto Alegre, o gerente de Marketing Gerson Silva teve que lidar, há alguns anos, com a entrada de uma grande leva de funcionários em início de carreira. Hoje, comanda um setor de caráter jovem - 80% têm menos de 30 anos. Sem se lembrar de qualquer desentendimento que tenha abalado os ânimos, ele atribui a boa convivência à sua percepção de liderança. "Não acredito no rótulo de gerações. Tudo está na figura do gestor e de como ele conduz o ambiente", avalia. Silva acredita que estar aberto para se relacionar e para entender as pessoas é o que faz um verdadeiro líder, que deve saber compreender as capacidades e dificuldades dos mais velhos, mais resistentes a mudanças, e dos jovens, cuja abertura às novidades também deve ser controlada. Ao saber conciliar a experiência dos

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funcionários que têm conhecimento de mercado com a geração Y, cuja maior agressividade lhes capacita a identificar oportunidades, o setor de Marketing da Unimed lançou inovações que ajudaram a renovar a imagem da empresa. "Temos liberdade para trocar idéias relacionadas ao trabalho e mesmo no âmbito pessoal", conta o analista de comunicação Álvaro Borges, de 28 anos, membro ativo desta geração. Quando entrou na empresa, há três anos, Álvaro percebeu que o temor dos funcionários mais antigos ao ver a nova leva de colegas de trabalho se dissipou em pouco tempo. "Eles acabaram vendo como um ponto positivo, uma oportunidade de idéias novas", comenta o analista, que compara a sua situação com a de colegas que trabalham em empresas de estruturas mais engessadas e que demonstram insatisfação no emprego. O Marketing conta com o apoio da área

de Recursos Humanos, que há três anos realiza discussões em grupo, nas quais os companheiros de um mesmo setor expõem os desconfortos e recebem feedbacks. A comunicação interna também foi modificada, passando a ser mais interativa e alinhada com o mundo externo. Em breve, um aplicativo do tipo wiki ferramenta cujas informações são alimentadas pelos usuários - será lançado, de forma a inserir os jovens na troca de conhecimentos. "Temos nesse espaço colaborativo uma maneira de fazer com que os jovens se sintam parte da empresa", conta a gerente de RH, Gabriela Pezzi.

IMAGENS: Shutterstock


GESTÃO | Saúde S/A 03

A SAÚDE DA

SAÚDE

Melhorias na qualidade de vida dos profissionais de saúde refletem no atendimento aos pacientes. O ambiente de trabalho da área da saúde é um dos mais estressantes para se trabalhar. A carga horária, a responsabilidade e o desafio constante de preservar a vida, a necessidade de tomar decisões extremas cujo resultado muitas vezes é a vida humana. Um ambiente com todos esses elementos não pode ser um local saudável para ficar até 12 horas diárias, mas essa é a rotina de centenas de milhares de profissionais da área de saúde no Brasil e no mundo. De acordo com um estudo realizado pelo Conselho Federal de Medicina em 2007, as rotinas desgastantes desses profissionais podem provocar distúrbios fisiológicos e psicológicos, com quadros de dores musculares, cefaléia, distúrbios do sono, perturbações gastrointestinais, cansaço, stress, solidão, depressão, irritabilidade, agressividade, entre outros.

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Segundo os dados da pesquisa, apenas 29% dos 281 mil médicos brasileiros exercem apenas uma atividade. Cerca de 61% dos médicos exercem duas ou mais atividades, sendo que 28,41% trabalham entre 21 e 40 horas semanais, 39,5% trabalham entre 41 e 60 horas semanais e 20,2% entre 61 e 100 horas por semana. Esses dados confirmam a desgastante jornada de trabalho, que interfere diretamente na saúde dos médicos e, consequentemente, na qualidade dos serviços prestados. Os enfermeiros também sofrem com as cargas horárias e com o acúmulo de empregos, já que muitos trabalham em diversos estabelecimentos de saúde e levam uma rotina desgastante. O Conselho Federal de Enfermagem reivindica junto ao Congresso Nacional a regulamentação da jornada de trabalho de 30 horas semanais para os enfermeiros. O projeto de lei nº

2225/2000 tramita pelas comissões legislativas há mais de dez anos. Essa realidade vem sendo percebida ao longo dos anos por muitos estabelecimentos de saúde que, além de investirem na capacitação dos profissionais, investem em programas de qualidade de vida para seu corpo de funcionários. O resultado é a melhoria do atendimento, redução dos erros médicos e dos problemas causados pelo stress e pelo cansaço no trabalho. MUDANÇA DE CULTURA NOS ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE Foi através do conhecimento desta realidade e pensando em minimizar ao máximo as suas conseqüências que o Hospital Mater Dei, de Belo Horizonte, criou diversos programas de promoção à saúde e à qualidade de vida dos seus funcionários. Para o especialista em


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Medicina do Trabalho Wagner de Oliveira Borges, a implementação dessa nova filosofia de relacionamento funcionário-hospital foi um desafio. “Os primeiros desafios foram a motivação dos trabalhadores e a mudança de uma cultura comum nos estabelecimentos de saúde, que priorizam o atendimento ao paciente e muitas vezes deixam de lado os profissionais. Além dessa realidade, existem as duplas e triplas jornadas de trabalho”, afirma Borges. A iniciativa do setor de Saúde Ocupacional do hospital gerou a criação de três programas voltados à melhoria da qualidade de vida e da saúde do corpo de colaboradores. Hoje, o hospital conta com 1.400 funcionários, entre médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, administrativos, limpeza e nutrição. Diante de um corpo de funcionários tão extenso e plural, o setor criou os programas AMAR (Alongar, Meditar, Ativar e Relaxar); Prato Legal X Saúde Ideal e o Mater Dei – Ambiente Livre do Tabaco.

ATIVIDADES FÍSICAS

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

O programa AMAR é realizado há quatro anos e estimula os funcionários a praticarem exercícios físicos em espaços exclusivos e equipamentos para ginástica laboral. A prática de atividades como Pilates e Ginástica Laboral combatem o sedentarismo e previnem quadros como dores musculares e na coluna, comuns em profissionais da saúde. “A criação do projeto AMAR surgiu a partir de relatos dos trabalhadores, que reclamavam de lombalgias, dorsalgias e dores musculares. O benefício está repercutindo na qualidade de vida e no trabalho dos que participam do projeto”, conta o coordenador. O programa obteve uma média de participação de 2000 atendimentos por ano, com cerca de 350 atendimentos individuais, o que significa uma participação de cerca de 25% de todo o corpo de funcionários.

Tendo como objetivo final a saúde plena dos pacientes, o hospital também passou a se preocupar com a saúde do seu corpo de funcionários, já que o tabaco e a obesidade são malefícios presentes na rotina de muitos. No final do ano passado, foi criado o projeto Prato Legal x Saúde Ideal, que estimula a prática de exercícios e a adoção de hábitos alimentares saudáveis. “O Prato Legal foi o projeto com maior dificuldade de implementação, pois muitos obesos não admitem o sobrepeso ou possuem doenças associadas à obesidade”, diz Borges. Os funcionários obesos são monitorados por uma equipe multidisciplinar composta por médico, nutricionista e professor de educação física, que acompanham o quadro e orientam o funcionário a atingir o peso ideal através de uma alimentação balanceada e da prática de atividades físicas.

Pela saúde e bem-estar Hospital Mater Dei investe em programas que promovem a saúde de seus funcionários.

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FIM AO TABAGISMO O tabaco, um dos maiores causadores de doenças na população mundial, se tornou um grande inimigo. Com o objetivo de estimular o fim do tabagismo por seus funcionários, o programa “Mater Dei – Ambiente livre de Tabaco” foi criado no início de 2011 e, mesmo com pouco tempo de execução, já é possível perceber a participação dos colaboradores, seja pela divulgação de informações sobre os males do cigarro através dos canais internos, seja com a participação dos funcionários nas palestras que são abertas ao público e debatem os malefícios do cigarro. Já no segundo semestre deste ano, um grupo de discussão com apoio psicológico será criado para os colaboradores que sofrem com a dependência da nicotina. MUDANÇAS TAMBÉM PÚBLICA

NA

ÁREA

Responsável pela gestão da saúde pública brasileira, o Ministério da Saúde também se preocupa com a qualidade de vida de seus 81 mil funcionários ativos. Diante de um quadro imenso de servidores espalhados por todos os cantos do país, o órgão máximo da saúde brasileira estimula seus funcionários a manterem hábitos saudáveis proporcionando melhoria na qualidade de vida. Através da Coordenação de Atenção à Saúde do Servidor (CAS), vinculada à Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas do Ministério da Saúde, os servidores podem participar dos diversos programas, como o “Alimente + Saúde”, que estimula hábitos alimentares saudáveis; o “Programa Controle do Tabagismo”, que incentiva os funcionários fumantes a largarem o vício; o “Programa de Melhoria na Qualidade de Vida”, que oferece aulas de yoga, capoeira, karatê, ginástica localizada e treinamento aeróbico, todas voltadas para o combate ao sedentarismo e a busca de uma vida mais ativa, fator que contribui para a prevenção de doenças, como as cardíacas,

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diabetes, hipertensão e obesidade. A adoção de programas de qualidade de vida em muitos estabelecimentos de saúde demonstra que, quando uma empresa se preocupa com a saúde dos seus funcionários, ela se preocupa com a saúde da própria empresa, já que um corpo de colaboradores doentes impacta diretamente na questão gerencial e financeira da empresa, aumentando os custos com afastamentos. Essa mudança de paradigma, tanto no setor privado como na saúde pública, aponta para maior valorização do profissional e deve render bons frutos a todos os envolvidos, funcionários, gestores e, por conseqüência, os pacientes.

Motivação Colaboradores do Hospital Mater Dei desenvolvem atividades que os estimulam no ambiente de trabalho.

IMAGENS: Assessoria de imprensa Hospital Mater Dei / Shutterstock


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A ESTRATÉGIA DO

OCEANO AZUL A arte de reinventar nichos de mercado para vencer a competição em mundo de iguais.

CRIANDO OCEANOS AZUIS

NOVO ESPAÇO DE MERCADO

Gui Laliberte, ex-acordeonista, ex-equilibrista em pernas-de-pau e ex-engolidor de fogo, é hoje CEO de Cirque du Soleil. Criada em 1984, por um grupo de artistas de rua, as produções da companhia já foram vistas por quase 40 milhões de pessoas em todo o mundo e este se converteu em um empreendimento multimilionário. O que torna a proeza ainda mais notável é que esse crescimento fenomenal não ocorreu num setor atraente. Ao contrário, sucedeu num setor decadente: o circo. Outro aspecto do sucesso do Cirque du Soleil é o fato de estar avançando sem conquistar fatias da demanda já existente na indústria circense. O Cirque du Soleil não concorreu com o Ringling Brothers e o Barnum & Bailey´s Circus, circos já consagrados, para chegar ao topo. Em vez disso, criou um novo espaço de mercado, que tornou irrelevante a concorrência.

Para melhor compreender a proeza do Cirque du Soleil, imagine um universo de mercado composto de dois tipos de oceanos – oceanos vermelhos e oceanos azuis. Os oceanos vermelhos representam todos os setores hoje existentes. É o espaço de mercado conhecido. Já os oceanos azuis abrangem todos os setores não existentes hoje. É o espaço de mercado desconhecido e, por consequência, inexplorado. Nos oceanos vermelhos, as fronteiras setoriais são definidas e aceitas, e as regras competitivas do jogo são conhecidas, onde busca maior fatia da demanda existente. Os oceanos azuis, em contraste, se caracterizam por espaços de mercado inexplorados, pela criação de demanda e pelo crescimento altamente lucrativo. Nos oceanos azuis a competição é irrelevante, pois as regras do jogo ainda não estão definidas.

Desbravador

Gui Laliberté passou de engolidor de fogo para se tornar um dos mais maiores empresários do entretenimento

Assim como a ostra é capaz de transformar um corpo invasor em uma pérola, o mercado de saúde precisa transformar as ameaças que hoje sofre em oportunidades de negócio.

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IMAGENS: Wikicommons / Shutterstock


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O IMPACTO DA OCEANOS AZUIS

CRIAÇÃO

DE

No livro “A Estratégia do Oceano Azul como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante”, os autores W. Chan Kim, Renee Mauborgne, quantificaram o impacto da criação de oceanos azuis sobre o crescimento das empresas em termos de receita e de lucro por meio de um estudo sobre lançamentos de novos negócios por 108 empresas. Constataram assim que 86% dos lançamentos foram extensões de linha, ou seja, melhorias incrementais dentro do oceano vermelho nos espaços de mercado inexistentes, respondendo por 39% dos lucros. Já os restantes 14% dos lançamentos (que foram realmente inovadores e destinados à criação de oceanos azuis) geraram 38% da receita e nada menos que 61% do lucro total. SAÚDE E O OCEANO VERMELHO Este modelo de revisão dos negócios é realmente relevante, especialmente dentro da área de saúde no Brasil, em que poucos têm a capacidade de desen-

volver estratégias de oceano azul. Vivemos em nosso país um verdadeiro oceano vermelho de “eu também” dentro da área. Principalmente na área hospitalar e na saúde suplementar, muito das inovações não podem ser enquadradas como “revoluções” no modelo de negócio. A questão aqui não recai apenas no lançamento de novos produtos, uma vez que estes são facilmente copiados por concorrentes, mas principalmente na capacidade de repensar as relações que envolvem o negócio, propondo níveis de relacionamentos entre empresas e seus consumidores que sejam inusitadas e transformem as relações e a forma como a empresa é vista. Nos dias de hoje, são poucas as organizações da área de saúde que podem se vangloriar de relacionamentos felizes e saudáveis com seus clientes e parceiros de negócio. Assim como no caso do Cirque du Soleil, que transformou o espetáculo do circo em um evento inesquecível, quantas são as operadoras de saúde, hospitais ou redes de farmácia que realmente se preocupam em criar um ambiente que torne a experiência de

uma compra, consulta ou internamento inesquecível e repleta de momentos agradáveis? Esta pode parecer uma questão irrelevante para uma área em que a cultura de marketing ainda está nascendo, mas é sem dúvida um grande oceano azul em aberto, que ajudará apenas algumas poucas organizações a se destacarem nos corações dos consumidores nas próximas décadas. Aquelas que atingirem este objetivo serão amplamente recompensadas e, por meio desta e outras estratégias, conseguirão superar a crise que muitos, mas nem todos os envolvidos com a área, vêm relatando.

OS 4 NÍVEIS DE CLIENTES Dentro do marketing de relacionamento, aprendemos que existem quatro níveis que definem os relacionamentos entre empresas e seus clientes. Suspects – Definição de um público alvo que você “suspeita” tenha potencial para se converter em seu cliente; Prospect – Ação efetiva sobre um público alvo, visando convertê-lo em cliente; Cliente – Aquele que efetivamente se converteu em demandador de seus serviços ou produtos;

Advogado – Clientes que, pela qualidade do produto ou serviço, falam bem de você, mas ainda utilizando argumentos racionais; Evangelistas – Clientes que são apaixonados por uma marca ou organização, construindo relacionamentos afetivos e convertendo sua experiência pessoal em case de venda para você.

Em qual destas últimas três categorias se encontra a base de seus clientes? Se sua empresa está no Oceano Azul, vai sempre trabalhar para desenvolver clientes "evangelistas".

Tatuagem

Consumidor evangelista da Apple.

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INTELIGĂŠNCIA

EMOCIONAL Para ser bem sucedido em uma empresa, ĂŠ necessĂĄrio muito mais do que capacidade intelectual. É preciso capacidade de lidar bem com os outros e consigo mesmo. Dentro do seu cĂ­rculo de amizades vocĂŞ provavelmente conhece, jĂĄ conheceu ou talvez se reconheça entre as pessoas que lidam muito bem com informaçþes, tĂŞm raciocĂ­nio rĂĄpido, fazem cĂĄlculos com facilidade e tĂŞm “sacadasâ€? muito velozes. Pessoas que tĂŞm um Ăłtimo ou excelente nĂ­vel intelectual e que, se um dia fizessem um teste de QI, teriam como resultado um score acima da mĂŠdia. No entanto, pesquisadores afirmam desde 1995 que QI alto nĂŁo ĂŠ exatamente sinĂ´nimo de sucesso. Ou seja, mesmo as pessoas dotadas de muita inteligĂŞncia, se nĂŁo forem boas gestoras de sua impulsividade, tem mais chances de serem infelizes, sĂŁo mais propensas a doenças e ao fracasso profissional e pessoal. Qual tipo de defesa vocĂŞ mais usa? Qual vocĂŞ gostaria de usar? Segundo especialistas, em situaçþes de ameaça costumamos usar alguns tipos de defesa: s ,UTAR CULPANDO OU ATACANDO OS outros, criticar, justificar-se ou interromper o assunto. s $ESANIMAR FICANDO CONFUSO OU entediado, adoecendo, comendo ou bebendo em excesso. s &UGIR MUDAR DE ASSUNTO NEGAR O problema, desconsiderar a questĂŁo como se fosse trivial, ou fazer piada dela. s 4RAVAR OU RECUSAR SE A TOCAR NO assunto, analisar demais sem chegar a nenhuma conclusĂŁo, concentrar-se em pequenos detalhes, intelectualizar ou

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sentir-se “acimaâ€? da questĂŁo. Algumas pessoas vĂŁo direto Ă  luta e transformam o ambiente num campo de batalhas, onde em geral todos perdem. A agressividade tem sua razĂŁo de existir, mas, se nĂŁo for usada racionalmente, pode destruir o que conquistamos atravĂŠs de nossas habilidades. Quem vive num mundo onde negĂłcios precisam ser fechados diariamente apesar da concorrĂŞncia, sabe que ser competitivo tem seu valor, mas quando esta competitividade se volta para nossos prĂłprios parceiros ou colegas de trabalho, o que acontece? A TRANSPARĂŠNCIA DAS EMOÇÕES Pesquisadores agruparam as emoçþes em quatro categorias principais, de onde derivam as demais emoçþes. SĂŁo elas: raiva, medo, tristeza e alegria. Estas emoçþes possuem diferentes nĂ­veis de intensidade e sĂŁo sentidas em partes diferentes do corpo. Mas nossas emoçþes nĂŁo se refletem somente em nosso prĂłprio organismo. Se vocĂŞ jĂĄ sentiu certa inquietação quando esteve prĂłximo de uma pessoa, mesmo que fosse um estranho, sem que ela tenha dito absolutamente nada, vai entender: a expressĂŁo emocional ĂŠ uma forma de energia que contagia o ambiente e as pessoas. Expressamos nosso conteĂşdo emocional atravĂŠs do nĂŁo verbal e muitas vezes isso ĂŠ inconsciente. A comunicação verbal ĂŠ aquela que utiliza a palavra, falada ou escrita. A comunicação nĂŁo verbal envolve tudo o que ĂŠ comunicado atravĂŠs de sĂ­mbolos, gestos, tom de voz, expressĂŁo corporal,

vestimenta, expressĂŁo facial, sorriso, contato fĂ­sico, distância e proximidade do interlocutor, etc. O nĂŁo verbal tem uma representação muito maior na comunicação do que o verbal (80% contra 20%), e nosso pensamento ĂŠ muito mais rĂĄpido que as palavras. Enquanto estamos ouvindo o interlocutor, nosso raciocĂ­nio estĂĄ captando a mensagem, fazendo toda a leitura do nĂŁo verbal e preparando a resposta que daremos. Costumamos chamar, de forma pejorativa, de “passionaisâ€? as pessoas que agem pela emoção, mas sĂł fazemos isso quando a pessoa nĂŁo faz uma boa combinação entre a emoção que expressa e o contexto onde expressa. Mas a emoção nĂŁo ĂŠ composta somente do lado negativo. Pelo contrĂĄrio, ela pode ser utilizada de forma positiva. A maioria dos lĂ­deres sabe disso, pois arrebanham pessoas, quando nĂŁo multidĂľes, na direção de seus objetivos, atravĂŠs da emoção positiva que externam e atravĂŠs das quais as contagiam. O lĂ­der nato faz com que pessoas abracem causas e trabalhem fervorosamente por ele, doando algumas vezes a prĂłpria vida. Sendo assim, se sabemos que a inteligĂŞncia emocional ĂŠ mais impactante em termos de saĂşde, relacionamentos e em termos profissionais, e tambĂŠm que o emocional se expressa pelo nĂŁo verbal, e que ĂŠ capaz de contagiar e influenciar o estado de humor de outras pessoas, porque ainda hoje vemos pessoas inĂĄbeis e frustradas nesta ĂĄrea?

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AVALIE SEU NÍVEL DE AUTOCONSCIÊNCIA EMOCIONAL Numere de 1 (capacidade baixa) a 7 (capacidade alta) os itens abaixo:

Consigo identificar mudanças fisiológicas geradas por algum tipo de emoção. Consigo distinguir que tipo de emoção gerou determinado estado fisiológico. Consigo identificar previamente (antes de explodir) que determinada situação está me direcionando a um estado emocional que prejudicará o resultado esperado. Consigo agir produtivamente, mesmo em situações que me provocam ansiedade. Sei identificar que emoção estou sentindo. Utilizo um diálogo interior para influenciar meu estado emocional positivamente. Sei quando estou pensando negativamente. Reconheço quais pensamentos geram quais emoções em mim. Consigo identificar que fatos me fazem mudar de estado de espírito. Sei quando uso estratégias de defesa. Identifico facilmente qual tipo de defesa uso com maior freqüência. Conheço o impacto dos meus comportamentos nos outros. Sei quando me comunico de forma incoerente.

Resultado: Faça uma média da pontuação obtida. Se a média for superior a 5, você está no caminho certo para seu autoconhecimento, estabeleça metas de desenvolvimento e conte com um relacionamento de apoio que possa lhe dar sustentação e feedback quando necessário. Entre 3 e 4, seu nível é bom, mas pode melhorar. Pense nas conquistas que você está deixando de obter por não se conhecer suficientemente bem. Um bom começo pode ser estabelecer um plano de ação de auto-aprendizado, descobrindo quem você é e quem você quer ser. Entre 1 e 2, você está no início do processo de autoconhecimento. Pedir feedback às pessoas que lhe conhecem bem pode ser um bom começo para sua auto-descoberta íntima. Avaliar as respostas que você tem obtido das pessoas (verbais e não verbais) também vai lhe ajudar. Questione-se: quais são seus objetivos a médio e longo prazo? Quais as habilidades que você precisará desenvolver para chegar lá? Conhecer-se vai lhe permitir distinguir quais habilidades você já tem desenvolvidas, suas forças e fraquezas. Ser feliz é uma opção de vida e está ao nosso alcance!

Sandra Luiza Zatoni é psicóloga, especialista em Gestão de Pessoas e Pós-Graduada em Gestalt Terapia, atua como Executive Coaching.

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O TERRÍVEL LÍDER

BRANCA DE NEVE Como reconhecer este tipo de “líder” tão comum e prejudicial para organizações? Já que em minha última coluna falei sobre “estilos de funcionários”, nada mais justo do que agora falar sobre estilos problemáticos de liderança. Há muitos anos ouvi o publicitário Júlio Ribeiro apresentar um conceito “tragicômico” que mudaria minha percepção sobre o tema da liderança. Júlio apresentou um tipo de líder muito comum nas organizações que, inadvertidamente, tem a capacidade de detonar qualquer equipe e ambiente de trabalho em que atua. Trata-se do líder Branca de Neve. Você deve estar se perguntando o motivo deste título tão curioso, não é? A comparação é simples: o Branca de Neve é um líder que tem o hábito de transformar todos em “anões”. É claro que com o termo “anão”, não estou me referindo aos profissionais de baixa estatura, posto que a anatomia de uma pessoa nada depõe contra sua competência. Mas, no caso dos anões corporativos, o líder Branca é sim um grande responsável por seu baixo desempenho, mesmo que não consiga perceber esta realidade.

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TRANSFORMANDO GIGANTES EM ANÕES

Quando um líder compreende o verdadeiro significado da arte de liderar, entende também que a "estatura" de sua equipe está diretamente relacionada ao seu estilo de liderança. Todo grande líder é, antes de tudo, um desenvolvedor de pessoas. Por isso, é possível dizer que Brancas são mais chefes do que líderes.

Cabe aqui esclarecer como o Branca consegue realizar a proeza de transformar gigantes, ou mesmo pessoas de média estatura corporativa, em anões. A fórmula é simples e aqui vamos descrevê-la, até para ajudar no diagnóstico de um possível “Branca” à sua volta ou mesmo (espero que não seja o seu caso) para o seu autodiagnóstico. Afinal, você como um profissional de saúde sabe que o correto diagnóstico de uma “doença” é o primeiro passo para seu tratamento. O segundo passo é lidar com o diagnóstico e ter a coragem de “tratar o problema”. Os líderes Branca de Neve não são necessariamente pessoas más. Muitas vezes eles realmente agem desta forma imbuídos de boas intenções. Eles apenas desconhecem o fato de que líderes nunca serão avaliados por suas intenções, mas sim pelo resultados de suas ações.


PRINCIPAIS SINTOMAS DO LÍDER BRANCA DE NEVE Brancas não desenvolvem pessoas. O Branca acha que profissional bom já vem pronto e esse negócio de investir em treinamento e desenvolvimento é papo furado, perda de tempo. O negócio é achar gente competente, contratar e cobrar resultados. O Branca não suporta feedback. Assim como os antigos imperadores da China, o Branca não suporta feedback e nem descontentamento. Ele tem o mau hábito de “matar” todo mensageiro que lhe traz notícias que não sejam do seu agrado. Depois de um tempo acha que a empresa está super bem, pois ninguém mais tem a coragem de lhe mostrar o contrário. O Branca acredita que “a ignorância é uma benção”, e gosta de multiplicar este conceito.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO Se você reconheceu em alguém alguma destas características, fique tranquilo, todos nós temos um pouco de Branca. Mas, se uma pessoa possuir mais do que duas das características menciona mencionadas, não tenha dúvida: é um autêntico Branca de Neve. O problema desta doença de liderança é que o seu diagnóstico é bastante simples, mas o tratamento não. É difícil tratar um líder Branca pelo simples fato de que todos os médicos que lhe apresentaram o diagnóstico foram sumariamente executados. Assim, apesar dele até saber do seu próprio quadro, raramente está disposto a tomar o “remédio” necessário. A verdade é que o grande problema das “doenças comportamentais” é que sua cura não depende de médicos, remé remédios ou mesmo de pais de santo: a cura depende do próprio Branca, uma vez que a mudança é uma porta que só pode ser aberta por dentro. Agora, se você está trabalhando sob a

IMAGENS: Eduardo Almeida / Shutterstock

Ele quer gigantes, mas gosta mesmo é de anões. Exige do RH os melhores profissionais disponíveis no mercado mas, tão logo estes são contratados, já começa a “enquadrar” a pessoa, até que o suposto talento se vê incapaz de dar resultado. Para os Brancas somente vassoura nova varre bem. Afinal, eles estão sempre esperando que o “príncipe encantado” apareça para salvar sua empresa. Para o Branca nada nunca está bom. “Por ser o mais alto”, o Branca é sempre a sua própria medida de bom desempenho e, por isso, é incapaz de delegar ou elogiar, pois acredita que ninguém é tão bom como ele no que faz. Partindo deste modelo narcisista, está sempre pronto a criticar o trabalho que os outros apresentam.

Brancas são modistas. Eles querem resultado imediato e estão sempre em busca de novos projetos desafiadores, não dando tempo ou investindo de forma consistente nos projetos já iniciados. O culpado pelos fracassos são sempre os outros, é claro. O Branca gosta de gritar. Ele acha justificável destratar pessoas “incompetentes”. Gritar com os outros é parte de seu estilão de liderança, pois acredita que, por meio de gritos, as pessoas finalmente vão entender seus pontos de vista. Brancas são controladores compulsivos. Eles têm que saber exatamente onde e o que estão fazendo os seus anõezinhos o tempo todo, para se sentirem seguros. Não entendem que, muito mais do que controle, equipes produtivas nascem do estímulo.

tutela de um líder Branca, muito cuidado! Esta doença é altamente contagiosa e com o tempo ou você vira um “Branquinha” (e passa a ser visto como um bom modelo de liderança pelo seu líder por copiar o seu modelo) ou se contenta com a opção de ser eternamente um anão corporativo. Ah! Já ia esquecendo. Resta ainda uma terceira opção: você pode se desligar desta relação tão perigosa para sua carreira e redescobrir qual é o seu verdadeiro tamanho. Se esta for a sua escolha, não resta dúvida, você já demonstrou ter o potencial para ser um gigante corporativo.

Eduardo Almeida é publicitário, escritor, palestrante especializado em Dinâmica da Comunicação e Responsabilidade Social Corporativa, atuando na capacitação de pessoas com foco em liderança, e como Diretor de Marketing da NT Partners.

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CULTURA E LAZER | Saúde S/A 03

TÊNIS O tênis se assemelha à medicina pela precisão e dedicação, mas é a paixão pelo esporte que conquista os profissionais.

Qual tenista nunca sonhou marcar um ace num machpoint decisivo em uma partida final na quadra central de Wimbledon, ou fazer um ponto magistral de voleio no saibro vermelho de Roland Garros? Certamente estes são um dos sonhos de centenas de milhares de praticantes do tênis no Brasil e no mundo. Com uma história glamorosa, o tênis surgiu em 1873, mas se profissionalizou com a adoção de regras únicas apenas no início do século XX. O esporte ganhou o maior número de adeptos inicialmente nos EUA e Inglaterra, países que organizavam os torneios mais importantes da época: o Campeonato dos Estados Unidos e o Torneio de Wimbledon, consideradas, ainda hoje, duas das principais competições do esporte no mundo. Considerado no Brasil um esporte de elite, a prática do tênis vem ganhando cada vez mais adeptos no país, grande parte de uma geração que cresceu assistindo e torcendo pelo brasileiro, de Florianópolis, Gustavo Kuerten, o “Guga”, tenista campeão por três vezes (1997, 2000 e 2001) do Torneio Grand Slam de Roland Garros e campeão da Copa do Mundo de Tênis no ano de 2000. Mesmo diante da popularização do esporte, o tênis continua tendo nos “Country Clubes” o local de treinamento e celeiro de novos talentos, até mesmo porque o custo do treinamento e da aquisição de equipa-

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mentos é um dos maiores desafios para a sua popularização. Sendo um esporte de elite, natural que cada vez mais médicos praticassem o tênis nas suas horas vagas, entre uma cirurgia e outra, no intervalo entre os plantões, ou apenas para reencontrar os amigos no final de semana. É habitual encontrar médicos jogando partidas nos clubes pelo país, um esporte que alia a prática de atividade física à estratégia. Como em uma cirurgia, cada ponto, cada movimento do adversário é estudado em busca da jogada perfeita, do machpoint e da vitória. A relação entre médicos e o esporte é tão íntima que, em diversos torneios amadores, os organizadores criam categorias exclusivas para médicostenistas. Em Marília, onde acontece o Unimed Open de Tênis, evento que já está na sua 6ª edição, o foco da organização é a integração da classe médica local, já que muitos médicos são praticantes do esporte. Devido à estreita relação entre médicos e o tênis, a Unimed - maior federação de médicos do país - é uma das maiores incentivadoras e patrocinadoras do esporte. São diversas as cooperativas Unimed espalhadas por todo o Brasil que realizam circuitos e torneios Open de Tênis, estimulando a integração e fomentação entre os profissionais e os amantes do tênis em geral. A sensação de virar um game, um set


CULTURA E LAZER | Saúde S/A 03

ou até mesmo uma partida quase perdida é a sensação que move a paixão de médicos-tenistas em busca dos melhores resultados, da superação. Muitas vezes, uma partida de tênis é raça e vibração do atleta, mas a estratégia neste jogo onde o emocional é levado ao limite, acaba se tornando uma ferramenta importantíssima na busca de bons resultados.

São muitos os jogadores que entraram para o hall da fama do esporte. Atletas como Guilhermo Vilas, Thomas Muster, John McEnroe, Pete Sampras, Roger Federer, Rafael Nadal, Gustavo Kuerten, Jimmy Connors fazem parte deste seleto grupo de tenistas que marcaram o seu tempo e deixaram seus nomes eternizados na história do tênis e do esporte mundial.

Aberto da Austrália Quartas de final do Aberto da Austrália 2010, entre Andy Murray e Rafael Nadal, na Rod Laver Arena em Melbourne. FOTO: NEALE COUSLAND


coste a La ólo, , s e s aí a p 114 p a camis ênis e m e de t bolo a ente Pres omo sím quadras rda-roup c s e ua a o g n r m t o e u t sce ne n zam den ma a o n c í fa que -se um e a utili u é essa u torno édicos q . Toda cês Ren ra n dos m e quad ista fra , que com d n ” e fora e ao te Crocodile uezague ” -s g i e a e z s L v e “ e r d ,o o em sua “p os. e t c i s t o é o Lac go fren títul guind ntes migo jo a seu re perse importa m oi p is sem u os ma eá-lo, u que f g o o l a i h a n d n s va e o ga hom m croc ue ele u a r u a q P misa nhou dese do na ca a bord adra. u em q

MUSA DO BRASIL Maria Esther Bueno iniciou a carreira em 1950, no Clube de Regatas Tietê. Em toda a sua longa carreira, a paulistana conquistou nada menos que 589 títulos, sendo 170 internacionais, tendo o seu nome incluso na galeria do International Tennis Hall of Fame. Como na época não havia o Torneio Masters para definição da tenista campeã mundial, Esther foi declarada campeã do mundo por quatro vezes (59, 60, 64 e 66). Com uma contusão em 1967, a tenista viu sua carreira praticamente se encerrar.

MAIORES CAMPEÕES MASCULINOS SAIBRO 1 – Guilhermo Vilas – 45 Títulos – 28 Vices – 73 Finais – 61,6% de aproveitamento 2 – Thomas Muster – 40 Títulos – 4 Vices – 44 Finais – 90,9% de aproveitamento 3 – Rafael Nadal – 32 Títulos – 4 Vices – 36 Finais – 88,88% de aproveitamento

GRAMA 1 – Roger Federer – 11 Títulos – 2 Vices – 13 Finais – 84,6% de aproveitamento 2 – Pete Sampras – 10 Títulos – 3 Vices – 13 Finais – 76,9% de aproveitamento 3 – Jimmy Connors – 9 Títulos – 7 Vices – 16 Finais – 56,3% de aproveitamento

RÁPIDO 1 – André Agassi – 46 Títulos – 22 Vices – 68 Finais – 67,6% de aproveitamento 2 – Roger Federer – 45 Títulos – 12 Vices – 57 Finais – 78,94% de aproveitamento 3 – Jimmy Connors – 44 Títulos – 16 Vices – 60 Finais – 73,3% de aproveitamento

CARPETE 1 – John McEnroe – 43 Títulos – 14 Vices – 57 Finais – 75,4% de aproveitamento 2 – Jimmy Connors – 39 Títulos – 18 Vices – 57 Finais – 68,4% de aproveitamento 3 – Ivan Lendl – 33 Títulos – 18 Vices – 51 Finais – 64,7% de aproveitamento

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IMAGENS: Divulgação / Shutterstock

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DESIGN DE INTERIORES

A LUZ COMO TERAPIA

Atualmente, em ambientes hospitalares, a iluminação deixou de ser mera coadjuvante na concepção do projeto e se tornou uma das peças fundamentais para maior conforto do paciente e do profissional de saúde. A colunista e designer de interiores, Liliane Barreiros, entrevistou a arquiteta Simone Tuasco que discorreu sobre como a luz pode ser uma aliada na recuperação do paciente, bem como para favorecer o ambiente, muitas vezes, estressante dos hospitais.

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A recuperação dos pacientes pode ser influenciada pela iluminação hospitalar? Quando ambientes de saúde são projetados, o objetivo é atender os pacientes com o máximo de conforto e bem-estar, em busca de proporcionar um ambiente menos impessoal e mais humano. Portanto, a iluminação, seja ela natural ou artificial, tem um papel fundamental nesse processo e pode influenciar biológica e psicologicamente os pacientes. A intenção de mesclar as fontes de iluminação usando sistemas que permitam o desligamento da luz artificial quando houver luz natural, cuidando do controle térmico e do ofuscamento, garantem eficiência energética e contribuem consideravelmente na recuperação dos pacientes, além de ser sustentável. Um bom exemplo é o caso da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, onde todos os projetos de interiores demonstram essa preocupação. O corpo humano reage a muitos estímulos exteriores. De que maneira a luz pode agir para o bom funcionamento do nosso organismo? O nosso organismo funciona conforme um relógio biológico, reagindo de acordo com as oscilações exteriores de luz. Essas oscilações acompanham o funcionamento fisiológico em um

processo denominado ritmo circadiano e, por essa razão, são muito importantes para nosso corpo. E, segundo pesquisas realizadas e apresentadas pela norte-americana Janet Carpman, publicadas no livro “Design that Cares”, de 1993, a radiação solar e as variações das intensidades de luz controlam os níveis de melatonina e com radiação ultravioleta balanceada, favorecem a formação e a manutenção da estrutura esquelética. Em contrapartida, nem sempre o projeto de interiores hospitalar favorece a incidência de luz solar, sendo assim, a iluminação artificial pode ser uma grande aliada em favor desses ambientes. A iluminação é fundamental, porém para certos procedimentos clínicos ela pode sofrer variações. Qual seria a ideal para cada ambiente? Antes de começar qualquer projeto de iluminação é necessário pensar de acordo com a atividade que será realizada no espaço em questão. Seja na recepção, na sala de exame, no leito ou na sala de cirurgia, a iluminação precisa ser eficiente e agradável em benefício do paciente e do profissional. Em salas de recepção, muitas vezes, a iluminação é pensada apenas de forma decorativa, não observando o fato de que profissionais permanecem por longos períodos realizando atividades

administrativas e o mesmo acontece com frequência em leitos hospitalares. A iluminação pode ser ofuscante ao paciente, mas insuficiente para a realização de pequenos procedimentos. Nesse caso, os leitos hospitalares precisam de iluminação com acionamentos independentes, com intensidades variáveis e três sistemas diferentes, sendo eles: Luz indireta, difusa para relaxamento, mantendo o quarto com níveis mínimos de iluminação para circulação e uso de medicamentos; Luz direta e orientável, para que o paciente possa realizar tarefas como leitura; Luz direta mais intensa, para que exames mais críticos sejam realizados. A iluminação indireta necessita de uma fonte de luz com aparência de cor branco quente, similar à da lâmpada incandescente comum, que pode ser a lâmpada fluorescente ou LED, e para iluminação direta pode-se utilizar uma fonte de luz com aparência de cor mais neutra. Nos dois casos, o índice de reprodução de cor da fonte de luz deverá ser maior que 80, para que não aconteçam distorções de cor no momento de um exame clínico. Mesmo em salas onde a iluminação precisa ser amena no momento dos exames, como no caso de exames oftalmológicos ou tratamentos terapêuticos, precisa-se considerar um nível de iluminação mais alto para que seja feita a limpeza no local. E em ambientes de circulação? Para esses ambientes a iluminação não precisa ser direta e instalada no teto, pois o intuito é priorizar o paciente deitado na maca. No Hospital Paulistano temos um excelente exemplo de iluminação indireta, mesclada com a iluminação de balizamento, proporcionando segurança durante o trajeto na circulação, além de deixar o ambiente agradável. Outra possibilidade é instalar as luminárias fora do eixo central da circulação, o que garante mais conforto para o paciente que está convalecendo sobre o leito.

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Muitos médicos não se atêm ao fato de que uma iluminação ruim pode comprometer o resultado na hora do exame. Como você enxerga essa situação? Um bom exemplo de como a luz pode influenciar o resultado de um exame é uma consulta que fiz com um médico dermatologista. A consulta aconteceu à noite e o consultório era pessimamente iluminado. Ele utilizou uma lupa e uma luminária com lâmpada comum (incandescente) para complementar a iluminação geral. Pensei que com isso ele enxergaria com mais precisão, porém, o médico não conseguiu identificar as manchas vermelhas da minha pele. Quando saí da clínica e entrei no elevador, iluminado com uma lâmpada fluorescente, todas as manchas apareceram. Ou seja, a luz proporcionou um contraste e as manchas foram ressaltadas. Essa experiência mostra a importância da correta especificação do sistema de iluminação, pois se a fonte de luz não for adequada ao atendimento médico, a iluminação pode mascarar os sintomas. Um dos fatores mais importantes para ser considerado é o bem-estar do paciente quando internado. Como a iluminação pode contribuir com essa condição? Uma das razões que deve ser ressaltada é de que alguns sistemas de iluminação podem contribuir para a melhora de pacientes internados. Um bom exemplo disso é o “céu estrelado”, feito de uma combinação de fibras óticas iluminadas por uma única fonte de luz halógena ou de vapor metálico, que recebe um dispositivo para alterar a intensidade da luz e proporcionar um belo efeito de estrelas no céu.

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Cada vez mais hospitais estão utilizando esse recurso para relaxar parturientes e descontrair quem passa por exames ou cirurgias. Salas de pré-parto, consultórios odontológicos, de terapias ocupacionais podem receber este sistema de iluminação complementar. Conforme informação da Fasa Fibra Ótica, além dos benefícios agradáveis, o material é ecologicamente correto, pois a maioria dos resíduos da fabricação é reciclável. Além da iluminação, as cores também têm sido utilizadas como terapia em ambientes hospitalares. Como a junção desses dois fatores pode favorecer a melhora do paciente e um local agradável de trabalho? O uso da cor é comumente pensado na arquitetura hospitalar. Atualmente, com a luz, pode-se "pintar" o ambiente e transformá-lo radicalmente. Entradas e circulações podem receber iluminação colorida, deixando o ambiente lúdico e convidativo. Porém, a cor tem o poder de transformar nosso estado de espírito nos momentos mais difíceis. Um ótimo exemplo é o sistema de iluminação com LED. Além de ser uma tecnologia sustentável - por economizar energia, emitir luz sem calor e sem radiação ultravioleta, ter uma vida muito longa e não possuir em seus componentes nenhum material que possa contaminar o meio ambiente - é muito versátil. Quando combinadas as cores vermelho, verde e azul possibilitam uma infinidade de tons, remetendo à

Faça-se a luz!

Simone Tuasco é arquiteta e especialista em sistemas de iluminação há mais de 20 anos.

cromoterapia. Em determinados procedimentos médicos, que deixam os pacientes ansiosos, como a tomografia computadorizada ou ressonância magnética ou de longa duração, é necessário ter um espaço aconchegante e propício ao relaxamento. Nessas situações, os pacientes podem escolher a cor que mais lhes agrada e que proporciona sensações de prazer e emoções. Com isso, ficam mais calmos e os exames são mais propensos a terem sucesso. Cada cor possui propriedades específicas. Vermelho e laranja geralmente sugerem calor e aconchego, enquanto o verde sugere tranquilidade, natureza e relaxamento. Conforme os funcionários do Princess Alexandra Hospital no Reino Unido, o amarelo foi escolhido como a melhor cor para execução de procedimentos, pois é altamente estimulante e está associada aos dias quentes, ensolarados e momentos felizes.

Liliane Barreiros é colunista da revista Saúde S/A e designer de interiores - ABD 9561.

IMAGENS: Liliane Barreiros / Simone Tuasco / Shutterstock


BUENOS AIRES


CULTURA E LAZER | Saúde S/A 03 REPORTAGEM | Saúde S/A

Viajar é sinônimo de novos ares, e se você for ao XV Congresso Mundial de Psiquiatria aproveite para descobrir a mistura do charme europeu com o tempero latino de Buenos Aires. Dale! Esta seria a expressão mais adequada quando se pisa na Ciudad y Puerto Santa María del Buen Aire, como era antigamente chamada a capital da Argentina, na época em que os conquistadores europeus reinavam no século XVI. Fundada por Pedro Mendoza, colonizador espanhol, a cidade foi atacada sem sucesso pelo império da Grã-Bretanha por duas vezes. A resistência aos ataques deu aos criollos força para conquistar a independência da dominação européia e para a tomada de poder no século XIX. Mas a segunda maior capital da América Latina é muito mais que pura história, e foi provavelmente essa uma das razões para que Buenos Aires fosse escolhida para sediar o XV Congresso Mundial de Psiquiatria. Rivalidades à parte, a cidade é um dos destinos mais procurados pelos brasileiros em qualquer época do ano, principalmente com a valorização do Real em relação ao Peso Argentino. Buenos Aires é, sem dúvida, o lugar apropriado para quem anseia esvaziar a mente e enchê-la novamente de arte, diversão, boa gastronomia, arquitetura acolhedora, povo caliente e para deixar-se dominar pelo ritmo contagiante do tango. O Congresso Mundial de Psiquiatria, que acontecerá entre 18 e 22 de setembro deste ano, é organizado pela Associação Mundial de Psiquiatria a cada três anos, sendo o principal evento científico internacional psiquiátrico. Neurocientistas, psiquiatras, psicólogos e aspirantes na profissão terão uma gama de conferências de esclarecimento e aperfeiçoamento dessa especialidade da medicina que estuda as patologias mentais. É exatamente essa busca contínua do homem de conhecer a si próprio, sua origem e o mundo que habita que leva esse congresso a ser uma fonte inesgotável de conhecimento e, não obstante, de mais questionamentos. Através destes estudos constantes, descobrese que nosso cérebro é muito mais que

um depósito de informações recolhidas aleatoriamente, mas possui em sua complexidade a capacidade de analisar, sintetizar e organizar pensamentos e emoções de maneira a nos fazer apreciar as coisas mais belas e aperfeiçoar, ou ignorar, aquilo que nos desagrada. É dessa forma holística que essa viagem a Buenos Aires deve ser vivenciada, pois os que já estiveram na cidade alertam: não é uma cidade que apaixona à primeira vista como Londres ou Nova York, é necessário ir além de uma mera olhadela. Nesse caso, use suas ações, percepções, pensamentos e até mesmo fantasias, ou seja, todo o potencial do córtex cerebral para desvendar a cidade, nem que seja numa ruela perdida em que consiga encontrar a alma de Buenos Aires. Mas antes de embarcar para essa viagem, eis um panorama: os que pisam em Buenos Aires se deparam com uma cidade de contrastes, pelo espírito europeu das largas avenidas e arquitetura elegante, o que transparece certa soberba e prosperidade, não fosse pela premeditada falência econômica do país ilustrada nas capas dos jornais há alguns anos. No entanto, más previsões à parte, a capital ressurgiu como uma bela fênix e alçou vôo em bons ares novamente. Isso devido, é claro, ao fato de a cidade ter se tornado um dos mais acessíveis destinos turísticos do mundo. Em Buenos Aires se encontra de tudo, menos mediocridade. Bela e intensa, como exprimem as composições do gênio Astor Piazzolla, não seria exagero dizer que a cidade deixa as emoções latentes até nos mais racionais dos seres. E muito disso se deve ao povo ser deveras caloroso e extrovertido, o que faz com que o mais desconhecido e tímido dos turistas se torne um bom amigo de longas conversas pela madrugada, para os que tiverem a perspicácia de se deixar acolher pelo espirituoso povo argentino.

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efeitos da crise financeira que fez o povo perder o romantismo - pois o tango nada mais é senão puro romantismo e nostalgia, que alcança os recônditos da alma onde estão guardadas as mais preciosas lembranças - revive nos dias atuais, no entanto sem a glória e audácia do passado. Assim como o tango, Buenos Aires é uma cidade de extremos, de tristeza e êxtase, de paixão e solidão, enfim, uma cidade para se deixar levar. Muito há para ser falado, contudo apenas aqueles que vão parar nas ruas de Buenos Aires conseguem sentir esse irresistível tom de conquista, que estende a mão aos privilegiados de estar lá, como um convite para dançar.

toda sorte de livrarias e cidadãos rendidos à arte literária. Para um povo absorvido pela palavra não se surpreende que tenham muito a dizer e, aos que se dispõe, conseguir ouvir em cada esquina uma história diferente. E nessas mesmas esquinas podem se encontrar aconchegantes cafés, com cardápios recheados de cafés de sabor italiano, porém com alma argentina, pois dada a dramaticidade do tango, até um deles foi batizado de “Lágrima” (leite quente com uma “lágrima” de café). Intrínseco à cidade, está o extasiante ritmo propagado mundialmente por Piazzolla e Gardel. O tango, apesar da decadente popularidade, devido aos

BUENOS AIRES DE TANGO, TEATRO E DANÇA Nessa cidade banhada pelo Río de La Plata se respira muita cultura. Que o digam os amantes do teatro que encontram uma Broadway em plena Buenos Aires, como foi comparada durante muitos anos a “rua que nunca dorme”. Hoje, já não possui a iluminação dos letreiros de néon, mas ainda é palco de vedetes emplumadas e comediantes pastelão que destrincham veneno satírico da política do país de Evita, dentre outras produções semanais, que vem tornando a capital na cidade mundial do teatro. Basta circular pelas ruas e encontrar

Bem vindo à Ciudad Autónoma de Buenos Aires! Aproveite para caminhar, avistar praças, palácios e pizzarias, parques e piquetes e muito mais dessa cidade que é realmente única. 1

Recoleta – um dos bairros mais sofisticados da cidade, onde se encontra cafés, restaurantes, antiquários, um complexo cultural e até um cemitério, tudo emoldurado por ruas arborizadas.

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Basílica Nuestra Señora del Pilar – com linhas barrocas, é uma das igrejas mais singelas da capital. Era dedicada a práticas espirituais dos padres franciscanos recolhidos, de onde vem o nome do bairro: recolhido=recoleto.

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Cemitério da Recoleta – lá estão enterrados membros de famílias tradicionais da Argentina, inclusive o corpo de Evita Perón, apesar dos protestos na época, devido a sua origem simples. É um dos cemitérios mais bonitos e visitados do mundo. La Boca - vivacidade de cores e garantia de um passeio por um lugar pitoresco é o que se encontra nesse bairro que faz parte do circuito turístico da periferia de Buenos Aires. Café Tortoni – é parada obrigatória para saborear um bom café, além de um símbolo de Buenos Aires e do tango.

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Plaza de Mayo e Avenida de Mayo – essa avenida forrada de cúpulas e fachadas de todos os estilos tem início na Plaza de Mayo e segue ao encontro com o imponente edifício do Congresso Nacional.

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Teatro Colón – um dos teatros mais famosos do mundo pela acústica que engrandece qualquer ópera, é um orgulho para os argentinos. Vale a pena passar por lá nem que seja para conhecê-lo por dentro.

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Casa Rosada – mais conhecida pela bancada onde vários discursos políticos foram proferidos, é a sede da Presidência da República, onde um museu está disponível para visitas públicas.

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Puerto Madero – para quem quer degustar de boa gastronomia e apreciar uma bela vista dos diques do Río de la Plata, o mais novo bairro cidade é uma atração à parte.

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Centro – o encontro da Avenida 9 de Julho com a Avenida Corrientes e o Obelisco, é o cartão-postal mais famoso do centro portenho e por onde um grande fluxo de habitantes passa diariamente, deixando estampado o perfil do morador da cidade. Ali está uma concentração de livrarias, teatros e cafés, o que torna a passagem pelo local imprescindível.

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Museu Nacional de Belas Artes – é o museu mais importante da Argentina, abrigando obras de Rodin, Monet, Renoir, El Greco e Goya. Como se não bastasse, a entrada é franca.

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Museu Evita – a eterna figura de Evita continua vívida para os Argentinos nesse antigo casarão que exibe fotos, documentos, cartas, vestidos, jóias, revistas e brinquedos que testemunharam a vida e obra de Eva Perón.

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Bosques de Palermo – o parque é repleto de atrações. Jardim Zoológico, Jardim Botânico e até um Jardim Japonês se encontram nessa grande área verde, além de outros passeios, restaurantes e pessoas praticando todo tipo de atividade. Ótimo para caminhar e dar uma relaxada.

IMAGENS: Dr. Vanderlei Galafassi / Shutterstock


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A experiência de ir a Buenos Aires foi muito gratificante e correspondeu às expectativas, pois é uma capital latinoamericana com charme europeu e tempero latino. Os parques da cidade, o bairro boêmio onde viveu Carlos Gardel, a Recoleta onde se encontram restaurantes de cozinha internacional, as casas de show de tango, enfim, várias coisas me surpreenderam muito, além do povo argentino que é muito acolhedor. Eles tratam muito bem os turistas, e principalmente os brasileiros, apesar de falarmos o famoso “portunhol”. Tive o prazer conhecer bem a cidade, os monumentos, a casa rosada, porém o que me chamou mais atenção foram as mães da Plaza de Mayo, um movimento das mulheres pela justiça contra o regime militar. O centro da cidade é muito bem cuidado e as pessoas se vestem elegantemente devido aos preços acessíveis das roupas. Existem galpões do Porto de Buenos Aires, no Río de La Plata, que foram remodelados em casas de show, com comida típica argentina, como o chouriço que é uma carne de gado bem preparada, muito gostosa. E o charme do tango é cativante, por ser uma música muito sensual e romântica, como a dança. Apesar da arquitetura lembrar muito as cidades européias e da tranqüilidade em certos bairros, Buenos Aires tem os mesmos problemas de uma grande metrópole, como insegurança e transito caótico. Porém, vale muito à pena conhecer a América Latina, em especial Buenos Aires, pela aula de cidadania, costumes e a maneira de viver.

Dr. Vanderlei Galafassi Pediatra e viajante de plantão

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BRANQUINHO BÁSICO Novidades e tendências em moda, decoração e tecnologia para quem não abre mão do estilo e da sofisticação.

Coleção ‘Tribute To The Mont Blanc’ preço médio

US$ 2.040

A nova coleção da Mont Blanc homenageia a montanha que dá nome a marca. As canetas vêm gravadas com os dados dos picos no anel de platina e a logo em quartzo branco polido, na tampa. (tribute-to-the-mont-blanc.com)

Fones de ouvido Jeweled Jawbone preço médio

US$ 200

O gadget leva a assinatura da Jawbone e é coberto de cristais Swarovski. Com tecnologia Noise Assassin 2.5 (redução de ruídos) e reconhecimento de voz para comandos. (neimanmarcus.com)

Mini Coupé 2012

preço médio

US$ 22.000

O novo MINI Coupé 2012 é a versão mais esportiva da marca, apresentando helmet roof e aerofólio retrátil. Com motor de 4 cilindros turbo e 211 cv de potência, vai de 0 a 100 km/h em 6,4 segundos. (mini.com)

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Qlocktwo

US$ 1.200

preço médio

Sem números, o Qlocktwo é um relógio que mostra as horas com palavras iluminadas. Fabricado pela Biegert & Funk o relógio está disponível em 10 idiomas e 6 modelos cores diferentes. (qlocktwo.com)

IWC Aquatimer Chronograph preço médio

US$ 21.500

Com caixa em ouro 18 quilates o novo IWC Aquatimer Chronograph conta com cronógrafo e movimento mecânico automático. (iwc.com)

Steinway Imagine, tributo a John Lennon preço médio

R$ 244.367

Inspirados no piano que habita a casa de Dakota de John Lennon, o Imagine Series apresenta o refrão “You May Say I’m A Dreamer” gravado na lateral do piano e a assinatura de John Lennon em japonês. (steinway.com)

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Samsung Galaxy S II preço médio

R$ 2.000

Com apenas 116g, a segunda versão do Galaxy ganha com seu desempenho superior à média, pois utiliza o sistema operacional Android 2.3. (samsung.com.br)

Motorola Atrix preço médio

R$ 1.900

Com conexão HDMI o novo Motorola Atrix é versátil e traz o Lapdock, um acessório que transforma o aparelho em um netbook, comprado separadamente. (motorola.com.br)

Apple iPad 2 preço médio

R$ 1.649

O novo iPad 2 chega 33% mais fino e 15% mais leve do que a primeira geração, com processador Dual-core A5 multitarefa, duas câmeras e sistema iOS 4.3. (apple.com)

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IMAGENS: Divulgação


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LIVROS AS CENAS TEMIDAS DO PSICOTERAPEUTA INICIANTE, de Rubens Antonio Pereira (Ed. Ágora, 136 páginas, R$34,90)

JULJAN CZAPSKI: O CAVALEIRO DA SAÚDE, de Silvia SAÚDE Czapski e André Medici (Ed. Novo Século, 424 páginas, R$39,90)

Guia para o jovem psicólogo em formação sobre como lidar com os diversos tipos de pacientes. No livro, Rubens Antonio Pereira diz que existem dois tipos de obstáculo para o estudante de psicologia: a formação acadêmica deficitária e as dificuldades pessoais do aluno. Utilizando a teoria e a prática psicodramáticas, ele mostra que é possível combater ambos os problemas, tornando o psicólogo mais espontâneo, criativo e menos ansioso.

Uma obra que pode ser apreciada como romance, mostra toda a trajetória de Juljan Czapski, pioneiro na criação dos planos de saúde no país e fundador da primeira empresa brasileira de medicina de grupo. Czapski era um homem à frente do seu tempo e dedicou sua vida à melhoria da área de saúde. O livro traz ainda um panorama do sistema de saúde no Brasil desde os anos 1930.

FORÇA TAREFA NA IDOSOS, de DOR EM IDOSOS Dra. Fânia Santos e Dra. Polianna Souza (Ed. Moreiro Jr., 160 páginas) CURA, O CÓDIGO DA CURA de Bruce Forciea (Ed. Cultrix, 424 páginas,) Na obra, o autor apresenta as sete chaves para a liberação de um poder de cura ilimitado, que integra idéias da física, da biologia molecular, da medicina convencional e da teoria da informação. Forciea estende sua teoria também para os profissionais de cura, que, ao utilizar essa energia advinda das trocas de informações, podem potencializar os efeitos de qualquer tratamento tradicional ou holístico. Por meio de uma linguagem clara e técnicas passo a passo que tornam o livro acessível e prático.

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Inédito na área acadêmica, apresenta o mecanismo da dor a partir do pressuposto da possibilidade de maior qualidade de vida. Escrito pela mestra em geriatria Dra. Fânia Santos e pela secretária do Comitê de Dor no Idoso, Dra. Polianna Souza. O livro tem caráter multidisciplinar e linguagem técnica, no qual as autoras elencam as principais abordagens da dor e indicam os diversos tratamentos tocando em assuntos indispensáveis no atendimento de idosos. É um material de atualização e apoio aos que cuidam de idosos.

IMAGENS: Assessorias de imprensa

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Dez novos clientes em nosso programa de Atenção à Saúde Somente no primeiro semestre a NAGIS Health teve o prazer de somar 10 novos clientes a sua carteira do Programa de Atenção à Saúde. Esta é mais uma prova da qualidade que dedicamos aos nossos produtos, serviços e clientes, bem como a importância que os programas de atenção à saúde vêm recebendo por parte do mercado. Se sua operadora ainda não iniciou ações efetivas dentro da medicina preventiva, conforme preconiza a ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar, este é o convite para que sua organização seja nosso feliz décimo primeiro cliente, colhendo todos os benefícios que somente nossas soluções podem agregar para você.

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Saúde S/A - Ed.03  

A revista dos líderes da área de saúde.

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