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edição 2 . ano 2 . nº 2 maio / junho de 2015 Distribuição gratuita

Hospital Márcio Cunha: 50 anos de humanização e crescimento T​ ​erceiro hospital de Minas Gerais em número de internações pelo SUS

PROJETOS SOCIAIS

SELFIE

Voluntários doam tempo, enxoval e carinho

Dra. Filó: exemplo de fé e dedicação


Dr. Sandro Rodrigues Chaves Diretor TĂŠcnico CRM-MG 24892

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Maio / Junho 2015


Maio / Junho 2015

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Índice

Do editor

Cuidados

Recuperação física e bem-estar todo dia 08 responsabilidade

Doar sangue: banco público ou privado? 10 legislação

Saúde no banco dos réus 14 artigo

O Fator Humano na Saúde 16 melhores práticas

O mal invisível na boca 18 Saúde no Estado

Zona da Mata é referência no tratamento do câncer 20 Entrevista

Hospitais filantrópicos ganham voz na Assembleia Legislativa de Minas 24 capa

Dois gigantes que crescem em assistência humanizada 26 artigo

Redução de 12% no custo de aquisição dos medicamentos 32 Saúde no estado

Sustentabilidade. Esta é a palavra de ordem que pretende indicar o remédio para a cura dos problemas que as santas casas e os hospitais filantrópicos de Minas Gerais vêm enfrentando há muitos anos. O quadro clínico dessas instituições - usando o velho jargão da área de saúde - demonstra que o atendimento deve ser de atenção no nível terciário, pois algumas agonizam, como se vê nas inúmeras reportagens veiculadas pela TV. Quem paga o preço da falta de recursos? Vidas perdidas, sequelas irreparáveis, transtornos que só oneram os cofres públicos, quando não há uma estrutura hospitalar adequada para prestar a assistência a que essas instituições se propõem, por missão e como dever, à prestação de serviços gratuitos à população. O programa da Frente Parlamentar - voltada para a saúde dessas entidades-, que tem à frente o deputado estadual Arnaldo Silva, pode ser compreendido na entrevista que publicamos nesta edição. Quando os recursos financeiros da saúde existem de fato, nos perguntamos: aonde foram aplicados? Se se pretende desafogar o atendimento à saúde na capital, porque não melhorar as condições dos hospitais do interior? Essas questões não são específicas da nossa Revista Saúde Minas, mas de toda a população que busca por um atendimento melhor, e que quer garantia de assistência sem ter que se deslocar até Belo Horizonte. Alguns exemplos de dedicação e esforço podem ser vistos no Hospital do Câncer de Muriaé, e também no Hospital Regional de Betim. Inovações tecnológicas, certificações que atestam a qualidade tanto na assistência quanto na otimização de recursos, também são exemplos que instituições privadas (como o Hospital Mater Dei e o Hospital Márcio Cunha) deixam como referência, e que podem ser seguidos por instituições públicas, quando bem geridas e com recursos financeiros. Sustentabilidade também é um dos princípios que essa publicação vem perseguindo, para manter-se como veículo segmentado em uma área que carece de espaço para divulgação de temas como saúde bucal, judicialização da saúde e outros temas que abordam cuidados essenciais à vida. Ótima leitura!

Tratamento com muita dose de carinho 34

Nadjanaira Costa Diretora geral / Editora

Gestão à vista

nadjanaira@atitudecomunica.com.br facebook.com/atitudecomunica

Uma central que unifica objetivos e metas 38 Hospital público regional de Betim passa por reformas 40 artigo

A área de saúde e a TI 42 Bem-estar

Equilíbrio entre mente e corpo reflete na saúde 44 selfie

Médica #espiritualizada que toca corpo e alma 48 #Saúde

Curtas 50 6

Atitudes sustentáveis​

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Conselho editorial

Dr. Reginaldo Teófanes - CRMMG 9371 - presidente da AHMG Dra. Tânia Grillo - CRMMG 17700 - presidente do IAG Saúde Dr. Henrique Salvador - CRMMG 15404 - presidente do Hospital Mater Dei Dr. Wagner Brant - CRMMG 6699 - diretor do CQAI Farmacêutico Claudiney Ferreira - CRFMG 12067 - vice-presidente do CRF/MG Francisco Figueiredo - presidente da Federassantas

Expediente

Diretor geral/editora: Nadjanaira Costa | Jornalistas: Eduardo Nunes, Elisângela Orlando e Ilda Nogueira | Revisão: Cefas Alves Meira | Diagramação: Fernanda Braga | Projeto Gráfico: Atitude Comunica | Financeiro: Carlos Alberto Costa | Comercial: Rosana Lima | Impressão: Gráfica Formato | Tiragem: 10.000 exemplares | Distribuição gratuita Para anunciar: (31) 3047-4050/9779-4123/9684-9513 Para sugestões: saudeminas@atitudecomunica.com.br


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Cuidados

Recuperação física e bem-estar todo dia Pilates e fisoterapia como aliados da coluna e da boa forma, sob orientação de especialistas

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Divulgação

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om funções específicas, mas com resultados que surpreendem os jovens e idosos, os exercícios de pilates e de fisioterapia são cada vez mais procurados por quem está atrás dos benefícios posturais e do tratamento de saúde que envolve problemas ortopédicos. É inegável que a atividade física, bem orientada por profissionais, proporciona diversas melhorias, tanto na recuperação após lesões ou enfermidades quanto no combate ao sedentarismo, contribuindo para o bem-estar das pessoas. Cada vez mais presente em academias e em estúdios espalhados pelas cidades, o pilates tem atraído pessoas com os mais variados perfis, do ponto de vista físico, faixa etária e sexo. Desenvolvido pelo alemão Joseph Pilates, o método resulta em uma combinação de exercícios físicos, respiração, movimentos variados e reeducação postural. Para isso, são utilizados aparelhos com molas, bolas bobath e o peso do próprio corpo. O resultado é visível para os mais disciplinados e persistentes. Segundo a fisioterapeuta do Estúdio Flow Pilates, Letícia Portela, os exercícios dessa modalidade se concentram no abdômen, e por isso essa região é a responsável pela estabilização da coluna durante a prática das atividades. Por meio do fortalecimento dos músculos dessa região é possível manter uma postura cervical segura e estável. Com isso, o aumento da força, flexibilidade e mobilidade das articulações sé o principal ganho que o pilates proporciona, corrigindo a postura e possibilitando

Daniele Diniz: “Melhor flexibilidade e disposição, com uma musculatura mais forte”

o relaxamento, ao mesmo tempo. Além do aspecto físico, a fisioterapeuta destaca que o pilates ajuda a minimizar o desgaste físico e mental provocado pelo estresse diário. “O pilates contribui também na redução do estresse e no aumento da capacidade de concentração, uma vez que, durante os exercícios, é preciso estar atento à respiração e focar nos movimentos”, afirma. Letícia Portela e sua sócia, Camila Ferreira Gonçalves, integram a Associação Mineira de Pilates, que reúne inúmeras academias de Belo Horizonte, com o objetivo de difundir essa atividade como pratica segura, principalmente para aqueles que resistem aos exercícios convencionais de musculação.

Aprovação Dor e falta de disposição foram os motivos que levaram o funcionário

público aposentado Leonardo Magalhães a procurar os exercícios de pilates. “Procurei o pilates há dois anos porque sentia dores na coluna. Depois disso, me sinto mais disposto, ágil e as dores reduziram significativamente”, ressalta. A veterinária Daniele Diniz, que pratica esses exercícios três vezes por semana, diz que os principais benefícios alcançados por ela foram na região lombar. “Percebo que a musculatura está mais forte, em função da eficiência dos exercícios que, em princípio, parecem ser bem leves, mas que proporcionam resultados excelentes”, destaca. Aliados, o pilates e a fisioterapia são utilizados também na prevenção de lesões e doenças. De acordo com o fisioterapeuta Cláudio Adriano Martins, a fisioterapia tem uma atuação significativa em várias áreas do corpo humano. “O nosso organismo funcio-


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Cuidados

Fisioterapia neurológica A fisioterapia é também um importante remédio para recuperação de pessoas que sofreram um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou que apresentem doenças do coração. “A fisioterapia neurológica acelera o processo de melhora da condição motora nesses casos, minimizando os efeitos deletéricos do desuso do aparelho locomotor ocasionados por essas lesões”, explica Cláudio Martins. Ele acrescenta que a fisioterapia cardiorrespiratória é também um método eficaz e grande aliado na melhora da circulação sanguínea, visando reduzir a pressão arterial, um problema cada vez mais crescente e que acomete cerca de 22,7% adultos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. exemplo da estudante Fernanda Oliveira. Geraldo José fez uma cirurgia ortopédica e, depois de colocar uma placa no fêmur, passou a sentir dores e ter dificuldade para andar. Com a fisioterapia, ele reconquistou sua qualidade de vida. “Depois que comecei os exercícios de fisioterapia, tudo melhorou para mim. O processo requer dedicação e os resultados aparecem de forma rápida”, diz. A dor lombar de Fernanda, que tem apenas 24 anos, a deixava indisposta para caminhar e também ao permanecer muito tempo em pé. “Sentia-me indisposta e cansava facilmente, além das dores na lombar. Depois de iniciar a fisioterapia já

Divulgação

na por meio de uma engrenagem de sistemas. Sendo assim, cada especialidade tem como objetivo prevenir e tratar nas respectivas áreas, como fazemos por meio da fisioterapia na reeducação postural geral (RPG), ortopédico, vascular e cardiorrespiratório”, salienta. A fisioterapia, como o pilates, também atua no fortalecimento da musculatura da coluna, promovendo a correção da postura. Os métodos utilizados variam de acordo com a recomendação médica e necessidades do paciente. Ela é essencial na recuperação motora de pessoas que passaram por cirurgias ortopédicas, como o aposentado Geraldo José, ou que apresentam dores lombares, a

Geraldo José se recuperou após cirurgia no fêmur. Fisioterapia foi fundamental para sua qualidade de vida

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Fernanda Oliveira: “Dores lombares nunca mais”

senti uma melhora significativa, com mais disposição, e as dores foram eliminadas. Não pretendo parar, pois depois da fisioterapia vou fazer exercícios de pilates para me fortalecer ainda mais”, comenta. Segundo o especialista, a fisioterapia é recomendada pelos ortopedistas para ajudar na reorganização muscular da coluna, melhorando o funcionamento do disco invertebral e proporcionando a reeducação postural. O disco invertebral é responsável pela rigidez e flexibilidade da coluna. Quando comprometida, a coluna não é capaz de suportar o peso do próprio corpo e pode ocasionar lesões na movimentação do tronco e provocar desajustes que impactam no equilíbrio e na postura. Com o agravamento desses problemas surgem as dores incômodas, que levam várias pessoas a se afastar do trabalho. Estima-se que 80% das pessoas terão dores na coluna em alguma fase da vida. 9


responsabilidade

Doar sangue: banco público ou privado? Em qualquer deles o gesto é de doação. E a prestação desse serviço depende de doadores conscientes e dispostos a salvar vidas

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Divulgação

oar sangue é fácil, seguro e não transmite doença”. Esta frase, dita pela gerente de captação de doadores da Fundação Hemominas, Heloísa Gontijo, demonstra que o ato em si não abriga grandes obstáculos. Porém, de acordo com dados da instituição, em Minas Gerais apenas 2% da população doa sangue regularmente. Diante dessa realidade, as entidades que gerenciam a coleta realizam trabalho de conscientização constante, para atrair mais doadores e garantir que muitas vidas sejam salvas com esse gesto. Os bancos de sangue públicos e privados seguem critérios específicos para a triagem dos candidatos que estão dispostos a doar sangue. Os doadores de sangue passam por uma avaliação clínica, que identifica e seleciona os mais aptos. “Em 2013, a Fundação Hemominas recebeu 340.571 candidatos à doação de sangue, sendo que, desses, 278.820 foram considerados aptos na triagem clínica”, destaca Heloisa Gontijo. Ela acrescenta que Belo Ho-

Doar sangue é fácil, seguro e não transmite doença Heloísa Gontijo Gerente de Captação de Doadores da Fundação Hemominas Heloisa Gontijo realiza trabalho de conscientização para aumentar o número de doadores aptos e frequentes

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Matheus Maciel

responsabilidade

Campanhas, como as do Hemoservice, incentivam doadores dentro e fora dos bancos de sangue

rizonte foi o município com maior número de comparecimentos, registrando 97.980 candidatos e 78.699 doações. A capital mineira teve melhor desempenho: por possuir maior número de habitantes e pelas campanhas realizadas. De acordo com a instituição, as mulheres são responsáveis por 39,28% do comparecimento em toda a rede Hemominas, e os jovens entre 16 e 29 anos respondem por aproximadamente 40% das doações de sangue. “Sangue é um remédio peculiar, pois ele é fabricado somente pelo corpo humano. Por isso é vital que as pessoas se conscientizem da necessidade da doação de Maio / Junho 2015

forma habitual”, alerta a gerente. Para doar no Hemominas é necessário fazer um agendamento prévio pelo telefone 155 da Fundação Hemominas, o que garante ao doador prioridade no momento da coleta. A identificação do candidato também é fundamental e, por isso, é exigido um documento como carteira de identidade ou do trabalho, de conselho de classe ou certificado de reservista. “Para doar é preciso estar com boa saúde, pesar acima de 50 quilos, não possuir comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis e dormir na noite anterior à doação”, orienta Heloisa Gontijo.

Sangue é um remédio peculiar, pois ele é fabricado somente pelo corpo humano, por isso é vital que as pessoas se conscientizem da necessidade da doação Heloísa Gontijo Gerente de Captação de Doadores da Fundação Hemominas

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responsabilidade

O que é preciso para doar Sangue? Ter e estar com boa saúde; Não ter tido hepatite após os 11 anos de idade; Ter idade entre 16 e 69 anos. Jovens de 16 e 17 anos poderão doar com a presença dos responsáveis legais ou portando autorização desses, com firma reconhecida em cartório. Maiores de 61 anos poderão doar se tiverem realizado pelo menos uma doação até os 60 anos; Pesar acima de 50 Kg; Dormir bem na noite anterior à doação; Não ter comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis. Não ter sido submetido a exame de endoscopia ou broncoscopia nos últimos 06 meses; Não ter feito tatuagem nos últimos 12 meses; Não estar em jejum. Pela manhã, alimente-se antes. À tarde, dê um intervalo de 3 horas após o almoço.

Matheus Maciel

Sangue reposto Muitos acreditam que doar sangue pode implicar em perdas, mas esse é um mito que a gerente do Hemominas esclarece nas palestras que realiza e nas orientações dadas por telefone. “O sangue é reposto pelo organismo e não faz falta nenhuma para quem está em condições de fazer a doação”, diz. Para manter a rede de doadores, sobretudo daqueles que pararam há algum tempo de comparecer ao banco de sangue, o Hemominas faz contato permanente com os candidatos, com hospitais conveniados, e ainda atua nas comunidades para formar multiplicadores das informações sobre a importância da doação de sangue. O trabalho dos hemocentros ou dos serviços de hemoterapia, como são chamados os bancos de sangue, é de constantes desafios, como explica o diretor presidente do Hemoservice, Carlos Henrique Maciel. “A transferência de sangue para os hospitais caracteriza uma prestação de serviço à saúde de toda a população. Os custos inerentes ao trabalho que um banco

Doadores passam por triagem, que avalia condições físicas e clínicas

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de sangue particular realiza são relativos aos procedimentos adotados para que o sangue chegue em perfeitas condições aos hospitais. Não se trata de um comércio de sangue, como muitos pensam, por sermos um banco de sangue particular. Até porque a doação não pode ser cobrada; mas estamos falando dos custos operacionais desse processo, que são semelhantes aos do serviço público”, salienta. Para orientar não somente os candidatos à doação, mas também os profissionais de saúde sobre o funcionamento do banco de sangue particular, o presidente do Hemoservice explica que todo o processo segue um roteiro padronizado. “No Hemoservice o doador é captado por uma equipe de estagiários de Psicologia orientados por um especialista da mesma área, que reali-


Matheus Maciel

entrevista

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A transferência de sangue para os hospitais caracteriza uma prestação de serviço à saúde de toda a população

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O processo segue um roteiro padronizado, afirma o dirigente do Hemoservice

zam o agendamento. Todo o sangue colhido é rigorosamente examinado e processado, e em seguida enviado aos hospitais”, afirma. Atualmente, o Hemoservice, que atua no segmento há 39 anos, conta com sete unidades, encarregadas de realizar a transfusão dentro dos hospitais conveniados no Estado. Com isso, a assistência ao paciente hospitalizado que necessita de sangue é mais rápida e segura. Recentemente, o Hemoservice inaugurou mais uma unidade de apoio transfusional na região hospitalar, no Bairro Santa Efigênia. Como o Hemominas, o Hemoservice também promove agendamento de doações – por meio do telefone (31) 3218-1300 – e são ministradas palestras em escolas, empresas, feiras e congressos, com o objetivo de despertar ainda mais a sociedade sobre a importância de salvar uma vida por meio desse gesto.

Responsabilidade social Para Carlos Henrique, a doação de sangue, tanto nos hemocentros públicos quanto nos privados, caracteriza um gesto de responsabilidade social para salvar vidas. “O que pode ser cobrado no atendimento ao paciente, tanto no tratamento particular, por meio de um plano de saúde ou Maio / Junho 2015

Carlos Henrique maciel Diretor Presidente do Hemoservice

na rede pública, que recebe o sangue de um banco público ou privado, é o procedimento de preparação do sangue, que já está incluso no valor pago por ele ao plano de saúde ou ao SUS. Isso é necessário para que o sangue chegue aos enfermos em condições seguras de uso”, explica. Dentre os custos operacionais destacados por Carlos Henrique estão a bolsa para coleta, exames laboratoriais realizados, testes pré-tranfusionais, estocagem, acompanhamento médico da transfusão, que são os itens remunerados em uma transfusão de sangue. “A transfusão do sangue em si não tem ônus nenhum para o cidadão”, complementa Heloisa Gontijo. “Em 2009, quando minha mãe teve dengue hemorrágica, percebi a importância desse ato tão simples, mas de suma importância para salvar pessoas. O nosso sangue pode representar uma mudança positiva na trajetória da vida de muitos cidadãos e suas famílias”, disse a dentista Maria Antonieta Moreira Canuto. Ela levou a sobrinha, uma estudante de Medicina, Fernanda Moreira Leite, para doar pela segunda vez. “Comecei a doar este ano e não quero parar mais, pois acredito que este é um ato imprescindível para salvar vidas”, diz a universitária.

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LEGISLAÇÃO

Saúde no banco dos réus É cada vez maior o número de ações judiciais envolvendo profissionais e instituições públicas e privadas ligadas ao setor

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da falta de infraestrutura, sobretudo na esfera pública, para oferecer serviços de qualidade à população. O tema é complexo e tem levado especialistas das áreas Jurídica e da Saúde a repensarem o modelo vigente. Diminuir o número de processos contra profissionais e instituições da área, identificando a origem do problema e como ele pode ser sanado, é o grande desafio que leva profissionais da área jurídica a se especializarem em temas da saúde. Para a advogada Luciana Dadalto, a judicialização da Saúde no Brasil ocorre por diversos fatores e um deles é o empoderamento do ci-

dadão. “A pessoa descobre que tem direitos e que pode procurar o Poder Judiciário para fazer valer esses direitos. A criação dos juizados especiais, que dispensam a presença de um advogado, também facilitou esse processo”, afirma. A qualidade da formação dos profissionais, sobretudo os recémformados, também é colocada em xeque, uma vez que o país vivenciou, nos últimos anos, uma avalanche de novas escolas de Medicina. “No Brasil, optou-se pela abertura de novas faculdades porque há uma crença de que faltam médicos. Não se questionou, porém, se faltam profissioDivulgação

aumento crescente do número de ações judiciais envolvendo profissionais e instituições de saúde públicas e privadas tem levantado uma série de questionamentos sobre o que provoca esse movimento. De um lado, a facilidade do acesso de pacientes ao Poder Judiciário, devido à disseminação da informação através dos meios de comunicação, e a criação de Juizados Especiais, têm permitido a muitas pessoas garantir o direito a tratamentos e até mesmo a medicamentos. De outro, profissionais e gestores da Saúde reclamam

A advogada Luciana Dadalto, do Instituto Brasileiro de Direito dos Profissionais e Instituições de Saúde (IBDPIS), propõe uma reflexão sobre o empoderamento do cidadão, diante dos seus direitos, e sobre a formação dos profissionais da saúde

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Divulgação

LEGISLAÇÃO

Há uma demanda social por prescrições médicas, seja de medicamentos, seja de afastamentos do trabalho, direitos, benefícios Sami El Jundi Advogado Sami El Jundi: “Legislação coloca o médico como intermediário de acesso aos benefícios do usuário da saúde”

nais capacitados para formar esses novos médicos”, assinala Luciana Dadalto, uma das idealizadoras do Instituto Brasileiro de Direito dos Profissionais e Instituições de Saúde. O IBDPIS foi criado em 2013, em Belo Horizonte, Minas Gerais, com o objetivo de promover, em caráter interdisciplinar, estudos, pesquisas e discussões sobre as relações que envolvem os profissionais de saúde, as pessoas jurídicas da área da saúde e os pacientes. O IBDPIS visa, também, atuar como força representativa nos cenários nacional e internacional, e como instrumento de intervenção político-científica, considerando os interesses dos profissionais e instituições de saúde.

Médico, comunidade e recursos O vice-corregedor do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), Ricardo Ernane de Oliveira, faz um alerta para outro Maio / Junho 2015

ponto importante. Segundo ele, a Medicina tem crescido de forma exponencial em termos de recursos, o que leva a uma complexidade cada vez maior do atendimento prestado, fato que não tem sido acompanhado pela sociedade. “Encontrar esses recursos nas comunidades menores está cada vez mais difícil. Só que a comunidade precisa do médico, e o médico precisa desses recursos. Isso leva, literalmente, a uma divergência entre o atendimento prestado e a necessidade que o paciente tem”, explica. Outro problema que abrange Justiça e Saúde diz respeito à indústria de atestados médicos existente no Brasil. Para o advogado Sami El Jundi, a legislação cada vez mais tem colocado o médico como intermediário do acesso aos benefícios, tanto na Educação, quanto na Saúde e também na Previdência. “Há uma demanda social por

prescrições médicas, seja de medicamentos, seja de afastamentos do trabalho, direitos, benefícios. Essa demanda vai impactar sobre os serviços de saúde, já saturados, e criar um mercado paralelo que vai dar conta dessa demanda”, frisa. De acordo com o advogado Sami El Jundi, é necessário que a fiscalização em relação à emissão de atestados e de documentos médicos em geral seja mais proativa e mais efetiva. Ele ressalta que, além dos atestados, também existem as receitas de medicamentos controlados. “Hoje, no Brasil, o sistema de dispensação de medicamentos controlados é pífio. A maior parte é baseada em anotações manuais em livros nas farmácias. Nós ainda não avançamos para um sistema unificado que possa nos permitir identificar quem são os maiores prescritores de medicamentos, que possuem um mercado e um comércio bem conhecido”, conclui. 15


Banco de Imagens

Artigo

O fator humano na Saúde

O

trabalho na área de saúde é considerado, por muitos que ali atuam, como uma atividade geradora de orgulho. Contudo, é um trabalho árduo, desenvolvido em regime de turnos e plantões, abrindo perspectivas de duplos empregos e de jornadas de trabalho prolongadas, em meio a um cenário de constantes paradoxos: vida, morte, alegrias, dores, sofrimento, perdas. Essa realidade afeta, em geral, a população e, em particular, os profissionais, considerados aqui o fator humano, que é a variável chave para os resultados organizacionais, sobretudo neste tipo de segmento. É consenso que a área de saúde faz parte de um mercado altamente competitivo e em constantes mudanças, que exige um posicionamento com um verdadeiro negócio e não mais com algo beneficente. E nesta perspectiva é imprescindível o investimento nas pessoas das diversas equipes da saúde por meio de processos eficazes de seleção, capacitação, desenvolvimento e remu16

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neração, garantindo a retenção dos talentos nesta área, em que ainda prevalecem elevados índices de turnover. É notória a necessidade de constante investimento em instalações, equipamentos e em tecnologias diversas, mas não em detrimento do investimento no fator humano. Já que somente será possível o funcionamento de toda esta estrutura com o trabalho das pessoas, que precisa ser excelente em todos os momentos, visando garantir segurança, qualidade e, quiçá, a vantagem competitiva das organizações de saúde. No passado, os hospitais, clínicas e demais serviços de saúde conseguiam se sustentar sem uma forte estrutura de gestão; hoje, ao contrário disso, além do médico e do paciente, este tipo de negócio envolve um processo de gerenciamento complexo e, necessariamente, uma condução estratégica. Do contrário, está fadado ao fracasso. Inicialmente, é importante definir processos e métodos de gestão efica-

zes e estabelecer padrões de qualidade; assim serão gerados os hábitos organizacionais. Esses hábitos determinarão o sucesso ou fracasso de um negócio. No livro “O Poder do Hábito”, o jornalista americano Charles Duhigg dá uma clara noção de como os hábitos determinam nossos resultados. Assim como escolher os hábitos angulares certos pode gerar mudanças incríveis, escolher os errados pode gerar desastres. Um serviço de saúde que emprega bons hábitos no seu ambiente de trabalho, com processos de trabalhos eficazes e valorização humana, cria perspectivas muito positivas de que as pessoas ofereçam o melhor de si, se sintam desafiadas, motivadas e comprometidas. Rozeli Dutra é Mestre em administração, administradora hospitalar, gestora em Ciência e Tecnologia-Fapemig


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Melhores práticas

O mal invisível na boca A halitose afeta boa parte da população brasileira e pode até gerar problemas de convívio social. Bons hábitos de higiene bucal e visita regular ao dentista, porém, podem pôr fim ao incômodo

Incômodo social O mau hálito pode ser provocado por causas extrabucais, como problemas nas vias aéreas superiores. Nesse 18

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Robson Ferreira

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m mal invisível, mas que pode provocar diversos problemas. O mau hálito, ou halitose, não é uma doença e, sim, um sinal de que algo no organismo está em desequilíbrio e precisa ser identificado e tratado. Além de afetar a saúde bucal, o problema pode trazer dificuldades de convivência social. Por desinformação, muitas pessoas acabam se isolando, com vergonha da halitose. Entretanto, não há motivos para se esconder. A intervenção e orientação de um dentista pode pôr fim a esse mal, que afeta boa parte da população brasileira. Há mais de 60 fatores que provocam a halitose - 90% dos casos têm origem na cavidade bucal, de acordo com a cirurgiã dentista Licínia Maria de Souza Pires do Rio, secretária-geral da Associação Brasileira de Odontologia – Seção de Minas Gerais (ABO-MG),. Dentre as causas mais comuns estão a saburra lingual e as doenças da gengiva. A crença de o estômago provocar o mau hálito talvez seja o maior mito na área de saúde da atualidade. “A halitose não vem do estômago, exceto em raros casos de diverticulose esofágica ou de refluxo gastroesofágico. Porém, nesses casos, a alteração do hálito é momentânea e passageira e seu odor não é o característico cheiro de enxofre presente na halitose crônica, mas caracteristicamente ácido”, alerta Licínia Rios.

Algumas práticas podem eliminar o caseum que provoca o mal hálito, mas recomenda-se a visita ao dentista

caso, os principais responsáveis pela halitose são os cáseos amigdalianos, também chamados, popularmente, de “bolinhas na garganta”. Trata-se de uma massa viscosa que se forma em pequenas cavidades existentes nas amígdalas, denominadas criptas amigdalianas. O nome deriva do latim caseum, que significa queijo, assemelhando-se a uma pequena “bolinha de queijo” com um odor forte e desagradável e que socialmente pode trazer incômodos.“O problema afeta uma parcela significativa da população, sem haver, até então, um método simples, econômico, seguro e não invasivo de tratamento”, afirma a secretária-geral da ABO-MG. Nem sempre se consegue perceber o cáseo. “Muitas vezes, a pessoa tem o problema, não consegue identificá-lo e, por não ter outras afecções bucais, acha que pode ser uma questão estomacal, mas o cáseo não está

relacionado a isso”, destaca o dentista Robson José Ferreira, especialista em reabilitação oral e estética. Segundo ele, a formação do cáseo ocorre de forma lenta, principalmente em pessoas que fazem o uso de farináceos como biscoitos, e não têm o hábito de escovar os dentes logo após a ingestão desses produtos. Com o tempo, os restos desses alimentos se alojam em pequenas crateras existentes nas amígdalas. Quando associados a algumas bactérias presentes na boca, o cáseo provoca a halitose. Como é difícil visualizá-lo, é comum a pessoa não perceber o problema. Os cáseos podem ser expelidos durante a fala, tosse ou espirros. “Às vezes, o odor desaparece porque a pessoa o expeliu sem saber. Com o tempo, porém, o problema pode reaparecer. Para que isso não ocorra, é importante fazer uma boa higiene bucal e consultar o dentista regu-


Melhores práticas

CD Costa

Robson José Ferreira é dentista

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zação do laser, que remove parte das criptas amigdalianas em sucessivas intervenções cirúrgicas.

Saúde bucal no brasil No Brasil, apesar de ainda haver vários gargalos na área da saúde bucal, nos últimos anos houve avanços importantes na oferta desses serviços pelo setor público, beneficiando a população mais carente. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal – 2010, realizada pelo Ministério da Saúde, entre 2002 e 2010, o número de equipes de Saúde Bucal cresceu de 390%. No mesmo período, foram criados 865 Centros de Especialidades Odontológicas e 674 municípios receberam Laboratórios de Próteses Dentárias. Conforme o levantamento, também foram distribuídos 72 milhões de kits com escova e pasta dentária. Já o acesso à água tratada e fluoretada foi ampliado para cerca de sete milhões de brasileiros, elevando o Brasil ao grupo de países com baixa prevalência de cárie. A pesquisa analisou a situação da saúde bucal da população brasileira com o objetivo de proporcionar ao SUS informações úteis ao planejamento de programas de prevenção e tratamento, tanto em nível nacional quanto no âmbito estadual e municipal. Para a cirurgiã dentista Licínia Maria de Souza Pires do Rio, secretária-geral da Associação Brasileira de Odontologia – Seção de Minas Gerais (ABO-MG), apesar das estatísticas, o Brasil evoluiu em qualidade e em quantidade de acessos aos serviços de saúde bucal no SUS. “A fluoretação da água de abastecimento foi um grande salto para a redução do índice de cárie na população brasileira”, diz. “Com a criação do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), dentro do Projeto Brasil Sorridente, e o crescimento do número de Equipes de Saúde Bucal (ESB), que integram o Programa Saúde da Família (PSF), o SUS tem buscado resgatar uma dí-

Arquivo pessoal

larmente”, alerta Ferreira. Em algumas situações, os cáseos precisam ser retirados mediante a utilização de instrumentos ou apertando-se as amígdalas, métodos que podem gerar ferimentos. Licínia Rios ressalta que, além da halitose, a presença de cáseos pode favorecer o aparecimento de inúmeras desordens bucais e sistêmicas, como a saburra lingual, a doença periodontal, amigdalites, entre outras, além de afetar as relações interpessoais devido à alteração no hálito. Os tratamentos propostos, até o momento, são clínicos, através do uso de anti-inflamatórios, de gargarejos com soluções salinas e antissépticas que, nem sempre, têm resultados satisfatórios. Em alguns casos, a solução pode ser cirúrgica, com a retirada total das amígdalas, ou com a utili-

Licinia Maria Pires, da ABO-MG

vida, que é ofertar a saúde bucal à população carente”, ressalta Licínia. A especialista alerta, porém, que, no Brasil, a saúde ainda não é valorizada como deveria. “A Saúde é um bem de consumo que está numa escala de valorização abaixo de itens como o celular, o Iphone, o tênis, o óculos de marca, a viagem para a praia. Os que estão fora dessa realidade sofrem e buscam ter acesso aos serviços, que ainda não conseguem atender à demanda”, explica.

Em até 95% dos casos, a halitose pode ser eliminada com medidas simples: 1. Consultar o dentista para, juntos, detectarem as causas da halitose; 2. Hábito de escovação sempre que ingerir qualquer alimento; 3. Não ficar muitas horas sem alimentar, para que ocorra mais salivação; 4. Escovar a língua para evitar o acúmulo de alimentos e detritos; 5. Tomar bastante água durante o dia.

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Saúde no Estado

Zona da Mata é referência no tratamento do câncer Localizado na cidade de Muriaé (MG), hospital atende a 268 municípios mineiros e está ampliando suas instalações para aumentar número de atendimentos que, hoje, chega a 16 mil por mês

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Igberto Dias

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A ampliação do número de leitos para 250 beneficiará a população da cidade e de outros municípios da Zona da Mata Igberto Dias

Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que, no Brasil, os números de 2015 devem coincidir com os registrados em 2014, o que significa a ocorrência de 576.580 novos casos de câncer. Incluem-se aí os casos de pele não-melanoma, o que reforça a magnitude do problema no país. Apesar das estatísticas, é preciso ressaltar que o tratamento também tem avançado, e que Minas Gerais é uma das referências no combate à doença no país. O Hospital do Câncer de Muriaé (HCM), localizado na cidade de mesmo nome, na região da Zona da Mata, é um exemplo de como o tratamento tem ajudado inúmeras pessoas na fase inicial da doença. A instituição é considerada um dos mais importantes centros de tratamento do câncer do Brasil. Fundado há 12 anos, o HCM atendeu 2.709 casos da doença em 2014, e a expectativa é fechar 2015 com 3.000 novos atendimentos. O hospital ocupa um terreno de, aproximadamente, 115 mil m2, sendo 34.611,53 m² de área construída. Em breve, a instituição vai ganhar um novo bloco. O projeto, que já está em execução, vai agregar mais 5.885,36 m2 ao edifício, ampliando o número de leitos. De acordo com o diretor administrativo Sérgio Dias Henriques, atualmente a instituição atende

HCM prevê o atendimento de três mil novos casos de câncer somente neste ano


a 268 municípios mineiros, com abrangência de 7,3 milhões de pessoas, além dos encaminhamentos de todo o país. A média mensal de atendimento é de 15.911, sendo 88,34% deles pelo SUS. “A equipe multiprofissional é a essência da assistência integrada. São mais de 800 profissionais, entre médicos especialistas e demais profissionais de saúde, administrativos e de apoio”. O HCM tem 144 leitos para internação e, com a ampliação, deve chegar a 250 leitos. Já o centro cirúrgico, que conta hoje com cinco salas, passará a ter oito salas, enquanto a UTI terá dez novos leitos, totalizando 20 ao final da obra. Sérgio Henriques explica que outro setor que se destaca é o de Medicina Nuclear, que realiza todos os tipos de cintilografia, inclusive tridimensional, além dos tratamentos de iodoterapia e cirurgias radioguiadas. Em média, são realizados cerca de 300 procedimentos por

Igberto Dias

Saúde no Estado

Sérgio Dias Henriques é diretor administrativo do HCM

mês. No hospital também são feitas aproximadamente 1,2 mil sessões de quimioterapia ambulatorial por mês, totalizando 14 mil atendimentos por ano. O setor de radioterapia possui três aceleradores lineares, um aparelho de braquiterapia e cinco estações de planejamento. Mensalmente, são executadas 2.550 sessões no local.

A equipe multiprofissional é a essência da assistência integrada. São mais de 800 profissionais, entre médicos especialistas e demais profissionais de saúde, administrativos e de apoio Sérgio dias henriques Diretor Administrativo

O Hospital do Câncer de Muriaé é mantido pela Fundação Cristiano Varella. No ano passado, no mês em que o patrono da fundação completaria 42 anos de idade, foi inaugurado o Memorial Fundação Cristiano Varella, ao lado do Hospital do Câncer de Muriaé. O local foi concebido para resgatar a memória de Cristiano Ferreira Varella, filho do deputado Lael Varella, morto em acidente automobilístico aos 22 anos de idade. O Memorial também funciona como espaço cultural, com constantes exposições de artes. A pinacoteca abriga mais de 500 gravuras em seu acervo técnico, que foram doadas por artistas do Brasil e de outros países, que se sensibilizaram com a causa cultural e apoiaram a iniciativa. No local também são realizadas exposições com obras de artistas de diversos pontos do país. Na Exposição Institucional Multimídia, o visitante pode conhecer a história da instituição, desde a concepção da ideia até os dias atuais. No mesmo local também é possível saber um pouco mais da vida de Cristiano Varella, cuja história é contada através de objetos pessoais que fazem referência à sua vida. A estrutura conta, ainda, com um auditório de 280 lugares, preparado para receber grandes eventos, sobretudo nas áreas de ciência e cultura.

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Igberto Dias

Memorial

Memorial leva o nome do filho do fundador, Cristiano Varella, e abre espaço para as artes

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Informe publicitário

Federassantas

Integra Saúde aproxima hospitais filantrópicos e órgãos do governo

Secretários da Seplag e da SES-MG ouviram as reivindicações dos diretores de hospitais e discutiram os rumos da saúde em Minas, no novo governo

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Federassantas

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s hospitais filantrópicos mineiros e representantes do poder público estiveram reunidos em abril, em Belo Horizonte, no Fórum Integra Saúde, promovido pela Federassantas. O evento proporcionou um diálogo entre gestores hospitalares e agentes públicos que atuam diretamente nas políticas públicas de saúde do Estado. Representando a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais – SES/MG –, a subsecretária de Regulação em Saúde, Dra. Maria do Carmo, e a subsecretária de Políticas e Ações de Saúde, Dra. Miriam de Souza, apresentaram uma visão técnica sobre os programas e políticas de saúde existentes no Estado, e tiraram dúvidas dos

Dra. Maria do Carmo, da Regulação em Saúde, e Dra. Miriam de Souza, das Políticas e Ações de Saúde, apresentaram uma visão técnica dos programas e políticas de saúde do Estado


Federassantas

Durante o Integra Saúde, a diretoria da Federassantas entregou uma proposta de Sustentabilidade das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos aos secretários de Governo

para a saúde. Francisco Figueiredo apresentou para os secretários um vídeo que exibia os sentimentos expressados pelos gestores hospitalares, que enfrentaram um início de ano caótico. Com o vídeo, os representantes da área de saúde externaram para os secretários os pensamentos e dificuldades desses profissionais, que batalham todos os dias para proporcionar um atendimento digno à

Federassantas

participantes sobre os rumos do novo governo em relação à área. Um dos painéis do evento abordou a relação entre os gestores hospitalares e os gestores municipais de saúde. O vice-presidente do COSEMS-MG, Dr. Sinvaldo Alves Pereira, e o Secretário Municipal de Saúde Pública de Barbacena, Dr. José Orleans da Costa, pontuaram situações conflitantes dessa relação e que merecem atenção especial. O Diretor-Geral da CMB, José Luiz Spigolon, participou da mesa como mediador e enriqueceu o debate com seu profundo conhecimento sobre as entidades de saúde filantrópicas. Ao final do evento, o Fórum Integra Saúde reuniu na mesma mesa de discussão o Secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fausto Pereira dos Santos; o Secretário de Estado de Planejamento de Minas Gerais, Helvécio Magalhães; e o presidente da Federassantas, Francisco Figueiredo. O painel tinha como tema principal os cenários desafiadores para os hospitais filantrópicos em 2015, e proporcionou aos participantes a oportunidade de ouvir diretamente dos representantes do governo algumas das metas que o Executivo pretende alcançar, sobretudo a respeito dos recursos do Estado

O Secretário da SEPLAG, Helvécio Magalhães; o presidente da Federassantas, Francisco Figueiredo; o secretário da SES, Fausto Pereira; e o deputado estadual, Arnaldo Silva. Discutiram os rumos da saúde nas santas casas e hospitais filantrópicos

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população, que depende do SUS. O último ato do evento trouxe para o palco o deputado Arnaldo Silva, que tomou posse como presidente da Frente Parlamentar de Apoio às Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas na Área da Saúde de Minas Gerais. Em seu discurso de posse, Arnaldo enfatizou os problemas enfrentados pelos mais de 300 hospitais filantrópicos de Minas Gerais. Ele citou a defasagem da Tabela SUS, a falta de compatibilidade do volume de atendimentos com a equivalente remuneração, o endividamento crescente, as crises de gestão e a necessidade de modernização. “Vou manter um diálogo permanente com o governo do Estado e a União, a fim de encontrarmos soluções para os problemas das santas casas e hospitais filantrópicos. Quero propor um plano de recuperação de adimplência dessas entidades, pautado na contrapartida de atendimento na saúde pública”, enfatizou o deputado. A diretoria da Federassantas entregou aos secretários e ao deputado uma Proposta de Sustentabilidade das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais. Esse documento foi elaborado com a participação dos hospitais filiados à Federassantas. 23


entrevista

Sarah Torres

Hospitais filantrópicos ganham voz na Assembleia Legislativa de Minas

Deputado Arnado Silva​, presidente da Frente Parlamentar ligada à saúde

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deputado estadual Arnaldo Silva (PR), em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa, já tomou posse com uma grande missão. Ele é o novo presidente da Frente Parlamentar de Apoio às Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas na Área da Saúde de Minas Gerais. Pela primeira vez na história da Frente, um parlamentar não médico assume a responsabilidade dos trabalhos. A experiência do deputado Arnaldo - mais de 15 anos prestando consultoria em direito público na defesa dos municípios mineiros - o credenciou para a função. 24

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A Frente é uma associação suprapartidária, constituída de 40 deputados estaduais que trabalham em sintonia com a Federassantas e governo de Minas. Arnaldo concedeu uma entrevista à Revista Saúde Minas e explicou detalhes sobre a responsabilidade de representar cerca de 300 hospitais filantrópicos de Minas Gerais. Saúde, Minas - Deputado, a Frente Parlamentar está ligada à área de saúde. Como um advogado especializado em direito público pode contribuir para o fortalecimento da associação? Arnaldo silva - Acima de tudo, contribuir com a experiência no

campo jurídico para uma gestão mais eficiente e dinâmica. Acompanhei, como advogado, por mais de 15 anos, diferentes formas de gerenciamento público de cidades de pequeno, médio e grande porte com as entidades filantrópicas da saúde. Com essa experiência, queremos implementar sistemas de compartilhamento e controle que permitam uma maior adequação desses hospitais e uma economia mais efetiva. SM - O que essa nova Frente Parlamentar traz de diferencial? O que oferecerá de concreto para a área? AS - Primeiro, dar voz para essas entidades. Embora de caráter pri-


vado, elas representam mais de 50% do atendimento de saúde pública em nosso Estado. Precisamos trazer para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) o debate para o fortalecimento desses hospitais. É necessário criarmos uma discussão em relação aos principais temas que envolvem as instituições filantrópicas e as santas casas. Desta forma, em sintonia com o governo de Minas, pretendemos buscar alternativas para a maioria dos problemas que afligem o setor. SM - Como a Frente pretende atuar na busca de linhas de crédito para os hospitais filantrópicos de Minas? AS - Os deputados estaduais que integram a Frente, juntamente com o governo de Minas e o representante dessas entidades filantrópicas (Federassantas), estão sentando-se em uma mesma mesa e buscando alternativas criativas e eficientes. Estamos montando uma pauta, e um dos itens é levar ao BDMG a possibilidade de criar uma linha de crédito para a requisição de equipamentos hospitalares para essas instituições. Também queremos levar as empresas públicas a contribuir de alguma forma. A Cemig, por exemplo, pode ampliar a rede de energia, fazer a doação de transformadores ou a instalação de autoclaves, ou, até mesmo, redução de tarifas de luz para as santas casas. SM - A atuação da Frente, em sintonia com a Federassantas, traz a esperança de que os hospitais possam ser melhor equipados para prestarem seus atendimentos? AS - Sem dúvida. Ninguém representa quem não quer ser representado. Se a Frente Parlamentar tem respaldo, e está tendo a legitimação por parte da Federassantas, isso é essencial para o nosso trabalho. E é essa sintonia que vai render frutos. Vamos buscar um diálogo permanente, porque é assim que nós vamos enfrentar cada um dos Maio / Junho 2015

problemas e buscar soluções cada vez mais rápidas. SM - Logo após sua posse como presidente da Frente Parlamentar houve reunião com os secretários da Seplag e da SES. Isso representa um passo em direção ao programa de sustentabilidade elaborado em conjunto com as instituições e a Federassantas? AS - É um passo importantíssimo. Nós já demos início à formação de um grupo de trabalho, onde sentam-se à mesma mesa o secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães; o secretário de Estado de Saúde, Fausto Pereira; o presidente da Federassantas, Francisco de Assis Figueiredo, e nós, deputados estaduais da Frente. Todos em busca de soluções para os hospitais filantrópicos. É um grupo altamente representativo e em sintonia com os anseios dessas entidades.

Estamos montando uma pauta, e um dos itens é levar ao BDMG a possibilidade de criar uma linha de crédito para a requisição de equipamentos hospitalares para essas instituições SM - De que forma funcionará a rede integrada das entidades filantrópicas da saúde, discutida nessa reunião com os secretários? AS - A rede integrada dos filantrópicos vai colaborar com o aperfeiçoamento da gestão. Não podemos admitir, por exemplo, que os honorários

de um plantão médico tenham valores tão distorcidos em todo o Estado. Uma das possibilidades é padronizar o pagamento de plantão. Outro benefício seria o compartilhamento de métodos de gestão, para que todas entidades possuam uma administração de qualidade. Um sistema de compras unificado também seria uma solução para redução de custos, além de um serviço em rede de exames de imagens, telemedicina, emissão de laudos, lavanderia... SM - Quais os maiores desafios da Frente Parlamentar, tendo-se em vista a crise orçamentária do governo? AS - Eu acho que a crise sempre vai ser um desafio; mas ela também é um espelho para que a gente possa se olhar e começar a refletir em busca de novos caminhos. Temos que pensar que as demandas aumentam com uma maior complexidade, e que o poder público tem que acompanhar tudo isso. A crise sempre vai existir, e ela não pode ser uma desculpa para a descrença ou abandono dessa causa tão importante, como são as santas casas e os hospitais filantrópicos. SM - De que forma os hospitais filantrópicos podem contribuir para o enfrentamento dessa crise? AS - Eles já contribuem, e muito. Essas entidades, que são privadas, ao exercerem o trabalho de saúde pública já estão cumprindo um papel fundamental, que é de responsabilidade do Estado. Se nós tirássemos do cenário da saúde pública mineira 290 entidades filantrópicas, as que são atualmente filiadas à Federassantas, como é que ficaria a saúde pública em Minas Gerais? A maioria dos municípios do Estado conta apenas com essas instituições para o atendimento médico. Elas já estão funcionando efetivamente, como grandes parceiras do Estado. O que precisa agora é aperfeiçoar essa relação. 25


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Dois gigantes que crescem João Rabêlo

Os hospitais Márcio Cunha, em Ipatinga, e Mater Dei, em Belo Horizonte, investem em suas estruturas para suprir a carência de leitos na saúde pública, suplementar e particular no Estado

Equipes treinadas, tecnologia de ponta e ampla estrutura fazem da FSFX uma instituição alinhada com os anseios da população, na região Leste do Estado

O

avanço do número de casos de câncer no Brasil tem levado os hospitais a investir cada vez mais em tecnologia e na expansão de suas estruturas físicas, para atender o crescimento da demanda. Esse movimento, porém, não se restringe à rede privada, tampouco à capital. Em Ipatinga, a Fundação São Francisco Xavier (FSFX), instituição filantrópica criada pela Usiminas para administrar o Hospital Márcio Cunha e a operadora de planos Usisaúde, investe, cada vez mais, em sua Unidade de Oncologia. Isso, para ampliar a capacidade de atendimentos a pacientes com câncer, vinculados a convênios, e do Sistema Único de Saúde (SUS). Incorporada pela Fundação em 2011, a mais recente das três unidades do hospital na cidade passou por reformas nos últimos dois anos, se consolidando como referência para quase 26

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1 milhão de habitantes de 35 cidades de todo o Leste de Minas. Por meio de recursos próprios e de convênios com o Ministério da Saúde e o Governo do Estado, além de recursos captados pelo Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), o Hospital Márcio Cunha pôde adquirir equipamentos de alta tecnologia para radioterapia, radiocirurgia e braquiterapia. Ainda para este ano está prevista a conclusão de dois projetos de expansão: a inauguração da primeira Unidade de Oncologia Pediátrica, da região Leste, e a implantação da Unidade de Cuidados Paliativos, que contará com equipe multiprofissional e oferecerá atendimento integral. Além disso, prevê a abertura de mais 40 leitos para internação de pacientes oncológicos. Para o diretor executivo da FSFX, Luís Márcio Araújo Ramos, os novos serviços possibilitarão um grande sal-

to à Oncologia no interior do Estado. “Isso ressalta nosso papel filantrópico e de responsabilidade social, ao concentrar esforços para garantir, no Vale do Aço, os tratamentos que atualmente são feitos somente em grandes centros, como Belo Horizonte e São Paulo. A Unidade de Oncologia Pediátrica permitirá que as famílias permaneçam em nossa região para o tratamento de crianças e adolescentes diagnosticados com câncer. Isso faz toda a diferença na vida das pessoas”, explica.

HUMANIZAÇÃO EM TUDO A Fundação São Francisco Xavier mantém ainda parceria permanente nas mais diversas ações sociais, principalmente com o Grupo Se Toque. É uma entidade sem fins lucrativos que atua na conscientização sobre o câncer, no estímulo à detecção precoce da doença e no acolhimento a


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pacientes”, destaca Luís Márcio. Criado em 1965, o Hospital Márcio Cunha comemora seus 50 anos como referência no Estado em qualidade na assistência. Os benefícios que entrega à população receberam investimentos para ampliação e modernização da sua estrutura, que conta com 530 leitos distribuídos em duas unidades, equipadas para atendimentos de alta complexidade e prestação de serviços ambulatoriais, pronto-socorro, internação e serviços de diagnóstico. O desafio de atender aos casos complexos, como captação de órgãos e atendimento a vítimas de acidentes em rodovias, como a BR 381, foi superado com o novo heliponto, que desde fevereiro passou a receber pacientes graves, que chegam de helicópteros. O heliponto integra a estrutura do novo pronto-socorro, com 4 mil metros quadrados de área, na Unidade I, sendo um dos maiores de Minas Gerais. “Fruto do Plano Diretor

Nilmar Lage

pacientes oncológicos do Hospital Márcio Cunha, por meio da casa de apoio mantida pelo grupo. O imóvel, doado pela Usiminas, foi reformado em parceria com a Fundação para dar abrigo a quem necessita, durante o tratamento. A Casa de Apoio Se Toque disponibiliza hospedagem e alimentação especial a todos os pacientes e acompanhantes no café da manhã, no almoço e no lanche da tarde, e ainda oferece oficinas de artesanato. O atendimento da instituição também prioriza pacientes do SUS. “Atualmente, o Hospital Márcio Cunha é o terceiro hospital de Minas Gerais em número de internações pelo SUS, com 22 mil dentre as mais de 34 mil realizadas em 2014, envolvendo também planos de saúde e particular. É o segundo hospital do Estado em realização de partos e só no ano passado foram 5.711. Na Oncologia, o número de atendimentos pelo SUS é ainda mais expressivo, chegando a 95% dos

Ao completar 50 anos, FSFX também aumenta número de atendimento, sobretudo a pacientes do SUS, que já chega a 95% do total

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João Rabêlo

em assistência humanizada

Luís Márcio Araújo Ramos é diretor executivo da FSFX

de Obras da FSFX, o setor foi inaugurado em 2013, junto com outras áreas da Unidade II, entre as quais destacam-se a nova Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 16 novos leitos de internação, 20 novos consultórios e um avançado centro de diagnóstico por imagem, com tecnologia de ponta e capacidade para realizar 10 mil exames o por mês”, destaca Luiz Márcio. O Hospital Márcio Cunha conquistou, no ano passado, seu primeiro destaque internacional. Recebeu a certificação de alto padrão de segurança e efetividade no atendimento ao paciente, concedida pela Det Norske Veritas International Accreditation Standard (DIAS), norma de acreditação hospitalar baseada na norte-americana National Integrated Accreditation for 27


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Contemporaneidade premiada Quem passa na Avenida do Contorno, na região do Barro Preto, em Belo Horizonte, visualiza um prédio de arquitetura contemporânea que abriga tecnologia de ponta e em pleno funcionamento. A estrutura da Unidade Mater Dei Contorno, inaugurada no ano passado, faz do hospital uma referência na América Latina, pelos recursos que dispõe. “O projeto foi idealizado pelo doutor José Salvador, mas toda a diretoria, desde o início, participou da corporação, tecnologia, constituição das equipes assistenciais e administrativas,” explica o presidente do hospital, Henrique Moraes Salvador Silva. São 70.000m² de construção, 850 vagas de estacionamento, 22 andares, 32 apartamentos por andar, 14 elevadores com fluxos distintos, com usos para roupas limpas, sujas, médicos, pacientes, acompanhantes. O projeto arquitetônico do Mater Dei também foi premiado e é assinado pelo arquiteto Siegbert Zanettini, da Zanetinni Arquitetura, de São Paulo, especialista em construções hospitalares. “Tivemos um prazo curto para execução das obras, cujas dimensões e complexidade colocam a estrutura como a maior e mais arrojada do país”, diz o arquiteto. O prédio é definido pelos diretores como uma estrutura sustentável, porque o revestimento é autolimpante, com água da chuva, e toda a água utilizada internamente é reaproveitada, 28

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Healthcare Organizations (NIAHO). “Com isso, o Márcio Cunha passa a integrar o seleto grupo de seis instituições brasileiras que possuem a certificação internacional DIAS/NIAHO”, enfatiza o diretor. A instituição foi a primeira no Brasil a obter o certificação de Acreditação Hospitalar, concedido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), no nível 3 de excelência, em 2003.

Unidade Contorno integra a Rede Mater Dei de saúde com diferenciais que o coloca no mesmo patamar de instituições internacionais

além de outros recursos, que são resultados de pesquisa, experiência de três décadas da instituição e pela tecnologia incorporada. Zanettini destaca que o projeto faz do Mater Dei o primeiro hospital do país a trazer em sua concepção contemporânea alguns atributos, como: o primeiro a utilizar sistemas industrializados, estrutura totalmente metálica, lajes steel deck, divisórias internas em dry wall, painéis montados em todas as suas superfícies externas das fachadas e no miolo dos pátios internos. O arquiteto ressalta também a grande diferença de níveis nas três vias que circundam a quadra onde o hospital está situado, e como foram ajustados. “Os níveis foram habilmente aproveitados, separando os fluxos da entrada principal e do pronto-socorro no nível da av. do Contorno; as entradas do subsolo e serviços pela rua Gonçalves Dias; as

entradas de veículos para as rampas de acesso e de saída pela rua Uberaba, juntamente com a entrada para o setor de pacientes externos e oncologia”, explica.

Pronto socorro eficaz De acordo com Henrique Salvador, os prontos-socorros são um dos grandes problemas que os hospitais no Brasil enfrentam, devido à estrutura, o que impede a implantação de processos assistenciais eficazes. Pensando em solucionar essa questão que impacta tanto na instituição quanto na saúde do paciente, que necessita de serviços de urgência e emergência, o projeto contemplou um pronto-socorro com concepção diferente, após muita pesquisa nacional e internacional. “São 4 mil metros quadrados, com capacidade para atender até 2 mil pacientes/dia, com fluxos distintos para baixo, médio e alto risco. Fi-


zemos uma previsão de fluxo e estrutura para implantar uma filosofia de atendimento mais próxima do ideal. As equipes foram treinadas durante dois anos, antes da inauguração do hospital, para atender dentro desse novo padrão”, frisa o presidente. O projeto também se destaca pela preservação da área verde no entorno do hospital. “A espessa e importante massa vegetal local, com espécies de árvores de grande porte e que são referência urbana como uma árvore centenária, foram preservadas e valorizadas dentro do nosso projeto. Acredito que o Mater Dei Contorno, por tudo que resultou e que não encontra semelhante no Brasil, é uma enorme contribuição funcional, técnica, ambiental e estética que Minas merece”, conclui Zanettini.

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HMD

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São 4 mil metros quadrados, com capacidade para atender até 2 mil pacientes dia, com fluxos distintos para baixo, médio e alto risco Henrique Salvador Presidente do Hospital Mater Dei Dr. Henrique Salvador é presidente do Hospital Mater Dei

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João Rabêlo

Informe publicitário

João Rabêlo

Hospital Márcio Cunha: 50 anos de qualidade e referência em saúde

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á cinco décadas, inauguravase não apenas uma nova estrutura de atendimentos à população da recém-emancipada Ipatinga. Nascia o Hospital

Márcio Cunha (HMC), um novo horizonte de possibilidades para a população que chegava à nova cidade e que, em pouco tempo, se tornaria referência em saúde para quase um milhão de habitantes da região Leste

Acompanhada pelos filhos, Elvira Cunha, esposa do engenheiro Márcio Cunha, responsável pela construção do hospital e que dá nome à instituição, foi uma das homenageadas

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de Minas Gerais. No último dia 7, uma grande cerimônia marcou as comemorações dos 50 anos, reunindo colaboradores como a Usiminas, instituidora, e Fundação São Francisco Xavier (FSFX) – entidade que administra o hospital, familiares, clientes e parceiros nas últimas décadas. Nesse sentido, a emoção de personagens, cujas histórias de trabalho, sonhos e vitórias se entrelaçam com a trajetória de sucesso do Hospital Márcio Cunha, tomou conta do encontro. Quatorze homenageados, entre profissionais de várias áreas, autoridades e representantes da Usiminas, subiram ao palco para receber uma placa comemorativa. Ainda durante a cerimônia, foram lançados o selo comemorativo dos Correios, um vídeo e o livro em homenagem aos 50 anos do HMC, contados a partir de depoimentos de personagens que fizeram parte dessa história. Houve também a abertura de uma exposição de imagens, registrada por diversos fotógrafos do Vale do Aço ao longo dos anos. “Concebido como parte de um projeto civilizatório, urbanístico e industrial nos anos de 1960, o Hospital Márcio Cunha traz desde a sua criação, pela Usiminas,


Uma história de homenagem A construção e inauguração da Usiminas, uma das maiores siderúrgicas do país, em 1962, levou trabalhadores de diversas partes do Estado e do país para o pequeno vilarejo de Ipatinga, que só se tornaria município três anos mais tarde. O espírito empreendedor dos gestores da empresa percebeu a necessidade de ajustar os interesses econômicos aos humanísticos. Era atendimentos em 2014

Na companhia dos diretores da FSFX, Luís Márcio Araújo Ramos, e do HMC, Mauro Oscar Souza Lima, o presidente da Usiminas Rômel Erwin visitou a exposição sobre os 50 anos do Hospital

preciso construir uma cidade planejada, de traçado moderno e com ampla infraestrutura. Missão dada a experientes arquitetos e engenheiros, entre os quais estava Márcio Aguiar da Cunha, responsável pelas obras e que faleceu em um acidente aéreo meses antes da inauguração do hospital. As décadas adiante tornaram o Márcio Cunha mais que uma homenagem; um símbolo do triunfo de desenvolvimento e integração entre empresa e sociedade. “A experiência do Hospital Márcio Cunha com o Sistema Único de Saúde (SUS) ilustra bem nossa vocação de instituição parceira e filantrópica, ao buscarmos ser sinônimo tanto em referência em atendimentos de alta complexidade, como oncologia, tratamento de terapia intensiva e hemodiálise,

João Rabêlo

1.488.516 exames de Patologia Clínica 363.799 exames de Diagnóstico 122.096 no Pronto-Socorro 34.246 internações 16.500 cirurgias 5.711 partos 40 transplantes renais

João Rabêlo

a responsabilidade social como um princípio basilar. Isso faz parte do modelo de gestão arrojado e eficiente da Fundação São Francisco Xavier, instituída anos mais tarde para ser responsável pela administração do hospital e dos negócios de saúde e educação da siderúrgica, de forma sustentável e inovadora. O resultado é o grande reconhecimento nacional e internacional que coloca a instituição no patamar das melhores em assistência à saúde no país”, destaca o diretor executivo da FSFX, Luís Márcio Araújo Ramos.

O investimento constante em tecnologia em áreas como diagnóstico por imagem e alta complexidade tornaram o HMC referência para todo o Leste de Minas

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por exemplo, quanto de inovação em produtos e serviços que tragam benefícios diretos aos seus pacientes, como transplantes renais e cirurgias cardíacas para implantes de marca-passo”, explica Mauro Oscar Souza Lima, superintendente do HMC.

Indicadores de respeito Com 530 leitos em duas unidades, além de uma unidade exclusiva de Oncologia, o Hospital Márcio Cunha é referência em atendimentos de alta complexidade e prestação de serviços nas áreas de ambulatório, pronto-socorro, internação e serviços de diagnóstico. Não por acaso, acumula resultados dignos do seu porte. É o 3º hospital do Estado em número de internações pelo SUS e o 2º hospital de Minas em realização de partos. Números estes graças à qualidade aplicada no gerenciamento das atividades e na assistência segura prestada aos pacientes. Em 2003, o Hospital Márcio Cunha foi o primeiro hospital do Brasil a obter o certificado de Acreditação com Excelência, nível máximo concedido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Três anos mais tarde, recebeu o Prêmio Mineiro da Qualidade. Em 2014, foi recomendado, desta vez a nível internacional, a receber a certificação da Det Norske Veritas International Accreditation Standard (DIAS), a norma de acreditação hospitalar baseada nas normas reconhecidas pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos. Tudo isso ressalta os elevados padrões de qualidade e segurança assistencial e de infraestrutura da instituição moldados nas últimas cinco décadas. 31


Banco de Imagens

Artigo

Redução de 12% no custo de aquisição dos medicamentos

O

Brasil possui um sistema tributário marcado pela complexidade de suas normas e pela alta carga tributária. Como consequência, as empresas e instituições de saúde têm que buscar alternativas para redução dos custos operacionais de forma a compensar a escorchante carga tributária. Segundo a Interfarma – Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa –, em 2012, o Brasil, com o percentual de 33,9%, foi o campeão mundial de incidência tributária sobre medicamentos. A média mundial é 6,3%. Nesse contexto de baixíssimas margens de lucro, é necessário o acompanhamento constante das alterações do sistema tributário e a defesa dos interesses do cidadão face à voracidade arrecadatória do Estado. Ocorre que, na correria do dia a dia, muitas vezes não temos tempo para perceber importantes detalhes que fogem aos nossos olhos. Exemplo disso é o pagamento indevido das contribuições PIS e COFINS sobre medicamentos que, em média, representa 12% do custo de aquisição. A Lei 10.147/2000 definiu que

para as operações com medicamento, dentre outros, a tributação PIS e da COFINS deveria se concentrar no produtor ou importador do produto. Assim, os demais envolvidos na cadeia de comercialização ficariam desonerados do pagamento do PIS/COFINS, haja vista que o preço de venda do produtor/importador já inclui o imposto incidente sobre as transações posteriores. Esse foi o entendimento conferido à lei em decisões judiciais proferidas por tribunais federais no país, e já com algum respaldo no Superior Tribunal de Justiça. Em outras palavras, os hospitais e outras instituições de saúde têm buscado judicialmente a desoneração do pagamento do PIS/COFINS sobre os medicamentos por eles vendidos. Isso, porque o recolhimento dos tributos dessas operações foi realizado inteiramente e diretamente no produtor ou importador. Na prática, isso significa dizer que, para as instituições de saúde que tiveram tal direito reconhecido pelos tribunais, a alíquota de PIS/COFINS incidente na comercialização de medicamentos passou de 12% para 0%.

No entanto, o que se tem percebido é que os hospitais e demais instituições do setor da saúde têm deixado de reduzir o seu custo de produção quanto a redução da carga tributária, uma vez que deixam de pleitear o reconhecimento da chamada “alíquota 0%”, bem como não adotam as medidas gerenciais necessárias para tanto. Assim, essencial a constante avaliação da gestão fiscal das instituições de saúde como ferramenta para diminuir prejuízos e extinguir custos desnecessários. Em suma, as instituições de saúde têm direito a serem restituídas dos valores indevidamente pagos a título de PIS e COFINS. E, por óbvio, a deixar de recolhê-los futuramente, sem que isso represente risco ou passivo fiscal. Considerando que a restituição retroage aos valores indevidamente pagos nos últimos cincos anos, o montante pode alcançar cifra correspondente a 120% do faturamento anual. Dr. Fernando de Castro Bagno é advogado do Setor Societário do Escritório Corrêa Ferreira Advogados

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voluntários

Tratamento com muita dose de carinho Associações e grupos motivacionais que atuam em hospitais contribuem para recuperação de pacientes AVOSC

U

AVOSC

Voluntárias da AVOSC se revezam nos cuidado aos pacientes

Em qualquer época do ano, as ações visam à recuperação de doentes AVOSC

m corpo clínico competente e uma infraestrutura adequada são pré-requisitos essenciais para o sucesso do tratamento de pacientes em hospitais. Porém, atrelado a isso, o aspecto motivacional é fundamental para a recuperação de doenças. Por isso, instituições que fazem um trabalho voluntário atuam alinhadas com hospitais, desenvolvendo ações que visam complementar a assistência médica, levando alegria e mais conforto aos enfermos e familiares. Um dos exemplos de dedicação à saúde do paciente é a Associação das Voluntárias da Santa Casa de Misericórdia (AVOSC). Fundada em 1971, por inspiração do médico Manuel Firmato de Almeida, e apoio e orientação da administração da entidade, com a atuação da Irmã Paula e do dr. José Evaristo Todeschi, a AVOSC surgiu com o objetivo de humanizar os atendimentos aos pacientes da Santa Casa. O grupo começou com 16 voluntários e atualmente conta com mais de 160 integrantes, que realizam várias atividades como doação de medicamentos, disponibilização de vales-transportes para a locomoção de pacientes de quimioterapia e radioterapia, distribuição de objetos de higiene pessoal, além de camisolas, pijamas e chinelos; e apoio moral. As gestantes recebem kit completo de enxoval para o bebê e os medicamentos

Ser voluntário é um dom que é lapidado ao longo da vida e para exercê-lo é preciso estar preparado para proporcionar o bem-estar do outro Mariza Salvi Presidente da AVOSC Adultos, crianças e familiares são envolvidos nas atividades de lazer

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voluntários

prescritos pelos médicos. A presidente da AVOSC, Mariza Salvi, destaca os impactos das ações na vida dos pacientes. “Buscamos ajudar essas pessoas, proporcionando o bem-estar físico e espiritual. O objetivo é que o paciente se sinta amparado no momento de dificuldade, pois acreditamos que o acolhimento pode viabilizar mais conforto para a pessoa em momentos cruciais de suas vidas”. Em 2013, a AVOSC atendeu cerca de 28 mil pacientes. Além disso, mais de 242 mil medicamentos foram doados e 767 quilos de alimentos chegaram até as pessoas. A Associação também promoveu ações em datas comemorativas, como festa junina, Dia das Crianças e confraternização de natal. Segundo Mariza Salvi, a participação na Avosc não exige conhecimentos técnicos e nem diplomas, mas, acima de tudo, uma significativa disponibilidade em ajudar o próximo. “Ser voluntário é um dom que é lapidado ao longo da vida, e para exercê-lo é preciso estar preparado para proporcionar o bem-estar do outro”.

Charles Pádua Diretor da Orcca

na vida das pessoas. Entre suas ações estão a doação de medicamentos para controle dos efeitos da quimioterapia, suplemento alimentar, fraldas geriátricas, catéteres, cestas básicas, café da manhã, almoço, além do acompanhamento nutricional, psicológico e de assistente social. A interatividade com a comunidade também está na pauta das ações da Orcca. Para isso, são realizadas palestras, caminhadas, panfletagens, a fim de divulgar junto à população a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, que aumentam as chances de cura. O oncologista Charles Pádua, diretor da Orcca, diz que Orcca

Tratamento de carinho Outra entidade que segue os mesmos passos é a Organização Regional de Combate ao Câncer (Orcca), localizada em Betim, município da região metropolitana da capital mineira. A instituição desenvolve trabalhos de apoio complementar ao paciente oncológico e seus familiares. O objetivo é amenizar o impacto da doença

A partir dessas ações, as pessoas percebem que não estão sozinhas na batalha contra o câncer, e esse sentimento de apoio por si só já proporciona impacto significativo na saúde de todos

A Orcca mobiliza a comunidade, estudantes e familiares com caminhadas, panfletagens e palestras nas campanhas de prevenção

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ações como essas trazem resultados positivos do ponto de vista da recuperação dos pacientes. “Desde medidas simples, até as mais complexas, proporcionam aos que sofrem dessa doença melhorias significativas. A partir dessas ações, as pessoas percebem que não estão sozinhas na batalha contra o câncer, e esse sentimento de apoio por si só já proporciona impacto significativo na saúde de todos”, afirma. Pádua destaca que já há comprovação médica sobre esse benefício social. “Muitos trabalhos feitos por instituições americanas que trabalham no suporte aos pacientes oncológicos comprovaram melhora na recuperação dos pacientes, quando comparado com apenas aqueles que recebiam apenas o tratamento convencional”, explica. Atualmente a Orcca conta com a participação de 100 voluntários, e trabalha também em parceria com o hospital Eduardo de Menezes, cuja especialidade é o tratamento de pacientes com vírus do HIV.

Orcca

voluntários

Familiares e profissionais se engajam na causa social

Palavra de esperança

Jovens ligados a instituições religiosas já são maioria

Irreverência marca as ações da juventude em hospitais

Música e arte para ajudar a recuperar pacientes

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Cartão Postal

Cartão Postal

Cartão Postal

Além de doações e palestras, alguns grupos lançam mão de ferramentas culturais, como esquetes teatrais e música. Um exemplo é o grupo “Cartão Postal”. Criado em 2013 por jovens da mocidade da Igreja Batista da Lagoinha, o grupo surgiu com a proposta de levar mensagens do Evangelho para idosos, órfãos e doentes. O nome “Cartão Postal” foi inspirado na música da cantora gospel Lorena Chaves, cuja letra refere-se às boas novas do Evangelho. O projeto é organizado em três equipes, com diferentes áreas de atuação: hospitais, asilos e orfanatos. Promovendo visitas quinzenais, eles, por meio do teatro e da música, levam uma palavra de fé e de incentivo às pessoas para o enfrentamento das adversidades da vida.

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Informe publicitário

A endoscopia no combate à obesidade Balão intragástrico é um importante método endoscópico, usado para auxiliar a perda de peso.

A

o contrário do que muitos imaginam, o procedimento de endoscopia não se limita apenas a fornecer diagnóstico de gastrite ou de outros problemas gástricos. Existem vários procedimentos terapêuticos realizados por meio deste método. Entre eles, o balão intragástrico é uma importante ferramenta para quem busca um auxílio para o emagrecimento, sem ter que submeter-se a cirurgia bariátrica ou ao uso de medicamentos inibidores de apetite. Aprovado pela ANVISA (Reg. Nº 80143600103) e indicado aos pacientes com índice de massa corporal (IMC) maior que 27, o balão intragástrico é inserido vazio no estômago por endoscopia, e então preenchido com soro e corante azul (na quantidade de até 700 ml). O procedimento é realizado com a mesma sedação usada na endoscopia convencional e dura em média 20 minutos. Não é necessário corte ou internação e o paciente é liberado, em média, até uma hora após a colocação do balão. O médico endoscopista Bruno Queiroz Sander explica que o balão intragástrico atua ocupando a área de reserva do estômago por sua ação mecânica, oferecendo uma sensação de saciedade precoce, e isto induz o paciente a ingerir uma quantidade menor de alimento. Ele revela ainda que o contato constante com a parede interna do estômago inibe a produção de grelina, um potente estimulante do apetite no cérebro, que é secretada quando o estômago está vazio, reduzindo o apetite.

O especialista ressalta que o período de permanência do balão intragástrico no estômago é de até seis meses, e o mesmo é removido também por endoscopia.

De médico a paciente Bruno Sander conta que perdeu 31 kg com a ajuda deste método, e orienta que é fundamental a reeducação alimentar e a mudança do estilo de vida para o sucesso do tratamento e a manutenção do peso perdido. “Não existe nenhum método milagroso”, completa.

O especialista alerta que, por ser um procedimento endoscópico, é recomendado que seja realizado por um médico devidamente capacitado em endoscopia. Para saber se o seu médico é especialista em endoscopia, verifique no site da SOBED (Sociedade Brasileira de Endoscopia) http:// sobed.org.br/servicos/comunidade/busque-especialista-clinica/ ou junto ao CRM (Conselho Regional de Medicina). Acesse também o nosso site (www.clinicasander.com.br) para maiores informações sobre este método endoscópico.

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Gestão à vista

Uma central que unifica objetivos e metas Sindicato e Associação dos Hospitais de Minas Gerais unidos para dar suporte aos hospitais da capital e do interior

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AHMG

O

s hospitais mineiros conquistaram um apoio de peso para reforçar a importância do setor junto a fornecedores, autoridades e usuários. O Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas Saúde do Estado de Minas Gerais (SINDHOMG) e a Associação dos Hospitais de Minas Gerais (AHMG) decidiram unir forças e criaram a Central dos Hospitais. Com a união, as ações das duas entidades vão ser conjuntas, a fim de fortalecer o setor no Estado. De acordo com o presidente do SINDHOMG e responsável pela Central dos Hospitais, Castinaldo Bastos Santos, tanto a AHMG quanto o sindicato mantiveram suas diretorias e responsabilidades, mas vão atuar conjuntamente sob a égide da nova entidade. Segundo ele, o objetivo é ampliar a ação e a importância da representação da classe hospitalar, clínicas e casas de saúde de Minas Gerais. “Essa união não se dá apenas em defesa do hospital, mas também da saúde, da qualidade da prestação do serviço médico, do respeito à legislação e da discussão das portarias e das leis que todos os dias surgem”, explica o presidente. Ele acrescenta que as decisões governamentais trazem obrigações para as estruturas hospitalares, mas sem a contrapartida e indicação de como isso vai ser feito. A Central dos Hospitais vai fornecer apoio técnico, assessoria jurídica e econômica, além de serviços de marketing para as instituições par-

Dr. Castinaldo Bastos Santos defende a unificação em forma de Central para ampliar as conquistas e a representação da classe hospitalar

ticipantes. De acordo com Santos, a entidade não vai intervir no interior do hospital, mas fornecer diretrizes nas questões que forem demandadas pelos membros.

Ouvidoria da saúde A prioridade da Central dos Hospitais será uma tentativa de melhorar a relação entre prestador e operadora de plano de saúde. O presidente do SINDHOMG destaca que o papel da Central é assessorar os integrantes. “Cada hospital continua responsável por suas negociações”, diz Castinaldo. A Central também vai prestar assessoria para ajudar a encontrar soluções e equacionar os problemas de hospitais que correm o risco de fechar as portas, devido aos

Essa união não se dá apenas em defesa do hospital, mas também da saúde, da qualidade da prestação do serviço médico Dr. Castinaldo Bastos Santos Central dos Hospitais


problemas econômicos. Segundo Castinaldo, os preços dos serviços hospitalares praticados em Belo Horizonte estão muito aquém do que a necessidade exige, e isso tem levado muitas empresas do setor a encerrar as atividades. Como as leis que regulam o setor sofrem mudanças constantes, exigindo, muitas vezes, que os hospitais se adaptem rapidamente, a Central também vai atuar de forma a fornecer orientações aos membros, além de fortalecer a representação do setor junto às autoridades. “Queremos ser uma espécie de ouvidoria do segmento”, afirma. Para o diretor do Hospital Vila da Serra, Wagner Issa, a união entre a AHMG e o SINDHOMG representa uma força a mais na luta contra os obstáculos que impedem o funciona-

Divulgação

Gestão à vista

Hospital Vila da Serra apóia unificação das entidades e acredita que proposta vai minimizar obstáculos dos hospitais

mento de muitos hospitais do Estado. “Além do mais, essa iniciativa facilita e reforça o intercâmbio de informações e experiências entres as entidades prestadoras de serviços, representadas agora pela união da AHMG e do Sindicato. Será certamente posi-

tivo na disseminação das boas práticas, nos processos de segurança que dizem respeito tanto aos pacientes quanto para os profissionais de saúde e suas respectivas instituições, o que trará melhorias para nosso setor e toda a sociedade”, destaca o diretor.

No caminho da saúde, o farmacêutico é parada obrigatória!

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Gestão à vista

Hospital público regional de Betim passa por reformas Élvis de Paula

Investimentos reduzem tempo de espera na urgência e emergência, com gestão clínica e segurança do usuário. Protocolo que define prioridade de atendimento já está em funcionamento.

Com as reformas, hospital passa a fazer classificação dos casos de urgência e emergência, a partir do uso de cores

A

s reformas e investimentos que o pronto socorro do Hospital Público Regional de Betim (HPRB) ganhou trouxeram benefícios importante para a saúde dos usuários. Com as mudanças, os casos mais graves têm prioridade e a assistência adota o Protocolo de Manchester. Esse protocolo estabelece um processo de triagem, que permite classificar por meio de cores os casos de risco clínico e, a partir do atendimento, avaliar a gravidade do usuário, garantindo que ele tenha assistência mais rápida e eficiente. De acordo com o diretor do HPRB, Guilherme Carvalho, a redução do tempo de espera, de 30 dias para quatro dias nos casos de espera por cirurgias ortopédicas, são uma das grandes conquistas do hospital. “Os 40

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investimentos em gestão clínica e segurança dos usuários podem ser comprovados com essa redução. Com isso, conseguimos também diminuir o tempo de permanência do paciente na unidade hospitalar, e possibilitar uma recuperação mais rápida”, diz. O pronto-socorro também ganhou quatro novas salas: uma destinada à estabilização de pacientes com politraumatismo, chamada de sala vermelha e que em breve entrará em funcionamento; a unidade de Cuidados Intensivos (UCI); a sala de urgências pediátricas, destinada a crianças e adolescentes; e a sala de acolhimento aos usuários, para trabalho da equipe do serviço social. Além disso, a estrutura conta também com um espaço exclusivo para o serviço de regulação do SUS Fácil, equipado com computadores.

Com as mudanças estruturais, que incluem pinturas, mudança de piso, melhorias das instalações e aquisição de novos equipamentos, foi possível ampliar o número de cirurgias de 800 para 1200, sobretudo no quinto andar do hospital, onde são realizados os procedimentos que podem ser marcados pelos usuários, as chamadas cirurgias eletivas, através do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraopeba (Cismep). A abertura de leitos na Unidade de Clínica Médica (UCM) e do Centro de Tratamento Intensivo (CTI), e a reforma da Pediatria no primeiro andar do hospital também integram o conjunto de reformas. “A meta é colocar o hospital novamente como uma referência em urgência e emergência em Minas Gerais. Para isso, fizemos também a implantação de 300 pontos de rede,


humanização

A arte de humanizar No hospital, a arte e a cultura têm sido importantes aliadas no processo de reabilitação e cura dos pacientes. Uma vez por mês, o Coral da Igreja Maranata, ao som de violino, flauta e violão, leva música aos usuários internados, familiares e profissionais do hospital. As apresentações do coral são uma das ações implantadas pelo Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), formado por servidores de vários setores do hospital. O GTH tem criado e apoiado outros projetos para fortalecer a política de humanização do hospital, envolvendo gestores, trabalhadores e usuários. “A realização de atividades lúdicas para usuários com períodos prolongados de internação, a implantação da ginástica laboral nos setores, a promoção de palestras e a parceria com uma empresa de transporte público para melhorar os horários dos ônibus para facilitar o acesso dos funcionários no horário de chegada e saída dos plantões, principalmente nos fins de semana, também foram conquistas resultantes do empenho da equipe do GTH”, enfatiza o diretor. Direito de cidadania Guilherme Carvalho destaca que o quarto andar do HPRB também mereceu atenção especial. Lá funcionam a maternidade e o serviço de Neonatologia, que passaram por readequações, envolvendo nova climatização, mudança de piso e forro no teto, revestimentos, pintura e substituição das instalações elétricas. “Os ambientes reformados trazem mais conforto e qualidade no atendimento para mães e bebês, e facilita o trabalho das equipes”, explica. A neonatologia tem capacidade para 24 leitos e a maternidade realiza 250 partos por mês. Maio / Junho 2015

Élvis de Paula

e intensificamos o processo de adesão e capacitação dos funcionários para a criação do prontuário médico eletrônico”, destaca o diretor.

Filhos já saem do hospital com certidão de nascimento. Facilidade para os pais e cidadania para as crianças

A Maternidade do Hospital Público Regional de Betim (HPRB) é reconhecida como unidade referência para gestação de alto risco, e também se destaca pela facilidade de acesso à cidadania. No hospital funciona um cartório de registro civil, para facilitar a retirada da certidão de nascimento do bebê. “Com isso, asseguramos que as crianças que nascem no hospital já saiam da instituição como cidadãos, um direito que também transmite segurança para os pais, que já vão para casa com o documento do filho em mãos”, explica Guilherme Carvalho. A certidão é entregue em minutos e os pais só precisam apresentar a declaração de nascido vivo, fornecida pelo próprio hospital, e os documentos dos pais. Ele acrescenta que a implantação do atendimento do cartório de registro civil é resultado da parceria entre a Prefeitura de Betim, por meio do Hospital Público Regional, Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Corregedoria-Geral de Justiça, Governo de Minas, Sindicato dos Oficiais de Registro Civil (Recivil), hospitais e maternidades participantes. 41


Artigo

A área de saúde e a TI

C

omo em muitos setores, na área de saúde também se observam contradições: gigantescos investimentos são feitos por empresas que desenvolvem medicamentos, materiais e equipamentos que são utilizados em qualquer prestadora de serviços de saúde, mas raros são os exemplos de investimentos feitos por parte destas prestadoras em TI - Tecnologia da Informação. Mais precisamente, no I, de Informação. Hospitais e clínicas com equipamentos de última geração, exames meticulosos, diagnósticos e tratamentos impecáveis, não possuem informações precisas sobre o perfil de seus pacientes: de onde vêm, por que o fazem, como é o relacionamento entre eles, se retornam ou não, quais são as principais doenças diagnosticadas, seus tratamentos e evoluções, dentre outros. Estas são informações imprescindíveis para que a instituição - qualquer instituição - tenha capacidade de atuar com velocidade e precisão, embasando suas decisões estratégicas em dados, números, evidências, e não apenas em impressões ou ‘feelings’. A TI ainda é encarada como custo pelas instituições. Os projetos desenvolvidos encontram dificuldades para demostrar sua utilidade, e o

famoso ROI (Return on Investment), é algo difícil de ser mensurado a priori. A tendência, assim, é que a TI somente seja lembrada quando os sistemas vitais para as instituições, por qualquer motivo, param de atender às demandas imediatas. A quantidade de dados gerados pelos diferentes sistemas utilizados pelas instituições é enorme. O volume de dados gerado pelos usuários também é grandioso: tweets, posts, blogs, vídeos, fotos, informações estruturadas e não estruturadas podem – devem – ser fontes de conhecimento do negócio e de suas potencialidades. Considerar todos estes dados apenas como subprodutos de sistemas operacionais, necessários para o funcionamento das instituições no dia-a-dia, é um equívoco. Há riqueza nos dados. Não nos dados puros, mas na sua consolidação e análise com uso de ferramentas, processos e profissionais especializados. O cruzamento e a mineração destes dados são fundamentais para a descoberta de correlações e agrupamentos, tendências e oportunidades impossíveis de se conhecer quando não se detém a tecnologia adequada. A TI, se aplicada e direcionada corretamente, se torna um agente essencial para se entender o que aconteceu

e como fatores latentes influenciam o que está acontecendo a cada momento, tornando-se fundamental para as estratégias da instituição, deixando de ser apenas ferramenta operacional, pano de fundo. Com o advento das tecnologias conhecidas como Machine Learning (aprendizado de máquina), a TI pode criar soluções que serão utilizadas para prever o futuro. Utilizando estatística avançada e grande poder de processamento e análise, as soluções de TI podem ajudar a prever o que deverá acontecer com um paciente, auxiliando nos diagnósticos, na classificação de risco (não apenas baseada em protocolos amplamente divulgados, como o de Manchester, e sim considerando todo o histórico registrado pela instituição), se há a possibilidade de o paciente retornar em breve, se prolongar a estada do paciente no hospital é importante ou não etc. Essas são as chamadas tecnologias de Inteligência Artificial (IA). Há de se frisar, entretanto, que as tecnologias de IA não substituem os profissionais das instituições, mas sim auxiliam-nos na tomada de decisões, e as soluções de I.A. só são uteis quando os dados utilizados para seu “aprendizado”, que são fornecidos pelos profissionais da área, são corretos e precisos. Saber usar TI/IA de maneira estratégica é o principal desafio das instituições de saúde, hoje. Ter sistemas que gerenciam o dia-a-dia é fundamental, mas conseguir extrair deles informações cruciais, que vão direcionar e influenciar o crescimento dos negócios, é ainda mais importante. Bernardo Gomes é Diretor Técnico do Hospitale AeC

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Você sabia que o câncer é a doença que mais mata crianças acima de um ano de idade no Brasil? A Dra. Eliana Cavacami é oncologista pediatra da Fundação Sara e faz um alerta: “Somente um profissional bem preparado conseguirá questionar os sinais e sintomas e dar o andamento necessário à celeridade do diagnóstico.” Com a missão de ser agente de promoção de conhecimento, a Fundação Sara disponibiliza, através do Centro de Estudo e Pesquisa Sara Albuquerque Costa – CESAC, uma série de palestras sobre o câncer infantojuvenil.Entre em contato conosco que iremos até você!

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Equilíbrio entre mente e corpo reflete na saúde A filosofia da Kundalini yoga ajuda a potencializar a vitalidade, agindo contra o estresse do dia a dia, com estímulos rejuvenescedores.

A médica homeopata Elaine Pimentel, e a psicóloga Giovana Nery, repassam os aprendizados sobre os efeitos da Kundalini yoga através do curso “Mulheres Radiantes” e “Homens Auténcticos”, que ensina a potencializar a energia do próprio corpo em favor da saúde

V

ivendo sob estresse diário, as pessoas têm adoecido com mais frequência. As idas e vindas de hospitais, clínicas, postos de saúde, não são suficientes para que encontrem respostas diante das reações que o próprio corpo produz, para demonstrar que algo não está bem. Associadas às orientações clínicas, as terapias alternativas têm se apresentado como uma forte aliada para encararmos as pressões cotidianas, sem perdermos o equilíbrio emocional e físico. Inúmeras pessoas têm recor44

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rido à Kundalini yoga, por encontrarem nela uma forma de se alcançar disciplina, se exercitar, recarregar as energias e, ao mesmo tempo, relaxar. Yoga significa unir. Kundalini yoga é o yoga da consciência, que trabalha a união entre o indivíduo e seu próprio ser. De acordo com a médica homeopata Elaine Pimentel Nunes, por meio de atividades de posturas físicas e meditação a Kundalini yoga ajuda no ajuste entre mente e corpo. “Os exercícios estimulam e equilibram a energia no corpo, cérebro, sistemas nervoso e endócrino, permi-

tindo acessarmos nossa melhor química interna a favor da nossa saúde e vitalidade”, explica. Elaine Nunes é também especialista em ayurveda – a primeira de todas as medicinas, que acolhe os profissionais ou yogis, que utilizam a Kundalini yoga como prática. Segundo ela, essa atividade, trazida para o ocidente pelo indiano Yogi Bhajan, possibilita às pessoas tomarem consciência sobre si. “Através dela, assumimos o comando do nosso ser e do fator estressante, que é o responsável por liberar os hormônios que levam

CD Costa

Bem-estar


ao desgaste físico, mental e emocional, e que provocam os tensionamentos do corpo. Com isso, o estresse deixa de ser a química determinante do nosso dia a dia”, enfatiza. Além de alcançarem esse equilíbrio, os adeptos da Kundalini yoga também encontram importantes estímulos para quem não tem tempo de cuidar nem do próprio corpo. “Quando praticada corretamente, essa terapia possibilita um estímulo cognitivo e uma capacidade rejuvenescedora que refletem na estrutura física, a partir do transporte da energia dos centros energéticos mais baixos do corpo, começando na região pélvica, para os centros mais altos, até o cérebro”, esclarece a médica. Para a psicóloga e professora de yoga Giovana Cardoso Nery, essa técnica milenar ajuda também a restaurar os percursos da memória. “A partir do yoga, há um fortalecimento do sistema nervoso e do imunológico, melhorando a circulação sanguínea.

Os exercícios estimulam e equilibram a energia no corpo, cérebro, sistemas nervoso e endócrino, permitindo acessarmos nossa melhor química interna a favor da nossa saúde e vitalidade Elaine Pimentel Nunes Médica homeopata

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CD Costa

Bem-estar

Durante o curso “Mulheres Radiantes” as pessoas aprendem como controlar suas emoções, descobrem sobre si mesmas e experimentam o equilibrio entre mente e corpo

Isso só é possível a partir dos exercícios físicos, chamados de asanas, do controle das respirações (pranayamas), das posições das mãos (mudras) durante as meditações, que são acompanhadas de sons ou mantras, e que levam ao relaxamento”, orienta. Ela completa que a prática, sempre no mesmo horário, é capaz de quebrar o ciclo de estresse produzido pelo nosso corpo de forma muito eficiente. “É um processo natural que envolve disciplina”, lembra.

Segundo a psicóloga, a Kundalini Yoga quebra padrões, hábitos e traumas sem que o paciente tenha que necessariamente falar da existência destes. “Isso a difere e muito de outras terapias. Muitas vezes o registro psíquico fica em nosso corpo, gerando doenças”, diz Giovana Nery. Ela acredita que a técnica ajuda de forma silenciosa, mas muito clara, a melhora psíquica e física do praticante.  Foi a busca pelo autocontrole e conhecimento de si que levou o admi-

Mulheres e homens mais conscientes A Kundalini yoga é uma energia potencial adormecida no corpo humano, que se encontra na base da espinha dorsal. Normalmente é representada como se fosse uma serpente à espera de ser despertada pelos exercícios que ativam essa energia vital. Foi difundida pelo indiano Yogi Bhajan, em 1968, que fundou o 3HO (Organização Feliz, Saudável e Divino) para repassar seus ensinamentos e formar profissionais. Em 1977 ele levou aos Estados Unidos o curso “Mulheres Radiantes”. Em Belo Horizonte, o curso é oferecido pela Clínica do Ser, onde ocorre também o curso “Homens Autênticos”. Com turmas sempre repletas e separadas, os cursos acontecem durante três meses e abordam personalidades e potencialidades femininas e masculinas, além dos fundamentos do seu idealizador, de que “é possível sentir os efeitos da kundalini quando a energia do sistema glandular se combina com a potencia do sistema nervoso, para produzir uma sensitividade elevada, e o cérebro passa a funcionar na sua capacidade máxima. Isso possibilita às pessoas se tornarem completas e inteiramente conscientes”. Mais informações: Clínica do Ser - 34946113 / Espaço Har - 3281-2620 / Abaky – Associação Brasileira dos amigos da Kundalini Yoga - 3297-5508.

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Bem-estar

Arquivo pessoal

nistrador Gustavo Fraga a praticar os exercícios. “A Kundalini yoga mexe muito comigo. Cada aula é um aprendizado. Sinto que tenho evoluído e que a prática me faz mais forte, mais equilibrado e que minha energia flui melhor. Mas não é fácil. Isso exige persistência, paciência e força de vontade. Se você se dedica, sente que está se transformando, mesmo que não compreenda exatamente como. Mas você sente que é bom, porque há um resultado”, afirma.

A Kundalini yoga mexe muito comigo. Cada aula é um aprendizado. Sinto que tenho evoluído e que a prática me faz mais forte, mais equilibrado e que minha energia flui melhor. Gustavo Fraga Administrador

O administrador Gustavo Fraga aderiu à Kundalini yoga

Gustavo Fraga diz que a yoga virou o seu refúgio, onde busca também outras formas de evolução. “Ela cria melhorias sutis e constantes. Você não vira outra pessoa da noite para o dia, mas aos poucos e constantemente aprimora suas qualidades. E lida melhor com suas fragilidades, porque influencia no modo como você resiste às adversidades, na sua compreensão dos acontecimentos, no fluxo dinâmico diário, e nos fundamentos da vida. Com isso,

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a mente fica mais conectada com as energias essenciais”, observa. De acordo com Giovana Nery, a yoga não é uma religião, mas um estilo de vida. Ela destaca que na medida em que as pessoas ampliam seus conhecimento sobre essa filosofia, vão sentindo a necessidade de mudar hábitos que comprometem a saúde como um todo. “Alguns padrões antes adotados pelas pessoas deixam de existir, e a mudança acaba sendo uma nova forma de olhar para si e para o mundo”, conclui.


LOGÍSTICA Coleta de Material Biológico Controle de Temperatura

SOLUÇÕES DE MOBILIDADE PARA SAÚDE

Rastreabilidade de Amostras Home Care Coleta de Resíduos Home Care Gestão de Chamados para Ambulâncias

HOSPITAIS Rastreabilidade por Processo Localização (setor/ala/andar) Rastreabilidade de Instrumentação Cirúrgica / CME Rastreabilidade de Equipes Rastreabilidade de Enxoval Controle de infecções e Higienização

RELACIONAMENTO Ouvidoria Pesquisa de Satisfação Gestão de Filas Gestão de Centrais de Atendimento Telefônico Gestão de Redes Sociais e Mensageria

www.ledcorp.com.br

Gestão da Qualidade


Selfie

F

ilomena Camilo do Vale é médica pediatra formada na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e há 20 anos atua na Santa Casa de Misericórdia, além de atender em seu consultório particular. Entre as diversas especialidades da Medicina ela nunca teve dúvidas sobre sua vocação: ser pediatra. Com larga experiência na profissão, ela define seu objetivo com a atuação diária: “Vejo meu trabalho como uma missão de aliviar a dor, de ajudar a formar crianças como pessoas inteiras e de auxiliar os pais nesse caminho”. Mas o trabalho da doutora Filó, como é popularmente conhecida, transcende as portas do hospital. Ela ministra palestras com a intenção de levar mensagens do evangelho, contribuindo para o aumento da fé nas pessoas. As palestras reúnem depoimentos pessoais e passagens bíblicas, que enfatizam o otimismo e a perseverança da pediatra encontrados na fé em Jesus Cristo. Pregar os ensinamentos de Jesus Cristo começou sem uma prévia programação. Quando cursava o terceiro ano de Medicina, ela morava em um pensionato e sempre rezava o terço. Na ocasião, a então estudante passou a fazer as preces em companhia de suas colegas de quarto, e assim surgiu o grupo de oração. Nos primeiros cinco anos, as atividades eram realizadas diariamente e contavam com a participação de aproximadamente 100 jovens, tal como uma missa. 48

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O pequeno grupo foi aumentando e em 2007 transferiu-se para a Paróquia Nossa Senhora da Rainha. Aproximando sua profissão de suas ações na igreja, ela afirma que o conhecimento espiritual é muito presente em sua vida e interfere significativamente em suas atividades no CTI. “Há situações no hospital em que não podemos fazer mais nada do ponto de vista médico, e ficamos de mãos dadas com a criança e seus pais até ele se desprender do corpo físico. Por outro lado, presenciamos verdadeiros milagres de Deus. Nas duas situações entendo que a fé no evangelho é fundamental”, afirma a pediatra.

Há situações no hospital em que não podemos fazer mais nada do ponto de vista médico, e ficamos de mãos dadas com a criança e seus pais até ele se desprender do corpo físico. Por outro lado, presenciamos verdadeiros milagres de Deus. Nas duas situações entendo que a fé no evangelho é fundamental

Arquivo pessoal

Médica #espiritualizada que toca corpo e alma


Poucas entidades nascem com mais de 120 anos de experiência. A Central dos Hospitais nasceu. O Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde de Minas Gerais uniu suas sete décadas de existência à Associação dos Hospitais de Minas Gerais, instituição fundada há 58 anos, para formar a Central dos Hospitais de Minas Gerais. A união é o primeiro passo de um projeto importante, que cria uma entidade mais forte, mais influente e mais preparada para representar e dar suporte a toda a rede de hospitais do estado. Conheça mais e associe-se.

(31) 3326-8003 | centraldoshospitais.com.br

centraldoshospitais


#Saúde

O SESC oferece o curso de Iniciação para Cuidadores de Idosos, com o objetivo de capacitar pessoas para cuidar de idosos em suas necessidades básicas. Na programação traz abordagens sobre a saúde do idoso, os aspectos sociais e psicológicos do envelhecimento, a alimentação saudável e atividade física na velhice. O curso é voltado para pessoas da comunidade que tenham entre 18 e 55 anos, que sejam alfabetizadas e que cuidam ou tem algum idoso na família. O Curso de Iniciação para Cuidadores de Idosos é totalmente gratuito. Informações pelo site www.sescmg.com.br ou pelo telefone (31) 3270-8100.

Banco de imagens

Curso para Cuidadores de Idosos

Curso vai preparar pessoas que têm idosos em casa​

Canal Minas Saúde O canal Minas Saúde foi criado pelo governo com o objetivo de capacitar os servidores da saúde, visando à melhoria na prestação de serviços. Você pode acessar o site para ver como funciona. O canal é formado pelas mídias TV, rádio e web educação à distância, para que servidores fora da capital tam-

SAMU Até o final do ano passado, apenas 25% dos municípios mi-

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bém possam se beneficiar com os programas de capacitação. Mais de 400 mil servidores dos programas Saúde da Família e mais de 2 mil médicos e enfermeiros das unidades básicas de Saúde já passaram pela capacitação. Saiba mais: www.canalminassaude.com.br

Brasil Sorridente neiros tinham acesso ao Serviço Móvel de Urgência (SAMU). Um levantamento nacional identificou que Minas Gerais era o terceiro Estado do país com a menor cobertura das ambulâncias. Em 2014, somente 25% dos municípios tinham acesso ao serviço. Agora, em 2015, em três meses, o serviço foi ampliado, e 55% das cidades ja contam com o SAMU.

O programa Brasil Sorridente, criado há 11 anos, garante ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde bucal da população brasileira, por meio de acesso ao tratamento odontológico gratuito do Sistema Único de Saúde (SUS). As Equipes de Saúde Bucal da Atenção Básica estão em 90% (5.013) dos municípios, beneficiando mais 81 milhões de brasileiros. O SUS emprega cerca de 30% dos dentistas do país. São 64.826 profissionais atuando na rede pública.


Há 66 anos baseia suas práticas na melhor evidência científica, ética e equipe multiprofissional altamente qualificada. EspEcialidadEs: Anestesiologia Angiologia Buco-maxilo Cardiologia Clínica Médica Cirurgia Cardíaca Cirurgia Geral Cirurgia Plástica Cirurgia Torácica Coloproctologia

Ambulatório Clínica da Dor Colonoscopia Ecocardiografia/duplex Endoscopia Ergometria Hemodinâmica Holter

Endoscopia Digestiva Endocrinologia Gastroenterologia Geriatria Hemodinâmica Infectologia Mastologia Medicina Intensiva Neurocirurgia

Neurologia Nefrologia Nutrologia Oncologia Ortopedia Otorrinolaringologia Patologia Clínica Pneumologia Reumatologia Urologia

Mapa cardíaco Ressonância Magnetica Raio X Scan Tiltest Tomografia Ultrassonografia

Pronto Atendimento (24h) - Tel.: 3290.1100 Atendimento humanizado, sendo referência de atendimento em linhas de cuidados agudos como Infarto, AVC e Fraturas de Fêmur.

Av. Barbacena, 653 - Barro Preto Tel. Geral: (31) 3290-1000 | www.hvc.com.br


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Revista Saúde, Minas  

Edição 2 - Ano 2 - Maio/Junho 2015

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