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edição 1 . ano 1 . nº 1 junho/julho de 2014 Distribuição gratuita

www.saudeminas.com.br

Programa de Segurança do Paciente do MS Notificação de erros é obrigatória em todo o País

história

GESTÃO À VISTA

Santa Casa: um complexo hospitalar de casos

A qualidade percebida a partir das certificações

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Há momentos em que a vida pede mais. Chegou o Mater Dei Contorno. Já está funcionando a nova Unidade Mater Dei Contorno. Um hospital construído com o que há de mais avançado em arquitetura e engenharia hospitalar, com a mesma qualidade assistencial de sempre, complementando os serviços da Unidade Mater Dei Santo Agostinho. Juntas, as unidades formam a Rede Mater Dei de Saúde, um marco no atendimento médico-hospitalar no Brasil.

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Dr. Sandro Rodrigues Chaves Diretor Técnico CRM-MG 24892

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Índice melhores práticas

Universidade e poder público se unem na assistência à saúde 8 notícias da saúde

Cordão para esperança 10 avanços na medicina

Cirurgia bariátrica por videolaparoscopia avança no Brasil 14 história

Santa Casa: uma causa de histórias e números 18 entrevista

Saúde financeira dos hospitais de Minas Gerais está debilitada 22 tecnologia

Mobile em favor da saúde 24 capa

Segurança do paciente: questão estratégica na saúde 26 a 30 Bem-estar

Estética que (de)forma 32 Gestão à vista

Qualidade como palavra de ordem 34 Do modelo de gestão da indústria para as atividades da saúde 36 Saúde no estado

Do editor

Saúde para todos: pacientes, profissionais e governo Estamos lançando a primeira publicação segmentada do Estado, a revista Saúde, Minas, que vai trazer notícias sobre o setor público e privado. Esta é uma publicação da agência Atitude Comunicação, fruto de 15 anos de atuação profissional na área. Após quatro anos de criteriosa pesquisa, identificamos a carência de espaços que trouxessem, com uma linguagem menos técnica e menos restritas aos profissionais, informações sobre o nosso bem mais valioso: a saúde. A revista será distribuída gratuitamente, a cada dois meses, nos principais hospitais, laboratórios, clínicas, consultórios, órgãos públicos de saúde, entidades de classe, entre outros em Minas. A saúde, enquanto instituição, tem agonizado pela necessidade não somente de informação sobre os direitos dos pacientes, mas sobretudo pela carência de mais leitos, menos barreiras no acesso a tratamentos, redução do tempo para liberação de uma guia de exames e procedimentos cirúrgicos, além de tantas outras questões que adoecem a população pela demora nos processos. Nesta primeira edição, identificamos que a saúde tem feito um esforço, com resultados visíveis, para melhorar a assistência a gestantes e bebês, por meio de programas como o Mães de Minas e Academias da Cidade. No setor privado, as novas técnicas na cirurgia bariátrica também nos mostram que a tecnologia médica está a serviço da vida e que vem para auxiliar no combate a um problema de saúde pública, como a obesidade. Da saúde pública para a saúde suplementar, o nosso olhar é de quem tenta identificar melhorias contínuas que possam ser aplicadas e divulgadas em qualquer organização desse segmento, a partir da correta gestão administrativa e financeira. Isso passa também pela integração de médicos, farmacêuticos e enfermeiros, o que parece ser a melhor das práticas que o Programa de Segurança do Paciente tem buscado. Cada ação depende do processo humano, muito mais que do tecnológico e de protocolos; acima de tudo, prescinde do equilíbrio entre a saúde de quem presta o serviço e a de quem recebe a assistência. Desejamos, com esta revista, o que nossa marca representa: uma saudação para que tenhamos saúde em Minas. Nadjanaira Costa Diretora geral / Editora nadjanaira@atitudecomunica.com.br facebook.com/atitudecomunica

Triângulo Mineiro é referência no tratamento do câncer 38 Humanização

O tratamento que vem da água 40 Academia da Cidade é para todos 42 Mães de Minas monitora gestantes e bebês pelo Estado 44 a 47 Selfie

Diretor geral/editora: Nadjanaira Costa | Jornalistas: Elisângela Orlando e Ilda Nogueira | Revisão: Cefas Alves Meira | Diagramação: Fernanda Braga | Projeto Gráfico: Atitude Comunica | Financeiro: Carlos Alberto Costa | Comercial: Carlos Daniel Costa | Impressão: Gráfica Formato | Tiragem: 10.000 exemplares | Distribuição gratuita Para anunciar: (31) 3047-4050/9779-4123/9684-9513 Para sugestões: saudeminas@atitudecomunica.com.br

O médico #sonhador que faz acontecer 48 #Saúde

Curtas 50

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Conselho editorial

Dr. Reginaldo Teófanes - CRMMG 9371 - presidente da AHMG Dra. Tânia Grillo - CRMMG 17700 - presidente do IAG Saúde Dr. Henrique Salvador - CRMMG 15404 - presidente do Hospital Mater Dei Dr. Wagner Brant - CRMMG 6699 - diretor do CQAI Farmacêutico Claudiney Ferreira - CRFMG 12067 - vice-presidente do CRF/MG

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Melhores práticas

Universidade e poder público se unem na assistência à saúde Divulgação ASCOM/PMOP

Alunos de Medicina do primeiro ao último período vão atuar em unidades de saúde

Novas diretrizes Prefeitura de Ouro Preto (MG) firma parceria com UFOP e Ministério da Saúde para fortalecer o ensino e a assistencia à saúde

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parceria entre universidades, entidades filantrópicas e poder público pode ser a chave para melhorar a qualidade do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Em Ouro Preto, a iniciativa tem dado resultados positivos. Em março, o Ministério da Saúde anunciou a liberação de recursos da ordem de R$ 4,2 milhões para ampliar o número de leitos da Santa Casa de Misericórdia da cidade, dos atuais 72 para 142. Além de aumentar o número de atendimentos, outro objetivo é viabilizar a transformação da instituição 8

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Em abril, a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou as novas diretrizes curriculares nacionais dos cursos de Medicina, que determinam que pelo menos 30% da carga horária do estágio obrigatório, em regime de internato, ocorra no Sistema Único de Saúde (SUS), na atenção básica e em serviço de urgência e emergência. O diretor da Faculdade de Medicina da UFOP, Márcio Antônio Moreira Galvão, afirma que a medida é importante para que os estudantes tenham formação condizente com a realidade da medicina praticada no país. “A ampliação da oferta de serviços de saúde traz enormes benefícios à população”, frisa.


Edifício da reitoria da Universidade Federal de Ouro Preto Divulgação ASCOM/PMOP

de saúde em hospital de ensino, o que será feito por meio de convênio com a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Desde 2007, as faculdades de Medicina e de Nutrição da UFOP mantêm parceria com a prefeitura da cidade para atuação de alunos e professores nas unidades de saúde do município, abrangendo disciplinas do primeiro ao último período dos cursos. Em setembro de 2013, o órgão federal também autorizou o repasse de R$ 2,2 milhões para a construção de uma nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Ouro Preto. A UPA fará parte de um complexo de saúde que está sendo edificado no bairro São Cristóvão, incluindo ainda Unidade de Saúde da Família (USF), policlínica e Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPS Infantil). Segundo a secretária de Saúde de Ouro Preto, Sandra Brandão, o projeto arquitetônico da UPA está em fase final de aprovação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Até junho, devemos licitar e iniciar a construção da unidade, que será concluída dentro de um ano”, ressalta. De acordo com o reitor da UFOP, Marcone Jamilson Freitas Souza, os projetos com intermediação do Ministério da Saúde também incluem a construção de duas novas Unidades Básicas de Saúde (UBS) no município.

Divulgação

Melhores práticas

Até junho, devemos licitar e iniciar a construção da unidade, que será concluída dentro de um ano. Sandra Brandão Secretária de Saúde de Ouro Preto Sandra: nova unidade dentro de um ano

PARTICIPE DO MELHOR E MAIOR EVENTO MINEIRO EM GESTÃO DA SAÚDE Avaliação dos Futuros Cenários Políticos Atualização e Inovação em Gestão de Serviços da Saúde Benchmarking em Processos Hospitalares

Encontro 2014 Federassantas

11° Encontro de Provedores, Diretores e Administradores de Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais

16 a 18 de setembro de 2014 Local: Expominas (Feira HospitalMinas) – Belo Horizonte junho/julho 2014

Informações: www.federassantas.org.br/encontro2014 - (31) 3241-4312

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Notícias da Saúde

Cordão para esperança Banco público mineiro vai coletar e disponibilizar células-tronco a partir da doação voluntária de cordão umbilical e placentário Com a inauguração do novo serviço em Minas, será possível armazenar até duas mil bolsas, integrando outros 12 bancos em funcionamento no país, formando a Rede BrasilCord, gerenciada pela Adair Gomez

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cordão umbilical, um elo vital que une mamãe e bebê, e que vem sendo imediatamente descartado após o nascimento, pode, agora, ser congelado para outra destinação. Esse resíduo sólido produzido pelo ambiente hospitalar será utilizado no tratamento de mais de 80 tipos de cânceres no sangue, com a estruturação em Minas do Centro de Tecidos Biológicos de Minas Gerais (Cetebio). De acordo com o diretor Técnico-Científico da Fundação Hemominas, Fernando Valadares Basques, a partir de 2015 a coleta do cordão umbilical e placentário será um processo permanente na maternidade Sofia Feldman e no Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais, podendo ser expandido para outras unidades de saúde. “Pensar em um banco público é pensar em um local onde há a guarda dos tecidos de forma a disponibilizá-los a tempo e a hora para o paciente, sem demora”, esclarece Basques.

Basques: disponibilizar os tecidos a tempo e a hora

Pensar em um banco público é pensar em um local onde há a guarda dos tecidos de forma a disponibilizá-los a tempo e a hora para o paciente, sem demora. Fernando Valadares Basques Diretor Técnico-Científico da Fundação Hemominas

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Fundação do Câncer. Até o momento trabalham no projeto do banco de cordão umbilical e placentário 20 profissionais, formados por médicos, enfermeiros, técnicos e biólogos, os quais estão passando por capacitação e treinamentos para desempenhar essas atividades. O treinamento é realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) e também em hospitais que fazem a coleta de cordão umbilical.


Cetebio vai poder armazenar, a partir de 2015, todo o material coletado na Maternidade Sofia Feldman, IPSEMG e outras unidades de saúde do Estado

Adair Gomez

Notícias da Saúde

Entenda como é feito o transplante de medula óssea

Cetebio

O projeto do banco de cordão umbilical e placentário integra o Centro de Tecidos Biológicos de Minas Gerais (Cetebio), primeiro banco de multitecidos do país, que tem previsão de funcionamento efetivo a partir dos próximos três anos. Nele, serão coletados, processados e armazenados tecido do músculo esquelético, sangue raro, válvulas cardíacas e membrana amniótica. O junho/julho 2014

Para receber as células-tronco, o paciente passa por um tratamento preparatório, que pode durar de seis a dois anos. Nesse período, são utilizadas a combinação ou uso isolado da rádio, quimioterapia e medicamentos para melhorar o sistema imunológico. O procedimento do transplante é realizado com o paciente respirando em ar ambiente, consciente, no leito de internação, sem a necessidade de centro cirúrgico. Além de ser indolor, durante todo o tempo o paciente terá a companhia dos familiares e a supervisão da equipe transplantadora e equipe multidisciplinar. O paciente recebe a infusão das células-tronco por um cateter central. O conteúdo é lançado na corrente sanguínea e posteriormente migra para a medula óssea. O tempo médio é de 30 minutos a duas horas, dependendo do volume de células transplantadas. Geralmente, o paciente fica em observação de duas a quatro semanas e passa a ser acompanhado periodicamente, por toda a vida, em atendimento ambulatorial.

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Notícias da Saúde

espaço também abrigará o banco de medula óssea, que funciona, até então, nas dependências do Centro de Especialidades Médicas, e também vai hospedar o banco de pele, que atualmente está com suas experiências suspensas. O Cetebio funcionará em Lagoa Santa, a 38 km de Belo Horizonte, e para isso foram investidos R$ 7 milhões do Governo de Minas, nesta

primeira fase, sendo R$ 3 milhões provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O município de Lagoa Santa fez doação do terreno para construção da área física do empreendimento. Banco público

Estima-se que a chance de encontrar um material compatível em banco público é de 70% a 80%. Isso

Divulgação / Eber Facioli

Minas registra 12 transplantes com cordão umbilical e placentário

Hospital das Clínicas já realizou 12 tansplantes utlizando o cordão umbilical e placentário

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é possível em função das doações voluntárias, realizadas de forma sigilosa e com o consentimento materno. As doações podem ser feitas por mulheres com idade entre 18 a 37 anos, que tenham realizado pelo menos duas consultas de pré-natal; se enquadrarem no perfil de gestação classificada como baixo risco e risco habitual; e que tenham completado as 35 semanas de gestação.

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O Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Minas Gerais acumula a experiência de 12 transplantes utilizando bolsa de cordão umbilical e placentário de bancos nacionais e até de outros países. O hematologista Gustavo Machado Teixeira está à frente da coordenação da Unidade de Transplante de Medula Óssea do HC. Para ele, a expectativa com a chegada do banco no Estado é acelerar os processos de transplante, já que se pode encontrar um doador no próprio território. Outra vantagem apontada pelo coordenador está na redução dos custos operacionais para os cofres públicos. Para que o transplante tenha maior sucesso é necessário ter a “pega medular”, ou seja, volume adequado de células. O hematologista explica que por essa razão observa-se maior indicação em pacientes pediátricos. “Dependendo do porte físico do receptor, se é um adulto, são necessárias duas bolsas de cordão umbilical”. Segundo ele, o cálculo deve seguir a recomendação do Ministério da Saúde de 3 x 107 células nucleadas totais por kg/ peso do receptor.


saiba mais O cordão umbilical é uma das fontes de células-tronco hematopoéticas. É possível retirar células-tronco da medula óssea e do sangue periférico. Na primeira, o material é coletado por punções nas cristas ilíacas (ossos da bacia) do doador/paciente em centro cirúrgico, aspirando-se o líquido medular. Na segunda forma, as células são obtidas por meio de equipamentos de aférese fazendo a separação dos diferentes componentes sanguíneos. Ainda na cena do parto, o cordão umbilical é pinçado (lacrado com uma pinça), interrompendo a ligação entre o bebê e a placenta. O sangue disponível no cordão, que pode variar de 70 a 100 ml, é drenado para uma bolsa de coleta. Transplante autólogo - As células-tronco hematopoéticas provêm da medula óssea ou do sangue periférico do próprio indivíduo a ser transplantado (receptor). Transplante alogênico - As células-tronco hematopoéticas provêm da medula óssea, do sangue periférico ou do sangue de cordão umbilical de um outro indivíduo (doador). Transplante alogênico aparentado - Quando o receptor e o doador são consanguíneos. Total de células nucleadas necessárias: valor igual ou maior do que 3 x 107 células nucleadas totais por kg de peso do receptor (com idade igual ou inferior a 60 anos). Transplante alogênico não-aparentado - Quando o receptor e o doador não são consanguíneos. Total de células nucleadas necessárias: valor igual ou maior do que 3 x 107 células nucleadas totais por kg de peso do receptor (com idade igual ou inferior a 55 anos).

A coordenadora do banco de cordão umbilical e placentário do Hospital Israelita Albert Einstein, Andrea Tiemi Kondo, ressalta a importância da doação. “A chance de encontrar uma medula compatível na família é de 25% a 30%. Ou seja, 70% das pessoas vão precisar justamente de recorrer a um banco público para conseguir uma resposta terapêutica.” Andrea considera, ainda, que a doação do cordão para um banco público aumenta a chance de vida do paciente que aguarda um transplante. “Se as pessoas começarem a guardar o cordão em bancos privados, automaticamente está limitando a representação genética. Quanto maior a diversidade, maior a chance de atender a população que vier a demandar por este tipo de intervenjunho/julho 2014

ção”, esclarece. Ela acrescenta que o cordão é utilizado exclusivamente para um possível transplante de medula óssea. Para se ter ideia do investimento nessa área, uma família pode desembolsar, em média, de R$ 3.500 e R$ 6.000,00 por ano para preservar o material genético em um banco privado de cordão umbilical e placentário. Muitas são atraídas pela expectativa de preservar a saúde do bebê nos próximos anos de sua vida. Os especialistas pontuam que a probabilidade de uma criança necessitar de suas próprias células-troncos é bem reduzida, e há também a contraindicação em casos de doenças de origem genética, já que o cordão também pode trazer as mesmas anomalias responsáveis por uma doença. 13


avanços na medicina

Cirurgia bariátrica por videolaparoscopia avança no Brasil Procedimento corresponde a 75% das operações realizadas no País Obesidade afeta 30 milhões de brasileiros A obesidade é uma doença crônica, progressiva e fatal quando não tratada. A doença atinge 600 milhões de pessoas no mundo, 30 milhões somente no Brasil. Se for incluída a população com sobrepeso, esse número aumenta para 1,9 bilhão de pessoas no mundo e 95 milhões de brasileiros. A SBCBM estima que 5% dos que possuem excesso de peso no país são considerados obesos mórbidos. Levantamento feito pelo Estadão Dados, com base em informações do Datasus, aponta que o número de mortes por complicações ligadas diretamente à doença triplicou entre 2001 e 2011, passando de 808 óbitos para 2.390 no período, um crescimento de 196%. Como o excesso de peso é fator de risco para outras patologias, estima-se que o número de vítimas indiretas da obesidade seja ainda maior.

Divulgação

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Brasil vive hoje uma epidemia de obesidade, que tem resultado no aumento do número de mortes provocadas por complicações ligadas diretamente ao excesso de peso. Não é de hoje que a luta contra a balança se transformou em uma verdadeira guerra, que encontra na cirurgia bariátrica uma solução definitiva quando os tratamentos clínicos convencionais não funcionam. No ano passado, 80 mil brasileiros realizaram o procedimento cirúrgico, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Os avanços da tecnologia médica permitiram a realização da cirurgia bariátrica por videolaparoscopia, que vem crescendo nos últimos anos. O procedimento minimamente invasivo é associado a algumas técnicas cirúrgicas que possibilitam a redução significativa dos riscos de complicações, o tempo de duração da cirurgia e de recuperação do pa-

A videolaparoscopia permite uma imagem mais fidedigna da realidade. Marcelo Girundi Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica - sessão Minas Gerais Girundi: tratamento foi executado em BH pela primeira vez em 2003

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ciente, além de menores chances de infecção após o procedimento. Dados da SBCBM apontam que o volume de cirurgias bariátricas e metabólicas por videolaparoscopia no Brasil dobrou em 2012 em relação ao ano anterior, totalizando 54 mil procedimentos, o que representa 75% dos procedimentos cirúrgicos realizados no país. O salto na adesão à videolaparoscopia se deve à mudança na legislação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que, desde janeiro de 2012, obriga os planos e operadoras de saúde a oferecerem tratamento cirúrgico sem qualquer restrição aos portadores de obesidade mórbida, respeitando a decisão médica e o direito do paciente. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica - sessão Minas Gerais, Marcelo Girundi, o tratamento cirúrgico da obesidade por videolaparoscopia começou a ser realizado nos Estados Unidos, em

Drika Vianna: uma nova mulher depois da cirurgia

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avanços na medicina

Problemas pulmonares graves, superobesidade, coronariopatia e doença arterosclerótica avançada aumentam os riscos tanto na cirurgia convencional quanto na videolaparoscópica. Hêmerson Paul Vieira Marques Cirurgião bariátrico, especialista em cirurgia videolaparoscópica

1994. Em Belo Horizonte, o procedimento foi executado pela primeira vez em 2003. Girundi ressalta que, na cirurgia aberta, o acesso à cavidade abdominal é mais difícil devido à espessura da parede do abdômen e à quantidade de tecidos e de gordura. “A videolaparoscopia permite uma imagem mais fidedigna da realidade. Hoje, conseguimos fazer uma cirurgia com imagem Full HD, que fornece detalhes técnicos muito melhores se comparados aos do método convencional”, diz. A fotógrafa Drika Vianna, de 41 anos, fez a cirurgia bariátrica por videolaparoscopia há cinco meses. Com 1,57m de altura, ela pesava 97 Kg e conta que se sentia infeliz e insegura. Quinze dias após o procedimento, já estava liberada a retomar suas atividades.“Não senti dor e tive uma ótima adaptação”, diz. De lá para cá, emagreceu 23 kg e afirma que tudo mudou para melhor. “Aquela mulher que en-

Hêmerson Marques: riscos relacionados com a gravidade do quadro clínico

trou no bloco cirúrgico não existe mais”, comemora. O cirurgião bariátrico Hêmerson Paul Vieira Marques, especialista em cirurgia videolaparoscópica, afirma que os riscos associados à gastroplastia não estão relacionados à técnica utilizada para a via de acesso cirúrgico, mas à gravidade do quadro clínico dos pacientes. “Problemas pulmonares graves, superobesidade, coronariopatia e doença arterosclerótica avançada aumentam os riscos tanto na cirurgia convencional quanto na videolaparoscópica”, alerta. Ainda assim, há pessoas que tiveram problemas no pós-cirúrgico, mas garantem que fariam tudo novamente. É o caso da professora Ana Paula Monteiro Nogueira, de 43 anos. Com 1,70m de altura, ela chegou a pesar 140 Kg. Depois de fazer vários tratamentos clínicos para perda de peso, ela se submeteu à cirurgia bariátrica aberta, em fevereiro de 2011. Ana Paula ficou internada 90 dias 15


avanços na medicina

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no hospital, 40 deles no CTI. “O médico disse que as complicações foram decorrentes de problemas causados pelo meu excesso de peso”, conta. Hoje, com 50 Kg a menos, ela diz que tem mais disposição e garante que a saúde vai bem. “Não me arrependo de nada”, frisa. Segundo Marques, todas as técnicas para o tratamento cirúrgico da obesidade podem ser realizadas por videolaparoscopia. A mais utilizada no Brasil é a Derivação Gástrica em Y de Roux, também conhecida como Bypass Gástrico. Ele alerta que, apesar da popularização da videolaparoscopia na medicina bariátrica, o método exige uma maior habilidade técnica e não deve ser realizado por profissionais que não sejam bem treinados. “O risco técnico está diretamente relacionado à capacidade do cirurgião de realizar o procedimento e a falta de treinamento tem impacto significativo no resultado”, alerta. Cirurgia bariátrica no SUS

Ana Paula Monteiro Nogueira perdeu 50 quilos e após internação de 90 dias na UTI recuperou a qualidade de vida

Entre 2010 e 2013, o número de cirurgias bariátricas realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS)

Crescimento do mercado de videocirurgia alavanca negócios em Minas A expansão do número de cirurgias por vídeo tem ajudado a impulsionar os negócios da H-Tech Video Surgery, empresa mineira que oferece soluções em equipamentos e serviços para video-cirurgia. Com 22 anos de atuação nesse mercado, a H-Tech encerrou 2013 com um crescimento de 80% no volume de vendas,em relação ao ano anterior. Para 2014 e 2015, a expectativa é crescer 100% ao ano. Para atingir o objetivo e atender a crescente demanda do mercado, a empresa aposta em algumas estratégias. Uma delas é o aluguel de equipamentos por longo período. De acordo com o presidente da empresa, Herbert Portugal

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Freire, a solução é uma alternativa para os hospitais que precisam atualizar o aparelhamento utilizado nos procedimentos por vídeo, mas não dispõem de recursos para a compra. Segundo Freire, o financiamento na aquisição de instrumental e o lançamento da nova geração de equipamentos também devem ajudar a sustentar o crescimento da empresa nos próximos dois anos. Outra meta é expandir a atuação em outros estados brasileiros e iniciar as operações no mercado latino-americano. A H-Tech já possui uma filial em Miami. “A unidade foi criada para suportar a oferta de equipamentos através de importação direta, que barateia o custo para grande parte dos hospitais, com benefícios de isenção de

impostos e mesmo para os que não têm isenção, pois ele elimina da cadeia os tributos comerciais”, assinala o empresário.

Divisão de negócios Segundo Freire, para aprimorar o sistema de gestão, houve a necessidade de criar uma nova divisão de negócios, a HPF Surgical, que comercializa descartáveis como trocaters, afastadores, dispositivos para sucção e irrigação, entre outros. A H-Tech, por sua vez, está focada no fornecimento de simples conectores até aparelhos eletrônicos de alta tecnologia, produzidos pela Ackermann Instrumente, uma das maiores fabricantes do mundo no segmento de videocirurgia.


avanços na medicina

aumentou 45%, passando de 4.489 para 6.493. Os recursos investidos pelo SUS cresceram proporcionalmente no mesmo período: de R$ 24,5 milhões para R$ 38,1 milhões, um acréscimo de 56%. O Ministério da Saúde também revisou, recentemente, a Portaria nº 492, de 2007, que traz, entre outras novidades, o incremento de 100% a 277% no valor pago em cinco exames ambulatoriais pré-operatórios necessários. A portaria prevê ainda reajuste médio de 20% das técnicas de cirurgia bariátrica na tabela do SUS. Permanece, porém, a orientação de se utilizar a cirurgia bariátrica como último recurso para perda de peso. Antes de realizar o procedimento, o paciente do SUS deve passar por avaliação clínica

e cirúrgica e ter acompanhamento com equipe multidisciplinar durante dois anos. Nesse período, ele é submetido a uma dieta e, se os resultados não forem positivos em relação a esse e outros métodos convencionais, o tratamento cirúrgico é recomendado. Atualmente, o SUS não cobre a cirurgia bariátrica por videolaparoscopia. Para Marcelo Girundi, apesar

dos avanços, a fila de espera para fazer a cirurgia pelo SUS ainda é grande. “Alguns pacientes chegam a esperar mais de cinco anos para realizar o procedimento. O que pode ser fatal, uma vez que a obesidade pode desencadear doenças como hipertensão arterial, diabetes, artroses, apneia do sono, infarto agudo, derrames cerebrais e morte súbita”, observa.

Cobertura obrigatória Desde janeiro deste ano, os beneficiários de planos de saúde individuais e coletivos têm direito ao cuidado integral da saúde e ao tratamento multidisciplinar, por determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Isso significa cobertura obrigatória de consultas com fisioterapeutas, além da ampliação do número de consultas e de sessões - de 6 para 12 - com profissionais de especialidades como fonoaudiologia, nutrição, psicologia e terapia ocupacional.

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História

Santa Casa: uma causa

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Por ano, são mais de 400 mil consultas, 1,5 milhões de exames e 15 mil cirurgias

Santa Casa de Misericórida de Belo Horizonte completa 115 anos de histórias, ampliando a capacidade de atendimento na capital, interior e a outros estados

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Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte é um dos símbolos da capital. Nos primeiros anos de seu funcionamento o atendimento à população era realizado em uma tenda de lona, e logo ficou conhecida como “Hospital-Barraca”. Depois de construídos os primeiros leitos, as barracas serviram de cozinha, dormitório para funcionários ou para armazenar mantimentos. O primeiro pavilhão foi construído na esquina de Rua Ceará com Avenida Francisco Sales. Ao longo dos anos, novas unidades foram incorporadas, como o prédio da Maternidade Hilda Brandão (Rua Álvares Maciel) e o pavilhão Miguel Couto, na Rua Ceará. Os traços que caracterizam a obra da década de 40 é do italiano Raffaello Berti (1900-1972), responsável também pela arquitetura dos hospi18

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tais Odilon Behrens, Felício Rocho e Vera Cruz, além do prédio da Prefeitura de Belo Horizonte, Palácio Cristo-Rei e da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O título “Casa de Misericórdia” é uma herança de Portugal, do final do século XV, da benfeitoria iniciada pelas mãos da rainha dona Leonor de Lancastre. O hospital, que preserva o nome original, passou por grandes transformações do ensino, para formação médica, e da assistência na média e alta complexidade. O “Hospital-Barraca” expandiuse para Grupo Santa Casa, composto pelo Hospital São Lucas, Serviço Funerário, Instituto Geriátrico Afonso Pena, Centro de Especialidade Médicas Santa Casa BH, e Ensino e Pesquisa Santa Casa BH. Ao todo são 1.196 médicos credenciados e 5.077 funcionários, entre contratados, residentes,

especializandos e estagiário. Com 115 anos de existência, o complexo hospitalar ocupa hoje um quarteirão do bairro Santa Efigênia, na região Centro Sul da cidade, com nove prédios anexos, composto pela Maternidade Hilda Brandão, a Pediatria, o Centro de Diagnóstico e Tratamento, as unidades de Tratamento Intensivo adulto e pediátrico, o Centro Cirúrgico, a Clínica de Olhos, as unidades de Nefrologia, Oncologia Clínica (Radioterapia e Quimioterapia), e as enfermarias de Clínica Médica, Cardiologia e Neurologia. Santa casa em números

Ao longo de toda a sua história, a instituição contou com o apoio da sociedade em geral para sua manutenção financeira. José Maria Alkimin (1938 a 1974) responsável pela inauguração do atual complexo hospita-


História

de histórias e números

lar, em 1946, dizia que a instituição “Santa Casa” foi criada com “dinheiro dos pobres e promessa dos ricos”. Mudando o pensamento do idealizador do complexo e favorecendo mais pessoas que necessitam de tratamento intensivo, o médico, banqueiro e empresário Aloysio de Andrade Faria doou, recentemente, equipamentos hospitalares para revitalização das Unidades de Tratamentos Intensivos (UTI’s). A Santa Casa dispõe, atualmente, de 1.085 leitos de internação 100% do Sistema Único de Saúde (SUS) e movimenta mais de 2, 5 milhões de atendimentos em mais de 35 especialidades médicas, desde consultas ambulatoriais, sessões de hemodiálise, quimioterapia, internação em UTI até cirurgias de alta complexidade. Por ano, são mais de 400 mil consultas, 1,5 milhões de exames laboratoriais, 66 mil sessões de hemodiálise e 15 mil junho/julho 2014

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cirurgias. Definida como associação sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, reconhecida como Utilidade Pública pelo Decreto Federal de nº 47.778/60, a Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte se mantém por meio de convênio com o SUS. Em sua trajetória de crescimento, a Santa Casa acompanhou também as transformações da capital mineira e a formação dos municípios do Estado. Com o aumento da população, atualmente 40% do atendimento são destinados às pessoas que vêm de cidades distantes. Estima-se que pelo menos um cidadão residente em um dos 580 municípios, do total de 853 espalhados pelo Estado de Minas Gerais, utilizou a assistência médica da instituição. Para a Região Metropolitana de Belo Horizonte, é também uma

Antônio Pedro: mais de 40 anos de trabalho ajudando a construir as histórias do complexo hospitalar

19


História

referência médico-hospitalar, respondendo por 60% dos atendimentos que se estendem também a pessoas vindas de outros estados. Mudança de gestão

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A Santa Casa adotou um novo modelo de gestão que contribuiu para o fortalecimento da instituição. Para se ter uma ideia dessa transformação, no início dos anos 2000 o hospital contava com 20 leitos de terapia intensiva e pouco mais que 570 leitos destinados ao SUS. Hoje são mais de 181 leitos de terapia intensiva e aumentaram os leitos de internação. Em 2009 foi lançado o projeto 1000 Leitos SUS, resultado da parceria com o Mistério da Saúde, Governo de Minas e Prefeitura de Belo Horizonte, com o objetivo de suprir o déficit de leitos no Estado. As obras

de melhoria e revitalização ainda estão em andamento e têm previsão de conclusão até dezembro deste ano. O administrador Saulo Coelho, provedor da Santa Casa BH desde 2000, comemora os avanços obtidos nos 14 anos à frente da Instituição. “Encontramos a Santa Casa em uma situação operacional difícil, mas com muito trabalho promovemos mudanças significativas”, comentou. Além do modelo de gestão, destaca-se a renegociação de antigos passivos e a implantação do Projeto Santa Casa 1000 Leitos SUS, que viabilizou o aporte de R$ 47 milhões em investimentos. O mineiro de Bom Despacho (MG) Simeão Pedro de Mendonça, 72 anos, que há 46 anos dedica seu tempo à Santa Casa, testemunhou essas mudanças. Ele chegou ao hos-

Hospital com cara de cidade

Dr. Jamerson Marques é o funcionário mais antigo, com 56 anos de dedicação à instituição

20

pital para um tratamento dermatológico e, algum tempo depois, foi contratado. O cuidado que recebeu ele guarda na lembrança. “A Santa Casa é a minha segunda mãe”, diz. O funcionário já passou por diversas áreas do hospital e hoje atua na unidade de Hemodinâmica. Mendonça afirma que até os anos 70 médicos e colegas de trabalho consideravam o hospital uma extensão da casa dos pacientes, mantendo inclusive obrigações domésticas diárias, com limpeza e manutenção da área comum feitas pelos pacientes que estavam em melhores condições clínicas. “Um passava a vassoura no chão, outro palha de aço e a cera. Também era a casa dos funcionários, porque muitos deles moravam nas dependências do hospital e contribuíam com cinco cruzeiros mensais para utilizar o alojamento conjunto”, diz.

junho/julho 2014

Estima-se que nessa “cidade” circulem diariamente mais de 15 mil pessoas, entre médicos, pacientes, funcionários, visitantes e acompanhantes. Por dia, são servidas 10 mil refeições, três toneladas de enxoval, que podem chegar até a 90 toneladas por mês. Para manter essa “cidade que não dorme”, paga-se em média R$ 200.376,99 de energia elétrica e R$ 222.613,32 de água, somando quase meio milhão de reais por mês. Antônio Pedro de Freitas, 69 anos, 41 deles dedicados à Santa Casa, também presenciou as mudanças, como a classificação então dada aos pacientes. “Houve um período em que eles eram identificados como “pagantes” ou “indigentes”. Isso tudo mudou para os beneficiários do SUS e para ele, que aderiu ao programa de demissão voluntária e logo em seguida voltou atrás. “Gosto demais daqui e sentiria muito se saísse. Vou ficar até quando eles me tolerarem”, afirma. Atualmente, Freitas trabalha na área de segurança do Hospital São Lucas.


Com o título de mais “antigo de Casa”, o médico cirurgião Jamerson Rodrigues Marques, 79 anos, diz orgulhar-se de já ter vivido 56 anos dos 115 da Santa Casa de Misericórdia. Há mais de meio século ele diz que o seu regime de trabalho é ditado pelo paciente. “Meu horário é o tempo que for preciso. Venho ver meus pacientes nos finais de semana e feriados”, orgulha-se. A devoção ao trabalho médico e dedicação aos pacientes é motivo para ele contestar a retirada da palavra “misericórdia” do nome da Santa Casa, e para isso, ele intervém com a precisão de um cirurgião. “É Santa Casa de Misericórdia de BH, mas querem tirar isso de qualquer jeito”, adverte Jamerson, que também defende que o paciente seja chamado pelo nome e não pelo número do leito ou da doença. Nem mesmo as complicações cardíacas que o colocaram na condição de paciente, com várias intervenções tera-

números 2013

409.291 Consultas

50.131

Sessões de Radioterapia

22.013

Sessões de Quimioterapia

34.832 Internações

15.579 cirurgias

junho/julho 2014

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História

Santa Casa de Misericórida de Belo Horizonte, no início do seu funcionamento

pêuticas e mais de 70 dias de UTI, foram capazes de afastá-lo de sua profissão. Ainda no quarto ano de Medicina, ingressou na instituição com o desejo de aprender os ofícios do reconhecido cirurgião mineiro Edmundo de Paula Pinto. Com persistência, conseguiu ser um dos primeiros estudantes admitidos pelo médico. “Ele dizia que não gostava de estudante. Mas por um tempo respondi pelos exames laboratoriais e pré-operatórios. Naquela época, contávamos as hemácias no olho”, lembra. O cirurgião também recorda o trabalho da irmã Magdalena, da Congregação Servas do Espírito Santo, que amparava os 48 pacientes da II Clínica Cirúrgica da Santa Casa. “Cada enfermaria tinha uma irmã de caridade. Elas recebiam uma ajuda de custo, mas na maioria das vezes usavam esse dinheiro para auxiliar na necessidade dos pacientes”, conta . Segundo Marques, a ampla unidade da Clínica Cirúrgica passou recentemente por reformas para adequação das instalações físicas e substituição dos móveis e equipamento médico -hospitalar. Uma das pacientes que têm utilizado essa nova estrutura, que até hoje traz a marca do cuidado da irmã Magdalena, é a aposentada Maria das Graças de Paula, 74 anos, que está se recuperando de uma cirurgia

para retirada de cálculo na bílis. Já são quase 90 dias de internação, ao lado do marido Antônio Francisco de Paula, 82 anos, que traz consigo o rádio portátil para ajudar a passar as horas. O médico da “misericórdia” a cada corrida de leito se renova para rever os pacientes internados ou os que chegam para a primeira consulta. “Sei de cada caso, como se fosse um velho médico da família. Coleciono cartões e carinhos de pacientes, familiares e residentes”, afirma. Exemplo de que a Santa Casa é uma cidade que acumula números e inúmeras histórias, ele também abre espaço para que a fé e a medicina caminhem juntas pelos corredores desse secular complexo hospitalar. “Sou católico e acho uma pena as escolas de medicina não ensinarem religião”, questiona. Para ele, a arte da medicina necessita da sabedoria divina. Lembrando o Sir Robert Huchinson, médico inglês, ele recorda a oração: “da incapacidade de não interferir, do entusiasmo exagerado pelo que é recente e desdém pelo que é tradicional, de valorizar mais o conhecimento do que a sabedoria, a Ciência mais do que a Arte e o talento mais do que o bom senso, de tratar os pacientes como casos e de fazer a cura da doença mais penosa do que a tolerância da mesma, Senhor Deus, livrai-nos”. 21


entrevista

Saúde financeira dos hospitais de Minas Gerais está debilitada Indicação da AHMG é readequar a tabela do SUS, o repasse dos prestadores, e ampliar mercado para outras operadoras de saúde

Temos que pensar na atenção primária, o que reduziria o atendimento na atenção secundária. 22

junho/julho 2014

São 34.409 equipamentos de saúde distribuídos no Estado, representando o segundo maior número (12,23%), perdendo apenas para São Paulo (22,88%).

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O

cirurgião geral Reginaldo Teófones Ferreira de Araújo, 65 anos, está em seu segundo mandato como presidente da Associação dos Hospitais de Minas Gerais (AHMG). Ele recebeu a reportagem da Revista Saúde Minas na sede da instituição, no bairro Santo Antônio, para uma entrevista que trouxe à discussão os impactos da baixa remuneração do Sistema Único de Saúde (SUS) e a “lógica equivocada” de pagamento das operadoras de saúde. Destacou também avanços na gestão municipal da Capital, que atrela qualidade e metas à remuneração dos prestadores de serviços. Quanto à atuação da AHMG, ele falou sobre a parceria com o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde e destacou ainda que o próximo passo da sua gestão é a fusão com a Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (Federassantas). Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), Belo Horizonte conta com 5.296 instituições de saúde e 6.145 leitos, desses 3.537 do SUS.

Saúde, Minas - Como o senhor avalia a saúde dos hospitais no Estado de Minas Gerais? Reginaldo Teófones - O problema é que o Brasil tem inúmeros hospitais com baixa resolutividade e em Minas Gerais isso não é diferente. Certamente, a maioria deles tem menos de 50 leitos. E, com isso, vem a dificuldade de atrair e fixar profissionais médicos em localidades com população entre cinco e dez mil habitantes. Parece que os governos já estão atentos para esse fato e devem propor uma nova função para esses equipamentos de saúde, estruturando os hospitais de referência para atender uma determinada região, criando assim uma hierarquia de assistência. SM - Qual o prejuízo dessa falta de resolutividade para o paciente e o sistema de saúde? RT - Existe uma dificuldade de fazer a triagem e um referenciamento adequado que atendam efetivamente à demanda clínica ou cirúrgica do paciente. Muitas vezes, quando esse paciente chega ao local com a resolutividade necessária, não há mais o que ser feito. Isso porque, antes, ele passou, às vezes, por três hospitais, e o sistema pagou e prestou um atendimento inadequado. Mas antes de pensar em hospital, que é uma necessidade, temos que pensar na

Reginaldo Teófones ficará à frente da Associação dos Hospitais de Minas Gerais até 2017

atenção primária, o que reduziria o atendimento na atenção secundária. É como se faz na educação, tem que fortalecer as bases. E, para isso, tem que organizar os serviços com algum tipo de hierarquia para oferecer esses cuidados à população. Além disso, temos que pensar que há uma mudança no perfil populacional, que vai demandar outros mecanismos de atenção, além do hospital. Infelizmente, hoje, a saúde ainda está muito centrada no hospital, mas é preciso pensar em outros mecanismos.


entrevista

SM - Como organizar o acesso aos serviços de saúde? RT - É preciso estruturar os serviços, fazer o arroz com o feijão. Muitos falam que temos problemas de gestão, mas falta recurso, financiamento e vontade política. O poder público deve otimizar, vocacionar e cobrar resultado de cada serviço contratado. SM - E o que o Governo Federal tem feito para contribuir na gestão da saúde? RT - O Governo Federal deixou um problema a ser solucionado pelos municípios e estados, principalmente, para os municípios. Ocorreu a municipalização da saúde, sem oferecer aporte financeiro para viabilizar essa operacionalização. Não vejo mudanças. A saúde continua indo a reboque de determinadas entidades ou setores, de quem grita mais. Há 20 anos que as portas das urgências estão lotadas e o corredor está cheio.

governo outros 120 milhões para 150 milhões de pessoas, talvez, se somássemos os investimentos seria possível fazer mais e melhor, reduzindo os gastos em duplicidade.

Infelizmente, hoje, a saúde ainda está muito centrada no hospital, mas é preciso pensar em outros mecanismos.

SM - E a gestão de saúde do município de Belo Horizonte? RT - Talvez, seja quem mais apresentou melhorias. Vejo como um avanço a reestruturação da Santa Casa de Misericórdia e dos hospitais São Francisco e São José, com atendimento feito 100% pelo SUS. Além disso, eles atrelaram indicadores de qualidade e metas para remunerar o prestador de serviço.

SM - E a oferta de leitos hospitalares no Estado? RT - É indiscutível que há uma falta de leitos. Uma saída seria organizar a rede assistencial para reduzir essa carência. Acredito ser necessário investir em remuneração do prestador, critérios para acesso aos serviços, além de vocacionar as unidades hospitalares, estabelecer meta e indicadores de qualidade. A remuneração é um dos grandes problemas que enfrentamos. A lógica de pagamento do SUS é muito boa, mas a tabela está defasada, já na saúde suplementar a remuneração é por produção.

SM - E as ações estaduais? RT - Tem investimentos importantes em algumas regiões, como aconteceu com o hospital de Montes Claros, que passou a ser uma referência na assistência às vítimas de traumas. Mas, falando em poder público, eu vejo que tem uma questão importante que deve ser tratada. Tem que se achar uma saída para trabalhar os recursos da saúde pública e privada. Vamos pegar um exemplo fictício: se a saúde suplementar gasta 100 bilhões para atender 50 milhões de usuários, e o

SM - Então essa remuneração traz prejuízo para todos? RT - Sim. Há uma promessa do novo ministro de Saúde de refazer o pagamento da tabela do SUS. Em Belo Horizonte, o cenário fica ainda mais complicado. A operadora de saúde líder monopoliza o mercado, ela estabelece o preço e a regra do negócio. Raramente a AHMG negocia em nome de todos, pois ainda há um comportamento egoísta e isso acaba fragilizando o hospital quando individualmente a instituição vai

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negociar a tabela de pagamento. O problema da remuneração vai refletir também na escassez de algumas especialidades médicas. O médico recém-formado não enxerga benefícios em fazer residência em pediatria, por exemplo. Esse profissional só vai contar com os honorários da consulta, e frequentemente ficar disponível para atender ligações em feriados ou de madrugada. SM - Isso ameaça a sustentabilidade dos hospitais? RT - Sim, ameaça. Todos os hospitais apresentam dificuldade financeira. Talvez, a única exceção seja o Mater Dei, que apresenta relatórios indicando vitalidade econômica. O município não oferece atrativos para grupos externos, como é o caso da Rede D’Or, que está presente em diversos estados e até agora não fixou unidades por aqui.

5.296

instituições de saúde e

6.145 leitos e, desses,

3.537

prestam serviços pelo SUS.

34.409

equipamentos médicos em Minas,

12,23%

são da saúde pública

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Tecnologia

Mobile em favor da saúde Dispositivo médico ajuda a monitorar paciente, ampliando adesão ao tratamento

Cristina Mota

O pillbox pode conectar-se a outros aparelhos como medidor de pressão arterial, glicosímetro, saturímetro, entre outros

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Cristina Mota

O

avanço da tecnologia tem trazido benefícios para os mais variados setores, proporcionando a otimização de processos e a disseminação rápida da informação. Na saúde, não é diferente. A ideia básica por trás do conceito de Mobile Health (m-Health) é utilizar soluções tecnológicas em favor da saúde e da qualidade de vida. Em inúmeros países já existem dispositivos móveis que permitem acompanhar o estado físico do paciente a distância. No Brasil, a adoção de soluções com essa finalidade ainda esbarra em questões financeiras,culturais e éticas. Algumas empresas, porém, já realizam estudos na área a fim de monitorar a saúde do paciente e, dessa forma, também reduzir gastos com internações e atendimentos de emergência. Há cerca de um ano, a Unimed-BH criou um projeto-piloto de monitoramento de dados clínicos a distância para portadores de doenças crônicas. Trata-se do pillbox, um dispositivo semelhante a uma caixa de comprimidos que armazena os medicamentos, gera alertas sonoros e visuais na hora de tomá-los e registra os horários em que o paciente ingeriu as pílulas. Caso ele atrase ou não use a medicação, o fato fica registrado e o sistema envia um e-mail ou mensagem de celular para o próprio paciente, um familiar ou o médico, informando o ocorrido. Os dados também ficam armazenados em um portal, que também pode ser acessado pelos três responsáveis por monitorar a não ingestão. O pillbox pode ser configurado para se conectar a aparelhos como medidor de pressão arterial, glicosímetro, saturímetro, entre outros. A conexão é feita via bluetooth, tecnologia sem fio que permite a comunicação entre vários dispositivos a

Dr. Gustavo Landsberg, coordenador médico de Tecnologia da Informação da Unimed-BH

partir de ondas de rádio. Dessa forma, é possível monitorar, a distância, pacientes com doenças como hipertensão, diabetes, asma, enfisema pulmonar e insuficiência cardíaca. Inicialmente, o dispositivo foi utilizado, durante seis meses, no monitoramento de uma paciente idosa com histórico de hipertensão, internações recorrentes e interrupção do uso da medicação oral. “Ao final do período, conseguimos uma adesão de 100% ao tratamento e essa média tem se mantido até hoje”, afirma o coordenador médico de Tecnologia da Informação (TI) da Unimed-BH, Gustavo Landsberg. O resultado levou a cooperativa a expandir o estudo. Recentemente, um grupo de 70 pacientes começou a ser acompanhado com a mesma finalidade. Todos são hipertensos, possuem alguma doença cardíaca e estiveram internados por mais de uma vez em razão do histórico clínico. Durante um semestre, metade deles será monitorada por meio do dispositivo e a outra metade pelo método convencional. O objetivo é fazer uma avaliação do custo/eficácia do equipamento. Landsberg explica que, à medida que a adesão ao tratamento aumenta, a saúde do paciente melhora e, dessa forma, a tendência é reduzir o número de internações e de idas ao pronto-atendimento. “Uma internação que você evita, pode compensar o custo do dispositivo, que é alto”, assinala. Segundo ele, somente o medidor de pressão arterial que se conecta ao pillbox custa dez vezes mais caro se comparado ao preço de um aparelho convencional. De acordo com o coordenador, existem outros projetos na área de m-Health. Um dos objetivos é utilizar o pillbox para monitorar pacientes oncológicos e portadores de diabetes.


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Segurança: questão Divulgação

Os seis protocolos do MS vão alinhar ações em hospitais de todo o País e paciente também pode intervir

Congresso internacional reúne mais de 1000 profissionais para debater segurança do paciente

O

Programa de Segurança do Paciente, do Ministério da Saúde (MS), lançado há um ano pelo Governo, apresenta um quadro clinico de evolução positiva. A adesão de mais de mil profissionais ao I Congresso Internacional sobre Segurança do Paciente (ISMP) Brasil e do V Fórum Internacional sobre Segurança do Paciente: Erros de Medicação dá indícios de que a discussão pode contribuir com a melhoria da qualidade do 26

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atendimento em estabelecimentos de saúde, além de servir de alerta sobre os efeitos adversos da automedicação de famílias brasileiras. O evento reuniu 52 palestrantes do Brasil e do exterior, na Universidade Federal de Ouro Preto, preocupados em discutir e buscar soluções emergenciais para a saúde. De acordo com estudos da Fiocruz, de 2005, de cada dez pacientes atendidos em um hospital, um sofre, pelo menos, um evento adverso,

com a administração incorreta de medicamentos; falhas na identificação do paciente; erros em procedimentos cirúrgicos; infecções; mau uso de dispositivos e equipamentos médicos; e queda no ambiente hospitalar. Para minimizar esses índices, o Programa instituiu estes seis protocolos de segurança, centrados nos problemas de maior incidência. O estudo aponta ainda que parte dessas ocorrências poderiam ser evitadas.


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estratégica na saúde País

Incidência (%)

Evitáveis (%)

Brasil

7,6

66,7

Nova Zelândia

11,3

61,6

Austrália

16,6

50

Dinamarca

9

40,4

França

14,5

27,6

Espanha

14,5

42,8

Canadá

7,5

37 Fonte: Fiocruz

Divulgação

De acordo com o presidente do ISPM Brasil, Mário Borges, o trabalho de segurança do paciente requer iniciativas que não oneram um hospital de pequeno porte. “A retirada das ampolas de cloreto de potássio das unidades, por exemplo, pode prevenir muitos eventos adversos, inclusive mortes, e não tem impacto financeiro algum”, enfatiza. Para o farmacêutico, várias outras ações podem ser implantadas como um código de barras e prescrição eletrônica. “Mesmo que exija um investimento do hospital, evitará erros, retrabalhos, gastos com outros processos, o que justifica a aquisição desses recursos pelo custo-benefício”, destaca.

Presidente do ISPM Brasil, Mário Borges considera que os hospitais já estão se organizando para minimizar as inúmeras possibilidades de erros

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Divulgação CRF/MG

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A eficiência das medidas de segurança do paciente depende diretamente da conscientização do médico sobre a correta prescrição médica; do enfermeiro sobre o devido cuidado, e do farmacêutico quanto à dispensação de medicamento. Claudiney ferreira Vice-presidente do CRF/MG Vice-presidente do CRF/MG, Claudiney Ferreira, destaca a importância da integração das equipes para sucesso do programa

Qualidade na saúde

Para cumprir as diretrizes do programa, os hospitais públicos têm de seguir algumas diretrizes, como a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC nº 36/2013), que estabelece a obrigatoriedade de criação de núcleos de segurança do paciente. Isso, além de terem que adotar o processo de notificação dos eventos adversos associados à assistência e também publicar edital de chamamento público para proposição de medidas de ampliação da segurança. “Desenvolvemos um caderno para implantação dos seis protocolos, cursos e vídeos para preparação e formação de profissionais, que serão multiplicadores nas unidades de saúde”, diz o presidente do Comitê Nacional de Segurança do Paciente.

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Borges explica, ainda, que diferente do que ocorreu na indústria, com a corrida pela busca da qualidade, os hospitais ainda estão se organizando devido às inúmeras possibilidades de erros e à complexidade dos processos na área. Os seis protocolos foram publicados no ano passado e a sua implantação ocorreu em janeiro deste ano. A notificação obrigatória começou a ser realizada em fevereiro, o que ainda não permite ter indicadores que mensurem o resultado do programa. Segundo o vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia de MG, farmacêutico Claudiney Luís Ferreira, o programa está bem definido e estruturado, mas o envolvimento de prestadores de serviços

e profissionais de saúde ainda é um ponto que requer atenção especial. “A eficiência das medidas de segurança do paciente depende diretamente da conscientização do médico sobre a correta prescrição médica; do enfermeiro sobre o devido cuidado, e do farmacêutico quanto à dispensação de medicamento”, afirma. Para ele, o trabalho é multidisciplinar e deve ter como foco o paciente. O diretor médico da e-Broselow e professor assistente da University of Florida, Dr. James Broselow, sugeriu, durante sua conferência, três medidas que já vêm sendo adotadas no Brasil: padronizar o processo, eliminar o cálculo das dosagens, automatizando-o, e simplificar a linguagem nas receitas médicas. Para


além dessa prática, a discussão também girou em torno da necessidade de treinamento de equipes, visando ao monitoramento e prevenção de danos na assistência. Ferreira destaca que ainda há a necessidade de treinamento de pessoal administrativo e prestadores de assistência à saúde. “Muitas unidades de saúde insistem em manter um quadro mínimo de profissionais, sendo que em alguns locais inexiste o profissional farmacêutico para fazer a análise crítica da prescrição e dispensação correta dos medicamentos”, adverte. Ele completa que é preciso implantar gerenciamento de riscos, promover a rastreabiliadade de documentos e estabelecer indicadores de qualidade.

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Divulgação

Capa

Presidente do ISPM Brasil, Mário Borges, ao centro, com palestrantes

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Fundamental também nesse programa de segurança, o profissional da enfermagem exerce uma tarefa que é, ao mesmo tempo, múltipla e exposta a riscos pela sobrecarga da jornada de trabalho. O assessor técnico da presidência do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren-MG), Rubens Schröder Sobrinho, alerta que pesquisas mostram que após exaustiva jornada desse profissional há um desequilíbrio no raciocínio, aumento da fadiga e consequente estresse, que pode ocasionar alguns dos eventos adversos. “A enfermagem está na ponta da assistência, pois entre ela e os cuidados prestados ao paciente não existem outras categorias. A enfermagem consegue interceptar, por exemplo,

86% dos erros que surgem decorrentes de uma prescrição errônea, de transcrição, e de medicamentos vindos da farmácia”, esclarece. Para Borges, o processo de segurança do paciente é uma questão sistêmica na saúde, envolvendo todos os profissionais da área. A iniciativa do governo vai abranger 6 mil hospitais e 44 mil estabelecimentos de saúde e ambulatórios. Para que a sociedade também esteja inserida nessa prática de segurança, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou, em 2012, o Programa de Segurança do Paciente para o Paciente, com res-

postas às dúvidas mais comuns como o que fazer em caso de efeito colateral de medicamento e informações sobre a doença. Nesse conjunto de ações, a Anvisa também institui um caderno que estabelece o direito dos pacientes. “Eles têm direitos que ainda não conhecem e que estão descritos no programa como: o de saber o que está tomando e a que horas tomar. Se ele for informado pela enfermagem sobre o que está sendo administrado, isso evitará que seja dado um medicamento trocado”, orienta Borges.

Segurança do Paciente

Divulgação

1 Identificar corretamente o paciente. 2

MELHORAR A COMUNICAÇÃO ENTRE PROFISSIONAIS DA SAÚDE.

A SEGURANÇA NA PRESCRIÇÃO, NO 3 MELHORAR USO E NA ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS.

4

ASSEGURAR CIRURGIA EM LUGAR DE INTERVENÇÃO, PROCEDIMENTO E PACIENTE CORRETOS.

5 HIGIENIZAR AS MÃOS PARA EVITAR INFECÇÕES. Assessor Técnico da Presidência do Coren-MG, Rubens Schröder Sobrinho

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O QUADRO DE QUEDAS 6 REDUZIR E ÚLCERAS POR PRESSÃO.


ACREDITAR NA VIDA NÃO É OTIMISMO. É O NOSSO COMPROMISSO.

PROMOVER A SAÚDE POR MEIO DA UTILIZAÇÃO ÉTICA DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO, SEMPRE ACOMPANHADO DO CALOR HUMANO, DEDICAÇÃO E AMOR. É ESSA A MISSÃO QUE INSPIRA O TRABALHO DA ONCOMED HÁ 20 ANOS. OBRIGADO À TODOS QUE FAZEM PARTE DESSA HISTÓRIA.

oncologia

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cardiologia hematologia clínica da dor nutrologia nutrição psicologia

(31) 3299-1300

www.oncomedbh.com.br

31 16564 Dr Luiz Adelmo Lodi Neto. Responsável Técnico. CRM


Bem-estar

Estética que (de)forma

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junho/julho 2014

rugas, estrias, celulites, manchas, cicatrizes e outras “imperfeições” que prejudicam a constante busca do homem pela perfeição. Porém, essas técnicas podem se transformar em armas perigosas e causar deformidades, quando realizadas sem critério. É importante ficar atento, porque a maioria desses procedimentos só pode ser realizada por um cirurgião plástico. O exercício de profissionais sem especialização na área tem impactado na imagem dessa especialidade. A cirurgiã plástica Andréa Dorofeeff Viana Daker alerta que, atualmente, é comum ver médicos de outras áreas realizando cirurgias com fins estéticos. Segundo ela, isso ajuda a explicar o aumento do número de casos mal sucedidos e de complicações ocorridas no pós-operatório. De acordo com o cirurgião plástico Teófilo Braz Taranto, frequentemente a imprensa mostra exemplos de uso exagerado ou mesmo inadequado de procedimentos que acabam produzindo resultados desastrosos ou até deformidades que chocam a estética. “Podemos definir, com apenas uma palavra, o que se deve esperar do resultado de uma cirurgia plástica: naturalidade”, ressalta. Segundo ele, para mudar esse quadro é necessária a realização de campanhas de informação e conscientização da população sobre os riscos de se submeter a procedimentos que não têm embaDivulgação

N

os últimos anos, o Brasil foi invadido por uma avalanche de procedimentos estéticos que prometem ser a nova fonte da juventude, eliminando

Divulgação

Procedimentos realizados por profissionais sem qualificação podem resultar em deformidades

Andréa Dorofeeff defende que procedimentos devem ser feitos por cirurgiões plásticos

samento científico, realizados por profissionais não qualificados. Quando o problema está no paciente que quer se submeter a várias cirurgias plásticas de uma só vez, ou que nunca está satisfeito com sua aparência, mesmo após ter feito mais de uma intervenção estética, o cirurgião plástico precisa ter atenção especial. Segundo Taranto, em


Divulgação

Bem-estar

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geral, pessoas assim são portadoras de Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), alteração comportamental em que um problema psicológico de qualquer natureza se manifesta, afetando a percepção corporal do indivíduo. O resultado disso é a preocupação excessiva com defeitos mínimos ou até inexistentes.

Elas dominam Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica indicam que em 2013 foram realizadas 1 milhão e 400 mil cirurgias entre cosméticas e reconstrutivas. Desse total, 73% são procedimentos estéticos e 27% reparadoras. As mulheres lideram a procura pelo procedimento, sendo as cirurgias de aumento de mama e a lipoaspiração as preferidas. O Brasil é o 2º maior em realização de cirurgias, ficando atrás dos EUA, e na frente da China no ranking. Desde 2000, o aumento anual de procura é de 10%. Causas: tecnologia, ascensão social, tempo/internação. 80% são mulheres, 10% adolescentes entre 13 a 18 anos, e 3% estrangeiros.

Procedimentos não cirúrgicos

Teófilo Braz Taranto considera que “naturalidade” é o resultado que deve ser alcançado pelo paciente

junho/julho 2014

Técnicas de rejuvenescimento, como os preenchimentos dérmicos injetáveis e a injeção de toxina botulínica são alguns dos procedimentos estéticos não cirúrgicos mais procurados atualmente. Eles são utilizados para aumentar lábios finos, melhorar contornos superficiais, suavizar ou eliminar rugas faciais e disfarçar as cicatrizes. Se realizados de forma incorreta, porém, podem também resultar em deformidades. Para Andréa Dorofeeff, muitos procuram clínicas e pessoas sem qualificação em razão do preço. “Os clientes se esquecem de avaliar a qualidade do material utilizado e a capacitação do profissional que está executando o procedimento. Com isso, muitas vezes, acabam pagando um valor muito mais alto”, frisa. 33


Gestão à vista

Qualidade como palavra de ordem Especialista avalia a qualidade como poderosa ferramenta de estratégia e sustentabilidade econômica ridade para funcionamento e sustentabilidade dos serviços de saúde. A rede hospitalar tem disponível quatro processos de acreditação: certificação realizada pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), que é nacional; e três internacionais: NIAHO (National Integrated Accreditation for Healthcare Organizations), JCAHO (Commission of Acreditation for HealthcareOrganizations) e a CCHSA (Canadian Council on Health Services Accreditation). A metodologia de gestão da qualidade, aplicável a qualquer tipo de organização, e frequentemente

Divulgação

P

or muitos anos a assistência hospitalar era destinada aos menos favorecidos e aqueles que dispunham de algum recurso financeiro eram atendidos em domicílio pelo médico da família. Acredita-se que, por isso, só em 1924 as instituições começaram a se preocupar com a qualidade dos serviços de saúde. A primeira iniciativa nesse sentido nasceu com o Colégio Americano de Cirurgiões, quando propôs o Programa de Padronização Hospitalar. O cenário atual é bem diferente daquela época: ter qualidade tornou-se prio-

Conheça os programas SISTEMA BRASILEIRO DE ACREDITAÇÃO – SBA/ONA

É coordenado pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), que atua por intermédio de instituições acreditadoras (IAC’s), as quais têm a responsabilidade de proceder a avaliação e a certificação da qualidade. NATIONAL INTEGRATED ACCREDITATION FOR HEALTHCARE ORGANIZATIONS – NIAHO

Programa de acreditação hospitalar norte-americano utilizando como premissa básica a conformidade com a norma ISO 9001. Seus pilares são a Segurança do Paciente e do Ambiente, com foco nos resultados assistenciais efetivos. JOINT COMMISSION INTERNATIONAL – JCI

A Joint CommissionofAcreditation for Healthcare Organizations (JCAHO), como a NIAHO, é um programa de acreditação de hospitais norte-americanos. CANADIAN COUNCIL ON HEALTH SERVICES ACCREDITATION – CCHSA

O CCHSA é uma organização independente que operacionaliza o processo de acreditação hospitalar no Canadá, semelhante ao modelo da JCAHO. Fonte: IAG Saúde

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Tânia Grillo é uma das precursoras do movimento de qualificação hospitalar em Belo Horizonte

utilizada no setor da saúde, é a norma ISO 9001:2008. O processo de busca da acreditação é mais frequente nas organizações privadas e filantrópicas, mas vem sendo adotado em serviços públicos. Esse é o caso da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que desde 2008 iniciou o processo de acreditação nos hospitais regionais Antônio Dias, em Patos de Minas, e João Penido, em Juiz de Fora, acreditados pela ONA nível 2, em 2010 e 2013, respectivamente.


Gestão à vista

Ferramenta

A acreditação não pode ser considerada a tábua de salvação, mas indiscutivelmente é uma ferramenta gerencial que pode poupar a instituição de vários desgastes. Entre eles destacamse: perdas com erros e eventos adversos assistenciais; custos de retrabalho ou processos ineficientes; custos de eventuais processos judiciais; comprometimento da imagem da organização perante a sociedade; e perda de clientes ou de mercado. Na avaliação de uma das precursoras do movimento de qualificação hospitalar no cenário de Belo Horizonte, a infectologista Tânia Moreira Grillo Pedrosa, acreditar é um processo vital para as organizações de saúde. “Em um cenário tão complexo como é o da saúde, organizações com lideranças com foco e visão de futuro, que investem na segurança de seus processos por meio da excelência do desenvolvimento das competências do capital humano, se farão perenes, maiores e melhores”, argumenta. corrida pela acreditação

A especialista é uma das sócias fundadoras do IAG Saúde, instituto de consultoria que há 22 anos atua em diversas organizações ligadas à área, em todo o país. Das 70 instituições do Estado de Minas que aderiram à implantação e implementação de processos permanente de melhoria pela certificação ONA, o IAG acompanhou a acreditação de 23 delas. Na avaliação da consultora, o Brasil ganhou impulso para a pauta da qualidade a partir da Portaria GM/ MS n.º 1.107, de 14 de junho de1995. “A portaria cria o programa Brasileiro de Acreditação Hospitalar e este foi o pontapé fundamental de todo este movimento de qualidade no Brasil”, afirma Tânia Grillo. A especialista pontua, ainda, que o poder público é um importante catalisador de ações e programas benéficos às organizações do segmento da saúde. junho/julho 2014

Marcos históricos para o processo de qualidade e avaliação dos serviços de saúde

1918 é realizada a primeira avaliação de hospitais nos Estados Unidos. 1924 é criado o Programa de Padronização Hospitalar pelo Colégio Americano de Cirurgiões (CAC) nos Estados Unidos. 1951 criada a Comissão Conjunta de Acreditação dos Hospitais (CCAH). 1952 a Joint Commission on Accreditation of Hospitals passa a responder pelo programa de Acreditação. 1970 é estabelecido o Accreditation Manual for Hospital, que engloba padrões de qualidade, considerando também processos e resultados da assistência. 1951 é realizado o Congresso Nacional do Colégio Internacional de Cirurgiões, em São Paulo. 1970 o Ministério da Saúde passa a desenvolver o tema da Qualidade e Avaliação Hospitalar. 1990 foi firmado convênio com a Organização Pan-Americana de Saúde - OPAS, a Federação Latino Americana de Hospitais e o Ministério da Saúde para elaborar o Manual de Padrões de Acreditação para América Latina. 1992 a OPAS promove, em Brasília, o primeiro Seminário Nacional sobre Acreditação. 1994 o Ministério da Saúde lançou o Programa de Qualidade. Estabeleceu a Comissão Nacional de Qualidade e Produtividade em Saúde - CNQPS que desempenhou importante papel na elaboração das diretrizes do programa e na sua disseminação, inclusive em outras esferas do governo. 1997 o Colégio Brasileiro de Cirurgiões promove seminário para elaborar o programa nacional de acreditação de hospitais. O evento foi organizado com assessoria da Joint Commission. O Ministério da Saúde anunciou medidas para desenvolver a Acreditação Hospitalar. 1998 é lançado o Programa Brasileiro de Acreditação. 1999 é criada a Organização Nacional de Acreditação (ONA) no Brasil. Fonte: Liliane Bauer Feldman, Maria Alice Fortes Gatto, Isabel Cristina Kowal Olm Cunha História da evolução da qualidade hospitalar: dos padrões a acreditação

Já em 2011, o Brasil assiste a uma corrida pela acreditação após a Normativa nº 267 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Pela resolução, as operadoras de saúde devem divulgar para os usuários o nível de qualidade da rede prestadora. “Nenhum prestador deseja aparecer com baixo nível de qualidade para seus

clientes”, observa a médica. De qualquer modo, por exigência ou não, a acreditação fomenta melhorias importantes. Pode contribuir para segurança e resultados assistenciais para o paciente, trazer melhor resultado econômico para a instituição e oferecer ao colaborador um melhor ambiente de trabalho. 35


Divulgação

Gestão à vista

Do modelo de gestão da indústria para as atividades da saúde Primeira instituição do Brasil acreditada pela ONA, hospital prevê investimentos da ordem de R$ 50 milhões

Perfil

Fachada do hospital Márcio Cunha

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Divulgação

Estado de Minas Gerais tem hoje 70 instituições acreditas pela ONA e o hospital Márcio Cunha é umas das 20 que estão no ranking de “excelência hospitalar”. O exemplo vem do próprio modelo de qualidade da Usiminas, que passou a aplicá-lo na gestão de hospitais. De olho no futuro, a instituição foi pioneira, no país, na incorporação de ferramentas da qualidade específicas da indústria nas atividades da área hospitalar. A iniciativa possibilitou sua acreditação em nível

Luis Márcio Araújo Ramos, presidente da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), responsável pela administração do hospital Márcio Cunha

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de excelência pela ONA e a certificação ISO 9001, em 2003. Na avaliação do presidente da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), responsável pelo hospital Márcio Cunha, Luis Márcio Araújo Ramos, quando as instituições buscam uma certificação estão se comprometendo com um programa permanente de melhorias. “Esta foi e continua sendo a escolha do Hospital Márcio Cunha. Sempre acreditamos que podemos melhorar - fazer com mais qualidade, com mais satisfação para os clientes e utilizando os recursos financeiros necessários, sem desperdícios”, diz. O hospital deve receber, até 2015, uma certificação internacional e concluir o plano de investimentos da ordem de R$ 50 milhões em obras para ampliação e modernização de equipamentos. Há oito anos vem reduzindo a taxa de infecção hospitalar geral, que passou de 4,1% para 2,90%. As mais de 20 mil internações realizadas em 2013 colocam o hospital Márcio Cunha, na quarta posição do Estado em atendimento ao SUS. A instituição também se destaca pelas respostas dadas, em até cinco dias de internação, às demandas clínicas ou

Inaugurado em 1965, com 50 leitos, o Hospital Márcio Cunha dispõe, atualmente, de mais de 500 leitos. Tornou-se referência para procedimentos de média e alta complexidade, e de atendimento em oncologia, urgências e emergências para 800 mil habitantes de 35 municípios do Vale do Aço e da Região Leste de Minas.

cirúrgicas do paciente. Ocupa também a terceira posição em número de partos, com 6,5 nascimentos, em Minas Gerais. Valor

Segundo Ramos, as certificações agregam qualidade, efetividade e segurança aos serviços prestados. “A percepção positiva e satisfação dos clientes são reforçadas, o exercício profissional torna-se mais seguro, sujeito a menos erros, os colaboradores sentem-se valorizados e a instituição fortalece a sua sustentabilidade e competitividade”. Além disso, ele acredita que o selo de qualidade contribui para o fortalecimento da marca e da imagem institucional.


anos

Central de consultas: 3337.1000 Clinica da Dor: 2538.9803

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Há 65 anos baseia suas práticas na melhor evidência científica, ética e equipe multiprofissional altamente qualificada.

Oncologia: PA - 24 horas:

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Saúde no Estado

Triângulo Mineiro é referência no tratamento do câncer Divulgação

COT investiu R$ 2,5 milhões na abertura de filial em Araguari e já tem novos projetos de expansão para 2015

Foram investidos R$ 2,5 milhões na filial de Araguari

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os últimos anos, o aumento do número de casos de câncer no Brasil fez com que a doença ganhasse um perfil epidemiológico. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) aponta para a ocorrência de, aproximadamente, 576 mil novos casos em 2014, reforçando a magnitude do problema no país. Nesse cenário,o Centro Oncológico do Triângulo (COT)desponta como referência no tratamento da doença. Além da sede em Uberlândia, a instituição inaugurou, recentemente, uma filial na cidade de Araguari e já possui novos projetos de expansão para 2015. A unidade de Araguari foi inaugurada no último mês de agosto e demandou investimentos de R$ 2,5 milhões. O prédio foi erguido em um terreno de 2.800 m², sendo 550 m² de área construída.Segundo a médica oncologista Valé38

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Panorama cot O COT foi fundado em 1998, com o objetivo de oferecer tratamento contra o câncer a uma população que tinha acesso à medicina suplementar. Durante 15 anos a clínica funcionou em três locais diferentes e atendeu a mais de 12 mil pacientes. A primeira sede própria foi inaugurada em 2001, em uma área de 500 m² que dispunha de três salas com seis cadeiras para aplicação de quimioterapia, além de uma farmácia e uma capela onde também se preparava a medicação. Em 2006, a clínica investiu cerca de R$ 5 milhões em obras e equipamentos e inaugurou um novo prédio. Hoje, a unidade de Uberlândia ocupa uma área de 1.320 m², realizando, em média, 550 procedimentos por mês.


Saúde no Estado

Centro de pesquisas Desde 2009, o COT atua como Centro de Pesquisas em Uberlândia, conduzindo estudos fase III aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). A instituição já participou de estudos de dois laboratórios internacionais com medicamentos para câncer de mama, pulmão, próstata e tumor gastrointestinal.Atualmente, 18 pessoas já receberam tratamento experimental no Centro de Pesquisas do COT.

Divulgação

ria Ribeiro, uma das sócias e fundadoras do COT, um novo projeto de expansão está previsto para 2015 e inclui investimentos em infraestrutura, tecnologia e atendimento. No ano passado, a instituição deu outro passo importante para se firmar como referência no tratamento do câncer ao conquistar o Selo Acreditado Pleno da Organização Nacional de Acreditação (ONA). “O COT vem num processo contínuo de amadurecimento de gestão, o que é fundamental para que os processos sejam cumpridos e a qualidade dos serviços seja mantida”, afirma Valéria Ribeiro. Hoje, as duas unidades do COT atendem, em média, 800 pacientes por mês. A maioria vem de cidades do Triângulo Mineiro,da região doAlto Paranaíba, além do interior de Goiás. Ao todo, são disponibilizados 18 leitos para pacientes oncológicos e um acelerador linear de elétrons para o tratamento de radioterapia. A aquisição do segundo aparelho já está fase de aprovação nos organismos regulatórios. A clínica dispõe de especialistas em oncologia clínica, hematologia, cirurgião, radioterapeuta, nutrição e psicologia, que trabalham em conjunto para suprir as diversas necessidades que podem aparecer durante o tratamento. O cuidado multidisciplinar é uma modalidade que vem conquistando adeptos em todo o mundo na área oncológica. O objetivo é contribuir para a humanização do tratamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Segundo Valéria Ribeiro, outro diferencial do COT é o investimento constante em tecnologia. Exemplo disso é o uso da Radioterapia de Intensidade Modulada(IMRT) no combate a vários tipos de câncer. Essa modalidade permite administrar altas doses de radiação em áreas que precisam ser tratadas, minimizando as doses nos tecidos saudáveis. A clínica também dispõe de outros tratamentos de ponta, como radiocirurgia, radioterapia tridimensional, e quimioterapia com anticorpos monoclonais ou drogas moléculas-alvo.

O COT vem num processo contínuo de amadurecimento de gestão, o que é fundamental para que os processos sejam cumpridos e para que a qualidade dos serviços seja mantida. Valéria Ribeiro Médica oncologista, sócia e fundadora do COT A médica oncologista Valéria Ribeiro é uma das fundadoras do COT

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humanização

O tratamento que vem da água

Marli Rodrigues Sudário: qualidade de vida após um ano de tratamento

Hidroterapia auxilia na reabilitação de pacientes e proporciona melhoria da qualidade de vida

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os 60 anos, a aposentada Marli Rodrigues Sudário, hoje com 74, começou a se preocupar com as dificuldades de resposta do corpo. Sempre que se sentava com o corpo projetado para um dos lados a fim de conversar com alguém, percebia que, no dia seguinte, sentia dores no lado oposto. O diagnóstico veio em seguida: espondilite anquilosante, doença inflamatória crônica que afeta as articulações do esqueleto axial, especialmente as da coluna, quadris, joelhos e ombros. Se não tratada, pode se tornar incapacitante. Catorze anos após a descoberta e um ano depois de iniciar as sessões de hidroterapia, Marli comemora: a doença parou de progredir, a respiração melhorou e ela já consegue ir ao shopping sozinha. 40

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A espondilite anquilosante é uma dentre várias patologias que encontraram na água uma boa aliada no tratamento. Hoje, a hidroterapia é um dos recursos mais indicados pelos médicos para auxiliar na recuperação desses pacientes. Trata-se de uma especialidade da fisioterapia que se baseia nos princípios mecânicos e térmicos da água aquecida em uma piscina terapêutica. Os efeitos da imersão corporal associados aos exercícios fisioterápicos provocam diversos estímulos, ativando o sistema imunológico, melhorando a circulação e diminuindo a sensação dolorosa. Conhecimento e ambiente adaptado

A modalidade exige do fisioterapeuta conhecimentos das propriedades hidrostáticas, hidrodinâmicas e termodinâmicas da água, bem como da anatomia, fisiologia e biomecâ-

nica corporal. Os exercícios precisam ser realizados em uma piscina adaptada, com a inclusão de barras simples, barras paralelas, escadas especiais, bancos e macas no seu in-

origem Na antiguidade, Hipócrates (460 -375 a.C.) já utilizava o contraste entre banhos quentes e frios para a cura de doenças, assim como Johann S. Hahn (1696-1773), que tratava muitos de seus pacientes utilizando a mesma técnica e ficou conhecido como o pai da hidroterapia moderna. Um dos principais precursores da fisioterapia aquática tal como é praticada em todo o mundo hoje é o monge alemão Sebastian Kneipp (1821-1897).


Divulgação

se submeter a uma cirurgia. Após o procedimento, o médico indicou a fisioterapia aquática para auxiliar na recuperação da enfermeira. Hoje, Ana Victória faz duas sessões por semana e assegura que não pretende parar após o término do tratamento.“A água é relaxante. Desde que comecei a fazer os exercícios, passei a dormir bem à noite, tenho mais qualidade de vida”, diz. De acordo com Ferreira, estresse mental, irritabilidade e distúrbios do sono também podem ser tratados,

minimizados e até sanados por meio da hidroterapia. “O efeito do calor na pele, associado a exercícios específicos, provoca o relaxamento das fibras musculares, e a flutuação leva à sensação de que o corpo está mais leve, solto e flexível. Com isso, o paciente vai melhorando progressivamente, desenvolvendo sua consciência e seu controle corporal, recuperando a autoconfiança e superando traumas. Tudo isso se refletirá numa saúde melhor”, explica.

Condições patológicas que podem ser beneficiadas pelo tratamento hidroterapêutico

Rogério Ferreira, especialista em fisioterapia aquática

terior. O piso deve ser antiderrapante para viabilizar o deslocamento dos pacientes e dos fisioterapeutas. “O sucesso do tratamento em piscina terapêutica depende da correta indicação, da utilização adequada dos princípios físicos da água, associados aos efeitos fisiológicos do corpo em imersão e de uma infraestrutura que permita a realização do tratamento de forma segura e agradável”, afirma o fisioterapeuta Rogério Celso Ferreira, especialista em fisioterapia aquática. Segundo ele, a possibilidade de redução de carga nas articulações é uma das grandes vantagens da terapia na água. “Por isso, a hidroterapia é indicada quando há inflamação, dor, desgaste articular, espasmo muscular ou limitação da mobilidade e da força. Esses sintomas são provocados, principalmente, por enfermidades, transtornos ou traumas que comprometem as funções corporais do paciente”, destaca.

Neurológicas

Psíquicas

Mal de Parkinson, Mal de Alzheimer, sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), Traumatismo Raquimedular (TRM), Poliomielite, polineuropatias, Traumatismo Cranioencefálico (TCE), Paralisia Cerebral (PC), Tumores do SNC, doenças degenerativas do sistema nervoso, lesões periféricas de nervos, síndromes neurológicas, pós-operatórios em geral

depressão, neuroses, autismo, transtornos mentais Cardíacas hipertensão, alterações valvulares Respiratórias asma brônquica, bronquite crônica, enfisema pulmonar, fibrose cística e sequelas de infecções respiratórias, pós-operatórios

Endócrinas obesidade, alterações da tireóide

Ortopédicas e traumatológicas fraturas consolidadas ou em fase de consolidação, alterações posturais, entorses, luxações, lesões impactantes, pós-operatórios ósseos e articulares

Reumáticas artrite reumatoide, febre reumática, espondilite anquilosante, osteoartrites ou artroses, tendinites, bursites, capsulites, miosites, discopatias degenerativas, polimialgias

Qualidade de vida e bem-estar

Em outubro do ano passado, a enfermeira Ana Victória de Medeiros teve uma lesão no ombro e precisou junho/julho 2014

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humanização

Academia da Cidade é para todos Divulgação

Como romper o sedentarismo e começar uma atividade física gratuita em sua região

População conta com mais de 60 unidades, que oferecem atividades supervisionadas por instrutores de educação física

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funcionária pública Ingaldana Romano, 53 anos, saiu das estatísticas do sedentarismo, que atinge 80% dos brasileiros. Há dois anos deixou a desculpa da falta de tempo e dinheiro e passou a frequentar regularmente as aulas de ginástica oferecidas na Academia da Cidade, no bairro Universitário, região da Pampulha. A unidade é uma das 63 distribuídas pelas regionais Venda Nova (8), Nordeste (8), Norte (9) Barreiro (11), Oeste (5) Noroeste (8), Barreiro (11) e Pampulha (4), que funcionam em horários variados, de segunda a sábado, das 7h às 12h, e, em outros horários específicos, à tarde e à noite. “É muito prazeroso participar das atividades. Não é aquela coisa mecânica que você fica contando quantos exercícios fez, é tudo muito dinâmico. É diferente das

Atividades físicas contribuem para o condicionamento cardiorrespiratório


humanização

Divulgação

academias convencionais”, compara. Quem vê a Gal, como é conhecida, exibindo flexibilidade nos exercícios físicos não imagina que há algum tempo ela tinha dificuldade para amarrar o próprio tênis. “Por meio da academia, com o trabalho de reeducação alimentar, consegui perder 15kg no último ano”. Hoje ela se diz mais feliz, disposta e bem consigo mesma. Melhorias

Exercícios ajudam na consciência corporal, coordenação motora geral e saúde emocional

Inscrição

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Todo primeiro dia útil de cada mês são abertas inscrições para novos participantes, que podem ser feitas diretamente nas academias. Na unidade do bairro Universitário estão disponíveis oito turmas, com capacidade para atender até 60 pessoas em cada uma. Após a avaliação física individual o aluno recebe a indicação aeróbica de acordo com o perfil físico e o nível de intensidade (1 a 4) que está apto a realizar. As aulas têm duração de 60 minutos e é composta com circuitos aeróbicos, caminhada, corrida, dança, jogos, luta, jump e step. Além disso, são realizadas atividade de integração em datas comemorativas. O aluno pode utilizar a academia até três vezes por semana. Além das atividades supervisionadas disponíveis na Academia da Cidade, é possível também se utilizar as dezenas de parelhos aeróbicos em mais de 90 pontos, distribuídos em praças e parques. Mais informações sobre a iniciativa podem ser obtidas pelo 156.

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As atividades físicas contribuem para o condicionamento cardiorrespiratório, consciência corporal, flexibilidade, força, coordenação motora geral e saúde emocional. Segundo a educadora física Nathália Turci, os exercícios podem ajudar também na qualidade do sono, redução de dores e favorecer a adesão de hábitos de vida mais adequados. “Nas avaliações, realizadas a cada seis meses, a gente consegue mensurar as melhoras e avanços que o aluno conseguiu”, diz a especialista. Há cinco anos envolvida no projeto, a também educadora física Paula Nadielly conta que se surpreende quando acompanha a evolução positiva de um aluno. “Para nós, não há dinheiro que pague a nossa felicidade por vermos uma pessoa que chegou deprimida, usando medicamento, com baixa auto-estima e sem ânimo para vida, e notarmos uma melhora. Com o tempo aquela pessoa até parece outra”, explica. Quem se sente mesmo renovada é a aposentada Luciene de Paulo, 62 anos, que orgulha-se de ser uma das primeiras alunas da Academia da Cidade. “Estou aqui há sete anos. Cheguei com muitas dores, em função da artrose nos braços e joelhos”, conta. Hoje, ela ainda sente um pouco de incômodo, mas nem se compara aos tempos que mal conseguia andar. “Sinto-me muito mais disposta, consigo fazer as coisas em casa, não abro mão da academia”, conta.

BH tem 90 opções de locais para realização de atividades físicas em praças e parques

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Pessoas aproveitam as academias na praça até no periodo da noite

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humanização

Mães de Minas monitora gestantes e bebês pelo estado Com a prevalência de altos índices de mortalidades infantil e materna, Minas encontra solução para o bom parto

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m Minas Gerais gestantes e mulheres em trabalho de parto, recém-nascidos e crianças contam com iniciativas pioneiras desde 2003, como o “Programa Viva Vida”, que estabelece ações de cuidados e assistência. Complementando esta proposta, o Estado criou o “Mães de Minas”, em 2011, que visa reduzir os altos índices de mortalidade infantil e materna no Estado. No Brasil, mais de 50% das gestantes são submetidas a uma cesariana. A concentração dos partos cesáreos é liderada por mulheres que possuem planos de saúde, chegando a 82%. Já no Sistema Único de Saúde (SUS) esse dado é um pouco menor, com 37%. Ainda assim, a situação é desanimadora já que estudos científicos preconizam que apenas 10% das gestantes necessitam de intervenção cirúrgica. A efetividade do programa Mães de Minas, que visa minimizar os impactos dos altos índices de mortalidade infantil e materna, pode ser conferida através dos seus números. A taxa de mortalidade antes do projeto era de 18 óbitos para mil nascidos vivos. Com a implantação do programa, em 2003, esse número reduziu para 17,6 óbitos. Atualmente, o programa contabiliza uma queda de mais de 27% na taxa de mortalidade infantil. O programa Mães de Minas já atendeu a mais de 184 mil gestantes e 152 mil crianças. Atualmente,

Mães podem recorrer a uma “madrinha”, ligando para o 155 e esclarecendo dúvidas


humanização

Gestão integrada

A administradora Eliane Andrade e a pequena Manuela aprovaram a iniciativa do Mães de Minas

em serviços públicos ou particular de saúde e acompanhadas pelo programa desde 2011. A gestão do programa Mães de Minas tem por trás a tecnologia de uma das maiores empresas do segmento de prestação de serviço do Brasil, a AeC. Um call center estruturado com 90 posições de atendimento (PA) com 104 “madrinhas” — como são chamadas as atenden-

Divulgação ALMG

A administradora Eliane Andrade, 33 anos, mãe da Manuela, de 1,3 meses, foi uma das usuárias do serviço. Ela soube do projeto durante uma feira de gestante e passou a recomendar o “Mães de Minas” para outras mulheres. “Todos os meses recebia uma ligação antes e após a consulta do pré-natal, me perguntando se estava tudo bem comigo e com o bebê”, conta. A filha de Eliane foi uma das 180 mil crianças, nascidas vivas no Estado

Divulgação

cerca de 50 mil mulheres estão sendo assistidas pelo projeto em todo o Estado. “O programa estabelece um contato individual, monitorando a mãe, no acompanhamento do pré-natal, e o bebê até o seu primeiro ano de vida”, esclarece a gerente do Projeto Viva Vida - Mães de Minas, Carla Carvalho Martins. Para Maria Albertina Santiago Rego, referência técnica do programa, Minas é pioneira nesse trabalho. “Não existe no país um monitoramento individual da gestante e do recém-nascido como é feito no Estado de Minas”.

tes, que se revezam 24 horas, diariamente —, possibilitando a orientação das gestantes até o final da gravidez e também o monitoramento do bebê até que complete um ano de idade. Em média, as atendentes recebem quatro mil ligações todos os dias, que envolvem desde esclarecimentos de dúvidas até chamadas para acompanhar o desenvolvimento da gestação. A equipe do call center conta também com médicos e enfermeiros que ficam disponíveis para auxiliar o atendimento, esclarecer sobre cuidados básicos, data de consulta ou exames. “Cada contato realizado segue uma série de protocolos de entrevis-

ALMG propõe humanização do parto Também está em tramitação na Assembleia de Minas Gerais, o projeto 4.783/2013, que institui o Plano Estadual para a Humanização do Parto, de autoria do deputado Adelmo Leão (PT/MG). Iniciativas semelhantes já foram aprovadas em alguns municípios do Estado de São Paulo no último ano. Movimentos sociais fomentam discussão sobre humanização do parto

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humanização

ta, que têm como objetivo monitorar o processo gestacional. Com esse trabalho, é possível traçar o percentual de gestação de risco habitual, risco médio, alto risco ou muito alto risco”, explica o diretor técnico do Hospitale AeC, Bernardo Gomes. O processo permite que cada município receba um relatório mensal, com o número de mulheres que demandam maior cuidado e risco de complicação. “Isso é muito importante, porque o gestor de saúde municipal tem um panorama do perfil gestacional de cada paciente, podendo assim dar respostas às demandas de cuidado”, esclarece. Rede Cegonha e o parto normal

Dados da Comissão Perinatal da Secretaria Municipal de Saúde, em Belo Horizonte, apontam que 75% dos partos por cesárea acontecem no setor privado, contra 29,8% no SUS. Para a coordenadora da Comissão Perinatal da capital, Sônia Lansky, há uma epidemia de prematuridade, provocada por essa onda de cesariana. “Nossas crianças estão sendo retiradas do útero antes da hora de nascer”, alerta. Especialistas acreditam que a explicação para isso seja, talvez, a tendência na contemporaneidade de correr contra o tempo. Em média, o trabalho de parto dura entre oito e 12 horas, enquanto a cesariana pode ser realizada em até 20 minutos.

ça no País. Minas Gerais conta com uma estrutura de 350 leitos neonatais e 96 leitos obstétricos de alto risco. Para os próximos anos está prevista a abertura de aproximadamente 492 novos leitos, 25 Centros de Parto Normal e 18 Casa de Gestantes, Puérperas e Bebês, representando um investimento de R$ 144,8 milhões/ano. As macrorregiões do Estado de Minas Gerais - Centro, Jequitinhonha, Leste, Norte e Nordeste – recebem R$ 193.452.978,48 milhões/ano do Governo Federal. Repensando a assistência obstétrica

Uma das metas da Rede Cegonha é oferecer Centros de Parto Normal

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Estabelecida pela portaria nº 1.459 de 2011, a Rede Cegonha prevê uma série de ações para garantir à mulher o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada à gravidez, ao parto e pós-parto, bem como à criança, o seu direito ao nascimento seguro e ao crescimento e ao desenvolvimento saudáveis. A expectativa, de acordo com o Ministério da Saúde, é investir R$ 9,397 bilhões até o fim deste ano na construção de uma rede de cuidados primários à mulher e à crian-

A “doença” da cesariana

Programa acompanha a gestante do pré-natal até o primeiro ano de vida da criança

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como estratégia para reduzir a taxa de mortalidade materna e as cesarianas desnecessárias. “A Rede Cegonha tem como objetivo fortalecer a rede de referência e contra-referência com a qualificação das equipes para oferecer pré-natal de qualidade”, avalia a coordenadora da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, Esther Vilela. Para a coordenadora, uma das boas práticas trazidas pela Rede Cegonha na atenção obstétrica é colocar um enfermeiro-obstétrico na cena do parto, modelo já implantado com sucesso no Hospital Sofia Feldman, localizado na Região Norte de Belo Horizonte. “O serviço é referência para o programa do governo federal e recebe visitas de gestores de saúde de todos os estados. A visão do Hospital é oferecer um modelo de assistência centrado nos interesses da mulher, da família, respeitando a fisiologia do nascimento”, destaca. Ela completa, ainda, que essa mudança vem sendo influenciada pelo programa do governo federal, que motivou alguns concursos públicos a exigirem como requisito essa capacitação. Segundo o diretor clínico do Hospital Sofia Feldman, João Batista Marinho de Castro Lima, em todos os países que têm os melhores indicadores de saúde materna


humanização

infantil, a assistência é totalmente compartilhada, como acontece na Inglaterra, Dinamarca, Suécia, França. “O modelo assistencial do Brasil é ultrapassado, permanece ainda centrado no hospital e no médico obstetra”, avalia. A necessidade de contribuir com um novo modelo de assistência obstétrica também faz parte do projeto de pesquisa da doutora em enfermagem e professora da Puc Minas, Míriam Rêgo. Há mais de cinco anos, ela está à frente do projeto que oferece atendimento gratuito com assistência a pré-natal e pós-parto, com atividades em grupo e individual. “Comecei orientando e atendendo os familiares dos estudantes. Depois assumi o projeto de extensão “BH pelo parto normal” e hoje o serviço integra a grade curricular do curso de Enfermagem do campi da Puc Barreiro”, explica.

Serviços gratuitos Programa “Mães de Minas”

Retorno à naturalidade do parto Na avaliação da professora Míriam Rêgo, um fator que tem contribuído para fomentar essa discussão são os movimentos sociais de defesa de humanização, que pressionam o poder público para dar resposta a essas reivindicações. “Há um fortalecimento desses grupos que passam a buscar informação na internet e trocar experiências em redes sociais”, revela. Segundo a professora, essas mulheres estão descobrindo que o parto natural é uma experiência prazerosa e não querem ser privadas de vivê-la. “É muito comum essa mulher fazer uma verdadeira peregrinação em busca da realização desse desejo. E quando consegue, muitas vezes ela passa a integrar a causa e às vezes até muda os rumos profissionais e se torna uma doula voluntária para ajudar outras mulheres”, observa. Em recente tese de doutorado apresentada à Escola de Enfermagem da USP, a professora Miriam Rêgo destacou pontos importantes como o compartilhamento consensual, a partir de movimentos sociais pela humanização do parto, do significado dele como experiência de superação e prazer. “Esse processo contínuo, ao longo do tempo, é capaz de modificar a estrutura social que sustenta o significado do parto como sofrimento e risco e de ressignificar culturalmente o parto, sendo de grande relevância para países como o Brasil, com elevadas taxas de intervenções no parto, em especial, de cesarianas desnecessárias e indesejadas”, explica. As mulheres que participam desses movimentos querem um parto sem muita intervenção, semelhante ao que mães e avós tiveram. Outras, esperam um ambiente menos frio e menos medicalizado. Esses desejos ficam muito evidentes durante os encontros mensais da Organização Não Governamental (ONG) Bem Nascer, realizados nos parques Municipal e Mangabeiras, em Belo Horizonte. “Estamos lutando pelo respeito à mulher e a criança no primeiro rito de passagem”, defende a fundadora da ONG Bem Nascer e ativista da causa do parto normal, Cleise Soares, que está à frente dessa questão desde a década de 80. Divulgação

A gestante deve ligar no número 155 para ser incluída no cadastro.

Atendimento gratuito à gestante na Puc Minas Barreiro A gestante pode ligar no número (31) 3328-9543 ou diretamente na Clínica de Nutrição (Av. Afonso Vaz de Melo, 1.200, prédio 5, sala 111, Barreiro de Baixo, Belo Horizonte), das 7h às 17h e das 18h às 20h.

Rede Cegonha A gestante deve procurar o posto de saúde mais próximo de sua residência para fazer o pré-natal.

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Encontro da ONG Bem Nascer

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Selfie

O médico #sonhador que faz acontecer Atenção integral no tratamento do AVC agudo, com sobrevida de qualidade. Divulgação

O

neurologista Gustavo Daher, 34 anos, coordena a equipe de neurologia do Mater Dei – Unidade Contorno. Ele atua como professor na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e há três anos é voluntário e diretor técnico da Associação Mineira de Acidente Vascular Cerebral (AMAVC). A AMAVC ajuda centenas de pessoas a identificar sinais e adotar hábitos para a prevenção do Acidente Vascular Cerebral. A associação representa as famílias e pacientes de AVC, atuando em fóruns de discussão com a sociedade e gestores de saúde para oferecer atendimento adequado na atenção primária, na assistência hospitalar e no acesso a uma adequada reabilitação e suporte clínico aos pacientes. Dedicado às famílias, o especialista, que esteve à frente da primeira unidade de AVC do Estado, implantada no Hospital Vera Cruz, defende o ideal de que, em qualquer parte do Brasil, o paciente acometido por essa doença terá uma atenção integral no tratamento do AVC agudo, possibilitando uma sobrevida com qualidade.

Gustavo Daher é coordenador da equipe de Neurologia do Hospital Mater Dei, Unidade Contorno

Curta o selfie de Gustavo Daher Naturalidade: Juiz de Fora – MG, Zona da Mata

Palavra-chave: harmonia

Estado civil: casado

Hashtag que sintetiza Dr. Gustavo: #sonhador

Formação: Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora

Prato ideal: um bom churrasco

Especialização: médico neurologista pela Santa Casa de Belo Horizonte

Bebida: um bom vinho tinto ou cerveja bem gelada

Curte: família Compartilha: os sonhos Leitura preferida: romances policiais Para recarregar a energia: contato com a natureza, junto com a família

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Sobremesa: à base de chocolate Cidade dos sonhos: todas que eu ainda não conheço Uma trilha sonora: Eterno Aprendiz (Gonzaguinha) Realização médica: sensibilizar a sociedade sobre o quanto é importante e viável uma assistência adequada às urgências neurológicas Nota de pé: a paciência é a mãe das virtudes


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#Saúde

#AMAVC de 12 de abril de 2012, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas - Trombólise no Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo e a AMAVC contribuiu para essa ação. Divulgação

A Associação Mineira do AVC (AMAVC) conta com ações de apoio a familiares e pacientes em tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC). Além disso, dá suporte às familias na cobrança da adoção de protocolos clínicos de atendimento ao AVC, que contemplem a reabilitação especialiada, incluem fisioterapia e fonoaudiologia, cuidados ao paciente, tanto na internação quanto no domicílio, e reinserção no mercado de trabalho. O Ministério da Saúde definiu por meio da Portaria nº 664/GM/MS,

Site: amavc.com.br/ Página: facebook.com/Amavcmgial E-mail: contato@amavc.com Telefone: (31) 9971-9991

#International_Myeloma_Foundation_ (IMF) Latin_America Divulgação

Criado nos Estados Unidos, o IMF atua na troca de informações científicas e dúvidas dos pacientes e de seus familiares. Em Belo Horizonte, a paciente Gimene Mota Alckmin, diagnosticada com o mieloma há cinco anos, passou a organizar o “Café e Acolhimento”, que acontece uma vez por mês. A iniciativa foi recebida pelo IMF e, hoje, a proposta é replicar em outros estados a partir da experiência bem-sucedida em Minas Gerais. Site: mielomabrasil.org Página: facebook.com/FundacaodoMielomaMultiplo E-mail: acolhimentomielomamultiplo@yahoo.com.br

#Revista_Saúde_Minas Sua participação é importante! Envie sua sugestão ou dicas de página social e ajude a ampliar a saúde em rede. Entre em contato conosco WhatsApp : (31) 9684-9513

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#Pro_Criar Em 24 horas, dúvidas e perguntas de mulheres interessadas em realizar a inseminação artificial são respondidas por um profissional por meio de email ou pelas redes sociais. A clínica privada oferece o tratamento de fertilização e dis-

ponibiliza um serviço gratuito para aqueles que têm dúvidas sobre o processo. Página: facebook.com/procriarbh Site: procriar.com.br/


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Clínica Hematológica Especializada em Hematologia, Oncohematologia e Oncologia, tem como missão prestar atendimento humanizado, com alta resolubilidade, pautada em conhecimento técnico, científico e ética.

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Dra. Cláudia Maria Franco Ribeiro CRMMG 12.180 (Responsável Técnico) Dr. Daniel Dias Ribeiro CRMMG 29.391 Dr. Evandro Maranhão Fagundes CRMMG 21.211 Gilberto Ramos CRMMG 7.860 Dr. José dos Santos Quintão CRMMG 19.805 Dr. Ricardo Vilas Freire de Carvalho CRMMG 21236

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Revista Saúde, Minas  

Edição 1 - Ano 1 - Junho/Julho 2014

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