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Portf贸lio Sara Pl谩cido


MOTELx Festival Internacional de Cinema de Terror em Lisboa

Onde o terror é bem-vindo

A sétima edição do MOTELx decorrerá de 11 a 15 de Setembro no Cinema São Jorge, em Lisboa. Este ano, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa promete mais sessões e mais eventos paralelos, algo que apenas é possível graças aos muitos patrocinadores do festival. A Yorn, como patrocinador principal do MOTELx, não só brinda os seus clientes com 50% de desconto nos bilhetes para as sessões do festival, como lhes oferece uma sessão exclusiva pré-festival, com um filme surpresa! (Clientes Yorn, estejam

A Yorn é o patrocinador principal do MOTELx

atentos, pois para vocês as vantagens são a duplicar!) O festival terá 3 secções. A secção Serviço de Quarto apresenta o melhor do cinema contemporâneo de terror e, nesta edição, há um conjunto relevante de obras realizadas por mulheres, algo que não é vulgar no mundo do cinema terrífico. Relativamente a regressos, temos o japonês Hideo Nakata, realizador do conhecido filme “Ring”, e Neil Jordan que,


passados vinte anos sem trabalhar no género, reaparece com “Byzamtium”. Hideo Nakata é, também, o convidado especial desta edição do MOTELx que, desde 2007, aquando da primeira edição do festival, tem trazido a Portugal reconhecidos nomes do terror internacional, como o brasileiro Zé do Caixão, o italiano Dario Argento e os norte-americanos George Romero, John Landis e Eli Roth. A segunda secção do festival, Quarto Perdido, é dedicada a filmes de terror portugueses. Nesta secção, serão apresentados dois filmes – “Crime de Aldeia Velha” (1964) e “A Promessa” (1973) – realizados por três homens vítimas de censura. Como tal, este ano, a secção terá um título: “Os Censurados”. Por fim, a secção Lobo Mau: O estranho mundo de Ray Harryhausen, que é destinada aos mais novos e conta com a colaboração da Cinemateca Júnior. Esta secção pretende funcionar como uma homenagem a Ray Harryhausen, mestre nos efeitos visuais que faleceu no passado mês de Maio. A parceria da Cinemateca Júnior permite também que, pela primeira vez, se realizem eventos paralelos ao festival fora do cinema São Jorge, como a exibição de filmes do cineasta no Palácio Foz. Para além disso, o Prémio MOTELx – Melhor Curta-metragem de terror portuguesa é atribuído durante o festival desde 2009. Este ano não é excepção, mas

Presença de Nuno Markl, Safaa Dib e Thierry Philips

há uma diferença: a sua designação será Prémio Yorn MOTELx à Melhor Curta de Terror Portuguesa.

O júri conta com o humorista e locutor de rádio Nuno Markl, com a jornalista Safaa Dib e com Thierry Philips, presidente da direcção do Razor Reel Fantastic Film Festival. Entre os nomeados, estão nove curtas: “Bílis Negra” (2013), “O coveiro” (2013), “Desespero” (2013), “Hair” (2012), “Herdade dos Defuntos” (2013), “Longe do Éden” (2012), “Monstro” (2013), “Nico – A Revolta” (2013) e “Sara” (2012). O prémio do vencedor? 3000 euros, a que acrescem 2500 euros em serviços de pós-produção vídeo na Pixel Bunker e ainda um fim-de-semana de inspiração num hotel da cadeia Hotéis Belver. Como eventos paralelos, o MOTELx preparou a Festa de Antecipação do MOTELx 2013, a 6 de Setembro no Musicbox, a exposição Dédalo, na qual serão exibidas as peças que compõem a curta-metragem “Dédalo”, a Noite de Jogos de Terror, a Tarde de Jogos (Pouco)


´

Assustadores e diversos workshops, dados por formadores com experiência em televisão e em cinema, entre outros. A Noite de Jogos de Terror é constituída por live action role play e por jogos de tabuleiro de estratégia simples, numa sala com diversas mesas e uma equipa de jogadores experientes em cada uma, que explicarão as regras, sendo que algumas mesas serão exclusivamente destinadas a demonstrações a horas pré-estabelecidas. A Tarde de Jogos (Pouco) Assustadores tem um ambiente mais familiar e pretende realizar actividades nas quais as crianças podem participar. Quanto aos workshops teremos, por exemplo, de stop motion, com Bruno Caetano, e de caracterização e efeitos

Jogos, workshops e muito mais!

especiais, com João Rapaz e Helena Batista. Este último representa, sem dúvida, uma oportunidade a não perder pois a formação é certificada e porquanto, em Portugal, há poucos especialistas nesta matéria. Aliás, os que há, tiveram, muitas vezes, de procurar formação no estrangeiro, pois também não

há escolas e academias portuguesas que ensinem, imaginem só, a fazer próteses, algo que se vai aprender no workshop... Como se constata, são só boas razões para não perder a edição de 2013 do MOTELx! Deixo-vos o spot publicitário do MOTELx, realizado sem qualquer recurso a efeitos especiais.


Entrevista MOTELx 2013: Xan Cassavetes

A RDB vai estar presente na sétima edição do MOTELx e, após partilhar convosco a programação deste ano, decidiu entrevistar alguns dos convidados internacionais que vão participar no festival! Comecemos por Alexandra Cassavetes, mais conhecida como Xan Cassavetes.

Xan Cassavetes

é uma actriz e realizadora americana que herdou, sem

dúvida alguma, os genes do cinema! No seu caso não tinha, de todo, margem para não os herdar... É filha do actor e realizador John Cassavetes e da actriz Gena Rowlands, é neta da actriz Katherine Cassavetes e irmã do actor e realizador Nick Cassavetes. O que dizer sobre isto...?

O filme de Xan que será exibido no festival é de 2012 e é também a sua primeira longa-metragem. “Kiss of the Damned” é uma produção cinematográfica sobre vampiros, que podem ver pelas 19:00h do dia 14 de Setembro, na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, em Lisboa.


Mas vamos ao que realmente importa... Passemos, pois então, à entrevista:

1) De onde surgiu a ideia para realizar “Kiss of the Damned’’? No que é que se inspirou? A ideia surgiu da casa onde gravámos o filme. O dono queria fazer uma espécie de filme de terror lá e alguns produtores deslocaram-se até à casa para ver se tinham ideias. Eu pensei numa vampira solitária e em como ela teria acabado sozinha naquela casa num lago das florestas do Connecticut, mas passou-se um ano e ninguém tentou fazer um filme lá... Nem mesmo eu própria, pois consegui fazer com que um outro filme que estava a tentar gravar há cinco anos fosse financiado. Contudo, passados esses cinco anos, já não me conseguia relacionar nem com a história nem com a histeria à volta das estrelas de cinema que poderia contratar devido a ter conseguido um maior orçamento. Queria sentir-me livre e fazer algo mais atmosférico. Ao lembrar-me da casa, consegui escrever o guião muito rapidamente e apresentei-o a alguns dos meus investidores. O orçamento para o filme era muito menor e eles concordaram em financiá-lo. Felizmente, o dono da casa também aceitou a proposta.

2) O que gosta mais no filme? Tem alguma cena preferida? Se sim, porquê. Creio que consegui ter prazer em todas as coisas que fiz no corpo do filme – os figurinos, o aspecto fotográfico da história, a relação íntima que estabelecemos com a localização primária da filmagem (alguns de nós viviam na casa!), o design da produção e o sonoro, a banda sonora, a música ambiente, até mesmo escolher as longas unhas verdes da Mimi... Adoro a cena em que os protagonistas se beijam através da porta, como sendo algo mais primitivo e inovador, e a cena com o fã virgem no final do filme, por ser algo mais clássico. Também gosto muito das cenas em que o Paolo enlouquece ao pensar na Djuna, enquanto passa por estradas escuras e nebulosas, não percebendo a atracção que sente pela escuridão dela como algo mais físico e mental.


3) Quais eram os seus principais objetivos para este filme? Conseguiu concretizá-los? Quais os desafios com que se deparou? Eu quis encontrar personagens e situações com que me relacionasse, mesmo tratando-se de vampiros. A filmagem foi rápida e as coisas correram bem. A edição, por sua vez, foi longa e difícil, porque queríamos brincar com o material... Por vezes, chegámos mesmo a criar uma confusão gigante e terrível, o que acabava por ser assustador! Ainda assim, isso levou-nos a ser mais criativos e a perceber melhor o filme durante o processo da sua realização. Além disso, eu e o meu editor, o Taylor, ficámos um pouco obcecados e se alguma coisa corresse mal com o som ou com a imagem, por muito insignificante que fosse, ficávamos fora de nós. No entanto, chega a um ponto em que se tem de deixar ir e isso é o maior desafio...

4) Já visitou Portugal? Como é que se sente em relação ao facto do seu filme vir a ser exibido num festival de cinema de terror português? Tem expectativas sobre como é que os portugueses vão receber o seu filme? Esta será a minha primeira vez em Portugal e estou extremamente entusiasmada. Estou muito feliz pelo facto de “Kiss of the Damned” ser considerado um filme de terror suficientemente assustador para ser exibido em bons festivais! Não sei como é que os portugueses vão receber o filme… Provavelmente de uma maneira diferente do que é costume.


5) O que é que “Kiss of the Damned” trouxe de novo e acrescentou à sua experiência no cinema? Foi a minha primeira narrativa... O meu passado estava marcado pelos documentários. Tal como mencionei, adorei ter a hipótese de fazer um filme de vampiros, no qual é apropriado e até mesmo obrigatório mergulhar nos aspetos mais sensuais da produção cinematográfica. Sair do realismo dos documentários para uma situação em que posso manipular e brincar com a construção de um mundo ficcional foi fantástico.

6) Sente uma responsabilidade acrescida pelo facto da sua família viver à volta do cinema? Nem por isso. Claro que o meu irmão, a minha irmã e eu veneramos o John, como homem e como produtor, logo nenhum de nós se compara a ele. Todos os dias vemos pessoas a tentarem imitar o seu estilo ou a tentarem ser como ele e a utilizarem o seu nome como uma espécie de marca registada. Boa sorte com isso! E a Gena é a Gena e não há qualquer mulher como ela. Como tal, estamos livres desse género de ilusões. Somos todos diferentes no que queremos fazer e, nesse sentido, não sofremos desse tipo de pressão. Para além disso, temos uma relação muito boa e somos muito próximos, por isso não vale a pena sequer ir por aí...

7) Tem novos projetos em mente? Sim, tenho. Não são sobre vampiros, mas têm definitivamente alguns elementos do mundo do fantástico. Mal posso esperar por recomeçar a gravar!


Prémio Yorn MOTELx 2013 – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2013 O MOTELx a valorizar o que é português!

Tal como mencionámos quando apresentámos a programação do festival, desde 2009 que é atribuído o Prémio MOTELx – Melhor Curta-metragem de Terror Portuguesa. Este ano, quase tudo decorreu exactamente nos mesmos padrões, à excepção de uma nuance: a designação do prémio foi outra, porque a Yorn foi o patrocinador principal do festival. Como tal, atribuíram o Prémio Yorn MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2013. E quem terá sido o vencedor? Vamos recordar os nomeados:

“Bílis Negra” (2013);

“O Coveiro” (2013);

“Desespero” (2013);

“Hair” (2012);

“Herdade dos Defuntos” (2013);

“Longe do Éden” (2012);

“Monstro” (2013);

“Nico – A Revolta” (2013);

“Sara” (2012).


E o Óscar foi para... “O Coveiro”, de André Gil Mata! Muitos parabéns ao vencedor e aos nomeados! Sobre

a

curta-metragem

vencedora,

o

júri

disse:

“A

sua

concepção

extraordinariamente poética, cumprindo o melhor da tradição literária do horror, a sua composição técnica irrepreensível e de grande originalidade e a criação de uma história sobre marginais redimidos pelo amor e as estranhas criaturas da noite que povoam as trevas (...) combina o maravilhoso, o onírico e o horror.”. Nem mais, nem menos. Creio que a decisão do júri, formado por Safaa Dib, Nuno Markl e Thierry Philips, foi justa. “O Coveiro” é, de facto, uma curta muito especial e que se distinguiu bastante de todas as outras que foram apresentadas durante o festival. A preto e branco, com uma história aparentemente simples, que pode fazer lembrar um conto de terror infantil, e uma componente cantada e particularmente poética, teve a capacidade de encantar os espectadores! Para além disso, foi atribuída uma Menção Honrosa a “Desespero”, de Rui Pilão, não só pelo facto desta curta demonstrar de uma maneira perturbadora, que deixa o público desassossegado, um lar que enlouquece pelo desemprego do pai de família, como pela estruturação que Rui Pilão conseguiu dar aos elementos que compõe a história. Infelizmente, algumas das restantes curtas-metragens não foram assim tão felizes, pois a sua qualidade ficou aquém das expectativas que, inevitavelmente, se impõe a curtas apresentadas num festival como o MOTELx, e outras não fizeram jus ao género cinematográfico do festival... Muitas vezes, depois da sua exibição, os espectadores interrogavam-se: “Mas trata-se de uma curta de terror?”. Penso que a questão que se impõe é que, por vezes, as curtas até tinham a sua qualidade, não só no que diz respeito ao seu argumento como tecnicamente, mas por estarem a ser expostas num contexto que não era o mais adequado, o público não tinha tanta disponibilidade para as apreciar. Ainda assim, o MOTELx demostrou, mais uma vez, a sua preocupação com a divulgação de produções cinematográficas nacionais, e os portugueses deslocaram-se a uma sala de cinema para admirar e criticar o que é feito no nosso país! Só assim é possível que o cinema português evolua, cresça e vá mais além!


Cinecoa 2013

Tudo o que precisa de saber!

O Cinecoa – Festival Internacional de Cinema de Vila Nova de Foz Coa – já vai na sua terceira edição, que se realizará de 10 a 13 de Outubro de 2013, e merece que seja feita uma antecipação do festival, para os mais ansiosos do Norte ao Sul do país! Nesse sentido, de 9 a 15 de Setembro vai ser apresentada uma retrospectiva integral dos filmes do canadiano Denis Côté, tanto na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, como no Museu Soares dos Reis, no Porto. Homenageado será também Luis Buñuel, através da apresentação de sete dos filmes do cineasta, entre eles um filme-concerto (filmes-concerto são filmes mudos acompanhados por música ao vivo, composta e executada por célebres personalidades musicais) e um


documentário sobre a sua vida, no qual participam o seu filho mais velho, também realizador, e Jean-Claude Carrière, que esteve muito presente e próximo de Buñuel durante os seus últimos 20 anos de vida. Mas o que é nacional também é bom e, como tal, vai ser apresentada a obra integral da realizadora portuguesa Teresa Villaverde!

Na secção Cartas Brancas, destaque para Joana de Verona, uma jovem actriz portuguesa a quem foi oferecido o privilégio de seleccionar dois filmes à sua escolha para serem exibidos durante o festival: “Como Desenhar Um Círculo Perfeito”, de Marco Martins, e “O Rio Sagrado”, cujo título original é “The River”, de Jean Renoir, foram os eleitos. Joana de Verona Para 11 de Outubro está planeada uma sessão especial dedicada à população de Vila Nova de Foz Coa, na qual vai ser exibido o filme “O Tesouro”. Os filmes-concerto exibidos durante o festival serão “O Navegante”, cuja música é de Carlos Bica e João Paulo Esteves da Silva e “L’Age D’Or”, de Luis Buñuel, com música ao vivo de Jozef Van Wissem

Carlos Bica

João Paulo Esteves da Silva


O festival também promove o cinema e investe neste através do COALAB, uma plataforma de apresentação de projectos cinematográficos, cuja primeira edição foi em 2012. Este ano, foram 9 os projectos seleccionados, entre os mais de 40 que foram submetidos, provenientes de diversos países, e os três prémios vão ser atribuídos por um júri internacional e serão anunciados na sessão de encerramento do festival. (Que difícil incumbência... Eu cá não queria estar no lugar do júri...) Para além disso, o Cinecoa vai receber no festival um representante (realizador ou produtor) de cada um dos projectos eleitos, o que lhes dá a possibilidade de debater as suas ideias sobre cinema, desenvolver contactos e divulgar o seu projecto. Quem sabe, não vem daí a sorte grande! E para quem desconhecia esta plataforma, nada como aventurar-se e, numa próxima oportunidade, participar! É na sequência do COALAB que surgem os Case Studies, que são projecções de filmes feitas pelos próprios realizadores. Este ano, serão exibidos “Montemor” e “Crazy Quilt”. Neste instante, devem estar a perguntar-se... “E as crianças?”. Pois é, o Cinecoa não esquece o público infantil e este ano a sugestão que dá aos mais novos é que vejam dois conhecidos clássicos do cinema americano: “Pinóquio” e “O Feiticeiro de Oz”. E porque o cinema é feito de imagens, nada melhor do que duas exposições fotográficas para completar ainda mais o festival: uma no Museu do Douro, em Peso da Régua, com início a 7 de Setembro e outra no Museu do Coa, em Vila Nova de Foz Coa, que começa a 10 de Outubro, estando ambas patentes até ao final do ano, o que lhe dá muito tempo para visitar estas exposições! A primeira exposição vai dar-lhe a oportunidade de conhecer uma colecção de fotografias de Buñuel para a localização de exteriores dos filmes que realizou no México. Entre 1947 e 1965, Luis Buñuel fez 20 filmes no México e a exposição disponibiliza fotografias de 12 desses filmes. Nada mau!


A segunda exposição, dá-lhe a possibilidade de apreciar outra colecção, desta vez de placas de vidro, nas quais, em cada uma, há um par de imagens estereoscópicas. Imagens essas que, com um visor adequado, se transformam numa única fotografia em 3D. Espantoso! Para os mais interessados, deixo alguns links (entre eles, o do spot Cinecoa 2013): 

Site oficial da Cinemateca Portuguesa: www.cinemateca.pt

Site oficial do Museu Soares dos Reis: www.museusoaresdosreis.pt

Site oficial do Museu do Douro: www.museudodouro.pt

Site oficial do Museu do Coa: www.arte-coa.pt  Spot Cinecoa 2013: http://www.youtube.com/watch?v=r7vS8bbR02c


Entrevista Cinecoa 2013: Denis Côté em alta definição

Nasceu em New Brunswick, no Canadá, a 16 de Novembro de 1973. Com apenas 40 anos, já é considerado um cineasta de renome a nível internacional, tendo sido reconhecido pelas mais diversas entidades cinematográficas. A título de exemplo, em 2012, a revista CinemaScope incluiu-o na lista dos 50 melhores cineastas da actualidade e, mais recentemente, em Fevereiro de 2013, o seu último filme, denominado “Vic+Flo Ont Vu Un Ours”, recebeu o Urso de Prata no Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Pela terceira vez em Portugal, depois de ter estado numa competição organizada pelo IndieLisboa com a sua primeira longa-metragem, em 2006, num júri em 2010 e há pouco tempo na antecipação do festival Cinecoa, que se realizou na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, Denis Côté deu à RDB uma entrevista na qual não foi possível falar apenas sobre cinema! Conhecer o trabalho do cineasta é importante, mas conhecer a pessoa também. Denis adora passear e adora Portugal, sendo que o que mais gosta no nosso país são “as pessoas” e“a tranquilidade” que aqui vive. Mas não só: Denis gosta do cinema português! O facto de ter sido crítico de cinema durante dez anos fez com que conhecesse bem as nossas produções cinematográficas.


Foi em 2005, após dez anos como crítico cinematográfico, que Denis resolveu fazer o seu primeiro filme, sem qualquer tipo de ajuda monetária, não só por não apreciar particularmente ser crítico, como por acreditar que, no geral, as pessoas não gostavam do que escrevia. Segundo Denis, enquanto crítico, pensava constantemente: - “Se as pessoas não gostarem do que eu escrevo, têm bom remédio. Despeçam-me.” Mas a questão impõe-se... Como realizador, será que Denis prefere ficção, documentários

ou

curtas-metragens?

Ficção,

definitivamente. Na sua opinião, à medida que se cresce no mundo do cinema, deixa de se pensar em curtasmetragens. A sua última remonta a 2007. E entre a ficção e os documentários, Denis explicou-nos que, para si, não existem documentários, na medida em que qualquer realizador, inevitavelmente, ao fazer certas escolhas em detrimento de outras, molda a realidade de acordo com a sua personalidade, educação, valores e forma de ver o mundo. Porém, apesar desta sua firme convicção, Denis gosta de misturar documentários com ficção: “Sei que o meu último filme, “Vic+Flo Ont Vu Un Ours”, é ficção na sua totalidade, mas não me importo de voltar aos documentários e vice-versa.”. Mas quer se trate de uma curta-metragem, de ficção, de um documentário ou de uma mistura, Denis não se arrepende de qualquer um

Denis não se arrepende de qualquer um dos seus filmes

dos seus filmes. Contudo, reconhece os erros que cometeu em alguns dos filmes que já realizou e, nesse sentido, não voltava a repeti-los, pois procura crescer em cada trabalho enquanto realizador, que é o que quer ser para o resto da sua vida. Ainda

assim,

considera-se

realmente

orgulhoso de “Carcasses” (2009), que não considera ser o melhor dos seus filmes, mas que realizou apenas com o apoio de mais três pessoas e no qual experi mentou coisas que pensa que não vai voltar a experimentar. No seu entender, trata-se de um filme “selvagem” e “muito arriscado”. No entanto, Denis crê que para a audiência o seu melhor filme é, precisamente, o seu “bebé”, “Vic+Flo Ont Vu Un Ours”, que a seu tempo vai surgir em Portugal.


Curioso é também o facto de Denis ter vindo a Portugal com a consciência de que

“Eu não sou ambicioso, sou apenas trabalhador.’’

os seus filmes apenas seriam vistos por vinte ou trinta pessoas, aceitando tranquilamente o facto da maioria da população ainda não conhecer bem o seu nome, talvez pelo facto de ter realizado “muitos filmes em muito pouco tempo”.

“Eu não sou ambicioso, sou apenas trabalhador. Todos os meus filmes são como tijolos... E eu estou a construir uma parede, a pouco e pouco, também através do contacto com as pessoas que querem ver o meu trabalho. Mesmo que sejam “apenas" vinte pessoas, são vinte pessoas muito importantes.”. Para além disso, Denis contou-nos que “adorava ser assistente de Michelangelo Antonioni”, que não é o seu realizador preferido, mas cujos filmes têm um segredo que Denis gostava muito de desvendar. “Eu vejo os seus filmes e sei que há um segredo algures, mas não sei onde e não sei exactamente qual é.” Denis questiona-se: - “Como é que ele fez um filme destes? O que é que se estava a passar na sua mente?”. Questiona-se e afirma: - “É como magia... Vês uma série de cenas que não parecem fazer qualquer sentido e, de um momento para o outro, tudo encaixa, tudo bate certo... Se por acaso tivesse a oportunidade de estar com ele, teria uma série de perguntas para lhe fazer... Do tipo: Porquê isto? Porquê aquilo? Porquê? Porquê? Porquê? (risos)”. Em relação a novos projectos, Denis sussurrou à RDB: - “Enquanto estamos aqui, está a ser gravado um filme muito experimental, que deve estar terminado em Dezembro e que me faz sentir, simultaneamente, entusiasmado e receoso.”. De imediato,

interpelámos

Denis:

“Como

assim,

experimental?”. A resposta foi surpreendente: “Não


há qualquer guião, estamos apenas a filmar pessoas a trabalhar em fábricas e lojas. No fim, espero sinceramente que se trate de um filme bonito sobre pessoas a trabalhar.”. O propósito? Expor uma situação do quotidiano de uma prisma diferente daquele que, normalmente, a sociedade impõe... “Trabalhar não é duro, o desemprego não é triste... A verdade é que eu não gosto dos ângulos sociais que existem sobre as temáticas relacionadas com a deste filme e, como tal, realizá-lo é uma tentativa de contrariar esses mesmos ângulos.”. Voltar a Portugal? Claro que sim! Quando? Em 2014. Onde? Na Gulbenkian.

Aguardamos ansiosamente a sua chegada, Denis!


Queer Lisboa 17 (2013) Os vencedores do Queer Lisboa 17 (2013)

Em 9 dias, o Queer exibiu 93 filmes de 26 países, recebeu mais de 8.000 espectadores, sentiu um acréscimo de público nas suas sessões e, como é hábito, contou com secções competitivas. No entanto, este ano, em vez de três, o festival distinguiu-se por patentear quatro competições: Na Competição para a Melhor Longa-Metragem, cujo Júri era constituído por Andrei Rus, Cinta Pelejà e Gustavo Vinagre, “A Fold in My Blanket” (Geórgia, 2013), de Zara Rusadze, venceu o Prémio para a Melhor Longa-Metragem, mas também foram atribuídas Menções Honrosas. “Joven y Alocada” (Chile, 2011), realizado por Marialy Rivas, recebeu uma dessas menções. As razões para estas premiações? Segundo o Júri, o primeiro filme constrói “uma coreografia sobre a memória, sobre a intimidade relacionada com a história política de um país” e o segundo, por sua vez, cria “um apurado retrato de uma adolescente contemporânea, e através dela, de toda uma geração”. Porém, para além da Menção Honrosa entregue a “Joven y Alocada”, Edward Hogg foi congratulado com a Menção para o Melhor Actor, “pela força dos seus silêncios e por deixar


os espaços ao seu redor transmitir as suas dúvidas e desejos” na sua interpretação em “The Comedian” (Reino Unido, 2012), um filme de Tom Shkolnik. O Prémio de Menção para a Melhor Actriz foi concedido a Alicia Rodríguez pelo seu papel em “Joven y Alocada” (um filme muito premiado, como se pode constatar!) porquanto, na opinião do Júri, “a frescura de fazer uma personagem que não é mais uma menina, mas não é ainda uma mulher, e explorar física e emocionalmente as complexidades desse processo de transformação” são aspectos que merecem ser valorizados. O último prémio atribuído nesta categoria foi o Prémio do Público, que galardoou “Facing Mirrors” (Irão, 2011), de Negar Azarbayjani. O Júri da Competição para o Melhor Documentário, composto por Bard Ydén, Cláudia Varejão e Michael Stuetz, atribuiu o Prémio de Melhor Documentário a “Quebranto” (México, 2012), cuja realização é de Roberto Fiesco. Nas palavras do Júri, este prémio foi concedido ao filme “pela sua riqueza na linguagem visual, que complementa uma história que nunca deixa de comover e surpreender o público”. O Prémio do Público, nesta competição, foi para “Born Naked” (Espanha, 2013), de Andrea Esteban. André Teodósio, António da Silva e Daniel McIntyre, o Júri da Competição para a Melhor Curta-Metragem, decidiu, pela “complexa variedade de emoções, conceitos e métodos de fazer cinema”, conceder o Prémio de Melhor Curta-Metragem a um de filme de Malix Erixon, “Benjamin’s Flowers (Suécia, 2012). Ainda nesta categoria, o filme “Pedro” (Portugal, 2013), de Dário Pacheco e José Gonçalves, ganhou o Prémio de Melhor Curta-Metragem Portuguesa. De acordo com o Júri, a curta foi merecedora deste prémio “por forma a encorajá-los nos seus futuros trabalhos”. Por fim, o Prémio do Público foi para “MeTube: Augusts Sings Carmen ‘Habanera’” (Áustria, 2013), realizado por Daniel Moshel. A última categoria competitiva do festival revelou-se uma novidade, cujo conceito visa promover curtas-metragens, nacionais e internacionais, realizadas por estudantes de cinema. In My Shorts é o nome desta competição e o seu Júri, formado por Carlos Conceição, Cosimo Santoro e Maria João Mayer, atribuiu o Prémio de Melhor Curta-Metragem de Escola a uma curta de Ricardo Penedo, “Depois dos Nossos Ídolos” (Portugal, 2013).


No entender do Júri, esta curta-metragem foi merecedora do prémio “pela sinceridade, coragem e generosidade na partilha de um momento chave da vida, e pelo jogo entre modelos contemporâneos e referências do passado recente”. Foi ainda atribuída uma Menção Honrosa a “Atomas” (Bélgica, 2012), de Arnaud Dufeys.

É isto que se quer! Mais produções cinematográficas com qualidade, mais filmes premiados, mais adesão às salas de cinema e aos festivais! No fundo, mais cultura... E apresentados os laureados do Queer 2013, deixo-vos um conselho: estejam atentos ao site da RDB, pois brevemente vamos publicar mais uma surpresa relacionada com o festival!


Entrevista a Ana David (Directora do Queer Lisboa)

1) Pode falar-nos sobre o seu percurso até aqui? Como é que chegou a directora de um festival cinematográfico e como é ser directora de um festival com a dimensão do Queer?

“Eu fui voluntária no Queer Lisboa 13 e no ano seguinte, no Queer Lisboa 14, o João (João Ferreira, Director Artístico do Queer Lisboa) chamou-me para os ajudar e fiquei como assistente de produção. Nessa altura, gostaram do meu trabalho (risos) e convidaram-me para a direcção e fui ficando e tem sido um trabalho muito bom de se fazer. É gratificante porque estamos um ano inteiro a trabalhar num evento e, no final, consegue perceber-se o resultado desse trabalho de um ano muito intenso. É bom ver as pessoas reagirem muito bem à programação e ao festival.”

2) O que é que considera ser o mais difícil na organização de um festival? “O mais difícil? A angariação de patrocínios, de financiamento privado... Digo privado porque o público, felizmente, já está assegurado e tem estado bastante estável, graças ao apoio da Câmara Municipal de Lisboa e do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), que têm sido parceiros constantes do festival e com quem temos acordos trianuais... Os financiamentos privados são algo no qual temos que trabalhar arduamente todos os anos e vai variando. Os acordos são anuais e não temos garantias, de um ano para o outro, de que o parceiro se vai manter connosco. A única garantia que temos é que se fizermos um


trabalho, em princípio, vamos estar incluídos nos eventos que esse parceiro vai patrocinar no ano seguinte. Este ano, por exemplo, aconteceu que patrocinadores com quem trabalhamos já há algum tempo e que se têm mantido ao longo de várias edições, tiveram que descer substancialmente o seu apoio ao festival porque se viram com um orçamento para apoio a eventos muito reduzido em relação ao habitual. Acho que esse é o trabalho mais difícil do festival. Claro que tudo o resto, a programação, garantir uma equipa para o festival, são tudo aspectos que têm a sua dificuldade mas que se fazem.”

3) Para quem desconhece o que é a cultura queer, como é que a descreve?

“Queer quer dizer toda a sexualidade e orientação sexual que fuja do normal, daquilo que é considerado pela sociedade o normal ou mais comum. Isso inclui LGBT, tudo o que é lésbico, gay, bissexual, transexual ou transgénero e também comportamentos sexuais fora do baralho. Não se restringe só a LGBT, mas a tudo aquilo que foge à banalidade e aos normativos.”

4) Como é que acha que os portugueses vêem o cinema gay, lésbico, bissexual, transexual e transgénero? Ao longo dos anos, tem dado conta de alguma evolução neste aspecto? “No início do Queer as pessoas iam ao festival e tinham alguma vergonha de lá estar e algum receio de, publicamente, serem vistas no festival. Neste momento, isso já não existe, de todo. Temos um público bastante alargado que vai ao festival e que se interessa muito por cinema: quer cinema queer, quer cinema no geral. Isso, para nós, é muito importante. Há aquele tipo de público que vai ao festival há muitos anos, que é fiel ao festival e que vêem o evento como algo que não querem perder porque encontram-se lá com os amigos e porque vêem filmes de que gostam e depois há aquele público mais especializado, que vai ao festival porque gosta de cinema.


Sim, acho que sim. Respondendo à pergunta muito directamente, acho que sim. Acho que as pessoas, pelo trabalho que o festival tem feito, gostam cada vez mais de ir ao festival e de ver cinema queer.”

5) Quais eram as suas expectativas para a edição deste ano e qual é o balanço que faz desta última edição do festival? “A nossa grande expectativa era manter a audiência nos 8000 mil espectadores, que é uma meta que temos conseguido alcançar, é um patamar no qual temos estado estáveis nos últimos anos. Queríamos mantê-la porque tínhamos ciente que, com a crise financeira, as pessoas estão a poupar onde podem e a cultura acaba sempre por ser um dos primeiros campos em que se poupa, em que tenta cortar, e estávamos realmente com receio de não conseguir atingir esses 8000 espectadores. No entanto, para grande surpresa nossa, não só conseguimos, como aumentámos e ultrapassámos em 10%, se não estou em erro, a meta dos 8000 espectadores, o que para nos é óptimo. Contudo, algo ainda mais importante do que o número de espectadores que o festival teve este ano é o feedback que recebemos da audiência em relação à programação. Durante aqueles 9 dias no Cinema São Jorge sentia-se mesmo um fervilhar e uma satisfação muito grande com a programação e as pessoas discutiam os filmes e gostavam do que tinham visto. E quando não gostavam, pelo menos paravam para discutir o porquê de não terem gostado e isso para nós é muito gratificante, saber que as pessoas vão ao festival, debatem sobre cinema e saem de lá satisfeitas.”

6) Quais são, no seu entender, os destaques do Queer Lisboa 17? “Gostava de realçar o facto de ter sido uma programação com um forte destaque feminino. Os dois Prémios do Público, quer o da Competição para a Melhor Longa-Metragem, quer o da Competição para o Melhor Documentário, foram atribuídos a filmes femininos, “Facing Mirrors” e “Born Naked”, respectivamente, e houve um aumento de realizadoras no festival, e isso para nós também é importante, dar a cara ao cinema feito por mulheres.”


7) Quer deixar um incentivo a quem nunca se atreveu a ir ao festival? Por que é que as pessoas devem participar na próxima edição? “Simplesmente porque há muito bom cinema no Queer Lisboa para se ver e não há qualquer tipo de constrangimento que os obrigue a não ir. A não ser por motivos financeiros, caso os bilhetes sejam muito caros no próximo ano, vai ser uma edição à qual devem ir. E vai ser o Queer Lisboa 18, o que significa que vai ser atingida a maioridade do Queer, o que pede uma edição especial.”

8) É possível adiantar algo em relação à próxima edição do festival?

“Neste momento, para além de estarmos a fazer um balanço da última edição, estamos a trabalhar na próxima. Temos algumas ideias a fervilhar atrás dos bastidores mas não podemos avançar com o que quer que seja porque são coisas que ainda carecem de confirmação.”


“Mestres da Ilusão”

“Prestem atenção... Pois quanto melhor julgarem estar a ver... Menos verão na realidade!” é o foco do filme “Mestres da Ilusão”, de Louis Leterrier, que conta a história dos melhores ilusionistas do mundo, também conhecidos como “Os Quatro Cavaleiros”: Henley Reeves, J. Daniel Atlas, Merritt Mckinney e Jack Wilder (Isla Fisher, Jesse Eisenberg, Woody Harrelson e Dave Franco, respectivamente). Este quarteto, que já se conhecia anteriormente, juntou-se por magia e é em nome da magia que, durante as suas actuações, executam uma série de truques tão ousados como assaltar um banco em Paris sem sair de Las Vegas (sim, leram bem, assaltar um banco em Paris sem sair de Las Vegas) e, estilo Robin Hood, roubam os que são ricos à custa da corrupção, homens como Arthur Tressler (Michael Caine), para dar, imaginem só, à sua audiência (eu cá não me importava nada de assistir a um espectáculo deles!). Essas performances colocam uma equipa do FBI, formada pelos agentes Rhodes e Fuller (Mark Ruffalo e Michael Kelly), uma agente da Interpol, Alma Dray (Mélanie Laurent), e um especialista em desmascarar ilusionistas, Thaddeus Bradley (Morgan Freeman), numa luta constante para os apanhar, embora sem grande sucesso. Com um início que imprime um forte impacto no espectador, é um filme que tem um argumento original mas que podia ter sido ainda melhor concretizado, pois está repleto de acção, perseguições, intrigas e reviravoltas, tendo também alguns momentos divertidos e


prendendo a atenção por remeter constantemente para o fantástico. Para além disso, demonstra que existe uma mecânica muito lógica por trás do que, aparentemente, não é mais do que magia (e que encantador é este conceito...). Lamentável é que o seu final, no mínimo surpreendente (nunca se revela o final de um filme!), seja, no entanto, mal conseguido, tendo em conta tudo o que foi apresentado anteriormente. A combinação entre um início tão poderoso e um final bastante mais pobre – comparativamente com o princípio e até mesmo com o resto do filme –, não foi risonha e, nesse sentido, infelizmente, trata-se de um filme que podia ter ainda mais potencial, o que é um pouco triste na medida em que é bastante apelativo visual e auditivamente e é, sem dúvida, um bom entertainment. Destaque para o desempenho de Jesse Eisenberg, que surge muito mais expedito e intenso do que em 2010, aquando do seu protagonismo como Mark

Zuckerberg

em

“The

Social

Network” (“A Rede Social”), filme pelo qual ficou mais conhecido, devido à extraordinária visibilidade que o filme teve quando foi lançado. Em “Mestres da Ilusão”,

Eisenberg

incorpora

uma

personagem cuja personalidade resulta de uma interessante união: a de ser, simultaneamente, extremamente forte seguríssimo de si, sobretudo no que se relaciona com as suas capacidades como ilusionista e, no que diz respeito ao seu antigo amor – a sua parceira Henley Reeves –, frágil e vacilante.

Trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=uuf3xmT0NL0


“RPG” Parar no tempo?

Tino Navarro e David Rebordão apostaram numa versão portuguesa que faz lembrar “The Hunger Games” (“Os Jogos da Fome”), de Gary Ross. Contudo, para além de ser um filme com acção, “RPG” (“Real Playing Game”) impõe-nos outro tipo de reflexões: e se tivesse a consciência que lhe restava pouco tempo de vida? A juventude eterna seria uma opção a ponderar? O que fazer para a conseguir? Gostava de ser jovem para sempre? Ao se deparar com estas questões, Steve Battier (Rutger Hauer) procura uma empresa biotecnológica – RPG – que oferece a um grupo muito restrito de clientes (que é como quem diz, a quem tenha muuuito dinheiro) a possibilidade de voltarem a ser jovens durante algum tempo. Como? Através de um jogo. Parece fácil, não é?! Mas não. Chris Tashima, que já ganhou um Óscar como realizador da curta-metragem “Visas and Virtue”, é o gamekeeper do jogo e, como tal, é quem dita as regras: durante 10 horas, 10 homens e mulheres cujas vidas estão repletas de dinheiro, fama e poder vão incorporar corpos jovens e atraentes, escolhidos por si próprios, e vão aventurar-se num jogo em que alguém terá de morrer a cada hora, e no qual, no fim, apenas um sobreviverá. Assim já não parece tão simples... Mas há mais! Os jogadores apenas podem matar-se uns aos outros quando descobrirem quem são na realidade...


E no final?! Quem ganhou? Será que valeu a pena...?

Trata-se de uma produção cinematográfica cujo argumento é apelativo e, sobretudo, trata-se de um filme novo no panorama do cinema nacional, pelo facto de se tratar de ficção científica e por estar repleto de efeitos especiais, algo que não fora visto até então no cinema português. No entanto, e apesar desses serem aspectos a valorizar, a ideia segundo a qual o filme se rege podia ter sido melhor concretizada. Não se percebe, por exemplo, o porquê de algumas das personagens se envolverem fisicamente umas com as outras... Algo que, muitas vezes, é apontado como sendo pejorativo para o cinema português, e neste caso não foi excepção. Acresce que, para além dos realizadores, o filme conta com outras participações portuguesas, tais como as das actrizes Soraia Chaves e Victória Guerra (no papel de motorista de Steve Battier), que dão um ar da sua graça, e entre os dez jovens presentes no jogo organizado pela RPG, podemos contar com os desempenhos de Débora Monteiro e Pedro Granger, cuja personagem é a mais cómica do filme!


Entrevista a Pedro Granger sobre a produção nacional “RPG”

Pedro Granger considera que o seu papel em “RPG” acrescentou muitíssimo à sua experiência cinematográfica, que já conta com um vasto leque de filmes, bastante distintos entre si. Numa entrevista que gentilmente concedeu à RDB, Pedro Granger começou por dizer que tem muita dificuldade em descrever a sua personagem, no sentido em que “RPG”, mais do que um filme, é um jogo, não só para os actores, mas também para o público: quem é que não conhece o jogo do “Quem É Quem?”? É um clássico... Ainda assim, caracteriza-a

como

sendo

“uma

personagem

divertida, bon vivant” e que “é provavelmente a mais descontraída do grupo”. Pedro Granger em RPG

Confessou-nos que o melhor da sua participação no filme foi o facto de ter sentido que lhe foi proposto um dos maiores incentivos que se pode dar a um actor: o de ir ao encontro daquilo que os realizadores – neste caso, Tino Navarro e David Rebordão – lhe indicaram. Para além disso, o ter que trabalhar com “um grupo tão heterogéneo”, com pessoas de outros países e, por isso, culturalmente diferentes, foi visto por Pedro Granger como algo enriquecedor, mas também extremamente desafiante.


Relativamente ao inglês, disse à RDB – “Claro que é diferente representar numa língua que não é a nossa, mas não se revelou uma dificuldade porque sou filho de uma professora de inglês e vivi três anos em Nova Iorque. Se fosse alemão, era capaz de ter mais dificuldades (risos), mas inglês, francês e espanhol acaba por ser não ser tão complicado assim.”. Acredita que os portugueses têm mesmo de se dirigir a uma sala de cinema para ver “RPG” porque, apesar de se falar em crise e em pouco investimento no que diz respeito à cultura, este filme é a prova de que o cinema português está numa constante evolução. Na opinião de Pedro Granger, trata-se de uma produção “a pensar no público, com uma boa história, bons desempenhos e imensos efeitos especiais” – o que é uma novidade no panorama do cinema nacional – e, tal como mencionou anteriormente, “para além de ser um filme, é um jogo, pelo que as pessoas vão estar a ver o filme e a jogar ao mesmo tempo.”. Em relação a projectos para o futuro, o actor partilhou com a RDB que, brevemente, vai começar a fazer um filme com um realizador com quem quer trabalhar desde o seu início no mundo da representação, há quinze anos atrás: Joaquim Leitão. Como tal, está “muito contente”. Resta-nos esperar para ver o resultado final!

Fotografia de Luis Ferreira


Entrevista a Tino Navarro e David Rebordão sobre a produção nacional “RPG”

Tino Navarro e David Rebordão juntaram-se e nasceu “RPG”! Um marco no cinema português e nos percursos de Tino Navarro e de David Rebordão, que realizou a sua primeira longa-metragem. O que será que ambos tem a dizer sobre o filme?

Fotografia de Luis Ferreira

Em entrevista com Tino Navarro e David Rebordão sobre “RPG”, a sua mais recente aposta, Tino Navarro começou por nos explicar a génese do projecto: - “Eu vi uma curtametragem do David Rebordão, achei que era muito interessante, que ele tinha talento, telefonei-lhe, conheci-o, simpatizei com ele, perguntei-lhe se ele tinha um projecto e ele disse que tinha um chamado RPG e deu-me um argumento a ler. Eu li, achei interessante e disse: “OK, vamos fazer isto juntos.””. David Rebordão ficou “felicíssimo” e “foi assim que aconteceu”. O guião foi trabalhado, alterado, rescrito e o produto final é o que os portugueses tiveram a oportunidade de ver na ante-estreia do filme, a 21 de Agosto no Cinema São Jorge, em Lisboa, ou podem ver a partir de 29 de Agosto, nas salas de cinema por todo o país.


“RPG” prima por ser uma novidade no panorama do cinema nacional: trata-se de ficção científica portuguesa, de um filme totalmente gravado em Portugal, cuja acção se passa no futuro e que conjuga harmoniosamente participações nacionais e estrangeiras.

Fotografia de Luis Ferreira

Os principais desafios com que se depararam foram, em primeiro lugar, o de “conseguir fazer o filme” (risos) , mas também “traduzir bem o que estava no guião final para imagem” e que, concluída a realização de “RPG”, os próprios ficassem satisfeitos. Missão cumprida, pois Tino Navarro e David Rebordão dizem-se “muito satisfeitos com o resultado final”. Agora, esperam partilhar a sua satisfação com os portugueses, mas não têm expectativas sobre como é que a audiência vai receber “RPG”, tendo em conta que, segundo Tino Navarro, “não há receitas para fazer sucessos ou insucessos.”. Para além disso, Tino Navarro e David Rebordão são da opinião que o cinema português não deve apostar em produtos mais comerciais, pois David crê que “a liberdade criativa e artística de cada um é com cada um” e Tino considera que “a riqueza do cinema é o facto de existem propostas diferentes, de pessoas diferentes”. Ainda assim, manifestaram a sua preocupação em relação ao papel do Estado no que diz respeito ao cinema português e sobre o facto dos portugueses não se deslocarem às salas de cinema para ver produções nacionais.


Fotografia de Luis Ferreira

Ambos realçaram também a importância de existir uma relação entre o cinema em Portugal e a nação, pois “um filme é um produto muito caro e só é possível produzir filmes se o público criar empatia com estes”. Tino Navarro acrescenta: - “Os portugueses deviam gostar mais do nosso cinema e quem faz o cinema devia gostar mais dos portugueses.”. Relativamente a novos projectos, David Rebordão diz que “existem projectos, porque se sonha todos os dias e é a sonhar que se têm ideias” e questiona-se, dando imediatamente uma resposta à sua interrogação: - “Há vontade de fazer? Imensa!”, mas o futuro é incerto. Tino Navarro, como produtor, está a acabar um filme que fez com António Pedro Vasconcelos e que neste momento está em fase de montagem, e vai começar a gravar outro com Joaquim Leitão em Setembro, pelo que desabafou com a RDB: - “Preciso de férias!” (risos).


“The Best Of Keane, Live From Berlin”

Estamos habituados a que seja uma boa banda sonora a enriquecer um filme... No entanto, desta vez, é o cinema que vai abrilhantar a música! E quem serão os responsáveis por este fenómeno? Deve conhecer êxitos como “Somewhere Only We Know”, “Everybody’s Changing” e “Silenced By The Night”. É isso... Não precisa de hesitar, porque está certo: são eles mesmo! Os Keane são uma banda britânica que existe como tal desde 2001, uma vez que a banda foi criada em 1997 com um outro membro que, naquela data, saiu do grupo. Lançaram o seu primeiro disco em 2004 e, nos últimos anos, para além de terem vendido mais de 11 milhões de álbuns – o seu próximo álbum será lançado a 11 de Novembro – e de terem feito aproximadamente 700 espectáculos em mais de 40 países, os Keane foram a primeira banda a lançar um single numa pen USB e a transmitir um espectáculo ao vivo em 3D através do Youtube, disponibilizando no seu site várias formas caseiras de fazer óculos em 3D. É preciso ser-se original, não?! Os seus ouvintes agradecem! Este ano, os Keane tanto pensaram em como podiam inovar que trazem até si “The Best Of Keane, Live From Berlin”!


A 6 de Novembro, os Keane vão dar um concerto muito especial, que será emitido em mais de mil salas de cinema por toda a Europa e América do Norte e do Sul. Em Portugal, os Cinemas ZON Lusomundo vão transmitir em directo o concerto dos Keane no Almada Forum, Braga Parque, CascaiShopping, Colombo, Dolce Vita Coimbra, Mar Shopping, NorteShopping e Tavira. No entanto, a ZON Lusomundo já anunciou que podem existir outras confirmações até à data do concerto. Os bilhetes já estão à venda e cada entrada custa 12 euros. Uma experiência a não perder! Vai sentir-se como se estivesse na capital alemã!


Portfólio escrito  
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