Issuu on Google+

Partidas

Débora Arau e Sara Não Tem Nome


Fugi pela porta do apartamento Nas ruas, estátuas e monumentos O sol clareava num céu de cimento As ruas, marchando, invadiam meu tempo Viajei de trem Viajei de trem Viajei de trem Viajei de trem, eu vi... O ar poluído polui ao lado A cama, a dispensa e o corredor Sentados e sérios em volta da mesa A grande família e o dia que passou Viajei de trem, eu viajei de trem Eu viajei de trem, mas eu queria Eu viajei de trem, eu não queria... Eu vi...

Um aeroplano pousou em Marte Mas eu só queria é ficar à parte Sorrindo, distante, de fora, no escuro Minha lucidez nem me trouxe o futuro Viajei de trem Viajei de trem Viajei de trem Viajei de trem, eu vi... Queria estar perto do que não devo E ver meu retrato em alto relevo Exposto, sem rosto, em grandes galerias Cortado em pedaços, servido em fatias Viajei de trem Eu viajei de trem Mas eu queria É viajar de trem Eu vi... Seus olhos grandes sobre mim Seus olhos grandes sobre mim

Viajei de trem, Sérgio Sampaio


“O indivíduo em movimento deixa tudo para trás, em ruínas, e converte o que vem pela frente em cenários. Parte para deixar de ser quem era e virar um personagem, um investigador privado ou um cavaleiro solitário. Esta viagem não leva a parte alguma. Mas não pode parar.” Cenários em Ruínas, Nelson Brissac Peixoto


“Mover-se é igual ficar parado. Tudo se confunde nesse mundo feito de cenas espectrais que se sucedem a toda velocidade. Por mais que se desloque, ele parece estar sempre no mesmo ponto. Estas viagens se fazem sem sair do lugar. Enquadrar, delimitar tudo pelo ângulo da visão, é a obsessão primeira desses indivíduos à procura de imagens, retratos de si mesmo e dos lugares que estão buscando.” Cenários em Ruínas, Nelson Brissac Peixoto


“Antigos sinais de beira de estrada anunciando lugares onde nunca se poderá parar. Anúncios do insuperável desenraizamento desses indivíduos. Setas que só indicam o vazio.” Cenários em Ruínas, Nelson Brissac Peixoto



Partidas