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Invenções do século XIX: O Comboio

Sara Gomes,6ºE,nº25


Todo o progresso da segunda metade do século XIX só foi possível devido à modernização da rede de transportes e comunicações: estradas, caminho-de-ferro, pontes, túneis. Um dos principais responsáveis por esta política de modernização foi Fontes Pereira de Melo, ministro de D. Maria II, D. Pedro V e D. Luís I. A introdução da máquina a vapor nos transportes foi uma das principais inovações introduzidas. Foram os comboios que ligaram populações, regiões, países e continentes que até aí estavam completamente isolados ou onde poderia demorar semanas ou meses para fazer uma simples comunicação entre si; na agricultura, produtos que corriam o risco de ficar nas regiões onde eram produzidos, puderam começar a ser despachados para grandes distâncias, havendo muito menor risco da sua degradação e encorajando assim, o aumento das produções. Em redor das estações ferroviárias, nasceram e cresceram vilas e cidades, onde até aí, nada existia; a construção das linhas ferroviárias empregou muitos milhares de pessoas, de cidades, regiões e até de países diferentes, contribuindo assim para aproximar diferentes povos e culturas.

Sara Gomes,6ºE,nº25


Vinte anos depois do resto da Europa, chegava finalmente a Portugal o progresso sobre carris. Filho da dívida pública, corajosamente financiado por Fontes Pereira de Melo através de empréstimos a longo prazo, o comboio trazia com ele sonhos do desenvolvimento. Queria fazer-se de Lisboa a porta da Europa e quebrar um isolamento cultural e económico de séculos.

"Grande acontecimento, o caminho de ferro! A vantagem da sua construção em Portugal fora discutidíssima [...]. era curioso ouvir nos serões lá de casa as diversas opiniões [...] a Nação ia gastar montes de libras e um país que possuía o Tejo e o Douro não precisava de mais nada. Os rios muito mais seguros e muito mais barato. Outro dizia que só começassem os comboios onde acabassem os rios [...]. Em todo o caso a maioria era pelo caminho de ferro [...]. Chegou enfim, o solene dia da inauguração [...]. Murmurava-se insistentemente que a ponte de Sacavém não podia resistir ao peso. Finalmente avistámos longe um fumozinho branco [...]. Quando o comboio se aproximou vimos que trazia menos carruagens do que supunhamos. Vinha festivamente engalanado o vagão em que viajava El-Rei D. Pedro V. O comboio parou um momento na estação de onde se ergueram girândolas de foguetes: Vimos El-Rei debruçar-se um instante e fazer-nos uma cortesia [...] Só no dia seguinte ouvimos contar certas peripécias dessa jornada da inauguração. A máquina, das mais primitivas, não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram, e fora-as largando ao longo da linha. [...] Passaram muita fome os que ficaram pelo caminho. Esses desprotegidos da sorte, semeados pela linha, só chegaram alta noite a Lisboa depois de variadíssimas aventuras [...] Até andou gente com archotes pela linha, à procura dos náufragos do progresso." Testemunho da Marquesa do Cadaval, (Adaptado).

O comboio e o barco a vapor surgem no contexto da Revolução Industrial. A principal finalidade: transportar pessoas e bens. O comércio intensifica-se. Com a introdução dos comboios toda a cartografia foi alterada e novos aglomerados, quer industriais, quer populacionais, foram concentrados nesses espaços. Em Portugal, a rede de caminhos-de-ferro foi mais tardia, influenciada pelo desenvolvimento industrial de meados do século XIX. A moda, a mentalidade, as notícias chegavam agora mais rapidamente a todas as terras por onde esta máquina passava.

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O nascimento dos caminhos-de-ferro está associado ao inglês George Stephenson, mecânico nas minas de Killingworth, que construiu a primeira locomotiva em 1814. A locomotiva a que chamou Blucher, tinha como objectivo o transporte de materiais da mina, puxava uma carga de 30 toneladas a 6 km/h. Na segunda metade do século XIX, elementos da elite intelectual, política e económica discutiam sobre o melhor forma de modernizar o país. Muitos, defendiam a necessidade de construção de vias de comunicação. Após 1825, data da construção da primeira linha-férrea em Inglaterra, defendeu-se a sua introdução em Portugal, como uma das formas de modernizar o país. A tarde de 28 de Outubro de 1856, ficou para a História de Portugal como o início da circulação de comboios em Portugal. A 1ª viagem teve o seu inicio em Lisboa Santa Apolónia com destino ao Carregado, tendo o percurso de cerca de 40 quilómetros demorado 40 minutos.

Sara Gomes,6ºE,nº25

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