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Palavras de um domingo frio. Hoje decidi ficar na ronha, enterrar-me no sofá, a ingerir calorias e gastar um pacote de lenços por causa de filmes lamechas é o meu objectivo para mais um domingo em que apenas chove na rua. A difícil época de testes acabou finamente, pelo menos por agora. Sabe bem ficar todo o dia embrulhada nos cobertores a comer bolachas. Chocolate quente, a minha bebida favorita nos últimos tempos. Pijama de inverno com cachorrinhos estampados, meias brancas e pantufas fofinhas. Cabelo preso, óculos, livros, dvd’s e claro, o meu peluche. Um caderno de rascunhos, a minha caneta favorita, uns quantos suspiros e uma linha de pensamentos confusos. Sentia-me a ferver e decidi abrir a janela e apanhar um pouco de ar fresco, talvez isso ajuda-se a acalmar a alma. Brrrr está frio, agora apenas chuvisca, e apesar do nevoeiro, ainda dá para ver ao longe a minha árvore favorita, aquela onde todos os dias me sento e escrevo. Sobre o que sinto, o que vejo, sobre o dia, sobre a noite, sobre ele … Pois, ele. O foco da minha atenção, o motivo pelo qual todos os dias eu suspiro. É novo na turma deste ano. Alto, moreno mas de olhos verdes, com um sorriso de cortar a respiração e uma simpatia capaz de deixar qualquer um com uma gargalhada por entre os lábios. Veste-se bem e surpreendentemente é o oposto da maior parte dos rapazes de hoje em dia. Costuma sentar-se ao meu lado nas aulas e por vezes anda comigo nos intervalos, quando não esta com o seu grupo de amigos, todos eles rapazes. Às vezes estudamos juntos depois das aulas e a seguir ele levame a casa depois de irmos lanchar. É uma boa amizade, mas sinceramente, acho que me apaixonei. Fechei a janela e peguei no caderno e na caneta. Deixei-me ir, e aquela folha branca não demorou a ficar bem preenchida. Pensamentos rápidos, ideias confusas, sentimentos fortes. Terminei de uma forma óbvia, para o caso de as palavras não terem sido suficientemente explicitas. “Quero sentir a alegria de partilhar o nascer e o pôr-do-sol contigo.” Arranquei a folha, dobrei-a e coloquei-a dentro do livro que ele me pediu emprestado. “Um momento inesquecível” de Nicolas Sparks. Bebi mais um pouco de chocolate quente, aconcheguei-me no sofá, abracei o meu peluche favorito e terminei o meu Domingo de frio a ver um filme enquanto a chuva lá fora caía sem parar.

Sara Rodrigues Nº 20 10º2


Crónica