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QUE QUE CAMINHO CAMINHO SEGUIR? SEGUIR? Fórum Fórum de de Profissões Profissões 2010 2010

Viagem pedagógica pedagógica Viagem Passeio ou ou estudo? estudo? Passeio

STOCK.XCHNG

Teatro na educação Compromisso com a humanidade

SEGMENTOS Maternal ao Médio

STOCK.XCHNG

Ano Ano 3/ 3/ nº nº 5 5 -- 2º 2º semestre semestre 2010 2010

Jogos de racíocinio benefícios e métodos Benefícios


Sumário EDITORIAL ......................................................................... 03 CARTA AO LEITOR ............................................................ 04 ARTIGO A importância do desenho infantil ....................................... 05 FIQUE POR DENTRO Minha escola lê.................................................................... 06 INTERDISCIPLINARIDADE Projeto Mondrian ................................................................ 07 EDUCAÇÃO INFANTIL E 1º ANO O papel da história infantil na construção da identidade do pequeno leitor........................................... 08 ACONTECEU III Congresso Nacional Conexão RCE Inovação e Currículo ........................................................... 11 ARTIGO A linguagem oral e escrita ................................................... 12 ENSINO FUNDAMENTAL - 2º AO 5º ANO Família e Escola: agentes facilitadores na construção do ser................................................................. 14 FIQUE POR DENTRO O teatro na educação .......................................................... 16 ARTIGO Minha, tua, nossa língua .................................................... 18 CAPA / FÓRUM DE PROFISSÕES 2010 Ser é escolher ..................................................................... 20 ENSINO FUNDAMENTAL - 6º AO 9º ANO Sustentabilidade e estudo do meio ..................................... 24 ENSINO MÉDIO A tríade educacional: amar, adornar e praticar ................... 28 FESTA JUNINA We’re all África .................................................................... 30 ARTIGO A importância dos jogos de raciocínio ........................... 32 PASSIONTEMPO ................................................................... 35 Publicação semestral do Colégio Passionista São Paulo da Cruz Endereço: Av. Tucuruvi, 470 - São Paulo - SP CEP 02304-001 - Tel.: 2991-3111 Site: www.passionista.com.br/saopaulodacruz E-mail: revistareflexo.saopaulodacruz@passionista.com.br Supervisão: Ir. Mercedes Scortegagna Coordenação/Jornalista responsável: Ricardo Lopez (MTB 25.593) Redação: Comunidade Passionista Organização e revisão de texto: Carina Palacio e Ricardo Lopez Projeto gráfico: Carina Palacio e Ricardo Lopez Diagramação: Carina Palacio Os textos publicados nesta revista são de inteira responsabilidade de seus autores.


Editorial Gerenciar o ensino é humanizar a educação

É

sabido que a organização requer ajustes que conjugam, simultaneamente, conhecimentos e habilidades, métodos e técnicas que, aplicados no dia-a-dia das nossas atividades, vão garantir tanto a qualidade do serviço quanto a satisfação do cliente. No campo educacional, é reconhecido que o ensino, sobretudo o de qualidade, não é produto de prateleira, até porque, no processo de sua evolução, deve prevalecer, antes de qualquer coisa, a ética, ficando a técnica como condicionante da qualidade dos procedimentos aplicados para o êxito das metas e coroamento dos planos. Em face da exigência do mercado, sem emprestar à educação e ao ensino um caráter de mercadoria, cumpre aos educadores e gestores escolares traçar planos e estabelecer metas que contenham claramente a relação causa-efeito, de um lado, e o objetivo meio e fim, de outro. Planos de ação requerem gerenciamento; execução de metas exige liderança, sem o que, o processo poderá definhar, seja pela falência de condução, seja pela fragilidade da persuasão. Planos são executados, metas são atingidas, sempre que a garantia de resultados se estribar na confiabilidade em mantê-los e na competitividade em melhorá-los; metas há que atingi-las, gerenciando situações, humanizando métodos, numa palavra, abrindo caminhos, utilizando ferramentas cujos resultados comprovarão não só a qualidade do produto, mas, acima de tudo, o trabalho do homem, cuja ação interna ou externa sempre haverá de refletir o compromisso educativo de ensinar, a missão evangelizadora de educar. Tanto para gerenciar o ensino quanto para humanizar a educação cumpre desenvolver uma sólida gestão de processos para assegurar uma

eficaz gestão de qualidade. No processo de verificação da caminhada, urge desenvolver indicadores, impõe-se amiudar avaliações, aplicáveis tanto no tratamento de anomalias, quanto no treinamento de melhorias, visando atender às necessidades do processo. A tais procedimentos estão vinculados umbilicalmente não só o gerenciamento do ensino, mas, sobretudo, a humanização da educação. A responsabilidade dos seus agentes é tornar o processo o mais horizontal possível, buscando a harmonia entre a planificação e a execução, entre a verificação e a padronização, tudo voltado à necessidade de se perseguir metas de melhoria. A melhoria contínua e o nível de resultados somente poderão ser considerados gratificantes na medida em que se reforçarem programas de gestão e sistemas de gestão capazes de refletir ações integradas e desenvolvidas sobre a égide do conhecimento e da técnica, sem ignorar o poder da fé e do amor. Frise-se, para finalizar, que nenhuma melhoria será plenamente salutar se a ela não se vincular, necessariamente, a meta da inovação, fundamento indispensável de qualquer plano que proponha ao desenvolvimento sustentável de métodos e programas balizados pelo gerenciamento do ensino e pela humanização da educação, cujo padrão de excelência tem no trabalho e no entusiasmo o binômio de solução, mas conforme a definição de educar: educar é amar. E, nesse norte, convido você, leitor, a percorrer as próximas páginas desta publicação e refletir, junto conosco, acerca desse processo de formação global, mas humano, com foco no sucesso escolar, nas escolhas e nos projetos de vida, sem perder de vista que cada pessoa carrega consigo suas individualidades, suas experiências e expectativas. Irmã Ailda B. Klüppell Vice-diretora

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Carta ao leitor

M

inha experiência no São Paulo da Cruz começa na 8ª série (9º ano, hoje). Logo de cara já sabia do nível da minha nova escola e do desafio que teria que enfrentar para me igualar a este. Minha maior dificuldade foi com a matéria de Gramática, pois o que os educandos daqui aprenderam na 7ª série (8º ano) eu iria aprender na minha antiga escola na 8ª. Começando a estudar aqui, fiquei defasado de conteúdo e tive que, além de aprender o que a grade da escola previa, correr atrás do conteúdo perdido. Contei com a ajuda dos educadores e do Serviço de Orientação Educacional, que me acompanharam durante o primeiro trimestre daquele ano. Hoje, posso afirmar, com certeza, que foram os quatro melhores anos de minha vida e que isso faz muita falta. Como tenho experiência e passei por quatro escolas diferentes, desde o maternal até o Ensino Médio, o maior exemplo que o Colégio me deixou foi o tratamento humanista que os profissionais passam aos educandos. Tudo deixa de ser uma grande burocracia hierarquizada e passa por lidar com pessoas de verdade, que realmente estão preocupadas com nosso futuro e com nossa vida estudantil. Educadores viram amigos; coordenadores, diretores e educadores de fora de sala: grandes ajudas para qualquer dúvida, um apoio indispensável. Desde uma atividade diferente e divertida realizada em aula, até um bom dia caloroso de uma Irmã, tudo isso nos mostra que estamos num ambiente familiar e amoroso. Estudei (e muito), viajei e me formei. Entrei na faculdade. Nesta fase, sim: pude ver realmente o que é uma mudança de instituição, talvez porque não tenha passado por um Cursinho, mas a mudança do mesmo jeito é muito forte. E não só de instituição, mas de vida discente. Passo a ser agora um estudante do nível superior. Depois disso, é você por si mesmo, cumprindo e arcando com suas próprias responsabilidades. Na faculdade não existe recuperação, não existe gente te dizendo toda hora o que se deve fazer e, o que é pior, não tem nota formativa. Santa nota formativa, como faz falta! É, literalmente, você por você mesmo. O que te salvará é a bagagem cultural e de aprendizado que você levará à faculdade. E isso não me faltou, graças muitas vezes ao Colégio. Contarei um pouco do meu curso para você: faço Jornalismo, com o 3º Semestre completo. A grade curricular é extensa e dividida entre matérias teóricas e práticas (mesmo o Jornalismo sendo, como dizem os profissionais do meio, uma profissão que se aprende “com a mão na massa”, as matérias teóricas são de grande importância para uma base, principalmente sociológica, do mundo com o qual vamos lidar daqui pra frente). Participo de um jornal de bairro, o “Maria Antônia”, que circula nas regiões próximas à faculdade: Higienópolis, Santa Cecília, Consolação, Vila Buarque e Pacaembu. Outro jornal, o “Comum”, é uma publicação interna (circula apenas dentro da faculdade), e é uma das matérias do Semestre. E fiquei em 2º lugar, juntamente com mais dois integrantes do meu grupo, no concurso “Virando a Pauta”, de reportagem televisiva, evento realizado após um curso, com esse mesmo nome, sobre jornalismo televisivo. Se eu fosse contar toda minha história neste, daria um livro. Um formato um tanto quanto diferenciado de uma revista, além de ficar maçante para quem lê, no caso, lógico, você. Meu livro está composto por memórias que nunca se apagarão e aprendizados que, como provei, carrego com apreço, mas que dediquei com esforço e com a ajuda desta incrível instituição. Cabe a você, educando, amigo, escrever seu livro, timbrá-lo, guardar com cuidado para, enfim, publicar ao mundo. Porque o papel e a caneta, a base para isto, você já tem. Renan Rezende Picone de Sant’Ana

Educando do 3º Semestre do Curso de Comunicação Social, Hab. Jornalismo, da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Formando do Colégio Passionista São Paulo da Cruz – Turma de 2008

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Artigo A importância do desenho infantil

O

Com o seu desenvolvimento, a criança passa a buscar uma maior aproximação do real, preocupando-se com detalhes e estética. Esta evolução é essencial, pois o ato de representar graficamente algo será precursor à escrita. Além da sua importância em relação ao processo cognitivo, o desenho é, na maioria das vezes, “uma grande obra da criança” e revela muitas informações a respeito de seu “mundo interno”. Assim, ele poderá oferecer “pistas” do estado emocional ou dos pensamentos mais íntimos de cada um, sendo uma das maneiras mais individuais de expressão. O desenho também contribui para psicomotricidade fina, leitura, autoconfiança, criatividade, maturidade, entre outros aspectos. Entretanto, há crianças que revelam intenso prazer e interesse pelo ato de desenhar, outras nem tanto. É importante respeitá-la e sempre motivar suas produções e seus desenhos, por mais simples que pareçam. Referências: DERDYK, E. Formas de pensar o desenho. São Paulo: Scipione, 1989. FERREIRA, S. Imaginação e linguagem no desenho da criança. Campinas: Papirus, 2001. PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1971.

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desenho é uma das e x pressões mais antigas da humanidade. Por meio dele, os homens pré-históricos se comunicavam, expressando suas ideias e pensamentos. Tal ato está presente nos dias de hoje e inserido na rotina da maioria das crianças, com recursos diferenciados. O interesse da criança pelo desenho já é uma imitação do mundo adulto. Ela experimenta com o lápis seus primeiros traços e isso nem sempre ocorre som e n t e n o p a p e l . E n v o l v i d a pela exploração do ambiente, em grandes casos, ela ensaia seus traços na parede, chão, ou outros espaços. Ao observarmos essas situações, muitas vezes, não reconhecemos nela sua real importância. As pequenas tentativas de segurar o lápis e esboçar as primeiras linhas, até os desenhos mais elaborados revelam intenso significado e relevância. É por meio do desenho que a criança inicia o processo de significação da realidade, o que se manifesta paralelamente ao ato de brincar e expressar-se verbalmente. Esta representação evolui conjuntamente ao seu desenvolvimento cognitivo. Inicialmente, o desenho ocorre no contexto da brincadeira e a criança dá a sua produção um significado próprio e individual, permeado de fantasia e faz-de-conta.

Por Joyce Affonso Miranda Formação em Psicologia, cursando especialização em Alfabetização e Distúrbios da Leitura e Escrita e educadora da Educação Infantil do Colégio Passionista São Paulo da Cruz.

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Fique por dentro

Por Odete Ferreira da Cunha Formação em Biblioteconomia e Bibliotecária do Colégio Passionista São Paulo da Cruz.

Minha escola lê

V

ocê sabia que a Biblioteca do Colégio Passionista São Paulo da Cruz tem o nome de “Biblioteca Monteiro Lobato?”. É isso mesmo. A nossa Biblioteca homenageia dessa forma um dos grandes escritores do Brasil. E como não pode deixar de ser, temos outros grandes escritores representados pelos seus livros, nas estantes. As principais o b r a s da nossa literatura, livros didáticos, Atlas, seleção de recortes, revistas, enfim, tudo que é necessário para ACERVO DO CPSPC uma boa pesquisa pode ser encontrado. A leitura na formação dos jovens é f u n d a m e n t a l . É a t r a v é s d e l a q u e podemos conhecer o mundo que nos cerca, estimulando a nossa imaginação, viajando no tempo, em qualquer época. Com ela,

melhoramos o nosso vocabulário, falamos melhor e, até socialmente, podemos ser mais participativos, principalmente quando o assunto é sobre um livro que já lemos. Nunca troque o livro pelo filme, prática muito comum para os que não e s t ã o a f i m d e l e r. To d o o c e n á r i o , c a r a cterísticas, vestuários dos personagens, as paisagens, nós vamos formando durante a leitura, no filme temos que aceitar a visão do diretor, que nem sempre é a que nós esperamos. A Biblioteca do CPSPC está aberta para você, todos os dias. Leia, aumente sempre seus conhecimentos e seja um cidadão participativo no seu meio, enfim, seja feliz.

“Quem lê fica mais sexy”. “Quem lê exibe nos olhos páginas de brilho e uma discreta crença nos milagres, na força do encantamento. Quem lê puxa o charme e a sardinha para si, e realmente enchem os olhos com intermináveis adesivos de novidades e tem sempre um sorriso inusitado para abrir. Adquire autoconfiança e recupera a vivacidade, o lirismo, o mistério”. “A realidade interna de quem lê não tem limites e o próprio ato de ler alarga a espiritualidade, propicia felicidade e coloca as respostas e soluções de que o leitor precisa a seus pés”. Jonas Ribeiro

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Por Marô Garcia Formação em Artes Plásticas e pós-graduada em Arteterapia. Arte-educadora do Colégio Passionista São Paulo da Cruz e Maria Cecília Formação em Letras, curso de aperfeiçoamento em Alfabetização Inglês e Português e Educadora do Colégio Passionista São Paulo da Cruz

P

ara assimilar devidamente os educandos aprenderam as figuras os conteúdos trabalhados geométricas e seus respectivos nomes em em sala, os educandos português e inglês, bem como os nomes

precisam ser mais do que simplesmente receptivos. Utilizando métodos adequados e interdisciplinares, nós, educadoras de Artes e Inglês, tornamos nossos educandos

das cores primárias, em inglês, utilizadas na preparação da releitura dessas obras.

comunicadores ativos, para que possam se expressar e trocar informações. É esse aspecto do aprendizado que torna a sala de aula não somente um lugar para aprender, mas também onde os educandos vão para saber mais sobre si próprios e sobre o mundo a sua volta. Eles compartilham esse conhecimento com outras pessoas, desenvolvem habilidades cognitivas e amadurecem como indivíduos. Pensando nesse aprendizado, o trabalho com a Educação Infantil, a partir do conhecimento e apreciação das obras de Mondrian (Piet Mondrian, Pintor Holandês, 1872-1944 - Neoplasticismo),

colaram papéis coloridos recortados em retângulos e quadrados, imitando a obra do artista. Isso proporcionou o desenvolvimento da observação e memorização, oferecendo uma estrutura dentro da qual eles puderam progredir e se sentir confiantes.

ACERV

O DO C PSPC

Esse trabalho foi desenvolvido no ateliê de artes, utilizando um fundo em papel preto, onde os educandos

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Educação Infantil e 1º ano

Por Aline A. R. Teixeira Lima Formação em Psicologia. Coordenadora da Educação Infantil e 1º ano do Colégio Passionista São Paulo da Cruz

O papel da história infantil na construção da identidade do pequeno leitor

A

s histórias infantis exercem papel fundamental na c o n strução da identidade das crianças, elas possibilitam a vivência de papéis sociais distintos através do lúdico. A experiência de ouvir e interpretar uma história são de grande valor para a adaptação e compreensão de fatos ocorridos no dia-a-dia, já que a narrativa de contos, fábulas, entre outras, trazem um mundo diferente e mágico frente à vida real da criança. Ao participar de uma contação de história, a criança coloca-se dentro da narrativa, e esta situação oportuniza o aparecimento de ideias, opiniões, criatividade, sentimentos e, acima de tudo, oferece a possibilidade de viver livremente o mundo da fantasia e da imaginação. O período de 3 a 6 anos é denominado de segunda infância, este é caracterizado pela presença de fantasia e imaginação.

Estas funções podem, e devem, ser estimuladas no contexto familiar e escolar, haja vista a sua importância para o desenvolvimento emocional da criança. Aqui no Colégio Passionista São Paulo da Cruz as características pertencentes a esse período são estimuladas de forma consciente pelos nossos educadores em todas as turmas, Maternal, Jardim, Pré e 1º ano do Ensino Fundamental, seja no momento do conto, aulas na biblioteca ou durante a contação de histórias com a educadora Rita Nasser. Ao longo do trabalho realizado nas aulas de Contação, percebemos em nossos educandos o prazer pelas histórias, o interesse pelo mundo letrado e a fluidez de ideias e imaginação. Veja, na página 10, o relato desses momentos mágicos criado pela educadora e contadora de histórias Rita Nasser.

SEGUNDA INFÂNCIA: FANTASIA E IMAGINAÇÃO (DOS 3 AOS 6 ANOS) Fase lúdica e predomínio do pensamento mágico; Aumenta, rapidamente, seu vocabulário; Faz muitas perguntas. Quer saber “como” e “por quê?”; Egocentrismo - narcisismo; Não diferenciação entre a realidade externa e os produtos da fantasia infantil; Desenvolvimento do sentido do “eu”; Tem mais noção de limites (meu/teu/nosso/certo/errado); Tempo não tem significação - não há passado nem futuro, a vida é o momento presente; Muitas imagens ainda completam, ou sugerem os textos; Textos curtos e elucidativos; Consolidação da linguagem, onde as palavras devem corresponder às figuras; Para Piaget, etapa animista, pois todas as coisas são dotadas de vida e vontade; (http://www.graudez.com.br/litinf/livros.htm)

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Por Rita Nasser Formação em Normal Superior e pós-graduada em Formação de Professores para o Ensino Superior. Contadora de histórias e educadora do Colégio Passionista São Paulo da Cruz

ATIVIDADE REALIZADA PELA EDUCANDA JULIA AKEMI NISHIZAWA - 1º ANO C

N

o primeiro semestre deste ano, as crianças ouviram inúmeras histórias: interativas, de fadas, de aventuras, acumulativas, fábulas, histórias com imagens, objetos, cantigas, entre outras. É importante deixar que a criança desenvolva a sua oralidade transmitindo, do seu modo, aquilo que ouviu e sentiu. O caminho do saber precisa passar pela emoção, pelo sentimento.

Durante o trabalho desenvolvido com os educandos da Educação Infantil e 1º ano, mosolheu depoimentos curiosos, engraçados e emocionantes. Veja, na página seguinte, alguns relatos que foram feitos individualmente e transcritos exatamente como na fala das crianças. Leia mais em nosso site: www.passionista.com.br/saopaulodacruz

ATIV IDA JOÃ DE REA O VI CTO LIZADA R LO P URE ELO ED NÇO U - 1º A CANDO NO B

NDO UCA D E NO A ELO DA P ES - 1º A A Z I L P I LO REA ADE ASCUTT D I V I P AT NO BRU

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Você gosta de ouvir histórias? Por quê? O que você sente quando ouve histórias? Maternal Bruno Mancuso - Gosto, porque minha mãe conta história, gosto da princesa. (3 anos) Jardim A Lucas Macedo - Sinto que estou feliz. E só isso! (3 anos) Jardim B Érica Aiyume - Gosto porque eu gosto de história. Sinto que estou voando... (4 anos) Pré A Felipe Oliveira - Sim, porque quando eu era pequeno minha mãe contava histórias para mim. Sinto coisas boas. (5 anos) Pré B Mariah de Oliveira - Gosto porque é divertido e bom de ouvir. Eu gosto da história do Pinóquio. Sinto amor, alegria, tristeza; porque têm histórias tristes e felizes, né? (5 anos) 1º ano A Pietra Manfredini - Sim, porque é legal ouvir histórias e a Pro traz livros legais. Fica quentinho aqui dentro (peito) e o coração bate calmo. (6 anos) 1º ano B Giovanna Alves - Gosto, é legal, porque eu adoro que conta história pra mim. Sinto alegria, lembro do gigante que fica triste e pequeno quando brigam com ele. (6 anos) 1º ano C Eduardo Yamamoto - Sim. Às vezes eu tremo um pouquinho, porque tenho medo. (5 anos)

ATIVIDADE REALIZADA PELA EDUCANDA MARIAN NATALY COSTA - 1º ANO A

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Aconteceu III Congresso Nacional Conexão RCE Inovação e Currículo

E

ducadores dos Colég i o s P a s s i o n i stas São Paulo da Cruz, Nossa Senhora Menina, Nossa Senhora do Rosário, São José, Jardim América, Santa Maria e Santa Gema participaram, nos dias 3, 4 e 5 de julho, do III Congresso Nacional Conexão RCE e da I Expo RCE Soluções Educacionais, onde educadores de todo o país se reuniram em Salvador para participarem e prestigiarem o evento, que é aberto a todas as escolas brasileiras, em especial, às Escolas Católicas, e convergiu público superior a 1200 pessoas em torno do tema: Inovação e Currículo. Foram palestrantes: Prof. Bernardo

Toro, Prof. Dr. Max Haetinger, Prof. Dr. Lino de Macedo, Prof. Dr. Nilson José Machado, Prof. Dr. Luiz Carlos de Menezes, Profª Drª Leonor Guerra, Sr. Flávio Comim (ONU) e o jornalista e apresentador, Marcelo Tas. A Celebração Eucarística foi presidida por Dom Orani João Tempesta e contou com a ilustre presença do Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo. Ao final do III Congresso Nacional Conexão RCE, o Presidente da Rede Católica de Educação, Ir. Manoel Alves, já anunciou a capital sede do IV Congresso Nacional Conexão RCE: Curitiba.

EDUCADORES DA REDE PASSIONISTA EM SALVADOR

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Artigo Por Carla Picone Formação em Pedagogia e pós-graduação em Psicopedagogia e Educadora do Colégio Passionista São Paulo da Cruz.

A linguagem oral e escrita

O

desenvolvimento

da

lin- estágio da “expansão de experiências”, guagem está intimamente ou seja, pressupõe-se o domínio das ligado ao desenvolvimento habilidades fundamentais da leitura e o

mental do ser humano. A linguagem e o desenvolvimento contínuo da habilidade pensamento se entrelaçam, não se podendo de analisar os elementos e os signifidistinguir qual tem prioridade, pois, se é cados das palavras para ampliar o preciso elaborar mentalmente para integrar vocabulário da leitura. novas experiências, essa elaboração se Não podemos falar em leitura e esfaz em função de conceitos já formulados, crita, sem ressaltar a perfeita sintonia entre nos intercâmbios anteriores com o meio. o órgão da visão e da audição. Poder ver e Meio de comunicação, por excelên- ouvir não significa necessariamente: saber cia, a linguagem faz parte integrante da ver e saber ouvir. Para isso, são exigidas personalidade e está presente em todas as determinadas habilidades inerentes atividades do homem em seu processo de e adquiridas com o crescimento físico e ajustamento ao meio e, portanto, em todas mental do ser humano. as atividades na escola. O desenvolvimento dessas habiFaz-se necessária uma orientação lidades é gradativo, pois quando começa sistemática aos educandos no desenvolvi- a frequentar a escola, a criança não sabe mento da linguagem, de modo a conduzi-los focalizar a atenção no que vê e no que a melhores formas de ouvir e falar, ler e ouve. Só aos poucos vai conseguir dirigir escrever. a atenção, associando, analisando e inteNa faixa etária em que os educandos grando à experiências anteriores. do 4º ano estão inseridos, considera-se o Ampliam-se, então, as experiências

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Cabe ao educador proporcionar aos educandos oportunidades de participarem de situações que favoreçam seu desenvolvimento, encorajando-os a: - ouvir com atenção e em silêncio; - associar as atividades às suas experiências; - apreciar todos os momentos educativos; - saber distinguir entre fatos e opiniões / fantasia e realidade; - compreender, interpretar e utilizar as aprendizagens; - respeitar quem está falando e suas opiniões; - ter interesse na ampliação de vocabulário.

oferecidas

com

materiais

variados teúdo, pensamentos a serem expressos

(Biblioteca, Hora do conto, contadora de (composição). histórias, dramatizações etc), auxiliando e

A escrita depende de vários fatores:

aperfeiçoando os educandos na in- desejo de escrever, maturidade visual e terpretação de mapas, gráficos, tabelas auditiva, coordenação de movimentos, etc (interdisciplinaridade).

hábitos de atenção dirigida (educadora e

Enriquecem-se os contatos literários, lousa), conhecimentos gramaticais e levando os educandos a fazerem análises ortográficos. críticas do que leem, quanto ao conteúdo

Sendo assim, conclui-se que a

( i n t e rpr etação de t ext o) e f or m a escrita é uma imposição do meio em que (gramática), com base em poesias, po- os educandos estão inseridos. Quanto emas, reportagens, contos, fábulas etc.

mais elevado culturalmente for esse meio,

Pela escrita, expressamos e fixa- mais eles sentirão a necessidade de mos pensamentos e emoções; devemos, escrever, para comunicarem-se no portanto, dar a maior importância a essa tempo e no espaço, com os que o cercam aprendizagem.

e que se utilizam desse recurso; ainda mais

No ensino e aprimoramento da escri- nesses tempos de intensa modernização ta, devemos considerar sempre seu duplo e tecnologia dos meios de comunicação aspecto: o mecânico (caligrafia) e o con- mundiais. Referência: WERNECK, Leny: Ensinando à criança.

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Ensino Fundamental - 2º ao 5º ano Por Kelly Cristina C. A. Mendonça Formação em Pedagogia e Economia e pós-graduada em Gestão Escolar e Psicopedagogia. Coordenadora do Ensino Fundamental (2º ao 5º ano) do Colégio Passionista São Paulo da Cruz

Família e Escola: agentes facilitadores na construção do ser

A

família, no sentido mais am- sermos cidadãos sociáveis. É através desplo é o conjunto de pessoas sas que se unem pelo desejo

de estarem juntas, de construírem

relações

que

as

pessoas

podem se tornar mais

humanas,

aprendendo

algo

a

e de se comple-

viver o jogo da

tarem, pois é onde

afetividade

têm seus primei-

maneira

ros contatos com o

quada. A

mundo externo, com a

linguagem,

a

aprendizagem

de adees-

cola, por sua

com e

vez,

vem

aprendem os primeiros

surgindo

valores e hábitos.

com

uma

da

nova visão, já não se

família que a criança vive

presta apenas a dar o arcabouço teórico

É

no

seio

suas maiores sensações de prazer, amor, necessário do currículo formal e disciplinar, alegria, felicidade, ao mesmo tempo em que mas dar a continuidade da família, através de experimenta tristezas, desencontros, ciúmes, uma educação que visa à formação global e brigas, medos e ódios, que serão repara- holística, bem como a vivência da criatividos através de entendimento e perdão, tão dade, da ludicidade, da relação escolanecessários, e da aprendizagem de como família, da cooperação, da participação, devemos nos preparar adequadamente para do exercício da cidadania, propiciando ao Sou tia do educando Vanderlei, do 5º ano D, (um dos palhacinhos), participei da Festa da Família no sábado, dia 26/06, no Circo dos Sonhos, e gostaria de parabenizá-los pela ideia maravilhosa e pela festa linda que vocês proporcionaram para os educandos e suas famílias. Parabéns! Um abraço a todos, Cesira Uliana Gonzalez

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educando uma segurança na aprendizagem, formando cidadãos críticos, capazes de enfrentar a complexidade de situações que surjam no seu cotidiano. Por isso, a aliança entre escola e família é de suma importância nesse contexto, pois nos possibilita refletir sobre que modelo e que valores são necessários enfatizar na construção da personalidade para a boa formação do

ind i v í d u o e q u e l i m i t e s p o d e m s e r para o outro. Preocupados c o n struídos e reconhecer, de fato, o que

com

cabe a cada uma, atuando juntas como este elo, promovemos todos os anos agentes facilitadores do desenvolvimento encontros e atividades para envolver a

pleno do educando/filho, preservando suas família. Neste primeiro semestre o colécaracterísticas próprias, tornando-se “um lu- gio ofereceu: Fórum de Pais, reuniões com gar” agradável e afetivo.

os responsáveis a respeito do pedagógico

Para termos bons resultados nessa e psicológico dos educandos, atendimento integração, é necessário que a família conheça personalizado, Festa Junina e outros. bem a missão da escola, a proposta

E, culminando nosso semestre, fizemos

pedagógica e tenha os mesmos princípios o fechamento da Educação Infantil ao 5º ano e critérios, bem como a mesma direção em com a Festa da Família, no Circo dos relação aos objetivos que possam atingir, Sonhos, homenageando todas as pessoas fazendo com que o educando/filho aprenda responsáveis pela grande tarefa de educar,

a ter um futuro melhor e assim construir uma pois assim como a família Passionista, sociedade mais digna e justa para se viver, o circo é movido pela paixão, força que faz respeitando as relações entre as pessoas, com que exista muita dedicação, treinapois atualmente damos pouca importância mentos intermináveis, disciplina, criatividade e imaginação.

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Fique por dentro Teatro na educação

A

palavra teatro remonta ao verbo grego “theastai” (ver e olhar). No princípio eram atividades de danças selvagens, primitivas, rituais, festas públicas, desfiles militares etc... Hoje, representa a forma de arte que mais compromissos tem assumido com a humanidade, que proporciona manifestações artísticas num lugar determinado (o palco), envolvendo uma pessoa que ocupa esse lugar (o ator) e outra pessoa que observa (o espectador). Toda manifestação artística está, de certa forma, engajada nos problemas, soluções e descobertas fascinantes do mundo contemporâneo. O teatro no colégio, por exemplo, é um canal de comunicação, direto e ao vivo, pelo qual as pessoas expressam seus desejos, suas vontades, suas emoções, seus medos e ansiedades, tendo poder mágico de diminuir a violência, inibindo impulsos gratuitos, e canalizar a energia num sentido prazeroso. O educando vivencia personagens diversos e distintos, o que o faz refletir sobre seus atos e ati-

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Por Ronaldo Gil Pisaneski Formação em Artes Cênicas e especialista em Arteterapia e Educador em Artes Cênicas do Colégio Passionista São Paulo da Cruz.

tudes, além de torná-lo ponderado nas suas reações, que, de certa forma, já as vive durante os jogos e improvisações dramáticas. O educando, antes de ser um aluno-ator, tem que saber ser espectador e plateia, pois só quando souber observar, contemplar e absorver a vida a sua volta, é que poderá representá-la. O teatro na educação tem a importância de: - proporcionar a integração, socialização, organização e a disciplina, favorecendo um melhor

relacionamento e respeito entre os educandos; - aguçar a atenção, observação, sensibilidade e comprometimento com as diferentes opiniões, contextualizando-as, discutindo-as e


comparando-as para o fortalecimento de novos conceitos; - oportunizar o desenvolvimento cognitivo e harmônico do conjunto de habilidades no educando, levando-o à aquisição de competências para viver como cidadão e profissional, numa sociedade que passa por rápidas e profundas transformações em todos os níveis; - utilizar jogos dramáticos de sensibilização, relaxamento, memorização, imaginação, percepção, improvisação espontânea e planejada com c o n struções de histórias para desenvolver o cognitivo dos discentes; - unir os educandos para a realização de atividades de exploração, debate, comparação, reflexão, elaboração, construção de texto dramático e montagens de cenas, de peças; - promover o autoconhecimento e uma auto investigação corporal, estética e criativa, fazendo com que os educandos distingam e utilizem da ‘fé cênica’,

acreditando no que realmente são, para, então, representarem a personagem com verdade para a plateia. Os trabalhos realizados com os grupos, abordando a expressão corporal (facial, gesto e marcação), as aparências exteriores (maquiagem, penteado e figurino), o aspecto do espaço cênico (acessórios, iluminação e cenário) e os efeitos sonoros (música e som), objetivam criar, desenvolver e ampliar o conhecimento dos jovens, incitando-lhes a uma visão mais crítica perante os problemas enfrentados e reflexões sobre suas possíveis soluções.

ADRIANO DE OLIVEIRA ENCENA JESUS NA CRUZ

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a lí ng u a STOCK.XCHNG

Artigo a, tua, n h os in s M

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á o disse Caetano Veloso (e muito bem dito): a língua é minha pátria e eu não tenho pátria, tenho mátria e quero frátria; minha pátria é minha língua. Esse é o sentimento que temos em relação à língua materna: ela é a minha língua, a única língua capaz de expressar o que sinto, língua de minha mãe (mátria), que foi quem me “ensinou” – mais que a falar – a dizer, e língua de meu irmão (frátria), com quem compartilho e comungo o que sinto e o que penso. Sim, mas o que tudo isso quer dizer? Começarei minha explanação com uma pergunta que parece ingênua, mas que é o cerne da prática de um educador de língua estrangeira: para que serve uma língua? Para quê, com que finalidade nós falamos? Ora, falamos para dizer algo, porque temos o que dizer, enfim, porque necessitamos comunicar-nos, porque somos seres sociais, grupais (às vezes tribais), porque do contrário não seríamos seres humanos. 18

Por Marilene Senaris Pombo Formação em Letras, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e HispanoAmericana, tradutora e intérprete de Espanhol, educadora de Espanhol e Português em centros de idiomas, faculdades e do Colégio Passionista São Paulo da Cruz.

Entretanto, um falante comum não percebe a dimensão dos fatos anteriormente mencionados. Como diz Mikhail Bakhitin, quando nascemos, passamos a existir dentro de uma determinada língua, aquela que já está ali, à nossa disposição, que vamos paulatinamente incorporando e sobre a qual vai se formando nossa consciência, nosso modo de ser, agir e pensar. Assim, todo o nosso ser, psicológica, social e culturalmente falando, está conformado pela língua materna e é difícil, portanto, dissociar o que somos do que dizemos/ pensamos. É preciso entender, então, que a língua materna não se transmite nem se aprende, mas sim se adquire; que o sujeito mergulha nessa corrente que é a língua e a partir daí sua consciência desperta. Uma língua tem seus jeitos e trejeitos, seus gestos próprios, suas expressões, seu peculiar modo de dizer e não dizer, que muitas vezes não têm tradução para outra língua, porque


Referências: POMBO. Marilene Senaris (2002): Verbos de cambio: a subjetividade na (re)construção da realidade ou uma questão de ponto de vista. Dissertação de Mestrado. São Paulo, FFLCH-USP.

do outro, o ponto de vista alheio. Para penetrar nessa outra língua é preciso desconstruir o que já se construiu de forma tão óbvia com a língua materna e reconstruí-lo de outra forma. A aprendizagem de uma língua estrangeira solicita, assim, nossa relação com o saber, com nosso próprio corpo, nossa relação com nosso próprio ser (sujeito que se autoriza a falar em primeira pessoa). Falar outra língua (não em outra língua) é o mesmo que se tornar outro; é, como diz Christine Revuz, experimentar a liberdade angustiante da alteridade. E eu pergunto: quantos de nós estamos dispostos ou temos a coragem de correr esse imenso risco de ser outro?

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simplesmente a outra língua é um outro modo de ser, agir e pensar, ou antes, é o modo de ser, agir e pensar do outro. Fato importante a ser também considerado é o de que a língua não é a realidade, mas um ponto de vista sobre a realidade; ponto de vista de uma determinada comunidade e que não se repete em outra. Quando ensinamos língua estrangeira, todos esses fatos tornamse mais palpáveis, porque o aprendiz se depara com uma língua – mais que estrangeira – estranha, que só lhe resta aceitar e aprender. A ele não é permitido interferir nessa língua, modificá-la ou questioná-la, afinal de contas, é a língua do outro, a língua alheia. E então vem o pior: essa língua estrangeira que é, antes de tudo, um instrumento de comunicação, um meio de relação com os outros e com o mundo, torna-se agora um objeto formal de estudo e conhecimento. Não é como aprender História ou Matemática, por exemplo. Aprender outra língua é ter que reaprender a ver o mundo, enxergar a realidade de outro ponto de vista, entendê-la e dizê-la a partir desse outro lugar social, cultural e geográfico. Mais que aprender uma língua estrangeira falá-la exige a recolocação do sujeito enunciador em uma nova realidade, que é a língua do outro, o dizer

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Capa / Fórum de Profissões Ser é escolher-se

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Por Ricardo Lopez Formação em Jornalismo e Letras e pós-graduado em Gestão Escolar. Coordenador do 9º ano do Ensino Fundamental e Ensino Médio do Colégio Passionista São Paulo da Cruz.

ean-Paul Sartre, em O ser e o desde criança, é preciso refletir acerca de nada, obra mais famosa do au- uma série de situações, para maximizar as tor, lançada em 1943, editada chances de um caminho de sucesso, rumo à também em português, discorre sobre carreira profissional. a existência humana, suas relações com Nesse sentido, com o objetivo de seno mundo, o ser e o existir, e a liberdade do sibilizar os educandos para a necessidade homem. E no ledessa reflexão vantamento dessobre questões “O Fórum ajuda na hora da escolha de nossa sas questões, d i z fundamentais profissão, quebrando paradigmas e nos ori“Para a re alidade que envolvem entando. (...) O colégio, cada vez mais, mostra humana, ser é esuma escolha o seu compromisso para com os jovens e com colher-se: nada criteriosa e esa sociedade em geral.” lhe vem de fora, clarecida, o Maria Carolina Shiotuqui dos Santos – 2º MC nem tão pouco de VIII Fórum de dentro, que possa Profissões do receber ou aceitar. Colégio PasEstá inteiramente abandonada, sem auxílio sionista São Paulo da Cruz aconteceu no dia de nenhuma espécie, à insustentável neces- 15 de maio e trouxe alguns ilustres convidasidade de se fazer ser até ao mais ínfimo dos para um bate-papo com os educandos pormenor. Assim, a liberdade não é um ser: de 9º ano EF ao 3º Ensino Médio. é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de Estiveram presentes nossos exser. (...) O homem não pode ser ora livre, ora educandos Jaqueline Vaz Vanini e Henry escravo; ele é inteiramente e sempre livre, Nasser Gomes, 3º EM 2009, hoje estudantes ou não é”. do 2º semestre de dois concorridos cursos E, por isso, no momento da escolha da USP, Odondesta ou daquela profissão a seguir, é pre- tologia e Econociso ser livre para escolher a si mesmo e mia, respectivaperceber o que nos move, o que faz com mente. Também que sigamos em busca de informações e fizeram parte do possibilidades de atuação, o que nos motiva grande debate e nos impulsiona a desenvolver uma tarefa inicial o biólogo com prazer, com vontade, consciência e, por e empresário, que não, com facilidade e destreza? Diego Sanchez, Parece tarefa fácil, mas nem sempre proprietário da é assim. Não é comum termos essa certeza empresa SOS

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Ambiental, especializada em educação ambiental, e Gisele Lopes, superintendente de atendimento da Unimed Paulistana, empresa com aproximadamente 2,5 mil funcionários e 38 anos de experiência na área de assistência médica. O evento recebeu, aproximadamente, 500 jovens estudantes entre educandos do próprio colégio e seus convidados, que participaram do grande debate conduzido pelo ator e apresentador Alan Moraes e convidados, e mais duas palestras de profissões escolhidas por eles. Foi gratificante ver a ex-educanda Jaqueline falar que o evento ajudou a decidir sobre seu curso na universidade e que hoje está feliz em planejar sua carreira.” Alan Moraes De forma interativa e dinâmica, as discussões abordaram temáticas importantes como o perfil profissional exigido pelo mercado, levantando as características ideais que um candidato deve ter a partir de seus interesses, valores e habilidades, bem como o perfil da profissão, como é, o que oferece e o que exige, deixando claro que a decisão é um processo que necessita uma atenção mais direcionada, como constata Beatriz Perez, educanda do 2º Médio B, “O Fórum de profissões é uma oportunidade muito importante nessa fase de nossas vidas, pois podemos conhecer as profissões e ver com qual delas nos identificamos”.

Mesmo fazendo parte da sociedade da informação e tendo acesso aos mais diversos meios tecnológicos e de comunicação, a dúvida parece ser uma constante na vida de jovens estudantes que têm de decidir sobre qual caminho seguir. Por isso, Jaqueline aconselha: “É uma das escolhas mais importantes e, embora seja possível voltar atrás, todo mundo quer acertar de primeira. Por isso, é importante que ela seja feita sem dúvidas, conscientemente, sabendo de tudo o que está por vir na profissão e no mercado de trabalho”. E, nesse contexto, Henry confirma as dicas da colega: “...para tentarmos acertar na escolha de uma profissão, é necessário que vejamos as disciplinas envolvidas na grade curricular, conversemos com profissionais da área, saibamos quais são as melhores faculdades, além de nos atentarmos aos salários oferecidos e às oportunidades no mercado”. “...uma experiência incrível que nos ajuda nesse momento de escolha. Com a presença de profissionais conceituados no mercado de trabalho, com suas dicas preciosas, com certeza, teremos uma carreira de sucesso!” Beatriz Cristhina Fernandes – 1º MB

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Para colaborar ainda mais com nossos futuros profissionais, Diego, da SOS Ambiental, conta um pouco de sua experiência e trajetória, “sou Biólogo formado pela PUC-SP (...) Trabalho como monitor ambiental em projetos de Estudo do Meio e sou o Biólogo do Programa Tudo é Possível, da Ana Hickmann, na Rede Record. Adorei participar da feira de profissões, pois os jovens de hoje precisam conhecer o mercado de trabalho que querem atuar, facilitando na busca de sua felicidade profissional. Muitos

não têm essa oportunidade e acabam desistindo de vários cursos no meio do caminho ou acabam colecionando DP’s, passando a olhar o mercado de trabalho como um inimigo”. Outro ponto importante do evento e que vale salientar, foi quando a superintendente de atendimento da Unimed, Gisele, afirmou que a escolha de uma empresa para realizar o tão almejado estágio é tanto quanto ou mais importante que a escolha do curso e da universidade que vai se formar, pois a experiência que o candidato carrega em sua bagagem conta muito numa contratação. Outra dica importante da superintendente para o momento de passar por uma entrevista e concorrer a uma vaga é que “se deve evitar gírias, erros ortográficos em redação e estar

FOTO THIAGO LOPEZ

“É muito mais fácil trabalhar em prol de um objetivo quando o conhecemos com antecedência. O Fórum de Profissões colaborou na definição da carreira que desejo seguir, já que, inicialmente, não sabia com clareza as tarefas designadas a cada área, confundindo-as constantemente e prejudicando a escolha que, de certa forma, é uma das mais importantes em nossas vidas.” Aline Antonio – 1º MB

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“Nossos ex-colegas de colégio, hoje na universidade, prestaram-se a dividir suas experiências e nos chamar à atenção para o que realmente é importante no vestibular e na escolha da profissão.” Bruna Dias da Ponte – 2º MB Guilherme Polidori – 2ºMC

bem vestido, não usar piercing, brincos exuberantes, decotes, tatuagens ou qualquer coisa que comprometa a imagem do candidato”. Por isso, nessa fase de escolha profissional e preparação para os concursos vestibulares, é importante pensar em todas as possibil i -

d a d e s q u e o m e r c a d o o f e r ece, estabelecer contato direto com diversos profissionais de diferentes áreas, perceber-se diante desse contexto e identificar o próprio perfil, através de seus interesses, valores e habilidade e aproveitar o que o colégio oferece, afinal, do 9º ano ao 3º Médio são quatro anos de preparação e estímulo a uma escolha consciente e segura.

“Gostei muito da palestra da profissão que escolhi – medicina. Consegui tirar as minhas duvidas a respeito, podendo aproveitar realmente. A palestrante soube falar sobre a profissão...”. Mayara Valadares Aguado Kagohara – 3º MC

O Fórum de Profissões, como sempre, teve ótimas palestras e ajudou aqueles com dúvida em alguma profissão...” Leandro Giovanni Domingos do Couto – 3º MA

“O debate inicial clareou alguns princípios básicos, dos quais devem ser levados em conta na escolha das faculdades, além disso, reforçou a ideia de que se deve fazer a escolha da área que irá cursar por afinidade, prazer e habilidade.” Felipe Augusto Soeiro – 2º MB Beatriz Filipim Bincoletto – 2º MC

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Ensino Fundamental - 6º ao 9º ano Sustentabilidade e estudo do meio

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uitos pais e educandos ainda tratam os Estudos do Meio como passeios, lazer sem finalidade pedagógica. Nosso intuito em esclarecer as diferenças entre Estudo do Meio e passeio deve-se ao fato de muitos pais impedirem seus filhos de participarem como forma de castigo por algo que deixaram de fazer ou cumprir. É a mesma coisa de privarem seus filhos de virem às aulas. O Estudo do Meio tem como objetivo principal demonstrar aos educandos a relação existente entre aquilo que se aprende na escola (teoria) e o que ocorre dentro e fora dela, em diferentes lugares com diferentes pessoas, todo tempo (prática). Além de estabelecerem estas relações, com o estudo do meio, ampliam a visão de mundo e o senso crítico, proporcionado pelos momentos de socialização, integração e trocas de experiências e conhecimentos entre educandos e edu-

Por Keyla Cortinovis dos Anjos Formação em Pedagogia e pós-graduada em Gestão Escolar. Coordenadora do Ensino Fundamental (6º ao 8º ano) do Colégio Passionista São Paulo da Cruz

cadores, desenvolvendo a organização, a autonomia e as relações de amizade. As propostas de Estudo do Meio envolvem todas as séries, com objetivos e durações diferenciados, conforme o nível de maturidade social e emocional dos educandos envolvidos nos projetos. Esse trabalho não se limita ao período em que os educandos estão efetivamente fora da escola. Envolve, numa primeira etapa, um planejamento das atividades, elaboração de regras que favoreçam o convívio coletivo, preparação de material e estratégias de trabalho. E, finalmente, pressupõe a reorganização de tudo aquilo que foi vivenciado durante a saída de Estudo do Meio. Como decorrência desses estudos, temos alterações nas relações i n t e r p e s soais, entre os educandos e entre estes e seus educadores, estrei t a n d o o s l a ç o s d e a m i z a d e e c o m p a n heirismo.

6º ano do Ensino Fundamental – 21/05 – SALESÓPOLIS Depoimento da educadora Solange Eugênio O projeto do 6º ano permeia situações pelas quais o planeta passa em função dos desastres ecológicos, lixo, desperdício e consumo exacerbado dos seres humanos. Repensar essas atitudes e encontrar possíveis soluções cabíveis a nossa realidade, fazem-nos agentes da superação dos problemas causados pelas antigas gerações e mantidas pelas presentes. Estudar todo o processo da água e sua existência foi o início do nosso estudo. Visitar a nascente do Tietê, ver sua grandeza e todas as possibilidades da sua magia levaram o grupo do 6º ano a levantarem a bandeira em prol dos recursos naturais restantes no Planeta Terra. Foi um estudo inesquecível e de grande valia para nossos educandos, afinal uma de nossas funções sociais e educativas é: educar para a vida... na sua plenitude e beleza!.

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EDUCANDOS DO 6º ANO, EM SALESÓPOLIS

EDUCANDOS DO 7º ANO, EM PARANAPIACABA

7º ano do Ensino Fundamental - 07/05 – PARANAPIACABA Depoimento do educando Marco Antonio - 7ºC A viagem a Paranapiacaba foi uma das mais interessantes e enriquecedoras que já fiz. É uma vila que poderia ter sido de grande valia para o Brasil, mas por alguma razão o governo não quis investir nela e ela foi ruindo até seu estado atual, sustentando-se apenas pelo turismo, juntamente ao eco-turismo. Com sorte, descobri mais um pedaço de nossa história. 8º ano do Ensino Fundamental - 27 e 28/05 - BARRA BONITA Depoimento da educadora Flávia Vanessa de Melo Surpreendente, aconchegante e envolvente. São três adjetivos que, em poucas palavras, resumem o estudo do meio realizado pelos educandos do 8º ano sobre o projeto: Viva Tietê, na cidade de Barra Bonita. Todos os percursos trilhados foram de um inestimável conhecimento sobre o contexto histórico do lugar, que vai desde as fábricas de cerâmica que utilizam o barro retirado do fundo do Rio Tietê, sem degradá-lo, até a Feirinha de Artesanato local que foi um sucesso entre os educandos. Visitamos o Museu de Barra Bonita e o Memorial do Rio Tietê, os quais nos enriqueceram ainda mais sobre a história de luta dos Bandeirantes ao desbravar o lugar, bem como o estilo de vida dos habitantes da fundação da cidade até os dias atuais. O ponto alto do estudo foi, sem dúvida, o passeio feito através da embarcação San Raphael, que nos levou até o “elevador de barcos”, denominado ECLUSA. Todos ficamos admirados com o poder de criação do homem para a preservação do Rio Tietê e para o acesso de embarcações que, pelo desnível do rio, necessitavam da realização de tal projeto. Enfim, não só pela beleza e pureza das águas do Tietê, o estudo foi importante para que os educandos percebessem que o homem pode interagir beneficamente com a natureza e esta, em troca, concede-lhe o que precisa para sobreviver.

ECLUSA DE BARRA BONITA

EDUCANDOS DO 8º ANO, EM BARRA BONITA

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PARANAPIACABA

EDUCANDOS DO 9º EF E 1º EM, EM PARANAPIACABA

9º ano do Ensino Fundamental e 1º ano do Ensino Médio 05/05 - PARANAPIACABA Depoimento da educadora Ana Cristina Iwasaki Gonçalves O Estudo do Meio ao Parque Estadual da Serra do Mar e à Vila de Paranapiacaba teve como objetivo conscientizar os educandos a respeito do impacto da ação humana no meio ambiente, além de incentivar a valorização de nosso patrimônio histórico e cultural. Durante a caminhada pela Estrada Velha de Santos, os educandos puderam ampliar seus conhecimentos sobre a biodiversidade da Mata Atlântica, à qual se mescla um rico patrimônio arquitetônico e histórico. Posteriormente, visitou-se a vila de Paranapiacaba, no município de Santo André, a qual pulsava ao redor da ferrovia que fazia a ligação do interior de São Paulo ao Porto de Santos. Informações sobre tecnologia, economia, arquitetura e cultura locais estimularam os educandos a questionar nosso papel como cidadãos do mundo, responsáveis pelo meio em que vivemos e pelo futuro que desejamos

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3º ano do Ensino Médio – 22 a 24/05 – UBATUBA, PARATY E ANGRA DOS REIS. Depoimento do educador Roberto Ueno A proposta da viagem e estudo de campo no projeto Tamar - Ubatuba vem integrar nossos educandos na importância da conservação da fauna e flora marinhas e a caminhada na serra da Mantiqueira é um imenso espaço de vivência e conservação da biodiversidade, com seus ecossistemas e biomas. Nesse local, os educandos puderam observar certas características da flora, árvores de médio e grande porte, bromélias, jacarandá, cipós,e da fauna, mico leão dourado, tamanduá, anta etc. Outro momento de educação ambiental foi o mergulho autônomo ou Snorkel que, junto com a visita ao projeto Tamar, fortaleceu a sensibilização na preservação da fauna e flora marinhas com o objetivo único de levar o educando a uma ecoeficiência que envolva uma série de ações pautadas por princípios de desenvolvimento sustentável. A bela viagem ao tempo Colonial, no centro histórico de Paraty, onde as construções de casarões traduziram o estilo da época, destacou a antiga rota do ouro proveniente de Minas Gerais, que embarcava para Portugal. Finalizando nossa vivência pedagógica, a visita à Usina Nuclear, em Angra do Reis, mostrou aos educandos as vantagens e desvantagens da energia nuclear e a elevada importância de uma economia sustentável e o desenvolvimento do nosso país.

27 EDUCANDOS DO 3º EM, EM UBATUBA E PARATY


Ensino Médio

Por Erico Gleria Formação em Letras, especialista em Comunicação Social, mestrando em Lingüística e Educador do Colégio Passionista São Paulo da Cruz.

A tríade educacional: amar, ador nar e praticar.

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á muito que a ideia de transmissão de conhecimento por parte dos mestres para seus discípulos está em desuso. Com a devastadora sociedade da informação e do conhecimento, o desafio do ensinar torna-se cada vez mais assustador, se levar em conta que, ao contrário do que acontecia há algumas décadas, hoje o próprio discípulo tem acesso a uma infinidade de conhecimentos provenientes de t odas a s direções e rumo a todas as direções, partindo desde a mais ingênua questão, chegando aos mais complexos temas das ciências. Daí, talvez, o princípio de ser educador na sociedade do século XXI, não informar, uma vez que qualquer meio de comunicação o faz com excelência, mas despertar a vontade de conhecer, plantar a semente da dúvida geradora das pesquisas. Ser pesquisador, sem dúvida, é a Sec2:

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chave da sobrevivência em uma sociedade repleta de informações, pois sendo pesquisador, o discípulo está apto a selecioná-las, analisá-las, desprezar as que não são interessantes e refletir acerca dos conceitos pertinentes a pesquisa. Lembrando do filósofo inglês Hebert Spencer “lembrai-vos que a finalidade da educação é formar seres aptos STOCK.XCHNG para governar a si próprio e não para ser g o v ernado pelos outros”. E sempre quem deve trabalhar em sala de aula é o discípulo, cabendo ao mestre ser o agente facilitador deste processo, o mestre deve assegurar os caminhos para um real aprendizado, lembrando sempre da dicotomia estabelecida na relação ensino e aprendizagem, e ainda que, um pressupõe o outro, não há ensino se não houver aprendizagem e vice-versa. É pertinente lembrar de que o ensino acontece de forma mais fluente


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quando o mestre se vale de uma linguagem adequada ao seu público, não se trata de simplificar o conteúdo e sim sua abordagem, trata-se de conhecer o domínio linguístico dos ouvintes, pois como coloca a teoria da comunicação, para haver o entendimento, ambos os participantes da construção do discurso devem comungar dos mesmos r e c u r sos linguísticos, ser claro e objetivo é um agente importantíssimo quando há intenção de levar alguém a algum lugar por meio das ideias. Além de ser claro e objetivo, prérequisito de qualquer mestre, não podemos deixar de lado a emoção, a relação educando/educador pede um envolvimento de afetividade com o saber, tanto por parte do educando quanto, e mais ainda, por parte do educador, há de se ter amor para com o conhecimento. Todorov, ao ser questionado

porque amava a literatura, simplesmente responde “porque a literatura me ajuda a viver” e assim deve ser, o ter deve ceder lugar para o ser, o ser conhecedor e amante do objeto do conhecimento e, claro, não perdendo de vista que o conhecimento está a serviço da humanidade e só existe para ajudála. Lembremo-nos do educador Chalita: “Educação: A solução está no afeto”. As considerações finais deste ensaio vão ao encontro das ideias de dois pensadores, Eleanor Roosevelt e Charles Baudelaire. A primeira afirma: “O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos” e o segundo, “A única obra demorada é aquela que não nos atrevemos a começar. Ela se converte num pesadelo”, portanto temos ai o caminho das pedras para os discípulos: amar o conhecimento, crer na beleza dos sonhos e atrever-se a começar.

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Festa Junina We’re all África Sanibonani (Olá) Waka Waka (A festa começou)

no ar.

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Festa Junina Passionista 2010 ainda deixa um cheirinho de canjica e quentão exalando

Este ano, o tema mexeu com o coração do Brasil, Copa do Mundo, além de resgatar a história do negro, suas raízes e influências, que se espalharam no mundo através das danças, música, esportes, comida, língua e de gente que faz, produz e encanta, criando uma ponte d e m ã o d u p l a e n tre Brasil e África e todas as suas prerrogativas na cultura nacional. Sapientes de que a mais a n tiga espécie d e h o m inídeo foi o Australopithecus, que surgiu no sul da África, há cerca de 3 milhões de anos, sendo este nosso provável ancestral, o colégio saudou a todos com a frase “we’re all África” (todos somos África) e ornamentou toda a escola com as cores verde e amarelo, que acende o nacionalismo em tempos de mundial.

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Por José Geraldo Monteiro da Cruz Formação em Administração de Empresas, especialista em Fisiologia do Esforço e Exercício e cursando MBA em Gestão de Pessoas e Administração Empresarial. Coordenador do Setor de Educação Física e técnico do time de Handebol do Colégio Passionista São Paulo da Cruz

Vestido de Brasil, o nosso Colégio acolheu os visitantes e comunidade Passionista com danças que abordaram a influência negra no país e no mundo e a importância da sustentabilidade e preservação do planeta, explorada na interdisciplinaridade por todos os educadores de Educação Infantil ao Ensino Médio. O empreendedorismo também entrou na festa através da barraca de álcool gel produzido pelos próprios educandos do Ensino Médio, durante as aulas de Química, e as outras tradicionais barracas que trouxeram toda a comunidade para dentro da nossa instituição, com show de prêmios do Bingo, Coroação do Rei e Rainha 2010 e uma balada com muito agito. Além disso, este ano, tivemos uma novidade: a barraca dos formandos. Educandos do 9º ano do Ensino Fundamental e 3º Ensino Médio uniram-se para, juntos, criarem brincadeiras, jogos e o tradicional correio elegante, com o objetivo de angariar fundos e promover uma bela festa no Recanto Paulo da Cruz, em comemoração ao encerramento de mais um ciclo na caminhada escolar e, mais que isso, a integração e confraternização de todos os


formandos 2010. A abertura da festa contou com uma apresentação especial: a DANÇA do FOGO, originária da África Central, na saudação ao nascimento de mais uma criança na tribo, numa releitura das educadoras coreógrafas. Durante todas as apresentações foram contadas STOCK.XCHNG histórias do Continente Africano, suas ramificações, personalidades, destaques e curiosidades da Copa do Mundo 2010, além de expressões e cumprimentos na língua Zulu, língua dominante na África do Sul. Foi contada, também, a história de Mandela (Mandiba em Zulu) e a luta contra o Apartheid, desde sua luta no congresso, os 27 anos de prisão, a liberdade, o cam-

inho até a Presidência, à conquista do Nobel da Paz. A cada dança, a história de sua origem e influência na cultura nacional e internacional, com uma entrada aos sons dos batuques tribais africanos, corais de Soweto e personalidades da música africana. Foi uma festa escrita a várias mãos e dedicada a cada membro da Comunidade Passionista. Toda a renda da festa está destinada aos nossos projetos sociais assumidos pela Mantenedora, além de concluir as instalações das TVs LCD nas demais salas de aula. Sem dúvida, uma festa única e inesquecível.

SalaKale Brasil (Fica bem Brasil) Ngiyabonga KaKhulu África (Obrigado, muito Obrigado, África) 31


Artigo A importância dos jogos de raciocínio

Por Roberta Vasconcelos B. Pelegrino Formação em Pedagogia, pós-graduada em Psicopedagogia e especialista em Marketing Ecucacional. Promotora de Eventos e Educadora do Colégio Passionista São Paulo da Cruz

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odemos notar em nosso cotidiano a importância dos jogos de raciocínio para a vida dos educandos e, assim, elencar cinco grandes eixos que caracterizam essa jornada: informação (métodos), conhecimento, tecnologia, globalização e transcendência. Sendo assim, precisamos formar cidadãos preparados. Em relação à informação, necessitamos desenvolver habilidades para saber organizar e interpretar, pois a metodologia faz uso de alguns recursos, estratégias de pensamento, que são os métodos, ferramentas para as crianças utilizarem na vida. Conheça alguns dos métodos utilizados no Colégio Passionista São Paulo da Cruz.

MÉTODO DO ESPELHO O Método do Espelho implica na disponibilidade interna para se olhar e admitir fracassos e êxitos, colaborando para romper esquemas de pensamento e superar barreiras emocionais para a construção de um esforço consciente que promova mudanças estruturais internas.

Lidar com a frustração, não ter medo de errar. Aceitar a vitória com naturalidade, tomando consciência dos processos envolvidos.

MÉTODO DO DETETIVE Como um bom detetive, é imprescindível perguntar, buscar pistas e organizar as informações para ter clareza da situação. É um método que contribui na investigação de uma situação-problema, por meio de perguntas, para produzir e descobrir pistas, dados e informações que possibilitam criar soluções. STOCK.XCHNG

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Pontos importantes


Ajuda a organizar pensamentos e agir de forma consciente e com responsabilidade. VERMELHO: Parar e prestar atenção no entorno... Cuidado com a impulsividade... Parar antes de agir Prestar atenção no entorno, para captar informações. AMARELO: Ter clareza do entorno da situação... Preparar-se para a ação e eleger alternativas... Refletir, analisar e planejar a partir das informações obtidas na etapa anterior. Levantar alternativas de ação. VERDE: Checar e agir... Atuar com firmeza... Colocar em prática o plano e as alternativas traçadas Levar em consideração as exigências e as limitações do tempo.

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MÉTODO DO SEMÁFORO

MÉTODO DA ÁRVORE DO PENSAMENTO A árvore representa: produção, crescimento, segurança, renovação e ramificações. O método da Árvore do Pensamento se ocupa em analisar as diversas opções de escolha diante de uma situação, tendo consciência das consequências de cada uma delas. Etapas importantes Identificar possibilidades. Analisá-las. Fazer escolhas com consciência das consequências da ação. STOCK.XCHNG

MÉTODO DA ESCADA O Método da Escada permite progredir passo a passo para atingir um objetivo. Cada etapa concluída auxilia a chegar a uma outra etapa, mais próxima do objetivo final. Etapas importantes

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Identificar quais são as etapas para atingir o objetivo. Localizar a primeira ação. Cumprir corretamente cada degrau. Prosseguir para a próxima etapa.

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MÉTODO DAS AVES MIGRATÓRIAS

As aves, em busca das suas metas, migram em sintonia e de forma harmônica; o Método das Aves Migratórias nos permite entender, valorizar, potencializar e respeitar as diferenças dos integrantes. Etapas importantes Ter clareza dos objetivos da equipe Construir uma estrutura grupal mais adequada para alcançar estes objetivos. Estar atento às necessidades e potencialidades de cada um. Buscar o equilíbrio entre os objetivos individuais e os objetivos do grupo.

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MÉTODO DA FILMADORA Ter uma visão clara de um ponto de chegada e contribuir na organização do pensamento e das ações. Pontos importantes Criar imagens das ações com base em um objetivo, constituindo roteiros, trajetórias e percursos. Estabelecer sequências e movimentos orientados e planejados. Abrir-se ao imprevisto, ao novo, aquilo que vai além do pré-estabelecido.

MÉTODO DA TENTATIVA E ERRO Etapas importantes Tentamos Cometemos um erro Corrigimos o erro Tentamos novamente

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O Método da Tentativa e Erro incentiva nossa disponibilidade interna de arriscar-se e de considerar o erro como possibilidade de aprendizagem.

Desta forma, os jogos de raciocínio trazem grandes benefícios aos educandos, propiciando a eles uma formação completa, onde atuam como protagonistas de suas histórias, construtores de seus saberes e geradores de novos conhecimentos.

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Referências: Mind Lab do Brasil


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Teste agora seus conhecimentos e divirta-se:

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Sudoku é um jogo de raciocínio e lógica. Apesar de ser bastante simples, é divertido e estratégico.

Agora, tente resolver estes desafios de lógica e matemática:

A resolução destas atividades encontra-se no site: www.passionista.com.br/saopaulodacruz

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Revista Reflexo