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r e v i s t a

SÃO GERALDO ANO 7 - 2 | 2016

10 ANOS ESPAÇO DO CHEF

Celebramos uma década com ambiente próprio na Casa Cor Brasília

CERSAIE 2016

Confira as principais tendências apresentadas na feira italiana

ESPECIAL POLÔNIA

Conheça a história do país e o seu design inspirador


foto: Haruo Mikami

SUMÁRIO

10 ANOS DE ESPAÇO DO CHEF NA CASA COR CASA COR

TOM DE VOZ VS. PERFORMANCE DE MARCA

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PONTO DE VISTA

TURISMO E DESIGN

SUA CASA MAIS ARBORIZADA DESIGN

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ESPECIAL POLÔNIA

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JOVEM TALENTO

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HOSPEDAGEM EXCLUSIVA EM MENDOZA HOTÉIS DE DESIGN

foto: Divulgação

ilustração: Grande Circular POLAND

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ARTIGO

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ARQUITETURA

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PAIXÃO PELA ARQUITETURA

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ARQUITETURA

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DA CAPITAL PARA O BRASIL

COZINHA BLACK MATTE LANÇAMENTO

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ARTE PARA TODOS OS GOSTOS

CONHEÇA O TRABALHO DE VICENTE OZUMI ARTISTA DA CIDADE

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UMA ODE AOS PORTUGUESES

DESPERDÍCIO ZERO SUSTENTABILIDADE

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OBRAS SEM DOR DE CABEÇA MESTRE DE OBRAS-PRIMAS

CERSAIE 2016 TENDÊNCIAS

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PERFIL MARIA FERNANDA SEIXAS

DE DAR ÁGUA NA BOCA RECEITA DO CHEF

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ARQUITETURA

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EDITORIAL

N

E para celebrar esse momento, apresentamos uma revista em que o leitor poderá se deliciar com a matéria contando toda essa trajetória de sucesso, além de um especial sobre a Polônia, país que não está entre os mais populares, mas que revela uma rica história de superação e guarda seus encantos. Aproveitando o gancho, este ano está acontecendo uma série de atividades culturais para promover o país e o encerramento da programação traz a Brasília uma linda exposição de design polonês, no Museu Nacional da República, no início de novembro. Luciana Barbo, nossa colunista de gastronomia, fala sobre os vinhos portugueses e no Receita do Chef, uma receita de brownie sem farinha do premiado chef Alex Atala. Como sempre, fizemos uma seleção de conteúdo que traz assuntos variados para que a experiência de ler a revista seja prazerosa. Turismo, design, arquitetura, arte, gastronomia e tendências. Você poderá encontrar tudo isso nesta publicação que preparamos com tanto carinho. Boa leitura!

DIRETOR RESPONSÁVEL RAMEZ FARAH EDITOR DIANA LEIKO JORNALISTA RESPONSÁVEL DIANA LEIKO PROJETO GRAFICO E DIAGRAMAÇÃO JULIANA FURTADO CAPA HARUO MIKAMI TIRAGEM 5.000 EXEMPLARES

Imagemmeramente meramenteilustrativa ilustrativa Imagem

esta edição da revista, temos muito o que comemorar. A começar pelos 10 anos de participação da São Geraldo na Casa Cor Brasília. Uma década em que apresentamos ao público o que há de mais moderno no mercado de louças, revestimentos, acabamentos, eletrodomésticos e iluminação. Durante esse tempo, tivemos ao nosso lado a parceria fundamental dos nossos fornecedores e das franqueadas da mostra brasiliense, Eliane Martins, Sheila Podestá e Moema Leão. Além do envolvimento de toda a nossa equipe.

SÃO GERALDO ACABAMENTOS E COMPLEMENTOS SIA TRECHO 3, BRASÍLIA-DF TEL.: 61 3031-4200 | E-MAIL: SAC@SAOGERALDO.COM PUBLICAÇÃO DE INTERESSE CULTURAL E DISTRIBUIÇÃO GRATUITA. PERMITIDA REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DOS TEXTOS, DESDE QUE SEJA CITADA A FONTE. AS MATÉRIAS E OS ARTIGOS ASSINADOS NÃO REFLETEM, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO DA DIRETORIA DA SÃO GERALDO.

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RAMEZ FARAH DIRETOR

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CASA COR

10 ANOS DE AMBIENTE PRÓPRIO NA CASA COR Espaço do Chef São Geraldo completa uma década aliando beleza e praticidade em sua cozinha gourmet funcional

Camila Rezende

A

Casa Cor está em comemoração tripla! São 30 anos da marca, 25 do evento em Brasília e uma década de parceria com a São Geraldo. O primeiro Espaço do Chef, de autoria da dupla Hélio Albuquerque e Sônia Peres, marcou o início de uma ampla união que já se consolidou na agenda gastronômica da capital. A ideia de criar um espaço surgiu da vontade da São Geraldo em apresentar ao público uma nova linha de produtos, focada em eletrodomésticos e utilidades. “No ramo da decoração e arquitetura, não há melhor lugar para investir do que a Casa Cor”, afirma Ramez Farah, diretor da São Geraldo. Desde a primeira participação na mostra, a São Geraldo convida renomados chefs do Brasil para demonstrarem seus talentos em degustações. “Fizemos um evento por semana naquele ano”, lembra Hélio Albuquerque. “A cozinha gourmet dá um movimento legal. Como ela é funcional, você faz a coisa acontecer, as pessoas vão visitar”, completa

foto: Haruo Mikami

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CASA COR

Club Experience - Este ano, o Espaço do Chef está integrado ao House Clube Experience, um dos maiores ambientes da mostra. Assinado por Denise e Juliana Zuba, o House Clube Experience une cores e texturas atemporais - como o cinza e o preto - à madeira, metais e fibras.

o arquiteto. Ramez concorda: “a cozinha tornou-se um ponto de encontro na mostra. Um lugar onde todos se relacionam, conversam e se divertem”, explica o diretor. O ambiente apresentado em 2006 era composto por uma ilha, bancada-bar, mesas redondas e um confortável ambiente de estar, com capacidade para receber até 30 pessoas sentadas. “A São Geraldo é uma parceria muito importante e hoje o Espaço do Chef é muito cobiçado na Casa Cor. Ali a gente mostra que tudo está funcionando: água, luz, fogão. O profissional é colocado em evidência em relação a outros ambientes. E a São Geraldo dá um apoio total com eletrodomésticos e revestimentos”, esclarece Hélio.

Foto: Jomar Bragança

Este ano, o Espaço do Chef está integrado ao House Clube Experience, assinado por Denise e Juliana Zuba. Com uma área de 432 m2, o ambiente é um dos maiores da mostra. O loft foi elaborado para aliar conforto, tecnologia e praticidade. A decoração une cores e texturas atemporais como o cinza e o preto. Madeira, metais e fibras formam um equilíbrio perfeito com os eletrodomésticos de última geração e móveis planejados.

OUTROS AMBIENTES

Foto: Haruo Mikami

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A participação da São Geraldo na Casa Cor não se restringe ao Espaço do Chef. A marca também está presente no Banho de Luxo e no Lavabo Público.

foto: Jomar Bragança

foto: Haruo Mikami

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CASA COR Banho de Luxo - O espaço Banho de Luxo incorpora elementos como revestimento em alto-relevo e o tom acobreado dos metais. O ambiente, concebido por Gustavo Assunção, Laura Oliveira e Sergio Peres, foi inspirado no jovem moderno.

A sala de banho, assinada por Gustavo Assunção, Laura Oliveira e Sergio Peres - todos da Simmetria Arquitetura - incorpora diversos elementos como revestimento em alto-relevo e o tom acobreado dos metais. “Idealizamos o projeto para proporcionar uma sensação de relaxamento e bem-estar aos visitantes, fazê-los sentirem vontade de usufruir do espaço, como se pudessem dar uma breve pausa e por um momento imaginarem-se usando o ambiente”, conta a equipe. O espaço parte de um pórtico revestido em porcelanato amadeirado, elemento central da composição que delimita o box do banho. “Utilizamos diversos revestimentos da Decortiles, linha da Eliane exclusiva para a São Geraldo, o que nos proporcionou a escolha de acabamentos sofisticados. Foram usados revestimentos que cada vez mais se assemelham aos produtos naturais, como o porcelanato amadeirado usado no pórtico (piso, parede e teto) e o porcelanato das paredes que simula com quase perfeição o mármore carrara”, explicam os arquitetos. Há também uma instalação com canos de cobre aparentes. Ela surge do piso e pode ser utilizada como porta-toalhas. Como paralelo a essa escolha, foram utilizadas luminárias com estrutura tubular acobreada. Já o Lavabo Público é resultado do concurso Jovem Profissional. Concebido pela São Geraldo, o projeto já está em sua quarta edição. “Acreditamos que aqueles que estão iniciando agora no mercado são os grandes profissionais de amanhã. É sempre surpreendente os resultados”, afirma Ramez Farah.

Lavabo Público - O Lavabo Público é resultado do projeto Jovem Profissional. Em sua quarta edição, o espaço é assinado por Ana Luiza Veloso e Amanda Saback. fotos: Jomar Bragança

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Fachada Sustentável - A fachada da Casa Cor 2016 traz um conceito sustentável com a reutilização de materiais.

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CASA COR

O ambiente desse ano foi concebido por Ana Luiza Veloso e Amanda Saback, da Traama Arquitetura. O lavabo foi desenvolvido em formas geométricas que destacam toda a área útil do espaço, aliando praticidade e bom gosto. Foram utilizados madeira pinus, piso em porcelanato marmorizado paginado em espinha de peixe e metais com acabamento gold. O projeto foi idealizado para se afinar às necessidades do jovem brasileiro de 30 anos, idade celebrada pela marca Casa Cor. Como resultado, surgiu um ambiente contemporâneo inusitado, que foge ao tradicional. O espaço Banho de Luxo celebra o novo e atende ao público masculino e feminino, além de trazer conforto para os portadores de necessidades especiais.

SOBRE A CASA COR A Casa Cor Brasília 2016 acontece de 22 de setembro a 9 de novembro, na QI 9 do Lago Sul. Em seus 49 dias de realização, a mostra reúne 40 ambientes distribuídos em dois pavimentos com uma área total de 5 mil m2. A cada edição, a mostra recebe mais de 500 mil pessoas, contabilizando mais de 300 mil acessos mensais em seu site. Assinados por cerca de 70 profissionais, os espaços apresentam as últimas novidades e tendências no segmento de arquitetura, decoração, design e paisagismo. A fachada principal traz um conceito de sustentabilidade. O objetivo é estimular o reaproveitamento de materiais na construção civil. foto: Haruo Mikami

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CASA COR

CASA COR

LINHA DO TEMPO

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Espaço do Chef

São Geraldo + Denise Zuba

2012

NEY LIMA

2007

SONIA PERES E HÉLIO ALBUQUERQUE

2011

KELY CARVALHO

THATIANNA NUNES E RICARDO ROBERTO

2008

ALESSANDRA FATURETO

2014

2009

CYBELE BARBOSA

2013

WALLÉRIA TEIXEIRA

2010

BETH ROSSO

2015

KARLA AMARAL

fotos: Arquivo São Geraldo

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DESIGN

DESIGN

fotos: Divulgação

SUA CASA MAIS ARBORIZADA

P

lantas dentro de casa servem para decorar, trazer mais harmonia ao ambiente, melhorar o conforto térmico ou acústico, entre outros. Mas na hora de escolher a que melhor se adequa ao nosso caso, são várias as questões que surgem: Quais plantas se adaptam melhor em um determinado ambiente? Quais exigem maior ou menor manutenção? Quais são de menor ou maior porte para se adequar ao meu ambiente? Quais precisam de mais ou menos luz solar? Para simplificar a vida, um grupo de designers da Nui Design Stúdio criou a planta Mygdal, que é cultivada dentro de uma lâmpada e sobrevive a lugares sem janelas, como hotéis e restaurantes fechados. A invenção não requer muitos cuidados como ventilação ou irrigação. Basta uma luz de LED, que se passa pela temperatura do sol, fazendo fotossíntese e criando um ecossistema completamente autossustentável.

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RECEITA DO CHEF

DE DAR ÁGUA NA BOCA Aprenda como fazer essa deliciosa sobremesa, receita do chef Alex Atala

U

m dos bares mais icônicos de São Paulo, o Riviera, foi aberto em 1949 por Ignacio Maniscalco, no térreo do edifício Anchieta, no último centímetro da Avenida Paulista. Por décadas atraiu toda sorte de frequentadores (elite do café, professores, estudantes, esquerdistas na época da ditadura etc.) até que caiu no abandono. Em 2013, voltou à vida: depois de longa obra, os sócios Alex Atala e Facundo Guerra (sócio do Club Yacht e Cine Joia) reviveram o Riviera. Desde então, é só sucesso. Não sem mérito: o ambiente é bonito e agradável, a comida é boa e os drinques, bem feitos.

BROWNIE SEM FARINHA DO RIVIERA BAR Ingredientes:

O QUE USAR

9 ovos 450 gramas de açúcar 600 gramas de chocolate 70% 420 gramas de manteiga 150 gramas de cacau em pó 10 gramas de sal 120 gramas de nozes picadas 300 gramas de chocolate 50%

Modo de preparo: Bata os ovos com 100 gramas de açúcar e reserve. Derreta em banho maria o chocolate 70% com a manteiga. Em seguida, adicione o sal, as nozes, o cacau e o restante do açúcar. Incorpore os ovos batidos na mistura. Em uma assadeira untada, disponha metade da massa. Faça uma camada de chocolate 50% e em seguida despeje o restante da massa. Asse em forno a 180°C por cerca de 8 a 9 minutos. Rendimento: 15 porções Tempo de preparo: 30 minutos

O chef Alex Atala criou para o bar e para o restaurante um cardápio que preserva os sanduíches e pratos que eram servidos no antigo Riviera optando por uma releitura moderna, com ingredientes sofisticados e novas técnicas a preço acessível. Entre as sobremesas, é possível se deliciar com o Apocalipse (brownie, sem farinha, servido quente com sorvete de nata), cuja receita segue logo ao lado:

Confira: Riviera Bar Av. Paulista, 2584, São Paulo Telefone: (11) 3258- 1268 Funciona de 12h às 15 e das 19h às 22h.

Pincel laranja venus Pincel branco venus KitchenAid Batedeira KEA33CV Quebra nozes e frutos do mar em aço inox Oxo Mixer delight com batedor de claras branco e vermelho 127 voster 933 873 Panela molheira 20cm vermelha Travessa retangular vermelho

foto: Divulgação

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HOTÉIS DE DESIGN

HOTÉIS DE DESIGN

HOSPEDAGEM EXCLUSIVA EM MENDOZA Ideal para os amantes de vinho e os aventureiros, resort no Vale de Uco oferece diferenciado programa culinário que tem como protagonista a bebida de Baco

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Casa de Uco Vineyards & Wine Resort é o resultado de uma grande visão, inspirada na natureza única do Vale de Uco, berço dos melhores vinhos da Argentina. Situado sobre uma fazenda de 320 hectares, está integrado a vinhedos privados, a um conjunto de lotes destinados a vilas privadas entre vinhas, a uma adega e a um Wine Resort exclusivo que convida a participar da experiência de um vinhedo no majestoso entorno da Cordilheira dos Andes, somando serviços exclusivos e divertimento em contato com a natureza. Um passeio ideal para os amantes do vinho que querem descobrir a magnificência do Vale de Uco, e conhecer a extraordinária qualidade dos vinhos da região. Oportunidade única para se envolverem em todo o processo, do cultivo das uvas até a criação de um vinho próprio, com auxílio de especialistas.

Casa de Uco | fotos: Divulgação

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HOTÉIS DE DESIGN

Exclusividade e conforto – O Casa De Uco Wine Resort conta com sete apartamentos, nove suítes e bangalôs entre os vinhedos com vista para a paisagem. Além disso, os bangalôs situados nos vinhedos próximos ao edifício principal do resort permitem desfrutar de todos seus serviços com mais privacidade, com terraços e jardins próprios.

Gastronomia – Pablo Torres e Carlos Torres comandam a cozinha do resort. Utilizam produtos locais e de estação, de preferência orgânicos, na elaboração dos pratos, e trabalham juntamente com produtores locais no cardápio internacional, mas genuinamente inspirado no Vale de Uco. Já a carta de vinhos conta uma uma seleção dos melhores rótulos da região, sob a direção de um sommelier com vasto know-how. Além do restaurante principal do Wine Resort, nas churrasqueiras com vistas imponentes para montanha e vinhedos são preparados churrascos e outras delícias. De noite, o ambiente exclusivo e o bar recebem até hóspedes de outros hotéis da zona.

Alimentação saudável – A cozinha do Casa De Uco Wine Resort é abastecida por horta orgânica própria, que oferece legumes e hortaliças de acordo com a época do ano. No verão, a plantação fornece desde milho até tomates cherry, perita e platense, pimentões graúdos, abóbora, batata, repolho, pepinos e cenoura. Na temporada de frio, acelga, espinafre, rabanete, brócolis, chicória, cebola, alho, alho-poró, couve-flor, couve-de-Bruxelas, favas, beterrabas e ervilhas. As especiarias enriquecem os pratos com aromas e sabores durante o ano todo: manjericão, limonete, menta, tomilho, orégano, sálvia, alecrim e coentro. A horta é regada com água de poço, que possui o sabor único da terra do Vale; além disso, não utilizam nenhum tipo de pesticidas ou herbicidas.

Serviço: Rota 94, quilometro 14.5 Camino al Manzano Histórico Tunuyán, Valle de Uco Mendoza, Argentina Da Argentina: 0261 476 9831 Resto do mundo: 54 261 476 9831 Site: www.casadeucoresort.com

Casa de Uco | fotos: Divulgação

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fotos: Divulgação

TENDÊNCIAS

CERSAIE 2016 Do 3D, passando por grandes formatos, inspirações em madeiras até chegar nas fibras naturais. Confira as principais novidades da feira de revestimentos

O

mais importante salão internacional da cerâmica para a arquitetura e revestimentos para banheiros, CERSAIE – que aconteceu em Bolonha de 26 a 30 de setembro –, apresentou, como de costume, as principais tendências que vão movimentar o setor no próximo ano. O salão chegou à sua edição 34 em 2016, dedicando 16 pavilhões aos revestimentos cerâmicos e outros quatro para empresas do setor de banheiros, além da programação cultural “Construir, Habitar, Pensar”, com aula magna de ninguém menos que Norman Foster, arquiteto britânico prêmio Pritzker em 1999.

TENDÊNCIAS Baixos relevos, estampa digital, handmade, e muito mais: confira quais foram as principais tendências – e confirmações – apresentadas pela CERSAIE 2016.

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3D O design 3D está num relacionamento sério com as cerâmicas para banheiros, criando um jogo de luz e sombra belíssimo de se ver. Os volumes tridimensionais são uma das tendências que ganham cada vez mais fôlego, a cada edição.

FEITO À MÃO Marcel Wanders assina o desenho a mão da coleção Eve para Bardelli, em cinco diferentes tons. Já a coleção Sofia, atende aos gostos mais contemporâneos, com resultados mais gráficos e com diversos tipos de composições. Por outro lado, a Refin apresentou a coleção Epoque Beton, com decoração delicada, discreta, em tons de cinza, como manda a moda. Das passarelas à home décor. Outras marcas também apresenta

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TENDÊNCIAS

ram cartela minimalista, do branco ao preto, passando pelos cinzas.

normalmente a madeira in natura não era muito utilizada.

GRANDES FORMATOS

CLÁSSICOS E ARTE PURA

Os revestimentos em grandes formatos vieram mesmo para ficar. Podem ser usados no chão ou nas paredes.

Mármores e pedras tradicionais ganham motivos ornamentais assinados pela designer Daniela Dallavalle, para a Refin. É a coleção Arte Pura, que promove um encontro entre argila e fibras têxteis, com design naif e mosaicos em renda e macramê.

MADEIRAS QUE NÃO SÃO MADEIRAS

Apesar de tantos cinzas, tons vibrantes também apareceram no salão, além de cerâmicas que formavam verdadeiros patchworks murais.

As pedras que lembram madeira também é assunto bastante recorrente nos salões de revestimentos. O acabamento é tão perfeito que parece de verdade, dando um toque rústico-chic aos ambientes: a solução é desejadíssima, já que por se tratar de uma área úmida da casa, fotos: Divulgação

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fotos: Divulgação

SUSTENTABILIDADE

DESPERDÍCIO ZERO Arquiteto japonês Hiroshi Nakamura, do escritório Hiroshi Nakamura & NAP, constrói casa com materiais descartados

O

arquiteto japonês Hiroshi Nakamura foi o vencedor da categoria Edifício Sustentável do maior prêmio internacional de arquitetura, o WAN Awards 2016. Com o projeto Kamikatz Public House, explorou o conceito de desperdício zero e planejou a construção apenas com materiais descartáveis. A estrutura do prédio ecológico foi feita com artigos reciclados e mostra maneiras criativas de reutilização. Uma prova de que é possível atrelar estética arquitetônica com sustentabilidade. Entre os materiais, o arquiteto utilizou azulejos recuperados para o piso, um candelabro de garrafa e jornais antigos para o papel de parede. Já o exterior da construção foi revestido com placas de cedro coloridas com tinta de origem natural. A arquitetura sustentável, também conhecida como eco-arquitetura, já é praticada no mundo

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todo. Seus princípios baseiam-se na redução do consumo de energia, consideração das condições climáticas, moderação no uso de materiais para construção e, principalmente, na utilização de materiais ecológicos, ou seja, aqueles produzidos com menor impacto no meio ambiente. Entre os utilizados na construção sustentável pode-se citar: blocos de terra comprimida, o adobe, tintas sem compostos orgânicos voláteis tóxicos, materiais reciclados, madeira certificada ou de curto ciclo de renovação, tijolo ecológico, entre outros. O lixo, para o japonês, adquiriu novo significado. Hiroshi afirma que é possível evitar o desperdício em qualquer âmbito da vida, inclusive no setor imobiliário.

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Metais feitos para durar. Metais feitos para durar.

Linha Linha

Flaunt Flaunt

Traçados retos retos ee bem bem marcado. marcado. Traçados

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ARTISTA DA CIDADE

IKI A palavra japonesa que significa “singularidade refinada” traduz bem o trabalho do artista brasiliense Vicente Ozumi

fotos: Divulgação

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ascido em Brasília, no dia 24 de abril de 1974, Vicente Ozumi é formado em Desenho Industrial, pela Universidade de Brasília - UnB. Quando pequeno, já havia definido a sua profissão, que estava orientada para a arte e foi percebida por professores e parentes. Mesmo tendo o dom artístico e o olhar apurado, sempre buscou enriquecer o seu conhecimento estudando tudo que estivesse relacionado à estética. Ozumi despertou ainda a curiosidade pela natureza. Atento à forte tendência mundial de se evitar o desperdício, passou a utilizar materiais descartados em suas criações; transformando-os em objetos de arte e design. O profissional faz da natureza a sua principal parceira, usando o que ela oferece para a cria-

ção de seus trabalhos, sempre de forma respeitosa e consciente. Ozumi usa seu talento para transformar objetos, ambientes e eventos em algo exclusivo, simples, interessante e belo. O artista faz questão de provocar nas pessoas as sensações de bem-estar e alegria. Sempre trabalhou de forma transparente, holística e descontraída, tendo a alegria e o bom senso como parte do dia a dia da empresa e da sua vida. Respeitar o próximo, tratando todos de forma igual, é uma de suas características. Por fim, Ozumi acredita que as pessoas buscam hoje em dia o equilíbrio, o qual faz com que seus trabalhos sempre remetam à paz, alegria, saúde e harmonia.

Serviço: SHCS-CL 208, bloco B, loja 28 ozumicontato@gmail.com 61 3273-8183 61 99145 4284 Instagram: ozumifloreseeventos facebook.com/Ozumi foto: Leo Feltran

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LANÇAMENTO

LANÇAMENTO

COZINHA BLACK MATTE

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combinação de diferentes sensações é o pilar de inspiração presente nos novos acabamentos criados pela Deca. Pensados para proporcionar experiências envoltas em conforto e sofisticação, os acabamentos imprimem personalidade a cada ambiente por meio do cruzamento de cores e texturas, das mais clássicas às mais contemporâneas, nas mais variadas peças, que podem compor espaços criativos e ousados. As cozinhas, por exemplo, ganham ares modernos e uma atenção especial, com um portfólio completo de produtos com acabamentos D.Coat para metais, com a proposta de criar combinações em todos os ambientes da casa.

Fotos: Divulgação Deca

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Um dos destaques é o Black Matte, que traz clima intimista, ressalta qualidades como elegância, modernidade e profundidade, mesclando tecnologia de um acabamento exclusivo Deca com a suavidade ao toque. Ideal para ambientes vibrantes e com apelo natural.

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Arq. Camila Oliveira | Foto: Emmanuel Gonçalves

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Seu projeto ainda mais bonito. P ro d uto s o r i g i n a i s , fa b r i ca d o s a r te s a n a l m e nte e m co n c reto a rq u i tetĂ´ n i co, d e s e n h a d o s e a s s i n a d o s co m exc l u s i v i d a d e p e l o Ate l i e r J.V i chy.

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47 / rerthyrevestimentos


PONTO DE VISTA

TOM DE VOZ VS. PERFORMANCE DE MARCA, DO QUE SUA EMPRESA MAIS PRECISA AGORA? Jorge Verlindo

B

oa parte das demandas de comunicação que nos chegam hoje de clientes podem ser qualificadas em necessidades de tom de voz ou de performance de marca. Ambas as dimensões da comunicação são muito importantes, cumprem papéis coordenados na atuação da empresa frente a seu público, mas demandam um mindset, operações e timing diferentes.

Ilustração: freepik.com

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Jorge Verlindo - Diretor de Criação Verlindo Comunicação foto: Divulgação

Tom de voz pode ser entendido como o posicionamento da marca. Vamos chamá-lo aqui dessa maneira considerando a metáfora de que sua pessoa jurídica é uma pessoa física. Se sua empresa fosse uma pessoa, como ela seria? Seria mais feminina ou masculina? Mais acolhedora ou mais agressiva no mercado? Quais seriam os grandes temas da vida institucional da sua empresa? O que ela faria bem pela sociedade e na relação com seus clientes?

Vamos entender como Branding a disciplina que cuida hoje do tom de voz das marcas. Um bom serviço de branding pode adequar ou transformar desde o nome da sua empresa até a forma como os seus funcionários atendem os clientes, passando pelo ambiente físico, website, identidade visual e, finalmente, o tom de voz de todo conteúdo que a representa. Grosso modo, o tom de voz da sua marca vai portar elementos racionais e emocionais, com os quais os clientes vão se relacionar na hora de interagir com ela.

Parece algo intangível, mas essa dimensão empresarial é fundamental nas dinâmicas entre clientes e empresas. Pare para pensar: da última vez que você ficou satisfeito ou teve problemas com uma empresa X de internet, como foi a sensação? Você reagiu ao CNPJ, aos milhares de funcionários, aos seus escritórios em outros estados ou teve uma reação similar à que teria com outro ser humano?

Uma vez definido o tom de voz, chega a hora de a marca escoar sua identidade e ofertas de produtos/ serviços para sua audiência. Aqui já estamos falando de Performance: um conjunto de operações de marketing, compra de mídia, desenvolvimento de estratégias online e offline que vão estreitar a distância entre as várias dimensões da sua empresa e as necessidades e desejos de seu público. Serviços

de performance vão desde ações offline como promoções e eventos, passando por campanhas tradicionais e chegando finalmente à performance digital, que é a irmã mais nova dessa grande disciplina. A performance digital hoje é um campo amplo e com muitas oportunidades de publicidade para as marcas. Seja via campanhas de marketing digital ou rotinas de conteúdo nas suas redes sociais, ela assume grande relevância principalmente pelo fácil acesso aos usuários (já que todos nós estamos conectados boa parte do tempo, e as ações de marketing chegam direto aos nossos dispositivos), pela amplitude e profundidade dos dados sobre o público (hoje tudo o que você faz na internet vira dados que falam sobre seu perfil de uso e interesses) ou pela precisão do monitoramento de resultados, uma vez que qualquer iniciativa no âmbito digital é capaz de oferecer quantitativos detalhados sobre seu alcance e relevância. Dessa forma, performar

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PONTO DE VISTA

Muito além de um banho...

Ilustração: freepik.com

ações no mundo digital hoje deixou de ser um luxo dos entendidos para assumir papel central no marketing das empresas. O principal complicador desse contexto é que poucos pequenos e médios empresários se atentam a estas duas grandes dimensões da comunicação de suas empresas e podem, por isso, ter um desempenho aquém de seus objetivos. Uma dica que sempre damos aos nossos clientes é: defina o tom de voz da sua empresa antes de investir em performance. Imagine que o marketing digital e as redes sociais vão levar a cara da sua marca a milhares de pessoas.

Você não vai querer expô-la antes de ter uma boa identidade visual e conteúdos que a apresentem de forma relevante e consistente. Do contrário, essa exposição pode trabalhar contra seus objetivos ou queimar a oportunidade da marca atingir seu público de maneira sólida e passar a ser uma referência em seu mercado. Desse ponto de partida, levanto a reflexão: do que sua marca mais precisa agora? De tom de voz ou de performance? Se você não conseguir responder essa questão, pode ser a hora de procurar um profissional ou uma agência de comunicação para lhe ajudar nos próximos passos.

Axell, promovendo parcerias de Sucesso... em Brasília

50 OCP 0070

PRODUTO CERTIFICADO

22 de Setembro a 09 de Novembro de 2016 Terça a sexta das 15h as 22h Sábado, domingo e feriados das 12h as 22 Local: SHIS QI 09 LOTE D – LAGO SUL (Antigo Hospital Inacor)

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São Geraldo ACABAMENTOS E COMPLEMENTOS


ESPECIAL POLÔNIA

ESPECIAL POLÔNIA

MARIE CURIE, FRÉDÉRIC CHOPIN, NICOLAU COPÉRNICO E PAPA JOÃO PAULO II O país de origem dessas personalidades pode não estar entre os mais populares e preferidos dos brasileiros, mas guarda muitos segredos e encantos

Diana Leiko

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urante todo o ano de 2016, estão ocorrendo diversos eventos em várias capitais do país com o objetivo de ampliar a presença da cultura polonesa no Brasil. O primeiro grande projeto realizado por Culture.pl na América do Sul construiu um programa em que a rica herança de conhecimentos entre esses dois países gerasse um hibridismo cultural. Sendo assim, não poderiam ficar de fora as figuras polonesas que, de maneiras diferentes, deixaram a sua marca no cenário cultural do Brasil como Tadeusz Kantor, Zbigniew Ziembinski, Yanka Rudzka, Lucjan Korngold, Jorge Zalszupin e Krzysztof Kieslowski. Aproveitando esse impulso inédito nas relações entre a Polônia e o Brasil e essa nova troca de inspirações resolvi, então, escrever sobre este país que ainda não está entre os destinos mais procurados pelos brasileiros, mas deveria. As razões? São muitas.

ilustração: Grande Circular POLAND

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ESPECIAL POLÔNIA

ESPECIAL POLÔNIA

TURISMO Varsóvia - Minha ida à Polônia teve uma razão muito específica. Visitar uma amiga que tive a felicidade de conhecer em Brasília, polonesa, e sim, muito especial. A começar pelo fato de que fez faculdade em Letras - Português. E não foi no Brasil. Foi no seu país de origem. O trabalho nos uniu e nosso contato foi além. Sou dessas pessoas que atravessa o mundo para estar com os amigos. Eu tinha, então, um bom motivo para matar a saudade de Karolina Malaczek e de quebra conhecer um novo país. E assim o fiz. Fórum de Varsóvia | fotos: Acervo pessoal

Meu primeiro destino foi a capital Varsóvia, onde fui tão bem recebida pela minha querida amiga. Claro que isso a tornou uma das minhas capitais preferidas. Alucinada por história que sou, não só li tudo o que pude antes de chegar ao destino, como a minha primeira providência foi fazer uma visita guiada com o Free Walking Tour pela Cidade Velha.

também ter sido orientado para o tema. Mas isso está longe de tirar o encanto de Varsóvia. Se foi uma cidade de um país que sofreu com a Segunda Guerra e, depois, na época comunista, é interessante – e até inspiradora – a forma com esse povo resistiu e superou a toda espécie de atrocidade.

Varsóvia teve um papel na história marcante, porém trágico. A começar pelo fato de que foi a cidade mais bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial, razão de os lindos cartões portais do centro histórico serem, na verdade, reconstruções baseadas nos prédios que ali existiam antes dos bombardeios. Além disso, a Polônia foi o primeiro país invadido pela Alemanha, evento que deflagrou a guerra. É de se esperar então, que, durante o tour, muito do que foi dito tenha tido relação direta com esse triste período da nossa história. Além de o passeio

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Telhado da Biblioteca da Universidade de Varsóvia Cidade Velha (Stare Miasto) Biblioteca da Universidade de Varsóvia

Ao caminhar pela cidade, impossível não perceber que ainda existem feridas abertas a cada vez que você passa por um monumento que tem, no seu pé, velas e flores. Provavelmente ali ocorreu algum massacre, seja na época nazista, seja na comunista. Ou se depara com resto da engrenagem da roda de um tanque de guerra encrustado em um prédio antigo ou, ainda, marcas de bala em placas que são destacadas com uma proteção de acrílico. Para se ter uma ideia, bem próximo ao apartamento da mi-

nha amiga, onde hoje funciona uma pequena feira, foi o lugar de várias execuções.

Museu da Insurreição de Varsóvia – Warsaw Rising Museum ou em polonês, Muzeum Powstania Warszawskiego. Parada obrigatória. O museu foi inaugurado em 2004, ano da comemoração do 60º aniversário de um dos capítulos mais tristes da sua história e também presta uma homenagem a todos que morreram durante a luta para tornar a Polônia livre. Foi durante a Segunda Guerra Mundial que aconteceu a Insurreição de Varsóvia, nome dado ao momento em que soviéticos e alemães invadiram a Polônia ao mesmo tempo e praticamente destruíram todo o país, deixando Varsóvia em ruínas e matando mais de 400 mil judeus.

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ESPECIAL POLÔNIA

Os alemães arrasaram a Polônia, já a tática adotada pelos soviéticos foi mais sórdida, pois eles se diziam “aliados” dos poloneses, quando queriam que os alemães e os poloneses se atacassem e perdessem força para que a conquista fosse facilitada. Milhares de judeus foram apreendidos em guetos que foram isolados do restante da cidade por muralhas enormes criadas pelos alemães. Devido à falta de comida e as condições precárias do local, muitos morreram de fome, doentes ou foram mandados para os campos de concentração. Mesmo diante dessa situação, os poloneses lutaram bravamente. Chegaram a reconquistar quase toda a cidade, mas a Rússia, que havia prometido armamento, não cumpriu com o combinado, deixando os insurgentes sem condições de enfrentar o exército de Hitler. Essa é apenas uma parte da triste história que se pode conhecer mais a fundo nesse museu por meio de fotos e vídeos, muitos deles chocantes. Vale ainda assistir ao filme em 3D chamado de “A Cidade em ruínas” que simula o voo de um B-25 sobre a cidade, mostrando como Varsóvia ficou depois dos bombardeios. São apenas cinco minutos. Destaque ainda para uma réplica de um avião Liberator B-24, bastante usado durante esse período de ataques. Durante a visita, se prepare para os sons, que vão desde um coração batendo acelerado, explosões e voos de aviões que bombardearam a cidade. Os visitantes podem sentir o horror vivido pela população da cidade que antes da guerra tinha mais de 1 milhão de habitantes e, quando terminou, não restaram mais do que 1 mil pessoas. Sorte de quem conseguiu fugir.

Parques encantadores – Se tem uma coisa que Detalhe do Fórum de Varsóvia

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eu amo na minha vida é estar em contato com a natureza. E os parques de Varsóvia, quando o outono se aproxima, ficam simplesmente lindos! Destaco o Lazienki Królewskie, Parque dos Banhos. É o maior da cidade, com 76 hectares.

Parque Lazienki | fotos: Acervo pessoal

Dentro do complexo, destaque ainda para o Palácio na Água ou Palac lazienkowski . A construção teve início em 1683 e terminou apenas em 1689. É possível visitar o interior do palácio. Próximo a ele está o teatro, onde são apresentados concertos ao ar livre. Em uma outra parte do parque está a estátua em homenagem a Frédéric Chopin, o famoso compositor polonês que cresceu em Varsóvia. Foi colocada no parque em 1926 e, durante a Segunda Guerra Mundial, foi destruída e o parque fechado. As músicas de Chopin foram proibidas de serem tocadas e ouvidas, pois os alemães preferiam escutar as músicas de Wagner. Um detalhe que me encantou foram os bancos que tocam músicas de Chopin presentes não apenas nesse parque como em vários locais da cidade.

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ESPECIAL POLÔNIA

De cima para baixo: Ópera de Cracóvia inspirada na arquitetura da Ópera de Paris | Castelo e catedral de Wawel Artistas de rua colorem a cidade universitária com suas obras | fotos: Acervo pessoal

Palácio de Wilanów | foto: Acervo pessoal

IMPERDÍVEL Palácio Presidencial – Apesar de não ser possível visitar o seu interior, vale a vista de fora que revela a linda arquitetura do edifício. Além disso, bem em frente à entrada principal tem uma estátua equestre do Príncipe Józef Poniatowski. Hoje em dia o palácio é a residência oficial do presidente da Polônia.

Palácio da Cultura e Ciência – Os poloneses têm uma relação de amor e ódio com esse edifício. Os mais velhos consideram que é uma herança da época do comunismo (e, de fato, é, já que foi presente de Stalin). Os mais jovens já aceitam melhor. É considerado o prédio mais alto da Polônia, com 232 metros de altura divididos em 42 andares. Entre as atrações estão o deck de observação no 30º andar, onde há duas estátuas; uma de Stalin segurando um livro de Karl Marx e uma outra de Vladimir Lenin. Além disso, existe o Museu do Comunismo, que conta um pouco do período comunista vivido

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Cidade Antiga – Stare Miasto, em polonês, é

Igreja da Santa Cruz – Fica em frente a uma praça onde abriga a estátua em homenagem ao polonês Nicolau Copérnico. A grande atração dessa igreja de estilo barroco fica por conta do coração mumificado de Frédéric Chopin, guardado dentro de uma caixa de cristal em um dos pilares dessa igreja.

o centro antigo cidade. É onde estão as principais atrações: Castelo Real, Coluna do Rei Zygmunt, Praça do Mercado, Barbican e as igrejas de St Jonh e Holy Cross. É uma área cheia de restaurantes e lojas de souvenirs e também abriga a Casa Museu Marie Curie, local onde a cientista – primeira e única mulher a ganhar dois prêmios Nobel (um em química, outro em física) – passou o seu primeiro ano de vida. A descobridora dos dois elementos químicos, polônio e rádio, foi a primeira mulher a ser admitida como professora na Universidade de Paris. Em 1995, a cientista se tornou a primeira mulher a ser enterrada por méritos próprios no Panteão de Paris. No local, fotos, documentos, escritos dela e de seu marido, Pierre Curie.

Palácio de Wilanów – Situado nos subúrbios ao sul de Varsóvia, geralmente é lembrado como a versão polonesa de Versalhes. Wilanów significa Cidade Nova, e sua origem remonta a 1683. Naquela ocasião, o rei polonês Jan Sobieski (1674-1696), um dos mais renomados monarcas do país, famoso por ter liberado Viena do domínio turco, decidiu construir algo arquitetonicamente diferente de tudo já visto em Varsóvia, para celebrar os prósperos novos tempos que se aproximavam. O responsável pela obra foi o arquiteto italiano Agostino Lotti, que conseguiu criar uma obra de extremo bom gosto, harmonizando com perfeição construções, jardins, alamedas, exteriores e interiores.

no país. Há dois bares no térreo, um em cada ponta. Além de teatros.

Cracóvia – Este ano, a cidade esteve em alta em função da Jornada Mundial da Juventude, ocorrida em julho. Também é a cidade onde o Papa João Paulo II estudou e foi bispo. Mas não foi isso que me levou até ela. Ao contrário de Varsóvia, foi preservada dos bombardeiros da Segunda Guerra Mundial, porém próximo a ela está um dos locais mais aterrorizantes desse período. O campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Depois de ir a tantos lugares históricos relacionados ao tema, virou minha obsessão. E já que estava na Polônia, não poderia deixar de incluir no meu roteiro esse lugar. Mas antes de chegar lá, vale dizer que Cracóvia é mais pitoresca. Uma cidade universitária e, por isso, mais jovial e descontraída. Também é menor que a capital e dá para fazer vários passeios a pé. Na verdade, dá para fazer tudo, a exceção dos pontos turísticos mais distantes, como Auschwitz e Mina de Sal de Wieliczka.

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ESPECIAL POLÔNIA Estando lá, não deixe de conferir o castelo de Wawel (a pintura “A dama com arminho”, de Leonardo da Vinci, está lá) e a igreja é a mais importante da Polônia, com vários reis, rainhas e figuras históricas enterradas lá. Vale ainda incluir o bairro judeu de Kazimierz, a Fábrica de Oskar Schindler e o Museu Subterrâneo de Cracóvia.

Auschwitz-Birkenau – Está longe de ser o local mais agradável em que já estive em toda a minha vida. Na verdade, foi o pior. Conhecer o mais cruel campo de concentração nazista não foi divertido, nem legal e empolgante. Mas foi, certamente, inesquecível. Há diversas agências de turismo que fazem visitas guiadas no esquema bate e volta. Dá para fazer, tranquilamente, em um dia. A primeira parada é Auschwitz. Lá você se depara com celas onde os presos, em sua maioria judeus (vale lembrar que ciganos, pessoas com deficiência e homossexuais também foram exterminados), se amontoavam. Não haviam camas, apenas feno no chão. Eram tratados, literalmente, como animais. O museu guarda os pertences das pessoas assassinadas: malas, brinquedos de crianças, sapatos, utensílios para casa, roupas. Vi diante de mim fotos de crianças subnutridas, de uma mãe protegendo seu filho pouco antes de ser fuzilada, de alguns dos milhares de assassinados no campo, até o muro onde ocorriam os fuzilamentos. Também escutei o choro de muitos visitantes. E me doeu na alma. Da esquerda para direita: Auschwitz-Birkenau Malas que eram dos prisioneiros Ruínas de um dos fornos crematórios. Os nazistas começaram a destruir as provas com a aproximação das tropas inimigas “Arbeit macht frei”, a frase em alemão significa “o trabalho liberta” e foi colocada nas entradas de vários campos de extermínio do regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial, como em Auschwitz I fotos: Acervo pessoal

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dos durante o inverno. Vi ruínas dos crematórios intactas (os nazistas começaram a destruir todas as provas quando perceberam que as tropas rivais se aproximavam), o trilho que trouxe o trem com as várias pessoas assassinadas, os fornos. Eu sei que é um relato nada estimulante. E que provavelmente muitos não teriam o menor interesse em visitar um campo de concentração. Mas a história deve ser preservada para que episódios como este não se repitam. Na época em que eu fui, acompanhei ao vivo pela TV as fronteiras da Hungria com cercas de arame farpado para impedir a entrada de refugiados. E não vi uma situação tão diferente, em sua origem, do que ocorreu no holocausto. Porém essa crise dos refugiados não é recente como é divulgado massivamente pela mídia e o genocídio alcança uma proporção muito mais grave do que ocorreu na Segunda Guerra Mundial. Estar num local como Auschwitz-Birkenau expande sua visão de mundo, aumenta sua percepção de humanidade e reforça que tudo está interligado. Ser brasileiro e estar no Brasil não faz com que não tenhamos responsabilidade pelo que ocorre em outro continente. O futuro que nos espera é assustador.

Birkenau, o segundo campo de concentração visitado, é igualmente terrível. Era lá que acontecia a triagem dos prisioneiros aos chegaram ao campo, separando os que tinham condições de trabalhar dos velhos e crianças, que muitas vezes eram encaminhados diretamente para a câmara de gás. Em Birkenau ficavam também os celeiros, construídos originalmente para abrigar animais, mas que foram a “casa” de milhares de presos, que se amontoavam sem nenhuma condição. Vários morreram congela-

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ESPECIAL POLÔNIA

cartazes: Dawid Ryski

ilustração: Kosmos Project Mascs (2011) | foto: Grzegorz Stadnik foto: Domingos Tótora Kraft Bench (2008)

ARTE E DESIGN

Na parte dedicada ao design industrial, veremos trabalhos históricos da Escola Polonesa de Cartazes, assim como os trabalhos dos designers gráficos contemporâneos. Os cartazes históricos, cedidos pelo Museu do Cartaz de Wilanów (Muzeum Plakatu w Wilanowie), são exemplos de obras antigas usadas para a promoção da Polônia no exterior. Além disso, os designers gráficos contemporâneos convidados a participar da mostra conceberam cartazes especialmente para a ocasião sobre os seus respectivos países, inspirados nos trabalhos dos seus predecessores. Da parte da Polônia, serão eles: Robert Czajka, Małgorzata Gurowska, Marta Ignerska, Dawid Ryski e Tymek Jezierski. Do Brasil, foram convidados Bruno Porto, Fabio Lopez, Rico Lins, Grande Circular e Estúdio Mola.

Como falei anteriormente, em 2016, o Instituto Adam Mickiewicz, atuando sob a marca Culture.pl, organiza uma apresentação da cultura polonesa no Brasil. Ao lado de eventos nas áreas do teatro, artes visuais, filme e dança, não faltará o design polonês. Para inspirar o leitor a conhecer a Polônia, a exposição “Design Dialogue: Poland – Brazil” chega a Brasília no início de novembro, depois de passar pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Com curadoria das polonesas Magda Kochanowska e Ewa Solarz, e do brasileiro Gabriel Patrocínio, a mostra busca justapor o clássico com o contemporâneo e apresentar ícones do design dos dois países.

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ESPECIAL POLÔNIA

Da esquerda para direita: cartaz: Robert Czajka cartaz: Bruno Porto cartaz: Estudio Mola cadeira: VZÓRRM 58 armchair (designed 1958, produced 2012) | foto:VZÓR

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ESPECIAL POLÔNIA

o melhor design para pessoas exclusivas.

Detalhe feito com cristais Swarovski Elements.

A exposição irá apresentar, também, produtos industriais contemporâneos considerados icônicos para o design da Polônia e do Brasil. Os produtos serão agrupados em cinco categorias, em torno das quais será construída a narração da exposição que criará um diálogo entre os designers dos dois países. Nesta parte, veremos as seguintes duplas de estúdios e designers poloneses e brasileiros: Vzór / Furf Design (móveis), Agnieszka Bar / Jader Almeida (vidro), Alicja Patanowska/ Holaria (cerâmica), Kosmos Project / Sérgio Matos (tradição), Zieta Prozessdesign / Domingos Tótora (inovação).

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Linha Diamond

MAM | foto: Divulgação Sergio Matos bancos carambola 2010 | foto: Sergio Matos

Serviço: Museu Nacional do Conjunto Cultural da República 1 a 27 de novembro 2016

www.rubinettos.com.br

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fotos: Divulgação

JOVEM TALENTO

UMA TALENTOSA JORNALISTA QUE SE ENCONTROU NO DESIGN DE INTERIORES

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aria Fernanda Seixas sempre se sentiu muito atraída pelo universo do design. “Sempre foi muito natural para mim olhar uma sala, por exemplo, e conseguir reorganizá-la na minha mente. Desde criança eu tinha esse instinto de tentar melhorar a estética e a funcionalidade dos espaços. Fazia make overs nos quartos das amigas com 10 anos de idade, e até na sala das mães delas, que me pediam ajuda para posicionar as coisas”, comenta. A profissional cresceu acreditando que seria esse o seu ofício. Mas a paixão pela literatura a levou para o curso de Jornalismo. “Exerci a profissão por oito anos muito felizes na vida louca de redação. Fui colunista de gastronomia e repórter de conflitos internacionais. Mas eram as matérias sobre arquitetura que mais me encantavam. Lancei um site só sobre decoração em 2008 e comecei a mergulhar ainda mais nesse universo”, conta. Em 2012, Maria Fernanda deixou a redação para fazer faculdade de Design de Interiores e ali, naquelas primeiras experiências desenhando plantas baixas com lapiseiras, que ela teve a certeza de que encontrara sua vocação. “Abri o Estúdio Ferdi e me

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joguei na cara e na coragem no mercado de Brasília. Dois anos depois, com o Estúdio a pleno vapor, fui convidada pelo portal Metrópoles para assinar uma coluna semanal sobre design, a coluna Casa Nossa, que me dá a oportunidade de matar a saudade do jornalismo, falando sobre o que eu amo”. Dentro da profissão, a designer revela que seu caminho é a convergência entre o modernismo vintage com o modernismo contemporâneo. “Sou uma carioca criada em Brasília, então tenho essa mistura das cidades na minha forma de pensar o design. O concreto e o verde, as linhas retas e o estilo despojado. A beleza muito mais genuína que a gente encontra na simplicidade das formas e dos espaços”. O foco, segundo ela, é pensar em casas e espaços menos pasteurizados. “Não sigo tendências nem as aplico livremente nos trabalhos. E as utilizo

como guia, como ferramentas possíveis. Mas não dá para fazer a casa dos outros de vitrine”, ressalta. Por fim, ela afirma que não projeta para que a visita fique impressionada, mas para que os moradores fiquem apaixonados por cada cantinho do espaço. “Transformar os lares em espaços que transbordem história pessoal, identidade e leveza é minha principal preocupação quando toco um projeto. Casa é refúgio, ninho, nosso local de recolhimento. Dali não tem para onde fugir. Ela não pode ser aquele sapato lindo e incômodo. A casa é uma extensão de quem somos”.

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MESTRE DE OBRA-PRIMA

PLANEJAMENTO

OBRAS SEM DOR DE CABEÇA

Planejar uma obra, abrangendo custos, material e pessoal envolvido, ajuda a evitar problemas futuros, gastos excessivos e atraso nos prazos.

Planejamento ajuda a delimitar custos, racionalizar o tempo e organizar todos os materiais para construir ou reformar

EXECUÇÃO É de extrema importância acompanhar a execução da obra. Somente desta forma é possível checar se a construção ou reforma está seguindo o cronograma e fazer reparos imediatos não previstos, evitando o disperdício de tempo e material.

Camila Rezende

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sempre a mesma coisa: na hora de construir ou reformar a obra vira uma bagunça, há sujeira por todos os lados e os prazos nunca se cumprem. Será que não existe um meio mais prático de realizar as obras sem dor de cabeça? A resposta é “sim”! Fábio Fernandes Oliveira, sócio da TECNA Construtora, explica que um bom planejamento ajuda a evitar a maioria dos problemas. Confira as dicas do profissional: No planejamento inicial - que chamamos de pré-obra - existem etapas que devem ser observadas, como definição dos objetivos a serem atingidos, melhor forma de execução e controles físico e financeiro, por exemplo. Analisar a situação com antecedência ajuda a traçar tais objetivos e verificar as possibilidades de desenvolver o projeto. Esses passos são extremamente importantes para determinar o rumo a ser seguido. Ao determinar os objetivos que se quer alcançar com as obras, poderá planejar junto ao profissional - arquiteto ou engenheiro - como será a execução. Aqui você irá determinar a configuração da construção ou reforma, quantos cômodos serão adicionados ou remodelados e o que será afetado durante os trabalhos: pisos, paredes, fiações, encanamentos, etc. Com os objetivos delimitados, é hora de estabelecer estratégias. Nesse ponto você irá determinar como

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RESIDÊNCIA CROSARA utilizar da melhor forma os recursos financeiros, humanos e físicos. A partir destas metas estabelecidas, será possível prever um cronograma das obras. Com ele, será definido quando e quanto de capital será utilizado em cada fase. Para isso, um orçamento executivo - especificando os custos reais baseados no projeto definitivo e as programações de mão-de-obra, materiais e equipamentos - pode auxiliar muito.

Seguindo todos os passos do planejamento e do cronograma, o resultado final será o idealizado no começo do projeto.

fotos: Divulgação TECNA Construtora

Tendo em mente quanto irá gastar e quais materiais comprar, é possível prever quanto tempo irá durar cada etapa da obra. Evitando, dessa forma, atrasos, gastos desnecessários e desperdício de material. Uma dica é ouvir a opinião do engenheiro ou arquiteto sobre o material adequado, já que ele é o responsável pelo planejamento e sabe o que se adequa melhor a cada projeto. Iniciada a construção ou reforma, você deve acompanhar de perto a execução do projeto. Confira se o que está sendo feito segue o cronograma. Caso haja algum imprevisto, converse com o engenheiro ou arquiteto para adaptar a obra para que não haja atrasos e o resultado final seja o mais próximo possível do previsto, sem custar mais caro. Agora é deixar o stress de lado e curtir a concretização de um sonho. Boas obras!

fotos: Divulgação

Fábio Fernandes Oliveira é sócio da TECNA Construtora, juntamente com Luizangelo Oliveira. A empresa é referência no mercado da Construção Civil de alto padrão na capital federal. Atua em diversas áreas da construção civil, tais como residencial Triple A, obras corporativas, médico-hospitalares e reformas em geral. Atua também no “pré-obra”, ou seja, na elaboração do planejamento estratégico da obra e gerenciamento de todos os projetos.

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ARTIGO

UMA ODE AOS PORTUGUESES Por Luciana Barbo

fotos: Acervo pessoal

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ou apaixonada por vinhos portugueses. Por quê? Percorrendo as minhas memórias, lembro de ter me encantando com eles desde quando comecei a escrever sobre comida, há 13 anos. Durante todo esse período, provei vinhos de várias nacionalidades e busquei entender a causa dessa minha preferência. Eis aqui algumas desconfianças sobre o motivo pelo qual venho nutrindo esse vício. Primeiramente, Portugal ostenta uma vasta lista de castas que só existem lá e que, por sua vez, dão vida a vinhos de personalidades bem diversas dos produzidos em outros países. São pelo menos 250 variedades de uvas catalogadas em todo o país, sendo que as mais conhecidas dentre as tintas são a Touriga Nacional, a Castelão (lembram do vinho Periquita?), a Tinta Roriz e a Trincadeira. Nas brancas, declaro todo o meu amor à Arinto, à Alvarinho e à Antão Vaz, frescas, frutadas e ótimas para combinar com o clima quente do Brasil.

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Fora as uvas ainda há diversos microclimas, solos e relevos que se encarregam de garantir ainda mais surpresas aos apreciadores da bebida. Somente no Alentejo, que ocupa um terço da área do país, é possível perceber muitas diferenças em aromas da mesma uva em poucos quilômetros de distância. Visitei vários produtores em 2013 e essa viagem selou de vez a minha admiração, em especial, pelos vinhos alentejanos. Tem gente que torce o nariz para os métodos mais modernos empregados ali, que prefere a tradição do Douro, primeira região demarcada do mundo. É claro que admiro vários dos produtores dali, da Bairrada e do Dão, mas sou daquelas que gostam de histórias de superação, dos outsiders, e ali no Alentejo tem muito disso. De 1933 a 1974, Portugal viveu sob o regime de Salazar, que enfraqueceu a cultura do vinho no Alentejo, cortando financiamentos para os produtores

e incentivando o cultivo de grãos. Para se ter uma ideia, somente sobreviveram as videiras localizadas em solos muito pobres nos quais não se poderia plantar outra coisa. O resto foi arrancado da terra. Somente depois do fim da ditadura, os antigos produtores começaram a reconstruir os vinhedos com as uvas autóctones e aproveitaram para inserir também algumas castas francesas, como a syrah e a alicante bouschet, que se adaptaram muito bem à região. No início da década de 1990, com a entrada de Portugal na União Europeia e a chegada de investimentos de outros países, os vinhos alentejanos começaram a recuperar força e reconhecimento no mercado internacional. Hoje, depois de mais de 30 anos de batalha, o Alentejo possui mais de 22 mil hectares de vinhas e oferta 45% do vinho consumido em Portugal. Ali, a tradição e a modernidade caminham juntas. Há

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produtores que usam alta tecnologia para produzir mais e melhor e alguns outros continuam utilizando métodos ancestrais como a maceração por pisa a pé e a fermentação em ânforas de terracota. E ainda há aqueles que usam as duas, afinal de contas, no mercado concorrido em que vivemos, não dá pra viver de sonho e são os vinhos jovens, de comercialização fácil e rápida que garantem a sustentabilidade econômica desses negócios. O Brasil é um dos mercados mais importantes para eles. Durante a minha visita, vários produtores que ainda não enviam seus vinhos para cá mencionaram o interesse em conquistar o nosso paladar. Claro que adorei saber disso, até porque os vinhos portugueses conseguem chegar aqui por preço bem mais competitivo. Eis aí outra razão para a minha paixão.

VINHOS DE BOM CUSTO-BENEFÍCIO Terras de Xisto E.A Romeira Chão das Rolas Pequeno Pintor Tapada do Fidalgo Reserva Viña da Defesa Monte dos Cabaços Quinta do Portal Colheita Monte do Pintor Esporão Reserva Paulo Laureano Reserva Cartuxa Colheita

VINHOS CLÁSSICOS PARA GUARDA E por isso, sempre que me perguntam que vinho comprar, aconselho uma passada pela gôndola dos portugueses. Observe a região, o produtor, as informações no contrarrótulo, a qualidade da garrafa e do rótulo. Depois, passe pelas outras e compare os preços. Tenho certeza de que você vai se sentir tentado a experimentar toda essa diversidade. E talvez até se apaixone!

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Pêra Manca Dúvida Scala Coeli Tapada dos Coelheiros Grand Reserva Quinta Dona Maria Dona Maria Grande Reserva

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ARQUITETURA

ARTE PARA TODOS OS GOSTOS

Nova sede da Igreja Batista do Lago Norte - Versátil, Carolina atende e planeja desde empreendimentos de grande porte, como a nova sede da Igreja Batista do Lago Norte, até design de interiores. fotos: Divulgação Studio de Arquitetura

Carolina Nathair é destaque em Brasília por projetar desde grandes empreendimentos corporativos até a decoração de interiores

Camila Rezende

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esde o início da carreira, Carolina Nathair já começava a chamar a atenção no mercado brasiliense. Logo no segundo semestre de Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Brasília (UnB), iniciou a participação em diversos projetos que envolviam design de interiores, urbanismo e construções de grande porte. Após a formatura em 2003, a brasiliense esteve à frente por oitos anos de planejamentos da JCGontijo Engenharia. A área de atuação de Carolina

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sempre foi muito diversificada: atuou com projetos para as áreas comuns dos empreendimentos, apartamentos decorados, stand de vendas e até coordenou mostras de decoração. Com toda essa experiência, a arquiteta decidiu que já era hora de ter seu próprio negócio. Foi assim que, em 2013, inaugurou seu Studio de Arquitetura. Referência em Brasília pelo uso de materiais naturais e sustentáveis e busca pela simetria, a profissional expandiu ainda mais em seu ramo. Carolina tam-

bém é conhecida pelo uso de cores neutras. Ela conta que prefere essa paleta de matizes por considerar os tons mais aconchegantes. Entretanto, a arquiteta não descarta usar cores mais fortes para montar uma composição. Nestes casos, explica, trabalha com os elementos mais sutis em contraposição, como quadros e vasos de decoração em nuances mais básicas. Especialista em desenvolvimento de projetos corporativos e empreendimentos imobiliários, Carolina Nathair é responsável por grandes obras como a nova sede da Igreja Batista na Asa Norte. Mas a profissional não se limita ao ramo corporativo. Ela também trabalha com apartamentos decorados, arquitetura residencial, detalhamento e interiores.

A arquiteta dá dicas para quem está pensando em remodelar seu próprio ambiente. Carolina aconselha a nunca iniciar um planejamento, mesmo que apenas de design, sem medir o espaço do local. Assim, não se corre o risco de comprar um sofá maior que a sala ou uma mesa desproporcional, por exemplo. Outro ponto muito importante que às vezes é negligenciado, de acordo com a profissional, é o espaço de circulação. Ela ensina que é preciso ter livre acesso a todas as partes do ambiente sem nenhum obstáculo, para ninguém correr o risco de esbarrar em alguma coisa. Carolina garante que, tendo como base essas preocupações, as chances de um excelente resultado aumentam muito.

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ARQUITETURA

A brinquedoteca Renato Russo, no hospital do Paranoá, é um dos grandes projetos de Meneghello que destacam-se pelo minimalismo | Fotos: divulgação

PAIXÃO PELA ARQUITETURA Palloma Meneghello conta como trocou a faculdade de Química e seguiu seus sonhos minha vida. Muitas tinham a ver com arquitetura e eram as minhas favoritas. Hoje eu brinco que entrei pra UnB só para conhecer o Daniel”, afirma bem-humorada. Camila Rezende

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os 32, Palloma Meneghello já é um dos grandes nomes da arquitetura em Brasília. Dona de um escritório de Arquitetura e Interiores que leva seu nome, está à frente de diversos projetos, como a brinquedoteca Renato Russo, no hospital do Paranoá. Mas nem sempre a carismática e competente profissional pensou em seguir essa carreira. Sua primeira opção foi uma faculdade de Química.

era aquilo que eu queria. Resolvi então prestar um novo vestibular, mas estava insegura”, afirma.

“Eu sempre gostei muito de arquitetura, mas sempre fui muito boa com números. Na época da escola sempre quis muito a área de exatas, então prestei vestibular para Química na Universidade de Brasília (UnB)”, lembra Palloma. Mas no sétimo semestre, a antiga paixão bateu mais forte. “Descobri que não

E foi nesse mesmo ano que ela e Daniel, que se conheceram na universidade enquanto ela ainda cursava Química, se casaram. “Ele estudava computação. Então tínhamos várias matérias juntos, como Cálculo. E eram essas aulas de exatas que me fizeram perceber o que eu realmente queria fazer pro resto da

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Foi então que o marido Adriano Peles – namorado na época – a incentivou a seguir seus sonhos. “Com o apoio dele, tive certeza que fazia a coisa certa. E assim me formei em 2013 pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB)”, conta a arquiteta.

Desde a época da faculdade, Palloma já era requisitada por muitos clientes. “As pessoas me pediam projetos, então eu trabalhava junto com uma colega de profissão já formada para fazê-los”, relembra a arquiteta. Nostálgica, se recorda até hoje do primeiro estágio com outro grande nome da cidade: Karla Amaral. “Aprendi muito com ela. Acho que tudo que faço até hoje tem um background da Karla”, garante. Após um ano focada em design de interiores, a arquiteta partiu para a construção, com o André Martins. E em pouco tempo o reconhecimento e a procura por seus trabalhos foram crescendo. Foi assim que, em 2014, Palloma abriu sua própria empresa. Famosa por seu estilo “menos é mais”, destaca-se no setor por suas propostas clean e minimalistas. “A maioria dos meus clientes são pessoas que estão iniciando uma vida agora, como recém-

-casados. Então gosto de planejar os ambientes de forma que eles sejam práticos e duráveis, mas não engessados, imobilizados. Eles se adaptam ao gosto do dono, que pode variar a decoração conforme desejar, sem que isso interfira na vida-útil do projeto original”, explica a profissional. E esse estilo “durável sem ser estático” tem conquistado um público cada vez maior em Brasília. “Costumo dizer que meus planejamentos são como almas. A gente faz a alma de um jeito e depois pode ir trocando a roupa, os adornos”, brinca Palloma. Grávida, aguardando a chegada do bebê para dezembro, a arquiteta diz estar focada em sua vida pessoal neste momento, mas que já tem alguns planos para o ano que vem. “Estou querendo expandir meu escritório, mas não quero que ele se torne menos aconchegante. Gosto de participar de todas as etapas de um planejamento e abrir mão de acompanhar meus clientes do começo ao fim é algo que não pretendo fazer tão cedo”, conclui a arquiteta.

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ARQUITETURA

DA CAPITAL PARA O BRASIL

Coco Bambu - Um dos projetos mais famosos são os restaurantes Coco Bambu. Na imagem, a adega da filial do Brasília Shopping. Cobrindo uma área de 1.900 m2, a peça é o grande destaque da decoração. | Fotos: divulgação

Com quase 20 anos de profissão, Rachel Fechina assina projetos renomados em diversos estados do país

Camila Rezende

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ascida e criada em Brasília, Rachel Fechina optou por terras litorâneas para estudar. Mudou-se então para o Rio de Janeiro, onde se formou em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1997. Mas logo após o término da faculdade, a saudade da capital falou mais alto e ela voltou para o planalto central. Por ser uma cidade mais jovem, Rachel tinha certeza de que em Brasília teria mais oportunidades de crescimento profissional. E acertou em cheio em sua aposta. Hoje, é uma das profissionais mais requisitadas da cidade, especialista em arquitetura e interiores residenciais, comerciais e corporativos.

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“Acredito que fiz um ótima escolha, apesar de amar o Rio. Sou muito grata à Brasília. Tudo que conquistei foi aqui”, afirma. Mas a capital e o litoral carioca não foram as únicas testemunhas do sucesso de Rachel. Em seus quase 20 anos de carreira, a arquiteta já atuou em Porto Alegre, São Paulo, Recife, Manaus e Belo Horizonte. “Tenho clientes de outros estados que gostam do meu trabalho e me convidam para fazer restaurantes, casas, apartamentos e outros projetos corporativos”, conta. E por falar em casas, Rachel confessa que esta é sua grande paixão. “Gosto muito da área residencial!

Também amo restaurantes!”, confessa a arquiteta. Entre os projetos de sucesso na capital, estão os restaurantes Coco Bambu do Brasília Shopping e do Lago Paranoá. Para esses projetos, Rachel diz ter se inspirado na atmosfera ensolarada do litoral. O resultado? Uma perfeita combinação de praias nordestinas com boas doses de requinte e sofisticação. Na escolha do material, a profissional optou por aqueles que facilitassem a manutenção, além da madeira, que está presente em quase todo o mobiliário. A iluminação, formada por luminárias pendentes sobre as mesas, oferece aos clientes a sensação de conforto e intimidade.

Mas, sem dúvidas, o grande destaque desse projeto é a adega. O espaço ocupa toda a parede do térreo até o mezanino, alcançando uma área de 1.900 m2.. Além da beleza, a área foi pensada para levar conforto e funcionalidade para os visitantes do restaurante e para os próprios funcionários. “Acredito que todos os projetos são sempre desafiadores, busco sempre fazer o meu melhor”, afirma a arquiteta. Aos 44 anos, Rachel nem pensa em parar. “Quero continuar projetando muito!”, entusiasma-se a profissional. Ela também diz que sua saúde e qualidade de vida são o foco do momento. E aposentadoria? “Quem sabe um dia eu pare e vá morar em Nova York”, brinca.

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Revista São Geraldo ED09  
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