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ANO I Nº01 Novembro 2011 Edição Limitada

URBANISMO O que restou da Copa de 2010 na África do Sul.

Imagem: Pitsou Kedem - Fotógrafo: Amit Geron - amitgeron.com


Patrimônio

Revitalização do Centro de Fortaleza A Câmara Municipal de Fortaleza instalou um fórum de discussão sobre a requalificação do Centro de Fortaleza. Uma área que nos últimos 30 anos mudou o perfil, perdendo os últimos resquícios de um bairro residencial para um bairro centrado no comércio e serviços – e essa transformação se deu sem a devida atenção do Poder Público. A Praça do Ferreira, conhecida como o coração de Fortaleza, é um retrato da falta de atenção dispensada pelo Poder Público ao Centro da cidade. Além das dificuldades de conservação da praça, os prédios do entorno também sofrem com a degradação. Muitos deles, históricos. O Cine São Luiz, por exemplo, ainda aguarda uma reforma prometida por meio da iniciativa privada. Diariamente cerca de 350 mil pessoas circulam pelo Centro de Fortaleza, que se transformou numa fonte geradora de empregos. Por lá, cerca de 70 mil pessoas têm empregos formais, com carteira assinada. Sem contar os trabalhadores que vivem da informalidade. Já os lojistas reclamam da falta de fiscalização da Prefeitura com o comércio informal, que não paga imposto e invade as calçadas. Problema já denunciado em muitas reuniões com o Poder Público, mas que não tem nenhuma solução prática. Para os lojistas da Ação Novo Centro, a chamada requalificação não sai do papel. No fórum promovido pela Câmara Municipal para discutir um projeto de requalificação do Centro de Fortaleza, arquitetos, entidades classistas e políticos buscam dar novas idéias que possam ser colocadas em pauta. E que venham atender aos interesses de todos que moram ou tiram o sustento da área central da cidade. A Prefeitura diz que o maior desafio é resgatar um compromisso histórico que também envolveu outras gestões do Executivo Muncipal e tirar do papel a promessa de revitalizar o Centro da quinta capital do País.

Centro de Fortaleza pode voltar a ter bondinhos No que depender de projetos, a área central pode voltar a dispor do transporte, juntamente com uma série de mudanças na infraestrutura. O bondinho ferroviário ainda está em estudo preliminar. Ele circularia nas ruas General Bezerril, Pedro Pereira, esquina com as ruas General Sampaio e Senador Pompeu, além da Avenida Tristão Gonçalves, entre as ruas Castro e Silva e Senador Alencar. O tempo estimado de implantação é de 24 meses, ainda não tem orçamento e os recursos ainda serão captados. Os bondinhos, os quais compõem o projeto "Passeio da Cidade" não se trata de algo inalcançável, segundo a secretária da Executiva Regional do Centro (Secefor), Luiza Perdigão. "Não é utopia, vereadores. Não é uma obra barata, mas há formas de se adquirir trens originais e, ainda, haveria a revitalização das vias por onde os bondes passassem", disse, ontem pela manhã, ao apresentar aos 32 vereadores presentes ao Plenário Arruda Bastos, na Câmara Municipal de Fortaleza, 29 projetos pensados, elaborados, em licitação ou em andamento para revitalizar o bairro.

Valor pressuposto da revitalização do centro. O primeiro passo de sua revitalização custará R$ 3 milhões e vai recuperar o Memorial da Indústria Cearense. A verba vem da iniciativa privada: instituições como o Bndes, Companhia Vale do Rio Doce e Companhia Energética do Ceará estão colaborando. Fonte: http://www.cnews.com.br/?p=121827

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Jéssica Vasconcelos


Tombamento do Cine São Luiz A Secult promete mudar-se definitivamente para o prédio em cima do Centro Cultural SESC Luiz Severiano Ribeiro (antigo Cine São Luiz), agora em maio. A ação seria uma contribuição da secretaria em relação ao bairro, é claro. Mas ainda não resolveria o problema do abandono no período noturno. O diretor do Fecomércio, Maia Júnior, discorda da proposta de requalificação do Centro como área de habitação. “O Centro é local prioritariamen te de Comércio. Recolhe cerca de 5,6% de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) do Ceará. O negócio aqui é business (uma organização envolvida no comércio de bens, serviços ou ambos para os consumidores).

Tombamento da Igreja do Rosário A Igreja do Rosário foi feita à mão, pelos negros da irmandade de Nossa Senhora dos Pretos, em uma época que havia separação de raças e classes sociais em templos religiosos, com donativos ofertados pelos fiéis, em 1730, e num local considerado afastado da vila, a Praça dos Leões. Era o espaço dos negros, até ser improvisada como matriz entre 1821 e 1854, enquanto se reconstruía a de São José. A Igreja do Rosário foi palco de missas, eleições e enterros. Em uma de suas paredes está sepultado o Major Facundo, de pé olhando para o palácio da luz. No piso da igreja se concentrava o maior número de sepultamentos no século XIX, com sepulturas anônimas, sem lápide, sem identificação. A única sepultura identificada é a do Major Facundo. Após dois anos a sepultura era aberta e os ossos recolhidos em urnas que eram enterrados novamente. A Igreja do Rosário, a mais antiga de Fortaleza, foi tombada pelo Patrimônio Histórico em 1986. Fica na Praça dos Leões no Centro de Fortaleza. Fonte:http://fortalezaemfotos.blogspot.com/2010/03/igreja-do-rosario.html Alexandre e Vilmar Santana

A volta do Centro como um bairro habitacional traria uma série de benefícios. Como exemplo, pode ocasionar melhoria na qualidade de vida de cerca de 65 mil trabalhadores formais que hoje precisam se deslocar dos bairros para a área central. Além de ter praticamente tudo à disposição, o Centro é um dos locais mais arborizados de Fortaleza. “A população também tenderia a defender as áreas de conservação”. Fonte:http://www.jangadeiroonline.com.br/tag/cine-theatro-sao-luiz/ Laís Machado

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Copa 2010: O que ficou para a África do Sul A Copa do Mundo 2010 aconteceu na África do Sul, a primeira a ser realizada no Continente Africano. Por ser um evento grandioso e atrair turistas de toda parte do mundo, necessitava de uma melhora na infra-estrutura para receber e atender as expectativas dos visitantes. Com isso, melhorias urbanas ocorreram na África. Aeroportos foram modernizados, linhas de metrô foram construídas em Joanesburgo, além de um esquema de transporte coletivo durante os jogos. Rodovias e avenidas nas principais cidades foram reformadas. A rede hoteleira não deixou a desejar, com variados hotéis de até seis e st re l a s , d ava m co nfo r to s u f i c i e nte a o s t u r i sta s . Apesar de todos esses investimentos, com mudanças significativas na infra-estrutura, algumas falhas ocorreram. Os estádios construídos foram bastante adequados para receber o torneio. Cinco deles foram construídos, outros quatro reformados, além do Soccer City, em Johanesburgo, que foi totalmente refeito. Três deles (Soccer City, Moses Mabhida, de Durban, e Green Point, na Cidade do Cabo) estão entre os melhores e mais bonitos do mundo. Confortáveis e luxuosos, suportaram bem a demanda da torcida. Nos estádios menores, não havia o mesmo conforto nem o mesmo luxo, mas todos funcionavam bem para receber partidas de menor destaque. Porém, os custos ficaram muito acima do previsto e quase metade deles acabaram sem utilidade, já que são muito grandes, não havendo público suficiente para lotá-los. Os aeroportos modernos suportaram bem a demanda, oferecendo qualidade aos passageiros. O aeroporto de Joanesburgo recebeu modificações maiores. Sem exageros, os aeroportos menores foram devidamente reformados, aeroportos menores foram devidamente reformados, tendo utilidade após a copa, o que não aconteceu com alguns estádios, já citado acima.

Estádio Soccer City, em Joanesburgo As estradas ficaram em perfeito estado, além da boa sinalização. As avenidas bem planejadas proporcionaram o fácil deslocamento nas regiões onde os jogos aconteciam. O transporte público foi a maior problemática da Copa de 2010. Apesar do grande investimento, não atendeu as expectativas. A renovação do sistema de ônibus não foi concluída. Novas linhas de trem foram construídas, mas apenas em Joanesburgo, ficando as áreas mais afastadas e algumas sedes sem variedade de locomoção. Nos aeroportos, o mesmo problema. O principal meio de transporte eram as vans. Por falta de opção, os preços dos táxis eram absurdos. Diante dos problemas econômicos e sociais existentes na África do Sul, o país conseguiu realizar uma notável Copa do Mundo, mudando a opinião de muitos a respeito da África do Sul. Podemos tomar como exemplo a Copa na África, copiando os acertos e aprendendo com os erros. Fazer das nossas obras algo que possa ser útil para a população que fica. Além de não atrasar as obras e ter cuidados com o gasto do dinheiro.

Fortaleza Agradece

Projeto Nova Beira Mar


Obras Agravam o Trânsito de Fortaleza

Vila do Mar: Um novo Conceito de Conjuntos Habitacionais

Conjunto Habitacional Vila do Mar - Foto:Estácio Jr.

Fortaleza, cidade parada há 10 anos. O trânsito fortalezense tem se tornado um dos piores nos últimos tempos. Passar horas preso em um engarrafamento tornou-se rotina. Despertar quase duas horas mais cedo para se ir ao trabalho, ou à faculdade ou à escola, tornou-se um hábito inconveniente. O problema piorou nos últimos cinco anos graças a uma frota de quase 30.000 carros que entram por dia na capital. De dezembro de 2010 a junho de 2011, houve um aumento de 4,8%. Uma das causas são as obras de implantação de medi- das de planejamento urbano. Fortaleza tem a estrutura do trânsito dos anos 90. O Plano Diretor, aprovado em 2009, ainda não saiu do papel. As obras de melhoramentos para a Copa 2014 agravam a situação. Elas paralisam e desviam o trânsito, e parece que nunca terão um fim. As principais avenidas da cidade encontram-se em obras a pelo menos 3 anos, o que dificulta ainda mais a fluidez do trânsito. O Fortalezense vive um dilema, a satisfação de morar em uma cidade com belezas naturais inigualáveis com o contratempo de conviver com insuperáveis transtornos urbanos.

A Habitafor desde de 2005, quando entrou em vigor, já beneficiou cerca de 30 mil pessoas e já tem mais 42 mil esperando suas casas serem construídas. O objetivo do programa do Habitafor é tirar famílias de áreas de riscos e leva-lás para conjuntos habitacionais construídos pela prefeitura e doados para eles. Infelizmente, a prefeitura demora muito para entregar as casas prometidas por causa de irregularidades nas obras e licitações. Muitas vezes, depois de entregues os moradores percebem que os conjuntos habitacionais tem problemas de estruturais e por varias vezes as residências apresentam rachaduras e problemas com a água e esgoto. Os moradores também reclamam de falta de estrutura de lazer como quadras esportivas e praças para as crianças e jovens. Há também alguns moradores que usam de má fé e vendem ilegalmente as casa que receberam de graça pela prefeitura e depois se inscrevem novamente no programa para receberem n o v a s c a s a s . Recentemente a prefeitura inaugurou o primeiro conjunto habitacional do projeto do Vila Mar, que faz parte do projeto de urbanismo de requalificação do litoral oeste de Fortaleza e engloba áreas de risco de bairros como o Pirambu, Cristo Redentor e Barra do Ceará. Com este conjunto habitacional a prefeitura inaugura uma nova fase do programa Habitafor, com moradias bem estruturadas e adaptadas até para deficientes físicos. Já a área comum conta com estacionamento, praças, salões multifuncionais, quadra esportiva, campo de futebol, mesas de jogos, brinquedos e até unidades comerciais.

Débora Raso Calebe Fragoso Cláudio Benevides Nayara Guimarães


ECO CIDADE CHINESA

A China dá um passo a frente com sua inovadora idéia da criação de uma cidade totalmente ecológica. O projeto foi desenvolvido pelo Grupo de Planejamento Urbano Surbana e está sendo construído a apenas 10 minutos da área de desenvolvimento econômico da cidade de Tianjin, na China. A cidade adota o transporte público, prometendo melhorar 90% do tráfego e será adotado o uso de veículos não poluentes ou com baixa poluição em viagens feitas dentro de sua área. Para preservar a região em que está inserida, a eco-cidade adota a verticalidade, usando passarelas para interligar espaços públicos e as moradias serão na forma de habitação pública subsidiada. acessibilidade universal, alcançando todos os níveis máximos de qualidade do ar e da água, diminuindo o nível de poluição sonora , a emissão do gás carbono e utilizando energias renováveis, tais como: solar e geotérmica. A metrópole determina uma área verde de 12m² por pessoa que deve estar no máximo 500 metros de qualquer cidadão, o consumo diário de água por pessoa também não poderá ultrapassar de 120 litros, a quantidade de resíduos domésticos por pessoa deve ser de até 0,8kg por dia e pelo menos 60% desses resíduos deve ser reciclado até o ano de 2013. A cidade promete também adotar medidas políticas inovadoras que promovam o desenvolvimento das indústrias de reciclagem, a colaboração regional, o destaque à preservação da cultura e o seu patrimônio. Estabelecimentos de ensino, áreas de lazer, comércio e locais de trabalhos serão distribuídos dentro das chamadas Eco-Células, fazendo com que cada um esteja localizado perto das áreas residenciais para diminuir os movimentos pendulares. A junção das Eco-Células servirão para formar bairros, distritos e o centro urbano. O Plano Diretor destaca outra invenção chamada Eco- Valley, que atravessará toda a cidade ecológica e fará conexão entre o norte e o sul. Conectará o trânsito, áreas residenciais, centros comerciais e comunitários, criando a oportunidade do uso do transporte aquático para os moradores. O desafio da cidade é conseguir dar oportunidade de emprego para todos os moradores e reduzir a sua necessidade de deslocamento, fazendo com que além do principal centro comercial da cidade, exista também outros subcentros comerciais localizados em cada uma das áreas suburbanas. Esse é o grande objetivo da cidade, conseguir manter tanto o equilíbrio ambiental. quanto o desenvolvimento Fonte:http://www.arquitetonico.ufsc.br/a-eco-cidade-chinesa. econômico. Laís Araruna Alessandra Mensurado

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S.O.S COCÓ Reciclagem

Indo na contra mão do futuro inteligente, na manhã do dia 19 de Outubro, o juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública, Francisco Chagas Barreto Alves, determinou que o Município de Fortaleza conceda licenciamento ambiental ao loteamento Jardim Fortaleza, no Cocó. Hoje, o Parque do Cocó, é considerado um dos maiores parques ecológicos urbanos da América Latina, é um tesouro inestimável composto por um manguezal e com uma biodiversidade de moluscos, crustáceos, répteis, aves e mamíferos e um ambiente favorável para reprodução, desova, crescimento e abrigo natural.

Os resíduos da construção civil são gerados tanto por demolições, obras em processo de renovação, como por edificações novas, em razão do desperdício de materiais resultante. 98% das obras brasileiras ainda utilizam métodos tradicionais. A reciclagem de entulho é a solução para materiais que descartados, onde ocorre a transformação de material de construção inutilizável, em matérias-prima para obras prediais e por obras públicas. A reutilização desses entulhos como matérias-primas tem como benefício a diminuição de consumo energético, da demanda por mais matéria e de gastos financeiros, além de proteger o meio-ambiente de resíduos que levariam milhões de anos para serem decompostos. Em média, o entulho de obras brasileiras é composto basicamente por: 64% de argamassa; 30% de componentes de vedação (tijolos e blocos); 6% de outros materiais (concreto, pedra, areia, metálicos e plásticos). Concluindo-se que é possível triturar aproximadamente 90% desse entulho (argamassas e componentes de vedação) para ser anexado na produção de componentes de construção e argamassas. Segundo o arquiteto Tarcísio de Paula Pinto, os principais objetivos da reciclagem de resíduos são: redução do número de áreas de deposição clandestina, diminuindo gastos da administração pública organizando o entulho; aumento da vida útil das jazidas de matéria-prima por causa da substituição de materiais reciclados; produção de materiais de construção reciclados com baixo custo e ótimo desempenho. O Processo e o Maquinário da Reciclagem O processo de reciclagem municipal envolve todo um planejamento, uma infra-estrutura administrativa, pequenos locais de apoio para organização e triagem do entulho e a estação de reciclagem propriamente dita. O processo de reciclagem por britadores, passa basicamente pela seleção, limpeza, trituração e classificação granulométrica dos materiais, para posterior utilização específica. Qualidades Físico-Químicas dos Agregados Reciclados:  Segundo alguns levantamentos de desempenho das argamassas com agregados reciclados realizado por várias empresas, o produto feito de entulho chega a apresentar resistência praticamente três vezes superior à argamassa tradicional. O Engenheiro André Natenzon diretor comercial da Anvi, fala que isso deve à pozolana, que em maiores concentrações da moagem de blocos cerâmicos. Algumas restrições (CORBIOLI, 1996) quanto ao uso de agregados reciclados: Restrições: Produtos à base de entulho reciclado não devem ser utilizados onde haja exigências estruturais; Argamassas à base de entulho não devem ser utilizadas como impermeabilizantes; A massa com gesso perde a liga, com EPS perde a resistência.

Esta decisão não só fere os princípios ecológicos, mas também mostra como Fortaleza está retrocedendo, visto que uma maioria apenas assiste inerte a destruição de uma das ultimas riquezas naturais da cidade. É verdade que pequenas atitudes já foram tomadas para manter a preservação da mata, tais como a construção do cercamento da área para evitar a invasão imobiliária, o desmatamento e a poluição. Muito mais ainda precisa ser feito para evitar um desastre maior. Sobre a sentença, ainda não foi efetuada, resta uma grande batalha na justiça sobre o caso. O vereador João Alfredo defende que não caberia a um juiz de 1ª instância julgar a inconstitucionalidade de uma lei municipal. Resta agora aos poucos interessados a esperança de que o Tribunal de Justiça do Estado não aprove a lei, evitando uma catástrofe natural, preservando a área verde e mantendo a qualidade de vida dos fortalezenses.

Fonte:http://dialogospoliticos.wordpress.com/2011/10/19/juiz-concedelicenciamento-e-libera-construcao-nas-dunas-do-coco. Laís Araruna Alessandra Mensurado

Fonte: http://www.arquitetura.com.br/artigos/impressao.php?id=40 Karla Mayra Isabelle Studart

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entrevista Arquiteto LUIZ

DEUSDARÁ

Nascido no Piauí, Luiz Deusdará mudou-se para Fortaleza aos nove anos e descobriu sua profissão aos vinte anos. Graduou-se como técnico em edificações pela Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, aqui em Fortaleza, o que serviu como subsídio para um bacharelado em arquitetura, embasado em uma visão estrutural da edificação. Hoje, com 28 anos de profissão, atua em diversas áreas e em diversos países, sempre com projetos arrojados, o que o coloca à frente de muitos escritórios desta capital.

aÚNICA: Quanto tempo você tem de experiência profissional como arquiteto? DEUSDARÁ: Eu trabalho com arquitetura há 28 anos. Formei-me em 1985. Desde que me formei trabalhei apenas com arquitetura, sem ter nenhuma outra atividade paralela.

aÚ: Que tipos de projeto (hospitalar, residencial, industrial) você já fez? Que tipo você faz atualmente? Independente do tipo de projeto, por onde você começa um projeto? E por quê? D: Eu faço projetos em todas as áreas. Já fiz projeto de ponte, aeroporto, casas, hotel. Eu gosto muito de pesquisar e sou bastante curioso. No meu dia a dia, há mais de 25 anos, eu tento zerar o assunto e partir para outras idéias, pois você não pode jogar fora todo o conhecimento acumulado da humanidade, dos arquitetos que passaram pela sua vida como os seus

PROJETOS 10

Aeroporto Internacional Pinto Martins

professores, assim também com o conhecimento dos livros que você leu, das pessoas que você conheceu, pois isso tudo faz parte da formação profissional. Então, quando um cliente me pede para projetar um hospital, eu estudo tudo que já tem de hospital, mesmo que eu já tenha feito vários desses projetos, eu faço esse trabalho de pesquisa exaustiva. Supondo que o projeto seja desenvolvido em um mês, essa pesquisa dura praticamente metade do tempo de desenvolvimento do mesmo. Normalmente apresentamos projetos em uma semana. Cada projeto nosso tem que ter pelo menos duas inovações: Ou é o material ou a forma. As inovações que eu não vi e nem li em lugar nenhum tem que ter no projeto. Hoje, os clientes não sabem o que querem, primeiramente eu escuto tudo que o cliente tem a dizer e depois tento convencê-lo da minha proposta. Nas reuniões, nós vamos esclarecendo pontos e, às vezes, o cliente me convence de que estou indo pelo caminho errado, aí eu me recolho e vou para o outro caminho. Dura aproximadamente uma semana para elaborar o projeto. São aproximadamente dois dias para a pesquisa, dois dias para a concepção e dois dias para a apresentação.

aÚ: Quanto tempo dura o desenvolvimento de um projeto? D: A idéia varia muito e depende da equipe que está trabalhando naquele projeto. São feitas muitas reuniões com todas as equipes. Tem um projeto aqui que está sendo desenvolvido há um ano, mas tem projeto que é feito em um mês. Depende da complexidade do projeto e do programa.

aÚ: Quantas pessoas compõem sua equipe de trabalho? D: Eu gosto de trabalhar eu e mais dois. No escritório existem as ilhas de criação, como foram denominadas e são formadas por 10 pessoas ou 15, tudo no mesmo projeto. Hoje em dia temos aqui uns 40 projetos. Enquanto dois estão na pesquisa, dois estão na fase de concepção, são sempre de dois. São as duplas criativas, um instiga o outro. De três ou de quatro fica improdutivo. Às vezes, uma fase entra na outra. Nós sempre fazemos reuniões com as equipes debatendo e trocando informações. Dessa maneira, cada um apresenta o que está produzindo. Arquitetura é uma profissão que requer tempo e conhecimento de técnicas construtivas e de materiais. Tem que aprender a conviver com as pessoas e o meio de trabalho a ser executado, a ser tolerante.

Luzeiro do Sertão em Juazeiro do Norte


aÚ: Como você começou a sua carreira? D: A minha vida profissional é igual à vida profissional de muitos colegas. Você começa fazendo a casa de praia do primo, depois a casa de cachorro do tio, faz uma marquinha (logomarca) para um amigo seu que está abrindo um negócio, e por aí vai. Você faz muito isso no começo de carreira, quando você não tem muito o que fazer, sem clientes ainda. Eu sempre conto esse exemplo nas palestras que eu dou: eu passava por uma padaria no meu bairro, e via a marca da padaria horrível, a padaria do Seu João. Era um desenho de um pão todo torto, amassado e tostado. Eu fiz uma marca pro Seu João, entreguei a ele e expliquei o por quê da marca dele era ruim. Daí, comecei a fazer marcas, e eu gosto muito disso: identificar uma empresa, uma pessoa e sintetizar num símbolo só.

aÚ: Como se comportar num mercado tão difícil? D: Tem de ser ousado. Muitas vezes, fiz projetos sem ser solicitado. Quando recém-formado, lia o jornal e, a partir das notícias, fazia os projetos e mandava pelo correio. Por exemplo, a Bezerra de Meneses (a avenida) está tendo muitos acidentes. Eu fazia o projeto da passarela e mandava para a prefeitura. A comunidade do Jardim América estava sem um centro cultural. Eu ia lá e fazia o projeto. Hoje, o centro cultural está no Jardim América.

aÚ: De onde vêm as idéias? D: De outras idéias. Tudo o que passa ao seu redor acaba sendo material para ser utilizado no seu projeto. Suas experiências vão embutidas nele.

aÚ: Quando nasce o partido? D: Na pesquisa. Faço uma pesquisa exaustiva sobre o assunto do projeto. Por exemplo, se eu for chamado pra fazer um hospital de câncer, é feita uma pesquisa profunda sobre o assunto. A pesquisa é sempre uma fase bem demorada, mas quando começam os primeiros resultados, começa a nascer o partido.

MD Arquitetos - O escritório de Fortaleza conta com mais de vinte profissionais desenvolvendo o amplo conceito de arquitetura.

aÚ: Quanto tempo leva para se firmar como um bom arquiteto? D: Não existe um arquiteto precoce. A arquitetura é uma profissão que requer tempo. Você vê um Mozart, menino com cinco anos de idade que fez uma sinfonia maravilhosa. Mas você conhece algum arquiteto recém-formado que fez um projeto fabuloso? Não existe. Existe até um paradigma, que diz que arquiteto só começa a fazer coisa boa depois dos cinqüenta (anos). Isso porque uma boa obra requer o conhecimento amplo de técnicas construtivas, de novos materiais, e um amadurecimento dos efeitos das opções escolhidas para a obra. Porque você já tem feitos vários projetos e você sabe onde e como você errou nos anteriores.

aÚ: Vocês têm avaliação pós-ocupação das obras? D: Sim. No momento da obra, colocamos um ou dois arquitetos trabalhando na sua evolução. Depois, fazemos um estudo de como o edifício está se comportando a partir do que foi projetado. Ganhamos mais experiências. Ultimamente fizemos um trabalho acústico muito inovador e a coisa não funcionou como prevíamos. Tivemos que refazer o projeto.

aÚ: E onde ficam seus maiores erros? D: A maior taxa de erros do escritório está relacionado com a parte técnica, com a escolha dos materiais. Eu gosto muito de testar materiais, de conhecer seus comportamentos, e aí não dá certo. Às vezes tento materiais que não são adequados. Por quê faço isso? Para promover a inovação. Qualquer um pode dizer: ”Vamos colocar um mármore travertino nesse piso!”. Eu não me conformo com o óbvio. Mas eu prefiro sugerir: “Que tal uma chapa de alumínio? É uma coisa que nunca fizeram antes.” Por Gleyce Sombra / Michelle Farias / Naiana Pontes / Rafael Muniz

Loja Audi Ferraro

Árvore de Natal 2009 Praça Portugal

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TIRINHAS

AGENDA 9ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo - nonaBia Funcionamento: - OCA – Parque do Ibirapuera - São Paulo - De 01 de novembro a 04 de dezembro de 2011 - Terça a domingo, das 10h às 22h - Entrada: R$ 10,00 (gratuito para crianças de até 10 anos) - Informações e inscrições: www.nonabia.com.br Casa Cor Ceará 2011

Fonte: http://www.umsabadoqualquer.com/?cat=3

NOTÍCIAS Eleição do CAU no Ceará

A apuração dos votos realizados na primeira eleição do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, o CAU, foram concluídos. A eleição indica o número de vagas para cada chapa inscrita. O representante de cada estado e do DF para o conselho federal vem da chapa com o maior número de votos. A próxima etapa da formação do CAU é a escolha do presidente por parte dos representantes estaduais dentro conselho nacional. Ceará. Eleitores: 1.374. Votantes: 786. Chapa 1: 694 votos (88,30% dos votantes) - 9 vagas. Brancos: 33. Nulos:59. Conselheiro Federal: Napoleão Ferreira Da Silva Neto (Antônio Martins Da Rocha Júnior). Conselheiros Estaduais: Antônio Luciano De Lima Guimarães (Águeda Frota Ribeiro), Odilo Almeida Filho (Bruno Braga), Delberg Ponce De Leon (Carlos Augusto), José Nasser Hissa (Paulo Hermano), Romeu Duarte Júnior (Marcely Barreira), Marcus Vinícius Pinto De Lima (Hildo Moraes De Brito Júnior), Roberto Martins Castelo (Hermínia Lopes), Antônio Custódio Dos Santos Neto (Sérgio Facó), Euler Sobreira Muniz (Robson Paiva). Fonte: http://www.arcoweb.com.br/noticias/cau-confirao-resultado-das-eleicoes.html

Funcionamento: - De 06 de outubro até 22 de novembro - Av. Almirante Tamandaré, 22 - Praia de Iracema. - Terça a domingo e feriados: 16h às 22h. - Entrada: R$34 (inteira), R$17 (meia) e R$50 (passaporte). Menores de 10 anos não pagam - Informações.: www.casacor.com.br/ceara/

SUGESTÃO DE LINKS:

IPECE CE http://www.ipece.ce.gov.br/ Site que contém inúmeros mapas e dados sobre os munícipios do Ceará. ARCOWEB http://www.arcoweb.com.br/ Voltado à arquitetura, este site apresenta bom conteúdo e é de fácil compreensão. IAB CE http://www.iabce.org.br/ Site do Instituto de Arquitetos do Brasil, apresenta notícias, cursos e outros eventos ligados à arquitetura. INSTITUTO LINA BO BARDI http://www.institutobardi.com.br Apresenta a obra e a vida da famosa arquiteta ítalo-brasileira. DRAFTSIGHT http://www.3ds.com/products/draftsight/ove rview/ AutoCAD gratuito para download.

Equipe: Camilli Vieira, Eddie Teixeira, Francílio Almeida e Mariana Moura.

Unifor  

revista da disciplina de comunicação visual do curso de arquitetura e urbanismo da unifor - professor marcus lima

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