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editorial

vem que tem!

E

cá estamos, na quinta edição da Revista SANTA INK! Estamos buscando, e sempre vamos buscar, a informação do atual, no mundo da tatuagem, do body piercing, da modificação corporal, de matérias contemporâneas, de experiências, de esporte, de moda, de cultura, de gastronomia, de música, enfim, do geral, pois a tatuagem está aí ligada a tudo isso!! É a globalização, somos nós! Chegamos depois de muito preconceito e vamos ficar, pois respeitamos tudo e todos!!!

capa Sabrina Boing Boing Foto: Nelson Miranda /SP

COORDENAÇÃO Vanessa Costa Freitas magatattooshop@outlook.com

Reportagem e revisão Redação Santa Ink

fotos Arlei Schmitz Nei Hanke

projeto gráfico André Silva / AS3D DESIGNER andre@as3d.com.br

tiragem

E pra vocês nossas matérias vêm trazendo um pouco de tudo! E esse ano, em Novembro, dias (25, 26 e 27), teremos mais uma grande edição da Convenção Internacional de Tatuagem de Joinville, a 4a. Com 300 estandes e grandes atrações internacionais para os tatuadores e para o público, Joinville vai tremer! Serão 3 dias recheados de cultura, diversão e arte na pele!! Só dizemos uma coisa: VEM, VEM QUE TEM!!

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5.000 exemplares / Gráfica Mayer anuncie na SANTA ink Aline oliveira | 47 3433-4542 contato.oliveb@gmail.com Sandro Chaves | 47 3433-4542 magatattoo@hotmail.com.br opiniões comercial@santaink.com.br

santa ink é uma publicação com distribuição dirigida e gratuíta. todos os direitos são reservados. reprodução total ou parcial estão proibidas. não nos responsabilizamos por conteúdo publicitário dos anúncios veículados nesta edição assim como opniões assinadas pelos colunistas.


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índice

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nossa capa

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aventura

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convenção

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galeria tattoo

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especial

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Sabrina Boing Boing Musa Brasil Tattoo

Mochila Crônica

4ª CONVENÇÃO INTERNACIONAL DE TATUAGEM DE JOINVILLE

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entrevista

entrevista

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HISTÓRIA

TATTOO NA COZINHA

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mÚsica

ADRIANO SOUZA / HENRIQUE VÉIO / DEGO

VITOR MIRANDA

Modificação corporal

HENRIQUE VÉIO

CHECO GONZALES / NATHALIA SOARES

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INÁCIO DA GLÓRIA

ROCK A BILLY / ENTREVISTA CAIO DURAZZO


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fotos: xxxxx

ENTREVISTA

Sabrina

A DJ MAIS O forte trabalho na mídia e seu carisma formaram uma legião de seguidores. A artista iniciou seu trabalho na MTV e logo ganhou espaço em canais como SBT, Record e Rede TV. Apresenta um Set voltado a cena Electro House e vertentes. Como a própria Sabrina define: “Não sou uma artista de rótulos”. O trabalho da DJ assim tem influências de Tribal e Electro House. O show da artista tem como destaque a interatividade com o público. O ponto alto da carreira de Sabrina Boing Boing foi a apresentação em Amsterdam no famoso evento: “The Queen’s Day”. Passou por mais de 100 clubes e eventos ao longo de sua breve carreira, iniciada em 2010. Entre os maiores eventos destaca-se a VIRADA CULTURAL DE SP 2012 em São Paulo, na qual a DJ se destacou agitando mais de 20 mil pessoas com seu set e animação. Animou e agradou ao exigente público inglês, tocando em clubes de Londres em 2011. Em 2012 recebeu pelos frequentadores de casas noturnas o título de DJ MAIS SEXY DO BRASIL em votação aberta nas redes sociais. “

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Boing Boing

SEXY DO BRASIL SABRINA, COMO É O SEU TRABALHO COMO MODELO E COMO DJ? Desde nova faço trabalhos como modelo, nunca fiz o perfil passarela fashion por não ser tão alta e magra. Trabalho na área comercial, fitness e lingerie, e desde que mudei meu estilo com as tatuagens tenho feito trabalhos fotográficos para marcas com mais conceito e atitude. Meu trabalho como DJ se iniciou em 2010, desde então já toquei em praticamente todos os estados do Brasil e fora do país (Holanda, Inglaterra e Portugal). Meu estilo musical é Electro EDM, porém como amo rock e metal, também toco esses estilos, principalmente em convenções de tatuagem. COMO E QUANDO VOCÊ ENTROU PARA O MUNDO DA TATUAGEM? Desde cedo gosto de tatuagem, fiz logo 3 tatuagens pequenas e 2 piercings quando completei 18 anos. Com o decorrer do tempo fiz mais alguns desenhos pequenos, mas salvava no celular desenhos maiores esperando um dia poder fazer. Me contive devido ao trabalho na tv e como modelo de lingerie. Mas em 2009 namorei um tatuador e ele tatuava em várias convenções fora do país, eu acompanhava ele e assim conheci a verdadeira arte. Me apaixonei por tudo que envolvia esse mundo, percebi que nunca havia me sentido tão “em casa” como em meio àquelas pessoas tatuadas, modificadas. E ali já comecei a

fazer tatuagens maiores. Desde então tenho participado de inúmeras convenções como júri em concursos, como presença vip, apresentadora, dj, enfim, cada vez mais envolvida, agora também exponho em algumas convenções. Eu e meu namorado criamos uma linha de caveiras decorativas. Amo tudo relacionado à tatuagem e ao estilo de vida das pessoas que convivem nesse meio. COMO MODELO, VOCÊ ENCONTRA MUITO PRECONCEITO COM RELAÇÃO ÀS SUAS TATUAGENS? COMO VOCÊ LIDA COM ISSO? Já recebi alguns “nãos” por conta das tatuagens, mas isso no começo, quando eu nem tinha os braços e mãos todo tatuados. Acredito que hoje em dia o mercado de publicidade se rendeu à arte e tem procurado mais do que nunca modelos tatuados e com estilos diferentes. A tv também contribui com isso, já que vários atores, atrizes e jogadores de futebol, aparecem ostentando suas novas tattoos . Confesso que me restringiu mais mesmo no mercado de atuação, não sirvo para fazer determinados personagens, mas aí é uma questão de escolha. Eu decidi ser uma pessoa muito tatuada sabendo que isso fecharia algumas portas, mas abriria outras e coloquei na balança também o que me fazia mais feliz e realizada como pessoa. 9


Não sou uma artista de rótulos.”

NOS CONTE COMO SURGIU A IDÉIA DO CONCURSO MUSA BRASIL TATTOO? Participei da Convenção de Tatuagem de Joinville no ano passado como dj e júri no concurso de miss tattoo, quando conheci a Vanessa e o Maga. Tivemos logo uma empatia que fez com que mantivéssemos contato em outras convenções, nos tornamos amigos. E conversando sobre convenções, o que era bom, o que faltava, surgiu a idéia de fazer um concurso a nível nacional, para mostrar a beleza, atitude e estilo das mulheres tatuadas. Existem diversos concursos de beleza no país, mas nenhum para evidenciar essas mulheres que muitas vezes passam por preconceito por terem escolhido ser “diferentes”. A Convenção de Joinville é uma das maiores e mais bem organizadas que já participei e tem toda a estrutura para sediar um concurso como esse. QUAL O OBJETIVO DESSE CONCURSO? E O QUE É SER A MADRINHA? Acredito que o objetivo principal seja mostrar ao Brasil e mundo, que temos muitas mulheres lindas, cheias de estilo, atitude e muita tatuagem. Que esse perfil de beleza deve ser reconhecido, aceito e admirado. Já existem concursos regionais, alguns menos produzidos que dão um certo destaque às musas tatuadas durante o evento, porém esse concurso terá uma divulgação na mídia nacional, podendo lançar para o mercado publicitário ou de tv, uma nova Musa . Ser a Madrinha significa muito pra mim, principalmente se tratando da primeira edição, que é quando mais precisamos mostrar a que viemos. Gosto de desafios! E poder ser a porta voz desse concurso significa ajudar a quebrar tabus, preconceitos, e mostrar a todos que existe muita beleza em ser diferente, muita arte em transformar seu corpo em uma tela.

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PRA FINALIZAR, NOS CONTE O QUE VOCÊ ESPERA DO FUTURO DA MULHER TATUADA NO BRASIL? Espero que haja cada vez mais espaço e aceitação e que não interfira na colocação no mercado de trabalho, isso para mulheres e homens. Acho que estamos no caminho certo, espero que as pessoas abram suas mentes para aceitar com naturalidade tudo que foge do comum, que entendam que não somos piores por termos desenhos na nossa pele, ou modificações no nosso corpo. Que existe beleza, arte e muita personalidade. n


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EspeciaL

O piloto da

mochila Por Redação Santa Ink

“Marcos Marcellus Holtz é um escritorjornalista-redator-publicitário latino-americano que não suporta o cotidiano de um jornal. Fica mal-humorado como Bukowski, e talvez seja mesmo a grande frustração da arqueologia. Tem quase 30 anos no papel e uns 60 no corpo. Ele acredita que um tipo Indiana Jones é seu alter ego. Jura também que sua vida só ganhará sentido, melodia e um novo caminho, se explorada com a maestria de Beethoven, e documentada com as alucinações do absinto de Van Gogh. Passou a chamar o mundo de quintal e resolveu ser seu mero jardineiro. Dirigiu produções de cinema, escreve crônicas e poesias, é compositor e tocador de violão. Detesta o futebol moderno e, por isso, é torcedor do Paraná Clube e do Marcílio Dias. Viajou o Universo em livros e uma boa parte da América Latina e Ásia a pé. É meio relaxado de aparência, às vezes chega a dar pena, mas consegue falar, além do português, inglês e um espanhol que já o fez se passar por argentino”. A descrição acima foi feita pelo próprio Marcos em seu Blog Mochila Crônica. Natural de Itajaí, o redator publicitário já viajou o mundo carregando apenas sua mochila e uma GoPro. O blog traz crônicas de viagens feita por ele de uma maneira diferente e ousada. Além dos relatos, sua página no Facebook conta com mais de 7 mil seguidores e vídeos espetaculares sobre sua vida mundo afora. Nesta edição, a Santa INK conta a história do piloto da mochila! 14


entrevista | Marcos Marcellus Holtz Santa INK: O que te levou a largar a rotina e sair mundo afora? Marcos Holtz: Eu precisava fazer algo da minha vida. E fazer algo da vida pra mim significa dar sentido a ela, e não somente seguir existindo refletido em prazeres sistemáticos. Eu não suportava a ideia de que precisava passar horas num escritório e ansiar pelo final de semana como um sedativo. Eu precisava viver todos os dias, viver de verdade, não saber onde ia comer ou onde dormir, jogar meu tudo nas mãos do desconhecido. A vida só se justifica com a construção de um legado. S.I.: Você sente saudades de casa? M.H.: Quando estava na Ásia resolvi viver pra mim. Sentia saudades da família, mas era algo do tipo vontade de falar o que estava acontecendo comigo. Queria dividir minha felicidade com as pessoas, as experiências, e por isso decidi fazer da viagem um livro. A saudade existe, mas a vontade de viver é maior. S.I.: Qual foi a melhor experiência até agora? M.H.: Entrar no Mianmar de forma “clandestina” foi certamente a parte mais marcante. Além do mais, o país é bem fechado para o mundo, então me sinto um privilegiado de ter passado um tempo único por lá. Aquele povo é de outro mundo mesmo. Pretendo voltar e continuar a escrever minha história naquele canto tão remoto e misterioso do mundo.

S.I.: Quais são as coordenadas neste momento e qual o próximo destino? M.H.: Agora recebi uma proposta para trabalhar com marketing esportivo, sou redator publicitário num clube do futebol brasileiro, que por curiosidade é meu time do coração. Essa proposta me fez estacionar um pouco por aqui. Será um bom ciclo até eu finalizar o livro sobre a Ásia, desenvolver bons trabalhos na minha área e encarar uma nova expedição. S.I.: Muitos pensam em colocar uma mochila nas costas e sair explorando o mundo. Mas, isso requer planejamento e recursos; ou não? M.H.: Requer vontade. Se você tem vontade você planeja e vai atrás dos recursos. Eu gosto do Terceiro Mundo, do cheiro de gente, da beleza do caos e das peculiaridades de povos distantes. Eu procuro o meu alvo e vou cavoucando até encontrálo e me sentir pleno por isso. S.I.: Se fosse possível resumir todas as suas viagens em uma tatuagem, qual seria esta tattoo? M.H.: Uma? A gente sabe que tatuagem é vício, né? Na Tailândia fui tatuado por um monge budista com bambu, um belo ritual. Mas hoje gostaria de uma bela Deusa Kali no meu antebraço para simbolizar a coragem, a devoção e o bom tempo que passei na Índia. n 15


convenção

4ª Convenção Internacional

de Tatuagem de Joinville

VOCÊ NÃO PODE PERDER Evento já é o segundo maior do segmento na América Latina por Redação Santa Ink

Tatuagens, arte e cultura agitarão Joinville pelo quarto ano consecutivo. O Centro de Convenções e Exposições Expoville, sedia entre os dias 25, 26 e 27 de novembro a 4ª Convenção Internacional de Tatuagem de Joinville. O evento alcançou um espaço significativo no cenário mundial e já é considerado o segundo maior da América Latina, com 300 estandes e mais de 1500 artistas do Brasil e do exterior. Entre as mais de 30 horas de programação estão workshops, palestras, cursos, seminários, campeonatos e concursos. Uma das atrações mais esperadas, pela primeira vez no Brasil, é a presença da Mulher Vampiro. A mexicana é famosa e tem sua história marcada pela violência doméstica e procura ser ouvida pela sua controversa imagem afim de espalhar sua mensagem para o resto do mundo, propondo uma mudança às mentes fechadas. Além da Mulher Vampiro, a convenção deste ano terá outras novidades para os participantes. A 16


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Tattoo Convention de Amsterdan vai dar um estande para o melhor do evento e a organização de Joinville, as passagens de ida e volta. “Estamos com muitas novidades e presença inédita de Rodney Buchemi um dos principais ilustradores da Marvel no Brasil e DC Comics, editoras independentes como Zoolook Ent, Dabel Brother e Dinamty no Brasil. Rodney vai dar uma palestra gratuita. Ainda, teremos o polêmico e irreverente AWAY, o Gil Brother, com seu stand up em duas apresentações”, conta o organizador do evento, Sandro Chaves (mais conhecido como Maga Tattoo). A expectativa da organização é de superar os números das edições anteriores e receber mais de 25 mil visitantes. Os ingressos podem ser adquiridos no local por R$20 ou por R$15 mais um quilo de alimento não perecível. Ingressos antecipados custam R$10 mais um quilo de alimento e podem ser comprados nas lojas credenciadas pelo evento. A programação completa pode ser conferida no site: www.tattoojoinville.com.br

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Atrações

2ª Etapa do Campeonato Pro Amador de Skate Apresentação de Bandas Exposições Apresentações culturais Concurso da Melhor Tatuagem Miss Pin Up Musa Brasil Tattoo Show de suspensão Convidados Especiais (nacionais e internacionais) Kultura Kustom Low Rider Espaço Kids Praça de Alimentação 19


GALERIA DE TATTOOS

by ADRIANO SOUZA

by MAICON | ARTE FINAL

by JUNIOR | ARTE FINAL

by ADRIANO SOUZA

by MAICON | ARTE FINAL

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by BAGA | ARTE FINAL

by JUNIOR | ARTE FINAL

by BAGA | ARTE FINAL


by henrique véio | NAIPE TATTOO

by dego | MAGA TATTOO

by henrique véio | NAIPE TATTOO

by dego | MAGA TATTOO

by dego | MAGA TATTOO by henrique véio | NAIPE TATTOO

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vitor miranda 22

Nome completo

Vitor Bruno Soares Miranda Idade

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Cidade natal

Joinville


Depois de uma carreira de sucesso no Kickboxing, o que te levou a escolher o MMA? R: Tudo estava correndo muito bem na minha carreira de Muay Thai / Kickboxing quando o evento que eu lutava e perseguia a minha realização profissional, abriu falência em 2008. Na época não tinha outro evento de grande porte que pudesse substituir o K-1 em termos de projeção internacional e até mesmo financeiramente. Me recusei a voltar a lutar no Brasil por bolsas baixas então decidi tentar um novo desafio, o MMA. Quanto tempo leva a preparação para luta? E há uma estratégia de treino diferente para cada adversário? R: O tempo ideal para uma preparação é de 12 semanas. Nesse período você consegue passar por todas as fazes de treinamento como força, resistência, velocidade e finalmente a parte específica da sua próxima luta que engloba também o estudo do oponente e a construção da estratégia. Cada oponente tem um estilo e qualidade diferentes portanto é preciso ajustar os treino para poder simular as situações de luta que cada adversário pode apresentar. Além dos cuidados com a alimentação, você se prepara de alguma maneira para evitar lesões? Já teve alguma? R: Ja tive algumas lesões no MMA mas graças a Deus nenhuma tão grave a ponto de precisar de intervenção cirúrgica. Eu também faço um trabalho contínuo de fisioterapia preventiva com meu fisioterapeuta Aldo Mattos. Esse trabalho me ajuda muito a evitar lesões que podem ocorrer por estresse continuo da parte muscular, articular etc. Ser um atleta do UFC exige esforços. Qual a rotina (compromissos, treinos, publicidade)? R: A rotina é puxada e vai aumentando de acordo com meu crescimento dentro do evento e a exposição nas mídias. Para mim sempre foi um trabalho integral e agora a medida que vou subindo, os compromissos com patrocinadores, entrevistas, presenças e ações vão aumentando e me forçando a ser cada vez mais regrado e organizado no meu dia a dia. Pois você não pode deixar passar as oportunidades de publicidade e ainda assim precisa estar cada vez mais focado no treinamento, na alimentação e no descanso que têm partes iguais na importância de um bom desempenho dentro do octógono. Você participou do TUF Brasil 3. Este foi o ponto alto da sua carreira? R: Eu considero o TUF Brasil 3 junto com minha contratação do UFC, a primeira grande realização da minha carreira de MMA. Foi o momento que comecei a colher os frutos do meu esforço de tantos anos. Isso me deixou novo em folha, pronto para enfrentar novos e mais ousados desafios. Qual seria a luta especial da sua carreira? E tem algum lutador que você gostaria de enfrentar no octógno? R: A luta da minha vida será daqui a mais ou menos dois anos quando eu disputar o cinturão da minha categoria com quem quer que seja o atual campeão.

Os brasileiros têm vários ídolos no esporte. Qual o seu? R: Meus ídolos no esporte são todos os atletas brasileiros que em cima de más estruturas, pouco ou nenhum incentivo, precisam matar um leão por dia e ainda muitos se destacam e trazem a vitória para nosso país. O que faz quando vem para Joinville? Do que mais sente saudade? R: Desde que eu entrei no UFC quando eu chego em Joinville graças a deus é só trabalho. Junto com a Agôn, minha assessoria esportiva, eu procuro me envolver com a cidade de uma maneira geral. Faço palestras, seminários, visito empresas, escolas e tento retribuir ao máximo todo carinho que recebo dos meus conterrâneos. Tem sobrado pouco tempo para eu ficar com a minha família e com meus amigos e é isso que eu sinto mais falta. Mas eu entendo que é um momento que não posso perder a oportunidade de promover meu trabalho. Você tem uma tattoo na perna esquerda. É a única? Tem algum significado para você? R: Por enquanto é a única rsrs, Gosto muito dela por questão estética mesmo. É um labirinto que tem um efeito 3D bem legal. As próximas tatuagens que estou planejando é que terão significados mais pessoais pois colocarei elementos que correspondem partes da minha vida. Sabemos que o MMA é um agente social transformador. Você teria algum recado para os jovens que pensam em ingressar no mundo das lutas? R: O MMA, assim como os outros esportes é capaz de moldar o caráter de nossas crianças incutindo valores importantes. O esporte nos torna seres humanos melhores. O MMA hoje está tendo a oportunidade de enciar positivamente muitas crianças e é responsabilidade nossa, dos lutadores de mostramos nossa qualidades como seres humanos e inspirar os mais novos a trilhar o mesmo caminho. Eu sou uma prova de que com dedicação e fé em Deus, a gente consegue realizar qualquer objetivo na vida. n

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T. Angel

É artista da performance e tem graduação em História. No cenário da modificação corporal brasileiro desde 1997, inicialmente como entusiasta e posteriormente atuando no campo da pesquisa. Parte de seu trabalho está incluso no livro “A Modificação Corporal no Brasil - 1980-1990” e grande parte depositada na plataforma FRRRKguys.com.br. Twitter | Instagram @tang3l

MAS O QUE É A TAL DA

MODIFICAÇÃO CORPORAL? 26


“Buscamos compreender e se fazer compreender as modificações corporais reconhecendo as nossas especificidades tupiniquins e latinas. Temos uma vivência rica e complexa que não pode e não deve ser pormenorizada. A nossa história com as modificações corporais é anterior a colonização. A colonização foi responsável pelo extermínio de parte dessa história. A colonização não acabou ainda.”

pesquisa tem acontecido em meu próprio corpo, isto é, através da minha própria experiência física, social, artística e política. Ponto importante e comum entre todas essas técnicas que citei acima é o consentimento, ou seja, a escolha da pessoa, que por livre e espontânea vontade e sã consciência, aceite e queira se submeter a procedimentos que visam atender os seus desejos e anseios particulares. Os casos em que essas Manifesto Freak técnicas foram empregadas sem o consentimento se encaixam nas violências mais hediondas da história Na maioria das minhas palestras tenho feito uma humana, por exemplo, a escravidão indígena, a espergunta e provocação para a audiência e que gos- cravidão africana, o nazismo e as ditaduras civis e taria de fazê-la agora para vocês que estão a iniciar militares. Importante sempre reforçar que modificaessa leitura: quem de vocês não tem modificação ção corporal sem consentimento é violência. corporal? Mas se todo mundo tem modificações cor Creio que algumas pessoas vão responder com sim e outras com um não. É certo que algumas vão parar para pensar, podem até ficar com dúvida no que responder e também imagino que algumas dessas pessoas vão parar alguns segundos para pensar sobre o próprio corpo. Mais do que isso, pensar sobre as experiências que tem vivido através de seu corpo. Pode ser que tudo isso dure segundos, o que não reduz a importância desse retorno ao próprio corpo. Então, como resposta a pergunta que faço na abertura desse texto digo que – pode rufar os tambores – não existe corpo humano que teve uma experiência viva que não tenha passado por um processo de modificação corporal. Em outras palavras, não existe corpo que não seja modificado. Mas então, o que é a tal modificação corporal? Em resumo e de modo bastante sucinto, podemos entender a modificação corporal como um conjunto de técnicas que tem como função - ou que porais, por que algumas são aceitas enquanto outras dentre as suas funções - altera o corpo humano. A não? Responder essa questão é impossível sem esalimentação, o ócio, o esporte, o trabalho, a medi- capar da célebre frase “todos os animais são iguais, cina, a religião, o sexo, a tatuagem, a escarificação, o mas alguns são mais iguais que os outros” de George implante e uma infinidade de possibilidades técnicas Orwell na Revolução dos Bichos (1945). Afora isso, podem alterar o seu corpo. Dizer infinidade de téc- bem, em síntese porque há uma construção cultural nicas não é apenas mera força de expressão. – variante em tempo e espaço – que vai dizer – de Assim, dentro desse grande universo de pos- acordo com o discurso hegemônico – quais os corsibilidades, vamos pinçar um pequeno recorte de pos que podem existir e quais os que não. Corpos técnicas chamadas como tatuagem, body piercing, que se desviam do padrão dominante e que escapam ear pointing, tongue splitting, escarificação, eyeball do que se convencionou chamar de normalidade, e tattooing e implantes, que particularmente são as isso inclui corpos modificados – dentro do recorte que mais eu tenho dedicado os meus estudos e pes- que fiz acima – estão do lado daqueles que não dequisa ao longo de quase duas décadas. Parte dessa veriam existir e que, justamente por isso, historica27


mente foram e têm sido jogados para a margem, isto é, segregados espacialmente e excluídos socialmente. Como eu trago na introdução do livro A Modificação Corporal no Brasil – 1980-1990 (2015), o ser humano no decorrer de sua história interfere em seu corpo de diversas maneiras e acompanhado intrinsecamente de múltiplas justificativas. Seja como rito de passagem, como forma de expressar sua religião, penitência para purificação da alma, punição, privação, como forma de se expressar artisticamente ou por motivos puramente estéticos. Na história humana, o corpo sempre sofreu alguma espécie de manipulação. Tanto é verdade que não conseguimos datar com precisão quando isso tenha começado e nem onde. Dizer acima puramente estético não quer dizer que tem valor maior ou menor do que as outras motivações e justificativas. Diria mais, a estética está presente em todas as demais situações citadas e até as que não foram. Como muitas estudiosas e estudiosos do corpo vão dizer é que toda estética é política e toda política é, por sua vez, estética. Então, mudar esteticamente é, sobretudo, um ato político. 28

Importante ter claro na mente que foi em meados do século XX que os corpos modificados passam a alcançar lugares importantes e cruciais – impensáveis tempos atrás - para uma intensa e profunda mudança social no que se refere a interação social desses corpos com os demais. As lutas dos movimentos feminista, negro, indígena, LGBT e das pessoas com deficiência tiveram um impacto forte na mudança da mentalidade sobre como percebemos todos os corpos. Mudança esta que tem afetado os paradigmas de quais corpos podem existir, defendo o óbvio que é todos os corpos merecem viver com dignidade e importam. “Seu corpo é um campo de batalha”, expressão trazida pela artista feminista Barbara Kruger em 1989 expressa um pouco desse cenário. No entanto, é no século XXI que vamos assistir mais alguns avanços significativos no campo das modificações do corpo, justamente alinhado com os avanços das ciências e tecnologias. A pele assim como as escleras ganham novas colorações, novos orifícios são precisamente elaborados. Silhuetas redesenhadas, línguas são bipartidas. Partes amputadas, próteses com tecnologias de ponta nos faz o tempo


todo pensar sobre a condição humana e sobre o corpo obsoleto em menção ao pensamento do artista australiano Stelarc. A fusão do corpo orgânico com as extensões artificiais, crianças da nanotecnologia. Ciborques, humanos, máquinas, quimeras... Ideais de corpo que outrora habitavam exclusivamente o universo de povos tribais ou as mentes criadoras de ficção científica, sem nos esquecermos do fabuloso mundo onírico, tornaram-se parte da realidade palpável, ou seja, integram a sociedade. As tatuagens, piercings, escarificações e implantes foram e estão sendo incorporados gradualmente em nossa contemporaneidade. Embora tenham sido técnicas malditas que não foram recebidas de braços abertos, sobretudo por um discurso colonizador, estão postas e legitimadas como um fenômeno histórico, político e social bastante rico e complexo tão antigo quanto o próprio mundo. E pulsa, pulsa vida por todos os lados. Esses corpos – que são pessoas de verdade e é importante não dissociar - vem buscando seus respectivos espaços dentro da sociedade com em-

bates diários, ainda que causem desconforto, estranhamento e resistência pela grande maioria da sociedade. Esses corpos considerados nefandos estão circulando nesse momento pelos mais variados espaços, das mais distintas sociedades e sussurram docemente em todos os ouvidos: nós existimos!

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Henrique véio

das paredes para pele

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Chamo-me Henrique Bombazar, 34 anos e conhecido por Véio, apelido de herança da época que andava de skate. Participo de duas manifestações culturais, marginais e não acadêmicas, sendo elas o Grafitti e a Tatuagem. Iniciei no Grafitti que como a Tatuagem são duas técnicas que exige muito estudo, cuidado com a superfície e precisão na execução. Hesitei muito em começar a tatuar, porém a tattoo faz parte da minha caminhada desde os meus 14 anos, idade que fiz a minha primeira tatuagem, e desde então continuei frequentando estúdios e a cada nova tattoo me identificava mais com o oficio e o interesse em aprender. Porém vindo de uma cultura também marginalizada, que para sobreviver era necessário bater de frente como o preconceito e levar muita porrada, esperei o momento que pudesse me dedicar para somar com quem já estava na cena, até porque o acesso aos materiais era difícil, então era necessário ter alguém que te iniciasse. Sempre gostei da tatuagem clássica, talvez porque como o graffiti, a linha, a pigmentação, composição do desenho, exige total dedicação de quem executa. Mas na época eu não sabia o nome, a história... Nada! Porém o que mais me agradava na tatuagem clássica era a fácil leitura das peças, que mesmo do outro lado da rua, você conseguia saber o que estava tatuado.


Algo simples, objetivo... Tattoo, essa conhecida como Old School. A história da Tatuagem Clássica Nacional é extremamente fechada, para quem inicia a busca por informação ou a prática, não é bem aceito pelos mais antigos, já escutei que “a tatuagem dele não é para todos”... Respeitando, porém discordo, pois acredito que isso não impede novos tatuadores, além de deixar à tatuagem exposta as várias interpretações. Eu busquei sozinho, maneiras de estudar o Old School, fui tatuar com tatuadores antigos, visitei estúdios, comprei livros, participei de convenções, fiz contatos e convidei alguns tatuadores para tatuar na minha loja. Dessa expe-

riência fiz a minha própria história na cena na Tattoo Old School, Tradicional, Americana... Seja o nome que é conhecido. Não me apeguei nas regras, pois muito do que vem da história é interpretação de quem a executava que muitas vezes foi pratica por quem não era tatuador, que não tinha conhecimento em desenho, anatomia e feitas por histórias contadas de como se faz, de como era determinado animal, e matérias usados. Então o que levo como a essência e características principais da Tatuagem Tradicional é a técnica que respeita a pele, linha dura, pigmentação sólida, textura, desenho gráfico e composição limpa, chamo de “Manter a linha”. Esse estilo de tatuar que marca pele de peças que cicatrizadas envelhecem sem perder suas características e definições, tatuagem que não precisa de retoque, tatuagem atemporal que para quem carrega o torna colecionadores de tatuagens. Porque pra mim, tatuagem não precisa de retoque, porque ela não é temporária e a sua cicatrização diz muito sobre quando foi feita, sobre a técnica usada, e agrega um momento e história! Por isso o fechamento por parte da Velha Es-

cola os faz responsáveis por ainda conhecerem o Tradicional por desenhos que até criança faz, que é muito fácil de tatuar, desenho tosco e muito simples, além de propagar novos estilos que nada agregam para história e o mercado da tattoo. A tattoo merece ser respeitada, pois antes de todo esse acesso a material e informação, onde é inaceitável o erro, como usar técnicas que não funcionam na pele, era uma técnica num tempo onde não se tinha espaço, que para praticar era necessário improvisar, acreditar na sua interpretação... E o mais importante, praticado por Artesões de uma Cultura Marginal não Acadêmica

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TATUADOS NA COZINHA

Checho Gonzales Chef Winston Edmundo Gonzales Frontaura

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A minha primeira tatuagem é uma brincadeira com a minha mãe. Ela me chamava de morcego por ter uma vida noturna intensa. Aos 18 tatuei um morceguinho no braço. Odeio tatuagens relacionadas com a cozinha, alguns tontos acham se apoiam em suas tatuagens como se isso os tornasse bons cozinheiros, eficientes... Faço comida de imigrante, isto é uso a minha cultura andina, o que aprendi com a minha mãe, com uma brasilidade, com ingredientes locais. Sempre adorei cozinhar mas nunca imaginei que seria meu meio de vida. Uma dica culinária? Não use produtos enlatados por nada na vida. Tatuagem harmoniza com tudo afinal é um jeito de se expressar.


Nathalia Soares Confeiteira especializada em doces veganos Gosto de todas as minha tatuagens, não tenho preferência por nenhuma. A que tem maior conexão com a cozinha, é a tattoo da perna. Foi a primeira, que basicamente resume boa parte da minha vida e trabalho. Trabalho com doces veganos, atualmente estou buscando atuar no mercado de casamentos veganos. Parece que não mas a procura é grande! E isso é ótimo porque mostra como o veganismo está crescendo. Decidi que ia ser cozinheira quando tinha 14 anos, sempre AMEI comer doces (principalmente chocolate) e queria aprender a fazer coisas mais gostosas para comer haha. Atualmente tenho formação na área com especialização em cake design, chocolate e salgados de festa. Quando se tem comida no meio, tudo harmoniza!

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O FENÔMENO DAS CONVENÇÕES DE TATUAGEM NO BRASIL POR INÁCIO DA GLÓRIA No Brasil, os eventos de tatuagem protagonizaram sua primeira edição em 1990 - no projeto SP com a primeira convenção internacional de tatuagem, dando inicio de forma memorável ao que hoje representa um autentico clamor da classe dos tatuadores em busca de conhecimento através do dialogo entre os aficionados. Essas realizações tem um proposito que vai além dos seus objetivos iniciais, pois através dessas reuniões entre os tatuadores revelam-se talentos, descobrem-se tendências e a tatuagem passa a ser mais valorizada e atualizada no conceito de evolução que todo segmento necessita para ampliar seu campo de atuação. Hoje essas edições acontecem em todo nosso território com vários nomes como: Convenção, Tattoo Fest, Tattoo festival, Mostra de tatuagens, Expo Tattoo, etc, variando conforme a região mas todas com o mesmo objetivo, reunir a classe dos tatuadores e através dos concursos realizados aferir o que há de melhor no setor. No Brasil esses concursos de tatuagem pro36


põem uma serie de categorias que ao contrario de muitos eventos internacionais que não utilizam essa variedade aqui proposta, sublinham dessa maneira, de forma didática varias temáticas que vêm de encontro a busca de aprendizado e mestria, tão importante para formação profissional de nossos tatuadores. Atualmente esses eventos têm se proliferado por todo país testemunhado o crescimento dessa arte e funcionando também como terapia ocupacional para os artistas ávidos por encontrar seu espaço no meio de tanta concorrência. Os concursos sinalizam uma nova tendencia que é a de buscar conceitos inéditos dentro das regras estabelecidas. A criatividade sempre teve um papel determinante entre os artistas que buscam sua expressão nos trabalhos realizados Desta forma fica evidente que os eventos de tatuagem vieram para ficar e evoluir ainda mais esse segmento que tomou conta do nosso imaginário como uma forma verdadeira de manifestação. 37


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REGULAMENTAÇÃO

A movimentação da comunidade médica e a sua regulamentação profissional POR RONALDO SAMPAIO (SNOOPY PIERCER) Olá colegas, espero que estejam todos bem e trabalhando, que na minha visão é o mais importante! Como a maioria dos Profissionais e donos de estabelecimentos voltados às praticas da Tatuagem e do Body Piercing já devem estar sabendo, está tramitando no Senado Federal o Projeto de Lei 350/2014 que se refere ao que será privativo ao médico em suas funções, este projeto está prestes a ser aprovado pelo Senado no momento. Em 2007 uma comissão de Tatuadores e Perfuradores reuniram-se com a comunidade médica brasileira, o Conselho Federal de Medicina para discutirem o futuro da nossa atividade. Em mesa com os referidos tivemos a oportunidade de apresentar o trabalho que fazíam com a entidade de classe. Tudo que ocorre nessa atividade direta e indiretamente eu venho catalogando, a fim de, resguardar o nosso acordo com a comunidade Médica e seguimos livres com as práticas acordadas em mesa entre os envolvidos Tatuadores e Perfuradores Corporais. Em 2013 esse projeto foi vetado pela presidenta Dilma Rousseff. Em 2014 foi aberto um novo projeto de lei o qual eu faço menção acima. Não utilizamos perfuro cortantes, como por 40

exemplo, Cateteres, Punch, Agulhas de Tatuagem ou Agulhas especiais para Perfuradores com intuito Prognóstico ou Diagnóstico, sendo assim, estamos isentos dos atos que competem à comunidade médica, tratam- se de técnicas distintas que coincidentemente utilizam da puntura na pele. No momento atual não cabe a nós direcionarmos apontamentos a outro seguimento paralelo a nossa atividade ao que estamos vivenciando no Senado Federal em Brasília, com relação a regulamentação médica na qual, mesmo com a releitura do texto, não seguiu o “acordo” feito na reunião de 2007 conosco e não recebemos esse documento da comunidade médica, tanto que, a interpretação continua abrindo margem para engessar todos que praticam a punção (ato de perfurar a pele) seja ela artística, estética, terapêutica entre outros fins. Temos um Sindicato da nossa categoria em Joinville (SC) instituído e duas associações, uma em Minas Gerais e a outra no Nordeste que serão de grande valia durante a tramitação que estaremos envolvidos. A Associação dos Tatuadores do Brasil em breve estará ativa. Retiramos a pagina do ar exatamente para colocar novas informações e de acordo com os diretores envolvidos fazermos publicações pertinentes ao nosso universo, o qual também seremos representantes ao nível nacional.


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roc

música

POR DJ MARCIOS facebook.com/djmarciosrock

rock a billy

Esta coluna tem o apio de:

O grupo Maddox Brothers and Rose são considerados precursores do rockabilly pelo trabalho de trabaixo Fred Maddox no cone seu desenvolvimento da técnica slapback (o ato de bater nas cordas do instrumento, ao invés de puxá-las individualmente). Depois da II Guerra a banda passou a utilizar instrumentos mais pesados, inclinando-se cada vez mais a uma pegada honky tonk e uma base maníaca e profunda - o slap bass de Fred Maddox.Muitos acreditam que eles foram não só os precursores, mas também um dos primeiros, senão o primeiro, grupo de “Rockabilly”. Diversas canções de Bill Monroe, considerado o pai do bluegrass, eram em formato blues, enquanto outras emulavam o formato de baladas folk, canções de marinheiro ou valsas. O bluegrass era um destaque da música “country” no começo dos anos 50, sendo frequentemente citada como uma influência no desenvolvimento do rockabilly.Outro exemplo da mistura de gêneros musicais dessa época é a gravação “Jersey Rock”, lançada por Zeb Turner em 1953. Com sua junção de estilos, letras sobre música e dança e solos de guitarra, esse tipo de gravação foi outro fator influente no surgimento do rockabilly. Um dos primeiros usos escritos do termo “rockabilly” foi feito em 23 de junho de 1956, em uma resenha da Billboard para “Rock Town Rock” de “Ruckus Tyler”.Três semanas antes, “rockabilly” foi usado em um press release de “Be-Bop-A-Lula” de Gene Vincent. O primeiro registro da palavra “rockabilly” em uma canção foi usado em “Rock a Billy Gal” de novembro 1956,embora Johnny Burnette e Dorsey Burnette tenham gravado “Rock Billy Boogie” para a gravadora Coral em 04 de julho de 1956. A canção foi escrita e executada muito antes, e referem-

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se ao nascimento do filho de Johnny, Rocky e do filho de Dorsey, Billy, que nasceram na mesma época, em 1953, e foram os nitos de cada um primogêdos irmãos. A canção era parte de seu repertório em 1956, quando eles estavam vivendo em Nova York e se apresentando com Gene Vincent. É fácil entender como o público de Nova York pode ter pensado os Burnettes estavam cantando “Rockabilly Boogie”, mas eles nunca o fizeram, porque o termo hillbilly era depreciativo e nunca teria sido usado pelos próprios artistas. Rocky Burnette, que mais tarde se tornaria um artista rockabilly, afirmou em seu site que o termo rockabilly deriva da mesma canção. É também interessante, que esta canção foi regravada por centenas de artistas nos anos seguintes, e é sempre chamado “Rockabilly Boogie” Na década de 80, surgem grupos ainda mais selvagem e mais rápido do que os da década de 1950, tais como Stray Cats, The Blue Cats, Dave Phillips & the Hot Rod Gang, Restless, The Polecats, The Kingbeats e The Blasters, esse movimento tem sido chamado de neo-rockabilly. O Rockabilly Hall of Fame original foi fundada por Bob Timmers em 21 de Março de 1997, para apresentar os primórdios do rock and roll, sua história rolo e informações relativas aos artistas originais e personalidades envolvidas neste gênero musical pioneiro. Sua sede fica em Nashville, Tennessee.[29] Em 2000, surge o International Rock-A-Billy Hall of Fame Museum, sediado em Jackson, Tennesse. Fonte:Web


entrvista com caio durazzo,

um ícone a cena rockabilly no brasil dj marcios - como e quando você começou a ouvir rockabilly? Caio Durazzo - Comecei ouvir na minha adolescência. na verdade, com uns 12 anos, meu pai me deu duas fitas cassetes do Camisa de Vênus, (que tenho até hoje) que mudou minha vida. Através do Camisa, veio o Raul e lendo sobre ele, fui atrás de suas referências. Nessas, existia uma loja na galeria do rock chamada, Túnel do Tempo, do Miguel e lá comprei varias fitas cassetes, como Eddy Cochran, Carl Perkins, Chuck Berry entre outros. Dai, pirei e tudo mudou! O rockabilly está ali e ele vai cruzar seu caminho. Para alguns, passará desapercebido, no meu caso foi um lance impactante, único e que mudou a minha vida, minha maneira de pensar e tudo mais. Foi onde eu realmente me encontrei e pensei: é isso, caraio! Isso sim é a minha cara, é o que quero. Foi pura identificação e um tesão incontrolável que sinto até hoje. dj marcios - nos fale um pouco sobre sua carreira. como começou? por quais bandas passou? Caio Durazzo - Ganhei minha primeira guitarra em 1989, uma Giannini Supersonic, comprada na loja Sears. Enfim, essa banda chamava-se Phoenix Rock, era um Power Trio, onde eu tocava e cantava. gravamos nossa primeira demo em meados de 1997, com 10 músicas autorais. Depois, montei o Galaxie 500 br, um quarteto, por volta de 2001/2002, onde era só autoral e chegamos a gravar uma demo, com 09 músicas. Essa banda durou até 2006/07 em 2005, fui convidado a assumir os vocais e a guitarra do Crazy Legs, onde fiquei até 2013. Gravei um vinil, compacto duplo, um cd, um dvd e diversas cole-

eu não seria porra nenhuma sem a música. amo tocar, compor, gravar, viajar, conhecer pessoas tãneas que sairam nos eua e na europa. O CrazyLegs foi um trampo que me orgulho muito. tocamos em quase todas as cidades e estados do brasil e fizemos shows pela Europa e eua. Além disso, ganhei um grande irmão, no qual tocamos junto até hoje, o fabio marconi(mccoy). Em 2006, fui convidado para ser lead guitar do Made in Brazil, banda que está completando em 2016, 50 anos de estrada. fiquei no made até 2008 e depois voltei em 2013. gravei o disco rock de verdade. O Made foi uma grande escola e também viajei muito com a banda pelo Brasil. Entre 2008-2009, fiz parte da

banda Alex Valenzi e The Hideaway Cats, onde excursionamos junto com o James Burton (último guitarrista do elvis 1969-1977). Trouxemos ele para o Brasil e fizemos uma sequência de shows onde eu dividia a guitarra com ele no palco e juntos. Com o Hideaway Cats , também toquei nos eua e Europa. foi um trampo muito legal! já em 2011, montei o caio durazzo rock n roll trio, uma banda autoral com letras em português, na qual está no segundo disco, mas depois que montei o one man band em 2012, fazemos poucos shows. No one man band me encontrei de vez !! Tenho um disco gravado, uma coletânea em vinil. E em 2017, sairá outro álbum, que alias está composto e já estou tocando nos shows. cheguei a tocar em portugal, na cidade de cascais, em 2012. Atualmente além do one man band e do trio, sou guitarrista da banda kid vinil experiencie. acho que é isso! dj marcios - para você, como é viver de música, no caso o rockabilly, no brasil? Caio Durazzo - é ducarazzo!!! eu não seria porra nenhuma sem isso. amo tocar, compor, gravar, viajar, conhecer pessoas. Eu fico puto quando não tem show, pois a minha diversão é tocar e estar na estrada. todo trabalho que é autoral, ou pessoas que são autonomas tem suas dificuldades e essa dificuldade esta em todo lugar do universo. O problema ou a solução é que a palavra desistir não existe para mim. Tem espaço pra tocar e pra todo mundo. Basta ser determinado, acreditar e correr atrás. é claro que é mais restrito, tem meses que você tem mais shows, ou meses que tem menos, porém shows melhores. altos e baixos existem em todas as profissões, principalmente nas quais nós mesmos somos nosso próprio patrão. Por exemplo: quando você arruma shows para mim em santa catarina,

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vou feliz, pego o carro e vou. existem muitas pessoas que no meu lugar, simplesmente não iriam! Tipo: (muito longe, vou ganhar pouco, não vale a pena, é cansativo) o cara já começa a pensar e agir errado antes de tudo. Entende o que quero dizer? dj marcios - o rockabilly nasceu nos anos 1950 e retomou sua popularidade na década de 1980. como é fazer rockabilly hoje em dia? quais são as principais dificuldades ? Caio Durazzo - fazer rockabilly no brasil é nadar contra a maré! Mas para mim, o rockabilly e o rock n roll é exatamente isso e é melhor que seja! Eu sei que não vou estar entre as 10 mais, que meu som não vai ser tocado numa fm de grande porte, que em muitos lugares não vou conseguir tocar e tal. Mas, por um outro lado, eu sempre estou tocando, gravando, fazendo pessoas se identificarem com meu som e também perturbando e incomodando muitas outras. Sou feliz assim e os obstáculos fazem de você um cara mais rock n roll, no sentido de pensar, agir, escrever e continuar sempre no mesmo caminho. O grande problema mesmo e dificuldade, é que neguinho não acredita em si mesmo. por exemplo: o cara vive falando: ”é foda, não vou conseguir, não tem lugar pra tocar, ninguém quer saber de rockabilly, rnr, desse jeito vou parar, arrumar um trampo,desisto, cansei, sabe essas coisas?!?! Cara,tem pagodeiro, funkeiro, reggeiro, metaleiro, popzeiro que só toma no cú, que não toca em lugar nenhum e não consegue viver da profissão. simples assim! O segredo está em você mesmo! determinação e foco. “Agua morna, pedra dura, tanto bate até que fura” , “O que eu quero eu vou conseguir”, o problema também são os critérios de se dar bem e de arte. tem nego que acha que se dar bem é ter uma ferrari na garagem, mansões, estar na capa da

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revista mais popular, nos programas de rádio e televisão. Eu não vejo assim e desde que entrei nessa, escolhi um outro caminho, que talves seja mais lento,porém continuo e do meu jeito. Eu toco em tudo que é lugar, desde um boteco chechelento a um sesc. não existe frescura! Toco pra duas pessoas ou 500 com o mesmo tesão! Cada crítica negativa que recebo, penso : foda-se, vou continuar desse jeito que é o jeito que sei fazer e gosto. faço pra mim antes de tudo! Enfim, rock n roll é uti! n

contato para shows

(11) 9 7173-5293 caiorocker@gmail.com www.caiodurazzo.com facebook: caio durazzo ou durazzo caio fanpage: caio durazzo one man band instagram: durazzo caio twitter: caio durazzo google+: caio durazzo


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