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ZDP de Vygotsky na prática Como a técnica “Peer Instruction” de ensino e aprendizagem coloca os alunos a favor da (sua própria) educação?

Sandro George Luciano Prass


Trabalho desenvolvido para a disciplina de Teorias de Ensino e Aprendizagem do Curso de Mestrado Profissional em Ensino de Ciências e Matemática da Universidade de Caxias do Sul Orientação: Profa. Isolda Giani de Lima, Profa. Ivete Ana Schimtz Booth e Profa. Laurete Teresinha Zanol Sauer Mestrandos: Sandro George Luciano Prass Maio de 2013.


Segundo Vygotsky a aprendizagem é produzida a partir de uma Zona de Desenvolvimento Atual (ZDA) até alcançar os limites de autonomia possível a partir desta base, definidos pela Zona de Desenvolvimento Próximo (ZDP). E é nessa faze que torna-se indispensável a presença de um mediador, seja ele um objeto, uma ferramenta, um experimento, a conversa com um colega, um professor, um adulto, enfim, alguém mais preparado, para que ocorra a compreensão significativa deste conhecimento.


Para Vygotsky, as potencialidades do indivíduo devem ser levadas em conta durante o processo de ensinoaprendizagem. Logo, a partir do contato com uma pessoa mais experiente as potencialidades do aprendiz são transformadas em situações que ativam esquemas processuais cognitivos ou comportamentais, e este convívio produz no indivíduo novas potencialidades (axpanção da potencialidade), num processo dialético contínuo.


O desafio de transformar conhecimentos da DZP em conhecimentos da ZDA.


Como facilitar a aprendizagem, Ă luz de Vygotsky, neste contexto construtivista e interacionista?


Abordaremos uma tĂŠcnica amplamente experimentada em escolas, faculdades e universidades do mundo inteiro desde os anos 90.


Peer Instruction Instrução pelos Colegas


Eric Mazur, professor de FĂ­sica na Universidade de Harvard, criou um mĂŠtodo de ensinar que "devolve" aos alunos a necessidade de estudar os conteĂşdos da aula seguinte.


O Peer Instruction rompeu com a ideia, adotada em todo o mundo, de que "as aulas de ciências são transferência de informação". Retirou a transferência de informação da sala de aula dizendo aos alunos, por exemplo, coisas tão simples como estudarem um assunto em casa para posteriormente o discutirem na aula. Recorrendo à chamada aprendizagem conceitual, faz com que os alunos se tornem os seus próprios professores.


O professor é o orientador, o mediador: "Ensinar é apenas ajudar a aprender e é esse papel do professor". Assim, decidi que a primeira coisa que iria fazer seria retirar a transferência de informação da sala de aula. Agora digo aos meus alunos que estudem um assunto em casa para posteriormente o discutirmos na aula.


O Método 1º Propor um assunto a ser pesquisado e estudado pelos alunos para a próxima aula. 2º Na aula seguinte, o professor faz uma breve introdução no tema da aula (no máximo 5 minutos) e é proposta uma pergunta (um teste conceitual). 3º Os alunos tem 1 minuto para pensar sobre a pergunta e em seguida devem votar na opção que considera correta. Com o uso de um cartão com letras ou cores diferentes ou os dedos quando as opções forem numeradas de um a cinco.


4º Depois da observação das respostas dadas pelos alunos, cada aluno deve tentar convencer o seu colega de equipe de que a sua resposta está certa, deve tentar persuadi-lo. A discussão leva em torno de 3 minutos. Nesta etapa é comum ver que um aluno consegue explicar melhor um conceito a um outro aluno do que o próprio professor.

5º Após as discussões os alunos votam novamente. Normalmente a quantidade de respostas corretas aumenta espantosamente.


Aplicação da técnica no Colégio Murialdo em Caxias do Sul – RS, em uma aula de Física do 1º ano do ensino médio quando da discussão de questões conceituais sobre a concepção dos alunos sobre a Inércia (1ª Lei de Newton), orientada pelo professor Sandro Prass em maio de 2013.


Peer Instruction no Brasil – Referência

UNISAL - Centro Universitário Salesiano de São Paulo No primeiro semestre do ano de 2012, após meses de estudo, a metodologia ativa de aprendizagem denominada “Peer Instruction” começou a ser aplicada aos alunos do UNISAL, unidade de Lorena - SP. Participaram no primeiro semestre do projeto os professores e turmas dos Cursos de Direito, Pedagogia e História.


Bibliografia http://nautilus.fis.uc.pt/gazeta/revistas/26_1/entrevista.pdf, visitado e baixado em 11/04/2013. http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/61863 , http://hdl.handle.net/10183/61863, visitado em 11/04/2013.

http://www.news.harvard.edu/gazette/2006/02.23/05-eclassroom.html, visitado em 15/05/2013. http://www.pogil.org/resources/implementation/hspi-implementation-guide/stage-1-shifting-to-a-studentcentered-classroom, visitado em 05/05/2013. http://twicsy.com/i/P9NGjc, visitado em 25/05/2013. http://amcompton101.blogspot.com.br/2012_04_01_archive.html, visitado em 25/05/2013. http://www.nsf.gov/od/lpa/news/03/pr03147.htm, visitado em 26/05/2013. http://www.peerinstruction.com.br/pesquisas-e-resultados/2012-2/relatorio-primeiro-semestre2012, visitado em 20/05/2013.

Peer Instruction à luz de Vygotsky  

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