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VESTIBULAR+ENEM 2018

geografia


Fundada em 1950

VICTOR CIVITA (1907-1990)

ROBERTO CIVITA (1936-2013)

Conselho Editorial: Victor Civita Neto (Presidente), Thomaz Souto Côrrea (Vice-Presidente), Alecsandra Zapparoli, Giancarlo Civita e JosÊ Roberto Guzzo Presidente do Grupo Abril: Walter Longo Diretora Editorial e Publisher da Abril: Alecsandra Zapparoli Diretor de Operaçþes: Fåbio Petrossi Gallo Diretor de Assinaturas: Ricardo Perez Diretora da Casa Cor: Lívia Pedreira Diretor da GoBox: Dimas Mietto Diretora de Mercado: Isabel Amorim Diretor de Planejamento, Controle e Operaçþes: Edilson Soares Diretora de Serviços de Marketing: Andrea Abelleira Diretor de Tecnologia: Carlos Sangiorgio Diretor Editorial – Estilo de Vida: SÊrgio Gwercman

Diretor de Redação: Fabio Volpe Diretor de Arte: Fåbio Bosquê Editores: Ana Prado, Fåbio Akio Sasaki, Lisandra Matias, Paulo Montoia Repórter: Ana Lourenço Analista de Informaçþes Gerenciais: Simone Chaves de Toledo Analista de Informaçþes Gerenciais Jr.: Maria Fernanda Teperdgian Designers: Dânue Falcão, Vitor Inoue Estagiårios: Giovanna Fontenelle, Marcela Coelho, Sophia Kraenkel Atendimento ao Leitor: Sandra Hadich, Walkiria Giorgino CTI Andre Luiz Torres, Marcelo Augusto Tavares, Marisa Tomas PRODUTO DIGITAL Gerentes de Produto: Pedro Moreno e Renata Aguiar

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www.guiadoestudante.com.br

GE GEOGRAFIA 2018 ed.10 (ISBN 978-85-69522-25-6) ĂŠ uma publicação da Editora Abril. DistribuĂ­da em todo o paĂ­s pela Dinap S.A. Distribuidora Nacional de Publicaçþes, SĂŁo Paulo. A PUBLICAĂ‡ĂƒO nĂŁo admite publicidade redacional. IMPRESSA NA GRĂ FICA ABRIL Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, CEP 02909-900 – Freguesia do Ă“ SĂŁo Paulo - SP

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COLABORARAM NESTA EDIĂ‡ĂƒO Consultoria: Arno Aloisio Goettems Texto: Arno Aloisio Goettems, Cristina Carmo e Yuri Vasconcelos. Infografia e ilustração: 45 Jujubas, Alex Argozino e Mario Kanno (Multi-SP) RevisĂŁo: Bia Mendes e texxto comunicação



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APRESENTAÇÃO

Um plano para os seus estudos Este GUIA DO ESTUDANTE GEOGRAFIA oferece uma ajuda e tanto para as provas, mas é claro que um único guia não abrange toda a preparação necessária para o Enem e os demais vestibulares. É por isso que o GUIA DO ESTUDANTE tem uma série de publicações que, juntas, fornecem um material completo para um ótimo plano de estudos. O roteiro a seguir é uma sugestão de como você pode tirar melhor proveito de nossos guias, seguindo uma trilha segura para o sucesso nas provas.

1 Decida o que vai prestar

O primeiro passo para todo vestibulando é escolher com clareza a carreira e a universidade onde pretende estudar. Conhecendo o grau de dificuldade do processo seletivo e as matérias que têm peso maior na hora da prova, fica bem mais fácil planejar os seus estudos para obter bons resultados.

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 COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE PROFISSÕES traz todos os cursos superiores existentes no Brasil, explica em detalhes as características de mais de 270 carreiras e ainda indica as instituições que oferecem os cursos de melhor qualidade, de acordo com o ranking de estrelas do GUIA DO ESTUDANTE e com a avaliação oficial do MEC.

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2 Revise as matérias-chave

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CAPA: 45 JUJUBAS

Para começar os estudos, nada melhor do que revisar os pontos mais importantes das principais matérias do Ensino Médio. Você pode repassar todas as matérias ou focar apenas em algumas delas. Além de rever os conteúdos, é fundamental fazer muito exercício para praticar.  COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ Além do GE GEOGRAFIA, que você já tem em mãos, produzimos um guia para cada matéria do Ensino Médio: GE HISTÓRIA , Português, Redação, Matemática, Biologia, Química e Física. Todos reúnem os temas que mais caem nas provas, trazem muitas questões de vestibulares para fazer e têm uma linguagem fácil de entender, permitindo que você estude sozinho.

3 Mantenha-se atualizado

O passo final é reforçar os estudos sobre atualidades, pois as provas exigem alunos cada vez mais antenados com os principais fatos que ocorrem no Brasil e no mundo. Além disso, é preciso conhecer em detalhes o seu processo seletivo – o Enem, por exemplo, é bem diferente dos demais vestibulares.  COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE Enem e o GE Fuvest são verdadeiros “manuais de instrução”, que mantêm você atualizado sobre todos os segredos dos dois maiores vestibulares do país. Com duas edições no ano, o GE ATUALIDADES traz fatos do noticiário que podem cair nas próximas provas – e com explicações claras, para quem não tem o costume de ler jornais nem revistas.

CALENDÁRIO GE 2017 Veja quando são lançadas as nossas publicações MÊS

PUBLICAÇÃO

Janeiro

Fevereiro

GE HISTÓRIA

Março

GE ATUALIDADES 1

Abril

GE GEOGRAFIA

Maio

GE QUÍMICA GE PORTUGUÊS

Junho

GE BIOLOGIA GE ENEM GE REDAÇÃO

Julho

GE FUVEST

Agosto

GE ATUALIDADES 2 GE MATEMÁTICA

Setembro

GE FÍSICA

Outubro

GE PROFISSÕES

Novembro Dezembro Os guias ficam um ano nas bancas – com exceção do ATUALIDADES, que é semestral. Você pode comprá-los também pelo site do Guia do Estudante: guiadoestudante.com.br FALE COM A GENTE: Av. das Nações Unidas, 7221, 18º andar, CEP 05425-902, São Paulo/SP, ou email para: guiadoestudante.abril@atleitor.com.br

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CARTA AO LEITOR

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ALISTER DOYLE/REUTERS

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esde 1880, quando a temperatura do planeta começou a ser medida, a população da Terra não enfrentou um ano tão quente como o de 2016. É o que diz a Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), uma das principais autoridades nesse âmbito. A temperatura média global no ano passado foi 0,94 grau Celsius acima da média do século XX.

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Equilíbrio alterado

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Teria 2016 sido um ano atípico em termos climáticos? Nada disso. A temperatura do planeta no ano passado bateu o recorde, que era de 2015, que por sua vez quebrou a maior marca de 2014 – três recordes seguidos. Isso sem contar que, desde 1976, a temperatura global vem se mantendo acima da média histórica. Ou seja, não estamos falando de um ponto fora da curva, mas sim de uma tendência praticamente consolidada: o planeta está mais quente. A elevação da temperatura global diz muito respeito às atividades humanas, principalmente em razão das emissões de gases que intensificam o efeito estufa. Como consequência, observamos extremos climáticos que vão de intensas tempestades a secas prolongadas, passando pelo derretimento do gelo do Ártico até picos de calor em diversas cidades do planeta. A Geografia é a disciplina que se propõe a estudar o espaço geográfico e suas constantes transformações. Como você verá nesta publicação, muitas dessas alterações são estimuladas por fenômenos naturais, como uma erupção vulcânica ou o


8 EM CADA 10 APROVADOS NA USP USARAM O GUIA DO ESTUDANTE

O selo de qualidade acima é resultado de uma pesquisa realizada com 300 estudantes aprovados em três dos principais cursos da Universidade de São Paulo: Direito, Engenharia e Medicina.  8 em cada 10 entrevistados na pesquisa usaram algum conteúdo do GUIA DO ESTUDANTE durante sua preparação para o vestibular.

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ciclo hidrológico. Mas sob qualquer aspecto que você analisar a litosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera, a marca do homem estará lá, alterando o equilíbrio da natureza. É por isso que o GUIA DO ESTUDANTE GEOGRAFIA propõe o estudo das definições e dos conceitos referentes aos temas mais importantes da Geografia física associado aos principais assuntos contemporâneos. Dessa forma é possível acompanhar todo o dinamismo inerente à disciplina e conseguir assimilar melhor como a ação antrópica e a Geografia se relacionam. Tudo isso acompanhado de um amplo conjunto de informações na forma de textos, resumos, simulados, mapas e infográficos. Para complementar seu aprendizado de Geografia, também recomendamos o GUIA DO ESTUDANTE ATUALIDADES, que é lançado duas vezes por ano e aborda os aspectos mais relacionados aos temas contemporâneos da Geografia humana. Um abraço,  Fábio Sasaki, editor – fabio.sasaki@abril.com.br

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ENXUGANDO GELO Crianças brincam em um iceberg na costa da Groenlândia: aquecimento global provoca o desprendimento de grandes blocos de gelo

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TESTADO E APROVADO!

� Pesquisa quantitativa feita nos dias 13 e 14/2/2017. � Total de estudantes aprovados nesses cursos: 1.566. � Margem de erro amostral: 5 pontos percentuais.

MAIS CONTEÚDO PARA VOCÊ As publicações do GE contam agora com o recurso mobile view. Essa tecnologia permite que você acesse, com seu smartphone, conteúdos extras em algumas aulas e reportagens dos nossos guias. A presença desses conteúdos, principalmente em forma de vídeos, será sempre identificada com o ícone abaixo:

Usar o recurso mobile view é simples:

1 • Baixe em seu smartphone o aplicativo Blippar. Ele está disponível, gratuitamente, para aparelhos com sistema Android e iOS em lojas virtuais como Google Play e AppleStore.

2 • Depois, basta abrir o aplicativo e usar o celular nas matérias que apresentam o ícone do mobile view – seguindo as orientações em cada página. GE GEOGRAFIA 2018

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SUMÁRIO

ATMOSFERA

 Geografia VESTIBULAR + ENEM 2018

70 72 73 76 77 78 80 82 84 86 88 90 92

Um cético do clima no poder Donald Trump e sua agenda energética Camadas da atmosfera A estrutura de gás que envolve o planeta Meteorologia Os principais fenômenos que influenciam o clima El Niño e La Niña Entenda esses fenômenos meteorológicos Ciclone Os efeitos devastadores da perturbação atmosférica Climas do mundo As características das dez classificações climáticas Climas do Brasil Os seis principais grupos climáticos do país Poluição do ar Os efeitos da emissão de gases nocivos à atmosfera Aquecimento global As alterações climáticas causadas pelo homem Os efeitos das mudanças climáticas Os riscos que podemos enfrentar Energias renováveis As alternativas para evitar a poluição do ar Acordo de Paris e Protocolo de Kyoto Redução das emissões em pauta Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção

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A Amazônia sob risco de “savanização” A floresta tropical em perigo Ecologia O ciclo natural que sustenta a vida no planeta A evolução do planeta Infográfico mostra a origem da vida na Terra Vegetação no mundo As características das formações vegetais Biomas brasileiros A rica biodiversidade do país sob ameaça Preservação e conservação Os mecanismos de proteção ambiental Código Florestal Nova lei regulamenta o uso da terra no Brasil Conferências ambientais Os eventos em que o ambientalismo é pauta Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção

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LITOSFERA

24 26 28 30 32 36 38 40 42 44 46

BIOSFERA

Imagens de satélite contra a pobreza O desenvolvimento mapeado Elementos do mapa Dicas para entender os elementos cartográficos Coordenadas geográficas Aprenda a identificar pontos no mapa Fusos horários Como os países acertam os seus relógios Tipos de mapa Os diferentes aspectos retratados pela cartografia Projeções As formas de representar o espaço geográfico Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção

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Zelândia, o continente submerso A mais nova extensão de terra Composição e estrutura geológica As camadas internas do planeta Tipos de relevo Depressões, planaltos, planícies e montanhas Placas tectônicas Os grandes blocos que modelam o relevo Relevo em movimento A ação de forças internas e externas na Terra Relevo do Brasil O processo de formação do terreno nacional Recursos minerais Conheça suas características geológicas Características dos solos Processo de formação e fertilidade Deslizamentos e inundações Os efeitos da ocupação desordenada Contaminação dos solos Um dos principais problemas ambientais Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção

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CARTOGRAFIA

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ATLAS

116 O mundo em resumo Um perfil socioeconômico e físico dos continentes 126 O Brasil em resumo As cinco regiões brasileiras em fatos e números RAIO X

132 As preciosas informações contidas nos enunciados das questões SIMULADO

134 32 questões para você aplicar os seus conhecimentos GLOSSÁRIO

146 Os principais conceitos básicos que você encontrará na publicação HIDROSFERA

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Uma esperança na aridez do sertão O Nordeste e a seca A distribuição de água no planeta Onde está a água no globo Água salgada Oceanos e mares ajudam a equilibrar a vida na Terra Água doce As reservas que guardam o líquido que consumimos Tsunami Tremores no fundo do mar provocam ondas de destruição Bacias hidrográficas do Brasil As fontes de água do nosso território Escassez hídrica no mundo Onde a falta de água já provoca crise Escassez hídrica no Brasil Torneiras secas no Nordeste e no Sudeste Poluição hídrica Os efeitos perversos da contaminação das águas Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção

OBRA DA NATUREZA Uma nuvem de fumaça e poeira colore o céu de Puerto Montt, no Chile: vulcão Calbuco entrou em atividade em 2015 pela primeira vez em 50 anos RAFAEL ARENAS/REUTERS

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GLOSSÁRIO

Conceitos básicos Os principais termos que você precisa saber para estudar Geografia AÇÕES ANTRÓPICAS Ações do homem no meio ambiente, como a construção de cidades, indústrias, estradas, o desmatamento para a implantação da agropecuária, entre outras. ASSOREAMENTO Excesso de sedimentos nos leitos de rios e lagos. AQUÍFERO Extensos depósitos de águas subterrâneas em áreas continentais, como o Aquífero Guarani, na América do Sul.

ECOSSISTEMA São sistemas dinâmicos resultantes da interdependência entre fatores físicos do meio ambiente – como atmosfera, solo e água – e os seres vivos que o habitam.

NÚCLEO (DA TERRA) Parte interna do planeta, composta dos minerais ferro e níquel. É subdividido em núcleo externo (material fundido) e núcleo interno (material sólido).

EQUINÓCIO Dia do ano em que os raios solares incidem diretamente sobre a linha do Equador, marcando o início da primavera ou do outono nos hemisférios Norte e Sul.

PARALELO Linhas perpendiculares aos meridianos, que cruzam a Terra no sentido leste-oeste. Os paralelos determinam a latitude.

EROSÃO Desgaste das rochas por meio de agentes externos ou exógenos, como as chuvas, os ventos, as geleiras, os rios, os oceanos, entre outros. GPS (GLOBAL POSITIONING SYSTEM) Sistema de Posicionamento Global, formado por 24 satélites em órbitas a 20.200 quilômetros ao redor da Terra. O sistema permite a localização de qualquer ponto da superfície terrestre com receptores móveis e tem inúmeras aplicações, como identificar rotas de navegação, por exemplo.

BACIA HIDROGRÁFICA Área delimitada pelos divisores de água, ou seja, por altitudes maiores e que compreende um rio principal, seus afluentes e subafluentes, os lagos e as águas subterrâneas. BOREAL Norte.

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CLIMA Sucessão habitual dos tipos de tempo atmosférico. Para classificar os tipos de clima, são necessários registros de temperatura e pluviosidade de, no mínimo, 30 anos. CORRENTES DE CONVECÇÃO Correntes de materiais (ar, magma, água...) que se movem devido à diferença de temperatura e, consequentemente, de densidade. CROSTA Porção externa e sólida do planeta Terra formada por rochas, minerais e solos e com profundidades que variam entre 6 e 75 quilômetros, aproximadamente.

DEPRESSÃO ABSOLUTA Forma de relevo onde predomina a erosão e que apresenta altitude menor que a do nível do mar. DEPRESSÃO RELATIVA Forma de relevo com altitude inferior à dos planaltos e com predomínio da erosão sobre a sedimentação. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Desenvolvimento que atende às necessidades das gerações presentes sem comprometer as necessidades das futuras gerações.

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PLACAS TECTÔNICAS Partes da crosta terrestre delimitadas por falhas geológicas.

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PLANALTO Forma de relevo na qual os processos de erosão superam a sedimentação.

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AUSTRAL Sul. INTEMPERISMO Conjunto de forças físicas, químicas e biológicas associadas à decomposição das rochas.

PEGADA ECOLÓGICA Área (em hectares) necessária para suprir as necessidades das populações, de acordo com seus modos de vida.

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ISTMO Faixa estreita de terras que liga dois continentes ou outras extensas áreas e terras emersas. Entre os mais conhecidos estão o Istmo de Suez e o Istmo do Panamá. LATITUDE Medida em graus da distância de um ponto qualquer da superfície terrestre em relação à linha do Equador. LITOSFERA Parte sólida externa da crosta terrestre, formada por rochas. LONGITUDE Medida em graus da distância de um ponto qualquer da superfície terrestre em relação ao meridiano de Greenwich.

MANTO Camada geológica da Terra composta de material fundido, o magma, que se encontra entre 350 e 2.900 quilômetros de profundidade. MERIDIANO Linhas imaginárias que cruzam a Terra no sentido norte-sul, de um polo ao outro do globo. Os meridianos nos indicam a longitude.

PLANÍCIE Forma de relevo relativamente plana na qual predomina a sedimentação e, em geral, está localizada em altitudes menores que as do seu entorno. PLUVIOSIDADE Volume de chuvas em um determinado tipo de clima.

ROTAÇÃO Movimento da Terra em torno do seu próprio eixo imaginário. SEDIMENTAÇÃO Deposição dos sedimentos após o processo de erosão e transporte feito pelos agentes erosivos (rios, geleiras, ventos etc.). SETENTRIONAL Norte. SOLSTÍCIO Dia do ano em que os raios solares incidem diretamente sobre um dos trópicos (Câncer ou Capricórnio), marcando o início do verão ou do inverno nos hemisférios Norte e Sul. TECTONISMO Conjunto de fenômenos geológicos responsáveis pela movimentação e fragmentação da crosta terrestre. TRANSLAÇÃO Movimento da Terra em torno do Sol.

MERIDIONAL Sul.

TROPOSFERA Parte inferior da atmosfera terrestre, entre as altitudes de zero a 12 mil metros, aproximadamente.

MIGRAÇÃO Migrante é a pessoa que passa a morar em local diferente daquele em que vivia anteriormente. No local de onde a pessoa sai ela é considerada um emigrante e no local onde ela passa a se fixar é considerada um imigrante.

ZONAS TÉRMICAS As três faixas do globo com médias de temperatura semelhantes: zona equatorial ou intertropical, zonas temperadas Norte e Sul (entre os trópicos e os círculos polares) e as zonas polares Norte e Sul.


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CARTOGRAFIA CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO

 Os elementos cartográficos ..........................................................................12  Coordenadas geográficas ..............................................................................14  Fusos horários ..................................................................................................16  Tipos de mapas .................................................................................................18  Projeções cartográficas ..................................................................................20  Como cai na prova + Resumo .......................................................................22

Imagens de satélite contra a pobreza

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Fotos noturnas feitas do espaço são uma nova ferramenta para medir níveis de desenvolvimento no planeta e identificar as regiões mais carentes

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imagem que ilustra a página ao lado, da península coreana iluminada durante a noite, foi captada por astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) há três anos e revela um cenário intrigante: enquanto os territórios da Coreia do Sul e da China cintilam com o clarão gerado pela iluminação das cidades desses países, a Coreia do Norte encontra-se quase totalmente na escuridão. A exceção é a capital, Pyongyang, facilmente identificada como um ponto iluminado no meio do breu. Para além da simples curiosidade, a análise da intensidade da iluminação em imagens noturnas do nosso planeta revela indiretamente o grau de desenvolvimento econômico daquela região. Por essa lógica, quanto mais claro é um certo lugar, mais rico ele é, já que a luz é uma necessidade humana básica, e as pessoas tendem a usá-la mais na medida em que são mais ricas. Consequentemente, a escuridão indica os lugares menos desenvolvidos. Por isso, fotografias noturnas do planeta feitas do espaço têm sido cada vez mais utilizadas por economistas como uma ferramenta importante para estimar o grau de riqueza e de pobreza de regiões do globo – principalmente aquelas carentes de dados econômicos mais acurados, como muitos países da África Subsaariana. Des-

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sa forma, é possível identificar os bolsões de pobreza com maior precisão e encaminhar as ações públicas necessárias. Mas não se pode tomar esse dado isoladamente. A simples observação da imagem noturna pode levar a imprecisões, já que um bairro pobre, mas com alta densidade populacional, pode ter o mesmo nível de luminosidade de uma vizinhança rica, mas esparsamente povoada. Por isso, um estudo divulgado por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, sugere a combinação da análise das imagens noturnas com fotos diurnas de alta resolução – ao verificar também o local durante o dia, mostrando quão urbanizado é o lugar, a metodologia tende a ser mais precisa. Esses estudos são um bom exemplo de como a cartografia nos fornece informações imprescindíveis para mostrar a realidade de diferentes localidades e fomen- UM PAÍS NO BREU tar o estabelecimento Imagem mostra detalhe de políticas públicas. da Ásia: a área iluminada Neste capítulo, você à direita é a Coreia do Sul ficará ainda mais por e no alto à esquerda está dentro da linguagem e a China. A mancha escura do poder dos mapas no com um ponto iluminado estudo da Geografia. no meio é a Coreia do Norte


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NASA

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CARTOGRAFIA OS ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS

O fascinante universo dos mapas A cartografia é dotada de uma linguagem própria, com símbolos, indicadores e representações. Veja a seguir algumas dicas para interpretar corretamente os mapas

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udo começou quando o homem pré-histórico passou a desenhar no interior das cavernas a localização de seu entorno. Foi assim que surgiram os primeiros mapas. À medida que o homem foi conquistando novos espaços, cruzando mares e aprimorando as técnicas cartográficas, os mapas se tornaram mais sofisticados. Hoje, com a ajuda de poderosos satélites, até mesmo as mais inóspitas regiões do planeta são reproduzidas com alta precisão. Com o passar dos séculos, os mapas tiveram importantes funções estratégicas: ajudaram a impulsionar a expansão marítimo-comercial europeia no século XV e atualmente são fundamentais para que as administrações públicas desenvolvam projetos de organização territorial. Com os mapas, é possível realizar variados tipos de levantamento, seja ele político, socioeconômico ou ambiental. Por isso, eles são imprescindíveis ao estudo da geografia física e humana e à compreensão dos principais temas que movem o mundo. Qualquer representação geométrica da superfície terrestre, ou mesmo de parte dela, pode ser considerada um mapa – desde o desenho pouco apurado do homem pré-histórico até o mais completo planisfério produzido pela Nasa recentemente. Sejam eles rudimentares, sejam eles complexos, é importante ressaltar que os mapas possuem uma linguagem própria, com símbolos, indicadores e representações que facilitam sua interpretação. Conheça mais os recursos utilizados pelos cartógrafos para reproduzir diferentes informações gráficas.

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TÍTULO

FONTE

LEGENDA

O título é a nossa primeira aproximação com o mapa. Observá-lo com atenção pode “encurtar” o caminho da sua leitura e compreensão, pois nos permite conhecer, de imediato, qual é o conteúdo representado. Em geral, vem acompanhado do ano em que os dados foram coletados.

A fonte informa a origem (instituição, pesquisa etc.) dos dados utilizados para compor o mapa.

A legenda é um dos elementos mais importantes do mapa, pois dá significado aos indicadores nele representados. Ela informa se os dados são percentuais ou absolutos, além do significado de cores, símbolos, linhas e demais recursos utilizados. A leitura da legenda deve ser feita em conjunto com a visualização da distribuição dos dados no mapa. Neste exemplo, as manchas mais escuras mostram os locais onde há maior concentração de pessoas por quilômetro quadrado. Note que o mapa não fornece os nomes dos países. Essas informações você pode aprender por meio da leitura atenta dos mapas políticos. Trata-se, aliás, de uma dica interessante: os mapas sempre se complementam. Portanto, ao estudar Geografia, lembre-se de olhar para os mapas com a mesma atenção que você olha para os textos, fotografias, gráficos e tabelas.


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R P ESCALA

ROSA DOS VENTOS

A escala indica a relação entre o espaço verdadeiro e seu correspondente no mapa. A escala gráfica apresentada no mapa acima mostra que 1 centímetro equivale a 1.237,5 quilômetros nas dimensões reais. Já a escala numérica do mapa ao lado nos mostra que cada centímetro reproduzido equivale a 55,5 milhões de centímetros – ou 555 quilômetros nas dimensões reais. Ao analisar os dois mapas, também é possível comparar reproduções cartográficas feitas em escalas pequenas e grandes. No mapa acima, reproduzido em uma escala pequena é possível identificar os continentes, a divisão política dos países e os oceanos, além dos locais com maior concentração de habitantes. Já no mapa ao lado, em escala maior, vemos uma área mais restrita – no caso, o território brasileiro. Assim, é possível observar os detalhes do contorno do país e identificar com mais precisão as áreas de maior densidade demográfica.

A rosa dos ventos indica a orientação geográfica, ou seja, para que lado se encontram, no mapa, os pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste). Pode parecer bem óbvio que o norte esteja na parte superior do mapa, pois essa é uma convenção internacional. Entretanto, em alguns tipos de mapas, como as plantas cartográficas e em projeções azimutais ou planas, o norte nem sempre se encontra na parte superior do mapa. GE GEOGRAFIA 2018

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CARTOGRAFIA COORDENADAS GEOGRÁFICAS

Localização precisa Um sistema de eixos horizontais e verticais constituem as coordenadas geográficas, que nos ajudam a identificar qualquer posição na superfície terrestre

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ara encontrar determinado lugar, como a casa de alguém ou um órgão público, precisamos de um endereço, não é mesmo? Sabendo o nome da cidade, do bairro, da rua e o número da casa, chegaremos ao destino. No entanto, nem todas as regiões do planeta têm um endereço com essas informações. Por isso, para obtermos a localização de qualquer ponto ou área da superfície terrestre,

utilizamos as coordenadas geográficas. Trata-se de um sistema obtido a partir do cruzamento de uma rede de linhas imaginárias – os meridianos e paralelos: • Os meridianos cruzam a Terra no sentido norte-sul, de um polo ao outro do globo. Os meridianos nos indicam a longitude, que é a distância expressa em graus entre um local no mapa e o meridiano de Greenwich.

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N E V TRÓPICO DE CÂNCER

EQUADOR 15º47’S

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Para localizar qualquer ponto na superfície terrestre é só fazer o cruzamento do meridiano com o paralelo e obter os dados referentes a latitude e longitude.

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MERIDIANO DE GREENWICH

CÍRCULO POLAR ÁRTICO

• Os paralelos são linhas perpendiculares aos meridianos, que cruzam a Terra no sentido leste-oeste. Eles determinam a latitude, também expressa em graus, e nos indicam a distância entre um local no planisfério e a linha do Equador.

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BRASÍLIA

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

47º55’O CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

LINHA DO EQUADOR A linha do Equador é equidistante em relação aos polos Norte e Sul da Terra e serve como referência para traçar os paralelos, como os trópicos de Câncer e Capricórnio e os círculos polares Ártico e Antártico. Ela divide o planeta em porção norte, ou setentrional, e sul, ou meridional. As linhas que partem do Equador são divididas de zero a 90 graus para as duas direções. A latitude de um lugar é determinada por sua distância em relação à linha do Equador – quanto mais longe, mais alta é a latitude de um ponto. A latitude de Brasília, por exemplo, é 15º47’S – lê-se 15 graus e 47 minutos de latitude sul. Ou seja, a cidade fica a pouco mais de 15 graus ao sul da linha do Equador.

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MERIDIANO DE GREENWICH O meridiano de Greenwich, que ganhou esse nome por passar pela cidade de Greenwich, na Inglaterra, divide o planeta em Ocidente e Oriente. A partir dele, as distâncias são contabilizadas de zero a 180 graus, tanto para leste quanto para oeste. A longitude de um lugar é a sua distância até o meridiano de Greenwich – quanto mais distante, maior será sua longitude. A longitude de Brasília, por exemplo, é de 47º55’O – lê-se 47 graus e 55 minutos de longitude oeste. Ou seja, Brasília está a cerca de 47 graus a oeste do meridiano de Greenwich. Também é comum informar no lugar das iniciais dos pontos cardeais (N, S, L e O) um sinal de + (positivo) para as latitudes norte e longitudes leste e, em contrapartida, um sinal de – (negativo) para as latitudes sul e longitudes oeste.


POR QUE AS COORDENADAS SÃO MEDIDAS EM GRAUS?

SAIBA MAIS

Geralmente as distâncias são medidas em metros ou quilômetros. Por que então a latitude e a longitude são medidas em graus? Ocorre que, apesar de a maioria dos planisférios não mostrar isso, estamos tratando da medida de uma superfície curva, pois a Terra tem a forma arredondada. Assim, essas medidas equivalem à abertura do ângulo entre as linhas imaginárias traçadas a partir do centro da Terra até a linha do Equador (latitude) e do centro da Terra até o Meridiano de Greenwich (longitude). Veja o exemplo de Brasília, nas figuras abaixo:

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BÚSSOLAS, PORTULANOS E GPS

Da Idade Média (séculos V a XV) ao período das Grandes Navegações (séculos XV a XVII), a localização geográfica era obtida por meio da observação dos astros – a posição do Sol durante o dia e das constelações e da Lua à noite, por exemplo. As distâncias e as direções a serem seguidas eram obtidas pela leitura atenta da bússola e das Cartas Portulanas ou Mapas Portulanos. A bússola, cuja invenção é creditada aos chineses, foi fundamental para a navegação marítima no período das Grandes Navegações. Sua agulha imantada alinha-se com os polos magnéticos Norte e Sul da Terra e, dessa forma, permite que o navegador possa localizar-se e seguir na direção desejada. O desenvolvimento das Cartas Portulanas também facilitou a navegação, à medida que traziam as linhas de rumo para orientar o trajeto das embarcações, além de mostrar detalhes do litoral e a indicação dos principais portos, baías e cidades, como mostra este exemplo que representa o Mar Mediterrâneo e o seu entorno.

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[1]

Fonte: Atlas Geográfico Mundial. Editora Fundamento, 2007. p. 4

[1] ALEX ARGOZINO [2] REPRODUÇÃO

Atualmente, dispomos de tecnologias infinitamente mais precisas para obter as coordenadas geográficas e identificar praticamente qualquer lugar no planeta. Esses dados são facilmente levantados pelo GPS (Global Positioning System), um sistema composto por 24 satélites que fornece a um aparelho receptor sua posição exata na superfície terrestre. As informações são visualizadas a partir de aparelhos de GPS, celulares e computadores de bordo em automóveis, aviões e navios e são fundamentais para a navegação terrestre, marítima ou aérea hoje em dia. GE GEOGRAFIA 2018

15


CARTOGRAFIA FUSOS HORÁRIOS

Oceano Ártico

Oceano Ártico Murmansk

CÍRCULO ÁRTICO

São Petersburgo Helsinque Moscou

Oslo Whitehorse

Edmonton

Vancouver

Londres

Winnipeg

Ottawa

Seattle San Francisco Los Angeles Tijuana

Chicago

Denver

Honolulu

Manágua

St. John’s Halifax Lisboa Casablanca

Samoa

Dacar

Manaus

Belém

La Paz

Ilha Pitcairn

Karachi

-10

-9

Buenos Aires

0h

1h

2h

-8

-7

4h

16 GE GEOGRAFIA 2018

Manila

Oceano Pacífico Cingapura

Dili

A ID

-5

5h

6h

-4

-3

60º 7h

8h

9h

-1

0

+1

+2

30º

+3

+4

60º

+5

+6

+7

90º

+8

+9

120º

+10 +11 +12

150º L

10h 11h 12h 13h 14h 15h 16h 17h 18h 19h 20h 21h 22h 23h Horário Universal de Greenwich

Brisbane

Sydney

Adelaide

B I O

R P

-2

30º

+8

Melbourne

Ilhas Geórgia do Sul

90º

Perth

Oceano Índico

Com base nos meridianos e no sistema de rotação da Terra, o sistema de fusos horários ajuda a organizar as horas em diversas localidades do globo

O

Bangcoc

+9

Acertando os ponteiros

s fusos horários foram estabelecidos porque, em razão do movimento de rotação da Terra, as várias porções da superfície terrestre são iluminadas de forma diferenciada no decorrer do dia. Para dar uma volta completa em torno de si, o planeta gira 360º e faz isso em um dia, ou seja, em 24 horas. Dessa forma, foram determinadas 24 faixas longitudinais (no sentido norte-sul do globo) de 15º. Cada faixa, denominada de fuso horário teórico ou astronômico, corresponde, portanto, a 1 hora. O fuso de referência do horário mundial é o de Greenwich, localidade situada em Londres, na Inglaterra. Esse fuso se estende 7º30’ a oeste e 7º 30’ a

Yangun

Maputo

Cidade do Cabo

Oceano Atlântico

A D

N E V

Taipé

Hanói

Antananarivo

Montevidéu

-6

120º 3h

+6

Windhoek

ANTÁRTICA

150º O

+5

Calcutá

Jacarta

CÍRCULO ANTÁRTICO

-11

Mumbai

Lusaka

Brasília

Ilhas Malvinas

-12

Hong Kong

Nairóbi

Kinshasa

Fernando de Noronha Luanda

Oceano Pacífico

180º

Xangai

+5

Katmandu

Colombo

Johannesburgo Santiago

Mascate

Tóquio

Xi’an

Lhasa

Campala

Assunção

Ilha de Páscoa

Nova Délhi

+4

Teerã

Lagos

Cuiabá

Tonga TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

Cabul

Vladivostok Pyongyang Seul

Adis-Adeba Abidjan

Rio Branco Lima

+3

Bagdá

+8

Pequim

Cartum

Paramaribo

Ilhas Galápagos

Novosibirsk Tashkent

Ashkhabad

Cairo

Georgetown

Ilhas Marquesas

Taiti

Jerusalém

Petropavlovsk

Ulan Bator

Astana

Atenas

Túnis

Argel

Magadan

Irkutsk

Riad Meca

Quito

-9

Madri

Krasnoyarsk

Omsk

Bucareste Istambul

Roma

Açores

Santo Domingo Caracas

Bogotá

+13

Viena

Paris

Yakutsk

Yekaterinburgo

Samara

Kiev

+3

Cidade do Panamá

Ilhas da Linha

Varsóvia

Berlim

Trípoli

Havana

Cidade do México

+13

Dublin

New Miami Orleans

Houston

EQUADOR

-3

Montreal

Nova York Washington

St. Louis

Phoenix

TRÓPICO DE CÂNCER

Kiribati

Estocolmo

Reykjavik

Anchorage

leste do Meridiano de Greenwich, também chamado de Meridiano 0º. A partir dele, foram definidos os demais fusos teóricos – indo para leste, acrescenta-se uma hora a cada fuso; para oeste, subtrai-se uma hora. Entretanto, esses limites teóricos dos fusos horários, delimitados a cada 15º, não coincidem com os limites dos países. Por isso, foram criados os fusos horários práticos, também conhecidos como fusos civis ou políticos. Esses fusos respeitam os limites políticos dos países, pois consideram os interesses de cada nação em fazer parte de um ou de outro fuso, de acordo, por exemplo, com a integração econômica, política e sociocultural com as regiões vizinhas.

180º 0h

Wellington

+12

Ilhas Chatham

N

1.780 km

Horário fracionado Linha Internacional de Data Fonte: World Time Zone

OLHA A HORA! Para determinar o horário em um país, deve-se aumentar uma hora no relógio para cada fuso a leste de Greenwich e diminuir uma hora para cada fuso a oeste dele

Como os limites das linhas são uma convenção, os fusos acabam sendo maleáveis. Em novembro de 2013, por exemplo, o Brasil passou a ter quatro fusos horários, em vez de três. Com a medida, os fusos do estado do Acre e de parte do Amazonas foram modificados, a partir de uma leve adaptação do meridiano. E essas mudanças ocorrem no mundo todo. Em 2016, a Rússia, que, com sua vastidão territorial tinha nove fusos horários, decidiu aumentar para 11. Além disso, alguns países adotam as chamadas “horas fracionadas”, como o Irã (3 horas e meia a mais em relação ao fuso de Greenwich) e a Índia (5 horas e meia a mais em relação ao fuso de Greenwich).


OS FUSOS HORÁRIOS DO BRASIL Exemplos da variação dos horários nos fusos brasileiros quando em Londres (fuso de referência) são 15 horas

10h

11h

12h

RR

13h

AP

SAIBA MAIS AM

MA

PA

CE PI

AC

RO

SE

MT

Fernando de Noronha (PE)

A ID

DF GO

3’50’S

MG

ES

MS

-4h

SP

3’52’S

RS

Penedos de S. Pedro e S. Paulo (RN)

Atol das Rocas (RN)

SC

3’56’S

A D

1h

R P

29’22’O

33’50’O

As regiões Sul, Sudeste e Nordeste, o Distrito Federal e os estados de Goiás, do Tocantins, Pará e Amapá acompanham o horário de Brasília. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e a maior parte do Amazonas têm uma hora a menos. Já um pequeno trecho do Amazonas e o Acre passaram a ter duas a menos que Brasília com a mudança de fuso implementada em 2013. Com as alterações, o Brasil ficou com quatro fusos horários. No alto, os relógios mostram os diversos horários quando é meio-dia em Brasília. Note como Fernando de Noronha e as ilhas oceânicas estão mais “adiantados” em relação aos horários do Brasil continental: nessas regiões já são 13 horas.

N E V

B I O

32’24’O

RJ

PR

-3h -2h *Em relação ao horário de Greenwich

AL

BA

FUSO HORÁRIO*

-5h

PE

TO

RN PB

SAIU NA IMPRENSA

VENEZUELA MUDA FUSO HORÁRIO CRIADO POR CHÁVEZ PARA POUPAR ENERGIA A Venezuela reverteu nesta sexta-feira (15) uma mudança de fuso horário de meia hora que foi uma das marcas registradas do governo do falecido presidente Hugo Chávez. Chávez atrasou os relógios do país 30 minutos em 2007 para que as crianças pudessem acordar para ir à escola com luz do sol. Mas seu sucessor, Nicolás Maduro, decidiu retomar o sistema anterior, quatro horas atrás do Horário do Meridiano de Greenwich (GMT, na sigla em inglês), para ter mais luz solar no final da tarde, quando o consumo de energia chega ao máximo. (...) G1, 15/4/2016

entram no horário de verão não entram no horário de verão

HORÁRIO DE VERÃO

Com o horário de verão, o Brasil mantém seus quatro fusos, mas muda a disposição deles, pois as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste adiantam o relógio em uma hora. O objetivo é aproveitar melhor a luz solar, já que, durante o verão, quanto maior a latitude, maior o fotoperíodo – o Sol nasce mais cedo e se põe mais tarde. A medida provoca uma importante redução no consumo de energia durante os horários de maior consumo, sobretudo das 18h às 20h, o que reduz a sobrecarga no sistema elétrico e os riscos de apagões. Nos estados localizados em latitudes mais baixas (mais próximos da linha do Equador), como no Nordeste e Norte, há pouca variação do fotoperíodo e, por isso, não compensa fazer a mudança para o horário de verão. Nesses estados, mesmo que houvesse alguma economia de energia à tarde, a mudança provocaria um aumento no consumo de energia no início da manhã. O horário de verão começa no terceiro domingo de outubro e termina no terceiro domingo de fevereiro. Se neste último for carnaval, o encerramento fica para o domingo seguinte. GE GEOGRAFIA 2018

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CARTOGRAFIA TIPOS DE MAPA

MAPAS POLÍTICOS

É este recorte que dá aos mapas a cara que mais conhecemos: os continentes divididos em países, os países divididos em regiões e estas, em cidades (veja, ao lado, os 35 países do continente americano). Seu objetivo é simplesmente demarcar os limites entre territórios, que podem mudar no decorrer dos anos.

Vários mapas, diferentes leituras Veja como as diversas formas de representar o espaço geográfico podem alterar o modo como enxergamos o planeta

Mte. McKinley 6.194 m

MAPAS FÍSICOS

Este tipo de mapa destaca as características físicas da superfície terrestre, em especial de relevo e hidrografia. Geralmente, as diferentes faixas de altitudes são apresentadas por meio de uma sequência de cores: nas terras emersas, os tons em verde são usados para altitudes mais baixas, seguidos do amarelo, laranja e marrom, sucessivamente, para as altitudes mais elevadas.

s che ala p A

Pico da Neblina 3.014 m Amazonas

es And dos

Também constam nos mapas físicos denominações das unidades de relevo que se destacam no território, como cadeias montanhosas, serras, planaltos e planícies, bem como os picos mais elevados. Quanto à hidrografia, são representados com traços azuis os grandes rios e seus principais afluentes e subafluentes. Os principais lagos também são identificados.

Grandes Lagos

eira dilh Cor

18 GE GEOGRAFIA 2018

R P

Aconcágua 6.959 m

São F ranci sco

N E V

B I O Montanhas Rochosas

A D

A ID

Mis siss ipp i

R

epresentação: é essa a ideia que norteia a construção de um mapa. Ocorre que, obviamente, o tamanho e a complexidade do planeta não cabem no papel. Desse modo, é preciso fazer escolhas para conseguir mostrar, num espaço tão restrito, o máximo daquilo que comporta o mundo real. Dessas escolhas é que resultam as diversas maneiras de representar um território, que pode se dar com base em focos variados, como seus aspectos físicos, políticos ou sociais. Cada um desses recortes, por sua vez, abarca outras subdivisões. A representação física do planeta, por exemplo, engloba mapas de hidrografia e relevo, entre outros. Todas essas divisões são importantes tanto por seu caráter teórico, ao facilitar o estudo de uma área, quanto pela aplicação prática desse conhecimento, ao nortear a implantação de políticas de saúde ou ambientais. Entretanto, com tantas possibilidades, é preciso atenção na hora de ler os mapas e avaliar as conclusões tiradas com base em sua análise. Afinal, como vimos, eles mostram apenas uma parte da realidade. Assim, dependendo do ponto de vista adotado para sua construção, eles podem acabar servindo para influenciar – positiva ou negativamente – o modo como enxergamos determinada área ou algum fenômeno. Confira a seguir alguns dos principais tipos de mapas e o que eles representam.

As fronteiras entre as nações, por exemplo, sofreram muitas mudanças no decorrer da história. As atualizações do mapa-múndi atingiram número recorde no século XX, por causa do turbilhão de eventos ocorridos no período, como o desmembramento da ex-União Soviética. A mais recente alteração no mapa político ocorreu em 2011, com o desmembramento do Sudão, que deu origem ao Sudão do Sul. Em suma, aparecer ou não no mapa significa ter a própria existência reconhecida pelo resto do mundo.


PARA IR ALÉM Confira dezenas de anamorfoses sobre os mais diversos temas no site www.worldmapper.org.

Canadá

Estados Unidos

Cuba Haiti

SAIBA MAIS

Venezuela

México

Canadá

Índice de Desenvolvimento Humano (2015)

Brasil

Muito Alto Alto Médio

Estados Unidos

Argentina

Baixo Dados não disponíveis

MAPAS TEMÁTICOS

N E V

A D

São mapas que representam dados sobre determinados temas, permitindo observar as características de uma região e estabelecer comparações entre os países apresentados. Os temas abordados podem ser os mais diversos, da economia à cultura, passando por demografia e meio ambiente.

Neste exemplo, os países da América são agrupados a partir de sua classificação no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O indicador, apurado pela Organização das Nações Unidas (ONU), serve para medir as variações no padrão de qualidade de vida das diferentes populações do globo, levando em conta três fatores: educação, longevidade e renda. Ao observarmos o mapa de IDH do continente americano acima, notamos que Estados Unidos, Canadá, Chile e Argentina são as únicas nações com IDH muito alto, enquanto o Haiti é a única nação com baixo desenvolvimento humano. O Brasil, junto com países como Venezuela e México, tem IDH alto.

A ID

B I O

Chile

R P

Brasil

ANAMORFOSES, OS MAPAS DISTORCIDOS

Os mapas têm como objetivo apresentar de forma mais fiel possível o espaço geográfico, certo? Mais ou menos. Existem alguns tipos de representação cartográfica que distorcem o tamanho e o traçado das regiões para reforçar o efeito comparativo sobre o tema apresentado. Esses mapas recebem o nome de anamorfoses e costumam cair nos vestibulares com certa frequência. Nesta anamorfose, o tamanho de cada país é proporcional ao seu Produto Interno Bruto (PIB) e não à sua extensão territorial. Logo, chama a atenção o aumento de tamanho dos Estados Unidos, dono da maior economia do mundo, com 18 trilhões de dólares. Por sua vez, note como o Canadá, que tem a segunda maior extensão territorial do planeta, atrás apenas da Rússia, ficou representado de uma forma bem menor nesta anamorfose. Isso acontece porque o gigantismo de sua área não é proporcional ao seu PIB. Já o mapa do Brasil apresenta poucas distorções na comparação entre economia e área. GE GEOGRAFIA 2018

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CARTOGRAFIA PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS

Forma e conteúdo O desafio de reproduzir a superfície esférica da Terra em um mapa plano levou ao surgimento de uma infinidade de projeções cartográficas. Conheça a seguir os tipos mais comuns

A

o longo dos séculos, os cartógrafos vêm se empenhando em desenvolver mapas-múndi da forma mais fiel possível. O problema é que a Terra tem um formato esférico, com um leve achatamento nos polos. O maior desafio na criação dos mapas,

portanto, é representar este planeta esférico em uma superfície plana. Para ter uma ideia da dificuldade de fazer essa transposição, no decorrer dos anos surgiram mais de 200 tipos de projeção cartográfica. E todas apresentam algum tipo de distorção.

AS DIFERENTES REPRESENTAÇÕES DA ESFERA TERRESTRE

A ID

Dependendo da figura geométrica utilizada para desenvolver o mapa, as projeções podem ser classificadas da seguinte forma:

A D

Greenwich

N E V 60˚

R P

Trópico de Câncer

nw ee ich

Equador 20˚

Trópico de Capricórnio

60˚

Trópico de Câncer

180˚ 160˚ 140˚

PROJEÇÃO CILÍNDRICA

Este tipo de projeção é produzido como se um cilindro envolvesse a esfera terrestre e fosse então planificado. A projeção cilíndrica ainda consegue representar com menos distorções as baixas latitudes.

20 GE GEOGRAFIA 2018

Polo Norte

Gr

20˚

B I O

Equador 120˚ 100˚

80˚ 60˚

PROJEÇÃO CÔNICA

0˚ 20˚ 40˚

Neste tipo de projeção, a representação é feita como se um cone envolvesse o planeta e depois fosse planificado. Esta projeção é utilizada para mapas de latitudes médias, pois nessa região a distorção é menor.

PROJEÇÃO PLANA OU AZIMUTAL

O mapa é construído sobre um plano que tangencia algum ponto da superfície terrestre. Seu uso mais comum é para melhorar a visibilidade das regiões polares e de suas proximidades.


DIFERENTES PROJEÇÕES CAUSAM POLÊMICA

SAIBA MAIS

As projeções também podem ser classificadas de acordo com os parâmetros utilizados para conservar ou distorcer as áreas:

CONFORME

Prioriza a forma, ou seja, o contorno dos continentes e oceanos e distorce a área, principalmente nas latitudes maiores. Na Projeção de Mercator ao lado, a Groenlândia, que tem cerca de 2,8 milhões de quilômetros quadrados, aparece no mapa com quase o mesmo tamanho da África, com seus mais de 30 milhões de quilômetros quadrados.

Mantém a equivalência da área, ou seja, a proporção entre as áreas reais e sua representação nos mapas. No entanto, as formas ficam distorcidas, como a América do Sul e a África, que aparecem mais alongadas no mapa, como se nota na Projeção de Peters.

A D

N E V

Os satélites são instrumentos essenciais para a obtenção de imagens da superfície terrestre com grande riqueza de detalhes. A partir dessas informações, os cartógrafos produzem mapas temáticos, monitoram problemas ambientais, como o desmatamento e a poluição das águas, descobrem novas riquezas, como jazidas minerais, entre inúmeras outras funções. A obtenção de imagens de satélite faz parte de um conjunto de técnicas conhecidas como sensoriamento remoto. Como a própria expressão já diz, trata-se de uma forma de obter imagens com sensores localizados à distância. Dependendo das variações que as características físicas da superfície terrestre apresentam, ocorrem diferentes índices de reflexão da luz solar ou das radiações dos sensores ativos dos satélites. As águas, por exemplo, tendem a absorver maior quantidade de energia, enquanto construções (prédios, estradas, pontes etc.) ou mesmo o solo exposto refletem mais a energia incidente. Desta forma, é possível identificar as características naturais e da ocupação humana de uma determinada área. Existem ainda filtros utilizados para realçar alguma caraterística, como as variações do relevo, dos recursos minerais, da vegetação ou das águas, por exemplo.

A ID

B I O

R P

EQUIVALENTE

AS IMAGENS DE SATÉLITES

ARBITRÁRIA OU AFILÁTICA

Não se prende totalmente a nenhuma regra, distorcendo tanto a área como a forma, porém sem exagerar essas distorções, buscando um resultado mais equilibrado. O exemplo mais representativo é a Projeção de Robinson, utilizada na maior parte dos atlas e livros escolares.

EQUIDISTANTE

Representa com maior fidelidade as distâncias, por isso é frequentemente adotada para definir rotas aéreas e marítimas. No entanto, ela distorce as formas e as áreas. As projeções planas ou azimutais, descritas na página ao lado, também são consideradas equidistantes.

INPE

CORES E TEXTURAS Nesta imagem da região metropolitana de São Paulo, as porções de água estão representadas na cor preta, as áreas urbanizadas na cor rosa, a vegetação na cor verde e o solo exposto na cor marrom GE GEOGRAFIA 2018

21


COMO CAI NA PROVA

1. (Fuvest 2017) Anamorfose geográfica representa superfícies dos países

em áreas proporcionais a uma determinada quantidade. Observe as seguintes anamorfoses:

Coreia do Sul (temerosos por ameaças da Coreia do Norte) e países do Oriente Médio e do norte da África (envolvidos com ações terroristas e fundamentalismo islâmico) são grandes importadores de armamentos. Resposta: E

2. (Mackenzie 2016)

Escala : 1:15.000

A D

N E V

a) Transporte aéreo e Transporte ferroviário. b) População urbana e População rural. c) População total e Produto Interno Bruto. d) Ocorrência de HIV e Ocorrência de malária. e) Exportação de armas e Importação de armas

RESOLUÇÃO

A anamorfose possui uma força comunicativa poderosa e cartograficamente tem o papel de valorizar certos fenômenos geográficos, provocando a subversão da forma com o propósito de revelar o assunto retratado. Para responder este tipo de questão é preciso identificar o grau de distorção das áreas dos países no mapa. Além disso, o conhecimento geral de temas da geografia física e humana é fundamental para saber a quais assuntos o mapa estará relacionado. No caso desta questão, as alternativas levam às seguintes reflexões: A afirmativa A é incorreta porque países como Japão e China têm forte movimento aéreo e o transporte ferroviário é maior em países desenvolvidos; A afirmativa B é incorreta porque não só os países desenvolvidos registram altos percentuais de população urbana; A afirmativa C é incorreta porque Estados Unidos, Rússia, Brasil, China, Índia são os países mais populosos; A afirmativa D é incorreta porque a ocorrência do HIV é maior no continente africano. Logo, a resposta que representa a melhor opção é aquela que envolve o comércio mundial de armas. EUA, países de Europa Ocidental e Rússia são grandes produtores e exportadores. Já Índia e Paquistão (em tensão por disputa territorial), Japão e

22 GE GEOGRAFIA 2018

B I O

R P

Nas alternativas apresentadas, os títulos que identificam de forma correta as anamorfoses I e II são, respectivamente:

A ID

Com base no mapa e em seus conhecimentos sobre Escalas Cartográficas e Fusos Horários Mundiais, qual alternativa contempla, correta e respectivamente, as seguintes perguntas.

I. Qual a distância linear entre os dois pontos atingidos pelas explosões, em Bruxelas, sabendo que a distância entre os dois pontos no mapa é de 7 cm? II. Sabendo que o ataque ao Aeroporto Internacional de Zaventem – Bruxelas – Bélgica ocorreu às 8h do dia 22/03/2016, país localizado a 15º Leste de Greenwich, que horas os relógios brasileiros marcavam em seu fuso principal, horário de Brasília, localizado a 45o Oeste de Greenwich? a) b) c) d) e)

150 metros; 4h do dia 21/03/2016. 1.500 metros; 20h do dia 21/03/2016. 1.050 metros; 4h do dia 22/03/2016. 10.500 metros; 20h do dia 22/03/2016. 105.000 metros; 4h do dia 23/03/2016.

RESOLUÇÃO I – A escala numérica indicada no mapa aponta 1: 15.000. Ou seja, para cada 1 centímetro no mapa temos, na realidade, 15.000 centímetros, ou 150 metros. Em uma distância linear de 7 centímetros, temos a seguinte correspondência: 1 cm — 150 m 7 cm — x x= 1050 m II – Devemos considerar a localidade de Bruxelas a 15° Leste de Greenwich e de Brasília a 45° Oeste. Cada fuso equivale a 1 hora e corresponde a 15°. Logo, a diferença entre as duas localidades apontadas na questão é de 4 fusos, o equivalente a 4 horas. Como no sentido leste as horas aumentam e no sentido oeste as horas diminuem, podemos concluir que, no momento do atentado executado em Bruxelas às 8 horas, os relógios brasileiros marcavam na sua hora oficial quatro horas a menos, pois Brasília se localiza mais a oeste da Bélgica. Com isso a hora registrada foi de 4 horas. Resposta: C


RESUMO

3. (Unicamp 2017) A representação cartográfica dos fatos geográficos avançou consideravelmente, nas últimas décadas, sobretudo a partir do emprego de tecnologias modernas utilizadas pela Cartografia, por exemplo, as imagens SRTM, como a que será vista a seguir:

a) Explique por que a Groenlândia e a Península Arábica, que possuem aproximadamente a mesma superfície no mapa-múndi acima, apresentam dimensões tão discrepantes, e indique qual é a projeção desse mapa-múndi. b) Defina escala cartográfica e indique se o mapa acima apresenta uma escala grande ou pequena.

RESOLUÇÃO

A D

b) A escala cartográfica permite que se estabeleça uma relação entre o espaço real e a área apresentada no mapa. O mapa-múndi reproduzido na questão tem escala pequena – ela mostra poucos detalhes, priorizando a apresentação de uma área de abrangência maior.

 SAIBA MAIS

As escalas numéricas são expressas por uma fração cujo numerador é a medida no mapa e o denominador é a medida correspondente ao terreno. Ex: 1:50.000 ou 1/50.000 – 1 cm no mapa corresponde a 50.000 cm no terreno). O tamanho da escala é tanto menor quanto maior for o denominador. Veja na tabela abaixo como o tamanho da escala se relaciona com a finalidade do mapa: Tamanho

ELEMENTOS DOS MAPAS São as informações que acompanham os mapas e a eles dão significado. Os principais elementos são o título, a legenda (indica o significado dos símbolos, cores e demais recursos utilizados nos mapas), a rosa dos ventos (indica os pontos cardeais), a fonte dos dados e a escala, que determina a proporção em que o mapa foi feito, comparado à superfície real. COORDENADAS GEOGRÁFICAS São valores em graus, minutos e segundos obtidos a partir do cruzamento dos meridianos (linhas imaginárias traçadas no sentido norte-sul) e dos paralelos (linhas imaginárias traçadas no sentido leste-oeste). As coordenadas são fundamentais para a localização de qualquer ponto ou área na superfície terrestre. O ponto de referência dos paralelos é a linha do Equador, enquanto dos meridianos é o meridiano de Greenwich. Os paralelos determinam a latitude e os meridianos indicam a longitude.

Escala

Finalidade do Mapa

1:50 / 1:100

Plantas arquitetônicas e de engenharia

1:500 a 1: 20.000

Plantas urbanas; projetos de engenharia

Média

1: 25.000 a 1:250.000

Mapas topográficos

Pequena

Acima de 1: 250.000

Atlas geográficos; globos

Grande

A ID

B I O

FUSOS HORÁRIOS São faixas longitudinais (que se estendem no sentido norte-sul no globo terrestre) criadas para organizar a hora mundial. Inicialmente foram determinadas 24 faixas, cada uma com 15 graus. A hora adotada em cada país, no entanto, foi regulamentada com base nos fusos horários práticos, que acompanham os limites territoriais dos países ou estados, de acordo com os interesses político-econômicos regionais. O ponto de referência do horário mundial é o meridiano de Greenwich, na Inglaterra: indo para leste, adianta-se o relógio; para oeste, deve-se atrasá-lo. Muitos países adotam o horário de verão, adiantando o relógio em uma hora para aproveitar melhor a luz solar e reduzir o consumo de energia.

R P

a) O mapa apresentado na questão foi feito em uma projeção cilíndrica do tipo conforme idealizada por Mercartor. Este mapa prioriza a forma e o contorno dos continentes. No entanto, ele distorce o tamanho e a proporção das áreas continentais. As áreas de baixa latitude, mais próximas da linha do Equador, são reproduzidas de forma mais fiel, como acontece com a Península Arábica. Já as regiões de alta latitude, como a Groenlândia, são apresentadas em um tamanho proporcionalmente maior do que de fato são.

N E V

Cartografia

TIPOS DE MAPAS De acordo com o tipo de informação que representam, os mapas podem ser classificados como: mapas políticos, que mostram os limites político-territoriais dos países; mapas físicos, com as principais características de relevo e hidrografia; e os mapas temáticos, que representam algum tema ou assunto específico, como dados econômicos, populacionais ou ambientais. As anamorfoses aumentam ou diminuem o tamanho dos países ou continentes de acordo com os dados quantitativos que estão sendo representados. PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS São técnicas utilizadas para representar a Terra, que é esférica, em uma superfície plana. As principais projeções são classificadas de acordo com a figura geométrica utilizada para representar a superfície terrestre: cilindro (projeção cilíndrica); cone (projeção cônica) e plano (projeção plana ou azimutal). Há distorções em todas as projeções, sendo que em cada uma se prioriza uma determinada propriedade: a área, a forma ou as distâncias. A projeção de Mercator é mais precisa nas distâncias, mas distorce as áreas. Já a projeção de Peters privilegia o tamanho da área, porém não consegue apresentar as formas de maneira fiel.

GE GEOGRAFIA 2018

23


2

LITOSFERA CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO

 Composição e estrutura geológica .............................................................26  Tipos de relevo ..................................................................................................28  Placas tectônicas .............................................................................................30  Relevo em movimento....................................................................................32  Relevo do Brasil ................................................................................................36  Recursos minerais ...........................................................................................38  Características dos solos ...............................................................................40  Deslizamento de terra e inundações ........................................................42  Contaminação dos solos................................................................................44  Como cai na prova + Resumo .......................................................................46

Zelândia, o continente submerso Território localizado no sudoeste do Oceano Pacífico tem apenas 6% de sua área acima do nível do mar

U

A D

m artigo publicado em fevereiro de 2017 na revista científica da Geological Society of America (GSA) propõe uma mudança significativa nos livros de Geografia. Segundo o estudo liderado pelo geólogo neozelandês Nick Mortimer, o mundo teria um novo continente: a Zelândia. O território possui 4,9 milhões de quilômetros quadrados (cerca de 60% da área do Brasil) e localiza-se no sudoeste do Oceano Pacífico, ao lado da Austrália. Detalhe: 94% de suas terras são submersas, e as únicas porções acima do nível do mar são as ilhas de Nova Zelândia e Nova Caledônia, distantes cerca de 2.400 quilômetros uma da outra. A formação da Zelândia estaria relacionada ao mesmo fenômeno que deu origem aos demais continentes: a deriva continental. A Pangeia, a grande e única extensão de terra que existia há 225 milhões de anos, foi se fragmentando gradativamente até dar forma aos continentes que conhecemos atualmente. A Zelândia se descolou da Austrália e da Antártica e submergiu, mas ainda assim poderia ser considerada um continente. É o que defende o estudo de Mortimer, com base em critérios geológicos. Dados coletados por satélite mostram que a Zelândia tem uma área bem definida, é dotada de uma geologia distinta, possui uma elevação

N E V

24 GE GEOGRAFIA 2018

R P

B I O

A ID

APONTE O CELULAR PARA AS PÁGINAS E VEJA VÍDEO SOBRE A FORMAÇÃO DA ZELÂNDIA (MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7)

maior em relação ao entorno e detém uma crosta mais espessa que a do leito oceânico – quatro características comuns aos continentes validados. Embora seja natural pensarmos que um continente deva estar inteiramente na superfície, os pesquisadores argumentam que o fato de Zelândia ter apenas 6% de suas terras emersas não lhe tira o direito de ser vista como tal. “É o menor e mais fino continente já encontrado, e o fato de estar tão submerso, mas não fragmentado, o torna útil para explorar a coesão e desintegração da crosta continental”, aponta Mortimer. Como não existe um organismo internacional que reconheça formalmente os continentes, a Zelândia só irá fazer parte da lista se a comunidade científica aceitar os argumentos dos pesquisadores neozelandeses e passar a citá-la em seus trabalhos. Dessa forma, o novo continente quase inteiramente submerso do Pacífico passaria a ser ensinado O NOVO CONTINENTE nas aulas de Geogra- Representação da Terra fia. Enquanto isso não mostra a Zelândia, em volta acontece, você apren- do tracejado em vermelho: de no capítulo a seguir apenas a Nova Zelândia, todos os tradicionais ao sul, e a pequena ilha da fenômenos do relevo Nova Caledônia, ao norte, e de sua formação. estão acima do nível do mar


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MARIO KANNO/MULTISP

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LITOSFERA COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA GEOLÓGICA

ODA

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TETO DAS AMÉRICAS O Monte Aconcágua, na Argentina, é o ponto mais alto do continente americano, medindo 6.959 metros

termo litos, em grego, significa “pedra” ou “rocha”. Portanto, conhecer a litosfera é saber literalmente onde estamos pisando, já que ela dá nome à camada sólida que reveste a esfera terrestre. Essa rigidez em sua superfície, aliás, é uma característica que nem todos os planetas possuem. No Sistema Solar, além da Terra, somente outros três (Mercúrio, Vênus e Marte) são classificados como planetas rochosos. Os demais (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) são gigantes gasosos e não possuem uma crosta rochosa. A litosfera é composta pela crosta e por uma parte do manto superior, conforme ilustra a ima-

N E V Por dentro do globo Conheça as características das camadas internas do planeta e como o relevo foi formado ao longo dos anos

AS CAMADAS DA TERRA

CROSTA

Crosta Manto superior Manto inferior Núcleo externo Núcleo central

APONTE O CELULAR PARA AS PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA SOBRE ESTRUTURAS GEOLÓGICAS (MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7)

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gem abaixo. É sobre ela que o relevo ganha seus contornos, formando desde depressões até cadeias montanhosas. Além dessas camadas, a Terra possui outras partes em sua estrutura interna igualmente sólidas, como o núcleo interno, ou fluidas, como o manto e o núcleo externo. Conhecer essa estrutura e sua dinâmica é fundamental para entender fenômenos como os terremotos, as atividades vulcânicas e os tsunamis, por exemplo, e assim poder buscar os meios de se proteger contra seus efeitos devastadores. Veja abaixo as características das diferentes camadas da Terra:

Fonte: ALMANAQUE ABRIL

É a parte superior ou externa da litosfera, encontrada tanto nas áreas continentais (crosta continental) como submersas pelos oceanos (crosta oceânica). A crosta continental apresenta espessuras que variam de 30 a 70 quilômetros, aproximadamente, com rochas mais densas na parte inferior e menos densas na porção superior, próxima da superfície. A crosta oceânica, por sua vez, tem espessura entre 6 e 7 quilômetros de profundidade e é constituída predominantemente por rochas mais densas.


A estrutura geológica

A estrutura geológica e mineralógica da crosta está na base do modo de vida das populações humanas, uma vez que fornece dezenas de recursos necessários à vida, como a produção de alimentos (obtidos por meio do cultivo do solo), os materiais utilizados na construção de moradias (tijolos, cimento, ferro), a geração de energia (petróleo, urânio), entre inúmeros outros. Confira a seguir as principais estruturas geológicas da litosfera:

ESCUDOS CRISTALINOS

São os terrenos mais antigos da crosta terrestre, formados pelo choque de massas continentais ocorrido há centenas de milhões de anos durante a era Pré-Cambriana (Arqueozoica e Proterozoica). Os escudos cristalinos são constituídos de rochas magmáticas, ou seja, trata-se do magma – material líquido-pastoso proveniente do manto – em estado sólido. As rochas magmáticas dividem-se em duas categorias: as extrusivas, como o basalto, que são formadas com o esfriamento rápido do magma na superfície terrestre; e as intrusivas, como o granito, que são resfriadas lentamente dentro da crosta terrestre.

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Os escudos cristalinos também exibem as rochas metamórficas, que são o resultado da transformação das rochas magmáticas, sedimentares ou mesmo de outras metamórficas, por meio de processos químicos e físicos nas grandes profundidades da Terra. O mármore, por exemplo, é formado do calcário quando esse é submetido a altas temperaturas e pressão.

N E V BACIAS SEDIMENTARES

Foram formadas nas eras Paleozoica e Mesozoica, com a erosão das rochas dos escudos cristalinos – após o desgaste dos maciços, seus sedimentos foram depositados em regiões mais baixas. O acúmulo desses detritos, somado aos restos orgânicos, leva à formação de rochas sedimentares pelo processo de

MANTO SUPERIOR É a parte da estrutura interna da Terra que se encontra logo abaixo da crosta e vai até cerca de 400 quilômetros de profundidade. Juntamente com a crosta, a parte superior do manto, formada por rochas sólidas, constitui a litosfera. iSTOCK PHOTO

MANTO INFERIOR

litificação. Essa deposição é feita em camadas. O calcário, presente em cavernas, o arenito e o carvão são exemplos de rochas sedimentares.

PARA IR ALÉM O filme Viagem ao Centro da Terra, de Eric Brevig, baseado na obra de Júlio Verne, conta a história de um grupo de pessoas que descobre um caminho para o núcleo do planeta. Essa obra de ficção apresenta características geológicas internas da Terra.

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DOBRAMENTOS MODERNOS

Trata-se das formações mais recentes da crosta terrestre, surgidas do choque de placas ocorrido entre o fim da era Mesozoica e o início da Cenozoica. As rochas são mais flexíveis e situam-se na zona de contato entre as placas tectônicas. Nessa região de grande instabilidade e frequentes movimentos sísmicos encontram-se montanhas e vulcões ativos e extintos.

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FORMAÇÃO DAS ESTRUTURAS GEOLÓGICAS

Escudo cristalino

Bacias sedimentares Dobramentos modernos

Arqueozoica Proterozoica 4,5 bilhões 2,5 bilhões

Constituído por rochas fundidas diante das elevadas temperaturas, o manto inferior estende-se de 400 a 2.900 quilômetros de profundidade. É nessa parte que se formam as correntes de convecção do magma: o contato com o núcleo externo aumenta as temperaturas desses materiais, que são impulsionados em direção ao manto superior, onde se “resfriam” e, mais densos, tornam a descer para perto do núcleo, onde novamente são aquecidos e reiniciam o ciclo.

Paleozoica 570 milhões

Mesozoica 250 milhões

NÚCLEO EXTERNO

Localizado na faixa entre 2.900 e 5.100 quilômetros, é constituído por dois minerais predominantes: o níquel e o ferro, totalmente fundidos pelas elevadas temperaturas.

Cenozoica 65 milhões

NÚCLEO CENTRAL

O núcleo central constitui a camada que fica entre 5.100 quilômetros e o centro da Terra, a 6.378 quilômetros. É constituído de uma liga metálica formada por ferro e níquel, porém em estado sólido em função da elevada pressão a que é submetido. Seu movimento de rotação é maior do que o do restante da Terra. GE GEOGRAFIA 2018

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LITOSFERA TIPOS DE RELEVO

SAIBA MAIS

As quatro faces da Terra

O RELEVO SUBMARINO

Conheça os principais tipos de relevo que constituem o cenário global

Escondido sob o cobertor das águas marinhas, o solo oceânico apresenta um rico relevo de montanhas, planaltos e fossas profundíssimas. Como essas formas não estão expostas à erosão de agentes externos, como o vento e as chuvas, os perfis são mais contrastantes e escarpados. Podemos destacar três porções desse relevo submerso: Plataforma continental: terras submersas que se prolongam das terras emersas, como uma orla em torno dos continentes. Topograficamente, ela é uma superfície quase plana, formada pelo acúmulo de sedimentos de origem continental. Vai até os 200 metros de profundidade, que também é o limite da penetração da luz solar (veja mais na pág. 54).

ALTOS E BAIXOS Exemplos de relevo (da esquerda para a direita): Depressão do Mar Morto (Israel), Cordilheira do Himalaia (Nepal), Planalto do Apalache (EUA) e Planície Amazônica (Brasil)

DEPRESSÕES

São áreas da superfície localizadas em altitude inferior à das regiões próximas (depressão relativa) ou abaixo do nível do mar (depressão absoluta). As depressões podem ser formadas de várias maneiras: por deslocamento do terreno, remoção de sedimentos, dissolução de rochas ou até por queda de meteoritos. O Mar Morto, situado 416 metros abaixo do nível do mar, é a maior depressão do globo. Ele banha Israel, Jordânia e Cisjordânia e leva esse nome em razão da elevada concentração de sal de suas águas – dez vezes superior à dos demais oceanos –, o que impede a existência de qualquer forma de vida.

São elevações de altitudes variadas, em que predomina o processo de erosão e cuja composição rochosa pode ser de rochas sedimentares, cristalinas ou metamórficas. Os planaltos apresentam superfície irregular, como serras e chapadas, e são delimitados por áreas rebaixadas em um de seus lados. O continente africano se destaca pela presença de planaltos, com altitudes predominantes entre 400 e 2 mil metros. Na porção leste/nordeste, destacam-se os planaltos da Etiópia e o dos Grandes Lagos.

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N E V MONTANHAS

Também chamadas de dobramentos modernos, são grandes áreas elevadas resultantes do choque de placas tectônicas (veja mais na pág. 32). Os maiores picos do mundo ficam na Cordilheira do Himalaia, um complexo montanhoso que se estende por cinco países asiáticos: Paquistão, Índia, Nepal, Butão e China. Sua formação, iniciada há cerca de 70 milhões de anos, resulta do choque entre a placa tectônica Indiana e a placa Eurasiática (veja mais na pág. 31). O curioso é que a placa Indiana continua a se mover, fazendo com que o Himalaia se eleve a uma taxa de 5 milímetros por ano.

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PLANALTOS

PLANÍCIES

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São áreas de superfície relativamente plana, formadas por rochas sedimentares e nas quais predominam os processos de deposição e acúmulo de sedimentos. Na maior parte das vezes, as planícies são encontradas em baixas altitudes. Em geral, localizam-se próximas do litoral, como a planície do norte europeu, ou de grandes rios ou lagos, como ocorre com a planície do Rio Amazonas. Mas é bom ficar atento: não é a altitude de um relevo que determina se ele é uma planície; o principal fator definidor é o acúmulo de sedimentos. Nas regiões elevadas, por exemplo, existem as planícies de montanha, que são formadas de rocha sedimentar e delimitadas por aclives.

Cordilheira submarina: elevações de forma regular que surgem ao longo dos oceanos, como a Dorsal Mesoatlântica. Essa cadeia de montanhas submersas tem mais de 10 mil quilômetros de comprimento e se estende no sentido norte-sul pela região central do Oceano Atlântico. Sua formação se deve ao afastamento das placas tectônicas, que permitiu que o magma chegasse à superfície. Em alguns pontos, os picos se elevam acima do nível do mar e formam ilhas, como é o caso do arquipélago de Fernando de Noronha, no Brasil. Há outras cordilheiras submarinas nos oceanos Índico e Pacífico, todas com uma característica em comum: formam-se em locais onde as placas tectônicas estão se afastando umas das outras. O afastamento é lento (menos de 2 centímetros ao ano), impulsionado pelas correntes convectivas do magma, que se eleva e forma novas rochas ao se resfriar. Fossas oceânicas: também conhecidas como fossas abissais, são gigantescos abismos submarinos formados quando uma placa tectônica é forçada para debaixo de outra, após uma colisão. O local mais profundo dos oceanos é a Fossa das Marianas, um enorme vale submarino com 10.920 metros de profundidade, localizado a leste das Ilhas Marianas, no Oceano Pacífico. Ela tem por volta de 2,5 mil quilômetros de extensão e fica na fronteira entre duas placas tectônicas, a do Pacífico e a das Filipinas. Caso o Monte Everest fosse colocado dentro da Fossa das Marianas, ainda restariam mais de 2 mil metros de água entre seu pico e o nível do mar.


AS FORMAÇÕES DO RELEVO NO MUNDO

SALGADO E SEM VIDA O Mar Morto banha Israel, Jordânia e Cisjordânia e é a maior depressão do globo

As maiores altitudes (mancha marrom) ficam no centro-sul da Ásia. As planícies (áreas verdes e

TETO DO MUNDO Os maiores picos do mundo ficam na Cordilheira do Himalaia, um complexo montanhoso localizado no coração da Ásia.

amarelo-claras) estão espalhadas pelo globo

Mte. McKinley

Mte. Elbrus

Mte. Everest

ALTITUDES

A ID 4.800 m

Pico da Neblina

3.000 m

Mte. Kilimanjaro

1.800 m 1.200 m

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Aconcágua

600 m 300 m 150 m 0

-1.000m

Mte. Kosciuszko

A D Maciço Vinson

N E V SEDIMENTOS ACUMULADOS A Planície Amazônica é uma faixa de terra que acompanha o Rio Amazonas e torna-se mais larga quando chega na foz, na Ilha de Marajó

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CORDILHEIRAS OCEÂNICAS A Dorsal Mesoatlântica forma uma cadeia de montanhas que se estende de norte a sul no Oceano Atlântico

[1] iSTOCK PHOTO | DIVULGAÇÃO | IRMO CELSO [2] iSTOCK PHOTO

-3.000 m -4.000 m -5.000 m -6.000 m -7.000 m -8.000 m

Picos

Fonte: IBGE

BERÇO DAS ÁGUAS O planalto dos Grandes Lagos abriga as nascentes das duas maiores bacias hidrográficas do continente: a do Rio Congo, a maior em volume de água, e a do Rio Nilo.

NAS PROFUNDEZAS DO OCEANO O local mais profundo dos oceanos é a Fossa das Marianas, um enorme vale submarino localizado a leste das Ilhas Marianas, no Oceano Pacífico

MONTES MAIS ALTOS POR CONTINENTE O maior deles fica na Cordilheira do Himalaia, no Nepal

[2]

ELEVAÇÃO OCEÂNICA O arquipélago de Fernando de Noronha é formado a partir de alguns pontos emersos da Dorsal Mesoatlântica

-2.000 m

1.

ÁSIA: Everest (Nepal)

8.850 m

2.

AMÉRICA DO SUL: Aconcágua (Argentina)

6.959 m

3.

AMÉRICA DO NORTE: McKinley (EUA)

6.194 m

4.

ÁFRICA: Kilimanjaro (Quênia)

5.895 m

5.

EUROPA: Elbrus (Rússia)

5.642 m

6.

ANTÁRTICA: Maciço Vinson

4.897 m

7.

OCEANIA: Kosciuszko (Austrália)

2.228 m

Fonte: Atlas National Geographic

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LITOSFERA PLACAS TECTÔNICAS

As construtoras da Terra As placas tectônicas modelam e modificam o relevo do planeta há milhões de anos

A

s placas tectônicas são gigantescos blocos que compõem a camada sólida externa do nosso planeta (a litosfera), sustentando os continentes e os oceanos. Impulsionadas pelo movimento do magma incandescente (material em estado líquido-pastoso no interior da Terra), as principais placas se empurram, afastam-se umas das outras e afundam ou elevam-se alguns milímetros por ano, alterando suas dimensões e modificando o contorno do relevo terrestre. Esses imensos fragmentos atuam como artistas que, continuamente, recriam a paisagem da Terra. Aliás, a palavra “tectônica” vem de tektoniké, expressão grega que significa “a arte de construir”. A configuração atual dos continentes, por exemplo, é fruto de milhões de anos de “trabalho artístico” das placas. Veja ao lado as características de 16 das mais importantes placas tectônicas.

A deriva continental

Conheça as características de 16 das mais importantes placas tectônicas

N E V

O deslocamento em relação à placa do Pacífico cria uma zona turbulenta: em um dos limites, na Califórnia, está a falha de San Andreas, famosa pelos terremotos arrasadores

PLACA JUAN DE FUCA É a menor das placas tectônicas, que se fundiu com a placa NorteAmericana e criou a Cordilheira das Cascatas, nos Estados Unidos

Com cerca de 70 milhões de quilômetros quadrados, está em constante renovação na região do Havaí, onde o magma sobe e cria ilhas vulcânicas. No encontro com a placa das Filipinas, ela afunda em uma área conhecida como Fossa das Marianas, na qual o oceano atinge sua profundidade máxima: 10.920 metros

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PLACA DO PACÍFICO

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Desenvolvida pelo alemão Alfred Lothar Wegener, a teoria da deriva continental não recebeu muito crédito quando foi divulgada em 1912. À época, poucos acreditaram na hipótese levantada por esse cientista de que, no passado geológico, toda a crosta terrestre estava unida em um único continente – a Pangeia – e que, posteriormente, ela se rompeu em dois supercontinentes: Laurásia e Gondwana. Estas, por sua vez, se desmembraram em várias outras partes, que passaram a se mover em diferentes direções. Para sustentar sua argumentação, Wegener recorreu à semelhança dos contornos da África ocidental e do leste da América do Sul e também à análise de fósseis e amostras de rochas. Posteriormente, a confirmação de que as placas rochosas flutuam sobre magma incandescente ajudou a fortalecer a tese de Wegener. Atualmente, geólogos do mundo inteiro retomam e aprofundam as descobertas de Wegener a partir da teoria da Tectônica das Placas. Os estudos em vigor desde a década de 1960 descrevem a analisam com detalhes os movimentos das placas que compõem a crosta terrestre, bem como suas consequências, como os abalos sísmicos e as alterações no relevo terrestre e do fundo dos oceanos. Confira à direita como foi o processo de deslocamento de terras que resultou na formação dos atuais continentes.

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QUEBRA-CABEÇA PLANETÁRIO

PLACA DA AMÉRICA DO NORTE

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PLACA DE NAZCA A cada ano, essa placa de 10 milhões de quilômetros quadrados no leste do Oceano Pacífico fica 10 centímetros menor pelas trombadas com a placa Sul-Americana. Esta, por ser mais leve, desliza por cima da placa de Nazca, criando vulcões e elevando as montanhas dos Andes

PLACA DE COCOS Foi formada a partir do desprendimento da placa do Pacífico. Fundiu-se com a placa do Caribe, criando uma zona turbulenta

DERIVA DOS CONTINENTES 225 MILHÕES DE ANOS ATRÁS

180 MILHÕES DE ANOS ATRÁS

Todos os continentes estavam reunidos em um único chamado Pangeia (do grego: toda terra), formado durante a era Paleozoica

A Pangeia começou a se partir no sentido leste-oeste, formando dois subcontinentes: Laurásia e Gondwana


PLACA DE ANATÓLIA

PLACA ARÁBICA

PLACA EUROASIÁTICA

Sobre essa placa fica boa parte do território da Turquia. O choque desse bloco com a placa Arábica e com a placa Euroasiática torna o país uma área sujeita a violentas atividades sísmicas

A placa sustenta a Península Arábica e foi responsável pela criação do Mar Vermelho. O choque com a placa Euroasiática e com a placa Indiana provoca fortes terremotos

Sustenta a Europa, parte da Ásia, do Atlântico Norte e do Mar Mediterrâneo. Ela se choca contra a placa das Filipinas e com a do Pacífico, onde fica o Japão. O encontro triplo é tumultuado e dá origem a uma das áreas do globo com o maior índice de terremotos e vulcões do planeta

PLACA IRANIANA Localizada entre as placas Arábica e Euroasiática, o bloco sustenta a maior parte do território do Irã. Por causa disso, o país registra grande atividade sísmica, como o terremoto de 2006, que matou mais de 31 mil pessoas

PLACA DAS FILIPINAS

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Essa placa concentra em seus limites quase a metade dos vulcões ativos do planeta. Colisões com a placa Euroasiática causam terremotos e erupções destruidoras, como a do Monte Pinatubo, em 1991, uma das mais violentas dos últimos 50 anos

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PLACA INDIANA

A placa comporta todo o subcontinente indiano. No choque com a placa Euroasiática, nasceu o conjunto de montanhas do Himalaia, no sul da Ásia, onde há mais de 100 montanhas com altitudes superiores a 7 mil metros

PLACA AUSTRALIANA

[1]

PLACA SUL-AMERICANA

PLACA DO CARIBE

PLACA DA ÁFRICA

Como o Brasil está no meio desse bloco, ele sente pouco os efeitos de terremotos. No centro do continente, a placa tem 200 quilômetros de espessura; na borda com a placa da África, não passam de 15 quilômetros

A placa do Caribe desliza ao lado da placa Norte-Americana, criando falhas transformantes. Foi o atrito entre elas que gerou, em 2010, o avassalador terremoto no Haiti, país que fica no limite entre as duas placas

No meio do Atlântico, uma falha submersa abre caminho para o magma do manto inferior, fazendo com que esse bloco se afaste da placa Sul-Americana e cresça de tamanho. A tendência é passar os 65 milhões de quilômetros atuais

135 MILHÕES DE ANOS ATRÁS

65 MILHÕES DE ANOS ATRÁS

O bloco que sustenta a Austrália e a maior parte do Oceano Índico ruma velozmente para o norte. Além de se chocar com a placa Indiana, a borda nordeste bate na placa do Pacífico, criando ilhas na região turbulenta

PLACA DA ANTÁRTICA É o bloco que dá suporte à Antártida e a uma parte do Atlântico Sul, em um total de 25 milhões de quilômetros quadrados

ATUALMENTE

[2]

Fendas separaram a América do Sul, a África e a Índia, iniciando a formação dos oceanos Atlântico e Índico [1] MULTI/SP [2] LUIZ IRIA E RODRIGO RATIER/REVISTA MUNDO ESTRANHO

A placa da Índia deslocou-se em direção à Ásia. O choque entre os dois blocos formou as regiões elevadas do Himalaia e do Tibete

Na atual configuração da Terra, a deriva continua. A América do Sul, por exemplo, afasta-se da África cerca de 5 centímetros por ano GE GEOGRAFIA 2018

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LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO

Eu tenho a força!

FORÇAS INTERNAS Também chamadas de endógenas, são as forças responsáveis por dar forma ao relevo. São três os agentes internos do globo: o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos.

Os vigorosos agentes internos e externos que, a cada segundo, modelam o relevo

1 TECTONISMO

São os lentos deslocamentos das placas tectônicas, que podem ser verticais ou horizontais. Quando é vertical (epirogênese), levanta ou abaixa a crosta durante um prolongado espaço de tempo. É o que ocorre, por exemplo, na Península Escandinava, que se eleva alguns centímetros todo ano. Quando o movimento de uma placa em relação a outra é horizontal (orogênese), uma acaba entrando embaixo da outra (a subducção). É o processo que resulta na formação das imensas cadeias de montanhas e de fossas. Veja exemplos de como as placas tectônicas se movimentam.

O

relevo é resultado da dinâmica de fenômenos internos e externos sobre a camada mais superficial da Terra, a litosfera. Depressões, planícies, planaltos e montanhas foram esculpidos no decorrer de milhões de anos – e continuam em constante transformação. A qualquer momento, por exemplo, terrenos podem ser elevados por pressões de dentro do planeta ou mesmo ser gastos por agentes do intemperismo, mudando de cara e ganhando novas curvas. Duas ações combinam-se para modelar o relevo: as forças internas ou endógenas, que dão as linhas mestras do relevo, e as externas ou exógenas, que modificam as formas já existentes. Veja a seguir as forças que esculpiram – e continuam esculpindo – os contornos do planeta.

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FALHAS TRANSFORMANTES

São criadas por duas placas que deslizam uma ao lado da outra. O atrito entre elas guarda muita tensão, que pode causar terremotos destruidores. Exemplo disso é a falha de San Andreas, que corta a costa da Califórnia, nos Estados Unidos, e o litoral oeste do México.

PLACAS CONVERGENTES 1 São placas que vão uma de encontro à outra. A placa mais densa mergulha para baixo da menos densa. É o caso do choque entre uma placa oceânica (mais densa) e outra continental. Elas se comprimem, dando origem a cadeias montanhosas, como a Cordilheira dos Andes. As regiões em que esse de tipo de choque ocorre são suscetíveis a terremotos.

PLACAS CONVERGENTES 2 Quando as placas têm a mesma densidade (duas placas continentais, por exemplo), chocam-se e se comprimem. O Himalaia é resultado desse fenômeno.

PLACAS DIVERGENTES

[1]

E O VENTO MUDOU As dunas exemplificam como o relevo está sujeito a transformações

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São aquelas que se afastam. Pela falha aberta na crosta pode escapar magma, dando origem a ilhas vulcânicas, como as do Havaí. O Oceano Atlântico é cortado de norte a sul por uma falha desse tipo, que está afastando a América do Sul da África. Esse tipo de estrutura provoca menos terremotos.


2 VULCANISMO

PARA IR ALÉM

Os vulcões são fendas na crosta terrestre por meio das quais o magma, o material em estado líquido-pastoso vindo do manto, atinge a superfície. Existem dois tipos básicos de vulcão: o explosivo e o não explosivo. O primeiro aparece nos pontos de encontro das placas tectônicas, os grandes blocos que formam a litosfera – seu melhor exemplo está nos vulcões que desenham o Cinturão de Fogo, em torno do Oceano Pacífico. Esse tipo se caracteriza também pela lava quase sólida, além de expelir poeira e uma mistura de gases e vapor-d’água. A lava desses vulcões vem das profundezas da Terra, onde a temperatura elevada derrete a rocha da crosta oceânica e faz com que ela se misture à água do mar. É justamente a presença de água que confere o caráter explosivo ao vulcão. Isso ocorre porque, conforme a lava sobe, o vapor-d’água é liberado da rocha e esbarra numa tampa formada pelo material endurecido da explosão anterior, aumentando a pressão até explodir de vez. Já os vulcões não explosivos, como os do Havaí, ficam bem no meio de uma placa tectônica, longe do choque entre elas. Esse tipo surge quando ocorre alguma fissura na crosta terrestre por onde a lava pode escorrer. Essa lava é mais líquida e incandescente.

O documentário Tudo sobre Vulcões, do Discovery Channel, apresenta imagens de uma série de erupções vulcânicas e teorias desenvolvidas por cientistas que podem ajudar a prever esses fenômenos.

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[2]

ACESSO ÀS PROFUNDEZAS Os vulcões, como o Parinacota, no Deserto do Atacama, no Chile, são fendas por onde o magma sai

NATUREZA EM FÚRIA POMPEIA

UMA REGIÃO VITIMADA PELA FÚRIA DO VESÚVIO

[3]

[1] SERGIO DUTTI [2] FELIPE ORRIGO [3] VALDEMIR CUNHA

Hoje, parece impossível viver à beira de um vulcão e não se dar conta do perigo. Mas era assim que os moradores do balneário romano de Pompeia levavam a vida no ano de 79, pois já fazia quase 2 mil anos que o Monte Vesúvio não entrava em erupção. Quando a montanha soltou um estrondo, o chão tremeu e uma nuvem preta encobriu o sol, as pessoas saíram para a rua, curiosas. Alguns minutos depois do primeiro rugido, o vulcão lançou uma saraivada de pedras e começou a fazer as primeiras vítimas. Outras morriam ao respirar a fumaça. No fim do processo, duas avalanches cobriram Pompeia com 6 metros de cinzas e pedras, matando 16 mil pessoas. A coisa aconteceu de forma tão rápida que é como se as cidades tivessem ficado congeladas no tempo, tornando-se os registros mais detalhados da era romana que chegaram até nós. A foto ao lado mostra o “Jardim dos Fugitivos”, que abriga diversos corpos fossilizados, cobertos pelas cinzas do Vesúvio. GE GEOGRAFIA 2018

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LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO

3 ABALOS SÍSMICOS

São tremores na superfície terrestre causados pelo movimento das placas tectônicas ou em virtude da grande energia liberada pelo vulcanismo. Eles se propagam a partir do hipocentro (foco de contato entre as placas) em ondas pelas rochas, atingindo regiões distantes do epicentro (ponto na superfície da Terra diretamente acima do local onde se registra a maior intensidade do tremor). A cada vez que as enormes placas se encontram, grande quantidade de energia fica acumulada em suas rochas. De tempos em tempos, o arsenal é liberado de forma explosiva – essa liberação pode ser sentida por meio de terremotos que chacoalham as áreas continentais do globo, geralmente nas bordas das placas. Quando os abalos sísmicos ocorrem no fundo oceânico, são batizados de maremoto. Esses últimos podem causar os temíveis tsunamis, ou ondas gigantes (veja mais na pág. 58).

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As regiões mais propícias a terremotos localizam-se na junção das placas tectônicas. Como o Brasil fica bem no meio da placa Sul-Americana, não há abalos sísmicos de grandes proporções. Mas isso não significa que estamos livres de tremores. Fenômenos de pequena intensidade podem se manifestar no Brasil devido a falhas geológicas provocadas por desgastes na placa tectônica. Também ocorrem tremores como reflexo de outros choques entre placas tectônicas ocorridos em locais mais distantes na América do Sul. Em abril de 2008, um abalo de 5,2 pontos na escala Richter atingiu a cidade de São Paulo e assustou milhares de moradores. Um ano antes, um tremor de 4,9 pontos na cidade de Itacarambi, no norte de Minas Gerais, provocou a primeira vítima fatal de terremotos no Brasil, depois que uma parede caiu sobre uma criança de 5 anos.

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DEVASTADO O terremoto no Haiti, em 2010, derrubou 90% das construções da capital, Porto Príncipe

VOCÊ SABIA? TERREMOTOS NO BRASIL

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NATUREZA EM FÚRIA HAITI

VIOLENTO TERREMOTO DEVASTA PAÍS POBRE No dia 12 de janeiro de 2010, a terra tremeu violentamente no Haiti. Em apenas um minuto, o terremoto de 7 pontos na escala Richter derrubou 90% das construções de sua capital, Porto Príncipe. Mais de 3 milhões de pessoas – um terço da população haitiana – foram afetadas pelo tremor. O número de mortos é estimado entre 220 mil e 250 mil. O terremoto no Haiti foi uma tragédia anunciada. A ilha de Hispaniola, que abriga o Haiti e a República Dominicana, fica sobre a fenda entre duas grandes placas tectônicas, a do Caribe e a Norte-Americana (veja mais na pág. 30). E regiões desse tipo estão sujeitas a abalos sísmicos. País mais pobre das Américas, o Haiti já tinha enormes carências mesmo antes da catástrofe. Em 2017, seis anos após o terremoto, 50 mil pessoas ainda vivem em acampamentos improvisados. Sem perspectivas, muitos haitianos acabam migrando para nações como o Brasil, onde esperam uma oportunidade de recomeçar a vida.

[1]


FORÇAS EXTERNAS Também chamadas de exógenas ou agentes esculpidores, são as forças que modelam o relevo terrestre. Os principais agentes desse grupo são a erosão e o intemperismo:

1 EROSÃO

2 INTEMPERISMO

A exposição prolongada a agentes naturais provoca o desgaste das rochas e dos solos. O processo de desintegração e consequente transporte do material decomposto recebe o nome de erosão. Veja os principais elementos causadores desse fenômeno. VENTOS As dunas dos desertos e as paisagens das praias são exemplos clássicos de formação por erosão eólica.

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É o processo de degradação das rochas provocado por fenômenos químicos e físicos.

 O INTEMPERISMO QUÍMICO ocorre

B I O

 O INTEMPERISMO FÍSICO ou mecânico

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GELEIRAS Os fiordes na Península Escandinava, no norte da Europa, também são formados pelo deslocamento das geleiras e pelo desgaste que elas provocam nas montanhas. [1] iSTOCK PHOTO [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL NOVAES [4] RODRIGO CESAR [5] iSTOCK PHOTO

[2]

RIOS Vales, cânions e planícies nos mais diversos continentes são moldados pelo movimento sinuoso das águas dos rios.

MARES O choque das ondas do mar em paredões litorâneos provoca o desgaste da superfície, dando origem às falésias.

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A ID

quando a rocha tem sua composição química alterada pelo efeito da água e da umidade no decorrer dos anos, provocando sua decomposição.

consiste na fragmentação das rochas por meio de alguns dos seguintes processos:

• solidificação da água: a água em estado líquido se infiltra na fenda das rochas, onde fica acumulada. Com a queda de temperatura, a água se solidifica, passando a ocupar um volume 10% maior que o do estado líquido, o suficiente para fragmentar a rocha. • raízes de plantas: o crescimento das raízes das árvores por entre as rochas alarga as fendas e ajuda a desintegrar sua estrutura.

 O QUE ISSO TEM A • variação de VER COM A FÍSICA temperatura: Quando um em locais onde corpo sólido que a alteração da tem dimensões temperatura significativas diária é mais é submetido a constante – como uma variação de temperatura, ocorre nos desertos uma dilatação ou ou em regiões contração volumétrica. próximas aos Para calcular a polos –, as rochas variação do volume de um corpo em estão sujeitas função da variação a contrações de temperatura e dilatações é utilizado um frequentes. Com coeficiente de o tempo, esse dilatação volumétrico. processo provoca Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE fraturas em sua FÍSICA. composição. GE GEOGRAFIA 2018

35


LITOSFERA RELEVO DO BRASIL

Terra (velha) à vista! Os principais tipos de relevo do Brasil foram esculpidos sobre rochas de milhões e milhões de anos

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pesar de o Brasil ser uma nação relativamente jovem, com pouco mais de 500 anos, contando a partir da chegada dos portugueses, seus terrenos são de outras eras. Tudo teve início há cerca de 4,5 bilhões de anos, quando a litosfera começou a se formar, com o resfriamento do magma, e, mais tarde, com os movimentos das placas tectônicas. Nesses primórdios da história terrestre, durante a era Arqueozoica, as primeiras rochas deram origem aos escudos cristalinos, ou maciços antigos, um dos dois tipos de formação geológica que ocorrem no Brasil. Do longo processo de erosão dos

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ESTRUTURA GEOLÓGICA DO BRASIL

Oceano Atlântico

ESCUDO DAS GUIANAS BACIA SEDIMENTAR AMAZÔNICA ESCUDO DO BRASIL CENTRAL

BACIA SEDIMENTAR DOBRAMENTOS DO MARANHÃO – NORDESTE ESCUDO ATLÂNTICO

DOBRAMENTOS – BRASÍLIA DOBRAMENTOS – ATLÂNTICO BACIA SEDIMENTAR DO PARANÁ

Oceano Atlântico

0

Predomínio de rochas sedimentares Predomínio de rochas cristalinas

36 GE GEOGRAFIA 2018

250

500

Fonte: IBGE

750

km

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PERTO DO CÉU Entre MG e RJ, o Pico das Agulhas Negras é o quinto mais alto do Brasil, com 2.791 metros

escudos cristalinos surgiu o outro tipo de estrutura geológica do país: as bacias sedimentares. Presentes na maior parte do território, são constituídas de rochas formadas pela desagregação de outras rochas e de diferentes materiais (veja a estrutura geológica brasileira no mapa abaixo). Em razão dessa formação antiga, e sofrendo há milênios com a erosão de agentes do intemperismo como ventos e chuva, as altitudes por aqui são modestas: aproximadamente 40% do território se encontra abaixo de 200 metros de altitude e cerca de 90% não passa de 900 metros. Outro fator para termos um relevo considerado tão baixo é a ausência dos dobramentos modernos que deram origem a imensas cadeias de montanhas, como os Alpes e os Andes. Isso ocorre porque o Brasil se localiza bem no meio da placa Sul-Americana, longe das zonas de choque entre as placas tectônicas, onde se dão os movimentos de soerguimento ou afundamento das placas. Sem as cadeias de montanhas, sobram-nos outros três principais tipos de relevo: planaltos, planícies e depressões. Com base nisso, no decorrer dos anos, os estudiosos propuseram várias classificações do perfil geográfico brasileiro. A mais aceita foi estabelecida, nos anos 1990, pelo geógrafo Jurandyr Ross, da Universidade de São Paulo (USP). Considerando o processo de formação dos diversos relevos do mundo (veja mais na pág. 27), e também a altitude das formações do Brasil, Ross chegou à definição de 28 estruturas no país: 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies. Veja na página ao lado três destaques do ancestral relevo brasileiro.


DESTAQUES DO RELEVO BRASILEIRO 7

PONTOS MAIS ALTOS DO BRASIL (em metros) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

2.993 2.972 2.891 2.798 2.791 2.769 2.734 2.680 2.670 2.665

PLANÍCIES E TABULEIROS LITORÂNEOS Relevo característico do litoral das regiões Norte e Nordeste e do norte do Espírito Santo, constitui-se da combinação de planícies, formadas pela deposição de sedimentos de rios e do mar, e dos tabuleiros, terrenos de baixa altitude (entre 30 e 60 metros) que terminam de forma abrupta na costa, em escarpas – neste caso chamadas de falésias. Na definição de Ross, as planícies são superfícies planas e áreas em que o processo de acumulação de sedimentos é maior que o erosivo.

2 1

Pico da Neblina Pico 31 de Março Pico da Bandeira Pico Pedra da Mina Pico das Agulhas Negras Pico do Cristal Monte Roraima Morro do Couto Pedra do Sino de Itatiaia Pico Três Estados 9 5 6 4 10 8

Fontes: IBGE e Jurandyr Ross

3

Planaltos

DEPRESSÃO DO ARAGUAIA Acompanhando o leito do Rio Araguaia, essa depressão tem superfície entre 300 e 400 metros de altitude; configura-se uma depressão por estar abaixo dos terrenos que a circundam. Na definição de Ross, depressões são superfícies formadas por processos erosivos, com suave inclinação e menos irregulares que planaltos. Entre as 11 depressões brasileiras, também merecem destaque a depressão da Amazônia Ocidental (com cerca de 200 metros de altitude) e a depressão da borda leste da bacia do Paraná (que chega a atingir altitudes entre 600 e 750 metros).

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PLANALTOS E SERRAS DO ATLÂNTICO LESTE-SUDESTE Estendendo-se do sul da Bahia ao sul do país, esse imenso planalto é composto de diferentes subunidades morfológicas, como a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Seus terrenos são formados de antigos escudos cristalinos, que, em alguns pontos, e há milhões de anos, foram erguidos por movimentos resultantes do choque entre placas tectônicas a grande distância. O resultado disso é o relevo acidentado e heterogêneo da região, com vales profundos, escarpas (terrenos muito íngremes que lembram degraus), chapadas (superfícies extensas e horizontais, de elevada altitude) e elevações, como o Pico das Agulhas Negras, na Serra do Itatiaia (MG/RJ), de 2.791,55 metros. Na definição de Ross, o planalto caracteriza-se por ser uma região em que o processo erosivo supera o de acumulação – são conhecidos como formas residuais, ou seja, resultantes do processo de erosão. Além de cristalinos, podem ser sedimentares, como é o caso dos Planaltos Residuais Norte-Amazônicos.

MARIO RODRIGUES

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B I O Planícies

Depressões

Fontes: IBGE e Jurandyr Ross

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1

2

PERFIS DE RELEVO

Confira três grandes recortes do Brasil

1

3.000 m 2.000 m 1.000 m

Planaltos Residuais Norte-Amazônicos

3

Planalto da Amazônia Oriental

Depressão Marginal Norte-Amazônica Planície do Rio Amazonas

Depressão Marginal Sul-Amazônica

Planaltos Residuais Sul-Amazônicos

0m

NORTE Este perfil (noroeste-sudeste), com cerca de 2 mil quilômetros, vai das altas serras de Roraima até Mato Grosso. Mostra as faixas de planícies às margens do Rio Amazonas, a partir das quais vêm extensões de terras mais altas: planaltos e planícies

2 3.000 m 2.000 m 1.000 m

Rio Parnaíba

Planaltos e chapadas da bacia do rio Parnaíba

Escarpa (ex-serra) do Ibiapaba

Planalto da Borborema Depressão Sertaneja

Tabuleiros litorâneos Oceano Atlântico

0m

NORDESTE Com quase 1,5 mil quilômetros, este perfil vai do Maranhão a Pernambuco. É um retrato fiel do relevo da região, com destaque para os dois planaltos (o da bacia do Parnaíba e o de Borborema) cercando a Depressão Sertaneja (ex-Planalto Nordestino)

3 3.000 m 2.000 m 1.000 m

Planície do Pantanal MatoGrossense

Planaltos e chapadas da bacia do Paraná Rio Paraná

Depressão periférica da borda leste da bacia do Paraná

Planaltos e serras do Atlântico leste-sudeste Oceano Atlântico

0m

CENTRO-OESTE E SUDESTE Este corte, de cerca de 1,5 mil quilômetros, vai de Mato Grosso do Sul ao litoral paulista. Além da planície do Pantanal, pode-se ver a bacia do Paraná, formada por rios de planalto, que abrigam as maiores hidrelétricas do país GE GEOGRAFIA 2018

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LITOSFERA RECURSOS MINERAIS

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TERRA FERIDA Marcas de mineração na Serra do Curral, em Belo Horizonte (MG)

Riqueza que vem do solo Conheça o processo de formação geológica dos minérios e suas principais aplicações econômicas

A

s rochas são agrupamentos de minerais que formam a crosta terrestre e se desenvolveram no decorrer de bilhões de anos. Entre as mais de 3,5 mil variedades de rochas, estão os minérios, dos quais podemos extrair substâncias de interesse econômico. No conjunto dos minérios, distinguem-se aqueles utilizados para a obtenção de metais, como o alumínio, o ferro, o magnésio e o titânio. Embora os minérios metálicos tendam a se concentrar em maciços rochosos por toda a crosta terrestre, os depósitos mais explorados encontram-se em rochas metamórficas, nos escudos cristalinos da crosta continental. O ouro e a platina são os únicos minérios metálicos que ocorrem principalmente na forma

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PRINCIPAIS RESERVAS MINERAIS NO BRASIL

Fonte: Departamento Nacional de Produção Mineral

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de metais na natureza. Zinco, prata, ferro, cobre e outros metais também podem ser achados no estado primário, mas normalmente estão associados a outros minerais. Nesses casos, os minérios são reduzidos pela metalurgia para se transformar em metais. As substâncias minerais são utilizadas como matéria-prima em diversos processos de manufatura. Alguns exemplos são: o alumínio e o ferro na construção civil; o manganês na fabricação de fertilizantes e pilhas; as argilas na fabricação de cerâmicas; o zircônio na fabricação de pisos e revestimentos; e o caulim na fabricação de papel e celulose, vidros e tintas.

Bauxita Cobre Diamante Ferro Manganês Níquel Ouro

Onde estão os minérios no Brasil

Com aproximadamente 36% de seu território formado por escudos cristalinos, o Brasil possui algumas das reservas minerais mais ricas do planeta, incluindo minério de ferro, bauxita (alumínio), cobre, zinco, cromo, níquel, calcário e argila. A maioria dos minérios metálicos do Brasil encontra-se em Minas Gerais, na região chamada Quadrilátero Ferrífero, e no Pará, na província mineral de Carajás. Os dois estados respondem por quase dois terços de toda a produção mineral brasileira. Outras unidades da federação também abrigam importantes reservas minerais. Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por exemplo, destacamse pelo carvão. Já Bahia e Espírito Santo estão entre os principais produtores de pedras preciosas do Brasil, enquanto Goiás tem significativas jazidas de cobre. Veja no mapa onde se localizam as principais jazidas minerais no país.


Formação do petróleo

YANN ARTHUS-BERTRAND

Do Big Bang aos dias de hoje, a Terra já passou por intensas transformações nesses quase 5 bilhões de anos. As principais mudanças podem ser observadas através de uma linha do tempo conhecida como Escala de Tempo Geológica. Ela estabelece os grandes eventos pelo qual o planeta passou a partir de uma classificação em eras, períodos e épocas (veja mais na pág. 98). Faz 11.700 anos que estamos na época do Holoceno. Ou estávamos. As marcas que o homem vem deixando no planeta são tão intensas que já teriam provocado mudanças que jusfificariam o início de uma nova época geológica: o Antropoceno. É o que defende os cientistas do Grupo de Trabalho do Antropoceno. Este novo tempo geológico teria começado na década de 1950, com a expansão sem precedentes da população e do consumo. Como evidências, os cientistas dizem que sedimentos na crosta terrestre e no oceano contém resíduos de plástico, de concreto e de alumínio, além de fuligem decorrente da queima de combustíveis fósseis e radiação nuclear. A ação do homem já teria dado origem, inclusive, a 208 novos minerais nos últimos 200 anos.

Eles recebem esse nome pois se formaram a partir da fossilização de seres vivos: do plâncton marinho, no caso do petróleo e do gás natural, e de florestas e pântanos no caso do carvão mineral. As reservas atualmente exploradas são resultantes da deposição e decomposição ocorridas em tempos geológicos passados.

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AS JAZIDAS DO PRÉ-SAL

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O mapa apresenta a área onde se encontram as jazidas do pré-sal, nas Bacias de Campos e de Santos. Também mostra a extensão e a localização das jazidas do pós-sal na região

Argonauta Ostra Abalone

MG

RJ

SP Ro

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A ÉPOCA DO ANTROPOCENO

Rota 2 - Comperj

Desde que foram descobertas as reservas de petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, em 2007, um novo termo passou a frequentar os noticiários: o pré-sal. Trata-se do nome que os geólogos dão à camada de rochas porosas que se localiza abaixo de uma espessa camada de sal no subsolo marinho. É lá que ficam os grandes reservatórios de petróleo, em uma faixa que se estende por 800 quilômetros na área marítima entre o Espírito Santo e Santa Catarina, a mais de 7 mil metros de profundidade. A exploração do petróleo no pré-sal pode fazer o Brasil dobrar suas reservas, que estão em torno de 15 bilhões de barris. As jazidas do pré-sal começaram a se formar há mais de 100 milhões de anos, quando o supercontinente Gondwana se partiu, dando origem aos continentes sul-americano e africano (veja na pág. 30). Na Bacia de Campos, o principal campo petrolífero brasileiro localizado na camada pós-sal, o óleo está armazenado em rochas com predomínio de silício. No pré-sal, a substância encontra-se armazenada em rochas constituídas essencialmente de carbonato de cálcio e magnésio, o que dificulta o trabalho dos geólogos. Mesmo com esses desafios, a extração nos poços da camada do pré-sal já responde por quase metade do total de petróleo produzido no país, ultrapassando a marca de 1 milhão de barris por dia.

 COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

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O pré-sal brasileiro

SAIBA MAIS

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Principal fonte de energia mundial, o petróleo é um combustível fóssil formado da decomposição de matérias orgânicas em ambientes marinhos. O acúmulo de restos de animais e vegetais microscópicos que se precipitam no fundo marinho origina bacias sedimentares, nas quais, em milhões de anos, a ação de microrganismos, o calor e a pressão intensos reduzem a matéria orgânica a uma massa viscosa de carbono e hidrogênio – o petróleo. Infiltrando-se por rochas porosas, ele migra para regiões de menor pressão até sair para a superfície ou topar com uma camada impermeável. Bloqueado, o petróleo se acumula nos poros e fraturas das rochas sedimentares, de onde é extraído. As regiões mais propícias para a formação do petróleo são mares interiores, baías e golfos. As reservas existentes no interior dos continentes resultam de áreas originalmente marinhas que foram erguidas por meio de movimentos na crosta terrestre ou do óleo que migrou das rochas geradoras até as rochas armazenadoras através das fissuras.

Bacia de Campos Me

xil

o

Área de Iracema

Franco

Libra

Iara

BM-S-50 Parati Lula

Carcará Bacia de Santos

Bem-Te-Vi Caramba

Júpiter

Lapa Sapinhoá

Área pré-sal Exploração do pré-sal Exploração do pós-sal Fonte: Petrobras

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LITOSFERA CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS

Camada sobre camada Saiba mais sobre as características dos solos e os fatores que contribuem para sua fertilidade

O

solo é uma camada com espessuras variadas (de alguns centímetros a vários metros) de material não consolidado que cobre a superfície da crosta terrestre. Constituído por matéria mineral e matéria orgânica, é o substrato para a vida dos ecossistemas. Os solos são resultado da decomposição das rochas, que através dos anos passam por um processo de intemperismo físico, químico e biológico. Esse processo cria diferentes camadas, às quais se dá o nome de horizontes. O conjunto dos horizontes constitui o perfil do solo, que permite identificar o estágio de formação em que se encontram (veja a figura abaixo).

Os solos podem ser classificados em “agricultáveis” e “não agricultáveis”. Geralmente, as terras que não permitem a exploração agrícola são encontradas em altitudes muito elevadas, como nos picos do Himalaia, dos Andes e demais cadeias montanhosas, ou em regiões desérticas frias (regiões polares) e quentes (Deserto do Saara), onde as restrições decorrem das temperaturas extremas ou da escassez de água. As áreas mais exploradas para a produção agropecuária são aquelas com climas favoráveis, com pluviosidade e temperaturas adequadas,

Nos solos maduros podem ser identificadas as camadas O, A, B e C, que se diferenciam pela composição físico-química, cor, presença ou ausência de matéria orgânica, entre outras características.

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CARACTERÍSTICAS DOS HORIZONTES DO SOLO

O

Horizonte orgânico, também denominado de serrapilheira. Corresponde à camada superficial de florestas e matas; é composto de materiais de origem vegetal e animal em decomposição.

B Horizonte de acumulação de argila, matéria orgânica e oxi-hidróxidos de ferro e alumínio provenientes das camadas superiores. Esse processo de transferência de minerais entre camadas é chamado lixiviação, considerado um tipo de erosão química do solo.

A Horizonte mineralógico. Composto de material de origem mineral proveniente da rocha-mãe ou trazido de outros lugares por vento, água ou gelo. Há grande presença de matéria orgânica decomposta, motivo pelo qual pode ser denominado horizonte humífero (húmus).

C R Rocha que dá origem ao solo, também denominada rocha-mãe. A velocidade de decomposição depende de vários fatores, como a composição mineral da própria rocha e o tipo de clima (climas quentes e úmidos tendem a acelerar o intemperismo). Fonte: GOETTEMS, Arno Aloísio; JOIA, Antonio Luís. Geografia: leituras e interação – vol. único. São Paulo: Leya, 2013. Pg 93.

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FORMAÇÃO E PERFIS DE SOLO EM CLIMAS ÚMIDOS

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Fertilidade dos solos

Horizonte de rocha alterada, denominado alterita ou saprolito. É nele que começa a decomposição da rocha. Formado por sedimentos grosseiros na base e por sedimentos mais finos na parte superior.


e solos férteis. A fertilidade natural dos solos depende, primeiramente, da sua composição química – os solos muito férteis dispõem de nutrientes suficientes para a exploração agrícola, sem a necessidade de adubação artificial. Além disso, a fertilidade dos solos está ligada à capacidade de reter água e matéria orgânica (o que depende da presença de argilas) e de reter oxigênio (o que depende da estrutura física, já que o solo precisa ser poroso e “aerado”). Veja abaixo algumas regiões do globo que se destacam por apresentarem solos férteis, intensamente explorados pela agricultura. OS SOLOS FÉRTEIS NO BRASIL E NO MUNDO

1 VALE DO RIO MISSISSIPI (ESTADOS UNIDOS) 2 VALE DO RIO NILO (EGITO)

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3 UCRÂNIA 4 ARGENTINA

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Esses países possuem o solo tchernozion (do russo tcherno = escuro e zion = terra) ou chernozén. Quimicamente fértil e com elevada matéria orgânica, tem alta produtividade agrícola e é muito utilizado para o plantio de trigo.

A deposição de sedimentos e de matéria orgânica nas planícies inundadas renovam anualmente a fertilidade natural dessas regiões.

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CELEIRO ORIENTAL Plantações às margens do Rio Amarelo, na China: a fertilidade do solo é garantida com a ajuda de sedimentos trazidos pelo vento

6 5

5 FRANÇA 6 HOLANDA 7 VALE DO RIO AMARELO (CHINA)

Possuem o solo loess (do alemão löss = solto), formado pela deposição de sedimentos carregados pelo vento. Na China é intensivamente utilizado para a produção de arroz.

3

1

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7

8 REGIÃO SUL 9 REGIÃO CENTRO-OESTE (BRASIL) Possuem os latossolos vermelhos originados a partir da decomposição do basalto, rico em ferro. Ao ser oxidado, este mineral confere a cor avermelhada ao solo. Os imigrantes italianos que se dirigiram para as plantações de café no interior do estado de São Paulo apelidaram esse solo de “terra rossa” (terra vermelha), motivo pelo qual esses solos são muitas vezes (e erroneamente) denominados “terra roxa”. iSTOCK PHOTO

9 4

10

8 10 RECÔNCAVO BAIANO (BRASIL/BAHIA) Região com o solo massapê, argiloso e de elevada fertilidade química natural. A presença de argila é importante para regular a drenagem e, consequentemente, evitar a perda de nutrientes essenciais para as plantas. Esse tipo de solo possibilitou a implantação das primeiras plantações de cana-de-açúcar e dos engenhos de cana pelos colonizadores portugueses. GE GEOGRAFIA 2018

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LITOSFERA DESLIZAMENTO DE TERRA E INUNDAÇÕES

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DEBAIXO D'ÁGUA O município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, sofreu com o alagamento provocado pelas fortes chuvas que caíram em março de 2016

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Ocupação caótica

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Saiba como a falta de planejamento urbano potencializa os efeitos dos temporais, provocando deslizamentos de terras e inundações

O

s temporais são fenômenos naturais que atingem as cidades de tempos em tempos. A dimensão dos danos que causam, porém, poderia ser menor, se as zonas urbanas fossem construídas respeitando a natureza. As cheias dos rios, por exemplo, são naturais e cíclicas. Um bom planejamento, portanto, deveria preservar seus leitos livres. Mas não é o que ocorre na maioria das grandes cidades. A ocupação dessas áreas, principalmente em trechos de planície também conhecidas como várzeas, provoca inundações que trazem enormes transtornos e prejuízos sociais e materiais. Casas são invadidas pelas águas, formam-se enormes congestionamentos e serviços, como transportes e abastecimento de água, são interrompidos, entre outras consequências. Para entender melhor esse fenômeno, é preciso atentar para as diferenças entre enchente, inundação e alagamento. Veja na figura ao lado:

42 GE GEOGRAFIA 2018

A CHUVA E AS CIDADES Entenda a diferença entre enchente, inundação e alagamento: 1 Enchente é um fenômeno natural, que causa o aumento temporário do nível da água, porém sem transbordamento

2 Inundação é o transbordamento de um curso d’água, atingindo a planície em torno do rio ou a área de várzea

3 Alagamento ocorre quando a água fica acumulada nas ruas e nos perímetros urbanos, por problemas de drenagem

3

1

2

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Além das características de relevo e hidrografia, há outros fatores que aumentam o volume de água dos rios de planície e que contribuem para a ocorrência de inundações em áreas urbanas:  A IMPERMEABILIZAÇÃO DO SOLO

Ruas e avenidas pavimentadas, prédios, casas, indústrias e estacionamentos impedem ou reduzem a infiltração da água no solo e, consequentemente, aumentam o volume e a velocidade do escoamento das águas superficiais.

 A RETIFICAÇÃO E A CANALIZAÇÃO DO LEITO DE

RIOS E CÓRREGOS Em geral, os rios de planície apresentam meandros ou “curvas”. A retificação e canalização desses rios, feita para ampliar os espaços a serem ocupados pela cidade, diminuem a extensão do rio.

 DEPOSIÇÃO INADEQUADA DE LIXO SÓLIDO O lixo

jogado nas ruas e calçadas ou mesmo diretamente nos rios e córregos dificulta a vazão das águas.

 DESMATAMENTO A retirada da mata nas encostas

e nas margens dos rios provoca o aumento da erosão e, consequentemente, o assoreamento dos rios em seus trechos de planície, ou seja, o acúmulo de sedimentos nos leitos dos rios e lagos, facilitando o seu transbordamento.

Deslizamentos de terras

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Os deslizamentos de terra estão diretamente relacionados às características de relevo, solo, clima e cobertura vegetal. Apesar de serem fenômenos naturais, os deslizamentos são potencializados pela ocupação humana desordenada. A construção de casas e estradas e a implantação da agricultura e da pecuária tendem a desestabilizar ainda mais o frágil equilíbrio natural desses ambientes, aumentando as chances de acidentes que trazem prejuízos incalculáveis, incluindo a perda de dezenas de vidas humanas anualmente. No Brasil, as áreas mais sujeitas à ocorrência de deslizamentos são as que se encontram na unidade de relevo conhecida como Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste (veja o mapa de relevo do Brasil, na página 37). Isso porque a região caracteriza-se pela existência de áreas com grande declividade (escarpas e encostas das serras), solos rasos e elevada pluviosidade concentrada no verão, sobretudo nas encostas próximas ao litoral e voltadas para o leste, que recebem os fluxos de ar úmido provenientes das águas oceânicas. Como a região foi densamente povoada em áreas de risco, como encostas de morro, os acidentes se tornam mais frequentes. Entre os casos mais emblemáticos ocorridos no país, estão os deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro, em janeiro de 2011.

[1] MARCEL NAVES/AFP [2] ANA CAROLINA FERNANDES/FOLHA IMAGEM

SAIU NA IMPRENSA DESASTRES NATURAIS CUSTARAM AO BRASIL R$ 182 BI EM 20 ANOS Prejuízos causados por desastres naturais no Brasil custaram pelo menos R$ 182,8 bilhões – uma média de R$ 800 milhões por mês –, entre 1995 e 2014. Os números fazem parte do mais completo mapeamento da quantidade de eventos meteorológicos, como secas, estiagens, inundações e enxurradas, que atingiram o País nesse intervalo de 20 anos e o impacto financeiro que eles tiveram. Estão incluídas na análise tragédias como as enchentes e deslizamentos de terra que atingiram a região serrana do Rio de Janeiro, em 2011, deixando 918 mortos, além das inundações no Vale do Itajaí (SC), em novembro de 2008 (...). Minas Gerais foi o Estado com mais registros e o Rio Grande do Sul, o líder em prejuízos. Os autores do trabalho, realizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped) da Universidade Federal de Santa Catarina, com apoio do Banco Mundial, afirmam, no entanto, que os resultados são reconhecidamente subestimados. Isso ocorre porque os dados disponíveis sobre os eventos climáticos e seus possíveis danos materiais são limitados (...). “É só a ponta do iceberg e ainda assim estamos falando de uma média de R$ 800 milhões por mês (...)", afirma Frederico Ferreira Pedroso, especialista do programa de Gestão de Riscos de Desastres do Banco Mundial. (...)

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O Estado de S.Paulo, 10/03/2017

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TERRA ARRASADA Chuvas torrenciais provocaram deslizamentos de terra no bairro de Campo Grande em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, em 2011: o povoamento em áreas de risco potencializa os acidentes GE GEOGRAFIA 2018

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LITOSFERA CONTAMINAÇÃO DOS SOLOS

Terra maculada A degradação dos solos, provocada principalmente pela exploração dos recursos naturais e pelo tratamento inadequado do lixo, é um dos principais problemas ambientais da atualidade

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urante vários anos, o homem pouco se importou com as consequências que suas atividades poderiam ter para o solo. Do estilo de vida consumista, que gera uma colossal quantidade de resíduos a ser descartada, passando pelo uso indiscriminado de produtos tóxicos na indústria até o manejo inadequado das culturas agrícolas, nossa sociedade vai gradativamente contaminando os solos. Como consequência, muitas áreas estão se tornando impróprias para a produção de alimentos ou para a presença humana. As principais formas de poluição do solo estão associadas a atividades econômicas como a agricultura, o extrativismo mineral e a produção industrial, ou à falta de investimentos no tratamento adequado ao lixo. Veja cada um desses casos: A deposição inadequada do lixo, principalmente em aterros sem nenhum controle ambiental (os chamados lixões), está entre as principais causas da contaminação dos solos nas cidades. Além de produzir o gás natural metano (CH4), um dos agravadores do efeito estufa, a decomposição da matéria orgânica por microrganismos gera o caldo chorume, altamente poluente para o solo e para os lençóis freáticos. O destino mais adequado para o lixo urbano são os aterros sanitários. Trata-se de áreas nas quais os resíduos são compactados e cobertos por terra. Terrenos assim têm sistema de drenagem que captam líquidos e gases resultantes da decomposição dos resíduos orgânicos, evitando maiores danos aos solo. Outra opção são os incineradores públicos, principalmente para o lixo hospitalar, odontológico e ambulatorial.

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ENTRE OS URUBUS Criança recolhe papelão no lixão da Canabrava, em Salvador (BA): mais da metade dos municípios brasileiros descarta os resíduos sólidos em áreas sem nenhum controle ambiental

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N E V LIXO

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 50% dos municípios destinavam os resíduos sólidos em lixões. Apenas 28% das cidades faziam o descarte em aterros sanitários. Em 2010, o governo federal instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que determinava uma série de regras para o manejo sustentável do lixo. Entre outras medidas, a PNRS estabeleceu que agosto de 2014 seria o prazo final para as prefeituras erradicarem os lixões e passarem a depositar o lixo em aterros sanitários. No entanto, mais de 60% dos municípios não conseguiram cumprir a determinação. Um projeto de lei tramita no Congresso para estender até 2021 o prazo para a erradicação dos lixões.

RESÍDUOS INDUSTRIAIS

As fábricas nas áreas urbanas também depositam grandes quantidades de resíduos industriais, como produtos químicos e metal pesado, em áreas próximas de onde estão instaladas. Com o tempo, esses elementos infiltram-se no solo, que fica contaminado e improdutivo, podendo provocar doenças nos habitantes que vivem próximos à indústria.

AGROTÓXICOS

O uso de agrotóxicos para fertilizar o solo, eliminar ervas daninhas e destruir pragas pode aumentar a produtividade agrícola em grande escala, mas produz um nefasto efeito colateral: a contaminação do solo. Com o tempo, esses resíduos químicos vão se acumulando e ajudam a degradar ainda mais as áreas agrícolas, tornando-as impróprias para o cultivo. Ou seja, apesar dos ganhos produtivos no curto prazo, a aplicação intensiva de agrotóxicos é uma prática insustentável para a agricultura. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), um quarto dos solos do planeta está degradado, afetando diretamente a produção mundial de alimentos.

MERCÚRIO NOS GARIMPOS

A exploração de minérios, como ouro e diamantes nos garimpos da Região Norte do Brasil, utiliza mercúrio no processo de separação das pedras preciosas dos demais sedimentos. Por ser um mineral pesado altamente tóxico, o mercúrio depositado no solo e nas águas provoca graves prejuízos à fauna e à saúde humana.


Colheita maldita

SAIBA MAIS

Entenda como a erosão e a salinização prejudicam os solos e provocam enormes perdas para as culturas agrícolas

O PRINCÍPIO DOS 3 RS: REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR

A melhor solução para o lixo é reaproveitá-lo para fazer novos bens, reduzindo a sobrecarga dos depósitos. O reaproveitamento do lixo envolve o princípio dos “3 Rs”:  Reduzir a produção de resíduos, com a

adoção de novos hábitos de compra.  Reutilizar potes, vasilhames, caixas e outros objetos de uso cotidiano e o material neles contido.  Reciclar o lixo descartado após o consumo, transformando-o em matériaprima industrial para nova fabricação. Para que seja reciclado, o lixo deve ser descartado de forma seletiva e entregue em postos distribuídos pelas prefeituras (quando existem) ou por empresas em locais predefinidos, doados a entidades que recebem material desse tipo ou na forma estabelecida pelos programas porta a porta. Apesar das iniciativas nesse sentido, apenas 3% do lixo é reciclado no Brasil, segundo dados do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre).

A erosão das camadas superficiais do solo pelo escoamento das águas das chuvas, também conhecida como erosão laminar, é uma das maiores preocupações ambientais da agricultura atualmente. Esse processo provoca a perda gradativa de nutrientes do solo. Em algumas culturas, como o feijão e a mandioca, essa perda pode chegar a 40 toneladas por hectare em um ano. Para ter uma dimensão melhor do problema, em uma área com floresta nativa, essa perda é de apenas 0,004 tonelada por hectare no mesmo período. A melhor forma para evitar a ação da erosão é a adoção de técnicas de conservação do solo. O plantio direto é uma técnica que não revolve as camadas superficiais do solo, mantendo sobre ela a matéria orgânica (plantas, folhas e palhas de colheitas anteriores), o que contribui para conter a erosão. Já as curvas de nível é uma técnica de plantio adequada às variações das altitudes e à inclinação do relevo, evitando o escoamento direto das águas das chuvas que caem na lavoura. A ausência dessas técnicas pode dar origem a ravinas

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Veja abaixo um quadro com os principais produtos recicláveis:

(sulcos formados no solo devido à ação erosiva da água) e voçorocas (aberturas ainda maiores que as ravinas e que, se atingirem o lençol freático, podem ser irreversíveis e impedem o aproveitamento agrícola da área atingida). Outro grave problema da degradação dos solos envolve a grande concentração de sais nos seus horizontes superficiais, o que dificulta o desenvolvimento das plantas e, consequentemente, a produção de alimentos. A salinização dos solos pode se dar por meio de processos naturais ou provocados e acelerados pelas atividades humanas. A irrigação é a principal prática agrícola responsável por induzir ou acelerar esse processo. No mundo, as principais áreas atingidas pela salinização encontram-se na África e na Ásia. Um dos casos mais conhecidos é o da região do Mar de Aral, na fronteira entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, na Ásia Central. Desde o período da União Soviética, extinta em 1990, vinham sendo implantados nessa região projetos de irrigação, em especial para a produção de algodão (veja mais na pág. 67).

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Os principais produtos recicláveis

Vidro

Papel

Plástico

Metal

ORIGEM

Garrafas, potes de alimentos, frascos de remédio e de perfume. Cacos de vidro

Revistas, jornais, papéis variados, caixas de papelão (de todos os tipos)

Garrafas PET, potes (de todos os tipos), tampas, embalagens, sacos (de leite, arroz etc.)

Latas de aço e alumínio, tampas, arames, fios, grampos, pregos, tubos de pasta, alumínio, cobre

UTILIDADE

Não podem ser reciclados

Volta a ser usado infinitas vezes sem perder as características

Transforma-se em papel reciclado para agendas, cartões e caixas de papelão

Matéria-prima de fibras têxteis, tubos, artefatos plásticos, cordas, cerdas de vassoura, carpetes

O aço volta a ser usado sem limites. O alumínio pode ser reusado em latas e autopeças

Espelhos, vidro de janela e de boxe de banheiro, vidro de automóveis, cristais, lâmpadas, vidro temperado, ampolas de remédio, celofane, espuma, fraldas descartáveis, pilhas, latas enferrujadas, papel higiênico, guardanapos com restos de comida, papel laminado e plastificado, papel-carbono

Quanto tempo leva para se degradar na natureza Papel 3 a 6 meses 6 meses a 1 ano Pano 5 anos Filtro de cigarro 5 anos Chiclete 5 a 10 anos Lata de aço 13 anos Madeira pintada Mais de 30 anos Náilon Centenas de anos Plástico Alumínio Centenas de anos Mais de mil anos Vidro Indeterminado Borracha

Fonte: Como Cuidar do Seu Meio Ambiente – Editora Beı,˜ edição e texto da Rita Mendonça, 2004

FERNANDO VIVAS

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COMO CAI NA PROVA

1. (PUC-PR 2016) O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP)

relatou que, entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, ocorreram pequenos tremores de terra com magnitudes entre 1.1 e 1.9 em epicentros localizados na região da cidade de Londrina, o que explica as vibrações sentidas pelos moradores, principalmente nos bairros Califórnia e São Fernando.

Tabela 1 – Pequenos tremores identificados pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) com estações regionais Prof. * (km)

naense, e o tipo de movimento verificado entre as placas da América do Sul e da África é divergente. A alternativa correta é a B: os terremotos no Brasil são de baixa e média intensidade na escala Richter. Em sua maioria, são decorrentes de falhas geológicas de pequena extensão existentes na estrutura geológica local. Resposta: B

2. (USF 2016) Observe as imagens a seguir.

Data e Hora (Local)

LAT (+/- 5 km)

LON +/- 5 km)

Magnitude (mR)

14/12/2015 06:16:06

-23.35

-51.15

0.0

1.8

01/01/2016 16:49:34

-23.38

-51.15

0.0

1.9

21/01/2016 14:13:10

-23.33

-51.12

0.0

1.9

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Adaptado de Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Tremores de Dezembro de

2015 / Janeiro de 2016 em Londrina-PR. Disponível em: <http://moho.iag.usp.br/content-sample/ reports/20160122/Relatorio-Londrina-20160122-2300.pdf>. Acesso em 20 mar. 2016.

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Segundo o Centro de Sismologia, tremores de magnitude pequena (<4) não são incomuns no Brasil e podem ocorrer em qualquer região. [...] Portanto, não há motivos para descartar os tremores ocorridos em Londrina como tendo origem natural.

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(*) profundidade fixada em 0 km. Não há dados suficientes para se determinar as profundidades.

Sendo assim, os tremores registrados em Londrina podem ser causados a) pela proximidade com a Cordilheira dos Andes, região geologicamente instável, onde a divergência entre as placas do Pacífico e da América do Sul gera grandes tremores de terra. b) por concentração de tensões geológicas de origem natural, presentes em toda a crosta terrestre. c) pela exploração de gás de xisto através de fraturamento (fracking) hidráulico. d) por barragens artificiais, como o lago gerado pela hidrelétrica de Itaipu, pois o peso do reservatório pressiona as falhas geológicas do substrato geológico. e) pela atividade vulcânica no oeste paranaense, decorrente do encontro das placas da América do Sul e da África, originárias da fragmentação do supercontinente Pangea.

RESOLUÇÃO A afirmativa A é incorreta, pois os tremores que ocorrem na região da Cordilheira dos Andes, e que poderiam ser sentidos no Brasil, ocorrem pela convergência entre as placas do Pacífico e da América do Sul e não pela divergências entre elas. A afirmativa C é incorreta. A exploração de gás de xisto por meio de fraturamento (fracking) hidráulico pode provocar tremores de terra. Mas essa técnica, muito comum nos EUA, ainda não é usada no Brasil. A afirmativa D não é correta porque, apesar de a construção de barragens poder provocar tremores, o mapeamento das falhas no Brasil não apontam para a área de Itaipu. A afirmativa E é incorreta, pois não existe atividade vulcânica no oeste para-

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Fonte: <http://www.aguaspluviais.inf.br/manual.aspx?id=8> Acesso em: 12/09/2015, às 18h.

As imagens evidenciam a alteração ao meio ambiente causada pelo processo de urbanização. a) Aponte duas consequências sociais ou ambientais decorrentes da transformação do espaço evidenciada nas imagens. b) Cite uma ação que poderia minimizar os problemas decorrentes da ocupação do espaço evidenciada nas imagens.

RESOLUÇÃO a) A ação intensiva do ser humano sobre o meio, em virtude da ocupação do solo, altera as condições ambientais originais. Entre as consequências ambientais e sociais da transformação da paisagem acima, destacam-se: perda de biodiversidade decorrente do desmatamento, aumento da erosão do solo, elevação do assoreamento dos rios pela retirada da mata ciliar, prováveis enchentes pela impermeabilização do solo, possível poluição dos recursos hídricos e elevação da temperatura (ilha de calor) na área urbana. b) Entre as ações é possível citar a recomposição das matas ciliares ao longo dos rios para minimizar a erosão e o assoreamento; a criação de áreas verdes para melhorar a infiltração de água no solo e combater enchentes; o tratamento adequado de água e esgoto; e a adequada deposição do lixo.


RESUMO

SAIBA MAIS As enchentes ocorrem quando a precipitação é elevada e a vazão ultrapassa a capacidade de escoamento dos rios. É um fenômeno natural, provocando inundações, que permitem a deposição de partículas minerais e de matéria orgânica na área que vai além de suas margens – a várzea. No entanto, em grandes cidades como São Paulo, a impermeabilização do solo ocasiona grandes alagamentos. A água não consegue infiltrar no solo, escoando de forma rápida e em grande volume para as vias de circulação de trânsito. É o que acontece na Marginal Tietê: RIO TIETÊ Marginal esquerda

Pista local

Pista expressa

Marginal direita

Área de inundação

Pista expressa

Pista local

Nível normal

3. (Espcex Aman 2016) O relevo é o resultado da atuação de forças de origem

I. o surgimento das grandes cadeias montanhosas, como os Andes, os Alpes e o Himalaia, resulta dos movimentos orogenéticos, caracterizados pelos choques entre placas tectônicas. II. o intemperismo químico é um agente esculpidor do relevo muito característico das regiões desérticas, em virtude da intensa variação de temperatura nessas áreas. III. extensas planícies, como as dos rios Ganges, na Índia, e Mekong, no Vietnã, são resultantes do trabalho de deposição de sedimentos feito pelos rios, formando as planícies aluviais. IV. os planaltos brasileiros caracterizam-se como relevos residuais, pois permaneceram mais altos que o relevo circundante, por apresentarem estrutura rochosa mais resistente ao trabalho erosivo. V. por situar-se em área de estabilidade tectônica, o Brasil não possui formas de relevo resultantes da ação do vulcanismo.

N E V

ESTRUTURAS GEOLÓGICAS A camada mais superficial do planeta é a litosfera, cuja superfície é formada por três tipos de estrutura geológica: escudos cristalinos (os terrenos mais antigos, formados por rochas magmáticas), bacias sedimentares (surgidas com a erosão das rochas dos escudos cristalinos) e dobramentos modernos (formações recentes que ficam entre as placas tectônicas). RELEVO Existem quatro principais tipos de relevo no mundo: depressões são áreas localizadas em altitude inferior à das regiões vizinhas ou abaixo do nível do mar; montanhas são áreas elevadas resultantes do choque de placas tectônicas; planaltos são elevações delimitadas por superfícies rebaixadas; e planícies são áreas planas, geralmente encontradas em baixas altitudes.

A ID

PLACAS TECTÔNICAS São gigantescos blocos que integram a litosfera. O globo é recortado por grandes placas que se deslocam e se chocam, numa movimentação constante e lenta. As regiões próximas à borda dessas placas são sujeitas a terremotos e atividade vulcânica.

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interna e externa, as quais determinam as reentrâncias e as saliências da crosta terrestre. Sobre esse assunto, podemos afirmar que

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Litosfera

FORÇAS INTERNAS E EXTERNAS As forças internas dão forma ao relevo. O tectonismo consiste no lento deslocamento das placas tectônicas. Os abalos sísmicos são os tremores causados na superfície do planeta pela movimentação da placa tectônica. Já o vulcanismo é a elevação do magma para a superfície por meio de fendas na crosta terrestre. São duas as principais forças externas. O intemperismo é o processo de degradação das rochas provocada por fenômenos químicos e físicos. Já a erosão consiste no desgaste da rocha em razão da exposição prolongada a agentes naturais, como ventos, geleiras, rios e mares.

RECURSOS MINERAIS Os minérios são elementos dos quais podemos extrair substâncias de interesse econômico. Destacamse os utilizados para a obtenção de metais, como o alumínio, o ferro e o titânio. Os depósitos mais explorados ficam nos escudos cristalinos. No Brasil, os minérios são encontrados principalmente em Minas Gerais e no Pará.

Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas a) I, II e III b) I, III e IV c) II, IV e V d) I, II e V e) III, IV e V

RESOLUÇÃO As afirmativas I, III e IV estão corretas. Sobre os outros itens, a afirmativa II diz, equivocadamente, que o intemperismo químico ocorre em regiões desérticas. Na verdade, nessas localidades com baixo índice pluviométrico verifica-se a atuação do intemperismo físico e da erosão eólica. Já a afirmativa V está incorreta porque o passado geológico do atual território do Brasil, durante a Era Mesozoica, registra atividade vulcânica. Ela foi responsável por aspectos importantes da estrutura geológica, do relevo e do solo no país, como a existência de cuestas basálticas e do solo de terra roxa. Resposta: B

SOLOS O solo compreende a parte superficial da litosfera e se forma, principalmente, da decomposição das rochas e se dispõe em camadas, denominadas horizontes. Os horizontes O (orgânico) e A são os mais superficiais e mais significativos para a agricultura. A composição mineral, o nível de acidez e a capacidade de reter matéria orgânica e água são fatores determinantes para a fertilidade dos diferentes tipos de solos, de grande importância para as atividades agropecuárias. LIXO A deposição inadequada do lixo em aterros sem nenhum controle ambiental (os chamados lixões) está entre as principais causas da contaminação dos solos nas cidades. Mais de 50% dos municípios destinam os resíduos sólidos em lixões. Apenas 28% das cidades faz o descarte em aterros sanitários.

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HIDROSFERA CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO

 A distribuição de água no planeta.............................................................50  Água salgada .....................................................................................................52  Água doce............................................................................................................56  Tsunami ..............................................................................................................58  Bacias hidrográficas do Brasil.....................................................................60  Escassez hídrica no mundo ..........................................................................62  Escassez hídrica no Brasil ............................................................................64  Poluição hídrica ...............................................................................................66  Como cai na prova + Resumo .......................................................................68

Uma esperança na aridez do sertão

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Em meio à maior estiagem dos últimos 100 anos no Nordeste, a inauguração de um trecho da transposição do Rio São Francisco pode amenizar os efeitos da seca

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s nordestinos estão enfrentando mais uma rigorosa seca. Embora estiagens severas costumem castigar a região de tempos em tempos, desta vez a situação é mais grave: o Nordeste não via uma seca tão intensa para um período consecutivo como este desde 1910. A área mais afetada é o semiárido, região que abriga 23 milhões de pessoas. Com a ausência de chuvas, os grandes reservatórios da região estão secando. No início de 2017, eles operavam com somente 16% da capacidade. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), dos 533 reservatórios monitorados pelo órgão na região, 142 estavam vazios. A situação é mais crítica no Ceará, onde os açudes estavam com 7% de sua capacidade em janeiro deste ano. A estiagem pode levar o fornecimento de água nas áreas urbanas ao colapso, provocando sérios transtornos à população. Em vários municípios de pequeno porte, o abastecimento já está sendo feito com caminhões-pipa. Nas regiões rurais, o problema é outro. Agricultores perdem suas plantações e veem o gado morrer. Em Pernambuco, o rebanho bovino, composto em 2011 por 2,5 milhões de cabeças, teve uma baixa de 554 mil animais no ano passado. A boa notícia é que em março foi inaugurado o primeiro trecho do projeto de transposição do

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Rio São Francisco, que prevê o deslocamento de parte das águas desse manancial por canais artificiais para reservatórios situados no semiárido nordestino. Apontada desde o tempo do Império como uma solução para a seca no Nordeste, a transposição começou a sair do papel em 2007, consumindo investimentos da ordem de 9,6 bilhões de reais. O projeto se estende por 477 quilômetros e é dividido em dois eixos. O leste é o trecho recém-inaugurado. Com 217 quilômetros, ele beneficiará 4,5 milhões de pessoas em 168 localidades da Paraíba e de Pernambuco. Já o eixo norte, com 260 quilômetros, tem inauguração prevista ainda para 2017 e atenderá 222 municípios e 7,5 milhões de pessoas no Ceará e Rio Grande do Norte. Nas páginas seguintes, você vai saber mais sobre a hidrosfera e a importância estratégica da água, além de ÁGUAS DE MARÇO entender como a crise Inauguração do eixo leste hídrica é um fenôme- da transposição do Rio no que preocupa não São Francisco, em março apenas a população do de 2016: projeto poderá Nordeste, mas tam- beneficiar 12 milhões de bém de outras regiões pessoas no semiárido do Brasil e do mundo. nordestino


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EDUARDO KNAPP/FOLHAPRESS

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HIDROSFERA A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA

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PLANETA ÁGUA Apesar de a Terra dispor de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água, apenas 2,5% desse volume é próprio para o consumo humano

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A Terra é azul

Ocupando mais de 70% da superfície terrestre, a hidrosfera domina a paisagem do nosso planeta

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rimeiro homem a ver o planeta do espaço, o astronauta russo Yuri Gagarin tornou célebre a frase em que descreveu o que observou lá de cima: “A Terra é azul”. A coloração do nosso planeta visto da órbita terrestre é consequência do enorme volume de água de que a Terra dispõe. São cerca de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos que cobrem mais de 70% da superfície do globo. O conjunto de toda a água do planeta recebe o nome de hidrosfera. Há cerca de 4 bilhões de anos, quando nosso planeta era uma nuvem quente de poeira e gás, a água encontrava-se misturada a outros gases, no estado de vapor. À medida que o planeta esfriava, esse vapor foi se condensando e, sob a forma de chuva, precipitando-se sobre a superfície. Dessa longa e caudalosa tempestade formaram-se os oceanos, mares e o conjunto das “águas continentais”, composto de rios, lagos, lençóis subterrâneos, geleiras e neves eternas. Mas todo esse volume de água que cobre o planeta não está à disposição para o nosso consumo. Desse 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água que

revestem o globo, apenas 2,5% são de água doce – algo em torno de 35 milhões de quilômetros cúbicos. Além disso, a maior parte da água ou está congelada nas geleiras e calotas polares ou encontra-se escondida em depósitos subterrâneos. A real proporção da água a que o homem tem acesso fácil – a superficial, de rios lagos e pântanos – é de, no máximo, 0,4% da água doce existente no mundo (veja mais no gráfico). Ou seja, temos 100 mil quilômetros cúbicos para matar a sede, cuidar da higiene, gerar energia, produzir alimentos e bens industriais. Não é exatamente pouca água – imagine que cada pessoa no mundo tenha direito a mais de 570 bilhões de litros por dia, durante 75 anos. O problema é que a água não é distribuída assim, de forma equilibrada, entre toda a população. A própria natureza impõe restrições. Enquanto regiões como a Amazônia é riquíssima em recursos hídricos, trechos da África e do Oriente Médio sofrem com uma brutal escassez, responsável, inclusive, por sérios conflitos armados. Para piorar, a ação do homem em nada vem ajudando a

[1]


O CICLO DA ÁGUA Veja as quatro etapas do processo de renovação hidrológica

3 Os ventos carregam o vapor

de água dos oceanos para os continentes. As nuvens se condensam, e a água volta para a superfície terrestre na forma de chuva – a precipitação também pode ocorrer como neve ou granizo.

1 A energia solar incide sobre a superfície do planeta.

A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA Apenas uma pequena parte da água da Terra é acessível para uso humano TOTAL DA ÁGUA Água doce 2,5%

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2 O calor provoca a evaporação da água, que passa para o estado gasoso e é transferida para a atmosfera. A transpiração de plantas e animais contribui para esse processo. Apesar de o fenômeno também ocorrer em rios e em lagos, é nos oceanos que a evaporação é mais intensa.

4

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tornar a distribuição e o acesso à água mais democráticos. Se hoje 2,4 bilhões de pessoas não têm acesso à água tratada, isso se deve principalmente ao mau gerenciamento das fontes naturais e à falta de equilíbrio entre a renovação e o consumo da água.

N E V O ciclo hidrológico

Toda a água disponível no planeta está em constante renovação. Esse processo no qual a água se desloca da superfície terrestre e da atmosfera, passando pelos estados líquido, sólido e gasoso, recebe o nome de ciclo hidrológico. Um dos responsáveis por esse processo é a energia solar, que incide na superfície do planeta e provoca a evapotranspiração das águas, ou seja, elas passam do estado líquido para o gasoso. A evaporação dos oceanos ocorre com maior intensidade, mas o fenômeno acontece ainda em rios, lagos e demais águas continentais. A transpiração das plantas também contribui para a evaporação da água. O vapor de água resultante desse processo dá origem às nuvens, que se deslocam com o movimento de rotação da

[1] NASA [2] MULTISP

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[2]

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A água das chuvas é escoada para os rios, lagos e mares. Também pode infiltrar-se no solo ou voltar para a atmosfera pelo processo de evaporação.

Terra e dos ventos. Quando as nuvens se condensam, ocorre a precipitação, e a água volta para a superfície terrestre, atingindo tanto o continente quanto os oceanos. Essa precipitação pode ser líquida, no caso das chuvas, ou sólida, se cair na forma de neve ou granizo. Tudo depende das condições climáticas da região. Ao atingir os continentes, a água da precipitação pode percorrer alguns caminhos:

Água salgada 97,5%

ÁGUA DOCE

Água atmosférica e de superfície 0,4%

Geleiras 68,7%

Rios 1,6% Biota 0,8% (conjunto dos seres vivos)

 é escoada na direção de rios, lagos e mares. O destino dessas águas é influenciado por fatores como a cobertura vegetal, as condições climáticas e a geologia e a altitude. Em áreas mais áridas, por exemplo, a evaporação é maior que a infiltração, ao passo que, em terrenos arenosos, a água se infiltra mais rapidamente.

Subterrânea 30,1%

ÁGUA ATMOSFÉRICA E DE SUPERFÍCIE

 volta para a atmosfera, em novo processo de evapotranspiração;  infiltra-se no solo, alimentando as águas subterrâneas;

Permafrost 0,8% (camada de subsolo na tundra congelada)

Lagos de água doce 67,4%

Pântanos e áreas alagadas 8,5% Atmosfera 9,5%

Umidade do solo 12,2%

Fonte: National Geographic

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HIDROSFERA ÁGUA SALGADA

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N E V Imensidão marinha

Quase a totalidade da hidrosfera é formada por oceanos e mares, habitat da maioria das espécies do planeta e responsáveis por grande parcela da atividade econômica mundial

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s águas marinhas dividem-se em oceanos (grandes áreas) e mares (áreas menores). Juntas, essa imensidão de água salgada representa 97,5% de toda a hidrosfera. Conforme veremos a seguir, os oceanos e mares têm uma incalculável importância para o equilíbrio do planeta, tanto nos aspectos ambientais como socioeconômicos. A própria origem da vida, de acordo com a teoria do Big Bang, teria ocorrido nos oceanos há cerca de 3,5 bilhões de anos (veja mais na pág. 98).

A origem da água salgada

Durante centenas de milhões de anos, a chuva foi formando os rios – que, por sua vez, dissolveram rochas de diferentes períodos geológicos, nas quais o sal comum, cloreto de sódio (NaCl), é encontrado em abundância. Como todos os cursos de água correm para o oceano, os mares ficam com quase todo o sal dissolvido nesse processo. Além disso, as partículas de cloro e de sódio suspensas na atmosfera também são levadas pela chuva, completando o processo. Ainda assim, a salinidade de

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uma massa de água depende principalmente de sua taxa de evaporação, que acaba determinando a concentração do sal. É por isso que lagos e açudes podem se tornar salgados em regiões de muito calor, como ocorre no nordeste brasileiro. Por essa mesma razão, os mares equatoriais são mais salgados que os polares. Os mais salgados do planeta são o Mar Morto, no interior da Ásia, e o Mediterrâneo. O menos salgado é o Mar Báltico, no norte da Europa, que, por causa de seu baixo teor de sal, chega a ficar congelado durante o inverno.

A biodiversidade marinha

A grande biodiversidade marinha pode ser confirmada estatisticamente: dos 33 filos (grandes grupos de seres vivos), 15 são exclusivamente marinhos e cinco são predominantemente marinhos. São mais de 230 mil espécies conhecidas nos mares e oceanos, porém estima-se que o número ultrapasse 1 milhão de espécies. Os ambientes diversificados propiciam a formação de ecossistemas diversos, desde as águas rasas e quentes


MARES E OCEANOS Mar do Norte

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Mar Mediterrâneo Golfo do México

Mar Morto

OCEANO ATLÂNTICO Mar do Caribe

OCEANO PACÍFICO

C. de Humboldt

OCEANO PACÍFICO

Golfo Pérsico

OCEANO ATLÂNTICO

Mar Vermelho OCEANO ÍNDICO

Bacia de Campos OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

GRANDES NAVEGAÇÕES

Cerca de 80% do volume total do comércio mundial é feito por meio de transporte marítimo

MARES Os mares são blocos menores de água salgada ligados aos oceanos. Em geral, são classificados de acordo com a maneira pela qual se juntam aos oceanos. Mares abertos: são ligados ao oceano por meio de grandes aberturas. Ex.: Mar das Antilhas ou do Caribe e o Mar do Norte, entre as ilhas britânicas e o continente europeu. Mares continentais: as ligações com o oceano são menores, feitas por meio de estreitos. Ex.: Mar Mediterrâneo, ao sul da Europa, e Mar Vermelho, entre a península Arábica e a África.

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das costas continentais – com grande aporte de alimentos provenientes dos rios – até águas profundas, frias e sem luz, com erupções de lava e gás metano, entre outros materiais tóxicos para as espécies da superfície. Algumas espécies marinhas têm funções vitais para o planeta Terra em escala global, como o plâncton, cuja absorção de CO2 é maior do que a de todas as florestas das terras emersas somadas.

N E V A economia dos mares e dos oceanos

Os mares e oceanos são explorados economicamente desde os primórdios da existência dos seres humanos para a obtenção de alimentos e energia, o transporte, o lazer, entre outras atividades. As rotas estabelecidas no período das Grandes Navegações (séculos XV a XVII) mudaram o mapa econômico mundial, ampliando numa escala jamais vista até então as trocas comerciais e a exploração de recursos naturais do planeta. Atualmente, merecem destaque as seguintes atividades econômicas assentadas na exploração dos mares e dos oceanos: iSTOCK PHOTO

A ID

Mares fechados: apesar de serem chamados de mares, são, na verdade, grandes lagos com água salgada. Ex.: Mar Morto, no Oriente Médio

B I O

R P

 A PESCA Base da alimentação de milhões de pessoas, a pesca tradicional e industrial é feita em todos os oceanos e na maioria dos mares, sobretudo em áreas costeiras. A produtividade é maior em regiões banhadas por correntes marítimas frias. Um bom exemplo é a corrente de Humboldt, que passa pela costa peruana (veja no mapa).

 EXTRATIVISMO MINERAL Além da extração de petróleo e gás natural, explorado em áreas como a Bacia de Campos, o Golfo Pérsico e o Golfo do México (veja localização no mapa), outros recursos minerais são prospectados em águas oceânicas. Merece destaque a mineração feita no Mar Morto, de cujo leito se extraem grandes quantidades de potássio, o que coloca Israel e Jordânia na lista dos dez maiores exportadores desse mineral. O produto é utilizado, entre outras aplicações, na fabricação de adubos químicos. Já África do Sul e Namíbia exploram diamantes nos mares que banham o seu litoral.

OCEANOS De acordo com a maioria dos especialistas, são três os grandes oceanos: Pacífico, Atlântico e Índico. O limite entre um oceano e outro é determinado pelo contorno dos continentes. Alguns geógrafos apontam a existência de dois outros oceanos, o Ártico, no norte do globo, e o Antártico, que circunda o continente gelado ao sul.

 ROTAS COMERCIAIS Cerca de 80% das mercadorias comercializadas entre diferentes países no mundo são transportadas por navios cargueiros, que diariamente atravessam os oceanos. O Oceano Atlântico é intensamente explorado economicamente, em especial no Atlântico Norte, onde se encontram rotas que interligam as potentes economias da América do Norte e os países da Europa Ocidental. O Oceano Pacífico é um elo cada vez mais forte entre as economias ocidentais e orientais. Já o Oceano Índico é percorrido por embarcações que exploram o petróleo no Oriente Médio, sobretudo no Golfo Pérsico.

 TURISMO O turismo marítimo é outra atividade em expansão, explorando as orlas marítimas com a implantação de balneários, navegação, pesca esportiva e atividades de mergulho. A indústria turística também projeta suas atividades para o alto-mar com a navegação dos cruzeiros marítimos. GE GEOGRAFIA 2018

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HIDROSFERA ÁGUA SALGADA

Controle dos mares e oceanos

OS LIMITES MARINHOS DO BRASIL

G FR UIAN AN A C BR ESA AS IL

A importância geopolítica dos mares e dos oceanos reflete-se nas disputas que muitas nações travam entre si para poder exercer sua soberania sobre o território marítimo. A dificuldade em estabelecer as faixas oceânicas a que cada país tem direito deu origem à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Ela determina os limites do mar territorial, ou seja, as águas que fazem parte do território nacional de cada país, onde possuem total soberania econômica e militar. Além do mar territorial, são definidas as zonas contíguas, nas quais o Estado deve fiscalizar e combater crimes ambientais; as zonas econômicas exclusivas, que estabelece direitos absolutos para a realização de pesquisas e exploração econômica; e a plataforma continental, área na qual o país detém direitos sobre o assoalho marítimo e o subsolo. Na zona econômica exclusiva brasileira, estão 91% de todo o petróleo explorado pelo país, incluindo as jazidas do pré-sal. Diante da necessidade de garantir sua proteção, em 2004, o Brasil solicitou à ONU que estenda sua soberania sobre a área de mar acima da plataforma continental para até 350 milhas náuticas (648 quilômetros), conforme prevê a convenção, mas ainda não obteve o aval sobre essa decisão. Veja ao lado e abaixo a localização e a extensão de cada nível de fronteira marítima no litoral brasileiro.

Arquipélago de São Pedro e São Paulo Belém

Atol das Rocas

São Luís

Arquipélago de Fernando de Noronha

Salvador

A D

N E V Rio de Janeiro

Tupi Carioca Guará

Júpiter

B I O

R P Oceano Atlântico

Arquipélago de Abrolhos

A ID

Ilhas da Trindade e Martin Vaz

Poços do pré-sal

Florianópolis

Fronteiras marítimas

BR AS I UR UG L UA I

Mar territorial

Fronteira

Definição

Limite a partir da orla

Área

Mar territorial

Soberania absoluta, econômica e militar

12 milhas (22,2 km)

Zona contígua

Controle administrativo

24 milhas (44,4 km)

Zona econômica exclusiva

Direitos econômicos absolutos sobre a água, o assoalho e o subsolo

200 milhas (370 km)

3.539.919 km2

Plataforma continental

Direitos sobre o assoalho marítimo e seus seres e o subsolo

até 350 milhas (648 km) (área reivindicada)

4.489.919 km2

Zona contígua Zona econômica exclusiva PLATAFORMA

E

CROSTA CONTINENTAL

Fonte: Marinha do Brasil/ Ministério das Relações Exteriores

54 GE GEOGRAFIA 2018

D LU TA

LINHA BASE

Plataforma continental

ELEVAÇÃO

PLANÍCIE ABISSAL CROSTA OCEÂNICA


Mar do Sul da China

O Mar do Sul da China é uma das principais regiões em disputa no mundo atualmente. Além de ser uma importante rota marítima, o local tem um grande potencial para a exploração petrolífera. A China alega ter precedência histórica sobre a região e explora economicamente suas águas. No entanto, em julho de 2016, a ONU acatou um pedido das Filipinas e decidiu que a China não tem base legal para reivindicar “direitos históricos” no Mar do Sul da China. O governo de Pequim disse que não irá reconhecer a decisão e manterá o controle da região.

SAIBA MAIS MARÉS E CORRENTES MARÍTIMAS

A DISPUTA NO MAR DO SUL DA CHINA ÁREAS REINVIDICADAS POR CHINA China Filipinas Vietnã Malásia Brunei Hong Kong Hanoi

TAIWAN

Mar do Sul da China

A D FILIPINAS

Ilhas Paracel

LAOS

Manila

N E V CAMBOJA

VIETNÃ

Ilhas Spratly

Campo de gás de Sampaguita

As marés são o movimento de subida e descida das águas em relação à costa, ocasionado pela atração que a Lua e o Sol exercem sobre as massas de água. A influência da Lua é sentida de maneira mais forte, porque o Sol, apesar de ser muito maior do que ela e, portanto, ter um campo gravitacional mais poderoso, está muito mais afastado (veja o infográfico abaixo). Além dessa força de atração dos astros, outro fenômeno astronômico colabora para a formação das marés: a rotação da Terra. Girando em torno de si mesma, a Terra fica sempre com metade de sua superfície virada para a Lua. O resultado é o movimento das águas de acordo com a posição do planeta e de seu satélite. A cada dia, acontecem duas marés altas (quando o oceano está de frente para a Lua) e duas baixas (nos intervalos entre as altas). A rotação da Terra influencia outro tipo de movimento das águas oceânicas: as correntes marítimas. Elas são gigantescas porções de água que se deslocam nos oceanos de forma independente das águas que as circundam. É por causa do fenômeno da inércia que as correntes se deslocam com o movimento do planeta: as águas tenderiam a continuar paradas, mas acabam se movimentando em sentido contrário ao da rotação do globo. As correntes também ocorrem em razão da inclinação do eixo terrestre e da diferença de temperatura entre o Equador e as zonas polares. As correntes podem ser frias ou quentes e influenciam a vida no planeta de várias formas. A corrente fria de Humboldt, por exemplo, esfria a costa oeste da América do Sul. Há ainda a corrente quente do Atlântico Norte (ou corrente do Golfo), que evita o congelamento de portos europeus, e a corrente fria do Labrador, que desce do Ártico e influencia as gélidas temperaturas da costa leste norte-americana no inverno (veja mapa com as principais correntes marítimas na pág. 79).

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BRUNEI MALÁSIA INDONÉSIA

Fonte: The Economist

SOB O DOMÍNIO DA LUA Entenda como o satélite da Terra interfere nas marés Maré alta

SAIU NA IMPRENSA

CHINA FINALIZA INSTALAÇÕES NO MAR DO SUL DA CHINA QUE PODEM ABRIGAR MÍSSEIS, DIZEM EUA A China praticamente finalizou a construção de quase duas dezenas de estruturas em ilhas artificiais no Mar do Sul da China que parecem projetadas para abrigar mísseis terra-ar de longa distância, disseram duas autoridades dos Estados Unidos à Reuters, o que foi considerado um teste precoce ao presidente norte-americano, Donald Trump. A China reivindica quase todas as águas, pelas quais circula um terço do comércio marítimo mundial. Brunei, Malásia, Filipinas, Taiwan e Vietnã também têm reivindicações no local. O governo Trump classificou a construção de ilhas chinesas no Mar do Sul da China como ilegal. (...) Reuters, 22/2/2017

Maré baixa

Para facilitar, imagine que o planeta fosse todo recoberto pelos oceanos

Maré baixa

Maré alta

No lado da Terra voltado para a Lua, as águas (em azul) sobem, atraídas pela gravidade lunar

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HIDROSFERA ÁGUA DOCE

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Reservas vitais

Saiba onde ficam as principais fontes de água doce, que representam menos de 3% de toda a hidrosfera

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pesar de a água dominar a paisagem do globo, a quantidade de H2O disponível para nosso consumo é proporcionalmente irrisória: do 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água da hidrosfera, apenas 2,5% são de água doce. Mas a garganta começa a secar mesmo quando observamos que a maior parte da água doce, quase 70%, está sob a forma de gelo, ou seja, indisponível, nos polos. As principais fontes para matar a sede dos bilhões de seres vivos no mundo são: as águas subterrâneas, captadas por meio da exploração de poços; as águas de superfície, que englobam desde lagos e rios até a umidade do solo; e a água presente na atmosfera. Tudo isso junto,

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contudo, não atinge 1% do volume da hidrosfera. Seja como for, mesmo que o volume relativo seja mínimo, os números absolutos de H2O à nossa disposição ainda são bastante significativos, desde que administrados racionalmente e preservados de qualquer contaminação. Confira a seguir as características dos reservatórios que guardam todo esse precioso líquido.

Geleiras

A ID

Reservatório de 68,7% da água doce do planeta, as geleiras são enormes massas formadas pelo acúmulo de neve no decorrer de milhares de anos. Existem em áreas planas próximas aos polos ou na forma de imensos rios de gelo que avançam lentamente pelos vales em altas latitudes ou em cordilheiras elevadas. As geleiras se movimentam: descem encostas pela ação da gravidade ou se espalham pelo solo com a força de seu peso. Em seu trajeto, elas desgastam as rochas e, ao chegar a mares e lagos, dão origem a plataformas de gelo. Os icebergs são massas de gelo que se desprendem dessas plataformas e flutuam pelos oceanos.

DOCE PAISAGEM

Vista aérea do Lago Michigan, em Chicago, nos Estados Unidos, que compõe um dos cinco Grandes Lagos: sua formação se deu por erosão glacial

Lagos

Os lagos, definidos conceitualmente como corpos de água parada, são a maioria da água doce de superfície disponível para consumo. Podem ser formados de várias maneiras: por acúmulo de água da chuva, afloramento de uma nascente, pela alimentação de rios ou pela erosão glacial (desgaste das rochas provocado pelo movimento das geleiras). Essa última explica a origem dos Grandes Lagos da América do Norte, que abrigam 27% da água doce proveniente de lagos do planeta. Também são lagos os mares fechados, sem ligação com o oceano, como o Mar Cáspio – o maior lago do mundo, com área de 370 mil quilômetros quadrados – e o Mar Morto. Outro mar, o de Aral, enfrenta enorme desastre ambiental e perdeu cerca de 90% do volume total de água (veja mais na pág. 67).

Rios

São cursos naturais de água que se deslocam de um ponto mais alto (nascente) até um nível mais baixo (foz ou desembocadura), onde lançam suas


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HIDROSFERA TSUNAMI

Ondas de destruição

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Tremores provocados por fenômenos geológicos no fundo do mar dão origem aos terríveis tsunamis

palavra tsunami em japonês significa “onda de porto” e dá nome a um fenômeno conhecido como maré de terremoto. Os tsunamis são ondas gigantescas, com mais de 30 metros de altura, provocadas por perturbações nas profundezas do mar, como abalos sísmicos (maremotos), erupções vulcânicas ou deslizamentos no fundo oceânico (veja ao lado). Os tremores provocados por esses fenômenos geológicos propagam uma série de ondulações por grandes distâncias na superfície do oceano. Essas ondas são inicialmente bastante longas e baixas, não mais que 0,3 a 0,6 metro. Entretanto, a coisa se complica quando elas se aproximam da costa, onde a profundidade diminui e surge atrito com o fundo do oceano. O resultado é que as ondas passam a ser comprimidas num espaço cada vez menor, o que as obriga a subir. Os tsunamis, então, formam uma coluna descomunal, sugando o mar da costa a ponto de deixar parte do solo oceânico descoberto. Esse é o último aviso. Minutos depois, eles chegam, em geral catastroficamente.

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A CHEGADA DO TSUNAMI NA COSTA

TUDO COMEÇA NO FUNDO DO MAR Ondas gigantes são provocadas por três tipos de fenômeno

A ID

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[3]

Erupções vulcânicas injetam toneladas de lava no chão oceânico, provocando ondas devastadoras

R P

Diferenças nas encostas do litoral podem suavizar ou aumentar o impacto

[4]

Terremotos submarinos deslocam a crosta oceânica, empurrando a massa de água para cima [1]

Um declive menos acentuado na beira-mar faz com que as ondas percam força, atenuando o tsunami

[5]

[2]

Uma maior profundidade na encosta joga as ondas para cima, amplificando sua potência

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Uma imensa bolha de gás se forma no fundo do solo oceânico, surtindo o mesmo efeito de uma explosão descomunal


NATUREZA EM FÚRIA JAPÃO

O DESASTRE QUE GEROU UM ALERTA NUCLEAR

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N E V NATUREZA EM FÚRIA INDONÉSIA

A ID

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COSTA BRAVA Tsunami invade o litoral de Iwanuma, no norte do Japão, em março de 2011

No dia 11 de março de 2011, o Japão sofreu o maior terremoto de sua história. O abalo de 9 pontos na escala Richter teve seu epicentro no oceano Pacífico, a 67 quilômetros da costa nordeste, provocando um tsunami devastador. As ondas viajaram a 800 quilômetros por hora, arrastando carros, barcos e edifícios. Cidades como Sendai e Ishi ficaram submersas em meio aos escombros. Além de deixar pelo menos 9 mil mortos, o tsunami comprometeu o sistema de resfriamento da usina atômica de Fukushima. O superaquecimento dos reatores provocou explosões, e houve vazamento de material radioativo. Enquanto milhares de desabrigados eram socorridos, o país ainda era ameaçado por uma catástrofe nuclear.

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O PLANETA MOBILIZADO PELA ONDA GIGANTE

A tragédia de 26 de dezembro de 2004 foi ainda mais devastadora porque o Oceano Índico não tinha um sistema de aviso eficaz nem estava acostumado a esse tipo de onda. A alta densidade populacional das áreas atingidas (15 países na Ásia e na África) também amplificou a catástrofe, que deixou 230 mil mortos. A Indonésia foi o país mais atingido – só na ilha de Sumatra morreram mais de 170 mil pessoas. O tsunami nasceu de um terremoto de 9 pontos na escala Richter. A partir do epicentro, a cerca de 160 quilômetros a oeste da ilha indonésia de Sumatra, surgiram ondas de 10 metros de altura, que viajavam a 800 quilômetros por hora. A comoção diante da tragédia provocou uma mobilização mundial. Nações de todo o globo enviaram dinheiro, donativos e voluntários com rapidez sem precedentes.

[7]

CENÁRIO DESOLADOR A cidade de Meulaboh, na Indonésia, após a passagem do tsunami, em 2004

[1][2][3][4][5] NEWTON VERLANGIER/ REVISTA MUNDO ESTRANHO [6] KYODO PRESS/ AP [7] DUDI ANUNG/ AP

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HIDROSFERA BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL

Território caudaloso

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O Brasil concentra mais de 10% da água doce disponível na superfície do planeta. Descubra os meandros das águas que percorrem nosso país

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1

2

E

nquanto várias regiões do planeta são pouco privilegiadas em relação à disponibilidade de água, o Brasil não tem do que reclamar nesse quesito: nosso território concentra mais de 10% da água superficial disponível para consumo no mundo. Toda essa caudalosa riqueza está espalhada pelos milhares de rios que percorrem o país. A maioria desses rios nasce em regiões de altitude média – o Amazonas, que tem origem na cordilheira dos Andes, é uma das exceções. Uma característica importante é o predomínio de rios de planalto, o que permite bom aproveitamento hidrelétrico. O regime dos rios brasileiros é pluvial, ou seja, são alimentados pela água da chuva (o Amazonas é exceção, pois também recebe neve derretida dos Andes). Em virtude da predominância do clima tropical no país, com bastante chuva, nossos rios são majoritariamente perenes (nunca secam). Desaguando no Oceano Atlântico ou em outros afluentes que correm para o mar, eles têm, em sua maioria, foz do tipo estuário: o canal se afunila, e as águas são lançadas livremente no oceano. Outro tipo de foz é o delta, em que aparecem ilhas na região do deságue. Há, ainda, a foz mista, como a do Amazonas. Apesar de a água ser abundante aqui no Brasil, o país não está livre do problema da falta de água. Isso porque as fontes naturais são mal distribuídas pelo território e há uma crônica má administração dos recursos hídricos (veja mais na pág. 64). O vasto emaranhado de afluentes nacionais está agrupado em oito grandes bacias hidrográficas. As bacias, por sua vez, reúnem-se em regiões hidrográficas para facilitar o planejamento ambiental e o uso racional dos recursos. Veja a seguir cada uma das oito grandes regiões hidrográficas do Brasil.

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1. Região hidrográfica da Amazônia

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Engloba a maior bacia hidrográfica do mundo, a Amazônica, com área de 3,8 milhões de quilômetros quadrados em terras brasileiras, o equivalente a cerca de 60% do total (os outros 40% distribuem-se nos territórios de Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana e Bolívia). Seu curso principal nasce no Peru, com o nome de rio Vilcanota, e recebe depois as denominações de Ucaiali, Urubamba, Marañón e Amazonas. Quando entra no Brasil, vira Solimões, até o encontro com o rio Negro; desse ponto até a foz, volta a se chamar Amazonas. Seus principais afluentes no Brasil são os rios Madeira, Tapajós e Xingu, na margem direita, e, na margem esquerda, Negro, Trombetas e Paru. Um estudo divulgado em 2008 pelo Inpe mostrou que o rio Amazonas é o maior do mundo: o rio brasileiro tem 6.992 quilômetros de extensão, superando o rio Nilo, com 6.852 quilômetros. A confirmação desses dados, contudo, ainda depende da aceitação de instituições geográficas internacionais.

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Fonte: IBGE

A bacia Amazônica tem mais de 20 mil quilômetros de rios navegáveis. Hidrovias como a do Rio Madeira, que opera de Porto Velho a Itacoatiara, servem de escoadouro para a produção agrícola do Centro-Oeste.

2. Região hidrográfica

dos rios Tocantins-Araguaia

Ocupando 921 mil quilômetros quadrados, essa área é definida pela bacia do Rio Tocantins. Ele nasce em Goiás e desemboca na foz do Rio Amazonas. Parte de seu potencial hidrelétrico é aproveitada pela usina de Tucuruí, no Pará. Já o Rio Araguaia nasce em Mato Grosso, na divisa com Goiás, unindo-se ao Rio Tocantins no extremo norte do estado do Tocantins.

3. Região hidrográfica

do Rio São Francisco

Possui uma área de 638 mil quilômetros quadrados e seu principal rio é o São Francisco, com cerca de 2,7 mil quilômetros de extensão. O Velho Chico


nasce em Minas Gerais e percorre os estados da Bahia, de Pernambuco, Alagoas e Sergipe até a foz, na divisa entre esses dois últimos estados. É o maior rio totalmente localizado em território brasileiro, sendo essencial para a economia das localidades que percorre – grande parte localizada em região semiárida – , pois permite a atividade agrícola em suas margens e oferece condições para a irrigação artificial de áreas mais distantes. Essa, inclusive, é uma das questões em debate em torno do projeto de transposição das águas do São Francisco (veja mais na pág. 64).

4. Região hidrográfica do Rio Parnaíba

Segunda principal região hídrica do Nordeste, atrás da região do São Francisco, ocupa uma área de 333 mil quilômetros quadrados, entre os estados do Ceará, Maranhão e Piauí. Ao desaguar no oceano Atlântico, fazendo a divisa do Piauí com o Maranhão, o Rio Parnaíba forma um delta oceânico. A piscicultura é a principal atividade econômica praticada no rio.

do Rio Paraná

6. Região hidrográfica do Rio Paraguai

É constituída pela bacia brasileira do Rio Paraguai, abrigando a grande planície do Pantanal Mato-Grossense. Com sua nascente em território brasileiro, na Serra do Araporé, próximo de Cuiabá (MT), o Rio Paraguai ocupa uma região de 363 mil quilômetros quadrados no Brasil, correspondente a cerca de um terço da área total, e inclui também Argentina, Bolívia e Paraguai. Seus rios são muito usados para a navegação e para o consumo animal.

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N E V 5. Região hidrográfica

metros de extensão, nasce na junção dos rios Paranaíba e Grande, na divisa entre Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Essa bacia apresenta o maior aproveitamento hídrico do Brasil, abrigando hidrelétricas como a de Itaipu. Afluentes do Paraná, como o Tietê e o Paranapanema, também têm grande potencial para gerar energia. A hidrovia Tietê-Paraná é a mais antiga do país.

Abrangendo uma das áreas com o maior desenvolvimento econômico do país, a região da bacia do Paraná tem cerca de 880 mil quilômetros quadrados. O Rio Paraná, com quase 3 mil quilô-

do Rio Uruguai

do Atlântico

Trata-se de um conjunto de várias pequenas e médias bacias costeiras formadas por rios que deságuam no Atlântico, exceto os do Amapá, que fazem parte da região hidrográfica Amazônica. São cinco regiões: a) A Atlântico Nordeste Ocidental, de 274 mil quilômetros quadrados, abriga os rios situados entre a foz do Gurupi (divisa Pará-Maranhão) e a do Rio Parnaíba (divisa Maranhão-Piauí). b) A Atlântico Nordeste Oriental, de 286 mil quilômetros quadrados, fica entre a foz do Parnaíba e a do São Francisco, na divisa entre Alagoas e Sergipe.

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7. Região hidrográfica

8. Região hidrográfica

Com cerca de 274 mil quilômetros quadrados, é constituída pela parte brasileira da bacia do Uruguai, rio que surge da união dos rios Pelotas e Canoas. Tem grande importância tanto pelo potencial hidrelétrico como pela concentração de atividades agroindustriais na região.

c) A Atlântico Leste, com 388 mil quilômetros quadrados, vai da foz do São Francisco ao Rio Mucuri (extremo sul da Bahia).

d) A Atlântico Sudeste, com 215 mil quilômetros quadrados, vai do Mucuri à área da divisa entre São Paulo e Paraná.

e) Por fim, a Atlântico Sul abrange as bacias dos rios Itajaí, Capivari e aquelas ligadas ao Rio Guaíba e ao sistema lagunar do Rio Grande do Sul, somando 187 mil quilômetros quadrados de área.

SAIBA MAIS

BACIAS HIDROGRÁFICAS

Uma bacia hidrográfica compreende as águas superficiais (lagos, rios e seus afluentes e subafluentes, além do escoamento das águas das chuvas) e também as águas subterrâneas. Em geral, as bacias hidrográficas são exorreicas, ou seja, suas águas escoam para os mares ou oceanos. As bacias endorreicas (aquelas em que as águas escoam para lagos ou pântanos) são menos frequentes. A foz é onde o rio deságua – ela pode ser em estuário, se desemboca no mar em um único canal, ou em delta, quando é formado por vários canais do leito do rio. Veja na imagem ao lado os principais elementos da bacia hidrográfica. GE GEOGRAFIA 2018

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HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO

PESCARIA PREJUDICADA

O mundo tem sede

S

A D

e hoje uma a cada nove pessoas no mundo não tem acesso à água potável em quantidade necessária para garantir sua saúde, é porque a ação do homem está interferindo diretamente nessa relação entre a oferta e a demanda de água potável. O aumento populacional, o consumo crescente, o desperdício, a contaminação dos mananciais e as alterações climáticas exercem grande pressão sobre as fontes de abastecimento de água. A população mundial saltou de 2,5 bilhões de pessoas em 1950 para mais de 7 bilhões atualmente. E esse acelerado crescimento demográfico não significa apenas maior consumo de água em nossas casas. Com mais gente no mundo, nossa sociedade precisa aumentar a produção no campo para produzir alimentos e na indústria para gerar os bens que consumimos. Como o desenvolvimento industrial e agropecuário é hoje responsável pelo consumo de 90% de toda a água utilizada pela humanidade, é possível ter uma dimensão da pressão que esse aumento populacional exerce sobre as fontes hídricas.

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Disputas por água

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Entenda como a ação do homem pressiona as fontes de água e provoca disputas pelo controle de bacias hidrográficas no mundo

À medida que um bem tão essencial para a vida humana começa a se esgotar, as disputas pelas fontes hídricas tornam-se mais frequentes. O maior foco de tensão é a exploração de rios e bacias hidrográficas que se espalham pelos territórios de diferentes países. Quais nações têm direito ao controle dessas águas? Qual é a forma mais justa de compartilhar os recursos hídricos? Como não há resposta simples a estas perguntas, as disputas envolvendo o controle de reservas hídricas já estão se tornando uma realidade em diversos lugares do mundo. Na Bacia do Rio Nilo, por exemplo, a construção de uma hidrelétrica pelo governo da Etiópia pode afetar o fluxo de água para outras nove nações africanas. Da mesma forma, uma barragem construída pela Turquia na Bacia do Tigre e do Eufrates é criticada pelas autoridades da Síria e do Iraque por diminuir a vazão desses rios. Por sua vez, o governo chinês também está erguendo hidrelétricas no Rio Mekong, afetando o abastecimento de água para países como Índia, Laos, Camboja e Vietnã.

USO HUMANO DA ÁGUA Subterrânea e superficial

Agricultura 69%

No distrito de Long Phu, no Vietnã, a seca e a construção de barragens pela China afetam o fluxo de água do Rio Mekong

Industrial 21%

Doméstico 10% Fonte: National Geographic

PARA IR ALÉM O documentário Ouro Azul – As Guerras Mundiais pela Água, de Sam Bozzo, trata, por meio de entrevistas com especialistas de diversos países, da escassez hídrica em várias regiões do mundo e dos conflitos que podem surgir em razão da falta de água, com sérias implicações geopolíticas.


ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO

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Escassez hídrica física Áreas onde o consumo humano já superou a capacidade de renovação natural, com extração de mais de 75% das águas das bacias hidrográficas

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Próximo da escassez hídrica física Mais de 60% do fluxo dos rios dessas bacias é usado, e a população deve enfrentar a escassez física em breve Sem dados disponíveis

B I O

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Escassez hídrica econômica Questões políticas e econômicas também limitam o acesso à água. Encontram-se nessa situação regiões em que menos de 20% da água disponível é aproveitada, enquanto os habitantes sofrem com desabastecimento por causa de conflitos ou falta de infraestrutura e saneamento

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A ÁGUA DOCE NO MUNDO

Américas

46%

32%

7%

África

9%

12%

Escassez hídrica pequena ou inexistente Ocorre em regiões ricas em recursos hídricos, com retirada inferior a 25% do total de água disponível

Ásia

Europa

Oceania

6%

Só o Brasil

Fonte: Comprehensive Assessment of Water Management in Agriculture, 2007

SAIBA MAIS

PEGADA HÍDRICA E ÁGUA VIRTUAL

Além da água que consumimos diretamente todos os dias para beber, cozinhar os nossos alimentos e fazer a higiene pessoal, gastamos outras centenas de litros indiretamente. Tudo o que utilizamos no dia a dia, como roupas, alimentos e eletrodomésticos, precisou de água para ser produzido. Para identificar a quantidade real de água utilizada, foi criado o conceito de “pegada hídrica”, que mede o consumo da chamada “água virtual”. Em produtos de origem animal, por exemplo, a maior parte da água virtual tem origem na produção da ração que alimenta a criação. STR/AFP

A ÁGUA ESTÁ PRESENTE EM TUDO O QUE CONSUMIMOS Água virtual é a quantidade de água usada, direta ou indiretamente, na produção de algo. Veja quantos litros de água virtual existe em alguns produtos

32 litros Em produtos de origem animal, a maior parte da água virtual tem origem na produção da ração que alimenta a criação

200 litros

Copo de leite (200 ml)

140 litros

10 litros

2.000 litros

8.000 litros

Microchip (2 g)

Xícara de café (125 ml)

Folha de papel A4 (80 g/m2)

135 litros

2.325 litros

720 litros

Ovo (40 g)

Carne bovina (150 g)

Carne suína (150 g)

Camiseta de algodão (250 g)

Par de sapatos de couro

Fontes: R.L.Carmo, A.L.R.O.Ojima, R.Ojima e T.T.Nascimento; Hoekstra e Chapagain e Water Footprint Network

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HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO BRASIL

A D

Acesso desigual

N E V

Seja por aspectos climáticos ou má gestão dos recursos hídricos, o Brasil também enfrenta o problema da seca. Veja a situação no Nordeste e no Sudeste, duas das regiões mais afetadas atualmente

M

esmo concentrando cerca de 12% das reservas mundiais de água doce e sendo privilegiado por uma profusão de rios, o Brasil não está imune à escassez hídrica. Um dos problemas é que o precioso líquido não é distribuído de maneira uniforme pelo território nacional. Os estados do Norte, com somente 8% da população, têm quase 70% das reservas hídricas. Em compensação, o Nordeste, que concentra 28% da população, possui apenas 3% da água disponível e é a região mais afetada pela seca no país. No Nordeste, a escassez hídrica está diretamente relacionada com o clima semiárido do sertão. A presença de uma massa quente e seca que estaciona na região durante longos períodos é responsável pela falta de chuvas. Alguns fenômenos climáticos sazonais, como a ocorrência do El Niño, podem agravar ainda mais a situação (veja mais na pág. 76).

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A ID

B I O

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A seca no Nordeste é um fenômeno constatado desde o período colonial. Portanto, as autoridades ao longo das últimas décadas já poderiam ter desenvolvido políticas públicas eficazes para minimizar os efeitos da baixa pluviosidade. Contudo, a construção de açudes, que permitem tornar perenes os rios intermitentes, e projetos de irrigação durante muitos anos beneficiou apenas grandes latifundiários em detrimento da população mais duramente castigada – atitude que ajudou a cunhar o termo “indústria da seca”, ao perpetuar os problemas decorrentes da estiagem.

A transposição do Rio São Francisco

Atualmente, a principal obra do governo federal para combater os efeitos da seca é a transposição do Rio São Francisco. Iniciadas em 2007, as obras têm como objetivo desviar uma pequena parcela de seu volume por meio de dutos e canais que devem abastecer rios menores e açudes que secam durante a estiagem no semiárido nordestino. O governo acredita que a obra beneficiará 12 milhões de pessoas e estimulará a agricultura nas áreas atingidas. Os críticos da transposição, porém, acreditam que poços profundos e cisternas (que são reservatórios para a captação de água da chuva) são alternativas mais eficazes e baratas para combater a seca, além de argumentar que

PARA IR ALÉM O documentário Entre Rios, de Caio Ferraz, trata da urbanização de São Paulo, pelo viés dos cursos d’água, desde a primeira vila até os dias atuais: www.youtube.com/ watch?v=Fwh-cZfWNIc.


TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO

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PARAÍBA Rio Paraíba

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Locais de captação Canais em construção Rios receptores * Vazão máxima

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Escala (em km)

SÓ A CARCAÇA

O município de Olho d'Água do Casado (AL) é um dos mais atingidos pela severa estiagem que castiga o sertão do Nordeste: sem água, agricultores perdem a lavoura e o rebanho

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o projeto não alcançará muitas comunidades e beneficiará principalmente os grandes fazendeiros. Existe ainda o temor de que o projeto cause impactos ambientais no Rio São Francisco. Em março de 2017, o eixo leste da obra foi inaugurado, levando as águas do “Velho Chico” para cidades de Pernambuco e da Paraíba. O governo anunciou que a obra será concluída ainda em 2017 (veja o mapa na pág. ao lado).

N E V

A crise hídrica nas grandes metrópoles

Nem mesmo o Sudeste, caracterizado pela grande presença de umidade, está imune à escassez de água. Uma grave crise hídrica atingiu todos os estados da região em 2014 e 2015 e foi especialmente aguda em São Paulo e sua região metropolitana. Responsável pelo abastecimento de 8,8 milhões de pessoas, o Sistema Cantareira quase entrou em colapso, e o governo estadual foi obrigado a utilizar o chamado volume morto – uma reserva técnica que fica abaixo das comportas das represas. Ainda que a estiagem tenha contribuído para agravar a situação, a crise reflete a falta de planejamento e investimentos no sistema de abastecimento de água. Por isso, apesar de o pior da crise já ter sido superado, o setor ainda apresenta sérios problemas estruturais. Veja alguns dos principais entraves que o setor enfrenta na região:

ADOLFO SANTOS SONTERIA/FOLHAPRESS

B I O

 Há pelo menos duas décadas, especialistas em recursos hídricos alertam que as regiões metropolitanas devem criar medidas para atender ao aumento da demanda de água nessas regiões, fruto do crescimento populacional. Entretanto, as obras para aumentar a captação, o tratamento e a distribuição de água não foram realizadas ou foram feitas em ritmo muito abaixo do que seria necessário.  A lentidão ou a conivência do poder público na questão da ocupação das áreas de mananciais reduziu a capacidade de reposição da água em grandes reservatórios, como o da Cantareira e do Alto Tietê. Essa ocupação, fruto do crescimento desordenado das cidades, ocorreu com a implantação de áreas residenciais e comerciais (agrícolas e industriais), provocando desmatamento, impermeabilização do solo e poluição das águas.  Há fortes críticas de diversos setores da sociedade sobre o modelo de gestão público-privada dos recursos hídricos. Em São Paulo, a Sabesp é uma empresa de capital misto (51% sob controle do Estado e o restante pertence a investidores privados), com ações negociadas na bolsa de valores. Esse modelo concretiza, portanto, a concepção da água como mercadoria voltada para a obtenção de lucro, e não como um bem universal e direito de todos.  A lentidão ou inexistência de programas de despoluição das águas dos rios e lagos em áreas urbanas restringe as fontes de água para o abastecimento público. A coleta de esgoto, serviço cobrado pelas empresas que fazem a distribuição da água, atende apenas a 65% da população (veja mais na pág. 66).

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 MANANCIAIS São todas as fontes de água, superficiais ou subterrâneas, que podem ser usadas para o abastecimento das populações. Isso inclui, por exemplo, rios, lagos, represas e lençóis freáticos

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HIDROSFERA POLUIÇÃO HÍDRICA

Águas turvas A contaminação das fontes hídricas, que deteriora os ecossistemas e provoca milhares de mortes no mundo, é um dos grandes desafios ambientais da atualidade

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pesar da evidente importância da água para a nossa sobrevivência e para as inúmeras atividades humanas, como produção de alimentos, lazer e transporte, um dos maiores desafios ambientais da atualidade diz respeito à contaminação das fontes hídricas. A poluição das águas é causada, sobretudo, pelo lançamento de dejetos industriais e agrícolas, esgoto doméstico e resíduos sólidos. Isso compromete a qualidade das águas superficiais e subterrâneas em inúmeros pontos do planeta. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), 663 milhões de pessoas ainda consomem água imprópria e em torno de 2,4 bilhões de pessoas não possuem esgotamento sanitário – um terço da população mundial. Além de indisponibilizar mananciais que poderiam ser utilizados para o consumo de água potável pela população, a contaminação das águas está relacionada à transmissão de diferentes tipos de doenças que, juntas, causam 1,5 milhão de mortes por ano no mundo – as maiores vítimas são as crianças de países pobres e em desenvolvimento. Os ecossistemas também são gravemente afetados pela poluição hídrica,

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N E V

que compromete a fauna e a flora aquática. Veja a seguir as principais atividades humanas responsáveis pela poluição das águas.

A precariedade do saneamento básico

A falta de coleta e tratamento de esgotos industriais e domésticos, sobretudo nas grandes áreas urbanas, representa uma séria ameaça a rios, lagos e represas. Esses ambientes sofrem o fenômeno conhecido como eutrofização: os esgotos domésticos, ricos em matéria orgânica, quando são lançados na água, geram um excesso de nutrientes que provoca o crescimento acelerado de plantas e algas aquáticas. Estas, por sua vez, impedem a passagem de luz e a transferência de oxigênio para o meio aquático, favorecendo o desenvolvimento de bactérias anaeróbias. No Brasil, de acordo com dados do IBGE de 2015, eram atendidos com coleta de esgoto por rede canalizada 44,5 milhões de domicílios, nos 5.570 municípios do país – o que representa 65,3% do total. Ou seja, um terço das residências brasileiras não são atendidas por serviços de coleta de esgoto. Segundo o Instituto Trata Brasil e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em 2014 apenas 12 dos 100 maiores municípios brasileiros haviam cumprido as exigências do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), que prevê ações de abastecimento de água, tratamento de esgotos, coleta e tratamento de resíduos sólidos e manejo das águas pluviais urbanas. Nota-se, ainda, grandes disparidade entre as regiões quanto à coleta de esgoto (veja o gráfico abaixo).

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ESGOTAMENTO SANITÁRIO NO MUNDO (2015)

COLETA DE ESGOTO NO BRASIL (2015)*

População com o mínimo de condições, em faixas de % por país

Percentual de domicílios atendidos

88,6%

65,1%

65,3% 53,2% 42,9%

22,6% 91–100% 76–90% 50–75% menos de 50% sem dados Fonte: Organização Mundial da Saúde

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Brasil

Norte

Nordeste

CentroOeste

*Ligados na rede geral, com e sem fossa séptica Fonte: PNAD 2015

Sudeste

Sul


POLUIÇÃO DAS ÁGUAS (2007) Mares e lagos poluídos

OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico

Mares e lagos bastante poluídos Área poluída pela circulação de petróleo Descarga no mar de dejetos industriais e urbanos

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO Equador OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO Trópico de Capricórnio

OCEANO ATLÂNTICO

N

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO Greenwich

Círculo Polar Antártico

0

Os oceanos são os principais “corredores” do transporte mundial de mercadorias e matérias-primas. Os milhares de navios cargueiros e de pesca industrial provocam, nas rotas mais utilizadas, a poluição das águas com vazamentos de combustíveis e deposição de lixo (veja o mapa). Outras fontes de resíduos sólidos nos oceanos, principalmente de plásticos e outros materiais não biodegradáveis, são as cidades litorâneas e a descarga de rios poluídos nas águas oceânicas. Os vazamentos de petróleo que ocorrem com certa frequência nos poços explorados no assoalho oceânico também estão entre as principais fontes poluidoras dos oceanos.

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SAIBA MAIS

NASA

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A CATÁSTROFE DO MAR DE ARAL

Além de contaminar os mananciais, a agroindústria também provoca enorme desperdício de água. Quando mal planejada, a irrigação pode dar origem a catástrofes ambientais extremas. É o que aconteceu no Mar de Aral. Encravado entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, na Ásia Central, o Aral ocupava uma área de 68 mil quilômetros quadrados – pouco maior que o estado do Rio de Janeiro. O desastre começou a se formar nos anos 1960, com o desvio dos rios Amu e Syr para irrigar as lavouras da antiga União Soviética. Passados quase 50 anos, o Aral perdeu 90% do volume de água. Entre outras consequências, o recuo ampliou as áreas desérticas e o processo de salinização decorrente da irrigação mal planejada diminuiu drasticamente a flora e a fauna locais. Em 2014, a parte oriental do Mar de Aral secou completamente.

O uso de adubos químicos e de agrotóxicos na produção agrícola

A agricultura comercial, voltada para a produção de commodities comercializadas em escala global, utiliza toneladas de adubos químicos para aumentar a produtividade e de produtos tóxicos para controlar a proliferação de pragas (insetos, doenças e plantas indesejadas) nas lavouras. Além de contaminar os solos (veja mais na pág. 44), o uso desses produtos dá origem ao processo de fertilização artificial das águas de rios, lagos e oceanos com nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo. É o mesmo fenômeno da eutrofização, verificado na poluição por esgoto doméstico. Estudos mostram que o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce do mundo, apresenta elevado grau de contaminação por agrotóxicos.

5.000 km

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Fonte: ilustração de Alex Argozino, baseado em mapa publicado no Atlas Geográfico: Espaço Mundial (Editora Moderna).

A deposição de lixo e vazamentos nos oceanos

2.500

CONTAMINAÇÃO INTEROCEÂNICA O uso de adubos químicos nas lavouras, que é escoado no litoral, e a deposição de material não biodegradável respondem por grande parte da poluição nas áreas costeiras. Veja também como o transporte marítimo deixa um rastro de petróleo por onde passam os cargueiros.

 COMMODITIES São produtos de origem mineral (petróleo, minério de ferro, alumínio, entre outros) ou agrícola (soja, milho, algodão, etc.) negociados nas bolsas de valores no mercado internacional

1977

2016 GE GEOGRAFIA 2018

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COMO CAI NA PROVA

1. (Unesp 2017) A Pegada Hídrica é uma ferramenta de gestão de recursos

hídricos que indica o consumo de água doce com base em seus usos direto e indireto. “Precisamos desconstruir a percepção de que a água vem apenas da torneira (um uso direto) e que simplesmente consertar um pequeno vazamento é o bastante para assumir uma atitude sustentável”, ressalta Albano Araujo, coordenador da Estratégia de Água Doce da Nature Conservancy. www.wwf.org.br. Adaptado

Considerando o excerto e os conhecimentos acerca do consumo de água no planeta, é correto afirmar que o uso indireto de água doce corresponde a) à comercialização de água sob a forma de produto final. b) ao emprego de água extraída de reservas subterrâneas para o abastecimento público. c) à quantidade de água utilizada para a fabricação de bens de consumo. d) ao aproveitamento doméstico da água resultante de processos de despoluição. e) à distribuição de água oriunda de represas distantes do consumidor final.

RESOLUÇÃO O consumo direto da água está relacionado ao uso do líquido para ações como beber, cozinhar e lavar. No entanto, para dimensionar com maior precisão o consumo de água no mundo, é preciso levar em consideração o uso indireto do líquido, ou seja, a quantidade de água que foi utilizada para a produção e consumo de bens e serviços – só a agricultura e a indústria são responsáveis por 90% do uso da água em todo o mundo. A água usada, direta ou indiretamente na produção de bens e serviços, também é chamada de água virtual. Resposta: C

2. (UEL 2017)

N E V

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a) Descreva duas características físicas que conferem importância econômica e social a esse contexto geográfico. b) Cite uma das problemáticas ambientais e analise suas implicações para os diferentes usuários do “Velho Chico”.

RESOLUÇÃO a) O Rio São Francisco é perene, ou seja, ele dispõe de água durante todo o seu percurso, nunca secando, mesmo nos períodos de maior estiagem. O “Velho Chico” nasce em Minas Gerais na Serra da Canastra (área de clima tropical de altitude), percorre cinco estados e atravessa o Sertão do Nordeste com clima semiárido. A bacia é margeada por diferentes biomas – Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, além de biomas costeiros e insulares –, o que lhe confere grande diversidade ambiental. Devido a essas características, o rio possibilita grande aproveitamento econômico e exerce importante papel social. É vital para o abastecimento humano de água, a agricultura irrigada, o transporte (hidrovia) e a geração de energia (hidrelétricas).

A ID

b) A bacia hidrográfica do Rio São Francisco sofreu intensa degradação ambiental nas últimas décadas. Entre os problemas: lançamento de esgotos domésticos sem tratamento, deposição de resíduos industriais, despejo de lixo, lançamento de resíduos de mineração, devastação das matas ciliares e assoreamento. Assim, é fundamental investir na revitalização da bacia do São Francisco, inclusive para viabilizar no médio e longo prazo os benefícios do projeto de transposição.

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3. (Mackenzie 2014)

RISCO DE ESCASSEZ DE ÁGUA EM DIFERENTES PAÍSES DO MUNDO

Fonte: http://www.mlit.go.jp/english/2006/c_l_and_w_bureau/01_worldwater/

Diferentes estudos avaliam o potencial risco da escassez de água no mundo. De um modo geral, esses estudos comparam a oferta de água doce disponível aos diferentes tipos de consumo pelas sociedades humanas. Além disso, são feitas estimativas de crescimento demográfico e econômico para se estabelecer o grau de segurança futura para cada país ou região. Com base nessas informações e seus conhecimentos a respeito do tema, considere as afirmações: \ I. O baixo risco de escassez no Egito, Sudão e Líbia se justifica pela abundância de água do Nilo, cuja bacia detém o maior volume d’água do continente africano. Disponível em:<http://projects.inweh.unu.edu/inweh/inweh/content/3128>. Acesso em: 30 jul. 2016.

Com base no mapa acima e nos conhecimentos sobre a bacia hidrográfica do Rio São Francisco, ou do “Velho Chico”, como é conhecido, responda aos itens a seguir.

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II. A região metropolitana de São Paulo tem riscos devido ao desperdício, os vazamentos na distribuição, o comprometimento dos mananciais e o elevado consumo, apesar da situação relativamente confortável do Brasil em relação a países como Índia e Peru.


RESUMO

III. A Europa Oriental, a China e o México apresentam riscos de escassez maiores do que o Brasil, em razão de consideráveis contingentes populacionais em áreas urbanas e produção industrial diversificada, setores que consomem mais água do que a agropecuária em todo o mundo. Assinale a alternativa correta. a) Apenas a afirmação I está correta. b) Apenas a afirmação II está correta. c) Apenas a afirmação III está correta. d) Apenas as afirmações I e II estão corretas. e) Apenas as afirmações II e III estão corretas.

A afirmação I está incorreta. O risco de escassez nas áreas citadas é elevado em razão da presença do clima desértico na região, exemplificado pela presença do extenso Deserto do Saara. Além, disso o Rio Nilo, embora não seja um rio intermitente, não é garantia de abastecimento aos países assinalados. A construção de barragens ao longo de seu curso para a geração de energia hidrelétrica também pode afetar o fluxo das águas do Nilo para os países da região. A afirmação II é correta, pois aponta os problemas que prejudicam a oferta de água da região metropolitana de São Paulo, onde ocorrem desperdício e ocupação irregular dos mananciais, diminuindo a oferta de água. A afirmação III é incorreta. Apesar de apontar adequadamente que os riscos de escassez hídrica na Europa Oriental, na China e no México são maiores do que no Brasil, o setor que mais consome água em escala mundial é o agropecuário e não o industrial. Resposta: B

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GRANDES RESERVATÓRIOS DE ÁGUA MUNDO

10. Congo 11. Nilo 12. Zambezi 13. Volga 14. Ob 15. Yenisey 16. Lena 17. Kolyma 18. Amur

19. Ganges e Brahmaputra 20. Yangtze 21. Murray Darling 22. Huang He 23. Indo 24. Tigre e Eufrates 25. Danúbio 26. Orange

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ÁGUA SALGADA A água salgada representa 97,5% de toda a hidrosfera. Esse volume se divide em oceanos e mares. Os oceanos são grandes áreas de água salgada delimitadas pelos continentes. Os mares são blocos menores de água e são classificados conforme sua relação com os oceanos. Podem ser de três tipos: abertos, continentais e fechados.

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ÁGUA DOCE Apenas 2,5% de toda a hidrosfera corresponde a água doce. Desse total, quase 70% estão congelados em geleiras ou calotas polares. O volume de água disponível para o consumo humano, presente em lençóis subterrâneos, lagos e rios, não chega a 1% da hidrosfera.

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Veja a seguir quais são as principais bacias hidrográficas do mundo:

1. Yukon 2. Mackenzie 3. Nelson 4. Mississipi 5. St. Lawrence 6. Amazônica 7. Paraná 8. Níger 9. Bacia do Lago Chade

HIDROSFERA É o conjunto de toda a água presente no planeta, que corresponde a cerca de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos e cobre mais de 70% da superfície do globo. CICLO HIDROLÓGICO É o processo pelo qual a água circula entre a superfície da Terra e a atmosfera. A energia solar provoca a evaporação da água, que passa para o estado gasoso e chega à atmosfera. Esse vapor de água se transforma em nuvem, que se condensa, dando origem às chuvas. As gotas de água atingem os continentes e são escoadas para rios, lagos e oceanos e também se infiltram no solo.

RESOLUÇÃO

 SAIBA MAIS

Hidrosfera

BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL O território brasileiro concentra mais de 12% da água doce superficial do planeta. O Brasil apresenta oito grandes regiões hidrográficas: Amazônica (a maior do mundo), dos rios Tocantins-Araguaia, do São Francisco, do Rio Parnaíba, do Rio Paraná, do Rio Paraguai, do Rio Uruguai e do Atlântico. ESCASSEZ DE ÁGUA A distribuição de água no planeta é irregular, com regiões onde há abundância (como a Amazônia) e outras que sofrem com a escassez (como trechos da África). Cerca de 2,4 bilhões de pessoas não têm acesso à água limpa. Isso se deve principalmente ao mau gerenciamento das fontes naturais, como a ocupação ilegal dos mananciais. Além disso, há uma superexploração das reservas hídricas. Somente a agricultura consome 69% da água doce disponível – a indústria absorve 21% e o uso doméstico representa 10%. ESCASSEZ DE ÁGUA NO BRASIL A água por aqui é abundante, mas mal distribuída. O Nordeste tem 28% da população, mas apenas 3% da água disponível. Atualmente, as regiões Nordeste e Sudeste enfrentam grave escassez hídrica em função da falta de chuva e da má gestão das fontes de água. POLUIÇÃO DAS ÁGUAS Os rios e lagos são ameaçados pelo lançamento de dejetos industriais e agrícolas, esgoto doméstico e resíduos sólidos. Cerca de um terço da população mundial não dispõe de água suficiente para o saneamento básico.

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ATMOSFERA CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO

 Camadas da atmosfera ..................................................................................72  Meteorologia .....................................................................................................73  El Niño e La Niña .............................................................................................76  Ciclone .................................................................................................................77  Climas do mundo .............................................................................................78  Climas do Brasil................................................................................................80  Poluição do ar ...................................................................................................82  Aquecimento global ........................................................................................84  Os efeitos das mudanças climáticas .........................................................86  Energias renováveis .......................................................................................88  Protocolo de Kyoto e Acordo de Paris .......................................................90  Como cai na prova + Resumo .......................................................................92

Um cético do clima no poder

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Ao assumir a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump impulsiona o uso de combustíveis fósseis nas usinas termelétricas e ameaça abandonar o Acordo de Paris

“O

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conceito de aquecimento global foi criado pelos chineses e para os chineses com o objetivo de tornar a indústria dos Estados Unidos não competitiva.” A afirmação foi postada no Twitter em novembro de 2012 pelo magnata Donald Trump, o homem que, quatro anos depois, seria eleito presidente dos Estados Unidos (EUA). Considerado um cético das mudanças climáticas, Trump faz parte de um grupo de indivíduos que não acredita que a elevação da temperatura do planeta seja fruto da ação humana. De acordo com o novo presidente, as ações de contenção ao aquecimento global são um obstáculo para o desenvolvimento da economia dos EUA. Por isso, não causou surpresa a decisão de Trump de revisar o Plano de Energia Limpa, em março de 2017. Lançado pelo seu antecessor, Barack Obama, o plano restringia o uso de combustíveis fósseis nas usinas termelétricas dos EUA e era considerado o principal legado ambiental do ex-presidente. Com o decreto assinado por Trump, as usinas podem voltar a utilizar carvão, petróleo e gás sem restrições. Além disso, o presidente dos EUA revogou a moratória sobre a mineração e a construção de novas usinas de carvão. Essas decisões tendem a impulsionar ainda mais a emissão de gases do efeito estufa pelos EUA.

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Outra preocupação dos ambientalistas diz respeito à promessa de Trump de retirar os EUA do Acordo de Paris, o pacto contra o aquecimento global firmado por 195 países em 2015. O objetivo do acordo é limitar o aumento da temperatura no final deste século. Para isso, os países signatários se comprometeram a adotar medidas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, a principal causa da elevação da temperatura. O compromisso, no entanto, é voluntário e cada país define sua meta. A participação norte-americana no Acordo de Paris é vital para que o pacto tenha êxito. Primeiro, porque os EUA são um dos maiores poluidores globais. Além disso, o acordo prevê que os países ricos garantam um financiamento anual de 100 bilhões de dólares para as nações mais vulneráveis investirem em energias limpas – e a contribuição dos EUA é essencial. Neste capítulo, aprofundamos a discussão EFEITO TRUMP acerca dos efeitos da O presidente dos EUA, ação humana sobre o Donald Trump, apresenta aquecimento global e o decreto que elimina discutimos outros as- as restrições ao uso de suntos referentes ao combustíveis fósseis pelas clima e à meteorologia usinas norte-americanas, do Brasil e do mundo. em março de 2017


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CARLOS BARRIA/REUTERS

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ATMOSFERA CAMADAS DA ATMOSFERA

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Vapor essencial Explore as diversas camadas da atmosfera, a invisível esfera de gás que envolve a Terra e garante a existência de vida no planeta

oi da junção de duas palavras gregas, atmós (vapor) e sphaîra (esfera), que nasceu o nome da estrutura de gás que envolve um satélite ou planeta: a atmosfera. Na Terra, essa “esfera de vapores” é composta de diversas camadas e, em sua porção mais densa, chega a até 600 quilômetros de altitude a partir do nível do mar. É uma espessura considerável, mas quase ir-

Satélite artificial

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N E V TERMOSFERA Camada mais extensa da atmosfera, ela parte dos 90 e chega aos 600 quilômetros de altitude. Também é a mais quente: na parte superior, chega a 2.000 0C. É nessa faixa que orbitam os ônibus espaciais.

MESOSFERA A camada mais fria da atmosfera fica entre 50 e 90 quilômetros de altitude. Sua temperatura diminui conforme subimos: parte de -15 0C na divisa com a estratosfera e chega a -120 0C. É onde ocorrem as estrelas cadentes.

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AS CAMADAS DA ATMOSFERA EXOSFERA É a última camada da atmosfera, na fronteira com o espaço sideral. Nela, as moléculas tornam-se cada vez mais rarefeitas, libertando-se da gravidade terrestre. O final da exosfera 600 km pode chegar a 2.000˚C 10 mil quilômetros. As medições indicam que a temperatura dessa região fique em torno de 1.600 0C.

risória se considerarmos o tamanho do globo terrestre, de aproximadamente 12,8 mil quilômetros de diâmetro. Mas, independentemente de sua espessura, a atmosfera é essencial para a vida. Além de conter o oxigênio que respiramos, ela mantém a Terra quente, protege os seres vivos dos raios ultravioleta vindos do Sol e funciona como um escudo contra meteoritos. Há vários critérios pelos quais podemos classificar a atmosfera. A divisão mais conhecida, feita de acordo com as variações de temperatura conforme a altitude, reparte a atmosfera em cinco camadas distintas: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera. Veja as principais características de cada uma:

Estação espacial

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TERMO PAUSA

Cortinas iluminadas

Estrelas cadentes

MESO PAUSA

90 km -120˚C

Reflexão das ondas de rádio

50 km -15˚C

ESTRA TOPAU SA

Nuvens geradas por explosões atômicas

Balões meteorológicos

CAMADA

DE OZÔ N IO T R O PO PAUS A

20 km -60˚C Poluentes

Balões tripulados

Monte Everest 8.844 m

Aviões a jato

ESTRATOSFERA Vai até 50 quilômetros acima do nível do mar. Sua temperatura sobe com o aumento de altitude: começa em -60 ºC e vai até -15 ºC. É onde fica a camada de ozônio. TROPOSFERA A camada inferior da atmosfera vai do nível do mar até cerca de 12 quilômetros de altitude. Sua temperatura atinge -60 ºC na parte superior. Nessa faixa acontece a maioria dos fenômenos climáticos. FAIXAS DE TRANSIÇÃO Entre as camadas da atmosfera, há regiões fronteiriças que apresentam características de transição. São elas: a tropopausa, a estratopausa, a mesopausa e a termopausa.

[1]

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ATMOSFERA METEOROLOGIA

Tudo o que vem do céu

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Conheça os fenômenos que movimentam a atmosfera terrestre e são objeto de estudo dos meteorologistas

A

meteorologia é a ciência que estuda a atmosfera terrestre e seus principais fenômenos. Trata-se de uma ciência muito complexa, já que a atmosfera é bastante extensa e instável. Mas o grau de precisão da previsão do tempo evoluiu muito desde a construção dos primeiros termômetros no século XVI. Os meteorologistas contam hoje com instrumentos como satélites, radares, boias marítimas e balões atmosféricos para estudar os mais variados fenômenos através da análise de dados em supercomputadores. Os boletins meteorológicos são essenciais para o controle do tráfego de aviões, para a agricultura, para o gerenciamento de recursos hídricos e para situações menos rotineiras, como a chegada de furacões. A seguir, confira um mapeamento dos principais fenômenos atmosféricos estudados pelos meteorologistas.

[1] MKANNO/MULTISP [2] iSTOCK PHOTO

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Nuvem

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É um agregado de gotículas de água, de cristais de gelo, ou uma combinação dos dois. As nuvens são formadas principalmente pelo movimento ascendente do ar úmido: o vapor-d’água condensa quando a temperatura diminui até o ponto de orvalho. Elas são classificadas em vários tipos, de acordo com o aspecto, a estrutura e a forma.

[2]

FECHOU O TEMPO Tempestade se aproxima de Queensland, na Austrália, trazendo chuvas intensas e descargas elétricas: fenômeno comum em regiões de clima tropical

Chuva

É a precipitação de água em forma líquida, com gotas de diâmetro maior que 0,5 milímetro. Existem três tipos de chuva. A chuva de convecção é resultante da ascensão do vapor-d’água das partes mais baixas da atmosfera – mais aquecido, ele esfria e se condensa à medida que sobe. É o caso das pancadas de chuva que ocorrem durante o verão na região Sudeste do país. A chuva frontal é o resultado do encontro de duas massas de ar de diferentes temperaturas e umidades: a massa fria e seca empurra para cima a massa quente e úmida, que esfria e provoca a precipitação. Esse tipo de chuva é típico das regiões de clima temperado. A chuva orográfica ou de relevo ocorre quando a massa de ar sobe por causa de algum obstáculo de relevo, como uma montanha – a GE GEOGRAFIA 2018

73


ATMOSFERA METEOROLOGIA queda de temperatura, na ascensão, provoca a condensação do vapor. Essa chuva é comum nas áreas próximas ao litoral do Nordeste e do Sudeste, que recebem massas úmidas do Atlântico.

Neve, granizo e geada

Um dos mais belos fenômenos atmosféricos, a neve é fruto da precipitação de cristais de gelo, geralmente agrupados em flocos, que são formados pelo congelamento do vapor-d’água suspenso na atmosfera. O granizo, por sua vez, é o cristal de gelo que, por causa de fortes correntes ascendentes dentro da nuvem, acaba subindo e caindo várias vezes, até ganhar volume e se precipitar de vez. Por fim, a geada nada mais é que orvalho congelado, que, sob a forma de uma fininha camada branca, cobre as superfícies onde cai.

com o solo quente reduz o frio das massas de ar. Por isso, é tão raro uma frente fria chegar até o Nordeste. Já a frente quente é a extremidade de uma massa de ar quente que se forma pela evaporação da água de correntes marítimas quentes – essas massas de ar elevam a temperatura e a umidade nas regiões que elas atingem.

VENTOS ALÍSIOS E A ZONA DE CONVERGÊNCIA

Vento

Trata-se do deslocamento de ar, geralmente na horizontal, de um ponto de pressão atmosférica mais alta para outro onde ela é mais baixa. As diferenças de pressão, causadoras dos ventos, estão relacionadas à temperatura. A brisa nas regiões litorâneas é um bom exemplo disso: o continente e o mar concentram calor de maneiras diferentes, e isso faz o vento mudar de direção conforme o período do dia.

Massa de ar

N E V

A D

Trata-se de um corpo de ar com características próprias de umidade, pressão e temperatura. Essas características dependem das diferentes regiões da superfície terrestre em que as massas se formam: caso ocorra nos polos, serão frias e secas; se se formarem nas áreas oceânicas tropicais, serão quentes e úmidas. A borda de uma massa de ar frio que avança em direção a outra mais quente, provocando quedas bruscas de temperatura, é chamada de frente fria. Trata-se de um mecanismo natural da atmosfera para compensar diferenças de temperatura no planeta. Avançando com velocidades de até 30 km/h, o ar frio e seco, mais denso, empurra a massa quente e leve para cima. Se houver umidade suficiente, a passagem da frente causará chuvas intensas, com direito a granizo, raios e trovões. As mais severas podem provocar quedas de até 10 ºC em apenas uma hora. No Brasil, as regiões mais atingidas pelo fenômeno são a Sudeste e a Sul, onde também podem ocorrer geadas. Isso acontece porque, na América do Sul, a maioria das frentes frias se origina nas latitudes médias, ao extremo sul do continente. Com seu avanço, contudo, as frentes perdem energia e velocidade, e o contato

74 GE GEOGRAFIA 2018

A circulação dos ventos em escala global tem grande influência nos tipos de clima, sobretudo na circulação das massas de ar e, consequentemente, na formação e no volume das chuvas nas diferentes regiões do globo. Toda essa troca de ar entre as camadas mais baixas e mais altas da troposfera, bem como entre diferentes latitudes, dão origem a “células” de circulação do ar em escala global, denominadas células de Hadley. Nas baixas latitudes, em regiões próximas à linha do Equador, o ar tende a subir por ser mais aquecido e menos denso. No alto da troposfera, essas correntes de ar são impulsionadas para latitudes maiores, próximas aos trópicos de Câncer e Capricórnio, onde se resfriam e tornam a descer para a superfície, em direção à região equatorial. Esses ventos, denominados alísios, são úmidos e provocam chuva. Os alísios sofrem um desvio em função do movimento de rotação da Terra: no Hemisfério Sul, eles vêm do sudeste e, no Hemisfério Norte, partem do nordeste. Esse fenômeno é conhecido como efeito de Coriólis. Nas latitudes maiores, ocorrem movimentos semelhantes, porém com sentido contrário ao da região intertropical. A faixa onde ocorre o encontro dos ventos alísios provenientes do Hemisfério Norte e do Hemisfério Sul é denominada Zona de Convergência dos Ventos Alísios. Essa faixa não está exatamente sobre a linha do Equador pois acompanha a variação das estações do ano: quando é verão no Hemisfério Norte, ele se forma mais ao norte e, ao contrário, move-se mais para o sul quando é verão nesse hemisfério. A Zona de Convergência, associada a outros fatores, como a temperatura das águas oceânicas e a circulação das massas de ar locais, pode favorecer a formação de chuvas, visto que é onde se encontram os ventos úmidos dos dois hemisférios na região intertropical. Veja na ilustração abaixo como são formados os ventos alísios:

A ID

B I O

R P

60º

30º Células de Hadley

Zona de camadas equatoriais

Células de Hadley

NE Ventos alísios

0º SE Ventos alísios 30º

60º

[1]


SAIBA MAIS AS MASSAS DE AR QUE ATUAM NO BRASIL

As massas de ar têm influência direta nos tipos de clima no Brasil. Devido à localização do país no globo, predominam as massas equatoriais e tropicais. Porém, no inverno ocorre a atuação da massa Polar Atlântica em grande parte do território brasileiro. Veja a seguir como se caracteriza cada uma dessas massas.

A ATUAÇÃO DAS MASSAS DE AR NO BRASIL DURANTE O VERÃO E O INVERNO VERÃO

INVERNO Oceano Atlântico

RR

Oceano Atlântico

EA

AP

RR

AM MA

PA

EC

PI AC

RO

PE

TO BA MT

GO MG

A D

MS

N E V TC

ES

PR

RJ

SP

TA

0

250

500

AC

TO

RO

MT

GO

MA

PI

SP

PE

BA

MG

ES

RJ

PR

TA

SC

PA

km

RN PB

AL SE

RS

750

CE

MS

Oceano Atlântico

SC

RS

AL

R P

SE

PA

EC

RN PB

A ID

B I O AM

CE

EA

AP

Oceano Atlântico

0

250

500

750

km

MASSAS DE AR ATUANTES

EC

Equatorial Continental

Tropical Continental

Origina-se na região amazônica, onde as elevadas temperaturas e a umidade proveniente da evapotranspiração (liberação de água pelas plantas) e da evaporação de rios e lagos a tornam quente e úmida. Sua influência atinge grande parte do território nacional durante o verão no Hemisfério Sul, transferindo umidade da Floresta Amazônica para regiões de clima tropical e semiárido. No inverno no Hemisfério Sul, essa massa perde força e sua atuação se restringe à Região Norte.

Forma-se em uma região de clima tropical mais seco, no semiárido da região conhecida como Chaco, no Paraguai. Por isso, a massa Tropical Continental caracteriza-se como quente e seca. Ela atua durante o verão nas regiões Sul e Centro-Oeste, sendo responsável pela ocorrência de estiagens, sobretudo no oeste de Santa Catarina e do Paraná e no noroeste gaúcho.

TC

Polar Atlântica

Equatorial Atlântica

EA

Esta massa também tem origem na região equatorial, mas ela surge sobre o Oceano Atlântico. O elevado índice de evaporação das águas quentes do Atlântico central torna esta massa de ar quente bastante úmida. De modo geral, a massa Equatorial Atlântica atinge a Região Norte e a faixa costeira da Região Nordeste. Sua incidência está relacionada à variação das estações: durante o verão do Hemisfério Sul encontra-se mais ao sul e, quando o Hemisfério Norte está no verão, desloca-se mais para o norte.

Tropical Atlântica

TA

Forma-se sobre o sul do Oceano Atlântico e é caracterizada como uma massa quente e úmida. Atua diretamente sobre a porção leste do Brasil nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, sendo responsável, por exemplo, pelas chuvas orográficas (de relevo) nas encostas das serras litorâneas, como a Serra do Mar, na Região Sudeste.

[1] ALEX ARGOZINO

PA

Forma-se sobre o Oceano Antártico e sobre o extremo sul do Oceano Atlântico. Em sua origem, a massa Polar Atlântica é fria e seca devido aos baixos índices de evaporação da água nessas regiões oceânicas. À medida que se desloca para o norte e atravessa outras áreas do oceano, penetrando no continente, ela provoca chuvas com a formação de frentes frias. Com o avanço dessa massa polar, o ar úmido e mais quente (menos denso) que se encontra nas regiões por onde ela passa é forçado a subir, formando nuvens de chuva (chuvas frontais). Essa massa de ar pode chegar, ainda que com menor intensidade do que nas regiões Sul e Sudeste, até as regiões Norte e Centro-Oeste, onde a queda de temperaturas que ela provoca é denominada friagem pela população regional. Esse deslocamento até a Região Norte ocorre graças à configuração do relevo, com planícies ao centro (Planície Platina e do Chaco, por exemplo), uma cadeia de montanhas a oeste (Cordilheira dos Andes) e os planaltos brasileiros a leste, formando uma espécie de corredor para esta massa de ar.

GE GEOGRAFIA 2018

75


ATMOSFERA EL NIÑO E LA NIÑA ANO NORMAL

Presente de Natal

1

Costa da Indonésia

Entenda os fenômenos do El Niño e de La Niña e de que forma eles afetam o clima mundial

Ventos alísios

Oceano Pacífico Água aquecida Ressurgência da água fria

3

B

Costa da América do Sul

atizado em referência ao Menino Jesus, por ocorrer em geral no fim do ano, à época do Natal, o El Niño (“o menino”, em espanhol) é um fenômeno de aquecimento ANO COM EL NIÑO anormal das águas superficiais do Pacífico lesCosta da te, na costa da América do Sul (para entender Ventos alísios Indonésia mais fracos melhor, acompanhe o processo no infográfico). 2 É denominado, pelos cientistas, de Enos, sigla Costa da América para El Niño Oscilação Sul. Oceano Pacífico do Sul O El Niño é fruto do enfraquecimento dos ventos 4 Água aquecida alísios, que normalmente sopram de leste para o oeste pelo Pacífico 1 – isso faz que a água aquecida na região equatorial não seja levada em direção à Água fria Indonésia, como de costume. Com isso, as massas de ar quentes e úmidas ficam estacionadas na costa sul-americana, provocando chuvas intensas nessa área 2 e, ao mesmo tempo, seca na IndoANO COM LA NIÑA nésia, Austrália e em outras regiões. Na verdade, o clima de todo o planeta é alterado. O El Niño, Costa da Fortes chuvas que ocorre em média uma ou duas vezes a cada Ventos alísios Indonésia mais fortes dez anos, também altera o ecossistema marinho. 5 Como não há o deslocamento das águas quentes da superfície, as águas profundas, que são mais Oceano Pacífico Costa da frias e carregadas de nutrientes, não conseguem América Água aquecida Água fria vir à tona, na ressurgência 3– a população de do Sul peixes, por exemplo, diminui drasticamente 4. Forte ressurgência Há, ainda, o caso do La Niña, fenômeno oposto da água fria [1] ao El Niño: em vez de as águas do Pacífico leste se aquecerem, elas esfriam. Isso acontece porque os ventos alíEFEITOS DOS FENÔMENOS EL NIÑO E LA NIÑA NA AGRICULTURA BRASILEIRA sios, que carregam a Região El Niño La Niña água quente para o oeste, ficam mais intensos. Tendência ao aumento de chuvas no norte e leste da Secas acentuadas, principalmente no leste da Amazônia: Amazônia; chuvas normais no inverno, sem prejuízos à Norte aumento do risco de incêndios florestais e prejuízos para a Consequentemente, as agropecuária. produção agropecuária. águas quentes da superfície são deslocadas Secas severas: perdas na agricultura, na pecuária, na geração de Chuvas acima da média sobre a região semiárida, favorecendo Nordeste em maior quantidade energia elétrica e dificuldades para o abastecimento de água. a agricultura de subsistência e a pecuária. para o oeste e mais Sem efeitos evidentes, exceto tendência de aumento das Não há alterações significativas de temperatura e Centro-Oeste água fria vem à tona 5. chuvas no sul do MS, que favorecem a produção de grãos. pluviosidade. A temperatura do oceaNão há alterações significativas de pluviosidade, com leve Leve aumento das temperaturas (redução das geadas, no diminui na região queda nas temperaturas no inverno, que não interferem na Sudeste que prejudicam culturas como o café) e sem alterações próxima à costa oeste colheita da cana e do café. significativas na pluviosidade. da América do Sul, e o Chuvas abaixo do normal, com estiagens severas na parte clima fica mais úmido Excesso de chuvas na primavera e começo de verão, no ano oeste dos estados da região, prejudicando as culturas de na Austrália e IndonéSul inicial do evento, e final de outono e começo de inverno. verão, como soja e milho. A primavera seca favorece a sia, por causa das masBeneficia as culturas de verão, como soja e milho. produção de trigo. sas de ar quentes.

A D

N E V

Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)

76 GE GEOGRAFIA 2018

R P

B I O

A ID


ATMOSFERA CICLONE

Denominações

De olho no ciclone Entenda como se forma a ventania arrasadora que pode deixar milhares de mortos

O

s ciclones são uma perturbação atmosférica no centro da qual a pressão é muito baixa, provocando ventos circulares com velocidade superior a 119 quilômetros por hora. Ele ocorre nas regiões tropicais, sobre os mares quentes, podendo causar grande destruição quando atinge o continente.

Embora furacão, tufão e tornado sejam palavras comumente usadas como sinônimos de ciclone, há uma pequena diferença entre elas. A distinção entre os termos refere-se mais a uma questão de localização. De modo geral, o ciclone que se forma sobre o Oceano Atlântico é chamado de furacão, enquanto o que se forma sobre o Oceano Pacífico é conhecido como tufão. Por fim, há o caso dos tornados, que surgem sobre o continente, após o choque de uma massa de ar quente com outra de ar frio – a ventania toma a forma de um cone invertido e sai num turbilhão arrasador com velocidades de até 500 quilômetros por hora.

VEJA A SEGUIR COMO SE FORMA UM CICLONE

O FURACÃO POR DENTRO

A D

Uma densa nuvem cobre o furacão

N E V

AR QUENTE E ÚMIDO

27 ˚C [2]

A tempestade começa com um emaranhado de nuvens…

[1] [2] MULTI/SP

1

4

O desastre do ciclone Bhola

Para quem já assistiu – e sobreviveu – à passagem de um ciclone, a experiência pode ser aterradora. Em Bangladesh, na Ásia, por exemplo, um desses turbilhões arrasou o país em 13 de novembro de 1970. O redemoinho nasceu no golfo de Bengala e avançou para a costa, criando ondas de até 6 metros. Elas invadiram a densamente povoada região do delta do Rio Ganges, matando cerca de 500 mil pessoas – 100 mil só na ilha de Bhola (nome que batizou o ciclone). Foi o pior desastre natural do século XX. Para nossa sorte, o Brasil não sofre com esse tipo de fenômeno. Tudo graças às baixas temperaturas das águas do Atlântico Sul.

R P Olho

3

A ID

B I O

Quando as nuvens atingem cerca de 5 mil metros de altura, começa a chover. Nesse ponto, o ar seco ascendente encontra as nuvens, resfria-se, ficando mais pesado, e desce pelo olho do furacão. Esse ar, ao chegar à superfície do mar, vai formar novas nuvens

VENTO OESTE

5

O ciclone passa a se deslocar quando ventos externos sopram na direção oeste em grande velocidade. Se ele chegar ao continente e encontrar a umidade do ar baixa, as nuvens se desfazem e – ufa! – o vendaval acaba

FAIX TEM AS DE PEST ADE O atrito das correntes de ar com a superfície do mar faz que os ventos e as nuvens girem de oeste para leste, no sentido de rotação da Terra. O ar mais quente vai subindo numa espiral pelo olho do furacão

O furacão começa com a combinação de dois fatores: ar quente e úmido e a água aquecida dos oceanos das regiões tropicais

2

…que vai girando de modo coordenado…

…até formar uma espiral de nuvens…

As correntes de ar se aquecem em contato com a água, ficam mais leves e sobem, formando as primeiras nuvens. Enquanto sugam energia das águas quentes, essas correntes vão circulando em direção ao olho do furacão – região de baixa pressão no centro

…em torno do olho do furacão (zona de baixa pressão, no centro) e ganhar mais velocidade

GE GEOGRAFIA 2018

77


ATMOSFERA CLIMAS DO MUNDO

MAPA MUNDIAL DO CLIMA E CORRENTES MARÍTIMAS TIPOS DE CLIMA

(adaptação da classificação de Köpen) Frio

Temperado

Polar

Mediterrâneo

Desértico

Frio de montanha

Tropical

Semiárido

Equatorial

Subtropical

CORRENTES MARÍTIMAS Corrente fria Corrente quente

A ID

DEU BRANCO Nevascas em países de clima temperado, como o Canadá, são comuns no inverno

ZONAS CLIMÁTICAS

Diversidade climática

Temperada

Conheça as características dos dez principais grupos de clima do planeta

O

N E V

Quente e úmido durante o ano todo, está presente na região da linha do Equador e nas áreas de baixa latitude,

78 GE GEOGRAFIA 2018

R P

APONTE O CELULAR PARA AS PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA SOBRE CLIMAS (MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7)

A D

clima da Terra é influenciado por vários fatores, entre eles latitude, pressão atmosférica, altitude, relevo, vegetação, massas de ar, maritimidade (proximidade de um local em relação ao mar), continentalidade (distância de um ponto em relação ao mar) e correntes marítimas. As áreas em torno da linha do Equador, que recebem forte insolação, têm predominantemente clima equatorial, marcado por altas temperaturas e umidade. Já as regiões de latitudes mais elevadas, próximas aos polos, registram clima frio ou polar, com invernos rigorosos e temperaturas baixas. No mapa, você confere as mais importantes correntes marítimas, os principais tipos de clima, segundo a classificação de Wilhelm Köpen, a mais aceita atualmente, e as três principais zonas climáticas. Veja a seguir as características dos principais tipos de clima do planeta.

Equatorial

B I O

Polar Polar

como a América Central, a Indonésia, a região central da África e o norte do Brasil. A umidade relativa do ar é elevada, com média anual de 90%, e a chuva é abundante durante o ano todo. A temperatura também é alta e estável, com média anual de 25 ºC.

Tropical

Fica nas áreas entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, cobrindo grande parte do território brasileiro e do continente africano, Índia, Península da Indochina e norte da Austrália. O clima é quente, com média anual superior a 20 ºC. As chuvas são intensas no verão e, no resto do ano, ocorrem mais nas regiões próximas ao mar. No Sudeste Asiático, destacam-se as chuvas de monções, tempestades torrenciais provocadas pelo vento úmido que sopra do oceano. Quando começa o verão, o continente se esquenta rapidamente, formando uma zona de baixa pressão, e as massas de ar do oceano trazem as chuvas. Essa dinâmica, comum em outros pontos do planeta, tem maiores proporções nessa

Intertropical Temperada Polar Polar

região em virtude da vastidão de terra (o continente asiático) e de mar (os oceanos Índico e Pacífico) envolvidas no fenômeno.

Mediterrâneo

É o clima predominante no sul da Europa. Os verões são quentes e secos – a temperatura chega a 30 ºC – e os invernos, moderados e com um pouco de chuva. As mínimas de temperatura podem atingir 0 ºC.

Temperado

Também de latitudes médias, o temperado está presente nas áreas da América do Norte, da Europa e do leste da Ásia. No temperado continental, o inverno é muito rigoroso e o verão é quente – as médias de temperatura são -5 ºC e 24 ºC, respectivamente. As chuvas são escassas, sobretudo no inverno. A continentalidade justifica a umidade relativa do ar mais baixa e a grande amplitude térmica anual nesses locais. Já o temperado oceânico está presente no oeste e no noroeste da Europa. As chuvas são abundantes durante o


CORRENTE FRIA E DESERTO

CHUVAS DE MONÇÕES

As correntes marítimas são grandes deslocamentos de massas de água que influenciam o clima. No Chile, a fria Corrente de Humboldt provoca chuvas no Oceano Pacífico. Com isso, a massa de ar chega sem umidade ao continente, o que explica a aridez do Deserto do Atacama.

Trata-se de um fenômeno típico do Oceano Índico e do Sudeste Asiático. Elas têm origem na grande diferença de temperatura das águas do mar e do continente durante o verão. Um vento contínuo leva a umidade do oceano e a transforma em fortes chuvas sobre o continente. OCEANO GLACIAL ÁRTICO

C. Norte Atlântica

C. da Groenlândia CÍRCULO POLAR ÁRTICO

C. Oia Sivo C. do Labrador

EUROPA ÁSIA

C. do Pacífico Norte C. do Golfo

C. da Califórnia

C. Norte Equatorial

TRÓPICO DE CÂNCER

C. da Guianas

C. Norte Equatorial

C. das Canárias

OCEANO ATLÂNTICO

C. do Japão C. Norte Equatorial

ÁFRICA

OCEANO PACÍFICO

AMÉRICA

C. Sul Equatorial

C. de Humboldt

C. Circumpolar da Antártica

A D Fonte: IBGE

B I O

C. de Madagáscar C. do Atlântico Sul

R P C. da Antártica

CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

ANTÁRTICA

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

mês de chuva no clima equatorial. A umidade relativa do ar também é muito baixa, cerca de 40%. A amplitude térmica diária é elevada: de dia, a temperatura ultrapassa os 40 ºC e, à noite, chega a graus negativos.

Subtropical

Clima seco, presente na Ásia Central (Cazaquistão, no interior da China e Mongólia), na Patagônia e no planalto oeste das Montanhas Rochosas (EUA). A precipitação é escassa e irregular, com longos períodos de estiagem, não ultrapassando os 600 milímetros por ano. As temperaturas são elevadas durante o ano, com média entre 25 ºC e 27 ºC. No Brasil localiza-se no chamado Polígono das Secas.

É outro clima de latitudes médias, que se caracteriza como uma faixa de transição entre os climas tropicais e os mais frios. Está presente nas regiões ao sul do trópico de Capricórnio (sul de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e na região leste dos Estados Unidos. A quantidade de chuva não varia muito durante o ano, mas as temperaturas mudam bastante: o inverno é frio e o verão, quente.

Desértico

Ocorre em regiões como o Saara, o centro da Austrália, norte do México e sul dos EUA. O índice pluviométrico é baixíssimo: a média anual de precipitação é inferior a 250 milímetros, o equivalente a aproximadamente um iSTOCK PHOTO

Semiárido

Frio de montanha

OCEANIA

C. Australiana

ano, e as temperaturas não sofrem muita variação – os invernos são frios (média de -3 ºC) e os verões, frescos (média de 15 ºC). A proximidade com o mar (maritimidade) é um fator que influencia a baixa amplitude térmica e as chuvas bem distribuídas durante o ano.

N E V

C. Sul Equatorial

OCEANO ÍNDICO C. Sul Equatorial

OCEANO ATLÂNTICO

C. do Brasil

C. d

OCEANO PACÍFICO

C. Sul Equatorial C. de Benguela

as F alk lan d

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

A ID

C. das Monções

EQUADOR

Ocorre nas cadeias de montanhas ao redor do globo: áreas elevadas dos Andes, Montanhas Rochosas, Alpes e Himalaia. É um clima frio, com temperatura que diminui 6 ºC a cada mil metros de altitude. Acima dos 2 mil metros, há neve constante. A umidade

C. da Antártica

relativa do ar varia conforme o lado da cadeia: a média é de 90% do lado do vento (barlavento), caindo para até 30% do lado contrário (sotavento). A quantidade de precipitação também é variável, chegando a 2 mil milímetros por ano nas regiões tropicais.

Frio

É o clima do norte do Canadá e da Sibéria, na Rússia. O inverno é bastante rigoroso e prolongado, com mínima de -15 ºC, e o verão, brando e curto, com temperatura máxima de 10 ºC. A precipitação é escassa, menos de 300 milímetros por ano.

Polar

É o clima com as menores temperaturas do planeta: no inverno, ela permanece em torno de -30 ºC e, no verão, a média é de 4 ºC. Está presente no extremo norte do Canadá, da Rússia e do Alasca, em parte da Península Escandinava e na Antártica. A umidade relativa do ar é alta, entre 70% e 80%, mas a precipitação, bastante reduzida: cerca de 100 milímetros de neve acumulados ao ano. GE GEOGRAFIA 2018

79


ATMOSFERA CLIMAS DO BRASIL

MAPA DE CLIMAS DO BRASIL CHUVAS DE VERÃO As tempestades que costumam atingir a Região Sudeste durante o verão são causadas pelo encontro de duas massas de ar que formam a zona de convergência do Atlântico Sul.

1. MANAUS

2. GOIÂNIA

Clima equatorial Temperatura (oC) Precipitação (mm)

Clima tropical Temperatura (oC) Precipitação (mm) 30

400

350

350

25

300

250

20

150

3. Semiárido 4. Tropical de altitude 5. Tropical atlântico 6. Subtropical

A D

N E V Muito além de tropical

RECANTO GELADO As mais baixas temperaturas no país são registradas na Região Sul, a única com clima subtropical. As temperaturas médias anuais são inferiores a 21 0C.

B I O

100

R P 50

0

15

esmo sendo conhecido como “um país tropical”, com mais de 90% do território entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, o Brasil também compreende variações climáticas. Os tipos de clima no país são definidos com base em critérios diversos, mas, sobretudo, a partir da quantidade de chuva e da temperatura média no decorrer do ano. Essas informações aparecem juntas em um gráfico denominado climograma, que você vê acima. A leitura dele pode parecer complicada, mas é bastante simples: as barras representam a média pluviométrica no mês, expressa em milímetros; já as linhas indicam a temperatura média mensal, em graus Celsius. O climograma permite a identificação de cada um dos climas e até uma diferenciação entre eles. Uma comparação interessante, por exemplo, é a do clima equatorial com o do semiárido. A princípio, eles podem parecer semelhantes por causa da temperatura média, que oscila em torno de 26 ºC. Porém, ficam claramente diferentes quando observamos as barras que indicam o índice pluviométrico de cada um: enquanto no clima equatorial chove abundantemente durante o ano todo, no semiárido, o índice pluviométrico é muito baixo e distribuído de forma irregular. Confira a seguir as principais características dos seis principais tipos climáticos do Brasil, além de alguns climogramas a eles relacionados.

80 GE GEOGRAFIA 2018

100

50

Apesar de o nosso país estar localizado quase inteiramente entre os trópicos, o clima do Brasil apresenta muitas variações

M

A ID 20

200

150

jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez

2. Tropical

25

300

250

200

1. Equatorial

30

400

10

0

jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez

MÁXIMA E MÍNIMA A temperatura máxima oficial no país foi registrada em Bom Jesus do Piauí, em 21 de novembro de 2005. Os termômetros chegaram a 44,7 oC. A mínima foi na cidade de Caçador, em Santa Catarina: -14 oC, em 30 de junho de 1952.

15

10

1. Clima equatorial

Fica nas proximidades da linha do Equador, abarcando a Amazônia, norte de Mato Grosso e oeste do Maranhão. Chove durante o ano todo, e em grande quantidade; é bastante úmido e a temperatura varia pouco no decorrer do ano, com média de 26 ºC. O climograma 1 acima traz informações sobre a pluviosidade e a temperatura da cidade de Manaus (AM), localizada nessa faixa de clima. Repare como, no gráfico, a quantidade de precipitação (representada pelas barras verticais) é bem alta, atingindo mais de 300 milímetros no mês de março, com apenas uma pequena queda no meio do ano (em julho, agosto e setembro), quando fica abaixo dos 100 milímetros. A pequena variação de temperatura, típica do clima equatorial, também pode ser vista no climograma de Manaus: a linha horizontal, formada pelas temperaturas médias de cada mês, quase não sobe nem desce, ficando em torno dos 26 0C.

2. Clima tropical

Predominante no território brasileiro, pega toda a faixa do centro do país, leste


Clima semiárido Temperatura (oC) Precipitação (mm)

Clima tropical de altitude Temperatura (ºC) Precipitação (mm)

25

300

25

300

20

200

20

200

15

100

15

100

0

do Maranhão, Piauí e oeste da Bahia e de Minas Gerais. Inverno e verão são estações bem marcadas pela diferença de pluviosidade: o verão é bastante chuvoso e há seca no inverno. No climograma 2, de Goiânia (GO), conseguimos enxergar essa diferença pela variação na altura das barras de precipitação: em julho, a precipitação chega a quase zero e, em janeiro, ultrapassa 250 milímetros. A temperatura no clima tropical, de modo geral, é alta, caindo um pouco nos meses de inverno; a média fica entre 18 ºC em locais de serra e 28 ºC na maior parte do território.

N E V 3. Clima semiárido

10

A D

jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez

jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez

10

30

25

É o clima das zonas mais secas do interior do Nordeste. Caracteriza-se pela baixa umidade, pouca chuva e temperaturas elevadas. O climograma 3, referente à cidade baiana de Juazeiro, na divisa com Pernambuco, representa graficamente essas características: note que entre julho e setembro as barrinhas de precipitação são bastante baixas – em agosto a mínima de chuva chega a 1,7 milímetro.

30

20

25

300

15

20

200

A ID 20

200

B I O 15

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A chuva se concentra entre os meses de novembro e abril, mas o total anual de precipitação não chega a 550 milímetros – o volume é inferior ao atingido em apenas dois meses (fevereiro e março) no clima equatorial. Já a linha de temperatura varia entre 24,5 ºC e 28,5 ºC durante o ano, médias térmicas bastante elevadas.

4. Clima tropical de altitude

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Clima subtropical Temperatura (ºC) Precipitação (mm)

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Clima tropical atlântico Temperatura (ºC) Precipitação (mm)

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6. CURITIBA

Clima tropical atlântico Temperatura (ºC) Precipitação (mm)

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5. RIO DE JANEIRO

jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez

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5. JOÃO PESSOA

É o clima das áreas com altitude acima de 800 metros em Minas Gerais, no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os verões são quentes e chuvosos, e os invernos, frios e secos. Isso pode ser visto no climograma 4, que mostra as médias de temperatura e pluviosidade de Belo Horizonte (MG). No inverno, as barras de chuva atingem o mínimo de cerca de 10 milímetros e, no verão, passam de 300 milímetros. Em comparação com o clima tropical, o tropical de altitude tem o mesmo comportamento pluviométrico, mas as médias anuais de temperatura são menores, ficando em torno dos 20 ºC – no inverno, as temperaturas são bem mais baixas.

10

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4. BELO HORIZONTE

jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez

3. JUAZEIRO

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5. Clima tropical atlântico

Esse clima cobre quase todo o litoral do país: começa no Rio Grande do Norte e vai até o Paraná. A quantidade de chuvas varia conforme a latitude da localidade. Por exemplo, enquanto no Nordeste chove muito no inverno, no Sudeste chove mais no verão, como pode ser visto nos climogramas 5 de João Pessoa (PB) e do Rio de Janeiro (RJ). A variação de temperatura é maior na porção mais ao sul do litoral. No Rio de Janeiro, oscila entre 21,5 ºC e 26,5 ºC e, em João Pessoa, entre 24 ºC e 28 ºC.

6. Clima subtropical

É o clima das regiões ao sul do Trópico de Capricórnio: sul de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A quantidade de chuva não varia muito durante o ano, mas as temperaturas mudam bastante: o inverno é frio e o verão, quente. No climograma 6, que representa Curitiba (PR), por exemplo, a temperatura oscila entre 12,5 ºC e 20 ºC, enquanto as barras de precipitação apresentam pouca variação (a média anual é de 110 milímetros). GE GEOGRAFIA 2018

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ATMOSFERA POLUIÇÃO DO AR

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CORTINA DE FUMAÇA Um denso nevoeiro paira sobre as ruas de Krabi, na Tailândia: efeito do dióxido de carbono liberado pelas queimadas na Indonésia

N E V Atmosfera carregada

A emissão de poluentes no ar causa uma série de efeitos nocivos ao homem e à natureza

A

poluição do ar é provocada principalmente pela queima de combustíveis fósseis nos transportes e na geração de energia elétrica e pela atividade industrial. Dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO) e hidrocarbonetos (HC) são alguns dos poluentes mais emitidos. Veja a seguir alguns dos efeitos mais comuns provocados pela emissão desses gases.

82 GE GEOGRAFIA 2018

Buraco na camada de ozônio

O aparecimento de buracos na camada de ozônio é um processo natural, já que, em certas épocas do ano, reações químicas na atmosfera produzem aberturas, que depois se fecham. O ozônio absorve parte da radiação ultravioleta B (UVB) emitida pelo Sol. Sem ela, as plantas teriam redução na capacidade de fotossíntese e haveria maior incidência de câncer de pele e catarata. A atividade humana, porém, acentuou o processo. As reações que destroem o ozônio são intensificadas pela emissão de compostos químicos halogenados artificiais, sobretudo os clorofluorcarbonos (CFCs), criados nos anos 1930 e usados como fluidos refrigerantes em geladeiras, aparelhos de ar condicionado e como propelente de aerossóis. A boa notícia é que, nos últimos anos, acordos internacionais levaram ao fim da produção das substâncias nocivas à camada de ozônio. Estudos recentes indicam que o buraco na camada de ozônio atualmente está 9% menor do que no ano 2000. No entanto, desde 2010, o tamanho do rombo não diminui – são 23 milhões de quilômetros quadrados, área equivalente à da América do Norte. A perspectiva, segundo a Organização Mundial de Meteorologia, é que a camada deverá voltar à espessura original por volta de 2050.

EVOLUÇÃO DO BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO (1979-2016)

A abertura na atmosfera é representada pela cor azul nas imagens abaixo

1979

1987

2006

2016 Fonte: Nasa


Ilhas de calor

DENSIDADE DEMOGRÁFICA E ILHAS DE CALOR Município de São Paulo, com variação de temperatura de 24 °C a 32 °C

A região central de São Paulo, altamente urbanizada, apresenta temperaturas mais elevadas. Distribuição da vegetação em SP

Temperatura aparente da superfície

Rural

Menor

Urbano

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No sul da cidade, onde há mata e quase não existem prédios nem casas, as temperaturas são bem mais baixas.

Fonte: Atlas Ambiental do Município de São Paulo

Chuva ácida

Toda chuva é naturalmente ácida (pH inferior a 7), em função das reações do vapor-d'água com o gás carbônico presente na atmosfera. Entretanto, ao atingir um pH inferior a 5,6 a chuva é considerada, de fato, ácida e passa a ser tratada como um problema ambiental. Esse aumento de acidez se deve à queima de combustíveis fósseis, feita principalmente pelas atividades industriais e pelos automóveis, que liberam óxido de nitrogênio (NOx) e dióxido de enxofre (SO2) na atmosfera. Esses compostos reagem com o vapor-d'água presente na atmosfera, formando o ácido nítrico (HNO3) e o ácido sulfúrico (H2SO4). Quando chove, essas substâncias atingem o solo e a água, alterando suas características e prejudicando lavouras, florestas e a vida aquática. Também danificam edifícios e monumentos históricos. As principais áreas de ocorrência se encontram próximas às regiões de maior emissão de gases causadores do efeito estufa, ou seja, as mais urbanizadas e industrializadas, como o Nordeste dos Estados Unidos, a Europa ocidental, o leste da China, o eixo Rio-São Paulo. Entretanto, essas substâncias podem ser transportadas pelos ventos para regiões mais afastadas desses grandes centros urbano-industriais, causando a chuva ácida. Trata-se, portanto, de uma “poluição transfronteiriça”. O leste do Canadá, por exemplo, sofre com a chuva ácida proveniente da poluição gerada na megalópole Boston-Washington-Nova York e nas cidades industriais da região dos Grandes Lagos, dos Estados Unidos. Já os países escandinavos como Noruega, Finlândia e Suécia recebem as correntes de ar que trazem a poluição da Alemanha, Holanda, Bélgica e Inglaterra.

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Inversão térmica

A inversão térmica é um fenômeno atmosférico natural que ocorre principalmente nas manhãs de outono e inverno, com a penetração de massas de ar frio, em regiões de clima tropical e subtropical.  O QUE ISSO TEM A VER Caracteriza-se pela alteração na sequência de COM QUÍMICA camadas de ar. Em condições normais, a tempeA reação entre dióxido ratura fica cada vez mais baixa conforme aumenta de carbono (CO2) e as a altitude. Em uma situação de inversão térmica, moléculas de água (H2O) porém, forma-se uma camada de ar mais quente libera íons H+. Quanto logo acima da camada de ar mais frio próxima maior a concentração de H+ maior é a acidez. Essa ao solo. Isso ocorre graças ao resfriamento da concentração é medida superfície e do ar durante o final da madrugada pelo pH, o potencial e início da manhã, quando as temperaturas, tanto hidrogeniônico, que da terra quanto do ar, são mais baixas. segue uma escala de zero Em regiões onde o ar não se encontra carregado a 14 na qual: 0 < pH < 7: soluções de poluentes, a inversão térmica não provoca ácidas nenhum problema ambiental. No entanto, em pH = 7: soluções neutras ambientes urbanos, a inversão térmica causa o 7 < pH ≤ 14: soluções bloqueio das correntes ascendentes de ar, retendo básicas ou alcalinas grande quantidade de poluentes próximos à suPara saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE perfície durante algumas horas. Isso ocorre porQUÍMICA. que as trocas verticais de ar, chamadas correntes de convecção, FENÔMENO DA INVERSÃO TÉRMICA não chegam a atingir a superfície, formandoDIA NORMAL INVERSÃO TÉRMICA -se somente a partir da camada de ar quente para cima. Por esse AR MAIS FRIO AR FRIO motivo, os poluentes não conseguem se disAR FRIO AR QUENTE persar. Quando o Sol esquenta a superfície no decorrer da manhã, AR QUENTE AR FRIO o ar da camada mais baixa se aquece e sobe, as correntes de convecção voltam a atingir o solo e os poluentes voltam a ser dispersados em camadas mais elevadas.

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Os poluentes lançados na atmosfera, principalmente o dióxido de carbono, ajudam a aumentar a temperatura do ar mais próximo da atmosfera. Em regiões urbanas, esse fato é agravado pela substituição da cobertura vegetal por prédios de concreto e cimento e ruas asfaltadas. Esses materiais absorvem mais calor e o devolvem na forma de radiação térmica. A combinação desses fenômenos tende a aumentar a temperatura nos grandes centros, criando as ilhas de calor. A diferença de temperatura entre uma área verde e uma típica zona central de uma cidade pode ser de 8 graus centígrados a mais (veja o mapa ao lado).

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ATMOSFERA AQUECIMENTO GLOBAL

Planeta em ebulição Cientistas confirmam que a atividade humana está provocando alterações climáticas em todo o globo

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e antes a ideia do aquecimento global era apenas uma hipótese, hoje os cientistas já contam com evidências mais seguras para afirmar que a ação do homem sobre o meio ambiente está alterando a temperatura do planeta. O estudo mais consistente a respeito foi divulgado em 2007 pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), entidade que reúne 2.500 cientistas de mais de 130 países sob a chancela da Organização das Nações Unidas (ONU). A partir desse documento, que representou um marco ambiental, especialistas do mundo todo passaram a culpar nosso padrão de desenvolvimento pelo aquecimento da Terra. Em setembro de 2013, o IPCC divulgou um novo estudo no qual aumenta de 90% para 95% o grau de certeza

EFEITO ESTUFA O fenômeno permite a existência de vida na Terra. Veja como ele funciona e o modo como as ações humanas o afetam

científica quanto à participação do homem na elevação da temperatura do planeta: “É extremamente provável que a influência humana sobre o clima tenha causado mais da metade do aumento observado da temperatura média da superfície global entre 1951 e 2010”, dizem os cientistas. O relatório da ONU aponta que entre 1880 e 2012 a temperatura média na Terra subiu 0,85 ºC. Em algumas regiões, que incluem o Brasil, o aumento foi de até 2,5 graus. Além disso, o nível médio da água dos oceanos subiu 19 centímetros e as últimas três décadas foram as mais quentes desde 1850. O estudo também permitiu aos cientistas projetar as dramáticas consequências que as próximas gerações enfrentarão, caso esse processo não seja revertido (veja mapa na pág. 86). Sempre ouvimos falar que o efeito estufa é o grande vilão do aquecimento global, o que não deixa de ser verdade. Mas uma coisa precisa ficar clara: é graças a ele que existe vida em nosso planeta. O efeito estufa é um fenômeno natural que faz com que a temperatura média do globo se conserve nos limites necessários para a manutenção da vida, em torno de 14,5 ºC. Ele ocorre em razão da existência de gases que estão naturalmente na atmosfera e impedem a

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5

1 O Sol emite sua energia

pelo espaço na forma de luz visível, radiação ultravioleta e infravermelha

Um pouco da radiação térmica da Terra vai para o espaço, mas a maior parte é retida na atmosfera, absorvida por vapor-d'água, dióxido de carbono, metano e outros gases do efeito estufa

6 Se o calor não fosse retido 4 Aquecida, a superfície

emite calor na forma de radiação infravermelha

2 Quando os raios do Sol chegam

à Terra, cerca de 30% da energia luminosa volta para o espaço, refletida por poeira e nuvens na atmosfera e, ainda, por refletores naturais na superfície, como áreas cobertas de neve e gelo

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O efeito estufa

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pelo efeito estufa, o planeta congelaria a uma temperatura média de 18 ºC negativos

O ar, terras e águas absorvem cerca de 70% da radiação solar

7 A temperatura do planeta varia, de maneira natural, por causa dos ciclos solares e geológicos. Mas, de acordo com o relatório do IPCC, as atividades humanas afetaram o ritmo normal do ciclo e o equilíbrio natural de produção e absorção de gases

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CONCENTRAÇÃO DE DIÓXIDO DE CARBONO NA ATMOSFERA NOS ÚLTIMOS 10 MIL ANOS

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OS GASES DA ATMOSFERA

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de fertilizantes e de alguns processos industriais. Além disso, ao alterar a terra por meio do desmatamento e de atividades agrícolas, o ser humano está lançando no ar, por apodrecimento ou queima, CO2 que estava acumulado nas plantas e no solo. Todas essas atividades são realizadas mais intensamente nos países desenvolvidos. Estados Unidos, Japão e muitas nações europeias apresentam elevada produção de gases do efeito estufa per capita, principalmente por causa do uso de automóveis e da elevada industrialização. Contudo, países em desenvolvimento, como a China, vêm aumentando significativamente as emissões desses gases nos últimos anos. Os chineses já ultrapassaram os norte-americanos como os maiores poluidores do planeta, tornando-se responsáveis por um quarto das emissões mundiais.

78,084%

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Graus Celsius

CO2 e temperatura média da Terra

CO2 (ppm)

O documentário Uma Verdade Inconveniente, dirigido por Davis Guggenheim e apresentado pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, procura evidenciar as causas e as consequências do aquecimento global. Parte da análise de dados de variação de temperaturas e concentração de CO2 na atmosfera terrestre, e chama a atenção sobre as responsabilidades individuais e coletivas do homem diante dessa situação.

dissipação para o espaço de parte da radiação vinda do Sol, que é absorvida e refletida pela Terra (veja o infográfico). O problema é que, por causa da ação do homem, esse benéfico “cobertor” atmosférico está se transformando num forno. E quando nos referimos à ação do homem, trata-se daquelas atividades que resultam na emissão e no acúmulo na atmosfera de gases responsáveis pelo efeito estufa. Entre os principais, estão o dióxido de carbono (CO2), produzido pela queima de combustíveis fósseis (especialmente carvão mineral e derivados de petróleo, como óleo cru, diesel e gasolina) para gerar energia; o metano (gás natural, CH4), liberado pela decomposição de lixo, digestão do gado, plantações alagadas (principalmente de arroz); e óxido nitroso (N2O), que advém, entre outros meios, do tratamento de dejetos de animais, do uso

Dióxido de carbono (ppm)

PARA IR ALÉM

2.000

MAIS GÁS, MAIS CALOR No gráfico à esquerda, veja como a concentração de dióxido de carbono (CO2 ) deu um salto a partir da Revolução Industrial, no século XVIII. Isso pode ser visto por meio da linha vermelha no lado direito do gráfico, que sobe quase perpendicularmente. No detalhamento desse período, no gráfico acima, a relação do CO2 com o aquecimento global fica clara: a curva de aumento de CO2 coincide com a da elevação da temperatura.

Fonte: Nasa

SAIU NA IMPRENSA

0,934% Argônio (Ar)

20,946% Oxigênio (O2)

QUANTIDADE DE GASES DO EFEITO ESTUFA NA ATMOSFERA BATE RECORDE EM 2015

0,036% Outros gases

DIÓXIDO DE CARBONO (CO2): 0,0332% NEÔNIO (NE): 0,0018% OUTROS GASES: 0,0010%

8 Hoje, milhões de toneladas de carbono que a natureza tirou de circulação, armazenado como petróleo no subsolo ou biomassa nas matas, são jogadas pela ação humana na atmosfera em poucas horas, na forma de CO2. Ao aumentar a concentração desse e de outros gases, o homem amplia o efeito estufa, o que provoca o aquecimento do planeta

A quantidade de gases do efeito estufa presente na atmosfera bateu um novo recorde em 2015, por isso que continua o aumento incessante que alimenta a mudança climática, advertiu nesta segunda-feira a Organização Mundial da Meteorologia (OMM). Em 2015, a concentração atmosférica de CO2 – principal gás de efeito estufa de longa duração – alcançou 400 partes por milhão (ppm), segundo indica o Boletim sobre os gases do efeito estufa que publica anualmente a OMM. Além disso, o relatório destaca que os níveis de CO2 dispararam de novo em 2016, alcançando novos recordes como consequência do fenômeno do El Niño, que teve devastadores efeitos em distintas zonas do mundo entre 2015 e os primeiros meses de 2016. (...) Época Negócios, 24/10/2016

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ATMOSFERA OS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

O pior cenário

MUDANÇAS NA TEMPERATURA 2081-2100

Extremos climáticos como secas prolongadas e furacões devem se tornar mais frequentes em função do processo de mudança climática

110 C 90 70 50

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esde 1880, quando a temperatura do planeta começou a ser medida, a população mundial não enfrentou um ano tão quente como o de 2016. Segundo a Nasa, a Agência Espacial Norte-Americana, os recordes de temperatura são uma constante neste século: 16 dos 17 anos mais quentes da história foram registrados após o ano 2000. Esses dados consolidam uma tendência de aquecimento global de longo prazo, o que abre a possibilidade da ocorrência mais frequente de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas, chuvas torrenciais e violentos ciclones. É o que pode ocorrer se não houver uma redução na emissão de gases do efeito estufa, na análise dos cientistas do Painel Intergovernamental sobre a Mudança no Clima (IPCC). As projeções do IPCC indicam que, se as emissões permanecerem nos níveis atuais, a temperatura média do planeta pode subir até 4,8 ºC, e o nível dos mares deve aumentar em até 82 centímetros. As geleiras irão continuar a derreter e é fortemente provável que o gelo do Ártico diminua até o final do século. Segundo os cientistas, nenhuma parte do globo ficará imune aos efeitos do aquecimento global (veja mais no mapa). Os terríveis cenários previstos pelos cientistas do IPCC certamente teriam consequências em termos estratégicos e geopolíticos. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos alerta para o fato de que, atingido pelas mudanças climáticas, o mundo seria mais instável e perigoso. Haveria um aumento de migrações e até mesmo invasões populacionais para obter recursos como água e alimentos. E os maiores problemas ocorreriam justamente onde hoje já existem graves questões políticas, como em regiões da Ásia e da África. Para o órgão de governo dos EUA, em alguns locais, a tensão social causada pela fome poderia se tornar mais explosiva, combinada com a tensão étnico-religiosa.

40 30 20 1,50 0,50

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N E V A corrente cética

As explicações sobre as causas do aumento da temperatura global não são aceitas por todo mundo. Há cientistas que questionam seus fundamentos. Eles alegam que a temperatura média da Terra subiu e desceu várias vezes durante

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AMÉRICA DO NORTE A região deve ser afetada por fortes secas e queda na disponibilidade de água, especialmente na parte central. Haverá maior ocorrência de ciclones tropicais no golfo do México e na costa leste dos EUA e do Canadá.

AMÉRICA LATINA Na América Central aumentará a ocorrência de ciclones tropicais. As chuvas devem diminuir na Bacia Amazônica e aumentar na Bacia do Prata, região que abrange o sul do Brasil, além de Paraguai, Uruguai e Argentina.

sua existência, e que isso pode estar ocorrendo neste momento. Ou seja, esse esquenta-esfria do planeta faria parte de um ciclo natural no qual o clima alterna períodos quentes e eras glaciais. Além disso, essa “corrente cética” acredita que, mesmo que exista uma tendência para o aquecimento, ela está mais ligada aos fatores naturais do que à ação humana. O clima seria mais influenciado pelas glaciações, pelo vulcanismo e por fenômenos astronômicos. Esses cientistas também contestam a capacidade científica de prever com antecedência de décadas como será o clima da Terra. No entanto, os que defendem esta tese são acusados de agir em favor daqueles que atuam no lobby de interesses das indústrias que vivem do petróleo e de governos que seriam afetados pelas medidas necessárias para conter o aquecimento global.

PARA IR ALÉM O documentário Seis Graus que Podem Mudar o Mundo, da National Geographic, simula possíveis cenários decorrentes do aumento de um até seis graus Celsius na temperatura global sobre os diversos ecossistemas e populações humanas.


REGIÕES POLARES O gelo do Ártico pode diminuir até 94% durante o verão. Com o derretimento na calota norte da Terra, o nível do mar pode aumentar de 45 a 82 centímetros, nível considerado perigoso pelos cientistas. EUROPA A temperatura deve aumentar de forma generalizada no continente, com menos dias de frio intenso no inverno. No sul e leste europeus, os períodos de seca devem reduzir a água disponível e a produtividade agrícola, enquanto, no noroeste do continente, o IPCC prevê maior volume de chuvas.

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N E V ÁFRICA As temperaturas devem aumentar principalmente no sul do continente. É provável que a seca piore na parte ocidental e na região do Sahel, provocando queda da safra e agravando a situação de fome.

OS EFEITOS NO BRASIL

Segundo o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), até 2100, a temperatura no país irá aumentar entre 1 ºC e 6 ºC, em comparação com a registrada no fim do século XX. Nesse cenário, a agricultura, a geração e a distribuição de energia e a gestão dos recursos hídricos serão afetados. Veja os efeitos regionais no mapa ao lado.

ÁSIA As chuvas de monções devem se tornar mais intensas no sul e no leste do continente. A frequência de tempestades e ciclones irá aumentar em áreas como o Mar do Japão, a Baía de Bengala, o Mar do Sul da China e o Golfo da Tailândia.

NORTE O volume de chuvas na Amazônia deve cair até 40%, o que levaria a uma substituição da floresta por uma vegetação mais rala, semelhante à do cerrado. CENTRO-OESTE As chuvas devem diminuir entre 35% e 45%. No Pantanal e no cerrado, as temperaturas devem subir de 3,5 ºC a 5,5 ºC.

SUL Na região dos pampas, a temperatura deve subir 3 ºC, com previsão de um aumento de 40% na ocorrência de chuvas.

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OCEANIA Fortes ondas de calor devem atingir a Austrália, com chuvas extremas no sul do país e secas no noroeste. As ilhas do Pacífico ficarão mais vulneráveis à passagem de ciclones tropicais.

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OUTRAS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS:  Ameaças à biodiversidade e aceleração da extinção de espécies.  Esgotamento das reservas de água e agravamento de sua distribuição.  Comprometimento da produção agrícola e da segurança alimentar, especialmente nas regiões tropical e subtropical.  Elevação do nível dos oceanos e ameaças a cidades litorâneas.

ZONA COSTEIRA O aumento do nível do mar em até 30 cm afetaria ecossistemas costeiros do Norte e Nordeste, como manguezais; a população litorânea teria de ser remanejada. NORDESTE Até 2100, a temperatura na caatinga poderá subir até 4,5 ºC, e a ocorrência de chuva irá diminuir entre 40% e 50%.

SUDESTE Na região da Mata Atlântica, o clima deverá ficar até 3 ºC mais quente e até 30% mais chuvoso. GE GEOGRAFIA 2018

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ATMOSFERA ENERGIAS RENOVÁVEIS OFERTA DE ENERGIA POR FONTE MUNDO – 2014 Outras* 1,4%

Hidráulica 2,4% Biomassa 10,3%

Petróleo e derivados 31,3%

Nuclear 4,8%

Alternativas limpas

BRASIL – 2015

Investimentos em fontes de energia renováveis são essenciais para reduzir as emissões de gases do efeito estufa

Outras* 5,3%

 O QUE ISSO TEM A VER COM HISTÓRIA A Revolução Industrial é o processo de transformação da economia agrária, baseada no trabalho manual, em outra, dominada pela indústria mecanizada, que se caracteriza pelo uso de novas fontes de energia e de máquinas, pela especialização do trabalho e pela aplicação da ciência na indústria. Ela teve início por volta de 1760, na Inglaterra. Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE HISTÓRIA.

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Petróleo e derivados 37,3%

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Biomassa 25,1%

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Hidráulica 11,3%

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s cientistas do Painel Intergovernamental sobre a Mudança no Clima (IPCC) são enfáticos em apontar o que é preciso ser feito para evitar os efeitos dramáticos das mudanças climáticas: suspender o uso sem restrições de combustíveis fósseis. Desde a Revolução Industrial, há mais de 200 anos, nossas atividades econômicas são baseadas na queima de fontes não renováveis e altamente poluentes como petróleo, gás e carvão. A energia que consumimos para gerar eletricidade e aquecimento, para nos locomovermos em viagens de carro, avião ou navios e para mover a atividade manufatureira contribui com cerca de metade das emissões dos gases de efeito estufa. Na prática, para alterar essa matriz de energia e reduzir a dependência econômica de combustíveis fósseis, seria preciso ampliar o uso de energias renováveis. Trata-se de um procedimento que já está em andamento ao redor do mundo, ainda que num ritmo abaixo do desejável. A China, o maior emissor de gases do efeito estufa do planeta, é o país que mais vem investindo em energia renovável há alguns anos. Os Estados Unidos e a Europa também avançam em projetos para baratear o custo dessas fontes de energia. O Brasil, que é o sétimo maior investidor em energias renováveis

Carvão 28,6%**

Gás natural 21,2%

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 MATRIZ DE ENERGIA Combinação das fontes de energia disponíveis numa economia ou país e dos usos de energia. A economia moderna consome energia em duas principais formas: a energia combustível, que alimenta principalmente equipamentos mecânicos, como motores, e a energia elétrica, que alimenta essencialmente equipamentos eletrônicos.

Nuclear 1,3%

Não renovável

*Inclui eólica e solar

Carvão 5,9%

Gás natural 13,7%

Renovável

**Inclui xisto (folhelho)

Fontes: Agência Internacional de Energia e Ministério de Minas e Energia

do mundo, tem cerca de 40% de sua matriz energética proveniente de recursos renováveis (veja o gráfico acima) e caminha para ter 93% de sua energia elétrica com origem em fontes que não se esgotarão até 2050, de acordo com um estudo da ONG Greenpeace. Vale ressaltar que algumas das fontes de energia alternativas ainda têm um custo ambiental alto. As usinas hidrelétricas, por exemplo, costumam afetar a biodiversidade, como no caso da Usina de Belo Monte, no Pará, que vem causando polêmica por reduzir a vazão do Rio Xingu, o que comprometeria o ecossistema da região Amazônica. Já a energia nuclear pode causar sérios danos ambientais com o lixo radioativo. Confira alguns exemplos de fontes de energia renováveis e limpas.

Energia eólica

A energia é produzida quando a força do vento gira as hélices das turbinas eólicas, que convertem a energia mecânica em elétrica. O Brasil tem grande potencial nessa área por possuir condições naturais favoráveis. Os estados da Bahia, do Ceará, do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul respondem por 60% de toda a energia eólica gerada no país. Só no Nordeste, a fonte eólica atende atualmente a 30% das necessidades energéticas da região.


O CICLO DO CARBONO

ENERGIA SOLAR

O Sol é a fonte de energia que sustenta a vida na Terra

O carbono tem um ciclo natural entre o subsolo, os organismos, a atmosfera e os mares. As atividades humanas aumentam sua quantidade no ar. O volume de carbono em cada etapa é estimado pelos cientistas

COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS A queima de petróleo e carvão acelera a liberação de carbono para a atmosfera, soltando mais de 5 bilhões de toneladas no ar a cada ano

VEGETAÇÃO Cerca de 600 bilhões de toneladas de carbono ficam estocadas nas plantas naturais ou cultivadas

CO2 CO2 + água + energia solar O2 + açúcares

FOTOSSÍNTESE Na fotossíntese, as plantas absorvem CO2 e liberam oxigênio. Os vegetais estão na base de todas as cadeias alimentares do planeta

Energia solar

QUEIMADAS E DESMATES A queima da vegetação libera carbono no ar. A mata derrubada significa menos organismos para absorver o carbono. Restos de matéria orgânica sobre o solo têm 1 trilhão de toneladas de carbono

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A principal forma de captar a energia proveniente do Sol é por meio de painéis fotovoltaicos, que possuem células solares capazes de transformar a radiação solar em eletricidade. Quanto maior a intensidade de luz, maior o fluxo de energia elétrica. O Brasil também é privilegiado em radiação solar, especialmente na região Nordeste. O elevado preço dessa tecnologia, porém, ainda inviabiliza investimentos mais pesados nesse tipo de energia no país.

Biomassa

A matéria orgânica também vem sendo utilizada para gerar energia. Seu aproveitamento pode ser feito pela combustão direta, por processos termoquímicos ou biológicos. No Brasil, óleos vegetais e bagaço de cana, entre outros materiais, dão origem à energia elétrica. A biomassa também pode se transformar em biocombustíveis – o álcool etílico já é amplamente usado nos veículos brasileiros.

Energia geotérmica

O calor interno do globo, principalmente em áreas geologicamente ativas, pode produzir energia em usinas termelétricas a partir dos gêiseres (fontes de vapor no interior da Terra), presentes em países como EUA, México e Japão. MULTI/SP

DEVOLUÇÃO DO CARBONO A atmosfera devolve à superfície da Terra e aos oceanos cerca de 200 bilhões de toneladas de carbono a cada ano

SEDIMENTOS MARINHOS O carbono depositado em sedimentos marinhos guarda 150 bilhões de toneladas de carbono

CARVÃO MINERAL Formado com os restos soterrados de plantas e animais, o carvão mineral estoca cerca de 3 trilhões de toneladas de carbono

H2O

ATMOSFERA A camada gasosa que envolve a Terra guarda 750 bilhões de toneladas de dióxido de carbono

OCEANO Grande parte do CO2 da atmosfera dissolve-se na água e é absorvida por seres marinhos

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PETRÓLEO A combinação de material decomposto com as altas temperaturas e a pressão do subsolo forma jazidas de petróleo e gás. O carbono guardado nesses depósitos soma 300 bilhões de toneladas

SAIBA MAIS

CICLO DO CARBONO

Apesar de ser o responsável direto pelo efeito estufa e, consequentemente, pelo aquecimento global, o carbono é um elemento químico essencial para a vida humana. Ele faz parte de um ciclo natural: transita entre a atmosfera, a biosfera e a hidrosfera, garantindo o equilíbrio do meio ambiente. Para se desenvolverem, as plantas transformam o dióxido de carbono presente na atmosfera em carboidratos, que formam folhas e troncos. Nesse processo, conhecido como fotossíntese, os vegetais liberam oxigênio. Os oceanos também absorvem o carbono da atmosfera – em contato com a água do mar, o dióxido de carbono se transforma em ácido carbônico, dissolvendo-se nas profundezas dos oceanos. Mas, além de absorver carbono, esse ciclo natural libera o elemento na atmosfera, num processo que pode se dar de diversas formas: pela erupção de vulcões, pela decomposição de organismos, pela respiração, ou mesmo pela flatulência de animais. Infelizmente, nosso padrão de desenvolvimento, baseado na queima de combustíveis fósseis para a geração de energia, vem rompendo esse equilíbrio natural. Em suma, estamos emitindo mais carbono do que a natureza é capaz de absorver, desestabilizando o ciclo.

 O QUE ISSO TEM A VER COM BIOLOGIA A fotossíntese é um processo metabólico, pelo qual os vegetais transformam gás carbônico (CO2) e água em açúcares e oxigênio. A energia necessária para que a fotossíntese ocorra vem do Sol e é captada pelo pigmento clorofila. A fotossíntese pode ser resumida na seguinte equação: 6 CO2 + 12 H2O + luz = C6H12O6 + 6 O2 + 6H2O O C6H12O6 é a glicose, um carboidrato (açúcar). Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE BIOLOGIA.

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ATMOSFERA PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS

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Difícil consenso

Na Conferência Geral das Partes, os países discutem ações para conter a mudança climática e estabelecem tratados, como o Acordo de Paris

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constatação de que a intensa emissão de gases do efeito estufa está alterando o clima do planeta vem mobilizando a comunidade internacional nos últimos anos. Mas enfrentar um problema global dessas proporções requer um difícil alinhamento entre os líderes mundiais. Em fóruns internacionais como a Conferência Geral das Partes, os países se reúnem todos os anos para discutir ações para conter a mudança climática – ela é conhecida por sua sigla em inglês: COP. Chegar a um consenso nas COPs é uma tarefa muito complicada porque há vários interesses conflitantes entre as nações. Por isso que o Acordo de Paris, firmado em dezembro de 2015, foi considerado histórico: pela primeira vez houve um entendimento para a redução das emissões de carbono que envolve todas as nações do mundo.

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O Protocolo de Kyoto

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Antes do Acordo de Paris, o grande marco ambiental havia sido o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 durante a terceira COP. O documento é o primeiro acordo oficial com metas e prazos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Ele estabeleceu que os países desenvolvidos, responsáveis por lançar a maior parte dos gases, deveriam reduzir suas emissões em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Já as nações em desenvolvimento, como o Brasil e a China, que tiveram uma industrialização tardia, não precisaram adotar metas, mas comprometiam-se a diminuir a emissão de carbono voluntariamente. Mas o Protocolo de Kyoto já nasceu praticamente condenado. Os EUA não assinaram o documento por se recusar a mudar sua matriz energética – fortemente dependente de petróleo – e não concordar com a ausência de metas para os países em desenvolvimento. Posteriormente, outros países também abandonaram os compromissos firmados no protocolo. Os governos de Canadá, Japão, Austrália e Rússia passaram a reclamar da falta de compromisso das economias emergentes. Eles alegam que o crescimento econômico de países como China e Índia aumentou muito a emissão de carbono global, e exigiam o cumprimento de metas dessas nações.

COMPROMISSO O presidente da França, François Hollande (à dir.), e outras autoridades mundiais celebram a assinatura do Acordo de Paris, em dezembro de 2015, durante a COP21


EMISSÕES DE CARBONO – 2012 Em milhares de metros cúbicos de CO2 equivalente

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SAIBA MAIS

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MERCADO DE CARBONO

Para minimizar o desequilíbrio entre as emissões de gases dos países ricos e dos menos desenvolvidos, o Protocolo de Kyoto estabeleceu o “mercado de carbono”. Ele funciona da seguinte forma: os países desenvolvidos, incapazes de substituir o carvão e o petróleo de uma hora para outra, podem compensar parte de suas emissões comprando créditos de carbono de outros países cujas emissões ficaram abaixo do limite estipulado. Esses créditos são pagos com investimentos em projetos que ajudem as nações vendedoras a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. O primeiro projeto baseado nesse mercado de carbono foi implementado em 2005, em Nova Iguaçu (RJ). Um antigo lixão foi transformado em aterro sanitário com o financiamento da Holanda. Agora, com o Acordo de Paris, a previsão é que esse mecanismo se dissemine mais pelo mundo.

Mais de 1.000.000 De 500.000 a 1.000.000 De 100.000 a 499.999 De 10.000 a 99.999 Menos de 10.000 Sem dados disponíveis

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O Acordo de Paris

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FRANCOIS GUILLOT/AFP

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POLUIÇÃO E DESENVOLVIMENTO Países desenvolvidos como Estados Unidos, Canadá e Japão estão entre os que mais emitem carbono na atmosfera. Mas note que as nações em desenvolvimento que tiveram crescimento acelerado na última década (2001-2010), como Brasil, China e Índia, também são grandes emissoras. A África é o continente que menos polui.

Por todas essas dificuldades, o Acordo de Paris firmado durante a COP21, realizada na capital francesa, em dezembro de 2015, foi recebido com bastante otimismo. O documento, assinado por representantes de 195 países-membros da Convenção do Clima da ONU, entrou em vigor em novembro de 2016. Ele obriga a participação de todos os países – e não apenas os ricos – no estabelecimento de metas para limitar o aumento da temperatura média do planeta até 2100. O objetivo é restringir o aquecimento a “bem menos de 2º C”. Cada nação fica obrigada a apresentar um conjunto de metas para reduzir a emissão de carbono. O documento final também estabeleceu que os países ricos irão garantir um financiamento de, no mínimo, 100 bilhões de dólares por ano para projetos de combate às mudanças do clima e adaptação em nações em desenvolvimento a partir de 2020 e até, ao menos, 2025. Mas o acordo não é perfeito. Apesar de o estabelecimento das metas ser compulsório para todas as nações, o cumprimento dos objetivos é voluntário. Além disso, o conjunto das metas apresentado pelos países é considerado insuficiente – mesmo que todos os países consigam cumprir o que propuseram, a temperatura média ainda deverá subir entre 2,7º C e 3,5º C.

Fonte: Banco Mundial

Para piorar, a posse de Donald Trump como presidente dos EUA causa temores de que o país possa se retirar do acordo. Trump, que se mostra cético em relação ao aquecimento global, disse não querer que a economia norte-americana seja prejudicada em virtude das metas de redução de gases (veja mais na pág. 70).

Os compromissos do Brasil

O Brasil oficializou a meta voluntária de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 37% até 2025 e 43% até 2030 em relação aos valores de 2005. Além dessa meta, o compromisso do Brasil apresentado na COP21 inclui garantir 45% de fontes renováveis no total da matriz energética, ampliar para 23% a participação de fontes renováveis (eólica, solar e biomassa) na geração de energia elétrica e acabar com o desmatamento ilegal. Segundo o governo, as emissões entre 2005 e 2012 reduziram 41,1%. Em boa medida, essa redução é creditada a uma forte queda nos índices de desmatamento na Amazônia Legal. Na última década, as atividades ligadas à derrubada das florestas deixaram de ser a principal emissora de CO2. Atualmente, a produção de energia a partir da queima de combustíveis fósseis é a maior fonte poluidora do país. GE GEOGRAFIA 2018

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COMO CAI NA PROVA

1. (Enem 2016) (primeira aplicação) Segundo a Conferência de Kyoto, os paí-

ses centrais industrializados, responsáveis históricos pela poluição, deveriam alcançar a meta de redução de 5,2% do total de emissões segundo níveis de 1990. O nó da questão é o enorme custo desse processo, demandando mudanças radicais nas indústrias para que se adaptem rapidamente aos limites de emissão estabelecidos e adotem tecnologias energéticas limpas. A comercialização internacional de créditos de sequestro ou de redução de gases causadores do efeito estufa foi a solução encontrada para reduzir o custo global do processo. Países ou empresas que conseguirem reduzir as emissões abaixo de suas metas poderão vender este crédito para outro país ou empresa que não consiga. BECKER, B. Amazônia: Geopolítica na Virada do II Milênio. Rio de Janeiro: Garamond, 2009.

As posições contrárias à estratégia de compensação presente no texto relacionam-se à ideia de que ela promove a) retração nos atuais níveis de consumo. b) surgimento de conflitos de caráter diplomático. c) diminuição dos lucros na produção de energia. d) desigualdade na distribuição do impacto ecológico. e) decréscimo dos índices de desenvolvimento econômico.

RESOLUÇÃO O Protocolo de Kyoto é um acordo internacional assinado em 1997 pelo qual os países desenvolvidos se comprometeram a reduzir sua emissão de gases do efeito estufa. O problema é que muitos países relutam em fazer a transição para uma matriz mais limpa porque ela implica elevados custos que podem comprometer o desenvolvimento econômico. Para lidar com essa questão, o Protocolo de Kyoto criou um mecanismo conhecido como mercado de carbono. Trata-se de uma forma de compensação que é criticada por manter a desigualdade na distribuição do impacto ecológico: as nações desenvolvidas, tradicionais emissoras de gases do efeito estufa, podem continuar queimando combustíveis fósseis desde que comprem os chamados créditos de carbono de nações ou empresas que tenham conseguido diminuir suas emissões abaixo da meta. Resposta: D

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RESOLUÇÃO a) Entre as fontes de energia apresentadas, o carvão mineral (combustível fóssil) é o principal responsável pelo efeito estufa e pela formação da chuva ácida. A sua queima nas termoelétricas resulta na liberação de grande quantidade de carbono que, por reações químicas com os gases da atmosfera, produz compostos como o CO e o CO2 . Eles são responsáveis pela retenção de calor refletido pela superfície da Terra, intensificando o efeito estufa. Esses compostos (CO e CO2 ) também reagem com o vapor de água da atmosfera, bem como com as gotículas em suspensão no ar (as nuvens), causando as chamadas chuvas ácidas. b) As usinas hidrelétricas são movidas pela força das águas (energia hidráulica) – no caso brasileiro, pela força das águas dos rios. Esta energia corresponde a uma fonte renovável e não poluente (limpa), pois não há a emissão de gases estufa e apresenta menor custo na geração de energia. c) De modo geral, as usinas termelétricas brasileiras utilizam gás natural, carvão mineral e petróleo e derivados. Trata-se de fontes energéticas importadas, com custo elevado, principalmente o petróleo e o gás. Como o valor dessas fontes está atrelado ao dólar, o seu uso encarece a geração de eletricidade no país. Isso pode impactar na balança comercial do país e ser uma desvantagem econômica.

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3. (Mackenzie 2016)

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2. (Fuvest 2016) Considere a matriz energética mundial.

a) Identifique, com base no quadro acima, uma fonte de energia que é considerada a maior responsável tanto pelo efeito estufa quanto pela formação da chuva ácida. Justifique sua resposta. b) Identifique a principal fonte de energia usada nas usinas hidrelétricas, no Brasil, e explique uma vantagem quanto ao uso desse recurso natural. c) Identifique, com base no quadro acima, as fontes de energia usadas nas usinas termelétricas, no Brasil, e explique uma desvantagem de ordem econômica que elas apresentam.

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Estabeleça a correspondência entre os climogramas e os respectivos domínios morfoclimáticos brasileiros. vv ( ) Clima Equatorial – Domínio Amazônico. ( ) Clima Subtropical – Domínio das Araucárias e Domínio das Pradarias. ( ) Clima Semiárido – Domínio da Caatinga. ( ) Clima Tropical – Domínio do Cerrado e Domínio de Mares de Morros. ( ) Clima Tropical Úmido – Domínio de Mares de Morros. ( ) Clima Tropical de Altitude – Domínio de Mares de Morros.


RESUMO

Lorem ipsondolor Atmosfera

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. a) 1 – 6 – 5 – 3 – 2 – 4 b) 1 – 6 – 5 – 2 – 4 – 3 c) 1 – 2 – 4 – 5 – 3 – 6 d) 4 – 6 – 5 – 3 – 2 – 1 e) 4 – 6 – 5 – 2 – 1 – 3

RESOLUÇÃO Nos climogramas, as barras indicam pluviosidade e a linha a temperatura. Sendo assim, temos: Climograma 1: indica elevadas temperaturas médias, baixa amplitude térmica anual e chuvas abundantes no decorrer do ano todo, o que é típico do clima equatorial, característico do domínio morfoclimático amazônico. Climograma 2: representa o clima tropical típico, que é marcado pela existência de dois períodos distintos: um chuvoso e outro de baixa pluviosidade. O domínio do cerrado é característico desse tipo de clima. Climograma 3: está ligado a uma variação de clima tropical: o de altitude. Embora contenha características pluviométricas semelhantes ao clima tropical típico, possui médias térmicas inferiores e se liga ao domínio de mares de morros. Climograma 4: representa o clima tropical úmido, típico do litoral oriental nordestino, que concentra as chuvas no outono e no inverno. O domínio dos mares de morros engloba as áreas sujeitas ao clima tropical úmido. Climograma 5: indica um clima semiárido, presente no domínio da caatinga, com altas temperaturas médias e pluviosidade baixa e irregular no decorrer do ano. Climograma 6: está ligado ao clima subtropical, de alta amplitude térmica anual e chuvas bem distribuídas no decorrer do ano, típico do domínio das pradarias. Resposta: B

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N E V SAIBA MAIS

FENÔMENOS GIAMCORE MAGNA ATMOSFÉRICOS accum am, vullam, Principal coreobjeto feum auguerit, de estudo si blam, dos meteorologistas, quat. Lor sequat eles lorerci se formam tem accum com ildiferentes ulput nummy reações nit químicas que na atmosfera. Nuvem, chuva,exeros neve, nullam adit eaocorrem ad tetumsan hent lor init adionsequip granizo, vento e massas de ardui sãoetformados por causa do dolorgeada, sum zzrit amcorer sustrud autpatin eugue velenim vulluptate consectem zzrit wismod incing de certas condições de umidade, pressãoel e ulputatum temperatura. et lutdiamcom molumsandip. EL NIÑO Esse fenômeno se forma duas vezes a cada dez anos EAFACIDUNT na época do Natal, DOLOBOR com o enfraquecimento sustrud magnados feugiam ventosveniam alísios, zzrilitnormalmente que luptatem iriusto sopram consequi as águas eraesto aquecidas eugaitdo luptat Pacífico do ese do leste paravenis o oeste – da costa da Américacommodi do Sul atéonullan a regiãover da tat dolut amconsed mincillandre Indonésia. Como essas águas quentes e úmidas permanecem sustrud modigniam ipsuscillam, cor iliquat. Num na costa volobor sul-americana, eraestionumelas ing eniatummy provocam chuvas nulputem nessa ventárea amet e seca Indonésia e Austrália. iustona odignim quisis adiam aliquat vel esequip

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O clima corresponde ao comportamento do tempo atmosférico durante um longo período. No Brasil os principais fatores climáticos são: a latitude, a altitude, as massas de ar e a continentalidade. A diferença climática no Brasil permite que haja grande variação de temperatura no nosso território. Como podemos verificar no mapa abaixo, há predominância das maiores temperaturas médias anuais na Região Norte, fenômeno que pode ser explicado pela baixa latitude, o que resulta em elevada insolação durante o ano. Em contrapartida, os valores de temperatura na Região Sul do país são os mais baixos em razão de sua localização em latitudes médias, o que resulta na ação mais intensa das massas polares. TEMPERATURA MÉDIA ANUAL EM 2014

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CLIMAS IS NULLADO FEUGAIT MUNDOaut São venim dez os nostrud principais mintipos ut wissecte climáticos magnido bh et nimequatorial, mundo: incillandretropical, do commy mediterrâneo, non hendip eu temperado, feugait lobore submagnim am, quisciduis nulluptatum in velendi gnissenit, tropical, desértico, semiárido, frio devenit montanha, frio e polar. sequat. Equat. Fatores como latitude, Ut iliscidunt altitude, la commy proximidade nostion hendiam do mar,commod pressão dit velendrero atmosférica e influência diat, vel ing dasex correntes elit at pratin marítimas esectet determinam nonullan heniam as diferenças doloreet entre amcore os climas. do eu facil utpat. Osto odiamet, velent pratet nosto consequisl ullandrem quat am dolorem veliquatue min velesequam nonse facipisim zzriure. CLIMAS DO BRASIL O Brasil possui seis tipos climáticos principais: equatorial, tropical, semiárido, tropical de altitude, RCILIQUATET tropical atlântico VULLAN e subtropical. ute commyA nullaorem ocorrênciaipde erochuvas consectet ea lum vel ulput veliquis temperatura média são exerosting os critérios endreros maisaut importantes ilis at. Lestopara dolorperciostioclimas definir dolutpat no Brasil. ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat. AQUECIMENTO GLOBAL O efeito estufa é um fenômeno naNONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem duis tural, no qual os gases presentes na atmosfera retêm do o calor acidunt vel nosto coreet alis por aliquipit vent adignisim recebido doullamet Sol. A emissão de gases indústrias, veículos, ipsuscipit in Del eutagropecuária desmatamento lutat aute mincill potencializa andipsustis o fenômeno do exeraestrud e pode eumum ser nissed dos causadores essequat nonulput do aquecimento volore tem global. adit er ip elenit ing et irilit iureet laorem veraess equisi. Ecte vulla commy nullam, sis nulluptat, ENERGIAS ALTERNATIVAS sum venibh elesto Uma conum das alternativas nonulla facilit para nitreduzir lorem delesto a emissão ea de feuigases blandre do efeito eui tetestufa lam é a adoção de fontes de energia renovável. No Brasil, quase metade da energia utilizaIS NULLA da é proveniente FEUGAIT deaut recursos venim nostrud renováveis. min Entre ut wissecte as principais magnibh et nimalternativas incillandre do commy nonahendip eu feugait lobore energias destacam-se eólica (produzida pelos magnim am, quisciduis nulluptatum in velendi(feita gnissenit, ventos), a solar (proveniente do Sol)venit e a biomassa com sequat. Equat. Ut iliscidunt la commy nostion hendiam commod matéria orgânica). dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratin esectet nonullan heniam doloreet amcoreEdo eu facil DE utpat. PROTOCOLO DE KYOTO ACORDO PARIS O Protocolo de Kyoto foi estabelecido em 1997 com o objetivo de diminuir a RCILIQUATET emissão de gases VULLAN do efeito ute commy estufa.nullaorem Ele previaipque ero consectet os países lum vel ulput veliquis desenvolvidos deveriam exerosting cortar suas endreros emissões aut ilis deat.dióxido Lesto dode lorperci tio dolutpat ullaore in os henim iusci at. Gait carbono e outros gases, masriurerit isentava países embla desenvolatummolore tie te er ipisim dit wisl duntOvelis aliquat. vimento da obrigação de reduzir asipsum emissões. acordo não funcionou e foi substituído pelo Acordo de Paris. Assinado em NONUMMO dezembro deLOBORERO 2015, ele obriga etumsandrem todos os 195 dolorperatem países signatários do duisa acidunt vel ullamet estabelecer metas para nosto o corte coreet dealis emissões aliquipit de vent gasesadignisim do efeito ipsuscipit estufa, de in modo Del ut a evitar lutat aute quemincill o aquecimento andipsustis médio do exeraestrud do planeta eum nissedos ultrapasse essequat 2 ºC até nonulput 2100. volore tem adit er ip elenit.

empraba.gov.br

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BIOSFERA CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO

 Ecologia ...............................................................................................................96  A evolução do planeta ....................................................................................98  Vegetação no mundo ....................................................................................100  Biomas brasileiros .........................................................................................106  Preservação e conservação ........................................................................110  Código Florestal .............................................................................................111  Conferências ambientais ............................................................................112  Como cai na prova + Resumo .....................................................................114

A Amazônia sob risco de “savanização”

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A combinação de desmatamento e seca pode fazer com que a maior floresta tropical do planeta se transforme em uma região com as características do Cerrado

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á muitos anos, cientistas do Brasil e do mundo vêm apontando como o desmatamento aliado à ocorrência de períodos de seca podem provocar profundas alterações na Floresta Amazônica e fazer com que ela sofra um processo de “savanização”. Ou seja, a exuberante floresta tropical perderia biomassa e daria lugar a uma vegetação mais rala, com árvores espaçadas e menos folhas, bem parecida com o Cerrado brasileiro. Dois estudos recentes, um do Instituto de Pesquisa Climática de Postdam (PIK), da Alemanha, e outro de um grupo de cientistas brasileiros de diversas instituições, jogaram mais luzes sobre essa questão. De modo geral, eles mostram a ocorrência de um ciclo vicioso de seca e diminuição florestal na Amazônia. A derrubada de árvores de grande porte, que têm maior capacidade de regular as chuvas, afeta diretamente o clima, que tende a ficar mais seco. Por sua vez, a redução das precipitações provoca a morte de mais árvores. Resumindo: quanto menor a floresta, maior a seca, e, quanto maior a seca, menor a floresta. Essa alteração climática não fica restrita apenas à região. Por meio do fenômeno conhecido como “rios voadores”, a umidade e o vapor d’água da Amazônia são transportados para outros lugares,

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regulando o ciclo hidrológico de diversos pontos do país. Logo, as alterações no clima da Amazônia também afetariam outras regiões brasileiras. O fato é que é impossível dissociar esse problema da ação humana, que intensifica o fenômeno por meio da emissão de gases do efeito estufa e da derrubada das árvores. O governo brasileiro comprometeu-se a acabar com o desmatamento ilegal da Floresta Amazônica até 2030, mas está longe de atingir essa meta. No ano passado, a área desmatada cresceu 28%, atingindo 7.989 quilômetros quadrados – um território equivalente a cinco vezes a cidade de São Paulo. Foi a maior taxa registrada desde 2008. Pará, Mato Grosso e Rondônia foram os estados que apresentaram os maiores índices de perda florestal, somando 75% do desmatamento. Nas próximas páginas, você encontrará mais informações sobre a Amazônia e outros biomas brasileiros. SOBREVIVENTE Abordamos também Árvore isolada no meio os perigos mais laten- de uma fazenda na cidade tes aos ecossistemas de Novo Progresso (PA), mundiais e as ações na região da Amazônia: governamentais para a devastação do bioma tentar frear as amea- aumentou 28% em 2016 em ças ao meio ambiente. relação ao ano anterior


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UESLEI MARCELINO/REUTERS

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BIOSFERA ECOLOGIA

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PERFEITA HARMONIA Aves tuiuiús e caturritas em árvore do Pantanal: o Brasil abriga uma das mais ricas biodiversidades do planeta

N E V Delicado equilíbrio

A relação que os seres vivos mantêm entre si e com o ambiente que habitam forma um ciclo natural que sustenta a vida no planeta

termo ecologia ganhou destaque nas últimas décadas, juntamente com a relevância crescente dos assuntos relacionados ao meio ambiente. Muitas vezes esse termo é usado de forma indevida ou superficial, como em afirmações do tipo “Defenda a ecologia”. Na verdade, trata-se da ciência que estuda as relações dos seres vivos entre si ou com o ambiente em que vivem. A ecologia é um conteúdo multidisciplinar que engloba estudos de Biologia, Geografia, Geologia, Química, entre outras áreas curriculares. Veja a seguir alguns conceitos essenciais para a compreensão da ecologia, como ecossistema, bioma, biosfera e biodiversidade:

Ecossistemas

Os ecossistemas são sistemas dinâmicos resultantes da interdependência entre os fatores físicos do meio ambiente e os seres vivos que o habitam. Os nutrientes, a água, o ar, os gases, a energia disponível e as substâncias orgânicas e inorgânicas num ambiente constituem a parte abiótica (não viva)

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de um ecossistema. O conjunto de seres vivos é chamado de biota e é composto de três categorias de organismos: as plantas, os animais e os decompositores – microrganismos que decompõem plantas e animais e os transformam em componentes simples, reciclados. Uma floresta, um rio, um lago ou um simples jardim são exemplos de ecossistemas. Eles se misturam e interagem. Os ecossistemas podem, também, ser subdivididos em pequenas unidades bióticas, conhecidas como comunidades biológicas. Elas são formadas por duas ou mais populações de espécies que interagem e são interdependentes – como o conjunto da flora e da fauna de um lago. Já o termo habitat se refere a um ambiente ou ecossistema que oferece condições especialmente favoráveis à sobrevivência de certa espécie. Por exemplo, o cerrado é o habitat do lobo-guará. Um ecossistema pode ser o habitat de diversas espécies para as quais oferece alimento, água, abrigo, entre outras condições essenciais à reprodução da vida.


Biomas

Os grandes conjuntos relativamente homogêneos de ecossistemas são chamados de biomas. O termo bioma designa as comunidades de organismos estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas às condições ambientais de uma grande região – pense na Floresta Amazônica ou na tundra ártica. Na Geografia, o estudo dos biomas tem como um dos focos principais a vegetação, elemento que se destaca na paisagem.

Biosfera

A biosfera ou “esfera da vida” é o conjunto de todos os biomas do planeta. Ela faz referência a todas as formas de vida da Terra em escala global – dos reinos monera, protista, animal, vegetal e dos fungos – em conjunto com os fatores não vivos que as sustentam. A biosfera abrange desde as profundezas dos oceanos, que atingem cerca de 11 mil metros, até o limite da troposfera, camada inferior da atmosfera, que atinge uma altitude de cerca de 12 mil metros. Entre os seres vivos, os humanos são os que possuem a maior capacidade de intervenção (positiva e negativa) no equilíbrio das diversas formas de vida que constituem a biosfera.

O termo biodiversidade abarca toda a variedade das formas de vida (animais, vegetais e microrganismos), espécies e ecossistemas, em uma região ou em todo o planeta. É uma riqueza tão grande que se ignora o número de espécies vegetais e animais existentes no mundo. A estimativa é de que haja cerca de 14 milhões, mas até agora somente 1,7 milhão foi classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A biodiversidade garante o equilíbrio dos ecossistemas e, por tabela, do planeta todo. Por isso, qualquer dano provocado a ela não afeta somente as espécies que habitam determinado local, mas toda uma fina rede de relações entre os seres e o meio em que vivem. A principal ameaça à biodiversidade do planeta é justamente a ação humana. De acordo a World Wildlife Fund, uma das ONGs ambientalistas mais ativas no mundo, em menos de 40 anos o planeta perdeu 30% de sua biodiversidade, sendo que os países tropicais tiveram uma queda de 60% nesse período.

THIAGO BAZZI

PEGADA ECOLÓGICA

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SAIBA MAIS

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Segundo a organização não governamental World Wildlife Fund, o homem está consumindo 30% a mais dos recursos naturais que a Terra pode oferecer. Se continuarmos nesse ritmo predatório de exploração dos recursos naturais, em 2030 a demanda atingirá os 100%, ou seja, precisaremos de dois planetas para sustentar o mundo. A pressão das atividades humanas sobre os ecossistemas é medida pela pegada ecológica. Ela nos mostra se o nosso estilo de vida está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer seus recursos naturais, de renová-los e de absorver os resíduos produzidos pela atividade humana. O índice, apresentado em hectares globais, representa a superfície ocupada por terras cultivadas, pastagens, florestas, áreas de pesca ou edificadas. Em tese, a sustentabilidade do planeta estaria garantida se cada pessoa no mundo utilizasse 1,8 hectare de área (quase dois campos de futebol). O problema é que essa média é de cerca de 2,7 hectares. Nos países desenvolvidos, esse número é ainda maior – o índice dos Estados Unidos, por exemplo, é de 8 hectares por pessoa. O Brasil apresenta um índice um pouco maior que a média mundial: 2,9 (veja mapa abaixo).

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N E V Biodiversidade

 O QUE ISSO TEM A VER COM BIOLOGIA Veja abaixo uma descrição resumida dos cinco reinos da natureza: Reino Monera: organismos unicelulares procariontes, como bactérias e cianobactérias Reino Protista: seres unicelulares eucariontes, como algas, protozoários e amebas Reino dos Fungos: seres eucariontes, unicelulares e pluricelulares, como mofos, bolores, cogumelos e leveduras Reino Vegetal: seres pluricelulares autótrofos, com células revestidas de uma parede de celulose, como briófitas (musgos), pteridófitas (samambaias), gimnospermas (pinheiros) e angiospermas (plantas com flores e frutos) Reino Animal: organismos pluricelulares e heterótrofos, que inclui os vertebrados (um subfilo dos cordados, que abrange animais com esqueleto interno, coluna vertebral, cérebro e medula espinhal) e os invertebrados (animais sem coluna vertebral nem cérebro) Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE BIOLOGIA

PEGADA ECOLÓGICA MUNDIAL Em hectares por pessoa

> 6,7 5,1 - 6,7 3,4 - 5,1 1,7 - 3,4 < 1,7 Fonte: Global Footprint Network GE GEOGRAFIA 2018

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BIOSFERA A EVOLUÇÃO DO PLANETA

Qual é a origem da vida na terra? Nosso planeta surgiu 5 bilhões de anos atrás, após uma complexa cadeia de eventos. As primeiras formas de vida apareceram 1,5 bilhão de anos depois, e o nascimento do homem ocorreu há “apenas” 100 mil anos Há quase 5 bilhões de anos, uma estrela explodiu num canto da Via Láctea, espalhando poeira pelo espaço. A gravidade começou a juntar os grãos de poeira em pedaços cada vez maiores. Assim surgiu a Terra Da massa de moléculas inanimadas de carbono surgiu a vida há 3,5 bilhões de anos. Parece milagre, mas é pura química. O planeta, então, era frequentemente bombardeado por meteoros, restos da explosão inicial

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3 BILHÕES 2 BILHÕES 1 BILHÃO 600 MILHÕES As células se espalham pela Terra. A agitação cósmica e geológica aos Aparecem células mais Surgem os primeiros Mas o processo é lento, diante da poucos vai diminuindo, enquanto complicadas, os eucariontes, organismos multicelulares – queda de meteoros. O planeta, o planeta esfria. Forma-se a que possuem todas as organelas. todos invertebrados. ainda novo, guarda o calor da camada de ozônio, que torna os A vida vai, aos poucos, tomando A variedade de vida aumenta explosão estelar, e seu interior raios solares menos nocivos e o planeta, protegida do Sol pela de maneira impressionante. quente vive vazando por vulcões. permite o surgimento de formas camada de ozônio. Os meteoros Os oceanos se povoam com os Outro problema são os tórridos de vida mais complexas são cada vez mais raros seres mais estranhos raios solares

ERA ARQUEOZOICA

ERA PROTEROZOICA

No decorrer da história do planeta, os continentes navegaram sobre a rocha derretida (veja mais na pág. 30)

98 GE GEOGRAFIA 2018


1

De tempo em tempo, a vida na Terra sofre um grande golpe e ocorre uma extinção em massa. Foi assim há meio bilhão de anos, quando boa parte dos seres sumiu de repente. Pouco se sabe sobre a tragédia – mas a prova de que ela aconteceu são as conchas fossilizadas de animais marinhos, cuja diversidade teve uma brusca redução

2

Há 230 milhões de anos ocorreu outra grande extinção. Das espécies marinhas, 96% simplesmente sumiram. Algumas teorias acreditam que grandes erupções vulcânicas tenham provocado isso. Essa extinção em massa, conhecida como a do fim do Permiano, foi muito pior do que a que acabou com os dinossauros

3

A culpa pela extinção em massa que assolou o planeta há 65 milhões de anos, matando os dinossauros, geralmente é atribuída a um meteoro, embora ainda haja dúvidas. Paradoxalmente, o cataclismo foi um impulso para a vida: abriu espaço para que outras espécies se desenvolvessem. Fenômeno parecido aconteceu em outras grandes extinções

4

Vivemos hoje outra imensa extinção em massa, esta com uma causa bem diferente das outras: a ação humana. Centenas de espécies somem todos os dias por causa da perda de habitats, principalmente nas florestas tropicais. O homem já é a maior força transformadora do planeta, superando tempestades, furacões e terremotos

500 MILHÕES Aparecem os peixes primitivos – não muito diferentes dos atuais tubarões. São os primeiros vertebrados. A Terra fica mais interessante

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1

A ID 3

4

100 MILHÕES 400 MILHÕES 300 MILHÕES 200 MILHÕES HOJE Com a extinção dos Há 350 milhões de anos, Os répteis aparecem Há 200 milhões de anos Surge o homem – dinossauros, há 65 milhões os vertebrados saem do mar – há 300 milhões de anos e, surgem os mamíferos – há apenas 100 mil de anos, sobra espaço para surgem os anfíbios. Todos os em seguida, tomam o planeta. então não muito mais que anos, insignificantes os mamíferos. Eles se continentes estão unidos em Os primeiros dinossauros ratinhos insignificantes com para a longa história do tornam maiores e mais um só grande bloco – passam a ser vistos em características de répteis. planeta. A nova espécie diversificados e herdam a Pangeia, que começa a ser todos os continentes. A Terra ainda é dos dinossauros. vem alterando a Terra o trono do planeta. habitada por muitas plantas Os insetos também se Outra inovação: as plantas como nenhuma antes fizera As aves também se espalham primitivas (veja mais na pág. 30) diversificam muito ganham flores

ERA PALEOZOICA

ERA MESOZOICA

LUIZ IRIA, RODRIGO MAROJA E DENIS RUSSO BURGIERMAN/REVISTA SUPERINTERESSANTE

ERA CENOZOICA

GE GEOGRAFIA 2018

99


5

BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO

TIPOS DE VEGETAÇÃO NO MUNDO

Vegetação mediterrânea Tundra Vegetação de montanha Floresta de coníferas Floresta tropical Estepe/pradaria/pampas Savana/cerrado Floresta temperada Deserto

A D

Fonte: The Times Concise Atlas of the World

N E V

As diferentes paisagens do planeta

Conheça as características e a localização dos principais tipos de formação vegetal do planeta

N

a Geografia, as diferentes formações vegetais da Terra são analisadas do ponto de vista da distribuição geográfica, das características fisionômicas e das suas relações com o clima, o relevo, os solos e o substrato rochoso. O estudo da vegetação também deve ser feito sob o ponto de vista da exploração econômica pelo homem e as consequências socioambientais da derrubada das florestas. Veja a seguir as principais formações vegetais do planeta, onde elas se localizam e quais são suas características mais marcantes.

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1 DESERTO

Nos desertos, a vegetação é esparsa e de poucas espécies. Como as regiões áridas têm índices pluviométricos abaixo de 250 milímetros ao ano, as plantas são xeromórficas, ou seja, adaptadas à ausência de chuvas – os cactos, por exemplo, armazenam água e desenvolvem espinhos no lugar das folhas, para reduzir a evapotranspiração (perda de água na fotossíntese). Nos desertos frios, que ficam em altas latitudes (Patagônia, por exemplo, na América do Sul), as temperaturas variam pouco durante o dia. Já os desertos quentes, como do Atacama, da Austrália e do Saara, ficam em regiões tropicais e, no decorrer do dia, apresentam grande variação de temperatura, despencando de mais de 40 ºC durante o dia para índices abaixo de zero à noite.

[1]

RESISTENTES Nos desertos, como o do Atacama

(Chile), as plantas são adaptadas à falta de água


APONTE O CELULAR PARA AS PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA SOBRE VEGETAÇÃO E BIOMAS (MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7)

2 VEGETAÇÃO DE MONTANHA

A vegetação de montanha é rasteira, formada apenas de ervas e arbustos que, a duras penas, conseguem sobreviver no clima hostil. Algumas características como folhas duras (coriáceas) ajudam a resistir ao frio e aos fortes ventos das altitudes elevadas. Esse tipo de formação vegetal pode ser encontrado em diversas regiões montanhosas pelo mundo, como as encostas da Cordilheira dos Andes (na América do Sul), dos Alpes (na Europa), da Cordilheira do Himalaia (na Ásia) e das Montanhas Rochosas (nos Estados Unidos).

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A ID

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NAS ALTURAS Só vegetação rasteira consegue suportar o clima hostil das Montanhas Rochosas (EUA)

3 FLORESTA DE CONÍFERAS OU FLORESTA BOREAL

[3]

AINDA DE PÉ A floresta de coníferas, encontrada na Letônia, é explorada pela indústria madeireira [1] DIVULGAÇÃO [2] MARCELO SACCO [3] iSTOCK PHOTOS

[2]

Floresta homogênea, de pinheiros e abetos, com folhas em formato de agulha (aciculifoliadas) e copas em forma de cone, que acumulam menos neve durante o longo inverno das regiões de latitudes médias e elevadas. No solo, o frio rigoroso também impõe duras limitações para o desenvolvimento das espécies vegetais: há pouca vegetação rasteira, como alguns liquens, musgos e arbustos. A floresta de coníferas é intensamente explorada como matéria-prima para importantes indústrias madeireiras, de papel e celulose. Essa formação é encontrada principalmente no norte da Europa, da América e da Ásia (onde é chamada de taiga). GE GEOGRAFIA 2018

101


5

BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO

A ID [1]

VEGETAÇÃO SUBPOLAR A tundra, formada por musgos e herbáceas, aparece nos poucos meses do degelo em regiões como Manitoba, no Canadá

B I O

4 TUNDRA

Desenvolve-se em uma das regiões mais frias do mundo, a do clima subpolar, como no norte da Rússia. Ela é formada por musgos e algumas espécies herbáceas que aparecem no solo somente nos poucos meses de degelo, quando o verão eleva a temperatura para 4 ºC, em média. No resto do ano, o solo fica coberto de neve, motivo pelo qual é denominado permafrost (permanentemente congelado). Por ter uma relação direta com o degelo nas regiões subpolares, a tundra é utilizada como bioindicador para o estudo de possíveis aumentos das temperaturas globais e suas consequências nesse frágil bioma.

A D

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5 ESTEPE (CAMPOS, PAMPAS, PRADARIAS)

[2]

AGROPECUÁRIA As pradarias norte-americanas possuem solos férteis e uma pastagem natural

102 GE GEOGRAFIA 2018

Típica de áreas de clima temperado continental, a estepe é uma formação vegetal pobre, sem árvores, constituída basicamente de gramíneas, que se estende sobretudo em regiões planas, podendo ser encontrada também em relevo montanhoso, como nos planaltos tibetanos. Dependendo da área onde se localiza, recebe um nome diferente: campos, no Brasil; pampas, na Argentina; e pradaria, nos Estados Unidos e no Canadá. Essa flora também é encontrada na África, na Ásia Central e em trechos da Austrália. Por ser constituída de gramíneas, que são pastagens naturais, é comum encontrar, nessas regiões, a agropecuária como atividade econômica principal. O relevo plano e o solo fértil em algumas dessas áreas favorece a produção agrícola.


6 FLORESTA TEMPERADA

É uma cobertura vegetal típica das latitudes médias – aparece no norte da China, na Coreia do Sul, no Japão, no leste dos Estados Unidos, na Europa e no sudeste da Austrália e Nova Zelândia. Essa floresta é formada por árvores decíduas, chamadas ainda de estacionais, caducas ou caducifólias, ou seja, que perdem as folhas no inverno para suportar as baixas temperaturas. As poucas espécies de árvore, como carvalhos, bordos e faias, são espaçadas, e o solo é recoberto por gramíneas. Grande parte da floresta temperada, contudo, já foi devastada – na Europa, por exemplo, de 70% a 80% da cobertura original já foi perdida; na China, de 80% a 90%.

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A ID

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[3]

ITEM RARO Quase 90% da cobertura original de florestas temperadas na China já foi derrubada

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7 FLORESTA TROPICAL

Vegetação das áreas de baixas latitudes, quentes e úmidas; as plantas têm folhas largas (latifoliadas), que absorvem mais energia solar, e são perenes, isto é, não caem no “inverno”, pois as temperaturas permanecem elevadas. O solo é coberto por húmus, formado pela decomposição de galhos, troncos e folhas. As florestas tropicais cobrem grande parte da América do Sul (Região Amazônica), da América Central, da zona equatorial da África, do Sudeste Asiático e do Subcontinente Indiano.

[4]

ZONA EQUATORIAL A Região Amazônica abriga uma quente e úmida floresta tropical [1] iSTOCK PHOTOS [2] EDWIN OLSON [3] IVAN WALSH [4] iSTOCK PHOTOS

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5

BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO

NA MOITA

[1]

A vegetação mediterrânea é formada por espécies adaptadas a períodos secos, como os garrigues, o maqui – arbustos, moitas e árvores pequenas, como oliveiras – e o chaparral, similar ao maqui, mas menos denso. Essa formação vegetal é encontrada no litoral do Mar Mediterrâneo, na Califórnia (EUA), na Austrália e na África do Sul. A oliveira, da qual se extrai o azeite de oliva, e o loureiro, cuja folha é utilizada como tempero, são espécies nativas da vegetação temperada. O clima mediterrâneo também favorece a produção de uvas e concentram as principais vinícolas do mundo.

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[2]

ISOLADAS As pequenas árvores distribuídas de forma esparsa são uma característica da savana africana

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8 VEGETAÇÃO MEDITERRÂNEA

Arbustos e pequenas árvores são típicas da vegetação mediterrânea, presente na Espanha

9 SAVANA (CERRADO)

Na savana, presente em áreas de baixas latitudes, as plantas são rasteiras e há pequenas árvores, distribuídas de maneira esparsa, alternadas com bosques com vegetação arbórea mais desenvolvida. Nas regiões mais secas, predomina a vegetação rasteira e espinhosa. A savana é uma vegetação estacional, marcada por duas estações bem definidas: o período seco (no inverno) e o período chuvoso (no verão). Essas formações são encontradas na África, na Ásia (Índia, principalmente), na Austrália e na América, onde recebe os nomes específicos de lhanos (na Venezuela) e cerrado (no Brasil). A ocorrência de uma prolongada estação seca faz com que as plantas desenvolvam adaptações para reservar e obter água, como as folhas coriáceas e as raízes profundas para atingir o lençol freático.


A RELAÇÃO ENTRE CLIMA E VEGETAÇÃO

SAIBA MAIS

Para estudar os principais tipos de vegetação, é importante conhecer sua relação com os demais elementos naturais, como o clima. A variação da temperatura e da umidade é um dos fatores que mais influenciam as formações vegetais. À medida que diminui tanto a temperatura como a umidade, menos exuberante se torna a vegetação e com menor número de espécies, ou seja, menor biodiversidade. A região intertropical, mais próxima à linha do Equador, reúne o chamado “ótimo climático”: altas temperaturas, pluviosidade elevada e luz intensa, propiciando o desenvolvimento das florestas tropicais pluviais, além de milhares de espécies vegetais. É o caso da Amazônia, que abriga a mais rica biodiversidade do planeta. Conforme avançamos para altas latitudes e nos aproximamos dos polos, onde há escassez de luz e baixas temperaturas, a variedade de plantas diminui progressivamente (veja na figura). A tundra, presente no extremo norte da Rússia e do Canadá, é formada por musgos e algumas espécies herbáceas, que surgem nos poucos meses em que a neve derrete. Mas a ausência de umidade, mesmo em regiões quentes como a zona intertropical, leva à formação de desertos, onde poucas espécies se adaptam. Isso também ocorre em regiões com disponibilidade de água, porém com temperaturas muito baixas a ponto de congelá-la (regiões polares), formando os desertos frios.

HOTSPOTS – AS ZONAS EM PERIGO

As zonas do planeta mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas de destruição são definidas pelo conceito hotspots (em inglês, pontos quentes), criado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers. São 34 regiões ou biomas, incluindo a Mata Atlântica e o Cerrado brasileiro. Atualmente, elas representam apenas 2,3% da superfície da Terra, mas 50% das espécies de plantas e 42% das de vertebrados terrestres são endêmicas dessas regiões. Os hotspots já perderam 70% da vegetação original.

AS REGIÕES RICAS EM DIVERSIDADE BIOLÓGICA MAIS AMEAÇADAS DO PLANETA (2013) HOTSPOTS*

Zona litorânea da Califórnia

Planaltos do México

Andes tropical

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Litoral da Namíbia e África do Sul Região da Cidade do Cabo

Nova Zelândia

Os 34 hotspots concentram

50%

da flora

Florestas da África Ocidental

Mata Atlântica

Florestas chilenas

2,3% da superfície terrestre

A ID Japão

Himalaia

Litoral oeste da Sudeste Índia e Sri Lanka Asiático

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Cerrado

Galápagos e litoral de Equador e Colômbia

Anatólia e Irã

Montanhas da África Oriental

Florestas da América Central e do México PolinésiaMicronésia

Montanhas do sudoeste da China

Bacia do Mediterrâneo Ilhas do Caribe

A D

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Montanhas da Ásia Central

Cáucaso

42%

Chifre da África

Filipinas

PolinésiaMicronésia

Malásia e Indonésia Ocidental Indonésia Central Ilhas da Melanésia Ocidental Madagáscar e ilhas do oceano Índico Sudoeste da Austrália Nova Caledônia Florestas costeiras da África Oriental Sudeste sul-africano Nova Zelândia

São áreas que já perderam, ao menos, 70% da vegetação original

dos vertebrados

Fonte: The Times Concise Atlas of the World

A VARIAÇÃO DAS COBERTURAS VEGETAIS DE ACORDO COM A LATITUDE E A ALTITUDE

PARA IR ALÉM O documentário Home – Nosso Planeta, Nossa Casa, de Yann Arthus-Bertrand, mostra exuberantes imagens aéreas de diversas paisagens e suas transformações decorrentes das ações antrópicas: www.youtube.com/ homeproject

Alta Gelo e neve

Altitude

Tundra Taiga Florestas Temperadas Florestas Tropicais

Baixa Equador

[1] [2] iSTOCK PHOTOS

Latitude

Polo

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5

BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS

Patrimônio em perigo O Brasil é a nação com a maior biodiversidade do planeta, mas seus seis grandes biomas estão sob uma ameaça persistente

O

Brasil é, de longe, o campeão mundial de biodiversidade: para ter uma ideia, de cada cinco espécies de animais e vegetais conhecidas do planeta, uma encontra-se aqui. O país apresenta, ainda, a maior diversidade de primatas, anfíbios e insetos. Em boa parte, toda essa riqueza deve-se à extensão de seu território e aos diversos climas que caracterizam seus biomas. Está no território nacional a maior floresta tropical úmida (Floresta Amazônica), com mais de 30 mil espécies vegetais, bem como a maior planície inundável (o Pantanal), além do Cerrado, da Caatinga e da Mata Atlântica. Entretanto, como no resto do mundo, sobretudo nas últimas décadas, o Brasil assistiu, quase impassível, à deterioração de seus ambientes naturais, em virtude de males contemporâneos como a urbanização descontrolada, a exploração mineral, o desmatamento a serviço da agropecuária e a poluição. A seguir, conheça toda a exuberância dos seis grandes biomas brasileiros, conforme definição do IBGE, e as ameaças a esse riquíssimo manancial de vida.

RASO DA CATARINA A região do norte baiano é rica em cactus, vegetação típica da Caatinga

BIOMAS BRASILEIROS

4

1

AMAZÔNIA

CAATINGA

2

CERRADO

6

PANTANAL

3

MATA ATLÂNTICA

5

PAMPA

Fonte: Ibama 2012

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1 CAATINGA

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A ID [1]

 O BIOMA

A Caatinga limita-se apenas ao território brasileiro, o que significa que sua biodiversidade é única em todo o mundo. Seus 826,4 mil quilômetros quadrados representam cerca de 10% do território brasileiro. Apesar do clima semiárido, a Caatinga é pontilhada por “ilhas de umidade”, de solo extremamente fértil. Vivem nesse bioma cerca de 1,2 mil espécies de planta – 360 delas endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta) – e outras tantas de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, as plantas da Caatinga são xerófilas, ou seja, adaptadas ao clima seco e à pouca quantidade de água. Algumas armazenam água; outras possuem raízes superficiais para captar o máximo das chuvas. Há as que contam com recursos para diminuir a transpiração, como espinhos e poucas folhas. A vegetação é formada por três estratos: o arbóreo, com árvores de 8 a 12 metros; o arbustivo, com vegetação de 2 a 5 metros; e o herbáceo, abaixo de 2 metros.

R P

 A AMEAÇA Os maiores problemas enfrentados pela região são a salinização do solo e a desertificação de grandes áreas, o que acarreta em um processo de redução da vegetação e da capacidade produtiva do solo. Estima-se que, no decorrer dos últimos 15 anos do século passado, 40 mil quilômetros quadrados de caatinga tenham se transformado em deserto. Alguns dos responsáveis por isso são a exploração da vegetação para a produção de lenha e carvão, a contaminação do solo por agrotóxicos e o emprego de técnicas de irrigação inadequadas para o tipo de solo existente ali. Acredita-se que cerca de 50% do bioma já tenha sofrido algum tipo de deterioração e que 20% estejam completamente degradados.

DESMATAMENTO Caatinga

(826.411 km2 – 2009)

Área de vegetação remanescente

Área desmatada

46%

53%

Área ocupada por corpos d’água 1%


A ID

[2]

CONTORCIONISMO As árvores retorcidas do cerrado

2 CERRADO

[3]

PARAÍSO AMEAÇADO A Mata Atlântica contorna a Praia do Félix, em Ubatuba (SP)

DESMATAMENTO

 O BIOMA

O segundo maior bioma brasileiro ocupa uma área de 2 milhões de quilômetros quadrados (cerca de 24% do território brasileiro), coberta pela mais rica flora de savana tropical do mundo. São mais de 11 mil espécies vegetais – 44% delas endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta). A fauna também é riquíssima, com centenas de espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, caracteriza-se pela presença de pequenos arbustos e árvores retorcidas, com casca grossa. Encontram-se, ainda, gramíneas e o cerradão, tipo mais denso de cerrado que abriga formações típicas de florestas esparsas e disseminadas entre arbustos.

A D

N E V  A AMEAÇA

O Cerrado é uma das regiões mais ameaçadas do globo. Ele é considerado pelos ambientalistas um dos 34 biomas do planeta que exigem atenção especial de preservação, os hotspots (veja mais na pág. 105). De fato, com a Mata Atlântica, é o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ocupação humana. Sessenta por cento de sua área total é destinada à pecuária, e 6%, à monocultura intensiva de grãos – entre eles, a onipresente soja. A agropecuária fez aumentar a deterioração de uma terra já ferida com o garimpo, a contaminação dos rios por mercúrio, a erosão do solo e o assoreamento dos cursos de água. O cerrado já perdeu quase a metade da vegetação e, se nada for feito para reverter a situação, o bioma pode desaparecer até 2030. Alguns especialistas apontam que o cerrado já está em um ciclo irreversível de extinção e que sua cobertura original não pode mais ser recuperada.

[1] CLAUDIO LARANGEIRA [2] GLADSTONE CAMPOS [3] RENATO PIZZUTTO

Cerrado

B I O

3 MATA ATLÂNTICA

R P

(2.039.386 km2 –2010)

Área de vegetação remanescente

Área desmatada

51%

48%

Área ocupada por corpos d’água 1%

Mata Atlântica (1.103.961 km2 – 2009)

Área de Área ocupada vegetação remanescente por corpos d’água 2%

22%

Área desmatada 76%

 O BIOMA

Com clima tropical, quente e úmido, a Mata Atlântica possui um relevo de planaltos e serras. Quanto à vegetação, entre as florestas tropicais, a Mata Atlântica é a que apresenta a maior biodiversidade por hectare do planeta, com espécies vegetais como ipê, quaresmeira, cedro, palmiteiro, imbaúba, jequitibá-rosa e figueiras. A vegetação remanescente guarda ainda cerca de 20 mil espécies de planta – 8 mil, endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta). De exuberante biodiversidade, apresenta, em alguns locais, mais de 450 espécies de árvore num único hectare. A região reúne, ainda, centenas de espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios.

 A AMEAÇA Como o Cerrado, a Mata Atlântica também é considerada um hotspot, uma das 34 áreas do planeta que exigem ação preservacionista mais urgente. Sua cobertura vegetal ocupava, originalmente, mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, cerca de 13% do território nacional. No entanto, restam apenas cerca de 22% do volume original. Ele foi o bioma que mais sofreu com a urbanização do país – hoje, as cidades da região concentram cerca de 60% da população brasileira. Ecossistema associado à Mata Atlântica, a Mata de Araucárias, localizada, sobretudo, na Região Sul, é o ambiente que sofreu o maior grau de devastação em termos percentuais no país – restam apenas cerca de 2% dos quase 100 mil quilômetros quadrados originais. A derrubada indiscriminada para a expansão das áreas de cultivo e para a produção de papel, celulose e móveis está por trás desse trágico cenário. GE GEOGRAFIA 2018

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5

BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS

4 AMAZÔNIA  O BIOMA

Com 4,2 milhões de quilômetros quadrados (equivalentes a cerca de 49% do território nacional), o bioma Amazônia é o maior do país. A paisagem é dominada pela Floresta Amazônica e pela maior bacia hidrográfica do mundo. Essa floresta tem vegetação de folhas largas (latifoliadas), comuns em regiões de clima equatorial, quente e úmido. Ele apresenta três tipos de mata: de igapó (parte do solo inundado); de várzea (periodicamente inundadas); e de terra firme (nas partes mais elevadas do relevo, livres de inundação). Mas, longe de ser uma área homogênea de floresta tropical, o bioma também abarca áreas de campos abertos e manchas de cerrado. As espécies que habitam a região – desde plantas até aves e mamíferos – representam cerca de 20% do total de espécies conhecidas do planeta.

 A AMEAÇA Todos os anos, a região perde milhares de quilômetros quadrados de vegetação, pelo corte de árvores e pelas queimadas. A floresta tem sido derrubada para a exploração de madeira, a agropecuária, a mineração, além de outras atividades econômicas. O agronegócio responde por uma parcela significativa do desmatamento generalizado: nada menos do que cerca de 40% da produção de carne e soja do país se concentra na Amazônia Legal. Nesse avanço, é visível uma mancha de mata derrubada, conhecida como Arco do Desflorestamento, que representa cerca de 12% da cobertura original da Amazônia (veja o mapa abaixo). Apesar de a área desmatada na Amazônia ter desacelerado nos últimos dez anos, o indicador retomou a trajetória de alta de dois anos para cá. Entre agosto de 2015 e julho de 2016, o total desmatado foi de 7.989 km2, um aumento de 29% em relação ao período anterior.

EXUBERANTE A floresta tropical da Amazônia é a maior do mundo, com 30 mil espécies de plantas

DESMATAMENTO

Roraima

Amazonas

(4.196.943 km2 – 2007)

Fonte: Imazon

108 GE GEOGRAFIA 2018

R P

Área ocupada Área por corpos d’água desmatada 4%

12%

Área de vegetação remanescente 84%

Pampa

 A AMEAÇA

(177.767 km2 – 2009)

Área ocupada Área por corpos d’água desmatada 10%

Esse bioma cobre 177,8 mil quilômetros quadrados, equivalentes a cerca de 2% do território brasileiro. Os Pampas são vastas extensões de campos limpos, de solo coberto por gramíneas e pontilhado de pequenos arbustos, onde proliferam milhares de espécies de plantas, mamíferos e aves. São campos típicos do Rio Grande do Sul. A região plana, de vegetação aberta e de pequeno porte, forma um tapete herbáceo que não atinge 1 metro de altura, com pouca variedade de espécies. Sete tipos de cactus e de bromélia são endêmicos dos Pampas.

54%

A ocupação humana acelerada e o emprego de técnicas não sustentáveis de cultivo e criação resultaram na formação de areais em algumas áreas. Os Pampas sofrem, ainda, com a caça predatória e o bombeamento de água dos banhados – ecossistemas alagados, com densa vegetação de juncos e aguapés.

36%

PARA IR ALÉM Amapá

Pará

Maranhão

Acre Rondônia

 O BIOMA

Área de vegetação remanescente

ZONAS DA AMAZÔNIA LEGAL DE ACORDO COM A COBERTURA VEGETAL Desmatamento até 2012 Formação não florestal Floresta

B I O

5 PAMPA (CAMPOS SULINOS)

Amazônia

A D

N E V

A ID [1]

Mato Grosso

Tocantins

O site do Instituto Imazon apresenta informações referentes a políticas públicas e ações não governamentais na Amazônia. Disponibiliza também vídeos e mapas sobre a região: www.imazon.org.br

[2]

CAMPO LIMPO Os pampas são típicos do Rio Grande do Sul


ZONAS LITORÂNEAS

[3]

Ao lado dos seis grandes biomas, os ambientalistas destacam a zona costeira brasileira como uma região particular, que abriga centenas de ecossistemas extremamente ricos e delicados. São mais de 7 mil quilômetros de extensão de litoral, marcados por manguezais, dunas, falésias, praias, recifes e lagunas. O litoral brasileiro pode ser dividido em quatro zonas distintas:

ECOSSISTEMA DE TRANSIÇÃO O Pantanal é a maior área alagada de água doce do mundo

6 PANTANAL Situado na bacia do Rio Paraguai, o Pantanal cobre cerca de 1,8% do território nacional, com 151,3 quilômetros quadrados. O menor bioma brasileiro é a maior área alagada de água doce do mundo. Mais de 80% da região permanece intocada, onde proliferam milhares de espécies conhecidas de plantas, aves, mamíferos, répteis e anfíbios. É considerada uma área de transição entre a Amazônia e o Cerrado, ao norte, e o chaco, na bacia do Rio Paraguai, ao sul. Esse mosaico de ecossistemas intercala regiões de cerrado e floresta úmida, além de áreas aquáticas e semiaquáticas. Quanto à vegetação, podem ser identificadas três áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e as que não sofrem inundação. Nas áreas alagadas, a vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno e serve de alimento para o gado. Nas de eventuais alagamentos, encontram-se, além de vegetação rasteira, arbustos e palmeiras, como o buriti. Nas que não sofrem inundação, predominam os cerrados e espécies arbóreas da floresta tropical.

A D

N E V  A AMEAÇA

As transformações no Pantanal são lentas, mas implacáveis. A degradação agravou-se nas últimas duas décadas, com o crescimento das cidades e a ocupação da cabeceira de importantes rios que cortam a região. A navegação nos rios Paraguai e Paraná põe em risco as frágeis matas ciliares. Mas a maior ameaça vem da agropecuária: as queimadas para renovação das pastagens, a contaminação das águas e do solo por pesticidas e a introdução de espécies exóticas de capim. O turismo desorganizado, bem como a caça e a pesca predatórias, completam o pacote. Apesar disso, ainda é o bioma mais preservado do Brasil. [1] IRMO CELSO [2] CLAUDIO LARANGEIRA [3] VALDEMIR CUNHA

Pantanal

R P

(151.313 km2 – 2009)

Área ocupada por corpos d’água 2%

Área desmatada 15%

Área de vegetação remanescente 83%

A ID

B I O

DESMATAMENTO

 O BIOMA

 Litoral amazônico, do Rio Oiapoque ao Delta do Parnaíba, trecho coberto por manguezais e matas de várzea.  Litoral nordestino, do Delta do Parnaíba ao Recôncavo Baiano, que alterna dunas, falésias, restingas e manguezais. É o habitat de várias espécies de tartaruga e do peixe-boi-marinho, em risco de extinção.

 Zona litorânea do Sudeste, do Recôncavo à divisa entre São Paulo e Paraná. Apesar de ser a região mais densamente povoada, é também a que preserva as maiores porções de Mata Atlântica.  Litoral sul, que abrange a costa de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, caracteriza-se por manguezais, costões e, a partir de Torres (RS), por uma faixa contínua de praia. A biodiversidade desses ecossistemas está em constante risco, diante da urbanização e suas consequências, como desmatamento de encostas e contaminação das águas. A especulação imobiliária é a maior destruidora da vegetação nativa, que resulta no deslocamento de dunas e no desabamento de morros. O afluxo exagerado de turistas às cidades litorâneas sobrecarrega os precários sistemas de saneamento e polui os córregos e o mar. Os ecossistemas da zona costeira também são degradados pelos rios que vêm do interior do país e despejam no litoral resíduos agrícolas e efluentes industriais. Um dos ambientes mais ameaçados por tudo isso são os mangues. Esses ricos ecossistemas – com centenas de peixes, crustáceos e plantas – funcionam como filtros naturais: as raízes parcialmente submersas das árvores retêm sedimentos e impurezas, impedindo sua chegada ao mar. GE GEOGRAFIA 2018

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BIOSFERA PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO (Snuc) – criado pela lei federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000, e gerenciado pelo Ministério do Meio Ambiente – classifica as áreas protegidas em dois grupos:  Unidades de Proteção Integral – permite apenas o uso indireto dos recursos naturais, por meio de pesquisa científica, atividades educacionais e turismo ecológico. O objetivo principal é a preservação da natureza.  Unidades de Uso Sustentável – prevê a exploração parcial dos recursos naturais, de acordo com legislação específica para cada área protegida. O objetivo é tornar compatível a conservação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais.

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RESERVA NATURAL O Parque Nacional de Itatiaia foi criado para preservar sua fauna e flora originais

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Os limites da exploração Mecanismos legais de proteção ambiental tentam regulamentar o uso da terra e proteger os ecossistemas brasileiros

C

om a evolução da consciência ambiental ao longo das décadas, foram sendo criados mecanismos legais para proteger áreas de grande importância ecológica. Foi assim que surgiram os parques nacionais, estaduais e municipais, as reservas ecológicas ou extrativistas e as áreas de proteção ambiental. Dentro desse âmbito, podem ser identificadas duas correntes de pensamento: o preservacionismo, que coloca em primeiro plano a necessidade de proteção dos ecossistemas e dos habitats naturais e em segundo plano as populações humanas dessas áreas. Já o conservacionismo de-

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fende a necessidade de se protegerem os ecossistemas naturais juntamente com as populações humanas, em especial os povos tradicionais que vivem nesses locais. A primeira área criada oficialmente para a proteção da flora e da fauna no mundo foi o Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, no ano de 1872. Esse parque tinha como objetivo proteger legalmente a vida selvagem e preservar áreas de grande beleza cênica, sem a presença de populações humanas. Tratava-se, portanto, de uma visão preservacionista. Esse enfoque também foi adotado em outros países, incluindo o Brasil, onde foi criado o Parque Nacional de Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, na década de 1930. Diversas outras ações semelhantes surgiram no país sob essa mesma perspectiva, mas, ao longo do século XX, a visão conservacionista passou a influenciar a criação de Unidades de Conservação (UCs), ou seja, as populações locais passaram a ser consideradas corresponsáveis pela conservação das áreas protegidas. Atualmente o Sistema Nacional de Unidades de Conservação

[1]

Em 2016, o Brasil tinha 2.175 unidades de conservação continentais, sendo 687 Unidades de Proteção Integral e 1.488 de Uso Sustentável. No total, as áreas protegidas no Brasil somam 1.583 quilômetros quadrados – o que representa cerca de 18% do território nacional. Há uma forte concentração de áreas protegidas na Amazônia (cerca de 27,7% do bioma é designado unidade de conservação). Isso não significa que não ocorram transgressões, já que há desmatamentos ilegais, poluição das águas e desrespeito aos direitos dos povos tradicionais (indígenas, ribeirinhos, seringueiros). A Mata Atlântica e o cerrado, os dois biomas brasileiros na lista de hotspots mundiais (veja mais na pág. 105), possuem bem menos áreas protegidas do que a Amazônia (veja gráfico abaixo). UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (2016) Proporção em área do bioma em unidades de conservação federais, estaduais e municipais, até agosto no ano Preservado

Não preservado

Amazônia

27,7%

72,3%

Caatinga

7,7%

92,3%

Cerrado

8,6%

91,4%

Mata Atlântica

10%

90%

Pampa

2,7%

97,3%

Pantanal

4,6%

95,4%

Total em terra

17,9%

Total no mar 1,6% Fonte: Ministério do Meio Ambiente

82,1% 98,4%


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BIOSFERA CÓDIGO FLORESTAL

A legislação ambiental no Brasil O Código Florestal brasileiro regulamenta o uso da terra para tentar equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental

O NOVO CÓDIGO FLORESTAL 1 . ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) São áreas, cobertas ou não por vegetação nativa, que devem ser protegidas. Essas áreas têm a função ambiental de preservar recursos hídricos, paisagens, estabilidade geológica, biodiversidade, além de proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas que vivem no local. As APPs representam cerca de 20% do território nacional. PRINCIPAIS PONTOS • São admitidos alguns usos, desde que considerados de interesse social ou baixo impacto, somente em áreas rurais consolidadas – trata-se dos imóveis estabelecidos antes da promulgação da Lei de Crimes Ambientais, em julho de 2008. • As multas referentes aos desmatamentos realizados pelas áreas rurais consolidadas serão convertidas em serviços de preservação e melhoria do meio ambiente.

APP Encostas São consideradas APPs as encostas com declive acima de 45º. Aquelas com declividade inferior a 45º agora podem ser exploradas sem restrições.

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PRINCIPAIS PONTOS • O percentual mínimo de cada propriedade a ser preservado como reserva legal varia conforme o bioma (veja ao lado). Em alguns casos, é permitido incluir as APPs nesse percentual.

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APP Nascentes Um raio mínimo de 50 metros deve ser preservado nas áreas não desmatadas. Nas áreas rurais consolidadas, a proteção passou a ser de 15 metros no mínimo.

2 . RESERVA LEGAL Área localizada no interior de propriedade rural necessária ao uso sustentável dos recursos naturais. É proibido desmatar a área de reserva legal, mas é permitida a exploração econômica com manejo sustentável.

[1] LEO FELTRAN [2] FARREL/AE

Os principais pontos da lei aprovada dizem respeito às regiões em que é permitido o desmate e às zonas que devem ser protegidas em uma propriedade particular. Ela regulamenta o uso da terra nas áreas de preservação permanente (APPs), como topos de morro, encostas e nascentes, e nas reservas legais (veja as definições abaixo). A redução das áreas protegidas e a isenção de multa a quem desmatou até 2008 são os temas mais controversos. Veja, a seguir, os principais aspectos da lei ambiental.

APP Topos de morro São consideradas APPs os morros com altura mínima de 100 metros e inclinação média de 25º.

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N E V APP Manguezais São consideradas APPs em toda a sua extensão. A nova lei prevê a criação de camarão e salinas em áreas de apicuns e salgados.

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Código Florestal brasileiro foi criado em 1934 para regulamentar a exploração dos recursos naturais como a madeira, a borracha e a água. Em 2012, essas regras foram modificadas a fim de equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Mas as negociações para a aprovação do novo Código Florestal opuseram os interesses dos grandes proprietários, que defendiam a flexibilização da lei para a expansão agropecuária, e dos ambientalistas, favoráveis a regras mais rígidas para o desmate.

[2]

APP Mata ciliar É a formação vegetal presente nas margens de rios, córregos, lagos, represas e nascentes. Sua preservação é importante para evitar o assoreamento dos rios, proteger as nascentes e conservar a biodiversidade. Nas áreas ainda não desmatadas, prevalece o estabelecido na lei anterior: a faixa de mata ciliar protegida varia de 30 a 500 metros, conforme a largura do curso d’água. Mas o novo Código é menos rigoroso com as áreas rurais consolidadas. De modo geral, nessas áreas, a faixa de mata ciliar a ser preservada varia de 5 a 100 metros, conforme o tamanho do imóvel e independentemente da largura do rio.

A ÁREA DE PRESERVAÇÃO VARIA CONFORME O BIOMA AMAZÔNIA CERRADO (na Amazônia Legal) CERRADO (fora da Amazônia Legal) OUTROS

80% 35% 20% 20%

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BIOSFERA CONFERÊNCIAS AMBIENTAIS

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Ambientalismo em pauta Eventos internacionais reúnem lideranças políticas e científicas para debater as questões ambientais. Mas os compromissos dos países para promover os avanços necessários ainda são tímidos

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evido à pressão crescente da comunidade científica, além de ONGs, movimentos sociais e outros setores da sociedade civil, as questões ambientais passaram a integrar a agenda política internacional. Desde o primeiro evento com a presença de chefes de Estado para tratar da temática ambiental, ocorrido em Estocolmo, em 1972, até a Rio+20, em 2012, houve alguns avanços no combate à degradação ambiental, como a aprovação de documentos, adoção de princípios comuns e assinatura de convenções em defesa do meio ambiente. Avançou-se também na perspectiva adotada: a maioria dos governantes concorda atualmente que a questão ambiental não está desvinculada das ques-

tões sociais, ou seja, não basta cuidar do meio ambiente, é preciso atender às necessidades das populações humanas, sobretudo dos mais pobres. Critica-se, porém, a lentidão na implantação de medidas que de fato contribuam para essas transformações, condicionadas às relações econômicas.

Os principais eventos ambientais

O primeiro evento com a presença de chefes de Estado para tratar da temática ambiental foi a Conferência Mundial de Estocolmo, ocorrido em 1972 na capital da Suécia. Promovida pela ONU, o encontro abordou pela primeira vez a produção dos países ricos como causa importante da degradação


sobre a Diversidade Biológica, sobre a preservação de ecossistemas. Além disso, elaborou a Agenda 21, um plano que estabelece estratégias globais para promover o desenvolvimento sustentável no mundo, que envolve mudanças de padrão de consumo e produção, principalmente pelos países mais ricos. A partir da Eco 92, estabeleceu-se a realização de encontros anuais, denominados Conferência Geral das Partes (cuja sigla é COP), para aprofundar as discussões ambientais. Na terceira COP, realizada em Kyoto, no Japão, foi assinado o Protocolo de Kyoto, o primeiro acordo oficial com metas e prazos para a redução de gases do efeito estufa (veja mais na pág. 90). Dez anos depois da realização da Eco 92, a cidade de Johannesburgo, na África do Sul, sediou a Rio+10 para discutir os avanços obtidos desde o encontro no Rio de Janeiro. Ao final do evento foi elaborado um plano para a implementação da Agenda 21, que, entretanto, frustrou expectativas por ter sido apenas um documento de diretrizes e soluções, que não tinha força de lei. Em 2012, o Rio de Janeiro voltou a reunir lideranças mundiais de todo o mundo para fazer um balanço da Eco 92. A Rio+20 desenvolveu o conceito de “economia verde”, que propõe a construção de uma sociedade sustentável, que freie a degradação do meio ambiente e, simultaneamente, combata a pobreza e as desigualdades. O documento “O futuro que queremos” mantém o princípio das “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, cuja diretriz determina que os países ricos devem arcar com os maiores custos ambientais por terem emitido mais poluentes para se desenvolverem. Essa discussão domina o debate ambiental atualmente. O acordo obtido na COP-21, realizada em dezembro de 2015 em Paris, representa um importante passo nesse sentido, já que estabeleceu a criação de um fundo de 100 bilhões de dólares anuais, financiado pelos países ricos, para auxiliar as nações em desenvolvimento. Mas o fato de as metas para redução das emissões de gases serem voluntárias pode restringir os avanços (veja mais na pág. 90).

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MARCO ECOLÓGICO

A Eco 92, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, reuniu autoridades de todo o mundo para debater a mudança climática e a preservação ambiental

da natureza. Foram debatidas também questões referentes ao controle de natalidade e a estagnação econômica. A Declaração de Estocolmo reuniu 26 princípios e ações voltadas para a redução dos impactos ambientais. A Eco 92 também representou outro marco importante. A conferência mundial sobre meio ambiente realizada no Rio de Janeiro, em 1992, foi organizada com o objetivo de minimizar os impactos ambientais a partir de um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável (veja mais sobre o conceito de sustentabilidade ao lado). O encontro aprovou o documento Convenção sobre a Mudança do Clima, que trata do aquecimento global, e a Convenção

WILSON PEDROSA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

SAIBA MAIS DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A pressão sobre a biodiversidade do planeta advém principalmente de um padrão de desenvolvimento econômico baseado na superexploração dos recursos naturais. Para tentar impor limites ao uso predatório do meio ambiente, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou, em 1987, o relatório Nosso Futuro Comum, que define o importante conceito norteador de desenvolvimento sustentável, aquele que “atende às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades”. A ideia de sustentabilidade diz respeito à noção de que a sociedade deve viver com os recursos naturais que o meio ambiente pode lhe fornecer, e não com o que ela deseja que a Terra lhe forneça. O desafio é aliar o progresso econômico à preservação do meio ambiente, o que exige uma mudança no modelo de desenvolvimento e nos padrões de consumo vigentes.

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SAIU NA IMPRENSA FALTA PLANEJAMENTO PARA QUE O BRASIL INVISTA NUM MODELO VERDE, DIZ ESTUDO Enquanto parte do mundo investe em uma nova indústria que produza mais, poupe energia e, assim, suje menos o ambiente com gases do efeito estufa, o Brasil segue parado nessa transição. É o que concluiu um estudo sobre o setor feito pelo Instituto Escolhas (...). “O grosso da indústria nacional é de baixa e média tecnologias. É também bastante poluente e ineficiente, com uma aposta em commodities sem valor agregado”, afirma Ricardo Sennes, diretor da consultoria Prospectiva. (...) A atual indústria de base do país, que fabrica insumos para setores fundamentais da economia, como a construção civil, é dependente de muita energia para operar. (...) Folha de S.Paulo, 28/11/2016 GE GEOGRAFIA 2018

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COMO CAI NA PROVA

1.(Enem 2016) (segunda aplicação)

RESOLUÇÃO

CÚPULA DOS POVOS COMEÇA COMO CONTRAPONTO À RIO+20 Enquanto a conferência oficial no Riocentro, na Barra, é restrita a participantes credenciados, que só entram depois de passar por um forte controle de segurança, a Cúpula dos Povos é aberta ao público, em tendas ao ar livre no Aterro do Flamengo. Ela é aberta também às tribos e discussões mais diversas, em mesas de debate e painéis geridos pelos próprios participantes, buscando promover a mobilização social. Problemas ambientais, econômicos, sociais, políticos e de minorias serão discutidos no evento, afirma uma ativista norte-americana, em alusão ao movimento que ocupou Wall Street, em Nova York, no ano passado. Disponível em. www.bbc.co.uk. Acesso em: 14 ago. 2012.

Uma articulação entre as agendas ambientalistas e a antiglobalização indica a a) humanização do sistema capitalista financeiro. b) consolidação do movimento operário internacional. c) promoção de consenso com as elites políticas locais. d) constituição de espaços de debates transversais globais. e) construção das pautas com os partidos políticos socialistas.

A alternativa incorreta, como pede a questão é a A. A área C apresenta descrição errada, pois corresponde às pradarias, também denominadas campos ou estepes. É caracterizada por formações vegetais arbustivas e herbáceas, além de vegetação xerófila em alguns casos. É um tipo de vegetação associada a clima temperado continental e semiárido. As outras regiões apontadas no mapa podem ser identificadas da seguinte forma: A letra A indica a formação vegetal chamada de tundra. A letra B corresponde às florestas boreais, também chamadas de floresta de coníferas ou taiga. A letra D corresponde a formação vegetal denominada savana. Resposta: A

3. (UEL 2017) Analise as figuras a seguir.

A Cúpula dos Povos foi um evento paralelo à Conferência Rio+20, ocorrida no Rio de Janeiro em 2012. Ela teve um caráter democrático e permitiu a participação de pessoas de várias partes do mundo, com o objetivo de discutir os temas abordados no âmbito das reuniões oficiais. Dessa forma, movimentos sociais e populares, sindicatos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos puderam realizar debates, tendo como temas principais a justiça social e questões ambientais. Dessa forma, os participantes do evento mostraram como as demandas de ambientalistas e de movimentos antiglobalização são convergentes, justificando a realização de um debate paralelo. Resposta: D

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RESOLUÇÃO

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2. (CFTMG 2017) Observe o mapa em sequência.

Disponível em: <http://www.ispn.org.br/arquivos/mapa-desmatamento-cerrado.jpg>. Acesso em: 12 ago. 2016.

As figuras 1 e 2 mostram a distribuição da vegetação no bioma Cerrado nos estados brasileiros. Cite e explique dois fatores que justificam as alterações ocorridas ao longo do tempo. A partir da análise do mapa, é INCORRETO afirmar que a vegetação primária indicada pela letra a) C, caracteriza-se por espécies latifoliadas de grande porte, com regimes pluviométricos elevados. b) D, possui um perfil morfológico diverso, englobando desde campos herbáceos até árvores esparsas. c) B, é relativamente homogênea, sendo historicamente impactada pela exploração da madeira e da celulose. d) A, é marcada pela presença de pequenos vegetais espaçados entre si, com predominância de líquens e musgos.

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RESOLUÇÃO Em meados do século XX, o bioma do Cerrado, um tipo de vegetação complexo adaptado ao clima tropical, localizado principalmente na porção central do Brasil, passou por um intenso processo de degradação ambiental. Cerca de 50% de sua cobertura vegetal foi devastada. Esse fato está associado à abertura de rodovias e à construção de Brasília. Podemos relacionar a devastação também à expansão da fronteira agrícola na região. O governo estimulou a ocupação das terras para a realização de práticas agropecuárias, fato que incentivou um crescente fluxo migratório (do Sul, do Sudeste e do Nordeste). A expansão do cultivo da soja e a utilização do Cerrado para pastagens ampliaram os problemas ambientais e também explicam a representação na Figura 2.


RESUMO

SAIBA MAIS A região do Cerrado responde por mais de 60% de toda a produção de soja no Brasil. Veja no mapa abaixo como o seu cultivo ocupa quase a totalidade do bioma.

O CERRADO E A ÁREA DE PRODUÇÃO DE SOJA NO BRASIL Em 2013

Biosfera BIODIVERSIDADE É a variabilidade de organismos vivos de todas as origens existentes (animais, vegetais e microrganismos) nos ecossistemas terrestres e aquáticos. A biodiversidade fornece a matéria-prima para produtos essenciais à sobrevivência humana, incluindo madeira, alimentos e medicamentos. Ações humanas como desmatamentos, ocupação desordenada e poluição de solos e rios são a grande ameaça à diversidade biológica e provocam extinção de espécies. SUSTENTABILIDADE O conceito de desenvolvimento sustentável propõe utilizar os recursos naturais de forma que a natureza os consiga repor, para garantir as necessidades das gerações futuras. Essa ideia tem como objetivo conciliar o desenvolvimento econômico com o respeito ao meio ambiente.

Quantidade produzida de soja em milhares de toneladas

30 a 300

Acima de 300

Bioma do Cerrado 0

1000 Km

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Fonte: Confederação Nacional do Transporte e IBGE

N E V 4. (Uerj 2016)

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ECOSSISTEMAS São áreas de qualquer dimensão onde há uma relação de interdependência entre os seres vivos (plantas, animais e decompositores) e os fatores físicos do meio ambiente, como o solo e a água.

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BIODIVERSIDADE? CONHEÇO DE ALGUM LUGAR... Ter ouvido falar em biodiversidade é uma coisa. Saber definir o termo, outra – pelo menos segundo uma pesquisa global realizada pela União para o BioComércio Ético (UEBT), associação sem fins lucrativos que busca promover o uso respeitoso da biodiversidade. Foram ouvidas mil pessoas em cada um dos dezesseis países participantes, incluindo o Brasil. Por aqui, embora 92% dos entrevistados já tenham ouvido falar no assunto, apenas 44% deles conseguem dar uma definição satisfatória do termo – um número alto se comparado à média mundial, de 28%. Ainda segundo os resultados da pesquisa, a televisão e o rádio são as maiores fontes de informação que os brasileiros têm sobre biodiversidade, seguidas pela escola e por artigos em jornais e revistas. Adaptado de cienciahoje.uol.com.br, 30/07/2015.

De acordo com a Convenção sobre a Diversidade Biológica de 1992, biodiversidade é a variedade de organismos vivos existentes no planeta ou em uma determinada região do globo, incluindo ecossistemas terrestres e marinhos. Aponte dois fatores que provocam a perda da biodiversidade de uma região.

RESOLUÇÃO Entre os fatores que interferem negativamente na biodiversidade de uma região, é possível citar a urbanização – o habitat natural costuma ser afetado pela construção de estradas e por obras de infraestrutura. Também afetam a biodiversidade o desmatamento para a introdução de culturas agrícolas ou pastagem e a contaminação dos ambientes por pesticidas, agrotóxicos e lixo industrial.

VEGETAÇÃO NO MUNDO São nove os principais tipos de vegetação: deserto, estepe (campos, pampas, pradaria), floresta de coníferas, floresta temperada, floresta tropical, savana/cerrado, tundra, vegetação de montanha e vegetação mediterrânea. As regiões de baixa latitude, onde há maior incidência de chuva e luz solar, propiciam maior diversidade vegetal. Conforme a latitude vai aumentando, a variedade de plantas diminui progressivamente. BIOMAS BRASILEIROS Biomas são comunidades formadas por organismos estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas às condições ambientais de uma grande região. Os seis grandes biomas brasileiros são: a Amazônia (o maior do país), a Caatinga (exclusivamente brasileiro), o Cerrado (um dos mais ameaçados do mundo), a Mata Atlântica (possui apenas 22% de vegetação remanescente), o Pampa (também modificado, é usado como pastagem) e o Pantanal (o mais bem preservado). DESMATAMENTO A extração da madeira, a agropecuária, o avanço das cidades e a exploração mineral são as principais ações que exercem pressão sobre as florestas. Mais de 75% da cobertura vegetal original do mundo já foi desmatada. No Brasil, a Amazônia já perdeu 12% da sua cobertura original; a Mata Atlântica e o Cerrado estão entre os biomas mais ameaçados do planeta.

CÓDIGO FLORESTAL Sancionado em outubro de 2012, o novo Código Florestal pretende regulamentar o uso da terra. Ambientalistas criticam a ampliação da área permitida para o desmatamento, o que era uma exigência dos produtores rurais. A isenção de multa a quem desmatou até 2008 é outro tema controverso.

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ATLAS CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO

 Mapa-múndi ............................118  Perfil dos continentes ..........120  África ..........................................121  América .....................................122  Antártica ...................................123  Ásia .............................................124  Europa e Oceania ...................125  Brasil ..........................................126  Perfil das regiões ....................128  Centro-Oeste e Nordeste ......129  Norte e Sudeste.......................130  Sul ...............................................131

O mundo em resumo

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superfície do planeta é dividida em seis continentes, as grandes extensões de terra emersas limitadas pelas águas de mares e oceanos. Eles ocupam 150.377.393 quilômetros quadrados, dimensão que corresponde a 29,4% da superfície total do globo. Mas nem sempre foi assim. Há cerca de 400 milhões de anos, as terras do planeta estavam reunidas em um único continente, chamado de Pangeia – em grego, pan significa toda; e geia, terra. Esse imenso bloco começou a rachar no sentido leste-oeste por volta de 200 milhões de anos atrás e, aos poucos, seus territórios foram se afastando uns dos outros, dando origem aos continentes como conhecemos hoje (veja mais na pág. 30). A atual configuração física do globo foi estabelecida há 65 milhões de anos, em decorrência desse processo de deslocamento da crosta. O movimento constituiu os seis continentes existentes: África, América, Antártica (ou Antártida), Ásia, Europa e Oceania. A América, por sua vez, é subdividida em três: América do Norte, América Central e

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Confira a seguir um abrangente retrato físico, econômico e social das seis grandes extensões de terra do planeta

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A TERRA É AZUL (E AMARELA) Imagem de satélite mostra o planeta visto do espaço – os pontos luminosos são da cidade de Moscou, capital da Rússia

América do Sul. Vale ressaltar que o Ártico, região de mares e águas congeladas, não é um continente. Como você verá nas páginas seguintes, os continentes apresentam características físicas, sociais e econômicas bastante diferenciadas.

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA

A litosfera não é contínua, mas dividida em vários blocos, denominados placas tectônicas. Elas são separadas por grandes fendas vulcânicas em permanente atividade no fundo do mar. Através dessas fendas, o magma sobe à superfície. Isso expande o fundo do mar e movimenta, em várias direções, os blocos que formam a superfície (veja mais na pág. 30). A própria distribuição das superfícies continentais se dá de forma desigual, correspondendo a 40,4% da área do Hemisfério Norte e a apenas 14,4% da do Hemisfério Sul. As regiões polares também são distintas. No sul, há um continente – a Antártica – coberto por espessa camada de gelo; já no norte, existe uma grande depressão, coberta pelo Oceano Ártico.


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N E V POPULAÇÃO

NASA

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A Ásia é o maior e mais populoso dos continentes, reunindo quase 60% dos habitantes do globo. É também o berço de algumas das mais antigas civilizações e religiões do mundo. As duas nações com a maior população estão no continente asiático: China (1,4 bilhão de pessoas) e Índia (1,3 bilhão). Em contrapartida, o crescimento demográfico na Europa está praticamente estagnado. No período entre 2010 e 2015, a ONU estima que sua população tenha crescido apenas 0,1%. Com isso, a Europa acaba necessitando de mão de obra especializada de outras partes do planeta. A discussão em torno da imigração ilegal de trabalhadores sem qualificação se torna cada vez mais intensa e tem sido motivo de criação de diversas – e polêmicas – legislações restritivas. Já na América, os Estados Unidos (EUA), por sua força econômica, são o principal polo receptor de imigrantes. Em 2015 viviam no país 43,3 milhões de imigrantes, que representam 13,5% da população total. Os mexicanos formam o maior grupo, constituindo 11,6 milhões – só no ano passado, pelo menos 140 mil pessoas migraram do México para os EUA.

A ID

ECONOMIA

Do ponto de vista dos recursos naturais, a Ásia abriga as maiores jazidas conhecidas de petróleo, em particular no Oriente Médio e nos países de sua região central. A África, por sua vez, apresenta os problemas sociais mais agudos, especialmente na região ao sul do Deserto do Saara (a África Subsaariana). Embora o continente reúna as maiores reservas de minérios e pedras preciosas do planeta, sua população vive em extrema miséria. Bolsões de pobreza também são encontrados na maior parte da Ásia e nas porções central e sul da América, que, com o México, formam a América Latina. A produção de riquezas concentra-se principalmente na América do Norte e na Europa: a soma do Produto Interno Bruto (PIB) dos países dessas regiões é superior a 50% do total do planeta. Nessas nações estão os indicadores sociais mais positivos do mundo, que garantem boas condições de vida a ampla parcela da população. Na Ásia, destacam-se China e Japão – segunda e terceira maiores economias mundiais, respectivamente. GE GEOGRAFIA 2018

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ATLAS MUNDO

POLO NORTE ALASCA (EUA)

RÚSSIA CÍRC ULO PO LAR ÁR

ALASCA

O TIC

CANADÁ

CANADÁ RÚSSIA

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

POLO NORTE

OCEANO ATLÂNTICO BAHAMAS

GROENLÂNDIA

MÉXICO

TRÓPICO DE CÂNCER

CUBA

Suécia

BELIZE

Finlândia

A ID

NICARÁGUA

EL SALVADOR

Noruega

PORTO RICO

HONDURAS

GUATEMALA

COSTA RICA

VENEZUELA

PANAMÁ

COLÔMBIA

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EQUADOR P

EQUADOR

O

POLO SUL

L I N

I. Marquesas (FRA)

É S I A

CÍRC ULO PO LA RA O TIC ÁR NT

Mar de Weddell

R P

ILHAS SAMOA

I. Tahiti (FRA)

TONGA

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

A D

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DENSIDADE

Em milhões, 2016

Habitantes/km², 2016

URUGUAI

ILHAS FALKLAND (MALVINAS)

82,6

79,5

74,2

71,3

48,7

nia ea

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641

ARGENTINA

Em %, 2016

98,4

31,8

e

2.000

oN

3.000

1.000

PARAGUAI

CHILE

POPULAÇÃO URBANA

71,2

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4.000

90 80 70 60 50 40,2 40 30 20 10 0

Am

4.436,2

1.216,1

BOLÍVIA

ANTÁRTICA

POPULAÇÃO 5.000

OCEANO PACÍFICO

BRASIL

CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

ro

OCEANO PACÍFICO

Oc

Mar de Ross

Mar de Davis

ia

Mar de Amundsen

Eu

POLO SUL

Ás

Mar de Bellingshausen

PERU

Am

OCEANO ATLÂNTICO

GUIANA SURINAME GUIANA FRANCESA

Oc

Islândia

ILHAS HAVAÍ (EUA)

REP. DOMINICANA HAITI

JAMAICA

Fonte: Banco Mundial e ONU

118 GE GEOGRAFIA 2018


OCEANO ÁRTICO GROENLÂNDIA (DIN)

ISLÂNDIA

CÍRCULO POLAR ÁRTICO

FINLÂNDIA NORUEGA

REINO UNIDO

SUÉCIA

POLÔNIA

IRLANDA

ALEMANHA

MONGÓLIA

HUNGRIA ROMÊNIA BULGÁRIA

ESPANHA PORTUGAL

CHIPRE SÍRIA IRAQUE LÍBANO ISRAEL JORDÂNIA

MARROCOS LÍBIA

EGITO

Saara Ocidental

MAURITÂNIA

SENEGAL GÂMBIA GUINÉ-BISSAU GUINÉ

MALI BURKINA FASSO

COSTA SERRA LEOA DO LIBÉRIA MARFIM

CHADE

GUINÉ EQUATORIAL

SUDÃO

REPÚBLICA CENTROAFRICANA

CAMARÕES

ERITREIA

SUDÃO DO SUL

KUWAIT BAREIN CATAR EMIRADOS ÁRABES UNIDOS

BUTÃO

UGANDA

LAOS

ÍNDIA

TAILÂNDIA

VIETNÃ CAMBOJA

ETIÓPIA

MALDIVAS

BRUNEI

MALÁSIA CINGAPURA

SEICHELES COMORES

MALAUÍ

MAURÍCIO

A D SUAZILÂNDIA

ÁFRICA DO SUL

LESOTO

N E V

I. GEÓRGIA DO SUL

OCEANO ANTÁRTICO

L

A

N

É

C

ILHAS MARSHALL

R

O

N

É

S

NAURU

I

A

KIRIBATI

S

I

A

SALOMÃO

TUVALU

VANUATU

FIJI

NOVA CALEDÔNIA (FRA)

AUSTRÁLIA

NOVA ZELÂNDIA

N

Projeção Robinson

FINLÂNDIA

NORUEGA

Mar do Caribe

IRLANDA

REINO UNIDO

FRANÇA

I. Orchilla I. Blanquilla (VEN) (VEN) I. Margarita I. La Tortuga (VEN) (VEN)

LIECHTENSTEIN

SUÍÇA

REP. TCHECA ESLOVÁQUIA ÁUSTRIA HUNGRIA

SAN MARINO

BÓSNIA– HERZEGOVINA

VATICANO

ESPANHA

SÉRVIA

MONTENEGRO

ALBÂNIA

Mar Mediterrâneo

UCRÂNIA MOLDÁVIA

ROMÊNIA

ESLOVÊNIA CROÁCIA

ITÁLIA PORTUGAL

TRINIDAD E TOBAGO

ALEMANHA

ANDORRA

GRANADA

BELARUS

POLÔNIA

MÔNACO

BARBADOS

RÚSSIA

LITUÂNIA

HOLANDA

LUXEMBURGO

SANTA LÚCIA

ESTÔNIA LETÔNIA

DINAMARCA

BÉLGICA

I. Martinica (FRA)

SÃO VICENTE E GRANADINAS

SUÉCIA

Mar do Norte

Il

I. Anguilla (RUN) I. S. Martin (FRA e HOL) ANTÍGUA E BARBUDA SÃO CRISTÓVÃO E NÉVIS I. Montserrat (RUN) I. Guadalupe (FRA)

(EUA)

DOMINICA

AMÉRICA DO SUL

TIMOR-LESTE

R P

rgens s Vi a h (RUN)

I. Aruba (HOL) I. Curaçao (HOL) I. Bonaire (HOL)

E

PAPUA NOVA-GUINÉ

OCEANO ÍNDICO

I

FEDERAÇÃO DOS ESTADOS DA MICRONÉSIA M

B I O INDONÉSIA

MOCAMBIQUE MADAGASCAR ZIMBÁBUE

NAMÍBIA

A ID

SRI LANKA

QUÊNIA

TANZÂNIA

ZÂMBIA

OCEANO PACÍFICO

FILIPINAS

M

RUANDA BURUNDI

REP. DEM. DO CONGO ANGOLA

Porto Rico (EUA)

TAIWAN (FORMOSA)

BANGLADESH MIANMAR

IÊMEN

BOTSUANA

REP. DOMINICANA

NEPAL

PAQUISTÃO

JAPÃO

COREIA DO SUL

CHINA

SOMÁLIA

CONGO

GABÃO

OCEANO ATLÂNTICO

ARÁBIA SAUDITA

AFEGANISTÃO

DJIBUTI

NIGÉRIA

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

IRÃ

COREIA DO NORTE

QUIRGUISTÃO TADJIQUISTÃO

OMÃ

NÍGER

GANA TOGO BENIN

CABO VERDE

ARMÊNIA AZERBAIJÃO TURCOMENISTÃO

TURQUIA

GRÉCIA

ARGÉLIA

UZBEQUISTÃO

GEÓRGIA

ITÁLIA TUNÍSIA

Ilhas Canárias

CAZAQUISTÃO

UCRÂNIA

ÁUSTRIA

FRANÇA AÇORES (POR)

RÚSSIA

ESTÔNIA LETÔNIA LITUÂNIA BELARUS

DINAMARCA

BULGÁRIA MACEDÔNIA

Mar Negro

GEÓRGIA

GRÉCIA MALTA

TURQUIA CHIPRE

SÍRIA

Í GE GEOGRAFIA 2018

119


ATLAS MUNDO

Ásia

Europa América

África Oceania Antártica

ÁREA DISTRIBUÍDA (em %) Total mundial: 150.377.393 km2 América 27,9

Ásia 30,0

Europa 6,9

Oceania 5,7

África 20,1

Antártica 9,3

A Perfil dos continentesID B I O R P A D N E O que dizem os números

POPULAÇÃO – 2016* Distribuição, em %

V

Europa 9,9

PIB PER CAPITA – 2015 (em dólares)

PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 2015* (em % por continente)

Oceania 0,5

46.623

África 3,1

Oceania 2,5

África 16,4

25.714

25.151

América 13,5

América 34,6

Europa 26,3

5.489 1.884 Ásia 59,7 *Total de 7,432 bilhões em 2016

Ásia 33,5

África

América

Ásia

Europa

Oceania

*Total mundial: 74,2 trilhões de dólares

COMPARANDO ÁSIA E AMÉRICA A Ásia é o maior continente do planeta em área, superando por apenas 2,1% a América. No entanto, a população asiática representa quase 60% de todos os habitantes do mundo, muito acima dos indicadores da América, que somam apenas 13,5%. Esse elevado povoamento diz muito a respeito do Produto Interno Bruto (PIB) asiático, que é responsável por um terço de toda a riqueza produzida no mundo. Mas perceba que, mesmo com uma população quatro vezes menor que a asiática, a América tem um PIB 1,1% superior. Essa diferença se traduz nos dados de PIB per capita, ou seja, o quanto cada habitante do continente recebe por ano. Enquanto os asiáticos ganham apenas 5.489 dólares por ano em média, os trabalhadores da América recebem 25.151 dólares. Fontes: Fundo de Populações das Nações Unidas e Banco Mundial

120 GE GEOGRAFIA 2018


N E V

A D

R P

B I O

A ID


ATLAS MUNDO

AMÉRICA

72%

do produto interno bruto das Américas é gerado nos Estados Unidos

Três em um

S

egundo continente mais extenso, com área de 42 milhões de quilômetros quadrados, a América é formada por duas grandes massas de terra (América do Norte e América do Sul), unidas por uma estreita faixa (América Central). Um sistema de cadeias montanhosas percorre o território em sua porção oeste, sem interrupção, desde o Estreito de Magalhães, no extremo sul, até o Estreito de Bering, no extremo norte. Nenhum continente apresenta tamanho desequilíbrio regional quanto a América. Ao norte, os Estados Unidos (EUA) e o Canadá são duas das mais desenvolvidas nações do planeta, enquanto os outros países – que compõem a América Latina – estão num nível de desenvolvimento bem inferior.

A D

N E V FENDA CONTINENTAL Navios cruzam o Canal do Panamá, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico

AMÉRICA CENTRAL

A região, que responde por apenas 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da América, sobrevive basicamente da agricultura e do turismo. Pelo Canal do Panamá, a principal passagem entre o Oceano Atlântico e o Pacífico, circulam 5% de todo o comércio marítimo mundial. A região abriga, ainda, a única nação comunista do continente americano: Cuba. DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A América Central, com 748,6 mil quilômetros quadrados, é formada pelo istmo que une a América do Norte à América do Sul e pelas ilhas do Mar do Caribe. O território centro-americano possui relevo montanhoso, com vários vulcões ativos. No verão, o Caribe é assolado por furacões, com ventos de até 300 quilômetros por hora. POPULAÇÃO Reúne 89,9 milhões de habitantes em 2016. A região é povoada em grande parte por mestiços, descendentes de índios, africanos e colonizadores europeus. ECONOMIA A agricultura emprega a maioria da população. A industrialização é incipiente e limita-se ao processamento de produtos agrícolas. O turismo na região do Caribe está em plena expansão.

122 GE GEOGRAFIA 2018

B I O

R P

[2]

A ID

BELEZA AMERICANA O Grand Canyon, nos Estados Unidos, tem paredões com quase 2 mil metros de altura

AMÉRICA DO NORTE

A América do Norte é ocupada por três grandes países: Canadá, EUA – bastante desenvolvidos – e México, menos desenvolvido. DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Compreende uma área de 23,4 milhões de quilômetros quadrados. Suas principais elevações se localizam a oeste, enquanto a maior bacia hidrográfica, a do Mississippi-Missouri, se situa a leste. A maior ilha do mundo fica na América do Norte: Groenlândia, com quase 2,2 milhões de quilômetros quadrados. Na porção norte, de clima continental frio, predominam as florestas de coníferas; o centro e o sudeste, de clima continental, são ocupados por florestas temperadas e pradarias; no sudoeste, há desertos. POPULAÇÃO Abriga cerca de 489,2 milhões de habitantes em 2016. A maioria descende de colonizadores europeus, de escravos africanos e de vários grupos de imigrantes. Os principais centros urbanos encontram-se na Cidade do México, em Nova York e Los Angeles. ECONOMIA É plenamente industrializada nos Estados Unidos e no Canadá e, em menor grau, no México. A América do Norte apresenta agricultura altamente mecanizada, com destaque para a produção de cereais, milho, soja e laranja. Além disso, possui vastas reservas de combustíveis fósseis e minérios.

[1]


AMÉRICA DO SUL

Polar Antártico Círculo

OCEANO ATLÂNTICO

Neumayer (Alemanha) Ilhas Shetland do Sul

su la

Syowa (Japão)

ártica

congelado

Mar de Bellingshausen

TERRA DE ELLSWORTH Plataforma de gelo Ronne Maciço Vinson 5.897 m

Mar de Amundsen Ilhas Shetland do Sul

80º S

Plataforma de gelo Filchner

Criosfera 1 ANTÁRTICA OCIDENTAL

TERRA DE ENDERBY

ANTÁRTICA ORIENTAL

Geleira Lambert

5

90º L

TERRA DE WILKES

B I O

Ilha Rei George

Plataforma de gelo Ross

Mirny (Rússia)

Mar de Davis

Amundsen-Scott (EUA)

TERRA DE MARIE BYRD

R P 6 4 3

2

A ID

POLO SUL

Scott Base (Nova Zelândia)

McMurdo (EUA)

Mar de Ross

7

Mawson (Austrália)

s tica

OCEANO PACÍFICO

Ant

Rothera (Reino Unido)

ma r xtremo do Limite e

90º O

1 Comandante Ferraz (Brasil) 2 Arctowski (Polônia) 3 Jubany (Argentina) 4 King Sejong (Coreia do Sul) 5 Artigas (Uruguai) 6 Eduardo Frei (Chile) 7 Great Wall (China) 180º

*Bulgária, Equador, Espanha, Finlândia, Peru, Romênia, Suécia e República Tcheca mantêm apenas bases temporárias Fonte: Comitê Científico de Pesquisa Antártica (SCAR)

A D T

N E V

OCEANO ÍNDICO

Maitri (Índia)

TERRA DA RAINHA MAUD

ár Montanhas Transant

[3]

70º S

Sanae IV Troll (África do Sul) (Noruega)

Mar de Weddell

Marambio (Argentina)

1

ECONOMIA A indústria está centrada na produção agrícola e de bens de consumo. No Brasil e na Argentina, encontra-se mais diversificada, abrangendo setores como siderurgia e metalurgia. O Brasil é responsável por cerca de três quintos da produção industrial sul-americana.

das reservas de água doce da Terra estão sob a forma de gelo na Antártica

n

POPULAÇÃO A América do Sul tem 422,5 milhões de habitantes em 2016. A população é formada por descendentes de europeus (em especial espanhóis e portugueses), africanos e indígenas, contando com alta porcentagem de mestiços.

ANTÁRTICA

í Pen

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A América do Sul conta com 17,8 milhões de quilômetros quadrados. A porção oeste é ocupada pela Cordilheira dos Andes, cujo ponto mais alto é o Pico Aconcágua (6.959 metros). As planícies centrais abrigam a bacia hidrográfica do Orinoco, a Amazônica e a do Prata. Na região norte, onde o clima é equatorial, encontram-se florestas latifoliadas tropicais úmidas. O sul possui faixas de clima desértico, como na região de Atacama, e uma zona temperada, ocupada por florestas subtropicais e pelos pampas argentinos.

70% Cerca de

A região possui vastos recursos naturais, mas também graves problemas sociais. O Brasil é a economia mais desenvolvida, enquanto Chile, Argentina e Uruguai apresentam melhor índice de desenvolvimento humano (IDH).

Casey (Austrália)

Dummont d'Urville (França)

ESCALA

0

755 km

Principal base permanente de cada país*

O continente de gelo

ambém chamada de Antártida, a Antártica é coberta por uma enorme camada de gelo. A superfície do continente ocupa 14 milhões de quilômetros quadrados, e 99% de sua superfície é coberta por um manto de gelo que atinge quase 5 quilômetros de espessura. Essa massa de gelo é de extrema importância para o equilíbrio do planeta. Isso porque, além de concentrar cerca de 70% das reservas de água doce da Terra, interfere no nível dos oceanos, por causa das variações em sua extensão e espessura. No inverno, até 18 milhões de quilômetros quadrados do oceano em torno do continente ficam cobertos por uma fina camada de gelo. O buraco na camada de ozônio localiza-se em cima do continente e ameaça a estabilidade de suas geleiras (90% das existentes no planeta), em virtude da maior exposição à radiação solar (veja mais na pág. 82). DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A Antártica é cercada pelas águas dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. É o lugar mais frio do globo com temperaturas inferiores a 0 ºC no verão e menores que -80 ºC no inverno. Sob a grossa camada de gelo, estende-se o Lago Vostok, um dos maiores do mundo, com 10 mil quilômetros quadrados de extensão.

FENÔMENO AMAZÔNICO O famoso encontro das águas escuras do Rio Negro com o barrento Rio Solimões [1] DIVULGAÇÃO/ NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL MARQUES

ECONOMIA As atividades humanas no continente restringem-se à pesca e à investigação científica. Diversas nações mantêm base de pesquisa na região, entre as quais o Brasil, que desenvolve atividades na Base Comandante Ferraz. Em 1991 foi assinado o Protocolo de Madri, que entrou em vigor em 1998. Esse documento proíbe por 50 anos a exploração econômica dos recursos naturais. A medida é preventiva, já que, até hoje, não foram encontradas reservas de interesse comercial. Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido reivindicam áreas no continente. GE GEOGRAFIA 2018

123


ATLAS MUNDO

50% Mais de

ÁSIA

das reservas mundiais de petróleo estão no Oriente Médio

Vastidão oriental

A

Ásia é o maior e o mais populoso continente. Na Cordilheira do Himalaia, estão os pontos mais altos do planeta, em especial o Monte Everest, com 8.850 metros, na fronteira entre o Nepal e a China. Situam-se no continente asiático algumas das maiores concentrações humanas, em megacidades como Tóquio, no Japão. Os recursos naturais são imensos. A Ásia produz quase metade do petróleo do mundo, possuindo as maiores reservas conhecidas, nos países do Golfo Pérsico. Ao lado do Japão, a principal nação industrial do continente, e de países em acelerado processo de desenvolvimento, como a China, há várias regiões atrasadas, com graves problemas sociais, sobretudo na Ásia Central. A região também sofre com sérios conflitos, como a guerra civil na Síria. As disputas territoriais entre israelenses e palestinos, no Oriente Médio, e o conflito entre Índia e Paquistão pela região da Caxemira, são outros exemplos. Mais recentemente, o fundamentalismo religioso deu origem a grupos como o Estado Islâmico, que controla regiões no Iraque e na Síria.

TRADIÇÃO Família nômade da Mongólia, país que abriga povos e culturas milenares

DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO – 2016* Em %

Índia 29,9

China 31,3 Demais países 22,1

Indonésia 5,9 Japão 2,8

Bangladesh 3,7

*Não inclui a Rússia Fonte: Fundo de Populações das Nações Unidas (Fnuap)

124 GE GEOGRAFIA 2018

Paquistão 4,3

B I O

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Maior continente do mundo, sua área é de cerca de 45 milhões de quilômetros quadrados. A fronteira convencional entre Ásia e Europa é determinada pelos Montes Urais, pelo Rio Ural, pelo Mar Cáspio, pelas montanhas do Cáucaso e pelo Mar Negro. Dessa forma, os territórios de Turquia e Rússia estendem-se pelos dois continentes. O relevo asiático apresenta a maior altitude média da Terra (960 metros), em razão da presença de grandes cadeias montanhosas, entre as quais a Cordilheira do Himalaia e a do Kunlun, que contornam o planalto do Tibete. Há também grandes depressões, como o Mar Morto, situado 365 metros abaixo do nível do mar. Em virtude da vastidão de seu território, da diversidade de relevos e do regime de monções (vento periódico que, no verão, sopra do mar para o continente e, no inverno, do continente para o mar), existem muitos tipos de clima na Ásia. Como consequência, há também grande variedade de vegetação: tundra, estepes, florestas de coníferas, florestas temperadas e florestas tropicais.

A D

N E V

A ID [1]

R P

POPULAÇÃO O continente é o mais populoso do mundo, com 4,4 bilhões de habitantes em 2016. A distribuição da população é bastante desigual, com mais de 60% dos habitantes concentrados na China e na Índia. Há grande diversidade étnica, linguística e religiosa. Os conflitos em curso no continente provocam grandes deslocamentos de pessoas – os maiores contingentes de refugiados são formados por 5 milhões de palestinos e 4,9 milhões de emigrados da Síria, que fogem da guerra civil iniciada em 2011. ECONOMIA A Ásia apresenta contrastes econômicos extremos. A porção mais desenvolvida – que inclui países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan – registra renda per capita quase 100 vezes maior que a das regiões pobres. No sul do continente, região que abrange nações como Índia, Paquistão e Bangladesh, a pobreza atinge elevadas proporções: 15% da população vive com menos de 1,90 dólar por dia. Desde a abertura econômica iniciada no fim dos anos 1970, a China é o país que mais se industrializa na Ásia. Em pouco mais de um quarto de século, o país tornou-se a segunda maior economia global, atrás apenas dos Estados Unidos, e o maior exportador mundial. A extração mineral é a principal fonte de divisas dos prósperos países do Golfo Pérsico, que detêm mais de 50% das jazidas mundiais de petróleo. A atividade extrativista é intensa também na Rússia – dona de cerca de um terço do gás natural do planeta e de grandes reservas conhecidas de petróleo. Apesar da intensa modernização econômica, grande parte dos empregos no continente estão na agricultura – no sul da Ásia, por exemplo, metade da força de trabalho atua no setor. A Ásia responde por aproximadamente 45% da produção mundial de cereais, com destaque para o arroz (90% do que se produz no planeta). Mas, ainda assim, precisa importá-los para suprir a demanda interna, especialmente da China.


90% Mais de

EUROPA

OCEANIA

da cobertura original de florestas já foi devastada na maior parte da Europa

Mais que cangurus PRAIA NEGRA Litoral da Islândia, a segunda maior ilha da Europa, repleta de vulcões ativos

[2]

Berço da civilização ocidental

O

continente é considerado o berço da civilização ocidental. Ali se desenvolveram, por exemplo, o Renascimento, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, eventos que moldaram o mundo moderno. A pequena extensão da Europa contrasta com sua importância histórica. Impulsionado pela expansão marítima e comercial, o continente exerceu, por séculos, papel hegemônico sobre o globo, abrigando várias potências coloniais. Porém, após o fim da II Guerra Mundial, o continente viu-se dividido, por décadas, em dois blocos hostis, um capitalista e outro socialista – eles correspondem, em linhas gerais, à Europa Ocidental e à Europa Oriental. A primeira é integrada pelas nações mais ricas do continente. A segunda é formada predominantemente por países que saíram do bloco comunista e procuram melhorar sua economia. Após o encerramento da Guerra Fria, nos anos 1990, foi criada a União Europeia (UE), o principal bloco econômico do mundo. Atualmente, a UE tenta superar uma grave crise econômica, alavancada pelo alto endividamento dos países-membros.

A D

N E V

A ID

B I O

R P

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A Europa pertence, com a Ásia, à massa de terra conhecida como Eurásia. O continente europeu tem área de 10 milhões de quilômetros quadrados. A maior parte do território é formada por planícies. Predomina o clima temperado, mas há variações. A vegetação original já foi bastante devastada, prevalecendo florestas temperadas e de coníferas. POPULAÇÃO O continente tem 738,8 milhões de habitantes em 2016 e é o único com tendência de redução da população. Paralelamente às baixas taxas de natalidade, o envelhecimento dos habitantes exerce forte pressão demográfica no continente e pode comprometer o crescimento econômico. Por isso, apesar da atual resistência de muitos países à entrada de imigrantes, a Europa precisa da força de trabalho dos estrangeiros. ECONOMIA O parque industrial europeu é um dos mais avançados do mundo, com destaque para os setores automobilístico, químico, siderúrgico e de telecomunicações. Persistem, entretanto, contrastes de desenvolvimento entre os países ocidentais, que detêm cerca de 80% do PIB do continente, e as nações do leste, do ex-bloco comunista. A criação da União Europeia, em 1992, tenta superar esse quadro desigual, mas a crise atual da região explicita o fosso que separa as nações ricas das mais atrasadas. [1] CINDY WILK [2] ALMIR DE FREITAS [3] DIVULGAÇÃO

A

Oceania é formada por uma massa continental (a Austrália), a parte leste da Ilha de Nova Guiné, as ilhas que constituem a Nova Zelândia e pequenas ilhas e atóis que se espalham pelo Oceano Pacífico. Essas ilhas menores se dividem em três grupos: a Polinésia, no extremo leste; a Melanésia, na região central; e a Micronésia, situada ao norte. Há diferenças marcantes na região. Enquanto a Austrália e a Nova Zelândia são nações desenvolvidas, as demais têm economia frágil. A Oceania enfrenta, ainda, graves problemas ambientais. Estudos indicam que, dentro de um século, a elevação do nível do mar, causada pelo aquecimento global, poderá submergir ilhas e atóis da região.

[3]

[2]

POVOS NATIVOS Os aborígenes habitam o território da Austrália desde, pelo menos, 45 mil anos antes de Cristo

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA É o menor continente do mundo, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados de extensão. A Austrália corresponde a cerca de 90% da área emersa da Oceania. A maioria das ilhas da Oceania é de origem vulcânica, sendo cobertas de florestas tropicais. POPULAÇÃO A Oceania é também o menos habitado dos continentes, com 39,6 milhões de pessoas em 2016. Cerca de 60% dessa população vive na Austrália. ECONOMIA A Austrália destaca-se pelo parque industrial, pela agricultura e pela extração mineral, enquanto a economia das ilhas do Pacífico é agrícola. GE GEOGRAFIA 2018

125


ATLAS BRASIL

A D O Brasil N E em resumo V

A ID

B I O

R P

PLANO PILOTO Imagem de satélite mostra Brasília à noite: a iluminação permite observar o projeto urbanístico, que é comparado às formas de um avião

Q

uinto maior país do mundo, o Brasil conta com um território de 8.515.767 quilômetros quadrados de extensão. Com todo esse tamanho, para efeitos administrativos, nosso território é dividido em cinco regiões: Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. Essa divisão regional, que fica a cargo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem como objetivo reunir estados com traços físicos, humanos, econômicos e sociais comuns, o que ajuda no planejamento de políticas voltadas para áreas com necessidades semelhantes. Mas nem sempre o Brasil foi “repartido” da forma como é hoje, tendo sido estabelecidas muitas divisões regionais no decorrer da história. A atual está em vigor desde 1970, mas sofreu algumas alterações depois da Constituição de 1988. O estado do Tocantins foi criado com a divisão de Goiás e incorporado à Região Norte. Além disso, Roraima, Amapá e Rondônia deixaram de ser territórios para se tornar estados. Por fim, Fernando de Noronha foi incorporado ao estado de

126 GE GEOGRAFIA 2018

Confira a seguir as principais características físicas, econômicas e sociais das cinco regiões brasileiras Pernambuco. Em 2017, o Brasil registra 5.570 municípios nos 26 estados mais o Distrito Federal. A despeito do tipo de recorte, o fato é que as disparidades entre as regiões são muito grandes. Para ter uma ideia, a Região Sudeste, a segunda menor em área, possui o maior número de habitantes, o maior percentual de pessoas que vivem em cidades e é responsável por mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A Região Nordeste, por sua vez, apresenta alguns dos mais baixos indicadores sociais. A Região Norte, com o segundo menor número de habitantes, apresenta o maior contingente de população indígena e tem o mais alto índice de crescimento demográfico. A Região Sul, seguida de perto pela Sudeste, é a que apresenta os melhores indicadores: tem o menor índice de mortalidade infantil e a menor taxa de analfabetismo. A Região Centro-Oeste, embora conte com população menor, apresenta acelerado crescimento demográfico, atrás apenas da Região Norte. NASA


ESTADOS E CAPITAIS BRASILEIROS

VENEZUELA COLÔMBIA Boa Vista

Penedos de S. Pedro e S. Paulo (RN) 3’56’S

3’50’S

29’22’O

AMAPÁ

RORAIMA

Equador

Fernando de Noronha (PE)

SURINAME Guiana Francesa (França) GUIANA

Macapá

Atol das Rocas (RN)

32’24’O

3’52’S

Belém

33’50’O

Manaus São Luís

AMAZONAS

MARANHÃO

PARÁ

NORTE

Fortaleza

CEARÁ

Teresina

RIO GRANDE DO NORTE Natal

A ID

PARAÍBA

João Pessoa

PIAUÍ PERNAMBUCO ACRE

Recife

Porto Velho

Palmas

Rio Branco

100 S

RONDÔNIA

DISTRITO FEDERAL

R P

Cuiabá

BOLÍVIA

GOIÁS

Goiânia

A D

MATO GROSSO DO SUL

N E V 250 S

Oceano Pacífico

CHILE

PARAGUAI

NORDESTE

BAHIA

MATO GROSSO CENTRO-OESTE

Trópico de Capricórnio

B I O

TOCANTINS

PERU

Aracaju

Salvador

MINAS GERAIS

Belo Horizonte

SUDESTE

Campo Grande

ALAGOAS Maceió SERGIPE

SÃO PAULO

Abrolhos (BA) 17’25’S

38’33’O

ESPÍRITO SANTO

Vitória

Oceano Atlântico

RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro

São Paulo

PARANÁ

Ilha de Trindade (ES)

Curitiba

ARGENTINA

Ilha de Martin Vaz (ES)

SANTA CATARINA Florianópolis

SUL RIO GRANDE DO SUL

20’31’S

Porto Alegre

28’50’O

20’32’S

29’19’O

URUGUAI 550 O

450 O

NORTE PAÍSES QUE FAZEM FRONTEIRA COM O BRASIL País Bolívia Peru Venezuela Colômbia Guiana Paraguai Argentina Uruguai Suriname Obs.: O território da Guiana Francesa (França) mantém fronteira de 730 km com o Brasil

Fontes: IBGE (mapa) e Ministério das Relações Exteriores (tabela)

PONTOS EXTREMOS Fronteira (em km) 3.423 2.995 2.199 1.644 1.606 1.366 1.261 1.069 593

Nascente do Rio Ailã, no Monte Caburaí (RR), fronteira com a Guiana

LESTE

OESTE

Ponta do Seixas (PB)

Nascentes do Rio Moa, na Serra de Contamana (AC), fronteira com o Peru

SUL Arroio Chuí (RS), na fronteira com o Uruguai

GE GEOGRAFIA 2018

127


ATLAS BRASIL

Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul

ÁREA* (em %) Total do Brasil: 8.515.767 km2 Nordeste 18,2

Centro-Oeste 18,9

Sudeste 10,9

Sul 6,8

Norte 45,2

A ID

*Distribuição nas regiões brasileiras

B I O

Perfil das regiões

R P

O que dizem os números

POPULAÇÃO – 2016

A D

N E V Em milhares e em %, por região

Sul 29.440 14,3%

Norte 17.708 8,6%

PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 2014 Em %, por região e total

Sul 16,4

Sudeste 86.357 41,9%

Sudeste 54,9

37.298

35.653

32.687 Nordeste 13,9

17.879

R$ 5,78 trilhões Centro-Oeste 15.661 7,6%

(em reais)

Norte 5,4

Nordeste 56.916 27,6%

206.081

PIB PER CAPITA – 2014

14.329

Centro-Oeste 9,4

Norte Centro-Oeste Nordeste

Sudeste

Sul

Fontes: Projeção da População e Contas Nacionais – IBGE

DISPARIDADES REGIONAIS Apesar de o Norte ocupar 45,2% do espaço territorial brasileiro, apenas 8,6% dos brasileiros habitam a região. O Sudeste, por sua vez, abrange apenas 10,9% da área brasileira, mas responde por 41,9% da população e mais da metade do total de bens e serviços produzidos no país – o Produto Interno Bruto (PIB). Já o Nordeste, com 27,6% da população brasileira, é a segunda região mais populosa do país, mas é responsável por apenas 13,9% do PIB nacional. Como consequência, a região apresenta o menor PIB per capita do Brasil: o trabalhador nordestino recebe em média 14.329 reais por ano. O valor representa menos da metade do que ganha anualmente os habitantes do Sudeste, donos do maior PIB per capita do país: 37.298 reais por ano.

128 GE GEOGRAFIA 2018


CENTROOESTE

NORDESTE

73%

é a taxa de urbanização do Nordeste em 2015, a menor do Brasil

O cerne brasileiro

F

ormada pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e pelo Distrito Federal, a região localiza-se no extenso Planalto Central. Seu relevo se caracteriza por terrenos antigos e aplainados pela erosão, que originaram chapadões. O território também abriga a planície do Pantanal Mato-Grossense, cortada pelo Rio Paraguai e sujeita a cheias durante parte do ano. O clima do Centro-Oeste é tropical semiúmido e úmido, com chuvas de verão. A vegetação é de cerrado nos planaltos. No Pantanal, considerado patrimônio da humanidade pela Unesco, os campos cerrados dividem o espaço com a floresta, que se torna mais fechada e úmida no norte do Mato Grosso.

N E V

ECONOMIA O crescimento econômico da região deve-se, sobretudo, ao bom desempenho do setor agropecuário. Com cerca de 72 milhões de cabeças de gado, o rebanho bovino do Centro-Oeste responde por um terço do total do país. Na agricultura, os produtos mais importantes são o algodão, o milho e, principalmente, a soja, cuja colheita responde por quase metade da produção nacional. Entre os recursos minerais que mais se destacam estão calcário, cobre, níquel e manganês. Por outro lado, a região enfrenta o desafio de aliar o crescimento econômico com a preservação ambiental. A adaptação da soja ao solo do cerrado devastou grande parte da vegetação local, e a cultura do grão avança para o norte de Mato Grosso, rumo à Floresta Amazônica. PABLO DE SOUZA/CIA DA LUZ

B I O

R P

A D F

POPULAÇÃO Ainda no Brasil colônia, o povoamento do Centro-Oeste resulta de dois movimentos migratórios. Um vem do Sul e do Sudeste, em virtude do transporte de gado às fazendas que ali começaram a se instalar e da ação dos bandeirantes paulistas. O outro movimento vem do Nordeste, também ligado ao comércio de gado, que acaba criando, e fortalecendo, os primeiros povoados da região. No século XX, as maiores ondas migratórias vêm do Nordeste e ocorrem a partir dos anos 1950, com a construção da nova capital federal, Brasília. Segundo o IBGE, o Centro-Oeste é a região do país que proporcionalmente mais recebe imigrantes, com 30,2% de residentes vindos de outros estados em 2015.

A ID

PRÉ-HISTÓRIA Pinturas rupestres no sítio arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí

Além do sertão

ormada por nove estados – Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia –, a maior parte da região é constituída por extensos planaltos, antigos e aplainados pela erosão. Os climas predominantes são o tropical e o semiárido, com grande parte do território coberta pela caatinga. O Nordeste reúne os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, com altas taxas de mortalidade infantil e analfabetismo. POPULAÇÃO A história nordestina é marcada pelos movimentos migratórios. No fim do século XIX, o ciclo da borracha na Amazônia deu início à migração dos nordestinos, que aumentou no século XX para o Sudeste, com a industrialização, e para o Centro-Oeste, com a construção de Brasília. Além da atração econômica de outras regiões, os fluxos migratórios são motivados pelos períodos de seca. ECONOMIA Nos últimos anos, a economia nordestina vem apresentando crescimento. Com a guerra fiscal (concessão de benefícios fiscais pelos governos estaduais com o objetivo de atrair empresas), uma série de indústrias se instalou nos estados nordestinos para fugir da carga tributária mais pesada no Sul e no Sudeste. Além disso, a região é a segunda produtora de petróleo do país – lá funciona um dos polos petroquímicos mais importantes: o de Camaçari (BA). Apesar dos longos períodos de seca, a pecuária e a agricultura vêm ganhando destaque. A boa adaptação das cabras ao clima local faz com que o Nordeste tenha o maior rebanho do país. A cana-de-açúcar é o produto agrícola de destaque, mas as lavouras irrigadas de frutas tropicais têm crescido em importância na produção nacional. Outro setor relevante na economia nordestina é o turismo. GE GEOGRAFIA 2018

129


ATLAS BRASIL

NORTE

98%

SUDESTE

das terras indígenas brasileiras encontram-se na Amazônia Legal

Multidão urbana

F

A D

F EN

V

ormada por sete estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), a região é banhada pelos grandes rios das bacias Amazônica e do Tocantins. Em todo o Norte predomina o clima equatorial. A Floresta Amazônica, a vegetação mais abundante, é uma das áreas de maior biodiversidade do planeta. Esse patrimônio, contudo, está ameaçado pelo desmatamento. POPULAÇÃO A maior concentração de índios está no Norte e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região abriga 342,8 mil índios de diversas etnias (38% do total). Amazonas, Pará e Roraima são os estados com a maior concentração indígena. No decorrer das décadas, os estados do Norte também receberam grandes levas de imigrantes de outras regiões, sobretudo do Nordeste. ECONOMIA Além do intenso extrativismo vegetal, de produtos como látex e madeira, a região é rica em minérios. Lá estão a Serra dos Carajás (PA), a mais importante área de mineração do país, rica em manganês, ferro e ouro, e a Serra do Navio (AP). A economia foi bastante beneficiada com a instalação, no fim da década de 1960, da Zona Franca de Manaus, baseada em políticas de incentivo fiscal. Com mais de 600 indústrias, o Polo Industrial de Manaus responde por cerca de metade do PIB do Amazonas. Os principais setores do polo são o eletroeletrônico, de informática, motos e bicicletas, químico e de refrigerante. Nos últimos anos, contudo, o crescimento econômico tem ocorrido à custa de atividades de grande impacto ambiental: o aumento da pecuária extensiva – um terço do rebanho do país está na Amazônia –, o avanço da agricultura, sobretudo das lavouras de soja e, por fim, a extração de madeira.

130 GE GEOGRAFIA 2018

[2]

A ID

B I O

R P [1]

A FILA ANDA Duas famílias reunidas na cidade de Breves, na região do Marajó, no Pará

Gigante setentrional

ormada por quatro estados – Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro –, a região situa-se na parte mais elevada do Planalto Atlântico, onde estão as serras da Mantiqueira, do Mar e do Espinhaço. Os climas predominantes são tropical úmido, semiúmido e de altitude. A mata tropical nativa foi praticamente devastada durante o povoamento. O relevo planáltico do Sudeste confere grande potencial hidrelétrico à região. Em Minas Gerais ocorre o encontro da nascente de duas importantes bacias hidrográficas: a do Rio Paraná, que se forma próximo à região conhecida como Triângulo Mineiro, e a do Rio São Francisco, que nasce na Serra da Canastra.


93%

SUL

dos habitantes da Região Sudeste vivem nas cidades

CARTÃO-POSTAL Vista aérea da cidade do Rio de Janeiro, com o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar ao fundo

POPULAÇÃO A região é a que concentra a maior população do país, com cerca de 86,3 milhões de habitantes em 2016, mais de 40% do total brasileiro. É também a que tem a maior densidade demográfica e o mais alto índice de urbanização: 93,1%. Abriga as duas mais importantes metrópoles nacionais – São Paulo e Rio de Janeiro. Com Belo Horizonte, as três formam as maiores regiões metropolitanas do país, reunindo 19% da população. Se, por um lado, o Sudeste responde pela maior parcela da riqueza do Brasil, por outro é a região que mais sofre com o desemprego e o crescimento da violência. Ainda assim, seus indicadores sociais estão entre os melhores do país.

N E V

ECONOMIA O Sudeste responde por mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Com as maiores montadoras e siderúrgicas do país, a região possui uma produção industrial de ponta. Os serviços e o comércio são os principais ramos de atividade. Além disso, a faixa litorânea da região abriga a maior parte das jazidas de petróleo do país, como a Bacia de Santos (SP) e a Bacia de Campos (RJ) – esta última responde por cerca de 80% da produção nacional.

[1] EDMAR FARIAS [2]OSCAR CABRAL [3] ALEXANDRE SANT'ANNA

é a taxa de analfabetismo na Região Sul, a menor do Brasil

A ID

B I O

R P

A D F

4,1%

[3]

FLORESTA NATIVA A Mata de Araucária é uma cobertura vegetal típica da Região Sul

Temperatura em queda ormada por três estados – Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul –, a região vive sob a influência do clima subtropical, responsável pelas temperaturas mais baixas registradas no Brasil durante o inverno. A vegetação acompanha a variação da temperatura: nos locais mais frios predominam as matas de araucárias (pinhais) – que estão reduzidas a apenas 2% da área original – e, nos pampas, os campos de gramíneas. POPULAÇÃO A região é marcada pela chegada dos imigrantes europeus, a partir da primeira metade do século XIX, que contribuíram para o desenvolvimento da economia, baseada na pequena propriedade rural de policultura. A localidade apresenta os melhores indicadores de mortalidade infantil, educação e saúde do país. ECONOMIA O setor de serviços responde pela maior parte das riquezas da região. Depois vem a indústria – com destaque para os setores metalúrgico, automobilístico e têxtil. A agropecuária também é importante para a economia: o Sul detém 36% da produção nacional de grãos e, nos pampas gaúchos, a principal atividade é a criação de rebanhos bovinos. Existe, ainda, grande potencial hidrelétrico, com destaque para a Usina de Itaipu, localizada no Rio Paraná, na fronteira do Brasil, no estado do Paraná, com o Paraguai. GE GEOGRAFIA 2018

131


RAIO X DECIFRE OS ENUNCIADOS E VEJA AS CARACTERÍSTICAS TÍPICAS DAS QUESTÕES QUE CAEM NAS PROVAS

FUVEST 2017 – 2ª FASE O gráfico ilustra estimativas das áreas continentais ocupadas por ecossistemas terrestres naturais (floresta primária e campos naturais), por ecossistemas de uso humano (floresta secundária e silvicultura, áreas de pastagem e lavouras), pela água em estado líquido, pelo gelo, além de outras áreas terrestres, desde o século XIV até o final do século XX. Observa-se que, a partir da Revolução Industrial 3, iniciada em meados do século XVIII, a extensão das áreas ocupadas por esses ecossistemas sofreu alterações.

1

4

1 A leitura deste gráfico permite observar o quanto aumentou ou diminuiu as áreas terrestres em cada um dos ecossistemas apresentados no eixo da direita. No eixo da esquerda, encontram-se os valores, em quilômetros quadrados.

A ID

2 Para ver a evolução histórica do quanto

B I O

aumentaram ou diminuíram as áreas terrestres, fique atento ao eixo horizontal, que indica o período entre os anos 1300 e 2000.

1

R P

3 Esta informação é importante para interpretar o

A D

N E V 2

a) “A redução de áreas de florestas primárias, a partir da Revolução Industrial, deveu-se majoritariamente à expansão das áreas de lavoura no mundo”. Os dados representados no gráfico apoiam essa afirmação? Justifique sua resposta.

que diz o gráfico. O enunciado atenta para o fato de que, após a Revolução Industrial, em meados do século XVIII (entre 1700 e 1800) houve uma importante mudança nas áreas ocupadas. Esse período marca uma nova relação do homem com a natureza, provocando intensa urbanização e crescimento populacional.

4 Repare no gráfico que, no período de 1300 até

1700, todas as linhas referentes aos ecossistemas permanecem retas, na horizontal, o que não indica alterações. Somente após 1700, período correspondente ao início da Revolução Industrial, a maior parte dessas linhas começa a se inclinar para cima ou para baixo, mostrando alterações no uso das terras. As mudanças mais evidentes são a diminuição das florestas primárias e o aumento das áreas de lavoura e pastagens.

b) Mantidas as condições ambientais deste início do século XXI, o que se pode prever, quanto à área ocupada pelo gelo, no final do século?

DICAS PARA A RESOLUÇÃO

A Repare que, apesar de o eixo da esquerda trazer as informações quantitativas, em quilômetros quadrados, a simples interpretação visual do gráfico já nos permite entender o que aconteceu após a Revolução Industrial e responder a esta questão. De fato, há uma redução na área de florestas primárias. Mas compare visualmente a evolução das áreas de lavoura e de pastagem e você perceberá que esta última expandiu-se bem mais do que a primeira, o que contradiz o que afirma o enunciado da questão. O aumento das áreas de lavoura e, principalmente, de pastagem é decorrente do crescimento demográfico posterior à Revolução Industrial, que aumentou a demanda por alimentos.

132 GE GEOGRAFIA 2018

B A resposta deste item requer conhecimentos acerca das consequências do aquecimento global para a Terra. Um dos efeitos mais destacados é a diminuição da área ocupada pelo gelo, como as calotas polares e os glaciares. Note no gráfico que, entre 1300 e 2000, a área de gelo permaneceu inalterada. Mas, mantida a tendência de elevação da temperatura média na Terra verificada no início do século XXI, a perspectiva é que a área ocupada pelo gelo diminua.


UNESP 2016 – 2ª FASE

3

1

1

2

A ID

4

1

B I O

R P

O que o gráfico permite analisar? Considerando as informações do gráfico, indique os intervalos percentuais aproximados das legendas do mapa para os tipos I e V.

A D

1 O gráfico em forma de pirâmide traz informações

N E V

sobre o uso da terra em cada estado da Federação. Nos três eixos do gráfico é possível verificar as seguintes coberturas da superfície do território: mata/floresta, lavoura e pastagem.

2 Repare que dentro da pirâmide encontram-

se distribuídas as siglas de todos os estados brasileiros. A posição deles traz as informações sobre o uso da terra em cada uma das três coberturas apresentadas. Note que há um traçado em volta das siglas que indica um número em algarismo romano. Essa informação é importante para fazer a leitura cruzada com o mapa, como veremos adiante.

3 Aqui temos uma importante dica para interpretar as

informações deste gráfico. Isole um estado qualquer dentro da pirâmide. A partir daí, veja que posição ele ocupa dentro dos três eixos da pirâmide e qual o percentual informado. Tome como exemplo o Acre, que ocupa a posição mais próxima do topo. O gráfico nos informa que o estado faz o seguinte uso da terra: Mata/floresta: cerca de 70% Lavoura: cerca de 10% Pastagem: cerca de 20%

4 O mapa revela a classificação de estado de acordo

com o tipo de interferência no uso do solo (lavoura, pastagem, mata/floresta) e o grau de intensidade (pouco, muito etc.). Para ler a informação correta basta observar a cor de cada estado e associá-la à legenda correspondente. Mas repare que o mapa não informa o nome dos estados.

DICAS PARA RESOLUÇÃO

Note que a questão não exige explicações sobre o uso do solo no Brasil – para responder à questão, basta analisar corretamente os dados do gráfico e do mapa. A primeira pergunta tem resposta simples, basta dizer o que o gráfico informa: ele permite analisar o uso do solo ao longo de 2006 em todas as unidades federativas do país, a partir de três variáveis: mata/ floresta, lavoura e pastagem. Já para responder à segunda questão é preciso cruzar as informações percentuais do gráfico com o tipo de uso de solo apresentado nas legendas do mapa. Pela leitura do gráfico e do mapa, observamos que o tipo I inclui os estados do Acre e do Amapá. Já o tipo V tem apenas o estado do Rio de Janeiro. Logo, para responder a questão basta observar os percentuais aproximados desses estados fazendo a correta leitura do gráfico da pirâmide. Dessa forma, temos a seguinte resposta:

Mata /floresta Lavoura Pastagem Unidades da Federação

Tipo I

Tipo V

60 a 70%

15%

5%

25%

25 a 35%

65%

Acre e Amapá

Rio de Janeiro

GE GEOGRAFIA 2018

133


SIMULADO QUESTÕES SELECIONADAS ENTRE OS MAIORES VESTIBULARES DO PAÍS COM RESPOSTAS COMENTADAS

1. ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS (Unicamp 2016)

A imagem abaixo corresponde a um fragmento de uma carta topográfica em escala 1:50.000. Considere que a distância entre A e B é de 3,5 cm.

a) Índia. b) China. c) Austrália. d) Nova Zelândia.

3. ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS (Enem 2015)

A D

N E V

B I O

R P

A partir dessas informações, é correto afirmar que: a) O rio corre em direção sudeste, sendo sua margem esquerda a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 17.500 metros. b) O rio corre em direção sudoeste, sendo a margem direita a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 1.750 quilômetros. c) O rio corre em direção sudeste, sendo sua margem esquerda a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 1.750 metros. d) O rio corre em direção sudoeste, sendo sua margem esquerda a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 175 metros.

2. FUSOS HORÁRIOS (CFTMG 2017) Analise o mapa e leia o trecho a seguir.

A ID

QUEIROZ FILHO, A. P. ; BIASI, M. Técnicas de cartografia. In: VENTURI, L. A. B. (Org.). Geografia: Práticas de Campo, Laboratório e Sala de Aula. São Paulo: Sarandi (adaptado).

As figuras representam a distância real (D) entre duas residências e a distância proporcional (d) em uma representação cartográfica, as quais permitem estabelecer relações espaciais entre o mapa e o terreno. Para a ilustração apresentada, a escala numérica correta é: a) 1/50. b) 1/5.000. c) 1/50.000. d) 1/80.000. e) 1/80.000.000.

4. PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS (FGV 2015) Examine a seguinte figura:

A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 foi transmitida ao vivo no dia 5 de agosto de 2016, às 20h (BRT). Telespectadores do mundo inteiro assistiram à transmissão simultânea a partir de diferentes emissoras de sistemas de comunicação. A localidade que assistiu à transmissão pela hora oficial de seu país, em data posterior ao fuso brasileiro e mais próximo ao término do horário matutino, foi a capital da

134 GE GEOGRAFIA 2018

Disponível em: <http://www.progonos.com/fruti/MapProj/Dither/TOC/cartTOC.html>


A figura contém diferentes representações da América do Sul extraídas de mapas-múndi. Isso se deve a) à existência de diversas formas de projeções cartográficas, que constituem a técnica variável de se trazer para o plano o que é curvo na realidade. b) à multiplicidade de projeções cartográficas, todas igualmente precisas na representação das formas e dos tamanhos dos continentes. c) à permanência das antigas projeções por costume problemático do sistema escolar, pois as tecnologias informatizadas tornaram as projeções obsoletas. d) às escolhas marcadas por interesses dos cartógrafos que definem as projeções, visando a projetar imagens do mundo mais favoráveis aos países mais ricos. e) à herança do passado das técnicas cartográficas, quando ainda não havia sido solucionada definitivamente a questão de como projetar o plano no curvo.

5. TIPOS DE RELEVO (Espcex-Aman 2016)

O relevo é o resultado da atuação de forças de origem interna e externa, as quais determinam as reentrâncias e as saliências da crosta terrestre. Sobre esse assunto, podemos afirmar que I. o surgimento das grandes cadeias montanhosas, como os Andes, os Alpes e o Himalaia, resulta dos movimentos orogenéticos, caracterizados pelos choques entre placas tectônicas. II. o intemperismo químico é um agente esculpidor do relevo muito característico das regiões desérticas, em virtude da intensa variação de temperatura nessas áreas. III. extensas planícies, como as dos rios Ganges, na Índia, e Mekong, no Vietnã, são resultantes do trabalho de deposição de sedimentos feito pelos rios, formando as planícies aluviais. IV. os planaltos brasileiros caracterizam-se como relevos residuais, pois permaneceram mais altos que o relevo circundante, por apresentarem estrutura rochosa mais resistente ao trabalho erosivo. V. por situar-se em área de estabilidade tectônica, o Brasil não possui formas de relevo resultantes da ação do vulcanismo.

A D

N E V

Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas a) I, II e III b) I, III e IV c) II, IV e V d) I, II e V e) III, IV e V

6. CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS (Unicamp 2016)

A figura abaixo apresenta a sequência evolutiva de um perfil de solo.

a) Quais são os fatores ambientais que interagem para o desenvolvimento de um perfil de solo? b) A ação humana pode interferir no desenvolvimento de um perfil de solo como o apresentado. Como pode ser essa interferência?

7. TIPOS DE RELEVO (FGV-Adm 2013)

Associe algumas formas de relevo do território brasileiro com sua descrição. 1. chapada 2. planalto 3. planície 4. depressão ( ) Relevo aplainado, rebaixado em relação ao seu entorno e com predominância de processos erosivos. ( ) Forma predominantemente plana em que os processos de sedimentação superam os de erosão. ( ) Terreno com extensa superfície plana em área elevada.

A ID

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) 1 – 2 – 3 b) 3 – 1 – 4 c) 3 – 4 – 2 d) 4 – 3 – 1 e) 4 – 1 – 2

B I O

R P 8.

RELEVO EM MOVIMENTO (PUC-PR 2015) Analise os dados da tabela abaixo.

Ano

Local

Magnitude (escala Ritcher)

Mortos

2003

Irã

6,3

26.000

2004

Indonésia

9,1

300.000

2005

Paquistão/Índia

8,6

73.000

2008

China

7,8

87.000

2010

Haiti

7

230.000

2011

Japão

9

25.000

Fonte: Adaptado da Folha de S.Paulo. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/04/1621358-numero-de-mortos-no-nepal-passa-de-2000-paisesenviam-ajuda.shtml>. Acesso em: 13 mai. 2015.

Assinale a alternativa que correlaciona CORRETAMENTE o fenômeno natural identificado na tabela com suas consequências para as sociedades humanas. a) Consequência dos movimentos tectônicos, os terremotos geram vítimas em número proporcional a sua magnitude. b) Os países que compõem a tabela estão no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, área que apresenta grande atividade sísmica e nações subdesenvolvidas. c) Os terremotos resultam de forças internas incontroláveis, capazes de gerar enormes prejuízos sociais e econômicos, sobretudo em países com estruturas precárias. d) Muito frequentes em áreas de contato entre as placas tectônicas, o impacto socioeconômico dos terremotos restringe-se ao epicentro. e) O elevado número de mortes, visualizado na tabela, revela o baixo interesse científico no estudo dos fenômenos naturais por parte das nações mais afetadas por terremotos. GE GEOGRAFIA 2018

135


SIMULADO

9. PLACAS TECTÔNICAS (Uerj 2016)

LOCALIZAÇÃO DAS PLACAS TECTÔNICAS

TIPOS DE PLACAS TECTÔNICAS A

B

As placas podem romper-se e separar-se.

C

Uma placa pode mergulhar sob outra.

D

As placas podem colidir e elevar-se juntas.

Uma placa pode deslizar em relação à outra.

A ID

Considere as áreas 1 e 2 assinaladas no mapa e, também, a classificação apresentada para os tipos de movimentos das placas tectônicas. Identifique o tipo de movimento das placas tectônicas que ocorre na área 1 e o que ocorre na área 2.

10. DESLIZAMENTO DE TERRA E INUNDAÇÕES (Mackenzie 2015)

A D

Observe a imagem para responder à questão.

N E V

B I O

R P

Cite, ainda, dois fenômenos naturais que decorrem do contato entre placas tectônicas.

ineficiência da fiscalização dos agentes públicos na ocupação de áreas de risco; dificuldade de acesso a habitação entre os mais pobres; monitoramento inexistente ou insuficiente para minimizar o problema.

Estão corretas apenas as afirmativas a) I e II. b) I e III. c) II e IV. d) II e III. e) I e IV.

11. COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA GEOLÓGICA (Unicamp 2016)

A imagem abaixo apresenta um graben, formado a partir do abatimento de um bloco da crosta ao longo de falhas normais.

Fonte: Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras.

A imagem retrata um tipo de ocupação muito comum no Brasil, relacionada muitas vezes a um grave problema socioambiental. A esse respeito, considere as afirmativas a seguir: I. A ocupação irregular das encostas tende a elevar a exposição dos solos às enxurradas, contribuindo para deslizamentos que trazem perdas humanas e materiais. II. Os escorregamentos de solos ocorrem por ocasiões das chuvas mais fortes, evidenciando o caráter acidental desse fenômeno. O processo erosivo provocado pelas chuvas de menor intensidade não é um fator de maior importância neste caso. III. A ocupação das encostas é uma decorrência da exclusão social que dificulta o acesso de muitas pessoas à moradia. Portanto, esse fenômeno nunca atinge pessoas com melhores condições socioeconômicas, pois suas moradias estão sempre localizadas em áreas fora de risco. IV. A irregular ocupação das encostas envolve problemas diferentes que, combinados, resultam nos deslizamentos de solos. Entre esses problemas estão:

136 GE GEOGRAFIA 2018

a) Quais são os processos que geram abatimentos da crosta associados às falhas normais? Por que nessas áreas formam-se bacias sedimentares? b) Indique dois recursos minerais que se formam junto com a evolução de bacias sedimentares.


12. ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO (PUC-RS 2015) Considere o texto e as afirmativas a seguir.

A água armazenada no planeta parece ser abundante, mas o modelo de desenvolvimento econômico vigente em todos os países do mundo busca um aumento contínuo da produção e do consumo de bens, o que ameaça a dinâmica da natureza. Isso afeta, por exemplo, a disponibilidade, o tratamento e a distribuição de água potável para as comunidades humanas. Sobre esse fato, afirma-se: I. Os representantes dos países participantes da primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – Rio de Janeiro 72 – manifestaram sua preocupação em relação ao fato de colocarem em risco os seus recursos hídricos. II. A Carta da Terra, lançada na ECO 92, propõe várias políticas referentes aos recursos naturais, estabelecendo as bases para cuidados ambientais dos recursos hídricos. III. Hoje temos que enfrentar a má qualidade da água, em decorrência da poluição, além da ameaça de quantidades insuficientes desse recurso para o crescente consumo. IV. As águas continentais, consideradas um bem livre, vão se tornando rapidamente um recurso natural estratégico, originando, inclusive, conflitos pela sua posse. Estão corretas apenas as afirmativas a) I e II. b) I e III. c) II e III. d) I, II e IV. e) II, III e IV.

A D

N E V

13. POLUIÇÃO HÍDRICA (Enem PPL 2014)

b) A recuperação e a conservação das áreas dos mananciais é uma alternativa ao racionamento de água, já que representa uma solução de curto prazo para ampliar a oferta hídrica na Grande São Paulo. c) Os projetos de recuperação e conservação de cobertura vegetal são, em média, muito mais caros que a simples transposição de bacias hidrográficas, fato que explica a rejeição do poder público a esses projetos. d) As regiões paulistas de mananciais já estão protegidas pela Lei de Mananciais, que limita efetivamente o desmatamento; assim, o ganho com a recuperação e a conservação seria apenas marginal. e) Mesmo se ocorressem a recuperação e a conservação das bacias, a situação de abastecimento de água continuaria dramática na Grande São Paulo, pois a população continua crescendo exponencialmente e não há solução técnica capaz de garantir o abastecimento para tanta gente.

15. POLUIÇÃO HÍDRICA (Enem 2014)

B I O

R P

A eutrofização é um dos fenômenos responsáveis pela mortalidade de parte das espécies aquáticas e, em regiões próximas a centros urbanos, pela perda da qualidade de vida da população. Um exemplo é a Lagoa da Pampulha, um dos mais conhecidos pontos turísticos da capital de Minas Gerais, onde as atividades de pesca e nado não são mais permitidas.

A ID

Os dois principais rios que alimentavam o Mar de Aral, Amurdarya e Sydarya, mantiveram o nível e o volume do mar por muitos séculos. Entretanto, o projeto de estabelecer e expandir a produção de algodão irrigado aumentou a dependência de várias repúblicas da Ásia Central da irrigação e monocultura. O aumento da demanda resultou no desvio crescente de água para a irrigação, acarretando redução drástica do volume de tributários do Mar de Aral. Foi criado na Ásia Central um novo deserto, com mais de 5 milhões de hectares, como resultado da redução em volume. TUNDISI, J. G. Água no século XXI: Enfrentando a Escassez. São Carlos: Rima, 2003.

A intensa interferência humana na região descrita provocou o surgimento de uma área desértica em decorrência da a) erosão. b) salinização. c) laterização. d) compactação. e) sedimentação.

16. METEOROLOGIA (Unesp 2016)

Para evitar a ocorrência desse fenômeno em lagos deve-se a) manter inalterado seu volume de água. b) aumentar a população de algas planctônicas. c) diminuir o teor de nutrientes despejados nas águas. d) impedir a fotossíntese das algas abaixo da superfície. e) aumentar a população de espécies do topo da cadeia alimentar.

14. ESCASSEZ HÍDRICA NO BRASIL (FGV Adm 2015)

A recuperação e a conservação de apenas 3% das áreas dos quatro principais mananciais que abastecem a Grande São Paulo reduziriam pela metade o assoreamento dos córregos e rios que alimentam as represas, garantindo mais água e melhor qualidade em tempos de escassez hídrica. Fonte: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,reflorestar-area-ampliaria-reserva-de-agua-em-sp,156046

Considerando a reportagem e seus conhecimentos sobre o assunto, é correto afirmar: a) Os investimentos em infraestrutura verde, tais como a recuperação e a conservação de mananciais, resultam em aumento na capacidade de armazenamento de água e em redução dos custos com tratamento e desassoreamento.

Ercilla T. Steinke. Climatologia Fácil, 2012. Adaptado.

A imagem ilustra o trajeto mais comum dos pilotos de asa-delta entre o Vale do Paranã e a Esplanada dos Ministérios em Brasília, distantes cerca de 90 quilômetros. Constituem fatores que permitem a longa duração deste voo: a) o ângulo de incidência do sol (a intensidade de energia solar que atinge a Terra) e a frente oclusa (a ação do movimento da corrente de ar frio levantando o ar quente até que ele perca seu contato com a superfície). GE GEOGRAFIA 2018

137


SIMULADO

b) a gravidade (a força de atração entre dois corpos) e a expansão adiabática (a expansão de grandes bolhas de ar até encontrarem menores valores de pressão atmosférica). c) a brisa terrestre (a formação de um campo de alta pressão junto à superfície) e os ventos divergentes em altitude (a conformação de uma área receptora de ventos ascendentes). d) o atrito (a força gerada no sentido contrário ao deslocamento do vento) e o efeito de Coriolis (a rotação das massas de ar no sentido horizontal em função do movimento da própria Terra). e) o processo de condução (a transferência de calor da superfície para a camada mais próxima da atmosfera) e o processo de convecção (a dinâmica cíclica entre o ar quente que sobe e o ar frio que desce).

17. CLIMAS DO BRASIL (PUC-Campinas 2016)

José Lins do Rego foi autor de importantes obras literárias que têm como palco o Nordeste brasileiro. Um de seus mais importantes romances é Menino de Engenho, do qual foi retirado o seguinte trecho: Lá um dia, para as cordas das nascentes do Paraíba, via-se, quase rente do horizonte, um abrir longínquo e espaçado de relâmpago: era inverno na certa no alto sertão. As experiências confirmavam que com duas semanas de inverno o Paraíba apontaria na várzea com a sua primeira cabeça-d’água. O rio no verão ficava seco de se atravessar a pé enxuto. Apenas, aqui e ali, pelo seu leito, formavam-se grandes poços, que venciam a estiagem. Nestes pequenos açudes se pescava, lavavam-se os cavalos, tomava-se banho.

O fato de o leito do rio ficar praticamente seco no verão é típico da hidrografia de áreas do Sertão nordestino, que apresentam como uma de suas importantes características a) a reduzida pluviosidade, provocada por múltiplos fatores, entre eles a dinâmica atmosférica que limita a ação de massas úmidas. b) o inverno semelhante ao encontrado no clima subtropical do sul do Brasil: redução das temperaturas devido à presença da massa polar. c) o verão pouco chuvoso com elevadas temperaturas que se assemelham às condições do verão da porção centro-sul do Brasil. d) a fraca pluviosidade provocada pelas condições de relevo pouco acidentado e com baixas altitudes, que impedem a formação de chuvas orográficas. e) a reduzida atuação de massas de ar, como a tropical continental e a polar atlântica, ambas portadoras de elevado grau de umidade.

N E V

A ID

B I O

19. CLIMAS DO BRASIL (UFSC 2015 - adaptada)

R P

Menino de Engenho. 77 Ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 2000, p. 54

A D

Tendo como base de análise o mapa e seus conhecimentos, identifique a alternativa que contenha, apenas, informações corretas. a) O número 1 no mapa corresponde ao Deserto do Saara. Tem sua origem nas massas de ar muito secas da região do Sahel e também por ser entrecortado pela linha do Equador. b) O número 2 no mapa corresponde ao Deserto do Kalahari. Tem sua origem devido à influência direta da Corrente Marítima do Atlântico Sul. Sendo fria, provoca precipitações sobre o mar e, assim, as massas de ar chegam secas ao continente. c) O número 3 no mapa corresponde ao Deserto do Atacama. Tem sua origem devido à influência direta da Corrente Marítima de Humboldt. Sendo fria, provoca resfriamento na atmosfera junto ao oceano e precipitações sobre o mar, fazendo com que as massas de ar cheguem mais secas ao continente. d) O número 1 no mapa corresponde ao Deserto do Saara. Tem sua origem devido à influência direta da Corrente Marítima de Benguela. Sendo quente e úmida, ao adentrar no continente condensa e precipita completamente ao cruzar o compartimento geológico dos Montes Atlas. e) O número 2 no mapa corresponde ao Deserto da Namíbia. Tem sua origem devido à influência direta da Corrente Marítima de Falklands. Sendo quente e úmida, ao penetrar no continente perde sua umidade ao ultrapassar as cadeias montanhosas de Drakensberg, onde torna-se seca, permanecendo muito quente.

Variações pluviométricas ocorrem conforme as estações do ano em várias regiões do Brasil. Os gráficos abaixo mostram os índices pluviométricos e as temperaturas em algumas cidades localizadas em biomas típicos do nosso país.

18. CLIMAS DO MUNDO (Mackenzie 2015) Observe o mapa.

PRINCIPAIS DESERTOS DO MUNDO

AMABIS, José M.; MARTHO, Gilberto R. Biologia. 3 ed. São Paulo: Moema, 2010. p. 308 - 325. v.3 (Adaptado)

<http://gigantesdomundo.blogspot.com.br/2011/11/0s-10-maiores-desertos-do-mundo.html>

138 GE GEOGRAFIA 2018

Com base na análise dos dados constantes nos gráficos acima e nos conhecimentos acerca dos biomas típicos do Brasil, assinale V para verdadeiro e F para falso: ( ) I. Nas quatro regiões, os índices pluviométricos não apresentam grandes variações ao longo do ano. ( ) II. Bagé apresenta a distribuição pluviométrica mais irregular durante o ano. ( ) III. Nas quatro regiões, os meses com os maiores índices pluviométricos são aqueles em que ocorrem as temperaturas mais baixas.


( ) IV. Nos dois biomas que apresentam as mais elevadas amplitudes térmicas anuais são encontradas formações vegetais de florestas (em um deles) e pradarias (em outro). ( ) V. As plantas da região de Goiânia devem apresentar adaptações para períodos de estiagem e para sobreviverem ao fogo. ( ) VI. Floresta de Araucárias apresenta um índice pluviométrico de cerca de 3.000 mm anuais.

22. CICLONE (Unicamp 2016)

A figura a seguir exibe a imagem de um ciclone.

20. POLUIÇÃO DO AR (Uema 2015)

Leia o texto: Um projeto de lei em Curitiba (PR) pretende tornar obrigatórios os telhados verdes em prédios novos da cidade. O objetivo, de acordo com o projeto, é reduzir a poluição ambiental, o consumo de energia e as ilhas de calor. Também prevê que a vegetação seja nativa e exija pouca água. Fonte: TINTI, Simone. Verde no telhado. Revista Vida Simples. São Paulo: Abril, ed. 132, 2013.

A ideia do projeto é ampliar áreas verdes para redução de problemas ambientais comuns em cidades. A relação entre áreas verdes e ilhas de calor é observada em a) reservas florestais em que o aumento de temperatura causa evaporação, ocasionando chuvas e tempestades. b) áreas arborizadas em que o gás carbônico é acumulado em excesso, permitindo a liberação de calor. c) superfícies verdes em que as folhas das árvores absorvem o calor da atmosfera, evitando o aumento da temperatura local. d) cidades médias e pequenas em que há maior concentração de poluentes na estratosfera, favorecendo o aumento da temperatura. e) parques e praças em que há maior presença de água e de gás carbônico, favorecendo o aumento da temperatura e das chuvas.

A D

N E V

21. POLUIÇÃO DO AR (UPE 2015)

<http://www.metsul.com/secoes/visualiza.php?cod_subsecao=30&cod_texto=6>

É correto afirmar que o ciclone em questão a) ocorreu no Hemisfério Sul e corresponde a uma área de alta pressão atmosférica. b) pode ocorrer em qualquer hemisfério, independentemente da pressão atmosférica. c) ocorreu no Hemisfério Norte, em zonas tropicais e de baixa pressão atmosférica. d) ocorreu no Hemisfério Sul e corresponde a uma área de baixa pressão atmosférica.

A ID

B I O

23. ATMOSFERA (FGV 2014)

Analise o mapa que representa uma anomalia climática

R P

Observe atentamente a ilustração a seguir (figuras 1 e 2):

A ilustração didática refere-se especificamente a duas situações atmosféricas. Quais são? a) Figura 1 – Um vórtice ciclônico; Figura 2 – Uma onda de leste fria. b) Figura 1 – Um vórtice anticiclônico; Figura 2 – Uma linha de instabilidade tropical quente. c) Figura 1 – Um gradiente vertical normal de temperatura; Figura 2 – Uma inversão térmica. d) Figura 1 – Uma inversão térmica; Figura 2 – Um vórtice ciclônico extratropical. e) Figura 1 – Um gradiente vertical normal de temperatura; Figura 2 – Uma isoterma de baixa pressão.

David Blanchon. Atlas Mondial de l'Eau. Paris: Autrement, 2013. p.20. Adaptado.

Com base nos conhecimentos sobre a dinâmica climática mundial, pode-se concluir que se trata a) da presença de La Niña no Oceano Pacífico. b) de mudanças provocadas pelo aquecimento global. c) da ocorrência de furacões no oeste do continente americano. d) do fenômeno El Niño e suas consequências. e) da intensificação dos ventos alísios no Pacífico.

24. AQUECIMENTO GLOBAL (Uern 2015)

Sobre os problemas ambientais no cenário mundial e sua dinâmica nos espaços urbanos e rurais, é correto afirmar que a) nas grandes cidades, o fenômeno da ilha de calor agrava a concentração de poluentes na atmosfera, dificultando a circulação do ar e provocando inúmeros problemas de saúde à população, especialmente no inverno. b) os países subdesenvolvidos são os principais responsáveis pela maior parte dos gases tóxicos lançados na atmosfera. Nesses países, as políticas voltadas para a preservação ambiental são prioritárias e severas, com metas a cumprir, estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto. GE GEOGRAFIA 2018

139


SIMULADO

c) no campo, as monoculturas fizeram com que a utilização de inseticidas no combate às pragas favorecesse a diminuição de predadores naturais, provocando desequilíbrios nas cadeias alimentares. Contudo, esse modelo agrícola minimiza a incidência da erosão nos solos. d) as chuvas ácidas estão relacionadas à emissão de poluentes, especialmente pelas atividades industriais. Como na atmosfera não há barreira entre uma região e outra, é comum os poluentes emitidos numa cidade provocarem chuva ácida em regiões vizinhas. No Brasil, as chuvas ácidas provocaram muitos danos na Mata Atlântica da Serra do Mar entre as décadas de 70 e 80. e) o Protocolo de Montreal, assinado por mais de cem países na década de 1980, foi fundamental para a redução as emissões de dióxido de carbono e, por ter alcançado seu objetivo, pode ser usado como referência para acordos futuros que visam ao enfrentamento do aquecimento global.

27. BIOMAS DO BRASIL (Uemg 2016)

Aventura em rio de piranha (...) Eu, que confundia uma coisa com outra, aprendi por exemplo que “O igarapé é a via principal e os igapós, as alamedas”, como ensinou Neto. Andar de canoa por um igapó é uma experiência única. Como as águas nessa época do ano sobem 9, 10 metros, às vezes mais, só as copas das árvores permanecem à vista. Enquanto a canoa vai passando entre elas, se desviando dos galhos de uma ou outra, a sensação é de que se está navegando sobre uma floresta líquida, o que de certa maneira é mesmo. O que impressiona ainda mais é que, graças à cor do Rio Negro, densa, ácida, fechada, a água reflete as imagens como um espelho. Então, por refração, a gente vê e se sente dentro de duas florestas: uma em cima e outra embaixo, sem conseguir distinguir as duas. É um delírio, uma miragem (....). VENTURA, 2012, p. 143.

25. ENERGIAS RENOVÁVEIS (Enem 2015)

A ID

Energia de Noronha virá da força das águas

A energia de Fernando de Noronha virá do mar, do ar, do sol e até do lixo produzido por seus moradores e visitantes. É o que promete o projeto de substituição da matriz energética da ilha, que prevê a troca dos geradores atuais, que consomem 310 mil litros de diesel por mês. GUIBU, F. Folha de S.Paulo, 19 ago. 2012 (adaptado).

A D

N E V

26. OS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS (Unesp 2014)

As autoridades de Kiribati, arquipélago do Oceano Pacífico formado por 33 atóis e uma ilha de coral, estão conscientizando sua população para que aceitem que, nas próximas décadas, terão de fugir do país. A estimativa é que, em um período de 50 anos, as ilhas podem desaparecer. O governo convocou os líderes de todas as ilhas para convencê-los da importância de mudar a mentalidade das pessoas, com pleno conhecimento que é uma questão muito sensível, porque ameaça a própria identidade de um país. Kiribati já antecipou convênios com Austrália e Nova Zelândia para enviar seus cidadãos aos países vizinhos, algo que muitos dos moradores do arquipélago não aceitam. Disponível em: http://noticias.terra.com.br. Acesso em: 28 jul. 2012.

No texto, faz-se referência a um problema que se tornou um tema recorrente na agenda global. Nesse sentido, a preocupação apresentada pela população de Kiribati fundamenta-se na previsão de a) submersão de terras habitadas, decorrente da elevação do nível do mar. b) ocorrência de tsunamis, derivada de mudanças no eixo de rotação do planeta. c) erupções vulcânicas frequentes, visto que estão assentados sobre o Círculo do Fogo. d) terremotos com magnitude extrema, devido à proximidade de bordas de placas tectônicas. e) furacões de grande intensidade, em função de redução da temperatura média do Oceano Pacífico

140 GE GEOGRAFIA 2018

B I O

R P

No texto, está apresentada a nova matriz energética do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. A escolha por essa nova matriz prioriza o(a) a) expansão da oferta de energia, para aumento da atividade turística. b) uso de fontes limpas, para manutenção das condições ecológicas da região. c) barateamento dos custos energéticos, para estímulo da ocupação permanente. d) desenvolvimento de unidades complementares, para solução da carência energética local. e) diminuição dos gastos operacionais de transporte, para superação da distância do continente.

<http://mundodosanimaisinhos.blogspot.com.br/2012/09/mata-de-igapo.html> Acesso em 29 de set. de 2015.

O texto acima refere-se ao fenômeno das cheias na região da Floresta Amazônica. Esse fenômeno acontece devido a vários fatores: I. A extensa rede hidrográfica da Bacia Amazônica, o clima e as variações de relevo e solo. II. A localização da região, entre a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio. III. O degelo dos Andes e a estação de chuvas na Região Amazônica são fatores que contribuem para o evento. IV. A proximidade com a faixa litorânea, que recebe refluxo da maré nos momentos de pico da maré alta. Estão CORRETAS as afirmativas: a) I e III. b) II e IV. c) II e III. d) I e IV.

28. PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO (Unesp 2016)

O Sistema Nacional de Unidades de Conservação estimulou a criação de áreas de proteção ambiental integral com o controle unilateral do Estado sobre o seu território e os seus recursos. A implantação do referido sistema foi criticada a) pelas populações urbanas, por interromper o crescimento natural da mancha urbana em regiões periféricas. b) pelos governos locais, por minar a autonomia municipal no parcelamento do solo para a utilização em políticas de habitação. c) pelas populações tradicionais, que defendiam uma maior participação no processo de demarcação das unidades de conservação. d) por organizações ambientalistas internacionais, que se opunham às grandes dimensões das áreas adotadas pelo Estado. e) pelo capital especulativo, por desvalorizar as áreas do entorno que seriam vendidas no mercado imobiliário.


29. BIOMAS DO BRASIL (Fuvest 2016)

O mapa representa um dos possíveis trajetos da chamada Ferrovia Transoceânica, planejada para atender, entre outros interesses, ao transporte de produtos agrícolas e de minérios, tornando as exportações possíveis tanto pelo Oceano Atlântico quanto pelo Oceano Pacífico.

latitudinalmente. De modo geral, quanto mais quente e mais úmida for uma região, maiores serão a biomassa e a biodiversidade das espécies; por outro lado, quanto mais fria e mais seca for a região, menores serão tanto a biomassa quanto a biodiversidade das espécies. a) Com base nas informações fornecidas e em seus conhecimentos, represente no gráfico abaixo a localização do extremo com maior biomassa e biodiversidade e os dois extremos com menor biomassa e biodiversidade. Para a representação, utilize a legenda indicada.

N E V

a) Chapadões Florestados, Cerrados, Caatingas, Pantanal, Andes Equatoriais. b) Mares de Morros, Pantanal, Chaco Central, Andes Equatoriais. c) Chapadões Florestados, Chaco Central, Cerrados, Punas. d) Mares de Morros, Cerrados, Amazônico, Andes Equatoriais. e) Mares de Morros, Cerrados, Caatingas, Amazônico, Punas.

30. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (PUC-MG 2015)

O desenvolvimento sustentável busca um modelo de consumo que atenda às necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades. Para que isso ocorra, é necessário: a) aumentar o consumo dos recursos naturais não renováveis, preservando os recursos renováveis para as gerações futuras. b) garantir um desenvolvimento social e econômico, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos naturais e preservando as espécies e os habitats naturais. c) diminuir o consumo de recursos naturais renováveis nos países mais pobres, garantindo a preservação das espécies animais em extinção e os habitats naturais. d) estagnar o desenvolvimento tecnológico e econômico, em detrimento da manutenção de estoques de recursos naturais para as gerações futuras.

31. ECOLOGIA (Fuvest 2016)

B I O

R P

Considerando-se o trajeto indicado no mapa e levando em conta uma sobreposição aos principais Domínios Morfoclimáticos da América do Sul e as faixas de transição entre eles, definidos pelo geógrafo Aziz Ab’Sáber, pode-se identificar a seguinte sequência de Domínios, do Brasil ao Peru:

A D

A ID

O estrato entre a crosta e a atmosfera, onde ocorre vida no planeta Terra, caracteriza-se por apresentar trocas de matéria e energia, o que influi na distribuição de biomassa e biodiversidade no planeta. Os fenômenos de radiação solar (R) e de precipitação (P) estão diretamente correlacionados com a distribuição da biomassa e da biodiversidade e variam, em grande medida,

b) Indique outro fator, além da radiação solar e da precipitação, que pode afetar a distribuição de biomassa e de biodiversidade no planeta. Explique, apontando dois exemplos.

32. VEGETAÇÃO NO MUNDO (FGV-RJ 2015) Veja as tabelas:

CONSTITUIÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DAS COBERTURAS VEGETAIS NA PAISAGEM ZONAL INTERTROPICAL Climas desérticos Deserto

Tufos arbustivos De 0 a 250 mm Climas secos

Formação Espinhosa 500 mm

Floresta muito seca

Floresta seca

De 1000 a 2000 mm Climas úmidos

Floresta semiúmida

Floresta úmida

Floresta pluvial

De 2000 a 8000 mm Fonte: Construído a partir do diagrama de Holdridge. In: La Recherche, Paris: SES, no. 243, 1992, p. 606.

Com base na tabela, que reproduz o esquema panorâmico referente a uma zona do planeta, responda: a) Por que, nessa zona planetária, cinco das situações possíveis de cobertura vegetal são florestas? b) Compare esse quadro com o que seria um quadro na Zona Temperada (que tem latitudes mais altas). Haveria diferenças no perfil de distribuição vegetal dessa última? Em que medida e por quê? GE GEOGRAFIA 2018

141


SIMULADO

RESPOSTAS 1. A seta e a letra N, no canto inferior esquerdo do mapa, indicam que o ponto

cardeal Norte encontra-se no alto do mapa. Além disso, a curva de nível de 300 metros, a menor altitude representada, encontra-se na porção sudeste do trecho, o que permite concluir que o rio “corre” de noroeste para sudeste. A identificação das margens direita e esquerda leva em conta a direção das águas da nascente para a foz – imagine que você está no meio do rio, olhando para a direção em que as águas se deslocam: à sua direita estará a margem direita e vice-versa. A declividade, por sua vez, é indicada pelo espaçamento entre as curvas de nível, o que corresponde ao espaço a ser percorrido no terreno para o aumento ou diminuição da altitude: quanto mais próximas umas das outras, maior é a declividade do terreno. Neste caso, é na margem esquerda do rio que se encontra a maior declividade (curvas mais próximas umas às outras). Quanto ao comprimento do rio, temos que recorrer à escala do mapa, que é de 1: 50.000 – ou seja 1 cm no mapa equivale a 50.000 cm ou 500 m. Como a distância é de 3,5 cm, tem-se 1.750 metros (3,5 x 500) de distância entre os pontos A e B. Resposta: C

2. Cada fuso horário corresponde a uma faixa de 15º entre dois meridianos.

O meridiano de Greenwich foi escolhido para ser a linha mediana do fuso zero. Passando-se um meridiano pela linha mediana de cada fuso, enumeram-se 12 fusos para leste e 12 fusos para oeste do fuso zero, obtendo-se, assim, os 24 fusos totais. Neste sistema de zonas de horas para cada fuso, a leste soma-se 1 hora, e, para cada fuso a oeste, subtrai-se 1 hora. Com isso observando-se o mapa e a localização dos países, a capital que assistiu a cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio de Janeiro no dia posterior e em horário mais próximo do término da manhã, localiza-se na Nova Zelândia, na Oceania: 11 horas do dia 6 de agosto. Resposta: D

A D

N E V

6.

figura maior) e a representação cartográfica (neste caso, uma planta cartográfica, a figura menor). A escala numérica (forma utilizada nas alternativas da questão) é, por convenção, apresentada em centímetros. Portanto, deve-se converter primeiramente os valores para essa mesma unidade de medida (2.000 m equivalem a 200.000 cm e 40 mm equivalem a 4 cm). Em seguida, para descobrir o valor de 1 cm (que é o que a escala do mapa informa), basta fazer o cálculo: 200.000/4 = 50.000. A escala desse mapa é, portanto, 1/50.000. Resposta: C

4. As projeções cartográficas são técnicas utilizadas para a representação

da superfície curva (globo) em superfície plana (mapa). Há três formas, quanto à figura geométrica utilizada, de projetar a superfície curva do globo em um plano: a cilíndrica, a cônica e a plana (azimutal). A partir de cada uma delas foram criadas projeções que se diferenciam nas propriedades que apresentam, ou seja, o tipo de distorção que fazem: de área, distância ou forma, conforme a técnica de projeção empregada e a finalidade do mapa. Resposta: A

5. A afirmativa I está correta: a movimentação das placas tectônicas dá origem a diversos fenômenos e formas de relevo, entre elas as cadeias orogênicas. A afirmativa II está errada: em regiões desérticas, devido ao baixo índice plu-

A ID

B I O

a) Os fatores ambientais que interagem para o desenvolvimento do perfil do solo são: • o clima (temperatura e umidade, em especial): climas mais úmidos tendem a acelerar o intemperismo químico (decomposição) das rochas e a dar origem a solos mais desenvolvidos (mais profundos e menos pedregosos), enquanto em climas mais secos tendem a formar solos mais rasos e pedregosos. • o relevo: ele influencia na infiltração ou escoamento das águas das chuvas (quanto mais plano, maior a infiltração e, consequentemente, o intemperismo químico das rochas). • a composição mineralógica da rocha: o grau de resistência ao intemperismo e à erosão interfere na profundidade e na composição química dos solos. A rocha basáltica, por exemplo, dá origem a solos férteis de cor avermelhada devido ao elevado teor de ferro presente em sua constituição química. Além disso, o tipo de falhamento que caracteriza essa rocha facilita a infiltração da água e a ação do intemperismo químico, resultando em solos bem desenvolvidos. b) A retirada da cobertura vegetal e a implantação de atividades agropecuárias expõe o solo ao processo erosivo e altera a dinâmica de infiltração e escoamento das águas pluviais e, consequentemente, influi no ritmo de decomposição das rochas e da formação dos solos. Além disso, essas atividades interferem diretamente na composição e estabilidade do horizonte superficial (horizonte A, além do horizonte O, orgânico, não representado no perfil do enunciado). Em grandes obras de engenharia, a construção de aterros ou a realização de cortes de barrancos, por exemplo, altera a dinâmica de circulação das águas e da erosão e deposição de sedimentos formados de solos.

R P

3. A escala de um mapa é a proporção entre a área representada (mostrada na

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viométrico, predomina o intemperismo físico e a erosão eólica (provocada pela ação dos ventos), uma vez que o intemperismo químico ocorre com a presença de água no estado líquido. A afirmativa III está correta: as planícies se caracterizam, geomorfologicamente, pelo predomínio da deposição de sedimentos provenientes de outras áreas mais elevadas, em geral trazidos pelos rios. A afirmativa IV está correta: os planaltos brasileiros são predominantemente formados por rochas ígneas e metamórficas cristalinas (granito e gnaisse, por exemplo), que apresentam elevada resistência aos processos erosivos e, consequentemente, altitudes maiores que as do entorno, que foram mais desgastadas. A afirmativa V está errada: houve, durante a Era Mesozoica, derramamentos de lava e erupções vulcânicas no território atualmente ocupado pelo Brasil. Esses fenômenos deram origem, por exemplo, às cuestas basálticas no interior do estado de São Paulo e ao solo de terra roxa que se estende por estados do Sudeste (São Paulo), Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Resposta: B

7. As depressões são áreas rebaixadas (em relação aos planaltos) onde predomi-

nam processos de erosão. Nas planícies predomina o processo de sedimentação e, portanto, estão associadas a menores altitudes. As chapadas, por sua vez, apresentam uma forma de relevo tabular que, por apresentarem uma alternância de camadas de rochas mais resistentes e mais suscetíveis à erosão, ficam submetidas à erosão regressiva (a partir das bordas) e apresentam uma forma aplainada no topo. As formas de relevo não apresentadas no enunciado são os planaltos, que, assim como as depressões, se caracterizam pelo predomínio dos processos erosivos sobre os deposicionais (deposição de sedimentos), porém em altitudes maiores que as do entorno. Resposta: D


8. Como mencionado corretamente na alternativa C, os efeitos devastadores são

maiores em países com infraestrutura mais limitada, caso do Haiti e da Indonésia, por exemplo. Entre as alternativas incorretas, vale citar que não é possível estabelecer uma relação direta entre a magnitude de um terremoto e o número de vítimas fatais, uma vez que isso depende da infraestrutura (técnicas utilizadas na construção civil, principalmente) de cada país. Além disso, entre os países apresentados no quadro, somente Japão e Indonésia se situam no Círculo de Fogo do Pacífico. Por fim, os efeitos dos terremotos não se restringem ao epicentro (local de origem do tremor), pois as ondas sísmicas se propagam por centenas e milhares de quilômetros, para todas as direções. Resposta: C

9. Os tipos de movimentos que ocorrem nas áreas indicadas no mapa são:

Área 1: Costa Oeste dos Estados Unidos: tipo de movimento representado na figura D – movimento transformante ou conservativo, no qual duas placas deslizam uma ao lado da outra. Área 2: sul da Ásia: tipo de movimento representado na figura C – movimento convergente ou destrutivo, quando duas placas com a mesma densidade chocamse e comprimem-se. Nas falhas geológicas que correspondem aos limites das placas tectônicas há maior probabilidade de ocorrência de dois fenômenos: os abalos sísmicos (terremotos e maremotos) e o vulcanismo. No primeiro caso, ocorre a liberação e a propagação de energia acumulada com o atrito da litosfera devido à movimentação das placas tectônicas. A liberação dessa energia na forma de ondas sísmicas provoca tremores de terra e, se ocorrer na crosta oceânica ou próximo dela, pode haver a formação de ondas gigantes ou tsunamis. No vulcanismo, por sua vez, ocorre a ascensão do magma à superfície através dos falhamentos na litosfera, mais comuns nessas faixas de contato entre as placas.

A D

N E V

12. A afirmação I está incorreta: a Conferência realizada em 1972 foi a de Estocolmo.

A primeira Conferência realizada no Rio de Janeiro foi a de 1992, conhecida como Eco 92. A afirmação II está correta: a Carta da Terra, aprovada na Eco 92, é considerada um marco no ambientalismo, pois propõe a implantação de ações práticas em relação às questões ambientais, como a Agenda 21, um conjunto de parâmetros e compromissos a serem adotados por governos e que vem sendo aprimorada desde então nas demais conferências. As afirmações III e IV também estão corretas: a poluição, sobretudo em grandes áreas urbanas, e os conflitos pela água, a exemplo do que ocorre entre Israel, Síria e os palestinos da Cisjordânia, no Oriente Médio, estão entre as principais preocupações referentes aos recursos hídricos. Resposta: E

responsáveis pelas perdas materiais e humanas nos deslizamentos: a exclusão social, que leva milhares de pessoas a construírem suas casas em áreas de risco, menos valorizadas no mercado imobiliário ou mesmo de ocupação irregular, e a omissão do poder público, que deveria impedir a ocupação dessas áreas e garantir moradia digna e segura para todos. As demais afirmações estão incorretas, pois os deslizamentos não são fenômenos acidentais, mas previsíveis e passíveis de intervenção com obras de contenção de solo e escoamento das águas para evitar que ocorram em áreas ocupadas por moradias e outras construções. Apesar de menos frequentes, ocorrem também deslizamentos de terra em áreas não classificadas como de risco, geralmente associados a picos extremos de pluviosidade. Resposta: E

a) O termo “graben” (derivado de grab, em alemão, “sepultura”) designa uma formação geológica em que houve um abatimento (descida) de partes da crosta terrestre. Esse processo geológico pode ser originado pela movimentação vertical da crosta em decorrência da movimentação das placas tectônicas ou por pressão do magma, que dá origem a falhas geológicas normais e, consequentemente, à movimentação de blocos para cima (caso das serras da Mantiqueira e do Mar) ou para baixo (caso do Vale do Paraíba do Sul, que corresponde ao graben). As bacias sedimentares formam-se posteriormente, com a atuação dos processos de erosão nas partes mais elevadas do relevo (nas serras representadas na figura).

A ID

B I O

13. O excesso de nutrientes (provenientes, por exemplo, do despejo de esgotos

domésticos) presentes nas águas provoca aumento de bactérias e algas, que consomem a maior parte do oxigênio. Essa é uma das formas de poluição das águas. A manutenção do volume de água resultaria no aumento gradual da eutrofização, enquanto o aumento da população de algas planctônicas (algas microscópicas presentes nas águas) provocaria uma redução do teor de oxigênio. Impedir a fotossíntese resultaria numa produção ainda menor de oxigênio pelas algas, enquanto o aumento da população de espécies do topo da cadeia alimentar seria inviável sem a recuperação anterior dos níveis de oxigênio capazes de manter vivas essas populações. Resposta: C

R P

10. As alternativas I e IV estão corretas, pois apresentam dois fatores

11.

b) Nas bacias sedimentares podem se formar os recursos minerais energéticos, como o petróleo e o gás natural, além do xisto betuminoso (em ambientes de sedimentação marinha no passado geológico) e o carvão mineral (em ambientes de sedimentação terrestre no passado geológico, com o soterramento de matéria orgânica de florestas e pântanos).

14. A resposta correta é a alternativa A. A cobertura vegetal torna o solo mais

estável, evitando a erosão laminar (perda de sedimentos da camada superficial do solo) e o assoreamento dos rios e lagos (excesso de sedimentos). Além disso, a vegetação favorece a infiltração de água e o abastecimento dos lençóis freáticos, aumentado a disponibilidade de água para consumo humano. Ao contrário do que dizem as alternativas B e C, a recuperação de áreas degradadas exige ações de longo prazo e tem um custo bem menor do que o de grandes obras de engenharia para a obtenção de água em outras bacias hidrográficas por meio da transposição. A Região Metropolitana de São Paulo carece de áreas verdes e de mananciais, e o aumento desse tipo de proteção ambiental representaria ganhos significativos na disponibilidade de recursos hídricos, diferentemente do que aponta a alternativa D. Já a alternativa E está incorreta, pois o ritmo de crescimento da população na Grande São Paulo tem diminuído nas duas últimas décadas, e a recuperação das áreas degradadas possibilitaria um ganho significativo na oferta de água. Resposta: A

15.Com a intensa exploração dos rios que desaguam no Mar de Aral por meio da irrigação, aumentou a concentração de sal nos solos, processo denominado salinização. A erosão é a retirada de sedimentos pela ação das águas das chuvas, dos rios e dos ventos, entre outros agentes erosivos, que não se aplicam à situação descrita no texto do enunciado. A laterização corresponde à formação de carapaças (crostas ferruginosas) em decorrência da concentração, na camada superficial do solo, de hidróxido de ferro GE GEOGRAFIA 2018

143


SIMULADO

e alumínio em áreas de climas com alternância de chuvas e estiagem. A compactação do solo está associada ao uso intenso de máquinas agrícolas, não mencionadas no enunciado. Por fim, a sedimentação é um dos processos geomorfológicos, o da deposição de sedimentos, que, nesse caso, diminuiu devido ao desvio de águas dos rios para o uso na cultura irrigada do arroz. Resposta: B

16. A alternativa E descreve corretamente que o aquecimento da superfície

provoca a subida do ar quente, portanto com baixa pressão. Após o resfriamento nas camadas mais elevadas, o ar resfriado e com maior pressão desce até a superfície, tornando a ser aquecido e reiniciando o processo, o que favorece o maior tempo de voo para a asa-delta. Sobre as outras alternativas: o ângulo de incidência do Sol, um fenômeno a ser analisado em escala global, não está diretamente relacionado ao fenômeno local descrito no enunciado. A gravidade e as áreas de alta pressão encurtariam o tempo de voo. Assim como o ângulo de incidência do Sol, o efeito de Coriolis não se aplica à situação descrita, pois se trata de um fenômeno em escala global. Resposta: E

17. O texto literário remete, em sua descrição, a um rio intermitente, ou seja,

que seca durante uma parte do ano. A baixa penetração de massas úmidas na região do Sertão limita a incidência de chuvas, conforme afirma a alternativa A. Sobre as outras alternativas: o “inverno” mencionado por José Lins do Rego corresponde ao período de chuvas no Sertão, em que se verificam elevadas temperaturas, ao contrário, portanto, do que ocorre nessa estação no clima subtropical, que apresenta redução nas temperaturas. O verão pouco chuvoso no Sertão nordestino não se assemelha ao verão da porção centro-sul do país, onde predomina o clima tropical típico, com chuvas concentradas nessa estação. O relevo acidentado, principalmente a presença do Planalto da Borborema a leste, é um dos fatores climáticos responsáveis pela baixa pluviosidade no Sertão, pois barra as correntes de ar úmido provenientes do Oceano Atlântico. Por fim, as massas de ar citadas são secas, e não portadoras de umidade. Resposta: A

A D

N E V

20. As ilhas de calor se formam em grandes áreas urbanas devido ao acúmulo

de poluentes na atmosfera, que aumentam a capacidade de retenção de calor, bem como pela elevada densidade de prédios, asfalto e demais formas de ocupação que eliminam ou reduzem as áreas verdes. A criação de áreas verdes sobre os prédios aumentaria a absorção de gás carbônico pelo processo de fotossíntese e absorveria parte da energia solar para transformá-la em biomassa, e não a simples transferência para a atmosfera, como ocorre nas superfícies de concreto (lajes e telhados). Resposta: C

responsáveis pela formação do Deserto do Atacama, localizado no Chile, que corresponde ao número 3 no mapa. A região referente ao número 1 no mapa indica o Deserto do Kalahari, cuja origem está associada à corrente de Benguela, que é de águas frias, e à formação de uma zona de alta pressão, que recebe os ventos descendentes (frios e secos) da circulação atmosférica intertropical (célula de Hadley). O número 2 no mapa mostra a localização do Deserto do Saara, e sua origem está relacionada à zona de alta pressão da célula de Hadley e à presença de águas frias do Atlântico centro-oriental. Resposta: C

19. Nos climogramas, a pluviosidade é indicada pelas colunas, enquanto as

temperaturas são representadas pelas linhas. I. Falso: os climogramas de Goiânia (GO) e de Caxias (MA) apresentam distribuição desigual dos índices pluviométricos ao longo do ano II. Falso: Bagé (RS) tem uma pluviosidade bem distribuída ao longo do ano. III. Falso: Em Goiânia e em Curitiba, a época que registra os maiores índices pluviométricos não coincide com as mais altas temperaturas. IV. Verdadeiro: Os dois biomas que apresentam as mais elevadas amplitudes térmicas anuais são: Floresta de Araucárias (na realidade, essa formação vegetal corresponde

A ID

B I O

21. A figura 1 mostra uma variação normal (diminuição) da temperatura à

R P

18. A alternativa C é a que descreve corretamente os fatores climáticos

144 GE GEOGRAFIA 2018

a um Domínio Morfoclimático e integra o bioma da Mata Atlântica) e o Pampa, ambos localizados em região de clima subtropical e que apresentam as mais elevadas amplitudes térmicas anuais (diferença entre as temperaturas máxima e mínima). V. Verdadeiro: as plantas da região de Goiânia são do bioma Cerrado, que desenvolvem adaptações à passagem do fogo (pirobioma) e às secas, que ocorrem durante o inverno, como as cascas cortiçosas (grossas) que protegem o caule e as raízes profundas para alcançar as águas do lençol freático. VI. Falso: a soma dos totais pluviométricos mensais de Curitiba (região de Floresta de Araucárias) fica bem abaixo de 3.000 mm anuais (cerca de 1.600 mm anuais). Resposta: FFFVVF

medida que aumenta a altitude, enquanto na figura 2 há uma alteração anormal na variação da temperatura (aumento) entre 4 e 6 km de altitude, indicando uma situação de inversão térmica. Resposta: C

22. Os ciclones são denominados “furacões” quando ocorrem no Oceano

Atlântico e na costa leste do Pacífico e “tufões” quando ocorrem no Oceano Índico e no oeste do Pacífico. Eles se formam sobre as águas aquecidas dos oceanos na zona intertropical. As temperaturas elevadas dessas águas dão origem a zonas de baixa pressão, onde as correntes ascendentes de ar ganham força e, após se resfriar no alto da troposfera, descem e formam correntes de ar em forma de círculos. Devido à atuação da força de Coriolis (efeito do movimento de rotação no deslocamento dos ventos), o movimento se dá no sentido anti-horário no Hemisfério Sul. Esse mesmo sentido dos ventos pode ser observado na imagem de satélite apresentada na questão. Resposta: D

23. A representação, no mapa, de águas aquecidas no Pacífico Central e o

aumento do volume de chuvas nas regiões vizinhas (costa oeste da América do Sul e na Oceania/Sudeste Asiático) indicam uma situação de incidência do El Niño. Resposta: D

24. A alternativa D refere-se corretamente à chuva ácida e seus efeitos em

regiões vizinhas, devido ao transporte dos poluentes (como o dióxido de enxofre) dos locais emissores para outras regiões. Sobre as alternativas incorretas: (A) A ilha de calor ocorre no verão e é consequência e não a causa da concentração de poluentes. (B) Os principais emissores de gases poluentes pela atividade industrial e geração de energia (usinas térmicas) e transportes, além de outras atividades que consomem combustíveis fósseis, são os países desenvolvidos e emergentes. (C) As monoculturas utilizam o trabalho mecanizado, que, em geral, provoca a erosão dos solos. (E) O Protocolo de Montreal tratou da redução e eliminação do gás CFC (clorofluorcarbono), prejudicial à camada de ozônio. Resposta: D


25. O Arquipélago de Fernando de Noronha, de rica biodiversidade, limita a 30. O conceito de desenvolvimento sustentável apresentado no enunciado visitação turística e a ocupação humana e, por ser um Parque Nacional Marinho, implanta uma rigorosa legislação que visa à redução dos impactos negativos sobre seus ecossistemas. A matriz energética mencionada no texto é composta por formas de geração de energia consideradas limpas e renováveis. Resposta: B

26. Uma das consequências do aquecimento global é o derretimento de geleiras

e placas de gelo, o que provoca a elevação do nível do mar. Segundo o Painel Intergovernamental sobre a Mudança do Clima (IPCC), o nível do mar deve aumentar em até 82 centímetros até 2100. Essa elevação é suficiente para fazer submergir diversas ilhas povoadas no Oceano Pacífico, como é o caso de Kiribati, Maldivas e Tuvalu. Resposta: A

(aquele que busca um modelo de consumo que atenda às necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades) foi proposto pela ONU em 1987, no relatório Nosso Futuro Comum. Entre os maiores desafios para colocá-lo em prática está a busca do equilíbrio entre o atendimento das necessidades de consumo e a conservação ambiental. Outro desafio é a questão da desigualdade socioeconômica, principalmente entre os países desenvolvidos e os países com elevado índice de pobreza. As necessidades desses dois grupos são bem diferentes, e cada um deles defende seu direito de buscar o crescimento econômico e a satisfação de suas necessidades. O aumento do consumo de recursos naturais não renováveis (petróleo e minérios em geral) vai na contramão do desenvolvimento sustentável – a partir desse conceito, deve-se priorizar o uso de recursos e fontes energéticas renováveis (sol, vento, biomassa, entre outros). Resposta: B

A ID

27. As afirmativas corretas são a I e a III. As cheias ocorrem devido a uma associação 31. entre diversos fatores: o elevado volume de chuvas do clima Equatorial; o degelo de parte das geleiras na Cordilheira dos Andes, onde se localizam as nascentes de parte dos rios amazônicos; e a configuração do relevo dessa região, com a formação de extensas planícies ao longo dos cursos fluviais. A mata de igapó ou mata inundada é a formação vegetal que se desenvolve dentro da água, na planície permanentemente com o solo encoberto por água, cujo nível fica mais elevado durante o verão no Hemisfério Sul, podendo atingir as copas das árvores. Além desta, há ainda a mata de várzea, com inundações periódicas (durante o período mais chuvoso) e a mata de terra firme, que se desenvolve acima do nível de inundação dos rios. As afirmativas incorretas são a II e a IV. Além de não se localizar apenas na faixa territorial entre o Trópico de Capricórnio e a linha do Equador (parte das terras amazônicas se localizam ao norte da linha do Equador), a simples localização no globo não justifica o fenômeno das cheias. Além disso, a proximidade com a faixa litorânea por si só não provoca as cheias. Resposta: A

A D

N E V

a) Os extremos com maior e menor biomassa e biodiversidade estão representados no gráfico abaixo. A situação de maior radiação solar (R) e de precipitação (P), que favorece a biomassa e a biodiversidade, encontra-se, de modo geral, nas latitudes menores (na região equatorial). A situação oposta encontra-se nos extremos dos gráficos (latitudes mais elevadas), onde as temperaturas extremas (baixas) das regiões polares se colocam como o principal fator restritivo à biomassa e biodiversidade.

B I O

R P

28. As populações tradicionais como indígenas, ribeirinhos, quilombolas e

comunidades extrativistas, bem como as instituições que os representam, criticam essa forma de proteção legal, que proíbe qualquer tipo de exploração de recursos naturais nessas áreas. Isso porque é nesse território que essas populações obtêm grande parte de seus recursos para a autossubsistência. Cerca de 25% das Unidades de Conservação existentes no país são de proteção integral. Resposta: C

29. Os domínios naturais ou morfoclimáticos são áreas com certa homogeneidade

climática, de vegetação e de aspectos relacionados ao relevo, solos e hidrografia. No trajeto apresentado no mapa, pode-se identificar a sequência correta na alternativa D: Mares de Morros: domínio da Mata Atlântica, marcado por planaltos e serras, com clima tropical, úmido nas zonas costeiras, que muda gradativamente para o clima tropical típico; Cerrado: domínio do clima tropical típico, com estação seca bem definida e relevo caracterizado pelas chapadas com topos planos; Amazônico na porção noroeste do país: caracterizado pelo clima equatorial úmido, com extensas depressões intercaladas por planaltos residuais e por planícies fluviais; Andes Equatorial: com estágios sucessivos de vegetação à medida que aumenta a altitude, desde a floresta equatorial peruana até a vegetação de altitude em áreas acima de 4 mil metros na região andina. Resposta: D

b) Além da precipitação e da radiação solar, a distribuição da biomassa e da biodiversidade está relacionada à composição ou fertilidade química (presença de nutrientes minerais e de matéria orgânica) e à estabilidade físico-química (resistência à erosão) dos solos. As características geomorfológicas e hidrográficas, como a declividade e o volume de água dos rios e dos lençóis freáticos também podem resultar em maior ou menor biomassa e biodiversidade.

32.

a) Na Zona Intertropical o fator que mais influencia a formação vegetal é a umidade. Nessa zona climática predominam expressivos índices pluviométricos que, associados às temperaturas elevadas, possibilitam o desenvolvimento de formações vegetais florestais. As florestas equatoriais Amazônica e do Congo, na África, e a Mata Atlântica, na faixa leste do Brasil, são exemplos desse tipo de formação vegetal. Apenas nos desertos não ocorrem florestas. b) Devido à maior latitude, a Zona Temperada apresenta temperaturas relativamente mais baixas do que a Zona Intertropical. Dessa forma, desenvolvem-se menos formações vegetais florestais e com menor biodiversidade do que as florestas tropicais e equatoriais (apenas a floresta temperada e floresta boreal), com destaque para áreas de formações vegetais com predomínio de gramíneas e arbustos, como as estepes e pradarias e a vegetação mediterrânea. GE GEOGRAFIA 2018

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