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AGRADECIMENTOS

Dirijo o meu agradecimento à Associação Portuguesa para a Igualdade Parental, Associação Brasileira Criança Feliz e Sociedade Brasileira de Psicologia Jurídica pela parceria que possibilitou a concretização do Projecto Revista Alienação Parental, bem como a todos os colaboradores nesta partilha de informação e conhecimento de dimensão internacional.

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Revista Alienação Parental http://revistaalienacaoparental.webnode.pt/ revistaalienacaoparental@gmail.com visite-nos no facebook

Associação Portuguesa para a Igualdade Parental Apartado 9865 EC Olaias 1911-701 Lisboa tel. +351 910 429 050 igualdadeparental@gmail.com http://igualdadeparental.blogspot.com http://igualdadeparental.org/

Associação Brasileira Criança Feliz www.criancafeliz.org

Sociedade Brasileira de Psicologia Jurídica http://www.sbpj.org/index.php sbpj@sbpj.org

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EDITORIAL

A Equipa da Revista Alienação Parental é composta de uma parceira lusobrasileira, partindo da iniciativa de Sandra Inês Feitor, jurista portuguesa, com tese de mestrado em direito publicada pela Coimbra Editora, intitulada «A Síndrome de Alienação Parental e o seu Tratamento à Luz do Direito de Menores». Os Parceiros institucionais são, assim, a Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos, a Associação Brasileira Criança Feliz e a Sociedade Brasileira de Psicologia Jurídica. Com a estreita colaboração de toda a equipa torna-se possível concretizar um projecto sério de criação de uma revista sobre o tema Alienação Parental com âmbito luso-brasileiro. A Alienação Parental, independente de ser ou não considerada uma síndrome, é um fenómeno socio-jurídico e familiar multidisciplinar e globalizado. Não se trata de um fenómeno novo, mas pouco conhecido, quer pela sociedade em geral, quer pelos operadores de direito, pelo que é fundamental a divulgação, informação e formação sobre este tema para todos os operadores que com ele se deparam no exercício da sua atividade, e para as famílias. A Alienação Parental tem sido um fenómeno em expansão, no qual não há vencedores, mas em que a maior vítima e quem mais sofre são as crianças, uma vez que são a peça principal deste jogo de domínio dos afetos.

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Tem sido considerada como um abuso emocional, uma violência psicológica para as crianças com potenciais graves consequências, quer para o seu superior interesse e bem-estar psico-emocional, quer para o seu desenvolvimento da personalidade, e projeção na vida adulta. Os atos de alienação parental violam gravemente a dignidade da criança, o seu direito à liberdade dos afetos, violando a Convenção Europeia dos Direitos da Criança e os seus Direitos Constitucionais Fundamentais, pois que destrói, desestrutura, desmoraliza e desacredita os laços paterno-filiais. Deste modo, todos os esforços empreendidos na informação acerca do que é a Alienação Parental e os seus aspetos jurídicos, quer dirigida à sociedade em geral, quer dirigida às escolas, aos operadores das ciências sociais e jurídicas, serão um novo ganho, uma nova conquista no combate a este fenómeno. A Revista Digital Alienação Parental vem trazer informação sobre o tema em divérsas áreas, facultando conhecimento e instrumentos de trabalho.

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APRESENTAÇÃO

Objectivos

O principal objetivo da criação de uma Revista Digital Luso-Brasileira Alienação Parental consiste na dinamização da informação sobre o tema, quer na sua vertente psicológica, quer na sua vertente jurídica. Pretende-se, com a colaboração de profissionais e académicos na área da psicologia, serviço social, mediação familiar e juristas, criar um acervo informativo de qualidade sobre as várias dinâmicas da alienação parental, desde o seu conceito, a discussão sobre se é ou não uma síndrome, as acusações de abusos sexuais e/ou violência doméstica, o rapto parental, as recusas do menor e a indução de falsas memórias, as características dos comportamentos indiciadores de alienação parental e respetivas consequências, as soluções jurídicas existentes, a legislação, a jurisprudência nacional e internacional, a jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, os dados estatísticos e jurisprudenciais facultados pelo Tribunal de Justiça Europeu, a International Child Abduction Database, entre outros, sobre rapto parental e a Convenção de Haia. Desta forma pretende-se criar uma revista assente em critérios de rigor e seriedade, a fim de promover adequadamente informação técnica em formato digital, de forma a veicular o conhecimento, pois que sem conhecimento não há liberdade.

Periodicidade e Conteúdo

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A Revista Alienação Parental tem tiragem trimestral. Contém entrevistas, artigos, legislação, jurisprudência, divulgação literária, eventos e formações.

Missão:

A Missão da Revista Digital Alienação Parental consiste em dinamizar e veicular informação e conhecimento sobre os vários aspetos relacionados com a Alienação Parental, a nível psicológico, jurídico e social. Tem por objetivo sensibilizar a comunidade para uma parentalidade positiva em prol do superior interesse da criança, bem como dissuadir os comportamentos alienadores através do conhecimento dos danos psicoemocionais causados à criança. A

Revista

Digital

Alienação

Parental

visa

cooperar

para

o

desenvolvimento sócio-jurídico do fenómeno, promovendo a igualdade parental e os direitos da criança.

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DRA. ARLENE DIAS “FALSAS” MEMÓRIAS DE ABUSO SEXUAL NA ALIENAÇÃO PARENTAL: UMA PERSPECTIVA PSICANALÍTICA.

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“FALSAS” MEMÓRIAS DE ABUSO SEXUAL NA ALIENAÇÃO PARENTAL: UMA PERSPECTIVA PSICANALÍTICA.

* Arlene Mara de Sousa Dias. Mestra em Psicologia pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Especialista em Direito Processual Civil pela Faculdade do Pará/Estácio de Sá-RJ. Advogada e psicóloga. Membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente da OAB/PA. Diretora no Pará da Associação Brasileira Criança Feliz. * Mauricio Rodrigues de Souza Doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo. Professor Adjunto do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e dos Programas de Pós-Graduação em Psicologia e Filosofia da Universidade Federal do Pará.

Cada vez mais a questão da alienação parental – AP passa a ocupar destaque no meio acadêmico, seja pelo fato de ser uma prática antiga e ainda bastante corriqueira, seja pelo fato de a legislação brasileira passar a regulá-la e combatê-la através da Lei 12.318/2010. Diante de um litígio pela guarda de filhos, o genitor detentor da guarda pode adotar, continuamente, um padrão de condutas para denegrir a imagem do ex-parceiro perante o (a) filho (a) com o intuito de afastá-lo, podendo culminar no rompimento total dos vínculos parentais, caracterizando a AP. E uma das formas mais eficazes para alcançar tal desiderato é a falsa acusação de abuso sexual contra o outro genitor, que, por sua vez, pode resultar em “falsas” memórias pelo filho (a), situação na qual este vem 9


a confirmar as acusações do genitor guardião por acreditar que, de fato, sofreu abuso sexual. Penso que a psicanálise pode lançar luz sobre a problemática das “falsas” memórias de abuso sexual a partir da obra de Freud ([1895]2006) e Laplanche (1988), vez que ambos desenvolveram a temática da sedução de forma peculiar, estreitamente ligada ao conceito de trauma. Esclareço, desde já, que o emprego da expressão “falsas” memórias entre aspas se justifica pela opção de abordar o assunto sob a ótica da psicanálise, vez que a realidade psíquica da criança, que se distingue da realidade material do direito, é dominada pela fantasia. Não sendo redundante especificá-las no contexto da AP, vez que as “falsas” memórias podem ocorrer em outras situações alheias à alienação parental, as quais não me deterei. Levando em consideração o litígio entre casal, muito dificilmente o momento da separação ocorre de forma tranquila e sem mágoas, principalmente se a ruptura ocorrer em razão da mudança de objeto de desejo de um dos pares. Comumente, a traição é um dos fatores que pode transformar drasticamente a vida familiar pós-separação. De qualquer forma, independentemente da existência ou não de traição, há grande probabilidade de que divergências ocorram. E é sob este vértice que os conflitos internos não resolvidos de um deles (ou de ambos) podem eclodir. O grande problema advém se o ex-casal tiver em comum filho (s), os quais podem servir de poderosa arma de ataque e vingança contra o ex-parceiro. É possível, pois, que um dos genitores (ou ambos) adote um padrão de condutas negativas visando o enfraquecimento ou rompimento dos laços parentais, caracterizando a alienação parental. O art. 2º da Lei da Alienação Parental (12.318/2010) a conceitua como: [...] a interferência na formação psicológica da criança ou adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie 10


genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este. Ressalto que não existe uma única forma de praticar a alienação parental, haja vista que há uma infinidade de combinações de comportamentos que a caracterizam. Entretanto, é pacífico o entendimento de que a conduta do genitor alienante eclode, em regra, no momento da separação do casal, tendo, no entanto, sua origem em conflitos anteriores ao fim do relacionamento – o alienante, por exemplo, pode carregar seus conflitos a partir da separação de seus próprios pais. Mas, é bom frisar que a AP pode ocorrer ainda durante a constância do relacionamento. É importante registrar que a mesma não se confunde com a síndrome da alienação parental – SAP, embora seja um equívoco bastante corriqueiro. Ainda hoje o conceito de SAP recebe muitas críticas em vários países, como Inglaterra e Canadá, dividindo a opinião de profissionais das mais variadas áreas quanto à cientificidade do termo por não o considerarem síndrome. Gardner (2002b) manifestou-se quanto à objeção ao uso do termo “síndrome”, pontuando os motivos que o levavam a crer que a aplicação do termo “alienação parental – AP” não poderia ser empregado em substituição a SAP. Ressaltou que a maioria dos avaliadores, advogados do direito de família e de juízes reconhecem que a alienação da criança é bastante comum no contexto de disputa de guarda de crianças. Porém, ponderou que o problema com o emprego do termo AP é que ele é mais genérico, pois há muitas razões pelas quais uma criança pode ser alienada dos pais e que podem não ter relação alguma com programação imposta pelo genitor alienante. Sob este aspecto uma criança poderia ser alienada de um pai por causa do abuso parental – físico, emocional ou sexual – por negligência, por rebeldia própria da puberdade, etc. Gardner (2002b) esclareceu que quando o abuso e/ou a negligência parentais estão presentes, a animosidade da criança 11


pode ser justificada, e assim a caracterização da síndrome de alienação parental para a hostilidade da criança não seria aplicável. Portanto, para o referido autor, SAP era vista como um subtipo da alienação parental, onde a rejeição da criança ao genitor não encontraria justificativa diante do bom relacionamento mantido antes da separação. De qualquer forma, os estudos de Gardner sobre a SAP, ao longo do tempo, foram objeto de muitas discussões e deram suporte teórico para a reformulação de algumas de suas ideias. No Brasil, alguns autores como Dias (2010) empregam as expressões alienação parental e síndrome de alienação parental como sinônimas. Outros como Silva (2011) e Fonseca (2006), preferem diferenciá-las, mas não nos mesmos termos que Gardner (2002b). De qualquer forma, independentemente da polêmica em torno da cientificidade, a comunidade jurídica vem reconhecendo tanto a alienação parental como a síndrome da alienação parental. Empregarei aqui a posição de Silva (2011, p.208) no sentido de diferenciá-las, a saber: A Alienação Parental (AP) caracteriza o ato de induzir a criança a rejeitar o pai/mãe-alvo (com esquivas, mensagens difamatórias, até o ódio ou acusações de abuso sexual). A Síndrome de Alienação Parental (SAP) é o conjunto de sintomas que a criança pode vir ou não a apresentar, decorrente dos atos de Alienação Parental. No mesmo sentido, Fonseca (2006, p. 164) afirma que: [...] A síndrome da alienação parental não se confunde, portanto, com a mera alienação parental. Aquela geralmente é decorrente desta, ou seja, a alienação parental é o afastamento do filho de um dos genitores, provocado pelo outro, via de regra, o titular da custódia. A síndrome da alienação parental, por seu turno, diz respeito às sequelas emocionais e comportamentais de que vem a padecer a criança vítima daquele alijamento. 12


Sucintamente, a alienação parental consiste na prática efetivada mais comumente por um dos genitores que tem por objetivo o enfraquecimento ou rompimento total dos laços parentais entre o ex-parceiro e filho. E, dependendo da sua intensidade, pode levar a implantação da síndrome da alienação parental SAP. Trindade (2010, p. 25) conceitua a SAP como: “uma forma de maltrato e abuso infantil” capaz de produzir efeitos prejudiciais nos filhos, variando de acordo com a idade da criança, com o tipo de vínculo anteriormente estabelecido, etc., manifestando-se sob várias formas, como “ansiedade, medo e insegurança, isolamento, tristeza e depressão, comportamento hostil, falta de organização, dificuldades escolares,...”. Infelizmente, a SAP pode provocar graves consequências de natureza comportamental e psíquica. Talvez a forma mais danosa utilizada para a destruição dos vínculos parentais seja a falsa acusação de abuso sexual contra o genitor alienado. Gardner (1985), inclusive, observou a grande atenção dada ao abuso sexual de crianças por parte de genitores no contexto de disputa de guarda, onde a criança poderia tornar-se uma arma poderosa na campanha alienação. Isto porque, um genitor vingativo poderia a partir de um contato mantido entre o outro genitor e a criança, exagerar ou construir um caso de abuso sexual, a ponto de levar ao conhecimento das autoridades competentes. Acusação que poderia contar com a confirmação da criança. A realidade pode tornar-se mais cruel caso a falsa acusação culmine nas “falsas” memórias de abuso sexual. Enfatizo, ainda, que a expressão implantação de falsas memórias também, não raro, vem sendo empregada por alguns profissionais como sinônima não somente da expressão alienação parental como da síndrome da alienação parental, o que creio ser um equívoco.

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Não estou aqui afirmando que inexiste implantação de falsa memória no contexto da alienação parental, mas apenas que aquela expressão possui um conceito bem mais amplo que esta, podendo ocorrer também em outros contextos diferentes da AP. Stein (2010), inclusive, trata dos casos de falsas memórias de abuso sexual catalogados nos EUA e que foram relatados por mulheres que dizem terem sido vítimas de seus respectivos terapeutas. Penso que equiparar o significado da expressão implantação de falsas memórias à alienação parental implicaria na restrição do emprego daquela. Quando se fala em implantação de falsa memória deve-se atentar para seu conceito, qual seja, o ato de acreditar em um fato que não ocorreu, podendo ocorrer em vários contextos para além da alienação parental. Levando em consideração a aplicação do termo no contexto da alienação parental, Meirelles (2009, p. 267) ressalta que é comum que a base dos acontecimentos ou palavras utilizadas pelo alienador seja real e que:

De fato, uma das estratégias mais utilizadas pelo alienador é o ato de manipular os fatos ou as palavras reais de tal forma que se tornam irreconhecíveis, a ponto de não se poder, muitas vezes, perceber qual é a parte verdadeira e qual é a inventada. Assim, diante de uma acusação de abuso sexual não se pode descartar a possibilidade de ser falsa. Por isso, o conhecimento da dinâmica do abuso sexual e da dinâmica da alienação parental pelo profissional responsável pelo estudo psicossocial é imprescindível para uma correta avaliação do caso, pois os indicadores de ambos podem confundi-lo, já que são bastante parecidos – embora a causa de cada um seja diversa. Muitas vezes a alienação parental pode evoluir para a implantação da síndrome da alienação parental - SAP, podendo a criança apresentar sintomas emocionais típicos de quem sofreu abuso sexual, 14


conforme descrito por Gardner (2002a). E, sem a necessária correlação de ambos os contextos e em ocorrendo a presença de sintomas, corre-se o sério risco de entender pelo abuso sexual, quando, na realidade, trata-se de um quadro de SAP, advindo, por conseguinte, de uma situação traumática. Penso que diante deste imbróglio seria ingênuo acreditar que, inexistindo indícios materiais de abuso sexual, a criança necessariamente não apresentaria qualquer tipo de sequela em virtude de a acusação ser falsa, vez que em ocorrendo as “falsas” memórias a realidade psíquica da criança indica a existência do abuso. No âmbito do judiciário, o conhecimento da matéria é necessário não somente ao profissional responsável pelo estudo psicossocial, mas também ao operador do direito, o qual fará a análise de cada caso a partir da ótica jurídica. Em relação ao profissional do direito, em regra, as razões psíquicas originadoras da demanda são relegadas a um segundo plano, pois não está preparado para o reconhecimento dos significados das mensagens. Portanto, o contexto em questão delimita um terreno fértil para o estudo da interlocução entre a psicanálise e o direito. A interlocução entre ambos, embora cada qual tenha suas peculiaridades, é importante diante da reflexão sobre o processo de constituição do ser humano. Trindade (2012) enfatiza que os saberes individualizado e disciplinário já não encontram guarida nos dias de hoje, marcado pela complexidade e pela globalização. Sem dúvida, no campo do direito, uma das dificuldades para a referida interface surge quando muitos dos seus conceitos, tidos como estáveis, são questionados. Além do que, vejo que há um desconhecimento total ou insuficiente dos princípios básicos do funcionamento psíquico, o que dificulta uma aproximação. Sem falar que, de um modo geral, há uma tendência à hegemonia, o que talvez tenha origem no fato de o direito possuir uma tradição milenar. E assim, a possível tendência a ignorar os saberes

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não normatizantes como forma de preservar a segurança jurídica diante de um conflito deve ser expurgada . Ressalto, pois, que o conflito jurídico deve ser entendido como o conflito institucionalizado, o qual terá um fim mediante decisão do Judiciário representado pelo juiz e que confere ao direito uma série de características que divergem da psicanálise. E um dos maiores desafios diz respeito à possibilidade de conciliar a verdade do sujeito, enquanto realidade psíquica, com a realidade material. Em que pese às distinções entre psicanálise e direito, entendo pela fecundidade da aproximação de ambos, tornando necessário e impositivo na contemporaneidade repensar paradigmas a partir da psicanálise. Esta pode oferecer ao pensamento jurídico uma grande contribuição a partir do inconsciente, afinal, este produz efeitos que repercutem no direito. Tais efeitos são bastante acentuados no âmbito do direito de família, sobretudo, diante da ruptura conjugal com disputa pela guarda de filhos, vez que a forma como a ruptura é interpretada pode causar distintos efeitos na subjetividade dos exparceiros e de seus filhos. Levando em conta a possibilidade da AP, o genitor alienante utiliza-se de um padrão de condutas para dificultar e/ou impedir o contato entre filho (s) e ex-parceiro (a), causando sofrimento e angústia aos envolvidos. Conforme dito, é possível que o genitor alienante levante uma falsa acusação de abuso sexual com o intuito de romper por completo os vínculos parentais entre o filho (a) e ex-parceiro (a). Friso que a falsa acusação de abuso sexual é condição sine qua non para a implantação de “falsas” memórias de abuso sexual. Deixo claro que não pretendo desmerecer ou ignorar os milhares de casos verídicos de abuso sexual intrafamiliar. E antes de adentrar na falsa acusação de abuso sexual, entendo salutar destacar o que se compreende por abuso sexual. Segundo Furniss (1993, p. 23) trata-se: “... de uma forma de violência física e/ou psíquica, na qual o 16


abusador, sem consentimento válido, aproveitando-se da sua superioridade sobre a criança e/ou confiança que lhe deposita, busca a satisfação sexual, causando nela danos psíquicos (...) e/ou danos físicos”. Do conceito supra, há elementos que adquirem muita importância no contexto de uma falsa acusação, dentre eles, a forma de contato do abuso. O abuso sexual pode ocorrer com ou sem o contato físico, vez que também é reconhecido como uma violência psíquica. E, inexistindo a materialidade do abuso atestado por exame de corpo-delito, o caso torna-se mais emblemático. Dias (2010) explica que o incesto, na maioria dos casos, não deixa vestígios, pois em regra é praticado dentro lar. Isto por si só, dificulta bastante a comprovação de sua ocorrência, a qual independe de condição social, do nível de instrução do abusador, etc. Muitas vezes, não há testemunhas e a prova restringe-se ao testemunho do adulto e da criança, a qual por diversas razões provavelmente terá dificuldades de relatar o ocorrido. Por outro lado, tais dificuldades acabam estimulando falsas denúncias de abuso sexual com objetivo alienador, em regra, no momento de uma separação. Infelizmente, a meu ver, o surgimento de uma falsa acusação de abuso sexual é tão dramático quanto o incesto, causando intenso sofrimento a toda a família, em especial, à criança e ao acusado. Entendo que o assunto deve ser discutido a fim de evitar a completa banalização, colocando em risco, sobretudo, o desenvolvimento das possíveis crianças envolvidas. Em ocorrendo falsa denúncia de abuso sexual, não raro a criança pode confirmar as acusações do genitor guardião, acreditando na sua veracidade, como se de fato o abuso tivesse ocorrido, caracterizando “falsas” memórias de abuso sexual. Tal fenômeno ocorre, comumente, junto às crianças de tenra idade, entre 03 a 07 anos (Guazelli (2010); Brandt (2009); Amendola (2009)). E

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é neste contexto que a criança pode vir a apresentar uma série de sintomas decorrentes do trauma por acreditar que foi abusada sexualmente pelo pai. Para além das “falsas” memórias de abuso sexual na alienação parental entendo salutar a questão do trauma dela decorrente. Por certo a situação em questão constitui uma das várias formas de violência que a criança pode vir a sofrer, talvez a mais nociva. Neste caso, o alienante transmite à criança a mensagem de que foi abusada sexualmente, culminando em possíveis efeitos traumáticos na criança que ocorrem após determinadas violências. É certo que um mesmo acontecimento pode não despertar a mesma carga traumática em todos os indivíduos. Seja como for, a criança é tida como vulnerável, sobretudo em tenra idade, já que também menor é o seu nível de compreensão. A relação do trauma com os efeitos da separação aparece de forma menos objetiva, mais entrelaçada à história de vida dos envolvidos, pois trata-se de um acontecimento de cunho afetivo, remetendo a criança a uma experiência de ruptura, quiçá de abandono, rejeição e culpabilidade. O traumático constitui, pois, no inexprimível e no irrepresentável. Daí a importância da psicanálise, a qual nasce com a teoria traumática, sendo que o conceito de trauma psíquico atravessa toda sua história, apresentando uma evolução considerável. Penso que a noção de trauma e sedução em psicanálise, a partir de Freud ([1895]2006) e Laplanche (1988), pode lançar luz sobre o problema jurídico das “falsas” memórias de abuso sexual no contexto da alienação parental. Isto porque ambos desenvolveram a temática da sedução de forma peculiar, estreitamente ligada ao conceito de trauma. O primeiro deu o pontapé inicial nos estudos da sedução, além de haver formalizado a afinidade entre o infantil, o inconsciente e a sexualidade, possibilitando a apropriação de um olhar diferenciado da subjetividade da criança e da família como um todo. O segundo, 18


por sua vez, contribui sobremaneira a partir de sua teoria da sedução generalizada. Ambos os autores possuem em comum o fato de enfatizar o caráter traumático na sedução. Freud ([1895]2006) acreditava, através da teoria da sedução, que o trauma possuía origem sexual, enfatizando que a histeria era resultado de um abuso realmente vivido na primeira infância, anterior à puberdade, fundamentando-se no relato de suas pacientes, vez que era constante a narrativa de cenas sexuais envolvendo adultos e elas próprias, quando crianças. Segundo a teoria da sedução freudiana o trauma era desmembrado em dois acontecimentos ocorridos em tempos separados um do outro. O primeiro destes acontecimentos seria a cena da sedução do adulto voltada à criança, porém, o elemento traumático não seria o ataque sexual do adulto em si vez que o sentido sexual da cena fugiria à compreensão da criança em virtude de sua imaturidade física e psíquica, não sendo a vivência, portanto, traumática, mas misteriosa. O trauma estaria na lembrança do primeiro acontecimento por ocasião de uma segunda vivência, a qual apresentaria certa semelhança com a primeira, sofrendo as histéricas, portanto, de “reminiscências”, não de choque, vez que não preservariam nenhum traço da primeira vivência. A segunda vivência, ocorrida após a puberdade e não necessariamente sexual, levaria por associação à evocação da primeira, produzindo intenso desprazer e, por isto, seria reprimida para o inconsciente – mas não eliminada. E, no inconsciente produzirá os sintomas da neurose através de deformações e substituições. Laplanche & Pontalis (1994, p. 469) muito bem explicitam a teoria da sedução freudiana: Esquematicamente, esta teoria supõe que trauma se produz em dois tempos separados um do outro pela puberdade. O primeiro tempo, o da sedução propriamente dita, é 19


caracterizado por Freud como acontecimento sexual “présexual”; o acontecimento sexual é trazido do exterior a um sujeito que ainda é incapaz de emoções sexuais (ausências das condições somáticas da excitação, impossibilidade de integrar a experiência). A cena, no momento em que se produz, não é o objeto de um recalque. Só no segundo tempo um novo acontecimento, que não implica necessariamente um significado sexual em si mesmo, vem evocar por alguns traços associativos a lembrança do primeiro: “Aqui, nota Freud, oferece-se a única possibilidade de ver uma lembrança produzir um efeito muito mais considerável do que o próprio incidente.” (1a) É em virtude do afluxo de excitação endógena desencadeado pela lembrança que esta é recalcada.

Freud ([1895]2006) postulava que era indispensável que o paciente revivesse a emoção original a fim de que a evocação da lembrança tivesse efeito terapêutico. Entretanto, após novas observações clínicas, passou a desconfiar dos relatos de suas pacientes quanto às revelações de abuso na infância. Se houvesse a cena sexual da sedução, dizia ele, haveria tantos pais perversos quanto há neuróticos, e não era a realidade que encontrava. Em sua Carta 69 Freud ([1897b]1996) confessou a Wilhelm Fliess que não acreditava mais em sua neurótica, valendo-se de várias razões. A mais relevante está em sustentar que no inconsciente não haveria qualquer índice de realidade. O aparente abandono da teoria da sedução é considerado como um passo marcante para o advento da teoria psicanalítica e teria propiciado a descoberta não somente da realidade psíquica, mas também da fantasia, da sexualidade infantil, etc. Assim, instituído o conceito de realidade psíquica, a fantasia aparece como núcleo do aparelho psíquico. Freud atribuiu às fantasias um papel mais determinante que à realidade a partir dos relatos de seus pacientes e analisando os seus próprios sonhos, quando descobriu que as crianças também possuem

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afetos e pensamentos de cunho sexual e que, em regra, para elas é difícil separar realidade e fantasia. Sobre a transição das teorias do trauma à fantasia, Uchitel (2011, p.43) se questiona até que ponto a teoria da sedução foi realmente abandonada por Freud e com ela a teoria traumática, argumentando que: Na mencionada carta 69, assinalada como a certidão de ruptura e de passagem de uma certa concepção da etiologia da histeria (na qual prevalecia a importância do acontecimento traumático) para uma outra, em que a fantasia substituiria o lugar do fato (sinalizando a mudança do período pré-analítico para o analítico, no qual começaria a verdadeira psicanálise com objeto e método próprios), Freud apenas dá diversas razões que indicam insuficiências teóricas e técnicas, mas que não bastam para rebater o que até então, no seu conjunto tinha sido dito. Nem essa carta nem a relação dela com as outras que a sucederam apresentam a consistência de ideias e a clareza necessárias para fazer dela um ponto indiscutível. (...) Uchitel (2011) também defende que a sedução poderia não ser a chavemestra para a etiologia da histeria, mas isso não a descartava como causa também de trauma, conflitos e neurose. A indistinção que o inconsciente faz entre realidade e fantasia destacou a relevância da fantasia, mas não diminuiu o impacto da realidade, isto porque toda realidade material ao ser vivida, exige realidade psíquica, própria da psicanálise, dada a importância que as significações do vivido têm para o indivíduo. Em que pesem os questionamentos quanto ao abandono ou não, na realidade, a questão da sedução é retomada por Freud ([1905]1976) em Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. Ao tratar a sexualidade infantil, desenvolve uma concepção de uma predisposição inata às perversões na constituição de todos os seres humanos, denominada de “constituição perverso 21


polimorfa”, constituindo a base para o desenvolvimento sexual considerado “normal”. Em Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade ([1905]1976) não há a ideia de uma violência sexual direta e brutal, tal como defendida na teoria da sedução. Mezan (1993) enfatiza que há um elemento essencial comum a ambas, qual seja, a sexualidade do ser humano provém de fora para dentro a partir do contato com o adulto, provocando na criança fortes sensações, dela exigindo-se um esforço para ligá-las. Obviamente, há diferenças entre ambas as teorias, enquanto na teoria da sedução o agente sedutor é preferencialmente o pai, naquela, o pai passa a ser substituído pela mãe. Seja como for, permanece a ideia central de que o veículo condutor da sexualidade é da ordem da sedução, embora tal palavra não figure no texto de 1905. O fato é que a questão da sedução permanecerá, de certa forma, à sombra ao longo da obra de Freud, muito embora reapareça de tempos em tempos. De qualquer forma, a teoria da sedução freudiana foi um marco para a psicanálise e foi a partir dela que Laplanche (1988) a despeito da ligação entre fantasia e sedução propõe a teoria da sedução generalizada. Embora a literatura seja quase uníssona em afirmar que a teoria da sedução freudiana foi por ele abandonada, Laplanche (1988) defende que aquela jamais foi abandonada, apenas foi abordada de outra forma e, partindo da neurótica freudiana, chamando-a de teoria da sedução restrita, propôs a teoria da sedução generalizada. Mais precisamente, sua teoria tem como ponto de referência não somente as ideias de trauma e sedução a partir de Freud, mas também as ideias de Ferenczi ([1933]1992). Laplanche ([1987]1992) aponta os pontos fracos e fortes da neurótica freudiana de forma a compor uma nova concepção de trauma, não pautada ou restrita à cena sexual, mas sim apresentando um valor estruturante na constituição psíquica do sujeito. 22


Laplanche ([1987]1992) ao defender sua visão sobre a sedução afirma que a situação originária – de onde provém a sedução – é o confronto da criança, que ainda não fala, com o mundo adulto. Há dois protagonistas, a criança e o adulto. A criança é tida como um indivíduo biopsíquico aberto ao mundo provido de montagens reguladoras que buscam a homeostase nos níveis fisiológico e psicofisiológico, porém, desadaptado e necessitando de ajuda de um estranho em razão da excitação que transborda. Ou seja, este transbordamento diz respeito aos gritos, movimentos, agitação desordenada que a mãe rapidamente aprende a reconhecer como pedido de ajuda. Por sua vez, o adulto ao atender este chamado parte da dimensão de seu inconsciente e de seu desconhecimento. Assim, segundo as lições de Laplanche ([1987]1992), a relação originária se estabelece em um duplo registro, uma relação vital e recíproca ou interativa e, uma relação onde está implicado o sexual, onde a interação não mais ocorre em razão da desigualdade. Há, portanto, um sedutor e um seduzido, um desviador e um desviado. Neste sentido e visando dar amparo as suas ideias, Laplanche (1988) retoma quatro características essenciais da teoria da sedução restrita, quais sejam, a sedução infantil, o adulto enquanto parceiro obrigatório da sedução, o encadeamento de cenas e a passividade da criança. Para que haja uma maior compreensão da teoria da sedução generalizada, parto da compreensão da sedução infantil, compreendida como os fatos da sedução tal como apresentados por Freud ([1985]2006), na qual uma criança de tenra idade depara-se passivamente com uma manifestação da sexualidade de um adulto, trata-se de cenas de experiência sexual prematura. E, durante tal manifestação a criança encontra-se em um estado de imaturidade e de despreparo psíquico e emocional para compreendê-la. Ou seja, à época do primeiro tempo do traumatismo, a 23


criança ao deparar-se com a cena de sedução, encontra-se em um estado anterior à irrupção da sexualidade. Laplanche ([1987]1992) destaca que a questão não é de cronologia, mas sim de defasagem – a qual constitui o terreno do trauma – comparando-a com a neurose traumática do adulto, onde o essencial do trauma decorre do caráter fortuito do incidente, onde o sujeito não está preparado para deparar-se com o fato. Neste contexto, frente à teoria da sedução restrita, Laplanche (1988) ressalta que o parceiro obrigatório da sedução é o adulto e que a criança encontra-se em um estado de passividade frente a ele, vez que é este quem toma a iniciativa, insinuando-se por palavras e gestos. A terceira característica da teoria da sedução restrita, o encadeamento de cenas, diz respeito às relações existentes entre várias cenas de sedução que se sucedem no tempo, mas que simbolizam umas as outras.

Ou seja, há um

encadeamento de uma cena que, por sua vez, leva a outra cena, mais antiga e assim sucessivamente. E é justamente esta busca de cena em cena até chegar-se a uma cena originária, que Laplanche ([1987]1992) entende ter sido um dos pontos vulneráveis da teoria da sedução freudiana diante da improbabilidade ou ausência da cena. A última característica da teoria da sedução restrita, qual seja, a passividade da criança em relação ao adulto, merece especial atenção a partir das colocações de Laplanche (1988), vez que define a própria sedução. Se por um lado, a criança em razão de sua imaturidade reage passivamente diante da irrupção de sexualidade de um adulto, por outro, a passividade deve ser relativizada em função do encadeamento das cenas sexuais. Isto porque, Laplanche (1988, p. 111) lança a questão de saber se uma criança seduzida por um adulto também não seria capaz de desempenhar um papel provocador em relação à sedução do adulto, indagando que: 24


Efetivamente, a objeção está ao alcance da mão: em mais de uma "lembrança" na qual o sujeito pretende ter sido seduzido passivamente não se pode demonstrar que ele desempenhou um papel provocador, indutor, em relação ao gesto do adulto? Quem seduz quem? Laplanche & Pontalis (1994, p. 470), entretanto, deixam claro que a passividade da criança não está adstrita a uma passividade comportamental, mas sim à imaturidade, à incapacidade de compreender a mensagem que lhe é repassada:

Dizer que a cena de sedução é vivida passivamente não significa apenas que o sujeito tem um comportamento passivo nessa cena, mas ainda que a suporta sem que ela possa evocar nele qualquer resposta, sem que ela faça eco a representações sexuais: o estado de passividade é correlativo de uma não-preparação, a sedução produz um “pavor sexual”. Conforme já disse, para Laplanche (1988) a teoria da sedução generalizada somente pode desenvolver-se se for estabelecida com precisão a efetividade da sedução originária. A generalização proposta pelo autor é posta sob a forma de um questionamento teórico sobre o binômio atividadepassividade. Para tanto se vale das ideias de Ferenczi ([1933]1992), para quem a situação originária é a confrontação da criança com o mundo adulto, sendo que este não é um mundo objetivo que a criança teria de descobrir e aprender tal como aprende a caminhar, mas sim, caracteriza-se pelas mensagens que questionam a criança antes que ela as compreenda, as quais deve dar sentido e resposta. O artigo de Ferenczi ([1933]1992) é considerado por Laplanche ([1987]1992) como uma espécie de prefácio à teoria da sedução generalizada. 25


Para Ferenczi ([1933]1992) o traumatismo não advinha somente do frágil desenvolvimento da criança, mas também de uma consequência do choque entre a ternura da criança e as respostas passionais ou perversas do adulto. A confusão de línguas ocorre, pois, quando a criança, em um jogo lúdico, aproxima-se de um adulto valendo-se da linguagem da ternura e o adulto, por sua vez, não a compreendendo, responde impulsionado por seus desejos, valendo-se da linguagem da paixão. Entretanto, Laplanche (1992) entende que Ferenczi ([1933]1992) não trata do que é mais importante, ou seja, a presença do inconsciente do adulto, sem dar-se conta que a “ linguagem da paixão” só é traumatizante porque veicula um sentido dele mesmo ignorado, isto é, em que manifesta a presença inconsciente dos pais. Para além de Ferenczi ([1933]1992), Laplanche (1988, p.119) afirma que a confrontação adulto-criança envolve uma relação atividade-passividade, ligada ao fato de o psiquismo parental ser mais “rico” que o da criança. Entende, portanto, como sedução originária a: “...situação fundamental na qual o adulto propõe à criança significantes nãoverbais tanto quanto verbais e até comportamentais, impregnados de significações sexuais inconscientes.” A sedução originária não é empregada no sentido de um regresso a um primeiro tempo,

o retorno a uma primeira

ocorrência, mas trata-se de um maior sentido, que está escondido ou ignorado e que é o próprio mecanismo de toda sedução, seja ela precoce, infantil, adulta, etc. Neste sentido, o estupro de uma criança por seu genitor ou as carícias eróticas maternas são sedutoras porque transmitem o enigma do desejo inconsciente do adulto.

DE VOLTA ÀS “FALSAS” MEMÓRIAS DE ABUSO SEXUAL Após tratar os aspectos da teoria da sedução freudiana a partir da qual foi proposta a teoria da sedução generalizada, é fundamental que se estabeleça a sua 26


correlação com as “falsas” memórias de abuso sexual na alienação parental. Entre os principais aspectos está a questão da mensagem veiculada pelo adulto à criança, presente em qualquer interação e impregnada de mensagens enigmáticas inconscientes, desconhecidas pelo próprio adulto. O agente sedutor é, pois, sempre o adulto. Em que pese esta premissa da sedução generalizada, ressaltei que Laplanche (1988), ante a passividade da criança, também levantou a possibilidade de a criança seduzir, vez que tem a necessidade de abraçar, acariciar, beijar, tal como Ferenczi ([1933]1992) sustentou. Isto quer dizer que a criança seduz, mas não com o mesmo sentido da sedução de um adulto, mesmo porque ainda não possui um psiquismo constituído, tal como do adulto. Levando em conta a sedução infantil, compreendida como os fatos da sedução tal como apresentados por Freud ([1985]2006), entendo fecundo apontar elementos em comum entre ela e as “falsas” memórias de abuso sexual. Na sedução freudiana uma criança de tenra idade, em um primeiro tempo do traumatismo, depara-se passivamente com uma manifestação da sexualidade de um adulto, estando a criança em um estado de imaturidade e de despreparo psíquico e emocional para compreendê-la. Da mesma forma, as “falsas” memórias de abuso sexual decorrem da fala sexual de um adulto direcionadas a uma criança de tenra idade que não possui maturidade para compreender a dinâmica e a natureza da acusação geradora das “falsas” memórias. Ou seja, em ambos os contextos são observadas a presença de um adulto sedutor, de uma criança de tenra idade e do caráter sexual do contexto. Convém, aqui, deixar claro que a AP pode ser praticada através de várias condutas. Ao pretender por fim aos vínculos parentais, o alienante pode através de suas condutas fazê-lo consciente ou inconscientemente. Contudo, ao valer-se de uma falsa acusação de abuso sexual, a qual pode culminar em “falsas” memórias, penso que, a partir da teoria da sedução generalizada, tal conduta 27


pode ser compreendida como uma forma de sedução, vez que o alienante transmitirá à criança mensagens sexuais inconscientes através de sua fala e gestos. A mensagem repassada está permeada de significantes enigmáticos, onde a criança em razão de uma inadequação de linguagens frente ao adulto não tem condições de compreender a natureza da sedução. A partir da teoria da sedução restrita, Laplanche (1988) ressalta que o parceiro obrigatório da sedução é o adulto e que a criança encontra-se em um estado de passividade frente a ele, vez que é este quem toma a iniciativa, insinuando-se por palavras e gestos. Disto, há também uma estreita ligação ao contexto das “falsas” memórias na AP, vez que a criança assumindo uma postura passiva passa a assimilar a “verdade” do alienante/alienador a partir de sua fala, gestos, etc. Entretanto, penso que não há como deixar de mencionar os questionamentos trazidos por Laplanche (1988) sobre a passividade em questão. Diz ele que embora a criança imatura reaja de forma passiva à manifestação de sexualidade de um adulto, a referida passividade deve ser relativizada. Indaga o autor se uma criança seduzida por um adulto também não seria capaz de desempenhar um papel provocador em relação à sedução do adulto, considerando sua necessidade de abraçar, conforme Ferenczi ([1933]1992) enalteceu, ou seja, a criança seduz esperando um retorno na mesma “moeda”, na linguagem da ternura. Em outras palavras, a criança seduz, mas não com o mesmo sentido da sedução de um adulto, mesmo porque ainda não possui um psiquismo constituído, tal como aquele. Levando em conta tais considerações, me reporto ao comportamento do alienante e da criança durante o caminho das “falsas” memórias. O alienante, tomado por muitos conflitos internos não resolvidos como o luto da separação não elaborado – obviamente se for o caso de a prática irromper após a separação – adota um padrão de condutas, consciente e/ou inconscientemente, com o fito 28


de enfraquecer e /ou aniquilar os laços parentais. É certo que muitas situações podem se apresentar, pois o alienante pode adotar a AP através de condutas que não levem às “falsas” memórias. Pode, pois, alterar o seu domicílio e do filho sem dar conhecimento ao ex-companheiro, ou pode impedir o contato telefônico entre pai e filho. Tais condutas, portanto, caracterizam-se como alienação parental, porém, não implicam em “falsas” memórias. É certo que ao intensificar a AP, o alienante pode chegar às falsas acusações de abuso sexual contra o ex-companheiro. Uma vez disparada no meio social que, em princípio, não tem como saber tratar-se de uma mentira, a falsa acusação de abuso sexual confronta todos os que tomam conhecimento dela com uma situação de perda. Digo perda não somente da sensação de “normalidade”, mas sobretudo, perda do lar e da família como lugares propiciadores de segurança, bem como perda da própria privacidade a partir do momento em que profissionais passam a atuar no caso. De qualquer forma, para a criança uma das grandes perdas será o convívio com o genitor acusado. A perda começa a delinear-se quando o genitor alienante através de mensagens verbais e não-verbais transmitir à criança a crença de que foi, de fato, abusada sexualmente. É importante frisar, que a criança pode ou não apresentar “falsas” memórias, vez que a falsa acusação de abuso, por si só, não implica necessariamente na ocorrência daquelas. Assim, entendo que a mensagem transmitida à criança através da fala do alienante está impregnada de mensagens sexuais inconscientes, não tendo a criança condições de compreender a natureza e o sentido daquelas, tal como defende a teoria da sedução generalizada. E, o fato de a criança não deter a capacidade de compreensão necessária para o ato, pode levá-la a apresentar inúmeros prejuízos. Neste sentido Duarte (2010, p. 112) ressalta que:

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É importante lembrar que por um lado, o genitor “alienador”, o abusar do poder parental, busca persuadir de todas as formas seus filhos a acreditarem em suas crenças, conseguindo impressioná-los e levá-los a se sentirem amedrontados e ameaçados na presença do “não guardião”, levando-os a apresentar “falsas memórias”, ou seja, eles passam a acreditar nas falas mentirosas dos alienadores que têm o poder e representam a autoridade para aqueles que aceitam suas informações como verdades absolutas, o que deixará marcas em sua subjetividade. Após tais considerações, entendo conveniente fazer um breve parêntese para

correlacionar a importância da mensagem transmitida pelo adulto à

questão da realidade material diante realidade psíquica. Segundo a teoria da sedução generalizada a sedução em si não se restringe ao atentado sexual, mas diz respeito à mensagem sexual do adulto à criança, presente em todas as interações, gestos e cuidados – veiculando um sentido ignorado pelo próprio adulto. No contexto das “falsas” memórias o adulto alienante/alienador acusa o ex-parceiro de haver praticado um atentando sexual que, de fato, não houve. Entretanto, em que pese a inexistência material do abuso, a criança acaba introjetando a “verdade” do adulto alienante/alienador de que foi abusada. E tal introjeção ocorre através da fala, dos gestos, etc., ou seja, da mensagem sexual que lhe é transmitida por aquele. Ao abordar a questão da mensagem sexual do adulto Carvalho (1999) sustenta que é a esta realidade que os psicanalistas devem estar atentos, o que não significa ignorar a existência do abuso sexual e muito menos seus efeitos danosos na constituição do psiquismo da vítima. Penso que, se em ocorrendo de fato o abuso sexual do pai contra seu filho (a), a quebra do interdito do incesto deixa a criança diante do indizível, em situação similar ficaria uma criança que foi levada pela genitora a apresentar “falsas” memórias de abuso sexual pelo pai.

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Neste caso, a realidade psíquica da criança será a de que foi abusada e, portanto, também estará tão suscetível de deparar-se com o indizível quanto uma criança que de fato o foi. Ao tratar sobre falsas memórias Carvalho (1999, p. 167) entende que: À medida que os fragmentos de lembranças “aparentados a memórias” escapam e resistem à entrada no processo de construção da história ou das “memórias” do paciente, podemos chama-las de “falsas memórias”. Se correspondem a eventos efetivamente vividos ou se são fantasias, não nos cabe, enquanto analistas, decidir. Em contrapartida, podemos estar certos de que as “falsas memórias” contêm a realidade e a verdade de uma mensagem sexual proveniente do adulto, mensagem esta que lançou a criança num processo de simbolização, de autoteorização, que se estende por toda a vida e que é retomado, de forma privilegiada, em uma análise. Ora, se ao acompanhar certos pacientes em análise deparamos com material resistente ao nosso método clássico e sentimos nossas bases epistemológicas ameaçadas de falência, como disse Mollon, não será saindo de nosso campo que iremos encontrar novas bases para o nosso trabalho, mas sim voltando-nos para o conceito fundamental da psicanálise. Levando em consideração que as “falsas” memórias são de um abuso sexual decorrente da fala do alienante, penso que este é quem comete um abuso contra a criança. Porém não se trata de um abuso “materialmente” genital. Ao comentar sobre o caráter mais amplo do abuso Belo (2011) insiste que os outros abusos não diretamente genitais são tão sexuais como a prática da pedofilia e que cada criança ao se confrontar com essa quebra de ética, reage de forma singular de acordo com suas possibilidades. Não há, portanto, uma forma padronizada de se comportar diante daquele contexto. Ora, se o crime de abuso sexual contra crianças é tido como uma violência ainda que inexistam agressões

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físicas, penso que as “falsas” memórias de abuso sexual advindas de uma falsa acusação durante a AP também sejam equiparadas à violência. Com efeito, entendo que as “falsas” memórias de abuso sexual são uma forma de violência, quiçá mais devastadora que a violência física. E aqui, levanto a questão traumática que pode surgir em decorrência das referidas “falsas” memórias. Uma criança que desenvolve a SAP, acreditando que foi abusada sexualmente, pode se deparar com o traumático, por todas as condições levantadas anteriormente, sobretudo, a incapacidade para lidar com tal situação. Logo, a criança terá dificuldade de simbolizar o traumatismo experimentado a partir da falsa acusação, sem a devida ajuda. O traumatismo sexual precoce passou por inúmeros momentos de revalorização na história da psicanálise e, levando em consideração a teoria da sedução generalizada, penso que através desta há um possível caminho para compreender a questão do trauma frente às “falsas” memórias de abuso sexual. Entre tantos pontos importantes a serem ventilados diante da problemática das “falsas” memórias na AP sob a perspectiva da teoria da sedução generalizada, não se pode perder de vista que ela decorre da relação de assimetria entre o adulto e a criança. Relação esta ressaltada, sobretudo, pela introjeção da “verdade” do adulto pela criança através de suas mensagens, não se restringindo a sedução, portanto, ao atentado sexual. Neste sentido, Carvalho (2011) enfatiza que uma das premissas fundamentais daquela teoria é a relação assimétrica entre o adulto e a criança, caracterizando o que Laplanche (1988) considera como os elementos universais no momento inaugural da constituição do aparelho psíquico, ou seja, invariáveis para qualquer ser humano. Em relação aos elementos universais, Carvalho (1999) afirma que se algo escapou à Freud não foi a realidade do abuso sexual de crianças, mas sim a verdade e a universalidade da sedução pelo adulto enquanto fato determinante 32


na constituição do inconsciente. Assim, adulto possui o seu psiquismo constituído e um inconsciente composto essencialmente de resíduos infantis, enquanto que o psiquismo da criança ainda está em desenvolvimento. Carvalho (2011) esclarece que o adulto possui uma sexualidade perversa polimorfa, tal como descrita por Freud ([1905]1976) e que os resíduos inconscientes estarão presentes na relação assimétrica do adulto com a criança. E, nesta relação reside o sentido da sedução generalizada, figurando o adulto como sedutor em relação à criança. O adulto emitirá mensagens impregnadas de conteúdos inconscientes em direção à criança através da fala, olhar e toque. E é justamente o conteúdo inconsciente de tais mensagens que justificará o desconhecimento do adulto quanto à natureza e sentido dessas mensagens enigmáticas, as quais serão “implantadas” na criança, que por sua vez, será instada a traduzi-las. Em suma, quanto à compreensão das “falsas” memórias a partir da teoria da sedução generalizada de Laplanche (1988), ressalto que o caminho é apenas uma possibilidade a partir da retomada das quatro características freudianas: o adulto enquanto agente obrigatório da sedução, a sedução infantil, a passividade da criança e o encadeamento das cenas. Embora muitas questões sejam discutidas a partir de cada uma de tais características, talvez o ponto chave esteja na questão da sedução originária onde há a intervenção de um adulto que inconscientemente dirige à criança mensagens que para ela são, ao mesmo tempo, enigmáticas e traumáticas. No que diz respeito às mensagens inconscientes lançadas pelo alienador, entendo que a sedução é generalizada porque não parte da consciência, vez que o próprio sedutor não sabe que está seduzindo. E para além da questão do caráter inconsciente das mensagens transmitidas pelo adulto sedutor, é imprescindível reconhecer que a criança não tem a capacidade de compreendê-las – fracassando suas tentativas de tradução – em razão da relação de assimetria entre o adulto e a criança. Entretanto, embora 33


não seja capaz de compreendê-las, a criança é capaz de seduzir, vez que é dotada de sexualidade, tendo sua necessidade de abraçar, beijar, etc., porém, não com o caráter sexual de um adulto. Assim, acredito que a teoria da sedução generalizada coaduna-se com o contexto das “falsas” memórias de abuso sexual, por serem estas transmitidas através de mensagens inconscientes – através da fala, gestos, etc. – do alienante, não tendo a criança condições de compreendêlas, podendo advir uma situação traumática. REFERÊNCIAS AMENDOLA, Marcia Ferreira. Crianças no labirinto das acusações. Falsas alegações de abuso sexual. Curitiba: Juruá, 2009. BELO, Fábio. Todo abuso é sexual. Disponível http://conpdl.com.br/conpdl3_anais.pdf>. Acesso em: 05 fev. 2013.

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ENGLISH VERSION

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“FALSE” MEMORIES OF SEXUAL ABUSE IN PARENTAL ALIENATION: A PSICANALITIC PERSPECTIVE

* Arlene Mara de Sousa Dias. Mestra em Psicologia pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Especialista em Direito Processual Civil pela Faculdade do Pará/Estácio de Sá-RJ. Advogada e psicóloga. Membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente da OAB/PA. Diretora no Pará da Associação Brasileira Criança Feliz.

* Mauricio Rodrigues de Souza Doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo. Professor Adjunto do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e dos Programas de Pós-Graduação em Psicologia e Filosofia da Universidade Federal do Pará.

Increasingly, the issue of parental alienation - PA will occupy scholastic spotlight, either because it is an ancient and still very common practice, either because Brazilian produced law to regulate it and fight it through Law 12.318/2010. Faced with a dispute of children custody, the guardian can adopt, continually, a pattern of conduct to denigrate the former partner in front of child in order to push him away and result total severance of parental ties, featuring PA. And one of the most effective ways to reach this aim is the false accusation of sexual abuse against the other parent, which, in turn, can result in "false" memories for the child, in which case the child comes to confirm the charges of

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the guardian believing that, in fact, suffered sexual abuse. I think that psychoanalysis can shed light on the problem of "false" memories of sexual abuse from the work of Freud ([1895] 2006) and Laplanche (1988), since both developed the theme of seduction in a peculiar way, closely linked to the concept of trauma. I explain the outset that the use of "false" memories quoted expression is justified by the option to approach the subject from the perspective of psychoanalysis, since the psychic reality of the child, which is distinguished from the material reality of the law, is dominated by fantasy. Without being redundant to specify them in the context of PA, since the "false" memories can occur in other situations unrelated to parental alienation, which I will not discuss. Taking into consideration the dispute between couple, hardly the time of separation occurs smoothly and without sorrow, especially if the breakout occurs because of the change of desire object of the couple. Commonly, the betrayal is one of the factors that can dramatically transform the family postseparation. Anyway, regardless of the existence or not of betrayal, there is high probability of disagreements. It is in this point that unresolved conflicts can hatch. The biggest problem comes if the former couple has in common children’s, which can serve as a powerful weapon of attack and revenge against former partner. It is possible therefore that a parent (or both) adopts a pattern of negative behaviors aimed at weakening or rupture of parental ties, featuring parental alienation. The art.º 2.º of Parental Alienation Law ( 12.318/2010 ) conceives as:

[...] Interference with psychological training of the child or promoted or induced by a parent, by grandparents or by having the child or

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adolescent under his authority, custody or supervision to repudiate teen parent or adversely affecting the establishment or maintaining links with this.

I emphasize that there is no single way to practice parental alienation, given that there are a multitude of combinations of behaviors that characterize it. However, it is clear that understanding the behavior of the alienating parent breaks a rule, at the time of separation of the couple, having, however, their origin in past conflicts to end the relationship - the alienator, for example, can upload their conflicts from the separation of their parents. But it is good to note that the PA can still occur during the constancy of the relationship. Itâ&#x20AC;&#x2122;s important to note that it shouldnâ&#x20AC;&#x2122;t be confused with parental alienation syndrome - PAS, although it is a fairly trivial mistake. Even today the concept of PAS receives much criticism in several countries such as England and Canada, sharing the opinion of professionals from different fields about the scientific concept by not considering it a syndrome. Gardner (2002b) spoke out about the objection of use of the expression "syndrome", pointing out the reasons that led him to believe that the application of the expression "parental alienation - PA" couldnâ&#x20AC;&#x2122;t be used to replace PAS. He pointed that most evaluators, family law attorneys and judges recognize that the alienation of children is quite common in the context of child custody disputes. However, argued that the problem with the use of the term PA is that is more generic, as there are many reasons why a child might be alienated from parents and may not have any relation to schedule imposed by the alienating parent. In this vision a child might be alienated from a parent because of parental abuse - physical, emotional or sexual - through neglect, own rebellion of puberty, etc... Gardner (2002b) stated that when abuse

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and/or parental neglect are present, the child's animosity may be justified, and so the characterization of parental alienation syndrome to the hostility of the child would not be applicable. Therefore, for the above author, PAS was seen as a subtype of parental alienation where the rejection of the child to a parent didnâ&#x20AC;&#x2122;t found justification in the face of maintained good relationship before the breakup. Anyway, the PAS studies of Gardner, over the time, have been the subject of many discussions and gave theoretical support for the reformulation of some of his ideas. In Brazil, some authors such as Dias (2010) employ the expression parental alienation and parental alienation syndrome as synonyms. Others like Silva (2011) and Fonseca (2006), prefer to differentiate them, but not in the same way of Gardner (2002b). Anyway, regardless of the controversy surrounding the scientific, legal community recognizes both parental alienation and parental alienation syndrome. I will use here the position of Silva (2011, p. 208) in order to differentiate them, namely:

Parental Alienation (PA) characterizes the act of inducing the child to reject the target parent (with elusive, slanderous messages, or even hatred molestation charges).

The Parental Alienation Syndrome (PAS) is the set of symptoms that the child can come or not to submit, resulting from acts of Parental Alienation.

Similarly, Fonseca (2006, p. 164) states that:

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[ ... ] Parental alienation syndrome is not, therefore, the same as parental alienation. That usually is a result of this; parental alienation is the removal of the child from one parent, caused by another, as a rule, the holder of custody. The parental alienation syndrome, in turn, relates to emotional and behavioral squeals that come to suffer the child victim of that dumping.

Briefly, parental alienation is most commonly carried out in practice by a parent that has the goal of weakening or complete disruption of parental ties between the former spouse and child. And, depending on its intensity, can lead to the deployment of parental alienation syndrome - PAS. Trindade (2010, p. 25 ) conceptualizes PAS as: "a way of child abuse and maltreatment" can produce harmful effects on children, varying according to the child's age, the type of bond established earlier, etcâ&#x20AC;Ś, showing itself in various forms, such as "anxiety, fear and insecurity, isolation, sadness and depression, hostile behavior, lack of organization, school difficulties, ...". Unfortunately, PAS can cause serious consequences of behavioral and psychological nature. Perhaps the most damaging strategy used for the destruction of parental bonds is the false accusation of sexual abuse against the alienated parent. Gardner (1985) even noted the great attention given to sexual abuse of children by parents in the context of child custody, where the child could become a powerful weapon in the alienation campaign. This is due a spiteful parent could from a contact maintained between the other parent and the child, exaggerate or build a case of

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sexual abuse, it has led to the competent authorities. The accusation could count with confirmation of the child. The reality can become crueler if the false accusation culminates in "false" memories of sexual abuse. Also emphasize that the term implantation of false memories too often, has been employed by some practitioners as synonymous not only the expression of parental alienation and parental alienation syndrome, which I think is a mistake. I'm not saying that false memory implantation does not exist in the context of parental alienation, but that expression has a much broader concept than this, and may also occur in other contexts different from PA. Stein (2010), even deals with cases of false memories of sexual abuse cataloged in the U.S. reported by women who say they were victims of their therapists. I think that match the meaning of the implantation of false memories in parental alienation imply a restriction of its employment. When we talk about false memory implementation it should be alert to its concept, namely, the act of believing a fact that has not occurred and may occur in various contexts beyond parental alienation. Taking into account the application of the expression in the context of parental alienation, Meirelles (2009, p. 267) points out that it is common that the bases of events or words used by the alienator are real and that:

In fact, one of the most used strategies by alienator is the act of manipulation of facts or actual words so that they become unrecognizable to the point that one canâ&#x20AC;&#x2122;t often realize what the real part is and what is invented.

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Thus, faced with an allegation of sexual abuse canâ&#x20AC;&#x2122;t rule out the possibility of being false. Therefore, knowledge of the dynamics of sexual abuse and the dynamics of parental alienation by the professional responsible for the psychosocial study is essential for a correct assessment of the case, as both indicators can confuse you, since they are quite similar - although the cause of each is different. Often, parental alienation can progress to the implementation of the parental alienation syndrome - PAS, the child may exhibit emotional symptoms typical of those who suffered sexual abuse as described by Gardner (2002a). And without the necessary interaction of both contexts and the presence of symptoms occurring, takes the serious risk to accept the sexual abuse, when in reality, it is a framework of PAS, arising therefore to a traumatic situation. I think in face this difficulty would be naive to believe that the absence of material evidence of sexual abuse, the child does not necessarily present any kind of sequel because of the accusation is false, since it occurs in the "false" memories, the psychic reality of the child indicates existence of abuse. Within the judiciary, the knowledge of the subject is necessary not only to the professional responsible for the psychosocial study, but also for legal operators, which will analyze each case from the legal perspective. Regarding to the law professional, as a rule, the origin of psychic reasons demand are relegated to the background, because is not prepared to recognize the meanings of the messages. Therefore, the context in question defines a fertile ground for the study of dialogues between psychoanalysis and the law. The dialogue between booths, although each has its peculiarities, is important in light of the process of reflection on the human constitution. Trindade (2012) emphasizes that the individualized and disciplinary knowledge are no longer harboring these days, marked by complexity and globalization. Undoubtedly, in the law field, one of the difficulties for that interface appears when many of its concepts, seen

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as stable, are questioned. Besides, I see that there is a total lack of knowledge or insufficient basic principles of psychic functioning, which makes an approximation. Not to mention that, in general, there is a tendency toward hegemony, which may have originated in the fact that law, has a millenary tradition? And so, the possible tendency to ignore non script knowledge as a way to preserve legal certainty in a conflict must be expunged. I emphasize, therefore, that the legal conflict should be understood as institutionalized conflict, which will end by decision of the judiciary represented by judge leading to law special features that differ from psychoanalysis. And one of the biggest challenges concerns with the possibility of matches the truth of the subject, while psychic reality, with material reality. Despite the distinctions between psychoanalysis and law, understand the fruitfulness of the approach, making it necessary and authoritative in contemporary paradigms to rethink over psychoanalysis. This can offer the legal thought a great contribution from the unconscious, after all, this produces effects that reflects on law. Such effects are quite pronounced on family law context, especially in the face of marital breakdown in dispute over the child custody, since the way of breakdown is interpreted may cause different effects on the subjectivity of the ex-partners and their children. Taking into account the possibility of the PA, the alienating parent uses a standard of conduct to hinder and/or prevent contact between the child and former partner, causing suffering and distress to those involved. As said, it is possible that the alienating parent raising a false accusation of sexual abuse in order to completely break the parental bonds between the child and ex-partner. False accusation of sexual abuse is a sine qua non for the implementation of "false" memories of sexual abuse. I make it clear that I donâ&#x20AC;&#x2122;t intend to belittle or ignore the thousands of true stories of domestic abuse. And before embarking

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on the false accusation of sexual abuse, understand healthy highlight what is meant by sexual abuse. According Furniss (1993: 23) it is: "...a form of physical and/or psychological violence, in which the abuser without valid consent, taking advantage of their superiority over the child and/or his confidence he seeks sexual satisfaction, causing her psychic damage (...) and/or physical harm." In the above concept, there are elements that acquire great importance in the context of a false accusation, among them the contact form of abuse. Sexual abuse can occur with or without physical contact, since it is also recognized as a psychic violence. And, lacking the materiality of abuse attested by examination of body-proof, the case becomes more emblematic. Dias (2010) explains that incest, in most cases, leaves no trace, as is generally practiced at home. This alone makes it very difficult to prove the occurrence, which is independent of social status, level of education of the abuser, etc... Often, there are no witnesses and evidence is restricted to the testimony of the adult and child, who for many reasons will probably have difficulties to report the incident. Moreover, these difficulties end up encouraging false allegations of sexual abuse with alienating goal, as a rule, at the time of separation. Unfortunately, in my view, the emergence of a false accusation of sexual abuse is as dramatic as incest, causing intense suffering to the whole family, especially the children and the accused. I understand that the matter should be discussed in order to avoid complete trivialization, putting at risk, especially the possible development of children involved. Occurring false report of sexual abuse, the child can often confirm the accusations of the custodial parent, believing its truth, as if the abuse actually occurred, featuring "false" memories of sexual abuse. This phenomenon occurs commonly among children of tender age, between 03-07 years (Guazelli (2010), Brandt (2009); Amendola (2009)). Itâ&#x20AC;&#x2122;s in this context that the child may be

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showing a range of symptoms caused by trauma to believe he was sexually abused by her father. In addition to the "false" memories of sexual abuse in parental alienation salutary understand the issue of trauma from it. Certainly the situation in question is one of many ways of violence that child may suffer, perhaps the most damaging. In this case, the alienator conveys the message to the child that has been sexually abused, culminating in possible traumatic effects on children that occur after certain violence. It’s true that the same event can’t arouse the same traumatic load in all subjects. Either way, the child is seen as vulnerable, especially at an early age, as also lower maturity of understanding. The relationship of trauma to the effects of separation appears less objective, more entwined with the history of life involved, because it’s an event of affective nature, referring the child to a rupture experience, perhaps abandonment, rejection and guilt. The trauma is thus the unspeakable and unactable. Here, the importance of psychoanalysis, which appeared with traumatic theory, and the concept of psychic trauma through its entire history, presenting a considerable evolution. I think the notion of trauma and seduction in psychoanalysis from Freud ([1895] 2006) and Laplanche (1988), can shed light on the legal issue of "false" memories of sexual abuse in the context of parental alienation. This is because both developed the theme of seduction in a peculiar way, closely linked to the concept of trauma. The first kicked off in studies of seduction, besides having formalized the affinity between the child, the unconscious and sexuality, allowing the appropriation of a different view of the subjectivity of the child and the family as a whole. The latter, in turn, contributes greatly from his theory of generalized seduction. Both authors have in common the fact emphasize the traumatic nature of seduction.

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Freud ([1895] 2006) believed, through the seduction theory that trauma had sexual origin, emphasizing that hysteria was the result of an abuse actually lived in early childhood, before puberty, basing himself on account of his patients, time was constant narrative of sexual scenes involving adults and themselves as children. According to Freud's theory of seduction trauma was dismembered in two events at separate times from each other. The first of these events was the scene of seduction adult child-oriented, however, the traumatic element would not be the adult sexual assault itself as the sexual sense of the scene would flee to the understanding of the child, because of his physical and mental immaturity, not being the experience, so traumatic, but mysterious. The trauma would be in memory of the first event on the occasion of a second experience, which present some resemblance to the first, suffering hysterical therefore "reminiscences", no shock, since it does not preserve any trace of the first experience. The second experience, which occurred after puberty and not necessarily sexual, by association would lead to the evocation of the first, producing intense displeasure and, therefore, would be repressed into the unconscious - but not eliminated. And, in the unconscious will produce symptoms of neurosis through deformation and replacements. Laplanche & Pontalis (1994: 469) nicely explain the Freudian theory of seduction :

Schematically, this theory assumes that trauma occurs in two separate times from one another by puberty. The first time, the seduction itself, is characterized by Freud as "pre-sexual" sexual event; sexual event is brought from abroad to a subject that is still incapable of sexual

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emotions (absence of somatic conditions of arousal, inability to integrate the experience). The scene at the time that occurs is not the object of repression. Only the second time, a new event, which does not necessarily imply a sexual meaning in itself, is by some associative traits evoke the memory of the first : "Here, Freud notes, it offers the unique possibility of seeing a memory produce an effect very considerably more than incident itself . " (1a) is due to the influx of endogenous arousal triggered by the memory that is repressed.

Freud ([1895] 2006) postulated that it was essential that the patient relive the original emotion so that the evocation of memory had therapeutic effect. However, after further clinical observations, began to distrust the accounts of his patients as the revelations of abuse in childhood. If there was sexual seduction scene, he said, there would be so many perverse neurotic parents and there, and it was not the reality he encountered. In his Letter 69 Freud ([1897b] 1996) confessed to Wilhelm Fliess who no longer believed in his neurotic, drawing on several reasons. The most important is the claim that in the unconscious there would be no index reality. The apparent abandonment of the seduction theory is considered as a milestone for the advent of psychoanalytic theory and step would not only bring about the discovery of psychic reality, but also fantasy, child, etc., sexuality.

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Thus, the established concept of psychic reality, fantasy appears as the core of the psychic apparatus. Freud attributed to fantasies a more decisive role than reality from the reports of their patients and, analyzing their own dreams when he discovered that children also have feelings and thoughts of a sexual nature and that, as a rule, to them it is difficult to separate reality and fantasy. On the transition of theories of trauma to fantasy Uchitel (2011, p. 43) is questioned to what extent the seduction theory was actually abandoned by Freud and with it, the traumatic theory, arguing that:

In referred letter 69, marked as the certificate of rupture and passage of a certain conception of the etiology of hysteria (in which prevailed the importance of the traumatic event) to another, which fantasy would replace the place of fact (signaling the change of pre-analytical period for the analytical, which begin with the real object and psychoanalysis own method), Freud gives only several reasons indicate that theoretical and technical shortcomings, but not enough to counter the hitherto as a whole had been told. Neither this letter nor her relationship with others who have followed the ideas of consistency and clarity needed to make it an indisputable point. (...)

Uchitel (2011) also argues that seduction couldnâ&#x20AC;&#x2122;t be the master key to the etiology of hysteria, but that didnâ&#x20AC;&#x2122;t also dismissed as a cause of trauma, conflict

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and neurosis. The lack of distinction that the unconscious is between reality and fantasy highlighted the relevance of fantasy, but it hasnâ&#x20AC;&#x2122;t diminished the impact of reality, because all this material reality to be lived, requires psychic, psychoanalysis reality, given the importance of the meanings have lived for the individual. In spite of the questions about the abandonment or not, in reality, the issue of seduction is taken up by Freud ([1905] 1976) in Three Essays on the Theory of Sexuality. When treating infantile sexuality, develops a conception of an innate predisposition to perversions in the constitution of all human beings, called "polymorphous perverse constitution", providing the basis for sexual development considered "normal". In Three Essays on the Theory of Sexuality ([1905] 1976) there is the idea of a direct and brutal sexual violence, as advocated in the seduction theory. Mezan (1993) emphasizes that there is an essential element common to both, namely, human sexuality comes from outside inwards from the adult contact, resulting in strong sensations child, and itâ&#x20AC;&#x2122;s an effort - demanding to turn them. Obviously, there are differences between the two theories, while in the theory of seduction seductive agent is preferably the father, that the father shall be replaced by the mother. Anyway, remains the central idea that the driver of sexuality is of the order of seduction, although that word does not appear in the text of 1905. The fact is that the issue of seduction remain somewhat in the shade along the work of Freud, although reappear from time to time. Anyway, the theory of Freud's seduction was a milestone for psychoanalysis and it was from it that Laplanche (1988) despite the connection between fantasy and seduction proposes the theory of generalized seduction. Although the literature is almost unison when saying that Freud's seduction theory was abandoned by him, Laplanche (1988) argues that this was never

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abandoned, only been addressed otherwise and, starting from Freud's neurotic, calling her seduction theory restricted, proposed the theory of generalized seduction. More precisely, his theory has as point of reference not only the ideas of trauma and seduction from Freud, but also the ideas of Ferenczi ([1933] 1992). Laplanche ([1987] 1992) points out the strengths and weaknesses of Freud's neurotic as to compose a new conception of trauma, not guided or restricted to sexual scene, but presenting an organizing value in the psyches of the subject. Laplanche ([1987 ] 1992) to defend his vision of seduction says that original situation - from which the seduction - is the confrontation of the child who does not yet speak with the adult world. There are two protagonists, the child and the adult. The child is seen as an individual biopsychic open to the world provided with mounts seeking regulatory homeostasis in physiological and psycho-physiological levels, however, maladaptive and need help from a stranger because of the excitement overflowing. It means, this spillover regards cries, movements, random movements that mom quickly learns to recognize as a request for help. In turn, the adult when attend this call, make it through the size of his unconscious and ignorance. Thus, according to the lessons of Laplanche ([1987] 1992), the primary relationship is established in a double row, a vital and reciprocal or interactive, and a relationship where sex is involved, where the interaction occurs not because of the relationship inequality. There is, therefore, a seducer and seduced, a diverter and a backslider. This direction and aim to support their ideas, Laplanche (1988) incorporates four key features of theory of seduction, namely, child seduction, adult seduction as a binding partner, chaining scenes and passivity of the child. So there is a greater understanding of the theory of generalized seduction,

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childbirth understanding of child seduction, understood as the facts of seduction as presented by Freud ([1985] 2006), in which a young child is faced with a passively expressions of sexuality of an adult, it is scenes of premature sexual experience. And during this event the child is in a state of immaturity and mental and emotional unpreparedness to understand it. It means, at the time of the first half of the trauma, the child when faced with the seduction scene, is in a state before the irruption of sexuality. Laplanche ([1987] 1992) points out that the question is not of chronology, but lag - which is the ground of trauma comparing it with the traumatic neurosis in adults, where the essential trauma arises from the random nature of the incident where the person is not prepared to face up to the fact. In this context, forward the theory of seduction, Laplanche (1988) emphasized that mandatory partner of seduction is the adult and the child is in a state of passivity, since this is who takes the initiative, suggesting use words and gestures. The third characteristic of the theory of seduction, chaining scenes, concerns the relationship between various scenes of seduction that succeed in time, but that symbolize each other. That is, there is a chain of a scene which, in turn, leads to another scene, and so forth earlier. And it is precisely this search from scene to scene until it comes to an original scene that Laplanche ([1987] 1992) claims to have been one of the weak points of the Freudian theory of seduction on the unlikelihood or absence from the scene. The last feature of the theory of seduction, namely, the passivity of the child in relation to adults, deserves special attention from the placements of Laplanche (1988), since it defines the seduction itself. On one hand, the child because of their immaturity reacts passively before the outbreak of adult sexuality, on the other, passivity must be qualified according to the chain of

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sexual scenes. This is because, Laplanche (1988, p. 111) raises the question of whether a child seduced by an adult will not be able to play a provocative role in relation to the lure of adult, asking that:

Effectively, the objection is at hand: more of a "souvenir" in which the subject claims to have been seduced defendant canâ&#x20AC;&#x2122;t demonstrate that he played a provocative role, inductor, compared to the adult gesture? Who seduces whom?

Laplanche & Pontalis (1994, p. 470), however, make clear that the passivity of the child is not enrolled in a behavioral passivity but the immaturity, the inability to understand the message passed to it:

Say that seduction scene is experienced passively means not only that the subject has a passive behavior in this scene, but still without the support she can evoke any response on it, without it echoes the sexual representations: the state of passivity is correlative of a non - preparation, seduction produces a "sexual terror".

As already said, for Laplanche (1988) theory of generalized seduction can only develop if precisely established the effectiveness of the original seduction. The generalization proposed by the author is put in the form of a theoretical

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question concerning the association between activity - passivity. For that draws on the ideas of Ferenczi ([1933] 1992), for whom the original situation is the confrontation of the child with the adult world, and this is not an objective world that the child would have to discover and learn as learn to walking, but is characterized by messages that challenge the child before she will understand, which should make sense and response. Ferenczi's article ([1933] 1992) is considered by Laplanche ([1987] 1992) as a kind of preface to the theory of generalized seduction. For Ferenczi ([1933] 1992) trauma stemmed not only the fragile child's development, but also a consequence of the clash between the tenderness and passion of the child or adult perverse responses. The confusion of tongues occurs because, when the child, in a playful game, approaches adult resorting to the language of tenderness and adult, in turn, not including replies driven by their desires, drawing on language of passion. However, Laplanche (1992) believes that Ferenczi ([1933] 1992) donâ&#x20AC;&#x2122;t deal with what is most important, it means, the presence of the unconscious adult without realizing that the "language of love" is only traumatizing because it conveys a sense of himself ignored , means, that expresses the unconscious parental presence. In addition to Ferenczi ([1933] 1992), Laplanche (1988, p.119) states that adult-child confrontation involves an activity - passivity relationship, linked to the fact that the parental psyche be more "rich" with the child. Therefore, understood as original seduction. ...Fundamental situation in which the adult as much as proposes the verbal and even behavioral, impregnated non-verbal signifiers child unconscious sexual meanings "The original seduction is not used in the sense of a return a first time, a return to the first occurrence, but it is a larger sense, that is hidden or ignored and it is the mechanism of all seduction itself, be it early, child, adult, etc... In this sense, the rape of a child by his parent or maternal

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erotic caresses are seductive because they transmit the enigma of the unconscious desire of the adult.

FROM THE BACK "FALSE" MEMOIRS OF SEXUAL ABUSE

After dealing with aspects of Freud's theory of seduction from which the theory of generalized seduction was proposed, it is essential to establish its correlation with the "false" memories of sexual abuse in parental alienation. Among the main issues is the question of the message conveyed by the adult to the child, present in any interaction and imbued with unconscious cryptic messages, unknown to the individual himself. The seductive agent is therefore always the adult. Despite this general premise of seduction, stressed that Laplanche (1988), against the passivity of the child, also raised the possibility of the child seduce, since it has the necessity of embracing, caressing, kissing, as Ferenczi ([1933] 1992) argued. This means that entices the child, but not with the same sense of seduction by an adult because it still does not have a psyche composed as adults. Given the childhood seduction, understood as the facts of seduction as presented by Freud ([1985] 2006), I understand fruitful point elements in common between it and the "false" memories of sexual abuse. In Freud's seduction one young child in a first-time trauma, is faced with a passively manifestation of sexuality of an adult with the child in a state of immaturity and mental and emotional unpreparedness to understand it. Likewise, the "false" memories of sexual abuse arising from adult sexual speech directed to a young child who does not have the maturity to understand the dynamics and nature of the accusation of generating "false" memories. It means, in both contexts are

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observed the presence of a seductive adult, a young child and the sexual nature of the context. It should here make it clear that the PA can be practiced through various conduits. When you want to put an end to parental bonds, the seller through your pipes can do it consciously or unconsciously. However, to avail himself of a false accusation of sexual abuse, which may culminate in "false" memories, I think, from the general theory of seduction, such behavior can be understood as a form of seduction, since the alienating send the child unconscious sexual messages through their speech and gestures . The message is passed permeated enigmatic signifiers, where the child due to an inadequacy of languages on the adult is unable to understand the nature of seduction. From the theory of seduction, Laplanche (1988) emphasized that mandatory partner of seduction is the adult and the child is in a state of passivity, since this is who takes the initiative, insinuating itself by words and gestures. This, there is also a close connection to the context of "false" memories in PA, since the child assuming a passive attitude shall assimilate the "truth" of alienation/alienating from their speech, gestures, etc... However, I think it is impossible not to mention the questions brought by Laplanche (1988) on the passivity in question. He says that although immature child react passively for expressions of sexuality of an adult, such passivity must be relativized. Asks the author if a child seduced by an adult will not be able to play a provocative role in relation to the lure of adult, considering their need to embrace, as Ferenczi ([1933] 1992) praised , means that seduces expecting a child return the same "currency" in the language of tenderness. In other words, the child lures, but not with the same sense of seduction by an adult, because it still does not have a psyche composed as that.

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Taking into account these considerations, I refer to the behavior of the alienating and child on the way of "false" memories. The alienator, taken by many internal conflicts and unresolved grief of separation - obviously if any of the practice erupt after separation - adopts a standard of conduct, consciously and/or unconsciously, with the aim of weakening and/or annihilate parental ties. Admittedly, many situations can present because the alienator can adopt the PA via pipelines that doesn’t lead to "false" memories. Can therefore change his residence and the child without giving awareness to the ex-partner, or can prevent phone contact between father and son. Such approaches, however, are characterized as parental alienation, however, does not imply "false" memories. Admittedly intensify the PA, the alienator can get the false accusations of sexual abuse against former teammate. Once triggered the social environment that, in principle, can’t know that it’s false, a false accusation of sexual abuse confronts all who hear it with a loss situation. I mean not only the loss of the sense of "normality", but above all, loss of home and family as enablers places of safety, as well as, loss of privacy itself from the moment you start acting professional in case . Anyway, for the child of the great losses will be living with the accused parent. The loss begins to take shape when the alienating parent through verbal and nonverbal messages conveys the belief that the child was indeed sexually abused. Importantly, the child may or may not have "false" memories, since the false accusation of abuse, by itself, does not necessarily imply the occurrence of those. So, I understand that the message conveyed to the child by the alienating speech is imbued with unconscious sexual messages, not having the child able to understand the nature and meaning of those as defends the theory of generalized seduction. And the fact that the child doesn’t hold the capability of

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understanding needed to act, can take it to present many losses. In this sense Duarte (2010, p. 112) points out that:

Itâ&#x20AC;&#x2122;s important to remember that on the one hand, the "alienating" parent's abuse of parental power, seeks to persuade all the ways your children to believe in their beliefs, managing to impress them and get them to feel frightened and threatened in the presence 'no guardian", causing them to submit "false memories", it means, they come to believe in lying speeches of alienating who have the power and authority to represent those who accept your information as absolute truths, which leave marks in their subjectivity.

After these considerations, I should make a brief parenthesis to correlate the importance of the message transmitted by the adult to the question of material reality on psychic reality. According to the theory of generalized seduction; seduction itself is not limited to sexual assault, but concerns the sexual message of the adult to the child, present in all interactions, gestures and care - conveying a sense ignored by the individual himself. In the context of "false" memories adult alienator accuses ex-partner having practiced a sexual paying attention that, in fact, he didnâ&#x20AC;&#x2122;t. However, despite the lack of material abuse, the child ends internalizing the "truth" of the alienating adult that was abused. And such internalization occurs through speech, gestures, etc... Means sexual message transmitted to it for that.

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In addressing the issue of sexual message adult Carvalho (1999) argues that it is this reality that psychoanalysts should be aware, which means not ignore the existence of sexual abuse and its damaging much less constituting the psyche of the victim effects. I think if in fact occurring sexual abuse against his father's child, the breach of interdict incest before the child leaves the unsayable, in a similar situation would be a child who was taken by mothers to submit "false" memories sexual abuse by the father. In this case, the psychic reality of the child will be abused and that it was therefore also be as likely to be faced with the unspeakable as a child that actually was. By treating about false memories Carvalho (1999: 167) considers that :

As the fragments of memories "memories related to" escape and resist the entry process or the construction of history "memories" of the patient, we can call them "false memories". Effectively correspond to events experienced or are fantasies, not for us, as analysts, to decide. However, we can be sure that the "false memories" contain the reality and truth of a sexual message from the adult, this message that launched

the

child

in

the

process

of

symbolization, of auto theorization that extends throughout life and that is resumed, in a privileged way, in an analysis. However, if the monitor certain patients analyzed encounter resistant material our classic method and feel our epistemological bases threatened bankruptcy, as

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Mollon said, will not be leaving our field we will find a new basis for our work, but turning us to the fundamental concept of psychoanalysis.

Taking into consideration that the "false" memories are a result of sexual abuse speaks of selling, I think this is who commits child abuse. But it is not a "material" genital abuse. Commenting on the broader character of abuse Belo (2011) insists that others abuse directly genitals are not as sexual as the practice of pedophilia and that each child when confronted with this breach of ethics, reacts in a unique way according to their possibilities. There is therefore a standardized way to behave in front of that context. However, if the crime of sexual abuse against children is still considered violence though there is no physical aggression, I think the "false" memories of sexual abuse stemming from a false accusation during the PA are also treated to violence. Indeed, I understand that the "false" memories of sexual abuse are a way of violence, perhaps more devastating than physical violence. And here surveys the traumatic issue that can arise as a result of such "false" memories. A child who develops PAS, believing he was sexually abused, may face the traumatic, for all conditions raised above, especially the inability to deal with such a situation. Soon, the child will have difficulty symbolize the trauma experienced from the false accusation, without proper help. The early sexual trauma underwent numerous times revaluation in the history of psychoanalysis and, taking into consideration the theory of generalized seduction, think through this there is a possible way to understand the issue of trauma in the face of "false" memories of sexual abuse. Among many important points to be ventilated before the issue of "false" memories in PA from the perspective of the theory of generalized seduction, one

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canâ&#x20AC;&#x2122;t lose sight of it stems from the asymmetric relationship between adult and child. This relationship highlighted mainly by the internalization of the "truth" of the adult child through your posts, not constraining the seduction, so sexual assault. In this sense, Carvalho (2011) emphasizes that one of the fundamental premises of that theory is the asymmetric relation between adult and child, characterizing what Laplanche (1988) considers the universal elements in the inaugurating moment of the constitution of psychic apparatus, means invariant for any human being. Regarding universal elements, Carvalho (1999) states that if something escaped Freud wasnâ&#x20AC;&#x2122;t the reality of child sexual abuse, but the truth and universality of abuse by an adult as a determining factor in the formation of the unconscious. Thus, the adult own psyche and unconscious compound consists essentially of infant waste, while the child's psyche is still in development. Carvalho (2011) clarifies that the adult has a polymorphous perverse sexuality, as described by Freud ([1905] 1976) and that unconscious residues will be present in the asymmetric relationship between an adult and a child. And in this respect the sense of generalized seduction lies, appearing seductive in the adult as the child. The adult impregnated deliver messages unconscious contents toward the child through speech, gaze and touch. And it is precisely the unconscious content of such messages that justify the lack of adult about the nature and meaning of these cryptic messages, which will be "implanted" in the child, which in turn, will be asked to translate them. In brief, as the understanding of "false" memories from the theory of generalized seduction of Laplanche (1988), snapping the path is just one possibility from the resumption of the four Freudian characteristics: adult as a binding agent of seduction, childhood seduction, the passivity of the child and chaining the scenes. Although many issues are discussed from each of these

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characteristics, perhaps the key point is the issue of seduction originates where there is the intervention of an adult who unconsciously directs the messages to her child who is at the same time, puzzling and traumatic. With regard to the unconscious messages posted by alienator understand that seduction is not widespread because of the consciousness, as the seducer himself does not know who is seducing. And beyond the question of the unconscious character of the messages conveyed by the seductive adult, it is essential to recognize that the child does not have the ability to understand them - their failing attempts at translation - due to the asymmetric relationship between adult and child. However, although it is not able to understand them, the child is able to seduce, it is endowed with sexuality, with their need for hugging, kissing, etc… But not sexual nature with an adult. Thus, I believe that the theory of generalized seduction is consistent with the context of "false" memories of sexual abuse, being transmitted through these unconscious messages - through speech, gestures , etc… - The alienator, don’t have the child able to understand them, may come a traumatic situation.

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