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PALAVRA DE EDUCADOR - SEMEC DOIS IRMÃOS - JULHO/2018

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PALAVRA DE EDUCADOR - SEMEC DOIS IRMÃOS - JULHO/2018


editorial

Denise Maria Maldaner Secretária da Educação, Cultura e Desporto do Município de Dois Irmãos

E

nfatizando a grande satisfação, respeito e admiração que

compartilhado com respeito e educação, para um bom convívio

tenho pela ação de educar, dou continuidade e sigo,

com equipes diretivas, professores, monitores, auxiliares,

numa nova etapa em minha vida profissional, o legado da

estagiários, serventes, vigilante, secretários e pais.

Revista “PALAVRA DE EDUCADOR”, acompanhada de

Nossa capa, nossa Seção Momentos de Rede, nossa Palavra

inúmeras pessoas envolvidas que fazem dar VIDA à EDUCAÇÃO

Ilustrada e este Editorial ilustram um pouco deste espírito.

de nossa cidade.

Talvez poderíamos conceituar a palavra cidadão consciente, de

Pensar, repensar, escrever, usar a palavra e publicar são

forma muito simples, como aquele cidadão que, de fato, vive o

desafios que alguns já assumiram desde a primeira edição da

cotidiano e se preocupa com a cidade. Nesta direção, a Educação,

revista “Palavra de Educador”, que chega em sua 5ª edição em

nossa rede de escolas e profissionais, pais e parceiros, estão

2018. Para outros é a primeira vez. Esta é a minha primeira vez,

envolvidos e engajados. Fazemos parte. E queremos fortalecer

como/enquanto Secretária da Educação, a escrever esta primeira

essas boas ações. Este é o legado que queremos construir e deixar

página! Não posso deixar de expressar o sentimento de orgulho

para as novas gerações.

e fascinação que me invade.

A Revista “Palavra de Educador faz parte deste legado.

Orgulho da Secretaria de Educação, Cultura e Desporto da

Agradeço à comissão organizadora que teve a tarefa de

cidade de Dois Irmãos em possuir uma revista toda voltada para

atender a um cronograma de tarefas. Pensar na capa, na

o protagonismo, para a troca de experiências e para a divulgação

linha de condução, no convite às escolas, na mobilização, no

das práticas pedagógicas de seus profissionais da educação.

orientar; e depois na revisão, no olhar individual a cada artigo

Neste ano, a Revista “Palavra de Educador” apresenta, mais

apresentado. Igualmente agradeço a cada colaborador/escritor

uma vez, textos produzidos individualmente ou por grupos

por partilhar seu conhecimento. Um agradecimento especial aos

de até quatro autores, que dão continuidade à autoria e ao

nossos convidados que estiveram ou estarão envolvidos com a

pensamento reflexivo, de base e inspiração em nossas ações

nossa rede neste ano: Patrícia Peck (advogada), que fala sobre a

e práticas educativas. Em seus 54 artigos, a Revista Palavra de

Educação Digital; o texto carinhoso do escritor Alcy Cheuiche,

Educador espelha a dedicação e o trabalho de qualidade de nossos

Patrono da Feira do Livro, que pondera a realidade com a ficção;

profissionais da educação, que mostram-se ativos, atentos e

e também os alunos que participam da seção Palavra Ilustrada.

dispostos a contribuir e dar o exemplo de que podemos trabalhar

Você faz parte desta revista! Você é história viva…

em parceria.

Meu agradecimento: muito obrigada, Deus, por nos inspirar.

Nesta edição, o foco está no Projeto #CidadãoConsciente,

Muito obrigada por cada UM participar deixando seu registro.

uma ação que visa a despertar no educando a consciência de que deve colaborar para o desenvolvimento de uma cultura de paz,

Surpreenda-se com a leitura de seus colegas. Vibre com este momento que estamos vivendo. Usufrua do seu legado!

estimulando-o à prática do bem e da solidariedade em favor dos

Saudações carinhosas.

semelhantes, de que a ESCOLA é o seu local de estudo, sendo

Com a palavra, nossa rede!

EXPEDIENTE

ANO 5 - N. 5 | JULHO/2018

Revisão: Flávio Adolfo Tietze

ISSN Nº 2358-2219

Impressão: BT Indústria Gráfica

Entre em Contato:

Capa: Marcos Miler

Rua Berlim, 240 - Centro

Fotos: Autores | Freepik | Divulgação

Dois Irmãos/RS - Cep: 93950-000 (51) 3564-8800 educa@doisirmaos.rs.gov.br

Revista

PALAVRA DE EDUCADOR é uma publicação da

www.doisirmaos.rs.gov.br Edição e Diagramação: Z Multi Editora

Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto de

Jornalista responsável:

Dois Irmãos.

Sandra Hess (MTB-RS 11.860)

Comissão Organizadora: Denise Maria Maldaner, Elisangela Rossetto Juriatti, Jailton Proença, Karina Rossa e Nadia Helena Schneider. Os textos presentes nesta publicação são de inteira responsabilidade de seus autores. É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

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ÍNDICE

- AUTORES DA REDE

ENTREVISTA Dra. PATRICIA PECK PINHEIRO ....................................06 ARTIGOS CARLA ELENA PREUSS Alfabetizar na Educação Infantil. Pode? ............................08 ELOIZA APARECIDA WILLELMS Leitura deleite na Educação Infantil .................................09 BRUNA FERNANDA UTZIG IMMIG A afetividade que move o aprender ..................................10 JANICE LAUX Início do ano letivo de crianças pequenas: que lugar é esse? .. .............................................................................................11 ELOIZA APARECIDA WILHELMS Projeto de Aprendizagem na Educação Infantil: medos, angústias e alegrias .............................................................12 BERENICE ODY A Fonética, a Fonologia e a Neurociência na Educação Infantil ...............................................................................14 CASSIANE LERNER DE SOUSA Alfabetizar .........................................................................15 ALINE FLORES RODRIGUES, BEATRIZ MARIA JUNG STOFFEL E KELLY SIMOME SILVEIRA CORRÊA Professor de Educação Infantil ..........................................16 CRISTIANO ALBERTI Trabalhando igualdade de gênero na escola ....................17 OLINDA ELISANDRA SILVEIRA DA SILVA Menos touch, mais toques! ...............................................18 TANISE DA COSTA PEREIRA FONTANA A importância da natureza na Educação Infantil .............19 ADRIANA STRASBURGER TRIERWEILER Modelações familiares e desafios às figuras parentais .......20 ANA CRISTINA WIEST Warum Deutsch lernen? Por que aprender Alemão? .......21 GRAZIELE OLIVEIRA MARTINS Transtorno do espetro autista: é preciso conhecer para compreender ......................................................................22 SEÇÃO INTEGRADA ALCY CHEUICHE O véu diáfano da fantasia ..................................................23 4

ANA PAULA BUCHAIM GASSEN E FABIANE MÖLLER BORGES Dois Irmãos recebe Prêmio Nacional de Boas Práticas da Agricultura Familiar para a Alimentação Escolar ............24 IVANA SOLIGO COLLET Dois Irmãos recebe 1º Prêmio Nacional de Educação Ambiental em Ação! .........................................................26 MOMENTOS DE REDE DENISE MARIA MALDANER, KARINA ROSSA e NADIA HELENA SCHNEIDER PROJETO: #CidadãoConsciente, parceria em prol de uma educação com qualidade social .........................................28 PROJETO: #CidadãoConsciente ......................................30 PROJETOS MAUREEN MARQUES PEREIRA GUERRA As diversas vidas na Mário Sperb .....................................34 CAROLINE GRIEBLER Tudo é lixo? ........................................................................36 VANDERLÉIA ALLES LINCK e VANESSA ORSI CECHINATTO Índios: gente como a gente! .............................................37 ALINE FLORES RODRIGUES, JONAS HEDLER DA PAZ, MÁRCIA ENZWEILER BORTH e JANETE LOEBENS JOHANN Formigas em ação! .............................................................38 ALEXANDRA SIEB Abraço, beijinho e aperto de mão: hora da vacinação.....40 DÉBORA KNACKFUSS ESCOBAR dos SANTOS E MÁRCIA CATIELI OBERHERR Sapo: ele faz mal para nós? ................................................42 PERLA MOTTA GOULART As araucárias e o pinhão ....................................................44 ALINE TATIANE MORSCHELL e JULIANA GALLAS GRÄWER O que há na selva? ..............................................................46 GEOVANE RINKER, MAJANE ESTELA KUNZ e SANDRA REGINA BRESSAN BECKER Educação financeira: Uma nova perspectiva para estudantes da EJA ................................................................................47 ADRIANE ALINE BUTZKER COSTA e MARLA ANDREA CARVALHO Os cuidadores do Mundo e da Natureza ...........................48

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REJANI BUTZEN e ROSANE SPEGGIORIN LINCK Tá filmando? ......................................................................50 ROSELI MAIFERT e CLEUNICE SOBIESKI Meus sentimentos diante das histórias e seus personagens ..... ............................................................................................52 SILVIANE VILANOVA COPETTI O tesouro das letras ...........................................................54 RELATOS DE EXPERIÊNCIAS DAIANE SOARES DA SILVA, MARIA PATRÍCIA STOFFEL KOLLING e VANESSA KONRATH MARAN Uma experiência lúdica: Monstrinho querido das crianças .... .............................................................................................56 TAMIRES SCHUCK KAFER e MELISSA JULIANE PRATES A música na Educação Infantil ..........................................58 CARINA SANDER BECKER O aniversário do Seu Alfabeto ..........................................59 CRISTINA STURMER KNOB “Enxergar” sem ver .............................................................60 ASTÉRIO LUIS MOMBACH Rústica do trabalhador .......................................................61 MAGDA RAQUEL GLIENKE BENATI Plantar, cuidar e colher ......................................................62 CRISTIANE BITSCH, MARIA BIANCA HENRICH, PATRÍCIA DOERR e SILVANA ROSA HESSLER Reconstruindo nossa história ............................................64

ISAIR TERESINHA ROCKENBACH “Ensina-me de várias maneiras, pois assim sou capaz de aprender” ...........................................................................74 LUCIANE DE LOURDES NASCIMENTO O que fazer pela água do Planeta? ....................................76 DENISE DANIELA KLEIN KOHLRAUSCH AREND Blog: uma ferramenta para o exercício da leitura, da pesquisa e da escrita socialmente responsável .................................77 CARMEN LUIZA RIVA e MONIQUE WINGERT A caixa casa: espaço de brincar e afetar .............................78 GIZELE TORETI Mapa do Bairro Navegantes: uma abstração divertida e concreta .............................................................................80 LUCIANO BATISTA DA CONCEIÇÃO e KÁSSIA LOH BARTH Horta escolar: espaço integrador que favorece o espírito de cooperação .........................................................................82 ALESSANDRA GIROLA A Informática Educativa: ferramenta aliada no processo de ensino aprendizagem .........................................................84 BRUNA FRANTZ DE FARIAS e MARIA BIANCA HENRICH Cidades com nomes curiosos do Rio Grande do Sul .........85 DAIANE DE SOUZA e DENISE MARIA MALDANER Maio Amarelo: educativo e consciente ............................86 ESTER TEREZINHA REICHERT e DÉBORA SCHUH O desafio que virou realidade ............................................88

MARIA CASTRO DE FREITAS SOMMER Sarau de poesia na Felippe Wendling ................................66

FÁBIO LEANDRO MACIEL e JENIFER BERLITZ Capoeira, Maculelê e Puxada de Rede ...............................89

KATIA FRANCINI KOLLING Chapeuzinho Vermelho e os 5 sentidos ...........................68

BRUNA KOLLING, NATALIA MADALENA GRENDOSKI, MARLISE HEIT e REJANI BUTZEN Os desafios na prática docente e a deficiência visual .........90

DAIANA GRAFF LORSCHEITER e VIVIAN KAROLINA DE MORAES Aprendendo e crescendo juntos .......................................69 FRANCIELE DIANI FARIAS SOARES Edição de imagem transcendendo a sala de aula ..............70 CARMEN ROYER, DIRCE MARIA SAUZEN, KARINA ROSSA e NADIA HELENA SCHNEIDER BNCC: um novo desafio para a Educação ........................72

ROSELI DA SILVA Turno Integral: um novo desafio ......................................92 ANDRÉA MALESKI DOS SANTOS e ANA CRISTINA DA SILVA Professores e monitores: uma parceria necessária ...........93 PALAVRA ILUSTRADA .....................................94

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ENTREVISTA

- Com a palavra, o educador

Educação Digital Qual o papel do professor na Educação Digital? Dra. Patricia: O professor tem o papel principal de orientar no uso das novas tecnologias, tanto para promover a melhoria do ensino-aprendizagem, como também para estabelecer a prática do uso ético, seguro e saudável destas ferramentas de convivência social-digital junto das crianças e dos adolescentes. Sendo assim, cabe ao professor saber usar, dar o exemplo e também trazer as referências de limites para que a experiência seja positiva. Neste sentido, a Escola sempre foi o catalizador da mudança cultural e, portanto, a orientação sobre as melhores práticas alcançam toda a família a partir da Escola. Por isso, além do professor aproximar o contato com os recursos educacionais tecnológicos, deve também trazer para a sala de aula as regras para que o uso ocorra dentro das leis, com uma prática baseada em valores. Muita tecnologia sem educação, por certo, pode ter um efeito nocivo devastador e gerar um grande perigo. É natural que ocorram dúvidas sobre quais sejam as posturas adequadas, e também que as interações digitais tragam alguns conflitos. Então, por último, cabe ao professor o papel de mediador para harmonizar o ambiente de convívio. Como usar o celular na escola como instrumento pedagógico? E como melhor utilizar as mídias em prol da educação? 6

Dra. Patricia: Primeiro, qualquer recurso tecnológico, para que sirva como instrumento pedagógico, deve ter seu uso previsto no plano de aula, com um propósito muito claro de qual é a sua aplicação e quais são as regras que devem reger a sua utilização dentro da escola. Sendo assim, cabe à Instituição de Ensino delimitar claramente as regras de uso do celular para fins educacionais, pactuando isso tanto com a família como também com os alunos, através de um normativo específico para reger o código de conduta e definir com o corpo docente quais serão as aplicações que poderão envolver a ferramenta no sentido pedagógico. A partir de então, deve ficar muito claro que o recurso precisará de vigilância, monitoramento, uso de softwares de segurança, e seguir também as recomendações de idades mínimas para quando seja necessário instalar algum recurso. Para qualquer Escola, o uso de internet, de tablet, de celular, de mídias sociais ou outros aplicativos, tem que ser feito sempre com muita cautela, não pode ser um “puxadinho digital”. Como abordar questões relacionadas à ética digital em sala de aula? Dra. Patricia: Nós, do Instituto iStart, defendemos que faça parte da grade curricular das escolas a disciplina "Cidadania e Ética Digital", que pode ser ministrada de forma independente ou no contexto de outras disciplinas (com temas discutidos em aulas de informática, sociologia, história,

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Dra. Patricia Peck Pinheiro Presidente do Instituto iStart

geografia, inglês). A finalidade é trazer o fundamento comportamental necessário para um indivíduo exercer ao máximo sua liberdade e cidadania na era digital, de forma ética, segura e legal. Ou seja, visa a permitir o máximo uso da tecnologia, com o menor risco social possível. Podem ser promovidas atividades de debate, estudo de casos, pesquisa sobre temas relacionados a leis como o Marco Civil da Internet, a Privacidade e a Constituição Federal, a proteção da imagem no Estatuto da Criança e do Adolescente, a lei de Combate ao Bullying e Cyberbullying, os cuidados de segurança nos Jogos Online, Idade Mínima e Termos de Uso, Proteção de Dados Pessoais, entre outros. Dentro da dinâmica da aula, os professores podem ensinar a prática da prevenção, apoiar mais na formação do jovem. Como o profissional da Educação separa a vida pessoal da profissional diante das redes sociais? Dra. Patricia: No caso dos educadores, é recomendável, na medida do possível, criar um perfil pessoal para reunir ali opiniões particulares, amigos e familiares, e outro ambiente, se possível fanpage ou mesmo outra mídia social separada, para ser a que se torna o perfil do docente, onde ele irá concentrar a comunidade escolar ou acadêmica. Além disso, o professor deve ter muito cuidado com a idade mínima exigida pelas mídias sociais e evitar adicionar como amigos alunos que ainda não possuem a idade mínima para estar ali, pois isso pode passar a mensagem errada de que ele aceita que o jovem pratique mentira para se relacionar com ele na rua digital. A exceção seria ter um propósito pedagógico para um projeto específico com começo e fim (prazo para iniciar e encerrar), em que o educador avisou previamente aos responsáveis legais, solicitou sua autorização (ciência e anuência), e então o jovem está ali mas com a supervisão parental. Mas na maioria das vezes, não é este o caso. Regras claras, comportamento transparente, cuidado

"Não é recomendável que o professor utilize seu WhatsApp ou redes sociais pessoais para realizar atendimentos de pais e alunos, principalmente a qualquer horário do dia, da noite ou de fim de semana."

Como conscientizar os pais quanto ao uso e acesso das imagens nas redes sociais? Dra. Patricia: A orientação mais importante é sobre o dever de respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê a necessidade de proteção da imagem nos artigos 17 e 18. Logo, cabe aos pais e à família ter muito cuidado para preservar a intimidade e a privacidade dos jovens. E um menor de idade não tem poderes jurídicos para autorizar a publicação da sua própria imagem, tampouco de um colega. Se as crianças hoje estão muito hábeis no uso dos recursos tecnológicos, com captura de fotos e filmagens a partir dos celulares e tablets e podendo publicar em tempo real na internet ou em grupos de WhatsApp, isso não retira a responsabilidade parental sobre estes conteúdos. E há o dever de vigilância dos pais pelo artigo 932 do Código Civil. Logo, cabe à Escola trazer esses ensinamentos preventivos até para justificar a necessidade de se ter um controle maior e uma disciplina sobre a questão das imagens envolvendo menores de idade. Pois a foto engraçadinha da criança hoje, poderá ser motivo de constrangimento mais tarde.

com a discrição por envolver menores de idade, são sempre recomendações úteis, quer seja para a sala de aula tradicional, quer seja para as relações digitais entre professores, alunos e familiares. Cabe sempre ao educador deixar claro o limite, até aonde vai a porta da sala de aula. Por isso, não é recomendável que o professor utilize seu WhatsApp ou redes sociais pessoais para realizar atendimentos de pais e alunos, principalmente a qualquer horário do dia, da noite ou de fim de semana. É indicado que essa comunicação seja realizada em canais oficiais e no horário definido pela Instituição, seguindo o procedimento estabelecido pela Escola. Não é algo que cada funcionário ou educador possa fazer do seu jeito e a qualquer horário, até porque esses diálogos devem ser documentados pela escola como registros de atendimento.

-------------A Dra. Patricia Peck é advogada especialista em Direito Digital, com 18 livros publicados, pesquisadora convidada do Instituto Max Planck da Alemanha e da Columbia University de NYC EUA. Professora Convidada da Universidade de Coimbra de Portugal e da Universidade Central do Chile. Professora coordenadora da pós-graduação de Inovação e Direito Digital da FIA. Doutoranda em Direito Internacional na USP. Eleita "Top of Mind" na categoria "Compliance Digital" na premiação realizada pela LEC Legal, Ethics & Compliance (2018). Sóciafundadora do Escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados e da empresa de treinamentos Peck Sleiman. Presidente do Instituto iStart de ética digital, que promove o movimento Família Mais Segura na Internet.

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Carla Elena Preuss

SEÇÃO

Pedagogia| Especializações em Mídias da Educação; Administração, Supervisão e Orientação Escolar; e Alfabetização e Letramento

ARTIGOS

Alfabetizar na Educação Infantil. Pode?

C

rianças com quatro anos de idade devem ser matriculadas na Educação Infantil, pois ela tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até 6 anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (LDB, art. 29). Esse tratamento integral dos vários aspectos do desenvolvimento infantil evidencia a indissociabilidade do educar e cuidar no atendimento às crianças. A Educação Infantil atualmente se orienta por uma função pedagógica. Entende-se que essa etapa da Educação Básica desempenha papel fundamental no processo de ensino da leitura e da escrita das crianças. A função pedagógica da pré-escola envolve o favorecimento de novas aprendizagens, considerando as crianças como parte da totalidade que as envolve. Todas as atividades desenvolvidas nessa etapa de ensino precedem, de alguma forma, a aprendizagem das técnicas de leitura e escrita e, sem dúvida, beneficiam o processo de alfabetização. Nesse sentido: Se as atividades realizadas na préescola enriquecem as experiências infantis e possuem um significado real para a vida das crianças, elas podem favorecer o processo de alfabetização, quer em nível do reconhecimento e representação dos objetos e das suas vivências, quer a nível da expressão de seus pensamentos e afetos (ABRAMOVAY; KRAMER, 1987, p. 37).

A alfabetização é definida por Soares (2004) como “a ação de ensinar/ aprender a ler e a escrever”. Isto é, uma pessoa alfabetizada é aquela que “adquiriu as tecnologias do ler e escrever de modo a envolver-se nas práticas sociais de leitura e escrita”. Entretanto, alguns educadores receiam que práticas pedagógicas tradicionais sejam inseridas muito cedo na vida dessas crianças e, com isso, percamos a aprendizagem lúdica tão necessária nessa fase do desenvolvimento. De acordo com pesquisas realizadas por Emília Ferreiro e Ana Teberosky

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(1999), crianças entre 4 e 6 anos de idade, quando orientadas por meio de práticas lúdicas e adequadas na Educação Infantil, evoluem rapidamente em direção ao nível alfabético. Sabemos que o processo de alfabetização pode ser mais produtivo e interessante se for ancorado no lúdico. Tânia Fortuna (2000) considera que lúdico tem sua origem na palavra “ludus”, que significa jogo. Este significado foi evoluindo e, consequentemente, o lúdico passou a ser compreendido como parte da atividade humana, que enfatiza a ação e o movimento em vivência, seja ele motor, psicomotor e intelectual. O lúdico pode enriquecer as aprendizagens também no contexto escolar, pois é um recurso atrativo para as crianças, mantendo-os, em grande parte, extremamente envolvidos em função do prazer que envolve. Contrariando a visão de que a alfabetização na Educação Infantil prejudicaria a aprendizagem lúdica necessária às crianças, a criatividade do professor pode gerar meios alfabetizadores bastante lúdicos. A ludicidade deve ser o ponto de partida para qualquer aprendizagem quando nos referimos à criança. Por meio de uma aula lúdica, o aluno é estimulado a desenvolver sua criatividade e não a produtividade, sendo sujeito do processo pedagógico. Por meio da brincadeira o aluno desperta o desejo do saber, a vontade de participar e a alegria da conquista. Quando a criança percebe que existe uma sistematização na proposta de uma atividade dinâmica e lúdica, a brincadeira passa a ser interessante e a concentração do aluno fica maior, assimilando os conteúdos com mais facilidades e naturalidade. (KISHIMOTO, 1994).

quando da participação do mesmo, e como mais um recurso para a busca de um desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo. A ludicidade pode ser utilizada como forma de sondar, introduzir ou reforçar os conteúdos, fundamentados nos interesses que podem levar o aluno a sentir satisfação em descobrir um caminho interessante no aprendizado. Assim, o lúdico é uma ponte para auxiliar na melhoria dos resultados que os professores querem alcançar. (BRASIL, 2007).

O educador deve ser mediador e considerar as necessidades de seus alunos, a bagagem de conhecimento, as vivências que cada um traz para o ambiente escolar, utilizando o lúdico como uma atividade complementar à “atividade pedagógica”, e não apenas como um momento de entretenimento, de distração para as crianças no recreio e, portanto, de “descanso” para os docentes. Se obtivermos como base pedagógica a compreensão dos jogos, podemos entender a sua acepção para a vida das crianças, na perspectiva de subsidiar o desenvolvimento integral. Quando acrescentamos criatividade, espontaneidade, alegria, música, contos, fantasias e muita imaginação na nossa prática pedagógica, proporcionamos às nossas crianças o desenvolvimento de habilidade para buscar e realizar novas descobertas, tornando o processo de alfabetização, além do aprender a ler e escrever, mais como uma etapa fundamental e prazerosa para o universo do ensino-aprendizagem.

Para Piaget, os jogos são atividades que facilitam a trajetória interna da construção da inteligência e dos afetos, no instante em que se detiverem à seguinte indagação: “como o conhecimento é obtido, ou seja, como é construída a habilidade do conhecer?”. O mesmo autor ainda salienta que a atividade lúdica só poderá trazer a sensação de experiência plena para o todo do aluno

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: ABRAMOVAY, Miriam; KRAMER, Sônia. Alfabetização na pré-escola: exigência ou necessidade? Caderno de Pesquisa, São Paulo, 1985. BRASIL. Lei nº 9.394: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). ________. Ministério da Educação. Ensino Fundamental de nove anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade. Brasília, DF: MEC, 2007. FORTUNA, Tânia Ramos. Sala de aula é lugar de brincar? In: XAVIER, M. L. M. e DALLA ZEN, M. I. H. (org) Planejamento em destaque: análise menos convencionais. Porto Alegre: Mediação, 2000. (Cadernos de Educação Básica, 6) KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1994. SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. PIAGET, Jean. Psicologia e pedagogia. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1976.


Eloiza Aparecida Wilhelms

SEÇÃO

Pedagogia Especialização em Gestão Escolar

ARTIGOS

O

Leitura deleite na Educação Infantil

título cheira a redundância; afinal, qual seria o objetivo da leitura na educação infantil, senão o deleite de quem lê e de quem escuta? Infelizmente, não se trata de redundância, uma vez que a prática da leitura sem obrigação não é regra nos espaços de formação inicial, o que não quer dizer que não se faça presente. Se faz, mas a sua presença é muito mais comum como pretexto para dar seguimento e atender sequências e objetivos didáticos, do que pelo simples prazer, satisfação, encantamento estético que a leitura proporciona. A leitura deleite, diferente da leitura com fins didáticos, não se presta à realização de atividades pós-leitura. Ela é um fim em si mesma, com o objetivo do prazer da escuta, que acaba por despertar o gosto pela leitura, pelos livros. Falo em gosto e não em hábito, pois, como nos disse sabiamente Rubem Alves, “desenvolvemos o hábito de escovar os dentes, mas não o hábito de abraçar nossos entes queridos”. Abraçar não pode ser hábito, abraçar precisa ser prazer, e a leitura também tem que ocupar esse espaço, o espaço do prazer, do encantamento estético na vida da criança. O livro precisa ser visto como companheiro, como amigo, como brinquedo, antes de mais nada, se quisermos despertar o prazer, o gosto, o interesse pelos livros e pela leitura nessa faixa etária. Isso não significa que seja uma leitura descompromissada; muito pelo contrário, o compromisso é enorme e exige do professor e da professora consciência, intencionalidade, regularidade, bem como conhecer bem as histórias antes de lê-las. E eu diria mais: além de conhecer, é preciso gostar, pois gostando ficará muito mais fácil ler com a devida entonação – pois a nossa emoção estará presente –, modificar a voz em diferentes situações de leitura, criar suspense em torno da leitura em jogo. Afinal, quando

o professor ou professora realiza uma boa leitura – repleta de emoção verdadeira –, ele encanta a criança e desperta nela o prazer da escuta, o desejo de conhecer essa e outras histórias, pois fez uso dos dois fatores que despertam o gosto pela leitura: a curiosidade e o exemplo. Mas como achar tempo, dentro dos tempos e espaços da educação infantil, para incluir mais essa prática e ainda dar conta de cumprir todos os direitos de aprendizagem previstos na BNCC, os objetivos previstos nos planos de estudos, a rotina...? Não há receita pronta. Cabe a cada professor ou professora, que acredita na importância e no poder da leitura deleite, achar o melhor momento, dentro dos tempos e espaços da sua turma de educação infantil, para realização da mesma. Aqui relato uma prática que iniciou em 2016, depois de me debater, dentro da minha carga horária, com os tempos e espaços da educação infantil e a procura do melhor momento dentro da rotina de turno integral, de uma turma de nível B (5 anos), para a prática da leitura deleite, de forma regular, contínua. Depois de testar em vários momentos, encontrei o momento que antecede o descanso, logo após o almoço e a escovação, quando se as crianças organizam para relaxar/ repousar, e esse é hoje, para mim, o melhor momento. Nesse momento, todos os dias, com cortinas e luzes desligadas, realizo a leitura, sem mostrar as ilustrações – que foi mais uma forma que encontrei para despertar ainda mais a curiosidade das crianças e evitar o “alvoroço” do “eu não vi o desenho” –, e seguindo o combinado de que ao final do momento de descanso, depois de guardar seus pertences e dos cuidados pessoais, poderiam olhar o livro, as ilustrações. O final do momento de descanso, depois de algum tempo, tornou-se um momento mágico. As crianças muitas

vezes acabavam esquecendo dos cuidados pessoais e corriam para a disputa para olhar as ilustrações. Então pude conferir, entre outras coisas: a curiosidade pelo título; pelo autor, pela autora; pelo ilustrador, pela ilustradora; a capacidade de leitura por meio de ilustrações de qualidade, pois as crianças recontavam e discutiam a história em conjunto. Como o livro permanecia na sala como companheiro, algumas vezes, nos momentos de vivência livre, dependendo da história e das ilustrações, algumas crianças pediam/pegavam o livro e ele passava a ser o brinquedo do momento. Assim percebi que atingi o objetivo da leitura na educação infantil: o prazer de ouvir histórias, e junto o gosto pela leitura, o enriquecimento da linguagem; a apropriação de novos enredos; a apropriação de repertório literário e cultural; a atenção; o desenvolvimento da imaginação, da criatividade; o conhecimento de diversos gêneros textuais, escritores/escritoras, ilustradores/ilustradoras. Ao longo do ano, as crianças entram em contato com aproximadamente 170 títulos, uma vez que alguns títulos são lidos em etapas, devido a sua extensão. Cabe mencionar que, nesse tempo, passei a contar com a parceria da minha colega de classe e demais profissionais da escola, para manter essa prática ativa, uma vez que nem sempre me encontro com as crianças nesse momento, devido a questões de gestão de horários; a elas agradeço enormemente. Para nós, este têm sido o melhor momento dentro da rotina da educação infantil, em turno integral, para realização dessa prática, e a mesma alegra nossos corações e nos proporciona a colheita de frutos deliciosos, como já mencionado. Acreditamos que há outros momentos possíveis, e cabe a cada profissional que acredita no potencial da leitura deleite achar o melhor momento para sua turma e fazer os ajustes necessários.

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Bruna Fernanda Utzig Immig

SEÇÃO

Ciências Biológicas | Especialização em Educação Ambiental, Orientação Educacional e Coordenação Pedagógica

ARTIGOS

A afetividade que move o aprender! “Educar a mente sem educar o coração, não é educação.” (Aristóteles)

A

hhh! O afeto! Quem vive sem ele? Aquele amor escondido num carinho, num abraço, num gesto ou simplesmente no olhar lançado... Ele é a doce essência da vida, move o nascer, o crescer e o aprender! Se ele é tão importante, por que está tão esquecido nas relações humanas? Por que tanto desamor no mundo? Por que não está mais presente em algumas famílias? E no espaço escolar? A BNCC afirma o seu compromisso com a educação INTEGRAL. Reconhece que a Educação Básica deve visar à formação e ao desenvolvimento humano GLOBAL, rompendo com visões reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) ou a dimensão afetiva. É preciso considerar os sujeitos de aprendizagem no seu ser total e promover uma educação voltada ao seu acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno, nas suas singularidades e diversidades. A aprendizagem, segundo Fernandez (1991), é uma mudança comportamental resultante da experiência. Na família inicia a relação do ensinar e o aprender, lá a base das interações são o afeto e a emoção, e ali temos as aprendizagens mais significativas da vida. Quando crescemos, vem a afetividade que, de acordo com Wallon (1995), sinaliza a entrada da criança no universo simbólico, proporcionando também a origem da atividade cognitiva e a capacidade e disposição do ser humano de ser afetado pelo mundo externo/interno, ou seja, o mundo e as relações externas passam a produzir mudanças no ser. A escola segue nesta crescente caminhada de aprendizagens, propondose a ensinar conteúdos, disciplinas, matérias; porém, sem satisfazer as necessidades afetivas isso não será possível. Fernández (1991) afirma que é no decorrer do desenvolvimento que os vínculos afetivos vão se ampliando, na figura do professor e na importante relação de ensino e aprendizagem na época escolar. A maneira como o educador se relaciona com o aluno reflete

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nas relações dele com o conhecimento e com os colegas na sala de aula. Caso as necessidades afetivas não sejam satisfeitas, tornam-se barreiras para todo o processo. O professor pode ser um facilitador da aprendizagem ou bloquear o desenvolvimento de um cidadão, dependendo da sua postura e relação com o aluno. Como já dizia Piaget (1996), a afetividade é a energia que move as ações humanas, sem ela não há interesse e não há motivação para a aprendizagem. Portanto, a educação afetiva deveria ser primeira preocupação dos educadores, pois é um elemento que condiciona o comportamento, o caráter e a atividade cognitiva da criança. Chalita (2004) afirma que o ato de educar deve ser compreendido como uma ação que envolve amor, dedicação, compromisso e paciência, estabelecidos através do vínculo afetivo, para que se proporcione ao educando a aprendizagem não só de conteúdos, mas sobre a vida, que o prepare para conviver em uma sociedade cheia de conflitos. Os sentimentos dos alunos não podem ser ignorados; aprendemos sempre melhor quando o assunto a ser estudado nos interessa e nos dá prazer. O mesmo autor destaca que a ausência do vínculo afetivo, tanto familiar quanto no âmbito escolar, gera insegurança e a descrença em si mesmo, e, consequentemente, as dificuldades de aprendizagem e o despreparo para enfrentar obstáculos. Por outro lado, quando existe afetividade nas relações, suscitam-se sentimentos de autoestima e confiança em si mesmo, que irão facilitar a sua vida escolar. O problema é que muitas crianças e jovens já chegam ao espaço escolar com uma camada de mágoa, medo, desconfiança, tristeza, ressentimento, decepção, vergonha e raiva. Como será que o professor consegue romper essas barreiras e achar a “pérola” que existe por de trás de tanta dureza? A resposta é: com muita paciência e com todo afeto que lhe for possível! E quando falo em afeto na educação, não me limito a pensá-lo na educação infantil ou nos anos iniciais, mas sim com os nossos “grandes” dos anos

finais, do ensino médio e, por que não, do ensino superior! A melhor relação professor/aluno é aquela baseada na cooperação e no respeito. O trabalho com os adolescentes é fantástico, quando conseguimos criar vínculo de parceria. Isso não significa que não haverá conflitos; afinal, somos únicos e pensamos de maneiras diferentes. Freire (2000) traz o conflito como processo natural e necessário à aprendizagem e que, se usado de forma positiva, poderá alavancar o desenvolvimento pessoal, social e educativo. O que precisamos é trabalhar o diálogo com nossas crianças e jovens, para que a divergência não se transforme em violência. O conflito é natural e inevitável, por isso precisamos enfrentá-lo de forma positiva, por vias democráticas e não violentas, visando à formação de valores como justiça, cooperação, solidariedade, autonomia e respeito. O comportamento afetivo do professor, a maneira de organizar as aulas e os métodos e didáticas que utiliza, pode gerar emoções de bem ou malestar que ficarão associadas às matérias dadas e ao próprio ensino em si. Por isso, o professor também precisa estar bem emocionalmente, para ser afetivo com seus alunos e estabelecer o vínculo. Angustiado, dificilmente conseguirá mostrar-se sensível às necessidades do outro e aberto ao diálogo. A energia do educador é muito solicitada quando ensina com qualidade e ele precisa ter fontes onde poderá também se abastecer de compreensão, carinho e segurança. Se quisermos uma escola melhor, precisamos ser mais sensíveis e olhar o outro, olhar com afeto, compreensão e responsabilidade pelas vidas que estão em nossas mãos.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS https://psicologado.com/atuacao/psicologia-escolar/aimportancia-da-afetividade-na-aprendizagem-escolar-oafeto-na-relacao-aluno-professor (acesso em 22/02/2016). CHALITA, Gabriel. Educação: a solução está no afeto. 1. ed. rev. at. São Paulo: Gente, 2004. FERNANDÉZ, A. A inteligência aprisionada. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991. FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação. São Paulo: UNESP, 2000. PIAGET, Jean. Biologia e conhecimento. 2. ed. Vozes: Petrópolis, 1996. WALLON, H. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70, 1941-1995.


Janice Laux

SEÇÃO

Pedagogia Especialização em Educação

ARTIGOS

Início de ano letivo de crianças pequenas: que lugar é esse?

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o início de cada semestre nos deparamos com novos desafios e também angústias acerca das novas adaptações de alunos da Educação Infantil. Muitas vezes essas preocupações atingem crianças, pais e até professores. Geralmente as adaptações acontecem com períodos de muito choro, em especial quando se trata de crianças pequenas. Antes de uma adaptação ocorrer, é essencial pensar em vários elementos, que se tornam cruciais para que tudo se encaminhe da melhor forma possível para a criança. Acredito que, primeiramente, deva ocorrer um encontro com as novas famílias, para os pais possam falar do(a) filho(a), tirar dúvidas referentes ao funcionamento da turma, além de fazer combinações importantes e tranquilizá-los, pois pais inseguros tornam o processo de adaptação dos filhos ainda mais difícil e árduo. Muitas vezes os pais querem entregar os filhos e sair sem a criança notar que foram embora. Nesses momentos, vejo a importância de reforçar com os pais para que sejam honestos com próprios filhos. São crianças, mas são sujeitos que sentem e pensam. Para Gobbato (2011, p. 36), muitas vezes “[...] os adultos não veem no bebê um Outro, um sujeito, protagonista de suas aprendizagens, com iniciativas, interesses, sentimentos [...]”. É importante que o professor oriente as famílias nessa caminhada. O professor precisa ser o mediador neste processo. É preciso tentar trazer as famílias para dentro da escola, para não haver uma lacuna, pois a parceria entre escola e família só tem a acrescentar no processo pedagógico. Além disso, também é importante que a família entenda que a Escola de Educação Infantil não é lugar para somente cuidar de crianças, mas sim também um lugar de vivências e aprendizagens significativas. Dessa forma, precisamos preparar os espaços para as crianças se ambientarem, sentirem-se bem, onde possam viver

sua infância com qualidade. Para Goldschmied (2006), a sala precisa mostrar-se interessante e prazerosa, isso tanto para os adultos quanto para as crianças. E Snyders, apud Filho et al. (2015, p. 7), reforça referente à escola: Eu queria uma (instituição) onde a criança não tivesse que saltar as alegrias da infância, apressandose em fatos e pensamentos rumo à idade adulta, mas onde pudesse apreciar em sua especificidade os diferentes momentos de suas idades.

Como escola/professores, precisamos garantir que as crianças possam viver suas infâncias. Sem essas vivências, talvez não poderão tornar-se adultos saudáveis. Hoje em dia, tudo ao nosso redor está se tornando muito acelerado, mas acredito firmemente que não temos que acelerar ou omitir a infância. Acho que precisamos pensar a escola, como trazem Filho et al.: “[...] o lugar da instituição infantil tem que ser um lugar de respeito profundo à infância, [...]”. Sendo assim, percebe-se o quanto a infância precisa ser levada a sério. Enquanto escola, precisamos sempre refletir sobre como podemos melhorar,

adequando cada vez mais a nossa prática pedagógica, além do processo de adaptação. Crianças precisam ser vistas em sua integralidade, pois elas não são seres fragmentados. Acredito que a reflexão e o estudo sobre nossas práticas possam ajudar a aperfeiçoá-las, pois, como sabemos, na educação não existe receita pronta. Ou seja, o professor, juntamente com sua turma, precisa mediar uma grande construção, e é quando acontece uma mágica de encontros, em que as crianças vão se acalmando e percebendo que os pais voltarão, e encontram na escola um lugar para viver sua infância. Também é fundamental para a criança deixá-la sempre expor seus sentimentos, chorar quando sente necessidade, e nesses momentos oferecer o colo, o ombro, e conversar com ela. Em se tratando de bebês, em sua maioria, o choro ainda é o principal meio de comunicação. Enfim, os/as professores/as podem fazer uma grande diferença na vida de uma criança, mesmo ainda sendo bem pequenas, pois a escola pode ser um lugar agradável, prazeroso e desafiador, proporcionando um lugar em que a criança possa viver com intensidade sua infância. Com esse olhar, iniciei o ano letivo de 2018, mas com certeza muito ainda preciso aprender e refletir. Seguem alguns momentos de acolhimento que aconteceram na turma do Berçário II.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GOLDSCHMIED, Elinor. Educação de 0 a 3 anos: atendimento em creche. Trad. Marlon Xavier. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. FILHO, A. et al. Criança pede respeito: ação educativa na creche e na pré-escola, 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 2015. SNYDERS, Georges, apud FILHO, A. et al. Criança pede respeito: ação educativa na creche e na pré-escola, 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 2015. GOBBATO, Carolina. “Os bebês estão por todos os espaços!”: um estudo sobre a educação de bebês nos diferentes contextos de vida coletiva da escola infantil. Orientadora: Maria Carmen Silveira Barbosa. Porto Alegre, 2011.

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SEÇÃO

ARTIGOS

Projeto de Aprendizagem na Educação Infantil: medos, angústias e alegrias

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opção metodológica por trabalho com PA (Projeto de Aprendizagem) nos exige habilidade emocional para lidar com nossas angústias e incertezas, o que faz com que muitos ainda resistam à metodologia. Diferente dos projetos de ensino e das sequências didáticas, os projetos de aprendizagem nos entregam a nossa vulnerabilidade, por não sabermos antecipadamente o que irá surgir, que vivências vamos propor, como vai evoluir, se teremos conhecimento suficiente para dar conta do que poderá surgir através das crianças, dos seus questionamentos, das suas observações. O que muitas vezes gera sentimentos e sensações desagradáveis, difíceis de lidar. Será que serei bom o suficiente? E se eu fracassar? Se as crianças não aprenderem nada? Ao trabalhar com a metodologia de PA, saímos do papel de transmissor de conhecimentos, que sabe onde começam e onde terminam o

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conhecimento a ser transmitido e a atividade a ser realizada, para o papel de mediador de processos de aprendizagem. O que nos exige encantamento, olhar e escuta atenta, presença e entrega ao que está sendo vivido naquele tempo e espaço. Afinal, os projetos nascem e se desenrolam muitas vezes de forma inusitada. É preciso presença para sentir a curiosidade, os questionamentos, as observações, o interesse surgindo, expandindo e permitirmo-nos entrar no jogo, se entregar, se encantar, refletir para, mais tarde ou no próprio momento, organizar, planejar, mediar e monitorar o conjunto de vivências, práticas e interações, o que nem sempre é tão fácil e simples quanto redigir esses parágrafos. Afinal, estamos falando da infância, de instintos primitivos, de disputas e conflitos frequentes envolvendo espaço, tempo, objetos, atenção. Apesar dos medos, das angústias, penso ser uma opção que vale a pena investir e insistir. Sim, insistir, pois nas

primeiras vezes dá vontade de desistir. Investir e insistir, primeiramente porque o processo nos permite viver momentos intensos de grande alegria e encantamento, ao perceber a entrega das crianças, o interesse crescendo, as descobertas, as conclusões, as interações, o envolvimento da comunidade escolar e dos pais, as aprendizagens acontecendo, concretizando-se através das vivências e experiências, tanto para elas quanto para nós. Um bom projeto de aprendizagem têm o potencial de envolver direta e indiretamente a todos, fazendo sentirmo-nos conectados ao mundo, despertando a visão da interdependência, a vivência da compaixão e da solidariedade. Em segundo lugar, porque nos permite cumprir com o que propõe a legislação para essa etapa da educação básica. Num PA, o grande protagonismo parte das crianças – elas que determinarão o caminho, para onde querem ir, através de suas observações, questionamentos,

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Eloiza Aparecida Wilhelms Pedagogia Especialização em Gestão Escolar

descobertas –, o que não significa ausência de protagonismo do professor, tampouco a entrega das crianças a sua própria sorte. O professor tem um papel importantíssimo, fundamental; ele é o responsável por tirar a criança da sua zona de desenvolvimento real e levá-la a sua zona de desenvolvimento potencial, de forma intencional. Para isso, ele mediará o processo, buscando aproximar o que elas sabem, do que elas querem e podem descobrir, por meio da reflexão, da seleção, da organização e do planejamento de um conjunto variado de vivências e interações. O trabalho com PA é um trabalho sério, assim como outros trabalhos. Sua diferença reside em garantir que a aprendizagem aconteça por meio do interesse e do protagonismo infantil. Dessa forma, ainda que o projeto aparentemente não dê certo, quando se pensa em resultado, “trabalhinhos”, ele cumpriu com seu papel, afinal o foco está no processo. O trabalho com PA visa a

permitir às crianças viverem sua infância com protagonismo, participando, brincando, explorando, expressando, convivendo e se conhecendo. Falando em resultado, “trabalhinhos”, a pasta das produções da criança a ser entregue ao final do semestre, apresentada aos pais, é um outro ponto que gera angústia, medo, conflito, quando decidimos trabalhar com PA. Afinal, nem sempre conseguimos registrar as vivências por meio de um desenho, de uma pintura. As produções individuais – palpáveis – podem começar a diminuir; e agora, o que mostraremos aos pais, se não tivermos tanta produção palpável para mostrar? Trabalhamos tanto, foi tão rico, encantador, as crianças se divertiram, aprenderam, tiveram seus direitos de aprendizagem garantidos, e não temos “trabalhinhos” suficientes para mostrar. Nosso trabalho ficará desacreditado; afinal, cadê o resultado?! Trabalhar com PA não nos exige

apenas uma mudança isolada na forma de ver a criança, conduzir o processo; nos exige também uma nova forma de olhar e registrar o processo. Uma pastinha cheia de “trabalhinhos” já não cabe, uma pastinha com poucos “trabalhinhos” também não cabe; teremos que rever também a forma de expressar o resultado. Precisaremos achar uma forma capaz de mostrar o processo. Para tanto, precisaremos oferecer mais que o registro das vivências feito pelas crianças (desenhos, pinturas, dobraduras…): também precisaremos incluir fotos, falas das crianças mostrando o processo, o envolvimento, o encanto e a magia do que foi vivenciado. Precisaremos trabalhar com portfólio de aprendizagens. Não é por menos que o trabalho com PA causa medo, angústia e alegria. É trabalho que nos exige presença, olhar atento, habilidade, para lidar com a incerteza, com o não saber, do início ao fim.

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Berenice Ody

SEÇÃO

Pedagogia | Especialização em Educação Infantil, Neuropedagogia Clínica e em Educação Inclusiva

ARTIGOS

A Fonética, a Fonologia e a Neurociência na Educação Infantil

Q

uando pensamos em Educação Infantil, surgem em nossa mente muitas brincadeiras, descobertas, experimentos, ludicidade. Aos 4 e 5 anos, a criança começa a perceber os sons variados que escuta e percebe que o mundo que a rodeia é letrado e tem ruídos. Para que possa decodificar e associar as letras, precisa ter um “ouvido afinado” aos sons de cada letra. Como diz Emilia Ferriro “cada letra tem um som e cada som corresponde a uma letra”. Sendo assim, cabe ao professor apropriar-se da fonética, pois a escrita nem sempre corresponde ao som da letra. Por exemplo, quando dizemos “casa”, temos o “c” com som de “k”, e no entanto escrevemos diferente do que escutamos. O som do “o”, quando tônico, se escreve como se pronuncia, como é o caso de “jiló”. Por outro lado, quando átono, a letra “o” assume o som de “u”, como em “globo” (globu). Esses são apenas alguns dos casos que podem ser explicados através da fonética e da fonologia, pois as duas ciências estudam o som. A diferença entre elas é que a fonética tem o papel de descrever todos os sons pronunciados nas línguas e a fonologia organiza esses sons. E como a neurociência entende o processo de aprendizagem dos sons, fala e escrita? A neurociência da aprendizagem, em termos gerais, é o estudo de como o cérebro aprende. É o entendimento de como as redes neurais são estabelecidas no momento da aprendizagem, bem como de que maneira os estímulos chegam ao cérebro, da forma como as memórias se consolidam e de como temos acesso a essas informações armazenadas. Assim, precisamos observar como nossa criança escuta e como se expressa. Quais suas memórias de sons e sua bagagem de palavras e construção de frases. Como não penetrar nos mistérios

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da região temporal relacionada à percepção e identificações dos sons onde os reconhece por completo? (Área temporal verbal que produz os sons para que possamos fonar as letras.) Não esquecendo a região occipital, que tem como uma de suas funções coordenar e reconhecer os objetos assim como o reconhecimento da palavra escrita. Assim, cada órgão se conecta e se interliga nesse trabalho, onde cada estrutura com seus neurônios específicos e especializados desempenha um papel importantíssimo nesse aprender. Podemos compreender dessa forma que o uso de estratégias adequadas em um processo de ensino dinâmico e prazeroso provocará, consequentemente, alterações na quantidade e qualidade destas conexões sinápticas, afetando assim o funcionamento cerebral de forma positiva e permanente, com resultados extremamente satisfatórios. Assim, podemos entender, por exemplo, como é valioso aliar a música e os jogos em atividades escolares, pois há a possibilidade de se trabalhar simultaneamente mais de um sistema: o auditivo, o visual e até mesmo o sistema tátil (a música possibilitando dramatizações). O professor pode prever as dificuldades das crianças de Educação Infantil, prestando atenção ao modo como falam e, para isso, é de suma importância conhecer alguns princípios de fonética e fonologia. Segundo Cagliari (2008), a fonologia se ocupa dos aspectos interpretativos dos sons, ou seja, da estrutura funcional na língua. Estuda os elementos fônicos que distinguem, em uma mesma língua, duas mensagens de sentido diferente. A fonética constata pronúncias diferentes, por exemplo, em [‘ti.a] e [‘tʃi.a]. A fonologia interpreta a diferença atribuindo valor único aos sons, por exemplo, o /t/ que pronunciamos na palavra TUDO, e o / tʃ/, que pronunciamos na palavra TIA.

Na escrita, ao contrário do alfabeto fonético, nem todos os sons da fala são conservados. Por essa razão, em todas as regiões ocorrem dificuldades ortográficas para quem escreve confiando no ouvido. O alfabeto fonético serve justamente para transcrever os sons e, por isso, pode ajudar a entender como ocorrem as diferenças entre fala e escrita. Neste contexto, sugiro conhecer o método das boquinhas, que aborda justamente o som das letras e sua correta pronúncia. Trabalhar música e suas nuances nos ritmos e timbres pode ajudar o ouvido da criança a distinguir diferentes sons, preparando-a para construção da fonética e fonologia. Cagliari (2008) chama atenção para o fato de que não se deve ensinar para o aluno que a escrita é uma transcrição da fala, e sim que se escreve de um jeito, mas se fala de outro. Atividades como teatro e narração de histórias, música, rimas, parlendas, rodas cantadas, podem ser excelentes oportunidades para ensinar e observar a maneira de falar de cada criança. Ao professor cabe saber fazer a transcrição da fala das crianças, e pode ser bastante útil para a previsão das dificuldades que surgirão no processo de alfabetização.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRESSON, François. A leitura e suas dificuldades. In. CHARTIER (org). Práticas da Leitura. São Paulo: Estação Liberdade, 2009. CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e linguística. São Paulo: Scipione, 2008. FERREIRO, Emilia; TEBERSOSKY, Ana. A Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Artes Medicas, 1985. 284 p. FERREIRO, Emilia. Reflexões sobre Alfabetização. São Paulo: Cortez, 2000. 104 p. SILVA, Thaïs Cristófaro. Fonética e Fonologia do Português. Roteiro de estudos e guia de exercícios. São Paulo: Contexto, 2007.


Cassiane Lerner de Sousa

SEÇÃO

Pedagogia Especialização em Psicopedagogia (em andamento)

ARTIGOS

L

Alfabetizar

evar as crianças a descobrir o mundo das palavras é encantador e recompensador. Ensinar a ler e escrever ultrapassa o sentido de instruir crianças a decodificar palavras: é preciso educar o olhar. A alfabetização é uma fase apaixonante. Rubem Alves e sua pedagogia do olhar nos remetem ao encantamento dessa bela fase. De acordo com o autor, a primeira tarefa da educação é ensinar a VER. Isso certamente é capaz de incentivar e encorajar alfabetizadores a buscar novas formas de ensinar, a fim de que os alunos possam aprender muito mais do que ler e escrever, mas também a enxergar, descobrindo um mundo que pode proporcionar um futuro diferente daquele que hoje veem. Um mundo vasto de possibilidades. Alfabetizar é um grande desafio nos dias de hoje. A realidade e a diversidade da sala de aula nos exigem aperfeiçoamentos constantes. Alunos com grandes dificuldades de aprendizagens, como déficit de atenção, hiperatividade e defasagem idade/série, estão presentes em nosso meio. Ensinálos de forma tradicional não é mais suficiente para alcançar os objetivos da alfabetização. Para ajudar esses alunos a superar seus limites, é preciso criar uma didática lúdica e fascinante, capaz de cativar suas sensibilidades, pois, segundo Alves, “sem a educação das sensibilidades todas as habilidades são tolas e sem sentido” (Caregnato, 2011). Mas como tudo isso é possível? Como fazer os estudos ter importância para aqueles que já estão taxados como “fadados ao fracasso”? É possível, sim. Há algum tempo atrás, uma professora pode provar e comprovar, após muito estudo e pesquisa, e alguns testes (o que daria certo ou não), experimentar e vivenciar a alegria de ensinar o que parecia impossível: o sentido da alfabetização (Progressão, 2018). Alves também fala sobre isso: “As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver um mundo melhor” (Caregnato, 2011). Então, os estudos voltaram a ter sentido para aqueles que estavam julgados como fadados ao fracasso. A cada dia as aulas e as técnicas desenvolvidas foram cativando o olhar e as descobertas, transformando o

desânimo e a falta de interesse em desejo de aprender aquilo que ainda não havia sido descoberto. A vontade de, cada vez mais, crescer no conhecimento, mas também ir além das letras, crescer também no social, nos relacionamentos, na educação, na empatia. Uma pedagogia voltada para o aluno. O conhecer cada necessidade, cada dificuldade e cada modo de aprender. Buscar meios e fins para que cada criança pudesse internalizar as letras, os fonemas, as palavras, os vários textos que podiam levá-los a qualquer espaço e lugar, sem ao menos saírem de onde estavam. Um trabalho árduo, mas recompensador. Todos os dias os alunos dessa professora foram desafiados a pensar, refletir, motivados a desacomodar-se para enfrentar o novo, acreditando em si e em suas capacidades, sem pensar nas causas de suas dificuldades, mas em como superá-las. Diariamente os alunos descobriram, indo contra todo sentimento de incapacidade e fracasso que estava internalizado neles, que ler e escrever não era difícil como pensavam. E que tinham, sim, a capacidade de aprender como qualquer outro. Todas as aulas foram pautadas na ludicidade. Tudo virava jogos, brincadeiras e diversão. Sem o incentivo da competição entre os alunos, foram desafiados a superar a si próprios. Os jogos foram pensados com a finalidade de alfabetizar; não só decodificar letras e sons, mas trabalhar constantemente a concentração, atenção, destreza, variadas habilidades e, claro, a curiosidade. Como resultado, no primeiro ano de pesquisa, 95% dos alunos frequentadores do nível 1 alcançaram os objetivos. Para os outros 5%, foi pensado, no nível 2, uma possibilidade de dar continuidade ao aprendizado, pois cada criança tem seu próprio tempo de aprender. No ano seguinte, os resultados foram mais surpreendentes: já em julho 55% das crianças que frequentaram o nível 1 retornaram a suas salas de aula, aptos a acompanharem o curso do seu ano em questão. Essas foram substituídas por outras crianças com necessidade de expandir seus olhares quanto ao aprender a ler, superar suas limitações

e romper com aquilo a que pareciam estar fadados, repetir de ano ou avançar sem as condições básicas necessárias para acompanhar com sucesso o ano seguinte (Progressão, 2018) Foi comprovado, assim, que é possível acreditar que, aprimorando não só as nossas habilidades, como também de nossos alunos, transformandoos em grandes visionários, podemos transformar o presente, trazendo o futuro para hoje (Freire, 2010), saindo do campo utópico para a realidade da transformação. Certamente, levar os alunos a compreender que, segundo Alves, aprendemos as palavras para melhorar os olhos, e quando abrimos os olhos, abrem-se as janelas do corpo e o mundo aparece refletido dentro da gente (Caregnato, 2011). Isso despertará leitores interessados, praticantes de leitura diária. Leitores com entendimento, capazes de interpretar variados tipos de textos, e escritores capacitados a expressarem suas próprias ideias. Alves, em seu livro “Gaiolas ou Asas”, reafirma que “o prazer da leitura é o pressuposto de tudo o mais. Quem ama ler tem nas mãos as chaves do mundo” (Alves, contadoresdestorias. wordpress.com, 2012). Quando aliamos sonhos a competências, não enxergamos apenas limitações, mas possibilidades de superação. Levar os alunos a sobrepujar essas limitações é um exercício de imortalidade, pois ao final de tudo, de alguma forma “continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra, (...) estando a cada dia no pensamento daqueles a quem ensinou” (Alves, 2012).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Alves, Rubem. A Alegria de Ensinar. São Paulo: Papirus,2001 Caregnato, Marta.Disponível em : https://pt.slideshare. net,(2011). Acesso em :29 Abril.2018. Alves, Rubem. O prazer da leitura. Disponível em: https:// contadoresdestorias.wordpress.com/2012/02/19/oprazer-da-leitura-rubem-alves/. Acesso em : 29 Abril. 2018.

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SEÇÃO

ARTIGOS Aline Flores Rodrigues

Professor de Educação Infantil

O

papel do professor de Educação Infantil é fundamental para o desenvolvimento da criança. Afinal, existem tarefas que uma criança não é capaz de realizar sozinha, mas se torna capaz se alguém lhe passar instruções, demonstrações e fornecer pistas. Essa é a função do professor, que tem o papel de mediador, devendo facilitar a aproximação entre as crianças, além de decidir sobre as práticas que podem ser realizadas em grupo, aumentando as interações sociais entre elas e a autonomia na realização das suas atividades rotineiras, bem como ampliar seu conhecimento de mundo. Hoje, a partir dos 4 anos de idade, todas as crianças brasileiras têm o direito de entrar na Educação Infantil, para receber educação formal e orientada. Na Educação Infantil o professor tem a importante tarefa de proporcionar para as crianças aprendizagens e experiências significativas, que venham a contribuir para o seu desenvolvimento como um todo, de maneira sadia e agradável. Dessa forma, o professor está sendo o mediador entre a criança e o meio. Engana-se quem pensa que o papel do professor é apenas ensinar. Ele também é um dos responsáveis por estimular atitudes de respeito. O professor ensina a criança a respeitar os demais colegas, a aguardar a sua vez na fila, a ser gentil com os outros, entre outras atitudes que, consequentemente, serão levadas para fora da escola e para a vida. O professor também tem o papel fundamental na construção da autoestima das crianças. Para que elas se sintam aceitas e capazes, ele as incentiva, elogia suas pequenas e grandes conquistas do dia a dia, estabelecendo, assim, um clima de respeito e confiança, fazendo com que as crianças se sintam seguras e amparadas. Os limites também são

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colocados pelo professor de maneira clara, firme e coerente, para que a criança, como indivíduo, aprenda que nem tudo gira em torno dela. Nem sempre é possível fazer o que se quer, na hora que se quer; o professor estabelece os limites, explicando sempre os motivos de maneira que a criança entenda os motivos e aprenda que é para o seu bem e proteção. A construção da autonomia também é incentivada pelo professor de forma simples, como: vestir-se sozinha, organizar e cuidar de seus materiais e dos ambientes, tanto para meninas e meninos, sem qualquer discriminação em relação às tarefas, para que cresçam sabendo dividir as tarefas de forma igualitária nas responsabilidades domésticas. As crianças aprendem com uma rapidez incrível e, nesse sentido, o professor precisa estudar, observar, correr atrás, para acompanhar e auxiliar esse percurso, identificando o que cada uma já sabe em cada um dos eixos, conforme orientam o Referencial Curricular Nacional, a Base Nacional Comum Curricular e os Planos de Estudos para Educação Infantil, organizando situações didáticas que assegurem a continuidade do processo de aprendizagem. Nas situações de aprendizagens, o papel do professor é fazer perguntas e, com isso, levantar questões para discussão, que orientem o exercício da análise e da organização do pensamento, sempre introduzindo ou refletindo sobre o assunto abordado, desencadeando atividades desafiadoras e agradáveis, em sala ou fora dela, em forma de projetos, trazendo materiais atraentes e fontes de aprendizagem significativas. Segundo Chalita (2001, p.12), “a educação não pode ser vista como um depósito de informações. Há muitas maneiras de transmitir o conhecimento, mas o ato de educar só pode ser feito com

Pedagogia |Especialização em Educação Infantil

Beatriz Maria Jung Stoffel Pedagogia | Especialização em Ludopedagogia e Literatura Infantil

Kelly Simome Silveira Corrêa Pedagogia | Orientação Educacional e Especialização em Gestão Escolar

afeto, esta ação só pode se concretizar com amor”. Diante do exposto, a escola é o segundo ambiente socializador em que a criança é inserida, cabendo ao professor ajudá-la a descobrir novos conhecimentos todos os dias, bem como desenvolver interações que impactem o seu modo de perceber o mundo. Nesse sentido, o professor é uma figura fundamental na vida das crianças, e aqueles que atuam na educação infantil são de suma importância para o desenvolvimento dos pequenos. No mais, o que as crianças precisam é de um olhar atento, afetuoso e de profissionais competentes e satisfeitos com sua escolha profissional.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: CHALITA, Gabriel. Educação: a solução está no afeto. São Paulo: Gente, 2001 REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL DA EDUCAÇÃO INFANTIL, 1998 BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR, 2017 Planos de Estudos da Educação Infantil da Rede Municipal de Dois Irmãos, 2012.


Cristiano Alberti

SEÇÃO

História | Especialização em Turismo e Hotelaria

ARTIGOS

Trabalhando igualdade de

I

gênero na escola

gualdade de gênero é um termo que se expressa por si só: é o conceito que define a busca da igualdade entre os membros dos dois gêneros, entre homem e mulher. Mais do que um simples conceito, é um direito humano, uma condição de justiça e igualdade social. Igualdade de gênero exige que numa sociedade todos os cidadãos usufruam das mesmas chances, sejam elas na educação, na carreira profissional e nas oportunidades de trabalho, no acesso à saúde e ao respeito da sociedade. É evidente que, mesmo nos dias atuais, a desigualdade ainda é enorme, no mundo, no Brasil e na região em que vivemos, e é aí que devemos interferir, iniciar na escola e na comunidade debates sobre o assunto. É próximo de nós que os préconceitos devem ser quebrados e novos conceitos construídos, para transformar a sociedade em uma sociedade igualitária. Essa mudança urge, e é na escola que há a possibilidade de debate, diálogo e reflexão, visto o que diz a educadora Kátia Puppo, em entrevista para a revista Pré Univesp: É tarefa da escola fazer com que alunos e alunas reflitam sobre seus sentimentos e emoções diante de conflitos interpessoais, desconstruindo preconceitos de gênero e contribuindo para a construção de novos modelos de relação entre homens e mulheres pautados em princípios de igualdade e justiça.

Levantar a bandeira da igualdade de gênero na escola é mais uma maneira de propor inclusão no sistema educacional. Os conceitos, os papéis e as relações de gênero são construídos com aprendizagem, um processo que se inicia desde a infância e dura a vida toda. Temos esse contato dentro de casa com a família, com amigos, com colegas e com instituições que possuem discursos ativos sobre o assunto. A escola não é a única, mas se torna muito importante devido ao tempo em que as crianças e

adolescentes passam nela, e justamente nessa fase é que o indivíduo pode (trans) formar suas opiniões, conceitos e caráter. O objetivo aqui é expor propostas de como é possível levantar essa bandeira, trabalhar essa causa dentro da escola com as crianças e, principalmente, os adolescentes. Temos à mão disponíveis diversas ferramentas e formas de abordarmos o assunto. Nenhuma das sugestões é regra ou engessada; cada uma pode ser modificada, utilizada de maneira diversa. O que se pretende é somente abrir um leque de ideias, para que a desigualdade de gênero seja minimizada no nosso ambiente e que isso possa contribuir para que seja eliminada. O assunto deve pautar debates em sala. Pode, sim, haver reflexão com o grupo e, quando possível, incentivar a participação dos alunos, abrindo espaços para perguntas e dúvidas, o que nos obriga simultaneamente a estarmos preparados. Ter contexto torna a abordagem um pouco mais fácil: explicar sobre o feminismo, pesquisar sobre a origem do Dia da Mulher, são maneiras de tornar mais natural a abordagem. Acabar com estereótipos, como os de que meninos são melhores que meninas em exatas ou raciocínio lógico; com os mais novos exemplificar que expressões sexistas de familiares ou alguns cuidadores, como “brincadeira de meninos” e “carrinho não é coisa de menina”, são equivocadas. Um trabalho a longo prazo trará uma nova consciência para todos e transformará a autoestima das meninas. Em disciplinas como Cidadania, Português, História, é possível fazer questionamentos em elementos que fazem parte do cotidiano dos alunos. Ler, interpretar e debater letras de músicas, vídeos de youtubers, filmes, programas de TV, séries; é enorme a variedade de conteúdo que se tem acesso hoje em dia. Trabalhando esses itens, o aluno é capaz de perceber a presença do machismo, do preconceito e da desigualdade no dia a dia. Pode-se também indicar para elaboração de fichas de leituras,

bibliografias femininas, de mulheres que contribuíram com a sociedade nas suas áreas de atuação e em momentos históricos. Uma exposição de fotos com essas mulheres, contando um pouco de sua trajetória, é uma ideia para a finalização da atividade. Atividades práticas contribuem para assimilação do tema, além de desenvolver competências e habilidades de escrita, leitura, comunicação, somadas a ferramentas digitais, integrando o ensino de todas as áreas e fortalecendo o ensino de direitos humanos. É interessante também contar com o apoio de psicólogo, seja para o atendimento de alguma criança que sofra com algo relacionado ao gênero, seja para eventuais palestras sobre o tema. Além de poder auxiliar os docentes que possuam dúvidas ou queiram melhorar a forma de abordagem com os alunos. Para o sociólogo francês Émile Durkheim (2003), a principal função do professor é formar cidadãos capazes de contribuir para a harmonia social. Para ele, “a educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta”. A igualdade de gênero, antes de ser trabalhada, precisa ser vivida, mostrada nos ambientes, e o ambiente escolar é totalmente apto a oferecer o convívio igual entre os gêneros. A escola é o local para que essa mudança seja encaminhada, para que a desigualdade diminua. É na escola que se amplia a visão de mundo, que se aprende, que se constrói conceitos e descontrói preconceitos. Discutir as relações de gêneros aproxima o aluno ao mundo real, à sociedade em que está inserido. Essa discussão pode torná-lo um cidadão melhor, que pode visualizar o mundo mais igualitário e contribuir nesse processo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: DISCUSSÕES DE GÊNERO E O AMBIENTE ESCOLAR. Revista Pré Univesp. Disponível em: http://pre.univesp.br/ genero-e-o-ambiente-escolar#.WvsRTIgvyM9. Acesso em 15/05/2018. GRANDES PENSADORES. Revista Nova Escola. Abril. Ed.166. São Paulo, 2003.

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Olinda Elisandra Silveira da Silva

SEÇÃO

Computação; Psicologia (em andamento) Especializações em Mídias na Educação; Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica

ARTIGOS

Menos touch, mais toques!

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ivemos em constante transformação; não terminamos o dia igual ao início dele, existe um acúmulo de informação que independe da nossa vontade. Somos fruto da nossa experiência, do encontro com o outro; mas o que se percebe nesse “mundo da tecnologia” é que temos deixado muitas coisas importantes para trás; damos valor demasiado ao supérfluo e desvalorizamos o essencial. No dito mundo “moderno”, as pessoas não se olham, não se falam mais. Aquele “Vamos tomar um café?” fica apenas na teoria, sendo deixado para depois, porque temos prioridades, tais como terminar a tarefa de trabalho, entregar o trabalho da faculdade, estudar para a prova... Dispensamos pessoas e priorizamos coisas. É inaceitável que o mundo moderno deixe para trás o que não deve ser deixado, o que não sai de moda nunca: o respeito com o outro, o amor sincero, o cuidado e o toque acolhedor, porque esses valores são intrínsecos ao ser humano. Steve Jobs, fundador da marca “Apple” – empresa mais valiosa do mundo da tecnologia –, afirmava constantemente em suas palestras: “A tecnologia move o mundo”. Apesar de curta, a frase apresenta de modo explícito sua intenção: para continuarmos evoluindo, precisamos da tecnologia; caso contrário, temos como destino a estagnação. Os dispositivos e equipamentos são essenciais para sobrevivermos neste modelo de sociedade em que vivemos hoje, onde o virtual está cada dia mais evidente. No entanto, é preciso limitar a interação entre estes dois mundos – o real e o virtual –, para que, acima de tudo, possamos respeitar a natureza humana, tal como as relações interpessoais. O mundo – aparentemente – levou a sério a frase de Steve, oportunidade a partir da qual empresas passaram a trabalhar incansavelmente em busca de novas ideias, novas atualizações e

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novos visuais. Nesse ritmo, em um ano, diversos novos aparelhos surgem, um prometendo ser melhor que o outro, mais eficaz que o outro, gerando um ciclo interminável de consumismo, em que a prioridade passou a ser o bem material. É como se a tecnologia estivesse, aos poucos, substituindo o relacionamento entre as pessoas, o que já é notável nos dias atuais; como se o aparelho já viesse acoplado ao ser humano, fizesse parte da vida de todo indivíduo. O mercado tecnológico acabou proporcionando, também, certas ilusões na vida dos cidadãos, como comerciais

obtendo curtidas e comentários. Outra ferramenta, talvez a mais utilizada por todos, é o “WhatsApp”, plataforma em que mensagens são trocadas entre contatos, podendo realizar chamadas de vídeo, envio de fotos, ou até mesmo áudio. O problema dessa interação via redes, é que raramente o contato sai da área virtual e migra para a física, muitas vezes por ser mais prática e cômoda do que sair com os amigos e conversar sobre como anda a vida. Embora as redes facilitem a interação, elas não substituem o mundo real, onde a vida de fato acontece.

que apresentam pessoas superrealizadas e completas ao adquirirem um lançamento, como se a felicidade estivesse diretamente ligada a um meio tecnológico. O problema dessa mudança de valores encontra-se cada vez mais evidente em nossa sociedade atual, onde, em um ambiente de pessoas conhecidas, diversas vezes, todos estão mexendo no aparelho celular, em um momento que deveria ser de lazer, interação, descontração e contato – itens que um celular não pode fornecer tão bem quanto um amigo, um familiar. Outra ilusão, talvez a mais prejudicial, é o falso contato. O mundo virtual apresenta redes sociais, como por exemplo, o “Instagram”, ferramenta onde usuários podem postar fotos e vídeos para seus seguidores,

Assim, é preciso reestabelecer os laços, muitas vezes, enfraquecidos, devido ao excesso de informação, vivenciando o presente, trocando o vicioso “touch” pelo caloroso toque. Creio que Steve Jobs não estava sendo “humano” ao dizer que a tecnologia movia o mundo; estava sendo empresário. Por isso, como mera humana, prefiro finalizar citando Stephen Covey: “A tecnologia vai reinventar o negócio, mas as relações humanas continuarão a ser a chave para o sucesso”. Quem move o mundo não é a tecnologia, é a humanidade.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2011/10/confirafrases-marcantes-do-co-fundador-da-apple-steve-jobs. html acesso em 26 maio 2018. https://www.pensador.com/frase/MTUzNDc2Mg/ acesso em 26 maio 2018.


Tanise da Costa Pereira Fontana

SEÇÃO

Pedagogia | Especialização em Neuropsicopedagogia e Educação Especial Inclusiva

ARTIGOS

A importância da natureza na Educação Infantil

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esquisas mostram que a criança aprende muito mais nos seus primeiros anos de vida do que em qualquer outro momento. Essas aprendizagens perpassam a escolarização e entram nos méritos da formação de hábitos, atitudes, valores e o desenvolvimento de habilidades de pensamento e relacionamento. Assim, conviver torna-se uma habilidade quando existe a solução de conflitos, a aceitação do querer do outro e as diferentes formas de agir e pensar, tão essenciais para a vida adulta. Na Educação Infantil, o trabalho do educador deve ser conduzido pelas brincadeiras e interações, mantendo o foco na experimentação, ou seja, a criança deve ser a protagonista de suas ações. Crianças são cidadãs de direito e a percepção de seus anseios equivale ao cumprimento do preceito de democracia. Assim, a tarefa prioritária deve ser a escuta e a identificação das muitas competências de cada um, sendo atendidas e observadas em sua singularidade. Nesse sentido, a dimensão ambiental mostra-se essencial para o desenvolvimento infantil, criando condições favoráveis para que as crianças cresçam em contato com a natureza. Algumas chegam às escolas de educação infantil aos quatro meses de idade e saem aos cinco anos, passando a maior parte dos seus dias nesses espaços. Precisamos saber que crianças são seres da natureza. E, se somente brincam sobre o cimento, na grama sintética, com brinquedos comprados, de plástico ou borracha, ou então raramente veem o que se passa do lado de fora de suas salas, já que as janelas não foram pensadas para sua clientela e sim para o adulto, estão sujeitas a sérias consequências para a vida adulta, além de terem sido privadas do direito de experimentar o mundo. Precisamos oportunizar o contato com o mundo

real, que está além e fora das salas de aula. O mundo natural, além de cenário para as brincadeiras infantis, deve ser entendido como lugar fundamental para a constituição humana. No documento “Critérios para um Atendimento em Creches que Respeite os Direitos Fundamentais das Crianças”, Maria Malta Campos aponta que nossas crianças têm direito ao contato com a natureza através de plantas e canteiros em espaços disponíveis; direito ao sol, brincar com água, areia, argila, pedrinhas, gravetos e elementos da natureza; direito a passear ao ar livre. Assim, aprendem a observar, amar e preservar a natureza. Proporcionar ambientes ricos em elementos da natureza, como pátios, áreas verdes, praças, parques e espaços livres e abertos para o brincar, traz qualidade de vida, a ponto de promover a saúde física e mental, além do desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais, motoras e emocionais. De acordo com a psicóloga Mariana Plata, em artigo para o blog PsychCentral, “um estudo recente apresentado na Conferência e Exposição Nacional de Pediatria em Chicago mostrou que os estudantes se beneficiam de espaços verdes nas escolas. O estudo relata que os níveis de estresse diminuíram e a atividade física aumentou.” Precisamos mediar esse contato das crianças e exercer a observação dos fatos, para entender a complexidade do processo de aprendizagem que ocorre nesses espaços. Quando disponibilizamos materiais com diferentes texturas e elementos para as crianças, temos em nossas mãos uma riqueza incomparável. Pedaços de madeira possuem cheiros, cores, texturas e pesos diferentes. A criança começa a perceber o mundo de outras formas, nesse caso, de maneira sensorial. Utensílios de cozinha e ferramentas trazem a imitação do mundo real. Mais

área livre, mais movimentação, o que pode aperfeiçoar equilíbrio e outras funções motoras, e de forma espacial, a criança perceberá que a natureza é maior que sua casa e terá a necessidade e vontade de explorar o espaço. Terra, areia, água, barro trazem a bagagem do que é natural, e as vivências reais estimulam para novas descobertas, feitas pelas próprias crianças, e abrem campo para o educador mediar a aprendizagem. Podese criar também a noção do cuidado com o meio ambiente, educação ambiental inserida na rotina da criança, tornando isso um hábito, e não uma obrigação. Surge daí a consciência da importância da preservação da natureza. Sendo assim, cabe a nós, educadores, refletir sobre o que nossas crianças têm experimentado em casa e o que lhes é proporcionado na escola. Se em casa possuem uma infinidade de equipamentos tecnológicos a sua disposição, o que lhes falta é a interação com a natureza e ambientes estimuladores de descobertas, essenciais para o desenvolvimento, dentre infinitas habilidades, da criatividade. Precisamos vê-los como seres da natureza e com uma curiosidade imensa para o que lhe é nato. Afinal, quem nunca presenciou a cena de uma criança pequena se interessar mais pela embalagem do que pelo brinquedo comprado? A natureza nos proporciona uma infinidade de material pedagógico, rico e inexplorado, para que possamos construir saberes juntamente com as crianças.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: CAMPOS, M. M.; ROSEMBERG, F. Critérios para um atendimento em creches que respeite os direitos fundamentais das crianças. Brasília: MEC/ SEB, 2009. PLATA, Mariana. 3 Skills Children Learn When Exposed to Outdoor Play. Disponível em: https://blogs.psychcentral. com/play/2017/09/3-skills-children-learn-when-exposedto-outdoor-play/ Acesso em: 21/05/2018.

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Adriana Strasburger Trierweiler

SEÇÃO

Pedagogia | Especializações em Psicopedagogia Clinica e Institucional e em Terapia Familiar Sistêmica

ARTIGOS

Modelações familiares e desafios às figuras parentais

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os meios de comunicação, em palestras, discursos, conversas informais e em outras tantas situações do cotidiano, tenho escutado o chavão “... as famílias estão desestruturadas”. O que seria uma família desestruturada? Uma família com configuração diferente da nuclear? Ou uma família desestruturada seria uma família disfuncional? Parece-me que em nossa sociedade se acredita que o modelo de família nuclear composto por pai, mãe e filhos seja a configuração ideal. A família nuclear está sendo mais valorizada e idealizada, pois representa um refúgio diante da falta de um modelo a ser seguido para os novos tempos. Qual seria o modelo ideal? Proponho que façamos algumas reflexões para encontrarmos possíveis respostas. Iniciemos considerando que todos os seres humanos buscam felicidade e que uma das premissas para o alcance de momentos de felicidade está na qualidade das relações afetivas estabelecidas com a nossa família. Possivelmente, devido a essa premissa, o tema família tem sido alvo de estudos e discussões continuamente. Atualmente encontramos múltiplas configurações familiares. Passamos a ter casas em que convivem pais e padrastos com filhos e irmãos vindos de outros casamentos; tios ou avós exercendo papéis de pais; e assim por diante. A forma de distribuição do poder se tornou mais igualitária entre homem e mulher, como também entre pais e filhos. Isso significa que podem haver muitas famílias estruturadas de modos diferentes. Significa que uma estrutura familiar diferente pode ser funcional e saudável, ou não. Famílias funcionais promovem mútua assistência, harmonia e afinidade entre seus membros. Todas as famílias

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apresentam problemas, mas as que funcionam bem são aquelas capazes de utilizar adequadamente os seus recursos de comunicação (verbal e não-verbal) e de estimular a expressão do afeto (tanto amoroso quanto crítico) de forma a identificar, elaborar e dar resolução aos problemas, contando com a participação dos seus membros. O importante é que em cada família não haja inversão de papéis entre seus integrantes. Adultos devem exercer os papéis que são esperados que eles desempenhem. A definição de horários, por exemplo, é estabelecida pelo adulto, e não pela criança. Aqueles que ocupam as funções de pai e mãe, indiferente do grau de parentesco que mantenham com as crianças ou adolescentes que lhes cabe educar, estão socialmente autorizados a chefiá-los e comandá-los. Essa colocação se justifica na percepção de que a estrutura da família está passando por alterações e a imposição de limites tem sido um dos grandes problemas enfrentados na criação e educação dos filhos. Um filho não amará mais o pai ou a mãe porque este lhe dá total liberdade ou porque pode fazer o que quiser. A autoridade, quando exercida com equilíbrio pelos pais, transmite para os filhos segurança e proteção para a vida, e torna-se uma demonstração de amor e afeto. Em qualquer idade a liberdade de escolha é importante para a tomada de decisões e o amadurecimento. No entanto, até a fase adulta, a criança e o adolescente precisam de orientação, pois muitas vezes ainda não têm condições de avaliar sozinhos o que é melhor ou pior para si próprios. Em cada nova etapa do desenvolvimento dos filhos há um novo desafio para a flexibilidade dos pais, pois deles são exigidas mudanças

de padrões de conduta e novos modos de atender aos filhos em suas novas necessidades. Não é tarefa fácil. É preciso aprender a adaptar-se a cada faixa etária pelas quais eles transitam ao longo de seu crescimento. Quando pequenos precisam do olhar e presença física dos adultos muito próximos a eles; já na adolescência precisam mais do olhar do que da presença física. Quando adolescentes, faz-se necessário saber com quem se relacionam, como ocupam seu tempo, sobre seus desejos e suas dificuldades, jamais abandonando o olhar sobre eles. Aos pais caberá assumir a responsabilidade de cuidar e educar, correndo riscos de errar. É inevitável. Quando os pais se apropriam do compromisso de educar, dizem sim para a paternidade e para a maternidade, apropriando-se desse lugar com seus ônus e bônus. Não existem famílias perfeitas, nem pais perfeitos, nem filhos perfeitos. Educando, convive-se com muitos erros e muitos acertos. O importante é dar exemplos certos, o que só se consegue educando com responsabilidade e amor. Eis o que é necessário para que a família contemporânea possa transmitir parâmetros éticos para as novas gerações. (*Uma versão desse texto foi publicada pela autora na Revista Novo Olhar)

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: CARTER, Betty; McGOLDRICK, Monica & colaboradores). As mudanças no ciclo de vida familiar. Porto Alegre: Artmed, 2001. MINUCHIN, Salvador & NICHOLS, Michael P. A Cura da Família. Porto Alegre: Artmed, 2002. MINUCHIN, Salvador & FISHMAN, H. Charles. Técnicas de Terapia Familiar. Porto Alegre: Artmed, 2003. NICHOLS, Michael P. & SCHWARTZ, Richard C. Terapia Familiar: Conceitos e Métodos. Porto Alegre: Artmed, 2007.


Ana Cristina Wiest

SEÇÃO

Letras Português/Alemão | Especialização em Metodologia em Anos Iniciais e Educação Infantil

ARTIGOS

Warum Deutsch lernen? Por que aprender Alemão?

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ue aprender uma língua estrangeira é importante e traz muitos benefícios, isto todos sabemos. E que o inglês nos dias de hoje se tornou essencial, também. Porém, a consciência de se aprender uma segunda língua como o alemão cresce a cada dia no país e no mundo. Atualmente, a EMEF Prof. Arno Nienow é a única escola da rede que oferece a Língua Alemã em seu currículo e o faz há 15 anos. Assumi as turmas de 1º ao 9º ano em julho de 2017, quando ingressei na escola, e desde então me proponho, além de ensinar a ouvir, falar, ler e escrever em alemão, a mostrar aos alunos e à comunidade escolar, a importância dessa língua estrangeira moderna e suas possibilidades. No mês de abril, estivemos envolvidos com a III Semana da Língua Alemã no Brasil e com uma programação especial para os estudantes, despertando o interesse pela língua e cultura. Muitos alunos têm sobrenome alemão, muitas famílias preservam esse nosso dialeto, herança deixada a partir da colonização alemã na nossa região, cuja chegada é comemorada em nossa cidade desde a origem até os dias de hoje com uma estimada festa: o Kerb de São Miguel. Mas, será que é por isto que se mantém o ensino de Alemão na escola? Notemos alguns dados extraídos do site do Instituto Goethe: A Alemanha é a maior economia da União Europeia e a terceira economia do mundo. O país é uma das três maiores nações exportadoras e importadoras do mundo e sedia inúmeros empreendimentos internacionais. No Brasil, por sua vez, encontramos um grande número de empresas alemãs: há cerca de 1.200 empresas de capital alemão, entre as quais nomes muito conhecidos. O alemão é um dos idiomas mais significativos do mundo, está entre as dez mais faladas como primeira ou segunda

língua de aproximadamente 155 milhões de pessoas. Além de ser uma das principais línguas na ciência, pesquisa e tecnologia, no âmbito da cultura (filosofia, literatura, música e arte). Alemão é a língua de Goethe, Kafka, Kant, Hegel, Nietzsche, Mozart, Beethoven, Lutero, Marx, Freud e Einstein. 18% de todos os livros publicados no mundo estão escritos em alemão. A Alemanha está no centro da Europa e, hoje, mais de 100 milhões de pessoas se comunicam em língua alemã. O alemão também é a língua oficial de outros países da União Europeia, como Áustria, parte da Suíça, Principado de Liechtenstein, Luxemburgo, Bélgica (região da Valônia) e Itália (Tirol Meridional). Um entre três europeus fala alemão como língua materna ou estrangeira. Além disso, aproximadamente 17 milhões de pessoas estudam a língua alemã atualmente. No Brasil, calcula-se que cinco milhões de pessoas tenham origem alemã; 1,5 milhão fala alemão (Censo de 2000). No momento, mais de 135 mil brasileiros aprendem alemão. Conhecimentos do idioma alemão representam uma grande vantagem em áreas de trabalho relacionadas ao turismo, ao setor de gastronomia e serviços ou tráfego aéreo. Nos últimos anos, a Alemanha recebeu 156.272 brasileiros; no mesmo período, 257.719 alemães vieram ao Brasil. A Alemanha é o sexto principal mercado emissor de turistas para o Brasil e campeão mundial em viagens ao exterior. Pesquisas comprovam que os falantes de dialetos alemães como Hunsrückisch, Plattdeutsch, Pommeranisch, dentre as dezenas de dialetos existentes na Alemanha, encontram maior facilidade na aprendizagem do alemão padrão (Hochdeutsch), isto é, a língua oficial da Alemanha e outros países já citados. Considerando que a Língua Alemã nos remete às origens de nossa cidade, seja por nossos antepassados, seja pelos imigrantes que construíram a cidade

onde escolhemos para morar e/ou trabalhar e estudar, há um sentido ainda maior para valorizarmos o ensino deste idioma, que não nos soa tão estrangeiro assim. Há escolas particulares no Vale do Sinos e na Grande Porto Alegre, onde o ensino da Língua Alemã inicia já na educação infantil; por se tratar de uma língua mais complexa, facilita o aprendizado de outras línguas estrangeiras. Para o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein, “Die Grenzen deiner Sprache, sind die Grenzen deiner Welt” (as fronteiras da tua língua são as fronteiras do teu mundo). Um mundo novo a ser descoberto, segundo o escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe: “Wer eine neue Sprache lernt, lernt eine neue Welt kennen” (Quem aprende uma nova língua, conhece um novo mundo). Oferecer a língua alemã como primeira ou segunda língua estrangeira, é promover um frutífero diálogo entre História, Educação e Futuro. É resgatar e valorizar a identidade cultural existente no nosso lugar, no nosso território, e ao mesmo tempo investir em um diferencial aos nossos alunos. “Não existe pensamento sem palavra, não há palavra sem referente. A cultura é o referente da língua e vice-versa. Elas se influenciam mutuamente.” (GOLLMANN, 2004, P. 92) No entanto, é importante intuirmos a Língua Alemã além do contexto “colonização e descendência alemã”, mas valer-se deste fator como grande vantagem no aprendizado do idioma que é um diferencial fora de nossas colônias e – por que não – dentro delas atrair visitantes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: GOLLMANN, Adriana Cristina. A Nacionalização e suas consequências no ensino de Língua Alemã no Brasil. São Leopoldo, Unisinos, 2004. GOETHE INSTITUT https://www.goethe.de/de/spr/wdl. html Acesso em Maio 2018.

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Graziele Oliveira Martins

SEÇÃO

Pedagogia | Especialização em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas à Educação Esp. em Neuropsicopedagogia Clínica (em andamento)

ARTIGOS

Transtorno do espetro autista: é preciso conhecer para compreender

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transtorno do espectro autista (TEA) já teve diferentes nomenclaturas. O nome atual é o resultado da evolução de estudos e categorizações ao longo do tempo, em diferentes documentos. Dois documentos principais são utilizados aqui no Brasil, o CID 10 (OMS, 1993) e o DSM-5 (APA, 2014). Estes manuais de diagnósticos apresentam tentativas de atender às necessidades científicas de pesquisa e de diagnóstico clínico. De acordo com o DSM-5 (2014, p. 53), o transtorno do espectro autista engloba transtornos antes chamados de autismo infantil precoce, autismo infantil, autismo de Kanner, autismo de alto funcionamento, autismo atípico, transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação, transtorno desintegrativo da infância e transtorno de Asperger.

Atualmente o DSM-5 classifica o TEA como um transtorno do neurodesenvolvimento. “Os transtornos do neurodesenvolvimento são um grupo de condições que se inicia no período do desenvolvimento. Podem ser percebidos muito cedo, pois em geral manifestam-se antes de a criança ingressar na escola (...)” (APA, 2014, p. 31). Os prejuízos podem ser específicos da aprendizagem ou no controle das funções executivas, como também podem ser globais, como é o caso do prejuízo nas habilidades sociais ou inteligência. O transtorno do espectro autista caracteriza-se essencialmente por prejuízos persistentes na comunicação, na interação e na imaginação social, o que muitos autores chamam de tríade do TEA. Em relação à comunicação social, está o fato de muitas vezes as

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pessoas com TEA não utilizarem ou não compreenderem a linguagem verbal ou não verbal, como gestos, expressões faciais e tom de voz. No que se refere à interação social, suas dificuldades estão em reconhecer e compreender os sentimentos de outras pessoas, bem como saber lidar com os seus próprios. E a imaginação social é afetada pelo fato de não conseguirem compreender e prever as intenções e o comportamento das outras pessoas e de imaginar situações fora de sua rotina (Kirst, 2014). Associadas a essas características, o diagnóstico do TEA requer a presença de padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesse ou atividades (APA, 2014. p. 53). Esses sintomas estão presentes desde o início da infância e limitam ou prejudicam sua rotina diária. No entanto, por se tratar de um espectro, apesar de as pessoas com TEA terem certas características em comum, sua condição vai afetálas de maneiras diferentes. Algumas conseguirão ter uma vida relativamente independente, enquanto outras, por possuírem um grau severo (Nível 3), necessitarão de auxílio por toda a vida (APA, 2014, p. 52). Além das características apresentadas acima, as pessoas com TEA podem desenvolver apego às rotinas, sensibilidade sensorial, interesses específicos, e apresentar outras condições associadas, como transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou, ainda, dificuldades de aprendizagem, como a dislexia ou dispraxia. Segundo Kirst (2014, p. 8), “ter um TEA não afeta a aparência física de uma pessoa. Os indícios de que uma pessoa tem essa síndrome se revelam num padrão de comportamento que exige cuidadosa observação”. É por isso que, mesmo sendo recomendado que o

diagnóstico seja feito até os três anos de idade, muitas vezes ele só é percebido quando a criança ingressa na escola, pois as questões sociais ficam mais evidentes. A causa exata do TEA ainda está sendo investigada. Existem pesquisas que apontam para fatores de risco, como idade parental avançada, baixo peso ao nascer ou exposição fetal a ácido valproico. Existe também a probabilidade de herança genética. O fato é que o TEA é muito mais comum do que se imagina. De acordo com Kirst (2015), há mais de 2 milhões de pessoas com TEA no Brasil. Um fator relevante está associado ao gênero, pois o transtorno é diagnosticado quatro vezes mais frequentemente no sexo masculino do que no feminino (APA, 2014). O transtorno do espectro autista é uma condição que dura a vida toda e afeta diretamente todas as pessoas ao seu redor. Até o momento, não se descobriu a “cura” para esse transtorno, embora estejam sendo feitas pesquisas para que se possa avançar nessa possibilidade. No entanto, há inúmeras intervenções que podem ser realizadas precocemente, para possibilitar a aprendizagem e o desenvolvimento desse sujeito, a fim de se ter uma melhor qualidade de vida.

PALAVRA DE EDUCADOR - SEMEC DOIS IRMÃOS - JULHO/2018

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-V-TR – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Trad. Maria Inês Corrêa Nascimento. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. KIRST, Nelson. Autismo: um guia para a equipe escolar. São Leopoldo: Oikos, 2014. (Cadernos Pandorga de Autismo, 5) KIRST, Nelson. O que é autismo e como reconhecê-lo. São Leopoldo: Oikos, 2015. (Cadernos Pandorga de Autismo, 6) ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Classificação dos Transtornos Mentais e de Comportamento da CID 10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.


Alcy Cheuiche

SEÇÃO

Escritor Futuro Patrono da Feira do Livro de Dois Irmãos

INTEGRADA

O véu diáfano da fantasia

S

ão tênues os limites entre a realidade e a ficção. De tal forma, que os fatos reais podem ser mais fantásticos do que a imaginação do escritor. Ou, como ocorre com frequência, que o ficcionista, buscando a verossimilhança, puxe demais as rédeas do cavalo da fantasia. Em palestra realizada sobre o livro “O Nome da Rosa”, seu romance histórico transposto para o cinema por Jean-Jacques Annaud (onde brilhou Sean Connery), Umberto Eco divertese, afirmando: “Sempre que os críticos apontaram trechos do meu livro como frutos da imaginação, eu lhes mostrei as fontes históricas de onde os retirei. Ao contrário, quando deixei minha imaginação fluir, eles nem se deram conta.” Atualmente, depois de muitos anos lendo e escrevendo romances históricos, costumo classificá-los (para meu uso e dos meus alunos de oficina) em duas categorias distintas: aqueles em que os personagens principais são totalmente históricos e aqueles em que não o são. Exemplos: Em “O Mestiço de São Borja”, que já foi considerado o primeiro romance ecológico do Brasil, editado pela primeira vez em 1980, todos os personagens que formam o fio condutor são fictícios. Porém, o ambiente em que vivem e as ações de que fazem parte são reais. O Tenente Otto Winterfeldt, inspirado no Tenente Alcy Vargas Cheuiche, meu pai, participa da Revolução de 1930, cujos fatos narrados no início do livro são totalmente históricos. Até porque tive longas conversas com meu pai para entender o que o levou a aderir ao levante armado, arriscando sua vida e sua carreira militar. Se fiz o personagem filho de alemães, foi para valorizar essa etnia e provocar seu conflito íntimo no capítulo em que, no ano de 1944, luta contra os alemães na tomada do Monte Castelo. Já seu filho adotivo Oswaldo (o personagem principal da narrativa), tem sangue de índio, negro e branco,

exatamente para demonstrar (como diz Cristovam Buarque em recente artigo no CorreioBrasiliense) que a educação é a única forma de integrar as legiões de marginalizados e desenvolver economicamente o Brasil. Ainda nesse livro, o capítulo sobre o suicídio de Getúlio Vargas, fruto da pesquisa em que muito colaborou seu ajudante de ordens, Major Ernâni Fittipaldi, foi submetido, antes da publicação do livro, a Sra. Alzira Vargas do Amaral Peixoto, que o considerou sem nenhum erro histórico. Já em “Nos céus de Paris – O romance da vida de Santos Dumont”, cuja primeira edição é de 1998, todos os personagens do livro são reais. E tomei essa decisão porque de fantasia já basta o que nos contam sobre os irmãos Wright, que só voaram em público, em 1908, dois anos depois do 14-Bis. E que, num verdadeiro estelionato histórico, são considerados em quase todo o mundo como os pioneiros da aviação. Nesse livro, tudo o que Santos Dumont diz é verdadeiro, pois adaptei os diálogos de entrevistas dadas por ele para a imprensa europeia e brasileira, em particular para o jornal “Le Matin”, de Paris, onde pesquisei diretamente nas fontes. Quando narro, por exemplo, o voo em balão dirigível da cubana Aída de Acosta, o grande amor da sua vida, todos os detalhes (que parecem invenção minha) podem ser encontrados em reportagem daquele jornal, datada de 29 de junho de 1903. Quanto ao Restaurante Maxim’s, que serve de palco a um importante capítulo, a imprensa parisiense relatava “que é o lugar mais fácil de encontrar à noite o brasileiro-voador, seguramente com uma mulher bonita ao lado”. Erico Verissimo utiliza personagens principais de ficção na trilogia “O Tempo e o Vento”, mas todos os fatos históricos narrados são reais. Ao ponto que “O Continente”, na minha opinião, é o livro mais didático sobre a formação do Rio Grande do Sul até hoje escrito. Basta lembrar a simbologia de Ana Terra e

Pedro Missioneiro, miscigenação original da formação étnica rio-grandense. E falando de mestres do romance histórico, embora Jean Valjean e os demais personagens principais de “Os Miseráveis” sejam criação da fantasia de Victor Hugo, sua pesquisa foi tão perfeita que o Exército Francês considera a descrição que faz da Batalha de Waterloo como a mais correta de todas as narrativas históricas sobre ela escritas. E isso porque também se aconselhou com seu pai, o General Léopold Hugo, que serviu sob as ordens de Napoleão Bonaparte. Falsidades históricas não fazem parte de narrativas de outros mestres do gênero, como Marguerite Yourcenar, a autora do monumental “As memórias de Adriano”. Em suas próprias palavras: “o romance histórico é a única maneira de atingir, numa obra escrita, o humano e o universal”. Cecília Meireles, falando do seu processo criativo no “Romanceiro da Inconfidência”, afirma: “Nesse ponto descobre-se a distância que separa o registro histórico da investigação poética: o primeiro fixa determinadas verdades que servem à explicação dos fatos; a segunda, porém, anima essas verdades de uma forma emocional que não apenas comunica fatos, mas obriga o leitor a participar intensamente deles...” Finalmente, vamos à gênese do título deste artigo que se propõe a elucidar alguns aspectos da ficção e da História em tempos de pós-verdade. Segundo Eça de Queiroz, que fazia questão de escrever para os leitores e não para os críticos literários, a narrativa romanceada coloca sobre a verdade crua dos fatos “o véu diáfano da fantasia”. Mas sempre tão diáfano, em nossa opinião, que não esconda a verdade que aprendemos com o árduo trabalho dos historiadores. Isso porque, para quem escreve com seriedade, jamais os fatos objetivos podem ser maculados por crenças ou descrenças pessoais.

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SEÇÃO

INTEGRADA

Dois Irmãos recebe Prêmio Nacional de Boas Práticas da Agricultura Familiar para a Alimentação Escolar

D

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ois Irmãos/RS possui 30.472

cortes. Durante alguns anos, apareceu

objetivo do projeto é oferecer aos

habitantes, conforme IBGE.

o mesmo proponente nos processos

alunos uma alimentação com mais

De acordo com o censo

licitatórios. Muitas vezes, o mesmo era

qualidade e gerir recursos financeiros

escolar, a rede pública de

advertido em virtudes de problemas

para a economia local. O projeto

ensino possui 2.781 alunos. O município

com a qualidade do produto. Devido

contou com o apoio da Secretaria

possui 3 Escolas de Ensino Infantil,

às reclamações advindas das escolas

de Educação, Cultura e Desporto, da

9 Escolas de Ensino Fundamental

sobre as carnes entregues, a falta de

Secretaria da Agricultura, Indústria,

e o Centro Integrado de Educação

fornecedores interessados em participar

Comércio e Turismo, do Conselho de

Complementar das Escolas Municipais

das licitações e o alto custo pago pelo

Alimentação Escolar, do Conselho da

de Dois Irmãos – Projeto Global,

produto, o Conselho de Alimentação

Agricultura Familiar, do Frigorífico

contraturno que possui 350 alunos.

Escolar iniciou discussões sobre o

Regional,

Após a descentralização da gestão da

assunto. Através das conversas, foi

Sindicato dos Trabalhadores Rurais e

alimentação escolar para o município,

idealizada a possibilidade de comprar o

da EMATER/RS – ASCAR. O projeto

iniciaram discussões sobre a qualidade

animal vivo para o abate de produtores

começou a ser discutido no ano de dois

dos alimentos em virtude da baixa

rurais do município, que utilizariam

mil e sete no Conselho de Alimentação

aceitabilidade e aproveitamento dos

um serviço de abate inspecionado e

Escolar. Em dois mil e nove, o

gêneros adquiridos. Havia limitações

entregariam a carcaça num ponto de

Conselho formulou uma Proposta de

do processo licitatório que favoreciam

manipulação para desossa e distribuição

Aquisição de carnes para a Alimentação

apenas mercados varejistas e atacadistas

nas escolas. Cabe destacar, que o

Escolar Direto do Agricultor Local e

nem sempre comprometidos com

município é responsável pela gestão

apresentou para a gestão municipal,

a qualidade dos produtos. Antes de

da sala de manipulação e o pagamento

que aprovou a proposta. Com a

incluir a carne de gado na chamada

para o agricultor ocorre após o abate

aprovação, organizou-se a logística

pública, a compra era realizada por

conforme rendimento de carcaça. O

para a execução do programa e em dois

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do

Projeto

Global,

do


Ana Paula Buchaim Gassen Nutricionista da Alimentação Escolar de Dois Irmãos | Especialização em Qualidade de Alimentos

Fabiane Möller Borges Nutricionista da Alimentação Escolar de Dois Irmãos | Residência na Coordenação Estadual da ESF/ RS pela Escola de Saúde Pública do Estado do Rio Grande do Sul | Residência em Saúde da Família e Comunidade pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC)

mil e dez o projeto foi implantado. A

a ser fornecida pelos agricultores, a

de

sala de manipulação foi adaptada no

qualidade melhorou. A carne chega

(FNDE) que será descrito a seguir.

Projeto Global. O serviço é realizado

fresca, sem gordura e é bem aceita

Em março de 2017, o FNDE lançou o

semanalmente por um açougueiro

pelos alunos. A efetivação da compra

Concurso Boas Práticas de Agricultura

que é contratado pela prefeitura. O

de alimentos para o Programa de

Familiar para a Alimentação Escolar:

fluxograma realizado é o seguinte:

agricultores proporcionou mudanças

Criatividade e Inovação na Aplicação

Produtor rural transporta o animal

nas práticas alimentares. Nessa questão,

da Lei nº 11.947/2009. Havia oito

vivo para o frigorífico para abate;

o depoimento das merendeiras não

categorias para inscrição dos relatos de

Através do transporte refrigerado, o

deixa dúvidas, já que elas atestaram

experiência, Dois Irmãos foi inscrito na

frigorífico entrega as carcaças na sala de

melhor

determinando

categoria Abastecimento e logística

manipulação; Após as carcaças na sala

maior aceitação e consumo por parte

de distribuição. Em agosto de 2017, o

de manipulação serem desossadas, é

dos alunos. Além dos apontamentos

resultado foi divulgado e Dois Irmãos

realizado transporte em caixas térmicas

realizados pelas merendeiras, é possível

foi um dos vinte e cinco municípios

para as escolas. Algumas merendeiras

destacar

benefícios:

do país selecionados com o relato

da rede pública acompanharam a

Organização e inclusão da agricultura

sobre a Aquisição de Carne de Gado da

transição do processo de aquisição da

familiar; Erradicação da brucelose e

Agricultura Familiar para o Programa

carne de gado, por isso é imprescindível

tuberculose bovina através de inspeção

Nacional da Alimentação Escolar. O

compartilhar

os

seguintes

da

Educação

percepção

delas.

municipal; Melhora da aceitabilidade da

Prêmio trouxe mais reconhecimento

relatam

que,

alimentação escolar e Reconhecimento

para a Alimentação Escolar municipal

era

da comunidade escolar da qualidade

e a certeza de que, apesar dos desafios,

inadequado, os cortes possuíam muita

do

é

gordura e a carne era de péssima

foi

qualidade. Desde que a carne começou

promovido

As

a

qualidade,

Desenvolvimento

merendeiras

anteriormente,

o

transporte

Programa. premiado pelo

O

projeto

citado

valido

e

legítimo

o

caminho

num

concurso

traçado para a execução do PNAE no

Fundo

Nacional

município.

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SEÇÃO

INTEGRADA

Dois Irmãos recebe 1º Prêmio Nacional de Educação Ambiental em Ação!

D

ois Irmãos ficou entre os 20 melhores projetos de Educação Ambiental do Brasil, cujo concurso foi promovido pela Revista Educação Ambiental em Ação (www.revistaea.org), no final do ano 2017, em comemoração aos 15 anos da revista virtual. O interesse em inscrever o projeto e relatar as experiências de Dois Irmãos, surgiu, principalmente, pelo fato do concurso “não se tratar de uma competição, mas sim, de uma oportunidade para dar visibilidade às práticas de Educação Ambiental, que sejam bem sucedidas, bem fundamentadas, que apresentam resultados significativos...”(frase retirada do regulamento do concurso). Acredito que educação ambiental deva ser prática diária de todos e para isso não precisaria de prêmio específico. No entanto, ter a oportunidade de compartilhar nossas experiências, como foi a proposta deste “concurso”, foi decisivo para que o município fizesse sua inscrição. Detalhes sobre premiação e demais projetos premiados, poderão ser acessados no link da revista, mencionado acima, cujo resultado foi divulgado em 10/03/2018. O título do Projeto Inscrito pelo município foi: EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO POLÍTICA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL: Exemplo do sucesso nos 23 anos de coleta seletiva de porta em porta! O projeto relatou as principais ações de Educação Ambiental implementadas pelo Poder Público Municipal de Dois Irmãos, nos 23 anos de coleta seletiva do município, completados em outubro/2017, para as quais o

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município atribui o sucesso na adesão à separação, por parte dos moradores. A seguir, apresento relatos que considero importante socializar neste espaço.

RELATOS DO PROJETO No município de Dois Irmãos, a coleta seletiva de lixo foi implantada em outubro de 1994. Atualmente, para cada 10 habitantes 7 separam os resíduos nas suas casas e isso se deve aos trabalhos de educação ambiental promovidos pela municipalidade, ininterruptamente, seja na educação formal ou informal. Trabalhar a educação ambiental nas escolas e na comunidade de forma lúdica sempre foi o foco da administração municipal. Em 1995 foi lançado um concurso nas escolas, a fim de escolher um nome para o mascote da coleta seletiva. Foi escolhido o nome SELECO e o mascote, nos dias atuais, já é um velho conhecido da comunidade. Quando o município completou 20 anos de coleta seletiva, em 2014, o desfile cívico de 7 de setembro foi comemorativo à data e o tema foi abordado por todas as entidades presentes no evento. Neste mesmo dia, apresentamos a “namorada” do SELECO: a SELECA! A ideia surgiu a partir de demandas das crianças, pois comentavam que já estava na hora do SELECO “arrumar uma namorada”, pois já estava com 20 anos de idade!

SELECO apresentando sua “namorada” SELECA, durante o desfile cívico comemorativo aos 20 anos de coleta seletiva A campanha de separação dos resíduos também está presente na frota que realiza a coleta seletiva. Todos os veículos estão devidamente identificados e muitas crianças esperam o caminhão da coleta na porta de suas casas para acenar para o veículo a para os garis. E para estimular a visita à Central de Reciclagem de Dois Irmãos, a municipalidade coloca à disposição das escolas municipais, o transporte escolar gratuito, pois percebemos que ao visitar a Central, as crianças e professores se sensibilizam mais ao ver os trabalhadores abrindo as sacolas de lixo que vêm das residências. A sensibilização também acontece através do teatro, onde o setor de Educação Ambiental da SEMEC, em parceria com o Departamento de Meio Ambiente, leva teatro às escolas das 3 redes de ensino. Peças como “Lixo é Lixo?” e “Afinal, depende de quem?” abordaram a importância da separação dos resíduos corretamente, sendo assistidas por mais de 3.000 alunos, a cada ano, nos turnos da manhã e tarde.

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Ivana Soligo Collet Biologia Especialização em Planejamento Ambiental

Destaque também para o Projeto Monitores Ecológicos, no contraturno escolar, que oportuniza atividades educativas às crianças e jovens, contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes e críticos. Iniciou, oficialmente, numa escola da rede municipal no ano de 2000, com 12 Peça teatral “Lixo é Lixo?” alunos, e este ano conta com mais de 150 crianças, É importante que a Secretaria em 9 escolas da cidade. No final de cada ano, todos os alunos de Educação esteja atenta à Política Nacional de Educação Ambiental (lei que obtiveram frequência superior a 75%, nº 9.795/99), uma vez que as questões participam de um “passeio” educativo de ambientais devem estar articuladas integração, totalmente gratuito, com interdisciplinarmente. Pensando nisso, apoio do Conselho Municipal de Meio o município oferece, anualmente, uma Ambiente - CONSEMA e patrocínio do carga horária de 30 horas de formação Fundo Municipal de Meio Ambiente. para todos os professores da rede municipal. Parte destas horas é pensada Nos anos de 2013 e 2014, todas as para o coletivo (em média 16 horas) e o restante (em média 18 horas) cada escola Unidades Educativas da rede municipal tem autonomia no que tange contratar de ensino participaram do Projeto profissionais específicos para a formação “Lixo Transparente”, o qual avaliou que atenda a demanda de cada escola. É quali-quantitativamente os resíduos aí que a escola tem autonomia e a pauta produzidos em cada unidade educativa, ambiental geralmente está presente, seja além de promover debates com em forma de palestras ou mini-cursos, a professores, alunos e funcionários em fim de que os profissionais se apropriem geral. Materiais didáticos educativos sempre das questões ambientais.

2017: Quinta da Estância Grande, Viamão/RS – 150 Monitores Ecológicos

são produzidos para complementar as ações pedagógicas relatadas acima. Destacamos os gibis da coleta seletiva, lançados em 2015 e 2017 disponíveis em todas as bibliotecas das Unidades Educativas.

Enfim, entendemos que um Programa de Educação Ambiental bem estruturado serve como instrumento de transformação social. População educada e bem informada sempre lutará pela sadia qualidade de vida de todos, independentemente de questões partidárias. Acreditamos que nosso município seja referência na coleta seletiva por dois motivos principais: a vontade política de todas as administrações ao longo destes 23 anos, e a educação da população como um todo, graças aos projetos de educação ambiental através da educação formal e não formal.

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SEÇÃO

MOMENTOS DE REDE

PROJETO: #CidadãoConsciente, parceria em prol de uma educação com qualidade social

A

convivência baseada no respeito e na solidariedade tem sido algo cada vez mais desafiador, em nossa sociedade, principalmente devido à gradativa substituição dos interesses coletivos por padrões individualistas, bem como a crescente onda de violência causada, em especial, pelo consumo de drogas. Diante desse cenário, no ambiente escolar, vem sendo necessário intensificar ações visando ao resgate de valores, o respeito aos professores, a cooperação e o espírito solidário em nossos alunos, bem como a participação da família, pois a vida escolar não pode ser um mundo à parte dentro da comunidade, mas uma extensão dessas. Portanto, diante dos desafios sociais, ofertar ações educativas voltadas para

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a conscientização dos educandos, em especial, à não violência e ao não uso de drogas, se fazem necessárias e urgentes. A escola não pode (e não deve) tornarse um espaço neutro ou omisso diante dessas mazelas sociais, características muito acentuadas e presentes em nossa sociedade, visto que se acredita no aluno como um indivíduo total e não segmentado. Nesse sentido, ressaltamos que consideramos a educação integral do educando, condição essencial para a formação de cidadãos conscientes e atuantes no mundo em que vivemos. Sendo assim, visando uma ação em prol de um novo cidadão é que foi pensado e lançado, no dia 19 de março de 2018, o Projeto #CidadãoConsciente, em Dois Irmãos. Uma parceria entre a Administração Municipal de Dois

Irmãos, em especial da Secretaria de Educação, Cultura e Desporto, a Polícia Rodoviária Federal - PRF, a Brigada Militar - BM, a Polícia Civil e o Conselho Tutelar. Os membros participantes, representantes de cada órgão, acreditam e buscam, através do seu trabalho, investir e apostar na educação de crianças e adolescentes, como instrumento essencial ao combate de situações que possam representar algum perigo social. Entretanto, ressalta-se que a maior aposta nos educandos é a de serem promotores de ações de solidariedade e gentileza, reforçando e disseminando os valores éticos e morais tão necessários para a convivência pacífica e harmoniosa. Entre os objetivos do Projeto, destaca-se a realização de visitas para um diálogo de conscientização e de

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sensibilização com todos os alunos e comunidade escolar das três redes de ensino (municipal, estadual e particular) sobre prevenção às drogas, violência, respeito à escola e aos profissionais, violência no trânsito e o papel do policial na sociedade. Também busca despertar no educando a consciência de que deve colaborar para o desenvolvimento de uma cultura de paz, estimulando-o à prática do bem e da solidariedade em favor dos semelhantes. Aspira-se que vínculos de confiança sejam construídos entre os alunos e os representantes dos órgãos participantes do projeto, com o intuito de que possam solicitar ajuda quando precisarem, bem como que fiquem abertos às orientações e sintamse à vontade para tirar dúvidas ou interagir com esses profissionais. Além dos objetivos direcionados aos alunos, tem a intenção de conquistar as famílias para que participem mais das atividades escolares e assim estarem mais próximas de seus filhos, acompanhando suas rotinas, suas atitudes e, com isso, ficando atentos e evitando situações de risco a que seus filhos possam estar expostos. As ações do Projeto, realizadas ao longo do ano letivo, visam a ofertar várias atividades de integração. Em relação aos profissionais da educação, esta iniciativa procura fortalecê-los em seu ambiente de trabalho, para que possam exercer a docência com mais tranquilidade, em um ambiente de respeito e trocas positivas entre alunos e professores, garantindo maior probabilidade de sucesso no processo educativo. Portanto, visto que a meta do Projeto #CidadãoCosciente foi atingir toda a comunidade escolar, alunos, professores e família, essa oferta tornou-se algo primordial para a construção de um bom clima na escola, contribuindo para bons resultados no desenvolvimento do ensino e aprendizagem e, consequentemente,

uma educação com qualidade social. Isso é: a qualidade social da educação é uma conquista a ser construída coletivamente e se concretiza a partir da qualidade da relação entre todos os sujeitos que nela atuam direta e indiretamente. Só teremos uma sociedade melhor onde se possa viver com segurança, solidariedade e harmonia, quando resgatarmos, através da educação, os princípios éticos e morais em nossas ações.

Denise Maria Maldaner Secretária da Educação, Cultura e Desporto do Município de Dois Irmãos Pedagogia | Especialização em Supervisão Escolar

Karina Rossa Apoio Pedagógico - SEMEC | Pedagogia Especialização em Coordenação Pedagógica e Orientação Educacional Especialização em Atendimento Educacional Especializado

Nadia Helena Schneider Apoio Pedagógico – SEMEC Comunicação Social – Hab.Publicidade e Propaganda | Especialização em Gestão Escolar | Mestrado e Doutorado em Processos Midiáticos

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SEÇÃO

MOMENTOS DE REDE

PROJETO #CIDADÃO CONSCIENTE O que uma rede pode fazer para criar elos mais consistentes a ponto de construir pensamentos e ações voltadas para estimular boas práticas? Este é o Projeto #CidadaoConsciente, implantado em 2018 e

E

m março, a EMEF Arno Nienow recebeu o Projeto #CidadãoConsciente onde entidades envolvidas apresentaram aos alunos e educadores o importante projeto. Já no mês de maio, ocorreram atividades do Maio Amarelo salientando a importância da conscientização de um trânsito seguro. A consciência de um bom cidadão precisar estar presente em todos os espaços.

que envolve escolas, entidades e órgãos da Segurança Pública. Confira as ideias dos espaços - escolas estaduais e particulares também estão engajadas! - e também alguns relatos nas páginas a seguir.

E

xcelente iniciativa porque o Projeto se centra na prevenção. Global - Centro Integrado de Educação Complementar das Escolas Municipais de Dois Irmãos

EMEF Professor Arno Nienow

O

Projeto #CidadãoConsciente participou do Dia da Família na EMEF Professor Paulo Arandt com os policiais Luciano Lawisch , Marco de Brito e o policial Josiel Neves , que falaram sobre o tema: “Meus filhos, seus limites e minha responsabilidade” aos pais e/ou responsáveis pelos alunos. EMEF Professor Paulo Arandt

O

lançamento do projeto, seguido das explanações dos profissionais de todos os segmentos envolvidos, teve grande receptividade por parte dos alunos e dos profissionais da educação, pois representa um aliado a mais na grande tarefa de construirmos uma sociedade na qual o cidadão tenha consciência dos seus direitos, deveres, responsabilidades e sanções. EMEF Professor Carlos Rausch

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O

Projeto #CidadãoConsciente contribui com uma escola reflexiva sobre direitos e deveres, em especial dos alunos. Além disso, fortalece os espaços de rede de apoio tão necessários diante dos desafios enfrentados no dia a dia nas ações educativas. EMEF 29 de Setembro

O

Projeto #CidadãoConsciente na Educação Infantil contribui na formação de cidadãos mais conscientes e responsáveis, refletindo assim uma mudança de comportamento motivada na infância, sobre as leis de trânsito, os direitos e deveres de cada um e a importância de fazermos nossa parte. EMEI Professora Clarice Maria Arandt

A

s ações desenvolvidas em nossa escola referentes ao Projeto #CidadãoConsciente repercutiram em informação de um jeito leve e descontraído, os responsáveis trouxeram mensagens de cidadania e cuidados com a criança, as crianças interagiram e repetiram a mensagem para suas famílias! EMEI Heda Alves Nienow

N

a escola Matheus Grimm, foi realizada uma palestra no turnos da manhã e da tarde, com presença dos órgãos envolvidos, orientando alunos e professores em relação ao tema discutido, firmando um pacto entre os presentes em prol do bem estar da escola e de seus alunos. EMEF Professor Matheus Grimm

A

educação infantil tem sim um papel de extrema importância na formação integral de cidadãos. Como primeira etapa, ela proporciona experiências e vivências significativas de socialização, integração, e principalmente de respeito ao próximo. EMEI Jardim da Alegria

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SEÇÃO

MOMENTOS DE REDE

É

um projeto de extrema importância, pois tem por finalidade formar cidadãos de bem, pessoas aptas a construir um mundo melhor para todos, e isso só é possível com a participação de diversos segmentos da sociedade (Educação, Conselho Tutelar, Polícias Civil, Militar e Rodoviária) através da sensibilização, de ações cotidianas referentes ao uso de drogas, bebidas, violência, entre tantos outros. EMEF Felippe Alfredo Wendling

C

onversa entre a Brigada Militar, policial Neves com os alunos do 8º ano da escola Albano Hansen sobre bullying, o que caracteriza e como devemos proceder. Neste dia, os alunos puderam debater sobre o tema e tirar algumas dúvidas sobre a lei que ampara este assunto. #CidadãoConsciente EMEF Albano Hansen

O

Projeto #CidadãoConsciente, incide em extrema importância para nossos educandos, assim como para a comunidade doisirmonense. Pois, conscientiza os alunos do seu papel na sociedade, buscando tornar as crianças e adolescentes ativamente atuantes na sociedade em que vivem. Visando uma cultura de paz, de se colocar no lugar do outro e aversão as drogas. EMEF Dr. Mário Sperb

E

ngajada no excelente Projeto #CidadãoConsciente, a EMEF Primavera vem promovendo ações educativas voltadas ao bem estar de toda nossa comunidade escolar. Destacamos o envolvimento dos alunos do Projeto Blog no lançamento do Maio Amarelo na escola e atividades realizadas contra o bullying. EMEF Primavera

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O

Projeto #CidadãoConsciente tem fundamental importância para a comunidade dois-irmonense, na qual o Colégio Imaculada Conceição está inserido e igualmente comprometido com objetivo de formar cidadãos com posicionamento crítico, diante das situações que se apresentam e com discernimento para realizar as escolhas que favoreçam a vida e o bem comum. Colégio Imaculada Conceição

E

sta iniciativa favorecerá a construção de um clima mais harmônico e prazeroso na escola como também na família: respeito, o cultivo de valores, etc, garantindo bons resultados no processo de ensino-aprendizagem. Visamos a uma sociedade melhor e um cidadão mais preparado para a tomada de decisões e que defenda a CULTURA DE PAZ em todos os ambientes. EEEF João Gräwer Filho

U

ma nova parceria começa a surgir...Um momento de integração, diálogo e envolvimento de uma comunidade que quer o melhor para seus cidadãos e futuros empreendedores de Dois Irmãos. Comunidade e instituição de ensino se unem, através da Secretaria de Educação e Cultura, para conscientizar aqueles que fazem a diferença amanhã. EEEMédio 10 de Setembro

O

s problemas das sociedade e das famílias desestabilizadas entram na escola e "sentam" na classe escolar. O projeto pensado pela Secretaria de Educação, Cultura e Desporto vem trazer um auxílio para "lidar" com os desafios impostos pelos dias atuais ao Fazer Educação. A cada dia nos deparamos com situações que a escola sozinha não consegue dar conta. É necessário poder contar com o apoio de uma rede, na qual cada elemento dará suporte para casos específicos. A educação, contando com estes elementos, poderá dar conta do que é seu papel: Ensinar. EEEM Affonso Wolf

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SEÇÃO

PROJETOS

As diversas vidas na Mário Sperb

A

turma da Educação Infantil NB mostrou-se um grupo muito participativo e motivado, que tem como característica principal a curiosidade, saber o motivo das coisas, como elas funcionam e se modificam, procurando aprender sempre mais. Entre uma vasta área verde, com muitos sítios por perto, uma praça ao lado e um cemitério antigo em frente, localiza-se a Escola Municipal de Ensino Fundamental Dr. Mário Sperb, sendo por isso um espaço riquíssimo para a construção de aprendizagens. Neste local, muitas vezes aparecem alguns pequenos animais que aguçam a curiosidade das crianças. Observando o dia a dia dessas crianças, nas brincadeiras e nos momentos de atividades dirigidas, percebi o quanto a natureza vem sendo relevante no processo de construção de aprendizagens. As árvores e plantas também têm tido destaque nas indagações e observações da turminha. O questionamento que norteou nosso projeto foi o seguinte: Como vivem os seres ao redor da escola? Valorizando o ambiente e a curiosidade da turminha, partimos para a expedição investigativa. A ideia de um projeto sobre os seres vivos se confirmou em nossa expedição, quando caminhamos pelas ruas próximas à escola, observando as árvores, os animais e o cemitério: “Tudo que vive, um dia morre”. Na conversa, após o retorno do nosso “passeio curioso”, fortemente foi destacado o interesse em entender o ciclo da vida, a cadeia alimentar, animais perigosos e os animais pré-históricos. Assim surgiu o Projeto: “As diversas vidas na Mário Sperb”. O Projeto de Educação 34

Financeira veio ao encontro do Projeto que já estava sendo desenvolvido, se encaixando perfeitamente ao mesmo, já que educação financeira é importante para a vida. É o cuidado com o lugar onde vivemos, poupando os recursos que temos, zelando pela nossa casa, nossa escola, nosso bairro, nossa cidade e valorizando nossa vida. O Projeto “As diversas vidas da Mário Sperb” possibilitou que os interesses das crianças tivessem uma fácil articulação com o currículo, sendo trabalhados o respeito a si, ao outro e ao ambiente, compreendendo que somos diferentes e, ao mesmo tempo, temos muitas características parecidas com as pessoas com as quais convivemos; o conhecimento do corpo, das partes que o compõem e o cuidado com o mesmo, entendendo que nascemos, crescemos e morremos, assim como todos os seres vivos; as diferentes linguagens, como a música, a dança, o teatro, as brincadeiras de faz de conta, desenvolvendo a criatividade e a imaginação; a oralidade e a escrita, com a contação de histórias, que foram ora ouvidas, ora contadas pelas

crianças, sendo realmente vivenciadas, já que as histórias favoritas da turminha são aquelas em que puderam criar, como autores e sendo os personagens principais das mesmas, nas rodinhas de conversa, nas canções e encenações, nas construções de textos coletivos, no trabalho com os nomes e sobrenomes; na expressão gráfica, fazendo os registros, utilizando diferentes materiais; no conhecimento matemático, com gráficos, contagens e conjuntos; nas atividades de “corpo e movimento”, já que na educação infantil todo o conhecimento tem mais significado quando valorizadas as atividades que envolvem o corpo todo. Toda a comunidade escolar pode participar de nosso Projeto, contribuindo com ideias, na parceria em atividades como, por exemplo, o brechó e a venda de cachorro-quente, a construção de materiais para fazermos uso em nossas aulas e ao responder às indagações das crianças, contribuindo para solucionarmos nossas dúvidas. Também tivemos a vinda de um professor, que fez o papel de príncipe, o que enriqueceu ainda mais o Projeto, fazendo com que

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Maureen Marques Pereira Guerra Pedagogia Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional

a turma ficasse ainda mais entusiasmada. “As diversas vidas na Mário Sperb” culminou com a realização do nosso sonho coletivo: ir ao Parque Terra Mágica Florybal. O desejo de vivenciar esse passeio surgiu a partir de uma conversa sobre a importância dos sonhos e das ações para concretizá-los. Primeiramente, fizemos uma exposição

sobre os nossos sonhos particulares. Dias após, pensamos em um sonho coletivo. Surgiram várias ideias, vários sonhos, mas decidimos ir ao Parque Florybal, por ter mais significado no Projeto, contribuindo para responder aos questionamentos da turma sobre a pré-história. Para atingir a meta de ir ao Florybal, organizamos um

brechó e venda de cachorro-quente, desenvolvendo nas crianças a consciência de poupar os recursos materiais para a realização dos sonhos. A partir das atividades vivenciadas, as crianças puderam desenvolver o hábito de cuidar e utilizar de forma consciente os materiais de casa, da escola e os recursos naturais; aprenderam a trocar brinquedos e cuidar dos mesmos, assim como responsabilizar-se pelos seus pertences; vivenciaram valores importantes como a amizade e união, não gastando mais energia e tempo brigando uma com as outras; identificaram números e quantidades, fazendo contagens, verificação de medidas e conjuntos através das brincadeiras e jogos; puderam construir uma relação afetiva com o próprio nome e com sua história; conheceram um pouco mais sobre lugar onde moramos; se expressaram através de desenhos, pinturas, modelagem, descobrindo a própria capacidade criadora; compreenderam melhor o ciclo da vida e observaram os vários modos de ser das pessoas.

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SEÇÃO

Caroline Griebler

PROJETOS

Pedagogia | Especialização em Ludopedagogia e Literatura Infantil

A

Tudo é lixo?

o longo dos dias, com a convivência diária, notou-se que as crianças do NA2 tinham algumas dúvidas referentes à separação do lixo, qual era a maneira certa de fazer a separação e qual era o seu processo. “Profe, em qual lixeira coloco o lixo, na grande ou pequena?” Motivada a responder a esse questionamento e a sensibilizar as crianças sobre a importância de fazer a separação dos resíduos para poder reaproveitar alguns materiais, foi realizado um projeto de pesquisa, com o título: “Tudo é lixo?”. O projeto tinha como objetivos: fazer com que as pessoas refletissem sobre a importância e a necessidade de separar e dar o destino correto aos resíduos, resgatar a importância de vivermos e convivermos em um ambiente limpo, identificar os produtos que podem ou não podem ser reciclados e reaproveitados; além de conhecer as pessoas que trabalham com reciclagem. Visto que as crianças demonstravam saber que existia uma maneira correta de separação, mas não sabiam como proceder. Durante as rodas de conversa, as crianças relatavam o que pretendiam com esse projeto: deixar os rios mais limpos, ajudar o meio ambiente, fazer o uso correto das lixeiras na sala de aula, refeitório e no pátio, como também, diferenciar o lixo seco do orgânico. As crianças tiveram muito interesse no assunto e se empenharam bastante nas atividades propostas. Traziam relatos de ações que começaram a realizar nas suas casas, como: ter duas lixeiras na cozinha, uma para o lixo seco, outra para o lixo orgânico. Com a colaboração da professora Maria Inês Lehnem Marmitt e da professora auxiliar Maria Virgínia da Costa, realizamos muitas atividades com a turma. Podemos destacar: realizar atividades práticas de separação dos resíduos, adesivar as lixeiras da sala de aula e do refeitório, observar o refeitório após os lanches, confeccionar cartazes que exemplificavam o que é lixo orgânico e o que é lixo seco, preparar o bolo das cascas de frutas, ouvir palestra sobre a coleta seletiva e separação de resíduos com a bióloga Ivana, conversar com os garis e conhecer o caminhão do lixo, fazer uso da composteira da escola. Para essa última atividade, tivemos a colaboração do servente Valmir. Também

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confeccionamos, com a ajuda das famílias, brinquedos com materiais reciclados. As crianças se orgulharam muito das suas produções e as famílias tiveram muito comprometimento com a atividade proposta. Confeccionamos uma lixeira, de garrafa PET, que foi colocada no banheiro da sala dos professores, para o rolinho do papel higiênico, pois ele não deve ser misturado com o lixo do banheiro, informação trazida pela bióloga Ivana, que despertou muito a curiosidade nas crianças. Uma atividade em especial que envolveu diretamente as famílias, até o final do ano, foi “As tampinhas do bem”, que consistia em trazer de casa todo material de plástico. Em troca, as crianças ganhavam brinquedos, especialmente peças de montar. Este projeto foi apresentado na Mostra de Projeto de pesquisa da EMEF Professor Arno Nienow (MOPPAN), e foi escolhido para representar a escola na categoria Educação Infantil na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), na cidade de Novo Hamburgo. Participar dessas duas feiras foram vivências muito ricas para as crianças. Elas relatavam as experiências que foram adquiridas durante esse projeto, as atividades que elas vivenciaram dentro da escola e no ambiente familiar, como também, perceberam a importância da separação dos resíduos, para preservar a natureza e colaborar para um meio ambiente mais limpo e sustentável. Também conseguiram responder à pergunta que titula o projeto. Enfim, vivenciaram ações que mostram como os resíduos podem ser reaproveitados, e assim observaram que nem tudo que jogamos fora é lixo.

Bolo das cascas de frutas Ingredientes: – 3 copos de cascas de frutas (goiaba, maçã, banana, mamão...); – 2 colheres (sopa) de margarina; – 2 colheres (sopa) de fermento em pó; – 3 ovos; – 2 xícaras (chá) de farinha de trigo integral; – 2 xícaras (chá) de leite; – 2 xícaras (chá) de açúcar Modo de preparo: Primeiramente, bata no liquidificador todas as cascas das frutas lavadas e o leite, e reserve em um recipiente. Em seguida, bata as claras em neve, as gemas, a margarina e o açúcar mascavo no liquidificador. Acrescente nessa mistura as cascas com o leite já batidos, a farinha de trigo integral e o fermento e misture.

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Vanderléia Alles Linck

SEÇÃO

Pedagogia | Especialização em Alfabetização e Ação Supervisora

PROJETOS

Vanessa Orsi Cechinatto Letras | Especialização em Alfabetização

Índios: gente como a gente!

A

realização de estudos relacionados a história e cultura indígena é um desafio para todos os professores. Conforme estabelece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9394/96, alterada pela Lei 11645/08, é obrigatório o estudo da história e cultura indígena no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística, de literatura e história brasileira. Também a Base Nacional Comum Curricular, homologada em dezembro de 2017, reconhece que a Educação Básica deve visar à formação e ao desenvolvimento humano global, assumir uma visão plural, singular e integral da criança, do adolescente, do jovem e do adulto, considerando-os como sujeitos de aprendizagem e promover uma educação voltada ao seu acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno, nas suas singularidades e diversidades. A escola, portanto, como espaço de aprendizagem e de democracia inclusiva, deve se fortalecer na prática coercitiva de não discriminação, não preconceito e respeito às diferenças e diversidades. Levando em consideração o conhecimento da legislação vigente e a realidade observada em nosso município, com a instalação de indígenas em terras alheias em uma avenida local, a professora de Língua Portuguesa, Vanessa Cechinatto, com as turmas do 6º ao 9º ano, na EMEF Professor Matheus Grimm, desenvolveu atividades abordando o índio e suas condições de vida nos dias atuais. O projeto iniciou a partir de uma conversa informal com os alunos sobre o acampamento dos índios em nossa cidade, na semana que antecedia o dia 19 de abril, Dia do Índio. Na ocasião, os estudantes reclamavam dos índios que ocupam a nossa cidade em épocas comemorativas para vender seus produtos. As queixas eram que eles deixam a cidade suja, que suas crianças vivem correndo pela rua no meio dos carros e, principalmente, que eles não trabalham. A forma negativa como alguns falavam da etnia indígena me impressionou muito e provocou a ideia de explorar mais o tema. Então iniciamos o trabalho, com o objetivo de levar os alunos a refletir sobre os índios e sua cultura, sobre as leis que os protegem e sobre a forma como a sociedade os vê. A primeira etapa do trabalho compreendeu uma conversa, a partir de diversas perguntas lançadas pela professora, a respeito dos índios que se alojaram em nossa cidade. Entre elas: “por que a prefeitura não tira eles daquele local?”; “os índios tem as mesmas oportunidades que nós?”. Esta etapa foi muito desafiadora, já que, inicialmente, os alunos mostraram ter uma opinião muito negativa em relação a eles. Após algumas perguntas, porém, os estudantes começaram a se dar conta de que os índios e sua permanência em

nossa cidade não são aspectos tão negativos quanto eles achavam... Esta conversa foi deixada em aberto; não foi encerrada. Apenas pedimos que os alunos fossem para casa e continuassem pensando sobre o assunto. A segunda etapa foi uma roda de conversa/ compartilhamento sobre o que cada um acrescentou à sua bagagem após a reflexão inicial. Seguindo, passamos à exploração da biografia do autor Daniel Manduruku, um índio que gosta de ser índio. Após passamos à leitura do livro: “Histórias que eu vivi e gosto de contar”, do autor acima citado, que é formado por quatro contos. A cada aula foi trabalhado um conto. Após a leitura oral feita pela professora, partia-se para discussões diversas a respeito de cada história, relativas às crenças indígenas, ao vocabulário, às diferenças culturais que nos “separam”. No primeiro conto, nos dedicamos mais aos aspectos culturais relativos aos índios; no segundo, expressões indígenas; no terceiro, fizemos a interpretação do texto, voltada para a linguagem; e o último conto foi reescrito através de desenho. Então pesquisamos e estudamos sobre quais são as leis que protegem os índios no Brasil, descobrindo que eles têm direitos e que esses direitos precisam ser respeitados. Falamos sobre o trabalho deles, que é diferente do nosso, mas que também é especial; não deixando de dar ênfase ao fato de que vários deles vivem no mundo urbano, trabalham em empresas e moram em casas convencionais. Já tendo refletido bastante sobre o tema, chamamos colegas de outras turmas para pensar conosco, criando um painel intitulado “Você já parou para pensar que...?”, em que cada aluno criou uma pergunta relativa ao valor do índio na nossa sociedade. Multiplicando as ideias, os alunos foram desafiados a levar novamente seus familiares à reflexão, no intuito de fazê-los pensar sobre o assunto sem “pré-conceitos”. Cada aluno encarregou-se de contar o que descobriu para sua família, para promover a valorização e o entendimento em relação às peculiaridades da cultura indígena. Em seguida, fizemos uma roda de conversa para partilhar as observações das famílias. Para finalizar, os alunos criaram paródias em grupos. Nessas paródias, eles tiveram como tarefa falar sobre o que haviam aprendido durante o projeto. Sugiram muitas opiniões interessantes, como: “os índios são gente como a gente, mas tem tradições e costumes diferentes”. Esta etapa foi seguida pela autoavaliação de cada estudante. A partir deste trabalho, com o recurso da literatura, realizaram-se pesquisas, estudos e reflexões para que os alunos tivessem uma melhor compreensão relacionada à temática dos índios, desenvolvendo competências, conhecimentos, atitudes e valores de respeito ao outro e aos direitos humanos, com acionamento e valorização da diversidade de indivíduos e grupos sociais, sem preconceito de qualquer natureza.

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SEÇÃO

PROJETOS

Formigas em Ação!

P

artindo de uma concepção de criança como sujeito ativo, inserido no contexto social, cultural, histórico e natural, podemos construir nela marcas de um comportamento social de respeito ao ambiente natural, contribuindo na sua formação enquanto sujeito pertencente ao meio ambiente. O contato com a organização social das formigas trabalha conceitos e valores de uma sociedade em grupo. Nesse sentido, o RCNEI (Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil) recomenda que, nas instituições de Educação Infantil, as crianças encontrem possibilidade de ampliar as experiências já existentes, a partir do contato com o outro, com a cultura, com a história e com o meio. Sendo assim, o estudo sobre a vida das formigas realiza-se como uma pesquisa investigatória, com momentos de observação, comparação e elaboração de hipóteses. Proporcionar o conhecimento e a conscientização dos alunos da educação infantil acerca dos temas que envolvam meio ambiente desenvolve a construção de atitudes como organização, cooperação e união, vivências muito significativas para o desenvolvimento das crianças. Durante uma manhã, resolvemos fazer um passeio pelo bairro da escola. Assim que saímos do portão, as crianças observaram o movimento de algumas formigas na calçada. Alguns colegas começaram a pisar nelas, enquanto outros diziam que devíamos cuidar delas. Continuamos andando e mais adiante nos

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deparamos com mais formigas, algumas carregando folhas, caminhando em fila, e outras que pareciam estar perdidas. A partir desse momento, a turma parou e observou com muito interesse e atenção o movimento das formigas. Dessa forma, surgiram alguns diálogos interessantes e questionamentos sobre o comportamento desses insetos, o que fazem e como vivem: - As formigas estavam fazendo um formigueiro na frente da escola! - Elas estavam carregando comida para a formiga rainha! - Umas formigas eram pequenas e outras grandes! - Eu vi uma minhoca perigosa que estava comendo as formigas! - Quando tem muita água no formigueiro elas não conseguem respirar! - Comem muito doce! - Elas não conseguem carregar nada pesado! - Como elas dormem? A participação de cada criança foi valorizada na exposição e debate de suas ideias com a turma, em momentos coletivos, como, por exemplo, nas rodas de conversa, e também em momentos individuais, com os colegas, professores, funcionários da escola, e ainda com a família e a comunidade de aprendizagem durante o projeto. Podemos perceber que, através da exposição de suas hipóteses, da curiosidade e das vivências proporcionadas por meio da pesquisa e das diferentes atividades – na produção de materiais, pinturas, desenhos,

maquetes, cartazes, experimentos, brincadeiras, teatro, dança, entre outras –, as crianças alcançaram os objetivos que o projeto se propôs nos eixos temáticos, e que o mesmo, ao ser construído em diálogo com todos os envolvidos, foi se ampliando e contemplando também os anseios de todos que integraram o trabalho. Verificamos a satisfação das crianças e de toda a comunidade escolar envolvida, cumprindo também as proposições e a finalidade da educação infantil propostas pela escola. Dessa forma, entendemos que as crianças puderam vivenciar e aprender, de maneira prazerosa e lúdica, comprometidas com a infância, com a natureza e com a sociedade. Considerações das crianças: - Eu gostei de aprender sobre o corpo das formigas! (Augusto) - O que eu mais gostei de fazer no projeto sobre as formigas foi a entrevista! Eu também aprendi que não podemos matar as formigas e que existem vários tipos. Gostei de fazer o formigueiro e descobri que elas podem cair de qualquer altura que não se machucam! (Bianca) - As lava-pés têm um ferrão bem forte! As mandíbulas são bem fortes e elas cortam as folhas do tamanho delas! (Davi) - Eu sei que o macho durante o voo bota uma sementinha na rainha, daí ela bota o ovo. Depois tem a larva, a pupa e depois nasce a formiga. Então a rainha perde as asas e nasce um novo formigueiro! (Geovanna)

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Aline Flores Rodrigues

Márcia Enzweiler Borth

Pedagogia | Especialização em Educação Infantil

Pedagogia | Especialização em Educação Infantil

Jonas Hedler da Paz

Janete Loebens Johann

Mestrado em Educação

Letras Língua e Literatura Alemã

- O que eu mais gostei foi de fazer o formigueiro! (Eduardo) - Eu gostei de sentir os cheiros que as formigas gostam ou não! Também gostei do jogo da trilha da formiga! (Larissa) - O que eu mais gostei foi de entrevistar as pessoas e jogar o jogo da trilha! (Isadora) - As formigas têm que trabalhar o dia inteiro para fazer o formigueiro! (Ketlyn) - Eu gostei de fazer a formiga com balão e fazer os trabalhos! (Larah) - Aprendi que as formigas têm cabeça, tórax e abdômen! (Moisés)

- Eu gostei de ser uma formiga! (Júlia) - Foi legal fazer o formigueiro! (Natan) - Gostei de aprender sobre o corpo da formiga e suas partes e também os tipos de formigas! (Nicoly) O projeto “Formigas em Ação!” foi um trabalho muito prazeroso, tanto para nós, professores, como para as crianças. Desde o início até sua conclusão, o interesse pelo tema se fez presente em toda a turma. Surgiram muitas dúvidas ao longo do seu desenvolvimento, e as descobertas encantavam e impressionavam a todos. Houve uma

participação bem próxima das famílias, o que enriqueceu nosso dia a dia. Além disso, as expedições, entrevistas, pesquisas e tudo mais, aconteceram de maneira espontânea, lúdica e criativa. Destacamos três pontos mais relevantes durante o projeto: a construção de um formigueiro na sala de aula, uma pesquisa/entrevista realizada com a comunidade e a apresentação de um teatro pela turma. Os entrevistados elogiaram a iniciativa e se surpreenderam com os conhecimentos das crianças. A maioria das pessoas lembrou as crianças sobre a força que os insetos têm, apesar de seu pequeno tamanho, e também admiravam-se com aquilo que as crianças falavam, como, por exemplo, explicando sobre o desenvolvimento das formigas e sua importância para a natureza. Assim, podemos construir com as crianças marcas de um comportamento social de respeito ao ambiente natural, contribuindo na sua formação enquanto sujeitos pertencentes ao meio ambiente. O contato com a organização social das formigas trabalha conceitos e valores de uma sociedade em grupo. O projeto oportunizou momentos em que foi possível trazer, para esta etapa da educação, conteúdos diversificados e contribuições para o aprendizado de uma maneira interessante, instigando o interesse por novos conhecimentos, promovendo uma real integração entre teoria e prática, partindo do interesse das crianças, tendo as mesmas como parceiras no processo de ensino e aprendizagem.

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SEÇÃO

PROJETOS

Abraço, beijinho e aperto de mão: hora da vacinação!

O

Projeto de Pesquisa foi apresentado para a MOPPAN - Mostra de Projetos de Pesquisa da Escola Professor Arno Nienow, sob orientação da Professora Alexandra Sieb. Estão inseridos nesta pesquisa os alunos do 2°ano do Ensino Fundamental, entre 7 e 8 anos, num total de 15 crianças. A pesquisa iniciou a partir de um problema questionado em sala pelos alunos: o uso do pano ou lenço de papel, quando gripado, e a gripe influenza H1N1. Foi sugerida pela turma a pesquisa sobre o tema: leitura, confecção de fichas de leitura, vídeo ilustrativo, preparo do bolo de laranja com casca, passeio pelo bairro conhecendo seu posto de saúde, convite para profissionais da saúde para falar sobre o tema, registro de perguntas, gráfico de doses de vacinas aplicadas na população do bairro, canto de músicas, encenação, registro no caderno de campo e relatos de experiências foram direcionadas ao anseio dos alunos por novas descobertas sobre o projeto. A turma demonstrou interesse pelo assunto e questionou sobre: - Quais são os sintomas da entre gripe comum e da gripe Influenza H1N1?. - Quais as são as causas, sintomas, prevenção e tratamento da gripe H1N1? - Como é o formato do vírus H1N1? - Como devemos ter cuidados de higiene? - De onde veio a gripe influenza H1N1? - Qual é a causa, sintoma, prevenção e tratamento? - Vamos calcular quantas pessoas tomaram a vacina no bairro? As hipóteses da turma antes de iniciar a pesquisa foram as seguintes: - A gripe suína vem do porco.

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A turma estava empolgada com o projeto. Descobrimos um talento na turma que se revelou ao tocar violão com a melodia da música sobre o vírus H1N1.

- O nome foi mudando porque o vírus mudou. - Devemos lavar sempre bem as mãos com água e sabão ou álcool gel. - Evitar lugares fechados. - Lavar as mãos quando espirrar. Juntamente com a turma, foram criados alguns objetivos gerais e específicos: - Compreender como se prevenir da gripe comum e gripe influenza H1N1. - Identificar os sintomas, causas e tratamento da Gripe Influenza H1N1. - Observar o vírus e suas mutações e confeccioná-lo. - Informar a importância da vacinação como forma de prevenção. - Entender como se propaga o contágio. - Compreender e descobrir o formato do vírus. - Conscientizar a importância da vacinação anual. - Valorizar a higiene e os cuidados com as mãos e ambientes ventilados. - Esclarecer de onde veio a gripe influenza H1N1.

- Oportunizar o esclarecimento da causa, sintoma, prevenção e tratamento. - Calcular quantas pessoas tomaram a vacina no bairro. Em busca de respostas, a turma do 2° ano foi atrás de seus questionamentos sobre o tema escolhido, e este acabou sendo o título do nosso trabalho de pesquisa: “Abraço, beijinho e aperto de mão: Hora da vacinação”. A turma trabalhou sobre a Gripe Influenza H1N1, e estava curiosa. Por isso se esforçaram, dedicando tempo para a pesquisa. Compreenderam que devem ter alguns cuidados para a prevenção de gripe Influenza H1N1, que são: lavar as mãos com água e sabão ou álcool gel 70°, cobrir a boca e o nariz no braço ao espirrar, tomar a vacina anualmente, evitar tocar no rosto as mãos, lavar bem os objetos pessoais e não compartilhálos, evitar contato com doentes infectados, manter hábitos saudáveis alimentando-se adequadamente com frutas e legumes, beber bastante água, evitar lugares fechados e aglomerações

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Alexandra Sieb Pedagogia | Especialização na Ed. Inf. e Séries Iniciais com Ênfase em Ludopedagogia e Literatura Infantil

de pessoas, usar lenço descartável e não o pano de algodão ou fraldas de pano. Identificamos os sintomas da gripe influenza H1N1, que são: febre alta acima de 38°C e 39°C de início repentino, dor nas articulações, dor de cabeça, dor de garganta leve, irritação nos olhos, tosse, coriza, cansaço, dor muscular, pode ocorrer vômito e diarreia, calafrios

frequentes. A indicação é procurar um médico ou uma unidade de saúde mais próxima em caso de gripe, para diagnóstico e tratamento adequado. Não usar medicamentos sem orientação médica. A automedicação pode ser prejudicial saúde, por isso a importância do esclarecimento para proteção do indivíduo e da população. Com hábitos

Quando surgiu o tema da gripe H1N1.

Ensaio na sala de aula para apresentação na Feira MOPPAN.

saudáveis prevenindo a gripe, a gripe Influenza H1N1 e outras doenças. A divulgação do tema vem ao encontro da realidade dos alunos e tem o dever de informar e esclarecer para as pessoas o que foi pesquisado, que é de saúde pública. O remédio usado para a gripe Influenza H1N1 é o Tamiflu. No posto de saúde do bairro, tivemos as informações das vacinas distribuídas para a população do Bairro Navegantes. A gripe é uma doença viral que ocorre com mais frequência nos períodos mais frios do ano. Também conhecida como Influenza H1N1, ela é transmitida facilmente de um indivíduo a outro, por meio do contato com pessoas infectadas pelo vírus que, ao tossir ou espirrar, acabam propagando o vírus pelo ambiente, igualmente a gripe comum. No cotidiano escolar percebemos o quanto a informação esclarecida torna o contágio ineficiente. Isso vale para o vírus comum também, pois é altamente contagioso. A gripe H1N1 consiste em uma doença causada por uma mutação do vírus da gripe. Conhecida como gripe Influenza tipo A ,ou gripe suína, ela se tornou conhecida quando afetou grande parte da população mundial entre 2009 e 2010. Os sintomas da gripe H1N1 são bem parecidos com os da gripe comum e a transmissão também ocorre da mesma forma. O problema da gripe H1N1 é que ela pode levar a complicações de saúde muito graves, podendo levar os pacientes até mesmo à morte. Com o objetivo de atingir todas as etapas previstas neste Projeto de Pesquisa, criou-se um quadro demonstrativo das etapas e seus respectivos períodos.

REFERÊNCAS BIBLIOGRÁFICAS: http://www.ebc.com.br/noticias/saude/2016/03/h1n1sp-tem-surto-da-doenca-saiba-como-se-prevenirhttps:// drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/gripe-h1n1/

Pintando o vírus e criando o formato do vírus H1N1.

http://www.minhavida.com.br/saude/temas/gripe-h1n1

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SEÇÃO

PROJETOS

Sapo: ele faz mal para nós?

P

artindo do interesse e curiosidade que as crianças da turma NA 02, da EMEF Arno Nienow, demonstraram em diversas conversações espontâneas, na maioria delas ficando explícito o medo e a insegurança em relação aos sapos que existem no entorno, tornou-se essencial a pesquisa e o conhecimento a respeito do tema, possibilitando às crianças a compreensão sobre o modo de vida desse animal, bem como a sua alimentação e a influência dele no ecossistema. Durante a construção do problema do projeto científico, os alunos deixaram claro que gostariam de saber como vivem os sapos e se eles, de fato, são prejudiciais para nós, humanos. Muitas crianças, em suas hipóteses, comentaram que os sapos tinham veneno e que jogavam urina nas pessoas. Além disso, relatavam situações que envolviam fantasia e imaginação, como a vez em que um aluno relatou aos colegas que um sapo quase o havia devorado, fazendo com que os demais ficassem com medo do animal. Dessa forma, o projeto teve o intuito de investigar se os sapos são realmente prejudiciais à vida dos seres humanos e quais as suas influências no ecossistema. Além disso, os objetivos eram de fazer com que os alunos pesquisassem as formas de defesa do animal em relação aos seus predadores e qual seria a importância deles no ambiente. Tudo isso faria com que eles superassem o

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medo e a insegurança em relação ao contato com o sapo. Após os diálogos e a coleta de hipóteses, enviamos para casa uma entrevista com várias perguntas sobre as características prejudiciais e benéficas dos sapos para o ambiente, a fim de verificar as percepções que as famílias tinham sobre o assunto. Posteriormente, fizemos uma análise coletiva e percebemos que muitas das famílias desconheciam ou estavam equivocadas a respeito do tema, o que seria significativo, pois o projeto se estenderia e eles também. A turma pesquisou na sala de Informática; ouviu histórias infantis, como “O sapo Ivan e o bolo”, do autor Helfin, e “O sapo comilão”, de Fernando Villela e Stela Barbieri, fazendo relações das histórias com a pesquisa. Além disso, os educandos tiveram a palestra com a bióloga Maiara Oberherr, sobre as diversas características dos sapos e suas formas de defesa, e puderam tocar com cuidado a pele do animal e ver a sua estrutura corporal na prática. Durante o projeto também construímos um girinário, para observar o desenvolvimento dos girinos, que foram trazidos por um aluno. Para isso, utilizamos um aquário grande, pedras de diversos tamanhos, aparelho de oxigênio para manter a água limpa, pequenas vegetações e parte de areia. No decorrer da pesquisa, as professoras confeccionaram jogos com os alunos,

com intuito de fixar as informações obtidas, de forma lúdica. Isso tornou o conhecimento ainda mais significativo. A fim de observarem a influência dos sapos no meio ambiente, fizemos uma visita às hortas da família Becker. Lá, além de os alunos terem a oportunidade de conhecer a forma de cultivo de verduras, eles aprenderam, com os trabalhadores, que os sapos são bem-vindos às plantações e até os auxiliam na produção das verduras, pois eles se alimentam de vários insetos e animais pequenos que estragam a produção. Para concluir o tema do projeto, confeccionamos um folder objetivando conscientizar a comunidade escolar sobre a importância do sapo para o ambiente. As crianças puderam ilustrar o que aprenderam no projeto e as professoras sintetizaram as principais descobertas que fizeram no decorrer dele. Após, a turma percorreu a comunidade do entorno, entregando os folders e contando às pessoas o que aprenderam. Ao final, tal projeto foi apresentado na Mostra de Projetos de Pesquisa da Arno Nienow (MOPPAN), onde os alunos foram divididos em vários grupos para apresentar as descobertas que fizeram, mostrandoas fotos e trabalhos que desenvolveram. A avaliação foi contínua ao longo do projeto, observando os conhecimentos prévios e descobertas gerais sobre o assunto. Além disso, foi levada em

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Débora Knackfuss Escobar dos Santos Pedagogia | Especialização em Psicopedagogia Institucional

Márcia Catieli Oberherr Pedagogia | Especialização em Ensino Lúdico (em andamento)

consideração a participação coletiva e individual em relação à pesquisa e ao desenvolvimento, a cooperação e o trabalho em grupo, e ainda, a expressão oral e o domínio do tema dos educandos para a apresentação na MOPPAN (Mostra de Projetos de Pesquisa da Arno Nienow). CONSIDERAÇÕES FINAIS: O projeto foi muito significativo para a turma, que pôde pesquisar e aprender sobre dúvidas e medos que possuíam em relação aos sapos. Observou-se bastante a participação das famílias no projeto, o que possibilitou que esse trabalho se estendesse em casa, na rotina da família também.

Na medida em que aprendiam mais sobre esse animal, iam perdendo o medo e a insegurança. Na palestra com a bióloga, eles ampliaram seus conhecimentos e até puderam ter contato com um sapo, devolvendo-o em seguida para o habitat onde ele foi encontrado, o jardim da escola. Além disso, o girinário, construído com auxílio dos alunos, professoras e também do Merendeiro “Tio Valmir” (como é chamado por todos na escola), foi o maior sucesso. Para isso, transformamos um aquário grande de vidro em um ambiente, para que os girinos pudessem realizar todo o seu ciclo de vida da

melhor forma possível, e que as crianças pudessem observar e aprender as fases desse ciclo. Ao final, ver que a experiência deu certo, e ver a satisfação das crianças, foi muito gratificante. A fim de consolidar o trabalho de pesquisa, as crianças apresentaram na MOPPAN (Mostra de Projetos de Pesquisa da Arno Nienow), expressando de forma espontânea suas conclusões e pesquisas, tornando ainda mais significativo o trabalho de preservação no meio ambiente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: AZEVEDO, R. Meu nome é Sapo. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999. BRAIDO, E. Como nasce a Rã. São Paulo: FDT, 1995. KUPSTAS, M. Sapo de Estimação. São Paulo: Moderna, 1988. O REINO animal. São Paulo: Abril, 1985, p. 19-25. OLIVEIRA DA CRUZ, Camila. Sapo. Infoescola. Disponível em: <http://www.infoescola.com/anfibios/sapo/>. Acesso em 30-08-2017 PINTO, R. G. Dona Sapuda e seus filhotes. Belo Horizonte: Fabi, 1987. VILELA, Fernando; BARBIERI, Stela. O SAPO COMILÃO. São Paulo: DCL Difusão Cultural, 2013.

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SEÇÃO

PROJETOS

As araucárias e o pinhão PROBLEMA: De onde surgiu o pinhão? JUSTIFICATIVA: Antigamente existiam araucárias em grande quantidade; porém, houve grande desmatamento desta espécie para utilização de sua madeira. Quando o bairro São João foi criado, foram cortadas diversas espécies de árvores, entre elas a araucária. Pensando em incentivar o plantio de araucárias no nosso bairro, resolvemos, então, estudar mais sobre esta espécie, que merece nosso cuidado e proteção. OBJETIVO GERAL: • Identificar qual é a origem do pinhão. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: • Observar araucárias e pinhas e realizar registros; • Estudar a formação do pinhão; • Identificar e reconhecer uma pinha; • Reconhecer a fragilidade da espécie da araucária e da Gralha Azul; • Verificar e mapear no bairro a quantidade e a localização das araucárias existentes; • Plantar mudas de araucárias e acompanhar seu crescimento anualmente; • Reflorestar a mata ciliar do Arroio Feitoria com araucárias e incentivar a sua proteção. ATIVIDADES: • Degustação do pinhão cozido; • Plantio de pinhões e cuidados (dando água, observando e registrando o crescimento); • Pesquisa na internet sobre a pinha, o pinhão, a araucária e a Gralha Azul; • Procura na internet de receitas com pinhão e as vitaminas que o pinhão tem; • Preparo de um bolo de pinhão; • Passeio pelo bairro, procurando e mapeando as araucárias existentes; • Construção de uma maquete do bairro com as araucárias; • Hora do conto: Lenda da Gralha Azul; • Desenho de observação da pinha e do pinhão; • História em quadrinhos sobre a Gralha

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Azul e o pinhão; • Filme sobre as araucárias; • Documentário: “Um pé de quê?”; • Realização da “sapecada” de pinhã; • Desfile cívico pedindo proteção às araucárias e à Gralha Azul; • Plantio das mudas de araucária nas margens do Arroio Feitoria. RELATO DE EXPERIÊNCIA: No ano de 2017, recebi o desafio de acompanhar o 3º ano/01 da E.M.E.F. Prof. Paulo Arandt em sua jornada pelo conhecimento. Nosso projeto surgiu, após o dia em que preparamos pinhão cozido para saborearmos. Os alunos foram questionados de onde vinha o pinhão. Para surpresa da professora, somente dois alunos da turma sabiam a sua origem. Surgiu então a ideia de nos aprofundarmos mais sobre o assunto: De onde surgiu o pinhão? O interesse da turma foi tão grande, que o projeto estendeu-se durante o ano todo. Realizamos diversas atividades, e todas foram registradas no caderno de campo, dentre as quais podemos citar o dia em que observamos a pinha que acabou estourando e os alunos ficaram encantados! Também foi marcante o dia em que plantamos os pinhões, que foram cuidados com muito carinho por todos da turma, durante todo o ano. Quando começaram a brotar as primeiras araucárias, foi um motivo de grande comemoração. Aproveitamos para conhecer melhor o bairro São João e realizamos diversas caminhadas em busca das araucárias. Realizamos o mapeamento, a localização e a contagem do número de araucárias existentes no São João. Iniciamos, então, a construção de uma maquete do bairro, com as araucárias identificadas nas ruas por onde passamos. Foi muito gratificante participar da Multifeira em nossa escola, onde todos os alunos se empenharam na demonstração do trabalho realizado. Utilizamos a maquete para demonstrar onde estão as araucárias do bairro, realizamos explicações sobre o que aprendemos, entregamos a receita do bolo de pinhão, e todos os visitantes puderam degustar o bolo de pinhão

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Perla Motta Goulart Pedagogia (em andamento)

e o pinhão cozido. No final do ano, realizamos o plantio de nossas mudas de araucária, que foi um momento inesquecível para todos. Das 18 mudas plantadas, 10 cresceram e foram transplantadas para a beira do Arroio Feitoria. Os próprios alunos deram a ideia de acompanharmos o crescimento das árvores, e iremos uma vez ao ano visitar nossas araucárias, até os alunos completarem o 9º ano. No mês de abril deste ano, voltamos para verificar como andam as mudas. Para nossa surpresa e alegria, das 10 mudas que plantamos, 5 sobreviveram. Então, medimos essas mudas, que estavam entre 13 e 28 cm. No próximo ano, voltaremos até o Arroio e iremos plantar pinhões diretamente na terra, assim como a Gralha Azul faz. Esperamos que nossas mudas sobrevivam e cresçam para que, quem sabe um dia, no futuro, os alunos possam saborear juntamente, com seus filhos, um delicioso pinhão. AVALIAÇÃO: Após o término do projeto, fizemos uma análise coletiva dos dados que obtivemos. Concluímos que, no bairro São João, existem poucas araucárias, pois encontramos somente 18 ao todo, sendo que a maioria foi replantada há aproximadamente 30 anos, segundo relatos dos moradores. Chegamos à conclusão de que houve desmatamento da mata nativa durante o crescimento do bairro, e é nosso papel auxiliar no reflorestamento das araucárias. Sugerimos que mais pessoas plantem araucárias, pois elas contam um pouco da nossa história e devemos preservar a natureza!

BOLO DE PINHÃO Ingredientes: • 2 xícaras (chá) de pinhão cozido e triturado • 1/2 xícara (chá) de óleo • 1 xícara (chá) de leite • 4 ovos • 2 xícaras (chá) de açúcar • 2 xícaras (chá) de farinha de trigo • 1 colher (sopa) rasa de fermento em pó • 1 colher (chá) de canela em pó Modo de Fazer: • Cozinhe os pinhões, descasque e triture no liquidificador a quantidade para 2 xícaras. • Acrescente os ovos, o leite, o óleo e o açúcar. Bata muito bem, retire do liquidificador e passe para uma tigela. • Peneire o trigo com o fermento e a canela e acrescente à mistura, mexendo delicadamente. • Unte e enfarinhe uma forma e asse na temperatura de 180º por mais ou menos 30 minutos. Turma: 3º ano/01 MULTIFEIRA 2017

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Site Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/ Pinh%C3%A3o. Acesso em 08 de maio de 2017. Site Wikipedia https://pt.wikipedia.org/wiki/Araucaria. Acesso em 15 de maio de 2017.

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Aline Tatiane Morschell

SEÇÃO

Pedagogia

PROJETOS

E

Juliana Gallas Gräwer Pedagogia Especialização em Educação Infantil

O que há na selva?

m uma tarde, durante a hora da fruta, uma banana chamou a atenção da turma do NA1 da EMEI Clarice Maria Arandt. Sua casca amarela estava cheia de manchas de cor marrom, lembrando o corpo da girafa. Neste momento surgiu uma pergunta: “A girafa faz som?”. E a partir desse questionamento, iniciou-se uma grande discussão sobre animais que fazem ou não fazem som. Entre os animais mais citados pelas crianças estavam o urso, a girafa, o elefante, o leão, o macaco, o jacaré e a cobra. Observando que o interesse maior estava nos animais selvagens, indagamos às crianças sobre o que mais gostariam de descobrir sobre os mesmos contando a história: “O que há na selva”. Surgiram muitas perguntas, mas também muitas hipóteses e conhecimentos. Para descobrir e verificar as hipóteses das crianças, mergulhamos nesse mundo animal, pesquisando curiosidades e um pouco mais sobre a vida desses animais. Para as crianças, os fenômenos naturais e o meio natural são especialmente misteriosos e convidativos para descobertas e indagações. Muitos são os assuntos pelos quais elas se interessam, mas os animais são os principais responsáveis por inúmeros questionamentos e curiosidades. O Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil estabelece que as crianças sejam capazes de se interessar e demonstrar curiosidade pelo mundo social e natural, formulando perguntas, imaginando soluções para compreendê-lo, manifestando opiniões próprias sobre os acontecimentos, buscando informações e confrontando ideias e de estabelecer algumas relações entre o meio ambiente e as formas de vida que ali se estabelecem, valorizando sua importância para a preservação das espécies e para a qualidade da vida humana.

Sabendo do grande interesse apresentado pelas crianças acerca dos animais selvagens, pensou-se ser

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oportuno elaborar um projeto no qual fossem abordados temas pertinentes aos animais e ao meio ambiente. De forma lúdica e através de experiências e vivências significativas, exploramos os questionamentos e dúvidas apresentados pelas crianças, proporcionando, assim, a construção de novas aprendizagens, que apareceram no nosso quadro investigativo “o que sabemos”, “o que queremos saber” e “o que aprendemos”. Como a presença desses animais não faz parte da nossa vida cotidiana, pensamos em trazer a selva para a nossa sala. Pesquisando o ambiente em que a maioria desses animais vivem, iniciamos a montagem de uma selva, utilizando materiais naturais, sucatas e diferentes técnicas de arte, para que as crianças se sentissem verdadeiramente em uma selva! Da mesma forma ocorreu com cada animal investigado. Muitos deles foram construídos pelas próprias crianças e incluídos na nossa selva. Dentre tantas atividades realizadas, destacamos algumas que foram mais apreciadas pelas crianças, como o Urso Douglas, a partir da história “Douglas quer um abraço”. Foi confeccionada uma sacola itinerante, contendo a história, um urso de pelúcia – o Urso Douglas –, fichas contendo informações sobre os ursos, o jogo dos abraços e um caderno onde os pais e as crianças registravam suas impressões sobre a visita. Essa sacola visitava a casa de cada criança, com o intuito de envolver toda a família na descoberta de novos conhecimentos sobre os ursos. Ao abordarmos sobre os leões, foi realizada uma hora do conto com a história: “A máscara do leão”. A partir dela, pesquisamos sobre as

máscaras utilizadas na cultura africana, confeccionando as nossas próprias máscaras. Já ao explorarmos as girafas, construímos uma girafa utilizando sucata, sem esquecer suas compridas pernas e seu longo pescoço. Assim também o elefante motivou muito as crianças, que se divertiram ao brincar na lama, imitando a brincadeira favorita deste animal. Ao pesquisarmos sobre os macacos, fizemos uma abordagem sobre as selvas brasileiras, pesquisando sobre os animais desta espécie que vivem próximos a nós. Assim, realizamos uma visita guiada pela Bióloga Ivana Collet ao Parque Municipal Romeo Benício Wolf, a fim de ver de perto os bugios que habitam a mata que rodeia o parque. Enfim, através de momentos de culinárias, jogos pedagógicos, histórias, vídeos, músicas, passeios e brincadeiras, descobrimos uma diversidade de curiosidades e construímos diversos conhecimentos sobre esses animais. Dessa forma, o projeto “O que há na selva” envolveu de tal forma as crianças, que cada dia era uma surpresa, uma nova pergunta, um novo questionamento e uma nova aprendizagem. Através do retorno positivo das famílias, os comentários, conversas e registros gráficos das crianças, bem como a alegria e o envolvimento delas em cada atividade realizada, pudemos concluir que o projeto atingiu seus objetivos. Assim, de forma lúdica, investigamos e descobrimos um pouco mais desse curioso mundo animal, oportunizando inúmeras vivências significativas, através da pesquisa e interação com o meio natural, para buscar as respostas às perguntas e hipóteses trazidas pelas crianças ao longo do projeto e que contribuíram de forma expressiva para a construção de novos conhecimentos.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL. Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria da Educação Fundamental. Brasília: MEC, 1998. SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. Plano Municipal de Estudo - Educação Infantil. Dois Irmãos: 2012. MELLING, David. Douglas quer um abraço. São Paulo: Salamandra, 2013. MAZO, Margarita Del. A máscara do leão. Curitiba: Positivo, 2012. GILLES, Andreae. O que há na selva? São Paulo: Caramelo, 2001.


Geovane Rinker

SEÇÃO

Computação | Especialização em Informática na Educação

Majane Estela Kunz

PROJETOS

L. Português | Esp. em Psicopedagogia Institucional e Clínica

Sandra Regina Bressan Becker Pedagogia | Especialização em Psicopedagogia Institucional

Educação financeira: uma nova perspectiva para estudantes da EJA

T

odo início de ano, novos planejamentos são realizados pelos professores para o bem da educação. Em se tratando da Educação de Jovens e Adultos - EJA, esta tarefa se torna ainda mais desafiadora, por não possuir um perfil único de público acadêmico, pela disparidade de idade e, principalmente, de personalidade. Muitos desses alunos são mães/pais de família, trabalham e buscam no ambiente escolar a recuperação do tempo perdido. Neste contexto, é fundamental repensar na formação marcada pela intencionalidade de auxiliar no processo de mudança social e desenvolver um trabalho voltado ao interesse do aluno, que possa fazê-lo refletir acerca do que é realmente importante e fará a diferença em sua trajetória, tanto pessoal como profissional. Essas são as características envoltas da Metodologia de Projetos, proposta adotada pelos professores para aproximar e relacionar as vivências dos alunos com os conteúdos escolares. Oliveira (2006) afirma que a metodologia de projetos torna-se um apoio para uma proposta educacional correlacionada com a afetividade e o ensino e a aprendizagem, permitindo criar condições para que os alunos experimentem suas descobertas, desenvolvam a confiança na própria capacidade de aprender e tomar decisões, para que assim possam realizar escolhas apropriadas na vida. Sabe-se que, diariamente, a população é bombardeada por propagandas e ações que refletem em aquisições de produtos e serviços nem sempre primordiais, causando assim um consumismo desenfreado e desnecessário, acarretando em dívidas precoces dos indivíduos. Frente a esse cenário, constatou-se a necessidade de trabalhar a educação financeira no atual grupo de alunos, advindos de uma área de vulnerabilidade social no município de Dois Irmãos. Assim, o projeto intitulado “Educação Financeira” desenvolveu-se tendo como base o livro de Reinaldo Domingos “Terapia Financeira: Realize

seus sonhos com educação financeira”, onde aborda um processo denominado DSOP (Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar), que visa a levar os alunos a pensar em maneiras de sustentabilidade e reorganização de suas finanças a partir de seus sonhos. O trabalho teve como ponto inicial o DIAGNOSTICAR. Assim, os alunos foram questionados sobre costumes em relação a suas finanças, se havia ou não o hábito de poupar para posteriormente comprar, ou gastar sem se preocupar em como pagar. Ao receber os questionários, ingressou-se na segunda etapa do estudo, o SONHAR e ORÇAR. Para este momento se propôs um novo questionamento, visando a descobrir quais seriam os sonhos de consumo dos alunos em três etapas, sendo curto, médio e longo prazos, bem como estabelecer o custo total desses sonhos. Com o retorno da atividade, criou-se “A árvore dos sonhos da EJA”, da qual constavam os resultados, agrupados por etapas. A fim de somar ao trabalho realizado, ofereceu-se aos alunos uma palestra com um formador, a qual agregou conhecimento ao projeto até então desenvolvido. De acordo com Vânia Rego, é necessário “...todo um esforço para que sejam desenvolvidas as capacidades de compreensão da importância da educação financeira para a concretude do futuro desejado; o conhecimento de instrumentos básicos de controle e organização das finanças pessoais; a reflexão sobre suas atitudes e comportamentos em relação à educação financeira; a tomada de consciência da sua situação financeira atual; a predisposição para revisar as ações do presente e os seus reflexos no futuro desejado e o reconhecimento da importância da autonomia financeira.”

A partir de todo o estudo realizado, parte-se para a última etapa do processo: POUPAR. A tarefa desenvolvida para esta etapa, foi a proposta de que os alunos anotassem, em uma tabela, todos os seus gastos diários, durante o período de quinze dias, para que pudessem perceber no que estão gastando e avaliar a importância desses gastos. Assim, fazendo sentido à proposta do processo DSOP para aplicação em sua vida. Domingos (2016) complementa que o dinheiro faz parte da nossa vida, e que estarão mais preparados para viver os que tiverem controle sobre o próprio dinheiro, que não os tornem escravos, mas senhores dos recursos financeiros de que dispõem. Dado o exposto trabalho, foi possível abranger conteúdos interdisciplinares, envolvendo professores e demais profissionais da escola que aceitam o desafio de serem educadores pesquisadores. Na metodologia de projeto, muitos outros temas podem ser abordados. As ausências e lacunas percebidas produzem a efetivação da vida cotidiana com a escolar. Logo, abordar esse assunto e trabalhá-lo em sala de aula, torna-se muito relevante para o desenvolvimento intelectual e social do aluno, pois, através dele, puderam perceber a importância da educação financeira em seu dia a dia, dando-se conta dos gastos desnecessários e o quanto isso prejudica no alcance dos seus sonhos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Cury, Augusto. Nunca desista dos seus sonhos. Rio de Janeiro, editota Sextante. 2005 Diálogos na educação de jovens e adultos. Organizado por Leôncio Soares, Maria Amélia Gomes de Castro Giovanetti, Nilma Limo Gomes. 4. ed. Belo Horizonte. Editora Autêntica. 2011 Domingos, Reinaldo. Terapia financeira: realize seus sonhos com educação finaceira. São Paulo: Editora DSOP, 2016 OLIVEIRA, Cacilda Lages. Significado e contribuições da afetividade, no contexto da Metodologia de Projetos, na Educação Básica. Dissertação de mestrado – Capítulo 2, CEFET-MG, Belo Horizonte-MG, 2006. Rego, Vânia. Educação Financeira para adolescentes e jovens. Disponível em: http://www.sebrae.com.br/ sites/PortalSebrae/artigos/educacao-financeira-paraadolescentes-e-jovens,0ad24d4efe960610VgnVCM100000 4c00210aRCRD. Acessado em: 11 de maio de 2018

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SEÇÃO

PROJETOS

Os cuidadores do Mundo e da Natureza

A

s crianças, desde muito pequenas, já estabelecem relações e têm opinião. Assim, quando estimuladas pela prática, que permite e oportuniza a participação ativa no processo de construção do conhecimento, suas possibilidades são ainda maiores. “Os Cuidadores do Mundo e da Natureza” é o nome do projeto escolhido pela turma do NB1 da escola EMEI Clarice Maria Arandt. As crianças tiveram autonomia para a escolha, dando sugestões escritas no quadro. A maioria decidiu que ficaria assim. O projeto surgiu a partir do passeio curioso realizado nos entornos da escola. Saímos para observar tudo com alegria, curiosidade, percorrendo ruas, calçadas, olhando coisas, objetos, pessoas, animais, casas, prédios e natureza. Ouvimos sons de carros, animais (passarinhos, cachorros e gatos) e conversas de pessoas na rua. Paramos numa floresta e observamos a natureza e suas curiosidades, nos expressamos e comentamos sobre o sol, as nuvens, as pedras grandes que vimos, árvores arrancadas inteiras pelo vento. Vimos plantações de milho, bananeiras e jardins floridos. Registramos com fotos e fomos até a escola para fazermos a roda de conversas para refletir e relembrar o que vivenciamos. Nas falas, o que surgiu foi a natureza e o que nela existe. Gostaram de observar e tocar as árvores, sentir o vento, pedras, folhas e ouvir os animais, conforme os relatos: “Gostei de tocar na árvore, caminhar e passar pelos cachorros” (Eduardo). “Gostei do passeio, de tirar fotos perto da árvore gigante, de passar na roça de milho, seguir o trilho da floresta e tocar nas árvores” (Karolini). O projeto teve como objetivo geral: Conhecer os “Quatro Elementos da Natureza”, por meio de atividades lúdicas, proporcionando um encantamento

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pela natureza e pelo Planeta Terra, estimulando a curiosidade, ampliando experiências e vivências. Considerando a importância da visão integrada do mundo, no tempo e no espaço, proporcionamos meios efetivos para que as crianças compreendam mais sobre os elementos da natureza, fenômenos naturais, bem como a consequência e responsabilidade de suas atitudes com o meio ambiente, sua própria espécie e outros seres vivos. Construímos coletivamente um quadro de pesquisa de papel pardo, contendo o que as crianças já sabiam, o

que queriam saber e o que descobririam sobre o assunto em estudo. No nosso cotidiano fomos colocando esses registros de forma participativa das crianças, através de desenhos, fotos, materiais (folhas, galhos, sementes) e anotações feitas pelas professoras. A turma tinha conhecimento e relatava sobre que estava registrado, dando ideias do que mais poderíamos acrescentar. Entre as propostas oferecidas, citamos as mais significativas: Passeios na área externa da escola, questionando, observando a natureza, registrando o que foi percebido através de desenhos, rodas

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Adriane Aline Butzker Costa Pedagogia | Especialização em Gestão Escolar

Marla Andrea Carvalho Pedagogia | Especialização em Psicopedagogia Institucional

de conversa, fotos e criações. Recolheram durante os passeios e trouxeram de casa materiais da natureza (folhas de diversos tamanhos: secas e verdes, sementes, galhos, pedras, sementes entre outros), exploraram, tocaram e sentiram texturas e aromas. Utilizaram os materiais

para as propostas desafiadoras, como: construção do esquema corporal utilizando elementos da natureza no pátio da escola; construção coletiva de uma mandala de elementos da natureza; painéis; arte em folhas secas. Criação de um sementário, com sementes trazidas

de casa (plantaram algumas sementes, observaram a germinação, pesquisaram o nome de algumas plantas e para que servem). Experiências: argila e barro (terra); giz de cera na vela (fogo); água da chuva, potável, rio, mineral e do mar, densidade dos líquidos e brincadeiras com bolhas de sabão; construção de uma cortina com gotas de chuva; histórias infantis envolvendo o tema em estudo; gráficos; ginástica historiada (com os elementos da natureza); construção de um canto de ciências. No decorrer do projeto, as crianças foram protagonistas de um livro coletivo, construído com registros de desenhos, falas, fotos e criações. Esse livro esteve presente durante a Mostra Científica e Pedagógica, para apreciação da comunidade escolar. Na seqüência, o livro visitou a casa das crianças da turma, quando cada uma pode contar a seus familiares o que foi feito, e após registrar suas percepções em família. Avaliamos positivamente o projeto, pois o mesmo contribuiu, através das descobertas, para percebermos que fazemos parte de um planeta (Terra) e que temos responsabilidades, como não desperdiçar água, não jogar lixo no chão, separar os tipos de lixos e cuidados em geral com a natureza. Vivenciamos muitas experiências, realizando trocas de aprendizagens, descobrindo como podemos viver de forma mais saudável e qual o nosso papel neste planeta. A turma tornou-se “Cuidadora da Natureza” de fato, levando adiante essas descobertas e aprendizagens, de maneira espontânea e natural para familiares, colegas e amigos, já que se sentiram parte integrante do mundo, que todos nós precisamos cuidar e preservar!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: DOIS IRMÃOS. Semec. Planos de Estudos da Educação Infantil. KIRST, Neale. Jovens Exploradores do Corpo Humano. Ciranda Cultural. STOTT, Charlote. Guia intergaláctico do Espaço. AGUIAR, Luis Antônio. Mini Larousse da Amazônia. Revista Nova Escola. Isto é Brasil/ Diversidade racial do país. Ano 29, n 277. Coleção Explorando o Universo: Planeta Terra – 1. Edição Sérgio Yamasaki. 2007. Referencial Curricular para a Educação Infantil. Coleção Ciência Hoje na Escola: Conhecimento de Mundo. Volumes 3, 4, 5, 6, 7.

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SEÇÃO

PROJETOS

Tá filmando...

E

ste relato apresenta um pouco do trabalho desenvolvido com a turma do 5º ano da EMEF Albano Hansen, no ano de 2017, quando decidimos pesquisar sobre o cinema e a produção de filmes. A escolha deste projeto foi uma sugestão coletiva, juntamente com a professora do laboratório de informática, quando elaboramos assuntos que seriam de interesse da turma. Pesquisar sobre cinema pode suscitar várias aprendizagens, pois agrega novas estratégias ao processo educativo. A pesquisa sobre este “fazer cinematográfico” pode se caracterizar como uma ferramenta educativa cheia de possibilidades, pois, ao ser percebido como uma mídia educacional, o cinema tem a possibilidade de inserir-se na sala de aula de forma promissora. Segundo Fischer (2002, p. 8), “um dos espaços da cultura em que se torna mais visível o processo de

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construção social de identidades talvez seja o da mídia e, particularmente, o da publicidade”. Com a oportunidade de conhecer novos recursos e possibilitar novos conhecimentos aos nossos alunos, foi possível perceber a fascinação pelo assunto, o desejo de tornar realidade o apreender e produzir imagens, sons, além da possibilidade de divulgar o projeto através das mídias. Assim, a pesquisa inicial partiu da história do cinema, amparada pelo filme “A invenção de Hugo Cabret”, de Martin Scorsese, produzido em 2011. O tema despertou o interesse dos alunos, ultrapassando a proposta e instigando a curiosidade em relação a muitos assuntos que não haviam sido pensados. De acordo com Carlos Gerbase (2012, p. 26-27), Os filmes não são feitos apenas com linguagem verbal. O cinema, inventado em 1895, é uma forma de expressão que mistura elementos de diversas

linguagens que existiam antes deles. Ele “roubou” coisas da fotografia..., da pintura..., do teatro..., da música e, é claro, da literatura... Desse fascínio pelos filmes, aos poucos, a turma foi descobrindo que precisava conhecer noções cinematográficas, pois surgiu a ideia de produzirem curtas-metragens. Após pesquisas, um dos suportes foi conhecer o trabalho desenvolvido pelo Educavídeo, da Secretaria de Educação de Gramado. Primeiramente, através do laboratório de informática, conhecemos alguns curtas-metragens que foram produzidos por eles, desde a elaboração, passando pela montagem, edição e finalização. Na pesquisa foi possível observar que os alunos estavam se tornando espectadores mais críticos sobre o cinema, mesmo sem realizar a parte prática do projeto. Sancho (2001, p. 150) afirma:

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Rejani Butzen Pedagogia – Multimeios e Informática Educativa Especializações em Psicopedagogia e em Mídias na Educação

Rosane Speggiorin Linck Pedagogia | Especialização em Dança | Mestrado em Educação

Quando os alunos produzem um programa, a aprendizagem ocorre no próprio processo de produção: na procura de informações, na elaboração do roteiro, nas localizações, na seleção do que devem gravar, na seleção de enquadramentos, na elaboração da trilha sonora... Então, após conhecer alguns dos curtas-metragens, desde a elaboração do trabalho, até as expressões corporais, verbais e artísticas, os alunos começaram a pensar e resgataram conhecimentos prévios para a elaboração do seu próprio curta. O depoimento de uma das alunas exemplifica: “Eu já sabia algumas coisas sobre se produzir um curta e vi que têm vários papéis: atores, roteirista, a produção, o diretor e a edição. Nas filmagens, os atores dão vida ao filme que o roteirista cria”. A produção audiovisual proporciona várias etapas de aprendizagem e a filmagem, em especial, proporciona posar para a câmera, observar e analisar as imagens com cuidado. Segundo Sancho (2001, pg. 147), “os exercícios de autofilmagem ajudam também no rompimento das rotinas perceptivas, permitindo descobrir com outros olhos a realidade próxima ou a própria realidade pessoal”. Depois desse processo, o desafio era para que a turma se organizasse em

grupos, com a finalidade de produzir curtas-metragens. Nossa intervenção foi em relação à escolha da temática, ou seja, uma história que contemplasse os Festejos do Kerb, hábitos e costumes da cultura alemã. Gerbase (2012) chama atenção para o primeiro desafio ao se produzir um filme, ou seja, chamar a turma de equipe, depois que houver uma divisão de funções e responsabilidade. Ao acompanhar essa divisão na turma, observamos que os alunos já sabiam quais funções queriam desempenhar. O depoimento de outra aluna expressa essa organização: “Nossa turma foi a Gramado e nós conhecemos o Educavídeo, aprendendo várias coisas sobre como fazer um curta. Depois, nos dividimos em três grupos com o propósito de fazer curtas sobre o Kerb. Eu sabia que queria ser roteirista e não atriz”. Assim, a aprendizagem permite fazer escolhas. Para Silva, Rizzo e Brandão (2002, p. 26), É preciso existir uma aliança entre as pessoas e os processos de aprendizado para a utilização de novas tecnologias, buscando possibilidades de criar e transformar conhecimentos, estimulando a comunicação e visando a expansão da autonomia pessoal.

Criar e transformar conhecimentos... eis o grande desafio para todos nós. Ao longo do ano, percebemos o crescimento pessoal e o avanço no processo de aprendizagem de todos, a partir de um projeto que envolveu a produção de curtas-metragens, a sala de aula e o laboratório de informática. O trabalho interdisciplinar exige parceria e planejamento em conjunto, oportunizando alianças e processos significativos. Ele oportuniza o acesso às informações, a interação com novas ferramentas tecnológicas e a autonomia na busca de novos conhecimentos e desafios.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: EDUCAVÍDEO, Gramado – RS; Noções cinematográficas básicas, Educavídeo 2015/2016, Secretaria de Educação – Gramado. FISCHER, Rosa Maria Bueno. Educação, subjetividade e cultura nos espaços das tecnologias de comunicação e informação. IN: SCHOLZE, Lia; MORAES, Salete Campos de (Org.). Caderno temático: multimeios e informática educativa. Porto Alegre: Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre, 2002. p. 07-12. GERBASE, Carlos. Cinema: primeiro filme: descobrindo, fazendo, pensando. Porto Alegre, RS: Artes e Ofícios, 2012. SANCHO, Juana M. Para uma tecnologia educacional. Porto Alegre: Artmed, 2001. SILVA, Maria Beatriz C. Cabral, RIZZO, Raquel Lourdes, BRANDÃO, Silvia Fernanda M. Tecnologia: um recurso educacional. IN: SCHOLZE, Lia; MORAES, Salete Campos de (Org.). Caderno temático: multimeios e informática educativa. Porto Alegre: Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre, 2002. p. 23-28.

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SEÇÃO

PROJETOS

Meus sentimentos diante das histórias e seus personagens

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ste projeto foi desenvolvido na turma NA com crianças de quatro a cinco anos, a partir do olhar atento das professoras pelo interesse das crianças por histórias, pela permanência por tempo significativo no cantinho da leitura e pela curiosidade em relação à existência dos personagens das histórias. Um exemplo: após conhecerem a história do Beleléu, uma criança expressou seu medo excessivo ao dizer: “Não, Beleléu, não!”, e uma colega tentou confortá-lo, dizendo que não precisava chorar; mas não finalizou, apenas olhou para a professora e perguntou: “Mas profe, Beleléu existe?”. A professora devolveu a pergunta e convidou a turma a pesquisar, uma vez que era um problema a ser resolvido, fomentando a pesquisa como meio de descobrir, e a turma aderiu. Buscou-se saber se os personagens das histórias existem ou são da imaginação, e quais são meus sentimentos e emoções diante deles e suas histórias. Durante um passeio pelos arredores da escola, uma criança eufórica falou: “Profe! Profe! A Gabriela, a borboleta amarela, existe! Olha ela ali voando!”. E tínhamos trabalhado com a história “Gabriela, a borboleta amarela”. Outros personagens foram sendo trazidos pelas professoras, como nos livros “A professora e o regador mágico”, que acompanha o regador, e a professora trouxe o feijão e o algodão para plantar e observar a experiência. Nessa vivência, o menino que mais demonstrava medo do Beleléu se aconchegou no colo da professora e não quis plantar sua sementinha, demonstrando seu raciocínio de ligação que o Beleléu podia existir, se esses personagens estavam sendo comprovados. Com o livro “Fusquinha cor de rosa”, também a professora trouxe um fusquinha cor de rosa junto com a história. A investigação estendeu-se em

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descobrir se as histórias são encontradas apenas nos livros. As crianças foram percebendo que as histórias não estavam apenas nos livros, como expressou uma criança: “Profe, tem história nos filmes!”. Outra disse: “A linda rosa juvenil é uma história!”, e a

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outra falou: “No rádio a profe Rose colocou história!”, observando que as professoras usaram diferentes meios, como: brincadeiras de rodas cantadas, CD de histórias, filmes, músicas, para trazer as histórias para a turma. Assim também, criaram uma história com sua família em que o personagem principal era a criança. Pois há personagens que são da imaginação do escritor, mas, neste caso, eles mesmos são os escritores e protagonistas de suas próprias história. Diante disso, após pesquisar sobre as histórias, descobrimos que elas nos trazem inúmeras sensações, como: alegria, tristeza, medo. Assim, descobrimos que devemos falar sobre nossos sentimentos, e que não precisamos ter vergonha de dizer que temos medos. Foi assim que algumas das crianças, que costumavam dizer: “Eu não tenho medo de nada. Eu sou corajoso!”, permitiram-se assumir os seus medos e sentimentos e falar sobre isso na rodinha de conversa, dizendo: “Eu tenho medo de trovão!”, “Eu tenho medo de Monstros!”, entre outros relatos. Viajamos por outro país, a África, com a história “Chuva de mangas”. A partir dela comemos e plantamos manga na horta da escola. A partir da história “Escola de barro”, confeccionamos uma escola com argila e capim. E descobrimos que homem e menino também podem e devem chorar, como a história “Menino Nito”. Descobrimos que adultos também têm medo, com o livro “Medos e seus segredos”. Cada criança levou para casa um retalho de tecido, para as famílias registrarem nele seus medos de infância. Com os diferentes retalhos, confeccionamos um lindo tapete para nossos piqueniques. Na hora do conto, no escuro e à luz de lanterna, uma criança disse: “Profe, eu tô se arrepiado com essa história! E eu se


Roseli Maifert Pedagogia | Especialização em Informática Instrumental para Professores de Educação Básica (em andamento)

Cleunice Sobieski Pedagogia | Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional (em andamento)

arrepiei com esse personagem!”. Assim, decidiu-se investigar sobre o que causa o arrepio. E, juntas, crianças e professoras buscaram informações que foram instrumentos para o desenvolvimento evolutivo do conhecimento, respeitando o conhecimento prévio da criança, como único e individual de seriação, reorganização e acomodação desse conhecimento, considerando indispensável a interação social no favorecimento da aprendizagem, bem como buscar alinhamento da cognição com as emoções, como dizem Call e Featherstone (2013): “Realmente,

precisamos mudar essa dicotomia histórica de cognição por um lado e emoções por outro e entender que as nossas emoções são o alimento que o eu dá vazão ao comportamento social [...].”. Acreditamos com esse projeto ter conseguido contemplar os conteúdos da educação infantil, a importância das crianças falarem sobre seus sentimentos, e concluímos que saber lidar com eles é imprescindível para que se sintam fortalecidas e inseridas no meio em que vivem, assim como dizem Call e Featherstone (2013): “Isso as fortalece,

fazendo com que sintam que realmente podem contribuir e ter um grau de controle das suas vidas”. Foi possibilitado às crianças poder falar do seu sentimento de maneira mais efetiva, sem estereótipos, podendo expressar-se como sujeitos para auxiliar em seu desenvolvimento integral.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: CALL, Nicola; FEATHERSTONE, Sally. Cérebro e educação infantil: como aplicar os conhecimentos da ciência cognitiva no ensino de crianças de até cinco anos de idade. Trad. Ronaldo Cataldo Costa. 2. ed. Porto Alegre: Penso, 2013.

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PROJETOS

O tesouro das letras

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endo o 1º ano do Ensino Fundamental um marco na vida escolar das crianças, as quais chegam ao início do ano letivo cheios de expectativas para ingressar no mundo letrado, vê-se a necessidade de estimular a aprendizagem da leitura e da escrita, de forma lúdica, prazerosa, criativa, crítica e cooperativa, desenvolvendo competências que as façam cidadãos ativos no ambiente em que vivem. Com o objetivo de inserir o educando neste mundo, despertando o interesse pela leitura e escrita, através de situações prazerosas e lúdicas, surgiu o Projeto “O Tesouro das LETRAS”. Em relação aos alunos do 1º ano, este projeto propôs-se a: - Usar a imaginação no processo de aprendizagem da leitura e da escrita; - Desenvolver autonomia para observar palavras escritas nos mais diversos contextos; - Pensar e refletir sobre o seu próprio processo de aprendizagem; - Desenvolver a habilidade da leitura; - Reconhecer a importância da leitura e da escrita no seu dia a dia; - Pesquisar e usar recursos para construir conhecimentos novos

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relativos ao tema da aula; - Desenvolver competências e habilidades para se expressar oralmente, percebendo a importância da socialização do conhecimento como grupo. Então, nesta perspectiva, criou-se uma situação que despertasse ainda mais a imaginação e a fantasia, que são tão características desta fase. O que um pirata estaria fazendo aqui na nossa escola? Com certeza à procura de tesouros. Mas que tesouro? Um tesouro que mudará a vida de quem o encontrar. Um tesouro que não é formado nem de ouro, nem de joias, nem de pedras preciosas. Um tesouro formado de letras. Sim, as letras, que, sendo desvendadas, organizadas, combinadas de formas diferentes, nos abrirão o mundo do conhecimento, da fantasia e da imaginação. Foi a partir desta brincadeira lúdica que os alunos foram motivados a entrar no mundo da alfabetização. Uma correspondência em forma de pergaminho, endereçada aos alunos do 1º ano da Escola Mario Sperb, de Dois Irmãos, convidava-os a procurar um tesouro. Junto deste pergaminho, um mapa que apontava a escola como o lugar onde esse tesouro estaria escondido.

Assim, eufóricos por desvendar o mistério do tesouro, a turma saiu à procura do mesmo, ou de pistas que os levassem a ele. Não acharam o tesouro, mas voltaram com várias pistas, inclusive um chapéu de pirata, que se encontrava caído no pátio da escola. Só isso já foi motivo para que a imaginação dos pequenos fluísse e as idéias viessem. Resolveram, então, escrever ao suposto pirata para saber mais coisas que pudessem ajudá-los. Criamos um texto coletivo e cada um fez um lindo desenho para o pirata. Uma semana depois, a partir de uma expedição pelo pátio da escola, a fim de observar o resultado do mutirão realizado no sábado anterior, eles se depararam com uma garrafa com uma carta dentro. Agora o pirata esclarecia muitas dúvidas que os alunos apresentaram desde o dia em que receberam o pergaminho. Mas claro que nenhuma resposta foi dada de forma fácil. Para descobrir o nome e a idade do pirata, eles tiveram que resolver umas “charadinhas”. Foi nesse dia que o tesouro foi encontrado: uma linda caixa com as letras do alfabeto. Vogais e consoantes que brilhavam tanto quanto os olhos curiosos de cada um.

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Silviane Vilanova Copetti Pedagogia | Especialização em Psicopedagogia Institucional

Então o mistério foi desvendado. O tesouro das letras. Quem o encontrar e souber decodificá-las, se enriquecerá de conhecimento. Dessa forma foi dado o pontapé inicial para o processo de alfabetização e letramento. Cada aluno se apropriou de uma letra e montou seu próprio tesouro, juntando palavras, figuras e objetos que iniciavam com aquela letra. Ao trazerem seu tesouro para sala de aula, escondiam-no para os colegas procurarem. Quando achavam, o mesmo era desvendado com atividades de leitura, escrita, pintura, artes... Com esse rico material, vindo dos próprios alunos, o projeto foi sendo desenvolvido e todos entraram no mundo mágico da leitura e da escrita, e assim o conteúdo transformou-se em objeto de alfabetização, com muitas histórias, músicas, vídeos educativos, jogos e dramatizações.

A aluna Marianne com o seu tesouro da letra Z

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ROSA, Adriana. Lúdico e Alfabetização. São Paulo, Juruá, 2009. PLANO MUNICIPAL DE ESTUDOS. SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE DOIS IRMÃOS/RS, 2012. BRAGA, Jussara. Pirata de Palavras. Editora do Brasil, 2017. ROCHA, Ruth. O Menino que Aprendeu a Ver. Quinteto Editorial, 1998.

A aluna Raquel com o seu tesouro da letra C Aluno Ariel com o seu tesouro da letra U

E assim cada um foi trazendo seus tesouros para compartilhar com a turma

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Relatos de Experiências

Uma experiência lúdica: monstrinho querido das crianças “Lúdico é um bicho que tem nariz de palhaço, cabelo azul, cheiro de algodão doce e gosto de poesia.”

A

Alexandre Reis

experiência de aprendizagem aconteceu na Escola de Educação Infantil Jardim da Alegria, com a turma do maternal I, envolvendo 20 crianças de turno integral, na faixa etária de 2 a 3 anos. Nossas aventuras com o monstrinho querido das crianças iniciaram com alguns questionamentos em relação a brinquedos que não estavam mais sendo encontrados na sala de aula. Alguns justificaram que o coelhinho da Páscoa havia pego seus brinquedos e escondido, assim como escondeu seus ninhos. Já outros destacaram que os brinquedos foram para o lixo, pois estavam quebrados. Então, eis que surge, em uma caixa-surpresa, o livro do Beleléu. Nossa primeira tarefa foi criar o

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monstrinho com as crianças, utilizando meia-calça e papel amassado. Todos demonstraram interesse em como ele iria ficar. O boneco, muito esperto e sapeca, no dia em que apareceu escondeu nossas caixas de brinquedos pela escola, propondo a tarefa de procurá-lo, vivenciando um mundo repleto de sonhos e descobertas. Como mostra Pereira (2005), As atividades lúdicas são muito mais que momentos divertidos ou simples passatempos e, sim, momentos de descoberta, construção e compreensão de si; estímulos à autonomia, à criatividade, à expressão pessoal. Dessa forma, possibilitam a aquisição e o desenvolvimento de aspectos importantes para a construção da aprendizagem. Possibilitam, ainda, que educadores e educandos se descubram, se integrem e encontrem novas formas de viver a educação” (p. 19-20).

Assim, procuramos, ao longo do projeto, trabalhar com diferentes experiências. Aprendemos as cores e formas. Ficávamos atentos, pois o monstrinho estava sempre pronto para pegar os brinquedos e objetos que não foram guardados na sala. As crianças tiveram o privilégio de levar o monstrinho e sua história para casa, onde as famílias relataram, no seu diário, como foi essa vivência. Alguns reagiram com alegria, já outros com um pouco de medo. As crianças que inicialmente demonstraram medo do monstrinho, logo foram criando confiança e lidando com as inúmeras propostas. Como professoras, sempre procuramos respeitar a individualidade de cada criança, buscando incentivá-la a vencer suas limitações, trazendo qual era o seu medo e trabalhando sua autoconfiança, tornando-a mais apta a lidar com esses sentimentos. Destacamos os relatos de duas famílias:

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Daiane Soares Da Silva Pedagogia

Maria Patrícia Stoffel Kolling Pedagogia | Especialização em Educação Infantil (em andamento)

Vanessa Konrath Maran Pedagogia | Especialização em Psicopedagogia

Primeiro relato: “A visita do Beleléu foi muito legal e valiosa, minha filha já vinha arrumando os brinquedos desde que a história foi contada na escola, na sexta-feira ela levou o Beleléu no mercado para ver a bagunça que havia atrás do caixa, ela sempre reclamava disso quando íamos lá. Em casa o Beleléu ajudou a fazer pastel com a visita dos tios e do primo. Lemos a história para ela e para o Beleléu. Foi uma visita muito legal, ela adorou. ” Segundo relato: “Beleléu é um monstrinho muito famoso na nossa família. Desde que começou o projeto, meu filho fala do Beleléu todos os dias. Faz um mês que ele recolheu todos os brinquedos que estavam na sala e guardou no seu quarto. “Para comemorar essa visita inusitada, levamos o Beleléu para passear, fomos na casa do vovô e da vovó. O vovô leu a história do livro para ele, foi um momento divertido. Depois fomos buscar o papai no trabalho. Alguns colegas do papai se assustaram com o Beleléu, mas ele o protegeu. “Quando chegamos em casa, ele levou o Beleléu visitar a casa da Dinda e da prima, foi uma festa. Depois do

banho, lemos juntos o livro do Beleléu. Esse monstrinho é muito bem-vindo na nossa casa. “E como ele mesmo diz: - Foi o Beleléu!!! Obrigado Profes por desenvolver esse projeto, já sentimos falta dos brinquedos espalhados na nossa sala, mas respeitamos esse momento.” O Beleléu nos deu grandes oportunidades de aprendizagem. Podemos perceber que a vivência do projeto permitiu que as crianças compreendessem melhor os cuidados que precisamos ter com nossos brinquedos e a importância da sua organização. Inúmeras foram as atividades desenvolvidas durante o projeto. Entre elas, podemos citar: tarefa com as famílias em confeccionar roupas para as bonecas da sala, jogo do boliche e das formas, a partir das histórias do Beleléu, pesquisa e apresentação de brinquedos da infância dos pais, destaque dos brinquedos preferidos da turma, festa a fantasia, entre outras, sempre buscando envolver família e escola. Como destaca Ischkanian, “o lúdico aplicado à prática pedagógica não apenas

contribui para a aprendizagem da criança, como possibilita ao educador tornar suas aulas mais dinâmicas e prazerosas”. Como professoras e autoras do projeto, junto com a construção das crianças e das famílias, podemos destacar que foi uma experiência rica em novas descobertas. A cada dia percebíamos nas crianças a motivação em aprender mais e continuar as aventuras com o monstrinho Beleléu. Em relação à organização dos brinquedos nos diferentes espaços escolares, percebemos que as crianças auxiliavam com mais satisfação e alegria, demonstrando cuidados com os brinquedos, e também cobravam dos colegas essas atitudes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Ischkanian, Simone Helen Drumond. http:// simonehelendrumond.blogspot.com.br/2012/09/frasessobre-o-ludico-para-o-mural- da.html. Acessado em 30/03/2018. PEREIRA, Lucia Helena Pena. Bioexpressão: a caminho de uma educação lúdica para a formação de educadores, 2005, 388p. Tese (doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2005. REIS, Alexandre. https://www.mensagens10.com.br/ mensagem/9841. Acessado em 28/03/2018

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Relatos de Experiências

Melissa Juliane Prates Pedagogia | Especialização em Ludopedagogia

Tamires Schuck Kafer Pedagogia | Especialização em Educação Infantil

A música na Educação Infantil Se eu for ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse os mistérios. (Rubem Alves)

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omos professoras do Berçário I e gostaríamos de compartilhar um pouco do trabalho pedagógico realizado com os bebês da Escola Municipal de Educação Infantil Jardim da Alegria, no primeiro semestre de 2018. Durante o período de adaptação da turma, acolhemos as crianças e proporcionamos diversas propostas, trabalhando sons, música, interação. Sabendo que, ainda no útero materno, as crianças escutam e produzem som, que ao nascer e à medida que crescem elas o usam como recurso importante para compreender o mundo e se comunicar, começamos a pensar no trabalho com música, primeiramente, explorando o som. O processo de musicalização dos bebês ocorre de maneira espontânea, pelo contato com os sons do cotidiano e também com a música, que está intimamente ligada com a exploração, pois eles investigam ao bater, apertar, agitar, soprar. Então propomos vários momentos assim, de barulhar, de pesquisar com objetos diversos, como balões, folhas secas, papel celofane, sementes, colheres de pau, latas e potes. Para Gainza, a linguagem musical é aquilo que conseguimos conscientizar ou aprender a partir da experiência (1988, p. 119). Depois introduzimos a música, que é a arte de combinar os sons de modo agradável aos ouvidos. Nesse momento, procuramos oportunizar a apreciação da música que vem da natureza, como o barulho da chuva, o canto dos pássaros, o zunir da abelha, ou o som do vento. Também trabalhamos com as músicas do nosso cotidiano, o motor do carro, a panela de pressão, o barulho das pessoas a nossa volta, entre outras. Cantamos muito! Para dormir, brincar, alegrar e acalmar. Cantamos fazendo gestos, imitando as vozes dos animais e inserindo seus nomes. Apresentamos às crianças músicas do cancioneiro infantil tradicional, da música popular brasileira, da música regional e

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erudita, de outros povos, culturas e épocas. Proporcionamos a escuta e o manuseio de instrumentos musicais industrializados e confeccionados. “Educar musicalmente e proporcionar à criança uma compreensão progressiva da linguagem musical. Através de experimentos e convivência orientada.” (Martins, 1985, p. 47) De maneira lúdica, procuramos trazer vivências significativas para que as crianças pudessem experienciar, de forma prazerosa, e aprender brincando. Teca Alencar de Brito (2003) afirma que A criança é um ser “brincante” e, brincando, faz música, pois assim se relaciona com o mundo que descobre a cada dia. Fazendo música, ela, metaforicamente, “transforma-se”, num permanente exercício: receptiva e curiosa, a criança pesquisa materiais sonoros, “descobre instrumentos”, inventa e imita motivos melódicos e rítmicos e ouve com prazer a música de todos os povos. (BRITO: 2003, p. 35)

Através da música, a criança se torna sensível e receptiva aos sons, promovendo o contato com o mundo musical já existente dentro dela, apreciando criativamente os sons que estão a sua volta. Na educação infantil, é fundamental que a criança se movimente para cantar, pois gostar de escutar é viver, sentir, barulhar. A música passa pelo corpo. Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, a linguagem musical é excelente meio para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da autoestima e do

autoconhecimento. Nosso maior objetivo foi o desenvolvimento pleno das crianças, principalmente para que elas possam valer-se da música como uma ferramenta de desenvolvimento pessoal, pois essa forma de expressão integra muitas capacidades, a sensibilidade, o intelecto, a razão e a emoção. Na primeira infância, a criança constrói um repertório de sons, o balbucio funciona como uma ponte entre a escuta e a fala. Por meio dessas trocas entre balbucio, som, música e palavra, são criados vínculos afetivos entre criança e música, outras crianças e todos que estão ali envolvidos. Percebemos que as crianças gostam de explorar, descobrir diferentes sons, e participam fazendo gestos quando cantamos músicas. Desta forma, para as crianças vivenciarem experiências ricas, precisamos oportunizar a elas a possibilidade de explorar, descobrir sons, músicas, instrumentos diferentes. A música contribui para o desenvolvimento das crianças e a harmonia dos sons, estimula a audição, fala, desenvolvimento intelectual, sensorial e motor. Por fim, queremos dizer que a música não é um privilégio de músicos, e sim um privilégio do humano, e que o valor deste trabalho fica evidente nas crianças, quando as vemos bater palminhas e balançar o corpo, sem saber sobre notas, partituras, timbre ou ritmo, apenas sentindo prazer em produzir e ouvir música. Seus sorrisos são a prova da importância do nosso trabalho, e perceber o quanto apreciam estes momentos é a nossa recompensa!

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Vol. 3. Brasília: MEC/SEF, 1998 GAINZA, V.H.D. Estudos de psicopedagogia musical. São Paulo: Summus, 1988. MARTINS, Raimundo. Educação musical: conceitos e preconceitos. Rio de Janeiro: FUNARTE, Instituto Nacional de Música, 1985. BRITO, Teca Alencar de. Música na educação infantil. São Paulo: Peirópolis, 2003. ALVES. Rubem. Pensador. Acessado dia 03/05/2018 // www.pensador.com/citacoes_de_rubem_alves/


SEÇÃO

Relatos de Experiências

Carina Sander Becker Letras- Português

O aniversário do Seu Alfabeto

O

s alunos do segundo ano da E.M.E.F. Prof. Paulo Arandt são crianças muito motivadas e entusiasmadas com a aprendizagem e envolvidas no processo de alfabetização. No início do ano letivo, durante a confecção do cartaz de aniversariantes, a professora aproveitou a situação para comentar que havia mais alguém de aniversário, porém seu aniversário nunca era comemorado. Os alunos ficaram muito surpresos, pois não conseguiam imaginar quem poderia ser. Durante o momento da parada da leitura, projeto desenvolvido por toda a escola diariamente, a professora trouxe o livro “O aniversário do Seu Alfabeto”, de Amir Piedade. O livro conta a história de uma festa de aniversário surpresa para o Seu Alfabeto. A esposa convida as letras para essa festa e elas se organizam para levar um presente ao aniversariante de acordo com a sua inicial. Todos ficaram muito surpresos, pois nem imaginavam que o Seu Alfabeto também poderia ser um aniversariante. Muitos foram os comentários e, assim, iniciou-se um belo projeto com o objetivo de envolver os alunos e familiares no processo ensino- aprendizagem. Realizaram-se várias atividades de leitura, de escrita e jogos. Até que uma tarde os alunos foram surpreendidos com uma cartinha enviada pelo Seu Alfabeto. Nesta carta, Seu Alfabeto relata que está acompanhando os estudos da turma e que para o auxílio da aprendizagem ele enviou o “Alfabeto Junior” e uma sacola com um diário para a realização de tarefas com os familiares. A turma ficou encantada com a carta e com o boneco, que servirá de auxílio no processo de alfabetização. Em sala de aula realizou-se um sorteio, tanto do nome de quem levaria a sacola, quanto da letra que o aluno, junto com sua família, deveria usar para realizar recortes de palavras e imagens, escritas, desenhos... a critério de cada um; porém deveria ser de acordo com a letra sorteada.

Na data combinada, o aluno retorna com a sacola e com muita alegria compartilha com os demais a sua vivência junto com a família, relatando quem participou do jogo e a forma escolhida para realizar a atividade do diário. Após o relato, sorteamos outro colega. Assim, até todos terem a oportunidade de levar para casa a sacola. Os alunos ficam ansiosos durante o sorteio e a cada nome escolhido a turma inteira vibra. É, também, muito emocionante ver como as famílias estão engajadas neste projeto, pois ao término da atividade cada família pode deixar um recadinho e os pais relatam a felicidade de poderem estar contribuindo para a aprendizagem de seus filhos. Envolver os alunos desde cedo em experiências de leitura é dar-lhes condições de avançar como escritor e leitor, ao pô-los em contato com os mais diversos gêneros de textos e com situações reais de leitura. Só assim estaremos formando indivíduos letrados e não apenas alfabetizados, como bem explica Magda Soares (1998): [...] um indivíduo alfabetizado não é necessariamente um indivíduo letrado; alfabetizado é aquele indivíduo que sabe ler e escrever, já o indivíduo letrado, indivíduo que vive em estado de letramento, é não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele que usa socialmente a leitura e a escrita, pratica a leitura e a escrita, responde adequadamente às demandas sociais de leitura e de escrita. (SOARES, 1998, p. 39-40)

Cabe à escola, como umas das instituições responsáveis por criar

situações de letramento, proporcionar condições reais de leitura e escrita, para que os alunos possam ser realmente capazes de se comunicarem nos diversos espaços sociais e de acordo com suas necessidades. Ao desenvolver qualquer atividade que envolva o uso da língua, com objetivos definidos e inserido numa situação que os saberes estejam vinculados às competências necessárias a sua realização, estamos, segundo Kleiman (2005), aplicando atividades de letramento. Outro fator importante é envolver a família nesse processo, pois a criança está inserida no grupo familiar, que é importante para ela. Então, toda prática que for desenvolvida junto a esse contexto, será muito significativa para a criança no seu percurso de alfabetização. O projeto ainda está em andamento, mas as conquistas com ele são diárias. Os alunos estão aprendendo com o lúdico, tornando o boneco mais um integrante da nossa sala de aula e usando-o para suprir as dificuldades encontradas na alfabetização. E este é o grande objetivo do projeto: unir as famílias e contribuir para o crescimento na área da alfabetização dos alunos. E para a conclusão deste, será organizado uma festa com a turma do segundo ano, para o nosso querido aniversariante, o “Seu Alfabeto”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: KLEIMAN, B. Angela. Preciso ensinar Letramento? Não basta ensinar a ler e a escrever? Cefiel/IEL/Unicamp, 2005-2010. PIEDADE, Amir. O aniversário do seu alfabeto. São Paulo: Cortez, 2007. SOARES, Magda. Letramento e alfabetização: as muitas facetas.2003. Universidade Federal de Minas Gerais, Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita.

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Relatos de Experiências

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Pedagogia Especialização em Administração e Supervisão Escolar

“Enxergar” sem ver

través dos órgãos dos sentidos, o ser humano conhece os objetos e as pessoas que o cercam. Um dos sentidos mais importantes é a visão, sendo ela nossa janela para o mundo que nos cerca. Através de diversas atividades práticas e experiências sensoriais realizadas em sala de aula, os alunos do segundo ano da Escola Prof. Arno Nienow, de 2017, detectaram que usam a visão para praticamente todas as atividades, surgindo a indagação sobre a possibilidade de não poder usá-la em certos momentos. A partir desta constatação, surgiu na turma uma grande dúvida e curiosidade sobre como perceberíamos o mundo sem a visão. Partindo da constatação acima destacada, surgiu nosso projeto de estudo “Enxergar sem ver”. O objetivo deste trabalho foi entender o que é deficiência visual, focalizando aspectos e particularidades da mesma e suas implicações no contexto educacional e social. Todo o trabalho foi focado na pergunta problema: Como um deficiente visual aprende, percebe e se adapta ao ambiente onde vive? Buscando analisar a temática proposta, este trabalho foi pautado na investigação a respeito do tema proposto. De forma a atingir a maior veracidade possível no processo de conhecimento da problemática estudada, o trabalho examinou com um olhar investigativo situações referentes ao objeto de estudo: a deficiência visual. Começamos nosso trabalho estudando o olho humano, seu funcionamento e doenças do mesmo, sendo uma das descobertas a de que a deficiência visual pode ter dois graus: cegueira ou baixa visão. 60

Cristina Sturmer Knob

Na sequência, ocorreu outro momento de grandes descobertas, em que tivemos a visita do professor Dorival Ellwanger. Ele nos ensinou e demonstrou o alfabeto Braille, possibilitando à turma tocar, entender e praticar o alfabeto. Descobrimos, nesse dia, que a pessoa com deficiência aprende a ler e escrever em Braille, temática esta que em estudos posteriores nos possibilitou descobrir que a escrita Braille está em vários produtos do nosso dia a dia, como: caixas de remédios e de sapatos, rótulos de alimentos, materiais de limpeza, e até nas paradas de trem em Novo Hamburgo. Os alunos foram desafiados a observar onde encontrar a escrita Braille no dia a dia. Quando descobriam algo, chegavam maravilhados em aula e mostravam a todos. Depois, juntos, fazíamos a leitura da mesma em Braille. Também tivemos a visita do Lions Clube. Entendemos que esse grupo faz um trabalho voluntário nas escolas, para identificar alunos com deficiência visual, para na sequência encaminhá-los ao oftalmologista. Nesse dia também foi oportunizado a todos os alunos da turma o teste de visão, tendo sido realizado por todos. Entrevistamos professoras/es de nossa escola com o objetivo de descobrir quais os desafios e práticas adotadas no dia a dia por eles com alunos com baixa visão. Para ampliar a experiência dos alunos, realizamos várias atividades práticas sem a visão, objetivando descobrir quais as diferenças e adaptações que as pessoas com deficiência necessitam. Foram atividades como: esconde-esconde, andar de bengala, descobrir objetos e escutar histórias. Foram momentos desafiadores e de muito aprendizado por parte dos alunos. Percebemos que não é fácil colocar-se no lugar de alguém com essa deficiência, e os desafios e as dificuldades enfrentadas por eles. Assistimos ao filme “A Cor do Paraíso”, para observar como o preconceito está presente em nossa vida. Conversamos sobre a importância de aceitar e não julgar as pessoas. Vivenciamos uma aula sem o uso

da visão. Nesse dia, realizamos todas as atividades com os olhos vendados, fazendo-se necessário usar outros sentidos, proporcionando a descoberta da importância das atividades estarem adaptadas, como, por exemplo: a escrita estar em Braille, os desenhos estarem em relevo e a atenção estar voltada para a aula. Também ouvimos desenhos animados normais e desenhos animados com audiodescrição. Para finalizar nosso estudo, escrevemos, ilustramos e montamos um livro infantil totalmente adaptado, com escrita Braille e desenho em relevo. Nesse momento, conseguimos colocar em prática tudo que havíamos estudado e aprendido durante esse projeto. O projeto de pesquisa foi apresentado na escola durante a MOPPAN - Mostra de Projetos de Pesquisa da E.M.E.F. Prof. Arno Nienow, onde foi possível demonstrar à comunidade toda nossa pesquisa e como a mesma mudou nossa percepção em relação às pessoas com deficiência visual. Para nossa surpresa e alegria, nosso trabalho foi selecionado para ser exposto na MOSTRATEC/2017. Ficamos empolgados e felizes em poder levar para mais pessoas nossas descobertas. Assim, no mês de outubro, nos dias 25 a 27, fomos para Novo Hamburgo apresentar nosso trabalho. Foi muito desafiador sair de nossa escola e expor em um ambiente gigantesco, para milhares de pessoas, além de sermos avaliados por especialistas da área de estudo. Foi emocionante ver os alunos darem seu melhor, ver o brilho nos seus olhos ao explicarem, além de sentir o orgulho dos pais ao verem seus filhos num evento dessa magnitude. Já nos sentíamos vitoriosos com isso, mas novamente fomos surpreendidos, pois nossa pesquisa recebeu duas premiações, sendo uma delas o 4º lugar na feira, pelo qual recebemos jogos pedagógicos para a escola. A partir dessa experiência, de tantas vivências e superação de nossas expectativas e até dos objetivos iniciais propostos, posso dizer que este trabalho mudou nossa maneira de ver o mundo.

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SEÇÃO

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Relatos de Experiências

Astério Luis Mombach Educação Física Especialização em Ciência do Movimento Humano

Rústica do trabalhador

radicionalmente realizada no dia 1º de maio, a Rústica do Trabalhador, em 2018, realizou sua 20ª edição. A Rústica faz parte do Calendário de Eventos Esportivos do Departamento de Desporto da SEMEC de Dois Irmãos, pois motiva atitudes para uma vida saudável, através da prática do esporte, ao promover várias categorias de corridas que incluem adultos e crianças a partir de três anos de idade. O evento conta com a adesão de muitos participantes, principalmente nas categorias infantis, que buscam os diversos benefícios que a corrida e as atividades físicas proporcionam. As primeiras vivências com a Rústica do Trabalhador iniciaram ainda enquanto professor. Incentivava meus alunos da EMEF Professor Arno Nienow a participarem, explicando a importância das corridas, relatando que as corridas são pré-históricas, já que nossos antepassados precisavam correr para caçar ou fugir de seus predadores. No recreio das escolas é fácil perceber qual a atividade mais realizada pelas crianças: CORRER. Descrevia aos alunos, em outras oportunidades, a corrida mais famosa do mundo, a MARATONA. Descrevia que era a lenda de um soldado grego que percorreu a distância aproximada de 40 km entre as cidades de Atenas e Maraton, para relatar a vitória grega contra os persas em 490 a.C., e depois desse sacrifício, morreu. Comentava aos alunos, na oportunidade, a distância oficial que, desde a 1ª Olimpíada em Atenas, em 1896, era de 40 quilômetros, e desde a Olimpíada em Londres, em 1908, mudou para 42 quilômetros e 195 metros, para que a Família Real Britânica pudesse acompanhar do Palácio Real a passagens dos atletas, distância esta que permanece até hoje, sendo sempre a última prova nas edições das Olimpíadas pela sua importância histórica. Relatava também a origem e o surgimento das corridas lentas, ou corridas de Kenneth Cooper, em 1980, e a importância dessas corridas de resistência no que se refere à melhora na

força muscular, flexibilidade, resistência, aperfeiçoamento da coordenação motora, estímulo do metabolismo ósseo, aumento da capacidade respiratória e cardíaca, melhora no humor, socialização e apetite; além de prevenir a obesidade e, a longo prazo, diminuir os riscos de hipertensão, diabetes e cardiopatia isquêmica. Reiterava que o importante era competir, independente da colocação final. Lembro que, nas primeiras edições, havia apenas premiações para os seis primeiros em cada categoria e sorteio de bicicletas. Essas ações serviam de incentivo e motivação para a participação do evento. Assim, durante minhas abordagens para todas as turmas da escola, independente de serem meus alunos ou não, divulgava o evento fazendo a seguinte pergunta: Quem gosta de correr, ganhar medalhas e participar de sorteio de uma bicicleta? As respostas eram sempre positivas e, com isso, conseguia uma grande e crescente participação de alunos. Anos mais tarde, em 2009, assumi o Departamento de Desporto, e em 2010 proporcionei medalhas de participação a todos os competidores, com a intenção de valorizar a participação e de trazer maior igualdade a todos os participantes, bem como proporcionar uma medalha de recordação. Nessa caminhada, percebeu-se que essa iniciativa garantia aos participantes uma felicidade grande; independente da colocação, todos saíam alegres e satisfeitos pela conquista, oportunizando um evento mais lúdico e menos competitivo. Após o evento, na escola, durante a semana, percebia o

quanto os alunos que tinham participado da Rústica mostravam-se contentes, confiantes e orgulhosos de sua conquista, mostrando as medalhas aos colegas, professores e familiares. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (2010), não há contraindicação para a prática de corrida infantil. As corridas ajudam as crianças em diversos aspectos, como: desenvolver conhecimento e respeito pelo seu corpo, espírito esportivo de ganhar e perder, aumentar a estima e a confiança, e proporcionar melhora na condição física, combatendo o sedentarismo infantil e garantindo um futuro saudável. Durante essas 20 edições, podemos afirmar que o objetivo principal do evento é reunir famílias que motivem seus filhos a participarem, pois é sabido que realizar atividade física faz bem para o corpo, para a mente e para a alma. Se essa atitude começa desde cedo, essas crianças, com a inclusão da prática esportiva, entenderão naturalmente os benefícios. Outro objetivo alcançado pelo evento é o desenvolvimento e aquisição pelas crianças da prática de esporte na infância, que resultará em benefícios no seu crescimento e, consequentemente, continuará na fase adulta. Percebo que, quando vou para alguma escola realizar alguma atividade, alguns alunos me identificam como o TIO DA CORRIDA. Assim, acredito que esses alunos terão o evento como uma lembrança muito boa da infância e da escola, permitindo beneficiar-se pelo principal objetivo do evento, que é o gosto pelos esportes.

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SEÇÃO Relatos

de Experiências

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Plantar, cuidar e colher...

a revista de edição anterior, eu e meu colega professor Ricardo escrevemos sobre nossa trajetória, enquanto escola, no plantio da semente da Mostra de Projetos de Pesquisa. Ainda falávamos de um lugar carregado de intencionalidade, apenas. A semente da MOPPAN estava plantada, estávamos iniciando o cuidado, mas não sabíamos ao certo se vingaria e se colheríamos frutos desta. Como Pedagoga, senti-me motivada, pois plantar uma semente traz dúvidas, necessidade de busca, de transpor limites e, principalmente, nos faz ir em busca de conhecimento. Exige parceria e cumplicidade, e eu me senti fortalecida com o apoio da Comissão a esta proposta; ela deu ao grupo todo o suporte no sentido de manejo com esta semente plantada, através dos passos para o seu cultivo, suas necessidades e regulamentações. Por vezes, penso e me pergunto: O que me motivou a acreditar que seria possível fazer uma feira de projetos de pesquisa em nossa escola? Senti então necessidade de me voltar à minha trajetória enquanto sujeito. Quando estava em fase de

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defesa do meu mestrado (2007), um professor da banca, Gomercindo Gigi, em sua fala, marcou a minha trajetória, quando disse: “A gente sai da roça, mas a roça não sai da gente”. Estava, naquele momento, na academia defendendo uma luta, a minha luta, de provar que o caminho na contramão também se faz possível. De que a menina da roça também pode conquistar o espaço na academia, e mostrar, através do estudo e da pesquisa, o quanto muito do que se pensa da realidade do campo precisa ser repensado, analisado e defendido. Aí o leitor poderia se perguntar: O que isto tem de relação com o assunto em pauta? Para mim, tudo, pois iniciei meu texto falando de plantio. Quando me refiro a esse tema, não há como desvinculá-lo à atividade do agricultor. E em se tratando deste lugar, penso ser uma das profissões das mais otimistas. Embora a agricultura enfrente constantemente as intempéries da natureza, como: excesso ou escassez de chuva, granizo, inundações, o que leva a muitas frustrações de safra; ainda assim, o homem do campo, ano após ano, prepara a terra e planta a semente, na esperança da colheita. Não desistindo,

jamais. Aí sim entendo o que meu professor quis dizer, e acredito que a roça também não saiu de mim. Ela não se desprende; ela marca, até hoje, minha vida, o que me faz uma educadora incansável em semear, em acreditar que é possível. E se nem tudo sair conforme o planejado, podemos fazer novas tentativas. Mas também podemos nos surpreender com o inesperado, a colheita sendo melhor do que se esperava. Assim foi com a MOPPAN, plantada a semente de fazer uma feira de projetos de pesquisa na escola. A semente foi sendo cuidada por todos os envolvidos, regada e adubada pela formação, pela troca de conhecimento, pela iniciativa e estudo. Os frutos vieram, tivemos uma linda feira de projetos. Vinte e cinco projetos de pesquisa desenvolvidos, cinco na Educação Infantil, dez nos anos iniciais e dez nos anos finais. Nossa feira ficou linda, abrilhantada com os assuntos dos mais variados. Em acompanhamento e avaliação da feira, pelos responsáveis da MOSTRATEC JR., da Fundação Liberato Salzano Vieira da Cunha, foi destacada a qualidade de todos os projetos, ficando nítida a

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Magda Raquel Glienke Benati Pedagogia | Especialização em Alfabetização e Letramento, Psicopedagogia e Gestão Escolar Mestrado em Ciências Humanas

caminhada nos passos requeridos por um projeto de pesquisa. Como afiliados à MOSTRATEC, levamos, através de avaliação interna, um trabalho de cada etapa de ensino – Educação Infantil, Anos Iniciais e Anos Finais – para a respectiva feira. Para a Educação Infantil, o projeto “Tudo é Lixo?”, da turma de NA1, foi um momento de participação sem disputa por premiação. Mas qual não foi nossa surpresa ao, no final da feira, sermos contemplados com o quarto lugar com o projeto “Enxergar sem ver”, do 2º Ano 02 dos Anos Iniciais. E por nos Anos Finais nos representarmos com o trabalho “Aplicabilidade do Crédito de Carbono”, do 8º Ano, que acolheu uma aluna de inclusão, realizando-se todo um portfólio com atividades adaptadas

para a necessidade dela. O trabalho do 2º Ano também foi premiado pela empresa Sol Brinquedos Pedagógicos, como trabalho de destaque da MOSTRATEC JR., motivo pelo qual recebemos vários jogos confeccionados por essa empresa. Em nosso plano anual de passeio de estudos, dos Anos Finais, promovemos uma visita à MOSTRATEC, para que esses alunos tivessem a oportunidade de perceber que a pesquisa é um evento promovido nos mais diversos estabelecimentos de ensino, em nosso Estado, nosso País e também internacionalmente. Uma vivência única, um mundo de informação diante dos olhos, com um olhar direcionado ao protagonismo dos nossos alunos, vindo ao encontro do que se propõe com a BNCC (Base Nacional Curricular

Comum), fazendo deles cidadãos de competência, alimentados pelo tripé: conhecimento, atitude e habilidade. Não bastando mais a ideia de serem meros receptores do conhecimento, mas através de sua ação colocando-o em prática, na transformação social. Entra aí a surpresa da colheita, uma safra surpreendente! Mas o nosso plantio não foi solitário, plantamos em aldeia. Outras escolas da rede municipal de Dois Irmãos também acreditaram nessa possibilidade de construção de conhecimento. Muitas até mesmo nos antecederam. Nós nos visitamos em nossas feiras internas, nos encontramos na MOSTRATEC JR. e conseguimos o que mais esperávamos: o reconhecimento de nosso esforço, fazendo com que a formação continuada na rede, do corrente ano, contemplasse, para todas as escolas, 6 horas de estudo direcionado à pesquisa. E por fim, como docentes sonhamos com novos horizontes... Como diz a música tema do filme Moana, “o horizonte me pede pra ir tão longe, será que eu vou?”. A EMEF Arno Nienow foi, acreditando que no horizonte desconhecido dos projetos de pesquisa, coisas surpreendentes aconteceriam. Plantamos, cuidamos e colhemos!

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SEÇÃO Relatos

de Experiências

Reconstruindo nossa história

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estilo de arquitetura Enxaimel, ou Fachwerk, consiste numa técnica de construção, derivada da Europa, cujas paredes são montadas com hastes de madeira encaixadas entre si em posições horizontais, verticais ou inclinadas, e seus espaços preenchidos geralmente por pedras ou tijolos, sem a utilização de pregos. Devido às condições climáticas, seus telhados apresentam grande inclinação, evitando a umidade e atritos com a neve. As vigas de madeira dão estilo e beleza às construções do gênero. Nossa cidade teve como primeiros colonizadores os imigrantes alemães, que reproduziram seu aprendizado na arquitetura de várias casas, utilizando o estilo enxaimel. Buscando resgatar nossa história, pesquisamos com os alunos as casas que compõem o Patrimônio Histórico da cidade no estilo arquitetônico enxaimel, reproduzindo-as em maquetes para serem expostas e apreciadas pelos demais integrantes da comunidade escolar. O projeto teve como objetivos:

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Estudar a arquitetura enxaimel, sua origem e características, bem como os ângulos, proporções, medidas, formas, teorema de Tales e figuras semelhantes, materiais utilizados nas construções. Pesquisar as casas no estilo enxaimel que existem na cidade, sua data de criação, possíveis donos, atual estabelecimento, através de pesquisas na internet e posterior passeio pela cidade, identificando as casas pesquisadas, registrando através de fotografias de diversos ângulos, durante o passeio. Confeccionar com diferentes tipos de materiais, em duplas ou trios, as maquetes das casas pesquisadas e fotografadas. Realizar uma exposição das maquetes elaboradas, bem como das fotografias. Elaborar questões para a pesquisa histórica e arquitetônica deste estilo de construção. Produzir um texto de apresentação dos dados da pesquisa, nas normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), com introdução, desenvolvimento, conclusão e referências. Realizaram-se pesquisas no laboratório de informática sobre as casas enxaimel, sua localização, história,

arquitetura, materiais utilizados nas construções e curiosidades. A partir da pesquisa, iniciou-se a construção de trabalhos em duplas e trios, num Documento Compartilhado do Google Drive (nuvem), possibilitando o acompanhamento dos professores envolvidos durante todo o desenvolvimento do trabalho teórico, sendo o mesmo formatado nas normas básicas da ABNT. Estudos sobre as construções, ângulos, formas, medidas, proporções, teorema de Tales e figuras semelhantes, materiais utilizados nas construções da arquitetura enxaimel, nas aulas de matemática. Conseguimos o ônibus escolar que levou os alunos para um passeio pela cidade, observando as casas enxaimel desde o Museu Histórico Municipal, localizado na zona norte da cidade, até a casa Rübenich, localizada no Travessão, observando e fotografando as casas pesquisadas anteriormente, em diferentes ângulos. Posteriormente essas fotografias foram impressas na escola. Em algumas dessas casas foi possível entrevistar os donos ou responsáveis, para saber um pouco

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mais sobre os antigos moradores e donos. Em duplas, ou trios, nas aulas de matemática, com o apoio da professora de arte, os alunos confeccionaram as maquetes em miniaturas das casas enxaimel pesquisadas, observando as proporções, ângulos e arquitetura das mesmas, com diferentes materiais: isopor, palitos de picolé, papelão, tinta guache, cola quente, cola de artesanato, argila, caixas... A professora de língua portuguesa levou os alunos para o laboratório de informática, onde junto com a professora de informática, desenvolveram o trabalho teórico. Como culminância do projeto foi realizada uma exposição, com as fotografias, textos e maquetes, no saguão da escola, a qual foi apreciada

pelas demais turmas, professores e pais. O projeto teve a adesão de todos os alunos da turma; foi bem significativo. Os alunos inteiraram-se do estilo da arquitetura enxaimel e suas características, puderam apreciar as casas nesse estilo na nossa cidade, bem como conhecer suas histórias e reproduzi-las nas maquetes. Houve um envolvimento interdisciplinar, buscando em cada área o conhecimento e desenvolvimento do projeto sobre o “Enxaimel”.

Cristiane Bitsch Letras Português/Espanhol Especialização em Literatura Brasileira

Maria Bianca Henrich

Computação Especialização em Mídias na Educação

Patrícia Doerr

Educação Artística Especialização em Arteterapia Escolar

Silvana Rosa Hessler

Matemática Especialização em Gestão Escolar

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Weimer, Günter. Arquitetura da Imigração Alemã. Um estudo sobre a adaptação da arquitetura centro-ruropéia ao meio rural do RS. Editora da Universidade, Nobel/RS, 1983. Wikipédia. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/ Enxaimel >. Acesso em 05/11/2017.

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SEÇÃO Relatos

de Experiências

Sarau de Poesia na Felippe Wendling “Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...”

O

Mario Quintana

poema acima descreve e caracteriza o gênero textual poesia como algo acessível e tátil a todos os leitores. Também apresenta a interpretação do mesmo de forma simples e despretensiosa, desprotocolando, de certa forma, as formalidades e regras da literatura, nomeando, assim, o leitor como o protagonista de uma história, aquele que dá vida e sentido ao poema. Assim, de maneira simples, informal e despretensiosa, no dia 14 de julho de 2017, aconteceu o Sarau de Poesia na Escola Felippe Alfredo Wendling. Tudo começou em maio do mesmo ano, com o estudo do gênero textual Poesia, na aula de Língua Portuguesa. A turma com a qual desenvolvi a atividade

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era, então, o 8º ano da escola. Por se tratar de uma turma bastante engajada com assuntos ligados à arte e à literatura, eu, como professora de Língua Portuguesa, propus aos alunos, e também por pedido de alguns deles, que a partir do estudo feito em aula, produzissem poemas. Para falarmos sobre o gênero textual em questão, utilizei como apoio algumas dicas e orientações encontradas no material oriundo da Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro, do ano de 2016. Para iniciar, após fazermos a interpretação do poema apresentado acima, analisamos a ideia e o conceito de poesia sob a visão de ninguém menos que Mario Quintana, quando este diz, em 1985, que “a poesia é uma maneira de falar sozinho.” Após reflexões e observações importantes acerca do texto, trabalhamos a parte estrutural de um poema, com orientações básicas sobre os diferentes tipos de rima, assim como a quantidade de versos dentro de uma estrofe e como isso define o poema de forma estrutural, sonora e estética. Este processo inicial durou por volta de três aulas. Em seguida, pedi aos alunos que escolhessem uma fonte de inspiração para a criação de tais poemas. Eles poderiam pensar em alguém, algum lugar, algum objeto, ou até mesmo um momento

especial, feliz, triste, difícil ou importante vivido por eles. O exercício proposto foi que se sentissem livres para pensar que sentimentos e impressões a tal inspiração lhes causava. A escrita dos textos durou por volta de duas aulas. Nesse período, a turma recebeu minha ajuda e orientação para a produção textual. Assim como, fizemos as devidas correções e combinamos que os poemas seriam entregues em folhas ilustradas pelos seus autores, de acordo com o tema ou assunto abordado neles. Ao ver os resultados das produções e o engajamento e – por que não dizer – o encantamento dos alunos na realização dessa atividade, resolvi lançar à turma a ideia de realizarmos um sarau poético com as suas obras. A partir de então, iniciamos outra etapa do nosso processo artístico e literário. Foi preciso entender e conhecer o conceito de Sarau e qual o seu objetivo: um evento que reúne pessoas com o objetivo de trocar experiências literárias, artísticas e culturais através de apresentações de algumas obras. Muitos alunos nunca haviam ouvido falar sobre tal feito. Decidimos que cada um estaria livre para apresentar seu poema da maneira que desejasse. As obras poderiam ser lidas para os demais,

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Marina Castro de Freitas Sommer Letras Português/Inglês

declamadas, musicadas e, até mesmo, encenadas. Assim como, seria possível utilizar-se de recursos audiovisuais para tais apresentações. Escolhemos, primeiramente, o local no qual o Sarau aconteceria: a sala de vídeo da escola. Organizamos materiais e recursos necessários para as apresentações, como efeitos musicais e visuais. Contei com a ajuda de um grupo de alunos que organizou a parte relacionada ao uso de recursos eletrônicos e que também foi responsável por uma mínima decoração do ambiente. O Sarau de Poesia foi um evento realmente inesquecível para mim e para a turma do 8º ano da Escola Felippe Alfredo Wendling. No dia, todos estavam felizes, nervosos e ansiosos para o evento, tanto por participar de uma atividade inovadora dentro do espaço escolar, quanto por apresentarem suas próprias produções. Na manhã de 14 de julho do ano de 2017, grandes talentos foram revelados. Pudemos apreciar encenações, poemas musicados e tocados no violão e declamações emocionadas embaladas pelas mais belas trilhas sonoras. Enfim, nasceu em todos os participantes o sentimento de satisfação e gratidão pelo envolvimento em tal evento, como protagonistas de uma história artística grandiosa, autores de maravilhosas obras literárias. Ficou evidente a alegria por trabalharmos

arte, literatura, autonomia, autoestima e a capacidade de sonhar e ser tudo que for possível ser, dentro das inúmeras possibilidades da vida. Como já dizia Fernando Pessoa: “...Tenho em mim todos os sonhos do mundo...”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. Cadernos Virtuais. CD: 5. ed. 2016. QUINTANA, Mario. Quintana de bolso: Rua dos Cataventos & outros poemas. Os poemas. Porto Alegre: L&PM, 1997, p. 104. Instituto Moreira Salles. Caderno de Literatura Brasileira. Mario Quintana. Número 25. São Paulo: Agosto de 2009, p. 31.

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SEÇÃO

Relatos de Experiências

Katia Francini Kolling Pedagogia

Chapeuzinho Vermelho e os 5 sentidos

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o ano de 2017, iniciei o ano letivo na escola Professor Arno Nienow com uma turma de Educação Infantil, NA, muito especial... Era a primeira vez de todos em um ambiente escolar! Todos vieram de casa, 12 alunos cuidados pela mãe ou avós! Estava na minha frente um grande desafio: Encantá-los, fazêlos perceber o quanto é importante e prazeroso ir para a escola, fazer amigos e aprender! Este foi o meu principal objetivo! Tudo começou quando estávamos desenvolvendo um projeto sobre o corpo humano, até chegarmos nos 5 sentidos. Realizamos diferentes experiências para compreendermos a importância de cada um. Sentimos diferentes texturas; cheiramos diferentes odores; provamos vários alimentos, entre doce, salgado, azedo; ouvimos diferentes sons em um jogo da memória auditivo; brincamos de gato mia, cabra cega... Porém, a aprendizagem realmente ocorreu, quando resolvi colocar a capa da Chapeuzinho Vermelho e nela me transformar, para contar essa tão antiga história, mas ao mesmo tempo tão atual, na qual falamos sobre os 5 sentidos, e também sobre o perigo de conversarem com pessoas estranhas e a importância de obedecerem seus pais. Enfatizei o diálogo entre a Chapeuzinho e o lobo: “Que olhos grandes você tem... Que nariz grande que você tem...” E quando a fala foi “Que boca grande você tem...”, a atenção foi completa! As expressões faciais de cada criança, nesse momento mágico, me fez acreditar que realmente eu era a Chapeuzinho Vermelho e que o lobo mau não estava ali de corpo presente, mas no pensamento de cada aluno! O sorriso, os olhinhos brilhando, os semblantes de preocupação fizeram com que eu não tivesse vontade de tirar

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mais aquela capa! Ao final da história, realizei uma interpretação oral da mesma, e os alunos perceberam que não havia docinhos na cesta. Então, fiz que eles virassem grandes chefes de cozinha, colocando neles avental e touca, e fomos até a cozinha para prepararmos cupcakes de laranja. As crianças participaram misturando os ingredientes, reconhecendo cada um e questionando sobre para que serviam. Também espremeram as laranjas no espremedor, fazendo a contagem das frutas que utilizamos, desenvolvendo também a motricidade na execução dessas tarefas. Falamos, durante o preparo, sobre a importância de uma

boa alimentação e a higiene na hora das refeições, e observaram o crescimento dos cupcakes no forno. Após, saboreamos os bolinhos e tomamos suco de laranja, levando para casa a receita do bolo para fazerem com a família! Em seguida, voltamos para a sala de aula, onde as crianças puderam vestir a capa da Chapeuzinho e brincar usando os fantoches da história e sua imaginação. Todos queriam ser a Chapeuzinho Vermelho, não importando se era menino ou menina. Muita diversão e encantamento nesse momento! No outro dia, filmei individualmente cada aluno na televisão didática que temos na sala, recontando a história que ouviram no dia anterior, desenvolvendo a sequência dos fatos e a oralidade. Passei os vídeos para eles olharem e se ouvirem falando! Primeiramente coloquei somente o som, para descobrirem de quem era a voz; depois mostrava o vídeo! Acharam muito engraçado, pedindo para que eu colocasse novamente. Acredito que o trabalho da Educação Infantil é a base de tudo! Precisa ter esse encantamento, mexer com a imaginação das crianças, desenvolver as habilidades motoras e regras básicas através de diferentes trabalhos e brincadeiras, em que a criança conheça o seu corpo e o que pode fazer com ele! Nós, professores de Educação Infantil, em alguns momentos precisamos libertar a criança que existe dentro da gente, mesmos parecendo “loucas” na visão de outras pessoas, porque, somente assim, conseguiremos compreender e ensinar melhor nossos alunos. Enfim, foi um trabalho muito significativo para mim e para as crianças. Realmente trabalhamos os 5 sentidos, além de desenvolver diferentes habilidades, tão importantes e fundamentais na Educação Infantil. Cada momento valeu a pena!

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SEÇÃO Relatos

de Experiências

Daiana Graff Lorscheiter Pedagogia | Esp. em Psicopedagogia Institucional

Vivian Karolina de Moraes Educação Física (em andamento)

Aprendendo e crescendo juntos

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omos professoras da turma do 4º ano, turma 02, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Arno Nienow. Já havíamos trabalhado juntas no ano de 2016. Sabemos que, todos os anos, professores ganham diferentes desafios, e o nosso, este ano, seria ter uma aluna de inclusão na turma, com Síndrome de Down. Essa turma é constituída por 19 alunos, dos quais muitos já conhecem e se socializam com ela. No início, a professora titular ficou curiosa para conhecer a aluna, seus avanços, progressos, e sucesso na aprendizagem. Exemplo disso, foi quando chegou ao 2º ano e surpreendeu a todos, pois foi umas das primeiras a se alfabetizar. A professora ficou feliz em saber que teria como parceira de turma a monitora educacional Vivian, porque ela já tinha acompanhado a aluna no ano anterior e conhecia suas habilidades e dificuldades. No ano de 2017, Vivian acompanhou a aluna auxiliando-a nas aulas. Durante esse período, observou que ainda eram vagas as frases e, portanto, textos também não eram construídos com ligações de assuntos; havia confusões de ideias e repetições de pequenas frases e palavras, sem dar qualquer sentido no que havia sido solicitado. Sabia ler e escrever, mas ainda com muitas trocas entre a linguagem oral e escrita. Este ano sabíamos que as aprendizagens se dariam ao seu tempo.

Cada aluno tem seu tempo, mas estávamos cientes que o tempo dessa aluna talvez seria ainda maior, devido à Síndrome de Down. Estávamos preparadas para respeitar e saber dar tempo ao tempo, e sabíamos que as aprendizagens seriam construídas aos poucos, até porque o 4º ano exige maior número de competências. Cada ano letivo vai se tornando mais difícil e complexo, sendo necessário, cada vez mais, ter domínio de conteúdos básicos para poder prosseguir e compreender o que está por vir. Em virtude das habilidades da aluna, o planejamento é pensado de forma igualitária. Ela participa de todas as atividades propostas em aula, sendo feitas poucas adaptações nas atividades de lógica matemática, em que há números de milhar e multiplicação com dois algarismos. Ela tem facilidade em resolver as atividades de matemática envolvendo adição e subtração. Participa ativamente nas atividades de linguagem, escrevendo e fazendo cópia do quadro. Na "parada da leitura" – momento em que os alunos leem um livro durante alguns minutos, e logo após, contam para os colegas o que leram – , essa aluna participa sempre com entusiasmo, imaginação e criatividade. A cada dia nos surpreendemos com nossa aluna, pois demonstra o quanto é capaz, tendo muita dedicação e comprometimento com seus estudos, além do trabalho unido entre família e

escola. Como resultado, no mês de abril ela participou de uma aula expositiva sobre cultura indígena, e depois realizou um texto rico em ideias sobre o assunto, que foi discutido em sala de aula, fascinando-nos com o resultado. Todos os dias somos desafiadas pelos alunos. Mas em especial, este ano, estamos realizadas com o ágil retorno das aprendizagens dessa aluna, e felizes em poder participar de suas novas conquistas. A aluna, que iniciou o ano com dificuldade em formular uma frase coerente ou registrar suas ideias, atualmente formula pequenos textos, incluindo ideias próprias, e a monitora precisa somente supervisionar a estrutura e a pontuação textual. Estamos finalizando o 1º trimestre e com ele muitas alegrias em relação à turma e com essa aluna, pois as aprendizagens e habilidades estão em desenvolvimento contínuo. Como diz o autor Rubens Alves, acreditamos que “educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O educador diz: 'Veja!' e, ao falar, aponta. O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente… E ficando mais rico interiormente ele pode sentir mais alegria – que é a razão pela qual vivemos”. As palavras de Rubem Alves nos impulsionam a acreditar que estamos guiando os alunos no caminho certo. E em relação a nossa aluna, nos deixa ansiosas para ver o resultado que obteremos ao chegar o final do ano. Estamos mostrando o caminho, o rumo, a direção que a levará a um mundo cheio de novas descobertas e desafios, que a auxiliarão em suas novas conquistas e aprendizagens. É notório o tamanho da sua vontade e do apoio familiar para que isso aconteça e ela consiga sempre progredir em sua caminhada.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: * Educar – Rubem Alves: https://mscamp.wordpress. com/2010/10/15/educar-rubem-alves/ Acesso em 22 de maio de 2018.

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SEÇÃO

Relatos de Experiências

Edição de imagem transcendendo a sala de aula

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Projeto Global é um espaço educativo que oferece alternativas de aprendizagem no turno oposto da escola regular. Oferta oficinas, em que são desenvolvidas atividades pedagógicas diferenciadas, que priorizam as questões de aprendizagem do dia a dia, do convívio familiar e social, voltadas à formação de cidadãos conscientes e participativos na comunidade. Diante do exposto, sinto-me desafiada a repensar sobre minha pratica pedagógica, revendo estratégias e metodologias, uma vez que a área tecnológica se desenvolve constantemente. Além disso, é preciso respeitar os diferentes ritmos de aprendizagem e diferentes habilidades que o aluno traz consigo, lembrando sempre as sábias palavras de Moran, ao dizer que “a grande tecnologia é o ser humano” (2004, p. 53). Considerando que estamos em uma era digital, precisamos que haja a inclusão das tecnologias em nossa sociedade. Sendo assim, a escola tem um papel fundamental e muito importante na implementação dessa ferramenta no cotidiano dos seus educandos, sempre que possível, pois ela está cada dia mais presente no dia a dia de todos.

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Enquanto professora na Oficina de Informática Educativa, procuro sempre proporcionar atividades através do lúdico, ampliando as possibilidades criativas individuais e coletivas, a partir das diversas mídias e recursos que esse espaço oferece, estimulando o discente ao questionamento, ao desenvolvimento do raciocínio e ao pensamento crítico, enriquecendo a experiência de aprendizagem de todos os envolvidos. Papert afirma que “o aprendiz constrói por intermédio do computador, o seu próprio conhecimento” (1994, p. 27). Essa teoria prevê a construção de ambientes virtuais, nos quais o aluno, através do computador, constrói seus próprios saberes. Como esse saber é realizado através do fazer, do contato direto com o objeto da aprendizagem, o aluno sente-se mais motivado e, por isso, a aprendizagem torna-se mais significativa. Nessa perspectiva de trabalho pude realizar com os alunos atividades diferenciadas, sendo uma delas o GIMP, um programa de código aberto voltado principalmente para a criação e edição de imagens raster, e em menor escala

também para desenho vetorial. Seus usos incluem criar gráficos, logotipos, redimensionar fotos, alterar cores, combinar imagens utilizando camadas, remover partes indesejadas e converter arquivos entre diferentes formatos de imagem digital. Esse trabalho foi desenvolvido com turmas de 5º e 6º anos nos meses de agosto e setembro de 2017, na Oficina de Informática Educativa do Projeto Global. Inicialmente, foi apresentado aos alunos o programa, para que fossem se familiarizando. Em sequência foi necessário selecionar e analisar alguns tutoriais para o uso da ferramenta GIMP, desenvolvendo um tutorial especificamente para auxiliar os alunos e capacitá-los para o uso das principais ferramentas do editor de imagem. Foram tiradas fotos de rosto e corpo inteiro de todos os discentes. A atividade foi iniciada pela edição de fotos de rosto. Eles podiam escolher se queriam a sua foto ou uma pré-selecionada pela professora. Começaram trabalhando com camadas, ferramenta de seleção, zoom, pincel e diálogos de seleção de cores, em que cada aluno tinha como objetivo alterar a cor de cabelo, boca e pele.

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Franciele Diani Farias Soares Pedagogia (em andamento)

Na segunda etapa da proposta, os alunos continuaram a utilizar as ferramentas descritas anteriormente, mas também descobriram novas, como a de vetor, alinhamento, redimensionar, borracha e corte. Nesse momento os alunos estavam realizando um trabalho concomitante sobre Dois Irmãos, então aproveitamos a ocasião para trazermos o tema para as nossas atividades. Realizaram uma pesquisa de imagens de pontos turísticos de Dois irmãos, na internet, e as salvaram em suas pastas. Em seguida, no GIMP, utilizaram as suas imagens de corpo inteiro, fizeram uma

montagem e as combinaram com as imagens dos pontos turísticos da cidade. As atividades foram realizadas em dupla e individualmente. Ao final, os alunos puderam conhecer o programa, e assim aprender a fazer edições simples de forma lúdica, prazerosa e divertida, descobrindo que o GiMP é uma boa alternativa gratuita ao Photoshop, contando com uma série de ferramentas e recursos, e podendo ser usado no Windows, Mac e Linux. Foi muito válida essa proposta de atividade. Os alunos se envolveram e demonstraram interesse em aprender

e a manusear o software, usando o seu potencial criativo. Além disso, a proposta estimulou a inclusão do software GIMP na educação, aspirando à qualidade da aprendizagem dos alunos, fazendo com que a tecnologia fosse utilizada em situações que trouxessem efetivas contribuições ao educando, tanto pessoal, como cultural, social e intelectualmente.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: PAPERT, S. A Máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Ed. Artes Médica, 1994. MORAN, José Manuel. Ensino e aprendizagem inovadora com tecnologia áudio visuais e telemáticas. 8 ed. Campinas: Papirus, 2004.

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Relatos de Experiências

D

BNCC: um novo desafio para a Educação

esde sua fundação, a escola, instituição criada na Modernidade por Comenius, traz como marco e princípio a aprendizagem dos sujeitos, como transformadores sociais. Desde então, a escola reflete a sociedade, através das relações e dos processos nela inseridos, buscando acompanhar os avanços culturais e tecnológicos. Para tanto, ressignifica suas políticas, conceitos e metodologias, visando a garantir, a cada um, em suas peculiaridades, e a todos, o direito a educação. Historicamente, assim como na grande maioria dos países, no Brasil o contexto escolar também se alterou, necessitando de mudanças curriculares para atender aos novos desafios da sociedade atual. Nesse sentido, em caráter de Lei, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em dezembro de 2017, normatiza as aprendizagens e estabelece o que todos os alunos do território nacional devem desenvolver ao longo da sua caminhada, na Educação Infantil e no Ensino

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Fundamental. É relevante lembrar que proposta parecida havia sido lançada na Constituição Federal de 1988, segundo a qual “serão fixados conteúdos mínimos para o Ensino Fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos nacionais e regionais” (art. 210). A ideia da Lei é amenizar as discrepâncias nos currículos escolares espalhados pelo país. A presença da BNCC traz um desafio não apenas para as escolas, mas também para os sistemas de ensino. Diversas indagações tomam conta das escolas, e não é diferente no município de Dois Irmãos. Exemplificando: Já há uma data aproximada para a implementação da BNCC nas escolas? Quais são os investimentos financeiros necessários para a implementação desse documento? Como dar conta do dia a dia da escola e da Base? Essas indagações, assim como tantas outras, refletem uma angústia e a inquietação de repensar algo que, por muitas vezes, está acomodado nas rotinas escolares. Assim, a Secretaria de Educação, a

partir da aprovação da BNCC, enquanto lei, sentiu a necessidade de iniciar uma mobilização para levar aos seus profissionais a compreensão da nova Lei da Educação. Desde o início desse processo, quando a Base ainda era um projeto, os municípios e profissionais da educação foram convidados a se reolhar e a se revisitar, bem como repensar suas práticas pedagógicas, e foram estimulados a contribuir na sua área, ou no seu componente curricular. Nesse sentido, não há como definir uma data como sendo a única para a implementação, pois desde a aprovação do documento em forma de lei, a SEMEC vem organizando uma mobilização em todas as escolas da rede, para que os profissionais conhecessem o conteúdo do documento e realizassem seu estudo nas reuniões pedagógicas. Também foram organizados momentos com as equipes gestoras, para discussão e orientações para construção do referencial curricular. Além disso, ocorreram momentos de estudo com as técnicas de apoio pedagógico, bem como organizou-se uma formação com

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palestra para todas as redes do território doisirmonense, tendo como palestrante o Professor Doutor Roberto Rafael Dias da Silva. Importa salientar que os profissionais tiveram seu encontro por área de trabalho no dia 20 de julho, quando iniciou-se a formatação da nova proposta curricular. Seguindo os princípios de construção coletiva, Dois Irmãos iniciou a caminhada para a elaboração, em especial, da parte diversificada e das Diretrizes Curriculares da Rede Municipal de Ensino, contando com o suporte das profissionais do Apoio Pedagógico da Rede, bem como com a efetiva participação de todos os profissionais da educação, que poderão alinhavar suas ideias sobre currículo, conteúdos, competências e habilidades em cada espaço escolar, valorizando suas características culturais, sociais e locais. Ressalta-se que cada escola tem a liberdade de interagir com a Base e desenvolver suas próprias práticas educativas, promovendo oportunidades

de aprendizagens significativas para o educando. Mais especificamente na Educação Infantil, a inovação trazida pela BNCC é uma oportunidade para reflexões sobre um olhar atento de como as crianças aprendem, priorizando propostas pedagógicas voltadas ao desenvolvimento de habilidades por meio da oferta de experiências e vivências que valorizem a promoção do diálogo. Também sinaliza pensar em uma proposta de organização dos ambientes, espaços e materiais, bem como dos contextos das atividades promovidas na instituição. A BNCC ainda aponta ser essencial pensar a Educação a partir dos desejos, necessidades e interesses dos educandos, pois coloca o aluno no centro do processo de aprendizagem. Nesse sentido, para a compreensão e apropriação da BNCC, momentos de leituras e formações tornam-se imprescindíveis, tanto em nível de

Carmen Royer Pedagogia

Dirce Maria Sauzen Letras Português/Alemão Especialização em Educação Especial

Karina Rossa Pedagogia Especializações em Coordenação Pedagógica e Orientação Educacional e em Atendimento Educacional Especializado

Nadia Helena Schneider Comunicação Social / Habilitação Publicidade e Propaganda Especialização em Gestão Escolar Mestrado e Doutorado em Processos Midiáticos

escola quanto de rede, pois o processo educativo formal acontece nas instituições educativas e na comunidade escolar, com os alunos e profissionais da educação. É nesses espaços e com profissionais capacitados que se dá o processo de ensino e aprendizagem. Portanto, são eles que podem (e devem) construir as diretrizes que irão nortear a educação no município de Dois Irmãos. Para tanto, acreditamos que é de suma importância, enquanto gestores da educação, oportunizar momentos em que os profissionais possam assumir a responsabilidade da autoria desse importante documento, de modo a costurar e organizar o que querem da educação em nosso território e como podem fazê-la, contemplando a maior qualidade social possível. Para alcançar esse objetivo, são necessários momentos de discussões coletivas e formações continuadas, pois conforme Staa: “Há muita liberdade para cada rede e escola lidar com sua própria identidade, definir seus objetivos e desenvolver suas metodologias e formas de avaliação, além de criar e selecionar os conteúdos e materiais com os quais os alunos vão interagir.”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: STAA, Betina Von. A BNCC para Educação Infantil e Ensino Fundamental foi homologada: qual é o nosso desafio agora? Linha Direta Educação por Escrito, Ed. 240. Ano 21. Mar 2018. Constituição Federal 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ constituicao/constituicao.htm> acesso em: 25, mai 2018.

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Relatos de Experiências

“Ensina-me de várias maneiras, pois assim sou capaz de aprender”

O

Presente relato é de minha experiência como monitora educacional com dois indivíduos autistas. Antes de iniciar o relato do trabalho, faz-se necessário um saber prévio sobre o assunto. Indivíduos autistas tem uma configuração cerebral diferenciada. O autismo é um transtorno no desenvolvimento global que dura a vida toda e impacta a maneira como a pessoa se relaciona e se comunica com as outras, bem como o seu modo de entender o mundo ao seu redor. Embora todas as pessoas com autismo tenham áreas de dificuldades em comum, sua condição vai impactá-las de maneiras muito diferentes. Algumas são capazes de viver uma vida relativamente “normal”, outras precisarão de apoio durante toda a vida. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ser classificado em três graus: Grau Leve é aquele indivíduo que tem uma vida relativamente normal. O Grau Moderado é muito difícil de identificar, pois intermedia entre o comprometimento do grau severo e os traços de independência do grau leve. O Grau Severo é aquele em que o indivíduo necessita de auxílio para quase tudo. Independentemente do grau (leve, moderado ou severo), o indivíduo necessita de apoio específico, pois geralmente o que diferencia esses graus

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são os sintomas, que em alguns são mais ou menos sutis do que em outros. As principais áreas de dificuldade que todas as pessoas com autismo têm em comum são: dificuldade de comunicação social; dificuldade na interação social; dificuldades com a imaginação social. Também os SENTIDOS exercem grande inflência nos indivíduos autistas, pois a grande maioria sofre com transtornos ou sobrecargas sensoriais. Hoje sabemos que são SETE os sentidos, pois além da visão, audição, tato, paladar e olfato, temos também o vestibular, que está ligado à área do equilíbrio, e a propriocepção, que é a capacidade de reconhecer o corpo no espaço e a maneira como colocamos a pressão nas coisas. Antes de iniciarmos qualquer intervenção com indivíduos autistas, precisamos estabelecer uma relação de carinho e confiança com eles, para que nos reconheçam como uma referência de apoio. Para que isto ocorra, o indivíduo autista precisa prestar atenção em você, divertir-se com a comunicação de duas vias, imitar as coisas que você diz e faz, entender o que os outros dizem, interagir com seus pares. A comunicação visual é o primeiro sinal de que o autista te reconhece como um de seus pares. Este ano, iniciei o trabalho com um menino autista, que irei nomear BB, na EMEF Felippe Alfredo Wendling. Ele tem

4 anos. Fala pouco e de forma ecolálica (repete a última palavra). Inicialmente, eu era totalmente ignorada pelo BB. Ele me dava a mão e ia comigo a todos os espaços, porém não me contabilizava como um de seus pares. Não havia troca de olhar, não havia respostas aos meus estímulos. Observei que, durante os recreios, por alguns momentos, ele observava as crianças que brincavam no balanço. Achava engraçado, se divertia com a brincadeira. A partir dessa observação, passamos a utilizar o balanço como uma ferramenta de interação. Inicialmente, coloquei-o no balanço de frente para mim. Nos balançamos algumas horas por vários dias. Ele não apoiava sua mão nas cordas laterais, apenas apoiava seu corpo ao meu e, apesar dele gostar das atividades e ficar muito calmo, continuava olhando para o nada. Foram mais de duas semanas repetindo essa atividade. Ao final da segunda semana cantei, como fazia todos os dias durante o balanço, uma música nova. Foi quando ele me olhou e sorriu. Ficou assim por um longo tempo, depois acariciou meu rosto e vibrou muito. Foi neste dia que BB me reconheceu como um de seus pares e como uma pessoa de referência. O segundo caso é sobre um menino de 13 anos da EMEF Professor Matheus Grimm. O menino ML, apesar de não

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Isair Teresinha Rockenbach Pedagogia

ser verbal, sabe ler e escreve utilizando teclados; porém, percebemos que não fazia uso dessas ferramentas para se comunicar de forma autônoma. Em parceria com a família, começamos a nos comunicar através do WhatsApp da mãe, uma ferramenta que o ML consegue usar. Usando esse aplicativo, fazíamos perguntas, às quais ele respondia nos momentos em que estava em casa, já que ele não permanece na escola em turno integral. Inicialmente, as suas respostas se restringiam a uma palavra e, aos poucos, ele começou a usar duas palavras para responder. Com isto, ele aumentou seu vocabulário e sua capacidade de se fazer entender pelos outros. Muitas vezes, na escola, não tínhamos acesso aos teclados para que ML pudesse se comunicar. Então, pensamos em um teclado móvel contendo as letras, números e algumas palavras prontas, para que ele pudesse se comunicar com as outras pessoas. Fazíamos perguntas e ele apontava para as letras, formando palavras ou frases para responder ou solicitar o que desejava. Este teclado é muito prático e foi adotado em todos os ambientes da escola, como: secretaria,

sala de recursos, sala de informática, sala de aula, biblioteca, cozinha. Um teclado igual também foi enviado para a família, e a mãe está levando-o em todos os atendimentos do ML, como: fonoaudióloga, psicóloga, médico; além de ser usado em sua casa. Os seus colegas foram os que mais gostaram do recurso, pois agora conseguem conversar com ML e este se sente pertencente ao grupo de uma forma mais efetiva.

O autismo é parte deste mundo, não um mundo à parte. Todo autista é único! Como pessoas únicas, devem ser guiadas por caminhos que os façam transcender. Por isso, ensine-o de diversas maneiras, pois ele conseguirá aprender.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: BONATO, Renata C. de Sá. Autismo e Comunicação Alternativa - Caderno Pandorga de Autismo. Volume 10. 2015.

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Relatos de Experiências

Liciane de Lourdes Nascimento Pedagogia Especialização em Ensino Lúdico (em andamento)

O que fazer pela água do Planeta? Cuide da água que ela pode acabar!

S

“[...] a água é um recurso natural essencial para todos os seres. Sem água não haveria vida na Terra [...]”. (SIMIELLI, 2008, p.56).

abendo que o Dia Mundial da Água é comemorado no dia 22 de março, a turma do 4º ano - 2 da Escola de Ensino Fundamental Albano Hansen trabalhou em sala de aula o tema “Água”, por ser tão importante para nossa vida e proporcionar-nos muitos benefícios, como: cozinhar os alimentos, tomar banho, lavar roupas, limpar os ambientes, beber etc. Os alunos tiveram a ideia de fazer alguma atividade para ser publicada na revista “Palavra de Educador”. Estavam empolgados, uma vez que, através de sorteio diário, levaram exemplares das edições anteriores para leitura em suas casas. Durante o trabalho os alunos demostraram grande entusiasmo, tendo um brilho no olhar, de curiosidade e interesse pelo projeto, e pediram se daria para ser publicado na revista. Como o prazer de todo professor é ver a alegria e realização de seus educandos, formas e estratégias começaram a fluir e novas ideias começaram a tomar forma, para avançarmos incentivando os outros, contando com a parceria e integração dos demais envolvidos na escola. Começou-se, então, a amadurecer a ideia e pensar que sim, o desejo das crianças seria possível. As perguntas que giraram foram: - O que vocês sabem sobre a água? - Já pararam para pensar sobre a importância da água para nossas vidas? Questões como essas motivaram alunos e professora a irem além e passarem adiante a conscientização ao cidadão, para que possamos educar e para que façam o uso adequado da água, evitando o desperdício nos mínimos detalhes, que fazem grande diferença em nosso dia a dia; e que assim possamos continuar desfrutando desse recurso natural tão precioso para nossas vidas. A atividade pensada foi uma “Campanha sobre a água”, com o tema “Evite o desperdício”. Os alunos se mobilizaram criando panfletos para conscientização da comunidade escolar, chamaram a atenção através de cartazes e ensaiaram a música “Olha a água”, composta pela

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Turminha do Tio Marcelo, sendo esta uma forma lúdica de expressão corporal. O trabalho culminou com os alunos e sua professora passando nas salas de aula, divulgando a Campanha às turmas do 1º ao 4º ano da escola. Tivemos o apoio da equipe diretiva, que tirou fotos e realizou a filmagem do momento. Os alunos, entusiasmados, falaram com propriedade sobre a “Água”, assunto estudado durante todo o mês de março, dando dicas de economia e valorização desse recurso. Puderam também manifestar as suas descobertas e incentivaram os colegas e adultos a não desperdiçarem este bem tão precioso para nós. A aluna Emily relembrou sobre “o cuidado de fechar a torneira enquanto escovam os dentes e observar para que não fique pingando. E foi frisado sobre a preservação do ambiente para que não joguem lixo nos rios”. “Reaproveitar a água da chuva para lavar calçada e ao invés de usar mangueiras para lavar o carro usar o balde e usar a mesma para regar as plantinhas”, salientou a aluna Rafaela. O aluno Francisco trouxe “a importância de que precisamos economizar agora senão no futuro poderá faltar”. A aluna Manuela usou a sua criatividade e aprimorou com cartazes, em folhas de ofício, os estados físicos da água: líquido, sólido e gasoso; representando através de desenhos cada um deles, e falou sobre essas três maneiras que a água pode ser encontrada na natureza. O evento foi realizado na sexta-feira, dia 20 de abril, no turno da tarde. A turma foi dividida em quatro grupos, que explicaram o assunto estudado e encerraram cantando a música já citada. Foram entregues, para as professoras regentes das turmas, alguns exemplares dos panfletos confeccionados pelos alunos, com uma lista de atitudes, contendo sugestões de mudanças de hábitos para economizar a água e para que no futuro ela não venha a acabar. Foi um trabalho bastante enriquecedor e gratificante, pois conseguimos perceber a motivação dos pequenos em falar sobre esse tema. Se quiser saber mais sobre a “Campanha sobre a água”, convidamos para acessar o blog da escola, no endereço: escola-albanohansen. blogspot.com. br . E deixe lá seu comentário e dicas para evitar o desperdício.

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Relatos de Experiências

Denise Daniela Klein Kohlrausch Arend Letras Português/Literatura Especialização em Revisão e Avaliação de Textos

Blog: uma ferramenta para o exercício da leitura, da pesquisa e da escrita socialmente responsável

N

ão é novidade que o ambiente virtual é, atualmente, um espaço que atrai pessoas de todas as idades, especialmente adolescentes e jovens. Eles dominam inúmeras operações na Web. Entretanto, muitos ainda apresentam certa dificuldade para selecionar e filtrar as informações que recebem, principalmente aquelas compartilhadas em redes sociais. Daí a importância de uma oportunidade para debater sobre essas questões e de exercitar a escrita, pondo em prática a teoria sobre o uso responsável do meio digital. Considerando-se o que prevê a Base Nacional Comum Curricular, encontra-se nela o respaldo necessário para embasar teoricamente o presente projeto, uma vez que ela defende que As práticas de linguagem contemporâneas não só envolvem novos gêneros e textos cada vez mais multissemióticos e multimidiáticos, como também novas formas de produzir, de configurar, de disponibilizar, de replicar e de interagir. [...] Depois de ler um livro de literatura ou assistir a um filme, pode-se postar comentários em redes sociais específicas, seguir diretores, autores, escritores, acompanhar de perto seu trabalho; podemos produzir playlists, vlogs, vídeosminuto, escrever fanfics, produzir e-zines, nos tornar um booktuber, dentre outras muitas possibilidades. Em tese, a Web é democrática: todos podem acessála e alimentá-la continuamente. [...] Eis, então, a demanda que se coloca para a escola: contemplar de forma crítica essas novas práticas de linguagem e produções, não só na perspectiva de atender às muitas demandas sociais que convergem para um uso qualificado e ético das TDIC – necessário para o mundo do trabalho, para estudar, para a vida cotidiana etc. –, mas de também fomentar o debate

e outras demandas sociais que cercam essas práticas e usos. É preciso saber reconhecer os discursos de ódio, refletir sobre os limites entre liberdade de expressão e ataque a direitos, aprender a debater ideias, considerando posições e argumentos contrários. (Conteúdo disponível em http:// basenacionalcomum.mec. gov.br/abase/#fundamental/ lingua-portuguesa. Acesso em 08/04/2018)

Embora os gêneros textuais da Web sejam contemplados nos estudos da sala de aula, não há tempo para que os alunos produzam, periodicamente, textos que cumpram o papel social de compartilhar com a comunidade escolar as vivências proporcionadas pela escola. É nesse sentido que o Blog se mostra uma ideia interessante, pois os discentes têm aí uma oportunidade de partilhar as atividades e ideias protagonizadas por eles no ambiente escolar, de modo a abrir espaço, também, para a comunidade opinar acerca do que acontece. É um processo de construção de uma escrita crítica, tendo em vista o respeito à diversidade de opiniões. Dentre os principais objetivos, os que se destacam são que os alunos sejam capazes de atentar para o uso produtivo e responsável da internet, tratando-a como recurso valioso na busca por informações novas, tendo em vista diferentes formas de avaliar e de selecionar conteúdos importantes; além disso, que possam valorizar as produções e iniciativas dos docentes e dos discentes, bem como tenham oportunidade de compartilhar outras ideias pertinentes. A fim de alcançar esses e outros objetivos, o grupo se reúne uma vez por semana no Laboratório de Informática. O primeiro momento é sempre destinado para a escolha dos temas a serem explorados durante o encontro, para a designação dos responsáveis por cada seção do Blog e para definir as tarefas pelas quais cada um será responsável

naquele dia. Na sequência, são iniciadas as pesquisas e as produções. Por fim, é feita a revisão linguística e os conteúdos são liberados para a publicação. A ideia inicial era buscar acontecimentos dentro do ambiente escolar, informar-se sobre eles e divulgálos no Blog, de forma que a comunidade pudesse estar atualizada sobre o que se passa no Primavera. No entanto, o grupo decidiu abordar também assuntos que façam parte do cotidiano das crianças e dos jovens, de modo a fazer (re)pensar ideias e atitudes. Por esse motivo, os participantes escolheram dar dicas de filmes, de séries, de músicas e de bandas que tenham algum propósito de fazer refletir, habilidade tão importante no nosso cotidiano. Pretende-se que as publicações e atualizações sejam semanais, ou conforme o ritmo dos participantes, de acordo com as demandas da referida instituição de ensino. Até agora, já foi possível perceber que os alunos têm necessidade de um espaço maior para se exporem oralmente, pois, muitas vezes, as discussões sobre cada tópico elencado para determinado dia levam bastante tempo, o que contribui para que os discentes pesquisem mais e selecionem aquilo que, de fato, é importante divulgar na Web. Ou seja, é necessário um espaço de debate que preceda a escrita, pois é nessa troca que muitas ideias são esclarecidas e amadurecidas. Como o projeto teve início há pouco tempo, os alunos ainda estão trabalhando nas questões técnicas do Blog, relacionadas a sua construção; por isso, até o momento, não foi feita nenhuma publicação. Os textos elaborados até agora foram salvos e serão compartilhados assim que possível. O que já se pode avaliar, tendo em vista os encontros realizados, é que nossos alunos precisam de espaço para compartilhar suas vivências, necessitam de orientação, e não há dúvidas de que eles têm muito a oferecer.

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SEÇÃO

Relatos de Experiências

A caixa casa: espaço de brincar e afetar

C

asa é muito mais que um edifício de formato e tamanho variado, destinado à habitação. Casa é mais que uma construção de madeira ou tijolos; é lugar de criação de vínculos. É na casa que nos acolhemos e acolhemos ao outro, afetamos. Uma sala, duas professoras, uma grande caixa e uma ideia em comum: Sala de Recursos Multifuncional e Laboratório de Ensino e Aprendizagem, espaços onde Brincar é muito mais do que uma forma de passar o tempo, mas um verbo que faz parte da gramática cultural da infância. Revela-se como um meio de expressão, uma ponte para o diálogo com outras pessoas, uma possibilidade de se conhecer, se desenvolver e dar asas à imaginação. (HOSHINO, 2018, s.n.)

Tudo começou quando trocávamos ideias na Escola Municipal de Ensino

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Fundamental 29 de Setembro, para compor o espaço da sala que dividimos. Surgiu a lembrança de uma grande caixa, que poderia ser território de imaginação e criação. Feitos os devidos contatos, a caixa, do tamanho do nosso desejo de contribuir com os processos de aprendizagem, desafiadoramente coube no portamalas de um carro e desembarcou na escola. A propósito, nas escolas. A mesma experiência foi realizada na Sala de Recursos Multifuncional da Escola Municipal de Ensino Fundamental Arno Nienow. Montá-la foi como mergulhar de volta a um tempo há muito vivido. Subir e descer de cadeiras, antecipar, errar, recomeçar, pensar junto, rir, sentir-se pequeno. Pedir ajuda para alguém mais competente utilizar as ferramentas cortantes, medir, planejar. Base sólida estruturada, o brilho da casa se chama infância. E foram elas, as preciosas infâncias que visitamos em cada

atendimento da Sala de Recursos e do Laboratório de Ensino e Aprendizagem, que deram cor àquela caixa. Caixa que não era mais papelão. Era casa, era vínculo, era elo. Pesquisas nesse sentido apontam que "a casa" remete a uma profunda ligação maternal. A Casa Redonda, centro de estudos, localizada em Carapicuíba, São Paulo, projeto que estuda o brincar como forma de expressão há mais de trinta anos, traz, em uma de suas publicações:

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O corpo da mãe representa a Terra, a casa, o chão, simbólicos gestos de uma entidade que acolhe a criança – o princípio feminino em seu aspecto maternal de receptividade. A primeira vivência biológica de todos os seres é a vivência da 'concavidade' [...] É na concavidade uterina que o óvulo em sua forma redonda é acolhido e, uma vez fecundado, dá início à divisão celular, passando a desenvolver sua história


Carmen Luiza Riva Educação Física | Especialização em Gestão Escolar

Monique Wingert

Pedagogia | Especialização em Psicopedagogia: Abordagem Clínica e Institucional (em andamento)

embrionária. Essa vivência da concavidade se processa ao longo da existência, porque do útero, do abdômen materno, a criança vai ser acolhida na concavidade do colo, depois segue para o berço, para a rede, onde ficará protegida. Do berço, a criança passa a conviver dentro da casa que, em essência, é o ninho que substitui a concavidade protetora do útero. Ora, não é por acaso que as crianças pequenas gostam de entrar em caixas, caixotes, espaços que mais se assemelham a uma concavidade,

espaços que sejam continentes. (PEREIRA, 2013, p. 35)

Os movimentos de entrar e sair da caixa, aludem à recordações corporais vividas pela criança em um tempo não muito distante: o seu próprio nascimento. Daí o gosto por envolverse em panos, dar-se corpo, construir cabanas, grutas, casas, criando áreas protetoras que as circundam, por certo, sentindo uma relação de proporcionalidade entre o corpo e o espaço externo, além de estarem expressando mistérios que envolvem recordações e reconhecimentos de si próprias. (PEREIRA, 2013, p. 35)

Ao organizar o espaço da casa, a criança tem a oportunidade de organizar-se internamente, construindo a consciência de si mesma e o seu próprio eu. Na brincadeira da casa, é possível simbolizar os processos vivenciados no cotidiano, bem como perceber as suas faltas e as lacunas por elas deixadas. Por meio do brincar há a possibilidade não só de recriar experiências, mas ressignificálas. Ressignificar, inclusive, que brincar de casinha é algo "de menina". Afinal, a experiência aqui relatada foi vivenciada, com alegria, em sua maioria, por meninos.

O importante nessas brincadeiras é a característica das relações vitais construídas num determinado espaço. O espaço, portanto, é o meio da vida humana que ali se expressa. Criar oportunidade para a criança organizar o espaço de suas brincadeiras é criar possibilidades para ela se experimentar como um ser de relação, num lugar concreto e real, no qual acontece a vida. (PEREIRA, 2013, p. 40)

Sob olhares atentos, brincar não é apenas um passatempo. Uma casa não é apenas uma habitação e uma caixa não é apenas uma caixa. Daí a importância de oportunizarmos o brincar às nossas crianças, observando o que é e o que nem sempre é dito enquanto a criança brinca, pois através deste brincar ela estabelece suas relações com o mundo que a cerca.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: HOSHINO, Camilla. Limpar, arrumar, cozinhar: brincar de casinha é reinventar a vida. Disponível em: < https://lunetas.com.br/brincar-de-casinha-criando-ereinventando-a-vida/>. Acesso em: 27 maio, 2018. PEREIRA, Maria Amélia Pinho. A casa redonda: uma experiência em educação. São Paulo: Livre Conteúdo, 2013. Disponível em: <http://acasaredonda.com.br/system/ publicacaos/attach_files/000/000/016/original/Casa_ Redonda_um_experiencia_em_educa%C3%A7%C3%A3o. pdf?1523893652>. Acesso em: 27 maio, 2018.

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SEÇÃO

Relatos de Experiências

Mapa do Bairro Navegantes: Uma abstração divertida e concreta

U

m dos principais objetivos

professores

para o 3º ano do Ensino

do

Fundamental no Município de Dois Irmãos é conhecer

vontades dos educandos, objetivando

o Pacto Nacional pela Alfabetização na

atingir o mínimo pensado para o ano

Idade Certa.

o Bairro onde a escola está localizada.

no

decorrer

nele coubessem os “cantinhos” da leitura

apresentar

projetos

e da matemática, tão comentados e

condizentes com as necessidades ou

exigidos para os professores que fizeram

ano,

pensam, em

Consta do Plano de Estudos das

letivo. Acredito que é preciso pensar

Em duas das paredes há janelas, em

Escolas Municipais de Dois Irmãos, no

em estratégias para que os “conteúdos”,

outra o quadro branco e na outra um

texto que precede a lista de objetivos e

mesmo chatos, possam ser estudados de

grande papel pardo (3m de largura e

conteúdos do 3º ano, que é importante

forma realista, inovadora e prazerosa.

2m de altura) com um croqui que deve

“permitir a participação dos alunos no

Não sou especialista em fazer aulas

lembrar o Bairro Navegantes, onde está

planejamento das atividades escolares

shows, apenas tenho como principal

localizada a escola em que trabalho.

a serem realizadas; planejar passeios de

objetivo

estudos pelos arredores da escola ou a

aprendizado com todos os alunos.

locais do seu interesse”. (p. 41).

profissional

avançar

no

Inicialmente, pensei em fazer um mapa para cada turma, localizando as

Deste modo, a cada ano invento

casas de cada aluno. Em seguida, usei-o

novas estratégias para os mesmos

para as duas turmas, pois cada um mora

da Natureza está: “identificar a flora e a

conteúdos,

em uma casa diferente.

fauna na escola e no bairro” (p. 53).

copiando, ora reinventando. Por estar

Iniciamos o mapa em uma aula

Na lista de objetivos para Ciências

ora

pesquisando,

ora

Em História/Geografia: “descrever

lecionando na mesma escola, com

em que os alunos trouxeram, por

a paisagem local e conhecer pontos de

o mesmo ano, nos dois turnos de

escrito, o que havia do lado direito,

referência para se deslocar e representar

trabalho, tive o privilégio de poder usar

do lado esquerdo, atrás e na frente de

os lugares onde vivem” (p.55) e “ler,

apenas uma sala de aula e organizá-la

suas residências, juntamente com o

interpretar e representar o espaço,

como eu desejava. Mesmo com espaço

endereço. Desenharam suas residências,

usando mapas simples” (p.55).

reduzido, estruturei-o de modo que

ilustrando

Acredito

que

todos

os

bons

também

os

arredores,

colando-as no papel pardo, exatamente ou muito próximo do endereço onde se localiza a sua residência. Iniciei o mapa juntando duas folhas de papel pardo; não sendo suficiente, ampliei para quatro. Ficou um mapa enorme! Desenhei as ruas e, com auxílio dos alunos e do mapa disponibilizado no Google Maps, inserimos os nomes das ruas. Para que o mapa não ficasse tão grande, já que alguns alunos moram em outros bairros, foram coladas as suas casas na direção em que estão localizadas, e eu inseri uma flecha, indicando que, se andarmos naquela direção, chegaremos na casa do colega/ aluno. No momento de colar as casas, dois alunos, colegas desde o 1º ano,

80

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Gizele Toreti Letras-Português | Especialização em Processos de Aquisição e Desenvolvimento da Linguagem

perceberam que moravam na mesma

podem fazer para chegar lá, caso queiram

observar o que os colegas fizeram, o

direção, e ficaram surpresos descobrindo

se visitar. Vejo, no decorrer das aulas,

que tem em determinado endereço do

que eram quase vizinhos. Percebi,

alunos saindo do seu lugar na sala para

Bairro.

naquele momento, que o trabalho

apreciar, tocar, abrir os mapas, descobrir

com o “Mapão”, como o chamei dali

mais sobre o Bairro e proximidades.

por diante, renderia novas atividades e descobertas. Como

estudamos

o

Bairro

Os alunos que não moram no Bairro também estão participando e

Em um outro momento, saímos

demonstrando interesse, mesmo não

para conhecer o Bairro. Nesta saída,

havendo possibilidade de passarmos

aproveitando

perto de suas residências num passeio

o

Maio

Amarelo,

praticamente o ano todo (costumo

conversamos sobre o trânsito e cuidados

relacionar as atividades/conteúdos com

a serem tomados durante o passeio

Ainda não visitamos o Bairro

o Bairro), o Mapão ficará lá, exposto na

de estudos. Localizamos, através da

inteiro, e o estudo terá continuidade

sala.

escrita do endereço e de fotografias, os

no decorrer de 2018. Acrescentaremos

Depois de coladas todas as casas

estabelecimentos comerciais, públicos

mais informações ao Mapão, visitando

em seus devidos lugares, solicitei aos

e privados, ou seja, tudo o que não era

o outro lado do Bairro. Quem sabe

alunos que trouxessem por escrito o

casa. Andamos apenas para um lado do

faremos desenhos das plantas e dos

trajeto dela até a escola, identificando

bairro, para observar bem.

animais encontrados, no estudo da

de estudos por este Bairro.

o nome das ruas. Cada um apresentou

Retornando para a escola, os alunos

fauna e flora do local? Caminharemos

aos colegas o seu trajeto, mostrando

fizeram desenhos localizando os espaços

em direção ao conhecimento, até o fim,

em um mapa que fizeram também.

cujos endereços anotaram. Dobraram

literalmente.

Este foi dobrado diversas vezes e colado

bem o desenho, escreveram o endereço

próximo ou sobre o desenho de sua

do lado de fora da dobradura, de modo

residência.

que aparecesse ao ser colado no mapa.

Achei interessante colar o mapa para

Percebi,

deste

modo,

que

os

que eles vejam o caminho da escola até

alunos estão apreciando este trabalho,

a casa do colega, descobrindo como

querendo participar, colar seu desenho,

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: MUNICÍPIO DE DOIS IRMÃOS. Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto. Plano de Estudos. Escolas Municipais de Dois Irmãos. Séries iniciais 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. 2012.

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SEÇÃO

Relatos de Experiências

Horta Escolar: espaço integrador que favorece o espírito de cooperação

A

s ações relacionadas à Educação Ambiental, desenvolvidas no Projeto Global, envolvem uma série de elementos que fundamentam, de forma pedagógica, uma vida mais sustentável. A Educação Ambiental possui um papel de suma importância em todos os níveis e contextos educacionais, uma vez que reúne condições de conscientizar e libertar o sujeito do atual modelo de desenvolvimento, que vem esgotando os recursos naturais. Dessa forma, efetivar ações que visam à sustentabilidade, colocando os educandos em contato direto com a natureza, fortalece os vínculos entre sujeito e natureza. Esta inter-relação é capaz de criar no estudante uma consciência mais humanística, mantendo uma relação de cuidado, e não mais de dominação com o meio ambiente. De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), as práticas devem possibilitar que as crianças desenvolvam aptidões de “observar e explorar o ambiente com atitude de curiosidade, percebendo-se cada vez mais como integrante, dependente e agente transformador do meio ambiente e valorizando atitudes que contribuam para sua conservação”. Seguindo esse princípio, para construir esta experiência, interdisciplinar, foram determinados os sujeitos e o espaço em que os mesmos iriam interagir. As atividades foram realizadas no período da tarde com os alunos do Primeiro e Sexto Anos, e o espaço

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escolhido foi a horta. Todavia, não é comum mais de uma turma executar tarefas ao mesmo tempo nesse local. A escolha de duas turmas foi, de certa forma, um desafio tanto para os professores quanto para os alunos. Para os professores, o desafio de cuidar e orientar tantos alunos ao mesmo tempo e no mesmo espaço (22 alunos do 1º Ano e 15 alunos do 6º Ano). E para os alunos maiores e menores, o desafio de fazer as mesmas atividades em sistema de cooperação. Os primeiros momentos foram de conhecer este espaço e ajudar com pequenas tarefas. Entender que as verduras e legumes precisam de cuidados especiais, para que cheguem com qualidade e saudáveis à mesa, no caso, ao buffet do refeitório do Projeto Global. A oferta do sistema de buffet favorece aos alunos a conscientização do não desperdício de alimentos e a orientação para que eles se sirvam de maneira moderada, mantendo uma refeição saudável. Ressalta-se que as verduras e os legumes complementam as refeições e são consumidos pelos próprios alunos, principalmente no almoço. Quando alunos e professores são envolvidos na manutenção da horta, ela se torna um espaço de socialização. A horta estreita relações sociais a partir da promoção do trabalho coletivo e cooperado entre membros (Morgado, 2006). É importante destacar que todas as oficinas oferecidas no Projeto Global trabalham temas relacionados à sustentabilidade ambiental. Dessa

maneira, quando os alunos vão realizar alguma atividade prática, os mesmos já possuem, a priori, conhecimento das ações que vão executar. Para os alunos, essas atividades realizadas em um ambiente natural podem revelar, através da experiência direta, uma motivação incomum, levando cada um a uma participação com mais motivação e entusiasmo, o que possibilita uma maior facilidade de seu desenvolvimento educacional. E os espaços educacionais ocupam um legar privilegiado nesse processo de desenvolvimento integral do estudante, que inclui o respeito e o cuidado com o nosso meio ambiente. Estudos apontam a educação ambiental como uma forma de produção e transmissão do conhecimento, com o objetivo de um processo constante de reflexão crítica, não só na aprendizagem como também na busca de alternativas e soluções para a realidade existente (OLEQUES e BOER, 2008). Nesse sentido, a educação ambiental assume cada vez mais uma função transformadora, dando aos indivíduos condições de promover um novo tipo de desenvolvimento sustentável. Projetos de educação ambiental, para serem efetivos, devem promover, simultaneamente, o desenvolvimento de conhecimento, de atitudes e de habilidades necessárias à preservação e melhoria da qualidade ambiental. E é através da açãoreflexão que a aprendizagem será mais efetiva se a atividade estiver adaptada às situações da vida real da cidade, ou do meio em que vivem aluno e professor (GADOTTI, 2000).

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Luciano Batista da Conceição Filosofia | Matemática (em andamento) Especialização em Metodologia do Ensino de Filosofia e Sociologia

Kássia Loh Barth

Pedagogia (em andamento)

As experiências empíricas nos lançam num mundo cheio de desafios. Segundo Gadotti, devemos Aprender a viver juntos – a viver com os outros. Compreender o outro, desenvolver a percepção da interdependência, da não-violência, administrar conflitos. Descobrir o outro, participar em projetos comuns. Ter prazer no esforço comum. Participar de projetos de cooperação. Essa é a tendência. [...] Aprender a ser – Desenvolvimento integral da pessoa: inteligência, sensibilidade, sentido ético e estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade, pensamento autônomo e crítico, imaginação, criatividade, iniciativa. Para isso não se deve negligenciar nenhuma das potencialidades de cada indivíduo. A aprendizagem precisa ser integral. (2000, p. 09 e 10)

Esse processo constante de aprender a ser e viver juntos nos faz abrir mão de prioridades e valores pessoais que fazem parte da sociedade capitalista moderna. Descobrindo a verdadeira essência de ser e viver juntos, inserimo-nos num processo educativo que torna possível um comprometimento com a qualidade de vida, possibilitando nos identificar como parte integrante da natureza. Com as atividades realizadas, os alunos se sentiram provocados a adotar hábitos de preservação e cuidado com o natural. Ressalta-se que, no último encontro, os alunos conseguiram realizar todas a tarefas solicitadas pelos professores, com a sensação de que todos se sentiram muito realizados, pois estavam fazendo o que aprenderam, realizando com muito gosto e satisfação. A cada atividade realizada com sucesso, gostavam de chamar os professores para contar que haviam feito, com um sorriso estampado no rosto. Sem dúvida nenhuma, ao presenciar tais momentos nossos corações ficam repletos de esperança de que temos potencial para cuidar do nosso planeta e dos seres vivos que nele vivem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL. Ministério de Educação e do Desporto. Referencial curricular nacional para educação infantil 01. Brasília, DF: MEC, 1998. OLEQUES, L. C.; BOER, N. Caminhadas perceptivas como atividades de sensibilização e de educação ambiental. Vidya, Santa Maria, v. 26, n. 1, p. 29-42, 2008. GADOTTI, M. Perspectiva atuais da Educação. Porto Alegre: Artes Médicas,2000. MORGADO, Fernanda da Silva. A horta escolar na educação ambiental e ali-mentar: Experiência do Projeto Horta Viva nas escolas municipais de Florianópo-lis. 2006.Centro de Ciências Agrárias. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006.

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SEÇÃO

Relatos de Experiências

Alessandra Girola Computação Especialização em Midias na Educação

A Informática Educativa: ferramenta aliada no processo de ensino aprendizagem

C

om os avanços que a tecnologia vem trazendo nas diversas áreas do conhecimento, inclusive na educação, estratégias e mecanismos precisaram ser criados para auxiliarem no processo de ensinoaprendizagem nas escolas. Mecanismos esses, estimuladores para alunos às vezes desinteressados e professores esgotados de opções para atrair e estimular esses estudantes. Segundo o MEC, Informática Educativa significa: a inserção do computador no processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos curriculares de todos os níveis e modalidades da educação. Os assuntos de uma determinada disciplina da grade curricular são desenvolvidos por intermédio do computador. (MEC, 1997)

Um dos pioneiros na utilização do computador para interação do aluno foi Sygmud Papper, criador da linguagem LOGO. Essa linguagem de programação permite que, através de uma tartaruga, o educando comande seus passos, criando formas e desenhos, sendo assim autor e construtor da sua própria aprendizagem. Conforme a filosofia dessa linguagem, “o aprendizado acontece através do processo de a criança inteligente ‘ensinar’ o computador burro, ao invés de o computador inteligente ensinar a criança burra” (PAPERT, 1985, p. 9). A escola, desde seus primórdios, é uma instituição que se baseia em um mestre que fala/dita e um educando que escuta/registra. No entanto, na informática educativa o computador entra como ferramenta no processo educacional, tornando-se um meio e não um fim. Sem contar que a cada dia surgem novas maneiras de usar o computador como recurso para enriquecer e favorecer o processo de aprendizagem (VALENTE, 1998, p. 18). Em uma aula de informática educativa, os alunos trocam saberes e descobrem alternativas para os mais diversos assuntos. Desde a visualização 84

de um processo histórico a um exercício de lógica, ou mesmo à escrita de uma frase, torna-se mais interessante em ambiente diferenciado. Sendo assim, a turma se aproxima do educador e do “seu” conteúdo formando, discutindo e concluindo seu entendimento. No entanto, apesar de toda a bibliografia, curso, aparatos e profissionais especializados, como proceder dentro da escola para que os professores enxerguem e vivenciem o LIE (Laboratório de Informática Educativa) como parte integrante do processo escolar e percebendo, assim, mais um recurso pedagógico ao seu auxílio? Na cidade de Dois Irmãos/RS, destacamos como um exemplo dessa iniciativa o laboratório de informática educativa, que está presente nas escolas de ensino fundamental do município. Utilizando o princípio do computador como ferramenta do processo educacional, os alunos do 1º ao 5º anos têm aulas de Informática Educativa uma vez por semana na escola. O objetivo dessas aulas é promover e reforçar os conteúdos e saberes necessários para cada turma. Além de proporcionar momentos lúdicos e de grande interação, pondo fim na ideia de que a tecnologia afasta as pessoas. A pesquisa e o diálogo do professor de informática e do professor titular são muito importantes. Trocar experiências, discutir assuntos trabalhados, pensar

coletivamente e levar em consideração as características de cada turma são atitudes fundamentais para que as atividades no laboratório de informática sejam realmente significativas para todos os envolvidos. Morellato (2004) destaca que estratégias pedagógicas devem ser bem estruturadas, visando motivar o aluno para a aprendizagem, desenvolver sua autonomia e contribuir no desenvolvimento positivo de sua autoimagem. A reunião pedagógica semanal também entra como aliada do professor de Informática Educativa, pois é neste espaço que encontramos a maioria dos colegas e é nele que podemos plantar a semente. Ao longo do ano letivo, ela proporciona momentos de aprendizado tanto para a equipe diretiva como para o corpo docente (Silva, 2018). Pode-se realizar apresentações e demonstrações de atividades e programas, e também aplicar microcursos para que os professores vivenciem este espaço. Portanto, o conhecimento e a desmistificação são grandes aliados deste processo. Enxergar a qualidade e os pontos positivos nos faz chegar mais perto do sucesso. O desconhecido assusta e a zona de conforto sempre é mais segura. Mas ampliar horizontes, para um professor, é fundamental. Além disso, a tecnologia está dentro até dos nosso lares; nossos alunos são nativos digitais e devemos usar isto ao nosso favor. Bater de frente é retrocesso, e isso é algo que não queremos.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: MEC. Programa Nacional de Tecnologia Educacional. Brasília, 1997. MORELLATO, Claudete. A construção de habilidades para a resolução de problemas matemáticos em um sujeito com necessidades especiais educacionais alicerçado na informática da educação. Canoas: Universidade Luterana do Brasil, 2004. (Monografia de Especialização em Informática na Educação) PAPERT, S. (1985). Logo: computadores e educação. São Paulo. SILVA, Rosana Vian Cordeiro e. https://blog.sae.digital/ conteudo/reuniao-pedagogica-tudo-o-que-voce-precisasaber/. Acesso em 25/05/2018 às 15:30. VALENTE, J. A. Computadores e conhecimento: repensando a educação. [s.ed.] Campinas: Gráfica Central da UNICAMP, 1998.


Bruna Frantz de Farias Pedagogia | Especialização em Educação Ambiental

Maria Bianca Henrich

Computação | Especialização em Mídias na Educação

Cidades com nomes curiosos do Rio Grande do Sul O presente relato é o resultado de um trabalho sobre a pesquisa de nomes curiosos de alguns municípios do nosso Estado, através da parceria dos alunos da turma do 5° ano, da professora titular de sala de aula e da professora do Laboratório de Informática da EMEF Professor Matheus Grimm. No ano de 2017, a partir do estudo sobre o Rio Grande do Sul, conteúdo que faz parte do plano de estudos do referente ano, surgiu a curiosidade e o interesse em descobrir a origem dos nomes de alguns municípios como: Segredo, NãoMe-Toque, Gravataí, Casca, Picada Café, Viamão, Mormaço, Quatro Irmãos, Encantado, Segredo, Lagoa Vermelha, Terra de Areia e Mostardas. Essa vontade revelou-se após conhecerem os nomes dos 497 municípios que fazem parte do nosso Estado, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os alunos puderam formar duplas e escolher um município. A partir disso, passaram a pesquisar nas aulas semanais de informática, registrando no caderno todas as informações pré-definidas pela professora, como: gentílico, localização no mapa, cidades vizinhas, data de fundação, distância da capital, população, extensão territorial, história do nome, rodovias de acesso, rios importantes que banham o município, colonização, número de bairros, região a que pertence, pontos turísticos, curiosidades e referências. Também salvaram imagens relativas ao roteiro sugerido para, posteriormente, incluir em uma criação de slides e melhor ilustrar o trabalho. A cada aula, os alunos demonstravam mais interesse pela pesquisa e, a cada item descoberto, era possível perceber a vontade de querer saber mais sobre o município escolhido. Assim como alguns encontraram facilidade na busca das informações, pois os sites das prefeituras eram bem completos, outros encontraram grandes dificuldades, em razão de que alguns eram bem simples

e continham poucos dados sobre seus municípios. Uma das alternativas para complementar a pesquisa foi entrar em contato com essas prefeituras, através dos números de telefone disponibilizados nos próprios sites. Também trabalhou-se a questão das fontes de pesquisa, considerando que existem sites confiáveis, já outros nem tanto; lembrando que sempre é preciso ler atentamente os textos e informações que encontram, fazendo uma análise antes de fazer as suas anotações. Após a pesquisa concluída, iniciaram a criação dos slides de apresentação, em que exploraram diversos recursos do editor de slides BROffice Impress (Apresentação Eletrônica do OpenOffice). Aprenderam a escolher layouts, colocar textos em tópicos, inserir figuras, formatar textos e figuras, aplicar efeitos de transição e apresentação. A apresentação de slides é uma ferramenta interessante de apresentação de conteúdos e informações com um visual atraente e ilustrativo, desempenhando um papel relevante nos processos de aquisição, elaboração e expressão do conhecimento. No 5º ano tem-se o objetivo de desenvolver a pesquisa e dominar a apresentação de slides, preparando os alunos para os anos finais, nos quais é exigido

frequentemente este tipo de trabalho. Foram dadas algumas orientações de oratória e apresentação, com o objetivo de desenvolver a habilidade de falar em público, sabendo informar com clareza, mantendo o controle emocional e cativando os ouvintes. Ao final do trabalho, aconteceu um seminário com as apresentações dos trabalhos de pesquisa aos colegas de turma e aos alunos do 4º ano. Na sala de aula foram desenvolvidas atividades paralelas, como a construção de gráficos a partir dos números que apareceram nas pesquisa (população, extensão territorial e distância da capital), além de trabalhar o sistema de medidas (km), classes e ordens dos números. Esse tipo de atividade tem por objetivo incentivar os alunos à busca de seu conhecimento, tornandoos pesquisadores, desenvolvendo a imaginação, a capacidade de memorizar, ler e analisar os textos e imagens. É através da pesquisa que se alcança o conhecimento. É na pesquisa que serão utilizados variados instrumentos que o pesquisador utilizará para chegar a uma resposta mais precisa. Para que consigamos formar alunos pesquisadores, é necessário ter professores que saibam orientar e, ainda, estimular o desenvolvimento do pensar e a curiosidade para solucionar os problemas da pesquisa que forem surgindo. A inovação em sala de aula é muito importante, pois traz novas experiências e ensina aos alunos através de várias formas de aprendizagem, tornando o processo de ensino-aprendizagem muito mais completo e significativo. Além disso, é importante transformar os estudantes em sujeitos ativos, criadores, que possam se envolver na geração de novos conhecimentos e soluções.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: IBGE. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/. Acesso em: 10/11/2017

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SEÇÃO

Relatos de Experiências

Maio Amarelo: educativo e consciente

M

aio Amarelo é um movimento internacional que surgiu como uma resposta aos altos índices de acidentes fatais no trânsito. As ações do Maio Amarelo são desenvolvidas em todos os estados brasileiros e em outros 26 países dos cinco continentes. O movimento Maio Amarelo é uma ação coordenada entre o Poder Público e a sociedade civil. Foi criado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária na esteira da determinação da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que editou, em março de 2010, uma resolução definindo o período de 2011 a 2020 como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito”. A ação tem a intenção de refletir a segurança viária e mobilizar toda a sociedade para discutir o tema. Busca estimular o cidadão a refletir sobre suas responsabilidades e à avaliação de riscos sobre o comportamento de cada um, dentro de seus deslocamentos diários, no trânsito. Com o tema “Nós somos o trânsito”, o Movimento Maio Amarelo deste ano, 2018, tem por objetivo motivar toda a sociedade a adotar atitudes melhores para um trânsito menos agressivo e mais seguro, responsabilizando cada um, para atitudes

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conscientes e de preservação da vida, sejam motoristas, motociclistas, ciclistas ou pedestres. A Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto (SEMEC), em parceria com o Departamento de Trânsito, desenvolve inúmeras ações educativas de conscientização e sensibilização com as escolas, aderindo ao movimento Maio Amarelo desde o ano de 2014. De acordo com o Departamento de Trânsito, o apoio das escolas e famílias ao Maio Amarelo é fundamental para educar e orientar crianças e adultos, tornandoos conscientes de sua participação na sociedade. Quando se pensa em trânsito, o que geralmente vem em mente é apenas a responsabilidade de motoristas que conduzem seus veículos pelas vias de circulação. Porém, é muito mais que isso: trânsito é formado por pessoas, ciclistas, veículos de pequeno, médio e grande porte, circulação, estacionamento, ou seja, “Nós Somos o Trânsito”. Este ano, a abertura do Movimento Maio Amarelo ocorreu na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). Foi um momento marcante e inesquecível, no qual a equipe de profissionais envolvida se sensibilizou com o acolhimento e a pureza dos

alunos da educação inclusiva. A escolha por este espaço, vinda através do Departamento de Trânsito, reforça a ideia de conscientização no trânsito, em relação à mobilidade e acessibilidade, em que humanizar, respeitar, valorizar e refletir é necessário. Além disso, o respeito às diferenças se faz muito importante em todos os espaços sociais, sendo o trânsito um desses espaços. Durante o mês de maio tivemos a oportunidade de acompanhar junto às escolas diversas atividades e ações educativas. Podemos citar a interação e utilização da minipista com os alunos da APAE, realizada no dia 8 de maio, em que os alunos da sede foram orientados de forma prática sobre o trânsito. Palestras com a Polícia Rodoviária Federal e Brigada Militar sobre trânsito. Professores que confeccionaram, junto às famílias, carros de material reciclável com as turmas de educação infantil. Ações educativas, entre palestras, filmes, interação com bicicletas, motocas, carrinhos da minipista com sinalização, uso da faixa de segurança, pedágios educativos e distribuição de folders ilustrativos às famílias e comunidade. As participações da comunidade e dos pais, nessas atividades relativas ao Maio Amarelo, merecem destaque, pois houve

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Daiane de Souza Educação Física

Denise Maria Maldaner Secretária da Educação, Cultura e Desporto do Município de Dois Irmãos Pedagogia | Especialização em Supervisão Escolar

muito engajamento e envolvimento, demonstrando que, através das crianças e adolescentes, consegue-se também atingir familiares, conhecidos e pessoas da comunidade em geral. Neste ano, o movimento contou com o apoio do Projeto “#CidadãoConsciente”, uma iniciativa da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Brigada Militar e Conselho Tutelar. Destaca-se que, para além dos muros das escolas, os integrantes do Projeto #CidadãoConsciente se uniram pela causa e, juntamente com o Departamento do Trânsito e SEMEC, realizaram uma importante palestra, no dia 22 de maio, direcionada à comunidade, sobre a responsabilidade, compromisso e sensibilização no

trânsito, por acreditar que a educação exerce um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes para o futuro. Na mesma direção, em especial, da prevenção, no ambiente escolar, ressalta-se que os professores são os formadores de opinião e capacitadores, ajudando a levar as informações corretas às crianças. Diante do exposto, é de extrema importância que a movimentação do Maio Amarelo aconteça nos espaços escolares, pois é através da sensibilização que há mudança real de atitudes. Destacando que a prevenção acontece quando as crianças e adolescentes passam a refletir sobre essas questões e também sensibilizam seus pais e familiares a praticarem atitudes corretas no trânsito. Além disso, a longo prazo, forma-se futuros condutores, mais conscientes

da importância de ter responsabilidade, prudência e cuidados no trânsito. Sendo assim, o incentivo e apoio às escolas a promoverem ações de educação para o trânsito é devido à importância da conscientização de cada um quanto aos desafios que enfrentamos diariamente no trânsito. Em qualquer espaço de convivência social, acredita-se que a tolerância, a gentileza e o respeito sejam valores essenciais, e no trânsito não é diferente. Ações embasadas nesses valores podem evitar acidentes e transtornos desnecessários, ou até salvar vidas. Por isso, a Administração Municipal, através da Secretaria de Educação e Departamento de Trânsito, acredita e investe na educação de modo mais intenso no Maio Amarelo, mas também em todos os outros meses do ano.

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SEÇÃO

Relatos de Experiências

Ester Terezinha Reichert História e Geografia | Especialização em Ciências Sociais

Débora Schuh Pedagogia (em andamento)

O desafio que virou realidade

S

empre me perguntei, e até me disseram “tu adora te desafiar”. É verdade. E acredito que a gente precisa se desafiar. A Mostra de Pesquisa de Projetos de Pesquisa para a Escola Arno Nienow,no ano de 2017, encarei como mais um desafio. Todos os professores, desde a Educação Infantil até as Séries Finais, tiveram formação pela Fundação Escola Técnica Estadual Liberato Salzano Vieira da Cunha, para fazermos a nossa primeira Mostra de Projetos. A Mostra de Pesquisa de Projetos de Pesquisa para a Escola Arno Nienow, no ano de 2017, encarei como mais um desafio. Todos os professores, desde a Educação Infantil até as Séries Finais, tiveram formação pela Fundação Escola Técnica Estadual Liberato Salzano Vieira da Cunha, para fazermos a nossa primeira Mostra de Projetos. Na época, eu poderia ter pensado em não participar, por não gostar disso, mas aos poucos fui me envolvendo com este desafio. Eu fazia parte da comissão e organização do evento. Além disso, tinha um grupo de alunos do 8º ano, com 27 alunos, sendo um aluno com deficiência. Ainda tive o prazer de trabalhar junto com a monitora Débora Schuh, como sempre, muito bem disposta para executar os trabalhos, atendendo ao aluno com deficiência. À medida que foi se concretizando o que deveríamos fazer para a mostra, decidi que essa turma, em que eu era conselheira e orientadora, faria a pesquisa por grupos, enquanto as demais turmas da área, com os outros professores, optaram em fazer uma pesquisa única. E aí estava o meu desafio: eram adolescentes e, pela primeira vez, fariam pesquisa de projetos. Num primeiro momento foi então explicado o que seria esta pesquisa. E os alunos, por afinidade, fizeram suas escolhas para os temas.

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Inicialmente tivemos cinco grupos, porém adolescentes mudam muito de ideia. E um grupo acabou se dividindo, o que mais uma vez foi motivo de dor de cabeça: como eles iriam se decidir diante dos temas? Surgiu a dúvida, pois um aluno queria este tema, o outro aquele, não havia consenso. Então, quando finalmente decidiram por seus temas, foram semanas e semanas de pesquisa com eles, de entrevistas que deveriam fazer. Entre os assuntos que foram pesquisados tivemos: LGBT’s, Síndrome de Down, Febre Amarela, Microcefalia, Anabolizantes, Crédito de Carbono. E aí os desafios continuam: Como fazer a capa? Como elaborar cada passo da pesquisa? Em determinado momento, a tecnologia também nos desafia e nós a desafiamos. Em meio ao caderno de campo com suas regras, suas anotações, um diário em mãos, silêncio para que tudo se terminasse no prazo. Pesquisa de campo, notebooks. Eis a choradeira, pois haviam perdido tudo e não havia nada salvo no computador. Mas com certeza tudo valeu nessas aulas. Era um verdadeiro aprendizado, de ambos os lados. Sempre aprendemos muito, tudo é novo e desafiador. E é por isso que falo precisamos nos desafiar. Veio então o dia da nossa mostra interna. Quanta correria! Os cartonados precisavam ser feitos, com o título de cada grupo, e todo o projeto exposto no cartonado. Nesse sentido, é preciso

agradecer aos professores Ricardo Kolling e Maria Brischke, bem como a monitora Débora Schuh, que prontamente sempre ajudaram no que era necessário. Cada grupo conseguiu se organizar. Fizemos as correções dos trabalhos e vamos para a exposição. Quanta emoção observar os grupos, a escola toda respirando a MOPPAN! Veio o resultado: um dos grupos que foi classificado era do meu 8º ano, Crédito de Carbono. Era o grupo onde tinha a nossa Laura, a aluna de inclusão. Quanta emoção! Fomos classificados para a MOSTRATEC JÚNIOR. Levar um aluno com deficiência para a MOSTRATEC, era algo que orgulhava ainda mais a escola e a comissão que organizou a mostra de projetos. Conversamos com a família e a equipe responsável pela mostra no Liberato, e conseguimos uma isenção para a aluna. Era a primeira aluna com deficiência levada para a MOSTRATEC, e isso orgulhava a eles, pois a feira estava sendo algo para todos. E assim fomos para a MOSTRATEC JÚNIOR. Refizemos um pouco o projeto, pois precisamos dos resultados para a exposição. E a menina Laura tinha feito, junto com sua monitora o portfólio, que foi junto para a feira da MOSTRATEC. O portfólio foi confeccionado dentro das potencialidades da aluna, abordando o tema escolhido pelo grupo. Para a realização das atividades, utilizamos diversos tipos de materiais, tintas, desenhos, recorte e colagem, papel crepom, em diversas técnicas. Tenho a dizer que valeu muito a pena estar diante de um desafio como este. O importante não é entrarmos para ganhar ou perder, mas sim, aprender. Tenha a certeza de que estou pronta para outro desafio!

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Fábio Leandro Maciel Educação Física

Jenifer Berlitz Dança (em andamento)

Capoeira, Maculelê e Puxada de Rede

E

m pleno século XXI, em um país como o Brasil, dotado de várias etnias e riquezas culturais, ainda se enfrentam problemas que envolvem a desigualdade racial e o preconceito. O histórico de nosso país é marcado por uma trajetória de grandes realizações e concepções, com referências entre diferentes vertentes culturais, vindas dos europeus, dos índios e também com raiz nos povos escravizados trazidos da África. De acordo com o MEC, o Brasil está em segundo lugar no que diz respeito a grandes populações afrodescendentes (47%). Conforme Santos (2007), é de vital importância à sociedade conhecer essas vertentes e seus alicerces, que fundamentam nossa matriz cultural. Em 2003, elaborou-se a Lei 10.639, que inclui no currículo oficial a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira. A par disso, a Lei 9.394/96 remete, no artigo 25, parágrafo 4º, a que o ensino da história e do Brasil deverá levar em consideração as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígenas, africanas e europeias. Desde então, essa Lei passa a vigorar acrescida do seguinte artigo, referindo-se aos conteúdos programáticos: “Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, tornase obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.” (BRASIL, 2003) Santos (2007) afirma que essa Lei também é um marco para o fortalecimento das identidades étnicas afro-brasileiras em uma sociedade que ainda enfrenta problemas com a desigualdade; valorizar e ressaltar a presença africana é necessário. Desta forma, o professor de Educação Física, Fábio Leandro Maciel, e a professora de Dança, Jenifer Berlitz, uniram-se com o objetivo de atender as normativas legais e assim propor novas diretrizes para o ensino da cultura afro-brasileira no Projeto Global. A partir dos conhecimentos já adquiridos ao longo da vida docente, os profissionais realizaram pesquisas

bibliográficas sobre temas que melhor se enquadrassem nas oficinas ministradas, definindo três conteúdos principais: a Puxada de Rede, o Maculelê e a Capoeira. Sempre ressaltando e ensinando aspectos sobre a cultura afro, bem como histórias atuais e passadas que foram marco para esse povo. No decorrer das oficinas, surgiu a oportunidade de construir em conjunto uma apresentação para a Feira do Livro. Assim, os profissionais escolheram as músicas nos três eixos temáticos definidos anteriormente, ressaltando que houve uma preocupação para que a melodia fosse marcada pela brasilidade, valorizando já a miscigenação. Em seguida foram elaborados a coreografia, os figurinos e adereços, com a fundamental ajuda da professora Claci Both Goldschmidt, da Oficina de Customização. A turma escolhida para a apresentação foi o sexto ano “A”, do turno da manhã. Assim, no dia 11 de novembro de 2017, na 28ª edição da Feira do Livro de Dois Irmãos, sob a temática “Diversidade: Diferentes olhares para o mundo”, ocorreu a apresentação do Projeto Global, envolvendo não apenas os alunos do sexto ano, mas também as demais turmas que participam das oficinas ministradas no Projeto. Além da ótima aceitação dos alunos desse assunto ainda um pouco desconhecido, houve total envolvimento e uma efetiva troca de conhecimentos nas oficinas. A realização da apresentação na Feira foi apenas uma demonstração do trabalho efetuado nas aulas e resultou em vários frutos, sendo o principal deles a oportunidade de conhecer mais minuciosamente a cultura afro, destacando-se também o empenho e a dedicação com que os alunos entenderam a proposta. Houve também uma boa recepção da comunidade ao prestigiar o evento. Assim, a partir dessa apresentação e dos temas trabalhados nas oficinas de Educação Física e de Expressão Corporal, surgiu o convite da diretora Denise Maria Maldaner e da pedagoga Nádia Helena Schneider ao professor Fábio, para que ministrasse a oficina de Capoeira em 2018 no Projeto Global.

A Puxada de Rede surgiu após o período da escravidão, quando os negros não acharam oportunidades de se encaixar no mercado de trabalho.

O Maculelê conta, através da dança e de cânticos, a lenda de um jovem que conseguiu defender sua tribo de outra rival, usando apenas dois pedaços de pau, tornando-se um herói. A Capoeira é uma expressão cultural brasileira que compreende arte marcial, esporte, cultura popular, dança e música. Em 2014, a Roda de Capoeira foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: PRESIDÊNCIA DA REPUBLICA. Lei 10639 de 9 de janeiro de 2003. Acesso em < 15.05.2018>; Dispositivo em: <httl: // www.planalto.gov.br/ccivil/leis. SANTOS, Leidiane Oliveira. A História e Cultura Afro Brasileira e a Lei 10639/03. Acesso em < 16.05.2018> Disponível em https://www.portaleducacao.com.br/ conteudo/artigos/educacao/a-historia-e-cultura-afrobrasileira-e-a-lei-10639-03/12150.

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Relatos de Experiências

Os desafios na prática docente e a deficiência visual

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este ano de 2018, nos deparamos com uma aluna com deficiência visual em nossas aulas, e bateu aquele desespero... Mas, ao mesmo tempo, surgiam perguntas sobre o que fazer, como agir na prática diária, como inserila no contexto escolar, pois, até então, não tínhamos trabalhado com este tipo de deficiência. Fernández (2001, p. 55) ressalta que “perguntar é situar-se (e aí circula o desejo de conhecer) entre o que se conhece e o que não se conhece. Nesse movimento, vai nutrindo-se o desejo de conhecer”. Aos poucos fomos percebendo que nossas perguntas estavam se tornando um desejo de querer saber mais sobre a aluna e sua deficiência visual. E a insegurança estava se tornando um sentimento de acolhida, amor, sensibilidade, emoção e superação. A visão que o cego tem do mundo é de uma riqueza única, incomparável e deve passar a ser vista como uma apreensão integral da realidade, não uma carência de visão, não uma castração de um órgão, mas a existência suficiente de um ser humano completo. (SANTOS, 2017, p. 146, apud MONTE ALEGRE, 2003, p.12)

Em cada novo encontro em sala de aula, no laboratório de informática e na educação física, percebemos a riqueza de conhecimentos e aprendizagens que nossa aluna transmite. Com a prática docente, percebemos que a deficiência visual está derrubando barreiras e proporcionando a possibilidade de termos um olhar significativo a cada aula. A professora de Educação Física relata que, nas primeiras aulas, via-se perdida, com um certo desconforto perante a aluna; não sabia como lidar com a

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“deficiência” dela e não sabia como a mesma iria lidar com aquele espaço tão grande que é o ginásio. Mas, para sua surpresa, deparou-se com uma aluna totalmente solta, corajosa e fazendo tudo o que a professora ofertava. Por diversas vezes, viu a mesma cair em meio a uma atividade, e o desespero que antes a atormentava foi dando vez às gargalhadas da aluna, toda vez que isso acontecia. Através dessas experiências, aprendemos a interagir com a aluna, da mesma forma como faríamos com qualquer aluno, pois a mesma participa e faz tudo nas aulas de todas as disciplinas. Fernández (2001) enfatiza que os professores precisam possuir informações, propiciar ferramentas e espaços adequados (lúdico), onde seja possível a construção do conhecimento. Dessa forma, percebemos que as professoras e a monitora que auxilia a aluna desempenham um papel importante em todo o processo educativo, o qual reforça a autonomia e a qualidade no desempenho, possibilitando aprender e construir a própria identidade. A participação da aluna com deficiência visual nas aulas é de forma ativa, pois ela interage com as

professoras, a monitora e os colegas a todo momento, trazendo sua visão daquele conteúdo, do seu jeito e da sua forma. No laboratório de informática a aluna relatou para a professora que gosta muito das aulas, principalmente quando utiliza o mouse sozinha. Ela sente como se estivesse voando; quando clica, sentese feliz. Quando os colegas ajudam ou falam como é a atividade, explicam o que precisam fazer, pegam na sua mão para tocar no teclado, ela sente-se mais feliz e realizada durante as atividades. Delval (2001, p.87) ressalta que A escola é um lugar que torna possível que as crianças se encontrem com outras e interajam entre si. Sabemos que essa interação é muito importante para o desenvolvimento infantil, pois promove a cooperação, a possibilidade de colocar-se no ponto de vista dos outros, a reciprocidade, e, além disso, as crianças aprendem com seus companheiros muitas coisas importantes para a vida.

Os alunos da turma auxiliam a colega com deficiência visual, e o que mais chama atenção nas aulas é a parceria da turma e a incansável busca de alguns

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Bruna Kolling Educação Física | Especialização em Gestão Educacional

Natalia Madalena Grendoski Especialização em Psicopedagógico Institucional

Marlise Heit Letras-Inglês (em andamento)

Rejani Butzen Pedagogia – Multimeios e Informática Educativa | Especializações em Psicopedagogia e em Mídias na Educação

colegas, que fazem de tudo para a aluna participar ativamente de qualquer atividade proposta, auxiliando da forma que for preciso e, muitas vezes, deixando de participar sozinho de atividades, sendo os olhos da nossa aluna. A monitora também está sempre ao lado da aluna, auxiliando quando necessário, facilitando no processo de socialização e independência, e orientando quanto à utilização dos recursos no dia a dia. Segundo Nunes e Lomônaco (2010), a cegueira é uma deficiência visual que limita receber informações do mundo externo. Mas as pessoas cegas recebem as informações visuais através da linguagem e percebem o mundo com auxílio da audição, tato, olfato e paladar. O mundo dos indivíduos com cegueira é pleno de possibilidades e limitações, como o de qualquer indivíduo. De acordo com Nunes e

Lomônaco (2010, p. 60), O aluno cego, em sua vida escolar, necessita de materiais adaptados que sejam adequados ao conhecimento tátil-cinestésico, auditivo, olfativo e gustativo – em especial materiais gráficos tateáveis e o braile. A adequação de materiais tem o objetivo de garantir o acesso às mesmas informações que as outras crianças têm, para que a criança cega não esteja em desvantagem em relação aos seus pares.

Procuramos adaptar, criar formas de materiais específicos para as aulas, trabalhamos com a percepção da aluna, em que a mesma toca materiais, espaços, e assim vai fazendo tudo que é proposto. O grupo de professores que trabalha com a aluna, na sua prática docente, sente-se desafiado, diariamente, a propor aulas, atividades, movimentos e contextos

que façam-na se sentir feliz em estar neste ambiente escolar. Mas cabe a cada um de nós estar sempre buscando informações para podermos auxiliá-la e, ao mesmo tempo, não deixando de contemplar os demais alunos, dentro de suas necessidades.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: DEVAL, Juan. Aprender na vida e aprender na escola. Porto Alegre: Artmed, 2001. FERNÁNDEZ, Alicia. O saber em jogo: a psicopedagogia propiciando autorias de pensamento. Porto Alegre: Artmed, 2001. NUNES, Sylvia; LOMÔNACO, José Fernando Bitencourt. O aluno cego: preconceitos e potencialidades. IN: Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional. SP. Volume 14, Número 1, Janeiro/Junho de 2010: 55-64. SANTOS, William Dias dos. Recursos da linguagem teatral como estratégia de ensino para estudantes com deficiência visual. Polyphonía, V. 28/1 – jan-jun. 2017: 143156. apud MONTE ALEGRE, P. A. C. A cegueira e a visão do pensamento. Dissertação de mestrado. Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.

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Relatos de Experiências

Roseli da Silva Pedagogia Especialização em Ludopedagogia

Turno Integral: um novo desafio

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o ano de 2017 fui designada a assumir, na EMEF Prof. Arno Nienow, uma turma de Turno Integral, cujos objetivos, entre outros, são: fomentar projetos e ações de articulação de políticas sociais e implementação de ações socioeducativas oferecidas às crianças; ampliação da jornada escolar; formação e protagonismo das crianças. No entanto, por motivos de saúde, entrei de licença e voltei a trabalhar em 2018 na mesma escola, com a turma de Turno Integral, pois atuar com uma turma desta classe me instigou e me senti desafiada. No meu entendimento, sua importância está justamente no fato de que as crianças, semelhante à educação infantil, permanecem o dia inteiro na escola. Sendo assim, devese tornar esses momentos o menos cansativos possível, propiciando um local de muitas aprendizagens, de que elas gostem e sintam alegria, prazer e felicidade de estar neste espaço. Assim, novos desafios se abriram, pois a forma de trabalho com essas crianças deve ser diferenciada, já que o ensino formal elas já têm no turno contrário. O Turno Integral, a meu ver, é bastante importante; demanda muito estudo e leitura. Não o vejo apenas como um espaço onde as crianças possam ficar no contraturno escolar, mas um lugar de descobertas, socialização, participação, conflitos. Tenho aprendido muito nestes meses, e cada dia um desafio novo se apresenta, tornando ainda mais gratificante meu trabalho junto a esta turma. Vejo o Turno Integral como um espaço não formal de educação, mas não menos importante que o espaço formal. Desta forma, comecei a trabalhar com

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projetos e histórias como já fazia na educação infantil, porém adaptando para a faixa etária da turma. As crianças com as quais atuo no “Turninho” são alunos do 3º ano, com idades entre 7 e 9 anos. O primeiro desafio já começa por aí, pois venho há vários anos estudando, me especializando e atuando nas EMEIs com educação infantil; assim, tive que me reinventar para desenvolver este trabalho. Uma das coisas que tenho feito, com resultados bem interessantes, são as contações e momentos de história. Há algumas semanas trabalhamos a história do “Menino Maluquinho”, de Ziraldo. Foi muito gratificante, pois as crianças ficaram curiosas para saber mais sobre esse menino alegre, sapeca e muito inteligente. Vários recursos foram usadas e várias atividades desenvolvidas. No laboratório de informática, auxiliada pelos profissionais de Informática Educativa, fomos pesquisar para conhecer mais sobre o autor Ziraldo e como ele criou o menino. Descobrimos que Ziraldo levou algum tempo para criar o personagem, conhecemos quem são os amigos do Maluquinho, descobrimos o que é uma autobiografia, e as crianças foram desafiadas a escreverem a sua autobiografia a partir do que descobriram nas suas pesquisas. Elas também têm participado de um quiz de perguntas e respostas sobre histórias que já trabalhamos e vamos conhecendo ao longo do processo. Alguns meninos se identificaram com o Maluquinho e acharam muito engraçado o fato dele usar uma panela na cabeça, como se fosse um chapéu. Fizeram muitos desenhos, recortes, colagens, dobraduras, palavras

cruzadas, jogos e brincadeiras. Também enfrentamos alguns conflitos, certas frustrações, que são fatos esperados no dia a dia de uma turma de 16 crianças com personalidades e gostos tão diversos. Além do Menino Maluquinho, os pequenos conheceram outras histórias de Ziraldo, como “O Joelho Juvenal”, e a ideia de apresentá-la surgiu no momento em que uma das crianças caiu, esfolou o joelho e ficou meio apavorada com isto. Então, quando conheceram o Joelho Juvenal, gostaram e se divertiram bastante. As crianças do Turno Integral, além de atividades desenvolvidas e aplicadas por mim, também participam de oficinas ministradas por outros professores e profissionais, que são momentos distintos, de muitas descobertas e ricos em aprendizagens. Também fazem parte do nosso dia a dia atividades recreativas e brincadeiras diversas. Temos, ainda, os nossos combinados, que devem ser cumpridos para o melhor andamento das atividades da manhã, jogos variados, brinquedo livre – que é o momento em que as crianças criam e socializam suas próprias brincadeiras, seja na sala, na pracinha ou no espaço externo da escola, assim como trazem seus brinquedos ou jogos de casa para brincar com os colegas –, assistimos a DVDs variados... Há também momentos de descanso e rotinas, tão importantes para o desenvolvimento infantil. Assim vamos construindo, dia após dia, bons e desafiadores momentos. Como já escreveu Rubem Alves: “Educar e mostrar a vida a quem ainda não a viu”. E esta é a melhor parte do meu trabalho, que me deixa muito feliz enquanto profissional da educação.

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Relatos de Experiências

Andréa Maleski dos Santos Letras | Mestrado em Teoria da Literatura

Ana Cristina da Silva Processos Gerenciais

Professores e monitores: uma parceria necessária “Toda inclusão depende, primordialmente, do olhar de cada um”.

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om a Declaração de Salamanca, em 1994, a inclusão nas escolas regulares tornou-se uma realidade. A Declaração é resultado da inquietação que os profissionais da educação ou de áreas afins sentiam em oferecer às crianças com deficiência a oportunidade de desenvolverem ao máximo seu potencial, cada uma dentro de suas habilidades e especificidades. No Brasil, em 2008 foi lançada a Política Nacional de Educação Especial, com uma perspectiva inclusiva e, em 2009, foi aprovada a Emenda Constitucional sobre os direitos das pessoas com deficiência. Ambos os documentos serviram de norte para orientar os estabelecimentos educacionais sobre como se adaptarem para melhor atenderem os alunos com deficiência. Além da obrigatoriedade de matrícula na escola regular, deve-se garantir sua permanência e acolhimento, sempre levando em conta suas diferenças. Isso se reflete numa reestruturação não só física, eliminando barreiras de locomoção ou criando uma estrutura mais segura e sinalizada; pressupõe uma mudança muito mais profunda, nas estruturas pedagógicas e de formação dos professores e demais profissionais que terão contato com os alunos atendidos. Essa reestruturação curricular, para que os conteúdos e disciplinas pudessem ser flexibilizados e adaptados para que pudessem atender a todos os alunos, surgiu com a LDB nº 9394/96, de dezembro de 1996. A partir dessa regulamentação, os conteúdos puderam ser pensados na perspectiva de serem adaptados às necessidades de cada aluno. Dentro desse cenário, um novo profissional se fez presente na escola: o monitor. É esse o profissional responsável por auxiliar na aplicação das atividades pedagógicas, orientando o aluno nas atividades que envolvam a aprendizagem, além de apoiar nas questões de higiene, alimentação e locomoção. O monitor é quem, muitas vezes, também promove a

troca de informações entre a escola e a família, por ter uma relação mais direta com essa. É esse profissional que, junto com o professor, selecionará quais as atividades e estratégias que irão garantir a melhor aprendizagem do aluno. O monitor é responsável também por aplicar as atividades organizadas pelo professor e auxiliar o aluno a realizá-las. Ao finalizar as atividades, cabe ao monitor repassar suas impressões ao professor para que, juntos, possam ir acompanhando a evolução do estudante. Como podemos ver, é um trabalho de parceria. Quem tem alunos com necessidades especiais em sala, irá saber do que estamos falando e da importância dessa parceria realmente se efetivar. Trabalhamos em uma escola da rede municipal de Dois Irmãos e, neste ano, estamos “dividindo” dois alunos com deficiência, um no 6º ano e outro no 9º. Ambos conseguem se comunicar e se locomover sem dificuldade, assim como realizam sozinhos sua higiene e alimentação. O que gostaríamos de relatar aqui, são nossas impressões sobre o processo de aprendizagem desses estudantes, que está sempre em construção. No currículo, temos a realidade de um professor titular, que está praticamente todos os dias com os alunos. Isso estabelece um vínculo muito forte, pois existe a troca diária entre eles. Já na área, os alunos precisam se acostumar com vários professores a cada ano, pois costuma ser um para cada disciplina, sendo que alguns têm apenas um período por semana com a turma. Então, inicialmente, tanto professores

quanto alunos são “estranhos” e, até que estes se conheçam, se é que podemos usar esta palavra, lá se foram alguns meses. Para o monitor, que precisa estar em contato com, no mínimo, nove profissionais diferentes, o desafio é ainda maior. Como articular com cada um os objetivos de aprendizagem e as estratégias para o aluno? Temos que ver o aluno com o olhar que ele gostaria de ser visto. Cada um tem o seu tempo de aprender e cabe a nós, professores e monitores, descobrir e traçar os caminhos/formas de orientar e “fazer acontecer” o “clic”, para que cada aluno consiga chegar aonde deseja. Por isso, há necessidade de um trabalho em parceria, na qual as necessidades do aluno sejam consideradas no planejamento, aplicação e avaliação das atividades. Só assim poderemos considerar que a aprendizagem está sendo efetivada. Também se faz necessária uma formação continuada, pois cada demanda nos exige novos conhecimentos. Um dos nossos alunos tem um sonho: o de ler. Como não temos a formação em alfabetização, buscamos um curso que nos fornecesse subsídios para ajudá-lo a conquistar esse sonho. Nosso planejamento também está, no momento, voltado para ajudá-lo no processo de alfabetização. Além de exercícios mais tradicionais, focamos bastante em jogos e atividades interativas, para incentivá-lo e tornar o aprendizado mais interessante. Não dividimos somente as dúvidas e frustrações; dividimos, sobretudo, a certeza de que estamos fazendo o nosso melhor, buscando alternativas para a "realização de um sonho". De nada adianta negar-se a atender ou ignorar esses alunos. Eles estão ali, precisando da nossa atenção e do nosso estímulo, para tornarem-se autônomos e que possam encontrar na sala de aula um espaço no qual se sintam desafiados, reconhecidos e integrados. Mesmo sendo únicos em sua singularidade, todos desejam sentiremse incluídos, na acepção mais profunda dessa palavra.

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Revista Palavra de Educador - Prefeitura de Dois Irmãos/RS  
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