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INFORME ESPECIAL CONTAC - PARANÁ MARÇO DE 2010

Ernane Garcia Ferreira, presidente da FTIA

FEDERAÇÃO DA ALIMENTAÇÃO REÚNE 16 SINDICATOS EM PONTAL DO PARANÁ

HORA DE AMPLIAR A PRESSÃO NA BASE PARA AUMENTAR SALÁRIOS E DIREITOS

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Seminário de Elaboração das Pautas de Reivindicações de 2010 e de negociações coletivas da FTIA (Federação Estadual dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Paraná) enche de orgulho a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação (Contac), sendo um exemplo dos novos tempos da nossa entidade e do próprio sindicalismo brasileiro. Com a participação de cerca de 50 dirigentes de 16 Sindicatos, o evento reafirmou a importância de investir na qualificação dos dirigentes e de garantir espaços de participação para a base. Esta compreensão é essencial para darmos um salto de qualidade na nossa organização e fortalecer os laços de união entre a categoria para ampliar a sindicalização, potencializando a pressão na base para aumentar salários e direitos, mas também para que o trabalhador seja cada vez mais sujeito da sua própria história.

A determinação das entidades de marcharem unidas orgânicamente à Contac e à Central Única dos Trabalhadores (CUT) aponta para a consolidação de um sindicalismo comprometido com a construção de um país mais justo, livre e soberano. Nas palavras do companheiro Ernane Garcia Ferreira, presidente da FTIA, “este é o momento de avançar e fazer uma campanha salarial para entrar na história”. “Ao decidir investir nos espaços de diálogo, construímos debates para trocar experiências e ampliar a nossa capacidade de intervenção. Com mais comunicação, mais informação e mais organização, vamos materializar o nosso sonho, lançando uma semente para colher os frutos com responsabilidade coletiva. Esta é a melhor forma de construir um sindicalismo comprometido com um projeto de desenvolvimento que aponte para a valorização do trabalho e a distribuição de renda”, acrescentou Ernane.

Para o presidente da Contac/ CUT, Siderlei de Oliveira, “é uma extrema alegria para a Confederação contar com companheiros tão leais e combativos como os do Paraná, pois sua conduta nos serve de parâmetro e estímulo para seguir em frente na luta por melhores dias para a classe trabalhadora”. Nestas quatro páginas, você terá a oportunidade de conhecer um pouco das opiniões e sentimentos de quem participou deste evento, realizado na aprazível Colônia de Férias do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Panificação de Curitiba, em Pontal do Paraná, dias 25 e 26 de fevereiro. Mais do que uma denúncia sobre as péssimas condições de trabalho do setor, o Seminário apontou desafios e perspectivas para que, juntos, superemos os obstáculos colocados pela fome de lucro do capital e consigamos abrir espaços para a vitória da justiça.

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Roni Anderson Barbosa, presidente da CUT-Paraná: nosso compromisso é classista

“Nossa luta precisa ser corporativa, na medida em que representa os interesses específicos do Ramo, mas também precisa ir além, pois somos parte da classe trabalhadora, que busca sua emancipação da dominação do capital. Com esta compreensão, investimos na organização, comunicação, mobilização e formação” Miguel Baez, secretário de Comunicação da CUT-PR

CUTISTAS MARCAM PRESENÇA O

salário mínimo como elemento fundamental para o desenvolvimento nacional. “Na verdade, esta é a maior campanha salarial do país, pois beneficia diretamente mais de 40 milhões

presidente estadual da CUT-PR, Roni Anderson Barbosa, ressaltou o papel das mobilizações unitárias das centrais sindicais em defesa da política de valorização do

de trabalhadores”, frisou. Da mesma forma, “a nossa luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário é algo essencial, pois as empresas têm obtido imensos ganhos de produtividade desde 1988, data da última redução”. No caso do Paraná, lembrou, “a conquista do Piso Regional, também representa forte estímulo para avançarmos nos ganhos reais de salário. A destacada atuação dos companheiros e companheiras da alimentação abre espaço para novas vitórias”.

BETÃO RESGATOU A EXPERIÊNCIA DE ORGANIZAÇÃO E LUTA DOS BANCÁRIOS Membro da executiva da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), Roberto von der Osten (Betão) elencou as inúmeras vitórias alcançadas pelos bancários, a única categoria que tem negociação nacional unificada. “Em 1982 unificamos a nossa data-base e em 1992 assinamos a nossa 1ª Convenção Coletiva. De lá para cá foram muitas conquistas como o vale alimentação e a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Defendemos que as campanhas devem ser organizativas e mobilizativas, fortemente estruturadas nos locais de trabalho. Este é o caminho para a vitória”, acrescentou.

INVESTIR EM COMUNICAÇÃO É AMPLIAR PODER PARA A DISPUTA DE PROJETOS “O investimento em comunicação é chave para a disputa de projetos. Enquanto os empresários têm a grande mídia para manipular e desinformar, precisamos criar e fortalecer nossos próprios meios, jornais, rádios e revistas, para afirmar nossas posições em defesa dos interesses da classe trabalhadora”, afirmou o assessor da Secretaria Nacional de Comunicação da CUT, Leonardo Wexell Severo.

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“ Vamos estreitar nossa relação com os trabalhadores da alimentação, dando todo o apoio necessário nos cursos de formação política sindical, para que as lideranças possam cada vez mais elevar a sua capacidade de intervenção junto à categoria, o que aumentará o poder de pressão sobre o empresariado” Isabel Cristina, secretária de Formação da APP

Gilmar Timm: Medianeira agora também é CUT

FORTALECER A FORMAÇÃO SINDICAL É ABRIR CAMINHO PARA O CRESCIMENTO COLETIVO “A formação dos dirigentes e militantes é estratégica para o crescimento dos sindicatos e representa forte estímulo para a superação dos limites, fundamental no processo de construção de uma nova sociedade. Há gente que vê o trabalhador como mão-de-obra, ferramenta. Nós apostamos na sua energia criadora”, declarou Edson Cruz, da assessoria da Secretaria Estadual do Trabalho.

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RITMO INTENSO DE TRABALHO NAS AVÍCOLAS MULTIPLICA ENFERMIDADES: 36 HORAS, JÁ! O

ritmo intenso de trabalho, a longa jornada e as intermináveis horas extras se traduzem em lesões por esforço repetitivo, mutilações e até mortes, como a de João Antonio Pedro, moído dentro de uma das máquinas da Seara/Cargill em Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul.

O presidente da CONTAC, Siderlei de Oliveira, também coordenador do Instituto Nacional de Saúde do Trabalho (INST), defende que “a luta pela redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais e o fim do banco de horas, adotado por algumas empresas, é fundamental para por fim a esta tragédia”

LESÕES E MUTILAÇÕES SÃO CHAGA A SER EXTIRPADA O número de mutilados e lesionados no setor alimentício impressiona e pode ser facilmente comprovado. Na reunião da Federação da Alimentação do Paraná, realizada nos dias 25 e 26 de fevereiro, pudemos observar que das 50 lideranças presentes, duas apresentavam graves sequelas de acidentes de trabalho. A falta de condições mínimas de segurança num setor altamente lucrativo é uma demonstração da insensibilidade e da irresponsabilidade de alguns empresários. Osmar da Silva Oliveira era mecânico de manutenção da Sadia em Dois Vizinhos quando perdeu a ponta do dedo mínimo e a do dedão no dia 26 de dezembro de 2008, data que ficará marcada para sempre em sua memória. O valor da indenização pela perda do movimento de pinça, essencial na profissão? R$ 1.700,00. Há seis anos, Nilson de Souza era operador de máquina na fábrica de ração e alimentos Kovalki, em Apucarana, quando perdeu três dedos da mão direita. “Fazia a manutenção com a máquina desligada quando alguém chegou e a colocou para funcionar. O INSS forçou que continuasse no trabalho e a empresa me colocou de porteiro”, relatou.

Nilson de Souza perdeu três dedos em Apucarana

Osmar Oliveira, de Dois Vizinhos: sem a falange

FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO AGORA É LEI. FAÇA VALER! doenças do trabalho em cada empresa especificamente. A alíquota do RAT será definida de acordo com a categoria econômica das empresas, com a alíquota variando de 1% a 3% sobre a folha de pagamento. Como esse valor é fixo para as categorias econômicas, o governo federal de-

No mês de janeiro entrou em vigor a nova metodologia de cálculo do Seguro de Acidentes do Trabalho (SAT), que passará a se chamar Riscos Ambientais do Trabalho (RAT). O índice passará a ser multiplicado pelo FAP (Fator Acidentário de Prevenção), que leva em consideração a ocorrência de acidentes e

cidiu fazer um incentivo tributário individual para as empresas que seguem todas as normas de segurança e saúde do trabalho. Assim foi criado o FAP, multiplicador que permitirá reduzir em 50% ou aumentar em 100% a alíquota com relação à situação de cada empresa. A alíquota do FAP varia

de 0,5% a 2%, conforme a situação individual de cada empresa em relação a acidentes e doenças do trabalho. Quem investir em segurança e saúde do trabalho e propiciar um ambiente de trabalho salubre e seguro vai contribuir com uma alíquota menor. E vice-versa.

EMPRESAS NÃO INVESTEM EM SEGURANÇA E MASCARAM ACIDENTES PARA DRIBLAR PENALIDADES “Além de lesionar o trabalhador, a Perdigão ainda põe o médico da empresa para pressionar a vítima a retornar ao trabalho antes do tempo apontado pelo laudo. Eles desconsideram o laudo dos especialistas e tentam impor a sua verdade” Élio Alves Cardoso, pres. do SIndicato de Carambeí

“A LER é uma realidade na cat e g o r i a pelo ritmo abusivo de trabalho. Para completar, as empresas estão aliciando o trabalhador para que não abra CAT. Assim tem gente forçada a ir ao trabalho de bengala e com o braço engessado” Vilson Bassanezi, pres. do Sindicato de Dois Vizinhos

“Há um local na Kasffer Avicultura com enorme placa de risco de morte, mas é só para a fiscalização ver, pois os trabalhadores da limpeza precisam entrar pendurados numa corda para limpar o silo. Se não entrar eles demitem” Sonia Maria R. dos Santos, pres. Sindicato de Cascavel

“ Te mos centenas de lesionados em n o s s a base, a maioria n o ombro, pela intensidade do ritmo de trabalho, principalmente nos frigoríficos avícolas. E ainda tem empresa que não emite CAT” Derli Leal, pres. do Sind. de Francisco Beltrão

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SEMINÁRIO FORTALECE UNIDADE PARA AMPLIAR DIREITOS E CONQUISTAS A

o reunir lideranças da Central - Única dos Trabalhadores (CUT) e de diversas categorias, como petroleiros, bancários e professores, além de assessores de Comunicação e de Relações do Trabalho, o evento contribuiu para qualificar as lideranças presentes e fortalecer ainda mais sua unidade para ir à luta e garantir a ampliação de direitos e conquistas. Na elaboração da pauta de reivindicações para 2010 ficou claro que, com as projeções de crescimento da economia para 5%, estão dadas as condições para garantir bons índices de aumento salarial para a categoria. Para o presidente da CUT-PR, Roni Barbosa, “as campanhas salariais precisam aproveitar e fortalecer o ciclo virtuoso do crescimento, pois mais salário no bolso significa mais consumo e mais emprego”. Afinal, se as empresas estão vendendo mais, é preciso dividir o bolo. “Daí temos espaço não só de garantir bons aumentos, mas também de reduzir a jornada de trabalho”, frisou. De acordo com o Dieese, a redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40, com a elevação da hora extra para 75% sobre o valor da hora normal, deve gerar 2,2 milhões de novos empregos. No caso particular dos trabalhadores da alimentação, pela especificidade das duras condições enfrentadas, está em tramitação um projeto que prevê a redução da jornada para 36 horas semanais sem redução de salário. A ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho que impede a dispensa imotivada é outra reivindicação das centrais sindicais que foi debatida no evento, já que muitos patrões se utilizam da alta rotatividade para reduzir salários. Precisando justificar as razões da demissão, os empresários deverão pensar duas vezes antes de usar o facão. O caso da avícola Avebom, em Jaguapitã, foi denunciado como exemplo de crime antissindical. A empresa contratou ônibus e filmou os trabalhadores para forçálos a se desfiliarem do Sindicato. A denúncia já foi encaminhada ao Ministério Público.

“O investimento nos cursos de Formação ajudará a melhorar cada vez mais nossa relação com a base e a fortalecer os benefícios da categoria” Cirso da Silva, presidente do Sindicato de Cianorte

“Reafirmamos que ao lado da Contac e da CUT, nosso compromisso é com mais salário, emprego e direitos, com a construção de um país mais justo” João Moacir Belino, pres. do Sindicato de Toledo

“Esta reunião foi um ganho muito grande em termos de união e conhecimento. Vamos levar este ânimo para a base em Cascavel”, declarou José Evangelista (boné da CUT), ao lado de Sandra Beppler, Marcos Velasco e Sonia

MULHERES, JOVENS E MAIS EXPERIENTES: ENCONTRO 100%

Rita (STIP), Clayson (Jaguapitã) e Valdevino (STIP) O encontro somou a experiência de Valdevino Buzeti, com a sensibilidade feminina de Rita de Cássia e o vigor da determinação de Clayson Ramos Mattos, apontando caminhos para o sindicalismo da alimentação seguir em frente, fortalecer direitos e ampliar conquistas. “Nesta reunião subimos vários degraus na nossa organização. Isso só se consegue com identidade, com sentimento e trabalho coletivo”, sublinhou Valdevino.

“O encontro foi de suma importância para o nosso crescimento, pois trocamos experiências acumuladas e apontamos objetivos e lutas comuns” Gilmar Servidoni, pres. do Sind. Panificação de Curitiba

“Nosso seminário foi de um grande enriquecimento para todos, pois se fortaleceu a integração e a determinação de lutar pela nossa categoria” Alceu Sumocoski, sec.geral Sind. de Francisco Beltrão

INFORME ESPECIAL PARANÁ é uma publicação da CONTAC (Confederação Nacional das Indústrias da Alimentação, Agroindústrias, Cooperativas de Cereais e Assalariados Rurais). Presidente: Siderlei de Oliveira. Edição: Cristiane Fonseca. Produção: Papiro Paraná (41) 9181.5923 E-mail: papiropr@hotmail.com

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