Issuu on Google+

Carreira_19_01_Capa.indd 1

22/02/2010 17:07:47


A Carreira_19_02_05_Cartas_Editorial.indd 2

22/02/2010 16:52:58


A Carreira_19_02_05_Cartas_Editorial.indd 3

22/02/2010 16:52:58


Número 20, ISSN 1982 - 8187

LENDO&RELENDO CARTAS espaço do leitor

www.escala.com.br Av. Profª Ida Kolb, 551, Casa Verde, CEP 02518-000, São Paulo (SP), Brasil Tel.: +55 (11) 3855-2100 Fax: +55 (11) 3951-7313 Caixa Postal: 16.381, CEP 02599-970, São Paulo, SP, Brasil EDITORIAL - Diretor: Sandro Aloísio Pré-impressão: Cíntia Karina dos Reis Produção: Fernanda de Macedo Alves Guedes e Rosana Ascenção Revisão: Bruna Baldini de Miranda PUBLICIDADE - Diretor: João Queiroz (joaoqueiroz@escala. com.br) Assistentes: Luciane Freitas e Adriana Neiva tel (11) 3855-2179 (faturamento) Agências - Gerente: Sumara Del Vecchio, sumaravecchio@escala.com.br Executivos de Negócios: Cláudia Arantes, Clóvis Cortez, Daniel Resende, Guenda Galeazzi e Mariana Galvão Diretos/Executivos de Negócios: Adriana Mauro, Adriana Paula, Jussara de Souza, Luciana Lima, Miriam Campanhã, Paulo Sérgio de Moraes, Yone Catoira e Zélia Oliveira Regionais Gerente: Alessandra Nunes,

Sucesso e fé Achei muito criativa e proveitosa a matéria da edição 18 sobre a relação que há entre sucesso e religião. Como funcionária, sempre acreditei que uma liderança mais humana é positiva para os negócios. Agora, como empresária, sempre aplico este modelo de gestão para meus funcionários. E dá muito certo. Espero que outros empresários e executivos possam ter esta mesma visão.

alenunes@escala.com.br Representantes - Interior de São Paulo: L&M Editoração e Comércio Luciene Dias (19) 3231-7887 Ceará: Dialogar Comunicação e Marketing Izabel Cavalcanti (85)

Sandra L. Martins – São Paulo-SP

3264-7342 Minas Gerais: Box Private Media Rodrigo Freitas (31) 9421-6777 Paraná: AB Isoppo Publicidade Andreia Isoppo (41) 3343-1175 e 3342-0678 Rio Grande do Sul: Starter Online Cristina Zimmerman (51) 3327-3700 Rio de Janeiro: Marca 21 Carla Torres e Marta Pimentel (21) 2224-0095 Santa Catarina: Artur Tavares tel. (47) 9192-6554 - tel. (11) 7733-0665 COMUNICAÇÃO E MARKETING - Diretor: Filipe Rios Gerente de Comunicação: Patrícia Filgueira Assessora de Imprensa: Júlia Furquim Diretor de Arte: André Martins Assistentes de Arte: Joel Brogliato e Nathalia Valente Estagiária: Tarcila de Lourenzi VENDAS/ATENDIMENTO AO LEITOR Tel.: +55 (11) 3855-1000 sacweb@escala.com.br ATACADO DE REVISTAS Tel: +55 (11) 4446-7060 atacado@escala.com.br ATACADO DE LIVROS Tel.: +55 (11) 3855-2120 / 3855-2148 vendas@escala.com.br Distribuição com exclusividade para todo o BRASIL, Fernando Chinaglia Distribuidora S.A. Rua Teodoro da Silva, 907. Tel.: +55 (21) 2195-3200. Números anteriores podem ser solicitados ao seu jornaleiro ou na central de atendimento ao leitor, ao preço do número anterior, acrescido dos custos de postagem. Disk Banca: Sr. jornaleiro, a Distribuidora Fernando Chinaglia atenderá os pedidos dos números anteriores da Editora Escala enquanto houver estoque. Filiada à

Carreira&Negócios

IMPRESSÃO E ACABAMENTO Oceano Indústria Gráfica Ltda.

Nós temos uma ótima impressão do futuro

www.fullcase.com.br | (11) 5081.6965 Diretor Executivo: Edgar Melo • Diretora Editorial: Karina Alméri – MTb.45.403 • Redação: Sheyla Pereira e Sílvia Dalpicolo • Diagramação: Samuel Moreno, Rodrigo R. Matias, Carolina Ricciardi e Gabriel Seabra • Revisão: Cristiane Garcia • Colaboradores: Alexandre Marcusso, Carlos Cruz, Christianne S. Xavier, Gisela Kassoy, José Celso Martins, José Luiz C. A. Negrini, Luiz Guilherme Brom, Luiz Marins, Luiz Gonzaga Bertelli, Lysandro Trotta, Marco Aurelio Klein, Myrna Silveira Brandão, Patrícia B. Gavronski, Ruy C. de Oliveira, Sandra Turchi, Tatiana Martins CARREIRA&NEGÓCIOS Alméri e4 Tatsumi Roberto Frina • Fotos: Divulgação.

Carreira_19_02_05_Cartas_Editorial.indd 4

Mercado em alta Lendo a reportagem sobre o mercado de games (edição 16), fiquei bastante animado com as possibilidades da área, já que sempre tive vontade de ingressar neste meio. É muito difícil encontrar pessoas que acreditem e apostem no segmento, mas acredito que, com a matéria da revista, empresários possam abrir a mente para um mercado que só tende a crescer.

Ano novo, vida nova Já que entramos em 2010 e começo de ano é época de mudanças, gostaria de ver uma matéria sobre como podemos melhorar nossas chances profissionais em 2010 e o que devemos fazer para ter muito sucesso nesta área.

Yuri M. Gomes – Cuiabá-MT

Prezado Yuri,

Michel Botto – Curitiba-PR

Nesta edição, preparamos uma matéria de capa especial com 10 dicas para tornar a carreira mais promissora em 2010. E para incentivar, selecionamos dicas de 10 executivos de sucesso contando a fórmula para se tornar bem-sucedido. Esperamos que goste.

Público mirim

Assinatura

Sou dona de um buffet infantil e fiquei muito feliz em ver a matéria sobre o mercado na última Carreira & Negócios. Me interessei muito pelas ações do Sebrae, divulgadas na matéria e entrei em contato com eles para saber mais detalhes. Obrigada por dar uma “força” ao meu negócio.

Sempre compro a Carreira & Negócios na banca de jornal perto de minha casa e gostaria de saber como faço para assinar a publicação. Parabéns a todos da revista pelas matérias sempre úteis.

Cátia Santos Pereira – São Paulo-SP

Susi Redondo – São Bernardo do Campo-SP

Prezada Susi, Para assinar a revista, entre em contato com a Editora Escala no número (11) 3855-1000.

Fale com a C&N

Fale conosco para esclarecer dúvidas, registrar opiniões e sugerir reportagens, para que possamos fazer uma revista cada vez mais completa para você!

CARTAS PARA: Rua Belmiro de Almeida, 147 Saúde - São Paulo-SP CEP 04127-040

CONTATO: edgar@fullcase.com.br (11) 5081-6965

22/02/2010 16:53:01


Editorial

ABRE ASPAS

Degrau por

degrau O

ditado “depois da tempestade vem a bonança” casa perfeitamente com o momento em que se encontra a atividade econômica brasileira. Após a crise financeira mundial que teve reflexos imediatos na geração de emprego e renda no Brasil – ainda que menos devastadores se comparados a outras nações –, com demissões em massa e forte redução de salários, o ano de 2010 será bem promissor em vários setores como indústria, comércio e serviços. Isso significa que a chegada de novas frentes de trabalho é eminente e, quem estiver preparado para agarrar as oportunidades que estão por vir, terá chances de conquistar o emprego que tanto deseja, mudar de área e, principalmente, alcançar a tão sonhada promoção. Para que você, leitor, fique pronto nesse momento, ouvimos especialistas em carreira e empresários de sucesso. Em dez dicas, eles resumiram as características que o profissional da atualidade precisa ter para buscar um lugar de destaque no ambiente profissional. Por falar em oportunidade, conheça as redes que apostam em aulas gratui-

tas como estratégia para a divulgação de serviços, a história do BuscaPé, o site de comparação de preços que é líder em decisão de compras na América Latina, e o carrinho criado pela brasileira Mara Kimie Kikuti, que prepara sushi e temaki, baseado em restaurantes populares do Japão. Nessa jornada rumo à conquista profissional, não deixe ainda de se inspirar na trajetória da Village, que se consolidou no mercado por ser a primeira brasileira no ranking de fabricantes de panetones, e da Natura Cosméticos, líder desse segmento de negócios no país. Confira uma entrevista exclusiva com o vice-presidente de negócios da empresa, José Vicente Marino. E mais: quando você se desliga de uma empresa, com quem deixa seus contatos? Saiba qual a conduta mais apropriada na hora de dizer “adeus”. Não poderíamos deixar também de abordar a nova lei da licença-maternidade, que foi ampliada para 180 dias nas empresas privadas. Uma excelente guinada profissional em 2010!

CARREIRA&NEGÓCIOS • 5

Carreira_19_02_05_Cartas_Editorial.indd 5

22/02/2010 16:53:02


SUMÁRIO

Edição 19

Capa

16|

20| 22|

28| 32|

Entrelinhas

Em entrevista exclusiva, o vicepresidente de Negócios da Natura, José Vicente Marino, explica o trabalho de consultoria que fez a empresa ganhar o mercado internacional

Know-how

A importância da atitude no mercado de trabalho sob a ótica do presidente do CIEE, Luiz Gonzaga Bertelli

Perfil empreendedor

A história do BuscaPé, site de comparação de preços líder em decisão de compras na América Latina criado por um grupo de amigos

Sua carreira

Ao sair de uma empresa, o que você faz em relação a seus contatos de trabalho? Saiba como agir!

Seu negócio

Test-drive: empresas apostam em aulas gratuitas como nova estratégia para conquistar público

44

Todo gestor que se preze sonha em contar com funcionários criativos, motivados e capazes de vestir a camisa da empresa. Por outro lado, qualquer profissional deseja obter bons salários e chances de crescimento em sua respectiva área de atuação. Para que ambos os lados fiquem satisfeitos, especialistas em recursos humanos e executivos explicam, em dez passos, como aplicar conceitos de sucesso na carreira, por exemplo, aliando qualidade de vida ao trabalho e tendo mais flexibilidade e boa convivência em grupo. Fique atento às dicas e dê uma guinada em 2010.

ESPECIAL

As franquias se estabeleceram no Brasil como um negócio com grandes perspectivas de ganho imediato e duradouro. Saiba como no caderno especial deste mês TESTE: Você aprende com os outros?

+ ARTIGO: Não de o sonho da franqu ixe ia virar pesadelo

Franquias cadernoESPECIAL

+ DICAS: Para o seu negócio chegar ao topo Tudo o que você precisa saber sobre esse ramo de atividade

6 6 •• Carreira&negócios Carreira&negócios

Carreira_19_06-07_Sumario.indd 6

22/02/2010 16:50:24


Atendimento ao leitor

Colunistas 25 | COTIDIANO&TRABALHO

36|

Luiz Guilherme Brom

35 | GESTÃO&SOCIEDADE Tatiana Martins Alméri

39 | COMUNICAÇÃO&NEGÓCIOS Sandra Turchi

55 | LEGISLAÇÃO&NEGÓCIOS

42|

José Celso Martins

63 | ESPORTE&NEGÓCIOS Marco Aurelio Klein

Tome nota

Com adesão facultativa, licençamaternidade é ampliada para 180 dias nas empresas privadas

Vitrine

CVC Turismo anuncia em seu 16º Workshop a meta de embarcar 2,5 milhões de passageiros até o final de 2010

71 | MOTIVAÇÃO&CARREIRA Luiz Marins

Expressão

74 | Os benefícios da gestão descentralizada e os motivos pelos quais esse modelo está tão em voga

Seções 05 | Lendo&Relendo 08 | Radar Corporativo

64|

66|

40 | Fala, coach! 58 | Baú corporativo 68 | Em sala

72|

Myrna Silveira Brandrão sócia-diretora da Silimed, única produtora de implantes de silicone no Brasil e América Latina

Telefone: (11) 3855-1000 Site: www.escala.com.br

Assinaturas Assine as revistas da Editora Escala e receba os exemplares com toda comodidade, em seu endereço. Telefone: (11) 3855-1000 E-mail: assinatura@escala.com.br Site: www.assineescala.com.br (consulte os títulos disponíveis)

Olhar responsável

Instituto Lojas Renner contempla mulheres no mercado de trabalho com investimentos focados para esse público

Executivo.com Conheça o QuickLessons, ferramenta que permite a qualquer usuário criar cursos on-line de qualidade profissional

Happy Hour

De origem inglesa, os pubs se tornaram opções de lazer na capital paulista

78 | SINAPSE: Dicas de filmes por 82 | FECHA ASPAS: A história da

Adquira as edições anteriores de qualquer revista ou publicação da Escala (sujeito à disponibilidade de estoque).

Preencha o formulário no site: www.escala.com.br/cv.asp

26 | Inovadores

62 | Quem é ele?

Edições Anteriores

Trabalhe na Escala

56 | O conceito de software livre e a importância de saber gerir a informação

Conversa afinada

Para informações, sugestões, elogios ou reclamações, o atendimento ao leitor esta disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 19h. Telefone: (11) 3855-1000 E-mail: atendimento@escala.com.br

76|

Gestão Pessoal

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxx

Presente em sua vida

&

NEGÓCIOS CARREIRA

Fale com a redação Contato direto com a redação da revista para que você nos envie sugestões e comentários. Telefone: (11) 3855-1000 Endereço: Avenida Profº Ida Kolb, 551 Casa Verde CEP 02518-000 São Paulo - SP E-mail: gestaoenegocios@escala.com.br

Para anunciar Telefone: (11) 3855-1000 E-mail: comercial@escala.com.br Carreira&negócios • 7

Carreira_19_06-07_Sumario.indd 7

22/02/2010 16:50:38


Co rpo rati vo

tendências&negócios

Otimismo

Expectativa de crescimento Pesquisa feita pela Grant Thornton International, aponta que 71% dos empresários brasileiros acreditam que a economia brasileira só tende a melhorar neste ano. O estudo chamado International Business Report (IBR), ouviu mais de 7.400 empresas de capital de 36 países. Apesar desse excelente índice no ranking geral o Brasil ocupa a 5ª posição, atrás do Chile (85%), o campeão do otimismo, Índia (84%), Austrália (79%) e Vietnã (72%). “Como o país foi um dos menos afetados pela crise, desde o segundo semestre do ano passado estamos notando uma recuperação”, explica o presidente da Terco Grant Thornton, Mauro Terepins. Este ano, a média de otimismo foi de 24%, contra -16% no ano passado.

Expansão

Pesquisas brasileiras A GE confirma que pretende expandir sua rede de pesquisa global e que o Brasil está nos planos para a instalação de um novo centro de pesquisa. O anúncio foi feito pelo presidente e CEO Global da companhia, Jeff Immelt. Caso se concretize, esta seria a primeira unidade da empresa na América Latina. “Com uma forte base industrial, universidades de primeira linha e importantes clientes das mais diversas indústrias, o Brasil é a escolha lógica para a nossa próxima instalação,” explica Immelt.

Serviços Parceria

Fidelidade A Accor Hospitality firmou parceria com a Multiplus Fidelidade, programa de fidelidade da companhia aérea TAM. A empresa, o braço hoteleiro do grupo Accor já contava com seu próprio programa, o A|Club e agora, com o novo acordo, cada euro gasto na rede de hotéis se transformam em pontos no Multiplus, assim como os bônus acumulados na fidelização da TAM podem ser resgatados na forma de vouchers de desconto em estadias. Emanuel Baudart, diretor de distribuição, vendas e marketing de relacionamento da Accor Hospitality América Latina, afirma que “esta parceria com a TAM visa a favorecer todos os clientes do programa internacional A|Club. Assim, podemos incentivar a interatividade entre as ações de relacionamento de diversas empresas com os consumidores”.

Para as mulheres Em pesquisa realizada pela Prestus®, empresa de multiconsultoria focada no público executivo, eles detectaram que 86% das executivas paulistas não contam com nenhum tipo de assistência no ambiente profissional, mesmo que a ajuda de uma secretária. Baseada nesta carência, a empresa criou o Clube de Serviços, no qual consultores e assistentes virtuais prestam assessoria a este público 24 horas por dia. Segundo o sócio-fundador da empresa, Alexandre Borin, com este serviço, as associadas têm profissionais de diversas áreas para auxiliá-las em questões que tomam tempo, mas que não precisam ser realizadas por elas.

Prêmio

Destaque da área No final do ano passado, o Itaú Unibanco foi contemplado com o prêmio de melhor banco do Brasil e América Latina, pela revista inglesa The Banker. O veículo publica a edição especial com os destaques do ano no setor bancário desde 2000. Um time de jurados decide quais serão os vencedores por meio de critérios como atendimento às necessidades dos clientes, complexidade das operações, capacidade de inovação e performance. Nos primeiros nove meses de 2009, o Itaú Unibanco registrou lucro líquido de R$ 6,85 bilhões, com R$ 612,4 bilhões em ativos consolidados e R$ 48,86 bilhões de patrimônio líquido.

8 • Carreira&negócios

Carreira_19_8_15_Radar.indd 8

22/02/2010 15:48:25


Ciranda Empresarial Contratações e promoções de peso

» Mudanças A Zurich América Latina, provedor líder no setor de serviços financeiros baseados em seguros, está mudando gerência e administrações de suas unidades. Foram anunciados José Orlando como CEO Global Life para a América Latina, Eduardo Mareovich para CEO da Zurich Argentina e Eduardo Gutiérrez Helusky, CEO da Zurich México. “A América Latina está se tornando, cada vez mais, um ponto focal para que a Zurich possa atingir o objetivo de se tornar a seguradora com liderança global em nossos mercados escolhidos: seguros gerais e seguros de vida”, declarou o CEO Zurich Americas, Paul N. Hopkins.

NFE

Tira-dúvidas Quem ainda tem dúvidas sobre a nota fiscal eletrônica pode fazer download de uma cartilha explicativa na internet. A Nasajon Sistemas, especializada em solucções informatizadas de gestão empresaria lançou este manual e também outro, sobre o funcionamento do projeto Sped – Sistema Pùblico de Escrituração Digital – chamado SPED e NF-e – Vem cá, que a gente explica. Os interessados devem acessar o site Sped Consulta (www.spedconsulta.com. br), clicar no link “download da cartilha” e preencher o formulário, para recebê-lo por e-mail, sem nenhum custo.

Divulgação

Nova conta A Ato Z Comunicação Empresarial é a nova responsável pelas ações, nesta área, da Virginia Language Center, instituição de ensino de idiomas, que também é especializada no preparo de jovens e adultos que pretendem cursar MBA em outro país, além de cursos específicos para diferentes profissões, preparação para entrevistas profissionais e português para estrangeiros. A Ato Z Comunicação possui cases de sucesso em diversos segmentos com ações em assessoria de imprensa, comunicação interna, publicações institucionais e conteúdo para site.

» gerência

» Criação de área

Marcos Oliveira é o novo gerente de Operações da Ziva, integradora de serviços de tecnologia da informação. “Em 20 anos de experiência em TI atuei em empresas cujo core business não era a tecnologia, mas que a área era estratégica sob o ponto de vista de prover o suporte necessário para as operações. Essa bagagem sobre o que o mercado precisa, quais são os produtos e serviços que anseiam será a base do meu trabalho na Ziva para prover o desenvolvimento de estratégias e soluções”, explica Oliveira.

A CPM Braxis, maior empresa brasileira de serviços de tecnologia conta com uma nova área, a diretoria de Controladoria. E para estar à frente do departamento, a companhia contratou Marcos Binder, profissional com mais de 15 anos de experiência no mercado. “Chego à CPM Braxis com o desafio de promover a integração dos processos da área financeira e rever os controles. Dessa forma, teremos maior transparência e agilidade na busca por informações e na tomada de decisão”, afirma Binder.

» Diretoria A área de Recursos Humanos da Johnson&Johnson Brasil possui nova diretoria. O cargo foi ocupado por Sonia Marques, que anteriormente era diretora regional de Recursos Humanos para Supply Chain na América Latina. Sonia atua na área de RH desde 2000, antes fazia parte da equipe de Marketing da empresa.

» Novos cargos A Student Travel Bureau (STB) anunciou a nomeação dos executivos que ocuparão cargos internacionais. Samuel Lloyd é o novo tesoureiro da WYSE Work Abroad - braço da World Youth Student & Educational Travel Confederation (WYSETC), organização mundial para o turismo jovem e estudantil. A gerência da Carteira Mundial do Estudante ISIC fica com Humberto Murakami. Santuza Bicalho é a diretora-executiva que representa a empresa no exterior.

Carreira&negócios • 9

Carreira_19_8_15_Radar.indd 9

22/02/2010 15:48:26


co rpo rati vo

tendências&negócios

Software

segurança A clM soFtWare lança com exclusividade no Brasil o Astaro Gateway Essential Firewall Edition, da companhia alemã Astaro Corporation, solução de segurança profissional, gratuita, sem limitação do número de IPs, para uso comercial. A empresa especializada em segurança da informação e infraestrutura avançada tem o intuito de divulgar a marca entre os usuários, além de promover a migração deles para as versões mais completas, que são pagas. “Esta é a primeira vez que um software de segurança comercial é liberado para ser baixado de graça. É uma mudança de paradigma nesse mercado, cujas versões gratuitas geralmente são de código aberto ou trials com limitações ou prazo de vencimento”, afirma o presidente da CLM Software, Francisco Camargo.

Reconhecimento

ações sociais A dIaGnÓstIcos da aMérIca s/a (dasa) recebeu a renovação do título de Empresa Amiga da Criança, da Fundação Abrinq. A maior empresa de medicina diagnóstica do País possui autorização para utilizar o selo desde 2003, e agora pode continuar utilizando-a até o final de 2010. O mérito vem de seus programas de iniciativas sociais, que já beneficiou 11 mil crianças e adolescentes.

Sucesso

mais vendido O celular LG Cookie, lançado há pouco mais de um ano, já conta com 10 milhões de unidades vendidas em todo o mundo. Esse modelo é o full touchscreen com melhor desempenho em vendas da história da empresa e dá continuidade a uma série de aparelhos com boa aceitação no mercado, como o LG Chocolate e o LG Shine, entre outros. “Seu recorde de vendas credencia ainda mais nossa filosofia de estudar as demandas de consumo e de oferecer um celular com recursos diferenciados e design elegante”, completa o diretor de vendas da divisão de celulares da lG electronIcs no Brasil, Marcus Daniel.

Ampliação

nova unidade A eMPada brasIl possui mais um endereço. Desta vez, a unidade está situada na Vila Leopoldina, zona leste de São Paulo. A rede de empadarias está em fase de expansão e, conta com 53 lojas presentes em quase dez estados, entre eles Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Bahia e Ceará. A receita de seus produtos é secreta, mas há grande variedade de recheio, do tradicional queijo aos inusitados sabores salgados, sem contar os recheios doces e muito mais.

10 • Carreira&negóCios

Carreira_19_8_15_Radar.indd 10

22/02/2010 15:48:29


Popular

internet para todos O programa Banda Larga Popular, do Governo estadual de são Paulo, acaba de ser beneficiada pela parceria entre a Secretaria da Fazenda a NET Serviços. O acordo habilita a empresa a oferecer pacotes de acesso à internet com preços mais acessíveis e que estejam de acordo com o projeto. Conforme o presidente da NET Serviços, José Antonio Guaraldi Félix, a banda larga popular já está disponível desde dezembro, para os consumidores de São Paulo. “Temos hoje uma plataforma que nos permite oferecer desde o plano mais simples até os de maior velocidade, o que deve ajudar o serviço a deslanchar ainda mais”, afirma.

Acordo

parceria de peso A parceria estabelecida entre o IG e as casas bahIa tem gerado bons frutos. O portal da internet foi eleito pela rede varejista como o melhor parceiro na categoria veículo de mídia online durante 2009, devido aos resultados de venda online gerados pelo site. “Este reconhecimento comprova que o iG, um dos maiores portais do país, entrega a seus clientes projetos de marketing que são desenvolvidos de acordo com seus objetivos e necessidades .Estamos muito satisfeitos com a parceria de sucesso que mantivemos com a Casas Bahia durante esse ano”, afirma o diretor de Publicidade do iG, Marcelo Lobianco.

Carreira_19_8_15_Radar.indd 11

Consultoria

melhor atendimento Com o objetivo de melhorar a relação entre suas equipes e, com isso, a prestação de serviços ao consumidor, a droGarIa são Paulo, contratou os serviços da Gauss Consulting, empresa de consultoria instrumental e assessoria especializada, para colocar em prática a mensuração de resultados da Avaliação de Desempenho de Liderança aplicada pela Rede em cada uma de suas 239 filiais espalhadas pelo Brasil. O projeto teve duração de três meses e o foco foi identificar a percepção dos colaboradores da rede em relação ao desempenho de seus gerentes em aspectos como relacionamento, atuação como líder, motivação e credibilidade.

Vendas

mais produtos A sony firmou parceria com a rede de hipermercados Extra, que hoje, é a maior revendedora de artigos de informática no Brasil, para a venda de seis modelos de notebooks da linha VAIO, em suas unidades de todo o País. Já é possível encontrar os aparelhos da marca em mais de 150 unidades da rede. A ação é um plano de expansão da Sony para tornar a marca bem comercializada fora das lojas especializadas. Ainda nas lojas Morumbi e no Aeroporto há área para experimentação dos aparelhos.

22/02/2010 15:48:30


Co rpo rati vo

tendências&negócios

Pioneirismo

Reconhecimento Primeira agência de Marketing em sites de busca do Brasil, a Cadastra registrou aumento de 90% de seu faturamento em 2009 - em relação ao ano anterior. Além da alta demanda de seus serviços e conquista de clientes importantes, a empresa também comemora a conquista de uma certificação importante – a Yahoo! Web Analytics Consultant Network (YWACN) – concedida apenas às 16 empresas mais importantes no segmento de Web Analytics.

Retorno

Com nova roupagem A marca Pakalolo, ícone da moda dos jovens nos anos 1980, está de volta. A primeira loja foi inaugurada no Morumbi Shopping, em São Paulo. Para o relançamento, a Marisol S/A, que detém os direitos da marca, realizou pesquisas com o público jovem para criar propostas diferenciadas. A marca ganhou nova identidade visual e um layout de loja que acompanha as principais tendências mundiais. “Abriremos unidades nas principais capitais brasileiras, além de atuar com força nas demais cidades do país e das principais lojas de moda multimarcas”, declara o diretor executivo da Pakalolo, Roberto Reghini.

Empregabilidade

Realidade brasileira Segundo a pesquisa “O desempregado brasileiro 2009”, realizada pela Catho Online, a maioria do público que se encontra nesta situação aceitaria trabalhar como prestador de serviços, ou seja, sem registro na carteira de trabalho. Entre os homens, a aceitação a este tipo de trabalho e maior do que com as mulheres (72,9% no primeiro e 63,8%, no segundo grupo). Outro fator que influencia é a idade: os mais velhos tendem a concordar mais com esta forma de contratação, em relação aos mais jovens.

Ferramenta

Agilidade nos pagamentos Com o objetivo de organizar a folha de pagamento nas empresas, a Build Up, empresa Accor Services especializada em serviços para a área de Recursos Humanos, apresenta a Administração de Terceiros. Entre as vantagens que o RH encontra em utilizar a ferramenta estão a possibilidade de gestão centralizada e histórico financeiro dos pagamentos efetuados, controle e gerenciamento de aprovações, disponibilização dos dados do autônomo nos arquivos digitais do INSS (IN89), MANAD e na DIRF, contabilização e transmissão bancária dos valores relacionados aos pagamentos dos autônomos, emissão dos encargos sociais e obrigações legais, além da emissão de relatórios detalhados.

12 • Carreira&negócios

Carreira_19_8_15_Radar.indd 12

22/02/2010 15:48:30


Cursos&eventos atualização profissional

Companhias

Entre sites O programa Consumidor Consciente da MasterCard, que promove a educação financeira entre a população, ganha um novo aliado, o PanAmericano Cartões. Com o acordo, a página da emissora de cartões, agora, conta com um link para o site do projeto (www.consumidorconsciente.org). “Ter o PanAmericano Cartões como um multiplicador desse projeto é fundamental para a multiplicar os esforços em implementar estratégias educacionais que orientam a população sobre a gestão saudável das suas finanças e o uso adequado de cartões, o que beneficia todos os participantes do sistema de pagamentos, principalmente o consumidor final ”, afirma o presidente da MasterCard Brasil, Gilberto Caldart.

Formação para consultoria A consultoria empresarial Thompson junto com o NPT (núcleo ligado à FEA de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo) e a FUNDACE (Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia) criou um curso para formação de consultores. O Programa de Formação de Consultores de Gestão (PFCG) terá cases de sucesso da empresa, com conteúdo aprovado pela USP e pretende transformar especialistas de diversas áreas em consultores e com isso aumentar o leque de possibilidades de trabalho. O programa terá duração de 320 horas, sendo 160 horas de aulas presenciais e 160 horas de exercícios extra-aula. Informações:

www.fundace.org.br/torneseumconsultor ou pelo telefone: (11) 5041-2565.

Gestão em esportes

Cultivo

Bom negócio O desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas que se tornaram preferência entre os agricultores, rendem à Monsanto o título de empresa do ano pela revista Forbes. Os motivos que lhe renderam o título, segundo a publicação americana de finanças e negócios é seu investimento constante em pesquisas e a diversificação de suas formas de cultivo. A companhia lucrou cerca de US$ 2,1 bilhões e faturou US$ 11,7 bilhões, o que representa um aumento médio anual de 18% em sua receita durante os últimos cinco anos. Somente em 2009, ela vendeu US$ 7,3 bilhões de sementes.

A Rede de Ensino Desportivo, primeiro organização educacional do Brasil na especialidade, inicia seu primeiro ano de atividades oferecendo cursos de pós-graduação na área esportiva. As aulas têm início em março e os temas disponíveis são Nutrição Aplicada à Atividade Física, Fisioterapia no Esporte – Lesão e Traumas, Personal Training, Psicologia Esportiva, Direito Esportivo, Atividades Físicas para Grupos Especiais, Saúde e Bem Estar, Gestão Eficaz de Academia, Gestão e Marketing Esportivo e Jornalismo Esportivo. A mensalidade dos cursos sai na faixa de 250 reais. Informações:

www.portalrede.com.br

Carreira&negócios • 13

Carreira_19_8_15_Radar.indd 13

22/02/2010 15:48:31


co rpo rati vo

tendências&negócios

Mundial

economia otimista O GruPo hsbc divulgou a maior pesquisa feita com pequenas e médias empresas de mercados emergentes sobre o futuro da economia regional e de seus negócios. O estudo monitora a confiança do empresariado para o primeiro semestre de 2010 e avalia as expectativas em relação à retomada econômica, planos de investimento de capital e contratação de mão de obra das empresas. O resultado é bom para o Brasil: este é o segundo país mais confiante da América Latina, com 131 pontos. O primeiro lugar no mundo ficou com a Índia, com 134 pontos.

Ranking

melhora de posição O banco do nordeste está entre as instituições financeiras com as marcas mais valiosas do mundo, segundo o relatório divulgado pela consultoria britânica Brand Finance, especializada em avaliação e gestão de marcas, em parceria com a revista inglesa The Banker e com a agência de classificação de risco Austin Rating. A marca subiu 104 posições em relação a 2009 e está agora na 349ª colocação no ranking. Para o presidente Roberto Smith, está é uma comprovação de seu reconhecimento internacional.

Sustentável

reconhecimento de importÂncia A PIrellI acaba de confirmar sua preocupação com a sustentabilidade. Ela foi eleita, pela terceira vez consecutiva, como a líder do setor automotivo neste quesito, de acordo com o Anuário da Sustentabilidade 2010, a mais respeitada publicação do segmento. No estudo, a multinacional italiana ocupa a primeira posição nas três principais categorias voltadas ao segmento de Pneus e Autopeças: Líder do Setor, Companhia Classe de Ouro e Excelência do Setor.

Frases&Fatos positivo coMPra vIrtual eM alta A confiança dos consumidores no comércio eletrônico cresceu. Elas foram consideradas confiáveis por 86,3% das pessoas que fizeram compras pela Internet durante todo o ano de 2009. Esse o resultado de pesquisa realizada pela e-bit, empresa especializada em informações de e-commerce, em parceria com o Movimento Internet Segura (MIS), comitê da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net). Ao todo foram coletados pela e-bit mais de 1.4 milhão de questionários de janeiro a dezembro em que foi feita a média de satisfação do público com este serviço.

negativo PaGaMentos coMProMetIdos A crise que atingiu o mundo no início do ano passado surtiu muitos problemas financeiros nas empresas. Os reflexos podem ser sentidos nos índices de inadimplência das pessoas jurídicas, que cresceu 18,8% em 2009, quando comparado com 2008. Foi o maior percentual de crescimento desde 2001, conforme revela o Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas. Em 2009, o número de títulos protestados foi o principal indicativo da inadimplência, com 41,5% de participação no indicador. Em seguida estão os cheques sem fundos, que em 2009 atingiu a marca de 38,6% entre as pessoas jurídicas.

14 • Carreira&negóCios

Carreira_19_8_15_Radar.indd 14

22/02/2010 15:48:32


A Carreira_19_8_15_Radar.indd 15

Carreira&negรณcios โ€ข 15

22/02/2010 15:48:32


entrelinhas Cosméticos

Contato lucrativo

Vendas diretas consolidam o sucesso da Natura Cosméticos e a tornam líder deste sistema de negócio no país por Sílvia Dalpicolo

por Sílvia Dalpicolo

16 • Carreira&negócios

Carreira_19_16_19_Entrelinha.indd 16

22/02/2010 16:58:57


H

á quem diga que a melhor propaganda é aquela feita pelo boca a boca. Mas o que poucos sabem é que as vendas com essa abordagem mais “intimista” também podem ser responsáveis pelo sucesso de uma empresa. A prova de que a fórmula pode dar muito certo é a Natura Cosméticos. A marca, que está presente em diversos países da América Latina e também na França, é líder no setor da venda direta, graças ao trabalho de milhares de consultoras que fazem as vendas com o catálogo de produtos. Para comprovar ainda mais a credibilidade da companhia, ela foi eleita a mais inovadora do ano e recebeu o Prêmio FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) de Inovação, na categoria Grande Empresa. Em 2010, a empresa faz 40 anos e alcança um número importante: 1 milhão de consultoras, sendo 815 mil somente em território nacional e 150 mil nos demais países de atuação. Os colaboradores são responsáveis por incluir os produtos da marca em 50,4% das casas brasileiras. Para conhecer mais sobre este modelo de negócio, que colocou de vez a empresa no cenário nacional, a Carreira & Negócios conversou com o vice-presidente de Negócios da Natura, José Vicente Marino.

Carreira&negócios: Como foi o início da venda de produtos? José Vicente Marino: A Natura manteve por quatro anos (de 1970 a 1974) uma loja em uma antiga borracharia na rua Oscar Freire. O atendimento era feito pelo próprio Luiz Seabra, fundador da empresa, e inspirou o sistema de consultoria e venda direta. Aos poucos, a Natura aumentou o número de lançamentos, começou a aparecer na mídia e lançou seu primeiro catálogo. No final deste processo, ampliou seu público consumidor.

C&n: assim surgiu o método de venda direta? Marino: Sim. O aumento de consultas personalizadas feitas a Luiz Seabra e a procura dos produtos Natura levaram, à criação de ações junto a esteticistas e distribuidoras independentes, que foram selecionadas entre as próprias clientes. Essas ações são consideradas as primeiras manifestações do sistema de venda direta adotado pela Natura. Em 1974, a empresa optou definitivamente por este método, resultando no fechamento da loja e na criação da Pró-Estética, a primeira distribuidora exclusiva no mercado paulista. O surgimento do primeiro catálogo foi de suma importância. Ele continha informações detalhadas sobre a forma de utilizar os produtos e devido a isso se tornou uma ferramenta importante para as consultoras no atendimento às suas clientes. Logo depois, a Pró-Estética criou uma área de atendimento para ampliar o relacionamento com as consultoras.

C&n: Como as consultoras contribuem para o crescimento da empresa? Marino: As consultoras Natura (CNs) são responsáveis pela qualidade e pela aproximação com os consumidores finais. São elas também que levam os valores e crenças da empresa para os clientes. Para se ter ideia da importância das CNs, o índice de aquisição dos produtos Natura, medido pelo Ibope, atingiu 50,4% dos lares brasileiros. Esses números influenciam diretamente nos resultados da companhia, que registrou lucro líquido de R$ 190,2 milhões no terceiro trimestre de 2009. O aumento do número de CNs reflete no aumento do número de clientes.

As consultoras são responsáveis pelo processo de melhoria da qualidade e pelo estreitamento das relações com os consumidores finais. São elas que levam os valores e as crenças da empresa para os clientes”

Carreira&negóCios • 17

Carreira_19_16_19_Entrelinha.indd 17

22/02/2010 16:59:06


entrelinhas Cosméticos

O início do sucesso

C&N: Ao se tornar uma consultora, a pessoa recebe treinamento inicial?

A Natura foi fundada em 28 de agosto de 1969 por Luiz Seabra – com o nome de Indústria e Comércio de Cosméticos Berjeaut Ltda. – em sociedade com Jean Pierre Berjeaut. A razão social mudou em 1970 para Indústria e Comércio de Cosméticos Natura Ltda. A empresa, que contava naquela época com apenas seis colaboradores, nasceu movida por duas paixões: a cosmética, como veículo de autoconhecimento e bemestar; e as relações humanas, como forma de expressão da vida. Em um pequeno prédio de fundos na Vila Mariana, eram fabricados produtos para o corpo, cabelos e rosto com ativos naturais vegetais, até que Seabra passou a realizar as vendas diretas, método que alavancou a marca em todo o País.

Marino: Quando uma pessoa ingressa na consultoria Natura, o primeiro treinamento é chamado de “Boas-Vindas”. Nele, a nova CN aprende e tem contato com a filosofia da empresa e seu método de negócio. Até o 7º ciclo (nome dado ao período de vendas), ela precisa passar pelo treinamento chamado “Paixão por Produtos”, que é quando ela aprende sobre os produtos da empresa.

C&N: Com o sucesso das vendas diretas, como o método foi aperfeiçoado para melhor capacitar suas consultoras? Marino: Um exemplo dessa evolução é a publicação especial “Ser Natura”, criada com o objetivo de aproximar a empresa ao seu público. Além de informar e capacitar as consultoras sobre os produtos, a revista trazia notícias institucionais sobre a Natura. Outra ação da companhia foi implantar a Central de Atendimento Natura (CAN), destinada ao atendimento das consultoras, para captação de pedidos e outros atendimentos relacionados à atividade. O CAN significou uma grande profissionalização para a empresa e permitiu que as consultoras fizessem diretamente seus pedidos por meio de um atendimento digital. A criação do Encontro Natura também foi uma importante ferramenta no relacionamento com as consultoras e permitiu seu acesso aos principais lançamentos de produtos. No ano seguinte, a companhia lançou seu primeiro site em que são encontradas diversas informações sobre seus produtos e crenças. Outra iniciativa que a Natura realizou foi a parceria com o Senac para a realização de treinamentos de suas consultoras. A ideia dos cursos é capacitar a força de venda não só para a atividade de consultoria, mas também tornando-as

melhores profissionais e aumentando suas possibilidades profissionais.

C&N: Que ações a empresa faz para estreitar o relacionamento com suas consultoras? Marino: As cinco Casas Natura – unidades Vergueiro, Santo Amaro, Osasco, Itaquera e Guarulhos – foram criadas exatamente com este objetivo e também com o de aumentar sua produtividade e ampliar o canal de vendas da empresa. Dentro de um conceito inédito no segmento de cosméticos e de venda direta, as Casas Natura fortalecem o relacionamento das consultoras com os consumidores e também com a marca. Essas casas ainda são destinadas à realização de encontros, cursos, lançamentos e treinamentos das CNs.

C&N: Quantas consultoras a Natura tem hoje? Marino: Em nosso último balanço, feito em outubro de 2009, alcançamos a histórica marca de 1 milhão de consultoras. São 851 mil no Brasil e mais de 150 mil nas operações internacionais. Um dos motivos apontados como responsável por esta evolução no número total de consultoras nas operações do Brasil e da América Latina foi a criação do programa Consultora Natura Orientadora (CNO) que passou a oferecer uma nova oportunidade de ascensão profissional para sua força de venda. A implantação dessa atividade tem o papel de atrair potenciais candidatas à consultoria e orientá-las em seu trabalho cotidiano. C

18 • Carreira&negócios

Carreira_19_16_19_Entrelinha.indd 18

22/02/2010 16:59:07


A Carreira&negรณcios โ€ข 19

Carreira_19_16_19_Entrelinha.indd 19

22/02/2010 16:59:07


KNOW-HOW

Capacitação

O importante é ter

atitude

As características que um aspirante ao mercado de trabalho precisa ter para alavancar a carreira

por Luiz Gonzaga Bertelli*

20 • CARREIRA&NEGÓCIOS

Carreira_19_20_21_Know How.indd 20

22/02/2010 10:52:09


N

a disputa por uma vaga de estágio, quem sai na frente? Um estudante de uma faculdade considerada de primeira linha ou um candidato que na entrevista demonstra que, além de bom desempenho escolar, sabe trabalhar em equipe? Ao contrário do que se pensava até alguns anos atrás, as centenas de processos seletivos que o CIEE realiza diariamente têm provado que apenas o nome da institui-

ção de ensino já não é mais garantia de uma boa colocação no mercado de trabalho, especialmente quando o jovem não tem uma formação atitudinal consistente. O grande problema é que nem os professores nem os pais estão aptos a ensinar – ou despertar – os comportamentos valorizados no ambiente corporativo. Como impregnar o tão carregado currículo dos ensinos médio e superior com noções de empreendedorismo, gestão de tempo e atenção concentrada? Como ensinar um filho a desenvolver um projeto em equipe ou a atender um cliente? As perguntas, claro, não têm resposta fácil. Uma boa ideia é que educadores e familiares estimulem o estudante a procurar essa capacitação em outras fontes, como em cursos, muitos dos quais ministrados gratuitamente por entidades como o CIEE. Dez dos 27 cursos oferecidos pelo programa CIEE de Educação a Distância são voltados a aspectos

*LUIZ GONZAGA BERTELLI é presidente executivo do CIEE, da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp. Mais informações para empresas, instituições de ensino e estudantes interessados em estágio: www.ciee.org.br

comportamentais como os já mencionados e podem ser feitos pelo www. ciee.org.br. Além dessa maneira, é sempre possível desenvolver as requeridas habilidades durante o próprio estágio, levando em consideração que muitas são as empresas e órgãos públicos que contratam candidatos com o perfil levemente fora dos padrões ideais. Os gestores de recursos humanos têm plena consciência das graves deficiências do sistema educacional brasileiro e, por isso mesmo, são adeptos do estágio. Tal modalidade de capacitação existe há mais de quatro décadas justamente para lapidar diamantes brutos sob o acompanhamento de profissionais experientes que descobrem as potencialidades de seus tutelados e os direcionam para as melhores práticas profissionais. Para tanto, os estagiários também precisam permanecer atentos a tudo o que está ao seu redor. E aqui está a primeira lição, por exemplo, de empreendedorismo: ser pró-ativo. O jovem não pode esperar as lições caírem no seu colo – adotar uma postura mais participativa pode aumentar um pouco a quantidade de erros cometidos na execução de atividades, mas é também sinônimo de interesse em ser um colaborador melhor. C CARREIRA&NEGÓCIOS • 21

Carreira_19_20_21_Know How.indd 21

22/02/2010 10:52:22


$ Sucesso $ $ Perfil emPreendedor internet

$

$

na rede$ $ Grupo de amigos mirou alto e acertou ao criar o primeiro site de comparação de preços na América Latina POR SÍLVIA DALPICOLO

A

grande maioria das pessoas, quando pensa em adquirir um produto, faz aquela famosa pesquisa de preços de loja em loja, antes de decidir o local da compra. Com a disseminação das compras pela Internet e da quantidade de lojas virtuais que surgem a cada dia, fica difícil saber quem oferece os valores mais acessíveis. Foi pensando nisso que Romero Rodrigues, Rodrigo Borges, Ronaldo Takahashi e mário Letelier criaram o BuscaPé, o site de comparação de preços que é líder em decisão de compras na América Latina. A ideia começou a ser desenvolvida em 1998, para um ano depois ser lançada oficialmente. “Pensamos em montar um site de buscas de preços após uma conversa entre amigos, quando o Rodrigo Borges teve dificuldades em comprar uma impressora pela Internet, porque não encontrava informações de onde comprar dispo-

$

níveis na web”, conta o CEO do Grupo BuscaPé, Romero Rodrigues. depois da criação do sistema, os empresários passaram a oferecer aos varejistas o software spider desenvolvido por eles – que realiza buscas de produtos em lojas virtuais cadastradas no site e os categoriza. “Enfrentamos muitas dificuldades inicialmente pelo desconhecimento dos lojistas em relação à ferramenta e à proposta do BuscaPé”. O vice-presidente do Grupo, Rodrigo Borges, conta que os sócios chegaram a ouvir muitos “nãos”, porque na época as lojas tinham receio de ver os preços de seus produtos disponíveis na rede. “Enfrentamos dificuldades em convencer os varejistas a disponibilizar a lista dos preços de seus produtos e chegamos até a sermos ameaçados pelo advogado de uma grande rede de varejo, contrariada por ter visto suas ofertas citadas no BuscaPé”. Ele ainda relata o caso de um lo-

$ $

$

22 • Carreira&negóCios

Carreira_19_22-24_Perfil_empreendedor.indd 22

19/02/2010 19:24:46


$

$

Enfrentamos dificuldades em convencer os varejistas a disponibilizar a lista dos preços de seus produtos e chegamos até a sermos ameaçados pelo advogado de uma grande rede de varejo, contrariada por ter visto suas ofertas citadas no BuscaPé” ROdRIGO BORGES, PRESIdENTE dO GRUPO BUSCAPé

jista que ameaçou processá-los caso não tirassem do resultado de busca os produtos da loja dele. “Tempos depois, quando começamos a cobrar dos varejistas pequenas taxas pelos cliques dados em seus produtos, tentamos contatá-los, e eles não nos retornavam. Quando decidimos excluir a loja do site, recebemos sua ligação, ameaçando nos processar se não o colocássemos de volta, pois afinal de contas, era um parceiro desde o lançamento do BuscaPé”, relata, comprovando o sucesso do negócio.

esforço reconhecido

Apesar do êxito da ideia, este site não foi a primeira tentativa de empreendedorismo dos sócios. Antes, eles pensaram em importar uma tecnologia de automação para segurança residencial e depois, ainda tentaram criar um tipo de software que seria comercializado para uma empresa de logística e até em uma lotérica virtual. Quando foi concretizado o endereço web em 1999 – época marcada pelo auge das empresas virtuais – os cinco empreendedores tornaram o BuscaPé pioneiro na América Latina e um dos primeiros no mundo neste ramo de comparação de preços. A prova de que o modelo de negócios se mostrou promissor é que eles receberam muitos investimentos de empresários do país, por isso, concentraram seus esforços no Brasil. Em novembro de 2003, houve a expansão para

méxico e Chile, com o fornecimento da tecnologia de buscador de preços para outros portais da região. O empenho dos empresários em tornar o serviço bem-sucedido foi consagrado em 2004, quando o BuscaPé conquistou, no Brasil, quase seis milhões de visitantes, que acessavam um total de mais de três mil lojas e mais de cinco milhões de produtos cadastrados. “Esse fato abriu o caminho para replicarmos o sucesso de nosso modelo de negócios e trabalharmos com países latino-americanos. Em agosto, iniciamos as operações próprias na Argentina, méxico e Chile. No início de 2006, foi a vez da Colômbia, consolidando nossa liderança na América Latina. Hoje, estamos presentes em 28 países”, relembra Rodrigues.

visão empreendedora

mesmo com o sucesso, os empresários precisaram mostrar jogo de cintura ao enfrentar um período difícil em 2001. durante a época de crise na Internet, os sócios chegaram a ficar quase um ano sem retirar o salário, com medo de não conseguir sobreviver ao momento pelo qual a rede passava. “Contudo, foi um dos anos mais importantes, pois conseguimos equilibrar a empresa”, comemora Rodrigues. E após a dificuldade, a empresa só cresceu. Importantes parcerias foram fechadas, visando o crescimento e

melhoria do negócio. Em 2005, houve a entrada da Great Hill Partners como sócia e a fusão com o Bondfaro, que contribuiu para o fortalecimento frente aos concorrentes e a atuação na América Latina. Com o incentivo a mais, os executivos ousaram e puderam investir em outros “braços” do Grupo. Vieram o QueBarato!, o primeiro classificado gratuito do Brasil; o Garagem BuscaPé, divisão que tem como objetivo desenvolver projetos para a empresa; a aquisição da E-Bit, empresa de pesquisa sobre o comércio eletrônico; o CortaContas, primeiro marketplace da América Latina de produtos financeiros e serviços presentes no dia a dia com foco no auxílio à deci-

ProJeTo BuScaPé Confira os números que deram início ao conglomerado de serviços que o Grupo oferece hoje: Investimento inicial – R$ 100 de cada um dos sócios Parceiros – 35 lojas cadastradas Comparação – 30 mil produtos disponíveis para pesquisa na página Primeira contribuição – US$ 150 mil, em novembro de 1999 Primeiro investimento internacional – US$ 3 milhões, dos bancos da Merrill Lynch e Unibanco

Carreira&negóCios • 23

Carreira_19_22-24_Perfil_empreendedor.indd 23

19/02/2010 19:25:07


Perfil Empreendedor Internet

Pensamos em montar um site de buscas de preços após uma conversa entre amigos, quando o Rodrigo Borges teve dificuldades em comprar uma impressora pela Internet, porque não encontrava informações de onde comprar disponíveis na web” Romero Rodrigues, CEO do Grupo BuscaPé

Serviços do Grupo BuscaPé QueBarato! – primeiro classificado gratuito de grande porte no País. Garagem BuscaPé – divisão da companhia que tem como missão desenvolver projetos para a empresa. E-Bit – realiza certificação de segurança para sites de compras. CortaContas – primeiro marketplace da América Latina de produtos financeiros e serviços presentes no dia a dia, para auxiliar na escolha de produtos e serviços como seguros, cartão de crédito, financiamento, tarifas bancárias e demais produtos financeiros. BuscaPé Viagens – sistema que combina todas as opções de voos e de trechos de diferentes companhias aéras mundiais, na busca da melhor oferta. Pagamento Digital – a ferramenta funciona como um intermediador entre o comprador e o vendedor, garantindo que ambos saiam satisfeitos com a transação. Wiki2Buy – primeiro guia de compras colaborativo da Internet para incentivar a troca livre de informações sobre produtos entre todos os consumidores. Plataforma Lomadee – que trabalha com comissões por meio de divulgação de produtos e serviços, procurando oferecer uma solução inovadora de compra de mídia na Internet.

são de compra do consumidor; entre outros serviços que o Grupo desenvolveu ao longo dos anos.

Mirando alto

Com o sucesso do negócio já consagrado, a ideia é ampliar ainda mais a gama de serviços do Grupo investindo em novas ferramentas. Assim, surgiu uma central de negócios para o mercado financeiro. A solução foi criada com o objetivo de expandir um segmento importante na economia do país e de grande potencial na Internet, eles acreditam que este é o primeiro passo para disponibilizar, de maneira democrática, acesso às melhores práticas e oportunidades que existem na Internet para o mercado e empresas do setor. A ferramenta foi integrada ao portal CortaContas e ao restante de toda a rede composta pelas demais marcas da empresa, para possibilitar que as empresas previamente selecionadas possam ter acesso aos interessados no momento da contratação de seus serviços. O bom exemplo do modelo de empreendedorismo também é notado nos planos para o futuro do Grupo. Os sócios fecharam acordo com a empresa Naspers, o maior grupo sul-africano de mídia, porque “eles aceitaram que continuássemos no comando, desenvolvendo um produto com programadores brasileiros. Não queríamos

‘tropicalizar’ o nosso produto e mudar a cultura da empresa”, conta Borges. A partir de agora, eles têm dois desafios: internacionalizá-lo e integrar as nove marcas que adquiriram. Até o final deste ano, a expectativa é de que o BuscaPé esteja em 27 países na América, incluindo os Estados Unidos, e em países da África e da Ásia, que têm o português como idioma. “Na primeira fase, estaremos testando cada mercado, os que se mostrarem mais promissores, pretendemos montar escritórios e iniciar uma operação física até o final de 2010”, espera Rodrigues. Sobre os bons ventos que sopram nos negócios, eles acreditam que isso acontece porque cada vez mais as pessoas estão antenadas e buscam informações sobre ofertas de produtos, segurança nas transações financeiras e nível de serviço. “Com a expansão do BuscaPé, procuramos englobar todo o ciclo de compra, desde a pesquisa (pré-compra) até a pesquisa de satisfação (pós-compra), e oferecer um serviço completo para que os consumidores possam utilizar todas as ferramentas disponíveis para usufruir, com confiança, das facilidades e comodidades oferecidas nas compras realizadas pela web. Investimos para que o comércio eletrônico se consolide e seja visto como uma forma prática e segura de fazer compras”, ensinam Romero e Borges, a receita de seu sucesso. C

24 • Carreira&negócios

Carreira_19_22-24_Perfil_empreendedor.indd 24

19/02/2010 19:25:10


COTIDIANO&TRABALHO Artigo Por Luiz Guilherme Brom *

Procurando trabalho ou emprego? U

ma das confusões mais recorrentes é aquela que trata como sinônimos emprego e trabalho. Órgãos de mídia, profissionais de recursos humanos, consultores e professores parecem ignorar o que dizem as pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): a maioria das pessoas que se encontra no setor privado do mercado de trabalho brasileiro não está em regime de emprego estatutário ou emprego formal. Ou seja, pouco mais da metade das pessoas que trabalham no setor privado não possui carteira de trabalho assinada. As pessoas se inserem no mercado de trabalho por meio de diversas modalidades, e o emprego formal é apenas uma delas. As pesquisas brasileiras mostram que o trabalho pode ocorrer no setor privado, com o emprego formal, emprego informal (sem carteira assinada), profissional autônomo, empreendedorismo (de qualquer porte), cooperativismo e associativismo. Ao se difundir a falsa ideia do emprego como caminho único para o trabalho, um enorme desserviço é prestado, sobretudo ao jovem que busca uma primeira colocação. O jovem é enganado quando acredita que a única possibilidade de trabalho é o empre-

go, que ele só deve se preparar para o emprego e mais nada. Ao contrário, o jovem deve ser preparado também para as alternativas legais ao emprego estatutário: trabalho autônomo, empreendedorismo, associativismo e cooperativismo. Quem deseja realmente uma vida longa no mercado de trabalho deve levar em consideração todas essas alternativas possíveis de inserção. Há fortes motivos para isso.

Primeiro, porque desde as décadas finais do século passado, o mercado de trabalho possui elevada instabilidade, o que significa que o emprego estável praticamente acabou. O segundo motivo se refere ao desejo de realização profissional. Às vezes, ao não conseguir fazer o que se gostaria num determinado emprego, a saída para a realização da satisfação profissional pode estar no profissionalismo autônomo, no empreendedorismo, no cooperativismo ou no associativismo. Profissional preparado é, portanto, aquele que considera as opções de inserção no mercado de trabalho, ampliando seu poder de escolha, sua independência e se valorizando por causa disso. A sobrevivência e a realização profissional dependem fundamentalmente da capacidade de abrir novos horizontes e construir novas possibilidades. Dependem também da habilidade em construir projetos profissionais de curto, médio e longo prazos. Em suma, uma vida profissional realizada e feliz não é coisa dada nem por empresa e nem por diploma escolar. É uma criação de cada profissional, no sentido de seus próprios interesses, desejos e vontades. C

“As pesquisas brasileiras mostram que o trabalho pode ocorrer no setor privado, com o emprego formal, emprego informal, profissional autônomo, empreendedorismo, cooperativismo e associativismo”

* Luiz Guilherme Brom é doutor em Ciências Sociais e superintendente institucional da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) luizgbrom@fecap.br

Carreira_19_25_ART_Luiz.indd 25

Carreira&negócios • 25

19/02/2010 20:16:19


Alimentação

Sushi a qualquer hora Brasileira cria carrinho para preparar sushi e temaki baseado em restaurantes populares do Japão

Q

uando se pensa em fazer uma refeição rápida, logo vem à cabeça lanches e salgados fritos, opções bastante gordurosas e nada saudáveis. E todos sabem que em se falando de comidas que fazem bem à saúde, a culinária japonesa é uma das que mais se destacam. E, por que não aliar os benefícios da cozinha oriental à agilidade? Foi pensando nisso que a brasileira Mara Kimie Kikuti criou sua invenção: um carrinho para fazer sushis

e temakis. Mara morou 15 anos no Japão, e conta que ia a muitas festas e eventos em que era comum ter carrinhos de vários produtos e alimentos. “Quando acabavam as festas, o pessoal costumava ir às casas de temaki e sushis para jantar”, conta. A intenção da brasileira é unir o útil ao agradável, principalmente porque o Brasil utiliza muito esse método de carrinhos para vender, além disso, esta seria uma forma de popularizar a comida japonesa. “Ela é muito glamourizada. E já que os restaurantes espe-

cializados costumam ser caros, esta é uma oportunidade de as pessoas que não podem pagar por um jantar experimentarem”, explica Mara.

Nasce a ideia

O projeto do carrinho existe há seis anos e surgiu ainda no Japão, quando Mara trabalhava em uma empresa que contava com máquinas modernas e computadorizadas. Foi a partir delas que a brasileira criou todo o sistema de funcionamento de sua invenção.

26 • CARREIRA&NEGÓCIOS

Carreira_19_26-27_Inovadores.indd 26

22/02/2010 16:26:32


Tipos de sushi A principal ferramenta de funcionamento do carrinho é a máquina que produz os sushis e temakis, em que é possível dar forma aos bolinhos sem ter contato manual. “Tirei a ideia das engrenagens, tomando como base as máquinas do local em que eu trabalhava”, relembra a inventora. Ela ainda conta que nesta aparelhagem, o arroz já sai formatado, tanto para o temaki quanto para o sushi – o cliente só escolhe o tipo de peixe que quer em cima – e que ela criou as engrenagens a partir deste fato, de acordo com o que acredita que seria o funcionamento deste sistema. “O maquinário é bastante compacto, com tamanho ideal para o carrinho, e faz a quantidade necessária de alimentos para um dia de trabalho”, garante Mara Kimie Kikuti.

Nigiri: bolinho de arroz comprido e coberto com fatias de peixe cru, como salmão e atum. Temaki: em formato de cone, é feito de alga e recheado tradicionalmente com arroz e peixe. Pode ser complementado com maionese, cream cheese e pepino, por exemplo. Uramaki: o arroz fica na parte de fora do sushi, sobre folha de alga. Dentro, tiras de peixe ou outros ingredientes, como pepino ou manga.

Conheça algumas variações do prato mais popular da culinária japonesa: Hosomaki: bolinho envolto em alga, recheado com arroz e mais um complemento. Quando é de atum, se chama tekamaki; de pepino, kapamaki; e de salmão, shakemaki. Califórnia: uma versão do uramaki, é feito de arroz e costuma ser recheado com kani, pepino e manga. Hot Roll: uma versão frita, este sushi é enrolado com arroz e alga e recheado com kani, salmão, pepino, cream cheese e gergelim.

Experiência inspiradora

Durante o tempo em que morou do outro lado do mundo, a brasileira notou que no Japão é muito comum ter dois tipos de casa de sushi: as mais populares, que vendem os produtos a preços mais acessíveis; e aquelas mais caras, em que os rolinhos são produzidos manualmente. No primeiro tipo de estabelecimento, os custos de uma refeição são mais baratos justamente porque eles utilizam as máquinas que produzem os sushis. “Essas máquinas fazem mais ou menos três mil bolinhos por hora. E eles são montados no momento do pedido, de acordo com a preferência do cliente. Nestes locais, há esteiras enormes que passam por cima dos balcões, que é de onde eles saem para serem servidos”, conta Mara, que também revela que foi depois de ver a dinâmica de funcionamento destas casas que se inspirou para acoplar a máquina ao seu projeto. “Uma minimáquina que pode ser embutida no carrinho com esse sistema de esteira, para que ela possa formatar o bolinho de sushi e de temaki”, completa.

O protótipo do carrinho está 80% concluído, faltando apenas o desenvolvimento da máquina que produz os alimentos Em todo lugar

O projeto foi idealizado para a utilização em diversos locais, como em shoppings center, praia, eventos e festas em que as pessoas alugam carrinhos de outros tipos de alimentos – pipoca e cachorro-quente, por exemplo. “Criei o carrinho para que a comida fosse acessível para todos os tipos de público”, comenta Mara. Ela detém a patente do produto, que é importada por ter sido idealizado no Japão. Por aqui, a Associação Nacional dos Inventores busca em-

presas interessadas em patrocinar o invento. “O protótipo está 80% pronto, só falta a parte do maquinário, que é algo muito rápido, pois a engrenagem é simples”, avalia. Além dos sushis e temakis, a inventora também idealizou o carrinho de yakisoba, que conta com micro-ondas embutido, em que o produto pronto e embalado, escolhido pelo cliente, é aquecido. Na concepção da brasileira, as caixinhas em que o alimento vem embalado seriam decoradas e com desenhos diferenciados para as crianças. C CARREIRA&NEGÓCIOS • 27

Carreira_19_26-27_Inovadores.indd 27

22/02/2010 16:26:46


sua carreira Ética

Vão-se os empregos... e os

contatos Ao se desligar de uma empresa, saiba qual conduta adotar em relação aos contatos adquiridos no tempo de trabalho e o que fazer com materiais e equipamentos utilizados por Sílvia Dalpicolo

T

odo mundo quando entra em uma empresa costuma fazer contatos. Seja com os próprios colegas ou com clientes e prestadores de serviços. E assim, o famoso networking costuma aumentar conforme a pessoa passa por diferentes companhias. Mas o que acontece quando o funcionário desliga-se, seja por vontade própria ou do empregador? Como ficam objetos, aparelhos e

28 • Carreira&negócios

Carreira_19_28_31_SuaCarreira.indd 28

22/02/2010 16:40:51


De uma maneira geral, os clientes são, a princípio, do empregador, ainda que o contato e o atendimento sejam responsabilidades do colaborador, mas é preciso lembrar que eles acontecem porque o funcionário age em nome da empresa” Alexandre moraes e souza, advogado especialista em direito do trabalho contatos adquiridos ou fornecidos durante o tempo de serviço? Eles pertencem ao ex-colaborador ou à empresa? Muitas vezes, o antigo funcionário não tem a oportunidade de voltar ao local de trabalho para pegar determinados objetos e materiais. “Na saída do empregado das dependências da empresa, a escolta é necessária dependendo das razões da demissão e mesmo do comportamento do empregado que, pode ficar revoltado com a decisão. Desde que seja procedida com cautela e respeito este é um direito legítimo do empregador, mas claro, deve ser feita dependendo dos motivos da demissão e do modo de agir do próprio empregador logo após a notificação”, esclarece o advogado especialista em Direito do Trabalho, Alexandre Moraes e Souza.

O fator networking

Esta é uma questão complicada e depende de avaliação individual de

cada caso. É preciso considerar fatores como a função do empregado, o que foi acertado no momento da admissão, o segmento explorado pelo empregador e a política da própria companhia. “De uma maneira geral, os clientes são, a princípio, do empregador, ainda que o contato e o atendimento sejam responsabilidades do colaborador, mas é preciso lembrar que eles acontecem porque o funcionário age em nome da empresa”, comenta o advogado. Levar os contatos na saída não é problema desde que não haja nenhum tipo de acordo ou contrato firmado, entre o empregado e o empregador, que expresse proibição de o contratado não poder utilizá-los. Da mesma maneira que devem ser préestabelecidas as informações que são sigilosas ou não, ou que podem comprometer a subsistência do empregador. “Isto faz com que em alguns contratos ajustados por grandes corpora-

ções haja a inserção de cláusulas específicas que proíbem que o empregado, após seu desligamento, seja até mesmo contratado pelo concorrente durante certo período de tempo entre outras condições, sob pena de responder por indenizações e multas”, aponta o advogado. Na ausência de cláusula que determine a relação entre o antigo empregado e os clientes, segundo a ética profissional, o ex-funcionário não deve ter contato com a carteira de clientes da antiga empregadora após seu desligamento. No caso de sair para ingressar em alguma empresa concorrente, não é adequado também fazer propostas mais vantajosas para “roubar” o cliente para o seu novo empregador. “Isso pode ter uma péssima repercussão na sua vida profissional”, esclarece Souza. Além da mancha no currículo, outro problema que o profissional pode enfrentar é um processo por parte do antigo empregador. Se for constatada prática de concorrência desleal, existem determinações previstas em lei que condenam este procedimento. O profissional que desrespeitar a regra pode responder judicialmente por danos morais e materiais, de acordo com o caso. Carreira&negócios • 29

Carreira_19_28_31_SuaCarreira.indd 29

22/02/2010 16:40:51


sua carreira Ética

Objetos pessoais

Seja lápis, caneta, agenda ou qualquer outro pertence. Quando se trata de objetos pessoais, é direito do empregador levar consigo todos os materiais que eventualmente levou para o trabalho. Da mesma forma que o que foi oferecido pela empresa para que o colaborador pudesse exercer sua função, é de propriedade da companhia, exceto quando autorizado. No momento do desligamento, a maneira correta de garantir seus pertences pessoais e evitar problemas é listando-os na presença de outra pessoa que sirva de testemunha. “Essa atitude evita contratempos como desconfiança do empregador, por exemplo, de a pessoa ter levado o que não era seu, e assim não há constrangimentos”, explica Souza. De acordo com Alexandre Moraes e Souza, quando é autorizado que o empregado leve seus pertences, ele deve fazê-lo no momento de deixar a empresa, logo após seu desligamento. A empresa não tem obrigação que o excolaborador entre no local posteriormente para buscar seus materiais. “É opcional ao empregador concordar ou não com sua entrada no local”, esclarece. Em caso contrário, se o ex-funcionário fica impedido de pegar seus pertences pessoais de dentro do local, será necessário notificar extrajudicialmente o empregador para que haja a devolução dos materiais. Se ainda assim o pedido não for atendido, ele pode entrar no antigo local de trabalho com ação judicial.

Objetos da empresa

Dependendo da função exercida, é comum que algumas companhias disponibilizem aparelhos celulares, notebooks e outros aparelhos para o trabalho. Todo o material, equipamento ou ferramenta de trabalho é de propriedade do empregador, pois este é quem tem a obrigação de fornecer os meios necessários para a execução do serviço. “Isso quer dizer que, quando houver equipamentos

e agora?

cedidos em caráter pessoal, a partir do momento em que cessa o contrato de trabalho, o empregado tem o dever de devolvê-los”. Se a relação entre funcionário e chefia é problemática e de desconfiança, vale a dica de usar uma testemunha para verificar que os objetos que pertencem à empresa estão sendo devolvidos e os que estão sendo levados, ao colaborador.

Evite problemas

Para que o desligamento da empresa seja pacífico e não comprometa as futuras relações de trabalho, ou até mesmo não acabe em briga judicial, é fundamental seguir à risca as ações adotadas pela empresa. No caso dos objetos pessoais, o empregado pode responder a eventual ação, caso o empregador constate que ele se apropriou de determinado objeto que foi entregue para utilização no serviço. Se o material não for devolvido no ato da demissão e nem posteriormente, a companhia pode acioná-lo judicial-

mente para restituir o que lhe pertence, inclusive pleiteando perdas e danos, de acordo com o caso. Porém, estes casos não dão à empresa poder de impedir a admissão daquele ex-empregado em outro local. Há até mesmo uma legislação específica proibindo a prática de qualquer tipo de discriminação que impeça a contratação, manutenção ou demissão de empregado. A empresa que agir desta forma corre o risco de sofrer sérias sanções, seja pessoa jurídica (representantes legais) ou pessoa física. Apesar de proibido, há a famosa rádio-peão, que acontece também dentro de algumas áreas de atuação. “Dependendo do segmento e, portanto, da atividade empresarial, há entre alguns empregadores uma chamada “lista negra”. Quando cai nos ouvidos dos empresários que determinado empregado está com ação na justiça, independentemente de ser parte autora ou ré, não obtém mais recolocação junto àquele mercado ou região”, observa Souza. C

30 • Carreira&negócios

Carreira_19_28_31_SuaCarreira.indd 30

22/02/2010 16:40:51


Carreira&negรณcios โ€ข 31

Carreira_19_28_31_SuaCarreira.indd 31

22/02/2010 16:40:51


seu negócio

Test-drive

Quer experimentar? Escolas de idiomas e rede de academias apostam em aulas gratuitas para divulgar seus serviços e conquistar mais clientes POR Sílvia Dalpicolo

ue bom seria se tudo o que se queira adquirir pudesse ser testado pelos consumidores antes da compra. Poder avaliar a qualidade do produto ou serviço antes de bater o martelo na decisão, a exemplo do que já é feito nas concessionárias automotivas, seria uma grande evolução e vitória na relação entre vendedor e público.

32 • Carreira&negócios

Carreira_19_32_34_SeuNegocio.indd 32

22/02/2010 16:41:19


É de suma importância que ele [o cliente] tenha confiança naquilo que está comprando. O que fazemos é apenas dar a oportunidade, sem nenhum custo adicional, desse cliente provar os diferenciais de nosso método” Priscila Nishiyama, coordenadora de Marketing da Seven Idiomas

Pensando desta forma, alguns estabelecimentos já oferecem esta opção, que permite que os futuros consumidores possam usufruir e testar seus serviços antes de contratá-los. A prática tem sido muito comum principalmente entre escolas de idiomas, de informática e redes de academias de todo o país. A Seven Idiomas é umas das que oferecem o benefício. Com unidades nos principais pontos da capital paulista e Grande São Paulo, a rede conta com programa de duas semanas de aulas gratuitas, para que o futuro aluno conheça o método de ensino e a estrutura da escola. “Dessa forma, damos a ele a oportunidade de nos conhecer, ver se é isso mesmo o que ele esperava do curso, sem ficar amarrado à instituição”, conta a coordenadora de Marketing da Seven Idiomas, Priscila Nishiyama.

Mostrando a cara da empresa

Priscila conta que o sistema de testdrive foi adotado pela companhia em 2002, como um planejamento estratégico de marketing, demonstrando ao público os diferenciais da rede. “O aluno interessado muitas vezes já passou por outras experiências em escolas de idiomas e fica inseguro de iniciar um novo estilo de ensino. Aqui, ele fecha o plano que melhor cubra suas expec-

tativas, deixa os valores propostos com esse desconto e, caso ao final deste prazo promocional ele opte por não continuar, os valores pagos são devolvidos para ele integralmente”, detalha. Para que o método chegue até os consumidores, é feita a divulgação dentro da própria escola, pela equipe de atendimento ao cliente, no site da rede e em veículos de comunicação. O test-drive é permanente nas unidades e não tem prazo para término. Outra escola de idiomas que aderiu ao programa foi a Fisk. Porém, a campanha de demonstração de aulas de seus cursos vai até 31 de março. Nela, são duas semanas gratuitas de aula (quatro aulas ao todo) em até dois cursos diferentes. Em segmento diferente, quem também adotou o test-drive foi a Pilates Studiofit, espaço para a prática de pilates que conta com nove unidades em São Paulo. Eles oferecem uma aula demonstrativa para os interessados na modalidade. O contato dos clientes geralmente é feito por telefone ou com visita ao local, segundo o diretor da Pilates Studiofit, José Arnaldo Fabra. “Além disso, fazemos ações de divulgação em locais próximos aos estúdios e distribuímos cupons para preenchimento de dados cadastrais que valem uma aula-teste”, relata sobre as ações de marketing da rede. Ainda sobre atividades físicas, a rede

de academias BioRitmo disponibiliza aos interessados cinco dias de uso gratuito de suas dependências, em qualquer uma de suas unidades, situadas no Estado de São Paulo e no Pará.

Fórmula bem-sucedida

A grande quantidade de empresas de diversos segmentos que estão adotando esta nova modalidade de divulgação de seus serviços prova a eficiência dele para o negócio. Para Priscila, uma das grandes vantagens de oferecer esse período de aulas é que o aluno se familiariza com a estrutura com a didática da escola. “Ele pode fazer uma escolha consciente, além de também podermos mostrar nosso negócio, como a eficácia de uns dos diferenciais da Seven, o método das sete inteligências, que é utilizado pela instituição”, revela. Elvio Peralta, diretor da Fundação Richard Hugh Fisk, também acredita que é importante oferecer estas aulas, já que esta é a forma de a escola mostrar seus diferenciais de estrutura e do Centro de Ensino: "Acreditamos que essa é a maneira mais adequada para que ele possa fazer uma opção acertada", pontua. Para Fabra, este tipo de negócio traz muitos resultados positivos para a empresa, além da confiança do cliente em seus serviços, já que ele pode testar antes. “Por meio desta ação po-

Carreira&negócios • 33

Carreira_19_32_34_SeuNegocio.indd 33

22/02/2010 16:41:20


seu negócio

Test-drive

Para nós, o test-drive é a grande oportunidade que as empresas têm para oferecer experiência de marca, sendo capaz de mostrar aos clientes potenciais o real valor dos produtos e serviços” José Arnaldo Fabra, diretor da Pilates Studiofit

demos mostrar ao cliente a promessa em prática e o quanto o pilates contribuirá para melhorar a vida dele. E, normalmente, quando alguma pessoa nos visita e realiza a aula-teste, acaba nos indicando a um amigo. A propaganda boca a boca é muito intensa neste negócio”, aponta.

Boa relação com o cliente

Na Seven, a prova do sucesso do método é que, desde o início da ação, já passaram pelas aulas experimentais gratuitas mais de 12 mil pessoas. “Entre eles, houve alto índice de matrículas mesmo antes do período final de test-drive”, comemora a coordenadora da rede. A efetivação do contrato entre a empresa e o aluno também é grande na Pilates Studiofit após a experiência. “O que sempre acontece é que, imediatamente após a aula de teste o aluno assina o cheque de um plano de aulas conosco”, conta Fabra. E vendo os bons resultados que a modalidade proporciona aos negócios, o diretor

enxerga esta como uma tendência que pode se firmar em mais e diferentes empresas no futuro. “Nos dias de hoje, muitos dos serviços considerados diferenciais acabaram virando commodities. Para nós, o test-drive é a grande oportunidade que as empresas têm para oferecer experiência de marca, sendo capaz de mostrar aos clientes potenciais o real valor dos produtos e serviços”, completa. Apesar de não ter um número exato de alunos que fecharam com a rede de aulas de pilates a partir da aula de teste, já que, segundo o executivo, esta é uma prática comum desde o início do negócio, ele acredita que a quantidade de conversões de testes em matrículas está por volta de 75%. Priscila também acredita que o sucesso do método leve outras instituições a adotá-lo, já que quando o cliente conhece o serviço que ele está contratando anteriormente, a relação com a empresa se torna mais franca. “É de suma importância que ele tenha confiança naquilo que está comprando. O que fazemos é apenas dar a oportunidade, sem nenhum custo adicional, desse cliente provar os diferenciais de nosso método”, finaliza.

zoom

Por que fazer um test-drive?

• Conhecer o serviço/produto antes de comprá-lo é importante para não se arrepender depois. • Assim, é possível pesquisar a concorrência e ver quem oferece mais vantagens. • É importante para checar a estrutura física da empresa. • O cliente conhece também o clima do local, as pessoas que o frequentam e cria bons relacionamentos. • Para checar se o que a empresa vende e o que acontece na prática realmente coincidem. • Conferir se os horários e a dinâmica dos serviços oferecidos coincidem com os seus e suas expectativas. • O cliente não é obrigado a permanecer na instituição caso as expectativas não lhe agradem, já que não há nenhum tipo de compromisso formal.

34 • Carreira&negócios

Carreira_19_32_34_SeuNegocio.indd 34

22/02/2010 16:41:20


GESTÃO&SOCIEDADE

Artigo

Por tatiana martins alméri *

A necessidade do

negativo

B

asta existirem grupos de pessoas reunidas que, certamente, em alguma ocasião, surgirão conflitos. Atualmente, em nossa sociedade, os conflitos são geralmente vistos como sendo desnecessários, que somente proporcionam algo negativo, e busca-se extingui-lo das relações tanto empresariais quanto pessoais. Porém, os conflitos podem, por incrível que pareça, serem classificados de uma maneira diferente. Os conflitos são suscetíveis de serem bemvindos aos relacionamentos empresariais e pessoais; têm a capacidade de trazer frutos que, particularmente, trarão, se bem administrados, a conclusão, a finalização de paradoxos e a busca de novidades e soluções de problemas. Na definição dos conflitos é possível abordar vários aspectos, entre eles “os estágios subjetivos de uma escalada de conflito, bem como as estratégias dialógicas adequadas a cada momento; o campo grupal como suporte-contexto do conflito e a ‘humanização’ de nossos padrões animais de liderança; e, finalmente, através de uma análise sistêmica, os princípios sócio-culturais de organização dos conflitos” (GOMES, 2009, p. 2).

Com relação à subjetividade, esta nunca fica aparente aos participantes do conflito, entretanto, para quem o analisa do “lado de fora”, fica claro que a objetividade não paira na harmonia entre as duas opiniões, porém, ela pode existir. A incompatibilidade de pensamento, os confrontos ideológicos, as decisões divergentes que geram conflitos muitas vezes, dentro do cerne empresarial, pode trazer não simplesmen-

gir o terceiro aspecto dos conflitos positivos em uma empresa, a existência de uma análise, e posteriormente uma aplicação sistêmica de novas possibilidades dentro de princípios sócio-culturais, ou melhor dizendo, culturas organizacionais. Entretanto, o prolongamento exacerbado de conflitos pode atuar de maneira negativa a ponto de ocorrerem certos bloqueios entre pessoas que podem gerar certa decadência na efetividade da comunicação e interdependência de atuações dentro da empresa, prejudicando os resultados finais. Aí está a importância da administração social, pessoal e empresarial, a busca não é simplesmente colocar fim às coisas que são taxadas como prejudiciais, mas conseguir administrá-las e possibilitar a retirada do melhor proveito para cada ocasião. Assim é possível enxergar que pontos negativos podem se tornar não somente positivos, mas necessários. C

te uma briga, mas um brainstorm de muita valia, como uma estratégia dialógica adaptada a cada momento. Apontar a dialógica – diálogo – como um reverso do conflito não significa negar a existência de polos que se contradizem, mas sim negar a sua irreversibilidade. Em contrapartida, para que se possam retirar frutos de conflitos que se apoiam no diálogo, é imprescindível uma congruência finalizadora de pensamentos, mesmo que essa congruência seja um pouco demorada. Isso é simplesmente sinônimo de amadurecimento de ideias, o que dá a possibilidade de atin-

* Tatiana Martins Alméri é socióloga, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, mestre em Sociologia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP e integrante do corpo docente da Universidade Paulista – Unip e da Faculdade de Tecnologia de São Paulo - FATEC (taalmeri2@hotmail.com)

Carreira_19_35_ART_Tati.indd 35

Referência

“Apontar a dialógica – diálogo – como um reverso do conflito não significa negar a existência de polos que se contradizem, mas sim negar a sua irreversibilidade”

GOMES, Marcelo Bolshaw. A arte do conflito: Confrontação mediada pela Dialógica. UFRN, 2009.

Carreira&negócios • 35

19/02/2010 20:12:29


Tome nota

Direitos

Prazo

36 โ€ข Carreira&negรณcios

Carreira_19_36_38_Tome Nota.indd 36

22/02/2010 16:41:41


estendido Licença-maternidade é ampliada para 180 dias nas empresas privadas, mas a adesão é facultativa

U

m dos direitos trabalhistas que mais geram polêmica é a licença-maternidade. O prazo permitido por lei, que antes era de quatro meses, agora pode ser estendido para até seis, graças à Lei nº 11.770, de autoria da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) em parceria com a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria). Ela foi aprovada ainda em 2008, mas o incentivo de adesão por parte das empresas veio somente no mês passado. O benefício já era concedido a funcionárias do setor público e, apesar da boa notícia para as funcionárias de empresas privadas, a recomendação não é obrigatória, a companhia só adere se quiser. Por isso, as que escolhem pela não adesão ao programa não recebem nenhum tipo de penalidade.

Como funciona

Para que a empresa conceda a licença-maternidade de 120 dias – prorrogada por mais 60, totalizando 180 dias – ela deve aderir ao Programa Empresa Cidadã diretamente no site da Receita Federal do Brasil. “A adesão para pessoa jurídica pode ser feita mediante Requerimento de Adesão formulado em nome do estabelecimento matriz, pelo responsável perante o Cadastro

Sem discriminação Discriminação de funcionária pelo fato de ela estar grávida é crime, de acordo com a Lei nº. 9.029/1995. E quando ela é desligada da empresa por causa da gestação, tem o direito de ser indenizada, optando por uma destas duas situações: • Readmissão com ressarcimento integral de todo o período de afastamento, mediante pagamento das remunerações devidas, corrigidas monetariamente e acrescidas dos juros legais. • Percepção, em dobro, da remuneração do período de afastamento, corrigida monetariamente e acrescida dos juros legais. Outros crimes que podem ser cometidos pelas companhias são: • Indução à esterilização genética (incitar a funcionária a fazer laqueadura). • Promoção do controle de natalidade, impondo condições para que a empregada tenha ou não filhos e a quantidade deles.

Carreira&negócios • 37

Carreira_19_36_38_Tome Nota.indd 37

22/02/2010 16:41:42


Tome nota

Direitos

Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ)”, explica a advogada trabalhista e previdenciária do Cenofisco – Centro de Orientação Fiscal, Rosania de Lima Costa. Esse requerimento pode ser encontrado apenas no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com acesso por meio de código.

Adoção

A extensão do prazo de licença não é válida somente para quem tem filhos biológicos. Para quem está adotando uma criança, a nova lei também é aplicada, assim como na obtenção de guarda judicial para quem está incluso no processo de adoção. Mas o prazo ampliado depende da idade do pequeno. Quando a criança adotada for menor de um ano de idade, a licença é prorrogada por 60 dias; de um a quatro anos, por 30 dias e de quatro a oito anos, por 15 dias.

O que muda

Para as funcionárias, a nova lei não implica em nenhum tipo de alteração que possa prejudicá-las de alguma forma. Se as companhias em que elas trabalham se adaptarem ao projeto, a gestante deve solicitar o aumento da licença até 30 dias antes do término dos 120 dias obrigatórios, recebendo o salário normalmente também neste tempo a mais. “Quanto à empresa, o benefício que ela tem em adotar o programa é que terá deduzido do imposto de renda o total da remuneração da empregada pago no período de prorrogação

38 • Carreira&negócios

Carreira_19_36_38_Tome Nota.indd 38

de sua licença-maternidade”, explica Rosania. A advogada ainda faz um alerta às companhias. Para que haja a dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a empresa que aderir ao Programa Empresa Cidadã é obrigada a controlar a contabilidade de seus gastos, custeando a prorrogação da licença-maternidade (ou da licença à adotante) e identificando de forma individualizada os gastos por funcionária que solicite a prorrogação.

Grávida... E agora?

Assim que a gestação for confirmada, a colaboradora deve comunicar a gravidez ao empregador imediatamente. Isso porque não é permitida a demissão sem justa causa da funcionária, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o nascimento. “É comum que em alguns casos, sindicatos representativos de categorias profissionais concedam às gestantes mais tempo de estabilidade que esse”, conta a advogada. E não é preciso apresentar nenhum tipo de prova da gravidez. É considerado crime que o empregador exija a comprovação por meio de teste, exame, perícia, laudo, atestado, declaração ou qualquer outro procedimento. Portanto, qualquer funcionária pode denunciar a companhia que no momento da admissão, durante a vigência do contrato de trabalho ou no ato do desligamento, exigir a comprovação da gravidez. A pena para as empresas nesses casos pode ser de um a dois anos de detenção e multa.

Direitos das gestantes Após o nascimento, a nova mamãe tem direito a dois descansos de meia hora cada até os seis meses de idade da criança. • Na gestação, ela pode solicitar afastamento médico do trabalho. Até 15 dias, a licença é paga pela empresa, e após este período, é necessário acionar a Previdência Social para arcar com os custos. • Em caso de aborto espontâneo, a funcionária tem direito a duas semanas de licença. • As empresas que possuem em seu quadro de funcionários, no mínimo, 30 mulheres são obrigadas a oferecer local onde as mães possam deixar seus filhos. Se o espaço físico não comporta um berçário, a companhia deve se conveniar com alguma instituição ou cobrir os gastos da mãe com estes locais. • Os direitos também se estendem aos pais, que são beneficiados com cinco dias de afastamento do trabalho quando o filho nasce, também sem qualquer tipo de desconto no salário pelo período.

Na gravidez de uma funcionária, a empresa ainda tem o dever de pagar sua remuneração integral e lhe remanejar de função, caso sua saúde seja prejudicada de alguma maneira na realização de suas atividades. No seu retorno após a licença, o cargo ocupado volta a ser o mesmo de antes da gravidez. O empregador só tem o direito de exigir laudo médico quando a funcionária precisar de dispensa do horário de trabalho para a realização de exames e consultas de pré-natal. C * Rosania de Lima Costa é advogada trabalhista e previdenciária do Cenofisco – Centro de Orientação Fiscal

22/02/2010 16:41:44


COMUNICAÇÃO&Negócios

Artigo

Por Sandra Turchi *

Webmarketing x Marketing Tradicional Estar atualizado com as ferramentas da web é necessário para evoluir profissionalmente

I

niciamos 2010 com excelentes perspectivas no campo do emprego, dos negócios, da economia e do marketing. Há um novo cenário, bem menos nebuloso do que vimos há um ano. Alguns aspectos despontam como tendências irreversíveis, sendo uma delas o crescimento do marketing no mundo digital. Talvez pela novidade, talvez pela necessidade, não se sabe, mas o que não podemos negligenciar é que, de fato, aqueles que estão dentro, não querem sair, e os que estão de fora, sabem que já estão atrasados! As motivações para se ingressar no universo digital são muitas.

Em primeiro lugar vem o fato de a metade da população brasileira estar na web, e o brasileiro ser o povo que mais navega. Além disso, mais de 170 milhões de aparelhos celulares estão nas mãos de todas as classes sociais, permitindo acesso em qualquer lugar. São pessoas produzindo conteúdos, jogando on-line ou buscando promoções imperdíveis pela Internet. É óbvio que a web não vai resolver todos os problemas, nem veio para suplantar todas as outras mídias, como alguns chegaram a preconizar. A palavra-chave não é revolução, e sim, evolução. A cada nova mídia se renova o acesso às informações, os modelos de negócios, os conteúdos, os formatos. Porém, o que a Internet trouxe de muito inovador foi o fato de ter transformado o internauta em mídia. Observamos a cada dia o crescimento vertiginoso das redes sociais via Internet, com todos participando de comunidades com interesses comuns, publicando vídeos, influenciando marcas, colaborando no lançamento de produtos e dialogando diretamente com as empresas... Quero dizer, ao menos com aquelas que estão dispostas a isso! E é aí que está o problema para aquelas que não estão preparadas ou pensam em deixar para agir mais

* Sandra Turchi é superintendente de Marketing da Associação Comercial de SP e coordenadora do Curso de Marketing Digital da ESPM (sturchi@acsp.com.br / BLOG: www.sandraturchi.com.br / www.twitter.com/sandraturchi)

Carreira_19_39_ART_Sandra.indd 39

adiante, pois o cliente dessas empresas já está lá. E falando delas. Para se ter uma ideia, tratando-se de investimentos no marketing digital, as empresas americanas no 1º sem. /2009 direcionaram mais de dez bilhões de dólares ao meio. No Reino Unido, a Internet tem o maior share do mundo, com mais de 23% (1º sem/2009) do investimento total sendo canalizado ao marketing digital, com 1,75 bilhões de libras. Hoje já representa algo em torno de 15 a 20% do budget das empresas brasileiras, segundo estima o publicitário Walter Longo, o que torna esse o segundo maior meio do país. As campanhas em geral contemplam ações que devem mesclar o mundo offline com o on-line, e no on-line, normalmente incluem search, conteúdo, mídia, email marketing, entre outros, como vídeos e games. Mas o investimento campeão na mídia digital continua sendo mesmo o de buscas, com o Google liderando com aproximadamente 20 a 30% dos investimentos destinados a marketing digital no país. Isso nos leva a crer que não parece uma boa estratégia ficar ausente desse processo de evolução. É necessário começar, mesmo que seja errando, mas aprendendo e reinvestindo, pois não há mais tempo para apenas estudar o que fazer. C

Carreira&negócios • 39

19/02/2010 20:13:47


Fala, coach! Tire suas dúvidas sobre carreira

Seja um profissional

satisfeito Trabalhei em uma empresa por apenas três meses, onde não tive uma boa experiência. Costumo ocultar este fato do meu currículo, pois acho que não agrega muito valor a ele. Está correto? MIRIAM DOS SANTOS ALVES (MARINGÁ – PR)

O currículo é o seu cartão de visitas e tem como objetivo fornecer uma visão ampla e geral sobre você

Sempre vejo conselhos de como se portar em uma entrevista de emprego. Alguns dizem que se deve ser mais extrovertido e, outros, que é necessário ser mais discreto. Como devemos nos apresentar para os selecionadores? PAULO ANDRADE (NITERÓI – RJ)

Autenticidade é o que os selecionadores esperam de um candidato. Em vez de se preocupar em como deveria se comportar, sugiro investir sua energia para pensar no que você conhe-

como profissional. Com o currículo em mãos, o entrevistador poderá avaliar o que você sabe, resultados alcançados, experiência profissional e, a princípio, perceber se você pode agregar valor à empresa para agendar uma possível entrevista. Nossa carreira não é composta apenas de flores, mas de espinhos também, afinal de contas, uma empresa é um sistema complexo composto por várias pessoas que de-

pendem umas das outras e, muitas vezes, um novo integrante pode não se adaptar à cultura já inserida. Não sei o porquê de não ter sido uma boa experiência, mas pode ser uma oportunidade interessante para responder uma pergunta: o que eu aprendi com isso? Se você acha que não vai agregar valor, não coloque. Mas se for pertinente na entrevista comentar a experiência que teve e o que aprendeu, faça isso.

ce, sua experiência profissional, suas conquistas e em como pode agregar valor à empresa em potencial. Imagine, por exemplo, que a empresa é um cliente que tem necessidades, estratégias, objetivos, e você pode ser um meio para preencher essas lacunas. A extroversão e a introversão estão relacionadas à forma como uma pessoa é motivada. Os mais extrovertidos preferem tirar energia do mundo exterior dos indivíduos, atividades ou coisas, desenvolvem as ideias por meio de debates, gostam de ter pessoas por perto, variedade e ação, e respondem rapidamente sem lon-

gas pausas para pensar. Já os mais introvertidos preferem tirar energia do mundo interior das ideias, emoções ou impressões pessoais, desenvolvem as ideias por meio de reflexões, gostam de trabalhar sozinhos, de silêncio para concentração e de pensar antes de responder. Uma entrevista, dependendo da vaga, pode ser mais adequada para pessoas mais extrovertidas ou mais introvertidas. Portanto, não existe uma regra. Existirão momentos nos quais você terá que ser mais discreto e outros em que terá de se posicionar para mostrar seu talento.

40 • Carreira&negócios

Carreira_19_40_41_FalaCoach.indd 40

19/02/2010 19:01:30


Fui a uma entrevista de emprego em uma multinacional, e todos os candidatos possuíam vivência no exterior (trabalho e estudo). Sempre tive vontade de ir também, mas minha condição financeira nunca me permitiu. Senti-me inferiorizado e discriminado na seleção por este fato. Isso ainda é determinante na escolha de um candidato? CLÁUDIO MOREIRA (SÃO PAULO – SP)

Em uma multinacional que busque profissionais com experiência internacional pode ser. Mas em outra, que busque um profissional para se desenvolver na empresa, sem ter um idioma fluente devido ao perfil da vaga, não será o caso. Já realizei um processo seletivo em

Não estou mais satisfeita na empresa em que trabalho e, por isso, estou buscando uma nova oportunidade. Porém, tenho receio do que dizer ao meu atual chefe quando preciso faltar para ir a uma entrevista de emprego. Como devo agir nestes casos? LUCIANA PEDROSA (SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SP)

Essa é uma situação delicada, porque você nunca saberá a reação do seu chefe. Primeiro, reflita o que te deixa insatisfeita e, se for o caso, converse com ele. Quem sabe as coisas podem melhorar. Obviamente que pensar em contar para o chefe que está participando de outros processos seletivos pode gerar o medo da reação dele. Pense: o que me impede de contar para ele? Conheci um profissional que deixou claro para seu líder que buscaria outra oportunidade, mas que também não gostaria de deixá-lo na mão e ajudou a

uma empresa de Comércio Exterior que uma candidata teve experiência de estudo e trabalho no exterior, mas não estava alinhada com o perfil da vaga, e optamos por outro jovem que não teve experiência no exterior, mas tinha fluência no inglês e era o segundo emprego dele. Sentir-se inferiorizado e discriminado na seleção fará com que você olhe para aquilo que não tem. Reflita nos pontos fortes que você possui. Essa pode ser uma oportunidade de criar um plano de ação para realizar uma viagem ao exterior, se esse for o seu desejo, e agregar valor à sua carreira. Coloque uma data, pense no que te impede hoje e qual o próximo passo. O desafio é adotar um posicionamento pró-ativo e encarar a sua realidade sem se colocar na posição de vítima por não ter condição financeira.

contratar outro profissional para substituí-lo, inclusive o treinou e manteve o líder informado que estava participando de outros processos seletivos. Essa transição foi muito tranquila. Contudo, seria ótimo se fosse sempre assim, já que pode acontecer o contrário, a relação profissional se prejudica, você não consegue outra oportunidade rapidamente e aparentemente as coisas irão piorar no trabalho atual. A preocupação que você tem que ter está em não fechar as portas, prejudicando a empresa em que atua no momento, e quando precisar faltar para ir a outro processo seletivo cuide para não gerar problema no trabalho prejudicando o seu líder. O mais importante é saber que ninguém é eterno em uma empresa, e isso acontece frequentemente, faz parte do dia a dia. Obviamente que ser franco é a melhor alternativa. Pense também: qual é o preço que eu estou disposta a pagar para buscar a minha satisfação?

Você está satisfeito com a profissão que escolheu? Não sabe qual especialização fazer? Pretende mudar de carreira? Para esclarecer essas e outras dúvidas, a partir de agora, o Coach Executivo e de Equipes, Conferencista em Desenvolvimento Humano e Diretor da UP Treinamentos & Consultoria, Carlos Cruz, responderá todo mês às perguntas dos leitores sobre o universo profissional. Não deixe de mandar suas dúvidas e sugestões!

“Meu desafio como Coach é estimulá-lo a encontrar as próprias respostas. Conte com as minhas reflexões e perguntas como respostas” Mande suas perguntas sobre carreira para o e-mail pergunte@fullcase.com.br Carreira&negócios • 41

Carreira_19_40_41_FalaCoach.indd 41

19/02/2010 19:01:31


Vitrine

Turismo

Mercado

em alta

CVC Turismo promove seu 16º Workshop e comemora boa fase do setor

POR Sílvia Dalpicolo

O

turismo está se tornando, a cada dia, um negócio mais lucrativo no Brasil. As atividades turísticas continuam em plena expansão, basta notar a quantidade de hotéis, atrativos e empresas que realizam serviços neste segmento e que dobraram de quantidade e se multiplicam ainda mais. E falando no assunto, a operadora de viagens líder na América Latina é a CVC Turismo, que realizou o seu 16º Workshop, com o tema “Um Novo Olhar”. O maior evento privado do turismo nacional abriu suas portas com a meta de embarcar 2,5 milhões de passageiros até o final de 2010, contra os 2 milhões atendidos em 2009, em viagens nacionais e internacionais. A escolha deste tema reflete o momento de mudanças e atualizações pelo qual o mercado passa. “À medida que o Brasil se fortalece como potência econômica, o turismo brasileiro também se consolida. Precisamos estar atentos às oportunidades que estão por vir”, diz o presidente-executivo da operadora CVC, Valter Patriani. O evento é realizado anualmente para os seus agentes de viagens (responsáveis pela venda dos pacotes turísticos ao público) e é a oportunidade de a empresa divulgar suas metas e ações para o ano. Além de tentar inflar a quantia de embarques em 2010, a operadora também pretende aumentar em pelo menos 20% o número de viagens para destinos nacionais, sejam aéreas, rodoviárias ou marítimas. “Estamos investindo em novas oportunidades de viagens para forta-

lecer a presença da CVC em mercados regionais e ampliar o nosso leque de produtos em todo o Brasil, buscando atender a uma forte demanda de brasileiros que começam a realizar o sonho da primeira viagem assistida”, antecipa Patriani. A expectativa forte em relação ao mercado brasileiro corresponde ao alto investimento que a operadora planeja para a temporada 2010/ 2011, já que as viagens domésticas equivalem a 60% do seu total de vendas. Além disso, para o presidente do Conselho de Administração da CVC e membro do Conselho Nacional de Turismo, Guilherme Paulus, este é um investimento certeiro, já que o Brasil está bastante destacado no turismo mundial. “Trata-se de um importante polo de atração de turistas, que se fortalece aos olhos do mundo – basta citarmos a Copa do Mundo de

2014 e os Jogos Olímpicos de 2016”, diz Paulus. “Ao mesmo tempo, é um celeiro de oportunidades, à medida que o poder aquisitivo do brasileiro tende a crescer, e ampliam-se as facilidades para o consumo e financiamento de viagens”, completa. O evento ainda contou com a Bolsa de Negócios, área em que agentes de viagens, vendedores e demais interessados fecham acordos e negociam valores. Neste ano, foram 60 reuniões em cada um dos dois dias de workshop. O foco principal foram as negociações para a próxima temporada de cruzeiros, que terá sua frota ampliada para cinco transatlânticos. Esta edição ainda bateu o recorde de expositores. Foram 658 estandes de secretarias de turismo, redes hoteleiras, empresas de receptivos e de serviços gerais do Brasil e de outras 70 localidades do mundo. C

42 • Carreira&negócios

Carreira_19_42_43_Vitrine.indd 42

22/02/2010 16:26:10


A Carreira_19_42_43_Vitrine.indd 43

22/02/2010 16:26:10


CAPA

Carreira

Seu sucesso em Aproveite o início do ano para colocar em prática dicas de especialistas e profissionais de sucesso e dar uma guinada na carreira ou nos negócios Por Sílvia Dalpicolo

44 • Carreira&negóCios Carreira negóCios

Carreira_19_44_54_MatCapa.indd 44

pas s 22/02/2010 16:59:23


A

s sos Carreira_19_44_54_MatCapa.indd 45

virada do ano é mais do que o anúncio de que mais doze meses se iniciam. Para muitos, é o símbolo do começo de uma nova vida. Um exemplo clássico são as listas de desejos e metas para o tempo que se começa, em que figuram muitos itens relacionados à vida profissional. Mas o que todos desejam o ano inteiro é que a carreira ou os negócios sejam bemsucedidos e andem para frente. Neste quesito, 2010 chega já com vantagem. Após o período difícil na economia mundial, que fez muitas empresas dispensarem funcionários ou encerrarem suas atividades, a fase parece bastante promissora, especialmente no cenário nacional. “Toda crise desperta os empresários e executivos para a necessidade de pessoas criativas e diferenciadas. Portanto, além do crescimento econômico previsível, as pessoas com potencial criativo terão grandes oportunidades”, avalia o consultor de empresas, Osório Roberto dos Santos. “A perspectiva para o ano é boa. Já percebemos grande movimentação das empresas em contratar executivos, tanto para novas posições quanto para substituições. A postura de esperar e ver no que vai dar está, pouco a pouco, sendo deixada de lado e substituída por uma orientação ao crescimento dos negócios. Isso gera a expansão no número de contratações continuamente”, destaca o sócio da Search Consultoria em Recursos Humanos, Ricardo Du Pain.

Carreira&negóCios • 45 Carreira

22/02/2010 16:59:25


CAPA

Carreira

Cenário pós-crise

Apesar da onda de otimismo que ronda o mercado e aquece as contratações e promoções, é preciso que o profissional tenha paciência para ver as coisas caminharem. É comum que neste momento as empresas ainda estejam abaladas com a gangorra financeira vivenciada no último ano. O resultado é a busca por colaboradores bem preparados. “Cada profissional deve acompanhar setorialmente as notícias. Saber como está o mercado de atuação dele é mais importante do que saber como está a economia brasileira. Em síntese, acho que todos podem esperar boas notícias e grandes oportunidades, principalmente nos negócios que podem se beneficiar com a Copa e Olimpíada”, indica o presidente da Thomas Brasil, Victor Martinez. Em realidade de crise financeira é comum que as companhias brequem ou até mesmo cancelem alguns projetos. “Elas se tornam mais conservadoras, gerenciando seu fluxo de caixa com mais cuidado e evitando as contratações. Após este período, vários projetos são retomados ou criados e essa ação gera novas oportunidades de emprego, com desafio mais interessante, maior remuneração. Essa é a briga por talentos que estávamos vivendo até o terceiro trimestre de 2008 e, aparentemente, está voltando”, conta Du Pain.

Mercado aquecido

As boas oportunidades parecem estar pipocando para todos os lados. De modo geral, a onda promissora da economia brasileira está afetando positivamente todas as áreas e tipos de trabalho. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no final do ano passado foi registrada a menor taxa de desemprego dos últimos seis anos: 6,8%. Essa melhora refletiu também na satisfação dos brasileiros

com o país. No final de janeiro último, o índice de positividade era de 48%, contra 18% do ano de 1998. Alguns especialistas arriscam apostar em alguns segmentos específicos que estarão especialmente aquecidos neste ano. “As áreas de infraestrutura e energia são as mais promissoras, pois são as que vão contar com maior volume de investimentos em 2010 e 2011. As descobertas no pré-sal e as oportunidades ligadas ao esporte, oriundas da escolha do Rio de Janeiro como sede, deverão demandar investimentos de bilhões de reais”, aponta Du Pain. Para Osório Roberto dos Santos, a área de importação e exportação será muito requisitada, mas o melhor foco é para o setor de serviços. “Qualquer economia que cresce amplia mais que proporcionalmente a área de serviços. Lembrando que independente da área, o que mais será valorizado é o profissional que tiver forte equilíbrio emocional. O paternalismo funcional, em que o chefe coordena tudo, está acabando. O profissional precisa de autonomia e sabedoria para usá-la”, pondera.

desenvolvimento, aprendizado e capacitação técnica são coisas que devem lhe acompanhar para o resto da vida, porque chegar ao topo é uma coisa, permanecer lá é outra”, completa. Já o diretor de Operações da Robert Half, Fernando Mantovani, acredita que o lado pessoal influencia mais na escolha do colaborador do que sua experiência sobre o assunto. “Sob o ponto de vista comportamental, cada vez mais as empresas buscam profissionais pró-ativos, com alto nível de energia, habilidade de liderança, capacidade de lidar com pessoas de diferentes áreas e que sejam focados em resultados. Acredito que as contratações giram mais em torno das características comportamentais do que das habilidades técnicas”, opina.

Estilo de profissional

Portanto, é importante frisar também que independente das áreas com mais ou menos vantagens com a economia reaquecida, o tipo de profissional que você é fará muita diferença para ver sua carreira ou até mesmo seu negócio deslanchar neste ano. Para o consultor em Gestão de Pessoas e Orientação Profissional, coacher gerencial e vice-presidente da Thomas Brasil, Edson Rodriguez, os profissionais capazes de realizar coisas e de entregar resultados mensuráveis serão mais valorizados. E como todos os profissionais buscam o sucesso, é normal que muitos sejam capazes de entregar resultados, então, é necessário que haja diferenciais. “Avalie quais são os seus e busque esta diferença, capacite-se mais e, principalmente, tenha em mente que

46 • Carreira&negóCios

Carreira_19_44_54_MatCapa.indd 46

22/02/2010 16:59:27


Para quem se encaixa no perfil, então, é só seguir as dicas dos especialistas e se espelhar nas histórias de sucesso de alguns empresários do país.

1

Saiba ouvir

Este requisito é essencial para quem quer ver a carreira deslanchar. Seja com os colegas de trabalho, seu líder ou outro profissional da área, é importante compartilhar experiências e conhecimentos e absorver o máximo que puder ser utilizado na vida diária. Quanto mais complexa for uma situação, mais faz diferença ouvir para tomar boas decisões. Invista muito nesse recurso.

me e diferenciar e foi conseguir m recem al pa di e or qu im pr as is “O ravés de co at do al ca er is m ra um prof sion destacar no o essenciais pa sã e qu as – m , simples to e execução o planejamen ontecer. completo, com quer projeto ac al qu r ze fa ra pa foi essencial. fundamentais ideias também s ha in m as r do portfólio de Saber expo senvolvimento de o a i fo o pl Um exem diferencial para que hoje é um ir C, sa , F2 er nd na ee os pr ut prod gem de em ra co r te er o qu is al ec ia em qu empresa. É pr buscar excelênc e to or nf co da zona de ada” atividade realiz anceiro das, diretor fin ra u Ramon M C Produtos da F2 e da Linha de

Convivência em grupo

2

A alta velocidade em que todos vivem no mundo de hoje está diminuindo o tempo para análise e correção de erros em determinadas situações. A melhor maneira de liderar com eficiência é criar um espírito de grupo que dê conta dessas correções em tempo real. Pensar “eu faço minha parte, isso deve ser o suficiente”, já não é mais aceito pelo cliente e muito menos pelo gestor. Só mesmo saber conviver em grupo e se unir em prol da empresa pode solucionar os problemas.

“O principal fato qu e me faz um executiv o atuante é o de me obrigar sempre a ser uma pessoa me lhor. Tenho grande dificuldade pa ra dormir, porque ao me deitar sempre me lembro de algumas coisas que poderiam ser feitas, e não tenho um a boa noite de sono . Sou um dos acionistas de um gra nde grupo familiar, qu e atua com distribuição de Aços, Empreendimentos Im obiliários e Transportes Rodoviá rios, e atuo diretame nte em todos os negócios como dir etor-executivo. Tenh o que ser o melhor para meus pa is, que foram os funda dores, e para os colaboradores, po rque nunca admiti ser o “filhinho do dono”. Não exist e segredo, tem que tra balhar muito, estudar bastante, ler de tudo e aproveitar para pensar em negócios enquan to toma banho, corre ou assiste ao futebol. Não é ap enas produzir muito , tem que ser muito e com qualida de” André Dias, direto r-executivo da GGD Metals

Carreira&negóCios negóCios • 47

Carreira_19_44_54_MatCapa.indd 47

22/02/2010 16:59:27


CAPA

Carreira

3

Atualize-se

Todo investimento em se reciclar em sua área de trabalho é pouco. É fundamental estar sempre em dia com o que acontece no mercado. Tudo muda tão rápido que o que servia antes já pode estar obsoleto. Para isso, faça cursos, leia sobre o assunto e informe-se bem.

edor. Na s empreend o it ír sp e diversa e direção d alismo e n a i io m ss u fi ss ro “P ns a ntos, nal Sieme equipame ga multinacio resa – como a de as. Após essa lon p d n m r e e v d a e e d ções reend o áreas comunica írito emp le sp s, e te to e s, n a o e ç m n fina s seg ionalism em outro opping a , o profiss ç a n ri ra tó e je d a tr r sh r a li m a trilha , no segundo maio ado para me levara jo ion re c a a v i o fu n plo, s casos, o it u m empresas, por exem m a guês. E entro d s u d rt a o ir p e r c n te cen amas. de fina o dio em ch cer a saú restabele mbeiro em um pré cia ou em process n o lê b fa m e u como fios” cesso d meus desa ias em pro Companh foram alguns dos ção a Gigaset de forma a, CEO d it u q s e M Antônio

4

Networking

Todo mundo já teve ou conhece um caso de pessoas que foram contratadas pelo famoso QI, o “quem indica”. Por isso, relacione-se bem, tanto com os colegas de empresa quanto com os da área em geral. Hoje, acabou, definitivamente, o mundo isolado, e todos são parceiros, mesmo os mais distantes. Empresa é corpo vivo e precisa de química cooperativa.

48 • Carreira&negóCios

Carreira_19_44_54_MatCapa.indd 48

“Liderança, iniciativa e pró-atividade são características essenciais para um ex ecutivo ter sucesso. Acredito que um executivo moderno no mundo globaliza do deve estar em constante atu alização, ao mesmo tempo em que aplica o aprendiz ado no cotidiano. É preciso saber identificar o problema com agilidade, acha r a solução e implementá-la. També m é fator essencial a capacidade de montar uma equip e, treiná-la e conseg uir manter uma relação interdep artamental agregadora na empresa. Um bom ex ecutivo tem sempre um time que trabalha alinhado a ele” Marco Antonio Carneiro, diretor de Marketing e Vendas da Bridgeston e do Brasil

22/02/2010 16:59:32


A

Carreira&negรณCios โ€ข 49

Carreira_19_44_54_MatCapa.indd 49

22/02/2010 16:59:32


CAPA

6 5 Carreira

Menos imediatismo

Mais otimismo

Mesmo que o ambiente não seja o mais propício para o crescimento, aprenda a olhar as coisas boas. Ninguém gosta de trabalhar com pessoas negativas ou que reclamem de tudo o tempo todo. É preciso enxergar os problemas e defeitos momentâneos como oportunidades de aprendizado e não empecilhos. Essa é uma qualidade que faz muita diferença no mundo em constante movimento. Costuma-se dizer que muitas vezes dormimos com um problema e os fatores externos os resolvem. Tenha em mente que sempre há uma coisa boa a ser tirada de uma situação atípica.

Seja ágil, mas diminua o máximo que puder o imediatismo. Apesar da correria que o mundo profissional impõe, diariamente, para o bom planejamento das carreiras, ele não funciona. Carreira é uma questão de tempo e experiência, em que é preciso aproveitar boas oportunidades, mas não muito depressa. O crescimento não precisa ser tão a longo prazo como era no passado, mas também nada vai acontecer amanhã.

“Acredito que minha carreira vitoriosa ten ha sido resultado de dois fat ores: espírito competi tivo e aperfeiçoamento co nstante. Como no fut ebol, sempre entrei no camp o para ganhar. Nas empresas pelas quais passei, sempre traba lhei com atitudes venced oras: liderança, traba lho em equipe e pró-ativida de são atitudes que sempre fiz questão de ter. Alé m disso, o aperfeiçoa mento constante é fundame ntal e nunca é tarde para começar – fui estudar inglês aos 30 anos de idade, fiz todos os cursos int eressantes relacionad os à minha profissão, ind ependentemente da empresa ter oferecido ou não” Wilson Borges, ge rente geral do Laboratório Zamb on

50 • Carreira&negóCios

Carreira_19_44_54_MatCapa.indd 50

22/02/2010 16:59:37


do meu que nização res “A orga um dos fato . é ira o r r lh a a ac e trab a minh jar o meu m ra a d e aju plan empre perda Tento s para evitar a ia anizar d g r dia a uro o c e o r P . eira qu po de tem refas de man ente, a m t a minhas olvê-las rapid es possa r ndo nada para ixa e d não l ” is o te gera p e d , geren o c s u sF Carlo x ofi t r O da h

8

Qualidade de vida

Aceite a diversidade

7

Em primeiro lugar, este não é apenas um conceito. É necessário procurar entender e sentir o que a diversidade representa para a evolução humana. Ninguém é igual e não faz as coisas da mesma forma que você, e os bons profissionais e líderes devem aprender isso o quanto antes. Estar em posição de destaque sem conviver com a diversidade já não é mais possível no mundo corporativo, portanto, deve-se aceitá-la.

“Ao longo da minha carreira, observei que precisava ser hábil em lidar com pessoas e que isso fazia toda a diferença. Então, li muito a respeito, fiz cursos de liderança, oratória e outros assuntos relacionados. Atualmente, me considero um empresário que tem uma habilidade razoável para comandar pessoas em uma mesma direção. Tenho hoje 500 funcionários de níveis muito heterogêneos. Fazer todos andarem na mesma direção, na mesma velocidade, de mãos dadas, não é uma tarefa fácil” Ladmir Carvalho, diretor-executivo da Alterdata

Estar com foco no crescimento profissional não quer dizer que para isso o profissional deve abdicar da vida pessoal. Todo mundo deve retirar um tempo para cuidar de si mesmo, da saúde e fazer o que gosta. A qualidade de vida esta diretamente ligada à motivação. É muito difícil estar engajado na carreira se o bem-estar não está em dia. A angústia gera atrito e gasto de energia, e ainda tira a concentração. Vale lembrar que investir em qualidade de vida não é apenas no aspecto físico, mas psíquico também. As emoções são as fontes iniciais da vida com boa qualidade. Emoção boa é sinônimo de vida produtiva.

elhores s com os m r no meio e ip u q e r “Monta curei esta empre pro abilidades talentos. S tivessem h e u q is a n a. O de profissio a alguma deficiênci h as n ti ti u o e e e m va em que uipe envolv nte para q e m e o trabalh fetivame contribui e m pessoas e ário també ce os. É ne ss nte propício à d a lt su re s o bie nter um am ndamentais para sempre ma , fu o çã va o in ee alizado, undo glob criatividad m e ss e n a ci n s” a sobrevivê o constante desafios sã e Vendas d em que os , diretora y r e N ia d J Ana Cláu ton Barra-R g do Shera n ti e rk a M e Carreira&negóCios • 51

Carreira_19_44_54_MatCapa.indd 51

22/02/2010 16:59:38


CAPA

Carreira

9

Trabalhe com prazer

Quando alguém não gosta do que faz, isso reflete diretamente na qualidade de seu trabalho. E aqui, a questão não é apenas o trabalho por si só, mas o desprazer em desempenhá-lo. Não é possível um profissional ser bem-sucedido se não gosta do que faz. Geralmente, quem não sente prazer na rotina, não se importa se sua atuação é boa, ou tenta crescer junto com a empresa. Descobrir prazer no trabalho é considerado “estado da arte” em profissionalismo. Por isso, a dica é ir além de procurar uma profissão que seja ideal, afinal, não existe uma área ou carreira que sejam perfeitas. A chave é ter prazer em produzir, estar presente e participar de um conjunto.

“Persistência. Come cei na Wurth como vendedor em 1987, mas precisei de muita insistência pa ra entrar na empresa, uma vez que fui rep rovado na entrevista por duas vezes por nã o ter experiência anterior em vendas. Com isso, tive que provar várias vezes o meu valor para chegar até onde cheg uei e aprendi algumas lições impo rtantes que gostaria de passar: jamais de sistir até o terceiro “não”. Acredite em você, acredite em seu potencial. O “não” é apenas a primeira barreira em qualque r negociação. Aqueles que se deixam levar pelo primeiro “não” jamais chegarão a um lugar de destaque em uma organização” César Alberto Fe rreira, presidente da Wurth

10

Esteja preparado

As empresas precisam de líderes que vistam a camisa da companhia e trabalhem em prol de sua boa colocação no mercado, e que também motivem os funcionários a seguir a mesma linha de raciocínio. Por isso, é preciso desenvolver bem essa habilidade, a da capacidade de liderança. Isso não quer dizer que quem não a tenha não possa se tornar um líder, mas quem está almejando um posto de gestão deve trabalhar este item.

“Acredito que três fatores me ajudaram a conquistar meu sucesso profissional: o apoio dos meus pais e da minha esposa, pois o ritmo de trabalho é muito forte e a disponibilidade precisa ser total; a postura profissional sustentada pelos meus valo o, alh trab res pessoais (muito persistência e lealdade aos meus sócios, equipes e clientes); e o resultado alcançado nos projetos que atuei – o lea gado. A Administração é um a nto qua el ecív per tão ciência aliatu a to, tan por e, na dici Me r zação constante é outro fato é o, diss m Alé e. preponderant preciso ter paixão no trabalho: assim como o jogador de futebol e o músico, tenho o privilégio de ganhar dinheiro fazendo o que eu gosto” Humberto Mesquita, consultor empresarial em Gestão do Grupo Pragmática

52 • Carreira&negóCios

Carreira_19_44_54_MatCapa.indd 52

22/02/2010 16:59:44


A

Carreira&negรณcios โ€ข 53

Carreira_19_44_54_MatCapa.indd 53

22/02/2010 16:59:44


CAPA

Carreira

Novos ares

1 2 3 4

Primeiro, pense: por que você quer mudar? Avalie bem a resposta, pode ser que você esteja simplesmente aborrecido com alguma situação temporária ou com alguém, e na maioria das vezes isso não é um bom motivo para sair de um emprego. É claro que há situações insustentáveis, mas se a resposta é porque você não tem efetivamente mais horizonte, já chegou no máximo, então a mudança é uma boa saída. É exatamente isso que você deve ressaltar em suas entrevistas para novas oportunidades. A discrição é também muito importante, portanto, não comente com seus colegas que está buscando um novo emprego. Também não descuide de seu trabalho atual, você não sabe por quanto tempo ainda irá precisar dele, e boas referências são valiosas também.

Antes de ir à luta, questione-se: você vai mudar de ramo de atividade ou vai se manter na mesma linha de carreira? Como está seu preparo profissional? Você tem experiência, cursos? O que você pode oferecer? Como está a concorrência? Sim, porque você vai concorrer com outros profissionais.

Tenha seu currículo preparado (use os formatos de currículo padrão disponíveis) e procure consultar seu círculo de contatos sociais e profissionais, para saber das possíveis oportunidades. A maioria das boas colocações no mercado ocorrem por meio de networking.

Quer aproveitar o início do ano para trocar de emprego? Veja algumas dicas do consultor em Gestão de Pessoas e Orientação Profissional, coacher gerencial e vice-presidente da Thomas Brasil, Edson Rodriguez.

Certifique-se de que em seu novo emprego você terá realmente espaço para crescer e se desenvolver. Caso observe que a possível nova empresa tem o mesmo nível de oportunidade que a atual, avalie bem o quanto você estará apenas trocando seis por meia dúzia.

54 • Carreira&negóCios

Carreira_19_44_54_MatCapa.indd 54

22/02/2010 16:59:49


LEGISLAÇÃO&NEGÓCIOS Artigo Por José Celso Martins *

A importância social das micro e pequenas empresas

A

s micro e pequenas empresas respondem, hoje, pela maior parte dos cargos ocupados na economia nacional. Tal questão deveria ser melhor tratada pelos governos estaduais e municipais que se beneficiam com a ordem social proporcionada pelo sistema econômico decorrente dos pequenos negócios. A contratação de empregados pelas micro e pequenas empresas deveria ter tratamento distinto dos demais, pois a legislação específica não traz qualquer benefício ao empresário neste modelo de relação jurídica. As MPEs gozam de benefícios de natureza administrativa, tributária e creditícia, e a mesma legislação também prevê benefícios na ordem trabalhista, no entanto, estes nunca foram regulamentados. É certo que o empregado não pode ser prejudicado em seus direitos, mas o Estado poderá proporcionar benefícios aos micro e pequenos empresários, de forma que estes possam ser incentivados e estimulados a empregar maior número de pessoas. Desta forma, seria possível evitar a relação de emprego informal, fato que infelizmente ocorre em grande número nas MPEs devido à dificuldade econômica que estas têm para sustentar plenamente

“As MPEs têm importância vital para a ordem econômica e social, já que empregam a maioria da mão de obra do Brasil” uma relação trabalhista formal. Conhecemos muitas vezes incentivos de governos estaduais e municipais para a instalação de multinacionais em determinadas cidades ou regiões. Estas empresas são beneficiadas com isenções de impostos, concessão de uso de terrenos e imóveis, entre outros. No entanto, apesar de atraírem valores econômicos, estas empresas não geram, na sua totalidade, tantos empregos quanto geram as MPEs. Mesmo neste cenário de pouco incentivo a maior parte da mão de obra ocupada no Brasil está na pequena e média empresa, que emprega mais de 85% da sociedade laborativa, de acordo com índices do SEBRAE. As grandes empresas movimentam

*JOSÉ CELSO MARTINS – advogado, pedagogo, mestre em Direito Político e Econômico e especialista em Direito Empresarial pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Professor da Faculdade de Direito da Universidade Metodista de São Paulo. Presidente do TASP – Tribunal Arbitral de São Paulo. Autor do livro “Arbitragem, Mediação e Conflitos Coletivos do Trabalho”

Carreira_19_55_ART_JoseCelso.indd 55

grandes valores e, portanto, geram riquezas importantes para o Brasil. Porém, sob o aspecto social, as MPEs geram mais benefícios e empregos e, por esta razão, merecem maior atenção e incentivo dos governos estaduais e principalmente dos governos municipais. A verdade é que as MPEs ocupam um espaço de desenvolvimento econômico importante em razão da mão de obra que emprega, fato que permite à comunidade maior desenvolvimento com a geração de empregos e criação de oportunidades que não existiriam se houvesse exclusivamente a dependência da grande empresa, que existe em número menor e sua instalação exige infraestrutura muitas vezes difícil de ser alcançada. Assim, mesmo não havendo a devida valorização e reconhecimento explícito do Estado, as MPEs têm importância vital para a ordem econômica e principalmente para a ordem social, já que empregam a maioria da mão de obra do Brasil. Por esta razão, deveriam merecer mais assistência, maior estímulo e incentivo dos governos municipais e estaduais para permitir o melhor desenvolvimento do Brasil no aspecto comunitário e regional. C

CARREIRA&NEGÓCIOS • 55

22/02/2010 16:42:23


Expressão Software livre

Open Source,

Open Mind Por Lysandro Trotta*

N

este ano da França no Brasil, a Queda da Bastilha, em que o povo clamava por mudanças nas estruturas mais rígidas da sociedade francesa e rompia com o modelo de uma aristocracia totalitária, ainda guarda uma profunda relação com os dias de hoje. Na crise generalizada que estamos compulsoriamente imersos, penso como sobrevivem os pequenos e mesmo os médios empresários. Quando investir com criatividade é a ordem e tábua de salvação, a velha máxima do corte nos custos parece assombrar as esquinas de cada planilha de orçamento na sombra de cada passo adiante.

56 • Carreira&negócios

Neguem os incrédulos e resistentes, mas todo negócio que se preze precisa de Business Intelligence, o famoso BI. De um sabor ou de outro, para viver no planeta Comunicação é preciso estar organizado. É muita informação! E não estou falando apenas do bombardeio externo das publicidades dos novíssimos produtos que serão démodé amanhã de manhã. Falo, sobretudo, da informação que é produzida pelas próprias organizações, o negócio em si. Transformar informação em informação útil – ou seja, em conhecimento – requer um grande esforço que pode ser significativamente fa-

cilitado pela implantação de um BI adequado ao tamanho do negócio. Proponho um exercício para aqueles empresários a que me referia: imaginem-se, só por um instante, livres de preconceitos e dos vícios de negócio. Tentem agora visualizar um software suíte que faz, com robustez e segurança, pelo menos 80% do que faz o software proprietário de BI que têm na sua empresa ou gostariam de ter. Cabe lembrar que software proprietário é aquele que você paga, muitas vezes recursivamente e por novas versões, para usar 20% de seu potencial, na grande maioria dos casos. Neste hipotético campo de mentes


abertas floresce um maravilhoso – e surpreendentemente maduro – mundo chamado open source. Por mais que tenha nascido de raízes altruístas e um tanto utópicas, o open source evoluiu e é uma realidade palpável e confiável, peça fundamental para a definitiva quebra de paradigma da propriedade intelectual tal como se concebe hoje. Presente também em outras camadas semânticas da informação, como nos data warehouses e até em sistemas transacionais, o soft­ ware aberto já nasceu sem a ingenuidade de querer ser um enterprise resource planning, os famigerados ERPs do final da década de 1990, que prometiam ser a própria panaceia grega personificada, um único soft‑ ware integrador que resolveria todos os problemas de uma corporação. Há provedores de soft‑ ware aberto organizados, competentes e comprometidos com o produto que entregam livremente. O pulo do gato deles não está no produto, mas no serviço. Eles ganham com treinamento, implementação e suporte técnico. Genial. Software aberto não é necessariamente sinônimo de software livre, cuidado. Um freeware, como é chamado, libera os direitos autorais para uso, por vezes restrito, mas não fornece seu código-fonte. Código-fonte é uma espécie de receita de bolo para fazer programas de computador. No open source software a fornada é mais quente: a tal receita de bolo é liberada para quem quiser fazer melhor, modificar, distribuir ou simplesmente usá-

la. Para que fique mais claro: o Skype é livre, todo mundo pode usá-lo de graça, mas quase ninguém no mundo sabe do que ele é feito; o Linux, por sua vez, é de domínio público e seus meandros estão expostos para qualquer pessoa que queira modificá-lo de acordo com a sua conveniência.

que bem entende da obra ou parte dela. Toma para si, melhora, toca de cabeça para baixo, adapta. Apesar de tudo isto, parece existir uma divindade chamada GNU, que magicamente controla a mente dos usuários de softwares livres e abertos, criando conceitos-base como recriminar quem não dá o devido crédito aos criadores originais. Foi o nascimento das normativas GNU/ FDL a prova definitiva que o caos se auto-organiza. O termo “wiki”, ambiente colaborativo espontâneo e inacreditavelmente fiel, foi cunhado em 1995 por Ward Cunningham através do primeiro site do gênero de que se tem notícia, o WikiWikiWeb. Aliás, diga-se de passagem, o termo “wiki” deriva do havaiano “wikiwiki” e significa superrápido. E põe rápido nisso. Em oito anos de existência a Wikipedia, a enciclopédia livre que todo mundo pode pintar e bordar, ou copiar e colar, tornou-se a maior e mais atualizada do mundo. A Web 2.0 mostrou que veio para ficar e quer ser aberta. A gloriosa conclusão a que chegamos é que está inaugurada uma nova fase no universo corporativo: o mais importante não é gerar informação, mas cuidar dela. O software de BI já não é o ponto decisivo do sucesso na tomada de decisões, mas sim quem o implementa. O software pode até custar zero, mas o trabalho de uma consultoria especializada é que fará toda a diferença. A bola da vez é o conhecimento, senhores empresários: — Le jour de gloire est arrivé! C

Proponho um exercício para aqueles empresários a que me referia: imaginem-se, só por um instante, livres de preconceitos e dos vícios de negócio. Tentem agora visualizar um software suíte que faz, com robustez e segurança, pelo menos 80% do que faz o software proprietário de BI que têm na sua empresa ou gostariam de ter” Até os músicos não escaparam desta, vejam só: em tempos em que pirataria é a regra e MP3 é a mídia, está em voga no mundo dos sons o copyleft (sim, é um trocadilho com copyright). É um conceito tão inovador, emprestado do mundo dos bits, que há dez anos seria uma blasfêmia pronunciá-lo. O dicionário Oxford o define como “uma disposição pela qual um software ou trabalho artístico pode ser usado e distribuído livremente na condição de que qualquer derivado deve seguir as mesmas condições”. Resumo da ópera: cada um faz o uso

* Lysandro Trotta é diretor executivo da DNMCA Consultoria de Negócios (www.dnmca.com) e especialista em estratégia corporativa

Carreira&negócios • 57


Baú Corporativo Guloseimas

58 • Carreira&negócios

Carreira_19_58_61_BauCorp.indd 58

22/02/2010 16:42:59


Fábrica em São Paulo se consolidou no mercado por ser a primeira brasileira no ranking de fabricantes de panetones

Doce HiStÓria

por Sílvia Dalpicolo

M

al passaram as festas de final de ano e a fabricação de panetones se encerrou, e, nesta época do ano, as empresas fabricantes de chocolate já estão com os preparativos para a Páscoa a todo vapor. Não seria diferente com a Village, a primeira empresa inteiramente nacional a figurar no ranking de produtores destes alimentos. Localizada na Vila Prudente, zona leste de São Paulo, a fábrica nasceu dentro da Panificadora Cepam, considerada a maior do Brasil em extensão, com 2.300 m². “A Village surgiu no fim dos anos 1960 pela vontade de quatro empreendedores em busca de construir um negócio lucrativo com o objetivo de atender às necessidades de uma comunidade ainda em formação, mas com um alto poder de crescimento”, relata o diretor de Vendas, Reinaldo Bertagnon. O executivo ainda conta que a ideia de fundar uma companhia no segmento alimentício se deu pela pani-

ficadora, que já existia. “Fabricamos produtos inerentes ao segmento e, a partir deste processo, começamos a levar os produtos para o público fora do estabelecimento e, posteriormente, abrimos espaço para terceirização e ao comércio em geral”, detalha.

Crescimento constante

A empresa é hoje a segunda marca principal de panetones do Brasil. E além deles, em seu portfólio há um leque diversificado de produtos que totalizam mais de 80 itens, como bolos e ovos de Páscoa, pão de mel, palitos de chocolate, bombons de cereja ao licor e recheados com pedaços de amendoim, além dos famosos ovos de Páscoa. Já na estrutura da Panificadora Cepam, são aproximadamente 1.800 itens à venda, entre pães, doces, salgados e petit-fours. O restaurante, aberto todos os dias no almoço e no jantar, tem estrutura com mais de 300 lugares e cardápio variado. O local ainda conta com salões onde ficam dispo-

níveis televisores de plasma e acesso à Internet sem fio. E o local ainda conta com três estacionamentos próprios, somando 4.260 m2 de área e capacidade para cerca de 150 carros. “O crescimento da empresa foi gradativo, como todo processo de uma empresa familiar de pequeno porte. Todos os produtos sempre foram feitos com recursos próprios, uma condição de bastante dificuldade neste processo”, relembra Bertagnon. O crescimento da empresa ao longo dos anos também está creditado à sua capacidade de desenvolvimento e também à evolução de seus produtos, com foco na inovação e buscando parcerias que contribuíssem para que este progresso fosse sustentável. “A evolução foi atingida gradativamente e, sem dúvida, a partir do ano 2000, a expansão aconteceu mais rápido quando a empresa se tornou a 2ª fabricante de panetones do mercado brasileiro, e a primeira empresa do ranking nacional de chocolate sazoCarreira&negóCios • 59

Carreira_19_58_61_BauCorp.indd 59

22/02/2010 16:43:14


Baú Corporativo guloseimas

nal”, conta o diretor de Vendas. Para fortalecer ainda mais o nome da empresa no mercado, os contínuos investimentos em desenvolvimento, ampliação e modernização da unidade industrial da Vila Prudente foram de suma importância e contribuíram para o fechamento de contratos de fornecimento com grandes grupos varejistas. “Para a empresa, a constante renovação e a busca por novidades são usadas como diferenciais para conquistar cada vez mais o mercado brasileiro e o internacional, com o incremento das exportações para países da América Latina e da Europa e para os Estados Unidos”, entrega Reinaldo Bertagnon. Hoje, a Village exporta seus produtos para os Estados Unidos, países da América do Sul, África e ainda participa de diversas feiras mundiais, como a Fancy Foods, que acontece em Nova York, e outras, na Alemanha e em Dubai. A Village, a segunda marca de panetones do País, continua a trazer inovações para sua linha de panetones, reafirmando a preocupação da empresa em levar a todos os grupos de consumidores um alimento saboroso e que os ajude a manter os níveis de uma alimentação saudável durante as festas de final de ano.

inovando na produção

E para uma empresa se manter há tanto tempo no mercado, é fundamental inovar seus produtos, sempre. E é nessa trilha que a Village segue. Para se ter ideia, no Natal passado foram criados o Panettone Light Frutas – com 0% de lactose – e a linha infantil, que traz os produtos enriquecidos com minerais e vitaminas. Outra ação da empresa foi eliminar a gordura trans de todos os seus panetones e criar a linha diet, indicada para diabéticos. “Estamos sempre em contato com médicos, nutricionistas e associações

para atender à demanda daqueles que têm restrições alimentícias ou que buscam uma dieta menos calórica”, explica Bertagnon. “A recompensa vem quando recebemos retorno de clientes que, apesar de gostarem, não comiam panetone há anos e retomaram esse prazer com um de nossos produtos”, completa ele. A empresa, que também é responsável pela produção de marcas próprias para grandes grupos varejistas do país, aposta em seu portfólio com mais de 70 itens para aumentar as vendas no final do ano, além da vedete do Natal, que é o panetone, com uma linha de sabores variados, para qual a empresa espera um crescimento superior a 10% nas vendas em relação a 2008, com encomendas realizadas com antecedência.

receita do sucesso

Para Bertagnon, a empresa evoluiu e se posicionou no mercado porque seus executivos possuem visão de negócio, além de inovar sempre e ser comprometida na execução de tudo que é proposto. “Costumamos dizer que nosso segredo de sucesso é baseado na valorização. Alguns conceitos foram primordiais para o crescimento da nossa empresa, como geração de empregos para atender à comunidade, desenvolvimento das atividades em total sinergia entre todas as áreas, foco em produtos saudáveis dentro de um alto padrão de qualidade, percepção das necessidades dos clientes e preocupação em minimizar impactos sociais e ambientais”, relata. “Nossa visão de negócio sempre foi entrar no mercado com qualidade, este objetivo é constante e é dentro deste prisma que desenvolvemos nossos produtos e os aprimoramos cada vez mais. Nosso plano para o futuro é continuar fabricando produtos que atendam a diversos tipos de públicos, com qualidade”, finaliza Reinaldo Bertagnon. C

zoom pÁSCoa 2010 Neste ano, a grande aposta da empresa é o lançamento dos ovos de chocolate infantis dos personagens da Looney Tunes. Eles contam com brinquedos e são recomendados para crianças a partir de três anos. Alguns dos presentes-surpresa são o mosquetão disparador do ScoobyDoo, o minipinball Looney Tunes, o pião disparador Looney Tunes e o skate disparador do Scooby Doo. Além disso, o ovo de Páscoa de 45 gramas, tamanho inédito, é outra novidade para a data.

60 • Carreira&negóCios

Carreira_19_58_61_BauCorp.indd 60

22/02/2010 16:43:28


A Carreira&negรณcios โ€ข 61

Carreira_19_58_61_BauCorp.indd 61

22/02/2010 16:43:28


Quem é ele?

Segurança

Proteção total Conheça a liderança por trás da primeira empresa no Brasil a oferecer blindagem de espaços arquitetônicos

S

egurança é a palavra-chave para qualquer empresa nos dias de hoje. Aliás, precisamos de segurança por todo lugar, seja no trabalho, em casa e até mesmo no trajeto de um para o outro, no carro. Por isso, algumas pessoas acabam recorrendo à blindagem de automóveis, e o que muita gente não sabe é que o revestimento agora pode ser aplicado em ambientes, como empresas, condomínios e residências e bancos. A ideia pioneira é da empresa dirigida por Gustavo Rizzo, a Vault & Digital, que surgiu há 20 anos e desenvolve

Gustavo Rizzo, diretor da Vault: Empreendedorismo para a mudança de atuação da empresa

equipamentos de segurança para diversos ambientes, que garantem a segurança do cliente, sem comprometer a estrutura arquitetônica do local. O negócio surgiu dentro de uma empresa de engenharia voltada para execuções de projetos e estruturas metálicas no segmento de módulos habitáveis para plataformas de petróleo, contêineres de cargas e vagões ferroviários. “Com o passar do tempo, os próprios clientes da antiga empresa de engenharia começaram a encomendar a produção apenas das portas utilizadas nesses módulos de contêineres, para a utilização em determinados locais. Assim, com o aumento da violência no início dos anos 1990, houve a necessidade de criar uma empresa destinada especialmente para os projetos de fabricação de portas de segurança em função da crescente demanda por esses produtos”, relembra o diretor, do desafio de mudar o rumo do negócio. Rizzo esteve à frente da empresa durante todo o processo de transformação e evolução. “A Vault cresceu e, atualmente, não produz apenas as portas de segurança solicitadas no início, mas também uma gama maior de produtos, executando projetos de blindagem arquitetônica muito mais sofisticados, com proteções de ambientes inteiros”, conta.

zoom Como funciona A blindagem é feita com barreiras físicas colocadas de maneira que dificulte o acesso de pessoas não autorizadas às áreas que se quer proteger. Entretanto, essas barreiras não funcionam se a permissão de acesso for concedida de forma errada àquelas pessoas que não poderiam entrar nessas áreas. Nisso, entra o controle de acesso, ou seja, equipamentos e dispositivos que têm como função gerenciar e registrar de forma adequada e eficiente a transposição das barreiras físicas, sejam portas, catracas, portões, entre outros. Em resumo, o que garante a eficiência da segurança de um local é a união desses sistemas.

O empreendedorismo e a visão de negócios de Rizzo aplicados à empresa renderam seu reconhecimento no mercado. Prova disso é que a Vault chegou a executar projetos de blindagem em fachadas inteiras de empresas como a Fiocruz, White Martins, Petrobras e Tribunal de Justiça; e ainda projetos de blindagem de áreas visando proteção de determinado local da companhia, que foram realizados no Serasa. C

62 • Carreira&negócios

Carreira_19_62_Quem_E_Ele.indd 62

22/02/2010 16:43:52


Esporte&Negócios

Artigo

Por marco aurelio klein *

Bad boys & Good boys no esporte de alto nível

O

que parecia ser um mero acidente de trânsito num bairro discreto, com o Cadillac Escalade do número 1 do planeta golfe, Tiger Woods, revelou-se um escândalo de proporções nada discretas. E o que parecia ser um ato de amor de sua mulher, que teria usado um dos tacos do esportista para quebrar um vidro do possante para socorrê-lo, era na verdade o ataque de fúria da esposa que descobre ser traída com um monte de mulheres, cuja lista não para de crescer. As semanas seguintes foram de inferno para o campeão. Além do previsível mea culpa, especulações e as mais variadas reações dos seus muitos patrocinadores, Mr. Woods, segundo a conceituada revista Fortune, foi o primeiro esportista na história a amealhar um bilhão de dólares em patrocínios. A mídia deliciou-se com o assunto, especulando cruelmente sobre a vida privada do astro. Afinal, caíra uma espécie de bastião dos esportistas tidos como bons exemplos de pais e maridos, os Good Boys... E talvez aí resida o principal problema para Tiger Woods, ninguém esperava isto dele. Podemos imaginar nosso Edmundo, também apelidado Bad Boy, numa história desta e não surpreenderia a ninguém. Como

nunca surpreendeu aliás, assim como vários outros, em diversas modalidades. Um desses ídolos emblemáticos foi o atacante George Best (1945-2005), irlândes genial que jogou e encantou no Manchester United na década de 1960 e que é considerado o melhor jogador britânico de todos os tempos, chamado à época de o Quinto Beatle. Best foi o típico Bad

ra ele lidar com as consequências. Seus patrocinadores também têm dificuldades porque não estavam preparadados para tratar com um Tiger Woods Bad Boy, como talvez estivessem para tratar, hoje em dia, com um George Best, explorando adequadamente o lado Bad Boy. Alguns patrocinadores se apressaram em anunciar rompimento de contrato. Talvez estejam apenas aproveitando a oportunidade como “saída” num realinhamento pós-crise de seus investimentos em marketing. Outros esperam para ver como as coisas se acomodam, como o campeão volta e seu público reage. Vale registrar que, sair de um contrato destes não é coisa que possa ser feita facilmente de uma hora para outra, porque grandes empresas têm ações planejadas e contratadas com enorme antecedência, além de brindes e peças em estoque, folhetos e outros materiais impressos em grande quantidade. É bom lembrar que apesar do escândalo e das confissões, Tiger foi escolhido para dois dos mais importantes prêmios no âmbito do golfe e do esporte americano, e que Jim Remy, presidente da PGA (Professional Golfers Association), sentenciou: “Tiger Woods é maior do que o golfe”. C

“Mr. Woods, segundo a conceituada revista Fortune, foi o primeiro esportista na história a amealhar um bilhão de dólares em patrocínios” Boy, sempre envolvido com mulheres, bebidas e todos os excessos que, se imagina, os atletas devam se manter afastados. Best chegou a cumprir oito meses de prisão nos EUA por dirigir embriagado e agredir um policial. Espirituoso, era prato cheio para os tabloides ingleses. Certa vez, disse: “Deixei as mulheres e as bebidas, e estes foram os piores 20 minutos da minha vida”; e noutra ocasião, perguntado como gastara seu dinheiro, respondeu: “Gastei muito dinheiro com bebidas, mulheres e carros velozes, o resto eu desperdicei”. Tiger até então era (ou aparentava ser) o oposto disto tudo, e por isso é difícil pa-

* MARCO AURELIO KLEIN é professor de Marketing da FGV e diretor de Excelência Esportiva no Ministério do Esporte (klein@uol.com.br)

Carreira_19_63_ART_MarcoKlein.indd 63

Carreira&negócios • 63

19/02/2010 20:37:16


Olhar responsável Oportunidade

Elas estão com tudo

Rede varejista reverte porcentagem de suas vendas para projetos de capacitação e renda para mulheres do país por Sílvia Dalpicolo

M

uitas empresas costumam adotar medidas que geram uma série de benefícios aos que mais precisam. Projetos de capacitação profissional são os mais disseminados pelas grandes companhias. E entre as diretrizes de responsabilidade social das Lojas Renner não é diferente. Desde 2008, eles possuem o Instituto Lojas Renner, que direciona o investimento da rede para entidades que oferecem programa de inserção das mulheres no mercado de trabalho. A causa foi definida, com orientação do Instituto para o Desenvolvimento Social (IDIS), a partir de uma enquete realizada em 2007 com mais de 10 mil clientes, sendo 72% do sexo feminino, e teve o endosso de lideranças e colaboradores da rede. “Para a rede, investir na mulher é um caminho natural. Em 1991, a empresa passou por um reposicionamento e definiu a mulher como público-alvo. Mais do que isso, decidiu tornar-se próxima à mulher moderna e, hoje, cerca de 80% dos clientes da rede são do sexo feminino”, afirma a presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Lojas Renner, Clarice Martins Costa.

Presença marcante

Segundo Clarice, a iniciativa de criar um projeto voltado exclusivamente para o público feminino veio do cresci64 • Carreira&negócios

Carreira_19_64-65_Olhar_responsavel.indd 64

19/02/2010 20:45:20


Objetivos do programa O programa passa por três etapas: • Educação e formação profissional – um conjunto de ações criadas e organizadas para dar às mulheres acesso a conhecimentos, tecnologias e vivências necessárias para sua inserção no mercado de trabalho. A rede realiza a campanha “Mais Eu”, em que 5% das vendas são revertidas para o programa social

mento nos últimos anos da participação da mulher em todos os segmentos da sociedade. Um exemplo são os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), que aponta que o número de mulheres que chefiam famílias cresceu 79% em dez anos, passando de 10,3 milhões em 1996, para 18,5 milhões em 2006. Outro fator que teve peso na decisão foi o aumento da presença feminina no mercado de trabalho. Somente nas lojas da rede, dos 10 mil colaboradores, 60% são mulheres, e mais de 50% delas exercem funções de liderança. “É neste contexto de uma sociedade mais democrática que o Instituto Lojas Renner se insere para capacitar e promover a geração de renda para as mulheres”, esclarece Clarice, que completa, “acreditamos que ao eleger a inserção da mulher no mercado de trabalho como causa prioritária para o investimento social da Companhia, estamos contribuindo para a melhoria da sociedade como um todo”.

Acreditamos que ao eleger a inserção da mulher no mercado de trabalho como causa prioritária para o investimento social da Companhia, estamos contribuindo para a melhoria da sociedade como um todo” Clarice Martins Costa, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Lojas Renner

Vendas do bem

O subsídio do projeto vem da campanha “Mais Eu”, que acontece anu-

• Empreendedorismo econômico e geração de renda – ações voltadas para mulheres que, por motivos específicos, têm mais dificuldade de acesso ao mercado formal, habilitando-as para trabalhos remunerados autônomos. • Inserção no mercado de trabalho – orientação e apoio à mulher, para facilitar o acesso às informações sobre o mercado, identificar oportunidades de emprego e trabalho e preparar para o processo de seleção.

almente em todas as unidades da rede varejista no país, no qual 5% da renda adquirida é revertida para o programa social. Para se ter ideia do sucesso da iniciativa, na edição passada, que aconteceu entre 10 e 13 de agosto, o valor arrecadado foi de pouco mais de R$ 850 mil. Este resultado foi 13,6% superior ao do primeiro ano da campanha, realizado em 2008 e que contribuiu para 11 projetos de capacitação e geração de renda de sete Estados. O balanço final foi de 1.700 mulheres beneficiadas. Para este ano, os números só tendem a subir. Serão R$ 900 mil destinados a 18 projetos. “O resultado da segunda edição superou nossas expectativas com relação ao número e à qualidade dos projetos apresentados, assim como ao valor arrecadado durante a campanha. Tivemos um incremento de 64% na quantidade de projetos selecionados pelo Instituto Lojas Renner. Com isso, pudemos ampliar o número de mulheres apoiadas”, afirma a diretora de Marketing da entidade, Luciane Franciscone. C Carreira&negócios • 65

Carreira_19_64-65_Olhar_responsavel.indd 65

19/02/2010 20:45:21


Executivo.com

E-learning

Ensino do futuro Ferramenta para treinamento on-line já é realidade nas empresas brasileiras pela facilidade e redução de custos

66 • Carreira&negócios

Carreira_19_66_67_Executivo.indd 66

22/02/2010 16:44:28


O QuickLessons foi desenvolvido para o mercado de rapid e-learning, que está em crescimento avançado, e permite que qualquer usuário, sem conhecimentos de programação ou design, crie cursos on-line de qualidade profissional de forma rápida e fácil” Fabio Barcellos, sócio-diretor da Affero

O

conceito de e-learning tem se propagado pelas empresas como uma maneira rápida e eficaz de treinar seus funcionários para diversos tipos de funções. Ele surgiu nos Estados Unidos em 1997 e por aqui em 1999. Mas foi somente em 2000 que mostrou que veio para ficar, e desde então, o número de adeptos só cresce. Dois dos motivos mais relevantes para este boom são a otimização de custos que o sistema proporciona às corporações e o conhecimento em tempo hábil. Vendo este como um novo nicho a ser explorado, a então QuickMind, após fusão com as empresas Eduweb e Milestone, que hoje formam o grupo Affero, criou o QuickLessons. A ferramenta utiliza o conceito de solução “nas nuvens”, termo usado para a nova geração dos aplicativos que podem ser acessados de qualquer computador com conexão à Internet.

Tendência

“O QuickLessons foi desenvolvido para o mercado de rapid e-learning, que está em crescimento avançado, e permite que qualquer usuário, sem conhecimentos de programação ou design, crie cursos on-line de qualidade profissional de forma rápida e fácil”, explica o sócio-diretor da Affero, Fabio Barcellos. O software, segundo executivo, ainda conta com diversos modelos de telas e elementos instrucionais pré-fabricados para diferentes finalidades de ensino. Essa estrutura permite que as aulas sejam montadas com a combinação de hipertexto e imagens, vídeos, áudios, animações, personagens, e outros elementos que favoreçam o aprendizado interativo e a distância. “Seu custo total de propriedade (TCO) também é muito menor, pois

não requer investimentos em infraestrutura de servidores, bancos de dados, manutenção e atualizações”, comenta o executivo.

Máxima utilidade

Direcionado tanto para empresas quanto para instituições de ensino, QuickLessons pode ser usado para o desenvolvimento de cursos de diversos temas. O sistema é criado dependendo da necessidade de cada cliente – pode ser usado, por exemplo, para acelerar o lançamento de novos produtos, treinamento de normas e compliance, uso de sistemas, melhores práticas gerenciais e processos ligados ao negócio. Outras finalidades da ferramenta são para temas ligados à saúde, meio ambiente e sustentabilidade. “A partir da experiência em muitos projetos de desenvolvimento de cursos on-line personalizados para gran-

des clientes, percebeu-se a oportunidade de oferecer uma plataforma que pudesse ser usada pelos próprios especialistas nos temas dos cursos para reduzir tempo e custos de produção. Eles precisavam de uma opção que também fosse muito fácil de usar e, ao mesmo tempo, favorecesse a aplicação de melhores práticas educacionais, de bons recursos visuais e de alta interatividade para a produção de cursos de qualidade profissional”, explica Barcellos. Para implantar a ferramenta de elearning na corporação é bastante simples. O cliente precisa apenas de logins e senhas para acesso seguro ao QuickLessons, a partir de qualquer computador conectado à Internet. Um treinamento de um dia, que pode ser aplicado on-line ou em sala de aula, assegura a rápida adoção por parte dos usuários autores de conteúdo.

Em toda parte

Vantagens do e-learning • Redução de custos • Maior número de colaboradores aptos com menos tempo de treinamento • Padrão no material ensinado • Conteúdo sempre disponível para consulta • Adaptação fácil a outras tecnologias • Acesso às aulas em qualquer computador que possua Internet • Flexibilidade de tempo • Ritmo de ensino imposto pelo próprio aluno

No Brasil, o software da Affero já é usado por mais de 40 clientes. Dentre os que fazem uso dele estão grandes empresas como a Vale, BR Distribuidora, Transpetro, SulAmérica, Porto Seguro, Contax, Sky, Sanofi Aventis, Lojas Americanas, Casas Pernambucanas e CPFL Energia. Pelo mundo, o produto já é comercializado nos Estados Unidos há pouco mais de 10 meses, com o nome de QuickLessons LLC. No final do ano passado, durante a principal conferência de e-learning do globo, o Online Educa Berlin, a empresa fechou parceria para distribuir a ferramenta para mais 18 países, entre eles Reino Unido, Alemanha, Espanha, Dinamarca, Holanda, Suécia, Noruega, Grécia, Índia, México, Chile, Colômbia, Argentina, África do Sul e outros países africanos. C Carreira&negócios • 67

Carreira_19_66_67_Executivo.indd 67

22/02/2010 16:44:28


Em sala

Artigo

Escolher o caminho mais fácil

não é a solução Redução de jornada de trabalho ainda tramita no Congresso e já gera dúvidas sobre a abertura de mais postos de trabalho

por Ruy Cortez de Oliveira* 68 • Carreira&negócios

Carreira_19_68_70_EmSala.indd 68

19/02/2010 21:03:58


A

s discussões sobre a carga tributária e o peso dos encargos trabalhistas praticados no Brasil sempre remetem a uma reflexão sobre o nível competitivo das empresas e lançam dúvidas quanto aos impactos das mudanças sociais no avanço produtivo e tecnológico do país. Analisar essas questões não é tarefa fácil. Exige pesquisa, observação, disposição para ampliar o olhar – evitando-se a tendência de avaliar a questão de forma unilateral –, além do difícil exercício de despirse de ideias preconcebidas. Aquecendo o debate dessas questões, temos a Proposta de Emenda Constitucional – a PEC 231/95 – que sugere a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Tramitando no Congresso há 15 anos, em meados do ano passado, a proposta foi aprovada por unanimidade na Comissão Especial. Agora, aguarda votação, em dois turnos, no plenário da Câmara dos Deputados, em que precisa alcançar o mínimo de 308 votos a favor. Se aprovada, a PEC 321/95 segue para discussão e votação no Senado Federal. A pergunta que está na pauta, tanto das entidades patronais quanto das que representam os trabalhadores de todo o país, é: se aprovada, acontece o quê? Um lado acredita que a aprovação da medida criará novas vagas no mercado de trabalho; o outro, argumenta que a mudança vai provocar o encarecimento da mão de obra e comprometer o crescimento do país. Como consultor que observa há bastante tempo o mundo empresarial, vejo o momento como uma oportunidade de aprofundarmos a análise sobre o nosso setor produtivo, com visão ampla, seriedade e, claro, disposição para absorver as mudanças necessárias, em diferentes níveis. Mudanças que vão muito além das ideias defendidas na PEC 231/95, que propõe a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o aumento da remu-

neração das horas extras. Não é de hoje que as empresas buscam caminhos para melhorar seu desempenho. Frente à competitividade internacional e para atender à demanda interna, todos os setores intensificaram, nos últimos anos, seus esforços em aumentar produtividade e reduzir custos. Quem despertou para essa necessidade e implantou sistemas consistentes nesse sentido conseguiu enfrentar a crise que atingiu a todos, no último ano, com muito mais fôlego e poder de reação. Assim será com as mudanças previstas pela PEC 231/95, caso seja aprovada. As empresas que tiverem uma gestão mais organizada e seus processos alinhados a uma manufatura enxuta, seja em que segmento for, terão mais facilidade de fazer a transição para a nova jornada de trabalho. A experiência de muitos anos à frente da implementação de projetos apoiados nos conceitos do Kaizen, mostraram-me que em toda empresa ou organização sempre há fontes de desperdícios que corroem boa parte dos resultados de uma operação, seja ela de natureza industrial, comercial ou de prestação de serviços. Para alguns empresários ou gestores, é difícil, em um primeiro momento, identificar onde está o inimigo de sua lucratividade. Ele está oculto em todas as atividades, processos e rotinas que consomem recursos – humanos ou tecnológicos – sem gerar valor. Tudo aquilo pelo qual o seu cliente não está disposto a pagar. Tudo isso é desperdício, e quando diagnosticado e mensurado pode assumir formas assustadoras. Alvo principal da metodologia Kaizen, o combate ao desperdício é, por si só, um meio de aumentar significativamente a produtividade de uma operação e garantir a sobrevida de muitas empresas. Para melhor visualizar, o Kaizen categoriza as fontes de desperdício em sete pontos principais: produção em excesso, espera, transporte de materiais, processa-

mento inadequado, estoque, correção e movimentação de pessoas. Cada um desses desperdícios contamina a boa saúde financeira do seu business. Impor às empresas a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas será fator comprometedor para quem já opera com uma margem grande de perdas, mesmo que este não esteja totalmente consciente do quanto está perdendo. Pressionadas pela necessidade de serem competitivas frente ao mercado internacional e conseguir atender à demanda interna, sem onerar seus custos, muitas empresas vão optar por reprogramar sua operação e ajustar suas equipes a turnos de trabalho que atendam à nova lei. Se mal conduzido, tal processo inevitavelmente vai comprometer sua qualidade e sua produtividade. Em um primeiro momento, o impacto é no caixa da empresa. Em seguida, o resultado pode ser o encerramento de suas atividades e, ao invés de gerar novos empregos, pode provocar o desemprego de muitos.

Sempre é possível fazer mais e melhor

Adequar-se aos novos tempos exige talento e vontade de empreender novas soluções. Preparar-se para o futuro e ter em mente que esse futuro começa agora. Focar a atenção em adotar uma gestão orientada para a produtividade com qualidade, que implemente e estimule uma cultura de combate ao desperdício, envolvendo todos os níveis hierárquicos da organização na manutenção da melhoria contínua, é um caminho seguro e de resultados garantidos. Uma empresa que tenha seus processos bem organizados, que opere com estabilidade e padronização das atividades, que abra espaço para a sugestão e a troca de ideias, dificilmente se desestrutura frente às adversidades e aos novos e constantes desafios de um mundo cada vez mais globalizado. É imprescindível para qualquer

Carreira&negócios ��� 69

Carreira_19_68_70_EmSala.indd 69

19/02/2010 21:03:58


Em sala

Artigo

*Ruy Cortez de Oliveira é diretor geral do Kaizen Institute Brasil

empresa hoje orientar sua gestão para a maximização da produtividade e da rentabilidade. E precisa fazer isso sem aumentar seus custos. Conseguir sobreviver, crescendo efetivamente e mantendo-se alinhado às expectativas dos seus clientes. Para tanto, uma empresa precisa garantir sua produção com qualidade. Mais uma preocupação com as medidas precipitadas ou extremas que a redução da jornada de trabalho pode gerar: o ajuste irregular dos recursos humanos à nova jornada pode comprometer aquilo que uma empresa tem de mais importante, a satisfação e a fidelidade de seus clientes se não conseguir manter sua qualidade e preço. As empresas japonesas, orientadas há décadas para uma metodologia Kaizen, definem qualidade como sendo algo a ser construído e mantido. Não basta inspecionar seus processos de qualidade, é preciso trabalhar na prevenção e eliminação dos erros futuros, evitar os desperdícios e desvios. Ter excelentes níveis de qualidade economiza dinheiro. Se a qualidade for fruto da inspeção, ela custa dinheiro. Ao contrário disso, se uma organização melhora seus produtos e também seus processos, fazendo com que toda uma cadeia de desperdício seja reduzida e, até eliminada, então, a qualidade gera valor. Ou seja, a qualidade produz riqueza. A realidade aponta para a confirmação dessa máxima. Os projetos bem desenvolvidos, com comprometimento de toda a empresa na busca por produções mais enxutas e orientadas para a perda zero, alcançam aumentos de produtividade da ordem de 30% a 50% já nos primeiros seis meses. A médio e curto prazo, um projeto de Lean Manufacturing, uma das ferramentas do Kaizen, retorna para a empresa cerca de 20 dólares para cada um dólar investido no projeto de melhoria contínua. Aliado dos empresários e dos gestores de Recursos Humanos, o Kaizen

não elimina pessoas, elimina erros. Inúmeros casos bem-sucedidos no setor industrial ao longo dos últimos anos retratam a melhoria de qualidade de vida das pessoas envolvidas em uma atividade orientada por esse conceito. Mais eficientes e mais produtivas, as pessoas trabalham mais motivadas e não se estressam com uma rotina frustrada por retrabalhos e sem orientação. Com o tempo, não é nada incomum as pessoas levarem essa prática para suas vidas e buscarem transformar também sua vida extraprofissional em algo que possa ser continuamente melhorado. Em muitos clientes tive a oportunidade de visualizar a evolução de um projeto de processos puramente industriais, realocar profissionais dentro da própria estrutura, permitindo aos gestores de recursos humanos conhecer melhor o potencial de alguns profissionais e apontar com novas perspectivas de crescimento, na própria empresa. Existem dentro das empresas verdadeiros experts que podem ser descobertos.

Encarando o problema de frente

As discussões por conta da redução de jornada de trabalho e de como as empresas vão se ajustar à nova medida, caso seja aprovada, poderia trazer à tona outro vértice do complexo problema de geração de empregos. O momento me parece mais do que propício para que o governo, as lideranças políticas e as entidades de classe discutam meios mais efetivos de alavancar a educação no Brasil e a capacitação profissional em diferentes níveis, setores e regiões. Isso, sim, agrega valor às relações trabalhistas e muda o extrato social de um cidadão. Mais preparados e prontos a contribuir com as demandas que as empresas enfrentam atualmente, muitas pessoas, hoje desempregadas, poderiam ocupar cargos que estão à disposição em todo o país, sem encontrar quem o conquiste. C

70 • Carreira&negócios

Carreira_19_68_70_EmSala.indd 70

19/02/2010 21:04:01


MOTIVAÇÃO&carreira

Artigo

Por luiz marins *

Cinco dicas para ter sucesso em 2010

E

ste ano será muito diferente para o Brasil. Com Copa do Mundo, eleições, aumento de crédito e crescimento econômico, para nós, brasileiros, será um ano atípico. Aqui vão cinco dicas simples para ter sucesso em 2010:

1. Administre bem o tempo Pense na agitação que será 2010, com tantos eventos, feriados em terças-feiras, campanha eleitoral, copa do mundo, etc. Se você não fizer um bom planejamento do tempo terá o dissabor de acabar o ano sem tê-lo visto começar, pois ele, sem dúvida, voará.

lente é essencial. São as pessoas fazendo uso inteligente da modernidade que farão a grande diferença. Sem profissionais competentes ao seu lado será quase impossível vencer os desafios da competitividade em 2010. E se você não os tem, trate de contratar e também de treinar e formar as pessoas que já estejam com você. Não caia na ilusão de querer vencer com pessoas de baixa qualidade.

(b) a verdade em qualquer circunstância; (c) promessas cumpridas; (d) agilidade e rapidez; (e) acompanhamento após a venda. Todo o resto, como preço e condições, é importante, mas não essencial.

5. Tenha e demonstre uma atitude socialmente responsável Cuidar do ambiente, participar da comunidade e ter programas de inclusão social não é moda passageira como muita gente pensa. Da mesma forma é a governança corporativa, o respeito às minorias e o comportamento ético em todas as ações. Sei que estas cinco dicas serão óbvias para alguns e difíceis demais para outros, mas sem tê-las em mente e principalmente sem aplicá-las será difícil ter sucesso neste novo ano que representa novos tempos para o Brasil e para o mundo. Pense nisso. Sucesso! C

“Sem profissionais competentes ao seu lado será quase impossível vencer os desafios da competitividade em 2010”

2. Faça com que a tecnologia trabalhe a seu favor Quem fizer uso inteligente e competente da tecnologia terá muitas vantagens em 2010. Pense em como utilizar melhor e a seu favor a Internet com todos os seus “filhotes”, como Twitter, Messenger, sites interativos, redes sociais (Orkut, Facebook e outros). Não adianta continuar analógico em um mundo cada vez mais digital. Avalie e reavalie como está sua comunicação com seu mercado e clientes e vença a resistência à mudança. Mude antes que seja tarde demais.

4. Faça o que seu cliente realmente deseja Nossas pesquisas mostram que o cliente realmente quer (a) atendimento excelente;

3. Tenha com você as melhores pessoas Lembre-se que, embora o uso da tecnologia seja muito importante, gente exce-

* Luiz Marins é antropólogo, professor e consultor de empresas no Brasil e no exterior. Tem 13 livros e mais de 300 vídeos e DVDs publicados

Carreira_19_71_ART_Marins.indd 71

Carreira&negócios • 71

22/02/2010 17:04:05


HAPPY HOUR Pub

Do Reino Unido para o mundo

Com clima intimista, os pubs tomam conta da cidade de São Paulo e da agenda de entretenimento dos paulistanos

S

ão Paulo é uma das cidades que mais se destacam no mundo por sua oferta de entretenimento. São diversos cinemas, bares, teatros, restaurantes, enfim, uma infinidade de opções para agradar a diversidade que habita o local. E claro que não podem faltar os estabelecimentos temáticos, como casas de culinária oriental e clubes de música cubana. Entre eles, estão os pubs, bastante populares na Inglaterra e na Irlanda, por exemplo, e que caíram de vez no gosto dos paulistanos.

72 • CARREIRA&NEGÓCIOS

Carreira_19_72_73_Happy_Hour.indd 72

22/02/2010 16:45:00


O’Malley’s: inspiração irlandesa e serviços adaptados para o público brasileiro

A palavra “pub” vem de “public house” (casa pública) e é um local para consumo de bebidas alcoólicas. Quando surgiram os primeiros estabelecimentos desse tipo na Inglaterra, eles foram proibidos e, por isso, ficavam localizados embaixo de casas. Aqui no Brasil, muitos locais traduziram o termo “pub” para “taverna”. Geralmente, estes são espaços pequenos, que tornam o clima mais intimista e propício para uma conversa mais informal no final do dia ou até mesmo para tratar de negócios. Seja pelo clima, pela oferta de bebidas estrangeiras ou a música, o fato é que este tipo de local vem sendo muito procurado por públicos de diversas faixas etárias. “Ambientes despretensiosos, música ambiente de qualidade e a atmosfera de amizade que impera no local são os principais chamarizes para o público dos pubs”, indica o proprietário do The Pub, José Evaristo, inaugurado há dois anos.

Sucesso de público

Mas não é de hoje que os pubs surgiram na capital paulista. Um exemplo é que em outubro de 1986, com o nome de Finnegan’s, foi aberto o primeiro pub irlandês de São Paulo. Em 2000, ele mudou o nome para O’Malley’s. “A proposta ainda é oferecer o tipo de entretenimento que na época não se dispunha em São Paulo, sempre melhorando a qualidade de atendimento e produtos e aprimorando a gastronomia”, conta o proprietário do local, Ali Visserman. Apesar de ter como base os estabelecimentos estrangeiros, por aqui, eles ganharam características brasileiras e foram adaptados de acordo com o estilo do público brasileiro. Especialmente na Irlanda, é costume que os frequentadores consumam suas bebidas em pé ou nos balcões. Nos pubs paulistas foram acrescentadas mesas e cadeiras e bancos em pontos estratégicos. “O mais importante diferencial do O’Malley’s é a sala principal com um enorme bar. Não há me-

sas e sim bancos altos para quem estiver sentado ou nos balcões ficarem na mesma altura de quem estiver de pé, facilitando a comunicação. Neste ambiente, quem vem sozinho tem a oportunidade de conhecer pessoas rapidamente”, argumenta. Ainda segundo Visserman, não são apenas os paulistas que frequentam o local, mas também estrangeiros que estão em estadia no País, que encontram nestes ambientes clima mais familiar com sua terra de origem. Outra característica marcante dos pubs é que quem vai procurar por entretenimento nestes locais é um público fiel e que costuma frequentar o local regularmente, o que torna o clima ainda mais íntimo e amigável.

Depois do horário

Tanto no O’Malley’s quanto no The Pub, a boa aceitação é sentida com o aumento do público a cada mês. E já que quanto mais melhor, estes estabelecimentos apostam em promoções para os happy hours. “Sempre temos promoções diferenciadas, cervejas mundiais renomadas e petiscos criativos”, divulga o The Pub. Visserman também coloca suas fichas em benefícios bastante atraentes para o público que costuma dar uma esticada no horário comercial. “Temos preços reduzidos de certas bebidas das 16 às 20 horas e um buffet cortesia de quitutes das 18 às 20 horas, nos dias úteis”, conta. Outra carta na manga do empresário são os telões que exibem campeonatos nacionais e internacionais de futebol, futebol americano, rúgbi, beisebol, basquete, hóquei e críquete, sucesso entre os habitués. Para Evaristo, do The Pub, mais que um negócio, a abertura da casa foi também uma vitória. “Sempre tive vontade de ter um pub, era um assíduo frequentador e um dia virei dono. É um sonho realizado”, comemora e ainda traça planos para o futuro do local. “Estamos ampliando outra parte do pub para acomodar ainda mais pessoas”, entrega. C

ENCONTRE SEU PUB! All Black Irish Pub Endereço: Rua Oscar Freire, 163, Jardins Telefone: (11) 3088-7990 Site: www.allblack.com.br Horário: de segunda a sexta, a partir das 18h; e aos sábados, a partir das 19h All of Jazz Endereço: Rua João Cachoeira, 1366 – Itaim Bibi Telefone: (11) 3849-1345 Site: www.allofjazz.com.br Horário: todos os dias, a partir das 18h Dublin Live Music Endereço: Rua Ministro Jesuino Cardoso, 178 – Vila Olímpia Telefone: (11) 3044-4194 ou 3044-4149 Site: www.dublin.com.br Horário: de terça a sexta, a partir das 18h; aos sábados, a partir das 20h; aos domingos, às 18h O’Malley’s Endereço: Alameda Itu, 1529 – Jardim Paulista Telefone: (11) 3086-0780 Site: www.omalleysbar.net Horário: todos os dias, a partir das 12h The Pub Endereço: Rua Augusta, 576 - Consolação Telefone: (11) 3084-3894 Site: www.thepubaugusta.com.br Horário: todos os dias, a partir das 18h The Blue Pub Endereço: Alameda Ribeirão Preto, 384 - Jardins Telefone: (11) 3284-8338 Site: www.thebluepub.com.br Horário: de segunda a sábado, a partir das 18h

CARREIRA&NEGÓCIOS • 73

Carreira_19_72_73_Happy_Hour.indd 73

22/02/2010 16:45:06


CONVERSA AFINADA Artigo

Gestão

descentralizada Este modelo dá certo? POR Tatsumi Roberto Ebina e José Luiz C. A. Negrini *

E

is um tema que merece destaque na agenda de empresários, gestores (principalmente de RH) e profissionais, de modo geral, neste acordar de 2010. Serão sustentáveis as organizações que mantiverem uma estrutura de pelo menos cinco a seis níveis de liderança para comandar uma operação? Continuaremos a repetir crise após crise as mesmas decisões? Será que não conseguimos aprender nada com elas? As pessoas são realmente importantes nas organizações? Os princípios e valores que as empresas pregam são para valer? É possível criar mecanismos mais simples e produtivos de gestão? O exemplo em rede pode realmente funcionar? As empresas de maior sucesso e crescimento, no mundo, têm sido aquelas que aprenderam a trabalhar num cenário de incertezas (“quando eu sabia todas as respostas, muda-

ram todas as perguntas”, pichação de rua in Carlos Eduardo Lacaz), assumem riscos e dão respostas rápidas, eficientes e criativas aos desafios de um mundo em permanente mutação. Para tanto, trabalham no sentido de empoderar as pessoas, em todos os níveis e posições, de modo que elas realizem suas atividades com o máximo de sua capacidade, responsabilidade e autonomia, alinhadas em torno de uma visão e de uma missão compartilhadas tendo objetivos comuns como foco. Neste ambiente, todos sabem para onde vão, porque vão (quais as vantagens), quanto tempo têm para chegar e como chegarão lá. Todos se sentem comprometidos com os resultados e trabalham para realizar as próprias metas, as quais são relativas e não fixas como no modelo de comando e controle, ao mesmo tempo em que contribuem para que todos os demais cumpram as

suas. Atuam em time, praticam o espírito de equipe, sem melindres ou constrangimentos, e alcançam a alta performance que assegura a superação e perpetuação da organização. Os velhos modelos do “manda quem pode, obedece quem tem juízo” e do “faça tudo como seu mestre mandar” não têm mais espaço nas organizações “antenadas” com o seu tempo e preocupadas com o mercado, a produtividade, a qualidade e a inovação/ renovação/reinvenção permanente do seu jeito de fazer, dos seus produtos e serviços, do seu relacionamento com os clientes, os fornecedores e a comunidade. Vale o mesmo para o modelo paternalista das metas frouxas e pouco desafiantes, do passar a mão na cabeça, do proteger as pessoas no lugar de desafiá-las. Vale agora o modelo de gestão que tem líderes em vez “chefes”, que privilegia a participação do colaborador

74 • CARREIRA&NEGÓCIOS

Carreira_19_74-75_ConversaAfinada.indd 74

22/02/2010 11:04:53


A Muttare tem observado em seus clientes que passaram a atuar dentro do modelo descentralizado ótimos resultados. Antes mesmo de concluir o processo, já se observa crescimento em produtividade acima de 40%, redução

nas decisões, tem foco no seu aperfeiçoamento e desenvolvimento profissional, lhe dá poder para que atue com independência e responsabilidade, respondendo pelas suas decisões. As práticas de ordem agora são: respeito à diversidade, desenvolvimento e aproveitamento do potencial existente na empresa, envolvimento, participação e compromisso com uma cultura de inovação e criatividade, valorização efetiva do valor agregado pelas pessoas, ao trabalho em equipe, à busca permanente da alta performance. Para tanto, o ingrediente mais significativo é a manutenção de um ambiente que possibilite o máximo de participação, de informação, de experimentação, de ampliação de conhecimento e de desafio, de compartilhamento, com o máximo de reconhecimento pela performance diferenciada (meritocracia), do que decorre a garra, o compromisso, o foco em resultados cada vez melhores,

o espírito de equipe. As atribuições e responsabilidades de um gestor ganham nova e nobre dimensão: deixam os controles em segundo plano, porque eles perdem o sentido e passam a ser líderes inspiradores e coaches, gerando um ambiente de entendimento, confiança e compromisso. Significa abrirem mão da autoridade e sentirem-se mais um membro da equipe; abrirem e manterem fóruns de debate, compartilhamento, geração de novas ideias; desenharem horizontes e estratégias; zelarem pela visão e missão da empresa; proporem metas desafiantes; estimularem inovações e mudanças; desenvolverem a cultura do feedback; prepararem, desenvolverem e orientarem os profissionais da sua equipe; reconhecerem e recompensarem os resultados do trabalho em equipe. O paradigma que vem com o modelo de gestão descentralizada é que não

*TATSUMI ROBERTO EBINA E JOSÉ LUIZ COSTA AGUIAR NEGRINI (in memoriam) – consultores da Muttare Consultoria de Gestão S/C Ltda.

Carreira_19_74-75_ConversaAfinada.indd 75

de desperdício (perdas e retrabalho) a quase zero e crescimento do faturamento em mais de 20%. Por isso, o maior desafio agora é se desapegar do modelo de comando e controle e assumir o desafio da mudança, fazer o certo!

existem mais diferenças hierárquicas, e sim de atribuições e responsabilidades de pessoas que agregam valor à empresa. Alguém em posição diferenciada só se justifica se fizer parte da equipe, desempenhar papel de líder e atuar no sentido de formar, desenvolver e orientar cada um, promovendo a sinergia entre todos e buscando a alta performance. E o conjunto dos líderes da organização atua como cadeia de ajuda, assegurando que as dificuldades sejam superadas e o modelo de gestão preservado e aperfeiçoado. Caros leitores, pode ser que, para vocês, o que falamos não seja novidade. Mas a transformação provém da ação e não somente do conhecimento. Queremos convidá-los a praticar e não apenas a refletir sobre o assunto. Convidamos a todos para lerem o livro “Liderando com metas flexíveis”, de Niels Pfläeging, editora Bookman, nosso parceiro em implantação de modelos descentralizados. C CARREIRA&NEGÓCIOS • 75

22/02/2010 11:04:56


Carreira

Teste

Você sabe como dar uma

guinada em sua carreira? Por Christianne S. Xavier*

76 • Carreira&negócios

Carreira_19_76_77_Teste.indd 76

22/02/2010 16:54:45


S

omente quando profissionais com sólida experiência profissional se veem em frente a um comunicado de demissão que começam a ter a percepção de como está o mercado e o que fizeram ou deixaram de fazer com sua carreira. É comum ver profissionais que, por certa dose de acomodação, não souberam aproveitar as oportunidades que lhe eram dadas. Deixaram de investir em si mesmos, na sua atualização profissional e no desenvolvimento de competências necessárias a um cargo futuro. No teste abaixo, você pode avaliar o quanto anda sua empregabilidade, fazer uma leitura do seu cenário atual e ter elementos para dar uma guinada na sua carreira em 2010.

1.

2.

3.

4.

5.

Dentro da sua área de atuação, você tem avaliado bons cursos de formação e/ou especialização que estejam dentro do seu orçamento? a ( ) Sim, recentemente concluí meu curso ou estou cursando. b ( ) Curso para quê? Aqui dentro da empresa não será necessário.

b ( ) Entendo a importância, mas não tenho o hábito de pedir um feedback franco e pontual.

6.

Tem buscado aprimorar outro idioma? a ( ) Sim, estou com nível avançado/fluente. b ( ) Curso para quê? Aqui dentro da empresa não será necessário. Participa e/ou lidera projetos dentro do seu emprego atual? a ( ) Participo ativamente e sempre estou envolvido nos principais projetos. b ( ) Não tenho sido convidado a participar de projetos. Entende como e quando deve se posicionar no mercado e conseguir novas oportunidades? a ( ) Estou estável no cargo e sempre tive crescimentos na carreira, dentro da mesma empresa e/ou em outras. b ( ) Estou há muitos anos na mesma empresa e no mesmo cargo. Busca um feedback e aprende com ele? a ( ) Sou aberto e receptivo ao feedback e busco aprender com ele. Ou no mínino, entender que devo fazer algo para reverter a percepção do outro.

*CHRISTIANNE SAUÁ XAVIER é diretora associada da Korum Transição de Carreira

Carreira_19_76_77_Teste.indd 77

7.

8.

9.

Analisa possibilidades dentro do seu atual emprego e requisitos de um cargo futuro? a ( ) Tenho conversas sobre carreira com meu gestor e busco entender as possibilidades existentes e requisitos necessários de um cargo futuro. b ( ) Na empresa que trabalho não vejo possibilidade e perspectivas de carreira. Tem analisado como está seu currículo e área de atuação? a ( ) Meu currículo é competitivo e minha área de atuação tem forte ou baixa demanda. b ( ) Meu currículo é pouco competitivo e minha área de atuação tem baixa demanda. Constrói padrões adequados de comportamento através de uma base de relacionamentos pessoal e profissional (marketing pessoal)? a ( ) Sempre estou em crédito com as pessoas, costumo divulgar minhas ideias e desenvolvo alianças estratégicas com clientes e fornecedores. b ( ) Não tenho o hábito de me expor e nem de divulgar meu trabalho. Como anda sua rede de contatos, desenvolvimento e/ou

manutenção de alianças e novos relacionamentos profissionais? a ( ) Participo de associação de classe, escrevo artigos, dou aulas, feiras, eventos e congressos. Desenvolvo e mantenho relacionamento profissional com facilidade. b ( ) Minha rede hoje se limita a meus colegas de trabalho.

10. Tem uma vida pessoal equilibrada, um bom controle emocional e referências positivas? a ( ) Trabalho meu desenvolvimento pessoal, tenho referências positivas de meus ex-empregadores. b ( ) Preciso trabalhar mais minha inteligência emocional e não sei o que iriam dizer sobre mim.

Resultados: Some os pontos que alcançou no teste de acordo com a tabela abaixo: Pontos A

B

2

1

ATÉ 10 Você precisa buscar um aconselhamento profissional, rever sua trajetória de carreira, buscar uma nova formação. Não desista. Só você pode mudar isto.

DE 10 A 15 Continue a investir em si próprio, solicite mais feedbacks e busque se desenvolver com eles. Trace e persiga seus objetivos de carreira.

MAIS DE 15 Parabéns! Você entende que não existe sucesso sem sacrifícios. Com calma e estratégia, haverá boas oportunidades para você.

Carreira&negóCios • 77

22/02/2010 16:54:46


SINAPSE Livros Teoria&prática

Vender bem e sempre

Título: As 7 descobertas para construir uma poderosa máquina de vendas Autor: José Luiz Tejon e Edílson Lopes Editora: Gente Páginas: 160 Preço: R$ 39,90*

78 • CARREIRA&NEGÓCIOS

CAR19_Sinapse_78-81.indd 78

A dinâmica de vendas acontece na vida de todos, mais para aqueles que não atuam nesta área. A todo o momento precisamos vender uma ideia, um conceito, uma atitude ou nos vender como profissionais. E com o passar do tempo, esta arte precisa ser renovada. Baseando-se nas novas maneiras de exercê-la que foi escrito o livro “As 7 descobertas para construir uma poderosa máquina de vendas”, de José Luiz Tejon e Edílson Lopes. As experiências profissionais bem-sucedidas dos autores servem de pano de fundo para a obra. É, portanto, com autoridade que discorrem detalhadamente sobre vendas – ou como vender. “A máquina de vendas exige a compreensão humana. Vontades, desejos, sonhos, ilusões, frustrações, utopias, necessidades percebidas ou não”. Venda é também, segundo eles, “o resultado de um processo mental, de atitudes e aptidões. Da canalização das energias”. Assim, ensinam que para se montar uma máquina que realmente funcione e que dê ou até supere os resultados esperados,

é preciso seguir todos os passos minuciosamente descritos nas sete descobertas. O passo inicial é a mensuração, seguida de treinamento, que é o preparo do vendedor, por meio do conhecimento. A persistência para ter treinamento constante, permanente e diário da sua máquina de vendas é apontada pelo livro como a quarta descoberta. A quinta está ligada à estratégia de envolver totalmente o vendedor nos objetivos da empresa. Já as últimas descobertas são criar e, ao final de todo o processo, vangloriar-se com o sucesso do resultado. No final das sete descobertas, os autores recomendam que o leitor faça uma avaliação atenta de cada detalhe destas chaves para construir uma poderosa máquina de vendas. Para fechar, eles dão uma dica considerada fundamental no processo de vendas: “Tudo nasce antes, dentro de cada um de nós. Sem o criador e o construtor, não poderá haver a máquina. Ela precisa ser despertada na paixão, no espírito e no coração. Só depois chegamos ao cérebro”.

* Valores consultados em fevereiro

22/02/2010 16:49:03


Teoria&prática

sua biblioteca empresarial

Estratégia tecnológica

Título: Será que TI é tudo? Autor: Nicholas G. Carr Editora: Gente Páginas: 208 Preço: R$ 59,90*

Com a era tecnológica que vivemos, as empresas sentem cada vez mais a pressão por estar dentro deste tempo, e muitas investem pesado em TI. Mas será mesmo necessário este tipo de investimento sempre? Nicholas Carr, considerado um guru americano no assunto, afirma que a TI não apresenta maior valor estratégico para as organizações; tornou-se commodity como a energia elétrica e as estradas de ferro e deixou de ser fator crucial na briga com a concorrência. “As empresas continuam a fazer investimentos em TI no escuro, sem uma compreensão conceitual clara do impacto estratégico e financeiro final”, afirma Carr.

Organize seu tempo

Para quem tem a impressão de que o dia não rende ou não consegue estabelecer o tempo de execução das atividades porque não consegue administrar as horas, esta obra ensina como ganhar algum tempo e ainda concluir todas as obrigações com eficácia. O livro gira em torno da história de um executivo de negócios que resolve seguir seu sonho de conhecer Paris, e se vê envolvido em uma trama de mistério e suspense com uma linda e misteriosa mulher, um motorista de táxi, uma florista e um carro com instinto assassino.

Título: A Essência do Tempo Autor: Floriano Ferreira Junior Editora: Clube dos Autores Páginas: 96 Preço: R$ 33,44*

Agregando valores

Título: Liderança Baseada em Valores – Caminhos para a Ação em Cenários Complexos e Imprevisíveis Autor: Angela Fleury, João R. Lafraia, Kedma Nascimento, Paulo Vieira, Reivle Nascimento, Ricardo Guimarães e Sérgio Cavalieri Orgs.: Carmen Migueles e Marco T. Zanini Editora: Campus-Elsevier Páginas: 208 Preço: R$ 49,90*

A obra discute os fatores que diferenciam as organizações e os caminhos para a construção da sustentabilidade econômica, social, ambiental e ética. Segundo os autores do livro, o grande desafio hoje, nesta nova ordem global, é a necessidade de cooperar, integrar e produzir valores não só para as organizações, mas também na sociedade. E, nesse sentido, a liderança desempenha papel de suma importância para uma atuação coordenada e diferente em situações imprevisíveis.

Modelo de economia

A China tem sua economia cada vez mais fortalecida e destacada. Prova disso é que ela ocupa a 3ª posição entre as grandes potências mundiais. Neste cenário, a jornalista Eliana Marques aborda o crescimento do país e faz um paralelo entre a explosão da economia brasileira na virada da década de 1970 e a chinesa nos últimos 30 anos, relacionando os fatores que levaram ambas aos respectivos resultados positivos.

Título: O Milagre Econômico da China – Paralelo entre o crescimento brasileiro e o chinês Autor: Eliana Marques Editora: Saint Paul Páginas: 104 Preço: R$ 29,90* * Valores consultados em fevereiro CARREIRA&NEGÓCIOS • 79

CAR19_Sinapse_78-81.indd 79

22/02/2010 16:49:07


SINAPSE DVD filmes para uma reflexão corporativa, por Myrna Silveira Brandão *

A Voz do Coração

DO QUE SE TRATA?

QUAL A RELAÇÃO?

FIQUE ATENTO!

Na década de 1940, Clément Mathieu, um músico frustrado, vai trabalhar em um internato dirigido pelo autoritário Rachin. Mesmo cercado por crianças consideradas problemáticas, ele tenta romper barreiras com a música e transformar a vida daqueles meninos. A história é revivida pelo maestro Pierre Morhange, que graças a Mathieu, teve seus dotes musicais revelados.

O filme possibilita uma reflexão sobre o desafio da educação principalmente em contextos sociais adversos. Numa transposição para o mundo corporativo enseja um profícuo debate sobre os programas de desenvolvimento e sua adequação a cada realidade, evidenciando a necessidade de privilegiar o estilo humanista sem perder de vista o propósito educativo.

Ao nome do internato, o que dá uma perfeita dimensão de sua realidade. O filme concorreu ao Oscar de melhor produção estrangeira. O maestro Morhange – que relembra a própria infância quando retorna à sua cidade natal e encontra o diário do seu antigo professor – é claramente inspirado no personagem do famoso “Cinema Paradiso”.

DO QUE SE TRATA?

QUAL A RELAÇÃO?

FIQUE ATENTO!

Em 1974, o artista circense Phillippe Petit arriscou a vida para atravessar, a 410 metros de altura, o vão entre dois prédios, se equilibrando num arame. Ele burlou a segurança, passou um cabo de aço entre duas torres e, à luz do dia, fez a travessia. O documentário mostra cenas da época com atores encenando o plano arquitetado por Petit.

Aspectos do cotidiano organizacional e suscita questionamentos, tais como: Petit pôs um sonho em prática ou foi irresponsável? Vale tudo para realizar um ideal, mesmo passar por cima de aspectos legais? Por que alguns seres humanos são mais determinados e autoconfiantes que outros? Até onde deve ir o limite da assunção de riscos no mundo corporativo?

Ao fato de que os próprios entrevistados admitiram que legalmente o plano de Petit não teria sido concretizado. As torres são as do WTC, as mesmas que viriam a ser destruídas no atentado de 11 de setembro. Vale também uma reflexão se o sucesso do filme, vencedor do Oscar de melhor documentário, seria o mesmo, caso as torres fossem outras.

DIVULGAÇÃO

Título: A Voz do Coração (Les Choristes) Direção: Christophe Barratier Ano: 2004 Gênero: Drama Duração: 95 minutos

O Equilibrista

DIVULGAÇÃO

Título: O Equilibrista (Man on Wire) Direção: James Marsh Ano: 2008 Gênero: Documentário Duração: 93 minutos

80 • CARREIRA&NEGÓCIOS

CAR19_Sinapse_78-81.indd 80

* MYRNA SILVEIRA BRANDÃO é administradora, jornalista e crítica de cinema – diretora cultural da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro (ABRH-RJ) e autora do livro “Luz, Câmera, Gestão – A Arte do Cinema na Arte de Gerir Pessoas” – Editora Qualitymark

22/02/2010 16:49:11


SINAPSE TV

Seu dinheiro de maneira simples Programa: Educação Financeira Emissora: TV Cultura – canal 2 Horário: sábados, às 10h15 www.tveducacaofinanceira.com.br

Programa traduz o universo econômico para o público e ensina técnicas de educação financeira

P

ara ter uma vida financeira saudável é preciso saber usar seu dinheiro. E este é um dos grandes problemas dos brasileiros hoje em dia. É preciso ter planejamento do recebimento e dos gastos, ou seja, educação financeira. E com o objetivo de ajudar nesta tarefa o BM&FBOVESPA, em parceria com a TV Cultura, criou o programa Educação Financeira, para popularizar os complexos conceitos relacionados a economia, finanças pessoais e investimentos em geral. Alguns dos temas abordados na grade de programação são calcular o orçamento familiar, como iniciar a aplicação em ações da Bolsa de Valores e prever o rumo do mercado financeiro, que são de difícil entendimento para a maioria das pessoas. Até agora já foram realizadas duas temporadas do programa, que tem duração de 12 minutos. A cada episódio, um tema é tratado e discutido, utilizan-

do os exemplos do cotidiano do brasileiro. Outras pautas que são abordadas ao longo da programação são bastante conhecidas pela população, como endividamento, aposentadoria, educação dos filhos, compra da casa própria, poupança, CDB, Tesouro Direto, ações e mercado futuro, entre outros. A apresentação é da jornalista Denise Chahestian, que traduz o conteúdo das finanças pessoais de forma clara e objetiva para o bom entendimento do público. Além do programa exibido na TV Cultura, o público também tem à disposição um site com dicas de finanças pessoais, enquetes sobre o assunto discutido na semana, para interação e vídeos das edições exibidas anteriormente, para quem perdeu algum episódio ou quer rever um tema em especial. Paulo Markun, presidente da Fundação Padre Anchieta, acredita que esta iniciativa é importante para

os brasileiros, já que amplia os conteúdos educacionais disponíveis na rede de televisão e simplifica os assuntos financeiros para o público, que muitas vezes fazem parte do seu cotidiano, mas que não são completamente entendidos. “O Educação Financeira vai além de formar investidores, visando educar e oferecer capacitação em temas econômicos”, afirma. “O programa vai destrinchar assuntos tidos como complicados, sem apelar para a superficialidade”. Para Edemir Pinto, diretor-presidente da BM&F Bovespa, coprodutora do programa, o Educação Financeira é uma das iniciativas mais importantes criadas pela instituição nos últimos anos. “A Bovespa sempre teve como meta o investimento em educação e para nós é um orgulho ter a TV Cultura como parceira. O projeto passa a ter uma visibilidade maior por meio da exibição da emissora”. CARREIRA&NEGÓCIOS • 81

CAR19_Sinapse_78-81.indd 81

22/02/2010 16:49:17


Fecha Aspas Plástica

O oposto A

s oportunidades aparecem para quem está aberto a elas. Um dia, pode-se estar fazendo determinada atividade ou atuar em certo ramo e, por estar na hora e lugar certos, pode haver uma guinada para outro rumo. É mais ou menos por este caminho que pode ser resumida a história da sócia-diretora da Silimed, Margaret Figueiredo. Hoje, sua empresa é a única produtora de implantes de silicone no Brasil e América Latina. Mas antes de iniciar esta história, Margaret era intérprete, e tudo mudou quando ela foi apresentada a um grupo de franceses que estava de passagem pelo país, justamente para iniciar as negociações de vendas de implantes por aqui. Este poderia ser apenas mais um trabalho de tradução e interpretação, mas a empresária vislumbrou uma oportunidade bastante promissora. Carreira&Negócios (C&N): Como surgiu a empresa? Em 1978 fui apresentada a um grupo de executivos franceses que esta-

que deu certo

vam com a ideia de abrir uma filial de vendas de seus implantes no Rio de Janeiro. Logo, eles desistiram do negócio ao vasculharem o mercado e descobrirem que a moda na época era diminuir os seios e não aumentá-los. Eu, no entanto, acreditei na ideia e achei que podia dar certo. Convenci os executivos a ficarem e confiarem que eu poderia tocar um escritório de representação da marca Silicone Medicale. Mais tarde, junteime a um sócio francês residente no Brasil, Antoine Robert, e dois anos depois, fechamos o escritório e abrimos a única fábrica de silicone na América Latina. Apaixonei-me pela cirurgia plástica brasileira e, seguindo os médicos mundo afora em congressos em que eram convidados a falar, em 1982, iniciamos as exportações. A Silimed hoje é a terceira maior fabricante de próteses de silicone do mundo e estamos presentes em mais de 60 países. C&N: Por que apostar em uma empresa de implante quando, na época, a moda era a redução dos seios? A Silimed nasceu do desafio, numa época em que o número de cirurgias para aumento de mama totalizava apenas 10% das plásticas. A líder mundial de vendas de implantes era uma multinacional americana presente no Brasil e conhecida por todos os cirurgiões. O primeiro desafio foi ganhar a confiança dos clientes dessa multinacional. O segundo, crescer

Marcos Pinto

Na época em que a moda era fazer redução dos seios, uma intérprete apostou em uma empresa de próteses de silicone

sem chamar a atenção do concorrente e, quando passamos a chamar a atenção, resistir a todas as ações para nos neutralizar. Uma das grandes dificuldades de um empreendedor é nunca deixar de acreditar em seu sonho, apesar de hostilidade e dificuldades. Além disso, é preciso investir sempre na credibilidade junto ao mercado. Hoje, o Brasil é o segundo país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo e dita para o mundo as tendências, não só na questão técnica, mas no uso do melhor implante para cada indicação, por isso é preciso inovar sempre. C

82 • Carreira&negócios

Carreira_19_82_83_Fecha Aspas.indd 82

22/02/2010 16:17:43


A Carreira_19_82_83_Fecha Aspas.indd 83

22/02/2010 16:17:43


Carreira 19