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Disp. e Tradução: Rachael Revisora Inicial: Marcia Revisora Final: Rachael Formatação: Rachael Logo/Arte: Dyllan

Um exonerado Ranger do exército, Ben considera seu trabalho como guarda de segurança do clube BDSM um excelente passatempo. Ele nunca tinha ficado tentado a se juntar. Mas tudo muda quando a notória Mistress Anne revela inadvertidamente o coração carinhoso escondido debaixo de sua armadura de Domme. Agora, ele tinha voltado suas atenções para a bela Mistress do Shadowlands. Talvez ele tivesse se considerado baunilha, mas ela podia colocar um estilete em seu peito a qualquer dia, a qualquer hora. Ele confiava naquelas mãos delicadas para manter seu coração. E se ela quisesse chicotear sua bunda no caminho para um clímax excepcional, ele estava bem com isso também. Claro, ele sabe que ela gosta de escravos “meninos bonitos”. E ele é mais velho. Íngreme e áspero. E media um metro e noventa e cinco centímetros. Pequenos obstáculos. A missão estava em movimento.

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Revisoras Comentam...

Marcia: Como ainda estou em subespaço depois de terminar a revisão desse livro maravilhoso, só posso dizer a vc que está indo ler essa história que: A Anne com certeza é o pior pesadelo de qualquer machista... e o Bem, oohhhh o Ben, com certeza é o sonho de consumo de qualquer Mistress, submissa e certamente nós pobres mortais.... Querida, se prepare, vc vai tremer... Boa Leitura! Rachael: É incrível podermos acompanhar toda a evolução dos personagens e percebermos que eles se tornaram pessoas fantásticas. Quando conheci a Mistress Anne eu acreditava que ela era invencível, mas eu só comecei a enxergar ela como pessoa no livro do Jake e da Raine. Quando iniciei essa revisão eu tinha certeza que esse seria um dos livros mais incríveis que eu iria ler esse ano e vocês podem ter certeza que acertei. Quando pensamos na Anne e no Ben juntos logo vem na cabeça que eles não darão certo e por incrível que pareça os amigos incomuns também defendem essa tese, afinal de contas a Anne ama infringir a dor em seus subs e o Ben não é um sub. Será mesmo? Tudo o que sabemos sobre as pessoas está 100% certo? Ou muitas vezes temos uma imagem distorcida? Eu me enganei completamente a respeito da Anne, mas o Ben não, ele enxergou que ela era no mais profundo recanto da sua alma e nos mostrou que a sua Mistress é perfeita para ele. Eu compreendo quando a Marcia diz que está no subespaço ainda... eu fiquei lá por um bom tempo e lhes digo que não desejava sair...

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Agradecimentos

Como sempre, a minha gratidão a Fiona Archer, Monette Michaels, e Bianca Sommerland, minhas parceiras de crítica. Uau! Um grande agradecimento dessa vez vai para minhas espreitadoras do News & disccussion (também conhecidas como Shadowkittens) que tiveram suas patinhas em um pouco deste livro, por encontrarem imagens de sugestões para o nome do bebê de Anne. E as divertidas cenas com Mestre Z e Jessica? Oh, sim, minha gatinhas, vocês foram definitivamente úteis. Meus leitores no Facebook ajudaram com sugestões para a música sensual enquanto eu escrevo — portanto, se vocês acharem as cenas de sexo mais quentes dessa vez, parabenizem a si mesmos. Um enorme obrigada à Liz Berry e MJ Rose de Evil Eye Concepts Conceitos por cuidar dos detalhes da publicação e, ainda mais, por comentar sobre este livro. Vocês são incríveis. Finalmente, quando eu fiquei presa em alguns dos detalhes militares, Layne Kennedy, autora das séries maravilhosamente cheias-de-ação CSA Case Files e Red Star, me emprestou sua Marine. Top Griz, obrigada muito, muito mesmo por ajudar com este livro. O título deste livro, Atingindo o Alvo (Servicing the Target), é um termo militar, usado no passado para designar a bombardear o inimigo, mas agora é ocasionalmente usado por francoatiradores. Para nosso povo no serviço militar, passado e presente, eu me sito humilde por sua coragem. Que o fardo de suas memórias seja leve em seus ombros, e que a felicidade e paz possam caminhar com vocês em sua jornada.

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Nota do Autor

Para meus leitores, Os livros que eu escrevo são ficção, não realidade, e como na maioria das ficções românticas, o romance é comprimido em um período de tempo muito, muito curto. Vocês, meus queridos, vivem no mundo real, e eu quero que vocês tomem um pouco mais de tempo em seus relacionamentos. Bons Doms não crescem em árvores, e existem algumas pessoas estranhas lá fora. Então, enquanto você estiver procurando por esse Dom especial, por favor, tenha cuidado. Quando você encontrá-lo, saiba que ele não pode ler sua mente. Sim, assustador quanto pode ser, você vai ter que se abrir e falar com ele. E você vai ouvi-lo, em troca. Compartilhe suas esperanças e medos, o que você quer dele, o que a assusta e magoa. Ok, ele pode tentar empurrar seus limites um pouco — ele é um Dom, afinal de contas — mas você terá sua palavra segura. Você terá uma palavra segura, estou sendo clara? Use proteção. Tenha uma pessoa de respaldo. Comunique-se. Lembre-se: seguro, são e consensual. Saiba que estou esperando que você encontre essa pessoa especial e amorosa que vai entender suas necessidades e mantê-la perto. E enquanto você está procurando, ou mesmo se você já encontrou o amor-de-seu-coração, venha e curta com os Mestres do Shadowlands. Amor, Cherise

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Capítulo Um Caramba, ela doía. Anne deu uma batidinha de leve no nariz de leão rosnando da aldrava de ferro forjado e empurrou a porta aberta. A maldita coisa parecia muito mais pesada esta noite. Ela caminhou para o vestíbulo do clube Shadowlands BDSM — bem, ela tentou caminhar — uma Mistress tinha seu orgulho, afinal de contas, mas o coxear deve ter destruído o efeito. Maldito primo de qualquer maneira. Demonstrações de arrogância pertenciam a campos de beisebol, não durante uma operação com criminosos armados. Quando a porta se fechou atrás dela, o segurança do Shadowlands olhou para cima. Fez uma careta. E contornou a mesa. Com uns bons um metro e noventa e cinco centímetros, e ombros da largura de um campo de futebol, o Golias poderia ter feito o papel de Schwarzenegger em Terminator1. “O que diabos aconteceu com você?” ele latiu. Huh? Ela não sabia que ele podia levantar a voz. Ele parecia sempre tão gentil que, até agora, ela se perguntava por que Z o havia contratado como segurança. Então, novamente, ele parecia um pouco com um Rottweiler2 — ossos grandes, grande demais, e maltratado — e talvez ele nunca tenha precisado colocar suas habilidades à prova. Ele pairou sobre ela, sobrancelhas puxadas juntas. “Você está bem?” Seu desbotado sotaque nova-iorquino espessou, transformando o está bem em bene. 1

O Exterminador do Futuro.

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Um grande cão poderoso de uma raça alta em preto-e-castanho.

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“Olá, Ben.” “Mistress Anne...” A voz dele saiu em um ronco baixo, e ela arqueou uma sobrancelha. O cão de guarda tinha um grunhido afinal. “Eu estou bem.” Ela deu um tapinha em seu braço e encontrou músculos duros debaixo de sua camisa larga de botão. E se viu — bastante inadequadamente — se perguntando o que mais teria debaixo de todo aquele tecido. “Você sofreu um acidente? Devo ligar para alguém?” Ela riu — e parou rapidamente quando seu lado direito latejou com dor. Era como se alguém tivesse encravado uma lança de fogo entre suas costelas. Não ria, estúpida. Ela colocou a mão sobre a dor, satisfeita que seu bustiê sobre-o-vestido servia como um suporte adequado para uma costela machucada. “O único acidente foi a necessidade de resgatar um membro inadequado de minha equipe.” Porque seu primo tinha localizado o fugitivo e tentado capturar o homem ele mesmo sem esperar por ajuda. Porque o idiota tinha conseguido a pistola chutada de sua mão. Porque ela teve que saltar dentro antes que o criminoso esmagasse a cabeça de Robert com um taco de beisebol. “Ele me deu um par de bons socos” — e um chute em sua coxa — “antes de eu conseguir derrubá-lo.” O estreitar dos olhos de Ben o fez parecer impressionantemente ameaçador. Mas depois de um segundo, ele balançou a cabeça e voltou para sua posição, deixando o ar instável em seu rastro, como se uma tempestade tivesse passado por ali. Ele apoiou a mão sobre a mesa e franziu a testa. “Pegar fugitivos é perigoso. Talvez você devesse...” Ele parou de falar, congelado em silêncio com seu olhar gélido. Seu pai e tios possuíam uma crença idêntica, e ela deu ao comentário dele a mesma consideração cuidadosa que concedia a deles. Nenhuma. “Benjamin,” ela disse em voz baixa. E encontrou seu olhar. Sustentou seu olhar. “Quando eu quiser sua opinião sobre minha profissão, eu vou arrancá-la de você.”

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Ela se sentou lentamente — e lhe deu adereços disso, uma vez que um monte de garotos ficava de joelhos-bambos. Mas este era um homem. Ela diria que um homem muito baunilha, com exceção do calor cobrindo seus lábios e bochechas. E a preocupação em seus olhos que tinha mudado para uma excitação nervosa. Interessante. Mas ela balançou a cabeça. Ela não fazia baunilha. E ela certamente não ia se meter com um empregado de Z. Levantando uma mão, ela caminhou — com um maldito mancado — para o salão principal do clube. Para os gritos angustiantes, arandelas piscando, e os aromas de sexo, suor e dor. Lar Doce Lar.

***** Três horas mais tarde, ela avaliou as várias cenas sendo realizadas, escolheu uma bela e tranquila surra, e se sentou em uma poltrona de couro fora da área isolada. Feito, feito, feito. Sua tarefa como monitor de calabouço estava completa, e sua perna latejava como se um madeireiro anão estivesse usando um machado nisso. Galen e Vance estavam fora da cidade, deixando os Mestres desfalcados, ou então ela teria ligado para dizer a Z que não poderia fazer isso esta noite. Mas ela tinha realizado seu dever. “Mistress Anne, posso te buscar algo para beber?” Ela olhou para o jovem. Vestido com shorts e nada mais, o loiro realmente vibrava com sua necessidade de agradar. Ele deveria ser um dos novatos. Depois de eliminar as posições de estagiários, o proprietário do clube, Z, tinha tentado garçons profissionais, ficando descontente com os resultados, e agora oferecia a seus membros 8


submissos descontos de taxas se eles servissem drinques um determinado número de horas por mês. “Qual é o seu nome?” Anne perguntou. “Apple, Mistress Anne.” “Apple, o que de eu dar uma mordida em você?” Ela o observou estremecer. “Sim, Mistress Anne. A hora que Mistress desejar.” “Bom saber, Apple.” Ele era um rapaz muito bonito — e ela não conseguia invocar um pingo de interesse. Ela colocou uma bota em cima da mesa de madeira longa e escura. “Neste momento, tudo que eu quero é minha segunda bebida. Diga a Mestre Cullen que é para Mistress Anne, por favor.” “Sim, Senhora.” Seu olhar de decepção foi tão intenso que ela sentiu como se batendo em seu rosto e dizendo; “Vá, vá.” Mas isso exigiria se mover. Ao invés, ela inclinou a cabeça para trás, fechou os olhos e ouviu Seraphim Shock3 do “After Dark,” a música sinistra pontuados pelos sons staccato das chibatadas nas proximidades. Quando ouviu a batida de um copo na ponta da mesa, ela estendeu a mão, palma para cima, e balançou os dedos. “Na minha mão, garoto.” Ele colocou a bebida em sua mão. “Obrigada.” Um gole lhe disse que Cullen tinha trabalhado sua magia habitual. A suavidade sedosa de um Manhattan perfeitamente gelado aliviou sua garganta seca. A cadeira ao seu lado guinchou. Com licença? Um escravo ousara se sentar na sua presença? “Ouça, garoto...” Ela abriu os olhos e encontrou com os do proprietário do Shadowlands. “Boa noite, Anne.” Com os olhos cinzentos brilhando com diversão, ele se inclinou para trás e colocou um pé ao lado do dela na mesa de café. 3

https://www.youtube.com/watch?v=HCSIL-IupQU

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Desde que ele tinha sido legal o suficiente para lhe trazer uma bebida, ela tomou mais da mesma. Adorável. “Desculpa Z. Pensei que você era alguém chamado Apple.” Os lábios dele tremeram na ênfase que ela deu ao nome. “Você está desejando descascá-lo até o núcleo?” “Nem perto. Hoje você poderia desfilar algumas dezenas de submissos ansiosos na minha frente, e eu ainda não seria motivada a me mover.” Na verdade, seus membros se sentiam como se estivessem afundando no mobiliário. “Na verdade, eu não estou particularmente interessada em ninguém atualmente.” “Você está sentindo falta de Joey?” Joey tinha sido seu último escravo; o que ela tinha mantido pelo período mais longo. Eles tinham se divertido muito juntos... E depois nem tanto. “Na verdade, não. Não mais.” “Você nunca me contou o que aconteceu.” O maldito psicólogo esperou em silêncio. Seus truques não funcionavam com ela. “Não, eu não fiz, não é?” Ele bufou uma risada fácil. “Tudo bem, Anne.” Na penumbra das arandelas de parede, seu rosto magro mostrava apenas uma leve preocupação. “Se sua falta de interesse pelos submissos disponíveis não se deve ao seu rompimento, então, teria seus interesses mudado?” Mudado. Ela preferiu desprezar essa palavra. “É claro que não.” Seus olhos se fecharam novamente. “Os filhotes simplesmente não parecem particularmente satisfatórios.” E alguns queriam mais do que ela queria dar. “Entendo. Talvez um tipo diferente de submisso poderia servi-la melhor.” Duvidoso. Ela olhou para o relógio. “Eu não te vi antes. Você acabou de chegar aqui?” “Eu me atrasei, sim. Jessica trabalhou horas extras e estava exausta quando chegou em casa.” Oh, nada bom. A esposa de Z estava muito, muito grávida. “Ela está tendo problemas?”

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“Ela está bem. Eu lhe dei uma massagem nas costas e a deitei.” Ele balançou a cabeça. “Ela é a única pessoa que conheço que encontra prazer em formulários do IRS4.” Aliviada, Anne relaxou. “Bem, ela é uma contadora.” E devido a entregar em algum momento no próximo par de semanas. Mais cedo seria bom uma vez que Anne tinha escolhido uma data de Março e “menina” no jogo de apostas do Shadowlands. “De fato. Um trabalho menos perigoso do que alguns... Como pegar fugitivos de fiança.” Ele a observou. “Ben disse que estava machucada.” “Nem tanto no momento.” Provavelmente porque ela tinha tomado dois comprimidos para dor de uma hora antes. Ela levantou o copo e o esvaziou. “Então seu cão de guarda relata tudo?” Ele inclinou a cabeça. “Na verdade, ele agiu mais como seu cão de guarda. Ele estava preocupado com você, Anne.” “Oh.” Por que isso fez parar seu cérebro por um segundo, ela não sabia. Então, novamente, seu cérebro não estava processando bem. E o copo que segurava parecia extremamente pesado. Z se levantou e o arrancou de seus dedos. “Ei.” Para sua surpresa, ele se sentou ao seu lado no sofá e inclinou sua cabeça. “Olhe para mim, por favor.” O comando — o de um Dom — segurava um soco que ela poderia resistir bem facilmente. Mas sua polidez? Ela não podia nunca ser rude com ele. Ela encontrou seu olhar. Ele a estudou por um minuto. “O que você tomou?” “Você é tão psicologista. Eu tomei um par de analgésicos. Depois que terminei o monitoramento.”

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Internal Revenue Service – Receita Federal.

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“Anne, eu nunca duvidei do contrário.” Seu acordo fácil a deixou relaxar. “No entanto, você não está em forma para ir para casa.” “Não é sua decisão.” Planejando empurrar sua mão, ela levantou o braço... E sentiu como se estivesse se movendo através de gelatina. “Oh, inferno. Odeio quando você está certo.” “Isso é irritante, não é?” “Você pode pedir alguém para chamar um táxi, por favor?” “Não. Mas vou pedir alguém para te levar... E acompanhá-la com segurança até sua casa.” Ela olhou para ele. “Jessica tem que aturar sua superproteção. Eu não.” “Na verdade,” — ele virou sua cabeça para um lado e examinou o arranhão em seu queixo — “dessa vez você tem.”

***** Ben Haugen já tinha ido na casa de Anne antes, quando ele foi seu motorista e de suas amigas em uma festa de despedida no último inverno. Ficava na barragem da ilha de Clearwater Beach e no final de um tranquilo beco-sem-saída. Enquanto Ben circulava o carro, ele podia ver atrás da casa estilo-chalé de Anne o oceano além. Como ela podia pagar uma casa de praia com um salário de caçadora de recompensas? Quando ele abriu a porta do passageiro, a luz interior mostrou que ela ainda estava dormindo no banco inclinado-para-trás. Ela tinha calculado mal o efeito do álcool sobre as pílulas para dor, Z tinha dito. Ben tinha cometido esse erro uma vez ou duas. Seu cabelo castanho escuro, que ela usava trançado para trás em um estilo severo, tinha se desfeito. As mechas soltas suavizando seu rosto aristocrático. Ela não era uma mulher pequena — talvez um metro e setenta e dois centímetros — mas belamente formada, com seios pequenos e um

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traseiro apertado bem arredondado. Um hematoma escuro marcava a beleza esculpida de sua bochecha direita. Deus, porra do caralho, ele nunca tinha visto alguém tão bonito. “Mistress Anne.” Ele abriu o cinto de segurança. Inferno, ela não se mexeu. Com um grunhido de exasperação, ele verificou a bolsa que Z tinha pegado do armário dela. As chaves de sua casa estavam presas por uma tira de couro. “Espero que você não tenha um cão, mulher, ou vai ter um passeio realmente saltitante.” Ele colocou a bolsa em seu colo e a pegou do assento. Ela era mais pesada do que ele esperava. Sem dúvida tinha mais músculos do que a última mulher que tinha carregado. Ele chutou a porta do carro e a levou até sua casa. Depois de destrancar a porta, ele a abriu com cautela. Nenhum cão. Anne cochilava contra seu ombro quando ele seguiu pelo saguão, por palpite, e subiu as escadas. A primeira porta aberta revelou o quarto principal — ou teria que ser chamado de quarto de Mistress? Usando o cotovelo, ele ligou o interruptor de luz. Um lustre veio à vida revelando paredes azuis geladas. Uma lareira com fachada de vidro com um espelho ornamentado sobre o mantel. A cama de dossel com uma colcha floral de babados. Um sofá branco com pernas extravagantes na frente de uma parede de janelas. Tudo azul e branco, como um arejado jardim verão, este era o quarto mais feminino que ele já tinha visto. Mas nenhuma planta em qualquer lugar. Tudo no lugar. Tão impecável como se um sargento fosse esperado para inspeção. Ela acordou quando ele a deitou na cama, e dane-se se a Srta. Feminina não tentou dar um soco nele. As luzes em forma-de-vela em cima forneciam uma iluminação de merda — e inferno, ela provavelmente só vi um monstro corpulento sobre ela. Ele apanhou o punho delicado em sua palma enorme. “Calma, Senhora.” Suas sobrancelhas elegantemente arqueadas se juntaram enquanto ela tentava se sentar. Ele não deixou de perceber o jeito como ela agarrou a mão nas costelas. Maldita mulher tola. 13


“É Ben. Do Shadowlands. Eu te trouxe para casa.” “Ah. Ben.” Ela cautelosamente relaxou no colchão. “Obrigada pela carona. Por favor, diga a Z que eu agradeço.” “De nada, Mistress Anne.” Ele mudou seu peso, desconfortável como o inferno. Mas a roupa que ela usava parecia uma combinação de um espartilho e um vestido. Tinha armações óbvias e estava muito apertado. Ela não podia dormir com isso. “Uh... Você precisa tirar essa geringonça.” Ele estava lá de pé sobre ela — um cara grande e feio. Ela estava deitada de costas e totalmente despreocupada. “Devo fazer agora?” A aresta de advertência na voz dela fez seu pau agitar. “Sim, Minha Senhora.” O título honorífico veio facilmente aos seus lábios. Ela lhe lembrava o elegante Capitão Ranger do Exército durante a primeira implantação de Ben. O cara estava sempre no controle e, mesmo quando coberto de sangue e sujeira, continuava refinado. Ele sorriu. “Que tal você me pedir para lhe dar alguma ajuda?” Seu bufo de exasperação soou como o espirro de um gatinho. “Benjamin, se um subbie me diz para lhe pedir para fazer algo, então quem está no comando?” “Me pegou.” E dane-se se ele ia sair sem deixá-la mais confortável. “Você vai me socar se eu te ajudar a tirar a roupa?” Ela olhou para ele. Suas pupilas estavam ainda menores que o normal, deixando seus olhos mais azuis do que cinza. “Eu nunca gostei do quão teimoso você é.” “Sim, Minha Senhora.” Estranho o quanto ele gostava de dizer isso a ela. Sua voz tinha um tom de frustração. “Ajude-me a sair disso, então.” E não é que ele tinha tido uma vitória. Sargento, Bravo Zulu. Ele estendeu a mão para frente e percebeu que seu longo vestido canelado não tinha botões. Protelando, ele se moveu para baixo para tirar suas botas de cano alto, que tinham tiras frontais entrelaçadas. Quando as puxou, ele a ouviu suspirar de alívio. 14


Porra, suas lindas pernas tinham um bronzeado dourado sexy. Pés arqueados altos. As unhas dos pés tinham um rosa claro com listras brancas. Incrível o que as mulheres faziam por diversão. O vestido preto mutante era o próximo. Pensando salvar sua modéstia, ele pegou a colcha de babados dos pés da cama e a colocou sobre suas pernas. Próximo. Ele teria se sentido mais confortável entrando em um tiroteio. A porra do vestido tinha pregos de metal do tamanho-de-palito em toda a frente que cutucava através de anéis metálicos. A única maneira de tirá-lo seria enfiar os dedos dentro e puxar as extremidades juntas para libertar cada prendedor de merda. Os seios dela estavam bem ali. Jesus, ele não podia fazer isso. Os lábios dela se curvaram em um sorriso malicioso. “Não pare agora, Benjamin.” “Está se divertindo com isso, Mistress?” Ele murmurou e deslizou os grandes dedos dentro do top. “Mmmhmm.” Ela estava quente, a pele sedosa sobre as costas de seus dedos. E ele ficou mais duro do que uma rocha. Ele trabalhou aberto a parte do espartilho do vestido, que se desfez, trava-portrava. Mas a coisa estava malditamente apertado sobre suas costelas, e ela fez um som de dor. Ele parou. Como diabos ele podia fazer isso se a estava machucando? “Anne?” “Continue.” Suas mãos estavam em punhos, às unhas cavando em suas palmas. Mas seu olhar estava limpo e nivelado. “Você estava certo — eu teria dificuldades de sair disso. Não estou me movendo tão bem quanto estava antes.” “De que tipo de danos estamos falando?” Ele apertou a mandíbula enquanto continuava como ordenado. Pino por pino. Embora controlasse seu rosto, ela não conseguia controlar os tremores involuntários e o aperto em sua barriga. “Costelas machucadas. Nada quebrado.” Sua voz soava tensa, mas finalmente ele passou a parte mais apertada. 15


Ele desabotoou a parte mais frouxa sobre o baixo de seu estômago e trabalhou seu caminho... Para baixo. Quando virou o vestido aberto, ele tentou não olhar. Besteira, ele a olhou completamente. O olhar dele viajou de sua boceta coberta por um fio dental e uma barriga levemente arredondada, para seus seios docemente altos. Mamilos rosa-marrom se animaram no ar fresco da noite. Seu cheiro era quase comestível — como tangerinas, acompanhado pelo leve almíscar de uma fêmea. Aja como o cavalheiro que você nunca foi criado, Haugen. Ele puxou o cobertor sobre ela. Desviando o olhar — assim não veria como a machucara — ele deslizou um braço sob suas costas. Merda, sua pele ali era muito macia também. Cuidadosamente, ele a levantou o suficiente para puxar o vestido para fora. Agora, ela usava apenas uma tanga e um cobertor. O quarto tinha crescido muito infernalmente quente. “Obrigada, Ben. Estou me sentindo muito melhor.” “Aposto que sim.” Ele ousou ainda mais e moveu o cobertor para expor suas pernas. A coxa direita tinha uma contusão quase da largura de seu punho. Ele a olhou, as sobrancelhas arqueadas. “Bota?” “O fugitivo de fiança tinha um irmão mais velho superprotetor.” Que trabalho do caralho. Não era de admirar que muitas vezes ela aparecia no Shadowlands com contusões e cortes. “Não seria melhor você fazer algo... Mais seguro?” Seu olhar azul ficou tão frio quanto o ártico norte. “Não.” “Desculpe-me, Minha Senhora.” “Você diz isso muito bem, sabia,” ela murmurou. Ela tinha covinhas, algo que ele não tinha notado até que a viu rindo durante a festa de despedida de Gabi. “Eu o quê?” Ele precisava sair ou ia tirar aquele cobertor de cima dela novamente. Localizar todas as contusão e beijar todas elas pra melhorar. 16


“Minha Senhora. Eu pensei que você fosse baunilha, Ben.” “Eu sou.” E se ele tinha estado sonhando com ela colocando um estilete afiado em seu peito, ele ia manter esses pensamentos para si mesmo. “Fiz um bocado de serviço, é tudo.” “Ah.” Ela o olhou lentamente, ainda não totalmente voltado ao seu brilho assustador habitual. “Posso te pagar pelo tempo e gasolina por me trazer todo o caminho até aqui?” “Sim, Minha Senhora.” Ele parou um segundo. Felizmente, ela nunca iria partilhar o pedido de Ben com Z — ele teria sua bunda demitida do local. “Eu acho que mereço um beijo de Mistress.” Ela arqueou as sobrancelhas. “Você está cheio de surpresas esta noite.” Sua voz rouca sempre tinha soado como uma manhã após um sexo cru, mas quando caía para aquele tom gutural, ele podia ver por que os homens se arrastavam de joelhos em seu rastro. Ele esperou enquanto ela pensava. Ele esperaria a noite toda — Deus sabia, olhar para ela não era nenhuma tarefa árdua. Em vez de responder, ela estendeu os braços. Deus me ama. Ele se sentou ao lado de seu quadril, inclinando-se quando ela colocou as mãos atrás de seu pescoço. Mais. Ele cuidadosamente deslizou a mão por baixo de seus ombros. A pele acetinada se esticava sobre músculos femininos lisos. Ele abriu a outra mão atrás de sua cabeça para apreciar a massa espessa de cabelos finos como seda. Ele estava acostumado a delícias visuais — ela era uma sinfonia tátil. Ele se ergueu ligeiramente, apenas o suficiente para atraí-la contra o peito, assim seus seios pressionariam contra ele. Quente, firme e macia. Abençoado seja Z. Quando ele olhou para seu rosto, ele pôde ler sua surpresa com a ousadia dele, e então seus olhos começaram a se estreitar. Se ele não se movesse, ele perderia seu deleite. Então, ele inclinou a cabeça e roçou os lábios contra os dela.

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Suavidade. Dane-se se ele iria se apressar. Firmando a boca sobre a dela, ele entrou de mãos-vazias na zona de fogo.

***** O cão de guarda tinha movimentos. Seus lábios eram firmes e muito mais competente do que seu jeito quieto havia prometido. Seu tamanho e força maciça a fazia se sentir delicada. Feminina. Ele tinha amarrado todo esse poder por causa dela. Por ela. O conhecimento disso era inebriante. Ela enroscou os dedos em seu cabelo espesso, e traçou uma linha sobre seus lábios com a língua. “Mais.” “Sim, Minha Senhora.” Ele inclinou a cabeça e tornou o beijo quente e úmido, dirigindo em sua boca com um impulso competente da língua, depois brincando novamente. Apesar da dor e remédios, ela sentiu o calor correndo por suas veias. Os seios esmagados contra seus peitorais duros. Ele deu um rosnado baixo e aprofundou o beijo. E... Ela não podia manter isso. Ela curvou os dedos, cavando as unhas levemente em seu couro cabeludo em advertência. Para sua surpresa, ele parou, deitando-a com delicadeza desconcertante. Ela passou a mão por sua mandíbula, sentindo o restolho de barba dura. Várias cicatrizes se destacavam, brancas contra o bronzeado profundo, na face direita, na mandíbula forte, no pescoço. Vincos de sol se espalhavam de seus olhos. Mais linhas corriam por sua boca. Mas, seu

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cabelo cor-de-caramelo na altura-dos-ombros estava puxado em seu estilo habitual amarradopara-trás. Ela percebeu que as mechas escondiam alguns fios cinzentos na frente das orelhas. Ela nunca tinha realmente olhado para ele, tinha? “Quantos anos você tem?” “Mais velho do que você, Mistress,” ele murmurou. “Isso não é o que perguntei, Benjamin.” Ele estava sentado na beirada da cama, o quadril contra o dela, inclinado com o peso apoiado sobre o braço ao lado de sua cintura. A mão livre, ela percebeu, estava brincando com seu cabelo. De alguma forma, ela não conseguia convocar a indignação adequada. “Tenho um par de anos mais que você. Trinta e seis.” Bem, ele não era tão jovem quanto ela pensava. É claro, cães de guarda raramente demonstravam suas idades, não é? Ele certamente era diferente de suas escolhas habituais. Suas sobrancelhas se juntaram. E ele sabia que era mais velho do que ela com trinta e quatro? “Como você ficou sabendo minha idade?” “Os arquivos dos membros do Shadowlands inclui uma cópia da carteira de motorista, assim sabemos que quem assina é a pessoa certa. Você tem um aniversário chegando em abril.” Ele hesitou. “Não precisa se preocupar. Todos os guardas assinam acordos de confidencialidade.” “É claro.” Z não era nada além de protetor de seus membros. Um segundo depois, sua mente nebulosa registrou como ele observava o próprio dedo acariciando seu rosto. “Ben?” “Você é tão linda, porra.” A cama rangeu quando ele se levantou. Ele entrou no banheiro e voltou para colocar um copo com água em sua mesa de cabeceira. Ele deixou sua bolsa ao lado disso. “Seu telefone está aí?” Ela assentiu. “Há alguma coisa que eu possa fazer por você antes de ir?” Ela mordeu os lábios para não rir. Ele era um demônio submisso, ferozmente determinado a ser doce. “Não, acho que você cobriu as bases.” Ele disse entre os dentes, “Não cheguei nem perto de alcançar as bases.” 19


Ela lhe deu um olhar de reprovação e, para sua alegria, ele realmente corou. “Obrigada pela carona... E os cuidados, Benjamin.” E o beijo. Ele assentiu, fez uma pausa, e suas grossas sobrancelhas se juntaram. “Minha Senhora? Fique na cama amanhã e tente se curar.” Um submisso mandão. Por que ela não conseguia convocar a quantidade adequada de aborrecimento? Suas normas deveriam estar escorregando, ela pensou enquanto a cama se elevava para envolvê-la e o sono a levava embora.

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Capítulo Dois No final de suas três milhas5, Ben desacelerou para uma corrida e então caminhou o bloco final. Não que ele se refrescasse muito na manhã úmida da Florida. Era apenas Março, mas o calor já havia desaparecido. Criado em Nova York, ele muitas vezes tinha congelado sua bunda nas manhãs. Às vezes, ele sentia falta daqueles dias. Não particularmente sentia falta da neve, porém. Uma vez dentro de seu armazém, ele tirou a blusa, usando-a para se limpar enquanto subia as escadas para seus aposentos e ia até a geladeira para pegar uma garrafa de água vitaminada. Designer de merda, mas não tinha um gosto muito ruim. Depois de uma hora de pesos no ginásio em sua casa e um chuveiro, ele pegou um café da manhã de fast-food no carro. Ele chegou no Sawgrass Lake Park quando o sol da tarde se inclinava através das nuvens de tempestade caíam sobre o pântano. Perfeito. Assim que seu tripé estava instalado, ele tirou algumas fotos de uma graciosa garça-real. Incrível como essa coisa podia ser tão pequena e digna — muito parecida com Anne. Cedo demais a chuva forte começou. Ben foi para um abrigo para piquenique e tirou uma foto final. Alguma coisa, algum movimento, provocou uma memória de espreitar através de um alcance, de eliminar a folga no gatilho, o mundo desaparecendo à medida que ele se tornava hiperconsciente dos ventos e luz. A pressão lenta e constante no gatilho, liberando um fôlego e fazendo uma pausa no final da expiração. Tiro para matar. Não. Como Z lhe havia ensinado, ele respirou através do flashback e o deixou se dissipar. 5

4,83 km

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Passou. Obrigada, Z. Ele devia ao homem mais do que poderia dizer. Depois de embalar sua câmera no saco impermeável, ele se sentou no banco de concreto do abrigo. Devia ao homem pelo deleite ontem à noite também. Porra, mas a mulher tinha uma beleza como a manhã após uma tempestade de neve em Nova York. Cabelos cor de nogueira escura, olhos cinza-azulado de um céu de inverno. Severa e marcante o suficiente para parar o coração de um homem. Seu pequeno sorriso podia delinear suas maçãs do rosto acentuadas, mas seu verdadeiro sorriso mostrava suas covinhas e mudava toda a sua aparência. Tornava-a humana. Uma mulher. E uma que ele queria tão ruim que podia sentir o gosto disso. Vento soprou no abrigo, batendo seu cabelo em torno de seu rosto. O mundo brilhou com um relâmpago. Cinco segundos depois, ele ouviu o trovão anunciando uma célula de tempestade se aproximando cheia de fúria. Ele amava as trovoadas da Florida, mesmo que ocasionalmente detonava o confuso programa de armazenamento em sua cabeça. PTSD6 — e que tipo de idiota psiquiatra-concursado veio com essa frase? O relâmpago o lembrou da primeira vez que ele tinha ouvido a risada baixa de Anne. Tinha sido na noite da festa de solteira quando ele realmente a vira sem sua armadura de Mistress. Quando tudo nela tinha chiado nele e parado seu coração. Nem uma hora depois, ela tinha visto uma de suas amigas ser assediada e estava disposta a virar a mesa e assumir os idiotas. Foi quando ele soube que estava em sérios apuros. Anne. Ela tinha um nome bonito. Curto. Conciso. Muito parecido com a própria mulher. Ela era completamente diferente da última mulher que ele tinha namorado, que balbuciava na queda de um chapéu. Ou se um chapéu não caísse. Ou se o sol nascesse. Ou morresse. Ou se ela 6

Post-traumatic stress disorder – transtorno de estresse pós-traumático.

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estava respirando. Jesus. Não teria sido tão ruim se ela tivesse se interessado por qualquer coisa além do que estava balbuciando. Mas a Mistress não balbuciava. E ela não só ouvia, ouvia com toda sua atenção. Que, muito bem, podia roubar o fôlego de um homem. Mas. Ela era uma Mistress. Aí era onde o problema entrava. A mulher tinha uma representação. Não era apenas uma Domme, mas também a porra de uma sádica. E embora ela brincasse com toda uma variedade de submissos, os que ela mantinha ao seu redor tendiam a ser do tipo: vinte e poucos anos, magro, lindo-como-modelo. Os sócios do clube os chamavam de os “meninos bonitos” de Anne. Recostando-se contra um poste do abrigo, ele colocou uma bota no banco e apoiou o braço no joelho. Cicatrizes corriam por seu antebraço musculoso, mais através dos dedos grossos. Mesmo quando adolescente, ele não tinha sido “bonito”. Um monte de difíceis quilômetros, desde então. Na verdade, ele tinha assustado mais do que algumas fêmeas. Mas ele não tinha assustado Anne. Ele sorriu. Ela era uma mulher mandona que não-se-prendia, nunca-desistia. E porra, ele tinha saído dessa. Antes de ontem à noite, ele esperava que, se tivesse um gosto dela, chegasse um pouco mais perto, sua curiosidade seria satisfeita. Ao invés, como a primeira dose de um bom uísque, ela tinha apurado seu apetite. Agora sua atenção tinha se voltado para a mulher. E — como sua equipe nos Rangers tinha testemunhado — ele nunca perdia.

*****

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“...Uma cana funciona bem para isso,” Anne disse a Olivia enquanto entrava no Shadowlands. Elas estavam discutindo sobre seus métodos de disciplina favoritos enquanto atravessavam o estacionamento. “Verifique esta.” Anne levantou a cana preta extralonga que ela tinha escolhido para embelezar seu traje de Malévola. “Jesus, mulher, eu pensei que tinha te dito para ficar na cama.” A voz rosnada veio de sua esquerda. Os olhos da outra Domme se arregalaram. A espinha de Anne estalou reta, e ela se virou para olhar para o guarda de segurança de Z. Levantando-se de seu assento, Ben fez uma careta para ela. “Você não deveria estar aqui. Você está —” Ela ergueu o queixo. Ele a encarou, e murmurou. “Porra,” e caiu em sua cadeira. Ainda carrancudo, mas em silêncio. Interessante. Ela ficou ainda mais intrigada com ele, “Desculpe-me, Mistress.” Ele não sabia melhor, não sabia que deveria chamá-la de Mistress Anne, ao invés de Mistress, como se ele pertencesse a ela. Ela não estava se sentido irritada. Incapaz de resistir, ela empurrou para trás sua capa preta, foi para trás da enorme mesa, e parou na frente dele. Quando ele tentou se levantar, ela colocou a mão em seu ombro para pará-lo. Ela tomou um segundo para apreciar os músculos reunidos antes de descansar a ponta dos dedos em seu rosto. Ele era tão alto que seu olhar não teve que se levantar muito para encontrar os dela. “Benjamin. Eu valorizo sua preocupação, mas se você falar assim de forma desrespeitosa comigo novamente, eu vou colocá-lo no tronco e chicotear sua bunda.”

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Emoção embebeu seu bronzeado escuro com um tom avermelhado encantador. Seus olhos castanho-dourados a estudaram por um cuidadoso minuto, e então, para surpresa dela, ele retumbou, enfatizando cada palavra, “Jesus, mulher, eu pensei que tinha te dito para ficar na cama.” Enquanto ela o encarava, ele inclinou a cabeça um pouco de lado. O desafio tinha sido lançado. Sua primeira reação foi raiva — mas ela não era uma bebê Domme para deixar um subbie abalar suas emoções. Ela estudou seus olhos, sua expressão. Ele não estava sendo desafiador, mais como... Desafiando. Na verdade, ele tinha pedido pelo que queria da única forma que alguém como ele faria. Ele não era um submisso inseguro que iria implorar. Uma faísca de interesse inflamou. Não era um garoto. Sob seus dedos, uma mandíbula arranhava com uma forte sombra de cinco horas. Ele era um homem. E um grande desafio. Ela inclinou os lábios e apreciou o modo como o olhar dele se desviou para ver isso. “Benjamin,” ela disse, “você é simplesmente cheio de surpresas.” Ela segurou seus olhos. “Se eu pedisse a Z para levá-lo da porta por uma hora, o que você diria?” Um canto da boca dele se contorceu. “Obrigada, Mistress?” Diversão deslizou para se misturar com seu interesse. “Boa resposta.” Ela apertou seu ombro — que foi como apertar uma parede de tijolos. “Vejo você mais tarde.” Ele se inclinou para trás em sua cadeira. “Mistress, estou ansioso por isso.” O olhar em seus olhos, avaliador e curioso, enviou um fio de calor pelas regiões inferiores dela. O suficiente para que segundas intenções seriam sábias. Ela não se sentia como sendo sábia. Quando ela se juntou a Olivia, a outra Domme estava franzindo a testa.

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Quando a porta para a sala principal se fechou atrás de Anne, tudo que era o Shadowlands lavou sobre ela. Os aromas de sexo e de couro com uma pitada de citros de limpeza. Perfume. O cheiro forte de álcool de limpeza indicando que alguém estava fazendo jogo de agulhas. Na pista de dança para a direita, submissos em trajes escolares dançavam com figuras fantasmagóricas o Athamay de “Restrict and Obey7“. Mestre Z havia dito aos submissos para se vestirem de “estudantes” e que aquele que não se vestisse adequadamente seria açoitado. Então, ele instruíra os Dominantes para que se vestissem como monstros — não lhe importava que tipo. Duas subs mais novas entraram atrás de Anne e Olivia. Tranças, saias xadrez curtas, meias de cano alto. Perto da porta, elas pararam subitamente. Obviamente, as jovens esperavam ver Doms vestidos de professor que corresponderia com suas roupas de colegial. O que elas teriam eram pesadelos. Uma fez um som “chiado”. Anne olhou ao redor da sala. Holt estava vestido como Freddy Krueger. Mestre Raoul como King Kong tinha as mãos por toda sua escrava Kim. Sentados no bar estava Marcus — um elegante Imhotep8 da múmia — sendo servido pelo Lobisomem Cullen. O que parecia ser sangue manchava a camisa rasgada de Cullen. Sussurros preocupados vieram das submissas. Adorável efeito, Z. Anne trocou um sorriso com Olivia. Cullen notou Anne e Olivia na entrada e ergueu uma garrafa em um reconhecimento e acolhida. Deus, ela adorava este lugar. Aqui, as Mistress eram consideradas iguais aos Mestres. Competência, habilidade, poder — essas qualidades eram necessárias para o título Shadowlands. Genitália não eram um fator.

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https://www.youtube.com/watch?v=74lBHw_h_HE Arquiteto egípcio e estudioso, que mais tarde foi endeusado. Pensa-se que ele projetou a pirâmide de degraus construída em Saqqara para a terceira dinastia faraó Djoser. 8

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Quando ela começou a avançar, Olivia agarrou seu braço. “Eu ouvi a sério você dizer que vai punir Ben? Você ficou completamente maluca?” Todo mundo adorava o cão de guarda de Z. Anne franziu os lábios. “Possivelmente. Mas a vida tem sido chata ultimamente.” “Chata?” O olhar de desaprovação de Olivia poderia ter sido patenteado pela mãe de Anne. “Eu diria que você tem se divertido bastante recentemente desde que está andando como minha avó. Você está mancando — e tem uma contusão no rosto.” Bem, inferno, ela tinha pensado que estava andando muito bem. Então, novamente, os poderes de observação de um Domme experiente correspondiam aos de um super-herói e Olivia tinha merecido o título de Mistress. Anne deu de ombros. “Apenas algumas sobras do trabalho.” “Certo.” Olivia caiu no passo com um sorriso vampiresco reforçado pelas longas presas de plástico. “Você vai me deixar assistir Z te rasgar em confetes por tocar em seu guarda de segurança?” “Ele não vai fazer nada disso.” Eu espero. “Vá encontrar seu docinho e jogar.” “Desmancha-prazeres.” Olivia olhou em volta e se dirigiu para sua sub-do-mês, uma bela ruiva sentada com alguns dos submissos dos Mestres. Anne foi para o bar, deslizou em um tamborete, e suprimiu o gemido na tração em suas costelas doloridas. Enquanto observava Cullen misturar alguma bebida feminina envolvida, ela percebeu que Ben tinha quase a mesma altura — uns bons um metro e noventa e cinco centímetros ou assim. Ambos os homens eram ossos grandes e toscos. Cullen provavelmente teria pontuação alta em uma concurso de Boa Aparência. Mas, sem dúvida, Ben ganharia em um do Mais Mortal, algo que ela tinha primeiro percebido ao ver uma garota ser assediada na festa de despedida de Gabi. Naquela noite, ele parecia bastante capaz de rasgar a garganta de alguém fora — e não era perverso ela ter achado aquilo incrivelmente quente. “Fiz um bocado de serviço,” Ben tinha dito. Isso realmente, realmente se mostrava. 27


“Bela Malévola — você certamente tem as maçãs do rosto necessárias.” Cullen parou na frente de Anne. Antes que ela pudesse lhe fazer seu pedido, ele colocou um delicado copo de cristal cheio de gelo e o encheu com uma garrafa de água com gás. Anne o olhou. “Água?” A boca dele afinou. “Se você alguma vez beber em cima de medicamentos para dor novamente, eu nunca mais vou te servir outra bebida.” Z tinha compartilhado. Anne bateu as unhas no balcão. Infelizmente, ela merecia a reprimenda. Cullen era compulsivo sobre as regras do Shadowlands de não-comprometimento; ele já tinha cortado várias pessoas fora após um drinque se elas pareciam afetadas. Ele teria se culpado se ela tivesse sofrido algum mal. Então, ao invés de se ofender, ela respondeu levemente, “É justo.” “E aqui estou eu pensando que ia precisar de um protetor-de-virilha para proteger meu orgulho de ‘n’ prazeres de suas tesouradas.” Uma risada veio de Marcus. Cullen virou o restante da água em uma caneca de cerveja e tilintou contra seu copo antes de beber. “Você me assustou ontem à noite, amor.” “Desculpe meu amigo. Eu não tinha percebido o quão potente as pílulas eram.” Ela bebeu a água borbulhante com sabor de morango. Nada mal. “Você está bem?” “Estou apenas dolorida hoje. E minha droga escolhida esta noite é apenas ibuprofeno.” Ela nunca mais cometeria o erro de tomar remédios para dor, a menos que pretendesse ficar em casa. E talvez nem isso também. Cullen não era o único que tinha ficado com medo. “Z tirou sua função de monitor de calabouço esta noite.” “Z é uma mãe.” “Não, nós já temos isso coberto. Os federais estão de volta em Tampa.” 28


Embora Galen tivesse se demitido do FBI, seu parceiro Vance tinha continuado — e ambos ficavam fora da cidade com tanta frequência que não constavam na lista. Mas quando em casa, os dois Mestres gostavam de ajudar. “Nesse caso, é bom ter uma pausa.” “Você está pensando jogar esta noite?” Marcus perguntou em sua voz profunda e com sotaque sulino. Ela não tinha planejado por causa da dor, embora tivesse tomado tempo para se vestir. Uma garota tinha que ter padrões, depois de tudo. “Jogar? Há uma chance de eu simplesmente poder.” Ela se sentiu sorrindo. “Sim? E qual garoto de sorte consegue a Mistress esta noite?” Cullen perguntou. “Já faz um bom tempo desde que te vi parecer interessada.” “Na verdade, eu tenho que concordar.” Uma taça foi colocada sobre o balcão, e Z tomou o assento à sua direita. O olhar atento dele tomou conta dela na avaliação automática de um Dom. Ela suspirou, incapaz de convocar qualquer aborrecimento. Z fazia o mesmo com todos os membros do clube, submisso ou dominante, macho, fêmea, ou outro gênero. Não opinião dele, ele era responsável por todos eles. “Z. Você é exatamente a pessoa que eu precisava ver,” ela disse. “Eu gostaria de roubar seu guarda de segurança por uma hora.” Z pareceu surpreso por um momento. Cullen engasgou com a água. “Ben? Ben é o guarda esta noite. Você quer Ben?” Z esfregou os lábios, obviamente, sufocando um sorriso diante da reação de Cullen. Então seu olhar cinza pousou em Anne. Suas sobrancelhas se juntaram. “Ele sempre insistiu que era baunilha. Ele deu alguma dica de que queria uma cena?” “De uma maneira eu-sou-macho-demais-para-pedir-o-que-quero, sim. Definitivamente, sim.” “Você não é o tipo de interpretar mal a intenção de um homem.” A resposta calma de Z foi gratificante. “Vou mandar alguém lá pra fora por uma hora, enquanto Ben faz uma pausa. As vinte e três horas está bem para você?” 29


Onze da noite. Seu tempo favorito para ter uma sessão. Cedo o suficiente para que o ambiente na sala ainda mantivesse uma aresta. Tarde o suficiente para que os jogadores entusiastas já terem terminado e não estarem impacientes à espera de uma área isolada para um turno. Ela seria capaz de tomar seu tempo durante a cena. “Perfeito. Obrigada.” “De nada. Só não quebre meu guarda, por favor.” “Sem problema.” Ela não sentia vontade de quebrar um homem há um tempo, pelo menos não da mesma forma que tinha antes. E leve ou não, o cão de guarda seria divertido para brincar.

***** Naquela noite, Ben respondeu a batida na porta trancada e deixou seu amigo Ghost entrar no Shadowlands. “Ei.” “Fui chamado para substituí-lo. O chefe disse que você quer jogar.” Danos nas cordas vocais durante o início de uma batalha tinha dado a Ghost uma voz rouca mais adequada para contar histórias de terror — e soava horrorizada, também. “Sério?” “Sim.” Ben sorriu. “Achei que já era tempo de animar minha vida.” “Acho que não pode ser pior do que levar um tiro.” O veterinário grisalho deveria saber. Como Forças Especiais, ele tinha estado dentro e fora de cada chiqueiro ativo nos últimos vinte anos. Vestido com calça jeans preta e uma camisa de botão — código de vestimenta mínima de Z — ele atravessou a sala sem mancar, apesar de sua prótese de perna, e jogou um jogo de palavras cruzadas em cima da mesa. “Está tranquilo esta noite.” Ben bateu na lista de membros. “Marque os membros quando eles saírem. Se você não tiver certeza de que alguém está estável — ou se qualquer combinação de pessoas parecer suspeita, chame Z.” 30


“Entendido.” Um mês atrás, Ben tinha reduzido suas horas, recomendado Ghost, depois lhe dado o treinamento de praxe necessário. A posição exigia uma quantidade mínima de papelada, uma boca fechada, boas habilidades de luta, e mesmo muito bom senso. Z dizia que se seu guarda de segurança tivesse que lutar, ele já havia falhado. Ghost se acomodou na cadeira e se inclinou para trás. “Aprecio o trabalho, porém. É interessante — e eu estava um inferno de entediado.” “Eu sei que disso.” Soldados não aceitavam a aposentadoria bem. Ben entrou no clube, sentindo uma antecipação crescente. Tinha sido dito para ir para o calabouço na parte de trás. Enquanto atravessava a sala principal, ele deu um cuidadoso estudo. Arandelas de parede eram obscuras no quarto escuro, exceto perto dos equipamentos bem-iluminados ao longo das paredes e o bar no centro. À esquerda era uma área munchie9 com alimentos, mesas e cadeiras. À direita era a pista de dança. Mais atrás, plantas ofereciam privacidade para dispersos grupos sentados. Cenas BDSM eram realizadas em várias seções, e mais assentos eram fornecidos para os telespectadores. Mesmo a essa hora, as pessoas estavam dançando, e as áreas de cena estavam ocupadas. Ele tinha que dizer, o Shadowlands estava condenadamente sinistro esta noite. Colegiais de aparência inocente — e garotos — vagavam à mercê de algumas criaturas feias pra caralho. O lugar parecia um set de filmagem de “Slaughter no Metropolis High.” Ele tinha entrado lá algumas vezes, mas sempre para relatar algo para Z. Nunca como um espectador. O salão do clube parecia e soava diferente agora que ele estava lá como um... Um participante. Não que ele não tivesse prestado atenção quando esteve lá. Não, ele sabia para o que havia se oferecido. Ele já tinha visto Mistress Anne trabalhando em um pobre coitado antes.

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Lanche.

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Agora ele seria aquele pobre bastardo. Mais uma vez, ele estava sendo um idiota — como quando voluntariamente tinha feito o curso SERE. Sobrevivência, Evasão, Resistência e Escape — sim, ele tinha aceitado que ia se machucar. Na época, o conhecimento tinha sido um peso de chumbo de determinação em seu intestino. Esta noite era a mesma coisa. Um peso de chumbo... Junto com um pau duro de pleno direito. Mistress Anne ia dar uma olhada nele e saber exatamente o que ele queria. Talvez. Ele mesmo não estava exatamente certo. No caminho através da sala, ele passou por várias cenas. Flagelação. Uma onde um Dom zumbi praticava dumping de cera nas mamas de uma mulher — embora ela não parecesse muito a bordo com a ideia. Não para ele. Seguro, são e consensual ou não, ele nunca seria capaz de ferir uma mulher, que era por isso que ele sabia que não era nenhum tipo Dom. Por que ele dissera confiantemente a Z que era “baunilha”. Ele nunca tinha dado sequer um pensamento de uma linda fêmea machucar a ele. Mentalidade totalmente diferente. Um grito o fez parar. Amarrada a um poste, a pequena Uzuri estava tentando se esquivar de um homem a açoitando. “Vermelho,” ela gritou, mas o fodido idiota estava envolvido demais para entender que ela tinha dito a palavra de segurança. Ben foi direto para lá e capturou a cana balançando em sua palma. Doeu como um filho da puta. Ele puxou a vara para longe. “Ela disse vermelho.” Sua voz saiu ameaçadora o suficiente para que o Dom empalidecesse e recuasse. “Obrigada, Ben.” Vance Buchanan deu uma batidinha em seu ombro e puxou a cana de sua mão. Vestido como o monstro Frankenstein, ele usava o colete com faixas douradas que indicava um monitor de calabouço.

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“Sem problema.” Era bom saber que, se ele não estivesse presente, um DM10 teria resgatado a bela submissa negra. Olivia passou por ele e colocou um braço ao redor de Uzuri, desamarrando-a com a outra mão. “Ei, eu não a ouvi,” o idiota protestou e deu um passo em direção à pequena estagiária, que se encolheu. “Ouça, Uzuri, eu —” “Fique aí, por favor.” Vance agarrou o braço do Dom duro o suficiente para silenciá-lo, em seguida, arqueou uma sobrancelha interrogativa para Ben. “Eu não sabia que você fornecia segurança aqui também.” Parecia que Buchanan tinha a merda sob controle. “Eu não faço.” Ben acenou um par de dedos perto de sua testa e se dirigiu para a parte de trás. Mistress Anne descansava em um banco de pedra no canto do quarto de calabouço, as costas contra a parede com a perna esquerda estendida. Ela tinha puxado parte do cabelo para cima, prendendo-o dos dois lados como-chifres. Um manto preto até os tornozelos cobria um minha-boca-ficou-seca macacão de látex que se agarrava a cada uma de suas doces curvas. Um longo zíper corria na frente e ele queria puxá-lo abaixo mais do que queria seu próximo fôlego. E seu maldito jeans estava demasiadamente apertado. Ela o observou se aproximar, os olhos claros ilegíveis... Até que o olhar atingiu sua virilha. Ele podia jurar que viu uma covinha aparecer. Sim, ela era sádica. Depois de dobrar o joelho esquerdo para apoiá-lo contra a parede, ela deu um tapinha no banco entre suas pernas. “Sente-se aqui, por favor.” Bom começo. Ele se sentou onde ela havia indicado, sentindo a perna esquerda dela atrás dele, uma pressão contra sua bunda. Para seu prazer, ela colocou a perna direita em seu colo, perto o suficiente para que o interior do joelho pressionasse contra seu pau. Ele olhou para frente e considerou os méritos dos córregos gelados das montanhas, geleiras e iglus. Não aliviou merda nenhuma. 10

Dungeon Monitor – Monitor de calabouço.

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“Agora, Ben, em primeiro lugar, esta será apenas uma cena pela próxima hora ou assim. Nada mais. Eu não sei o quanto você sabe sobre BDSM, mas eu não vou te levar como um escravo. Eu só vou te dar um gosto e talvez te ajudar a colocar um freio nessa sua língua. Em outras palavras, ela estava lhe avisando para não colocar suas expectativas lá em cima. Eles iam jogar e depois ela o atiraria de volta onde o encontrara. Ele manteve o rosto impassível e assentiu. “Entendido.” “Bom. Então vamos discutir seus limites. O que você absolutamente não vai fazer? Sobre o que você está inseguro? E, você tem algum problema médico — ou emocional — que eu deva saber?” Sabendo que não conseguiria pensar nada que valesse uma merda com a perna dela esfregando em seu pênis, ele se virou ligeiramente para ela, como se prestando atenção — o que o angulou o suficiente para evitar uma pressão completa. Limites. Tudo bem. “Nenhum dano permanente. Nenhuma cicatriz. E eu prefiro não falar em falsetes.” Ele a considerou. “Eu não conheço bem o suficiente de chicotes ou merda anal.” “Bem fundamentado. Bondage?” Oh, inferno. Ele pôde sentir seus músculos ficando tensos. Na baixa iluminação, os olhos dela pareciam mais cinzas do que azuis. “Isso parece definitivamente sem restrições.” Depois de um segundo, ele assentiu. “Eu provavelmente não ficaria bem se você me colocasse em algo do qual eu não poderia me soltar.” “Bom saber.” Ela se inclinou para frente e tomou suas mãos nas dela. Suas palmas calejadas era um contraste chocante com os dedos delicados dela. “E que tal dor? Você parecia bastante... Interessado... Sobre obter sua bunda chicoteada.” “Mistress, se a dor te agrada, eu estou disposto a lhe dar uma tentativa.” Ele ouviu suas palavras pairando no ar. Porra, ele tinha mesmo dito isso a ela? Mas sim, ele tinha. E tinha falado sério, também. 34


O prazer surpreso nos olhos dela e a maneira como ela apertou seus dedos foi tão satisfatório quanto o momento intemporal de um tiro perfeito. “Tudo bem, vamos manter isso dentro desses limites e ver o que acontece,” ela disse. Ele tinha a dizer, ele aceitara as determinações rápidas dela. Sem muita-conversa e vai e volta. Sem “Tem certeza que é o que você quer?” ou esperar que ele lesse sua mente e soubesse o que ela queria. Ela lhe dissera logo no início como se sentia e o que esperava dele. Alívio do caralho. Como se para enfatizar isso, ela estendeu a mão e tirou o elástico que prendia seu cabelo para trás. “Se eu quiser seu cabelo amarrado,” ela disse suavemente, “Eu mesma farei isso.” Ela colocou o elástico no bolso de seu jeans. “Agora vá até a cruz de St. Andrew,” — ela apontou para o equipamento de dois metros e treze centímetros em forma de X — “e tire suas roupas. Você pode deixar sua cueca se estiver desconfortável.” “Isso seria uma boa... Se eu usasse uma.” Os olhos dela se iluminaram com riso. “Nesse caso, eu consigo um deleite, não é mesmo?” O grunhido suave de dor que ela deu quando tentou mover a perna de seu colo o lembrou de suas costelas doloridas. Mulher louca. Ele colocou a mão sob sua panturrilha e aliviou seu pé para baixo. Ele se endireitou e percebeu que ela tinha se apoiado em seu ombro. A boca ficando a apenas um centímetro da dele, e seu hálito cheirava a morangos. Inferno, ele já tinha ganhado um castigo. O que era mais um? Ele fechou a distância e roçou os lábios nos dela. Oh sim. Antes que ele pudesse tomar mais, ela agarrou seu cabelo e puxou sua cabeça para trás. “Ben,” ela o repreendeu. “Acho que você sabe que está ultrapassando seus limites.” “Mmm.” Maldição, ela tinha lábios macios. E uma mão forte — o agarre em seu cabelo era malditamente apertado. “Talvez seja melhor expor as regras de engajamento, minha Senhora.” “Tudo bem. Primeiro, nós não somos um casal D/s, de modo que essas regras são apenas para o calabouço.” Seu desgosto repentino na limitação foi surpreendente. 35


“Você aplica os termos apropriados de respeito já. Lembre-se de falar apenas quando solicitado — ou se houver uma questão que afete sua segurança. Nenhum toque a não ser que lhe dada permissão. A palavra de segurança aqui é vermelho, o que significa que a cena vai parar completamente. Use amarelo se precisa de algo, mas não quer uma parada completa.” Esquece essa merda de parada. “Suponho que é verde para todos os sistemas continuarem?” “Isso mesmo. Eu devo perguntar se você tem algum problema com minhas mãos — ou qualquer outra coisa — em seu pau e bolas.” Eu teria um problema se você não me tocasse. Um sentimento de cautela alterou suas palavras para um educado, “Nenhum problema em absoluto, Mistress.” “Excelente. Agora faça o que eu disse.” O período no exército praticamente havia dizimado sua modéstia e a permanência em um hospital tinha eliminado o resto. Em frente à cruz de St. Andrew, Ben se despiu. Ele tinha uma ereção massiva, mas imaginou que a boa Mistress poderia ter ficado aborrecida se ele não tivesse sido despertado. A bolsa preta de camurça para-noite estava assentada ali perto. Ela teria os assimchamados brinquedos lá. Sua expectativa cresceu. Com os quadris balançando suavemente ela perambulou perto, e sua boca encheu de água. Ela era magra, mas aquela bunda curvilínea encheria bem suas grandes patas. Por sua vez, ela o estava olhando com... Diversão. Ao contrário de alguns Mestres que ele tinha visto, ela não parecia impassível, mas abertamente mostrava que apreciava o que via. Não, idiota, você não pode flexionar os músculos para ela. Ela correu a mão por seu peito, bagunçando os pelos, e traçou uma cicatriz enrugada em seu lado direito. “Bala?” Felizmente, o insurgente só o havia atingido com uma bola de alta-velocidade ou ele estaria ostentando uma marca de ferimento do tamanho de um punho. “Sim, minha Senhora.”

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Os dedos pressionaram mais fundo. “Fraturou sua costela, eu vejo.” Sem esperar resposta, ela continuou. Mãos suaves sobre sua barriga, em torno de suas costas e ombros. Abaixo de seus braços. Suas pernas. Ela encontrou todas as suas cicatrizes e todos os ossos que ele já tinha quebrado. Inferno, seus médicos nunca o tinham verificado tão completamente. “Abra as pernas.” Ela puxou seu cabelo púbico. Cavou em suas bolas e massageou levemente. A mão se fechou ao redor de seu pau — seus médicos nunca tinham feito isso — e ele precisou de cada bocado de controle para não disparar seu canhão. Os dedos apertaram o cerco em sinal de advertência. “Não goze sem permissão, Benjamin.” “Entendido, Senhora.” Sua voz provavelmente tinha soado como um galo sendo estrangulado. Mas, curiosamente, o comando o puxou de volta longe da borda. Suas mãos, que tinham se fechado em punhos, se abriram. E ela viu. O olhar dela encontrou o dele, direto, sem jogos. “Você me agrada, Ben.” Você me agrada pra caralho também, mulher. Sabiamente, ele também manteve essas palavras guardadas. “Fique de frente para a cruz e agarre esses pinos sobre sua cabeça.” Cada barra vertical tinha um pino de ferro de fora. Ele fechou os dedos ao redor disso, o que deixou seus braços erguidos em forma de V. Na pausa entre um batimento cardíaco e outro, ele percebeu que a música tinha mudado para o sinistro “Let Me Break You11“ de London after Midnight. O efeito da música neste calabouço escuro e frio era muito mais ameaçador do que em sua entrada bem iluminada. Ele podia ouvir uma mulher soluçando e o estalo de algo — como um chicote. Seu intestino apertou, e ele puxou uma inalação lenta.

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Me Deixe Te Quebrar

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“Suas ordens são para agarrar esses pinos e não soltar. Não importa o que eu faça. Eu posso confiar em você para fazer isso por mim, Ben?” A voz rouca de Anne o puxou de volta, como um estabilizador tipo a moldura de madeira apoiando seu corpo. “Você pode, Mistress.” Ele agarrou com mais força. Ele morreria antes de soltar isso uma só vez. “Eu vou te machucar, Ben — porque é isto o que eu te disse que faria. E porque é isto o que você obviamente quer que eu faça.” Na verdade, ele teria concordado com qualquer coisa que lhe ganharia sua atenção e toque. Dor não seria nada de novo para ele. “Mas, porque você me agrada, porque esta é sua primeira vez,” — a voz macia tocou seus ouvidos e acariciou sua pele como um velo muitas-vezes-lavado — “e porque eu sinto como lhe dando uma lição, eu vou te dar muito mais do que mera dor.” Fale sobre fazê-lo se sentar e tomar nota. Inferno, seu corpo já estava bem além do toque de recolher, como se as células tivessem engolido um galão de café. Quando dedos roçaram sua bunda — onde ela não tinha tocado antes, ele se deu conta — os músculos se contraíram. Ela apertou os dedos mais fundo, depois deu doces, muito doces pancadinhas, como respingos de chuva. Ele bufou uma risada. Isso era uma surra? E ele ali preocupado? “Isso é Ben?” A voz quase inaudível veio de detrás dele. Parecia chocada. Mais sussurros flutuaram até seus ouvidos. Ele não gostava de estar de costas para a porta, mas porra, este era o Shadowlands. Ele conhecia todas as pessoas aqui. E, por incrível que pareça, ele confiava que a caçadora de recompensas esguia provavelmente poderia vencer noventa por cento dos membros sem suar a camisa. O ritmo das mãos dando tapinhas em sua bunda parou por um segundo. Ele podia imaginar as expressões dos fofoqueiros quando ela se virou para olhar para eles e, sem dúvida, 38


lhes deu um de seus olhares de gelar-o-coração. As vozes com certeza pararam, deixando apenas a música e o som de alguém gemendo. A Mistress bateu em sua bunda com mais força, e um calor agradável cresceu, como a mais suave das queimaduras. E então ela se aproximou e se encostou nele, de corpo inteiro, os seios proporcionando aumento da pressão sobre a parte superior de suas costas. Doce. Ele podia sentir todo o calor dela de cima a baixo com uma apertada queimadura onde ela pressionava contra sua bunda ardendo. E então ela alcançou ao redor e agarrou seu pênis. Assustado, ele puxou, e suas mãos quase soltaram os pinos. Ele se recuperou rapidamente. Os dedos lhe deram um doloroso aperto de advertência. “Não se mova, Benjamin.” “Não, Mistress.” Ele ouviu o rosnado em sua voz. Ela riu. Apertou novamente. “Você se move, e eu vou segurar suas bolas em vez de seu pau da próxima vez.” Porra. Aqueles dedinhos fortes dela podiam fazer alguns danos sérios. Mas agora, ela o estava acariciando, de cima a baixo, suave e doce, e ele não tinha achado que fosse possível, mas seu pênis alongou ainda mais. Se ela não o deixasse terminar, ele teria que se masturbar no banheiro antes de poder voltar ao trabalho. Ele sentiu a respiração dela entre suas omoplatas. Um beijo borboleta em um deltoide e depois o outro. Ela deu um passo atrás e bateu em sua bunda um par de vezes com firmeza. Essas mãozinhas. Uma pausa. E então algo o atingiu mais forte do que merda. Jesus. Seu corpo ficou tenso. Antes que ele pudesse sequer processar a dor, mais golpes atingiram suas nádegas — e não deixando nenhuma dorzinha leve atrás disso dessa vez. Sua pele sentia como se um rastilho 39


de pólvora o estivesse queimando até as cinzas. Suas mãos apertaram os pinos; ele abaixou a cabeça e tomou isso. Ela parou e colocou um remo no chão ao lado de seus pés. Dessa vez, quando ela se inclinou contra ele, seus seios ainda se sentiam doces como sorvete de sundae. E a bunda dele se sentia crua como o inferno. Ela deliberadamente esfregou a carne ardida com a dela. “Qual é a sua cor, Ben?” Quando ela fechou a mão em seu pênis, os dedos estavam muito mais frios do que sua ereção esticada — e, em vez de desinflar com a dor, ele ficou ainda mais dolorosamente duro. Ela o acariciou levemente. Ele engoliu em seco. Sádica. Ele estava brincando com uma sádica. Lembre-se disso, imbecil. “Verde, senhora.” “Bravo soldado. Agora, você se arrepende de ter me desafiado na entrada?” Sua bunda com certeza faria amanhã. “Não, minha Senhora. Eu preciso muito mais de ter suas mãos em mim.” Silêncio. “Eu pedi para você expandir sobre essa questão?” Sua voz tinha afiado e, foda-se ele, ela moveu os dedos para segurar suas bolas muito, muito expostas. “Não, minha Senhora. Mas ouvi dizer que honestidade era bom entre um superior e inferior.” Ele não tinha certeza do que definia Mistress e sub, mas tinha a sensação de que se dar essa designação poderia não ser sábio. Ele não tinha certeza se queria chamar a si mesmo submisso ou escravo de qualquer maneira. “Você é bastante ousado. Então, eu vou te dar uma escolha. Você gostaria de tomar três golpes feitos com todas as minhas forças — ou uns mais leves até que eu me canse?” Os polegares esfregaram a frente de suas bolas agarradas; a ponta dos dedos pressionando acima quase até seu

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cu. Cada movimento enviando esses intensos picos elétricos para seu pênis que ele quase podia ouvir o chiado. Escolhas, escolhas. E então ele sabia a resposta certa. “Qualquer que seja que mais agrade a Mistress.” Estranho, mas dizer isso parecia certo. Sem escolhas, lhe dar todo o controle. Ela encostou a testa contra suas costas. Seu suspiro fazendo um círculo de calor contra uma escápula. E então ela se afastou. Ele ficou tenso. Preparado para tomar mais. Ela alcançou ao redor dele novamente, e uma mão fria e escorregadia circulou seu pênis. Movendo-se de cima a baixo. Os dedos, revestidos com lubrificante, o acariciavam com tão fodida destreza que ela o tinha pronto pra ir com menos de um minuto. Ele rangeu os dentes. “Mistress... Eu preciso —” “Mais cinco golpes, Benjamin. Segure-se até que eu diga.” Ele só conseguiu grunhir sua resposta. “Um. Dois.” Ela o apertou impiedosamente, deslizando desde a raiz até a ponta — e o polegar circulou a cabeça. Jesus. Ele nunca tinha estado tão duro. Suas bolas pareciam estar comprimidas direto contra sua virilha. Toda a sua espinha estava achatada com pressão. “Três. Quatro.” Mais devagar. Deslizando sobre cada centímetro do caralho com um aperto de arranque. “Cinco.” Ela parou e uma explosão de estrelas piscaram diante de seus olhos. “Goza para mim, Ben,” ela retrucou. Uma mão agarrou suas bolas e apertou, ela esfregou o corpo em sua bunda em chamas para acender sua pele como fogo, e o punho quente bombeou seu eixo de cima a baixo. Ele gozou. Jesus fodido Cristo, ele gozou, jorrando em todos os dedos dela, espasmo após espasmo, até que ele podia jurar que tinha esgotado sua carga e começado o sangue.

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Ele caiu contra a cruz, desejando que fosse uma cruz de verdade, assim ele teria um lugar para apoiar a testa. A mão dela ainda deslizava sobre seu pênis, sempre muito gentil, deixando-o montar fora o último aperto. “Muito bom, Ben. Fique aí um minuto.” Para seu pesar sem fim, ela se afastou. Ar frio soprou em suas costas suadas e se sentiu como o paraíso em sua bunda esfolada. E então ela colocou um braço em volta de sua cintura. “Um passo atrás. Vamos ver o quão bem suas pernas estão funcionando.” “Como se você pudesse me segurar.” O tapa afiado em sua bunda quase o fez gritar. Ele bufou e sorriu. Ela o lembrou de seu sargento instrutor favorito. “Desculpe, minha Senhora.” Suas pernas o seguravam muito bem quando ela o guiou até o banco onde ela tinha estendido uma toalha. “Sente-se sobre isso.” Ele se sentou e cerrou os dentes, sentindo cada fio abrasivo da toalha maldita. Ela colocou um lenço de limpeza em sua coxa, o frescor surpreendente contra sua pele quente. “Você pode se limpar, Benjamin.” Ela já havia limpado as mãos, ele percebeu enquanto se dava uma sacudida. “Muito bem.” De pé bem na frente dele, ela acariciou seu cabelo, e caramba, ele podia sentir seu cheiro — puro mulher sexy. Seu olhar azul aço o estudou por um momento antes de ela lhe entregar uma garrafa de água, a tampa já removida. “Beba tudo.” Ele bebeu um pouco enquanto considerava. O quão longe ele poderia empurrar? Até que ponto ele queria empurrar? “Obrigada, minha Senhora. Eu gostei disso.” Ela se sentou ao lado dele, a coxa morna contra a sua. A pequena mão tomou seu queixo e virou seu rosto para o dela. Ele aproveitou o momento para baixar os lábios em sua palma e beijar 42


de leve. Isso lhe rendeu um curvar de lábios em um sorriso abafado, bem como um flexionar de advertência dos dedos — ele não tinha dúvidas de que ela deixaria hematomas se ele não atendesse o aviso. “Você gostou da dor, Ben?” Merda, ela tinha que perguntar sobre isso. Estendendo as pernas, ele se recostou na parede e bebeu a água, tentando colocar sua resposta em ordem. “Tenho certeza que não gozaria com apenas dor. Mas quando se misturou com...” “Excitação? Em uma situação sexual?” “Isso. Sim.” Quando a mão esfregou seu queixo, ele pôde ouvir o chiado do restolho. Como ela se sentiria com uma abrasivamente pesada sombra de cinco horas entre suas coxas sedosas? “Não gozava tão duro há anos.” “Entendo.” Um momento de silêncio. “Suponho que lhe dá algo para pensar.” Inferno, ela estava se retirando. O sentimento de decepção foi afiado e um bocado ridículo. Teria ele esperado que ela fosse cair em cima dele, essa Domme que podia ter qualquer homem que ela quisesse a seus pés? No entanto, ela precisava saber que ele... Queria mais. Virando-se, ele a enfrentou, colocando a mão sobre a dela para segurá-la no lugar. “Mistress Anne, eu posso executar qualquer serviço para você em troca?” Suas pupilas dilatadas ligeiramente, e ele a ouviu tomar um fôlego. Ela sabia exatamente o que ele estava oferecendo. Então ela torceu os lábios em um leve sorriso que mostrou uma única covinha. “Eu deveria lhe pedir para lavar meu carro.” “Não foi isso o que eu quis dizer, minha Senhora.” Ele deixou a reprovação em sua voz clara. Riso dançou em seus olhos. E ele que sempre tinha pensado que ela era tão séria. “Você realmente é delicioso, Ben. Mas eu não preciso de nada.” A mão se moveu de seu rosto, apesar de sua tentativa de mantê-la lá. “Você já terminou a água. Como está se sentindo?” 43


“Bem, minha Senhora.” “Então eu quero que você se vista e limpe o equipamento que você encharcou.” Seu olhar prendeu o dele — para ver se ele reagiria. Como alguém que tinha trabalhado horas em quartéis ficaria envergonhado com esperma... em qualquer lugar? “Sim, minha Senhora.” Sua risada foi baixa e satisfeita. “Não há muito que te perturba, não é?” “RPGs12 e IEDs13, esses são perturbadores. Qualquer coisa menos — nem tanto.” “Você é um bom cara, cão de guarda.” Ela passou a mão por seu braço, traçando os músculos de seus bíceps, daquele jeito que as mulheres faziam — do mesmo jeito que um homem desfrutava dos seios de uma mulher. Ela gostava de seu corpo. Gostava dele. E mesmo assim estava recuando. Porra. Isso. Ele ousou mais e tocou seu cabelo. Parecia tão suave quanto a seda do precioso xale de sua mãe. Se Anne estivesse em cima, aquela massa de cabelo fluiria sobre os ombros dele como uma carícia de água fria. “Só pra você saber, Mistress, estou chamando minha oferta de uma verificação de chuva14. Você me avisa quando quiser descontá-lo. Não há data de expiração.” Não só sem data de expiração, mas se ela não tomasse sua proposta, bem, havia sempre várias abordagens disponíveis para atingir um alvo. Ela valia a pena tomar o tempo para tornar isso certo.

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Report Program Generator – Gerador de Programa de Relatório, uma linguagem de programação de computador comercial de alto nível 13 Improvised Explosive Device – Dispositivo Explosivo Improvisado, tipo um carro-bomba 14 Um bilhete dado para uso posterior quando um evento desportivo ou outro evento ao ar livre foi interrompido ou adiado pela chuva.

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Capítulo Três Quatro dias depois, Anne escolheu através dos pods Keurig15 para encontrar um café com sabor de chocolate. Parecia que seria uma longa noite, e ela precisava de toda a cafeína que pudesse conseguir. Com sorte suas vísceras poderiam lidar com a bebida. Depois de estar doente desde domingo de manhã, ela finalmente tinha conseguido manter a comida abaixo hoje. Pelo menos ela sabia a origem de sua doença — de ter tomado conta de sua sobrinha e sobrinho na semana passada quando estavam em casa com um problema estomacal. Mais como um demônio estomacal. Depois que a máquina terminou se assobiar e vibrar, ela levou o café para a varanda, aconchegou-se em sua cadeira de vime favorita, e verificou a vista. Aparentemente, o alerta do boletim meteorológico de uma tempestade tropical tinha sido preciso a mudanças. Uma parede alta de nuvens negras no oeste lhe dava à praia normalmente branca um matiz cinzento. O vento açoitava as palmeiras perto como se estivesse tentando dobrálas ao meio, e capas brancas ondeava a água agitada do Golfo. Maravilhoso. Ela deveria chamar a equipe fugitiva de recuperação para a noite? Não, fugitivos muitas vezes se escondiam durante uma tempestade, tornando isso um excelente momento para derrotá-los. Da mansão além da casa de Harrison à esquerda veio risos; seus sobrinhos e sobrinhas deveriam estar visitando seus pais. À direita eram os sons de seu irmão Travis cortando a grama. Ela inclinou a cabeça para trás, respirando o ar salgado, sentindo-se abençoada. Os avós de sua mãe tinham comprado quase dois acres em Clearwater Beach Island tempos atrás quando a 15

Um sistema de preparação de bebidas para uso doméstico e comercial.

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terra era barata. Quando sua mãe tinha herdado, ela resistira à pressão para vender aos desenvolvedores de condomínios. Ao invés, seus pais tinham presenteado Anne e seus dois irmãos com um meio-acre e casa. Melhor presente do mundo. Ela ganhava um bom dinheiro como uma agente de recuperação de fugitivos, mas não o suficiente para uma perfeita casa na praia. Ben tinha visto sua casa. Ela tomou um gole do café e franziu a testa. Teria ele pensado que ela era rica? Seria por isso que ele a empurrara até o topo no último final de semana? A ideia lançou uma luz feia sobre o que tinha sido uma bela cena. Mas, não. Ela estava fora da base. Talvez eles nunca tivessem se falado mais do que um boa noite, mas ela “conhecia” Ben há anos. Assim como Z. O proprietário do Shadowlands não era apenas muito empático para a paz de espírito de alguém, mas ele também era um psicólogo. Ben não teria mantido essa posição se não fosse confiável. Ela torceu o nariz. Tanto por essa desculpa fraca para desvalorizar a cena. E tudo porque ela estava incerta sobre o que tinha feito. Sobre Ben. Porque ela tinha sentido uma emoção real quando ele obedeceu, e outra emoção quando ele gozou. Tinham ambos sido apanhados no momento e no outro. Ela sentido cada vacilo dele, cada fôlego, cada tensão de seus músculos. E o homem tinha músculos. Calor lavou em seu núcleo quando ela se lembrou. Quando ele tinha levantado os braços, o aperto nos pinos tinha deixado seus antebraços rígidos, as veias visíveis e implorando para serem rastreadas com a língua. Os músculos trapézios16 tinham se juntado, os músculos dorsais tinham se alargado, e os longos músculos ao lado de sua espinha tinha ficado como sólidos pilares de concreto. E ele tinha um pênis simplesmente lindo, totalmente proporcional ao seu corpo maciço. Sexo com ele seria comparável a beber café forte com chocolate — um definitivo poder com um extra de dar água na boca. 16

Um par de grandes músculos triangulares que se estendem ao longo da parte de trás do pescoço e ombros

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Não era estranho que ela tivesse ficado satisfeita com uma cena tão leve? Ela não fazia uma sessão com tão pouca dor fornecida em... Em anos. E ainda assim ela tinha ficado perfeitamente satisfeita. Mas, mesmo se ele estivesse interessado em mais, ela tinha terminado. Ela não jogava com novatos no estilo de vida, especialmente aqueles como ele que não tinha ideia de no que estava se envolvendo. O homem era baunilha. E ele era funcionário de Z — não alguém para se transformar em seu escravo. Além disso, suas emoções perto dele eram desconfortáveis. Ela não ficava desconfortável. Fora não ter um escravo, no momento, sua vida estava exatamente do jeito que ela queria. Seu trabalho com seus horários flexíveis era ótimo. Sua casa, ótima. E quando ela encontrasse um homem jovem para tomar como escravo, tudo ficaria bom. Pensando em trabalho, ela precisava se mexer. Ela passava a maior parte de suas horas de trabalho de dia fazendo buscas no computador e telefone, batendo em portas, e pegando fugitivos durante o dia. Mas muitas vezes capturar fugitivos mais esquivos significava sair à noite. Esta noite a presa da equipe era um traficante negociador-de-vida que tendia a se deslocar entre casas no distrito de Land O’ Lakes. A equipe iria se dividir e fazer algumas visitas simultâneas a seus amigos mais próximos que poderiam ter lhe oferecido abrigo. Ela olhou para as nuvens escuras e suspirou.

***** Naquela noite, encharcada até os ossos e ficando mais irritada a cada minuto, Anne bateu na porta do fugitivo. Armadura corporal encoberta quando encharcada? Muito pesada.

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A mulher de cabelos grisalhos que abriu a porta viu a camisa polo verde-escuro de Anne com o logotipo “THE BROTHERS BAIL BONDS17“ e o cinto de armas com o .38 S&W e Taser. Consternação encheu seu rosto. Empurrando o cabelo molhado do rosto, Anne falou alto para ser ouvida acima do trovão e o ruído do vento e chuva. Era duvidoso que o fugitivo tivesse saído para se divertir com essa confusão. “Minha senhora, lamento informar que seu filho faltou à data da audiência. Ele está aqui?” “Ah. Não. Não, ele não está.” A pobre mulher. A Sra. Wheeler estava presa em uma situação impossível. Não importava o quanto uma mãe queria proteger sua prole, alguns filhos tornava isso quase impossível. A senhora também era realmente uma péssima mentirosa. Pena suavizou a voz de Anne, mesmo enquanto sua mão atrás das costas fazia sinal para que sua equipe se posicionasse. “Sra. Wheeler, você colocou sua casa como garantia para a fiança de seu filho. Sinto muito, mas se eu não levar Edward, você vai perder este lugar.” O rosto da mulher empalideceu. “Eu não posso me dar ao luxo de perder...” Deus, esta era a parte mais triste do trabalho — ver o trauma que um criminoso infligia a sua própria família. “Você tentou o seu melhor.” Anne elevou o domínio em seu tom, um que tinha seus escravos se ajoelhando sem pesar duas vezes. “Deixe-nos fazer isso agora, senhora.” A mulher deu um passo atrás. O pulso de Anne acelerou. O fugitivo tinha um histórico de violência, uma das razões de ela ter chamado a equipe em vez de pegá-lo sozinha. Mitchell já tinha desaparecido na parte de trás para ver os fundos e o lado sul da casa. Dude tinha se posicionado para proteger a frente e lado norte. Eles se comunicavam através de seu fone de ouvido walkie-talkie. Saídas protegidas, Anne entrou. 17

OS IRMÃOS TÍTULOS DE FIANÇAS.

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Aaron, um policial aposentado do Texas, a seguiu para dentro. Um homem bom; um bom companheiro de equipe. Um segundo depois, seu primo, Robert, pavoneou dentro, mão em sua arma no coldre. A mesma arma que um fugitivo tinha chutado de sua mão na semana passada. Se Anne tivesse escolha, o idiota não carregaria nada mais mortal do que uma pistola de água. Ele com certeza não estaria nesta equipe que havia construído. Mas seus tios — os proprietários da empresa de fiança — tinham, como de costume, cedido à sua lamentação. O clique distinto e baque de alguém jogando sinuca veio de uma sala à esquerda. Pelo menos uma pessoa estava lá dentro. Anne olhou para a direita e observou o que parecia ser um par de quartos e um banheiro. “Robert, verifique os quartos à direita, por favor, e permaneça em guarda aqui. Chame se encontrar o fugitivo. Aaron, vamos para a esquerda.” Robert inflou, a boca ficando teimosa. “Mas eu quero —” “Faça isso agora.” O olhar frio de Anne o lembrou de que ela estava no comando. Ele saiu bufando, seu “puta fodida” bastante audível. Ela trocou olhares exasperados com Aaron, então liderou o caminho através do tapete desbotado para onde a sala de jantar tinha sido transformada em uma sala de jogos. Aquela pobre mãe. Um olhar rápido mostrou um homem jogando um solitário jogo de piscina. Anne verificou mentalmente sua aparência pela foto de registro de prisão que ela tinha obtido durante a preparação. Cem por cento correspondente. Ela entrou na sala. “Sr. Edward Wheeler, eu sou dos The Brothers Bail Bonds e estou aqui para buscá-lo. Há uma ordem de prisão por seu descumprimento em comparecer em sua data de audiência.” “Pro inferno com isso.” Indo em direção à porta da cozinha, ele olhou pela janela e viu Mitchell no meio do quintal. Rota de fuga bloqueada, Wheeler girou — e arrancou para Anne. 49


Diversão. Sorrindo ligeiramente, ela saiu de seu caminho, agarrou seu braço ao passar por ela, e o redirecionou para o batente da porta. Ele bateu lá com um baque agradável — mas ei, ela tinha evitado enviá-lo contra a parede onde os retratos da mãe poderiam ser danificados. Aaron o atacou. Em seu estômago, Wheeler chutou e amaldiçoou, mas não conseguiu obter alavancagem suficiente para lutar de forma eficaz. Que idiota. Fazendo sua mãe arriscar a casa porque optou por vender metanfetamina para crianças. Anne puxou as algemas do cinto e prendeu seu pulso esquerdo enquanto ele a xingava, usando a palavra-f como verbo, adjetivo e advérbio. “Os jovens de hoje não têm originalidade,” Aaron reclamou. Então, novamente, ele tinha se casado com uma professora de história que podia amaldiçoar por horas sem usar nenhuma palavra de quatro letras. “Aí está ele!” Robert arrancou através da porta, batendo nela quando tentou agarrar o braço livre do criminoso. “Dê-me seu pulso, seu imbecil.” Anne fez uma careta, facilmente prendendo o braço tatuado do fugitivo, e terminou de algemá-lo. “Volte para seu posto, Ro —” Um rugido veio da porta. Anne pegou movimento pelo canto do olho e se jogou para o lado. A bota visando sua cabeça bateu em seu quadril. Dor explodiu dentro dela. O chute a empurrou contra a mesa de bilhar, e sua cabeça bateu lá com um estalo desagradável. Ouvidos zumbindo, ela balançou a cabeça, tentando limpar sua visão. Filho da puta. Aparentemente, Wheeler tinha um amigo. Passos martelaram conforme ele vinha em direção a ela.

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Mexa-se! Ela rolou, chutou e acertou seu joelho. O amigo idiota caiu como um touro abatido. Com a cabeça ainda girando, ela se empurrou de pé, testando se sua perna ia segurar seu peso — seu quadril gritou um protesto — e deu um chute cuidadosamente colocado em seus testículos que eliminaria novos ataques até depois que eles saíssem. Segurando a cabeça, Aaron cambaleou. Aparentemente, o touro o havia atingido no caminho até ela. Robert estava parado ao lado do fugitivo. Fazendo nada. Ela olhou para ele. “Bela forma de cobrir as costas de seus companheiros de equipe, Robert.” Ele corou. “Eu garanti o criminoso.” “Anne já o tinha algemado,” Aaron apontou. Anne olhou para o touro abatido e viu os restos de loção de barbear em seu rosto e mandíbula. Cabelo molhado. Tronco Nu. “Você não verificou o banheiro, não é, Robert? E se você tivesse ficado de guarda como ordenado, ele não teria conseguido passar.” Os lábios de Robert torceram em um sorriso de escárnio. “Você vai chorar porque se machucou?” Oh, honestamente. A estação para onde ela fora atribuída uma vez como policial tinha sido famosa pelas atitudes misóginas. E agora ela tinha que lidar com isto. Homens inseguros que se sentiam ameaçados por mulheres competentes eram uma dor na bunda. Mas as besteiras estúpidas que eles jorravam não a deixavam furiosa. Agora, o latido fraco de homens como seu primo era simplesmente irritante, semelhante ao zumbido de uma mosca persistente. “Na verdade, Robert, eu vou apenas constar no relatório que você desobedeceu às ordens e estar fora de sua posição resultou em violência desnecessária e lesão durante uma captura. Eu 51


também vou acrescentar que você sentou sobre seu rabo, enquanto seus companheiros lutavam.” Ela apontou para o fugitivo. “Pegue-o, por favor, Aaron. Vou ligar para Dude e Mitchell entrarem.” Robert a encarou, murmurou, “Puta,” e saiu da sala. Ela balançou a cabeça, frustração fervendo em suas entranhas. A insolência dele poderia ser ignorada, mas sua incompetência e incapacidade de trabalhar como parte da equipe colocava todos em risco. Enquanto Aaron levava Wheeler para o furgão, Anne chamou Mitchell e Dude, recebendo “Bom passo, chefe,” de Mitchell, e “Balançou,” de Dude. “Senhorita, por favor.” Sobre os degraus da varanda, a mãe interceptou Anne. “Minha casa? Desde que Eddie lutou contra, isso significa que minha casa será perdida?” Anne segurou suas mãos e disse suavemente. “Não, senhora Wheeler. Assim que a prisão assumir a custódia dele, os papéis de garantia não estão mais em vigor.” Ela apertou os dedos trêmulos. “Sua casa está segura.” Quando ela saiu para a chuva e vento, ela olhou no relógio. Ainda bem cedo. Ela poderia muito bem despachar Mitchell para entregar o fugitivo para a prisão e preencher o formulário de Declaração de Rendição. O resto deles veria se quaisquer outros fugitivos tinha decidido ficar em casa na tempestade.

***** As arandelas de parede no terraço de Z lançava luz suficiente para que Ben pudesse ver a chuva caindo. Pingos batiam contra a calçada com violência suficiente para saltar. Piscinas de água foram fluindo através da paisagem tropical. Seus amigos pararam atrás dele na porta de tela aberta. 52


Um relâmpago iluminou seus olhos, seguido por um estrondo ensurdecedor. Quando o ar frio ficou quente e árido, cheio de grãos de uma tempestade de areia, Ben congelou. Ao redor da equipe, flashes de granadas de artilharia iluminavam a noite com estrondos como um trovão. Não. Inale lentamente. Dentro. Fora. Ele estava na Flórida. Estava chovendo. Ele rosnou, meio baixinho, “Malditas trovoadas.” “Nem me fale,” Os olhos de Digger encontraram os dele em total compreensão. “Soa muito fodidamente parecido com um bombardeio aéreo.” Z chegou atrás deles e colocou a mão no ombro de Ben. Calor e confiança fluiu a partir da forte aderência. Depois de um segundo, ele perguntou: “Você pode ficar um momento?” “Eu estou bem.” “Você está, de fato.” Z apertou seu ombro antes de liberá-lo. “Esta é outra questão.” O que seria isso? “Sim senhor.” Z voltou sua atenção para os outros. “Senhores, vejo vocês no próximo mês.” “Até logo, Dr. Grayson. Até logo, Haugen.” Digger disse, iniciando um coro de despedidas. Ben ergueu a mão enquanto os homens saíam. Guiados pelas luzes solares esmaecidas pela chuva, eles correram para o portão da cerca e o estacionamento do Shadowlands. Um longo ziguezague de um relâmpago iluminou a noite enquanto Ben voltava para o terraço gradeado e coberto. Z tinha retomado seu assento na cadeira almofadada vermelho-escuro de carvalho-e-ferro. “E aí?” Ben perguntou, se esquivando de uma planta pendurada. A brisa fria farfalhava as flores e trazia o cheiro de mar e flores tropicais. “Você pode se sentar por um minuto, por favor?”

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Inferno, isso não parecia nada bom. Ben não tinha tido quaisquer problemas recentemente — nada que ele não pudesse lidar, então ele duvidava que o Dr. Zachary Grayson, psicólogo, o havia chamado de volta para avaliar seu PTSD. Mais provavelmente, ele estava lidando com Z, o proprietário do Shadowlands, que era um dos filhos da puta mais protetores que Ben já conhecera. E teimoso como o inferno. Recusa era inútil. Ben fez uma careta. “Se você está planejando me atormentar por mais de cinco minutos, eu quero uma cerveja.” Uma vez que dois dos veteranos eram alcoólatras em recuperação, o psicólogo não servia nada mais forte do que refrigerantes durante as sessões. Z lhe deu um sorriso descontraído. “Justo.” Contra a parede, a geladeira estava cheia de comida lixo, lanches saudáveis, sucos — e bebidas alcoólicas de todos os tipos. Como no Shadowlands, Z fazia questão de estocar as bebidas favoritas das pessoas. Ben olhou para um rótulo verde e encontrou uma Brooklyn Lager18. Pensando na tensão no rosto de Z, ele também serviu uma dose de Glenlivet19 em um copo. Ele entregou copo de uísque para Z, depois caiu em uma cadeira em frente e colocou os pés em cima da pesada mesa de café de carvalho. Ele tinha que apreciar uma decoração projetada para a vida, bem como o estilo. “No que está pensando, chefe? Problemas?” “Não exatamente problemas.” Z olhou para sua bebida e tomou um gole. “Embora eu te acompanhe em sessões de grupo e sirvo como seu empregador, eu também te considero um amigo.” Bem, maldição. Não é que ele dava a isso um brilho fino do caralho? Incapaz de encontrar uma resposta adequada — ele não tinha o vocabulário diplomático de Z — ele murmurou; “O mesmo aqui.” Depois virou a garrafa e bebeu um bom terço para obter o equilíbrio de volta. Palavras reconfortantes ou não, ele tinha a sensação de que deveria ter escapado com os outros. “Soa como se você estivesse se dirigindo a algo.”

18 19

Uma marca de cerveja famosa nos EUA É a marca do maior uísque de malte único vendido nos EUA

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“Este é um bom palpite.” Z rodou seu scotch e prendeu Ben com um olhar cinzento. “Ao te liberar por uma hora no sábado passado, eu essencialmente dei a Mistress Anne permissão para jogar com você. Eu cometi um erro?” Sim, seu palpite tinha sido na mosca. Infelizmente, ele não tinha um fácil sim ou não como resposta, uma vez que qualquer coisa que dissesse poderia causar problemas para Anne. Ben selecionou suas palavras com a brevidade exata e cuidado que ele daria a um interrogador. “Nenhum erro. Eu gostei da cena.” Diversão apareceu na expressão de Z antes de ele assentar o copo. Oh, Merda.

***** Zachary estudou o homem sentado à sua frente. Músculos um pouco tensos, olhos nivelados, mas cautelosos, rosto sem nenhuma expressão. Postura protetora. Pensamentos protetores. Por Anne. É claro. Benjamin tinha crescido nas ruas de Nova York, cuidando de sua mãe e irmãs. Ele se juntara ao Exército dos EUA para proteger seu país e se mudara para os Rangers para fazer um trabalho ainda melhor. Anne podia ser o dominante, mas este soldado operava sob suas próprias prioridades. Zachary fazia o mesmo. “Devo inscrevê-lo como sócio do clube?” ele perguntou em uma flanqueada manobra. “Merda.” Benjamin engasgou com a cerveja e tossiu. “Ah, não. Isso seria como puxar o gatilho antes de apontar.”

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“Entendo.” O que ele também podia ver era que Benjamin tinha, de fato, gostado da sessão e queria mais. Como a Domme, Anne tinha o próximo movimento. Ela aparentemente não tinha feito um. Estes não eram duas pessoas que ele teria previsto serem uma boa combinação, mas a cena no sábado tinha segurado uma tremenda energia e química. Eles tinham sido apanhados mutualmente. Normalmente uma coisa boa. Mas... Z considerou o copo, vendo o reflexo dos raios no líquido âmbar. Embora a cena no Shadowlands tivesse mostrado que Benjamin era sexualmente submisso, ele não possuía uma mentalidade de escravo, e era duvidoso que o homem pudesse se adaptar a esse estilo de vida. Ele duvidava que Anne sequer fosse permitir que Ben tentasse. “Desembucha, Z.” Z olhou para cima. “Mistress Anne é uma das melhores Dominantes que eu já conheci. Ela também é excepcionalmente reservada. Seus escravos não vivem com ela. Seu controle quando ela está com eles é absoluto. Ela escolhe seus ‘meninos’ com cuidado e eles adoram o chão que ela pisa. Eu não tenho certeza —” “Eu não sou o tipo dela. Eu sei disso.” A mandíbula de Ben estava firme. “E você já deu seu aviso.” “Eu não acabei. Se um submisso não é seu escravo, ela pode jogar com ele no clube. Uma ou duas vezes.” “Certo.” “Ela também é uma sádica.” “Eu sei disso” — Ben ergueu a mão — “e eu sei que ela foi de leve em mim na semana passada.”

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Quando um trovão ressoou, o vento aumentou, enviando ar úmido e frio por todo o terraço. As arandelas na parede piscaram. Inquieto, Zachary olhou para os degraus que levavam ao terceiro andar, seus aposentos privados. Ele tinha deixado Jessica no sofá, Galahad no colo, ambos assistindo satisfeitos o velho filme Die Hard20. Ele checou o celular. Não, ela não tinha enviado nenhuma mensagem. “Jessica está bem?” Benjamin se levantou. “Vou sair de seu caminho para que você possa ver como ela está.” “Boa tentativa, Benjamin, mas estou fazendo isso agora. Remotamente.” Zachary deu um meio sorriso. “Ela fica mal-humorada se acha que eu estou dando uma de ‘babá’ dela.” Então, ele mandou uma mensagem, “Vou subir em poucos minutos. Posso te levar alguma coisa?” “Shhh. Esta é a melhor parte do filme!” Porra, ele amava sua mulher. “Ela está bem.” Ele sentou-se e continuou com o assunto. “Se Mistress Anne não chamá-lo, você vai se sentir confortável com isso? Com vê-la pegando um novo escravo?” Ele obteve um olhar severo. “Z, nós compartilhamos uma cena, não um casamento.” Infelizmente, as palavras não ecoaram as emoções de Benjamin, que eram principalmente de pesar e desapontamento. “Sessões D/s podem abalar os submissos, especialmente os novos. Quando você confia em alguém para cuidar de você — e eles fazem bem a você — então um vínculo se desenvolve. É fácil confundir esse laço com outros sentimentos.” “Bom saber.” Benjamin finalizou a cerveja. “Meu amigo e conselheiro,” ele disse em um tom levemente irônico, “o que acontece entre mim e as mulheres na minha vida — seja a mulher dominante ou baunilha — fica comigo. Com todo o respeito, Z, mas cai fora.” Havia razões para ele ter sempre respeitado o grande Ranger. “Sargento, você sabe que eu não vou fazer isso.” 20

Duro de Matar

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“Você é teimoso pra caralho.” “De fato. Desde que você gostou da cena, eu deveria combiná-lo com outras Dommes?” “Não.” Benjamin se levantou. “Hora de ir.” Ele tocou o dedo indicador na testa em uma meia saudação e se virou para a porta. Zachary viu o queixo determinado, a atitude em seus ombros. O sargento tinha escutado... E agora ia seguir seu próprio caminho. Justo. Um raio caiu tão perto que quase pôde ouvir o chiado. A energia acabou. Na escuridão repentina, Zachary se levantou e fez uma pausa para se orientar. “Eu preciso chegar a Jessica.” Os andares do clube tinha um baixo-nível de bateria operando luzes de emergência, se necessário, mas ele nunca as tinha estendido para seus aposentos particulares. Ele geralmente apreciava a calmaria que uma queda de energia criava em sua vida agitada. Ele nunca tinha pensado em ter uma esposa grávida e sem energia. A cadeira rangeu e Benjamim disse; “Vou ficar por aqui mais um tempo no caso de você precisar de ajuda com qualquer coisa.” “Obrigada.” Usando o celular para iluminar, Zachary correu até as escadas para a entrada do terceiro andar. Na gaveta da cozinha tinha duas lanternas. “Jessica, onde você está?” “Na sala.” Ela ainda estava no sofá, o gato no colo, e um beicinho delicioso no rosto. “A energia acabou bem na hora em que McClane estava em um tiroteio. Isso não é justo.” Maldição, ela o encantava. Ele se agachou na frente dela, passando as mãos em sua barriga redonda. Seu filho crescia lá dentro, rodeado pela mulher que amava. “Vou ter uma conversa com a tempestade e registrar sua queixa. Como você está?” “Minhas costas doem. E eu tenho que fazer xixi novamente, mas Galahad disse que não quer se mover.”

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Ela tinha um ponto fraco pelo gato com cicatrizes de batalha. Impiedosamente, Zachary pegou o felino e o colocou no chão, ganhando uma pancada impertinente da cauda. Ele colocou as mãos debaixo dos braços de Jessica e se levantou, puxando-a de pé. Tão pequena para segurar. Com uma personalidade tão flexível e resistente. Ela o deixava extasiado às vezes. Ele beijou o topo de sua cabeça. “Vamos, pequena.” No banheiro, enquanto ele acendia as velas que ela mantinha em volta da banheira, Jessica desapareceu no box do vaso sanitário. Seu gemido de alívio o fez rir. “Chame quando terminar para que eu possa te levar de volta, carinho.” Dando-lhe a privacidade que ela preferia, ele entrou no quarto principal. Um minuto depois, o som que ela fez não foi de seu nome. Mais como um gemido ou choro. “Jessica?” “Hum.” Ele ouviu seu sussurro, “Oh, Deus,” e preocupação tencionou seu intestino. Ele já estava na frente do box antes que ela tivesse a chance de sair. À luz das velas cintilando, ele não conseguia ler seu rosto, mas suas emoções estava por toda parte. Preocupação mais elevada. E dor. “Diga-me.” Ela mordeu o lábio. “Bem, eu estou em trabalho de parto. Eu pensei isso antes, mas tenho certeza agora, já que —” sua pele escureceu — “minha bolsa acabou de estourar.” Ele exalou lentamente e desligou seu primeiro instinto — uma bronca minuciosa por não lhe dizer antes. “Entendo.” Com um braço ao seu redor, ele a guiou para fora do banheiro. “Quanto tempo você estima que está em trabalho de parto?” “Beeem.” Inferno.

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“No início, eu pensei que as contrações eram apenas aquelas de Braxton-Hicks21. Elas realmente não doeram e já tinha parado. Só que as contrações não pararam. E realmente, eu ia te dizer, só que você tinha a sessão de grupo hoje, e eu não queria estragar tudo.” “Jessica, eu teria remarcado.” “Eles são nossos soldados. Eles merecem prioridade.” Essa sua teimosa, de grande coração submisso; ela seria sua morte. “Por acaso você marcou o tempo entre alguma das últimas dores?” “Elas estão perto de cinco minutos de intervalo. Eu liguei direto para a parteira antes das luzes se apagarem. Ela disse para ir para o centro de parto agora desde que a chuva poderia nos atrasar. Ela está saindo agora também.” “Certo. Neste caso, você arruinou a palestra que eu estava planejando.” Seu cabelo loiro ondulado brilhou à luz das velas quando ela sorriu, parecendo uma fada malandra. “Essa é uma boa notícia.” Ele capturou seu rosto entre as mãos e a beijou, lento e doce. “Eu te amo, Jessica.” “Isso é um alívio,” — ela ficou na ponta dos pés para dar um beijo leve em seu queixo — “já que vamos ter um bebê.”

***** Anne parou o carro no estacionamento do Shadowlands, desligou os faróis, e olhou através da chuva na muito escura mansão de pedras de três andares. Nenhuma luz estava acesa. Esta noite, de todas as noites, Z e Jessica não estariam em casa? Não, espera. Z nunca saía e deixava toda a casa apagada. Agora que pensava nisso, ela não tinha visto nenhuma luz acesa em milhas. A energia devia ter acabado nessa área. 21

São falsas contrações de parto, que podem começar a ocorrer por volta da 20º semana de gravidez, que apesar de indolores, podem ser desconfortáveis

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Através da chuva e escuro, ela vislumbrou luzes piscando nas janelas do terceiro andar. Valia a pena conferir. Se o lugar estivesse vazio, ela poderia se deitar na parte de trás de seu veículo. Ela já tinha dormido em sua SUV uma ou duas vezes antes, embora o que tinha sido legal aos vinte anos poderia não ser tão divertido uma década mais tarde. Que confusão em uma noite. O segundo fugitivo tinha caído facilmente em suas mãos. Mas não o terceiro. Eles tinham batido nas portas de seus amigos mais próximos e familiares, procurado em seus locais favoritos, e ficado encharcados por nada. Então, depois que sua equipe tinha parado pela noite, Anne tinha se desviado para verificar a casa de um outro fugitivo. Nenhuma alegria lá. Para coroar a porcaria da noite, ela tinha sido bloqueada por um engarrafamento na Suncoast Parkway, onde a chuva havia causado um engavetamento de múltiplos-múltiplos-carros. Então ela circulou por estradas ao redor até o Shadowlands. Uma boa noite de descanso em sua cama estava obviamente fora de questão. Ela pegou sua bolsa de viagem de reserva e uma lanterna e correu para o portão do jardim de trás. Eu já estou molhada — por que estou correndo? Ela correu através do jardim, abriu a porta e entrou no terraço. Seu cabelo encharcado caindo em seu rosto, e com uma bufada de aborrecimento, ela empurrou os fios para longe. Algo enorme se moveu no pátio escuro. Ela virou a lanterna para lá. Um gigante estava à direita. Um homem — Ben. Ele rosnou, “Pare aí e se identifique.” Sua voz ameaçadora era sexy como o inferno. Com uma risada, ela fechou os olhos e apontou a luz para si mesma. “Sou eu, Ben.” “Porra, o que você está fazendo nessa chuva, Anne?” “Eu —” A porta se abriu acima, e Z gritou para baixo, “Benjamin, posso te pedir para nos levar para o hospital? Jessica está em trabalho de parto.” “Será um prazer, Z. Deixe-me pegar —” 61


“Espere.” Anne levantou a voz. “Z, a Suncoast está bloqueada por um acidente de múltiplos carros. O noticiário disse que um equipamento de energia tombou e está atravessado na estrada. Outros carros se chocaram contra ele e derraparam para as pistas em sentido contrário também. Por isso o engarrafamento está em ambos os sentidos, os veículos de resgate não estão conseguindo chegar ao local para limpar a bagunça.” Ben começou, “Nós podemos tomar —” “Você não pode sequer chegar à Gunn. As estradas estão inundadas. Eu mal consegui fazer isso com meu Ford Escape — e a água continua subindo. Duvido que qualquer veículo possa passar lá agora.” Houve um longo silêncio em cima. Ela podia sentir a preocupação de Z. Finalmente, ele disse; “Fico feliz que você tenha chegado aqui, Anne. Pelo menos nós não vamos ficar presos na estrada.” “Ter um bebê em um carro. Não é minha ideia de diversão,” Ben resmungou. “Aparentemente, nós vamos ter um parto em casa esta noite. A parteira vive no local. Com sorte ela vai conseguir chegar aqui.” A lanterna de Z mudou quando ele pegou o celular. “Venha, vocês dois. A porta está aberta.” Um bebê chegando. Uma tempestade. Sem energia. Um calafrio subiu pela espinha de Anne. Felizmente, Jessica era forte e saudável. Anne olhou para o vulto escuro que era Ben. “Vamos até lá e ver se podemos ajudar.” “Sim, minha Senhora.” Ben colocou uma mão atrás de suas costas para guiá-la em direção aos degraus. A palma estava quente através de sua roupa molhada. E muito reconfortante. Após se secar e vestir roupas de sua bolsa reserva, Anne falou com Z, depois se dirigiram para o quarto principal. Inúmeras velas estavam acesas no quarto, mostrando janelas em arco, paredes claras e móveis escuros.

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Na cama king-size, Jessica estava sentada com as costas contra a cabeceira, as mãos atadas sobre a barriga, os olhos fechados. A careta em seu rosto disse que ela estava no meio de uma contração. Os primeiros bebês nunca vinham rapidamente. A experiência de Anne não era extensa, mas ela tinha sido parceira de parto de sua cunhada duas vezes enquanto Harrison estava no Iraque. Até amanhã, Jessica teria um bebê para mostrar pela dor. Anne sabia que sua amiga não lamentaria o trabalho nem um pouco. Depois de um minuto e meio, Jessica relaxou e abriu os olhos. “Anne. Ei.” Anne se sentou na cama. “Eu vim para lhe fazer companhia enquanto Z tenta falar com a parteira antes que ela fique presa no engarrafamento. Ele não teve resposta ainda. Ela, provavelmente, está em uma área de recepção fraca.” Um flash de preocupação cruzou o rosto de Jessica. “Há bolsões de zonas mortas por tudo isso aqui.” Uma diversão era indicada. “E então, você mudou de ideia sobre saber se está carregando um menino ou menina?” “Não.” Jessica sorriu ironicamente. “Embora Z provavelmente tenha subornado o médico para lhe dizer.” “Ah.” Oh, ele, sem dúvida, tinha. “Possivelmente.” Jessica se mexeu, obviamente desconfortável, mesmo sem uma contração. “Menina, não há nenhuma razão para você ter que ficar aqui... Não até que esteja mais perto do grande momento. Você gostaria de se mudar para a sala de estar?” Os olhos de Jessica se iluminaram. “Eu posso? Sinto-me como se tivesse sido enfiada em uma caverna e esquecida.” “Então, vamos consertar isso. Sofá ou poltrona? E deixe-me pegar algumas toalhas.” “Sofá. Há toalhas velhas de linho na prateleira inferior do armário. No banheiro.” 63


“Perfeito. Fique aí por um minuto.” Anne organizou as coisas, acrescentou um lençol para um maior conforto, e voltou. Jessica estava suando um pouco, mas ansiosa para se mover. Anne a ajudou a levantar, até a sala, e hesitou. “Sabe, desde que você tenha alguém do seu lado, você pode andar por aí.” “Sério? Impressionante.” Ela deu a Anne um olhar triste. “Como era o período dos impostos, eu acabei perdendo algumas das aulas de parto. Z e eu estávamos esperando repô-las esta semana.” “Você é uma contadora. Estou surpresa que Z não tenha insistido nas aulas.” “Eu fiquei meio histérica, e ele cedeu. Provavelmente porque apontei que me preocuparia mais se tivesse que apresentar extensões de retorno de imposto para cada um dos meus clientes.” Anne sorriu enquanto conduzia sua amiga até a sala. Jessica era uma de suas pessoas favoritas, mas totalmente louca em números. “Bem — oh, Deus, de novo não.” Jessica rapidamente se sentou no sofá e segurou a barriga endurecendo. Com os dentes cerrados, ela acrescentou; “As dores estão descendo para cada dois ou três minutos.” Anne puxou na memória de quando havia ajudado com os nascimentos de sua sobrinha e sobrinho. Tais contrações frequentes significava trabalho de parto ativo, certo? Mais do que na hora da parteira chegar. Ela pegou as mãos da loira em um aperto firme e acrescentou um toque de comando em sua voz. “Olhe para mim.” Quando os olhos de Jessica encontraram os seus, ela disse, “Inspire pelo nariz, e expire pela boca.” Quando a dor aumentou, Anne disse; “Respire devagar agora. Dentro e fora.” A subbie de Z seguiu bem suas ordens. Depois de um longo minuto, Jessica afundou. “Se Z quiser outro bebê, ele vai ter que carregá-lo.” 64


Anne sorriu. Não havia muita coisa que mantinha o senso de humor de Jessica para baixo. “É melhor com alguém ajudando. Obrigada.” Jessica deu um aperto em seus dedos. “Meu prazer.” “Uh, não de verdade, né?” Jessica olhou como se estivesse procurando as palavras diplomáticas certas. “Nós somos amigas — e você não quer — não está — gostando de me ver sofrer, não é?” “Não.” Anne bufou. “Primeiro, embora eu tenha superado submissas fêmeas quando necessário, eu não encontro nenhuma satisfação em ver uma mulher em dor. Em absoluto.” “Bem. Isso é bom. Se esse foi o primeiro, tem um segundo?” Anne fez uma careta. Ela tinha colocado dessa forma, não tinha? Porque havia mais, ela só não tinha certeza do quê. Exatamente. “Faça-me um favor e não compartilhe isso com seu Mestre intrometido.” “Coisas de meninas não são compartilhadas. Ele fica chateado com isso.” Coisas de meninas. Anne raramente pensava em si mesma como menina, mas na verdade, ela era apenas uns cinco anos mais velha que Jessica. “Tenho notado que infligir dor não é tão... Satisfatório... Quanto costumava ser.” “Huh. Isso significa que você precisa machucar alguém ainda mais para obter prazer com isso?” “Na verdade, menos. Isso não faz sentido. Sádicos normalmente escalam.” “Foi por isso que você terminou com Joey, não é?” Joey — seu último escravo e um masoquista — queria mais dor dela do que ela queria administrar. Ela tinha lhe dado o que ele precisava, mas em última instância, essa diferença em suas necessidades tinha sido um dos principais motivos da separação deles. “Você é tão perspicaz quanto seu Mestre, subbie,” Anne disse levemente. “Bem.” Jessica parou e gemeu. Elas respiraram através de outra contração. 65


Depois de se recuperar, a loira fez uma careta. “Se você quer menos — e por apenas um dos sexos — então talvez não tenha sido a dor real que você gostava. Poderia ser que você apenas tenha gostado de transformar homens em gelatina?” “Certamente.” Anne lhe deu um meio-sorriso. Z amava como sua Jessica era lógica. Mas... Ela poderia estar certa. Talvez por isso uma vez que ela começara a cuidar de um escravo, para machucá-lo — por apenas amor à dor, tornara-se mais difícil.

***** Zachary encontrou seu controle sendo testado até seus limites quando tomou o lugar de Anne no sofá. A parteira, Fay, tinha chegado alguns minutos antes, apenas a tempo para o que Anne disse era a fase de transição. Pessoalmente, Zachary considerou este nível um tipo de inferno. Ver Jessica em tanta dor — dor que ele não podia aliviar — o fez querer matar alguma coisa. As contrações vinham a cada dois a três minutos e durava... ele podia jurar, uma eternidade. Pela primeira vez, ele ficou grato que sua esposa anterior tinha ganhado seus dois filhos por cesariana. Deus, Jessica. Ele pôde ver o momento em que ela não tinha certeza se poderia aguentar mais — mesmo antes de ela anunciar; “Agora chega. Eu desisto.” “Não há como desistir,” ele murmurou. “Mas a cada contração você chega mais perto do fim.” Ela realmente o encarou. “Isso não está ajudando. Maldito seja, você já tem filhos. Por que você quer mais?” “Jessica, você queria ter filhos.” 66


“Você está muito errado, porra. Eu nunca —” A próxima contração veio. “Respire, pequena.” “Respira você, seu idiota. Como você pôde fazer isso comigo? Você me disse que não era um sádico, seu mentiroso.” Ela cravou as pequenas unhas em seu antebraço fundo o suficiente para tirar sangue. “Você gosta de dor? Isso é bom?” Atrás dele, ele ouviu uma risada de Ben. “Ela vai lamentar isso mais tarde.” Retornando do quarto onde tinha estado arrumando, a parteira disse com um sorriso; “Não. Zachary concordou — como fazem todos os meus clientes — que tudo aquilo que é dito ou feito durante a fase transitória é perdoado. Sem sis, is, ou mais.” Zachary puxou o dedo de sua esposa solto e não deu a mínima se ele estava sangrando. Ela estava tremendo e sacudindo, e tudo o que ele queria fazer era puxá-la nos braços. “Não me toque.” Ela bateu em suas mãos. “Eu te odeio.” Ele estremeceu com a raiva e dor a enchendo a ponto de explodir, e se sentiu totalmente, terrivelmente impotente quando ela gemeu através de outra contração. “Calma, Z,” Anne murmurou e apertou seu ombro, depois passou uma toalha de mão úmida para a parteira. Fay colocou o pano na testa de Jessica. “Você quer que seu marido massageie suas costas, querida? Ou você quer fazer isso de quatro?” “Não, droga, eu só quero que isso acabe.” Sua voz se elevou em um meio-grito. “Deus fodido, que sugador-de-pau de merda maldita do caralho.” Mesmo quando os ombros de Z ficaram tensos em simpatia, ele não conseguiu suprimir o bufo de riso. Ele nunca a ouvira usar esse tipo de linguagem. “Você... Seu babaca de merda. Isto. Não. É. Engraçado.” Ela amoleceu, ofegando por ar, suor fazendo sua pele brilhar. Seu olhar esmeralda afiado poderia ter cortado através do aço. “Esse seu pênis chega perto de mim de novo e eu vou cortá-lo.”

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“Agora sim isso é simplesmente malvado,” Ben murmurou. “Acho que você acaba de ganhar uma concorrência no departamento de tortura de pau, Mistress Anne.” Jessica, uma mulher anteriormente doce virou o demônio, ela virou seu olhar furioso em direção ao canto onde Ben estava. “Você... Eu gostava de você. Eu estava errada.” A sombra volumosa que era Ben pareceu encolher na parede. Ele limpou a garganta. “Acho que vou... Verificar como a chuva está caindo e, sim...” Quando ele saiu, Zachary olhou ao redor. Anne tinha ficado. Ela lhe deu um aceno firme de cabeça que dizia que estaria disponível, se necessário. Sua presença ajudava, mas nada podia aliviar seu medo. Se alguma coisa desse errada, não haveria ambulância há tempo. Jessica já estava começando com outra contração. Tanta dor. Zachary fechou a mão em torno dela, tentando com todo o seu ser lhe emprestar sua força. Quando Jessica finalmente, finalmente, relaxou novamente, Fay perguntou, “Você precisa empurrar, certo?” Jessica assentiu. Fay disse; “Deixe-me avaliar o quanto você está dilatada. Então vamos passar para o quarto, onde tudo já está arrumado.” O exame resultou em mais duas maldições de Jessica. Fay anunciou; “Você já alcançou dez centímetros. Vamos.” Ela se levantou, levando a calcinha de Jessica com ela. “Ei, eu quero minha calcinha de volta.” Jessica estendeu a mão. “É hora de tirá-la, querida.” “Não. Coloque-a de volta.” Quando Fay não se moveu, sua amada gatinha virou sua carranca para Zachary. “Ela está sendo mal. Machuque-a.” “Calma, querida. Isso vai acabar logo.” Sua simpatia lhe rendeu mais unhas cavando em seu pulso. 68


Fay sorriu. “Agora, Jessica, nós duas sabemos que você já ficou sem calcinha antes — ou você não estaria precisando de meus serviços hoje.” Dane-se se ele não se sentiu culpado sobre sua parte em deixá-la grávida. Antes que Jessica pudesse responder, ele a pegou. “Para o quarto.” Enquanto ele a levava, ela entrou em outra contração, e ele pôde senti-la pressionando para baixo. “Ela está empurrando, Fay.” “Ótimo. Deve acabar rápido agora.” “Deus, isso dói!” “Eu sei, gatinha, eu sei,” Zachary murmurou. Através de uma mandíbula apertada, ela disse entre os dentes; “Eu sei que os Mestres são arrogantes, mas sem nenhum esforço da imaginação são — você — Deus.” Ele não sufocou a risada de forma adequada, e, quando a colocou na cama, ele mal conseguiu se desviar de seu soco. Uma hora mais tarde, depois de ter chamado Anne para segurar as mãos de Jessica e apoiar seus ombros, Zachary apanhou seu bebê enquanto saía do útero. Manchada de sangue com emplastos brancos de vernix22, a pele clara mosqueada, e algumas mechas de cabelo loiro, ela era a menina mais bonita do mundo. Enquanto a parteira lidava com o cordão umbilical, ele só conseguiu ficar lá, segurando sua filha. Tão pequena e frágil. Ele tinha esquecido o quão pequeno eles eram no momento da chegada. O quão milagroso. “Zachary?” Jessica chamou. Ele teve que piscar a umidade dos olhos antes de poder carregar seu bebê para a mãe. “Temos uma menina, gatinha. Uma menina perfeita.” Com cuidado, ele colocou o bebê em seus braços e roubou um beijo de seu amor. “Obrigada por nossa filha, Jessica.” Seus lábios se curvaram sob os dele, e ela sussurrou; “De nada, Mestre.” 22

Um depósito gorduroso cobrindo a pele de um bebê no nascimento.

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Um segundo depois, o bebê conseguiu encontrar o mamilo de Jessica, e ela puxou um pouco quando a menina o agarrou. “Epa, e eu que pensei que grampos de mamilo eram ruins.”

***** “Nós temos uma garota.” Completamente, totalmente exausta, Anne caiu do outro lado do sofá de Ben. Ela tinha saído do quarto para dar tempo a Z com sua família recém-aumentada. “Aleluia,” Ben disse calmamente. “Fico feliz que você estava aqui para ajudá-los.” “Na verdade, eu também.” Ela meio que sorriu. “Acho que Marcus ganhou a rodada de apostas embora.” “Eu passei longe, por umas boas duas semanas.” Para sua surpresa, Ben lhe entregou um bolinho e um copo de leite. “Eu invadi a cozinha e peguei isto para você. Considere seu café da manhã.” Ela olhou para as janelas e percebeu que o sol já estava saindo. “Eu não fazia ideia. Obrigada, Ben.” Quando ela deu a primeira mordida, sua fome despertou, e ela comeu tudo. Sorrindo, ele pegou o prato e o copo, colocando-os sobre a mesa de café. “Verifiquei nas estradas. Já está tudo aberto novamente.” Ele puxou as pernas de Anne para o colo e começou a amassar seus pés descalços. Céu. Ela tinha tido seus pés massageados por seus escravos, às vezes um macho em cada pé, mas esta era a primeira vez que um homem tinha simplesmente feito isso sem ser dirigido. Ele usou uma pressão firme e poderosa, nada como o toque hesitante dos rapazes. E ela estava se transformando em uma poça feliz. Ela deslizou mais no sofá. “Você nunca vai saber o quão bom é isso.”

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Na luz brilhante da manhã, as feições ameaçadoras dele suavizaram. Sua aprovação, aparentemente, significava algo para ele, mesmo fora do calabouço. “Não sei por que vocês mulheres usam esses sapatos fodidos que fazem doer os pés.” Não as palavras que ela costumava ouvir de seus escravos. Cabeça no braço do sofá, Anne sorriu para o teto. “Talvez seja porque gostamos do jeito que vocês machos olham para nós quando fazemos.” Seu sorriso se alargou. “Considerando que Z te deu a incumbência de determinar se o calçado de um submisso é sexy o suficiente para o clube ou ela anda descalço, eu diria que você já perdeu esse argumento.” Ele bufou. “Ponto para você, minha Senhora. E você anda neles mais graciosamente do que qualquer um que eu já vi.” Os dedos delicadamente puxaram seus dedos dos pés, um movimento arrancado que cantou ao longo de seus nervos todo o caminho até seus seios. Aquelas grandes mãos dele eram incrivelmente sexys. “Você usava botas hoje embora.” “Não é possível caçar um fugitivo se estou usando sapatos de salto alto, embora os saltos sejam uma excelente arma.” Ele apertou seu pé dolorosamente. “Você sai para capturar bandidos à noite?” Cão de guarda de Z superprotetor. “Sim, Ben. Pegar fugitivos fica mais fácil quando há menos pessoas por perto e mais pessoas na cama.” “Jesus,” ele murmurou. O olhar medido dele foi muito parecido com o de seus pais, seus irmãos, e os policiais em sua estação. Todos a consideravam muito delicada, muito bonita, muito... Fêmea para lidar com qualquer coisa fisicamente perigosa. Com um gosto amargo na boca, ela desceu os pés e se sentou. Enquanto calçava as botas, ela deixou seu silêncio revoltado encher a sala, um talento que qualquer Domme digna de seu chicote poderia empregar. “Pisei na bola, não é,” ele disse. “Sinto muito, Anne. É uma reação instintiva.”

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“É claro.” Ele estava apenas sendo protetor. Ele não tinha dito nada rude, simplesmente agido como um macho típico. Normalmente, ela podia ignorar as opiniões de outras pessoas, mas a desaprovação de Ben a tinha machucado. “Sem problema.” Suas botas estavam calçadas. Ela se levantou. Hora de ir para casa. Ele estendeu a mão e a puxou para baixo, direto sobre seu colo, apertando os braços ao redor dela. Rígida com aborrecimento, ela lhe deu um olhar. Ele afrouxou os braços, mas não a soltou. “Anne.” “O quê?” Ele tinha os mais belos olhos castanhos que ela já vira — raios de âmbar se atiravam para fora da pupila, circundados por uma linha amarela, depois um anel de marrom mais escuro. E aqueles olhos mostravam arrependimento. “Eu prefiro que você chute minhas bolas como um alvo a vê-la descontente. Ou zangada comigo. Você pode talvez me perdoar em vez de apenas dizer as palavras?” “Ben.” Ele estava certo. Quando ela tocou seu rosto magro com a ponta dos dedos, ela sentiu seu prazer tão forte que foi quase como o dela própria. “Nenhum submisso já me repreendeu e pediu perdão na mesma frase. Muito interessante.” “Interessante o suficiente para ganhar um beijo de absolvição?” Este não era um homem que deveria ser subestimado. Dê-lhe um centímetro e ele tomaria todo o condado. E, no entanto, o desafio em seu olhar era tão, tão delicioso. Ela se inclinou e o beijou. Os homens tinham bocas tão diferentes. Seus lábios eram firmes e competentes, sua língua sagaz sem ser agressiva ou descuidada. Ele provou do café mocha que ela tinha tomado anteriormente — chocolate, café e homem. Mmm.

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Tudo homem. No entanto, quando ela assumiu o controle, segurando seu rosto entre as mãos, inclinando sua boca para um beijo mais profundo, ele não se moveu, simplesmente aceitou e fez um som de prazer. Um macho alfa... Exceto com ela. Sob suas nádegas, ele se alongou e engrossou. Que tipo de desafio ele representava? Excitação se infiltrou em seu sangue. Mais longe, uma porta se abriu e fechou. Anne olhou para cima. Z entrou na sala, um olhar neutro sobre ela e Ben. Anne finalmente interpretou como nem aprovação, nem desaprovação. Ele estava reservando o julgamento. “Anne. Benjamin. Vocês se importariam de fazer uma visita a nossa nova filha?” “Claro.” Anne se levantou, pegou a mão de Ben, e o puxou de pé. Enquanto iam para o quarto, Ben pareceu pensativo. “Você acumula um monte de músculos nesse pequeno corpo.” Ele realmente estava simplesmente implorando para ser machucado. Z fez um som, muito parecido com um riso abafado. Homens. Jessica estava recostada na cama contra os travesseiros. Em seus braços, o bebê adormecido estava enrolado em um cobertor rosa. “Ela se parece com Jessica.” Ben tocou o rosto de pele clara do bebê com um dedo tão grande quanto o braço da criança. “Desculpe, Z, você perdeu aqui.” O olhar de Z estava em sua companheira. “Eu não consigo pensar em nada mais perfeito.” Os olhos umedecidos de Jessica lhe deram um sorriso trêmulo. Depois de um segundo, ela olhou para Anne. “Você quer segurar a senhorita Sophia Grayson?” “Eu adoraria.” Anne pegou o pacote minúsculo, aconchegou-a perto, e beijou o fino cabelo louro. O que havia sobre segurar um bebê que enchia algo carente por dentro?

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Eu quero um filho. O desejo tinha crescido — e sido ignorado — durante o ano passado. Ela deu um beijo na pequena cabeça, e os lábios rosados de Sophia fez um som de estalos. “Ela é linda, Jessica. Bom trabalho, Z.” Ela percebeu que Ben tinha se recostado contra uma parede, os braços cruzados — uma postura comum dele — e seus olhos castanhos uísque a estavam estudando, provavelmente chegando à conclusão correta: Mistress Anne era uma boboca por bebês. “Bem, preciso ir para casa.” Com um sentimento de perda, ela entregou o bebê de volta para Jessica, acrescentou um abraço na nova mamãe, e acenou para Z. Ben a seguiu para fora. Na sala, Z se aproximou. “Temos quartos para ambos. Por que vocês não ficam e dormem um pouco?” “Esta é uma oferta muito gentil, mas vou dormir melhor em minha própria cama,” ela disse. “Entendo.” Z colocou uma mão quente em seu ombro. “Jessica e eu agradecemos sua ajuda esta noite.” “Na verdade, sou eu quem deveria agradecer por me deixar fazer parte desse milagre. Sophia é adorável.” “Ela é, não é?” O sorriso rápido de Z desbotou. “Por favor, seja cautelosa no caminho para casa. Nossas estradas rurais podem ser perigosas depois de uma tempestade.” Ele hesitou e olhou para Ben. Anne pegou sua bolsa. “Vou ter cuidado. É melhor você tentar dormir um pouco, Z, uma vez que vai perder muito disso a partir de agora.” Um sorriso suavizou o rosto duro. Ela acrescentou: “E me ligue quando precisa de uma folga. Eu sou boa com bebês.”

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Capítulo Quatro Ben puxou seu SUV para a garagem de Anne, estacionou ao lado, e saiu. Mãos nos bolsos, ele considerou a área. Ele nunca tinha visto sua casa à luz do dia. Inferno de um lugar. A casa de dois andares era verde-escuro com acabamento branco e era alta o suficiente para fornecer um abrigo ligeiramente afundado abaixo — nada mal, considerando o quão perto da costa isso era. Desse ângulo, ele podia ver um deck na altura-do-ombro que se estendia em direção à água. Ela tinha uma sacada no quarto principal, não tinha? Em casas de praia, era tudo sobre a vista para o mar. Enquanto Anne o observava subir os degraus, sua expressão irritada o fez ansiar por um protetor de virilha. Ele estaria dentro de um desses agora. “Alternativa A. Você está me perseguindo,” ela disse sem rodeios. “Alternativa B. Mamãe Z te disse para me acompanhar até em casa.” Ele sorriu. Nenhum alvo com esta mulher. “B. Embora eu não me importasse com a A, se isso não fosse me deixar cheio de buracos de bala.” A resposta não diminuiu o vapor que ele quase podia ver saindo de suas orelhas. Maldição, ela ficava linda quando sua cor subia. “Oh, honestamente, Ben. Isso é simplesmente —” “Ele sabe que você pode cuidar de si mesma em uma luta. Mas você não pode levantar uma palmeira, e eu duvido que você carregue uma serra elétrica em seu porta-malas.” “Uma serra elétrica? Sério?” Ela olhou para o Jeep Grand Cherokee. “Estou sempre na selva. Vem a calhar.” “Ben.” Ela não... Rosnou... Muito. “Certo. Obrigada, então. Este é um longo caminho para dirigir quando você ainda não dormiu.” 75


“De nada, Anne.” Ele sorriu vagarosamente, pensando na citação favorita de Patton, “Audácia, audácia, sempre audácia.” Tudo bem então. “Eu não me importaria de tomar uma xícara de café se não fosse demais.” Considerando-se que eles tinham passado por uma infinidade de lojas e cafés, ela sabia que ele poderia encontrar o dele próprio. Sua solicitação era para outra coisa, e sendo a mulher que era, ela sabia disso. Ela cruzou os braços e o examinou como um pedaço de carne. Deu algum trabalho, mas ele se manteve firme. E então ela sorriu. “Você é o submisso mais arrogante que eu já conheci. Por que estou curtindo isso?” Ela fez sinal para sua casa. “Vamos entrar.” Submisso. A palavra — aplicada a ele — o fez parar, mas apenas por um segundo. E então ele estava direto em seus calcanhares. Lá dentro, ele teve um vislumbre de sua sala que parecia toda luz solar e janelas. Ela parou no saguão para remover as botas e subiu descalça as escadas. Depois de fazer o mesmo, ele a seguiu. Três degraus acima, ele fez uma pausa para se ajustar. Seu jeans parecia ter encolhido em torno de seu pênis. E não é que era bom ele não ter que perguntar como ela reagiria a um homem com tesão? Ele nunca tinha conhecido uma mulher tão direta sobre sexo. “Você está pensando muito, Benjamin.” No meio da subida, ela tirou a blusa e a jogou para baixo. Ele pegou a peça de roupa antes que ela aterrissasse em sua cabeça — por pouco. Seu olhar tinha estado ocupado com a visão das costas nuas dela. Em como seus quadris começavam a se alargar antes de serem cobertos pelo jeans. Em como sua pele era tão suave e dourada. Ele subiu os degraus três de cada vez e a seguiu para o quarto. “Minha senhora, eu ficaria encantado de servir, para ajudá-la” — de desnudá-la — “a se despir.”

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“Você não é sempre tão generoso?” A covinha brilhou em sua bochecha direita, sempre a primeira a aparecer. Ele tinha a intenção de ver as duas covinhas exibidas antes da hora acabar. “Sim, minha Senhora. Esse sou eu.” Ele se aproximou e correu as mãos de cima a baixo em seus braços, sentindo os músculos firmes sob toda aquela pele macia. A ligeira inclinação de sua cabeça lhe disse para parar, enquanto ele podia. Ela o olhou, seus olhos de um azul-cinza claro, como um lago da montanha iluminado pelo sol. “Acho que nós vamos nos revezar em nos despir, assim nenhum de nós perde a diversão.” E ela começou a puxar sua camiseta Hard Rock. “Mmm.” A voz rouca segurava apenas aprovação quando ela correu as mãos por seus peitorais, bagunçando os pelos de seu peito antes de traçar a linha estreita abaixo de sua barriga para onde isso desaparecia dentro do jeans. E porra, o chiar do toque continuou todo o caminho até seu pênis. Seu pau subiu ainda mais, tentando explodir de seus limites. Sua camisa podia sair, mas ele estava irradiando tanto calor que provavelmente queimaria a pele maravilhosa dela. Sorrindo, ela puxou uma alça do sutiã por cima do ombro e sorriu para ele. Dando-lhe permissão. O universo estava girando favoravelmente para ele hoje. Com um dedo, ele brincou com a outra alça, e seu pulso pulou uma batida quando o sutiã baixou o suficiente para que ele pudesse ver as bordas dos mamilos rosa-marrons. Ele poderia ter um infarto ocular se não a despisse logo. “Eu sempre te achei muito bonita no Shadowlands,” ele conseguiu dizer. “Em plena luz do dia, você é ainda mais linda.” Os olhos dela iluminaram. “Sabe, eu penso em você como o cão de guarda de Z, não um de meus meninos, então, quando você diz algo assim, é surpreendente e muito eficaz.” Ela agarrou

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seus braços e se levantou na ponta dos pés para beijá-lo, um beijo generoso e doce com a língua. “Obrigada.” Meu prazer do caralho. Ela estava perto o suficiente para ele poder alcançar atrás, desabotoar o sutiã, e tirá-lo. Seus seios eram altos e cheios — a melhor fantasia de um homem, de perto e palpável. Ele os tocou, enchendo as palmas. Seus seios provavelmente tinham o mesmo peso de laranjas de umbigo, e ainda isso era como comparar a satisfação em jogar tênis ou foder. Nada no mundo poderia se sentir tão doce quanto aqueles seios. Ela fez um som de aprovação quando ele esfregou os polegares sobre seus mamilos. Quando ele apertou um pouco, e depois puxou de leve nos picos, ele sentiu seu tremor. Ele precisava de mais. Mas, com um desesperado controle, ele baixou as mãos, obrigando-se a deixá-la dar o próximo passo. Ela poderia levá-lo onde quer que seu coração desejasse. Ela arqueou as sobrancelhas. “Você continua me surpreendendo.” Para seu deleite, ela desabotoou sua calça e o libertou. Quando o ar frio de uma janela aberta bateu em seu pênis superaquecido, ele respirou firmemente. “Sim, você é tão magnífico quanto eu me lembrava,” ela murmurou. A enorme satisfação ao ouvir isso foi quase tão fantástico quanto a forma como as mãos dela o agarraram, quanto a forma como ela variou o aperto de um golpe firme na base para uma pastagem leve-como-pena na cabeça. Ela empurrou seu jeans abaixo até que se agrupou em seus tornozelos. “Afaste as pernas o mais longe que puder.” Assentando uma mão no ombro dela para equilibrar, ele moveu os pés afastados.

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A mão livre segurou suas bolas, puxando e provocando, enquanto a outra brincava com seu pau. Com habilidade impressionante, ela o manipulou até que ele chegou muito malditamente perto de gozar. “Mistress.” O som emergiu apesar de sua mandíbula apertada. “Eu prefiro —” foda-se. O olhar dela foi um raio de laser de luz azul incandescente. “Eu prefiro também, para esse caso. E é sua vez de despir, não é?” Ela deu um passo atrás. “De joelhos, por favor.” Ele desceu em um joelho, inclinando-se para beijar seu estômago nu. Ajoelhar não o incomodava — não se era para tirar a roupa dela. Inferno, ele até mesmo usaria os dentes se isso fosse o que ela queria. Ele não teria se importado nem um fodido bocado. Com dedos cuidadosos, ele desabotoou seu jeans. Colocando uma mão em seu ombro, ela ergueu o pé. Sua pele era distraidamente suave enquanto ele empurrava o material fora de suas panturrilhas e pés. Ele correu o olhar por ela. Panturrilhas curvilíneas, coxas longas e doces que levaram à... Sim, ele ia morrer. A última vez que ele tinha estado aqui, ele pensara que... Talvez... Ela estivesse raspada. Agora ele sabia. Sua vagina estava completamente nua de cabelo. Porra, isso era sexy. Ela fez um som e ele percebeu que tinha apertado os dedos em torno de seus tornozelos. Ele conseguiu soltá-los por um segundo, mas com uma inalação, ele estava perdido. Primeiro, o cheiro de algo picante — como canela e cravo, depois um almíscar feminino levemente delicado. Ela bateu a mão no topo de sua cabeça, quebrando o feitiço. Dolorosamente. Ele a soltou, vendo as marcas das mãos em seus tornozelos. “Benjamin, você não acabou de regressar de uma guerra — e eu duvido que esta seja a primeira vez que você vê uma mulher.” Ele limpou a garganta. “Não uma mulher como você, minha Senhora.” Nunca houve uma mulher como ela em toda a sua experiência bastante exaustiva. Ele ficou onde estava e se atreveu a

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correr as mãos de cima a baixo de suas pernas, não querendo nada mais do que enterrar o rosto entre suas coxas. “Minha senhora. Eu posso —” Os olhos dela se estreitaram. “Não, eu acho não.” Um dedo, a unha elegante com uma flor branca em rosa polida, apontou para a cama. “Deite-se lá. De costas, para que eu possa provar os produtos do meu prazer.” Ele não tinha certeza se protestava, a agarrava, ou se alegrava. Provar significava que ela é que tocaria. Ele ficou triste com isso. E mesmo se não tivesse ficado, veio a estranha satisfação de obedecer suas ordens. Talvez ele até pudesse dominá-la fisicamente, mas em matéria de espírito, ela tinha uma vontade que podia ser bem mais forte do que a dele próprio. “Sim, Senhora.”

***** Agora sim essa era uma das melhores visões que ela já tinha visto, Anne pensou quando Ben se abaixou sob o dossel e se esticou em sua cama king-size. A última palavra em masculinidade bronzeada fornecia um contraste surpreendente com sua colcha floral feminina. Os ombros eram largos e fortes, o peito extremamente musculoso, o estômago estriado. O pênis nascia; grosso e longo, de um ninho de cachos castanhos claros. As coxas mostravam a longa divisão entre os músculos. Ela perambulou perto, o olhar dele sobre ela como um sol escaldante. Ele a fazia se sentir bonita, o que era sempre bom. Mais que o normal, porque ela... Respeitava-o e valorizava sua opinião. Com uma sacudida de cabeça para desalojar pensamentos dispersos, ela se inclinou sobre a cama. “E o que temos aqui? Isto me parece uma protuberância bastante estranha.” Ela agarrou o pênis com uma mão firme e torceu apenas o suficiente para fazê-lo levantar a cabeça do travesseiro com um suspiro. O eixo engrossou sensivelmente. 80


Seus olhos dourados arderam. “Você tem olhos de tigre.” Eles a lembravam de uma de suas pulseiras favoritas. “Você vai ficar aí e tomar o que eu fizer com você?” Ela perguntou em voz baixa. O pulsar de desejo e dominância ondulou através dela, aumentando seus sentidos. Ela podia sentir o desejo dele, ouvir sua necessidade, não apenas por sexo, mas também de controlála. O desafio de tentar obedecê-la aumentava a excitação dele. “Eu sou todo seu, Mistress.” Sua resposta segurava determinação — e a expectativa dele foi como um montão de Chantilly em seu chocolate. Ele tinha experimentado algumas das coisas que ela podia fazer, e queria mais. Ela considerou vendar seus olhos, mas ela realmente apreciava a forma como ele se concentrava nela. Em seus olhos, sua boca, seus músculos. Cada balançar de seus seios era notado. Seus mamilos doíam com antecipação. Por que não? Ela o montou com um movimento rápido, evitando seu pênis, e estabeleceu a bunda em seu estômago. Inclinando-se, ela tomou seus lábios. Firme e entusiasmado. Ela controlou o beijo, tomando o que queria, e quando se sentou de volta, ele deixou escapar um leve gemido. Até que ela se posicionou para lhe dar um mamilo. Ele tinha ido bem até então, mas agora uma mão agarrou sua bunda, a outra atrás de suas costas, puxando-a para que ele pudesse chupar e lamber vigorosamente. A boca era quente, os lábios macios, a língua como um chicote. Desejo espiralou para seu centro até que ele podia, sem dúvida, sentir sua umidade na barriga. No segundo em que ela puxou contra seu abraço, ele a soltou. E olhou para cima como se esperando que ela lhe desse o outro seio. “Mmm. Você é bom nisso, Benjamin.” Cada chupão da boca tinha ziguezagueado direto para seu clitóris. Ela encontrou seus mamilos masculinos planos, circulou-os com a ponta dos dedos até que empinaram, depois os beliscou com cruelmente suficiente para seu corpo ficar rígido embaixo dela. 81


O corpo dela tremeu em resposta. Ela precisava... Precisava se mover, para levá-lo. Manter o controle estava sendo mais difícil do que qualquer coisa que ela já tinha sentido antes. O rosto bronzeado estava escuro com luxúria quando ela se sentou para estudá-lo. Ela nunca tinha conhecido ninguém mais... Abertamente masculino; todo planos de aço, e feições escarpadas, e músculos solidamente empacotados. Ela correu um dedo por seu nariz grande, sentindo o inchaço onde tinha sido quebrado no passado. “Por favor. Mistress. Eu gostaria de saborear mais.” Ele deslizou o olhar deslizou por seu torso. “Mais.” Tão bem dito. Ela apreciava um homem que podia ser sincero sem ser grosseiro. E ele enviava necessidade correndo em suas veias com apenas um olhar e algumas palavras. “Num instante.” Ele merecia um pouco de atenção para si mesmo... E, Deus, ela queria explorar todos aqueles músculos para si mesma. Depois de soltar seu cabelo, ela beijou lentamente seu rosto cheio de cicatrizes, movendose para baixo. A mandíbula e pescoço segurava um leve toque de suor. Uma noite de barba por fazer raspou em sua língua, fazendo-a antecipar a sensação que esse arranhado faria em outros lugares. No peito largo, o pelo flexível era da mesma cor castanha do cabelo. A forma como os peitorais espessos eram duros feito pedra fez seu estômago vibrar em uma reação primal. Enquanto lambia e mordiscava os mamilos planos, ela torceu e apertou seu pênis, apreciando seu empurrão e surtos de tensão. O homem abertamente gostava de tudo o que ela fazia, e esse gozo se adicionava a sua fome inquieta. Quando ela arrastou os seios através de seu peito, seus quadris subiram debaixo dela, acrescentando outra camada de antecipação. Ela usou as pernas para afastar as dele e se estabeleceu entre seus joelhos. O cabelo grosso de suas coxas roçando nos quadris dela como se para enfatizar as diferenças entre eles, fazendo-a se sentir mais suavemente feminina. 82


A pele de um homem suavemente encerado era bom. De certo modo, ela tinha esquecido os prazeres texturais de uma aparência mais natural. Quando ela mordeu sua barriga magra, ele respirou fundo e sua ereção pulsou. Ela acalmou o local com a língua, lambeu o vinco suave na parte superior de sua coxa, e o sentiu tremer com sua contenção. Tudo que ela fazia com ele o deixava mais quente — e fazia o mesmo com ela, como uma maré chegando, subindo mais a cada rolar das ondas. E, ainda, controlá-lo, a forma como ele seguia suas instruções, era como o rugir de uma tempestade de prazer jogando pequenas cristas de espuma nas grandes ondas, atacando-a com necessidade. A cabeça de seu pênis era aveludada, o eixo era cetim, e as veias tortuosas estavam inchadas com sangue. Ele tinha um adorável aroma almiscarado — totalmente intoxicante. Quando se moveu abaixo e mordeu sua coxa, ela pôde sentir sua luta para não gozar. Na verdade, se ela lhe administrasse uma forte dor agora, ele gozaria querendo ou não. Tão tentador. Ela realmente, realmente gostaria de vê-lo gozar novamente. Mas ela não devia encurtar este momento. Ela tinha necessidades... E ele tinha expressado o desejo de saborear. Ele não tinha sorte que ela sentia como se concedendo o seu desejo? “Tudo bem, Benjamin. Vamos ver o quão bem você usa essa sua boca e língua.” Os olhos castanhos se iluminaram com antecipação, virando ouro na luz do sol brilhante na janela. “Obrigado, Jesus.” “Eu prefiro Deusa,” ela disse afetadamente. Seu corpo inteiro cantarolava com sua própria vontade quando ela se afastou dele e caiu de costas. Seu riso foi um roncado gutural, e ele estava sobre ela antes mesmo que ela pudesse piscar. Então esplendidamente viril, ele chiou com calor. Quando as mãos poderosas se fecharam em suas coxas, ele fez uma pausa. “Eu pensei que as Dommes sempre se sentavam sobre as caras de seus homens.” 83


Ela revirou os olhos. “Sentar exigiria esforço, estive acordada a noite toda.” Ela acenou com os dedos. “Você trabalha. Eu descanso.” “Sim, minha Senhora.” O domínio em suas pernas apertou como se ele temesse que ela escapasse. Será que este gigante de homem requeria instrução na arte de —? Uma língua tocou seu clitóris muito delicadamente. Nenhuma instrução necessária. Ele manobrou seu caminho abaixo entre suas pernas, abriu-a com cuidado, e correu a língua sobre seu clitóris, ao redor, sob, sobre. Provocando. Gradualmente aumentando a força. Lendo seu corpo tão docemente quanto qualquer escravo que ela já tivera. Sua vagina latejou, exigindo atenção, enviando demandas de necessidade. Havia momentos ocasionalmente que ela gostava de ser provocada; este não era um deles. Ela agarrou seu cabelo. “Continue assim, Benjamin. Somente a boca — mas me faça gozar nos próximos dez minutos ou será enviado para casa.” Excelente ameaça. As mãos apertaram com força suficiente para machucar, e então ele começou a trabalhar, provocando seu clitóris, em torno do capuz, dos lados, no topo. Incrível. Ela perdeu o controle de sua respiração completamente na sensação de calor quando sua boceta encheu de sangue, enquanto a pressão enrolava em suas profundezas. Ele chupou seu clitóris na boca, engolfando-o em calor e umidade, e sua necessidade cresceu. Os dedos em seu cabelo o puxaram com força contra ela — e ele riu. Ela puxou de novo, mais dolorosamente. Sua única reação foi ajustar os lábios ao redor dela com mais força — e então ele chupou. Chupões pulsantes e implacáveis. Parando apenas para sacudir a língua sobre ela antes de chupar novamente.

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Seus músculos tencionaram sob as mãos dele quando o rolo em seu núcleo apertou, e seus quadris tentaram levantar, então ele achatou a língua, esfregando com determinação direto no topo. O fogo selvagem bateu seus sentidos rugindo fora de controle, açoitados pelos ventos de necessidade. Seus quadris empurraram contra o domínio dele quando a pressão cresceu, cresceu, cresceu... E detonou. Uma sensação lancinante queimou através de seus nervos, flamejando para fora em fluxos pulsantes de prazer. Passado o martelar contundente de seu coração, ela pôde sentir as mãos dele deslizando de cima a baixo em suas coxas. Eventualmente, ela abriu os olhos, viu seu sorriso, e... A doçura em seus olhos. Seu pulso saltou. Ela mal conseguia controlar a voz — e tudo que conseguia pensar era no enorme desejo de tê-lo dentro dela. “Benjamin. Você é incrível.” Ele não respondeu por um segundo, apenas a olhou. “Sabia que você é absoluta-fodidamente linda quando goza?” Seu coração aqueceu. Oh sim, ela realmente, realmente o queria. “Foda-me, então, Benjamin.” A labareda de calor em seu olhar poderia ter cauterizado o planeta. Ela puxou seu cabelo, a demanda implacável arranhando em sua ação desejada. “Mova-se, subbie. Agora.” “Porra, sim, minha Senhora.” Ele estava sobre ela em um instante e entrando, poderoso e rápido.

***** Santo fodido Jes—Deusa. O topo da cabeça de Ben quase explodia. Anne estava quente e escorregadia — e apertada o suficiente para fazê-lo gozar ali na entrada. Com um aperto rígido em 85


seu controle, ele conseguiu parar antes da penetração completa para deixá-la se ajustar ao seu tamanho. Algumas mulheres não conseguiam levá-lo até o cabo. Mas Anne? O rosto ainda corado de seu clímax, ela estava sorrindo com prazer. Na sua falta de movimento, ela abriu os olhos e o calor neles queimou sua pele. “Cão de guarda, você parou por alguma razão? Agora, agora, agora.” Ela com certeza não precisava lhe dizer duas vezes. Quando pressionou, ele cravou as mãos em seus quadris enquanto lutava para se controlar. Jesus, isso era tão bom. Com um gemido, ele tentou abrandar, lutando para não machucá-la. Ele sentiu a resistência enquanto sua boceta se estendia em torno dele, e então ele estava... “Porra!” Ele puxou fora, horrorizado consigo mesmo. “Preciso de proteção, minha Senhora.” Os olhos dela se arregalaram, e sua expressão segurava o mesmo choque que ele. “Eu fiz merda.” Tenso, ele esperou que ela o remexesse sobre as brasas. Muito merecidamente. Era trabalho de um homem proteger a mulher. Sempre. “Bem, eu não me esqueço que isso é indispensável desde a faculdade.” Ela encontrou seus olhos. “Sinto muito — e eu posso ver que você sente também. Nós dois erramos.” Ela esfregou seu ombro. “Estou tomando pílulas anticoncepcionais.” Por exigências do Shadowlands, ela também tinha que ser testada rotineiramente por DSTs23. Ele ofereceu sua própria segurança. “Eu faço os testes junto com os membros. Estou limpo.” “Bom o suficiente.” Com um aceno de mão, ela indicou a esquerda. “Gaveta de cabeceira.” Era isso? Sem gritos? Ambos estavam meio aéreos pela falta de sono, mas ele deveria ser socado por ter feito merda. Mas... Ele tinha apreciado sua calma e como ela havia empurrado parte da culpa em si mesma. Ela era tão superior por dentro quanto era na superfície. 23

Doenças sexualmente transmissíveis.

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Esticando o braço, ele puxou a gaveta da mesa de cabeceira, encontrando preservativos e também brinquedos que — se ele não tivesse pensado que ela iria machucá-lo — ele teria explorado mais. Ao invés, ele agarrou uma embalagem, abriu e se cobriu. “Vamos tentar de novo.” Ele acariciou seus quadris com as mãos, correu um dedo por suas dobras... Ainda encharcadas para ele e, caramba, ele gostava dessa coisa nua. Separando-a gentilmente, ele se estabeleceu em sua zona de aterragem — e a levou com um ataque agressivo. Embainhado ou não, seu pênis entrou no céu. Ela inalou rapidamente, e ele pôde sentir sua boceta ao redor dele, latejando, agarrando-o em um punho impiedosamente liso. Ele a queria há tanto tempo — ele não ia durar muito. Rangendo os dentes, ele fez uma pausa. Ele deveria estar fazendo alguma outra coisa — que coisa? Ela abriu os olhos. Uma covinha apareceu. “Mmm, adorável.” Suas palavras estavam tão roucas que ela poderia fazer um homem gozar com apenas sua voz. “Você parou por alguma razão?” Maldição, ela era alguma coisa. “Hum. Além de martelá-la contra a cama, posso fazer mais alguma coisa?” Diversão dançou em seus olhos. “Não, Benjamin. Isso já é suficiente.” Ela soava elegante, mesmo no meio de um tiroteio. E ele tinha uma ordem de movimento. Oh sim. Ele recuou, pressionou, sentindo o deslize nada-se-iguala-a-isso de seu pênis dentro de uma boceta apertada. Seu próximo impulso foi mais duro, o próximo mais duro ainda. Ela fechou os olhos. Seus lábios se curvaram, tornando as maçãs de seu rosto mais nítidas. Ela estava obviamente gostando de seu tamanho — e não é que isso era um baita de um tesão? “Ok, minha Senhora, eu tenho você,” ele murmurou. Com estocadas profundas e certas, ele a levou, encheu, e os uniu. E ela devolveu, passando as mãos por seus ombros, ela enrolou uma perna atrás de seu traseiro e se ergueu para ele. 87


Ele tomou seus lábios macios, inclinando a pélvis o suficiente para esfregar seu clitóris, e sentiu ela agarrar os dedos em seus braços e empurrar os quadris para encontrá-lo. Seu rosto corando em um vermelho profundo. E então ela gozou, a beleza disso de tal forma que ele se perdeu e percebeu tarde demais que seu pênis tinha uma mente própria. Os espasmos golpeando ao redor de seu eixo o enviou espiralando fora de controle, e então a explosão de seu próprio clímax o atingiu, pulsando no calor aconchegante dela com faíscas ardentes de prazer. Curvando o pescoço, ele beijou seu ombro e se deleitou com as sensações. “Bem.” Um tempo depois, ela correu os dedos por seu cabelo, empurrando-o fora de seu rosto. Os lábios dela estavam inchados, seu rosto cor de rosa, a pele levemente úmida. Ela não era a Mistress fria neste momento. “Esta foi uma excelente maneira de comemorar um novo nascimento.” Sua voz era tão profunda quanto o contralto rouco de Lauren Bacall24. “Obrigada, Ben.” Tinha sido condenadamente seu prazer. E ela o havia chamado de Ben. Ele gostou de como tinha soado — tanto quanto ele gostava quando ela dizia todas as três sílabas. “Estou disponível para celebrar novos nascimentos sempre que quiser. Ou aniversários também. Você tem um aniversário esta semana, certo?” Os olhos dela se estreitaram. Mulheres com certeza odiavam seus aniversários, não é mesmo? “Eu tenho.”

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Uma atriz norte-americana que faleceu de derrame cerebral aos 89 anos, conhecida por sua voz rouca e aparência sensual, ela se tornou um ícone da moda e um modelo para a mulher moderna.

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“Você age como se um aniversário fosse equivalente a um julgamento por assassinato. Você ainda é um bebê, querida.” Seu clarão foi lindo. “O último subbie que me encheu o saco limpou meu banheiro com uma escova de dentes.” “Fiz isso no básico,” Bem comentou. “E você também realizou um enema25... Com o assento do vaso acorrentado embaixo até depois que o quarto passasse por inspeção.” Ela lhe deu um leve sorriso. “É incrível o quanto mais rápido um quarto é esfregado com um pouco de incentivo.” “Jesus fodido, você tem um lado malvado, mulher.” Ela riu. “Então, fique grato por você não ser meu.” Ele seria dela; dane-se se ele não o faria. Ela não tinha ideia do quão determinado um Ranger podia ser para completar uma missão com sucesso. “Desculpe, Anne, mas verdade é verdade. Você vai fazer apenas trinta e cinco.” “Trinta e cinco,” ela murmurou com desgosto. Ela puxou o cabelo para trás do rosto. Ele correu os dedos por isso. Macio e sedoso, com uma pequena fragrância de sândalo. Alguns reflexos vermelho e um castanho mais claro aparecia nos fios beijados-pelo-sol. E ele podia ver alguns fios cinzentos na frente de suas orelhas. Certamente isso a irritava. “Envelhecer te incomoda?” “Sabe, eu não pensei que faria, mas não é tanto a minha idade, mas...” Ela apertou os lábios. “Eu amo o que faço, amo onde eu moro. Mas, agora minha mente está perguntando o que virá depois.” “O que há de errado com isso?” “Eu não quero que haja um depois. Eu quero ser feliz com onde estou.” Ela fez uma careta. “Eu não gosto das coisas mudando. Nunca.”

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Um processo em que líquido ou gás é injetado dentro do reto, tipicamente para expelir seu conteúdo, mas também para introdução de medicamentos ou para imagens de raio-x

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Sua risada morreu. Porque ela estava falando sério. “Vou tentar me lembrar disso.” Quando cheirou sua têmpora, ele provou o ligeiro vestígio de sal de sua pele úmida. Seu cabelo roçou o rosto dele como uma brisa perfumada. Levantando-se, ele olhou para ela. Embora seu pênis estivesse amolecido dentro dela, ele estava pronto para começar de novo. Mas ele precisava de mais. Será que ela lhe pediria para passar a noite? Defesas eram baixadas durante o sono e laços sutis eram criados. Ele queria esses ditos laços... Com ela. Ele se inclinou para tomar seus lábios novamente.

***** Ben podia beijar... Realmente, realmente beijar. Anne deixou, sentindo o zumbido baixo de seu corpo saciado, o prazer quase chocante de ser pressionada contra o colchão por seu corpo enorme. Por que isso era tão sexy? Ele brincou com seus lábios, beijando seu rosto e queixo, e o arranhão áspero da barba contra sua pele atormentava seus sentidos. Ela colocou a mão atrás de sua cabeça, segurando-o enquanto saboreava a maneira como ele ainda a enchia por dentro. “Mais,” ela disse. Com um rosnado baixo, ele inclinou a boca sobre a dela, tomando-a mais profundamente. Deliciosamente. Quando ele levantou a cabeça, os braços dela estavam em torno de seu pescoço com os antebraços descansando nos músculos espessos de seus ombros. O homem era seriamente construído, e seu corpo irradiava o calor de uma fornalha. Ela beijou seu pescoço esfiado, provando o ligeiro sabor salgado, antes de mordiscar o longo músculo correndo de seu peito até sua mandíbula. 90


Será que ela deveria fazê-lo ficar para um longo cochilo, e depois outro interlúdio maravilhoso? Recompensá-lo com o jantar? Ele iria saborear sua comida — e alimentá-lo seria uma delícia. Ela gostaria de passar mais algum tempo com ele. Durante as horas intermináveis de espera, ela tinha descoberto que — com encorajamento — ele não só falava, mas também tinha um senso de humor irônico intrigante. “Bem,” ela começou. E então ele olhou para ela e... Seu humor suave cambaleou a um impasse, tropeçando no meio-fio e caindo no pavimento. Porque o olhar dele segurava mais do que o rescaldo preguiçoso do sexo, mais do que o habitual temor e reverência de seus escravos. Ele a olhava como se quisesse mais dela. Como se ele “gostasse” dela e quisesse um, que o céu a ajude, relacionamento. Não. Não, não, não. Quando seu sorriso morreu, ela o colocou novamente, fazendo com que os olhos dele apertassem quando ele registrou a diferença que não conseguia entender. “Bem, isso foi definitivamente agradável,” ela disse. “Mas, tenho trabalho a fazer esta noite e preciso dormir um pouco antes disso.” Ele inclinou a cabeça, sua atitude firmando. Seus olhos se tornaram atentos. “Eu posso ser um urso de pelúcia muito grande, mas abraçável.” Ela apertou a mão em seu ombro, dizendo-lhe silenciosamente para se retirar. “É uma oferta legal, Benjamin, mas...” Ferir alguém... Doía. E assim fez a culpa que a inundava agora. Ela nunca deveria tê-lo convidado para entrar. Ele mudou seu peso e se retirou lentamente. A perda criou um vazio que se estendeu mais longe do que apenas seu núcleo. Quando puxou as pernas, ele a ajudou a se levantar para que ambos se sentassem lado a lado. Ela franziu o cenho, percebendo que ele tinha se sentado ao lado dela, não a seus pés. 91


Sem permissão, ele fechou os dedos em torno de sua mão. “O que está errado?” “Sinto muito. Eu fiz isso como uma simples maneira de passar o tempo, nada mais.” Ela apertou a mão dele com a outra livre e se soltou. “Acho que você pode ter mais torção do que algum de nós suspeitava, mas, Ben, você não é um escravo.” O olhar dele ficou em seu rosto. “E?” “E para outra coisa senão um... Bem, um não-envolvido de apenas-uma-vez, eu me limito a escravos experientes que sabem sobre o que é tudo isso.” “Aviso entendido. E se eu quiser outra... Vez... Não-envolvido?” Ela se levantou, instintivamente precisando ficar mais alta do que ele, para influenciá-lo a escutar. Ele precisava ouvi-la agora. Ela colocou a mão em seu ombro para mantê-lo no lugar. Quando ela segurou seu queixo, a rigidez de seus músculos confirmou suas preocupações. Ela deveria ser chicoteada por esquecer o quão facilmente os novatos podiam pensar que o vínculo criado durante uma cena D/s significava... Mais. Ela sabia melhor. No início de seus dias de Domme, ela tinha cometido o erro de pensar que um submisso era equivalente a um escravo. Mas, embora os dois tipos pudessem abrir mão do controle, um escravo queria renunciar... tudo. Como uma Mistress, ela queria tudo. Ser incapaz de satisfazer suas necessidades tinha machucado esses submissos — e machucá-los tinha machucado ela também. Ela não faria isso de novo. “Sinto muito, Ben, mas outra vez não seria sábio.” Sentindo seu estremecimento, ela teve que se esforçar para manter o rumo. Ela o puxou de pé. “Há um banheiro em frente ao hall.” “Entendi.” Seus olhos mostravam sua infelicidade quando ele pegou a calça. Silenciosamente, Anne se levantou e se vestiu. Como ela podia ter sido tão tola? Tinha magoado este homem incrível de uma forma que nunca tinha pretendido. Ele se foi em dez minutos. Ela lhe deu um beijo “delicado” na porta da frente, um que permitia os lábios, mas não tinha nada “dela,” e ela pôde ver que ele sabia a diferença. E não tinha gostado da diferença. 92


Ela não gostou da diferença também. Ela voltou a subir as escadas, sentindo o cansaço cair sobre ela como se ainda estivesse usando o pesado cinto de armas e armadura. Ao tentar não ferilo... Ela só tinha conseguido machucá-lo. Ela sentia como se tivesse chutado um filhote de cachorro. Mas, qual era a alternativa? Ela não mantinha relacionamentos — não aqueles “emocionais,” de qualquer maneira. Há muito e muito tempo, ela tinha aprendido que não era o tipo de pessoa que se dava bem com essas coisas de amor. Era ainda mais arriscado do que amizades. Enquanto se movia em direção à cama, ela percebeu que cheirava a sexo e um leve toque do sabão amadeirado de Ben. Virando-se, ela entrou em seu grande banheiro principal, despiu-se, e ligou o chuveiro. A água caía sobre ela, mas nada podia lavar seu sentimento de culpa. Entretanto, não importava o quão horrível ela se sentia agora, o maior crime seria permitir que o homem de Z a se apaixonar por alguém que não poderia retornar a emoção.

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Capítulo Cinco Naquele fim de semana, Ben se sentou em sua mesa na entrada do Shadowlands... E planejou. Anne não tinha vindo ontem à noite... Mas estava lá hoje. Ele tinha uma chance. Em uma tarde com ele, Anne tinha ido de uma mulher quente e disposta para uma usando mais armaduras sobre suas emoções do que um soldado para proteger suas vísceras. Ok, ele entendia a coisa escravo versus submisso a um grau. Mas... Ela certamente parecia estar se divertindo enquanto eles estavam interagindo. E, diabos, ele estava. Então, ela tinha se desligado totalmente. Seu melhor palpite era que seu esgotamento — e a excitação do nascimento de Sophia — tinham baixado suas defesas, e ela o deixara chegar muito perto. Nos últimos anos, ele a vira com seus escravos, e ela sempre tinha estado no controle. Sempre reservada. As emoções sempre guardadas. Assim como Z tinha dito. Inferno, quando ela tinha chegado esta noite, infelizmente, com uma multidão de outros membros, ela tinha sorrido para ele educadamente. Como se ele não soubesse como ela se sentia debaixo dele, como ela saboreava, como sua frieza escondia paixão e... Doçura. Sim, Ben queria a mulher — e a Mistress — sob essas barreiras. Ele a tinha visto, a tinha abraçado, feito amor com ela. Ele analisou seu alvo. Estudando sua fodida armadura, avaliando sua força e suas reservas, considerando suas possíveis escolhas de ação. Infelizmente, ele teria que operar em seu terreno, o Shadowlands. Mas ele tinha um plano provisório para esta noite, iniciar o movimento e fazer um reconhecimento pessoal. 94


Depois de pedir a Holt para cuidar de sua estação de guarda, Ben passeou pelo salão principal do clube e a observou, sua morena esbelta com um corpo de morrer e curvas elegantes que escondiam os músculos por baixo. Ele viu Mistress Olivia com uma nova submissa, uma mulher perto de sua própria idade — um tipo executivo com cabelo de estilo clássico, maquiagem aplicada com cuidado, e um vestido de couro bonito, e caro. Desde que ela usava os saltos-agulha mais bonitos que ele já vira, ele permitiu que ela os mantesse. Quando localizasse Mistress Anne, ele teria que apontá-los. Se ele conseguisse encontrar a mulher. Ele viu Galen, Vance e Sally assistindo uma cena de jogo de cera. “Vocês viram Mistress Anne?” “Você quer Anne?” As sobrancelhas de Vance arquearam. Ben assentiu. “Desculpe, Ben. Eu não a vi,” Galen disse com o cenho franzido. A reação deles o fez se perguntar se eles não gostavam da ideia de alguém tão grande e feio jogar com a bela Mistress. Muito ruim. Ele se dirigiu para o bar. Cullen provavelmente saberia onde Anne estava. O barman estava se movendo rápido, inundado com a multidão em volta de seu longo bar oval. A única banqueta vazia estava ao lado do posto das garçonetes. Uzuri estava lá, esperando com sua bandeja e uma lista de pedidos. Ben a estudou. Quando ela tinha entrado no início da noite, ela parecia... Distante. Sua coloração esta noite era mais cinza do que marrom, e ela se movia como se estivesse exausta. Não era seu trabalho tomar conta dos submissos, mas talvez ele daria a um dos Mestres um alerta. Todos os outros estagiários do Shadowlands tinha encontrado seus Doms, deixando a pequena brincalhona para trás. Os Doms solteiros já tinham tentado duramente conquistá-la

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embora. E ela era condenadamente bonita. Com seus grandes olhos castanho-escuro, pele cor de café brilhante, e maçãs do rosto salientes, ela o lembrava de Brandy no musical Cinderella26. Z tinha dito que não sabia se ela pretendia escolher um Dom — que ela podia não estar disposta a assumir o risco. Ben não tinha entendido seu raciocínio no momento. Mas no inverno passado uma briga tinha ocorrido em uma festa de despedida. Considerando que tinha sido Rainie a ser chateada por seus amigos detestáveis, Uzuri tinha ficado aterrorizada com o potencial de violência. Ela deveria ter alguma merda feia em seu passado. Nos anos que Ben tinha trabalhado aqui, ele descobrira que frequentemente os abusadores atacavam submissos. Aqueles não familiarizados com BDSM nem sempre percebiam que dominação e submissão não era uma competição — era uma valsa. Uma pessoa tinha que levar. Mas se o outro parceiro estava sendo pisoteado, então isso certamente não era uma dança. Uzuri olhou para cima quando ele deslizou sobre um tamborete ao lado dela. “Ben, o que está fazendo aqui?” “Procurando por Mistress Anne. Você a viu?” Os olhos dela se arregalaram. “Eu não acreditei neles quando disseram que você e ela estavam... Ben, esta não é uma boa ideia. Claro, ela é bonita, mas ela também é uma —” “Eu sei.” Porra, isso não teria fim. Cullen se aproximou e dane-se se sua boca não afinou na visão de Ben. “Diga-me que você não está aqui à procura de Anne.” Bem, inferno. Ele tinha pensado que ele e Cullen eram amigos. Eles tinham saído para beber de vez em quando. E tinham partilhado histórias de horror do trabalho — Cullen de ser um policial e bombeiro, Ben do serviço militar. Depois de beberem mais álcool, eles até tinham se aventurado para contos mais feios — como Cullen ter perdido sua noiva em um incêndio, e Ben ter sido abandonado por sua esposa quando implantado. Ben lhe deu um olhar nivelado. “Estou lhe dizendo que estou procurando Anne.” 26

Um telefilme musical americano de 1997 estrelado por Whitney Houston.

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“Buddy, escuta —” “Não.” Ben se levantou, e então hesitou. “Ao invés de se preocupar com uma mulher totalmente capaz de cuidar de si mesma, você deveria verificar a estagiária que, obviamente, não pode.” Ele olhou para a pequena submissa para mostrar de quem estava falando, e então virou as costas para ambos e continuou procurando.

***** Bem, francamente. Por que Ben tinha que estumar um Mestre nela? Uzuri franziu a testa para as costas do grande guarda de segurança, depois — mantendo o olhar para baixo — empurrou os pedidos de bebida em direção a Mestre Cullen. “Todas estas e Linda de Mestre Sam quer um copo de vinho branco.” Ben e Cullen eram igualmente enormes — e, de certa forma, ambos a deixavam nervosa. Algumas pessoas preferiam caras grandes. Na verdade, seus colegas Shadowkittens às vezes brincavam sobre seus Doms dizendo, “Tamanho realmente importa.” Talvez um pênis grande fosse uma coisa boa — ela particularmente não se importava — mas quando se tratava de homens em geral? Ela com certeza preferia ter um menor. Um soco de um homem menor não quebrava ossos. “Uzuri, olhos em mim.” O olhar de Mestre Cullen se sentia como a mudança de pressão antes de uma tempestade se aproximando. Porcaria, como Mistress Olivia costumava dizer. Ela olhou para cima obedientemente. “Você parece cansada. Estressada.” As sobrancelhas grossas se juntaram. “O que está acontecendo, amor?”

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“Estresse no trabalho.” Quase uma resposta honesta. Ela estava subindo a escada corporativa, então sua vida nunca estava livre de estresse. O problema era... O trabalho não era o problema. “Olha só, Cullen. Encontrei um enfeite de bar para você.” No outro extremo, um Dom despejou uma submissa em cima do balcão. “Ela já está amordaçada.” Mestre Cullen levantou a mão num gesto de espera antes de franzir a testa para Uzuri. Sua sub Andrea achava que ele se parecia com Boromir em Lord of the Rings27. Infelizmente, Boromir agora parecia tão frustrado e chateado como Elrond quando se recusou a entregar o anel. “Quando seu tempo de servir acabar, você venha me encontrar. Nós vamos conversar sobre esse estresse.” “Sim senhor.” Quando ele se moveu em direção ao seu novo enfeite de bar, Uzuri relaxou. Ela poderia falar sobre estresse durante todo o dia. Outras coisas, não.

***** Anne tirou o colete de monitor de calabouço do Shadowlands e o enfiou em seu armário. Levantando as mãos, ela se esticou, removendo os nós. Seu dever tinha acabado. Agora, ela podia ir para casa, ou persuadir Sam e Linda a sair para uma bebida, ou talvez encontrar alguém aqui para brincar. Opção três podia ser uma boa escolha. Encontrar um bom menino. Trabalhá-lo até que ele estivesse tremendo, incapaz de dizer a diferença entre dor e prazer. Talvez recompensá-lo com uma viagem ao andar de cima para deixálo tocá-la. Ter um pouco de sexo sem-compromisso.

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O Senhor dos Anéis

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Ela malditamente bem precisava de algo para apagar as lembranças de Ben em sua cama. Todos aqueles músculos duros-como-aço. O peso dele em cima dela — a sensação de ser penetrada por seu grande eixo. A forma como seus olhos brilharam como se ele segurasse a luz do sol em sua alma. E então ela tinha sido cruel. Abatido suas esperanças e ferido seu espírito. Aquela pequena mágoa agora tinha sido necessária para evitar uma maior. Ela suspirou, perdendo todo o desejo de jogar. Ela simplesmente não tinha coragem de esmagar os desejos de outro subbie. E isso não era simplesmente lamentável? Um dia desses, um policial sádico ia aparecer e tomar seu cartão de sócio. Ao invés, ela ia apenas tomar uma bebida e esquecer sobre jogar com alguém. Quando saiu do vestiário, ela rosnou baixo. Era melhor que Cullen tivesse parado de ser tão irritante sobre ela misturar analgésicos e álcool. Se ele lhe desse outra água com gás, ela a despejaria em sua cabeça, mesmo se tivesse que subir em uma banqueta para alcançar a altura certa. “Mistress Anne,” Sally chamou de onde estava sentada entre seus dois Mestres. Ela se levantou e veio apressadamente. Anne teve que sorrir — uma reação comum ao ver a vibrante submissa. “Você parece muito feliz; casamento combina com você.” “Eu tinha perdido a esperança de encontrar um Dom e aqui estou eu com dois. Isso ainda parece um sonho.” O nariz da morena enrugou. “Exceto quando estou em apuros. Então é um pesadelo.” Punição nas mãos de Galen e Vance? Depois de ter assistido os dois Doms no topo, Anne sabia que uma sub não teria nenhuma chance. “Espero que você aprenda a ficar fora de problemas,” ela disse, jorrando sua linha partidária aos Dominantes. “Mas é dever de uma submissa manter seus Doms na ponta dos dedos e bem exercitados.” Sally sorriu. “De qualquer forma, os caras vão estar partindo na próxima semana, e eu realmente 99


apreciaria alguma companhia. Você poderia vir na quinta-feira? Só vai estar eu e talvez Beth ou Gabi. A casa ainda fica assustadora quando meus homens não estão lá.” Quinta-feira? Seria seu aniversário. Mas Anne não podia dizer não. Ela entendia a solidão. E Sally tinha sido atacada naquela casa; ficar sozinha provavelmente ainda era difícil. “É claro que eu vou.” “Fantástico. Obrigada!” Sally apertou sua mão e saiu correndo. Anne continuou indo em direção ao bar. Ajustando seu longo vestido de látex, ela se sentou em uma banqueta ao lado de Sam e Raoul, dois dos outros Mestres Shadowlands. Olhando em volta, ela viu que eles haviam deixado suas mulheres na área subbie, Raoul indo tão longe a ponto de acorrentar sua escrava, Kim, marcando-a como indisponível. Não era estranho que Anne nunca tivesse acorrentado nenhum de seus escravos? Talvez porque ela nunca tivesse se sentido particularmente territorial. Então, novamente, ela nunca tinha amado nenhum deles — não da maneira como Raoul amava Kim. “Anne,” Sam disse. A iluminação fraca em torno do bar dava ao rosto do sádico uma aparência sinistra e refletia seu cabelo prateado. “Você está linda esta noite.” O leve sotaque de Raoul mostrava por que o espanhol era considerado uma das línguas mais românicas. “Olá, rapazes.” Ela girou para verificar os submissos disponíveis na área de estar. Havia uma boa variedade de machos e fêmeas, incluindo dois homens atraentes em seus vinte e poucos anos. Eles estavam conversando enquanto observavam o resto da sala. Anne tinha feito uma cena com o bombeiro no passado. Ele tinha sido divertido, mas um pouco fraco quando se tratava de dor. Ela não queria mais um masoquista durão, mas com certeza um pouco de resistência não era pedir muito.

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O outro macho ela ainda não conhecia. Construção agradavelmente magra. Mais alto que ela. Cabelo loiro cortado bem rente ao couro cabeludo. Ele usava apenas um par de shorts de motoqueiro vermelho-escuro. Quando a viu olhando para ele, ele corou da parte superior do peito até a testa. Seu olhar caiu. Muito bom. “Bom te ver voltando ao normal,” Raoul disse em aprovação. “Realmente,” ela disse, acrescentando uma pitada de gelo. Sam riu. Ao contrário de Raoul, ele tendia a se preocupar com seus próprios negócios. Ela sempre tinha gostado do velho fazendeiro. “Ouvi rumores de que você teria jogado com Ben, e estava preocupado.” Os olhos castanhos escuros de Raoul encontraram os dela. “Sei em primeira mão o quão desastroso pode ser quando um Mestre toma alguém que não é um verdadeiro escravo.” Sua irritação morreu sob a preocupação óbvia dele. “Você não precisa se —” “Anne.” O tom geralmente descontraído de Cullen foi gelado. “Ben está te procurando.” Ela se endireitou. “É mesmo?” “Sim.” Cullen inclinou um braço no balcão, chegando perto de seu rosto. “Todo mundo gosta de Ben, você sabe.” “Isso é verdade.” E ela não tinha planos de jogar com ele novamente. “Ouça, Cullen —” “Minha amiga, o homem é baunilha,” Raoul disse. Ele fez soar como se ela tivesse ido atrás de um virgem de dezoito anos, não um exsoldado de trinta e poucos anos. Ela manteve o tom razoável. “Acho que a palavra-chave aqui é homem.” “Parece-me que a palavra-chave aqui é sádico — o que você é,” Cullen disse como se ele não confiasse nela de não prejudicar um submisso que não queria isso. De saber se um homem era baunilha ou não. 101


Isso doeu. Ela poderia discutir com eles, mas o que isso provaria? Especialmente desde que ela já havia encerrado esses assuntos com Ben. Ela deslizou fora da banqueta. Os olhos de Sam encontraram os dela e o canto de sua boca levantou. Ele entendia. Sádicos tinham má fama. Ela assentiu, deu um passo atrás, e esbarrou em alguém. Pelo tamanho das mãos a estabilizando, ela reconheceu Ben mesmo antes dele falar. “Mistress Anne?” Ignorando a maneira como Cullen e Raoul endureceram, ela se virou. “Ben, o que posso fazer por você?” Mesmo enquanto dizia a si mesma para ser fria, a visão dele levantou seu espírito e encheu cavidades desconhecidas. Mãos em seus lados, ele sorriu para ela. “Minha senhora, se você estiver disponível, eu poderia lhe pedir por uma outra cena?” Ela fez um estalo com a língua. “Acho que você sabe que submissos não se empurram adiante dessa forma.” A dica de desafio no olhar dele enviou uma corrente de eletricidade direto entre eles. “Minha senhora, já que eu não sou um membro do clube, eu não acho que Z me deixaria sentar lá,” — ele apontou para a área subbie — “e ficar te comendo com os olhos, na esperança de que você me favorecesse.” Ela sufocou. O jovem loiro na área estava fazendo exatamente isso. “Entendo.” Então, decidindo atirar seus companheiros Mestres sob o trem, ela acenou para Cullen e Raoul. “Seus amigos me informaram que você é baunilha e não deve fazer cenas. Você é baunilha... Carinho?” Ele se endireitou, como se precisasse adicionar outra polegada à sua altura. Sem um olhar para os Doms, ele bufou. “Eu não sabia que tinha que pedir a permissão de ninguém, além da sua.” “Eu acredito que isso está correto,” ela disse gravemente. 102


Para sua surpresa, ele se abaixou em um joelho. No entanto, ele ainda continuava tão grande que simplesmente transpirava ameaça. “Mistress Anne. Por favor?” O cantarolar em seu sangue não era novidade. Era extraída das profundezas de seu espírito, uma trama através do mundo mundano das muitas diferentes formas de dominação e submissão — e era uma celebração o momento em que um submisso a presenteava com seu poder, como um homem podendo lhe entregar seu manto. O momento em que ele lhe confiava com seu corpo, e mente, e alma. Ela já era uma Domme há anos e ainda assim a maravilha nunca diminuía. Inclinando-se para frente, ela colocou a mão no rosto dele. A pele lisa significava que ele tinha se barbeado antes de vir. Este não era um pedido repentino; ele tinha tido a intenção de jogar. A roupa confirmava sua suposição. Embora ele relutasse com os míseros trajes que alguns escravos masculinos usavam, ele tinha tirado os sapatos e meias em cumprimento ao decreto de Z de “submissos andam descalços”. O jeans novo bem-ajustado era admiravelmente apertado. A camiseta cinza colada se agarrava às placas grossas de músculos de seu peitoral. Seu olhar encontrou o dela, — um do tipo submisso mau — e ela pôde ver o apelo. A necessidade. Ele queria que ela tomasse o controle dele. Mas... Debaixo de tudo isso, ela podia ver outra coisa. O desejo e a necessidade que ele tinha lhe mostrado em sua cama. A atração que ela devia resistir. Porque Raoul estava certo. Este submisso não era um escravo. E o coração dele precisava ser protegido, ainda que sua proteção fosse contra seu próprio eu. Ela fechou os olhos contra aquele apelo, e depois se inclinou e agarrou seus braços, puxando-o de volta de pé. “Sinto muito, cão de guarda. Mas já tivemos nossa diversão, você e eu.” Ela baixou a voz, querendo abraçá-lo, para suavizar o golpe. “Eu te expliquei minhas razões, Ben. Elas não mudaram.”

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A mandíbula dele ficou rígida, mas ela balançou a cabeça quando ele abriu a boca. E, virando de costas, ela se afastou.

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Capítulo Seis “Anne, você chegou!” Sally abriu a porta largamente. “Sim. Como você está? Seus Doms vão voltar logo?” Anne sorriu para a pequena morena, feliz por vê-la parecendo tão satisfeita. Sally tinha procurado pelo Dom certo por anos, e já tinha desistido de encontrar um tão inteligente quanto ela, um que pudesse acompanhar sua natureza travessa, um que ela pudesse confiar com tudo o que ela era. Ver Vance e Galen tomá-la sob seu comando — e se apaixonar por ela — tinha sido incrivelmente emocionante. “Eles não vão ficar fora por muito tempo,” Sally disse. “Vamos entrar. Encontrei algumas coisas boas para assistirmos.” Anne a seguiu pelo belo foyer, passado a sala de jogos com todos os brinquedos conhecidos pelo homem, até a grande sala na parte de trás, que estava escura. “Beth e Gabi não puderam vir?” “Oh... Elas vieram,” Sally disse e ligou o interruptor de luz. “Feliz aniversário!” Anne se abaixou numa posição de combate ao rugido de som. Mulheres... Em todos os lugares. No longo sofá, nas cadeiras, sentados no chão. Todos os membros do Shadowlands. Todos sorrindo para ela. “O-o quê?” Anne realmente gaguejou. Gabi e Uzuri trocaram uma alta batida de mãos. “Garota, esta é sua primeira festa surpresa?” Sally passou um braço ao redor dela e a puxou para frente. “Feliz aniversário!”

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Uma festa de aniversário. A sensação era como pisar despercebidamente fora de uma calçada, sentindo o chão fugir, ficando desorientada, tropeçando. Além de reuniões de família, ela não tinha tido uma festa de aniversário desde que tinha dez anos. “Eu... Isso é adorável.” Ela olhou em volta. Gabi, Kim, Uzuri, Linda, Beth e Jessica estavam sentadas no sofá em forma de U. Andrea e Rainie estavam em cadeiras. Cat, Olivia e Kari estavam sentadas no chão. Shadowkittens e Dommes. Tudo misturado. “Já não era sem tempo de você chegar,” Olivia disse do chão. “Estávamos criticando técnicas pornográficas.” Anne olhou para a enorme televisão de tela plana, onde um homem bem garanhão estava debruçada sobre uma mulher nua. Ela franziu a testa. “Ele vai matar a mulher amarrando-a assim.” “Viu?” Andrea acenou a mão para Kim. “Foi o que eu disse. Cachecóis são muito finos e cavam muito e são impossíveis de desamarrar.” “É verdade,” Kim respondeu; “E ele está fazendo isso errado. Mas eu ainda acho que os cachecóis são quente.” “A escravidão é ruim o suficiente.” Gabi puxou o fio azul de mechas do cabelo. “Mas o diálogo? Esse é seriamente lamentável. “Bolo de aniversário chegando,” Sally anunciou para o quarto. “O que você quer beber, Anne? Tenho margaritas, cerveja, vinho e refrigerantes.” Margaritas? A boca de Anne encheu de água. Droga. “Eu adoraria uma margarita, mas não posso. Um informante ligou, então programei minha equipe de recuperação de fiança para se reunir as quatro horas. Estamos quase sem tempo antes da caução caducar, por isso temos que pegar o cara agora — o que significa sem álcool para mim.” Ela não podia se dar ao luxo de ser comprometida. “Aww, isso é muito ruim.” Sally lhe deu um abraço solidário. “Coca diet, então?” 106


“‘Receio que sim.” Mistresses não faz beicinho. Ela totalmente queria ficar de mau humor. “Sente-se aqui, Anne.” Olivia deu um tapinha no chão ao lado dela. Anne navegou através da sala, recebendo abraços e apertos de mão de todo mundo. No momento em que se sentou entre Olivia e Kari, uma vela quente de felicidade ardeu em seu peito. Amigos. Uma festa de aniversário. Quem diria? “Oh bebê. Leve-me.” Na televisão, o ator empurrou as pernas da atriz abertas com pouco finesse, acompanhado por gemidos — das Shadowkittens. Jessica se juntou ao ator em outro gemido de “Oh, baby,” antes de atirar uma batata frita na televisão. “Amordace-me. Eles precisam de melhores roteiristas.” “Deve ser difícil escrever um diálogo de sexo, você não acha?” Linda estava perto dos quarenta e muitas vezes servia como a voz da razão, ainda que bem conservada. “Quero dizer, o quanto seus homens falam durante o... Ato? Tenho que admitir; Sam não é exatamente tagarela.” Anne caiu na gargalhada. O fazendeiro de cabelos prateados de Linda tinha tornado conciso uma ciência — e ele totalmente chicotearia a bunda de sua submissa se soubesse que ela tinha compartilhado. Não que alguém estivesse prestes a lhe contar. Ben não era exatamente falante durante sexo também, embora, quando falava... “Por favor. Mistress. Eu gostaria de provar mais.” “Sabia que você fica abso-fodida-mente linda quando goza?” Anne sentiu seus ossos começarem a se derreter apenas na lembrança. Muitas lembranças, na verdade. Ela tinha ouvido essa voz áspera em seus sonhos, sentido suas mãos, sua boca — Gritos de risadas interromperam seus pensamentos. “Que tal se o Garanhão Idiota disser algo assim?” Gabi apertou o MUDO no controle remoto e se virou para Kim, ao lado dela no sofá. “Balde-de-esperma, prepare-se.” Kim piscou e se afastou. “O quê?” Gabi fingiu abrir seu jeans e retirar um pênis enorme, obviamente. O requebrado que ela deu fingindo-uma-ereção foi verdadeiramente obsceno. Em uma voz profunda, ela anunciou;

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“Meu enorme demônio de fenda vai invadir sua bela fortaleza rosada. Oh, sim, meu batedor de boceta vai penetrar esse soquete-de-pau.” Aplausos encheram a sala, mesmo enquanto Kim fazia um ruído de vômito. “Você chama isso de melhor?” “Bem, sim. Muito mais imaginativo do que ‘Ugh, gemido. Ugh. Oh, bebê,’ como um homem das cavernas”. Gabi socou Kim no braço. “Muito bem, dona-do-contra, você é a mulher na cama. Veja se consegue fazer melhor.” Kim estudou a televisão, onde o ator estava acariciando seu pau, preparando-se para fazer um trabalho sério. “Certo.” Ela apertou as mãos no rosto. “Oh, oh, oh, olhe para você. Meu Deus, seu Rojão, o Dragão de Um-Olho-Só está tão alto e reto. Estou tão impressionada com minha luxúria feminina. Minhas cortinas de carne estão encharcadas. Fode meu canal de amor, agora.” Os gemidos ao redor da sala quase se igualaram aos que começam na tela. “Cortinas de carne?” Mais abaixo, no sofá, Linda olhou para Kim em descrença, depois se virou para Sally. “Muuulher, eu preciso realmente de uma grande bebida.” Ela abanou a mão para Gabi. “Uma que seja maior do que esse pau.” Com os ombros sacudindo, Sally foi para a cozinha. “Vindo já.”

***** Várias horas depois, bunda ainda no chão, Anne inclinou os ombros para trás contra o sofá. O nível de ruído não tinha diminuído, embora menos convidados estivessem na sala. Jessica e Kari tinha ido para casa ver seus filhos. Andrea tinha um emprego de limpeza para cuidar; Cat tinha que ir mais cedo pro trabalho. Jake tinha pego Rainie e Gabi, deixando apenas Uzuri, Sally, Kim, Beth, Olivia e Linda.

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Risadas e conversas fluíam ao redor dela, tão alegres quanto os balões de gás brilhantes balançando no teto alto. Que maneira maravilhosa de sobreviver fazendo trinta e cinco anos. E o quão espertamente Sally tinha lançado a armadilha. Não admira que Galen e Vance estavam sempre meio-reclamando, meio-se-gabando sobre o quão sorrateira era sua divertida submissa. Anne esfregou o braço contra o de Olivia, felicidade brilhando dentro dela enquanto olhava ao redor da sala. Houve um tempo em que ela não pensava que poderia fazer amizade com submissos. Mas, de alguma forma, com estas mulheres, a dinâmica Mistress-submissa tinha corroído ao longo dos anos. Ela sorriu. As últimas reservas haviam desaparecido enquanto ela ensinava autodefesa às Shadowkittens. Quem poderia manter distância enquanto assistia gritos de vitória de uma subbie que tinha finalmente conseguido jogar a Mistress em sua bunda? No entanto — embora ela tivesse participado das festas de aniversário de suas amigas — ela nunca tinha pensado que elas organizariam uma para ela. Mas elas tinham. Ela colocou os braços em volta de si mesma, tão cheia de ‘n’ sentimentos calorosos e difusos — como diria Gabi — que tinha dificuldades de conter todos eles. “Chegando, senhoras. Quem está vazio?” Sally saiu da cozinha. Segurando um jarro de margaritas, ela encheu qualquer copo necessitado no caminho. “Tenho outra Coca-Cola para você, Anne.” “Obrigada, Sally.” Ela se ergueu para aceitar a lata, ouviu um “uuuf” de Olivia que se sentou ao seu lado, e percebeu que seu apoio era o estômago da Domme. “Oops. Desculpa.” “Se você fosse uma subbie, eu te faria se arrepender disso. Acho que você acertou meu fígado — apesar do amplo preenchimento que tenho ao redor dele,” Olivia disse com sua voz nítida. Seu olhar varreu Anne. “Não sei como você consegue ficar tão magra.” “Ainda não consigo acreditar que ela tem trinta e cinco anos,” Sally disse. “Eu sempre quis ter um corpo como o seu, Anne. Nós provavelmente temos o mesmo peso e eu sou quatro centímetros mais baixa.” 109


“Tente conseguir um emprego onde você tem que se manter andando e falando com fábricas-de-testosteronas.” Anne ergueu um braço e flexionou os bíceps. “Mas vejam? Eu tenho músculos.” “Oooohs” e “aaaaahhhhs” encheram a sala. Seu olhar de falsa-indignação não surtiu nenhum efeito. “Fiquem vocês sabendo que é muito trabalhoso manter tudo isso assim.” Ela fez um gesto para sua magra e malvada máquina de guerra... E ganhou uma saraivada de pipocas. “Mas, honestamente? É só porque ser mais lenta ou mais fraca iria colocar meus companheiros em risco.” “Eu odeio suar. Acho que prefiro ter algumas ondulações extras em torno dos quadris. Além disso, Galen gosta.” Sorrindo, Sally se voltou para o enorme sofá em forma de U. “Alguém mais?” Na extremidade direita do sofá, Uzuri apontou para a tela da televisão. “Eu acabei me esquecendo de beber. Apenas olhem para este homem.” Depois da vinda de “cortinas de carne,” e a competição pela pior gíria de pênis, pornografia foi substituída pelos clássicos filmes de garotas. Anne se virou para ver Patrick Swayze mostrando a Jennifer Grey como dançar. Mmm-mmm-mmm. “Agora esse sim é um menino gostoso. Esse me faz querer sair de meus punhos e colarinho.” Dominar alguém com essa autoconfiança insondável provavelmente seria semelhante ao fazer uma cena com Ben... E era incrivelmente tentador. Ao lado de Uzuri, Sally deu um suspiro luxurioso. “Aposto que Swayze poderia ter ensinado até mesmo eu a dançar.” “Duvido,” Kim disse criteriosamente; “embora, pelo menos, você teria desfrutado da falha.” “Oh, que rude!” Uzuri jogou um grão de pipoca nela. “Ei, não jogue a pipoca.” Sally sacudiu a cabeça no chão, cheio de pipocas, batatas fritas e almofadas coloridas. “Galen vai me matar quando ver essa bagunça.” 110


“Você não deveria ter colocado naquele filme realmente ruim se não quisesse pipoca jogada na tela,” disse Kim em um tom justo. “Você está falando mal do meu pornô, mulher tola? Vou contar pro seu Mestre Raoul como você chama o pênis dele.” Sally cantarolou “Rojão, o Dragão Mágico.” Linda engasgou com sua bebida. Uzuri bufou. Anne e Olivia riram. A boca de Kim caiu aberta. “Você não faria isso.” Sally cantarolou mais alto. “Ei, é minha vez de fazer um brinde a Anne.” Beth se empurrou da cadeira do sofá e lutou para ficar de pé, cambaleando um pouco. “Não sei a que você está indo brindar, Beth.” Anne sorriu para a ruiva esbelta — uma das mulheres mais corajosas que ela conhecia. Na verdade, ela estava orgulhosa de chamar todas e cada uma daquelas mulheres na sala de amiga. “Até agora, já me desejaram uma vida longa, riqueza, felicidade e,” — ela sorriu para Sally — “um sexo ótimo e inventivo, no que, só pra você saber, eu já sou excelente.” Sally jogou uma pipoca nela. “Você jogou a pipoca!” Uzuri estreitou os olhos para Sally. “Vou contar pra seus Mestres. Eles terão você limpando o lugar em suas mãos e joelhos.” “Nua,” Olivia contribuiu. “Ah, sim. Definitivamente nua.” Kim balançou as sobrancelhas. “Mestre R tem uma reação muito... Agressiva... Quando eu fico nua para esfregar o chão.” “Sério?” A resposta de Sally foi meio intrigada, todo mundo riu. “Ahã.” Beth levantou a taça. “A Anne. Que você encontre seu homem derradeiro e que suas necessidades possam corresponder ao que você deseja lhe dar, e vice-versa.” “Homem?” Kim sorriu para Beth. “Amiga, você ainda não percebeu Anne prefere meninos bonitos?” Quando Beth hesitou, Anne disse calorosamente. “Esse foi um belo brinde. Obrigada.” 111


Beth se jogou no sofá com um salto e colocou os pés para cima. “Nolan disse que Anne jogou com Ben, e ele com certeza não é um menino.” Não, ele certamente não é. “Eu ainda estou surpresa que Z não te matou por brincar com seu guarda,” Olivia disse. “Mas, já que ele não fez, você vai tomar Ben como um escravo?” Sally se plantou no braço do sofá ao lado de Uzuri, olhando expectante. Linda se inclinou para frente. “Mas que bando de intrometidas. Eu deveria acorrentar todas vocês a uma cruz e espancar suas bundas por um tempo.” Ela só conseguiu sorrisos de volta junto com uma murmurada; “Você pode tentar, galinhazinha,” a partir de Olivia. “Não há nenhuma relação no mundo que faça uma Mistresses falar,” disse Anne tristemente. Então, novamente, ela tinha ouvido todas as suas histórias, tinha lhes emprestado um ombro para chorar, tinha lhes dado conselhos. Ela só não estava acostumada a partilhar a sua própria. Pirralhos militares faziam amigos casuais num piscar de olhos — e logo aprendiam o quanto doía perder os entes próximos. Ela não tinha tido um amigo desde que tinha dez anos. Mas tinha vários agora. E a amizade era uma via de mão dupla, não era? Ela ainda teve que tomar um pouco mais de ar antes que pudesse falar. “Não, eu não vou tomar Ben. Olivia, você estava certa. Mexer com o cão de guarda de Z não é uma jogada inteligente.” “Ele não combina com você?” Linda perguntou em sua voz maravilhosamente melódica. “Eu vi um pouco da sua cena e ambos pareciam... Completos.” A observação doce e a lembrança do grande... Acerto... da cena silenciou Anne por um momento.

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Kim sorriu. “Cullen falou com Raoul sobre isso. Ele estava todo preocupado que você fosse esmagar as bolas de Ben ou algo assim.” “Ele estava?” Anne estremeceu, a mágoa tão inesperada quanto um papel cortado. Certamente, Cullen sabia que ela nunca iria dar a um submisso mais do que ele queria — e às vezes nem isso. “Ohh, esmagar suas bolas. Por favor!” Sally saltou sobre o sofá. “Vocês sabem o quanto Ben é exigente sobre nossos sapatos. Praticamente nada está bom o suficiente, e então você consegue aquele rosnado. ‘Tire esses sapatos.’ Mas quando Anne começar a torturar suas partes viris, ele vai soar assim,” — ela armou a voz para um alto falsete — “Tire esses sapatos.” Enquanto as mulheres explodiam em gargalhadas, Anne engasgou com a bebida e sorriu. Ela tinha que contar a Ben o que Sally tinha dito. Ou não. Distância seria melhor. Lamentável que só de ouvir o nome dele tinha acelerado seu pulso. Ela ainda se lembrava da sensação daquelas mãos calejadas acariciando seus seios. E ela não só tinha gostado de amarrálo a uma cruz, mas assim ela podia deslizar suas próprias mãos sobre ele. Pare. Agora. Fique no mundo real, não fantasia. “Só pra você saber, se um subbie ainda conseguir falar, eu me sentiria como se não tivesse feito bem o meu trabalho.” “Oooh, pobre Ben,” Sally disse, fazendo uma mímica onde um Ben sem-fala acenava para Uzuri remover os sapatos. Uzuri piscou sua confusão imaginária e fingiu entregar a Ben sua calcinha ao invés. Sally olhou boquiaberta e jogou a calcinha fio dental em mortificação. “Oh, isso foi muito realista.” Linda aplaudiu. “Não é uma gracinha a forma como o pobre Ben ainda fica envergonhado?” “Ele cora lindamente. Devo dizer, ele é bem galã, se você prefere o gênero masculino. E, pelo que vi quando Anne o tinha, ele tem muito a esmagar.” As mãos em concha de Olivia mostravam que o pobre Ben tinha testículos do tamanho-melancia. 113


Era melhor o pobre Ben nunca saber como as mulheres discutiam sobre ele ou ele estaria corando por um mês. Olivia continuou; “Eu também percebi que você não empurrou na dor quando fez a cena com ele. Foi um limite rígido que ele fez?” “Não.” Anne tomou um gole e estudou a cor de sua bebida. “Eu simplesmente não tive nenhum desejo de fazê-lo gritar. Eu não tenho precisado disso há algum tempo.” Silêncio. “Mas você estava com Joey, e ele é um total puto-por-dor.” Sally ganiu quando Uzuri deu uma cotovelada em suas costelas. “Você está sendo indelicada,” Uzuri a repreendeu. Apesar de ser uma brincalhona dissimulada, ela também era a mais respeitosa e cortês das Shadowkittens. “Desculpa. Eu não devia —” “Está tudo bem, Sally,” Anne disse. “Eu já superei Joey.” Embora ela tivesse que admitir que a ausência dele havia criado um vazio doloroso em sua vida. Mas, não importa o quão delicioso ele tinha sido, a dependência de Joey tinha se tornado cansativa. “Ele queria uma Mistress em tempo integral e, como você disse, um maior nível de dor.” Olivia inclinou a cabeça. “Tenho notado que quando suas cenas contêm mais dominância do que sadismo, você parece mais satisfeita.” “Se suas cenas estão mudando, você está mudando também?” Linda perguntou baixinho. Mudando. A palavra chula gelou a pele de Anne como o spray de uma tempestade de granizo. Na tela, Jennifer Grey confrontava seu pai pela primeira vez. O “bebê” estava crescendo, se tornando uma mulher. Eu já sou uma mulher. Muito antes de tudo isso. “Sabe, eu realmente odeio essa palavra — mudança.” A voz de Anne saiu fina. Baixa. “Oh, Anne.” Linda deslizou do sofá e se sentou no lado direito de Anne, perto o suficiente para que seus ombros se esfregassem enquanto ela dizia baixinho; “O mundo tem tudo a ver com mudança. As estações mudam de verão para inverno. As plataformas continentais empurram as 114


montanhas para cima enquanto o tempo as empurram lentamente de volta para baixo. Neste planeta, neste universo, nada fica parado.” Mudança. Só pensar nisso criava um mal-estar interior. “Alguns de nós preferem ficar no verão.” Ela conseguiu um meio sorriso. “E prefiro que nossas cenas não mudem sob nossos pés.” “Sam disse que parte do poder em suas cenas vieram da raiva, e que você escolhia escravos que alimentavam essa raiva e dor.” Linda parou, deixando o silêncio fazer a pergunta — é isso o que mudou? “É esse o problema.” Anne engoliu o resto da bebida, desejando que fosse álcool-puro. “Eu não estou tão irritada com os homens. Não mais.” “Por quê você estava tão brava?” Perguntou Uzuri. “Aconteceu alguma coisa que...” Sua pele morena escureceu com rubor, e ela voltou o olhar para a televisão. Anne se virou para estudá-la, inquieta. A garota ia ter que falar sobre o que tinha acontecido em seu passado qualquer dia desses. A paciência de Z com o assim-chamado limite rígido da submissa sobre sua história não ia durar muito mais tempo. Ele tinha lhe dado um prazo, que se aproximava rapidamente. Mas este não era o momento. Ela suavizou a voz. “Não, Uzuri. Mais como um acúmulo de trabalho e frustrações familiares.” “A família pode certamente mexer com sua cabeça,” Sally disse baixinho, sua boca torcendo com infelicidade. Lembrando o que Sally tinha compartilhado sobre o desamor de seu pai, Anne apertou sua mão, sofrendo por ela. “Ei. Isso é passado, certo?” “Passado.” Sally conseguiu dar um leve sorriso. “Então, o que sua família faz?” Precisando tirar a dor dos olhos de Sally, Anne ofereceu mais do que teria normalmente. “Meu pai seguiu a carreira militar e totalmente a velha escola. Papai acredita que as meninas devem ser protegidas. Elas não brigam, e seu bebê certamente não deveria estar fazendo nada que ela possa se machucar.” 115


“Maldição isso.” Depois de um segundo, Olivia apontou o dedo para Anne e sorriu. “Então, porque seu pai queria protegê-la, você instantaneamente se inscreveu para o perigo. Primeiro como um fuzileiro naval, depois, uma policial.” Atordoada, Anne olhou para ela. “Eu-eu nunca absolutamente pensei em minhas escolhas de carreira nessa luz, mas” — ela atirou a Olivia uma continência — “provavelmente foi em parte.” Embora o gene superprotetor que corria desenfreado em sua família, provavelmente, também tenha desempenhado um papel. “Eu sabia que você tinha sido policial, mas você foi um fuzileiro naval também?” Os olhos de Uzuri estavam grandes. “Empregos difíceis, você teve,” disse Kim. “Então, ser caçador de recompensas é mais divertido do que ser policial?” “Na verdade, não.” Seus irmãos e Dan, um policial no Shadowlands, tinha descoberto por que ela havia deixado a polícia, mas ela nunca tinha discutido isso com ninguém. Mas... Aqui... aqui, ela podia compartilhar e receber apenas simpatia. A constatação criou um nó em sua garganta. Ela limpou a voz, sentindo como se estivesse descobrindo uma velha ferida. “Eu adorava ser policial, e pensei que ia gostar das pessoas com quem eu estava. Infelizmente, na estação para onde eu fui, se você não tem bolas, você é principalmente um irritante.” Ela imitou a voz chorosa do tenente. “‘Polícias femininas colocam a vida dos policiais de verdade em risco e ocupam empregos assalariados necessários para homens que sustentam suas famílias’. No que dizia respeito ao tenente, policiais femininas eram boas apenas para buscar café ou possivelmente arquivar casos mortos há muito tempo.” “Oh, isso realmente é um saco,” Sally disse. “Os homens podem realmente ser uma merda,” Kim murmurou. “Então, você lhes disse para irem se ferrar,” Olivia disse em aprovação.

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“E você amarrou suas bolas em formatos pretzel28 antes de sair?” Linda perguntou e fez as outras sorrirem. “Eu poderia ter me sentido melhor sobre tudo isso se tivesse.” Mas, ao longo dos anos, aparentemente seu ressentimento frustrado tinha aliviado. Ela sabia quem ela era. O que ela podia fazer. E ela mesma tinha se provado isso mais e mais. “Você gosta de capturar bandidos? É por isso que é uma caçadora de recompensas agora?” Uzuri perguntou. “Eu gosto da perseguição, sim. Embora, eu tenha uma licença PI e leve casos para um amigo de vez em quando, eu prefiro a frontalidade de jogar um cara mau na prisão — tanto faz fazer isso como uma policial ou uma agente de fiança.” O principal incômodo no trabalho de agente de fiança — além de Robert — era a forma como seus tios prefeririam mantê-la no escritório, não se arriscando nas ruas. “As outras pessoas não te perturbam por ser mulher?” Sally perguntou. “Não do mesmo jeito. Eu lidero a equipe de recuperação de fugitivos.” Ela sorriu. “E, embora não tolere ser tratada como menos competente do que um homem, eu raramente tenho que socar alguém para provar que sou.” Linda, mãe de dois filhos adultos, sorriu sabiamente. “Aposto que você teve que lutar seu caminho na escola primária.” “Eu voltei para casa com mais olhos roxos e contusões do que meus dois irmãos juntos.” Anne sorriu. Olhando para trás, sem a lente avermelhada de raiva, ela podia dizer, ela tinha se divertido bastante. “Eu não gosto de violência,” Uzuri sussurrou, os olhos assombrados. Anne suavizou a voz. Compartilhe conosco, Uzuri. “Você já teve que lutar com alguém?” “Não. Eu não sei como.” Uzuri se encolheu nas almofadas.

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Um biscoito crocante cozido na forma de um nó ou vara e aromatizado com sal.

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Anne olhou para Olivia. Olivia bateu no relógio... O prazo de Uzuri ia acabar em breve, então eles chegariam ao fundo disto. “Eu nunca lutei em nenhum momento, também,” Beth passou um braço em volta dos ombros de Uzuri. O ex de Beth a havia deixado com cicatrizes que nunca desapareceriam. “Mas eu aprendi.” Sally bateu no ombro de Uzuri do outro lado. “Você não quer se juntar às nossas aulas de autodefesa? Jessica não vai poder vir por um tempo, e Kari tem faltado bastante, por causa do bebê Zane. Mais uma pessoa lá seria muito bom.” “Talvez,” disse Uzuri. Mas pelo tom, o talvez significava não. Muito coração mole para empurrar, Sally mudou de assunto. “Por falar nisso, você tem que cuidar do bebê amanhã à tarde, certo?” Uzuri sacudiu a cabeça. “Eu sou depois de amanhã.” “Sou eu amanhã,” Anne disse. A mãe e tia de Jessica tinham vindo durante um par de dias depois do nascimento de Sophia, assim como a mãe de Z. Mas Z não era o tipo de homem que gostava de ajuda residente, especialmente avós amorosos. Assim, as mulheres do Shadowlands tinham estabelecido um cronograma para manter pelo menos um tempo definido, todas as tardes levar comida e fazer compras para Jessica. Ou então cuidar do bebê para que Jessica pudesse sair de casa. Anne tinha achado nas visitas a desculpa perfeita para ir e abraçar Sophia. E cada vez que estava lá, o desejo de ter um filho ficava mais forte. Ela nunca tinha sentido essa necessidade antes, mas de alguma forma, ela tinha... Mudado — aí estava essa maldita palavra novamente — e agora ela queria abrir sua vida para uma criança. Era aterrador imaginar ser responsável por uma pessoa tão pequena, e ainda assim, tudo nela simplesmente... Ansiava. Quando ela deixava a casa de Jessica, seus braços ainda sentiam como se deveriam estar segurando um bebê. A fragrância persistente de talco de bebê e leite a fez sorrir. 118


E bebês pareciam estar em todos os lugares que ela olhava. Mas desejos não eram necessidades... e uma criança era a última coisa que ela precisava agora.

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Capítulo Sete Ben bateu os dedos sobre a mesa antes de olhar para o relógio. Porra. Sábado, dez horas. Parecia bastante óbvio que Anne estava evitando o Shadowlands este fim de semana. Estava evitando ele. Ele fez uma careta para a porta. Droga. Ele não era um adolescente com a cara cheia-deespinhas para interpretar mal os sinais de uma mulher. Ele tinha tido seu quinhão de amantes, e sabia que ela tinha fodidamente desfrutado de tudo o que eles tinham feito. Ela tinha caído fora do que poderia ter sido algo bom. Ele estava tentado a chamá-la de covarde. Mas não. Ela tinha razão. Ele não era um escravo. Ou... Ele não achava que era. Ele poderia tentar — e ia — para estar com ela, mas será que ela ainda consideraria isso? Ela já teria tentado ficar com um homem que não era, talvez, totalmente um escravo? Parecia-lhe que eles deveriam, pelo menos, dar uma chance e ver onde isso os levaria. O telefone tocou. Ele atendeu. “Shadowlands.” “Ben, aqui é Uzuri. Você poderia dizer a Mestre Z que eu não vou poder ir esta noite?” “Claro.” Ele hesitou. “Ele vai querer uma razão, você sabe.” “Oh, não é nada de ruim. Na verdade, não.” Ela soltou um suspiro de frustração, e depois o dilúvio desceu, as palavras saindo mais e mais rápido. “Era para eu me mudar para meu novo duplex durante toda esta semana, e eu tinha até arranjado alguns dias de férias e tudo mais, só que os inquilinos anteriores se atrapalharam e acabaram ficando até hoje, e os proprietários não podem fazer muito sobre isso sem levá-los ao tribunal.” Ela engoliu ar, e Ben já estava sorrindo quando a velocidade de seu discurso aumentou, bem como sua lamentação infeliz. “Então, eu só tenho amanhã para embalar e providenciar alguns carregadores, só que então eu poderia não conseguir 120


porque vai ser domingo, só que tenho que sair da cidade na segunda-feira e e ficar fora por uma semana e meu contrato está ativo e isto está simplesmente uma bagunça.” Ele tinha que concordar. “Tenho um SUV e tempo livre. Conheço um par de rapazes com caminhonetes. Quer ajuda?” Silêncio. Ele temeu por um instante que tivesse assustado a pequena submissa, e então ouviu um grito de alegria. “Você poderia? Sério — você poderia ajudar? Eu posso dirigir de lá para cá, mas não consigo carregar as coisas grandes. Não tem muita coisa — mas, sério? Você ajudaria?” Porra, ela era uma gracinha. “Sério. Que horas você quer começar?” “Não posso pegar as chaves até as nove da manhã. Mas posso começar a carregar as caixas do meu apartamento, só que talvez seja muito cedo para —” “Estarei aí as oito,” ele disse com firmeza. “Oh, meu. Obrigada, Ben. Obrigada!” “Endereço?” Ele anotou todas as informações que precisava, enfiou o papel no bolso, mandou uma mensagem para Z sobre sua estagiária ausente... E pediu permissão para dar um passo além. Os Mestres do Shadowlands se sentiam essencialmente “proprietários” da pequena submissa. Eles se preocupavam. Ele recebeu um acordo imediato. Este era Mestre Z. Depois de retirar os arquivos dos Mestres — e Mistresses —Ben começou a anotar números.

*****

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“Ben.” Anne apertou o celular. Seu coração não tinha acabado de pular uma batida. Absolutamente não. “Tem alguma coisa errada?” Por que mais ele estaria ligando tão tarde em um sábado à noite? “Sim e não. É Uzuri. Ela precisa se mudar e só tem amanhã para fazê-lo. Os inquilinos anteriores ferraram com ela e não desocuparam o local a tempo, então ela precisa fazer uma mudança corrida. Por alguma razão, ela não ligou para suas amigas.” “Eu não estou surpresa.” Independente e amante da diversão, Uzuri a cada momento e além exibia comportamentos — como este de insegurança — que mostravam que ela tinha problemas. Z nunca deveria tê-la deixado se safar com colocar seus traumas passados fora dos limites. “Um grupo de nós estamos indo para lá de manhã para fazer a mudança,” Ben disse. “Alguma chance de você querer ajudar?” “É claro.” Uma ponta de mágoa corroeu seu prazer em ouvir a voz de Ben. Por que ninguém tinha ligado para lhe dizer o que estava acontecendo? “O quanto mais cedo você precisar de mim.” “Perfeito. Você pode encontrar Uzuri em seu novo apartamento e pegar as chaves com ela? Teremos os caminhões indo e vindo a maior parte do dia.” “Certamente.” Quando Ben lhe deu a informação, ela anotou. Ele terminou com, “Eu te vejo lá.” E sim, seu coração tinha inegavelmente deslizado em uma batida de jazz sincopado. O que tinha acontecido com seu notório controle?

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Capítulo Oito Algo em torno do meio-dia na nova casa de Uzuri, Anne andou pelas salas, examinando o trabalho que estava sendo feito. As paredes esbranquiçadas da sala de estar e o piso de azulejos azul escuro tinham sido lavados. A pequena sala de jantar da mesma forma. Linda e Beth estavam lavando as janelas e acabamento branco. Na cozinha, ela sorriu para Andrea. “Como vão as coisas por aqui?” Parecendo um dia de outono com seu cabelo encaracolado castanho-dourado, olhos âmbar e pele escura dourada, Andrea era um centímetro ou assim mais alta do que um metro e setenta e dois centímetros de Anne. Cullen a chamava de sua Amazona. Andrea apontou para os três estudantes do ensino médio de jeans surrados e camisetas rasgadas. “Reuni meus trabalhadores mais rápidos. A limpeza aqui estará feita e pronta para os desempacotadores, certo, rapazes?” Todos os meninos sorriram. “Pode apostar.” “Palavra”. “Sí.” Anne olhou em volta e ficou maravilhada com os azulejos azuis reluzentes da bancada, forno, e armários abertos. Um garoto estava terminando a geladeira, que brilhava de forma positiva. “Incrível.” Mais cedo Anne tinha chegado e encontrado Uzuri em lágrimas. Quando a gerência havia entregue as chaves do duplex, eles lhe disseram que o serviço de limpeza não trabalhava nos finais de semana. Não tendo escolha e esperando o melhor, Uzuri tinha aceitado as chaves. O melhor não aconteceu. O lugar estava um desastre. Mesmo as casas de metanfetamina estariam mais limpas. Os quartos tinham lixo espalhado por toda parte, e o cheiro de comida podre da cozinha, urina do banheiro, e enorme sujeira era esmagadora. A pele escura de Uzuri havia assumido um tom verde conforme ela fazia ânsias. 123


Anne tinha firmemente enviado sua amiga de volta a seu antigo apartamento para terminar de embalar, então tinha chamado e redirecionado metade da turma para o novo apartamento para a limpeza de emergência. Mais uma chamada tinha com sucesso convocado Andrea, que havia planejado chegar mais tarde para ajudar com a desembalagem. Mas, a mulher era dona de uma empresa de limpeza. Na explicação suplicante de Anne, ela tinha vindo imediatamente e trouxera consigo alguns funcionário de tempo-parcial. “Vocês são todos trabalhadores admiráveis,” Anne disse aos rapazes. “Fico muito feliz que estavam disponíveis.” Eles lhe deram olhares arregalados de jovens mais acostumados a serem amaldiçoados do que elogiados, depois incharam seus peitos magros. Tão bonitinho. Ela trocou sorrisos com Andrea antes de dizer aos garotos; “Infelizmente, agora eu tenho que enviá-los para cuidar do banheiro nojento.” Depois de sufocar um sorriso em seus gemidos, ela acrescentou; “Mas, eu pedi pizza para compensar o trauma. Assim que vocês terminarem, a comida vai estar aqui. Vocês definitivamente vão merecer uma pausa.” “Fantástico.” Trocando batidas-de-punhos, a tropa passou para sua próxima missão. “Você é tão boa para motivar os mais jovens quanto é em manter seus escravos na linha,” Andrea disse. “A propósito, Dan e Ben estão lá fora com uma carga de material de cozinha e mobiliário da sala de estar. Ben trouxe um minuto atrás alguns Starbucks29. Um dos copos tem seu nome.” “Posso tomar agora?” Seu pulso tamborilou mais rápido — só pelo pensamento de ter um pouco de cafeína em seu sistema. Nenhuma outra razão. Não. Na longa caixa cheia de copos, apenas um tinha um nome. “Anne.” Ela o pegou e tomou um gole. Café Mocha. Ele se lembrava de sua escolha de bebida na casa de Z. Isso era... Impressionante. 29

É uma empresa multinacional com a maior cadeia de cafeterias/pastelarias do mundo, tendo sua sede em Seattle/EUA.

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Claro, todos os seus escravos tinham aprendido suas preferências, mas tendiam a aguardar suas instruções. A combinação de Ben de independência e ponderação podia facilmente crescer viciante. “Ei, Anne, onde você nos quer agora?” Sally perguntou. Gabi apareceu atrás dela, as duas mulheres desgrenhadas. “O quarto já está limpo e pronto para os móveis.” “Excelente cronometragem. Sam e Holt estão a caminho com as coisas do quarto.” Ela apontou para a embalagem de café. “Por que vocês não saboreiam um café enquanto eu busco as caixas daqui? Vocês duas podem trabalhar na arrumação da cozinha.” Gabi deu uma longa olhada. “Uau, Drea, seu pessoal fez um ótimo trabalho. Parece completamente diferente.” Quando Andrea sorriu, Anne pegou o telefone e tirou algumas fotos. “Para a locação de Uzuri, eu bati um monte de fotos quando cheguei. Mas agora você pode ter fotos do antes e o depois para seu site.” “Essa é uma ótima ideia.” Andrea sorriu. “Obrigada.” Quando Anne foi verificar a sala de estar, ela sacudiu a cabeça. Os homens tinham trazido um sofá e cadeiras e os arranjado em locais absurdos. Dan passou por ela e colocou uma cadeira contra a parede — no lugar onde a televisão deveria ficar. “Honestamente,” Anne disse baixinho. Depois de pensar por um segundo, ela se virou para Linda e lhe pediu para dirigir a disposição do mobiliário. “Beth, quando o caminhão do quarto vier, você pode fazer o mesmo?” “Claro.” “Pegue um pouco de café enquanto você tem a chance e —” Reconhecendo os passos, Anne se virou.

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Seguido por um belo Golden retriever30, Ben carregava uma pesada poltrona para a sala sozinho. Cada músculo em sua metade superior estava tão bombeado que sua camiseta de Merle Haggard31 marrom estava esticada sobre o peito. Anne desejou simplesmente poder morder a curva de seus bíceps. Hum. Quando seu olhar bateu nela, ele sorriu lentamente. “Anne.” “Ben.” O crescente calor nos olhos dele deslizou sob sua pele e desceu profundamente em seu núcleo. Lutando contra a vontade de puxá-lo para ela, ela deu um passo atrás. “É este o seu cão? Ele é lindo.” Ela estendeu a mão. “Sim, este é Bronx.” Com a confiança de um cão bem-amado, o retriever trotou, acenando a cauda graciosamente. Quando o cão lhe informou que eles agora eram melhores amigos, ela se roubou um abraço rápido. Levantando-se, ela viu Ben a olhando com um meio-sorriso e um pouco de inveja. O homem, obviamente, queria seu próprio abraço. Anne limpou a garganta. “Você pode —” “Eca!” O grito de Sally veio da cozinha. Anne correu para lá, Ben atrás dela, perto o suficiente para quando pulou para trás, ela bateu em sua estrutura sólida. Uma enorme barata voadora, metade do tamanho de sua mão, estava rastejando sobre o balcão. Oh, Deus. Ela tentou recuar para longe. Vai embora! “Ben.” Ela apontou para o medonho inseto preto com mão trêmula. “Por favor.” “Sim, Minha Senhora.” Ele entrou em ação. Enquanto ele eliminava a criatura, Anne se retirou para a área de jantar.

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Um cão de raça com uma espessa camada de pelo dourado. É um americano compositor, cantor, guitarrista, violinista e instrumentista da banda The Strangers.

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Sally a seguiu. “Cristo em uma barata, você viu o tamanho daquele monstro?” “Nada daquele tamanho deveria ser autorizado a ter asas.” O ritmo do coração de Anne não tinha abrandado. “Sinto muito por eu, Uzuri e Rainie termos tentado assustá-la com insetos falsos na última primavera.” Sally colocou um braço em volta da cintura de Anne. “Fale sobre justiça carmina. Essa coisa quase me deu um ataque cardíaco.” “Eu conheço o sentimento,” Anne disse com voz seca. Quando ela tinha aberto o armário no Shadowlands e visto insetos por toda parte... Bem. Tinha levado muito tempo para ela perceber que eram de borracha. Um minuto depois, seu defensor voltou. Cabelo puxado para trás em um laço apertado, ombros largos e retos de militar, expressão maliciosa... E os olhos cor-de-tigre dançando com riso. “Obrigada, Ben,” Anne disse. “Bem executado.” “Eu juro, essa é a única razão pela qual Deus colocou machos nesta terra — para eliminar insetos,” Sally disse. Anne considerou, seu olhar ainda preso em Ben. “Eles podem ter uma... Algumas... Outras utilidades.” Os olhos dele aqueceram. “Sim. Eu cometi o erro de dizer isso para Vance e ele contou para Galen e então eles passaram toda uma noite demostrando. Razão após razão após razão.” Sally soou positivamente descontente. “Eu não podia sequer sair da cama na manhã seguinte.” Os lábios de Anne se contraíram. Sendo um rapaz inteligente, Ben não disse nada, mas seu olhar permaneceu em Anne de uma forma que dizia que ficaria encantado de executar sua própria demonstração. A tentação era bastante atraente. Ela balançou a cabeça. “Ben, você pode ajudar a Linda a organizar a sala de estar, por favor?”

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Ao invés de parecer irritado, ele fez um sinal de atenção. “Será um prazer, Minha Senhora.” Ao ouvir o pedido de Anne, Linda lhe fez um sinal para a sala e apontou para uma cadeira. “Aquela cadeira deve ficar ali, Ben.” Ela indicou o canto mais distante. “E a estante vai para aquela parede.” “Sim,” Ben resmungou. “Eu disse para Dan.” Anne sorriu. Ele tinha um bom olho — e Dan não. O que era um bom lembrete de que uma pessoa não deveria ser julgada pela aparência externa. Seu celular apitou e exibiu uma mensagem de Nolan. Ela levantou a voz. “Pessoal, o antigo apartamento está vazio, e o último carregamento está a caminho.” Assovios vieram das várias salas. Anne verificou a equipe no banheiro. Embora revoltados com o mau cheiro, os meninos estavam trabalhando energicamente. Um olhou para ela. “E minha mãe disse que meu quarto era um chiqueiro — ela não viu nada.” O próximo caminhão chegou, e Sam começou a trazer a carga. Cabelos prateados, olhos azuis claros, bronzeado, o fazendeiro podia estar na casa dos cinquenta, mas carregava a cômoda de carvalho como se não pesasse mais que um palito. Ben seria tão durão quanto, não importa a idade que tivesse. No quarto, Anne encontrou Beth esperando e tomando um gole de café. Quando Sam baixou à cômoda, Anne lhe disse, “Beth é responsável por este quarto. Ela vai lhe dizer onde colocar os móveis.” Beth deu ao notório sádico do Shadowlands um olhar nervoso. Ela tinha sido casada com um sádico realmente abusivo. Desde que conhecera Nolan, ela havia superado muitos de seus medos, mas Anne tinha notado que sádicos masculinos ainda a deixavam um pouco cautelosa quando seu Dom não estava presente. 128


Este seria um excelente momento para ela trabalhar nisso. O olhar de Sam em Anne segurava diversão, mas quando ele olhou para Beth, seu rosto era suave. Ele disse em sua voz grossa de cascalho, “Não trouxe meu chicote, senhorita. Instrua a disposição.” Nenhum deles perdeu o suspiro aliviado de Beth. Bom o suficiente. Sorrindo, Anne se dirigiu à cozinha, passando por Holt no caminho com um suporte de cabeceira. A cozinha estava indo muito bem. Sally tinha os armários de pratos quase cheios. Gabi estava organizando os produtos enlatados. “Vocês duas se movem muito rápido,” Anne disse. “Isto não é ótimo?” Sally saltou na ponta dos pés. “Uzuri pensou que teria que alugar um quarto de motel para esta noite.” “Nós vamos ter tudo pronto antes mesmo dos outros chegarem,” Gabi disse. “Os outros?” Anne jogou o copo de café na caixa gigante rotulada como “lixo”. “Os que não puderam vir para cá mais cedo.” Sally colocou um copo em uma prateleira. “Mestre Z está vindo e talvez traga Jessica e Sophia, dependendo de como elas se sentiam.” Gabi disse, “Cat está sumida esta semana. Jake e Rainie estão atolados nesta temporada com cachorros e gatos. Raoul está fora da cidade, mas Kim já deve está chegando. Marcus e Cullen estarão aqui daqui a pouco. Olivia ia vir a tarde, também.” “Meu Galen está a caminho. Vance está em Atlanta por mais um dia,” Sally disse. Ela escutou por um segundo. “Na verdade, parece que Galen e Marcus já estão aqui.” Anne olhou a hora em seu telefone. “Meu Deus, já é depois do almoço.” “O tempo voa quando você está se divertindo.” Sally sorriu. “Estou muito feliz que você veio. No antigo apartamento de Uzuri, todos nós estávamos lá e ninguém sabia o que fazer. Ficamos todos no caminho um do outro. Você cortou o caos como uma faca quente na manteiga.”

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“Nenhuma surpresa.” Dan entrou na cozinha, seguido por Ben. “Anne lidera uma equipe dos mais duros filhos-da-puta que você já viu. Dirigir um grupo em movimento — mesmo um com Sam e Nolan nele — não é nada.” “Bem, não é de admirar, então.” Sally empurrou a caixa vazia para um lado. “Eu não sabia que caçadores de recompensa tinha equipes.” “Se o infrator tem um histórico de violência, é mais seguro para todos — incluindo ele — se usarmos uma equipe,” Anne disse. “Soa inteligente.” O olhar de Ben era especulativo, como se estivesse colocando pedaços da vida dela juntos como um quebra-cabeça. “Ei, Ben,” Gabi disse enquanto fechava a porta do armário. “Você fez um ótimo trabalho reunindo todo mundo. Fico feliz que você tenha percebido que Uzuri precisava de ajuda, mesmo ela não querendo admitir isso.” “Você arranjou tudo isso?” Anne perguntou a ele. Ele deu de ombros. “Fui eu quem descobriu que ela tinha um problema, então verifiquei com Z e resolvi. Na maior parte, eu atribuí pessoas para notificar outras pessoas.” Ele se aproximou o suficiente para que o ombro dela roçasse seu peito. Sua pele formigou com apenas o ligeiro contato com o corpo dele, e sua respiração rápida trouxe seu aroma limpo e picante. Pare. Ela deu um passo atrás. “Eu deixei sua chamada para mim embora,” ele acrescentou. Não era de admirar que ninguém tivesse ligado. Mas... “Por quê? Você ficou com medo de que eu fosse rude se alguém me pedisse ajuda?” Ela não tinha uma reputação tão ruim assim, tinha? “Não, Minha Senhora.” Quando ele se aproximou novamente, ela franziu a testa para pará-lo. Porque tocá-lo era muito tentador.

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O olhar dele ficou firme no dela, e então ele sorriu. “Eu fiz a chamada porque eu viajo ao ouvir sua voz. Mesmo quando está chateada, você soa como Lauren Bacall. “ “Desculpe-me?” Ela não conseguiu manter o frio de entrar em sua voz. “Sim, bem assim.” Ele sorriu. “Se alguma vez você se cansar de ser caçadora de recompensas, você poderia ter uma grande carreira com sexo por telefone.” Suspiros soaram na cozinha. Ben recebeu olhares preocupados de seus amigos, que sabiam o que ela fazia com homens desrespeitosos. Anne colocou a mão no peito de Ben. Os músculos eram bombeados e duros, criando um profundo vale entre seus peitorais. Uma onda de calor a consumiu. Irritada, ela empurrou levemente. Ele imediatamente deu um passo atrás. Sua mão cobriu a dela, segurando-a contra o peito. “Você está sendo deliberadamente provocador, Benjamin. Você quer que eu bata em você?” Ela perguntou, apenas meio-brincando. “Qualquer dia. Qualquer momento.” O desejo em seu olhar não podia ser mal interpretado. “Por favor.” “Jesus, Ben, você está louco?” Cullen perguntou atrás de Anne. “Ela vai transformar seus ‘n’ grandes feijãos em sanduíches espalhados pelo chão.” Anne ficou rígida. “Chega de besteiras, O’Keefe,” Ben rosnou. O frio no coração de Anne derreteu como manteiga no sol da Flórida. E Cullen recuou como se tivesse levado um soco. “Eu —” “Anne. Benjamin. É bom ver vocês dois.” Quando Z entrou, o poder em sua voz suave silenciou todos na cozinha. Ele passou a mão por seu braço nu em uma saudação deliberadamente afetuosa que acabou com ela. Ela lutou para manter a voz nivelada. “Z. Jessica está aqui? E o bebê?”

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“Jessica queria vir, mas ela está lutando contra um resfriado. Kari ficou lá com ela e Sophia, mas ela enviou um prato de seus brownies. Eu também trouxe um resfriador com cerveja e refrigerantes.” “Brownies?” Perguntou um dos estudantes de Andrea. Quando todo mundo olhou para ele, ele corou tão profundamente que até suas orelhas ficaram vermelhas. “Sim. Na sala de estar.” Z riu quando o menino desapareceu. “Acredito que sua pizza chegou também. Eu vi a van de entrega procurando um lugar para estacionar.” “Este é um momento perfeito. Com licença.” Anne saiu apressadamente — uma retirada completa — para lidar com a entrega. Poucos minutos depois, a maioria dos ajudantes estavam sentados no sofá, cadeiras e no chão, devorando a pizza. Depois de distribuir guardanapos e bebidas, então pegando comida para si mesma, Anne observou a sala com prazer. Eles tinham feito um bom trabalho. Uma porta de carro bateu lá fora, e um minuto depois, Uzuri apareceu na porta. Ela olhou para a sala impecável e as pessoas a enchendo. “O que vocês...” Ela colocou as mãos sobre a boca. Lágrimas encheram seus olhos e escorreram por seu rosto. Ela olhou para Anne. “Eu não... Todo mundo está aqui.” O Retriever em seu encalço, Ben congelou no lugar, segurando uma foto emoldurada. Anne olhou para ele, esperando que ele explicasse. Em vez disso, ele parecia chocado. E mudo. Caras durões e lágrimas. Nunca é uma boa mistura. “Venha cá, bebê.” Anne descartou sua comida e puxou Uzuri para perto quando a crise começou. “No minuto em que Ben disse que você tinha um problema, todo mundo quis ajudar.” Uzuri pressionou o rosto no ombro de Anne... E chorou. Anne simplesmente a abraçou e acariciou seus ombros confortavelmente. Nada mais havia a ser feito — às vezes uma menina só tinha que chorar.

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Sam e Holt saíram do quarto. Sam viu Uzuri e deu a Anne um aceno de aprovação. Havia um homem que não se preocupava com lágrimas. Holt deu um passo em direção a elas, preocupação em seus olhos. Depois de um segundo, ele balançou a cabeça e olhou para Anne. “A cama está montada e pronta para ser feita.” “Obrigada.” Ela examinou o espaço com novas adições à equipe. “Kim, quando estiver pronta, você e Linda podem arrumar o armário do quarto e a cama.” “Claro.” Kim tinha lágrimas nos olhos quando olhou para Uzuri. Do outro lado da sala, Nolan passeou pela porta da frente e acenou para Anne. “O caminhão está vazio.” “Aqui, senhor.” Beth se levantou da cadeira e entregou a seu Mestre a pizza em um prato de papel. Ele tomou seu lugar, abriu as pernas, e ela se estabeleceu entre elas no chão. Depois de se inclinar para frente e tomar um rápido beijo, ele aceitou a garrafa de Corona32 dela. Eles realmente pareciam perfeitos juntos. Anne sorriu levemente. Quase três anos atrás, ela dissera a Nolan que ter um submisso mais permanente valia a pena. Aí então, ele havia encontrado Beth — e ela havia perdido Joey. Agora era ela a pessoa solitária. E não é que isso era simplesmente lamentável? Nos braços de Anne, Uzuri levantou a cabeça. “Tudo bem agora?” Anne perguntou. Uzuri assentiu e sussurrou; “Obrigada. Sinto muito.” “Sem problema.” “Venha comigo, amiga. Ainda há mais trabalho a ser feito e comida para comer.” Gabi enfiou um punhado de tecidos na mão de Uzuri.

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É uma cerveja clara fabricada pela Cervejaria Modelo no México, é uma das cervejas mais comercializadas em todo o mundo e está disponível em mais de 150 países

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Sally passou um braço em volta de sua cintura. “Venha e veja sua cozinha. Você não vai reconhecê-la.” As duas arrastaram Uzuri para longe, fazendo-a rir — e lhe dando tempo para recuperar a compostura longe de todos os outros. Bem executado. Depois de pegar sua comida abandonada, Anne se acomodou na cadeira que Gabi tinha desocupado. Para sua surpresa, Bronx deitou aos seus pés. No olhar suplicante em seus olhos, ela tirou um pedaço de calabresa da pizza. Sua cauda bateu no chão quando ele aceitou delicadamente seu presente. Ao som de uma gargalhada familiar, Anne olhou para cima. Rindo de um comentário que um dos garotos tinha feito, Ben estava escolhendo fatias de pizza da caixa. O rosto dele caiu na visão do prato de brownie vazio. Depois de olhar em volta, ele se aproximou e se juntou a Bronx aos seus pés. “Ben.” Sua voz tinha um aviso que ele ignorou completamente. Ele colocou o prato e Coca-Cola no chão, virou de lado, e posicionou seu pé esquerdo sobre a coxa para poder se enfiar entre as pernas dela. Depois inclinou o ombro esquerdo contra a almofada do sofá — quase em sua boceta; deixando sua perna direita por trás das costas. Com um suspiro de satisfação, ele pegou a bebida. Ao redor da sala se ouviram bufos de diversão e risos. Submisso insistente. Anne colocou sua pizza de lado, pousou a mão em seu ombro, e agarrou seus cabelos, inclinando sua cabeça para trás. Calor flamejou em seus olhos, e como um lobo enfrentando sua alfa, ele expôs o pescoço ainda mais. Ela adorou a maneira como ele lhe respondeu. No entanto...

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“Benjamin, eu te pedi para se sentar aos meus pés?” Sua voz alcançou aos ouvidos dele e nenhum outro. “Minha senhora, não.” Ele lhe deu um sorriso fácil e moveu o prato antes que Bronx pudesse alcançá-lo. Ele não abaixou a voz. “Depois daquela besteira de Cullen, eu queria fazer um ponto.” Suas sobrancelhas se juntaram. “Se você realmente não me quiser aqui, eu vou sair.” Do outro lado da sala, Cullen franziu a testa. “Ben...” “Sabe de uma coisa, Anne, ele merece perder as bolas,” Dan disse. “O que está acontecendo?” Um dos jovens sussurrou para o outro. “Babosos estúpidos.” Andrea deu um soco no braço do Dom antes de olhar feio para Dan. “Meus funcionários estão aqui.” Cullen fez uma careta na lembrança. Dan lhe deu um elevar de queixo arrependido. “O que está acontecendo é que Cullen acha que estou sendo muito insistente com esta mulher.” Mesmo enquanto oferecia uma salsicha como petisco para Bronx, Ben sorriu para os garotos, nem um pouco desconfortável. “Vocês nunca fizeram isso com seus amigos?” Dois deles se viraram para o terceiro e começaram a provocá-lo. Uma distração perfeita. Anne deu ao cabelo de Ben um pequeno puxão de aprovação. Os ombros dele relaxaram sob sua mão. Os jovens rapazes estavam cutucando uns aos outros e trocando insultos, e ela pôde ver que os meninos dessa idade certamente podiam virar a vida de uma pessoa de cabeça para baixo. No entanto, mesmo com toda aquela idiotice adolescente, eles eram realmente uma gracinha. Conforme as conversas flutuavam ao seu redor, ela terminou a pizza e limpou os dedos no guardanapo. Ben já tinha limpado o prato. “Boa pizza, Minha Senhora,” ele disse. “Obrigada por alimentar todos nós.” “De nada.” Ela pegou o outro prato na mesa do canto, sabendo — sabendo — que não deveria dar a ele nenhum incentivo. No entanto, seu coração não ia deixá-la levar a sobremesa de 135


volta. “Apesar de seu comportamento extremamente intrometido, eu acho que você merece uma recompensa. Você fez uma coisa muito legal hoje para Uzuri.” Ela descobriu o grande brownie coberto com chocolate. O olhar dele sustentava a alegria de um homem recebendo um saboroso deleite, como também o prazer de que ela tivesse pensado nele quando os outros estavam apanhando sua comida. “Obrigada, minha senhora.” Antes de dar uma mordida, ele fez uma pausa. “Você conseguiu algum?” “Eu sei melhor. Já comi dos brownies de Kari antes. Se eu comesse algum, eu teria que correr um quilômetro extra amanhã de manhã.” Os olhos dele brilhavam como ouro. “Eu poderia lhe servir para eliminar essas calorias.” Bom, ela sabia que isso era um fato. E o desejo de queimar algumas calorias com ele estava crescendo esmagadoramente. “Bem, nesse caso, talvez eu devesse desfrutar.” Ela se inclinou para frente, deixando o seio roçar contra o rosto dele enquanto agarrava seu pulso e puxava o brownie até os lábios. Ela deu uma pequena mordida. “Oh, agora, Minha Senhora, você sabe que sou bom para muito mais calorias do que essa,” ele murmurou. Ela engasgou. O celular dela tocou. Salva pelo gongo. Ela verificou o visor e atendeu. “Aqui é Anne. Quem fala?” “Temos um captador para você, se tiver tempo,” disse Loretta. “Você se lembra de Jane? Então, mas ela me pareceu quase histérica. Você provavelmente deve levar algum apoio.” Depois de pegar a localização, Anne franziu o cenho para o telefone. Droga, Jane. Por que você teve que voltar para esse idiota? Uma grande mão se fechou sobre a dela. “Problema?” Ben a estudou, os olhos preocupados.

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“Temo que sim. Preciso de alguém para dar um passeio.” Mas seus dois irmãos estavam trabalhando hoje, e ela não tinha nenhuma de suas amigas treinadas que ela se sentisse confortável arriscando em uma situação possivelmente perigosa. “Apenas um passeio não te deixaria tão preocupada. Posso ajudar?” “Eu...” Podia? Ele era ex-militar. E Z fazia extensas verificações de antecedentes sobre alguém colocando o pé em seu Shadowlands, então ele estaria seguro. Ainda melhor, como um guarda em um clube BDSM, ele já tinha visto e tratado com colapsos emocionais. “Se você não se importar de sair agora, eu adoraria alguma ajuda.” “Se Bronx puder vir também, eu estou dentro.”

***** Anne estava entregando uma mulher para um abrigo para mulheres maltratadas? A mulher tinha mais facetas do que um diamante. Ben a olhou enquanto ela dirigia seu Ford Escape para a área de captação designada. “Por que não são os policiais que fornecem transporte para a mulher?” “Eles fazem às vezes. Mas, muitas vezes, uma mulher não chama a polícia, assim o abrigo chama os voluntários.” “Se um homem bate na mulher, o que o impede de atacar um motorista?” Ela sorriu. “Não é tão perigoso quanto parece. Nós não pegamos mulheres em seus trabalhos ou casas, e só fazemos captações em áreas públicas.” Ainda não parecia particularmente seguro. Ben se endireitou. Pelo menos ele estava lá. “Você sabe quem estamos buscando?” “Na verdade, sim. Jane e sua filha, Paige, ficaram no abrigo por um tempo, mas quando seu marido concordou em fazer o aconselhamento, ela voltou para ele.” Ela fez uma careta. 137


“Você não aprova um cara que quer uma segunda chance?” “Bem, às vezes um abusador fica chocado com suas ações e percebe que tem um problema. Ele é o tipo que pode aprender.” Ela apertou os lábios. “Eu conheci o marido de Jane. Ele é um bastardo manipulador e com certeza não está interessado em mudar seu comportamento. Ele usou todos os truques no livro para fazê-la voltar para ele.” Considerando a experiência de Anne como Domme, ela provavelmente tinha lido o cara corretamente. Ele soava como um bastardo real. “Então ela o amava e voltou.” “Uh-uh. Acho que amor está muito longe disso. Eu diria que ela ficou com medo de ficar sozinha e de ter que virar sua vida de cabeça para baixo. Do quanto ela teria que mudar.” Os dedos de Anne apertaram e afrouxaram no volante. Ela cuspiu a palavra — mudar — como se ela tivesse um gosto ruim. Interessante. “É este o lugar.” Anne dirigiu através de um estacionamento de shopping, puxou para o meio-fio em frente a uma loja de departamentos, e acendeu as luzes de dentro. Ela saiu. Ben sinalizou com a mão para que Bronx ficasse e se juntou a ela na calçada. “Onde você me quer?” “Você pode esperar perto do carro?” Os lábios dela se curvaram. “Você pode ser um indivíduo assustador às vezes.” Ben fez uma careta. Embora ele tinha vindo a gostar de ser um cara grande, ele não gostava que seu rosto pudesse aterrorizar crianças. Ela notou e passou a mão por seu braço. “Acontece que eu gosto de indivíduos assustadores, sabe,” ela disse com sua voz rouca. Quando ela o olhou como se ele fosse um mimo deleitável, seu ego se expandiu para preencher toda a Pinellas County33. Ele limpou a garganta. “Vou esperar aqui.” A menos que houvesse um problema... Então todas as apostas estavam fora.

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Um condado situado no estado da Flórida, sua sede de concelho é Clearwalter e sua maior cidade é St. Petersburg

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Ela avançou rapidamente para a loja, e ele a conhecia tempo suficiente para ler a tensão em seu corpo e a forma como estava alerta para as pessoas nas proximidades. Ela tentava agir como se não fossem perigoso para os captores, mas ela estava, obviamente, pronta para a ação. Um minuto depois ela saiu, um braço em volta da cintura da mulher, apoiando-a. Jesus. A mulher mancando tinha um olho roxo e um inchaço do tamanho-de-uma-bola-de-golfe na bochecha. Um lábio gordo. Seu torso rígido indicava que suas costelas estavam machucadas ou quebradas. Raiva despertou e levantou sua cabeça feia. Ele deu um passo à frente, então viu uma menina se arrastando atrás de Anne. Ela não devia ter mais que doze anos. Lágrimas riscavam seu rosto sujo. Ben estrangulou sua raiva de volta. Ela já tinha visto o suficiente de violência. Tentando parecer inofensivo, ele abriu a porta do banco de trás e se afastou. À medida que as mulheres se aproximavam do SUV, um homem gritou. “Encontrei você, sua puta. Pare aí mesmo.” Como um pássaro aterrorizado, Jane congelou. “Oh, honestamente.” Com um bufar de irritação, Anne olhou por cima do ombro. “Jane, entre no carro.” A mulher não se mexeu. O marido foi em direção a elas com o foco intolerante de um rebelde fanático. Tanto por uma captura segura. O idiota tinha pó branco no jeans rasgado e a camiseta manchada de suor. Ele provavelmente trabalhava em construção civil. Cerca de um metro e oitenta e dois centímetros e bem mais de noventa quilos, o homem era musculoso, com um bom tamanho de barriga de cerveja. Sua expressão era... Vazia, e Ben percebeu que ele estava no alto de drogas ou álcool, ou ambos. 139


“Entre, Anne,” Ben advertiu enquanto ela ajudava Jane a alcançar o carro. “Posso nocauteá-lo?” “Prefiro fazer isso eu mesma.” Porra. Ben suprimiu a necessidade de intervir. Quieto, Haugen. Anne não desistiria facilmente de seu brinquedo, e ele tinha que confiar que ela sabia o que estava fazendo. “Cuidado.” Anne lhe deu um meio sorriso triste, soltou Jane, apertou o ombro da garota, e foi em direção à loja. Ben entrou na frente de Jane e da criança para protegê-las da vista do agressor. “Entrem no carro, por favor, enquanto Anne lida com “o idiota de merda” qualquer problema.” Depois de um piscar de olhos, Jane focou nele e, se qualquer coisa, parecia ainda mais assustada. “Eu —” Ela realmente começou a recuar. Para alívio de Ben, sua filha saltou. “Entre, mamãe. Precisamos ir.” Boa garota. Aterrorizada, olhos arregalados, branca-até-a-morte — e ela ainda matinha a cabeça firme. Atrás de Ben veio o som da voz alterada do idiota, depois o baque de carne contra carne. Anne pode lidar com ele. Ela pode lidar com ele. Ben afrouxou sua mandíbula e estalou os dedos para Bronx saltar do banco de trás para frente. “Fique aqui, garota,” ele disse suavemente, certificando-se de que Paige ficasse ao lado do carro. Ele olhou para a mãe. “Meu nome é Ben, senhora. Estou ajudando Anne aqui.” Ele ajudou Jane a entrar no banco de trás e cuidadosamente abotoou seu cinto. Uma a menos. “Paige, entre.” A menina sacudiu a cabeça. “Talvez temos que ajudar Anne.” Com os punhos cerrados, ela plantou os pés, não saindo do lugar. 140


Bom, inferno. Frustrado, Ben colocou uma mão de leve em seu ombro para poder manter o controle dela, depois se virou para assistir a luta. Se Anne precisasse de ajuda, ele pretendia estar lá. E se o filho-da-puta tentasse colocar a mão na garota, ele recuaria um toco sangrento. Infelizmente, a ajuda de Ben não seria necessária, o que era uma fodida pena. O idiota estava tentando acertar Anne e estava falhando o tempo todo. A mulher tinha uma jogada-de-perna seriamente boa. Ela lhe deu um chute perfeitamente executado em um joelho. O bastardo caiu duro. Concreto encontra cara — cara perde. Ben riu baixinho. E tentou fazer seu pau-duro desaparecer. Ainda na posição, Anne esperou, obviamente esperando que o idiota fosse se levantar para que ela pudesse derrubá-lo de novo. Domme malvada. “Minha senhora, isso foi bom de assistir, mas seu carro a aguarda.” E a pequena já tinha visto o suficiente. Anne franziu a testa para Ben, fúria ainda montava seus ombros, mas quando ele olhou significativamente para baixo na garota, ela entendeu imediatamente. “Certo. Vamos, então.” Para surpresa de Ben, Paige ainda não se mexeu. Seus olhos tinham ódio quando ela olhou para seu pai. Porra, isso era muito triste. Ben pigarreou. “Paige. Entre agora.” Antes que ele pudesse ajudar, ela correu ao redor do carro, abriu a porta traseira, e parou. “Paige?” “Um cachorro.” Ben percebeu que Bronx tinha enfiado a cabeça entre os bancos da frente, esperando que alguém pudesse lhe dar um pouco de atenção. 141


“Você tem um cachorro.” A maravilha na voz dela fez o retriever ganir. Ben sorriu. Alguém podia ser confortador, e ele tinha exatamente o cão para isso. “Quer vir na frente com Bronx?” Se as portas do céu se abrissem, a criança não poderia parecer mais extasiada. “Sério?” Em resposta, Ben abriu a porta do passageiro da frente, fez sinal para Bronx ir pro chão, e deu um passo fora do caminho. Depois que Paige entrou, ele teve que segurá-la por tempo suficiente para prender o cinto de segurança. Então ela se inclinou para frente, os braços indo ao redor do pescoço do cão, e ela escondeu o rosto em seu pelo. “Bom,” Anne disse. “Acho que Bronx pode ser mais popular do que os amados ursos de pelúcia dos bombeiros.” Jane sussurrou; “Será que o cão não vai atacá-la? Ela está tão chateada...” Ben se agachou ao lado da mãe. “Bronx tem um grande coração, e ele adora crianças. Eles estão bem.” Para sua surpresa, Anne lhe entregou as chaves do carro e saltou para trás. “Jane, preciso saber o quão mal você está machucada.” Ah. Ben deslizou para o banco do condutor, verificou a menina, e bufou. Ela estava meio chorando e meio rindo enquanto Bronx dava pequenos gemidos e tentava lamber suas lágrimas. Com Anne direcionando do banco de trás, Ben dirigiu para o abrigo e estacionou na parte de trás. Enquanto ele ajudava Jane a sair do carro, Anne deslizou para fora pelo outro lado. Com um braço em volta de Jane, ela disse; “Eu já volto.” Ela ajudou Jane até a construção e tocou a campainha. Algumas mulheres abriram a porta. Enquanto Paige dava um último abraço em Bronx, Ben inclinou um quadril contra o SUV. “Senhor Ben?”

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Ben olhou para os olhos azuis brilhantes. “Você não precisa da parte do Senhor — Ben está bem. Você quer me fazer uma pergunta?” “Você é homem. Você não deveria proteger a Senhorita Anne?” Tendo esperado uma pergunta sobre Bronx, ele levou um momento para se recuperar. “Sim. Eu sempre vou protegê-la. Mas ela não precisava da minha ajuda com aquele — uh, com... hoje.” Ele sorriu ligeiramente. “Ela se saiu muito bem por conta própria, não foi?” Os olhos da menina estavam inchados de tanto chorar, mas muito, muito alertas. “Então, mesmo que ela tenha batido no meu pai, você ainda gosta dela?” Ben simplesmente riu. “Malditamente certo.” “Paige.” Anne estava um passo longe. Ela deu a Ben um olhar cheio de diversão. “Querida, você precisa ir agora.” A criança beijou o nariz de Bronx e abraçou Anne. “Você vai vir me ver? Por favor?” Ben só conseguiu olhar como a Mistress mais sádica do Shadowlands se transformava em geleia. Sim, ele tinha encontrado sua mulher.

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Capítulo Nove Enquanto Ben levava o veículo de Anne de volta para Uzuri, ela o olhou. Ele pareceu não se incomodar com as lágrimas e terror de Jane, a raiva do marido, ou a luta. Sua atenção estava no tráfego, os dedos batendo no tempo com a música no rádio. Country-western, infelizmente. Mas, por ele, ela ia aturar a música. Por ele, ela ia aturar um monte. Ela ainda estava tentando assentar sua cabeça na forma como ele a observou enfrentar o marido de Jane. Seu irmão Travis teria discutido e, eventualmente, recuado. Harrison e seu pai — nunca. Mas Ben não tinha tentado jogar seu peso em volta de todo. Ele a deixara lidar com isso; caramba, ele a agradara. “Você faz essas coisas muitas vezes?” Ele perguntou. “Apanhar as mulheres?” “De vez em quando. Passo a maior parte do meu tempo voluntário com as garotas no abrigo. Os adolescentes, especialmente, são bastante irritados e confusos.” “Eu vi você com a equipe de Andrea. Você é boa com crianças. Mas a coisa do abrigo — por quê isso?” Ele lhe deu um olhar preocupado. “Você já teve um marido ou namorado violento no passado?” Depois de um segundo se sentindo insultada, ela percebeu que a pergunta veio da preocupação. “Não. Mas como filha de um militar, eu vi um bom número de maridos abusivos.” Como a mãe de sua melhor amiga, que havia sido casada com um capitão. A mulher escondia os olhos roxos e contusões com maquiagem. Dando desculpas para sua filha e todos os outros. “Eu caí.” “Eu sou tão desajeitada.” “Eu bati minha cabeça no armário.” Ele fez uma careta. “Sim. Já vi isso. Eu entendo.” 144


Anne tinha odiado aquele capitão com toda sua força infantil. Ele tinha sido descoberto um dia quando ia bater em Tracy... E isso tinha chegado a envolver seu pai. O capitão tinha sido expulso do serviço, mas depois Tracy e sua mãe haviam se afastado. A dor de perder alguém nunca desaparecera por completo. Anne voltou à conversa. “Como policial, bom, eu tive que lidar com as chamadas de violência doméstica.” Aquelas que envolviam crianças ainda assombravam seus sonhos. Os bebês devem ser protegidos. “Pensei que você fosse uma agente de recuperação de fugitivos. Você é uma policial?” A surpresa em seus olhos foi deliciosa. “Eu era. Olivia acha que porque meu pai tentou tão inflexivelmente me proteger, eu, naturalmente, me juntei aos Marines, e depois à força policial.” “Posso ver isso.” Sua risada encheu o carro, um rugido áspero animador. Ainda sorrindo, ele disse; “Nesse caso, fico feliz por ter ficado fora da luta.” Ela bufou. “Engraçadinho. Realmente, acho que minha família tem o gene proteger-eservir, mesmo que meus parentes homens se recusam a reconhecer a existência disso nas mulheres.” “Mas você não está mais na polícia? O que aconteceu?” Sua voz era casual, mas seus dedos apertaram no volante. “Nada de particularmente feio, Ben. Eu simplesmente não gostava da intolerância contra oficiais femininas.” Entre o clima lá e os casos de violência doméstica, ela tinha começado a odiar todos com um pau. Ela acrescentou. “Mais tarde, eu descobri que minha estação tinha uma reputação de misoginia, e eu deveria ter me transferido. Ao invés, eu parti para fianças.” Ele sorriu em seu trocadilho débil. “Sem maridos no passado? Homens sérios em sua vida?” Submisso abelhudo. Mas sob seu interesse tranquilo, ela não se importou de partilhar. “Sem maridos. Nada sério.” Ela tinha tido alguns caras em seus dias mais jovens, que... Talvez... 145


Ela poderia ter amado. E na faculdade, o homem que ela amara era baunilha, de modo que a relação tinha deixado de funcionar e queimado. E ferido. Ela provavelmente apenas não tinha nela amar alguém profundamente o suficiente para sustentar um relacionamento real. Nos últimos anos, embora ela tivesse possuído escravos em longo-prazo a quem amara, ela nunca tinha realmente estado “apaixonada” por eles. “Você?” “Uma ex-esposa.” Ele tinha sido casado? Sentindo uma estranha sensação de ciúme, Anne o estudou. Sim, ela podia vê-lo como um homem casado. Ele tenderia para o que era importante para ele com a mesma seriedade que dava aos seus outros deveres. Sua esposa deveria ter sido uma mulher de sorte. “O que aconteceu?” “Ela se divorciou de mim quando eu estava no serviço. Dupla de amigos então, não o que eu chamaria de sério-sério. Não sei como explicar isso.” “Deveria haver uma escala de declives de relacionamento.” Quando Ben parou num sinal vermelho, o olhar de Anne pousou em uma loja de armas. “Algo para mostrar o quanto o amor é mortal.” Ela considerou. “Uma BB-gun34 representa um primeiro encontro casual. Um revólver calibre 22 uma primeira noite de sexo. Uma semiautomática calibre 38 quando atingir a fase de não-sério para exclusivo.” “Certo.” Ele estava sorrindo quando virou a curva. “Um M24 SWS ‘sniper weapon’35 para se ligar a alguém — ficar noivo. E talvez um Carl Gustav36 para assinar os papéis — se casar.” Ela sorriu, lembrando-se que o Carl Gustav era uma arma antitanque. “Mas este é um homem cínico. Então, qual classificação suas chamas do passado ganhariam?” “Uma namorada teria sido um... 38. A outra uma Magnum 44.”

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Um rifle de ar que dispara pastilhas de chumbo É a versão militar e policial do rifle Remington 700, M24 sendo o nome do modelo atribuído pelo Exército dos Estados Unidos após sua adaptação como seu padrão de rifle sniper em 1988 36 É o nome comum para o canhão-sem-recuo portátil anti-carro de 84mm desenvolvido pela empresa sueca Bofors em 1946 35

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Um passo acima em exclusividade, o que significa que ele tinha levado a sério a mulher. “Entendo.” Ele hesitou e perguntou; “Qual foi Joey?” Conforme sua coluna endurecia, ela conteve sua primeira resposta — não é da sua conta. Mas, talvez fosse. “Eu diria que um 38, porque eu nunca passei de um 38.” Os pequenos músculos nos lados dos olhos dele ficaram tensos como se absorvendo um golpe. “Entendi.” “Eu não tenho as típicas relações homem/mulher, Ben. Você poderia chamar isso de um limite rígido comigo. Eu tenho escravos. Eu me importo com eles — até mesmo os amo — mas nunca o tipo de amor-que-homem-mulher fazem.” Ele assentiu. Hora de mudar de assunto. Passar o tempo. “Você foi bom com Paige hoje.” Ela se virou para dar um tapinha em Bronx. “Assim como você, bebê.” Bronx respondeu com uma pancada encantadora da cauda e uma lambida sorrateira em seu dedo. “Andei praticando com a equipe de Marcus,” Ben disse. “Quando ele ensina artes marciais aos adolescentes, ele pede voluntários para ajudar no pacote.” “Ah. Bom, você deu a Paige algo para se pensar.” Impensadamente, ela colocou a mão em sua coxa. A forma como os músculos ficaram tensos sob seu toque mudou a dinâmica entre eles para algo mais sexual. Ela temia que a pontuação de encontros deles estivesse subindo rapidamente de um bom 22 para algo com mais impacto. O que ela poderia fazer sobre isso? “O que você quer dizer?” Ele perguntou; descarrilhando seus pensamentos. “Seus pais te ensinaram que as mulheres são passivas. Que um homem nunca iria tolerar uma mulher assertiva.” Ela sorriu. “Definitivamente não uma agressiva.” “Fodida estupidez.” 147


“Exatamente. Mas agora Paige viu uma mulher lutar de volta e ouviu um homem confiante dizer que tinha apreciado o show — e que ainda gosta dessa mulher.” “Eu gostei do show,” ele disse. “Eu reparei.” Ele bufou. “Você fez, huh?” Paige não tinha notado, mas Anne tinha visto a grande protuberância no jeans de Ben. Ele merecia ser recompensado por uma reação tão adorável, mas isso não seria — Ele colocou a mão sobre a dela e a deslizou até a virilha. Ele ainda estava semi-rígido. “Conheço seus limites, Minha Senhora. Mas muitas pessoas têm limites e ainda assim conseguem fazer sexo. Vamos fazer sexo.” Seu corpo ficou imóvel na onda de desejo. E, ainda... “Eu não quero que você se machuque, Ben.” Ele olhou para ela, seus amarelados olhos de tigre atentos. “Anne, você gosta quando as pessoas restringem sua vida porque estão com medo de que você vai se machucar?” As palavras foram um ligeiro ardor em seu rosto, acordando-a. Um sorriso apareceu no rosto dele... Até que ela agarrou seu pênis. “Bom, Benjamin, nós não queremos nos preocupar com você se machucando agora, queremos? Quer conhecer minha casa?”

***** Ben sabia de fato que ele teria a porra de um ataque cardíaco — fodidamente em breve — e Mistress Anne seria presa tentando explicar por que ela tinha um homem morto nu deitado de costas em sua cama. Por que havia marca de dentes em sua cabeceira. 148


Ela mordeu seu pênis. “Jesus!” Ele levantou a cabeça fora da cama, e olhou para ela. A Mistress arqueou uma sobrancelha. “Sugiro que você pare de pensar, Benjamin. Ou então.” Os dedos seguraram uma de suas bolas, depois a outra em uma ameaça quente. Quando ela apertou, suor irrompeu em seu corpo. Quando uma unha raspou o ponto sensível logo à frente de seu cu, luzes dançavam em sua visão. E quando ela soltou suas genitais, o sangue fluiu direto para seu pau, que já estava lutando contra as tiras de couro envolvidas em torno dele. Ele caiu à cabeça de volta para trás sobre o travesseiro enquanto cada músculo de seu corpo ficava rígido. Ele precisava gozar. Muito. Fodidamente. Mau. Quando ela sorriu para ele — inferno, isso foi quase o suficiente para finalizá-lo. Ela estava magnífica, toda nua, a pele um bronzeado dourado. Alta, seios fartos com mamilos eriçados. Olhos com pálpebras pesadas. Boca inchada de seus beijos. Parecia um daqueles demônios femininos do sexo — um súcubo37 — daqueles que ninguém podia resistir. Quando ela se inclinou mais perto, o cabelo se espalhou sobre sua virilha em sedosa doçura e uma risada abafada acariciou sua pele com calor. E então ele sentiu... Oh, Jesus, ela não... Ela fez. A língua traçou a cabeça de seu pênis. O calor úmido circulou a fenda e lambeu sobre a pele. Sua ereção conseguiu inchar ainda mais. As tiras cresceram dolorosamente apertadas enquanto ela brincava com ele. Mordiscando o capacete. Sugando de leve. Seu corpo começou a tremer. Suas mãos apertaram com mais força as hastes de carvalho. O gemido que ele deixou escapar não poderia ter vindo de nenhuma coisa viva. 37

Um demônio feminino acreditado para ter relações sexuais com homens enquanto dormiam.

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“Tudo bem, Benjamin. Acho que você está pronto, e eu vou até mesmo lhe dar uma escolha hoje. Você quer que eu te monte ou quer o topo?” Ele poderia falar sem gritar? Ele respirou fundo — e jurou que ainda podia sentir as unhas dela em seus mamilos. “Topo. Por favor. Mistress.” Mãos desconcertantemente fortes e delicadas acariciaram de cima a baixo em suas coxas. “Que assim seja. Quando eu soltar a última tira e depois que eu te colocar um preservativo, você pode soltar a cabeceira da cama e subir em mim.” Os lábios dela se curvaram em um sorriso inocente, como se ela tivesse acabado de concordar que ele poderia ter um cookie em vez de permitir que ele a fodesse sem sentido. Ela estava fodendo com sua mente tão facilmente quanto tinha atormentado seu corpo. Sádica. E ele nunca tinha estado tão duro em toda sua maldita vida. Que merda era essa com ele? Ela, muito lentamente, desenrolou cada tira de couro, e ele sentiu o sangue correndo de volta para seu pau, como o oceano na maré alta. Seus olhos se esticaram conforme ele a assistia, finalmente, e sem pressa, desfazer a última vertente. Ela então rolou um preservativo nele, centímetro-por-fodido-centímetro. Ela encontrou seu olhar. Ele estava em cima dela tão rápido que ela não teve sequer uma chance no inferno de resistir. Como um bárbaro estúpido, ele a jogou de costas, empurrou suas pernas abertas, e a espetou em um movimento brutal. Assim que todo aquele calor o embainhou, ele congelou, oscilando na beira. Ele não tinha perdido o controle assim desde que era um adolescente. Presas apertadas em sua virilha, suas bolas pulsavam com a pressão de uma explosão iminente. Suando, ele lutou de volta. Se ela se movesse — qualquer movimento — ele gozaria. Ela não se moveu. 150


Com uma inalação lenta, ele se afastou do precipício e abriu os olhos. O rico cabelo castanho dela caía gloriosamente sobre o travesseiro. Seu rosto estava vermelho com calor. E seus olhos estavam cheios de aprovação quando ela sorriu para ele. “Estou impressionada, cão de guarda.” “Você deveria estar,” ele rosnou. “Eu posso nunca mais andar novamente.” Ao sorrir, sua vagina se contraiu em torno dele, e ele respirou fundo. Ainda não. Por favor. Jesus, quando ele começasse a empurrar, ele não ia durar nem mais um minuto. “Eu quero que você goze também. Primeiro. Mas —” “Benjamin, se você não gozar rápido agora, eu vou me considerar um fracasso.” Ela sorriu e pegou uma caixa de controle remoto do lado do travesseiro. “Você provavelmente não percebeu, mas eu vou me ajudar aqui.” Um pequeno zumbido começou, e ele sentiu a vibração no osso púbico. Ele se ergueu ligeiramente. Cuidadosamente. Ela usava uma coisa triangular que cobria seu clitóris e vibrava. Fodida merda... Mas quando foi que ela tinha colocado isso? “Eu fico com o controle remoto?” ele perguntou esperançosamente. Ela realmente riu. “Não.” Porra, ele gostava de uma mulher que conhecia sua própria mente. E ele. Enquanto o vibrador trabalhava sua magia, ele viu um rubor rastejar pelo peito, pescoço e rosto dela. Apoiando-se com uma das mãos, ele usou a outra para desfrutar de seus seios. Ela encheu sua grande mão exatamente a conta — totalmente firme e redondo. Seus mamilos estavam tão rígidos quanto pequenas balas. Ele os puxou, revirou, deixando-os mais esticados e desfrutando o inferno fora de seus sons suaves de prazer. Sua vagina apertou em torno dele. Quase. Quase.

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“Posso levá-la a colocar suas pernas em volta de minha cintura, Minha Senhora?” Ele totalmente queria aqueles elegantes pequenos calcanhares batendo logo acima de sua bunda quando ele começasse a martelar dentro dela. Ela olhou para ele em consideração. Ainda no controle — a mulher era sobre-humana.

***** Anne tinha que admitir, estava ficando difícil pensar. Ela estava condenadamente perto de gozar com o vibrador borboleta no alto e toda aquela espessura dentro dela. O homem era realmente grosso como um touro. Ele tinha lhe perguntado algo — para mover as pernas. Certo. Ela se sentiu apertando, a pressão crescente. Ela podia ceder ao seu pedido. Até certo ponto. Ela limpou a garganta. “Se você agarrar a cabeceira da cama com uma mão, você pode fazer o que quiser com minhas pernas.” Sua resposta foi um grunhido de agradecimento. Ele puxou sua perna esquerda até a cintura e agarrou a cabeceira da cama com a mão direita. Depois de mover os joelhos separados para melhor equilíbrio, ele colocou o braço esquerdo em seu joelho direito, levantando e espalhando-a, entrando ainda mais fundo. Ela cravou as unhas em sua pele com a sensação gloriosa. Conforme deslizava o pênis para fora lentamente, ele apertou a mandíbula. “Eu ainda consigo sentir cada envoltório em meu pau,” ele murmurou, fazendo-a rir. Seu rosto bronzeado escureceu com luxúria enquanto ele deliberadamente a penetrava, puxava para fora, empurrava para dentro mais rápido. E apertava a pélvis contra a borboleta sobre seu clitóris. A gota d’água.

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Oh, Deus. A pressão enrolou em seu núcleo como um punho apertado, encontrou o eixo pesado, e explodiu, golpeando através de seus sentidos com ondas trovejantes de prazer. Seus quadris empurraram e mesmo no meio de seu orgasmo, ela ouviu dele, “Puta que pariu.” E então sua perna foi levantada mais alto, e ele começou a bater dentro dela. Profundo. Duro. Poderoso. A cama inteira balançou enquanto ele mantinha o domínio sobre a cabeceira, enquanto seu corpo enorme martelava nela. Com uma corrida zumbindo-nos-ouvidos, ela gozou novamente, o prazer a consumindo. Deus, ela nunca tinha sentido nada parecido. Quando sua visão clareou um pouco, ela se aninhou em seu pescoço, beijando as cicatrizes brancas, e então correu as unhas por seu peito para encontrar — e beliscar — seus mamilos. Ele rugiu... E se chocou contra ela, balançando a cama com cada impulso. Algo estalou — e a cama se inclinou na diagonal. Rosnando, Ben pressionou profundamente, muito profundamente dentro dela, e seu pênis pulsou com seu clímax, enviando mais prazer escaldante através dela. Ela conseguiu apalpar o controle remoto para OFF e simplesmente ficou mole. Eventualmente, quando sua frequência cardíaca diminuiu para uma marcha menos dolorosa, ela abriu os olhos. Cabeça baixa, Ben estava imóvel, o peito largo expandindo e contraindo com sua respiração. Seu rosto estava vermelho, os fios em seu pescoço ainda tensos. Magnífico. Ela esfregou as mãos em suas costas, apreciando a sensação sólida de seus músculos. Segurando a cabeceira da cama com uma mão — bom submisso — ele cuidadosamente puxou sua perna para baixo. Ainda enterrado profundamente, seu pênis estava dando pequenos espasmos. Ela sorriu interiormente. Sua ferramenta se lembraria dela amanhã. “Minha senhora?” Sua voz soava como se ele tivesse engolido metade de uma praia de areia. “Você está…” 153


Tão doce. Ela passou a mão por seu rosto forte. “Eu estou bem, Benjamin.” Ela fez uma pausa. “Mas você quebrou minha cama.” Ele nem sequer pareceu envergonhado. Ao invés, seus olhos brilharam enquanto ele sorria lentamente. “Acho que vamos ter que nos mudar para o chão para a próxima rodada.”

***** Um par de horas mais tarde, Anne saiu do chuveiro para o som de alguém batendo em sua porta dos fundos. Enquanto ela terminava de lavar os cabelos, Ben tinha levado Bronx para uma caminhada. Agora o cão estava no canto... E Ben estava consertando os danos à sua cama. “A cama está quase pronta.” Ele balançou a cabeça em direção à porta. “Problemas?” Seu longo cabelo estava despenteado, a sobra de cinco horas visível. Ele parecia um homem desgrenhado e molestado, e ela quis empurrá-lo para a pilha de roupas de cama e bagunçá-lo um pouco mais. “Provavelmente não,” ela disse. “Mas, infelizmente, desde que meu carro está aqui, minha família sabe que eu estou em casa. Quem quer que seja não vai parar até que eu abra a porta.” “Eu tenho armas em meu carro.” Ela sorriu. “Eu também, mas atirar nos parentes é considerado maus modos.” “Verdade.” Ele se levantou e correu os dedos pelo rosto dela. “Eu não consigo acreditar no quanto você é linda, não importa o que você veste, ou a hora do dia.” Tudo dentro dela derreteu em uma poça. Ela lhe deu um olhar exasperado para cobrir isso, abriu a janela e gritou. “Vou descer em dois minutos. Tenha um pouco de paciência.” Ela fechou a janela na resposta indecente de Travis. “Homens,” ela disse, em voz baixa e escolheu calcinhas limpas. 154


“Anne.” Ben tinha se agachado para trás ao lado da cama. Ela se preparou, esperando uma queixa sobre como ela o estava negligenciando. Joey tinha sido um escravo bom o suficiente para ficar silencioso, mas ele certamente fazia beicinho. “Vou estar pronto em um minuto. Quer que eu fique aqui ou que eu saia em silêncio? “ Ele perguntou. A delicadeza da pergunta a cambaleou. E a lembrou a não julgar este homem por mais ninguém. E... Ela percebeu que não queria que ele saísse furtivamente. “Não, desça e eu vou te preparar o jantar. Meu irmão sabe que tenho uma vida pessoal. Ele pode encher meu saco, mas não você.” O rosto dele escureceu. “É melhor ele não te trazer nenhum problema.” Mesmo que o protecionismo dele fosse estranhamente quente, sua espinha ainda endureceu. “Alto lá, Benjamin. Eu posso lidar com minha própria família.” Depois de um segundo, ele deu um empurrão de sua cabeça. “Sim, senhora, eu acredito que você pode, com isso.” A maneira como ele podia ser tão protetor, e ainda confiar nela para cuidar de si mesma, tanto a aquecia quanto a encantava — e ela relaxou com um beijo longo e decadente. Na saída, ela parou para acariciar Bronx. “Você é um bom cão.” Ele bateu a cauda no tapete. No andar de baixo, ela abriu a porta dos fundos que dava para sua alta cobertura. Travis entrou. “Já não era sem tempo. Você está ficando lenta, sis38.” Ele puxou seu cabelo. Jeans, camiseta cinza surrada e botas. Seu cabelo tinha o mesmo marrom rico que o dela, apesar de mantê-lo quase tão curto quanto em seus dias de militar. Olhos azul-escuro, feições classicamente belas, alto, musculoso e bronzeado. Como sua mãe, ele era muito mais amante da diversão e sociável do que ela. 38

Sister – irmã.

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Se ela tivesse um irmão favorito, ele poderia ter sido o escolhido. “Vi o veículo extra lá fora.” Ele foi direto para a cozinha. “Arranjou um novo homem?” “Você é tão bisbilhoteiro.” Apesar de ser final de tarde, ela selecionou uma embalagem de café sabor-caramelo e o colocou na Keurig39. “O que está fazendo aqui?” “Sem comida na minha geladeira. Alguma chance de você tem lasanha sobrando?” Ele lhe deu o sorriso atraente que funcionava tão bem com suas mulheres. Sex appeal não funcionava em uma irmã, pobre rapaz. “Pode ser. E talvez eu o alimente se você cortar a grama.” Ela pegou seu copo da máquina e inseriu uma embalagem de café torrado escuro para ele, junto com uma caneca limpa. “Combinado. Posso conseguir pão de alho também?” “Tudo Bem.” Ela tirou os restos de um pedaço de pão francês e começou a cortar fatias. Poucos minutos depois, Ben e Bronx desceram as escadas. O queixo de Travis caiu enquanto olhava para Ben. “Jesus fodido, onde ela te encontrou?” Os ombros do cão de guarda endureceram. Anne bateu na parte de trás da cabeça de seu irmão. “Você foi criado em um celeiro?” Como ela poderia explicar a Ben que Travis não quis usar suas palavras como um insulto? “Ah, desculpe, cara. Não quis dizer isso dessa maneira,” Travis disse. Quando o olhar de Ben alcançou o dela, compreensão se mostrou em seu rosto quando ele, sem dúvida, se lembrou de seus escravos tipicamente mais jovem e mais esguios. “Ben, este é meu irmão, Travis. Travis, Ben.” “Bom te conhecer.” Travis se inclinou para deixar Bronx cheirar sua mão, depois arrepiou seu pelo. “Cão de ótima aparência esse.” “Obrigada.”

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É um sistema de preparação de bebidas de vários tipos para uso doméstico e comercial, inclusive cafés quentes e frios, chás e etc

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Anne foi até Bem e colocou um braço ao seu redor, para poder aliviar o constrangimento que seu irmão tinha criado. “Ben, Travis está aqui para vagabundear sobras desde que fiz lasanha um par de dias atrás. Se você não gosta de comida italiana, eu tenho material para sanduíches.” Ela empurrou o cesto contendo as doses de café em direção a ele. “Escolha um café, se não for tarde demais para você. Ou tem vinho e cerveja na geladeira.” “Se você tem o suficiente, lasanha soa fantástico.” “Eu sempre faço muito.” Ela passou manteiga no pão, acrescentando ervas e alho, depois colocou a bandeja sob a grelha. A lasanha foi para o forno de microondas. “Travis, você não saiu do trabalho um pouco mais cedo?” “Bem, sim. Eu não queria perder nada da diversão.” Ele tirou seu copo da máquina, acenou para Ben poder usá-la, e franziu a testa para Anne. “Você se esqueceu que tinha planejado um exercício de equipe esta noite?” Ela congelou. “Isso é no... Oh, droga. Perdi a noção. Uma amiga precisou se mudar meio que corrido hoje. Era lá que eu e Ben estávamos mais cedo.” “Sim, mamãe perguntou por que você não estava no jantar de domingo.” Travis olhou para ela por cima do copo. “E sua amiga conseguiu levar tudo ou vocês precisam de mais ajuda?” E era por isso que ela amava seus irmãos. Um pé no saco, mas com bom coração. “Conseguimos deixar tudo pronto.” Ben estava olhando para ela, seu olhar intenso. “Se você tem um trabalho planejado, soa como se eu preciso ir andando.” Travis o olhou lentamente, olhos especulativos. “Você nunca disparou uma arma?” “Uma vez ou duas.” A voz de Ben era... Estranha. Anne o estudou, tentando ler sua linguagem corporal. Garantia estava lá, mas ele enrijeceu também. Seu rosto ficou ilegível, os olhos blindados. Mas, como um soldado, ele teria não só usado armas, mas também matado. “Militar?” Travis tinha sempre que empurrar. Quando Ben assentiu, ele franziu a testa. “Você já saiu a um bom tempo para ter o cabelo tão longo.” 157


Ben sorriu e descontraiu. “Mais ou menos cinco anos. Você?” “Apenas dois. Marines.” “Exército.” Ben despejou uma quantidade terrível de açúcar em sua xícara e tomou um gole. “Você quer companhia esta noite... Anne?” Ele teria usado Mistress se estivessem sozinhos. Para ela, essa hesitação significava que ele queria que ela tomasse a decisão se ele deveria participar do exercício de equipe. Ele deveria? O homem não era moleza. Embora outros agentes de recuperação de fugitivos ocasionalmente levassem amigos ou namoradas, Anne nunca tinha levado seus escravos. Os outros membros da equipe eram excessivamente machos testosteronas. Takedowns40 poderiam ficar um pouco violento, e ex-militar ou não, guarda de segurança ou não, Ben era o homem mais descontraído que ela já tinha conhecido. Ele não ia gostar daqueles cenários. Então, novamente, ele era adulto. E um lutador. Em vez de um gato doméstico, ele era mais como um tigre siberiano, grande e pesado — e mortal. Ela o convidaria, e então ele poderia decidir se podia aguentar o tranco. Ela sorriu para ele. “A maioria de nós agentes de recuperação está acostumado a trabalhar sozinho, mas recentemente eu criei uma equipe. Os exercícios melhoram a forma como trabalhamos juntos. As pessoas se revezam capturando o fugitivo, e nós praticamos fazendo quedas. Às vezes fica difícil.” Um sorriso se espalhou por seu rosto escarpado. “Parece divertido.” Homens. Sempre ansiosos por um pouco de violência gratuita. Então, novamente, ela gostava dos jogos também. Ela assentiu para seu irmão. “Seu equipamento de olho sobressalente deve caber em Ben. Traga-o junto, por favor.” “Vou fazer.” Travis deu a Ben um olhar satisfeito antes de sorrir para ela. “Que bom que você finalmente tem alguém digno de suas bolas.”

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Uma manobra de luta em que o adversário é rapidamente levado para a esteira de uma posição ereta.

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Idiota. Ao invés de recompensá-lo com um insulto, ela meditou, “Acho que vou cobrir a lasanha com cogumelos para dar um sabor melhor.” “Não,” Travis disse apressadamente. “Porra, eu sinto muito.” Ela deu uma olhada para Travis, e ele quase gemeu. “Sério, sis.” Ele se virou. “Ben, você não quer fungos em sua lasanha, não é?” Os olhos dourados de Ben brilhavam com riso. “Minha Senhora, embora os cogumelos sejam baixos em minha lista de favoritos, eu vou alegremente comer o que quer que você prepare.” Ela inclinou a cabeça em reconhecimento de sua cartada bem-jogada — deixá-la saber suas preferências reafirmando ao mesmo tempo que ele não questionaria sua escolha. Para assustar Travis, ela pegou os cogumelos e ouviu seu irmão gemer. Mas, em reconhecimento à deferência de Ben, ela só adicionou à parte dela da lasanha. A risada áspera dele foi sua recompensa.

***** O sol estava se pondo enquanto Ben esperava em um pequeno trailer caindo aos pedaços em uma propriedade densamente arborizada perto de Curlew Creek. Outro trailer e um galpão seguiam ao lado da casa. Lá fora, os “membros da família” estavam colocando cercas de plástico. Anne tinha explicado que cada exercício era projetado para simular cenários típicos de remoção, geralmente com o fugitivo escondido com a família, possivelmente com mais parentes ou amigos ao lado. Os vasos de plantas, equipamentos de pátio, e cerca eram movidos para manter a equipe de se tornar complacente. Isso lhe trouxe boas lembranças dos cenários de combate dos Ranger.

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Neste caso, Ben estava interpretando o inimigo — o fugitivo. Anne até mesmo tinha tirado uma foto dele com o celular para usá-la para informar seus agentes. Ela lhe disse para parecer mau, uma vez que era suposto ser sua foto da prisão. Ele tinha estado rindo quando ela tirou. Com sua família falsa, Ben se sentou à mesa de jantar como solicitado. Ele não usava traje especial, apenas jeans, uma camiseta e óculos de segurança. Supostamente, ele era um traficante de drogas, em liberdade sob fiança, ficando com seu irmão, dois filhos e duas mulheres. Mais dois parentes esperavam no prédio ao lado para começar uma luta se tivessem uma chance. O único objetivo de Ben era escapar. Sua família ia tentar impedir os agentes de fiança de capturá-lo. Embora o treinamento fosse mortalmente sério, a equipe e os de tempo-parcial como Travis se aproximaram do exercício em uma atmosfera de diversão. Ou a maioria deles faziam. Travis tinha mencionado haver algum atrito no grupo. Dois homens se ressentiam de ter uma mulher no comando; um queria a posição dela. Ben tinha notado que o primo de Anne, Robert, nunca perdia uma oportunidade de fazer um comentário depreciativo. Uma batida soou na porta. Um agente loiro e musculoso chamado Mitchell empurrou sua cadeira para trás e se levantou. “Quem diabos pode ser?” Totalmente em seu papel como o irmão de Ben, ele foi até a porta resmungando em voz alta, “Tenta conseguir uma boa refeição, e um idiota aparece e —” Ele abriu a porta. “O quê?” Com um jogo de armas carregado no cinto, Travis se pôs à porta. “Peço desculpas por incomodá-lo a esta hora tardia, senhor, mas estou com os irmãos Bail Bonds. Lamento informar que seu irmão não apareceu no tribunal hoje e...” Esta era a dica de Ben para cair fora. Ele já tinha avaliado as possíveis rotas de fuga e os arredores. Com opções limitadas, ele decidiu sair através da janela do quarto de trás. Felizmente, a cerca portátil e vasos de arbustos iriam parcialmente protegê-lo de vista. 160


Ele assumiu que o líder da equipe teria postado pessoas em todas as saídas possíveis. Seria necessário cautela. Ele não viu ninguém quando deslizou pela janela sem vidro. Pousando tão suavemente quanto possível, ele dobrou os joelhos para apresentar uma silhueta menor. O sol estava abaixo do horizonte, e a floresta invadia e sombreava a área. Enquanto atravessava o gramado irregular, ele avistou alguém vindo ao redor do lado da casa à sua direita. Outra pessoa à esquerda bloqueou sua rota escolhida. Ele começou a correr, automaticamente ziguezagueando, embora Anne tivesse dito que armas de fogo eram utilizadas apenas em caso de perigo de vida. Ele se dirigiu para a abertura na cerca, virou no último minuto, e empurrou passando pelo homem que tentou bloqueá-lo. Usando uma árvore como ajuda, ele pulou a cerca. Alguém gritou; “Lado leste!” Um corpo bateu nele pela esquerda em um mal sucedido ataque. Enquanto eles lutavam, Anne o golpeou por trás, e ele tropeçou sobre o outro cara. Quando ele caiu para frente, alguém caiu sobre suas pernas. Ainda lutando, ele sentiu uma dor aguda nas costas. Merda. Ele se fez de morto. “Que diabos?” O homem em seus pés saiu. “Ei, amigo, você está bem? Ele simplesmente ficou mole, Anne.” Ela se ajoelhou. “Ben, você está bem?” “Posso estar vivo agora?” “O que quer dizer?” A mão dela no rosto dele cheirava ao seu sabonete floral. “Alguém atirou em minhas costas. Eu não deveria morrer se isso acontecer?” Na penumbra, ele viu perfeitamente suas sobrancelhas curvadas se juntarem. “Ninguém atirou em você.” “Sim, alguém fez. Em um palpite, o atirador estava relativamente perto.” Anne olhou para os dois homens que tinham lutado com ele. 161


Nenhuma arma tinha sido tirada. Ben se sentou quando mais dois trotaram da parte de trás da casa. Aaron e Robert. “Qual de vocês atirou nele?” Anne se virou para eles. A partir da frente da casa veio mais membros da equipe. “Eu não estou carregado. Não pistola suficiente para acertar,” Aaron disse com um lento sotaque do Texas. Ele virou a cabeça e espeto. Todos olharam para Robert. O primo de Anne endureceu e olhou para Anne. “Foda-se, eu não o matei. Seu cara não sabe o que está falando.” Mais que idiota. “Eu já joguei Airsoft41 antes e sei qual é a sensação da batida de uma pastilha.” Ben tirou sua camiseta puída e se voltou para a lanterna que Travis estava segurando. “Veja por si mesmo — no meio das costas, direto na espinha.” Anne tocou o ponto contundido. “Esta é uma batida e uma letal. Agora temos um homem morto em uma situação de não-fatais. Os parentes foram testemunhas que ele estava desarmado e no chão quando baleado.” Ela fixou Robert com um olhar grave. “Material para ação judicial. Você sabe melhor, Robert.” O bastardo a olhou de cima a baixo e simplesmente foi embora. Anne não reagiu visivelmente, mas Ben podia sentir sua irritação — e caramba, não havia uma coisa que ele pudesse fazer para ajudar. Aaron se inclinou, oferecendo a Ben uma mão, e o puxou de pé. “Merda, homem, você pesa uma tonelada. Não posso acreditar que você pode se mover tão rápido.” “Tive prática.” Desde que eles tinham o melhor equipamento de ponta de longo-alcance, atiradores faziam um monte de aferição. E às vezes um monte de retirada se uma situação azedava.

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Softair é um jogo desportivo onde os jogadores participam em simulações policiais, militares ou mera recreação com armas de pressão que atiram projéteis plásticos não letais

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Anne se aproximou, carregando duas garrafas de água. Ela o estudou quando ele puxou sua camiseta para baixo. “Algumas lesões, meu tigre?” ela perguntou em voz baixa. Tigre. Ele podia viver com isso, especialmente com o meu enfiado na frente. “Não. Eu estou bem.” Ele pegou uma garrafa e bebeu. “Você deixando o idiota se safar com a desobediência?” Ela empurrou o cabelo para trás. “Com qualquer outra pessoa, ele estaria fora da minha equipe tão rapidamente que sua cabeça giraria. Mas Robert é filho de um dos donos. Embora eu tenha dito a eles que ele é um processo prestes a acontecer, fui forçada a colocá-lo na equipe. Ele é muito bom em manipular seu pai.” “Que saco.” “Se é. Sua incompetência e arrogância são susceptíveis a ter alguém morto.” Ela tinha uma avaliação clara do problema. E, fora Robert, os homens pareciam ser caras competentes. “Nós vamos começar o próximo cenário assim que trocarmos os cenários.” Ela abriu a outra garrafa e tomou um gole. “Você prefere jogar de cara bom ou membro da família?” “Lutar ou sentar na minha bunda. O que você acha?” A risada rouca dela o fez endurecer desconfortavelmente. “Tudo bem. Você é bom em qualquer mão-a-mão ou —” “Ponha-me onde você precisar de mim, Anne. Eu posso me virar.” “Como quiser.” Ela sorriu. “O segundo cenário é feito a todo vapor. Prepare-se para suar.”

***** O final do terceiro cenário se transformou em uma rixa total. Sorrindo alegremente no ar da noite úmida, Anne se esquivou de um punho e contra-atacou. O dela acertou. Suor escorria por suas costas. Seu cabelo tinha se soltado da trança e grudava em seu rosto úmido. 163


O final do takedown tinha se transformado em um vale-tudo. O fugitivo — ela tinha designado Robert como punição — tinha saído da casa, junto com seus parentes violentos que estavam determinados a não deixar que os agentes o levassem. A equipe havia cercado o grupo no quintal e caído em cima. É. Muito. Divertido. O chão estava macio, e a luz fraca do luar fazia os adversários difíceis de ver. Por tradição, o jogo utilizava um sistema de honra de batidas leves de torso. Se dois golpes desembarcavam, o receptor caía para uma contagem de dez. Ben era incrível. Como Aaron havia observado, o cão de guarda era surpreendentemente rápido. Ele também era excelente no mão-a-mão. Se ele não fosse um faixa preta em uma arte marcial, ela comeria sua pistola. E ele estava obviamente se divertindo. Ainda melhor, ele lutou ao lado dela, e — ao invés de ir todo protetor em sua bunda — ele sorriu quando ela achatou um cara mau. “Bravo Zulu, Minha Senhora.” Ela passou um braço sobre a testa e deu um passo atrás para avaliar a situação. Apenas dois dos parentes do meliante ainda estavam lutando. E o fugitivo — “Vocês estão todos mortos,” Robert gritou e apontou para Anne uma pistola que alguém tinha deixado cair. A arma dela estava no coldre. Ela ouviu o silvo de um botão batendo em pano — e então várias pelotas atingiram seu peito. Robert, o roedor repugnante, a havia matado. Ele também tinha ganhado, uma vez que a “morte” de qualquer um parava o jogo. O fato foi ácido em seu intestino. “Levantem-se,” Anne gritou. “Fim de jogo.” Enquanto as vítimas se levantavam, Anne se virou para seu irmão. Como o cara de apoio, era para ele permanecer em dos lados, e disponível para usar “força letal,” se necessário. “Por que não estava em posição?” 164


Travis deu de ombros. “Eu queria lutar, então na metade do tempo eu troquei minhas atribuições com Ben.” Ele olhou para Ben. “Por que você não atirou nele?” Ben sorriu levemente. “Eu fiz. Antes dele puxar o gatilho. Ele ignorou.” Anne ficou rígida. “Sério?” O roedor tinha feito merda de novo? Ela levantou a voz. “Robert, Ben disse que ele atirou em você antes de você começar a atirar.” “Não, ele não fez. Ninguém atirou em mim. Ele deve ter errado.” Ela não duvidou da palavra de Ben nem por um segundo. Anne olhou em volta para o resto dos jogadores. “Algum de vocês viu?” Ninguém tinha. “Deve haver duas marcas em seu esterno,” Ben disse, um brilho divertido nos olhos. Anne o estudou. Ela o havia visto com raiva uma vez — em uma festa de despedida quando alguém tinha assediado Rainie. Hoje? Apesar de ter sua palavra questionada duas vezes, ele não estava nem perto de estar perturbado. Ela se voltou para Robert. “Levante sua camisa. Vamos ver.” “Você quer olhar meu pau também, enquanto está nisso?” Oh, ela já tinha tido o suficiente. O pé de Anne impactou no dito pau — e bolas também — sólido o suficiente para dobrar o idiota ao meio... Embora não o suficiente para tê-lo vomitando durante uma hora. Às vezes, ela odiava mostrar contenção. Porém, ele tinha se inclinado bem o bastante para que ela pudesse agarrar a bainha de sua camisa e puxar a peça para cima e fora. Ele permaneceu curvado, escondendo o peito. Ainda irritada, ela chutou seus pés de debaixo dele. Ele caiu de costas com um baque sólido e fez um som agudo deplorável. Rindo baixinho, Travis brilhou sua lanterna no peito branco pálido de Robert. Todos podiam ver duas marcas vermelhas um centímetro uma da outra. 165


“Você já estava morto.” Anne o olhou, incrédula. “Isso significa que por duas vezes você traiu e mentiu.” Ele se ergueu. “Essas marcas são de quando eu bati em uma árvore. Você está apenas tentando me fazer ficar mal porque sou melhor do que você.” “Em seus sonhos,” ela disse. “Você não vai liderar essa equipe por muito tempo, cadela.” Depois de puxar a camisa de volta, ele pegou a arma que havia perdido. “Estou fora daqui.” Sua partida não a incomodava, mas dois homens o seguiram. Ele tinha criado uma divisão em sua equipe. “Ei, Anne. Eu peguei o final. Inferno de um finale.” Seu irmão Harrison passeou pela grama, parecendo uma modelo GQ42, bem o contrário dos agentes esfarrapados, enlameado e suados. Ele ofereceu a mão a Ben. “Bela luta e tiro. Eu não saio em campo muitas vezes, mas vou me juntar a você qualquer dia. Harrison Desmarais.” “Obrigada. Mas não estou na equipe. Apenas visitando Anne.” Ben apertou a mão dele. “Ben Haugen.” “Isso é uma pe — Ben Haugen, aquele do Ranger?” O rosto de Ben ficou branco. Ele assentiu. Franzindo a testa, Anne se aproximou, caso ele precisasse de sua ajuda. “Jesus fodido. Você é uma lenda, homem. Estou orgulhoso em conhecê-lo.” Harrison se voltou para Travis. “Irmão, você está jogando com um franco-atirador do Exército Ranger.” Bom. Não admira que o homem estivesse tão confortável com jogos de equipe. Travis sorriu. “E Robert tentou dizer que você tinha errado? Mas que idiota.” “Venha, deixe-me lhe oferecer uma cerveja.” Harrison bateu Ben nas costas.

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Originalmente Gentlemen’s Quarterly, é uma revista mensal sobre moda, estilo e cultura para homens.

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Quando Ben lhe deu um olhar inquisitivo, ela sorriu e acenou. Ela precisava começar a esclarecer a equipe do último exercício; ele poderia muito bem ir tomar um drinque. Quando Ben e Harrison foram em direção ao jardim da frente e o refrigerador, Anne notou seu pai na área de estacionamento. Ele foi até lá, os ombros de militar ainda retos, os cabelos grisalhos mantidos curto, ciente de tudo à sua volta. Se um urso atacasse, seu pai provavelmente iria colocá-lo para baixo numa ordem rápida. “Ei, papai,” Travis disse do lado dela. “O que o traz aqui?” “Eu vim com Harrison para assistir ao último jogo — ou devo chamá-lo de briga?” Ele sorriu e deu um tapa no ombro do filho. “Bom trabalho com o velho um-dois-três.” Travis sorriu. “Eu deixei passar um soco que eu deveria ter bloqueado, mas foi uma boa luta.” “Até o fim,” disse o pai de Anne e se virou para ela. Suas esperanças subiram por um breve segundo. Desde que tinha mantido um olho nos outros, ela sabia que seu irmão havia se saído bem. Ela também sabia que sua luta havia sido tão boa, se não melhor do que seu irmão. Seu pai lhe diria isso? “O que diabos você estava fazendo no meio da luta?” Seu pai retrucou. “O que Robert fez é exatamente com o que eu me preocupo — que você vai se matar. Você não deveria se envolver com nada disso.” Sua expectativa desabou em amarga decepção, e a parte de trás de seus olhos formigaram. Por que ela sempre se expunha dessa maneira? Ela sabia — sabia — que ele nunca a elogiaria em combate. Ele tinha sido generoso em aprová-la quando ela cantava, cozinhava, pintava, ou fazia seus trabalhos escolares e lição de casa. Mas conseguir um elogio de seu pai por algo tradicionalmente realizado por um macho? Nunca. Sua cabeça sabia que ele nunca mudaria; por alguma razão estúpida, seu coração ainda tinha esperança. 167


“Talvez...” Ela nivelou a voz. “Talvez um dia, você perceba que foi um bom professor.” Ele tinha ensinado a todos os seus filhos a lutar e atirar, mas quando Anne tinha começado a levar as artes marciais a sério, ele se recusara a ensiná-la mais. Ela havia pago pelas aulas adicionais com seu próprio dinheiro — embora sua mãe tivesse caladamente aumentado sua mesada para ajudar. “Agora, se vocês me dão licença, preciso reunir minha equipe e começar a análise.” No momento em que ela chegou ao grupo, ele já tinha saído. Ela balançou a cabeça. Não era engraçado que um pai pudesse moldar quem uma pessoa era — e então se recusar a vê-los dessa forma? Enquanto Travis entregava sanduíches, cerveja e refrigerantes, a equipe se esparramou em cobertores enquanto Anne conduzia a revisão e dissecção dos cenários. Todos ignoraram o fato de que três membros da equipe estava faltando. A discussão foi animada. Depois de dispensar o grupo, ela acenou um adeus para Travis e se dirigiu para o estacionamento. Ben esperava pacientemente perto do SUV onde Bronx tinha estado amarrado. Anne olhou em volta e viu que o retriever estava caçando ratos do campo na grama. “Hora de ir, amigo,” Ben chamou antes de sorrir para ela. “Você quer dirigir ou eu faço?” “Você pode, se não se importar,” ela disse. “Eu adoraria ser mimada.” Ele tocou seu rosto com dedos delicados. “Será um prazer mimá-la, Minha Senhora.” Ela colocou a mão no peito dele, sentindo o calor de sua pele através da camiseta. De alguma forma, ser cuidada por ele se sentia... Diferente... Do que com seus escravos, mas o prazer óbvio dele em servir era o mesmo. “Obrigada.” A estrada estava escura e logo vazia quando os outros desapareceram, indo por seus vários caminhos. Deixando a estrada inferior, Ben virou para a Highway 19, em direção ao sul. Depois de pegar uma água com gás do refrigerador para ela e dar a ele uma Coca-Cola, Anne se recostou contra as almofadas do assento. “Então. Exército Rangers?” “Já faz alguns anos agora.” 168


Ela tomou um gole da bebida e considerou fazer mais perguntas. Algo não estava certo com ele, e ela coçava para explorar mais. Para corrigir o que estava errado. Mas, não seria justo com ele. Ele não era seu menino; ele não era seu trabalho. “OK. Então, o que você achou da equipe?” Ele olhou para ela. “Você não vai empurrar para conseguir mais informações?” Definitivamente um cara inteligente. “Não. Você não é meu escravo. Eu não tenho o direito.” A luz do painel mostrou o modo como os lábios dele apertaram. Depois de uma longa pausa, ele disse. “Eu era um franco-atirador e bom no que fazia. Matei um monte de inimigos. Eu levei uma bala, saí em licença médica. Depois de pensar sobre o assunto, eu não me realistei.” Curto e conciso, mas as palavras pareciam retiradas do fundo de sua alma. Algo nisso ainda o incomodava. E por que ele estava lhe contando? Porque ele discordava dos limites que ela tinha imposto no... O que era mesmo isso? “Estar fora do serviço não resolve tudo, ou pode até mesmo piorar as coisas.” Ela deixou o comentário sem seguir com uma pergunta. Cabia a ele se queria dizer mais. Deus sabia que ela não ia julgá-lo um fraco. Embora ela não tivesse tido problemas depois, outros com quem ela havia servido tinham. “Não, merda.” Um canto da boca dele se curvou. “Foi assim que conheci Z. Você sabia que ele aconselha veteranos de vez em quando?” Na verdade, ela não sabia. “O VA está melhorando, mas então — e agora — muitos de nós precisava de mais. Eu estava me afogando; Z me puxou para fora. E ainda mantém um olho em mim. Em todos nós. A noite em que Jessica entrou em trabalho de parto foi uma noite de sessão de grupo.” “Ah.” Anne estava grata que ele não podia ver seus olhos marejados. Z o havia endireitado — e ganhado o tipo de lealdade que poucos homens recebiam. 169


Quando ela acariciou a mão de cima a baixo em seu braço, os músculos tensos se soltaram. Aparentemente, ele tinha se preocupado com o que ela poderia pensar. Ela estava pensando era que ele tinha compartilhado algo que considerava muito pessoal. Por quê? Depois de um segundo, ela riu. “O quê?” “Eu sei que você não gostou de ser descoberto por meu irmão, mas eu tenho que te dizer, você fez aquele nojento do Robert ficar mal. Eu agradeço.” O sorriso transformou seu rosto de Rottweiler para magnético. “Tivemos alguns em meu pelotão que não tinha juízo ou não tinha coragem. Seu primo falta ambos.” Então, seu sorriso desapareceu. “Tenha cuidado, Anne. Não é aconselhável ter um fodido em sua traseira quando você entra em perigo.” Ele não falou apenas sério... Mas sua preocupação para ela se mostrava muito bem. “Eu terei.” Ela estava meio dormindo quando ele entrou em sua garagem debaixo-da-casa. Com Bronx ao seu lado, Ben a ajudou a sair do carro, então, com uma mão em suas costas, destrancou e abriu a porta... E esperou. Ela podia estar meio-dormindo, mas ela sabia que deixá-lo passar a noite seria uma má, muito má ideia, mesmo que o pensamento de ter aquele corpo grande em sua cama e aqueles braços fortes ao seu redor a enchesse de desejo. Eles tinham concordado com apenas-sexo. Dormir juntos era mais do que isso. Então, ela se levantou na ponta dos pés e lhe deu um beijo breve e firme. “Boa noite, Ben. Obrigada por dirigir.” Ela podia ver o desejo em seus olhos, a vontade de agarrá-la e dar um beijo mais longo, de levá-la para cima. Inclinando-se, ela deu ao retriever um esfregão rápido na cabeça. “Boa noite, Bronx.” 170


“Posso falar com você de uma cena no Shadowlands neste fim de semana?” Ele perguntou. Ela não gostaria de nada mais, mas ele era tão próximo de baunilha quanto uma pessoa poderia ser. E ele queria ser mais do que um submisso, mais do que um escravo — um verdadeiro amante. Ela só queria um escravo. “Não, Ben. Mas já que você é um especialista em queimar calorias, espero fazer isso de novo algum dia.” “Entendo. Minha senhora, estou disponível quando e como você desejar.” Ela não tinha resposta para isso. Para seu alívio, ele apenas inclinou a cabeça, beijou seu rosto de leve, e trotou os degraus abaixo para seu veículo. Bronx ganiu sua decepção canina, e então o seguiu. Ela fechou a porta e ficou com a mão lá, ouvindo conforme o som do Jeep desaparecia. O suspiro veio bem lá do fundo, porque tudo o que ela sentia era arrependimento. Talvez, talvez um dia, ela pudesse se permitir ver Ben novamente. Dependendo de como ele reagisse em encontros futuros, ela poderia inclusive considerar ambos em uma maratona superficial de apenas-sexo. Nada mais intimista seria sensato. Especialmente desde que ela estava sentindo a mesma atração que ele, o que significava que seria muito fácil criar um tipo diferente de ligação. Ela não deveria continuar com isso. Ele era um homem incrível, alguém que merecia mais do que ela podia lhe dar. Um que tinha um monte de amor para dar. Mas ele não era um escravo. Ela se virou e pegou seu saxofone, levando-o para a sacada. A lua estava se pondo, deixando as estrelas cintilantes no comando do céu escuro. Ela soprou algumas notas tentativas e se estabeleceu nos antigos “Funky Blues”.

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Talvez ela devesse ter tentado explicar a Ben. Dizer que simplesmente gostar de uma pessoa nem sempre era suficiente. Ela tinha aprendido da maneira mais difícil. Verdade, ela não tinha tido muita experiência com relações “amorosas”. Ela tinha namorado enquanto no serviço e estado completamente insatisfeita... Até que uma Domme lhe apresentara ao estilo de vida. Seus lábios se curvaram. O ímpeto inicial da descoberta tinha sido incrível. Fora do serviço e na faculdade, ela tinha se apaixonado por um cara legal — um que não era submisso. Mas baunilha simplesmente não funcionava para ela, e enquanto o relacionamento fracassava lentamente, eles dois foram feridos. Lição aprendida. Para ela, sexo sem estar no controle era como... Como o deserto. Seco, e plano, e estéril. Claro, houve momentos de beleza, mas ela era uma garota tropical — ela queria a paisagem exuberante e a mudança violenta do clima de um relacionamento D/s. Ser uma Mistress era quem ela era. Como qualquer novo Dominante, ela havia trabalhado gradualmente o que gostava, testando submissos e escravos, e descobriu que preferia controle total. A beleza de receber tudo. Ela gostava da responsabilidade de cuidar de seus escravos e tomar as decisões. E ela tinha passado por um bom número de meninos ao longo dos anos. No início, eles viviam com ela, às vezes mais de um. Mas então ela tinha se mudado para a casa de praia, dona de sua própria casa pela primeira vez, e de alguma forma não quis nenhuma outra pessoa em seu espaço. Assim, nos últimos dois ou três anos, seus escravos tinham sido reduzidos a 24/7, o que também a levara a exigir estrito protocolo quando eles estavam com ela. Eles pediam permissão para tocar, sentar no mobiliário, verificando com ela antes de fazer qualquer coisa.

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Em troca dessa devoção, ela os ajudava a crescer, aprender novas habilidades, avançar em suas carreiras, melhorar suas habilidades sociais, aprofundar em sua escravidão. Mas antes de um escravo crescer muito dependente dela, ela lhes encontrava uma nova amante. Ela suspirou. Isso foi o que a ensinara que ela não era muito boa nas coisas do coração. Ela nunca tinha tido problemas para quebrar o apego. Quando cada escravo saía, ela sentia falta dele por um tempo — não muito — e logo começava a procura por outra pessoa. Talvez ela não fosse uma Mistress típica, mas seu jeito funcionava para ela — e quem poderia lhe dizer que não? Ben não ia entender suas limitações, que ela podia dar somente aquilo e não mais. E uma vez que o pensamento de machucá-lo era intolerável, ela simplesmente manteria distância.

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Capítulo Dez Na quinta-feira, à tardinha abafada estava tão úmida com a aproximação de uma tempestade que a umidade suava os braços de Ben enquanto ele caminhava as duas quadras até a taberna do bairro. Ele deu um passo dentro, desfrutando da explosão de ar climatizado. Depois de acenar para o punhado de clientes regulares, ele girou para o bar e comprou uma bebida. Cerveja na mão, ele foi para uma pequena mesa perto da janela onde podia apreciar a vista. A forma como a luz do sol filtrava através do ar pesado o fez desejar que tivesse trazido sua câmera. Na calçada, as pessoas iam apressadas para casa do trabalho. Outros passeavam vagarosamente enquanto levaram seus cães para o pequeno parque ao longo do bloco. Talvez ele devesse começar uma nova série de fotos, com foco em seres humanos em vez de animais selvagens. Ele sempre tinha gostado de observar as pessoas. Na verdade, logo no início, Z o havia criticado sobre observar em vez de participar. Mas ao longo dos últimos anos, ele havia retornado ao status quo, embora ainda tomasse seu tempo em fazer amigos. Amizades militares eram um ato difícil de seguir. Ele sabia que sua equipe teria prazer em tê-lo de volta, não importa o quê. Era como se os laços forjados no sangue e dor fossem mais profundos. Talvez fosse por isso que ele se sentia tão perto de Anne. Ele confiava nela para cuidar dele, e ela não o havia decepcionado. Pelo menos não fisicamente. Emocionalmente embora? Ele não a tinha visto desde o último final de semana.

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Olhando pela janela, ele bebeu a cerveja e assistiu a escuridão devorar a luz. Assistiu a chuva começar e respingar pelo vidro sujo. Anne não confiava nele para protegê-la de volta, isso era certo. Ela o havia deixado fodêla, mas não conhecê-la. Sua boca torceu. Qual seria seu próximo passo? Uma mulher tinha o direito de estabelecer os limites de uma relação; uma Mistress ainda mais. Mas onde é que isso o deixava? “Oi, Azarão.” Danvers atravessou o bar. Ele era um cara baixo e durão, um pouco como uma sequóia serrada. Dispensado um ano antes de Ben, ele tinha encontrado Ben no armazém e o ajudado a convertê-lo em um estúdio e sala de estar. “E aí?” Ben empurrou uma cadeira em convite. Seu amigo caiu com força suficiente para a cadeira soltar um gemido de protesto. Um olhar na cerveja clara de Ben ganhou um sorriso de escárnio. “Senhorita,” Danvers disse à garçonete que estava limpando uma mesa próxima. “Você pode me trazer a cerveja mais escura da torneira?” “Claro.” A taberna rodava as cervejas com as estações, algo que os moradores tinham vindo a desfrutar. Quando Danvers se largou na cadeira, Ben franziu a testa. “Você parece o inferno. Está tudo bem?” “Porra, não.” O veterano fez uma careta para a janela. “Você não ouviu?” No nivelar de sua voz, Ben sentiu seu intestino torcer. “Ouvi o quê?” “A equipe. Caíram em uma emboscada. Perderam...” Ele engoliu. “Três se foram. A maioria foi ferida.” A boca de Ben tinha gosto de areia e sangue. Quando ele levantou a bebida, a cerveja espirrou pela borda sobre seus dedos. Sua mão estava tremendo. “Quem?”

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“Wrench. Petrousky. E Mouse. Mouse não resistiu.” Danvers esfregou o rosto. “Porra, sinto muito, mano.” O golpe rachou a alma de Ben aberta, rasgando uma lacuna no telhado do seu mundo. Toda a sala de merda escureceu. Ele e Mouse tinham sido franco-atiradores e observadores, mais próximos do que alguns casamentos. Sob o fogo juntos. Sangrando juntos. Salvando a bunda um do outro mais de uma vez. Quase podiam ler a mente um do outro. Mas quando Ben não se realistou, Mouse tinha ficado puto. Sim, seu amigo tinha tentado entender, mas matar insurgentes não o corroía como fazia com Ben. O mundo de Mouse era preto e branco. Nós e eles. Bom e mal. Rangers e inimigos. O observador não pensava no inimigo como homens que igualmente tinha algum pai, filho, irmão. Homens que amavam, e riam, e viviam. Ainda... Mouse tinha falado de sair depois que seu tempo acabasse. Ben teria estado lá para ajudar a facilitar a transição. Teria... Porra. Simplesmente porra. Ele baixou a cerveja. A garganta apertada demais para engolir qualquer coisa. Ou para falar. Levantando-se, ele colocou a mão no ombro de Danver e saiu para a noite negra e chuvisco.

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Capítulo Onze Na sexta-feira, Anne parou na entrada do Shadowlands e estudou o cão de guarda com uma carranca. Seu olhar estava sobre a mesa. Os ombros caídos. Ele estava com a barba por fazer e desgrenhado. Na verdade, o Sr. Superciente ainda não tinha notado sua chegada. Preocupação se derramou através dela como se alguém tivesse deixado uma torneira aberta. Ela foi até atrás de sua mesa. “Ben.” Não querendo assustar um veterano infeliz, ela esperou até que sua voz se registrasse e ele levantasse a cabeça antes de colocar a mão em seu ombro. Um soldado estressado provavelmente teria os músculos tensos. Ele não tinha. Não, sua linguagem corporal se lia como se ele estivesse divagando. “O que está errado, Ben?” “Desculpe, Minha Senhora. Eu não te vi.” Afastando-se dela, ele fez uma marca de verificação nos documentos de presença na frente dele. “Você pode entrar.” “Bom.” Ela empurrou de lado seu pesar e endureceu a voz. “Agora me responda. O que está errado, Benjamin.” “Nada.” Ela cravou as unhas em seu deltóide grosso e o sentiu estremecer. “Resposta inadequada. Tente novamente.” “Porra.” Ele virou a cadeira e a contemplou, os olhos assombrados. “Não é da sua conta.” “Estou fazendo da minha conta, subbie. Responda-me.” Seus olhos tinham desafio por um segundo, dois, depois o olhar caiu. “Deus, Anne.” 177


Ela esperou, observando a resistência dele se desintegrar com seu silêncio. “Não é...” Ele engoliu em seco. “Minha equipe. Meu observador e eu éramos ligados a uma equipe. Eles controlavam o perímetro. E ...” Sua voz esfarrapou, como uma camisa sendo rasgada aos pedaços. “Meu observador. Mouse. Nós trabalhamos juntos. Por anos. Ele — ele se foi.” Lágrimas queimaram os olhos dela. Não só pela perda de bons homens, mas pelas ondas quase visíveis de dor de Ben. “Sinto muito, sinto muito.” Ela se moveu perto o suficiente para inclinar o tronco contra o ombro dele, emprestando-lhe o calor de seu corpo, e depois passou a mão por seu cabelo. Se ao menos ela pudesse acariciar sua mágoa para longe. “Obrigada,” ele disse e deu de ombros, como se rejeitando seu toque e sua simpatia. Ela deteve a mão enquanto considerava sua resposta, sua postura, o desviar de seus olhos. Isto era mais do que luto. O que mais estava acontecendo na cabeça dele? Infelizmente, poderia ser qualquer coisa. Ele já estava fora do exército há anos, mas emoções não eram lógicas. E a cura marchava em seu próprio ritmo. Suas emoções não eram racionais tampouco. Ela tinha planejado evitá-lo, mas agora... Agora tudo que ela queria era levá-lo para o clube e tentar ajudar da maneira que uma Domme às vezes podia. Para tirá-lo de sua própria cabeça e desse momento “agora”. “Bom, Benjamin, você tinha pedido uma cena. Eu decidi lhe dar uma.” Ele sacudiu a cabeça. “Ah, não. Obrigada, mas —” “Eu planejei isso o dia todo, até trouxe brinquedos especiais.” Sua mentira o silenciou. Ele não queria fazer qualquer coisa agora — nada — e ainda assim, sua própria natureza submissa não queria desapontá-la. “Deixe-me ligar para Z e lhe pedir uma folga.” Ela puxou o celular da bolsa e saiu do alcance de voz, satisfeita quando três submissas risonhas entraram pela porta e exigiram a atenção dele. 178


“Anne.” A voz suave de Z era despreocupada. “Algum problema?” “Na verdade sim. Você já viu Ben hoje?” “Não, eu não fui ao clube ainda.” Enquanto explicava, ela manteve um olho em Ben. Quando ele forçou um sorriso para os membros que entravam, seu coração simplesmente doeu. “Eu vejo,” Z disse. “Deixe-me tê-lo. Contudo, esteja ciente que, se eu empurrá-lo muito fundo, vou levá-lo para casa e ele não vai voltar para a mesa.” “Entendido.” “Você pode me dar algumas ideias do que este problema poderia ser?” ela perguntou. “Ele me disse que esteve te vendo profissionalmente.” “Sinto muito, Anne, mas... Não. Tudo que ele me diz é confidencial.” “Claro.” Ela mudou sua postura enquanto tentava descobrir como atacar pelo flanco. “Sei que você é um veterano. Talvez você possa compartilhar o tipo de problemas que soldados tendem a ter?” Ela ouviu sua risada de aprovação. “Excelente pergunta, Mistress Anne. PTSD43 é comum, mas os sintomas são bastante perceptíveis se você passa algum tempo com um veterano.” Em outras palavras, provavelmente não era o problema de Ben. “Alguns se sentem culpados por permanecerem vivos quando seus companheiros morrem. Outros sentem vergonha por ter deixado o serviço, como se tivessem traído seus amigos. A comunidade de Special Ops44 forja fortes amizades, bem como um senso de dever.” Culpa. Poderia ser isso. Sua preocupação aumentava conforme mais peças se encaixavam.

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Post-Traumatic Stress Disorder – Transtorno de Estresse pós-traumático Operações Especiais

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Ben tinha deixado o Rangers, então seus companheiros de equipe e melhor amigo tinha morrido. Ele ainda estava vivo. E se seu irmão Travis tomasse seu lugar na equipe de recuperação por uma noite e fosse morto pegando um fugitivo? Só o pensamento foi uma facada em seu coração. Ela acreditaria que se tivesse ido onde pertencia, a morte de Travis não teria acontecido — ou, pelo menos, ela estaria lá para morrer com ele. Ela se sentiria como se não deveria estar viva. Sim, isso era o que um homem como Ben sentiria, não importa o quão louco fosse. A lógica não era um fator na equação de uma culpa. “Obrigada, Z. Fico grata pela lição psicologia rápida.” O pesar tinha que seguir seu curso, mas as emoções irracionais... Bom, talvez ela pudesse descarrilá-lo da trilha é-minha-culpa que ele estava. “Você pode levá-lo com você agora. Eu mesmo vou ficar na recepção até que eu consiga encontrar Ghost,” Z disse. “Ele tem sorte de ter você, Anne.” Me ter? “Ele não —” Mas Z já tinha desligado. No momento em que Ben terminou de verificar a entradas das pessoas, Z tinha chegado. Ele deve ter começado a descer no minuto em que ela ligara. “Você está livre agora, Benjamin.” Ben franziu o cenho. “Mas —” “Vamos, subbie,” Anne disse. Quando objecções se levantaram nos olhos do cão de guarda, ela empurrou sua energia para fora, trazendo sua dominância à vista como um aríete invisível. Ela estendeu a mão, satisfeita quando ele a deixou puxá-lo de pé. Ela o levou para a sala principal e para a parte de trás. “Contanto que eu respeite seus limites, eu posso fazer o que eu quiser com você. Isso está certo?” “O quê?” A pergunta puxou o olhar dele longe das cenas que passavam — uma de copos de vidro no peito e pênis de um submisso, a de um requintado padrão de agulhas sendo moldado em umas costas grande, a de um Dom usando o estilo Florentino com dois flogger. 180


Depois de um segundo de processar a pergunta, Ben assentiu. “Sim, Minha Senhora.” Um traço de vida se mostrou em seu rosto. Não muitas pessoas conseguiam caminhar através do ambiente supercarregado do Shadowlands e não acordar. A ameaça sutil que ela tinha acabado de dar se somou ao efeito. Ela começou a subir a escadaria circular que levava ao segundo andar. Ele parou. “Aonde você está indo?” “Nós vamos jogar no andar de cima em um dos quartos privados.” Embora ela ocasionalmente usasse o pênis de um escravo como coleira, hoje, ela simplesmente empunhou a frente de seu jeans, cinto e tudo, e o puxou atrás dela pelas escadas. “Eu nunca estive aqui em cima.” Ele olhou pelo longo corredor. Se um quarto estava em uso, uma luz vermelha brilhava acima da porta. “Depois de todos esses anos? Eu diria que já não era sem tempo.” Ela olhou em cada quarto desocupado enquanto passavam. Rejeitou o com ornamentos Vitorianos, o que deixaria Ben pouco à vontade, e depois outro em estilo Gótico deprimente. Um com uma decoração de harém tinha potencial, mas não hoje. Bárbaros — não. O que ela estava procurando não era onde tinha estado da última vez. A tendência de Z de reorganizar e redecorar quartos irritava o inferno fora dela. E lá estava ele. Ela o levou para o quarto que ela tinha intitulado: Cowboy Central — embora Z o tivesse chamado de Quarto do Texas. O austero Nolan tinha realmente rido quando o viu. As paredes eram forradas de madeira escura, em vez de papel de parede. Tapetes de couro estavam espalhados pelo chão de madeira brilhante. Um baú antigo servia como mesa de canto para uma poltrona de couro preto enorme. Um tapete Navajo feito-a-mão em vermelhoescuro e preto iluminava uma parede. A outra tinha instalada uma cabeça de búfalo — e ela

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realmente, realmente não queria saber se era real ou não. Um lustre de roda de carroça fornecida luz. Os brinquedos estavam armazenados em um velho armário de nogueira. Apenas alta o suficiente para ser ouvida, música country vinha dos alto-falantes. Ela sorriu quando viu Ben relaxar um pouco. Caras grandes tendiam a preferir quartos sem vidros e mobiliário frágeis. Quando ele viu as decorações em torno do armário na parede oposta, seus olhos se arregalaram. Ferraduras soldadas tinham sido transformadas em ganchos para prender uma variedade de floggers e chicotes. Ela já tinha notado o quanto Z gostava de usar instrumentos de dor como obra de arte. Depois de ajustar sua bolsa de brinquedos no peito, ela pegou algumas finas tiras de velcro. “Dispa-se, depois vá pra debaixo das correntes, por favor.” Ela apontou e viu os ombros de Ben ficarem tensos quando ele avistou as duas correntes pesadas pretas penduradas nas vigas escuras expostas. Ele se despiu silenciosamente, ainda muito subjugado, ainda tão longe em sua própria cabeça e emoções que parecia quase separado do mundo. Ela podia tirá-lo daquele lugar. Mas se ela não efetuasse alguma mudança em seu processo de pensamento, ele cairia de volta nesse terror mais tarde. Ela apertou os lábios. Havia momentos em que ser uma Domme era como dirigir nas montanhas. No escuro. Em uma pequena estrada curvilínea. Erros podiam ser muito, muito ruim. Ele confiava nela de não estragar seu corpo; mas ele não percebia que ela estava mais preocupada com sua mente. Ela jogou um dos cobertores de subbie sobre a cadeira de couro e assentou uma garrafa de água no baú. Quando ela prendeu as pesadas algemas de couro em seus pulsos e tornozelos, um tremor o percorreu. Estar preso era um de seus gatilhos. Um que ela planejava usar — não abusar. 182


“Braços.” Ela subiu no banquinho esculpido de miniatura de boi para prender o anel-em-D de seu punho em uma corrente, usando uma tira de velcro de meia polegada. “Puxe para baixo,” ela disse. Ele deu um leve puxão na contenção e nada aconteceu. “Mais forte.” O Velcro cedeu com um som rasgado. Na medida. Ele saberia que estava contido — e que poderia se soltar, se necessário. Silenciosamente, ela prendeu seu pulso de novo, depois o outro. Uma vez terminado, ela passou os dedos em torno das correntes. “Você pode se pendurar em busca de apoio.” Depois de descer do banquinho, ela empurrou seus pés afastados. “Mantenha as pernas abertas para mim, Benjamin. Eu não quero vê-las se mover.” Abaixando em um joelho, ela passou as mãos por suas panturrilhas duras, os músculos firmes contornando suas coxas, inalando seu almíscar masculino. Seu pênis estava quase flácido — uma prova significativa de seu estado de espírito. Vamos ver quanto tempo isso dura. Ela abriu o zíper da jaqueta de couro e saia. Abaixo deles, ela usava uma camiseta preta elástica, uma tanga com ligações de fitas — e botas de coxa-alta. Os olhos dele se arregalaram. “Eu pretendo te bater, subbie,” ela disse, mantendo a voz rouca — o que não era um problema. Ele realmente tinha o corpo mais sexy que ela já tinha visto. Seus escravos eram habitualmente homens classicamente belos que possuíam uma musculatura simplificada lindamente esculpida. Este corpo enorme na frente dela era cicatrizado. Com placas pesadas de músculos. Com características ameaçadora e contundentes. O homem simplesmente irradiava poder e força. E ele é todo meu. Por esta noite.

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Para apagar sua própria tensão, ela subiu na ponta dos pés, arqueou as costas, e alcançou em direção ao teto. As pupilas dele dilataram ligeiramente. Mas o estiramento não foi totalmente um show. Esta cena não seria curta, e um bom açoitamento levava tempo e trabalho. Ambos estariam nisso por um longo tempo. Inclinando-se contra ele, ela esfregou o corpo no dele e o deixou pegar seu cheiro, como ela faria com um animal selvagem. Lentamente, ela deslizou as mãos por suas costas e bunda, acordando sua pele com tapinhas, afagos e arranhões de unhas. “Eu amo este corpo que você me deu para brincar,” ela murmurou. “Você está pronto para eu começar?” Levou um segundo para ele responder. Ele ainda não estava plenamente com ela. “Uh. Sim, Minha Senhora. Certamente.” Ele assim não era como o seu Ben, e aquele desespero palpável simplesmente quebrou seu coração. Tomando seu rosto nas mãos, ela lhe deu um beijo lento. Não para a cena, não para controle — só porque ela precisava lembrá-lo que ela se importava. E que ele estava vivo.

***** Os lábios de Mistress Anne foi um toque de vida no que parecia um mundo morto. Ben sabia que a estava deixando para baixo, mas ele simplesmente... Não conseguia... Entrar nos eixos. Ele sentia como se estivesse marchando através do Everglades45, as botas pesadas com lama. O

45

Uma vasta área de sapal, pântano e mangue costeiro no sul da Flórida, parte da qual é protegida como parque nacional.

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muco o puxando para baixo, o ar muito espesso, a densa folhagem apagando a luz do sol. Não havia escapatória. Ele andava e andava para sempre e nunca saía. Mouse tinha ido. Seu amigo — O cheiro de couro o alcançou. Suavidade dançou sobre seus ombros e acariciou suas costas. Ele abriu os olhos. A Mistress estava brincando com um chicote preto multi-fio sobre seus ombros, seu peito, sua bunda. Macio e perfumado. O movimento súbito das batidas em suas costas era tão leve quanto uma chuva de primavera. Os fios atingiam seu torso e pernas em um ritmo que combinava com a batida da música country. Lentamente, os sons dos golpes ficaram mais altos quando as batidas aumentaram em vigor. Sua pele pareceu incandescer com calor. Quando ela parou, ele quase que ficou decepcionado, da mesma forma que uma pessoa lamentava quando uma massagem terminava. Ela o estudou por um minuto, e seus lábios se curvaram ligeiramente. “Melhor.” Ela achatou a mão em seu peito, e se inclinou contra ele enquanto deslizava a língua por cima de seu lábio inferior. Então ela empunhou seu cabelo e tomou sua boca rudemente, dirigindo a língua dentro. Seu corpo aqueceu rapidamente. Ela tinha gosto de chocolate e hortelã-pimenta, como sexo e pecado, e ele a respirou, sentindo como se o sol tivesse atirado um raio de luz através da escuridão. Ela segurou seu rosto daquela maneira que ela fazia, para poder olhar em seus olhos. Os dela eram de um cinza-azul claro, como o céu nitidamente nu após uma chuva de inverno. “Eu vou te machucar agora, Benjamin. Se você se mover, ou se você se soltar de suas restrições, eu vou ficar muito decepcionada com você.” “Eu não vou, Minha Senhora.” As palavras saíram antes mesmo que ele pensasse nelas. 185


“Sua palavra segura é vermelho, subbie. Use-a se for necessário.” “Eu não vou.” Ela acariciou as mãos em seu peito, bagunçou seus cabelos. Quando ela beliscou seus mamilos com dedos afiados, seu sangue começou a correr como se alguém estivesse acionando aberta as comportas. E então ela alcançou entre suas pernas. Ela cobriu seu saco e bolas em palmas quentes, apertando levemente. E com força. Ela realmente revirou as pedras entre os dedos, aumentando a pressão até que ele sentiu o suor irrompendo em sua pele. E sentiu seu pau agitar. “Mas que pau malvado, nem sequer saltou para sua Mistress.” Sua desaprovação o fez baixar a cabeça. Querer pedir desculpas. Ela esbofeteou seu pau flácido — o esbofeteou, pelo amor de Deus — com a ponta dos dedos. Para a esquerda, para a direita, cada batida pungente. Chocante. Jesus. Ele retesou as pernas, tentando ficar em posição quando os golpes aumentaram ao ponto de dor. Para sua descrença, seu pau encheu e subiu. Enrolando os dedos confiantes ao seu redor, ela acariciou seu pênis, de cima a baixo. A recompensa inebriante durou muito pouco. Ela pegou o chicote. Os primeiros golpes desembarcaram em seus ombros, descendo por suas costas, evitando sua espinha e rins. Sua bunda tomou algumas batidas sérias. E sua pele passou pelo fulgor de uma queimadura. Depois de um tempo, ela parou e estapeou seu pênis. “Porra!” “Silêncio, subbie,” ela murmurou e bateu em seu pau de novo. Ele reprimiu uma maldição e foi recompensado com um beijo longo e molhado. Jesus, ela podia beijar. Seus braços doíam para segurá-la. 186


Ele perdeu a conta de quantas vezes ela foi através do ciclo. Suas costas e bunda sentiam como se tivesse apoiado em uma fornalha; seu pau ardia e latejava. Suas mãos agarravam as correntes negras como se estivessem fundidas com o metal. “É hora de algo novo.” Ela lhe sorriu docemente e pegou uma... Coisa. Um dispositivo de aço mal em forma de anel preenchido com um par de dezenas de pinos de metal. Parecia uma porra de miniatura de iron maiden46. Uma boca com dentes. Seus próprios dentes apertaram contra seu protesto. Ela abriu a banda articulada, fechou a maldita coisa em torno de seu eixo, e parafusou os pinos para dentro até que cada ponto de aço malvado cutucava seu pênis. Nada tão ruim. Ele percebeu que tinha congelado no lugar. Cuidadosamente, ele exalou. E então ela alcançou abaixo de seu eixo e raspou a unha sobre a pele sensível entre suas bolas e seu cu. Conforme o prazer escaldantemente afiado queimava através dele, seu pênis engrossou... E os malditos pregos doeram como o inferno. Suas mãos se fecharam ao redor das correntes enquanto ele lutava contra a necessidade de arrancar o aparelho de tortura fora. E de alguma forma, a agonia só o deixou mais duro... O que tornou a dor pior. “Porra.” Os olhos dela brilharam com prazer. “É isso o que eu quero ouvir.” Ela o açoitou novamente, impiedosamente. Dor à dor. E, no entanto, o ar escuro do pântano que tinha estado sufocando-o clareou para uma névoa iluminada pelo sol. Seu pênis não... Doía... Totalmente, mas se sentia cercado por um denso calor, como se uma boca molhada o abraçasse docemente. Cada golpe do chicote cantava através de sua pele com uma pressão de líquido pesado como uma língua quente. Ele percebeu... Eventualmente... que ela tinha parado.

46

Em contextos históricos, um instrumento de tortura que consiste em uma caixa em forma-de-caixão forrado com pontas de ferro

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“Este é um bom Benjamin,” ela estava murmurando, as mãos frias acariciando seu corpo, aliviando a fogueira. Ela o beijou, longo e lento, mesmo enquanto ele sentia distantemente as mãos em seu pênis, removendo o anel de aço. E seu eixo ondeou com calor, balançando como um balão sobre uma fogueira. Pulsando com seu próprio batimento cardíaco. O quarto inteiro estava se movendo para cima e para baixo. Seus braços de repente estavam em seus lados. Ele tinha soltado as correntes? Quando ele tentou alcançá-las, ela riu — porra, ele podia gozar apenas de ouvi-la — “Venha cá, Benjamin.” Com um aperto firme, ela o guiou para uma cadeira. Uma cadeira grande e agradável, um cobertor macio sob seus pés trêmulos. Ele estava flutuando em um mar fresco. “Benjamin.” As mãos em seu rosto eram a própria doçura. “Olhe para mim, meu tigre.” Suas pálpebras estavam pesadas, mas ela tinha os olhos mais lidos. Ele podia olhar para eles para sempre. Quando ela tinha se sentado em seu colo? Mas ela estava lá. Ela tinha montado sobre suas pernas, os joelhos pressionados em suas coxas. Se ele conseguisse ter levantado os braços, ele a teria abraçado. “Você se lembra de meu irmão Travis? Ele deixou os fuzileiros navais, porque ele não conseguia lidar mais com aquilo.” Irmão dela. Sim, ele tinha conhecido o irmão dela. Em algum lugar. Cara legal. A pele de Ben queimava, seu pau pulsava tão estranhamente, e os olhos dela eram tão, mais tão azuis. “Por que você deixou o Rangers, Benjamin?” Ele não estava mais, estava? Tinha sido dispensado. Nada de carreira militar para ele. A perda fez seus olhos formigarem, mas o nevoeiro à sua volta, manteve a tristeza longe. “Fui machucado.” “E foi por isso que você não voltou.”

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“Nããão.” Ele conseguiu engolir, e oh, ela estava acariciando seus ombros, seu peito. Aquelas mãozinhas podiam ser tão poderosas. “Não por isso.” “Por que, Ben?” “Não podia matar mais. Tantos. Cada um pior. Como um peso. Ficou assustador...”

***** Anne assentiu quando a voz dele se apagou. Sim, havia a razão. Ela sofreu por ele, por seu dilema insolúvel. Porque este guerreiro que era tão bom em matar tinha um coração carinhoso que provavelmente tinha sido cortado aberto com cada tiro que ele disparava. E então ele teve PTSD, para terminar a poção profana. Ele tinha se recuperado. Na verdade, ele era o homem mais bem-humorado que ela já conhecera. Mas a lealdade e o dever podiam criar pontos cegos. “Se tivesse ficado, você acha que teria impedido seus companheiros de equipe de morrer. Isso está certo?” Os olhos dele embotaram. Ele balançou a cabeça lentamente. “Travis queria voltar, mas não o fez. Ele disse que iria congelar no momento errado. Ou que o pânico o faria atirar em sua equipe. E quanto a você?” Suas reações eram lentas, sua mente ainda no mundo crepuscular do subespaço. Seu olhar estava focado em algum lugar... Além. “O que você vê, querido?” “Rockface se assustou. Atirou no nosso médico.” “Rockface ficou muito tempo, não foi?” Anne perguntou baixinho. “Talvez ele devesse ter saído?” “Sim.”

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“Cada pessoa atinge um ponto em que ela não pode processar mais nada. Não consegue acompanhar. Então é hora de sair. Ou você corre o risco de ferir seus companheiros de equipe.” Ela esperou. Esperou um pouco mais. Então adicionou outro fato. “Você fez a coisa certa, Ben.” “Eles estão mortos.” “E você está vivo.” “Deveria ter morrido com eles.” Deus, o que mais ela poderia fazer para ajudá-lo a ver? Ela rangeu os dentes... E pegou o anel peniano de aço. Ela colocou o metal frio contra a garganta dele... Direto sobre a artéria. Sua mente estava lenta, seus sentidos desordenados. Ele ia sentir a frieza, não como era contundente. Ele sentiria a ameaça de uma faca. Todo o seu corpo estremeceu, seus músculos ficaram tensos. O risco a nauseou. “E se você pudesse estar com eles agora, subbie? Você ia querer isso? Ou você vai lutar para viver?” Olhos arregalados e atordoados encontraram os dela. E, no entanto... Ele não se mexeu. “Eu quero que você viva, Ben. O que você quer? Devo deixá-lo viver?” Depois de um longo, longo momento, enquanto seus próprios medos tentavam dominá-la, ele acenou com a cabeça. Um pulso batendo em seus ouvidos, ela caiu em alívio. Depois de jogar o anel no chão, ela colocou os braços ao redor dele. “Perder alguém dói, não é mesmo?” “Dói,” ele concordou. “Lá, você lutou por mim, sua família, seus amigos. Para nos manter a salvo.” “Sim.” “Agora você está aqui. Isso significa que seus amigos estavam lutando para mantê-lo seguro, também. Não estavam?” 190


Ele piscou. “Mouse quer que você viva, Ben. Que não desista. Você tem que sobreviver para fazer seu sacrifício valer a pena.” “Ele morreu. Eu deveria ter estado lá.” “Nós todos vamos morrer algum dia, meu tigre. Esse momento... Aquele lugar... Não era o seu. Sua hora vai chegar. Até então, seu trabalho é viver da melhor forma que puder.” Ele olhou para ela. “Esse é seu dever agora, Ben.” Ela deveria tê-lo levado mais fundo? Mas ele estava absorvendo o que ela dizia, processando isso de alguma forma. Suas defesas ainda estavam baixas. O guardião de sua mente estava comprometido, por isso as palavras dela estavam indo bem fundo. Ela esperou. “Ele morreu.” Os olhos de marejaram. A dor de um homem com uma grande-alma que amava profundamente finalmente veio à tona, e seu coração partiu por ele. Ela o puxou para frente, colocou os braços ao seu redor, e colocou a cabeça dele em seu ombro enquanto ele soluçava. “Dói, eu sei,” ela sussurrou. Perder alguém doía. Não havia dor que chegasse perto. Seus braços vieram ao redor dela, puxando-a contra ele com tanta força que ela teve problemas para encontrar ar. “Shhh.” Ela o segurou com a mesma firmeza, coração contra coração. Ela o seguraria para sempre, se era isso o que ele precisava. Mas, finalmente, ele se moveu. Respirou fundo. A energia restaurada. Ele estava saindo do subespaço. Fora do desespero.

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Ela acariciou suas costas e ombros gentilmente, trazendo-o para o mundo. A realidade podia ser difícil. Mas talvez ela pudesse tanto facilitar a transição quanto reforçar as alegrias da vida. Quando ele levantou a cabeça para olhar ao redor, ela tomou sua mão direita. Os olhos castanhos-dourado encontraram os dela. Deslizando a mão dele por seu lado, ela fechou o polegar e os dedos na tira esquerda de sua tanga... E puxou. Quando o laço se abriu, ela passou a mão sobre a pele nua. Em seguida, ela tomou sua mão esquerda e a colocou sobre o outro laço. Ele desfez o laço por sua própria conta. Abaixo dela, um pênis que nunca tinha ficado mole engrossou. Esticou. Ele nem sequer tinha notado que ela havia substituído a gaiola de aço por um preservativo. Ela se ergueu ligeiramente e puxou a calcinha para fora, então ajustou sua posição para que a cabeça do pênis pressionasse contra sua entrada úmida. Quando ele ficou tenso, ela parou... Lá... E se inclinou para beijá-lo.

***** Os lábios macios de Anne se moveram sobre a boca de Ben. Mas toda a sua atenção se concentrava em um só lugar, onde aquela boceta quente balançava contra a ponta do seu pau. Apenas na porra da ponta. Ingurgitada novamente, sua ereção pulsava e queimava — e queria sexo como um filho da puta. Ela estava brincando com ele. Suas mãos, ainda nos quadris dela, agarraram suas coxas, ela se moveu apenas o suficiente para estabelecer a posição — e então ele a puxou abaixo em seu pênis, embainhando-se nela até o cabo. 192


Pooora. Seu pau abusado e sensível se sentiu envolvido em fogo líquido. Ainda assim mais sangue subiu em seu eixo, tornando-a incrivelmente, dolorosamente apertada. Sua cabeça bateu no encosto da cadeira quando ele estremeceu. E ela riu. Mistress sádica. Ele nunca tinha doído tanto e se sentido tão bem ao mesmo tempo. Os músculos das coxas dela flexionaram quando ela levantou fora dele, e o deslize escorregadio daquela vagina sobre sua pele sensível quase fez seus olhos rolarem para trás. Acima, abaixo. “Eu não vou...” Durar. Ele tinha. Um homem nunca deixa — uma mulher — para trás. Deixando-a definir o ritmo, ele moveu as mãos para dentro, usando os polegares para prender seu clitóris escorregadio e esfregar as laterais e superior. Sua vagina apertou. Sim, ela gostava disso. Inferno, ele também. Ele rangeu os dentes enquanto lutava contra o gozo. Mantenha a linha. Seu clitóris estava bem saliente, suas coxas tremiam, sua velocidade aumentou. E ela gozou, arqueando para trás em um movimento tão bonito quanto a própria vida. Ele assistiu com espanto, em reverência, e quando seus olhos se abriram, a luz neles era como a abertura de nuvens ao sol após uma tempestade. “Goza, agora, Benjamin. Você já esperou tempo suficiente.” Ela se preparou, com as mãos espalmadas sobre seu peito enquanto se levantava e depois descia, moendo contra ele com cada movimento pistoneado. Sensação o inundou, enchendo o lago seco ao ponto de estourar e transbordar a barragem, e o percorreu. Ele gozou. Porra, ele gozou. Cada espasmo emocionante derramando líquido derretido tão quente que competia com seu pênis ardente. Aquecendo por toda parte. Um prazer tão grande que ele viu estrelas explodindo no universo. Coberto de suor, ele olhou naqueles olhos infinitamente profundos e viu suas covinhas. E então seu sorriso. 193


Sim. Ele queria viver.

***** Ele desvaneceu sobre ela outra vez. Anne tinha conseguido vesti-lo — ela não tinha certeza de como. Incerta de seu equilíbrio, ela o levara até o primeiro andar pelo pequeno elevador. Enquanto cruzavam a sala principal, o barulho e a atividade o fez tremer. Ela parou para pegar um cobertor de subbie de uma das prateleiras. Depois de envolvê-lo com isso, ela se inclinou contra ele e deixou o calor de seu corpo tranquilizá-lo. “Benjamin, olhe para mim.” Seu olhar encontrou o dela, os olhos ainda vidrados, e ele lhe deu um sorriso torto. “Desculpe-me, Minha Senhora. Vou ficar bem em um minuto.” Talvez um pouco mais do que isso. Ela puxou seus braços em volta dela e o segurou com firmeza, lembrando seu corpo da realidade. Ela se sentiu bem quando ouviu seu suspiro. Sim, ele precisava de mais dela. Ela notou Cullen assistindo do outro lado da sala, o rosto apertado. Sem dúvidas, preocupado que a Mistress malvada tivesse machucado seu cão de guarda. Ela lhe virou as costas. “Vou levá-lo para casa comigo,” ela disse a Ben. Ele se afastou e franziu a testa. “Eu...” Suas sobrancelhas se uniram e depois de um segundo, ele disse, “Bronx está em casa. Não podemos deixá-lo sozinho a noite toda. Ele vai precisar sair.” “Então vamos para sua casa.”

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***** O cão empurrou Anne um passo atrás quando Ben abriu a porta do armazém. “Oi, Bronx.” Sorrindo, ela se ajoelhou para acariciar o retriever. O pelo macio roçou seu rosto, e a cauda chicoteou seu braço com deleite. “Você é tão carinhoso.” “Pronto para sair, companheiro?” Ben perguntou. Reconhecendo, obviamente, a pergunta, Bronx trotou para fora com Ben ainda na porta. Repleta de antigos edifícios industriais de tijolos, as ruas na área estavam evoluindo para o distrito “artístico” da cidade. Mas a esta hora da noite, Bronx teria a rua só para si mesmo. Enquanto Ben observava seu cão, Anne observou o homem. Sim, ele estava de volta em sua pele e funcionando bem novamente. Ele ficaria bem. Ela caminhou até o centro do pequeno armazém e virou em um círculo. Na metade de trás, o segundo andar formava um loft aberto. Toda a frente do edifício era cheia de janelas de vidro até o teto. O piso de madeira eram lixados e tão bem revestido que ela soube por que Bronx tinha deslizado para ela quando eles chegaram. À esquerda era um espaço de escritório sem paredes com equipamentos de informática e monitores extragrandes, bem como mesas de desenho. Plantas verdes e floridas enchiam os cantos e em cima de superfícies disponíveis, adicionando um elemento viçoso ao ambiente industrial. E então ela viu as fotos. Dois metros de altura, revestindo a parede traseira. Em uma delas, escuras nuvens carregadas pairavam sobre uma tradicional praia de sol. Uma luz avermelhada mal angulava abaixo a silhueta de duas crianças inocentes construindo um castelo de areia. Arrepios percorreram os braços de Anne. Outra foto apresentava uma garça azul no crepúsculo, a cabeça inclinada como se olhasse de volta para o espectador. 195


Um jacaré se deliciava em um tronco ensolarado, aparentemente à vontade, exceto por seu olhar frio e predatório. Uma foto do nascer do sol revelava um lugar muito familiar — o jardim pessoal de Z. Atordoada, ela se inclinou e leu a assinatura rabiscada na esteira. BL Haugen. O muito famoso BL Haugen, cujas fotografias da guerra no Iraque havia ganhado vários prêmios. Que era agora reconhecido como um fotógrafo da Flórida. Seu olhar se demorou em uma fotografia tirada nos Everglades. Ben carregava uma serra elétrica em seu Jeep. “Estou numa região muito selvagem,” ele tinha dito. “Você tirou essas fotos.” Suas palavras saíram quase acusatórias. “Mmmhmm.” Ben fechou a porta atrás de Bronx. “Vou levá-lo lá em cima para alimentálo.” “Certo,” ela disse distraidamente. Ela pensava que ele era um bom e normal guarda de segurança. Ok, certamente ela havia descoberto que ele era muito, muito mais profundo, mas ele tinha toda uma carreira da qual ela não tinha conhecimento. Que tipo de idiota ela era? Depois de ter olhado o suficiente, ela se virou e viu que a parede atrás das escadas tinha estantes do chão-ao-teto. Ben devia ler. Muito. Será que o homem tinha que continuar ficando ainda mais atraente? Enquanto subia as escadas para o sótão, ela pesquisou os títulos. Montes de mistérios, um punhado de horror, um pouco de filosofia e ética. Livros sobre a história e biologia da Flórida. No meio do caminho, suas pernas viraram elástico e ela desacelerou. Deus, ela estava cansada. Uma cena forte deixava ambos os participantes esgotados. Depois de verificar para ter certeza de que Ben estaria bem, ela iria para sua própria casa. As escadas terminavam em uma cozinha, sala de jantar e sala de estar aberta. As portas na parte traseira, provavelmente, levavam a um quarto e banheiro. Uma enorme planta — uma árvore guarda-chuva — enchia um canto. Violetas africanas forravam a ilha da cozinha. O homem 196


tinha uma queda para folhagem. Talvez elas ajudavam a afastar as memórias de uma guerra no deserto? Ben assentou uma tigela de comida de cachorro para Bronx antes de sorrir para ela. “Eu tenho água e refrigerantes na geladeira.” “Isso soa maravilhoso.” Ela vasculhou dentro e encontrou uma água com gás de morango. Enquanto Ben lavava a comida de cachorro da lata e a jogava na reciclagem, Anne olhou para ele. Ele ainda parecia mais um estereotipado bandido de rua do que um renomado fotógrafo. “Você poderia ter mencionado que tira fotos para sobreviver. Por que você é um guarda no Shadowlands?” “A fotografia é solitária. Quando eu fui liberado, meus únicos amigos eram um par de veteranos.” Ele despenteou a juba de Bronx. “Z queria que eu conhecesse pessoas que não estivessem relacionadas com a guerra. Ele” — a boca de Ben se curvou — “ordenou que eu conseguisse uma posição de tempo-parcial que me colocasse ao redor das pessoas. Ele não se importava com onde, mesmo que o McDonalds, mas quando eu não comecei a caçar trabalho, ele me empurrou para a recepção do clube.” Este homem tinha atravessado o Inferno e cambaleado para fora pelo outro lado. Golpeado, mentalmente e fisicamente, mas de pé. E, alguns anos depois, era um dos homens mais confiáveis, atencioso e surpreendente que ela já tinha conhecido. “Presumo que a marca única de terapia de Z funcionou?” Ben tirou uma Coca-Cola da geladeira. “É difícil ficar deprimido no Shadowlands. As pessoas que vão até lá são movidas pela excitação.” Ele sorriu. “Tive alguns dias ruins aqui e ali. Como o primeiro dia em que Jessica apareceu. Eu não queria conversar com ninguém, mas Z, o maldito bastardo, a enviou para se sentar na entrada. Em meu espaço.” “Eu me lembro dessa noite.” Os Mestres tinham desfrutado de como a apresentação de Jessica ao Shadowlands era quase um cliché de filme de terror: uma linda loira quebra seu carro e

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procura ajuda numa sinistra mansão escura. Em vez de vampiros, a pequena inocente tinha encontrado Mestres e escravos, Doms e submissos, sádicos e masoquistas. Ben sorriu. “Ela estava tão fodidamente chocada e bela. Impossível de ignorar, embora eu tenha tentado. E então ela reuniu sua coragem e marchou de volta. Então eu pensei que se uma loirinha podia enfrentar seus medos, eu malditamente bem deveria gerenciar.” O cão de guarda de Z era muito homem. Anne se inclinou para ele, aconchegou-se perto, e esfregou o rosto em seu ombro. “Estou feliz que você não desistiu.” Antes e agora. Mãos poderosas assentaram em seus ombros, e a voz retumbou em seu peito sólido. “Eu também.” Com um suspiro relutante, ela recuou e lhe deu um estudo cuidadoso. Olhos claros, cor boa, postura ereta. Sem tremor. Um ligeiro sorriso. Humor de volta no lugar. Ele estava bem. “Agora que você está estável, eu preciso ir.” Ela se inclinou para beijar seu rosto. Ele enrolou o braço em sua cintura, segurando-a contra ele. Depois colocou sua bebida de lado e a arrastou para mais perto, puxando-a para que pudesse beijá-la. Longo e duro. “Fique.” “Ben —” As mãos se fecharam em sua bunda. Só com isso, desejo a encheu. Honestamente, ela não deveria estar tão necessitada depois da rodada de sexo anterior. No entanto, seu corpo queria mais. Ela queria mais. Sua voz saiu rouca. “Que tal você me levar para um tour em seu quarto?” “Sim, por que eu não poderia fazer isso?” Ele puxou seu cabelo. “Você vai me bater?” Bater nele como se ele lhe pertencesse. Fosse um de seus escravos. Ela parou. Ela não deveria estar fazendo isso. Ela tinha dito a si mesma para não se envolver com ele. “Anne, o que foi?”

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“Você não é...” Ela bufou um suspiro. “Eu já disse que não tenho relacionamentos. Eu não quero te machucar. Eu não deveria estar aqui.” E, no entanto, ela sabia... Ela sabia que já era tarde demais. Ela se importava com ele. O queixo dele se empurrou para frente. “Você deveria estar aqui. Comigo.” Sua expressão aliviou. “Passe o fim de semana comigo, Anne. Vamos nos divertir. Se você quiser, podemos abrir mão das coisas D/s.” A contração dos lábios dele lhe deu uma dica. “Você sabe que eu não deixo isso de lado por muito tempo.” “É verdade, pelo menos não quando o sexo está envolvido. Mas ei, se isso te faz sentir melhor, eu posso tentar ficar bonito.” Ele piscou os olhos. Ela começou a rir, pegou sua mão, e o levou para o quarto.

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Capítulo Doze Anne era uma pessoa diferente fora do Shadowlands — e ainda a mesma, Ben decidiu. Mesmo depois de um final de semana em sua companhia, ele ainda não a descobrira. Ela tinha mais facetas do que os brincos de diamantes que usava — e era mais pé-no-chão do que ele imaginara. Com ela esparramada em cima dele em seu confortável sofá coberto de camurça, Ben acariciou suas costas. No início eles tinham discutido sobre as várias técnicas usadas em filmes de ação. Que tipo de sádico odiava filmes sangrentos? Na parede oposta, a televisão ainda estava passando a escolha mútua — Independence Day. Anne tinha adormecido nos primeiros vinte minutos. Em seus braços. Ben sorriu e beijou o topo de sua cabeça. Ele estava fazendo progressos no desgaste de suas defesas. Embora, ele tivesse que admitir que não tinha planejado a última batalha. O próprio coração mole dela tinha feito isso quando ela o vira de luto. Quando ela o havia puxado para fora da mesa e para um mundo totalmente novo. Porra, mas ela tinha cavado através de sua cabeça de uma maneira que o fez sentir como se ela o conhecesse melhor do que ninguém jamais tinha. Ele tinha estado uma bagunça. Mesmo agora, ele lutava contra a tristeza de ter perdido Mouse. Mas era bom estar vivo. Anne o havia forçado a reconhecer isso. Ela também tinha acabado com seu remorso por ter deixado o serviço e o ajudado a ver que ele tinha feito a coisa certa. Sua culpa por não estar lá para sua equipe podia nunca desaparecer completamente, mas tinha diminuído. Cada pessoa era diferente em quanto podia tomar. Ele tinha estado deprimido de 200


matar outros, com a morte de seus companheiros de equipe, de estar constantemente no limite, meio-viciado na adrenalina, meio doente com isso. Ele tinha aguentado um inferno de muito mais tempo do que alguns; não tinha feito isso tanto quanto os outros. A vida era assim. Ele não tinha culpado seus amigos que tinham parado depois de uma turnê de combate — por que ele deveria culpar a si mesmo depois de ter feito mais do que isso? Ela o havia ajudado a entender isso. Uma mulher completa. Uma Domme completa. Depois de ela ter passado a noite de sexta com ele, ele a havia alimentado com um café da manhã na manhã seguinte. E com seu cronograma impecável habitual, Z tinha ligado para saber como ele estava, dizer que ele tirasse o sábado à noite de folga do Shadowlands... E que Anne não precisava ir também. Então, Ben a convidara para ir a Vinoy Park, em St. Pete, para o Tampa Bay Blues Festival. Curtis Salgado. Os Bluetones. O entusiasmo tinha sido uma vitória inesperada. Quem teria imaginado que ela tocava um saxofone — e amava blues? Quem teria imaginado que ela conhecia seu trabalho de fotografia? Isso tinha sido um inferno de um avanço. E hoje, uma vez que ela estava curiosa sobre como os fotógrafos trabalhavam, tinha sido fácil convencê-la a uma longa caminhada pelo Honeymoon Island para que ele pudesse tirar algumas fotos com os manguezais como pano de fundo antes das chuvas da tarde. A luz certa antes de uma tempestade não podia ser duplicada. Anne não tinha tido problemas para acompanhá-lo — ela certamente estava em forma — e enquanto ele estava tirando as fotos, ela tinha brincado com Bronx, jogando de buscar com ele. Com os dedos dos pés, Ben esfregou o retriever deitado aos seus pés. Durante uma das primeiras sessões de aconselhamento, Z havia lhe dito para conseguir um cão grande e amigável.

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A ideia não tinha sido nem um pouco atraente. Então, um dia, Z lhe tinha levado um filhote de cachorro — e saído, enquanto Ben ainda protestava. Bastardo manipulador. Mas tinha sido impossível ficar de bobeira em casa quando o cachorro tinha que ser levado para caminhar. E ser ensinado a não comer botas e molduras. E ser alimentado e hidratado. Difícil ficar rabugento quando um jogo de arremesso-de-pau — ou apenas voltar para casa — enviava a bola de pelos em uma dança de alegria. Embora não fosse mais um filhote de cachorro brincalhão, Bronx tinha se transformado em um amigo muito legal. E Bronx tinha aprovado Anne completamente. Eu também, camarada. Ben esfregou o queixo contra seu cabelo sedoso, inalando o leve aroma floral. Sua pele era tão delicada que ele podia ver as fracas linhas azuis nas têmporas e sob os olhos. Ela não estava usando maquiagem hoje. Seus cílios não eram negros, mas de um marrom escuro. Ele queria sentir aquela franja espessa roçando contra seu rosto. Ela tinha sido uma excelente companhia por todo o final de semana — divertida para conversar, divertida para caminhar, carregando sua própria carga. Enquanto ele arrumava seu equipamento de fotografia, ela tinha feito os sanduíches que eles tinham levado em um refrigerador. Depois que ele preparara o jantar, ela tinha feito a limpeza. Para sua surpresa, ela não tinha ficado em sua armadura Domme todo o fim de semana. Claro, ela escorregava para o papel, se ele a empurrava. Ou quando ela queria mexer com sua cabeça. E ele gostara totalmente da energia adicionada quando ela tinha feito. Oh, sim. Quando ela o olhava com os olhos azuis bronze de canhão e a voz assumia aquele tom baixo de comando, seu sangue chiava e seu pênis saltava em atenção.

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Porque ele era submisso. Essa certeza não era um termo que ele jamais havia imaginado se aplicaria a ele. Ele deu uma meia-risada que despertou sua mulher. Sua Mistress. Bem, tanto faz como diabos ele a chamava, ela era sua. Ela piscou para ele, meio irritada, os olhos ainda nebulosos de sono, a boca muito fodidamente atraente. Pelo tempo em que ele beijou o aborrecimento fora de seus lábios, ela já estava acordada. Depois de virar e escarranchá-lo, ela tomou seu rosto entre as mãos. “Do que você estava rindo?” “Nada importante.” “Benjamin.” Ela deslizou para o modo Domme em um só fôlego. E lá estava seu corpo, respondendo com prazer e excitação... E um impulso acrescido de fazê-la feliz. Submisso. Porra. “Pensando em dominação e submissão. Você é uma Domme. Não tenho certeza se gosto de me chamar um submisso,” — e definitivamente não um escravo — “embora eu faça isso.” “Ah.” Ela abaixou a bunda em suas coxas. Enquanto achatava as mãos em seu peito, ela manteve o olhar em seu rosto. “É uma palavra insultuosa em nossa cultura, especialmente quando aplicada a um cara.” Ela desviou o olhar. Pensando. “Todos os seres humanos — os homens especialmente — lutamos pelo poder, e em nossa sociedade, isso normalmente significa cargos de chefia. CEOs. Presidentes. Mas nem todo mundo gosta de estar no comando.” “Sim. Eu sou mais ser um solitário — fotografia me dá isso.” Ele beijou sua palma. “Mas você gosta de dar ordens. Eu posso ver isso.” Ela praticamente brilhava quando estava no modo Mistress completo.

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“Eu gosto disso. Eu comecei como topo em meu último ano na Força. Um amigo mais velho em meu batalhão me mostrou os cabos, por assim dizer. Algo... Clicou... E eu soube que tinha encontrado o que estava faltando em minha vida.” “Você tem sido uma Domme por bem mais de uma década.” Ou mais perto de quinze anos. Não admira que ela parecesse tão confortável com quem era. “Mmmhmm. Sabe, você certamente não é o único soldado que gosta de ser tomado sob comando. No exército, você queria liderar as tropas ou estava feliz em receber ordens?” “Estar no comando nunca foi uma ambição esmagadora para mim — mas tive a honra de liderar os homens quando chegou minha vez no barril.” E ele tinha se desdobrado para fazer jus à responsabilidade. “Por outro lado, eu não me importo de receber ordens, desde que meu comandante seja competente.” Em toda a realidade, havia uma certa facilidade operar sob um líder talentoso. E com Anne, ele tinha encontrado muito a admirar. Ela era uma operadora verdadeiramente talentosa. O olhar dela sustentava entendimento. Como um Marine, ela sabia como funcionava. “Então, em vez de ‘submisso’, devemos encontrar uma palavra pequena e agradável para ‘Você pode dar as ordens, desde que você não ferre com isso, Sir. Divirta-se’.” “Quando você diz isso dessa forma, soa melhor.” “Talvez não tão sexy embora.” Ela curvou as mãos ao longo de sua mandíbula, e o beijou, tomando o que ela queria. Quando ele tentou colocar os braços à sua volta, ela fez um som que o teve baixando as mãos para o sofá. Submisso. A palavra era uma merda, mas o sentimento de se restringir e deixá-la desfrutar dele era satisfatório como o inferno. Ele podia quebrá-la ao meio em um piscar de olhos, mas os instintos em jogo lhe diziam para dar a ela tudo que ela quisesse. Apenas ela poderia por si só mantê-lo no lugar. O animal dominante em um jogo nem sempre era o maior deles.

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Ele murmurou contra seus lábios. “Desde que sou o submisso — e estes são os meus aposentos — Que tal eu fazer o jantar? E depois irmos para a cama mais cedo?” Sua risada gutural o fez reconsiderar a ordem dos eventos. “Você é insaciável.” Só com ela. Essa palavra submisso estava começando a se encaixar melhor do que ele pensava possível. E sobre o próximo passo? A palavra escravo? Não soava como ele. Mas o que ele seria capaz de fazer para manter essa mulher em sua vida? Quem sabia — talvez ele rolasse por esse caminho dada a oportunidade. Só havia uma maneira de descobrir. “Insaciável por você praticamente descreve isso, sim.”

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Capítulo Treze Na quinta-feira, Ben estacionou em um dos dois lugares da garagem de Anne. Bronx saltou do SUV atrás dele. Cauda acenando suavemente, o cão dançou na frente da entrada, verificado o ar, e se dirigiu ao redor da casa. Bronx tinha descoberto rapidamente que Anne geralmente desfrutava de uma xícara de chá ou café em sua cobertura traseira para poder ver o pôr do sol. Ouvindo o saxofone, ele parou para ouvir. Depois de um momento, ele reconheceu a velha canção. “Arthur’s Theme47“ era uma mistura incomum de assombração e elevação. Ela estava de bom humor. A linguagem corporal de Anne nem sempre revelava seu estado de espírito, mas sua música era uma oferta fatal. Quando Ben alcançou a parte de trás da casa, ele ouviu o retriever correr pela plataforma. “Bronx!” Anne riu. “Você não é mesmo um belo garoto? Um cão muito esperto.” Ben sorriu. A mulher era uma pateta por crianças e animais. “Permissão para subir a bordo?” ele gritou do fundo da escada. “Suba, Ben.” Ele subiu. “Você parece malditamente confortável.” Sentada em uma espreguiçadeira, ela colocou seu sax de lado para acariciar Bronx. Seu shorts cáqui mostrava suas longas pernas bronzeadas. A camiseta sem mangas era da cor exata de seus olhos marcantes — e desabotoada. Claro, ela usava um maiô por baixo, mas a libido dele

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É o nome de uma canção tema do filme Arthur, de 1981 composta por Christopher Cross, Burt Bacharach, Carole Bayer Sager e Peter Allen.

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tinha um interruptor Pavloviano48. Uma mulher — especialmente esta — com uma blusa aberta enviava seu desejo às alturas. Bronx estava encostado na cadeira, coletando o máximo de amor que ele pudesse tirar dela. “Você está estragando ele, Anne.” “Ele tem belos modos. Enquanto isso continuar, vou continuar recompensando-o.” Ben se inclinou e colheu um beijo lento. Porra, ele amava o jeito como ela beijava, o jeito como ela agarrava os dedos em seu cabelo, e como ela fechava a outra mão em sua camisa para puxá-lo para mais perto. Quando ele terminou e se endireitou, ela avaliou os arranhões enlameados em suas pernas, braços e mãos. Preocupação afiou sua voz. “Você está bem?” “Bom o bastante. Meu jipe ficou preso em uma área pantanosa. Tive que trabalhar para liberá-lo.” “Você parece como se tivesse lutado para atravessar o Everglades.” Ela apontou para a porta atrás dela. “Vai pegar algo para beber — e comer também. Fiz cookies para o abrigo de crianças e guardei um punhado para você.” “Sério?” Cookies? Sim, ele adorava. Uma pena que a cobertura era tão exposta ou ele iria cair direto sobre ela, depois. “Se eles tiverem passas, eu serei seu escravo esta noite.” “Benjamin.” Uma sobrancelha perfeitamente aparada subiu. “Você será tendo ou não passas.” Bom ponto. Sorrindo, ele lhe deu uma saudação falsa e se dirigiu para a cozinha antes que dissesse algo que fosse colocá-lo em apuros. Ou que seus deleites fossem tirados. Ela tinha assado biscoitos de chocolate na segunda-feira, feito bolo de cenoura na terça — Bronx não era o único macho sendo mimado por aqui.

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Relacionados com o condicionamento clássico, como descrito por Ivan Petrovich Pavlov, um filósofo russo.

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Ele sorriu. Esta manhã, ela tinha insistido em correr um quilômetro adicional, reclamando que estava ganhando peso por causa do vício dele em doces. Mas, tanto quanto ele estava preocupado, um centímetro ou dois extra em seus quadris ou seios seria um tesão total. Mais para agarrar; mais para brincar. Por falar em jogar, ele estava ansioso pelos próximos dias. Este final de semana era de Ghost como guarda de segurança no Shadowlands, e Anne estava livre de seus deveres como monitor de calabouço. Uma vez que Raoul estava fora da cidade, Ben tinha organizado para pegar emprestado seu veleiro. Esperançosamente, Anne ficaria interessada em passar um longo e prazeroso final de semana na água. O telefone tocou enquanto ele pegava uma garrafa de água na geladeira. “Anne — telefone.” “Vá em frente. Atenda, por favor.” Ele sabia como ela atendia o telefone, sem dizer seu próprio nome. Mas ao ouvir uma voz de homem, a pessoa poderia pensar que tinha ligado pro número errado. Então ele pegou o telefone e disse, “Estou atendendo para o residente. Por favor, espere.” “O quê?” Depois de uma hesitação, o homem exigiu, “Deixe-me falar com Anne.” Seria um de seus irmãos? A voz parecia familiar. “Espere, por favor.” Seguida por Bronx, Anne se aproximou e pegou o telefone com um sinal de obrigada. “Alô?” Depois de uma pausa, ela disse, “Sinto muito, mas isso não é da sua conta.” Suas sobrancelhas se juntaram com irritação. Alguém ia se ferrar. Ben pegou três biscoitos e saiu para a varanda, assobiando para Bronx enquanto ia. Conforme saía, ele a ouviu dizer, “Não. Eu não vou tomá-lo de volta, Joey.”

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Ben parou. Porra. Demorou um segundo para ele conseguir se mover novamente. Ele colocou os biscoitos na mesa final de vime marrom escuro, caiu em uma cadeira e colocou os pés sobre a grade. Que nem uma barata, um sentimento desagradável veio rastejando em seu intestino. Joey tinha sido o último “garoto” de Anne. Joey gostava de ser chicoteado, espancado, e ter suas bolas esmagadas. O escravo tinha estado nas mãos e pés dela. O jovem era magro, bem definido, e parecia apto para modelar cuecas de homem. Totalmente o tipo de Anne. Totalmente o oposto completo de Ben. A garrafa começou a amassar em seu aperto. Joey queria ser seu escravo novamente, ela poderia ter seu menino bonito de volta. Mas ela disse não. Só que... Ela ainda estava falando com o merdinha no telefone. O quão persuasivo ele era? O quanto ela queria ter um escravo novamente? Os dentes de trás de Ben moeram juntos. Ele deveria deixá-la saber que ela tinha uma alternativa pronta e disposta para servir? Mas ele não era um escravo, droga. Sim, ele praticamente tinha aceitado que amava pra caralho entregar as rédeas na arena do sexo. O resto do tempo? Isso era negociável. Ele fez uma careta para um frigatebird49 subindo, suas asas negras afiadas gritantes contra o céu azul. Se ela quisesse 24/7, então... Merda. Ele poderia? Mas ele poderia desistir dela? Voltar para noites vazias sem Anne a discutir sobre táticas de artes marciais ou armas, a lutar no chão da sala, a ouvir a mais recente façanha estúpida que seu primo tinha arrumado.

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Ave marinha tropical predatória com plumagem escura, asas longas e estreitas, uma cauda profundamente bifurcada, e um bico longo e perverso.

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Ben queria suas opiniões quando ele trabalhava em uma fotografia, queria comer os cookies que ela guardava para ele, queria vê-la esgueirar para Bronx petiscos proibidos. Ele queria ver a luz do sol em seu rosto todas as manhãs, correr ao lado dela na praia, desfrutar de sua carranca de desaprovação quando ele adoçava seu café. Não, ele não podia desistir dela, não sem lutar. E ele não poderia saber se ia gostar de ser um “escravo” se ele não tentasse. Mas ele fodidamente sabia que se ela voltasse para Joey ele nunca teria essa chance. Anne saiu e caiu na cadeira ao seu lado. Depois de um segundo, ela se inclinou para frente e abraçou Bronx. Ben franziu a testa ao ver sua expressão inquieta. Agora sim que isso simplesmente não ia acontecer. Ele se levantou, pegou-a e se sentou com ela no colo. Macia e quente. O quadril pressionado contra uma parte do corpo dele que foi rapidamente despertado. “Bem,” ela disse, lhe dando o aviso habitual quando ele a agarrava, mas ela realmente não soava aborrecida. Ele inalou sua fragrância leve e picante. Ela cheirava a canela e baunilha — tão comestível quanto um de seus cookies. “Não posso ter meu vira-lata recebendo todo o amor. Você vai me deixar com ciúmes.” Imediatamente, ele lamentou as palavras — vindas tão logo depois do telefonema de Joey. Para distraí-la, ele acariciou a curva entre seu pescoço e ombro, e a mordiscou levemente. Seu contorcer deixou o pênis dele em posição de sentido. Relatório de missão, sim, Minha senhora. “O que houve, Ben?” Ela se virou, as mãos roçando seu rosto enquanto ela olhava em seus olhos. “Você está diferente hoje.” Tudo bem. Ela tinha escolhido o momento e o lugar, embora ele realmente tivesse preferido fazer isso enquanto estivesse enterrado profundamente dentro dela. “Estive pensando. Sobre nós. Eu quero mudar as coisas um pouco mais.” Ele sorriu. “Vamos para uma Magnum 44.” 210


A cabeça dela recuou ligeiramente, e suas sobrancelhas subiram. Ele traçou o dedo sobre o arco de uma sobrancelha elegantemente curvada, tão diferente de suas espessas linhas retas. Com um bufo exasperado, ela puxou sua mão para baixo e franziu o cenho. “Uma Magnum 44. Você quer que sejamos exclusivos.” “Sim.” “Eu tomo escravos, Benjamin. Não amantes.” Por que ele via preocupação e o início de tristeza em seus olhos? Ela começou a se empurrar para trás. Ele apertou a mão em sua bunda. “Acho que você se importa comigo, e eu me importo muito com você. Então, sim, uma 44. Você não está saindo com ninguém, e nem eu. Isso é exclusivo. E eu vou ser seu escravo.” “Você quer ser meu escravo?” Anne estudou seu rosto como se ele tivesse revelando o futuro ao invés de apenas seu desejo. “Eu não tenho certeza de que seria sensato. O que ser um escravo significa para você?” “Significa eu fazer aquilo que você diz, tentar agradá-la — na cama e fora dela.” “Cão de guarda,” ela disse suavemente. “Eu sou uma Mistress rigorosa. Nada fácil. Eu prefiro o alto protocolo — não tocar, ou falar, ou sentar sem permissão. Vou te dar afazeres, pedir para assumir tarefas que você pode não apreciar.” “Eu já te vi com seus escravos.” Ela balançou a cabeça. “Você tem certeza, Ben? Você é novo no estilo de vida. Acho que você está apressando as coisas.” Esse telefonema disse que havia uma necessidade de pressa. O pensamento de perdê-la era intolerável. O que ele faria, o quanto de si mesmo ele sacrificaria para mantê-la ao seu lado? Para ouvir seu riso, para sentir suas mãos no rosto dele, para acordar com ela em seus braços. “Tenho certeza. Eu não estou apressando as coisas.” 211


Ela franziu a testa. “Há uma diferença entre um submisso e um escravo. Acho que a melhor explicação é que um submisso se assemelha a um empregado, ao passo que um escravo está mais próximo de um cadete dos Marines. Um monte de opções são retiradas.” Ele tinha estado no serviço; nada de novo aí. “Eu não moro com meus escravos — mas eles estão disponíveis para mim quando eu quero que fiquem.” Eles? Agora sim esta era uma linha dura para ele, e este era o momento de deixar isso bem claro. “Eu quero exclusivo.” Quando ela assentiu, ele foi mais longe. “Meu trabalho é separado. E você não tem o controle sobre o tempo em que não estamos juntos.” Ele puxou uma golfada de ar e se comprometeu. “Todo o resto é seu. Sim, Minha Senhora, isto é o que eu quero.” Ele podia ver o crescente calor em seus olhos, podia sentir seu respeito e prazer. Ela elevou o queixo, endireitando os ombros enquanto aceitava a responsabilidade por ele. Ele conhecia o sentimento — o mesmo que ele tinha tido quando um companheiro de equipe confiava nele para tomar suas costas. Saber que ele podia lhe dar essa alegria silenciou as dúvidas em sua mente.

***** Anne estava na cama, a cabeça em seu ombro, a mão em seu peito, acariciando o cabelo crespo. Sua respiração tinha abrandado quando o sono o alcançou. Seu cheiro se misturava com a fragrância almiscarada de sexo e fraco aroma de limpeza de seus lençóis. Contentamento a envolvia tão apertado quanto o braço atrás de suas costas a situava ao lado dele. O sexo tinha sido... Mais do que apenas sexo dessa vez. Um novo elemento tinha sido adicionado. 212


Ela esfregou o rosto em seu ombro. Era por isso que as pessoas chamavam de fazer amor. Ela sempre tinha acalentado o elo entre ela e seus escravos, um composto de carinho e preocupação. Era amor, de certa forma, mas o tipo de amor que ela mantinha pela família. O que ela tinha tido com Ben era diferente. E sua classificação de escala baseada-em-arma estava se provando surpreendentemente precisa. Ela tinha chamado um primeiro encontro equivalente a um 22. Ela tinha aprendido a atirar com um doce pequeno revólver calibre 22. Fácil de manejar. Seguro sem nenhum recuo ou surpresas. Bem preciso. Que havia plantado pequenos e tranquilos buracos no alvo. Mas hoje, isto tinha sido um caso sério, movendo-se em direção... Amor, e realmente parecendo como disparar uma S&W 44 em um escuro campo de tiro. “Acho que você se importa comigo, e eu me importo muito com você. Então, sim, uma 44. Você não está saindo com ninguém, e nem eu. Isso é exclusivo. E eu vou ser seu escravo.” A explosão daquelas palavras tinham deixado seus ouvidos zumbindo, e seus olhos piscando contra o fogo do focinho. A bomba tinha rasgado buracos terríveis no que sua vida tinha sido. Ela estava pronta para isso? Não. Não, ela realmente não estava. Mas aqui em seus braços era onde ela tinha acabado, mesmo que ela tivesse lutado em cada passo do caminho. Submisso sorrateiro. Mas ela não mudaria uma coisa sobre a jornada. Ou sobre Ben. Ela não queria outro escravo ainda, e ele com certeza não era o que ela teria escolhido, e ela certamente não tinha planejado deixar um ser seu amante, também. Então Ben tinha manobrado o caminho em sua vida, fazendo mudanças a torto e a direita. Ele tinha lhe trazido Bronx — um furbaby50 para brincar, e cuidar, e abraçar. Toda noite, Ben tinha estado em sua casa ou ela na dele. Ele tinha enchido suas noites com risos, e conversa, e tranquilo

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Furby é um brinquedo eletrônico comercializado pela Tiger Electronics, com sucesso de vendas no período de seu lançamento.

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companheirismo. Dormir com ele e acordar com ele havia criado uma intimidade que ela não havia permitido nos últimos anos. Talvez porque ela confiasse nele mais do que tinha confiado em seus escravos. Ele pode não combinar com ela em tudo, mas o caráter sólido-como-uma-rocha do homem era baseado na honra, honestidade e lealdade. Ela o admirava, o respeitava, gostava de tudo nele, de seu corpo à sua estabilidade descontraída. E o pensamento de perdê-lo, agora que ele tinha a posse de suas emoções, era aterrorizante. Desde menina, ela sabia... Sabia... Como se sentia quando alguém ou alguma coisa rasgava seu amor pela raiz. Talvez fosse por isso que suas poucas tentativas de tomar amantes no serviço e na faculdade não tinham ido muito longe. Inconscientemente, ela tinha evitado arriscar esse tipo de dor. Mas agora, ela ia. Por Ben. Ela se enroscou um pouco mais perto, respirando seu cheiro, ouvindo as batidas lentas de seu coração. Por favor, não deixe que isso dê errado. Por favor.

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Capítulo Quatorze Anne se recostou na cadeira do escritório e estudou a tela do computador. O vento agitava as cortinas, carregando o cheiro da praia e do tamborilar da chuva pesada. Embora perto do meiodia, o céu estava quase tão escuro quanto a noite. Que era um dia excelente para estar lá dentro. Ainda melhor, o tempo tinha estado bonito todo o final de semana para navegar. Eles tinham passado o tempo fazendo piqueniques em enseadas tranquilas, nadando sob as estrelas, fazendo amor... Em todos os lugares. E ela tinha conseguido ensinar a Ben mais sobre ser um escravo, sobre suas necessidades, sobre o protocolo. Assim, quando eles voltassem ao Shadowlands em um par de semanas, ele estaria confortável em seu papel. Ele provavelmente não estava muito confortável hoje. Pobre Ben. Horas antes, de madrugada, ele havia se virado, visto a tempestade chegando, e pulado da cama. Em meia hora, ele se dirigia para Sawgrass Park. BL Haugen. Ela tinha ficado tanto fascinada quanto horrorizada com sua série Chaos of War51. Agora que ela sabia que as fotografias não tinham sido tiradas por um fotojornalista, mas sim por alguém realmente vivendo o pesadelo, ela duvidava que pudesse vê-las sem chorar. Sua excursão de fotos com ele duas semanas antes tinha sido um abrir de olhos. Ela sempre tinha admirado o quão belamente BL Haugen usava a luz para evocar emoção. Sua fotografia favorita dele era de uma pantera, pronta para saltar. Atrás do gato, preto, nuvens negras ameaçadoras se empilhavam altas no céu. A cena tinha capturado o eterno e ainda fugaz momento antes da violência e morte.

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Caos da Guerra.

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O último domingo havia lhe mostrado quanto tempo, esforço e fotos descartadas eram necessários para alcançar uma fotografia perfeita. E o pobrezinho estava lá fora hoje naquela chuva. Bem, ela precisava de silêncio para trabalhar no problema de Uzuri. Algum tempo depois, ela ouviu a porta da garagem se abrir. “Anne, sou eu,” Ben gritou. “Sua mãe está comigo.” Seus dedos hesitaram sobre o teclado. Mas ela tinha uma pesquisa em execução e não podia parar. “No andar de cima. Estou no meu escritório.” A porta se fechou. Passos bateram na escada. Sua mãe entrou, carregando uma bandeja de pão coberta. Ben em seguida. Anne cheirou. “Isso é pão de banana que estou cheirando?” A melhor parte de viver duas casas longe de seus pais era receber alguns mimos maternal. “Minha filha sempre teve um bom nariz.” Com bermuda pêssego claro e uma blusa lago combinando, a pequena e delicada mãe de Anne sorriu para Ben, parecendo uma princesa das fadas ao lado do lobo mau. Dois dias antes, ela tinha aparecido para ter Anne anotando seu novo smartphone e havia conhecido Ben. Naturalmente, o cão de guarda tinha ganhado suas graças. Crédito para sua mãe, ela tinha visto além da intimidante aparência de Ben direto em seu coração. Descobrir que ele era BL Haugen tinha cimentado sua aprovação. Talvez a mamãe não pudesse se defender contra uma pulga, mas ela era uma excelente juiz de caráter. Os professores geralmente eram. Mais tarde, ela havia dito a Anne, “Finalmente você encontrou alguém que vai cuidar de você em vez do contrário.” Anne ainda estava pensando naquilo. Ela sempre se sentira como se ela fosse a pessoa que precisava proteger seus escravos, mas, é claro, sua mãe esperava que os caras protegessem sua filha. Talvez fosse por isso que Joey, apesar de seu charme e entusiástico serviço, não tivesse feito progressos com nenhum de sua família. Ben certamente tinha, pelo menos, com seus irmãos e mãe. 216


Seu pai era outra história. Desde que ele ainda a considerava seu bebê — e, sem dúvida, uma virgem — ela tinha ficado grata que ele e Ben não tivessem se encontrado durante o exercício de treinamento. Girando sua cadeira de escritório totalmente, ela começou a sorrir para Ben — e o olhou estarrecida ao invés. Seu cabelo puxado-para-trás estava encharcado. Manchas de grama e lama riscavam suas roupas e rosto; sua camiseta rasgada mostrava um arranhão longo e sangrento sobre a pele bronzeada embaixo. Ele tinha se machucado. Ela começou a se levantar, e então lentamente se sentou novamente. Não era um arranhão tão ruim. Ela só não gostava de vê-lo com dor ou sangue — o que parecia engraçado desde que ela tinha tratado de ferimentos piores em seus escravos. “Considerando a maneira como você está, espero que tenha algo que valha a pena o trabalho.” Seu sorriso era o de um lobo que tinha abatido um cervo gordo. “Tem uma que deve ser perfeita para minha série tempestade.” Sua nova série impressionante estava centrada em tempestades com raios. A mãe de Anne olhou para fora da janela. “Estando acostumada com a agradável e silenciosa garoa no estado de Washington, estas tempestades da Flórida foram um choque. Eu juro, às vezes, elas soam como se Zeus estivesse brigando no céu.” “Zeus?” Ben coçou um risco de lama em seu rosto. “The War of Zeus52. Você pode ter encontrado um título para minha série, Elaine.” “Bem. Meu Deus.” A mãe de Anne quase brilhava. “Estou verdadeiramente honrada. Agora é melhor você tomar um banho e tirar essas roupas molhadas.” Ela deu um tapinha em seu braço e se inclinou para acariciar Bronx, que, obviamente, tinha sido limpo antes de entrar. “Um cão tão doce. Fico feliz que você tenha um animal de estimação aqui, Anne.” 52

A Guerra de Zeus.

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Ben inclinou a cabeça na direção de Anne. “Considerando o quanto você ama animais, fico surpreso que você não tem um seu próprio.” “Eu nunca estou aqui.” Qualquer animal de estimação dela ficaria muito solitário quando ela estivesse trabalhando. Ben lhe deu um olhar interrogativo. “Isso não impede as pessoas de possuir gatos ou ter um —” “Ela tinha uns dez anos quando manteve um gatinho de rua por um par de semanas,” sua mãe interrompeu. “Infelizmente, nós tivemos que partir em destacamento no exterior, então ela teve que doá-lo. O mesmo aconteceu com um filhote de cachorro abandonado que ela tinha trazido para casa. Ela nunca tentou manter outro animal.” A garganta de Anne apertou. Sammy tinha sido um cãozinho com grandes olhos assombrados. E tão magro. Morrendo de fome. Ele precisava dela, e ela não tinha tido permissão de salvá-lo. “Por favor, papai. Outras pessoas levam seus animais de estimação.” Ele recusara —talvez considerando corretamente a posição. Ela tinha se escondido em seu quarto e não falara com seu pai por um mês depois disso, havia o odiado com todo o seu coração de dez anos. “Perder um animal de estimação é difícil.” A voz de Ben foi nivelada, como se ele soubesse que ela reagiria mal por uma aberta simpatia. “Desde que seu pai era militar de carreira, vocês devem ter se deslocado bastante.” “Oh, nós fizemos,” disse sua mãe suavemente. “Curiosamente, eu amava a realocação; eu podia ensinar música em qualquer lugar. Travis tão sociável prosperou. Harrison — bem, não há muito que incomoda Harrison.” Com um olhar triste, sua mãe colocou uma mão no braço de Anne. “Mas Anne não gostava muito dos deslocamentos, e sua infelicidade piorava a cada mudança.” “Sim?”

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Anne sentiu o olhar de Ben, mas desviou o olhar. Ela não tinha esquecido a frustração e raiva. A desolação. Como ela tinha gritado e chorado e se agarrado a Nessie, sua melhor amiga no jardim de infância. Seu pai finalmente as havia separado e arrastado Anne para o carro. Ela tinha chorado muito. E tinha experimentado o mesmo sentimento devastador de perda dois anos depois. Ela havia aprendido. Amigos, animais de estimação, até mesmo pertences favoritos eram todos... Transitórios. Não se apegue. No terceiro deslocamento, ela tinha parado de chorar. Tinha parado de fazer melhores amigos. Sua mãe tinha tentado ajudar, mas Anne sabia que ninguém realmente entendia. Dentro de sua família amorosa, ela tinha crescido mais próxima de seus irmãos... E se sentido muito sozinha. “Não percebi isso na época, mas acho que as meninas têm mais dificuldades com mudanças,” sua mãe disse. “Nossas amizades são... Mais profundas. Não tão facilmente formadas.” Ser a menina nova uma e outra vez. Assistir uma colega popular distribuir convites da festa de aniversário para quase toda a classe. A garota tinha torcido o nariz para Anne, como se ela cheirasse algo sujo. “E mesmo em uma base, as meninas podem ser cruéis com um estranho,” sua mãe concluiu. Ela colocou a mão no ombro de Anne. Ser derrubada de joelhos, seu vestido favorito rasgado. As meninas podiam ser más — sem nenhuma outra causa do que avistar uma pequena e tímida recém-chegada. Mais uma razão que ela tinha aprendido a lutar. “Não foi tão ruim assim.” Anne apertou a mão de sua mãe tranquilizadoramente. Sua mãe não tinha voluntariamente ferido ninguém; ninguém tinha sido mais solidário. Mas, mesmo com amor, compreensão não automaticamente se seguia.

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Um estrondo de trovão atraiu seu olhar para as manchas brilhantes de chuva descendo abaixo. Mesmo na escuridão, havia beleza. Ben sabia disso. Mostrava isso em seus quadros. Anne não deveria se esquecer e talvez devesse tentar ver os aspectos positivos de seus primeiros anos. “Eu tinha minha família,” ela disse finalmente. “Boas escolas.” Sua mente foi além. “O suficiente para comer.” “Isso é o melhor que você pode dizer sobre sua infância? Que você teve o suficiente para comer? Po-” Ele cortou a maldição com um olhar para sua mãe. Umidade brilhava nos olhos de sua mãe. “Eu sinto muito, Anne.” Trate de colocar o pé nisso, Anne. “Oh, mamãe, não havia nada que você pudesse fazer. Mudar-se é uma parte da vida para as famílias de militares. Eu sobrevivi — e fiquei mais forte por causa disso. E porque você me deu uma casa de praia, eu estou muito bem assentada agora.” Depois de piscar para conter as lágrimas, sua mãe finalmente lhe deu um sorriso torto. “Você está muito bem assentada. Tão assentada que bateu em Travis por mudar uma de suas cadeiras.” Ela olhou para Ben. “Ela não gosta de mudar as coisas, fique avisado.” Ele ainda a estava observando com um profundo vinco entre as sobrancelhas espessas. Anne revirou os olhos para ele e viu um sorriso aparecer em seus olhos castanhos. “Por que você não vai cortar algumas fatias desse pão, mãe? Assim que eu terminar essa pesquisa, eu desço.” Sua mãe pareceu aliviada com a mudança de assunto. “Por que você está trabalhando aqui e não na empresa de fiança? Você disse que tentava não trazer os estudos de casos para casa.” “Isso é pessoal. Lembra-se de Uzuri? Ela esteve aqui com aquele grupo de mulheres — que lhe deu aquele cartão de desconto da loja de departamentos?” “Aquela com estilo maravilhoso e um adorável senso de humor?” “Ela mesma. Ela está inquieta, e eu finalmente consegui que ela admitisse que está preocupada com seu ex. Ela se mudou para cá para ficar longe dele. Então, estou verificando para garantir que ele está no mesmo lugar que ela o deixou — a uns mil quilômetros de distância.” 220


“Bom para você.” O sorriso de Ben a aqueceu até os dedões dos pés. “Russell e Matt disseram que Anne é absolutamente soberba para rastrear um meliante,” sua mãe disse orgulhosa. “Eles nunca viram ninguém tão bom.” Anne deu de ombros. “Desde que eu também me ressentia de mudar minha vida, eu entendo como as pessoas que são forçadas a mudar vão reagir. O quanto elas se apegam a velhos padrões de conforto.” Ben franziu a testa. “Como?” “Tipo, ainda que um detento se mude para uma nova cidade, ele provavelmente ainda vai visitar a Taco Bell todas as sextas, se era isso que ele fazia antes.” “Então você tirou suas duras lições e as transformou em conhecimento útil. Legal.” Seu respeito foi gratificante, especialmente desde que a conversa sobre sua infância a deixava inquieta. Ele se inclinou e esperou até que ela sorrisse em permissão antes de lhe dar um beijo leve. Um beijo reconfortante. “Vou preparar o jantar se você prometer compartilhar o deleite de sua mãe.” “Você é tão oportunista. Mas vou aceitar esse acordo.” Quando sua mãe se virou para sair, Anne franziu a testa, percebendo que tinha guardado um pouco de raiva por sua mãe não ter impedido todas aquelas mudanças. E o trauma. O quão infantil era isso? Homem acima, Desmarais. “Eu te amo mãe.”

***** Naquela noite, Ben tinha os pés em cima da mesa de café com seu laptop no colo, enquanto planejava sua agenda da próxima semana de possíveis fotos. Do outro lado da sala, sua mulher estava se preparando para ir caçar fugitivos.

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O som das ondas na costa vinha através das janelas abertas. Anne ouvia sua leve lista de jazz no iPod. Ele estava se acostumando com sua música, embora ocasionalmente arriscasse sua ira colocando alguns artistas clássicos — tipo Willie Nelson ou Waylon Jennings. O assim-chamado escravo não devia contrariar sua Mistress, mas... Músicas favoritas devem ser compartilhadas, certo? Compartilhamento fazia parte de uma relação, desde os alimentos, ao sexo, à música... Às histórias passadas. Ele teria que lhe dar um grande FALHA nisso; ela era fodidamente evasiva. Ele nunca tinha conhecido uma mulher que falava tão pouco de si mesma. E não era que ela não tinha confiança como uma Mistress. Inferno, ela podia dar aos outros lições de mestrado em autoconfiança. A visita de Elaine mais cedo tinha lançado alguma luz sobre o passado de Anne. Ela tinha sido arrancada de amigos e animais de estimação, repetidamente. O jeito como ela tinha sido inexpressiva quando a discussão se voltou para realocação lhe disse que ela tinha sofrido muito mais do que sua mãe tinha percebido na época. Ele balançou a cabeça. Ele tinha conhecido alguns Dominantes insensíveis, mas Anne não tinha conseguido o título de “Mistress” no Shadowlands por falta de sensibilidade. Se qualquer coisa, ela sentia em excesso. Quais eram as chances de que ela estivesse afastando um possível futuro ferido ao controlar rigidamente tanto seu ambiente quanto seus amantes? Guardando seu coração. Ele tinha que levar sua cautela em consideração. “Faça seus planos para se adequar às circunstâncias,” Patton tinha dito. Pode fazer. Com o ambiente, ele seria mais cuidadoso sobre mover as coisas ou perturbar suas rotinas. Ele já estava deixando-a controlá-lo. E, pelo menos no quarto, ele gostava o inferno fora disso. 222


Pelo amor de seu coração, ela precisava estar certa de que ele era dela. Ele deveria evitar qualquer coisa que pudesse fazê-la questionar a longevidade disso — porque ele malditamente bem pretendia permanecer por perto um longo, longo tempo. Não importava o quanto ela guardava seu terno coração, eventualmente, ela o deixaria entrar.

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Capítulo Quinze No albergue de violência doméstica Tomorrow Is Mine, Anne estava na seção de grupo do ginásio. Quatro dos adolescentes praticavam bater a areia nos sacos de pancada. O restante da dezena estava emparelhado para trabalhar na técnica de bloqueio-de-soco que ela tinha acabado de lhes ensinar. Gritos ecoavam pelas paredes, e o cheiro acre de suor adolescente pairava no ar. Pelo canto do olho, ela viu a porta ser aberta. Beth entrou, seguida por seu Mestre, Nolan. Como sempre, a discrepância entre eles era surpreendente. Nolan tinha mais de um metro e oitenta e dois, e o trabalho em construção havia lhe dado uma compilação impressionante musculosa. Com cabelos e olhos cor-de-carvão, um rosto cheio de cicatrizes, e uma expressão áspera, sua aparência assegurava que as pessoas o evitassem. Em contrapartida, sua submissa era baixa e magra, pele-clara, cabelos-vermelhos, e vozsuave. E ela tinha um coração muito grande. Tomorrow Is Mine teria fechado se Beth não tivesse entrado com uma enorme doação. A morte de seu ex abusivo tinha provido Beth com o dinheiro para financiar abrigos para mulheres maltratadas na Flórida e seu estado natal, Califórnia. Depois disso, ela tinha persuadido vários membros do Shadowlands — incluindo Anne — a ajudar com programas no abrigo. Anne atravessou a sala. “Que bom ver vocês dois. Vocês vieram para ajudar a ensinar?” Nolan balançou a cabeça, em silêncio, como de costume. “Podemos conversar quando você tiver terminado aqui?” Beth perguntou. Seu rosto estava preocupante ilegível. Beth geralmente mostrava todas as suas emoções. 224


“É claro.” Anne olhou no relógio. “As meninas têm mais cinco minutos. Vocês ficam com este trabalho?” “Claro,” Beth disse. “Tudo bem então.” Anne voltou para sua aula e parou no saco de areia na altura-dacabeça pendurado na viga do teto. “Este chute foi excelente, Petra. Você pode sentir a diferença quando sua força vem de seu núcleo?” A menina de treze-anos balançou a cabeça, a boca em uma linha de determinação. O saco cheio de lona era mais alto, mais largo e muito mais ameaçador do que a esbelta adolescente — mas um amasso ainda mostrava onde seu pé havia atingido. Perfeito. Anne se moveu para a próxima garota que estava treinando com movimentos de bloqueiode-socos com outra garota. Gina tinha dezessete anos, bonita, um metro e cinquenta e sete centímetros, e construída como uma amazona. Ela franziu a testa para Anne. “Qual é o problema, Gina?” “Não importa o que eu faça, um cara iria simplesmente me achatar. Isto é, totalmente, uma perda de tempo.” Hmm. “Se você pensa assim, você definitivamente vai perder.” Talvez a equipe precisasse mostrar filmes de mulheres mais capacitadas — incluindo alguns com mulheres lutadoras. Em combate, a atitude mental era tão importante quanto a habilidade. A risada áspera de Nolan chamou a atenção das garotas. Ele e Beth tinham se aproximado o suficiente para ouvir o comentário de Gina. Duas das adolescentes mais novas se afastaram dele, mas o resto continuou a praticar, tendo visto o grande empreiteiro trabalhar nos edifícios. Irritada com a interrupção, Anne colocou as mãos nos quadris. “Algo engraçado, Nolan?” “Essas meninas nunca te viram lutar?”

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Anne fez uma careta. Na verdade, elas não tinham. Ela tinha demostrado técnicas, mas luta real? Não. E ela pegou o ponto de Nolan. As meninas precisavam da convicção do fundo-dosossos de que uma mulher poderia eficazmente usar os punhos e se defender. “Você acha que ajudaria se Anne e eu lutássemos?” Beth perguntou. Nolan sorriu para sua submissa. “Doçura, você já percorreu um longo caminho, mas ela achataria você.” Seu olhar negro atingiu Anne. “Luta comigo.” Suspiros e protestos sussurrados percorreu a sala, aquecendo o coração de Anne. Suas alunas se preocupavam com ela. Apesar de ter sido muito insultuoso a forma como elas assumiam de que ela iria perder. “Vamos nessa. Venha para um impacto médio.” Depois de entregar a Gina seu relógio, Anne abriu caminho para a área coberta com tapetes grossos de piso e se afundou em uma posição de prontidão. Nolan tirou o cinto e anel de casamento, depois as botas e meias. Com rosto impassível, ele atacou imediatamente. Um direto em direção a seu rosto — ligeiramente amplo —testando sua rapidez. Ela o bateu de lado e seguiu com um soco no plexo solar com potência suficiente para fazer um ponto. Ela se abaixou sob seu revés de retorno, bateu em suas costelas, e continuou girando, usando o impulso como uma varredura de pé. Ele girou de pé e a pressionou impiedosamente dessa vez com uma enxurrada de umdois-três de socos que ela bloqueou enquanto avançava. Uma das meninas arquejou. Dentro de sua guarda, ela o empurrou para trás — para abrir sua postura —e acertou o joelho contra suas bolas suavemente. Ele congelou e soltou uma risada. O murmúrio, “Mistress,” foi apenas para seus ouvidos. Ela sorriu e ergueu a voz. “O que acontece quando meu joelho bate em suas bolas?”

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Ele continuou o jogo e gemeu, as mãos cobrindo a virilha. Ela agarrou seu cabelo espesso e puxou sua cabeça para baixo o suficiente para mostrar a facilidade com que seu rosto poderia encontrar seu joelho. Voltando-se para sua classe, ela disse; “Se você puder, sempre fuja. Se você tiver que lutar e ter um homem abaixo, então é inteligente incapacitá-lo, dando-se tempo para escapar. Vocês já viram filmes em que a mulher derruba o cara mau — mas ele a alcança antes que ela chegue à porta?” Mãos se levantaram por todos os lados. “Exatamente. Dê esse golpe extra para que ele fique lá.” Sentindo o movimento de Nolan, ela girou a tempo de bloquear sua esquerda, em seguida, usou o movimento de bloqueio-de-soco que ela tinha acabado de lhes ensinar. Então bateu o punho em seu intestino forte o suficiente que ela ouviu seu grunhido. Ela se desviou do retorno, um soco de volta, e lhe entregou um soco cuidadosamente puxado em direção a sua garganta. Para sua surpresa, ele seguiu — nada como Nolan — e caiu, mãos na garganta. Ela fingiu um pontapé em seu joelho. “Os joelhos são alvos maravilhosos. Agora, eu sei que ele não vai se levantar tão cedo.” Duas meninas estavam torcendo; o resto estava silencioso. Anne as verificou. Algumas estavam um pouco pálidas. A maioria tinha expressões atentas como se estivessem absorvendo a lição. Com um leve sorriso, Nolan se apoiou em um cotovelo. “Você já as deixou ver o quão duro você pode socar?” Mais uma vez, ela não tinha. Depois de um segundo, ela percebeu que tinha ficado preocupada de que as crianças já tinham testemunhado muita violência. Mas, ele estava certo. Elas precisavam saber que as mulheres podiam fazer isso, como também levar. 227


Ela se inclinou, ofereceu uma mão a Nolan e o puxou de pé. No saco de areia, ela deu alguns socos leves para medir a distância, depois trabalhou através de batidas sólidas de um-dois antes de passar para pancadas e combinações de socos que destruiriam o joelho de um homem antes de quebrar seu pescoço. Ela terminou com um potente pontapé-para-trás que teria acertado o fígado do pobre bastardo perto de fraturar sua coluna vertebral. Quando ela se virou, todas as meninas estavam assobiando e gritando. Bem. Bom o bastante. Seu olhar encontrou Gina. Com lágrimas nos olhos, a menina deu um firme aceno de cabeça para Anne. Ela estava nisso. “Tudo bem então. Classe dispensada.” Anne seguiu Beth e Nolan para o pátio interno. Rodeado pelos edifícios de dormitórios, salão de jantar, lavanderia, salas de aula e salas de reuniões, o centro gramado tinha um parque infantil e mesas de piquenique espalhadas. Beth e Nolan escolheram uma mesa de canto. “O que foi?” Anne se sentou em frente a eles. “É a Gretel.” Beth empurrou o cabelo para trás e se recostou em Nolan. “Seu marido a localizou ontem.” Inferno. Inferno. Fúria subiu tão rápido que Anne sentiu seu controle oscilar. Depois de sofrer anos de abuso, Gretel foi embora quando seu marido destruiu o bolo de Feliz Aniversário Mamãe pelos 50 Anos que sua filha tinha assado. Tendo seus filhos e netos em Tampa, ela teimosamente se recusou a mudar, esperando que uma ordem de restrição fosse dissuadir o marido. Ela tinha ficado no abrigo por um mês — e as crianças tinham lamentado quando a vovó bondosa se mudara para sua nova casa. Com esforço, Anne empurrou sua raiva de volta. “Ela está bem?” “Ela vai ficar bem,” Nolan disse. “O bastardo estava bêbado.”

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“Ele a viu no estacionamento de um shopping e a atacou. Ela foi pega de surpresa,” Beth disse. “Ele a acertou no rosto. A derrubou. Quebrou um par de costelas. Mesmo de costas, ela manteve a inteligência e o chutou nas pernas.” Nolan deu um aceno de respeito. “Ele deu um passo atrás, e ela o atingiu com o spray de pimenta preso no chaveiro.” “A polícia o prendeu,” Beth acrescentou. Anne franziu o cenho quando ela percebeu que sua amiga estava tremendo. “Beth —” Nolan já estava passando um braço ao redor de sua submissa, puxando-a para perto. “Anne, Gretel disse para lhe dizer que, graças a suas aulas, ela sobreviveu.” “Ele está na prisão agora.” A voz de Beth parecia tensa. “Quanto tempo ele vai ficar lá? Caras como este não param.” Quando ela baixou o olhar para as mãos, seus ombros se curvaram como se para se proteger. Anne podia ver que ela estava se voltando para dentro, para as lembranças de seu próprio abuso. Para as cicatrizes que ela ainda carregava. “Beth,” Nolan rosnou. Deus, Beth. Os olhos de Anne formigavam com lágrimas quando ela alcançou sobre a mesa e segurou a mão trêmula de Beth. Homens de merda. “Eu juro, Nolan, eu gosto de você, e ainda assim, há dias em que eu quero sair e castrar cada homem em cada cidade de todo o mundo.”

***** Enterrada e sufocada em memórias brutais, Beth ouviu Nolan, mas foi a voz de Anne — fria como gelo, e ainda cheia de raiva — que atravessou seus medos e acendeu um fogo para queimar o passado.

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Puxando uma respiração profunda, Beth se inclinou para seu Mestre, que tinha provado repetidamente que ele poderia ser confiável. Seu olhar encontrou os olhos furiosos de Anne, e ela ofereceu, “Eu tenho uma tesoura de poda. E alguns cortadores de raminhos também.” Nolan bufou uma risada. “Essa é minha garota.” Alívio, bem como orgulho encrespou sua voz profunda. “Eu estou bem,” Beth disse para ambos, encorajada pela preocupação deles. “Você está muito mais do que isso.” Anne apertou a mão de Beth, um olhar feroz em seu rosto. A Domme era totalmente tão protetora quanto Nolan. Se alguém ameaçasse uma mulher ali, sua amiga lutaria ombro-a-ombro com os Mestres. E Beth iria malditamente bem se juntar a eles, mesmo que estivesse tremendo em seus tênis. A abertura da porta de admissão do prédio chamou sua atenção, e ela observou enquanto uma advogada do abrigo saia, seguida por uma mulher de trinta anos. “Esta é a área comum,” disse a advogada, acenando para o quintal gramado. A nova mulher estava mancando, cansaço e dor evidente em cada passo. Seu rosto estava preto e azul; o pescoço e braços exibiam pequenas cicatrizes redondas. Queimaduras deliberadas de cigarro. Beth sabia, muito bem, qual a sensação. Dois meninos, cerca de seis e quatro anos, seguiam as mulheres. Quando a advogada foi em direção ao centro do pátio, o menino mais jovem parou e se sentou com as costas contra a parede. Beth franziu a testa. A mãe — se era isso o que ela era — nem uma vez olhou para trás para verificar seus filhos. A advogada era relativamente nova, por isso podia ser perdoada, mas alguém deveria cuidar das crianças. Como podia uma mãe não notar que seus pequenos não estavam lá? O menino mais velho viu seu irmão e abandonou a turnê também.

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Pobres bebê. Beth sacudiu a cabeça. Pelo menos ela não tinha sofrido abuso até que ela era adulta. O quão horrível seria descobrir a violência tão, tão jovem. Ao mesmo tempo, Anne começou a se levantar. “Eu vou cuidar deles.” Beth sorriu para ela. “Eu aprendi a carregar subornos.” Usando o joelho de Nolan como alavanca, ela se empurrou de pé. Lentamente, ela foi em direção às crianças. Eles eram tão pequenos. Bermudas desbotadas e camisetas rasgadas revelavam braços e pernas finas-como-palitos. Seus cabelos estavam sujos e emaranhados. E contusões marcavam suas bochechas e mandíbulas, braços e pernas. Na aproximação de Beth, eles se curvaram como se estivessem tentando desaparecer na parede como minitartarugas. “Ei.” Parando a uma distância não ameaçadora, Beth se sentou na grama. De pernas cruzadas. Vêem, eu não posso persegui-los rapidamente, se vocês precisarem escapar. “Eu sou Beth. Vocês estão com sede. Querem um pouco de suco de maçã?” Sem esperar por resposta, ela puxou duas pequenas garrafas da bolsa. Depois de puxar as fitas isolantes, ela abriu as tampas. Os recipientes ainda estavam frescos e frios, embora o gelo tivesse desaparecido. Ela ofereceu uma garrafa. Depois de uma longa hesitação, o mais velho pegou. Observando-a com cautela, ele tomou um gole... E seu rosto se iluminou. “É bom,” ele sussurrou para seu irmão, que cuidadosamente, como um cachorrinho aterrorizado, aceitou a outra garrafa. Ambos beberam avidamente. A cada poucos segundos, seus grandes olhos castanhos se voltavam para verificar a mãe. “Devo tentar adivinhar seus nomes?” Beth perguntou, sorrindo ligeiramente. “Talvez John? Ou Adam?” “Uh-uh,” disse o mais novo. “Oh céus. Hum, Greg? Horace? David? William?” Cada nome os tinha sacudindo a cabeça — e os músculos menos tensos. 231


“Eu sou péssima em adivinhar nomes,” ela admitiu, franzindo o rosto. “Peter Pan? Clark Kent? Homem de Ferro?” Rindo, o mais novo não conseguiu mais segurar. “Ele é Grant. Eu sou Connor.” “Oooh, esses são nomes legais.” Os meninos eram adoráveis. Uma dor puxou seu coração. Graças ao dano que ela havia sofrido durante o casamento, ela nunca poderia ter um bebê... E, oh Deus, ela realmente queria filhos. “Grant e Connor, é um prazer conhecê-los.” “Doçura.” A voz com sotaque-do-Texas de Nolan veio por trás dela — embora ela soubesse que ele estava se aproximando pela forma como as crianças haviam se moldado na parede. “Nós precisamos ir.” Ela olhou para o relógio e fez uma careta. “Certo.” Enquanto os meninos observavam Nolan com terror mal disfarçado, ela se inclinou para frente e sussurrou: “Ele é meu Homem de ferro. Ele me salvou de um cara mau, e agora ele me mantém segura, e ele não vai deixar ninguém me machucar. Isso é o que os heróis fazem, sabia?” Os olhos deles se arregalaram. Um pouco — não todo — do medo desapareceu e foi substituído por admiração. “Vejo vocês na próxima vez que estiver aqui,” Beth prometeu e deixou Nolan puxá-la de pé. “Nolan, estes são Grant e Connor.” Nolan acenou solenemente. “Homens. Foi um prazer conhecê-los.” Conforme Beth atravessava a porta, ela ouviu Grant sussurrar em maravilha, “Ele nos chamou de homens.”

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Capítulo Dezesseis Carregando uma pequena cesta, Ben abriu a porta da frente. Quando Bronx liderou o caminho para dentro da casa, Ben sorriu; seu espírito subindo. O carro de Anne estava estacionado na garagem abaixo, de modo que ela estava em casa. O último par de semanas — desde que o relacionamento deles tinha progredido para o nível Magnum 44 — estava sendo uma revelação. Ele nunca tinha conhecido uma mulher que pudesse preencher a vida de um homem tão completamente. Fazê-lo tão feliz. Eles eram bons juntos. Ele sabia disso. Cozinhar, levantar pesos, boxe e luta livre, correr na praia, assistir ao noticiário — mesmo que ele fosse relegado para o chão, às vezes — ler em voz baixa. Tudo era mais divertido com ela ao seu lado. Até mesmo a merda da escravidão era na maior parte legal. Anne estava lentamente lhe ensinando o que ela precisava dele e ele estava melhorando — embora ela reprovasse bastante que suas massagens conduziam inevitavelmente a uma rodada saudável de foda. Ele tinha tentado explicar que, quando ela ficava toda Mistress em sua bunda, ele conseguia um inferno de um tesão. Não era culpa dele que ela era tão malditamente sexy, certo? E não ter que se preocupar com preservativos significava que eles podiam foder em qualquer lugar. E faziam. Conforme Ben seguia Bronx através da cozinha, ele olhou para as bancadas impecávels. Tendo passado pelo básico, ele não tinha nenhum problema com limpeza. Ele preferia as coisas arrumadas, embora ela não tivesse uma grande propensão por limpeza. E ele estava ficando muito bom nessas coisas de higiene pessoal, agora que ela tinha desistido de tê-lo fazendo suas unhas dos pés ou como diabos esse procedimento era chamado. 233


Pintar paredes era uma moleza, mas com suas grandes mãos, tentar pintar uma unha do pé do tamanho de uma ervilha tinha se transformado em um completo desastre. Ele tinha descoberto que Anne podia rir como uma garotinha. Ele sorriu com a lembrança. Maldição, ela era uma gracinha, às vezes. Em seu papel de Mistress, ela estava levando as coisas devagar. Tomando cuidado com ele. Como a maneira como eles não estavam encenando no Shadowlands, embora ambos tivessem trabalhado na semana passada. Na primeira, ele se perguntara se ela estava com vergonha de ser vista com ele, mas ao invés, ela havia notado que ele não estava muito... Confortável... Com ser um escravo em público. Ele sentira como se a tivesse decepcionado, mas parecia que a reação dele não era incomum. Ela disse que estava tudo bem manter as coisas no privado, por enquanto. A preocupação dela com seus sentimentos e saúde continuavam a surpreendê-lo. Ei, era ele que deveria estar fazendo tudo por ela. Então, tê-la planejando mudanças, porque ele era um maricas sensível era... Fodidamente incrível. Além disso, ele gostava da bolha que eles tinham criado — uma com apenas eles dois dentro. Especialmente por que a fofoca sobre a Mistress e o guarda de segurança estava, sem dúvida, correndo solta através da comunidade tipo-cidade-pequena do Shadowlands. Inferno, depois da reunião em grupo dos veteranos na semana passada, Z tinha dito a Ben para ligar se ele tivesse perguntas ou quisesse conversar. Perguntas? Certamente. Querer conversar? Não. Com o rabo abanando freneticamente, Bronx esperou impacientemente enquanto Ben puxava a porta traseira de tela aberta. Lá estava ela. Incrível como a visão de uma pessoa especial realmente poderia fazer o coração de um homem saltar uma batida.

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Sentada na varanda, Anne estava de frente para o parapeito. Uma corda grossa marromescura pendia do trilho superior. Os fios tinha nós aqui e ali e terminavam em um rolo em seu colo. Contas de madeira vermelhas estavam empilhadas em um lado. Ela se virou ao som da corrida de Bronx através da plataforma e viu Ben. “Vocês estão em casa!” Ele gostou pra caralho a forma como seus olhos se iluminaram. Ela empurrou a corda do colo para abraçar Bronx. “Vocês terminaram mais cedo.” Depois que Bronx se enrolou ao lado dela, Ben colocou a cesta ao lado dela, desceu em um joelho, e pacientemente esperou que ela indicasse que queria um beijo. Ela sempre queria um beijo — ele sabia — mas ele estava tentando ser um escravo obediente. Isso o irritava algumas vezes, quando ele queria agarrá-la para um longo abraço. Ela arqueou as sobrancelhas e ao invés de lhe dar permissão tocou seu rosto com a ponta dos dedos. Quando os dedos pousaram em sua testa, ele percebeu que estava franzindo a testa. “Benjamin. Eu tenho a impressão que,” — ela estava falando com tanto cuidado quanto ele teria navegado em uma rua de Bagdá, sem saber que um monte cheio-de-lixo poderia conter explosivos — “talvez, servir como um escravo não seja o que você realmente quer. Isto pode não ser um bom —” “Não.” Ele interrompeu antes que ela pudesse terminar. “Não, Mistress, eu estou onde pertenço.” Na casa dela, ao seu lado, no seu coração. Talvez partes do serviço fosse um saco, como usar um jockstrap53 minúsculo, mas estar com ela era fodidamente mais do que ele tinha imaginado. A tristeza aparecendo nos olhos dela poderia quebrar seu coração. “Eu tive escravos, meu tigre. Eu acho que você está desconfortável.” “Um pouco, sim.” Ele pegou sua mão para pará-la. “Eu sou novo nisso, e ser um escravo não era como eu me via. Mas aqui é onde eu quero estar.” 53

Um suporte ou protetor para os genitais masculinos, usado principalmente por atletas.

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Ela olhou para seus dedos que tinham engolido os dela. Maldição, se ele a deixasse pensar, ela falaria em deixá-lo ir. Enquanto o olhar aguçado dela não estava em seu rosto, ele empurrou com toda a determinação que anos de missões poderiam gerar. “Eu estou feliz como seu escravo. Isto é o que eu quero.” Quando ela colocou a outra mão sobre a dele e olhou para cima, ele sabia que ela tinha aceitado o que ele havia dito. Mais ou menos. Um pequeno sulco ainda vincava sua testa. “Eu não tenho certeza, tigre. Verdadeiros escravos são impelidos tanto a abandonar o controle quanto a servir. É uma necessidade e uma alegria para eles — e é doloroso quando eles não podem. Mas, com você, eu não vejo —” “Eu tenho tido flashbacks,” ele a interrompeu rapidamente. Quem diria que uma história de PTSD viria a calhar? Mas se tornou um inferno de uma desculpa. “Eles têm me deixado na borda. É isso o que você está vendo.” “Oh, não.” Ela soltou sua mão e tomou seu rosto entre as palmas. “Você deveria me dizer essas coisas. De que outra forma eu posso ajudar?” “Sim, minha Senhora,” ele disse em voz baixa. Graças a Deus de foda, que ela tinha comprado isso. Enquanto se abaixava para sentar ao lado dela, ele achatou a culpa sob uma bota pesada. Sim, estava sendo difícil, mas isso era problema dele. Ele pegaria o jeito, e tudo daria certo. Não havia necessidade de ela se estressar sobre suas lutas, ou cortar o vínculo e liberá-lo para seu próprio fodido bem. Era assim que ela via isso. Ela cuidava dele melhor do que ele próprio. Quando ela encontrou seus lábios e se apoiou nele, ele se deleitou com a sensação de ser amado. Voltar para casa para ela era... Era o que cada soldado no mundo sonhava. Todas aquelas longas e solitárias noites no exterior haviam lhe ensinado a valorizar esses momentos. Sim, era disso que se tratava. 236


Lábios macios, coração cuidado. Ele suspirou quando ela se afastou. Ela levantou a cesta ao seu lado e olhou para isso. “Caramelos?” “Feliz Primeiro de Maio, Anne — Mistress.” Ela pareceu surpresa, depois encantada. “Mas que escolha perfeita. Nos últimos dias, eu tive ânsias de caramelo.” Depois de rasgar a embalagem, ela enfiou um na boca. Seu zumbido baixo de prazer o deixou duro. Inferno, tudo sobre ela o deixava duro... O que significava que ele passava muito tempo semi-excitado. Não era possível ser saudável. Então, novamente, ele nunca tinha tido tanto sexo em sua vida, então, talvez, tudo estivesse equilibrado. Quando ela pegou outro doce, ele olhou para a grade. “O que é com a corda? Você está planejando algum tipo colorido de escravidão?” Sua risada travessa o lembrou das notas baixas em seu saxofone. “Escravidão?” Ela passou a mão pela corda atada. “Só se você gostar de ser amarrado na vegetação. Na verdade, isso supostamente seria uma surpresa para você.” Cuidadosamente, ela enfiou um fio através de um cordão atado e três fios por baixo. Por que isso parecia familiar? Vegetação... Ele sorriu. “É para pendurar plantas. Macramé?” “Mmmhmm. Você tem todo aquele espaço aberto no armazém e mais vegetação do que suficiente. As plantas spider54 e trepadeiras ficariam deslumbrantes se penduradas nas vigas alta.” Ele precisou de um minuto para se mover depois da constatação de que ela havia pensado nele e passado um monte de tempo criando algo só para ele. Maldição. Sim, este era o lugar onde ele pertencia. “Ben?”

54

Uma planta da família do lírio que tem folhas longas e estreitas com uma listra amarela ou branca no centro, nativa do sul da África e popular como planta de casa.

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“Desculpa. Eu me distraí.” Ele visualizou seu espaço no armazém. “Você está certa. As plantas penduradas vão ficar fantásticas. Obrigada.” E ele tinha uma porrada de plantas. Ele havia adquirido algumas para estudar a luz sobre as folhas e continuou comprando quando elas fizeram seu armazém estéril e austero parecer mais como uma casa e menos como um quartel ou deserto. Podia ser que ele tivesse se excedido. Talvez ele devesse trazer algumas para cá, se ela tivesse espaço. Ele olhou em volta e não viu... Nenhuma. “Por que você não tem nenhuma planta?” “Não tenho, não é mesmo?” Ela olhou em volta inexpressivamente, como se esperando ver alguma planta. “Acho que nunca pensei sobre ter alguma.” Assim como ela nunca tinha pensado em ter um gato ou um cão? No entanto, a mulher adorava Bronx e passava horas trabalhando com as crianças no abrigo e cuidando do bebê de Z. Aparentemente, até mesmo Mistresses brilhantes tinham pontos cegos em suas próprias vidas. Sem esperar pela merda da permissão, ele apoiou as costas contra a grade, a levantou, e a colocou no colo. “Benjamin.” Sua voz tinha um aviso. Tendo perdido o contato, Bronx levantou e se enrolou contra as pernas de Anne. Mais uma vez. “Anne.” Ele correu os dedos por seus cabelos. “É hora de deixar sua infância ir. Hora de perceber que você tem uma enorme necessidade de cuidar de coisas. Pessoas e animais. Até mesmo plantas.” “Eu não —” “Você era uma criança. E perdeu animais de estimação que você amava. Foi arrancada de seus amigos.” Inferno, ele podia ver a tristeza em seus olhos.

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“Isso ferrou com você.” Ele não era um Dom para criar uma cena e curar a alma de uma pessoa. Ele só podia colocar para fora o que pensava. Mas, além de um ponto cego ou dois, Anne era uma das pessoas mais inteligentes e racionais que ele conhecia. Não importava o quão ruim fosse dito, ela pensaria sobre suas palavras. O olhar dela caiu para onde Bronx tinha se deitado contra suas panturrilhas. “Você está tentando evitar se machucar novamente. Eu entendo. O problema é que você não está permitindo ninguém nem nada em sua vida.” Ele apertou os braços em volta dela, desejando poder afastar qualquer coisa que pudesse magoá-la para sempre. Mas isso não era vida. “Você me mostrou que a resposta adequada ao presente da vida é vivê-la.” Ela estava perfeitamente imóvel, de cabeça baixa. Anne nunca baixava a cabeça. Medo secou sua boca, destruindo o que ele tinha planejado dizer. Mas quando o silêncio continuou, ele esfregou o rosto no topo de sua cabeça. Porra, ele sabia como ela se sentia, querendo se esquivar da dor... Como agora, a ideia de perdê-la era uma lâmina em sua garganta. E então ele soube o que mais deveria dizer — porque, dor ou não, ele nunca se arrependeria de nem um momento que passava com ela. “As pessoas, e animais, e plantas vão deixá-la, mas,” — ele puxou uma respiração lenta — “a alegria de tê-los, por um tempo, vale a pena o sofrimento.” Músculo por músculo, ela relaxou contra ele. Pensando. Pensar era bom. Eventualmente, ela puxou sua própria respiração profunda e olhou para ele. “Você está certo.” Seu sorriso era triste. “Eu não tinha percebido o quanto era estranho considerar nunca sequer possuir um animal de estimação até que mamãe mencionou isso na semana passada. Mas evitar plantas também? Isso é simplesmente absurdo. Acho que eu realmente tenho medo de ser ferida de novo.”

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“Sim.” Ele entendia o porquê. Sob a calma diante da indiferença, Anne tinha o coração mais carinhoso do mundo. Seus pais não deveriam ter visto o quanto ela sofria com cada perda ou eles teriam sido mais cuidadosos. Ela o lembrava uma faca de vidro. Incrivelmente afiada, e ainda assim assustadoramente vulnerável ao ser abalada. E ela puxava cada instinto protetor que ele tinha. Mas, como com seus companheiros de equipe, ele não podia lutar suas batalhas. Ela teria que avaliar os riscos e decidir se deveria ou não avançar. Ele beijou seus lábios e os sentiu tremer. “Parece que se conscientizar disso seja a maior obstáculo. E você já começou a mudar. Bronx e eu estamos aqui, afinal.” Ao ouvir seu nome, Bronx se sentou... No caso de alguém sentir a necessidade de administrar umas pancadinhas. Anne nunca empurrava a bola-de-pelos para longe — e não o fez agora, mesmo enquanto piscava para conter as lágrimas. Embora ela derramasse seu calor para crianças e animais, ela era mais cautelosa com as mulheres — e malditamente cuidadosa com os homens. Mas não com Ben. Não mais. Sua confiança era uma das melhores vitórias que ele já havia alcançado. Com esforço, ele relaxou seu aperto. “Enquanto você tece as cordas, que tal eu preparar o jantar?” “Na verdade, eu tenho marinada de frango.” Ela sorriu e ele viu a Domme escorregar no lugar. “Eu vou cozinhar; você vai fazer a limpeza.” Não era exatamente uma provação. Ela cozinhava muito melhor do que ele. “Sim, minha senhora.” Na sala de estar, ele estudou o esquema de cores branco e azul claro. Parecia-lhe que violetas africanas ficariam muito bem aqui.

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***** Um par de horas mais tarde, Anne saiu para a varanda, enquanto Ben limpava a cozinha. Ele fingia odiar esfregar panelas e estava resmungando. Infelizmente para ele, ela sabia que ele estava simplesmente fazendo um show. Realmente, o homem não se importava. Ao contrário dele, ela lavava enquanto cozinhava. Por outro lado, ele podia fazer um completo desastre em uma cozinha. Ela sorriu. Ela na verdade, achava satisfatório criar ordem a partir do caos. Limpar não a incomodava em nada... Embora ela nunca tivesse compartilhado essa informação com seus escravos. Seus dedos correram pelo saxofone conforme a paz do crepúsculo caía sobre ela. O sol era uma linha amarela brilhante no horizonte. Assemelhando-se a foguetes em miniatura, skimmers55 pretos voavam logo acima das ondas douradas. A maré estava subindo, e o soar das ondas silenciavam na praia de areia. Erguendo o sax, ela umedeceu a palheta e testou um conjunto errante de notas. Com um quadril no corrimão, ela deixou rolar uma lista interna e se encontrou tocando “As Time Goes By56“. Como uma chuva suave, as notas se derramavam sobre sua cobertura e se juntavam à noite. Uma música lenta, mas não triste. Isso a lembrou que os fundamentos da vida; viver, amar e morrer, era os mesmos de geração em geração. Que a vida podia mudar para melhor. Ela estava mudando, assim como seu mundo. Ou talvez ela deveria chamar isso de crescer, ao invés de mudar.

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Ave marinha que voa rápido e longo relacionada com as andorinhas do mar que se alimenta voando baixo sobre a superfície da água com seu bico estendido e a mandíbula inferior afiada imerso 56 Canção escrita por Herman Hupfeld em 1931 que tornou-se internacionalmente famosa em 1942 quando cantada pela personagem Sam (Dooley Wilson) no filme Casablanca https://www.youtube.com/watch?V=zaaqze81y4y

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Quando a música entrou no refrão, ela ouviu Ben dizer algo para Bronx na cozinha. O cão ganiu uma resposta, e a grande risada de Ben retumbou. Ele era mesmo um cara. Ele tinha sido tão cuidadoso com ela esta tarde. Não empurrando, mas não parando antes que tivesse mostrado seu ponto. Às vezes, sua força interna era um pouco desconcertante. Todos os seus escravos a queriam no comando, queriam que ela assumisse o controle de tudo. Mas Ben não precisava de sua orientação. Ao mesmo tempo, ele não desmoronaria se ela mostrasse alguma fraqueza, e por causa disso, ela podia relaxar perto dele. Mas aquela obstinada necessidade dele de ser durão — de esconder qualquer fraqueza — era um problema. Ela deveria ter notado que ele estava tendo flashbacks. Mas agora ela sabia, e ela poderia levá-lo a falar sobre seu passado. Ela ia mimá-lo, mantê-lo perto, e garantir que ele tivesse um bom sono. Ele havia dito que dormia melhor em sua casa. Com ela. Ele gostava de estar com ela. A constatação disso era... Incrível. Esmagadora. Ela sentia o mesmo e muito mais. Ele enchia sua vida. E a aquecia. Com um floreio lento, ela terminou a canção e começou outra. Uma que vinha crescendo em seu coração durante a semana passada, com o conhecimento, a preocupação, o temor. “When I Fall in Love57“. A música fluiu, a aflição de sua alma se fundindo com as notas. Ela queria fugir. Para afastá-lo. E ela não tinha. Ben, eu te amo. O conhecimento era terrível e maravilhoso. Por algum tempo, no entanto, ela saboreou o presente, e então ela ia partilhar. Luz banhou a varanda, e lá estava ele, enchendo a porta tão completamente quanto fazia em seu coração. “Eu estava te ouvindo tocar.”

57

Canção popular romântica, escrita por Victor Young e Edward Heyman, introduzida no filme One Minute to Zero, cantada por Jeri Southern na primeira gravação lançada em abril de 1952 https://www.youtube.com/watch?V=gfab0gnpy6s

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Seus olhos castanho-dourados seguraram os dela enquanto ele sorria lentamente. “Mistress, pode este submisso arrastĂĄ-la para a cama?â€?

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Capítulo Dezessete No dia seguinte, Anne atravessou os jardins privados de Z e Jessica e subiu correndo os degraus até o terceiro andar. Ela bateu na porta. Jessica gritou, “Está aberta. Entre.” A porta estava destrancada? Estava. Franzindo a testa, Anne passou pela cozinha, deixou a pasta sobre a mesa da sala de jantar, e entrou na sala de estar. Z a havia redecorado um tempo atrás. A decoração ainda era tradicional — é claro — com tetos altos, janelas em arco, com um bronze e lustre de vidro jateado. As paredes cor de cappuccino, iluminadas com moldagem e acabamento brancos, criavam uma aparência íntima e convidativa. O carpete tinha sido substituído por um tapete oriental ricamente sombreado ao longo de um piso de madeira brilhante. Jessica estava cuidando de Sophia no sofá de couro escuro almofadado-com-camurça. Gabi estava sentada em uma cadeira correspondente nas proximidades. “Jessica...” Anne olhou para a pequena loira. “Você pode viver no campo, mas realmente deve manter as portas trancadas.” Gabi bufou. “A mesma palestra que dei a ela. Mas nós sabíamos que era você. Nós te vimos quando abriu o portão do jardim, e Jessica abriu a porta remotamente.” Ela apontou para um pequeno monitor na ponta da mesa. Anne olhou para aquilo. “Isso é novo?” “Um amigo do Z de São Francisco passou por aqui.” Jessica fez uma careta para o dispositivo. “Simon não só deu a Z um inferno pela falta de segurança aqui em cima na área

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residencial, como também convocou um de seus empregados para instalá-lo. Ele o chamou de um bebê presente.” “Droga.” Anne afundou em uma cadeira. “Você acabou de tirar toda a diversão da minha reprimenda.” “Aff. Pobre Mistress,” Gabi disse. “Você tem sorte de eu só bater em machos — com exceções ocasionais,” disse Anne suavemente. Quando a subbie não pareceu preocupada, Anne balançou a cabeça. Havia uma desvantagem de ser amiga de submissas. Dada a escolha, ela aceitaria amigas a qualquer dia. Quando Jessica continuou de cara feia para o monitor, Anne perguntou; “Você não está feliz com a segurança?” “Oh, eu estou feliz que seja mais seguro para Sophia, mas todos esses alarmes e botões me deixam nervosa. Eu tenho que me lembrar de desligar o alarme antes de abrir uma porta e reprogramá-lo quando saio, e blá, blá, blá.” Jessica revirou os olhos. “Z queria instalar um quando me mudei, aí eu disse que ia voltar se ele o fizesse. Mas com Sophia agora, ele insistiu.” “É claro que sim.” Ninguém era mais protetor do que Z. “Eu deveria colocar um em minha casa, na verdade. Estar em um beco-sem-saída com apenas a família por perto dá uma ilusão de segurança que não é realmente válida.” “Nós temos um sistema. Eu sou totalmente a favor de segurança extra,” Gabi disse. “Você seria, oh, pessoa FBI,” Jessica disse, então sorriu para seu bebê, que tinha adormecido. “E por você, bebêzito, eu vou me acostumar com isso.” Depois de organizar sua roupa, ela colocou Sophia para arrotar e se levantou, indo em direção ao berçário. “Uh-uh,” Anne estendeu os braços. “Eu trouxe aquelas verificações de antecedentes que Z queria. O preço é um carinho de bebê.” Com uma risada, Jessica lhe entregou a filha.

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Anne aconchegou o bebê perto. Tão adorável. Logo abaixo da boquinha rosada, uma pequena bolha de leite decorava seu queixo. Jessica entrou na cozinha, retrucando de volta, “Você sabe que uma vez que as verificações de antecedentes eram um pedido de Z, o pagamento deveria vir dele.” “Você é contadora. A última vez que verifiquei, esta criança era metade de seu Mestre, então vou segurar apenas a metade do Z. Seria o lado esquerdo?” Anne acariciou a bochecha esquerda de Sophia, inalando o doce cheiro infantil. “Você deveria ser advogada.” Jessica voltou com uma água com gás, que ela colocou junto ao cotovelo de Anne antes de cair no sofá. “Você está com uma aparência boa, mamãe,” Gabi disse. “Não quase tão cansada quanto algumas semanas atrás.” “Esta mini-Domme de fraldas aí está dormindo mais tempo a cada vez. Finalmente.” Jessica fez uma careta. “Estou de volta ao normal, mas Z não consegue ver isso.” “O que ele não está te deixando fazer?” Gabi perguntou. “Deixando não é a questão. É o que ele não está... Hum, fazendo.” Jessica corou. Gabi pareceu confusa, mas o rosto vermelho de Jessica disse a Anne o que Z não estava... Fazendo. “Não é um pouco cedo para começar a fazer sexo?” “Ooooh, sexo,” Gabi disse, esclarecida. “Bem, a parteira disse que a data em que nós poderíamos retomar as ‘relações conjugais’ é variável. Basicamente, eu tenho que esperar pelo menos quatro semanas, e até eu me sentir pronta, e até que a dor pare. Isso está tudo bem. Mas o médico obstetra;” — Jessica revirou os olhos — ”disse um período de seis semanas, e tem apenas um pouco mais de cinco. É claro, Z está dando ouvidos ao cara com as credenciais grandes.” “Ei, ele está indo pela rota conservadora. Ele é loucamente protetor de você, mesmo se isso significa que ele vai ficar sem,” Gabi disse. “Estou impressionada. Quem já ouviu falar de um cara recusando sexo, especialmente uma vez que provavelmente já faz um tempo?” 246


“Mais do que um tempo.” Jessica cruzou os braços sobre o peito e fez beicinho. “Eu sinto falta de sexo. Eu sinto falta de ser abraçada. E eu sinto falta da coisa Dominante/submissa também. Ele está me privando de tudo.” Z era muito protetor de sua submissa, e mais alguns dias de abstinência não deveria importar tanto assim. “É só mais uma semana,” Anne disse suavemente. “Então você pode ter tudo de volta.” “Acho que sim. Talvez.” Jessica sacudiu a cabeça. “Mas eu estou ficando tão furiosa com ele que quando a semana acabar, eu posso lhe dizer para ir se foder.” Balançando Sophia, Anne considerou sua amiga mais de perto. Nem um pouco relaxada. Os músculos tensos, a boca comprimida, os lábios trêmulos com os punhos cerrados. As emoções de alguém estavam por um fio. “Ui. Muito hormonal, hem amiga?” Gabi trocou de lugar e foi se sentar ao lado de Jessica, enrolando um braço em volta de seus ombros. Os olhos de Jessica marejaram. “Eu realmente estou. Mas eu preciso dele. E da intimidade. É mais do que sexo entre nós e... Eu preciso dele.” “Mas ele está preocupado que possa te machucar.” Anne franziu os lábios, considerando. Ela pensou em seus sentimentos quando ela e Ben faziam amor — porque amor era o que sentia atualmente. Se ele alguma vez a recusasse, se para seu próprio bem ou não, ela se sentiria terrivelmente rejeitada. Ter duas opiniões médicas divergentes era de enlouquecer; no entanto, os critérios da parteira pareciam mais sensatos do que algum número arbitrário definido em pedra. Talvez ela pudesse dizer a Z que Jessica estava especialmente vulnerável agora? “Deixeme falar com ele e —” “Não!” Jessica sacudiu a cabeça com veemência. “Se ele me foder porque você disse a ele para fazê-lo, então seria como... Como se fazer amor comigo fosse um medicamento que ele tem que tomar. Uma obrigação.” 247


Anne bufou uma risada. “De qualquer jeito, eu duvido que ele fosse ver isso dessa forma.” “Mas eu iria.” Os ombros de Jessica caíram. “Ele só deve não me quer o suficiente. Eu não quero você lhe dizendo que ele tem que fazer amor comigo.” Oh, isso não era nada bom. Os amigos nunca poderiam convencer uma mulher que seu marido ainda a achava atraente. “Anne, você é a profissional aqui no sentido de conseguir que os caras façam o que você quer que eles façam. Talvez se você desse alguns conselhos a Jessica?” Gabi disse, o braço em torno de Jessica. “Sedução 101?” Manipular Z. Para seu próprio bem. Considerando o quão frequentemente ele se intrometia em todos os assuntos dos membros — para o próprio bem deles — a ideia era bastante irresistível. Seus lábios se curvaram. “Ele vai estar em casa para o jantar?” Jessica assentiu. “E Sophia vai dormir por algumas horas? Ou pelo menos, não vai precisar se alimentar por um tempo?” Outro aceno de cabeça. Os olhos de Jessica se iluminaram. “Desde que eu não tenho que trabalhar até mais tarde esta noite, eu posso tomar conta da diabinha.” Como se isso fosse uma dificuldade. “Nós vamos balançar e ler em um dos quartos do segundo andar.” “Você vai ficar entediada,” Jessica protestou. “Eu sempre tenho um livro na minha bolsa. Apenas me dê o saco de fraldas, e você terá duas horas livre do bebê.” “Isso seria ótimo,” Jessica disse. Então, seu rosto nublou. “Mas ele ainda não vai —” “Agora, isso é o que eu acho que você deve fazer... Considere isso um ganha-ganha, uma vez que mesmo se ele não colaborar você goza.”

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***** “Jessica?” Zachary chamou calmamente, não querendo acordar o bebê — ou sua esposa — se elas estivessem dormindo. Ele jogou o celular numa pasta sobre a mesa da sala de jantar e procurar. A sala estava vazia. Zachary abriu a porta do quarto principal e ouviu uma música suave. As cortinas estavam fechadas, e a única luz vinha das velas perfumadas ao redor do quarto. Jessica estava parada aos pés da cama, usando um waist cincher58 preto com ligas, meias arrastão pretas, saltos... E nada mais. Todo o sangue em seu corpo desceu para seu pênis. Seu cabelo loiro brilhante, ainda mais do que quando ele a conhecera, caía sobre seus ombros nus e descia pelas costas, pedindo a mão de um homem. A mão dele. Ela olhou por cima do ombro para ele. “Oh. Ei.” Sua cintura se alargava em seus quadris maravilhosamente cheios, deixando sua bunda redonda e branca em exposição. Os dedos dele se curvaram, já sentindo a pele lisa contra sua palma. Ele teve que limpar a garganta antes que pudesse falar. “Ainda temos que esperar mais uma semana.” Ela fungou. “Isso é de acordo com o médico homem que nunca teve filhos. Porque ele não tem nenhuma parte feminina. Minha parteira, com quem eu conversei hoje, já me liberou para o sexo desde que eu não esteja sentido nada.” “Certamente.” Antecipação acelerou o pulso de Zachary mesmo enquanto ele mantinha o tom uniforme. Ele tinha em seu poder duas diferentes opiniões médicas. Ambas as fontes — MD59

58 59

Um tipo de corset mais curto, tendo sua pressão focada apenas na região da cintura. Doutor em medicina

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e parteira — eram respeitadas autoridades. Por mais que quisesse sua esposa, ele não correria o risco de machucá-la. Ela já tinha sido machucada o suficiente. As lembranças de seu trabalho de parto ainda estavam demasiadamente claras, e, não importava o quão irracional fosse, ele se sentia tão culpado como se ele próprio tivesse lhe causado toda aquela dor terrível. Estranho como ele podia assistir a um sádico trabalhar em uma masoquista sem se preocupar, mas ver sua esposa — sua submissa — sofrer tanto que ela tinha até gritado o tivesse abalado até os ossos. Ele balançou a cabeça com a lembrança. “Eu vejo,” ela retrucou. “Bem, sem problema, Mestre. Desde que você não vai me deixar brincar com seu pau, eu vou encontrar um dos meus próprios.” Na cama, ela pegou um... Dildo. E um vibrador. “Jessica.” Sua voz saiu um rosnado. “Não se preocupe; Eu verifiquei,” ela disse. “Quando liguei para Fay, ela me disse que eu poderia me manter tão feliz quanto eu quisesse.” Segurando seu olhar, ela virou o vibrador, segurou-o contra o clitóris, e... Gemeu. Na subida repentina de luxúria dele, todo o quarto borrou fora da existência por um segundo. Dane-se se ele — Seu telefone tocou na sala de jantar. Jessica acenou com a mão para ele. “Vá. Eu não preciso de você.” Mesmo sabendo que suas palavras eram baseadas em sua própria raiva, elas ainda doeram. Ele hesitou, considerado ignorar o telefonema. Ele não podia. “Tenho um paciente que está sendo admitido no hospital, carinho. Tenho que entregá-lo corretamente e dar um relatório. Eu volto em poucos minutos.” Ela estalou um “tudo bem” em um tom que significava que estava tudo, menos bem. Seu corpo gritou um protesto quando ele saiu da sala. 250


Demorou apenas dois minutos para dar ao médico da admissão um resumo. Ligar para o obstetra e pressioná-lo levou mais tempo. Mas, quando Zachary lhe disse que Jessica não estava mais sangrando e que a parteira tinha dado ok para o sexo, o médico deu seu aval também. “Excelente. Obrigada.” Quando Zachary desligou o telefone, ele teve que baixar a mão e ajustar seu pênis esticado. Provavelmente tinha sido há um par de décadas desde que ele tinha ficado por mais de uma semana sem sexo. Ele sentia falta de tocar e segurar. Sentia falta da forma como Jessica se rendia sob suas mãos. Da forma como o sexo com ela era uma afirmação da alegria. Do amor. Ele olhou para o monitor de bebê quando entrou no quarto. Nenhum ruído de lá; Sophia deveria estar dormindo. E o único som no quarto era o vibrador cantarolando lá longe. Sua teimosa pequena esposa não tinha estado blefando. De olhos fechados, ela tinha as mãos em sua buceta enquanto estava deitada na cama com as pernas abertas. O vibrador descansava em seu estômago. Seus dedos estavam escorregadios enquanto ela brincava com ela mesma, aplicando-se o vibrador em intervalos para chegar ao fim. Ele observou por um minuto. Ele nunca tinha visto nada tão puramente sedutor quanto sua mulher fazer amor consigo mesma. Ele tinha amado seu corpo redondo antes que ela ficasse grávida. Quando ela estava grávida. E agora também. Se qualquer coisa, seu desejo por ela só tinha crescido. “Jessica.” Ela abriu os olhos. “Eu liguei para o médico. Ele —” “Ele pode ir para o inferno.” Seu rosto estava ficando o vermelho claro de uma loira enfurecida. “Gatinha, o médico disse —” 251


“Eu não dou a mínima. Eu não dou a mínima para nada do que você vai dizer também, seu-seu Dom imbecil.” Ela pegou o vibrador e o atirou violentamente. Nele. O brinquedo picou sua palma quando ele o pegou. “Agora enfia isso no seu cu,” ela sibilou como a gatinha que ele a chamava. Quando se aproximou da cama, ele pôde sentir sua raiva bater nele. E então isso foi substituído pela sensação de perda que ela sentia... Pelo sentimento de que ela tinha ido longe demais com suas palavras e ações. Que ela havia destruído o que eles tinham. Que ela o havia perdido. Perdê-lo nunca ia acontecer. A crença dela de que meras palavras poderiam separá-los mostrava seu fracasso como um Dom. “Já chega, gatinha.” Ela sentou na cama e o encarou. Seu cabelo estava solto e se tornou uma conveniente coleira quando ele o envolveu pela mão. Ele usou isso para inclinar sua cabeça para trás para poder tomar sua boca e calar mais insultos. Depois de um segundo de luta, ela... Rendeu-se. Tão completamente que ele sentiu seu peito apertar com uma dor doce. Os lábios dela eram quentes, e suaves, e entregues. Ainda segurando seu cabelo, ele ergueu suas mãos, um por um, ele chupou seus dedos, desfrutando do sabor almiscarado tentador. Quando a beijou novamente, ela enrolou os braços em seu pescoço, e ele pôde sentir suas outras emoções desaparecerem sob uma urgência crescente. O vibrador bala ainda zumbia longe ao lado dela, ele percebeu. E seria uma pena desperdiçar recursos disponíveis. Então, antes de fazer qualquer outra coisa, ele ia remover a frustração sexual que tinha lhe causado aquela tempestade emocional — e também aproveitar a oportunidade para lembrá-la de que seus orgasmos vinham a critério dele.

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Quando ele colocou o vibrador na palma da mão dela, desespero encheu seus olhos... até que ele cobriu a mão dela com a dele e moveu o brinquedo para seu boceta. Quando as vibrações atingiram o clitóris, seu corpo ficou tenso. Muito bom. Sem pressa, segurando-a no lugar por seus cabelos, ele a beijou, mesmo enquanto controlava sua mão, direcionando a bala para um lado de seu clitóris, depois o outro. Quando ela começou a ofegar, seus quadris se levantaram para atender o estímulo. “Eu te amo, Jessica,” ele murmurou. “Eu amo vo —” Ele moveu a mão para definir o vibrador no topo de seu clitóris e... Pressionou. Seu pescoço arqueou. “Aaaaah.” Embora ele nunca se esquecesse de como ela ficava deslumbrante quando gozava, cada vez ainda parava seu coração.

***** Quando seu pulso desacelerou, Jessica abriu os olhos... E encontrou os cinzentos de Z. Ele soltou seu cabelo. Ele não estava sorrindo. E ele a estava estudando de uma forma que enviou sua pulsação disparada novamente. Ela engoliu em seco. “O quê?” “O que, de fato.” Sua voz era baixa. Ameaçadora. Pesarosa. “Pelo que me lembro, você jogou um vibrador em mim.” Seus lábios se curvaram. “Você me chamou de nomes sem ter a desculpa de estar em trabalho de parto.” Ainda completamente vestido, ele se sentou na beirada da cama. “Além disso, você tentou me manipular a fazer o que você queria, e não o que eu achava que era certo.”

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Uh-oh. Anne tinha advertido sobre sua provável reação. “Muito poucos homens podem resistir a ver uma mulher tendo prazer por suas próprias mãos. A diferença aqui é que, uma vez que Z estiver pensando, ele vai entender completamente que você estava no topo do fundo. Você pode não gostar do que vier a seguir.” Ela poderia ter se dado bem se tivesse feito o que Anne tinha sugerido. O problema era que ela tinha ido mais longe. Tinha zombado dele. Depois, tinha perdido a paciência e gritado com ele. E jogado um brinquedo nele. Incapaz de encontrar seus olhos, ela baixou o olhar. Ela tinha tentado empurrá-lo para fazer sexo — e ela sabia muito bem que ele não queria. Podia nunca mais querer. O que seria afinal? Lágrimas encheram seus olhos. Ela era uma vaca e — “O que diabos você está pensando?” Com uma mão em seu peito, ele a empurrou de costas. Quando ela lutou para se sentar, ele agarrou seus pulsos com a mão direita e colocou seus braços acima da cabeça. “Pare!” Ela lutou. “Não faça isso. Eu não quero que —” “Jessica. Pare.” O comando em sua voz profunda e rica a parou completamente. Segurando seu queixo em uma mão, ele correu o polegar por seu rosto molhado. Piscando para conter mais lágrimas, ela olhou para ele. O que havia de errado com ela? Fazer birra por não conseguir o que queria? E culpar Z? Ele só estava tentando protegê-la. Ele tinha se privado também. E, como sua submissa, ela tinha deixado as rédeas nas mãos dele. Isto era dificilmente se submeter a ele. “Sinto muito,” ela sussurrou. “Eu também,” ele disse com voz nivelada. “Primeiro, você deve saber que eu liguei para o médico — e ele concordou que nós poderíamos retomar as relações sexuais a esta altura.” Ela fechou os olhos por um segundo quando humilhação a invadiu. Ele tinha tentado lhe dizer, e ela tinha gritado e lhe atirado coisas. Maravilhosamente maduro, menina. Sem dúvida, ele estava irritado. 254


“Agora que você já não pode me apedrejar com brinquedos sexuais,” ele disse com voz seca, “talvez possamos conversar razoavelmente.” Uh-oh. Ela tinha um mau pressentimento sobre — “Eu posso entender sua raiva. Mas, gatinha,” sua voz ficou suave “ o que fez você chorar?” “Nada.” As sobrancelhas dele se juntaram. Mentir era um desastre e uma grave ofensa na opinião de Mestre Z. “Quero dizer, eu estava apenas frustrada.” O olhar dele não vacilou. Ele obviamente não acreditava nela. Isto era intolerável. As lágrimas começaram novamente quando suas defesas ruíram. “Eu sei que você não me quer mais, e eu me senti —” “O quê?” Quando ele olhou para ela, infelicidade revestia seu rosto. Miséria a encheu. Agora ela o fizera se sentir mal, e ele não tinha feito nada de errado. Isso tudo era culpa dela. “Gatinha,” ele disse suavemente. “Eu não acredito que tenha havido um momento desde que nos conhecemos que eu não te quis. Eu sei que você não gostou de sua aparência carregando um bebê, mas eu achei que nós dois tínhamos conseguido passar por isso.” Oh Deus, por que ela tinha que ser tão insegura? “Você fez; nós fizemos.” Porque durante os meses de gravidez, ela tinha visto a si mesma aos olhos dele, visto o quanto ela estava bonita com o filho dele crescendo dentro dela. Quanta admiração ele sentia. “Mas, agora...” Ela mordeu o lábio, incapaz de continuar. Com a mão em sua bochecha, ele levantou seu rosto. Seu calor infiltrando-se nela; o controle nele minando sua resistência. “Conte-me.” “Eu não estou mais carregando um bebê, e eu estou imensa e... E flácida e —”

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Ele balançou a cabeça tristemente, depois pegou sua mão e a colocou sobre a virilha. Em sua ereção muito, muito, muito grossa. “Parece como se eu não te quisesse?” Calor a varreu enquanto ela o acariciava. Ela o queria dentro dela, queria — O olhar dele encontrou o dela e oh, meu, ele ainda estava no modo-Mestre. “Há quanto tempo você vem se preocupando com isso?” Ele perguntou, de forma demasiadamente suave. Ela engoliu com dificuldade. “Desde que...” Desde o dia em que viu seu estômago no espelho depois que Sophia nasceu. “Há um tempo agora.” “Eu. Vejo.” Lentamente, ele ergueu suas mãos e as prendeu acima de sua cabeça novamente. Os dedos fortes segurando facilmente ambos os pulsos. “Será que tínhamos um acordo de que você me diria quando estivesse se sentindo insegura?” “Sim,” ela sussurrou. “Mas você estava me afastando.” Sua raiva queimou de volta à vida. “Você não estava sequer me abraçando à noite.” “Verdade. Eu não estava.” Ele então riu. “Jessica, eu precisava de você tão mal que temia tomá-la em meu sono.” Z não mentia. Z nunca mentia. Um coquetel inebriante de calor e alívio se infiltrou em suas veias. Ele não estava tentando se afastar dela. Com um meio sorriso, ele acariciou seu rosto. “Tudo certo. Isso nos dá um ponto de partida.” Partida. Partida não soava bem. “O que você quer dizer?” Casar-se com um psicólogo tinha sido uma péssima jogada. O que ela estava pensando? “Nós vamos continuar falando sobre suas preocupações. Eu diria que o longo período sem qualquer intimidade tornou seus medos piores do que poderiam ter sido.” Ela pôde apenas assentir. “Contudo, eu quero um relatório diário de você pelo próximo, digamos, mês.” Quando ela começou a franzir o cenho, os olhos dele escureceram e virou sua força de vontade em mingau. “Mas, eu não gosto de registro em diário.” 256


“Eu sei, carinho. Vamos dar um jeito. Talvez uma planilha. Cores-coordenadas, com um sistema de classificação. Como você se sente sobre seu corpo. Como você acha que eu te vejo. Uma escala de um a dez anos. Com notas do lado.” Hmm. Isto é manejável. Ela poderia totalizar os resultados e medi-los semanalmente e fazer um gráfico para acompanhar se... Os olhos dele tinham se iluminado com diversão. “Você está rindo de mim.” “Na verdade, eu estou amando você,” ele disse suavemente. “E fico feliz de ter minha Jessica de volta.” “Oh.” Quanto mais ela poderia amá-lo? O beijo começou suave e se tornou forte o suficiente que ela podia ver que ele realmente tinha estado se segurando. E não é que isso era um avanço? Ela puxou as mãos, querendo tocá-lo. Ele a soltou, mas endireitou fora de seu alcance. Segurando seus braços, ele a sentou na cama. Ela o olhou, confusa. “O que há de errado?” Em vez de responder, ele abriu sua gaveta de cabeceira e retirou um... Um mini-flogger com fios de sete polegadas. Oh, não. Certamente, o pequeno chicote parecia totalmente inofensivo, mas não se sentia tão inocente em algumas partes tenras... Como uma boceta. “Para que isso? Estou sendo punida?” Ela protestou. “Antes que tudo possa fluir harmoniosamente, temos alguns acertos de conta a fazer — pensar nisso como uma obstrução em um leito de um rio.” Ele lhe entregou o chicote e rolou a manga direita até passar o cotovelo antes de esticar o braço em direção a ela, antebraço à mostra. “O que você está fazendo?” Ela recuou.

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“Desde que não vou te deixar em qualquer lugar perto de meu pau com um chicote, eu quero que você bata em meu braço. Você vai continuar até que você tenha me dado um bom conjunto de vergões.” O coração dela caiu direto para seu estômago, e não de um jeito bom. “Não.” Não, não, não. “M-Mestre, eu não posso.” “Você pode e vai. Com sorte, da próxima vez, eu vou ouvir as palavras que você não está dizendo. Ou você vai confiar em mim o suficiente para dizê-las. Eu falhei com você como seu Mestre,” ele disse gravemente. “Você não fez isso,” ela sussurrou. Em resposta, ele bateu no antebraço. “Agora, por favor.” Sua primeira tentativa mal acariciou a pele e lhe rendeu um olhar inflexível. A segunda não foi muito melhor. Os lábios dele se curvaram ligeiramente. “Nós vamos continuar com toda a noite, se necessário, carinho.” A sensação de sua força a envolvendo fez seus olhos marejarem. “Eu te amo, Mestre.” “Eu sei, gatinha.” Ele olhou para o braço e arqueou as sobrancelhas. Ela bateu. Ao som cruel dos fios batendo na pele, ela se encolheu. “Mais forte.” Assim, para terminar logo com isso, ela deu mais três com toda a força que podia. “Mais — exatamente como essas.” Enquanto batia mais três vezes, ela estava chorando. “Continue.” Seus olhos estavam cegados pelas lágrimas, mas nada podia calar o bofetão dos fios contra a pele. Finalmente, finalmente, ele pegou seu pulso e puxou o chicote de sua mão. Braços fortes a envolveram enquanto ele a puxava contra o peito forte. 258


Ela se virou para ele, escondendo o rosto em seu ombro, chorando tão violentamente que quase não conseguia respirar. Ela tinha batido nele; machucando-o. “Tudo terminado. Você foi bem, pequena.” Ele estava envolvido em torno dela, o rosto sobre sua cabeça, balançando-a suavemente. Tornando seu mundo novamente certo. Nunca, nunca me obrigue a fazer isso de novo. E, no entanto, mesmo enquanto encharcava sua camisa com lágrimas, ela percebeu que sua raiva com a forma como ele tinha ouvido o médico em vez dela tinha se dissolvido. Lentamente, seu choro diminuiu para respirações estremecidas. Ele beijou o topo de sua cabeça e se endireitou. Mas quando ele penteou seu cabelo fora do rosto molhado, ela viu os vergões vermelhos horríveis correndo por seu antebraço e começou a chorar novamente. “Pobre carinho.” Ele a puxou de volta em seus braços. Depois de um minuto, ela notou que ele estava rindo... E acariciando seu seio. Ela o empurrou para trás. “Z!” Uma sobrancelha arqueou — desacompanhada de um sorriso. Ela gaguejou. “Quero dizer, Mestre, você-você —” “Isso soa melhor. Acho que vou desistir de amordaçá-la, assim você vai poder me implorar livremente.” “Implorar? Pelo quê?” “Por misericórdia. É sua vez de ser punida, gatinha.” Oh Deus, ele estava totalmente no modo-Dom. Sob seu olhar cinza, um desejo escuro escoou pelo sangue dela, e seus mamilos empinaram para picos latejantes. Suas mãos foram impiedosas quando ele a achatou de costas e prendeu seus pulsos na cabeceira da cama. Ele posicionou uma almofada sob seus quadris e prendeu seus joelhos amplamente abertos, usando as correias ligadas-à-cama. Perto da beirada da cama, sua boceta

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ficou inclinada para cima... E aberta. Ar soprou em suas dobras, enfatizando o quanto ela estava úmida. Como se para mostrar isso, ele se inclinou e circulou um dedo em torno de sua entrada e sobre o clitóris, que ainda cantarolava de seu orgasmo. “Bonita e excitada. Infelizmente, estar molhada vai tornar sua punição pior, eu receio,” ele disse em um tom sério. “Punição — aí?” Usando aquele maldito flogger? “Você não faria isso.” A determinação em sua mandíbula lhe disse que seus protestos seriam ignorados. Ele pegou o pequeno chicote de couro. “Jessica, olhe para mim.” A carícia em sua voz profundamente ressonante revestia uma borda de aço. Ela levantou o olhar para ele. “Eu te amo, minha cabecinha quente. Eu te amo o suficiente para te dar o sexo que você quer — e o controle que você precisa.” E com isso, ele bateu os fios com força sobre o interior de sua perna esquerda e direita. Suas pernas sacudiram quando a batida queimou sua pele delicada, e ela gritou. Ele passou a mão sobre as leves marcas vermelhas, o toque terno em desacordo com a dor. Segurando seu queixo com uma das mãos, ele prendeu seus olhos com os dele. “Jessica, isso vai doer. É punição, não prazer. Quero que você aceite a dor em silêncio.” Seus olhos transbordaram de lágrimas — e alívio. Nenhuma raiva se mostrava na expressão dele, apenas determinação. Ele não deixaria nada nem ninguém estragar o que eles tinham juntos. Se ele a deixasse provocá-lo a se comportar como ela queria, ela ficaria no controle. E ela não queria isso, assim como ele. “Sinto muito,” ela sussurrou. “Eu sei pequena. Eu também.” Depois de beijá-la com ternura, ele recuou. Quando ele levantou o chicote, ela viu os vergões que ela tinha deixado nele. Ela rangeu os dentes. Ela ficaria em silêncio e tomaria parte do castigo que ambos compartilhavam. 260


E então, ele continuou. Com infinito cuidado, ele açoitou suas coxas, movendo-se em incrementos dolorosos de cima das tiras do joelho em direção a sua virilha. Ai, ai, ai. Ele pausava tempo suficiente para a picada se registar, para ela puxar uma respiração pelo nariz, e... Para ela antecipar o próximo golpe. Suas mãos estavam apertadas e algumas lágrimas deslizavam por seu rosto. Mas ela não tinha feito nenhum som. Ele colocou o chicote de lado. “Você foi muito bem, gatinha, nesta parte. Estou orgulhoso de você.” A aprovação em sua voz começou a afrouxar o nó de culpa. Depois de se sentar na ponta da cama entre suas coxas ardentes, ele examinou as marcas. “Bonita e rosada. Devemos nos certificar de que sua boceta corresponda às suas pernas, não devemos?” “Deus, não. Não, não, não.” Sua garganta entupiu com uma mistura de desejo e medo absoluto. Ela tentou fechar as pernas — mas ninguém fazia escravidão melhor do que Mestre Z. Ela não podia mover nem um centímetro. O conhecimento no fundo-dos-ossos de que ele podia fazer o que quisesse a transformou em geleia. O dedo explorando suas dobras deslizou dentro com um som traiçoeiramente molhado. O puro prazer de seu toque íntimo a fazendo gemer. Ele não sorriu — mas os cantos de seus olhos plissaram. Então, oh Deus, ele se curvou e deslizou a língua sobre seu clitóris. Já sensível, o nó de nervos queimou para vida quando a língua o sacudiu, depois esfregou levemente... Em contraste direto com como ele havia empunhado o chicote. O dedo dentro dela aumentou para dois, movendo-se em impulsos de giro lento. Seus músculos começaram a apertar quando a necessidade de gozar amplificou. Ela choramingou, tentando se mover, mas não podia. 261


Afastando, ele se levantou. “Desde que sua punição ainda não acabou, você deve ter uma distração para a próxima rodada.” Abrindo a gaveta, ele pegou o brinquedo que ela amava e odiava em partes iguais — o plug anal vibratório. “Nããão.” Ignorando-a, ele o lubrificou e estabeleceu o plug em sua entrada traseira. Quando seu aro franziu em recusa, ele bateu de leve em sua coxa dolorida. “Empurre, Jessica.” Ela nunca tinha sido capaz de desafiá-lo quando ele usava aquele tom baixo e de comando. Nunca. Seus músculos afrouxaram. O plug deslizou no lugar com um ligeiro ploc, e seu ânus se fechou em torno da parte mais estreita antes da grande flange. Uma palma quente pressionou contra suas nádegas. “Seu corpo é meu, Jessica. Não é?” Dele. E ele deliberadamente tinha tomado posse de sua área mais privada para reforçar essa realidade. Os olhos cinzentos seguraram os dela com a inflexibilidade de ferro forjado. A sensação de derretimento em sua barriga não era nova, mas de alguma forma toda a cama pareceu estar afundando no chão. Ela era dele. Para sempre. “Sim, Mestre,” ela sussurrou. “Muito bem.” Ele ligou o interruptor e se levantou. As vibrações começaram, excitando seu rabo e boceta, enviando desejo cintilante ao longo de suas terminações nervosas. Seus quadris tentaram se levantar de novo, e ela gemeu quando nada se moveu. Enquanto a observava, os lábios dele se curvaram em um leve sorriso. “Você é tão bonita.” Quando ele a olhava com tanto calor nos olhos, ela se sentia bonita. E amada. Olhando para ele, vulnerável e aberta, ela sorriu seu amor de volta.

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“Essa é minha submissa,” ele murmurou. Ele se inclinou e acariciou seus seios em doloridos montes... E o quanto era maravilhoso ter as mãos dele sobre ela novamente. Agarrando seu cabelo com a mão livre, ele a beijou, longo e lento. Quando ele levantou a cabeça, ela estava pronta para — “Vamos acabar com isso. Prepare-se, carinho.” Ele pegou o chicote de boceta. Oh Deus, não. Seu corpo se contorceu como se pudesse se mexer para o topo da cama — e os lábios dele tremeram. Para seu espanto, ele se ajoelhou novamente, entregando batidas urticantes no interior de suas coxas. Os golpes não eram tão potentes dessa vez, mas oh, ela já estava dolorida. As pancadas avançaram até suas pernas. Ela sabia que ele não ia parar quando atingisse o ápice. Seus músculos tencionaram quando o flogger se aproximou de sua boceta. Entretanto, de alguma forma, seu clitóris pulsava com necessidade. E aquele plug anal estúpido continuava vibrando, enviando sua excitação mais alto. As batidas atingiram um pouco abaixo de sua boceta de um lado, depois o outro. Então ele estalou os fios para cima, contra os grandes lábios esquerdos. O choque do beliscão repentino a fez ofegar. Ela lutou para fechar os joelhos, mesmo enquanto ele entregava o próximo golpe em suas dobras direitas. Seus braços estavam totalmente amarrados, suas pernas abertas, não havia nenhum jeito de evitar o que quer que ele quisesse fazer. O Compassivo... Inflexível... olhar dele encontrou o dela quando ela puxou contra as restrições. O chicote golpeou suas dobras, evitando seu clitóris. Uma e outra vez, os impiedosos fios de couro bateram nela até que toda a área queimava. A dor era suportável e ainda muito, demais. “Você vai discutir os problemas comigo abertamente. Honestamente.” Ele pontuou a declaração com um golpe mais forte, e ela lutou inutilmente, ainda presa.

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“Sim, Mestre.” Lágrimas encheram seus olhos de dor, pelo conhecimento de que ela o havia irritado, pela pura necessidade de tê-lo abraçando-a. O próximo golpe desceu sobre seu monte — no alto rechonchudo — enquanto ele criava um anel de carne queimando. No centro estava seu clitóris. O cerne extremamente sensível parecia como se estivesse se encolhendo — ainda cheio de sangue, pulsando e antecipando a dor. Mestre Z a observou se contorcer e puxar nas restrições. “Não, você não pode se libertar, Jessica. Você vai ter o que eu quero te dar.” O timbre rico de sua voz acariciou sobre ela, outra restrição à sua própria maneira, fazendo-a ver e sentir exatamente o quanto ela estava exposta. O quão impotente. E o quanto ele gostava. Mais dois golpes atingiram seu monte, impiedosamente, banhando-a em calor líquido que era quase dor. Era além da dor. Ele se inclinou e lambeu em seu clitóris, arremessando-a, quase, quase em um clímax. Todo o ardor, as vibrações, tudo se unindo em suas profundezas. Sua pele se encharcou de suor. Então ele se endireitou. O flogger batendo contra suas dobras abaixo, seu monte acima, e vice-versa. Dobras, monte. Uma pausa que pareceu interminável fazendo seu pulso disparar em seus ouvidos. Ele se moveu. E os fios cruéis atingiram seu clitóris. Direto. Em. Seu. Clitóris. Dor explodiu para cima, roubando seu ar com o choque. Seu centro apertou para baixo... E fogos de artifício explodiram dentro dela. Suas costas arqueando quando prazer ricocheteou através de cada nervo em seu núcleo antes de reverberar para fora em ondas de pura sensação. Suas vísceras contraíram e espasmaram, apertando ao redor do plug vibrando em sua bunda e aumentando de intensidade. Oh, oh, oh. 264


“Olhe para mim, Jessica.” Ela conseguiu abrir os olhos. Olhos escuros prenderam os dela enquanto uma mão calejada e poderosa cobria sua boceta, segurando a queimadura e o prazer... Enviando-a de novo. “Esta boceta é minha, carinho. Você acha que pode se lembrar disso?” Ela mal o ouviu através do rugido de seu pulso. Ofegando, ela conseguiu apenas acenar. “Muito bom.” Ele abriu a calça, apoiou um joelho na cama, colocou o pênis em sua entrada, e pressionou contra seus tecidos inchados e escorregadios. Com sua bunda já ocupada, o eixo penetrando sua boceta parecia impossivelmente enorme quando ele a tomou. Firmemente. Inescapavelmente. “Ooooh, Deus.” Seu corpo não conseguia parar de gozar enquanto ela se esticava em torno dele. A espessura aumentando as sensações do plugue anal até que o pênis pareceu estar vibrando também. Toda sua metade inferior espasmando com prazer requintado. Ele estava dentro dela, seu corpo musculoso pressionando-a para baixo, um braço ao lado de seu ombro, o outro segurando seu rosto para que ele pudesse vê-la. “Você se sente muito, muito bem, Jessica,” ele disse em voz baixa — e nenhuma mentira estava em suas palavras ou seu olhar. Ele ainda a queria. O conhecimento foi inebriante. Maravilhoso. Enviando-a em espiral em uma fonte de alegria. Ela queria abraçá-lo, senti-lo, ser ancorada antes que flutuasse para longe. Ela puxou nos laços que prendiam seus braços acima da cabeça. “Por favor, Mestre, eu posso te tocar?” O rosto severo suavizou, e ele alcançou e soltou as algemas de pulso com uma mão. Seus braços foram ao redor dos ombros dele. Oh, ela tinha sentido tanta falta de tocá-lo, sentido tanta falta de seu peso sobre ela. Acariciando suas costas, ela sentiu os músculos de ferro se agrupar e relaxar enquanto ele se movia. Mais. Ela mexeu os joelhos contidos e olhou para cima em um apelo tácito. 265


Seu sorriso brilhou, quase rápido demais para ela ver. “Não, pequena. Você vai ficar espalhada e aberta e não vai me negar nada.” Apenas aquelas palavras a fez apertar por dentro. Deliberadamente, ele aumentou o ritmo, o eixo grosso se dirigindo profundamente com cada impulso. Seu ritmo era implacavelmente potente, e ela sentiu seu corpo se reunir novamente em um orgasmo docemente rolante. “Essa é minha gatinha.” Ele agarrou seu rosto, segurando-a para um beijo possessivo e penetrante, tomando sua boca como a tomava abaixo. Sob seus dedos, os músculos apertaram, e então ele se dirigiu mais fundo, mais fundo, e ela pôde sentir os espasmos de seu pênis no mais íntimo dos compartilhamentos. Os olhos cinzentos nunca deixaram os dela. “Eu te amo, Jessica. Nunca duvide disso.” “Eu te amo, Mestre,” ela sussurrou, puxando-o para mais perto e se deixando derivar. Algum tempo depois, ela percebeu que ele a havia limpado, soltado, e agora estava colocando-a em cima dele. Com mãos firmes, ele a moldou perto, sem a menor barreira entre eles. Ela podia ouvir as batidas lentas do coração dele; sua respiração subindo e descendo com a dele; seu perfume masculino a cercando. E ela deu um pequeno suspiro de perfeito contentamento. Em todo o universo, este era o seu lugar feliz.

***** Duas horas tinham quase se passado, então Anne não se surpreendeu ao ouvir passos no corredor fora do quarto que ela tinha escolhido. Ela levantou os olhos do livro.

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Z entrou pela porta, usando seus jeans pretos habituais e camisa preta com as mangas arregaçadas. Seu cabelo estava molhado de um banho, e seus olhos tinham as pálpebras pesadas de satisfação. Jessica tinha ganhado o dia. Ele estudou Anne silenciosamente, o rosto ilegível. “Minha submissa não tem um osso desonesto em seu corpo,” ele disse finalmente. “Eu não testei sua lealdade, perguntando, mas acho que o conselho veio de você ou Gabi.” Oh. Droga. Se imiscuir nos assuntos de outro Dom era considerado grosseiro. Ajudar uma submissa a manipular seu Mestre? Especialmente quando o Mestre era Z? Múltipla ofensa. Reconhecidamente, ela esperava que Z não fosse descobrir que ela tinha dado a Jessica mais do que serviços de babá, mas ela sabia das possíveis consequências se ele descobrisse. “Eu lhe dei a sugestão.” Seu olhar ficou sobre ela. “Você teve uma razão. Poderia sabê-la?” Ele a conhecia bem, sabia que intromissão não era seu estilo. “Isso é algo que você deve discutir com sua submissa.” Um canto da boca dele levantou. “Nós fizemos. Mas sua interferência é entre você e eu, Dominante para Dominante. Explique, por favor.” “As conversas dela com você não foram bem sucedidas.” Depois de um segundo, Anne acrescentou diplomaticamente; “Na verdade, eu não achava que esperar mais uma semana não era razoável para ter certeza de segurança.” Ele assentiu. “No entanto, após o parto, as mulheres não são especialmente razoáveis. Ela disse que precisava não só do sexo, mas também da intimidade e a troca de energia que vem com isso. Parecia que a frustração dela estava rapidamente se transformando em raiva. Dirigida a você.”

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Z esfregou o rosto. “Compreendo. Neste caso, agradeço a... Intervenção... Embora você pudesse simplesmente ter falado comigo ao invés.” “Eu ofereci. Ela recusou a ideia. Veementemente. Você pode perguntar a ela sobre isso.” “Eu vou.” Ele se aproximou e pegou sua filha, aninhando-a perto com um beijo em sua cabeça felpuda. Braços vazios, Anne sentiu o deslizamento lento de inveja. Tomando a mão estendida, ela o deixou puxá-la de pé. Depois de entregar o saco de fraldas de Sophia, ela pegou sua bolsa. Na porta, ela hesitou. “Nós estamos bem?” “Estamos. Obrigada por sua atenção, Anne.” Risos iluminaram os olhos de aço-cinza. “Fico feliz em ver que a Mistress não perdeu seu toque — seu conselho foi bastante eficaz.” “Bom saber.” Quando eles se separaram, Z de volta para cima e Anne para fora, ela decidiu que teria que verificar a reação de Ben se ele visse sua Mistress tomando seu prazer em suas próprias mãos.

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Capítulo Dezoito “Basta por hoje. Venham para dentro,” Ben gritou do pátio de Raoul. Gemidos vieram da dúzia de adolescentes na praia. “Aqui vai, Bronx.” Um menino jogou o Frisbee60 nas ondas. “Vai buscá-lo uma última vez.” Bronx latiu feliz e correu para as ondas. “Estes são bons garotos.” Raoul se juntou a Ben no parapeito. “Estou feliz que todos puderam vir aqui.” Lentamente, relutantemente, os meninos começaram a subir os degraus em direção à casa. Queimados de Sol, areia, sujos. Alguns tinham mais tatuagens do que roupas. Mais piercings do que dinheiro. Alguns pareciam como se tivessem matado seus avós e roubado um 7-11 no caminho de casa. No entanto, quando Bronx empinou fora da água, Frisbee erguido, cada um dos menino aplaudiu. Cada um deu pancadinhas e cocou a cabeça do cão enquanto ele trotava por eles nos degraus. Ben aceitou o Frisbee e bagunçou as orelhas do cachorro. “Obrigada, Bronx. Você foi muito bem hoje, amigo.” Se houvesse cães de terapia para adolescentes infelizes, Bronx seria um naturalmente. Mesmo a criança mais silenciosa tinha florescido sob as atenções do retriever, e o cão tinha se tornado um membro essencial do grupo logo após Marcus ter recrutado Ben. O grupo original tinha sido as crianças do clube de artes marciais de Marcus. O professor lá tinha oferecido a alguns adolescentes em situação de risco aulas gratuitas, esperando que a 60

Um disco côncavo de plástico projetado para voar pelo ar em um jogo ao ar livre ou divertimento.

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disciplina do Karatê fosse beneficiá-los. Marcus tinha começado os passeios, em parte por diversão, em parte para familiarizá-los com várias carreiras. Então, seus amigos tinham entrado. Agora, algumas das crianças trabalhavam na empresa de limpeza de Andrea, alguns na empresa de paisagismo de Beth. Em algum momento ao longo do caminho, Ben tinha sido pego. Há alguns meses, ele tinha levado um punhado para uma galeria de arte e mais tarde em uma expedição de foto. No mês passado, os meninos tinham visitado os escritórios de Raoul para aprender sobre engenharia civil... E para projetar pontes num software de alta tecnologia. Hoje tinha sido simplesmente para se divertirem. Ben tinha gostado também. Crianças eram divertidas — todas elas, desde os terrivelmente pequenos como a Sophia de Z a este monte de agitadores. Ele queria seus próprios filhos, algum dia. Não importava quantos, contanto que o número começasse de dois. Anne não queria sequer animais de estimação em sua vida. Não, isso era incorreto. Ela estava mudando. E, diabos, ele sabia, ela amava crianças. Tal como acontecia com as plantas e os animais de estimação, ela nunca tinha pensado em ter o seu próprio. O quão longe ele poderia empurrá-la antes de bater em uma parede? “Busquem suas bolsas, peguem água, e se alinhem na porta,” Marcus encomendou a partir da sala. Ele contou os garotos enquanto Raoul atirava garrafas de água. “Obrigada, Raoul.” “Obrigada, Bem.” “Foi ótimo.” O coro de despedidas e agradecimentos continuou enquanto os adolescentes saíam pela porta da frente para o microônibus alugado. Sem dúvida, eles festejariam por todo o caminho de volta para Tampa. “Obrigada por ter acolhido a invasão, Raoul.” Marcus parou na porta para manter um olho no ônibus. “Foi um prazer, meu amigo, e uma honra. Aqui — uma para você.” Raoul jogou uma garrafa de água para ele. 270


Marcus pegou. Quando Raoul se dirigiu para a cozinha, Marcus se virou para Ben. “Obrigada por —” “Nem comece com essa merda de agradecimento, Atherton.” Bufando uma risada, Ben cutucou o advogado fora da porta. “Você sabe que eu tenho me divertido tanto quanto eles.” Enquanto Marcus corria para o ônibus, Ben ergueu a mão para os meninos e recebeu de volta uma explosão de aplausos e assobios. E era isso. Ele olhou para o relógio e fez uma careta. Hora de começar a se mexer. Kim estava na cozinha. “Ei, Ben. Raoul foi para o pátio. Ele disse que seus ouvidos estavam zumbindo.” “Percebido.” Ruídos e garotos — inseparáveis. “Você tem uma toalha velha que eu posso usar no Bronx? Ele está coberto de areia, e nós estamos nos dirigindo para os Everglades depois disso.” “É claro. Vou levar uma aí fora.” Quando Ben saiu pelas portas francesas para a parte de trás, ele encontrou Raoul em uma mesa na sombra. De um lado, Bronx estava lambendo a água de um grande chafariz de terracota de pé-alto. Inferno de bebedouro-de-cachorro extravagante. Algo tão bonito ficaria muito bem na cobertura de Anne. Talvez um em cerâmica azul. Ben olhou em volta. “Onde está seu cão?” Raoul sorriu e apontou para debaixo da mesa onde o cachorro de Kim estava esparramado, morto para o mundo. “Pobre bastardo,” Ben disse. “Dá um monte de trabalho proteger, e servir — e brincar — ao mesmo tempo.” “Ele leva suas funções de cão de guarda muito a sério,” Raoul concordou. Em um ponto difícil do relacionamento, ele e Kim tinham terminado. Preocupado com ela estar sozinha, ele havia comprado o pastor alemão altamente treinado para ela. 271


Hoje, embora o cão tivesse brincado na praia com o grupo, Ari tinha permanecido vigilante. Sempre que alguém se aproximava de Kim, o cachorro corria até as escadas para o pátio ... Só no caso. Quem sabia quando algum magricela de quinze-anos poderia perder as estribeiras e colocar a mão em sua senhora, certo? “Se você não estiver com pressa, por favor, junte-se a mim para uma cerveja antes de sair.” Raoul acenou para uma cadeira em frente à mesa. “Eu gostaria de falar com você.” Algum problema com os garotos? A estrada poderia esperar um pouco. “Certo.” Quando Ben se sentou, Kim apareceu com uma toalha. “Obrigada, Kim.” Quando Ben assobiou, Bronx trotou para começar a se limpar. Kim virou-se para Raoul. “Bebidas, Mestre?” “Isso seria bom, gatita, obrigada. Dos Equis61, penso eu, para Ben.” Ele se recostou na cadeira e a estudou. “Vinho para você, se você desejar. Acho que é mais do que merecido para você hoje.” Sob o sorriso apreciativo de seu Dom, Kim corou um vermelho bonito e simplesmente brilhou. Ele baixou a voz e murmurou algo para ela. Sentindo-se como um intruso, Ben se concentrou em limpar seu cão, depois acenou para ele ir pra debaixo da mesa e se juntar a Ari para uma sesta. Quando Bronx se deitou com um suspiro suave, Kim voltou da casa com uma bandeja. Ela entregou uma Stump Knocker62 aberta para Raoul, uma Dos Equis para Ben, e pegou o copo de vinho tinto para si mesma. “Eu provei sua Brooklyn Lager63 no Shadowlands,” Raoul disse. “Dos Equis é tão parecida com ela quanto a que eu tenho na mão.”

61 62

Marca famosa de cerveja fabricada no México. Marca de cerveja fabricada na Flórida/EUA.

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“Boa escolha.” Foda-se se eles sabiam que ele não gostava da cerveja favorita de Raoul — a coisa era tão maltada que era quase preta. Ele levantou a garrafa para ambos os seus anfitriões. “Obrigada.” Balançando a cabeça em resposta, Kim pegou uma almofada de cadeira, colocou-a no chão, e com sua bebida na mão, graciosamente se sentou aos pés de seu Mestre. Como um escravo faria. Ben franziu a testa. Era esse o comportamento que Anne esperava dele? Mesmo com convidados presentes? Se era isso que ela queria, ele faria seu melhor... Mas a ideia fez sua pele arrepiar. “Esse seu jeito...” Raoul bebeu um pouco da cerveja e colocou a garrafa sobre a mesa. “É sobre isso que eu gostaria de falar.” “Você não gosta do meu jeito?” Que porra é essa? Ajudar com os garotos precisava de um jeito melhor? “Não, não. Você está franzindo a testa porque minha sumisita está aqui. Aos meus pés.” Quando Raoul colocou a mão no ombro dela, Kim esfregou o rosto contra seu pulso. Ben se endireitou quando a intenção do Dom se tornou clara. Anne seria o tema da discussão. Como ele poderia recusar educadamente? “Ouça —” “Meu amigo, eu não costumo interferir nos negócios que não são meus, mas você é novo no estilo de vida. Eu estou... Preocupado... Que você possa estar com a cabeça cheia. Como estou familiarizado com as relações Mestre/escravo, talvez eu possa responder a algumas perguntas?” Será que cada Mestre do Shadowlands ia se intrometer em seus assuntos? Ben tomou um gole, tentando ganhar tempo. Porque, talvez, Raoul tivesse razão. Ao longo dos últimos dias, Anne o havia mantido perto. Porque ele tinha... Mentido... Para ela, ela estava preocupada com ele. Ele não podia objetar. Inferno, ainda mais do que o sexo, ele

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É a cerveja carro-chefe fabricada pela cervejaria Brooklyn Brewery de Nova York.

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havia aprendido em suas longas conversas. Ela tinha servido como um fuzileiro naval. Sido implantada. Ela tinha acreditado no que ele estava falando. O problema era, ela era sua Mistress. Ele era seu escravo. E essa... Troca de poder... Nunca mudaria. Ele estava começando a se perguntar se ele realmente poderia fazer essa merda. Para sempre. Mas algumas pessoas podia. Ele colocou a cerveja na mesa e estudou Kim. Ela assentou o vinho ao lado dela e ficou imóvel. Tão calma e tranquila quanto uma pessoa em profunda meditação, mas ela se manteve pronta para o que quer que Raoul possa querer que ela fizesse. Ela era uma escrava. Ben estava disposto a ir tão longe quanto ela? Seu intestino estava dizendo não. “Ela faz isso o tempo todo?” Ben acenou para Kim. “Na verdade, não.” Raoul acariciou seus cabelos. “E sim. Ela gosta da tranquilidade do alto protocolo depois de eventos. E eu queria que você observasse a dinâmica formal Mestre/escravo num ambiente doméstico.” “Mas normalmente vocês não fazem essas... Coisas. Sentar-se aos seus pés e não falar?” Anne tinha começado com a merda formal de protocolo embora. “Kimberly está sempre sob o meu comando, Bem,” Raoul disse gentilmente. “em casa, as regras são soltas para o conforto, então ela é livre para falar, para sentar, para se vestir como ela desejar... A menos que eu deseje o contrário. Muitas vezes eu desejo o contrário. Isto porque, como com a eletricidade, quando a força entre dois polos não é igual, um chiado é criado.” Um chiado, hein? Bom, ele e Anne desfrutam de um excelente chiado no quarto. Mas em outro lugar? Kim estava sentada de olhos fechados, e como seu Mestre a acariciava como um gato, seu contentamento era evidente. 274


Ben não tinha certeza de que ele ficaria tão malditamente contente.

***** Vagueando, Kim inclinou a cabeça sob o toque de seu Mestre, sentindo-se como a gatita — gatinha — que o Mestre R tantas vezes a chamava. As mãos grandes eram poderosas. Mortais. E sempre tão gentis com ela. Os dedos calejados se arrastaram sobre seu rosto e desceram para puxar em sua coleira ligeiramente, deixando saber que ela podia descansar contra ele. Ela podia contar sobre isso. Seu Mestre era sua âncora. Se o oceano estava calmo ou turbulento, ele estava lá para ela. Embora ele relutantemente a tivesse levado como escrava para ajudar a derrubar uma quadrilha de tráfico humano, nenhum deles estava disposto a se separar depois. Mestre/escravo era o que funcionava para ambos. Mas agora... Agora ela o estava deixando infeliz, porque ele queria se casar com ela. Considerando que ela era sua escrava, casar-se com ele deveria ser um acéfalo, certo? Mas depois de uma infância assistindo sua mãe sofrer dentro de laços matrimoniais, casamento lhe parecia muito com uma armadilha. Ser esposa era muito mais assustador do que ser uma escrava. Mas com Raoul, ela estava aprendendo que ela poderia lidar assustador. Em algum momento no mês passado, ele tinha lhe comprado um anel — um anel lindo, de parar o coração, que ela havia descoberto por acaso. Obviamente, não querendo pressioná-la, ele o escondera, na gaveta de sua cômoda. Ele estava esperando pacientemente até que ela estivesse pronta. Ninguém nunca tinha conhecido e amado ela tão bem quanto seu Mestre. Ela mudou para se inclinar contra a perna dele, deixando-o tomar um pouco de seu peso enquanto os homens conversavam. 275


Ben soava infeliz. O guarda de segurança do Shadowlands a havia assustado a primeira vez que ela o vira. Ela tinha pensado que ele se parecia com algum torturador medieval. Mas ele tinha ficado tão satisfeito que Mestre R tinha encontrado uma mulher que ela não pôde ficar com medo. Ben tinha um grande coração. E, de acordo com a fofoca circulando, ele era o novo escravo de Anne. Raoul era um Mestre há anos, era um poder dentro da comunidade Mestre/escravo local, e ele via a relação de Ben com preocupação óbvia. O pobre Ben não parecia confortável no tópico de discussão — mas isso não impediria seu determinado Mestre. “Minha primeira preocupação é que Anne é uma sádica, mas eu não acho que você seja um masoquista.” Mestre R disse. “Eu não sou. Mas, fique sabendo que ela não é tão sádica quanto você pensa.” Ben bebeu mais de sua cerveja. “Ela me disse que não precisava mais dessa merda de núcleo-duro. Acho que, talvez, ela trabalhava fora sua raiva em relação aos homens. E todo mundo diz que seus escravos eram masoquistas — e mais do que dispostos.” Kim olhou para cima de debaixo de suas pestanas. “E ela mudou?” Raoul pensou por um minuto. “Você está certo, eu acho. As cenas dela realmente têm atenuado ao longo do último ano.” Ben assentiu. “Quanto a trabalhar fora sua raiva? Como uma sádica, Anne nunca ultrapassou a linha. E ela não seria o primeiro ou último Dom a encontrar alívio para as frustrações da vida em uma cena.” Mestre R puxou o cabelo de Kim. “Os submissos fazem o mesmo. Uma boa palmada serve como uma excelente válvula de escape.” Kim reprimiu uma risada. Ela certamente não podia discordar. Seu Mestre de alguma forma sabia exatamente quando ela precisava desse tipo de relaxamento. 276


O olhar de Ben se voltou para ela, ela percebeu, mas aparentemente ele não tinha certeza se lhe era permitido falar com ela. Ela olhou para seu Mestre e teve um aceno de cabeça. “O que você quer saber, Ben?” ela perguntou. “Você gosta disso? Ser uma... Escrava?” Ela já não se encolhia ao ouvir o som da palavra, embora Mestre R ainda a chamasse de sumisita — Espanhol para pequena escrava. “Eu gosto do que Mestre R e eu temos juntos, mas a escravidão significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Todo mundo se organiza para satisfazer a si mesmos. Mestre R não quer meu dinheiro; outros Doms podem querer mais controle. Eu mantenho uma hora todas as noites que é toda minha para mimos femininos ou apenas ler um livro, e isso me impede de me sentir presa. Outros escravos podem não precisar disso.” Porque os outros podiam não ter sido sequestrados, e brutalizados, e verdadeiramente escravizados. Ben se inclinou para frente, os antebraços sobre as coxas enquanto escutava. “Às vezes eu me ressinto dos meus serviços e de ter que atender a todos os caprichos dele.” Quando ela sorriu para Mestre R, o calor em seus olhos chocolate-escuro ainda tinha o poder de fazê-la derreter. “Mas o incômodo de atender ao seu aceno e chamada é equivalente a ter que se levantar de manhã para um trabalho ou ter que tomar um suplemento vitamínico — apenas mais uma das pequenas tarefas da vida que você faz para conseguir as coisas boas. Porque servi-lo,” — ela sentiu sua garganta apertar — “ter as mãos dele segurando ao redor da minha vida e poder cuidar de suas necessidades e desejos por sua vez, simplesmente... Me... Preenche. Eu seria um leito seco do oceano seco sem ele.” Os dedos de Mestre R apertaram em seu ombro. Sua voz saiu baixa. Profunda. “Tesoro mío.” 277


Ela fechou olhos enquanto se banhava de felicidade. Porque servir a um Mestre que a considerava seu tesouro era toda sua alegria. Quando abriu os olhos, ela viu que Ben tinha visto, ouvido e compreendido. E seus olhos tinham pesar. “Eu não me sinto assim. Não…” Mestre R disse: “Cada relação é diferente, Ben. Nem todo submisso quer desistir de tanto poder quanto Kimberly. Nem todo Mestre ou Mistress quer ter essa responsabilidade por outro adulto. Não há uma forma verdadeira — você tem que conversar até encontrar o que irá satisfazer a ambos.” “Sim,” Ben sussurrou. “Isso não é tão fácil quanto parece.” Depois de olhar para a cerveja por um minuto, ele a terminou e se levantou, estalando os dedos para Bronx. “Preciso me mexer antes que eu perca a luz. Obrigada pela cerveja — e pela informação.” Mestre R foi até a porta, e Kim os ouviu se despedindo, depois passos retornando. Seu Mestre se sentou na cadeira novamente. Embora mantivesse os olhos abaixados, ela podia sentir o olhar dele sobre ela, como o calor do sol, penetrando através de sua pele e ossos. “Sumisita, eu quero você sem roupa agora mesmo.” Com o comando, seu barítono tingidode-espanhol assumiu uma lisura a mais. Uma que causou arrepios em sua pele. Ela se levantou e, lentamente... Provocativamente... Tirou a roupa. Quando desabotoou o sutiã, ela arqueou as costas para empurrar os seios para fora. Conforme tirava o short, ela inclinou um quadril para aprimorar suas curvas. Quando terminou, apenas sua gargantilha cravejada-desafiras permaneceu, e ela tocou o pequeno cadeado em forma de coração nisso. Ele segurava a chave de seu colar, assim como ele segurava a chave de seu coração. Seguindo seus movimentos, os olhos dele pousaram em seu colar e escureceram a quase pretos. Quando ele a puxou entre as pernas separadas, o jeans esfregou contra suas coxas nuas. A

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sensação de estar nua na frente de um homem completamente vestido fazia a desigualdade entre eles muito mais potente. E a forma como ele havia dito — se adicionava ao chiado. Ela se levantou, tudo nela aberto, e receptivo, e se gloriando na verdade de que ela era dele... Para provocar. Tocar. Tomar. Ele moveu o olhar sobre ela em apreciação e prazer. Inclinando-se, ele curvou as mãos sobre seu traseiro, apertando, separando, acariciando, antes de passar para seus quadris, e para cima. Ele segurou e pesou seus seios nas mãos calejadas. Necessidade se enrolou e desceu sobre ela, aquecendo cada fôlego do ar sensual que ela tomava. “Você fez bem em responder ao Ben.” Ele baixou as sobrancelhas. “Tenho medo de como isso vai acabar para ele.” “Por quê?” Os dedões dos pés de Kim enrolaram quando ele circulou os polegares sobre seus mamilos. “Hum. Ele a ama — isso é muito simples. “ “Sim. Mas você se lembra quando nós não achávamos que poderíamos estar juntos? Porque nossas necessidades não estavam em equilíbrio?” Apenas a lembrança daquele tempo miserável fez seu espírito cair. “Mas nós conseguimos superar isso.” “Só porque nós queríamos essencialmente a mesma coisa. E porque nós nos amamos.” Ele a puxou sobre o colo, tomando sua boca mais possessivamente do que o normal, como se para afastar a lembrança de seus dias de solidão. Oh, ela o amava tanto. Ela se aconchegou mais perto, enredando a mão em seu cabelo espesso. Embora alguns Mestres não deixassem seus escravos os tocarem a não ser dada a permissão, ele nunca se importara e raramente lhe tirava esse privilégio. Ele gostava de suas mãos nele.

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Ele levantou a cabeça, sorrindo para ela, apalpando seu seio novamente, simplesmente desfrutando de seu corpo. Pobre Ben. Se o que ele e Anne tinham construído fosse semelhante ao seu relacionamento com Mestre R, então sua perda iria devastá-lo. Anne não poderia ceder um pouco? Como ela podia não ver o quão importante ela era para ele? Mas as mulheres... Kim suspirou. As mulheres eram obstinadas quando se tratava de guardar suas mágoas. Seus corações. E talvez Kim devesse estudar sua própria vida ao invés. Porque, falando nela, o quão mais total e excessivamente-temerosa ela estava sendo em se casar? Raoul não era nada parecido com seu pai. Casado ou não, ele nunca a tomaria como certo. Nunca a usaria para servir seu ego. Ela não só era amada, ela era valorizada. Talvez fosse hora de repensar a própria postura covarde. “Acho que Anne e Ben podem resolver isso,” ela disse, levando seus pensamentos de volta para seus amigos. “Vejo algo do meu casamento, quando olho para eles. Minha ex-mulher não era submissa. Ela queria dor. Eu queria uma escrava. Nossas necessidades eram com objetivos opostos, tornando ambos infelizes.” Isso era um eufemismo. De tudo que Kim tinha ouvido, o rompimento de Raoul com sua esposa quase o havia destruído. Seu compassivo Mestre não gostaria que Ben cometesse um erro semelhante. Ele continuou. “Os escravos de Anne nunca vivem com ela. Quando eles estão com ela, eles são escravos, não amigos. Acho que Ben quer ser seu amante e seu companheiro, e não apenas seu escravo. O que você acha, gatita?” As mãos dele desceram, segurando sua cintura, deixando que ela tivesse espaço para pensar. O dilema de Ben era tão parecido com o que ela havia passado com Raoul. Seu coração tinha se partido por ele porque ela não poderia se relacionar com sua dor. “Talvez eles não estejam 280


nadando na mesma corrente — não ainda — mas certamente eles podem chegar lá, se tentarem. Ele realmente se importa com ela.” “Eu concordo. Mas será que Anne sente o mesmo? Será que ela vai fazer o esforço?” Raoul beijou os dedos de Kim. “A Mistress é uma boa pessoa. Como Domme, ela é forte, cuidadosa e responsável. Mas eu não tenho certeza se ela possui o coração de uma amante para dar ao nosso amigo.” Kim mordeu o lábio. Ela odiava discordar dele, mas ele só vira Anne no Shadowlands ou em uma festa ocasional. Ele nunca a tinha visto com o bebê de Jessica ou no abrigo para mulheres agredidas com as crianças. “Acho que ela tem mais coração do que você lhe dá crédito.” Ele sorriu, o olhar suave. “Eu sei quem tem mais coração do que seu corpinho deveria segurar. Você é uma amiga generosa, sumisita.” Ele não acreditava nela. Ela franziu a testa. “Você vai deixá-los resolver as coisas, certo?” Doms eram notoriamente protetores, e se Raoul se preocupasse que Ben iria se machucar, ele poderia intervir. “Eu vou.” Dentes brancos brilharam em seu rosto bronzeado. “Eu odiaria ter Ben quebrando minha cara na calçada.” “Como se ele pudesse. Eu já te vi lutar.” “Eu sou bom, mas Ben era um Ranger do Exército, e ele não perdeu essas habilidades.” Uau. Ela não sabia disso. Vá lá, Ben. Então, sorrindo para si mesma, ela mexeu a bunda bem em cima da ereção sólida de Mestre R. “Nesse caso, é melhor você se comportar. Seria uma pena se alguns desses pedaços viris fossem esmagados.” Ele ofegou, depois enfiou um dedo sob seu colarinho para contê-la enquanto a beijava impiedosamente. Desejo veio em uma crescente onda dentro dela. Erguendo a cabeça, ele murmurou, “Alguém está sendo uma gatita impertinente, não?” 281


Ela estava muito ofegante para responder. “Talvez eu deva cuidar de suas necessidades agora... No caso de eu ficar incapacitado no futuro.” Rindo, ele se levantou, jogou-a por cima do ombro, e administrou uma palmada pungente em seu traseiro nu que definir cada nervo único ardendo. Ele era tão forte, ele não parecia nem perceber seu peso. Ele a fazia se sentir pequena. E preciosa. Enquanto esfregava o rosto contra suas costas, Kim deslizou a mão sob seu cinto para apertar seu bumbum musculoso — e ganhou outra palmada em sua própria bunda. Oh, ele estava com vontade de espancá-la e ela sabia, ou ela não o teria provocado. Por sua vez, a antecipação daquela palma incrivelmente dura em sua pele nua a deixava muito, muito quente. Sem nenhum esforço, ele iria reduzi-la a uma confusão de choramingos. E então ele iria prendê-la, ou amarrá-la... E tomá-la duro e rápido. Ela se contorceu, querendo isso agora. Depois disso… Ele murmuraria para ela em espanhol, a voz como as ondas balançando no oceano, e ela se enrolaria em torno dele, sua âncora, seu amor, e flutuaria ali em contentamento. Mas depois... Talvez depois fosse um bom momento para vasculhar sua gaveta da cômoda e encontrar o anel de noivado que ele havia comprado para ela.

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Capítulo Dezenove Domingo à tarde, Anne seguiu a recepcionista através do restaurante chinês no centro de St. Pete. A ligação de Ben uma hora antes tinha sido uma surpresa, uma vez que ele tinha ido para o Everglades ontem depois de passar o dia com os garotos de Marcus. Ele não tinha planejado estar de volta até o final desta noite. “Minhas irmãs e cunhado estão aqui de Nova York. Camille conseguiu um acordo especial para vir por um longo final de semana e decidiu me fazer uma surpresa. Eu vim mais cedo para levá-los ao Dali Museum, e agora estamos indo comer alguma coisa. Se estiver de folga, você poderia se juntar a nós? Seria legal poderem conhecê-la.” Sua voz tinha baixado. “E eu senti sua falta.” Ela tinha entendido. Ela tinha sentido falta dele na noite passada, mais do que achara confortável. Felizmente, seu delinquente atribuído para hoje tinha acabado por ser mais distração do que penal e tinha sido uma recuperação fácil. Ela estava livre para se juntar a eles. O que estava incomodando era a quantidade de ansiedade fervendo dentro dela. Desde quando ela se preocupava com qualquer um encontro? O restaurante chinês cheirava a alho e gengibre, e o estômago de Anne roncou enquanto atravessava a sala. Ela tinha pulado o café-da-manhã — sem vontade de comer cedo — e tinha comido uma barra de granola no almoço. Agora, ela estava morrendo de fome. A decoração oriental vermelho-e-dourado mal se registrou enquanto ela se aproximava da extremidade oposta. Ben estava sentado em uma mesa redonda com três mulheres com mais-oumenos a idade de Anne e um homem de cabelos pretos.

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Ambos os homens se levantaram. Ben era bons seis centímetros mais alto do que seu cunhado, e, como sempre, o coração de Anne se elevou ao vê-lo. A camisa branca, de mangas curtas destacava seus ombros largos e bronzeado escuro, e uma calça jeans cobria sua bunda deliciosa. Ele estava usando o cabelo cor de caramelo solto sobre os ombros, tentando-a a realizar demonstrações públicas e mal-educadas de afeto. Quando ela se aproximou e sorriu em permissão para tocar, Ben colocou um braço em volta de sua cintura. “Anne, aqui estão minhas irmãs e cunhado.” Ele apontou para uma loira-mel alta em uma blusa verde-claro e calça capri branca. “Camille e seu marido Leon gerenciam uma loja de agência de turismo.” “Que é como conseguimos marcar esta viagem.” O sorriso largo de Camille era totalmente o de Ben. “É maravilhoso conhecê-la.” “Prazer em conhecê-la.” Leon tinha um pequeno e melodioso sotaque Cajun64. “E eu a você,” Anne disse, de verdade. Ben tinha lhe contado algumas histórias desta irmã. Ele era muito orgulhoso dela. “Minha irmã, Deanna,” Ben disse. A loira platinada muito atraente em um top esmeralda acenou sem nenhum calor. “Anne.” Antes que Anne pudesse responder, Ben apontou para a última mulher sentada à sua esquerda. “Sheena é uma amiga de Deanna.” “Oh, e, certamente, sua também, Ben,” a morena disse com uma voz gutural e tocou as costas da mão dele. A mão dela permaneceu lá enquanto ela dava um sorriso insincero para Anne. “Deanna tinha adoração pelo irmão mais velho há anos, então fiquei muito feliz por, finalmente, passar algum tempo com ele no Natal passado.” O subtexto era evidente. Ela e Ben tinham feito mais do que “passar algum tempo”.

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Membros de uma das comunidades em grande parte autossuficientes nas áreas da albufeira do sul da Louisiana formadas por descendentes de franco-canadenses que falam uma forma arcaica de Francês.

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“Nós nos divertimos muito,” Deanna concordou. “Lembra daquele dia em que fomos andar de trenó?” “Oh, esse dia.” Sheena acariciou a mão de Ben e olhou para ele com olhos grandes. “Eu teria quebrado meu pescoço se você não tivesse me apanhado no topo da colina.” A mulher provavelmente tinha se jogado em seus braços. Encantador. Anne olhou para a cadeira — a vazia à direita de Ben — e Ben se moveu para segurá-la para ela. Lide com isso, Sheena. Anne arrastou sua cadeira para a direita em direção a Deanna. Depois de se sentar, Ben deslizou perto o suficiente para roçar a perna contra Anne. Ela já esperava esse movimento. Seu escravo tinha um comportamento muito assertivo, mas ela dificilmente poderia repreendê-lo por reivindicar gestos que ela gostava. Ainda melhor, ele agora estava longe o suficiente de Sheena-a-puta que suas manobras irritantes e melosas seriam incrivelmente óbvias. Leon notou a distância entre Sheena e sua presa, e os cantos de sua boca se inclinaram. “Então, Anne, Ben nos disse que você é uma caçadora de recompensas. Como é isso?” “Receio que o que eu faço não é tão emocionante quanto o que é mostrado na televisão. Tecnicamente, na Flórida, o trabalho é chamado recuperação de fugitivo, porque um agente não é independente, mas empregado por uma empresa de fiança. Principalmente eu faço a papelada, a pesquisa de computador, bater nas portas, e diplomacia. Ocasionalmente, vemos alguma ação.” “Ação. Não posso imaginar por que uma mulher gostaria de se colocar em perigo.” Embora os cílios de Sheena tivessem rímel o suficiente para se assemelhar às pernas peludas de uma tarântula, ela ainda conseguiu olhar para Ben através deles. “Os homens são muito mais fortes.” “São?” Anne passou a mão sobre o bíceps de Ben e arfou. “Oh, meu. Como você é forte! Quem diria?” Ben, Leon e Camille começaram a rir. Infelizmente, o olhar de Deanna fez páreo com o de Sheena. Anne sua insolente. Não era bom chatear os parentes. 285


Hora de apaziguar a situação. “Na verdade, Sheena, eu gosto da ação e da satisfação de jogar os bandidos de volta na cadeia.” Quando Ben colocou o braço sobre o encosto de sua cadeira, Anne se virou para a direita, colocou um sorriso camarada, e perguntou a Deanna, “O que você faz para viver?” “Eu-eu estou entre trabalhos no momento,” Deanna disse. O braço atrás de Anne ficou tenso. “Sério? Você perdeu a posição de vendas na loja de roupas?” Ben resmungou. “Então por que está aqui em vez de estar procurando outro?” “Ben.” Deanna retrucou. Um segundo depois, ela conseguiu uma completa expressão de eu-lastimosa com os olhos marejados. “Eu deveria ter ficado em casa. Só que, eu estava t-tão chateada. Eu queria apenas ficar longe.” Anne se virou para verificar a resposta de Ben. Sua expressão era suave. “Calma, Dee-Dee, vai dar tudo certo,” ele disse gentilmente. Anne mal se absteve de revirar os olhos. Como Domme, ela tinha visto performances muito mais hábeis, mas Deanna não era ruim. Ela definitivamente tinha enganado seu irmão mais velho. Para finalizar, Deanna acrescentou o tentador-e-verdadeiro estremecer de lábio. “Não, não vai dar tudo certo. Eu não posso pagar meu aluguel e,” — ela meio-que-soluçou — “Sheena foi maravilhosa e me emprestou dinheiro para a comida, mas eu não posso lhe pedir mais.” “É claro que não,” Ben disse. Anne teve que abafar um grunhido. Durante o tempo deles juntos, Ben já havia recebido um par de telefonemas desta irmã, pedindo-lhe dinheiro. Mas... Dizer essa merda na frente de outras pessoas e expor a Ben bem ali? Isso era puramente manipulador. Ele obviamente não tinha ideia de que estava sendo enganado. Não era de se estranhar. Família podia fazer isso com uma pessoa. Anne mordeu o lábio. Não era seu dinheiro, não era sua família. Como Sam diria, ela não tinha um cão nesta luta. 286


Ainda assim... Ela fez. Quando Ben havia lhe dado sua submissão, ele se tornara dela para proteger, mesmo de sua própria família, se necessário. Que assim seja. “Pedir e dar dinheiro entre membros da família é complicado, não é?” Anne disse alegremente para a mesa em geral. “Na semana passada, minha amiga Linda chorou depois que disse não ao seu filho adulto. Ela ficou de coração partido por tê-lo recusado, especialmente quando um pouco de dinheiro iria ajudar. Mas ela disse que o objetivo dos pais é levar o filho a ser independente, e se ela constantemente resgatá-lo, ele não iria exercer o esforço — ou aprender o suficiente de diplomacia — para manter um emprego.” Ben olhou para Anne, as sobrancelhas juntas. “E Sam concordou?” O sádico de cabelos grisalhos tinha certamente uma opinião. “Ele acha que facilitar para uma pessoa assim é tão prejudicial quanto o abuso.” Anne deu um meio-sorriso. “Ele disse a Linda para vislumbrar o futuro. Se ela morresse em um acidente de carro amanhã, seu filho adulto seria capaz de sobreviver sem ela?” Ben ficou em silêncio. Anne cuidadosamente não olhou para Deanna, mas as ondas de fúria que vieram dessa direção eram quase palpáveis. “Leon, você já se deparou com tais situações em sua família?” “Mais, sim. Cajuns têm famílias grandes. Aquele que tem dinheiro é assediado por aqueles que não têm.” Ele olhou para Ben. “Você já viu uma mamãe cão quando ela decide que os filhotes têm idade suficiente? Eles tentam mamar, e ela simplesmente se afasta. Às vezes, ela tem que morder os que não entendem para dar uma dica, do contrário, alguns filhotes ficariam felizes em mamar em sua teta para sempre, sim?” “Jesus Cristo.” Deanna olhou para Anne. “Quem diabos você pensa que é? Isso é entre mim e meu irmão. Você — você quer apenas colocar suas garras no dinheiro dele e —” “Eu não preciso do dinheiro de Ben, mas é minha obrigação protegê-lo.” Ela ouviu o grunhido assustado dele. Depois de todo aquele tempo no Shadowlands, ele não teria aprendido

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que as Mistresses, assim como os Mestres protegiam seus escravos? “Quantos anos você tem, afinal?” “Ela tem trinta e um.” Camille virou os olhos irritados para sua irmã. “Mimi disse que você mandou seu gerente se foder porque ele te instruiu a trabalhar com clientes de classe média, assim como os ricos. Deus, Dee. Mimi colocou o pescoço em risco para que você conseguisse esse trabalho. Agora, ela está em apuros com o chefe por tê-la recomendado.” Deanna despencou. Sua expressão indicava que ela culpava a todos, menos a si mesma. Para alívio de Anne, Ben deslizou o braço sobre seus ombros e a puxou para perto. “Obrigada, Minha Senhora,” ele sussurrou em seu ouvido. Então, ele olhou ao redor para sua irmã. “Dói pensar que eu tenha te ajudado a se transformar em uma fodida, Dee-Dee, mas acho que fiz. Camille e eu já sabemos que se perdermos nossos empregos, nós não comemos. Ou vamos acabar sem-teto. Então, nós agimos em conformidade. Está na hora de você aprender os fatos desagradáveis da vida, irmãzinha.” “Mas, Ben.” Sheena arrastou a cadeira perto o suficiente para colocar a mão no antebraço de Ben. “Ela é sua irmã. Ela ama você, porque você tem um grande coração.” E então a mulher realmente se inclinou contra ele e o acariciou. Fúria estalou através dos nervos de Anne. Tanto para ser tolerante. Ela não compartilhava seus escravos. Ela certamente não compartilharia Ben. Nunca. Anne pegou um pacote de palito ainda fechado, batendo-o na palma da mão para verificar o fator da picada — muito bom — então bruscamente o pressionou na parte de trás da mão invasora de Sheena. Sheena puxou a mão. “Ei!” Anne lhe deu o olhar que mantinha os homens em seus joelhos e em silêncio. O rosto de Sheena empalideceu, mas ela ainda assim... Estupidamente... Tentou falar. “Ouça, você —”

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“Talvez suas amigas palermas aturem você tocando e se pendurado em seus homens, mas eu não. Não toque.” Ela girou para colocar a mão na barriga de Ben em seu próprio gesto de reivindicação. Por que ser sutil? “Meu.” Do outro lado da mesa, ela ouviu o riso abafado de Leon e Camille. Mas Deanna franziu o cenho. Bela maneira de fazer amigos, Anne. “Ben, ela me bateu.” Sheena olhou para ele com os olhos arregalados. “Você vai deixá-la fazer isso?” Ben riu. “Tenho que dizer, acho que é realmente quente quando uma mulher diz, ‘Meu’. O que você acha, Leon?” Leon sorriu para sua esposa. “Minha Camille destrói caçadoras verbalmente. Mas essa coisa física? Uau, isso é quente. Vou te comprar alguns palitos, bebê.” “Sheena deveria estar feliz que você não tem um chicote em mãos,” Ben murmurou para Anne. Quando seus olhares se encontraram, calor chiou através de sua corrente sanguínea. E ao sul de seus dedos, a calça jeans dele inchou. O homem realmente tinha gostado de vê-la ir toda Domme na bunda de Sheena. Depois desse interlúdio, tanto Sheena quanto Deanna se concentraram em sua comida, enquanto o resto deles conversaram. “Parece que todos vocês se mudaram para fora da cidade. Vocês não gostaram de crescer no Bronx?” Anne perguntou a Camille. “O Sul do Bronx não é a melhor vizinhança. Mas depois que nosso pai morreu, minha mãe não conseguia fazer o suficiente para sustentar nós quatro. Ela tentou — Deus, ela realmente tentou.” Camille trocou um olhar triste com Ben. A forma como os ombros dele ficaram tensos, como se ele se culpasse, doeu o coração de Anne.

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Quando ela tomou sua mão, os dedos grandes se fecharam firmemente em torno dos dela. “Considerando os filhos que ela criou, eu diria que sua mãe fez um bom trabalho, mesmo que o dinheiro fosse apertado.” Camille lhe deu um olhar agradecido. “Ela fez, contra todas as probabilidades. Ben, especialmente, teve momentos difíceis desde que ele estava sob pressão para se juntar a uma gangue. Ele trabalhava em tempo parcial, ia para a escola, e tentava proteger Deanna e eu. E nós estávamos tão quebrados, ele...” Camille parou de repente e deu a seu irmão um olhar arrependido. Anne fez uma careta. Alguma coisa tinha acontecido. Ela teria que perguntar a Ben mais tarde. Sendo Ben, ele deixou tudo derramar. “Nós estávamos com pouco dinheiro, e eu fui convencido a entrar em um esquema para roubar uma loja de bebidas. Mas... Os costumes da mamãe venceram. Eu não ia conseguir fazer isso e saí dois dias antes. Isso irritou os caras envolvidos, e eles me pegaram depois da escola. Eu fiquei bastante desordenado.” Ele deu um meio-sorriso e esfregou o nariz. O nariz que tinha sido quebrado. Não tinha sido quando adulto — tinha sido na escola. Ela se perguntou quantos outros ossos quebrados que ele tinha sofrido. Ele continuou; “No hospital, um policial tomou meu depoimento, e depois voltou no dia seguinte apenas para conversar. Para me ajudar a descobrir um caminho melhor. Então, eu me alistei e pulei o último do meu último ano. Com meu salário, mamãe e as meninas se mudaram para um bairro mais seguro.” Ele tinha acabado ajudando a todas elas, no final das contas. Anne esperava que a mãe dele tivesse ficado sabendo o quão maravilhosamente ela havia cumprido sua tarefa — ela tinha criado um homem excepcional.

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No final da refeição, Anne se levantou. “Desculpem-me, por favor. Preciso visitar o banheiro feminino antes de ir para casa.” Ben se virou, localizou os banheiros, estudou as mesas intervenientes, e, aparentemente, decidiu que nem zumbis ou loucos pulariam para cima e a atacaria. “Tudo bem.” Ela balançou a cabeça em diversão. Seu pai e irmãos possuíam esse mesmo instinto de proteção. Ela também. Era difícil se sentir ofendida. Ainda assim… Com as unhas, ela beliscou seu pescoço em advertência e murmurou; “Que bom que você me dê permissão.” Ele encontrou seu olhar e sorriu sem arrependimento. Oh, honestamente. Ele não era um pirralho. Exatamente. No quarto, ele era maravilhosamente obediente. Mas o resto do tempo? Nem tanto. Inquieta, ela caminhou até o banheiro. Na realidade, ele não era deliberadamente desafiador. Ele simplesmente não a olhava por instrução ou permissão. Enquanto seus outros escravos queria sua supervisão, sua direção, ela estava começando a ver que Ben... Não o fazia. Mas se isso fosse verdade... Seu peito sentiu como se tivesse sido amarrado em sua armadura com muita força, restringindo seus pulmões. Com esforço, ela empurrou sua ansiedade crescente. Não é o momento. Não é o lugar. Alguns minutos depois, enquanto Anne penteava o cabelo, Camille entrou. Em vez de usar as instalações, ela inclinou um quadril na parede. “Estou feliz que te peguei sozinha. Eu queria te pedir desculpas por Sheena e Deanna. E lhe agradecer.” “Me agradecer pelo quê?” “Crescer no Sul do Bronx não foi fácil. Ben tentou cuidar de todos nós, mas ele não tinha ninguém para cuidar dele. Não desde que ele tinha nove anos. Não até agora.” Camille fez uma careta. “Eu só queria que você não tivesse que protegê-lo de sua própria irmã.” 291


“Deanna pode ter tropeçado num mal caminho, mas Ben não vai ser enganado de novo,” Anne disse. “Posso ver que tem muita coisa acontecendo com ela, e uma vez que ela perceber que seu futuro só cabe a ela, acho que ela vai se sair bem. E, provavelmente, ser mais feliz por isso.” “Acho que você está certa. E quanto a Sheena,” — Camille revirou os olhos — “honestamente, quem faz esse tipo de coisa? Mas Ben com certeza atrai algumas conquistadoras. Essas que querem agarrá-lo por dinheiro ou aquelas mulheres detestáveis que agem como se elas fossem muito boas para ele.” Nada incomum. Submissos que procuram parceiros dominantes podem facilmente acabar com maníacos por controle. No caso de Ben, ele tinha acabado com as cadelas. Camille se afastou e parou na porta para dizer; “Estou realmente feliz que ele te encontrou.” “Eu também.” Pelo menos eu não sou uma cadela. Esperemos. E ela o amava de todo o coração. Mas ela era boa para ele? Às vezes, ele parecia totalmente satisfeito com o que eles tinham juntos. Mas às vezes ela não tinha certeza se ele realmente estava feliz, embora ele dissesse que estava. Mesmo que ele insistisse que ser seu escravo era o que ele queria. Estaria ela não satisfazendo algumas de suas necessidades em troca? Ele estaria compartilhando tudo com ela? Ela mordeu o lábio. Se tinha, ela usaria a rota intrusiva e planejaria uma cena que iria tê-lo derramando cada pequeno segredo que ele tinha. Ou ela poderia fazê-lo escrever um diário. Mas, este era Ben... Ela não queria invadir toda a sua privacidade. Então, talvez no próximo final de semana, depois da cena, durante o pós-tratamento e o fulgor quente, ela o pressionaria a compartilhar. Era o momento especial deles. Certamente, então, ela descobriria o que havia de errado.

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Capítulo Vinte Anne dirigiu lentamente por uma rua de prédios de apartamentos miseráveis. A gerente do Tomorrow Is Mine não queria que Anne fosse atrás da mulher, mas quando ela havia dito que a polícia ia fornecer uma escolta até o abrigo, Sue Ellen tinha entrado em pânico. O pensamento da polícia, muitas vezes, tinha esse efeito. Envolver a aplicação da lei significava que o agressor provavelmente seria preso. Algumas mulheres não conseguiam enfrentar isso — elas queriam apenas fugir. Se Sue Ellen ficasse muito assustada, ela poderia desistir da fuga. Então Anne foi buscá-la. Infelizmente, a mulher parecia muito ferida. Carregando seu filho recém-nascido, ela não conseguiria ir muito longe. Homens malditos. Anne avistou o pequeno mercado 24 horas escolhido para o local de encontro. Sue Ellen já estaria lá? Sim, havia uma mulher encostada a uma parede como se fosse cair se não tivesse o apoio. Um bebê estava em seus braços. Quaisquer ameaças? Anne fez uma rápida, mas completa, verificação da calçada e rua. Duas mulheres conversando perto de um carro. Um adolescente andando de skate. Bom o bastante. Anne estacionou e deixou o Escape ligado enquanto se aproximava lentamente da mulher. “Você é Sue Ellen?” Os olhos da mulher se arregalaram como um coelho assustado. “Eu —” Ela fechou a boca conforme sua paranoia florescia.

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“Meu nome é Anne e eu sou do Tomorrow Is Mine. Você falou com a gerente do abrigo, Amy, e ela me enviou.” A mulher apavorada levou um minuto para processar as informações antes de dizer em voz rouca, com sotaque do Sul; “Eu sou Sue Ellen. E obrigado por ter vindo por mim.” Contusões escuras marcavam sua garganta. O marido bastardo deve ter tentado sufocá-la. Anne estrangulou sua raiva e fez sinal para o SUV. “É um prazer. Agora, vamos tirá-la da rua.” Porque, caramba, este era um bairro pequeno. Todo mundo provavelmente conhecia todo mundo. “Sim.” Sue Ellen a seguiu e colocou a criança no assento de carro na parte de trás. Quando ela estendeu o braço para pegar as correias, um gemido escapou. “Deixa comigo, querida.” Quando Sue Ellen deu um passo atrás, Anne amarrou o garoto, cantando para ele. Ele a olhou com cautela. Não muito mais velho do que Sophia, ele tinha o cabelo castanho suave e pele clara. Um hematoma marcava uma bochecha. Quando Sue Ellen deslizava para o banco da frente, um homem enorme saiu do mercado e os viu. “Sue Ellen. O que você está fazendo aqui?” Oh, maldição. Anne bateu a porta e correu ao redor do veículo para saltar no lado do motorista. Antes que a porta tivesse sequer se fechado, ela pisou no acelerador. Não o suficiente para guinchar os pneus... Mas malditamente rápido. Enquanto adrenalina dançava em suas veias, ela verificou o espelho retrovisor. Construção espessa, características brutais, o homem parecia um ogro... E ele estava olhando atrás delas. “Aquele é o seu marido?” “O irmão de meu marido.” Sue Ellen tentou virar e se encolheu com o movimento. “Ele é exatamente como Billy. Sua mulher pediu o divórcio ano passado e se mudou para outro estado. Eu deveria ter ido com ela.” Ela olhou para as mãos. Equimoses marcavam a parte de trás de uma na forma de um calcanhar. “Eu estava grávida e com muito medo.” 294


“Mas você está aqui agora, e terá ajuda,” Anne disse com voz suave. Ela tinha avaliado mal Sue Ellen no telefone. Esta mulher não estava prestes a voltar para o marido. Provavelmente, o hematoma no rosto do bebê tinha reforçado sua determinação. Era incrível como muitas mulheres finalmente reagiam quando seus filhos estavam em perigo. “Billy vai vir atrás de mim,” Sue Ellen disse, um tremor em sua voz. “Ele não vai desistir. E ele tem um monte de amigos.” “O endereço do abrigo não está listado em lugar nenhum. E existem salvaguardas.” Esperançosamente, o irmão não tinha sido rápido o suficiente para ler a placa do SUV, mas mesmo assim, sem problemas. Embora o Ford Escape fosse de Anne, uma vez que ela o usava para as apreensões de fugitivos, os documentos de registro tinham o escritório de fiança como endereço de registro. Seu próprio número de residência e telefone não estavam listados. Anne esticou o braço e acariciou a perna da mulher. “Você e seu filhinho vão ficar bem.” “Nós escapamos.” O queixo de Sue Ellen se levantou. “Eu e meu bebê vamos começar uma nova vida. A partir do zero, mas tudo bem. Estamos livres para seguir nosso próprio caminho.” Lágrimas arderam nos olhos de Anne. A mulher tinha deixado tudo para trás. Mas ao invés de se abater sobre sua perda, ela tinha ajustado suas vistas em construir algo novo. Isso realmente era coragem. À luz desse magnífico exemplo, poderia Anne ser menos corajosa? Ben era seu homem, seu submisso. Era seu trabalho fornecer o que ele precisava. Para fazer isso, ela tinha que ser corajosa o suficiente para cavar fundo e ouvir o que ele tinha a dizer.

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Capítulo Vinte e Um No sábado, Ben seguiu Mistress Anne até a escada em espiral do Shadowlands, admirando as botas estilete que mal se mostravam sob a traseira de sua saia preta. Na frente, a saia se dividia quase até a virilha, dando vislumbres tentadores de suas coxas levemente bronzeadas. Seu top de stretch preto era o favorito dele — apertado o suficiente para que ela ficasse sem sutiã e o contorno enfatizado pela renda preta em torno do decote. A roupa parecia ainda mais sexy agora que ela tinha tirado o colete dourado que estivera usando como monitor de calabouço. Como ela conseguia parecer um sonho molhado e ainda transmitir esse sentido de apertaro-intestino de ameaça? Até mesmo Ghost, que estava trabalhando como guarda de segurança na recepção esta noite, havia lhe dado um olhar respeitoso. Ben chegou ao topo e a seguiu por um corredor silencioso. No andar térreo era onde toda a ação estava, certo? “Por que aqui em cima?” ele se perguntou baixinho. Será que ela não queria ser vista com ele? Além de não ser sua escolha normal, ele não era particularmente um bom escravo também. Embora ele não tivesse falado em voz alta, ela respondeu. “Porque você não deve ter que lidar com o desconforto de uma cena em público no topo das coisas desagradáveis que eu quero fazer com você.” Jesus. Sua calça jeans ficou ainda mais malditamente desconfortável agora. Ela parou em uma porta e o deixou abrir para ela — um hábito que ele gostava. Ela podia ser magnificamente dominante e uma das mulheres mais mortais que ele conhecia, mas ela gostava de deixá-lo se comportar como um cavalheiro. 296


Não havia um velho ditado sobre a mulher perfeita ser uma dama em público e uma puta no quarto? Anne era uma lady em público e uma ballbuster65— literalmente — em privado. Com um sorriso, ela deslizou a mão sobre seu peito nu enquanto entrava. “E, desde que eu não planejo deliciar-me do prazer para que todos vejam, a privacidade é para mim também.” Deliciar-se. Linguagem refinada que significava que ele iria colocar a boca nela ou fodê-la. Um quarto privado tinha suas vantagens, sem dúvida. Ele fechou a porta e checou os arredores. Claro que não era o quarto ocidental que eles tinham usado antes, mas mais como o clichê “harém” na decoração vista em filmes antigos em preto e branco. É claro, o Shadowlands tinha levado o tema para um nível totalmente novo. Opulento. Suntuoso. Sombriamente erótico. Exposto no centro havia um dossel de mogno ornamentado. Suas cortinas douradas meioque-escondia um grande lounge. Ben olhou para cima. O teto tinha sido pintado de marrom e estampado com desenhos elaborados. Sob seus pés descalços era um tapete oriental de seda em dourado e vermelho. Incrível. O quarto inteiro cantava calor carnal — e seu sangue estava captando a melodia. Na porta, Anne virou um interruptor, diminuindo as luzes do candelabro de bronze-eâmbar na penteadeira com ornamentos de metal. Enquanto Ben verificava a cruz de Santo André em forma de X em um canto, sua imagem no espelho ornamentado na parede duplicava seus movimentos. Ótimo — ele poderia ver a si mesmo tendo sua bunda espancada. Ele olhou para Anne. “Então... Eu sou o sultão ou o eunuco, minha Senhora?” “Bom, Benjamin, vamos verificar.” Ela alcançou entre suas pernas, acariciou sua ereção sólida, e cobriu suas bolas. 65

É uma mulher sexualmente exigente que destrói a autoconfiança dos homens.

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A surpresa foi um tiro de alto-teste de octano66 em sua coluna. “Mmm.” O hum apreciativo dela fez seu peito expandir. “Você definitivamente não é um eunuco. Eu acredito que todo o seu equipamento está funcionando lindamente.” Sua pressão arterial subiu. Se ela continuasse a acariciá-lo desse jeito, ele iria lhe mostrar todas as funções que ele tinha. Então, ela deu em seus testículos um aperto de enrolar-até-os-dedões-dos-pés e se afastou para colocar a bolsa de brinquedos em uma arca de madeira estilo marroquino. “Tire as calças, por favor, Benjamin. Depois, deite-se na espreguiçadeira lá.” “Sem restrições, Minha Senhora?” Ele poderia tentar a merda da escravidão. Ele faria. Por ela. “Não dessa vez.” Quando ela puxou dois floggers e um chicote preto curto feio da bolsa, seu meio-sorriso foi... Preocupante. “Não acredito que você vai mover um músculo depois que eu começar.” Seus pés pararam bem aí. De fato, seu pedal de gás ficou preso no vazio até que ela empurrou o queixo para a espreguiçadeira. Porra, ela ia mexer com ele muito bem. Porém, enquanto ele atravessava o quarto e puxava algumas respirações lentas e profundas, sua mente se acalmou em aceitação, deslizando para um lugar tranquilo, que era tão erótico quanto o inferno e quase meditativo. A combinação era inquietante. Ela iria machucá-lo de uma forma que não era... Completamente... Dor, distribuindo sensações que iriam transmutar dentro dele em algo novo. Algo fodidamente carnal. Às vezes, a queimadura era como a de um treino intenso, um em que seus músculos foram bombeados e gritavam para parar. Ele adorava um bom exercício de corrida — mas se exercitar nunca lhe dera um pau duro como este.

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Um hidrocarboneto incolor e inflamável da série alcano, obtido na refinação do petróleo.

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Ou o fez querer colocar seus braços em torno dos pesos e beijá-los sem sentido, e se enterrar em — “Ben.” “Certo. Desculpe-me, Mistress.” Despir-se não demorou muito desde que tudo o que ele usava era jeans. Ele o colocou de um lado e se estendeu no mobiliário incomum. Bastante confortável. O suficiente para seus ombros largos. Até mesmo tinha um apoio de braço do lado direito. Um homem tinha que se perguntar o que teria acontecido com o segundo apoio de braço. Na cruz de St. Andrew, Anne estava assentando seus instrumentos de dor e prazer. Então, ela mergulhou em sua bolsa de brinquedos mais uma vez, removendo um par de tesouras, uma toalha e uma pequena escova e pente. “Você vai cortar meu cabelo?” Ambas as suas covinhas apareceram. “Isso depende de sua resposta.” Ele gostava de seu cabelo, mas... Seja homem, Haugen. “Se meu cabelo comprido te incomoda, vá em frente, Minha Senhora. Não seria a primeira vez que tenho o cabelo curto.” A risada dela foi baixa. “Eu não estava falando do cabelo em sua cabeça, cão de guarda.” Oh, merda. Ele conseguiu não cobrir seu pacote. Mal. “Você quer barbear o meu pau?” “Na verdade, sim.” O sorriso dela se alargou. “Veja só, Benjamin,” — ela se sentou na espreguiçadeira ao lado dele — “Eu me recuso a ter cabelo em meu rosto, o que significa que você perde boquetes longos e agradáveis, que eu aprecio dá.” Ela chupar seu pau? E gostar disso? Ele inalou lentamente. “Eu pensei que Dominantes não estavam em oferecer boquetes.” Perplexidade puxou suas sobrancelhas juntas antes de ela balançar a cabeça. “Sinto muito, Ben. Você tem feito parte do Shadowlands a tanto tempo que eu às vezes me esqueço que você esteve preso na entrada. Você está certo até certo ponto. Alguns acreditam que Doms descendo em sua submissa diminui o seu poder.” Ela pegou sua mão e chupou um dedo. 299


Seu pênis fez uma dança da vitória. “Algumas Dommes acham que, feito certo, a pessoa que faz o boquete é o único no controle.” Seu pênis com certeza concordou. “É por isso que você agarra meu cabelo quando eu desço em você? Para se certificar de que eu sei quem está no controle?” “Você é muito perspicaz.” E ele com certeza não estava perdendo o ponto da discussão. Ela ia lhe dar um boquete se ele perdesse seus caracóis. Ele olhou para seus lábios macios... Imaginou-os em outros lugares... E não conseguiu encontrar nenhuma sugestão de argumento. “Estou dentro, Minha Senhora. O que você quiser.” “Muito bom. Obrigada, Ben.” Ela bateu em sua perna levemente. “Abra-se, agora.” Quando abriu as pernas, ele franziu a testa. “Nenhuma navalha?” “Fico satisfeita com cabelo cortado, e não vamos arriscar irritar a pele.” Depois de colocar uma toalha entre suas coxas, ela pegou a tesoura assustadoramente pontiaguda. “Posso confiar em você de poder manter de se mover?” Ele podia sentir suas bolas se encolhendo. “Oh sim, Minha Senhora.” Conforme Anne cortava seu cabelo encaracolado a mais ou menos uma meia-polegada, sua concentração — e competência — foi malditamente tranquilizador. Depois de um minuto, ele relaxou, ouvindo a música marroquina exótica baixa e cheirando o ar com aroma de sândalo. Z não perdia nenhum truque, não é? Cada vez que Anne movia seu pau e bolas com mãos macias, Ben se sentia como um sultão mimado sendo atendido por uma de suas garotas do harém. Claro, se ele compartilhasse isso com a Mistress, ele ia acabar um eunuco. “Pronto. Você está adorável. E ainda maior,” ela disse.

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Ele olhou para baixo. A poda da floresta fez seu pau aparecer outro centímetro ou dois a mais. “Quer... Ah... Verificar seu trabalho, Minha Senhora? Certificar-se de que está curto o suficiente.” Sim, a risada dela foi direto para seu pênis. “Desculpe, Benjamin, mas você tem que conquistar um boquete. Esta noite, se você tomar tudo o que eu te der, eu vou te chupar a maior parte do caminho — e deixá-lo terminar, tomandome tão duro quanto você desejar.” Totalmente sua fantasia. Seu fôlego entalou em seu peito. “Isso é um inferno de um incentivo.” Ela apontou para a cruz de St. Andrew. “Então, vá até lá, agarre as estacas, e se pendure.” Enquanto atravessava o quarto, seu pau registrou o fator vento acrescentado, mas então seu cérebro foi pego em outros pensamentos. Como ela planejava bater nele. Duro. Antecipação fez seu sangue chiar... E sua boca secar. Suas mãos se fecharam em torno dos estacas, e ele se preparou. Os primeiros golpes do chicote não foram nada além de ela brincar com as quedas sobre sua pele, cócegas e carícias. Batidas de mão leves eram uma agradável pontuação. Então os fios bateram com mais força. Sem problema. Ele gostava dela o açoitando com os floggers. Lembravam-lhe um bombardeio de artilharia leve. Mas quando ela elevou o jogo e começou a realmente cravejá-lo, seus ombros, e costas, e bunda começaram a arder. Sua pele apertou, a sensação mudando de leve para uma queimadura desagradável. No entanto, seu pênis apontava persistentemente para o teto. O quarto inteiro começou a se sentir como o Grand Bazaar67, sob um sol quente do meiodia, e ele irrompeu em suor.

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Também chamado Bazar Coberto ou Mercado coberto, é provavelmente o maior e um dos mais antigos mercados cobertos do mundo, situado no bairro histórico de Eminonu, distrito de Fatih, na cidade de Istambul, Turquia, aberto em 1461.

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“Essa foi a parte fácil, Benjamin,” ela disse calmamente. “Agora, o teste começa.” Fácil? Porra. Ele tinha pensado que ela estaria prestes a terminar. “Sim, Minha Senhora.” “Curve-se e espalhe suas nádegas.” “O quê?” Seus glúteos ficaram tensos, e ele se virou. Anal? “Eu disse que não faria —” “Sua restrição era porque,” — ela inclinou a cabeça e o citou — “‘Eu não te conheço bem o suficiente para chicotes ou merda anal.’ Eu diria que isso mudou.” Bem, inferno. Ela sorriu de leve, lendo sua aceitação. “Sua bunda é minha, meu tigre. Mas — se isso ajuda, eu não vou colocar um pênis falso e socá-lo com ele.” “Que alívio.” Seu sarcasmo lhe rendeu um batida rápida do flogger, muito perto de suas bolas. Ele mal reprimiu um latido de preocupação. Depois de um segundo, ele abaixou a cabeça; ele tinha saído da linha. “Desculpe-me, Minha Senhora.” Ela deu um passo mais perto e colocou a palma em seu rosto. “Eu sei que isso o preocupa. Mas eu vou usar um pequeno plug anal. Nós vamos falar sobre isso depois. Se for verdadeiramente um problema depois de experimentá-lo, eu vou respeitar seus desejos.” Ele soltou a baforada de ar que tinha estado segurando. Não conseguindo fazer nada melhor do que isso — além de não fazer nada. Mas, ela provavelmente conhecia o caminho ao redor do corpo de um homem melhor do que ele, mesmo que ele vivia em um. E ei, ele tinha um boquete o esperando no final disso. “Vá em frente, Minha Senhora.” Ela se curvou e lhe deu um beijo longo, gostoso e apreciativo. “Você é um homem corajoso, Haugen.” Rangers liderando o caminho. Contudo, as palavras; “Você é um homem corajoso,” enviou um deslizamento lento de satisfação através dele. Quando se virou, ele se perguntou se a Mistress percebeu que ela nunca o chamou de menino como ela teve com seus escravos. Seus escravos anteriores. 302


Inclinando-se, ele agarrou as nádegas e abriu. Exame de próstata, aqui vamos nós. Líquido fresco chuviscou sobre sua fenda. Algo pressionou contra seu buraco-traseiro. Porra. “Empurre para trás contra isso, meu tigre. Assim vai entrar mais fácil.” Cerrando os dentes com força suficiente para rebentar a boca cheia de molares, ele obedeceu e sentiu a maldita coisa deslizar para dentro. Ele tinha vislumbrado o treco quando tinha virado a cabeça — do tamanho do polegar de um homem gordo — então porque parecia grande como a porra de um punho? Queimação. Alongamento. Finalmente, a coisa se estabeleceu na posição com um plop. Ele tinha um plug na bunda. “Obrigada por tomar isso, Benjamin. Tomar isso por mim,” ela disse suavemente, as mãos acariciando seus quadris e coxas. “Significa muito para mim.” Ele exalou. A sensação das mãos suaves dela em sua pele e a pura... Propriedade... Dela alegando aquele lugar proibido enviou um calor aquecido por meio dele. Ele era dela. Isso era certo. Da forma como deveria ser. Será que ela compreendia que a possessividade era em ambos os sentidos? “Levante-se e segure as estacas de novo,” ela instruiu. Quando se endireitou, ele teve que cerrar os dentes. O invasor maldito se assentara em seu buraco como se tivesse — Ela alcançou ao redor dele e segurou seu pênis com dedos escorregadios. Oh, merda, sim. Suas mãos apertaram as estacas convulsivamente. Ela encostou os seios contra suas costas, os quadris contra sua bunda. Os dedos firmes deslizaram de cima a baixo sobre seu pênis, uma e outra vez. E então ela moveu uma mão entre seus corpos e mexeu o plug em sua bunda. Cada fodido nervo único lá despertou com um rugido. “Porra!” À medida que a urgente e latejante necessidade consumia toda a área de sua virilha, ele quase gozou bem ali e agora. 303


“Sim, eu acredito que você talvez possa desfrutar disso.” Ela mexeu a coisa de novo. Ele fez um som indizível enquanto lutava contra sua liberação. Ela riu. Sádica do caralho. Os dedos bombearam seu pênis, depois agarraram suas bolas, apertando impiedosamente o suficiente para transformar seus caracóis encurtados em cinza — e ainda, a maldita coisa em sua bunda fez toda a ação sádica sentir como um brilho-luminoso de prazer. Ela deu um passo atrás e pegou o outro flogger, aquele perverso que ardia como o inferno. Mesmo quando ela começou, seu pênis ainda pulsava no tempo com sua bunda e bolas em um concerto carnal. E os golpes pungentes do flogger só incrementaram o volume. Cada golpe parecia bater em ritmo com sua pulsação — e o latejar de seu pau. Mais e mais... E conforme seu cérebro se enchia de fumaça, o mundo deslizou para o lado até que cada golpe era um mergulho quente de sensação correndo por suas costas, direto para seu eixo esticado. “E não é que você fica bonito, todo de olhos vidrados.” Ele percebeu que ela o havia virado. E colocado às mãos em seu rosto. Os olhos dela estavam brilhantes, luz do sol através de um céu cinzento. Rosa corava as maçãs salientes de seu rosto. Seu cabelo tinha escapado da trança e havia criado mechas finas sobre suas têmporas e pescoço. Seus ombros e braços estavam levantados... E ele podia ver seus mamilos eriçados debaixo do top elástico. “Porra, você é linda,” ele disse. Achou que disse. Não tinha certeza. Os olhos dela meio que fecharam, e sua voz saiu um murmúrio. “Você é uma coisa, Benjamin.” Ela acariciou seu rosto e o beijou tão docemente, tão fodidamente amorosa que o coração dele deu uma lenta cambalhota. Porra, ele a amava. Mas depois ela recuou. “Beba isso, e vamos passar para outras coisas.” Ela fechou seus dedos ao redor da garrafa e o ajudou a segurá-la. 304


Sua cabeça não estava... Completamente... No jogo, mas seu corpo estava exigindo essas outras coisas. Estava gritando, sexo, sexo, sexo, com cada pulsar de seu pênis, cada latejar de seu cu. Ele queria descer nela, provar sua doçura, inalar seu almíscar, correr a língua sobre — Ela apertou seu braço. “Beba, Benjamin.” Enquanto ele engolia o líquido frio, sua cabeça clareou. Ligeiramente. Mas vê-la se despir totalmente puxou sua mente em foco. Ela até mesmo desprendeu o cabelo e o deixou solto do jeito que ele gostava. Oh, sim. Quando ela foi para a espreguiçadeira e entortou os dedos, ele estava lá com ela, sentando primeiro, depois a deixando empurrá-lo de costas. Nesta posição, a porra do plug anal se sentiu maior. Maldição. Contudo, o desconforto desapareceu quando Anne se inclinou e lhe deu seu primeiro deleite — um beijo longo e lento. Às vezes, ela beijava como uma Domme — controladora e provocante — e às vezes ela era toda mulher suave e generosa. Dane-se se ele não saboreava ambos. Hoje, ele tinha a doçura como se para proporcionar um contraste com a Mistress sádica empunhando o flogger. Ainda o beijando, ela se sentou na espreguiçadeira. Quando ela levantou a cabeça, ele esperava que ela fosse direto ao assunto. Ao invés, ela acariciou seu rosto. Depois sua mandíbula. Seu pescoço. Sempre muito gentil, e ele percebeu que ela estava beijando cada cicatriz branca. Muito docemente. Ele fechou os olhos e relaxou nas sensações — apesar das crescentes demandas de seu pau. Lábios quentes, então, lhe deram uma mordida afiada na base do pescoço. Ele teria uma marca lá de manhã — mas em comparação com a forma como suas costas queimavam e seu pau latejava, a dor mal se registrou. “Ai,” ele murmurou e ouviu sua risada. Seguida pela seda fria de seu cabelo, ela moveu os lábios por seu corpo, sobre sua clavícula, e abaixo para provocar seus mamilos. Ela beijou sua barriga. E desceu. Quando ela alcançou seus quadris, seu coração bateu em marcha acelerada. 305


Molhada e escorregadia, a língua lambeu seu pau e traçou um caminho tortuoso de uma única veia da base para o capacete antes de arrastar de volta para baixo. Cada exalação o banhando com um sopro de calor. Ela ia matá-lo. Quando ela o deslizou para dentro de sua boca quente, tão quente, ele teve que empunhar a almofada para não perder todo o controle. Mesmo enquanto ela o engolfava em calor, a língua vagou sobre ele, em torno dele. A pele de seu pênis se sentia muito fodidamente apertada, a pressão crescendo quando ela o levou mais fundo. Muito lentamente, ela levantou a cabeça, deslizando para cima, os lábios apertando seu eixo como um punho estreito. Quando ela chupou a ponta, pequenas explosões iluminaram a área por trás de seus olhos. “Respire, Benjamin. Se você gozar, eu vou ficar descontente. Eu quero que você termine dentro de mim.” Ela tinha lhe prometido sexo selvagem. Um boquete e sexo áspero — aniversário e Natal combinados. Embora... Ele não pudesse viver até lá. Ela enrolou as mãos em volta de suas bolas, revirando as peças, enquanto chupava seu pau para dentro, duro e rápido, direto para a garganta. Depois novamente. Subindo e descendo. Ela o soltou e enviou um sopro de ar fresco sobre sua pele molhada — e puxou suas bolas. Seus quadris subiram no choque de sensação. Os dentes mordiscaram um rastro abaixo em seu eixo, enviando arrepios afiados por sua espinha, então ela o banhou em calor quando o tomou de volta na boca. O prazer foi puramente, fodidamente enorme. Ela trabalhou nele, dando generosamente, tomando-o mais fundo do que alguém já tinha. Abandonando suas bolas, ela escorregou a mão para brincar com o plug anal até que toda a área de seu pênis ao ânus se fundiu em um nervo sensível, gritando por liberação. 306


Pressão se construiu, queimando em intensidade, puxando suas bolas para cima. Mas quando ele se aproximou do ponto de não retorno, ela colocou os dedos em torno da base de seu pênis e apertou. Fazendo-o parar. Ele deixou escapar um gemido de alívio e séria fodida frustração e encontrou seu olhar divertido... E muito aquecido. Seu pênis pulsava, o plug latejava; ele precisava gozar, mas dane-se se ele ia desistir de um momento de oportunidade de desfrutar dela sem restrições. Com esforço, ele limpou a garganta. “Obrigada, Minha Senhora. Minha vez? Por favor?” Ela inclinou a cabeça em concordância. “Sua vez.”

***** Antes da próxima batida do coração de Anne, seu escravo estava fora da espreguiçadeira e sobre ela como um selvagem. Num segundo ela estava sentada; no outro ela estava deitada de costas. “Finalmente,” ele rosnou, passando as mãos calejadas de cima a baixo, de seus quadris até seus ombros, de sua boceta até seus seios. Descendo, ele lambeu e beijou um seio antes de passar para o outro, deixando um pulsar quente em seu rastro. Os lábios eram firmes, a língua molhada — e seus seios já se sentiam excessivamente sensíveis e inchados. Ela deve ter engordado; nada mais de compartilhar os doces dele. Quando ele puxou um mamilo na boca e chupou com força, ela fechou os olhos sob o inferno de desejo. Ele estava sendo áspero, sua habitual contenção de eu-sou-um-homem-grande destruída por quão profundo ele tinha entrado em subespaço — e sua voracidade a atingiu como um golpe de martelo. 307


Sentindo seu controle deslizar, ela colocou os braços ao redor dele, puxou-o para baixo, e abriu as pernas. Os olhos ardentes do tigre encontraram os dela com determinação crua. “Você disse o que eu desejasse.” Ela tinha. Ao invés de tomá-la, ele firmemente estabeleceu as mãos sobre as almofadas... E se moveu para baixo em seu corpo. Uma mordida em seu estômago foi acalmada pela carícia da língua. Quando ele acariciou seu monte, os músculos em sua barriga ficaram tensos. Respiração acariciou sua boceta com uma lufada de ar quente antes de ele lamber lentamente sobre seu clitóris com precisão infalível. A sensação cheia de calor iluminou cada nervo em sua metade inferior, e ela gemeu. Ele levantou a cabeça, e olhos amarelados cautelosos a olharam por longos segundos. Ela podia ver o momento em que ele decidiu que ela não estava tomando de volta seu presente — que ele realmente poderia fazer o que quisesse. Ele empurrou com força suas pernas. Enrolando as grandes mãos sob sua bunda ele correu os polegares para cima e separou seus lábios vaginais. Abrindo-a amplamente. Um segundo depois, ele começou a... Festa. A língua estava em toda parte, traçando suas dobras, mergulhando dentro, provocando seu clitóris, enviando prazer tumultuoso em torno de seu sistema. Ele a chupava, a lambia. Quando a necessidade rangente cresceu dentro dela, seus quadris subiram, exigindo mais. “Uh-uh.” Ele se ergueu, apoiando-se com uma mão em sua pélvis e segurando-a no processo. Lentamente, muito lentamente, ele deslizou um dedo espesso em sua vagina. Encantados novos nervos despertaram para a vida sob o alongamento lento e fricção. Mais. Eu preciso de mais. Ela estendeu a mão para seu cabelo... Depois puxou as mãos de volta. Esta era a recompensa dele — e com certeza ela não podia reclamar de suas habilidades.

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Quando ele acrescentou outro dedo, o deslize sensual do empurrão fez seu fôlego engatar. E então a língua atacou seu clitóris, de cima para o lado, enquanto ele mergulhava os dedos dentro e fora em um ritmo exigente. Dentro, fora, tudo apertou dentro dela. A tensão se construiu, e suas pernas tremeram, seus músculos ficaram tensos. A risada dele retumbou contra sua pele, e então ele fechou os lábios firmemente em torno de seu clitóris e chupou. Chupando forte. Sua respiração parou completamente quando a pressão atingiu o pico, e então um surto de sensações rolou sobre ela, através dela — afogando-a de prazer. Ondas e mais ondas. E enquanto ela ofegava por ar, ele a virou em suas mãos e joelhos, e caiu sobre ela. Um braço de ferro se enrolou em sua cintura enquanto ele se preparava em sua entrada. “Prepare-se, Mistress. Eu vou fodê-la duro.” “Be —” Ele bateu nela. Ela estava tão inchada que a penetração a atingiu com a força de um golpe. Ele se sentia enorme, enchendo-a ao ponto da dor — e ainda assim o segundo impulso violento a armou direto sobre um imparável e chocante orgasmo. Sua cabeça girou quando uma liberação cegante estremeceu acima de seu centro. “Porra, mulher, sim.” A voz baixa e áspera retumbou contra ela como um deslizamento de terra. Pressionado dentro dela, ele espalmou seus seios e puxou seus mamilos, arrancando para fora as ondas impossivelmente. Deus. Ela curvou os dedos ao redor da moldura da espreguiçadeira. Seus braços cederam, e ela deixou cair a cabeça nas almofadas enquanto todo seu corpo cantava com prazer. “Anne”. Ao som tenso, ela percebeu que ele se manteve em cheque. Preocupado com ela. De algum lugar, ela conseguiu um pequeno fôlego. “Foda-me, Benjamin. Duro.” 309


“Obrigada fodido Cristo.” As mãos apertaram seus quadris enquanto ele a empurrava rapidamente para fora, e então a puxava de volta contra seu pau. Rosnando de prazer, ele a controlou, empurrando-a fora de seu eixo e a puxando de volta em um empalamento rítmico. De novo e de novo. Os sons de carne batendo em carne ecoando no quarto junto com os ruídos molhados e os grunhidos de prazer dele. A cada inspiração, ela aspirava ao aroma de sexo, a limpa e terrosa loção-pós-barba dele, e seu almíscar tentador. Os dedos agarravam seus quadris ferozmente o suficiente para contundir, adicionando o tipo de dor erótica que ela lhe dera, como uma nota alta na canção que era o sexo. E então ele se dirigiu dolorosamente fundo, segurando-se lá enquanto seu eixo espesso pulsava. Seu gemido gutural nascendo das profundezas da terra. Deus, ela o amava. Ele ainda ficou lá por um momento, congelado no lugar, enquanto as marés de prazer fluíam entre eles. Com um suspiro baixo, ele curvou os braços em volta dela e os rolou de lado, suas costas contra o peito dele. Com sua cabeça descansando no braço, ele repousou a outra mão sobre seu seio. Ainda intimamente fundo dentro dela, ele se aconchegou tão perto quanto podia. Ele beijou seu cabelo, retumbando algo ininteligível, e depois simplesmente a abraçou como se ela fosse a coisa mais preciosa que ele tinha. Sua mão cobriu a dele, segurando-o com ela, sentindo seu calor ao longo de toda as suas costas, sentindo a força de seus braços. Ninguém nunca a havia abraçado desse jeito. Com lágrimas queimando nos olhos, ela levantou a mão e beijou seus dedos. Eu te amo, te amo, te amo tanto, tanto. A corrida de emoção foi esmagadora.

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Aterrorizante. Onde eles iam chegar com isso? Ela respirou bem devagar. Este era o momento em que ela deveria falar com ele e descobrir o que o estava incomodando. Saber como tornar as coisas melhores para ele. Ele curvou a mão sob sua bochecha; o polegar acariciou seus lábios. Como as mulheres lidavam com essas emoções? Um tremor a sacudiu quando sua felicidade se misturou com o medo de perdê-lo. Agora, ele estava tão intimamente ligado a ela que eles estavam praticamente morando juntos. Ela nunca tinha permitido que seus escravos se tornassem uma parte tão diária de sua vida. Se nada mais, ela havia se afastado deles, antes e durante seu período, por que, o Senhor sabia, ela se tornava uma cadela mau humorada. Embora Ben nunca tivesse compl — Entre uma respiração e outra, sua cabeça veio à luz. Um rugido em seus ouvidos abafando a música. Seu período. Quanto tempo desde que ela tivera um período? Seu coração começou a martelar dolorosamente. Com certeza, ela havia menstruado no Dia de São Patrício, em março. Harrison tinha dado uma festa, mas ela estava fluindo tão fortemente que tinha desistido de vestir suas calças brancas favoritas. Teria ela tido outro desde então? Tomando as pílulas anticoncepcionais, ela sempre estava em dia. Ela visualizou a cartela... Ela estava a dias sem tomar as pílulas. Dias atrasada. Desânimo a encheu. Não... Não. O atraso deve ter sido por causa do estresse. Ou alguma outra coisa. Qualquer coisa. Ela fez um som para os braços de Ben a apertando. “Anne? Eu fui muito áspero?”

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Áspero? Ela tentou uma risada e conseguiu. Ele não tinha sido tão violento assim, mas talvez demasiadamente potente? Oh, Deus. “Não. Não, você foi incrível. Maravilhoso.” Ela esfregou o rosto em sua palma, sentindo a estrutura de sua vida começar a ruir. Empurrar suas preocupações para longe foi parecido com rolar uma pedra morro acima, mas ela conseguiu. Ela descobriria o que estava... Acontecendo... Mais tarde. Ben tinha sido incrível. E ela o havia levado bem fundo durante o açoitamento. Ele precisava de toda a sua atenção e alguns mimos. Suas próprias preocupações teriam que esperar.

***** Enquanto Anne liderava o caminho para fora dos quartos privados no andar de cima, as costas de Ben queimavam do flogger. Seu cu estava sensível, embora o plug tivesse sido tirado. Ele sacudiu a cabeça. Odiando ter que admitir que o jogo anal tivesse acendido cada fodido nervo que ele tinha. A boa Mistress sabia exatamente o que aquela coisa faria. Ele tinha gozado tão violentamente que era um milagre que sua cabeça não tivesse arrancado. Anne parou no topo da escada em espiral e colocou um braço em volta de sua cintura. “Está tudo bem, meu tigre?” Olhos de pálpebras pesadas o avaliaram, registrando seus traços da forma como ele tinha feito com sua equipe antes de enviá-los para território inimigo. Embora ela estivesse estranhamente quieta, seu sorriso mostrou seu prazer por ele. Ela gostava de estar com ele e não hesitava em deixá-lo saber. “Eu estou mais do que bem.” Ele colocou uma mecha de cabelo solto atrás de sua orelha. Seu cabelo ainda estava úmido do banho — que ela tinha precisado. Ela tinha gozado tão duro 312


quanto ele, outra coisa que ele amava sobre ela. Sem fingimentos, sem mentiras. Ela gostava de sexo e não tinha medo de mostra isso. Sorrindo, ele colocou um braço em volta de seus ombros, precisando tê-la perto. Ele nunca havia sentido tanto por uma mulher antes, como se mais do que seu corpo e emoções estivessem ligados a ela. “Bom. Então, você desfrutou do sexo violento ou...?” Ela levantou uma sobrancelha. Ou ele preferia ela no comando? “Eu gostei de agarrar e comandar — como uma mudança de ritmo.” Ele sorriu. “Eu sou um cara; vivemos martelando coisas. Mas...” A noção dela não governando no quarto, não lhe dando ordens com aquela voz gutural, não colocando o salto estilete em seu peito ou até mesmo em suas bolas, o deixou desconfortável. Como se ele tivesse perdido sua unidade de bússola e GPS e não tivesse estrelas com a qual navegar. “Estou sob seu comando, Minha Senhora, e prefiro assim.” “Estou satisfeita também.” “E obrigada, Mistress, pelo deleite de hoje.” Ele beijou o topo de sua cabeça e murmurou; “Todos os deleites.” O sorriso dela tinha ternura e carinho suficientes para que seu coração parecesse expandir dentro dos limites de suas costelas. E, ainda... Os olhos estavam vulneráveis. Quase confusos. Seus instintos protetores vieram à tona. “O que está errado?” Ele começou a recuar. Ela não respondeu, apenas puxou sua cabeça e tomou sua boca ali mesmo nas escadas. O beijo foi tão abso-fodidamente-amoroso, que sua libertina Mistress bem poderia estar em sério risco de extinção. Ou sendo muito profunda. Foda-se, ele não achava que poderia se apaixonar por ela mais, mas aparentemente podia. Quando ela o soltou, ele não se endireitou, mas sorriu para seus olhos. “Eu poderia tomar uma bebida se a Mistress permitir?” 313


“É claro. Vamos ver o que Cullen pode nos oferecer.” Outra coisa que ele gostava. Ela não lhe negava algo apenas para ser uma cadela. Embora com certeza ela exigisse essa merda de protocolo. O problema era que ela não mudava quando deixava o Shadowlands ou o quarto. Quando o sexo estava feito e acabado, ela ainda segurava as rédeas, e ele não tinha tanta certeza de que gostava disso. Em campo, quando ao alcance do inimigo, ele sempre queria a cadeia de comando clara. Sem nenhuma pergunta sobre quem estava no comando. Mas de volta à base ou fora? Não. “Uzuri,” Anne disse quando passaram pela estagiária. “Você pode nos trazer uma bebida, por favor? Uma cerveja para Ben e água para mim. E alguns daqueles petiscos meio confusos?” “É claro, Mistress Anne.” Quando Uzuri deslizou em direção ao bar, Ben arqueou as sobrancelhas. “Sem álcool para você, Minha Senhora?” “Desde que você bateu em subespaço, sou a motorista designada,” ela disse calmamente. “E estou cansada o suficiente para que o álcool não seja prudente.” Uma covinha amolgou sua bochecha. “Você tem tantos músculos que leva um longo tempo para açoitar todos eles.” Ela sabia exatamente como fazer um homem se sentir fodidamente bem bombeado. Enquanto sorria, ele notou uma mão levantada perto do centro da sala, ao mesmo tempo em que ela. Galen estava acenando para que eles se juntassem a ele. Anne assentiu e foi nessa direção, o braço em volta da cintura de Ben, como se ela quisesse ter certeza de que ele estava com ela. Ou não confiava nele para caminhar em uma linha reta. Enquanto atravessavam a sala, ela cumprimentou vários membros. Ben pegou um aceno de Rainie, avistou Z e Cullen observando do bar, e sorriu para Linda, que estava sentada com seu Dom, Sam.

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Beth parou Anne com a notícia de que a mais recente adição ao abrigo estava indo bem, apesar de seu marido abusivo e todos os seus comparsas estivessem criando um tumulto com a família e amigos da mulher enquanto caçavam por ela. Malditamente bom que o abrigo fosse bem escondido. Galen e Vance se levantaram quando eles se aproximaram. “Anne. Você pode se juntar a nós?” Galen perguntou. “Eu tenho uma pergunta sobre o rastreamento de fugitivos.” “É claro.” Os homens retomaram suas cadeiras com sua submissa Sally ajoelhada no chão entre eles. Anne tomou a cadeira em frente a eles. Ben imaginou que ele provavelmente deveria ficar de joelhos também. Quando hesitou, ele notou Raoul nas proximidades, supervisionando uma cena com Kim ajoelhada ao seu lado. “Benjamin,” Anne murmurou e olhou para os pés. Quando se estabeleceu lá, ele decidiu que ele estava bem com a posição. Aqui. De muitas maneiras, o Shadowlands parecia como uma zona de guerra erótica com o mesmo tipo de mudanças de poder, e fora seus joelhos que expressavam sua irritação, ele gostava de se ajoelhar para ela. Gostava da mão dela em seu cabelo. Quando ela se moveu e o prendeu entre as pernas, ele sentiu unicamente satisfação. Ele se virou para poder deslizar um braço ao redor de seus quadris. A divisão da saia tinha se abrido, e ele deu um beijo no interior de sua coxa, inalando a fragrância de pele recémlavada e a loção que ela havia usado nos pés. Tesão instantâneo o tomou uma vez que estes aromas lhe apontaram seu caminho erótico favorito. A partir daqui, ele poderia viajar para cima e chegar ao fim da jornada. Ou o começo. Ele beijou uma polegada acima e sentiu o cheiro delicado de seu almíscar. Quando ele tentou outra polegada, a Mistress bateu na parte de trás de sua cabeça e lhe deu um olhar de repreensão. 315


Ele só conseguiu sorrir. Depois de toda aquela cena em que ela havia combinado dor e prazer, ele tinha notado o estranho contentamento, como se o vínculo entre eles tivesse crescido e abrangesse mais do que apenas corações e almas. “Desculpe, Minha Senhora.” Ela bufou uma risada. “Subbie tão ruim.” Quando ela acariciou seu cabelo, ele inclinou o rosto em sua mão como Bronx faria. Inferno, ele ficaria feliz em ser seu animal de estimação. Aqui, pelo menos. O que ela achava, embora? O que ela queria? Ela era tão malditamente reservada. Honesta pra caralho, sim, mas como atravessar suas defesas era como atacar um castelo medieval. Eles precisavam conversar. Logo. Mas agora, sua cabeça ainda estava meio nebulosa. As discussões podiam esperar. Com um suspiro, Ben se contentou com estar perto. Depois de um minuto, ele percebeu que Raoul os estava observando e franzindo a testa. Provavelmente porque ele estava vendo um cara bem-usado vestindo apenas jeans, cabelo solto, com uma marca de mordida no pescoço. Em contraste, Anne esta perfeitamente arrumada e ordenada. É, sem dúvida, parecia como se ela tivesse trabalhado ele do avesso sem suar a camisa. Sem sequer se envolver. Ele riu silenciosamente. Ela parecia tão equilibrada porque tinha tomado banho e se limpado. Na verdade, ela havia lhe dado um meio-sorriso enquanto fazia isso, dizendo; “Eu tenho que defender a honra de todas as Mistresses em todos os lugares.” Ele poderia ter se juntado a ela, mas suas pernas pareciam elásticos sobrecarregados. E quando ela correu as mãos por seu peito úmido e disse que gostaria de mostrar aos outros seu suado submisso, ele não teria lhe negado nada. Uzuri voltou com as bebidas. Anne pegou a cerveja — uma Brooklyn Lager — colocou-a na mão de Ben e aceitou a água. “Obrigada, Uzuri.”

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Enquanto Anne o alimentava com a comida, pegando para si mesma apenas alguma mordida, ela, Galen e Vance discutiram técnicas de pesquisas de software que ela preferia para rastrear um fugitivo, e truques usados na mudança de identidades. Em uma névoa confortável, Ben bebeu sua cerveja. Em algum momento, ele percebeu que estava se inclinando com todo seu peso contra as pernas dela — mulher forte — enquanto com as pontas dos dedos ela traçava padrões em seus ombros. Sim, ele gostava dali onde estava. E ele pensaria sobre o resto quando sua cabeça tivesse clareado.

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Capítulo Vinte e Dois Anne estava em seu banheiro na manhã seguinte, contando os segundos, enquanto observava a tira do kit de gravidez. Miséria queimou em seu intestino quando ela pensou no jeito que havia deixado Ben na noite anterior. Ele ainda estava semiadormecido quando ela deslizara fora de sua cama, o beijara e lhe dissera que precisava de algum tempo tranquilo “sozinha”. E que o veria na segunda-feira. “Que porra é essa?” ele dissera. Acordando completamente, ele tinha tentado agarrar sua mão, mas ela se afastara e firmara sua determinação. Vestindo sua armadura de Domme. “Amanhã, Benjamin,” ela dissera com firmeza. A infelicidade nos olhos dele tinha ferido seu coração. “Eu te vejo na segunda-feira.” Ela não tinha nenhuma desculpa para lhe dar... Porque ela queria fazer este teste primeiro. Nenhuma necessidade de preocupá-lo se ela estivesse completamente errada. Mordendo o lábio, o estômago em nós, ela observou a mudança de cores na tira você-estáou-você-não-está. Mesmo antes do segundo final, ela já sabia o resultado. Oh, ela realmente, realmente estava. Grávida. Nenhuma dúvida sobre todas aquelas cores. Suas pernas tremiam quando ela cruzou o quarto e se sentou no sofá. Era uma peça de mobiliário muito bem-nomeado. Por longos minutos, ela ficou lá. Estupidamente atordoada. Fora da janela de seu quarto, uma gaivota guinchou uma risada. “Não estou vendo o humor nisso, pássaro.” Como no mundo ela poderia estar grávida? Ela estava no controle de natalidade. Ela nunca tinha deixado de tomar nenhuma pílula. Jamais. 318


Então compreensão a atingiu como uma pancada de um corpo. Jamais... Exceto a vez em que ela tinha tido um problema de estômago e quase vomitado até as tripas. Três dias vomitando. Três dias sem comprimidos. Ben tinha sido o único homem com quem ela estivera desde então. Mas, caramba, ele tinha usado preservativo. Exceto... Conforme desânimo a enchia, ela baixou a cabeça entre as mãos. Aquela primeira vez que estiveram juntos, ele tinha entrado nela e puxado de volta rapidamente. Depois de se embainhar, ele continuara, e nenhum dos dois tinha pensado muito sobre isso. Afinal, ambos eram testados no Shadowlands... E ela estava tomando pílula. Apenas atire em mim agora. Mas ela com certeza tinha tido um período depois disso. Em abril, certo? Ela apertou os lábios. Na verdade, ela não tinha tido mais do que algumas cólicas e alguns pingos — o suficiente para fazê-la pensar que ela tinha tido um. De quanto tempo ela estaria então? Ela franziu a testa. Sophia de Z tinha nascido no final de março e foi quando ela e Ben tinham tido a primeira relação sexual. Agora era Maio. Ela estava grávida de seis semanas? Não estava. Estava. Sua mão segurou o estômago enquanto engolia em seco. Não admira que ela não tivesse tido nenhum apetite no café da manhã durante a última semana e tivesse compensado a falta de comer a todo vapor no final do dia. Ela estava grávida. Eu vou ter um bebê. Conforme alegria varria através dela, o quarto pareceu iluminar. E então ansiedade deslizou os dedos frios por sua espinha. Porque isso estava errado. Ela não era casada. Não estava preparada. Uma risada triste escapou. Cá estava ela com medo de mudança e cuidadosamente guardado sua vida estruturada. Parece que a estrutura tinha voado direto pela janela. 319


Ela seria mãe solteira. Isso era simplesmente... Impossível. Ela engoliu em seco. Como ela contaria a Ben? Ou a sua família? Seu pai teria um ataque. Sua mãe ia... Hoje a tarde, ela tinha planejado visitar a mãe para lhe desejar um Feliz Dia das Mães. E olha só a ironia. “Feliz Dia de Vovó, mamãe.” Mas sua mãe iria lidar com isso. E depois que passasse o choque, ela ficaria maravilhada. E seu trabalho? Anne fechou as mãos sobre a almofada e olhou para a parede. Olhou para a imagem dela, pesada com uma criança, perseguindo um fugitivo. Seu trabalho não era um bom... Negócio... Para uma mulher grávida. Oh Deus, isso seria uma bagunça total. Ela teria que para antes que chegasse a esse ponto. Porque a única outra opção era interromper a gravidez. Tudo dentro dela rejeitou a ideia. Meu bebê. E de Ben. Nosso. Calor a encheu quando ela pensou o que a combinação de genes poderia produzir. Norueguês e Francês — mistura legal. Como ela ia contar pra Ben? Ela se empurrou de pé e saiu para a varanda. A manhã estava nebulosa e quieta. Cinza cobria o mundo, turvava a costa, apagava o horizonte. Ondas invisíveis chiavam na praia. “Ben, meu caro. Você vai ser pai.” Ela apoiou os antebraços no corrimão e imaginou a reação dele. Ele não ficaria furioso. E ele gostava de crianças. O problema era o relacionamento deles. Porque ele estava desconfortável em ser seu escravo. Ela esfregou a mão em seu esterno, tentando aliviar a dor abaixo disso. Ele não estava feliz. Ele tinha lhe dito que estava indo bem. Que adorava ser seu escravo, mas... Ele estava? Mesmo? Ele a tranquilizara o suficiente antes que ela tinha ignorado os sinais — porque ela não queria vê-los. Porque ela era uma covarde. 320


Na cama, eles não tinham quaisquer problemas. O resto do tempo... Ele se esforçava. Se ela lhe dissesse que estava grávida, ele se tornaria protetor e exigiria se casar com ela. Insistiria em cuidar dela. Ele ficaria. Mas... Ela engoliu contra a espessura crescente em sua garganta. Ela não queria que ele se casasse com ela apenas por causa do bebê. Ela tinha visto pais que tinham permanecido juntos por causa de uma criança, e toda a criação da criança era antipatia e frieza. Sem Amor. Melhor ficar separados. Uma brisa gelada do mar chicoteou suas roupas e soprou seu cabelo em seu rosto. Ela empurrou os fios úmidos para longe, sentindo as preocupações se acumular. Eles eram tão novos, ela e Ben. Demasiadamente novos para tomar decisões como esta. Ele deveria poder escolhê-la — apenas ela — sem a pressão de um bebê, ou expectativas de sua família, ou seus próprios princípios. Ela o amava. Oh Deus, ela realmente amava. Ela queria estar com ele para sempre. Precisava dele em sua vida. Mas amor significava que ela também queria o melhor para ele. Ela não deve atrapalhar sua vida com suas vontades e desejos. Ele nunca dissera que a amava. Bem, ela não lhe dissera também. Justo era justo. Ela franziu a testa, tentando pensar no por que parecia pior que ele não tivesse. Talvez porque Ben não guardasse as coisas, então, se ele a amasse, ele teria dito. Um Dominante dizer isso primeiro — quando não estava certo seu submisso — pareceria coerção. Será que ele a amava? Ela não estava... Certa. Ela piscou rapidamente contra o formigamento em seus olhos. Ele agia como se sim, mas este era Ben, que sempre cuidava das pessoas com quem se responsabilizava e que se alegrava em cuidar de sua família e sua Domme. Ainda que ele a amasse, eles não tinham provado que poderiam viver juntos, tinham? Não, eles não tinham. 321


Ela olhou para o estômago. “Desculpe amor. Mas você precisa se manter quieto por mais um tempo. Seu pai deve ter a chance de decidir se ele pode me aguentar antes de ter que lidar com um nós. E se ele não pudesse? Logo atrás das nuvens, o sol permanecia escondido. O nevoeiro umedecia sua pele, envolvendo-a em neblina. Ela não podia ver nada — muito menos o que estava por vir. Tudo nela queria compartilhar, contar para Ben, para sua família, para todo mundo. E se regozijar. Mas... Ainda não. Seja justa, Anne. Dê tempo ao homem. Certamente ela poderia manter o controle e simplesmente levar cada momento quando ele surgisse. Talvez, talvez tudo isso pudesse funcionar. Por favor, Deus, faça isso funcionar.

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Capítulo Vinte e Três Conforme o sol brilhava seus últimos raios no horizonte, Ben entrou na casa de Anne, cheio de medo. Mesmo que seu coração martelasse na expectativa de vê-la, o resto dele estava tenso como o inferno, porque ele simplesmente sabia que isso ia se transformar em um grande desastre. Seu estômago parecia como se tivesse almoçado vidro moído em vez de McD’s. Quando ela arrastara a bunda fora da cama no domingo e lhe dissera que precisava de um tempo longe dele, ela não lhe dera nenhuma outra merda de explicação. Como se ele não merecesse saber de mais nada. Como se ele não fosse nada além de um escravo. Como se ele não tivesse direito a nada mais do que um comando. Ele soube, então, que Raoul estava certo. Ele teria que ir até o homem e lhe dizer que aquela merda de escravidão não estava funcionando. Ele tinha infundido em sua cabeça palavras apropriadamente diplomáticas e estava pronto para conversar com ela na segunda-feira. E, então, um de seus amigos Ranger tinha retornado aos EUA e precisava de apoio, de modo que ele tinha passado a maior parte da segunda-feira e hoje lá. As palavras diplomáticas tinham desaparecido de seu cérebro. Assim como sua coragem. Ele estava cansado, droga. Talvez ele devesse adiar essa “discussão” até amanhã? Ele chegou na cobertura de Anne e a viu no longo balanço, falando ao telefone. O saxofone inclinado contra suas pernas. “Estou muito feliz que você ligou,” Anne estava dizendo. Ela olhou para cima e seu sorriso vacilou quando o viu. Lágrimas tinha tornado seus olhos um cinza chuvoso quando ela desligou o telefone. Preocupado, ele se sentou ao lado dela e segurou sua mão. 323


Automaticamente, ela franziu a testa para suas mãos e olhou para o chão. Ela queria que ele se ajoelhasse. Embora seu estômago apertasse, ele ficou onde estava. “Problemas? Más notícias?” “Não. Notícia feliz. Kim concordou em se casar com Raoul. Eles ficaram noivos.” Então a pequena escrava seria uma esposa também. Bom trabalho, Raoul. “Andrea e Cullen estão noivos, também.” Os Mestres do Shadowlands estavam diminuindo rapidamente. “Então, mais casamentos este verão?” “Receio que não. O casamento de Kim será, provavelmente, na Geórgia, onde sua mãe está. E a avó de Andrea quer uma cerimônia católica com todos os enfeites, o que leva meses para programar e planejar.” “Estou surpreso que Cullen esteja disposto a esperar.” “Cullen sabe melhor do que tentar enfrentar a abuela68 de Andrea.” Anne sorriu. “Ela é uma versão hispânica menor da mãe de Z.” Merda, ele não enfrentaria também. “Então, nenhum casamento tão cedo. Mas o noivado de Kim é uma boa notícia, certo? Por que as lágrimas?” Ele tocou o rosto molhado de Anne, sentindo um puxão em seu coração. Teria ele alguma vez a visto chorar antes? Ela limpou o rosto. “Lágrimas felizes. Kim sofreu tantos horrores, e... Ela ficava se esquivando de Raoul sobre se casar. O pai dela tratava a mãe como uma escrava, assim ela via o casamento como uma servidão sem o amor.” Os lábios de Anne pressionaram juntos. “As crianças não devem ter modelos ruins. Isso mexe com suas cabeças.” Ela parecia bastante veemente, mas ela provavelmente tinha visto alguns exemplos ferrados de disfunção no abrigo. “Eu acho que sim.” “Como foi seu dia?” Anne perguntou. “Bom o suficiente. Eu não me molhei, pelo menos.” 68

Nas áreas da língua espanhola, uma avó.

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Ela inclinou a cabeça. “Então o que há de errado?” Ela estava estudando seu rosto. Essa Domme. Às vezes, ela rivalizava com Z com sua habilidade de ler mentes. Tanto para evitar a discussão. E, sim, ele já tinha adiado isso por tempo suficiente. Ele levantou a mão dela. “Quando me sentei no balanço e tomei sua mão, você fez uma careta. Por quê?” Ele já sabia a resposta. “Você sabe por que, Benjamin. Porque meus escravos se ajoelham e tocam apenas quando recebem permissão.” Ela encontrou seu olhar diretamente. Assumidamente. A boca dele ficou seca. “Sim. Foi o que imaginei.” Ele passou a mão livre pelo cabelo, tentado a puxá-lo. Porra. “Esses protocolos te incomodam.” Ela o olhou cuidadosamente. “Você os aceitou bem no início, mas em vez de ir se sentindo mais confortável com eles, você está tendo problemas.” Ele assentiu. “Ouça, Anne.” “Quem?” A expressão dela ficou fria. Erro dele. Mas vê, esse era outro problema. O nome dela era Anne. “Mistress, eu não sou um escravo. Nem mesmo um submisso o tempo inteiro. Estou totalmente de acordo com essas coisas de D/s no quarto, mas não o resto do tempo. Eu não preciso que você tome todas as minhas decisões por mim. Eu não sou uma criança.” “Mas...” A voz dela tremeu. “Você disse que era isso o que você queria. E depois, mais tarde, quando te perguntei sobre estar desconfortável, você disse que era apenas PTSD. Era verdade?” Porra. “Não.” Ela estremeceu. “Eu sinto muito, Anne. Eu menti. Eu estava ganhando tempo. Eu achei que só precisava de mais tempo. Mas isso não está funcionando para mim.”

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O rosto dela deveria ter estado ilegível, mas ele pôde ver o desespero em seus olhos. “Eu nunca tive um escravo que se ressentisse de fazer essas pequenas coisas. Que não quisesse me servir.” Deus, ele a tinha machucado. Ele sabia que isso ia acabar indo para o sul; ele não tinha nenhuma-merda de talento com comunicação. “Eu não quero desistir de nós, mas eu não... Eu não consigo agir como se não tivesse um cérebro na minha cabeça.” Sua mandíbula estava tão apertada que as palavras saíram parecendo irritadas. Ela o olhou como se ele a tivesse esbofeteado. “Eu não te trato assim.” Quando ela puxou a mão fria, muito fria da dele, seu rosto ficou totalmente em branco. Ela estava se afastando dele. Distanciando-se. Deixando-o de fora. E inferno, ela nunca o tratara como se ele fosse estúpido. Isso tinha sido errado. “Anne.” Merda. “Mistress, eu não quis dizer —” “Pare.” Ela ergueu a mão — e ela estava tremendo. Deus. Droga. “Eu...” Ela tomou uma respiração lenta e controlada. “Bom. Eu deveria ter percebido que você não tinha sido honesto comigo.” Sua voz era fria, mas suas palavras calmas. Ele preferia que ela tivesse atirado coisas nele. “Preciso de algum tempo para pensar sobre isso. Talvez você precise, também. Que tal nós,” — ela puxou outra respiração controlada — “nos afastarmos por uns dias, e depois conversarmos novamente.” A forma como ela tentou sorrir o magoou profundamente. “Renegociar.” Eles haviam caído em padrões, de modo que fazer uma pausa era inteligente. Por que então isso parecia como se ela o estivesse dispensando? Mas ela tinha dito renegociar, e ele definitivamente cobraria isso dela. Foda-se ele, mas ele não deveria ter mentido para ela antes. “Ok, renegociar.” Ele pegou sua pequena mão entre as dele. Dedinhos frios. Imóveis. O que ele tinha feito? 326


Ele puxou sua própria respiração lenta. “Vou descer para os Everglades pelos próximos dias, então que tal nos encontrarmos no Shadowlands? Volto no sábado, e nós dois estamos livres dos deveres do clube no final de semana. Posso esperar selar o que decidimos com uma cena?” Suas esperanças quase morreram até que ela finalmente concordou. “Sábado.” Bom. Eles conversariam. E depois fariam uma cena e sexo — porque eles nunca tinham problemas de comunicação quando o assunto era físico. “Até, então.” Por favor, não desista, Anne. Enquanto ia embora, ele não pôde deixar de se perguntar se tinha acabado de destruir o que tinha estado procurando por toda sua vida.

***** Anne o ouviu caminhando pela cobertura e depois em sua casa, e cada passo pesado parecia como se esmagando um pedaço de seu coração dolorido em pó. Um minuto depois, a porta da frente abriu e fechou. Mesmo enquanto desolação a enchia, ela não se moveu. Se ela se movesse, ela... Quebraria. Sua mente presa em uma eterna repetição, vendo-o partir, uma e outra vez. Vendo seu grande rosto áspero, a cicatriz no queixo, a forma como um fio de cabelo em sua sobrancelha esquerda nunca ficava reto, em como seu nariz tinha um galo de quando o havia quebrado. Ele tinha ido embora. Ela o tinha deixado ir. Não tinha... Agido. Lágrimas escorreram por seu rosto. Ela podia ouvir o splat, splat de cada gota. Eu vou ter o seu bebê, Ben. Eu te amo, Ben. Não me deixe. Por favor. Eu vou mudar. As palavras que ela não tinha dito a sufocavam. 327


Ele não deveria ter mentido para ela antes. Mas — ela deveria ter percebido. Deveria ter visto através de sua mentira logo. Ele tinha suas necessidades, e ela as havia ignorado. O conhecimento formou uma piscina pesada de miséria sob seu coração. Ela tinha sido uma péssima Mistress. Uma amante imprudente. Ela nunca tinha tido um verdadeiro amante antes, no entanto. E, ela podia dizer, este treinamento de aprendendo-com-o-trabalho era simplesmente miserável. A escuridão se acumulou ao redor da casa, invadindo a cobertura, ocultando a praia, o Golfo, o horizonte. Cercada pela noite, ela viu as estrelas aparecem. Finalmente, a lua, sua luz pálida batendo nas ondas escuras e as fragmentando em pedaços. Ele tinha ido embora. Com dedos frios, Anne pegou o saxofone e tocou. Tocou canções para o oceano, canções para as estrelas, canções para a lua que se movia pelo céu e começava a se afundar no oeste. Quanto tempo ela tinha estado lá fora? Depois de um minuto, Anne percebeu que a melodia que ela tinha estado tocando era a de Whitney Houston “I Will Always Love You69“. Oh, honestamente. Ela sacudiu a cabeça bruscamente. Que embaraçosamente sentimental. Respirando fundo, ela limpou as lágrimas do rosto. Chega. Este comportamento deplorável não seria tolerado. Talvez o bebê estivesse desordenando suas emoções, mas quem estava no comando aqui — ela ou uma criança por nascer? Recomponha-se, Anne. Depois de um banho quente, ela se alimentou, ignorando o mal-estar. Ela tinha um bebê para nutrir... E o quão incrível era isso?

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https://www.youtube.com/watch?v=3JWTaaS7LdU

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Ao nascer do sol, ela se obrigou a andar na praia para que a brisa matinal pudesse espantar o estupor de seu cérebro. E então ela se sentou na sala e tentou encontrar algum pensamento lógico. Quando algumas lágrimas apareceram, ela culpou os hormônios e seguiu em frente. Pense, Anne. Mas ela continuava se prendendo em um único lugar. Ele não a queria como sua Mistress. Ela não tinha sido boa o suficiente para mantê-lo. Ela nunca tinha sido boa o suficiente, não é mesmo? Ela sempre decepcionava todo mundo. Ao ouvir as palavras internas, ela balançou a cabeça vigorosamente e rosnou para si mesma. Este era um pensamento infantilmente estúpido. Ela era uma boa Mistress — e humana. Ela era culpada por não ver que sua rotina o deixava desconfortável. Por não perceber que ele estava forçando a se moldar como escravo porque ele a desejava. Ele tinha mentido para ela por causa de seus próprios medos. Ambos tinham bagunçado tudo. Oh, Ben. Por que ele tinha dito que queria ser seu escravo? O que o teria possuído? Ela sabia que ele era quase baunilha. E o tinha advertido por ele ser tão novo no estilo de vida. E lhe dissera que ele estava apressando as coisas. Seus olhos se encheram de lágrimas. Sua lembrança daquele dia era tão clara, a alegria que ela tinha sentido tão brilhante. “Eu vou ser seu escravo.” E porque se lembrava tão bem, ela também se lembrou do que tinha acontecido antes. Como Ben tinha lhe entregado o telefone. Joey estava na linha. Ela congelou quando o quebra-cabeça se formou. Oh. Droga. Depois de um longo momento, ela esfregou as mãos pelo rosto com cuidado. Sentindo a pele frágil, como se um movimento brusco pudesse fazer pedaços cair. 329


Joey tinha pedido para ser seu escravo de novo, e Ben tinha ouvido o suficiente para se preocupar. Ela suspirou, vendo como os eventos tinham criado a inevitabilidade deste dia. Porque Ben não era o tipo de homem que permitiria que alguém roubasse sua mulher. Se ele estivesse com ela há mais tempo ou soubesse mais sobre o estilo de vida, ele teria sabido que não queria um relacionamento submisso ou escravo 24/7. Mas Joey tinha forçado a situação. Ela tinha ficado tão atordoada — “Sim, Minha Senhora, é isso o que eu quero” — e tão cheia de felicidade, que não tinha questionado sua motivação. Então, quando ela começou a amá-lo, ela tinha visto apenas o que queria ver. O amor podia ser cego, mas também surdo, mudo e estúpido. Ela apertou os lábios. Sua negligência tinha ferido a ambos. Agora o que ela deveria fazer? Uma meia-risada escapou. A pessoa a quem ela normalmente pediria orientação seria Ben. Ela esfregou o peito, onde a massa de dor machucando seu coração não parava de latejar. Ele a conhecia. Ele teria lhe dado bons conselhos, porque ele gostava dela do jeito que ela era. Com ele, ela tinha podido relaxar e não ficar “ligada” o tempo todo. Era porque ele não precisava que ela fosse sempre forte e invulnerável. Ele era inteligente. Tranquilo. Mortal. Competente. Um sobrevivente do pior que New York poderia lhe jogar e guerrear, também. Ele não precisava dela para tomar suas decisões. Ela soltou um suspiro, sentindo-se como uma idiota. Presa na forma como sempre tinha feito as coisas, ela tinha tentado fazer todas as escolhas para ela, para ele, para eles. Ele não precisava dela para estar no comando. E quanto a ela? Ela poderia lidar com um relacionamento em que não estivesse no controle o tempo todo?

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Ao invés de um instantâneo “não,” ela ouviu apenas o silêncio. Como se a resposta fosse... Talvez. Que estranho. O pensamento de ter um relacionamento onde ela não estava sempre no comando era quase tão emocionante quanto assustador. Ela tinha tido um par de dias assim, certo? O primeiro final de semana deles juntos, ela só tinha assumido o comando no quarto. O resto do tempo, ela tinha recuado e nem sequer tentado. Ela não quisera mais controle. E nem tinha percebido. Mas, mas, mas ... Ela nunca tinha aceitado um não-escravo. Ela bufou uma risada. Ela nunca tinha tido plantas em casa também. Com um suspiro, ela olhou para a pequena violeta africana na mesa de café. Um presente de Ben. Como eram a schefflera70 gigante que estava em um canto da sala, e a pothos vine71 se arrastando abaixo do topo da caixa da china. Em vez de ficar irritada com a presunção de um escravo, ela tinha ficado tocada. Feliz. Sinceramente, ela adorava a “vida” que as plantas tinham trazido para sua casa. Ela gostava de cuidar delas. Ela estava mudando. E talvez ela não exigisse tanto controle quanto tinha exigido no passado. Isso poderia ser possível? Ben tinha mostrado que podia se adaptar a qualquer vida jogada sobre ele. A esse respeito, ele tinha se saído muito melhor do que ela. Ele tinha ido embora, mas eles conversariam no final de semana. Ela olhou para a violeta africana, as pequenas flores roxas um símbolo de esperança — porque ela estava feliz por tê-las em sua casa. Porque isso mostrava que ela tinha mudado.

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Um arbusto tropical ou subtropical de folhas perenes ou uma pequena árvore que é amplamente cultivada como uma planta de casa por sua folhagem decorativa 71 Uma espécie de planta de casa com folhas florescentes em branco, amarelo ou verde claro da família da Araceae popular em regiões de clima temperado

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Linda tinha lhe dito; “A terra é tudo sobre mudança. As estações se movem de verão para inverno. As plataformas continentais empurram as montanhas para cima, que o tempo mói lentamente de volta para baixo. Neste planeta, neste universo, nada fica parado.” Ben tinha sido corajoso o suficiente para tentar ser seu escravo. Era sua vez. No sábado, ela lhe pediria outra chance. Ela seria sua Mistress apenas no quarto — e sua amante em tempo integral.

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Capítulo Vinte e Quatro No final da tarde de sexta-feira, Anne chegou no The Brothers Bail Bonds e atravessou o estacionamento. Seus pés arrastavam como se estivessem em seus primeiros três dias no campo de treinamento. Seus olhos ardiam por falta de sono. Na verdade, ela estava completamente, puramente esgotada. Ao longo dos últimos dias, ela tinha examinado seu passado, tentando ver o quanto de sua necessidade de controle era devido às experiências que tinha tido e as que eram parte integrante de sua personalidade. Suas lembranças mais feias haviam lhe dado alguns momentos emocionais. E sua culpa continuava crescendo de que ela não tinha visto o quanto Ben deveria estar sofrendo. Para coroar seus infortúnios, estar sozinha era... Horrível. A falta de Ben enchia sua casa, esfaqueando-a sempre que ela tropeçava em algo que eles tinham feito juntos. Desde que eles tinham feito quase tudo juntos, a dor tinha sido quase constante. A cozinha estava muito silenciosa sem os risos e chacotas de Ben, até mesmo suas bagunças. E a chave da casa dela ainda estava onde ele havia deixado na ilha. Mas seu bebê minúsculo precisava de comida, querendo ou não sua mãe teve que se forçar a engolir. E, de alguma forma, sua descoberta de estar grávida havia convocado a náusea que vinha com isso. Saltar o café-da-manhã não mudava isso. No final do dia, Ben não estava do seu lado do sofá, ou a seus pés, ou em qualquer lugar da casa. Na noite passada, quando o programa favorito dele começou, ela tinha chorado. À noite, na cama, quando ela rolou, ninguém estava lá. E ela tinha chorado. Malditos hormônios. Maldito Ben. 333


Maldita Anne por ter sido tão cego de suas necessidades. Apesar de sua exaustão, ela estava aliviada por estar no trabalho. Ontem tinha sido seu dia de folga, lhe dando o dia todo para lamentar. Pela primeira vez, ela tinha lamentado seus horários flexíveis. Com uma sacudida de ombros, ela ergueu o queixo e abriu a porta traseira do edifício. Ela tinha vindo mais cedo para dar à equipe instruções sobre o fugitivo que eles iriam atrás naquela noite. Engraçado o quanto ela estava ansiosa pela distração. Esta manhã tinha começado mal. Embora ela não tivesse vomitado suas entranhas antes do café da manhã — como Jessica tinha feito durante sua gravidez — a náusea que varrera sobre ela a tinha deixado quente, depois fria, e a teve engolindo e ofegando como um peixe fora d’água. Amanhã à noite, ela ia ver Ben. Apenas o pensamento a fez estremecer, e se encher de esperança e desespero. Ela até tinha tentado ligar para ele na noite passada, mas não teve resposta. Ele estava no meio de algum pântano — ela sabia disso — mas ainda assim ela se sentiu... Rejeitada. Um sentimento de garota insegura. Mas amanhã, eles conversariam. Ela veria se ele queria tentar de novo e manter a troca de poder de D/s no quarto. Ela lhe pediria para ser paciente com ela enquanto ela tentava quebrar seus hábitos constantes de Domme. Ela lhe diria que tinha sentido muita, muita falta dele. Que ela ficava se esquecendo e colocando água para Bronx todas as manhãs. Que as plantas que ele tinha lhe dado ainda estavam vivas. Volte para casa, Ben. Lágrimas não faziam parte de uma agência de fiança. Ela piscou e mordeu o lábio, deixando a dor forçá-las de volta. E então ela seguiu pelo corredor em direção à sala dos agentes de recuperação.

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A porta do escritório de Matt estava aberta. A foto na mesa o mostrava com seu mais recente neto — um bebê adorável. Anne suspirou. Querendo evitar Z, ela tinha cancelado sua visita habitual a Jessica e Sophia. O proprietário do Shadowlands podia ler uma pessoa quase como se possuísse habilidades de leitura-de-mentes — e ela sabia que ele daria uma olhada nela e saberia que ela estava grávida. Não importava o quanto ela gostaria de compartilhar a notícia, Ben merecia ser o primeiro a saber. Além disso... Confessar a Z que ela tinha conseguido ser engravidada? Fale sobre a caminhada da vergonha. Meio sorrindo, ela entrou na sala. Painéis dividia o perímetro da sala em cubículos, todos abertos para a área de conferência no centro. Em um canto, Aaron estava em sua mesa, escrevendo um relatório. Seu primo Robert estava no cubículo de Anne. Ele deixou um papel em sua mesa e a viu. “Vejam só se não é a Mz. Desmarais.” Ela deveria ter ficado na cama hoje. “Robert. Você tem algo para mim?” Seu sorriso lhe deu uma sensação ruim. “Você não se atualizou.” Não se atualizou sobre o quê? Anne colocou a pasta de lado. O papel que Robert tinha trazido era sua lista de agentes da equipe desta noite. Sob a designação de líder da equipe, seu nome tinha sido riscado e substituído por Robert. Na verdade, ela não estava na lista. A raiva que chamejou através de seus nervos foi desproporcional ao problema. Apenas hormônios. Sou capaz de lidar. Ela estrangulou seu temperamento e manteve a voz firme. “Robert, isso não é engraçado.” O sorriso dele cresceu. “Não fui eu quem fiz as mudanças. Tio Matt fez. Ele disse que você pode tirar o dia de folga e depois trabalhar na recepção na segunda-feira.” 335


Recepção significava atender ligações, visitar a prisão, rastrear informações de criminosos, e detectar fugitivos. Era o mesmo trabalho fulo que ela tinha feito em seus dias de faculdade, quando trabalhava aqui em tempo parcial. Talvez ela pudesse aguentar trabalhar na recepção, mas o que aconteceria com sua equipe? Robert já era incompetente o suficiente como membro da equipe. Tê-lo no comando seria um desastre. “Essa é minha equipe,” ela disse uniformemente. “Eu a construí.” “Na verdade, eles trabalham para meu pai e Matt, não você. E eles preferem ser guiados por outra pessoa. Não a porra —” “Robert,” Aaron retrucou. “Meça suas palavras.” Anne olhou para o outro lado da sala. “O que os outros acham disso?” “As pessoas estão chateadas pra caralho.” O queixo de Aaron estava apertado. “Ninguém pediu nossa opinião. Mas, como ele apontou, Russell e Matt são os donos da empresa. O resto de nós acatamos ordens.” Então, Robert tinha conseguido se dar bem. Anne forçou os dedos abertos. Fique calma. Sua primeira reação foi mandar ele e os tios enfiar seu emprego onde o sol não brilha. Mas ela tinha mais controle do que isso. E seria estúpido sair de um emprego antes de encontrar outro — se fosse isso que ela decidisse fazer. Embora só de pensar em ter que procurar uma nova posição agora fosse desanimador. Ela pensaria nisso mais tarde. O mais preocupante agora era sua equipe. Aquele roedor seria responsável por obter um deles mortos. “Vou falar com Matt e Russell,” ela disse a Aaron. “Eles não estão aqui.” Robert sorriu abertamente e fez uma careta antes de continuar. “Além disso, eles —” “O que aconteceu com seu rosto?” ela interrompeu. Um arranhão marcava sua mandíbula, um lábio estava inchado e dividido, e o olho direito estava parcialmente preto. 336


Ele deu um passo atrás, a encarou, e então inchou como um sapo. “Não é da sua fodida conta, cadela. Ou talvez seja, considerando o tipo de idiotas que aparecem no escritório procurando por você.” “Ben esteve aqui?” Se Robert tivesse falado mal dela, o cão de guarda não pensaria duas vezes em socá-lo. Ele corou. “Sim. Ben.” Teria ele alvejado seu tigre com seus insultos imundos? Era melhor ele não ter. Raiva subiu mais alto. O que ele tinha dito a seu homem? Se ele tivesse feito Ben se sentir mal, ela ia... “Pelo menos eu me associo com homens e não idiotas prodígios como você.” Quando as mãos de Robert se fecharam em punhos, ela sorriu e curvou os dedos em um gesto de venha-cá-menino. Ele parou. Certo. O roedor não lutaram, apenas manipulava as pessoas. Com um suspiro de desgosto, ela pegou sua pasta com a pesquisa extra que ela tinha feito. “Aaron, vou deixar uma mensagem para Matt de que venho falar com ele na segundafeira.” Ela lhe deu um olhar sério. “Todos vocês tenham cuidado. É muito perigoso ter um membro da equipe não confiável.” Ignorando o crepitar de Robert, Aaron baixou a cabeça. “Eu entendo.”

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Capítulo Vinte e Cinco Sábado à noite, Anne estava sentada à mesa superlotada em seus pais, tentando parecer alegre e não preocupada com o que aconteceria mais tarde, quando ela encontrasse Ben no Shadowlands. Ele iria ouvi-la? Iria querer tentar novamente? Respire. Infelizmente, a inalação levava o cheiro do peixe cioba72 — prato favorito de seu pai — e seu estômago revirou. Maravilha. Ela tomou um gole cuidadoso da Sprite e lutou por calma sob a saraivada de vozes agudamente altas ao redor da mesa. Desde que este era o jantar de aniversário de seu pai, seus tios e suas famílias estavam presentes. Quando eles chegaram, ela os cumprimentara com uma cordialidade fria. Tio Matt parecia culpado e ainda não tinha conseguido encontrar seu olhar. Naturalmente, tio Russell e Robert agiam como se não houvesse nada de errado, mas ela estava disposta a uma pausa com seus familiares esta noite uma vez que suas emoções já estavam em um passeio de montanha russa. Toda vez que ela pensava em Ben, ela queria chorar. Toda vez que ela olhava para seus tios, ela queria jogar alguma coisa neles. E registrá-los no Ms. Magazine. Toda vez que Robert olhava de soslaio para seus seios, ela queria socá-lo em uma pilha sangrenta.

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Um peixe marinho avermelhado que é de comercial valor como um peixe de alimento.

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E isso simplesmente não valeria a pena... Porque o cheiro de sangue, provavelmente, iria fazê-la vomitar. Seu bufo chamou a atenção de Travis, e ele bateu o ombro contra o dela. “O que você tem que está tão quieta, mana?” Ela deu de ombros. Este não era o momento nem o lugar para começar um festival de queixas. Sentado do outro lado da mesa, seu primo ouviu. “Ela está emburrada porque eu assumi a equipe de recuperação agora e ela está completamente fora. Ou talvez seja outra coisa. Você no saco, cuz?” Sua mãe ofegou com o insulto grosseiro dele. “Cala a boca, Robert,” Travis estalou. Tocando o braço do irmão, Anne balançou a cabeça. Discussões rancorosas não faziam parte de um jantar de aniversário, e sua mãe tinha passado longas horas organizando a festa. “Só te digo uma coisa,” Robert anunciou. “Os caras ficaram felizes pra caralho de finalmente ter um homem no comando.” O roedor não calava a boca. Harrison rosnou; “Jesus, você é tão cheio de —” “Essa discussão é mais apropriadamente conduzida no escritório, não em uma celebração,” Anne interrompeu antes que as coisas pudessem sair do controle. “Eu discutirei isso na segunda-feira com os proprietários.” “Obrigada, querida,” disse sua mãe, parecendo aliviada. Seu pai franziu a testa. “O que diabos está —” “Não precisa esperar.” Robert disse. “Todos aqui já esteve envolvido com a empresa em um momento ou outro. Aposto que eles estão interessados em como você está sempre tentando encontrar um jeito de comandar tudo.”

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Ela olhou para o rato. “Eu não tenho que tentar encontrar um jeito para nada. Eu construí essa equipe do zero e a dirijo porque tenho educação, experiência e habilidades para fazê-lo.” Ainda na esperança de salvar o jantar, ela não acrescentou, “tudo o que falta em você.” Harrison rosnou; “Exatamente.” Talvez seu primo tivesse ouvido a parte que ela tinha deixado de fora. Ele a olhou furioso. “Você não tem nada que eu —” “Já chega.” Seu Medidor Que-se-Fôda ampliou passando de laranja para vermelho. “Você tomou a equipe, porque você não consegue suportar ser dirigido por uma mulher. Você não tomou a liderança porque você é melhor, mas porque você foi chorar para seu papai — o que você sempre faz quando não consegue o que quer. Eu entendo que deve ser difícil para um homem quando seu equipamento é do tamanho de um amendoim, mas lhe dê uma chance.” Robert ficou roxo. Travis inalou a cerveja, fazendo sons horríveis à sua direita. A maioria dos outros parentes estavam morrendo de rir. Nem todos. Seu pai se inclinou para frente e levantou a voz acima do barulho. “Russell, você removeu Anne da recuperação de fugitivos?” “Desde que Robert é perfeitamente capaz de liderar a equipe, eu decidi fazer a mudança.” A tez corada de Russell tinha se intensificado; sua papada tremia de raiva. “Eu nunca me senti muito confortável em enviar uma mulher em combate, por assim dizer.” Anne empurrou sua resposta de volta. Por que lutar para permanecer como líder da equipe quando a gravidez ia afastá-la em breve de qualquer maneira? Mas, ela tinha trabalhado duro para seus tios e tornado sua equipe a melhor. Ser tirada... Doía. Robert deu a seu pai um olhar direto. “Uma mulher é muito susceptível de se matar. E uma aspirante a policial não possui o necessário para isso.” 340


“Uma o quê?” Sua mãe perguntou surpresa. “Ela não é —” “Robert tem a cabeça enfiada no rabo,” Harrison interrompeu, franzindo a testa para Matt. “Caso não se lembre, você e Russell a contrataram para que ela pudesse trazer sua experiência de aplicação da lei e treinar seus agentes. A equipe foi ideia e criação dela. E é por causa dela que você tem os maiores percentuais de recuperação na Flórida — e as taxas de seguro mais baixas.” “Isso pode ser, mas recuperação de fugitivos ainda não é lugar para uma mulher,” Matt disse. Ela sabia que tio Matt tinha dúvidas, mas tinha sido ele que a recrutara. Agora — por causa de Robert — ele tinha mudado de ideia. A traição foi outra pequena picada de dor na crescente avalanche. Quando Travis ia começar a falar, Anne balançou a cabeça para ele. Nenhum sentido. Que desastre. Ela precisava atrair a atenção deles e acabar com essa bagunça. Esta era a festa de aniversário de seu pai, não o local para uma briga verbal. Ela levantou a mão. “Tio M —” “Devo dizer que estou aliviado. Eu nunca quis minha menina trabalhando com recuperação de fugitivos e colocando sua vida em risco por alguns dólares extras. Simplesmente não é seguro.” As palavras vieram da cabeceira da mesa. De seu pai. Ela se virou para encará-lo, sentindo como se ele tivesse pegado a faca assentada ao lado do prato e a mergulhado em seu coração. Robert podia manipular seu pai em qualquer coisa — porque seu pai acreditava que seu filho podia fazer qualquer coisa. O pai dela era o oposto. Ela tinha tentado a vida toda ser competente — excelente — em qualquer tarefa, especialmente as tradicionalmente atribuídas aos homens. E ela tinha conseguido. Mas seu pai, aquele que deveria ter acreditado nela e a apoiado, não o fez. Seus olhos arderam com lágrimas não derramadas. Ela empurrou a cadeira para trás. 341


“Anne, não,” Harrison sussurrou. Ela sentiu Travis segurar seu braço e o sacudiu livre. “Você venceu, pai.” Com os ombros para trás, o queixo erguido, ela enfrentou seu pai. “Você tem deixado claro repetidamente que não acha que eu posso ser tão boa em qualquer coisa quanto seus filhos.” O rosto de seu pai ficou inexpressivo. “Anne —” “Querida.” O rosto de sua mãe estava branco. “Ele não quis —” “Ele quis, mãe. Tudo bem. Eu entendi.” Sua voz não traiu o vazio ecoando por dentro. Seu olhar se voltou para Russell. “Você venceu também. Eu parei a partir deste momento.” Ela olhou para Travis. “Por favor, pegue minhas coisas para mim.” Rosto fechado, ele acenou com a cabeça. Finalmente, ela olhou para Robert. “Você é um bosta viscoso com quem não vale a pena sujar meu estilete, e muito menos falar. Então aviso justo. Se você alguma vez se dirigir a mim novamente por qualquer motivo, você vai acordar em uma cama de hospital, urinando sangue por um mês.” Silêncio a acompanhou enquanto ela saía.

***** No Shadowlands, Ben se recostou contra um sofá de couro preto e de braços cruzados assistiu uma cena na estação de correntes. Em um terno vermelho-escuro, a Domme empunhava uma cana em um submisso de cabelos grisalhos. Seu marido, na verdade, do que Ben se lembrava. Ela batia no tempo com os sons-aborígenes dos tambores de Massive Attack73 em “Inertia Creeps”. Os gemidos do homem forneciam um contraponto interessante aos sussurros do vocalista. 73

Uma banda de trip hop inglesa, formada na cidade de Bristol no ano de 1988.

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A Domme parou para observar seu sub. O homem ficou tentando olhar por cima do ombro. À medida que os segundos se passaram sem um golpe, ele ficou tenso. “Respire fundo agora,” ela ordenou com voz clara e doce. O cara não lhe deu ouvidos. Má jogada, mano, Ben lhe disse silenciosamente. E sim... A Domme moveu a cana e levemente golpeou o saco de bolas de seu amado. O grito do homem içou pelo ar — e ele concentrou a atenção em sua Mistress, onde deveria. Ui. Ben sacudiu a cabeça, recordando como uma pancada nas joias se sentia. Pobre filho da puta. Por que as Dommes eram tão fascinadas com o lixo de um cara? Não que ele estivesse reclamando. Os resultados eram — ele observou o cara tremer com a necessidade de gozar — como aquilo. “Você não está trabalhando de segurança esta noite?” A voz com sotaque espanhol veio da direita de Ben. Raoul olhou para a cena. “Você está tomando notas para Mistress Anne?” Apenas o som do nome dela disparou seu pulso como se um RPG tivesse batido nas proximidades — e feito seu peito doer. Droga, ele sentia falta dela. As sobrancelhas de Raoul se juntaram. “‘Mano, você está bem?” “Ainda não sei.” Ben se desviou da ação. “Eu disse a ela que não estou talhado para ser um escravo.” “Era o que ela precisava saber, sim?” Raoul o estudou. “Qual foi a resposta dela?” “Ela pediu um tempo para pensar.” Nem mesmo a beleza dos Everglades tinha sido capaz de afastar sua mente de Anne. O balanço lento das palmeiras reais o faziam lembrar sua graça. As nuvens altas em um céu iluminado pelo sol o faziam lembrar como seus olhos se iluminavam quando ela estava feliz. 343


Mas agora tinha chegado o momento de ouvir sua resposta, e ele estava se borrando de preocupação. “Ela vai me dizer o que decidiu esta noite.” A mandíbula de Raoul apertou, e Ben pôde ver que ele não estava otimista. “Você sabe algo que eu não sei?” Bem perguntou. “Apenas que, quando escravos pediram mais dela — para receber mais atenção e tempo ou para viver com ela — ela se afastou, combinando-os com Dommes que poderiam satisfazer suas necessidades, e encontrando alguém novo.” Grande. Ser substituído seria ainda pior do que ser descartado. Uma bola de chumbo se assentou no intestino de Ben. Raoul mexeu os ombros. “Embora com você, ela possa, talvez... Mudar.” Mudança. E Anne. Certo. Ben tentou dar de ombros. “Vai ser como tem que ser.” “A vida é desse jeito,” Raoul concordou suavemente. “Você pode... Eu posso —” “Eu vou ficar bem, porra.” Porque Anne tinha lhe obrigado a ver que a vida era feita para ser vivida. “Ela já deveria estar aqui.”

***** Por que no mundo ela tinha que explodir com seu pai e tios? Anne balançou a cabeça enquanto entrava no salão do Shadowlands. Seu corpo, até mesmo sua pele, se sentia fragilizada, como um ovo oco que o menor solavanco poderia rachar. Claro, os confrontos com seu pai e seus tios já estavam bem atrasados. Ela não tinha dito nada que não estivesse pensando há muito tempo. Tinha sido... Talvez... Um bocado de sentimentos a se expressar. Mas o roedor Robert ter detonado o fogo e fazê-la queimar as pontes tão completamente? Isso doía. 344


O que tinha acontecido com seu controle? Seu temperamento nunca tinha inflamado tão descontrolado desse jeito. Ela não berrava, não gritava, não chorava. Mas agora, em vez de devidamente guardadas por dentro, suas emoções se penduravam na ponta dos dedos, balançando soltas com qualquer pequena virada. Mas sim, ela sabia. Hormônios causavam mudanças de humor. Lágrimas... E raiva. Um canto de sua boca se elevou mesmo enquanto ela fazia uma careta para baixo em sua barriga e a causa de suas emoções rebeldes. Você e eu precisamos conversar sobre seu efeito em mim. Logo. Ela correu a mão sobre a barriga — ainda plana — e lhe deu uma palmadinha. Ela ia ter um bebê. Um bebê de verdade. Seus olhos formigaram instantaneamente com lágrimas de felicidade. Oh, honestamente. Ela puxou um fôlego exasperado. Nesse ritmo, ela começaria a berrar durante um comercial de alimentos de gatos. Um grito repentino a puxou de volta à realidade. Em uma mesa de escravidão nas proximidades, uma pequena submissa tinha começado a lutar freneticamente, soluçando, e gritando. “N-n-não! Aspargos! V-vinagre. Por favor, não mais. Damascos. Pare. Deus, por favor, pare!” Alguém acabava de descobrir que odiava jogos-de-agulha — e, aparentemente, não conseguia se lembrar de sua palavra de segurança. Anne deu um passo nessa direção. “Calma, querida. Sua palavra segura é alcachofra, mas eu entendi de qualquer maneira. Estamos parando agora.” O sádico Edward estava tentando não rir. Ele viu Anne e piscou antes de dizer à submissa, “Vou tirar as agulhas bem devagar. Descanse um pouco.” Bom Dom. Anne balançou a cabeça. Havia várias vantagens no sistema de parada da palavra de segurança. “Vermelho” era curta o suficiente para suspirar entre os gritos. Os submissos raramente esqueciam essa palavra. E todos no estilo de vida sabia o significado.

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Afastando-se, ela respirou lentamente fundo e desejou que tivesse uma palavra de segurança para sua conversa com Ben. Ele já estaria aqui? Ela deveria ter perguntado ao novo cara da segurança grisalho, mas sua voz tinha desaparecido quando o viu. Ele... Não era Ben. Aparentemente, seu subconsciente tinha esperado que seu cão de guarda estivesse na recepção. Bom, ela começaria procurando no lugar de costume. Enquanto se dirigia para o bar, ela olhou para as cenas. Um submisso masculino estava curvado com o pescoço e pulsos presos em estacas de madeira. A barra de extensão mantinha suas pernas longe o suficiente para exibir um pênis esticado. A teia de aranha segurava duas escravas contidas lado-a-lado para serem facilmente açoitadas por seu Mestre. Um rapaz estava fazendo auto-suspensão, com um par de pessoas sentadas perto para ajudar se necessário. Ela acenou para Marcus, que estava assentando uma cruz de St. Andrew. Nolan estava assentando a cruz ao lado enquanto Beth e Gabi aguardavam em seus joelhos. Os dois Mestres provavelmente tinham algo desonesto planejado. Talvez ela pudesse levar Ben lá pra trás para assistir... Se ele concordasse. Ela o veria daqui a pouco. Seu Ben. Como uma enorme onda fria, ansiedade a invadiu, fazendo seu coração martelar. Não, não, relaxe. Vai ficar tudo bem. Vai ficar. Pessoas em relacionamentos... Negociavam. Resolvia as coisas. Se revezavam — e era a vez dela tentar do jeito dele. Por favor, esteja disposto a tentar, Ben. O pensamento de perdê-lo criou uma dor irregular em seu peito. Firmemente, ela empurrou o sentimento para longe. 346


Se ao menos ela não estivesse se sentindo tão... Sozinha. Ela tinha brigado com sua família. Não tinha emprego. Estava grávida. E agora, talvez ela estivesse prestes a perder Ben também. Ela parou, respirou fundo, e se lembrou que ela tinha uma espinha. Sim, era assustador imaginar ficar sozinha com um pequeno ser dependendo dela para tudo. Mas ela era uma adulta inteligente, independente e cuidadosa. Ela não deixaria seu bebê desamparado. E ela não deveria permitir que sua fraqueza empurrasse Ben para algo que ele não queria. Ele deveria poder se afastar dela se fosse isso o que ele precisava. Ele ia querer isso? Quando ela se aproximou do bar, suas emoções eram um ensopado instável de miséria em vez de espumante antecipação. “Anne,” Cullen a cumprimentou. “Drink?” Uma lufada de perfume da área dos subbies revirou seu estômago em náuseas e a impediu de se sentar. “Não, obrigada.” Antes que ele pudesse responder, um barulho alto chamou a atenção dele. Uma submissa amarrada na barra superior — um enfeite de bar — estava batendo um pé na madeira reluzente. Desde que o knotwork74 parecia de Nolan, a sub provavelmente tinha irritado o Mestre você-deve-ser-respeitosa e obteve-se amarrada ao bar. Ela estava posicionada sobre os antebraços e joelhos, com o cabelo preso a uma argola de ferro. Cordas seguravam suas pernas amplamente separadas ao bar. Grampos de mamilos ligados à outra argola puxavam seus seios para baixo e sobre uma extremidade de um balanço em miniatura. Um vibrador estava preso à outra extremidade da gangorra... E posicionado contra o clitóris da sub. Por sua cor avermelhada, a sub recentemente tinha tido um orgasmo e estava lutando para conseguir o vibrador longe de seu clitóris, sem dúvida sensível. Mas para o vibrador no final da

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Um trabalho de nó feito com corda.

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gangorra soltar, a submissa teria que levantar os seios. Ela tentou — e gemeu quando o movimento puxou as braçadeiras do bocal. Foi um excelente exemplo de posição de bondage. Depois de adicionar mais restrições para que a sub não conseguisse chutar seu bar, Cullen deu um tapinha em sua bunda e voltou para sua submissa Andrea misturando bebidas. Será que Ben gostaria de posições de bondage e de estar em uma situação sem-saída? Anne considerou. Talvez ela pudesse criar algo que o fizesse escolher entre suas bolas serem espremidas ou um plug anal? Eles tinham tantas coisas que seria divertido explorar. Alguns de seus escravos tinham amado as posi — “Mistress Anne.” Ela olhou para cima. Joey situou-se em seu cotovelo. “Por favor, Mistress Anne.” A voz desesperada dele tinha uma vulnerabilidade que chamou seu espírito Domme. Como ela lhe ensinara, ele graciosamente caiu de joelhos. A corrente de arreio pressionada em seu peito mostrando seus músculos peitorais lindamente. “Joey. Como vai você?” “Mistress.” Ele baixou a cabeça, sua voz vacilou, e ainda assim ele manteve a postura perfeita com o olhar no chão, as mãos abertas sobre as coxas. “Mistress, eu sinto tanto sua falta. Por favor, me tome de volta.” O apelo atingiu um lugar que tinha estado doendo desde que Ben lhe dissera que não queria servi-la. Ela se inclinou e levantou o queixo de Joey, e viu a rendição absoluta em seus olhos. Viu a esperança de que ela fosse exercer sua vontade e machucá-lo, de que ela o forçasse a aceitar tudo o que ela quisesse lhe dar, de que ela o empurrasse além do que ele achava que poderia tomar.

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O arrepio sob seu toque trouxe de volta o passado e as lembranças de como ele tinha limpado sua casa e cozinhado para ela. Enquanto assistiam televisão, ele se sentava a seus pés... Na posição que Ben tinha achado desagradável. Mas ela não precisava de um escravo a seus pés. Não precisava do controle completo de alguém o tempo todo. Ben tinha lhe ajudado a ver o quanto ela tinha mudado. Mesmo que não pudesse ter Ben, ela não ia voltar ao jeito que ela tinha sido. Quando o calor da respiração de Joey banhou sua mão, ela percebeu que tinha estado olhando para ele por... Por um tempo. Afrouxando seu aperto, ela lhe deu um leve sorriso. “Joey, eu —” “Vejo que você encontrou seu menino.” Ainda inclinada sobre Joey, Anne olhou para os olhos de Ben.

***** Ben tinha pensado que levar um tiro-no-intestino era a pior dor do universo. Ele estava errado. Todo o seu peito parecia atravessado por estilhaços, cada fragmento visando seu coração. Mas ele tinha muita experiência em ficar de pé apesar de ferido como o inferno. Jesus, ele deveria saber que Anne iria voltar para seus lindos meninos. Para seus obediente e bajuladores escravos. Por que ela iria querer um homem como ele? Um que tinha imposto limites sobre ela e lhe dissera que não era um escravo. Mas ela poderia ter conversado com ele antes de chutá-lo. “Ben.” Ela se endireitou.

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Pelo menos ela tinha tomado a mão do menino bonito. Quando ela tinha se curvado e olhado nos olhos do bastardo pelo — pelo fodido sempre — ele tinha chegado perto de rasgar o merdinha longe dela. Ela estendeu a mão — a mesma mão que tinha tocado o escravo. “Eu não —” “Não.” Ben se afastou. Depois tomou mentalmente seu K-bar75 e cortou o agarre que ela tinha sobre ele. Sua vida. Seu coração. “Não vejo nenhuma necessidade de falar sobre isso até a morte. Você estava certa. Eu sou baunilha, e eu não preciso dessa merda de torção. Obrigada pelo gosto.” A dor chocada nos olhos dela não poderia ter sido maior se ele a tivesse eviscerado. Ele não encontrou nenhuma satisfação nesse pensamento. Enquanto saía do Shadowlands, seu peito doía tanto que ele olhou para a camisa, meio que esperando vê-la coberta de sangue.

***** Mas... Não. Anne ficou olhando para Ben. Ele nem sequer tinha lhe dado uma chance de falar. De explicar. De nada. Com uma crueldade contrária a ele, ele lhe entregara sua decisão com a eficácia de uma marreta — e despedaçara suas frágeis esperanças em pequenos fragmentos. Ela podia sentir o tremor de seus lábios, em como sua pele tinha ficado fria, e de alguma forma ela não conseguia puxar seu olhar da direção que ele havia tomado. De onde ele havia desaparecido. Ele não tinha sequer olhado para trás. Por favor. Não. “Mistress.” A voz de Joey a puxou. Piscando, ela olhou para ele, e a expressão dele se tornou preocupada. 75

Marca de faca.

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Isso não estava certo. Ela era a Domme. Supostamente em controle de si mesma. Capaz de apoiar aqueles que eram mais fracos. Precisou de toda a sua força para empurrar os danos abaixo o suficiente para se mover. E ela teve que engolir várias vezes antes que sua voz pudesse passar para crueza. “Joey, eu não estou tomando nenhum escravo por agora.” O chão tremia sob seus pés; não, o tremor vinha de dentro dela. “Oh, mas Mistress.” A voz dele quebrou. “Eu-eu preciso...” Desolação encheu seus olhos antes de ele olhar para baixo. Desgostosa com si mesma, ela endireitou os ombros e empurrou sua autopiedade e ego para longe. Ela era uma Mistress do Shadowlands; este era um submisso que precisava de ajuda. “Você quer que eu te encontre uma nova Mistress?” Ele ergueu o olhar, esperança iluminando seu rosto. “Sério?” Ela conseguiu curvar os lábios. “Tenho certeza que posso encontrar uma Domme que seja mais sádica do que eu. Eu deveria ter feito melhor por você, carinho.” Ele se curvou e beijou sua bota. “Oh, obrigada. Obrigada.” “Dê-me alguns dias para fazer algumas pesquisas, e então eu retorno para você.” Tremendo de felicidade, ele se levantou e recuou. Então hesitou, e franziu a testa enquanto olhava para ela. Ela fez um gesto com a mão. Pode ir. Ele obedeceu. Ele sabia melhor do que ficar se ela lhe indicara o contrário. Ben teria ignorado seus desejos, teria falado com ela e a confortado, não importando o que ela dissera que queria. O pensamento trouxe outra pontada de agonia enquanto ela olhava ao redor, esperando contra todas as esperanças que ele tivesse mudado de ideia. Nenhum homem alto e ombros largos liderava a multidão mais do que sua parte do espaço.

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Ele tinha ido embora. Simplesmente ido embora sem falar com ela. Sem sequer lhe dar uma chance de resolver isso. Por quê? Depois de se enfiar em sua vida, ele simplesmente... Tinha desistido? A bola selvagem de dor em seu peito continuou crescendo, pressionando contra suas costelas, cortando sua respiração. Com uma mão sobre o coração, a outra sobre seu bebê, Anne lutou pelo próximo fôlego. “O que foi aquilo?” Raoul apareceu na sua frente. “O que acon —” Cullen espreitava por detrás do balcão. “O que aconteceu foi que ela rasgou o coração dele fora do peito.” Os olhos dele estavam frios. Infelizes. “Aquele homem confiava em você. Estava fazendo o diabo para atendê-la, e você vai direto de volta para seu escravo anterior e —” “E o quê?” Anne ficou rígida. “Diga-me, Mestre Cullen, você tem tocado em outra submissa desde que Andrea se tornou sua?” O olhar dela foi para o enfeite de bar e de volta para ele. “Isso é diferente. Eu não estava dando em cima dela. Andrea sabe disso.” “Eu também não,” ela disse baixinho. Deus, Deus, ela não aguentava mais. Lágrimas retidas encheram seus olhos, e a tentativa de piscá-las de volta a irritou. Tudo isso a irritou. Conforme a raiva golpeava suas defesas em pequenos fragmentos, ela sabia que eram os malditos hormônios que estavam mexendo com ela. E, ainda assim... Supostamente Cullen não era seu amigo também? E Raoul, também. Ela tinha lhe estendido a mão quando sua ex quase o tinha eviscerado. Será que eles não conheciam nada de seu caráter? Ela não poderia sobreviver perdendo mais amigos, mais família, mais... Mas ela já estava, ao que parecia. De algum lugar no fundo de sua alma, ela encontrou seu engate de Mistress e o amarrou como um cinto de armas.

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“Anne.” Quando Raoul deu um passo adiante, a mão estendida, ela lhe lançou um olhar que o fez parar. “Vocês não precisam se preocupar com seu cão de guarda.” Sua voz saiu calma e fria. Morta. “Ou proteger os submissos vulneráveis da desonrosa — e trapaceira — Mistress.” Cullen se encolheu. “Não foi isso que —” “Diga a Z para cancelar minha adesão,” ela disse a ele. Ele deu um passo atrás. “O quê?” No instante em que o choque manteve os Mestres presos, ela escapou. Não correndo, mas rapidamente. Porque Mistresses não caminhavam através do Shadowlands chorando.

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Capítulo Vinte e Seis Na quarta-feira, depois de quatro dias nos pântanos, Ben estacionou o Jeep na calçada do armazém e arrastou sua carcaça cansada para fora. Suas roupas sujas, suadas e encharcadas pela chuva coladas contra ele. Seu espírito parecia estar se arrastando atrás dele pelo chão. Ele estava uma fodida bagunça. Como podia ele estar tão malditamente zangado com Anne e ainda sentir tanta maldita falta dela? Toda vez que ele pensava naquela noite no Shadowlands, sua cabeça latejava de dor, como o interior de um bombardeio de artilharia. Ele não conseguia esquecer a forma como a mão dela segurava o queixo daquele merdinha. A forma como Joey tinha se ajoelhado a seus pés, o filho da puta magricela, enquanto ela olhava para ele. E olhava para ele. Os dentes de trás de Ben moeram juntos com um som feio. Se ele não tivesse aparecido, eles ainda estariam lá nessa posição? Jesus fodido. Mesmo depois de ver aquilo, ele ainda a queria. Seu coração idiota ansiava por ela. Isso o fazia querer se alistar novamente, apenas para sair do país. Para se impedir de aparecer em sua porta uma noite dessas. “Vamos lá, amigo.” Bronx saltou para fora, abrindo caminho para que Ben pudesse pegar sua mochila. Ele tinha acabado de abrir a porta do armazém quando uma voz veio de detrás dele. “Onde você esteve?” Ben se virou. Enquanto soltava a mochila e se armava, ele reconheceu o irmão de Anne, Travis. Não um assaltante. 354


Travis tinha saltado para trás, as palmas das mãos vazias viradas para fora. “Desculpe-me, cara. Pensei que você tivesse me visto.” Ben soltou o ar por entre os dentes. “Tudo bem. Estou cansado, e você me pegou de surpresa.” Cansado não era a palavra certa. Depois daquele fodido-desastre, ele tinha voltado para os Everglades — embora abandonar a batalha não tivesse ajudado uma merda. Ele ainda procurava por Anne toda vez que virava à noite. Ainda assinalava coisas para compartilhar com ela no jantar. Só que agora não havia ninguém em sua cama. Nenhuma noite agradável de conversas. Em algum lugar ao longo do caminho, sua missão tinha se tornado tão fodida quanto um sanduíche de sopa. E ele precisava de fluidos antes de lidar com o irmão. “Venha.” Deixando a porta aberta, ele entrou e subiu as escadas. Depois de se empanturrar de metade de uma garrafa de água gelada, ele sentiu seu cérebro clicar. Travis estava andando para lá e para cá, todo tenso. “O que diabos você está fazendo aqui?” Bem perguntou. Nada lhe vindo à mente, exceto desastre. “É Anne.” Ben entrou em seu rosto e mal conseguiu se impedir de agarrá-lo pela camisa. “O que tem ela? Ela está bem?” A expressão de Travis apertou. “Ela não está aqui?” “Não. Eu não a vejo desde sábado à noite.” “Sábado. Jesus, onde ela pode estar?” Ben olhou no relógio. Fim de tarde. “Provavelmente indo para o trabalho.” “Você realmente não a viu, não é? Sábado, foi quando ela discutiu com nossos tios e pai. E quando ela se demitiu da agência.”

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A mão de Ben parou a meio caminho da boca. Demitiu? No sábado, Anne tinha planejado participar do jantar de aniversário de seu pai. Ela não tinha trabalhado naquele dia. Então, novamente, um evento de família significava que os tios e primo idiota provavelmente estariam lá. “Robert encheu o saco dela?” “Pior que isso. Parece que ele convenceu tio Russell a lhe dar a posição de líder de Anne e a removê-la da equipe. Ela tentou manter a calma na festa, mas aí nosso fodido pai disse que estava feliz que ela estivesse fora da equipe. Ele não queria sua garota correndo perigo.” Jesus, isso era igual jogar um fósforo num tanque de gás. “Ela explodiu?” “Oh, porra, sim.” Parecendo esgotado, Travis esfregou a mão no rosto. “Ela não atende o telefone. Ela não está em casa.” “Talvez ela esteja em casa e não atende a campainha?” “O carro dela não está lá.” “Inferno.” Como uma avalanche se construindo lentamente, sua preocupação cresceu, enterrando tudo adiante. Ela tinha passado por toda essa merda logo antes de ir para o Shadowlands? Anne amava seu pai. Amava seu trabalho. Os bastardos a tinha despedaçado. E então ele tinha dado um bom e longo golpe nela também. Sim, talvez ela tivesse escolhido o merdinha e não quisesse um não-escravo, mas Ben não precisava ser um idiota sobre isso. “Eu não estou gostando dessa sua cara,” Travis disse calmamente. “O que você sabe que eu não sei? Você sabe onde —” “Eu a vi depois o jantar.” Preocupação o agarrou. “Não desde então. Nós não estamos mais juntos.” “Você...” O rosto de Travis escureceu com raiva. “O que você fez? Depois de tudo que ela tinha passado, você —” “Eu não sabia. E foi ela quem terminou comigo, ok?” Ela não tinha falado nada sobre o trabalho. Sobre a família. Ele não tinha lhe dado a chance. Porra. 356


O olhar de Travis morreu lentamente. “Desculpa. Ela é minha irmã, você sabe?” Ben podia entender. O cara era tão protetor quanto ele — e Anne não tinha sido uma irmã muito fácil de proteger. Ainda não era. “Eu tenho duas irmãs mais novas. Eu entendo.” Os lábios de Travis torceram em reconhecimento irônico. “Suponho que você não tem nenhuma ideia de onde ela poderia ter ido?” Ben sacudiu a cabeça. “Você ainda está na agência de fiança. Você não consegue localizála?” “Sim, bem, ela sabe exatamente como impedir alguém de fazer isso. Pior ainda, com ela fora, meus tios não têm ninguém, inclusive eu, que possa fazer mais do que um traço padrão. Ela é a única com esse talento.” “Idiotas fodidos, e a empurraram para sair.” “Eles estão começando a descobrir isso.” Travis puxou a carteira e colocou um cartão sobre o balcão. “Se você puder pensar em onde ela poderia estar, não importa o quão improvável, eu agradeceria se me ligasse.” Um músculo saltou em seu rosto. “Quando ela era pequena, ela se escondia em seu quarto quando estava magoada, mas ela não está em casa. Ou em qualquer outro lugar. Ela simplesmente nunca... Sumiu assim.” Ben se endireitou, sentindo a necessidade de ir procurá-la ele mesmo. Só que ela não era seu problema agora, era? Eles não estavam mais juntos. Nada. Ela o havia trocado pelo merdinha. Travis ainda estava esperando e Ben fez uma careta. Sim, ela o havia chutado, mas não até depois que ele lhe dissera que não estava conseguindo levar. Um idiota-de-merda total. E ela tinha perdido o emprego e brigado com o pai. Ele suspirou. Ninguém sabia melhor do que ele como toda a sua dureza abrigava um coração assustadoramente terno. Droga, Anne, caramba. Onde você está? “Eu te ligo se descobrir alguma coisa.” Ben estendeu a mão. “Se você prometer me avisar se você encontrá-la primeiro.” Travis pegou sua mão. “Você vai procurá-la, também?” 357


“Porra, sim.”

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Capítulo Vinte e Sete Tentando manter a mente vazia, Anne fechou os olhos e deixou o massagista trabalhar os nós em seus ombros. Quase uma semana se passara enquanto ela descansava na agradavelmente energética costa do Atlântico, experimentando todos os tratamentos de spa, ignorando o álcool, e se fartando de ricas sobremesas. Poderia um bebê nascer viciado em caramelo? Em entre comer, nadar e ler... ela lastimava. Dias se passaram, mas o jantar em família, depois sua explosão no Shadowlands, parecia ter acontecido na noite passada. Ela ainda sentia como se tivesse acabado de dirigir por toda a Flórida e se hospedar em um hotel em St. Augustine. Ela tinha fugido. Não tinha sequer trazido seu telefone. Nenhuma retirada tranquila para ela — ela tinha fugido totalmente do campo de batalha. Então, novamente, ela sempre tinha quando se tratava de transtornos emocionais. Durante os confrontos, ela ia cara-a-cara. Mas depois... Ela se escondia até que suas emoções se assentassem. Ela estava chegando lá. Logo. De verdade. Assim que pudesse respirar sem doer, ela voltaria para sua vida. Mas... Ela ainda podia ver a dor nos olhos de Ben. Ouvir sua raiva. “Obrigada pelo gosto.” Seus dedos se enroscaram em — “Pare com isso. Relaxe,” o massagista murmurou. Sua voz baixa era tão calma quanto uma pedra de rio com as bordas lixadas. Nada parecida com a voz áspera de Ben com aquele pequeno toque nova-iorquino.

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Eu quero Ben. Quando seus olhos formigaram com lágrimas, ela inalou pelo nariz, lutando para contê-las. O massagista suspirou, cobriu-a, e esfregou seu ombro de leve. “Descanse e quando estiver pronta, tire o robe e desfrute da sauna. Vou deixar um copo de água do lado de fora do quarto para você. Beba tudo.” “Obrigada, Marc. Boa massagem.” Ele bufou. “Dificilmente. Você continua desfazendo meus esforços.” O olhar dele vagou por seu rosto. “É difícil seguir em frente com o passado às vezes. Eu ficaria feliz em ajudar com isso também.” A oferta foi educada e cuidadosa. E ela não estava nem um pouco interessada. “Você é muito gentil. Mas volto para casa amanhã.” Ele inclinou a cabeça em aceitação. “Nesse caso, vou simplesmente dizer, foi um prazer.” “Para mim, também.” Uma hora mais tarde, sem qualquer motivação para fazer... Qualquer coisa... Ela permaneceu na cobertura fora do restaurante do hotel. Os pratos de seu jantar já haviam sido removidos, e a alegre garçonete lhe trouxe uma xícara de chá de ervas. Atrás da exuberante paisagem tropical tinha uma longa extensão de praia de areia branca. Ondas rolavam, altas e espumosas, com um estrondoso rugido nunca ouvido no Golfo. O Oceano Atlântico era muito maior, muito mais poderoso. Tal como a diferença entre o massagista e Ben. Não. Não comece de novo. Ela apoiou o pé descalço na cadeira ao lado e estudou seu pedicure. Suas unhas dos pés tinham um azul escuro com pequenas estrelas cintilantes, como um céu noturno. Durante seus dias aqui, seu corpo tinha sido revigorado, mimado, e decorado. Fisicamente, ela se sentia tão bem que até tinha dificuldade em acreditar que estava grávida. Bom, exceto quando ela se deitava numa mesa de massagem e percebia que seus seios estavam

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desconfortavelmente maiores e mais sensíveis. Ou quando algum perfume a fazia querer vomitar. Ou quando uma emoção a arrastava como uma correnteza. Sim, ela estava positivamente grávida. E seu tempo de depressão estúpida tinha que acabar. Ela precisava tomar algumas decisões sobre sua vida. Um monte de decisões, na verdade. Ela mexeu os dedos dos pés, criando um caos nos céus estrelados. Ela era boa nisso, não era? Se alguém lhe tivesse pago, ela não teria conseguido sabotar sua vida tão cuidadosa e confortável melhor do que o que ela tinha feito na semana passada. Como diria Ben; “Bravo Zulu, Anne.” Ben. O que ela deveria fazer sobre ele? Será que ele sequer falaria com ela? A lembrança de sua expressão implacável veio acompanhada de suas palavras cruéis. “Não vejo nenhuma necessidade de falar sobre isso até a morte. Você estava certa. Eu sou baunilha, e não preciso dessa merda de torção. Obrigada pelo gosto.” Ele tinha terminado com ela. Acabado. Quando a angústia se expandiu de seu peito para todo o seu corpo, ela congelou, tentando respirar, apesar da dor. Tentando não explodir em lágrimas. Depois de alguns segundos, quase uma vida, a agonia recuou, deixando doloroso vazio para trás. Ela soltou um suspiro e pegou seu chá. Certo. Ela tinha que pensar em Ben, mas... Este não era o lugar. Ela precisava esperar até que ela tivesse sua casa ao seu redor. Ela tomou um gole e se forçou a engolir. Não importava o que ela decidisse, ela tinha que lhe contar sobre o bebê. Ele era o pai. Ela não queria apoio financeiro à criança, mas... Mas sendo Ben, ele insistiria em fornecê-lo. E ele ia querer fazer parte da vida do bebê. Isso seria doloroso. E, ainda assim — ela descansou a mão na barriga —se menina ou menino, a criança poderia simplesmente se tornar ainda melhor tendo um exemplo do melhor dos homens. Pelo amor de seu bebê, ela aprenderia a lidar com ver Ben, e ele faria o mesmo. 361


Ela respirou fundo e piscou para conter as lágrimas. Por que a vida tinha que ser tão penosa? Avante, Anne. Próximo, o Shadowlands. Incapaz de engolir mais, ela assentou o chá com um baque. “Senhorita.” O homem de pé ao lado de sua mesa tinha cabelo branco reluzente. Vestido todo de branco, ele se inclinava em uma bengala preta. Seus olhos azuis eram desbotados, mas atentos. “Receio que estou interrompendo, mas criança, há algo que eu possa fazer para ajudar?” “Sinto muito?” Ela franziu a testa, não entendendo. Ela teria deixado cair algo ou — “Eu nunca vi ninguém fora de um hospital parecer tão em agonia. Você me permitiria ajudar se eu puder?” A pergunta trouxe mais dor e ainda — uma doçura acompanhada. O mundo ainda tinha pessoas maravilhosas. Ela estendeu a mão. Sua voz saindo rouca de lágrimas não derramadas. “Uma perda recente.” Sim, muitas perdas. “Mas o tempo vai cuidar disso, eu tenho certeza.” Nunca. “Obrigada por sua preocupação.” Muito parecido com o massagista, Marc, o idoso inclinou a cabeça em reconhecimento e deu um aperto em seus dedos. “Tudo bem, então, senhorita. Cuide-se bem agora.” “E você.” Ele tinha ajudado afinal, impulsionando-a e a tirando de seu luto. Lembrando-se do equilíbrio da vida, ela abençoou o estrangeiro, e então fixou sua mente em considerar aquela noite no Shadowlands, Cullen e Raoul, e seu comportamento. Nada bom. Independente do que eles haviam dito, ela também tinha exagerado e perdido a paciência. Ela não podia culpá-los por fazer exatamente o mesmo. Se necessário, uma conversa resolveria as coisas entre eles. Mas, talvez nem isso fosse mais necessário. Ela não estava mais no Shadowlands. E ela não pretendia reintegrar sua adesão. Ben trabalhava lá, e... Pelo bem de ambos, ela manteria distância. E, em toda a realidade, levaria um longo, longo tempo antes que ela se abrisse e aceitasse um submisso novamente, mesmo para um jogo leve. 362


Mas ela sentiria falta de ver seus amigos lá. Não só os Mestres e Mistresses, mas também as mulheres submissas, Jessica, Beth, Kim... Todos eles. Ela sempre tinha tido amigos ocasionais, mas este grupo se tornara muito mais. Eles eram uma parte importante de sua vida. Apenas mais uma mudança que ela não tinha notado aprontando com ela. Ela firmou a boca. O Shadowlands estava fora, mas ela não perderia seus amigos. Ela nunca tinha deixado de bom grado um amigo para trás. Não quando ela era criança e arrastada para longe por seu pai. Agora não. Talvez eles fossem achar difícil serem amigos dela e de Ben, mas eles iam administrar, porque a lealdade era uma de suas melhores qualidades. Próximo assunto a se preocupar: sua ocupação. Ela sorriu. O tema trabalho não era tão doloroso. Não era legal? Inclinando a cabeça para trás na cadeira, ela considerou suas opções. Primeira possibilidade. Ela era uma perfilhadora de fugitivo e líder da equipe muito, muito boa, e Robert realmente era incompetente. Seus tios poderiam reconsiderar e querê-la de volta. Segunda possibilidade. Ela poderia buscar outros empregos. Se ela apertasse o cinto — uh, mau fraseado. Ela acariciou a barriga. Desculpe amor. Se ela economizasse seus tostões, ela poderia levar algum tempo para encontrar uma nova posição. Ela tinha depositado a maior parte de seus salários, então sua conta poupança estava saudável. Sua casa de praia tinha sido um presente, então ela não tinha o aluguel ou hipoteca para pagar todos os meses. Obrigada, mãe. O único problema com sua casa era viver tão perto de seu pai. Infelizmente, afastar-se por alguns anos machucaria sua mãe. Além disso, seu amor por ele não tinha morrido. Seu pai era um total cabeçudo arcaico sobre igualdade e sobre vê-la como ela era, mas ele a amava também. De alguma forma, eles fariam as pazes. Mas ele precisava dar o primeiro passo. Uma droga. Pronto, ela já tinha alguns planos feitos. 363


Amanhã, ela sairia do hotel e voltaria para casa. Estava na hora de acertar as coisas e lidar com as mudanças que ela tinha colocado em marcha. E depois havia a maior mudança de todas. Com um meio-sorriso, ela colocou a mão no estômago. Estou carregando o bebê de Ben.

***** Desde a visita de Travis ontem, Ben tinha procurado Anne sem resultados. Ligado para a empresa de fiança. Verificado o abrigo. Usado a lista de membros do Shadowlands para checar com as amigas... E o merdinha, também. Ele tinha terminado de mãos vazias. Na reunião mensal do grupo de veteranos, ele ficou para trás dos outros. “Posso falar com você por um minuto, Z?” “Claro. Sirva-se de uma cerveja; água para mim, por favor.” Z apertou seu ombro e saiu para dar boa noite para o resto. Ben pegou uma cerveja e a água, sentou na mesa de ferro e carvalho, e... Pensou. Onde diabos poderia a mulher ter ido? Certamente ela teria se hospedado em algum lugar. Olhando para Ben, Z atravessou a varanda e se sentou à sua frente. “O que está te preocupando?” Antes que ele pudesse responder, a porta no patamar do terceiro andar se abriu. Jessica desceu as escadas com Sophia adormecida nos braços e viu Ben. “Oops, desculpem-me. Pensei que todos já tinham saído.” Ela se virou para ir. “Não, Jessica,” Ben disse. “Não há segredos aqui. Eu queria falar sobre Anne. Preciso dividir algumas informações e pedir alguns conselhos.” “Ok. Se você tem certeza.” 364


“Aqui, pequena.” Z se levantou e segurou a cadeira para ela, antes de tocar a bochecha do bebê com dedos gentis. Inveja — e dor — encheu o coração de Ben. Com a perda de Anne, esperanças tinham morrido que ele nem sabia que tinha criado. “Continue, Benjamin,” Z solicitou, retomando seu assento. “Tudo bem. Nó último final de semana no Shadowlands, Anne e eu tínhamos planejado discutir nossa relação.” Z assentiu, sem demonstrar surpresa. “Nós não fizemos.” Ben tomou um gole de sua bebida, incerto do quanto dizer. “Eu a vi de volta com Joey e perdi a calma. Disse-lhe que estava acabado.” Os olhos de Jessica se arregalaram, mas ela não disse nada. “Isso me parece diferente de você.” Olhando para Ben, Z puxou Jessica para mais perto e colocou o braço sob o bebê para suporte adicional. “Pode ser. Mas nós tínhamos tido...” Ben esfregou o rosto com barba por fazer. “Eu tinha dito a ela alguns dias antes que não era um escravo. Ela quis pensar sobre isso. Nós íamos conversar naquela noite.” “Ah.” Z olhou para ele. “Ela disse que estava tomando Joey de volta ao invés?” “Eu não quis lhe dar a chance de falar — mas sim, foi o que pareceu. Mas agora eu tenho pensado que posso ter estragado tudo.” O bufo de Jessica soou como um espirro. Ben olhou para ela. “Você tem algo a acrescentar, loirinha?” “Ela não tomaria Joey de volta. Ele é um masoquista pesado e ela... Bom, ela não é mais tão sádica. Ela me disse.” Jessica sacudiu a cabeça. “Você pode ter interpretado mal a situação?” Quando Ben tinha ligado, Joey não fazia ideia de onde Anne estava. Parecia surpreso que alguém pudesse pensar que ele sabia.

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Será que eu puxei o gatilho sem pegar todos os detalhes? Ele fez uma careta para a mesa. Sem nenhuma dificuldade em abrir a imagem queimando em seu cérebro. Anne se inclinando para Joey, segurando seu queixo na mão, olhando para seu rosto... Pelo fodido sempre. Mas isso foi tudo que Ben tinha visto, realmente. Um olhar mais demorado. Teria sua própria insegurança o feito ler mais na linguagem corporal? “Talvez eu... Tenha me precipitado.” “Se você cometeu um erro, vá e fale com ela, ela querendo ou não, mesmo se tiver que enfrentá-la em seu local de trabalho,” Z disse sem nenhuma dúvida em sua voz. “Não consigo imaginar você fazendo menos.” “Entendido.” Z arqueou as sobrancelhas, silenciosamente perguntando qual conselho ele queria. “Há mais informações que você precisa saber.” Ben sentiu seu intestino apertar. “Mais cedo naquela noite, ela tinha brigado com a família e depois se demitido do emprego, também.” “Nããão.” Jessica sacudiu a cabeça. “Ela adora aquele trabalho. E sua família.” “Sim. E é esse o problema. Ninguém — família ou amigos — a viram desde que ela deixou o Shadowlands naquela noite. Você viu?” Ele olhou para Z. “Não tenho nenhuma notícia dela, não.” Z olhou para a escuridão fora da varanda. “Ela é forte, mas seu coração a deixa vulnerável. Quantos golpes ela pode tomar antes de quebrar?” A constatação atrasada despejou culpa sobre os ombros de Ben. Se ela não tinha tomado Joey de volta, então... Um desses golpes poderia ter vindo dele. Mas que porra ele tinha feito? “E Cullen disse...” Jessica apertou a mão na boca, com lágrimas nos olhos. “Isso não é justo; ela teve muito.” “Shhh, pequena.” Z colocou sua esposa e filha no colo, puxando-as para perto. “O que Cullen disse?” Ben perguntou. Z balançou a cabeça. “Cullen, aparentemente, pensou a mesma coisa que você, que ela tinha te deixado por Joey. Ele ficou com raiva em seu nome.”

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“Jesus, eu não preciso de ajuda.” Cullen tinha caído nela quando ela estava ferida e chateada? “Então é lá que ela está? Na prisão por ter deixado pedaços sangrentos de um Mestre cabeça-de-pau e idiota por todo o bar?” “Benjamin.” A voz de Z foi seca. “Antes de Anne retornar, você pode trabalhar em uma linguagem respeitosa considerada adequada para um submisso.” Contanto que ela retornasse, ele poderia fazer isso. Z acariciou o cabelo de Jessica. “Eu gostaria que Anne tivesse reagido com violência. Em vez disso, ela saiu.” “Saiu do quê?” As linhas ao lado da boca de Z se aprofundaram. “Ela cancelou sua adesão. E, sim, eu tentei encontrá-la, sem sucesso.” Ela saiu do Shadowlands? A sensação de vazio no peito de Ben era nova, como se seu coração tivesse alcançado o fundo do poço. Que porra ela estava pensando, cortando todos os laços que ela tinha? Ela estava louca? Não, mas ela tinha um inferno de um temperamento quando realmente o deixava solto. Ela tinha trabalhado pra caralho para ser uma excelente agente de recuperação de fugitivos e Mistress. E então ter tudo o que ela tinha construído sendo questionado por idiotas como seus tios e seu pai. E Cullen. Inferno, ele não podia culpá-la por fundir sua cabeça. Travis havia dito que ela costumava recuar quando magoada. Mas ela não se afastava de sua família e amigos. Não por muito tempo. “Ela vai voltar para seus amigos — e para o Shadowlands — quando estiver pronta. Anne tem muita coragem.” Se ela estivesse bem. Ela tinha que estar bem. “Quando ela voltar...” Ben hesitou. “Z, eu já te vi intervir quando as coisas vão mal. Você vai ajudar?” “Não,” Z disse gravemente. Tanto Ben quanto Jessica arregalaram os olhou para ele. 367


“Benjamin, você tem todo o talento e determinação necessárias para resolver isso. Vocês seguindo caminhos separados ou não, eu sei que você vai apoiá-la até que ela esteja firme novamente.” O sorriso de Z foi fugaz. “Ela querendo ou não.” “Ela não vai,” Ben resmungou. Mas, caramba, se ela precisava de ajuda, ele faria com que ela tivesse. E ela aceitaria essa ajuda, gostando ou não. Embora fosse mais fácil para ele simplesmente matar todo mundo que a havia machucado. Ele começaria com seu primo. Enquanto isso, ele tinha que encontrá-la. “Vou pedir ao Ghost para ficar na recepção este fim de semana. Tudo bem pra você?” Z assentiu. “Claro.” Ben terminou a cerveja e se levantou. “Desculpe ter atrapalhado sua noite, Jessica. Vou sair de seu caminho agora.” “Fico feliz que tenha vindo,” ela disse. “Vou falar com os outros Shadowkittens e tentar te dar algumas ideias.” “Obrigada.” Enquanto saía, ele a viu se virar e enterrar a cabeça contra o peito de Z. Anne tinha feito isso também, procurado o conforto de Ben. Isso o fizera se sentir necessário e poderoso, como se ele pudesse impedir o mundo de ferir sua mulher. Porra, ele sentia sua falta.

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Capítulo Vinte e Oito “Você vai receber ligações delas, Joey,” Anne disse em seu telefone de casa. As duas Dommes com quem ela falara anteriormente eram sádicas. E ambas estavam dispostas a assumir um novo escravo. “Muito obrigada, Mistresss Anne”. Ele estava tão emocionado que soava quase sem fôlego. “Foi um prazer. Você cuida —” “Você vai estar no Shadowlands esta noite?” Ele perguntou antes que ela pudesse se despedir. “É sábado. E você não estava lá na noite passada.” Na verdade, ela tinha planejado estar em casa na noite passada, mas o pequeno problema de radiador quebrado do SUV a havia mantido em St. Augustine um dia a mais. Não que ela tivesse ido ao clube de qualquer maneira. Ela não era mais um membro. “Não, estou planejando uma boa e tranquila noite em casa. Vou me sentar na varanda e assistir a tempestade chegando.” “Cruzes,” ele disse. Ela sorriu, imaginando seu calafrio. Ele odiava tempestades. Se ele fosse esperto, não compartilharia essas informações com uma nova Mistress sádica. “Boa noite, Joey.” Anne desligou o telefone e franziu a testa para a máquina de mensagens piscando. Ela tinha uma infinidade de chamadas. Mas... Ela já tinha suportado tempo de telefone o suficiente por agora, especialmente desde que as mensagens eram de sua família e, talvez, alguns dos membros do Shadowlands, incluindo — ela estremeceu — Z. Ela já tinha escutado duas mensagens de Travis e Harrison. A

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cada soco no botão de play, ela tinha prendido a respiração, esperando que o autor da chamada fosse Ben, e depois sofrido com a dor quando a voz não era a dele. Ela não aguentaria mais disso agora.

***** No crepúsculo se aprofundando, sob o som estrondoso do trovão, Anne ouviu alguém percorrendo o caminho de pedra que corria ao lado de sua casa. Seu coração saltou. Ben? De sua posição estendida na espreguiçadeira, ela se empurrou sobre um cotovelo. O topo de três cabeças apareceram, vindo ao redor da frente de sua alta cobertura. Não Ben. Mulheres. Ela exalou uma pequena bufada triste. Ela reconheceu suas visitantes só pelos cabelos. Cabelo liso tão negro que brilhava azul — Kim. Cabelo loiro espesso e ondulado — Jessica. O reluzente preto com sulcos — Uzuri. As Shadowkittens estavam aqui para... para quê? Ela franziu o cenho enquanto elas subiam os degraus. “Ei,” Jessica disse. “Será que os visitantes são forçados a caminhar na prancha, Senhora.” Os lábios de Anne se curvaram... Ligeiramente. “Isto não é um navio; é uma plataforma. Mas suba. Vou decidir sobre a prancha depois de ouvir quais crimes você cometeu recentemente.” Apenas Uzuri pareceu preocupada. Kim na verdade riu. Anne se sentiu como fazendo beicinho. Sua reputação como uma Mistress malvada tinha simplesmente ido para o inferno. Então, novamente, era o que acontecia com bons amigos, não era? “A que devo a honra dessa visita hoje? E como vocês sabiam que eu estaria aqui?” Ninguém sabia que ela estaria aqui. Bem, além de Joey. Ao pensar nisso, em um momento, ele tinha sido o símbolo submisso masculino das Shadowkittens. “Joey ligou para vocês,” Anne disse categoricamente. 370


As três trocaram olhares, silenciosamente elegendo Jessica como porta-voz. “Todo mundo ficou preocupado quando você desapareceu.” Quando o vento soprou forte chicoteando suas roupas, Jessica se empoleirou em uma cadeira, o cabelo preso em uma das mãos. Kim disse; “Raoul e Cullen estão realmente chateados com eles mesmos. Cullen disse que ele enfiou os pés pelas mãos. Novamente. Ele está tentando encontrar maneiras de se desculpar.” “Nenhuma desculpa é necessária.” Anne sentiu a pontada de perda enquanto acrescentava; “Eu possivelmente não devo mais vê-los de qualquer maneira.” “Não!” Uzuri passou por Kim, e de repente Anne tinha uma submissa ajoelhada a seus pés. “Por favor, Minha Senhora, não deixe que uma briga mude sua vida para pior.” A memória de Ben ajoelhado... Bem ali... Esfaqueou em seu coração. “Foi mais do que uma briga.” Ela pensara que já tinha ultrapassado a traição deles, mas... Ainda doía. “Eles acharam que eu tinha sido desonesta e traindo Ben.” “Anne”. A voz suave de Kim segurava a teimosia doce que Raoul tanto adorava. “Eles estavam apenas sendo caras unidos defendendo seu mano. Nós mulheres fazemos isso o tempo todo. E Raoul percebeu antes mesmo de você sair que Ben não era o único no relacionamento que estava sofrendo.” Anne piscou. Repassando a conversa. Sim, Cullen tinha sido protetor de Ben. E eles não tinham ouvido nada do que ela e Joey conversaram, tinham apenas a visto com ele, e como Ben tinha se afastado. E tirado suas próprias conclusões. Estúpido, verdade, mas ei, machos, certo? Aparentemente, eles tinham acreditado na imagem de Mistress de coração frio que ela havia criado. A bobina feia de dor em seu peito desenrolou. “Eles se uniram, e eu me descontrolei.” Ela ajudou Uzuri a ficar de pé. “Na verdade, eu acho que você aguentou muito bem,” Jessica disse e se acomodou ainda mais na cadeira quando Kim se sentou ao seu lado. “Eu diria que você simplesmente tinha tido a pior noite conhecida pela humanidade. Seu trabalho, sua família, e depois o clube.” 371


Verdade. Anne as observou por um momento. “Como vocês sabem sobre minha noite?” “Oh, garota.” Uzuri se sentou no balanço. “O Shadowlands é ainda mais bisbilhoteiro do que a pequena cidade onde eu cresci. Seu irmão falou com Ben, que falou com Z, que lhe contou o que Cullen e Raoul tinham dito.” “Eu liguei para Joey,” Kim disse, “e ele acrescentou o resto.” Travis tinha contado a Ben o que tinha acontecido? A cabeça girando, Anne levantou a mão. “Eu já imagino.” “Ben está preocupado com você,” Jessica disse. E isso importa? Ele se preocupava com as pessoas. Só porque ele tinha terminado com ela não o faria parar de se preocupar. Alguém deveria lhe dizer que ela estava bem. Mais ou menos bem. “Alguém poderia lhe informar que eu já estou em casa e que estou bem?” “Não. Nós queríamos falar com você primeiro.” Jessica deu um leve sorriso. “Você pode ser uma Mistress, mas também está na nossa gangue. E uma mulher tem seu pelotão em volta dela quando as coisas vão mal.” A afeição de Jessica banhou sobre e entre os recantos vazios do coração de Anne. Ela tinha boas amigas. Um olhar para as outras duas mulheres lhe mostrou que elas sentiam o mesmo, mesmo antes de Jessica acrescentar; “Todas queriam vir, mas ficamos com medo de que você se sentisse invadida.” “Quando Sally perdeu, meu, você deveria ter ouvido seus gritos. E Olivia disse que vai espancar nossas bundas no clube por não deixá-la vir.” Os lábios de Kim se curvaram. “Vê o quanto nós te amamos?” E aqui estava ela se sentindo desolada. “Obrigada. Obrigada a todas.” “Certo. Então — você tem um liquidificador?” Uzuri pegou o saco marrom de mantimento aos seus pés. “Nós não podemos compartilhar histórias de relações desastrosas sem álcool.”

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Eles teriam que fazer a bebida para ela, mas tudo bem. Rindo, Anne se levantou e liderou o caminho para dentro.

***** Observando as nuvens negras cobrindo o céu, Ben tirou o telefone do bolso traseiro e atendeu sem verificar o display. “O quê.” “Ben? Travis.” Ben congelou. “Notícias?” “Sim. Tem luzes acesas na casa dela.” “Você passou lá?” Bem perguntou. “Não, a esposa de Harrison viu e me ligou. Papai e eu estamos em Tampa e indo para lá agora, então se você quiser vê-la antes de nós, esta é sua chance.” Ben sorriu. Bom cara. “Entendido. Obrigada.” “Nenhuma necessidade de agradecer. Apenas fique ciente de que se você não fazê-la feliz, eu vou quebrar seu pescoço.” Se ele ferrasse com isso, ele daria boas-vindas a uma morte precoce.

***** Enquanto Uzuri preparava daiquiris com os morangos frescos que tinha trazido, Anne se responsabilizava da adição de rum em cada bebida. Um vento úmido e maresia soprava através da tela da porta aberta da varanda para anunciar a chegada da tempestade. Um minuto depois, a chuva batia na cobertura e crescia em um

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rufar ruidoso. “Vocês chegaram aqui bem a tempo,” Anne levantou a voz para ser ouvida. “Isso está se transformando em uma confusão lá fora.” Kim torceu o nariz. “Não dirigir até que isso se acalme um pouco.” Ela aceitou o copo. Não dirigir, certo. Sorrindo, Anne entregou as outras duas bebidas fortemente-dosadascom-rum. Se suas amigas tentassem se sentar atrás de um volante depois de terem bebido, elas descobririam que Domme durona ela realmente era. Ela pegou sua bebida com-menos-rum, soltou um suspiro, e colocou mais três morangos extras para compensar a ausência de álcool. Depois de usar o controle remoto para iniciar sua lista temperamental, ela se acomodou em sua poltrona favorita. Ao longo dos baixos acordes de Enya76, a chuva batia contra a janela escura-como-a-noite. De pernas cruzadas no sofá, Jessica se inclinou para Anne. “Eu vi Ben na quinta-feira. Ele parecia realmente destruído sobre vocês dois não estarem mais juntos.” Anne piscou na abordagem direta, e depois estreitou os olhos. “Você não deveria ser mais discreta quando vai atormentar alguém sobre seu relacionamento? Sabe, tipo ser gentil com as amigas vulneráveis e chateadas?” “Você está certa. Deus, Jessica, você foi criada nas docas?” Kim sacudiu a cabeça e sorriu docemente para Anne. “Você deve amar o quão bonito o clima está hoje, não?” Anne olhou através das janelas em arco para as ondas cobertas-de-branco batendo em sua praia. Sobre o oceano preto, relâmpagos criavam faixas rígidas de luz irregulares. O som das palmeiras chicoteadas pelo vento mal podia ser ouvido sob os trovões. Uzuri seguiu seu olhar e — riu — então disse a Kim, “Você é muito idiota.” Kim fez uma careta. “Eu gosto desse tipo de clima, embora seja melhor quando tenho Raoul para me envolver.”

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Uma cantora, instrumentista e compositora irlandesa.

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“Vê? É isso que estou dizendo. Anne precisa de seu ursinho de pelúcia gigante e garanhão.” Jessica balançou a cabeça. “Você vai tomá-lo de volta? Dá ao pobre homem um descanso?” Tomá-lo de volta? Ele que terminou comigo. “Talvez ela quer um mais jovem — ou não quer um cara enorme,” Uzuri disse. As outras duas lhe deram olhares de descrença. Uzuri ergueu o queixo. “Ei, algumas de nós preferem homens normais. Além disso, aqueles meninos bonitos dela eram lindos e bem construídos, e no auge de sua mocidade.” “Você tem um excelente ponto.” Kim levantou o copo para a amiga. “Aquela bunda de Joey? Um trabalho de arte.” “Isso é verdade,” Jessica disse com a devida consideração. “E, no entanto, talvez Anne tenha gostado de um com grande compilação. Há um monte de vantagens em um mais velho e maior. Mais músculos. Mais experiência. Maiores... Atributos masculinos.” Kim cantarolou. “Atributos masculinos maiores podem não ser um bom negócio.” “É realmente um empecilho, na minha opinião, a menos que o homem em questão saiba como manejá-lo.” Uzuri fungou. “E tudo o mais também.” Anne passou uma perna sobre o braço da cadeira. Se ela permanecesse em silêncio, estas três poderiam muito bem resolver todas as suas preocupações. Infelizmente, todas as três se viraram para olhar para ela com expectativa. “Ben definitivamente pode empregar todas as suas armas soberbamente.” Oh, ele podia. “E eu gostei de sua compilação — bem como de seus atributos masculinos.” Hora de realmente compartilhar, nada que ela fosse muito experiente. “Mas ele não quer ser um escravo. Ele é mais um submisso sexual. “ Confissão final. “E eu odeio mudanças.” Ela não se moveu rápido o suficiente. Quando Kim assentiu, obviamente nada surpresa sobre Ben, Anne perguntou; “Você sabia?” 375


“Ele tinha conversado com Raoul. E Raoul estava preocupado com vocês dois. Ele não tinha certeza se você aceitaria um submisso sexual ao invés de um escravo.” Raoul tinha estado preocupado? Anne tentou se lembrar. Depois que Ben a despachara e saíra, Raoul tinha vindo. De cenho franzido. Teria sua expressão tido mais preocupação do que desaprovação? Ela suspirou. Emoções não resolvidas realmente podiam atrapalhar a capacidade de uma pessoa de ler a linguagem corporal. “Eu ouvi você dizer que quer que as coisas permaneçam as mesmas,” Uzuri disse. “Mas quando eu... Tive... Que me mudar para a Flórida, eu aprendi que as mudanças podem ser boas. Novos mundos se abrem, novas possibilidades.” Ela sorriu para as outras. “Trazendo novos amigos.” “Você realmente não quer que sua vida permaneça para sempre do mesmo jeito, não é?” O sorriso de Jessica era suave. “Eu vi você com Sophia. Você quer que uma sua própria.” “Eu quero.” Anne suspirou. Ela tinha desejado um filho — e agora, aqui estava ela. Grávida. Isso quase a fez se sentir culpada, como se seu desejo tivesse resultado em sua gravidez. “Eu gostaria de ter um bebê — não importa o quanto minha vida seria alterada.” “Eu posso, eventualmente, querer também, mas nós não estamos prontos,” Kim admitiu. “Eu ainda estou me adaptando ao trauma de ter aceitado me casar.” Uzuri riu. “Qualquer outra estaria mais preocupada com esse colarinho que ele trancou em seu pescoço.” “Beth quer um bebê também.” Jessica sorriu. “Vocês podem imaginar a cara de Nolan se ele tiver que converter seu personalizado calabouço todo-trabalhado em um quarto de brinquedos de uma criança?” Anne tinha visto sua expressão quando ele segurou Zane de Kari. O grande Mestre não teria nenhum problema em ajustar sua vida por uma criança.

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“Os bebês inegavelmente transformam sua vida.” Uzuri ergueu as sobrancelhas para Jessica. “Eu sei que é cedo, mas Sophia atrapalhou a sua em alguma coisa? Mestre Z ainda é seu Mestre?” Anne sufocou um sorriso. Z certamente parecia um Mestre no dia em que Jessica tinha seguido seu conselho. Notando a contração dos lábios de Anne, Jessica ficou vermelha. Depois de limpar a garganta, ela sorriu para Uzuri. “Não acho que alguém poderia tirar o Mestre dentro de Z. Mas nosso relacionamento passou por algumas mudanças. Nós tivemos algumas brigas.” “Sério?” Kim se inclinou para frente. “Como o dia em que eu cheguei muito cansada. Bem, nós dois estávamos, realmente. Sophia estava inquieta, e o telefone não parava de tocar, e Z não atendia. Ele estava no celular, mas eu não sabia e pensei que não queria atender, e eu explodi em um total ataque de chilique.” “Oh, meu Deus, você atacou Mestre Z?” Uzuri parecia aterrorizada o suficiente para ter Anne franzindo a testa. Droga, eles realmente precisavam trabalhar em alguns desses seus medos. Não, Anne não era mais membro do Shadowlands. Bom, ela alertaria Z disso. E... E faria algumas escavações como amiga ao invés. “Eu não estava pensando em Mestres, ou submissão, ou nada,” Jessica disse. “Eu estava apenas... Eu simplesmente perdi a cabeça.” Ela fez uma careta. “Mas foi Mestre Z que me espancou, e com certeza não foi uma palmada erótica, mas malvada e impiedosa. Eu chorei meus olhos para fora. Vocês acreditam que ele disse que eu precisava da libertação?” Quando Anne riu — porque Z obviamente tinha estado certo — Jessica torceu o nariz. “Eu prefiro ter um tipo diferente de libertação, certo? Mas depois, ele me segurou e me abraçou. Quando Sophia começou com a agitação novamente, ele me mandou para a cama e me disse que se eu não dormisse, ele me espancaria de novo.” Uzuri deu um suspiro de contentamento. “OK. Você me preocupou por um minuto.” 377


Kim fez uma careta. “Fora você ter gritado com ele, não foi muito de uma mudança.” “Certo. Aqui vai o que não mudou; ele ainda tem total comando quando se sente protetor. Quando se trata de Sophia e da casa, então eu tomo a maioria das decisões. Nós decidimos muita coisa juntos, e se não concordamos, a palavra final é dele, e eu prefiro assim. É... Reconfortante.” Anne achou que Z tinha um bom controle sobre equilibrar tudo. E o contentamento de Jessica sustentava isso. Interessante. Era isso que Ben queria? “Era isso que eu tinha planejado tentar com Ben,” ela admitiu. Os três olhares se viraram para ela. “Levar o D/s mais para o quarto. Não fazer Ben se contorcer para ser um escravo.” “Ben ficaria bem em fazer malabarismos com tudo, eu acho. Fora do quarto, ele insiste em protegê-la e apoiá-la,” Kim disse. “E, depois, lhe entregar o chicote no quarto,” acrescentou Jessica. “Eu gostaria.” O drink de Anne tinha gosto de desesperança. “Era isso o que eu queria, mas Ben disse que ele é baunilha. Ele me agradeceu pelo gosto da torção, como se quisesse cuspir o que restava em sua boca.” “Isso foi naquela noite no Shadowlands? E você acreditou?” Uzuri olhou para ela em descrença. “Você é uma Domme — você deveria ler-nos melhor.” Jessica riu. “Ufa, mesmo os Dominantes lendo mentes estragam tudo quando suas próprias emoções estão envolvidas. E naquela noite ela não estava funcionando com todos os seus botões.” Ela a olhou de relance. “Desculpe, Anne.” “É a verdade.” Anne hesitou quando sua ansiedade e esperança começaram a travar uma batalha. “O que eu perdi?” Uzuri franziu a testa. “Eu estava na seção subbie, observando. Você estava debruçada sobre Joey, segurando o queixo dele toda doce e Mistresse, e simplesmente... Olhando para ele. Por um longo tempo. E Ben viu, e o rosto dele mudou totalmente — para puto, e ciumento, e magoado. Ele pensou que você tivesse voltado para Joey.”

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Anne levantou a mão quando a memória queimou através dela, clara como cristal agora. “Ele disse isso. ‘Vejo que você encontrou o seu menino’. Eu pensei que ele estivesse querendo dizer que eu tinha encontrado Joey para conversar. Mas ele estava pensando que eu tinha escolhido Joey, ao invés dele. E então ele... Soltou.” “Como um típico cara ferido,” Jessica disse. “Sim, como um homem ferido, ele não só pegou as cartas, mas chutou a mesa, também,” Uzuri concordou. “Ele mentiu sobre o que ele quer, Anne,” Kim disse. “Ele não é um escravo, mas ele também não é baunilha. Ele disse isso a Raoul.” “Ei, eu o vi depois de uma de suas cenas. Ele parecia ao passar muito satisfeito e na bemaventurança. É óbvio que ele está na parte da submissão.” Jessica sorriu. “Bem-aventurança.” E não é que era adorável a descrição do que Anne o fizera sentir? Kim assentiu. “Vocês dois precisam conversar. Eu acho que vocês pertencem um ao outro.” As expressões delas seguram tanta convicção que os olhos de Anne queimaram com lágrimas. Ela tinha evitado pensar em Ben e o que fazer. Talvez por isso — porque sua memória estava toda embaralhada com a dor e perda de esperanças. Mas essas mulheres eram seu... Seu pelotão... Como Jessica tinha dito. Elas não a conduziriam errado. “Tudo bem. Eu vou —” O som de rasgo chamou a atenção de Anne em direção à varanda. Uma mão se estendeu através de um longo corte na porta de tela e destravou a fechadura. Um homem enorme abriu a porta e entrou. Anne morto a seus pés. “O quê —” Ela parou na visão daquele rosto. Apesar de uma meia-calça por cima da cabeça achatar suas feições, a fúria aparecia claramente. “Mais de uma cadela aqui, mano.” Ele acenou com a faca em direção a elas. Mais homens encheram a porta — todos mascarados. Um assalto à mão armada? 379


Adrenalina secou a boca de Anne. Uzuri guinchou de medo. Com seu coração chutando contra as costelas, Anne enfrentou os homens, deslizando em uma posição não ofensiva, mas ainda preparada para a batalha. “O que vocês querem?” Anne contou cinco homens. Muitos para combater com êxito. Droga. Seu estômago torceu ao ponto de náuseas. Pelo canto do olho, ela viu Kim agarrar um abajur. Jessica recuou para atrás de uma cadeira, segurando o telefone em suas mãos longe da vista. Esperançosamente ela apertaria o mudo para discar 9-1-1. Para desviar a atenção dos homens de Jessica, Anne recuou em direção à cozinha. “O que vocês querem?” ela repetiu com voz calma. Quanto mais tempo elas pudessem evitar a violência, melhor. Cinco homens. 9-1-1 poderia ser tarde demais. O homem na linha de frente tinha um corpo volumoso do tamanho do de Ben, uma cabeça desproporcional, e um rosnado como o de um pit bull vingativo. “Onde você escondeu minha esposa e meu filho, sua puta?” Oh, muito ruim. Invasões domésticas tinham aumentado muito em Tampa, mas isso não era uma tentativa de roubo. “Minha esposa.” Este era um abusador tentando encontrar sua vítima. O nó na barriga de Anne apertou. As máscaras tinham lhe dado esperanças — mas estes caras não podiam se dar ao luxo de deixar testemunhas para trás. Meu bebê. Anne começou a cobrir a barriga, depois forçou seus braços a se soltarem. Nunca chamar a atenção para uma vulnerabilidade. Eu não estou grávida. Não, eu não estou. Medo secou sua boca. A tempestade e os acidentes que acompanhavam iam retardar a chegada da polícia. Quanto tempo ela poderia atrasar isso? “Quem é sua esposa?” “Sue Ellen. Agora, onde diabos ela está?” Ele girou o braço e bateu uma lâmpada na parede. 380


Mão contra a boca, Uzuri deu um grito fino. Sue Ellen. A mulher tinha sido sufocada, e seu filho exibia uma contusão do tamanho de um punho no rosto do bebê. “Billy vai vir atrás de mim,” ela tinha dito. “Sinto muito.” Encontrando os olhos furiosos de Billy, Anne estendeu as mãos para fora, impotente. “Eu não sei quem é. Como caçadora de recompensas, eu encontro um monte de pessoas todos os dias.” “Vadia, você a levou para um desses fodidos lugares para mulheres. Você está tentando escondê-la — escondê-la de mim, seu marido legal,” ele disse. Um homem que também rivalizava com Ben em altura e músculos avançou. Sua máscara esmagava seus traços largos, mas Anne reconheceu a construção tipo-ogro do cunhado que a tinha visto com Sue Ellen. O olhar dele passou por ela. “É ela, irmão.” Billy deu um passo adiante. “Sua fodida —” “Não tenho tempo para essa porra.” O irmão agarrou o cabelo de Uzuri e a esbofeteou tão violentamente que empurrou sua cabeça para trás. Lágrimas encheram seus olhos enquanto ela lutava contra seu agarre. Ele sorriu para Anne, alimentando-se dos gemidos de Uzuri. “Diga-nos o endereço ou nós foder com suas mocinhas.” Ele levantou a mão novamente, e Uzuri se encolheu. “Pare.” Empurrando abaixo sua fúria, Anne fez sua voz vacilar. Não foi difícil com as ondas de medo gelando seu sangue. “Eu vou dizer. P-por favor, não nos machuque.” “Assim soa melhor.” Outro dos homens se aproximou de Anne. Camisa desbotada. Bronzeado escuro. O cheiro doce e enjoativo de tabaco mastigável não conseguia sobrepor o fedor de seu suor. “Me dê a porra do endereço.” Ogro empurrou Uzuri para longe. Ela caiu sobre as mãos e joelhos, chorando e tremendo.

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A mandíbula de Anne apertou. Aqueles bons velhos rapazes que pensavam que maustratos era um direito deles dado por Deus ainda podiam não ser estúpidos o suficiente para acreditar em sua palavra do endereço. Ela não tinha muita escolha embora. Na esperança contra toda a esperança, ela recitou um número falso em uma grande Rua em St. Pete. Agora nós saímos daqui e vamos conferir.

***** Maldita chuva. Malditas inundações. Ben finalmente chegou em Clearwater Island, navegou pelas ruas emaranhadas com galhos e detritos, desviou em torno das inevitáveis pequenas colisões, e lentamente seguiu outro carro para o beco-sem-saída de Anne. Para sua surpresa, duas caminhonetes surradas estavam estacionadas na rua em cada lado de sua garagem. Ela estava dando uma festa? Irritante o suficiente, o carro na frente dele entrou na garagem dela. Porra. O desvio que ele tinha sido forçado a tomar na saída de St. Pete tinha dado a Travis e o pai de Anne tempo para chegarem. Dane-se com isso, ele ainda ia vê-la. Reconhecendo o local, Bronx ganiu. Ele queria sua Anne. Assim como eu. Ele arrepiou o pelo de Bronx. “Você vai ter que esperar, amigo. Anne e eu temos algumas coisas para resolver antes de você entrar.” Ele fechou a porta e estremeceu com a rajada de um relâmpago seguido pelo trovão. Depois de uma respiração lenta, ele foi até Travis. “Fiquei preso.” “Eu imaginei. As estradas estão uma bagunça.” Travis acenou em direção a seu pai, que estava circulando o carro. “Pai, este é Ben Haugen. Ben, meu pai, Stephan Desmarais.” 382


Desmarais tinha aproximadamente uns um metro e oitenta e dois centímetros, cabelos escuros, a construção magra de seus filhos e um porte militar. “É um prazer conhecê-lo.” Ele apertou a mão de Ben antes de sua boca se firmar em uma linha determinada. “Eu sei que você provavelmente está aqui para ver minha filha. Eu quero falar com ela primeiro.” Ben firmou seus pés. “Todos nós temos razões para vê-la. Acho que a escolha de com quem ela quer falar primeiro é dela. Não é minha. Nem suas. Vou acompanhá-los até a porta.” Travis tossiu, como se cobrindo uma risada. O pai de Anne não estava rindo, e seu olhar era digno de nota. Não que Ben fosse mudar de ideia, mas era um belo olhar feio. Anne fazia melhor.

***** Terror e raiva se misturaram em uma poção profana quando Anne viu os homens se espalharem pela sala, muito perto de suas amigas. Suas amigas muito vulneráveis. Jessica tinha um novo bebê. Kim e Uzuri já haviam sofrido nas mãos de homens abusivos. Começar a luta agora não ajudaria em nada. Espere… O cara com uma espessa barba castanha tirou um telefone e bateu no endereço que Anne tinha fornecido. O coração de Anne afundou. Quem diabos poderia imaginar que um deles iria saber como verificar um aplicativo de mapa? Enquanto seus companheiros esperavam pelos resultados do barbudo, ela se aproximou de suas amigas. Espere… Barbudo sacudiu a cabeça e rosnou, “Não existe esse endereço. Ela mentiu.” 383


“Sua fodida de merda.” Billy avançou em direção a Anne. “Irmão. Não. Essa aí tem que ser capaz de falar.” Ogro olhou para o homem de camisa vermelha e apontou para Jessica. “Corta essa cadela.” “Não,” Anne exclamou. “Espere —” Camisa Vermelha puxou uma faca da bainha de seu cinto e avançou para Jessica. Enquanto Anne corria para o outro lado da sala, Jessica saltou para o lado, fora do alcance. Kim atirou o abajur. A base de metal atingiu a lateral da cabeça do homem e o bateu para trás um passo. “Cadela fodida.” Mastigador-de-Tabaco investiu contra Kim. Ela se esquivou, mas tropeçou em uma mesa de canto e pousou de lado no chão. Faca primeiro. “Você!” Anne gritou para Camisa Vermelha. Derrapando até parar, ela girou. Alimentada com toda sua raiva, seu chute-lateral bateu contra a perna do homem. Um estalo de uma flexão do joelho em uma direção que não era concebida foi acompanhado por um grito. A faca caiu no chão; depois ele. Ogro a esmurrou. Dor explodiu em seu rosto. Caindo. Sua cabeça bateu no chão.

***** “O que diabos foi isso?” Travis perguntou da varanda da porta da frente de Anne. Ben sabia. Um homem em agonia. Ele não tinha ouvido isso desde o Iraque. Empurrando Travis para o lado, ele torceu a maçaneta da porta. Trancada.

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Por que diabos ele tinha lhe dado a chave de volta? Ele correu para a parte de trás. Se necessário, ele poderia rebentar com porta de vidro da cobertura. Batida de passos soou atrás dele enquanto contornava a lateral da casa, subia os degraus três de cada vez, e através da plataforma encharcada pela chuva. Ambas as portas de vidro e tela estava abertas e o interior era um caos. Brigas enchia a sala. Homens com meias sobre as cabeças. Um rolava no chão, segurando a perna. O resto... Onde estava Anne? A raiva de Ben eclodiu. Os bastardos tinham atacado as mulheres. Uma ligeira morena — Kim — socou um cara barbudo com seu pequeno punho com força suficiente para pará-lo — e então Jessica bateu em sua cabeça com uma mesa de canto. Anne estava no chão. Merda! Um soco insignificante bateu nas costelas de Ben, e ele empurrou o atacante sobre o sofá e se dirigiu para ela — Anne ficou de pé, instável, cambaleando desajeitadamente longe de um grande filho da puta de merda, sacudindo a cabeça. O homem avançou para ela. “Não,” Ben rugiu. Ela se esquivou e girou, sua perna subiu, subiu, e a parte superior de seu pé descalço bateu contra a têmpora do homem. Ele caiu. Dois homens ficaram. Um se virou para ela. “Idiotas.” Ben investiu contra o pequeno bastardo que estava no caminho de seu alvo. Enterrou o punho no intestino do homem e seguiu com um gancho de direita em seu queixo que deixou tudo móvel e garantiu que o filho da puta estaria chupando o alimento de canudinho por um longo tempo. O barbudo, vítima-da-lâmpada, cambaleou e avançou para Jessica. Travis e Stephan o interceptaram. 385


Ben virou sua atenção para o último. Ainda maior e mais volumoso do que ele. Belo alvo. Ben girou. O homem se esquivou o suficiente para que o soco de Ben pegasse apenas suas costelas. Com um grunhido, o idiota absorveu o golpe e contra-atacou com um punho carnudo. Ben bateu seu braço para o lado. “Billy!” Com uma contusão lívida marcando seu rosto, Anne olhou para o imbecil. Sua expressão era mortalmente furiosa, seu temperamento claramente quente. E ela não estava pronta para parar. Ben quase... Quase nocauteou o cara, mas puxou o soco no último minuto. Inferno. Alguns homens davam à suas mulheres flores para se desculpar. Se seu temperamento estivesse ressentido, Anne seria susceptível a devolver um buquê, apontando direto para a cabeça dele. Mas havia outras maneiras de pedir perdão. Billy como um presente. Ainda querendo matar o idiota, Ben agarrou seu colarinho, jogouo em uma parede para mantê-lo ocupado, e disse, “Sinto muito pelo que eu disse, Minha Senhora.” Distraída, Anne voltou seu olhar cinza de aço para Ben. “Posso tentar compensá-la por isso?” Ele pegou o bastardo no rebote e o empurrou em direção a ela. “Um deleite?” “O quê?” Ela se esquivou do idiota cambaleando e chutou suas pernas de debaixo dele. Billy desembarcou, e a casa tremeu. “O que você está fazendo aqui, Benjamin?” Quando Billy se lançou de pé, Anne lhe deu um soco no queixo e o impeliu de volta para Ben. “Desculpando-me. Eu ferrei com tudo... Pensei que você tinha voltado para seu menino bonito.” Só de pensar no merdinha adicionou um pouco de ênfase quando Ben esmurrou o idiota atordoado no rosto. Isso o empurrou para Anne. 386


Ela murmurou algo sobre seu pelotão estar certo. Depois de se esquivar do balanço selvagem de Billy, ela o chutou no intestino e o retornou para Ben. “Seu idiota, eu te amo. Por que eu iria querer Joey?” As palavras... As palavras... Paralisaram Ben completamente. Amava? Ela o amava? Emoção correu por sua espinha, enviando foguetes explodindo pelo ar, fazendo seus ouvidos zumbir. Algo atingiu seu ventre, e ele percebeu que o idiota tinha batido nele. Esquecendo de sequer revidar, Ben bufou em desgosto e o atirou para Anne. “Eu também. Você. Nós precisamos conversar.” “Concordo. Já é hora.” Ela pegou o homem com um soco-a-soco no estômago, e um gancho de esquerda no queixo, seguido de um cruzado de direita. “Bravo Zulu, Minha Senhora,” Bem feito. “Merda, isso foi legal, maninha.” Travis sorriu para ela antes de franzir a testa para Ben. “Você poderia ter me deixado jogar também, idiota.” “Casa de sua irmã; brinquedos de sua irmã.” “Seu bastardo covarde, você o empurrou em minha menina?” O pai de Anne estava vermelho de raiva. “E você...” Ele empurrou o filho de lado, que aparentemente o tinha bloqueado de participar. “Você não fez melhor.” “Ei, eles estavam tendo uma conversa,” Travis disse isso tão virtuosamente que deveria ter tido uma auréola em sua cabeça. “Mamãe disse que não devemos interromper discussões sérias.” “Não olhe agora, Stephan, mas ela não é uma menina.” Com orgulho, Ben assistiu Anne— minha mulher — ajudar Uzuri a se levantar. Sirenes soaram, crescendo em intensidade. De um lado, Travis ainda estava discutindo com Stephan. Ben pegou uma fita adesiva da gaveta da cozinha e começou a imobilizar os bandidos, deixando aquele obviamente incapacitado por último. Ele apostava seu último dólar que o cara — ainda gemendo sobre seu joelho visivelmente destruído — tinha sido trabalho de Anne. 387


“Jessica, você está bem?” Anne perguntou enquanto levava Uzuri tremendo para uma cadeira. “Você poderia receber a polícia?” “Eu estou bem.” A loirinha empurrou o cabelo fora do rosto, fez uma careta para o idiota barbado no chão, e chutou suas costelas com seu pequeno pé. “E eu ficaria encantada.” “Você?” Anne olhou para Kim com as sobrancelhas arqueadas. Ela deu um aceno de cabeça firme de volta. “Estou bem.” Kim pegou um abajur feito de metal virado e golpeou o mesmo pobre coitado com isso antes de colocá-lo em uma mesa de canto. Ben riu. A Shadowkittens tinha algumas garras afiadas bem perversas. Anne ouviu e se virou. E se aproximou. Sua frequência cardíaca aumentou. Ele se endireitou e estabeleceu um pé no meiogarantido cara mau. Ela achatou a mão em seu peito. Seus dedos estavam avermelhados, os vincos entre eles mostrando vasos sanguíneos estourados. Sua mulher tinha uma batida dura. Ele teria que lhe colocar uma bolsa de gelo. Ela subiu na ponta dos pés para beijá-lo levemente. “Você merece uma recompensa por compartilhar o prazer.” “Não há muito que eu não faça para ganhar uma recompensa,” ele murmurou. Porra, ele a queria. Queria se ajoelhar a seus pés, para ser ordenado a servi-la, a saboreá-la, a respirá-la. Para sentir as mãos dela em seu cabelo enquanto ela liderava o caminho... E o levava com ela. A mão não se moveu de seu peito, e ela o estudou por um segundo, então seus lábios se curvaram. “Depois que o lixo for levado embora, nós vamos conversar. Então…” Então. Sim. “Funciona para mim.”

***** 388


Com esperança brotando no coração, Anne se virou para lidar com as tarefas que a esperavam. Caras maus, policiais, amigas, família. E Ben. Ben acima de tudo. Uzuri primeiro. Mas, enquanto se dirigia para lá, Kim puxou a pequena submissa da cadeira, dizendo; “Enquanto Anne fala com a polícia, por que não vamos limpando a bagunça?” “Ok,” Uzuri sussurrou, mas não se moveu. Culpa atravessou Anne. Aqueles homens tinham vindo atrás dela, não de Uzuri. A mulher vulnerável não deveria ter tido que suportar a ressurreição de traumas passados. Anne colocou um braço em volta de sua cintura. “Uzuri.” Seus olhos castanho-aveludados baixaram. Com um dedo sob o queixo da subbie, Anne levantou seu rosto. Sua bela pele marrom estava marcada por um arranhão ensanguentado ao longo de sua mandíbula e um lábio cortado, fazendo Anne querer começar outra briga. “O que você está fazendo, querida?” “É exatamente isso. Eu não fiz nada.” Vergonha se mostrava no rosto de Uzuri. “Não lutei de volta. Apenas... Tomei.” Ah, então era isso o que estava errado. Anne empurrou a pena brotando dentro dela de lado; o que não beneficiaria em nada a jovem. “Você está certa. Você não ajudou em nada na luta.” Lágrimas encheram os olhos de Uzuri na declaração impiedosa. Anne ignorou o suspiro de Kim e manteve seu aperto no queixo de Uzuri, segurando seu olhar. “E isso significa que na próxima vez que precisar você pode fazer melhor. Você vai ter aulas de autodefesa, mesmo que esteja com medo.” Uzuri piscou. “Mas —” “Isso é uma ordem, sub,” Anne disse suavemente, adicionando um filete de gelo. “Fui clara?” Uzuri ainda estava tremendo, mas determinação firmou sua boca e encheu seus olhos. “Sim, Senhora. Eu vou.” 389


“Era isso o que eu queria ouvir.” Anne apertou sua cintura. “Você é mais forte do que pensa; você só precisa das ferramentas para provar isso.” E eu vou estar no seu rabo para me certificar de que você faça. “Agora, você pode ajudar a limpar este lugar enquanto eu lido com os policiais?” Dado um comando, Uzuri se recompôs. Alívio lavou sua expressão. “Sim, Senhora.” Obviamente reconhecendo a técnica da Domme, Kim piscou, fazendo um arco zombeteiro de artes marciais. “Vamos pegar alguns sacos e tirar tudo que estiver quebrado.” Quando as duas se dirigiram para a cozinha, Anne se virou para sua próxima tarefa. “Anne.” Seu pai se soltou do aperto restritivo de Travis. “O que diabos estava acontecendo?” Oh, honestamente. Tanto para fazer reparações tão cedo. Ela lhe deu um olhar de desgosto. “Não posso acreditar que você chamou Ben de covarde por ter sido simpático o suficiente para me deixar terminar uma luta.” A boca dele caiu aberta. “Você é minha filha. Eu —” “Nós já tivemos essa conversa antes.” Anne já estava cheia dessa merda. “Vá para casa cuidar da mamãe. Talvez ela goste de ser tratada como uma estatueta preciosa que vai quebrar se você olhar para ela muito rudemente — embora eu diria que ela é mais forte do que você lhe dá crédito.” Quando ela ouviu a risada retumbante de Ben, Anne olhou para ele. Que estava olhando para a cozinha — onde sua mãe estava de pé, mãos nos quadris, olhando para o marido despercebido. “Você não entende,” seu pai protestou, de costas para a cozinha. “Oh, eu entendo, tudo, muito bem. Meus pais sempre me disseram para ser forte e competente. Mortal, até. É uma pena que meu pai ainda ache que sua filha de trinta e cinco anos deve ficar em um cercadinho.” Ela sacudiu a mão para os bons velhos rapazes sujando sua sala. “Três desses no chão são meus.”

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Seu pai não se mexeu. Ele apenas ficou lá, parecendo mais incerto do que ela já tinha visto. “Sinto muito, Anne.” Um pedido de desculpas? A surpresa a segurou no lugar. Ele parecia... Triste. Seu coração lhe pediu para dizer a ele que estava tudo bem. Mas não estava. E ela duvidava que suas crenças tivessem realmente mudado. Firmando sua determinação, ela entrou numa mentalidade Domme. Ele podia estar sofrendo, mas remorso era uma excelente ferramenta de aprendizagem. “Pelo que você sente muito? Exatamente?” “Eu nunca quis que você se sentisse menos valorizada. Eu amo você, Anne. Amo você tão plenamente quanto amo os meninos.” As linhas em seu rosto se aprofundaram. “Mas, bebê, eu não suporto você fazendo algo que pode te machucar. Ou te matar.” Antes que Anne pudesse jogá-lo para fora de sua casa, um rosnado delicado veio da cozinha. Ele se virou. Sua mãe avançou para frente. Ela socou seu amado marido no estômago ferozmente o suficiente para fazê-lo grunhir. A boca de Anne caiu aberta. “Você é um hipócrita,” sua mãe realmente gritou. “Quando eu contestei a Travis e Harrison jogar futebol, lutar karate, e se alistar, você disse, ‘Deixa de besteira, Elaine. Seja forte.’ Você disse que um bom pai deixava seus filhos voarem do ninho e os aplaudiam onde quer que seus corações os levasse. Você me disse que eu era uma covarde.” “Mas... Mas —” “Quem é o covarde aqui?” Sua mãe o socou novamente — ainda mais forte. Perto da porta, Travis estava rindo como um louco. Com a mão sobre a boca, Ben estava abafando sua diversão em deferência a seu pai. “Elaine,” seu pai protestou.

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Sua pequena mãe o ignorou e se virou para dar um abraço carinhoso em Anne. “Quais são os danos, querida?” Era a mesma pergunta que ela fazia aos seus meninos quando eles voltavam dos esportes e guerras. Anne piscou para conter as lágrimas. “Eu estou bem,” ela sussurrou. Sua mãe deu um passo atrás e franziu a testa para o hematoma no rosto de Anne. “Coloque um pouco de gelo nisso, querida.” Seu olhar varreu os corpos espalhados pelo chão. “Trabalho excelente. Eu sempre soube que você podia lidar consigo mesma, assim como os meninos.” “Obrigada, Mãe.” Sua mãe se virou. “Stephan, vamos para casa agora. Conversar.” Ele olhou como se ela o tivesse convidado para sua própria execução. O senso de humor de Anne finalmente apareceu. “Parece bom. Pai, se e quando a mamãe te perdoar, eu também faço.” Quando ele abriu a boca para protestar, ela lhe lançou o olhar gelado que tinha silenciado submissos durante anos e acenou os dedos em direção à porta. “Dispensado.” Sua mãe piscou para ela enquanto eles saíam. Anne se virou para Travis. “Jesus, mana, lembre-me de não te chatear. Minhas bolas simplesmente encolheram.” Ela suspirou. “Eu realmente não quero ouvir meu irmão falando sobre seus testículos, muito obrigada.” Quando Ben bufou, ela sorriu, depois apontou para os intrusos. “Você e Travis podem terminar amarrar os bandidos enquanto eu passo pelas formalidades?” “Com prazer.” Ela o estudou por um minuto. Forte. Bravo. Ele não precisava jogar seu peso por aí para provar que tinha coragem. Ele sabia que tinha. Ele sabia quem ele era e estava confortável com o conhecimento. 392


Assim, ele podia deixá-la ser quem ela era. Como ela poderia fazer qualquer coisa menos? E ele tinha compartilhado o cara mau com ela. Na verdade, ficado feliz em compartilhar. Ela tinha a sensação de que eles estariam muito bem compartilhando outras coisas. Como um bebê. Como uma vida. Os policiais entraram na sala — um olhou ao redor e começou a chamar uma ambulância. O outro ficou na porta, conversando com Jessica. Raoul passou por ele e entrou na sala. Kim balançou a cabeça para ele. “Está atrasado.” Ele olhou para os homens mal-encarados no chão por um segundo. “Você está ferida, gatita?” Ele olhou para Kim com cuidado, procurando por danos. “Estou bem.” “Invasão de domicílio?” “Um agressor à procura do abrigo para mulheres maltratadas,” Kim disse. Fúria escureceu sua expressão, mas ele a puxou para os braços muito, muito gentilmente. Ele correu o olhar pelo arranhão na mandíbula de Uzuri, verificou Jessica, e então parou no rosto de Anne. “Você está bem?” “Pequenos danos a todos. E Kim se saiu muito bem. Ela tem uma excelente soco, na verdade.” Kim sorriu. “Mas brigas trazem de volta...” Anne deixou a voz morrer, mas ele pegou seu significado. A violência poderia ressuscitar pesadelos do passado de sua submissa. Ele acenou em compreensão. Anne olhou para a amiga. “Kim, eu sinto muito.” “Pelo quê?” Kim perguntou. 393


“Foi minhas atividades com o abrigo que colocou vocês em perigo.” Embora ela não conseguisse descobrir como os bastardos tinham encontrado sua casa. Raoul sacudiu a cabeça. “Todos nós somos voluntários lá, Anne. Conhecemos os perigos.” “Não é culpa sua,” Kim disse. “E eu estou muito, muito feliz que estávamos aqui.” Anne sentiu um arrepio nesse pensamento. Ela realmente teria ficado em apuros se estivesse sozinha. Depois de um segundo, ela sorriu. “Nesse caso, eu agradeço pela visita, o conselho, a ajuda com o... lixo,” — ela olhou para os homens sendo algemados pelos oficiais — “e a limpeza depois.” Kim puxou livre de seu Mestre e deu um abraço suave em Anne. Jessica e Uzuri vieram para reivindicar abraços também. Meu pelotão. “Obrigada a todas,” ela sussurrou enquanto lágrimas formigavam em seus olhos. Depois de mais uma rodada de abraços, as mulheres se foram. Mãos ondulando no ar, Kim e Jessica saíram comparando suas técnicas de luta e provocando Uzuri sobre como ela teria que apanhar. Raoul ficou parado no centro da sala. Anne fez uma careta. “Como você chegou aqui tão rápido?” “Eu já estava na ilha. Pedi para ser o motorista delas para poder falar com você depois.” “Raoul...” “Minha amiga, por favor, perdoe-me pelo último sábado,” ele disse em voz baixa. “Minhas preocupações me fizeram —” “Eu sei,” ela interrompeu. “Você tinha razão em se preocupar. Eu não estava prestando atenção suficiente.” Ela se lembrou de como a ex-esposa de Raoul o pegara de surpresa. De como ele se culpava por não ver o que estava na frente de seu rosto. “Você percebeu isso, não foi?” “Eu disse para ele conversar com você.” Sua boca achatou em uma linha. “Naquela noite, no clube —” 394


“Você não fez nada de errado. E já está feito,” ela disse. “Obrigada por estar lá por Ben.” “Está feito?” Os lábios dele tremeram. “Você percebe que se eu não informar a Z que você está de volta, você vai tê-lo à sua porta dentro de uma hora... Se não antes.” Ela levantou os olhos para o teto, pedindo ao universo por paciência. Ben apareceu e a puxou para seu lado, tão sólido e quente que ela colocou os braços ao redor de sua cintura para puxá-lo para mais perto. O olhar de Raoul foi suave. Ben beijou o topo de sua cabeça e disse para Raoul, “Você diz a Z que se ele interromper meu tempo com Anne, eu vou ensinar a Uzuri como montar uma armadilha para explodir cada peça de equipamento do Shadowlands.” “Agora essa sim é uma ameaça muito eficaz.” Raoul lhe deu um aceno de cabeça respeitoso. “Vou informá-lo.” “Srta. Desmarais? Posso pegar algumas informações suas?” Mais policiais, como também paramédicos chegaram. “É claro.” Com Ben ao seu lado, ela deu um beijo no rosto de Raoul e se virou para dar seu relatório.

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Capítulo Vinte e Nove Uma hora depois, a casa estava em silêncio, obrigada porra. Raoul tinha levado as mulheres, prometendo a Mistress que Uzuri passaria a noite em sua casa. Os policiais tinham ido embora. Travis tinha ido embora. Ben estava sozinho com Anne. Já não era sem tempo, porra. Depois de pegar bebidas na geladeira, ele entrou na sala e olhou em volta. Apesar de estarem chateadas, as amigas de Anne tinha feito um bom trabalho de limpeza. Anne finalmente tinha parado. No final, ela estava exausta, rodando em nervos, e não tinha sentado até que ele trouxera Bronx. Aí ela tinha caído no sofá para abraçar o cão extasiado. A mulher tinha tanto amor para compartilhar. Bronx ainda estava esparramado em seu colo, como se não pudesse suportar deixá-la fora do alcance de seu toque. Ben conhecia o sentimento. Ainda bem que não havia espaço suficiente para outra pessoa no sofá. Depois de lhe entregar a água com gás, ele sentou e a puxou. Em outro tempo, ele teria tomado à liberdade de puxá-la para o colo. Tempos mudados. O sentimento de perda o encheu novamente. Porra, mas ele sentia falta de segurá-la. De senti-la como uma parte dele, como o sol em seu céu. “Pronta para conversar?” Os ombros dela se curvaram ligeiramente para dentro, como se ela não tivesse certeza se poderia suportar o que ele iria dizer. Ele sentia o mesmo. Ela poderia quebrá-lo muito facilmente. Protelando, ele tomou um gole da cerveja gelada para tranquilizar. Ela não tinha jogado sua cerveja fora. E ela tinha dito que o amava. Sua voz saiu rouca. “Por onde devemos começar?” 396


Ela encontrou seu olhar com olhos nivelados e honestos. “Sinto muito, Ben.” Ela não ia lhes dar uma chance? Ela não achava que o amor era suficiente para superar as diferenças? Com seu coração afundando, ele reprimiu o protesto. Depois de um momento, ele conseguiu limpar a garganta. “Eu também. Eu esperava que você fosse nos dar uma chance.” As sobrancelhas dela se juntaram, e então ela balançou a cabeça e meio que riu. “Nós somos bons em falta-de-comunicação, não é?” Ela esfregou o ombro contra seu peito quando tomou sua mão, o aperto firme e quente. “O que eu quis dizer é que sinto muito que você tenha interpretado mal aquele negócio com Joey. Uzuri disse que você achou que eu estava tomando Joey de volta porque eu estava olhando para ele.” “Eu... Sim.” “Não era o que estava acontecendo. Na verdade, eu tinha me distraído totalmente e estava pensando em você.” Seu cérebro estava tendo dificuldade para acompanhar. “Eu já encontrei para Joey um par de Dommes que irão atendê-lo melhor.” Jessica tinha razão. Droga. Ben sentiu como se estivesse empurrando um rocha para cima e chegado ao topo sem perceber. Depois de alguns milhares de segundos, ele alcançou. “Me desculpe pelas conclusões precipitadas.” Ele olhou para a janela, para a água escura, vendo o risco fraco do branco sobre as ondas como um sinal de esperança. Mas ele precisava apagar o passado primeiro. Ele pegou a mão dela. “Você não estava mesmo tentado voltar para Joey?” “Não mesmo. Nossas necessidades não combinam mais, embora eu não quisesse admitir o quanto eu —” “Mudou?” Ela fez um pequeno grunhido. “Essa palavra de novo. Você sabe como me sinto sobre mudanças.” 397


Ele bufou. “Mais ou menos como a maioria das pessoas se sentem sobre necrofilia.” Ela deu uma risada assustada e se inclinou para ele mais plenamente. Porra, sim. Ele soltou sua mão e a puxou para o colo. Bronx lhe deu um olhar descontente. Mas este era o lugar onde ela pertencia. Ela se encaixa perfeitamente em seus braços. “Mas sim, como minha raiva em homens morreram, assim fez meu prazer em feri-los.” Ela curvou a mão em torno de sua mandíbula com firmeza suficiente para lhe dar uma explosão de prazer. “Eu ainda gosto muito, muito de dominação embora.” “Eu nunca duvidei disso nem por um segundo, Minha Senhora.” Ele considerou sua confissão — porque era o que isso parecia. Ele sorriu, lembrando-se de como ela tinha dito uma vez que sua raiva começara com Deus por não tê-la feito macho, expandindo-se para seu pai, irmãos, tios, crescendo para incluir o governo por não permitir mulheres em combate, e assim por diante. “Então, você acabou com seu aborrecimento com aqueles pobres escravos indefesos?” Seu olhar severo parou bem perto de uma carranca. “É o que parece. Eu não estou feliz de tê-los usado dessa forma.” Raoul não tinha pensado que a motivação dela fosse incomum. Ele deu de ombros. “Parece que todo mundo tem uma porrada de motivos para fazer o que fazem — desde levantar de manhã até bater em alguém. Você nunca dispensou nada que os escravos não amassem e implorassem por isso.” “Até você.” Ele a puxou para mais perto, beijando a curva entre seu ombro e pescoço. “Eu gostei de tudo que você fez comigo.” “Só não em tempo integral.” “Não em tempo integral.” Seus braços apertaram. “Anne, me desculpe por ter tirado conclusões. Eu deveria ter lhe dado uma chance de explicar.”

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“Isto é mesmo verdade.” Lágrimas brilhavam em seus olhos antes que ela pudesse contêlas. Seu tom ficou criterioso. “Receio que terei que puni-lo por isso. Tenha isso em mente enquanto conversamos.” A forma como seu pau saltou para completa excitação, era susceptível a distender algo.

***** A adorável protuberância debaixo de Anne a fez querer rir. E a fez querer começar alguma ação ali e agora. Mas a conversa não tinha acabado, e enterrar os problemas não tinha funcionado muito bem para eles. Ela se entregou por apenas um pequeno segundo, acariciando seu pescoço para inalar a fragrância persistente de sua loção após-barba terrosa e seu aroma subjacente totalmente masculino próprio. Ele apertou os braços... E a ereção debaixo dela engrossou. Oops. Ela limpou a garganta. “Eu acredito que é hora de falarmos sobre você e eu e que você pediu para manter o D/s dentro de um contexto sexual.” Cada músculo no corpo dele ficou tenso. A percepção da profundidade da necessidade dele foi gloriosa e indigna. “Anne, se eu achasse que poderia levar o tempo inteiro, eu —” “Eu acho que vai funcionar,” ela disse rapidamente. “Eu quero tentar.” Os braços dele se tornaram barras de aço ao redor dela enquanto murmurava. “O quê?” “Desagradável como a palavra é, eu mudei. Eu não preciso controlar tudo e todos mais. Suponho que a necessidade de dominar em tempo integral surgiu de meus próprios medos.” Ela esfregou o rosto contra o ombro dele e quase não resistiu a uma mordidela. “Mas eu ainda sou totalmente uma Dominante sexual.” 399


Ele bufou uma risada. “Eu estou bem com isso.” “Pode ser bom viver com alguém que não seja um escravo. Você gosta de mim como mais do que uma Mistress — como Anne. Eu posso relaxar com você.” Ela se ergueu longe o suficiente para capturar seus lábios, lábios firmes e experientes. Deus, ela tinha sentido falta de beijá-lo, sentido falta do jeito como ele conseguia fazê-la se sentir tanto delicada quanto poderosa, como na vez em que ela tinha montado um Clydesdale77, sabendo que o enorme cavalo poderia facilmente matá-la se quisesse. Depois de um minuto ou mais, ela se recostou. Segurando seu olhar, ela se aventurou ainda mais fora de sua zona de conforto. “Será que... Você gostaria de se mudar?” A resposta dele veio imediatamente. “Oh sim. Eu te amo, Anne.” Sua respiração parou enquanto seu coração inchava até que tomou todo o espaço que havia em seu peito. Ele tinha dito. “Bem.” A palavra foi quase inaudível, e ela teve que piscar para conter as lágrimas. Malditos hormônios. Uma grande mão acariciou sua bochecha. “Desde que temos tudo resolvido, agora posso pedir a Mistress para me levar para o quarto e me punir?” “Acho que posso encaixar isso em minha agenda ocupada.” Ela teve um segundo de pesar no conhecimento de que ela não tinha mais uma agenda, ou um trabalho. Então ela empurrou suas preocupações para o lado sob a crescente onda de desejo. Ela se levantou e o puxou de pé. Conforme o levava até as escadas, eletricidade piscava ao longo de seus nervos como um relâmpago de calor. Roupas caíam atrás dela. Atrás dele. Sentindo a viscosidade do sangue e suor em sua pele, ela se desviou para o banheiro. Ele entrou no chuveiro de mármore com ela. Ela o ensinara a banhá-la, e ele assumiu a tarefa agora, massageando seu couro cabeludo e pescoço, lavando e enxaguando seu cabelo. 77

Um cavalo de uma raça forte e poderosa, usado para puxar cargas pesadas.

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As mãos enormes eram surpreendentemente suaves enquanto ele lavava seu corpo, beijando cada marca de batalha. Ele traçou as contusões dolorosas em seu rosto e quadril, assim como aquelas em seus braços que mostravam os golpes que ela tinha bloqueado. A forma como o rosto dele escurecia fez seu coração derreter. Ele aceitara que ela pudesse cuidar de si mesma — e agora ela podia ver seu protecionismo como um presente. Quando ele terminou, ela pegou o sabão de sua mão e fez o mesmo com ele. Seu cabelo molhado emaranhado, roçando os ombros densamente musculosos. Ela moveu as mãos para baixo. Teria ela alguma vez conhecido alguém com umas costas tão linda? Ela traçou os dedos sobre as colinas e vales de cada músculo. Ela beijou seu pescoço, inalando o aroma limpo. Sob o tapete leve de cabelo no peito, os músculos peitorais ficaram tensos sob seu toque. Os mamilos se tornaram pontos minúsculos. Quando ela acariciou e contou os sulcos em seu abdômen, um cume de cada vez — oito — ela o ouviu ranger os dentes. Eventualmente, ela alcançou seu pau e os pelos muito bem aparados em torno dele. Tal diligência deveria ser recompensada. “Muito bom, Benjamin.” Ela correu um dedo ao redor da base. Ele fez um som gutural agradável. E sua necessidade disparou. “Eu já ouvi que essa parte do corpo deve ser mantida muito, muito limpa. Vou fazer o meu melhor.” Primeiro, ela ensaboou a ereção esticada, apreciando a sedosidade escorregadia e como ele tentava bombear dentro de seu aperto. As bolas, com sua ligeira imprecisão, se sentiam pesadas e potentes em suas palmas. Ela bufou. Muito potentes, na verdade. “Acho que já estou limpo, Mistress,” ele murmurou, apoiando uma mão na parede. Seu clitóris estava pulsando com suas próprias demandas, e seu núcleo doía para ser preenchido por ele. Mas mais do que isso, seu coração queria os braços dele ao redor dela, a boca dele na dela. Ela queria respirá-lo, e se enterrar contra sua força, e segurá-lo e confortá-lo em troca. 401


Mas ainda não. Mistresses eram mais fortes do que isso. E ela tinha uma... Necessidade... De empurrá-lo. “Minha Senhora,” ele rosnou. “Quase, meu tigre. Você está quase limpo o suficiente.” Ela pegou sua luva de esfoliação do banco abaixo e a aplicou em seu eixo, delicadamente no início, depois um pouco mais vigorosamente, até que ele gemeu enquanto lutava por controle. Adorável. O corpo dela estava zumbindo com necessidade, o chuveiro quente mais frio do que o fogo em sua pele. Na cama, ela o fez se estender, seu pobre pênis avermelhado esticado como um mastro. “Você quer que eu suba, não é?” ela perguntou, espalhando o pré-sêmem na cabeça. Oh, a alegria de ter o controle em suas mãos, de poder se divertir provocando e insultando o cão de guarda. E lhe dizer como ela o amava. Incapaz de resistir, ela se inclinou para tomar seus lábios. Ele lhe deu abertamente, enquanto ele esfregava as mãos em seus ombros, acariciava seus braços, afagava seus seios. Quando ela levantou a cabeça, os olhos brilhantes dele estavam da cor de âmbar antigo. “Mais, por favor.” “Não se preocupe, meu tigre. Eu vou te dar mais.” Ela abriu a mesa de cabeceira. A primeira coisa a sair foi o lubrificante. Ele ficou ligeiramente tenso. “Eu tenho um desejo de possuir todo o meu domínio.” Ela escolheu um brinquedo que ele não tinha experimentado antes. Que formava uma curva longa, feita de uma combinação de anéis penianos e esferas que terminavam em um plug anal. Esta noite, como seus comportamentos anteriores estavam sendo alterados; ela precisava provar para si mesma que aqui na cama, ele estava feliz como seu submisso. “Dobre os joelhos Benjamin.” 402


Ela adorou a corrida de cor em seu rosto, o conflito em seu olhar. Ela quase podia ler a batalha acontecendo em sua mente. Ele odiava ter algo em seu cu, mesmo que desejasse a quão tão poderosamente ele tinha gozado com o jogo anal. E o ato de ser penetrado era tão humilhante — que ele odiava — e submisso, o que ele desejava. Mas embora não gostasse disso, ele faria o que ela tinha solicitado, porque ele era dela. Ele gostava de agradá-la. Será que ele tinha alguma ideia do quanto ela sentia o mesmo? Ele não se moveu. “Dobre.” Agarrando seu pênis, ela puxou em advertência. As pernas musculosas se levantaram. “Muito bem.” Sorrindo, ela aplicou lubrificante fresco em seu cu em preparação. Depois ela começou a anexar o dispositivo. Modificado com suas especificações — com ele em mente — o anel elástico se fixou em torno da base de seu pênis. Seu eixo pareceu gostar da atenção. Mais abaixo da curva estava o anel ajustável que circulava no alto de seu saco de bolas, forçando seus testículos pesados para baixo. Impedindo-os de se elevar contra sua virilha. O olhar dele estava em seu rosto, tão quente, tão concentrado... Com um toque adorável de preocupação. A metade frontal do dispositivo foi para seu pau e bolas. O resto do arco era tudo sobre a próstata e feita de material mais firme. Logo depois o anel bola criaria um choque de vibrações que iria pressionar contra a mancha —área do exterior da próstata localizada entre suas bolas e ânus. Ele fez um som fraco quando as vibrações bateram lá. E para o grand finale... Com um sorriso malicioso, ela puxou lentamente o plug anal dentro. Com mais de dois centímetros, a extremidade arredondada tinha sido perfeitamente desenhada para estimular a próstata a partir do interior. “Porra.” Ele levantou a cabeça da cama, os cordões em seu pescoço esticados. Perfeito. Se um pênis pudesse ser considerado semelhante a um clitóris, ela imaginava que a próstata era muito parecida com o ponto G da mulher. 403


“Por favor, me diga que você está planejando escalar e cavalgar,” ele moeu fora. “Em breve, cão de guarda, em breve.” Ela não gostaria de nada melhor. Mas se ela pudesse fazê-lo gozar sem ejacular, ele seria capaz de gozar novamente. Orgasmos múltiplos para seu tigre — parecia ser o mínimo que ela podia fazer. Primeiro, ela tinha que acelerá-lo pouco mais. Ela bombeou um pouco de loção do frasco no suporte de cabeceira e a esfregou nos braços. “Uma mulher deve manter sua pele hidratada para o gozo de seu homem.” Seus olhos nela estavam suficientemente quentes para secar. Outra bombeada. Ela passou a loção nos ombros. “Parece que o homem deveria ajudar — uma vez que toda essa pele macia é para ele,” ele ofereceu. “Isso soa lógico,” ela concordou amigavelmente. “Sim.” Ele tentou se sentar e congelou quando tudo que ela tinha colocado nele esticou e puxou. Com um grunhido, ele continuou a sair da cama, movendo-se com cuidado. Excitação fervia dentro dela enquanto ela o observava. Seu corpo estava tenso da cabeça aos pés, já bastante estimulado. Ele certamente não estava pensando em nada além do momento... e nela. Ela tomou o lugar dele na cama e abriu as pernas, deixando-o se ajoelhar entre elas. Suas mãos eram enormes e quentes, a loção desconcertantemente fria, enquanto ele a acariciava sobre sua frente antes de voltar a se concentrar em seus mamilos. E outro presente da gravidez, ela não estava apenas um pouco maior, mas também muito sensível. Ele sorriu quando ela se contorceu sob sua pressão habitual, depois atenuou seu toque. “Tenho a impressão de que você está tão excitada quanto eu, Minha Senhora.” Seu cabelo roçou os seios dela enquanto ele espalhava a loção sobre seu estômago, na sequência de beijos. Ele alcançou seu monte. 404


Oh. Sim. A língua encontrou seu clitóris, circulou. Quando ele começou a usar os dedos, ela ordenou, “Língua e lábios apenas, por favor,” e agarrou seu cabelo para impor sua vontade. A vibração de seu riso brincou com as terminações nervosas nela. Ele deslizou a língua sobre seu clitóris, mexendo-o contra os lados, desceu até o círculo e sondou sua entrada, depois voltou para chupar levemente. Ele balançou um pouco os quadris quando o estímulo em sua próstata começou a provocar uma reação. Quando ele moveu a mão em direção ao pênis, ela riu. “Tome conta de mim, por favor.” Com uma bufada de surpresa, ele puxou a mão. A testa franzida em concentração, ele agarrou seus quadris e lhe deu toda a sua atenção. Chupando e lambendo. Com aquela maravilhosa língua quente — e ele era incrivelmente hábil na leitura de suas reações. Porque ele a amava. E Deus, ela o amava também. Ela acariciou sua cabeça antes de agarrar seu cabelo novamente, fazendo-o rir. Calor cresceu dentro dela, a pressão se reunido e focando com força em seu clitóris, apertando, apertando. Enquanto isso, ela podia sentir o aperto em seus quadris tornar-se doloroso enquanto o próprio clímax dele se aproximava. E então ele fechou a boca sobre seu clitóris e chupou, esfregando a língua no topo entre cada puxão vigoroso. A faixa de sensações fluindo através de seu sistema se agrupou em uma bola colorida muito apertada. Mais… Entre uma respiração e outra, ela explodiu, seu núcleo pulsando e enviando correntes brilhantes de um prazer crescente para fora. A respiração dele era quente em sua boceta, o gemido de seu próprio clímax próximo quase audível, e ela agarrou seu cabelo. “Benjamin, olhe para mim.” 405


Ele ergueu a cabeça, os olhos escuros de luxúria. Ela sustentou seu olhar, os dedos de uma das mãos acariciando seu rosto.

***** O aroma da loção de canela dela, e de seus sucos, o enchia a cada respiração. A mão em seu cabelo apertando quase dolorosamente enquanto ela acariciava seu rosto docemente. E aquela porra que ela tinha colocado nele zumbia e vibrava contra um lugar incrivelmente sensível em sua virilha. Seus claros olhos azuis-acinzentados eram os mais lindos do universo, emoldurados por aqueles espessos cílios escuros, e ela o observava enquanto a pressão se construía na base de sua espinha, e em seu pênis, e dentro dele, em algum lugar nas profundezas de seu núcleo. Mais e mais. Ele ficou olhando em seus olhos, incapaz de desviar o olhar, preso por sua mão, sua voz, seus olhos. “Goza, Benjamin,” ela disse suavemente. “Deixa acontecer.” E porra, porra, porra, ele fez. O clímax não foi nada do que ele já tivesse sentido antes, balançando seu corpo, um impossivelmente orgasmo brilhante que de alguma forma aconteceu sem que ele disparasse sua semente. Ele arqueou as costas, puxando o cabelo contra seu aperto. E então tudo tinha acabado. Seu coração estava martelando o suficiente para destruí-lo. Ela baixou o olhar para sua virilha. E sorriu. “Vamos ver se você ainda consegue descarregar, cão de guarda.”

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Sério? Ele olhou para baixo. Seu impossivelmente ereto pau estava esticado em direção a ela. Ele puxou um fôlego. As malditas vibrações ainda o torturavam e cada vez que ele se movia os anéis em seu pênis e bolas puxavam e arrastavam como dedos espremidos. Descarregar. Sua boceta estava molhada e escorregadia e suas pernas estavam abertas e... Ela ia matá-lo. Ele ergueu o olhar para ver se ela sabia o que aconteceria se ela o soltasse para... Os olhos dela eram suaves e a expressão neles atingiu seu coração como uma rajada de Ma Deuce78, derrubando-o para trás, e enchendo seu peito enquanto o amor lá cantava através de cada célula de seu corpo. “Eu te amo,” ele disse roucamente. Os olhos dela se encheram de lágrimas, chocando-o, aterrorizando-o. “Anne.” E então ela as piscou longe. “Eu também te amo. Mas se você não me foder agora, eu ainda vou bater em seu rabo.” “Agora essa sim é a Mistress que eu adoro,” ele murmurou e se embainhou em seu calor molhado com um forte impulso. Ela ofegou. Um segundo depois, seu pênis sentia como se tivesse sido submerso em um tubo de ebulição de puro e fodido prazer. “Pooora!” Seu rugido ecoou pelas paredes. Ela e aquele maldito e abrasivo banho de luva. Ele lutou por controle quando as vibrações do dispositivo endemoniado começou a trazê-lo de volta. E ela estava rindo.

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Uma metralhadora Browning pesada projetada no final da primeira guerra Mundial muitas vezes referida como “Ma Deuce” para sua designação M2.

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Suor escorria por seu peito e costas. Toda sua metade inferior era um enorme nervo exposto. Seu pau queimava a cada movimento em sua boceta quente e incrivelmente apertada — e tudo o que ele conseguia pensar era o quanto tinha sentido falta de sua risada rouca. Ele sorriu para ela e espalmou seus seios. Como podia algo ser tão suave e firme ao mesmo tempo? “Você é uma Mistress muito malvada.” Cada risada contraía sua boceta ao redor dele. “Mova-se, Benjamin,” ela sugeriu. “Fodidamente feliz em obedecer.” Ele plantou um braço ao lado de seu ombro e levantou sua bunda com a outra mão, entrando ainda mais fundo. Ela enrolou a perna direita em sua cintura, à esquerda em volta de seus quadris, e entrelaçou os braços em seus ombros. Ele se sentiu cercado com seu cheiro, sua força, seu corpo. “Vamos lá, meu tigre,” ela sussurrou. “Eu não vou quebrar.” Ele sabia disso. Não importava o que a vida lhe entregasse, ela não quebraria. Ela estaria ao seu lado enquanto eles seguiam em frente, apoiando-o enquanto ele cuidava dela por sua vez. Sim, eles iam fazer isso funcionar. Rosnando, ele segurou seus quadris contra ele e depois puxou para fora, então pressionou dentro. Deus, a sensação de calor úmido era tão fodidamente boa. Com um gemido baixo, ele perdeu totalmente o controle, e bateu nela, duro e rápido. Quando seu pau inchou ainda mais, o anel na base ficou mais apertado, mantendo a pressão dentro dele subindo e subindo. Jesus, ele precisava gozar. O outro anel puxava suas bolas para baixo. A coisa em sua bunda zumbia a cada movimento, as vibrações atrás de seu saco ficava mudando a cada estocada. Porra. Ela agarrou suas pernas trêmulas contra ele quando alcançou seu próprio momento. Seu corpo arqueou, e ele sentiu sua vagina o apertando em espasmos enquanto ela gozava. Pura beleza. 408


Tremendo, ele se segurou para trás, deleitando-se com a vista. Ela ficava tão fodidamente linda quando chegava ao clímax. Quando ela caiu de costas na cama, seus olhos se abriram, quase completamente azuis, e claros como depois de uma tempestade tropical. Seu sorriso dizia que era a vez dele. Sim, ele a amava. Ele deixou as sensações engoli-lo enquanto empurrava duro, mais duro, e mais duro, pressionando profundamente. E então ela inclinou os quadris e deliberadamente apertou a boceta ao redor dele — e nada no mundo poderia tê-lo impedido de disparar. Jesus, ele podia sentir a inundação de calor derretido fluindo de suas pedras, o prazer abrasador enquanto passava através do anel em suas bolas que o forçava a viajar fodidamente, fodidamente longe, até seu pênis, através de seu pênis, e queimava para fora do violento e glorioso aperto-de-bola até que seu corpo inteiro tremia e cada uma de suas células cantava com seu clímax.

***** Algum tempo depois, Anne se deitou com a cabeça no ombro de Ben, dobrada contra seu lado, ainda tremendo de prazer. O homem tinha um controle incrível. Do jeito que ela amava. E agora... Ela precisava juntar coragem. Com um suspiro de esforço, ela se moveu sobre um cotovelo. A luz da lua brilhava através das portas da varanda, iluminando a cama como um conto de fadas. Iluminando o rosto severo e bronzeado de seu príncipe. Em seu movimento, ele abriu os olhos. Seus lábios tremeram. “Mistress, se você quiser mais, você vai ter um cadáver na cama.” 409


Ela riu e amou o jeito que um sorriso transformava seu rosto. “Você está a salvo, cão de guarda.” Com um dedo, ela traçou suas sobrancelhas grossas, as linhas ao lado de seus olhos. O galo onde o nariz tinha sido quebrado. Seu lábio inferior era um pouco mais cheio do que o superior. Uma cicatriz criava uma linha fina em sua mandíbula direita. “Ben, você se sente realmente confortável em ser submisso no quarto?” Sob seus dedos, ele arqueou as sobrancelhas. “Você ainda está preocupada com isso?” Ele pegou sua mão e beijou a ponta dos dedos. “Estive procurando por isso minha vida toda e não sabia o que estava faltando. Minha Mistress reina no quarto, e é exatamente assim que eu quero.” Bom, isso tinha sido firme o suficiente. Ele passou a mão por seu cabelo, empurrando as longas mechas de seu rosto. Ele arqueou as sobrancelhas novamente. “O que está errado, Anne?” Ela achatou a mão no peito dele, sentindo o baque lento do coração sob os peitorais espessos. Sua pulsação aumentou quando medo desmontou lentamente sua assumida compostura. “Eu preciso falar com você sobre algo mais.” “Diga.” “Vamos falar sobre filhos,” ela disse numa voz calma. Felizmente, ele não notou que sua mão estava tremendo. Ele piscou. “Você se move rápido, Mistress.” Ele curvou os lábios enquanto corria a mão por sua cintura, seu quadril, e apertava sua bunda. “Acho que essa é uma boa maneira de nos manter em igualdade. Você governa o quarto. Fora dele, eu vou te manter descalça e grávida.” “Você pode muito bem ser punido por fazer piadas assim.” Ela curvou os lábios. Que imbecil. Ele sorriu, depois ficou sério. “Anne, eu te amo. Vou te dar quantos bebês você desejar se é isso o que você está perguntando.” Ela só conseguiu ficar olhando para ele. Sua declaração era... Mais... Do que ela tinha sonhado. 410


“Mistress, agora é quando você diz as palavras de volta,” ele disse. E seu olhar se aprofundou, seu aperto nela crescendo doloroso. “Eu te amo, Anne,” ele disse lentamente mais uma vez. Ele certamente tinha ficado preocupado, o que ela ser informada do que deveria dizer. A clara insegurança dele empurrou-a de sua paralisia e lhe mostrou o caminho certo. Ainda sobre um cotovelo, ela acariciou seu rosto, sentindo sua densa estrutura óssea como uma representação externa de seu caráter sólido. Ela se entregou a ele com um doce e lento beijo antes de sussurrar. “Eu te amo, Benjamin. Mais do que posso dizer... Mas eu vou continuar tentando.” A lua crescente iluminava seu rosto, mostrando o calor em seus olhos âmbar. Oh, ela realmente, realmente o amava. A próxima frase exigiu toda a sua coragem. “Quanto a me dar bebês?” Ela pegou a mão dele e a pousou em seu estômago. “Você já fez isso.”

***** Porra, ela era bem engraçadinha, às vezes. Ben sorriu para sua mulher. “Certo.” Ela não riu. “O quê?” O significado das palavras circulou dentro de sua cabeça, zumbindo fracamente, como um inseto que não podia ser visto. Não, porra nenhuma que ela poderia estar dizendo... Ela ainda estava segurando sua mão sobre a barriga. Sua voz saiu mais alta, nada parecido com dele. Talvez um daqueles anéis o tivesse castrado. “Um bebê?”

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“Mmmhmm. Eu estou grávida.” Ela suspirou. “Isso não estava exatamente nos meus planos.” “Mas, você está tomando pílula.” Ele parou, sabendo que estava gaguejando. “Aquele primeiro dia em que estivemos juntos? Eu tinha passado os últimos três dias doente com um problema de estômago. Vomitando tudo, inclusive minhas pílulas.” Essa era à noite em que ele tinha começado a fodê-la sem camisinha. Culpa dele. “Deus, eu sinto muito, Anne.” “Não é tudo culpa sua. Nem minha.” A mão dela ainda estava sobre a dele. “Vamos dizer que isso foi as forças do universo se unindo para criar uma criança.” Um bebê. Uma pequena minúscula vida como... Como Sophia. Um bebê. Seu bebê. Ele ia ser pai. Os pensamentos giraram em sua cabeça, num turbilhão de choque e... Pura glória. “Jesus, Anne.” Ele a puxou para baixo, passou os braços em sua volta, e tentou expressar como se sentia com seu abraço. Ele deitou o rosto no topo de sua cabeça. “Nós vamos ter um bebê.” Ela deu uma risada suave. Não, ela não estava zangada com ele. Não estava descontente com o bebê. Ela tinha tido tempo para passar o choque. Ele se lembrou de como ela tinha segurado Sophia. Como ela tinha conversado com a criança no abrigo. Como ela tinha se enroscado com Bronx. Seu grande coração iria facilmente se expandir para amar outro. E ele? Ele já estava adorando isso — o que quer que o pequeno acabasse por ser. Meu filho. “Nós precisamos nos casar.” Os ombros dela tremeram com sua risada. “E agora quem está se movendo rapidamente?” “Mas... Ela... Ele não pode nascer sem meu nome. Temos que nos casar. Amanhã.” 412


Silêncio. Ele suspirou. “Tudo bem. Muito rápido. Você quer que vivamos juntos primeiro?” “Acho que pode ser sábio.” “Entendi.” Ele a puxou para mais perto, se é que isso era mesmo possível. Porra, ele amava essa mulher. “Nós vamos nos casar em duas semanas, então.” Ela bateu no topo de sua cabeça com a palma da mão aberta. Tá bom. Um mês.

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Capítulo Trinta Anne se debruçou contra a grade de sua varanda. O dia seguinte à tempestade tinha um céu gloriosamente azul e um ar brilhantemente limpo e com cheiro de maresia. Folhas derrubadas das palmeiras e pilhas de algas se espalhavam pela praia, criando obstáculos desafiadores para os filhos de Harrison enquanto eles perseguiam Bronx. Sua sobrinha e sobrinho achavam que o cão de Ben era um brinquedo maravilhoso. Anne sabia que Bronx achava exatamente a mesma coisa sobre as crianças humanas. Tomando vinho após o jantar, Harrison e sua esposa tinham se posicionado perto da borda da plataforma, onde eles poderiam manter um olho nos filhos. Ambos devorando em segundos o bolo de chocolate de Anne, Ben e Travis estavam sentados à mesa junto com sua mãe e seu pai. A sua família era uma unidade, mais uma vez. Depois de conversar — e fazer amor — durante toda a noite e domingo de manhã, ela e Ben os convidara para um encontro de Memorial Day79. A atrasada tarde de churrasco seria o local perfeito para fazer seu anúncio... Que ela não tinha conseguido ainda, para grande diversão de Ben. Bom, honestamente, ela simplesmente não tinha encontrado o momento certo para apresentar todo um novo tema de discórdia. Ela estudou o grupo ao redor da mesa. Sua mãe estava borbulhante como sempre. Seu pai... Bom, Anne tinha aceitado seu pedido de desculpas. E que pedido de desculpas tinha sido.

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Dia do Soldado

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Ela sorriu, pensando em como seus pais tinham chegado por último e vindo para a varanda. Ela tinha se levantado, preocupada com o olhar hesitante em seus rostos. Ela tinha pensado que a pequena caixa que seu pai carregava era de doces, sua tradicional oferta de deixaeu-sair-da-casinha-do-cachorro para sua mãe. Mas, oh, não tinha sido... Depois de colocar a caixa sobre a mesa, ele tinha se virado para Anne, as linhas esculpidas profundamente em seu rosto duro. “Eu peço desculpas. Peço desculpas por não vê-la como mais do que meu bebê. Peço desculpas por tê-la tratado e a seus irmãos de forma diferente, por não têla apoiado e reconhecido o quanto você conseguiu. Você merecia melhor de mim.” Seus olhos brilhavam com a umidade. “Eu realmente tenho muito orgulhoso de você.” Ela só tinha conseguido ficar olhando para ele. Quantos anos tinha que ela ansiava por ouvi-lo dizer isso? “Sério?” Ela sussurrou. Sua mãe sorriu... E o aceno firme de seu pai lhe disse que ele acreditava em cada palavra. “Oh, papai.” Seus olhos turvaram com lágrimas quando ela se jogou em seus braços. Seu abraço não tinha mudado... E ela percebeu que o abraço de Ben transmitia a mesma sensação de segurança e força. Quando Anne deu um passo atrás, sua mãe deu um tapinha no braço dele em sinal de aprovação. “Muito bem, querido. E?” “Ah.” Ele limpou a garganta e seus lábios se curvaram ligeiramente. “Sua mãe e eu queremos nos desculpar sobre... Quando você era pequena.” Ela lhe deu um olhar perplexo. De onde veio isso? “Quando eu era pequena?” “Eu deveria ter sido mais compreensivo, tornado as coisas mais fáceis para você. As deslocações não foram boas para você. Então...” Sem palavras, ele deslizou a caixa sobre a mesa em direção a ela. Ainda confusa, ela colocou a mão sobre a caixa. “Oh, papai. Mamãe.” Eles estavam se desculpando por que ela não tinha lidado bem com as mudanças? “Você não poderia ter mudado o que —” 415


A caixa... Saltou. Inclinando. “O que no mundo?” Quando ela puxou a fita e levantou a tampa, uma pequena bola de pelos surgiu. Orelhas em pé, o gatinho com listras-de-tigre olhou para Anne e deu um miado lastimoso. “Oh, querido.” Nariz rosa, olhos dourados, tão adorável. Anne o levantou contra o peito e uma pequena cabeça felpuda esfregou em seu pescoço. Quando os ronronados começaram, seu coração estava perdido. Agora, ela olhou para o gatinho exausto dormindo no colo de Travis. Um belo presente de desculpas — e pela maneira como sua mãe tinha piscado para Ben, ela sabia exatamente quem tinha tido um dedo na escolha. Cão de guarda sorrateiro. Depois disso, a reunião tinha sido um sucesso decidido. Infelizmente, a paz parecia que seria curta. Anne suspirou. Ela não podia adiar o anúncio por mais tempo. Arrastando os pés, ela foi até seu homem. Travis colocou um braço em volta de seus quadris quando ela parou entre ele e Ben. “Obrigada pelo churrasco, mana, por nos dar a chance de voltar a ficar juntos.” “Não deve haver brigas entre a família,” ela disse levemente. “Algumas famílias têm. Fico feliz que você tem uma parcela saudável de doçura sob toda essa dureza.” Ele a apertou, e sua voz saiu áspera. “Eu senti sua falta, maninha. Senti falta de ouvir seu sax à noite.” Ela franziu a testa. “Você disse que mal podia me ouvir.” “Cai na real. Eu moro ao lado. “ Ele sorriu. “Se eu te dissesse que estava ouvindo, você teria parado.” O tapa que ela lhe deu na parte de trás da cabeça cortou sua risada. “Você lida com ela, Ben,” ele disse, esfregando a cabeça. “Ela significa muito para mim.” “Eu farei isso.” Ben a puxou para o colo.

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Quando ela estreitou os olhos em sua presunção, ele lhe deu o mesmo olhar de volta. Ah, certo. Ela tinha lhe pedido para lembrá-la quando ela recaísse em seus hábitos Mistress — e o advertira que se ele falhasse, ela o puniria com um enorme plug anal. “Desculpe, meu tigre.” Ela encostou a cabeça em seu ombro e relaxou, sabendo que sua força não a deixaria. Um canto da boca dele se inclinou. Ela levantou sua mão, beijou os dedos cheios de cicatrizes, e sussurrou; “Eu te amo.” “Anne.” Sua voz quase inaudível segurava calor suficiente para rivalizar com o sol. Com um dedo, ele empurrou seu cabelo para trás e murmurou em seu ouvido. “Você acabou de me dar um pau-duro que é fodidamente desconfortável. Obrigada.” Ela começou a rir. Quando se virou, ela percebeu que todos tinham caído em silêncio. Travis, sua mãe e a esposa de Harrison estavam sorrindo em aprovação, Harrison estava dando a Ben um olhar considerado, e seu pai estava franzindo a testa sombriamente. Bom, essa carranca ia ficar ainda mais negra com a notícia. “Eu não ouvi você rir assim há um bom tempo.” Travis ergueu o garfo com um pedaço grande de bolo. “Devo dizer que aprecio como sempre tem sobremesas por perto desde que Ben está aqui.” Anne lhe deu um olhar de avaliação. “É por isso que você parou por aqui tantas vezes nesse último mês?” “Inferno, sim.” Travis sorriu para Ben. “Obrigada, cara.” “Anne.” Seu pai inclinou a cabeça para os vários homens curvando o canto da cobertura. “Você tem companhia.” Aqueles não eram apenas homens; eles eram Mestres. Anne atirou um olhar para Ben. Ele lhe deu um dar de ombros triste. Sem dúvida, o cão de guarda tinha informado a Z — como também para todos os outros. E os Mestres nunca adiavam lidar com problemas. 417


Anne se levantou e bateu em sua cabeça exatamente do mesmo jeito que ela tinha feito com seu irmão — e recebeu uma risada idêntica. “Nós podemos chegar?” Z perguntou. Honestamente, por que todos agiam como se sua cobertura fosse um navio e exigiam cortesia naval? “É claro. Junte-se a nós.” Ela olhou ao redor. “Mamãe e papai, estes são velhos amigos meus. Zachary Grayson, Cullen O’Keefe, Galen Kouros, Dan Sawyer. “ Ela acompanhou as apresentações com gestos casuais indicando qual homem era qual. E isso não era estranho, considerando que ela não pretendia dizer a sua família em que contexto ela conhecia os caras. “Senhores, meus pais, Stephan e Elaine Desmarais. E minha cunhada e irmãos, Alison, Harrison, e Travis.” Com as sobrancelhas arqueadas, seu pai notou o levantar de queixo que Ben recebeu de seus amigos. Com seu charme fácil, Z saudou as apresentações antes de se mover para a direita para o motivo da visita. “Nossas desculpas pela interrupção, Anne, mas queríamos confirmar que vocês saíram ilesos, informar sobre seus visitantes belicosos, e interferir em seus futuros.” Segurando o gatinho em um braço, Travis deu um passo à frentee. “Os idiotas ainda estão presos?” O sorriso de Z foi fraco. “A esposa do homem já tinha apresentado uma queixa de violência doméstica. Adicione ontem à noite com arrombamento armado, assalto e agressão com arma letal — ele e seus companheiros não vão sair tão cedo.” “Excelente,” Anne disse. Entretanto, ela e Ben iam instalar um sistema de segurança. “Minha vez.” O olhar arrependido de Cullen encontrou o dela. “Você é uma das melhores que temos — e temos sido amigos há anos. Eu fiz merda, e tudo que posso fazer é esperar que você tivesse pena de mim e me perdoe.”

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Oh, honestamente. Uma risada exasperada escapou dela. Quem diria que Cullen enfrentaria um pedido de desculpas bem ali na frente de todos. “É claro que eu te perdoo. Eu exagerei também.” A risada profunda de Cullen soou. “Sim, amor, mas eu acendi o fósforo. Sinto muito, Anne.” Ele esfregou uma contusão em seu queixo. “Ben deixou bem claro que eu pisei na bola.” Ben tinha socado seu amigo mais antigo do Shadowlands? Ao olhar espantado de Anne, ele deu de ombros, totalmente despreocupado. Sim, ele realmente tinha. “Eu disse que ele era mais cão de guarda seu do que meu,” Z disse em voz baixa. O que ela tinha feito? Mas tudo o que ela sentia era prazer que seu filho teria um protetor tão maravilhoso — assim como seu pai e irmãos tinham sido com ela. No entanto, Ben era um homem que podia e iria recuar e deixar seu bebê voar quando chegasse a hora. Ela apertou sua mão e viu seu sorriso caloroso. “Ainda amigos?” Cullen lhe perguntou em voz baixa, estendendo os braços. “Oh, bom.” Ela deu um passo à frente e o abraçou. Ele deu um enorme suspiro de alívio. “Eu realmente sinto muito, Anne.” “Vocês realmente estão perdoados.” “Eu disse que ela tinha mais diversão do que nós sabíamos,” ela ouviu Travis dizer para Harrison. Ben tinha se juntado a Z e estava dizendo a ele que planejava sair. “Eu sei que você prefere que sua equipe fique,” — ele viu que sua família estava ao alcance da voz — “focada apenas no trabalho.” Porque Z preferia guardas baunilha. Mas Ben gostava de ser guarda de segurança do clube. Anne avançou para interromper. “Anne,” Cullen disse. “Z e eu vamos sair do seu pé. E vamos vê-la neste fim de semana.” Ele cruzou os braços sobre o peito e lhe deu um olhar inflexível.

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Ela poderia voltar para o Shadowlands, ela percebeu. Ir para sua outra casa. Sua visão ficou embaçada pelas lágrimas. “Não, não, não faça isso, querida. Droga.” Cullen a puxou em seus braços novamente. “Você está quebrando meu coração aqui.” Estúpidos, hormônios estúpidos. Mas, deixar o Shadowlands tinha machucado. Realmente tinha. Ele inclinou seu rosto e usou os polegares para enxugar as lágrimas de suas bochechas, e a consternação óbvia dele remendou a ferida doendo em sua alma. Ela respirou fundo. “Eu estou bem. Agora dê o fora daqui — e eu te vejo na próxima semana.” “Essa-é-uma-menina.” Ele sorriu em seu grunhido de advertência. Depois de acenar para sua família e dar a Ben um elevar de queixo, ele perguntou; “Pronto para ir, Z?” Z não respondeu, seu olhar em Anne. Com olhos apertados, ele a estava estudando como um Dom, como um Mestre dos Mestres, notando a umidade em suas bochechas, em como sua mão se instalara em seu baixo-ventre, em sua blusa que estava um pouco mais apertada por causa de seus seios mais cheios. Depois de um segundo, os olhos cinza-escuro aqueceram. Ele tinha percebido. Mas, com seu tato habitual, ele simplesmente voltou para a conversa. “Benjamin, acho que você vai se encontrar... Mais ocupado... No futuro. Vou aumentar as horas de Ghost e deixar que vocês dois decidam como desejam cobrir a posição.” Ben assentiu. “Funciona para mim. Para nós dois.” Anne trocou um olhar com ele, sorrindo, enquanto se lembrava da última vez que eles tinham feito uma cena juntos no clube. O quão quente tinha sido. Agora, eles podiam continuar. Afinal, Kari e Dan tiveram um filho e ainda desfrutavam de uma noite ocasional no Shadowlands por torção e amor.

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Z se virou e tocou seu rosto de leve. “Anne.” Ele não disse mais nada, mas de alguma forma conseguiu transmitir seu carinho e preocupação — e aprovação. Depois de sorrir para Ben, ele se juntou a Cullen e eles se saíram da varanda. “Quem eram eles?” seu pai estava perguntando para sua mãe. “E por que vieram —” Galen avançou. “Minha vez.” “Vez para quê?” Anne olhou para ele. Cabelo preto, olhos negros, tez oliva. Ele não tinha perdido nada de sua intensidade quando deixara de ser um agente especial do FBI para ter sua própria empresa. Talvez porque sua empresa fosse especializada em encontrar coisas desaparecidas — crianças, documentos, pessoas, segredos. Sally, a esposa e submissa que ele dividia com seu parceiro Vance, adorava rastrear dinheiro. “Sua vez de falar com você,” Dan explicou com uma carranca. “Ele ganhou na sorte. Ele conseguiu ir primeiro.” “Oh, bem, é claro.” Sério, como é que os homens funcionavam com toda aquela testosterona os atropelando? Galen acenou com a cabeça para a mesa vazia do outro lado da cobertura, distante o suficiente para que sua família não pudesse escutar sem ser demasiadamente óbvio. Ela olhou para seus pais. “Vocês podem —” Sua mãe a enxotou com um gesto. “Estamos bem. Eles vieram até aqui para falar com você. Vá, querida.” “Obrigada, mãe.” Quando ela verificou Ben, ele simplesmente sorriu e ficou ao lado de seu irmão. Assim que ela se sentou em frente aos dois Doms, Galen se inclinou para frente e a fixou com seu olhar escuro. “Tenho uma proposta para você.” “Que tipo —” “Venha trabalhar para mim.” 421


“O quê?” Muitas surpresas em um dia, em um mês. Se isso continuasse, seu bebê ia nascer viciado em adrenalina. Não esperando que ela se recuperasse, Galen continuou. Sua nova empresa estava inundada com contratos para encontrar pessoas desaparecidas: fugitivos, esposas, maridos, filhos roubados, estelionatários... Tudo. E ela tinha uma reputação de ser a melhor rastreadora de fugitivos no negócio. Ela poderia definir suas próprias regras — trabalho a tempo parcial ou tempo integral, ajustando suas próprias horas — e ele lhe pagaria três vezes mais do que ela ganhava na empresa de fiança. “Problemas?” Ben estava de repente ao lado dela. Ele descansou a mão em seu ombro em preocupação. Ele provavelmente tinha visto o choque em seu rosto. “Na verdade não.” A oferta de Galen resolveria seu problema de emprego. Por mais que ela amasse a parte ativa de captação da fiança, ela não podia colocar o feto em risco. “Galen me ofereceu uma posição em sua empresa. Nenhuma viagem. Nenhum perigo. Minhas próprias horas.” Ben se agachou ao lado dela. “Você sabe que eu posso nos sustentar pelo tempo... Uh, por um bom tempo. Não há pressa para encontrar um emprego.” “Maldito seja, Haugen.” A irritação de Galen tornou seu sotaque da Nova Inglaterra ainda mais acentuado do que o normal. “Não dê ouvidos a ele, Anne. Você ficaria entediada em uma semana. Se nós —” Um zumbido o interrompeu. Com um som irritado, ele pegou o celular, verificou o visor, e atendeu. “Certo. Sim. Acontecendo agora. Você quer uma vez?” Anne fez uma careta. “Uma vez que estamos em uma guerra de lances por seus serviços, Anne, aqui está um outro competidor.” Galen estava rindo enquanto colocava o celular na mesa entre eles. “Você está no viva-voz, mano,” ele disse ao telefone, “por isso tenha cuidado. Fale.” “O que está acontecendo?” Anne perguntou. 422


“Anne, você está aí. Bom.” A voz no telefone era de Vance, parceiro de Galen que ainda trabalhava para o FBI. “Você seria desperdiçada trabalhando para Galen. Você tem as habilidades que precisamos no FBI. Vamos conversar sobre isso.” Ela mordeu o lábio para não desmoronar. Depois de sentir como se não fosse nem um pouco valorizada, agora ela tinha duas ofertas de trabalho ao mesmo tempo. “O FBI?” ela ouviu sua mãe dizer. Olhando para cima, ela percebeu que sua família tinha ignorado a boa educação e descaradamente tinham se aproximado o suficiente para escutar. Ela deveria ter imaginado. Eles foram totalmente intrometidos. E interferentes. E amorosos. Ela firmou a voz. “Obrigada, Vance. Embora eu aprecie o trabalho que vocês Federais fazem, eu sou meio demasiadamente assentada em relação a mudanças. Receio que o FBI não seja para mim. Mas, obrigada.” “Bem, estou desapontado. Se você mudar de ideia, eu quero saber.” “Excelente decisão, Anne,” Galen disse em voz alta o suficiente para Vance ouvir. “Idiota. Você ganhou essa, mano,” Vance respondeu. “Espero que você saiba o prêmio que você tem. Te vejo daqui a pouco.” “Caso Sally não tenha te falado, você vai cozinhar esta noite.” Galen fechou o telefone sobre a maldição de seu co-marido. Dan sorriu para Galen, depois fixou Anne com um olhar intenso. “Minha vez.” Ele se inclinou para frente. “Você não acha que é hora de voltar para a aplicação da lei, lugar a que pertence? Nós temos uma vaga — e eu sei que você vai achar minha estação mais a seu gosto do que a arcaica onde você começou.” Ela sorriu para ele. Ele tinha estado atrás dela durante anos para se juntar à força. Para a polícia, a recuperação de fugitivo era um mal-necessário, mas não mantido em altorespeito. E em toda a realidade, muitos dos agentes eram aspirantes a policiais que não tinham se encaixado no trabalho de aplicação da lei. Ela era a raridade que tinha passado para o lado oposto. 423


Não era bom ser desejada? Ela apertou a mão de Ben antes de dizer a Dan, “Receio que não iria funcionar. Estou procurando algo a tempo parcial.” A exalação de alívio de Ben foi audível. Ele não ficaria em seu caminho, mas preocuparia seu coração se ela trabalhasse na polícia. Assim como ela ficaria se ele escolhesse essa carreira, na verdade. Dan suspirou. “Bom.” Ele olhou para Galen. “Você poderia contratá-la para apresentar seminários de rastreamento de fugitivos em minha estação?” O olhar de Galen encontrou o dela. “Você está aceitando minha oferta?” “Assumindo que os contratos e tudo mais parece bom, sim. Eu ficaria encantada de trabalhar para você.” “Mau necessário.” Ele ofereceu a mão, e eles selaram o acordo com um aperto. “Estamos acertados.” Ele se virou para Dan. “Vamos mapear algo para você acessar a experiência dela.” “Anne!” A voz familiar a fez se virar e ver seus dois tios subindo os degraus. Bela maneira de estragar um belo dia. Ela fixou um olhar acusador sobre seu pai. Ele obviamente tinha dito a seus irmãos que ela estava em casa e que teria uma festa. Quando ele estendeu as mãos em um gesto de “O que eu poderia fazer?,” a mãe de Anne olhou feio para ele também.

***** Pela maneira como os dois entrantes pareciam com o pai de Anne, Ben deduziu que eles fossem os tios imbecis da empresa de fiança. Lutando contra a irritação e diversão, ele apertou a

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coxa de Anne e disse em voz baixa, “Tenho a sensação que seu pai vai estar dormindo no sofá novamente esta noite. Quer que eu descarte o lixo para você, Mistress?” Divertimento substituiu sua expressão congelada, e ela lhe deu um leve beijo. “Posso lidar com meus tios — e eu te amo.” Isso foi definitivamente sua vitória. Levantando-se, ele tomou uma posição em que poderia protegê-la de seis. “Agora, Elaine, não fique com raiva de Stephan,” disse o tio de cabelos grisalhos. “Anne, perguntamos a ele se poderíamos passar por aqui e pedir desculpas.” Com a auto possessão de uma Mistress, Anne cruzou as mãos no colo. “Tudo bem, tio Matt. Vá em frente.” Com a cabeça inclinada, ela esperou por seu pedido de desculpas. Ela ia colocá-los no lugar. Mordendo uma risada, Ben viu Travis e Harrison fazer o mesmo. Matt ficou boquiaberto por um segundo e depois olhou para o outro. “Russell, diga a ela.” “Certo.” Russell passou a mão sobre a cabeça careca brilhante. “Nós queremos que você volte, sobrinha. Vamos deixá-la assumir a equipe novamente.” “Nós precisamos de você,” Matt disse. “Ninguém é tão bom quanto você no rastreamento de fugitivos.” “Qualquer pessoa no negócio na Flórida sabe que ela é a melhor.” Abertamente divertido, Galen interrompeu. Sua submissa intrometida, sem dúvidas, o havia mantido informado das fofocas do Shadowlands — incluindo a briga de Anne com seus tios. “É por isso que eu a contratei no minuto em que ela estava livre.” “O quê... Você fez o quê?” O rosto de Russell ficou vermelho. “Quem diabos é você?” “Eu sou um homem que aprecia o talento e vai pagar bem pelo privilégio de ter Anne na minha empresa,” Galen disse facilmente. “Ainda melhor, eu cheguei aqui antes de os federais fazerem sua oferta.” “Federais?” 425


À voz nasal, Ben avistou o primo idiota de Anne, Robert. Harrison se endireitou. Fechando a cara, Travis entregou o gatinho para a mãe de Anne. A festa estava indo ladeira abaixo rapidamente. E, no entanto, Anne ainda estava sentada, fria e composta. Havia momentos em que ele apreciava sua armadura de Mistress. “Ela abandonou a força policial.” Juntando-se a seu pai, Robert perguntou a Galen, “Ela lhe disse que o FBI a queria? E você acreditou?” “Na verdade, meu ex-parceiro da agência, Agente Especial Buchanan, fez a oferta e ficou muito chateado que ela recusou.” Galen tinha um sorriso de lobo. “Eu ganhei.” “Não sei sua fonte de informação, rapaz, mas ela não abandonou,” Dan disse. “Ela se demitiu da força. Muitos de nós temos tentado trazê-la de volta, onde é o seu lugar.” Quando o Detetive Sawyer se recostou na cadeira, sua jaqueta abriu o suficiente para permitir a todos uma boa olhada em sua arma no coldre. Isso silenciou o primo razoavelmente bem. Ben encontrou o olhar de Dan e viu tanto diversão — quanto impaciência. O policial tinha uma baixa tolerância para idiotas. “Anne,” Matt lamentou. “Você realmente conseguiu um emprego em outro lugar?” “Sim.” Anne inclinou a cabeça. “Senhores,” disse ela friamente, “se vocês não desejam oferecer esse pedido de desculpas, por favor, removam-se de minha propriedade.” Russell inchou. “Nós já—” “Na verdade, vocês não fizeram. Eu não ouvi nenhuma frase contendo as palavras perdoar ou desculpe.” O pai de Anne cruzou os braços sobre o peito. “Minha ga — Anne construiu para vocês a melhor equipe na Flórida, e vocês entregaram sua equipe para seu filho incompetente. Isso mostrou seus desrespeito a Anne — e não foi justo com seus agentes também.” “Tio Stephan, os caras queriam a mim. Não ela,” Robert gritou. 426


“É claro que queriam,” Travis disse sarcasticamente. “Dois dos palermas a tempo parcial queriam um homem — não particularmente você. O resto queria a pessoa que os representava numa equipe e que os mantinha seguros. Não o idiota covarde que estragou as três últimas apreensões com sua arrogância, que quase conseguiu Aaron morto, e que conseguiu Michael ferido.” Anne estava de pé. “Travis, é —” Ela tinha ido pálida. Maldição, ela não deveria ter que lidar com essa porcaria. Ben colocou o braço em volta dela e senti-la tremer. “Ele está bem, mana. Todos eles estão. Mas bastou apenas três vezes com o idiota aqui e os homens estão abandonando o barco.” “A equipe é sua, se você voltar, Anne.” Matt dirigiu um olhar severo para o pai de Robert, que permaneceu em silêncio. “Obrigada, mas não,” Anne disse firmemente. Ben aplaudiu silenciosamente. Ela não precisava dessas merdas. Galen iria valorizá-la. Ela continuou. “Eu não vou voltar. Talvez se vocês removessem Robert — completamente — e fizessem Aaron o líder da equipe, vocês possam manter seus agentes.” Os ombros de Matt caíram. “Compreendo. Nós vamos dar o trabalho a Aaron.” “Vocês o quê?” Robert gritou. “Você vai dar ouvidos a essa cadela?” Ben rosnou. A mão erguida de Anne segurou Ben no lugar. Ela franziu a testa. “Ben, você alguma vez visitou o escritório de fiança para me ver?” “Não. Nunca estive lá.” Quando o olhar dela se voltou para Robert, o idiota ficou branco. “Eu não conseguia descobrir como os bastardos de ontem à noite tiveram meu endereço,” ela disse. “Mas uma semana atrás, alguém te bateu. Você disse que tinha sido Ben.” Robert deu um passo atrás na ameaça na voz de Anne. 427


Ela colocou ambas as mãos sobre a mesa e o fitou com um olhar frio. “Acho que aqueles caras foram no escritório, deram um bofetão em você, e você disse a eles onde eu morava. E você nunca sequer me avisou.” “Eu nunca...” Robert gaguejou, os olhos se deslocando para o lado. Cada pessoa na varanda podia ver sua culpa. Conforme fúria rugia através de Ben, ele se moveu para frente. Parou. Ele estava certo de que Anne podia rasgar o cagão. Mas maldição. “Anne. Por favor?” Ela sorriu e deu um tapinha na barriga. “Sinta-se livre para cuidar dessas pequenas tarefas para mim... Por um tempo. Não o mate.” “Porra, eu te amo.” Ben avançou sobre o idiota, girou em seu quadril — e, obedientemente, puxou seu soco. Mal. Robert voou do outro lado da cobertura. Com os braços cruzados sobre o peito, Ben esperou que o idiota se levantasse. Em vez disso, ele ficou lá, deitado de costas. Eventualmente, ele colocou a mão na mandíbula. Os elogios não significavam nada em comparação com o suave de Anne; “Excelente trabalho, meu tigre.” “Ok, quero saber uma coisa.” Stephan fez uma careta para a filha, não muito belicosa, mas, obviamente irritada. “Na noite passada, você gritou comigo por Ben ter ficado esperando para defendê-la. Disse que você podia fazer isso sozinha. Então, por que é diferente hoje?” Ele acenou para Robert. “Bem, na verdade, na noite passada eu não tinha nenhuma escolha quanto ao conflito,” Anne disse, “e uma vez que comecei, eu meio que perdi a calma. Ben sabia que eu precisava liberar um pouco da raiva.” Ben deu de ombros para seu pai. “Sua casa. Seus brinquedos.”

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“Depois que me acalmei, eu percebi que não deveria ter me... Satisfeito.” Ela deu a Ben um olhar irônico, porque quando ele tinha entendido o quanto ela havia se arriscado e ao bebê, ele lhe dera um inferno. “Então, hoje Ben teve que lidar com o problema.” Com um sorriso, Ben pegou sua mão, silenciosamente deixando-a saber que ele estava disponível para lidar com todos os seus pequenos problemas. A qualquer hora. Em qualquer lugar. Travis retrucou. “Desde quando você não se satisfaz? Você tem batido em caras todas as semanas desde que tinha dez anos.” Oh, sim? Seria divertido ouvir algumas dessas histórias. Talvez se ele desse bastante álcool a Travis... “Meus dias de satisfação pararam por... oh, mais sete meses mais ou menos. Até depois que o bebê nascer.” Anne colocou a mão na barriga e sorriu. Quando o tumulto começou, ela se inclinou para Ben, agarrou seu cabelo, e demonstrou que para ela se satisfazer seria em uma arena completamente diferente. Com satisfação, Ben a puxou para mais perto e lhe deu tudo que ela exigiu, sabendo que seu coração, e mente, e alma estavam a salvo nas mãos muito capazes e amorosas dela. A missão tinha sido longa e cheia de perigo, mas de alguma forma — alguma-fodidamenteboa-forma — ele tinha ganhado para si o amor da Mistress do Shadowlands. Bem feito, Haugen. Bravo Zulu.

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Cherise sinclair mestres do shadowlands 10 atingindo o alvo  
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