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05 de junho de 2013

ECONOMIA

Rodeios custam até R$ 8 milhões Principais gastos dizem respeito aos shows de sertanejos e à estrutura do evento, como camarotes e arquibancadas Raul Pereira

Alyne Martinez

O

rganizado para receber um público com pelo menos 15 mil pessoas por dia, caso de festas como a de Salto, de pequeno porte, um rodeio vai muito além dos dias de shows. Toda a organização leva, no mínimo, um ano, envolvendo contato com pessoas de várias áreas para trazer um cenário composto por camarotes, palco, iluminação e som. Tudo isso movimenta cifras milionárias. Os organizadores de rodeios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) afirmam que se chega a gastar até R$ 8 milhões para criar a estrutura dos shows e montarias. Ao terminar um rodeio, a organização já se prepara para o ano seguinte, na busca por patrocinadores, modelos de montagens, definindo a programação e os dias em que ocorrerão as atrações, além do principal, calculando os gastos. O organizador da Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Indaiatuba (Faici), José Marques Barbosa, explica que, para montar uma festa, é necessária a participação de pelo menos 500 pessoas diretamente. Elas ficam o ano inteiro cuidando dos detalhes, fazendo contratações e consultando preços. Cerca de outras 800 pessoas de empresas terceirizadas são contratadas para ajudar nos dias do evento. A estrutura física (palco, iluminação e

Camarote Vip Fusion, em Jaguariúna: preço variava, por dia, de R$ 70,00 a R$ 250,00, sem direito à consumação

som, por exemplo) começa a ser montada com 40 dias de antecedência. Os preços das atrações variam de acordo com os artistas escolhidos para os shows e o preço de mercado. Um show de Luan Santana, um dos mais requisitados em rodeios, chega a custar R$ 300 mil. Já ter Zezé di Camargo e Luciano entre as atrações, uma das duplas mais consagradas da música sertaneja, fica em cerca de R$ 100 mil. Assim como o preço dos artistas, quem assiste aos shows pode desembolsar valores que podem chegar, na região, a R$ 3 mil por pessoa por dia. O camarote individual na festa de peão de Indaiatuba, entre 30 de abril e 4 de maio, por exemplo, chegou, neste ano, a ser

vendido ao preço de R$ 50 por dia. O pacote para 10 pessoas custava R$ 3,5 mil para os seis dias. Quem se organizava em grupos de 20 pessoas pagava R$ 6,5 mil. O grupo de 30 pessoas, R$ 10 mil. Na festa do peão de Americana, entre 12 e 23 de junho, os preços dos camarotes individuais, como o elite (espaço reservado junto aos camarotes corporativos, com iluminação hi-tech, TVs de LED, bar, garçons e seguranças) variam entre R$ 50,00 a R$ 200,00 dependendo da atração do dia. Já o camarote Brahma Country, com open-bar de chopp Brahma, buffet, área de recepção de luxo, camisa exclusiva (de uso obrigatório, com a possibilidade

Camarote Brahma, em Jaguariúna: frequentadores obrigados a usar camisa exclusiva

de customização) e um espaço para cuidados de beleza, chega a custar entre R$ 150,00 e R$ 450,00 por dia para as mulheres. Os homens pagam mais caro, entre R$ 180,00 a R$ 500,00. No camarote Vip Fusion Super Bull (VFSB), que tem também balada e espaço gastronômico, o ingresso feminino custa de R$ 70 a R$ 200 e o masculino, de R$ 100 a R$ 250. O minicamarote VFSB para 10 pessoas chega custar R$1,5 mil a R$ 3 mil por dia e o passaporte para todos os dias R$565,00. O gasto desses rodeios não pode se comparar ao maior do mundo, o de Barretos. “É outra estrutura. É uma festa tradicional. Seria como comparar o Maracanã com o Primavera de Indaiatuba”, diz Barbosa se referindo ao estádio da cidade da RMC. Segundo Barbosa, o rodeio de Barretos tem uma estrutura fixa e vários palcos, o que não é possível nos rodeios da RMC, que contam com pequena estrutura e apenas um palco. O rodeio de Barretos chega a atrair 300 mil pessoas. “É evidente a transformação dos rodeios. Hoje, são espetáculos para milhares de pessoas, com grandes atrações musicais.” afirma Rosa Nepomuceno, autora

do livro “Música Caipira da roça ao rodeio” (Editora 34, R$ 64,00 , 440 páginas), ao comparar o rodeio atual com as edições mais antigas, que eram restritas às cidades do interior e que tinha apenas a montaria sobre bois. As pessoas do interior, que antes eram chamadas de caipiras, também por assistir assiduamente aos rodeios de montarias, hoje recebem o título de sertanejos, graças à chegada da prática às cidades. Em meio ao preconceito com esse tipo de evento, uma forma de ganhar público e aumentar as arrecadações e reconhecimento foi ampliar as atrações. Iniciou-se, nesse período, a inserção de shows em rodeios, chamando cantores de músicas caipiras ou, como é conhecido hoje, o estilo música de raiz. “Antigamente, eram rodeios para o pessoal que vivia de comprar, vender, domar gado”, explica Rosa. Conquistando a população das grandes cidades, o rodeio optou por continuar investindo em shows, tornando-se um exemplo de indústria cultural. Montarias começam a ser substituídas por espetáculos que geram maior lucro, tirando a essência do evento para investir em uma estrutura.

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