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05 de junho de 2013 comportamento

Casados sim, endividados não Casais precisam se planejar financeiramente para não cair em dívidas causadas pela cerimônia e pelos gastos extras Divulgação

Heloíse Santos

O

sonho do casamento pode se tornar um pesadelo se o casal não tiver consciência da necessidade de economia e de planejamento financeiro antes de trocar as alianças. Os gastos são muitos e todo mundo quer começar a vida de casado com festa, viagem e casa nova, o que exige compromisso com o saldo bancário. A educadora financeira Gisele Kobayashi orienta diversos casais e afirma que não adianta nada só pensar no amor. Gisele tem uma empresa que presta consultoria econômica não só para casais, mas para profissionais, aposentados e famílias de modo geral. No caso de casais, eles devem levar em conta que o matrimônio tem certos compromissos que devem ser cumpridos a dois. “A partir do momento em que o casal decide se casar, eles devem colocar no papel o que realmente vão precisar e que custos vão ter, como a casa nova, os móveis, festa de casamento, viagem de lua de mel, tudo isso eles vão ter que colocar num papel, ou em uma planilha, para começar o casamento sem dívida nenhuma”, explica Gisele. No momento em que as economias forem começar, Gisele defende que é preciso uma postura radical, em que cerca de 60% da renda dos dois deve ser economizada para evitar cair em dívidas e ter o caixa suficiente para todos os gastos do casamento e dos primeiros meses de vida a dois. Júlia Costa, de 22 anos e Vinne Dona, de 24, ficaram noivos neste ano e pretendem se casar em 2014. O casal que pretende montar um negócio decidiu que todos os gastos deverão ser divididos igualmente e, como não fizeram poupança, vão realizar um investimento por mês para não pesar no orçamento. “Fizemos uma lista de tudo o que vamos

Andrea e Fabrício foram morar juntos há quatro meses e, colocando gastos no papel, deixaram de lado as tradições

ter que gastar e um orçamento máximo também. E optamos por fazer uma cerimônia simples para gastar mais na lua de mel. Como ainda falta mais de um ano, teremos bastante tempo para pagar tudo e não ter dívidas depois do casamento”, conta Júlia. Gisele explica ainda que, para que não haja problemas entre o casal devido às contas, o mais organizado deve ser o responsável por organizar os gastos em uma planilha, enquanto o outro deve juntar todos os comprovantes, computando o que gastou na rua. “Infelizmente, muitos casais não fazem isso, e há muitas separações porque não houve essa conversa antes. Vale a pena conversar enquanto está namorando, cada um lida com o orçamento doméstico de uma forma diferente. Então, é bom conversar antes para ver como será”, afirma Gisele. Casados há seis anos, Helen Decrescenso, de 28 anos, e Diego Decrescenso, de 30, fizeram uma planilha de gastos antes do casamento e também economizaram. “Econo-

mizamos muito. Porque, para casar, é preciso muito investimento. Com isso, deixamos de sair para comer fora. Gastamos com roupas e calçados apenas o necessário, isso durante os primeiros meses que são mais puxados”, afirma Helen. Nos gastos, entraram, por exemplo, o planejamento do cerimonial, da festa e da viagem de lua-de-mel. Há casais que buscam a realização de um casamento e investem nesse sonho. Por outro lado, há casais que optam por morar juntos e não gastar tanto com cerimônia, festa e tudo o mais. É o caso da estudante Andrea Nuñez, de 21 anos, e do graduando em Administração Fabrício da Costa, de 29, que moram juntos há quatro meses. Andrea explica que, mesmo sem a união no papel, morar junto também tem seus gastos e suas responsabilidades.“Nós dividimos tudo: compras de mercado, aluguel, conta de energia elétrica, inclusive qualquer gasto extra que surja é dividido, como um chuveiro queimar e ter de comprar resistor, por

exemplo. E, se, por um acaso, um não puder ajudar naquele momento, o outro cobre e depois acertamos as contas”, explica. Além dessas responsabilidades o casal tem uma poupança conjunta para os projetos futuros, como o de ir morar em São Paulo, o que só vai acontecer quando conseguirem ter dinheiro suficiente para mobiliar uma residência. Nas condições em que foram viver juntos, o casal acaba economizando se comparados os gastos que teriam caso morassem sozinhos. Mas, para isso, foi preciso ter uma casa já mobiliada, no Parque das Universidades, local em que a oferta desse tipo de quitinetes é bastante comum, em razão do número de estudantes que vêm de outras cidades.

“Sobre móveis, não gastamos com isso, pois mor amos em kitnet mobiliada, só trouxemos mesa de computador e rack para televisão, além dos pertences pessoais. Se tivéssemos que comprar tudo agora, não teríamos como nos mudar. A poupança para São Paulo inclui valores referentes a móveis, mas isso a longo prazo” , explica Andrea. Para Fabrício, outros investimentos são mais importantes do que a realização de uma festa de casamento ou de uma casa nova. “Festa de casamento da maneira como a maioria das pessoas está acostumada a preparar é algo muito dispendioso e desnecessário. Já que para celebrar a união, pode ser mais valorizado por meio de uma grande viagem, por exemplo,” afirmou.

planejamento

Dos 100% das finanças do casal: 30% devem ser destinados para dividas fixas (água, luz, compras,etc) 10% devem ser destinados para o lazer 60% devem ser destinados a poupança

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